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Numero do processo: 10580.720312/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
IRPJ SIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO - RECEITA NÃO DECLARADA. DEDUÇÕES OU EXPURGOS. EMBORA INTIMADO EM SEDE DE PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA DETERMINADO PELO CARF, O SUJEITO PASSIVO NÃO PRODUZIU PROVA DA NECESSIDADE DE AJUSTE DO VALOR TRIBUTÁVEL DA IMFRAÇÃO IMPUTADA.
Efetuado o lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo respectivo fisco estadual, incabível a mera alegação do sujeito passivo, sem a juntada de provas de suporte de sua escrituração contábil/fiscal (cópias de notas fiscais), da necessidade de outros expurgos ou deduções do valor tributável da infração imputada, a título de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade, em face de declaração mensal do ICMS retificadora apresentada ao fisco estadual, após ciência do lançamento do Simples, contendo tais ajustes.
A defesa do sujeito passivo, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, ou seja, contendo os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.
O ônus da prova incumbe ao sujeito passivo quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA - DIFERENÇA DE ALÍQUOTA - INFRAÇÃO REFLEXA.
Mantida a infração principal diferença de base de cálculo - receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração - insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples - diferença de alíquota (infração reflexa).
LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL- Simples, PIS-Simples, Cofins - Simples e Contribuição para Seguridade Social - INSS - Simples.
Mantido o lançamento do IRPJ - Simples, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente.
MATÉRIA NÃO OBJETO DE LITÍGIO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA PARCIAL ÀS ALEGAÇÕES DE DIREITO. ADESÃO AO PARCELAMENTO ESPECIAL.
O respectivo crédito tributário não litigioso já foi transferido para controle nos autos de processo específico objeto de parcelamento.
Numero da decisão: 1802-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Jose de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 IRPJ SIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO - RECEITA NÃO DECLARADA. DEDUÇÕES OU EXPURGOS. EMBORA INTIMADO EM SEDE DE PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA DETERMINADO PELO CARF, O SUJEITO PASSIVO NÃO PRODUZIU PROVA DA NECESSIDADE DE AJUSTE DO VALOR TRIBUTÁVEL DA IMFRAÇÃO IMPUTADA. Efetuado o lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo respectivo fisco estadual, incabível a mera alegação do sujeito passivo, sem a juntada de provas de suporte de sua escrituração contábil/fiscal (cópias de notas fiscais), da necessidade de outros expurgos ou deduções do valor tributável da infração imputada, a título de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade, em face de declaração mensal do ICMS retificadora apresentada ao fisco estadual, após ciência do lançamento do Simples, contendo tais ajustes. A defesa do sujeito passivo, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, ou seja, contendo os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O ônus da prova incumbe ao sujeito passivo quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA - DIFERENÇA DE ALÍQUOTA - INFRAÇÃO REFLEXA. Mantida a infração principal diferença de base de cálculo - receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração - insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples - diferença de alíquota (infração reflexa). LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL- Simples, PIS-Simples, Cofins - Simples e Contribuição para Seguridade Social - INSS - Simples. Mantido o lançamento do IRPJ - Simples, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. MATÉRIA NÃO OBJETO DE LITÍGIO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA PARCIAL ÀS ALEGAÇÕES DE DIREITO. ADESÃO AO PARCELAMENTO ESPECIAL. O respectivo crédito tributário não litigioso já foi transferido para controle nos autos de processo específico objeto de parcelamento.
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DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO RECEITA NÃO DECLARADA. DEDUÇÕES OU EXPURGOS. EMBORA INTIMADO EM SEDE DE PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA DETERMINADO PELO CARF, O SUJEITO PASSIVO NÃO PRODUZIU PROVA DA NECESSIDADE DE AJUSTE DO VALOR TRIBUTÁVEL DA IMFRAÇÃO IMPUTADA. Efetuado o lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo respectivo fisco estadual, incabível a mera alegação do sujeito passivo, sem a juntada de provas de suporte de sua escrituração contábil/fiscal (cópias de notas fiscais), da necessidade de outros expurgos ou deduções do valor tributável da infração imputada, a título de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade, em face de declaração mensal do ICMS retificadora apresentada ao fisco estadual, após ciência do lançamento do Simples, contendo tais ajustes. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 12 /2 00 6- 15 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 480 2 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA DIFERENÇA DE ALÍQUOTA INFRAÇÃO REFLEXA. Mantida a infração principal diferença de base de cálculo receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples diferença de alíquota (infração reflexa). LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL Simples, PISSimples, Cofins Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples. Mantido o lançamento do IRPJ Simples, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. MATÉRIA NÃO OBJETO DE LITÍGIO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA PARCIAL ÀS ALEGAÇÕES DE DIREITO. ADESÃO AO PARCELAMENTO ESPECIAL. O respectivo crédito tributário não litigioso já foi transferido para controle nos autos de processo específico objeto de parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Jose de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 481 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 166/171 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Salvador (efls. 151/159) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento fiscal – Autos de Infração do Simples Federal, quanto ao anocalendário 2003. Quanto aos fatos, consta dos autos que, em relação ao anocaledário 2003, em 27/12/2006 o fisco imputou as seguintes infrações, conforme Autos de Infração do Simples Federal (IRPJSimples, CSLLSimples, PISSimples, CofinsSimples e Contribuição INSS – Simples) – efls.03/51 e Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (e fls.52/55): a) Diferença de base de cálculo – Receita não declarada: Período de Apuração Total Receitas de Vendas ( devoluções) = Declaração Mensal de Apuração do ICMS Total Receitas = Declaração Simplificada do SIMPLES Diferença Base de Cálculo Jan/2003 160.569,29 160.794,00 Fev/2003 175.467,04 94.473,19 80.993,85 Março/2003 179.473,64 89.390,00 90.083,64 Abril/2003 196.354,67 93.013,50 103.341,17 Maio/2003 186.941,29 94.670,00 92.271,29 Junho/2003 198.858,54 96.590,00 102.268,54 Julho/2003 212.186,63 86.652,90 125.533,73 Ago/2003 195.952,35 92.019,00 103.933,35 Set/2003 210.207,80 90.250,70 119.957,10 Out/2003 213.798,35 89.117,00 124.681,35 Nov/2003 197.836,14 92.931,90 104.904,24 Dez/203 236.593,81 119.889,90 116.703,91 TOTAL 2.364.239,55 1.199.792,09 1.164.672,17 Obs: Os dados ou informações do ICMS da contribuinte foram fornecidos pela Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia, por força do Convênio de Cooperação Técnica entre a RFB e a Sefaz/BA. Enquadramento legal: IRPJ/Simples: Lei nº 9.317/96, arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “a”, 5º e 7º, § 1º; Lei nº 9.732/98, art. 3º e RIR/99, arts. 186 e 188; PIS/Simples: LC nº 07/70, art. 3º, “b”; LC 17/73, art. 1º, parágrafo único; MP 1249/95, art. 2º, 3º e 9º e reedições; Lei 9.317/96; CSLL/Simples: Lei nº 7.689/88, art 1º; Lei 9.317/96; Lei 9.732/98, art. 3º. Cofins/Simples: LC 70/91, art. 1º; Lei 9.317/96. Contrib. Seguridade Social INSS/Simples: Lei 9.317/96, arts. 2º, 3º, 5º e 7º. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 482 4 b) Insuficiênca de recolhimento em relação à receita informada na Declaração Simplificada do Simples – diferença de alíquota (infração reflexa). Valores apurados conforme Autos de infração e respectivos demonstrativos de cálculo (efls. 03/55). Enquadramento legal: Lei 9.317/96, art. 5º; Lei 9.732/98, art. 3º e RIR/99, arts. 186 e 188. O crédito tributário lançado de ofício do anocalendário 2003 perfaz o montante de R$ 275.070,90, assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal Juros de Mora (calculados até 30/11/2006) Multa de Ofício de 75% Total IRPJSimples 9.285,95 4.717,93 6.964,41 20.968,29 PIS – Simples 9.285,95 4.717,93 6.964,41 20.968,29 CSLL – Simples 14.973,91 7.677,07 11.230,37 33.881,35 Cofins – Simples 29.947,79 15.354,19 22.460,78 67.762,76 Seg. Social INSS Simpes 58.317,44 29.434,74 43.738,02 131.490,20 TOTAL 275.070,90 A contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração do Simples Federal, apresentando impugnação (efls. 135/138), suscitando nulidade do feito fiscal, com base nas seguintes razões, in verbis: (...) 3 Verificase do auto lavrado contra e empresa contestante, que a mesma foi autuada por lançar em títulos de sua contabilidade, nos meses do anocalendário de 2003, o montante das quantias descontadas, sem atender as formalidades legais exigidas. 4 Ressaltese, todavia, que a empresa vem cumprindo com a sua obrigação, tendo arquivado todo o documental referente a livros contábeis relativos às contribuições previstas nas Leis 9.249/95 e 9.317/96, podendo exibilos a qualquer momento, estando todos os livros a disposição desse órgão para análise e averiguação, comprovando assim, através de diligência, que as despesas ocorreram e foram corretamente contabilizadas, sanando o equívoco ocorrido na contabilidade da empresa em foco. 5 — Resta evidente que não basta a apuração de irregularidades na escrituração contábil para fundamentar a presunção de omissão de receitas. Os fatos identificados pela fiscalização são indícios que exigiriam maiores averiguações para coleta de provas da infração. 6 Convém também salientar que a empresa e seu sócio administrador agiram com total seriedade e clareza de procedimentos, tendo consignado em seus registros os aportes de capital efetuados, não tendo havido em momento algum omissão de receita. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 483 5 7 Por outro lado, o agente passivo não agiu com dolo ou máfé e não causou prejuízo ao Fisco Federal. 8 Vale ressaltar que a empresa Contribuinte não tem as mínimas condições de solvência do compromisso, não apenas pelo gigantesco imposto cobrado, mas, sobretudo e principalmente pela forma de evolução do débito, através de indexadores extorsivos, multas astronômicas, juros fora da Lei e, FINALMENTE, DEVIDO A UMA SITUAÇÃO QUE AMPARADA PELO DIREITO A IMPEDE DE PAGAR O TRIBUTO VISIONARIAMENTE COBRADO PELA RECEITA FEDERAL. (...) 11 Há de concluirse, portanto, que os fundamentos legais aqui argüidos embasam sem dúvida os anseios da Peticionaria, vez que o débito contestado inexiste de pleno direito, haja vista principalmente, os valores exorbitantes dos juros e da multa cobrados pela Receita Federal. (...) Por sua vez, a 4ª Turma da DRJ/Salvador, enfrentando o mérito das questões suscitadas pela contribuinte, julgou improcedente a impugnação, mantendo os Autos de Infração do Simples Federal, conforme Acórdão de 24/09/2008 (efls.151/159), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta escriturada no Livro de Apuração do ICMS e a declarada na DSPJSimples. MULTA OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC No lançamento do crédito tributário é legal a cobrança da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora fixados nos percentuais equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. NULIDADE. VICIO FORMAL Estando o procedimento fiscal revestido dos requisitos legais, afastase a preliminar de nulidade. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 484 6 CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. Na instância administrativa não se discute questões versando sobre constitucionalidade de atos legais, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO O prazo para entrega de documentos é no momento da impugnação, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses do art. 16, § 4°, alíneas "a", "b" e "c" do Decreto n° 70.235, de 1972. LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS. LEGALIDADE É legal a utilização pelo Fisco Federal de informações sobre receita escriturada no Livro de Apuração do ICMS Estadual. Lançamento Procedente. (...) Ciente desse decisum em 24/11/2008 – segundafeira (efl. 165), a contribuinte apresentou Recurco Voluntário parcial em 24/12/2008 (efls. 166/171) e juntou documentos (efls. 172/336), ou seja, acatou parte da infração imputada receita não declarada, cujas razões são as seguintes: (...) 5.Em que pese a extrema capacidade técnica e competência dos integrantes da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento, o acórdão proferido deverá ser reformado por este eg. Conselho de Contribuintes, uma vez que a autuação baseouse, exclusivamente, nas informações declaradas no Livro Registro de Apuração do ICMS, as quais estão equivocadas, conforme se demonstrará a seguir. 6. De acordo com o relatório da decisão recorrida, foi informado no livro Registro de Apuração do ICMS a receita bruta total de R$ 2.364.239,55, referente ao exercício de 2003, ao passo que, na DSPJSimples, foi declarada a quantia de R$1.199.793,09. 7. Inicialmente, cumpre à recorrente esclarecer que o lançamento na DSPJSimples da receita bruta em valores inferiores àqueles informados no Livro Registro de Apuração de ICMS deveuse a equívocos cometidos pelos funcionários do setor de contabilidade da empresa, os quais já foram, inclusive, afastados do quadro. 8. Com relação aos valores de receitas apontados no Livro Registro de Apuração do ICMS, após análise da recorrente, esta constatou que houve erros, já que foi informada quantia superior à receita efetivamente auferida naquele exercício de 2003. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 485 7 9. Em outras palavras, as informações nas quais o i. Auditor se baseou para lavrar o presente Auto de Infração não correspondem à efetiva receita da recorrente. 10. Logo após perceber a falha operacional, a recorrente providenciou a correção dos valores, por meio da retificação da Declaração e Apuração Mensal do ICMS (DMA), enviada a Secretaria da Fazenda, via Internet, nos dias 13 e 14 de novembro de 2008, anexa a este Recurso (doc. 02). 11.Conforme se pode perceber, a receita bruta apurada pela recorrente no exercício de 2003 foi de R$ 2.205.994,91, ou seja, inferior àquela utilizada pela Fiscalização (verificar planilha explicativa anexa doc. 03). 12.Importante salientar que, após a retificação da DMA, a ora recorrente foi submetida à Fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, não tendo os auditores fiscais apurado qualquer irregularidade (conforme documento anexo doc. 04), o que pode ser comprovado por meio da Certidão Negativa de Débitos expedida recentemente, em 17/12/2008 (doc. 05). 13.E para que não restem quaisquer dúvidas acerca da lisura do procedimento adotado, bem como dos valores ora informados, a recorrente junta ao presente Recurso a cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS (doc. 06), do Livro Registro de Saídas de Mercadorias (doc. 07), bem como do Livro Registro de Entradas (doc. 08), que comprovam, efetivamente, que a receita apurada no exercício de 2003 foi de R$ 2.205.994,91 ao invés dos R$ 2.364.239,55 apontados pela Fiscalização. 14. Para facilitar a análise das informações, a recorrente elaborou a planilha explicativa anexa (doc. 03), que descreve, individualmente, cada receita auferida durante o exercício de 2003, com base nos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOPs), e examina as deduções efetuadas, decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto etc. (...) 18. Evidentemente, as saídas de mercadorias remetidas para conserto (CFOPs 6915 e 5915) ou devolvidas ao fornecedor (CFOPs 6411 e 5411) não integram a receita do contribuinte. Logo, não podem compor a base de cálculo do Simples Federal. 19. Merecem atenção, também, as saídas de mercadorias registradas sob o código 5929 (Lançamento efetuado em decorrência de emissão de documento fiscal relativo a operação ou prestação também registrada em equipamento de Cupom Fiscal ECF). Isso ocorre no caso das vendas de mercadorias ao consumidor final em que há emissão do cupom fiscal e, simultaneamente, emissão da nota fiscal. Para que não haja dupla tributação do ICMS, o segundo registro da saída de mercadorias nesta situação é feito utilizandose este código. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 486 8 Por fim, deve, ainda, ser deduzido do total das receitas os valores correspondentes às entradas de mercadorias sob o código 1411, uma vez que referemse à devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária. (...) 22. Salientese que a planilha anexa (doc. 03) contém a demonstração pormenorizada da composição da receita de cada mês do exercício de 2003, elaborada com base nas informações constantes do Livro Registro de Apuração do ICMS (doc. 06). 23.Deste modo, deve a presente autuação ser revista por este Eg. Conselho de Contribuintes, a fim de que seja reduzido o valor exigido, levandose em consideração a receita efetivamente auferida pela recorrente (R$ 2.205.994,91), bem como os pagamentos já efetuados a título de Simples Federal no exercício de 2003 (conforme doc. 09). DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS 24.Em cumprimento ao quanto disposto no § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a recorrente fundamenta a juntada posterior de documentos na alínea b do §4Q deste dispositivo, tendo em vista que a retificação e envio à SEFAZ da Declaração de Apuração Mensal do ICMS DMA ocorreu após a apresentação da Impugnação e alterou substancialmente a realidade fática ora analisada. (...) PEDIDO 26. Ante todo o exposto, pleiteia a recorrente seja reformado o Acórdão DRJ/SDR n° 1517.014, da 4a Turma da Delegacia da Receita Federal deJulgamento em SalvadorBA, julgandose parcialmente procedente o Auto de Infração ne. 10580.720312/200615 e reduzindose o valor do débito exigido. (...) Em 23/02/2010, ainda quanto ao crédito tributário não recorrido a contribuinte acostou aos autos, de forma expressa, Pedido de Desistência Parcial do Recurso/renúncia às alegações de direito para fins de adesão a parcelamento especial, juntando, inclusive, Planilha detalhada do valor tributável da infração imputada acatada e da parte que mantém o litígio (efls. 337/338), in verbis: RAIMUNDO MORAES COSTA, já devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem, por seus advogados, apresentar sua desistência parcial ao Recurso Voluntário interposto e renunciar parcialmente às alegações de direito sobre as quais se funda o presente processo, relacionadas ao débito ora reconhecido, em cumprimento ao quanto disposto no art. 13, § 3º e § 4º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº. 6, de 22 de julho de 2009, com a finalidade de aderir parcialmente ao Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 487 9 parcelamento instituído pela Lei na. 11.941, de 27 de maio de 2009, do débito objeto do PAF nQ. 10580.720312/200615. Em atendimento ao quanto disposto no § 4º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB ne. 6, de 22 de julho de 2009, a recorrente pleiteia a juntada da planilha anexa (doc. 01), demonstrando, detalhadamente, a base de cálculo do débito objeto da desistência parcial {que está indicado na Coluna "E" e foi parcelado), bem como a base de cálculo do débito sobre o qual prosseguirá a discussão administrativa (indicado na Coluna "F" Vale dizer, em relação à infração imputada diferença de receita não declarada do anocalendário 2003 – valor tributável da infração imputada R$ 1.164.672,17, a contribuinte acatou infração tributável de R$ 1.006.201,97, conforme Coluna E – Planilha – efl. 338); que, por conseguinte, a lide persiste sobre a diferença não acatada da infração imputada receita não declarada, pois tal diferença de receitas seria inexistente, sob as seguintes alegações: a) referese a saídas de mercadorias obejto de remessa para conserto (CFOPs 6915 e 5915) ou devolvidas ao fornecedor (CFOPs 6411 e 5411) e que não integram a receita da contribuinte; que não podem, assim, compor a base de cálculo do Simples Federal; b) referese a saídas de mercadorias registradas sob o código 5929 (Lançamento efetuado em decorrência de emissão de Nota Fiscal relativo a operação ou prestação também registrada em equipamento de Cupom Fiscal ECF); que, no caso, houve vendas de mercadorias ao consumidor final com emissão de cupom fiscal e, simultaneamente, emissão da nota fiscal. Para que não haja dupla tributação do ICMS, o segundo registro da saída de mercadorias nesta situação é feito utilizandose esse código; c) que, por fim, deve ser deduzido do total das receitas os valores correspondentes às entradas de mercadorias sob o código 1411, uma vez que se referem à devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária. Às efls. 352/354, consta Termo de Transferência de Crédito Tributário não litigioso, com data de 22/10/2010, para os autos do Processo nº 10580.730604/20034, com respectiva planilha, informando o valor do principal, por período de apuração mensal para cada exação fiscal. Ainda, consta dos autos Extrato do Processo quanto aos débitos remanescentes por período de apuração mensal e por exação fiscal, conforme telas (e fls.355/360). Em face das alegações da recorrente e deficiência de instrução probatória (falta de parte das provas das alegações da recorrente e necessárias para formação da convicção do julgador), na sessão de 11/09/2013, seguindo proposição do voto do Relator (busca da verdade material), esta Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.326, determinando o retorno dos Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 488 10 autos à unidade origem da RFB, no caso DRF/Salvador, conforme fundamentação do voto do Relator que transcrevo, no que pertinente (efls. 362/373), in verbis: (...) Vale dizer, a recorrente, nas razões do recurso, argumentou: que a diferença de receitas questionada, recorrida, de R$ 163.578,02 na verdade é inexistente como matéria tributável, pois apresentou declaração retificadora do ICMS após a lavratura dos autos de infração do Simples pela RFB, reduzindo a receita bruta inicialmente informada ao fisco estadual, quanto ao anocalendário 2003, de R$ 2.364.465,17 para R$ 2.205.994,91 e que o fisco estadual teria acatado essa redução de base de cálculo e que, por conseguinte, o fisco federal, também, teria que reconhecer essa redução da receita bruta na declaração retificadora do ICMS, do anocalendário 2003; que essa redução de receita bruta na apuração do ICMS decorreu, basicamente, de deduções ou expurgos decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade (com emissão de nota fiscal e com cupom fiscal) etc que, até então, por lapso ou equívoco na escrituração contábil não haviam sido deduzidas da receita bruta informada ao fisco estadual. Entretanto, a recorrente não juntou aos autos cópia dos documentos de suporte de sua escrituração contábil que pudessem justificar ou comprovar a alegada ou indigitada exclusão, dedução ou expurgos decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas escrituradas em duplicidade (com nota fiscal e cupom fiscal) etc. Em face dessa deficiência de instrução probatória (falta de parte das provas),não é possível, neste momento, ao julgador formar convição se as deduções ou os expurgos em relação à receita bruta não declarada apurada pelo fisco federal devem ser acatados ou não. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, baixando os autos do processo à unidade de origem da Receita Federal do Brasil –DRF/Salvador, para que a fiscalização: a) em relação à parcela de receita tributável recorrida, questionada, de R$ 163.578,02, apure, à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte dos registros contábeis do sujeito passivo quanto anocalendário 2003, se esse valor corresponde, ou não, a valor não tributável, que deva ser expurgado das receitas tributáveis objeto dos autos de infração ; b) demonstre em planilha específica, pormenorizada ou detalhada, quando comprovado e cabível algum expurgo em Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 489 11 relação à receita não declarada no SIMPLES, objeto dos autos de infração, identificando valor a ser excluído, individualmente, por natureza ou categoria do expurgo (por exemplo, vendas escrituradas em duplicidade), identificando o total mensal para cada natureza do expurgo, total mensal de todos os expurgos (considerando todas os valores e todas naturezas de expurgos comprovados, para o mês) e, por fim, identificar, efetuar o somatório dos expurgos comprovados, para o anocalendário 2003; c) verificar se o crédito tributário remanescente administrado, nos autos deste processo, corresponde à diferença de receitas questionada, não objeto da desistência parcial da lide; d) concluída a diligência, elaborar relatório circunstanciado quanto ao resultado apurado, devidamente comprovado e demonstrado com planilhas e documentos de suporte da escrituração contábil; e) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para apresentação de manifestação nos autos, em querendo. Vencido o prazo dado pela fiscalização, tendo ou não a contribuinte apresentado manisfestação, retornem os autos para este CARF, para julgamento da lide. (...) É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 490 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos pressupostos para sua admissibilidade e envolve, tem por objeto, apenas parte do crédito tributário em relação ao montante lançado de ofício. Conheço do recurso. Conforme relatado, os autos tratam da exigência de crédito tributário do Simples Federal do anocalendário 2003 no montante de R$ 275.070,90 (valor na data da lavratura do auto de infração), pela imputação ds seguintes infrações pelos autos de infração (IRPJSimples, PISSimples, CSLL – Simples, Cofins – Simples e Contribuição Previdenciária INSS – Simples): a) diferença de base de cálculo – receita não declarada; b) insuficiênca de recolhimento em relação à receita informada na Declaração Simplificada do Simples – diferença de alíquota (infração reflexa). Como já mencionado, em relação ao montante do crédito tributário lançado de ofício do anocalendário 2003, a recorrente rebelase, mantém a lide, apenas sobre parte desse montante, não recorrendo da outra parte, apresentando, inclusive, desistência/renúncia da parte acatada, não litigiosa, para efeito de Adesão a Parcelamento Especial. Quanto ao crédito tributário não litigioso, o respectivo valor do principal e acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora) já foram transferidos para os autos do processo nº 10580.730604/20034, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário, com data de 22/10/2010, e respectivo planilha, informando o valor do principal por período de apuração mensal e por exaçãofiscal (efls. 352/354). Vale dizer, nos presentes autos está sendo controlada apenas a parte remanescente do crédito tributário, ou seja, a parte litigiosa, conforme telas do Extrato do Processo (efls. 355/360). Para a contribuinte, o crédito tributário remanescente controlado nestes autos, envolve base de cálculo controversa, ou seja, valor tributável controvertido, conforme planilha resumo anexa ao requerimento acostado aos autos de desistência parcial do recurso e reconhecimento parcial de débito, com data de 23/02/2010 (efls. 337/338). Nessa planilha resumo a contribuinte segregou o valor tributável da infração diferença de base de cálculo – receita não declarada em: a) diferença de base de cálculo – receita não declarada (valor incontroverso); b) diferença de base de cáculo – receita não declarada (valor controverso). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 491 13 A propósito, transcrevo a planilha elaborada pela contribuinte (efl. 338), demonstrando a segregação do valor da infração imputada – diferença de receita não declarada ao fisco do anocalendário 2003 no valor R$ 1.164.672,17 , parte acatada pela contribuinte (parte não litigiosa): R$ 1.006.201,91: Receita Bruta declarada na DSPJ Simples (A) Diferença de Receita Bruta apontada pelo Auditor Fiscal (B) Receita Bruta considerada pelo Auditor Fiscal antes da retificação da DMA ICMS (C= A + B) Receita efetiva (após a retificação da DMA ICMS) (D) Diferença entre a receita efetiva e a receita inicialmente declarada na DSPJ Simples (E = D A) Diferença entre a receita bruta considerada peto Auditor Fiscal (Antes da retificação da DMA ICMS) e a receita efetiva (após a retificação da DMA ICMS) ( F = C D o uB E ) Jan/2003 160.794,91 — 160.794,91 117.055,76 43.739,15 43.739,15 Fev/2003 94.473,19 80.993,85 175.467,04 140.715,98 46.242,79 34.751,06 Mar/2003 89.390,00 90.083,64 179.473,64 167,814,13 78.424,13 11.659,51 Abr/2003 93.013,50 103.341,17 196.354,67 180.231,77 87.218,27 16.122,90 Maio/2003 94.670,00 92.271,29 186.941,29 173.651,46 78.981,46 13.289,83 Jun/2003 96.590,00 102.268,54 198.858,54 197.045,78 100.455,78 1.812,76 Jul/2003 86.652,90 125.533,73 212.186,63 204 065,35 117.412,45 8.121,28 Ago/2003 92.019,00 103.933,35 195.952,35 186.584.52 94,565,52 9.367,83 Set/2003 90.250,70 119.957,10 210.207,80 199.821,08 109.570,38 10.386,72 Out/2003 89.117,00 124.681.35 213.798,35 207.503,40 118.386,40 6.294,95 Nov/2003 92.931,90 104.904,24 197.836,14 202.943,90 110.012,00 — Dez/2003 119.889,90 116.703,91 236.593,81 228.561,78 108.671,88 8.032,03 TOTAL 1.199.793,00 1.164.672,17 2.364.465,17 2.205.994,91 1.006.201,91 163.578,02 A diferença de base de cálculo omitida– receita não declarada – apurada pela fiscalização nos autos de infração do Simples Federal, conforme já demonstrado em planilha constante do relatório, foi de R$ 1.164.672,17, ou seja: Período de Apuração Total Receitas de Vendas ( devoluções) = Declaração Mensal de Apuração do ICMS Total Receitas = Declaração Simplificada do SIMPLES Diferença Base de Cálculo TOTAL 2.364.239,55 1.199.792,09 1.164.672,17 A recorrente, nas razões do recurso, reconhceu como matéria não controvertida a diferença de base de cálculo – receita não declarada (receita omitida) de R$ 1.006.201,91. Já, com relação à parcela controvertida da receita omitida, a recorrente, nas razões do recurso, argumentou: que a diferença de receita bruta questionada, controvertida, na verdade é inexistente, pois apresentou declaração retificadora do ICMS após a lavratura dos autos de infração do Simples pela RFB, reduzindo a receita bruta inicialmente informada ao fisco estadual, quanto ao anocalendário 2003, de R$ 2.364.465,17 para R$ 2.205.994,91 e que o fisco estadual teria acatado essa redução de receita bruta e que, por conSeguinte, o fisco federal, também, teria que reconhecer essa redução da receita bruta, consoante declaração retificadora do ICMS, do anocalendário 2003; que essa redução de receita bruta na apuração do ICMS decorreu, basicamente, de deduções ou expurgos decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 492 14 (com emissão de nota fiscal e com cupom fiscal) etc que, até então, por lapso ou equívoco na escrituração contábil não haviam sido deduzidas da receita bruta informada ao fisco estadual. Entretanto, a recorrente não juntou aos autos cópia dos documentos de suporte de sua escrituração contábil que pudessem justificar ou comprovar a alegada ou a indigitada redução da receita bruta do anocalendário 2003 (após a autuação), por exclusão, dedução ou expurgos de parcelas decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas escrituradas em duplicidade (com nota fiscal e cupom fiscal) etc. Em face dessa deficiência de instrução probatória dos autos (falta de parte das provas das alegações da recorrente e necessárias para formação da convicção do julgador), na sessão de 11/09/2013, seguindo proposição do voto do Relator (e busca da verdade material), esta Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para instrução probatória complementar, conforme Resolução nº 1802000.326, determinando o retorno dos autos à unidade origem da RFB, no caso DRF/Salvador, conforme fundamentação do voto do Relator (efls. 362/373) e já transcrita no relatório. No procedimento de diligência – instrução probatória complementar, a recorrente foi intimada pela fiscalização da RFB, no caso pela DRF/Salvador, para produzir as provas de suas alegações; porém, a recorrente deixou de produzir as provas, de apresentar à fiscalização as provas de sua escrituração contábil e documentos de suporte, de suas alegações constantes das razões do recurso. Vale dizer, a contribuinte, em resposta à intimação fiscal no procedimento de diligência, de 03/01/2014 (efls. 383/472), limitouse repetir as razões já constantes dos autos e exibir cópia da planilha já constante dos autos, cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS e conferência de lançamentos de saídas, mas sem comprovação com documentos de suporte da escrituração contábil/fiscal dos expurgos/excluões suscitados para efeito de diminuição do valor tributável da infração imputada diferença de base de cálculo – receita não declarada. Em face disso, entendo que não há como acatar ou reconhecer as exclusões ou expurgos pretendidos pela recorrente no valor tributável da infração imputada diferença de base de cálculo – receita não declarada, por falta de comprovação das alegações suscitadas ou objetadas. Infração mantida. A propósito, transcrevo a narrativa e conclusão do resultado da diligência constante do Termo de Encerramento de Diligência da DRF/Salvador, de 26/02/2014 (e fls.377/378), in verbis: (...) No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB, em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Diligência, (...), consistente no atendimento à Resolução n° 1802000.326, de 11 de setembro de 2013, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, Primeira Seção de Julgamento 2a Turma Especial, constante do Processo Administrativo Fiscal PAF n° 10580.720312/200615, que trata de Auto de Infração do Simples Federal IRPJ Simples, CSLL Simples, PIS Simples, Cofins Simples e Contribuição INSS Simples, referente ao anocalendário 2003 fls.03/51, e Termo Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 493 15 de Verificação Fiscal, parte integrante do referido lançamento fls.52/55, realizei diligência fiscal no contribuinte, tendo sido adotados os seguintes procedimentos, conforme abaixo demonstrado: 1Verificouse que a referida diligência se fez necessária em razão da ausência de provas acompanhadas das razões da defesa do impugnante, que pudessem comprovar suas alegações, uma vez que o impugnante justifica a inconsistência do referido Auto de Infração, no valor correspondente a R$ 163.578,02, (diferença esta demonstrada mediante uma planilha por ele apresentada), sob o argumento de terem sido valores correspondentes a vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas escrituradas em duplicidade e que foram posteriormente retificados no Livro de Registro do ICMS. A despeito desta alegação, não anexa, a sua defesa, os elementos de prova; 2 O interessado foi intimado, mediante o Termo de Intimação Fiscal n.° 01, em anexo, cientificado via postal em 13 de dezembro de 2013, a apresentar, os seguintes elementos: a) Referente à parcela de receita tributável recorrida e questionada, de R$ 163.578,02, os Originais e Cópias dos documentos de suporte de sua escrituração contábil, que pudessem justificar e comprovar suas alegações, apresentadas ao Recurso Voluntário de 24/12/2008 (fls. 166/171 do PAF), contra decisão da 4a Turma da DRJ/Salvador (fls. 151/159 do PAF), consistente nas exclusões, deduções ou expurgos da efetiva Base de Cálculo, no anocalendário 2003, decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas escrituradas em duplicidade (com nota fiscal e cupom fiscal) etc; b) Demonstrar, em planilha específica, pormenorizada ou detalhada, quando comprovado e cabível algum expurgo em relação à receita não declarada no SIMPLES, objeto dos autos de infração, identificando os valores a serem excluídos, individualmente, por natureza ou categoria do expurgo (por exemplo, vendas escrituradas em duplicidade), identificando o total mensal para cada natureza do expurgo, total mensal de todos os expurgos (considerando todas os valores e todas naturezas de expurgos comprovados, para o mês) e, por fim, identificar e efetuar o somatório dos expurgos comprovados, para o anocalendário 2003, conforme suas alegações. 3 O interessado apresentou sua resposta em 03 de janeiro de 2014, conforme documento anexo, porém nada de novo trouxe para o processo. Apenas reiterou seus fundamentos já anteriormente apresentados com relação ao direito de excluir das respectivas bases de cálculo os valores de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto e vendas escrituradas em duplicidade, e novamente apresentou sua planilha e cópia do Livro de Registro de ICMS, assinalando os valores que supostamente Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 494 16 corresponderam a valores que deveriam ser excluídos do lançamento em questão, porém, novamente, deixou de apresentar qualquer documentos de suporte de sua escrituração contábil, tais como notas fiscais de cancelamento, notas fiscais de entrada, que pudessem servir de prova de suas alegações. Diante do acima exposto, verificase que o contribuinte deixou de atender ao que lhe foi solicitado nesta diligência, repetindo a argumentação já apresentada em sua defesa anterior, razão pela qual encerro a presente diligência fiscal, tendo sido encaminhada uma das vias do presente termo ao contribuinte para sua ciência VIA POSTAL. (...) Tendo tomando ciência do resultado da diligência – Termo de Encerramento da Diligência, a contribuinte em 26/03/2014 manifestouse nos autos, novamente sem juntar as provas solicitadas na diligência fiscal, apenas repetiu as razões já constantes de sua defesa, pedindo, por fim, a revisão de ofício, alegando ter havido falhas de ambas as partes, tanto do fisco, quanto contribuinte, que ocasionou o lançamento fiscal (efls. 379/382). Como já dito, para o fisco federal acatar, aceitar, deduções, exclusões ou expurgos de parcelas apuradas e escrituradas após a ciência do auto de infração, em relação ao valor tributável da infração imputada diferença de receita bruta não declarada, tornase necessário a contribuinte comprovar – com documentos de surporte de sua escrituração contábil , que a receita bruta do anocalendário 2003 seria menor do que o valor informado ao fisco estadual e que fora repassado ao fisco federal, pois a indigitada retificação da receita bruta junto ao fisco estadual ocorreu somente após a lavratura do auto de infração.. Entretanto, a recorrente não se desemcumbiu do ônus probatório, quanto a suas alegações nas razões do recurso, pleiteando exclusões ou expurgos da receita tributável da infração imputada diferença de receita bruta não declarada, a título de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade (com emissão de nota fiscal e com cupom fiscal). Reiterando, embora a recorrente tenha sido intimada, no procedimento de diligência, para apresentação das provas, documentos de suporte (cópias de notas fiscais), das parcelas suscitadas a serem excluídas ou expurgadas do valor tributável da infração imputada, ou seja, documentos esses que teriam embasado, após a ciência do auto de infração, a retiticação das declarações mensais do ICMS do anocalendário 2003, nada trouxe aos autos, em termos de documentos de suporte dos lançamentos registrados a tal título na escrituração contábil/fiscal, após a ciência do auto de infração. A legislação processual de regência é clara, taxativa, no sentido de que compete ao sujeito passivo o ônus probatório, quando alega fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do fisco de efetuar o lançamento tributário. Nesse sentido, transcrevo o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 495 17 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)t. 16. A impugnação mencionará: (...) Ainda, dispõe o art. 333, II, do Código de Processo Civil – Lei nº 5.869/73, com redação dada por leis posteriores, e aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – (...); II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Diante do exposto, deve ser mantida a infração imputada diferença de base de cálculo – receita não declarada, bem como a infração reflexa insuficiênca de recolhimento em relação à receita informada na Declaração Simplificada do Simples – diferença de alíquota (infração reflexa). Mantido o auto de infração do IRPJSimples, devem ser mantidos também os laçamentos reflexos (CSLL – Simples, PISSimples, Cofins – Simples e Contribuição Seguridade Social – INSS – Simples), pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão e jurídica para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 11080.720605/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003.
INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada, mediante o primeiro despacho decisório cientificado ao interessado, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente.
COMPENSAÇÃO DE IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA APURAÇÃO DO IRPJ.
Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção.
MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO COMPOSTO POR IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado.
O fato de o Fisco desconsiderar suposto crédito decorrente de IRRF de 2001 e 2002 para compor alegado pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao período de apuração de 31/03/2003, sem que tenha havido a entrega de PERDCOMP, não constitui lançamento tributário nos termos do artigo 142 do CTN.
Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade do alegado direito creditório, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1802-002.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003. INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada, mediante o primeiro despacho decisório cientificado ao interessado, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente. COMPENSAÇÃO DE IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA APURAÇÃO DO IRPJ. Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO COMPOSTO POR IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O fato de o Fisco desconsiderar suposto crédito decorrente de IRRF de 2001 e 2002 para compor alegado pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao período de apuração de 31/03/2003, sem que tenha havido a entrega de PERDCOMP, não constitui lançamento tributário nos termos do artigo 142 do CTN. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade do alegado direito creditório, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.720605/200850 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.363 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003. INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada, mediante o primeiro despacho decisório cientificado ao interessado, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente. COMPENSAÇÃO DE IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA APURAÇÃO DO IRPJ. Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO COMPOSTO POR IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. O fato de o Fisco desconsiderar suposto crédito decorrente de IRRF de 2001 e 2002 para compor alegado pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 06 05 /2 00 8- 50 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 ao período de apuração de 31/03/2003, sem que tenha havido a entrega de PERDCOMP, não constitui lançamento tributário nos termos do artigo 142 do CTN. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade do alegado direito creditório, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: O Despacho Decisório Eletrônico (DDE) n° 757799803 não homologou as compensações declaradas no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3.040506, cujo crédito seria originário de suposto pagamento a maior do que o devido de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), realizado por Darf em 30/04/03, sob o código de arrecadação 0220, no valor total de R$ 364.847,65, porque o pagamento informado estaria Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 3 3 integralmente utilizado na quitação de débito de IRPJ do período apuração 31/03/03. A interessada não apresentou manifestação de inconformidade contra tal decisão, entregou DCTF retificadora com a pretensão de regularizar a situação e ingressou com a ação ordinária n° 2008.71.00.0179970/ RS, pleiteando certidão de regularidade fiscal cuja emissão foi obstada em função do débito resultante da não homologação da compensação. Em decisão exarada nos autos da ação judicial ajuizada foi suspensa a exigibilidade do crédito tributário decorrente do DDE n° 757799803 para permitir a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa em favor da demandante até que a Receita Federal do Brasil pudesse proceder a uma nova análise do procedimento de compensação tendo em conta a retificação da DCTF. Em atendimento à decisão judicial, o Despacho Decisório DRF/POA n° 606/2008 revisou de oficio o DDE n° 757799803 e concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório, com a consequente não homologação da compensação indicada no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3.040506, em virtude de ter sido apurado imposto a pagar de IRPJ no primeiro trimestre/2003 em valor maior do que o recolhido, visto não terem sido confirmados valores retidos de IRPJ. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DRF/POA n° 606/2008 na qual alega ter entendido que a retificação da DCTF seria suficiente para evitar a não homologação da compensação e que a revisão da compensação pela Receita Federal resultou no reconhecimento da procedência do crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ, mas trouxe outra razão para a não homologação da compensação, consubstanciada no não reconhecimento dos créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), ocasionando o reajuste do valor devido a título de IRPJ. A manifestante se indispõe contra o não reconhecimento de valores retidos de IRPJ porque entende que a revisão dos créditos por ela declarados já teria sido atingida pela decadência e que a compensação realizada já estaria homologada tacitamente, eis que transcorridos mais de cinco anos desde a apresentação do PER/DComp até a sua intimação da decisão. A empresa alega que parte das retenções de IRPJ utilizada na redução do IRPJ devido é relativa aos anos calendário 2001 e 2002, quando apurou prejuízos fiscais, e defende que a utilização dessas retenções em anos posteriores é um direito que lhe assiste, que a vedação ao seu uso viola o princípio da capacidade contributiva, que os dispositivos legais que regulam o art. 773 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) não vedam a utilização do crédito do IRRF nos períodos posteriores Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 e menciona o Acórdão n° 107.08.073, do Primeiro Conselho de Contribuintes. A contribuinte defende que a impossibilidade de aproveitar os valores retidos na fonte sobre rendimentos resultantes de aplicações financeiras nos períodos em que apresentou prejuízo fiscal em anos posteriores à retenção resultaria na tributação daquilo que não corresponde ao conceito de “renda”. Por fim, a empresa torna a invocar o instituto da decadência em relação ao “direito do fisco de revisar os lançamentos relativos aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003” e torna a sustentar a ocorrência de homologação tácita da compensação realizada, reafirmando que, não tendo a fiscalização se manifestado em relação à utilização dos créditos de IRRF na primeira análise da compensação, não poderia se manifestar posteriormente. O litígio deste processo corresponde à compensação formalizada no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3.040506, cujo crédito equivale a R$ 207.410,55. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Porto Alegre/RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1041.973, de 19 de dezembro de 2012, cientificado ao interessado com Aviso de Recebimento (AR) em 27/03/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não homologação da compensação no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, afasta a homologação tácita. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O procedimento de verificação da existência do crédito pela autoridade fazendária não está sujeito a prazo decadencial. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A homologação da compensação depende da liquidez e certeza do crédito. RETENÇÃO NA FONTE. APROVEITAMENTO. As retenções na fonte somente podem ser utilizadas como antecipação do imposto de renda a pagar ou a restituir do respectivo período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 4 5 A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 26/04/2013 no qual diz que “o objeto do presente processo são os créditos utilizados nessa compensação, mais especificamente a possibilidade de composição desses créditos com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002”. Aduz que a situação fática apresentada pode ser resumida da seguinte forma: declarou (em DCTF) e pagou (via DARF) um valor de débito de IRPJ para o 1º trimestre de 2003 superior ao que seria realmente devido. posteriormente, apurou em auditoria interna que o débito de IRPJ havia declarado e recolhido a maior do que o efetivamente devido. informou então o valor correto de débito de IRPJ na DIPJ transmitida em 2004. por um equívoco, esqueceuse de retificar a DCTF do 1o trimestre de 2003 para refletir essa nova informação apresentada na DIPJ. providenciou a compensação do crédito resultante do pagamento (via DARF) a maior de IRPJ efetuado no 1o trimestre de 2003, reconhecido pela correção informada em DIPJ, com débitos de CSLL. teve sua compensação não homologada pela Receita Federal em razão da divergência das informações prestadas via DCTF (no 1o trimestre de 2003) e DIPJ (em 2004). retificou a DCTF para que ela refletisse o valor informado na DIPJ na esperança de que tal operação fosse suficiente para que o Fisco homologasse a compensação. ingressou com a Ação Declaratória n° 200871000179970 perante a Justiça Federal objetivando o reconhecimento do crédito e, consequentemente, a declaração de regularidade da compensação transmitida. obteve decisão judicial intimando a Receita Federal a proceder a análise da compensação transmitida considerando a retificação da DCTF. ao proceder a nova análise da compensação, o Fisco reconheceu o crédito do pagamento a maior (via DARF), mas, por outro lado, proferiu nova decisão não homologatória, dessa vez não mais pela divergência em relação aos débitos de IRPJ para o 1o trimestre de 2003, e sim por uma suposta inconsistência dos créditos utilizados na compensação. o argumento da Receita Federal nessa nova decisão, ora combatida, é de que a legislação tributária não permitiria a composição dos créditos a serem compensados com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002. no entendimento do Fisco a não inclusão do IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002 para composição do saldo negativo de IRPJ no próprio ano calendário no qual a retenção foi feita, retiraria da Recorrente o direito de compensálas posteriormente. A Recorrente discorda da decisão da DRJ que manteve os mesmos fundamentos do último despacho decisório para a não homologação da compensaçõa pleiteada. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 A Recorrente alega a possibilidade de utilização de créditos de IRRF de períodos anteriores (2001 e 2002) ao da compensação realizada, bem como a decadência do direito de o Fisco questionar os créditos da Recorrente. Aduz que, analisando o artigo 773 do Regulamento do Imposto de Renda conclui que tal disposição confere aos contribuintes o direito de deduzir o montante retido ao longo do ano calendário do valor devido a título de IRPJ daquele mesmo ano, mas não prevê qual a consequência aplicável para os casos nos quais a retenção não é considerada no ajuste do imposto no mesmo período no qual os valores são retidos. Em outros termos, o artigo referido fala daquilo que é permitido mas não trata em momento algum do que não é permitido. Aliás, não há na legislação tributária, e tampouco nos regulamentos emitidos pela Receita Federal qualquer disposição que trate da perda do direito à recuperação de valores pagos a maior a título de IRPJ pela não utilização desses valores no ajuste do imposto no ano nos quais eles foram auferidos. Essa é uma consequência "inventada" pela fiscalização e que não está prevista na legislação tributária. Diz que, a utilização de valores de IRRF, relativo a retenções realizadas em anos anteriores, para compensação de débitos tributários verificados em anos posteriores é bastante semelhante à utilização do próprio saldo negativo de IRPJ. Portanto, havendo o contribuinte pago determinado tributo em excesso não é possível conceber a perda do direito de restituir ou compensar o valor pago a maior. Qualquer argumento de ordem formal deverá ser superado em razão da busca pela Verdade Material, qual seja, a do efetivo pagamento. Argúi que, o fato de a Recorrente não ter incluído tal retenção na apuração de ajuste do imposto no ano calendário no qual houve a retenção é fator meramente formal, que não deve obstar o reconhecimento do direito à compensação. Argumenta que, admitirse a manutenção da decisão recorrida significaria chancelar a tributação do que não corresponde à renda da Recorrente, em manifesta violação ao princípio da capacidade contributiva, uma vez que a mesma não apresentou lucro tributável nos anos de 2001 e 2002. E que, considerando que as receitas que originaram as retenções foram computadas na determinação do lucro real da Recorrente, a vedação da posterior utilização destes créditos através da compensação realizada representa interpretação que culmina por alterar o conceito de lucro e confiscar o patrimônio da Recorrente. A Recorrente, arguindo o princípio da isonomia, alega que o tratamento a ele dispensado é semelhante ou pior do que aquele dispensado a determinado contribuinte que não sofre retenção de IRRF, ainda que possua obrigação para tanto. Isso porque, considerando que nos anos calendários de 2001 e 2002 a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, então o não recolhimento das retenções, caso o sujeito responsável pela retenção não o fizesse, teria levado tão somente ao descumprimento de uma obrigação acessória do sujeito obrigado a reter (fonte pagadora), sem alterar em nada o valor a ser recolhido a título de IRPJ, fazendo com que fosse economicamente mais vantajoso não cumprir com a obrigação tributária. Em seguida cita jurisprudência. A Recorrente argumenta que a lei tributária ao fazer referência à postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido ou à redução indevida do lucro real, assenta de maneira clara e expressa que o transporte do IRRF para períodos subsequentes só pode ser vedado caso acarrete os efeitos previstos na lei, quais sejam, prejuízo ao erário pela alteração do pagamento da obrigação principal. Quando não há dano ao Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 5 7 erário e consequente modificação das obrigações tributárias em sua substância, não há razão para impedir a utilização dos créditos de IRRF no período seguinte. Assim, o desrespeito ao Regime de Competência só pode ensejar uma punição ao contribuinte quando houver prejuízo ao erário público. A Recorrente alega que, conforme determina o §4°, do art. 150, do CTN, passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda tenha se pronunciado, "considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito". Assim, ocorreu a decadência de o Fisco revisar os lançamentos relativos aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003. Por fim, a Recorrente alega que ocorrreu a homologação tácita das compensações realizadas relativas aos créditos do IRRF de 2001 e 2002, pelos seguintes motivos: ... Com efeito, conforme já referido em tópico anterior do presente Recurso, a decisão ora recorrida trata de uma segunda análise realizada pela fiscalização a respeito da compensação realizada pela Recorrente através da DECOMP n° 11264.04308.290104.1.3.040506. Tal revisão ocorreu por força de requerimento expresso da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional realizado nos autos da ação judicial proposta pela Recorrente com o objetivo de ver declarada a regularidade desta compensação. Ocorre que na primeira decisão sobre a compensação ora discutida, a fiscalização entendeu por não homologar a compensação declarada por não reconhecer o crédito decorrente de "pagamento indevido ou a maior". Naquela oportunidade, a fiscalização não fez qualquer observação quanto à irregularidade dos créditos de IRRF utilizados pela Recorrente. Desta forma, resta evidente que o não reconhecimento dos créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 é totalmente inoportuno, uma vez que tal direito do Fisco restou prejudicado pela Homologação Tácita (ou pelo instituto da preclusão), eis que não realizado no momento adequado. Sendo assim, não tendo a fiscalização realizado a glosa dos créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 na primeira análise realizada, é evidente que a mesma não pode inovar agora, até porque ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos previsto para a revisão dos pedidos de compensação, conforme previsto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 ... Neste sentido, merece ser referido que a compensação objeto da decisão vergastada foi transmitida em 29/01/2004, enquanto que a intimação da Recorrente desta nova decisão ocorreu somente Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 em 19/03/2009, ou seja, mais de 5 (cinco) anos contados da sua entrega. ... Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 11264.04308.290104.1.3.040506 (fls. 01/05 do processo nº 11080.901355/200857, apenso), transmitido em 29/01/2004, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, código 0220, no valor de R$ 207.410,55 (DARF: R$ 364.847,65, período de apuração: 31/03/2003, Arrecadação: 30/04/2003), com débito de CSLL 1º trimestre, (PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/03/2003 e VENCIMENTO: 30/04/2003. No mencionado processo (apenso) consta o despacho decisório nº 757799803 de fl.06, expedido em 24/04/2008 pela DRF Porto Alegre, cientificado ao interessado em 06/05/2008. A teor deste Despacho Decisório, o alegado pagamento de R$ 364.847,65 foi confirmado (fl. 11), todavia, por ter sido ele integralmente utilizado na quitação do próprio débito de IRPJ de março/2003, nada restou de crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, em decorrência do que não foi homologada a compensação declarada, do qual o interessado foi cientificado em 06.05.2008 (copia do AR de fl. 07). A interessada embora não tenha apresentado manifestação de inconformidade contra tal despacho decisório, entregou em 30/05/2008 DCTF retificadora onde alterou o débito do IRPJ do 1° trimestre de 2003 no valor de R$ 364.847,65 para R$ 157.437,10 e ingressou com a ação ordinária n° 2008.71.00.0179970/RS, pleiteando certidão de regularidade fiscal cuja emissão foi obstada em função do débito resultante da não homologação da compensação. Conforme relatado, em decisão exarada nos autos da ação judicial ajuizada foi suspensa a exigibilidade do crédito tributário decorrente do Despacho Decisório n° 757799803 para permitir a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa em favor da demandante até que a Receita Federal do Brasil procedesse uma nova análise da compensação pleiteada tendo em conta a retificação da DCTF. Nesse contexto e de acordo com a segunda análise, a DRF Porto Alegre expediu o segundo e último Despacho Decisório DRF/POA n° 606, de 10 de novembro de 2008 (fls.72/75 do processo nº 11080.901355/200857, apenso), cientificado ao interessado em 24/03/2009, fl.75, o qual conclui pelo não reconhecimento do crédito e por conseqüência a não homologação da compensação pleiteada, tendo em vista que: ... Fl. 68DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 6 9 De acordo com a ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da DIPJ/2003, relativo ao 1º trimestre de 2003 (fl. 13), o contribuinte apura IRPJ no valor de R$ 2.430.840,08 que depois de deduzir o valor de R$ 2.273.402,98, relativo ao IRRF, restou o valor de R$ 157.437,10 de IRPJ a pagar. Todavia, verificando as DIRFs do 1° trimestre/2003, a requerente dispõe do montante de R$ 308.306,89, declarado a seu favor, conforme podemos ver na planilha anexada na fl. 71 elaborada com base nos valores extraídos das DIRFs/2003 (fls. 23/56). Portanto, o valor apurado de IRPJ a pagar é de R$ 2.122.533,19 e não R$ 157.437,10 como informa o contribuinte. A requerente foi intimada apresentar demonstrativo do IRRF, retido por trimestre e os respectivos documentos (Informes de Rendimentos) a fim de comprovar o valor utilizado na dedução do IRPJ do 1° trimestre/2003. Solicitou mais prazo para cumprir a intimação alegando que teria que buscar os comprovantes junto aos bancos (fl. 57) e informou verbalmente que no montante do IRRF declarado na DIPJ/ 2003 estaria incluído o IRRF de anoscalendário anteriores a 2003. ... Grifei O litígio decorre do Acórdão nº 1041.973, de 19 de dezembro de 2012 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Porto Alegre/RS) que julgando improcedente a manifestação de inconformidade do interessado, manteve os mesmos fundamentos do último Despacho Decisório DRF/POA n° 606/2008 que, em atendimento à decisão judicial, revisou o DDE n° 757799803 e concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório, com a consequente não homologação da compensação indicada no PER/DCOMP nº 11264.04308.290104.1.3.040506, em virtude de ter sido apurado imposto a pagar de IRPJ no primeiro trimestre/2003 no valor de R$ 2.122.533,19 e não R$ 157.437,10 como informa o contribuinte, visto não terem sido confirmados valores de IRRF, considerando que as retenções na fonte somente podem ser utilizadas como antecipação do imposto de renda a pagar ou a restituir do respectivo período de apuração. A Recorrente diz que a decisão recorrida trata de uma segunda análise realizada pela fiscalização a respeito da compensação realizada pela Recorrente através da DECOMP n° 11264.04308.290104.1.3.040506 que foi transmitida em 29/01/2004, enquanto que a intimação da Recorrente desta nova decisão ocorreu somente em 19/03/2009, ou seja, mais de 5 (cinco) anos contados da sua entrega. Aduz que o objeto do presente processo são os créditos utilizados nessa compensação, mais especificamente a possibilidade de composição desses créditos com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002. Que, o não reconhecimento dos créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 é totalmente inoportuno, uma vez que tal direito do Fisco restou prejudicado pela Homologação Tácita (ou pelo instituto da preclusão), eis que não realizado no momento adequado. Afirma que, não tendo a fiscalização realizado a glosa dos créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 na primeira análise realizada, é evidente que a mesma não Fl. 69DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 10 pode inovar agora, até porque ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos previsto para a revisão dos pedidos de compensação, conforme previsto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. A argumentação de homologação tácita argüida pela Recorrente não prospera, pois, considerando o PER/DCOMP n° 11264.04308.290104.1.3.040506 transmitido em 29/01/2004 o primeiro despacho decisório nº 757799803 que não homologou a compensação declarada, com base nas informações prestadas pelo contribuinte nas declarações DCOMP e DCTF original, foi cientificado ao interessado em 06/05/2008, portanto antes do prazo de 5 (cinco) anos para homologação de compensação, de que trata o § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Gizse que, o procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório. Com efeito, tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada mediante o primeiro despacho decisório, no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente. Contra o primeiro despacho decisório eletrônico (processo nº 11080.901355/200857, apenso, fl.06) poderia o contribuinte haver apresentado manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo e devolutivo, garantindo a continuidade dos atos procedimentais e seu avanço em direção a decisão definitiva. Não o fez. Como afirmado acima, a interessada em vez de apresentar a manifestação de inconformidade contra tal despacho decisório adotou procedimento de sua iniciativa ao entregar em 30/05/2008 DCTF retificadora onde fez constar o débito de IRPJ do 1° trimestre de 2003 no valor de R$ 157.437,10 e ingressou com a ação ordinária n° 2008.71.00.0179970/ RS. O segundo despacho decisório (reexame) foi proferido em virtude de haver o contribuinte interposto ação judicial na qual obteve decisão judicial (tutela antecipada) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 7 11 intimando a Receita Federal a proceder nova análise do procedimento de compensação tendo em conta as retificações das DCTFs. Portanto, a atividade individual do contribuinte interrompeu a movimentação dos atos procedimentais do Fisco e garantiu a suspensão da exigibilidade dos débito mas não tem o efeito de gerar a seu favor a homologação tácita do PER/DCOMP em comento. Conforme explicitado acima, em virtude da determinação judicial para nova análise do procedimento de compensação tendo em conta as retificações das DCTFs, e com o objetivo de verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado no PERDCOMP, a autoridade administrativa no seu poderdever, com supedâneo no artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN, intimou a pessoa jurídica interessada a apresentar demonstrativo do IRRF, retido por trimestre e os respectivos documentos (Informes de Rendimentos) a fim de comprovar o valor do IRRF utilizado na dedução do IRPJ do 1° trimestre/2003. A intimada solicitou mais prazo para cumprir a intimação alegando que teria que buscar os comprovantes junto aos bancos (fl. 57) e informou verbalmente que no montante do IRRF declarado na DIPJ/ 2003 estaria incluído o IRRF de anoscalendário anteriores a 2003. A Recorrente diz expressamente no Recurso Voluntário que “o objeto do presente processo são os créditos utilizados nessa compensação, mais especificamente a possibilidade de composição desses créditos com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002”. No entendimento do novo despacho decisório bem como da decisão recorrida, o IRRF na fonte dos anos de 2001 e 2002 somente pode ser deduzido como antecipação do imposto de renda devido do respectivo período de apuração. Eis, a conclusão do acórdão recorrido, verbis: ... A lei permite a dedução desses valores no final do respectivo período de apuração para diminuir o imposto devido ou aumentar o saldo negativo. Isto posto, é o saldo negativo, regularmente apurado pela contribuinte de acordo com a legislação vigente, que é passível de utilização em períodos posteriores. A contribuinte confirma que a maior parte do valor declarado como retido na fonte é relativa a anos calendário anteriores e não questiona o valor confirmado pela DRF/POA referente ao IRRF no ano calendário 2003. Não há base legal para a utilização de fontes retidas em outros anos calendário para compor o saldo negativo de anos posteriores. A forma de aproveitamento dessas fontes seria através da retificação das DIPJs referentes aos anos calendário de retenção, com a consequente apuração de saldos negativos naqueles períodos, no caso concreto, 2001 e 2002. Não merece reparos à decisão recorrida. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 12 Indubitavelmente o procedimento adotado pelo contribuinte em incluir no montante do IRRF declarado na DIPJ/ 2004 o IRRF de anoscalendário anteriores a 2003 não tem amparo na legislação tributária. As alegações da Recorrente no sentido de utilizar supostos créditos de IRRF decorrentes de retenções feitas em 2001 e 2002” para compensar o débito de CSLL do período de apuração de 31/03/2003, conforme tratado nos presentes autos, não se sustentam como será visto a seguir. É induvidoso que o contribuinte no ano calendário de 2003, adotou a forma de apuração do IRPJ com base no lucro real trimestral, conforme se verifica na DIPJ/2004,fl.13 (processo apenso). Assim, ao fim de cada período de apuração trimestral, a pessoa jurídica deverá determinar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância, das leis comerciais e fiscais (art.251 do RIR/99), do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Período de Apuração, transcritos no Diário ou no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). São de uso obrigatório, os livros, Diário e Razão (arts.258 e 259 do RIR/99). No tocante às demonstrações financeiras o art.274 do RIR/99, assim dispõe: Art.274.Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º, §4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). E, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a Lei nº 9.430/96 determina que a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido, o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real do período de apuração, vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ... § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Fl. 72DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 8 13 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. ... Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. ... GRIFEI Portanto, à luz da legislação acima, não pode o contribuinte ao seu talante deduzir do IRPJ apurado em 31/03/2003, valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de períodos anteriores (2001 e 2002) como pretende a Recorrente. Ao contrário dos argumentos da Recorrente, entendo que não basta ao interessado comprovar a retenção do imposto de renda na fonte, mas também deve comprovar a efetiva apuração de saldo negativo de IRPJ ao final de cada período e, para tanto, deve demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções integraram à base de cálculo do imposto de renda em cada trimestre, condição indispensável para que o IRRF possa ser aproveitado na compensação do imposto de renda apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ do período de apuração – é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. A matéria encontrase pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo sendo inclusive objeto da seguinte súmula: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 14 A DIPJ/2004, fl.15 processo apenso, demonstra IRPJ a pagar no período de apuração de 31/03/2003, como a seguir: IRPJ devido R$ 2.430.840,08 () IRRF: R$ 2.273.402,98 = IRPJ a pagar de R$ 157.437,10. Todavia, de acordo com a decisão recorrida confirmouse apenas o valor de R$ 308.306,89 a título de IRRF, sob o fundamento de que os demais valores se referiam à retenções ocorridas em anos anteriores a 2003. Assim, chegouse ao IRPJ a pagar no valor de R$ 2.122.533,19 em vez de R$ 157.437,10 como declarado na DIPJ/2004. No presente caso, para o contribuinte extinguir o IRPJ apurado em 31/03/2003 com supostos créditos decorrentes de 2001 e 2002 somente poderia fazêlo por compensação mediante a entrega de um PERDCOMP no qual fizesse constar informações relativas aos supostos créditos de 2001 e/ou 2002 para compensar com o débito do IRPJ a pagar apurado em 31/03/2003, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pelo artigo 49 da Medida Provisória n° 66/2002 (publicada no D.O.U. de 30/08/2002), com vigência a partir do dia 1° de outubro de 2002, passou a exigir para formalização de compensação – a respectiva declaração de compensação, nos seguintes termos, in verbis: Art.74.0 sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1°A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. ... Pela nova redação do dispositivo legal citado, restou legalmente autorizada a compensação tributária, sempre mediante declaração de iniciativa do contribuinte, inclusive para tributos e contribuições de mesma espécie e/ou espécies distintas. Assim, a partir de outubro de 2002, a empresa, necessariamente, ficou obrigada a entregar a declaração de compensação para exercer essa modalidade de extinção do crédito tributário. Logo, o IRPJ apurado em 30/03/2003 somente poderia ser compensado com os supostos saldos negativos de 2001 e/ou 2002 com a OBRIGATÓRIA entrega de PERDCOMP para exercer essa modalidade de extinção do crédito tributário. No caso de haver homologação expressa ou tácita desse hipotético PERDCOMP é que poderia resultar no suposto pagamento indevido ou a maior do DARF: R$ 364.847,65, período de apuração: 31/03/2003, Arrecadação: 30/04/2003 indicado no PERDCOMP. A Recorrente não alega e nem se encontra nos autos qualquer PER/DCOMP no sentido de extinguir o pagamento do IRPJ apurado em 31/03/2003 utilizando o saldo negativo de 2001 e/ou 2002 para restar o pagamento indevido ou a maior indicado pelo contribuinte no PERDCOMP n.° 11264.04308.290104.1.3.040506 (fls. 01/05 do processo nº 11080.901355/200857, apenso) a ser compensado com débito de CSLL 1º trimestre, (PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/03/2003 e VENCIMENTO: 30/04/2003. Desse modo, não há falar em pagamento indevido ou a maior em relação ao DARF: R$ 364.847,65, período de apuração: 31/03/2003, Arrecadação: 30/04/2003 indicado Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 9 15 no PERDCOMP n.° 11264.04308.290104.1.3.040506 (fls. 01/05 do processo nº 11080.901355/200857, apenso), tratado nos presentes autos. A Recorrente alega também que, conforme determina o §4°, do art. 150, do CTN, passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda tenha se pronunciado, "considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito". Assim, ocorreu a decadência de o Fisco revisar os lançamentos relativos aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003. Gizse que, o procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório e a homologação tácita ocorre após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da entrega do PER/DCOMP, conforme estabelecido no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Diferente do crédito tributário constituído pelo lançamento que compete a autoridade administrativa conforme prescrito no artigo 142 do Código Tributário Nacional. De fato, possíveis diferenças do IRPJ a pagar relativas aos anos calendário de 2001 a 2003 não mais podem ser lançados pela autoridade tributária em virtude do prazo decadencial previsto no §4°, do artigo 150 ou 173 do CTN. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. É o que também se depreende da conclusão a que se chega no Acórdão recorrido, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir, vejamos: ... Logo, ainda que o período a que se refira o crédito já esteja albergado pela decadência do direito de lançar o tributo, isto não dispensa o contribuinte de comprovar a pertinência dos créditos que pretenda ver restituídos ou com eles compensados, nem dispensa a autoridade fazendária da obrigação de verificar a certeza e liquidez dos créditos. Registrese que, qualquer doutrina ou jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração tributária àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Ressaltese que a DIPJ/2004 e de períodos anteriores não estão sendo alteradas, apenas foram feitas verificações para se apurar a certeza do crédito alegado. Sem este requisito não há como se deferir qualquer restituição/compensação, posto que, o mesmo está previsto no artigo 170 do CTN. Somente poderá se considerar como líquido e certo o crédito indiscutível, comprovado. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 16 confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 15979.000297/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE DA CONTRATADA.
Nos contratos de construção civil por empreitada integral a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias é exclusivamente do contratado; nos demais casos, subsiste a responsabilidade tributária do dono da obra.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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EMPREITADA TOTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE DA CONTRATADA. Nos contratos de construção civil por empreitada integral a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias é exclusivamente do contratado; nos demais casos, subsiste a responsabilidade tributária do dono da obra. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 9. 00 02 97 /2 00 7- 16 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento tributário realizado em 26/11/2007 e relativo às contribuições sociais previdenciárias arbitradas pela falta de apresentação de documentos para a comprovação dos salários de contribuição pagos pela mão de obra na construção civil de pessoa física. Foram excluídos do lançamento os valores correspondentes ao primeiro pavimento e mantidas as contribuições relativas ao acréscimo na obra original realizado no pavimento superior, conforme detalha a fiscalização e o acórdão recorrido: Relatório Fiscal: DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS Os cálculos das contribuições devidas foram elaborados em razão da Area construída, do padrão e do no CUB, conforme Declaração de Informação Sobre Obra — DISO e Aviso para Regularização de Obra — ARO emitido. A obra foi enquadrada como obra nova comercial andares livres (Pizzaria) com uma área de 221,76m2. Através deste enquadramento para a matricula CEI, chegouse através do valor estabelecido pelo CUB para a competência considerada como término da obra, aos valores da base de cálculo da mãodeobra, onde lançados estes valores foram calculadas os valores devidos pelo contribuinte. Acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Anocalendário: 2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. FALTA DE PROVA REGULAR E FORMALIZADA DA MÃODEOBRA. APLICAÇÃO DA TABELA CUB. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil bode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Administração Tributária, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co responsável o ônus da prova em contrário, conforme o disposto no art. 33, §40 da Lei 8.212/91. Na apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa fisica, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB), divulgadas mensalmente na internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON). Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Acórdão n.º 2402004.377 S2C4T2 Fl. 441 3 DA DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPROVAÇÃO DE AREA EXISTENTE EM PERÍODO DECADENCIAL. Considerase hábil para comprovação da existência de area edificada em período alcançado pelo instituto da decadência aquela documentação com vinculação inequívoca à conclusão da obra, nos moldes dos parágrafos 30 , 4° e 6° do art. 482 da Instrução Normativa IN/SRP n° 3, de 14/07/2005. O sujeito passivo, em sua Peça Defensiva, apresentou cópia de escritura particular de compra e venda de uma posse, datada de 28/07/94, conferida com o original por servidor da Agência da Receita Federal do Brasil — ARFB, em AracatiCE, na qual consta em seu teor a existência de um prédio comercial, de Area de 119,00 m2. Vale também registrar o reconhecimento de firmas dos contratantes, datado de 01/08/94, pelo Cartório Costa Lima, daquela Comarca. Lançamento Procedente em Parte Antes da decisão, o processo tramitou para diligência, o que resultou em relatório circunstanciado dos fatos apurados. A decisão de primeira instância foi anulada pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, uma vez que o contribuinte não havia sido cientificado do resultado da diligência. Em complemento ao recurso voluntário, então, o recorrente assim se manifestou: 2 O contrato correto (doc.em anexo) é o da obra do Edifício Residencial Juliane , localizado no Balneário Luzitana — Quadra 07 —Lote 01, sito a Rua Javaes n.° 100, Praia Grande/SP que foi firmado em 18 de agosto de 1999. 3. Com efeito, com a juntada do correto contrato de empreitada global as divergências apontadas no item 3 da diligência , ficam esclarecidas devendo ser novamente analisado para comprovar que o local e as datas do inicio da obra e assinatura do contrato estão corretas. 4. Com relação a responsabilidade dos débitos, não há o que se discutir, uma vez que o próprio INSS ao expedir a CEI n.° 42.490.00928/79 em nome de ARTEC PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA (pessoa jurídica) para mesma obra, reconheceu ser a ARTEC efetivamente o contribuinte para a mesma. ... 7 Ficou mais do que evidente a responsabilidade da empresa ARTEC pela obra, como já mencionado, o próprio INSS expediu uma nova matricula em nome da empresa ARTEC e não questionou a documentação apresentada no Platão fiscal na época, tal expedição está vinculada ao mesmo fato gerador da suposta divida que o INSS pretende cobrar do Manifestante. 13 Outrossim, a empresa ARTEC já havia iniciado ação judicial confessando o débito relativo ao mesmo fato gerador do débito da obra. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Novo acórdão foi proferido após o saneamento do processo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. E de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de não ter havido recolhimento parcial, do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. CONTRATO SEM REGISTRO E SEM FIRMAS RECONHECIDAS. Se a atividade de construção civil não consta do objeto social da empresa e esta não está cadastrada no CREA e ainda o contrato de prestação de serviços não possui registro ou firmas A época reconhecidas, não há como acatar a alegação de transferência da responsabilidade da obra de seu proprietário para a suposta construtora, sobretudo quando nem por meio de notas fiscais logrou o autuado comprovar a efetiva prestação de serviços. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe As autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente ... A pedido da Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Santos, a autuante, juntando os documentos de fls. 69/102, se manifestou nos autos a respeito dos argumentos apresentados pelo impugnante. Nessa manifestação (fls. 103/111), a auditora fiscal assevera que: • toda a documentação relativa A obra e constante da DIso n° 186/2004, de 29/06/2004, está em nome da pessoa física Sr. Valdinei Luz Guimarães Silva; • a alteração da matricula CEI n° 38.270.01076/62, já existente em nome do sr. Valdinei Luz Guimarães Silva, para o CEI n° 42.490.0092879, em nome da pessoa jurídica Artec Projetos de Construção Civil e Contabilidade S.C.Ltda./Valdinei Luz Guimarães, foi efetuada em 16/06/2004 (observese que a autuante, nesse ponto, apesar de fazer corretamente referência As consultas de fls. 69/70, que dizem respeito aos números CEI acima citados, menciona, evidentemente por equivoco, como a matricula originalmente feita somente pelo sr.Valdinei a de n° 38.270.0104968, que não guarda relação com o presente processo); ... Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Acórdão n.º 2402004.377 S2C4T2 Fl. 442 5 • a certidão positiva com efeitos de negativa foi obtida pela ARTEC, na matricula CEI 42.490.0092879 e não na matricula CEI 38.270.0107662, que consta da NFLD; ... Ademais, o fato de a ARTEC ter confessado débitos em relação à matricula CEI n° 42.490.00928/79 e até mesmo ter a respectiva certidão negativa de débito significa tão somente que a situação dela, da ARTEC, em relação à obra matriculada está regular perante o INSS. Quanto a isso, a auditora fiscal nada opôs. Pelo contrário, se a NFLD foi lavrada contra o sr. Valdinei Luz Guimarães Silva, que, como acima visto, é o legitimo responsável pela obra do Residencial Juliane, é certo que a RFB reconhece que a ARTEC não é a responsável por essa obra e, se porventura houver feito recolhimentos referentes a ela, é cabível o pedido de restituição, ou mesmo, existindo prova inequívoca de que tais recolhimentos decorreram de mãodeobra realmente empregada pela empresa nessa obra, a imputação dos respectivos valores como pagamento nos presentes autos, não havendo que se falar, aqui, em bitributação. Por último, cabe esclarecer que a MM. Desembargadora, ao despachar o oficio para o INSS (if 274), determinou apenas o cumprimento da decisão proferida no Agravo de Instrumento (fls. 268/269), que não dizia respeito à matricula CEI n° 42.490.00928/79, uma vez que esta não era objeto de nenhuma das ações ajuizadas pela ARTEC. O fato de ter sido expedida a CND para tal matricula deveuse atitude da empresa de inserila — indevidamente, pelo que se pode inferir do que consta dos autos — no requerimento de fls. 270/273. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas com precisão na decisão recorrida: Em outubro de 1995, realizou um acréscimo de 102,76 m2 na parte superior de área já construída (119,00 m2), o que totalizou a Area de 221,76 m2. E que ao comparecer ao INSS de Aracati CE, não foi devidamente informado a requerer tal acréscimo de obra. Para comprovação do imóvel anteriormente existente, juntou aos autos cópia de escritura particular de compra e venda de uma posse, datada de 28/07/94, na qual consta em seu teor a existência de um prédio comercial, de área de 119,00 m2. A fim de comprovar o acréscimo de obra, anexou aos autos o Certificado de Matricula e Alteração — CMA, de 02/10/95, no qual consta como inicio de atividade a data de 29/09/95. Também observa que o formulário (CMA) foi preenchido em máquina de datilografia, todavia a informação do tamanho da obra está escrito a caneta, descaracterizando a autenticidade do documento. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No intuito de comprovar o inicio de obra em período decadencial juntou também cópia da seguinte documentação: comprovante de ligação de água e luz, contrato e recibo de compra de linha telefônica, contas da Telemar, contas da Coelce, contas da Cagece etc. Para comprovar o término da obra anexou cópia da seguinte documentação: Documento de Arrecadação Municipal, comprovante de pagamento de taxa de licença, Alvará de Licença etc. Assim, diante da documentação trazida aos autos, requer a decadência dos valores cobrados e que seja alterada a área constante do CMA para 106,76 m2. E, ainda que: 5. Apresentei um documento da CAGECE onde consta a informação da religação da água em 23/11/2005 e corte da água em 31/10/2005. 6. Foi juntado anteriormente Documento de Arrecadação Municipal, exercício de 1996, correspondente a inscrição cadastral 430103, fls.33, referente ao Alvará de Funcionamento, esse comprovante de pagamento esta devidamente autenticado pela Agência Bancária, com data de vencimento em 29.02.1996 e foi emitido pela Prefeitura Municipal de Aracati — Ce.. Juntamos no Recurso anterior, comprovante de pagamento de taxa de licença para localização e funcionamento com validade até 27/07/1999 e Alvará de Licença exercício de 1999, conforme fls. 36 e 37. 7. Anexamos a este Recurso cópia de Alvará de Licença para CONSTRUÇÃO, exercício de 1995, documento emitido em 03/10/1995 com validade ate 31/12/1995. 8. Anexamos ainda, Documento único de Arrecadação Municipal referente ao exercício de 1995, com vencimento em 03/10/95. 9. Juntamos, também cópia do IPTU referente ao ano de 2003. Não juntamos o IPTU dos anos anteriores, pois Município de Aracati somente iniciou a cobrança do IPTU em 2003. 10. Na oportunidade, solicitamos a aplicação imediata dos efeitos da SÚMULA VINCULANTE Número 8 do Egrégio Supremo Tribunal Federal. Em nova diligência foram buscadas as seguintes informações: É matéria principal do processo a discussão acerca da legitimidade passiva pelo crédito constituído em nome do proprietária de obra de construção civil. No entanto, antes que seja examinado o mérito, é necessário o esclarecimento sobre outra questão para a qual ainda restam dúvidas. O crédito foi constituído em relação aos segurados empregados na obra identificada pela matrícula CEI: 38.270.01076/62. A fiscalização esclareceu através do relatório de diligência que esta e a matrícula CEI n° 42.490.0092879 são da mesma obra. Em cumprimento a uma decisão judicial, foi expedida CPDEN Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Acórdão n.º 2402004.377 S2C4T2 Fl. 443 7 para esta última matrícula em nome da empresa ARTEC — PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA que confessara, em juízo, ser devedora das contribuições lançadas e cobradas através do presente processo administrativo fiscal. E, também, foi atendida em seu pedido para o parcelamento do débito, o que, em princípio, gerou um documento de constituição do crédito através de confissão. O CTN assevera que: ... Assim, para que se possa verificar a responsabilidade solidária da empresa ARTEC — PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA, necessita este órgão julgador que sejam trazidos aos autos, através das ações judiciais, em especial o processo n° 2003.34.00.0401281, maiores esclarecimentos sobre: existe decisão judicial nos processos de autoria da supracitada empresa que a trate como responsável, ainda que não exclusivamente, pela obra de construção civil objeto do lançamento fiscal? existe documento de confissão de dívida contra a supracitada empresa que se refira à obra em questão? Em resposta à diligência assim se manifestou a DRFB em Santos/SP: Informamos que não constam parcelamentos em nome da citada empresa, tampouco em nome da pessoa física, VALDINEI LUZ GUIMARÃES SILVA, CPF 885.835.89887. Consta em nome da empresa ARTEC – PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA – ME, adesão ao parcelamento da Lei 11.941/2009, na modalidade L.11941RFBPREVART 1, entretanto, o mesmo foi rejeitado na consolidação, conforme telas do Sistema PAEX, em função de não ter sido apresentadas as informações de consolidação, conforme § 3º do ART. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6 de 2009, dentro do prazo estipulado que iniciou em 06/07/2011 e terminou em 29/07/2011. Não consta adesão à citada Lei em nome de VALDINEI LUZ GUIMARÃES SILVA. Assim, pelas pesquisas efetuadas no sistema DATAPREV INSS, SISTEMA DE COBRANÇA, CONSULTA DADOS DO PARCELAMENTO, (fls.407/409) E PAEX, CONSULTA, CONSCONTA (fls.410/412), no âmbito de parcelamento, não foi possível identificar débitos confessados contra a citada empresa que se refira à obra em questão. Outra diligência se tornou necessária para saneamento da tramitação do processo, uma vez que não oferecida a empresa ARTEC a oportunidade de manifestação sobre o relatório de diligência: Conforme Resolução às fls. 375 e seguintes, antes do retorno do processo a este CARF deve ser aberto prazo para manifestação dos interessados: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A empresa assim reitera as alegações da recorrente quanto a existência de contrato de empreitada integral e que assumiu em juízo e administrativamente a responsabilidade total sobre as contribuições previdenciárias incidentes sobre a obra, fls. 433. Ela havia requerido o parcelamento, mas lhe fora negado por falta de apresentação dos documentos necessários à consolidação do débito. É o Relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Acórdão n.º 2402004.377 S2C4T2 Fl. 444 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: ... O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos Fl. 448DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência De acordo com os documentos juntados aos autos, a obra foi concluída em 08/01/2002, sem discriminação do cronograma da obra. Como o lançamento ocorreu em 23/11/2004, não ocorreu a decadência. No mérito Diante do conjunto probatório juntado aos autos pelas partes e as orientações que o acompanham, em especial a juntada pela recorrente de contrato de empreitada integral com a contratada Artec Projetos e Construções Ltda relativo a outra obra, fls. 67, que não se aplica ao caso o artigo 220, §1º do RPS: Art.220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia Fl. 449DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Acórdão n.º 2402004.377 S2C4T2 Fl. 445 11 do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. §1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. De acordo com o relatório fiscal, fls. 16/21, foi a construtora Artec que encaminhou o DISO, responsabilizandose pelas contribuições previdenciárias. Acontece que não consta dos autos o documento essencial para a que a responsabilidade seja imputada à ARTEC, o contrato de empreitada global. Devese considerar também que a Artec não possuía registro no CREA à época da realização da obra, o que impede de ser contratada em empreitada global. Entendo que os fundamentos adotados pela fiscalização são suficientes para o lançamento em nome do recorrente: Em relação ao reconhecimento das firmas, mesmo que não exista norma legal que determine sua imposição, é certo que, não tendo sido feito a época esse reconhecimento ou mesmo o registro do contrato, tal documento não pode ser oposto a Fazenda Pública. Isso porque, sem a chancela de um "terceiro desinteressado" (no caso o Cartório de Registro Civil), não há prova de que os contratantes tenham realmente assinado o contrato na data nele aposta. Ressaltese, ainda, que o impugnante nada alega contra os seguintes fatos apontados pela auditora fiscal que, juntamente com o não registro e o não reconhecimento das firmas, convergem todos para a conclusão de que tal contrato não reflete a realidade: 1. a empresa ARTEC não podia ter feito tal contrato, urna vez que não estava à época incluída no CREA, como se prova pelos documentos de fls. 74/75; 2. a razão social e o objeto social da empresa ARTEC somente passaram a conter a atividade de construção civil após a alteração feita em 04/01/2000. Logo, à época da assinatura do contrato, construção civil não constava entre suas atividades; 3. no intuito de provar a regularidade da obra, o impugnante junta consulta de outras obras, as quais possuem semelhantes contratos de empreitadas global, com o inverossímil fato de que o prazo de conclusão e, o que é pior, o valor cobrado em todos é o mesmo, ainda que as metragens das obras divirjam em até 253%. Deve ser considerado também o fato de o INSS expedir a CEI 42.490.00928/79 para a empresa ARTEC e, posteriormente, certidão negativa de débito não modifica a responsabilidade tributária, eis que essa decorre de lei. Assim, embora na última diligência realizada, já em 10/07/2014, a construtora ARTEC tenha reiterado sua responsabilidade pelas contribuições previdenciárias não é sua manifestação de vontade que Fl. 450DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 determinará o contribuinte a figurar no pólo passivo da obrigação, conforme artigo 123 do CTN: Ademais, o fato de a ARTEC ter confessado débitos em relação à matricula CEI n° 42.490.00928/79 e até mesmo ter a respectiva certidão negativa de débito significa tão somente que a situação dela, da ARTEC, em relação à obra matriculada está regular perante o INSS. Quanto a isso, a auditora fiscal nada opôs. Pelo contrário, se a NFLD foi lavrada contra o sr. Valdinei Luz Guimarães Silva, que, como acima visto, é o legitimo responsável pela obra do Residencial Juliane, é certo que a RFB reconhece que a ARTEC não é a responsável por essa obra e, se porventura houver feito recolhimentos referentes a ela, é cabível o pedido de restituição, ou mesmo, existindo prova inequívoca de que tais recolhimentos decorreram de mãodeobra realmente empregada pela empresa nessa obra, a imputação dos respectivos valores como pagamento nos presentes autos, não havendo que se falar, aqui, em bitributação. ... Código Tributário Nacional Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 451DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000450/2002-33
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO.
É procedente o lançamento de valores apurados em auditoria de informações prestadas em DCTF, quando não restar comprovado o alegado pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. É procedente o lançamento de valores apurados em auditoria de informações prestadas em DCTF, quando não restar comprovado o alegado pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSA/DF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 04 50 /2 00 2- 33 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.000450/200233 Acórdão n.º 2801003.885 S2TE01 Fl. 138 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre Auto de Infração — 1RRF/1997 Declaração de Contribuições c Tributos Federais, anocalendário de 1997, folha 02 no qual é exigido da interessada supra identificada o crédito tributário no valor de R$ 31.544,19, pelas razões constantes As folhas 03, 21/23. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (folha 01) alegando, em síntese, que os valores constantes do Auto de Infração estão totalmente recolhidos, conforme demonstrativo c DARF cm anexos. O lançamento foi julgado procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 80/82, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE 1RRF Anocalendário: 1997 PROVAS/DCTF Se na fase impugnatória a contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão qualquer, há que se cancelar a importância da exigência fiscal correspondente. Por outro lado será mantido o valor do crédito tributário cujo recolhimento não for comprovado. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificada daquele acórdão em 14/01/2008 (fl. 86), a Interessada, por intermédio de seu Procurador (fl. 111), interpôs recurso voluntário de fls. 88/89, em 12/02/2008. Em sua defesa, requer o cancelamento da exigência mantida pela decisão recorrida, “pois o valor de R$ 1.487,50 correspondente aos sócios constar para o período de Janeiro de 1997 a Abril de 1997, 05(cinco) informações de Prólabore quando deveriam constar apenas 04 (quatro) já que o mês de Maio/1997 houve a mudança do valor de desconto, conforme contra cheque(cópia) em anexo. Anexamos também as guias de apuração geradas na época. Anexamos ainda copia dos DARFs do período”. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.000450/200233 Acórdão n.º 2801003.885 S2TE01 Fl. 139 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O auto de infração de fls. 04/06 cuida da falta de recolhimento do IRRF de R$ 11.703,67. Em decorrência da revisão de oficio do lançamento (fls. 57/76), foi cancelada a parcela correspondente a R$ 10.216,17. A decisão de primeira instância manteve a exigência do valor de R$ 1.487,50, por falta de comprovação. O Recorrente defende que o valor de R$ 1.487,50 correspondente aos sócios constar para o período de janeiro de 1997 a abril de 1997, 05(cinco) informações de Prólabore quando deveriam constar apenas 04 (quatro), já que o mês de maio/1997 houve a mudança do valor de desconto, conforme contra cheque(cópia), guias de apuração geradas na época e copia dos DARF do período que ora apresenta. Aduz ter sido levado a informações errôneas na DCTF à época pela complexidade de término e determinação de períodos, o que resultou em lançamento de informação a maior dos Prólabores pagos naqueles meses. Ocorre que os documentos apresentados pelo Recorrente, por si sós, não são provas inequívocas do erro alegado. Ademais, verificase que todos os DARF juntados ao recurso voluntário já foram objeto de exame na revisão de ofício que cancelou a exigência de R$ 10.216,17 referente ao IRRF, além dos correspondente valores de multa de ofício e juros de mora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694470/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de agosto/2004, indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 47 0/ 20 09 -6 2 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 292 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 293 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 294 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 295 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 296 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 297 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 298 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 299 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 300 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 301 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 302 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 303 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 304 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694470/200962 Resolução nº 3302000.500 S3C3T2 Fl. 305 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 36624.000531/2005-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 05/08/2004
AUTUAÇÃO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
A contribuinte é obrigada, segundo a legislação, a apresentar o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
No presente caso, não ficou demonstrado o descumprimento da obrigação, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-004.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. A contribuinte é obrigada, segundo a legislação, a apresentar o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. No presente caso, não ficou demonstrado o descumprimento da obrigação, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 05 31 /2 00 5- 25 Fl. 711DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Acórdão n.º 2301004.273 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo – Oeste / SP, fls. 0158 a 0171, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001, nos seguintes termos: “AUTODEINFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. ERROS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ISENÇÃO. LEI ORDINÁRIA. REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI 8.212/91. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Constitui infração a empresa apresentar GF1P — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; art. 32, IV, § 5° da Lei 8.212/91. 2. A inocorrência das hipóteses de nulidade previstas no art 31 e 32 (parte final do "caput"), da Portaria MPS no 520104, implica, sob esse aspecto, a validade da autuação, de conformidade com o art. 32, parágrafo único, da Portaria MPS n° 520/04. 3. O art. 195, § 7°, da Constituição Federal, ao dispor sobre a isenção das contribuições previdenciárias, prescreve lei ordinária para estabelecer os requisitos a serem atendidos pelas entidades de assistência social. 4. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é requisito essencial para o gozo da isenção; art. 55, II, da Lei 8.212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE” Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 002, a autuação referese a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. Consta do RF: “Durante a fiscalização constatouse que a empresa apresentou GFIP sem que nela constassem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, incorrendo dessa forma na infração prevista no Art 32, par 5, da Lei 8212/91, pois deixou de informar os pagamentos efetuados a contribuintes individuais Fl. 713DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 que lhe prestaram serviços nas competências de 01/1999 a 12/2003 e 03/2004. Nas competências em que foram constatadas as infrações o número de segurados da empresa variou entre 1000 e 1300. Não constam circunstâncias agravantes.” Em 05/08/2004 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0106 a 0109, acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que: 1. Tratase de autuação reflexa do lançamento número 35.672.2627, uma vez que a multa aqui lançada tem sua base de cálculo estabelecida pelo valor que não teria sido declarado em GFIP por pagamentos a autônomos, conforme relação constante daquela NFLD; 2. Ocorre que a exigência é indevida; 3. Preliminarmente, há que se considerar que, apesar do zelo com que os dignos fiscais exerceram suas funções, foram cometidos erros no lançamento35.672.2627, que tornam aquele lançamento de todo nulo; 4. Como o presente auto de infração é reflexo daquele, também nula esta autuação deve ser declarada; 5. Com efeito, como se pode verificar no RL RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS, foram incluídos no ano de 1999 os mesmos pagamentos relativos ao ano de 1998, ou seja, os mesmos valores e números de cheques, o que indica que a fiscalização, ao utilizarse do recurso de copiar e colar do windows, esqueceuse de excluir os valores relativos aos anos anteriores, conforme exemplos citados; 6. No mérito a exigência também é improcedente; 7. A declaração de valores em GFIP somente é possível se o prestador do serviço fornecer a fonte pagadora seu número de inscrição no INSS ou então seu número de inscrição no PIS; 8. Ocorre que a Defendente não obteve dos prestadores de serviço tais informações o que impossibilitou que a mesma elaborasse a correspondente GFIP; 9. Não consta da legislação qualquer dispositivo legal que proíba a empresa de efetuar o pagamento para o autônomo se este não estiver inscrito no INSS ou se não possuir inscrição no cadastro do PIS; Fl. 714DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Acórdão n.º 2301004.273 S2C3T1 Fl. 4 5 10. Assim, não tendo como obrigar aos autônomos que lhe prestam serviço o fornecimento de tais números ou comprovante de inscrição e, em sendo necessária a indicação de tais números para o preenchimento da GFIP fica a defendente na situação de não poder deixar de pagar o autônomo e também de estar impossibilidade de preencher a GFIP por absoluta falta de dados; 11. Portanto, estando impossibilitada de preencher a GFIP por falta de dados que não podendo obrigar ao autônomo a lhe fornecer os mesmos, de todo indevida é a aplicação da presente penalidade; 12. Por tais motivos e por tudo o mais que certamente será suprido pelo ilustre julgador, requer a Impugnante o cancelamento do lançamento. Diante dos argumentos da defesa, foram solicitados esclarecimentos à fiscalização, fl. 0115, sobre a suposta duplicidade citada na defesa. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fl. 0126, posicionandose, em síntese, pela retificação parcial da autuação, no ano questionado pelo sujeito passivo. A Delegacia emitiu Despacho Decisório (DD), retificando o valor da autuação, declarando nulo os lançamentos do ano 1999, com lavratura de outro lançamento (Debcad 35.672.7661), e reabrindo o prazo para defesa da recorrente, fls. 0128 a 0131. A recorrente apresentou nova impugnação, fls. 0143 a 0154, acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que: 1. No caso em exame, os lançamentos representados, quer pela 35.672.262 7, quer pela autuação que deu origem a este feito, nasceram eivados de vicio insanável, de vez que neles foram indicados fatos geradores jamais ocorridos, dai defluindo valores de tributos e multas manifestamente, infundados, indevidos, ilegais e em desacordo com a verdade material; 2. A conseqüência é a impossibilidade de a Administração sanar tais vícios essenciais por meio de revisão já que não se configura nenhuma das hipóteses do art. 149 do CTN sendo de rigor a anulação dos atos e produção de novos lançamentos, tanto para a exigência de multa, pela lavratura de novo auto de infração, quanto para a exigência do tributo supostamente devido, pela expedição de outra Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD); Fl. 715DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 3. Foi o que fez, em parte, a autoridade fiscal, ao expedir nova NFLD em setembro de 2004, em substituição á original; 4. Ocorre que, a esse tempo, já se operara a decadência em relação as contribuições supostamente devidas anteriormente a setembro de 1999, não podendo, em conseqüência, ser mantida a sua exigência e, tampouco, a autuação presente neste processo, correspondente ao crédito tributário decaído; 5. Os créditos constantes do lançamento por descumprimento de obrigação tributária principal já foram alcançados pela decadência, devendo ser aplicada a regra prevista no § 4º, Art. 150 do CTN; 6. Por tudo isso, preliminarmente, a entidade defendente impugna a exigência contida no despacho declaratório exarado neste processo, uma vez que representa a exigência de multa sobre crédito tributário já atingido pela decadência, além de, sob o aspecto formal, ser incabível a revisão do auto em lugar de sua anulação; 7. No mérito, a defendente se reporta à defesa já representada por ocasião da lavratura do auto uma vez que, na condição de entidade que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para gozar da imunidade de contribuições sociais previstas no art. 195 § 7° da CF, não está sujeita ao recolhimento dos mencionados tributos, sendo, portanto, impossível caracterizarse a infração que lhe é imputada pelo despacho de fls (a folha não foi citada); 8. Em face do exposto, requer seja dado provimento à. presente defesa e cancelada a exigência, com o conseqüente arquivamento dos autos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0179 a 0218, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, os motivos já expostos em sua defesa e: 1. No mérito, a recorrente, desde sua defesa, arguiu ser titular de imunidade, que lhe põe a salvo das contribuições exigidas na notificação, tributos esses que recolheu indevidamente, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 7º, da CF; Fl. 716DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Acórdão n.º 2301004.273 S2C3T1 Fl. 5 7 2. O Conselho de Contribuintes já reconheceu a recorrente como entidade imune, de sua qualidade de entidade imune, como se observa do acórdão proferido nos autos do processo 10875.000346/9803; 3. A decisão exarada entendeu, entretanto, que por não possuir Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, de que trata o art. 55, II da Lei 8212/91, a recorrente não se enquadraria no referido preceito; 4. A decisão sustenta também, que o preenchimento dos requisitos do art. 14 do CTN não seriam aplicáveis à imunidade relativa a contribuições sociais a cargo do empregador; 5. Ao assim decidir, a autoridade administrativa põese em conflito com decisões pacificas do Supremo Tribunal Federal que está adstrita a observar; 6. Deve ser aplicado ao caso o determinado no Art. 14, do CTN, e não o determinado na Lei 8.212/1991; 7. A Lei 8.212/1991, no que tange à regulação de isenção de entidades beneficentes de assistência social, é inconstitucional, formal e materialmente; 8. Por todo o exposto, requer a recorrente seja dado provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida e cancelar a autuação. A Quarta Câmara de Julgamento (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social decidiu converter o julgamento em diligência, para a solução de dúvidas, fls. 0324 a 0326, quanto ao recolhimento do extinto depósito prévio nos lançamentos. A Delegacia anexou documentos e emitiu posicionamento sobre as dúvidas do julgador, fls. 0327 a 0370, informando, em síntese, que, o sujeito passivo só obteve decisão favorável para se eximir do depósito prévio para o presente processo, o que não ocorreu com os lançamentos pro descumprimento de obrigação principal, motivo de seu trânsito em julgado administrativo. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. Na análise dos autos, a Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que o sujeito passivo tivesse ciência da decisão do CRPS, fls. 0324 a 0326, da documentação anexada, do despacho elaborado, fls. 0327 a 0370, e da decisão pela conversão, concedendo prazo para a apresentação de novos argumentos, caso desejasse. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 A recorrente foi devidamente intimada, fls. 0308, e não apresentou novos argumentos, fls. 0384. Este colegiado analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que se verificasse a decisão final nos lançamentos, conexos, referentes a descumprimento de obrigações tributárias principais. O Fisco, parte, acusador, analisou a questão e informou sobre a necessidade de correção da autuação, conforme parecer e planilha anexas, com o recálculo da multa, devido a alteração na legislação. O sujeito passivo foi devidamente intimado e não apresentou suas razões. É o Relatório. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Acórdão n.º 2301004.273 S2C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, em primeiro momento, a recorrente alega preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para gozar da imunidade de contribuições sociais previstas no art. 195 § 7° da CF, portanto não está sujeita ao recolhimento dos mencionados tributos, sendo, portanto, impossível caracterizarse a infração que lhe é imputada. Esclarecemos à recorrente que o Art. 14, do CTN referese a impostos, CTN: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... IV cobrar imposto sobre: ... c) o patrimônio, a renda ou serviços de partidos políticos e de instituições de educação ou de assistência social, observados os requisitos fixados na Seção II dêste Capítulo; ... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os Fl. 719DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Portanto, como está claro na determinação constitucional, o disposto no Art. 14 do CTN referese somente a impostos, e a Constituição Federal reconhece a distinção entre as espécies tributárias, impostos e contribuições: CF/1988: Art. 150 ... § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de impostos ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. A regra sobre imunidade das contribuições em apreço está contida no § 7º, Art. 195, da CF/1988. CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A lei que estabelece essa exigências é a Lei 8.212/1991, que “dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências.” Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Acórdão n.º 2301004.273 S2C3T1 Fl. 7 11 III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Ocorre que, devido à diligência comandada pelo CARF, o Fisco informou que o Poder Judiciário, em decisão transitada em julgado, definiu pela isenção da contribuição da cota patronal e inexigência dos débitos até 16/11/2008, item 2 do Parecer Fiscal. Por fim, o Fisco posicionase pela aplicação, ao caso, da nova legislação sobre multas, com a penalidade expressa no Art. 32A da Lei 8.212/1991, abaixo: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 721DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Para o fisco deve se aplicar a penalidade mínima, já que a cota patronal não é exigível, no pagamento de remunerações a contribuintes individuais, pela decisão judicial, mas “não seria lógico que uma empresa isenta da cota patronal tivesse uma penalidade menor pela não inclusão de segurados na GFIP, os quais seriam verdadeiros segurados de segunda classe que não teriam a mesma garantia dos demais segurados aos seus direitos perante a Previdência Social pois a GFIP também produz efeitos para a geração dos benefícios previdenciários”. Ocorre que não conseguimos comungar da posição do Fisco. A autuação é por deixar de informar fatos geradores e, conforme afirma o Fisco, os fatos geradores não existiram. Para aplicar o Art. 32A a penalidade prevista se faz por cálculo de: 1. grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e 2. 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto: 1. Não há contribuição a ser paga, devido a decisão judicial; 2. Não há como imputar atuação por informações incorretas ou omitidas, pois não há essa informação nos autos; e 3. Não há como imputar autuação por falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, pois não há como saber, com a informações constantes dos autos, se a declaração foi entregue, pois, e é muito possível, pode ter sido entregue, só que com o FPAS 639, de entidades isentas. Assim pelo exposto, somos pelo provimento do recurso, devido à decisão judicial quanto à obrigação principal reflexa. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.000531/200525 Acórdão n.º 2301004.273 S2C3T1 Fl. 8 13 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, para: 1. Dar provimento ao recurso, devido à decisão judicial constante do processo conexo de obrigações principal. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 723DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004567/2002-40
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/11/1987 a 30/01/1988
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA.
Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (“tese dos 5 + 5”), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543-C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9100-000.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/1987 a 30/01/1988 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF. Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (“tese dos 5 + 5”), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543-C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício.
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Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (“tese dos 5 + 5”), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 45 67 /2 00 2- 40 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário apresentado pelo Contribuinte (fls. 513/545), em face do Acórdão CSRF/0306.223, da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O processo trata de pedido de restituição de valores de cota de contribuição sobre exportação de café, durante o período de novembro de 1987 a setembro de 1988. O pedido foi apresentado em 16/09/2002. Em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao Recurso do contribuinte, por entender aplicável a tese de 10 anos contados do fato gerador (tese dos 5 + 5 anos) para pleitear a restituição do Finsocial, nos termos da interpretação dada ao artigo 168 do Código Tributário Nacional, pelo Superior Tribunal de Justiça. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO. TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 13/11/1987 a 28/06/1989. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COTA CAFÉ. PRAZO. O Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início na data da homologação expressa ou tácita – do lançamento. Não havendo homologação expressa, o prazo Fl. 627DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.004567/200240 Acórdão n.º 9100000.326 CSRFPL Fl. 627 3 para a repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador. Recurso especial negado. Neste passo, o contribuinte interpôs Recurso Extraordinário, no qual requer seja aplicada a tese de que o termo inicial da contagem do prazo para pleitear a restituição da “Cota Café”, instituída pelo Decretolei nº 2.245/86 é a data da publicação da Lei 11.051, de 30/11/2004, em que a Administração Tributária teria reconhecido como indevida a cobrança do referido tributo. Requer o contribuinte a reforma do acórdão, com base em decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais que julgaram que o termo inicial para o pedido de restituição do FINSOCIAL é a data em que reconhecida a inconstitucionalidade da exigência (pela MP de 30/08/1995). Aduz ser necessário aplicar o entendimento adotado para o FINSOCIAL, em razão da isonomia e da proteção da confiança, mesmo que o Superior Tribunal de Justiça tenha alterado sua jurisprudência. Em Despacho de admissibilidade de fls. 565, foi dado seguimento ao Recurso do contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 568/573. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Delimitando a lide, o Recurso Extraordinário versa sobre o prazo para pleitear a restituição da cota de contribuições nas exportações de café, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, e cuja constituição de créditos pelo fisco foi dispensada pela Lei nº 11.051, de 30/11/2004. Temos que quatro são as teses confrontadas no presente caso. A primeira tese, defendida pela Recorrente, é a de que o prazo apenas teve início com a publicação da Lei nº 11.051/2004, a qual passou a dispensar a Fazenda Pública de exigir o referido tributo. A segunda, vencedora no acórdão recorrido, é no sentido de que o prazo para se pleitear a restituição é de cinco anos, contados a partir da extinção do crédito tributário, o que se dá com a homologação – expressa ou tácita – do lançamento (tese dos 5 + 5), sendo que não ocorrendo a homologação expressa, o prazo é de dez anos a contar do fato gerador. A terceira, trazida pela Fazenda Nacional, no sentido de que o prazo para pleitear a restituição extinguese em cinco anos a contar do pagamento. Há que se considerar, ainda, a tese trazida por um dos acórdãos apresentados como paradigma, de que o termo inicial do prazo prescricional é a edição da Resolução do Senado Federal no caso a de nº 28, de 21/06/2005 que suspendeu a execução dos artigos que instituíram o tributo em questão. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 Nesse passo, a questão principal que se coloca é em relação ao termo inicial para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em controle difuso, com posterior execução suspensa por Resolução do Senado Federal e também com posterior dispensa de cobrança por lei. Definido o termo inicial, o prazo prescricional é de 5 (cinco) anos para o pleito da restituição. No entanto, antes de adentrar ao mérito, necessário verificar a admissibilidade do presente Recurso Extraordinário, com base nos acórdãos paradigmas juntados pelo contribuinte. Cumpre dizer que, de acordo com o Regimento Interno da CSRF, o Recurso Extraordinário deve demonstrar a divergência arguida e indicar a decisão divergente. Vejamos. O acórdão recorrido aplicou a tese de que o prazo teve início com a homologação tácita, ou seja, 5 anos após o fato gerador, quando então iniciase a contagem de mais 5 anos do pleito de restituição. No tocante aos acórdãos apresentados como paradigma, o acórdão CSRF 0202.482 adota a tese de que no caso de declaração de inconstitucionalidade em controle difuso, o prazo se inicia com a publicação de Resolução do Senado. Já o acórdão CSRF 0304.277 adota a tese de que o termo inicial é a data da publicação da lei (ou medida provisória) que dispensou o fisco de exigir o tributo. Portanto, haja vista que a tese conclamada pelo acórdão recorrido diverge do decidido pelos acórdãos apontados como paradigmas no que tange ao início da contagem do prazo para o pleito de restituição, sendo certo que tanto nos paradigmas quanto no acórdão recorrido a matéria versa sobre restituição de tributo declarado inconstitucional, restou comprovada a divergência, pelo que deve ser conhecido o Recurso do contribuinte. No mérito, de se verificar que no presente caso deve ser aplicado o artigo 62 A, caput do atual Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Com efeito, o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, em conjunto com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, proferido no RE nº 566.621 (nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil), é que, para as restituições requeridas até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior, qual seja, a tese dos cinco mais cinco anos, tal como o fez o acórdão recorrido no presente caso. Já para as restituições apresentadas após 09/06/2005, de se aplicar o prazo de cinco anos a contar do pagamento. É bem verdade que no presente caso temse uma questão peculiar, qual seja, a inconstitucionalidade do tributo objeto de restituição. Cumpre verificar se tal questão é suficiente a afastar a aplicação do precedente judicial ou se tal questão foi apreciada também pelo Poder Judiciário, de forma definitiva. É necessário cautela na aplicação da ratio decidendi como prescrição geral, razão pela qual relevante distinguir a fundamentação da decisão, de onde se extrai a interpretação dos tribunais superiores acerca de determinada norma, do dispositivo do Fl. 629DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.004567/200240 Acórdão n.º 9100000.326 CSRFPL Fl. 628 5 julgamento, que é determinação específica direcionada tão somente ao caso concreto. É possível que uma prescrição geral não se enquadre exatamente na situação concreta que possui outras peculiaridades, as quais podem ensejar diversa conformação ao direito, sendo que, nessa hipótese, não há de se aplicar ipso facto a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria, porque dela exatamente não se trata. Analisando as decisões judiciais nos Recursos Representativos de Controvérsia, verifico que a questão foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, já que consta de seus fundamentos. Verifico a partir dos trechos abaixo reproduzidos que, no entender dos Tribunais Superiores (nas decisões ora mencionadas), o fato de um tributo ter sido declarado inconstitucional não altera a contagem do prazo para pleitear sua restituição. É o que se extrai do voto da Ministra Relatora, Ellen Gracie (RE nº 566.621): “ (...) Os poucos precedentes em sentido diverso, apontados pela União nas razões do recurso extraordinário com vista a descaracterizar a firmeza de posicionamento do STJ sobre a matéria, acabam, ao contrário, por confirmála. É que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. (Trecho do Voto da Ministra Ellen Gracie (PP. 10/11), que representa a posição vencedora no acórdão proferido no RE nº 566.621, julgado nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil) Tal conclusão também se extrai de um dos acórdãos que serviu de fundamento para a decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, acórdão em que o caso que se apresenta é justamente de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional. Tal questão não impede a aplicação da tese dos 10 anos (quando para período anterior a 09/06/2005): Assim, tendo em vista que a extinção do crédito tributário, em regra, efetivase com a homologação tácita, que se ultima cinco anos após a ocorrência do fato jurídico tributário (artigo 150, § 4º, do CTN), o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 6 À guisa de exemplo, merece transcrição a ementa do seguinte julgado oriundo da Primeira Seção: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI Nº 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, esta corrente dos cinco mais cinco. 3. A ação foi ajuizada em 16/12/1999. Valores recolhidos, a título da exação discutida, em 09/1989. Transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 12/1989) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária,c ontados para trás, a partir do ajuizamento da ação. 4. Precedentes desta Corte Superior. 5. Embargos de divergência rejeitados, nos termos do voto." (EREsp 435835/SC, Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, Relator p/ Acórdão Ministro José Delgado, julgado em 24.03.2004, publicado no DJ de 04.06.2007) Nada obstante, em 09 de fevereiro de 2005, sobreveio a Lei Complementar 118, que, em seu artigo 3º, dispõe sobre a interpretação do inciso I do artigo 168, do CTN, verbis (...) O artigo 4º, da LC 118/2005, determina a aplicação retroativa da norma jurídica inserta no dispositivo supracitado, em conformidade com o disposto no artigo 106, I, do CTN, segundo o qual: "A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados" . Diante da aludida inovação legislativa, a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência do STJ acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a título de tributo sujeito a lançamento por homologação, apenas no que pertine às demandas intentadas antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005 (...)” Fl. 631DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.004567/200240 Acórdão n.º 9100000.326 CSRFPL Fl. 629 7 (Trecho do voto condutor do Ministro Luiz Fux, no Resp nº 1.002.932, julgado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil) Em suma, apesar de o Recurso Representativo de Controvérsia mencionado não tratar de situação em que o pedido de restituição reportase a tributo declarado inconstitucional, e que foi objeto de Resolução do Senado e/ou assim reconhecido pela própria Administração Pública, de se verificar que a mesma Corte decidiu que tal peculiaridade em nada altera o quanto decidido acerca do início do prazo para o pleito de restituição. Tal entendimento ficou assente no Recurso Especial Representativo de Controvérsia (julgado na sistemática do artigo 543C do CPC) 1.110.578/SP, julgado em 12/05/2010, cuja ementa abaixo transcrevo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Desta forma, de se aplicar o quanto decidido pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, e considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de Fl. 632DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 8 violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição em 16/09/2002, portanto, antes da data fixada pelo Supremo Tribunal Federal para a vigência do “novo prazo de 5 anos”, de se aplicar o entendimento anterior, segundo o qual o prazo prescricional de 5 anos para pleitear a restituição tem início apenas após transcorridos 5 anos do fato gerador, ou seja, com a homologação tácita (tese dos 5 + 5). Esse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005,conforme firmado no RE nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Tendo em vista o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, reproduzo o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, nos termos dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário do contribuinte, ratificando o acórdão recorrido, uma vez que o período mais recente de restituição é setembro de 1988, e o pedido foi apresentado em setembro de 2002, portanto, passados mais de dez anos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 633DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10950.004567/200240 Acórdão n.º 9100000.326 CSRFPL Fl. 630 9 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 23/12/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 13433.000388/2004-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL.
O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado no paradigma colacionado e no Acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL. O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado no paradigma colacionado e no Acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado no paradigma colacionado e no Acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 03 88 /2 00 4- 32 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 13433.000388/200432 Acórdão n.º 9202003.505 CSRFT2 Fl. 707 2 EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 340200.080, da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 620 a 631), julgado na sessão plenária de 07 de maio de 2009, por unanimidade de votos, ao dar provimento parcial ao recurso voluntário, acolheu a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativamente ao anocalendário de 1998. Transcrevese a ementa e decisum do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999, 2000 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INOCORRÉNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n". 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO REVISÃO. PRAZO No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tendo o contribuinte apurado e recolhido o imposto, tem a Fazenda Nacional o prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, para revisar esse procedimento e, se for o caso, formalizar a exigência de crédito tributário suplementar. Superado esse prazo, o procedimento/pagamento feito pelo contribuinte resta tacitamente homologado. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS A omissão de rendimentos, apurada em procedimento de oficio, enseja a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento para formalização da exigência da diferença de imposto, acrescida de multa de oficio. IRRF GLOSA Comprovada a retenção do imposto pela fonte pagadora, o Contribuinte faz jus à compensação do valor correspondente, na apuração do saldo de imposto a pagar ou a restituir quando da apresentação da declaração de ajuste anual. Preliminar rejeitada Fl. 707DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 13433.000388/200432 Acórdão n.º 9202003.505 CSRFT2 Fl. 708 3 Recurso parcialmente provido. Por unanimidade de votos, ACOLHER a arguição de decadência, relativamente ao anocalendário de 1998, REJEITAR as demais preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a exigência relativa ao item 02 do Auto de Infração (Compensação de Imposto de Renda). Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou, recurso especial de divergência (efls. 635 a 651), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de efls. 654 a 656 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou paradigma (Acórdão CSRF 0103.215), alegando que o início do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de lançamento por homologação com ausência de pagamento antecipado, na forma disposta no art. 173, I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), verbis: FINSOCIAL/FATURAMENTO TRIBUTAÇÃO REFLEXA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFICIO DECADÊNCIA — No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo ou insuficiência do pagamento, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio. Com relação ao FINSOCIAL/FATURAMENTO, decorrente da fiscalização do IRPJ, o instituto da decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido. Aduz o recorrente que, no caso em tela, verificada a ausência de pagamento, deveria, a exemplo do ocorreu no paradigma, ter sido aplicada a norma contida no art. 173, I, do CTN, não havendo que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF, colacionando jurisprudência do STJ e doutrina que suportariam sua tese. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 666 a 671 onde propugna pela manutenção da decisão recorrida quanto à decadência, uma vez que houve antecipação de pagamento, consoante DIRPF. É o relatório. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 13433.000388/200432 Acórdão n.º 9202003.505 CSRFT2 Fl. 709 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, em que pese o recurso ser tempestivo, no entender deste conselheiro, não foi comprovada a necessária divergência, para seu conhecimento. Com efeito, as ementas dos acórdãos paradigma e recorrido, transcritas no Recurso Especial da Fazenda Nacional, apontam para critério de julgamento convergente, qual seja, o de que se deva aplicar o termo inicial do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional CTN, quando houver recolhimento antecipado do tributo, e aquele previsto no art. 173, I, do mesmo CTN, quando não houver antecipação de recolhimento, vejamos: (a) Acórdão recorrido LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO. PRAZO. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo o contribuinte apurado e recolhido o imposto, tem a Fazenda Nacional o prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, para revisar esse procedimento e, se for o caso, formalizar a exigência do crédito suplementar. Superado esse prazo, o procedimento/pagamento feito prelo contribuinte resta tacitamente homologado. (b) Acórdão paradigma FINSOCIAL/FATURAMENTO TRIBUTAÇÃO REFLEXA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECADÊNCIA No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo ou insuficiência do pagamento, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio. com relação ao FINSOCIAL/FATURAMENTO, decorrente da fiscalização do IRPJ, o instituto da decadência regese pelo disposto no art. 173, I do código tributário Nacional. Assim, se houver divergência, será na apreciação de provas quanto à existência do pagamento, divergência essa que não é sequer alegada no recurso. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 709DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 13433.000388/200432 Acórdão n.º 9202003.505 CSRFT2 Fl. 710 5 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904105/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 05 /2 00 8- 91 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904105/200891 Acórdão n.º 3803006.706 S3TE03 Fl. 66 2 O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, do período de apuração identificado na ementa supra, no valor atualizado até então de R$ 9.176,73. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora após a ciência da decisão de origem, declaração essa que, segundo ele, comprovaria o valor correto da contribuição devida no período. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 02/12/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904105/200891 Acórdão n.º 3803006.706 S3TE03 Fl. 67 3 Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca de declaração de compensação não homologada por falta de comprovação do crédito pleiteado. Para justificar o direito alegado, o Recorrente se vale apenas da DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo que o seu não acatamento configura ofensa ao princípio da verdade material, nada trazendo aos autos que pudesse demonstrar a origem e comprovar, com documentação hábil e idônea, o crédito argüido. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Destaquese que nem mesmo após a Delegacia de Julgamento ter alertado o Recorrente da necessidade de comprovação do crédito pleiteado, com base em documentos hábeis e idôneos, ele se predispôs a instruir os autos com qualquer elemento de sua escrita fiscal, não tendo nem mesmo demonstrado a origem do pagamento efetuado a maior. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904105/200891 Acórdão n.º 3803006.706 S3TE03 Fl. 68 4 Apenas a apresentação da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do despacho decisório, desacompanhada de qualquer outro elemento de prova, inclusive sem menção à justificativa do pagamento realizado a maior, não é apta a demonstrar e comprovar o direito creditório pleiteado. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode ir além das provas carreadas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Nesse contexto, por ausência de prova do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13896.000092/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplica-se aos lançamentos reflexos, o resultado do julgamento do processo tido como principal.
LUCRO ARBITRADO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS.
A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59).
Numero da decisão: 1402-001.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer da razões de defesa relativas à responsabilização dos coobrigados e negar provimento ao recurso da pessoa jurídica.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Rogério Aparecido Gil, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se aos lançamentos reflexos, o resultado do julgamento do processo tido como principal. LUCRO ARBITRADO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer da razões de defesa relativas à responsabilização dos coobrigados e negar provimento ao recurso da pessoa jurídica. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Rogério Aparecido Gil, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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HIPÓTESE LEGAL. A inexistência de escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal obturando a apuração do lucro real, bem como a não regularização da contabilidade ainda que disponibilizado tempo hábil para fazelo, autoriza o Fisco a apurar o resultado na pessoa jurídica na sistemática do lucro arbitrado. LUCRO ARBITRADO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos reflexos, o resultado do julgamento do processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 92 /2 01 0- 12 Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer da razões de defesa relativas à responsabilização dos coobrigados e negar provimento ao recurso da pessoa jurídica. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Rogério Aparecido Gil, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.000092/201012 Acórdão n.º 1402001.818 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no valor total de R$ 8.489.127,40; aí incluídos multa de ofício no percentual de 112,50% ou 225% e juros de mora apurados até 31/12/2009. A Fiscalização apurou o IRPJ e a CSLL na sistemática do arbitramento de lucro tendo como base de cálculo: valores de receita não declarada correspondente a venda de mercadorias e prestação de serviço apurados em procedimentos de diligência junto a clientes da interessada ou através de notas fiscais fornecidas pela autuada; e: receitas omitidas correspondentes a valores depositados em conta corrente de titularidade da pessoa jurídica em relação aos quais, devidamente intimada, não logrou comprovar a origem. A exigência correspondente às receitas de venda de mercadorias e prestação de serviço apurados em procedimentos de diligência foi apenada com multa de 150% e àquela referente aos depósitos bancários foi imputada a multa de 75%. Toda a exigência foi submetida ao agravamento da multa em 50% do percentual aplicado, pelo não atendimento às intimações da Fiscalização. Imputouse também ao sujeito passivo a multa regulamentar pela apresentação com incorreção de dados fornecidos em meio magnético, nos termos dos arts. 11 e 12, inciso I, da Lei nº 8.218/91, com alterações posteriores. Foi lavrado Termo de Responsabilidade Passiva Solidária contra Ildeu Lucio de Oliveira e Moyses Miranda que, segundo o Fisco, atuavam como administradores da pessoa jurídica à época dos fatos apurados. Cientificado da exigência, o sujeito passivo apresentou impugnação solicitando que a autoridade julgadora observasse o princípio da verdade material e analisasse os documentos que estavam sendo apresentados, os quais demonstrariam a inexistência de base tributável no período sob exame. Reclama que os elementos disponibilizados ao Fisco durante o procedimento fiscal eram suficientes para apuração do lucro real, questiona o agravamento da multa de ofício tendo em vista não ter se recusado a prestar esclarecimentos e sustenta a inaplicabilidade da CSLL ao resultado oriundo das exportações. Por fim, questiona a imputação de responsabilidade aos administradores. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas prolatou o Acórdão nº 0529.563 manifestandose pela definitividade da exigência em relação à multa qualificada, multa pela apresentação irregular dos arquivos magnéticos e quanto à Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 responsabilidade solidária dos administradores. Em relação às multas, pela ausência de contestação específica. No se refere aos coobrigados, pelo fato da defesa ter sido apresentada apenas em nome da pessoa jurídica, sem identificação de mandatários dos responsáveis. Na parte conhecida, o Órgão julgador acolheu parcialmente a súplica, cancelando o agravamento da multa. Devidamente cientificada da decisão, a interessada recorre a esta Corte, ratificando as razões expedias na peça impugnatória. Quanto à parcela exonerada, o Órgão julgador de primeira instância recorreu de oficio ao CARF. É o Relatório. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.000092/201012 Acórdão n.º 1402001.818 S1C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO DE OFÍCIO: O Órgão julgador de primeira instância recorreu de ofício da parte da decisão que cancelou o agravamento da multa. Correta a decisão nesse ponto. De fato, a previsão desse agravamento envolve a falta de atendimento à intimação para prestação de esclarecimentos. Isso porque, nesse caso, o não atendimento prejudica indubitavelmente a análise da autoridade fiscalizadora, merecendo a punição. Por outro lado, a não apresentação dos livros e documentos foi suprida com o arbitramento do lucro e a tributação, por presunção legal, dos valores não comprovados. Deve se avaliar o prejuízo que o não atendimento da intimação possa ter causado ao procedimento fiscal. Quanto a esse aspecto, atentese para o fato de que a Fiscalização já dispunha dos extratos bancários, pois foram obtidos junto às instituições financeiras. Assim, o não atendimento teve conseqüências danosas exclusivamente para o sujeito passivo que, na ausência de explicações, sofreu o arbitramento e a autuação. RECURSO VOLUNTÁRIO A peça recursal questionou a apuração do resultado por arbitramento, a não consideração dos documentos apresentados na impugnação, a incidência da CSLL sobre o que seriam receitas de exportação e a responsabilização dos sócios. No que se refere à apuração do resultado por arbitramento, não procede a argumentação da defesa no sentido de que durante o procedimento fiscal teriam sido disponibilizados os elementos suficientes para a apuração do lucro real. O Fisco deixou bem claro que a interessada foi intimada e reintimada durante mais de seis meses a apresentar os Livros Diário e Razão e, após todo esse tempo, só trouxe o que seria um Livro Razão o qual não atendia os requisitos mínimos da escrituração comercial, sem encadernação, Termo de Início e Encerramento, assinatura dos responsáveis, registro na Junta Comercial e, ainda mais importante, sem que as contas estivessem codificadas ou identificadas pelo respectivo título e também sem informação das contas contábeis de contrapartidas dos lançamentos. A omissão da interessada enquadrouse na hipótese estabelecida no inciso III, do art. 530, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) para apuração do resultado por arbitramento. Correto, dessarte, o procedimento fiscal. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Em relação aos elementos apresentados após a autuação, como bem esclarecido pela decisão recorrida, não existe arbitramento condicional. Não há como aceitar documentos apresentados após o encerramento da ação fiscal. Conforme entendimento consolidado deste Colegiado, é inócua a posterior apresentação de livros e documentos com o intuito de mostrar base de cálculo diferente daquela apurada pelo Fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotada no tempo devido. A questão foi definitivamente dirimida com o advento da Súmula CARF nº 59, de obediência compulsória por todos os integrantes desta Corte, no seguinte Enunciado: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal Inaplicável ao caso a argüição de obediência ao princípio da verdade material. Quanto à incidência da CSLL sobre receitas de exportação, é questão definitivamente superada no STF, conforme se vê (RE 564413/SC, Ministro Marco Aurélio, Sessão de 12/08/2010 – Repercussão Geral) : IMUNIDADE – CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE – EXPORTAÇÃO – RECEITA – LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Em relação à responsabilização dos sócios, importa deixar claro meu entendimento no sentido de que a responsabilidade tributária imposta ao administrador em decorrência da prática de ato ilícito é, no que tange ao nascimento, à natureza e à cobrança, autônoma da responsabilidade da pessoa jurídica contribuinte pelo pagamento do crédito tributário. Duas circunstâncias decorrem desse fato: a primeira delas é que a defesa contra a autuação não implica na defesa contra a responsabilização. A segunda, quase como corolário da primeira, é que a constituição de representante pela pessoa jurídica para apresentação da defesa contra a autuação não abrange a responsabilização, a não ser que o especifique. Essa questão foi suscitada na decisão recorrida. Ressalvese que a impugnação foi assinada por um dos responsáveis (Ildeu Lucio de Oliveira) o que supriria o equívoco pelo menos em relação a ele. Entretanto, no recurso voluntário o problema da representatividade voltou a ocorrer Isso porque a peça de defesa veio assinada por representante designado através de instrumento de mandato para defender exclusivamente a pessoa jurídica. Não há qualquer menção aos responsáveis tributários. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.000092/201012 Acórdão n.º 1402001.818 S1C4T2 Fl. 5 7 Sob esse prisma, não serão apreciadas as razões de defesa contra os Termos de Responsabilidade Solidária, eis que interpostas por pessoa não legitimada para fazêlo. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, o que se aplica aos lançamentos decorrentes da CSLL, PIS e Cofins. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/10 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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