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Numero do processo: 11128.008952/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/07/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/07/2005
PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT-50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29.
O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT-50", por trata-se de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar - RGC-1, do texto da posição 3808, classifica-se no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo.
Numero da decisão: 3302-005.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus (relator) que lhe dava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. § 3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/07/2005 PRODUTO QUÍMICO. TOMACIDE ZPT50. SUSPENSÃO AQUOSA. CLASSIFICAÇÃO. CÓDIGO NCM 3808.20.29. O produto químico denominado "TOMACIDE ZPT50", por tratase de uma suspensão aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)", de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1, do texto da posição 3808, classificase no código NCM 3808.20.29, próprio para outros fungicidas apresentados de outro modo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus (relator) que lhe dava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 89 52 /2 00 9- 06 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório O objeto do presente processo versa sobre a classificação equivocada de mercadoria em declaração de importação realizada pela contribuinte recorrente. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 07 39.364, da 7ª Turma da DRJ/FNS, proferido na sessão de 09 de março de 2017: "Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado (fls. 02/23) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 10.224,79, relativo ao Imposto de ImportaçãoII, COFINS Importação e contribuição ao PIS, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, bem como a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº .158 35, de 27 de agosto de 2001. Relata a auditoria que o importador, por meio da DI de n° 05/06888040, registrada em 01/07/2005, submeteu a despacho, pela adição 001, a mercadoria descrita como: ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO", classificandoa na tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.99. Em face do pedido de exame laboratorial nº LAB 1835/05 EQCOF, foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo nº 931.01, que concluiu tratarse de "Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida) na forma de Dispersão Aquosa contendo Zincobis (2Piridinotio116xido), (Zinco Omadine) e composto com Grupamento Sulfonato (dispersante)". Portanto, de acordo com o Laudo de Análise elaborado, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1a. e 6a., com a Regra Geral Complementar RGC1; texto da posição 3808 – “Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 4 3 fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas", a mercadoria submetida a despacho classificase no código NCM 3808.20.29 OUTROS FUNGICIDAS APRESENTADOS DE OUTRO MODO. Regularmente cientificada (fl. 48), a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 49/57), na qual, em síntese: Alega que o produto analisado apenas se classificará no código tarifário adotado pela impugnante caso seja um composto orgânico de constituição química definida, mais especificamente um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio (azoto), cuja estrutura contenha um ciclo piridina hidrogenado ou não, não condensado. O produto se classificará no referido código tarifário, ainda, caso seja uma solução aquosa de tal composto orgânico. Já o produto analisado apenas se classificaria no código tarifário pretendido pela fiscalização caso se enquadre no conceito de fungicidas contido nas notas explicativas da Posição NCM 3808 e apresente características de preparações, tal como descritas nas notas explicativas da Posição NCM 3808. A despeito do afirmado no laudo técnico n° 1931.01, esclarece que, muito antes desta autuação, providenciou junto ao laboratório de análises químicas LAAP Engenharia, Peritagem, Consultoria e Análise Ltda. um estudo técnico do produto, para determinar com exatidão a sua classificação fiscal. Nesse sentido, foi emitido pelo referido laboratório, em 06 de setembro de 2006, a Informação Técnica n° 264/06 que concluiu que: a) o produto em estudo, "TOMICIDE ZPT 50", tratase de uma solução aquosa de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico cuja estrutura contém exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto contendo em sua estrutura dois ciclos piridina, denominado tecnicamente como: Piritiona de Zinco; Em face da referida Informação Técnica, não resta dúvida que o produto analisado se enquadra perfeitamente no código tarifário NCM 2933.39.99, tendo em vista que a definição do produto trazida por ela corresponde exatamente aos textos da Posição NCM 2933 e da Subposição NCM 2933.3. No entanto, em face do conflito existente entre a Informação Técnica e o laudo técnico, caso seja considerado conveniente a realização de uma terceira perícia do produto analisado por laboratório diverso, a Impugnante se coloca à disposição para indicar seu assistente técnico para a perícia e para apresentar seus quesitos, mediante notificação específica. Requer o cancelamento do Auto de Infração. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 5 4 No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário apurado. Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde alega suposta falta de fundamentação da decisão recorrida e que a classificação lançada na DI estaria correta, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Da suposta Falta de Fundamento da Decisão Segundo o entendimento da recorrente, o fato de as razões de decidir da DRJ terem, supostamente, baseadose somente no Laudo Técnico n. 1931.001 e não ter sido levado em conta as razões trazidas em laudo acostado pela contribuinte que serviria de contraprova e suficiente para comprovar suas alegações, não seriam fundamentos suficientes para a tomada da decisão. Entretanto entendo não haver falta de fundamentação. Em que pese não ter se sustentado do laudo trazido pela recorrente para a prolatar a decisão, houve o cotejo dos argumentos e documentos juntados aos autos, servindo todo esse conjunto como formadores da convicção dos julgadores e fundamentos para a tomada de decisão. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Posto isso, irretocável o v. Acórdão quanto ao seus fundamentos e clareza, não havendo em se falar de nulidade, prejuízo à defesa ou violações do direito ao contraditório. II Mérito Da classificação da mercadoria Por todo o até aqui exposto, podemos afirmar que a celeuma apresentada para resolução, cingese quanto a (in)adequada classificação da mercadoria importada pela contribuinte recorrente, lançadas na declaração de importação na posição NCM 2933.39.99, "ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO", enquanto a fiscalização entendeu que a correta posição seria no código NCM 3808.20.29, observese os quadros abaixo: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 6 5 As notas NESH do capítulo 29, estabelecem, Capítulo 29 Produtos químicos orgânicos Notas. 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) Os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo que contenham impurezas; b) As misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo que contenham impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); c) Os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; d) As soluções aquosas dos produtos das alíneas a),b) ou c) acima; e) As outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 7 6 transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f) Os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) Os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f)acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h) Os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais. Já para a fiscalização a posição correta seria aquela trazida na nota 38, transcrita abaixo: Notas. 1 O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: (...) 2) Os inceticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento de plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.09; Segundo o entendimento da fiscalização, chancelado pela DRJ o produto importado pela recorrente seria caracterizado como fungicida classificado no capítulo 38, ainda que seja um produto de constituição química definida, apresentado isoladamente. Quanto a esse assunto entendo que devemos, ainda que de forma superficial, discorrer sobre o conceito de fungicida. Os fungicidas, herbicidas e inseticidas são todos pesticidas utilizados na proteção de plantas. Um fungicida é um tipo específico de pesticida que controla doenças fúngicas por inibir ou matar especificamente o fungo causador da doença. Tratase o fungicida de uma substância química usada para destruir organismos chamados fungos, nocivos aos seres humanos e aos vegetais. Os fungos podem atingir e danificar e até exterminar plantações. Os fungicidas são substâncias químicas extremamente nocivas aos seres humanos e à fauna em geral, causando danos irreversíveis à saúde, não sendo utilizados diretamente no trato de pessoas e animais, vale dizer, aqueles classificados no capitulo 38, são de uso exclusivo na agricultura. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 8 7 Por tais razões, entendo que a classificação utilizada pela fiscalização, confrontando aquela defendida pela recorrente, encontrase equivocada, ainda mais diante de algumas considerações feitas pelo próprio trabalho da autoridade fiscal, e conclusões trazidas pelo laudo solicitado pela fiscalização. Na fls. 06, parte do auto de infração, a clara menção de que o produto químico é utilizado na fabricação de shampoo, produto utilizado por humanos ou animais domésticos, portanto não se trata de um fungicida dentro do conceito utilizado pela fiscalização para a classificação, vejamos: No mesmo sentido podemos apontar a resposta aos quesitos dispostos no laudo solicitado na fiscalização, conforme podemos observar das fl. 37: Conforme demonstrado acima, considerando que os produtos importados destinamse como matéria prima à produção de outros produtos, como por exemplo shampoos, utilizados para higiene de seres humanos e animais domésticos, não devendo persistir a classificação adotada para a lavratura do auto de infração e lançamento do crédito tributário. Diante disso, a classificação utilizada pela contribuinte recorrente quando do preenchimento da declaração de importação é a mais correta. Por todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença à bem fundamentada argumentação do Ilmo. Conselheiro Relator, que concessa venia entendeu em sentido contrário, esclareço que o presente prestase para expor meu entendimento no sentido de concordar com a classificação fiscal adotada pela fiscalização aduaneira, corroborada que foi pela decisão recorrida. Entende o nobre Conselheiro Relator, após analisar a questão, que "os produtos importados destinamse como matéria prima à produção de outros produtos, como por exemplo shampoos, utilizados para higiene de seres humanos e animais domésticos, não devendo persistir a classificação adotada para a lavratura do auto de infração e lançamento do crédito tributário". Razão pela qual conclui que "a classificação utilizada pela contribuinte recorrente quando do preenchimento da declaração de importação é a mais correta". Dos fatos Tratase de ação fiscal relativa ao despacho aduaneiro de mercadoria descrita como "ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO". Da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração Da "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)", às fls. 04/05, colhese o que segue transcrito, verbis: 001 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL (...) O importador, por meio da DI de nº 05/06888040, registrada em 01/07/2005, submeteu a despacho pela adição 001, 9000 QUILOS da mercadoria descrita como: "ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT50) PIRITIONATO DE ZINCO"; classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.99 "OUTS.COMP. C/ESTRUT. C/UM CICLO D/PIRID. Ñ COND."; tendo sido declarado e pago, quando devido; imposto de importação à alíquota de 2,00%, imposto sobre produtos industrializados à alíquota de 0,00%, PIS A alíquota de 1,65% e Cofins à alíquota de 7,60%. Em face do pedido de exame laboratorial no LAB 1835/05 EQCOF; foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo no Nº 1931.01, que concluiu tratarse de "Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida) na forma de Dispersão Aquosa contendo Zincobis (2Piridinotio116xido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato (dispersante)"; e, em resposta aos quesitos do pedido, informou: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 10 9 "1. Não se trata somente de Zinco Omadine e nem de Outro Composto cuja estrutura contém Ciclo Piridina N substituído com radicais Alquita ou Arita. Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida), na forma de Dispersão Aquosa contendo Zincobis (2Piridinotio11óxido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato (dispersante), uma Preparação Antimicrobiana, de uso exclusivo na indústria. 2. Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bacteriana). 3. De acordo com Referências Bibliográficas e Literatura Técnica Especifica (ANEXO I), a mercadoria é utilizada, principalmente como Preparação Antimicrobiana na formulação de shampoo. 4. De acordo com Literatura Técnica Especifica (ANEXO I), TOMACIDE ZPT50 tratase de uma Suspensão Aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine)". Portanto, de acordo com o Laudo de Análise elaborado, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC1; texto da posição "3808 Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas", a mercadoria submetida a despacho, descrita na adição 001; divergente da apurada no exame laboratorial classificase no código NCM 3808.20.29 OUTS. FUNGICIDAS APRESENTADOS D/OUTRO MODO; sujeita a incidência de alíquotas de 4,00% para o imposto de importação, 0,00% para o imposto sobre produtos industrializados, 1,65% para PIS e 7,60% para COFINS. Sendo assim, cobrase a diferença de imposto, apurada em face de tal incorreção, somada aos acréscimos legais devidos. (...) Da síntese da impugnação Irresignado com a autuação, mais especificamente, com a reclassificação fiscal que lhe foi imposta, em face da autuação de que trata o MPF nº 0817800/33712/09, e consequente exigência tributária, o contribuinte apresentou em 15.01.2010, impugnação, para em síntese, alegar o que segue, conforme extraise do relatório do acórdão vergastado, verbis: Regularmente cientificada (fl. 48), a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 49/57), na qual, em síntese: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 11 10 Alega que o produto analisado apenas se classificará no código tarifário adotado pela impugnante caso seja um composto orgânico de constituição química definida, mais especificamente um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio (azoto), cuja estrutura contenha um ciclo piridina hidrogenado ou não, não condensado. O produto se classificará no referido código tarifário, ainda, caso seja uma solução aquosa de tal composto orgânico. Já o produto analisado apenas se classificaria no código tarifário pretendido pela fiscalização caso se enquadre no conceito de fungicidas contido nas notas explicativas da Posição NCM 3808 e apresente características de preparações, tal como descritas nas notas explicativas da Posição NCM 3808. A despeito do afirmado no laudo técnico nº 1931.01, esclarece que, muito antes desta autuação, providenciou junto ao laboratório de análises químicas LAAP Engenharia, Peritagem, Consultoria e Análise Ltda. um estudo técnico do produto, para determinar com exatidão a sua classificação fiscal. Nesse sentido, foi emitido pelo referido laboratório, em 06 de setembro de 2006, a Informação Técnica nº 264/06 que concluiu que: a) o produto em estudo, "TOMICIDE ZPT 50", tratase de uma solução aquosa de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico cuja estrutura contém exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto contendo em sua estrutura dois ciclos piridina, denominado tecnicamente como: Piritiona de Zinco; Em face da referida Informação Técnica, não resta dúvida que o produto analisado se enquadra perfeitamente no código tarifário NCM 2933.39.99, tendo em vista que a definição do produto trazida por ela corresponde exatamente aos textos da Posição NCM 2933 e da Subposição NCM 2933.3. No entanto, em face do conflito existente entre a Informação Técnica e o laudo técnico, caso seja considerado conveniente a realização de uma terceira perícia do produto analisado por laboratório diverso, a Impugnante se coloca à disposição para indicar seu assistente técnico para a perícia e para apresentar seus quesitos, mediante notificação específica. Requer o cancelamento do Auto de Infração. Da decisão recorrida Dos termos do Acórdão 0739.364, da 7ª Turma da DRJ/FNS, de 09.03.2017, temse que o Colegiado a quo, analisando os argumentos de defesa apresentados, concluiu, a unanimidade, pela improcedência da impugnação e, por conseguinte, pela manutenção do crédito tributário apurado, nos termos do relatório e voto da Relatora. Do recurso voluntário Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 12 11 Não se conformando com a decisão de primeira instância, o Recorrente comparece uma vez mais aos presentes autos para, de forma mais sintética ainda, reafirmar os argumentos elaborados em sede de impugnação, nada acrescentando, portanto. Mérito Da adoção da decisão recorrida como fundamento Dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente, verbis: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (g.n.) (...) Constatado, como dito anteriormente, que o Recorrente furtouse em apresentar novas razões de defesa perante este Colegiado, e tendo em vista minha absoluta concordância com os fundamentos do Colegiado a quo, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, valhome das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão, relativamente a reclassificação fiscal da mercadoria realizada pela fiscalização aduaneira, que, por considerar indevida a classificação utilizada pelo contribuinte, no código NCM 2933.39.89, reposicionoua para o código NCM 3808.20.29, ao fundamento que o produto importado pela DI 05/06888040 tratase de composto químico que não se apresenta em solução aquosa, mas de uma suspensão aquosa do produto ativo piritionato de zinco, de propriedades fungicidas, na qual foi acrescentada um agente dispersante, o que, na acepção das Notas e NESH, e com base nas RGI 1ª e 6ª e também da RGC1, todas do SH Sistema Harmonizado, enquadrase como uma preparação fungicida intermediária na forma de suspensão do produto ativo; razão pela reproduzo o teor de seu voto, verbis: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 13 12 (...) Mérito: Tratase de litígio no qual se discute a classificação fiscal do produto descrito como: "ZINC PYRITHIONE (TOMICIDE ZPT 50) PIRITIONATO DE ZINCO", que o contribuinte classificou na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.99, enquanto o fisco o reclassificou no código NCM 3808.20.29, por se tratar de outros fungicidas apresentados de outro modo que não os constantes nos itens anteriores: 29.33 COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS EXCLUSIVAMENTE DE HETEROÁTOMO(S) DE NITROGÊNIO (AZOTO) 2933.3 Compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não) não condensado 2933.39 Outros 2933.39.9 Outros 2933.39.99 Outros 38.08 INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS 3808.20 Fungicidas 3808.20.10 Apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto 3808.20.2 Apresentados de outro modo 3808.20.29 Outros A Nota 1 do Capítulo 29 estabelece: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; (...) d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas "a", "b" ou "c" acima; e) as outras soluções dos produtos das alíneas "a", "b" ou "c" acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f) os produtos das alíneas "a", "b", "c", "d" ou "e" acima, adicionados de um estabilizante (incluído um Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 14 13 agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) os produtos das alíneas "a", "b", "c", "d", "e" ou "f" acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h) os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais.” (grifouse) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), em suas Considerações Gerais a respeito do referido Capítulo, assim esclarecem: CONSIDERAÇÕES GERAIS O Capítulo 29, em princípio, inclui apenas os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, ressalvadas as disposições da Nota 1 do Capítulo. A) Compostos de constituição química definida (Nota 1 do Capítulo) Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente contendo substâncias que foram acrescentadas deliberadamente durante ou após a sua fabricação (incluída a purificação) estão excluídos do presente Capítulo. Por conseqüência, um produto constituído, por exemplo, por sacarina misturada com lactose, a fim de que possa ser utilizado como edulcorante, está excluído do presente Capítulo (ver Nota Explicativa da posição 29.25). (...) Os compostos de constituição química definida, apresentados isoladamente, classificados no presente Capítulo, podem apresentarse em solução aquosa. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 15 14 Com as mesmas reservas que as indicadas nas Considerações Gerais do Capítulo 28, o presente Capítulo também compreende as soluções não aquosas e os compostos, ou respectivas soluções, adicionados de um estabilizante (por exemplo, butilcatecol terciário com estireno da posição 29.02), substâncias antipoeiras ou de corantes. As disposições relativas à adição de estabilizantes, substâncias antipoeiras ou de corantes, que constam das Considerações Gerais do Capítulo 28, aplicamse, mutatis mutandis, aos compostos químicos incluídos no presente Capítulo. Além disso, aos produtos deste Capítulo podem, nas mesmas condições e com as mesmas reservas previstas quanto aos corantes, adicionarse substâncias odoríferas (por exemplo, bromometano da posição 29.03 adicionado de pequena quantidade de cloropicrina). E as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), em suas Considerações Gerais a respeito do Capítulo 28, melhor esclarecem os pontos citados: CONSIDERAÇÕES GERAIS (...) Excluemse, todavia, do Capítulo 28 as soluções não aquosas desses compostos, salvo quando tais soluções constituam modo usual e indispensável de acondicionamento, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e desde que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Assim, o oxicloreto de carbono dissolvido em benzeno, o amoníaco dissolvido em álcool e a alumina em dispersão coloidal excluemse do Capítulo 28 e classificamse na posição 38.24. As dispersões coloidais, de uma maneira geral, incluemse na posição 38.24 a não ser que se classifiquem em posição mais específica. Os elementos químicos isolados e os compostos que, consoante as regras precedentes, se considerem compostos de constituição química definida, podem conter um estabilizante, desde que este seja indispensável à sua conservação ou transporte (por exemplo, o peróxido de hidrogênio estabilizado com ácido bórico incluise na posição 28.47, mas o peróxido de sódio, associado a catalisadores e destinado à produção de peróxido de hidrogênio, excluise do Capítulo 28 e classificase na posição 38.24). Também se consideram como estabilizantes as substâncias que se adicionam a determinados produtos químicos no intuito de os manter no seu estado físico inicial, desde que a quantidade adicionada não ultrapasse a necessária para Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 16 15 obtenção do que se pretende e que essa adição não modifique as características do produto de base nem o torne particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Os produtos do presente Capítulo, de acordo com as disposições precedentes, podem, por exemplo, apresentarse adicionados de substâncias antiaglomerantes. Pelo contrário, excluemse os produtos a que tenham sido adicionadas substâncias hidrófugas, dado que essa adição modifica as características do produto inicial. Desde que essa adição não os torne particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, aos produtos deste capítulo podem também adicionarse: a) substâncias antipoeira (por exemplo: óleos minerais adicionados a alguns produtos químicos tóxicos para evitar o desprendimento de poeiras durante a sua manipulação); b) corantes, com a finalidade de facilitar a identificação dos produtos ou adicionados por razões de segurança, a produtos químicos perigosos ou tóxicos (por exemplo, arseniato de chumbo da posição 28.42), no intuito de alertarem quem os manipule. Excluemse, todavia, os produtos adicionados de substâncias corantes com finalidades diferentes das acima indicadas. É o caso, por exemplo, da sílicagel adicionada de sais de cobalto, própria para servir como indicador de umidade (posição 38.24). Por outro lado, conforme ressalvado nas Notas dos capítulos 28 e 29, as Notas do Capítulo 38 trazem disposição em contrário e esclarecem: Notas. 1. O presente Capítulo não compreende: a) Os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: (...) 2) Os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08; Portanto, se o produto for caracterizado como fungicida e atender aos requisitos que serão tratados a seguir, será classificado no capítulo 38, ainda que seja um produto de constituição química definida, apresentado isoladamente. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 17 16 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, ao tratarem da posição 3808, esclarecem que ali se incluem os produtos com características de fungicidas, dentre outros, somente nos seguintes casos: 1) Quando são apresentados em embalagens (tais como recipientes metálicos, caixas de cartão) para venda a retalho como inseticidas, desinfetantes, etc., ou ainda quando apresentem uma forma tal (bolas, enfiadas de bolas, tabletes, plaquetas, comprimidos e semelhantes) que não suscite quaisquer dúvidas quanto ao seu destino para venda a retalho. (...) 2) Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem (compreendendo os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido (dispersões de D.D.T. (1,1,1tricloro2,2bis (pclorofenil) etano) em água, por exemplo), ou em misturas de outras espécies. As soluções de produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações, como, por exemplo, uma solução de extrato de piretro (com exclusão do extrato de piretro de concentraçãotipo), ou de naftenato de cobre em óleo mineral. Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso. (...) Das Notas acima depreendese que para um fungicida se classificar na posição 3808 necessita: 1) ou estar acondicionado para venda a retalho, o que não é o caso do produto sob análise; 2) ou se apresentar como preparação, qualquer que seja a forma desta e ainda que esta seja intermediária ao produto final. Devese entender “preparação”, para os fins de enquadramento na posição 3808, as suspensões do produto ativo em água ou qualquer outro líquido ou as soluções do produto ativo em solvente que não seja água (soluções não aquosas). Portanto, somente escapa a este conceito de “preparação” as soluções aquosas do produto ativo que, em se tratando de compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, permaneceriam no Capítulo 29, nos termos das suas Notas, ainda que sejam fungicidas, exceto se estivessem acondicionados para venda a retalho. Este entendimento não se modifica com a adição de estabilizantes, de substâncias antiaglomerantes, substâncias Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 18 17 antipoeira e os corantes, com a finalidade de facilitar a identificação dos produtos ou adicionados por razões de segurança, conservação e transporte, nos moldes das NESH do Capítulo 29, caso estes sejam acrescentados somente ao composto químico apresentado isoladamente, ou à solução aquosa deste. Observese que existem três tipos básicos de dispersões, que são as soluções, a dispersão coloidal (solução coloidal) e as suspensões: Solução ou Solução Verdadeira: são misturas de duas ou mais substâncias de aspecto uniforme, sendo que suas partículas dispersas apresentam o tamanho menor que 1nm. portanto, são invisíveis a olho nu. As partículas dos solutos não sedimentam, não podem ser separadas do solvente por filtração e não podem ser vistas nem mesmo com o auxílio de instrumentos ópticos como ultramicroscópios. Exemplos: açúcar na água, oxigênio dissolvido na água, água oxigenada. Solução Coloidal, Dispersão coloidal ou coloide: suas partículas dispersas têm entre 1 nm e 100 nm de diâmetro. São misturas que, a olho nu, aparentam ser homogêneas, mas na realidade não o são. Realizando uma centrifugação, é possível separar o disperso do dispersante, sendo que o primeiro depositase no fundo do recipiente. As dispersões coloidais são classificadas de acordo com as fases dispersas e de dispersão, gerando cinco tipos básicos de coloides, que são: sol, gel, emulsão, espumas e aerossol. Exemplos: gelatina dissolvida, pasta de dente, tinta, geléias, queijos, pasta de dente, maionese, leite, manteiga, cremes, margarina, sangue humano, fumaça. Suspensão: quando as partículas dispersas têm mais de 100 nm de diâmetro, sendo possível vêlas a olho nu. Geralmente usase a decantação ou filtração para separar as substâncias. Exemplos: água e areia, água e argila, ar e poeira. É de conhecimento desta relatora, que já apreciou a mesma matéria relativo a operação de outro importador, que o zinco piritiona ou zinco piridinotione (fórmula C10H8N2O2S2Zn) é usado como matériaprima para confecção do produto final a ser aplicado em seres humanos como agente anticaspa. Na concentração de 0,5 a 2% nos xampus, evita o crescimento do fungo que causa a caspa. Esta concentração é autorizada pelo Ministério da Saúde (Portaria nº 71/96 DOU 30/05/96). E de acordo com o Laudo Técnico nº 1931.01 (fls. 35/37): 1.Não se trata somente de Zinco Omadine e nem de Outro Composto cuja estrutura contém Ciclo Piridina N substituído com radicais Alquita ou Arita. Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bactericida), na forma de Dispersão Aquosa contendo Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 19 18 Zincobis(2Piridinotio11óxido); (Zinco Omadine) e Composto com Grupamento Sulfonato (dispersante), uma Preparação Antimicrobiana, de uso exclusivo na indústria. 2.Tratase de Preparação Antimicrobiana (Fungicida e Bacteriana). 3.De acordo com Referências Bibliográficas e Literatura Técnica Específica (ANEXO I), a mercadoria é utilizada, principalmente como Preparação Antimicrobiana na formulação de shampoo. 4.De acordo com Literatura Técnica Especifica (ANEXO I), TOMACIDE ZPT50 tratase de uma Suspensão Aquosa contendo mais que 48% de Piritionato de Zinco (Zinco Omadine). À fl. 38, consta o Anexo I referenciado no item 4 do laudo técnico, uma consulta em página técnica especializada em produtos químicos, sobre o “Tomicide ZPT50, Zinc Pyrithione (INCI) 48% aqueous suspension”, fórmula C10H8N2O2S2Zn, na qual consta que se trata de uma suspensão aquosa, para uso em xampus na concentração de 0,31%, e que 95% das partículas são menores que 1 micron (1 micron = 1000 nm). Desta forma, a classificação utilizada pela contribuinte no código NCM 2933.39.89 é indevida, conforme a Nota 1 do Capítulo 29, pois o composto químico não se apresenta em solução aquosa. Como visto, tratase de uma suspensão aquosa do produto ativo piritionato de zinco, de propriedades fungicidas, na qual foi acrescentada um agente dispersante. Portanto, o produto analisado deve ser enquadrado como uma preparação fungicida intermediária na forma de suspensão do produto ativo, a qual tanto pode ser em água como em qualquer outro líquido. Assim, o produto sob análise, na acepção das Notas e NESH acima transcritas, deve ser classificado, com base nas RGI 1ª e 6ª na posição 3808 e na subposição 3808.20, específica para os fungicidas, os quais, sendo apresentados de outro modo, que não em embalagem destinada a uso domissanitário direto, incluise no item 3808.20.2 (RGC1). Por fim classificase no código 3808.20.29, por exclusão dos subitens anteriores, conforme os textos da Resolução Camex nº 42/2001. Pelo exposto, concluo estar correta a reclassificação adotada pela fiscalização, no código 3808.20.29 da NCM, restando procedentes todos lançamentos. (...) É como penso. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.008952/200906 Acórdão n.º 3302005.790 S3C3T2 Fl. 20 19 Da conclusão Dessa forma, ao que concerne à matéria sobre apreço classificação fiscal de mercadoria importada, evidenciada a classificação errônea por parte do importador, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, para manter, nos exatos termos da decisão recorrida, o crédito tributário objurgado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002721/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2006
EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES.
As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação.
BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes.
As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária.
Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. CFL 68. MULTA MANTIDA
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto.
PROCESSO DE CONSULTA FISCAL.
Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada.
NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88.
Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2202-004.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2006 EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação. BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes. As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária. Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. CFL 68. MULTA MANTIDA Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto. PROCESSO DE CONSULTA FISCAL. Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada. NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88. Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2006 EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO A DEPENDENTES. As bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos segurados empregados e diretores, sob a forma de descontos nas mensalidades, assumem a feição de remuneração e estão sujeitas à incidência da tributação. BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes. As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária. Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. CFL 68. MULTA MANTIDA Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 27 21 /2 00 7- 20 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 780 2 O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto. PROCESSO DE CONSULTA FISCAL. Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada. NULIDADE. PREJUÍZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e, inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88. Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 781 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855.002721/200720, em face do acórdão nº 1428.745, julgado pela 7ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 04 de maio de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Acessórias — AI — CFL 68, Debcad n.° 37.105.2530, com ciência do contribuinte em 08/10/2007, lavrado por ter o sujeito passivo apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de cumprir a obrigação prevista no art. 32, IV e §§ 3.° e 5.° da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com art. 225, IV e § 4.° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração RF (fls. 23/26), a autuada, no período de 01/2004 a 09/2006, deixou de informar em GFIP como salário de contribuição as bolsas de estudo e pesquisa pagas aos seus professores empregados e residentes, através da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular — FUNADESP e as bolsas de estudos concedidas aos filhos e dependentes dos seus empregados. Foi aplicada multa no montante de R$ 786.022,39 (setecentos e oitenta e seis mil, vinte e dois reais e trinta e nove centavos), fundamentada no art. 32, § 5. 0 da Lei 8.212/91 combinado com os art. 284, II e 373 do RPS, com valor atualizado pela Portaria MPS n.° 142, de 11 de abril de 2007 (DOU 12/04/2007). Ainda conforme o RF, não constam autos de infração lavrados anteriormente em nome da antecessora e não ocorreram outras circunstancias agravantes. O sujeito passivo, dentro do prazo regulamentar, apresentou impugnação de fls. 371/406, na qual, apresentando jurisprudência, alega, em síntese: Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 782 4 É nula a NFLD tendo em vista que os Mandados de Procedimento Fiscal MPF e os termos enviados pela fiscalização não são válidos, pois entregues a pessoas sem autorização para a pratica de tais atos. Menciona, neste particular, artigos de seu Estatuto Social e o art. 23 do Decreto 70.235/72, acrescentando que a apresentação de defesa não supre a nulidade em questão; Pende de apreciação junto à Secretaria da Receita Federal, consulta formulada sobre o objeto da presente autuação (anexa cópia), protocoladas antes do início da ação fiscal, levandose em conta a nulidade do início da fiscalização como argumentado e provado no tópico anterior; Não incidência de contribuição social sobre bolsas pagas a título de pesquisa. Tece longo arrazoado no sentido de demonstrar a não incidência sobre tal benefício e esclarece sobre a instituição e forma de atuar da FUNADESP; Não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos. No presente caso não ocorre a hipótese de incidência dos tributos cobrados, pois as bolsas de estudo são concedidas em decorrência de instrumentos normativos (com força de lei), de caráter transitório (com prazos de vigência determinados), não se configurando a habitualidade (cita definição contida em dicionário do termo "habitual"), não podendo o cumprimento ao disposto na CLT ser utilizado para compelir a empresa ao pagamento do tributo; Como inexistente o fato gerador do tributo, inexistente a obrigação da impugnante de registrar contabilmente as operações que se entendeu como tributadas, não existindo a obrigação acessória da escrituração, sendo indevida a multa aplicada; Como a impugnante é primária e tem bons antecedentes, em caso de procedência da autuação requerse seja relevada a multa na forma da legislação previdenciária; A multa aplicada é confiscatória, posto que superior a vinte por cento, devendo assim ser cancelada, pois infringe o disposto no art. 150, IV da Constituição Federal — CF; Afigurase a impossibilidade de comunicação ao Ministério Público Federal de suposta prática criminosa, posto que ainda não exaurida a via administrativa; Ofensa ao princípio da legalidade, vez que existe óbice para o apontamento de corresponsável legal por mero agente fiscalizador, constituindose verdadeira aberração jurídica o constante no "Relatório de Coresponsáveis — CORESP", representando arbitrariedade a desconsideração da personalidade jurídica da entidade. Finalmente, anexando documentos de fls. 409/570, requer: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 783 5 A nulidade do AI por serem nulos os mandados de procedimento fiscal que deram termo inicial ao AI e, uma vez reconhecida tal nulidade, seja a Secretaria da Receita Federal impossibilitada de autuar a empresa até a resposta das consultas por ela formuladas; Caso não acolhida a nulidade arguida, decretação da improcedência do AI, vez que inviável a tributação de contribuições sociais sobre verbas que não compõem o salário ou porque não tem legitimidade passiva a impugnante em pagar tais contribuições, bem como porque a impugnante simplesmente cumpriu os acordos coletivos; Caso superados os argumentos anteriores, seja cancelada a multa por ter do efeito confiscatório ou seja relevada pelos bons antecedentes e primariedade da impugnante; Cancelamento do CORESP feito pela fiscalização e, Independente do resultado do procedimento administrativo, que não seja feita nenhuma comunicação ao Ministério Público Federal antes de exaurido o presente. Quando do julgamento do presente processo, concluiuse pela necessidade de manifestação da autoridade autuante através de informação complementar quanto a todos os motivos do não enquadramento dos valores pagos a título de bolsas de estudo e pesquisa na alínea "t" do § 9.° do art. 28 da Lei 8.212/91, em função do contido no RF quanto ao tema: "Após análise dos documentos apresentados ficou constatado tratarse de mecanismo triangular de pagamento de bolsas, efetuado da seguinte forma: A ACEF realizou mensalmente, a partir de 1112002, o repasse de valores para a FUNADESP, que englobava o valor das bolsas, acrescido de 8% a titulo de contribuição conforme demonstram os seguintes documentos, anexos ao presente por amostragem: requisição de compra/autorização de pagamento; transferência bancárias de créditos, e listas mensais de beneficiáriõs das bolsas A fundação ao receber referidas importâncias, na forma de doações, repassava aos destinatários finais, na forma de bolsas de estudos; Os beneficiários das bolsas eram informados pela ACEF, que enviava para a FUNADESP lista com os respectivos nomes, inclusive com as informações bancárias, para que em seguida as doações efetuadas por ela à fundação fossem repassadas diretamente nas contas dos bolsistas, menos do desconto da contribuição (8% sobre o total das bolsas). Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 784 6 Os valores desembolsados na forma do item anterior se destinavam ao pagamento de bolsas de estudo para remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN — Universidade de Franca, da qual a autuada é mantenedora e a remunerar os residentes do hospital veterinário e de fisioterapia, que são exalunos que cursam residência e recebem bolsas em decorrência da carga horária prestada a UNIFRAN. Remunerase pelo desempenho de atividades profissionais e prática prestadas pelos residentes. Desta forma os valores pagos a título de bolsas de estudo, na forma citada acima, são considerados "salário indireto" e constituem Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n° 8.212191, por não se enquadrar na hipótese de não incidência prevista no parágrafo 9º, alínea "i" deste mesmo artigo, e, portanto deveriam ter sido adicionados à remuneração mensal dos segurados e inseridos nas Folhas de Pagamentos mensais': Tal informação complementar deveria ser expressa através de Relatório Fiscal Complementar, com ciência à autuada e reabertura do prazo de defesa sobre os pontos ali contidos. A autoridade fiscal se manifestou através do Relatório Fiscal Complementar de fls. 579/580, no qual esclarece que a alínea "t" do § 9.° do art. 28 da Lei 8.212/91 dispõe que não integra o saláriodecontribuição: "o valor relativo aplano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo ". Em relação à primeira condição: valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, as bolsas em questão não se enquadram, uma vez que a educação básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, ou seja, não inclui a educação superior, conforme o art. 21, I da Lei 9.394196: `Art. 21. A educação escolar compõese de: I — educação básica", formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II— Educação superior. Não se enquadram também na segunda condição, cursos de capacitação e qualificação profissionais, por se tratar de bolsas de estudos destinadas a remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN e a remunerar os residentes do Hospital Veterinário e da Fisioterapia, e não a bolsas de estudos para cursos de capacitação ou qualificação. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 785 7 Não se enquadram ainda na terceira condição, que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, pois a autuada, a seu livre arbítrio, estabelece os requisitos e aprova os projetos cujos autoresempregados se tornam aptos a receberem as bolsas, disto resultando que a empresa escolhe e indica o beneficiário a quem a bolsa será dada, não a oferece a todos os empregados, deixando de cumprir este requisito de não incidência. " Cientificado, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, defesa administrativa de fls. 583/607, na qual repete os comentários e argumentações sobre a concessão de bolsas de estudo a título de pesquisa através da FUNADESP, sobre a não incidência de contribuição social sobre acordos coletivos e sobre a impossibilidade de autuação pela inexistência de obrigação acessória de registro contábil por inexistência do fato gerador do tributo, nada acrescentando à discussão, vez que todos esses comentários, argumentações e pedidos já haviam sido apresentados em sua primeira impugnação. Tendo retornado o processo a esse órgão julgador, ante a superveniência de modificação introduzida no cálculo da penalidade aplicada, pela Medida Provisória n.° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, de 27/05/2009, que revogou o § 5. 0 do art. 32 e introduziu o art. 32A, ambos da Lei 8.212/91, bem como em razão do disposto no art. 106, II, "c" do CTN, que determina, ao ato não definitivamente julgado, a aplicação retroativa de lei posterior que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, fezse necessário o exame e nova manifestação da autoridade autuante quanto à penalidade mais benéfica ao autuado, motivo pelo qual foi proposto o retorno deste processo à DRF de origem para as providências necessárias. Tendo em vista o fato de que o processo referente ao descumprimento da obrigação principal, que necessariamente deve ser usado na referida comparação para a determinação da multa mais benéfica já ter sido anteriormente julgado, retornou o processo a esse órgão julgador face à impossibilidade de atendimento ao solicitado. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, o crédito tributário lançado na integralidade e multa aplicada. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 687/717, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Fl. 785DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 786 8 O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Preliminarmente alega que há nulidade da autuação porque o MPF foi entregue a pessoa que não detinha poderes para recebêlo. Na visão da recorrente o MPF somente poderia ter sido entregue ao seu Diretor Presidente ou Diretor Superintendente, aos quais cabem os poderes de representação. Questão similar relativa à ciência da própria notificação fiscal de lançamento já foi superada nesse Conselho, o qual admite sua validade ainda que o recebedor não detenha poderes de representação. Nesse sentido a Súmula CARF 09: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por decorrência lógica, se é valida a ciência do lançamento ainda que o recebedor não detenha poderes para tanto, quanto mais o MPF que demarca o início da fiscalização. Assim, presentes os requisitos legais do auto de infração e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. Rejeitamse, portanto as preliminares de nulidade suscitadas. Consulta fiscal. Sustenta o recorrente que não poderia ter sido lavrada a NFLD uma vez que havia processo de consulta pendente com o mesmo matéria objeto do lançamento. Acerca do processo de consulta dispõe do artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 787 9 Como se vê nenhum procedimento será instaurado quando o sujeito passivo tenha iniciado, previamente, o processo de consulta, cuja matéria seja semelhante. No caso dos autos, como bem apontado pela r. decisão recorrida o pedido de consulta protocolado pelo recorrente foi posterior ao procedimento fiscal, em setembro/2007, enquanto que a fiscalização teve início em 07 de março de 2007, antes portanto, das consultas trazidas aos autos. Uma vez que o sujeito passivo já estava sob procedimento fiscal quando da formulação das consultas em questão, não se verifica qualquer óbice à lavratura fiscal consubstanciada no presente lançcamento. Logo, rejeito também a preliminar. Alegações de inconstitucionalidade. Caráter confiscatório da multa. A análise da alegação do efeito confiscatório da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade esbarra no fato de que este órgão julgador não dispõe de competência para analisála, pois isso implicaria em adentrar na suscitada colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 02 o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, não há acolher os argumentos da contribuinte quanto as alegações de inconstitucionalidade. Representação Fiscal Para Fins Penais. Quanto à questão argüida pela Autuada, referente à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP noticiada nos autos, cabe esclarecer que este órgão julgador não dispõe de competência para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 28 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, rejeitase a alegação da contribuinte. Relatório de Representantes Legais: A contribuinte também se mostra irresignada em relação ao item "11" do Relatório Fiscal, redigido nos seguintes termos: "Os responsáveis legais pelo débito encontramse discriminados no Relatório de Coresponsáveis — CORESP, anexo." Cumpre esclarecer que o Relatório de Coresponsáveis CORESP, previsto na redação original do artigo 660, X da Instrução Normativa MPS SRP 03/2005 (DOU de 15/07/2005) foi substituído pelo Relatório de Representantes Legais REPLEG, conforme Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 788 10 alteração do citado dispositivo pela Instrução Normativa SRP 20, de 11/01/2007 (DOU de 16/01/2007). Assim, não existe nos autos o relatório CORESP, mas sim o REPLEG, o qual, em seus próprios dizeres, "...lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificacdo e período de atuação." Esclarecese que a menção ao CORESP no Relatório Fiscal não gera qualquer efeito em relação ao lançamento fiscal realizado, conclusão extraída da análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e artigos 27 e 28 da Portaria RFB 10.875/2007, sobre os quais já se discorreu anteriormente no presente voto. Salientase o disposto na Súmula CARF nº 88, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não existe fundamentação jurídica nem fática para a argumentação e o pedido de exclusão de sócios, cumprindo notar que a autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, face ao artigo 202 do CTN, ressaltandose, porém, que eventual responsabilidade de cada um somente será posteriormente apurada, em sede de execução fiscal. Deste modo, rejeitase a alegação da contribuinte. Mérito. Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, a autoridade recorrida, acompanhando o entendimento da autuante, ficou adstrita à previsão constante no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 789 11 cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 790 12 PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Este Conselho possui julgados afastando a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, julgado por Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 791 13 unanimidade pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, de Relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes dos em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. Multa aplicada CFL 68. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. No entanto, prevalecendo o entendimento de que não integra o saláriode contribuição as bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, temos que sobre ela não estariam sujeita a incidência de contribuição previdenciária. Diante disso, não subsiste, in casu, a possibilidade de aplicação da multa, pois demonstrada a inexistência do caráter remuneratório das bolsas de estudos Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 792 14 Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento quanto ao mérito. O i. Relator votou pela impossibilidade de aplicação da multa, entendendo que o valor pago a título de bolsa de estudos aos empregados e dependentes não integra o salário de contribuição. Entretanto, ressalto que o auto de infração foi lavrado por ter deixado a recorrente de declarar em GFIP os valores relativos a bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos empregados e dirigentes, assim como, a bolsas de pesquisa para os professores (empregados), e pagamento de bolsa de estudos a médicos residentes (contribuintes individuais). Considerando que prevaleceu o entendimento de que incide contribuição previdenciária sobre tais verbas, tanto no julgamento do processo nº 13855.002591/200725, quanto no julgamento do processo nº 13855.002666/200778, desta mesma sessão de 07/08/2018, de cujas matérias tratadas originaram a autuação aqui discutida, peço vênia para usar nas linhas seguintes as mesmas razões dos votos vencedores daqueles processos, nos Acórdãos nº 2202004.644 e nº 2202004.643, respectivamente, ambos de minha redatoria. Em relação às bolsas de estudo aos dependentes dos segurados (processo nº 13855.002591/200725), entendo que tais verbas decorrem da relação de trabalhado dos segurados empregados com a recorrente, portanto, não é um benefício para o trabalho e sim pelo trabalho, caracterizandose como remuneração. De outra sorte, a Lei vigente à época dos fatos geradores não incluía os dependentes na hipótese de exclusão da incidência de Contribuição Previdenciária, assim como, não inclui a educação superior, conforme se vê: Lei nº 8.212/91 Art. 28 [...] § 9º [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Lei nº 9.394/96 Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Portanto, nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 793 15 Aliás, tal fato já foi julgado neste Conselho onde foi exarado o Acórdão nº 2301004.301, de 20/01/2016, no julgamento do processo nº 13855.002592/200770, onde se tratou da mesma matéria, lançada no mesmo procedimento fiscal, em que a recorrente era sujeito passivo, cuja única distinção foi em relação ao período, que a fiscalização achou por bem, lançar em número de Debcads diferentes. Por isso, peço vênia para transcrever trechos do voto vencedor, por concordar com as razões nele tratadas, no que respeita ao pagamento de bolsa aos dependentes: 11. Ainda que contenha inegável valor econômico, a bolsa de estudo ao trabalhador constitui um evidente investimento na qualificação deste, fornecendolhe meios para exercer a atividade profissional e a cidadania, cuja formação educacional revertese em favor da empresa e da sociedade. Ao não se destinar a retribuir o trabalho efetivo, é uma verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho. 12. Porém, a bolsa escolar concedida ao dependente do segurado empregado ou diretor, sob a forma de desconto na mensalidade, revela situação bem distinta. 13. Com efeito, esse tipo de concessão advém apenas da relação de trabalho e tem por finalidade precípua acrescer vantagem contraprestativa ao trabalhador, com ou sem vínculo empregatício, configurando clara remuneração indireta, na medida em que a utilidade é fornecida "pelo trabalho", e não "para o trabalho". 14. Ressalvo que, a meu sentir, a Lei n° 10.243, de 19 de junho de 2001, ao proporcionar nova redação ao art. 458, § 2o, da CLT, conforme já mencionado pelo relator, pretendeu excluir da remuneração, sob o prisma trabalhista, tão somente os valores despendidos com educação dos empregados, e não indistintamente os dispêndios com empregados e seus dependentes. 15. Entretanto, ainda que o conceito de remuneração, retirado da legislação trabalhista, influencie sobremaneira a seara previdenciária, os princípios basilares tributários, tais como legalidade e tipicidade, cuja aplicação é obrigatória ao custeio das prestações securitárias, impõem observar nas relações entre Fisco e contribuintes, entre outros, as regras matrizes de incidência e as hipóteses de exclusão tributária. 16. Nesse contexto, o legislador elegeu como base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária as parcelas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho, conforme expressam os arts. 22 e 28, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991. 17. Este mesmo legislador achou por bem explicitar, no art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, dc 1991, parcelas que estão fora do campo de incidência, seja pela ausência intrínseca da natureza remuneratória, sejam verbas que, mesmo destinadas a retribuir o trabalho, devem ser excluídas da tributação por opção legislativa. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 794 16 [...] 19. Notase que os dispêndios com a educação do trabalhador, em harmonia com o conceito de remuneração "para o trabalho", escapam à tributação, ainda que o legislador tenha limitado e condicionado a não integração à base de cálculo ao atendimento de certas condições. 20. Por outro lado, a extensão da não incidência a qualquer gasto com a educação de familiares depende da expressa previsão em lei, dado o seu caráter de remuneração "pelo trabalho". 21. Apenas no ano de 2011, com a Lei n° 12.513, de 26 de outubro de 2011, que deu nova redação à alínea "t" do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212, de 1991, o valor relativo a bolsa de estudo que vise à educação dos dependentes foi excluído da base de cálculo da contribuição previdenciária, nesses termos: Art 28(...) §9°(...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; 22. Essa exclusão, porém, não se aplica aos autos, pois o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente (art. 144, do CTN). Contudo, faço a ressalva que, mesmo nos casos em que a bolsa é paga ao empregado, mas para educação superior, entendo que não haveria incidência da Contribuição Previdenciária desde que o curso se enquadrasse como de "capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa", sendo necessário avaliar caso a caso; fora isso, haveria incidência de contribuição previdenciária, tanto antes quanto depois da alteração na alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, porque se assim quisesse, o legislador teria ampliado ao nível da educação superior, mas a despeito de estender a bolsa aos dependentes, achou por manter apenas a educação básica. No caso dos autos, as bolsas de estudo, mediante desconto nas mensalidades, foram concedidas aos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, e, portanto, não se enquadram na norma de não incidência de contribuição previdenciária, não merecendo reparos o acórdão recorrido. Em relação ao pagamento de bolsa de pesquisa para os professores e pagamento de bolsa a médicos residentes (processo nº 13855.002666/200778), como Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 795 17 ressaltado pela auditoria, a natureza desses pagamentos não se enquadra como plano educacional que vise à educação básica, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, não estão amparados pela não incidência da letra “t” do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Aliás, a norma exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária as seguintes bolsas: Art. 28 [...] § 9º [...] i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; [...] t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Pelo que se verifica, as bolsas concedidas pela recorrente não se enquadram em nenhuma das bolsas de que trata a norma de não incidência. Ademais, tendo em vista que a recorrente afirma a não incidência de tributação sobre as bolsas, vez que não existe contraprestação de serviço, nem benefício direto para o doador, há que se observar, em primeiro lugar, que a auditoria fiscal relata o pagamento de bolsas de estudo a médicos residentes. Nesse aspecto, ressalto que existem dispositivos normativos que demonstram o contrário do afirmado pela defesa, e, por isso colacionoos: Lei nº 8.212/91 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Decreto nº 3048 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 796 18 Art.9ºSão segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Vcomo contribuinte individual: [...] j)quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) l)a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] §15.Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros:(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] Xo médico residente de que trata a Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] IIvinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) IIIquinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§7ºe 8ºdo art. 219;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2ºIntegra a remuneração para os fins do disposto nos incisos II e III do caput, a bolsa de estudos paga ou creditada ao médico residente participante do programa de residência médica de que trata o art. 4º da Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, na redação dada pelaLei nº 10.405, de 9 de janeiro de 2002.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifei). Assim, não há como negar a incidência de contribuição previdenciária, dada a natureza dessas bolsas apuradas pela fiscalização. Em segundo lugar, em relação à bolsa de pesquisa concedida aos empregados (professores), também não está inclusa nas hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária de que trata o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não se enquadra Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 797 19 como educação profissional e tecnológica ou educação básica, como corretamente exposto no relato fiscal. Ademais, a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e o Decreto nº 5.205, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, ambos vigentes à época dos fatos geradores, estabeleciam o seguinte: Lei nº 8.958/94 Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Decreto nº 5.205/2004 Art.6oAs bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994,constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. [...] §2oA bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. [...] §4oSomente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. Art.7oAs bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifei) Assim, para saber se a bolsa de pesquisa fornecida a seus empregados (professores) não estava passível de contribuição previdenciária, restaria verificar se era concedida nos termos da Lei nº 8.958/94 e do Decreto nº 5.205/2004. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 798 20 Essa análise foi abordada pelo julgador a quo (processo nº 13855.002666/200778), de cujo voto extraio os seguintes trechos, que acolho como razões de decidir: Em razão da defesa fazer menção à Lei nº 9.250/95 art. 26 e também que a forma de atuar da FUNADESP é análoga a outras Entidades Públicas, vale dizer que encontramos no inc. XXVII do art. 72 da Instrução Normativa MPS SRP 3 de 14 de julho de 2005 (DOU de 15/07/2005), a previsão de não incidência de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, mas que diz respeito especificamente às bolsas concedidas em conformidade com a Lei nº 8.958, de 20/12/94, que dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio, e o Decreto nº 5.205 de 14/09/04, que Regulamenta a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, o que não se aplica a este caso. A Lei nº 8.958/94, e o Decreto nº 5.205/04 regem, tão somente, as relações entre instituições federais de ensino superior e pesquisa científica e as fundações de apoio, dispondo sobre a participação de servidores/professores das instituições federais contratantes nas atividades da contratada, não amparando a concessão de bolsa de ensino, pesquisa e extensão a alunos de qualquer outra instituição de ensino. (Grifei) Mais uma vez extraio trecho do acórdão recorrido (processo nº 13855.002666/200778) que acertadamente estabelece a natureza remuneratória das bolsas de pesquisa concedidas aos empregados: Não se pode esquecer ainda que mesmo tendo sido a Mantenedora à época dos fatos uma Associação sem fins lucrativos, beneficiavase com o trabalho dos bolsistas empregados e residentes, pois a realização das pesquisas e a divulgação de seus resultados serviam para difundir e elevar o nome da Instituição, aumentando a procura por seus cursos e por conseguinte, contribuíam para o seu resultado positivo e o incremento de seus objetivos institucionais.. Dessa forma, não é possível falar em simples doação ou em inexistência de prestação de serviços: A Notificada beneficiavase do trabalho dos bolsistas. Neste passo e, ante a descrição dos fatos feita pela fiscalização, restou evidenciado que os resultados das atividades desenvolvidas pelos segurados empregados e também dos residentes, representam uma vantagem para o "doador" e uma contraprestação de serviços por parte dos mesmos, não importando o nome que se dê à atividade e ao pagamento, por força da legislação previdenciária, referida parcela tem natureza salarial e integra o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições sociais. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13855.002721/200720 Acórdão n.º 2202004.648 S2C2T2 Fl. 799 21 Considerando que não há qualquer dispositivo que albergue a não incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas aqui debatidas, não merece reparos o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 799DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720260/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
1. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância.
2. O sujeito passivo foi exonerado do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total inferior ao limite de alçada, o que torna o recurso de ofício não passível de conhecimento.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76Tratando-se de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados.A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPALA obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2402-006.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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PLR DIRETOR NÃO EMPREGADO Recorrentes PORTO SEGURO COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. 1. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância. 2. O sujeito passivo foi exonerado do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total inferior ao limite de alçada, o que torna o recurso de ofício não passível de conhecimento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados.A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPALA obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 60 /2 01 6- 28 Fl. 440DF CARF MF 2 principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A 3ª Turma da DRJ/CGE fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Tratase de crédito previdenciário lançado pela Auditoria Fiscal em desfavor da Interessada acima identificada, por intermédio da lavratura do Auto de Infração, às fls. 30 a 34, [...]. Conforme o Relatório Fiscal do Processo (fls. 35 a 41), foi constituído de ofício o presente crédito previdenciário, em decorrência das seguintes constatações e procedimentos adotados no decorrer da ação fiscal: · O débito teve como origem os valores das remunerações a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados pagos e/ou creditados aos diretores não empregados apurados em Folhas de Pagamentos e informações prestadas pelo sujeito passivo e não recolhidos. · A empresa acima referenciada foi fiscalizada para o período de 01/2011 a 12/2012. · A Porto Seguro Companhia De Seguros Gerais é uma sociedade por ações que tem como objeto social a exploração de Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 3 3 operações de seguros de danos e de pessoas, em qualquer das suas modalidades ou formas, conforme definido na legislação vigente. · Durante a fiscalização verificouse que a rubrica Participação nos Lucros de Administradores, presente na folha de pagamento, foi paga e/ou creditada a administradores, diretores não empregados. Neste caso a rubrica passa a integrar o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária, por não estar em conformidade com a legislação. · Com base no dispositivo acima, seria um pressuposto falso afirmar que existe uma lei específica regulamentando a participação nos lucros ou resultados para cada categoria de segurado, excluindo ambas as categorias da contribuição previdenciária, ou seja, quando a participação nos lucros ou resultados é paga a diretores estatutários, aplicase a Lei n° 6.404/76. Quando a participação nos lucros ou resultados é paga a empregados, aplicase a Lei n° 10.101/00.' · A lei específica que trata da participação nos lucros ou resultados da empresa, que prevê a isenção previdenciária, é a Lei n° 10.101/00. · A Lei n° 10.101/00 desvinculou da remuneração, não integrando o salário de contribuição, a participação nos lucros ou resultados recebida somente pelos segurados empregados. Sendo assim, sobre a participação paga a diretor não empregado (segurado contribuinte individual) incide contribuição previdenciária. · A Lei n° 6.404/76, em seu art. 152, § 1o, apenas estabelece os parâmetros para que a empresa, facultativamente, efetue o pagamento da referida verba aos administradores. A seguir explicitase esse posicionamento. · Pela leitura dos direitos dos trabalhadores que estão listados no art. 7o, notase que os mesmos pertencem somente aos segurados empregados, pois o segurado contribuinte individual, por exemplo, não possui os direitos dos incisos citados acima. Logo, o constituinte, ao utilizar o termo "trabalhadores", no caput do art. 7º, referiuse à espécie empregado. · Não se pode confundir participação nos lucros com dividendos, tendo em vista que os administradores da S/A podem ser acionistas ou não. Sendo acionista, além dos dividendos que todo empresário tem direito, poderá receber participação nos lucros em função do seu desempenho na gestão da companhia. · Os dividendos ou distribuição de lucros é a remuneração do capital investido na empresa pelo sócio, não sendo necessária execução de qualquer trabalho para auferilo. Logo, não há o que se falar em contribuição previdenciária incidente sobre dividendos. Fl. 442DF CARF MF 4 · Já a participação nos lucros é paga em retribuição aos serviços prestados. Sendo assim, ao contrário dos dividendos, a participação nos lucros é considerada base de cálculo pelos motivos expostos acima. Pela leitura do art. 152, § 2º, da Lei n° 6.404/76, não resta dúvida que essas verbas possuem naturezas distintas. · Diante de todo o exposto, podese observar que a CF/88 desvinculou da remuneração por meio de norma constitucional de eficácia limitada, a participação nos lucros ou resultados somente dos empregados. · A partir da regulamentação patrocinada pela MP n° 794, de 29/12/94, o dispositivo constitucional passou a ser aplicado, assim como a Lei n° 8.212/91 (art. 28, § 9 º, alínea j) e o Decreto n° 3.048/99 (art. 214, § 9 º, inciso X). · Nesse sentido, a Lei n° 6.404, de 15/12/76, não é a lei específica que regulamentou essas normas. Em seu art. 152, § 1º, apenas faculta a empresa pagar participação nos lucros aos administradores sem desvincular essa verba da remuneração. · Dessa forma, o pagamento de participação nos lucros somente estará desvinculado da remuneração e, conseqüentemente, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, quando pago de acordo com os termos e requisitos da Lei n° 10.101/2000. · Logo, a participação nos lucros paga a diretores não empregados integra o salário de contribuição, ficando, pois, sujeita à incidência de contribuição previdenciária. · A empresa distribui PLR aos seus administradores nos anos de 2011 e 2012, conforme folhas de pagamentos, respostas à intimações e planilhas entregues. · As contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social e não recolhidas referentes à Participação nos Lucros de diretores não empregados foram lançadas no Auto de Infração que integra o presente Processo Administrativo Fiscal. · Toda a base de cálculo objeto deste levantamento não está declarada em GFIP · Como os fatos geradores lançados no Auto de Infração que integra o presente Processo Administrativo Fiscal estão devidamente registrados na contabilidade da empresa e/ou nas suas folhas de pagamento, não foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação em 29/03/2016 (fls. 200 a 290), cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: · O entendimento fiscal não procede, pois: (i) A autuação é nula, por adotar premissa equivocada de que todos os beneficiários dos pagamentos autuados de PLR seriam administradores e/ou diretores não empregados. Entre as verbas Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 4 5 autuadas, há pagamentos efetuados de PLR a diretores empregados da Impugnante, quais sejam: Srs. Nelson Peixoto e Luiz Paulo Horta de Siqueira; (ii) Não incide Contribuição Providenciaria sobre os pagamentos de PLR efetuados pela Impugnante a diretores empregados, bem como a administradores e/ou diretores não empregados, conforme previsto no art. 7º, XI, da Constituição Federal do Brasil em vigor (CF/88), c/c art. 28, §9°, "j", in fine, da Lei n° 8.212/91, c/c Lei n° 10.101/00, bem como, em relação aos últimos, com fulcro no art. 152 da Lei das S.A; (iii) Não incide Contribuição Previdenciaria sobre os pagamentos de PLR efetuados pela Impugnante a direforesempregados, bem como a administradores e/ou diretores não empregados, dada a sua natureza de gratificação não habitual e eventual, na forma do art, 28, §9°, "c", '7', da Lei n° 8.212/91, ainda que não se admita a sua natureza legal dc PLR. · Em vista disso, a Impugnante busca ver reconhecida a improcedência da autuação em debate e exonerados os pretensos débitos lançados, conforme passa a demonstrar. · Como se disse, o lançamento em tela fundase na premissa de que todos os pagamentos de PLR autuados seriam destinados a administradores c/ou diretores não empregados. Porém, esta premissa não corresponde à verdade dos fatos, dado que, dentre os beneficiários da PLR autuada, há diretores empregados devidamente admitidos mediante contrato de trabalho e registrados com vínculo empregatício, quais sejam: Srs. Nelson Peixoto e Luiz Paulo Horta de Siqueira. · Tal equívoco é bastante à anulação do lançamento, seja porque o TVF sequer considera o fato de haver pagamentos de PLR a empregados, seja porque o TVF não consigna motivação ao lançamento previdenciário sobre esses pagamentos de PLR a (empregados). · Conforme atestam os Contratos de Trabalho e Registros de Empregados (Docs. 03 a 06), os Srs. Nelson Peixoto e Luiz Paulo Horta de Siqueira são empregados da Impugnante, não havendo que se falar, portanto, cm pagamentos a diretores não empregados, sendo evidente a insubsistência da autuação com relação ao mesmos; como se verifica nas imagens (fl. 203). · Em vista disso, ao contrário do que constou da Autuação, a base de cálculo utilizada para determinação do quantum debeatur referente à Contribuição Previdenciária Patronal devida nos meses de 04/2011 e 04/2012 não reflete, apenas, os valores pagos a administradores e/ou diretores não empregados nestes períodos. · Com efeito, a autuação na forma em que lavrada e sob a premissa de recair sobre PLR paga a administradores e/ou diretores não empregados não poderia abranger os pagamentos efetuados aos Srs. Nelson Peixoto e Luiz Paulo Horta de Siqueira, que são empregados da Impugnante. Fl. 444DF CARF MF 6 · O lançamento em testilha está equivocado e afigurase insubsistente, seja por não decorrer da premissa eleita, seja por ausência da devida motivação acerca da exigência previdenciária sobre PLR paga a empregados, seja, ainda, por conter erro grave na base de cálculo eleita, eis que não condizente com a suposta infração alegada (i.e., falta de recolhimento de Contribuição Previdenciária sobre PLR paga a beneficiários não empregados). · Nos termos das normas legais encimadas, o Auto de Infração deve descrever com precisão, alem da infração cometida, a ocorrência do fato imponível e, ainda, os demais elementos da hipótese de incidência tributária e da base de cálculo verificados no plano concreto, em especial o montante do tributo tido por devido e a(s) penalidade(s), se o caso, à luz da garantia constitucional do devido processo legal, mediante contraditório e ampla defesa, prevista no art. 5 º, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988. (Reproduz doutrinas). · Vale dizer: a Administração Pública, ao formalizar a sua pretensão, tem o dever de descrever e detalhar o fato gerador na autuação, conforme considerações de Natanael Martins. · Destarte, afigurase nulo o AI em testilha por evidente vício material, nos termos do art. 59, II, do Decreto n º 70.235/72, sendo claro e inconteste o cerceamento do direito de defesa da Impugnante que acarreta. · Corrobora a insubsistência da autuação o fato de o erro material impactar a base de cálculo lançada, um elemento integrante da regra mal Hz de incidência tributária, o que fulmina de nulidade o lançamento, por vício mn renal. · O sobredito art. 142 do CTN atribui à Autoridade Administrativa a competência privativa de constituir o suposto crédito tributário por meio do lançamento, definindose os seus elementos essenciais, dentre os quais a determinação da matéria tributável. · Como cediço, a base de cálculo é elemento indispensável à composição do critério quantitativo da regra matriz de incidência. Para o Ilustre Professor Hugo de Brito Machado, "(...) égrande a importância da base de cálculo, porque ela nos permite identificar o tributo de que se cuida. Se a lei cria um imposto sobre a renda mas indica como sua base de cálculo a receita ou o patrimônio, está na verdade, criando imposto sobre a receita ou o patrimônio, e não sobre a renda. (...) A base de cálculo é, portanto, elemento essencial na identificação do tributo, sobre o qual se aplica a alíquota para terse como resultado o valor do tributo correspondente". · Ainda, conforme leciona o Ilustre Professor Paulo de Barros Carvalho, as funções exercidas pela base de cálculo são de: a) medir as proporções reais do fato, ou função mensuradora; b) compor a específica determinação da dívida, ou função objetiva; e c) confirmar, infirmar, ou afirmar o correto elemento material do antecedente normativo, ou função comparativa. · Nesse sentido, diante de sua função comparativa, se a materialidade de determinado tributo/penalidade tributária Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 5 7 caminha para um sentido, e este sentido não é respeitado pela base de cálculo, há uma incongruência normativotributária que inquina o lançamento. · Com efeito, não cabe aos órgãos de julgamento proceder a eventuais modificações ou aperfeiçoamentos no lançamento de ofício originalmente formalizado, mormente nos seus elementos essenciais, estruturais, como no caso sob análise, mesmo porque, em assim procedendo, se estaria usurpando competência que é privativa da autoridade administrativa de fiscalização, competência esta que somente à referida autoridade administrativa é permitido exercer, na lavratura do auto de infração, momento cm que, pelo lançamento, considerase devidamente constituído o crédito tributário. (Reproduz jurisprudências). · Em vista disso, há de se decretar a nulidade do lançamento e exonerar os pretensos débitos que consigna. · E, ainda que não cancelados os lançamentos in totum, há de, no mínimo, ser revisado para se excluir da base de cálculo autuada o montante da PLR paga aos Srs. Nelson Peixoto e Luiz Paulo Horta de Siqueira, dado sc tratar de PLR para a empregados. · Não obstante a nulidade da autuação na, conforme acima demonstrado, também se afigura improcedente no mérito, dada a inexigibilidade de Contribuição Previdenciária sobre PLR seja em relação a empregados, seja em relação a administradores e/ou diretores não empregados, conforme se passa a expor. · É fato que a autuação não contestou o cumprimento dos requisitos da Lei n° 10.101/00 em relação aos pagamentos de PLR autuados destinados a empregados, quais sejam: Srs. Nelson Peixoto e Luiz Paulo Horta de Siqueira. · Aliás, o Sr. Agente Fiscal sequer analisou, tampouco questionou a higidez dos instrumentos laborais aplicáveis nos períodos autuados i.e., as Convenções Coletivas de Trabalho ("CCT") vigentes nos anos de 2011 e 2012 (Docs. 11 e 12) e os Acordos de Participação nos Lucros e Resultados ("PPR") vigentes nos anos de 2011 c 2012 (Docs. 13 e 14) bem como não contestou o cumprimento dos requisitos previstos pela Lei n.° 10.101/00, relativamente aos beneficiários dos pagamentos de PLR autuados. · Conforme atestam os Contratos de Trabalho e Registros de Empregados (vide Docs. 03 e 05), os Srs. Nelson Peixoto e Luiz Paulo Horta de Siqueira são empregados da Impugnante, sendo certa a sujeição da PLR à Lei n° 10.101/00. · Assim sendo, reconhecido o vínculo empregatício desses beneficiários e diante da ausência de contestação da higidez das CCT e dos PPR que serviram de fundamento de validade para os pagamentos de PLR em 04/2011 e 04/2012, em especial aos empregados em tela, avultamse regulares seus pagamentos de PLR, inclusive à luz da Lei n° 10.101/00. Fl. 446DF CARF MF 8 · Cumprida a essência de ampla negociação da PLR, entre trabalhadores e empresa, os pagamentos efetuados a esse título não podem ser submetidos à incidência de Contribuição Previdenciária, sob pena de descstimular as empresas de concretizar a expectativa constitucional. · Frisese que os Srs. Nelson Peixoto c Luiz Paulo Horta de Siqueira enquadramse, de fato e de direito, no conceito legal de empregado, condição essa que nào foi refutada pelo Sr. Fiscal. · A Autoridade Fiscal lançadora alega que os valores pagos a título de PLR a administradores e/ou diretores não empregados estariam sujeitos à Contribuição Previdenciária. · Entretanto, tal assertiva improcede, pois olvida da imunidade de que goza a PLR, nos termos do art. 7 º, inciso XI, da CF/88, que detém aplicabilidade integral in casu. · Deveras, o preceito constitucional não deixa margem de dúvidas quanto ao comando, de aplicabilidade imediata, segundo o qual a Participação nos Lucros ou Resultados não possui natureza remuneratória/salarial, independentemente de qualquer prescrição legal, cuja obrigatoriedade se refere exclusivamente à participação da gestão na empresa. · Estando desvinculados da remuneração, nos termos do vetor constitucionalmente insculpido no artigo 7º, inciso XI, os valores destinados aos trabalhadores sob a rubrica de participação nos lucros ou resultados, inegavelmente não possuem natureza salarial, não sofrendo a incidência de nenhum encargo, notadamente o de compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. · Em suma, em se admitindo a legitimidade do lançamento efetuado, estarseá não somente ofendendo o artigo 7o, XI c/c artigo 195, I, a, do texto constitucional, como também indo na contramão do vetor axiológico, extraído do artigo 7o da CF/88, de adoção de uma política condizente com a melhoria da condição social dos trabalhadores, porquanto a incidência de Contribuições Previdenciárias na hipótese representar verdadeiro desencorajamento de beneficiar o trabalhador mediante sua participação nos lucros da empresa. · Adicionalmente e contrariamente à alegação fiscal consignada no TVF, a PLR paga a administradores e/ou não empregados sujeitase à Lei n° 10.101/00 e, também por isso, não sofre a incidência previdenciária, seja porque não há na Lei n° 10.101/00 e nem na legislação específica (dentre elas, a Lei n° 8.212/91) qualquer ressalva de que somente os segurados empregados poderiam perceber PLR desonerada das exações previdenciárias, seja porque tais profissionais atendem à condição de trabalhadores. · Como visto, a matriz constitucional da PLR é o art. 7º, inciso XI, que trata dos direitos dos trabalhadores, assegurando o direito à PLR desvinculada da remuneração, ou seja, imune às cxaçòes previdenciárias, sendo o seu comando de aplicabilidade imediata. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 6 9 · A conclusão encimada acentua o direito da Impugnante ao cancelamento da autuação em tela, mormente considerando que a D. Fiscalização não apontou qualquer violação à Lei n° 10.101/00 perpetrada in casu, senão o simples fato de os beneficiários da PLR autuada não serem empregados, e sem sequer refutar sua efetiva desvinculação da remuneração, tampouco a ausência de habitualidade, fatores esses comprovados no caso concreto. · Em suma, os pagamentos de PLR autuados destinados a administradores e/ou diretores não empregados não integram a sua remuneração, haja vista a expressa dicção legal que rege o tema, notadamente a Lei n° 10.101/00, cuja matriz constitucional fincase no artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, que revelam manifestamente ilegítima c despida de validade a pretensão da D. Autoridade Fiscal de exigir a contribuição previdenciária a cargo do empregador incidente sobre tal pagamento. · Por outro lado, convém reiterar que, a D. Autoridade Fiscal, ao implementar requisito inexistente na legislação, qual seja, conferir imunidade, no que tange a incidência de Contribuição Previdenciária sobre a PLR, somente aos empregados, fere o princípio da legalidade, posto que a legislação utiliza a expressão trabalhadores sem fazer qualquer distinção entre eles (com ou sem vínculo empregatício). · Noutro giro, a autuação em tela também se afigura improcedente diante da não incidência previdenciária sobre os pagamentos autuados de PLR a administradores e/ou diretores não empregados, considerando como lei específica para tal desoneração a Lei das S.A. · Nesse sentido, improcede o entendimento fiscal consignado no TVF contra a aplicação da Lei das S.A in casu, pautado, insistentemente, na alegação de que a Lei na 10.101/00 seria única lei regente da PLR e aplicável como fundamento à sua desoneração previdenciária. · De fato, o pagamento da PLR aos administradores está expressamente previsto na Lei n° 6.404/76, a qual não prevê a incidência previdenciária sobre tal rubrica, tampouco consigna requisitos que se alega descumpridos no caso concreto. · Com efeito, essa previsão expressa de longa data deixa claro que o pagamento de PLR a administradores não é um mecanismo inovador, tampouco que vise passar ao largo da legislação previdenciária. · É fato que os pagamentos autuados situamse em um único período de 2011 (04/2011) e em um único período de 2012 (04/2012), sendo evidente a sua natureza eventual e não habitual, o que, também, afasta a incidência previdenciária, in casu, nos termos do art. 28, §9°, "e", “7”, da Lei n° 8.212/91. Fl. 448DF CARF MF 10 · Sendo certo que os pagamentos autuados não possuem habitualidade e afiguramse eventuais, não se sujeitam à incidência de Contribuição Previdenciária, dado não integrar a remuneração dos beneficiários, com amparo no art 22 c no art. 28, §9°, "e", “7”, ambos da Lei n° 8.212/91. · Face à característica de não habitualidade da verba paga pela Impugnante e, consequentemente, a sua não inserção no conceito de salário de contribuição, concluise que as Contribuições Previdenciárias não podem ser exigida sobre tal parcela pela inocorrência do fato imponível apto a ensejar a sua incidência. · Depositando pá de cal sobre o tema, a PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL exarou o ATO DECLARATÓRIO N° 16 /2011, dispensando a apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único pago sem habitualidade, sobre o qual não incide contribuição previdenciária, frente à jurisprudência pacífica do C. STJ nesse sentido. · Logo, vejase que o próprio Fisco, por seus procuradores, reconheceu a não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre valores pagos a título de gratificação não habitual, o que se aplica de forma inarredável ao presente caso, corroborando a insubsistência da exigência ora contestada. · Por derradeiro, caso não sejam canceladas a autuação e exonerados os pretensos débitos tributários, o que se admite apenas ad argumentandum, devese, ao menos, afastar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício imposta. · Contudo, é sabido que, a D. RFB tem por praxe aplicar juros de mora também sobre a parcela da multa, a partir do lançamento ou da cobrança do pretenso crédito tributário, o que não se afigura correto à luz da legislação tributária. · A aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício carece de base legal. · Sob a ótica do Codex Fiscal, os arts. 113, 139 e 161, do CTN, não há previsão à cobrança de juros de mora sobre multa. · O art. 113 do CTN dispõe sobre a obrigação tributária, definindo o seu surgimento em função do fato gerador, podendo ter por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade tributária. · .Da interpretação sistemática desses preceitos legais, concluise que, com a ocorrência do fato gerador de um tributo ou de uma multa, decorre o surgimento de uma obrigação com tal prestação como objeto (tributo ou multa), cujo inadimplemento sujeita tal prestação à incidência de juros de mora. · Logo, os juros de mora incidem ou sobre o tributo ou sobre a multa e não sobre ambos. · Portanto, subsidiariamente, devese, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 7 11 [...] A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão cujo acórdão e ementa são, respectivamente, os seguintes: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, julgar procedente em parte a impugnação, com o crédito tributário mantido em parte, nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Remetase de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão do valor exonerado, composto pelo valor atualizado acrescido da multa, ultrapassar o limite de alçada, em conformidade com o art. 34 do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei 9.532/97, combinado com o art. 1º da Portaria MF/GM 3, de 3 de janeiro de 2008. Intimese o sujeito passivo, facultadolhe interpor recurso voluntário ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais. ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O princípio da ampla defesa é prestigiado na medida em que o contribuinte tem total liberdade para apresentar sua peça de defesa, com os argumentos que julga relevantes, fundamentados nas normas que entende aplicáveis ao caso, e instruída com as provas que considera necessárias. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR Fl. 450DF CARF MF 12 A participação nos lucros ou resultados só não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias quando paga pela empresa em conformidade com a lei específica que disciplina a matéria. Atualmente, a matéria é disciplinada pela Lei 10.101/2000, a qual não prevê a possibilidade do pagamento da PLR para segurados contribuintes individuais. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é devida por força de lei, aplicável com base no princípio da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e da vinculação do ato administrativo do lançamento. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A taxa SELIC se aplica aos débitos tributários, não existindo vício na sua incidência. Intimado da decisão em 21/11/2016, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, o sujeito passivo interpôs seu recurso voluntário em 15/12/2016, no qual basicamente afirmou que o recurso de ofício deveria ser desprovido e reiterou os argumentos de mérito, da impugnação, no tocante à não incidência de contribuições sobre a PLR paga a administradores e/ou diretores não empregados e no tocante à natureza de gratificação não habitual dos pagamentos, defendendo, por fim, a não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso de ofício não deve ser conhecido, porque a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário relativo a tributo e encargos de multa no valor total de R$ 1.302.447,27 (vide tabela abaixo colacionada, constante da conclusão do voto condutor do acórdão), montante este inferior ao limite de alçada de R$ 2.500.000,00, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63/2017. A citada Portaria estabeleceu um novo limite para a interposição de recurso pela DRJ, elevandoo para R$ 2.500.000,00, sendo sabido que, nos termos da Súmula CARF Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 8 13 103, o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância. Vejase o texto da Portaria e a redação do verbete sumular retro mencionado: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. ......................................................................................................... Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Já o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do fato jurídico controvertido O não conhecimento do recurso de ofício implica a não devolução para o colegiado da matéria relativa à não incidência de contribuições sobre a PLR paga aos diretores empregados. Por outro lado, o recurso voluntário não reiterou as teses de nulidade do lançamento, mas apenas reafirmou as razões de mérito já esboçadas na impugnação acerca da improcedência do lançamento e da impossibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. São estes os dois pontos controvertidos, portanto, a serem dirimidos em sede de recurso voluntário. 3 Da não incidência de contribuições sobre a PLR paga a diretos não empregados A fiscalização entendeu que os pagamentos de PLR efetuados aos diretores não empregados não estariam albergados pela proteção constitucional. Todavia, filiome à seguinte corrente interpretativa, do ilustre conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, constante do acórdão 2201003.370, julgado em 18 de janeiro de 2017, especificamente nestes pontos: Ora, ao instituir uma gama de direitos aos trabalhadores, a Constituição Federal assim determinou: “Art.7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” [...] Fl. 452DF CARF MF 14 Não quis, o Constituinte, diferenciar os trabalhadores. Podemos assim inferir, pois quando optou por identificar determinados trabalhadores, a Carta Fundamental assim o fez, como se pode observar no inciso XXXIV e parágrafo único, ambos do mesmo artigo 7º acima, que se referem especificamente ao trabalhador avulso, que teve seus direitos equiparados; e ao doméstico, que na redação original da Carta, os teve diminuídos. Idêntica redação tem a Lei 10.101, de 2000, que em seu artigo 1º, explicita: “Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.” [...] Para alguns, por mencionar a categoria dos empregados, nos caputs dos artigos 2º e 3º, dispositivos que explicitam os requisitos para a validade da PLR, a Lei nº 10.101 restringiria a estes trabalhadores o direito à participação nos lucros e resultados. Uma análise mais detida e isenta não corrobora tal entendimento. Vejamos. Tanto em um, como em outro artigo, o uso do vocábulo empregado se constituiu um pressuposto lógico, pois o dispositivo constante do artigo 2º trata da participação do sindicato na elaboração do plano, e o do artigo 3º versa sobre a integração da verba paga a título de PLR na remuneração e nos reflexos trabalhistas que só existem para o empregado. A uma não haveria outro modo de redigir a norma, pois ao desejar que os trabalhadores estivessem representados na mesa de negociação com os empregadores por alguém que lhe defendessem os interesses, esse alguém só poderia ser o sindicato, entidade típica dos empregados, que já tem – por expressa previsão constitucional – esse mister. A outra, porque reflexos trabalhistas sobre verbas pagas pelo trabalho, também só surgem para os empregados. Mera busca na letra fria da lei só encontra mais uma remissão aos empregados, justamente no parágrafo 1º do artigo 3º, de onde se conclui que não há, nem do ponto de vista semântico, a intenção do legislador de restringir o benefício. Reiterese, que, ao tratar da questão da tributação da renda decorrente do recebimento da PLR, volta novamente o legislador a utilizarse da expressão “trabalhador”. Por fim, necessário recordar, numa interpretação teleológica, que o contribuinte individual, por exemplo, o diretor, contribui também com seu labor para o atingimento das metas e resultados da empresa. Subtrair tal benefício dessa categoria é discriminar alguém que, em regra, não sendo detentor do capital, só possui o trabalho para obter renda e sustentar sua família. [...] Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 9 15 Não obstante o todo o exposto, outro ponto, ao meu ver irrefutável, deve ser analisado. Disse, há pouco, que não quis o Constituinte distinguir os trabalhadores, ao reverso, fez questão de aproximálos pois, quando entendeu necessário, expressamente se referiu a um e a outro. Porém, outra consideração de cunho eminentemente jurídico deve ser apresentada. Ao recordarmos que a Lei nº 10.101/00 trata sobre o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física incidente sobre os valores percebidos pelo trabalhador a título de Participação nos Lucros e Resultados e mais, o faz de forma favorecida, se torna patente que a interpretação que discrimina o diretor estatutário, vedando seu direito ao recebimento da Participação, ofende de morte a Constituição Federal posto que colide frontalmente com a regra (carater descritivo da conduta nos dizeres de Humberto Ávila), constante do inciso II do artigo 150 transcrito. Por óbvio que tal interpretação não pode ser aceita uma vez que contraria direito do contribuinte constitucionalmente esculpido, tratado pela Carta como vedação ao poder de tributar. Ao afastarmos o direito a percepção da PLR nos termos da Lei nº 10.101/00, o contribuinte individual estaria submetido a tributação sobre o valor recebido com base na tabela vigente para a remuneração decorrente do trabalho. Já, para a mesma verba, recebida pelo diretor empregado ou seja, trabalhador na mesma ocupação profissional ou função este teria direito a uma menor tributação para a mesma renda obtida, vez que decorrente de PLR. Leandro Paulsen (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da jurisprudência e da doutrina, 15ª ed. Livraria do Advogado Ed., 2013, pg. 185), é enfático em afirmar: " O art. 150, II, da CF é expresso em proibir qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos" Como nos recorda JJ Canotilho, a interpretação deve ser realizada evitandose antinomias constitucionais e mais, ampliandose o gozo de direitos constitucionalmente esculpidos Não há tal vício de inconstitucionalidade na Lei nº 10.101/00. Não será o interprete que irá criálo. Logo, o recurso deve ser provido, para que seja cancelada a autuação. Como o recurso foi provido no mérito, em questão prejudicial à tese sucessiva de não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, este conselheiro deixará de pronunciarse a seu respeito. Na dicção do art. 939 do CPC, o julgador somente estará obrigado a pronunciarse sobre as demais matérias quando for vencido na preliminar, mas não quanto à discussão de matéria principal. Vejase: Fl. 454DF CARF MF 16 Art. 939. Se a preliminar for rejeitada ou se a apreciação do mérito for com ela compatível, seguirseão a discussão e o julgamento da matéria principal, sobre a qual deverão se pronunciar os juízes vencidos na preliminar. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido não conhecer do recurso de ofício e de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado. A divergência, neste julgamento, diz respeito ao recurso voluntário, em especial quanto a tese adotada pelo I. Relator no tocante à possibilidade de se pagar PLR a administradores não empregados (contribuintes individuais), na forma da Lei 10.101/2001. Referida tese tem alicerce na sustentação de que a constituição, ao prever o pagamento da PLR a trabalhadores e não apenas a empregados, o fez de forma a contemplar todas as espécies de trabalhadores, aí incluídos, por óbvio, os administradores não empregados. Ouso discordar. O tema não é novo neste Colegiado, que na Sessão de 03.04.2018, analisou a matéria e, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Naquela oportunidade, segui a divergência por entender, e mantido o entendimento, que os pagamentos de PLR efetuados aos administradores não empregados da empresa não se amoldam àqueles preconizados na Lei 10.101/2000. Trago à colação, trecho daquele voto vencedor com o qual me alinho e dele me sirvo como fundamentação. Confirase: "O inciso XI do art. 7º da Constituição Federal (CF) preconiza que dentre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, temse a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Essa norma está inserta no Capítulo II da Carta Maior, denominado "Dos Direitos Sociais", e visa à proteção não de qualquer trabalhador, mas sim daquele que apresenta vínculo de subordinação, como ressaltam Canotilho e Vital Moreira1: (...) a individualização de uma categoria de direitos e garantias dos trabalhadores, ao lado dos de caráter pessoas e político, reveste um particular significado 1 CANOTILHO, J.J. Gomes, MOREIRA, Vital. Constituição dirigente e vinculação do legislador. Coimbra: Coimbra Editora, 1994, p. 285. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 10 17 constitucional, do ponto em que ela traduz o abandono de uma concepção tradicional dos direitos, liberdades e garantias como direitos do homem ou do cidadão genéricos e abstractos, fazendo intervir também o trabalhador (exactamete: o trabalhador subordinado) como titular de direitos de igual dignidade. Com efeito, os direitos dos trabalhadores explicitados nos incisos do art. 7º da CF não contemplam sem restrições, todos os trabalhadores, mas sim os trabalhadores subordinados, conforme destaca também Uadi Lammêgo Bulos em seu "Curso de Direito Constitucional" (11ª edição, 2018, Ed. Saraiva, p. 825). Reiterese então que esses direitos, tais como o décimo terceiro salário e a licençapaternidade, são voltados aos trabalhadores com vínculo de subordinação2, sem que seja sequer cogitada 'discriminação' pelos não alcançados pelas normas ali contidas, tais como os profissionais liberais, para citarse apenas um dentre os vários exemplos possíveis. Também o § 4º do art. 218 da CF reforça a compreensão de que a participação nos lucros e resultados é dirigida ao trabalhador subordinado. Esse parágrafo veicula previsão de participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade, regrando que a lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado e não ao trabalhador não subordinado desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Diante desse quadro, descortinase, como decorrência de caráter constitucional, que diretores não empregados não estão sob o alcance do instituto regrado pelo inciso XI do art. 7º, norma de eficácia limitada que passou a adquirir seus contornos mais definitivos com o advento da MP nº 794/94. Por sua vez, o art. 2º da Lei nº 10.101/00, que a partir de sua edição passou a regrar a participação nos lucros e resultados constitucionalmente prevista, restringe claramente, em consonância com o acima explicado, esse benefício apenas aos empregados. Atentese que a lei não faculta, como parecem entender alguns, a negociação entre empresa e seus empregados, mas determina "será' que ela seja realizada para que se possa falar em acordo sobre lucros ou resultados. Ou seja, o legislador previu, como não poderia deixar de ser, como pressuposto lógico, que existam partes a princípio contrapostas, mas que procuram negociar e por meio de tal negociação atinjam um patamar de colaboração e integração, com a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa. Não existe negociação consigo mesmo, salvo, talvez, na esfera íntima do indivíduo. 2 Cabendo registrar que o § 3º do art. 39 da CF estende alguns desses diretios aos servidores públicos. Fl. 456DF CARF MF 18 A redação desse artigo, aliás, evidencia muito claramente ser o empregado o destinatário da norma, pois como defender que o diretor estatutário, representante do poder de a empresa que subordina, poderia participar de negociação sob as vestes simultâneas de empregador/empregado (trabalhador ou empregado em sentido amplo, caso assim se admita)? Curioso seria imaginar, por exemplo, uma comissão paritária formada por representantes dos diretores estatutários/trabalhadores diretores também, por suposto que fossem negociar PLR com os outros diretores estatutários, ou ainda, com eles mesmos, só que aí assumindo os papéis de representantes dos empregadores. Tudo isso, sob as vistas de um representante indicado pelo sindicato, algo despiciendo na insólita situação criada. A prosperar tal tese, o comando da empresa, composto por diretores nessa condição alçados pelo estatuto, poderia, a seu talante, concederse aumentos indiscriminados a título de premiação, e, alegando "autonegociação", a propósito, buscar granjear as benesses tributárias correspondentes, em prejuízo da seguridade social. Com a devida vênia, carece de razoabilidade tal exegese. Não se vislumbra, no mais, tratamento diferenciado ou mesmo inconstitucional com relação ao diretor empregado, pois este se despe dessa condição na medida em que assume cargo com poder de mando na empresa, como já reconhecido em enunciado sumular pelo Tribunal Superior do Trabalho: Súmula TST nº 269: O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. Isso porque, uma vez eleito para o cargo de diretoria, o empregado que passa a ser diretor estatutário não pode assumir o papel de emprego e empregador de si próprio. Não há, assim, qualquer inconstitucionalidade a distinguir trabalhadores em razão de sua ocupação ou função, mas sim de aplicação plena do princípio da legalidade, diferenciando os desiguais na medida da desigualdade, em observância ao primado dos direitos sociais tal como insculpidos em sede constitucional. À luz dessas constatações, e a par delas, deve ser lembrado que diretores não empregados são segurados obrigatórios da previdência social, na categoria de contribuintes individuais, a teor da alínea "a" do inciso I do art. 195 da CF, c/c a alínea "f" do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Nessa qualidade, o correspondente saláriodecontribuição é a remuneração auferida durante o mês, sendo a contribuição a cargo da empresa calculada com base no total das remunerações pagas ou creditadas Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 11 19 a qualquer título, forte nos incisos III dos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, não lhes sendo aplicável o benefício previsto na alínea "j" do § 9º do art. 28 desse diploma, tendo em vista ser a lei específica requerida nesse dispositivo a Lei nº 10.101/00, a qual, conforme explanado, não contempla trabalhadores não empregados. Como fecho desse tópico, registro que a Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações, em nenhuma parte de seu texto tratou da tributação das contribuições previdenciárias em relação a remuneração dos segurados contribuintes individuais por parte das empresas, e nem o poderia fazer, pois a instituição e o regramento de contribuições para a seguridade social requer lei ordinária específica, competência essa exercida pela União com a edição da Lei nº 8.212/91. Essa lei, em seu artigo 152 e parágrafos, estabeleceu somente normas sobre a forma de remuneração dos administradores das Sociedades por Ações, não versando, assim, sobre a incidência das contribuições em comento. Cumpre lembrar, aliás, que o RE nº 569.441/RS, j. 30/10/2014, firmou a Tese de Repercussão Geral nº 344 (de observância obrigatória para este Colegiado por força do art. 62 do RICARF): Incide contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7º, XI, da Constituição Federal de 1988." Temse, então, que a lei regulamentadora da participação nos lucros ou resultados prevista constitucionalmente é a Lei nº 10.101/00 (conversão da MP nº 794/94), conforme já assentado pelo STF, em compreensão partilhada também pelo STJ no AgRg no AREsp nº 95.339/PA, j. 20/11/2012." Nessa mesma linha, trago à colação decisão da CSRF a seguir ementada: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a Fl. 458DF CARF MF 20 plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. Acórdão nº 9202 005.705, sessão de 29.08.2017. Prosseguindo, há de se registrar que os requisitos da habitualidade e não eventualidade não se mostram indispensáveis a caracterizar a incidência da contribuição no caso em tela, consoante se denota do artigo 22, III e 28, III da Lei 8.212/91. verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; Destarte, entendo não assistir razão ao recorrente neste ponto. No que toca ao juros sobre a multa, o assunto já foi apreciado pela CSRF inúmeras vezes. Destaco o acórdão 920201806, de 24.10.2011, a seguir ementado: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 16327.720260/201628 Acórdão n.º 2402006.526 S2C4T2 Fl. 12 21 Em resumo, os juros de mora sobre a multa são devidos, na medida em que o § 3º do artigo 113 do CTN considera ambos, tributo e multa, como integrantes do conceito de crédito tributário. E mais, o STJ reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de ofício (AgRg no REsp 1.335.688/PR, REsp 1.129.990/PR e REsp 834.681/MG) Ante o exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901532/2013-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO
Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório.
Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1302-002.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é autora no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma petição inicial, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 15 32 /2 01 3- 53 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10875.901532/201353 Acórdão n.º 1302002.955 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: “O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação [...], na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (cód. receita 2362 IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/05/2011. O contribuinte foi cientificado, [...]do Despacho Decisório [...]: [...] Irresignado, o contribuinte apresentou [...] a Manifestação de Inconformidade [...], em que fez os seguintes esclarecimentos: 1 PER/dcomp 06100.07716.291211.1.3.040723 Período de Apuração Maio/2011: Estimativa mês: R$ 471.498,91 Pagamentos relacionados: R$ 485.590,38 Pagamento a maior: R$ 14.091,47 Em relação ao período de maio, não há necessidade de Percomp, visto o pagamento via Darf, ser suficiente para o débito do mês. A Perdcomp 06100.07716.291211.1.3.04.0723 é indevida e desta forma, estara sendo cancelada. Em relação ao saldo a maior de maio, foi compensado no Período de apuração Junho/2011: Estimativa mês: R$ 309.897,66 Pagamentos relacionados: R$ 256.710,57 Perdcomp: 15756.05081.280711.1.3.040187 R$ 14.226,75 Perdcomp: 40.976.48976.280711.1.3.046075 R$ 38.960,34” Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10875.901532/201353 Acórdão n.º 1302002.955 S1C3T2 Fl. 4 3 Após analisada a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, a Turma Julgadora a quo julgoua improcedente, sob os seguintes argumentos: "Pelo teor da manifestação de inconformidade, relativamente à extinção do débito de maio/2011, resta confirmada a inexistência do direito creditório pleiteado no presente processo, haja vista que a parcela do Darf utilizada para pagar o débito seria, conforme informa o manifestante, de R$ 471.498,91, a corroborar o informação veiculada no Despacho Decisório em questão. Também fica confirmada, quase na sua totalidade, a parcela extinta por compensação com o PERDCOMP 15756.05081.280711.1.3.040187, restando uma diferença de R$ 5,57 que foi bloqueada para o presente PERDCOMP (fls. 103/110). Sendo assim, ficou demonstrado que, com exceção da parcela de R$ 5,57 já reconhecida, o restante do direito creditório de pagamento indevido ou a maior tratado no presente processo é inexistente. É de se observar que os valores dos débitos de maio e junho de 2011 citados na manifestação de inconformidade são condizentes com os valores declarados na DIPJ e DCTF do contribuinte (fls. 111/119). Por esse motivo, talvez, o interessado esteja informando que pretende cancelar o presente PERDCOMP. Contudo, há que se lembrar que o débito declarado no PERDCOMP corresponde a confissão de dívida, a teor do que prevê o § 6º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, não cabendo a esta autoridade julgadora cancelar ex officio a Dcomp, mormente porque o contribuinte não trouxe a devida comprovação de que o débito nela declarado é também inexistente." Abaixo, segue a transcrição do Acórdão n.º 1665.765 DRJ/SPO: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Ante a falta de comprovação da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não há de ser reconhecido o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho. Em sua peça, a recorrente traz documentos que reputa serem suficientes à comprovação de seu direito creditório, aduzindo para tanto, o que segue: Para o IRPJ estimativa de junho 2011, no valor de R$ 309.897,66 foi utilizado para pagamento: (i) DARF no valor de R$ 256.710,57, recolhido em 29.07.2011; (ii) Per/Dcomp n. 15756.05081.280711.1.3.040187 no valor de 14.226,75,transmitida em 28.07.2911; e (iii) Per/Dcomp n. 40.976.48976.280711.1.3.046075, no valor de R$ 38.960,34, transmitida em 28.07.2011. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10875.901532/201353 Acórdão n.º 1302002.955 S1C3T2 Fl. 5 4 Em decorrência de mero equívoco, a recorrente transmitiu em duplicidade e 5 meses depois, a Per/Dcomp nº 06100.07716.291211.1.3.04.0723, para a compensação de parte do débito de IRPJ do período do junho 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.946, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901528/2013 95, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de março 2009. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de maio 2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.946): "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso. Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão de Manifestação de Inconformidade que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Com relação ao direito creditório objeto deste processo, a Recorrente esclarece que efetuou o recolhimento de R$ 668.372,08 (cf. Comprovante de Arrecadação, Doc. 07 do recurso); porém, posteriormente, em decorrência de revisões internas, verificou que o valor devido a título de IRPJ por estimativa para o mês de março de 2009 era, na verdade, de R$ 472.200,79, tendo declarado este valor (e não aquele) na Ficha 11 da DIPJ 2010 (cf. Doc. 04 do recurso). Em razão disso, a contribuinte apresentou o PER/DCOMP 18535.63848.250211.1.3.048801 no valor de R$ 196.171,29 (cento e noventa e seis mil, cento e setenta e um reais e vinte e nove centavos) que corresponde à diferença entre os valores discriminados no parágrafo anterior; sendo esta a origem do direito creditório objeto deste processo. Pontua, inclusive, que a DCTF nº 17.66.37.5747 (Doc. 08), onde constava a declaração do débito de R$ 668.372,08, foi Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10875.901532/201353 Acórdão n.º 1302002.955 S1C3T2 Fl. 6 5 retificada pela DCTF nº 13.88.68.20.27 (Doc. 09) para consignar que a estimativa de IRPJ devida no mês de março de 2009 era, na verdade, R$ 472.200,79, uma vez que isto não havia sido procedido anteriormente. Pois bem. Cabe destacar a alegação da recorrente de que, apesar de ter declarado em DCTF o valor de R$ 668.372,08, declarou na DIPJ do exercício seguinte o valor de R$ 472.200,79 (cf. Doc. 04). No mesmo sentido, verificase que ainda que a retificação da DCTF tenha sido procedida após remetido o PER/DCOMP em tela, tal fato não pode ser entendido como prejudicial à análise de crédito do contribuinte. Ademais, de acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Vejamos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Contudo, no caso em tela, a recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, por intermédio de sua DCTFretificadora, cópia do documento de arrecadação federal e DIPJ. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10875.901532/201353 Acórdão n.º 1302002.955 S1C3T2 Fl. 7 6 entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte, em primeira análise, foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior, o qual , aparentemente, surgiu após a retificação de sua DCTF. Correta a decisão recorrida quanto a análise do caso. Vejamos passagem do decisium: Entretanto, o contribuinte não juntou aos autos nenhum elemento comprobatório ou indiciário do alegado erro e nem tampouco explica as circunstâncias e os motivos que o levaram a efetuar, segundo alega, o pagamento indevido ou a maior. (...) Sendo assim, cabe ao contribuinte comprovar a existência de seu direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. A manifestante é “autora” no presente processo, pois a declaração de compensação nada mais é do que uma “petição inicial”, ou seja, um pedido dirigido à autoridade administrativa que pode ou não ser deferido, após a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. No caso em tela, entendo que a simples alegação de erro na DCTF e sua retificação não faz prova do direito creditório pleiteado, mormente porque a retificação somente foi efetuada pelo interessado após a ciência do Despacho Decisório que não lhe reconheceu a existência do indébito tributário. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10875.901532/201353 Acórdão n.º 1302002.955 S1C3T2 Fl. 8 7 Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720019/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO DOS RESULTADOS.
Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, serão consolidados, no balanço da controlada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Inexiste previsão legal para a adição direta dos resultados da controlada indireta nos resultados da controladora indireta.
TRATADO INTERNACIONAL. BRASIL x DINAMARCA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. TRIBUTAÇÃO
Os Estados Contratantes (Brasil e Dinamarca) optaram por apenas tributar seu residente quando os lucros forem efetivamente distribuídos. É norma internacional que deve ser observada em detrimento à norma interna, em conformidade com o artigo 98 do CTN.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLADA EM PARAÍSO FISCAL.
O STF reconheceu, em controle difuso, a constitucionalidade do art. 74 da MP. 2.158/2001-35, quanto a tributação dos lucros das empresas controladas no exterior sediadas em "paraísos fiscais", proferida em caráter "erga omnes".
Numero da decisão: 1302-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a tributação dos lucros da controlada JBS Global AS (Dinamarca), prevalecendo o entendimento da maioria do colegiado de erro da autuação pela não consolidação dos resultados na controlada direta na Dinamarca e em face da aplicação do § 5 do art. 23 do TDT Brasil-Dinamarca; e, em negar provimento ao recurso quanto à tributação dos lucros da empresa Friboy Investment (Ilhas Virgens Britâncias), nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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CONSOLIDAÇÃO DOS RESULTADOS. Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, serão consolidados, no balanço da controlada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Inexiste previsão legal para a adição direta dos resultados da controlada indireta nos resultados da controladora indireta. TRATADO INTERNACIONAL. BRASIL x DINAMARCA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. TRIBUTAÇÃO Os Estados Contratantes (Brasil e Dinamarca) optaram por apenas tributar seu residente quando os lucros forem efetivamente distribuídos. É norma internacional que deve ser observada em detrimento à norma interna, em conformidade com o artigo 98 do CTN. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLADA EM PARAÍSO FISCAL. O STF reconheceu, em controle difuso, a constitucionalidade do art. 74 da MP. 2.158/200135, quanto a tributação dos lucros das empresas controladas no exterior sediadas em "paraísos fiscais", proferida em caráter "erga omnes". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a tributação dos lucros da controlada JBS Global AS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 19 /2 01 1- 10 Fl. 696DF CARF MF 2 (Dinamarca), prevalecendo o entendimento da maioria do colegiado de erro da autuação pela não consolidação dos resultados na controlada direta na Dinamarca e em face da aplicação do § 5 do art. 23 do TDT BrasilDinamarca; e, em negar provimento ao recurso quanto à tributação dos lucros da empresa Friboy Investment (Ilhas Virgens Britâncias), nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face ao Acórdão nº 1637.877, lavrado em sessão do dia 19 de abril de 2012, pela 4ª Turma da DRJ/SPOI, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada. Transcrevo o relatório da decisão combatida, por bem retratar os fatos que deram origem ao lançamento: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidades apuradas, foram lavrados 2 (dois) Autos de Infração, em 29/09/2011, com ciência dada em 30/09/2011. Os créditos tributários constituídos foram: IRPJ R$ 32.398.160,36 e CSLL R$ 11.663.711,97. 2. Totalizaram, portanto, tais lançamentos, a importância de R$44.061.872,33, aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 31/08/2011). Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. 3. Os autos foram lavrados em decorrência de irregularidades apuradas com respeito ao não oferecimento à tributação dos lucros apurados no exterior por controladas. 4. A fiscalização apresenta, por meio do “Termo de Verificação Fiscal” (TVF), resumidamente, o seguinte. 4.1. Faz um histórico desde da data da constituição da empresa em 1998, com suas alterações sociais, até 02/03/2006 quando a razão social passou a ser “JBS S.A.”. O ramo de atividade mercantil da sociedade, de acordo com a Ata de Reunião dos Sócios, datada de 02/03/2006, era, entre outros, os relacionados Fl. 697DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 697 3 a bovinos como: compra; venda; recria; abate; importação; exportação, etc. 4.2. Relaciona as controladas diretas e indiretas que a empresa possuía no exterior, em 2006: Diretas: JBS Global A/S (Dinamarca): 100% de participação; Friboi Investments (Ilhas Virgens Britânicas): 100% de participação; Indiretas: JBS Global Beef Company S/U LDA. (Ilha da Madeira): 100% de participação, através de sua controlada JBS Global A/S (Dinamarca); JBS Global (UK) Limited: Participação de 100%, através de sua controlada JBS Global Beef Company S/U LDA. (Ilha da Madeira); Arab Friboi e Friboi Egypt (Egito): Participação de 99%, através de sua controlada JBS Global Beef Company S/U LDA. (Ilha da Madeira); Friboi Egypt Company L.L.C (Egito): Participação de 99%, através de sua controlada Arab JBS Ltd. Arábia; 4.3. A fiscalização informa que: Conforme documentos apresentados pela fiscalizada, os resultados obtidos pelas empresas em suas atividades operacionais, no anocalendário de 2006, proporcionalmente a sua participação, foram: JBS Global A/S (Dinamarca): (49.271,29€) prejuízo; Friboi Investments (Ilhas Virgens Britânicas): US$ 3.491.906,12, sendo, um lucro de US$ 5.572.855,17 em 2006 e um prejuízo de US$ 2.080.949,05 em 2005. Em 2004, ano de sua constituição, a empresa auferiu um lucro de US$ 444.846,67; JBS Global Beef Company S/U LDA. (Ilha da Madeira): 15.734.721,47€; JBS Global (UK) Limited: 128.335,42€; Arab/Friboi/Egypt L.L.C.: 2.067.610,66€, sendo o valor composto por um resultado do exercício de 2.413.038,82€ e um prejuízo acumulado de 345.428,16€. Portanto o resultado a ser adicionado ao Lucro Líquido da JBS S.A. é de: 17.930.667,55€ que, ao câmbio de 29/12/2006, de 2,82024, perfaz um montante autuável de R$ 50.568.785,85; Fl. 698DF CARF MF 4 US$ 3.491.906,12 que, ao câmbio de 29/12/2006, de 2,13800, perfaz um montante autuável de R$ 7.465.695,28; Portanto, a base de cálculo do presente Auto de Infração é de R$ 58.034.481,13. 4.4. A fiscalização destaca que: “A JBS Global A/S (Dinamarca) é uma holding, conforme se verifica em seus demonstrativos de resultados onde fica claro que a empresa não tem receitas a não ser aquelas advindas do reflexo do resultado de suas controladas. Tal assertiva é corroborada por um prejuízo de 49.271,29€ apresentado pela empresa em 2006”. 4.5. Os enquadramentos legais aplicáveis pela fiscalização, como já mencionado se encontram nos autos de infração, destacando entre outros os seguintes: artigo 25, da Lei nº 9.249/95; artigo 74, da Medida Provisória nº 2.15835/2001; Instrução Normativa SRF nº 213/2002 e § 6º, do artigo 395, do RIR/99. (...) 4.6. A fiscalização declara que: A legislação brasileira não restringe a tributação universal aos lucros auferidos via controladas diretas, mas alcança também os resultados apurados pelas controladas indiretas, conforme exposto abaixo. Os lucros conduzidos por intermédio da Global A/S Dinamarca não foram tributados pela JBS, sob o argumento de que estariam resguardados pelo Tratado BrasilDinamarca. O acordo internacional, todavia, não alcança os lucros gerados por pessoa jurídica que não reside em qualquer dos EstadosContratantes, ou seja, gerados pela JBS Global Beef Company S/U LDA. (Ilha da Madeira), JBS Global (UK) Limited, Arab/Friboi e Friboi/Egy. A ligação societária indireta entre a JBS S.A (Brasil) e a JBS Global Beef Company S/U LDA. (Ilha da Madeira), a JBS Global (UK) Limited, a Arab/Friboi e a Friboi/Egypt, mediante sociedade meramente condutora constituída na Dinamarca, a JBS Global A/S, é interposição de sociedade por razões exclusivamente elisivas. Aliás, a Dinamarca não possui restrições legais ao recebimento de rendimentos de empresas sediadas em outros países por suas holdings e os dividendos pagos a residente no Brasil por residente na Dinamarca estão isentos de tributação também no Brasil por força do TDT. Diante do que foi explicado, fica claro que a criação da JBS Global A/S Dinamarca foi, sem dúvida nenhuma, a busca de uma elisão tributária abusiva destinada a subtrair os rendimentos da a JBS Global Beef Company S/U LDA. (Ilha da Madeira), a JBS Global (UK) Limited, a Arab/Friboi e a Friboi/Egypt, da base tributária do imposto de renda e da contribuição social dos seus reais beneficiários no Brasil. Não podemos nos esquecer que nos demonstrativos da JBS Global A/S Dinamarca, está bem claro que seu resultado é Fl. 699DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 698 5 apenas um prejuízo de menos de 50.000C, sendo a parte positiva oriunda dos resultados de suas controladas. A decisão de primeira instância considerou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Somente serão considerados nulos os atos em que presentes quaisquer das circunstâncias estabelecidas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Incomprovada a presença, não há que se falar em nulidade. De ser rejeitada a preliminar. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. O imposto recolhido no exterior somente será compensado com o imposto de renda devido no Brasil se os lucros auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente àquele em que apurados. TRATADO INTERNACIONAL. DINAMARCA. O tratado internacional para evitar a dupla tributação tem como um dos pressupostos para sua aplicação que a operação da empresa constituída na Dinamarca seja desenvolvida localmente e não em um terceiro país, como no presente caso. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no mérito do IRPJ repercute na tributação reflexa. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 21/08/2012, conforme Termo de Ciência por decurso de prazo de fls. 428. Em 11/09/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário, às fls. 429/461, com as seguintes alegações: Fl. 700DF CARF MF 6 o recurso voluntário é tempestivo. é necessário sobrestar o processo até decisão pelo STF da ADI nº 2.588 e RE 611.586, que tratam da constitucionalidade do artigo 74 e § único da MP nº 2.158/2001, fundamento legal para esta autuação. em preliminar, que o auto de infração é nulo em razão de irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal, pois não há notícias nos autos de sua prorrogação, desrespeitando a norma procedimental do artigo 9º da Portaria RFB nº 11.371/2007. o auto de infração também é nulo por ser inadequado, já que os lucros das controladas estavam declarados na DIPJ/2007, instrumento de confissão de dívida, cabendo ao fisco homologar ou não. também é nulo porque ilíquido, em função da negativa ilegal e injustificada da autoridade fiscal em reconhecer os créditos do imposto de renda pago no exterior pela recorrente à luz do artigo 14 da IN/SRF nº 213/2002, com supedâneo no artigo 26 da Lei nº 9.249/95 e no artigo 1º da Lei nº 9.532/97, sem a limitação temporal de que trata seu § 4º. os pagamentos trazidos demonstram os pagamentos realizados pelas empresas JBS Global Beef Company S/U LDA (Ilha da Madeira), JBS Global (UK) Limited e Friboi Egypt LTD. a comprovação de um único pagamento é suficiente para infirmar a autuação, pois afasta a presunção de legitimidade e demonstra sua iliquidez. quanto ao mérito, afirma que as alegações da autoridade fiscal que fundamentaram o lançamento não encontram respaldo legal, além de configurar interpretação errada dos institutos e preceitos que guarnecem a estrutura da JBS Global A/S, o que levou à conclusão equivocada quanto aos propósitos da recorrente em utilizar uma sociedade de participação sediada na Dinamarca. esclarece qual a estrutura do grupo e suas controladas, e afirma que não procede a alegação da autoridade fiscal de que não adicionou, para fins de IRPJ/CSLL, os resultados/lucros das empresas controladas indiretas. a recorrente procedeu nos termos do artigo 1º,§ 6º da IN SRF nº 213/2002, que dispõe que os resultados das controladas indiretas serão consolidados na controlada direta, para efeito de determinação de lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. a autoridade fiscal pretende desconsiderar o previsto na citada legislação e exige que os resultados/lucros das sociedades de titularidade da JBS Global A/S sejam adicionados diretamente à base tributável da recorrente, como se não existisse a consolidação dos mesmos na controlada direta. a recorrente informou na DIPJ/2007, na Linha 13 da Ficha 35, o resultado da JBS Global A/S, de R$ 51.412.608,43, era composto da consolidação dos resultados/lucros da JBS Global Beef Company Ltd. SU (Ilha da Madeira), da Friboi UK Limited, da Arab Friboi e Friboi Egypt. não procede a alegação da autoridade fiscal que a estrutura implementada não teria propósito negocial ou comercial, com intuito de, abusivamente, se beneficiar do tratamento fiscal previsto no Tratado BrasilDinamarca. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 699 7 a autoridade fiscal qualifica a existência da JBS Global A/s como abusiva e sem propósito negocial, conduzindo à desqualificação dos efeitos do Tratado BrasilDinamarca para tributar os lucros auferidos no exterior pelas controladas indiretas. está errada a decisão recorrida quando afirma, em seu item 23, que "a fiscalização na verdade não está qualificando o propósito negocial ou comercial da controlada na Dinamarca, mas constatando um fato, ou seja, atividades realizadas em terceiros países". a autoridade fiscal e a decisão recorrida desconsideram os atos jurídicos praticados pela recorrente sob o argumento de abuso e de falta de propósito negocial. escolheu a Dinamarca para concentrar parte dos investimentos por conta da segurança e facilidade de operar e transacionar em determinado ambiente jurídico e comercial, sustentando ainda o título de "melhor país para os negócios" segundo a revista "Forbes", além de se encontrar na lista das melhores economias em facilidade para fazer negócios, segundo o Banco Mundial. a controlada é uma holding, tendo como atividade precípua a participação em outras empresas, afirmando que seria praticamente impossível para a recorrente administrar suas operações e negócios mantendo participação direta em sociedades sediadas na Ilha da Madeira, no Reino Unido e no Egito; concentrar todas as decisões em um órgão deliberativo somente, no caso, da JBS Global A/S, permite uma administração mais eficiente dos negócios, ressaltando que a recorrente atua fortemente no mercado externo, precisando manter uma estrutura ágil. se houvesse realmente um interesse em obter alguma vantagem na linha do "treaty shopping", todas as participações societárias da recorrente no exterior ficariam concentradas na JBS Global A/S, mas fato que não ocorre pois em 2006 era titular de participação societária direta da Friboi Investments (sediada nas Ilhas Virgens Britânicas). não pode a autoridade fiscal afastar a aplicação do Tratado Brasil Dinamarca alegando que estaria caracterizado um "treaty shopping", pois este conceito deve estar previsto no próprio Tratado. não estando previste este "teste" sobre o propósito negocial ou comercial da transação, prevalece a norma do Tratado sobre a legislação ordinária brasileira. no Tratado BrasilDinamarca não há norma que trate de medidas antiabuso ou qualquer limitação qualitativa para que as empresas sediadas nas jurisdições envolvidas possam se beneficiar desse tratado, o que impede de a autoridade desqualificar a aplicação do Tratado sem qualquer sustentação legal. por força do artigo 98 do CTN, na falta de uma norma antiabuso no Tratado BrasilDinamarca não pode a autoridade fiscal aplicar esse teste a situações envolvendo residentes nessas jurisdições. afirma a autoridade que a direção efetiva da JBS Global A/S está no Brasil, o que seria mais um indício de que a JBS Global A/S seria uma empresa sem propósito negocial ou comercial. Fl. 702DF CARF MF 8 esse argumento implica reconhecer que a direção efetiva das sociedades em que a JBS Global A/S era titular de participação também está localizada no Brasil, o que afasta a legislação aplicada em lucros auferidos no exterior, levando à improcedência do lançamento por erro de qualificação jurídica. não cabe à autoridade fiscal afastar a aplicação do Tratado Brasil Dinamarca, seja porque nesse tratado não há cláusula antiabuso (aplicando o artigo 98 do CTN), seja porque efetivamente não houve prova ou indício de evidência de abuso ou de falta de propósito negocial, apenas a alegação vazia e vaga da autoridade fiscal. não se trata de aplicação do artigo 7º do Tratado como erradamente aduzido na decisão recorrida, mas sim a aplicação do artigo 23, item 5, do qual se conclui que os lucros não distribuídos pela JBS Global A/S (sede Dinamarca) não são tributáveis no Brasil, sede da recorrente, controladora da JBS Global A/S. por esse motivo também é nulo o auto de infração e equivocada a decisão recorrida, uma vez que os lucros distribuídos efetivamente pela JBS Global A/S poderiam ser adicionados ao lucro real e na base de cálculo da CSLL. ainda no mérito, com relação à disponibilidade econômica dos lucros auferidos por empresa controlada no exterior, inicia a defesa traçando um histórico da legislação. esclarece que o encerramento do período aponta a existência de lucro, mas não acarreta a imediata possibilidade, para a empresa controladora situada no Brasil, de dispor da renda, de forma efetiva e atual. tramita no STF ADI nº 2.588 que visa declarar a inconstitucionalidade do artigo 74 da MP nº 2.15835/01, pendente de julgamento pela corte. a recorrente não pode considerar os lucros retidos nas controladas como integrantes de seu patrimônio, pois estas empresas são soberanas para decidir sobre a destinação do lucro, e sequer é título hábil à percepção do rendimento configurar a disponibilidade jurídica. carece de respaldo eventual argumento de que o resultado positivo implicou acréscimo patrimonial à pessoa jurídica controladora, em decorrência do aumento real de suas ações ou do aumento nominal de ações representativas do capital, resultante de sua não distribuição. o artigo 74 da MP nº 2.15835/01, ao considerar a mera apuração do lucro líquido pela empresa coligada ou controlada no exterior como símbolo de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, está divorciado da regra matriz da hipótese de incidência do tributo, contida no artigo 43 do CTN. a efetiva ocorrência da situação de fato ou de direito prevista em lei, como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador, é imprescindível para o surgimento da obrigação tributária, conforme artigo 114 do CTN. até a presente data o lucro em questão não foi efetivamente disponibilizado à recorrente, o que reforça o fato de que não houve acréscimo patrimonial. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 466/490, com as seguintes alegações: Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 700 9 a constitucionalidade do artigo 74 da MP nº 2.15835/01 é matéria de discussão na ADI nº 2.588 pelo STF, motivo pelo qual recomenda o sobrestamento do julgamento. afirma que, conforme jurisprudência do CARF, irregularidades no MPF não tem o condão de causar a nulidade no procedimento fiscal. esclarece que DCTF é instrumento de confissão de dívida, nos termos da IN SRF n° 129, de 19 de novembro de 1986, mantendo se assim até os dias atuais, ex vi do art. 8°, § 1°, da IN RFB n° 1.110, de 24 de dezembro de 2010. não existe previsão legal para que a DIPJ tenha o condão de constituir o crédito tributário, trazendo informações de natureza contábil, informações societárias e informações de natureza fiscal. logo, é devido o lançamento dos tributos referentes aos fatos geradores do anocalendário de 2006, ainda que estejam mencionados na DIPJ. não tem cabimento arguir a nulidade em razão de suposta iliquidez do lançamento pela não compensação com os tributos pagos pelas controladas indiretas, matéria que remete ao mérito. de acordo com o artigo 26 §2º da Lei nº 9.249/95, artigo 16, §2º, inciso II da Lei nº9.430/96 e artigo 1º, § 4º da Lei nº 9.532/97, a compensação com o imposto pago no exterior depende de requisitos de ordem material e de ordem temporal, que não foram cumpridos. quanto ao aspecto da ordem material, os documentos apresentados no Anexo 04 não foram reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador nem tampouco pelo Consulado da Embaixada Brasileira nos países; tampouco se fez prova de que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda pago. com relação à ordem temporal, a recorrente se defende alegando que, conforme interpretação do artigo 14, §6º da IN SRF nº 213/96, consolidou os lucros de toda as controladas indiretas na controlada direta JBS Global A/S sediada na Dinamarca, onde não pagou imposto algum, não havendo sentido pleitear no Brasil aqueles créditos do imposto de renda incidente no exterior de controladas indiretas. ocorre que a interpretação da recorrente está equivocada, como se verá a seguir, fato que não afasta o prazo peremptório previsto na lei para o exercício do direito. com relação às controladas indiretas, a recorrente postula pela aplicação do Tratado para evitar a dupla tributação existente entre o Brasil e a Dinamarca, nos termos do artigo 23, item 5, entendendo ser correto o procedimento de consolidar na JBS Global A/S os resultados auferidos pelas controladas dessa última. a decisão recorrida, por sua vez, pontuou que o tratado tem aplicação quando a operação da empresa constituída na Dinamarca seja desenvolvida localmente e não em um terceiro país, como no presente caso. Fl. 704DF CARF MF 10 para assegurar a compreensão correta do alcance do artigo 74 da MP nº 2.15835/01, devemos estabelecer o conceito de entidade controlada ou coligada, conforme definido no artigo 243, §2º da Lei nº 6.404/76 Lei das Sociedades Anônimas, o qual não faz distinção entre controle direto ou indireto. da mesma forma, se o disposto no artigo 74 da MP n° 2.15835/01, não alcançasse também as controladas indiretas, o objetivo do legislador não seria atingido, uma vez que bastaria aos contribuintes por ela visados estender a cadeia de participações societárias, constituindo pessoas jurídicas intermediárias controladas diretas entre a controladora brasileira e a subsidiária que concentra a produção de riqueza. o propósito dessa norma CFC, ao contrário do que entende a recorrente, não é desconsiderar a personalidade jurídica da controlada ou coligada situada no exterior, mas apenas incluir na apuração do tributo devido pela empresa residente no Brasil os resultados obtidos por intermédio da subsidiária estrangeira. a recorrente insiste que deve ser aplicado o Tratado BrasilDinamarca em relação aos lucros das subsidiárias da JBS Global A/S Dinamarca em outros países, porque nela foi feita a consolidação dos resultados daquelas, conforme interpretação equivocada do artigo 1º § 6º da IN SRF nº 213, de 2002. ocorre que o artigo 16, inciso I da Lei nº 9.430/96, c/c com artigo 25, §2º, incisos I e II da Lei nº 9.249/95, determina que os resultados das filiais, sucursais, controladas e coligadas situadas no exterior sejam considerados de forma individualizada. tais dispositivos, conjugados com o disposto do artigo 74 da MP nº 2.158 35/01, fazem com que, uma vez apurados os resultados das filiais, controladas ou coligadas no exterior, seja irrelevante qualquer consideração a respeito da qualidade das pessoas interpostas entre estas e o controlador brasileiro. a interpretação equivocada da recorrente faria com artigo 1º § 6º da IN SRF nº 213/2002 entrasse em conflito com a Lei nº 9.430/96, e com o próprio artigo 1º § 5º da citada instrução normativa. termo “consolidação” presente no § 6º significa demonstrar no balanço os resultados auferidos por outras sociedades ou entidades de que participa a pessoa jurídica controlada, ainda que essa participação seja indireta, não implicando nenhuma regra a respeito do tratamento tributário que se deve dar a esses lucros, pois esse aspecto já se acha determinado no artigo 16 da Lei n° 9.430, de 1996, e no próprio § 5º do artigo 1º da Instrução Normativa n° 213, de 2002. há que se considerar que os tratados para evitar bitributação são pactuados entre dois países, visando sempre as operações realizadas pelas empresas domiciliadas nos mesmos, e não em terceiros países. a Dinamarca tributa apenas os resultados positivos dentro do seu território (TVF fls. 23), e sua aplicação para os lucros advindos de fora desse país não faz sentido. cita Acórdão nº 10197.070 do antigo Conselho de Contribuintes que decidiu que, para fins de aplicação do artigo 74 da MP nº 2.158/01, o Tratado entre Brasil e o país sede da controlada direta não se aplica aos lucros das controladas indiretas. finaliza requerendo o não provimento ao recurso voluntário e manutenção do acórdão recorrido. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 701 11 Na sessão de 25 de janeiro de 2017, a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1302000.457, fls. 512/548, da lavra do i. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, redator designado do voto vencedor. Abaixo, transcrevo parte do voto condutor que justifica a necessidade de diligência: Por último, foi incluída também, nas bases tributáveis do lançamento em tela, os lucros da Friboi Investments (Ilhas Virgens Britânicas), o qual teria sido, em 2006, no montante de US$ 5.572.855,17, matéria que não se confunde com a anteriormente tratada, se não vejamos o que se segue. Primeiramente, a Friboi Investment é um controlada direta situada em paraíso fiscal, razão pela qual não há dúvida da aplicação do art. 74 da MP 2.15835, de 2001, aos lucros por ela apurados. Segundo, ocorre que o autuante não discorre sobre a situação fática específica da Friboi Investment, especialmente pelo fato de que, na DIPJ a fls. 348, a recorrente declarou os lucros da Friboi Investments (BVI) no valor de R$ 11.914.764,36, valor esse que convertido em reais pela taxa de câmbio utilizada pelo autuante (2,138), monta justamente US$ 5.572.855,14, lucro apurado em 2006 pela Friboi Investments. Vale salientar que o Autuante adicionou às bases tributáveis apenas R$ 7.465.695,28, ou seja, US$ 3.491.906,12, pois abateu do resultado de 2006 da Friboi Investments (US$ 5.572.855,14) o prejuízo apurado em 2005, no montante de US$ 2.080.949,05, conforme exposto nos items 10 e 11 do TVF (a fls. 84/85). Não obstante as folhas da DIPJ/AC 2006, juntada aos autos, revelem que a recorrente declarou os lucros da Friboi Investments (BVI) no valor de R$ 11.914.764,36. Todavia, a DIPJ incompleta e os demais documentos dos autos não permitem saber qual o IRPJ apurado e, além disso, não consta dos autos a DCTF do período nem qualquer informação sobre pagamentos feitos pela recorrente a título de IRPJ e CSLL referente ao lucro real e a base ajustada de 2006, informações que se tornam fundamentais para a solução da lide. Em face do exposto, proponho a conversão do processo em diligência, para que a Unidade de Origem, realizando as diligências que se fizerem necessárias, adote as seguintes providências: a) informar qual os valores a título de IRPJ e de CSLL referente ao lucro real e base ajustada de 2006 declarados pela recorrente, fazendo juntar a respectiva DCTF e cópia completa da DIPJ do referido ano calendário; b) informar se, nas bases tributáveis do IRPJ e CSLL do AC 2006, foi incluído o valor de R$ 11.914.764,36, referente a receita de participação nos lucros da Friboi Investments (BVI); c)informar os pagamentos realizados pela recorrente a título de IRPJ e CSLL do AC 2006; Fl. 706DF CARF MF 12 d)dar ciência à recorrente do relatório de diligência, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos. A Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo DEMAC/SP, elaborou Relatório de Diligência de fls. 558/560, no qual restou consignado: a) Conforme DIPJ/2007, foi apurado IRPJ a pagar de R$ 17.391.894,91 e CSLL a pagar de R$ 6.261.802,49. As DCTF apresentadas não contemplam débitos cujo código seja pertinente ao IRPJ e CSLL. b) Conforme declarado na Ficha 34 Lucros Disponibilizados e na linha 12 da Ficha 35 da Friboi Investments, bem como linha 5 das Adições da Ficha 9A, constantes da DIPJ/2007, o valor de R$ 11.914.764,36, a título de receita de participação da controlada direta em referência, não foi incluído. c) Não foram encontrados pagamentos a título de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2006. A recorrente teve ciência do resultado da diligência em 28/11/2017, e apresentou manifestação de fls. 677/681 em 28/12/2017, com as seguintes alegações: em relação aos lucros auferidos no exterior por controladas indiretas, tratou da aplicação do Tratado BrasilDinamarca, o qual não prevê norma ou medida antiabuso, de modo que não cabe à autoridade fiscal aplicar esses conceitos ao caso em tela, sob o risco de violar o artigo 98 do CTN. este CARF, acatando os argumentos do recurso voluntário, afastou das bases tributáveis os lucros apurados pelas controladas indiretas, sob os seguintes fundamentos: => o Tratado BrasilDinamarca não contempla norma antiabuso; => o fiscal fala em treaty shopping, mas sequer aponta com clareza qual a norma ou normas do Tratado BrasilDinamarca que estava sendo usada de maneira abusiva; => falta nos autos elementos para se concluir com segurança que a JBS Global A/S existe unicamente “no papel”. Tanto é assim, que o Fiscal Autuante não enquadrou a situação fática como simulação e a d. Procuradoria da Fazenda Nacional não sustenta falta de substância econômica da JBS Global A/S. => nem o art. 116, parágrafo único, do CTN, nem o art. 187 do Código Civil constam do enquadramento legal da autuação. com relação aos lucros auferidos pela controlada direta, este CARF converteu o julgamento em diligência, do qual cumpre esclarecer que, apesar de não constar em DCTF, o valor apurado a título de CSLL, no montante de R$ 6.261.802,49, foi extinto por compensação. É o relatório. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 702 13 Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora Os requisitos de admissibilidade já foram analisados na sessão de 25 de janeiro de 2017, portanto já conhecido o recurso voluntário. Tratase de Auto de Infração pelo qual se exige IRPJ e CSLL, no ano calendário de 2006, em razão de adições não computadas na apuração do lucro líquido dos lucros auferidos no exterior por empresas controladas direta e indiretamente pela recorrente, tendo como fundamento legal o artigo 74 da MP nº 2.15835/2001. Resumidamente, as alegações de defesa são: 1) Sobrestamento para julgamento do ADI nº 2.588/2001 e RE nº 611.586 2) Nulidade por irregularidade do MPF. 3) Nulidade por inadequação do lançamento, pois os valores já estariam declarados na DIPJ/2007, devendo os créditos tributários serem enviados à cobrança imediata na Procuradoria da Fazenda Nacional. 4) Nulidade em razão da ausência de compensação do imposto pago no exterior, pois a comprovação de um único pagamento infirma a autuação, afetando a presunção de legitimidade e demonstrando sua iliquidez. 5) Para as controladas indiretas, deve ser aplicado o tratado firmado entre o Brasil e a Dinamarca. 6) Ausência de disponibilidade econômica dos lucros auferidos no exterior, alegando inconstitucionalidade do artigo 74 da MP nº 2.15835/2001. Na sessão de janeiro de 2017, a 2ª Turma Ordinária da 3º Câmara da 1ª Seção decidiu, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e sobrestamento do processo. Ao final, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência. Nestes termos, por força do artigo 63, §5º do RICARF, essas matérias, inclusive de mérito, terão que ser reapreciadas. A seguir, transcrevo o dispositivo: § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. De toda sorte, como já houve o julgamento da ADI nº 2.588/2001 e do RE nº 611.586, o pedido de sobrestamento deste processo perdeu o objeto. Quanto ao resultado dos citados julgados, e a repercussão no presente feito, serão matérias abordadas quando da análise do mérito. PRELIMINAR DE NULIDADE Fl. 708DF CARF MF 14 Quanto à preliminar de nulidade em razão de irregularidade do MPF e da inadequação do lançamento, adoto as razões do voto vencido, da lavra da i. Conselheira Talita Pimenta Felix, que por unanimidade foram acatados pela turma, no sentido de rejeitála: 1. PRELIMINARES 1.1 Da Nulidade Mandado de Procedimento Fiscal Elenca, o sujeito passivo, a existência de nulidade no Mandado de Procedimento Fiscal, haja vista a existência de reiteradas prorrogações, sem a devida comunicação ao fiscalizado. Para tanto, suporta tais alegações nos princípios da legalidade estrita e da atuação vinculada, os quais são de observância obrigatória da Administração Pública. Pois bem. Sabese que o MPF surgiu com o intuito de tornar público os atos administrativos relativos ao planejamento das atividades desenvolvidas pelo fisco em determinado período, bem como a delimitação da amplitude de tal fiscalização, a qual anteriormente era ato restrito (documento interno) da administração, e se substanciava na "desconhecida" Ficha Multifuncional. Deste modo, além de operacionalizar as atividades internas da administração, este reúne a tarefa de publicizar aos administrados o seu modus operandi. No presente caso é possível a verificação da existência do MPF, o qual segundo o art. 4o, § 4o da SRN n°. 1687/14 poderia ser conhecido pelo sujeito passivo mediante o sítio da Receita Federal do Brasil, o que, por si só, é uma porta aberta ao público para o acompanhamento do andamento fiscalizatório, independentemente de qualquer notificação do contribuinte, em se tratando de sua prorrogação. Eis o posicionamento da DRJ/SP, ao qual me filio, sobre o referido questionamento: 10. Para que se alcance a materialização do crédito tributário, via Auto de Infração, umas séries de práticas administrativas são encetadas, entre elas a expedição do chamado Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Verificase que a prorrogação do prazo da ação fiscal se faz por intermédio de registro eletrônico, cuja informação está disponível na Internet, devendo ser entregue ao interessado, quando do primeiro ato de ofício praticado junto o mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação (mero demonstrativo, como bem pode ser observado), espelhando as informações constantes na Internet. 11. Assim, não traz qualquer comprometimento ao trabalho da fiscalização o fato do interessado receber fisicamente vale dizer, em papel prova da prorrogação dos mesmos em data posterior ao prazo de validade inicial, já que eletronicamente tem acesso à informação sobre a ação fiscal, bastando para tanto acessar a Internet e utilizarse do código do procedimento fiscal. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 703 15 12. A possibilidade do fiscalizado acessar as informações pertinentes ao procedimento fiscal instaurado, por meio da Internet, torna prescindível a cientificação formal da prorrogação da auditoriafiscal, não podendo a ausência de referida formalidade ("formalidade" que, aliás, nem sequer está prevista nas normas aplicáveis; a previsão existente é para a mera entrega do Demonstrativo) causar a invalidação do procedimento conduzido pela Autoridade fiscalizadora. Ressaltese ainda, o elencado por MINATEL1: O início do Procedimento Fiscal já pressupõe efetivo exercício da atividade inquisitória pelo agente competente, no exato sentido de ato de ofício praticado por servidor habilitado pelo MPF para dar partida ao procedimento de fiscalização, como se depreende das hipóteses listadas no art. 7o do Decreto n°. 79.235/72, característica que não está presente no ato administrativo que tem como primeira função legitimar os atos subseqüentes, desde que praticados pelo servidor ali designado e nos quadrantes que lhe foram impostos. Por coerência lógica, não se caracterizando como ato intrínseco de fiscalização, o esgotamento do prazo de validade do MPF, por si só, não proporciona automática reaquisição de espontaneidade por parte do seu jeito passivo, que será sempre aferida a partir dos atos concretos que denunciam o início ou o prosseguimento dos trabalhos da auditoria, nunca dolo administrativo que dá credenciais ao agent do fisco perante o fiscalizado. Ex positis, voto pela não acolhimento da arguida nulidade. 1.2 Do Sobrestamento do Processo Até a Resolução da Demanda de Inconstitucionalidade n°. 2.588 e RE 611.586. (...) 1.3 Da Inadequação do Auto de Infração Dispõe a Recorrente que o crédito tributário fora devidamente constituído quando da entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a qual é instrumento hábil para a confissão de dívida dos tributos respectivos. Neste sentido elencou a DRJ/SPO: No presente caso a Impugnante somente informou na ficha correspondente da DIPJ as participações em empresas no exterior e os resultados apurados por elas, não sendo correto o meio (auto de infração) de constituir o crédito tributário em decorrência da infração apurada. Isto porque a DIPJ possui caráter meramente informativo, não tendo o condão de constituir o crédito tributário, em razão de Fl. 710DF CARF MF 16 que não representa qualquer reajuste, ao contrário da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), cujo objetivo se traduz na referida formalização do crédito. Notese o entendimento do CARF sobre o assunto: DIPJ. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exieência de crédito tributário nela informado. E a DCTF quem possui esta função. Sua natureza de confissão de dívida está alicerçada no S I o do artiso 5o do DecretoLei n" 2.124/84. (...) (Acórdão 1401001.477. Relator RICARDO MAROZZI GREGORIO Data da Sessão 19/01/2016.(Sem grifos no Original) Desta forma, rejeito o pedido da Recorrente. A recorrente ainda afirma que a autuação é nula em função da insegurança da infração pela ausência de compensação do imposto pago no exterior. Ora, essa é uma questão de mérito, que implicaria, se fosse acatada, na redução ou extinção, por compensação, do crédito tributário lançado. Esta matéria será analisada posteriormente. Pelo acima exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade. MÉRITO O fundamento legal da autuação é o artigo 74 da MP nº 2.15835/2001, que determina que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior seriam considerados disponibilizados para controladora ou coligada na data do balanço em que tivessem sido apurados. Assim, ao dispor que os lucros seriam considerados automaticamente distribuídos a seus investidores na data do balanço, a MP nº 2.15935/2001 elegeu como fato gerador uma presunção muito contestada pelos contribuintes, sendo objeto de ação de inconstitucionalidade, ADI nº 2.588/DF, cuja repercussão geral foi reconhecida no julgamento do RE 611.586. A discussão, que iniciou em 21 de janeiro de 2001, terminou em 10 de abril de 2013, resultando no seguinte entendimento: Investida Localização Validade do artigo 74 da MP 2.158/01 Eficácia "erga omnes" e efeito vinculante Jurisdição normal Inconstitucional Sim Coligadas Paraíso Fiscal Constitucional (não alcançou a maioria) Não Jurisdição normal Constitucional (não alcançou a maioria) Não Controladas Paraíso Fiscal Constitucional Sim Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 704 17 Notese que, relativo a controladas em países sem tributação favorecida, e também a coligadas localizadas em paraísos fiscais, a decisão não possui efeito erga omnes, prevalecendo a presunção de constitucionalidade. Entretanto, nestes casos, este colegiado deve observar a Súmula nº 2 do CARF, motivo pelo qual deixo de analisar questões acerca da constitucionalidade ou não trazidas no recurso voluntário. Para continuar julgamento do mérito, elaborei gráfico onde estão demonstradas as controladas, direta e indiretas, bem como os valores apurados na ação fiscal: Com base no gráfico, é possível constatar duas situações distintas: 1) Tributação dos lucros das controladas indiretas, todas vinculadas à controlada direta da recorrente JBS Global A/S, situada na Dinamarca, país que possui tratado com o Brasil para evitar a dupla tributação, cujo artigo 23, item 5, assim estabelece: 5. Os lucros não distribuídos de uma sociedade anônima de um Estado Contratante cujo capital pertencer ou for controlado, total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes de outro Estado Contratante não são tributáveis no último Estado. Segundo o auditor fiscal, legislação brasileira não restringe a tributação universal aos lucros auferidos via controladas diretas, mas alcança também os resultados apurados pelas indiretas. Afirma que a holding JBS Global A/S (Dinamarca) foi criada como mera condutora, destinada a subtrair os lucros de suas controladas (controladas indiretas da recorrente), mediante a aplicação do Tratado BrasilDinamarca, o que constitui um caso de confronto direto com a finalidade da convenção. Para ratificar suas conclusões, o auditor fiscal cita a teoria "Treaty Shopping", que constitui uma forma de abuso dos tratados internacionais, não aceita pela OCDE. Fl. 712DF CARF MF 18 Em sua defesa, a recorrente alega que consolidou os resultados das controladas indiretas na JBS Global A/S (controlada direta da recorrente) nos exatos termos previstos no §6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002, montante devidamente informado na DIPJ/2007. Justifica a escolha da Dinamarca para concentrar parte de seus investimentos, visando administração e controle gerencial eficiente, por meio de uma holding, o afasta que a teoria do "Treaty Shopping". Alega que no Tratado BrasilDinamarca, não há medidas anti abuso ou limitação qualitativas para que empresas em outras jurisdições não sejam beneficiadas da convenção. Logo, por força do artigo 23, item 5 do tratado, os lucros não distribuídos da JBS Global A/S não podem ser tributados no Brasil. Passo a me pronunciar. Dois pontos polêmicos a serem enfrentados: 1) Com base no artigo 74 da MP nº 2.15835/2001, como o lucro das controladas indiretas são tributados. 2) Se o Tratado BrasilDinamarca alcança aos lucros auferidos pelas controladas indiretas. Quanto à primeira questão, o auditor afirma que não há qualquer dispositivo legal que exclua os resultados obtidos das controladas indiretas do alcance do artigo 74 da MP nº 2.15835/2001. Neste sentido, apurou os resultados positivos das controladas diretas e indiretas, somando, ao final, o montante a ser tributado, nos seguintes termos: Conforme documentos apresentados pela fiscalizada, os resultados obtidos pelas empresas em suas atividades operacionais, no anocalendário de 2006, proporcionalmente a sua participação, foram: JBS Global A/S (Dinamarca): (49.271,29€) prejuízo; Friboi Investments (Ilhas Virgens Britânicas): US$ 3.491.906,12, sendo, um lucro de US$ 5.572.855,17 em 2006 e um prejuízo de US$ 2.080.949,05 em 2005. Em 2004, ano de sua constituição, a empresa auferiu um lucro de US$ 444.846,67; JBS Global Beef Company S/U LDA. (Ilha da Madeira): 15.734.721,47€; JBS Global (UK) Limited: 128.335,42€; Arab/Friboi/Egypt L.L.C.: 2.067.610,66€, sendo o valor composto por um resultado do exercício de 2.413.038,82€ e um prejuízo acumulado de 345.428,16€. Portanto o resultado a ser adicionado ao Lucro Líquido da JBS S.A. é de: 17.930.667,55€ que, ao câmbio de 29/12/2006, de 2,82024, perfaz um montante autuável de R$ 50.568.785,85; US$ 3.491.906,12 que, ao câmbio de 29/12/2006, de 2,13800, perfaz um montante autuável de R$ 7.465.695,28; Portanto, a base de cálculo do presente Auto de Infração é de R$ 58.034.481,13. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 705 19 O valor de 17.930.667,55€ é exatamente a soma dos resultados das controladas indiretas, sem levar em consideração o prejuízo de 49.271,29€ da JBS Global A/S (Dinamarca) Já a recorrente afirma que, observando o § 6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002, consolidou os resultados das controladas indiretas da JBS Global A/S (sua controlada indireta), mas não os tributou em função do previsto no artigo 23, item 5 do Tratado Brasil X Dinamarca. A Procuradoria da Fazenda Nacional, nas contrarrazões apresentadas, argumenta que a legislação tributária determina que os resultados das controladas, diretas ou indiretas, sejam considerados na forma individualizada, conforme preceitua o inciso I do artigo 16 da Lei nº 9.430/96, c/c os incisos I e II do § 2º do artigo 25 da Lei nº 9.249/95. Ou seja, a recorrente deveria ter observado o §5º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002. Esta matéria já foi debatida por esta turma, na sessão de janeiro de 2017, na qual a tese vencedora deu razão à recorrente de que os lucros das controladas indiretas devem ser consolidados na controlada direta. A seguir, transcrevo os fundamentos do voto vencedor da Resolução nº 1302000.457, da lavra do i. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, acerca desta matéria: A legislação empresarial determina que o lucro de controladas indiretas das quais a controladora não tenha qualquer participação direta sejam nela reconhecidos diretamente sem consolidação na intermediária? À luz da legislação da legislação brasileira, a apuração de lucros em uma investida só impactará o patrimônio da sua investidora: quando distribuídos, no caso de investida avaliada pelo custo de aquisição (regime de caixa); ou quando apurado o lucro pela investida, no caso de investida avaliada pelo MEP (regime de competência). Ocorre que, no balanço individual da investidora só há registro das investidas nas quais a investidora tenha alguma participação direta. Assim, no balanço individual da recorrente, não há o registro de investimentos nas suas controladas indiretas nas quais não tenha qualquer participação direta. Por exemplo, embora a JBS Global BeefCompany S/U LDA seja controlada indiretamente pela recorrente, ela não consta do balanço individual da recorrente, já que a recorrente não tem qualquer participação direta nela. Assim, os lucros da JBS Global BeefCompany S/U LDA irão impactar o resultado da sua controladora direta, ou seja, da JBS Global A/S Dinamarca, logicamente, no momento estabelecido pela legislação empresarial da Dinamarca. Isso se aplica a todas as investidas da JBS Global A/S, nas quais a recorrente não tinha qualquer participação direta. Ora, é o resultado da JBS Global A/S, no qual se inclui todas as suas receitas de participação nos resultados das suas investidas, que se constituirá em receita de participação da recorrente no resultado da JBS Global A/S. Fl. 714DF CARF MF 20 De fato, o artigo 7º da IN SRF nº 213/2002, determina que a contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior da controlada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. Acerca do Método de Equivalência Patrimonial, transcrevo as definições de Edmar Oliveira Andrade Filho, do seu livro Imposto de Renda das Empresas, 11ª Edição, fls. 667: "A sistemática legal de avaliação de investimentos pelo chamado "método da equivalência patrimonial" tem por função permitir que os resultados de uma sociedade que seja sócia ou acionista de outra reflitam, em cada balanço, o valor de participação nos lucros, prejuízos, ou qualquer outro acréscimo ou decréscimo ao patrimônio líquido das sociedades investidas. Da aplicação das regras sobre o método da equivalência patrimonial surge a necessidade de registro contábil de um ajuste (acréscimo ou decréscimo) no valor contábil patrimonial do investimento. Esse ajuste, na lição de José Luiz Bulhões Pedreira, é o procedimento contábil pelo qual a investidora modifica o saldo da subconta de sua escrituração que registra esse valor, a fim de que ele passe a ser igual ao demonstrado em novo balanço da coligada ou controlada. (grifei) Acerca do lançamento contábil que registra esse ajuste, assim orienta o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações do FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP), 6ª Edição, do Capítulo 11, que trata de Investimentos Método da Equivalência Patrimonial 11.4.1 Lucro ou Prejuízo do Exercício O acréscimo na conta de Investimentos que corresponde proporcionalmente ao lucro do período da coligada ou controlada será registrado em contrapartida como receita do ano da investidora. Essa receita entra como Outras Receitas e Despesas Operacionais no subgrupo de Lucros e Prejuízos de Participações em Outras Sociedades na conta própria designada "Participações nos resultados de coligadas ou controladas pelo método da equivalência patrimonial". Veja modelo de Plano de Contas. O lançamento contábil seria, portanto, como segue: Débito Crédito Investimentos X a Receita (Participações ... X É fato que apenas as controladas diretas têm conta contábil no Ativo da investidora. Assim, no caso de controlada indireta, o MEP será aplicado com relação à controlada direta, consolidando os resultados, que refletirá, também via MEP, na controladora. Cumpre registrar que a norma brasileira de contabilidade determina que, para fins de MEP, devemse tomar as demonstrações contábeis da sociedade investida no exterior, elaboradas originalmente conforme as normas locais de contabilidade, e adaptálas às normas contábeis do Brasil (artigo 36 do Pronunciamento Técnico CPC nº 18R2). Esta orientação se encontra também no artigo 6º da IN SRF nº 213/2002, abaixo transcrito: Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 706 21 Art. 6º As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. § 1º Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração de demonstrações financeiras no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. (...) Vale dizer que, no caso de uma controlada direta no exterior, com sede em país que não adotasse o MEP, todas as controladas desta investida (controladas indiretas da investidora brasileira) seriam consideradas para formação do lucro tributável para fins do artigo 74 da MP nº 2.15835/2001, em razão da adaptação às normas contábeis para utilização daquele método. Pelo exposto, entendo que o procedimento adotado pela recorrente, em consolidar os resultados das controladas indiretas JBS Global BeefCompany S/U LDA. (Ilha da Madeira), JBS Global (Reino Unido) Limited, Arab/Friboi e Friboi/Egy (Egito) na controlada direta JBS Global A/S (Dinamarca) não merece reparo. Chamo a atenção que a recorrente foi intimada a esclarecer o valor informado na DIPJ/2007 a título de resultado da JBS Global A/S (Dinamarca). Em resposta, a recorrente informa como apurou o valor consolidado, considerando os resultados das controladas indireta, conforme fls. 55: Mas faltou enfrentar a segunda questão: se o Tratado BrasilDinamarca impediria a tributação destes valores, bem como seria caso de aplicar a teoria "Treaty Shopping". Inicio pelo "Treaty Shopping". Tratase de um planejamento tributário que visa a redução de tributos se valendo de tratados internacionais. Foi conceituado por Luis Eduardo Schoueri em seu livro Planejamento Fiscal através de Acordos de Bitributação:Treaty Fl. 716DF CARF MF 22 Shopping, como o uso de um Tratado ou Convenção de Direito Tributário por alguém, através de interposição de uma pessoa, que obtém a proteção de um acordo de bitributação que, de outro modo, não seria devida. Essas brechas na legislação têm sido objeto de estudo, sendo importante citar o BEPS (Base Erosion and Profit Shifting Action Plan), lançado em 2013 pela OCDE, com o apoio do G20. O Plano BEPS é subdividido em quinze ações que visam combater diretamente o planejamento tributário agressivo e práticas tributárias prejudiciais, tais como se apresenta o Treaty Shopping. Em 05 de outubro de 2015 foi apresentado o pacote final de ações, dentre as quais seria que os tratados deveriam conter cláusulas para evitar o abuso em sua utilização. No presente caso, o auditor fiscal entende que o Treaty Shopping restaria caracterizado pelo fato de a JBS Global A/S (Dinamarca) ser uma holding, figurando apenas como um mero condutor entre a recorrente e as controladas indiretas JBS Global Beef Company S/U LDA, JBS Global Limited, Arab Friboi e Friboi Egypt Company L.L.C, por razões exclusivamente elisivas, aplicando o Tratado BrasilDinamarca. Ocorre que, s.m.j., eu não vislumbro que essa estrutura concentrar participações societárias (controladas indiretas) em controlada direta com sede em país que possui convenção para evitar a dupla tributação poderia oportunizar o planejamento tributário conhecido como "Treaty Shopping". Isto porque entendo que o artigo 74 da MP nº 2.158 35/2001 não é incompatível com as convenções para evitar a dupla tributação. Como demonstrado anteriormente, o Método de Equivalência Patrimonial tem por função permitir que os resultados de uma sociedade (controladora brasileira) que seja sócia ou acionista de outra (controladas no exterior) reflitam, em cada balanço, o valor de participação nos lucros, prejuízos, ou qualquer outro acréscimo ou decréscimo ao patrimônio líquido das sociedades investidas. Os lançamentos contábeis ocorrem nas investidoras brasileiras, com o reconhecimento do acréscimo patrimonial na controladora. Ademais, ainda que represente um acréscimo patrimonial na pessoa jurídica com sede no Brasil, a legislação permite a compensação do imposto pago pela investida no exterior com o IRPJ e CSLL devidos pela controladora, conforme artigo 26 da Lei nº 9.249/95. Ou seja, só haverá imposto a pagar pela controladora se a alíquota adotada no país da contratada for inferior à adotada no Brasil. E essa compensação independe de qualquer tratado internacional. Acerca desta questão, convém transcrever o comentário da própria OCDE acerca do objetivo do § 1º do artigo 7º da Convenção Modelo, que dispõe que os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado: “ 10.1 O propósito do §1º é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontradas em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa de outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros.” Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 707 23 O própria OCDE compartilha do entendimento de que o tratado não limita o Estado Contratante de tributar o acréscimo patrimonial de seu residente contribuinte, ainda que este valor decorra dos efeitos, na controladora, dos lucros auferidos pela controlada no outro Estado Contratante. Ou seja, a princípio, a existência de tratado firmado para evitar a dupla tributação, entre o Brasil e o país sede da controlada direta, não impede a tributação dos lucros auferidos de suas próprias controladas (controladas indiretas da investidora brasileira), devidamente consolidados, nos termos do § 6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002. Ocorre que, especificamente no caso da Dinamarca (Decreto nº 75.106, de 20 de dezembro de 1974.) e das Repúblicas Tcheca e Eslovaca (Decreto nº 43, de 25 de fevereiro de 1991), foi estabelecida cláusula mediante a qual não são tributáveis os lucros não distribuídos, nos termos do artigo 23, item 5, o qual vale a pena repetir o dispositivo: “ARTIGO 23 Métodos para eliminar a dupla tributação 5. Os lucros não distribuídos de uma sociedade anônima de um Estado Contratante cujo capital pertencer ou for controlado, total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes de outro Estado Contratante não são tributáveis no último Estado.” Ressalto que os Estados Contratantes (Brasil e Dinamarca) optaram por apenas tributar seu residente quando os lucros forem efetivamente distribuídos. É norma internacional que deve ser observada em detrimento à norma interna, em conformidade com o artigo 98 do CTN. Ou seja, é o próprio Estado brasileiro que abre mão da tributação de seus residentes. Destaco que, ao tratar da teoria do Treaty Shopping, o auditor fiscal não desconsiderou a personalidade jurídica da JBS Global A/S, fato que, em tese, permitiria tributar diretamente JBS Global Beef Company S/U LDA, JBS Global Limited, Arab Friboi e Friboi Egypt Company L.L.C. Em que pese ressaltar que a JBS Global A/S (Dinamarca) apurou prejuízo no período analisado, e que todo resultado positivo é oriundo de suas controladas indiretas, este argumento não nos permite concluir que a controlada direta deva ser ignorada, uma vez que o fato constatado é próprio da natureza de uma holding, cuja atividade econômica é a participação de outras empresas. Em seu TVF, após discorrer sobre o "Treaty Shopping" e empresa permanente, por vezes afirmando que a direção de fato da JBS Global A/S era no Brasil, o auditor fiscal conclui nos seguintes termos: Não se pode alegar que a atuação se baseia em presunção subjetiva ou impressão pessoal, nem tampouco, que pretenda afastar a exigência do ato legal de capitalização. A fiscalização limitouse, no exercício da atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a proceder a verificação da regularidade da apuração dos montantes tributáveis. Não há, pois, ingerência sobre a atividade empresarial do contribuinte, mas constatada a renda, devidamente demonstrada, seja dado o nome que se queira dar ao fato, devese formalizar a exigência Fl. 718DF CARF MF 24 do crédito tributário, ou seja, não proíbe o contribuinte de adotar qualquer conduta, desde que não esconda sobre um planejamento tributário, resultados de que é beneficiária final da renda obtida, clara e definitiva. A fiscalização não contesta o ato jurídico praticado, mas a verdadeira repercussão econômica dos fatos.(grifei) Não desqualificando a personalidade jurídica da JBS Global A/S, o procedimento a ser adotado é a consolidação dos resultados das controladas indiretas. E não houve tentativa de esconder em um planejamento tributário como relata o auditor fiscal. A consolidação dos resultados das controladas indiretas está declarado na DIPJ/2007, na Ficha 35. O que está sendo questionado é a verdadeira repercussão econômica dos fatos. Mas a resposta, concluo eu, está no próprio acordo firmado entre o Brasil e a Dinamarca, em tributar somente quando distribuídos os lucros. É a opção expressa de abrir mão de tributar seu residente. Ressalto que o Acordo foi firmado por meio do Decreto nº 75.106, de 20 de dezembro de 1974. Se fosse vontade das partes, este artigo já poderia ter sido revisto, fato que não aconteceu. A seguir, faço uma conclusão apenas para tornar mais claro meu voto acerca desta matéria: => Os lucros das controladas indiretas devem ser consolidados na controlada direta, observando o disposto no § 6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002. => Os tratados internacionais para evitar a dupla tributação não impedem a aplicação do artigo 74 da MP nº 2.12835/2001, o qual determina que o fato gerador dos tributos ocorre na data do balanço, independente de distribuição dos lucros. Partindo desta premissa, uma eventual caracterização de "Treaty Shopping" não impede que os lucros das controladas indiretas sejam tributados, na forma do item anterior. => No caso específico do Tratado BrasilDinamarca, os Estados contratantes acordaram expressamente que a tributação só ocorrerá quando os lucros forem distribuídos. Neste contexto, apenas se caracterizado a inexistência da controlada direta que os lucros das controladas indiretas seriam tributados sem a consolidação dos resultados, de forma individualizada, fato que não ocorreu no presente lançamento. Logo, acolho as razões trazidas pela recorrente, motivo pelo qual voto por dar provimento ao recurso voluntário quanto aos valores lançados relativos às controladas indiretas JBS Global Beef Company S/U LDA, JBS Global Limited, Arab Friboi e Friboi Egypt Company L.L.C. Nesta toada, o pedido para compensar o lançamento com os pagamentos efetuados pelas controladas indiretas, acostados aos autos de fls. 350/385, perde o objeto. Deixo, portanto, de apreciálo. É necessário registrar que, tendo em vista o disposto no artigo 63, §8º do RICARF, a maioria do colegiado acompanhou a conclusão desta relatora, por entender que houve erro no lançamento pela falta de consolidação dos resultados na controlada direta na Dinamarca, e em face da aplicação do item 5 do artigo 23 do Tratado BrasilDinamarca. 2) Tributação da controlada direta Friboi Investiment, situada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal situado nas águas do Caribe. Logo, considerando o resultado Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16643.720019/201110 Acórdão n.º 1302003.030 S1C3T2 Fl. 708 25 do julgamento da ADI 2.588/DF, não há discussões quanto à adição dos lucros por ela apurados na apuração do IRPJ e da CSLL da recorrente. Entretanto, a recorrente alega que declarou os lucros da Friboi Investment no valor de R$ 11.941.764,36 na DIPJ/2007, Ficha 35. Em função desta alegação, e diante da ausência da cópia completa desta declaração, o julgamento foi convertido em diligência para verificar se os lucros foram oferecidos à tributação, e se houve algum pagamento de IRPJ ou CSLL para o anocalendário de 2006. Em resposta, a fiscalização consignou no Relatório de Diligência de fls. 558/560, que os lucros da Friboi Investment não foram incluídos nas bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Informou, ainda, não haver pagamentos de IRPJ e CSLL. Na manifestação em face ao resultado da diligência, a recorrente esclarece que efetuou pagamento de CSLL no valor de R$ 6.261.802,49, que foi extinto por compensação, apresentando as DCOMP de fls. 682/689. Entretanto, esta compensação em nada modifica o presente lançamento, pois este débito corresponde à apuração de CSLL a pagar no final do período, conforme declarado na DIPJ/2007, Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Como a base de cálculo da CSLL não inclui os lucros apurados pela controlada direta situada nas Ilhas Virgens Britânicas, este montante pago não se presta para reduzir o crédito tributário lançado. Portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, sendo correta a autuação para incluir os lucros apurados pela Friboi Investment na base de cálculo de IRPJ e CSLL. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerando do lançamento a base de cálculo no valor de R$ 50.568.785,85. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 720DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911350/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES
Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais nos quais se baseou a autoridade fiscalizadora.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os custos essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais da participação do produto na atividade fabril (ex: descrição do processo fabril, validada por laudo técnico).
CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO
Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado.
Numero da decisão: 3301-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, revertendo as glosas de créditos calculados sobre idumentárias, dicoflenato sódico, metionina, treonina, neomicina, fretes para transporte de "produtos lácteos" e "laticínios", serviços realizados por operador logístico e análises laboratoriais; e reconhecendo que, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, deve ser determinado de acordo com a classificação na TIPI do produto em que o insumo adquirido foi aplicado. Vencidos os conselheiros Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que negou provimento ao frete em movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, e Valcir Gassen, que dava provimento para os bens com alíquota concentrada em etapas anteriores.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais nos quais se baseou a autoridade fiscalizadora. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os custos essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais da participação do produto na atividade fabril (ex: descrição do processo fabril, validada por laudo técnico). CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado.
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SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais nos quais se baseou a autoridade fiscalizadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os custos essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais da participação do produto na atividade fabril (ex: descrição do processo fabril, validada por laudo técnico). CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôsse fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 13 50 /2 01 1- 00 Fl. 9253DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.408 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, revertendo as glosas de créditos calculados sobre idumentárias, dicoflenato sódico, metionina, treonina, neomicina, fretes para transporte de "produtos lácteos" e "laticínios", serviços realizados por operador logístico e análises laboratoriais; e reconhecendo que, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, deve ser determinado de acordo com a classificação na TIPI do produto em que o insumo adquirido foi aplicado. Vencidos os conselheiros Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que negou provimento ao frete em movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, e Valcir Gassen, que dava provimento para os bens com alíquota concentrada em etapas anteriores. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa – PER/DCOMP nº 06637.55753.030909.1.1.111065, transmitido em 03/09/2009 vinculados à receita não tributada no mercado interno, apurados no 1º trimestre calendário de 2009, no valor de R$ 10.293.970,17. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi parcialmente deferido, tendo sido reconhecido o crédito no valor de R$ 7.933.659,28. Foram homologadas as compensações vinculadas ao pedido, até o limite do crédito reconhecido. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010 – tratadas nos processos números 11516.721887/201141, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180 e 10983.911357/201113 , foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos processos números 11516.723929/201340, 11516.723931/2013 19, 11516.723930/201374, 11516.723933/201316. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010 – tratadas nos Fl. 9254DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.409 3 processos números 11516.721887/201141, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180 e 10983.911357/201113 , foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos processos números 11516.723929/201340, 11516.723931/2013 19, 11516.723930/201374, 11516.723933/201316. Sobre as verificações realizadas nos créditos do período a autoridade fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Explica que os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte sequência: numa primeira etapa de verificação, as informações presentes nas memórias de cálculo (onde o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos declarados em Dacon) foram cotejadas com as notas fiscais, obtidas do SPED Fiscal; a segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”, com os itens que, com base na legislação vigente à época, davam direito a crédito; a terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, a fim de identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do Dacon; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não tinham direito a crédito; subtraiuse o segundo do primeiro para chegar ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Conclui que, ao final dos procedimentos descritos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. Informa que todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios que descrimina, presentes nos autos nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. Depois de descrever o procedimento fiscal, a autoridade fiscal passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 16A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas no relatório NF Glosadas Alíquota zero; 1.1.2. os valores dos itens que se referem a revenda de gás liquefeito de petróleo, que tem alíquota concentrada, não gerando crédito ao revendedor. Fl. 9255DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.410 4 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo: a autoridade fiscal relata que glosou os valores das notas fiscais de aquisições de bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, MATERIAIS MECANICOS GRUPO GERADOR STEMAC, PALLET MADEIRA 120X100X14CM EXPORT PL7, OUTROS SERVIÇOS; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisicao de Insumos; 1.2.2. aquisições de pessoas físicas sem direito a crédito na linha 2; cada uma das notas fiscais glosadas consta da listagem NF GLOSADAS – Aquisições de pessoas físicas; 1.2.3. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Alíquota zero; 1.2.4. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP); 1.2.5. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – Aquisicao PJ – Suspensao obrigatória. Em relação a essas aquisições de insumos de pessoas jurídicas, a autoridade fiscal relata que excluiu os valores das aquisições de insumos com suspensão obrigatória de PIS/Cofins na operação de venda, que não geram crédito regular (linha 02), mas somente crédito presumido de atividades agroindustriais. Assim coloca: No período sob fiscalização, a contribuinte adquiria de pessoas jurídicas, de forma rotineira, Leite in Natura e outros produtos agropecuários. Estas mercadorias eram utilizadas no processo produtivo da contribuinte, na elaboração de seus produtos. A contribuinte apurou, sobre estes insumos, créditos básicos de PIS e COFINS. Todavia, conforme será demonstrado, este procedimento não estava correto. Na época, as aquisições de leite in natura e outros produtos agropecuários por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, verbis: Destaca que a BRF S/A preenchia condições para a aplicação da suspensão elencadas no art 4º da IN SRF 660/2006 e que, portanto, a suspensão na operação de venda determinada em lei se impunha. Menciona que caso o vendedor tenha apurado contribuição para o PIS/PASEP e Cofins sobre estas vendas, ocorreu pagamento indevido, o que não dá direito de creditamento para o comprador. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo Dos montantes informados para linha 03 do Dacon foram glosados os valores das aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como: DESINSETIZACAO E CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO DE CONFECCAO E INSTALACAO ou SERVICO REFORMA PALLETS PBR. Cada uma das notas Fl. 9256DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.411 5 fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisicao de Insumos. 1.4. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosadas as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. 2. Ficha 16A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que não se enquadram nas condições da legislação; explica: tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 apenas para aquisições de insumos de origem animal e que se sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; as aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente. Da base de cálculo do crédito foram glosados os valores das aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representam aquisições de insumos, perfeitamente identificados na listagem individualizada, e das notas fiscais das aquisições de bens para revenda. A autoridade fiscal traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas na listagem Credito presumido – detalhe. 3. Ficha 16B Aquisições de Insumos no Mercado Externo Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem. 3.1. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da base de cálculo dos créditos informados na linha 02 das Ficha 16B, foram glosados os valores referentes a: 3.2. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art.8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004; bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, como MOTOR TRIF. 13,5 KM 380V 60HZ 261755 KS, MOTOR 4HP 4P B5 210400422350A3 MONDINI e PRECORTADOR 05 CORTES 62715801 MADO. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – não representam aquisição de insumos. Fl. 9257DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.412 6 3.3. Aquisições de bens cujo código fiscal da operação (CFOP) não representa aquisição de insumos. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – operações sem direito a crédito (CFOP) A autoridade fiscal relata que, ao examinar os Dacon apresentados pela contribuinte no período fiscalizado, constatou que a BRF S/A exclui parte significativa de sua receita da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a título de receita de exportação – linha 07 (Receita Sem Incidência da Contribuição Exportação) das fichas 07A (PIS) e 17A (COFINS). Informa que, entretanto, a fiscalizada não realizou operações de exportação em nome próprio em janeiro e fevereiro, conforme informações do sistema DWAduaneiro. Constatado tal fato, restou a verificação da ocorrência de vendas com fim específico de exportação, o que também possibilitaria o lançamento na linha 7 das fichas 7A e 17A. Neste caso, considerou que a interessada não comprovou o fim específico de exportação nas saídas com CFOP 5501/6501 para a filial 108 da Perdigão Agroindustrial SA, pelo que tais vendas foram consideradas como receitas tributáveis auferidas no mercado interno. Por conta disso, para fins de recalculo do crédito a descontar no período e reconstituição do Dacon, ajustou a proporção das receitas de mercado interno tributado, mercado interno não tributado e de exportação, nos meses de janeiro e fevereiro, acolhendo os valores declarados pela interessada para o mês de março, como segue: 4. Do crédito gerado no trimestre recálculo da Ficha 25B pela DRF Relata a autoridade fiscal que, tendo em vista as correções realizadas nas fichas 16A e 16B do Dacon, restaram alterados os valores dos créditos utilizados para desconto dos débitos, como segue: Fl. 9258DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.413 7 A Autoridade Fiscal também traz a planilha com os Créditos de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação gerados no trimestre, já diminuídos das glosas, que contempla os valores creditados no trimestre diminuídos das utilizações dos créditos no trimestre, que segue transcrita: Decide pelo deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento, ante o reconhecimento parcial do direito creditório no valor de R$ 7.933.659,28 com glosa de R$ 2.360.310,89 (10.293.970,17 pedido 7.933.659,28 confirmado), e a homologação parcial das Dcomp vinculadas, até o limite do crédito confirmado. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente defende a manifestação de inconformidade ora apresentada deverá, igualmente, ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/2011 00, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180, 10983.911357/201113 e 10983.911356/201179, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.723622/201349, 11516.723929/201340, 11516.723931/201319 e 11516.723933/201316. Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação Fl. 9259DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.414 8 apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, ao glosar os créditos com base em ilações genéricas de que os bens e serviços adquiridos não se enquadram no conceito de insumo ou sob a justificativa de que o Cfop referese à aquisição de bens que não gerariam direito a créditos, sem analisar a aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, a fiscalização acabou por glosar indevidamente diversas despesas que caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente despacho decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. No tópico III.2 Da Sistemática NãoCumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente, a fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Federal, temse que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessa contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. E na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Bens para revenda, adquiridos a alíquota zero No item 111.2.2 — Dos Bens para Revenda, a recorrente inicialmente contesta a glosa das as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero para revenda, realizada com base no art. 3º, § 2º, da Lei n.° 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a esta norma. Nesse sentido, argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona a mencionada norma, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuições, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Conclui então que, tendo em vista que os insumos sujeitos à alíquota zero não se subsumem ao art. 3º parágrafo 2º, inciso II, da Lei n.° 10.833103, devem tais aquisições ser integralmente consideradas para fins de creditamento, tal como determinado pela regra disposta no art. 3º, inciso II, da Lei n.° 10.833/03. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, Fl. 9260DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.415 9 segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Bens para revenda, com tributação concentrada No mais, a requerente informa que cometeu um equívoco ao classificar as aquisições de GLP sob o CFOP 1102 (Compra para comercialização), já que o GLP não foi adquirido para revenda, e sim, para ser utilizado com insumo em seu processo produtivo. Explica que o gás é utilizado: na (i) chamuscagem de suínos para retirar seus pêlos, que pertence ao processo produtivo dos suínos; no (ii) aquecimentos dos sistemas de incubação e das aves, que pertence ao processo produtivo das aves; e na (iii) fritura e cozimento de empanados e produtos industrializados, etc. Nesse sentido defende que, sendo certo que o GLP consiste de insumo, os valores de suas aquisições geram crédito da Cofins, independentemente do regime ao qual tal insumo está sujeito, no caso, o monofásico. Isso porque, como alega, a única vedação da legislação para tomada de crédito, ocorre nos casos de "aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição", o que afirma não ser o caso nos presentes autos, considerando que a receita do produtor auferida na venda de GLP foi oferecida a tributação. Bens e serviços utilizados como insumo No tópico 111.2.3 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Inicialmente, em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz aterse aos “itens mais relevantes” dos presentes na planilha NF Glosadas — Não Representam Aquisições de Insumo. Assim segue. Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a recorrente, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como botas, botinas e Luva, bem como os itens de proteção de uso obrigatório, são exigidos por norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Adicionalmente, cita decisão do CARF que autorizou o creditamento sobre as despesas incorridas com os chamados "materiais para acondicionamento para transporte", por configuram despesas com armazenagem, expressamente prevista como apta para gerar crédito no inciso IX, do art. 3º, da Lei n.° 10.833/03. Conclui, então, que as glosas devem ser canceladas, por se tratarem, os pallets, de material indispensável no processo produtivo, além de configurar uma clara despesa com armazenagem, tal como já decidido pelo CARF. Nessa linha, defende o crédito em relação aos serviços de repaletização (também chamados de serviços de "reforma de pallets") face à sua essencialidade, devido à imprescindibilidade dos pallets no processo produtivo. Fl. 9261DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.416 10 A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita detergentes, lubrificantes, fusível, dentre outros – e outros tantos não mencionados que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. Explica que: os detergentes industriais, por exemplo, são utilizados na higienização e limpeza das máquinas e pisos do estabelecimento industrial, atendendo, obviamente, às rigorosas regras emanadas pelas autoridades regulatórias; os lubrificantes e os fusíveis, são indispensáveis ao bom funcionamento das máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo. Aduz que, pelas breves descrições, é inegável que todos esses itens estão “intrinsecamente ligados ao processo produtivo”, pois seria impossível realizar a sua atividade sem tomar as precauções relativas à higienização ou preservação e bom funcionamento de suas máquinas. Em relação a estas, cita recente Acórdão proferido pelo CARF, em processo da própria requerente, por meio do qual restou reconhecido o direito ao crédito sobre as aquisições de ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos de sua atividade fabril. Contesta a glosa dos valores relacionados a Serviços Realizados por "Operador Logístico", alegando que a movimentação das mercadorias é inerente à sua atividade, pela impossibilidade de comercialização de seus produtos na ausência de tais serviços, que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas. Transcreve ementa de Acórdão do CARF, abaixo reproduzida, que teria considerado que os “serviços relacionados à movimentação de mercadorias e ao frete deve ser tratada em conjunto e, consequente, o direito ao crédito ser a eles estendidos”. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. CREDITAMENTO. Uma vez comprovado que os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos foram suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e que foram tributados pelas contribuições, eles darão direito a crédito. (Acórdão n.° 380303.152, de 28.06.2012, g.n.) E acrescenta que a própria RFB já considerou como insumo os gastos incorridos com a carga e descarga, e cita a Solução de Divergência n° 15/2007. Conclui, que dada à imprescindibilidade dos serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, as glosas devem ser integralmente canceladas. Afirma que os serviços de Análise Laboratoriais consistem de insumo, tendo em vista que os produtos fabricados são destinados ao consumo humano e que, portanto, devem ser constantemente avaliados e testados, de modo a preservar sua qualidade e integridade. Traz decisão do CARF que, segundo alega, ao apreciar as despesas incorridas com "serviços de análise laboratorial de comidas" firmou o entendimento de que, aos contribuintes cujo objeto social é relacionado à produção de alimentos, os serviços de análise laboratorial devem ser considerados como insumo. Nesse mesmo sentido, também traz a Solução de Consulta n° 145, de 21/09/2012. Defende o direito ao crédito em relação à aquisições de bens utilizados como insumo adquiridos de pessoas físicas alegando que os bens e serviços adquiridos de pessoas físicas foram utilizados no processo produtivo e, portanto, guardam perfeita relação com as receitas geradas, caracterizandose com insumos. E segundo, CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos a aquisições de insumos em casos análogos. Fl. 9262DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.417 11 No mais, defende que pelo menos faz jus ao crédito presumido na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004. Reclama que, a teor do art. 142 do CTN, a Fiscalização possui o dever de apurar corretamente os valores supostamente devidos a título de tributo, o que significaria, no presente caso, glosar apenas parcialmente os créditos oriundos de aquisições de pessoas físicas, já que a legislação prevê a possibilidade de crédito presumido, conforme os percentuais estabelecidos no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Defende o direito ao crédito em relação à aquisições de bens utilizados como insumo sujeitos a alíquota zero com base nos mesmos fundamentos expendidos acima em relação ao bens adquiridos para revenda sujeitos a alíquota zero. Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da autoridade fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados são produtos químicos (cita metionina, hexano GC, etc) que, evidentemente, são empregados no processo produtivo e que há diversos óleos que são utilizados nas máquinas pertencentes ao processo produtivo. Reclama ter sido arbitrário o procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo CFOP diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. E aponta como mais grave ainda a situação que se refere ao CFOP cuja descrição é outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada, ou mesmo de material de uso ou consumo (CFOP 1949), pois é impossível a Fiscalização saber de qual insumo se trata apenas com base na mera redação do CFOP. Conclui dizendo que o simples equívoco cometido pela Requerente na classificação do CFOP não pode ser utilizado pelas Autoridades Fiscais como justificativa para glosar os créditos, ainda mais nas hipóteses em que a característica do item como insumo, segundo alega, é evidente. Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a recorrente alega que as alegações trazidas pela Fiscalização não merecem prosperar, pois o leite in natura e os insumos foram adquiridos sem a suspensão da Cofins. Defende que, em assim sendo, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Nesse sentido, ressaltar, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009. Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda No item 111.2.4 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, a recorrente inicia afirmando que a tomada de créditos apurados a partir das despesas com fretes, sejam este relacionadas ou não à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa. Explica que, diante das diversas etapas do processo produtivo, aliado à sua extensa quantidade de plantas industriais, é notório que o frete de matérias primas e produtos semiacabados é inerente à atividade da empresa e imprescindível ao mencionado processo produtivo, devendo os seus gastos serem considerados para Fl. 9263DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.418 12 fins de creditamento, vez que contribuem, indubitavelmente, para a geração de receita. Alega que a própria RFB e o CARF já se pronunciaram favoravelmente à essa pretensão; cita Acórdão do CARF. Pelos mesmo motivos e sendo, segundo alega, inegável a importância da existência de centros de distribuição responsáveis por escoar a produção de maneira mais eficiente, alega que os gastos incorridos com os fretes de produtos acabados são, igualmente, aptos ao creditamento da mencionada contribuição; cita Acórdãos do CARF. No mais, a fim de afastar a alegação de que "não ficou comprovado que os fretes em tela referemse a fretes na operação de venda", a Requerente diz ter trazido em anexo planilhas (Doc. 11), que, segundo alega, contêm todas as despesas com fretes ocorridas no período. Menciona, como exemplo, as planilhas referentes ao mês de maio de 2009, contendo, segundo diz, todas as despesas de armazenagem e frete nas operações de vendas incorridas no período, com as respectivas contas contábeis, bem como a abertura da Ficha 16A, Linha 7, do Dacon (doc. 12). Crédito presumido da agroindústria Inicialmente a recorrente coloca que o itens descritos como "milho granel", "óleo soja degomado p/ ração", "sui abate misto spl picdal pirâmide", "suíno fêmea reprodução terceiros", consistem de insumo. Explica que: o milho e o óleo de soja são elementos essenciais na produção da ração dos animais, que, por sua vez, são de extrema importância ao processo produtivo; os suínos abate misto ("sui abate misto spl picdal pirâmide") e os suínos fêmeas ("suíno femea reprodução terceiros") são adquiridos para o processo produtivo suíno, já que, a Requerente, como alega, não é totalmente autossuficiente na produção de suínos. No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual fazendo remissão ao caput, vincula, assim, o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a qualquer dúvidas sobre a questão pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. Pedido de perícia e diligência A recorrente pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindolhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia: descrever de forma detalhada os seus processos produtivos; descrever de forma detalhada cada despesa glosada pela Fiscalização; esclarecer qual a relação das Fl. 9264DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.419 13 despesas glosadas pela Fiscalização com o processo produtivo; demonstrar quais despesas de frete são relacionadas à venda de mercadorias e produtos e quais são relacionadas à transferência entre estabelecimentos. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a recorrente também pugna pela realização de diligência fiscal para que o auditor fiscal esclareça se os bens e serviços caracterizados como insumos pela Requerente em sua Dacon são utilizados no processo produtivo e efetivamente guardam relação intrínseca com a geração de receitas, em conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei n° 10.833/03. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade. Da revisão do acórdão Verificada inexatidão material devido a erro no cálculo do crédito passível de ressarcimento, o processo retornou à DRJ para prolação de acórdão revisor, em substituição do Acórdão nº 0735.247, de 30 de julho de 2014. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte e o Acórdão n° 0736.180, de 10/12/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. ASSUNTO: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2009 A 31/03/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua Fl. 9265DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.420 14 essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA.CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. Fl. 9266DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.421 15 Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repetiu as alegações contidas na manifestação de inconformidade e adicionou informações complementares acerca de determinados bens, custos e despesas que considerou como insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de glosa de créditos de COFINS do 1° trimestre de 2009, que resultaram em parciais indeferimento de Pedido de Ressarcimento (PER) e não homologação dos Pedidos de Compensação (DCOMP) vinculados. Em preliminar,a recorrente lista processos administrativos que reputa que devem ser julgados em conjunto, pois são conexos. Está correta: todos estão nesta pauta para julgamento. Cumpre mencionar recorrente consignou em suas peças de defesa detalhadas descrições do seu processo produtivo, laudo do INT (doc. 09 da manifestação de inconformidade), comprovando a essencialidade de determinados bens, custos e despesas á atividade industrial e memorando prerado por engenheiro civil, com minudente explicação de sua operação (doc. 03 do recurso voluntário). O exame dos argumentos contidos no recurso voluntário será essencialmente instruído pelo conceito de insumos (art. 3° da Lei n° 10.637/02) que vem sendo majoritariamente adotado no CARF, qual seja, o de que assim devem ser considerados os custos e despesas essenciais à conclusão do processo de preparação dos produtos. Com efeito, tal posicionamento se alinha à recente decisão proferida pelo STJ, em sede do REsp 1.221.170/PR, sob a sistemática dos recursos repetitivos, publicada em 24/04/18, que, inclusive, considerou como ilegais os conceitos de insumos exarados pelas IN SRF n° 247/02 e 404/04: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Fl. 9267DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.422 16 PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Fl. 9268DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.423 17 Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" Por fim, menciono ainda que adotei como balizadores de minhas conclusões: a premissa de que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, nos termos do art. 373 do Código Processo Civil (Lei n° 13.105/15),; que, na busca da verdade material, há que se verificar se os argumentos da recorrente encontram respaldo nas descrições de seus processos produtivos, com as quais também trabalhou a auditoria fiscal, devidamente confirmadas pelos laudos técnicos carreados aos autos. "PRELIMINARMENTE 11.2 — Da Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade Material" A recorrente requer a decretação da nulidade do despacho decisório, em suma, porque considera que o trabalho da fiscalização foi superficial, baseado em "ilações e leituras genéricas" e não em análise detalhada do processo produtivo. Aduz ainda que não produziu "provas documentais e cabais" de que as operações, tal como informadas e contabilizadas, não ocorreram. Como exemplos, cita o fato de ter chegado a conclusões com base, simplesmente, no Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP). Não obstante as divergências acerca de algumas conclusões a que chegou, entendo que não há motivos que possam eivar de nulidade o despacho decisório. E adoto a conclusão da DRJ como minha razão de decidir: "1 Nulidade do despacho decisório A recorrente suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, ao glosar os créditos com base em ilações genéricas de que os bens e serviços adquiridos não se enquadram no conceito de insumo ou sob a justificativa de que o Cfop referese à aquisição de bens que não gerariam direito a créditos, sem analisar a aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, a fiscalização acabou por glosar indevidamente diversas despesas que caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente despacho decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. Como veremos, entretanto, o procedimento fiscal foi regularmente realizado, tendo sido oferecido à contribuinte todas as condições e oportunidade, não só de Fl. 9269DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.424 18 demonstrar e comprovar o crédito pleiteado, como de exercer amplamente o seu direito à defesa. Vejamos. Inicialmente, firmese que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento através do qual a empresa deve demonstrar ao Fisco todas as operações que influenciam a apuração do valor devido da contribuição para o PIS e da Cofins, não cumulativas, e dos respectivos créditos. Esse demonstrativo possui fichas e linhas específicas que devem necessariamente refletir a real composição do valor da base de cálculo dos créditos apurados e utilizados pelo contribuinte (via desconto, compensação, pedido de ressarcimento ou de restituição), identificando corretamente os custos e despesas que o compõem, a fim viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência do crédito pela Autoridade Administrativa Fazendária competente, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF da jurisdição fiscal do contribuinte/pleiteante, a quem cabe deferir ou não o pleito do contribuinte. Como relatado, a fim de proceder à análise do crédito pleiteado, conforme apurado e informado no Dacon apresentado para o período, a fiscalização intimou a contribuinte/pleiteante a demonstrar e comprovar a origem de todos os valores utilizados na base de cálculo do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Em resposta às intimações fiscais, a interessada prestou os esclarecimentos que julgou necessários e suficientes para tanto e apresentou os documentos de que dispunha. A autoridade fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Como se vê, o Auditor Fiscal, a partir das informações, planilhas e documentos apresentados pela própria interessada durante o procedimento fiscal, tendo em conta a legislação de regência e o processo produtivo da empresa, ajustou o crédito a que a interessada tem direito, glosando os valores não comprovados e os valores para os quais a legislação não prevê direito de créditos. Não se verifica, portanto, que a fiscalização tenha sido superficial e nem tenha ocorrido a alegada apuração fiscal com base em ilações genéricas; compulsando os autos o que se verifica é que a Fiscalização, em sua análise, partiu das informações e dos elementos apresentados pela própria contribuinte, inclusive a descrição dos bens, a nomenclatura atribuída pela contribuinte a alguns bens na escrituração das notas fiscais e nos códigos Cfop nestas consignadas. Notese que, ao contrário do que defende a recorrente, “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” não caberia à fiscalização, mas à própria pleiteante demonstrar e comprovar todos os “fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado”; o que veremos no item que segue sobre repartição do ônus da prova no âmbito dos processos administrativos. É descabida, portanto, a intenção da recorrente de afastar as informações que prestou à fiscalização, inclusive dos Cfop contidos nas notas fiscais apresentadas, como meio de prova suficiente para demonstrar a natureza de suas operações. Isso porque todas as informações, planilhas e documentos apresentados pela própria interessada durante o procedimento fiscal a vinculam perante o Fisco, pelo menos Fl. 9270DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.425 19 até que esta logre comprovar qualquer equívoco cometido, obviamente, por meios hábeis para tanto, todavia em sede de análise do mérito e não enquanto preliminar. No que concerne ao Cfop, é importante ter em conta que a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Assim é que no âmbito dos tributos federais não se pode prescindir do formalismo e oficialidade conferido pelas notas fiscais aos atos negociais praticados pelas pessoas jurídicas; destes as notas fiscais fazem prova perante o fisco na medida em que gozam de presunção (relativa) de veracidade, presunção esta somente afastada, por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. Assim, à evidência, descabida é a intenção da recorrente de descaracterizar a análise e a decisão proferida pela DRF com base no argumento de que os elementos por ela fornecidos à fiscalização não seriam hábeis e suficientes para informar a realidade dos fatos. No mais, verificase que no relatório fiscal há a identificação de cada valor glosado da base de cálculo do crédito e a clara motivação da glosa. Compulsando o relatório vêse que este foi devidamente fundamentado, contendo as informações necessárias e suficientes para o conhecimento das irregularidades apuradas e a produção da defesa da contribuinte. De outro turno, em respeito ao devido processo legal, a contribuinte foi notificada da decisão, sendolhe conferido prazo para contestála, contestação que ora se analisa. Portanto, tendo em conta que no âmbito de processos de reconhecimento de direito creditório é do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar o direito que alega (matéria que será tratada no item seguinte), temse que o procedimento fiscal foi regularmente realizado, sendo improcedente a alegação de que a análise fiscal teria sido superficial em razão de se basear nos documentos e informações prestadas pela fiscalizada. Concluise que a decisão recorrida foi proferida por autoridade competente, tendo sido respeitados os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual é improcedente é alegação de nulidade do feito fiscal." Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar. "III.2.3 — Dos Bens para Revenda (Ficha 16A e 16B— Linha 01 da DACON) a) Dos Bens Para Revenda Sujeitos à Alíquota Zero " A fiscalização glosou créditos sobre bens cujas compras era tributadas à alíquota zero, com fundamento nos incisos II dos § 2° dos art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: "(. . .) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) Fl. 9271DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.426 20 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." A DRJ ratificou o procedimento fiscal. O contribuinte alega que citado dispositivo veda créditos tão somente quando a revenda do produto não estiver no campo de incidência das contribuições, o que não seria o caso, posto que sofrem tais imposições, porém à alíquota zero. Adicionalmente, alega que alíquota zero e isenção são institutos similares. Transcreve opiniões de doutrinadores neste sentido. E, assim entendido, poderia registrar os créditos, pois o citado dispositivo legal admite o registro de créditos relativos a produtos isentos, caso a saída seja tributada. Regra geral, as leis vedam o registro de créditos derivados da compra de produtos não tributados, a fim de preservar a sistemática da não cumulatividade. Não se pode registrar créditos, cujos valores não foram computados no preço e, por conseguinte, não foram pagos pelo adquirente. As leis, todavia, abriram uma exceção à isenção, desde que o bem seja aplicado em produto ou serviço cuja receita de venda seja tributada. Ao dispor que não gera direito a crédito a aquisição "de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção", o legislador não excluiu apenas os bens, cuja operação de compra estiver fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, como aduziu a Recorrente. Se assim o fosse, não teria criado exceção à regra para as aquisições isentas das contribuições. Também excluiu os tributados à alíquota zero e os beneficiados pela suspensão. Também não acompanho a Recorrente, quando aduz que, por serem similares, a isenção e tributação à alíquota zero devem ser receber o mesmo tratamento, quando se trata de creditamento de PIS e COFINS. Não obstante o fato de o resultado final ser o mesmo desoneração tributária a isenção e a tributação reduzida a zero são institutos que se encontram previstos em dispositivos legais distintos, com existência própria. Não cabe conferir a um (alíquota zero) o mesmo tratamento dispensado ao outro (isenção), em razão de ambos representarem renúncias fiscais. Por fim, no sentido de não reconhecer o direito a créditos sobre aquisições de bens tributados à alíquota zero, vale mencionar as decisões do STF em sedes do RE n° 628.093/RS. Portanto, nego provimento às alegações contidas neste tópico. "b) Dos Bens Para Revenda que Possuem Aliquota Concentrada" Foram glosados os créditos derivados de compras de GLP, em razão de estar sujeito à tributação concentrada e, por conseguinte, não gerando crédito para o revendedor. A Fl. 9272DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.427 21 DRJ não considerou as alegações da recorrente de que, na verdade, tratavase de insumo industrial, pois entende que este argumento não foi apresentado e, por conseguinte, analisado pela fiscalização, uma vez que fora informado no DACON como bem para revenda. A defesa sustenta que, ao contrário do que espelhou no DACON, o GLP era utilizado na produção para "i) chamuscagem de suínos para retirar seus pêlos, que pertence ao processo produtivo dos suínos; (ii) aquecimentos dos sistemas de incubação e das aves, que pertence ao processo produtivo das aves; (iii) fritura e cozimento de empanados e produtos industrializados, etc.." E, como a receita com a venda dos respectivos produtos era tributada pelas contribuições, tem direito à tomada dos créditos. A recorrente argumentou, porém não comprovou que o GLP foi aplicado no processo industrial. E, da leitura das descrições das atividades industriais e laudos, tampouco se encontra respaldo para o que afirma. Assim, nego provimento. "III.2.4 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Ficha 16A — Linhas 02 e 03 da DACON) a) Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos" A fiscalização glosou créditos sobre as compras de diversos bens que concluiu não se enquadrarem no conceito de insumos, aplicando os restritivos conceitos das IN RFB n° 247/02 e 404/04. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou argumentos para sustentar o registro de créditos daqueles itens que julgou mais relevantes A DRJ ratificou o procedimento fiscal e ainda dispôs que não pôde avaliar se os demais itens eram realmente intrinsecamente ligados ao processo fabril, tão somente pelos conceitos gerais de insumos levados aos autos pela recorrente. No recurso voluntário, a recorrente repete os argumentos da primeira peça de defesa. E aduz não ter sido possível analisar "cada uma das 2 mil glosas registradas na planilha 'NF Glosadas Não representam Aquisições de Insumos'", tendo, assim, optado por tratar individualmente os considerados mais relevantes. Nos parágrafos seguintes, aprecio os argumentos apresentados pela recorrente, porém, antecipadamente, manifesto que concordo com a DRJ no sentido de que não é possível acatar alegações genéricas, devendo ser considerada como "(. . .) não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." (art. 17 do decreto n° 70.235/72). "(i) Indumentária e Itens de Uso Obrigatório" A recorrente apresentou os seguintes argumentos: Fl. 9273DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.428 22 Não há dúvida de que tratase de insumos. Depreendese das informações constantes nos autos que os itens acima listados são essenciais à manutenção da integridade e qualidade dos alimentos e, portanto, essenciais à produção. Corrobora com este entendimento, a seguinte decisão da CSRF: Acórdão n° 930301.740, da CSRF COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Dou provimento aos argumentos. Fl. 9274DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.429 23 "ii) Pallets" e "(iii) Repaletização" A recorrente informa que os pallets são insumos, pois utilizados para proteção das mercadorias, quando movimentadas nos estoques. E, em exportações, como material de embalagem. Traz excerto do laudo do INT e decisões do CARF que corroboram com seus argumentos. E, na mesma linha de raciocínio, devem ser admitidos como insumos os serviços de restauração de pallets. Mais uma vez, colacionou trecho do laudo do INT. Indubitavelmente, os pallets são imprescindíveis, essenciais ao processo industrial, como se depreende das informações constantes do autos. E os serviços de repalletização, por conseguinte, também; Ocorre que os créditos foram calculados sobre os valores das compras, como se pudessem ser integralmente e de pronto consumidos, sem que fossem identificados os valores relativos aos pallets: utilizados como embalagem e que, por conseguinte, integraram os custos dos estoques (insumo passível de creditamento de imediato, de acordo com os incisos II dos art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03); ou integrantes do ativo imobilizado (neste caso, o crédito seria albergado nos incisos VI dos art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, e deveria ser calculado sobre os custos com depreciação). O serviço de repalletização é evidência clara de que havia reaproveitamento de pallets e que, portanto, nem todos eram utilizados como embalagens. Assim, dada a ausência das informações complementares acerca do emprego dos pallets objetos da defesa, nego provimento. "(iv) Materiais e Equipamentos" A recorrente sustenta que; I) detergentes, lubrificantes, anticorrosivos e fusíveis são aplicados na produção de ração animal e em equipamentos de corte de carnes; II) acoplamentos de borracha em ligações de eixos rotativos de máquinas; III) conectores e desengrachantes, para garantir o funcionamento eficaz de máquinas e evitar vazamento de óleo, graxa e combustível; IV) combustíveis (gasolina, óleo, GLP, gás acetileno, argônio e oxigênio industriais), como energia para funcionamento de máquinas; V) dicoflenato sódico, como medicamento para aves; VI) metionina, treonina e neomicina, na produção de ração; Fl. 9275DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.430 24 VII) serviços de manutenção, revisão, inspeção, regulagem e calibração de máquinas; Dada a atividade desenvolvida pela recorrente, detalhadamente descrita nas peças de defesa e corroborada pelos laudos técnicos, indubitavelmente, devemos admitir na base de cálculo dos créditos os custos citados nos itens "V" e "VI", posto que, inclusive, não se poderia imaginar uma outra destinação plausível. No tocante aos demais, todavia, não há na defesa informações detalhadas acerca das máquinas nas quais os listados produtos teriam sido aplicados. Com relação a peças e serviços de manutenção, revisão, inspeção, regulagem e calibração, além da ausência de identificação das máquinas, para fins de aceitação dos créditos, haveria ainda que definir se aumentaram a vida útil do bem. Caso positivo, deveriam ter sido contabilizadas no custo do bem do ativo imobilizado, para posterior depreciação (art. 346 do Regulamento do Imposto de Renda decreto n° 3.000/99)? Isto posto, dou provimento parcial, revertendo as glosas dos itens nos itens "V" e "VI", acima mencionadas. "(v) Serviços Realizados por "Operador Logístico" Não foram acatados serviços de carga e descarga, movimentação de saída de mercadorias e crossdoking (processo de recebimento de mercadoria e imediata preparação para carregamento e entrega ao cliente). Vejo os gastos com carga e descarga como, dependendo do caso, integrante dos de aquisição (incisos II dos art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) ou armazenagem e frete sobre vendas (inc. IX do art. 3° e inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). E, dada à sua natureza e clareza com que foram identificados nos registros contábeis, também não vejo necessidade de informações complementares para que sejam admitidos os créditos correspondentes. "(vi) Análises Laboratoriais" Não foram admitidos créditos sobre custos com análises laboratoriais de alimentos, para confirmar estarem aptos para o consumo humano. Voto pela reversão das glosas, posto que são essenciais á conclusão do processo de preparação para consumo de gêneros alimentícios. "b) Dos Bens Utilizados como Insumos — Aquisições de Pessoas Físicas" Os gastos com compras de pessoas físicas de lenha para caldeiras não foram admitidos nas bases de cálculo dos créditos. Na manifestação de inconformidade, sustenta que a lenha movimenta a caldeira de escaldagem de animais, consistindo em insumo. Não obstante, alternativamente, pleiteou o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. Fl. 9276DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.431 25 A DRJ concordou com a fiscalização, alegando que aquisições de pessoas físicas não dão direito a créditos, nos termos dos incisos I dos §§ 3° dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, afastou a possibilidade de concessão de ofício de crédito presumido, pois não cabe à fiscalização investigar formas alternativas de concessão de crédito, diferente daquelas indicadas no DACON. No recurso, repete os argumentos e adiciona que o mero erro no preenchimento do DACON não tem o condão de impedir que, alternativamente, seja conferido crédito presumido. Voto por negar provimento, em linha com a decisão da DRJ. Por um lado, porque o crédito sobre compra de pessoa física é expressamente vedado (incisos I dos §§ 3° dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). E, por outro, porque reputo que não cabe aos colegiados de primeira ou segunda instâncias conduzir processo investigativo, para concluir acerca da possibilidade de o contribuinte computar créditos alternativos àquele que foi efetiva e formalmente pleiteado. Com relação ao último argumento, vale mencionar que reconheço que há circunstâncias em que até é possível a redução de crédito tributário lançado de ofício, por exemplo, por meio da utilização de créditos a compensar ou de saldos de prejuízos fiscais (CSL ou IRPJ). Contudo, tais créditos devem então já constar em declarações ou livros fiscais, o que não seria o caso em tela, que requereria a busca por informações acerca do processo industrial do qual a caldeira tomou parte e dos produtos dele resultantes, para então verificar seu perfeito enquadramento no rol de produtos do caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. "c) Dos Bens Utilizados como Insumos — Bens Sujeitos à Alíquota Zero" Houve glosa de créditos cujas compras eram tributadas à alíquota zero. Para este caso, a fiscalização apresentou o seguinte resumo dos produtos e das fundamentações legais das glosas (fl. 574), integralmente ratificadas pela DRJ: Fl. 9277DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.432 26 Nas peças de defesa, a recorrente remetese às alegações contidas no tópico acima tratado "III.2.3 — Dos Bens para Revenda (Ficha 16A e 16B— Linha 01 da DACON) a) Dos Bens Para Revenda Sujeitos à Alíquota Zero ". Voto por negar provimento, tal qual o fiz para o tópico citado no parágrafo precedente. "d) Dos Bens Utilizados como Insumos — Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos" Consta na "Informação Fiscal" (4.334 a 4.369) que foram identificadas compras que de bens cujo CFOP indicava não se tratarem de operação com direito a crédito. Na respectiva planilha (fls. 571 a 573), constam aquisições sob os seguintes CFOP códigos confirmados com o Convênio ICMS s/n de 15/12/1970 : i) 3556, 2556 e 1556 (material de uso e consumo); ii) 1949 e 3949 (outras entradas não especificadas); eiii) 2407 e 1407 (material de uso e consumo sob regime de substituição tributária de ICMS). Na manifestação de inconformidade, a recorrente acusa a fiscalização de ter efetuado trabalho muito superficial, pois, tão somente com base nos CFOP, não seria possível concluir se eram ou não insumos, o que requereria exame do processo produtivo. no recurso voluntário, trouxe elementos de defesa para alguns bens. E que equívocos na determinação do CFOP não pode comprometer o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. Adicionalmente, de forma genérica, informa que diversos produtos químicos constante da planilha de glosa são produtos químicos utilizados no processo industrial. A DRJ confirmou o trabalho da fiscalização. Lembrou que foi efetuado com base nas informações prestadas pelo contribuinte e que a nota fiscal "é, por excelência, o meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas". E que, oportunamente, deveria ter provido o auditor das provas de que se travam de insumos, pois o ônus de comprovar a existência do direito é de quem alega detêlo. Minha leitura da legislação fiscal, é a de que a comprovação plena das operações comerciais passa não somente pelas notas e livros contábeis e fiscais e contratos, porém, e notadamente, pelas evidências de elementos que comprovem cabalmente suas natureza, efetividade e emprego nos negócios. E, para tanto, no caso de serviços, há que se reunir relatórios técnicos, contendo pareceres e recomendações. Quanto a aquisições de bens, manuais e laudos técnicos que demonstrem a que se destinam e de que forma são utilizados na respectiva atividade empresarial. Não obstante, da leitura dos autos, confirmase o relatado pela DRJ. A recorrente tinha pleno conhecimento do propósito da auditoria fiscal e dos dados que deveria fornecer para a comprovação da legitimidade dos créditos. E o agente fiscal, com base nos elementos fornecidos, concluiu seu trabalho. Portanto, tal qual consignei na preliminar, não vejo defeito no trabalho fiscal, que o eive de nulidade. O recurso voluntário repete a manifestação de inconformidade, porém com mais detalhes acerca dos produtos cujos créditos foram glosados. Fl. 9278DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.433 27 Tal qual procedi em tópico anterior, para que eu vote pela reversão de glosas, em princípio, fazse necessária a conciliação dos argumentos com as descrições dos processos produtivos e laudos técnicos. Exceção, contudo, há que se fazer aos casos em que a descrição do produto, por si só, seja esclarecedora e dispense uma análise técnica de especialista. Ademais, consigno que supero eventuais erros na classificação fiscal em CFOP, em nome da verdade material. Dito isto, a única glosa que proponho que seja revertida é a da metionina, empregada na produção de ração animal, tal qual o fiz em tópico anterior, sob as mesmas alegações. "e) Dos Bens Utilizados como Insumos — Vendas com Suspensão de Contribuição ao PIS e de COFINS" Foram glosados os créditos integrais, calculados sobre as aquisições de produtos beneficiadas com suspensão do PIS e da COFINS (artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04): leite in natura e outros produtos agropecuários. A DRJ confirmou o entendimento da fiscalização. A Recorrente alega que os produtos são insumos e as respectivas compras realizadas sofreram tributação pelo PIS e COFINS, posto que a suspensão tornouse obrigatória tão somente após a edição da IN SRF n° 977/09 (1/11/2009). Até então, sob a IN SRF n° 660/2006, era opcional. Divirjo da Recorrente. Restou incontroverso que os produtos adquiridos encontramse no caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. E minha leitura do art. 9° da Lei n° 10.925/04 é a de que, desde sua instituição, a aplicação da suspensão era obrigatória e não opcional, a despeito do que se pudesse inferir da leitura da IN SRF n° 660/06. Ademais, não há evidência nos autos de que as compras tenham sido oneradas pelas contribuições. E o registro de créditos, em casos de suspensão, é vedado pelos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Vejamos: "Lei n° 10.925/04 Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro Fl. 9279DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.434 28 de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. [...] Art. 9° A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 9280DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.435 29 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Portanto, nego provimento aos argumentos da Recorrente. "III.2.5 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 16A — Linha 07 da DACON)" Os créditos sobre as despesas com frete foram glosadas, porque a recorrente não as vinculou a operações de venda, circunstância única em que a fiscalização admitiria o creditamento (inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). A DRJ ratificou tal posicionamento. Consultei a planilha de glosas de fretes (fls. 617 a 757) e percebi que a fiscalização conseguiu identificar, em diversos casos, por meio das notas fiscais, que o bem transportado era "produto lácteo" ou "laticínio". Nos demais, há descrição genérica de que tratavase de operação "fretes e carretos" ou mesmo de produto não vinculado pela recorrente ao processo produtivo. Assim, de pronto voto pela manutenção das glosas, quando não há identificação da natureza da operação (ex: compra de insumos, venda de produtos acabados etc.) ou vinculação do produto transportado à atividade industrial. Por outro lado, nas situações em que há descrição do produto transportado, constando "laticínios" ou "produtos lácteos", notoriamente relacionados à atividade industrial da recorrente, meu voto é pela reversão das glosas. E, conforme explicarei em seguida, não importa se em operação de compra, venda ou transporte entre estabelecimentos da recorrente. A meu ver, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos os fretes incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, nas venda e nos deslocamentos entre estabelecimentos do mesmo titular. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível Fl. 9281DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.436 30 que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. Em linha com meus posicionamentos, cito os Acórdãos nº 3402002.881, de 28/1/2016, e nº 340101.715, de 15/2/2012, de cujas ementas extraio excertos, a saber: "FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes vinculados à aquisição de insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem como custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do RIR/99." (Acórdão nº 3402002.881) "FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A norma introduzida pelo art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual os fretes prestados por pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base neste inciso os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e mercadorias produzidas ou vendidas, também dão direito a créditos. Mas para tanto há necessidade de comprovação quanto aos bens transportados e aos percursos, sem a qual os créditos são negados." (Acórdão nº 340101.715) Com base no acima exposto, voto por reconhecer os direitos creditórios relacionados às despesas com fretes de "laticínios" ou "produtos lácteos. Por outro lado, voto por manter a glosa dos créditos sobre fretes nos demais casos. "III.2.6— Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais" A controvérsia gira em torno do cálculo do crédito presumido sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04. Enquanto a fiscalização e DRJ entendem que o percentual a ser aplicado sobre o valor da compra deve ser determinado com base na classificação na TIPI do insumo adquirido, a Recorrente alega que seria a do produto no qual o insumo é aplicado. Transcrevo o art. 8º da Lei nº 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de Fl. 9282DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.437 31 dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1° deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Posteriormente, a Lei n° 12.865/13 acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, a saber: "§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3°, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." Realmente a redação original dos inciso I ao III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 ensejava dúvidas. Mas, com a edição da Lei n° 12.865/13, a controvérsia terminou. O percentual deve ser determinado, de acordo com a classificação na TIPI do produto no qual o insumo é aplicado. E seus efeitos são efeitos são retroativos, abrangendo o caso em tela anocalendário de 2009 em razão do art. 106 do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 9283DF CARF MF Processo nº 10983.911350/201100 Acórdão n.º 3301004.903 S3C3T1 Fl. 5.438 32 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Voto pelo provimento da alegação da Recorrente, qual seja, de que o percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos é determinado pela classificação na TIPI do produto no qual foi aplicado. "IV Pedido de Perícia e de Diligência" A Recorrente protesta pela realização de perícia, para demonstrar a aplicação dos insumos glosados em seu processo de industrialização. A fase de produção de provas acerca da legitimidade dos créditos já se expirou. Ademais, uma diligência não se presta para produzir provas em favor ou contra qualquer uma das partes, porém para o provimento de esclarecimentos sobre os elementos que já se encontram nos autos. Assim, nego provimento. Conclusão Voto pelo provimento parcial, a saber: com reversão das glosas de créditos calculados sobre idumentárias, dicoflenato sódico, metionina, treonina, neomicina, fretes para transporte de "produtos lácteos" e "laticínios", serviços realizados por operador logístico e análises laboratoriais; reconhecendo que, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, deve ser determinado de acordo com a classificação na TIPI do produto em que o insumo adquirido foi aplicado. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 9284DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720351/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
BENEFÍCIOS FISCAIS - INTELIGÊNCIA DO ART. 111 DO CTN
A luz do art. 111 do CTN, as normas concessivas de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma linear e neutra, de sorte a garantir que seus efeitos não sejam estendidos à hipóteses nelas não contempladas, nem tampouco restringidos para afastar a sua incidência dos fatos explicita ou implicitamente contidos na regra isentiva.
LEI 11.196, ART. 18. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
Tendo em conta a regra hermenêutica contida no art. 111 do CTN, o art. 18 da Lei 11.196, contrariamente ao entendimento adotado pela fiscalização, não restringe o benefício encartado nos artigos 17 e 19 da citada lei; os pagamentos realizados à empresas de médio e grande porte somente não serão dedutíveis na hipótese de terceirização da atividade de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, excetuados os casos de terceirização pactuados com micro e pequenas empresas.
PROCESSUAL - INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELO ÓRGÃO JULGADOR A QUO.
É vedada a inovação dos fundamentos do lançamento pela DRJ, por violar a garantia da ampla defesa.
PROCESSUAL - VALORAÇÃO DAS PROVAS - ART. 371 DO CPC - PREVALÊNCIA DAQUELA COM MAIOR CREDIBILIDADE
Confrontadas provas que, em tese, possuem o mesmo valor probandi, o julgador é livre para considerar aquela que lhe pareça, razoavelmente, mais completa para demonstrar a premissa fática da demanda, mormente no caso de pareceres com conclusões antagônicas, expedidos pelo mesmo órgão da administração publica federal em que, num deles, se observa a existência de dados mais completos a lhe emprestar credibilidade, exclusivamente, quanto ao objeto analisado.
Numero da decisão: 1302-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou pelas conclusões do relator. Declarou-se impedido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 BENEFÍCIOS FISCAIS - INTELIGÊNCIA DO ART. 111 DO CTN A luz do art. 111 do CTN, as normas concessivas de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma linear e neutra, de sorte a garantir que seus efeitos não sejam estendidos à hipóteses nelas não contempladas, nem tampouco restringidos para afastar a sua incidência dos fatos explicita ou implicitamente contidos na regra isentiva. LEI 11.196, ART. 18. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Tendo em conta a regra hermenêutica contida no art. 111 do CTN, o art. 18 da Lei 11.196, contrariamente ao entendimento adotado pela fiscalização, não restringe o benefício encartado nos artigos 17 e 19 da citada lei; os pagamentos realizados à empresas de médio e grande porte somente não serão dedutíveis na hipótese de terceirização da atividade de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, excetuados os casos de terceirização pactuados com micro e pequenas empresas. PROCESSUAL - INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELO ÓRGÃO JULGADOR A QUO. É vedada a inovação dos fundamentos do lançamento pela DRJ, por violar a garantia da ampla defesa. PROCESSUAL - VALORAÇÃO DAS PROVAS - ART. 371 DO CPC - PREVALÊNCIA DAQUELA COM MAIOR CREDIBILIDADE Confrontadas provas que, em tese, possuem o mesmo valor probandi, o julgador é livre para considerar aquela que lhe pareça, razoavelmente, mais completa para demonstrar a premissa fática da demanda, mormente no caso de pareceres com conclusões antagônicas, expedidos pelo mesmo órgão da administração publica federal em que, num deles, se observa a existência de dados mais completos a lhe emprestar credibilidade, exclusivamente, quanto ao objeto analisado.
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LEI 11.196, ART. 18. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Tendo em conta a regra hermenêutica contida no art. 111 do CTN, o art. 18 da Lei 11.196, contrariamente ao entendimento adotado pela fiscalização, não restringe o benefício encartado nos artigos 17 e 19 da citada lei; os pagamentos realizados à empresas de médio e grande porte somente não serão dedutíveis na hipótese de terceirização da atividade de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, excetuados os casos de terceirização pactuados com micro e pequenas empresas. PROCESSUAL INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELO ÓRGÃO JULGADOR A QUO. É vedada a inovação dos fundamentos do lançamento pela DRJ, por violar a garantia da ampla defesa. PROCESSUAL VALORAÇÃO DAS PROVAS ART. 371 DO CPC PREVALÊNCIA DAQUELA COM MAIOR CREDIBILIDADE Confrontadas provas que, em tese, possuem o mesmo valor probandi, o julgador é livre para considerar aquela que lhe pareça, razoavelmente, mais completa para demonstrar a premissa fática da demanda, mormente no caso de pareceres com conclusões antagônicas, expedidos pelo mesmo órgão da administração publica federal em que, num deles, se observa a existência de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 51 /2 01 2- 91 Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.274 2 dados mais completos a lhe emprestar credibilidade, exclusivamente, quanto ao objeto analisado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou pelas conclusões do relator. Declarouse impedido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em desfavor do recorrente para lhe exigir créditos tributários relativos ao IRPJ e a CSLL concernentes ao ano calendário de 2010, decorrentes das glosas de despesas deduzidas pelo contribuinte a título de "Dispêndios com Pesquisas e Desenvolvimento de Inovações Tecnológicas" (cuja dedução foi regrada pela Lei 11.196/05). Em apertadíssima síntese, a D. Auditoria discorre no relatório fiscal, preliminarmente, sobre a natureza de tais despesas, lembrando se tratar de benefício fiscal dado pela alcunhada MP do Bem, posteriormente convertida na citada Lei 11.196. Pelo que foi exposto ali, a ação fiscal teve por objeto a verificação do regular recolhimento do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2010 tendo, ab initio, identificado "indícios de exclusão indevida, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (...) de valores relativos a incentivos fiscais tecnológicos". Em razão disso, intimou o contribuinte a apresentar: a) os documentos constitutivos das empresa, bem como a relação de órgãos deliberativos societários e respectivas composições; b) o formulário MCT (documento que comprova o cadastro do contribuinte no Ministério da Indústria e Desenvolvimento, contendo a descrição dos projetos de pesquisa que, na forma da Lei 11.196 e do Decreto 5.798/06, lhe garantiriam o gozo dos benefícios descritos nos art. 17 e 19 da citada norma legal); Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.275 3 c) os valores dos dispêndios incorridos pelo contribuinte e utilizados na forma do art. 17, I, da Lei 11.196; d) os registros contábeis das despesas pagas à terceiros para desenvolvimento de pesquisas e desenvolvimento tecnológico; e) o percentual representativo dos dispêndios incorridos pela empresa em programas de pesquisa e desenvolvimento que teria sido deduzido como despesas operacionais da base de cálculo dos tributos em análise; f) por fim, DIPJ, Balancetes mensais, LALUR, DRE´s e o relatório "Sinco Contábil". Apresentada a resposta à esta intimação, com atendimento parcial, a fiscalização reintimou o contribuinte mais algumas vezes, sendo uma para apresentar "os documentos relacionados nos itens 5 (Registros Contábeis dos Dispêndios), 7 (DIPJ) e 9 (LALUR)", e novamente, para que o recorrente trouxesse o LALUR; posteriormente, intimouo uma vez mais para apresentar cópia atualizada de seu estatuto e, finalmente, para apresentar o último balanço apurado até então. Atendidas as intimações, procedeuse à lavratura dos autos de infração, basicamente, sobre três fundamentos: a) o contribuinte não teria registrado as despesas incorridas nos programas de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico em contas contábeis específicas (não obstante têlas, inicialmente, identificado com a anotação "IT Inovação Tecnológica" em conta contábil geral). A despeito do contribuinte ter, posteriormente, procedido à reclassificação de suas contas a fim de destacar, expressamente, tais dispêndios, a Auditoria entendeu que este procedimento seria extemporâneo e, portanto, insuficiente para preencher os pressupostos legais descritos na Lei 11.196; b) em consulta ao MCTI, foi lavrado parecer de nº 077/2011 em que o aludido órgão opina pelo não enquadramento dos programas descritos pelo recorrente no formulário MCTI no benefício regrado pela Lei 11.196, seja porque as informações prestadas pela empresa não seriam precisas e claras a demonstrar o desenvolvimento de pesquisas e a sua aplicação para os fins do art. 17 da aludida norma legal, seja porque o contribuinte teria efetuado pagamentos à empresas de médio e grande porte, o que, ao ver daquele órgão, afastaria o direito ao gozo do citado benefício (mormente à luz dos preceitos do art. 4º, § 9º, da IN/RFB de nº 1.189/11); c) com espeque no Parecer acima citado, concluiu pela ilegalidade das deduções realizadas pelo recorrente. O contribuinte apresentou sua impugnação administrativa, sustentando, de forma resumida que: a) o art. 22, I, da Lei 11.196/05, que exige o registro contábil específico das despesas incorridas com os chamados P&DI é norma meramente instrumental e cujos os desígnios teriam sido atendidos pela empresa ao destacar as anotações "IT Inovação" à frente de cada um dos registros. Alegou, aqui, mais, que nada obstante a possibilidade de se identificar, com precisão, o lançamento de tais despesas em sua escrita contábil, promoveu a Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.276 4 reclassificação de suas contas antes mesmo do início desta ação fiscal (cujos lançamentos foram, inclusive, utilizados pelo fisco para efetuarse à apuração ora questionada) o que, além de provar não ter havido prejuízos à administração pública federal, comprova o atendimento pelo insurgente aos preceitos do art. 22, I, anteriormente mencionado; b) que dado o fato de não ser possível descrever de forma mais precisa, no formulário MCTI, os processos cujos dispêndios foram objeto das glosas analisadas neste feito, e, considerando que o Ministério da Ciência e Teconologia não aprofundou a sua análise sobre as informações prestadas (tendo afirmado, por meio do parecer 077/11, não ser possível concluir se os projetos em testilha eram, ou não, de inovação tecnológica), caberia à fiscalização diligenciar a fim de se certificar sobre a natureza dos preditos programas (seja por meio de intimações específicas endereçadas ao contribuinte, seja por meio de prova técnica conclusiva), reprisando, mais uma v,z que o mister de validar tais informações seria da Receita Federal e não do MCTI; c) ao fim, sustentou que, a despeito de sua concisão, as informações contidas no citado formulário eram, sim, suficientes para demonstrar que os programas cujas despesas foram glosadas atendiam aos pressupostos legais necessários à concessão do benefício em análise; d) quanto a contratação de empresas de médio e grande porte, sustenta que a Lei 11.196 nunca limitou o benefício na forma que opinada pelo MCTI, dizendo, outrossim, que a contratação de tais serviços seria possível se, e desde que, os processos e programas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico permanecessem sob a coordenação e execução do contratante; quando menos, afirma, a regra inserta no art. 19 da Lei 11.196 não representaria uma restrição ao gozo do benefício; numa primeira interpretação, este preceito permitiria a dedução das despesas ainda que o processo de pesquisa tenha sido transferido (encomendado) à terceiros; em outra linha interpretativa, tal preceptivo tornaria ainda mais abrangente o benefício, permitindo a dedução de quaisquer despesas incorridas com MEs ou EPP, ainda que nãooperacionais. Ao analisar a impugnação do contribuinte, a DRJ houve por bem julgála improcedente. De acordo com o citado aresto, não obstante entender terem sido preenchidos os pressupostos do art. 22, I, (afastando a correção da conclusão fiscal neste ponto. registro contábil específico das despesas), caberia ao então impugnante trazer ao feito documentos e fatos que pudessem desacreditar o Parecer MCTI e que, ao não fazêlo, não demonstrou a natureza dos P&DI de sorte a afastar as conclusões exaradas nos autos de infração. Lado outro, não obstante entender ser possível utilizarse do benefício mesmo quanto à despesas incorridas com empresas de médio e grande porte, caberia ao contribuinte demonstrar que os projetos de pesquisa e desenvolvimento teriam permanecido sob a coordenação e execução da contratante, mister do qual, segundo a DRJ, o contribuinte não teria se desincumbido. O contribuinte foi cientificado do resultado do julgamento em 11/03/2013 (AR de fl. 1.984), tendo interposto o seu recurso voluntário em 10/04/2013 (doc. de fl. 1988), por meio do qual, além de reprisar parte dos argumentos deduzidos em sua impugnação, complementou suas razões de insurgência a partir dos seguintes argumentos: a) a decisão recorrida seria "omissa" quanto a conclusão exarada no laudo do MCTI que teria apontado apenas a impossibilidade de se verificar se os projetos cujos Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.277 5 dispêndios foram glosados, seriam, efetivamente, de desenvolvimento e inovação tecnológica (fato que não permitiria calçar a conclusão fiscal); mais que isso, teria ocorrido inegável "inversão do ônus de prova", já que, em sendo inconclusivo o laudo do MCTI, caberia à Auditoria fiscal exaurir a matéria fática e efetivamente lastrear, documentalmente, a sua imputação, sob pena de violação aos preceitos dos arts. 112 e 142 do CTN; b) ao afirmar que tanto a demonstração da imprestabilidade do laudo elaborado pelo MCTI, como a inocorrência de transferência dos projetos para os terceiros, empresas de grande porte, a DRJ teria inovado a demanda, já que tais provas nem mesmo foram solicitadas, na fase de instrução, pela Auditoria Fiscal; c) os laudos elaborados por empresa particular (juntados ao processo, apenas, por ocasião do recurso voluntário), quanto a cada um dos projetos tratados no Formulário MCTI e, mais, o laudo de fls. 2352 (anexado posteriormente à interposição do recurso voluntário), da lavra do Instituto Nacional de Tecnologia, demonstrariam que os citados P&DI seriam, de fato, de inovação tecnológica. A PGFN se manifestou nos autos (fl. 2.592/2.601) para, num primeiro momento, sustentar a preclusão do direito do contribuinte de apresentar novas provas e, passo seguinte, sustentar que o laudo do INT não teria maior força probandi que o laudo elaborado pelo MCTI (mormente por se tratarem órgãos pertencentes à uma mesma estrutura administrativa sem distinção de grau hierárquico). Passo seguinte, tece considerações sobre o registro contábil das despesas glosadas e ataca as provas trazidas pelo recorrente para demonstrar que não houve transferência dos projetos à terceiros (notadamente por se tratar de prova unilateral). O autos, então, foram distribuídos à este Colegiado, ocasião que o então relator, Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva, acolheu os documentos juntados no recurso voluntário e, especialmente, o laudo do INT (fl. 2.352/2.390), justamente porque tais documentos não teriam sido solicitados pelo Fisco quando do início da ação fiscal, seja porque, quanto a este último laudo, o mesmo teria sido concluído apenas após a apresentação do apelo ora em análise. A seguir, considerando a existência de dois laudos oriundos de estruturas de uma mesmo órgão vinculado à administração publica federal direta, com conclusões diametralmente opostas, o citado Conselheiro propôs resolução para converter em diligência o julgamento a fim de que a Unidade de Origem intimasse o MCTI sobre as considerações do laudo da lavra do já citado INT. Em resposta à intimação fiscal, o MCTI, nada obstante reconhecer a expertise do INT, limitouse a reiterar as conclusões exaradas no Parecer 077/11. O processo retornou ao CARF, desta vez, sob a relatoria do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior que novamente converteu o julgamento em diligência a fim de que fosse perquerido, junto ao MCTI, os motivos para ignorar as conclusões alcançadas pelo INT. A resposta apresentada pelo MCTI (fls. 3.001 a 3005) sob a forma do Parecer Técnico 3255 limita as explicações quanto a divergência de conclusões entre o seu parecer e o laudo lavrado pelo INT ao seguinte trecho deste mencionado documento: Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.278 6 Nos Relatórios de Diagnóstico Técnico de Projetos (RDP's) elaborados pelo INT percebese claramente que foram focados essencialmente na questão da Inovação. Contudo, tornase oportuno ressaltar que a inovação em si não é o fator determinante para a concessão dos incentivos fiscais às empresas e sim a realização de atividades de pesquisa básica dirigida, pesquisa aplicada, desenvolvimento experimental, tecnologia industrial básica e os serviços de apoio técnico, conforme conceituados no Inciso II, do Art. 2° do Decreto n° 5.798, de 07.06.06 (Decreto que regulamentou o Capítulo Ilida Lei do BEM) (...). Diferentemente do entendimento do INT/MCTIC a equipe técnica da CGIT/SETEC, considerando as informações apresentadas no FORMP&D (Item 3.1 "Descreva abaixo com clareza no que consiste a pesquisa (PB, PA ou DE), e quais são seus marcos críticos e seus elementos tecnologicamente inovadores), não identificou o atendimento às etapas consideradas necessárias para caracterizar atividades de PD&I (...). Da conclusão dos trabalhos tratados nas diligências acima, observase, não houve intimação do contribuinte. Os autos foram diretamente encaminhados ao CARF, desta feita, sob a batuta deste Conselheiro, razão pela qual foi proferido o competente despacho saneador, determinando a intimação específica do recorrente acerca do conteúdo do resultado da diligência retro mencionada. Em 14 de junho, passado, o contribuinte apresentou as suas considerações. Este o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche todos os pressupostos de cabimento, razão pela qual dele conheço. Prefacialmente, impende destacar que a discussão aqui travada se limitará apenas ao problema dos laudos apresentados no feito (e sua força probandi) e a questão afeita aos pagamentos realizados à empresas de grande e médio porte, tratada pelo art. 18 da Lei 11.196/05. A discussão concernente à escrituração contábil das despesas incorridas com os preditos projetos de desenvolvimento e pesquisa restou ultrapassada pelo Acórdão Recorrido, não tendo sido objeto, nem mesmo, de insurgência por parte do Recorrente1, lembrando que não podemos analisar o recurso em prejuízo do contribuinte (sendo vedada a reformatio in pejus). E, para que possamos entender o caso e resolver a pendenga, julgo pertinente abordar, primeiramente, as premissas jurídicas inerentes aos dois fundamentos acima. I Premissas menores do caso. 1 E, ainda que tal questão nos fosse devolvida, particularmente, entendo como sendo absolutamente despropositada, já que as citadas despeass foram destacadas e individualizadas de forma suficientemente clara, tendo o contribuinte deixado, apenas, de criar contas específicas para registralas (exigência que, se mantida, representaria o cumulo do apego burocrático). Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.279 7 I.1 Método hermenêutico aplicável à espécie. Que estamos diante de um benefício fiscal, vejam bem, não há dúvidas... a discussão sequer tangencia a natureza das regras contidas na norma legal em análise. E, neste particular, não podemos nos esquecer do que diz o art. 111, inciso II, do CTN, cujo conteúdo, peço vênia para reproduzir: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção (...). Há muito se tem discutido se as demais espécies de benefícios fiscais se enquadrariam ou não como hipóteses de isenção parcial ou, ainda que não, se estariam abarcadas pelas disposições afeitas à "exclusão do crédito tributário", notadamente para se aplicar a regra interpretativa acima. Aqui vale alertar que as decisões mais recentes do Superior Tribunal de Justiça vem cravando que todos os benefícios fiscais estariam sujeitos à regra hermenêutica tratada pelo art. 111, conforme se extrai das ementas a seguir reproduzidas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELOS PATROCINADORES ÀS ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PMF. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 69, § 1º, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 109/01. (...) 6. Não cabe ao intérprete restringir o alcance do dispositivo legal que, a teor do art. 111 do CTN, deve ter sua aplicação orientada pela interpretação literal, a qual não implica, necessariamente, diminuição do seu alcance, mas sim sua exata compreensão pela literalidade da norma. 7. Recurso especial não provido (REsp 1468436/RS, Relator Mauro Campbell, Segunda Turma, julgado em 01/12/2015 e acórdão publicado em 09/12/2015). TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. ART. 1º, XIV, DA LEI N. 10.925/2004. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. 1. As disposições tributárias que concedem benefícios fiscais demandam interpretação literal, a teor do disposto no art. 111 do CTN. 2. O art. 1º, XIV, da Lei n. 10.925/2004 reduz à alíquota zero de PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de farinha de trigo classificada no código 1101.00.10 da TIPI, o que restringe o benefício apenas Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.280 8 ao produto especificamente enquadrado no indigitado código classificatório. 3. A farinha de rosca não pode ser enquadrada no apontado código, pois as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), no Capítulo 11, ao explicitar as Considerações Gerais, apenas estabelecem que a farinha de rosca devem submeterse à posição 1101 (Farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio) para fins classificatórios, mas em nada a equiparam à farinha de trigo prevista no código 1101.00.10. 4. Ou seja, a farinha de rosca enquadrase na posição 11.01, mas não se pode deduzir deste fato que sua classificação seja no específico código 1101.00.10, o que afasta a pretensão recursal da parte de beneficiarse da alíquota zero, porquanto inviável a interpretação extensiva almejada. Recurso especial improvido (REsp 1410259/PR, Relator Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 01/10/2015 e acórdão publicado em 09/10/2015) Pois bem. Considerando se tratar de benefício fiscal e, consentaneamente, sujeito à regra hermenêutica tratada pelo art. 111, supra, impende, ainda, destacar que o preceito de lei complementar em questão impõe a interpretação "literal" das regras legais... Perfilhandome ao escólio de Paulo de Barros, a literalidade acima apontada não encerraria uma análise eminentemente semânticogramatical (já que tal modalidade de interpretação, dadas as imprecisões da linguagem aventadas pelo jurista paulista, não nos permitiria, vez por outra, sequer compreender o seu mais simples sentido) 2. O uso de métodos hermenêuticos não pode ser vedado para se interpretar determinada norma jurídica, mesmo que as que tratam das isenções (ou benefícios fiscais), mormente para permitir a identificação de seu exato significado assim, seria perfeitamente viável o uso da interpretação sistêmica ou teleológica para se entender o escopo completo da norma isentiva. A meu sentir, em verdade, ao determinar a interpretação "literal" das normas concessivas de benefícios fiscais, o CTN, pretendeu, vejam bem, uma "neutralidade" da interpretação. No meu entendimento, portanto, o que a lei complementar tributária, ex rationae materiae, impõe, através do citado art. 111, seria a vedação ao alargamento da hipótese da norma isentiva (mediante analogia ou interpretação extensiva), bem como a proibição de, mediante métodos integrativos, restringirse o seu alcance... a interpretação, insistase, buscará o sentido exato da norma, sem aumentar ou reduzir o seu espectro de atuação. Este mesmo entendimento é destacado por Luciano Amaro, em seu Curso de Direito Tributário, em nota: Conforme leciona Carlos da Rocha Guimarães 'quando o art. 111 do CTN fala em interpretação literal, não que realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes (Interpretação literal das isenções tributárias, in Proposições tributárias, p. 61). Descabe, 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo: Saraiva, 1996, p. 80/82. Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.281 9 em contrapartida, nega a aplicação da norma isentiva a casos nela compreendidos. 3 Com esta primeira premissa assentada, passo à expor o segundo e necessário pressuposto jurídico das teses postas: o conteúdo, e sua compreensão, das regras insertas nos artigos 17 e 18 da Lei 11.196/95. 1.1.2 Lei 11.196/95 Compreensão do conteúdo normativo. Ao que interessa ao feito, peço especial atenção às seguintes disposições constantes do art. 17, caput, e incisos, da predita Lei 11.196: Art. 17. A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais: I dedução, para efeito de apuração do lucro líquido, de valor correspondente à soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica classificáveis como despesas operacionais pela legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou como pagamento na forma prevista no § 2o deste artigo; II redução de 50% (cinqüenta por cento) do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, bem como os acessórios sobressalentes e ferramentas que acompanhem esses bens, destinados à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico; III depreciação integral, no próprio ano da aquisição, de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, novos, destinados à utilização nas atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL; IV amortização acelerada, mediante dedução como custo ou despesa operacional, no período de apuração em que forem efetuados, dos dispêndios relativos à aquisição de bens intangíveis, vinculados exclusivamente às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, classificáveis no ativo diferido do beneficiário, para efeito de apuração do IRPJ; V revogado. VI redução a 0 (zero) da alíquota do imposto de renda retido na fonte nas remessas efetuadas para o exterior destinadas ao registro e manutenção de marcas, patentes e cultivares. Aqui destaco, de imediato, dois pontos extraíveis do artigo acima reproduzido. Primeiramente, o preceito trata, objetivamente, de despesas com pesquisas e desenvolvimento... ele abrange, a meu ver, portanto, as duas hipóteses: a pesquisa de produtos ou procedimentos tecnológicos inovadores e o desenvolvimento dos projetos pesquisados ou de "conhecimentos préexistentes". Não por outra razão, o Decreto 5.798/06, art. 2º toma o cuidado de trazer conceitos apartados de 3 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro, 22ª ed., São Paulo: Ed. Saraiva, 2017, p. 252, nota 27. Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.282 10 "pesquisas" e "desenvolvimento", deixando evidente a autonomia destas duas atividades inclusive para fins de gozo do benefício em análise: Art. 2.º. (...) a) pesquisa básica dirigida: os trabalhos executados com o objetivo de adquirir conhecimentos quanto à compreensão de novos fenômenos, com vistas ao desenvolvimento de produtos, processos ou sistemas inovadores; b) pesquisa aplicada: os trabalhos executados com o objetivo de adquirir novos conhecimentos, com vistas ao desenvolvimento ou aprimoramento de produtos, processos e sistemas; c) desenvolvimento experimental: os trabalhos sistemáticos delineados a partir de conhecimentos préexistentes, visando a comprovação ou demonstração da viabilidade técnica ou funcional de novos produtos, processos, sistemas e serviços ou, ainda, um evidente aperfeiçoamento dos já produzidos ou estabelecidos(...). É de se observar, inclusive, que a pesquisa aplicada e o desenvolvimento experimental ocorrem, ou pelo menos podem ocorrer, em momentos distintos da pesquisa básica, dado consistir, justamente na "experimentação" dos conhecimentos prévios, já existentes ou adquiridos através da pesquisa. Interpretar a norma ,neste caso, para permitir a concretização do fato relevante apenas a partir da verificação conjunta ou concomitante dos fenômenos "pesquisa" e "desenvolvimento" seria, quando menos, um acinte à própria lógica da norma. E, não bastasse isso, não há, na lei, nada que diga que os dispêndios com pesquisa, sem que se proceda ao subsequente desenvolvimento tecnológico dos procedimentos descobertos, não possam se sujeitar aos benefícios ora tratados, valendo, aqui, reprisar o que foi assentado no tópico anterior: o art. 111 do CTN determina a interpretação "neutra" da norma concessiva do benefício de sorte a garantir que não se o estenda à fatos não tratados pela lei, nem, tampouco, o restrinja para afastar a sua aplicação ao que está, ainda que implicitamente, por ele abrangido. Neste particular, vale a insistência: tanto os dispêndios incorridos com a pesquisa, individualizadamente considerados, como aqueles aportados nos processos de desenvolvimento, per se, realizam o aspecto material da norma isentiva, desde que comprovado o seu caráter inovador, único pressuposto que, entendo, seria efetivamente essencial à tipificação do fato relevante descrito no norma isentiva. Um segundo ponto a ser destacado, diz respeito à delimitação constante do art. 17 sobre o que seria dedutível a título de despesas operacionais incorridas em procedimentos de pesquisa e desenvolvimento. No caso, vejam bem, o inciso I, trata especificamente dos processos de pesquisa e desenvolvimento; trata, a meu ver, pois, da atividade "cientifica" propriamente e, pela lógica dos preceitos do art. 299 do RIR, todos os dispêndios incorridos para concretizar esta atividade seriam dedutíveis, incluindose, a produção e aquisição de máquinas e equipamentos utilizados na pesquisa e desenvolvimento, a aquisição de bens intangíveis e, Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.283 11 ainda, os custos com eventuais registros e manutenção de patentes geradas a partir dos processos anteriormente tratados. Só que estes outros fatos (aquisição ou produção de máquinas e equipamento, de intangíveis e custos com registro de patentes), já se encontram abrangidos pelos inciso II a V do preceito anteriormente tratado, com benefícios específicos, de sorte que as despesas tratadas no inciso I ficariam adstritas aos demais gastos essenciais à consecução dos preditos projetos. Como todo e qualquer processo produtivo, portanto, é razoável assumir que as empresas gastarão com pessoal, estrutura física, insumos ou serviços indiretos (v.g., apoio técnico) necessários à consecução da predita pesquisa. O Decreto regulamentador, em seu art. 2º, II, "e", aliás, deixa evidente que tais "insumos" comporiam, pois, os gastos porventura incorridos com terceiros e que, nesta esteira, estariam abrangidos pela regra isentiva constante do art. 17: e) serviços de apoio técnico: aqueles que sejam indispensáveis à implantação e à manutenção das instalações ou dos equipamentos destinados, exclusivamente, à execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento ou inovação tecnológica, bem como à capacitação dos recursos humanos a eles dedicados (...). Neste particular, qual seria a lógica do art. 18, que trata dos gastos incorridos com a contratação de terceiros para o desenvolvimento de pesquisas e desenvolvimento tecnológico? Atingiria, este preceito, como o queria o MCTI, todo e qualquer pagamento realizado à empresas de médio e grande porte, ou estaria restrito aos casos em que todo o processo de pesquisa e/ou desenvolvimento seja transferido à terceiros? Vejam o que rege o mencionado artigo: Art. 18. Poderão ser deduzidas como despesas operacionais, na forma do inciso I do caput do art. 17 desta Lei e de seu § 6o, as importâncias transferidas a microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei no 9.841, de 5 de outubro de 1999, destinadas à execução de pesquisa tecnológica e de desenvolvimento de inovação tecnológica de interesse e por conta e ordem da pessoa jurídica que promoveu a transferência, ainda que a pessoa jurídica recebedora dessas importâncias venha a ter participação no resultado econômico do produto resultante. Me parece suficientemente claro, aqui, que: a) a lei 11.196 não considera como despesas operacionais, os gastos incorridos com a "terceirização" das atividades de pesquisa e desenvolvimento especificamente descritas no inciso I, do art. 17 (não estando abrangido, pois, aqui, os gastos tratados nos incisos II a V), ; b) excetua da regra acima, os dispêndios com a terceirização das aludidas atividades, desde que contratadas com microempresas ou empresas de pequeno porte. Assim, o art. 18, acima, não restringe a benefício contido no art. 17. De fato, o art. 17 reclassifica como despesas operacionais as atividades com pesquisa e desenvolvimento que não estariam, usual e diretamente, vinculadas à atividadefim Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.284 12 do benefíciário e que, nesta esteira, não atenderiam aos preceitos do art. 299 do RIR. Por certo, também não estariam abrangidos pela regra inserta no art. 299 os gastos com a terceirização das atividades de pesquisa. O que o art. 18 faz é estender a regra isentiva contida no art. 17 também às hipóteses de terceirização das atividades acima, quando contratadas com micro e pequenas empresas... assim, de fato, os pagamentos realizados à empresas de médio e grande porte em que se observe a ocorrência da "terceirização" da atividade de pesquisa e desenvolvimento, não gozariam dos benefícios ora estudados. Lado outro, gastos incorridos com tais empresas (de médio e grande porte), como "insumos" do processo "produtivo", estariam, outrossim, abrangidos pela regra encartada no art. 17. Assentadas as premissas jurídicas da contenda, passo à analise do caso concreto. II. Das premissas menores. II.1 Do problema dos pagamentos realizados a terceiros, empresas de médio e grande porte. De antemão, frisese, a fiscalização calcou a autuação fiscal em dois pontos: a) o problema do registro contábil das despesas (já superado, como dito anteriormente); b) as conclusões constantes do Parecer MCT (efls. 1.725/1.727) que opinou pela inconsistência das informações prestadas pelo contribuinte. Quanto ao ponto "b", supra, vale dizer, a fiscalização já incorreu, a meu ver, em erro grave ao não submetêlo ao contribuinte para explicitar as dúvidas suscitadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, quando, então, poderia justificar os pagamentos realizados à terceiros (ou, pelo menos, melhor explicálos) e, ainda, apresentar documentos mais detalhados sobre os projetos submetidos ao crivo do citado órgão federal. Nada obstante, e ainda que a questão acima pudesse encerrar até mesmo a nulidade do procedimento fiscal, o fato é que a D. Autoridade Lançadora não explorou o próprio parecer, mormente porque diversas das considerações propostas pelo MCT se restringem à interpretação legal e não à análise, fático/técnica, das informações constantes do formulário apresentado que, como destacado pelo próprio contribuinte, não permite (materialmente) pontuar com a extensão necessária o que compreendem cada um dos processos de pesquisa ali descritos. E aqui, no tocante ao problema abordado neste tópico, notem que o MCTI expõe entendimento, pelo que expus no tópico anterior, totalmente equivocado, venia concessa. Vejase, a seguir, o que conclui o predito parecer sobre a questão atinente ao pagamento de terceiros e cujos dispêndios foram excluídos pela empresa do lucro líquido no anocalendário de 2010: Nos itens 7.1 (dispêndios) e 7.1.3 (detalhamento das despesas) do formulário e empresa relaciona despesas que contraria (sic) o princípio do tratamento diferenciado que a legislação dispensa às micro e pequenas empresas, conforme Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.285 13 Capítulo III da Lei do Bem, que trata sobre incentivos à inovação tecnológica, no seu § 2º, inciso I do Art. 17 bem como o Art. 18. A meu sentir, o MCTI entende que nenhuma despesa incorrida com empresas de médio e pequeno porte possa ser objeto do tratamento previsto na Lei 11.196, até porque o parecer não se debruça sobre a descrição dos serviços contratados pelos contribuintes (que, no formulário, estão postos como serviços de suporte tecnológico e apoio técnico); isto é, o MCTI não afirma a ocorrência de terceirização da atividade de pesquisa, limitando as suas conclusões na simples existência de dispêndios com pessoas jurídicas não tipificadas como micro ou pequenas empresas. Aliás, digase, a própria fiscalização nada diz sobre a questão acima, limitandose a abarcar as conclusões do citado parecer a partir de assertivas simplórias, transcritas no TVF (efls. 1.771), sem qualquer crítica jurídica, mormente naquilo em que o parecer, claramente, ultrapassa os respectivos desígnios (verificação técnica da ocorrência de inovação nos processos de pesquisa). Vejase: No anocalendário de 2010, apesar do contribuinte ter realizado dispêndio com a contratação de serviços na área de tecnologia, conforme se depreende das informações enviadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, formuários em anexo, os mesmos não podem ser enquadrados como dispêndios de invoção tecnológica, não ensejando, portanto, a exclusão de oitenta por cento de seu vaor a título de benefício fiscal. PROVA CABAL DISSO é o Parecer Técnico Conjunto nº 077/2011 (PTC nº 077/2011) da Coordenação Geral de Inovação Tecnológica (CGIT) e da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação (CGTE), ambas do Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI), QUE NÃO CORROBORA O ENQUADRAMENTO COMO PROJETOS DE P, D & I APRESENTADOS PELA BENEFICIÁRIA TNL PCS S/A NO ANOBASE 2010, CONFORME OS TERMOS E OS PROPÓSITOS ESTABELECIDOS NA LEI 11.196, DE 21/11/2005 (página 3 do Anexo Parecer TNL PCS 2010) (...) O referido Parecer PTC nº 077/2011 mencionada ainda que o MCT relativo ao ano base 2010 classificou a empresa TNL PCS S/A no Anexo V do Relatório Anual de Utilização dos Incentivos Fiscais, na relação das "Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas e/ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei no (sic) 11.196/05" (grifos no original). Em linhas gerais, a Autoridade Lançadora tomou como axiomas assertivas que não competiam ao MCTI (qualificação jurídica dos fatos sobre isso retornarei mais adiante) que, por sua vez, consoante já expus, assume premissa jurídica absolutamente equivocada. A DRJ, vejam bem, pareceme ter se apercebido disto e concluiu pela procedência da autuação, todavia, através de nuance argumentativa, até aqui, não aventada: 28. Muito bem. Como regra geral, os dispêndios incentivados são aqueles que se encontram vinculados a projetos de P,D&I executados pela própria beneficiária (arts. 17, inciso I, e 19, da Lei nº 11.196, de 21/12/2005). A transferência da execução dos projetos só é admitida em duas hipóteses: (i) contratação, no País, de universidades, instituições de pesquisa e inventores independentes, sob condição de que o contribuinte fique com a responsabilidade, o risco empresarial, a gestão e o controle da utilização dos resultados das pesquisas (art. 17, § 2º, da Lei nº 11.196, de Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.286 14 21/12/2005); e (ii) contratação de microempresas e empresas de pequeno porte, por conta e ordem do contribuinte (art. 18 da Lei nº 11.196, de 21/12/2005). 29. Diante deste quadro normativo, o tratamento tributário dispensado aos gastos realizados com a contratação de empresas de médio e grande porte é o seguinte: — (i) os dispêndios efetuados com tais empresas, para fins de execução de projetos de P,D&I, sob encomenda ou contratados, não gozarão do incentivo fiscal (art. 4º, § 9º, da Instrução Normativa RFB n° 1.187, de 29/09/2011); (ii) os dispêndios com a prestação de serviços técnicos, tais como exames laboratoriais, testes etc., gozarão do incentivo fiscal desde que não caracterizem transferência de execução da pesquisa, ainda que parcialmente (art. 4º, § 10, da Instrução Normativa RFB n° 1.187, de 29/09/2011). 30. Ora bem. A Interessada alega que, apesar de manter um corpo técnico altamente especializado, não tem não tem como realizar todas as etapas de seus projetos de P,D&I, seja pelo grande número de pesquisas desenvolvidas, seja pelo grau de especificidade técnica exigida em determinadas etapas destes projetos. Pondera, assim, ser inevitável a contratação de serviços de apoio, normalmente prestados por empresas de médio e grande porte. 31. As explicações da Interessada são até plausíveis. O problema é que as alegações de defesa não se encontram respaldadas por nenhum elemento de prova (pagina 23 do citado acórdão). De fato, não discordo, em absoluto, da interpretação dada pelo órgão a quo aos preceitos da Lei 11.196 (a simples leitura do tópico I.1, supra, deixa evidente que o meu entendimento se alia ao externado pela DRJ). O problema é que essa interpretação nunca foi exposta ao recorrente; a Fiscalização, em momento algum, se opõe ao gozo do benefício por ter constatado, por parte da empresa querelante, a terceirização de suas atividades de pesquisa e desenvolvimento, não tendo, em qualquer tempo, solicitado do contribuinte a prova a que faz referência o acórdão recorrido (o que, inclusive, afasta a correção da afirmação constante do predito decisum de que à empresa teriam sido conferidas inúmeras oportunidades para fazer tal prova). O contribuinte não foi instado a demonstrar que, quanto aos pagamentos feitos às empresas de médio e grande porte, os serviços contratados e prestados se destinariam, de fato, à toda a produção de pesquisa e desenvolvimento, com a transferência da respectiva "execução da pesquisa"; e isto, insistase, porque esta não era a premissa, nem do parecer, nem da Fiscalização; e, por isso, me parece claro, a DRJ inovou o argumento até então firmado no TVF. Aqui, portanto, resta suficientemente evidente que os Autos de Infração seriam improcedentes, seja por adotarem premissa jurídica equivocada4, seja por falta de instrução suficiente à demonstração fática de que os pagamentos realizados à empresas de médio e grande porte não teriam atendido aos ditames legais. Em relação ao erro de premissa, pela teoria dos motivos determinantes, já abordada por mim em julgados anteriores (v. trecho do voto condutor do acórdão de nº 1302 4 A Lei 11.196 não veda a contratação de empresas de médio e grande porte para gozo dos benefícios ali tratados; veda, tão só, a terceirização dos projetos de P&D, ressalvando, contudo, a hipótese de transferência destes projetos à micro e pequenas empresas. Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.287 15 002.704, em que fui relator, publicado 26/04/20185), encerra a nulidade do ato administrativo justamente por violar o primado da ampla defesa, já que o contribuinte se prepara e se defende contra a premissa invocada pela fiscalização, deixando, contudo, de se manifestar, efetiva e concretamente, sobre o pressuposto de direito que se aplicaria ao caso exatamente a situação descrita neste feito. É justamente por isso, também, que a decisão da DRJ, ao invocar a premissa correta, culmina com inovação do lançamento e, consequentemente, com a sua nulidade parcial (suprida, na espécie, por força dos preceitos do art. 59, § 3º, do Decreto 70.235). Já, a insuficiência de instrução, inclusive, abordada pelo próprio recorrente (ao aventar a impropriedade incorrida pelo Fisco ao efetuar o lançamento com base exclusivamente no Parecer MCTI, invertendo de forma ilegal o ônus da prova item 3 do Recurso Voluntário), ocorre porque a Autoridade Lançadora deixou de cumprir o mister inserido no art. 142 do CTN. Sobre esta questão, me permitam reproduzir o que disse o acórdão recorrido em trecho abaixo transcrito: 17. Também é descabida a insinuação de que a Receita Federal teria se curvado 5 "O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos fundamentos de fato nele declinados na norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu. E, ato contínuo, em tais casos, o contribuinte vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa e a sua falta, ou exposição falha, resulta, inegavelmente, em anulação do ato (no plano tributário federal, semelhante nulidade é explicitamente prevista, conforme se extrai do art. 59, II, do Decreto 70.235). Mais que isso, entre os motivos de fato e os fundamentos de direito invocados, há de se verificar uma perfeita congruência, por óbvio; o descasamento entre os motivos delineados no ato impõe, obrigatoriamente, a anulação do citado ato, consequência descrita na teoria dos motivos determinantes tão bem explorada por Celso Antônio Bandeira de Mello em seu "Curso de Direito Administrativo", 12ª ed., São Paulo, 2000, Malheiros Editores, p. 346: De acordo com esta teoria, os motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de "motivos de fato" falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a obrigação de enunciálos, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam. Objetivamente, no caso em análise, caso se conclua que os motivos de fato ou mesmo de direito invocados pela autoridade lançadora estão errados, o ato, como um todo, será considerado nulo, até porque, como já alertado, semelhante equívoco culminará com a violação ao direito à ampla defesa do contribuinte (que se prepara e anexa ao feito documentos e argumentos voltados, exclusivamente, à defesa em relação às premissas originariamente aventadas pela Fiscalização defesa que restará infrutífera, caso se conclua que tais premissas estavam, irremediavelmente, erradas)". Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.288 16 à interpretação dada pelo MCTI à legislação tributária. Como regra geral, os laudos e pareceres são adotados nos estritos limites de sua competência técnica. Se a autoridade fazendária, porém, concorda com a interpretação dada pelo órgão técnico a uma determinada norma jurídica, é livre para adotála, sem que isto implique qualquer espécie de vinculação por parte do Fisco. No passado (não neste Conselho, é verdade), sempre me pautando pelo princípio da verdade material, defendi a absoluta impossibilidade de órgãos administrativos/fiscais/tributários avocarem para si o mister de decidir, ou adotar conceitos, sobre matéria em relação à qual não detém expertise. Afirmava, realmente, que diante de uma situação fática em que o lançamento dependa de um conhecimento técnico específico, não cabe à Fiscalização exprimir uma "opinião" sobre a questão6; à míngua de um conceito legal que permita efetuar o lançamento, é mandatório, a luz o art. 142 do CTN, que autoridade lançadora busque meios para comprovar tais fatos. No caso, o uso do MCTI era, não só, impositivo, por força do já citado art. 142, como era lógico, já que os projetos de P&DI são, obrigatoriamente,submetidos ao crivo do mencionado órgão técnico federal; só que, ao MCTI, cabia, apenas, aquilo que a lei lhe franqueia dizer... isto é, ao Ministério, neste caso, impunha apenas afirmar se determinado projeto era ou não inovador (como, aliás, já pontuei alhures)... as opiniões jurídicas do citado órgão, data maxima venia, são irrelevantes (mero propter dictum), já que o dever de aplicar a Lei ao fato é, a toda evidência, da Fiscalização (arts. 3º, 114 e 142, todos, do CTN). Agora, se a Fiscalização entende que as ponderações jurídicas encontradiças no aludido trabalho técnico lhe pareciam corretas, cabialhe apontar as razões pelas quais concorda com elas e não simplesmente adotálas sem qualquer juízo crítico até porque, como demonstrado, tais ponderações não estavam corretas... E, por isso mesmo, deixou de apurar os fatos que seriam relevantes para as premissas efetivamente acertadas, revelando, pois, inegável violação ao já citado art. 142 e, também, ao primado da verdade material. Por fim, como destacado, as ponderações da DRJ, não obstante tecnicamente corretas, representam inegável inovação, ao arrepio do princípio da ampla defesa, motivo pelo qual, também não podem prevalecer. II.2 Do confronto entre laudos antagônicos e provenientes do mesmo órgão valoração da prova. Este segundo ponto é, realmente, sui generis (como bem anotado pelo meu antecessor, então relator deste feito)... Trata, o caso, objetivamente, de um problema de valoração de provas, situação hodierna à todo e qualquer órgão julgador segundo o princípio do livre convencimento, positivado no art. 371 do CPC. O problema, entretanto, é que, aqui, estamos diante de duas provas antagônicas, proferidas por órgãos pertencentes a uma mesma estrutura 6 Parafraseando um velho amigo (que, por dever profissional não posso dizer o seu nome), admitir o lançamento com base numa "opinião" atécnica da fiscalização sobre tema em relação ao qual não possui conhecimento teórico é o mesmo que admitir a validade de procedimento que culmine com uma qualificação absurda de determinado fato apenas por conta de um preconceito metajurídico; é de admitir que se chame "um urubu de meu louro", justificando tal admissão a partir de uma opinião leiga e não legal de que a predita ave de rapina necrofílica possui características próprias que permitiriam a qualificar como um pintacilgo. Fl. 3291DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.289 17 administrativa. Legalmente, digase, mormente quanto mister atribuído pela Lei 11.196, os dois laudos apresentados neste feito possuem exatamente o mesmo valor. Como, então, solucionar o caso? Em verdade, a despeito da aparência complexa, o caso não desafia maiores dificuldades... Vejam bem, o MCTI apresentou um primeiro laudo à Autoridade Lançadora, em que, de forma concisa e, a meu sentir, pouquíssimo fundamentada (são apenas 3 laudas), emitiu opinião contra a qual, naquele momento, não podíamos nos insurgir... tratase, como já o disse anteriormente, de uma assertiva realizada pelo órgão técnico quanto a matéria cuja expertise lhe é própria. Nada obstante, e como, deste laudo, o recorrente só teve conhecimento quando notificado dos autos de infração (ocorrida em 2012), é razoável considerar que quaisquer contraprovas consistentes somente pudessem ser produzidas e apresentadas em momento posterior, e, aqui, abro um parêntese para concordar com a decisão tomada anteriormente por este colegiado ao receber e admitir, em especial, o Laudo da lavra do INT. Observem que o documento emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia) foi juntado aos autos em dezembro de 2013 (doc. de efls. 2.352/2.528), um ano e dois meses após a cientificação, pelo recorrente, dos autos de infração. Nada obstante, é absolutamente razoável assumir que os laudos emitidos pelo INT, que aborda 23 dos 27 projetos de P&D, de forma individualizada, minudente e exaustiva, não pudesse ficar pronto até o decurso do prazo de que dispunha o contribuinte para oferecer a sua impugnação. E, por isso mesmo, entendo, de forma igualmente razoável, preenchidos os pressupostos do art. 16, § 4º, "a" e "c", do Decreto 70.235. Pois bem. Nos termos do documento de efls. 250/287 (Formulário MCTI), a empresa submeteu ao crivo do Ministério a análise de 27 de projetos de P&D (efls. 256/268); como já dito, o Parecer 077/2011 considerou não enquadráveis os preditos projetos nos preceitos da Lei 11.196. E aqui, permissa venia, não procede a alegação do contribuinte aposta em sua e recurso, já que o parecer é, sim, conclusivo; a discordância quanto as premissas adotadas pelo documento técnico deve ser contraposta por meio de prova igualmente técnica, como já o disse linhas acima. E a contraprova técnica, no caso, foi efetivamente produzida pela Recorrente. No caso, o laudo acima mencionado, produzido pelo Instituto Nacional de Tecnologia, ao menos quanto aos projetos que analisa, expõe conclusões totalmente opostas àquelas adotadas pela Coordenação Geral de Inovação Tecnológica e pela Coordenação Geral de Desenvolvimento Tecnológico (responsáveis pelo Parecer 077/2011). Para se resolver a pendenga surgida com tal contradição, foram adotadas, por esta turma, providências instrutórias, mediante conversão do julgamento em diligência, cujo objetivo era, tão só, o aclaramento pela predita Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação/MCTI quanto a dita divergência "interpretativa", por assim dizer, entre documentos apresentados por órgãos hierarquicamente parelhos. E, num primeiro momento, e contrariando o próprio Parecer 077/2011, a SDTI assevera que as conclusões do INT não seriam suficientes porque não bastaria constatarse a ocorrência de inovação para justificar o gozo dos benefícios descritos na Lei 11.196: Fl. 3292DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.290 18 Relativo ao Instituto Nacional de Tecnologia INT (vinculado ao MCTI), como é de conhecimento público, tratase de uma instituição tradicional e de referência nacional que atua junto ao setor produtivo, oferecendo soluções tecnológicas inovadoras e serviços especializados. Os Relatórios de Diagnóstico Técnico de Projetos (RDP´s) percebese que foram focados essencialmente na questão da inovação. Contudo, tornase oportuno ressaltar que a inovação em si não é o fato determinante para a concessão dos incentivos fiscais às empresas e sim a realização de atividades de pesquisa básica dirigida, pesquisa aplicada, desenvolvimento experimental, tecnologia industrial básica e os serviços de apoio técnico, conforme conceituados no inciso II, do Art. 2º do 5.798, de 07.06.06 (...).] É de se destacar aqui duas questões: a) a SDTI, como já dito, contrariando o Parecer 077/2011, concorda com o INT e admite a ocorrência de inovação tecnológica, questão, a meu ver, suficiente à concessão dos benefícios tratados pela 11.196; b) os conceitos trazidos pelo inciso II do art. 2º do Decreto 5.798 são o que o próprio nome diz; conceitos... não são requisitos legais necessários ao implemento do benefício fiscal; são partes componentes do processo de pesquisa e/ou desenvolvimento os quais podem todos, ou parte deles, ocorrer ao longo de todo e qualquer projeto de P&D. Observese, nada obstante, que o INT posicionouse, sim, sobre cada umas das atividades listadas no citado inciso II do art. 2º do decreto regulamentador invocado pela SDTI. Neste particular, peço atenção às considerações lançadas pelo Instituto à efls. 2.361, relativa ao Projeto de nº 01/2010, e que são reprisadas em todos os demais relatórios, concernentes aos demais projetos que lhe foram submetidos: 21. É possível identificar, da analise do projeto descrito acima, que estão presentes todas as etapas que consideramos necessárias para a caracterização de um desenvolvimento de inovação quais sejam: (a) atividades de pesquisa básica; (b) pesquisa aplicada; (c) desenvolvimento experimental. 22. No presente projeto, observouse como Pesquisa Básica a atividade de obtenção de novos conhecimentos para identificar as causas do problema existente para a empresa, qual seja a ausência de um sistema de faturamento através de um sistema integrado e convergente, o que vinha de encontro com a estratégia de mercado da empresa. Frisese que nesta etapa a empresa foi motivada pela expectativa de produzir uma base de conhecimentos ampla capaz de constituir um ponto de partida para a resolução do problema. 23. Concluída essa fase a Consulente demonstra ter realizado esforços tecnológicos, formando um grupo de trabalho multidisciplinar, envolvendo gestores das areas de TI e Diretoria do Ciclo da Receita o com o objetivo de se aprofundar na pesquisa e obter uma solução tecnológica necessária para o efetivo desenvolvimento da arquitetura de software para faturamento que permite, além da padronização, integração e convergência dos dados de consumo de seus clientes permitiu a utilização, por parte dos clientes, dos recursos OLAP (Online Analytical Processung), ou seja, tornou possível o acesso a uma análise multidimensional, a partir de um conjunto de teorias, metodologias, processos, arquiteturas e tecnologias que transformam dados brutos em informações significativas e úteis para fins comerciais. A partir da utilização dos recursos OLAP, usuário é capaz de acessar o Portal Web da 0i, analisar inúmeros cenários e fatos relevantes que possam facilitar a escolha do serviço que atendera seus interesses e necessidades ou personalizar e Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.291 19 visualizar as informações dos serviços contratados. Nesta fase, a equipe da Consulente realizou o levantamento das especificações funcional e técnica, necessárias para o desenvolvimento experimental do projeto. Fase esta identificada como Pesquisa Aplicada. 24. O Desenvolvimento Experimental, no presente Projeto, é identificado como sendo aqueles esforços e trabalhos sistemáticos para a construção do modelo funcional sugerido pela pesquisa aplicada tais como elaboração de Plano de trabalho, cronograma de atividades, procedimento de montagem do piloto, teste e otimização do piloto e homologação do serviço. Por isso, o então Conselheiro Alberto Pinto determinou a realização de nova diligência já que, até aqui, a SDTI não respondeu aos questionamentos deste Colegiado... e, em resposta a esta última indagação, o predito órgão, através do Parecer de nº 3255 (efls. 3001/3003) se limita a reproduzir os mesmos argumentos já expostos no dois pareceres anteriores. A meu sentir, o trabalho desenvolvido pelo INT, à toda vista, é muito mais profundo, complexo e detalhado que o parecer conciso e pouco fundamentado utilizado pela Autoridade Lançadora para justificar as glosas intentadas; lado outro, as explicações apresentadas pela SDTI para justificar a total discrepância entre as conclusões assumidas pelas CGIT/CGDT e aquelas descritas nos RDP´s, além de, mais uma vez, genéricas, evasivas e concisas, aparentemente não representam, de fato, a realidade, já que, pelo trecho acima transcrito, o INT abordou todos os aspectos necessários à verificação efetiva dos pressupostos necessários a qualificação dos P&Ds que lhe foram submetidos como de "inovação tecnológica", inclusive, aqueles descritos no inciso II do art.2º do Decreto 5.798. Como dito anteriormente, dada a extensão do trabalho realizado pelo INT, a profundidade das analises realizadas e o próprio fato de ter ocorrido uma verificação individualizada de cada projeto (e não genérica, como feito pelos CGIT e CGDT), induz este julgador a considerar mais relevantes e críveis as assertivas constantes dos Relatórios Desenvolvimento e Pesquisa RDP´s elaborados pelo predito Instituto, considerandose, consenteamente, suficientes à comprovação dos requisitos elencados pela Lei 11.196. Ressalvo, apenas, o fato de que os RDP´s apresentados, consideram, tal qual já alertei anteriormente, 23 dos 27 projetos; não há nos autos qualquer análise do INT sobre o P&Ds de nos 10 (Plataforma de Software para Decodificadores de Sinais de TV por Assinatura efls. 260), 13 (Desenvolvimento de Metodologia de Monitoração e Estruturação de Portal efls. 264), 22 (Solução Tecnológica de Suporte à Ferramenta "Navegador" efls. 265) e 25 (estudos para Prospecção e Análise, de Tecnologias em Telecomunicações efls. 267). Neste particular, considerando que afirmei acima, a mingua de exibição de uma prova técnica que possa desacreditar o Parecer 077/2011 em relação, exclusivamente, à estes projetos, não tenho como, quanto eles, acolher a pretensão recursal, mesmo admitindo como válida a apresentação extemporânea do parecer acostado à efls. 2.034/2.161. Ainda que semelhante opinião possa merecer credibilidade, tratase de um documento unilateral que poderia representar um início de prova e, por conseguinte, além de tornar mais robustas as conclusões exaradas pelo INT (quantos aos projetos por ele analisados), autorizar, até mesmo, a realização de uma perícia técnica de engenharia no curso deste feito, o que, todavia, não foi requerido pelo contribuinte. Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.292 20 Um adendo: os RDP´s não foram dispostos na mesma ordem, e nem mesmo adotam a mesma numeração, do Formulário MCTI para identificação dos projetos... assim, para a melhor compreensão dos meus pares, elaboro, abaixo, um quadro comparativo que permitirá a identificação de cada P&DI efetivamente analisado pelo INT e, por eliminação, aqueles que não foram, de fato, submetidos ao crivo deste instituto (já identificados acima): Projeto Item do Formulário MCT efls. Número do RDP Número de ident. do projeto no RDP efls. TRATAMENTO DE TRÁFEGO NA UTILIZAÇÃO DE PRODUTOS DE SVA 01 256 001.105/13 26/2010 2515/2521 SUBSTITUIÇÃO E TOM DE CHAMADA POR ÁUDIO PERSONALIZADO 02 257 001.104/13 25/2010 2507/2514 SISTEMA DE TV POR ASSINATURA VIA SATÉLITE DTH 03 257 001.1001/13 18/2010 2424/2431 SISTEMA DE APROVISIONAMENTO EVENTUAL PARA A TECNOLOGIA 3G 04 257 001.113/13 16/2010 2486/2492 INTEGRAÇÃO DE PROCESSOS DE PLANTA EXTERNA BASEADO EM ARQUITETURA SOA 05 258 001.097/13 08/2010 2393/2400 FUNCIONALIDADE PARA CONEXÃO AUTOMÁTICA AO PONTO DE ACESSO NA REDE MÓVEL 06 258 001.096/13 07/2010 2385/2392 SOLUÇÃO INTEGRADA DE DATA WAREHOUSE DE ALTO DESEMPENHO 07 258 001.088/13 22/2010 2464/2470 PLATAFORMA MULTICANAL DE CONVERGÊNCIA DE PRODUTOS E SERVIÇOS 08 259 001.083/13 12/2010 2441/2448 PLATAFORMA DE CONFIGURAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS 09 259 001.098/13 10/2010 2409/2415 SISTEMA DE APROVISIONAMENTO EVENTUAL DO OI TV DTH 11 260 001.085/13 15/2010 2479/2485 ARQUITETURA DO SISTEMA PARA ORDENS DE SERVIÇO (OS) DO OITV 12 260 001.076/13 02/2010 2363/2369 SUBSTITUIÇÃO AUTOMÁTICA DO CÓDIGO DE SELEÇÃO DE PRESTADORA 14 261 001.103/13 24/2010 2471/2478 SELEÇÃO AUTOMÁTICA DO APLICATIVO DE PRÉ SELEÇÃO DO CÓDIGO DE 15 262 001.099/13 14/2010 2456/2460 e 2476/2478 Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.293 21 SELEÇÃO PRESTADORA SOLUÇÃO CONVERGENTE DE PORTABILIDADE 16 262 001.087/13 19/2010 2432 FERRAMENTA ANALÍTICA PARA OTIMIZAÇÃO SISTÊMICA DA PORTABILIDADE 17 263 001.080/13 06/2010 2377/2384 SOLUÇÃO DE MOBILIDADE BANCÁRIA PARA CLIENTES DO BANCO DO BRASIL 18 263 001.102/13 21/2010 2500/2503 e 2461/2463 ARQUITETURA DE SOFTWARE PARA FATURAMENTO NA BASE WEB 19 264 001.075/13 01/2010 2356/2362 MODELO PARA TRATAMENTO DE REFERÊNCIAS EM REDES SOCIAIS 20 264 001.081/13 09/2010 2401/2408 UNIFICAÇÃO DA AUTENTICAÇÃO, AUTORIZAÇÃO E DO ACESSO NO SITE DA OI 21 265 001.090/13 27/2010 2522/2528 PORTAL DE APLICATIVOS DE MOBILIDADE 23 266 001.084/13 13/2010 2449/2455 SISTEMA DE SUPORTE AO SERVIÇO OI TV DTH VIA INTERNET 24 266 001.086/13 17/2010 2416/2423 SOLUÇÃO DE INDICAÇÃO DE CLIENTES ON LINE 26 267 001.101/13 20/2010 2439 e 2493/2499 DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA UNIFICADO DE COBILLING 27 268 001.078/13 04/2010 2370/2376 III. Conclusão. À luz de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de cancelar, parcialmente, as exigências com relação às glosas relativas aos dispêndios incorridos quanto aos Projetos de P&DI descritos no quadro constante do tópico anterior, mantidos os lançamentos no que toca às despesas afeitas aos Projetos de nos 10 (Plataforma de Software para Decodificadores de Sinais de TV por Assinatura efls. 260), 13 (Desenvolvimento de Metodologia de Monitoração e Estruturação de Portal efls. 264), 22 (Solução Tecnológica de Suporte à Ferramenta "Navegador" efls. 265) e 25 (Estudos para Prospecção e Análise, de Tecnologias em Telecomunicações efls. 267), apontados no Formulário MCT/2010. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 16682.720351/201291 Acórdão n.º 1302003.082 S1C3T2 Fl. 3.294 22 Fl. 3297DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.962896/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 28 96 /2 00 9- 54 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.962896/200954 Acórdão n.º 1401002.867 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 13.975,18 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 25760.17368.150705.1.3.040729, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 17.500,22, código 2089, recolhido em 30/01/2003, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.962896/200954 Acórdão n.º 1401002.867 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.962896/200954 Acórdão n.º 1401002.867 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.962896/200954 Acórdão n.º 1401002.867 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004961/98-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994
COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. EXPURGO INFLACIONÁRIO. CRITÉRIO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Em face de decisão judicial transitada em julgado com definição de critério de correção dos créditos da contribuinte descabe invocar critério decorrente de entendimento em julgado da matéria na sistemática do art. 543-C do CPC, que nem mesmo existia à época do transito em julgado.
Numero da decisão: 9303-007.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Érika Costa Camargos Autran, que lhe negou provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada em substituição ao impedimento da Conselheira Tatiana Midori Migiyama) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. EXPURGO INFLACIONÁRIO. CRITÉRIO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Em face de decisão judicial transitada em julgado com definição de critério de correção dos créditos da contribuinte descabe invocar critério decorrente de entendimento em julgado da matéria na sistemática do art. 543-C do CPC, que nem mesmo existia à época do transito em julgado.
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APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. EXPURGO INFLACIONÁRIO. CRITÉRIO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Em face de decisão judicial transitada em julgado com definição de critério de correção dos créditos da contribuinte descabe invocar critério decorrente de entendimento em julgado da matéria na sistemática do art. 543C do CPC, que nem mesmo existia à época do transito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Érika Costa Camargos Autran, que lhe negou provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Semiramis de Oliveira Duro (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 49 61 /9 8- 66 Fl. 1469DF CARF MF 2 convocada em substituição ao impedimento da Conselheira Tatiana Midori Migiyama) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de pedido de restituição protocolado em 26/02/1998, de crédito PIS, à efl. 02, recolhido com base nos Decretoslei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais pelo Senado Federal e por decisão transitada em julgado em ação ordinária na qual a contribuinte era a autora. Os recolhimentos eram relativos aos períodos de janeiro de 1989 a maio de 1994. A compensação realizada pela contribuinte foi homologada parcialmente nos termos dos sucessivos despachos decisórios de efls. 872 a 881 (de 27/02/2002), 996/998 (de 03/04/2002) 1073/1075 (de 29/07/2002) e 1246/1253 (de 27/08/2009), dos quais foi cientificada. A partir do despacho original houve apreciação de divergências apontadas pela contribuinte, bem como da manifestação de inconformidade interposta em 28/03/2002 (efls. 1190 a 1203), que levaram aos despachos seguintes, alterando os valores do original. Cientificada deste último despacho em 08/09/2009 (efl. 1254), a contribuinte não voltou a contestar os valores apurados. A 8ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1624.205, prolatado em 04/02/2010, às efls. 1289 a 1296, considerou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade. Cientificada do acórdão da DRJ em 14/05/2010 (efl. 1298), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 07/06/2010, às efls. 1299 a 1308. Argumentou, em síntese, que não houve a decadência do seu direito de pleitear a restituição, porque o prazo aplicável ao caso é de dez anos; que o disposto na LC 118/2005 não pode retroagir para prejudicar; e que o pagamento indevido do PIS é incontroverso em vista da declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei n. 2.445/88 e 2.449/88. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 24/08/2016, resultando no acórdão nº 3401003.225, às efls. 1355 a 1359, que tem a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO. PRAZO DE PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Para a contribuinte pleitear a restituição ou a compensação consoante decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, ficou pacificado que o prazo qüinqüenal estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que antes dessa data se aplica a tese de que o prazo para repetição ou compensação é de dez anos contados de seu fato gerador. COMPENSAÇÃO. CÁLCULO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, entendo que é mandatório a aplicação nos pedidos de restituição/ compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 9303007.443 CSRFT3 Fl. 1.470 3 Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral, pela recorrente, Ana Paulo Gesing Gonçalves, OAB DF n.º 39.387. O voto condutor afirma que o pedido de restituição realizado em 27/02/1998 alcançaria os fatos geradores até fevereiro de 1988 e o objeto daquele pedido se estendia de janeiro de 1989 a maio de 1994, não atingidos pela prescrição. Embargos da Fazenda Intimada do resultado do julgamento em 12/09/2016 (efl. 1361), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração ao acórdão nº 3401 003.225 em 13/10/2016, nele apontando supostas obscuridade e omissão, ao tratar de expurgos de índices inflacionários e do afastamento dos períodos prescritos, sem harmonizar tais índices com as decisões anteriores. O então Presidente da 1ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deu seguimento aos embargos, que por fim foram rejeitados em julgamento pela Turma, havido em 24/04/2017, às efls. 1375 a 1383, resultando no acórdão nº 3401003.494, pelo qual se entendeu que a contribuinte não logrou demonstrar os alegados vícios. Recurso especial da Fazenda Intimada do acórdão dos embargos em 16/05/2017 (efl. 1385), a Fazenda Nacional apresentou recurso especial em 14/06/2017 (efls. 1386 a 1401), no qual aponta divergência entre o acórdão 3401003.225, integrado pelo acórdão nº 3401003.494, e o acórdão nº 320100.632. As decisões recorridas apontavam para aplicação de expurgos inflacionários conforme índices previstos na Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, enquanto os paradigmas só os admitem quando houver expressa determinação judicial em sede de execução administrativa, caso contrário há que se utilizar os critérios definidos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/1997. Ao final, requer o conhecimento e provimento do recurso especial, para que se reforme o aresto recorrido para restabelecerse a decisão de primeira instância . O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da Procuradora em 04/08/2017, no despacho de e fls. 1404 a 1406, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte Fl. 1471DF CARF MF 4 A contribuinte foi cientificada do despacho de admissibilidade de e fls. 1404 a 1406, em 16/10/2017 (efl. 1435), e apresentou contrarrazões em 31/10/2017, às efls1438 a 1446. No seu arrazoado afirma que a atualização monetária com os expurgos inflacionários independeria de pedido ou determinação expressa, por se tratar de matéria de ordem pública, integrando o pedido e a decisão de forma explícita, conforme decisão sob a égide de recursos repetitivos do STJ, decidida no acórdão nº 1.112.524/DF. Pelas razões apresentadas, pugna pela negativa do provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, para manutenção integral do acórdão recorrido. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por atender aos pressupostos regimentais de admissibilidade. Para análise do mérito, inicialmente, há que se delimitar a lide, pois a divergência se dá apenas sobre a aplicabilidade, de ofício, dos expurgos dos índices inflacionários objeto da Resolução 561 do CNJ sobre os créditos objeto de pedido de restituição, em face da existência de decisão judicial específica relativa ao contribuinte e transitada em julgado, determinando índices diferentes que foram aplicados pela decisão de primeira instância. No entender deste conselheiro, a introdução de novas fontes do direito, tais como dispositivos legais ou decisões vinculantes, somente teriam o condão de afetar o trânsito em julgado de decisões específicas caso cumulativamente: (a) a decisão específica transitada em julgado refirase a relações repetitivas e (b) sua aplicação de dê prospectivamente, ou seja, para fatos ocorridos posteriormente à introdução na nova fonte do direito. Ao contrário, a decisão transitada em julgado deve ser aplicada de forma inalterada a fatos anteriores, para cumprir o que foi decidido, tendo sido decidido o que foi pedido. Para análise da aplicabilidade desse critério ao caso, cumpre referir que, antes do acórdão a quo, a discussão acerca dos expurgos de índices inflacionários já não mais fazia parte do processo. Isso porque em 14/12/20051 já transitara em julgado o RESP nº 694.906, cujo excerto de cópia da Decisão do Ministro Francisco Falcão, à efl. 1208, se transcreve abaixo: Relatados. Decido. A presente pretensão merece provimento. Com efeito, está consolidado o posicionamento desta Corte no sentido de que a correção monetária, para os valores a serem compensados ou restituídos, inclui os expurgos inflacionários, tendo como indexador, relativamente ao período de janeiro/89 e fevereiro/89 o IPC (REsp nº 610561/PE, Relator Ministro JOSÉ DELGADO e REsp nº 43055/SP, Relator Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO, DJU de 20/02/1995); de março/90 a 1 https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?src=1.1.3&aplicacao=processos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica &num_registro=200401456711 Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 9303007.443 CSRFT3 Fl. 1.471 5 fevereiro/91, o IPC; a partir da promulgação da Lei nº 8.177/91 até dezembro/91, o INPC; e, de janeiro/92 até 31/12/95, a UFIR, na forma preconizada pela Lei nº 8.383/91. Reparase que houve embargos de declaração manejado pela contribuinte em face da decisão judicial acima referida, mas apenas em relação aos honorários, em nada alterando o que havia sido decidido. Com relação ao cumprimento da decisão judicial pala autoridade administrativa, é importante considerar que, em 27/08/2009, antes mesmo do acórdão de primeira instância da DRJ/SP1, o Despacho de efls. 1246 a 1253, já levara em consideração o RESP 694.906, conforme se pode observar no relatado à efl. 1250: (...) 16. Tendo em vista o Acórdão exarado pelo STJ no RESP n° 694.906, transitado em julgado em 14/12/05, cuja decisão foi pelo reconhecimento do direito da autora à repetição do indébito do PIS com a inclusão dos índices inflacionários do IPC, até Fev/91, e do INPC, entre Mar/91 e Dez/91, como pretendido na lide, em 08/03/07 o interessado fez juntar ao processo requerimento pleiteando, antes do julgamento da impugnação por ele apresentada, a retificação, na parte incontroversa, do montante do crédito do PIS (folhas 1194/1195 e 1196 a 1238); (...) Em face disso, o procedimento da DRF de origem fora: 6. Com efeito, considerando, portanto, o vazado pelo E. STJ no acórdão do RESP n° 694.906, o qual transitou em julgado em 14/12/05, e que determinou a correção do indébito do PIS pelos índices do IPC, até Fev/91, e do INPC, entre Mar/91 e Dez/91, restaria agora à autoridade administrativa, como pleiteado pelo interessado no requerimento protocolizado em 08/03/07, retificar o valor do direito crédito em discussão; (Negritei.) Ou seja, até então, já haviam sido aplicados os índices de atualização determinados judicialmente, relativamente aos créditos admitidos (com ressalva dos créditos que o despacho decisórios entendeu prescritos, de abril de 1989 a março de 1990), prescrição esta confirmada no acórdão da DRJ/SP1. Ressalto que os valores assim apurados, com os expurgos acima referidos, foram informados à contribuinte e sobre eles não houve qualquer ressalva anteriormente ao julgamento pela DRJ/SP1, quanto à correção realizada, conforme destacado no voto daquele aresto (efl. 1295): 16. Portanto, deve ser reconhecido, neste julgamento, o direito creditório relativo aos recolhimentos indevidos no período de 04/90 a 09/94, nos valores acima referidos, já que foram apurados e atualizados pela autoridade, em conformidade com as normas de regência, em especial a IN SRF 21/97 e alterações posteriores, e com as decisões judiciais, e foram acolhidos pelo interessado. Fl. 1473DF CARF MF 6 (Grifei.) Ou seja, neste processo, já estavam aplicados os critérios de correção da decisão transitada em julgado favoravelmente à contribuinte. Em sede de recurso voluntário (efl. 1307, último parágrafo, in fine), a contribuinte volta a solicitar a correção, mas sem qualquer referência à Resolução nº 561 do conselho Federal de Justiça, o que leva a concluir serem os expurgos aqueles referidos no RESP nº 694.906. Todavia, no voto condutor do acórdão recorrido, o relator manifestou o entendimento da aplicação de ofício dos expurgos inflacionários, nos seguintes termos: (efl. 1358): Trago à consideração dos Senhores Conselheiros mais um ponto. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, entendo que é mandatório a aplicação nos pedidos de restituição/ compensação, em procedimento pela via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n.º 561 do Egrégio Conselho da Justiça Federal, inclusive de aplicação do entendimento do E STJ no REsp 1.112.524/DF julgado na sistemática do art. 543C do CPC, com base no artigo 62A do Regimento do CARF. Portanto, carece a verificação dos valores de direito creditório da adoção desses índices, nos termos aqui postos. Esclarecidos esses pontos, penso que anda bem a Procuradora em seu recurso especial de divergência, haja vista que em momento anterior a quaisquer julgamentos administrativos fiscais, já se havia estabelecido um critério de correção com expurgos em sede de decisão judicial e este critério fora adotado pela DRF de origem para correção dos períodos não prescritos. Os créditos daquele período que passaram a ser reconhecidos pelo acórdão a quo, devem ser apurados considerando o que ficou definido no RESP nº 694.906, já transitado em julgado em 14/12/2005, pois o processo a ele relacionado não se encontrava suspenso para que fosse alcançado pela sistemática dos recursos repetitivos, até porque tal sistemática inexistia naquela data, pois o art. 543C da Lei nº 5.869/1973 só foi introduzido no ordenamento jurídico pela Lei nº 11.672 de 08/05/2008. Assim, neste caso, não há que se falar em descumprimento do art. 62A (atualmente art. 62, § 2º ) do RICARF. Em outras palavras, o acórdão recorrido descumpriu a decisão transitada em julgado, para aplicação de um critério jurídico diverso a fatos passados, perfeitos e acabados. Dessarte, com a devida vênia, não poderia o acórdão de recurso voluntário estabelecer critério de correção para os créditos distinto daquele já estabelecido para contribuinte pelo Poder Judiciário, com trânsito em julgado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para darlhe provimento, a fim de manter o critério de expurgos inflacionários adotados pela DRF de jurisdição da contribuinte e mantido pelo acórdão de primeira instância. Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10880.004961/9866 Acórdão n.º 9303007.443 CSRFT3 Fl. 1.472 7 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1475DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.904308/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 08 /2 01 0- 50 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13884.904308/201050 Acórdão n.º 3302005.755 S3C3T2 Fl. 103 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao primeiro trimestre de 2002. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13884.904308/201050 Acórdão n.º 3302005.755 S3C3T2 Fl. 104 3 anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 100 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 92 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 93 a 98) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
