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Numero do processo: 10725.903039/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.324
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 39 /2 00 9- 13 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903039/200913 Acórdão n.º 1402003.324 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903039/200913 Acórdão n.º 1402003.324 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903039/200913 Acórdão n.º 1402003.324 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903039/200913 Acórdão n.º 1402003.324 S1C4T2 Fl. 6 5 comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903039/200913 Acórdão n.º 1402003.324 S1C4T2 Fl. 7 6 Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903039/200913 Acórdão n.º 1402003.324 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727674/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/03/2011
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO SEM TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA.
Só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito declarado em GFIP e não comprovado carece de liquidez e certeza.
Não havendo o trânsito em julgado da ação, não há também o direito do contribuinte em efetuar tais compensações.
MULTA ISOLADA. DIREITO LIQUIDO E CERTO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EM GFIP.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% do valor da glosa da compensação.
Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado.
SUJEIÇÃO PASSIVA
A compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135, III do CTN.
APLICAÇÃO DA MULTA.
A multa a ser aplicada nos casos de glosa de compensação, deve respeitar o art.35 da lei 8212/91, ou seja, 20%.
Numero da decisão: 2301-005.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer do recurso de ofício. Acordam ainda, quanto ao recurso voluntário (b) rejeitar as preliminares e no mérito, (c) negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/03/2011 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO SEM TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA. Só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito declarado em GFIP e não comprovado carece de liquidez e certeza. Não havendo o trânsito em julgado da ação, não há também o direito do contribuinte em efetuar tais compensações. MULTA ISOLADA. DIREITO LIQUIDO E CERTO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% do valor da glosa da compensação. Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado. SUJEIÇÃO PASSIVA A compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135, III do CTN. APLICAÇÃO DA MULTA. A multa a ser aplicada nos casos de glosa de compensação, deve respeitar o art.35 da lei 8212/91, ou seja, 20%.
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO SEM TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA. Só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito declarado em GFIP e não comprovado carece de liquidez e certeza. Não havendo o trânsito em julgado da ação, não há também o direito do contribuinte em efetuar tais compensações. MULTA ISOLADA. DIREITO LIQUIDO E CERTO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% do valor da glosa da compensação. Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado. SUJEIÇÃO PASSIVA A compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135, III do CTN. APLICAÇÃO DA MULTA. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 76 74 /2 01 5- 21 Fl. 292DF CARF MF 2 A multa a ser aplicada nos casos de glosa de compensação, deve respeitar o art.35 da lei 8212/91, ou seja, 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer do recurso de ofício. Acordam ainda, quanto ao recurso voluntário (b) rejeitar as preliminares e no mérito, (c) negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recurso de ofício e dois recursos voluntários (efls 202/233 e de efls 262/290) interpostos em face do Acórdão nº 09061.578 (efls 174/189), prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente impugnação apresentada em face dos autosdeinfração referentes à glosa de compensação indevida de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo, conforme declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, mediante inserção de créditos inexistentes na referida declaração (efls 2/9), bem como, à aplicação de multa isolada pela mesma conduta (efls 10/16). 2. Esclareçase que as razões trazidas nos recursos voluntários do contribuinte (efls 202/233) e do responsável solidário (efls 262/290), com poucas exceções, são idênticas àquelas que constam nas peças impugnatórias, motivo que nos leva a transcrever o relatório da decisão de primeira instância, suficiente para a compreensão do contexto do litígio. Relatório1 Tratase o presente processo da lavratura de auto de infração referente a glosa de compensação indevida de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga, devida ou credita aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo, conforme declarado na GFIP, mediante inserção de créditos inexistentes na referida declaração bem como, auto de infração referente a aplicação de multa isolada pela conduta. 1 Acórdão 09061.578, efls 175. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.727674/201521 Acórdão n.º 2301005.521 S2C3T1 Fl. 293 3 O valor do auto de infração referente a glosa de compensação indevida é de R$2.847.605,19 (dois milhões, oitocentos e quarenta e sete mil, seiscentos e cinco reais e dezenove centavos), valores originários sem juros e multa. O valor do auto de infração referente a multa isolada é de R$ 4.271.407,79 (quatro milhões, duzentos e setenta e um mil, quatrocentos e sete reais e setenta e nove centavos). 2 O período de lançamento do crédito tributário referese a competência relativa ao 13° salário de 2010 no tocante à glosa de compensação indevida e quanto à aplicação de multa isolada por falsidade da declaração, a competência é 03/2011 tendo em vista o envio da GFIP ter ocorrido no dia 11/03/2011. A autoridade lançadora informa que em uma reunião agendada com o contribuinte foi esclarecido que apesar de ser período coincidente em parte com a outra ação fiscal os procedimentos são distintos e o escopo das fiscalizações são diferentes, e que foi informado pelo procurador da empresa que o sujeito passivo possui ação judicial onde se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de Horas Extras e Adicional Constitucional de Férias nos processos 2010.61.04.0086271 (2a Vara), 2010.61.05.0149101 (4ª Vara), e 2010.61.00.0212149 (11ª Vara). O procurador da empresa, segundo relatório fiscal, informou não dispor do memorial do cálculo, mas afirma que o crédito apurado tem origem nos pagamentos efetuados no ano de 2005. Contudo, não apresentou nenhuma decisão judicial para amparar as compensações realizadas, nem exibiu o controle financeiro de apuração e aproveitamento do suposto crédito. Disse mais, que, apesar de ter conhecimento da prescrição dos créditos solicitados, esse instituto não os afetou, haja vista estarem amparados pelo questionamento judicial. Após citar dispositivo do CTN a autoridade lançadora diz: 3.2.Desta forma, os pagamentos efetivados pelo sujeito passivo aos cofres públicos que se refira a tributo, objeto de contestação judicial, somente poderão ser compensados, nos termos do Código Tributário Nacional, após o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Portanto, é defeso ao contribuinte a compensação de tributo ainda carente de decisão definitiva. A fiscalizada, ainda, deixou de apresentar qualquer elemento de prova dos créditos aproveitados, nesse sentido inclusive a depor contra sua própria pretensão, estão as GFIP por ela enviadas em que se verifica a inconsistência do crédito pretendido. Ressaltese que a fiscalização cuidou de apurar os dados sobre a última declaração exportada e não cancelada. Intimada, mediante procedimento eletrônico, a indicar a origem dos créditos, a empresa apontou para a competência Janeiro/2006. Verificouse uma relevante diferença entre o montante dos créditos disponíveis na competência indicada em cotejo com o montante dos valores compensados. Após o relatado a autoridade lançadora disserta sobre os dispositivos que fundamentam a aplicação da multa isolada, inclui tabelas demonstrando as informações em GFIP e diz que após análise dos pagamentos das GPS concluiuse que o contribuinte efetuou o recolhimento parcial das contribuições devidas no prazo legal e somente "complementou" o pagamento a partir de 10/03/2011 nos códigos 2119 e 2100. Em seguida, no dia 11/03/2011, retificou as GFIP com o registro de 2 Acórdão 09061.578, efls 176. Fl. 294DF CARF MF 4 créditos indevidos a título de compensação com o intuito de inibir a cobrança automática. Continua: 4.4. A prática reiterada de compensação de créditos inexistentes configura abuso de direito, caracterizado pela inserção de dados falsos, relativos a crédito de contribuição previdenciária na GFIP. Restou, destarte, comprovada a presença inequívoca do dolo, ou seja, a intenção clara do sujeito passivo em falsificar e fraudar. 3 Informa que foi emitido RFFP. Da Sujeição Passiva A autoridade lançadora informa que o sócio administrador da autuada no período da infração 01/12/2010 a 31/03/2011, Sr. JOSÉ JACOBSON NETO, CPF 643.171.53815, também foi arrolado, por força do disposto no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, como sujeito passivo nos presentes autos de infração, na condição de responsável solidário. Continua: 5.6. Conforme já, exaustivamente demonstrado neste relatório, bem como no AI e seus anexos que acompanham este termo, a empresa GP GUARDA PATRIMONIAL DE SÃO PAULO LTDA, através de seu representante legal (sócioadministrador), acima identificado, infringiu a legislação tributária e, em tese, a legislação penal, quando efetuou compensações sem o respectivo suporte legal, declarando nas GFIP na competência 13/2010, no campo "Compensação Valor Compensado", valores a compensar indevidamente. A contribuinte foi cientificada pessoalmente através de seu procurador em 17/12/2015 e apresentou impugnação em 14/01/2016, conforme folhas 60/724 do processo. Abaixo segue síntese das alegações: Preliminarmente afirma que os documentos fiscais, como folhas de pagamento, livro diário e livro razão, sempre esteve à disposição da fiscalização, a partir da emissão do termo de intimação e que a impugnação referese ao não acatamento de compensações. Alega nulidade do lançamento, prevista no artigo 59, I, do Decreto 70.235 e também do artigo 12 do Decreto 7575/2011, por não ter sido emitido pelo Delegado da DRF Campinas, uma vez que a não homologação de compensação informada em GFIP é ato privativo do chefe da unidade e que o documento hábil não seria auto de infração e sim Notificação de lançamento pela não homologação e entende também que o débito deveria ter sido lançado como revisão de ofício, assim não era cabível multa isolada. Ressalta ainda que o lançamento foi efetuado com emissão prévia de MPF e que a portaria 3014 da RFB estabelece no seu artigo 10, IV que não será emitido MPF nos casos relativos a revisão interna de declaração. Refuta as informações contidas no relatório fiscal acerca do auto de infração e do débito que deu origem ao lançamento e diz que o lançamento foi arbitrado, uma vez que não foi verificado o faturamento contabilizado, aplicada alíquota de 11% e comparado com os valores informados em GFIP, pois a empresa tem como objeto social a prática de operações de mão de obra com serviços administrativos em segurança patrimonial. 3 Acórdão 09061.578, efls 177. 4 efls 75/103 > impugnação interposta pelo contribuinte Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10830.727674/201521 Acórdão n.º 2301005.521 S2C3T1 Fl. 294 5 Alega que o lançamento referente a glosa de compensação efetuada na competência 12/2010 e que se refere na verdade a 13/2010 não pode prosperar posto que o contribuinte têm créditos a compensar devidamente informados em GFIP e que ainda que seja mantido o lançamento deve ser reconhecida a decadência dos valores lançados, ocorrida em 30/11/2015. 5 Ressalta que ocorreu nulidade também do lançamento pela fixação da multa de compensação indevida no patamar de 75% e ainda que fosse válido tal lançamento a multa a ser aplicada seria de 20%. Diz ser confuso o relatório fiscal e que as planilhas de cálculos são inteligíveis, não havendo no processo em sua totalidade qualquer elemento que norteia o entendimento das planilhas e o valor apurado como compensação indevida. Não havendo também menção às retenções que a empresa sofreu quando do faturamento a seus tomadores de serviço. Em relação a multa isolada lançada na competência 03/2011 informa ter créditos a compensar e que tal lançamento se deu em virtude da glosa da compensação, sendo esta decadente fica prejudicado o lançamento da multa. Alega o caráter confiscatório da multa que totaliza em 225% (100% de glosa da compensação, multa de mora de 75%, mais 150% de multa isolada) e diz que o STF já decidiu a matéria em decisão com Repercussão Geral no RE 582.461/SP, o que deve ser respeitado pela RFB. Ressalta que os fatos jurídicos indispensáveis ao nascimento do liame obrigacional à contribuição do art.31 da Lei número 8.212/91 não estão presentes nesta notificação fiscal de lançamento de débito e desta forma não poderia ter sido emitido auto de infração. Afirma ter recolhido todas as contribuições cabíveis, tanto dos empregados, como da empregadora e utilizou de compensação de retenção de valores de acordo com a legislação e que apenas a ocorrência do fato gerador não obriga o contribuinte ao pagamento é necessária a constituição do crédito tributário, que se dá através do lançamento, que representa um ato administrativo vinculado. Alega que não é cabível a presunção na tributação, está só é cabível quando expressamente prevista em lei e que diante de eventuais indícios de omissão de remuneração, a fiscalização deve aprofundar os trabalhos fiscais de modo a comprovar ou não a ocorrência da irregularidade. Diz: O relatório fiscal que acompanha o lançamento é conflitante. A competência do auditor fiscal é relacionada a contribuições patronais devidas à Seguridade social devidas pela empresa, incidentes sobre o total das remunerações pagas, deixa de informar o salário de contribuição., a apuração das contribuições, o valor devido a titulo de segurados, o valor devido a titulo de contribuição ao GILRAT. Não informa as bases de cálculo. Não apura as contribuições. Por outro lado, o anexo da FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO DÉBITO FLD, aponta o código 501 COMPENSAÇÃO INDEVIDA, artigo 89 da Lei 8.212/91com redação da lei 9.129 de 20.11.1995 além dos artigos 247 a 249, 251 e artigo 219, parágrafos 4 e 9. A atribuição da matéria relativa a compensação é exclusiva do titular da unidade, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba, tendo havido 5 Acórdão 09061.578, efls 178. Fl. 296DF CARF MF 6 usurpação da atribuição por um integrante da Unidade, que não vem a ser o seu Dirigente. [eFls. 179] Descreve os dispositivos legais que trata sobre a retenção de 11% das empresas prestadoras de serviço, bem como o Parecer PGFN/CAT N°466/2014 e alega que as empresas submetidas à retenção de 11% SOBRE O FATURAMENTO estariam isentas da contribuição previdenciária, posto que a retenção seria forma substitutiva da contribuição devida por prestadores de serviço com cessão de mão de obra. 6 Alega ter informado ao auditor fiscal a natureza da compensação, apresentando documentação comprobatória do seu direito, tendo direito a créditos decorrentes de compensação não efetuada de retenções anteriores e que de acordo com a legislação tais créditos podem ser compensados em qualquer estabelecimento da empresa cedente de mão de obra e que devido a isto os utilizou a partir de 2010 e que desta forma devem ser considerados válidos. Informa, ainda, que tal procedimento está de acordo com o previsto na MP 449 convertida na lei 11.941/2009, sendo ainda que tudo devidamente informado em GFIP. Alega verdadeiro confisco em relação a aplicação da multa de mora, sendo tal reconhecido pelo STF, e caso seja imposta a multa, esta deve ser reduzida para razoáveis e aceitáveis níveis de 20%, requerendo a retificação dos valores aplicados com relação a multa à redução de 50% em todo o período. Reitera a incompetência da autoridade lançadora em proceder o lançamento e diz que tal compensação não poderia ser atacada via auto de infração de ofício, mas Homologação ou não do direito creditório. Continua dizendo que, sendo o auto de infração lavrado por pessoa incompetente tal auto é nulo de acordo com o art.59, I do Decreto 70.235, alega ainda, que o confronto entre a FLD e o Relatório Fiscal são conflitantes uma vez que na FLD aponta o código 51 COMPENSAÇÃO INDEVIDA, artigo 89 da lei 8.212/91 e pelo relatório fiscal ocorreu infração ao artigo 47 da IN 971/2009. Diz ainda O relatório fiscal nos seus itens 2.3 e 2.4 aponta apenas que houve reunião com o Representante Legal da Impugnante sobre a natureza da compensação. Referida reunião não foi documentada em ata. Os termos são vagos e não justificam o lançamento ora impugnado. Não existe prova de que o impugnante não tinha sobra de retenções de 11%para utilização na GFIP do 13°salário de 2010. Além das sobras de retenção de 11%, o Impugnante ainda detém créditos decorrentes de decisão judicial nos processos que tramitam perante o TRF da 3a Região, processos: 000862743.2010.4.03.6104, 001491079.2010.4.03.6105, 0021214 12.2010.4.03.6100. Em todos estes processo, decisões anexas, o Impugnante foi autorizado a proceder a compensações de contribuições incidentes sobre verbas que foram vertidas e tidas como não exigíveis pela Justiça Federal. Pede que seja reconhecida a nulidade do lançamento em virtude da incompetência do auditor fiscal em proceder o lançamento, bem como a incompatibilidade do relatório fiscal e relatório de fundamentos legais do débitos FLD e pela aplicação da multa da glosa de compensação no percentual de 75% quando o correto seria de 20%. Pede ainda, o acatamento do Parecer da PGFN PGFN/CAT N°466/2014. 7 6 Acórdão 09061.578, efls 179. 7 Acórdão 09061.578, efls 180. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10830.727674/201521 Acórdão n.º 2301005.521 S2C3T1 Fl. 295 7 Pede também que seja acatado o direito da Impugnante em proceder à compensação de créditos válidos decorrentes do crédito havido junto aos tomadores de serviço, independentemente de constar tais créditos em GFIP. Enfim pede que seja dado conhecimento e provimento a presente impugnação para que seja declarada a insubsistência da autuação, por ser medida de direito e da mais lídima. Da Impugnação do responsável solidário Alega que jamais poderia figurar como coresponsável pelo suposto débito, conforme arbitrariamente e ilegalmente lançado no aludido auto de infração, uma vez que não existem razões para o lançamento fiscal incluílo como, tal haja vista não ser ele sujeito passivo da obrigação tributária. Ressalta que o auto de infração referese a compensação de contribuições previdenciárias declaras em GFIP e que a legislação determina como sujeito passivo o próprio empregador. Assim, somente a empresa estaria inicialmente obrigada ao cumprimento desta obrigação tributária e conseqüentemente pelo auto de infração, as outras hipóteses onde os sócios e procuradores poderiam ser responsabilizados estão previstas nos artigos 134 e 135 do CTN e não ocorreram no presente caso. Alega que não existem razões para imputação desta responsabilidade sendo este ato totalmente ilegal e arbitrário e: "A IMPUGNANTE encontrase em plenas condições de saldar a dívida nestes autos exigida, não está tentando se esquivar de suas obrigações legais, e nenhum ato foi praticado com abuso de poder ou infração ao disposto no estatuto social da companhia." Colaciona julgados e alega que a Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da lei 8.620/93, indo ao encontro do entendimento do STJ, que somente em caso de dolo ou culpa, ou seja a hipótese prevista no inciso III do artigo 135 do CTN os sócios poderiam ser responsabilizados, sendo que a auditoria fiscal não produziu qualquer prova da ocorrência da hipótese legal. Diz: Não houve por parte da auditoria fiscal a prova da existência de abuso, fraude de caráter penal, sonegação, uso de testasdeferro, condutas dolosas, etc. O fisco não conseguiu provar a ocorrência de qualquer elemento do artigo 135 do CTN, aplicando tese de responsabilidade subjetiva, culpa presumida. ... A auditoria fiscal não detalha onde, como e quando ocorreu a hipótese de excesso de poderes ou infração de lei, posto que a não entrega de GFIP ou entrega de GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de obrigação previdenciária é apenas uma obrigação acessória, que gerou um auto de infração que sequer foi incluído entre os débitos com sujeição passiva solidária. Assim, alega que não havendo comprovação da prática dos atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto a responsabilidade solidária deve ser afastada. Neste sentido cita acórdão do STF em julgamento do RE 562.276 que decide na mesma linha por ele defendida. 8 8 Acórdão 09061.578, efls 181. Fl. 298DF CARF MF 8 Faz considerações acerca da inexistência do ARROLAMENTO DE BENS do responsável, citando o parágrafo 4° do artigo 2° da IN 1171 de 07 de julho de 2011 e conclui que sendo o patrimônio do contribuinte suficiente para satisfação do crédito tributário, a sujeição passiva solidária é imprópria, mesmo antes do juízo de sua admissibilidade. Pede a improcedência do auto de infração e da responsabilidade solidária, nos termos das razões apresentadas, pelas partes, e pela decisão do STF no julgamento do RE562.276/PR em que foi adotado o procedimento do artigo 543B do CPC, REPERCUSSÃO GERAL, de entendimento também obrigatório pelo CARF; E por fim, diz que o fisco não comprovou a ocorrência da hipótese do artigo 135 do CTN e que não o fazendo descumpriu os termos da Portaria PGFN 180 de 25 de fevereiro de 2010. Pede finalmente que sejam julgados em conjunto todos os lançamentos ocorridos na ação fiscal em curso. 3. Os acréscimos possíveis de se divisar no recurso voluntário interposto pelo contribuinte podem ser sintetizados como se segue: 3.1. Reiteração da questão sobre questão sobre a competência do auditorfiscal para conduzir fiscalização com alvo em compensações (efls 203). 3.2. Argumentação relacionada à exoneração da multa, de 75% para 20%, feita pela decisão de primeira instância. Diz (efls 216): Acolhida a tese que a multa aplicada está incorreta, não pode prevalecer a multa de 20%, porquanto não está fundamentada no lançamento. O lançamento deveria fundamentar a multa nos artigos 35 e 89 parágrafo 9o da Lei 8.212/91 combinado com o artigo 61 da Lei 9.430. A multa que consta do lançamento é de 75% com fundamentação incorreta, artigo 441 da Lei 9.430. O Julgador não pode aplicar multa que não consta do lançamento, sem fundamentação legal. Aqui é diferente de reduzir a multa qualificada e/ou agravada pela não convalidação dos elementos que viessem a justificar a qualificação ou agravamento. 3.3. Sustenta não ter sido observado o rito da compensação indevida previsto na Solução de Solução de Consulta nº 03 Cosit (efls 231/232) e pede nulidade da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles DO RECURSO DE OFÍCIO 4. Foi exonerado o montante de R$ 1.566.182,85 conforme especificado no demonstrativo de débito anexado aos autos (efls 192). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10830.727674/201521 Acórdão n.º 2301005.521 S2C3T1 Fl. 296 9 4.1. Presentemente, no teor da Portaria MF nº 63, de 2017, o reexame necessário ocorre quando o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais): Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 4.2. De acordo com a Súmula CARF 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 4.3. Considerando que foi exonerado montante inferior ao definido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 2017, não conheço do recurso de ofício. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS 5. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço, tanto o interposto pelo contribuinte (efls 202/233), como o recurso protocolado pelo responsável solidário (efls 262/290). RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO DDOO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEE 6. Como visto, parte substancial da peça recursal interposta pelo contribuinte repete as mesmas argumentações, suscita as mesmas questões e formula os mesmos pedidos constantes na peça impugnatória. 6.1. Há uma aparente inovação, no que respeita às alegações relatadas nos subitens 3.1 e 3.3 supra que se traduzem em mero reforço das mesmas questões de cunho procedimental trazidas na impugnação e já muito bem analisadas pela decisão de primeira instância. 6.2. No que respeita à alegação trazida no subitem 3.2, não há de prosperar, em vista da decisão de primeira instância ter feito a fundamentação clara e precisa concernente ao dispositivo legal aplicado, ao determinar a exoneração da multa de mora de 75% para 20% aplicada no autodeinfração (glosa de compensação). A multa a ser aplicada nos casos de glosa de compensação, deve respeitar o art. 35 da lei 8212/91, ou seja, 20%. 6.3. Com respeito às razões recursais que reputamos idênticas à da peça impugnatória, serão abordadas no item 8 infra do presente voto, à luz do Regimento Interno do CARF. RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO DDOO RREESSPPOONNSSÁÁVVEELL TTRRIIBBUUTTÁÁRRIIOO.. Fl. 300DF CARF MF 10 7. A peça recursal apresentada pelo responsável tributário (efls 262/290) é absolutamente idêntica à peça impugnatória (efls 60/72). Também aplicável o dispositivo do Regimento Interno do CARF como se verá a seguir. RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577 §§ 33ºº 8. De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa nem pelo Contribuinte, e nem pelo Responsável Tributário, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: Primeiramente, em relação à Nulidade suscitada por falta de competência da autoridade lançadora, há que se esclarecer que a atividade de lançamento é competência privativa da autoridade administrativa de acordo com o art.142 do CTN. Estudo da Unafisco define muito claramente a autoridade administrativa a saber: Este é o artigo, no meu entender, que define quem é a "Autoridade Administrativa" a qual possui o poderdever de constituição do crédito tributário mediante o lançamento. A função de confiança que é exercida pelos Delegados das Unidades da SRF, apesar de ser um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB o ocupante, tal não possui esta atribuição de lançamento do crédito tributário e nenhuma outra que seja atribuição fim da SRF, pois estas são desempenhadas pelos servidores detentores de atribuições específicas e privativas. Se ele não possui esta atribuição, não é portanto, a "Autoridade Administrativa" a que se refere o CTN e demais legislações. Há ainda que mencionar que, de acordo com o CTN, o que delimita o início da fiscalização é o Termo de Início de Fiscalização lavrado pela autoridade administrativa e não o MPF que é o emitido pelo delegado da unidade. Sendo assim, a autoridade administrativa com competência de lançamento tributário previsto no CTN é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não restando desta forma qualquer dúvida acerca da afirmação incorreta da impugnante. Há que se esclarecer ainda que, não é necessária a emissão de MPF para o procedimento de homologação ou não da compensação efetuada desenvolvida pelo SEORT. De acordo com o art. 2° da Portaria RFB 3014/2011 são casos para emissão de MPF: Art. 2° Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3° Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10830.727674/201521 Acórdão n.º 2301005.521 S2C3T1 Fl. 297 11 mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital. Mas para situações em que o lançamento do crédito tributário é conseqüência tal emissão se faz necessária, como descrito no item I do artigo 3° "podendo resultar em lançamento de ofício..." Assim, não se vislumbra irregularidade no procedimento adotado, havendo competência específica para o desempenho do procedimento fiscal bem como não contém vício de forma em sua feitura. Continuando a análise, não se vislumbra a ocorrência da decadência do direito do Fisco em efetuar o lançamento para a competência 13/2010. Isto porque o art. 150, §4°do CTN determina que a contagem do prazo se dê em 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso ora analisado, o direito da fazenda em constituir o crédito seria extinto a partir de 01/01/2016, sendo a ciência dada ao contribuinte em 17/12/2015 afastouse desta forma a hipótese da decadência. No que diz respeito a compensação e posterior glosa, tal instituto é previsto e normatizado na legislação previdenciária no art. 89 da Lei 8212/91, art. 56 a 59 da IN 1300/2012 e no art. 66 da lei 8383/91, abaixo transcritos: Lei 8383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei n° 9.250, de 1995) (grifei) § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 4° As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) Lei 8212/91 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (grifei) Fl. 302DF CARF MF 12 § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). (grifos nosso) IN/RFB 1300/2012 Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1°, passível de restituição ou de reembolso, inclusive o crédito relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subseqüentes. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 1° Para efetuar a compensação o sujeito passivo deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. § 2° O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições previdenciárias devidas. § 3° Caso haja pagamento indevido relativo a obra de construção civil encerrada ou sem atividade, a compensação poderá ser realizada pelo estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 4°A compensação poderá ser realizada com as contribuições incidentes sobre o décimo terceiro salário. § 5°A empresa ou equiparada poderá efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 6 ° É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10830.727674/201521 Acórdão n.º 2301005.521 S2C3T1 Fl. 298 13 Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 7°A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação, observado o disposto no § 8°. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 8°A compensação de débitos da CPRB com os créditos de que trata o caput será efetuada por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário constante do Anexo VII desta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório, e observará o disposto no parágrafo único do art. 26 da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1557, de 31 de março de 2015) Art. 57. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Art. 58. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Art. 59. É vedada a compensação, pelo sujeito passivo, das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. A compensação é feita quando se tem o direito líquido e certo dos créditos a serem compensados, a impugnante alega ter decisão judicial favorável e que podia fazer tais compensações, bem como que possui créditos de retenções efetuadas pela prestação de serviço. Primeiramente, em relação a liquidez e certeza só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito oriundo de um pagamento tido como indevido por tese jurídica bastante contestada judicialmente não é líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do trânsito em julgado da respectiva ação judicial ou depois que a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente. Quanto a decisões judiciais o CTN em seu art.170A veda a compensação de créditos referentes a ações ainda não transitadas em julgado. A saber: Art.170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifos não constam do original) No mesmo sentido, o art. 74 da Lei n° 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) (grifos não constam do original) É cabível ainda ressaltar que, os processos judiciais informados pela impugnante continuam sem o trânsito em julgado e que nas decisões proferidas nos três processos constam: Fl. 304DF CARF MF 14 Diante do exposto, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido formulado na petição inicial. PROCEDENTE para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária as verbas referentes ao terço constitucional de férias. IMPROCEDENTE quanto à exclusão das horas extras da base de cálculo. A impetrante poderá realizar a compensação administrativa, após o transito em julgado, dos valores pagos nos últimos 5 (cinco) anos (período de 10/2005 a 10/2010). A resolução do mérito dáse nos termos do artigo 269, inciso I do Código de Processo Civil. (grifos nosso) Assim, ainda que as decisões lhe dessem o direito aos valores compensados e que as ações tivessem transitado em julgado, o que não aconteceu, não constam nos autos documentos comprobatórios do direito creditório que apontam incorreção no lançamento efetuado. Assim, alegações por parte da impugnante sem documentos comprobatórios, são alegações inócuas não tendo assim o condão de alterar o lançamento ora analisado. Quanto a multa isolada, a realidade jurídica da recorrente era a não existência de créditos líquidos e certos, como dito anteriormente. Ao declarar que os possuía, declarou fato falso, fato diverso da realidade jurídica. Fez declaração contendo informação diversa da que se esperava, uma vez que se esperava que só declarasse a compensação de créditos líquidos e certos. A ausência da liquidez e certeza dos créditos pode ser comprovada pela compensação de valores discutidos judicialmente e que, ao contrário do informado pela impugnante, não houve autorização judicial para proceder a tal compensação. Assim o art.89, da Lei 8212/91 diz: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). Sobre a falsidade da declaração falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava que fosse. O que se esperava de um crédito que o contribuinte utiliza para compensar créditos tributários da União? Esperase aquilo que o CTN exige: que seja líquido e certo, ou seja, que o contribuinte tenha o direito, que o valor compensado corresponda ao realmente pago e que seja aquele reconhecidamente pago incorretamente. A falsidade na declaração feita pelo contribuinte em meu entendimento foi comprovada e devido a isto é cabível a multa isolada no montante de 150% como prevê o §10° do art. 89 da lei 812/91, não tendo desta forma o julgador administrativo que é vinculado à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála por efeito de confisco como requer a impugnante. A respeito das alegações da contribuinte acerca do relatório fiscal, as bases de cálculo do lançamento foram retiradas das GFIPs da empresa, quando a autoridade lançadora informa que o lançamento referese ao não recolhimento das contribuições entendese na verdade que o não recolhimento provem da compensação declarada Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10830.727674/201521 Acórdão n.º 2301005.521 S2C3T1 Fl. 299 15 indevidamente em GFIP e que originou uma redução incorreta do valor a recolher de contribuição social à época da declaração. Outra consideração é que consta no processo, no corpo do relatório fiscal, a planilha demonstrativa dos valores que foram glosados e que serviram de base de cálculo para o lançamento da multa isolada, identificando o CNPJ do estabelecimento, competência, valor compensado e o excedente e a própria impugnação demonstra a compreensão dos fatos, sendo assim não cabe guarida as alegações da contribuinte. No que diz respeito às multas aplicadas, as folhas 02/09 do processo contem o auto de infração da glosa da compensação, a folha 06 demonstra o Enquadramento legal da Infração, entre os dispositivos é descrito: art. 89, §9° e alterações posteriores da Lei 8.212/91, pois bem, abaixo segue transcrito novamente tais dispositivos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). ... § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). Nos casos de glosa de compensação a aplicação da multa de mora deve obedecer ao dispositivo acima transcrito, que remete ao art.35, ou seja, 20% e não os 75% aplicados pela autoridade lançadora. Sendo assim, cabe razão a contribuinte ao alegar a incorreção na aplicação de 75% de multa, esta deve ser reduzida ao patamar de 20% como previsto na legislação vigente. Quanto ao efeito de confisco alegado pela impugnante, a aplicação da lei pela autoridade lançadora e julgadora é ato vinculado, não cabendo aqui alegações que sugerem que tais multas extrapolam o limite legal, nesse ponto, há que se salientar que não há notícia de que alguma decisão em repercussão geral tomada pelo STF tenha alterado ou impedido a aplicação do citado art. 89. Conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB 1/2014, para que a RFB seja vinculada à esse tipo de decisão, é necessário que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) a oficie, o que não consta ter sido efetuado. Quanto ao Parecer PGFN/CAT n°466/2014 que trata sobre o assunto da retenção, a autoridade fiscal aceitou e homologou as retenções declaradas e posteriormente compensadas em GFIP, não sendo necessário desta forma mudança de entendimento, uma vez que foram aceitas as compensações desta matéria, fato comprovado através da tabela intitulada "Quadro 01" contida no relatório fiscal, que a autoridade lançadora demonstra que na competência 01/2006 mês informado pela Fl. 306DF CARF MF 16 contribuinte como sendo o compensado em 13/2010 informou os valores de retenção e que tais valores foram aceitos pela autoridade lançadora e aproveitados para abatimento do saldo conforme demonstrado no "Quadro 02". Em relação a Súmula 52 do CARF, a compensação aqui tratada não é formalizada através de pedido de compensação PERD/COMP, as contribuições previdenciárias possui rito próprio para sua compensação como anteriormente descrito e não carece de autorização para que seja efetuada. Há ainda que reiterar que a impugnante afirma, exaustivamente, ser ela prestadora de serviços e que devido a isto possui créditos de retenção de 11% sofridas, tendo direito compensatório em qualquer estabelecimento conforme legislação. Pois bem, o que se discute neste processo é o lançamento do crédito e a multa isolada, ambos decorrentes de glosas de compensação de valores declarados em GFIP e NÃO COMPROVADOS pelo contribuinte, como dito anteriormente não basta declarar em GFIP valores a compensar há que SE COMPROVAR O DIREITO CREDITÓRIO, isto a impugnante não fez quando da análise da compensação e nem o fez agora. Quanto a responsabilidade solidária do Sócio, as alegações não merecem guarida, uma vez que, a compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135, III do CTN. O conjunto dos elementos probantes descritos no Relatório Fiscal firma a convicção de que houve sim a prática de conduta dolosa dos representantes da empresa em autorizar a compensação de valores com pleno conhecimento da falta de permissão, haja vista a decisão judicial onde, além de só decidir parcialmente o pedido, condicionou a compensação ao trânsito em julgado da ação. Fato ignorado pelo representante legal da empresa. Regular, portanto, a imputação da responsabilidade solidária do sócio administrador à luz do art. 135 inciso III do CTN (término da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 09061.578 ) CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 9. Voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício; por CONHECER do Recurso Voluntário e concordando integralmente com os termos da decisão de primeira instância administrativa, VOTO por rejeitar as preliminares e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910736/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 36 /2 00 8- 49 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910736/200849 Acórdão n.º 3201004.107 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.897, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910736/200849 Acórdão n.º 3201004.107 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910736/200849 Acórdão n.º 3201004.107 S3C2T1 Fl. 5 4 feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910736/200849 Acórdão n.º 3201004.107 S3C2T1 Fl. 6 5 Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910736/200849 Acórdão n.º 3201004.107 S3C2T1 Fl. 7 6 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910736/200849 Acórdão n.º 3201004.107 S3C2T1 Fl. 8 7 DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720032/2017-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. MATÉRIA DE FATO.
A busca pela verdade material diz respeito ao esclarecimento de questões de fato. Não havendo qualquer indício de que tenha restado dúvidas à autoridade fiscal quanto aos fatos em questão, pelo contrário, sendo a discordância apenas quanto à aplicação da lei aos fatos investigados, não há que se falar em afronta ao princípio da verdade material. Preliminar de nulidade rejeitada.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE.
A Instrução Normativa apenas interpretou o comando da lei, sem extrapolar seus limites. A expressão matemática dela extraída, apenas comprova que a referida Instrução Normativa em nada inovou em relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, ao contrário, elucidou a referida norma a correta maneira de se apurar eventuais distorções praticadas em operações comerciais entre pessoas vinculadas localizadas pelo mundo afora. A metodologia insculpida na IN nº 243/2002 é a que melhor alcança os objetivos da legislação dos preços de transferência, não havendo nenhuma incompatibilidade da citada norma em face de qualquer um dos métodos de apuração de que trata.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte do conceito de crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência.
Numero da decisão: 1401-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as arguições de nulidade. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito ao mérito da autuação. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso no que diz respeito aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. MATÉRIA DE FATO. A busca pela verdade material diz respeito ao esclarecimento de questões de fato. Não havendo qualquer indício de que tenha restado dúvidas à autoridade fiscal quanto aos fatos em questão, pelo contrário, sendo a discordância apenas quanto à aplicação da lei aos fatos investigados, não há que se falar em afronta ao princípio da verdade material. Preliminar de nulidade rejeitada. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa apenas interpretou o comando da lei, sem extrapolar seus limites. A expressão matemática dela extraída, apenas comprova que a referida Instrução Normativa em nada inovou em relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, ao contrário, elucidou a referida norma a correta maneira de se apurar eventuais distorções praticadas em operações comerciais entre pessoas vinculadas localizadas pelo mundo afora. A metodologia insculpida na IN nº 243/2002 é a que melhor alcança os objetivos da legislação dos preços de transferência, não havendo nenhuma incompatibilidade da citada norma em face de qualquer um dos métodos de apuração de que trata. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte do conceito de crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência.
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IN 243/2002. Recorrente ABB LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. MATÉRIA DE FATO. A busca pela verdade material diz respeito ao esclarecimento de questões de fato. Não havendo qualquer indício de que tenha restado dúvidas à autoridade fiscal quanto aos fatos em questão, pelo contrário, sendo a discordância apenas quanto à aplicação da lei aos fatos investigados, não há que se falar em afronta ao princípio da verdade material. Preliminar de nulidade rejeitada. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa apenas interpretou o comando da lei, sem extrapolar seus limites. A expressão matemática dela extraída, apenas comprova que a referida Instrução Normativa em nada inovou em relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, ao contrário, elucidou a referida norma a correta maneira de se apurar eventuais distorções praticadas em operações comerciais entre pessoas vinculadas localizadas pelo mundo afora. A metodologia insculpida na IN nº 243/2002 é a que melhor alcança os objetivos da legislação dos preços de transferência, não havendo nenhuma incompatibilidade da citada norma em face de qualquer um dos métodos de apuração de que trata. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte do conceito de crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as arguições de nulidade. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário no que diz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 32 /2 01 7- 66 Fl. 1725DF CARF MF 2 respeito ao mérito da autuação. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso no que diz respeito aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2012, em razão das seguintes infrações, no entender da fiscalização: (i) incorreta apuração do valor do ajuste do preço de transferência, o que resultaria na necessidade de uma adição; e (2) não ter absorvido custos no estoque final. Em 26 de julho de 2017, a contribuinte apresentou petição (fls. 1369 a 1374) tratando da desistência parcial da impugnação, especificamente quanto à segunda infração acima referida, para a qual houve adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária ("PERT"), instituído pela Medida Provisória n° 783, de 31/05/2017 e regulamentado pela Instrução Normativa RFB n° 1.711/2017. Em razão de tal desistência parcial este relatório tratará apenas da infração relacionada à legislação sobre preços de transferência. O relatório da decisão recorrida assim descreve o procedimento de fiscalização e o TVF: 1) A empresa ABB Ltda. é uma empresa estabelecida no Brasil, pertencente a um grupo econômico suíço com atuação em Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.726 3 diversas áreas de negócio na venda de produtos, sistemas integrados e prestação de serviços; 2) A fiscalizada é optante do Lucro Real com apuração anual de IRPJ e CSLL; 3) Composição societária da ABB Ltda.: 4) Quanto ao cálculo dos preços de transferência, a interessada optou por realizar tais cálculos pela metodologia de cálculo prevista na extinta Instrução Normativa nº 32/2001, razão pela qual a fiscalização não aceitou os valores de ajustes declarados e adicionados no LALUR no montante de R$ 4.200.000,00 (quatro milhões e duzentos mil reais). A fiscalização intimou a empresa a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os novos cálculos do preço de transferência usando a metodologia prevista na Instrução Normativa nº 243/2002; 5) Em relação às operações realizadas com pessoas vinculadas no exterior, a fiscalizada declarou na DIPJ do exercício de 2013, Ficha 04 A – Custos dos Bens e Serviços Vendidos, linha 03 – Compras de Insumos à Vista no Mercado Externo, o valor de R$ 0,00 na condição CIF+II. No decorrer da fiscalização, ficou comprovado que o valor total das compras no exterior adquiridas de pessoas vinculadas foi de R$ 653.670.141,14 (seiscentos e cinquenta e três milhões, seiscentos e setenta mil e cento e quarenta e um reais e quatorze centavos). Tal omissão de informação se deu em função de erros no preenchimento das informações prestadas na DIPJ ocorridas nas rubricas de compras internas, compras externas e outros custos de produção na referida Ficha 04 A; 6) Em razão da realização de transações com pessoas vinculadas e/ou país com tributação favorecida, a interessada está obrigada ao controle fiscal do preço de transferência; 7) A fiscalizada declarou na DIPJ, na linha 09 na ficha 09A – Demonstração do Lucro Real e linha 09 na ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o valor total de ajuste de R$ 4.200.000,00 (quatro milhões e duzentos mil reais); 8) Em 23/03/2015, a fiscalizada entregou os demonstrativos e memórias de cálculos do preço de transferência de suas importações. Informou à fiscalização que a empresa realizou dois cálculos do preço de transferência no período: o primeiro Fl. 1727DF CARF MF 4 cálculo, elaborado de acordo com a metodologia prevista na extinta IN SRF nº 32/2001; já o segundo cálculo, realizado em conformidade com o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002; 9) A interessada informou, em resposta à fiscalização datada de 23/03/2015, que adicionou no Livro de Apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido o valor de ajuste calculado pela extinta IN SRF nº 32/2001 de R$ 4.200.000,00 porque a administração entendeu à época dos fatos que a Instrução Normativa nº 243/2002 não atendia aos fundamentos legais da lei do preço de transferência, porque esta gerou valores de ajustes substancialmente maiores do que aqueles que foram obtidos com a Instrução Normativa SRF nº 32/2001. Por esse fato, a empresa entendia que a norma aplicável ao cálculo do preço de transferência era a Instrução Normativa nº 32/2001; 10) De acordo com a fiscalização: (...) Para esclarecimentos dos fatos, cabe mencionar que no ano calendário de 2012, o contribuinte passava por migração de seu antigo sistema de gestão denominado “BAAN” para o novo sistema “SAP”. Feito os esclarecimentos, ficará mais fácil compreender o porquê dos erros cometidos pelo contribuinte e da impugnação dos cálculos do preço de transferência. A fiscalização não aceitou o valor do preço de transferência ajustado no LALUR de R$ 4.200.000,00 (quatro milhões e Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.727 5 duzentos mil reais), elaborada com base na extinta instrução normativa 32/2001, bem como, não aceitou os valores de ajustes elaborados com base na IN SRF nº 243/2002, porque estavam em desacordo com o disposto na legislação. Passaremos a expor a seguir os reais motivos da impugnação dos cálculos do contribuinte. Em primeiro lugar, o valor do ajuste do preço de transferência de R$ 4.200.000,00 (quatro milhões e duzentos mil reais) que foi adicionado no LALUR não tem base legal, visto que a referida instrução normativa nº 32/2001 já se encontrava extinta. Em segundo lugar, na apreciação de ambos os cálculos do preço de transferência, seja pela extinta IN SRF nº 32/2001, ou pela IN SRF nº 243/2002, constatamos a falta de uniformidade e legalidade na metodologia de cálculo dos valores de ajustes, ocorridas nos períodos de 01/01/2012 a 31/07/2012 e 01/08/2012 a 31/12/2012, onde tivemos a realização dos cálculos em duas etapas e por regra de três simples, de forma proporcional, conforme passamos a demonstrar seguir. A demonstração analítica do preço de transferência anual elaborada pela ABB LTDA será relativa à IN SRF nº 32/2001. A mesma sistemática foi adotada no cálculo alternativo pela IN SRF nº 243/2002. Vejam, a seguir, como foi calculado o valor de ajuste total de R$ 4.200.000,00 no anocalendário de 2012. a) Período de 01/01/2012 a 31/07/2012. O valor de ajuste apurado para esse período foi de R$ 2.428.923,00 (dois milhões e quatrocentos e vinte e oito mil e novecentos e vinte e três reais). Segundo o contribuinte, o preço de transferência foi calculado pelos métodos do Preço de Revenda mais Lucro com Margens de 20% (PRL20) e 60% (PRL60). b) Período de 01/08/2012 a 31/12/2012. O valor de ajuste apurado para esse período foi R$ 1.041.964,04. Para esse período, o valor do preço de transferência foi realizado mediante regra de três simples, proporcional. c) Valor Total de Ajuste no anocalendário de 2012 foi de R$ 4.200.000,00 (quatro milhões e duzentos mil reais). Problemas no Cálculo do Preço de Transferência – Constatado pela Fiscalização Para o período de 01/01/2012 a 31/07/2012 o contribuinte elaborou o seu preço de transferência em função do valor do custo total de importações realizadas com pessoas vinculadas, adotandose os métodos do preço de revenda com margens de lucro de 20% e 60%, por código do produto, segundo os dispositivos da IN SRF nº 32/2001. Já, para o período de 01/08/2012 a 31/12/2012, o preço de transferência foi calculado mediante a aplicação proporcional do percentual de ajuste do período anterior em relação ao valor do custo total de importação, sobre o valor do custo total de importação verificado neste período. O problema surgiu quando a empresa dividiu a apuração do preço de transferência em dois períodos, no mesmo ano calendário, enquanto a legislação brasileira do preço de Fl. 1729DF CARF MF 6 transferência determinou que a apuração, deveria ser de forma anual e uniforme. O contribuinte calculou o valor de ajuste do período de 01/08/2012 a 31/12/2012 usando uma regra de três simples, proporcional. Isto é, determinou a relação percentual entre os valores totais de ajustes e valor do custo total de importação com pessoas vinculadas no período de 01/01/2012 a 31/07/2012 e aplicou sobre o valor do custo total de importação com pessoas vinculadas no período de 01/08/2012 a 31/12/2008. Analisando, o demonstrativo do contribuinte acima, no período de 01/01/2012 a 31/07/2012, verificase que o valor de ajuste calculado pelo método do preço de revenda com margem de lucro de 20% (PRL20) representou o percentual de 0,51% do valor do custo total de importação de vinculadas para revenda. Dessa forma, o preço de transferência para o período de 01/08/2012 a 31/12/2012 pelo método do Preço de Revenda mais Lucro de 20% (PRL20) foi calculado pela aplicação do percentual de 0,51% sobre o valor do custo total de importação de R$ 21.266.443,61, propiciando o valor de ajuste de R$ 106.458,86. A mesma sistemática de cálculo foi adotada para o método do preço de revenda mais lucro de 60% (PRL60). Isto é, aplicouse o percentual de ajuste de 1,46% sobre o valor do custo total de importação do período de 01/08/2012 a 31/12/2012. No entanto, verificamos que o valor reconhecido para efeito de adição no LALUR, a título do preço de transferência, conforme quadro demonstrativo elaborado pelo contribuinte, ele usou uma regra de três para calcular o ajuste de agosto a dezembro tendo por base o valor de ajuste apurado para o período de janeiro a julho e o número de meses. Ou seja, dividiu o valor de ajuste apurado no período de janeiro a julho de R$ 2.428.923,00, por 7 meses e multiplicou por 12 meses, encontrando assim o valor total de R$ 4.163.868,00 para o ano de 2012, que depois foi arredondado para 4.200.000,00. E a mesma sistemática foi usada no cálculo alternativo do preço de transferência efetuada pelo contribuinte seguindo a instrução normativa nº 243/2002. Por fim, a fiscalização esclareceu o contribuinte que a metodologia de cálculo do preço de transferência foi realizada em desacordo com a legislação. Portanto, inaceitável. Justificativa do Contribuinte A justificativa dada pelo contribuinte em 28/05/2012 foi que esses erros ocorreram em função da migração do sistema de gestão adotado, denominado de BAAN, pelo novo sistema SAP. A contabilidade da empresa no período de 01/01/2012 a 31/07/2012 foi realizado pelo sistema de gestão BAAN, enquanto no período de 01/08/2012 a 31/12/2012 foi realizado pelo sistema SAP. O fato é que a empresa não elaborou a sua contabilidade de forma paralela pelos dois sistemas no período de 01/01/2012 a 31/12/2012. Esse foi o grande erro da empresa. Arquivos Magnéticos do Contribuinte A fiscalização intimou o contribuinte em 06/05/2015, a apresentar novo cálculo do preço de transferência em conformidade com a instrução normativa nº 243/2002. Ainda, Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.728 7 foi intimado a esclarecer o porquê da falta de apresentação do arquivo magnético nomeado de “Inventário“. O contribuinte respondeu em 28/05/2015 que a empresa ABB não tinha escriturado o Livro Registro de Inventário – modelo 7, motivo pela qual deixou de apresentar o referido arquivo magnético de “Inventário” conforme solicitado no termo de início da ação fiscal. Em 07/07/2015 o contribuinte foi intimado a fazer a reconstituição do livro registro de inventário, modelo 7, sob pena de arbitramento de seus lucros, bem como, foi intimado a apresentar a abertura do valor total do CPV/CMV/CSV conforme informado na DIPJ e escriturado na contabilidade no leiaute estabelecido pela fiscalização, para efeitos de comprovação dos limites de dedutibilidade dos custos dos produtos fabricados e vendidos. Em 08/10/2015 o contribuinte apresentou o livro registro de inventário devidamente reconstituído e esclareceu, que embora não tenha escriturado o Livro Registro de Controle de Produção e Estoque, modelo3, subsidiário à escrituração do livro registro de inventário, modelo7, a empresa tinha um sistema interno de registro e controle de custos. Nessa ocasião, o contribuinte apresentou novo demonstrativo de cálculo do preço de transferência, bem como, as memórias de cálculos. O valor total de ajuste do preço de transferência foi de R$ 36.089.857,43 (trinta e seis milhões e oitenta e nove mil e oitocentos e cinquenta e sete reais e quarenta e três centavos). Em 29/10/2015, lavramos o termo de constatação e intimação questionando o novo cálculo do preço de transferência apresentado em 08/10/2015, principalmente sobre os valores de custos de produção que foram considerados para efeito da determinação da participação percentual dos materiais importados de vinculadas. Intimamos para que o contribuinte esclarecesse como foram determinados os custos de produção para efeitos de cálculo do preço de transferência, tendo em vista, que a empresa não escriturou o livro registro de controle da produção e estoque, modelo 3, bem como, não forneceu à fiscalização a abertura analítica do valor do CPV/CMV/CSV por código de produto. E ainda, como conseguiu fazer a apuração do preço de transferência pelo método do preço de revenda mais lucro com margens de 20% e 60%, se a empresa na sua contabilidade, não mantinha a segregação dos custos dos produtos vendidos – CPV, custo das mercadorias vendidas – CMV e custo dos serviços vendidos – CSV. Lavramos um novo termo de constatação e intimação em 04/11/2015 fazendo constar que a empresa não fez a contabilização dos Custos das Mercadorias Vendidas – CMV, Custos dos Produtos Vendidos – CPV e Custos dos Serviços Vendidos – CSV de forma segregada como estabelece a legislação brasileira do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ. Fl. 1731DF CARF MF 8 O contribuinte respondeu em 19/11/2015 que a não contabilizou os custos de forma segregada, leiase CMV/CPV/CSV porque a empresa se utiliza de um critério contábil único (mesmas contas contábeis) para registro na contabilidade. Que o valor total do Custo lançado de forma consolidada como Custo dos Produtos e Serviços Vendidos, na linha 23 na Ficha 04 A na DIPJ, foi de R$ 1.692.855.474,32 (hum bilhão e seiscentos e noventa e dois milhões e oitocentos e cinquenta e cinco mil e quatrocentos e setenta e quatro reais e trinta e dois centavos). Ainda na resposta acima, o contribuinte ratificou que ocorreu, no anocalendário fiscalizado, custos não absorvidos no estoque final em 31/12/2012 de R$ 12.969.224,89 (doze milhões e novecentos e sessenta e nove mil e duzentos e vinte e quatro reais e oitenta e nove centavos), conforme apuração reproduzida no demonstrativo a seguir. [...] Na resposta de 04/12/2015, o contribuinte forneceu à fiscalização, novo cálculo do preço de transferência com valor total de ajuste de R$ 98.817.452,75 (noventa e oito milhões e oitocentos e dezessete mil e quatrocentos e cinquenta e dois reais e setenta e cinco centavos). A apuração do preço de transferência com os seus demonstrativos e cálculos analíticos foram ratificadas nas respostas apresentadas em 09/12/2016 e 13/01/2017. Os demonstrativos de cálculo, bem como, as memórias analíticas estão em anexo no presente no formato em PDF. Valores de Ajustes – Por Método Adotado Contribuinte 1 PIC .................................... R$ 142.018,18 2 PRL c/ ML de 20% ............ R$ 12.079.027,50 3 PRL c/ ML de 60% ............ R$ 74.585.337,35 4 PRL Ponderado .................. R$ 12.011.069,72 5 Valor Total ....................... R$ 98.817.452,75 Cálculo do Preço de Transferência – Projetos de Curto e Longo Prazo No cálculo do preço de transferência para os projetos de curto prazo que iniciou num período e terminou no ano seguinte, dentro de 12 meses, e aqueles de longo prazo para os períodos maiores de 12 meses para a sua conclusão, o contribuinte optou pelo reconhecimento das receitas e custos no período em que efetivamente foi realizada a tradição (conclusão) do projeto. Não foi usada a metodologia do reconhecimento das receitas em base estimada, em função da realização percentual do valor dos custos do projeto realizados e acumulados no ano em relação ao custo total orçado do projeto. A legislação brasileira do preço de transferência não autoriza a realização do cálculo do preço parâmetro em base estimada. (...) Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.729 9 11) De acordo com o procedimento de auditoria realizado na fiscalizada e em vista da apuração do preço de transferência em confirmidade com o disposto na Instrução Normativa nº 243/2001 e dos custos de produção relativos ao anocalendário de 2012, foram apuradas pela fiscalização as seguintes infrações: 11.1 – Preço de Transferência 1.1. Valor total de ajuste apurado .................................... R$ 98.817.452,75 1.2. Valor ajustado no LALUR .......................................... R$ 4.200.000,00 1.3. Valor Complementar passível de ajuste no LALUR ..... R$ 94.617.452,75 Em vista do demonstrativo acima, foi apurado um valor de ajuste complementar do preço de transferência, a ser adicionado no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, no total de R$ 94.617.452,75 (noventa e quatro milhões, seiscentos e dezessete mil, quatrocentos e cinquenta e dois reais e setenta e cinco centavos). (...) Em 6 de dezembro de 2017 a DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e das súmulas vinculantes publicadas pelo CARF. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados à ilegalidade e à inconstitucionalidade da legislação em vigor não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO ACOLHIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. AJUSTE. IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não compete à esfera Fl. 1733DF CARF MF 10 administrativa a análise da ilegalidade ou da inconstitucionalidade de normas jurídicas. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável para apuração do preço parâmetro é prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO PONDERAÇÃO. Na hipótese de um bem importado ser parcialmente aplicado em processo produtivo e parcialmente revendido, o preço parâmetro final será a média ponderada entre os resultados apurados segundo o PRL com margem de 20% e aqueles outros computados segundo o PRL com margem de 60%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2012 CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase aos lançamentos tidos como decorrentes as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 11 de dezembro de 2017 (fl. 1467), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28 de dezembro de 2017 (fl. 1592), alegando, em síntese: (i) nulidade dos autos de infração por afronta ao princípio da verdade material tendo em vista que, não obstante o lançamento tenha se baseado unicamente em planilhas elaboradas pela própria fiscalizada, a autoridade autuante deixou de solicitar esclarecimentos e documentos adicionais para averiguar as supostas inconsistências apuradas; (ii) nulidade da decisão da DRJ por a) contradição, eis que a decisão afirma que as autoridades administrativas estão vinculadas aos ditames legais mas pretende afastar o cálculo feito com base na Lei 9.430/1996 para aplicar o previsto na IN SRF 243/2002; b) omissão, eis que não se encontra devidamente fundamentada, pois se limitou a afirmar que os precedentes mencionados pela contribuinte não seriam vinculantes e se baseou em parecer normativo revogado (PN CST 390/1971). (iii) no mérito, sustenta a inadmissibilidade da metodologia de cálculo estabelecida pela IN SRF 243/2002 e defende os cálculos apurados pela contribuinte, que seguiram unicamente o disposto no artigo 18 da Lei 9.430/1996, bem como sustenta a inadmissibilidade da aplicação do "PRL ponderado" para os casos de bens importados que foram em parte revendidos e em parte aplicados na produção, já que este não possui base legal e vai de encontro ao parágrafo 4o do artigo 18 da Lei 9.430/1996 nesse ponto, sustenta que há a possibilidade de se utilizar o PLR20 ou o PRL60, à escolha do contribuinte, não podendo Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.730 11 haver uma mescla destes 2 métodos porque isso equivale à criação de um método novo pela fiscalização. (iv) subsidiariamente, defende a impossibilidade de cobrança de juros sobre multa. Recebi o processo em distribuição realizada em 14 de junho de 2018. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano , Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente sustenta, preliminarmente, a nulidade dos autos de infração por suposta afronta à busca pela verdade material. Sobre a matéria, cumpre notar que as hipóteses de nulidade no processo administrativo estão previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72 o qual, em síntese, considera nulo o ato se praticado por pessoa incompetente ou, em se tratando de despachos e decisões (que não se confundem com o ato final do procedimento de fiscalização, que é o auto de infração), havendo preterição do direito de defesa. No caso, tais situações não se caracterizaram eis que não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, nem se tratou de despacho ou decisão passível de alegação de preterição do direito de defesa. Também foram observados todos os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo, nos termos do art. 10 do Decreto 70.235/72, tendo os fatos apurados sido descritos com o respectivo enquadramento legal e levados ao conhecimento da Recorrente. Vale notar que, por conta do caráter inquisitório da ação fiscal, não há que se falar em contraditório ou ampla defesa antes da lavratura do auto de infração. É dizer, o auto de infração deve ser devidamente fundamentado e conter provas dos fatos que deram ensejo à cobrança, sob pena de improcedência, no entanto, salvo situações específicas expressamente previstas na legislação (como é o caso da comprovação dos métodos relacionados aos preços de transferência, o que foi observado) não há nessa fase qualquer dever de a autoridade fiscal dar fala ao contribuinte antes de documentar a cobrança do tributo. E, mesmo que tal fala tenha sido dada, não é obrigação da autoridade fiscal se manifestar sobre a documentação apresentada nem adiantar seu entendimento sobre os fatos investigados. A autoridade fiscal exerce atividade plenamente vinculada, nos termos do artigo 142 do CTN, devendo lavrar o auto de infração e produzir prova das circunstâncias que a levaram à conclusão pela existência de tributo devido. Não obstante, uma vez que tais provas tenham sido produzidas consoante o previsto na legislação, a autoridade autuante pode exigir o tributo que entenda ser legalmente devido, não havendo obrigação de franquear ao fiscalizado Fl. 1735DF CARF MF 12 ou às pessoas que pretende indicar como responsáveis qualquer direito de fala sobre seu entendimento. Vale lembrar que a busca pela verdade material diz respeito ao esclarecimento de questões de fato e não há nos presentes autos qualquer indício de que tenha restado dúvidas à autoridade fiscal quanto aos fatos em questão especificamente, quanto aos cálculos empreendidos pela contribuinte. O que ocorreu, na verdade, foi uma interpretação divergente de como deveria ser aplicado o direito aos fatos averiguados, discordância, portanto, quanto à aplicação da lei e não quanto aos fatos. Assim, não vejo nos presentes autos qualquer afronta ao princípio da verdade material, razão porque rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. Também não vislumbro nulidades na decisão recorrida. Conforme já mencionado, o artigo 59 do Decreto 70.235/1972 estabelece que são nulas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso em questão. Ao contrário do que sustenta a Recorrente, a decisão recorrida não incorreu quer em contradição quer em omissão. Não há contradição quando a decisão recorrida afirma que as autoridades administrativas estão vinculadas aos ditames legais e, ao mesmo tempo, afasta o cálculo feito com base na Lei 9.430/1996 para aplicar o previsto na IN SRF 243/2002 porque, no entender da decisão recorrida, a IN não altera a lei mas a esclarece. Se se concorda ou não com isso é questão de mérito mas este é o raciocínio da decisão recorrida e está muito bem explicitado ali. Também não há omissão quando a decisão recorrida se limita a afirmar que os precedentes mencionados pela contribuinte não seriam vinculantes já que esta não é a única razão argumentativa do julgado. Da mesma forma quando menciona o parecer normativo revogado (PN CST 390/1971). Neste sentido, oriento meu voto por também rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, discutese basicamente a legalidade da IN SRF 243/2002 ao estabelecer os cálculos do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL para fins de cumprimento da legislação sobre preços de transferência. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o chamado PRL60, que prevê margem de lucro de 60% na hipótese de bens importados aplicados à produção. Os textos em discussão são os seguintes: Lei n. 9.430/1996 IN SRF 243/2002 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.731 13 importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I (...) II Método do preço de revenda menos lucro PRL : definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c)das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda , nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do preço de revenda menos lucro ( PRL ), definido como a média aritmética ponderada dos preço s de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindo se o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; Fl. 1737DF CARF MF 14 II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Uma simples comparação entre os textos já permite concluir que, ao abordar o método do PRL60, a IN 243/2002 desbordou de sua função precípua, tal seja, regulamentar o comando contido no art. 18 da Lei n. 9.430/1996, de sorte a propiciar seu fiel cumprimento. De fato, a Lei n. 9.430/1996 estabelece que o método PRL60 consiste na média aritmética dos preços de revenda dos bens, ao passo que a Instrução Normativa se refere à média aritmética ponderada. Ademais, citada Instrução Normativa consagra, no §11 do art. 12, metodologia para o cálculo do preço parâmetro que não é versada na Lei 9.430/1996. De fato, a teor da lei, a aplicação do coeficiente de 60% dáse sobre a média dos preços de venda do bem produzido, enquanto, à vista da instrução normativa, aludida alíquota recai sobre a participação do bem importado no preço de revenda da mercadoria fabricada. Bem é de se ver que tal alteração guarda potencialidade à majoração do IRPJ e da CSLL, em especial naquelas situações em que resta agregado maior valor ao produto no Brasil. É dizer: anteriormente, o PRL era definido após a dedução da margem de lucro, cujo cálculo considerava o valor da venda do produto no mercado interno, ao contrário do que sustenta a Receita Federal, que leva em conta a contribuição da mercadoria estrangeira no custo total do bem. A legitimação da IN 243/2001 demandaria do intérprete a reordenação na forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei 9430/1996, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/1996 Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.732 15 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: Enfatizese que, ao expedir instruções normativas, a Receita Federal deve centrarse a disciplinar o texto legal na medida exata para permitir sua estrita observância. Não pode, nessa tarefa, criar novas obrigações ao contribuinte, muito menos metamorfosear expresso comando contido na legislação de regência. O caso sob exame deixa isso em evidência, já que a própria lei cuidou em fornecer todos os critérios necessários à operacionalização do método PRL60, não carecendo a aplicabilidade de regulamentação alguma no ponto em questão. Não há, no art. 18, II, da Lei n. 9.430/1996, qualquer espaço para interpretação. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60, de modo que a IN 243/2002, em verdade, veio trazer uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. O cenário é, portanto, de ofensa ao princípio da reserva da lei formal, dado que, como já sinalizado, a modificação empreendida traz repercussão na apuração do IRPJ e da CSLL, ao descartar os valores que restaram agregados no Brasil, em contraposição ao que se vislumbrava na matriz legal. A linha que pretende sustentar que a IN 243 veio apenas regulamentar os ditames da lei não consegue explicar porque, em 2002, sem que tenha havido qualquer alteração na matriz legal (isto é, no texto do artigo 18 da Lei 9.430/1996), a Receita Federal houve por bem ALTERAR os cálculos então constantes da anterior regulamentação (IN 32/2001) para fins de apuração do PRL60. O quadro abaixo sintetiza as diferenças: Fl. 1739DF CARF MF 16 Como admitir que regulamentações diferentes quanto às metodologias para apuração do PRL60 (IN 32/2001 versus IN 243/2002) se ambas têm como base legal o mesmo texto do artigo 18 da Lei 9.430/1996? Vale notar que não consta que a RFB tenha efetuado qualquer retificação ou reconhecido qualquer incorreção quanto aos ditames da IN 32/2001, comportandose portanto como se esta estivesse correta. Teria então deixado de cobrar tributo entendido como devido? Não parece ser o caso. Temse, assim, que a regulamentação da IN 243/02 não apenas resulta em valores do preço de transferência diversos da anterior, mas também em aumento da tributação em comparação com o estabelecido no artigo 18 da Lei n. 9.430/1996, sendo, portanto, flagrantemente ilegal. Ante o exposto, oriento meu voto por rejeitar as preliminares de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Não obstante, como restei vencida em votação nesta turma quanto ao mérito, passo a votar o argumento subsidiário referente à não incidência de juros sobre multa. Neste ponto, entendo que não assiste razão à Recorrente. Quanto à incidência de juros de mora sobre as multas tributárias aplicadas, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.733 17 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para rejeitar as preliminares e, no mérito, julgar procedente o recurso voluntário. Não obstante, tendo restado vencida no mérito em votação nesta Turma, voto por manter a incidência de juros sobre a multa de oficio aplicada. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Voto Vencedor Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Redator Designado. Apesar do bem fundamentado voto redigido pela Ilustre Relatora, ouso discordar de suas digressões a respeito da pretensa ilegalidade que se quer emprestar à Instrução Normativa SRF nº 243/2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Referida discussão já vem de longa data perante este Tribunal Administrativo, tendo recebido soluções diversas e antagônicas entre si. Fl. 1741DF CARF MF 18 Filiome, entretanto, ao entendimento majoritário, que corresponde à inexistência da alegada ilegalidade da referida Instrução Normativa, editada que foi para dar contornos mais efetivos ao disposto na Lei nº 9.430/96, que introduziu na legislação brasileira as ferramentas necessárias ao correto tratamento tributário a ser dado às transações entre empresas vinculadas, realizadas entre diversos países no atual cenário econômico globalizado. Para tanto, adoto como minhas as razões expendidas no brilhante voto do Conselheiro André Mendes de Moura, no julgamento em que proferido o Acórdão nº 9101 002.950 – 1ª Turma da CSRF, de 03 de julho de 2017. Diz o Conselheiro em seu voto: Tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.734 19 Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri: 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) Fl. 1743DF CARF MF 20 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96. Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.735 21 agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Fl. 1745DF CARF MF 22 Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.736 23 onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: Fl. 1747DF CARF MF 24 PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales.Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.737 25 custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida.Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF Fl. 1749DF CARF MF 26 nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/ SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/ SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regra Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.738 27 matriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/ SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. Fl. 1751DF CARF MF 28 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. E não há que falar que a Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002, em tese teria o condão de "confirmar" a ilegalidade da instrução normativa. Tal assertiva não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.739 29 diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. Observase que a exposição de motivos expressamente se manifestou quando entendeu que a lei alterou a norma tributária relativa aos preços de transferência, ou seja, na adoção de um único método de cálculo de preço parâmetro para o PRL, na definição de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica e na sistemática para a inclusão de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação no preço praticado. Por outro lado, na medida em que não discorreu sobre o método adotado pelo 18 da IN SRF nº 243, de 2002, confirmou a interpretação dada pela norma complementar, tanto que positivou o entendimento na nova redação da lei. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN 9); após, a previsão apenas em lei. Portanto, entendo não haver reparos ao procedimento da Fiscalização na utilização da IN SRF nº 243, de 2002. Conforme bem arrematado no voto acima transcrito, não há reparos a se fazer em relação à Instrução Normativa nº 243, de 2002. Igualmente, não há nenhum reparo a ser feito em relação ao próprio voto transcrito, que abordou com extrema competência a matéria, inserindo os modelos matemáticos e comprovando através deles que a referida Instrução Normativa em nada inovou em relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, ao contrário, elucidou a referida norma a correta maneira de se apurar eventuais distorções praticadas em operações comerciais entre pessoas vinculadas localizadas pelo mundo afora. Como dito, o voto foi minucioso, fazendo referência à doutrina, e às jurisprudências administrativa e judicial mais recentes. Para complementar as referências acima, colaciono abaixo outros julgados administrativos, a corroborar a tese por mim defendida: Acórdão nº 9101002.951 1ª Turma CSRF Sessão de 03 de julho de 2017 Redatora Designada: Cons. Adriana Gomes Rêgo ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa apenas interpretou o comando da lei, sem extrapolar seus limites. A expressão matemática dela extraída, ao adotar a proporção do bem ou direito importado no custo total, é a que melhor alcança os objetivos da legislação dos preços de transferência. Fl. 1753DF CARF MF 30 Acórdão nº 9101003.024 1ª Turma CSRF Sessão de 09 de agosto de 2017 Redator Designado: Cons. Rafael Vidal de Araújo ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em valores devidos a título de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferires àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96. Noutros termos, a referida Instrução Normativa em hipótese alguma majorou tributo frente à Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. Por todo o exposto, não há que se falar em ilegalidade da IN 243/2002, nem com sua incompatibilidade em face de qualquer um dos métodos de apuração que trata, devendo o recurso voluntário ser rechaçado neste ponto. Também não merece reparo a decisão recorrida no que pertine à alegada impossibilidade de adoção do PRL Ponderado. Reproduzo abaixo os argumentos expendidos pela DRJ/RJO, no Acórdão nº 1294.252 8ª Turma, que adoto como minhas razões de decidir: Impende salientar que o procedimento da fiscalização encontra amparo na Solução de Consulta Interna COSIT nº 30, de 30/07/2008, que concluiu o seguinte: “Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são aplicados em parte no processo produtivo e em parte são revendidos, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção. Esse será o preço médio ponderado do método PRL apurado para o período anual a ser comparado com os outros dois métodos de apuração (PIC e CPL)”. Reproduzse a seguir, os fundamentos da referida SCI COSIT nº 30/2008 (destaques do original). O cerne da questão está na aplicação do § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002. Este dispositivo normativo apresenta o seguinte conteúdo: “Normas Comuns aos Custos na Importação Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.740 31 Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, nãoresidente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam o art. 8º, a alínea "b" do inciso IV do art. 12 e o art.13. § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. (...)” 8. Notase que, a prevalecer a tese de que o PRL consiste em dois métodos distintos, a pessoa jurídica poderia proceder a algum tipo de planejamento tributário, utilizandose do benefício de escolher, como dedutível, o maior valor apurado, podendo desconsiderar, assim, toda a apuração do preço parâmetro com base no PRL, com margem majorada de 60% e de maior ajuste potencial. Conseqüentemente, assim procedendo, os valores apurados, via margem de 60%, estariam fora do cálculo da média aritmética ponderada. 9. Para dirimir esta dúvida, devese, então, analisar a base legal do § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002. Esta normativa tem como base o § 1º conjugado com o § 4º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 1755DF CARF MF 32 d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. 10.Observase que o caput do art. 18 subdivide os métodos de apuração dos preços de transferência em três incisos: I Método dos Preços Independentes Comparados – PIC; II Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL e Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.741 33 III Método do Custo de Produção mais Lucro – CPL. Não havendo, em relação aos métodos de apuração, outras subdivisões. 11.Da mesma forma, as condicionantes, para o uso dos métodos, estabelecidas nos parágrafos seguintes, estão correlacionadas a cada um dos incisos. Assim, a condição, fixada no § 1º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, também presente no § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, de que “as médias aritméticas dos preços e o custo médio de produção deverão ser calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos, consistentemente, durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos”, está relacionada diretamente a cada inciso – I (PIC), II (PRL) e III (CPL) –, portanto a cada método. 12.Do mesmo modo se apresenta o § 3º, de que para o método PRL (inciso II) somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. Mais uma vez, esta condição exclusiva para o método PRL não distingue especificidade para a margem de vinte por cento ou sessenta por cento. 13.E, por último, chegase ao § 4º, em que na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado. Nesse parágrafo, já está subentendido que, para o legislador, cada método está correlacionado a cada inciso do caput. 14.Enfim, tendo em vista a redação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, pode se chegar a interpretação alcançada pelo § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, de que ao se eleger um método, seja ele o PIC, o PRL e o CPL, para se calcular média aritmética ponderada dos preços parâmetros, este deverá ser por todo o período de apuração do imposto de renda. 15.Assim, se o PRL for o método eleito para se apurar o preço parâmetro de determinado insumo importado de empresa vinculada, este método deverá permanentemente ser adotado para efeito do cálculo do preço parâmetro médio ponderado durante todo o período anual de apuração. Da mesma forma se aplica ao PIC e ao CPL. Na hipótese de utilização do cálculo do preço parâmetro, para um mesmo insumo importado, de mais de um método, cabe a prerrogativa de se considerar dedutível o maior valor apurado. 16.O mesmo raciocínio, posto no item anterior, deverá ser aplicado nas hipóteses em questão da presente consulta. Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são aplicados em parte no processo produtivo e em parte são revendidos, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preço médio ponderado do período será o resultante da aplicação do método PRL, com margem de vinte por cento, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de sessenta por cento, na hipótese dos insumos aplicados na produção. Esse será o preço médio ponderado do método PRL apurado para o período anual a ser comparado com os outros dois métodos de apuração (PIC e CPL). 17.Idêntica metodologia será aplicada na apuração do preço médio ponderado do PRL, relatada nos dois itens anteriores, na hipótese, ressalta se que não está mencionada na presente consulta, a qual determinado insumo Fl. 1757DF CARF MF 34 importado é aplicado na produção de diversos bens finais, podendo gerar preços parâmetros distintos para cada bem final envolvido. 18.Por fim, cabe mencionar o questionamento em relação as informações prestadas no Manual de Ajuda DIPJ e do Perguntas e Respostas da Pessoa Jurídica. Essas normativas procuram informar ao contribuinte, de forma clara e didática, os diversos métodos de apuração dos preços de transferências. A rigor, não apresentam erros, mas estão assentadas sobre a premissa de que determinado insumo importado seja todo ele aplicado exclusivamente em uma determinada finalidade. Na hipótese do PRL, foi suposto que determinado insumo importado seja aplicado exclusivamente na produção de outro bem, utilizandose o PRL, com margem de sessenta por cento, ou outro bem seja utilizado exclusivamente a para a revenda, utilizandose o PRL, com margem de vinte por cento. 19.Assim, o que se pode sugerir em relação a essas informações é que se acrescente, principalmente no Perguntas e Respostas, a hipótese discutida nesta Consulta, quanto a aplicação do PRL, como método de apuração do preço de transferência, em que os insumos importados de pessoas vinculadas são aplicados em parte no processo produtivo e em parte são revendidos. A autoridade administrativa, inclusive este Órgão julgador, está vinculado ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (como o veiculado via referida SCI Cosit nº 30/2008). Dessa forma, há que se considerar correto o procedimento da fiscalização com relação aos itens importados que foram, ora revendidos, ora aplicados na produção (cálculos do preçoparâmetro através da média ponderada com margem de lucro de 20% e de 60%, respectivamente), por encontrarse respaldado na SCI Cosit nº 30/2008. Os métodos previstos na legislação que rege a matéria são aqueles previstos nos incisos I a III do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. São eles o PIC, PRL e CPL respectivamente. Neste sentido, não existem dois métodos PRL, mas tão somente um único, que deve ser aplicado conforme a definição estabelecida no inciso II do mesmo art. 18. No caso em apreço, a Contribuinte importou mercadorias tanto para revenda quanto para aplicação em produtos de sua produção no país. Nesses casos, a sistemática de cálculo pelo método PRL deve levar em consideração tanto a margem de lucro de 60% sobre o preço de revenda (prevista no item 1, da alínea "d", do inciso II), quanto a margem de 20% (constante do item 2 da mesma alínea "d", inciso II). Para tanto, nada mais lógico do que aplicar a forma de apuração esmiuçada na Solução de Consulta Interna COSIT nº 30, de 30/07/2008, que esclareceu, para casos tais, ser absolutamente escorreita a adoção de média ponderada para os preços parâmetros, calculados conforme a destinação dos produtos importados, seja para revenda no mercado interno, seja para utilização no próprio processo produtivo. Importante, então, deixar bem claro que não existem duas espécies do gênero PRL (PRL20 e PRL60), como quer fazer crer a Recorrente, mas tão somente um único método, cujo resultado deverá ser objeto de comparação com os demais para efeito de determinação do mais adequado a cada caso concreto (atendendo ao disposto no § 4º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96). Por conseguinte, absolutamente incabível a alegação de que a Autoridade Fiscal teria agido contra legem, "criando" método diverso a violar o princípio da legalidade estrita. Violação à legislação seria adotar o entendimento da Recorrente de que se deveria utilizar o chamado PRL20 para a determinação do preço parâmetro, inclusive daqueles bens Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 16561.720032/201766 Acórdão n.º 1401002.831 S1C4T1 Fl. 1.742 35 que teriam sido utilizados na produção de seus produtos localmente; isso sim, seria ir de encontro à norma legal. Em relação aos demais pontos objeto do Recurso Voluntário (arguições de nulidade do Auto de Infração e da decisão recorrida, além dos juros sobre a multa de ofício), me alinho às conclusões já constantes do voto da Ilustre Relatora para negar provimento ao recurso. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1759DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905433/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 05 43 3/ 20 12 -8 9 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10865.905433/201289 Resolução nº 3401001.462 S3C4T1 Fl. 3 2 Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 34295.29582.170708.1.2.041979 a restituição de PIS (cód.8109) do período de apuração 01/2008 no valor de R$ 1.200,97 por recolhimento a maior que o devido através de DARF no valor de R$ 1.245,97 na data de 19/02/2008. Do Despacho Decisório A DRF de Limeira/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 01/10/2012, rastreamento nº 038110535 (efls.5), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 31/01/2008. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.7), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que: a) “Foi apresentada DCTF RETIFICADORA n° 39.38.44.74.9990, declarando que o Pis/Pasep (8109 02) no período em questão é de R$ 45,00 (QUARENTA E CINCO REAIS)”; b) “A diferença de R$ 1.200,97 (UM MIL, DUZENTOS REAIS E NOVENTA E SETE CENTAVOS), referese ao Pis/Pasep, calculado indevidamente, sobre a venda de Tubo de Escapamento (87.08) que conforme § 2°, I, do artigo 3°, da Lei n° 10.485, de 03.07.2002, ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/FOR, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO TOTALMENTE ALOCADO. RETIFICAÇÃO DCTF POSTERIOR À CIÊNCIA DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Tendo sido comprovado que o DARF indicado pelo contribuinte em declaração de compensação pagamento indevido ou a maior estava totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou caracterizada a inexistência do direito creditório. A retificação da DCTF posteriormente à ciência do Despacho Decisório, efetuada tão somente para justificar a existência do direito creditório, sem a apresentação de documentos hábeis e idôneos, não tem o condão de justificar o erro no preenchimento dessa declaração. Do Recurso Voluntário Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.905433/201289 Resolução nº 3401001.462 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.42) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que no ano de 2002 foi publicada a Lei nº 10.485 que estabeleceu alíquota funcional de 0% sobre produtos sujeitos à tributação monofásica, daqueles listados em seus anexos I e II; (b) que a recorrente atua no segmento de auto peças, dentre eles o produto denominado “SILENCIOSO” classificado na posição 87.08.92.00 (NCM), listado no Anexo I da Lei nº 10.485/2002; (c) que em termos de comprovação do indébito, caso não seja suficiente os elementos de prova detalhada ora juntados, seja dado tratamento semelhante ao da Resolução nº 3803000.330 da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, determinando a realização de diligência; (d) junta relatórios e livros fiscais como elementos de provas, devendo prevalecer a verdade material sobre a formal, conforme precedente dessa casa, Acórdão 1802001.958. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alegou em sua manifestação de inconformidade que a origem do crédito está relacionada ao fato de não ter seguido o que fora determinado pela Lei nº 10.485/2002, que atribuiu alíquota “zero” de PIS/PASEP aos produtos submetidos à tributação monofásica, dentre eles o produto denominado “Silencioso”, classificado na posição 87.08.92.00. Apresentou DCTF Retificadora para corrigir o valor do débito anteriormente declarado, só que após ter tomado ciência do Despacho Decisório. O entendimento passado pela DRJ/FOR através do acórdão recorrido é que, “no caso de aproveitamento de crédito de pagamento indevido ou a maior em compensação, carece de provas a retificação de declaração (DCTF, por exemplo) apresentada pelo contribuinte após ter sido cientificado de que a declaração anterior não ratifica a existência do suposto crédito”. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10865.905433/201289 Resolução nº 3401001.462 S3C4T1 Fl. 5 4 A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10865.905433/201289 Resolução nº 3401001.462 S3C4T1 Fl. 6 5 prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900289/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO
Diante de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão cabem embargos inominados para a sua correção de acordo com o Art. 66 do RICARF.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Embargos de Declaração Inominados conhecidos sem efeitos infringentes
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para reconhecer a concomitância e não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO Diante de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão cabem embargos inominados para a sua correção de acordo com o Art. 66 do RICARF. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Embargos de Declaração Inominados conhecidos sem efeitos infringentes Recurso Voluntário não conhecido.
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INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO Diante de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão cabem embargos inominados para a sua correção de acordo com o Art. 66 do RICARF. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Embargos de Declaração Inominados conhecidos sem efeitos infringentes Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para reconhecer a concomitância e não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 02 89 /2 00 6- 12 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 250 2 (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Embargos de Declaração inominados (fls. 448) interpostos pela Unidade Preparadora contra decisão consubstanciada na Resolução nº 330100.323, de 24 de abril de 2017 (fls. 439 a 444), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3º Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma revisão do despacho decisório à luz da decisão transitada em julgado na Ação Ordinária nº 2008.61.08.0008203. Com o intuito de elucidação do caso e economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1426.870 (fls. 177 a 184), de 25 de novembro de 2009, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Bauru (fls. 102/103), que não homologou as compensações declaradas por falta de direito creditório. A contribuinte transmitiu a DCOMP para a utilização de créditos de IPI, no valor de R$ 42.195,60, relativamente ao 2° trimestre de 2003, referente a saldo credor de IPI em seu Livro Registro de Apuração. As compensações não foram homologadas com base na informação fiscal de fls. 100/101. Segundo consta, a contribuinte deu saída a produtos de sua fabricação com falta de lançamento do imposto, por entender que sua atividade não se caracteriza como industrialização. Consequentemente, foi lançado o imposto e reconstituída a escrita fiscal, através da lavratura do auto de infração, processo n° 15889.000541/200741 (cópia às fls. 61/99), resultando em exaurimento dos créditos existentes originalmente no abatimento dos débitos lançados, e em inexistência de saldo credor a ser ressarcido. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 109/117, alegando, que os créditos requeridos são relativos às aquisições de insumos aplicados na industrialização de etiquetas Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 251 3 nãopersonalizada, sobre as quais incide o IPI à alíquota zero, e que inexistem os supostos débitos apurados pela fiscalização em relação às saídas de bobinas confeccionadas sob encomenda. Reitera os argumentos apresentados na impugnação ao auto de infração mencionado acima, de que a atividade de serviços gráficos personalizados não se caracteriza como industrialização. Por fim, requer a homologação das compensações declaradas. Tendo em vista a negativa do referido Acórdão, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 191 a 200), em 10 de março de 2009, requerendo a reforma da decisão ora recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Primeira inexatidão material Os Embargos de Declaração inominados interpostos em face da Resolução nº 330100.323 são tempestivos e atendem os requisitos legais, motivos pelos quais devem ser conhecidos. O exame da admissibilidade se deu por intermédio do Despacho de Admissibilidade de Embargos s/nº em 30 de agosto de 2017. É esse o entendimento no referido despacho do il. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (fls. 460 e 461): Por meio da Resolução 330100.323 o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade administrativa efetuasse uma revisão no despacho decisório à luz da decisão judicial transitada em julgado na ação 2008.61.08.0008203 (fls. 439/444). O processo retornou com o despacho de fls. 488 por meio do qual a autoridade administrativa apontou inexatidão material na Resolução quanto ao trânsito em julgado da ação judicial. Segundo o referido despacho, a ação judicial não havia transitado em julgado. A autoridade administrativa devolveu o processo a fim de que a Resolução fosse revista ou então para que o CARF se manifestasse quanto à sua confirmação. Ocorre que o CARF juntou novamente aos autos a mesma Resolução e devolveu o processo à origem sem resolver as questões colocadas pela autoridade administrativa no despacho de fls. 488. Tendo em vista que os questionamentos levantados no despacho de fls. 488 só podem ser esclarecidos pelo próprio colegiado prolator da Resolução, valhome do disposto no art. 66 do RICARF combinado com o art. 65, § 6º , do RICARF, para receber o despacho de fls. 488 como embargos inominados. Com base nesses fundamentos, encaminho o processo ao ilustre relator, Conselheiro Valcir Gassen, a fim de que ele analise o despacho de fls. 488 e, se for o caso, Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 252 4 coloque o processo em pauta de julgamento com proposta de esclarecimento das questões levantadas pela autoridade preparadora. Como o julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade de Origem faça uma revisão do despacho decisório à luz da decisão transitada em julgado na Ação Ordinária nº 2008.61.08.0008203, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP – Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, ingressou com os embargos nestes termos (fls. 448): Com fundamento no artigo 32 do Decreto nº 70.235/1972 e no artigo 66 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Carf), quando da execução da diligência determinada pela Resolução nº 330100.323, constatouse inexatidão material nela quanto a ocorrência de trânsito em julgado da ação nº 0000820 28.2008.4.03.6108 (numeração antiga 2008.61.08.0008203), que não se confirmou, conforme consulta ao andamento da ação efetuada junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª região, acostada às folhas. Ante o exposto, retornese ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para eventual correção da Resolução ou para que se manifeste quanto à sua confirmação Diante do retorno da diligência pela Unidade Preparadora e da confirmação de que não ocorreu o trânsito em julgado, voto por conhecer os embargos inominados para sanar a inexatidão material no que tange ao erro na Resolução ora embargada em se entender que houve o trânsito em julgado na Ação nº 000082028.2008.4.03.6108 (numeração antiga 2008.61.08.0008203). Segunda inexatidão material Na análise dos embargos da Unidade Preparadora, bem como, na análise quanto ao Recurso Voluntário, percebese inexatidão material na Resolução nº 3301000.323. Constou como data da Sessão de Julgamento a data de 24 de abril de 2014, mas na verificação da ata constatase que ocorreu o julgamento em 24 de abril de 2017. Assim consta na ata: Aos vinte e quatro dias do mês de abril do ano de dois mil e dezessete, às quatorze horas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Bloco J, Ed. Alvorada, 4º andar, Sala 401 , reuniramse os membros da DFMFCARF / 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, estando presentes JOSE HENRIQUE MAURI (Presidente), MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, VALCIR GASSEN, ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO, SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES e eu, AREOVALDO MARIANO TAVARES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. (...) Relator(a): VALCIR GASSEN Processo: 10825.900289/200612 Nome do Contribuinte: M J A INDUSTRIA DE PAPEIS E ADESIVOS ESPECIAIS LTDA Resolução 3301000.323 Informações Adicionais: Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em Diligência, para que a Unidade de origem faça uma revisão do despacho decisório à luz da decisão Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 253 5 transitada em julgado na Ação Ordinária Declaratória n° 2008.61.08.0008203, nos termos do voto do relator. Diante de inexatidão material assim dispõe o RICARF: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Assim considerado, diante da legislação e dos autos do processo, voto por conhecer de ofício a inexatidão material para alterar a data da Resolução nº 3301000.323 para a seguinte data: Sessão em 24 de abril de 2017. Julgamento do Recurso Voluntário Considerando os embargos interpostos pela Unidade Preparadora, bem como sua admissibilidade, da informação de que não ocorreu o trânsito em julgado da ação nº 000082028.2008.4.03.6108 (numeração antiga 2008.61.08.0008203) como resposta da diligência e do acolhimento dos embargos para sanar a inexatidão material, me valho da citação do voto ora embargado para bem contextualizar os fatos e o direito para, com isso, decidir acerca do alegado pelo Contribuinte quando da propositura do seu Recurso Voluntário (fls. 551 a 455): O Recurso Voluntário (fls. 191 a 200), de 10 de março de 2010, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1426.870 (fls. 177 a 184), de 25 de novembro de 2009, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tendo em vista a negativa do referido Acórdão, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10 de março de 2009, requerendo a anulação da decisão ora recorrida “porque não foram respeitados os 360 dias previstos no art. 24, da Lei n° 11.457/2007 (consequente homologação tácitas das compensações – CTN, art. 150, 4), ou porque a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no Processo n° 15889.000541/2007 (vide documento em anexo) o qual se encontra pendente de julgamento por E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”; e que sejam totalmente homologadas as compensações declaradas (fls. 200). Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 254 6 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio da Turma Especial/ 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, apresentou a Resolução nº 3803000.112 (fls. 203 a 206), de 7 de julho de 2011, que decidiu, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do ora analisado Recurso Voluntário em diligência, nestes termos: Conforme é possível perceber do relato acima, o fundamento para a não homologação dos créditos da ora Recorrente foi o suposto exaurimento do saldo credor originalmente existente, por conta do seu abatimento com débitos posteriormente lançados, em face de ter a fiscalização identificado a saída de produtos sem o correspondente lançamento do tributo. Ou seja, o único fundamento apontado pela fiscalização e confirmado pela decisão recorrida foi a utilização integral do saldo credor apontado na compensação dos débitos apurados e lançados pela fiscalização (Processo n° 15889.000541/200741), o que teria resultado em inexistência saldo credor a ser ressarcido. Aliás, não foi por outra razão que a DRJ Ribeirão Preto afirmou textualmente em sua decisão que “o julgamento deste processo depende do julgamento do auto de infração” e, mais adiante que “mantidos o lançamento e a reconstituição da escrita fiscal, e exauridos os créditos escriturados, não há direito creditório a ser reconhecido, restando correta a não homologação das compensações pleiteadas. “ Neste contexto, não há dúvida que o deslinde da presente controvérsia depende do julgamento definitivo do Processo Administrativo n° 15889.000541/200741. Afinal, caso seja reformada por este C. Tribunal a decisão transcrita no acórdão recorrido para julgar improcedente o Auto de Infração lavrado, o crédito ora pleiteado deverá ser homologado, vez que já reconhecido pela fiscalização, quando da própria lavratura do referido AI. Sendo assim, procedente a alegação da Recorrente no sentido de que a decisão da DRJ incorreu em contradição quando a despeito de reconhecer que o julgamento deste processo depende do julgamento do Processo Administrativo n° 15889.000541/200741, houve por bem decidir pela não homologação dos créditos, no lugar de aguardar o seu julgamento final. Diante do exposto, considerando o contido no art. 18, I, do Anexo II do RI CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem para que informe a repercussão no presente processo da decisão final do Processo Administrativo n° 15889.000541/200741. Por outro lado, na hipótese de o referido processo ainda estar em curso, para que se aguarde o seu desfecho, determinando o retorno dos autos a este C. Tribunal Administrativo apenas após o seu julgamento final, devidamente instruído com cópia da referida decisão. (grifouse). Essa foi a deliberação em 7 de julho de 2011 no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que se apure a decisão final do Processo n° 15889.000541/200741. Em 22 de maio de 2012, foi proferido o Acórdão nº 330201.606 (juntado ao processo às fls. 209 a 217), da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 255 7 Julgamento do CARF, referente ao processo nº 15889.000541/200741, objeto da diligência. Tal Acórdão decidiu, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, cito a ementa do referido para elucidação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 SERVIÇOS GRÁFICOS. NOTAS FISCAIS PERSONALIZADAS. PRODUTO QUE NÃO É OBJETO DE REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. MEDIDA JUDICIA. CONCOMITÂNCIA. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Suspendese a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, quando então esta poderá ser restabelecida ou o lançamento integralmente cancelado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 IPI. MULTA DE OFÍCIO. VALOR NÃO DESTACADO EM NOTA FISCAL OU VALOR DO IMPOSTO CONSTITUÍDO. No caso de falta de lançamento do imposto na nota fiscal, a multa de ofício é aplicada em duas parcelas: a primeira, proporcionalmente ao imposto que deixou de ser apurado ou recolhido, e a segunda, relativamente à parte do imposto não lançado acobertado por créditos escriturais. Recurso Voluntário Negado Em 17 de dezembro de 2012, às fls. 221, foi emitido Despacho de Encaminhamento, com o seguinte teor: O presente processo havia sido encaminhado em retorno ao CARF após atendimento à diligência solicitada, qual seja, juntada do Acórdão referente ao auto de Infração do direito creditório que o contribuinte pretendia utilizar no processo de compensação. Tendo retornado o processo à esta DRF, solicitamos esclarecimentos sobre quais providências esta DRF deve tomar, já que a solicitação de juntada foi atendida. Já em 31 de janeiro de 2014, às fls. 223, temse o Despacho de Encaminhamento que tem assim dispõe: O presente processo encontrase pendente quanto ao julgamento do recurso voluntário, convertido em diligência para aguardar o desfecho do Processo Administrativo n° 15889.000541/200741, cujo Acórdão foi juntado conforme determinado (fls. 417 a 425). A ciência do citado acórdão foi feita através do respectivo processo que encontrase suspenso até decisão final do processo judicial. Sendo assim, proponho o retorno ao CARF para julgamento do recurso voluntário referente ao presente processo ou para esclarecimentos sobre quais providências esta DRF deve tomar, já que a resolução foi atendida. A questão objeto do presente processo e do processo n° 15889.000541/200741 é o mesmo que foi discutido nos autos da ação judicial ajuizada pelo Contribuinte com o objetivo de ver reconhecido a inexigibilidade do IPI sobre os seus serviços gráficos Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 256 8 de confecção de bobinas. Na Ação Ordinária Declaratória, processo n° 2008.61.08.0008203 foi proferida decisão favorável ao Contribuinte. No Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, Edição n° 28/2012, de 8 de fevereiro de 2012, encontrase que: 000082028.2008.403.6108 (2008.61.08.0008203) – M J A IND/ DE PAPÉIS E ADESIVOS ESPECIAIS LTDA (SP185683 – OMAR AUGUSTO LEITE MELO X UNIÃO FEDERAL Publiquese a sentença retro. Tendo em vista a decisão antecipatória dos efeitos da tutela proferida nos autos, recebo o recurso de apelação da União Federal no efeito meramente devolutivo (art. 520, VII, CPC). Intime(m)se o (s) apelado (s) para oferecer(em) contrarazões. Após, decorrido o prazo legal, com ou sem contrarazões, remetamse os autos ao Egrégio Tribunal Regional Federal da Terceira Região. Int.se. (Dispositivo da sentença de fls. 395/407: Ante ao exposto, extingo o feito, com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I do Código de Processo Civil, julgando procedente o pedido formulado na inicial, para declarar a inexistência de relação jurídicotributária, entre o autor M J A Ind/ de Papéis e Adesivos Especiais Ltda e a re União, no que pertine à não incidência de IPI sobre a prestação de serviço de bobinas confeccionadas sob encomenda, aos clientes daquele, na medida em que está sujeito, apenas, no caso, à incidência de ISSQN. Diante da prova inequívoca da inexistência da relação jurídica tributária; pelo receio de dano irreparável, nos fatos vincendos, não incluídos nos autos de infração já consolidadas, que podem acarretar ao autor; pela flata de perigo de irreversibilidade do provimento antecipado, nos termos do art. 273 e ss do Código de Processo Civil antecipo os efeitos da tutela, tãosó para que a ré abstenhase de autuar o autor, sob a falta de lançamento do IPI nas saídas de produtos tributados do estabelecimento. (...). (grifouse). Já na Edição n. 233/2016, de 20 de dezembro de 2016, do Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a. Região consta: 00114 APELAÇÃO CÍVEL Nº 000082028.2008.4.03.6108/SP 2008.61.08.0008203 RELATOR : Desembargador Federal ANDRE NABARRETE APELANTE : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : SP000004 RAQUEL VIEIRA MENDES E LÍGIA SCAFF VIANNA APELANTE : M J A IND/ DE PAPEIS E ADESIVOS ESPECIAIS LTDA ADVOGADO : SP185683 OMAR AUGUSTO LEITE MELO e outro(a) APELADO(A) : OS MESMOS No. ORIG. : 00008202820084036108 2 Vr BAURU/SP EMENTA TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO. AGRAVO RETIDO. IPI. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE IMPRESSÃO GRÁFICA. NÃO INCIDÊNCIA. Afastada a afirmação da apelada, em sede em contrarrazões, de que a apelação não deve ser conhecida, na medida em que se limitou a reiteração dos argumentos da contestação, sem impugnar especificamente a sentença. Diferentemente do alegado, verificase que o recurso interposto pela União enfrentou os fundamentos do decisum recorrido e apresentou os argumentos Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 257 9 que justificam seu pedido de reforma. Agravo retido não conhecido, dado que não requerida sua apreciação pelo agravante, na forma do artigo 523, §1°, do Código de Processo Civil de 1973. Conforme explica Regina Helena Costa [in Curso de Direito Tributário Constituição e Código Tributário Nacional. São Paulo: Saraiva, 2009, 2ª tiragem, p. 352/353]: a materialidade do IPI não consiste na industrialização de produtos, assim entendido como seu processo de confecção. De fato o conceito de industrialização, para fins de IPI, é meramente acessório, já que o que importa é o conceito de produto industrializado, objeto da operação. Não é a industrialização que se sujeita à tributação, mas o resultado desse processo. Conforme cadastro nacional de pessoa jurídica, a empresa tem como principal atividade a prestação de serviços de acabamentos gráficos, o que está de acordo com o que consta do contrato social, ou seja, prestação de serviços de composição gráfica. Não obstante a atividade de industrialização de papel integre seu objeto social, o pedido desta ação é especifico em relação a não incidência do IPI sobre a confecção de bobinas feitas sob encomenda. O Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento sobre a não incidência do IPI nos casos de prestação de serviços de composição gráfica, inclusive com a edição da Súmula 156: A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. (Primeira Seção, julgado em 22.03.1996, DJ 15.04.1996, p. 11631). Agravo retido não conhecido. Apelação desprovida. (grifouse). Frente a decisão proferida no processo judicial, Ação Ordinária Declaratória n° 2008.61.08.0008203, voto em converter o presente julgamento em diligência para que: a) retorne o presente processo a unidade de origem para que se faça uma revisão do despacho decisório à luz da decisão transitada em julgado na Ação Ordinária Declaratória n° 2008.61.08.0008203; b) comunicação ao Contribuinte e à Fazenda Nacional do resultado apurado para manifestação; c) devolução para este Conselho para julgamento. Com isso posto, diante do retorno da diligência e da constatação de que não houve o trânsito em julgado e que a matéria objeto do presente processo está sendo discutida no âmbito do judiciário, cabe aplicar a Súmula CARF nº 1 que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário do Contribuinte devido a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. Conclusão: Diante dos embargos inominados da Unidade Preparadora e dos embargos proposto de ofício por este Conselheiro que tratam de duas inexatidões materiais, voto pelo conhecimento, sem efeitos infringentes, apenas com duas correções na Resolução nº 3301 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10825.900289/200612 Acórdão n.º 3301004.804 S3C3T1 Fl. 258 10 00.323, a primeira, de que não ocorreu o trânsito em julgado da ação nº 0000820 28.2008.4.03.6108 (numeração antiga 2008.61.08.0008203); a segunda, da data correta da sessão sendo “Sessão em 24 de abril de 2017”. Diante do retorno da diligência, constatandose a concomitância, voto por não conhecer do Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 471DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006259/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
OMISSÃO.
Não cabe embargos de declaração quando a omissão não for detectada. A insatisfação com o resultado do julgamento deverá ser sanada com o uso de outros meios recursais, no caso o manejo de Recurso Especial.
Numero da decisão: 3401-005.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Não cabe embargos de declaração quando a omissão não for detectada. A insatisfação com o resultado do julgamento deverá ser sanada com o uso de outros meios recursais, no caso o manejo de Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela empresa Cotece em face do Acórdão nº 3202001.323, de 18/09/2014, por suposta omissão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 62 59 /2 00 2- 61 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10380.006259/200261 Acórdão n.º 3401005.374 S3C4T1 Fl. 740 2 O acórdão embargado restou assim ementado: FINSOCIAL. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar objetivamente com base em provas as suas alegações, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. A Embargante alega que ocorreu omissão no acórdão recorrido. O excerto de seus embargos, transcrito a seguir, identifica a omissão suscitada: “Por conseguinte, totalmente inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, a impetrante interpôs Recurso Voluntário, e reiterando sua boafé, apresentou em momento oportuno, cópia de petição protocolizada nos autos do processo de n. 92.00003028, solicitando a renúncia expressa ao seu direito de promover a execução judicial. Na mesma esteira, protocolizou em 17/09/2014, perante esta colenda Câmara, CERTIDÃO NARRATIVA proveniente da 8ª vara da Justiça Federa, que atestava a mencionada renúncia à execução em tela. No dia 18/09/2014, a 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão n.3201001.323, negou, por unanimidade de votos, provimento ao Recurso Voluntário, indicando que o Impetrante, na hipótese de ação de repetição de indébito, só poderia efetuar a restituição, o ressarcimento e a compensação se comprovada a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10380.006259/200261 Acórdão n.º 3401005.374 S3C4T1 Fl. 741 3 judicial ou da renuncia a sua execução. [...]Todavia, o que se extrai do r. decisum é, data máxima vênia, um equívoco do julgador ao furtarse de fundamentar adequadamente a sentença proferida, a qual apresenta inegável omissão uma vez que foi apresentada tempestivamente certidão narrativa que comprova a sua renuncia a execução dos créditos. O documento, como se infere da leitura da decisão, não foi apreciado no acórdão, de modo que a decisão está eivada de vício.” Em exame de admissibilidade dos embargos de declaração efetuado em 13/06/2016, foram acolhidos os embargos de declaração por constatada omissão na decisão embargada, e determinada a inclusão do processo em lote para sorteio: Analisando o acórdão vergastado constatase omissão, vez que não foi apreciada no julgamento a CERTIDÃO NARRATIVA proveniente da 8ª vara da Justiça Federal, protocolizada em 17/09/2014, que atestava a mencionada renúncia à execução em tela. A apreciação da referida certidão, com a demonstração da situação do processo judicial em questão, era imprescindível para a comprovação de direito de crédito líquido e certo passível de compensação no presente processo administrativo, configurando a omissão do decisum. O processo foi sorteado para o Conselheiro Augusto Fiel Jorge de Oliveira, e por sua renúncia ao mandato foi para mim resorteado. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Admitido os embargos de declaração passo a sua análise quanto a omissão identificada conforme artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A embargante juntou ao Recurso Voluntário cópia da petição protocolada nos autos dos processos 92.00003028 e 2002.34.00.0016072, solicitando renúncia expressa ao seu direito de promover a execução judicial. Sorteado para julgamento o processo foi inicialmente baixado em diligência, em 23/05/2012, nos termos do que restou decidido na Resolução nº 3202000.066 (efls. 317/ss), para que fossem atendidos os seguintes quesitos: (i) Sejam juntados aos autos a comprovação da ciência ao contribuinte do Acórdão n° 0811.557, de 14/09/2007, proferido pela DRJ – Fortaleza. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10380.006259/200261 Acórdão n.º 3401005.374 S3C4T1 Fl. 742 4 Acórdão; (ii) A empresa seja intimada a apresentar certidão de inteiro teor (“Certidão de Objeto e Pé”), expedida pelos cartórios da Vara em que tramitam as ações judiciais, tanto da Ação Declaratória n° 92.00.003028 como da Ação de Execução objeto do processo n° 2001.0330113, com vistas a comprovar que houve a renúncia pela interessada à execução da Ação Judicial (“precatório”). O primeiro quesito foi devidamente atendido com a juntada de cópia do AR – Aviso de Recebimento dos Correios (efls. 325), onde consta a data em que foi dada a ciência ao contribuinte do Acórdão nº 0811.557, proferido pela 4ª Turma da DRJ – Fortaleza. Consta do citado documento que o contribuinte tomou ciência em 28/09/2007, de modo que o recurso voluntário apresentado em 26/10/2007 (efls. 278/ss), foi tempestivo. Em relação ao segundo quesito – as Certidões de Objeto e Pé da Ação Declaratória n° 92.00.003028 e da Ação de Execução n° 2001.0330113– a Recorrente informou, em 15/03/2013 (vide efls. 327/ss), o seguinte: (...) Com a intenção de cumprir a diligência apontada, a recorrente, ora peticionante, dirigiuse à Justiça Federal do Distrito Federal, onde tramitam os processos imediatamente supramencionados, para requerer as certidões necessárias à comprovação exigida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ocorre que, ao buscar obter os documentos necessários, esta peticionante foi informada que o desarquivamento de processos, pela Seção de Arquivo e Depósito Judicial – SEDAJ, da Seção Judiciária do Distrito Federal, está suspensa, sine die, por ato da Diretora do Foro. Tal ato está formalizado por meio da Portaria DIREF Nº 842, de 4 de dezembro de 2012 (doc. 02), indicando que a suspensão está mantida até que haja recomendação para liberação dos galpões 2 e 3 do SGON. Diante disso, considerando que ambos os processos requeridos estão arquivados no SEDAJ, a recorrente encontrase efetivamente impossibilitada de obter as certidões e os demais documentos necessários ao devido cumprimento da diligência, razão pela qual requer a dilação do prazo para a sua apresentação, com a observância da expedição de ato formal da Diretoria do Foro da Seção Judiciária do Distrito Federal que permita o desarquivamento dos autos necessários. De posse dessas informações o relator no CARF assim justificou sua decisão: Pois bem. Com vistas a não cercear o direito da Recorrente, o processo foi baixado em diligência justamente para que fosse comprovada a certeza e liquidez dos supostos créditos Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10380.006259/200261 Acórdão n.º 3401005.374 S3C4T1 Fl. 743 5 pleiteados, assim como a desistência da execução do título judicial ou a renúncia a sua execução, conforme decidido na Resolução nº 3202000.066, de 23/05/2012 (efls. 317/ss). A Recorrente não apresentou os documentos solicitados. Resignouse apenas a informar, em 15/03/2013 (vide efls. 327/ss), que o desarquivamento de processos, pela Seção de Arquivo e Depósito Judicial – SEDAJ, da Seção Judiciária do Distrito Federal, estaria suspensa. Contudo, já se passaram aproximadamente 18 meses e ainda não vieram aos autos as Certidões de Objeto e Pé solicitadas na Resolução nº 3202 000.066. Desse modo, compulsandose os autos verificase não existir qualquer elemento probante capaz de demonstrar a existência dos alegados créditos. A Recorrente faz extensa explanação quanto à “exorbitância da instrução normativa SRF nº 600/2005”; à sua “boa fé”, “a possibilidade de compensação do crédito com outros tributos”, contudo não apresenta os documentos necessários e suficientes para demonstrar a liquidez e certeza dos créditos a serem compensados. Como muito bem destacado no voto condutor da decisão administrativa de primeira instância, a causa de indeferimento do seu pedido de compensação foi a falta de apresentação de documentos probatórios que dão suporte ao pedido. Em nosso ordenamento jurídico, ex vi do artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Esse artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10380.006259/200261 Acórdão n.º 3401005.374 S3C4T1 Fl. 744 6 Assim, não restou provado nos autos que a Ação de Execução controlada no Processo n° 2001.0330113 tenha transitado em julgado, portanto, inexiste direito de crédito líquido e certo passível de compensação até o presente momento. A compensação de tributos é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, CTN), nos termos do que dispõe o artigo 170/CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Por fim, o art. 170A do CTN, inserido pela Lei Complementar nº 104/01, veio espancar qualquer dúvida quanto à possibilidade de compensação de créditos ainda não transitados em julgados, verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Destarte, em face da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170/CTN, assim como pelo fato de não restar comprovada a desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução e a assunção de todas as custas do processo de execução, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento foi realizado em 18/09/2014, e em 23/09/2014 a embargante solicita a juntada da certidão narrativa, que foi emitida pelo poder judiciário em 18/08/2014: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10380.006259/200261 Acórdão n.º 3401005.374 S3C4T1 Fl. 745 7 A embargante alega que foi solicitada a juntada em 17/09/2014, mas essa é a data do carimbo aposto no requerimento apresentado, e a juntada no eprocesso ocorreu em 23/09/2014. Conforme já esclarecido no acórdão embargado, a embargante teve um prazo longo, após a diligência para apresentar a certidão e é certo que durante certo período havia impedimento para obtenção da mesma, mas ela não justificou porque não buscou a certidão nesse longo período entre a apresentação da informação na diligência e o julgamento. Apenas apresentou a certidão no apagar da luzes, onde foi tecnicamente e humanamente impossível que o julgador pudesse ter tido ciência da existência da certidão. É interessante notar que a certidão foi emitida pelo judiciário um mês antes da sua juntada ao processo administrativo. Mais uma vez não apresenta justificativa para sabedor do julgamento já marcado, porque tal fato tem ampla divulgação, no diário oficial da união e também no site do CARF, não apresentou a certidão antes do julgamento. De todo exposto o que vejo é um total descaso com o julgamento administrativo, e agora quer se socorrer da sua inépcia, solicitando a anulação do julgamento por omissão do julgador. Não analiso o direito ao crédito e a compensação que seria adentrar o mérito do julgamento. Vejo que em sede de embargos devese analisar a omissão constatada. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10380.006259/200261 Acórdão n.º 3401005.374 S3C4T1 Fl. 746 8 Não verifico omissão no julgamento nos termos do art. 65 do RICARF, já que não é possível ao julgador omitirse de ter ciência de documento que desconhece sua existência: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vejo que a contrariedade quanta a decisão manifestada pela embargante deverá ser analisada em sede de Recurso Especial. Com essas considerações, voto por não acolher os embargos de declaração, por não ter ocorrido omissão. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Relatora Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720085/2011-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade, quando demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu o motivo das glosas realizadas e exerceu de forma plena o seu direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado.
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Na sistemática do IPI não cumulativo, os insumos que, mesmo não integrando o produto final, estão aptos a gerar crédito são aqueles que se desgastam de forma imediata e integral durante o processo de industrialização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade, quando demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu o motivo das glosas realizadas e exerceu de forma plena o seu direito de defesa. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na sistemática do IPI não cumulativo, os insumos que, mesmo não integrando o produto final, estão aptos a gerar crédito são aqueles que se desgastam de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade, quando demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu o motivo das glosas realizadas e exerceu de forma plena o seu direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na sistemática do IPI não cumulativo, os insumos que, mesmo não integrando o produto final, estão aptos a gerar crédito são aqueles que se desgastam de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 00 85 /2 01 1- 13 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11516.720085/201113 Acórdão n.º 3002000.386 S3C0T2 Fl. 152 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 38703.65321.191009.1.1.015369 relativo a saldo credor do IPI, apurado no 3º trimestre de 2009, decorrente de créditos de entradas de matériaprima, material intermediário e material de embalagem. A partir da verificação da legitimidade dos créditos, realizada por meio de procedimento fiscal, o qual culminou com a Informação Fiscal de fl. 98/100, foi reconhecido parcialmente o direito creditório pleiteado através do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (fl. 101/102). Após tomar ciência da decisão em 15/07/2011, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 16/08/2011 (fl. 112/119), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITOS DO IPI.. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas e material de embalem, os produtos intermediários “strictosensu” que se integram ao produto final, ou se consumam por decorrência de contato físico com o produto industrializado, Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11516.720085/201113 Acórdão n.º 3002000.386 S3C0T2 Fl. 153 3 desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 138/147), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados, em suma pedindo: a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, a realização de diligência e o reconhecimento da adequação dos materiais utilizados como produtos intermediários e, portanto, aptos a gerar crédito nos termos da legislação do IPI. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão central posta em análise cingese às glosas efetuadas pela fiscalização por entender que parte dos materiais adquiridos pela recorrente não se enquadravam nas hipóteses geradoras de crédito básico de IPI, conforme o disposto no art. 164 do Decreto 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), vigente a época dos fatos: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11516.720085/201113 Acórdão n.º 3002000.386 S3C0T2 Fl. 154 4 III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazém geral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante. (grifo nosso) Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminar 1) Cerceamento do Direito de Defesa O sujeito passivo alega que a autoridade fiscal não demonstrou de forma clara e objetiva a fundamentação e a motivação das glosas efetuadas no seu pedido de ressarcimento, apenas desconsiderando os créditos requeridos. Tal fato, segundo a recorrente, teria cerceado o seu direito de defesa, o que é repudiado pela Constituição pátria, dessa forma, ensejando a nulidade do Despacho Decisório. Em que pese as alegações da recorrente, compulsandose os autos, não se verifica falta de motivação ou de fundamentação legal tanto no Relatório Fiscal, como no Despacho Decisório. A meu sentir, restou claro que as glosas estavam sendo realizadas sobre créditos referentes a itens que não se enquadravam na definição de MP, PI e ME, em Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11516.720085/201113 Acórdão n.º 3002000.386 S3C0T2 Fl. 155 5 conformidade com a legislação de regência, assim como foram relacionadas as notas fiscais que estavam aptas a ensejar crédito e, por exclusão, quais não eram acatadas. Por outro lado, a partir da leitura da Manifestação de Inconformidade e do Recurso Voluntário apresentados, contatase que a ora recorrente compreendeu claramente a motivação e a fundamentação do Despacho Decisório, tendo podido, por isso, discorrer longamente sobre os pontos divergentes em relação ao posicionamento adotado pela fiscalização, desta maneira, exercendo de forma plena o seu direito de defesa. Assim, não há que se falar em nulidade, quando o ato administrativo obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia ao contraditório e à ampla defesa. Isto posto, rejeito a preliminar argüida. Mérito Quanto à possibilidade de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa do IPI, o inciso I do art. 164 do Decreto nº 4.544/02 determina que os estabelecimentos industriais poderão se creditar do valor do imposto das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de produtos sujeitos à tributação. Ademais, o dispositivo retrocitado estabelece, ainda, que mesmo as matérias primas e os produtos intermediários que não integrem o produto final estão aptos a gerar crédito, desde que sejam consumidos no processo de industrialização e, simultaneamente, não sejam bens ativáveis. Justamente esta última disposição legal gerou divergentes interpretações. O que levou, ao longo do tempo, a Doutrina e a Jurisprudência a desenvolveram trabalhos exegéticos a fim de determinar quais os requisitos necessários para se caracterizar o "consumo" no processo de industrialização dessas matériasprimas e produtos intermediários. Nessa toada, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, através do Parecer Cosit nº 65/79, a seguir parcialmente reproduzido, firmou o entendimento da administração tributária sobre a matéria: "10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos “que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11516.720085/201113 Acórdão n.º 3002000.386 S3C0T2 Fl. 156 6 função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão “consumidos”, sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. ......................................................................................................... 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos DF CARF MF Fl. 577 12 intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” (grifo nosso) Como era de se esperar, a despeito do entendimento firmado pelo fisco, proliferaram inúmeros embates sobre a matéria, tanto na esfera judicial como na administrativa, entre os contribuintes e a administração tributária. Contudo, a partir do julgamento do Recurso Especial nº 1.075.508/SC, julgado na sistemática de recursos repetitivos do 543C do antigo CPC (atuais arts. 1.036 a 1.041), da relatoria do Ministro Luiz Fux, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu os contornos a serem seguidos na determinação das matériasprimas e dos produtos intermediários que fariam jus ao crédito. Extraise do voto do Excelentíssimo MinistroRelator daquele processo: "Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente" . Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11516.720085/201113 Acórdão n.º 3002000.386 S3C0T2 Fl. 157 7 Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa." (grifo nosso) Assim, pautado nessas premissas, passo à análise das glosas em espécie sob litígio no presente caso. Em seu Voluntário, a recorrente, uma indústria de alimentos, informou que os créditos glosados seriam originários de produtos, gaiolas e acessórios de reposição, que sofreriam desgaste ou perda de propriedade em função da ação direta exercida sobre o produto em fabricação ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e, por isso, estariam aptos a gerar crédito. A contribuinte seguiu informando que os insumos, cujos créditos foram glosados, seriam periodicamente trocados em decorrência das exigências contidas na Instrução Normativa nº 210 do Ministério da Agricultura. Ademais, a recorrente asseverou que as gaiolas e acessórios de reposição seriam utilizados para o transporte de aves vivas do aviário até o frigorífico, que seriam utilizadas em regime constante e transportadas sobrepostas em caminhão, que sofreriam contato constante com as aves e, por isso, sujariamse com seus excrementos, que retornariam para reutilização após higienização e que deteriorariamse devido a esta sistemática. A meu sentir, quanto à IN do Ministério da Agricultura colacionada aos autos pela recorrente, verificase a efetiva necessidade do uso dos bens glosados para satisfazer os ditames do órgão regulador, entretanto, tal fato, na sistemática de creditamento do IPI não cumulativo, como assentado pelo STJ no recurso retrocitado, não é suficiente para, por si só, tornálos aptos a gerar crédito, mas indispensável o requisito do seu desgaste de forma imediata e integral durante o processo produtivo. Diante disso, não podem ser considerados como produtos intermediários os materiais glosados, uma vez que não sofrem qualquer tipo de desgaste ou fadiga pelo contato direto com os produtos em fabricação. O que se verifica da narrativa da própria recorrente sobre a sistemática de utilização desses materiais, conforme resumo acima, é um desgaste indireto, ocasionado pelo manuseio, pelo transporte e por outras atividades meramente instrumentais do processo produtivo. Dessa forma, entendo pertinentes e apropriadas as glosas dos créditos indevidos realizadas pela fiscalização. Quanto ao pedido de diligência formulado pela recorrente, cumpre esclarecer que o procedimento fiscal de diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Portanto, não visa suprir a inércia probatória de qualquer uma das partes envolvidas. Assim, descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11516.720085/201113 Acórdão n.º 3002000.386 S3C0T2 Fl. 158 8 elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado, como no presente caso, por isso, indefiro o pedido formulado. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10813.000465/2010-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO.
A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, este Conselho não tem competência para pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1002-000.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF. De acordo com a Súmula CARF nº 02, este Conselho não tem competência para pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF. De acordo com a Súmula CARF nº 02, este Conselho não tem competência para pronunciarse sobre argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 00 04 65 /2 01 0- 30 Fl. 74DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples Nacional, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, em relação ao Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 339, de 19 de outubro de 2010, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01/07/2007, com fundamento na disposição contida no artigo 29, VII da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista a comercialização, pela empresa, de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Aduz, em síntese, que sua irresignação persiste apenas no tocante ao efeito retroativo da exclusão, entendendo que o ato de exclusão só poderia surtir efeitos a partir da notificação ao contribuinte, ocorrido em novembro de 2010. Menciona o §1o do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, estabelecendo que a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas as hipóteses de exclusão. E que o mês em que ocorreu a situação excludente é aquele em que o contribuinte recebeu a notificação do Ato Declaratório Executivo. Que a retroatividade dos efeitos da exclusão é ilegal e viola os princípios da irretroatividade e da vedação ao confisco, além de ferir o direito adquirido. Aduz, ainda, ofensa ao Código Tributário Nacional, mencionando os artigos 100 e 103 daquele diploma legal. Menciona, ainda, o artigo 106 do Código Tributário, o qual trata da aplicação retroativa da lei, argumentando que a hipótese de exclusão não pode ser enquadrada em seus incisos. Requer, assim, a irretroatividade dos efeitos do ADE e, alternativamente, que a exclusão surta efeitos 30 dias após a notificação ou a partir da data da notificação ao contribuinte. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1436.391 (efl. 57), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. Constatada a incorrência da empresa em qualquer situação impeditiva à opção pelo Simples Nacional prevista nos incisos II a XII do artigo 29 da Lei Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10813.000465/201030 Acórdão n.º 1002000.372 S1C0T2 Fl. 75 3 Complementar nº 123/2006, a exclusão de ofício produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a situação. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário (efl. 66) no qual, ratifica ipsis litteris os fundamentos de fato e de direito apresentados em sede de impugnação, requerendo o deferimento de seu pleito. E o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em primeiro lugar registrese que o Recorrente acata sua exclusão do Simples Nacional, questionando apenas seus efeitos retroativos a partir de 01/07/2007, motivo pelo qual a análise do Recurso Voluntário ficará circunscrita a esta matéria. O ora Recorrente entende que a exclusão só poderia surtir efeito a partir de 11/2010, mês em que foi comunicado da ocorrência da hipótese legal excludente, lastreandose no §1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Não assiste razão ao Recorrente. A redação do inciso VII e do §1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006 é clara no sentido de afirmar que a exclusão do Simples Nacional na hipótese de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a situação excludente: Art. 29. (...) I (...) (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e Fl. 76DF CARF MF 4 favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três)anos calendário seguintes. Logo, considerando que o Recorrente não nega o cometimento da infração de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho e que esta foi constatada em 06/06/2007 (efls. 12), os efeitos da exclusão mencionados no Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP n° 339/2010 remontaram a 01/07/2007, em perfeita consonância com a legislação de regência. Aliás, esta matéria foi alvo de percuciente análise no acórdão exarado pela DRJ/RPO, motivo pelo qual peço vênia para extrair trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito do contribuinte, os quais, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e no §3º do art. 57, do RICARF, também adoto como razões de decidir (grifos do original): (...) No presente caso, a situação impeditiva à opção pelo Simples Nacional foi constatada em 06/06/2007, conforme cópia do Boletim de Ocorrência anexada às fls. 12, considerando, portanto, nesta data incorrida a situação que determina a exclusão de ofício da empresa do regime mencionado, por expressa previsão legal. Considerando que o regime do Simples Nacional iniciou a sua vigência em 1/07/2007, somente a partir desta data operouse a exclusão. Não se está, no caso, retroagindo os efeitos da exclusão. Tratandose de ato e natureza declaratória, a sua emissão destinase a declarar que a empresa, a partir da data ali definida, já não dispunha do direito de optar pelo Simples Nacional. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de casos análogos relativos à exclusão do Simples Federal, vinha reconhecendo a natureza declaratória do ato de exclusão e a validade da retroação dos efeitos à data da ocorrência da situação excludente, de acordo com a ementa abaixo reproduzida: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. ORIENTAÇÃO ADOTADA EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. 1. Esta Corte já pacificou entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo (REsp n. 1.124.507/MG), na sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido de que o ato de exclusão do regime tributário SIMPLES tem natureza declaratória, e como tal, retroage seus efeitos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da Lei n. 9.317/96, eis que é obrigação do contribuinte conhecer as situações que impedem seu ingresso e permanência nesse regime. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10813.000465/201030 Acórdão n.º 1002000.372 S1C0T2 Fl. 76 5 2. Tendo em vista que o presente agravo regimental foi interposto após e contra o entendimento adotado no recurso representativo da controvérsia, é o caso de aplicarse a multa prevista no art. 557, §2º, do CPC, a qual fixo em 10% sobre o valor da causa. 3. Agravo regimental não provido1 (...) A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto à matéria ora examinada, não merecendo qualquer reparo, porquanto os fundamentos da exclusão estão em consonância com a legislação regente e porque a circunstância excludente está inequivocamente comprovada nos autos. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.723720/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 23/04/2010
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E MULTAS. CABIMENTO.
Constatado por meio de elementos de prova, colhidos com a aduana do país de origem das mercadorias, que os preços praticados nas operações de importação eram superiores àqueles indicados nas declarações de importação, cabível a exigência das diferenças de tributos e das multas decorrentes.
PENA DE PERDIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA DE APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não podem conviver no mesmo lançamento a pena de perdimento com a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado, em conformidade com o § 1º-A do art. 703 do Regulamento Aduaneiro/2009.
Na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), a penalidade aplicável seria aquela prevista no artigo 23, IV, e § 3º, Decreto-Lei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto-Lei nº 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui).
MULTA SUBSTITUTIVA. PENA DE PERDIMENTO. FALSIFICAÇÃO OU ADULTERAÇÃO DE DOCUMENTOS. TIPICIDADE.
O art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro de 2009 é delimitado pela interpretação dada pelos seus §§3º-A e 3º-B, a qual pode ser aplicada retroativamente para beneficiar o infrator.
A falsidade ou adulteração punível com base no art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro/2009 não é da própria Declaração de Importação, mas dos documentos que a instruem, especificados no art. 553 do mesmo Regulamento.
Ainda que assim não fosse, no caso, a penalidade deveria ser afastada pela improcedência de seus motivos determinantes, eis que a vinculação por parentesco entre o importador e o exportador já foi afastada pelo julgador a quo, e sobre a vinculação posteriormente presumida pela fiscalização não se poderia exigir o seu conhecimento pela recorrente por ocasião do registro das importações.
Ademais, para a situação concreta descrita, de não informação da condição de vinculação entre as partes na Declaração de Importação, existe uma infração mais específica tipificada no art. 69, §§1º e 2º da Lei nº 10.833/2003 e no art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. ORDEM SEQUENCIAL. MÉTODO. AUSÊNCIA. EXONERAÇÃO.
Nos casos em que não foi configurada fraude, não obstante tenha a fiscalização utilizado alguns parâmetros do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) para a escolha das Declarações de Importação paradigmas, sequer mencionou qual o método de valoração utilizado e a razão de ter descartado a aplicação de outros métodos anteriores na ordem sequencial indicada no AVA. Assim, devem ser exonerados os créditos tributários que sejam decorrentes da valoração aduaneira das importações enquadradas nessa situação.
A constatação de que a vinculação entre o importador e o exportador influenciou o preço da mercadoria importada é matéria que não exclui a aplicação do AVA, pelo contrário, é nele que tem o adequado tratamento.
MULTA DE OFÍCIO. DUPLICAÇÃO. ALTERAÇÃO DE MOTIVO DETERMINANTE. EXONERAÇÃO.
Em conformidade com o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e com o art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, um ato administrativo não pode subsistir na parte em foi considerado improcedente o seu motivo determinante pelo julgador de primeira instância.
No caso concreto não pode remanescer a duplicação da multa de ofício sob outro motivo determinante, diverso do mencionado pelo Auditor-Fiscal autuante para sustentá-la, este afastado pela DRJ.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-005.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos (i.1) para exonerar os valores correspondentes à multa substitutiva ao perdimento remanescente da decisão recorrida; (i.2) para exonerar os tributos e as multas relativas a situação "a" do Relatório Fiscal (e-fl. 117 - valor aduaneiro apurado com base em DI's paradigmas); e (i.3) para exonerar o agravamento da multa de ofício, reduzida para o percentual de 75%, na forma do voto vista da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, que negava provimento ao recurso nesses pontos; (ii) por maioria de votos, para afastar a multa administrativa de 100% sobre a diferença de preço (art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001) para a situação "b" do Relatório Fiscal (e-fl. 117 - divergência com a Aduana norte americana), com fulcro no art. 703, §1º-A do Regulamento Aduaneiro/2009, na forma do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Maria Aparecida Martins de Paula e Cynthia Elena de Campos que mantinham a multa para a situação "b" do Relatório Fiscal; (iii) por unanimidade de votos, para manter os tributos correspondentes à situação "b" do Relatório Fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos acompanharam o relator pelas conclusões quanto a exigência de tributos neste ponto, por entenderem que estaria configurada falsidade ideológica e não material. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor relativo ao item (i) acima, que também apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E MULTAS. CABIMENTO. Constatado por meio de elementos de prova, colhidos com a aduana do país de origem das mercadorias, que os preços praticados nas operações de importação eram superiores àqueles indicados nas declarações de importação, cabível a exigência das diferenças de tributos e das multas decorrentes. PENA DE PERDIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA DE APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não podem conviver no mesmo lançamento a pena de perdimento com a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado, em conformidade com o § 1ºA do art. 703 do Regulamento Aduaneiro/2009. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), a penalidade aplicável seria aquela prevista no artigo 23, IV, e § 3º, DecretoLei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do DecretoLei nº 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui). MULTA SUBSTITUTIVA. PENA DE PERDIMENTO. FALSIFICAÇÃO OU ADULTERAÇÃO DE DOCUMENTOS. TIPICIDADE. O art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro de 2009 é delimitado pela interpretação dada pelos seus §§3ºA e 3ºB, a qual pode ser aplicada retroativamente para beneficiar o infrator. A falsidade ou adulteração punível com base no art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro/2009 não é da própria Declaração de Importação, mas dos documentos que a instruem, especificados no art. 553 do mesmo Regulamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 37 20 /2 01 4- 81 Fl. 2188DF CARF MF 2 Ainda que assim não fosse, no caso, a penalidade deveria ser afastada pela improcedência de seus motivos determinantes, eis que a vinculação por parentesco entre o importador e o exportador já foi afastada pelo julgador a quo, e sobre a vinculação posteriormente presumida pela fiscalização não se poderia exigir o seu conhecimento pela recorrente por ocasião do registro das importações. Ademais, para a situação concreta descrita, de não informação da condição de vinculação entre as partes na Declaração de Importação, existe uma infração mais específica tipificada no art. 69, §§1º e 2º da Lei nº 10.833/2003 e no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835. VALORAÇÃO ADUANEIRA. ORDEM SEQUENCIAL. MÉTODO. AUSÊNCIA. EXONERAÇÃO. Nos casos em que não foi configurada fraude, não obstante tenha a fiscalização utilizado alguns parâmetros do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) para a escolha das Declarações de Importação paradigmas, sequer mencionou qual o método de valoração utilizado e a razão de ter descartado a aplicação de outros métodos anteriores na ordem sequencial indicada no AVA. Assim, devem ser exonerados os créditos tributários que sejam decorrentes da valoração aduaneira das importações enquadradas nessa situação. A constatação de que a vinculação entre o importador e o exportador influenciou o preço da mercadoria importada é matéria que não exclui a aplicação do AVA, pelo contrário, é nele que tem o adequado tratamento. MULTA DE OFÍCIO. DUPLICAÇÃO. ALTERAÇÃO DE MOTIVO DETERMINANTE. EXONERAÇÃO. Em conformidade com o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e com o art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, um ato administrativo não pode subsistir na parte em foi considerado improcedente o seu motivo determinante pelo julgador de primeira instância. No caso concreto não pode remanescer a duplicação da multa de ofício sob outro motivo determinante, diverso do mencionado pelo AuditorFiscal autuante para sustentála, este afastado pela DRJ. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos (i.1) para exonerar os valores correspondentes à multa substitutiva ao perdimento remanescente da decisão recorrida; (i.2) para exonerar os tributos e as multas relativas a situação "a" do Relatório Fiscal (efl. 117 valor aduaneiro apurado com base em DI's paradigmas); e (i.3) para exonerar o agravamento da multa de ofício, reduzida para o percentual de 75%, na forma do voto vista da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, que negava provimento ao recurso nesses pontos; (ii) por maioria de votos, para afastar a multa administrativa de 100% sobre a diferença de preço (art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001) para a situação "b" do Relatório Fiscal (efl. 117 divergência com a Aduana norte americana), com fulcro no art. 703, §1ºA do Regulamento Aduaneiro/2009, na forma do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Maria Aparecida Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.189 3 Martins de Paula e Cynthia Elena de Campos que mantinham a multa para a situação "b" do Relatório Fiscal; (iii) por unanimidade de votos, para manter os tributos correspondentes à situação "b" do Relatório Fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renato Vieira de Avila e Cynthia Elena de Campos acompanharam o relator pelas conclusões quanto a exigência de tributos neste ponto, por entenderem que estaria configurada falsidade ideológica e não material. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor relativo ao item (i) acima, que também apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto parte do relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 16/05/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados na importação, Contribuições PIS/COFINS – Importação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, além de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor de R$ 1.849.355,56, em virtude dos fatos a seguir escritos. A presente ação fiscal oriunda da Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro, em sede de Revisão Aduaneira, constatou a vinculação entre os exportadores estrangeiros durante o período selecionado e a empresa importadora fiscalizada, com valores declarados a menor nas importações e o seu consequente reflexo nos tributos pagos nessas operações de comércio exterior. No que tange aos documentos instrutivos dos despachos aduaneiros, pertinentes ao mesmo Termo de Intimação n° 027/2013, em duas ocasiões não foram apresentados os Conhecimentos de Carga. Dessa forma, tais omissões ficam sujeitas à multa prevista no art.70 II H “b” “1”, da Lei n° 10.833/2003, regulamentada pelo art.710 c/c arts.18 c 553, do Decreto n° 6.759/2009. Uma vez que a base de cálculo é o valor aduaneiro das mercadorias importadas, tomaramse em conta os valores utilizados para aplicação da penalidade substitutiva ao perdimento. Fl. 2190DF CARF MF 4 Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 05/06/2014 (fls. 1.367), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 07/07/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 1.374 à 1.441, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: (...) Entretanto, entende a ora Impugnante inexistir comprovação da suposta vinculação com as empresas estrangeiras exportadoras. Ademais, o Auditor imputalhe outras acusações, mas de igual forma não comprovou suas afirmações com documentos, que pudessem corroborar sem precisão de dúvida a autuação. Isto porque, tais afirmações não correspondem à realidade factual dos acontecimentos. Sendo assim, requer a este Órgão Julgador seja conhecida a presente impugnação, tornando nulo o auto de infração lavrado pela fiscalização federal, conforme argumentos abaixo aduzidos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. (...) INFRAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL (...) INFRAÇÃO AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO (...) NO MÉRITO DAS RAZÕES QUE LEVAM À INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO O contribuinte, ora Impugnante, discorda de todas as infrações que lhe estão sendo impingidas pelo auto Impugnado e isso se diz sem o menor laivo de arrogância. Destarte, passará a demonstrar, lastreado por sólidos fundamentos as razões do seu inconformismo. Logo de início, registrese que não faz sentido a multa aplicada pelo Agente Fiscal, no que diz respeito ao suposto não atendimento de parte do Termo de Intimação 027/2013. Todos os itens passíveis de serem atendidos pela Impugnante assim o foram. Entretanto, alguns itens, como o documento que é gerado pela empresa exportadora perante o Fisco Americano, não são de responsabilidade da Impugnante mantêlos. Tais exigências, como será observado pelo limo. Julgador na análise do feito, desvirtua o comando legal do artigo 2o da lei 9.784 de 199921, e do artigo 7o do Decreto6.932 de 200922, não podendo ser chancelado na análise da presente impugnação. NÃO RELAÇÃO DO FATO COM A NORMA LEGAL. O FISCO NÃO LOGROU ÊXITO EM COMPROVAR O VÍNCULO ENTRE A IMPUGNANTE E AS EMPRESAS ESTRANGEIRAS. (...) NÃO OCORRÊNCIA DE SUBFATURAMENTO. SUPOSTOS INDÍCIOS NÃO SÃO APTOS A EMBASAR TAL ACUSAÇÃO Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.190 5 (...) DAS SUPOSTAS IMPORTAÇÕES COM VALORES INFERIORES (...) Frisese à exaustão: a Impugnante comprova categoricamente através dos documentos anexados que não há diferença entre os valores informados à Aduana Norte Americana e a Brasileira. No entanto, prosseguindo o combatido Auto de Infração a Administração Fazendária efetuou o cálculo dos supostos tributos devidos com base no segundo método de valoração (método do valor de transação de mercadorias idênticas), a teor do art. 2o, I, “a”, do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). Utilizou com parâmetro a própria lista de DIs paradigmas da RFB, fazendo menção a um arquivo intitulado “ANEXO_ 84433237 DI paradigma Pesquisa DW ADUANEIRO Fonte_ IRFRJO_SEPEL”. Em primeiro, o Fisco sequer colaciona ao Auto documentos que comprovam a similaridade ou identidade entre as mercadorias importadas pela Impugnante e as mercadorias de outros importadores que aponta como paradigmas. Isso porque, após muito esforço depreendido, a Impugnante considera que o Fisco baseouse no documento intitulado “ANEXO_ 96121019 Dl paradigma_Pesquisa DW ADUANEIRO_Fonte_ IRF RJO_SEPEL”. Ocorre que o referido documento sequer cita a descrição do produto ou a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), trazendo apenas o n° da Declaração de Importação, fato que nem de longe comprova haver identidade ou similaridade com as mercadorias importadas pela Impugnante. Sendo assim, via de consequência, não há que se falar em importações declaradas a preços inferiores ao praticado no mercado, visto que o Fisco não logrou êxito em comprovar que tais mercadorias são transacionadas por valores superiores por outros importadores. Em segundo, o Acordo de Valoração Aduaneira expressamente determina os seis métodos de valoração, que são de aplicação sucessiva, ou seja, os métodos substitutivos somente são aplicados quando o método anterior revelase inaplicável. Assim, para que o Fisco utilize e aplique o método dois ou três na apuração do .dor aduaneiro, antes é preciso justificar e demonstrar os motivos pelos quais não se aplicam o método anterior. De outra banda, ad argumentam tantum, mesmo que houvesse vinculação entre adquirente e fornecedor, tal situação não seria suficiente para ensejar a aplicação do método subsequente de valoração aduaneira (2o ou 3o método). Não houve qualquer operação praticada com valores superiores. Logo, os valores declarados são aceitáveis para fins de aplicação do método 1 do AVA, via de consequência, verificase a ilegalidade na aplicação do método subsequente. Ademais, devese levar em consideração ainda que nessas mercadorias há valores agregados de difícil quantificação, relacionados com as respectivas marcas, excesso momentâneo de oferta no mercado, dificuldades financeiras do exportador, instabilidade política no país de origem, etc. Tudo isso interfere no preço da mercadoria no mercado internacional. Por isso é que uma acusação de subfaturamento só se sustenta com base em prova evidente, clara, insofismável, ou seja, com a prova documental que o preço praticado realmente não obedece a realidade usual do mercado. Fl. 2192DF CARF MF 6 Ora, o lançamento deve ser líquido e certo, não podendo se basear informações duvidosas. Não tem sentido o Fisco afirmar em uma planilha unilateral que o preço real de uma mercadoria é um determinado valor porque colheu essa informação num site da internet ou com base em outras importações constante em seu sistema. Tal informação não tem qualquer valor probante. A mesma mercadoria pode ter vários preços em vários mercados, por inúmeras razões. Impõese, portanto, a exclusão da tipificação de subfaturamento da importação, uma vez que os valores e mercados utilizados pela RFB como parâmetro não podem ser integral e fielmente aplicáveis ao presente caso, que envolve importação de mercadoria adquirida de fornecedor localizado nos EUA, que não possui qualquer vínculo com a Impugnante conforme já dito anteriormente. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO NO CASO DE SUBFATURAMENTO Conforme se extrai do Auto de Infração, ora combatido, optou o Auditor Fiscal em aplicar a pena de perdimento, motivado pela suposta prática de subfaturamento. E só. Resumese em apenas alegar tal ilicitude, sem contudo, carrear provas demonstrando tal ocorrência. Aduz que a omissão ou a distorção na Dl com relação a ausência de informação do vínculo supostamente existente entre as partes sujeita o importador à pena de perdimento, em virtude de ter ocorrido falsificação/adulteração da referida DI. A alegação de subfaturamento com fundamento na ocorrência de falsidade documental ideológica não enseja a aplicação da pena de perdimento na forma do art. 105, do DecretoLei 37/66, como fez o Fisco. E possível constatar que os itens tidos pelo Fisco como não atendidos dizem respeito a documentos que não são de responsabilidade da Impugnante mantêlos; não são exigidos por lei (e aí, afrontase ao princípio da legalidade) e por isso, não pode a Impugnante ser multada por não entregálos (item h.10 — exigindo entrega de documento que é gerado pela empresa exportadora perante o Fisco Americano, e itens h.7, h.8, h.9 e h.ll). Tais exigências desvirtua o comando legal do artigo 2o da lei 9.784 de 1999, e do artigo 7o do Decreto 6.932 de 200942, não podendo ser chancelado na análise da presente impugnação e portanto deverão ser afastadas. O CARÁTER CONFISCATÓRIO E VIOLAÇÃO DO DIREITO DE PROPRIEDADE E DA LIVRE INICIATIVA DAS MULTAS APLICADAS (...) DESPROPORCIONALIDADE DAS MULTAS APLICADAS (...) NÃO COMPROVAÇÃO DE SONEGAÇÃO E ILEGALIDADE DA MULTA AGRAVADA. (...) INCOMPATIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA E AGRAVADA COM MULTA SUBSTITUTIVA A PENA DE PERDIMENTO (...) FALTA DE MOTIVAÇÃO E INEXIGIBILIDADE DA MULTA REGULAMENTAR DO ART. 107, IV, ALIENA “B” DO DECRETOLEI 37/66 Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.191 7 (...) FALTA DE MOTIVAÇÃO E INEXIGIBILIDADE DA MULTA REGULAMENTAR DO ART. 107, IV, ALIENA “B” DO DECRETOLEI 37/66 (...) Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a Impugnação do Contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2010 Composição societária de uma empresa exportadora é desconhecida da fiscalização. Presunção da a vinculação entre as partes nas operações de importação. Para essas importações a valoração aduaneira é pertinente. Os valores declarados perante as autoridades aduaneiras americanas nem sempre corresponderam aos registrados nas Declarações de Importação. Para essas importações a valoração aduaneira é pertinente. O sócio da empresa exportadora que tinha parentesco com o sócio da empresa importadora não integrava mais o quadro social à época das importações. Vinculação por parentesco afastada. Para essas importações a valoração aduaneira não é pertinente. Multa de 100% da diferença de preço declarado e arbitrado. Procedente em parte apenas para as importações em que a valoração aduaneira é pertinente. Multa regulamentar improcedente. Uma vez que a vinculação por parentesco está afastada e não há obrigação do importador em conhecer a composição do quadro social do exportador, não há o que o importador informar à autoridade aduaneira. Pena de perdimento procedente em parte. Os conceitos de subfaturamento e documento falsificado ou adulterado não se confundem. Os argumentos da fiscalização não distinguem falsidade ideológica (subfaturamento) de falsidade material (documento falsificado ou adulterado). A pena de perdimento só é aplicada para as Declarações de Importação cujos valores declarados perante as autoridades aduaneiras americanas não corresponderam aos registrados nas Declarações de Importação (falsidade material). Fl. 2194DF CARF MF 8 Multa de ofício agravada procedente em parte. A multa de ofício agravada (150%) só incide para as importações passíveis de pena de perdimento. As demais sofrem o acréscimo da multa de ofício regulamentar (75%). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte As conclusões do Julgador a quo estão melhor detalhadas no trecho do dispositivo do acórdão recorrido, a seguir transcrito: CONCLUSÃO PROCEDIMENTO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA RIVER MED INC. Deve ser aplicado parcialmente às importações provenientes da exportadora americana RIVER MED INC. em função: das informações advindas da aduana norteamericana (aplicação direta do 1º método de valoração aduaneira / real valor das transações). Não alcança as seguintes Declarações de Importação provenientes da exportadora americana RIVER MED INC: DI 10/10986661; DI 11/04460345; DI 11/10868962; e DI 11/17943161. MED IMAGE INC. Deve ser aplicado a todas importações provenientes da exportadora americana MED IMAGE INC. em função: da presunção de vinculação por exportador oculto – artigo 18 do Instrução Normativa SRF n° 327/2003; das pesquisas feitas nos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil que constatou operações de importação similares com valores superiores. APLICABILIDADE DA MULTA DE 1% POR OMISSÃO NA INFORMAÇÃO DE NATUREZA COMERCIAL Não procede, pois: A vinculação de parentesco da empresa RIO COMERCIO DE INSTRUMENTOS E MATERIAIS HOSPITALARES com a exportadora americana RIVER MED INC. foi afastada em função do artigo 105 doo Código Tributário Nacional. Não é plausível exigira do importador empresa RIO COMERCIO DE INSTRUMENTOS E MATERIAIS HOSPITALARES que venha a conhecer da constituição do Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.192 9 quadro social da exportadora americana MED IMAGE INC., uma informação que só foi obtida através do Governo da Flórida/EUA. MULTA DE 100% DA DIFERENÇA DE PREÇO DECLARADO E ARBITRADO A multa de 100% da diferença de preço declarado e arbitrado é pertinente a todas as Declarações de Importação passíveis de valoração aduaneira. Portanto, a multa não alcança as Declarações de Importação NÃO sujeitas a valoração aduaneira, em função de estar desatendido o preceito de vinculação entre a importadora brasileira e a exportadora americana RIVER MED INC. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO (100% do VA) EM SUBSTITUIÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO Apenas as Declarações de Importação que de fato estão sujeitas à pena de perdimento são aquelas onde foi constatada a FALSIDADE MATERIAL, decorrente das informações advindas da aduana norteamericana, que são a Declarações de Importação que estão relacionadas às folhas 193 do processo digital. A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%) Apenas as Declarações de Importação que de fato estão sujeitas à pena de perdimento por FALSIDADE MATERIAL – estão sujeitas à multa de ofício qualificada (150%), que são a Declarações de Importação que estão relacionadas às folhas 193 do processo digital. As demais estão sujeitas à multa de ofício regulamentar (75%). Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em sede preliminar, alega cerceamento ao seu direito de defesa por não ter tido acesso ao processo em tempo suficiente para analisálo e o Fisco não cumpriu o seu dever de instruir o processo com provas para fundamentar a acusação fiscal, baseando toda acusação apenas em informações retiradas de um site estrangeiro. No mérito, suscitou os seguintes temas: a) Da vinculação entre a importadora brasileira e a Med Image Inc. impossibilidade de valoração aduaneira com fundamento na vinculação por ocultação de informações; b) Nulidade da aplicação do método de valoração aduaneira utilizado pela Fiscalização; c) Não ocorrência de subfaturamento nas operações – interpretação dos fatos equivocada da Fiscalização; Fl. 2196DF CARF MF 10 d) Impossibilidade de aplicação da pena de perdimento uma vez não se comprovou nos autos a falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria; e e) Impossibilidade de qualificação da multa em 150% pela não comprovação de sonegação fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. PRELIMINARES Cerceamento ao Direito de Defesa Aduz a Recorrente que houve violação ao seu direito constitucional a ampla defesa e ao contrário (art. 5º, LV da CF), tendo em vista que o Fisco não lhe ofertou a possibilidade de acesso pleno aos documentos que levaram a autuação fiscal, notadamente a íntegra do processo administrativo fiscal. É pertinente ao caso indicar a cronologia dos fatos a fim de verificar a procedência da reclamação da Recorrente. Noticiase nos autos que o Contribuinte tomou ciência do auto de infração em 05/06/2014 e recebeu CDROM contendo os principais documentos referentes a autuação. O contribuinte informa que em 25/06/2014 solicitou agendamento com fins de obtenção de cópia integral do processo, mas só conseguiu agendamento para o dia 07/07/2014, data posterior ao vencimento do seu prazo de 30 (trinta) dias para recurso. De plano, observase que não cabe razão a recorrente quanto a sua alegação. O Auditor fez a ciência nos termos previstos em lei, franqueando ao autuado o prazo de 30 dias para a interposição de recurso. Além disso, conforme se pode conferir nos autos, foilhe entregue CDROM com os principais documentos da autuação. Se o Contribuinte somente agendou para solicitar cópia integral dos autos 20 (vinte) dias após a ciência, não conseguindo data hábil para a realização da sua defesa, não pode atribuir a culpa ao órgão preparador, pois a culpa claramente foi da empresa que não agiu de forma diligente. Ademais, ainda que o agendamento tenha sido a destempo, nada impediria a empresa de solicitar diretamente ao chefe do órgão preparador a cópia do processo, demonstrando a urgência do caso devido ao esgotamento do seu prazo de recurso. Não consta nenhum documento nesse sentido nos autos. Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.193 11 Observase ainda no Recurso apresentado que a empresa tem pleno conhecimento dos fatos lhe foram imputados na acusação, contrapondoos com vasta argumentação e documentos, o que confirma a inexistência de prejuízo ao seu direito de defesa. Não havendo prejuízo ao direito de defesa, não há que se falar em nulidade do processo administrativofiscal, não se enquadrando na previsão contida no inciso II do art.59 do Decreto nº70.235/72. Infração ao Princípio da Verdade Material Neste item a Recorrente argui que a Autoridade Aduaneira não apresenta nos autos provas confiáveis e suficientes para sustentar a acusação. Tendo em vista que o tema aqui suscitado se confunde com o MÉRITO, nele será analisado. MÉRITO Conforme relatado, contra a Recorrente foi lavrado auto de infração em decorrência de procedimento de valoração aduaneira com lançamento dos tributos incidentes sobre a diferença de valor aduaneiro inicialmente declarado e o valor apurado pela fiscalização, acompanhado de seus encargos legais e das multas administrativas previstas no art.84 e art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, disciplinado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro), vigente à época da ocorrência dos fatos. Na autuação fiscal de valoração aduaneira foram verificadas as importações originadas das empresas RIVER MED INC e MED IMAGE INC localizadas nos EUA. Em ambas as empresas foram identificadas situações caracterizadoras de existência de vinculação com a importadora brasileira, fato que ensejou a valoração aduaneira com a utilização dos métodos previstos no AVAGATT. Na RIVER MED entendeu a Fiscalização que restou comprovada a vinculação por parentesco. Com relação a MED IMAGE, a vinculação identificada foi a presumida por não ter sido possível a identificação da sua composição societária, nos termos do art.18 da IN nº327/03. Também identificou a Fiscalização que algumas importações originadas das duas empresas apresentaram preços declarados nas DIs em valores inferiores aos realmente ocorridos, comprovado pelos documentos obtidos com a aduana americana, fato que ensejou a acusação de subfaturamento. A DRJ no acórdão recorrido afastou a aplicação de valoração aduaneira nas DIs nº 10/10986661, 11/04460345, 11/10868962 e 11/1794316, por não reconhecer a existência de vinculação por parentesco entre a Recorrente e a empresa RIVER MED. Com relação a MED IMAGE, a DRJ manteve a valoração aduaneira uma vez que entendeu por existente a vinculação com o importador por presunção e a não aceitabilidade dos preços praticados, pois foram identificadas importações de produtos similares de outros importadores nacionais em valores superiores. Além disso, o acórdão da instância a quo manteve a acusação de subfaturamento identificada em algumas operações de importações de ambas as empresas (RIVER MED e MED IMAGE). Fl. 2198DF CARF MF 12 Feito esse breve histórico, constatase que, após a decisão recorrida, remanesce a discussão sobre a acusação de subvaloração do valor aduaneiro da MED IMAGE com relação as DIs constante na planilha de fls.184, bem como a acusação de subfaturamento de algumas importações das empresas MED IMAGE e RIVER MED, referente as DIs listadas nas fls.193. Passase, assim, a analisar essas questões citadas e as multas aplicadas remanescentes. Da vinculação entre a importadora brasileira e a Med Image Inc e Valoração aduaneira A Fiscalização identificou situação de vinculação presumida entre a Fiscalizada e a empresa MED IMAGE INC por não ter sido possível identificar a composição societária do vendedor (MED IMAGE), nos termos a seguir previstos no art.18 da IN nº327/03: Art. 18. Presumese a vinculação entre as partes na transação comercial quando, em razão da legislação do país do vendedor ou da prática de artifício tendente a ocultar informações, não for possível: I conhecer ou confirmar a composição societária do vendedor, de seus responsáveis ou dirigentes, ou; II verificar a existência de fato do vendedor. (negrito nosso) Quanto a composição societária da MED IMAGE, a fiscalização consigna no Relatório Fiscal que não houve a sua indicação nos documentos pesquisados obtidos e aqueles retirados da internet, in verbis: A Med Image foi fundada em 22/09/2011, funcionando exatamente no mesmo endereço da River Med e da Elo Enterprise: 4700 N.W. 2nd Ave., #202, Boca Raton, FL 33341. Contudo, notase que o nome do “registered agent” é diferente, embora tenha também o mesmo endereço: Mel Corporate Management Inc. Curiosamente, assina como representante desse “registered agent” a senhora LYSLEI CHIRICO. Outra empresa Mel Corporate também figura, nos atos constitutivos da Med Image Inc., como sua “vicepresidente”, além do que possui o mesmo endereço que a Med Image e a Elo Enterprise. Os documentos “FOR PROFIT CORPORATION ANNUAL REPORT”, dos anos de 2012. 2013 e 2014, não trazem outras informações relevantes. A RIVER MED INC. foi fundada por ANTONIO CESAR MACOL COSTA e a senhora TANIA MARIA LOPES COSTA, tendo funcionado sob dois números de registro, perante o Governo da Flórida: P03000076372 e PI 1000070022. O primeiro foi relativo ao período entre 11/07/2003 e 26/09/2008. Já o segundo, entre 04/08/2011 e 27/03/2012. No que tange ao segundo período de funcionamento, seu endereço comercial era exatamente o mesmo que o de seu “registered agenf Elo Enterprise Inc. (4700 N.W. 2nd Ave., #202, Boca Raton, FL 33341), cuja representante era a senhora LYSLEI CHIRICO. Não há indicação do quadro societário da MED IMAGE INC. nos documentos pesquisados, figurando uma pessoa jurídica (Mel Corporate Managementt Inc) como sua vicepresidente que, Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.194 13 por sua vez, tem na pessoa de LYSLEI CHIRICO a figura de sóciapresidente. A Recorrente, por sua vez, aduz que a Fiscalização não demonstrou que a composição societária do exportador fosse possível de ser conhecida para a Aduana brasileira uma vez que não foram utilizados os meios adequados e suficientes para obtenção de tal informação. Refuto a alegação da Recorrente, pois cabe ao próprio Auditor a avaliação dos meios que devem ser utilizados para obter a informação, bem como a intensidade do aprofundamento necessário até obter o seu convencimento sobre o tema. Em que pese as alegações do Contribuinte na tentativa de invalidar a fonte das informações da Fiscalização, é fato que a Fiscalização obteve no referido site oficial do governo da Flórida <http://search.sunbiz.org/Inquiry/CorporationSearch/ByName> todos os atos constitutivos e alterações da envolvida RIVER MED INC, enquanto que os da MED IMAGE INC não se encontravam arquivados no referido site. E é fato também que a composição societária permaneceu desconhecida pela Fiscalização, mesmo depois dos esforços empreendidos para obtêla. Tampouco a Recorrente trouxe aos autos qualquer prova ou informação sobre a composição societária da sua exportadora capaz de ilidir essa presunção em favor da Fazenda Nacional. Restando caracterizada, por presunção, a vinculação entre a Recorrente e a exportadora MED IMAGE INC, as importações que envolveram as duas empresas são passíveis de valoração aduaneira. No entanto, não necessariamente a caracterização de vinculação entre as partes tem influência no preço da operação de importação. Além da vinculação, a Autoridade Aduaneira tem que trazer aos autos outros elementos que demonstrem claramente que os preços praticados entre as empresas sofreram influência dessa vinculação. A caracterização da vinculação entre as partes enseja, assim, a verificação da aceitabilidade dos valores da transação praticado na operação de comércio exterior. Nessa direção, a Fiscalização identificou, por meio de pesquisas nos sistemas da Receita Federal, que os preços praticados nas DIs da Recorrente se encontravam em patamares inferiores aqueles praticados por outros importadores do Brasil referentes a mercadorias similares. Os requisitos necessários para caracterizar um produto como similar a outro em operação de comércio exterior podem ser encontrados no Acordo para Implementação do art.VII, do GATT/94, a seguir reproduzido: a) a similaridade deve ter em conta que as exportações para o Brasil foram feitas ao mesmo tempo ou em tempo aproximado (art. 3o – 1 — “a”). Mas essa data mais próxima não pode ultrapassar 90 dias após a importação da mercadoria cujo preço será arbitrado (art.5° 1 “b” — in fine); Fl. 2200DF CARF MF 14 b) quando for encontrado mais de um valor de transação de mercadorias similares, O mais baixo deles será utilizado na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas (art.3° 3); c) entendese por mercadorias similares as que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes,^) que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente.Entre os fatores a serem considerados para determinar se as mercadorias são similares, incluemse a boa qualidade, reputação comercial e a existência de uma marca comercial” (art. 15 2 “b”); d) somente poderão ser consideradas idênticas ou similares as mercadorias produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração (art.15 2 — “d”); e) somente serão levadas em conta mercadorias produzidas por uma pessoa diferente quando não houver mercadorias idênticas ou similares, conforme o caso, produzidas pela mesma pessoa que produziu as mercadorias objeto de valoração (art.l 5 — 2 — “e”). Com base nesses conceitos de similaridade, a Fiscalização realizou pesquisas nos sistemas da Receita Federal que indicaram importações de mercadorias similares às compradas pela empresa RIO COMÉRCIO DE INSTRUMENTOS E MATERIAIS HOSPITALARES que foram transacionadas a preços superiores por outros importadores no Brasil. Vale observar, ainda, que foram considerados, também, as informações sobre o modelo das mercadorias importadas. Os dados obtidos na referida pesquisa foram consolidados na planilha denominada OUTRAS IMPORTAÇÕES COM VALORES SUPERIORES (fls.194 a 238) para demonstrar que, nesses casos específicos, o importador, além de possuir vinculação com o exportador americano com composição societária oculta, tal vinculação influenciou no preço praticado na importação. A importação paradigma foi destacada em coloração diferente das demais, além de não indicar o nome do importador no Brasil. Na planilha é demonstrado significativa diferença de preços praticados em produtos similares pela Recorrente e outros importadores, chegando, em alguns casos, a 250% a diferença superior. Em outra planilha elaborada pela Fiscalização, denominada “DIFERENÇAS VADCÁLCULO TRIBUTOS PARADIGMAS”, podese conferir as diferenças de valor aduaneiro, fls.180. Observase no caso que a Fiscalização cumpriu corretamente as determinações da GATT quanto ao estabelecimento do valor aduaneiro, nos termos do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira – AVA), promulgado pelo Decreto nº 1.355/94. Ao contrário do que afirma a Recorrente, evidenciase que a Fiscalização pautouse para estabelecer a valoração aduaneira da operação nas regras estabelecida pelo AVA, posto ter se utilizado sucessivamente, no presente caso, dos métodos indicados e ter adequadamente aplicado o terceiro método de valoração aduaneira, após ficar constatada a impossibilidade de aplicação dos dois métodos anteriores. O primeiro e principal método de valoração aduaneira é baseado no valor de transação das mercadorias importadas em operação comercial de compra e venda. O disposto no artigo 1 do referido acordo, in verbis: Fl. 2201DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.195 15 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: (…) (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo. (negrito nosso) Caracterizada a vinculação entre o importador e o exportador do país de origem das mercadorias, como se deu no presente caso, e a constatação de que outros importadores do Brasil compraram mercadorias similares a preços superiores, devese afastar a aplicação do primeiro método baseado no valor da transação, em conformidade com o dispositivo legal transcrito. Restando caracterizada a impossibilidade de aplicação do primeiro método, aplicarseá o segundo, observando os mesmos padrões do primeiro, com uma mercadoria idêntica e importada nas mesmas condições. A “mercadoria parâmetro” deve ser importada do mesmo país, em período aproximado, preferencialmente do mesmo fornecedor e comercializada em mesma escala – atacado ou varejo. No caso concreto, não tendo a Fiscalização obtido produtos idênticos, partiuse sucessivamente para a aplicação do terceiro método, relativo aos produtos similares. O terceiro método é utilizado de forma subsidiária ao segundo, devendo ser observadas as mesmas exigências deste, só que com mercadoria similar. A Recorrente porém não juntou aos autos prova capaz de infirmar a acusação e prevalecer seu posicionamento. A empresa poderia ter demonstrado que os seus preços estão em níveis normais para o ramo de atividade industrial do produto, ou mesmo, demonstrar os mesmos preços declarados em suas DIs para outros compradores não vinculados. Mas nada disso foi feito. No contencioso administrativo, amparouse apenas em argumentos insuficientes para desconstituir a prova carreada pela Fiscalização. Dessa forma, entendo que a fiscalização trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a subvaloração ocorrida nas importações da Recorrente com a Fl. 2202DF CARF MF 16 MED IMAGE INC, ensejando a valoração aduaneira pelos afastamentos do primeiro e segundo métodos de valoração do AVA, com a aplicação sucessiva e adequada do terceiro método. Subfaturamento Na outra situação, a Fiscalização, por meio de informações prestadas pela aduana do governo americano, identificou que algumas DI’s, de ambas as empresa (MED IMAGE E RIVER MED), apresentaram preços divergentes daqueles declarados à autoridade aduaneira daquele país. Tal fato levou a conclusão de ocorrência de subfaturamento nas importações envolvidas, conforme relato da Autoridade Tributária, a seguir transcrito: Brasil e Estados Unidos firmaram acordo relativo à Assistência Mútua entre suas Administrações Aduaneiras, tendo sido assinado em Brasília, em 20 de junho de 2002. O Congresso Nacional aprovou esse tratado bilateral, por meio do Decreto Legislativo nº209, de 20 de maio de 2004. Com base no Decreto nº5.410/2005, que promulgou citado Acordo Internacional, formularamse pedidos de informação às autoridades aduaneiras dos EUA, país que figurou como exportador para todos os casos analisados. Lastreou os pedidos, igualmente, o art.82parágrafo único, do Decreto nº6.759/2009. A U.S Immigration and Customs Enforcement, através do ICE nº14018 e nº14012, apresentou várias informações relativas às exportações das empresas RIVER MED e MED IMAGE, onde as operações tiveram por destino o Brasil e como importador a empresa ora fiscalizada. Nessa ocasião, foram apresentadas cópias digitalizadas dos documentos equivalentes a Declarações de Exportação, identificadas pela sigla SED. No anexo “INFORMAÇÕES DA ADUANA AMERICANA”, temos uma visão geral das informações prestadas, relativamente à empresa ora fiscalizada, já vinculadas às correspondentes DIs registradas no Brasil. Os valores declarados perante as autoridades aduaneiras americanas nem sempre corresponderam aos registrados nas Declarações de Importações. Por vezes, podemos encontrar valores registrados nas exportações dos EUA superiores aos lançados nas DIs. Assim, houve situações de nítido subfaturamento nas importações. Na planilha “SUBFATURAMENTO NAS IMPORTAÇÕES”, um quadro sobre as diferenças apuradas, onde o valor de exportação (VALOR US$) é maior do que o valor na importação (VMLE (US$) DI), sempre tomando em consideração o valor da mercadoria no local de embarque, para que não fosssem acrescidos o frete e seguro internacionais entre EUA e Brasil. Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.196 17 Os documentos presentes na ICE 14012 se referem as importações da empresa MED IMAGE INC. Os documentos da ICE14018 se referem à empresa RIVER MED que também apresentou importações com características de subfaturamento. O subfaturamento é entendido como a declaração de preço inferior ao realmente pago ou a pagar pelo produto importado, utilizandose o importador de fatura comercial falsa (ideológica ou material). Para entender o conceito de subfaturamento é necessário explicar como se dá a caracterização da falsidade de documento nas suas duas modalidades. Na falsidade material de documento, o que se frauda é a própria forma do documento, que é alterada, no todo ou em parte, ou é forjada pelo agente, que cria um documento novo. Na área aduaneira, normalmente esse documento fraudulento é produzido pelo importador, seu representante, ou por sua conta e ordem, para adulterar os elementos principais da fatura comercial (nome do importador ou real adquirente, nos casos de interposição fraudulenta e ocultação no preço, no caso de subfaturamento). Na falsidade ideológica, ao contrário, a forma do documento é verdadeira, mas seu conteúdo é falso, isto é, a idéia ou declaração que o documento contém não corresponde à verdade. Nesse caso, o ilícito ocorre mediante conluio entre o importador e exportador com o fim de emitir uma fatura verdadeira, porém com valores inferiores aos efetivamente praticados. Quanto vício do documento, o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fl. 2204DF CARF MF 18 acrescenta que a falsidade ideológica estará sempre presente no subfaturamento, que pode ser acompanhada também da falsidade material1. Retornando a falsidade material, modalidade mais comum no subfaturamento, o elemento de prova principal para caracterizar a falsidade documental material é a identificação pela Autoridade Aduaneira das duas faturas (a verdadeira, oculta, e a fatura falsa, apresentada à fiscalização aduaneira), mas também poderão ser apresentados e identificados outros elementos alternativos que comprovem de forma clara e inequívoca a falsidade documental, tais como: as ordens de compra e as faturas pro forma, cotações de preços, conjugados ou não com documentos financeiros. No caso concreto, conforme se pode conferir no relato fiscal anteriormente reproduzido, a Fiscalização, por meio de pedido de informações à Aduana americana, obteve documentos digitais (sigla SED Shipper’s Export Declaration), equivalentes a Declarações de Exportação daquele país, nos quais estariam comprovadas em algumas DIs o valor real das transações da MED IMAGE INC e RIVER MED INC com a Recorrente, o que levou a acusação de ocorrência de subfaturamento, uma vez que os valores declarados à aduana americana naqueles documentos se mostraram superiores aos declarados nas DIs à aduana brasileira, nas mesmas operações de comércio exterior. Reproduzse abaixo a planilha que demonstra o subfaturamento em moeda nacional: Ao contrário do que aduz a Recorrente, constatase pelas planilhas e documentos (642 a 733 e 797 a 1.344) apresentados pela Autoridade Aduaneira que houve, de fato, uma declaração a menor no valor das mercadorias constantes nas DIs acima listadas. A Recorrente, ainda, insurgese contra a acusação de subfaturamento alegando que não há falsidade material provada pois o Fisco não logrou êxito em comprovar a existência de documentos adulterados ou falsificados em seu aspecto físico. Todas as Declarações de Importação e demais documentos encontramse sem qualquer indício de rasura ou adulteração. Frisa a Recorrente que não há uma prova sequer apresentada pela fiscalização nos autos que comprove a existência de falsificação material dos documentos de importação ou 1 MINEIRO, Rodrigo. Valoração Aduaneira e Subfaturamento Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF.MP Editora, 1ª Ed., São Paulo, 2013. Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.197 19 que a Recorrente pretendia ocultar ou simular informações. Segundo afirma, não há nos autos nenhum documento forjado ou contrafeito. Logo, não foi demonstrado o dolo de fraudar a fiscalização aduaneira. Ao contrário do que afirma a Recorrente, há sim elementos nos autos que referendam a acusação de subfaturamento, conforme passo a explicitar. Conforme já afirmado anteriormente, embora a prova ideal para caracterizar a falsidade documental material seja a identificação pela Autoridade Aduaneira das duas faturas (a verdadeira, oculta, e a fatura falsa, apresentada à fiscalização aduaneira), também são amplamente aceitos outros elementos alternativos que comprovem de forma clara e inequívoca a falsidade documental, tais como: as ordens de compra e as faturas pro forma, cotações de preços, conjugados ou não com documentos financeiros. Nessa direção, a Autoridade Aduaneira obteve documentos oficiais da aduana americana, equivalentes às declarações de exportação (fls.642 a 733), denominados SED (Shipper’s Export Declaration), nos quais constam os reais valores das operações que foram superiores aqueles declarados nas DIs apresentadas à Receita Federal. Assim, depreendese que constam nos autos provas documentais robustas, colhidas pela Fiscalização, que demonstram, de forma inequívoca, a existência de subfaturamento nas importações das mercadorias constantes das DIs nº1006614321, 1007061083, 1007996902, 1015174193, 1017568164, 1019913926, 1102935958, 1110868962, 1124082052, 1203611333, 1217478606, 1305107545, conforme descrito de forma pormenorizada no Relatório Fiscal. Vale ainda ressaltar que, nesse caso de falsificação material de documento, não há que se falar em adoção de método de valoração aduaneira subseqüente porque a própria fiscalização constatou o valor real do bem importado, devendo este valor ser utilizado para apurar as diferenças de tributos incidentes na importação, bem como base de cálculo das penalidades aplicadas ao caso. Nessa direção é o que determina a Opinião Consultiva 10.1, a seguir reproduzida: OPINIÃO CONSULTIVA 10.1 TRATAMENTO APLICÁVEL AOS DOCUMENTOS FRAUDULENTOS 1. O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Fl. 2206DF CARF MF 20 Conseqüentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. Portanto, restando caracterizado o subfaturamento, por existência de vício de falsidade material nas faturas de importação, nas quais foram declarados valores inferiores aqueles informados nas Declarações de Exportações à aduana americana, correto o lançamento fiscal que utilizou o valor real das operações para exigir as diferenças do tributos incidentes na importação e multas decorrentes. Multa de 100% da diferença de preço declarado e o efetivamente pago Argüiu a Recorrente que não é possível a aplicação de multa equivalente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias declarado e aquele efetivamente pago pelo fato de que a legislação já previu uma penalidade mais específica que aquela e, inclusive mais benéfica, pela simples omissão ou inexatidão de informação obrigatória na Declaração de Importação. O Regulamento Aduaneiro/2009, na redação acrescida pelo Decreto n° 8.010, de 16 de maio de 2013, dispõe expressamente no § 1ºA do art. 703 a não concomitância da multa de 100% sobre a diferença dos valores praticados com a pena de perdimento, conforme segue: Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de oficio referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único).(Redação dada pelo Decreto n° 7.213, de 2010). (...) § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Incluído pelo Decreto n°8.010, de 2013) Assim, por disposição expressa, não é admitida a concomitância no mesmo lançamento entre a pena de perdimento com a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado, devendo permanecer apenas a primeira, em conformidade com o § 1A do art. 703 do Regulamento Aduaneiro/2009. No caso ora analisado, observase que a pena de perdimento foi aplicada naquelas DIs nas quais se identificou ocorrência de subfaturamento. Nesses casos, tornase evidente o não cabimento da multa administrativa 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado, por expressa determinação legal. Abaixo, indicamse os valores da multa que não devem subsistir no lançamento fiscal: Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.198 21 Ademais, a referida multa também não tem aplicação nos casos de subvaloração, uma vez que não se subsume a condição prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e no art. 633, inciso I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02), in verbis: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: [...] Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. xxx Art.633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); Fl. 2208DF CARF MF 22 Percebese que para aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, devese ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, o que não se identifica no caso de subvaloração aduaneira. É assente neste Colegiado que nos casos de subvaloração aduaneira não é cabível a multa de 100% sobre a diferença de preço, sendo aplicável apenas a exigência da diferença do tributo acrescida de juros de mora e, em caso de lançamento de ofício, de multa de 75% (Lei nº 9.430/96, art.42, I). Dessa forma, a multa administrativa abaixo indicada também não deve subsistir no lançamento fiscal: Impossibilidade da aplicação da pena de perdimento Aduz a Recorrente que a infração supostamente praticada subfaturamento da mercadoria além de não ter ocorrido, sequer pode ser considerada como de natureza documental material, não justificando assim a pena de perdimento e a multa substitutiva. Para sustentar as suas alegações, repetiu os mesmos argumentos, anteriormente já discutidos, quanto a inexistência de falsidade material e, conseqüentemente, de subfaturamento. A penalidade aqui discutida de pena de perdimento, ou na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui, tem fundamento nos art. 23 do DecretoLei nº1.455/76 e inciso VI do art.105, do Decreto nº37/66, in verbis: DecretoLei nº1.455/76 Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.199 23 Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 1 o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no70.235, de 6 de março de 1972 (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Decreto nº37/66 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (negritos e grifos nossos) Os documentos necessários à instrução do despacho aduaneiro de importação encontramse elencados no art.553 do RA/2009 (Decreto nº6.759/2009), que tem a seguinte redação, in verbis: Art.553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (DecretoLei nº37, de 1966, art.46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art.2º): (Redação dada pelo Decreto nº8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador e (Redação dada pelo Decreto nº8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº8.010, de 2013) Parágrafo único. Poderão ser exigidos outros documentos instrutivos da declaração aduaneira em decorrência de acordos Fl. 2210DF CARF MF 24 internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo.(Incluído pelo Decreto nº8.010, de 2013) (negritos nossos) No caso concreto, demonstrouse a falsidade material das faturas comerciais apresentadas no tópico sobre o Subfaturamento, uma vez que a Fiscalização, por meio de pedido de informações à Aduana americana, obteve documentos digitais (sigla SED Shipper’s Export Declaration), equivalentes a Declarações de Exportação daquele país, nos quais estariam comprovadas em algumas DIs o valor real das transações da MED IMAGE INC e RIVER MED INC com a Recorrente, o que levou a acusação de ocorrência de subfaturamento, posto que os valores declarados à aduana americana naqueles documentos se mostraram superiores aos declarados nas DIs à aduana brasileira, nas mesmas operações de comércio exterior. Assim, demonstrado que a Recorrente utilizou documento falso na instrução do despacho aduaneiro, os fatos apurados se subsumem à conduta descrita na infração capitulada no art.23, IV, do Decretolei nº1.455/1976, combinado com o disposto art.105, VI, do Decretolei nº37/1966. Em adição, devida a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, uma vez que a mercadoria foi dada consumo, nos termos do art.23, § 3º, do Decretolei nº1.455/1976. Da multa de ofício qualificada (150%) De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalização aplicou multa de 150% (cento e cinquenta por cento) nos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, que assim dispunha: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, disciplinam os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.200 25 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A Recorrente discorda da aplicação da multa agravada e pleiteia seu afastamento com base nos mesmos argumentos já discutidos anteriormente, qual seja, que a fiscalização não logrou êxito em comprovar a existência de subfaturamento, uma vez que não consta prova nos autos de ocorrência de qualquer falsidade material ou ideológica dos documentos envolvidos na exportação. Inicialmente, a questão da comprovação de existência do subfaturamento em algumas importações realizadas das empresas MED IMAGE e RIVER MED já foi devidamente apreciada nos tópicos anteriores, onde restou consignado o entendimento deste Relator sobre o assunto. No tópico a respeito do subfaturamento, ficou devidamente explicitado que a fiscalização juntou aos autos provas que demonstram, de forma deliberada, a ocorrência de subfaturamento do preço das mercadorias importadas mediante prestação de informação falsa nas Declarações de Importações, uma vez que os valores aduaneiros declarados se mostraram inferiores àqueles declarados a aduana americana, por meio de Declarações de Exportações (SED Shipper’s Export Declaration), restando caracterizado, desta forma, a falsidade material da fatura comercial apresentada e, conseqüentemente, o subfaturamento. Tal conduta caracteriza fraude e sonegação fiscal, nos termos do art.72, da Lei nº4.502/96. Diante das irrefutáveis provas juntadas ao processo, depreendese que houve o intuito de reduzir o montante dos impostos devidos na importação, o que revela a fraude. Portanto, correta a aplicação ao caso da multa por insuficiência de recolhimento no percentual de 150% sobre as diferenças apuradas de tributos incidentes sobre a importação daquelas mercadorias nas quais restaram comprovadas a existência de subfaturamentos, nos termos do art.44, inciso II, da Lei nº9.430/96 e art.80, inciso II, da Lei nº4.502/64 com redação dada pelo art.45 da Lei nº9.430/96 c/c art.69, inciso I, alínea “b”, da Lei nº4.502/64. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a multa administrativa de 100% sobre a diferença de preço, prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e no art. 633, inciso I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02). (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 2212DF CARF MF 26 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir do voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, razão pela qual apresento abaixo o meu entendimento. Conforme consta no Relatório Fiscal, apurouse a vinculação efetiva por parentesco entre a recorrente/importadora e a exportadora RIVER MED INC. e a vinculação presumida, nos termos do art. 18, I da IN SRF nº 327/2003, entre a recorrente e a MED IMAGE INC. Tais vinculações, não obstante sejam de informação obrigatória, não foram declaradas nas importações registradas pela recorrente. Constatouse também a existência de 3 situações, que receberam tratamento diferenciado por parte da fiscalização em relação ao valor aduaneiro declarado pela recorrente, abaixo enumeradas: Dessa forma, nos autos de infração do presente processo foram formalizadas as seguintes exigências: 1) Multa substitutiva da pena de perdimento das mercadorias para todas as situações acima, em face da sua não localização, com base no art. 105, VI do Decretolei nº 37/66, regulamentado pelo art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro/2009. 2) Diferença de tributos (II, IPI, PIS/Pasepimportação e Cofins importação) em face de novo valor aduaneiro apurado pela fiscalização nas situações "a)" e "b)" acima, na seguinte forma: 1.a) Valor aduaneiro foi obtido pela fiscalização por meio de Declarações de Importação paradigmas de mercadorias similares realizadas por outros importadores brasileiros. 1.b) Valor aduaneiro real foi considerado aquele declarado no país de exportação (o valor constante do SED, uma espécie de declaração de exportação dos EUA), acrescido dos dados de frete e seguro internacionais. Na situação "c" foi aceito o valor declarado pela recorrente nas Declarações de Importação, não havendo diferenças apuradas. Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.201 27 2) Multas de ofício agravadas no percentual de 150% em face da falta de informação na DI acerca da vinculação (efetiva por parentesco ou presumida) 3) Multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias pela prestação de informação inexata na Declaração de Importação quanto à vinculação entre a importadora e o exportador. 4) Multa de 100% da diferença entre o preço declarado e o arbitrado para as mercadorias nas situações "a)" e "b)" acima. 5) multa pela não apresentação de documentos, prevista no art. 107, IV, "b" do Decretolei nº 37/66, abaixo transcrito, relativamente aos itens "h.7" a "h.11" do Termo de Intimação nº 027/2013: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) b) por mêscalendário, a quem não apresentar à fiscalização os documentos relativos à operação que realizar ou em que intervier, bem como outros documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem; (...) 6) multa pela não apresentação de documento instrutivo do despacho de importação, prevista no art. 70, II, "b", "1" da Lei nº 10.833/2003 (vide abaixo), nas duas ocasiões em que não foram apresentados os Conhecimentos de Carga solicitados: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: (Vide) (...) II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: a) o arbitramento do preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo, conforme os critérios definidos no art. 88 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, se existir dúvida quanto ao preço efetivamente praticado; e b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal venha a exigir em ato normativo. (...) [negritei] Fl. 2214DF CARF MF 28 A Delegacia julgou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte, em conformidade com a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2010 Composição societária de uma empresa exportadora é desconhecida da fiscalização. Presunção da a vinculação entre as partes nas operações de importação. Para essas importações a valoração aduaneira é pertinente. Os valores declarados perante as autoridades aduaneiras americanas nem sempre corresponderam aos registrados nas Declarações de Importação. Para essas importações a valoração aduaneira é pertinente. O sócio da empresa exportadora que tinha parentesco com o sócio da empresa importadora não integrava mais o quadro social à época das importações. Vinculação por parentesco afastada. Para essas importações a valoração aduaneira não é pertinente. Multa de 100% da diferença de preço declarado e arbitrado. Procedente em parte apenas para as importações em que a valoração aduaneira é pertinente. Multa regulamentar improcedente. Uma vez que a vinculação por parentesco está afastada e não há obrigação do importador em conhecer a composição do quadro social do exportador, não há o que o importador informar à autoridade aduaneira. Pena de perdimento procedente em parte. Os conceitos de subfaturamento e documento falsificado ou adulterado não se confundem. Os argumentos da fiscalização não distinguem falsidade ideológica (subfaturamento) de falsidade material (documento falsificado ou adulterado). A pena de perdimento só é aplicada para as Declarações de Importação cujos valores declarados perante as autoridades aduaneiras americanas não corresponderam aos registrados nas Declarações de Importação (falsidade material). Multa de ofício agravada procedente em parte. A multa de ofício agravada (150%) só incide para as importações passíveis de pena de perdimento. As demais sofrem o acréscimo da multa de ofício regulamentar (75%). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ afastou a vinculação por parentesco (efetiva) entre a contribuinte e o exportador RIVER MED INC, mas manteve a valoração aduaneira para as importações por ele fornecidas para as quais houve divergência de informação na DI com os dados fornecidos à Aduana norteamericana (situação "b)" acima), eis que considerou haver "falsidade material" nessas DI's, remanescendo, assim, as exigências de tributos e a multa pela diferença de preços relativamente às importações provenientes RIVER MED INC enquadradas na situação "b)"2. Com relação às mercadorias exportadas pela MED IMAGE INC, com vínculo presumido com a importadora/recorrente, a DRJ manteve a valoração aduaneira efetuada pela fiscalização em face da constatação de que houve mercadorias similares importadas por outras empresas por preços superiores. Contudo, a Delegacia de Julgamento afastou integralmente a multa pela prestação de informação inexata na Declaração de Importação (multa de 1% do valor aduaneiro) quanto à vinculação entre a importadora e o exportador, eis que considerou que não seria razoável exigir da importadora brasileira que tivesse acesso a tais informações do exportador no exterior. A multa substitutiva da pena de perdimento das mercadorias foi mantida pela DRJ apenas na situação "b" acima, de divergência entre o valor aduaneiro declarado nas DI's 2 DI's nºs 10/06614321, 10/07061083, 10/07996702, 10/15174193, 10/17568164, 10/19913926 e 11/02935958. Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.202 29 do preço informado à Aduana norteamericana, considerada por ela como de "falsidade material". Somente para essas importações foi também mantida a duplicação da multa de ofício, no percentual de 150%. As demais rubricas do auto de infração foram mantidas na decisão recorrida. No entanto, a multa substitutiva ao perdimento não foi exigida em face da divergência entre o valor aduaneiro apurado e o preço declarado, como entendeu o julgador a quo, mas da ausência de informação nas Declarações de Importação da vinculação entre importador e exportador, como se depreende do trecho abaixo do Relatório Fiscal: Tal questão é ratificada pelo fato de a fiscalização ter exigido a multa substitutiva ao perdimento também na situação "c)", na qual o valor aduaneiro informado pela recorrente das DI's foi aceito pela fiscalização. Feitas essas ressalvas, entendo que a multa substitutiva ao perdimento remanescente da decisão recorrida, sob o fundamento que consta no Relatório Fiscal, não pode também prevalecer. O art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro de 2009 é delimitado pela interpretação dada pelos seus §§3ºA e 3ºB, que, inclusive, pode ser aplicada retroativamente para beneficiar o infrator, nestes termos: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Parágrafo com redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16/5/2013) Fl. 2216DF CARF MF 30 (...) § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Parágrafo acrescido pelo Decreto nº 7.213, de 15/6/2010, com redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16/5/2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Parágrafo acrescido pelo Decreto nº 8.010, de 16/5/2013) (...) Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º): (“Caput” do artigo com redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16/5/2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Inciso com redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16/5/2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Inciso com redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16/5/2013) IV (Revogado pelo Decreto nº 8.010, de 16/5/2013) Parágrafo único. Poderão ser exigidos outros documentos instrutivos da declaração aduaneira em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. (Parágrafo único acrescido pelo Decreto nº 8.010, de 16/5/2013) Pelo que se vê, a falsificação ou adulteração referidas no dispositivo é dos documentos que instruem a Declaração de Importação, e não desta última. A falsidade ou adulteração punível com base no art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro/2009 não é da própria Declaração de Importação, mas dos documentos apresentados pelo importador para instruíla, nos termos do art. 553 do mesmo Regulamento. Nesse sentido, andou bem o julgador a quo, embora chegando a resultado diferente do que aqui se desenha, quando afirmou que "existe uma infração específica para a não informação da condição de vinculação entre as partes à autoridade aduaneira, já analisada, que é justamente a disposta no artigo 69, § 1º, da Lei n° 10.833/2003, cuja sanção é de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84, da Medida Provisória n° 2.15835/2001". Ainda que assim não fosse, não restaria configurada no presente caso a "falsificação ou adulteração das Declarações de Importação", eis que a vinculação efetiva por parentesco entre o importador e o exportador (RIVER MED INC.) foi afastada pela DRJ; e sobre a vinculação presumida pela fiscalização com a MED IMAGE INC. não se poderia exigir tal informação da importadora/recorrente por ocasião do registro das importações. Dessa forma, entendo que deve ser exonerada a multa substitutiva da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Quanto à valoração aduaneira mantida pela DRJ, entendo que ela deve ser afastada em relação às importações para as quais não foi configurada fraude (situação "a"), eis que a questão da vinculação por parentesco com o exportador foi afastada pela DRJ e a da presunção de vinculação com o exportador não se pode deduzir qualquer elemento subjetivo na conduta da importadora. Nessa situação, não obstante tenha a fiscalização utilizado alguns parâmetros do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) para a escolha das DI's paradigmas, sequer mencionou qual o método de valoração que estaria utilizando e a razão de ter descartado a aplicação de outros métodos anteriores na ordem indicada no AVA. Vale dizer que a Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.203 31 constatação de que a vinculação entre o importador e o exportador influenciou o preço da mercadoria importada é matéria que não exclui a aplicação do AVA, pelo contrário, é nele que tem o adequado tratamento. Dessa forma, devem ser exonerados os créditos tributários (impostos, contribuições e multas) que sejam decorrentes da valoração aduaneira das importações enquadradas na situação "a)" acima, valoradas por intermédio de DI's paradigmas. No que concerne à duplicação da multa de ofício, ela foi assim justificada pela fiscalização: A DRJ, embora ponderando que a questão da vinculação não seria suficiente para tal agravamento da multa, mantevea por outro fundamento, não utilizado pela fiscalização, como se vê abaixo, o que não se pode admitir: A vinculação por relação de parentesco da importadora brasileira e a RIVER MED INC. foi descartada em função do artigo 105 do Código Tributário Nacional, como visto alhures. Mesmo perdurando a vinculação por ocultação do exportador, na forma do artigo 18 da IN SRF nº 327/03 da empresa exportadora MED IMAGE INC., não é RAZOÁVEL exigir essa informações da empresa RIO COMERCIO DE INSTRUMENTOS E MATERIAIS HOSPITALARES pois se trata de informação absolutamente estrabha ao contexto da relação comercial. Há que se diga que se está diante de uma presunção – tal qual o disposto na letra do artigo 18 da IN SRF nº 327/03 – e dessa forma seus efeitos se restringem a permitir que a autoridade aduaneira brasileira desabone o 1º método de valoração aduaneira e nada mais. Portanto, não é razoável exigir que o importador brasileiro – empresa RIO COMERCIO DE INSTRUMENTOS E MATERIAIS HOSPITALARES – venha conhecer uma informação que a própria aduna brasileira obteve apenas através do Governo da Flórida/EUA. Destarte, por essas razões, não prevalece a multa de ofício qualificada (150%) está afastada, devendo ser aplicada a multa de ofício regulamentar (75%). Contudo, a questão não está superada! Informações provenientes da autoridade aduaneira norteamericana indicam que houve distorções nos valores das operações em comércio exterior entre as empresas. É uma questão relevante e não pode passar desapercebida. Como visto, tal fato propiciou a adequada aplicação da pena de perdimento, justamente por estar caracterizada uma FALSIDADE MATERIAL quanto aos valores lançados nas faturas comerciais que apararam os respectivos dos despachos aduaneiros. Portanto, essa situação de distorções nos valores das operações em comércio exterior entre as empresas, comprovada mediante informações advindas da aduana norte Fl. 2218DF CARF MF 32 americana, pode ser caracterizada tanto como fraude quanto conluio, o que autoriza a multa de ofício qualificada (150%) na forma dos artigos 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. As Declarações de Importação que de fato estão sujeitas à pena de perdimento por FALSIDADE MATERIAL – estão sujeitas à multa de ofício qualificada (150%). É certo que, em conformidade com o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e com o art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, um ato administrativo não pode subsistir na parte em foi considerado improcedente o seu motivo determinante pelo julgador de primeira instância. Conforme bem esclarece Meirelles3, a teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Dessa forma, no caso concreto, não pode remanescer o agravamento da multa de ofício mantido pela DRJ sob outro motivo determinante, diverso do mencionado pelo AuditorFiscal autuante para sustentálo. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar do auto de infração as seguintes parcelas: i) multa equivalente ao valor aduaneiro (multa substitutiva ao perdimento); ii) parte dos tributos e das multas que sejam decorrentes do valoração aduaneira das importações para as quais o valor aduaneiro foi apurado com base em DI's paradigmas (situação "a" do Relatório Fiscal fl. 117); bem como iii) agravamento da multa de ofício, a qual deve ser exigida somente no percentual original de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula 3 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, p. 197. Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 12448.723720/201481 Acórdão n.º 3402005.613 S3C4T2 Fl. 2.204 33 Declaração de Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Com relação à valoração aduaneira, divirjo parcialmente do voto do Ilustre Conselheiro Relator, eis que entendo que não é o caso de aplicação do §1ºA do art. 703 do Regulamento Aduaneiro/2009, cabível no conflito aparente de normas entre a aplicação da penalidade de perdimento (ou sua multa substitutiva) e a multa pela diferença entre o preço declarado e o arbitrado ou praticado em face de uma mesma conduta da contribuinte. Como asseverado no voto vencedor acima, no presente processo, a multa substitutiva ao perdimento foi aplicada em face da ausência de informação acerca da vinculação entre o exportador e o importador, e não em face da diferença apurada entre o preço declarado e o arbitrado. Dessa forma, não há qualquer conflito de normas a ser solucionado pelo §1ºA do art. 703 do Regulamento Aduaneiro/2009, eis que se tratam de condutas diversas da contribuinte penalizadas pelos respectivos dispositivos legais. Acompanho o Ilustre Conselheiro Relator pelas conclusões, no entanto, quanto à questão da "falsidade material". Nas importações para as quais a recorrente declarou valores divergentes daqueles informados pela exportadora à Aduana norteamericana (situação "b" do voto vencedor), entendo configurada a fraude em face da falsidade ideológica da fatura comercial, e não "falsidade material" como entenderam a DRJ e o Conselheiro Relator. A falsidade quanto ao valor aduaneiro de que trata os presentes autos é da informação que foi inserida no documento, do seu conteúdo, não da sua forma. É como declaro meu voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 2220DF CARF MF
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