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Numero do processo: 13609.721178/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
DA PRELIMINAR DE NULIDADE.
Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO.
A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal.
ÁREA DE BENFEITORIAS. FORMULAÇÃO INICIAL EXAURIDA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
A formulação inicial exaure e delimita o contorno da lide administrativa instaurada. Descabe a insurgência para complementar pedido já julgado pela decisão de primeira instância, resta preclusa a discussão quanto ao cômputo da área de benfeitorias como exclusão da área tributável.
DA ÁREA DE PASTAGEM.
A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da Norma Brasileira NBR ABNT 146533-3.
Numero da decisão: 2301-005.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir como Área Total do Imóvel 3.028,9671 hectares e como Área de Pastagens 1.410,6 hectares, vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator) e Wesley Rocha, que deram provimento integral ao recurso, e os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Antônio Sávio Nastureles, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e Wesley Rocha.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. ÁREA DE BENFEITORIAS. FORMULAÇÃO INICIAL EXAURIDA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A formulação inicial exaure e delimita o contorno da lide administrativa instaurada. Descabe a insurgência para complementar pedido já julgado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 11 78 /2 01 3- 13 Fl. 296DF CARF MF 2 decisão de primeira instância, resta preclusa a discussão quanto ao cômputo da área de benfeitorias como exclusão da área tributável. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da Norma Brasileira NBR ABNT 1465333. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir como Área Total do Imóvel 3.028,9671 hectares e como Área de Pastagens 1.410,6 hectares, vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator) e Wesley Rocha, que deram provimento integral ao recurso, e os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Antônio Sávio Nastureles, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 03060.979, de 30/04/2014, (fls. 68 a 82). Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 3 3 Pela Notificação de Lançamento nº 06113/00015/2013, de fls. 06/09, emitida em 17/06/2013, o Contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 829.398,77 resultante do lançamento suplementar do ITR/2010, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Curralinho ou Engenho Velho” (NIRF 2.733.7413), com área total declarada de 3.209,6 ha, localizado no município de Paracatu MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2010, incidente em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal Nº 06113/00005/2013, de fls. 02/03, encaminhado ao Contribuinte em 17/01/2013 (fls. 04), porém devolvido em 23/01/2013. Tendo em vista a impossibilidade de intimar o Contribuinte por via postal, foi emitido e afixado o Edital nº 1, de 15/04/2013, com data de ciência para 30/04/2013, fls. 05. O referido Termo solicitava ao Contribuinte que apresentasse, além dos documentos inerentes à comprovação dos dados cadastrais relativos à sua identificação e do imóvel (matrícula atualizada e CCIR/INCRA), os seguintes documentos: fichas de vacinação expedidas por órgão competente, acompanhadas das notas fiscais de aquisição de vacinas; demonstrativo de movimentação de gado/rebanho (DMG/DMR emitidos pelos Estados); notas fiscais de produtor referente a compra/venda de gado, para comprovação do rebanho existente no período de 01/01/2009 a 31/12/2009; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. Por falta de manifestação do Contribuinte e procedendo à análise das informações constantes da DITR/20010, a fiscalização lavrou a referida Notificação de Lançamento, onde glosou integralmente as áreas de produtos vegetais (35,0 ha) e de pastagens (2.600,0 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 200.000,00 (R$ 62,31/ha), arbitrando o valor de R$ 4.814.400,00 (R$ 1.500,00/ha), com base no SIPT da RFB, com consequente redução da área utilizada na atividade rural e do Grau de Utilização e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada, disto resultando imposto suplementar de R$ 413.438,40, conforme demonstrado às fls. 08. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 07 e 09. Cientificado do lançamento em 24/06/2013 (fls. 10), o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 22, ofertou em 23/07/2013 a impugnação de fls. 11/21 e documentos de fls. 22/62. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: Embora a área registrada seja de 3.209,6 ha, a área real é de 3.014,8 ha, conforme georreferenciamento; transcreve o art. 12, incisos I, II e III, do Decreto nº 70.235/1972, para afirmar que o Fisco deveria ter esgotado todas as formas de intimação previstas no citado dispositivo legal, antes que fosse providenciada a publicação do Edital, ensejando a nulidade da intimação via edital e, por conseguinte, a desconstituição do lançamento; transcreve, parcialmente, jurisprudência do STJ para referendar suas alegações; informa que seu endereço à época da intimação e da impugnação permanece o mesmo; diante Fl. 298DF CARF MF 4 disso, requer seja decretada a nulidade do Termo de Intimação Fiscal ITR 06113/00005/2013, efetuado via edital, e, conseqüentemente, seja desconstituída a notificação de lançamento n° 06113/00014/2013, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DITR; no mérito, afirma que foi declarada na DITR/2010 uma área de 2.600,0 ha de pastagens, entretanto, comprova por meio de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, que da área total do imóvel, 1.410,7396 ha são utilizados como área de pastagens; por isso não se pode considerar que no imóvel inexista área de pastagens, quando, em verdade, a área utilizada para essa modalidade encontrase comprovada por meio de laudo técnico; quanto ao VTN, o Fisco considerou como valor total do imóvel o montante de R$ 6.564.400,00, sendo que na DITR/2010 havia sido declarado o valor total de R$ 1.950.000,00, conforme consta do laudo de avaliação elaborado por engenheiro agrônomo;; não é possível admitir fixação do valor do imóvel nos parâmetros estabelecidos pelo fisco, razão pela qual requer a modificação da declaração para fazer constar o valor acima indicado; o fisco considerou 100% da área total do imóvel como sendo passível de tributação, contudo o laudo técnico comprova que 1.443,3379 ha são áreas de preservação permanente, 147,7915 ha são áreas cobertas com florestas nativas e 12,9363 ha são áreas com benfeitorias úteis/necessárias à atividade rural; nos termos do art. 10, § 1º, II, "a" e "e", da Lei n° 9393/96, é tributável a área total do imóvel, menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/1989 e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; de igual forma, nos termos do art. 10, § 1º, IV, "a" da Lei n° 9393/96, da área aproveitável, deverão ser excluídas aquelas áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; cita jurisprudência de Tribunais para referendar suas alegações; nesse contexto, devem ser excluídas da área tributável, as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as áreas cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as áreas ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363ha), tudo conforme comprovado através do laudo técnico que segue anexado, promovendo, inclusive, a modificação do DIAT; Requer: Em preliminar, requereu ainda que seja decretada a nulidade do termo de intimação e desconstituída a notificação de lançamento, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DIAT. Por fim, no mérito, requereu que seja considerada a área de pastagens de 1.410,7396 ha, o VTN como sendo de R$ 1.950.000,00, sejam excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363ha). A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 4 5 interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE FLORESTAS NATIVAS. Para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada a glosa integral feita pela Autoridade Fiscal na área declarada de produtos vegetais, por não ter sido expressamente contestada nos autos, nos termos da legislação processual. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e Fl. 300DF CARF MF 6 que esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão 03060.978 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/05/2014 (fl. 86), mediante Aviso de Recebimento AR. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 102 a 112) reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Em suas razões, alega preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que a intimação do Termo de Intimação Fiscal se deu via edital. Acosta jurisprudência e cita legislação que entende pertinente. O recorrente acosta documentação elencada à fl. 113 e no mérito aduz que: · Da Área Total do Imóvel que a fazenda Engenho Velho ou Curralinho está registrada na SRF sob o NIRF nº 2.733.7413, dotada de área total de 3.209,6 hectares, que após a certificação do georeferenciamento emitida pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Minas Gerais (INCRAMG), datada de 03 de junho de 2013, a área total da propriedade passou a ser 3.028,9671 hectares, que as áreas supracitadas foram registradas no dia 08/04/2014 no Cartório de Registro de Imóveis Geraldo Campos; · Que foram emitidas 3 novas matrículas pelo cartório de Registro de Imóveis, a fim de englobar toda a propriedade georreferenciada; · Que desse valor total da área, restou dividido em três: área da gleba 1 (2.744,7174 hectares), área da gleba 2 (278,5756 hectares), totalizando como área do imóvel 3.023,2930 hectares, acrescido ainda da área da rodovia MG 188 (5,6741 hectares); · que o trabalho realizado de georreferenciamento foi elaborado e executado de acordo com Norma Técnica de Georreferenciamento de Imóveis Rurais do INCRA, conforme declarado pelo responsável técnico Denilson Aparecido da Silva Das Áreas Ambientas de Preservação Permanente e de Florestas Nativas que os membros da 1ª Turma não acataram as pretendidas áreas apresentadas por não terem sido apresentados documentos satisfatórios; · que apesar da inobservância quanto à apresentação da ADA do exercício de 2010, junto ao IBAMA, o contribuinte trouxe aos autos um conjunto probatório que baliza as informações prestadas. Acosta jurisprudência que através das matrículas nº 4.131, 17.912 e 12.873, acolhidas pela nova matrícula do imóvel, a existência de 647 hectares de reserva florestal legal, como norteadora da existência de áreas ambientais de preservação permanente APP, o Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 5 7 contribuinte apresenta a Planta do Imóvel Georreferenciado, pontuando as APP, AFN, etc que através da planta verificase que há extensivo rio e suas áreas de APP margeando o leito maior sazonal, conforme determinada art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 14.309/2002; · que há inúmeras veredas com suas APP; · que o somatório das APP representam 796,337 hectares que a Área de Floresta Nativa AFN, totaliza 147,791 hectares. · que o ADA Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 2013 e 2014 consolida essas informações. Requer seja considerado como Área de Preservação Permanente APP a área de 796,337 hectares, Área de Reserva Legal – ARL a área de 647,0 e Área de Floresta Nativa AFN a área de 147,791 hectares, excluídas da área tributável. Da Área de Pastagem que a autoridade fiscal manteve a glosa no que diz respeito à área de pastagens em 2.600,00 hectares, constantes da DITR/2010 que para comprovar a quantidade de cabeças de animais apascentados no imóvel, o contribuinte apresenta a Ficha Sanitária do ano de 2009, emitida pelo Órgão de Defesa da Agropecuária do Estado de Minas Gerais, contendo 149 cabeças de até 12 meses, 238 cabeças de 13 a 24 meses e 180 cabeças com mais de 36 meses, totalizando 567 bovinos. Requer que a área total de pastagem seja considerada em 1.410,6 hectares. Do Valor da Terra Nua Alega que o Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2010, estava avaliado em R$ 577,44/ha (por hectare), totalizando R$ 1.749.046,76. Aduz que não cabe prosperar a manutenção da tributação arbitrada pela autoridade fiscal, com base na SIPT, razão pela qual o contribuinte requer a modificação da declaração para fazer constar o valor mencionado. Da Área de Benfeitorias Úteis e Necessárias Informa que na matrícula nº 24.858 é apresentada faixa da Rodovia MG 1898, totalizando 5,6741 hectares. Alega que o Laudo Técnico de Avaliação e a Planta do Imóvel Georreferenciado comprova as áreas de benfeitorias úteis e necessárias a atividade rural, totalizando a área de 21,565 hectares. Requer seja excluída da área tributável a área de 27,2391 hectares. Resumidamente, o contribuinte postula que seja considerado: * Área total do Imóvel 3.028.9671 hectares *Área de Preservação Permanente – APP de 796,337 hectares * Área de Reserva Legal – ARL de 647,0 hectares *Área de Floresta Nativa – AFN de 147,791 hectares Fl. 302DF CARF MF 8 *Áreas de Benfeitorias Úteis de 27,2391 hectares * Área de Pastagem 1.410,6 hectares * Valor da Terra Nua – VTN para 2010 de R$ 577,44/ha, totalizando R$ 1.749.046,76. Assim, o Recorrente requer que seja excluída da área tributável as APP, ARL, AFN e as ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias. Em 16 de agosto de 2016, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF emitiu a Resolução n. 2301000.625 (fls. 248 a 255), convertendo o julgamento em diligência para que os autos fossem encaminhados ao Auditor Fiscal autuante, a fim de que o mesmo analise os documentos trazidos pelo contribuinte em relação a existência de rebanho apascentado na área destinada a pastagem, assim como seja feito exame se há compatibilidade entre a área pretendida de 1.410,6 ha de pastagem, e o rebanho existente conforme documentos de fls. 239/242. Em 16 de fevereiro de 2017, foi emitida a Informação Fiscal (fl. 260), pela qual o Auditor Fiscal autuante avalia a ficha sanitária de vacinação emitida pelo Órgão de Defesa Agropecuária do Estado de Minas Gerais, pela qual existiam na propriedade 567 bovinos em maio de 2009 e 411 em novembro. Assim, o Auditor considera a média de animais existentes durante o ano para fins de determinação da quantidade do rebanho, de modo que considerase um rebanho ajustado de 489 cabeças de bovinos. Ademais, pondera que para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, deve ser considerada a área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, sendo que conforme a tabela constante do Anexo I da IN RFB 256/2002, o índice de lotação por zona pecuária para a cidade de Paracatu/MG é 0,25, o que daria um valor comparativo de 1.956 ha. (489 / 0,25), de modo que com fundamento na documentação apresentada, considerase um rebanho existente em 2009 de 489 cabeças de bovinos e que há compatibilidade entre o rebanho e a área servida de pastagem de 1.410,6 ha. (RITR/2002, art. 25; IN SRF nº 256, de 2002, arts. 24 e 25) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar de Nulidade em Função da Intimação por Edital O Recorrente requer a nulidade do lançamento em virtude de a intimação ter sido feita por edital, sendo que tal modalidade de intimação somente deveria ser utilizada quando as outras modalidades se mostrarem improfícuas. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 6 9 Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, o interessado, à luz do art. 23, § 1º, II, do Decreto nº 70.235/72, foi devidamente intimado, por meio do Edital nº 1/2013, de fls. 05, publicado em 15/04/2013, com data de ciência em 30/04/2013, para apresentar os documentos relacionados no referido Termo de Intimação Fiscal, de 02/03. Isto em razão ter sido infrutífera a tentativa de intimação por via postal, sendo devolvida a intimação encaminhada ao Contribuinte no endereço por ele indicado na sua DITR, exercícios de 2010 (Tela/Sucop de fls. 04); sendo que, nessa oportunidade constou como motivo da devolução, a ausência do Contribuinte (destinatário) ou de outra pessoa para receber tais documentos. Constatada que a intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal), realizada no domicílio informado pelo Contribuinte, restou improfícua, ela foi realizada por Edital. Vale ressaltar que o Decreto nº 70.235/72 não estabelece ordem de preferência que deva ser seguida para que se realize a intimação por Edital e tanto isso é verdade que o § 1º do seu art. 23 é expresso ao dizer “Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo...”, assim, basta que um só dos meios tenha sido utilizado e restado improfícuo para que possa ocorrer a intimação por Edital, não obstante entendimento diverso do impugnante. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 304DF CARF MF 10 No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa em função da intimação ter sido feita por edital, de modo que o contribuinte preparou detalhada impugnação e Recurso Voluntário para apresentar seus argumentos, exercendo plenamente sua ampla defesa. Assim, contendo a Notificação de Lançamento os requisitos legais, estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, constando devidamente identificada e motivada a irregularidade apuração pela autoridade fiscal (subavaliação do VTN declarado e arbitramento de novo valor com base no SIPT da RFB) e tendo o interessado, após dela ter tomado ciência, protocolado a sua impugnação, dentro do prazo legal, não há que se falar em nulidade, por ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Dessa forma, e enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 PAF, é incabível o pretendido cancelamento, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Da Área Total do Imóvel No que se refere à área total do imóvel, o Contribuinte alega que embora a área total registrada do imóvel seja de 3.209,6 ha, houve certificação do georeferenciamento emitida pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Minas Gerais (INCRAMG), datada de 03 de junho de 2013, pelo qual a área total da propriedade passou a ser 3.028,9671 hectares, sendo que as áreas supracitadas foram registradas no dia 08/04/2014 no Cartório de Registro de Imóveis Geraldo Campos. Para tanto, foram emitidas 3 novas matrículas pelo cartório de Registro de Imóveis, a fim de englobar toda a propriedade georreferenciada, sendo que do valor total da área, restou dividido em três: área da gleba 1 (2.744,7174 hectares – matrícula 24.856 – fls. 138 e ss), área da gleba 2 (278,5756 hectares – matrícula 24.857 – fls. 130 e ss), totalizando como área do imóvel 3.023,2930 hectares, acrescido ainda da área da rodovia MG 188 (5,6741 hectares – matrícula 24.858 – fls. 150 e ss). Vale ressaltar, ainda, que o trabalho realizado de georreferenciamento foi elaborado e executado de acordo com Norma Técnica de Georreferenciamento de Imóveis Rurais do INCRA, conforme declarado pelo responsável técnico Denilson Aparecido da Silva Das Áreas Ambientas de Preservação Permanente e de Florestas Nativas que os membros da 1ª Turma não acataram as pretendidas áreas apresentadas por não terem sido apresentados documentos satisfatórios. Assim, em que pese a informação sobre a área total do imóvel não estivesse devidamente certificada no exercício relativo ao presente lançamento, tratase de questão de fato sobre a qual a tributação deve se fundamentar, ainda que tal fato tenha sido devidamente certificado em um momento posterior. Cumpre lembrar que o artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional dispõe que o lançamento pode ser revisto de ofício quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior, conforme pode ser observado abaixo: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 7 11 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; No próprio Acórdão da DRJ, consta que os documentos acostados aos autos, por si só, não autorizariam que fosse procedida à alteração pretendida pelo requerente em relação à área total do imóvel, para efeito de apuração do ITR, do exercício de 2010, fazendo se necessário comprovar nos autos que tenha sido providenciada a necessária averbação da retificação da área originária do imóvel à margem da sua matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, nos termos dos artigos 212 e 213 da Lei nº 6.015, de 31.12.1973 (Lei de Registros Públicos), de modo que o contribuinte efetuou a atualização e registro do imóvel. Ante o exposto, o lançamento deve ser ajustado para que a área total a ser considerada seja alterada de 3.209,6 hectares para 3.028,9671 hectares. Das Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas Em que pese o entendimento manifestado no Acórdão da DRJ, no sentido de que para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, tal qual inclusive previsto no artigo 17O da Lei n. 6.938/81, é importante analisar qual vem sendo a interpretação dada a referido dispositivo. Nesse sentido, cumpre citar o Parecer n. 1.329/16 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo qual a PGFN é dispensada de recorrer em processos relacionados com a necessidade de exigência do ADA, uma vez que este teria natureza declaratória e não constitutivo, conforme pode ser observado abaixo: 17. Como dito anteriormente, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de ser inexigível a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal, dado que tal obrigação constava em ato normativo secundário – IN SRF nº 67, de 1997, sem o condão de vincular o contribuinte. 18. Contudo, a Lei nº 10.165, de 2000, ao dar nova redação ao art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, estabeleceu expressamente a previsão do ADA, de modo que, a partir da sua vigência, o fundamento do STJ parecia estar esvaziado. Dispõe o referido dispositivo que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 306DF CARF MF 12 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) 19. Ocorre que, logo após a entrada em vigor do artigo supra, a Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 20013, incluiu o § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, o qual instituiu a não sujeição da declaração do ITR à prévia comprovação do contribuinte, para fins de isenção. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. 20. Os dispositivos transcritos eram, em tese, compatíveis entre si, podendose depreender que o § 7º do artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996, tãosomente desobriga o contribuinte de comprovar previamente a existência do ADA, por ocasião da entrega da declaração de ITR, mas não excluiria a sua existência em si. 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 8 13 Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.166 67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, Fl. 308DF CARF MF 14 dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido" (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. Assim, diante do entendimento que vem sendo dado pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da falta de necessidade de apresentação do ADA para que seja usufruída a isenção do ITR, a própria PGFN está desobrigada de discutir tal assunto em juízo. No caso em tela, vale lembrar que ainda que não tenha apresentado o ADA do exercício de 2010, junto ao IBAMA, o contribuinte trouxe aos autos um conjunto probatório que baliza as informações prestadas. Além da informação da existência de 647 hectares de reserva florestal legal que já consta nas matrículas nº 4.131, 17.912 e 12.873, acolhidas pela nova matrícula do imóvel, o contribuinte apresentou a Planta do Imóvel Georreferenciado, pontuando as APP, AFN, etc, de modo que é possível observar que: há extensivo rio e suas áreas de APP margeando o leito maior sazonal, conforme determinada art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 9 15 14.309/2002; há inúmeras veredas com suas APP; o somatório das APP representam 796,337 hectares que a Área de Floresta Nativa AFN, totaliza 147,791 hectares. Vale ressaltar, ainda, que o ADA Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 2013 e 2014 consolida tais informações, de modo que o Recurso Voluntário deve ser provido para que sejam excluídas da área tributável pelo ITR a área de 796,337 hectares de Área de Preservação Permanente APP, a área de 647,0 de Área de Reserva Legal – ARL e a área de 147,791 hectares de Área de Floresta Nativa AFN. Das Áreas Utilizadas com Pastagens Verificouse que a autoridade fiscal promoveu a glosa integral da área de pastagens, de 2.600,0 ha. Para comprovação da área servida de pastagens, faziase necessário comprovar nos autos a existência de animais de grande e/ou médio porte apascentados no imóvel, no decorrer do anobase de 2009, em quantidades suficientes para justificala. No caso, para efeito de apuração da área servida de pastagens calculada, cabe observar o índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), no caso, 0,25 (zero vírgula vinte e cinco) cabeça de animais de grande porte por hectare (0,25 cab/ha), fixado para a região onde se situa o imóvel, nos termos da legislação aplicada à matéria (alínea “b”, inciso V, art. 10, da Lei nº 9.393/93, art. 25, incisos I e II da IN/SRF nº 0256/2002 e no art. 25 do Decreto nº 4.382/2002 – RITR). Nos termos da citada legislação, a área aceita de pastagens será a menor entre a área declarada e a área calculada, a ser apurada com base no rebanho comprovado, aplicado o índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), fixado para a região onde se situa o imóvel, no caso, de 0,25 (zero vírgula vinte e cinco) cabeça por hectare. No caso, constitui documento hábil para comprovação do rebanho apascentado no imóvel no decorrer do ano de 2009 (exercício 2010), por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gado e/ou ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritórios vinculados à Secretaria de Agricultura; notas fiscais de aquisição de vacinas; declaração/certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; anexo da atividade rural (DIRPF); laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural, dentre outros. Para comprovação dessa área, o requerente apresentou Laudo Técnico, de fls. 41/62, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Fausto José Ulhoa, registrado no CREA/MG e com ART de fls. 64. Especificamente às fls. 45, é informado que o imóvel possui como atividade principal a criação de bovinos de corte e de leite, em uma área de mais de 1.400,00 há formados por pastagens. Às fls. 47, é apresentado quadro que informa o uso atual do imóvel, onde indica que a área de pastagem corresponde a 1.410,7396 ha, está em conformidade com a área de pastagem informada na Planta do Imóvel Georreferenciada, constante do Processo Dossiê em Papel do Processo Digital – PDPPD nº 10167.720035/201423 (anexo ao Processo principal). Cumpre ressaltar que o contribuinte apresentou documentação para dimensionar o rebanho apascentado no imóvel no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, sendo Fl. 310DF CARF MF 16 que em 16 de fevereiro de 2017, foi emitida a Informação Fiscal (fl. 260), pela qual o Auditor Fiscal autuante avalia a ficha sanitária de vacinação emitida pelo Órgão de Defesa Agropecuária do Estado de Minas Gerais, pela qual existiam na propriedade 567 bovinos em maio de 2009 e 411 em novembro. Assim, o Auditor considera a média de animais existentes durante o ano para fins de determinação da quantidade do rebanho, de modo que considerase um rebanho ajustado de 489 cabeças de bovinos. Ademais, a autoridade fiscal pondera que para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, deve ser considera a área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, sendo que conforme a tabela constante do Anexo I da IN RFB 256/2002, o índice de lotação por zona pecuária para a cidade de Paracatu/MG é 0,25, o que daria um valor comparativo de 1.956 ha. (489 / 0,25), de modo que com fundamento na documentação apresentada, considerase um rebanho existente em 2009 de 489 cabeças de bovinos e que há compatibilidade entre o rebanho e a área servida de pastagem de 1.410,6 ha. (RITR/2002, art. 25; IN SRF nº 256, de 2002, arts. 24 e 25) Dessa forma, damos provimento ao recurso voluntário no tocante à questão da área de pastagem, para que a área total de pastagem seja considerada em 1.410,6 hectares. Da Questão do Valor da Terra Nua VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o imóvel na DITR/2010, de R$ 200.000,00 (R$ 62,31/ha), sendo arbitrado o valor de R$ 4.814.400,00 (R$ 1.500,00/ha), com base no menor VTN/ha SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observadas a Portaria SRF nº 447/2002 e a Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. O valor arbitrado de R$ 1.500,00/ha corresponde ao menor valor de VTN/ha, por aptidão agrícola (terras de campos), para o exercício de 2010, dos imóveis rurais localizados no município de Paracatu/MG, com base nos valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei 9.393/1996. Ocorre que o Recorrente apresenta o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural (cálculo nas fls. 223 e 224), pelo qual atestase que Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2010, estava avaliado em R$ 577,44/ha (por hectare), totalizando R$ 1.749.046,76. O Laudo Técnico é elaborado por profissional habilitado, e encontrasse acompanhado da ART de fls. 228. Assim, diante da existência de laudo técnico, não há que se utilizar o valor arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT, pelo qual apurouse um VTN de R$ 4.814.400,00 (R$ 1.500,00/ha). Dessa forma, damos provimento ao Recurso Voluntário para que sejam considerados os preços da época do fato gerador, isto é, o exercício de 2010, de modo que multiplicandose o valor de R$ 577,44/ha pela área de 3.028,9671, chegase ao VTN de R$ 1.749.946,76. Área de Benfeitorias Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 10 17 O Recorrente afirma ainda que na matrícula nº 24.858 é apresentada faixa da Rodovia MG 1898, totalizando 5,6741 hectares, sendo que o Laudo Técnico de Avaliação e a Planta do Imóvel Georreferenciado comprova as áreas de benfeitorias úteis e necessárias a atividade rural, totalizando a área de 21,565 hectares, de modo que requer seja excluída da área tributável a área de 27,2391 hectares, conforme atestado na fl. 191 do Laudo de Avaliação de Imóvel Rural. Assim, damos provimento ao Recurso no que tange à exclusão da área de 27,2391 hectares ocupada com benfeitorias s de benfeitorias n Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro Antonio Sávio Nastureles Redator designado. Cumpre estabelecer que perfilamos dos entendimentos esposados pelo ilustre Relator na apreciação das questões processuais, ao rejeitar a preliminar de Nulidade em função da Intimação por Edital; assim como no exame das questões de mérito suscitadas no Recurso Voluntário e delineadas nos tópicos intitulados "Área Total do "Imóvel" e "Área de Pastagens" do Voto Vencido. Entretanto, com a devida anuência do ilustre Relator, fazse imperativo na posição de Redator designado, contrapor entendimentos divergentes no julgamento das questões de mérito delimitadas nos tópicos que se seguem: 1. Das Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas 1.1. No caso concreto, temos lançamento do ITR referente ao Exercício de 2010, em decorrência da atividade de Malha Fiscal incidente sobre as informações prestadas pelo Contribuinte na Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR/2010. 1.2. Na declaração entregue não foram especificadas áreas suscetíveis de exclusão da Área Tributável, destacadamente, "Áreas Ambientais de Preservação Permanente" e de "Florestas Nativas", fato evidenciado no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (efls 08), de que se extrai a visão que se apresenta a seguir: Fl. 312DF CARF MF 18 1.3. A decisão de primeira instância administrativa, de 30/04/2014, formalizada por meio do Acórdão 03060.979 (efls 68/82), realizara exame minucioso acerca da postulação de áreas não declaradas e requeridas na fase contenciosa, com fundamento em Laudo Técnico (e fls.41/62) que acompanhara a impugnação. 1.4. Em tal decisão, já estava patente a não comprovação do cumprimento tempestivo da exigência legal prevista para justificar a exclusão das pretendidas áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha) e de floresta nativa (147,7915 ha) do cálculo do ITR/2010. Afigurase útil transcrever o excerto (efls 76) do acórdão que examinara questão em particular: Com relação às áreas de preservação permanente e cobertas por florestas nativas, que o impugnante requer, conforme mapa georreferenciado constante do Processo Dossiê em Papel do Processo Digital – PDPPD nº 10167.720035/201423 (anexo ao Processo principal) e do Laudo Técnico de fls. 41/62, onde indica uma área de preservação permanente de 1.443,3379 ha, e de vegetação natural de 147,7915 ha, na Fazenda Curralinho ou Engenho Velho, a RFB orientou, no Manual de Perguntas e Respostas, referente ao Exercício 2010 e posteriores, sobre a necessidade da apresentação do ADA junto ao IBAMA, para a exclusão dessas áreas da incidência do ITR, em suas Questões nº 66 e 105: 066 — É exigido o ADA para excluir as áreas de preservação permanente, de reserva legal e as demais áreas nãotributáveis da incidência do ITR? Sim. As áreas declaradas como nãotributáveis devem ser obrigatoriamente informadas em ADA, a cada exercício. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º; RITR/ 2002, art. 10, § 3º, I; IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, I) (...) 105 Quais as condições exigidas para excluir as áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR? Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao Ibama, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º) Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 11 19 1.5. Com base no conjunto documental (efls 113/246), anexado ao tempo da interposição do recurso voluntário, reformulouse o pleito relativo à exclusão da área tributável, ao reduzir a Área de Preservação Permanente APP (796,337 hectares), mantida a Área de Floresta Nativa AFN de 147,791 hectares, em consonância com o Ato Declaratório Ambiental ADA referente ao Exercício 2014 (efls 126). 1.6. Para fins de exclusão da tributação no tocante às áreas não tributáveis entre elas, as áreas pretendidas de APP e AFN é necessário, de regra, proceder a informação tempestiva das respectivas áreas no Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal (art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR). 1.7. A questão central reside, pois, em estabelecer se, em sede de recurso voluntário, é possível admitir como exclusões da área tributável na apuração do ITR/2010, as áreas especificadas como "Área de Preservação Permanente APP" e como "Área Coberta por Floresta Nativa (Vegetação Natural) AFN", tais como especificadas nos documentos anexados aos autos (efls 125/126) que são referentes aos Exercícios de 2013 e 2014. 1.8. Afigurase, pois, relevante, traçar breves considerações sobre a evolução da jurisprudência administrativa, no que respeita ao marco temporal de apresentação do ADA, e de maneira própria, em relação a fatos geradores a partir do Exercício 2001, que guarda correspondência com o presente caso. 1.9. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mostrase pacífico o entendimento de não se acolher como exclusão da área tributável as áreas de interesse ambiental, dentre as quais, Área de Preservação Permanente e Áreas de Floresta Nativa, cujo ADA tenha sido protocolado após o início da ação fiscal. 1.10. A solidez de tal entendimento pode ser conferida em decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), corporificada no Acórdão nº 9202005.684. Seguese a transcrição do trecho do voto que faz exame específico da questão: No que tange à APP Área de Preservação Permanente, examinandose a legislação de regência, verificase que, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1° do art. 17O, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do ADA Ato Declaratório Ambiental, para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Assim, a partir do exercício de 2001, tal exigência passou a ter previsão legal, portanto é legítima, conforme a seguir: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000. § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). Fl. 314DF CARF MF 20 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. É certo que, no caso da APP, tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, especificou o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR. Tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. 1.11. Em outra decisão prolatada pela Câmara Superior (Acórdão nº 9202005.598) ficou assentido como marco temporal, para fins de exclusão da tributação seja de áreas de preservação permanente, seja de áreas de florestas nativas a protocolização do ADA anterior ao início da ação fiscal. É oportuno reproduzir a ementa do citado acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. 1.12. No caso em tela, é fato incontroverso que o contribuinte deixou de apresentar o ADA referente ao exercício de 2010, período a que se refere o lançamento. O início da ação fiscal se operou em 30/04/2013, data da ciência do Edital que fora publicado em 15/04/2013. 1.13. Somente em sede de recurso voluntário é que se operou a juntada dos Atos Declaratórios Ambientais ADA relativos aos Exercícios 2013 (efls 125) e 2014 (efls 126), com informações sobre pretensas áreas ambientais preexistentes na natureza. O ADA relativo ao Exercício de 2013 estampa como data de requerimento junto ao IBAMA, 11/09/2013; o ADA relativo ao Exercício de 2014, 16/06/2014. 1.14. Tanto um como outro foram protocolados em momentos posteriores ao início da ação fiscal (30/04/2013). Assim, não se tem nos autos a necessária comprovação de terem sido requeridos tempestivamente junto ao IBAMA. Com isso, não merece acolhida o pleito para excluir no cômputo da área tributável do ITR/2010 as áreas pretendidas de 796,337 hectares (Área de Preservação Permanente APP) e de 147,791 hectares (Área de Floresta Nativa AFN). 1.15. Em vista considerações delineadas nos subitens precedentes, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto aos pleitos relativos às Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 12 21 2. Da Área de Benfeitorias 2.1. Ao tempo da impugnação, o pleito relacionado à Área de Benfeitorias (12,9363 ha), se baseava no conteúdo do Laudo Técnico anexado à época (efls.41/62); tendo a decisão de primeira instância se pronunciado nos seguintes termos (efls 76): Quanto à alteração na área declarada de benfeitorias úteis/necessárias à atividade rural, pretendida como de 12,9363 ha, a mesma não será aqui considerada, pois além de não ter constituído item de malha, o seu acatamento implicaria em agravamento da exigência, o que não é permitido a esta autoridade julgadora, visto que a área declarada, de 14,0 ha, é superior à pretendida. 2.2. Por ter sido solucionada favoravelmente ao contribuinte pois na apuração do ITR/2010 já havia sido reconhecida exclusão da área de 14,0 (quatorze) hectares, superior à área pretendida a formulação inicial está consumada, decidida em observância aos exatos contornos da lide administrativa instaurada. Operase, com isso, a definitividade administrativa da decisão de primeira instância em relação à matéria apreciada. 2.3. Em sede de recurso voluntário, com base em novo Laudo Técnico (efls 186/246), descabe insurgência para complementar pleito tendente a excluir da tributação a área de 27,2391 hectares, correspondente às áreas ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias a atividade rural, pois já se ultrapassou o momento em que se poderia discutir a questão. 2.4. Considerase, portanto, definitiva e irretratável o comando estabelecido pela decisão de primeira instância em relação à parte julgada, restando preclusa a discussão acerca da possibilidade do cômputo da área pleiteada a título de benfeitoria no imóvel. 2.5. Em vista das considerações supra delineadas, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto ao pleito relativo à Área de Benfeitorias. 3. Da Questão do Valor da Terra Nua VTN 3.1. Para análise da presente questão, é elucidativo destacar parte da abordagem trazida pelo Voto Vencido: Ocorre que o Recorrente apresenta o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural (cálculo nas fls. 223 e 224), pelo qual atestase que Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2010, estava avaliado em R$ 577,44/ha (por hectare), totalizando R$ 1.749.046,76. O Laudo Técnico é elaborado por profissional habilitado, e encontrasse acompanhado da ART de fls. 228. 3.2. Contudo, ao examinar o teor do Laudo de Avaliação anexado aos autos (efls 186/246), o conteúdo exposto no item "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL" e, em particular, a metodologia aplicada para alcançar o valor estimado do VTN, constatase imperfeição verificada ao tempo da seleção da amostra, que, por seu turno, acaba por ensejar dúvidas quanto à aceitação das conclusões e mesmo quanto à aptidão do mesmo para atender aos requisitos das normas da ABNT. Fl. 316DF CARF MF 22 3.3. Ao iniciar o tópico "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL", o Laudo Técnico propugna que as amostras selecionadas possuem características "tanto quanto possível semelhantes as do imóvel avaliado". Segue a visão parcial do documento de fls. 211. 3.4. Em prosseguimento, apresentase visão parcial do documento anexado às efls 226, uma vez ter sido referenciado pelo Laudo de Avaliação, constituindose documento de suporte ao mesmo e, ainda, por guardar correspondência com o período de apuração (2010). 3.5. Na visão apresentada, podese ter uma noção quanto à abrangência qualitativa da amostra selecionada, bem como de características básicas dos imóveis rurais que a compõem, com destaque para os campos representativos das áreas dos imóveis. 3.5.1. De plano, podese constatar que todos os imóveis rurais componentes da amostra selecionada possuem características distintas do imóvel objeto de avaliação, denominado "Fazenda Curralinho ou Engenho Novo". Distintas, frisamos, levandose em consideração um fator determinante: a área dos imóveis. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13609.721178/201313 Acórdão n.º 2301005.187 S2C3T1 Fl. 13 23 3.5.2. Com área avaliada de 3.028,27 hectares, o imóvel rural denominado "Fazenda Curralinho ou Engenho Novo " é classificado como grande propriedade (cerca de 60 Módulos Fiscais, considerando que para o Município de Paracatu, vige a correlação de um Módulo Fiscal para 50 hectares). 3.5.3. Todos os demais imóveis rurais selecionados na amostra possuem áreas muito inferiores. O terceiro imóvel da amostra, "Fazenda Campo Limpo", com área de 418,35 hectares (cerca de 8 Módulos Fiscais) é considerado média propriedade, enquanto os demais imóveis da amostra são pequenas propriedades. 3.5.4. Na amostra selecionada, não se percebe a eleição de nenhuma outra grande propriedade rural, e tampouco, traz o laudo em seu bojo, uma justificativa para a eleição de amostras com tal disparidade. 3.5.5. Com tal distorção, logo na etapa de seleção das amostras, não nos parece razoável que a aplicação dos critérios de homogeneização apresentados nos itens subseqüentes do Laudo Técnico, seja apta a alcançar a finalidade da metodologia proposta, destacadamente no tópico "Classificação da capacidade de Uso das Terras " (efls 212 e seguintes). 3.6. Dentre as diretrizes estatuídas pela Norma Brasileira ABNT NBR 146533 para a avaliação de imóveis rurais, podese destacar o disposto no item 7.7.2.2 que traça recomendações relacionadas à qualidade da amostra. 7.7.2.2 A qualidade da amostra deve estar assegurada quanto a: a) correta identificação dos dados de mercado, devendo constar a localização, a especificação e quantificação das principais variáveis levantadas, mesmo aquelas não utilizadas no modelo; b) identificação das fontes de informação e sua confiabilidade; c) número de dados de mercado efetivamente utilizados, de acordo com o grau de fundamentação; d) sua semelhança com o imóvel objeto da avaliação, no que diz respeito à sua localização, à destinação e à capacidade de uso das terras. 3.7. No caso do Laudo Técnico anexado aos autos (efls 186/246), característica específica do imóvel avaliando a dimensão do imóvel parece não ter sido contemplada na amostra utilizada, em aparente desacordo com a diretriz estabelecida na alínea "d" do subitem 7.7.2.2 da Norma Brasileira ABNT NBR 146533. 3.8. É inevitável concluir que o conteúdo do Laudo Técnico analisado, em particular, no item "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL" não se presta para contrapor ao valor do VTN apurado pela autoridade fiscal. 3.9. Nestes termos, há de prevalecer o arbitramento do Valor da Terra Nua, nos moldes em que consubstanciado no lançamento. 3.10. Em vista das considerações delineadas nos subitens precedentes, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto ao pleito relativo ao Valor da Terra Nua. Fl. 318DF CARF MF 24 (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905732/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 423 1 422 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.905732/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.352 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria COFINS Recorrente Garagem Moderna Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 32 /2 00 8- 11 Fl. 423DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000434 (fls. 154/156), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10980.905732/200811 Acórdão n.º 3402005.352 S3C4T2 Fl. 424 3 formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal de fls. 372/378, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso voluntário é intempestivo, o que impede o seu conhecimento. 6. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 7. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 8. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado via postal da decisão guerreada, sendo o correspondente aviso de recebimento recebido em 20 (vinte) de abril de 2011 (quartafeira) (fl. 35). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal ocorreu em 21 (vinte e um) de abril de 2011 (quintafeira), vencendo, por sua vez, no dia 20 (vinte) de maio de 2011 (sexta feira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 24 (vinte e quatro) de abril de 2011 (fl. 36), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 9. Patente está, portanto, a intempestividade do Recurso Voluntário em análise. 10. O fato desta questão ter passada desapercebida por este Tribunal quando da elaboração das resoluções indicadas no relatório do presente voto não impede que este Colegiado, neste momento processual, reconheça tal mácula, uma vez que a intempestividade é vício insanável e que impede a própria admissibilidade recursal por se tratar de pressuposto de validade. Dispositivo 11. Diante do exposto, deixo de conhecer o Recurso Voluntário interposto haja vista a sua intempestividade. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 425DF CARF MF 4 12. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 426DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005357/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A restituição somente é cabível quando houver comprovação de pagamento ou recolhimento a maior de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2202-004.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A restituição somente é cabível quando houver comprovação de pagamento ou recolhimento a maior de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
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RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A restituição somente é cabível quando houver comprovação de pagamento ou recolhimento a maior de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 57 /2 00 8- 78 Fl. 558DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) (fls. 972/974): O contribuinte epigrafado requereu em 10 de novembro de 2003 restituição de contribuições previdenciárias retidas em notas fiscais de prestação de serviços de construção civil nas competências 08/2002 a 10/2002, 12/2002 e 10/2003, no montante originário de R$30.699,66 (trinta mil, seiscentos e noventa e nove reais e sessenta e seis cetnavos, conforme abaixo discriminado: (...) Foram juntados aos autos cópia de contratos de prestação de serviços, notas fiscais, folhas de pagamento, GFIP, GPS e telas de consulta a recolhimentos efetuados. Os autos foram encaminhados em diligência fiscal a fim de informar a procedência do pedido de restituição, bem como os valores a serem restituídos. Aos 14/06/2005 o contribuinte foi intimado, nos seguintes termos, in verbis (fls. 335): “01). Após contato com a Empresa e para podermos prosseguir com a análise do processo reiteramos o pedido para a apresentação dos seguintes documentos, conforme orientação fornecida ao Sr. Eduardo, que tomou ciência da solicitação: a) Elaborar novo RRR (Requerimento de Restituição da Retenção), contendo o Valor da Contribuição Devida ao Inss, o Valor retido e Recolhido (total), e o Valor a ser compensado para cada Competência requerida para restituição. b) Preparar planilhas demonstrativas do cálculo de recolhimento para o INSS que justifiquem as diferenças referentes a Previdência Social e Outras Entidades, já apresentadas à Empresa, por Cei e Cnpj, para as competências 08/2002 a 12/2003 e 10/2003. Se já houve recolhimento dessas diferenças, favor anexar cópias das GPSs. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.005357/200878 Acórdão n.º 2202004.626 S2C2T2 Fl. 559 3 Posteriormente, em 15/07/2005, foi emitido pela Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária – São Paulo Pinheiros, o Ofício nº 1425, cujo inteiro teor transcrevese: “Comunicamos que no processo, protocolado sob o n° 36624.017385/200313 foi verificado a ausência dos seguintes documentos em exigência feita pela AFPS SONIA OILDA GONÇALVES — Matr. 0.954.777: a) — Elaborar novo RRR (Requerimento de Restituição de retenção), contendo o valor da Contribuição Devida ao INSS, o valor retido e recolhido (total) e o valor a ser compensado para cada competência requerida para restituição. b) Preparar planilhas demonstrativas do cálculo de recolhimento para o INSS que justifiquem as diferenças referentes à Previdência social e Outras Entidades, já apresentadas à Empresa, por CEI e CNPJ, para as competências 08/02 a 12/03 e 10/03. Se já houve recolhimento dessas diferenças, favor anexar cópias das GPS'S. c) Apresentar RDE'S indicando o código correto das GPS averbadas e do campo identificador (CNPJ ou CEI). Informamos que os documentos acima deverão ser apresentados no prazo de 10 (dez) dias, a contar do recebimento deste, no endereço acima mencionado, no horário das 8:00 às 14:00 hs, sendo que o não atendimento no prazo previsto implicará no arquivamento do processo por falta de elementos necessários instrução e análise do mesmo.” O contribuinte trouxe aos autos os documentos de fls. 339/356. Retornaram os autos à fiscalização que, em 20/08/2008, elaborou Informação Fiscal, emitindo o seguinte parecer: 1. Não foi possível verificar se há direito da empresa de restituição de valores recolhidos como Retenção devido a forma errônea pela qual foi preenchido os formulários REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO, a saber: a) A retenção foi efetuada em Notas Fiscais relativas a várias obras distintas, com Folha de pagamento e GFIPs distintas; b) No exame das Notas Fiscais emitidas a fiscalização não pôde determinar a qual obra correspondia cada Nota Fiscal; c) No exame da Contabilidade a empresa fez os lançamentos contábeis referentes as Notas Fiscais sem separação por obra; d) O REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO teve o campo 16.CNPJ/CEI preenchido sempre com o CNPJ da empresa. Face ao exposto acima o parecer da Fiscalização é no sentido de não atender a solicitação da empresa, que, se ainda Fl. 560DF CARF MF 4 quiser fazer nova solicitação em relação às mesmas retenções deverá preencher o RRR de forma separada para cada obra, indicando claramente a correspondência entre Nota(s) Fiscal(is) e Obra(s). Em 14/07/2009 a empresa protocolizou sob n° 11610.006268/200930 pedido de esclarecimentos, o qual foi juntado a este processo, assim se manifestando: • em 20/08/2008, a fiscalização manifestouse nos autos no sentido de não atender a solicitação da empresa, tendo em vista supostas irregularidades na elaboração do RRR (Requerimento de Restituição de Retenção); • esta manifestação fiscal não fora transmitida a empresa requerente, que, em cumprimento aos princípios da economia processual e do amplo direito de defesa, requer seja notificado o auditor fiscal para que preste esclarecimentos acerca do que efetivamente encontrase em desconformidade com a legislação em vigor, bem como que, após os esclarecimentos, seja concedido prazo de 60 (sessenta) dias para que a requerente adeque o RRR, bem como os demais procedimentos processuais necessários, conforme a legislação em vigor, para que a restituição possa finalmente ser deferida, frisandose que tal procedimento já fora adotado anteriormente nos próprios autos (fls. 335, 338 A. 356 e 357). O Auditor Fiscal responsável pela análise deste pedido de esclarecimentos ratificou a conclusão pelo não atendimento do requerimento de restituição. Com fundamento na análise efetuada pelo Auditor Fiscal designado, o Pedido de Restituição da Retenção foi indeferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT). O contribuinte foi cientificado da decisão pelo indeferimento de seu pleito em 04/08/2010, conforme Aviso de RecebimentoAR juntado aos autos. Aos 01/09/2010 o Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, acompanhada de instrumento de Procuração, em resumo, argumentando: • a empresa recebeu uma notificação indeferindo seu pleito de restituição pertinentes as competências de 08 a 10 de 2002, 12/2002 e 10/2003. Em seu parecer, o Sr. Fiscal diz que a empresa poderia fazer nova solicitação em relação às mesmas retenções cumprindo as exigências mencionadas. Entretanto, referido parecer conclusivo deve ser modificado; • de acordo com a praxe do processo administrativo federal, eventuais inconsistências podem e devem ser corrigidas pelo contribuinte, no intuito de liberação do beneficio. Caso tal oportunidade não seja concedida, o processo administrativo tornase nulo, por cerceamento de defesa; Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.005357/200878 Acórdão n.º 2202004.626 S2C2T2 Fl. 560 5 no caso, o responsável pela fiscalização não concedeu prazo para que a empresa corrigisse eventuais falhas no processo administrativo, o que caracteriza cerceamento de defesa, devendo ser considerado que em momento algum o Sr. Fiscal declarou a inexistência de crédito por parte da Manifestante; • a simples deficiência na documentação apresentada não dá ensejo ao indeferimento do pleito de restituição elaborado pela Manifestante, frisandose que anteriormente foram feitas solicitações (fls. 335, 338 a 356 e 357) que foram todas cumpridas. Não pode agora a Manifestante ser punida, vez que sempre que lhe fora solicitada qualquer providência, esta fora prontamente atendida; • em cumprimento aos princípios da economia processual e do amplo direito de defesa, o contribuinte requer seja acatada a presente manifestação, declarando nulo o parecer fiscal, por cerceamento de defesa, ou, ainda, seja concedido prazo para que a Manifestante cumpra as exigências contidas às fls., conforme a legislação em vigor, para que a restituição possa ser deferida. O contribuinte obteve vistas e cópia dos autos, em 17/11/2011 Em 12 de abril de 2012, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I(SP) negou provimento à Manifestação de Inconformidade, em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 971): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/10/2003 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTABILIZAÇÃO E RECOLHIMENTO POR MATRÍCULA. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. A obra de construção civil deve ser matriculada no Cadastro Específico do INSS (CEI), utilizandose o código 2658 na guia de recolhimento da contribuição retida sobre nota fiscal/fatura da contratada, estando a contratada legalmente obrigada a manter escrituração contábil formalizada, e a registrar, mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais, inclusive a retenção sobre o valor da prestação de serviços. Deve ser indeferido o pedido de restituição de contribuições retidas em notas fiscais de prestação de serviços de construção civil quando a escrituração contábil e demais documentos fiscais impeçam a certeza e liquidez do crédito tributário pretendido. Fl. 562DF CARF MF 6 PRODUÇÃO DE PROVAS. PRAZO SUPLEMENTAR. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a Impugnação/Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Interessado fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Cientificado da referida decisão (AR fls. 434) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 435/443 no qual alega o seguinte: a) que o Parecer Fiscal, mantémse dentro da idéia generalizada de execução de obras, sendo que tal conceito não está adequado ao caso concreto. b) que a IN 971/2009, afora outras anteriores, distinguem execução de obra e o que seja prestação de serviços, com conseqüências diferentes. No caso presente não cuida de obra, mas de serviços. A empreitada é o típico contrato de Obra. c) Argumenta que os serviços gerais de engenharia civil configuram manutenção de redes de esgoto e de água, reposição ou reparação de pavimentação danificada; ligações avulsas de esgoto, e muitos outros. d) Nas próprias Notas Fiscais constam os serviços prestados, não se confundindo com obras duradouras e fixadas no mesmo local. c) que são serviços de rápida consecução, de forma que a Recorrente tem que deslocar o seu pessoal continuamente, ao longo da rede de água e esgotos, em pontos que tenham sofrido os danos mencionados no contrato. Argumenta que não constituindo obras, inadequada a solução aventada pela citada decisão. Cita art. 135 da IN RFB n° 971/2009 a) que o Parecer Fiscal, mantémse dentro da idéia generalizada de execução de obras, sendo que tal conceito não está adequado ao caso concreto. b) que a IN 971/2009, afora outras anteriores, distinguem execução de obra e o que seja prestação de serviços, com conseqüências diferentes. No caso presente não cuida de obra, mas de serviços. A empreitada é o típico contrato de Obra. c) Argumenta que os serviços gerais de engenharia civil configuram manutenção de redes de esgoto e de água, reposição ou reparação de pavimentação danificada; ligações avulsas de esgoto, e muitos outros. d) Nas próprias Notas Fiscais constam os serviços prestados, não se confundindo com obras duradouras e fixadas no mesmo local. c) que são serviços de rápida consecução, de forma que a Recorrente tem que deslocar o seu pessoal continuamente, ao longo da rede de água e esgotos, em pontos que tenham sofrido os danos mencionados no contrato. Argumenta que não constituindo obras, inadequada a solução aventada pela citada decisão. Cita art. 135 da IN RFB n° 971/2009 É o relatório Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.005357/200878 Acórdão n.º 2202004.626 S2C2T2 Fl. 561 7 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço Trata se de processo de restituição de contribuições previdenciárias retidas em decorrência do disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com redação vigente à época dos fatos geradores dada pela Lei nº 9.711, de 1998: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (grifamos) Conforme §2º acima transcrito, na hipótese de o valor retido superar o valor da contribuição devida cabe a restituição do saldo remanescente.Para tanto, é imprescindível à parte requerente que demonstre claramente seu direito, direito esse que deve ser líquido e certo, sob pena de indeferimento de seu pedido, a teor do disposto no art. 89 da Lei nº 8.212/91: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20.11.95) Como bem destacou a decisão recorrida, o processo de restituição é o pleito de devolução de valores recolhidos comprovadamente de forma indevida, encontrados quando se coteja os valores efetivamente devidos pela empresa com os valores, no caso, retidos dela por seus tomadores de serviço, observado o que determina a legislação pertinente, somados aos Fl. 564DF CARF MF 8 recolhimentos feitos por ela, em GPS, se houver. Havendo sobra, restituise esse valor a pleiteante. Tratase de procedimento que se origina por iniciativa do contribuinte, o qual deve comprovar recolhimentos superiores aos valores devidos à Previdência Social, demonstrando a certeza e liquidez dos créditos que pleiteia. Incorreta, portanto, a alegação do contribuinte no sentido de que a fiscalização não provou a ausência do seu direito creditório. Isso porque, ao contrário do ocorre no lançamento dos tributos devidos e não recolhidos, no pedido de restituição o ônus da prova não compete à Fazenda, mas ao contribuinte. Isso porque, conforme dispõe o artigo 373 do CPC/2015 "o ônus da prova incumbe ao autor quanto à fato constitutivo do seu direito". Como evidenciado no Relatório durante o processo de análise do pedido de restituição a Agência de Arrecadação de Pinheiros/ São Paulo O processo para análise pela DEFIS a qual concluiu pelo indeferimento do pedido de restituição por impossibilidade de comprovação do direito creditório, verbis (fls. 468): 1. Não foi possível verificar se há direito da empresa de restituição de valores recolhidos como Retenção devido a forma errônea pela qual foi preenchido os formulários REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO, a saber: a) A retenção foi efetuada em Notas Fiscais relativas a várias obras distintas, com Folha de pagamento e GFIPs distintas; b) No exame das Notas Fiscais emitidas a fiscalização não pôde determinar a qual obra correspondia cada Nota Fiscal; c) No exame da Contabilidade a empresa fez os lançamentos contábeis referentes as Notas Fiscais sem separação por obra; d) O REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO teve o campo 16.CNPJ/CEI preenchido sempre com o CNPJ da empresa. Face ao exposto acima o parecer da Fiscalização é no sentido de não atender a solicitação da empresa, que, se ainda quiser fazer nova solicitação em relação às mesmas retenções deverá preencher o RRR de forma separada para cada obra, indicando claramente a correspondência entre Nota(s) Fiscal(is) e Obra(s). Todavia, mesmo após à apresentação da Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe nenhum novo elemento para comprovar o alegado. Tal situação permaneceu mesma quando da apresentação de impugnação e recurso voluntário. Como bem observa a decisão recorrida, embora a Requerente tenha apresentado folhas de pagamento e GFIP distintas, a ausência de matrícula das obras, bem como a ausência de contabilização das despesas e pagamentos efetuados por obra, e a vinculação das guias de recolhimento às correspondentes notas fiscais e obras a que se referem, impedem a certeza e liquidez do crédito pretendido pela Requerente. Finalmente, entendo incabível o pedido de diligência. Isso porque, conforme já exposto, o ônus de comprovar o fato constitutivo do direito à restituição cabe ao contribuintes. Isso porque não pode a autoridade julgadora invadir campos de competência de prova que caberiam ao contribuinte ou à Fazenda. Nesse sentido, esclarecedoras as palavras de Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.005357/200878 Acórdão n.º 2202004.626 S2C2T2 Fl. 562 9 PAULO CELSO BONILHA1 em sua obra intitulada “A prova no processo administrativo tributário”: (...) não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhado por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento deve se nortear pelo esclarecimentos dos pontos controvertidos, mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo. (grifamos) Quanto à alegação de que os serviços constantes das notas fiscais não caracterizavam serviços de construção civil é importante destacar a regulamentação vigente à época dos fatos geradores. A definição de construção civil e sua respectiva regulamentação constavam dos seguintes dispositivos abaixos transcritos: Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999 Art.257. ......................................................................................................... ........... (...) § 13. Entendese como obra de construção civil a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Instrução Normativa MPS/SRP nº 100 de 2003 Art. 30. A matrícula de obra de construção civil deverá ser efetuada por projeto, devendo incluir todas as obras nele previstas. § 1° Admitirseão o fracionamento do projeto e a matrícula por contrato, sendo que o contrato será considerado como de empreitada total quando celebrado por mais de uma empresa construtora, diretamente com o proprietário ou com o dono da obra, nos seguintes casos: (...); IV construção e ampliação de redes de água e esgotos (CNAE 45292/03); (...). 1 BONILHA, Paulo Celso – “A prova no processo administrativo tributário” ed. Dialética, p. 77 Fl. 566DF CARF MF 10 § 4º As obras de urbanização, assim conceituadas no inciso XXXVIII do art. 427, inclusive as necessárias para a implantação de loteamento e de condomínio de edificações residenciais, deverão receber matrículas próprias, distintas da matrícula das edificações que porventura constem do mesmo projeto, exceto quando a mãodeobra utilizada for de responsabilidade da mesma empresa ou pessoa física, observado o disposto no art. 32. (...). Nota: ANEXO XV DISCRIMINAÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL NO GRUPO 45 DO CNAE 4529 2/03 Construção de redes de água e esgotos (OBRA) Esta subclasse compreende: construção de redes de distribuição de água; construção de redes de esgoto, inclusive de interceptores; construção de galerias pluviais. Esta subclasse não compreende: as obras de drenagem (45.136/00). Art. 31. Estão dispensados de matrícula no INSS: I – os serviços de construção civil, tais como os destacados no Anexo XV com a expressão “(SERVIÇO)” ou “(SERVIÇOS)”, independentemente da forma de contratação; (Modificado pela INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC Nº 105, DE 24 DE MARÇO DE 2004 DOU DE 26/03/2004) II a construção sem mãodeobra remunerada, de acordo com o disposto no inciso I do art. 476; III a reforma de pequeno valor, assim conceituada no inciso V do art. 427; IV – revogado. (pela INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC Nº 105, DE 24 DE MARÇO DE 2004 DOU DE 26/03/2004) Parágrafo único. O responsável por obra de construção civil fica dispensado de efetuar a matrícula no cadastro CEI do INSS, caso tenha recebido comunicação do INSS informando o cadastramento automático de sua obra de construção civil, a partir das informações enviadas pelo órgão competente do município de sua circunscrição. Art. 170. A empresa contratada deverá elaborar: I folhas de pagamento distintas e o respectivo resumo geral, para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, relacionando todos os segurados alocados na prestação de serviços, na forma prevista no art. 225 do RPS; Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.005357/200878 Acórdão n.º 2202004.626 S2C2T2 Fl. 563 11 II GFIP com as informações relativas aos tomadores de serviços, para cada estabelecimento da empresa contratante ou cada obra de construção civil, utilizando os códigos de recolhimento próprios da atividade, conforme normas previstas no Manual da GFIP; III demonstrativo mensal por contratante e por contrato, assinado pelo seu representante legal, contendo: a) a denominação social e o CNPJ da contratante ou a matrícula CEI da obra de construção civil; b) o número e a data de emissão da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços; c) o valor bruto, o valor retido e o valor liquido recebido relativo à nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços; d) a totalização dos valores e sua consolidação por obra de construção civil ou por estabelecimento da contratante, conforme o caso. Art. 172. A contratada legalmente obrigada a manter escrituração contábil formalizada, está obrigada a registrar, mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais, inclusive a retenção sobre o valor da prestação de serviços, conforme disposto no inciso IV do art. 65. Art. 173. O lançamento da retenção na escrituração contábil de que trata o art. 172, deverá discriminar: I o valor bruto dos serviços; II o valor da retenção; III o valor líquido a receber. Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratante, a empresa contratada deverá manter em registros auxiliares a discriminação desses valores, por contratante, conforme disposto no inciso III do art. 170. Art. 427. Considerase: I obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo XV; Art. 429. A obra de construção civil deverá ser matriculada no Cadastro Específico do INSS (CEI), conforme previsto na Seção IV do Capítulo III do Fl. 568DF CARF MF 12 Título I. Ordem de Serviço INSS nº 209 de 1999 29. A importância retida deverá ser recolhida pela contratante em Guia da Previdência Social (GPS). 29.1. No recolhimento efetuado em Guia da Previdência Social – GPS deverão ser seguidas as seguintes instruções: Campo 1 – Razão Social da contratada e da contratante Campo 3 – utilizar o código 2631 – Contribuição retida sobre nota fiscal, fatura da contratada – CGC – utilizar o código 2658 – Contribuição retida sobre nota fiscal, fatura da contratada – CEI utilizar o código 2640 – Contribuição retida sobre nota fiscal, fatura da contratada, (CGC/CEI) quando o recolhimento for efetuado por Órgão Público. Campo 4 – Competência (mês/ano) da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo Campo 5 – CNPJ/CGC/CEI do estabelecimento da contratada Campo 6 – Consignar o valor retido 35. A contratada deverá elaborar demonstrativo mensal por contratante, assinado pelo seu representante legal, com: a) nome e CNPJ/CGC da contratante; b) data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo; c) número da nota fiscal, fatura ou recibo; d) o valor bruto, a retenção e o valor líquido recebido relativo à nota fiscal, fatura ou recibo; e) totalização dos valores e sua consolidação. 35.1. A falta de apresentação do demonstrativo ou a sua elaboração em desacordo com o disposto neste item, constitui infração ao art. 32, inciso III da Lei n° 8.212/91. Embora a requerente faça menção à descrição de Notas Fiscais, na tentativa de comprovar suas alegações, observase termos de contrato (obtidos dos autos do processo 19515.005357/200878 da própria requerente), de execução de obras e/ou serviços de engenharia apresentados que se coadunam com os conceitos e legislação acima reproduzidas. Vejamos: TERMO DE CONTRATO N° 26.086/02 Data: 23/04/2003 Contratante: COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SABESP CNPJ/MF 43.776.517/000180 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.005357/200878 Acórdão n.º 2202004.626 S2C2T2 Fl. 564 13 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato a ampliação do sistema de abastecimento de água e coleta de esgotos sanitários nos Municípios de Taubaté e Tremembé, de acordo com o Projeto, Edital da Concorrência SABESP n° 26.086/02, Proposta da CONTRATADA e demais documentos (...). (...). 1.3 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. TERMO DE CONTRATO MS N°10.094/04 Data: 05/10/2004 Contratante: COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SABESP CNPJ/MF 43.776.517/000180 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato a "Execução de obras, projeto executivo, assentamento para RDA, interligações, travessia, caixas de ventosa no Município de São Bernardo do Campo — Unidade de Negócio Sul — Diretoria Metropolitana", de acordo com o Projeto, Edital da Tomada de Preços MS 10.004/04, Proposta da CONTRATADA e demais documentos (...). (...). 1.3 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. TERMO DE CONTRATO 27.696/04 Data: 27/10/2004 Contratante: COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO – SABESP CNPJ/MF 43.776.517/000180 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato a Construção do muro de arrimo no Pólo de Manutenção Franco da Rocha — Unidade de Negócio Norte — Diretoria Metropolitana M, de acordo com o Projeto. Edital do Convite MN 27.696/04, Proposta da CONTRATADA e demais documentos (...). (...). 1.3 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. Fl. 570DF CARF MF 14 A autoridade fiscal informa que no exame da contabilidade da empresa observou que esta fez os lançamentos contábeis referentes às notas fiscais objeto deste processo sem separálas por obra. A empresa é obrigada, por força do disposto no inc. II, do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, obrigação acessória que não foi observada pela Recorrente Pelo exposto, tendo em vista que o contribuinte não conseguiu comprovar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 571DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.720170/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 15/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO.
Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
Numero da decisão: 2401-005.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 70 /2 00 9- 01 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.720170/200901 Acórdão n.º 2401005.695 S2C4T1 Fl. 143 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 69/75) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (fls. 58/64), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/5) em face de Despacho Decisório (fl. 6) que homologou parcialmente a compensação informada na Declaração de Compensação – DCOMP nº 15990.17979.150604.1.3.040568, transmitida em 15/06/2004 (fls. 14/19). De acordo com o Despacho Decisório: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 459.550,97. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. [...] Entretanto. considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado. correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2008. Principal Multa Juros 51.132,27 10.226,45 60.893,42 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/5), alegando, em síntese, que: O IRRF apurado na 1ª semana de fevereiro de 2001 importou em R$ 459.550,97, conforme DCTF, enquanto o recolhimento efetuado para o período importou em R$ 459.573,91, ocasionando um pagamento a maior no valor de R$ R$ 22,94. Para recuperação do valor recolhido a maior foram apresentadas duas DCOMPs: 15990.17979.150604.1.3.040568 (cadastrada neste processo), onde foi utilizada a importância de R$ 459.550,97 na extinção do IRRF referente à 1ª semana de fevereiro de 2001, através da compensação. 42437.72883.150604.1.3.040604, quando foi utilizada a importância de R$ 23,40 (22,94 acrescido de juros de 2%) na extinção do IRRF apurado na 5ª semana de março de 2001, através da compensação. O manifestante argumenta que o procedimento executado na DCOMP de n° 15990.17979.150604.1.3.040568 foi “indevido”, considerando que no caso em questão a compensação efetuada era desnecessária. Esclarece que “tal procedimento gerou Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.720170/200901 Acórdão n.º 2401005.695 S2C4T1 Fl. 144 3 indevidamente a aplicação de multa, motivada por erro operacional e não por um valor efetivamente devido pela empresa”. Requereu o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, o cancelamento da cobrança no Despacho Decisório n° 790520363 e a suspensão da exigibilidade dos débitos em cobrança, nos termos do Decreto 70.235/72. A DRJ/BHE, por meio do Acórdão 0223.164 (fls. 58/64), considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme disposto a seguir: Delimitou o litígio à parcela de compensação não homologada. O argumento utilizado pelo contribuinte neste processo reportase unicamente à solicitação de cancelamento da DCOMP, por considerála desnecessária, e que, uma vez apresentada, gerou a multa de mora que deu origem ao saldo de débitos exigidos. A Declaração de Compensação é um instrumento fundamental na execução do procedimento, na medida em que identifica os créditos utilizados e os débitos compensados. Esta foi a ferramenta instituída pelo legislador com o intuito de permitir ao fisco o controle dos atos praticados pelos contribuintes. Neste contexto, os elementos essenciais da DCOMP se traduzem na identificação dos créditos utilizados e dos débitos compensados (extintos pela compensação). Os créditos utilizados pelo contribuinte na DCOMP, bem como os débitos por ele compensados não podem simplesmente ser ignorados ou substituídos quer seja por ato informal do contribuinte ou mesmo exofício pela Administração Pública. Contudo, a legislação tributária também prevê a alteração destes dados, considerando exatamente possíveis erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento destas declarações. Cita a Lei 9.430/97, as Instruções Normativas SRF 460/2004 e RFB 900/2008, e esclarece que a retificação ou o cancelamento da PER/DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. Contudo, não indiscriminadamente, o procedimento é efetuado formalmente, quer seja através da apresentação de formulário ou de PER/DCOMP eletrônica, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa. Concluiu que a operacionalização da compensação em litígio neste processo foi efetuada nos termos em que determinada na legislação tributária vigente, embasada pelas informações prestadas pelo próprio contribuinte nas declarações apresentadas à RFB. Assim sendo, não há como alterála. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 69/75), alegando, em síntese, o que segue: Diz que caso seja mantido o entendimento da DRJ, haverá enriquecimento sem causa da arrecadação fazendária. Cita o CTN, art. 165, o Código Civil, artigos 876 e 877, e disserta sobre o conceito de pagamento indevido. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.720170/200901 Acórdão n.º 2401005.695 S2C4T1 Fl. 145 4 Afirma que o Acórdão da DRJ se baseou em norma infralegal (Instrução Normativa) e seu direito não pode ser limitado por norma infralegal. Requer a reforma do acórdão recorrido, o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, e que o valor considerado como compensado seja efetivado como valor devido da primeira semana de fevereiro/01, e considerado sua quitação pelo próprio DARF de R$ 459.573,91, vencido e quitado em 07/02/2001. ' É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. ADMISSIBILIDADE Conforme despacho de fl. 141, o recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO No caso em análise, vêse que o contribuinte cometeu um equívoco ao preencher a DCOMP, para justificar o crédito de R$ 22,94 que seria usado para compensar parte do IRRF devido relativo à 5ª semana de março de 2001. Conforme relatado, o contribuinte apurou o IRRF para 1ª semana de fevereiro de 2001 no valor de R$ 459.550,97 e efetuou o recolhimento a maior, no vencimento da obrigação, em 7/2/01, no valor de R$ 459.573,61. A DCOMP com tais informações foi transmitida em 15/6/04. Da análise do documento de fl. 27, Despacho Decisório Detalhamento da compensação, observase que foram efetuadas os seguintes ajustes: Crédito reconhecido de R$ 459.550,97, recolhido em 7/2/01, valorado de 59,75% de juros, pois a DCOMP foi enviada em 15/6/04, totalizando R$ 734.132,62. Foi apurado o valor utilizado do crédito na data da valoração da seguinte forma: Principal R$ 408.418,71 Multa R$ 81.683,74 Juros R$ 244.030,17 Vêse que o crédito total valorado seria para abater do valor devido, considerando principal, juros (59,75%) e multa (20%). Fezse a conta ao inverso: partindose do total recolhido, ele foi rateado em principal, 59,75% de juros e 20% de multa, os dois últimos incidentes sobre o valor do principal. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.720170/200901 Acórdão n.º 2401005.695 S2C4T1 Fl. 146 5 Desta forma, o principal recolhido seria de R$ 408.418,71 e como o saldo devedor declarado na DCOMP foi de R$ 459.550,97, apurouse um valor ainda devido de R$ 51.132,27. Da análise da situação que se apresenta é possível verificar que valor lançado é a multa apurada na conta invertida, que seria devida caso o recolhimento tivesse ocorrido com atraso. A diferença se deve aos juros de 59,75% aplicado sobre R$ 459.550,97 na valoração e sobre R$ 408.418,71 na conta invertida = R$ 30.551,53; logo a multa de R$ 81.683,74 R$ 30.551,53 = R$ 51.132,21, que é o valor lançado (com 0,06 de erro de aproximação), considerado não homologado. Assim, sob o aspecto formal, tratouse a compensação declarada, sendo valorado o crédito e extinto parte do débito na data do encontro de contas, 15/6/04. Contudo, sob o aspecto material, o débito relativo à 1ª semana de fevereiro de 2001, foi extinto pelo pagamento na data do vencimento, 7/2/01. Conforme as instruções normativas citadas no acórdão recorrido, não seria possível cancelar a DCOMP. Acontece, que a verdade material que se apresenta é realmente a cobrança de uma multa de mora, decorrente do erro do contribuinte ao enviar a DCOMP que serviu de base para o Despacho Decisório que apurou crédito tributário, diante da compensação parcialmente homologada. A Lei 9.430/96, assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifo nosso) . § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Logo, o crédito tributário lançado, que equivale à multa de mora apurada por suposto atraso no pagamento não pode prosperar, pois o pagamento ocorreu na data do vencimento da obrigação (7/2/01). CONCLUSÃO Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10680.720170/200901 Acórdão n.º 2401005.695 S2C4T1 Fl. 147 6 Sendo assim, prestigiando o princípio da verdade material, dou provimento ao recurso voluntário, para declarar extinto o crédito tributário constituído por meio do Despacho Decisório de fl. 6. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.003128/2004-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 31 28 /2 00 4- 97 Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.754, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (apuradas no regime nãocumulativo), relativos ao quarto trimestre de 2003. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 010/2008, às folhas 407 a 411, e Despacho Decisório, à folha 412), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 415 a 432, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento já pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 4 3 tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também o fato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: AS S U N T O : P R O C E S S O A D M I N I S T R A T I V O F I S C AL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Compensação não Homologada Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 5 4 Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.077, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 1294 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 6 5 interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação fls. 333/334 (R$ 15.323,80 crédito de novembro) e 343/344 (R$ 17.028,93 crédito de dezembro) protocoladas em 12/11/2004. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 7 6 qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 8 7 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 9 8 do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 10 9 Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 11 10 Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10909.003128/200497 Acórdão n.º 3302005.560 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 1414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.007275/2010-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Cabe à Contribuinte apresentar nos autos do processo o acervo probatório apto a lastrear seu respectivo pleito.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PROBLEMAS DIGITAIS. Recorrente ESCRITORIO DE ADVOCACIA ZVEITER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Cabe à Contribuinte apresentar nos autos do processo o acervo probatório apto a lastrear seu respectivo pleito. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 72 75 /2 01 0- 36 Fl. 199DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 190 à 192) interposto contra o Acórdão n° 1440.687, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (efls. 180 à 182), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora Recorrente, decisão esta consubstanciada nos seguintes termos: O presente processo trata da cobrança de multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao mês de junho de 2010. A contribuinte alega que não entregou sua declaração devido à falta de disponibilização do certificado digital ou procuração eletrônica. Percebese da defesa que a impugnante reconhece o descumprimento das obrigações acessórias. Com relação à transmissão da DCTF, a IN RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, estabelece, em seu art. 4º, §§ 1o e 2º, que ela deve ser feita pela Internet e a obrigatoriedade da utilização da certificação digital. Portanto incabível sua apresentação em CD, como pretendeu a impugnante. Sob esta ótica, é obrigação inconteste do sujeito passivo a manutenção de certificado digital válido, que possibilite a entrega tempestiva de suas declarações; e para tanto, é concedido tempo mais que suficiente para se prepararem. A impugnante, apesar de alegar que a demora no fornecimento do certificado digital teria sido ocasionada pela Receita Federal, não fez provas de suas alegações. Ademais, o PAF, art. 16, III, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o, e § 4o, introduzido pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, estabelece: (...) A procuração eletrônica constitui faculdade conferida ao contribuinte, que pode outorgar poderes a outra pessoa, seja física ou jurídica, para praticar atos em seu nome. Além de não ser obrigatória, em momento algum retira do contribuinte o poder ou capacidade de praticar atos perante a Receita Federal do Brasil, como o relativo à apresentação da DCTF. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10768.007275/201036 Acórdão n.º 1002000.181 S1C0T2 Fl. 200 3 Desta forma, a ausência de procuração eletrônica não pode ser invocada como excludente de culpabilidade, e não tem o condão de afastar a imposição de penalidade. Não havendo cumprido com sua obrigação acessória e, em decorrência, ocorrendo atraso ou inadimplemento, devem os faltantes ou retardatários arcar com as respectivas consequências. Dessa forma voto por julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido. Em sua peça recursal, o Contribuinte requer seja declarada a improcedência total da decisão de primeira instância, sob o argumento de que ocorrera falha no sistema da Receita Federal, o qual impossibilitou a apresentação tempestiva de sua DCTF. Cumpre transcrever trechos que resumem o indigitado pleito: 2.1 O lançamento contestado está baseado exclusivamente no atraso da entrega da DCTF relativa a junho de 2010, via certificado digital, apesar da entrega tempestiva por meio de requerimento com DVD, e com cópia datilografada. 2 . 2 O acórdão recorrido, para manter a malsinada autuação, sustenta que a contribuinte não provou a demora da entrega do certificado digital por parte da Receita Federal, e que a ausência da procuração eletrônica não pode ser invocada como excludente de culpabilidade. III DO DIREITO 3.1 Não pode ter amparo legal um lançamento absurdamente injusto, uma vez que a Receita Federal, por sua administração notoriamente ineficiente, impede que o contribuinte cumpra suas inúmeras exigências burocráticas, em sua maioria até desnecessárias. 3.2 No caso, como o recorrente não conseguiu obter no CNPJ, setor completamente burocratizado, a procuração eletrônica que lhe permitiria a entrega da DCTF por certificado digital, o fez tempestivamente, por meio de DVD e cópia impressa, protocolizado com o requerimento anexado à impugnação. 3.3 Está comprovado nos autos que a entrega da DCTF foi realizada dentro do prazo, por DVD, não o fazendo via internet, por não ter conseguido a procuração eletrônica por inércia do CNPJ, apesar de estar lá cadastrado há mais de 40 anos. 3.4 Assim não se pode exigir do recorrente o impossível, em razão de problemas administrativos, principalmente Fl. 201DF CARF MF 4 quando a DCTF estava disponibilizada no prazo legal e a sua não aceitação foi informada em data posterior a da fixada para a entrega da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. 1. Da constatação de problemas no envio da DCTF Conforme exposto na instrução dos autos, o Recorrente admitiu o atraso na entrega da DCTF de junho de 2010 (via certificado digital). Noutro giro, destacou que tal descumprimento da obrigação acessória decorreu da falha do sistema da própria Receita Federal, e que procedeu a apresentação tempestiva de DVD e cópia datilografada (efl. 83), contendo suas informações fiscais. Contudo, como bem ressaltado no Acórdão da DRJ, o Contribuinte não juntou provas atestando a impossibilidade de entrega da DCTF por intermédio da via digital, derivada de fatos alheios à sua vontade. Tal providência tornase cabal no afastamento da responsabilidade objetiva inerente à obrigação acessória que foi descumprida. Nestes termos, cumpro reiterar os trechos do indigitado Acórdão: Com relação à transmissão da DCTF, a IN RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, estabelece, em seu art. 4º, §§ 1o e 2º, que ela deve ser feita pela Internet e a obrigatoriedade da utilização da certificação digital. Portanto incabível sua apresentação em CD, como pretendeu a impugnante. Sob esta ótica, é obrigação inconteste do sujeito passivo a manutenção de certificado digital válido, que possibilite a entrega tempestiva de suas declarações; e para tanto, é concedido tempo mais que suficiente para se prepararem. Assim, com supedâneo nesses argumentos, mantevese o crédito tributário. Destaco que, se por um lado a DRJ não afastara a efetiva ocorrência do problema informático, noutro giro, não fora juntado nenhum ato normativo da Autoridade Administrativa competente, apto a registrar a ocorrência generalizada do problema. Desse fato, portanto, decorrem duas intelecções fundamentais, as quais circundam a situação fática: a. O atraso na entrega do certificado digital foi falha pontual e exclusiva do contribuinte, o que resultaria como sendo correta decisão da DRJ; b. O atraso na entrega do certificado digital foi algo generalizado, impondo semelhante gravame a diversos outros contribuintes, o que Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10768.007275/201036 Acórdão n.º 1002000.181 S1C0T2 Fl. 201 5 eximiria o Contribuinte da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Nessa trilha, tornarseia fundamental o Recorrente apontar a existência de ato normativo formal, reconhecendo o aludido problema em larga amplitude, a exemplo do Ato Declaratório Executivo SRF n.° 24, de 08 de abril de 2005. E por óbvio, a responsabilidade por tal ônus é atribuída ao Contribuinte, o qual falhou em completar seu acervo probatório com a indigitada informação cabal, apta a comprovar a ocorrência de falha generalizada na expedição dos certificados digitais. Ademais, em que pese o esforço deste Conselheiro em encontrar tal Ato Declaratório Executivo, visando esclarecer as circunstâncias acima apontadas, não foi possível identificálo nos registros disponíveis. Portanto, não pode o Recorrente exonerarse de sua responsabilidade no cumprimento da obrigação acessória, em virtude de uma inconsistência particular, in casu, a suposta demora no fornecimento de seu respectivo certificado. De arremate, em que pese a entrega da DCTF por intermédio de DVD e cópia datilografada demonstre a boafé do Contribuinte para com o adimplemento de sua obrigação acessória, esta sistemática não encontra amparo legal. Repiso que a norma vigente à época IN RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 estabelece, em seu art. 4º, §§ 1º e 2º, que o dever de apresentação pela Internet, bem como a obrigatoriedade da utilização da certificação digital: Art. 4º A DCTF deverá ser elaborada mediante a utilização de programas geradores de declaração, disponíveis na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http:// www. receita.fazenda.gov.br>. § 1º A DCTF deve ser apresentada mediante sua transmissão pela Internet com a utilização do programa Receitanet disponível no endereço eletrônico referido no caput. § 2º Para a apresentação da DCTF, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido. 2. Da responsabilidade objetiva no descumprimento da obrigação acessória, Quanto à obrigação de apresentar a Declaração em comento a tempo e modo, não demonstrou o Recorrente, de modo objetivo, fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. O art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não Fl. 203DF CARF MF 6 apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do Contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese à necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10768.007275/201036 Acórdão n.º 1002000.181 S1C0T2 Fl. 202 7 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002 000.006, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.012, 1002000.016, 1002000.075, 1002 000.077, 1002000.078, 1002000.079, 1002000.080, 1002000.081, 1002000.083, 1002 000.090, 1002000.091 e 1002000.104, dentre outros, seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Por conseguinte, reitero que o Recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar, na primeira oportunidade que lhe foi deferida, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do Fl. 205DF CARF MF 8 DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10768.007275/201036 Acórdão n.º 1002000.181 S1C0T2 Fl. 203 9 consequente da regramatriz de incidência. É a nãoprestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denomina se relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o Contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, considerando os elementos dos autos, o controle de legalidade exercido não aponta quaisquer incorreções. A exigência se apresenta adequada. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Conclusão 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 207DF CARF MF 10 Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12971.004952/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1993 a 28/02/1995
LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DE DECADÊNCIA PARCIAL.
É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido. Declaração de ofício de decadência parcial.
Numero da decisão: 2201-004.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, de ofício, declarar extinto pela decadência os créditos tributários relativos aos períodos anteriores a junho de 1993.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DE DECADÊNCIA PARCIAL. É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido. Declaração de ofício de decadência parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, de ofício, declarar extinto pela decadência os créditos tributários relativos aos períodos anteriores a junho de 1993. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 97 1. 00 49 52 /2 01 0- 84 Fl. 68DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário de fls. 46/50, interposto em face da decisão de fls. 35/40, a qual julgou procedente o lançamento do débito, lavrado em 22/06/1998, relativo ao período de 02/1993 a 02/1995. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra aplicada na construção civil e lançado por solidariedade, pois não foram apresentados à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento específicas referentes às faturas e lançamentos contábeis verificados, motivo pelo qual foi apurado o débito referente ao período de 02/1993 a 02/1995. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 15/17: 1. O crédito constituído por meio da notificação ñscal acima referida, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social / FPAS e aos Terceiros de que trata o artigo 94 da Lei 8.212/91, Decreto 2.173/97, referese as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra aplicada na construção civil e cessão de mão de obra. 2. A responsabilidade solidária ora levantada correspondente ao período de 02/93 a 02/95, foi baseada na verificação das NF/Faturas de serviços prestados, apresentadas e devidamente lançadas nos Livros Diários da Empresa, sendo que as empresas prestadoras de serviços, n° das NF/Faturas e respectivos valores estão relacionadas no relatório de Fatos Geradores que compõe a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. 3. O cálculo do débito foi feito por Aferição, conforme previsto no artigo 33, parágrafo 3 da lei nr 8.212/91. O montante da mão de obra empregada foi aferido, tendo em vista que Empresa Tomadora dos serviços de construção civil e cessão de mão de obra não apresentou os respectivos comprovantes de recolhimento correspondentes as NF/Faturas. 4. Para a apuração do salário de contribuição da construção civil foram observados os critérios e procedimentos contidos na Ordem de Serviço INSS/DAF n° 51 de 06/10/92 que determina o índice de 40% (porcento) sobre o total das Notas Fiscais/Faturas , 20% (porcento) para faturas mistas . Quanto à cessão de mão de obra foram observados os critérios contidos na OS/INSS/DAF 083 de 13/08/93 que determina o índice de 40% (porcento ) sobre o total das NF/Faturas de serviço de segurança. 5. As alíquotas utilizadas encontramse discriminadas no relatório de Alíquotas Aplicadas na Apuração do Débito que acompanha a NFLD. A fiscalização foi precedida de Termo de Início de Ação Fiscal TIAF emitido em 09/02/1998, cuja cópia acompanhou a NFLD. O contribuinte foi notificado e apresentou impugnação. Da Impugnação Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12971.004952/201084 Acórdão n.º 2201004.595 S2C2T1 Fl. 69 3 O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 28/32. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: que, no caso, a obrigação do recolhimento das contribuições é das sociedades contratadas; que a impugnante possui a responsabilidade solidária só na falta do pagamento por parte do contribuinte de fato; que não compete à impugnante deter em seu poder o comprovante de recolhimento; que não há nenhum indício de que a fiscal tenha exigido dos prestadores de serviços a prova do recolhimento exigido; que durante a fiscalização a fiscal verificou o Conta Corrente das prestadoras de serviços, não sendo possível identificar os recolhimentos. Portanto, entende a impugnante, que tais empresas deveriam ser fiscalizadas para apurar se houve o recolhimento ora exigido; que o inciso I, do art. 195, da CF/88, determina que a contribuição social deve ser calculada sobre a folha de salários, o que não ocorreu no caso, visto que o lançamento foi calculado sobre os valores constantes das Notas Fiscais e ou Faturas de Serviços e, que, portanto, o disposto no Título V, da OS n° 165/97, e demais disposições que disciplinam a matéria não podem prevalecer perante o dispositivo da CF citado; que além de inconstitucional, há um outro vício que impede o lançamento, visto que ao mandar aplicar a solidariedade, a Lei n° 8.212/91, através do art. 31, faz exceção ao disposto no art. 23 da mesma lei, que trata das contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro. Por conseguinte, a contratante não é solidariamente responsável pelo pagamento das contribuições sobre o faturamento da empresa executora do serviço; Da Decisão Recorrida Conforme já exposto, o lançamento foi mantido, decisão de fls. 36/41, conforme se verifica da parte final da decisão de fls. 41. CONSIDERANDO que os demais argumentos aduzidos na defesa estão desprovidos de fundamentos; CONSIDERANDO que os fatos geradores foram devida e oportunamente informados; CONSIDERANDO que os autos encontramse devidamente formalizados para Julgamento; RESOLVE: a) Julgar PROCEDENTE o lançamento do débito b) Notificar a empresa, remetendolhe cópia desta Decisão . Fl. 70DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão e apresentou o recurso voluntário de fls. 46/50. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, apontando, segundo seu entendimento, erros na decisão, que podem ser apresentadas, em breve síntese: a) não se questiona a solidariedade e sim a prova do recolhimento que serviria para elidir a solidariedade; b) comprovação do pagamento com a apresentação de guias não autenticadas e aplicação da legislação de forma retroativa em beneficio da recorrente; c) erro quanto à base de cálculo, que se utilizou do faturamento e d) possibilidade de reconhecer, na esfera administrativa a constitucionalidade/inconstitucionalidade das leis. O Recorrente apresentou o recurso de forma tempestiva, mas não fez o depósito recursal, de modo que o débito foi inscrito em dívida ativa. Conforme petição da Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN determinou se o cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa (fls. 59), tendo em vista a edição da Súmula Vinculante nº 21 (e outras decisões) proferida pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 126 da Lei nº 8.213/91. Tendo retornado o presente PAF ao órgão administrativo de origem para prosseguimento, este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Quanto ao mérito do lançamento propriamente dito, conforme questionou a recorrente, o RICARF, em seu artigo 62 veda o afastamento Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sendo assim, como a própria recorrente alega inconstitucionalidade da base de cálculo escolhida, é vedado o afastamento da aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, de modo que não merece prosperar este ponto do recurso. Com relação à solidariedade, de fato, nos termos do disposto no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e que vigia ao tempo dos fatos assim dispôs: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12971.004952/201084 Acórdão n.º 2201004.595 S2C2T1 Fl. 70 5 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). (grifos nossos) § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Em outros termos, por não comportar benefício de ordem, estáse cobrando, por solidariedade da recorrente o valor do INSS presumido. Por outro lado, o instituto da solidariedade tributária, prevista e regulada pelo Código Tributário Nacional CTN, dispôs da seguinte forma: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; No caso em tela, o Recorrente não trouxe nenhum documento capaz de infirmar o lançamento de modo que o mesmo deve ser mantido, uma vez que não se comprovou que não deveria ser aplicada a solidariedade ao caso. Com relação à base de cálculo, foi aplicada aquela prevista na legislação para os casos em que não ilidida a solidariedade. Fl. 72DF CARF MF 6 Decadência Apesar de não ser objeto de impugnação ou mesmo de recurso, tendo em vista a edição da Súmula Vinculante nº 8 e pelo fato de que os lançamentos levavam em consideração o disposto no art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vigente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifouse Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12971.004952/201084 Acórdão n.º 2201004.595 S2C2T1 Fl. 71 7 Ocorre que o prazo decadencial, no presente caso, tem como prazo inicial a ocorrência do fato gerador, conforme disposto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Esta interpretação, ainda está em consonância com o disposto na Súmula Carf nº 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma, nos presentes autos, não há prova de há dolo fraude ou simulação, de modo que só me resta concluir pela aplicação do disposto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Tendo em vista que a NFLD foi lavrada em 22/06/1998, relativo ao período de 02/1993 a 03/1995, devem ser declarados decaídos os períodos anteriores a junho de 1993. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e, de ofício, declarar extinto pela decadência os créditos tributários relativos aos períodos anteriores a junho de 1993. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915958/2008-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-006.408
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 58 /2 00 8- 58 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.517, de 24/09/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário. No Recurso Especial, o contribuinte insurgiuse contra o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) ao pagamento da contribuição, alegando, em síntese, que as vendas realizadas para empresas localizadas naquela Zona Franca, para todos os efeitos fiscais, se equiparam a exportações e, por forca do disposto no art. 4º, do Decretolei nº 288/1967, c/c o art. 40 do ADCT da CF/1988, e, portanto, são isentas do PIS, nos termos do art. 14, II, c/ o § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, desde fevereiro de 1999. Por meio de despacho de exame de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.390, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915948/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.390): "O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 4 3 Consoante o acórdão recorrido, o recurso voluntário do contribuinte foi improvido sob dois fundamentos a saber: i) falta de comprovação da certeza e liquidez do indébito reclamado, ou seja, não apresentou as notas fiscais (cópias) das vendas de mercadorias para empresas localizadas na ZFM nem documentos de suas internações naquela Zona Franca; e, ii) o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas de vendas de mercadorias para aquela Zona Franca ao pagamento do PIS e da Cofins. No entanto, o contribuinte, em seu recurso especial, suscitou divergência apenas em relação ao fundamento II: o não reconhecimento da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas à ZFM. Este fato, por si só, implicaria o não conhecimento do presente recurso, tendo em vista que apenas um dos fundamentos é suficiente para o indeferimento do ressarcimento pleiteado e, consequentemente, a não homologação da Dcomp em discussão. Contudo, por força do princípio da ampla defesa, entendo que o recurso deve ser conhecido. Como se trata de matéria recorrente nesta 3ª Turma da CSRF, adoto como fundamento para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, o Acórdão de nº 9303004.932, que proferi nos autos do processo nº 10380.008890/200202, na sessão realizada em 10 de abril de 2017, reproduzido a seguir: "O Sujeito Passivo sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Entendo que esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa dispõe, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 5 4 IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 6 5 Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Vale lembrar que esse status somente foi modificado pela Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Tal matéria já foi objeto de discussão neste Colegiado, razão pela qual adoto como fundamentos para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, o entendimento aplicado no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, no qual foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido pela CSRF no julgamento do processo 10650.902444/201141, conforme reproduzido abaixo: A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 7 6 da MP nº 2.03724/ 00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/ 2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/ 2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais, nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 8 7 vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia –pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decreto lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 9 8 algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 10 9 entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 11 10 E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.915958/200858 Acórdão n.º 9303006.408 CSRFT3 Fl. 12 11 o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte." Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Como visto, com a edição da Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei nº 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, o legislador, de forma acertada, reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu o Sujeito Passivo. Assim, até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência." À luz do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido mas, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.720153/2016-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 07/08/2013 a 10/03/2014
TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. TDPF. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Esta jurisprudência se aplica ao novel documento com a mesma finalidade, o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF).
REPORTO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO OU CONDIÇÃO PARA UTILIZAÇÃO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PENALIDADES.
O uso dos bens importados, ao amparo do REPORTO, na atividade de construção naval por empresas que não atuam como operadores portuários configura descumprimento de requisitos e condições para utilização do regime aduaneiro especial, impondo ao sujeito passivo as penalidades previstas na Lei nº 11.033, de 29 de dezembro de 2003, além da exigência dos tributos suspensos por ocasião da importação, com os respectivos consectários legais.
REPORTO. DESVIO DE FINALIDADE. PENALIDADE.
A multa de 50% sobre o valor aduaneiro, por utilização do bem em finalidade diversa da que motivou a suspensão sob amparo do REPORTO tem natureza objetiva e é devida independentemente da exigência de outras penalidades cabíveis.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE.
É incabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, se não provadas nos autos as condutas de sonegação e fraude tributárias.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Numero da decisão: 3402-005.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício formalizada no auto de infração para o patamar de 75%.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 07/08/2013 a 10/03/2014 TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. TDPF. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Esta jurisprudência se aplica ao novel documento com a mesma finalidade, o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF). REPORTO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO OU CONDIÇÃO PARA UTILIZAÇÃO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PENALIDADES. O uso dos bens importados, ao amparo do REPORTO, na atividade de construção naval por empresas que não atuam como operadores portuários configura descumprimento de requisitos e condições para utilização do regime aduaneiro especial, impondo ao sujeito passivo as penalidades previstas na Lei nº 11.033, de 29 de dezembro de 2003, além da exigência dos tributos suspensos por ocasião da importação, com os respectivos consectários legais. REPORTO. DESVIO DE FINALIDADE. PENALIDADE. A multa de 50% sobre o valor aduaneiro, por utilização do bem em finalidade diversa da que motivou a suspensão sob amparo do REPORTO tem natureza objetiva e é devida independentemente da exigência de outras penalidades cabíveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 72 01 53 /2 01 6- 73 Fl. 795DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, se não provadas nos autos as condutas de sonegação e fraude tributárias. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício formalizada no auto de infração para o patamar de 75%. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de tributos (II; Contribuição ao PISimportação e COFINSimportação) e multas (multa do controle administrativo de 50% do valor aduaneiro por desvio de finalidade e/ou ausência de identificação visual externa dos bens importados; e multa de ofício de 150% sobre os crédito tributário lançado), consubstanciados no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre o desvio de finalidade constatado no regime do Reporto. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 585/653), houve desvio de finalidade, porque os bens importados, através das DI Fl. 796DF CARF MF Processo nº 11050.720153/201673 Acórdão n.º 3402005.377 S3C4T2 Fl. 796 3 13/22776522, 13/15342393 e 14/04572068, foram fornecidos em locação à empresa do mesmo grupo societário (Ecovix Engevix), para serem utilizados por esta empresa em suas atividades industriais de construção naval no Estaleiro Rio Grande. Relata a auditoria que o sujeito passivo não exerceu a atividade de operador portuário no cais do Estaleiro Rio Grande, local para o qual foi autorizada a utilização dos bens, tendo o seu Certificado de Operador Portuário (obtido em 04/05/2012 com validade até 04/05/2014) cancelado em 28/04/2015 através do Processo Administrativo SUPRG 00082904.43/127, em virtude da não adequação da empresa aos regramentos estipulados na Portaria 111 da Secretaria dos Portos. Informa que, conforme verificado em diligência no local onde se encontravam os equipamentos, em 17/06/2015, não havia identificação visual externa nos transportadores hidráulicos importados com o benefício do Reporto. Esta exigência está prevista no art. 14, § 10 da Lei 11.033/2004 e Portaria SEP 77/2011 e serve para fiscalizar a utilização dos bens em atividades exclusivamente vinculadas à operação portuária ou ao transporte ferroviário. A auditoria considera que ficou caracterizado o intuito de fraude, nos termos do art. 72 da Lei n. 4.502/64, pela tentativa do estaleiro ERG2 de se fazer passar por operador portuário para que a EcovixEngevix, especializada no ramo de indústria naval e participante de licitações para construção de plataformas de petróleo e outros bens ligados à prospecção da Petrobrás, pudesse fazer uso de equipamentos de alto valor sem suportar o devido ônus dos encargos tributários, o que justifica a imposição da multa de 150% sobre os montantes não recolhidos do Imposto de Importação, CofinsImportação e PIS/Pasep Importação, prevista no art. 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96. Regularmente cientificada (fls. 654/666), a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 663/692), juntando documentos (fls. 693/730), na qual, em síntese: Alega, preliminarmente, que o Decreto 3724/2001 e a Portaria RFB 1687/2014 exigem que os procedimentos fiscais somente tenham início após a expedição de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), em substituição ao MPF. No entanto, as investigações relacionadas, tais como o envio, ainda em 2014, de ofício à Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ – sobre o assunto, iniciaramse muito antes da existência de TDPF. Da mesma forma ocorreu com a obtenção da Ata da reunião do Conselho de Autoridade Portuária do Porto do Fl. 797DF CARF MF 4 Rio Grande CAP/RG, sendo que a sua utilização deuse de forma ilegal, pois o Regimento Interno deste Conselho dispõe, em seus artigos 13 e 18, o caráter reservado das suas reuniões. Ademais, todo o trabalho de fiscalização baseouse, indevidamente, em TDPFDiligência, quando o correto seria em TDPFFiscalização. Assim, todos os trabalhos de efetiva fiscalização e a constituição do crédito tributário são nulos, devendo o auto de infração ser extinto. Argumenta que as informações obtidas na Superintendência do Porto do Rio Grande não poderiam ser utilizadas, pois foram colhidas com base no TDPFD nº 1017700.2015.000596, que não fora expedido em nome daquela entidade. O mesmo ocorre com as informações obtidas com a oitiva das testemunhas baseadas no já citado TDPFD, o qual somente poderia servir à ora Impugnante. Aduz que o Auto de Infração é nulo, porque foi assinado pelo Auditor Fiscal Sr. Rodrigo Rosa Pires, que não consta com competência específica outorgada pelo TDPF para o caso. Alega que as necessárias prorrogações no TDPF não foram realizadas, uma vez que não há assinatura da autoridade nas alterações, e não há fundamentação que demonstre a necessidade destas prorrogações. No mérito, alega que, na data da ocorrência dos fatos geradores, todos os requisitos autorizadores para o aproveitamento do benefício do REPORTO estavam presentes; que o maquinário importado foi empregado exclusivamente em atividade portuária, não havendo que se falar em desvio de finalidade; que o emprego das máquinas pelas pessoas que as utilizam tem amparo legal; que eventual cancelamento do registro de operador portuário não serve como fundamento para a autuação diante do preenchimento integral dos requisitos à época da concessão do REPORTO e, ainda, diante do desenvolvimento da atividade por pessoas qualificadas para tanto. Aduz que a legislação exige unicamente que o importador seja beneficiário do REPORTO e que os bens se destinem ao seu ativo imobilizado, não havendo a exigência que ele mesmo faça uso dos bens importados na atividade portuária. Assim, não há impedimento legal para a locação, especialmente quando a atividade desenvolvida pelo locatário alcança os objetivos pretendidos pela legislação, conforme os contratos firmados, dentro do período fiscalizado, entre a Impugnante e a empresa SAGRES AGENCIAMENTOS MARÍTIMOS LTDA e entre a ECOVIX – ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEÂNICAS S/A e SAGRES AGENCIAMENTOS MARÍTIMOS LTDA, com o objetivo de atuar, desenvolver e fomentar o setor portuário. Observa que o emprego dos equipamentos na movimentação de mercadorias na industrialização realizada é atividade portuária para fins do benefício do REPORTO, pois a atividade de construção naval se relaciona diretamente aos portos e instalações portuárias, ou seja, “é atividade de operação Fl. 798DF CARF MF Processo nº 11050.720153/201673 Acórdão n.º 3402005.377 S3C4T2 Fl. 797 5 portuária o movimento de materiais de construção naval efetuado nos estaleiros”. Alega que o REPORTO está relacionado à “Política Industrial” visando ao incentivo do setor portuário e alberga as atividades exercidas pela Impugnante como atividade portuária, atingindo o verdadeiro sentido teleológico da norma. E relembra que, à época das importações, detinha habilitação para realização de operações portuárias. Argumenta que não há que se falar em dolo e fraude que possam ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%, uma vez que acredita ter cumprido os requisitos legais para a incidência da isenção condicionada criada pelo REPORTO, pelos motivos já expostos. Alega que as multas aplicadas não poderiam ter sido cumuladas, uma vez que apresentam a mesma motivação, pois a multa de 50% sobre o valor aduaneiro também visa a punir a falta de pagamento ou recolhimento de tributos pelo descumprimento dos requisitos e condições para utilização do REPORTO. Nesta seara, não contradita a multa de 50% sobre o valor aduaneiro em razão de ausência de identificação visual externa, pois esta é “fundamentada em razões diferentes da multa de ofício aplicada por falta de pagamento de tributos”. Pede que, caso se entenda por manter a exigência, devese aplicar apenas a multa de ofício de 75% sobre o valor dos tributos, a mais benéfica ao contribuinte. Alega que, para se evitar a anulação do auto de infração, por ofensa ao artigo 150, inciso IV da CF/88 (utilizar multa com efeito de confisco), e aos princípios da razoabilidade, da proibição do excesso e da proporcionalidade, é inevitável a necessidade de redução das multas aplicadas. Diante do exposto, requer seja cancelado o auto de infração, ou, alternativamente, a redução das penalidades ao patamar máximo de 75%. Sobreveio então o Acórdão 0738.896, da 7ª Turma da DRJ/FNS, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 07/08/2013 a 10/03/2014 REPORTO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO OU CONDIÇÃO PARA UTILIZAÇÃO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. PENALIDADES. O beneficiário, habilitado no REPORTO na qualidade de operador portuário, deve utilizar os bens importados exclusivamente para exercer as atividades de movimentação de passageiros ou movimentação e armazenagem de mercadorias, destinadas ou provenientes de transporte aquaviário, dentro da área do porto organizado. Fl. 799DF CARF MF 6 O uso dos bens importados, ao amparo do REPORTO, na atividade de construção naval e por outra pessoa jurídica, configura descumprimento de requisitos e condições para utilização do regime aduaneiro especial, sujeitando o sujeito passivo às penalidades previstas na Lei nº 11.033, de 29 de dezembro de 2003, além da exigência dos tributos suspensos por ocasião da importação, com os respectivos consectários legais. A multa de 50% sobre o valor aduaneiro, por utilização do bem em finalidade diversa da que motivou a suspensão, ampara também a infração por ausência da identificação visual externa nos veículos importados sob amparo do REPORTO e não prejudica a exigência de outras penalidades cabíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Foi dada ciência da decisão ao sujeito passivo em 11/10/2016 (AR de fls 752). Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 756/787) a este Conselho em 11/11/2016 (sextafeira, conforme ), em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ 11/10/2016 (terçafeira), conforme AR de fls. 752 e apresentou em 11/11/2016 (sextafeira) o recurso voluntário de fls 756/787 (fls 754 e 754), conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Isto porque o dia 12/10 é feriado nacional, tendo se iniciado o prazo no dia 13/10/2016. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Passo então aos fundamentos da defesa. 1. Preliminares de Nulidade A Recorrente requer que seja declarada a nulidade dos lançamentos por diversos vícios procedimentais apontados com relação ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF),1 em substituição ao MPF, tais como: a existência de investigações e coleta de documentos antes da sua emissão; que o TDPFDiligência não seria o adequado para conduzir o procedimento levado a cabo; que as informações colhidas com terceiros e com a oitiva de testemunhas não poderiam ser utilizadas, pois foram colhidas sem TDPF específico; que o AuditorFiscal que assinou os lançamentos não consta com competência outorgada pelo TDPF para o caso; e que as suas prorrogações não foram realizadas corretamente. 1 O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal é o instrumento administrativo que registra a distribuição do procedimento fiscal e será expedido exclusivamente na forma eletrônica, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III da Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 11050.720153/201673 Acórdão n.º 3402005.377 S3C4T2 Fl. 798 7 Entendo que não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de nulidade do auto de infração por suposta afronta ao seu direito de contraditório e ampla defesa, em razão dos vícios no TDPF. Afinal, o TDPF, assim como ocorria com o MPF (mandado de procedimento fiscal), tem a função precípua de comunicar ao sujeito de que ele se encontra sob fiscalização, informando lhe o número de controle. É instrumento que assegura maior transparência às relações entre o Fisco e contribuinte, permitidolhe certificar a autenticidade do termo, além de consultar no sítio da Secretaria da Receita Federal a fiscalização iniciada. Todavia, eventuais omissões ou incorreções afligindo os citados documentos instrutórios da fiscalização não tem o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário, disciplinado pelo artigo 142 do CTN. Somente na hipótese de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que eventualmente esses vícios poderão acarretar na nulidade do crédito tributário, conforme estabelece a jurisprudência dominante deste Conselho, da qual destaco as ementas dos Acórdãos n. 2301004.766, de 12/07/2016, 9303003.876, de 19/05/2016 e 9101002.132, de 26/02/2015, respectivamente: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEFICIÊNCIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) possibilita ao contribuinte certificarse da autenticidade do termo de início de fiscalização, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Também gera efeitos jurídicos, para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea (art. 138, CTN). Todavia, eventuais omissões ou vícios em sua emissão não acarreta a automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. (....) PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. MPF – NULIDADE. Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo Fl. 801DF CARF MF 8 correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, conforme se infere do enunciado da Súmula CARF nº 46: “o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.” Considerando que não há qualquer comprovação de prejuízo à defesa da Recorrente em decorrência de eventuais vícios na emissão do TDPF, haja vista que ela trouxe aos autos robusta defesa sobre todos os pontos pertinentes ao caso concreto, não há que se falar em ofensa ao 2º, inciso X, 3º e 38 da Lei nº 9.784/1999. Não há afronta, portanto, ao artigo 59 do Decreto 70.235/72. Desse modo, rejeito as preliminares de nulidade do lançamento. 2. Mérito O ponto nevrálgico da discussão referese ao cumprimento dos requisitos do regime especial denominado REPORTO. 2 Como bem apontado pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro no Acórdão n. 3402003.198, tal programa implica a concessão benefícios fiscais para operadores portuários com um intuito muito claro: aprimorar a sucateada estrutura dos portos nacionais e, reflexamente, dos serviços ali prestados. Consequentemente, visa aprimorar a operação logística afeta ao comércio exterior. É o que se observa da exposição de motivos da MP n. 206/04, convertida na lei n. 11.033/04, in verbis: (...). 13. A instituição do REPORTO, constantes dos arts. 12 a 15, destinase a criar condições para a melhoria da infraestrutura portuária brasileira, objetivando atribuir modernidade a setor fundamental para o crescimento do comércio exterior nacional, inclusive com reduções de custos operacionais para aqueles que atuam nesse comércio. (...). Com esse intuito, a legislação prevê a concessão de benefício fiscal, qual seja, a suspensão do Imposto de Importação e da Contribuição ao PIS e da COFINS na importação de máquinas, equipamentos, peças de reposição e outros bens pelo beneficiário do REPORTO. Segundo os artigos 14 e 15 da Lei n. 11.033/04, para que o benefício fiscal seja efetivado em concreto, é indispensável o preenchimento dos seguintes requisitos: 1º) habilitação no REPORTO; 2 Segundo a Fiscalização (fls 625 do TVF): "Ora, o que a fiscalização verificou foi o descumprimento dos seguintes requisitos e condições previstos na Lei do Reporto: a) o sujeito passivo perdeu a condição de beneficiário pela ausência de atividades como operador portuário e pelo cancelamento do registro de operador portuário, pela Autoridade Portuária; b) os bens foram cedidos para utilização por empresa não beneficiária do REPORTO e; c) os bens foram utilizados em finalidades incompatíveis com o regime." Fl. 802DF CARF MF Processo nº 11050.720153/201673 Acórdão n.º 3402005.377 S3C4T2 Fl. 799 9 (2º) nas operações de importação, o bem importado não pode possuir similar nacional e o beneficiário do regime tem que comprovar a "quitação de tributos e contribuições federais e, no caso do IPI vinculado à importação e do Imposto de Importação, a formalização de termo de responsabilidade em relação ao crédito tributário suspenso"; 3º) a operação de importação deve ser feita diretamente pela beneficiária do REPORTO; 4º) os bens importados devem ser destinados ao ativo imobilizado do importador; e, por fim 5º) os bens importados devem se destinar exclusivamente para a consecução dos serviços portuários descritos nos incisos do artigo 14 da lei n. 11.033/04. No presente caso, o trabalho da fiscalização (termo de verificação fiscal de fls 585 a 653) não deixou margem de dúvidas sobre o fato de que a Recorrente, muito embora tenha efetuado as importações objeto da autuação em seu próprio nome, não utilizou os bens importados ela mesma, mas sim destinouos a outras empresas de seu grupo econômico por meio de contratos de locação. Contra tal fato não se insurge a Recorrente, que se defende dizendo que, para fins de cumprimento das condições do REPORTO, bastava que ela fosse habilitada no programa. Pois bem. Vejamos então o cumprimento dos requisitos para a validade da utilização dos benefícios do REPORTO no presente caso. O segundo e o quarto requisitos não foram objeto da motivação do auto de infração, de modo que devemos reputálos como preenchidos. Já com relação ao terceiro requisito (a operação de importação deve ser feita diretamente pela beneficiária do REPORTO), o ponto inicial é incontroverso: foi a própria Recorrente, certificada como empresa beneficiária do REPORTO, que promoveu as importações em seu própria nome. A questão que se põe é a seguinte: a Fiscalização entende que não basta que a Recorrente só importe, sendo também necessário que ela própria dê a destinação dos bens às finalidades descritas na legislação do REPORTO (fls 633 do TVF). Entretanto, houve cessão dos bens (via contrato de locação) do sujeito passivo para a empresa ECOVIXEngevix, que é quem efetivamente utiliza os bens em suas atividades típicas. De seu lado, a Recorrente entende que a legislação exige unicamente que o importador seja beneficiário do REPORTO e que os bens se destinem ao seu ativo imobilizado, não havendo a exigência que ele mesmo faça uso dos bens importados na atividade portuária. Vejamos os exatos termos da Lei n. 11.033/2004, com a redação dada pela Lei n. 12.715/2012, uma vez que, em sendo o REPORTO espécie de benefício fiscal, o artigo 111 do Código Tributário Nacional impõe a interpretação literal dos seus termos: Art. 14. Serão efetuadas com suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e, quando for o caso, do Imposto de Importação II, as vendas e as importações de máquinas, Fl. 803DF CARF MF 10 equipamentos, peças de reposição e outros bens, no mercado interno, quando adquiridos ou importados diretamente pelos beneficiários do Reporto e destinados ao seu ativo imobilizado para utilização exclusiva na execução de serviços de: I carga, descarga, armazenagem e movimentação de mercadorias e produtos; II sistemas suplementares de apoio operacional; III proteção ambiental; IV sistemas de segurança e de monitoramento de fluxo de pessoas, mercadorias, produtos, veículos e embarcações; ; V dragagens; e VI treinamento e formação de trabalhadores, inclusive na implantação de Centros de Treinamento Profissional. § 1o A suspensão do Imposto de Importação e do IPI convertese em isenção após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da ocorrência do respectivo fato gerador. § 2o A suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS convertese em operação, inclusive de importação, sujeita a alíquota 0 (zero) após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da ocorrência do respectivo fato gerador. § 3o A aplicação dos benefícios fiscais, relativos ao IPI e ao Imposto de Importação, fica condicionada à comprovação, pelo beneficiário, da quitação de tributos e contribuições federais e, no caso do IPI vinculado à importação e do Imposto de Importação, à formalização de termo de responsabilidade em relação ao crédito tributário suspenso. § 4o A suspensão do Imposto de Importação somente será aplicada a máquinas, equipamentos e outros bens que não possuam similar nacional. § 5o A transferência, a qualquer título, de propriedade dos bens adquiridos no mercado interno ou importados mediante aplicação do REPORTO, dentro do prazo fixado nos §§ 1o e 2o deste artigo, deverá ser precedida de autorização da Secretaria da Receita Federal e do recolhimento dos tributos suspensos, acrescidos de juros e de multa de mora estabelecidos na legislação aplicável. § 6o A transferência a que se refere o § 5o deste artigo, previamente autorizada pela Secretaria da Receita Federal, a adquirente também enquadrado no REPORTO será efetivada com dispensa da cobrança dos tributos suspensos desde que, cumulativamente: I o adquirente formalize novo termo de responsabilidade a que se refere o § 3o deste artigo; II assuma perante a Secretaria da Receita Federal a responsabilidade pelos tributos e contribuições suspensos, desde o momento de ocorrência dos respectivos fatos geradores. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 11050.720153/201673 Acórdão n.º 3402005.377 S3C4T2 Fl. 800 11 § 7o O Poder Executivo relacionará as máquinas, equipamentos e bens objetos da suspensão referida no caput deste artigo. §8º O disposto no caput deste artigo aplicase também aos bens utilizados na execução de serviços de transporte de mercadorias em ferrovias, classificados nas posições 86.01, 86.02 e 86.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul, e aos trilhos e demais elementos de vias férreas, classificados na posição 73.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul, relacionados pelo Poder Executivo. § 9o As peças de reposição citadas no caput deste artigo deverão ter seu valor aduaneiro igual ou superior a 20% (vinte por cento) do valor aduaneiro da máquina ou equipamento ao qual se destinam, de acordo com a Declaração de Importação DI respectiva. (...) Art. 15. São beneficiários do Reporto o operador portuário, o concessionário de porto organizado, o arrendatário de instalação portuária de uso público e a empresa autorizada a explorar instalação portuária de uso privativo misto ou exclusivo, inclusive aquelas que operam com embarcações de offshore. § 1º Pode ainda ser beneficiário do Reporto o concessionário de transporte ferroviário. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá os requisitos e os procedimentos para habilitação dos beneficiários ao Reporto, bem como para coabilitação dos fabricantes dos bens listados no § 8o do art. 14 desta Lei. (grifei) Assiste razão à Recorrente. Os dispositivos citados determinam que o importador seja beneficiário do REPORTO e que os bens importados tenham a destinação ali estabelecida, porém não impõem que o próprio importador dê destino aos bens. E mais, o artigo 14, §5º ao falar que a "transferência, a qualquer título, da propriedade dos bens importados" corrobora o direito da Recorrente. Afinal, como é lição elementar de direito civil, a locação de bens implica na transferência da posse, por meio da cessão de uso e gozo, e não da propriedade da coisa, nos termos do artigo 565 do Código Civil. 3 A propriedade, dentre outros meios, pode ser transferida pela compra e venda, quando ocorrerá a transferência do domínio da coisa, como consta no artigo 481 do Código Civil. 4 Desse forma, caso a Recorrente vendesse ou efetivasse outro negócio jurídico com implicações sobre a propriedade dos bens importados, deveria informar a Receita Federal 3 Art. 565. Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. 4 Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Fl. 805DF CARF MF 12 e pagar os tributos suspensos. Todavia, na hipótese de transferência da posse, a literalidade do artigo 14, §5º da Lei n. 11.033/2004 não apresenta tal imposição. Por essas razões, entendo que não há dispositivo legal que vede a conduta praticada pela Recorrente, de modo que o terceiro requisito para o gozo dos benefícios do REPORTO deve ser reputado como preenchido. Contudo, melhor sorte não assiste à Recorrente a respeito do preenchimento do primeiro (habilitação no REPORTO) concomitantemente com o quinto (os bens importados devem se destinar exclusivamente para a consecução dos serviços portuários) requisito para os benefícios do REPORTO, os quais, no presente caso, acabam por se fundir, merecendo análise conjunta. Pois bem. É incontroverso nos autos que os bens foram utilizados unicamente em atividade de construção naval. Salientamos, nesse sentido, as informações de fls 634 e 640 do TVF: Além da informação constante no contrato de locação, a diligência in loco (ver 2.1, retro) e os depoimentos dos técnicos à fiscalização (ver 2.4, retro) forneceram outros elementos para comprovar que os equipamentos são operados somente por funcionários contratados pela ECOVIX–Engevix Construções Oceânicas S/A, em seu estabelecimento industrial, na construção de plataformas de petróleo, módulos para plataformas de petróleo, naviossonda ou outros bens destinados à pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e gás natural, sem nenhuma participação do sujeito passivo. (...) A fiscalização não questiona a espécie dos bens importados, que se coadunam com possíveis atividades voltadas para o setor portuário, especialmente a movimentação de mercadorias, e que se enquadram na listagem exaustiva do Decreto 6.582/2008 (ver 3.1, retro). O que configura infração é a utilização dos bens em atividades estranhas ao ordenamento do REPORTO. Os bens importados pelas DIs 13/15342393, 13/22776522 e 14/04572068 prestaramse unicamente à construção naval no Estaleiro Rio Grande, em operações industriais pela empresa ECOVIXEngevix, detentora de contratos com a PETROBRAS para fornecimento de plataformas de petróleo, módulos para plataformas de petróleo, naviossonda ou outros bens destinados à pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e gás natural. (grifei) Com efeito, aí se configura o desvio da finalidade dos bens importados, isto porque: i) o regime instituído pelo REPORTO qualificase como benefício fiscal que faz parte das medidas relacionadas à Política Industrial levada a cabo pelo Governo Federal, com o que tem por objetivo estimular, por meio da desoneração da carga tributária, a realização de investimentos na recuperação, modernização e ampliação dos portos brasileiros, reduzindo o surgimento de gargalos logísticos na infraestrutura portuária, conforme a exposição de motivos da MP 206/2004; ii) por isso é que o artigo 15 da Lei n. 11.033/2004 coloca o operador portuário (qualificação que se certificava a Recorrente) como possível beneficiário do regime; iii) a Lei dos Portos (n. 12.815/2006) delimita às atividades do operador portuário à área do porto organizado, sendo este definido como "bem público construído e aparelhado para atender a necessidades de navegação, de movimentação de passageiros ou de Fl. 806DF CARF MF Processo nº 11050.720153/201673 Acórdão n.º 3402005.377 S3C4T2 Fl. 801 13 movimentação e armazenagem de mercadorias, e cujo tráfego e operações portuárias estejam sob jurisdição de autoridade portuária."; iv) ademais, a mesma Lei dos portos, que regula a exploração pela União, direta ou indiretamente, dos portos e instalações portuárias e as atividades desempenhadas pelos operadores portuários, retira de seu âmbito as operações com "materiais por estaleiros de construção e reparação naval (artigo 28, III, b) . Não são necessárias maiores digressões para a constatação de que a construção naval, embora seja atividade que invariavelmente estará ligada aos portos, não se confunde com as atividades portuárias em si. Em poucas palavras, o porto é uma coisa, o navio é outra; e o REPORTO é regime tributário especial direcionado aos portos, e não aos navios construídos em estaleiros ("Local, ger. à beiramar ou à beirario, com instalações apropriadas para a construção ou reparo de navios” ).5 Nesse sentido, o setor de transporte e construção naval, realizados nos estaleiros, é distintamente tratado pelo direito, tanto em termos regulatórios como tributários. Como consta do Relatório de Pesquisa publicado pelo IPEA em 2014,6 Dores, Lage e Processi (2012, p. 284285) sumarizam as principais medidas de estímulo a este setor da economia: i) regulamentação do transporte aquaviário (Lei no 9.432/1997 e Resolução ANTAQ no 495/2005); ii) concessão de benefícios às embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro – REB (regulamentada pelo Decreto no 2.256/1997); iii) práticas de requerimentos de conteúdo local nas atividades vinculadas ao setor offshore (Resoluções ANP no 36 a 39/2007); iv) facilitação das condições de financiamento ao setor por meio do Programa Navega Brasil (lançado em 2000); v) estabelecimento de taxas de juros e participações diferenciadas nos financiamentos com recursos do FMM (Resolução CMN no 3.828/2009); vi) criação do Fundo de Garantia à Construção Naval – FGCN (Lei no 11.786/2008); vii) desoneração da cobrança de IPI incidente sobre peças e materiais destinados à construção de navios por estaleiros nacionais e redução a zero das alíquotas de PIS/PASEP e Cofins sobre equipamentos destinados à indústria naval, estimulando o setor de navipeças (Decreto no 6.704/2008 e Lei no 11.774/2008); e viii) criação, em 2003, do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – PROMINP, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME). 7 Disto impreterivelmente se conclui que o setor de construção naval possui seus próprios incentivos, que não se confundem com aqueles ligados aos portos, como o REPORTO. Ainda é imperioso lembrar que, sobre sua habilitação da Recorrente no REPORTO (primeiro requisito), consta no TVF que: 5 Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 2001 6 "Competitividade e Tributação na Indústria de Construção Naval Brasileira: peso dos tributos sobre preço de navio petroleiro e plataforma offshore", disponível em: file:///C:/Users/CARF/Desktop/Contru%C3%A7%C3%A3o%20naval%20regula%C3%A7%C3%A3o%20incenti vos%20IPEA.pdf , Acesso em 18/02/2018. 7 Conta inclusive do relatório que: " Não obstante, atualmente o governo aventa a criação e implantação de regime tributário especial para o setor de navipeças. Como já ocorre com o REB, os incentivos devem atingir impostos federais como IPI, PIS e Confins, todos incidentes sobre a produção de equipamentos. O objetivo é equalizar o peso da carga tributária, uma vez que incide sobre as importações concorrentes apenas o Imposto de Importação – II." Fl. 807DF CARF MF 14 Desde 2012 até maio de 2015 o sujeito passivo nunca exerceu a atividade de operador portuário nos cais do Estaleiro Rio Grande – todas as operações portuárias naquele local foram realizadas por outras empresas, diferentes do sujeito passivo. (...) De fato, o sujeito passivo obteve, em 04/05/2012 o Certificado solicitado, com validade até 04/05/2014 (anexo 27). Entretanto, consta que a partir de 12/05/2014 a Comissão Especial de Análise para PréQualificação de Operadores Portuários recomendou o cancelamento do Certificado de Operador Portuário do sujeito passivo RG ESTALEIRO ERG2 S.A., em virtude da não adequação da empresa aos regramentos estipulados na Portaria 111 da Secretaria dos Portos (fl. 135 do anexo 18 processo SUPRG 00082904.43/127). Finalmente, o Diretor Superintendente da SUPRG determinou o cancelamento do Certificado de Operador Portuário concedido à empresa RG ESTALEIRO ERG2, CNPJ 08.607.005/000350, sendo que o cancelamento foi efetivado em 28/04/2015 (anexo 28). (grifei) Assim é que, muito embora o período de apuração desse Processo seja de 07/08/2013 a 10/03/2014, época em que o Certificado de Operador Portuário ainda era ainda vigente (sob a égide da Instrução Normativa RFB 879/2008, através do Ato Declaratório Executivo da DRF Pelotas nº 27, de 17/12/2012), as diligências perpetradas pela fiscalização para averiguar se a Recorrente efetivamente atuava como operador portuário foram peremptórias e incontestadas pela Recorrente no sentido de que ela, efetivamente, nunca atuou como operador portuário. Tal fato corrobora o desvio de finalidade com relação à destinação dos bens, anteriormente apontado, afinal, nem a Recorrente, nem às empresas do Grupo Econômico às quais os bens foram destinados, tinham como escopo de suas atividades a atuação nos portos em si, mas a na construção naval, para onde foram destinados os bens importados. Dessarte, muito embora as máquinas e equipamentos importados por meio das DIs 13/15342393, 13/22776522 e 14/04572068 , pela Recorrente estejam listados no Decreto 6.582/2008, responsável por regular o REPORTO, tais bens não foram destinados à finalidade imposta por todo o espírito e letra da Lei n. 11.033/2004, qual seja, incentivo à modernização e à ampliação da estrutura portuária brasileira. Concluir o contrário iria na contramão da letra da Lei 12.715/2012, quando estabelece que o beneficiário do Reporto é o operador portuário, qualidade que não se encontra nem na Recorrente nem nas empresas do grupo para as quais os bens foram locados. Por essas razões, deve ser rechaçada a defesa da Recorrente nesse ponto, sendo mantida a autuação fiscal, que perpetrou a cobrança dos tributos que deixaram de ser pagos nas operações de importação, mediante uso indevido dos incentivos do REPORTO. 3. Duplicidade das penas No presente caso, além da multa de ofício qualificada no patamar de 150%, à Recorrente foi imposta multa de 50% sobre o valor aduaneiro dos bens, conforme o art. 14 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, cuja redação vigente dispõe: Fl. 808DF CARF MF Processo nº 11050.720153/201673 Acórdão n.º 3402005.377 S3C4T2 Fl. 802 15 Art. 14 (...) § 10. Os veículos adquiridos com o benefício do Reporto deverão receber identificação visual externa a ser definida pelo órgão competente do Poder Executivo. § 11. Na hipótese de utilização do bem em finalidade diversa da que motivou a suspensão de que trata o caput deste artigo, a sua não incorporação ao ativo imobilizado ou a ausência da identificação citada no § 10 deste artigo, o beneficiário fica sujeito à multa de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor de aquisição do bem no mercado interno ou do respectivo valor aduaneiro. § 12. A aplicação da multa prevista no § 11 deste artigo não prejudica a exigência dos tributos suspensos, de outras penalidades cabíveis, bem como dos acréscimos legais.(grifei) Sobre esse ponto, entendo que não merece reparos à decisão a quo, quando apresentou as seguintes considerações: Por tudo o que consta no relatório fiscal e nas provas constantes dos autos, e que motivaram a conclusão constante do mérito do presente voto, houve desvio de finalidade por utilização dos bens em atividade incompatível com o regime, sendo cabível a multa de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor aduaneiro de cada uma das Declarações de Importação nº 13/15342393, 13/22776522 e 14/04572068, conforme o art. 14 da Lei 11.033/2004. A mesma multa ampara a tipificação da infração por ausência de identificação visual externa nos veículos importados sob amparo do REPORTO – 02 transportadores hidráulicos DCY320, verificada em diligência realizada em 17/06/2015, conforme previsto no art. 14, § 10 da Lei 11.033/2004. A penalidade, entretanto, foi aplicada somente uma vez sobre os veículos amparados pela DI 13/15342393 e 13/22776522. Conforme o § 12 do art. 14, da Lei 11.033/2004, acima transcrito, esta multa de 50% não prejudica a exigência dos tributos suspensos e de outras penalidades cabíveis. Portanto, não tem fundamento a alegação da impugnante de que as multas aplicadas não poderiam ter sido cumuladas. Vejase que a multa prevista no art. 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96, visa a punir a falta de pagamento ou recolhimento de tributos pelo descumprimento dos requisitos e condições para utilização do REPORTO, com a qualificação da fraude, simulação ou dolo. Enquanto que a multa de 50% sobre o valor aduaneiro foi aplicada em decorrência do desvio de finalidade e de ausência de identificação visual externa. Portanto, as duas multas não apresentam a mesma motivação. (grifei) É nesse sentido inclusive que se percebe que os bens jurídicos tutelados por cada uma das situações são diversos: o Erário, pela multa de ofício em razão de não pagamento de Fl. 809DF CARF MF 16 tributo; e a Fiscalização tributária, pela multa de 50% por desvio de finalidade dos bens ou pela ausência de identificação externa dos veículos, conforme fls 647 e 650 do TF . Portanto, entendo como correta a imposição da multa de 50% do valor aduaneiro dos bens em questão, conforme consubstanciado no lançamento fiscal, não merecendo provimento o recurso voluntário nesse ponto. 4. Multa qualificada Por fim, cumpre analisar a questão colocada pela Recorrente sobre a qualificação da multa em 150%. A Fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada, motivada pelo fato de que o sujeito passivo, de modo intencional, importou os equipamentos, não para si e tampouco com a finalidade de destinálos à operação portuária, mas agindo como mera intermediária para que, de fato, a ECOVIXEngevix, empresa do mesmo grupo societário, que não é beneficiária do REPORTO. Considerou, assim, que ficou caracterizado o intuito de fraude, nos termos do art. 72 da Lei n. 4.502/64, o que justifica a imposição da multa de 150% sobre os montantes não recolhidos dos tributos, prevista no art. 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96. A seu turno, alega a Recorrente que a fiscalização não deveria ter aplicado a multa qualificada, uma vez que acredita ter cumprido os requisitos legais para a incidência da isenção condicionada criada pelo REPORTO, pelos motivos já expostos. É tranquila a jurisprudência deste Conselho sobre a necessidade de demonstração da conduta dolosa do contribuinte pela Fiscalização, quando da lavratura do auto de infração, para fins de subsunção aos tipos previstos pelos artigos os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (sonegação fiscal e fraude). Vale dizer, a ação ou omissão dolosa “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente” ou, ainda, “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, deve ser cabalmente provada pelo Fisco no momento do lançamento tributário. Não há dolo presumido. A fraude ou sonegação tem que ser comprovada. Contudo, nada próximo da comprovação de condutas fraudulentas, objetivando a fraude ou sonegação dos tributos devidos na importação se encontra nestes autos. Entendo que não está provado que houve a intenção de praticar o ilícito, afinal o contribuinte não falsificou ou adulterou informações, tentando ludibriar o fisco, por exemplo. Era o entendimento da Recorrente8 que suas operações preenchiam os requisitos estabelecidos pelo REPORTO, não se sujeitando à incidência dos tributos na importação, por isso não efetuou as declarações e recolhimentos. Nos seus documentos fiscais (DIs, livros, etc), contudo, as informações estão límpidas, nada tendo sido nada omitido das autoridades, nem antes nem depois do início da fiscalização, de forma fraudulenta. 8 Lembremos a interpretação esposada pela Recorrente: que o emprego dos equipamentos na movimentação de mercadorias na industrialização realizada é atividade portuária para fins do benefício do REPORTO, pois a atividade de construção naval se relaciona diretamente aos portos e instalações portuárias, ou seja, “é atividade de operação portuária o movimento de materiais de construção naval efetuado nos estaleiros". Fl. 810DF CARF MF Processo nº 11050.720153/201673 Acórdão n.º 3402005.377 S3C4T2 Fl. 803 17 Assim, a simples ausência de recolhimento não pode ser entendida como motivo para qualificação da multa. Ao caso se aplica, isto sim, o que dispõe o artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Concluo, portanto, ser indevida a qualificação da penalidade aplicada à Recorrente, a qual deve ser reduzida para o patamar de 75%. 5. Multa confiscatória A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional. 6. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício formalizada no auto de infração para o patamar de 75%. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 811DF CARF MF 18 Fl. 812DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660319/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.723
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 19 /2 01 2- 26 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660319/201226 Acórdão n.º 3401004.723 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660319/201226 Acórdão n.º 3401004.723 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660319/201226 Acórdão n.º 3401004.723 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660319/201226 Acórdão n.º 3401004.723 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660319/201226 Acórdão n.º 3401004.723 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660319/201226 Acórdão n.º 3401004.723 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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