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Numero do processo: 13609.900060/2008-92
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA.
Na forma da Lei, somente a compensação devidamente declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo a partir de 28 de maio de 2003, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação
Numero da decisão: 1803-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Relator e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA. Na forma da Lei, somente a compensação devidamente declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo a partir de 28 de maio de 2003, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA. Na forma da Lei, somente a compensação devidamente declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo a partir de 28 de maio de 2003, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 00 60 /2 00 8- 92 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13609.900060/200892 Acórdão n.º 1803001.723 S1TE03 Fl. 184 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13609.900060/200892 Acórdão n.º 1803001.723 S1TE03 Fl. 185 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 120 e 121): DO DESPACHO DECISÓRIO Trata o presente processo do Despacho Decisório de fl. 09, tendo como interessado o contribuinte acima identificado, podendo ser destacados os seguintes elementos: DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 18/03/2008, conforme tela de processamento do Aviso de Recebimento – AR anexada à fl. 86, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/80, postada em 17/04/2008, conforme documentação de fls. 81/82. Da manifestação anexada às fls. 10/11, transcrevese os seguintes trechos: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13609.900060/200892 Acórdão n.º 1803001.723 S1TE03 Fl. 186 4 Ao final, ressaltando o risco de ter de pagar novamente o valor que recolheu indevidamente a maior em 31/01/2000, o manifestante postulou o cancelamento da cobrança em questão. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 119): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO. Verificado erro material no preenchimento da DComp, comprovada a existência de pagamento a maior de IRPJ, deve ser reconhecido o direito creditório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSOLIDAÇÃO DO DÉBITO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 14/02/2012 (fls. 135 numeração digital ND), a tempo, em 08/03/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 137 a 142 (ND), instruído com os documentos de fls. 143 a 180 (ND), nele argumentando, em síntese: a) que se dá seguimento à cobrança ao argumento de serem devidos acréscimos legais, como se fosse, a compensação reconhecida, um recolhimento intempestivo, fundamentandose a exigência no art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; b) que se constata, das próprias referências de fatos e datas contidas no acórdão recorrido, que, à época da entrega da DComp, ocorrida em Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13609.900060/200892 Acórdão n.º 1803001.723 S1TE03 Fl. 187 5 28/07/2004, inexistia qualquer previsão, na legislação, que desse suporte à alegação de cumprimento da obrigação tributária em questão fora do prazo; c) que mero disciplinamento de Lei, em hipótese alguma, pode ter efeitos retroativos; d) que isso, por si só, inviabiliza qualquer pretensão de se dar continuidade à cobrança, merecendo esta ser cancelada, por ausência de previsão legal; e) que há que se levar em consideração ser incabível impor exigência à Recorrente, como se estivesse em mora ou tivesse cometido uma infração; f) que, diante da comprovação feita em cópias anexas, o valor do saldo contábil existente a título de tributos federais a recuperar, na data de 31/05/2000, era de R$ 191.729,48, muito superior, portanto, ao débito compensado de R$ 980,61; g) que era credora da Fazenda Pública Federal, sendo esta, naquele momento, a devedora; h) que cumpriu, a tempo e modo, com todas as suas obrigações, seja principal ou acessória; i) que é princípio geral do direito, ao qual não se pode esquivar, que “se duas pessoas forem, ao mesmo tempo, credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem”; j) que, estando presentes obrigações mútuas, e após compensados os seus respectivos valores, extinta ficou a dívida da Recorrente, mesmo que tributária; k) que se trata, assim, de uma questão meramente formal a DComp ter sido entregue após o vencimento do débito; l) que o crédito existia e era a favor da Requerente; e m) que, reconhecido o direito creditório e inexistindo fundamentação legal para a exigência da multa de mora e dos juros de mora, é improcedente a cobrança referenciada. Em mesa para julgamento. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13609.900060/200892 Acórdão n.º 1803001.723 S1TE03 Fl. 188 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme se verifica de fls. 5, pretendeu a Recorrente fazer uso de crédito que possuía, relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 (exercício de 2000) (na realidade, pagamento a maior) para compensar débito atinente a estimativa de IRPJ do mês de abril de 2000 (exercício de 2001), para tanto apresentando Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), em data de 28/07/2004: 5. Tendo sido reconhecido, em primeira instância o crédito pleiteado (R$ 16.233,58), insurgese a Recorrente, desta feita, contra o fato de que, com relação ao débito declarado (R$ 17.152,34), foilhe exigida multa de mora, em face da apresentação da Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento desse débito (fls. 118 ND): Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13609.900060/200892 Acórdão n.º 1803001.723 S1TE03 Fl. 189 7 6. Nesse sentido, assim se manifestou a decisão recorrida (fls. 123124): Nesse sentido, é importante salientar que, conforme dispõe o art. 28 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da transmissão da DComp (norma reproduzida nas instruções normativas que a sucederam), os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. 7. Cumpre destacar, em primeiro lugar, que, a despeito da referência feita, pela decisão recorrida, à Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 posterior, pois, à apresentação do Per/DComp em 14/05/2004 , já a Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003 (DOU de 28/05/2003), ao alterar o art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, previra que: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. 8. Temse, por conseguinte, que referida sistemática estava vigente desde 28/05/2003, improcedendo a argumentação da Recorrente nesse sentido. 9. Em segundo lugar, pretenderse que saldos contábeis a recuperar, escriturados contra a Fazenda Nacional sejam créditos oponíveis contra esta é o mesmo que pretenderse que valores de débitos existentes unicamente nos sistemas eletrônicos da Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13609.900060/200892 Acórdão n.º 1803001.723 S1TE03 Fl. 190 8 Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam débitos oponíveis contra o contribuinte, sem que tenha havido qualquer intimação ou notificação a esse respeito. 10. Ora, assim como inexiste débito da Fazenda Nacional exigível sem a comunicação formal ao sujeito passivo (seja por Notificação de Lançamento, seja por Auto de Infração, seja ainda por Aviso de Cobrança), também inexiste crédito deste sem a comunicação formal à Fazenda Nacional (seja por Pedido de Restituição, seja por Declaração de Compensação). 11. Por fim, em terceiro e último lugar, o art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe claramente que a extinção do crédito tributário ocorre com a compensação declarada1, e não com a eventual existência de crédito contábil em favor do sujeito passivo, como pretendido pela Recorrente. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes 1 Art. 74. [...]. [...]. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13609.900060/200892 Acórdão n.º 1803001.723 S1TE03 Fl. 191 9 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900006/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. NÃO COMPROVAÇÃO.
A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. NÃO COMPROVAÇÃO. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantém-se a negativa em relação à compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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SALDO NEGATIVO. NÃO COMPROVAÇÃO. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 00 06 /2 00 9- 69 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900006/200969 Acórdão n.º 1802001.871 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Ponta Grossa/PR). O presente processo surgiu em razão do PER/DCOMP nº 16486.30861. 200808.1.7.024733 (fls. 13 a 19), transmitido em 20/08/2008, pelo qual a Contribuinte pretendeu compensar débitos referentes às estimativas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2004 com crédito proveniente de saldo negativo do mesmo imposto (IRPJ) do anocalendário de 2003, no valor original de R$ 37.951,84. O PER/DCOMP acima referido é retificador do PER/DCOMP nº 07988.26931.240907.1.7.024473, transmitido em 24/09/2007, que, por sua vez, retificou o PER/DCOMP original, de n° 37812.43801.261104.1.3.028869, transmitido em 26/11/2004. A Delegacia de origem, por meio de despacho decisório emitido em 19/01/2009 (fls. 21), decidiu não homologar a compensação nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 37.951,84 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Com a manifestação de fls. 02, a Contribuinte inaugurou a fase litigiosa, insurgindose contra o despacho decisório da Delegacia de origem com a alegação de que: [...] mediante relatório (planilha) cópia anexo, mais balancete, vêse os valores à disposição para compensações de débitos, muito além do valor principal mencionado. Seguramente, existentes o(s) crédito(s) a compensar, e o fizemos sem hesitar conforme consta do Per Dcomp que, na sua rápida confecção, não ficou como deveria informado, assim como a DIPJ 2004. Ao examinar a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, por meio do Acórdão 0631.375 (fls. 27 a 34), declarou nulo o despacho decisório emitido pela Delegacia de origem, por ter o Fisco infringido regra Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900006/200969 Acórdão n.º 1802001.871 S1TE02 Fl. 4 3 estabelecida por ele mesmo, em norma de execução, para o processamento dos PER/DCOMP, conforme a ementa do referido acórdão: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. VALOR DO CRÉDITO NA DIPJ: R$ 0,00. NÃOHOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN, ao §14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, e à Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/ Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ, e que haja saldo negativo informado na DIPJ, e não valor R$ 0,00 informado. Não tendo o contribuinte sido intimado a regularizar a divergência, o Fisco infringiu a regra por ele mesmo estabelecida na citada Norma de Execução, sendo nulo o despacho decisório. Decisão Recorrida Nula Aguardando Nova Decisão Com o retorno do processo à origem, houve emissão de novo despacho decisório (fls. 82 a 86), em 29/08/2011. A DRF Ponta Grossa/PR esclareceu: que havia sido feita a intimação prevista na Norma de Execução Codac/ Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007, relativamente ao PER/DCOMP nº 07988.26931.240907. 1.7.024473; que esta intimação foi recebida pelo interessado em 08/08/2008, e que ela solicitava a retificação das declarações, devido à inconsistência entre os valores do saldo negativo informado na DIPJ (R$ 0,00) e no PER/DCOMP (R$ 37.951,84); que o interessado, em vez de proceder à retificação dessas declarações, especialmente a DIPJ, informando o saldo negativo do período, apresentou apenas PER/DCOMP retificador, com as mesmas informações do PER/DCOMP ativo até então; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900006/200969 Acórdão n.º 1802001.871 S1TE02 Fl. 5 4 que o total das retenções em nome do interessado foi de apenas R$ 8.914,91 (fonte do saldo negativo), conforme consulta às informações prestadas pelas fontes pagadoras para o ano de 2003, e que o débito de IRPJ para esse período era de R$ 17.712,42; que no PER/DCOMP em análise, de n° 16486.30861.200808.1.7.024733, a composição do crédito de R$ 37.951,84 foi demonstrada como a soma dos valores (negativos) do imposto a pagar na DIPJ, dos meses em que houve suspensão do pagamento do imposto, na apuração pelo lucro real anual com base em balancetes de suspensão/redução, e que este valor não poderia representar saldo negativo do período. Além disso, a DRF Ponta Grossa/PR fez uma extensa análise dos documentos apresentados pelo interessado em anos anteriores, desde 1997 até 2003, no intuito de verificar a existência de possíveis saldos disponíveis para compensação a partir de janeiro de 2004, identificando saldos remanescentes para os anos de 1999 e 2000, no montante de R$ 28.275,35. Com relação a 2003, período do PER/DCOMP em análise, não foi verificado nenhum saldo negativo passível de compensação. A DRF Ponta Grossa/PR registrou ainda que deveriam ter sido apresentados PER/DCOMP para o aproveitamento dos referidos saldos remanescentes. E diante de todos esses fatos, concluiu que não era possível o reconhecimento do crédito, a título de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003. Intimada, a Contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 89/90), alegando que o crédito reivindicado no PER/DCOMP em pauta tinha origem em saldos negativos anteriores, desde 1997 até 2004 (ano das compensações), conforme demonstrava o movimento constante do Razão Contábil anexo (cinco folhas). Ela suscitou a possibilidade de que as informações, na época oportuna, tenham sido incorretas, mas afirmou que o crédito efetivamente existia, que eram créditos compensáveis, líquidos e certos, conforme se depreendia dos lançamentos dos Razões Contábeis anexados. E requereu a homologação do PER/DCOMP, considerando que ficou sobejamente demonstrado que a empresa detinha créditos à época passíveis de compensação. Como mencionado no início, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, desta vez por meio do Acórdão 0635.949 (fls. 108 a 115), manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. SALDO NEGATIVO ZERADO NA DIPJ. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900006/200969 Acórdão n.º 1802001.871 S1TE02 Fl. 6 5 estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN, ao §14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, e à Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/ Cotec n° 6, de 21 de novembro de 2007, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Tendo o contribuinte sido intimado a regularizar a divergência, e quedandose inerte, a divergência impede que o Fisco proceda à análise do direito creditório informado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/04/2012, a Contribuinte apresentou em 27/04/2012 o recurso voluntário de fls. 119/120, onde apresenta os argumentos abaixo transcritos: [...] II O Direito II.1 PRELIMINAR Como já mencionado em FATOS, os valores de direito creditório, apropriados conforme PERD/COMP tem como origem Saldo(s) Negativo(s) de IRPJ desde ano(s) anterior(es), que são abrigados pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96. Comprovadamente, mas não declarado implicitamente na DIPJ há crédito de saldo negativo de IRPJ, através dos registros contábeis, apenas. E crendo neste fato, tão só, desinformados das instruções de preenchimento que a RFB aprova concomitantemente à geração do programa PER/DCOMP, não obstante deveria ser à intenção do sujeito passivo, que é exclusivamente quitar seus débitos dentro da legalidade nestes casos. Ressaltese que nas oportunidades antes, durante e depois às notificações, não assimiladas por sinal, foi insatisfatoriamente retificado somente o PER/DCOMP. II. MÉRITO Conforme previsto no art. 33 do Dec. n° 70.235/72 e contíguo ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, reiteramos agora ao CARF a declaração através deste recurso voluntário. Depreendese através dos lançamentos contábeis oficialmente registrados, que a empresa tivesse créditos compensáveis, um direito líquido e certo. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900006/200969 Acórdão n.º 1802001.871 S1TE02 Fl. 7 6 Anexo(s): 1. Planilha de apuração dos Débitos (ano 2004); 2. Razão Contábil (ano 2004); 3. Livro Diário (n° 147 e 148ano 2004) página(s) n° 1, 271, 281 e 500 ref. diário n° 147 página(s) n° 1, 345, 454 e 500 ref. diário n° 148 4.Cópia Comunicado n° 068/2012 III A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Este é o Relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900006/200969 Acórdão n.º 1802001.871 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 20/08/2008, na qual utilizou um alegado crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, no valor original de R$ 37.951,84. Esta compensação está formalizada no PER/DCOMP nº 16486.30861. 200808.1.7.024733 (fls. 13 a 19), que é retificador do PER/DCOMP nº 07988.26931.240907. 1.7.024473, transmitido em 24/09/2007, que, por sua vez, retificou o PER/DCOMP original, de n° 37812.43801.261104.1.3.028869, transmitido em 26/11/2004. Considero correta a negativa em relação à compensação em pauta. Na DIPJ referente ao anocalendário de 2003 (fls. 71 a 75), que adota a tributação pelo lucro real anual com estimativas mensais, foram informados IRPJ anual no valor de R$ 17.712,42, e deduções a título de IR retido na fonte e IR mensal pago por estimativa, nos valores de R$ 1.781,04 e R$ 15.931,38, respectivamente. A soma das deduções corresponde exatamente ao imposto apurado, pelo que não restou nem saldo a pagar e nem saldo a restituir/compensar (que é designado como saldo negativo). As estimativas mensais apuradas ao longo do ano foram integralmente quitadas com dedução de IR retido na fonte. Contudo, a Delegacia de origem apurou, mediante consulta às informações prestadas por fontes pagadoras para o ano de 2003, que o total de retenções em nome da Contribuinte somava apenas R$ 8.914,91, valor insuficiente até mesmo para a quitação do imposto anual. Não houve, portanto, qualquer apuração de saldo negativo de IRPJ em 2003 a ser restituído/compensado. Não bastasse esse óbice, vêse pela “página 3” do PER/DCOMP (que indica a origem do crédito – fls. 15), pela planilha de fls. 12 (apresentada pela Contribuinte), e pela Ficha 11 da DIPJ (apuração das estimativas mensais), que o reivindicado saldo negativo de R$ 37.951,84 resultou do somatório dos valores negativos mensais apurados em balancetes de suspensão nos meses de março a agosto de 2003. É importante registrar que os balancetes de suspensão/redução são cumulativos ao longo do ano, ou seja, o balancete de fevereiro abrange também os fatos de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900006/200969 Acórdão n.º 1802001.871 S1TE02 Fl. 9 8 janeiro, o balancete de março abrange também os fatos de janeiro e fevereiro, e assim sucessivamente, até o balancete de dezembro, que abrange o ano todo. Deste modo, não poderia a Contribuinte somar os valores negativos apurados nos balancetes mensais de suspensão, como se cada um destes valores já não estivesse agrupado e refletido na apuração dos meses seguintes. Realmente, não há qualquer aspecto de certeza e liquidez para o reivindicado crédito a título de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003. No decorrer do processo, e diante dos levantamentos feitos pela própria Delegacia de origem, a Contribuinte passou a alegar que o crédito do presente PER/DCOMP tinha origem em saldos negativos de anos anteriores (1998 a 2002). Percebese que seu intento é de convalidar o saldo negativo de 2003, que se mostrou inexistente, a partir de saldos negativos remanescentes de outros períodos. Todavia, isso não é possível, porque um saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovandose no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Se a compensação não é realizada pelo Contribuinte, não há como reconhecer um saldo negativo inexistente em um determinado período por haver saldo negativo de outro período que não foi aproveitado em tempo hábil. Está bastante claro, pelo conjunto das informações, que a Contribuinte pretendia compensar saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, formado nos termos acima mencionados, o que não encontra nenhum respaldo legal. Registro novamente que a certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.900006/200969 Acórdão n.º 1802001.871 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.720017/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO COM BASE EM DECLARAÇÃO DCTF . ERRO DE FATO.
Cabe ao contribuinte provar a existência de erro de fato na DCTF por ele apresentada. Não havendo prova da existência do erro de fato, nem retificação da DCTF antes do lançamento, é dever manter o lançamento embasado em dados constantes em DCTF apresentada pelo próprio contribuinte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 LANÇAMENTO COM BASE EM DECLARAÇÃO DCTF . ERRO DE FATO. Cabe ao contribuinte provar a existência de erro de fato na DCTF por ele apresentada. Não havendo prova da existência do erro de fato, nem retificação da DCTF antes do lançamento, é dever manter o lançamento embasado em dados constantes em DCTF apresentada pelo próprio contribuinte. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.720017/200615 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.403 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria IRRF Recorrente NUTERAL INDÚSTRIA DE FORMULAÇÕES NUTRICIONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO COM BASE EM DECLARAÇÃO DCTF . ERRO DE FATO. Cabe ao contribuinte provar a existência de erro de fato na DCTF por ele apresentada. Não havendo prova da existência do erro de fato, nem retificação da DCTF antes do lançamento, é dever manter o lançamento embasado em dados constantes em DCTF apresentada pelo próprio contribuinte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 00 17 /2 00 6- 15 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10380.720017/200615 Acórdão n.º 2202002.403 S2‐C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, NUTERAL INDÚSTRIA DE FORMULAÇÕES NUTRICIONAIS LTDA, foi lavrado auto de infração de IRRF, às fls. 16/19, com fatos jurídicos tributários semanais ocorridos no primeiro trimestre de 1997. O lançamento resultou de auditoria interna realizada sobre a DCTF apresentada pelo contribuinte, tendo sido apurado falta de recolhimento da contribuição. O crédito tributário formalizado perfaz o montante de R$ 3.157,86, j á computados juros de mora e multa de ofício (75%). Cientificado da pretensão fiscal em 10.12.2001 (fl 24), o contribuinte apresentou impugnatória em 09.01.2002 (lis 2/5), requerendo a improcedência do lançamento, uma vez que teria incorrido em erro no preenchimento da DCTF, ao informar imposto retido em valor "acentuadamente" superior ao efetivamente devido, tendo, para tanto, procedido à retificação da DCTF, nos autos de n° 10380.000434/200214 (11 26). Com o propósito de comprovar as suas alegações, teria juntado cópia dos seguintes documentos: DARFs, DCTFs original e retificadora, DIPJ retificadora, Livro de Apuração de ICMS, Planilhas Demonstrativas, Protocolo do Processo de Retificação da DCTF do I o trimestre de 1997. A DRJFortaleza a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. POSTERIOR AO LANÇAMENTO. A DCTF retificadora, apresentada depois de notificado o contribuinte do lançamento, não tem a eficácia de alterálo. O erro de fato no preenchimento da declaração comprovase mediante a juntada, com a impugnação, de documentos fiscais e contábeis. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, dc 2004, a o art. 18 da Lei 10.833, dc 2003, cm combinação com o art. 106, inciso II, a l í n e a "c", do CTN, cancelase a multa de ofício aplicada. Impugnação Improcedente Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário,indicando fundamentalmente: que ocorreu uma falha no desmembramento do processo tal como consignado a seguir: ..., a SRF/FOR tirou cópias dos documentos pertinentes a cada auto de infração. Acontece que, por um equívoco da SRF/FOR, não foi anexada aos processos desmembrados documentos importantes juntados pelo contribuinte, quando fez sua impugnação única, conforme se infere do pronunciamento do Douto julgador de 1 o grau em seu voto: "A respeito da juntada de documentos fiscais ou contábeis com a impugnação, o que se poderia afirmar têlo feito o interessado, a partir da relação à fl. 7, vale registrar que não se vê nos autos cópia de documentos que digam respeito ao fato gerador ou ao crédito tributário do IRRF.".(Grifouse) Com efeito, compulsando os autos, a recorrente comprovou a ausência de vários documentos importantes para o deslinde do feito. Após pesquisas aos cinco processos, a autuada constatou juntamente com servidores da SRF/FOR, que todos os documentos juntados por ela, estão no processo n°. 10380 000435/200251, que ainda não foi julgado, conforme se infere das cópias anexas do Livro Registro de Apuração de ICMS e Declaração de rendimentos Pessoa Jurídica, anocalendário 1997 retiradas do referido processo. Ora Exas., a recorrente instruiu a sua impugnação com toda a documentação probatória do direito alegado como cópias autenticadas dos DARFs de recolhimento, da DCTF Original do 1° Trimestre de 1997, do Livro Registro de Apuração de ICMS etc, entretanto, não pode ser penalizada por um erro de procedimento cometido pela própria Receita Federal quando esta, ao fazer o desmembramento dos processos, não anexou documentos importantes para o deslinde de todos os processos. Acrescentase que a recorrente também anexou a sua impugnação única as Planilhas I, II e III, que juntamente com a Declaração de Rendimentos Pessoa Jurídica, exercício/1997, comprovam que houve um erro de preenchimento da DCTF relativa ao 1 o Trimestre de 1997. Mais a frente prossegue o recorrente: Conforme dito anteriormente, o contribuinte quando ingressou com a impugnação única relativa aos 05(cinco) autos de infração, anexou todos os documentos que comprovam os erros de preenchimento da DCTF relativa ao 1º. Trimestre de 1997, bem como solicitou a retificação da mesma, a qual foi indeferida pela SRF/FOR. DESSA FORMA, TODOS OS DOCUMENTOS JUNTADOS ORIGINALMENTE PELO CONTRIBUINTE E QUE VENHAM A SER CITADOS EM SUA DEFESA, SE ENCONTRAM ANEXOS Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10380.720017/200615 Acórdão n.º 2202002.403 S2‐C2T2 Fl. 4 5 AO PROCESSO N°. 10380.000435/200251, CONFORME RELACIONADO ÀS FLS. 07 DOS AUTOS CITADOS, OS QUAIS FAZEM PROVA EMPRESTADA! Reitera a inexistência de ato lesivo ao fisco. Esta turma converteu o processo em diligência para que fossem juntados cópia do processo 10380.000435/200251, ou os documentos a que faz referência o recorrente. Em resposta a diligência a autoridade preparadora informa: Cabe informar que o processo objeto da cópia se encontra na Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme cópia tela Comprot às folhas 104, aguardando providências de competência daquele órgão julgador. Por outro lado, por se encontrar digitalizado, pode ser acessado no CARF, via eprocesso e, se for o caso, copiar as folhas que se fizerem necessárias para fundamentar o julgamento do recurso voluntário. A cópia do processo 10380.000435/200251 foi acostada aos autos. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A fiscalização não encontrou no sistema da RFB os pagamentos dos IRRF devidos e informados em DCTF’s pela contribuinte; razão pela qual capitulou o lançamento em razão de “falta de recolhimento ou recolhimento a menos do IRRF. O lançamento se deu exclusivamente com base na declaração do próprio contribuinte, e não com base em presunções. Caberia à contribuinte, pro duzir as provas da existência do erro de fato na sua DCTF. Se a declarante incidiu em equivoco incumbelhe o saneamento, mostrando as provas que a tanto permitam concluir, seja originariamente formalizado processo administrativo de retificação da DCTF perante a autoridade fiscal de sua jurisdição, seja por ocasião do presente contencioso, quando oportunizada a ampla defesa. Inobstante o argumento do recorrente de que a prova estariam nos autos do processo, e que teria anexado em um dos processos, revisandoos não se encontrou evidências para dar suporte aos argumentos do recorrente. Remanesce o fato de que há na DCTF declaração da existência de débitos em quantum definido, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário, pois aquele documento goza do efeito de confissão legal de divida (Decretolei n° 2.124, de 1984, artigo 5°, § 1°). Se há contradição e desejando a recorrente fazer valer cifra diversa daquela regularmente declarada, incumbia lhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de afastamento do crédito tributário, tudo em face da visão de cautela exigida pela lei (Código Tributário Nacional, art. 141). Portanto, ante a inexistência de prova cabal do erro de fato na DCTF apresentada pela contribuinte, é de se entender que o IRRF declarado é o efetivamente devido. Sendo o IRRF declarado, e devido, não pago em sua totalidade, correto é o lançamento da diferença não paga, com os acréscimos legais. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10380.720017/200615 Acórdão n.º 2202002.403 S2‐C2T2 Fl. 5 7 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 14098.000427/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão.
Recurso Voluntário Provido
A norma que prevê a exclusão das contribuições para plano de previdência complementar do salário-de-contribuição não exige que haja proporcionalidade entre a contribuição e a remuneração do empregado ou mesmo que os aportes ao plano sejam isonômicos para todos os beneficiários.
EXCLUSÃO DE PAGAMENTOS DO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DECORRENTE DA FALTA DE RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
Não estando determinados pagamentos no campo de incidência das contribuições, deve ser afastada a multa pela falta de retenção da contribuição dos segurados.
Numero da decisão: 2401-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INOCORRÊNCIA. No caso sob apreciação não ocorreu a desconsideração do plano de previdência complementar instituído pela empresa em benefício dos seus empregados, mas apenas a imposição de consequências tributárias em razão do fisco haver entendido que não houvera sido cumprida a norma que afasta a tributação sobre as contribuições vertidas ao plano previdenciário. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. FALTA DE PROPORCIONALIDADE ENTRE O VALOR DA CONTRIBUIÇÃO E O SALÁRIO DO EMPREGADO E ISONOMIA ENTRE TODOS OS EMPREGADOS QUANTO AOS APORTES AO PLANO. INEXISTÊNCIA DESSES REQUISITOS NA NORMA QUE EXCLUI A RUBRICA DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A norma que prevê a exclusão das contribuições para plano de previdência complementar do saláriodecontribuição não exige que haja proporcionalidade entre a contribuição e a remuneração do empregado ou mesmo que os aportes ao plano sejam isonômicos para todos os beneficiários. EXCLUSÃO DE PAGAMENTOS DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DECORRENTE DA FALTA DE RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. Não estando determinados pagamentos no campo de incidência das contribuições, deve ser afastada a multa pela falta de retenção da contribuição dos segurados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 04 27 /2 00 8- 46 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se aterse aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000427/200846 Acórdão n.º 2401003.171 S2C4T1 Fl. 308 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 04 21.037 de lavra da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.209.4902. A lavratura em questão foi efetuada para aplicação de multa pela falta de arrecadação da contribuição dos segurados. De acordo com o relatório fiscal, fl. 03, as retenções não efetuadas referemse aos pagamentos efetuados pelo sujeito passivo aos segurados empregados a título de participação nos lucros, todavia, foram contabilizados como desembolso para plano de previdência complementar. A multa foi aplicada no dobro do valor mínimo em razão da suposta reincidência no cometimento de infração à legislação previdenciária. Cientificada da exação, em 18/12/2008, o sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 212/248, na qual, inicialmente relata os fatos processuais verificados no presente feito. A seguir, passa a fazer considerações acerca dos planos de benefícios vinculados a entidades abertas de previdência privada, fazendo menção ao plano por ele contratado com o HSBC Seguros (Brasil) S.A. São apresentados nesse momento aspectos da legislação aplicável e textos doutrinários. Asseverou que uma vez instituído um plano de previdência complementar, nos moldes da Lei Complementar n. 109/2001, os valores destinados a seu custeio não sofrem a incidência de quaisquer contribuições previdenciárias. Sustentou que a condição expressa no art. 28, § 9. , alínea “p" da Lei n.º 8.212/1991, após a promulgação da referida Lei Complementar, somente é aplicável aos planos de benefícios de entidades fechadas, não alcançando o plano contratado pela autuada, posto que é administrado por uma entidade aberta. Mencionou as características de seu plano de previdência, para concluir que,estando este em consonância com as determinações legais, é improcedente a tentativa de fazer incidir contribuições previdenciárias sobre os valores destinados pela empresa para constituir o fundo acumulado. A autuada afirmou que as contribuições vertidas para o fundo de previdência complementar não representam retribuição pelo trabalho, tampouco podem ser caracterizadas como habituais, assim, a presunção pretendida pelo fisco contraria não só as normas de tributação previdenciária, mas também o disposto no art. 142 do CTN, uma vez que não restou comprovada a ocorrência do fato gerador. Apresentou decisões administrativas em que são Fl. 309DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 declarados improcedentes lançamentos em que não se comprova a ocorrência dos fatos geradores. Repisou o argumento de que a alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 foi revogado tacitamente pelo § 1. do art. 69 da Lei Complementar n. 109/2001, em relação aos planos de benefícios de entidades abertas de previdência complementar. A empresa asseverou que a suposta ausência de finalidade previdenciária do plano não se sustenta. Primeiro porque o art. 2. da Lei Complementar citada não exige que o valor das contribuições vertidas aos planos de previdência complementar, corresponda a parcela da renda individual do empregado. A única exigência legal é a de que as contribuições sejam realizadas de forma a permitir a execução dos planos de caráter previdenciário. Além de que, sustenta, a alegação do fisco não condiz com a realidade, posto que o valor das contribuições realizadas pela autuada era composto das seguintes parcelas: a) salário nominal, extensível a todos os empregados e dirigentes; b) parcela fixa, também extensível a todos os empregados e dirigentes; e c) parcela variável, para aqueles cujo benefício demanda incremento para possibilitar a manutenção de sua situação econômica atual e era atrelada ao resultado financeiro favorável da empresa. Asseverou que não procede o argumento de que haveria tratamento desigual entre os participantes do plano. É que o tratamento dado a todos os trabalhadores a seu serviço era uno, devendo a suposta desproporção entre as contribuições ser creditada a situações em que empregados iniciaram as atividades no decorrer do ano ou se desligaram antes do seu término, gerando pagamentos proporcionais ao número de meses trabalhados. Por outro lado, as contribuições adicionais eram destinadas as contas dos trabalhadores que ocupavam cargos de gestão, de modo a preservar o equilíbrio financeiro e atuarial do plano e da situação econômica dos beneficiários. Alegou também que não deve prosperar o argumento da auditoria de que o plano não seria extensível a todos os empregados e dirigentes. É que, nos anos de 2005 e 2006, o documento citado pelo fisco não apresenta um empregado sequer que tenha deixado de participar do plano. Para os pagamentos efetuados em 2003 e 2004, somente não foram incluídos os empregados que foram admitidos em dezembro ou que não estavam prestando serviço à autuada, quando do pagamento. Ainda que não citado pelo fisco, o possibilidade de resgate dos valores depositados nada mais representa do que a rescisão unilateral do contrato por parte do trabalhador, não havendo alteração na natureza jurídica da verba. Isso porque o contrato firmado entre a empresa e a entidade de previdência privada prevê tal possibilidade e esse expediente não é vedado pela legislação. Reforça que, em relação aos planos de entidades abertas, a Lei Complementar n. 109/2001 foi expressa ao permitir que, independentemente do alcance dos planos de benefícios a elas vinculados, as contribuições vertidas não são objeto de incidência tributária (art. 69, § 1. ). Advoga que, por se tratar de negócio jurídico decorrente da vontade das partes e vinculado à observância das normas regulamentares expedidas por órgãos competentes, ao fisco só caberá desconsiderar a natureza do plano ou da contribuição destinada Fl. 310DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000427/200846 Acórdão n.º 2401003.171 S2C4T1 Fl. 309 5 à previdência privada complementar se restasse comprovado pela autoridade administrativa competente o desrespeito a alguma norma regulamentadora de tais institutos, o que não ocorreu no presente caso. A desconsideração do seu plano, alegou, é carente de fundamentação jurídica, posto que a Autoridade Lançadora não apontou qualquer desvio de conduta da impugnante quanto às disposições contidas no contrato de previdência complementar. Afirma que não se poderia ser aplicada para desconsideração do plano a norma do parágrafo único doa rt. 116 do CTN, posto que não foi apresentada nenhuma evidência de que tenha ocorrido simulação. Além de que o citado dispositivo para ter eficácia depende de lei ordinária que o regulamente, a qual não foi ainda editada. As contribuições pagas pela autuada relativas aos valores destinados ao plano de previdência são indevidos e merecem ser compensados ou restituídos, jamais ser objeto de imposição de multa. A presente lavratura por ser autônoma em relação aos demais AI deveria ter a completa fundamentação sob pena de nulidade. Defende que o fisco não conseguiu demonstrar a reincidência, que justificasse o agravamento da pena. Contestou a inclusão dos sócios no polo passivo do lançamento fiscal. Ao final, requereu a extinção do crédito tributário ou a imediata exclusão dos sócios do polo passivo da exigência. A DRJ julgou improcedente a impugnação, ver fls. 223/233. Para o órgão recorrido, a imposição do tempo de serviço como condição para participar do plano de previdência representa uma limitação, que confirma o benefício não era extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Afastou, assim, a aplicação da norma desonerativa. Entendeu a DRJ que a alínea “p” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 é norma especial que trata do custeio da Seguridade Social, portanto, convive em harmonia com a regra geral prevista na Lei Complementar n. 109/2001. Foram ainda afastados os argumentos relativos à incorreta aplicação da multa. Asseverou o órgão recorrido que os representantes legais da empresa não estariam no polo passivo do lançamento, tendo a lista que os relaciona apenas caráter informativo. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 240/264, alegando que é nula a decisão de primeira instância por não enfrentar todos as questões apresentadas na impugnação, mormente acerca dos esclarecimentos prestados relativamente à natureza dos planos de previdência firmados pela recorrente. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Asseverou ainda que a nulidade da decisão recorrida devese também a suposta falta de comprovação da hipótese de incidência tributária. No mais, repete os argumentos lançados na defesa e pede a declaração de improcedência da lavratura fiscal. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000427/200846 Acórdão n.º 2401003.171 S2C4T1 Fl. 310 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade da decisão recorrida Alegou o sujeito passivo que a decisão da DRJ seria nula por não ter apreciado todos os argumentos constantes da impugnação, bem como, por não ter demonstrado a ocorrência da hipótese de incidência tributária para fundamentar a manutenção do lançamento. Comecemos pelo segundo ponto. Ao analisar a principal questão da lide, a incidência de contribuições sobre os pagamentos efetuados pela empresa para aporte no plano de previdência privada contratado para seus trabalhadores, o órgão de primeira instância entendeu que deveria haver a incidência de contribuições previdenciárias, em razão dos pagamentos haverem sido feitos ao arrepio da norma que desonera tais parcelas da tributação para a Seguridade Social. Essa manifestação da DRJ, em hipótese alguma, pode ser tida como causa de nulidade, mas se refere a uma questão de mérito, cuja decisão desse colegiado pode ser pelo acatamento ou não do que ficou decidido em primeira instância. Assim, esse ponto do recurso será tratado no enfrentamento do mérito da contenda, afastandose a pretensa nulidade por esse fundamento. Quanto à nulidade por falta de enfrentamento de todos os argumentos veiculados na defesa, é tese que também não merece sucesso. É que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Portanto, descabe a alegação de nulidade pelo fato do órgão recorrido supostamente não ter enfrentado todas as alegações apresentadas pelo sujeito passivo na sua defesa. Incompetência do fisco para descaracterizar o plano de previdência complementar A alegação de que a Receita Federal não possui competência para descaracterizar plano de previdência privada regularmente contratado tem razão de ser. De fato, não é atribuição do fisco declarar a ilegalidade desses contratos de natureza civil. Ocorre que, no caso presente, inexiste qualquer espécie de descaracterização de plano de previdência privada. Tal plano permanece, antes e depois da ação fiscal, produzindo os mesmos efeitos jurídicos contratados pelas partes envolvidas. A incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela empresa para custeio de plano de previdência privada em proveito de seus empregados apenas produz consequências tributárias, não irradiando quaisquer efeitos jurídicos à seara civil relativa ao liame ajustado entre a autuada e a instituição de previdência privada. Portanto, inexistiu na espécie a desconsideração do plano contratado pela empresa. Plano de Previdência Complementar A princípio cabe elencar os motivos que levaram o fisco a considerar como saláriodecontribuição as contribuições da empresa vertidas para o plano de previdência complementar. No entender da Autoridade Lançadora, o fato das contribuições individuais da empresa para o plano não guardarem relação com a remuneração dos beneficiários seria indicativo do caráter não previdenciário do plano, fato que representaria contrariedade à norma. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000427/200846 Acórdão n.º 2401003.171 S2C4T1 Fl. 311 9 Verificando o diploma que dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar – a Lei Complementar n. 109/2001, não localizei nenhum dispositivo que impusesse a obrigatoriedade de que as contribuições vertidas pelos empregadores para os seus planos de previdência guardassem proporcionalidade com a remuneração dos empregados. Por outro lado, analisando o documento que trata da política de previdência privada do grupo empresarial do qual faz parte a autuada, fls. 453/458 do processo n. 14098.000423/200868, pude verificar que as contribuições eram repassadas ao plano da seguinte maneira: 2. Do numerário a ser repassado • Os sócios em conjunto com os diretores definirão anualmente o valor a ser pago, o qual terá como base os resultados obtidos pela empresa; • Os valores definidos serão pagos a 100% (cem por cento) de seus empregados de acordo com as regras préestabelecidas pela empresa, e não integrarão aos salários. 3. Critérios de Pagamento do Beneficio • Os valores terão como base o tempo de serviço prestado para a empresa por cada empregado: o empregado que tiver 01 (um) ano ou mais tempo, terá direito a 01 (um) salário nominal; o empregado que tiver menos de 01 (um) ano de empresa, o valor será proporcional de acordo com o número de avos de direito. • Os sócios poderão definir também que além de pagar um salário nominal ou proporcional ao empregado, pagar ainda um valor adicional a este, sendo este segundo somado ao primeiro e creditado também via Previdência Privada aos empregados, levando em consideração neste caso, ou seja, para o pagamento do referido valor adicional, os resultados obtidos no exercício, após criteriosa análise; • Os empregados com cargos de gestão terão o valor definido a critério da empresa, de acordo com o desempenho funcional de cada um. Percebese que a empresa contribuía com uma parcela fixa, correspondente a um salário nominal ou fração deste (no caso dos empregados com menos de um ano de atividade); uma parcela variável, esta relacionada ao resultado obtido no exercício e um adicional, este destinado apenas aos ocupantes de cargos gerenciais, a qual tinha como critério o desempenho funcional do empregado. De se concluir que, pelo menos na parcela fixa, havia uma proporcionalidade entre a contribuição da empresas para o plano e o salário do beneficiário, portanto, descabe a conclusão do fisco de que o plano não teria caráter previdenciário em razão dos aportes não terem correlação com a remuneração dos trabalhadores. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Outra justificativa do fisco para tributar a verba é que haveria grande desproporção entre as contribuições destinadas aos trabalhadores em geral e as relativas aos gerentes. Essa justificativa não encontra amparo na legislação. Inexiste na Lei Complementar n. 109/2001 determinação para que as contribuições sejam vertidas de forma isonômica para todos os trabalhadores. Observese que a empresa alerta que a suposta discrepância apontada pelo fisco devese à ao perfil dos empregados, principalmente os ocupantes de cargos de gestão, os quais eram agraciados com uma parcela adicional, para garantir o futuro benefício compatível com o seu padrão salarial. Essa mesma conclusão pode ser extraída do Acórdão n. 2402001.291, de 21/10/2010, em que a turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do sujeito passivo para declarar improcedentes as contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de previdência complementar, no qual não havia proporcionalidade entre os valores destinados às contas de todos beneficiários. Na ocasião, o Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira pronunciouse: “Quanto ao mérito, em síntese, verificamos que o motivo do Fisco conceituar os valores pagos a título de previdência complementar pela recorrente a seus segurados foi a desproporcionalidade nos pagamentos, inclusive em situações em que os segurados apresentam mesmo patamar salarial. A recorrente contesta essa exigência, pois, segundo seus instrumentos de contestação, a única exigência da Lei para que esses valores não integram o SC é que o plano deve estar disponível a totalidade dos segurados. (...) A interpretação literal limitase ao texto legal, não cabendo maiores discussões sobre os diversos significados que uma palavra ou uma expressão podem ter. Portanto, tanto para os contribuintes quanto para o Fisco, não há como interpretar a legislação que concede isenção de maneira que não seja literal. Assim, como na legislação há como única condição para o usufruto d isenção que o a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível totalidade de seus empregados e dirigentes, e, como no presente caso, há a disponibilização de um único plano a todos os empregados, não há como tributar esses valores”. A luz desse entendimento, devese ser afastado o argumento de que a verba deva ser tributada em razão de desproporção da contribuição efetuada pela empresa para todos os segurados. A falta de disponibilização do plano a todos os empregados e dirigentes foi outra causa que levou o fisco a tributar os valores relativos ao plano de previdência privada. A empresa assevera que para os exercícios de 2003 e 2004 somente não foram contemplados os segurados contratados no mês de dezembro ou que tenham se desligado da empresa. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14098.000427/200846 Acórdão n.º 2401003.171 S2C4T1 Fl. 312 11 De fato, essa justificativa está em consonância com as determinações contidas no citado plano de pagamento de previdência privada. Ali determinase que o pagamento seria feito a 100% dos empregados e que a parcela relativa a 1 (um) salário nominal seria creditada para os empregados com menos de um ano de emprese de forma proporcional. Assim, logicamente não fariam jus à verba aqueles que foram admitidos no mês de dezembro. Quanto aos exercícios de 2005 e 2006, a recorrente afirma que o fisco não apontou nenhum segurado que tenha sido excluído do plano. Analisando os anexos colacionados pelo fisco, foi possível verificar que foram relacionados os segurados com os valores recebidos a título de previdência privada, todavia, não se mencionou qualquer segurados que tenha deixado de ser contemplado. Feito esse apanhado, já se pode concluir que os aportes da empresa para o plano de previdência complementar instituído para o seu quadro funcional não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias, posto que plano atende ao disposto na alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, ou seja foi disponibilizado a todos os seus empregados. De se concluir que inexistiu a infração apontada pelo fisco. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 317DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 17460.000521/2007-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/2007
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Numero da decisão: 9202-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
(assinado digitalmente)
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (assinado digitalmente) Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN.
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ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (assinado digitalmente) Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 05 21 /2 00 7- 27 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17460.000521/200727 Acórdão n.º 9202002.617 CSRFT2 Fl. 199 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0182, interposto pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0173, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/2007 DECADÊNCIA. NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO LEGAL. JUROS E MULTA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Quando constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições para a Previdência Social, será lavrado auto de notificação de lançamento Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Conforme demonstram o Discriminativo Analítico de Débito (DAD) e o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, somente existem pagamentos antecipados nas competências 07/1999 e 04/2001; 2. Em relação às demais competências da rubricas lançadas, não houve recolhimento de contribuições, razão pela qual deve ser empregado o prazo do art. 173, I do CTN; e 3. Seja conhecido e provido o presente recurso para reformar o acórdão recorrido, aplicandose à hipótese vertente, com exceção unicamente às competências 07/1999 e 04/2001, a regra de contagem do prazo decadencial prescrita pelo artigo 173, inciso I, do CTN. Por despacho, fls. 0193, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17460.000521/200727 Acórdão n.º 9202002.617 CSRFT2 Fl. 200 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com divergência confirmada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá: a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento, com exceção unicamente das competências 07/1999 e 04/2001. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 393DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17460.000521/200727 Acórdão n.º 9202002.617 CSRFT2 Fl. 201 7 Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos encontramos valores recolhidos no período que importa para a definição da regra, fls. 036, assim como encontramos informação de que o Fisco verificou recolhimentos, fls. 047. Outro ponto importante é que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a Fl. 395DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Portanto, claro está que qualquer recolhimento está relacionado ao conceito de remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17460.000521/200727 Acórdão n.º 9202002.617 CSRFT2 Fl. 202 9 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 397DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11065.914566/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 66 /2 00 9- 29 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 104 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à contribuição para o PIS, no valor de R$ 64,45, e não homologara a respectiva declaração de compensação (PER/DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, alegando que teria ocorrido erro de fato no preenchimento das declarações (DCTF, DIPJ e Dacon), erros esses não saneados à época por meio de retificação. Alegou o então Manifestante que tal equívoco poderia ser comprovado em sua contabilidade, pois que a contribuição devida se encontraria devidamente escriturada, e que, em decorrência do princípio da verdade material, que autoriza a autoridade administrativa a considerar todas as provas produzidas no processo administrativo, ainda que não declaradas no momento próprio, os novos dados apontados deveriam ser considerados na apuração dos fatos efetivamente ocorridos. Junto à Manifestação de Inconformidade o contribuinte trouxe aos autos, dentre outras, cópias do comprovante de pagamento e de folhas do seu livro Razão. Tendo sido detectados pela DRJ Porto Alegre/RS elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado, o presente processo foi remetido em diligência à repartição de origem, para que se analisasse e demonstrasse a composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração sob comento. Em resposta à diligência requerida, a repartição de origem, a par dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo interessado, concluiu que, de acordo com o balancete, apurouse que não fora incluída na base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais, as receitas financeiras, o que, segundo a Fiscalização, contrariaria o disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse no sentido de que o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, já havia declarado inconstitucional a majoração da base de cálculo da contribuição determinada pela Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que deveria ser seguida pela Administração Pública, por força do contido no art. 26A, § 6°, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A DRJ Porto Alegre/RS não acolheu a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 105 3 Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 Ementa: ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pela Lei complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator a quo que, não obstante caber razão ao contribuinte quanto à alegação de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, no presente caso, apurouse um valor original total da contribuição a recolher de R$ 10.247,98, valor esse que, após a exclusão do valor da contribuição apurado sobre receitas financeiras, no montante de R$ 46,74, contrastado com o recolhido de R$ 3.475,75, indicaria que o valor total a recolher apurado na diligência seria superior à soma do valor originalmente recolhido com o crédito obtido pela exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição. Arguiu, ainda, que o contribuinte, embora tivesse alegado a ocorrência de erro material para justificar a existência do suposto crédito, não contestara expressamente os cálculos do resultado da diligência, limitandose a reclamar contra o alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, não tendo rebatido nem mesmo a afirmação contida no relatório de diligência quanto à insuficiência da comprovação dos alegados créditos. Cientificado da decisão da DRJ Porto Alegre/RS, o contribuinte reiterou seu pedido de reconhecimento total do direito creditório e respectiva homologação da compensação, alegando que, na realização da diligência, a Fiscalização equivocarase duas vezes: a primeira, quando não excluíra dos cálculos da contribuição as receitas financeiras e, a segunda, por não ter considerado o fato, devidamente comprovado na Manifestação de Inconformidade, de que a apuração por ele efetuada se dera pelo regime de caixa e não pelo regime de competência, de acordo com a autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. Alegou, também, o Recorrente, que o pagamento da contribuição devida em maio de 2002 já se encontrava homologado tacitamente em maio de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, conforme jurisprudência do CARF. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 106 4 Aduziu, ainda, que outro motivo que o levara a não rebater os cálculos procedidos pela Fiscalização foi o fato de que tal discussão não seria objeto deste processo, uma vez que a controvérsia se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertida nesta instância apenas a existência ou não do direito creditório reclamado, uma vez que a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo, decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), já fora acolhida pela autoridade julgadora de primeira instância. Primeiramente, o Recorrente alega que, com base na autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 20021, ele teria calculado a contribuição pelo regime de caixa, decorrendo daí a divergência na apuração por ele efetuada e a realizada pela Fiscalização. O cálculo da contribuição com base no regime de caixa já se encontrava autorizado pelo art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, aplicandose, portanto, à contribuição apurada em outubro de 2002, que corresponde ao período sob análise nestes autos. Segundo o Recorrente, essa particularidade (apuração pelo regime de caixa) encontrarseia comprovada desde a Manifestação de Inconformidade. Contudo, compulsando os autos, não se constata da Manifestação de Inconformidade, nem de seus anexos, nem mesmo da Manifestação de Inconformidade Complementar, que o contribuinte tivesse comprovado ou alegado tal condição. Conforme o julgador de primeira instância já havia atestado, o então Manifestante não se insurgira quanto aos cálculos efetuados na diligência fiscal, restringindose sua contrariedade à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Temse por definitiva, portanto, a questão relativa aos cálculos efetuados pela Fiscalização em procedimento de diligência por falta de expressa impugnação por parte do interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19722, configurandose a preclusão processual, pelo fato de os argumentos terem sido apresentados em momento posterior ao definido na legislação processual administrativa. 1 Art. 14. As pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderão adotar o regime de caixa para fins da incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Parágrafo único. A adoção do regime de caixa, de acordo com o caput , está condicionada à adoção do mesmo critério em relação ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 107 5 Além disso, ainda que se superasse a preclusão, nos termos do parágrafo único do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, assim como do art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, para se valer do regime de caixa na apuração da Cofins e da contribuição para o PIS, o sujeito passivo deveria ser optante pelo lucro presumido na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), condição essa não satisfeita, pois, de acordo com a página 4 do PER/DCOMP, o débito de IRPJ que se pretendia compensar fora calculado sobre o lucro real (estimativa mensal), inexistindo outro elemento de prova nos autos que infirme tal constatação. Nesse sentido, além do fato de a discussão da matéria já ter se tornado definitiva na esfera administrativa por ausência de expressa contestação, não assiste razão ao Recorrente ao alegar o direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, tendo em vista tanto a falta de prova de tal alegação, quanto o não preenchimento dos requisitos para essa opção. No que tange à alegação do Recorrente de que o pagamento da contribuição devida em maio de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, desde maio de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, há que se ressaltar que, se de um lado tal argumento lhe favorece, de outro, vai de encontro a seus argumentos de defesa. Não obstante tal matéria relativa à decadência não ter sido apresentada na instância anterior, por se tratar de matéria de ordem pública, ela deve ser apreciada neste julgamento. Efetivamente, na data da realização da diligência requerida pela Delegacia de Julgamento (19/9/2011), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em maio de 2002 já se encontrava homologado tacitamente. Contudo, a repartição de origem, a par dos recálculos efetuados, não pretendeu exigir do sujeito passivo a diferença de tributo então apurada, tendo procedido ao exame da base de cálculo justamente para verificar se o direito creditório pleiteado encontrarseia confirmado na escrituração contábilfiscal, tudo em conformidade com o regramento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19963. Tal verificação é condição inerente ao procedimento de homologação dos pleitos da espécie, sem o qual, não se poderia confirmar o que fora declarado pelo interessado. Efetuado o cálculo da contribuição devida, com base na escrituração contábil fiscal, cujo valor apurado fora confrontado com o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, concluiu a Fiscalização pela inexistência do crédito declarado, situação essa que remanesceu 3 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 108 6 mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo procedida pela Delegacia de Julgamento. Além da inexistência de prova infirmativa dos resultados da diligência realizada, temse que a DCTF retificadora, manejada para possibilitar “a abertura” do crédito informado na PER/DCOMP”, conforme o próprio Recorrente alegara, não produziu nenhum efeito, pois, na data de sua transmissão (28/10/2009), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em maio de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, não sendo mais passível de alteração, conforme o próprio Recorrente atestara. Aqui, vale destacar que a alegação de que a controvérsia presente nos autos se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras, não abarcando a discussão sobre os cálculos efetuados na apuração da contribuição, se mostra desfavorável à defesa do Recorrente, pois, nessa situação, uma vez descabida a retificação da DCTF, conforme acima apontado, temse que todos os dados declarados em sua DCTF original deverão prevalecer, desfavorecendo de todo o seu pleito, pois, foi com base nesses dados declarados que se emitiu o despacho decisório denegatório do direito creditório sobre o qual se controverte nos autos. Conforme já dito, mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição, o pagamento efetuado não foi suficiente para quitar o débito apurado. Nesse sentido, constatase que todos os argumentos de defesa do Recorrente não encontram respaldo nos elementos fáticos presentes nos autos, nem na legislação tributária aplicável. Vale ressaltar, portanto, que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19724, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 109 7 tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. Em seu Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que infirmasse os cálculos da Fiscalização, o contribuinte nada traz aos autos. Nesse contexto, voto por NÃO CONHECER dos argumentos de defesa trazidos aos autos apenas em sede de recurso, em razão da preclusão processual, e, na parte conhecida, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10875.903586/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 33892.34782.270106.1.3.045090, fls. 35/39, em que utilizou como crédito pagamentos supostamente a maior de Cofins, no valor de R$ 29.678,06. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 35 86 /2 00 9- 77 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Despacho Decisório eletrônico, de 9 de abril de 2009, da DRF/Guarulhos, fl. 34, não homologou a DComp por não ter sido localizado o DARF indicado. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3/5, a Contribuinte argüiu, sucintamente, que do pagamento relativo ao DARF de R$ 36.043,27, do período de apuração agosto de 2002, detectara pagamento a maior na importância utilizada na compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas, fl. 46/49, considerou que a pretensão da Interessada de infirmar os dados por ela própria fornecidos devia estar calçada em provas documentais robustas, e ausente nos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente A legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Cientificada da decisão em 13 de fevereiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 78/96, em 19 de março de 2012, em que inaugura dois novos argumentos, segundo os quais a origem do seu crédito teria sido: a) o alargamento indevido da base de cálculo do(a) PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento e consequente declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do disposto no § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98); b) exclusão da base de cálculo do(a) PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, amparada pelo art. 4o, LC 70/91; art. 6o, Lei 9.715/98; art. 4o e parágrafo único, Lei 9.718/98; e c) exclusão da incidência do(a) PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas, para ao final requerer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903586/200977 Acórdão n.º 3803004.444 S3TE03 Fl. 102 3 Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é intempestivo, dele não se podendo conhecer. É o voto. Sala das sessões, 21 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16561.000068/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO
AUTO DE INFRAÇÃO - NORMAS PROCESSUAIS - Padecerá de nulidade o auto de infração que não observar o período-base correspondente ao lucro apurado por empresa controlada sediada no exterior. É elemento indispensável ao lançamento a observação correta do período-base de incidência do tributo em questão.
RECURSO DE OFÍCIO
ERRO QUANTO A DATA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL - Improcede o lançamento efetuado com erro em relação a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1101-000.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, mas foi interrompido o julgamento em razão de vistas concedidas à Conselheira Edeli Pereira Bessa. Prosseguindo nesta sessão, relativamente ao recurso voluntário: 1) por maioria de votos, foi REJEITADA a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, e 2) por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Farão declaração de voto os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
Nome do relator: José Ricardo da Silva
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16561.000068/2006 -77 Recurso n° De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1101-000.744 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria IRPJ E CSLL Recorrentes BOSTON NEGOCIOS E PARTICIPACOES LTDA FAZENDA NACIONAL RECURSO VOLUNTÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO - NORMAS PROCESSUAIS - Padecerá de nulidade o auto de infração que não observar o período-base correspondente ao lucro apurado por empresa controlada sediada no exterior. É elemento indispensável ao lançamento a observação correta do período-base de incidência do tributo em questão. RECURSO DE OFÍCIO ERRO QUANTO A DATA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL - Improcede o lançamento efetuado com erro em relação a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso de oficio, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, mas foi interrompido o julgamento em razão de vistas concedidas à Conselheira Edeli Pereira Bessa. Prosseguindo nesta sessão, relativamente ao recurso voluntário: 1) por maioria de votos, foi REJEITADA a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, e 2) por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Farão declaração de voto os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. s VALMAR FONSE E MENEZES - Presidente. - Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101 -000.744 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, Benedicto Celso Benicio Júnior, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente). 2 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-Cl T1 Acórno n.° 1101-000.744 Fl. 3 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto pela COMPANHIA BOSTON NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., (fls. 23/61 v. 3), contra decisão da 5' Turma da DRJ de São Paulo I, consubstanciada no Acórdão no 16-19.519, de 18 de novembro de 2008 (fl. 03/14, v. 3), que julgou os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL procedentes em parte. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 75/79, v. 1), os trabalhos fiscalizatórios foram iniciados corn o intuito de verificar o cumprimento de obrigações tributárias por parte da Recorrente, referentes ao recolhimento de IRPJ e seus reflexos, nos anos-calendário 2001 a 2003. Assim, depois de cientificada - ocorrida em 15/02/2005 - do MPF para verificar o cumprimento de suas obrigações tributárias, a mesma foi intimada a informar suas participações empresariais no exterior, apresentando, assim, as documentações correspondentes. Destaca a fiscalização que a constituição da Recorrente se deu em 06 de dezembro de 1999, mediante a subscrição, pelo Bank Boston Múltiplos, de sua participação na empresa BankBoston Latino Americano S/A, passando, assim, a ser controlada pela Recorrente. No dia 21 de dezembro de 2001, informa A. fiscalização que a Recorrente constituiu a BBLA Holding Europe, SL, sediada em Madrid, na Espanha, por intermédio de entrega de 100% das ações que detinha do BankBoston Latino Americano S/A. Contudo, destaca que, da "Escritura de constitucion de la sociedad mercantil de responsabilidad limitada denominada BBLA Holding Europe, S.L", o aporte das ações do BankBoston Latino Americano S/A foi calculado corn base em seu balanço de 30 de setembro de 2001, cujos números são: Fonte Dem Financ (Euros) 30/09/2001 Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256.614 Lucro do Exercício 1.512.415 Patrimônio Liquido 224.948.970 Não obstante, constatou-se que, consoante o Relatório e Parecer do Fiscal Bernades, Sismeiro e Associados, para o exercício findo em 31 de dezembro de 2001 do "BankBoston Latino Americano S/A", seu patrimônio liquido, em euros, naquela época, era: fl J 3 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 4 Balanço em Euros 31/12/2001 Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256,614 Lucro do Exercício 62.935.558 Patrimônio Liquido 286.370.113 Ocorre que o lucro da controlada BankBoston Latino Americano S.A, em setembro de 2001 era de € 1.512.415 - data esta de seu balanço utilizado para aportar às ações-, e em dezembro do mesmo ano - data esta da constituição da BBLA Holding Europe - passou a ser de € 62.935.558. Assim, intimou-se a Recorrente, a fim de que esta informasse os motivos da diferença, tendo se restringido a dizer que esta refletia a contabilidade da BBLA Europe e o balanço da BNP Brasil mediante registro de Equivalência Patrimonial. Contudo, entendeu a fiscalização que as informações prestadas pela Recorrente não conferiria com o "Balance de Siluacion" da BBLA Holding Europe — Madrid, de 31/12/2001, pois neste consta uma participação, de patrimônio liquido, no valor de € 224.946.951,00, que seria o mesmo do BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) de 30 de setembro de 2001, e um prejuízo de € 43,32 (fls. 77, volume 1). Destaca, também, a fiscalização que, consoante as respostas que a Recorrente prestou às intimações, confirmadas pelas Declarações de IRPJ, os tributos referentes à. Controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) não foram pagos, tanto no Brasil, quanto no exterior, em virtude de ela ter, até 18 de dezembro de 2001, gozado do beneficio da isenção de IRC ao abrigo do artigo 41 do Estatuto dos Beneficios Fiscais, já que exercia suas atividades na Zona Franca exterior da Ilha de Madeira (fls. 77, volume 1). Por entender a fiscalização que, em dezembro de 2001, a Recorrente utilizou a seu favor todo o investimento no BankBoston Latino Americano S.A para efetivar seu investimento na BBLA Holding Europe, teria ocorrido o emprego do valor dos lucros auferidos pela controlada BanBoston Latino Americano S.A no exterior a favor da Recorrente. Assim, nos termos do art. 394 do RIR199, esses lucros são considerados pagos (item d, II, do §4 0) e disponibilizados (II, do §3°), e não oferecidos à tributação. Destarte, o presente auto de infração complementaria o crédito tributário constituído no processo fiscal 16327.000299/2006-53, e corresponderia à tributação da diferença entre o lucro da BankBoston Latino Americano S.A apurado em 30/09/2001, e o lucro apurado em 31/12/2001. Com força no art. 143 do CTN, procedeu à fiscalização a conversão dos valores em euros para reais, por intermédio da taxa de câmbio de 21/12/2001, cujo valor era de 2,07665, data esta a mesma do fato gerador do Auto de Infração anterior (fls. 78, volume 1). 4 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 5 0 contencioso administrativo foi instaurado, em 11 de janeiro de 2007, com a apresentação de Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 155/172), cujos argumentos se seguem: a) as exigências tributárias discutidas nestes autos são uma complementação da que foi formalizada no Processo n°16327.000299/2006-53, decorrente, pois, da ação fiscal iniciada com amparo no MPF em epígrafe. Para respaldar os lançamentos, o referido MPF foi prorrogado até 17.03.2006, como enfatizado pela autoridade julgadora de primeira instância quando do julgamento da matéria tributária naquele processo, a qual fez referência ao Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF no voto condutor do Acórdão n° 16-10.180, 5' Turma da DRJ/SPOI, de 22.08.2006; b) o MPF é o instrumento legal (Portaria SRF 1.265, de 1999) que confere competência especifica para que a autoridade fiscal instaure a fiscalização e limite o tempo, a matéria tributária e os fatos geradores a serem examinados; c) do dia 17/03/2006 e diante, não se teve prorrogação tendente a validar o prosseguimento da ação fiscal e a lavratura do Auto de Infração ora contestado; d) a presente autuação ocorreu em 13/12/2006, fora do prazo assinalado para a prorrogação; e) os atos administrativos da autoridade fiscal devem ser cancelados, haja vista terem sido praticados sem autorização legal, conforme Portaria SRF 3.007/01; f) os Autos de Infração de IRPJ e reflexo da CSLL, complementares, foram lavrados fora do prazo legal e por autoridade fiscal incompetente, conforme arts. 15 e 16 e seu parágrafo único, que admite a convalidação dos atos praticados com base em MPF extinto, mediante a emissão de novo MPF, desde que não seja indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto; g) a autoridade fiscal que lavrou os presentes autos de infração é a mesma que atuou no Processo 16327.000299/2006-53; h) a exigência fiscal tem como valor tributável a diferença apurada entre o lucro do exercício em 31/12/2001, e o consignado no balanço de que trata o Relatório e parecer do Fiscal Dnico, Bernardes, Sismeiro e Associados, apontado pela fiscalização, e o lucro do exercício levantado pela controlada BankBoston Latino Americano S.A, em demonstrações financeiras datadas de 31/12/2001; i) no processo 16327.000299/2006-53 já se discutiu a tributação dos lucro auferidos no exterior; 5 Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-C ITI Fl. 6 j) o cerne da questão é a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; k) para a autoridade fiscal, o fato imponivel está disciplinado no art. 25 2, § 2° e 3°, da Lei n°9.249, de 1995, art. 16 da Lei n°9.430, de 1996, e arts. 249, inciso II, e 394, do RIR, de 1999. Sob sua ótica, são passíveis de tributação não apenas os lucros auferidos no exterior e levantados no balanço patrimonial em 30.09.2001, mas também a diferença de lucros apurada posteriormente por ocasião do término do ano-calendário de 2001; 1) contudo, com o advento da Lei 9.249, de 1995, os lucros auferidos no exterior passaram a ser tributados pelo da universalidade da renda em face ao contexto internacional da economia; m) a partir de 1° de janeiro de 1998, corn a edição da Lei 9.532/97, tais lucros passaram a ser tributados no momento em que fossem disponibilizados para a empresa controladora no Pais, ficando sujeitos à sua adição ao lucro liquido do exercício, para efeito de determinação do lucro real; n) o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade, econômica ou jurídica, da renda, considerando-se o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e de proventos de qualquer natureza, entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos na renda, art. 43 do CTN; o) a Lei 9.532/97 nos ensina que a tributação dos lucros auferidos no exterior deve ocorrer na data da disponibilidade dos lucros para a empresa controladora, no Brasil, considerando-se ocorrida na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior; p) a Lei Complementar 104/01 acrescentou o §2° no art. 43 do CTN para solucionar o seu conflito com a Lei 9.532/97; q) a MP 2.158-35/01 foi editada para estabelecer as condições e o momento da disponibilidade dos lucros para efeito de sua tributação, conforme condições constantes em seu art. 74; r) com sua edição, restou revogado, tacitamente, o art. 1° da Lei 9.532/07; s) a constituição da empresa BBLA Holding Europe SL, com o aporte de ações da empresa BankBoston Latino Americano, deve ser analisado luz deste novo regramento, vez que o fato ocorreu em 21/12/2001, época esta que vigorava a MP 2.158-35/2001; t) como os lucros apurados pela controlada BankBoston Latino Americano, no exterior, não estavam tributados na data de eficácia da MP, devem ser considerados disponibilizados para a Recorrente somente na data do balanço patrimonial de 30/09/2001, conforme o art. 74 da referida MP; 6 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 7 u) não se pode negar observância a este regramento em virtude da Lei 9.249/95, embora vigente, prever como regra geral no caput do art. 25 que os lucros auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano e, no caso sob exame, o fato imponivel de tributação dos lucros no exterior ocorreu no curso do ano-calendário de 2001, antes de 31 de dezembro; v) os §§ 2° e 3, do art. 25 da Lei 9.249, invocados pela fiscalização, não tem aplicação, pois eles prevêem, nos seus incisos III, a hipótese de tributação no curso do exercício se a pessoa jurídica se extinguir, o que não ocorreu com a Recorrente; w) a hipótese de incidência do imposto somente ocorreu em 30/09/2001, data da contabilização dos lucros para fins de constituição da BBLA Holding Europe SL, estando sujeito ao comando normativo do art. 74 da MP 2.158-35/01; x) como o evento societário ocorreu em 21/12/2001, não pode a fiscalização atribuir como lucros no exterior valores apurados posteriormente em balanço datado em 31/12/2001, pois a incompatibilidade de datas é evidente, o que desmonta a tese da fiscalização de que há diferença de lucros no exterior a ser tributada; y) como o fato gerador do IR se dá com a disponibilidade jurídica dos lucros no exterior para a Recorrente, e a apuração dos lucros no Balanço Patrimonial ocorreu em 30/09/2001, não há dúvidas de que somente o valor de € 1.512.415,00 deveria ser adicionado ao lucro liquido para determinar o lucro real do exercício, ano-calendário 2001; z) a escolha da data para levantamento do balanço patrimonial não foi aleatório, e o resultado espelha a situação até o terceiro trimestre do ano de 2001, findo em 30/09/2001; aa) os valores apurados neste momento contábil representam o efetivo de aporte de ações para a constituição da BBLA Holding Europe SL; bb) os seus atos constitutivos somente foram registrado em 21/12/2001 data esta que passou a ter personalidade jurídica, por questões burocráticas; cc) a diferença de €61.423.143,00 (€ 1.512.415- € 62.935.558), objeto desta demanda, faz parte do resultado da nova empresa: BBLA Holding Europe SL, devendo ser disponibilizada, para fins de tributação, somente em 31/12/2002, conforme parágrafo único do art. 74 da MP 2.158-35/01; dd) assim, o fato gerador do IR sobre a diferença do resultado contábil em 31/12/2001 ocorreu em 31/12/2002, devendo os créditos tributários de IRPJ e CSLL ser tornados insubsistentes, por estarem carecedores de liquidez e certeza; 7 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-cl TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 8 ee) quanto a taxa de câmbio aplicável, informa que o procedimento fiscal está equivocado. Isto porque, o art. 43 do CTN é norma geral de conversão de valores expressos em moeda estrangeira para a nacional, enquanto o §4°, do art. 25, da Lei 9.249/95 é regra especifica de conversão; ff)assim, os lucros devem ser convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da controlada, ou seja, devem ser realizadas com base na taxa de câmbio vigente em 31/12/2002, correspondente ao Balanço Patrimonial nessa data levantado, qual seja, 2,05854; gg) o valor ratificado da base de calculo passara de R$ 127.554.369,90 para R$ 126.441.996,79, com reflexo no valor da multa de oficio aplicada (75%) e dos juros moratórios (83,13%); hh) ao final, pede seu deferimento. No dia 06/07/2007, a relatora do presente processo propôs, ao presidente da 5a Turma da Delegacia Regional de Julgamento da Secretaria da Receita Federal em São Paulo I —SPOT, o qual foi acatado na mesma data, a conversão do julgamento em diligência (fls.191/193), para que a fiscalização: ii) fornecesse elementos e suporte documental hábeis a respaldar uma constatação positiva de que os lucros da controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) foram efetivamente utilizados no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA Holding Europe, SL (BBLA-Madrid), podendo a comprovação ser extraída dos autos do processo 16327.000299/2006-53 ou obtidos junto à Recorrente; e jj) elaborasse Relatório Final de Diligência, respondendo a seguinte indagação: "a hipótese de incidência relativa à diferença", observada a necessidade de outro lançamento, de crédito tributário com fato gerador em 31/12/2002, na eventual impossibilidade de atendimento à providência inicial. Em cumprimento à diligência determinada pela autoridade julgadora de l a instancia, originou-se o MPF-Fiscalização 0817100-2007-00120-0 (fls. 195, volume 1), cuja ciência à Recorrente foi dada em 12 de setembro de 2007, e que decorreu do MPF-Diligência 0817100-2007-00112-0 (fls. 194, volume 1), de 03 de setembro de 2007, onde se constatou infrações à legislação tributária, redundando na lavratura de Autos de Infração Complementar, nas seguintes balizas: 1 - Adições não computadas na apuração do Lucro Real — Lucros Auferidos no Exterior (2001), fato gerador: 31/12/2002. (fls. 41, volume 2) Enquadramento legal: art. 25, §§2° e 3° da Lei 9.249/95 Art. 16 da Lei 9.430/96; Arts. 249, II, e 394, do RIR/99; Parágrafo único do art. 74 da MP 2.158-35/01 8 Processo n° 16561.000068/2006-77 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 9 2- CSLL — Falta de recolhimento da Contribuição Liquido (fls.47, volume 2) Ausência de adição ao lucro liquido do período, na real, dos lucros auferidos no exterior no período sucursais, controladas, ou coligadas. Fato gerador: 31/12/2002 Enquadramento legal: art. 2° e §§, da Lei 7.689/88; Art. 19 da Lei 9.249/95; Art. 1° da Lei 9.316/96 e art, 28 da Lei 9.430/96; Art. 6° da MP 1.858/99 e reedições. Social sobre o Lucro determinação do lucro de 2001, por filiais, No Termo de Verificação Fiscal (fls. 50/55), explica a autoridade autuante kk) a diferença de lucros da BLA-Lisboa (ex-Madeira), apurada entre outubro e dezembro de 2001, que não foi disponibilizada naquele ano, porque não utilizada na subscrição de capital da BBLA-Madrid, e não integrou o patrimônio da espanhola a partir de janeiro de 2002 deve ser considerada como lucro auferido pela Recorrente no exterior, no ano de 2001, através de sua controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa); 11) os lucros auferidos pela controlada BBLA-Lisboa, ex-madeira no exterior foram apurados no Balanço de 30 de setembro de 2001; mm) que não foram oferecidos A tributação; nn) que deveriam ter sido adicionados ao lucro liquido da Recorrente, e por não terem sido adicionados, foram objeto de lançamento tributário, através de Auto de Infração lavrado por esta fiscalização em 16/03/2006, objeto do Processo 16327.000299/2006-53; oo) a diferença de lucros referentes A controlada BankBoston Latino Americano S.A., de Lisboa, apurada no período de outubro a dezembro de 2001, e não disponibilizada em 2001, porque não utilizada na constituição da BBLA-Madrid, deve ser considerada disponibilizada em 31 de dezembro de 2002, nos termos do parágrafo único do art. 74, da MP 2.158-35/01; pp) no presente Auto de Infração Complementar, foi considerado a diferença entre os lucros de 30 de setembro de 2001 e o efetivo Lucro do Exercício de 2001, e que seu valor efetivo em euros 6: que: 9 Processo n° 16561.000068/2006-77 si -cl TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 10 Lucro do Exercício (euros) dez/01 62.935.558 set/01 1.512.415 Diferença 61.423.143 qq) a conversão da diferença em euro foi realizada com fulcro no art. 143 do CTN, pela taxa de câmbio de 3.7012, referente a 31/12/2002 — data do fato gerador; rr)foi obtido, com sua conversão o valor de R$ 227.339.336,87 (duzentos e vinte e sete milhões, trezentos e trinta e nove mil, trezentos e trinta e seis reais e oitenta e sete centavos), que deveriam ter sido adicionados ao lucro liquido da Recorrente; ss) o lucro auferido no exterior e não oferecido à tributação é objeto do presente lançamento tributário, o qual é refeito por determinação da relatora de primeira instância do presente processo, com base em nova fundamentação legal (parágrafo único do art. 74, da MP 2.158- 35/01), alterando-se a data do fato gerador para 31/12/2002; tt) que o Auto de Infração Complementar é lavrado com guarida no art. 18, §3°, do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 8.748/93; Cientificada dos Autos de Infração Complementares em 31/10/2007 (fls. 55, do volume 2), foi apresentada Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 73/120, volume 2), com os seguintes argumentos: uu) o lançamento é um procedimento administrativo decorrente de atividade vinculada e obrigatória da autoridade fazenddria, nos termos do art. 142 do CTN; vv) como o art. 142 do CTN estabelece somente a competência geral, o Decreto 70.235/72 veio para estabelecer alguns limites a essa competência genérica, conforme se extrai de seu art. 7°, inciso I; ww) o art. 59, I, do indigitado decreto cuidou das nulidades, e que, embora especifique tais hipóteses, não pode ser interpretado de forma restritiva, sob pena de agredir o art. 100, I, do CTN; xx) a introdução do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, pela portaria SRF 1.265/99 foi um marco histórico na relação entre a administração tributária federal e os contribuintes; 1 0 Processo n° 16561.000068/2006-77 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 11 yy) o MPF é um pré-requisito à abertura de procedimento fiscal, e constitui- se em verdadeira atribuição de "competência especifica" A. autoridade autuante, estabelecendo os limites exatos da atuação dos AFRFB; zz) sua inobservância o torna nulo, apesar de respeitar a competência genérica disposto no art. 142 do CTN; aaa)o art. 2° da portaria RFB 4.066/07 classifica o gênero MPF, nas espécies Fiscalização e Diligência; bbb) que o inciso II de seu art. 3° conceitua o MPF de Diligência como "ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigências de instrução processual; ccc)o Auto de Infração ora combatido teve como origem o "Pedido de Diligência" formulado pela DRJ/SPOI, cujo propósito era para esclarecer, mediante suporte documental, que os lucros apurador pela BBLA/PORTUGAL, no período compreendido entre 30/09/01 e 31/12/01, de € 61.423.145, foram, efetivamente, utilizados no aporte de suas ações para a constituição da BBLA/ESPANHA, ou apontar, caso os lucros tivessem sido apurados no balanço encerrado em 31/12/01, a necessidade de novo lançamento tributário e, em qualquer das hipóteses, intimar a Recorrente para, de acordo com o art. 44 da Lei 9.784/99, manifestar-se no prazo de 10 dias, antes da devolução do processo àquela instancia julgadora; ddd) a autoridade diligente, em 12/09/07, sem elaborar o Relatório de Diligência e dele dado ciência a Recorrente, emitiu o MPF 08.1.71.00- 2007-00120-0, e lavrou os Autos de Infração ora impugnados; eee)agindo dessa forma, afrontou seu direito á. ampla defesa e ao contraditório, esculpido no inciso XXXIII, do art. 5° da CF, c/c o art. 44, da Lei 9.784/99, que rege o Processo Administrativo Fiscal, desobedecendo, em conseqüência, o determinado pela DRJ/SPOI; fff) em virtude do ocorrido, todos os atos por ela praticados após o encerramento do procedimento de diligência se tornaram nulos, principalmente o lançamento decorrente do MPF 09.1.71.00-2007- 00120-0, nos termos do inciso II, do art. 59, do Decreto 70.235/72; ggg) o §3°, do art. 18, do Decreto 70.235/72, somente permite a lavratura de Auto de Infração Complementar quando se constata incorreção, omissão ou inexatidão no lançamento objeto da diligência, que pudesse resultar em agravamento da exigência inicial, na inovação ou alteração da fundamentação legal, o que não ocorreu; hhh) conforme Termo de Verificação Fiscal, ficou claro que a nova fundamentação legal apontada alterou o fato gerador do IRPJ, já que anteriormente se tinha entendido ter ocorrido no dia 31/12/01, e com a nova lavratura se fixou o dia 31/12/02; II Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 12 iii) a situação descrita pela autoridade autuante no item 3.1 do "Termo de Verificação Fiscal" deixa claro, em face da nova fundamentação legal nele apontada, que houve alteração do fato gerador do IRPJ, quer da data de sua ocorrência, de 31/12/01 para 31/12/02, quer da sua materialidade - de disponibilização de lucros pelo pagamento, em face do evento societário de constituição da BBLAFESPANI para disponibilização, em 31/12/02 de lucros apurados em 31/12/01 -, como também, em razão da taxa de câmbio então adotada, da base tributável, que passou de R$ 127.554.369,90 para R$ 227.339.336,87; jjj) no final do procedimento fiscal houve, claramente, nova constituição de um crédito tributário, demonstrando a inexistência de complementaridade entre o presente Auto de Infração e o lavrado no PAF 16327.000068/2006-53; kkk) a intenção da autoridade autuante, ao proceder desta forma, foi a de evitar a ocorrência de decadência do direito de constituir o indigitado crédito tributário, pelo decurso do prazo de cinco anos, art. 173, I, do CTN; 111) incorreu em excesso de exação, o que é vedado pela legislação pátria, razão pela qual não pode prosperar o Auto de Infração combatido; mmm) o lançamento complementar não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas no art. 145, III e 149 do CTN; nnn) é vedada à Administração Tributária, em homenagem à certeza e segurança das relações jurídicas, introduzir modificações benéficas, ou não, ao contribuinte, em lançamentos inteiros, perfeitos e acabados, nos termos do art. 146 do CTN; 000)na época de constituição da BBLA/ESPANHA, em 21/12/01, já vigorava a MP 2.158-35/01, que dispõe sobre a presunção legal da data de disponibilização dos lucros e não distribuídos até 31/12/01; ppp) quando da lavratura do Auto de Infração objeto do PAF 16327.0000068/2006-77, deveria, de oficio, a autoridade fiscal ter aplicado a referida MP; qqq) após o advento da Lei 9.249/95, os lucros apurados por controladas no exterior, até então não sujeitos à tributação do IRPJ no Brasil, passaram a sê-lo e, nos termos do seu art. 25, caput e §2°, II, nos mesmos moldes da legislação pátria e no próprio ano em que apurados; rrr) a partir de 01/01/98 tais lucros passaram a ser computados na determinação do lucro real somente no momento em que fossem, nos termos do disposto nos §§1° e 2°, do art. 1°, da Lei 9.532/97, disponibilizados para a controladora ou coligada domiciliada no Brasil; sss) o legislador, agindo dessa forma, criou nova espécie de fato gerador para o IRPJ, espécie esta não prevista no art. 43 do CTN; 12 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 13 ttt) como essa criação poderia criar discussão sobre sua aplicação, o legislador fiscal, em obediência ao art. 146, III, "a", da CF, editou a LC 104/01, para acrescentar o §2°, ao art. 43, do CTN; uuu) para dar cumprimento ao novo comando, editaram-se a MP 2.158-35/01, onde ficou estabelecido as condições e o momento da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, conforme disciplinado no caput do art. 74, o qual revogou, tacitamente, a teor do disposto no §1°, in fine, do art. 2° do Decreto-Lei 4.657/42, o art. 1° da Lei 5.532/97; vvv) o art. 25 da Lei 9.249/95, caput e §2° passou a ter sua consonância restabelecida, e os lucros das controladas/coligadas no exterior voltaram a compor a determinação do lucro real das controladoras ou coligadas, no Brasil, no mesmo exercício em que apurados; www) após 21/12/01, a BBLA/PORTUGAL passou a ser controlada pela BBLA/ESPANHA, motivo suficiente para afastar, no caso vertente, a hipótese de disponibilização de lucros a que alude o disciplinado pelo art. 74 da MP 2.158-35-01, quer da BBLA em favor da Recorrente, quer da BBLA, com sede em Portugal, em beneficio da BBLAHE, na Espanha; xxx) tentar aplicar a legislação pátria a pessoas jurídicas relacionadas e ambas com sedes no exterior, estas sujeitas as leis dos países em que situam, ultrapassa os limites legais de que dispõe a autoridade fiscal brasileira, já que invade, de forma inadmissível, a competência daqueles entes tributantes; yyy) ainda que a BBLA/ESPANHA estivesse obrigada, por força da legislação brasileira, o que se admite a titulo argumentativo, a avaliar o investimento na BBLA/PORTUGAL, sua controlada, pelo método da Equivalência Patrimonial, a variação decorrente dos lucros da BBLA, apurados em 31/12/01 e não distribuídos, não teriam efeitos tributários na Recorrente, por estarem subsumidos ao disposto pelas legislações de Portugal e Espanha; zzz) ainda que a BNP tenha incorrido em erro em sua escrituração contábil, a afirmação da autoridade autuante, constante do item 1.10 do Termo de Verificação Fiscal, de que a BBLAHE não refletiu em seu patrimônio os lucros apurados pela BBLA entre outubro e dezembro de 2001, não pode servir de fundamento para considerá-los como lucros auferidos pela Recorrente no exterior em 31/12/01, e disponibilizados em 31/12/02, visto que tal não encontra respaldo no art, 25, §2°, I, da Lei 9.249/95, c/c os arts. 384, 387, 388 e 389 do RIR199; aaaa) os créditos tributários lançados com base nos lucros apurados pela BBLA/PORTUGAL, em 31/12/01, e jamais disponibilizados em favor da Recorrente em 31/12/02, carecem de certeza e liquidez, devendo a autoridade julgadora declarar improcedente a autuação em questão; 13 Processo n° 16561.000068/2006-77 Si-Cl Ti Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 14 bbbb) o Termo de Verificação Fiscal constatou, de forma clara, que o BBLA/ESPANHA, desde sua constituição, esteve e se encontra sob a jurisdição do Estado Espanhol, posto que sediada em Madrid; cccc) também reconhecer ser a BBLA/PORTUGAL uma empresa controlada por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, seja pelo BankBoston Banco Múltiplo S/A, até 27/12/99, seja pela Boston Negócios e Participações Ltda., até 21/12/01, quando passou a ser controlada diretamente pelo BBLA/ESPANHA, com sede em Madrid; dddd) outro ponto reconhecido, expressamente no item 1.9, foi de se encontrar o BBLA, no que diz respeito ao tratamento tributário dos resultados de suas atividades econômicas realizadas até 21/12/01, data da ocorrência do evento societário de constituição da BBLA/ESPANHA, sob o albergue de Tratado Internacional Contra a Dupla Tributação, firmado entre o Brasil e Portugal; eeee) em 5 de janeiro de 1976 foi promulgado o Decreto 76.975, onde passou a vigorar a Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda, o qual se encontra, ainda, em plena vigência; ffff)conforme se extrai de seus arts. 7 0 e 10°, os lucros auferidos pela BBLA/ESPANHA, entre 30/09/01 e 31/12/01, em decorrência das atividades econômicas exercidas no Estado Espanhol por meio de estabeleicmento estável, só poderiam ser tributados naquele Estado Contratante, visto que a a BBLA/ESPANHA não exercia sua atividade no Brasil; gggg) o fato de a empresa sediada em um outro Estado Contratante ser controlada por sociedade residente ern outro Estado Contratante, como no caso vertente, em que a BBLA/ESPANHA era controlada pela BNP, não caracteriza, por si só, a existência de estabelecimento estável nesse outro Estado Contratante, não se aplicando, na espécie aqui discutida, o que dispõe o item 1 do art. 7 da tratado em comento; hhhh) ainda na dicção do item 1 do art. 10 do tratado, destaca a Recorrente que os dividendos eventualmente pagos pela BBLA/ESPANHA a seus sócios ou acionistas sediados no Brasil poderiam, esses sim, sofrer, nos termos da legislação brasileira, a incidência do imposto sobre a renda; iiii) contudo, não se pode equiparar os lucros auferidos pela BBLA/ESPANI-IA em suas atividades desenvolvidas na Espanha com os dividendos a que alude o item 4 do artigo 10, visto que não houve nenhuma remessa, pagamento ou creditamento em favor da Recorrente, sua controladora no Brasil; jjjj) o próprio Termo de Verificação Fiscal, em momento algum fez menção ao pagamento de dividendos, tampouco 6. remessa, pagamento, este no sentido estrito do termo, ou ao crédito de lucros, por parte do 14 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -CIT1 Acórdão n.° 1101 -000.744 Fl. 15 BBLA/ESPANHA, em beneficio da Recorrente, a BNP, pelo simples motivo de que tal fato não ocorreu; kkkk) uma possível alegação de que o tratamento tributário objeto da Convenção Internacional em apreço não teria supremacia sobre as leis internas vão por terra por uma simples leitura do §2°, do art. 5°, da Constituição Federal, c/c o art. 98 do CTN; 1111) como a celebração dos tratados é ato de competência conjunta do Chefe do Poder Executivo e do Congresso Nacional, é inadmissível sua revogação ou denúncia por ato do Poder Legislativo; mmmm) assim, não poderia a Lei 9.532/97 se sobrepor aos Tratados/Convenções Internacionais contra a Dupla Tributação, celebrados pela República Federativa do Brasil com outros Estados Contratantes; nnnn) tendo em vista que o fato gerador relativo aos lucros apurados pela BBLA/PORTUGAL no encerramento do ano-calendário 2001 ocorreu em 31/12/01, e foi alcançado, como disciplinado no art. 150, §4° do CTN, pela decadência em 31/12/06, muito antes de iniciado, em 03/09/07, o procedimento fiscal objeto do MPF 08.1.71.00-2007-00112- 0, deve a autoridade julgadora reconhecer e declarar a improcedência do crédito tributário do IRPJ dele decorrente; 0000) o Auto de Infração, ao quantificar os lucros tidos como disponibilizados pela BBLA em favor da Recorrente incorreu em erro, pois apontou, como fundamento para converter o valor da base tributável, no montante de € 61.423.143, o art. 143, o que ocasionou, por conseqüência, a adoção da taxa de câmbio válida para o dia 31/12/02, correspondente a R$ 3,7012/€; PPPP) contudo, como se extrai do art 143 do CTN e do §4° do art. 25, da Lei 9.249/95, os lucros serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada; qqqq) assim, no caso vertente, para a conversão da base tributável, deveria ser utilizado a taxa de câmbio do dia 31/12/01, a qual era de R$ 2,05854/€, e não a data da suposta disponibilização, o que implicaria a retificação da base de cálculo para R$ 126.441.996,79, com amplos reflexos nos créditos tributários do IRPJ e da CSLL; rrrr) ao final, pede seu provimento. No dia 08 de outubro de 2008, a Recorrente juntou, às fls. 152/164, volume 2, aditivo 6. Manifestação de Inconformidade, onde se extrai os seguintes argumentos: 15 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 16 ssss)o fato de não ter a Recorrente adicionado, na determinação do lucro real do ano-calendário 2002, os lucros auferidos pela BBLA/PORTUGAL no período de 30/09/01 a 31/12/01, nem tampouco tê-los computado no Patrimônio da BBLA/ESPANHA a partir de janeiro de 2002, não serve para sustentar a afirmação de ter ela infringido o disciplinado pelo art. 25 da Lei 9.250/95, e pelo parágrafo único do art. 74, da MP 2.158- 35/01; tttt) para afastar tal entendimento, basta recorrer-se ao disciplinado pelos artigos 1 0, §6° e 6° da IN SRF 213/02, e art. 38 do Código do Comércio da Espanha, onde diz que "Será seguido o principio da prudência valorativa. Este principio, obrigará, em todo caso, a reunir no balanço s6 os lucros realizados na data de seu encerramento", e que "os elementos do imobilizado e do circulante serão contabilizados, sem prejuízo do disposto no artigo seguinte, pelo preço de aquisição ou pelo custo de produção"; uuuu) por intermédio dessa combinação, salta evidente a obrigatoriedade da BBLA/ESPANHA de escriturar os investimentos em sua controlada pelo preço de aquisição, não havendo que se falar, como quis sustentar a autoridade autuante, Equivalência Patrimonial da participação societária na BBLA/PORTUGAL; vvvv) desta forma, a tese esposada pela autoridade autuante, agasalhada pela DRJ/SPOI no Pedido de Diligência, e ensej adora do presente Auto de Infração, de ter a BBLA/ESPANHA deixado de registrar os lucros da BBLA/PORTUGAL em seu Patrimônio Liquido não prospera por ter feito em absoluto respeito A. determinação legal; vvwww) ao não considerar o inserto na IN SRF 213, de 7 de outubro de 2002, que possui fundamento de validade em lei, decorre a afronta ao Principio da Estrita Legalidade ao qual se subordina o exercício das funções fiscalizadora e julgadora da SRF; xxxx) ao querer impor, A. requerente, a obrigatoriedade de computar, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, o acréscimo patrimonial auferido pela BBLA/PORTUGAL, tanto a autoridade fazenddria, na formalização do Auto de Infração, como a DRJ, no julgamento da impugnação oferecida anteriormente, subverteram a relação jurídico- tributária existente entre o sujeito passivo (a requerente) e o fisco no Brasil, extrapolando, com o fim de tributar lucro auferido por uma terceira empresa (a BBLA/PORTUGAL), sem vinculo direto, a relação societária existente entre a querente, com sede no Brasil, e sua controlada (a BBLA/ESPANHA) na Espanha; YYYY) exigir da BBLA/ESPANHA o reconhecimento, por meio de escrituração em seu registros contábios, do lucro da BBLA/PORTUGAL 6, além de infringir a IN SRF 213/01, obrigar que a empresa espanhola desobedeça ao seu próprio ordenamento jurídico e, sob pena de não fazendo, punir sua controladora no Brasil senão o fizer; 16 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdao n.° 1101-000.744 Fl. 17 zzzz) menciona, ainda, a impossibilidade de aplicação, para efeito de apuração dos lucros da BBLA/ESPANHA no encerramento do ano- calendário 2001, o quanto inserto no art. 121, do Capitulo XI, da Lei 43/1995 (Lei Espanhola de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica); aaaaa) o referido normativo, que obriga as empresas com sede no território espanhol a computar, para o fim de apuração da base tributável no encerramento do exercício fiscal e dentro do principio da Transparência Fiscal Internacional, as rendas positivas auferidas por sua(s) controlada(s) no exterior, como no caso a BBLA/PORTUGAL, não alcançava, no entanto, a BBLA/ESPANHA, posto ter sido ela constituída nos moldes de uma "ETVE — Entidad de Tenencia de Valores Extranjeros", bbbbb) sob esse regime especial, sobre o qual não podia a legislação brasileira se sobrepor, tem-se que as rendas positivas auferidas pela BBLA/PORTUGAL em 31/12/01 não preisavam ser imputadas na apuração dos resultados da BBLA/ESPANHA daquele exercício, como fez crer a autoridade autuante, como a posterior exclusão da base tributável, quando distribuídos, dos beneficios (lucros-dividendos) delas decorrentes; ecccc) podia a BBLA/ESPANHA, com o propósito de evitar a dupla tributação (Espanha/Portugal), deduzir do IR devido em 31/12/01, o valor efetivamente satisfeito, na parte da renda imputada c/ou incidente sobre os dividendos distribuídos pela BBLA/PORTUGAL; ddddd) contudo, a fiscalização, em momento algum, observou a legislação em referência, motivo este para comprovar todo o equivoco cometido na lavratura do Auto de Infração; A 5a Turma da DRJ/SPOI, ao apreciar o mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento, tendo recorrido de oficio sobre a parcela do lançamento que foi excluída pela mesma, conforme se extrai da ementa: ASSUNTO-IMPOSTO-SOBRE--A-RENDA DE PESSOA - 40- JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. Quando forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente a matéria modificada. MESMOS FATOS E MATÉRIA. COEXISTÊNCIA DE DUAS AUTUAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. 17 Processo n° 16561.00006812006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-CIT1 Fl. 18 Impossível a existência de duas autuações sobre os mesmos fatos e a mesma matéria. APORTE DE AÇÕES. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇ, 710 DE LUCROS. Na utilização de ações de controlada sediada no exterior para a constituição de outra empresa, há o emprego de lucros da controlada, em favor da controladora, o que configura hipótese de disponibilização. ERRO QUANTO À DATA DO FATO GERADOR E À M4 TERIA TRIBUTÁVEL. IMPROCEDÊNCIA. Improcede a autuação efetuada com erro quanto ã data do fato gerador e à matéria tributável. CSLL. DECORRÊNCIA. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica- se ã tributação dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte Com relação a parcela excluída da tributação, relativa ao segundo auto de infração, lavrado por ocasião da realização da diligência fiscal, a turma de julgamento interpôs recurso de oficio. Cientificada da decisão de primeira instância (fls. 20, volume 3), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Voluntário (fls. 22/61), no qual, em apertada síntese, argumenta que: eeeee) considerando o tempo transcorrido entre 30 de setembro de 2001 (data do balanço da BBLA-Lisboa utilizado para o aporte das ações) e 21 de dezembro de 2001 (data da Escritura de constituição da BBLA- Madrid), concluiu a autoridade autuante que o lucro da BBLA-Lisboa, que era de e 1.512.415 em setembro, passou a ser de € 62.935.558, em dezembro de 2001; fffff) contudo, a premissa adotada pela autoridade fiscal, de que a parcela de € 61.423.143 do lucro do ano-calendário 2001 teria sido realizada em 21/12/01, não encontrou nenhum fundamento contábil e/ou fiscal na documentação entregue pela Recorrente, inclusive contrariando o expressamente descrito no item 1.6 do Termo de Verificação Fiscal, que reconheceu ter sido ele apurado em 31/12/01; ggggg) a conclusão de que aquela parcela do lucro da BBLA-Lisboa teria sido utilizada em 21/12/01 como aporte de capital na BBLA-Madrid, não encontra suporte na documentação relativa ao evento societário em questão, conforme expressamente reconhecido pela própria autuante no 18 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 FL 19 curso do procedimento fiscal tratado nos autos do PAF 16327.000299/2006-53; hhhhh) que a julgadora não tinha dúvida sobre a data de apuração, pela BBLA-Lisboa, da parcela de lucros de € 61.423.143, ou seja, em 31/12/01 (item 4 do Pedido de Diligência), como também não ter sido tal parcela utilizada na subscrição do capital da BBLA-Madrid, em 21/12/01, posto que referido evento teve por base, em absoluta linha com o disciplinado pela legislação pátria, o balanço levantado em 30/09/01, incluindo todo o lucro até então apurado no exercício, de € 1.512.415 (item 2 do Pedido de Diligência); itin)que reconheceu, expressamente, o equivoco cometido pela autoridade autuante, pois, em afronta ao principio da verdade material, "considerou que todos os lucros apurados no balanço da BBLA-Lisboa, encerrado em 31/12/01, foram empregados pela autuada na constituição da BBLA- Madrid, ocorrido em 21/12/2001", fato esse mais do que suficiente para julgar improcedente a autuação; jijii)a legislação que vigorava na Espanha, em 31/12/01, particularmente o Código do Comércio de 1885, faz-se necessário julgar improcedente o afirmado pela autoridade no Termo de Verificação Fiscal e no Auto de Infração; kkkkk) que a afirmação da autoridade de que, a partir do "Balance de Situacion" do BBLA/ESPANHA de 31/12/01, o resultado no encerramento daquele exercício foi um prejuízo de C 43,32, e que o valor da participação do BBLA/ESPANHA no BBLA/PORTUGAL foi de € 224.946.951,00, valor este correspondente ao Patrimônio Liquido do BBLA/PORTUGAL, apurado por ocasião do balanço levantado em 30/09/01, não pode prosperar; 11111)o fato da Recorrente não ter adicionado, na determinação do lucro real do ano-calendário 2002, os lucros auferidos pela BBLA/PORTUGAL no período 30/09/01 a 31/12/01, nem tampouco te-los computado no Patrimônio da BBLA/ESPANHA a partir de janeiro de 2002, não serve para sustentar a afirmação de ter ela infringido o disciplinado pelo art. 25 da Lei 9.250/95, e pelo parágrafo único do art. 74, da MP 2.158- 35/01; mrnmmm) que o art. 10 e seu §60, o art. 6° da IN SRF 213/02, e o art. 38 do Código do Comércio da Espanha, nos ensina que a BBLA/ESPANHA era obrigada a escriturar seus investimentos em sua controlada pelo preço de aquisição, e não pelo principio da Equivalência Patrimonial da participação societária na BBLA/PORTUGAL; nnnnn) assim, o argumento de que a BBLA/ESPANHA deixou de registrar os lucros da BBLA/PORTUGAL em seu Patrimônio Liquido não pode prosperar, por ter feito em absoluto respeito à determinação legal; 'u 1 9 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 20 00000) assim, caso apurados lucros na BBLA/ESPANHA re que estes deveriam ser disponibilizados em favor da Recorrente; ppppp) o Termo de Verificação Fiscal constatou que, desde a constituição da BBLAHE, esta esteve sob a jurisdição do Estado Espanhol, posto que sediada em Madrid; qqqqq) também reconheceu que a BBLA é uma empresa controlada por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, seja pelo BankBoston Banco Múltiplos S/A, até 27/12/99, seja pela Boston negócios e Participações Ltda, até 21/12/01, quando passou a ser controlada diretamente pelo BBLAHE, com sede em Madrid; rrrrr) a fiscalização também reconheceu que o BBLA, no que diz respeito ao tratamento tributário dos resultados de suas atividades econômicas realizadas até 21/12/01, data da ocorrência do evento societário de constituição da BBLAHE, sob o albergue de Tratado Internacional Contra a Dupla Tributação, firmado entre o Brasil e Portugal; sssss) desde o dia 5 de janeiro de 1976, quando foi promulgado o Decreto 76.975, passou a vigorar, entre a República Federativa do Brasil e o Estado Espanhol, a Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evassão Fiscal em Matéria de Impostos sobre a Renda, o qual encontra-se em plena vigência; ttttt)os lucros auferidos pela BBLAHE entre 30/09/01 e 31/12/01, por conta da Convenção firmada pelo Brasil com o Estado Espanhol, deveriam ser tributados pela Espanha, já que lá exercia suas atividades; uuuuu) somente os dividendos, eventualmente, pagos pela BBLAHE a seus sócios ou acionistas sediados no Brasil que poderiam sofrer, nos termos da legislação brasileira, a incidência do IR; vvvvv) não se pode equiparar os lucros auferidos pela BBLAHE em suas atividades desenvolvidas na Espanha com os dividendos a que alude o item 4 do artigo 10, do Tratado, visto que não houve nenhuma remessa, pagamento ou creditamento em favor da Recorrente, sua controladora no Brasil; wwwwvv) em momento algum o Termo de Verificação Fiscal fez menção ao pagamento de dividendos, tampouco à messa, pagamento, este no sentido estrito do termo, ou ao crédito de lucros, por parte da BBLAHE, em beneficio da Recorrente, a BNP, pelo simples motivo de tal fato não ter ocorrido; xxxxx) ao final, pede o provimento de seu recurso. Intimada a Fazenda Nacional, a mesma apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 107/134, Volume 3), com os seguintes argumentos: -4 20 Processo n 0 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 21 yyyyy) compulsando os autos verifica-se que o MPF-F n" 08.1.71.00- 2005-00015-0 (fls. 01/06) acompanhado de Termo de Inicio da Ação Fiscal foi lavrado por autoridade competente (Auditores da Receita Federal João Carlos de Souza — Matric. 0024792 e Ely Santos — Matric. 0065329), cuja ciência foi dada ao representante do contribuinte em 15/02/2005. Aludido MPF-F deu origem do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal (fls. 62/75), cientificado o contribuinte em 13/12/2006; zzzzz) As fls. 176/179 os presentes autos foram baixados em diligência por meio da expedição do MPF-1) n" 08.1.71.00.-2007-00112-0, cujos responsáveis eram os Auditores da Receita Federal do MPF-F já citado e a ciência do contribuinte foi apostada em 24/09/2007, conforme se infere As fls. 179/180. Aludido MPF-1) deu origem a lavratura de Auto de Infração Complementar e Termo de Verificação Fiscal (fls. 235/251), cuja ciência do contribuinte foi dada em 31/10/2007; aaaaaa) a diligência foi devidamente realizada, tendo a Recorrente sido cientificada em 31/10/2007 da lavratura do Auto de Infração Complementar resultado daquele MPF-D; bbbbbb) o fato da Recorrente não ter sido cientificada do Relatório de Diligência elaborado não implica ofensa ao inciso II, do art. 59, do Decreto 70.232/72, já que foi lavrado Auto de Infração Complementar, cuja ciência foi dada a Recorrente; ccccec) em caso similar, o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu no Acórdão 103-19.930; dddddd) os argumentos de defesa apresentados pela Recorrente demonstram que a mesma compreendeu perfeitamente as razões de fato e o enquadramento legal em que se fundou a autuação, o que contradiz a acusação de insuficiência de elementos demonstrativos da natureza das infrações que lhe foram imputadas; eeeeee) a jurisprudência do Conselho de Contribuintes também se alinha a tal entendimento, conforme se extrai dos Acórdão 104-19340 e 202- 14920; ffffff) os autos de infração foram lavrados com permissão legal, nos termos do referido artigo, já que a autoridade competente, após a realização de diligência, verificando incorreção no lançamento originário, agravando a existência, lavrou Auto de Infração Complementar, dele dando ciência a Recorrente; gggggg) não houve nenhuma mácula As normas legais invocadas pela Recorrente, motivo pelo qual devem ser desconsiderados tais argumentos; hhhhhh) no momento da concretização do negócio jurídico (21/12/2002), a fiscalização realizada do Processo Administrativo 16327.000299/2006- 21 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -CIT1 Acórdão n.° 1101 -000.744 Fl. 22 53 não levou em consideração a diferença de E 61.423.413, apesar de que referido valor já constava do balanço da BBLA-Lisboa de setembro de 2001, embora com outra rubrica, qual seja, lucro suspenso, em face da isenção do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), nos termos do artigo 41 do Estatuto dos Benefícios Fiscais, por exercer suas atividades na Zona Franca Exterior da Madeira; min) os lucros oriundos do exterior estão sujeitos A tributação em virtude do que dispôs, inicialmente, o art. 25, da Lei 9.249/95; JJEJ) que o RIR199, em seus arts. 249 e 394 e a Lei 9.430/96, em seu art. 16, disciplinam, de forma clara, a matéria; Iddddck) segundo as disposições referidas, a tributação sobre os lucros auferidos por meio de controladas, regra geral, serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano Entretanto, se tais lucros foram auferidos por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real, quando disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil; 111111) não resta dúvidas de que a disponibilização dos lucros auferidos pela Recorrente efetivou-se no momento do aporte de 100% de suas ações do BankBoston Latino Americano S/A e a sua utilização na constituição da BBLA/Madrid; mmmmmm) contudo, cinge-se a questão na quantificação do referido valor; nnrmnn) a partir de declarações da própria recorrente no momento da constituição da BBLA/Madrid e até 18 de dezembro de 2001 a mesma se beneficiou da isenção de IRC ao abrigo do artigo 41 0 do Estatuto dos Beneficios Fiscais, dado que a sua atividade foi exercida na Zona Franca exterior da Madeira. Assim, a diferença apurada entre o balanço do aporte de ações (30/09/2001) e o realizado 31/12/2001 proveio dessa isenção, posto que a mesma deixou de existir entre a concretização dos referidos balanços; 000000) por ocasião do balanço de 30109/2001, quando ainda estava em vigor a referida isenção, o lucro referente a diferença de E 61.423.413, apesar já constar no balanço da BBLA-Lisboa, encontra-se sob a rubrica de lucro suspenso, em face da isenção do "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas" (1RC). De outro lado, quando da apuração do balanço de 31/12/2001 a isenção, que vigorou até 18/12/2001, deixou de existir e o lucro de suspenso e passou a estar disponível à controladora brasileira, devendo,portanto, estar sujeito A. tributação; pppppp) como o aporte ocorreu em 21 de dezembro de 2001, evidentemente utilizou a totalidade dos lucros auferidos até a referida 22 o Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 23 data, independentemente de sua classificação contábil, configurando a hipótese legal de disponibiiização e tributação de lucros; qqqqqq) a isenção concedida A. BBLA-Lisboa na elide a tributação dos lucros, no Brasil, quando sua disponibilização à controladora brasileira; arm) a referida isenção vigorou apenas até 18 de dezembro de 2001, como dito anteriormente; ssssss) não se aplica a Convenção destinada a evitar a Dupla Tributação e Prevenir a evasão fiscal em matéria de imposto sobre a Renda, por não se tratar de dupla tributação, mas sim única tributação de empresa brasileira e com sede no Brasil que auferiu lucro em virtude de negócios realizados no exterior; tttttt) o lançamento não refere-se a dividendos pagos pela BBLA/Madrid à Recorrente, mas sim valores auferidos pela Recorrente na empresa BBLA/Portugal e, posteriormente, utilizados na constituição da BBLA/Madrid; uuuuuu) assim, há de se considerar, também, o montante de € 61.423.413, bem como o valor de € 1.512.415,13, tributado nos autos do processo 16327.000299/2006-53, disponibilizado em 21 de dezembro de 2001, data esta do fato gerador; vvvvvv) a Recorrente não se insurgiu, em sede de Recurso Voluntário, acerca da taxa de câmbio aplicável a espécie, motivo de preclusdo da matéria em tela; )ao final, requer que seja negado provimento ao recurso voluntário da Recorrente. o relatório. 23 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI AcOrclao n.° 1101-000.744 Fl. 24 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva Em apreciação recursos voluntário e de oficio. Ambos atendem os pressupostos de admissibilidade, portanto ambos devem ser conhecidos. Como visto do relato, trata-se de lançamento a titulo de lucro auferido no exterior por empresa controlada. A exigência fiscal constante no presente processo administrativo refere-se a lançamento complementar a outra autuação, a qual foi objeto do Processo Administrativo n° 16327.000299/2006-53. Assim, o evento societário realizado em 21 de dezembro de 2001 acarretou o lançamento de oficio em ambos processos. De acordo com a autoridade autuante, a recorrente, com sede no Brasil, constituiu em data 21 de dezembro de 2001, uma empresa com o controle total da mesma com sede em Madri, Espanha, denominada BBLA Holding Europe SL, integralizando no capital desta a totalidade das ações que possuía do BankBoston Latino Americano S/A, tendo como base o balanço realizado pelo BankBoston Latino Americano em data de 30 de setembro de 2001, conforme o quadro constante no Relatório Fiscal (fls. 72): Fonte Dem. Financ (euros) 30/09/01 (em euros) Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultado Transitado 146.256.614 Lucro do Exercício 1.512.415 Patrimônio Liquido 224.946.970 A autoridade fiscal entendeu que a operação acima descrita teria dado origem a ocorrência do fato gerador do NUJ em decorrência do emprego dos lucros acumulados pelo BankBoston Latino Americano S/A em favor da empresa Boston Negócios e Participações Ltda., conforme previsto pelo artigo 1° da Lei 9.532/1997. Nessas condições foi constituído o crédito tributário em razão do emprego dos lucros acumulados no exterior até 30 de setembro de 2001 por parte da recorrente. A disponibilização dos lucros ocorreu em 21 de dezembro de 2001, sendo que o primeiro auto de infração constituído no presente processo incluiu tão somente os lucros acumulados até o dia 30 de setembro do mesmo ano, de acordo com o balanço realizado. No balanço realizado pela empresa controlada sediada no exterior, em data de 30/09/2001, no primeiro auto de infração (Processo Administrativo n° 16327.000299/2006-53) 24 Processo no 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 25 foram incluídos os lucros acumulados correspondentes ao seguinte montante: € 19.939.531 (reservas) + € 146.256.614 (resultado transitado) + € 1.512.415 (lucro do exercício), que totaliza € 167.708.560. As fls. 328 do presente processo consta o Termo de Fiscalização do Processo Administrativo n° 16327.000299/2006-53, correspondente aos lucros tributados naquele. Assim, no primeiro auto de infração conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal (cópia às fls. 328) relativa a ação fiscal constante no processo n° 16327.000299/2006-53, foram tributados os lucros acumulados de € 167.708.560,13, até 30/09/2001, data do balanço levantado para o evento de transferência da participação societária ocorrido em 21/12/2001. No presente processo sob julgamento, na verdade existem dois autos de infração complementares, ambos exigindo uma diferença em razão do mesmo fato anteriormente citado, ocorrido em 21/12/2001 e que também serviu de base para a lavratura do auto de infração anterior conforme o processo administrativo n° 16327.000299/2006-53 (resultante da primeira ação fiscal levada a efeito). Ressalte-se que Turma de Julgamento de primeira instancia determinou a realização de diligência fiscal (fls. 176 a 178), para que fossem fornecidos elementos e suporte documental "hábeis a respaldar uma constatação positiva de que 6' 61.423.143 dos lucros da controlada BankBoston Latino Americano S/A (BBLA-Lisboa) foram efetivamente utilizados no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA Holgin Europe, S.L. (BBLA-Madrid)". A fiscalização limitou-se à lavratura de novo auto de infração, sem trazer aos autos os elementos solicitados pelos julgadores de primeiro grau, cujo lançamento foi, posteriormente, cancelado pela DRJ, portanto, o questionamento suscitado pelos julgadores resultou sem atendimento. Pelo que se depreende dos presentes autos e também da diligência determinada pela DRJ em Sao Paulo, haveria uma parcela de resultado a ser tributada, que o primeiro auto de infração deveria ter incluído e deixou de fazê-lo, o que daria ensejo à lavratura de um auto de infração complementar. Ou seja, em razão do evento ocorrido em 21/12/2001, quando houve a disponibilização dos lucros apurados pela controlada da Recorrente no exterior, o primeiro auto de infração (Processo n° 16327.000299/2006-53) deveria tributar os lucros apurados até esta data (21/12/2001), e não os lucros apurados tão somente até 30/09/2001, data do balanço levantado pela empresa apenas para efeito societário, para proceder à integralização. Diante disso, resultou sem tributação todo o lucro apurado pela empresa controlada no período de 30/09/2001 a 21/12/2001. Este é o resultado que deveria ser tributado no auto de infração complementar, segundo a legislação de regência. 0 artigo 1° da Lei n° 9.532/1997 estabelece a tributação dos lucros auferidos no exterior até o momento de sua disponibilização para a empresa no Brasil, disponibilização esta que poderia se dar com o pagamento destes lucros. Citado diploma legal estipulou várias hipóteses de pagamento, inclusive quando houver o emprego do valor em favor da beneficiária. Esta é a situação jurídica estipulada em lei como suficiente para a ocorrência do fato gerador. 25 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -C ITI AcOrclao n.° 1101 -000.744 Fl. 26 A citada lei determinou a forma da tributação do resultado apurado por empresa controlada no exterior através da adição ao lucro em 31 de dezembro de cada ano em que ocorrer a disponibiliza9do, e não na data da ocorrência da mesma. Nesse sentido cabe destacar o voto do ilustre Conselheiro Caio Marcos Cândido, no Acórdão n° 101-96.601: "Da exegese dos dispositivos apresentados vê-se que a matéria tributável é o lucro auferido no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de suas sucursais, filiais, controladas ou coligadas, que sejam disponibilizados aquela (artigo 1°). Os lucros serão considerados disponibilizados, no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento (letra b do parágrafo 1'). 0 parágrafo 20 cria uma presunção de que o lucro será considerado pago, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. Falta definir apenas se a alienação da participação societária de coligada no exterior se enquadraria na expressão "o emprego do valor em favor da beneficiária". A luz dos dispositivos supra citados, não resta dúvida de que ao alienar sua participação societária em sua coligada no exterior a coligada brasileira beneficiou-se do valor dos lucros auferidos por aquela, representado, tal beneficio, pelo acréscimo no valor das ações alienadas, em decorrência da valorização do patrimônio liquido pelos lucros auferidos e acumulados nele. Portanto, a disponibilização dos lucros se deu na data da alienação da participação societária (maio de 2000), devendo ser adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro daquele ano-calendário, sendo este o momento temporal do fato gerador da obrigação tributária. A ciência dos lançamentos se deu em 30 de setembro de 2005, portanto tempestivamente, não tendo ocorrido a suscitada decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário." Como se viu no voto acima descrito, a norma legal fixou dois momentos para efeito da hipótese de incidência dos lucros no exterior: (a) o momento da disponibilização, como condição da própria tributação, e (b) o momento efetivo da tributação, que se consuma em 31 de dezembro. Com efeito, o artigo 43 do CTN prevê o fato gerador do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 43. 0 imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (..)" O parágrafo 2' do artigo acima, incluído pela Lei Complementar n° 104/01, veio legitimar as regras de tributação dos lucros auferidos no exterior, prevendo que a lei estabeleceria o momento da ocorrência do fato gerador com a disponibilização dos lucros, 26 Processo n 0 16561.000068/2006-77 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 27 verbis: " § 2° Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela LC n° 104, de 10.1.2001)" A Lei no 9.532/1997 fez exatamente isso, dispôs sobre o momento em que se davam a disponibilização dos resultados do exterior "para fins de incidência" do Imposto de renda. Assim, fixou vários momentos como elemento necessário para a ocorrência do fato gerador do tributo e, dentre eles, o elemento denominado "emprego do valor". Além disso, e estabeleceu que a sua tributação ocorre no dia 31 de dezembro, a saber: "Art. I° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas sera() adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) § 1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (.) § 2° Para efeito do disposto na alínea "h" do parágrafo anterior, considera-se: (.) b) pago o lucro, quando ocorrer: 4. o emprego do valor, em favor da beneficiaria, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. 0 pagamento e/ou emprego do valor é condição sine qua non para a ocorrência do fato gerador. Faz parte do próprio elemento material da hipótese de incidência. Se o fato gerador é o pagamento, a base de cálculo da tributação será o valor efetivamente pago. Sobre o aspecto material e a base de cálculo do tributo Geraldo Ataliba ensina: "41.1 0 aspecto mais complexo da hipótese de incidência é o material. Ele contém a designação de todos os dados de ordem objetiva, configuradores do arquétipo em que ela (Ii. i.) consiste; é a própria consistência material do fato ou estado de fato descrito pela hi.; é a descrição dos dados substanciais que servem de suporte à hi. Este aspecto dá, por assim dizer, a verdadeira consistência da hipótese de incidência. Contém a indicação de sua substancia essencial, que é o que de mais importante e decisivo há em sua configuração. (..) Fornece o critério básico, para se responder "quanto é devido ", além de servir de fulcro para o discrimen que permite formular a única classificação jurídica dos tributos, desdobrando-os em espécies e subespécies. 27 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 28 42.1 A perspectiva dimensional da hipótese de incidência se costuma designar por base de calculo, base tributável ou base imponivel. A base imponivel é insita a hipótese de incidência. E atributo essencial, que, por isso, não deixa de existir em nenhum caso. Todo tributo tem base de cálculo, por exigência constitucional (sublinhada por Paulo Barros Carvalho, ao demonstrar a inconstitucionalidade dos chamados tributos fixos). Ela fornece critério para determinação do quantum tributário. 43. Definição de base imponivel 43.1 Base imponivel é uma perspectiva dimensivel do aspecto material da h. 1. que a lei qualifica, com a finalidade de fixar critério para a determinação, em cada obrigação tributária concreta, do quantum debetur. padrão ou referência para medir um fato tributário" (Aires Barreto, ob. Cit., p. 38) 1 Assim, o valor a ser tributado como materialidade (base de cálculo) do fato gerador sad todo o lucro disponibilizado até a data do evento, até a data da disponibilização com o pagamento/emprego, que se deu, no caso dos autos, em 21/12/2001. Este resultado apurado, nos termos do artigo 10 da Lei no 9.532/1997, deverá ser adicionado ao lucro liquido para efeito de apuração do lucro real da empresa controladora no Brasil em 31/12/01. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, em seu Perguntas e Respostas, determina que: "094 Se ocorrer a absorção do patrimônio da filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior, como são tributados os lucros não disponibilizados por estas entidades? Ocorrendo a absorção do patrimônio da filial, sucursal, controlada ou coligada por empresa sediada no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil, APURADOS ATÉ A DATA DO EVENTO serão considerados disponibilizados, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário do respectivo evento." A Instrução Normativa SRF n° 213/2002, especificamente no §5° do artigo 2°, é no mesmo sentido: "Art. 2° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão computados para fins de determinação do lucro real e da base de calculo da CSLL no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliado no Brasil. 52 Ocorrendo a absorção do património da filial, sucursal, controlada ou coligada por empresa sediada no exterior, os lucros ainda não tributados no apurados até a data do evento, serão considerados disponibilizados, devendo ser computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, no balanço levantado em 31 de -^ H i pótese de incidência tributária. —6. Ed. -- São Paulo : Malheiros editores, 2006, página 106, 107 e 108 28 Processo n0 16561.000068/2006-77 Acórdao n.° 1101-000.744 SI-CITI Fl. 29 dezembro do ano-calendário do respectivo evento.' Portanto, a principio, para a corrente que entender haver disponibilização na operação societária em tela, há efetivamente uma parcela do lucro que deixou de ser tributada no auto de infração objeto do PAF n° 16327.000299/2006-53, que se restringiu a tributar os lucros apurados no balanço levantado em 30/09/2001, ao invés de tributar os resultados apurados até a data da ocorrência do fato gerador, que se deu em 21/12/2001, com o emprego do valor em razão da transferência da participação societária. 0 auto de infração complementar deveria tributar todo o lucro apurado de 30/09/2001 até o momento do evento em 21/12/2001. Mas não o fez! Ao invés de tributar os lucros apurados no exterior de 30/09/2001 a 21/12/2001, os dois autos de infração complementares - que estão no presente processo - cuja diferença de um para o outro detalharemos adiante, na verdade, exigem o tributo, de forma equivocada, sobre o lucro apurado de 30/09/2001 a 31/12/2001. De fato, ambas as autuações (constantes nos presentes autos) supostamente complementares tributam o valor de E 61.423.143, correspondente a diferença entre o lucro apurado de € 62.935.558 de 31/12/2001 e o lucro de e 1.512.415 apurado até 30/09/2001, o que em minha opinião viola a regra clara do artigo 1°, da Lei n° 9.532/95, que determina a tributação dos lucros disponibilizados até o evento que gerou a disponibilização, no caso, 21/12/2001. Além de ser contrário as regras acima mencionadas, que determinam a tributação do lucro apurado até a data do evento de disponibilização, que no caso ocorreu em 21/12/2001, teríamos um problema de sujeição passiva, em razão do procedimento adotado pelo auto de infração. O Bankboston Latino Americano S/A apurou no ano calendário de 2001 um lucro de € 62.935.558. 0 lucro, como é sabido, é formado pelos resultados apurados ao longo de todo o ano-calendário. Este resultado pode ser apurado em qualquer data do ano-calendário, bastaria levantar um balanço para tanto corn base na contabilidade da empresa. Em 21/12/2001 houve, no entender da fiscalização, a disponibilização de parte daquele lucro do ano de 2001 em favor da empresa no Brasil. Todo o lucro apurado até aquela data deveria ser atribuído, para efeito de tributação no Brasil, a empresa que detinha a sua participação. Acontece que o resultado apurado a partir de 22/12/2001, não mais pertence a empresa brasileira, pois a Bankboston Latino Americano S/A, passou a ser de titularidade da BBLA Holding Europe. Assim, o lucro apurado de 22/12/2001 a 31/12/2001 é de titularidade da empresa BBLA Holding Europe, e não mais da empresa Boston Negócios E Participações Ltda. Cabe ressaltar que a forma e o moto como it_u p-esultaclo a urado de 22/12/2001 a 31/12/2001 deve ser tributado no Brasil não é objeto dos presentes autos, pois estamos julgando os lucros que devem ser tributados em razão do evento ocorrido em 21/12/2001. A Turma de Julgamento de primeira instancia detectou esse problema por ocasião do 29 Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101 -000.744 SI -C 1 T1 Fl. 30 julgamento do primeiro auto de infração, convertendo o mesmo em diligencia. Disse a DRJ, em síntese: "10. Contudo, indaga-se se a hipótese de incidência relativa a diferença de €' 61.423.143 é o momento do evento societário de aporte de ações (em 21.12.2001) ou o encerramento do balanço (em 31.12.2001). 14. Finalmente, proponho sejam os autos baixados em diligência à fiscalização, para que esta: forneça ao julgamento elementos e suporte documental (podem ser emprestados dos autos do processo n° 16327.000299/2006-53 ou obtidos juntamente à contribuinte) hábeis a respaldar uma constatação positiva de que C 61.423.143 dos lucros da controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) foram efetivamente utilizados no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA HOLDING EUROPE, S.L. (BBLA-Madrid); b) elaborar Relatório Final de Diligência, com resposta ci indagação sintetizada no item 10, observada a necessidade de outro lançamento, de credito tributário com o fato gerador em 31.12.2002, na eventual impossibilidade de atendimento providência inicial (item 14.a)." Mas veja que a DRJ colocou o problema centrado na diferença apurada de € 61.423.143, se esta corresponderia à diferença dos lucros no momento do evento societário de aporte de ações (em 21.12.2001) ou no encerramento do balanço (em 31.12.2001), quando na verdade o problema seria outro, mais precisamente qual o valor efetivo do lucro apurado pela BOSTON NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., de 30/09/2001 a 21/12/2001, data em que ocorreu a disponibilizacão. O fato é que nenhum dos dois autos de infração complementares determinam o valor efetivo do lucro apurado de 30/09/2001 a 21/12/2001, que deveria ter sido tributado no auto de infração objeto do PAF n° 16327.000299/2006-53 e não o foi. Pois bem, a despeito de não haver a menor dúvida de que o valor de € 61.423.143 correspondia à diferença do lucro apurado em 31/12/2001 (€ 62.935.558) e o lucro que já fora tributado em 30/09/2001 (€ 1.512.415), a diligência foi realizada e a resposta confirmou aquela informação. Mas, ao invés de corrigir o erro anteriormente praticado, a fiscalização resolveu cancelar o primeiro auto de infração e, a partir dai, lavrou um novo auto de infração, tributando o mesmo valor de € 61.423.143, como se esse lucro tivesse sido disponibilizado em 31/12/2002, em razão da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Eis as razões para agir dessa forma: "RELATÓRIO Sr. Chefe, Encarregada de efetuar a Diligência solicitada pela Relatora Noemia Naoe Murakami, da 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (DRJ I / SPO), e na impossibilidade de atender à providência inicial do 0/ \• 30 Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-CIT I Fl. 31 item 14.a, para fornecer "ao julgamento elementos e suporte documental (..) hábeis e respaldar uma constatação positiva" de que a diferença dos lucros, no valor de C 61.423.143, encontrada entre os balanços de outubro e dezembro de 2001, da Controlada "BankBoston Latino Americano SA." (BBLA-Lisboa) foi efetivamente utilizada "no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA HOLDING EUROPE, S.L. (BBLA-Madrid), passamos a relatar, com base no Termo de Verificação Fiscal" de fls. 248 a 251: • A BBLA-Madrid não registrou aquela diferença em seu Patrimônio Liquido e não é possível a constatação positiva de que a Contribuinte utilizou, sim lucros da Controlada BBLA-Lisboa no total de f" 62.935.558, para constituição da empresa BBLA-Madrid. • A diferença dos lucros, portanto, não foi utilizada na subscrição de capital da BBLA-Madrid; • Tampouco passou a integrar o patrimônio da empresa espanhola a partir de janeiro de 2002; • E muito menos constou das demonstrações financeiras e fiscais da Contribuinte, para que fosse oferecida a tributação, embora tenha constado das demonstrações financeiras da empresa de Lisboa (ex-Madeira). Assim, não tendo a diferença de C 61.423.143 sido utilizada no momento do evento societário de aporte de ações (21/12/2001), mas apurada no encerramento do balanço (em 31/12/2001), respondendo ci questão do item 10 e concordando com o item 12 da solicitação da Relatora, a hipótese de incidência seria a data de 31 de dezembro de 2002, nos termos do parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória n°2.158-35 de 2001. Configurada a necessidade de outro lançamento de crédito tributário com o fato gerador em 31.12.2002, e considerando-se a exiguidade do prazo, procedeu-se, no dia 31 de outubro de 2007, ao referido lançamento, através de Auto de Infração Complementar, nos termos do artigo 18, §, 3°, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, tendo sido dada ciência na mesma data, ao representante da fiscalizada, e concedido o prazo de 30 dias para impugnação. Atendido portanto o MPF em epígrafe, com a Lavratura de Auto de Infração Complementar (folhas a , incluindo esta, por mim numeradas e rubricadas), proponho que o presente Processo seja encaminhado a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (DICA T) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT-SPO), para que ali seja juntada a ele eventual impugnação apresentada pelo autuado, do lançamento ora constituído e em seguida encaminhado a 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo (DRJ I / SPO)." Ou seja, o segundo auto de infração, constituído para complementar o primeiro, simplesmente abandonou o evento ocorrido ern 21/12/2001, agindo em desrespeito A. legislação tributária. Além disso, a própria autoridade autuante constatou o erro praticado em relação ao primeiro auto de infração procedendo ao cancelamento do mesmo com a lavratura de outro para substituf-lo. Até se poderia cogitar da existência de dois autos de infração, um tributando o lucro apurado de 30/09/2001 até 21/12/2001, que seria adicionado ao resultado de 31/12/2001 da empresa brasileira, e outro tributando o resultado apurado de 22/12/2001 a 31/12/2001, que seria adicionado em 31/12/2002 em razão da MP 2.158-35 de 2001. Mas não foi isso que foi 01\i Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-CIT I Fl. 32 feito, lamentavelmente, em nenhum dos dois atos de infração. E nem se diga que a única demonstração de resultado existente seria a de 30/09/2001, usada para a transferência do controle da empresa Bankboston Latino Americano S/A, não existindo qualquer documento da empresa que apurasse o lucro até 21/12/2001. Ora, para essas situações a regra da Instrução Normativa SRF no 38/1997 é clara ao determinar: "Art. 10. (..) ,sSs 1° Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração de demonstrações financeiras no pais de domicilio da filial, sucursal, controlada ou coligada, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. 0 evento societário se deu em 21/12/2001, sendo que a empresa em Portugal, Bankboston Latino America, utilizou o balanço realizado no mês de setembro, isto 6, de mais de 60 dias antes daquele evento. Se a lei daquele Pais não determina o levantamento de um balanço especifico para a data do evento, deveriam as autoridades administrativas brasileiras exigir a elaboração destas demonstrações, onde se apurasse o lucro efetivo no período compreendido entre 30/09/2001 até 21/12/2001, para efeito de tributação no Brasil, nos exatos termos da norma acima mencionada. Abaixo reproduzo os argumentos utilizados pela turma julgadora para cancelar o segundo auto de infração e manter o primeiro. Diz aquela decisão: "0 presente processo foi originalmente analisado por outra julgadora desta 50 Turma da DRI/SPOI, que, por excesso de zelo, resolveu converter o julgamento em diligencia, para que a Auditora Fiscal autuante fornecesse ao julgamento "elementos e suporte documental hábeis a respaldar uma constatação positiva de que 6' 61.423.143 dos lucros da Controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) foram efetivamente utilizados no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA HOLDING EUROPE, S.L. (BBLA-Madrid)". Ocorre que, apesar de a Auditoria Fiscal autuante afirmar que a diferença de C 61.423.143 não foi utilizada no momento do evento societário de aporte das ações (21/12/2001), entendo que há (e iti havia, antes da conversão do julgamento em diligencia) prova de que a referida diferença foi, efetivamente, utilizada no aporte de ações. Isso porque o referido valor já constava do balanço da BBLA-Lisboa se setembro de 2001, embora com outra rubrica. Não constava como lucro do exercício, mas como lucro suspenso, em face da isenção do "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas" (IRC), nos termos do artigo 41 do "Estatuto dos Beneficios Fiscais", por exercer suas atividades na "Zona Franca Exterior da Madeira". Como em 21 de dezembro de 2001, a contribuinte aportou a totalidade das ações que detinha na controlada BBLA-Lisboa para constituir a BBLA Holding Europe, S.L. (Madrid), evidentemente utilizou a totalidade dos lucros auferidos até a referida data, independentemente de sua classificação contábil, 32 Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-CIT1 Fl. 33 configurando a hipótese legal de disponibilização — e tributação — de lucros, conforme item 4, alínea b, §2°, artigo 1°, da Lei n° 9.532/97 (artigo 394 do RIR/99), in verbis: (.) Destaque-se que a isenção concedida à BBLA-Lisboa não elide a tributação dos lucros, no Brasil, quando de sua disponibilização a controladora brasileira. Ademais, a referida isenção vigorou apenas até 18 de dezembro de 2001. Dessa forma, há que se considerar também o montante de e 61.423.143 (assim como o montante de 6' 1.512.415,13 tributado nos autos do processo n° 16327.000299/2006-53) disponibilizado em 21 de dezembro de 2001 (data do fato gerador), estando correta a sua conversão para reais pela taxa de câmbio de 2,07665, vigente na referida data. Assim, há que se considerar procedentes os Autos de Infração de fls. 60/63 e 65/68 (ano-calendário 2001)." Ora, se o valor de € 61.423.143 já estava no balanço de 30/09/2001, como afirma a DRJ, então já seria objeto do auto de infração objeto do PAF no 16327.000299/2006-53, constituindo o presente auto uma duplicidade de autuação. Com a devida vênia, não é isso. Na verdade, após compulsar os autos, não foi encontrado qualquer documento que desse a esta afirmativa uma sombra de verossimilhança. Alias, a decisão sequer cita as folhas dos autos em que o suposto documento lhe daria respaldo. Ao analisar o balanço da Bankboston Latino Americano de 31/12/2001 (fls. 479), verifica-se que está registrado o valor de € 62.935.558 como resultado do exercício de 2001, apurado em 31/12/2001. E mais, a "Proposta de Aplicação de Resultados" do Conselho de Administração (fls. 477), propôs que os "Lucros do Exercício de 2001, no montante de 62.935.558 euros, tenham a seguinte aplicação Para Reserva Legal 6.293.556 euros Para Resultados Transitados 56.642.002 euros" Portanto, não ha dúvida que o valor de € 62.935.558 corresponde ao resultado apurado no ano calendário de 2001. No presente processo consta a informação no Termo de Verificação Fiscal do primeiro auto de infração, objeto do Processo Administrativo n° 16327.000299/2006-53, anexado aos presentes autos as fls. 329, de que o valor tributado foi de € 167.708.560. Pois bem, analisando o balanço de 31/12/2001 do BankBoston Latino Americano, em que há a coluna denominada "ano anterior", isto 6, o valor dos resultados acumulados até o ano de 2000, somando o valor de € 13.850.662 (reservas), de € 91.456.789 (resultados transitados) e € 60.888.694 (lucro do exercício), chegaremos a soma de € 166.196.145. Ou seja, até o ano de 2000 havia resultados apurados da ordem de € 166.196.145. Se somarmos este valor ao resultado apurado pela fiscalização de 01/01/2001 até 30/09/2001, da ordem de € 1.512.415, encontraremos exatamente aquele valor tributado no auto de infração objeto do PAF n° 16327.000299/2006-53. Alias, naquele TVF consta uma tabela demonstrado (6‘ . 33 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 34 isto: Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256.614 Lucro do Exercício 1.512.415,13 LUCROS ACUMULADOS 167.708.560,13 Os números são os mesmos do TVF do PAF no 16327.000299/2006-53 (€ 19.939.531 + € 146.256.614 = € 166.196.145) e no presente processo (€ 13.850.662 + € 91.456.789 + € 60.888.694 = € 166.196.145). A diferença é que o TVF daquele processo utilizou a coluna do ano de 2001 do balanço de fls. 475, em que o lucro do ano anterior já fora totalmente destinado para reservas e resultado transitados, enquanto que no nosso calculo acima utilizamos a coluna do ano de 2000. O fato é que não ha nenhum documento nos autos que respalde a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que o valor de € 61.423.143 já estava no balanço de 30/09/2001 e deve ser considerado disponibilizado em 21/12/2001. Desta forma, não vejo como manter as autuações fiscais, que deixaram de aplicar corretamente a legislação atinente A. matéria acima apontada, com a utilização indevida do período base tributável. Por estas razões dou provimento ao Recurso Voluntário e nego provimento ao Recurso de Oficio, cancelando ambos os autos de infração. ator 34 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 35 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente é necessário definir qual lançamento deve ser analisado em seu mérito. Consoante relatado, ern 13/12/2006 a autoridade lançadora formalizou lançamento complementar ao contido nos autos de processo administrativo n° 16327.000299/2006-53, pretendendo alcançar parcela de lucro auferido pela autuada por intermédio do BankBoston Latino Americana S/A, entre 30/09/2001 e dezembro de 2001, no montante de E 61.423.143, o que resultou na exigência de IRPJ e CSLL devidos no ano-calendário 2001. Contudo, em razão de questionamentos apresentados em diligência solicitada pela autoridade julgadora de 1a instância, a autoridade lançadora alterou seu entendimento, afirmando que a parcela de 61.423.143 deveria ser considerada disponibilizada apenas em 31/12/2002, formalizando nova exigência para este ano-calendário, cientificada A. contribuinte em 31/10/2007. Dispõe o Decreto n° 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in ,fine. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) § 1° Deferido o pedido de perícia, ou determinada de oficio, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) § 2° Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juizo da autoridade. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) § 3° Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei n°8.748, de 1993) (negrejou-se) Nestes termos, caberia cogitar se a autoridade lançadora pode alterar a exigência inicialmente formalizada para atribuir nova natureza jurídica à base de cálculo apurada, e corrigir o fundamento legal e o período de apuração originalmente indicados no lançamento. A dúvida remete, necessariamente, as disposições correlatas do Código Tributário Nacional: Art. 145. 0 lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pod ser alterado em virtude de: 35 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 36 1 - impugnação do sujeito passivo; - recurso de oficio; III - iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, ern relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Interpretando conjuntamente o art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e o art. 145 do CTN, pode-se concluir que a autoridade lançadora, em razão de diligência solicitada pela autoridade julgadora ao apreciar impugnação do sujeito passivo, pode alterar o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo para corrigir incorreções, omissões ou inexatidões, ainda que disto resulte agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, bastando que, para isto, seja lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, e assegurado o direito de defesa ao interessado. Todavia, o art. 146 do CTN assegura ao sujeito passivo a parcial imutabilidade dos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, de modo que a modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial somente produza efeitos em relação a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, seria necessário definir se esta norma limita, de alguma forma, o âmbito de aplicação do art. 18 do Decreto n° 70.235/72. Desnecessário, porém, maior aprofundamento neste tema, pois o Decreto n° 7.574/2011, ao regulamentar o processo de determinação e exigência de créditos tributários da Unido, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim tratou o lançamento complementar: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, espectficos em relação a matéria modificada (Decreto re 70.235, de 1972, art. 18, ,§' 3', com a redação dada pela Lei IF 8.748, de 1993, art. 1 0L). WO lançamento complementar será formalizado nos casos: I - em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou V b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamen identificada; ou 36 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 37 II- em que forem constatados fatos novos, subtraidos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da Kilo fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência in iciaL §2 0 auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I - complementar o lançamento original; ou II - substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3" Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente a matéria modificada. §210 auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. 00 julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no 5Ss 4' será objeto de um único acórdão. (negrejou-se) Como se vê, o §1 0 do art. 41 do Decreto n° 7.574/2011 é taxativo: somente é possível o lançamento complementar quando a descrição dos fatos é incompatível com a apuração da base de calculo do lançamento original, que por incorreção ou omissão no valor tributável, ou quando há fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora, que implicam o agravamento da exigência inicial. 0 motivo da formalização da segunda exigência não se enquadra em nenhuma destas hipóteses. A mesma base imponivel foi submetida a tributação sob outro fundamento e em outro período de apuração, sem que nenhum fato novo tivesse sido subtraído ao conhecimento da autoridade lançadora. Em verdade, a segunda exigência resulta de uma nova interpretação acerca dos dispositivos legais aplicáveis ao fato desde antes conhecido: o lucro auferido pela autuada por intermédio do BankBoston Latino Americano S/A entre 30/09/2001 e dezembro de 2001, no montante de € 61.423.143. Portanto, por extrapolar os limites formais estabelecidos para formalização de lançamento complementar, deve ser declarada nula a segunda exigência. Na medida em que o crédito tributário nela veiculado já havia sido exonerado na decisão de l a instancia, inclusive ensejando o seu reexame necessário, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio. Quanto A. primeira exigência, a contribuinte apresenta argumentos que antecedem a apreciação da conexão do litígio presente nestes autos ao litígio decorrente da exigência formalizada nos autos do processo administrativo n° 16327.000299/2006-53, atacando diretamente a decisão de l' instancia na parte em que afastou os questionamentos formulados em diligência, e declarou a prevalência do primeiro lançamento complementar. , 37 Processo no 16561.000068/2006-77 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 38 Segundo exposto em sustentação oral, a presente exigência estaria viciada porque pretendeu tributar o lucro não alcançado pelo processo administrativo n° 16327.000299/2006-53, de 30/09/2001 até a data do evento que resultaria na disponibilização dos lucros tributados (21/12/2001), mas equivocadamente tributou parcela correspondente ao lucro incorrido de 30/09/2001 a 31/12/2001. 0 vicio estaria patente nos quesitos formulados pela autoridade julgadora de l a instancia, ao encaminhar os autos em diligência, quesitos estes assim sintetizados pela recorrente: (i) fosse esclarecido o momento da ocorrência do fato gerador dos créditos tributários e; (it) fosse comprovado que houve a efetiva utilização da diferença de 6 61.423.143 no aporte de ações da controlada na data do evento de 21.12.2001. Quanta A. determinação do lucro incorrido até a data do evento, observa-se que o valor tributado foi obtido pela Fiscalização após intimar a contribuinte a esclarecer qual parcela corresponderia a lucro/prejuízo dentre os valores contabilizados na conta razão do investimento (Conta número SIN 211816 BANKBOSTON LATINO AMERICANO S/A), cujo saldo inicial de R$ 599.739.826,75, em 01/10/2001, foi alterado por registros de equivalência patrimonial e encerrou o ano, em 31/12/2001, com saldo de R$ 407.130.002,60 (fl. 10). Em resposta, a contribuinte apresentou planilha contendo a taxa de câmbio utilizada na contabilização da participação no exterior no ano de 2001, inclusive com a composição do montante informado no termo de intimação a titulo de exemplo, balancetes Mensais, em reais, da BBLA Portugal, referente ao ano-calendário de 2001, utilizados para o cálculo da equivalência patrimonial, e relatórios internos suporte para cálculo da Equivalência Patrimonial da Boston Negócios e Participações Ltda. Posteriormente, apresentou também balancetes da BBLA em Euros. Tais documentos possivelmente são aqueles juntados aos autos depois do Termo de Constatação Fiscal, no qual a autoridade lançadora comparou o balanço de 30/09/2001, que serviu de base para o aporte de ações do BankBoston Latino Americano S/A na BBLA Holding Europe, com o Relatório e Parecer do Fiscal Único, Bernardes, Sismeiro e Associados, para o exercício findo em 31 de dezembro de 2001 do "BankBoston Latino Americano S.A.", e acrescentou: 1.7. Considerando-se o tempo transcorrido entre 30 de setembro de 2001 (data do balanço do "BankBoston Latino Americano S.A." utilizado para o aporte das ações) e 21 de dezembro de 2001 (data da Escritura de constituição da BBLA HOLDING EUROPE, S.L.), vemos que o lucro do exercício de 2001 do Banco de Portugal, que era de 6 1.512.415 em setembro passou a ser 6 62.935.558 , em dezembro de 2001. 1.8 Intimada a informar sobre aquela diferença, a Contribuinte informou apenas que o valor referente à diferença entre o lucro do exercício de 2001, subtraído do lucro auferido até setembro de 2001, utilizado para a capitalização das cotas detidas pela BNP na empresa espanhola, "está refletido na contabilidade da BBLA Europe c, por conseguinte, no balanço da BNP Brasil mediante registro da Equivalência Patrimonial" [documento de fl. 108] 661 38 Processo n° 16561.000068/2006-77 Sl-CITI Acórdão n.° 1101-060.744 Fl. 39 1.9. Tal informação entretanto não confere com o "Balance de Situacion" da BBLA Holding Europe - Madrid, de 31/12/2001, em que consta uma participação (Patrimônio Liquido) de 6224.946.951,00 — o mesmo Patrimônio Liquido do "BankBoston Latino Americano S.A." (BBLA-Lisboa) de 30 de setembro de 2001, conforme inciso 1.5, - e nenhum lucro, pelo contrário, um prejuízo de 643,32. [documento de fl. 110] 1.10 Segundo resposta as intimações, confirmada pelas Declarações de IRPJ, não houve pagamento de tributos (sobre o lucro) referentes Controlada "BankBoston Latino Americano S.A." (BBLA-Lisboa), nem no exterior, nem no Brasil. Até porque, segundo o Relatório já referido, "(..) ate 18 de dezembro de 2001, o Banco se beneficiou da isenção de IRC ao obrigo do artigo 41" do Estatuto dos Beneficias Fiscais, dado que a sua actividade foi exercida na Zona Franca exterior da Madeira." Após reproduzir o direito aplicável, a autoridade lançadora concluiu que: 2.3 Analisando os documentos fornecidos, verificamos que, tendo a Contribuinte BOSTON NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., em dezembro de 2001, utilizado a seu favor todo o seu investimento no "BankBoston Latino Americano S.A." de Lisboa, para efetivar seu investimento na "BBLA HOLDING EUROPE, S.L."- Madrid, ocorreu o emprego do valor dos lucros auferidos pela Controlada (BBLA-Lisboa) no exterior, a favor da Contribuinte. Portanto, nos termos do Artigo 394 do RIR199, esses lucros são considerados pagos (item d, inciso II, do § 4°) e disponibilizados (inciso lido § 30) e não oferecidos à tributação. 2.4 No Auto de Infração lavrado em 16/03/2006 — Processo 16327.00029912006- 53 - , os lucros auferidos pela Controlada (BBLA- Lisboa) no exterior haviam sido calculados a partir do Balanço de 30 de setembro de 2001, conforme já explicado no inciso 1.5. No presente Auto de infra cão, em coniplementação, estamos considerando a diferença já explicitada, entre os lucros de 30 de setembro de 2001 e o efetivo Lucro do Exercício de 2001, conforme quadro a seguir, em euros: [..-] Deste relato, observa-se que a autoridade lançadora intimou a contribuinte, apenas, a esclarecer qual parcela da equivalência patrimonial relativa ao BankBoston Latino Americano S/A corresponderia a lucro, e a contribuinte informou o valor total auferido em 2001 ($67.379.328,00 euros) que comparado com o lucro auferido até setembro/2001 ($1.512.415 euros) resultaria na diferença de $ 65.866.913 euros. Em momento algum a contribuinte foi intimada a informar o lucro auferido até 21/12/2001. Os comentários feitos pela Fiscalização acerca da inexistência de lucro reconhecido na BBLA Holding Europe, em razão de equivalência patrimonial decorrente do investimento no BankBoston Latino Americano S/A eventualmente poderia dar fundamento à conclusão fiscal de que todo o lucro auferido pelo BankBoston Latino Americano S/A foi gerado até 21/12/2001, mas a transcrição acima deixa claro que a Fiscalização não deu mais este passo para construção do fato jurídico tributável. A dúvida exposta na diligência solicitada pela autoridade julgadora de instância deixa transparecer que o lançamento não estava adequadamente fundamentado: 39 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 40 4. A autoridade fiscal considerou que todos os lucros apurados (6' 10 62.935.558) no balanço da BBLA-Lisboa, encerrado em 31.12.2001, foram empregados pela autuada na constituição da BBLA-Madrid, ocorrida em 21.12.2001, não obstante a diferença de 6' 61.423.143 ter sido reconhecida somente no balanço encerrado em 31.12.2001. 5. A presente diligência volta-se a esclarecer qual o momento do fato gerador dos créditos tributários correspondentes à diferença de lucros da controlada oriunda do confronto dos dois balanços analisados (de 30.09.2001 e de 31.12.2001). 6. No tocante ao fato gerador da autuação, a contribuinte, em suas razões de impugnação, argumenta que a fiscalização não pode atribuir ao evento societário ocorrido em 21.12.2001 parcela de lucros apurada posteriormente, em balanço datado de 31.12.2001 (ft. 153). Sustenta que a diferença de 6' 61.423.143 faz parte do resultado da nova empresa (BBLA- Madrid), devendo ser considerada disponibilizada somente em 31.12.2002, conforme previsto no parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, cuja vigência iniciou-se em 24.08.2001. 7. Nesse aspecto, a autoridade autuante relatou (itens 1.9 e 1.10, fl. 73) que, inversamente ao que foi alegado pela contribuinte a fl. 108 ("tal valor está refletido na contabilidade da BBLA Europe, e, por conseguinte, no balanço da BNP Brasil mediante registro da Equivalência Patrimonial), essa diferença não foi contabilizada pela BBLAMadrid, empresa constituída em 21.12.2001. Isso porque, no "Balance de Situacion" da BBLA-Madrid encerrado em 31.12.2001 (ft . 110), a autoridade fiscal verificou constar uma participação (Patrimônio Liquido) de 6' 224.946.951,00, valor coincidente com o Patrimônio Liquido do BBLA-Lisboa, registrado em 30.09.2001, e no qual estariam computados lucros de apenas 6' 1.512.415. 8. Ern que pesem as corretas constatações da autoridade fiscal, de caráter negativo — (i) de que não houve pagamento de tributos sobre a diferença de lucros apurados entre setembro e dezembro de 2001, e (ii) de que a BBLA -Madrid também não registrou essa diferença em seu Patrimônio Liquido; cumpre observar que essa diferença somente pode ser atribuida ao evento societário se houver a constatação positiva de que a contribuinte utilizou, sim lucros da controlada BBLA-Lisboa no total de f 62.935.558, para constituição da empresa BBLA-Madrid, pois este é o evento societário que justificaria a constituição da diferença com data em 31.12.2001 conforme consta no Auto de Infra cão. 9. Com efeito, as constatações fiscais (de que a contribuinte não ofereceu tributação a diferença de E 61.423.143 e de que a BBLA-Madrid não registrou essa diferença em seu Patrimônio Liquido) comprovam a necessidade de autuação sobre a diferença de lucros da BBLA -Lisboa verificada entre o balanço encerrado em 30.09.2001 e o balanço encerrado em 31.12.2001. 10. Contudo, indaga-se se a hipótese de incidência relativa is diferença de E, 61.423.143 é o momento do evento societário de aporte de ações (e 21.12.2001) ou o encerramento do balanço (em 31.12.2001). 40 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CIT I Acórddo n.° 1101-000.744 Fl. 41 11. A primeira hipótese depende da constatação positiva (vide item 8) de que todos os lucros apurados pela BBLA-Lisboa no exercício de 2001 foram utilizados para constituição da BBLA-Madrid, em 21.12.2001. Nesse caso, o lançamento deve estar respaldado em elementos que infirmem a deliberação da contribuinte acerca do montante de lucros utilizados, conforme escritura de constituição da BBLA-Madrid. 12. Na segunda hipótese, de a diferença de lucros não ter sido utilizada na constituição da BBLA-Madrid, tendo sido apurada em 31.12.2001, a hipótese de incidência seria 31.12.2002, dada a sua subsunção ao parágrafo único do art. 74 da Medida 110 Provisória n°2.158-35, de 2001. Correto o entendimento acima firmado: o lançamento deve estar respaldado em elementos que infirmem a deliberação da contribuinte acerca do montante de lucros utilizados, conforme escritura de constituição da BBLA-Madrid. Deveria a Fiscalização demonstrar que os lucros auferidos pelo BankBoston Latino Americano de 01/10/2001 a 21/12/2001, ou 31/12/2001, foram também utilizados para aquela finalidade, se a tributação está incidindo porque houve disponbilização daqueles lucros presumida a partir do emprego de seu valor. Veja-se que na decisão recorrida o primeiro lançamento foi mantido por se entender comprovada a utilização dos lucros auferidos depois de setembro/2001: Ocorre que, apesar de a Auditora Fiscal autuante afirmar que a diferença de E 61.423.143 não foi utilizada no momento do evento societário de aporte das ações (21/12/2001), entendo que há (e já havia, antes da conversão do julgamento em diligência) prova suficiente de que a referida diferença foi, efetivamente, utilizada no aporte de ações. Isso porque o referido valor já constava do balanço da BBLA-Lisboa de setembro de 2001, embora corn outra rubrica. Não constava como lucro do exercício, mas como lucro suspenso, em face da isenção do "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas" (IRC), nos termos do artigo 41 do "Estatuto dos Beneficios Fiscais", por exercer suas atividades na "Zona Franca Exterior da Madeira". Acrescentou, ainda, que se ern 21 de dezembro de 2001, a contribuinte aportou a totalidade das ações que detinha na controlada BBLA-Lisboa para constituir a BBLA Holding Europe, S.L. (Madrid), evidentemente utilizou a totalidade dos lucros auferidos até a referida data, independentemente de sua classificação contábil. Talvez a autoridade julgadora tenha vislumbrado o mencionado lucro suspenso em um dos itens que foram assim consolidados no Termo de Constatação Fiscal: Fonte Dem Financ (Euros) 30/09/2001 Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256.614 Lucro do Exercício 1.512.415 Patrimônio Liquido 224.946.970 41 Processo n° 16561.000068/2006-77 Sl-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 42 Dificilmente, porém, o valor em debate estaria ai computado, pois a demonstração de 31/12/2001 da qual se vale a Fiscalização, juntada à fl. 101,foi por ela assim resumida: Fonte Dem Financ (Euros) 31/12/2001 Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256.614 Lucro do Exercício 62.935.558 Patrimônio Liquido 286.370.113 Como se vê, a única conta alterada, dentro do Patrimônio Liquido, é aquela representativa de lucro do exercício, inexistindo qualquer permuta entre contas patrimoniais. Por sua vez, o acordo mencionado na diligência quantifica em € 224.946.951 o discutido aporte. De toda sorte, se esta não foi a fonte utilizada pela autoridade julgadora de 1a instância para suas conclusões, não ha outro elemento nos autos do qual se pudesse extrair o conteúdo por ela afirmado. Acrescente-se, por fim, que o segundo lançamento formalizado nestes autos apenas confirma a impossibilidade de se provar o fato que fundamenta a primeira exigência. Alias, estas foram as palavras da fiscal autuante ao encerrar os trabalhos que resultaram no segundo lançamento: • A BBLA -Madrid não registrou aquela diferença em seu Patrimônio Liquido e não é possivel a constatação positiva de que a Contribuinte utilizou, sim lucros da Controlada BBLA -Lisboa no total de 6'62.935.558, para constituição da empresa BBLA-Madrid. • A diferença de lucros, portanto não foi utilizada na subscrição de capital da BBLA-Madrid; • Tampouco passou a integrar o patrimônio da empresa espanhola a partir de janeiro de 2002; • E muito menos constou das demonstrações financeiras e fiscais da Contribuinte, para que fosse oferecida à tributação, embora tenha constado das demonstrações financeiras da empresa de Lisboa (ex-Madeira). Na medida em que se reputou nulo o segundo lançamento formalizado nestes autos, é forçoso concluir que os fatos aqui provados são insuficientes para justificar a exigência inicial em debate. Por estas razões, além de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, o presente voto é também para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. WW0L- EDELI PEREIRA BESSA 42 Processo n° 16561.000068/2006-77 Sl-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 43 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Relatório dos pontos relevantes para a declaração de voto: Conforme termo de verificação fiscal (proc. fls. 71 a 75), lavrado em 13/01/2006, o contribuinte (Boston Negócios e Participações) constituiu a BBLA Holding Europe SL, em 21/12/2001, pela entrega de 100% das ações que detinha do Bank de Boston Latino Americano S.A., mas calculou o aporte com base no balanço do Bank de Boston Latino Americano S.A., de 30/09/2001, que computava como lucro do exercício o montante de E 1.512.415. De outra banda, o Fisco identificou que o lucro do exercício, em 31/12/2001, era de € 62.935.558. Para esclarecer a situação, a fiscalização intimou o contribuinte a informar o montante de lucro utilizado no aporte feito em 21/12/2001. No entanto, este respondeu apenas que a diferença entre de lucro entre os 2 balanço estaria refletida na contabilidade BBLA Holding Europe SL mediante equivalência patrimonial (proc. fl. 108 e 109). A fiscalização alega que a informação do contribuinte não procede, porque consta do balanço de 31/12/2001 do BBLA Holding Europe SL uma participação de valor idêntico ao patrimônio liquido do Bank de Boston Latino Americano S.A em 30/09/2001. Por fim, considerando que no auto de infração lavrado em 16/03/2006 foi considerado apenas o lucro informado no balanço de 30/09/2001, e considerando que na operação de 21/12/2001 foi utilizado todo o investimento no Bank de Boston Latino Americano S.A, foi lavrado auto de infração complementar para tributar a diferença de € 61.423.143 (= € 62.935.558 - € 1.512.415), convertido pela taxa de câmbio de 21/12/2001 (2,07665). Assim, foram adicionados R$ 127.554.369,90 no lucro liquido ajustado, para fins de apuração de IRPJ e CSLL de 2001 (proc. fls. 59 a 69). O contribuinte impugnou a exigência (proc. fls. 141 a 157), questionando a validade do mandado de procedimento fiscal (MPF) e a legislação aplicada pelo fiscal. Diz que, como o evento ocorreu em 21/12/2001, na vigência do art. 74 da MP n°2.158-35, de 2001, "devem ser considerados disponibilizados para a Recorrente na data do balanço patrimonial de 30.09.2001, conforme determina o art. 74 da referida Medida Provisória". Adiciona que a fiscalização não pode atribuir como lucros no exterior valores apurados posteriormente ao evento societário, ocorrido em 30/09/2001, tal como pretendeu ao usar as informações do balanço de 31/12/2001. Explica que o montante aportado foi aquele identificado no balanço de 30/09/2001 e que o evento só ocorreu em 21/12/2001 por questões burocráticas. Afirma que a diferença de € 61.423.143 deve ser tributada em 31/12/2002, como determina o parágrafo único do art. 74, da Medida-provisória n°2.158-35, de 2001, e que a taxa de câmbio deveria ser a do dia 31/12/2001 (2,05854). Em 06/07/2007, é solicitada diligência para determinar "se a hipótese de incidência relativa a diferença de E 61.423.143 é o momento do evento societário de aporte de ações (em 21.12.2001) ou o encerramento do balanço (em 31.12.2001)" (proc. fls. 176 a 179). 43 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 44 Em 31/10/2007, é lavrado termo de verificação fiscal (proc. fls. 246 a 251), onde se afirma que o lucro apurado de outubro a dezembro de 2001, pelo Bank de Boston Latino Americano S.A, não foi utilizado na subscrição de capital da BBLA Holding Europe SL. Por isso, o lucro não foi disponibilizado durante 2001. Explica que, em razão do parágrafo único do art. 74 da MP n° 2.158-35, de 2001, o lucro deve ser considerado disponibilizado em 31/12/2002. Informa que, por determinação da relatora do processo, em julgamento na 5a turma da DRJ I em São Paulo, foi lavrado novo auto de infração (proc. fls. 232 a 244), nos termos do art. 18 do Decerto 70.235, de 1972. Diz que, neste novo auto, foi adicionado R$ 227.339.336,87, pela conversão da diferença de € 61.423.143 pela taxa de cambio de 31/12/2002 (3,7012). A ciencia do termo foi dada em 31/10/2007. Relatório de diligência (proc. fls. 266 a 267) explica que, frente a impossibilidade de fornecer ao julgador elementos que comprovem a utilização dos E 61.423.143 no aporte para constituição da BBLA Holding Europe SL, seguiu a determinação da relatora e fez novo lançamento considerando o fato gerador ocorrido em 31/12/2002. Informa que o contribuinte foi cientificado da nova exigência e do prazo para impugnar. Em 29/11/2007, o contribuinte impugna a nova exigência (proc. fls. 269 a 316). Diz que a autoridade julgadora tinha todos os elementos para julgar o auto de infração complementar original, pois reconhecia que os € 61.423.143 não haviam sidos aportados na nova empresa. No entanto, ao invés de se limitar a julgar, a autoridade julgadora converteu-se em autoridade preparadora, determinando diligencia de caráter protelatório. Alega que a nova autuação extrapolou os limites do art. 18 do Decreto 70.235, de 1972, pois efetuou lançamento com alteração da materialidade e do fundamento legal do lançamento original. Explica que a data do fato gerador foi alterada de 21/12/2001 para 31/12/2002, que o fato gerador foi alterado de disponibilização em face da utilização para disponibilização em razão de dispositivo legal, e que a taxa de conversão também foi alterada. Argumenta que foi constituído um novo crédito tributário e não um lançamento complementar. Explica que existem dois lançamentos feitos com base nos lucros apurados pelo Bank de Boston Latino Americano S.A., ambos em discussão administrativa e com pressupostos legais diferentes. O contribuinte reitera sua tese de que o aporte foi feito com base no balanço de 30/09/2001 e argumenta que, após 21/12/2001, os lucros do Bank de Boston Latino Americano S.A passaram a ser da BBLA Holding Europe SL. Por isso, não ha como pretender tributar o lucro da Bank de Boston Latino Americano S.A. auferido entre 30/09/2001 e 31/12/2001. Diz que, por força de tratado Brasil-Espanha, o lucro da BBLA Holding Europe SL de 30/09/2001 a 31/12/2001 esta infenso à tributação. Também, alega a decadência, eis que a determinação do parágrafo único do art. 74 da MP 2.158-35, de 2001, não alterou a ocorrência do fato gerador para 31/12/2002, mas apenas determinou tal data para oferecimento a tributação. Por isso, a possibilidade de lançar o lucro apurado de 30/09/2001 a 31/12/2001 teria decaído em 31/12/2006. Por fim alega erro na conversão. Em 06/10/2008, o contribuinte junta informações sobre a legislação da Espanha (proc. fls. 349 a 360). Em 18/11/2008, a 5' Turma da DRJ I em Sao Paulo cancela o segundo auto complementar, recorrendo de oficio desta decisão, e mantém o primeiro auto de infração complementar (proc. fls. 413 a 424). Conforme a turma, embora o segundo auto pudesse ser lavrado, nos termos do § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, os dois autos não podem coexistir. 44 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 45 Diz que a primeira autuação foi cientificada dentro do período de validade do MPF e que a diferença de E 61.423.143 constava do balanço de 30/09/2001 como lucro suspenso, em razão de isenção. Explica que "como em 21 de dezembro de 2001, a contribuinte aportou a totalidade das ações que detinha na controlada BBLA-Lisboa para constituir a BBLA Holding Europe, S.L. (Madrid), evidentemente utilizou a totalidade dos lucros auferidos até a referida data independentemente de sua classificação contábil, configurando a hipótese legal de disponibilização — e tributação - de lucros, conforme item 4, alínea b, §2°, artigo 10 , da Lei n° 9.532/97 (artigo 394 do R1R/99)". Esclarece que a isenção não afeta a tributação, no Brasil, do lucro disponibilizado e que, além disso, a isenção só vigorou até 18/12/2001. Diz que o segundo auto de infração é improcedente porque o lucro já havia sido disponibilizado em 21/12/2001. Em 08/12/2008, o contribuinte é cientificado do acórdão (proc. fl. 430). Em 07/01/2009, apresenta recurso voluntário (proc. fls. 432 a 471), onde repete seus argumentos e diz juntar balancete do Bank de Boston Latino Americano S.A. de setembro de 2001, indicando o lucro de 1.512.415. A PGFN apresentou contra razões (proc. fls. 517 a 527). Declaração de voto: Frente aos fatos constantes no processo e acima resumidos, é necessário admitir que o segundo auto de infração complementar contém dois vícios igualmente graves, nenhum deles superável pelo art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972: 1°) o segundo auto foi lavrado por determinação de autoridade julgadora da DRJ, relatora do processo em que se discutia o primeiro auto de infração complementar; 2°) o segundo auto teve por fato tributável o mesmo (ou parte do mesmo) fato tributável do primeiro auto de infração, sem que o primeiro auto tivesse sido anulado. Ora, cada uma destas causas, mesmo em separado, é suficiente para determinar a nulidade do segundo auto de infração complementar. De fato, considerando o processo administrativo, quer como um método alternativo de solução de litígio, quer como uma processo pelo qual se controla a legalidade do lançamento, não é admissivel que o julgador determine que seja feito lançamentos sobre a matéria que deveria julgar. Também, não é admissivel a coexistência de dois lançamentos diferentes sobre o mesmo fato, pois nesta situação, ao invés do segundo lançamento ser um lançamento novo, na verdade é um lançamento alternativo. Dessarte, por estas razões, o segundo lançamento complementar é nulo. Assim, voto por negar provimento ao recurso de oficio, acompanhando o relator pelas conclusões. Já quanto ao primeiro lançamento complementar, o que se discute é a procedência ou não do lançamento. A lide não versa sobre eventual nulidade. Mesmo porque o lançamento atende a todos os requisitos formais e não há cerceamento de defesa. Assim, o que cabe avaliar é a procedência do lançamento, frente aos elementos e argumentos apresentados no processo. Nessa linha, cabe notar que o contribuinte integralizou capital no BBLA Holding Europe SL (nova investida) utilizando suas ações no Bank de Boston Latino Americano S.A (antiga investida). Conforme legislação, esta é uma das hipóteses legais de disponibilização de lucro. A operação foi registrada em 21/12/2001, mas o contribuinte utilizou — - - 45 Processo n° 16561.000068/2006-77 S I-CIT I Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 46 um balanço de 30/09/2001, alegando ser esta a data do evento. De fato, o contribuinte informa na sua impugnação (proc. fl. 154) que: Não foi aleatória a escolha desta data para levantamento do balanço patrimonial. Este resultado espelha a situação até o terceiro trimestre do ano de 2001, findo em 30.09.2001, e os valores apurados neste momento contábil representam o efetivo de aporte de ações para constituição da BBLA Holding Europe S.L. Por questões burocráticas, os seus atos constitutivos somente foram registrados em 21.12.2001, passando a ter personalidade jurídica a partir desta data. Em resumo, o contribuinte entende que: 1) a operação teria ocorrido em 30/09/2001, sendo o aporte quantificado com base no balanço levantado nesta data; 2) o atraso no registro decorreu de problemas burocráticos; 3) e esse atraso não altera a data da operação, que deve ser 30/09/2001. De outra banda, o Fisco entende que a operação ocorreu no momento do registro, em 21/12/2001. E importante destacar que é esta a divergência entre Fisco e contribuinte e é a partir dela que é feito o lançamento. Vale notar que tal divergência de interpretação sobre o momento em que ocorre a operação (que determina o momento da disponibilização dos lucros) não teria maiores efeitos caso não existisse uma expressiva diferença entre o lucro apurado em 30/09/2001 e o lucro apurado em 31/12/2001. Porém, a diferença existe e é grande. 0 lucro em 31/12/2001 é de € 62.935.558, enquanto o lucro apurado em 30/09/2001 é de € 1.512.415. Portanto, a análise da pertinência do lançamento tem de ser feita considerando: 1°) quem está com a razão sobre o momento do aporte; 2°) caso se entenda que é o Fisco que tem razão sobre o momento do aporte, cabe verificar se a quantificação feita pela fiscalização é razoável, frente aos dados que a fiscalização poderia encontrar. Assim,cabe recapitular que, conforme o relatório fiscal, o contribuinte foi intimado a esclarecer a situação, mas respondeu evasivamente, dizendo que a diferença de lucro (entre os balanços de 30/09/2001 e de 31/12/2001) estaria refletida na contabilidade da nova investida, BBLA Holding Europe SL (proc. fl. 73). Analisando os autos, constata-se que de fato a fiscalização tentou esclarecer a situação, por meio de intimação, lavrada em 20/07/2006. Nessa intimação se solicita, dentre outros, "apresentar demonstrações financeiras da BBLA-Portugal, mês a Ines, para o ano de 2001, tanto em euros quanto em reais" (proc. fls. 10). No mesmo documento, consta o não usual esclarecimento das razões da intimação, onde é informado ao contribuinte que "tal explicação se faz necessária pelas seguintes razões: 1) as contas da transferência do investimento de Portugal para Madrid (datado de 21 de dezembro de 2001) teriam sido feitas calculando o Patrimônio Liquido (e os lucros dentro dele) com a data de 30 de setembro de 2001; 2) em 30 de setembro de 2001, o BBLA-Portugal, apresentava Lucro para o Exercício de 2001 no valor de 1.512.415 euros, , 46 Processo n° 16561.000068/2006-77 S 1-C1 Ti Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 47 apenas; 3) em 31 de dezembro de 2001, entretanto, o mesmo BBLA -Portugal apresentou um Lucro para o Exercício de 2001 no valor total de 62.935.558 euros; ..." (proc. fl. 11). A intimação foi postada e recebida em 27/07/2006 (proc. fl. 12). 0 contribuinte solicitou prorrogação de prazo (proc. fl. 13). Em 10/10/2006, o contribuinte informou estar apresentando balancetes do BBLA em euros (proc. fl. 15). Vale notar que, não obstante a relevância destes balancetes para o deslinde do caso - em especial os referentes a setembro, outubro, novembro e dezembro de 2001, que podem determinar os momentos de formação dos lucros de 2001-, eles não foram anexados aos autos, nem pelo Fisco e nem pelo contribuinte. Em outra resposta do contribuinte à intimação (proc. fl. 108), ele informa que "o ato societário referente a constituição da BBLA Europe (Espanha) apresenta dados extraídos do balancete da BBLA Portugal do mês de Setembro de 2001 com lucro do exercício do ano-calendário 2001 de $ 1.512.415 euros". O contribuinte também informa que "lido obstante a utilização dos valores com base nos controles contábeis de Setembro de 2001, a BBLA Portugal auferiu lucro do Exercício de 2001 de $ 67.379.328,00 euros que, subtraído do lucro auferido até Setembro, $ 1.512.415 euros, perfaz um montante de $ 65.866.913,00". Ainda, o contribuinte diz explicar a situação informando que "destarte, tal valor esta refletido na contabilidade da BBLA Europe, e, por conseguinte, no balanço da BNP Brasil mediante registro da Equivalência Patrimonial". Frente as razões da intimação e a resposta do contribuinte, cabe destacar dois pontos. Primeiro, é preciso lembrar que a divergência entre fisco e contribuinte é quanto ao momento do evento, com a conseqüente diferença de valores aportados. Segundo é que o Fisco tentou esclarecer a situação, mas a explicação dada pelo contribuinte não explicou nada, nem respondeu As questões centrais que são: 1) o momento da operação; 2) os lucros existentes no momento da operação. Portanto, se percebe que a fiscalização tentou determinar os lucros existentes em 21/12/2001 (momento em que considerou efetivada a operação), intimando o contribuinte esclarecer a situação. Mas não obteve a colaboração do contribuinte. verdade que o Fisco poderia ter feito a indagação de modo direto, como o I. Relator José Ricardo entende que deveria ter sido feito. Por exemplo, o fiscal poderia ter intimado o contribuinte a informar os lucros em 21/12/2001 (data em que o Fisco entende que ocorreu o evento) ou a apresentar balanço de tal data. Mas, o fato de não fazê-lo, não prejudica o auto de infração. preciso considerar que o contribuinte já havia informado (e ratificou) que o balanço levantado para a operação foi o de 30/09/2001. Portanto, se o contribuinte sustenta que o balanço correto é o de 30/09/2001, não é possível obrigá-lo a apresentar balanço de outra data e é razoável que a fiscalização procurasse esclarecer a situação da forma que fez. importante notar que o modo pelo qual agiu a fiscalização oportunizou ao contribuinte informar o lucro em 21/12/2001. Mas, como se viu, o contribuinte preferiu ser vago sobre a questão: 1) não explicando porque adota para fins de definição do aporte um balanço de mais de 80 dias antes do registro da operação (com um lucro tão menor do que o apurado na data do registro); 2) nem apresentando o balanço da data que ocorreu o registro da operação (se acaso o lucro neste momento fosse muito diferente do lucro em 31/12/2001). Na 47 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 48 verdade, a resposta do contribuinte é vaga mas está coerente com o seu entendimento de que a operação ocorreu em 30/09/2001, embora o registro tenha sido em 21/12/2001. Assim, é razoável que, perante a falta de explicações e/ou a falta da indicação do lucro em 21/12/2001 pelo contribuinte, o Fisco adote o balanço de 31/12/2001, para fins de quantificação dos lucros existentes na data que considera ocorrida a operação, que foi em 21/12/2001. Afinal, se a operação ocorreu em 21/12/2001, é muito mais razoável utilizar um balanço levantado 10 dias depois do evento (com 2 fins de semana e um feriado de Natal), como fez o Fisco, do que a utilizar um balanço levantado 82 dias antes, como o adotado pelo contribuinte. E fundamental considerar que, na atividade fiscal, quando não é possível obter o exato valor econômico de fato tributável, é razoável considerar aquele que melhor retrate o fato. Esta ferramenta, além de ser válida normalmente, é a única que resta ao Fisco quando a exata quantificação depende apenas do contribuinte e este nega sua colaboração. Neste sentido, embora inaplicável por ser posterior ao fato tributável, vale observar que o art. 5 0 da IN SRF n° 213, de 2002, chega mesmo a admitir o arbitramento dos lucros em controlada no exterior que não disponha de sistema contábil que permita a apuração de seus resultados. No presente caso, ocorreu exatamente isso: frente a falta de colaboração do contribuinte, o Fisco quantificou o fato tributável com o elemento mais razoável disponível. Inclusive diga-se que, ficando determinado que a data do evento foi em 21/12/2001, a quantificação do Fisco é muito mais adequada do que a proposta pelo contribuinte, que consiste na utilização de um balanço muito mais distante. Ou seja, o balanço adotado pelo contribuinte s6 seria razoável caso se entenda que a operação ocorreu em 30/09/2001. Caso se entenda, como o Fisco entendeu, que o evento ocorreu em 21/12/2001, o balanço adotado pelo contribuinte não faz o menor sentido. Em resumo, o que ocorreu foi o seguinte: 1) o contribuinte se negou a esclarecer porque utilizou um balanço de 82 dias antes do evento, com um lucro de C 1.512.415, quando um balanço de 10 dias após o evento mostrava um lucro de €62.935.558; 2) o Fisco entendeu que a operação ocorreu em 21/12/2001; 3) o contribuinte não forneceu o balanço de 21/12/2001; 4) o Fisco adotou o balanço de 10 dias após o evento. Portanto, a decisão fiscal foi adequada e necessária. Mas, vale notar que a inércia do contribuinte em esclarecer a situação não ficou apenas na fase de auditoria. de se destacar que em nenhum momento do processo, nem nas duas impugnações, e nem no recurso, o contribuinte se preocupa em informar o lucro em 21/12/2001. Por outro lado, o contribuinte pretende que o lançamento seja cancelado exatamente por não ser feito com base no balanço de 21/12/2001. 48 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 49 Ora, sendo a única pessoa que poderia dar tal informação, e devendo ter interesse em demonstrar os fatos (caso o balanço de 31/12/2001 não retratasse adequadamente a situação de 21/12/2001), não há explicação para o contribuinte não esboçar qualquer atitude neste sentido, durante tanto tempo. No entanto, a defesa do contribuinte consiste em insistir em teses jurídicas sobre a tributação de lucro obtido no exterior, ou insistir que o balanço usado pela fiscalização não foi o da data que o Fisco entendeu ter ocorrido o evento. Cabe resumir como a lide chega ao Carf. A primeira discordância entre contribuinte e Fisco é a determinação do momento em que deve ser considerada feita a operação. 0 contribuinte defende que foi feita em 30/09/2001, sendo o atraso no registro mero problema burocrático, por isso defende o uso do balanço de 30/09/2001. 0 Fisco entende que a operação ocorreu em 21/12/2001 e, após buscar sem sucesso explicações/informações junto ao contribuinte, usa o balanço mais próximo da data do evento. 0 contribuinte, ao invés de contestar a data adotada pelo Fisco para o evento, ou demonstrar que o lucro em 21/12/2001 era menor que o lucro de 31/12/2001, alega apenas que o Fisco usou o balanço errado. Assim, o contribuinte desiste de discutir o momento da operação e passa a alegar erro formal da fiscalização, dizendo que o Fisco deveria ter adotado um balanço de 21/12/2001, quando é ele quem não fornece tal dado ao Fisco. Pior, pretende com isso justificar a utilização do balanço de 30/09/2001, que declara um lucro quase 60 vezes menor e que não corresponde a data que ele parece finalmente admitir para a operação. Porém, tal expediente não pode prosperar, principalmente quando: 1) o contribuinte parece concordar que a data do evento é 21/12/2001, e não 30/09/2001 2) o auto de infração se baseia em tão razoável quantificação do lucro na data do evento, frente a falta de informação do exato lucro pelo contribuinte. Portanto, analisando o processo sob este enfoque caberia aceitar o emprego do lucro apurado no balanço de 31/12/2001, e considerá-lo disponibilizado no evento de 21/12/2001. Isso implicaria em concordar com o acerto do lançamento. Mas, algumas menções esparsas no processo, bem como afirmação textual da turma julgadora, mostram que outro aspecto da situação é importante e deve ser considerado. De fato, embora a fiscalização não explicite as razões que a fizeram adotar o balanço de 31/12/2001, é possível existir outra motivação, além da ausência de informação do contribuinte e da proximidade temporal da apuração com o evento. No voto encampado pela turma julgadora, é dito que a diferença de € 61.423.143 constava do balanço de 30/09/2001 como lucro suspenso, em razão de isenção, e por isso deve ser considerada disponibilizada no aporte feito em 21/12/2001. A passagem onde consta tal afirmação, que foi fundamento da decisão, 6 a seguinte @roc. fl. 423): Isso porque o referido valor já constava do balanço da BBLA -Lisboa de setembro de 2001, embora com outra rubrica. Não constava como lucro do exercício, mas corno lucro suspenso, ern face da isenção do "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas" (IRC), nos termos do artigo 41 do "Estatuto dos Beneficios Fiscais", por exercer suas atividades na "Zona Franca Exterior da Madeira". 49 Processo n° 16561.000068/2006-77 si -CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 50 Além disto, vale notar que o Bank de Boston Latino Americano S.A mudou- se para Lisboa em 19/12/2001 (proc. 11. 32), passando a exercer sua atividade fora da Zona Franca da Madeira (proc. fl. 97). Já o termo de verificação fiscal do segundo auto de infração complementar (fl. 248), citando relatório, que não consta dos autos e provavelmente está no processo 16327.000299/2006-53, diz que "segundo o Relatório jc't referido no item 1.6,.... "( ..) até 18 de dezembro de 2001, o Banco (se) beneficiou da isenção de IRC ao abrigo do artigo 410 do Estatuto dos Benefícios Fiscais, dado que a sua actividade foi exercida na Zona Franca Exterior da Madeira. "(A 107)". Isso confirma que, de fato, até 18/12/2001, o contribuinte exercia atividade em região que o isentava de tributação. Por isso, o comentário feito pela julgadora pode estar correto e o lucro em discussão estar reconhecido no balanço de 30/09/2002, como lucro suspenso. 0 que justificaria plenamente a utilização do lucro estampado no balanço de 31/12/2001. Assim, pode ser que os balancetes mensais de 2001, na sua versão completa (pois o balancete de 30/09/2001, juntado com o recurso voluntário está incompleto), esclareçam definitivamente a questão. Enfim, é possível que a razão da escolha da fiscalização de utilizar o balancete de 31/12/2001 para quantificar o lucro disponibilizado, explicada mas não explicitada, tenha 2 bases, ambas válidas: la) ausência de informação do contribuinte e adequação do balanço utilizado como o melhor elemento disponível para indicar o lucro em 21/12/2001; 2) registro do lucro em conta de lucro suspenso, desde antes da operação. Mas, para bem verificar estas duas possibilidades é preciso examinar os balancetes mensais de 2001, que foram apresentados ao Fisco, mas não foram juntados ao processo, tal como alguns outros documentos mencionados. Por estas razões, voto por converter o processo em diligência, para que: 1) sejam juntados os balancetes Loyiplgkls do Bank de Boston Latino Americano S.A de todos os meses de 2001; 2) seja informado se, além do lucro do exercício, constou como lucro suspenso algum valor nos meses de setembro a dezembro de 2001, informando o exato valor em caso positivo; 3) seja juntado o relatório do processo n° 16327.000299/2006-53. Não sendo o julgamento convertido em diligência, voto pela improcedência do recurso voluntário. Sala de sessões, 11 de junho de 2012. ar os Eduardo de Almeida Guerreiro. 50
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720207/2012-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO
Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social.
Eventuais recolhimentos efetuados, no período, na sistemática do SIMPLES, via DARF, devem ser considerados pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.755
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a Administração Tributária considere os recolhimentos realizados em DARF referentes à Contribuição Patronal Previdenciária - CPP.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a Administração Tributária considere os recolhimentos realizados em DARF referentes à Contribuição Patronal Previdenciária - CPP. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
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ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social. Eventuais recolhimentos efetuados, no período, na sistemática do SIMPLES, via DARF, devem ser considerados pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a Administração Tributária considere os recolhimentos realizados em DARF referentes à Contribuição Patronal Previdenciária CPP. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 02 07 /2 01 2- 13 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão que bem sintetiza os autos lavrados. ▪AIOP relativo à parte patronal e SAT/RAT Debcad n.º 51.006.8693, no valor de R$ 67.935,57; ▪AIOP relativo a contribuições a terceiros Debcadn.º 51.006.8707, no valor de R$ 12.702,79; Informa o Relatório Fiscal (fls. 133/135) que, tendo a empresa sido incluída no Simples Nacional a partir de 01/01/2010, as bases de cálculo foram obtidas dos valores constantes nas folhas de pagamento e GFIP da autuada para os estabelecimentos matriz e filial, à exceção do contribuinte individual Marcos Eduardo Simon de Campos, cujos honorários foram extraídos da contabilidade da empresa, uma vez que tal remuneração não foi declarada em GFIP. O r. acórdão – fls 274 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo os autos de infração lavrados. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Conquanto a peticionária tenha asseverado que seu ingresso no regime Simples Nacional tenha ocorrido a partir de 01/01/2009 consoante prova o TERMO DE DEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, para a Fiscalização a recorrente teria sido admitida no regime Simples Nacional apenas a partir de 01/01/2010. · Em relação ao exercício de 2009, indicado nos autos de infração acostados aos autos, embora a Fiscalização tenha apontado que a recorrente não teria pago as contribuições sociais devidas nosaludidos exercícios, isso, com todo respeito, não corresponde à realidade, sobretudo porque as referidas contribuições foram recolhidas na forma da legislação atinente ao Simples. · Consta do TERMO DE DEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, logo abaixo da razão social da contribuinte, que “sua opção pelo Simples Nacional está confirmada com efeitos a partir de 01/01/2009” (sublinhado da transcrição). · Necessidade de compensação das contribuições sociais apontadas como devidas com aquelas já recolhidas na forma do regime simples nacional. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 5 4 · Equivocada capitulação legal das multas aplicadas à recorrente e a possibilidade de sua relevação ou redução. as multas aplicadas à recorrente jamais poderiam ultrapassar o percentual de 20% (vinte por cento) sobre o suposto débito previdenciário, não podendo, assim, em hipótese alguma, atingir o percentual de 75% (setenta e cinco por cento)utilizado pela Fiscalização. · Inobservância da vedação constitucional ao confisco e o princípio da razoabilidade ou da proporcionalidade. · Requer seja conhecido o presente recurso e acolhidos os argumentos ora expendidos, para o fim de cancelar ou tornar insubsistentes os autos de infração e imposição de multa nº 51.006.8693 e 51.006.870 7. Caso o pedido formulado acima não seja acolhido, o que se admite apenas para argumentar, pedese ainda, deforma sucessiva, seja reformado o acórdão recorrido de forma parcial, a fim de que sejam considerados e devidamente compensados os recolhimentos das contribuições sociais realizados na forma do regime Simples Nacional durante o exercício de 2009. Por fim, reitera a recorrente sejam as multas impostas relevadas ou ao menos minoradas, dada a completa ausência de dolo ou máfé por ocasião do recolhimento das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O ponto controverso a ser dirimido cingese a decidir se, no ano de 2009, a recorrente encontravase ou não regularmente inscrita no SIMPLES. Os documentos acostados às fls 272 e 273, referentes a consulta dos sistemas informatizados da receita federal demonstram que a recorrente não estava inclusa no sistema simplificado no período em questão. No corpo de seu recurso e da impugnação apresentada, temos a colagem de termo de deferimento de opção, sem ter sido anexado o documento a qual se refere ou como o mesmo foi obtido. Dessa feita, tenho como não afastado o que consta das consultas realizadas nos sistemas oficiais da receita federal, onde demonstra a opção a partir de 01.01.2010. Correta assim a análise da r decisão, nesses termos: Quanto à afirmação, por parte da interessada, de estar inscrita desde 01/01/2009, tendo anexado, em sua impugnação, trecho do Termo de Deferimento da Opção pelo Simples Nacional (fls. 246), de acordo com pesquisa efetuada no sistema Simples Nacional – Entes Federados (fls. 273), no calendário do histórico da opção, constatase a ocorrência, em janeiro/2009, do evento “Período Nulo”. No mesmo gráfico, é possível visualizar claramente a data do início da vigência da opção, de onde concluise não ter tido eficácia o Deferimento da Opção apresentado, devendo ser o dia 01/01/2010 considerado como data inicial da referida opção. DA MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício aplicada encontrase regida pelo art. 35A da Lei nº 8.212/1991, o qual determina a aplicação conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/199, no percentual de 75%(setenta e cinco por cento), que transcrevo. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... Fl. 314DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 7 6 Dessa feita, correta a aplicação do índice pelo auditor autuante. PARCELAS PAGAS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. APROVEITAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES. Requer ainda o contribuinte o aproveitamento das parcelas recolhidas ao SIMPLES, via DARF. Vejamos o arcabouço legal envolvido na questão. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: ... VI Contribuição Patronal Previdenciária CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5ºC do art. 18 desta Lei Complementar; ____________ Lei 11.457/09: Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2o desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2o desta Lei." _____________ Do que posto, tenho que não há que se falar em compensação da contribuição recolhida na sistemática da LC 123/06, pois efetivamente se trata de recolhimento de contribuição patronal previdenciária. Assim sendo, na apuração do que devido, a administração tributária deve considerar os recolhimentos em DARF correspondentes a tal parcela, na forma dos anexos da prefalada lei. Nessa linha, temos a súmula 76: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que a Administração Tributária considere os recolhimentos realizados em DARF referentes à Contribuição Patronal Previdenciária CPP. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908206/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 60/64), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação declarada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 20 6/ 20 09 -9 1 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 98 2 homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP alicerçada em suposto pagamento a maior de COFINS, declaração a qual não foi homologada tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório foi integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que o crédito seria decorrente do pagamento a maior efetuado em 14/03/2003. Ressalta, ainda, que a RFB não se aprofundou na análise da questão, pois acaso houvesse requisitado esclarecimentos do contribuinte teria constatado o equívoco deste e procedido à retificação de ofício da DCTF, haja vista não mais ser possível a citada retificação através do programa próprio, posto já haver excedido o prazo de cinco anos nos quais é admitida a utilização do aludido programa. Assevera que se porventura os esclarecimentos que viessem a ser fornecidos fossem insuficientes, necessário seria que a Delegacia de Julgamento determinasse o diligenciamento na empresa para aferição da absoluta procedência do pleito. Ressalta que seu direito está amparado nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. A título de comprovação do crédito apresentou cópia de DARF e da DCTF do período (parcial), solicitando, ao final, a homologação da compensação pretendida. Ao examinar a questão, a DRJ Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado (artigo 170 do CTN), já que o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao direito aduzido. Quanto ao pedido de diligência, o mesmo foi indeferido sob o argumento de que o momento de apresentação de provas é quando da formalização da impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como por não constar dos autos nenhuma apuração ou outro indício que indicasse pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Cientificada da referida decisão em 08/02/2012 (vide AR às fls. 66 do processo eletrônico), a interessada, em 08/03/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 69/76, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal relativamente à legitimidade do crédito, tendo aduzido, adicionalmente, que o indeferimento da diligência na primeira instância prejudicou a instrução processual e a formação de convicção dos julgadores, razão pela qual requer “seja determinada a diligência indeferida, pois, desta forma, restará confirmada a efetiva base de cálculo do tributo no período de apuração aqui em questão”. Acosta aos autos planilhas demonstrativas de cálculo (fls. 79/86), cópias parciais da DCTF e da DIPJ do período (aparentemente, das declarações originais) – fls. 87/92, e cópias Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 99 3 de DARF (fls. 93/94). Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência com fito na comprovação da legitimidade dos cálculos apresentados pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A decisão de primeira instância entendeu por bem não acolher a manifestação de inconformidade da interessada em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito destinado a compensação via DCOMP. Com efeito, a DRJ Campinas se alicerçou na falta de um conjunto probatório capaz de comprovar o pagamento indevido aduzido pelo sujeito passivo. Ressaltou que a interessada não apresentou “nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior [...]”. De fato, a suplicante, naquela instância, não acostou ao autos nenhum demonstrativo ou documento que comprovasse o reclamado pagamento indevido necessário a dar suporte à compensação pleiteada. Nesta segunda instância a recorrente apresenta demonstrativo de cálculo das receitas financeiras do período, já que o suposto pagamento a maior seria decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre essa questão, de fato, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, “no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. Posteriormente, o mesmo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema. Aludida decisão há que ser observada pelos conselheiros deste CARF, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 62 do Anexo II do Regimento deste Conselho, e, notadamente, em seu artigo 62A, segundo o qual “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, quanto ao direito substancial invocado, há plausibilidade no pleito da recorrente, já que, diante da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é indevido o pagamento das contribuições (PIS ou COFINS) sobre as receitas financeiras. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 100 4 Concernente aos demonstrativos anexados pela interessada, consta da primeira planilha (fls. 79) que as receitas financeiras do mês de fevereiro/2003 correspondem a R$ 419.753,05, sobre cujo valor, se aplicada a alíquota da COFINS, chegase ao montante do crédito aduzido, qual seja, R$ 12.592,59. As rubricas que compõem o total das receitas financeiras constam da tabela de fls. 85. Nesta, contudo, observase que alguns dos registros geram dúvida quanto à legitimidade de seu enquadramento como receitas financeiras. Tal questão, merece ser analisada pela unidade preparadora. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se a base de cálculo declarada das receitas financeiras corresponde à contabilizada na escrituração da contribuinte, atentando para a natureza das rubricas discriminadas na tabela de fls. 85, notadamente: “outras receitas” e “remuneração de cobrança”. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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