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Numero do processo: 13876.000513/2002-33
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS.
No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação.
LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO.
Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência.
Numero da decisão: 3402-001.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o creditamento dos produtos que se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT).
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
O Presidente-substituto da Turma assina o Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o creditamento dos produtos que se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto. Sílvia de Brito Oliveira - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente-substituto da Turma assina o Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 323 1 322 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13876.000513/200233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402001.826 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. Recorrente ALCOA ALUMÍNIO S/A Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INCABÍVEL. O indeferimento do pedido de diligência ou de perícia não configura cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, sendo incabível a decretação da nulidade da decisão recorrida. LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o creditamento dos produtos que se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 05 13 /2 00 2- 33 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Nayra Bastos Manatta (Presidente), Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidentesubstituto da Turma assina o Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 4º trimestre de 2001, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O pedido, formalizado em 05 de julho de 2002, foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em SorocabaSP, em virtude da glosa de créditos relativos à aquisição dos materiais relacionados às fls. 113 e 114, que, conforme informação fiscal constante das fls. 116 a 121, tratamse de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos cujo desgaste não se dá por ação direta sobre o produto final ou do produto final sobre esses materiais, e também por determinação de estorno dos créditos relativos a aquisições de insumos utilizados na produção de produto não tributado (mulita). Contra essa decisão, foi apresentada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Ribeirão PretoSP, que manteve o indeferimento parcial, ensejando a interposição de recurso ao extinto Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 178 a 194, para aduzir, em preliminar, a nulidade da decisão da instância de piso, por indeferir o pedido de realização de perícia documental e técnica e, com isso, ofender os princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa e, no mérito, alegar, em síntese, que: I – os insumos cujos créditos foram glosados são equipamentos de grande porte (britadores, moinhos, eletrodos, fornos), que mantêm contato direto com as grandes estruturas maciças, e outros materiais (peneiras, esferas, rolos e martelos dos moinhos, mandíbulas, grelhas e placas de revestimento) que mantêm contato direto com o próprio produto final; II – esses insumos são, sim, em consonância com o art. 519, inc. II, do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, produtos intermediários e são imprescindíveis no processo produtivo da contribuinte, desgastandose por contato direto com os grãos em processo de produção, conforme Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13876.000513/200233 Acórdão n.º 3402001.826 S3C4T2 Fl. 324 3 A recorrente alegou ainda a necessidade de converter o julgamento do recurso em diligência, pois a matéria litigiosa depende da produção de prova pericial técnica e documental para demonstrar que os materiais cujos créditos foram glosados são utilizados no processo de industrialização e não são do ativo permanente e que se consomem ou se desgastam em decorrência de ação direta sobre o produto fabricado. Ao final, solicitouse o integral provimento do seu recurso para, preliminarmente, decretarse a nulidade da decisão recorrida e, no mérito, para que seja reconhecido seu direito à compensação pleiteada, pois os bens relativos às glosas de crédito são considerados intermediários ou insumos, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e arts. 164, inc. I, e 519, inc. II, do Decreto nº 4.544, de 2002, refazendose, por conseqüência, os cálculos dos créditos que devem ser estornados, em virtude das saídas do produto não tributado denominado mulita. Também foi requerida a reunião dos processos administrativos que listou, por serem de conteúdo idêntico, possuírem decisões similares e estarem na mesma fase processual. A Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em sessão realizada 13 de fevereiro de 2008, decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que fosse providenciado laudo detalhado do processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, no estabelecimento industrial, com destaque par a aplicação dos insumos objeto das glosas de crédito. Após efetuada a diligência, estes autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) com a informação de que a diligência fora efetuada com base no processo produtivo do estabelecimento da pessoa jurídica Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda., tendo em vista determinação da quarta Câmara do Carf em processos idênticos dessa mesma contribuinte. Na diligência, foi produzido o relatório técnico elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), às fls. 242 a 269, em que consta descrição da linha de produção do óxido de alumínio e do carbeto de silício e lista de partes e peças que, segundo o entendimento do INT, desempenham funções específicas e essenciais no processo produtivo, com desgastes que requerem a reposição periódica dessas partes e peças. A contribuinte manifestouse sobre a diligência para expressar sua concordância com o relatório do INT e pedir o integral provimento do seu recurso, em face do laudo técnico que atestou o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Carf, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 Sobre a preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, cumpre registrar que as diligências e perícias destinamse à formação da convicção do julgador, por isso cabe a ele o juízo da sua necessidade ou não,conforme art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece, ipsisi litteris: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Relativamente ao mérito, tendo em vista que o laudo técnico foi elaborado pelo INT e que não houve argüição, tampouco comprovação, de sua improcedência, com fundamento no art. 30 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, adotoo para admitir os créditos do IPI relativos às aquisições dos produtos assim denominados: Bucha de poliuretano para bico micronizador; Bucha de poliuterano do micronizador; Cunha de fixação da mandíbula movel; Cunha lateral inferior/superior/direita/esquerda; Cunha para fixar grelhas; Eixo Oco de saída; Esfera de aço; Esfera de Cerâmica; Grelha para moinho Faço; Hélice com tubo mecânico; Mandíbula Fixa; Mandíbula Móvel; Martelo para moinho Faço; Martelo para moinho Sabia; Placa de Impacto para Traseira do Moinho Martelo; Placa de Impacto Superior do Moinho Martelo; Placa para regulagem do Moinho Martelo; Placa de impacto tampa do Moinho Martelo; Revestimento inferior lateral para Moinho Faço; Revestimento lateral direito do Moinho Faço; Rolo para Moinho de Rolo; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13876.000513/200233 Acórdão n.º 3402001.826 S3C4T2 Fl. 325 5 Segmento Anel quebrador superior moinho canário; Segmento Anel quebrador inferior moinho canário; Suporte do Martelo Moinho Faço; Camisa Cone para rebritador (móvel); Chapa preta para proteção do eletrodo; Placas perimetrais extremidade moinho a bola; Ponteiro para Rompedor Hidráulico; Revestimento para Câmara para Rebritador Cônico; Argola poliuretano para bola PE; Deck superior, intermediário e inferior; Disco de fixação dos martelos moinho sabiá; Placa superior, inferior e central do moinho canário; Placa de Desgaste Moinho Martelo Faço; Segmento abaulado para moinho bolas; Segmento plano para o moinho Rosenweig; Correia RE 3; Chapa perfurada de aço para peneira; Conjunto revestimento de alta alumina moinho bola; Revestimento da carcaça do mieronizador; Revestimento do bocal; Tampa superior; e Telas. Por fim, cumpre lembrar que a admissão desses créditos deve ser considerada para o cálculo do valor dos créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados na produção da mulita a ser estornado. Por essas razões, voto por rejeitar a preliminar de nulidade argüida e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso voluntário para que sejam considerados os créditos do IPI decorrente das aquisições dos produtos relacionados no relatório técnico do INT, na apuração do saldo credor do período objeto destes autos, devendo ser homologadas as compensações declaradas até o limite do saldo credor apurado em conformidade com esta decisão. É como voto. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 6 Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 318DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004900/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTOS REFLEXO. GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSLL.RETIFICAÇÃO APRECIADA EM PROCESSO ANTERIOR.
Já tendo sido apreciada, em outro processo administrativo, no CARF, a retificação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, nos presentes autos que se referem à glosa da compensação de tais fatos, deve ser dada a devida repercussão daquele julgamento, não sendo cabível a reapreciação de matéria já objeto de julgamento.
Numero da decisão: 1401-000.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXO. GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSLL.RETIFICAÇÃO APRECIADA EM PROCESSO ANTERIOR. Já tendo sido apreciada, em outro processo administrativo, no CARF, a retificação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, nos presentes autos que se referem à glosa da compensação de tais fatos, deve ser dada a devida repercussão daquele julgamento, não sendo cabível a reapreciação de matéria já objeto de julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 67 1 66 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.004900/201097 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 1401000.899 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVIÇOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXO. GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSLL.RETIFICAÇÃO APRECIADA EM PROCESSO ANTERIOR. Já tendo sido apreciada, em outro processo administrativo, no CARF, a retificação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, nos presentes autos que se referem à glosa da compensação de tais fatos, deve ser dada a devida repercussão daquele julgamento, não sendo cabível a reapreciação de matéria já objeto de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 49 00 /2 01 0- 97 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 68 2 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício em face do Acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em CampinasSP que cancelou em parte o lançamento. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrados em 16/04/2010, pelo Serviço de Fiscalização Sefis da DRF Campinas/SP, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 96.751.560,35, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas, no anocalendário de 2007, e assim descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 12/15, parte integrante da peça acusatória: CONTEXTO 1. No exercício das funções do cargo de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, procedemos à análise das informações fiscais contidas nos documentos que compõem a presente Ação Fiscal, revisando, nos termos do artigo 835 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), as Declarações de Informações EconômicoFiscais, relativas aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, DIPJ 2006/2007/2008, respectivamente, do contribuinte acima identificado. 2. Foram constatadas divergências entre os valores constantes da DIPJ/2007, anocalendário 2006, e DCTF's, conforme Quadro abaixo, em relação a CSLL Estimativas mensais: AnoCalendário 2006 (A) CSLL PAGA (informada na DIPJ) (B) PAGAMENTO (códigos 2469 e 2484) (C)PER/DCOMP (D)DEDUÇÕES TOTAL (B) + (C) + (D) CSLL 46.772.734,97 46.066.372,08 373.400,56 55.032,65 46.494.805,29 3. Também foram constatadas irregularidades referentes a compensação a maior de Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL, relativas ao ano calendário 2005, 2006 e 2007. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS 4. Em 21/01/2010, o contribuinte recebeu Termo de Início de Fiscalização e Intimação para prestar os esclarecimentos necessários quanto às inconsistências constatadas, relativas ao anocalendário 2005, e apresentar a devida documentação comprobatória. Em 10/02/2010, foi protocolado documento solicitando prorrogação de prazo de mais 15 (quinze) dias para atendimento da intimação. 5. Em 17/02/2010 foi recebido Termo de Prorrogação, autorizando o atendimento à intimação até o dia 25/02/2010. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 69 3 6. Em 25/02/2010, foi protocolizada resposta relacionada a compensação do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL do anocalendário 2005, DIPJ 2006. 7. Em 23/03/2010, foi recebida pelo contribuinte Intimação solicitando esclarecimentos relacionados às inconsistências da CSLL do anocalendário de 2006 e da compensação a maior de Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL relativas ao anocalendário 2007. 8. Em l°/04/2010, foi protocolizada resposta relacionada a compensação do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL do anocalendário 2007 e inconsistência da CSLL do anocalendário 2006. DAS CONSTATAÇÕES A COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL 9. Conforme respostas apresentadas, o contribuinte considera corretos os valores da Tabela de compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL abaixo, conforme constam das respectivas DIPJ entregues a RFB (entre parênteses foram informados os valores compensados): Anoca lendário DIPJ IRPJ Constituição Compensação IRPJ Saldo CSLLConstituição Compensação CSLL Saldo 1999/2000 408.238.618,50 408.238.618,50 405.806.053,70 405.806.053,70 2000/2001 107.479.183,51 515.717.802,01 107.498.328,99 513.304.382,69 2001/2002 4.470.217,41 520.188.019,42 4.652.198,52 517.956.581,21 2002/2003 740.944.596,17 1.261.132.615,59 741.241.848,99 1.259.198.430,20 2003/2004 16.512.014,37 1.244.620.601,22 12.146.599,60 1.247.051.830,60 2004/2005 59.248.935,47 1.185.371.665,75 48.484.143,96 1.198.567.686,64 2005 (cisão) 316.756.168,53 868.615.497,22 313.604.011,16 884.963.675,48 2005/2006 54.078.731,70 814.536.765,52 53.569.116,27 831.394.559,21 2006/2007 223.772.131,88 590.764.633,64 218.706.546,76 612.688.012,44 2007/2008 142.512.443,34 448.252.190,30 148.987.084,62 463.700.927,82 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 70 4 10. Porém, se considerado o que consta do Auto de Infração no. 10830.011401/200751, lavrado em 28/12/2007, cópias em anexo, verificamos que houve alteração dos saldos de prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL em virtude da glosa de despesas financeiras, anocalendário 2003, no valor de R$ 863.387.794,31. Em decorrência da diminuição dos saldos a compensar, de R$ 1.261.132.615,59 para R$ 397.744.821,28, do IRPJ, e de R$ 1.259.198,430,20 para R$ 398.061.219,58, da CSLL, estes se esgotaram no anocalendário de 2005 (cisão) e, por conseguinte, o contribuinte promoveu compensação a maior quando das apurações das bases de cálculos dos IRPJ e CSLL subseqüentes, conforme demonstrado nos Quadros abaixo. Compensação de Prejuízos Fiscais IRPJ Anocalendário DIPJ Saldo do ano anterior Redução na Autuação Novo Saldo Compensado p/ Contribuinte Compensado na Autuação Compensação Indevida 2003/2004 1.261.132.615,59 863.387.794,31 397.744.821,28 17.398.269,95 14.775.545,42 2004/2005 365.571.005,91 60.349.401,46 22.803.750,27 2005 (cisão) 282.417.854,18 317.842.718,62 10.250.585,72 45.675.450,17 2005/2006 54.308.916,48 54.308.916,48 2006/2007 223.772.131,88 ■ 223.772.131,88 2007/2008 142.512.443,34 142.512.443,34 11. Ressaltese que os valores compensados indevidamente do IRPJ e da CSLL, apurados nos anoscalendário 2005 (cisão), 2005/2006 e 2006/2007, também foram lançados através do Auto de Infração, já mencionado anteriormente, protocolizado em 28/12/2007, conforme cópias em anexo. O referido Auto de Infração se encontra no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF/DF desde 07/07/2009, conforme consulta no Sistema COMPROT, em anexo. B ESTIMATIVA MENSAL CSLL 12. Em relação a CSLL do anocalendário 2006, verificouse que o valor total da CSLL paga por estimativa, informada na Linha 52 da Ficha 17 Cálculo da CSLL, da DIPJ do anocalendário 2006 (R$ 46.772.734,97), corresponde ao somatório dos valores pagos + valores declarados em PERDCOMP + CSLL Retida na Fonte, conforme Tabela abaixo: Anocalendário 2006 (A) CSLL PAGA (código 2484) (B)PER/DCOMP (C) CSLL Retida TOTAL (A)+(B) + (C) DIPJ Linha 52 Ficha 17 Janeiro 3.830.467,08 345.836,84 24.553,85 4.200.857,77 Fevereiro 3.106.811,65 26.596,81 3.133.408,46 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 71 5 Março 4.596.320,62 25.663,86 4.621.984,48 Abril 3.471.485,77 25.842,52 3.497.328,29 Maio 3.387.642,46 27.925,34 3.415.567,80 Junho 2.806.562,36 21.965,31 2.828.527,67 Julho 4.619.033,43 27.563,72 23.242,17 4.669.839,32 Agosto 3.248.585,08 24.036,85 3.272.621,93 Setembro 3.688.917,72 21.350,53 3.710.268,25 Outubro 4.178.394,91 31.235,30 4.209.630,21 Novembro 4.810.458,54 25.517,14 4.835.975,68 Dezembro 4.321.692,46 55.032,65 4.376.725,11 Total 46.066.372,08 373.400,56 332.962,33 46.772.734,97 13. Uma vez que, conforme Manual da DIPJ, "considerase efetivamente pago por estimativa o crédito da contribuição extinto por meio de: dedução da CSLL retida por órgão público, ou por outra pessoa jurídica de direito privado, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante DARF", não existem valores a serem lançados em relação a CSLL apurada na DIPJ do anocalendário 2006 DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 14. Serão lançados de ofício, através de Auto de Infração, do qual o presente Termo é parte integrante, os valores da compensações indevidas, de prejuízo fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL, do anocalendário 2007, Exercício 2008, conforme demonstrado nos Quadros no item 10 acima. CONCLUSÃO 15. Os valores do IRPJ e da CSLL apurados na presente ação fiscal, com os devidos acréscimos legais, constituem o Crédito Tributário nos termos do artigo 142 do CTN, conforme discriminado no Auto de Infração. 16. A presente ação fiscal restringiuse a revisão das DIPJ, relativas aos anoscalendario de 2005, 2006 e 2007. Fica, portanto, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional fazer verificações posteriores e cobrar o que for devido em razão dos fatos, circunstâncias e elementos não verificados e/ou não conhecidos nesta oportunidade. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 72 6 17. E, para constar e surtir todos os efeitos da lei, foi lavrado o presente Termo, em três vias de igual forma e teor, assinadas pela AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo uma das vias enviada ao contribuinte pelo Correio, com Aviso de Recebimento AR, para ciência. Cientificada dos lançamentos, por via postal (cópia de AR de fls. 38), em 22/04/2010, a contribuinte, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (cf. instrumentos de mandato e de substabelecimento de fls. 99/101), protocolizou a impugnação de fls. 40/90, em 21/05/2010, alegando em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Afirma a tempestividade da impugnação e que os autos de infração em apreço relativos ao anocalendário de 2007 seriam conexos com aqueles formalizados no âmbito do processo administrativo n° 10830.011401/200751 e referentes aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 a 2006. Em suas palavras: "09. Assim, o Auto de Infração ora impugnado é conseqüência da redução dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL em razão da glosa de despesas financeiras realizadas por meio da lavratura do Auto de Infração vinculado ao Processo Administrativo n° 10830.011401/200751 (doe. 04). [...] 11. Portanto, o presente Auto de Infração está intrinsecamente relacionado ao Processo Administrativo n° 10830.011401/200751, sendo que a conclusão pela inexistência de qualquer valor a pagar com relação ao primeiro lançamento, acarretará, obrigatoriamente, o cancelamento desta infração 12. Dito isto, passemos a analisar os principais andamentos ocorridos no Processo Administrativo n° 10830.011401/200751 e que, curiosamente, deixaram de ser mencionados pela Fiscalização no Termo de Verificação do novo lançamento realizado. [...] 17. Diante das razões apresentadas, que demonstravam a completa ilegitimidade do lançamento, a 5* Turma da Delegacia de Julgamento houve por bem JULGAR INTEGRALMENTE IMPROCEDENTES as exigências fiscais, conforme ementa abaixo: [...] Nas preliminares, ainda afirma a nulidade dos lançamentos, por ausência de investigação dos fatos, tendo se pautado integralmente a autoridade administrativa nas conclusões obtidas no processo administrativo n° 10830.011401/200751. No entendimento da defesa, para justificar os lançamentos, a fiscalização não poderia utilizarse de conclusões obtidas por outra fiscalização em outro processo/procedimento fiscal. Para fundamentar a nulidade dos lançamentos referese ainda a defesa ao desrespeito à decisão administrativa da 5a Turma de Julgamento da DRJ Campinas que teria determinado a atualização dos bancos de dados do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL Sapli, para reconhecimento da legitimidade das despesas registradas pela empresa de 1999 a 2005. E prossegue a defesa: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 73 7 "47. Nem se diga que o trecho final presente na decisão da 5a Turma de Julgamento 'ressalvandose que, também neste âmbito, a disponibilidade dos prejuízos e bases negativas só será definitiva depois da apreciação do recurso de ofício ' significaria que a decisão não teria efeito imediato, sendo que a recomposição dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL só deveria ser feita após o julgamento do recurso de ofício pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF". Adota a Impugnante o entendimento de que a recomposição dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL produziria efeitos desde a ciência das partes quanto ao resultado do julgamento, sendo este o momento em que devem cessar os seus efeitos. Nas palavras da parte: "48. [...] Tratase de um imperativo lógico e decorrente do próprio sistema jurídico que permite que a Administração exerça o controle de legalidade de seus atos, cancelando de ofício, ou por iniciativa das partes, os atos administrativos considerados ilegítimos". Para a defesa, a Administração não poderia aceitar a propagação de efeitos de um ato considerado ilegal, e somente a partir da decisão do CARF de acatar o recurso de ofício da 5a Turma de Julgamento da DRJ Campinas, é que poderiam ser efetuados os ajustes nas bases de cálculo e os lançamentos correspondentes. Transcreve ementa de julgado da 8a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 10809.799 de 18/12/2008). E continua: "Ressaltese que esta decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que conformase em tudo com as diretrizes do processo administrativo, pauta na premissa que, cancelado o auto de infração originário, não existem mais os motivos que seriam capazes de acarretar a lavratura de um segundo auto. Esta decisão visa, justamente, evitar a manutenção de situações contraditórias, de revisão de um ato administrativo pela própria Administração, mas manutenção de seus efeitos correlatos". Para a defesa, diante da decisão da DRJ no processo administrativo n° 10830.011401/200751, como não haveria mais a necessária e obrigatória motivação para o ato administrativo, a exigência dos tributos configuraria um absurdo jurídico. Invoca também a decadência de parte do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4° do CTN, tendo em conta que os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas objeto de glosa teriam sido gerados em período já atingidos pela decadência (1999 a 2004). Apenas as glosas relativas às despesas incorridas no ano calendário de 2005 estariam a salvo da decadência. Nas palavras da defesa: "77. E nem se alegue que não teria ocorrido a decadência uma vez que a autuação estaria se referindo à glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de cálculo aproveitados pela Impugnante no anocalendário de 2007 (período ora autuado). 78. O presente lançamento, ainda que procure alcançar os efeitos da dedução das despesas somente no ano de 2007, em razão da glosa do prejuízo fiscal e base negativa utilizados para compensar tributos nesse exercício, não passa de uma tentativa de rever a escrita fiscal da Impugnante de períodos anteriores, escrita esta já homologada tacitamente, conforme a regra do artigo 150. $4° do CTN". 79. A homologação tácita do lançamento realizado em 1999 a 2004 alcança, por certo, a homologação de todos os procedimentos relacionados à apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL nos respectivos exercícios, o que inclui Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 74 8 necessariamente a dedução das despesas do lucro real e a constatação da existência de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Homologase a escrita fiscal do contribuinte, procedimento, e não simplesmente o pagamento". Defende a Impugnante, após cinco anos da data do fato gerador e sem ato desconstitutivo do Fisco, a definitividade dos prejuízos fiscais e bases negativas a serem utilizados em momento posterior. E prossegue: "81. De outra forma, e considerando que os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL são imprescritíveis, a Fiscalização poderia, em 20, 30, 40 anos a partir de sua geração, questionar os valores registrados pelo contribuinte. Este cenário certamente não é legítimo, até mesmo em função do primado da segurança jurídica". Transcreve ementas de julgados do CARF. No mérito, reproduz resumidamente as razões apresentadas na defesa vinculada ao processo administrativo n° 10830.011401/200751, assim como requer que sejam aqui consideradas as provas produzidas no âmbito daqueles autos. Juntamente com a impugnação, procedeu ajuntada dos documentos de fls. 97/426, numerados de Doc. 01 a Doc. 27. No despacho de encaminhamento do processo para julgamento (fls. 428), a autoridade preparadora deixou de se pronunciar sobre a tempestividade da impugnação, mas providenciou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários constituídos exofficio nos sistemas de cobrança, conforme extrato do processo de fls. 427. A DRJ CANCELOU os lançamentos e RECORREU DE OFÍCIO, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Lançamentos Conexos. Glosa da Compensação de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa. Retificação Apreciada em Processo Anterior. Já tendo sido apreciada, em outro processo administrativo, na Ia instância, a retificação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, nos presentes autos que se referem à glosa da compensação de tais fatos, deve ser dada a devida repercussão daquele julgamento, não sendo cabível a reapreciação de matéria já objeto de julgamento. Nulidade do Lançamento. Imprescindibilidade de Procedimento Fiscal Próprio. Caracterizada a conexão entre os processos, com a mesma causa de pedir, ou decorrentes dos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos, está completamente dispensada a instauração de um novo procedimento fiscal, para a formalização de autos de infração meramente decorrentes de procedimento anterior. Nulidade do Lançamento. Descumprimento de Decisão da DRJ. A decisão da Turma de Julgamento da DRJ, órgão de primeira instância administrativa, que exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, no valor total superior a R$ 1.000.000,00, está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 75 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO De fato, a matéria tributável objeto dos presentes autos deriva de compensação indevida de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas que se referem a saldos de períodos anteriores e que foram alterados em virtude de outros lançamentos fiscais constante do processo nº 10830.011401/200751.. . A esse respeito a DRJ cancelou os lançamentos em função dessa conexão e do destino que tomou o referido processo conexo (10830.011401/200751) que fora também cancelado . O próprio Termo de Verificação Fiscal dá conta da conexão deste processo com o processo nº 10830.011401/200751: Porém, se considerado o que consta do Auto de Infração n" 10830.011401/200751, lavrado em 28/12/2007, cópias em anexo, verificamos que houve alteração dos saldos de prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL em virtude da glosa de despesas financeiras, anocalendário 2003, no valor de RS 863.387.794,31. Em decorrência da diminuição dos saldos a compensar, de RS 1.261.132.615,59 para RS 397.744.821,28, do IRPJ, e de RS 1.259.198.430,20 para RS 398.061.219,59 da CSLL, estes se esgotaram no anocalendário de 2005 (cisão) e, por conseguinte, o contribuinte promoveu compensação a maior quando das apurações das bases de cálculos dos IRPJ e CSLL subseqüentes (...) Ou seja, a comprovação da existência de saldos passíveis de compensação no presente processo deve levar em conta necessariamente o que ficar decidido no processo n 10830.011401/200751. Há uma clara conexão entre os mesmos, tanto no que diz respeito ao pedido quanto ‘a causa de pedir, pois os presentes autos de infração versam exclusivamente por compensação indevida de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL em consequência da glosa de despesas financeiras realizada por meio da lavratura do Auto de Infração vinculado ao referido processo (10830.011401/200751). Portanto, observase que a apreciação do presente RECURSO OFÍCIO, depende da confirmação dos saldos de períodos anteriores de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, que, por sua vez, depende do julgamento acerca da procedência dos lançamentos tributários objeto do processo administrativo n° 10830.011401/200751. De acordo com o sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na INTERNET, o processo administrativo n° 10830.011401/200751 no qual NEGOUSE provimento ao RECURSO DE OFÍCIO, com a seguinte ementa: Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 76 10 SALDO DE PREJUÍZO FISCAL – REVISÃO – DECADÊNCIA – A Autoridade fiscal tem 5 anos da data em que se encerrou o período de apuração para rever de ofício a base de cálculo de IRPJ/CSLL, apurada pelo contribuinte e, portanto, o saldo de prejuízo efetivamente apurado na escrita contábil e fiscal do contribuinte, devidamente declarado ‘a autoridade. Com o decurso do prazo, dáse a decadência do poderdever da autoridade de ajustar essa base de cálculo. DESPESA FINANCEIRA – DEDUTIBILIDADE – A despesa financeira que tem origem em contrato regular e válido é operacional e dedutível, na medida em que necessária. No caso, a necessidade comprovase já que a dívida veio quitar com desconto outra dívida que tinha condições menos facilitadas de pagamento. Recurso de Ofício Negado. . Portanto, os prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL foram revertidos. Outrossim, verificase que o referido Acórdão recebeu decisão definitiva na instância administrativa, na medida em que a Fazenda não entrou com Recurso Especial e o processo encontrase em Arquivo Geral desde 20/10/2011, conforme demonstra Sistema Comprot: Dados do Processo Número : 10830.011401/200751 Data de Protocolo : 28/12/2007 Documento de Origem : AI27122007 Procedência : SEFIS/DRF/CPS Assunto : AUTO DE INFRACAOIRPJ Nome do Interessado : ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVICOS SA CNPJ : 02.328.280/000197 Tipo: Papel Sistemas Profisc: Não EProcesso :Não SIEF:Controlado pelo SIEF Localização Atual Órgão Origem : ARQUIVO GERAL DA SAMFSP Órgão : ARQUIVO GERAL DA SAMFSP Movimentado em : 20/10/2011 Sequencia : 0016 RM : 32867 Situação : ARQUIVADO POR 05 ANOS UF : SP Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.004900/201097 Acórdão n.º 1401000.899 S1C4T1 Fl. 77 11 Dessa forma, tendo em conta que os fundamentos fáticos e jurídicos relativos à retificação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de períodos anteriores foram julgados improcedentes pelo CARF, devem também ser canceladas as presentes exigências reflexas, pois em decorrência daquela decisão, há valores suficientes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de períodos anteriores para as compensações efetuadas pela empresa, nos valores respectivamente de R$ 142.512.443,34 e R$ 148.987.085,34, conforme demonstrativo do Sapli de fls. 495 e 497verso. Por todo o exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11020.001243/2010-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2008
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO
FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA.
Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por
qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício,
com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a
apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da
constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.678
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Recorrente ASSOCIAÇÃO COMERCIAL INDUSTRIAL E DE SERVIÇOS S MARCOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.001243/201023 Acórdão n.º 2301002.678 S2C3T1 Fl. 837 3 Relatório Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 14/04/2010, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 33/41, deixado de recolher contribuições previdenciárias sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho médico, nas competências 01/2005 A 09/2008, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 1.659.748,61. Após tomar ciência postal da autuação em 28/04/2010, fls. 703, a recorrente apresentou impugnação, fls. 705/714, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, no Acórdão de fls. 758/765, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 23/03/2011, fls. 823. O recurso voluntário, apresentado em 14/04/2011, fls. 824/833, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Entende ser indevida a contribuição social sobre a prestação de serviços contratados com cooperativas de trabalho com argumentos de inconstitucionalidade. Colaciona diversas jurisprudências judiciais. Sustenta que a base de cálculo deve ser 30% do valor bruto da fatura o prestador, conforme art. 291 da IN 03/2005. Informa que no Mandado de Segurança 2000.71.07.0044859 tem depositado judicialmente o valor da contribuição utilizando como base de cálculo 30% do valor bruto da fatura. Conclui requerendo a extinção do processo administrativo, tendo em vista a existência de depósito judicial. É o relatório. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Deixamos de tomar conhecimento do Recurso apresentado pelas razões a seguir apresentadas. Concomitância entre processo administrativo e processo judicial. Renúncia às instâncias administrativas em relação às matérias idênticas. Súmula CARF Nº 1. A recorrente impetrou o Mandado de Segurança 2000.71.07.0044859 que trata de todas as questões suscitadas no Recurso Voluntário, como a própria recorrente admitiu. Assim deve ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 1, in verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.“ Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 839DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.001243/201023 Acórdão n.º 2301002.678 S2C3T1 Fl. 838 5 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900316/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Relatório
Tratam-se os autos de Declaração de compensação realizada pelo contribuinte, que objetivou parte do pagamento de IRPJ do período de Dez/2003, no valor de R$1.164,04 (hum mil, cento e sessenta e quatro reais e quatro centavos), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior relativo à multa de mora em débito de COFINS (confessado espontaneamente), do período de Mai/2001, no valor de R$1.018,47 (hum mil e dezoito reais e quarenta e sete centavos).
Em análise à compensação transmitida a Autoridade Preparadora houve por bem em não homologar o pleito do contribuinte, alegando que para o DARF declarado no PER/DCOMP havia sido encontrados um ou mais pagamentos, tendo o referido valor sido utilizado integralmente na quitação de débitos.
O contribuinte insurgiu-se, arguindo que a multa paga através do referido DARF era indevida, uma vez que o pagamento ali realizado havia sido denunciado espontaneamente, o que materializaria o indébito utilizado na compensação.
O julgamento em primeira instancia rechaçou os fundamentos da manifestação de inconformidade, apresentando entendimento suportado por decisão do STJ, no sentido de que a declaração de débito em DCTF e o seu respectivo recolhimento em atraso não configuram denúncia espontânea, não esclarecendo, todavia, o momento efetivo da declaração e do recolhimento ocorrido nos autos.
O recurso foi apresentado nos mesmos termos da Manifestação de Inconformidade e no julgamento em 2ª instância o CARF houve por bem em converter o julgamento em diligência para apurar a ocorrência ou não de declaração do débito em DCTF, bem como o momento (posterior ou ulterior) do pagamento realizado, a fim de observar a caracterização ou não do pagamento espontâneo afirmado pelo sujeito passivo Realizada a diligência foi apresentado parecer conclusivo.
DA DISTRIBUIÇÃO
Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes, numerado até a folha 74 (setenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
É o relatório.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1555; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 75 1 74 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.900316/200990 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.512 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2013 Assunto COFINS Recorrente ICALDA INDUSTRIA DE CONSERVAS ALIMENTICIAS LEON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .9 00 31 6/ 20 09 -9 0 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900316/200990 Resolução nº 3402000.512 S3C4T2 Fl. 76 2 Relatório Tratamse os autos de Declaração de compensação realizada pelo contribuinte, que objetivou parte do pagamento de IRPJ do período de Dez/2003, no valor de R$1.164,04 (hum mil, cento e sessenta e quatro reais e quatro centavos), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior relativo à multa de mora em débito de COFINS (confessado espontaneamente), do período de Mai/2001, no valor de R$1.018,47 (hum mil e dezoito reais e quarenta e sete centavos). Em análise à compensação transmitida a Autoridade Preparadora houve por bem em não homologar o pleito do contribuinte, alegando que para o DARF declarado no PER/DCOMP havia sido encontrados um ou mais pagamentos, tendo o referido valor sido utilizado integralmente na quitação de débitos. O contribuinte insurgiuse, arguindo que a multa paga através do referido DARF era indevida, uma vez que o pagamento ali realizado havia sido denunciado espontaneamente, o que materializaria o indébito utilizado na compensação. O julgamento em primeira instancia rechaçou os fundamentos da manifestação de inconformidade, apresentando entendimento suportado por decisão do STJ, no sentido de que a declaração de débito em DCTF e o seu respectivo recolhimento em atraso não configuram denúncia espontânea, não esclarecendo, todavia, o momento efetivo da declaração e do recolhimento ocorrido nos autos. O recurso foi apresentado nos mesmos termos da Manifestação de Inconformidade e no julgamento em 2ª instância o CARF houve por bem em converter o julgamento em diligência para apurar a ocorrência ou não de declaração do débito em DCTF, bem como o momento (posterior ou ulterior) do pagamento realizado, a fim de observar a caracterização ou não do pagamento espontâneo afirmado pelo sujeito passivo Realizada a diligência foi apresentado parecer conclusivo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes, numerado até a folha 74 (setenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 77 ___________ Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam estes autos de diligência, designada pela Resolução nº. 3401000287, na qual o Ilustre Relator, Julio Cesar Alves Ramos, solicitou informações à Autoridade Preparadora afim de apurar fatos ocorridos nos autos, que lhe desse suporte ao efetivo deslinde da causa. É que, conforme o relatório acima tratase o processo de compensação formalizada pelo sujeito passivo, na qual a origem do direito creditório, segundo consta, é o pagamento indevido efetuado pelo contribuinte a título de multa, relativo a débito por ele “confessado espontaneamente”. Bem ponderada a diligência estabelecida pela Resolução acima citada, pois que objetivou a verificação da existência ou não da declaração de débito em DCTF e sua direta co relação com a data do pagamento efetuado, de forma a poderse observar a existência ou não do instituto da denúncia espontânea e daí, constatar ou não o pagamento indevido a título de multa como alegado pelo contribuinte. Entretanto, de forma absolutamente breve, cumpre informar que ainda que a diligência realizada nos autos tenha de fato esclarecido pontos cruciais ao deslinde da causa, sendo extremamente conclusiva, o fato é que ao contribuinte não foi dada vistas de seu resultado, prejudicando o bom andamento do processo, em necessária observação ao princípio do contraditório e ampla defesa respeitado no processo administrativo fiscal. Sem mais delongas, mesmo que o resultado desta diligência permita a averiguação concreta da existência (ou não) do pagamento espontâneo, e por via de conseqüência, a materialização (ou não) do indébito apontado pelo contribuinte, ao mesmo não foi dada a oportunidade de se manifestar, nos termos do que dispõe o artigo 26 e seguintes da Lei 9.784/99. Sendo, assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, afim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10580.723452/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS.
Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos).
CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A partir de 1º de abril de 2003, a empresa fica obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e recolhê-la juntamente com a contribuição a seu cargo.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais.
ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação.
BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO.
A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO.
São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa de obrigação principal nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos). CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A partir de 1º de abril de 2003, a empresa fica obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e recolhêla juntamente com a contribuição a seu cargo. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 52 /2 00 9- 80 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa de obrigação principal nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 340 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 13/07/2009 para constituição de crédito sobre a prestação de serviço na condição de contribuinte individual e caracterização de segurado empregado. Foram lançadas as contribuições devidas a “terceiros” (outras entidades e fundos). Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos). IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar. ... A Fiscalização constatou, através da análise dos documentos apresentados, que um grande número de pessoas físicas prestaram serviços ao contribuinte, em diversos projetos, durante o Exercício 2005, excluídas da folha de pagamento e da GFIP da Fundação. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Tratase de serviços prestados por professores, em cursos de especialização e extensão, contadores, engenheiros, eletricistas, vigias, dentre outros profissionais, com remunerações lançadas em contas de Passivo ou de despesa administrativa, denominadas Prestação de Serviço Pessoa Física e Horas aula/coordenação, por projeto. Ficou constatado que o contribuinte inclui em folha e declara em GFIP apenas os empregados, assim reconhecidos. Sobre a maior parte das remunerações pagas houve o desconto da contribuição do segurado, com lançamentos na conta INSS A RECOLHER, individualizada por projeto. Não foram verificados lançamentos referentes à contribuição patronal incidente sobre as remunerações dos prestadores de serviços. Considerando que estes prestadores constituem a maior parte do pessoal envolvido na execução das atividades da Fundação, a Fiscalização solicitou informações quanto à natureza dos serviços prestados e esclarecimentos sobre a omissão dos segurados e remunerações em GFIP, conforme TIF n° 02, de 25/05/09. Não foram apresentados os contratos, mas a instituição emitiu nota explicativa apenas em relação a professores da UFBA participantes dos projetos, anexa ao Relatório. Os lançamentos contábeis permitiram identificar dois tipos de verbas pagas a estes professores (13 listados): uma a título de Bolsa de extensão/pesquisa, e outra a título de remuneração por serviços prestados. Desta forma, com base nos recibos de pagamento e nos lançamentos nas contas de Prestação de Serviço Pessoa Física e Horas aula/coordenação, a Fiscalização concluiu pelo caráter remuneratório por contraprestação de serviço e apurou as contribuições devidas. Nos levantamentos CIN (contribuintes individuais com desconto antes MP 449/08), Z2 (contribuintes individuais com desconto pós MP 449/08), CIS (contribuintes individuais sem desconto antes MP 449/08), e Z3 (contribuintes individuais sem desconto pós MP 449/08) foram lançadas as remunerações dos prestadores de serviços quando não foi possível identificar todos os pressupostos que permitissem a caracterização de vínculo empregatício, enquadrandoos na definição do artigo 12, V, alínea "g" da Lei 8.212, de 1991. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: ... Pontua que existem flagrantes situações que violam os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, notadamente em seu viés substancial, vez que o AI não consigna os motivos fáticos e jurídicos integrais que fundamentam a conclusão, sendo certo, inclusive, que sequer explica como chegou ao valor cobrado. ... Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 341 5 Registra a Impugnante que a multa/penalidade em virtude da não inclusão em folha de pagamento e GFIP dos prestadores de serviço já está sendo processada por meio de outro Auto de Infração — tais como o AI 37.220.2225 e AI 37.220.2128—, razão pela qual não deve servir de base para a questão discutida no presente Auto de Infração, sob pena de bis in idem. Salienta ainda que o Fisco entendeu não ter ocorrido o desconto da contribuição previdenciária do segurado prestador de serviço leiase, professores —, tendo em vista ter concluído pelo caráter remuneratório de tais bolsas de extensão/pesquisa e da remuneração pelos serviços prestados. É que o próprio arcabouço normativo aplicável ao caso em tela afasta a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsa de estudos (bolsa de extensão/pesquisa), tendo em vista que não integra o salário de contribuição, conforme preconiza o art. 214, § 9°, XIX, do Decreto n° 3.048, de 1999. Pontua que, no intuito de otimizar o cumprimento de seu objeto social, a Impugnante, além de ter empregados, possui serviços prestados por terceiros contratados, sem vínculo empregatício, tratandose estes de contribuintes individuais, sendo certo que sem quaisquer das características da relação de emprego e sem nenhuma condenação neste sentido pela Justiça do Trabalho. Além disso, não se pode deixar de mencionar, também, que os empregados da Fundação Peticionária não desenvolvem atividades com grau de risco, pelo menos não com grau médio ou grave. Afirma que as contribuições previdenciárias patronais oriundas da contratação dos prestadores de serviços não declarados em GFIP e os sem desconto/retenção da contribuição previdenciária, apesar de ser discutíveis tais situações e demonstrado o contrário, foram devidamente recolhidas na forma prevista na legislação, o que poderá ser comprovado com perícia específica. Com fulcro no art. 150, VI, alínea “c” da Constituição Federal, afirma a Impugnante que é proibida a cobrança de impostos federais, estaduais e municipais, das organizações sem lucrativos, definidas como entidades de assistência social ou de educação, que preencham os requisitos da Lei. Já o art. 195, § 7º da CF, preconiza que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Conclui que as entidades sem fins lucrativos que dispõe de atividades sociais, como é o caso da Impugnante, são imunes à contribuição patronal da previdência pública. Afirma que as exigências legais que devem ser observadas são aquelas estabelecidas em lei complementar, tendo em vista disposição constitucional expressa, sendo certo que qualquer outra exigência existente em lei ordinária (ou qualquer outro texto normativo, exceto a própria Constituição) não pode ser considerada em razão da flagrante inconstitucionalidade. Sendo Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 mais específico, as exigências legais que devem ser observadas são aquelas constantes no Código Tributário Nacional (art. 14). Pontua ainda que as imunidades tributárias para serem reconhecidas não necessitam de outros atos por parte do Estado, bastando a comprovação do preenchimento dos requisitos mencionados no art. 14 do Código Tributário Nacional. Qualquer outra exigência, revestese de flagrante inconstitucionalidade. Argumenta que não poderia a Impugnante está sendo submetida a tais cobranças no presente Auto de Infração e nos demais lavrados pela nobre Auditora Fiscal, eis que fora excluída do cumprimento de tal mister através do benefício da imunidade tributária concedido diretamente da Constituição Federal, complementada pelo Código Tributário Nacional (lei complementar), porquanto, é entidade sem fins lucrativos atuante no ramo da educação, gozando, assim, das duas imunidades, referentes à contribuição social, e aos impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços. Afirma que a referida imunidade tributária passou a integrar o patrimônio jurídico da organização Impugnante, constituindo em um Direito subjetivo da mesma, até porque lhe foi gerada a confiança de que estava dispensada do recolhimento dos tributos, não deve lhe ser imputado agora o inadimplemento da obrigação tributária que não lhe poderia ser cobrado. Aduz que, quanto ao aspecto subjetivo, ou seja, o sujeito passivo da contribuição, remetese ao quanto esposado anteriormente, ou seja, a questão da imunidade tributária da Impugnante. A organização Impugnante não é sujeito passivo da contribuição social, tendo em vista, justamente, a imunidade tributária concedida diretamente da constituição, complementada pelo Código Tributário Nacional. ... Registra a Impugnante que o único dos requisitos caracterizadores de vínculo empregatício presente no caso em tela era a remuneração. Este requisito, considerado isoladamente ou até mesmo em conjunto com a periodicidade , não tem o condão de descaracterizar o contrato de prestação de serviços para caracterizálo como empregatício. Afirma que é inviável, em âmbito fora da Justiça do Trabalho, o reconhecimento de vínculo empregatício, sendo certo que a conduta da nobre Auditora Previdenciária, em que pese a previsão no Decreto nº 3.048/99, não possui nenhuma legitimidade/competência. Menciona a Impugnante que existe limite máximo para incidência da contribuição previdenciária, inclusive em relação ao contribuinte individual. Com efeito, os valores dos contribuintes individuais que não foram tributados/retidos decorreram do fato de respeitar o limite máximo, haja vista que este já tinha sido atingido, afastandose a incidência da cobrança previdenciária. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 342 7 Segundo o fisco previdenciário, há divergência entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento da empresa, razão pela qual lançou as diferenças da base de cálculo e o desconto do segurado no levantamento. Com efeito, o simples fato de existir diferenças entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento da empresa significa dizer que nem tudo que está na folha de pagamento é remuneração tributável pela previdência, constituindo a mesma de verbas ressarcitórias e afins, verbas estas que não integram o salário de contribuição. O Fisco informa que o levantamento feito no caso em tela se deu por amostragem, apesar de ter aplicado penalidade integral. Registrese, inclusive, que não há previsão legal para a punição em decorrência de simples amostragem, recaindo em flagrante nulidade. Assim, por mera amostragem e por simples divagação intelectual, a nobre Auditora Fiscal entendeu ter ocorrido existência de vínculo de emprego, descaracterizando a relação jurídica travada entre a organização civil Peticionária e os prestadores de serviços, além de não ter analisado toda a documentação contábil da mesma. Nesse sentido, até para resguardar os Direitos da Peticionária e evitar nulidade no procedimento administrativo fiscal, impõese a realização de perícia in loco para averiguar o tipo de relação existente entre a Peticionária e os prestadores de serviços, bem como perícia contábil para analisar a sua contabilidade, notadamente no que diz respeito ao Livro Diário (especialmente o n° 07) e Razão, recibos de pagamento, GPS, GFIP, recibos de pagamentos a autônomos, folha de pagamentos e resumo, livro de registros de empregados e suas funções, cadastros de prestadores de serviços, arquivos digitais da contabilidade c comprovantes de recolhimentos (empregado, patronal e terceiros prestadores de serviços). Em síntese: a) Prejuízo à defesa por omissão de informações no lançamento; b) alguns dos prestadores de serviços são professores universitários colaboradores com os projetos da fundação e os valores percebidos são bolsas; portanto, sem a incidência da contribuição previdenciária; c) goza de imunidade de contribuições previdenciárias e outros tributos; e d) é improcedente a caracterização de vínculo de emprego. É o Relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 343 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida, e todas as demais podem ser verificadas nos próprios documentos que compõem a escrituração do recorrente através das indicações também no relatório fiscal e seus anexos. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, a fiscalização não realizou o lançamento sobre os pagamentos comprovadamente a título de bolsa pela colaboração em projetos de pesquisa. Conforme os documentos trazidos, ficou comprovado que, de fato, as funções exercidas não são de ensino, pesquisa e extensão como preconiza a Lei nº 8.958/94, são funções de natureza administrativa ou operacional: Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Ainda assim, a fiscalização não caracterizou todos os prestadores de serviços como empregados, mas tão somente aqueles em que possível a comprovação dos pressupostos da relação empregatícia. Os demais foram considerados contribuintes individuais. Quanto à imunidade, independentemente da discussão sobre a necessidade requerimento para seu gozo, o recorrente não atende aos requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, vigentes à época. Até o momento, por exemplo, não juntou aos autos o Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 344 11 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Multa Insurgese a recorrente quanto a multa aplicada. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do Fl. 350DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 345 13 recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 346 15 c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não Fl. 353DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 347 17 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Prova pericial Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723452/200980 Acórdão n.º 2402003.649 S2C4T2 Fl. 348 19 Quanto à produção de prova pericial, em razão da clareza do lançamento é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Inconstitucionalidade Quanto as demais alegações, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto pelo provimento parcial para que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15540.720227/2011-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
JUROS.
As contribuições sociais e outras importâncias, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
MULTA
Em ação fiscal, quando constatado falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, é aplicada multa de ofício.
Numero da decisão: 2403-002.020
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS. As contribuições sociais e outras importâncias, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. MULTA Em ação fiscal, quando constatado falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, é aplicada multa de ofício. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 27 /2 01 1- 04 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.720227/201104 Acórdão n.º 2403002.020 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 12042.381 da 14ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: O presente processo, identificado através do COMPROT nº 15540.720227/201104, abrange os lançamentos identificados através dos DEBCAD nº 51.004.4921 contribuições patronais destinadas à Seguridade Social (empresa e RAT) e 51.004.493 0 contribuições patronais destinadas a Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE). 2. O relatório fiscal esclarece que no presente lançamento são cobradas contribuições sociais patronais, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, previstas no artigo 22, incisos I, II e III da Lei 8.212/1991, bem como as contribuições sociais patronais incidentes sobre a mesma base de cálculo, destinada a outros fundos e entidades. 3. O presente lançamento referese às competências 01/2009 a 12/2009, incluindo a competência relativa ao 13º salário. 4. Assinala a Auditoria Fiscal que: 1.4. Preliminarmente, destacamos que o sujeito passivo informou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP do período fiscalizado que é optante pelo SIMPLES, contrariando os dados obtidos em consulta formulada ao Histórico da Empresa no Simples Nacional. 1.5. A opção pelo SIMPLES implica considerar a declaração na GFIP das remunerações dos segurados empregados e dos contribuintes individuais tão somente como fatos geradores das contribuições desses segurados, não se reputando declarados como fatos geradores das contribuições a cargo da empresa. 1.6. Considerando a situação exposta, realizouse o presente levantamento do débito, visto que a empresa não recolheu as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais nas competências mencionadas no item 1.3. (...) Fl. 409DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 5.1. Remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais não declaradas em GFIP como fato gerador de contribuições sociais a cargo da empresa. A fiscalização apurou, nos Resumos Gerais das Folhas de Pagamento, nos Recibos de Férias, nos Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP das competências 01/2009 a 12/2009, incluindo o décimo terceiro salário, valores pagos ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais (sócios administradores) pelo empregador, não declarados em GFIP como fatos geradores das contribuições a cargo da empresa. Além disso, foi constatado o pagamento de aviso prévio indenizado e 1/12 de 13º salário do aviso prévio indenizado nas competências 02/2009, 03/20009, 05/2009 e 08/2009 a 11/2009, cujos valores não foram considerados como base de cálculo pela empresa. O aviso prévio indenizado passou a ser considerado integrante do salário de contribuição, assim como o seu correspondente 13º salário, a partir de 12/01/2009, data do início da vigência do Decreto nº 6.727. de 2009, que alterou o Decreto nº 3.048, de 06/05/2009 em seu art. 214, inciso V, § 9º, alínea f. (...) 6.1. Para efetuar o lançamento das contribuições não declaradas em GFIP foram criados os seguintes levantamentos (multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96): 6.1.1. SE2 – Segurado Empregado – multa de ofício (75%) 6.1.2. PL 2 – Pro Labore – multa de ofício (75%) 6.1.3. AI – Aviso Prévio Indenizado – multa de ofício (75%) VII – APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS 7.1. Contribuições patronais destinadas à Seguridade Social (AI DEBCAD nº 51.004.4921) As contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social e não declaradas em GFIP, foram calculadas mediante a aplicação das alíquotas de 20% (empresa) e 1% RAT – destinada ao financiamento de benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho) sobre: total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados nas competências 01/2009 a 13/2009 (Levantamento SE2); aviso prévio indenizado e 1/12 do 13º salário do aviso prévio indenizado pagos, creditados ou devidos nas Fl. 410DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.720227/201104 Acórdão n.º 2403002.020 S2C4T3 Fl. 4 5 competências 02/2009, 03/2009, 05/2009, 06/2009 e 08/2009 a 11/2009 (Levantamento AI) O Levantamento PL2, por sua vez, referese ao lançamento da contribuição social a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social e não declaradas em GFIP, cuja alíquota de 20% incidiu sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais (sócios administradores) nas competências 01/2009 a 12/2009. Tais contribuições encontramse discriminadas, por competência, no relatório Discriminativo de Débito – DD. 7.2. Contribuições patronais destinadas a Terceiros (AI DEBCAD nº 51.004.4930). As contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas a outros fundos e entidades e não declaradas em GFIP, foram calculadas mediante a aplicação da alíquota total de 5,8% sobre: total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados nas competências 01/2009 a 13/2009 (Levantamento SE2); aviso prévio indenizado total e 1/12 do 13º salário do aviso prévio indenizado pagos, creditados ou devidos nas competências 02/2009, 03/2009, 05/2009, 06/2009 e 08/2009 a 11/2009 (Levantamento AI). Essas contribuições foram relacionadas, por competência, no relatório Discriminativo de Débito – DD. VIII – MULTA APLICADA 8.1. Para as infrações com fato gerador posterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP nº 449/2008, a multa aplicada será a imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, no caso em tela a multa de ofício de 75%, estabelecida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. 5. Foi elaborada planilha demonstrativa das bases de cálculo. DA IMPUGNAÇÃO 6. Intimada em 06/09/2011, conforme consta na folha de rosto dos lançamentos fiscais componentes do presente processo, a Autuada apresentou impugnação, protocolada em 07/10/2011. 7. Alega a Autuada que o lançamento impugnado é nulo, pois a Auditoria Fiscal deveria ter intimado todos os sócios e não somente um único sócio, escolhido aleatoriamente para ser intimado.Assim, “ante a falta de notificação a todos os sócios e ao ora impugnante da existência do auto de infração, e a Fl. 411DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 imposição da sujeição passiva solidária, feriuse o princípio da ampla defesa prevista no art. 5º, inciso LV da carta magna”. 8. Assevera a Impugnante que o lançamento impugnado fere a garantia estabelecida no artigo 150 da Constituição Federal, que veda a utilização do tributo, com efeito de confisco, o que teria ocorrido, se for levado em conta que “a multa exponenciada no auto de infração, acrescida ao suposto valor da obrigação, sofreram ainda a incidência de juros moratórios, criando uma capitalização indevida e uma onerosidade ilícita”. 9. Assinala a Autuada que os sócios só poderiam ter sido incluídos no pólo passivo se a Auditoria Fiscal houvesse demonstrado que agiram com infringência à lei ou ao contrato social. 10. Esclarece a Impugnante que estava incluso no Simples Nacional, conforme documentos inclusos, tendo sido excluído do referido sistema de tributação e requerido a sua reinclusão. Acrescenta que o Fisco não notificou a Impugnante de sua exclusão do Simples Nacional, mantendoa em erro subjetivo, por acreditar que continuava como optante pelo referido regime tributário. 11. Argumenta a Autuada que a Portaria da Receita Federal nº 665, de 24/04/2008, dispõe que a representação fiscal para fins penais deve permanecer na unidade fiscal até que o crédito se torne definitivo na esfera adminstrativa. Requer a Autuada que “o ilustre fiscal autuante, se abstenha de emitir Representação Fiscal para Fins Penais, conforme informado no item 6.3. do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, visto o exposto e relatado acima”. 12. A Autuada juntou aos autos: cópia do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF; alteração contratual; procuração; cópias de peças referentes ao processo 15540.720219/201150; lançamentos identificados pelos DEBCAD 37.105.8058, 37.105.8066, 37.105.8040; cópias de peças do presente processo 13. A Autuada apresentou impugnação, com idêntico teor ao da acima mencionada, referente ao DEBCAD 51.004.4930, também contido no presente processo. Acompanham a impugnação: cópia do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal –TEPF; alteração contratual; procuração;; cópias de peças referentes ao processo 15540.720219/201150; lançamentos identificados pelos DEBCAD 37.105.8058, 37.105.8066, 37.105.8040; cópias de peças do presente processo e do processo 15540.720219/2011 50 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde questiona, em síntese: Fl. 412DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.720227/201104 Acórdão n.º 2403002.020 S2C4T3 Fl. 5 7 · Suspensão da exigibilidade. · Nulidade. O auto de infração deveria ser enviado a todos os sócios e não somente a um único sócio. · Multa. Confisco. · Juros. · SIMPLES Nacional. Estava incluso, foi excluído por um período e requereu a reinclusão. O fisco não notificou a exclusão. · Representação Fiscal para Fins Penais. É o relatório Fl. 413DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE A recorrente pleiteia a nulidade da autuação alegando que a Auditoria Fiscal deveria ter intimado todos os sócios e não somente um único sócio, escolhido aleatoriamente para ser intimado. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro que a autuada foi a empresa. Ocorre que a empresa foi intimada dos lançamentos pessoalmente, na pessoa de seu sócio administrador Paulo Sérgio Penha de Abreu, em 06/09/2011. Este procedimento está completamente em consonância com o que determina o Decreto 70.235/1972 e alterações posteriores, no art. 23, inciso I, abaixo transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Não percebo qualquer irregularidade na intimação da empresa autuada. Quanto à questão do Relatório de Vínculos, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, existe súmula do CARF que esclarece que não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.720227/201104 Acórdão n.º 2403002.020 S2C4T3 Fl. 6 9 Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. SIMPLES NACIONAL. A recorrente alega que estava inclusa, foi excluída por um período e requereu a reinclusão. Alega também que o fisco não notificou a exclusão. Entendo que não cabe razão à recorrente. Essas mesmas alegações foram apresentadas na impugnação sendo que o acórdão recorrido informou que a empresa não é optante nem há registro de opção anterior. Também observa que não foi apresentada prova do alegado. 26. Esclarece a Impugnante que estava incluso no Simples Nacional, conforme documentos inclusos, tendo sido excluído do referido sistema de tributação e requerido a sua reinclusão. Acrescenta que o Fisco não notificou a Impugnante de sua exclusão do Simples Nacional, mantendoa em erro subjetivo, por acreditar que continuava como optante pelo referido regime tributário. 27. A alegação não procede. A Auditoria Fiscal assinalou, com clareza meridiana, que a Autuada jamais foi filiada ao Simples. Assim sendo, caberia a Autuada trazer a comprovação de que se filiou ao Simples, o que não foi feito. 28. Em consulta ao site do Simples Nacional, confirmamos a informação fornecida pela Audioria Fiscal. A empresa consta no referido site como não optante pelo Simples Nacional. Além disso, não há registros de opção em períodos anteriores, assim como não constam registros de agendamentos no Simples Nacional. 29. Outro fato importante, a ser levado em conta, é que a Impugnante não trouxe aos autos qualquer evidência de que tenha se filiado ao Simples Nacional, embora seja extremamente fácil para uma empresa demonstrar a sua filiação ao referido regime especial de tributação. 30. Não há como efetuar a revisão do lançamento fiscal, mediante a simples alegação, desacompanhada de qualquer comprovação, de que a empresa se filiou ao Simples Nacional. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. JUROS A cobrança dos juros obedece a legislação, conforme demonstrado no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, no item Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais. 602 ACRESCIMOS LEGAIS – JUROS 602.08 Competências : 01/2009 a 13/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICACAO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTACAO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDACAO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MES SUBSEQUENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MES ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15540.720227/201104 Acórdão n.º 2403002.020 S2C4T3 Fl. 7 11 MULTA A recorrente questiona o aspecto confiscatório da multa, aplicada no percentual de 75%. Também a cobrança da multa obedece a legislação, conforme demonstrado no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, no item Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 01/2009 a 13/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redacao da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entendo o lançamento correto. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 417DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11065.000667/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/05/2005
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO.
É cabível a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, nos casos de inobservância de classificação fiscal que já foi objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente dessa decisão, utilizou classificação imprópria. Incabível a majoração, entretanto, quando evidenciada dúvida na descrição do produto, quanto a não corresponder àquel objeto da consulta.
Recurso Voluntário Provido em Parte
A correção monetária dos saldos credores do IPI incide sobre os novos saldos, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, legitimando a glosa dos valores excedentes, mas não em relação aos valores glosados e eventualmente mantidos por meio de auto de infração.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Somente é nulo o acórdão que tenha sido proferido com preterição de direito de defesa, o que não ocorre quando há indeferimento fundamentado de perícia e conclusão coerente com a fundamentação.
SAÍDAS DE ALÍQUOTA ZERO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE.
A descaracterização de operações classificadas pelo contribuinte como de alíquota zero deve ser fundamentada especificamente em relação a cada uma delas, sob pena de falta de motivação da autuação.
TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS. PROVA E INOVAÇÃO.
A apresentação de prova demonstrando o erro na apuração do cálculo de glosa de créditos transferidos implica insubsistência da autuação em relação à matéria, sendo vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação.
Numero da decisão: 3302-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento, exceto com relação à reconstituição da escrita fiscal.
O conselheiro Walber José da Silva foi vencido quanto à redução da multa de ofício e a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó foi vencida quanto à redução da multa de ofício e à transferência de créditos entre matriz e filial. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
Fez sustentação oral pela Recorrente na sessão de abril de 2013 o Dr. Marcos Vinícius Neder.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2005 a 31/05/2005 MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. É cabível a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, nos casos de inobservância de classificação fiscal que já foi objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente dessa decisão, utilizou classificação imprópria. Incabível a majoração, entretanto, quando evidenciada dúvida na descrição do produto, quanto a não corresponder àquel objeto da consulta. Recurso Voluntário Provido em Parte A correção monetária dos saldos credores do IPI incide sobre os novos saldos, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, legitimando a glosa dos valores excedentes, mas não em relação aos valores glosados e eventualmente mantidos por meio de auto de infração. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Somente é nulo o acórdão que tenha sido proferido com preterição de direito de defesa, o que não ocorre quando há indeferimento fundamentado de perícia e conclusão coerente com a fundamentação. SAÍDAS DE ALÍQUOTA ZERO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. A descaracterização de operações classificadas pelo contribuinte como de alíquota zero deve ser fundamentada especificamente em relação a cada uma delas, sob pena de falta de motivação da autuação. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS. PROVA E INOVAÇÃO. A apresentação de prova demonstrando o erro na apuração do cálculo de glosa de créditos transferidos implica insubsistência da autuação em relação à matéria, sendo vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É descabida a alegação de nulidade da autuação, fundada em suposta preterição do direito de defesa, não verificada no caso concreto. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É indeferida a solicitação de perícia considerada prescindível para a solução do litígio. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Somente é nulo o acórdão que tenha sido proferido com preterição de direito de defesa, o que não ocorre quando há indeferimento fundamentado de perícia e conclusão coerente com a fundamentação. SAÍDAS DE ALÍQUOTA ZERO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. A descaracterização de operações classificadas pelo contribuinte como de alíquota zero deve ser fundamentada especificamente em relação a cada uma delas, sob pena de falta de motivação da autuação. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS. PROVA E INOVAÇÃO. A apresentação de prova demonstrando o erro na apuração do cálculo de glosa de créditos transferidos implica insubsistência da autuação em relação à matéria, sendo vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/01/2005 a 31/05/2005 APARELHOS DE AR CONDICIONADO DO TIPO “SPLIT SYSTEM” E “MULTISPLIT SYSTEM”. VENDA CONJUNTA DE UNIDADES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 06 67 /2 01 0- 54 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 660 2 CONDENSADORA E EVAPORADORA. CARACTERIZAÇÃO DE VENDA DE AR CONDICIONADO COMPLETO. A venda conjunta de unidades condensadora e evaporadora de aparelhos de ar condicionado do tipo “split system”, compatíveis entre si e sempre em situações que indiquem a venda para instalação conjunta, à vista da Regra Geral de Interpretação n. 2a da Nesh, implica a caracterização do produto como ar condicionado, para efeito de classificação fiscal. APARELHOS DE AR CONDICIONADO. UNIDADES EVAPORADORAS E “FANCOIL”. APARELHOS “SELF CONTAINED” E “AIR HANDLER” VENDIDOS CONJUNTAMENTE COM PARTES FUNCIONAIS. Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente, classificamse na posição 8415 da TIPI, com alíquota de 20% para o IPI, classificandose na mesma posição outras máquinas que, por combinação com as primeiras, complementamnas no condicionamento de ar, o que justifica o lançamento de ofício das diferenças apuradas pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 31/05/2005 RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. A reconstituição da escrita fiscal para estornar créditos do IPI discutidos em determinado processo administrativo somente é exigível em ulterior lançamento de crédito tributário mediante decisão administrativa irrecorrível do primeiro litígio. A inexistência de decisão administrativa irrecorrível do primeiro litígio não impede o julgamento do segundo litígio, porém a execução administrativa deste acórdão resta subordinada à solução dada para o estorno de créditos naquele. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS SALDOS CREDORES DO IPI RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. A correção monetária dos saldos credores do IPI incide sobre os novos saldos, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, legitimando a glosa dos valores excedentes, mas não em relação aos valores glosados e eventualmente mantidos por meio de auto de infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2005 a 31/05/2005 MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. É cabível a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, nos casos de inobservância de classificação fiscal que já foi objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente dessa decisão, utilizou classificação imprópria. Incabível a majoração, entretanto, quando evidenciada dúvida na descrição do produto, quanto a não corresponder àquel objeto da consulta. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 661DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 661 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento, exceto com relação à reconstituição da escrita fiscal. O conselheiro Walber José da Silva foi vencido quanto à redução da multa de ofício e a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó foi vencida quanto à redução da multa de ofício e à transferência de créditos entre matriz e filial. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela Recorrente na sessão de abril de 2013 o Dr. Marcos Vinícius Neder. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem resumir a contenda: A empresa foi autuada por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) lotado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO), por falta (insuficiência) de lançamento do IPI, em razão de erro de classificação fiscal de produtos fabricados pelo estabelecimento, falta de escrituração do IPI lançado em notas fiscais e pela utilização de créditos indevidos do mencionado imposto. A exigência foi formalizada no Auto de Inflação das fls. 268 a 273 (vol. 2), e anexos, e se Fl. 662DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 662 4 refere exclusivamente à multa de 75% ou de 112,5% sobre IPI não lançado, com cobertura de créditos, multa essa no valor total de R$ 3.181.305,21. O sujeito passivo também foi intimado, pelo referido Auto de Infração, a estornar na escrita fiscal créditos no valor de R$ 5.983.775,98. O presente lançamento diz respeito à apuração do IPI, pelas infrações referidas, praticadas no período de janeiro a maio de 2005, sendo que o período de junho de 2005 a dezembro de 2006 foi objeto de outro Auto de Infração, formalizado no Processo nº 11065.0377/201028. Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2), resumindo na sequência. Erro de classificação fiscal De posse dos arquivos digitais referentes ás notas fiscais de saída de produtos do estabelecimento interessado, a fiscalização constatou que, embora seja um notório fabricante de sistemas e aparelhos de arcondicionado, um pequeno percentual das vendas do estabelecimento se referia a produtos classificados no código próprio da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) para referidos sistemas e aparelhos, fato que levou ao minucioso exame dos dados contidos naquelas notas, tendo sido apuradas diversas irregularidades quanto à classificação fiscal dos produtos. Para chegar à correta classificação dos produtos, a fiscalização debruçouse sobre o texto da posição 8415 da TIPI, referente a “máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente”, tendo sido igualmente examinadas as correspondentes Notas Explicativas (Nesh) do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), aprovadas pelo Decreto nº 807, de 11 de janeiro de 2008. Adiante, a fiscalização alude ao texto das Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI, para fundamentar a classificação efetuada de ofício. O autor do procedimento fiscal sintetiza o entendimento de que, se um aparelho destinado a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera, sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade, for integrado por um ventilador com motor, para circulação do ar, e um evaporador de grupo frigorífico ou de outro elemento de arrefecimento (ou seja, um trocador de calor que modifique ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar), ele deve ser obrigatoriamente classificado na posição 8415. Além disso, pondera que, quando máquinas de espécies diferentes desempenham conjuntamente as funções de máquinas e aparelhos de arcondicionado, também são classificadas na posição 8415, ainda que, indevidamente não apresentem os atributos exigidos para esse enquadramento. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 663 5 Na sequência, o Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2) aborda cada um dos produtos em relação aos quais foi apurado o erro de classificação, conforme síntese que segue. A fiscalização registra que não foram objeto de exigência as notas fiscais relativas a operações beneficiadas com suspensão e a operações com respeito às quais tenha havido lançamento do IPI em nota fiscal anterior. Unidades condensadoras As unidades condensadoras de aparelhos de arcondicionado do tipo splitsystem (sistema com elementos separados) atuam conjuntamente com unidades evaporadoras, interligadas entre si por fios e dutos. A fiscalização ressalta que o interessado formulou consulta sobre a classificação fiscal de unidade condensadora, apresentada separadamente, tendo sido emitida a Solução de Divergência Coana nº 20, de 27 de maio de 2002, que reformou a Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 1, de 2001, classificando a unidade condensadora objeto da consulta no código 8418.69.90. Ocorre que a fiscalização constatou a existência de inúmeros casos de “vendas casadas”, efetuadas pelo interessado, ou seja, vendas conjuntas de unidades evaporadoras e de unidades condensadoras, em igual quantidade, no mesmo documento fiscal e para o mesmo cliente, ou no conjunto de notas fiscais subsequentes, porém tributadas a menor, com alíquotas zero, 2% ou 5%, conforme o caso, como se tais unidades não formassem um conjunto entre si, que é o aparelho de arcondicionado do tipo splitsystem, classificado no código 8415.10.11 ou no código 8415.10.90, dependendo da capacidade do aparelho em frigorias/hora [1 frigoria = 3,95 British Thermal Unit (ou Unidade Térmica Britânica) – Btu], sobretudo com base nas Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI, com alíquota de 20%. A fiscalização também citou a Solução de Consulta SRRF/2ª RF nº 59, de 8 de agosto de 2005, que classificou unidade condensadora para sistema de ar condicionado do tipo splitsystem no código 8418.61.10, quando apresentada isoladamente, sem a presença de uma unidade evaporadora. A fiscalização ressalta ainda que efetuou o lançamento de ofício das diferenças do IPI, com base no erro de classificação fiscal, exclusivamente nos casos de vendas de unidades condensadoras efetuadas juntamente com unidades evaporadoras, algumas vezes acompanhadas de kit de controle remoto, sendo que cerca de 40% das vendas das unidades condensadoras ocorreram nas referidas condições. As vendas objeto do lançamento de ofício encontramse relacionadas nos Anexos I, II e III [fls. 314 a 337 (vol. 2)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2) Unidades evaporadoras Em seguida, foi objeto de exame a classificação fiscal das unidades evaporadoras, tendo sido constatado pela fiscalização que o estabelecimento produz vários modelos, a exemplo da linha Builtin (embutido), que foi objeto de consulta sobre a classificação fiscal, tendo sido emitida a Decisão/SRRF 10ª Fl. 664DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 664 6 RF/Diana nº 12, de 12 de fevereiro de 1998, publicada no Diário Oficial da União em 8 de maio de 1998, a qual classificou as diferentes unidades evaporadoras ali mencionadas, mesmo apresentadas isoladamente, nos códigos 8415.10.10, 8415.82.10 ou 8415.82.90 da TIPI. As unidades evaporadoras objeto de verificação e lançamento por erro de classificação fiscal neste processo são as mesmas objeto da consulta antes mencionada, apresentando basicamente as mesmas características técnicas diferindo apenas em formato, apresentação e capacidade, sendo que todos os modelos prestamse a uma função específica e possuem os mesmos componentes básicos que determinam a sua classificação na posição 8415 da TIPI. No caso, tratase de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera, sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade, contendo um ventilador a motor, sendo concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade do ar, por condensação. A fiscalização informa que a classificação das referidas unidades evaporadoras também foi objeto de lançamento de ofício nos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e de janeiro a maio de 2005 nos Processos nº 11065.004409/200407, 11065.003605/200618, 11065.002749/200738, 11065.005554/200821 e 11065.000667/ 201054. A fiscalização também verificou que, no período sob exame neste processo, o contribuinte passou a acatar de forma ampla a orientação emanada da Solução da Consulta antes referida, mas em algumas poucas operações as unidades evaporadoras permaneceram classificadas indevidamente nas posições 8418 e 8419 da TIPI. O estabelecimento foi, então, autuado por ter utilizado a classificação e a alíquota incorretas, ou por ter utilizado a classificação correta, mas com alíquota incorreta, tributando os produtos a menor, com alíquotas zero ou 2%, conforme o caso. Em tais situações, houve a majoração da multa de ofício, no Auto de Infração, de 75% para 112,5% pela inobservância do teor da Decisão/SRRF 10ª RF/Diana nº 12, de 1998. As operações correspondentes estão relacionadas nos Anexos IV e V [fls. 338 e 339 (vol. 2)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2). Equipamento Self Contained Adiante, foi verificada a classificação fiscal dos equipamentos Self Contained, que são constituídos pela conjugação de um módulo de ventilação (código 40BV) a condensação a ar remota (código 40BZ), caso em que é efetuada por um terceiro módulo condensador (códigos 9AB ou 9CK). Para que execute as funções típicas de arcondicionado requeridas pela TIPI e pelas Nesh, fazse necessária a conjugação dos módulos “ventilação” (um ventilador a motor) e “trocador de Calor” (com a função de interferir na temperatura e, por condensação, na umidade), que desempenham conjuntamente as funções próprias das unidades evaporadoras descritas anteriormente. A fiscalização analisou as notas fiscais de saída e constatou que 74% das vendas desses equipamentos era “casada”, ou seja, os cliente, em grande parte consumidores finais, adquiriam um “módulo de ventilação” e Fl. 665DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 665 7 um “módulo trocador de calor”, caracterizando um aparelho de arcondicionado, que deveria ter sido classificado nas subposições 8415.81 ou 8415.82, dependendo da existência de ciclo reverso e de capacidade em frigorias/hora, todos com alíquota de 20% para o IPI. No período fiscalizado, os produtos em questão foram classificados pelo contribuinte fundamentalmente nos códigos 8418.99.00, 8418.61.90 e 8418.61.10 para o trocador de calor (40BR e 40BZ) e no código 8414.59.90 para o módulo ventilador, tendo sido tributados a menor, com alíquotas de 2%, 5% ou 15%, conforme o caso. As operações correspondentes às “vendas casadas” objeto da autuação achamse relacionadas nos Anexos XI, XII e XIII [fls. 353 a 356 (vol. 2)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2). Aparelhos Fan Coil Na sequência, a fiscalização verificou a classificação fiscal de aparelhos de arcondicionado do tipo Fan Coil, que podem funcionar em corpo único ou em módulos. Alguns são montados em um gabinete com acabamento para ficar exposto no ambiente a ser refrigerado e outros com gabinete sem acabamento esmerado, próprios para ficarem em ambientes reservados, mas todos apresentando ventilador motorizado, tendo a função de modificar a temperatura (arrefecimento/aquecimento) e, por condensação, a umidade do ar. A fiscalização ressalta que o próprio contribuinte denomina os referidos aparelhos de “condicionadores de ar” e que o fato de um Fan Coil de fluido frio produzido em outro equipamento (um Chillher, por exemplo) não descaracteriza a classificação do Fun Coil na posição 8415, porquanto as características intrínsecas desse último equipamento preenchem todos os requisitos já referidos no tocante aos aparelhos de arcondicionado do tipo split system. No período objeto da fiscalização, tais aparelhos foram classificados indevidamente pelo interessado no código 8419.50.90 ou 8419.50.21 da TIPI, com alíquota de 2% (em alguns casos, foi aplicada a alíquota zero). A classificação correta para os Fan Coil é nos códigos 8415.81 ou 8415.82, e subitens, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade em frigorias/hora, todos com alíquota de 20% para o IPI. As operações que foram alvo do lançamento de ofício achamse relacionadas nos anexos VI e VII [fls. 340 a 345 (vol. 2)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2). Sistemas Air Handler Os sistemas de climatização do tipo Air Handler 39CM destinamse a grandes ambientes (shopping centers, hospitais, aeroportos e estabelecimentos comerciais em geral), sendo equipamentos de concepção modular, com unidade ventilador e unidade trocador de calor, as quais conjuntamente apresentam todos os requisitos para classificação na posição 8415. O interessado oferece a seus clientes alguns acessórios para o referido sistema, tais como “Módulo Atenuador de Ruídos”, “Equalizador/Damper”, “Resistência de Aquecimento”, Fl. 666DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 666 8 “Módulo de Filtragem” e “Módulo de Mistura”, acessórios incorporados ao condicionador de ar, classificáveis, por disposição das Notas 3 a 5 da Seção XVI da TIPI, no código do aparelho de arcondicionado. A fiscalização analisou as notas fiscais de saída e constatou que 79% das vendas desses equipamentos era “casada”, ou seja, os clientes, em grande parte consumidores finais, adquiriam um “módulo de ventilação” e um “módulo trocador de calor”, caracterizando um aparelho de arcondicionado, que deveria ter sido classificado nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade do equipamento em frigorias/hora, todos com alíquota de 20%, e não nas posições adotadas pelo contribuinte, fundamentalmente nos códigos 8419.59.90 e 8419.50.21 para o trocador de calor e 8414.59.90 para o módulo de ventilador e demais acessórios, tributando os produtos a menor, com alíquota de 2%. Embora convicta de que a regra seja a “venda casada”, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício exclusivamente nos casos de vendas de “Módulos ventilação”, efetuadas juntamente com “Módulos trocador de calor”, em alguns casos associados com módulos de funções opcionais em que foi comprovada a “venda casada”. As operações objeto do lançamento de ofício estão relacionadas no Anexo VIII [fls. 346 a 348 (vol. 2)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2). Equipamentos Multisplit O estabelecimento fiscalizado também fabrica equipamentos denominados Multisplit, que são produzidos em duas linhas: uma de alta e outra de baixa capacidade. Os princípios de funcionamento desses aparelhos são idênticos aos das unidades condensadoras dos aparelhos de arcondicionado do tipo split system. Nas duas linhas, as funções “unidades evaporadoras” são exercidas pela conjugação de dois módulos independentes, denominados “módulo trocador de calor” e “módulo ventilação” (códigos 40MZ, na linha de alta capacidade e 40MS, na linha de baixa capacidade). As “unidades condensadoras” são identificadas pelo estabelecimento com os códigos 38MZ (ventilador centrífugo) ou 38AB (ventilador axial), na linha de alta capacidade, e 38MS na linha de baixa capacidade. A fiscalização constatou que aproximadamente 40% das vendas de unidades condensadoras e dos módulos “trocador de calor” e “ventilação” era casada, vale dizer, os clientes não estavam adquirindo as referidas unidades, em si, mas aparelhos de ar condicionado, o que se comprova por serem os referidos clientes, em sua maioria, consumidores finais, a exemplo de grandes empreendimentos na área de serviços e comércio para instalação em seus estabelecimentos. As demais aquisições foram feitas por empresas especializadas em sistemas de ar condicionado, motivo pelo qual a fiscalização considerou que a classificação fiscal correta, nos referidos casos de “vendas casadas”, é a própria dos aparelhos de arcondicionados, nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI, e itens correspondentes, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade em frigorias/hora, todas com alíquota de 20% para o Fl. 667DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 667 9 IPI, e não as classificações adotadas pelo estabelecimento, a saber, 8418.61.10 para as unidades condensadoras, 8414.59.90 para o módulo ventilador e 8419.50.90 para o módulo trocador de calor. Embora convicta de que a regra seja a “venda casada”, a fiscalização efetuou juntamente com módulos “Trocador de calor” e “Condensadoras”, em que foi comprovada a “venda casada”. Nos Anexos IX e X [fls. 349 a 352 (vol. 2)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2) foram relacionadas as notas fiscais de venda de equipamentos Multisplit (vendas casadas dos módulos que caracterizam a classificação na posição 8415), em que houve por falta de lançamento do IPI (a alíquota aplicada foi de 2% ou de 5%). Irregularidade na transferência de créditos Em outro tópico, a fiscalização relata que o estabelecimento interessado neste processo (matriz) transferiu em março de 2005 créditos do IPI para estabelecimento da mesma firma localizado em Salvador/BA, inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) sob nº 10.948.651/004906, no valor de R$ 601.181,88, sendo que no livro de Registro de Apuração do IPI da matriz/cedente foram escrituradas notas fiscais de transferência de créditos no valor de R$ 463.883,20, motivo pelo qual a fiscalização constituiu débito do IPI, neste processo, no valor da diferença, de R$ 137.298,68, pela falta de escrituração de notas de transferência nesse valor e consequente utilização em duplicidade dos créditos. Falta de estorno de créditos Sob outra perspectiva, a fiscalização apurou que o interessado deixou de efetuar estorno de créditos, no valor de R$ 1.369.842,74, determinado pelo Auto de Infração lavrado no Processo nº 11065.005554/200821, estorno que foi considerado, de ofício, na reconstituição da escrita fiscal realizada neste processo. Correção monetária de créditos do IPI A fiscalização constatou na escrita do estabelecimento a existência de diversos créditos registrados no quadro “Demonstrativo de créditos”, “Linha 005 – Outros créditos”, do livro RAIPI, no período objeto da auditoria. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 07, das fls. 229 a 234 (vol. 2), o contribuinte apresentou documentos e/ou planilhas de cálculos, que, em seu entendimento, amparavam os créditos do IPI relacionados naquele termo. Quanto aos créditos registrados a título de “Correção monetária do saldo credor do IPI”, o estabelecimento já havia apresentado, em procedimentos de fiscalização anteriores, cópia da Sentença nº 095/96, exarada na Ação Ordinária nº 93.00092138, bem assim certidão que atesta o trânsito em julgado do referido feito, comprovando que a decisão judicial proferida naquele juízo o autorizava a se creditar daqueles valores. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 668 10 Efetivamente, a decisão referida autoriza o interessado a corrigir monetariamente os seus saldos credores do IPI. Todavia, após a devida reconstituição da escrita fiscal em função da auditoria em comento, verificouse que, devido ao lançamento de ofício, tanto a título de erro de classificação fiscal, quanto a título de glosa de créditos, os saldos credores do IPI nos períodos de apuração examinados sofreram alterações. Em função dos novos saldos apurados em cada período de apuração, tornouse obrigatório o recálculo da correção monetária a ser creditada. Na Tabela 4 [fls. 311 (vol. 2)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2), a fiscalização demonstra, com base na planilha apresentada pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 07, antes mencionado, ajustada pelo estorno de parcela do saldo credor inicial, pelo valor do crédito transferido e pelos valores lançados de ofício em decorrência dos erros de classificação fiscal, os valores corretos da correção monetária do saldo credor inicial e, por dedução, o valor da glosa de correção monetária, na linha C da Tabela 5, na fl. 312 (312 (vol. 2). À vista de tudo isso, o Relatório da Ação Fiscal das fls. 287 a 313 (vol. 2) encerra, acrescentando que os créditos do IPI existentes na escrita fiscal do estabelecimento, no montante de R$ 5.983.775,98 foram integralmente utilizados na reconstituição da escrita, para a dedução prioritária dos débitos do IPI apurados de ofício na autuação, remanescendo ainda saldos credores do imposto, conforme consta no Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal da fl. 283 (vol. 2), motivo pelo qual foi formalizada, neste processo, exclusivamente a exigência da multa sobre IPI não lançado, com cobertura de créditos. Por último, a fiscalização ressaltou que em todo o período objeto da autuação o estabelecimento apresentou saldos credores do IPI, motivo pelo qual não se aplica a regra de decadência prevista no § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: arts. 15, 16, 17, 24, II, 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 127, 130, 131, II, 199, 200, IV, e 202, III, do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, no caso do erro de classificação fiscal e/ou de alíquota; arts. 34, II, 122, 124, 125, III, 127, 130, 199, 200, IV, e 202, III, do RIPI de 2002, no caso da irregularidade nas transferências de créditos; arts. 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 127, 130, 131, II, 199, 200, IV, e 202, III, 427, 428, 431, 432, 436, 443, 444, 469, 470 e 471 do RIPI de 2002, no caso da falta de estorno de créditos; e Fl. 669DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 669 11 arts. 164, 427, 428, 431, 432, 436, 443, 444, 469, 470 e 471 do RIPI de 2002, no caso da correção monetária indevida de saldos credores do IPI. Esse enquadramento sujeitou o interessado exclusivamente à multa de ofício de 75% por falta de lançamento do IPI, ou de 112,5%, nos casos em que não foi observada a Decisão/SRRF 10ª RF/Diana nº 12, de 1998, conforme art. 80, I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 69, I, “a”, da referida Lei nº 4.502, de 1964, sendo que o IPI não lançado ou lançado a menor nas notas fiscais não foi exigido neste processo, pela cobertura de créditos. Impugnação O sujeito passivo foi cientificado do lançamento de ofício em 30 de março de 2010, conforme consta na fl. 269 (vol. 2), e impugnou tempestivamente a exigência, em 28 de abril de 2010, pelo arrazoado das fls. 367 a 402 (vol. 2), firmado por advogados, credenciados pela procuração das fls. 414 e 415 (vol. 3), pelas cópias de documentos de identidade das fls. 416 e 417 (vol. 3) e pelas cópias de documentos societários das fls. 407 a 412 (vol. 3). As alegações de defesa, contendo citações doutrinárias e jurisprudenciais, seguem resumidas. A impugnação principia com a descrição das atividades do estabelecimento e com o registro de que vem sofrendo constantes fiscalizações, citando processos administrativos anteriores, sendo que neste processo foram apuradas supostas infrações, semelhantes ou decorrentes das infrações discutidas nos demais processos a que se refere. Argumenta que, para a fiscalização, os produtos objeto do lançamento de ofício teriam uma classificação fiscal quando comercializados individualmente e outra quando comercializados conjuntamente, situação denominada pela fiscalização de “venda casada”. No tocante à autuação objeto deste processo, alega, preliminarmente, que se operou a decadência sobre todos os lançamentos e glosas de créditos realizados pelo Auto de Infração impugnado, relativos a fatos geradores e escrituração ocorridos até 29 de março de 2005. Na sequência, a defesa alega que são nulos os lançamentos realizados a título de erro de classificação fiscal dos equipamentos Self Contained, aparelhos Fan Coil, sistema Air Handler 39CM e sistemas Multisplit, uma vez que a fiscalização não observou a necessidade de indicação do código da TIPI supostamente aplicável, pecando pela falta de motivação. Refere que o autor do procedimento fiscal consignou que a classificação deveria ter ocorrido nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade do equipamento em frigorias/hora. Embora a todos os itens das referidas subposições corresponda alíquota de 20%, Fl. 670DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 670 12 a referência ao código incompleto carece da esperada precisão, gerando nulidade por preterição do direito de defesa. Adiante, o interessado argumenta que são nulos todos os lançamentos efetuados pelo Auto de Infração controvertido, relativos ao suposto erro de classificação fiscal dos produtos denominados “unidades condensadoras” e “unidades evaporadoras”, eis que já foram objeto de lançamento no Processo nº 11080.014982/200856. A título de mérito, o impugnante alega que a TIPI possui previsão específica para industrialização de elementos das máquinas de arcondicionado, quer sejam eles concebidos ou não para serem reunidos em um único corpo, e que esses elementos são excluídos expressamente da classificação na posição 8415 pelas Nesh, quando apresentados separadamente, conforme transcrição efetuada pela defesa, que também se reporta à Regra Geral 1 (RGI 1), para interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH). Além disso, o interessado argumenta que também não é aplicável a RGI 2, que teria sido utilizada pela fiscalização. Segue o impugnante dizendo que inexiste disposição legal que lhe obrigue a comercializar produtos com uma carga tributária mais onerosa e que, se houvesse, a mesma seria inconstitucional, por violar o princípio da liberdade (arts. 1º, 5º e 170 da Constituição da República Federativa do Brasil). Alega também que, se a vontade da união fosse tributar as unidades condensadoras com a mesma alíquota prevista para o aparelho arcondicionado do tipo splitsystem, por exemplo, bastaria aumentar a alíquota correspondente ao referido aparelho, como ocorreu com a edição do Decreto nº 6.225, de 4 de outubro de 2007, que majorou a alíquota do código 8418.69.40 da TIPI, de zero para 20%, e não excluir de tal classificação os elementos apresentados separadamente. Acrescenta ainda que não concorda com a classificação das unidades evaporadoras na posição 8415.82.10 TIPI, citando o Parecer Técnico nº 7.283/98, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, tendo adotado o referido código exclusivamente por força da Decisão SRRF/10ª RF/Diana nº 12, de 12 de fevereiro de 1998, no Processo nº 13002.000205/9787. Também acatou a classificação das unidades condensadoras, no código 8418.69.90, por força da Solução de Divergência Coana nº 20, de 27 de maio de 2002, que considera inobservada pela fiscalização. Discorda, outrossim, da conclusão do autor do procedimento fiscal, no sentido de que a Solução de Consulta SRRF/2ª RF nº 59, de 8 de agosto de 2005, legitimaria a classificação própria para o conjunto evaporador/condensador, diferente das classificações nos casos de venda em separado de cada uma dessas unidades só seria possível quando as mesmas fossem “comercializadas isoladamente”, ao passo que as referidas soluções de consulta usam a expressão “apresentadas isoladamente”. Alega que “comercializado” não se confunde com “apresentado”. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 671 13 O impugnante afirma que nos Processos nº 11080.013226/2001 33, 11065.004409/200407, 11065.003605/200618 e 11065.002749/200738 a fiscalização exige a classificação de unidades evaporadoras e de Fan Coil em códigos próprios para máquinas que fazem parte de sistemas de arcondicionado. À vista disso, considera que, se a fiscalização classificava os equipamentos de Springer Carrier Ltda. como partes de sistemas de arcondicionado, com alíquota de 20% para o IPI, e agora classifica os mesmos equipamentos como aparelhos de ar condicionado completos, considera que a fiscalização na verdade, está perseguindo a maior alíquota, com o que não concorda. Invoca o art. 100, III, do Código Tributário Nacional, no sentido de que as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas são normas complementares da legislação tributária. Adiante, a defesa alega que não se pode sustentar a ocorrência de “vendas casadas”, uma vez que não cabe ao impugnante decidir sobre a destinação dos aparelhos que comercializa, os quais não são por ele instalados. Aduz que não é o fato de ter acesso aos demais projetos de determinados clientes que caracteriza a fabricação de condicionadores de ar completos. Pelo contrário, os clientes elaboram os seus projetos e buscam uma solução de refrigeração de ar, que é resolvida pela conjugação de diversos elementos dos aparelhos de ar condicionado produzidos pelo impugnante. Chama a atenção para o fato de que os componentes necessários para a formação de um equipamento do gênero vão além de uma unidade evaporadora e de uma unidade condensadora, sendo necessários ainda outros dispositivos, a saber: dutos, bomba de água, tubulações, amortecedores de vibração, controles e toda a parte de instalação desses componentes. Prossegue o interessado, argumentando que é inadequada a classificação dos aparelhos objeto do auto de infração como aparelhos de arcondicionado completos na posição 8415 da TIPI, porque os mesmos não possuem, por si sós, as características mínimas exigidas para os aparelhos de ar condicionado (capacidade de alterar a temperatura e a umidade do ar), podendo, inclusive, ter outras destinações, como por exemplo, servir de peças de reposição, atuar em conjunto com equipamentos de outros fabricantes, para formar máquinas industriais de refrigeração ou em frigoríficos. O impugnante se reporta a parecer técnico que apresentou à fiscalização, elaborado pelo Centro Profissional de Comércio Exterior (Cenpec), juntado nas fls. 246 a 255 (vol. 2), sobre a classificação fiscal das unidades evaporadas, parecer no qual ficou claro que os referidos aparelhos, por se tratarem de elementos do grupo de arcondicionado, não podem ser classificados, isoladamente, na posição destinada para aparelhos do tipo splitsystem. Adiante, refere que a fiscalização se equivoca, ao dizer que determinados aparelhos possuem isoladamente a capacidade de Fl. 672DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 672 14 modificar a temperatura e a umidade do ar, citando as unidades evaporadoras, os sistemas Self Contained e os aparelhos Fan Coil, em relação aos quais é incorreto afirmar que sejam aparelhos condicionadores de ar. Diz que o Auto de Infração contestado é confuso, ao sustentar que os elementos possuem, por si sós, as características necessárias para serem classificados como aparelhos condicionadores de ar, sendo que, logo adiante no mesmo auto, é afirmado que a função de condicionador de ar só é garantida pela conjugação das funções dos diversos elementos, como, por exemplo, foi feito na descrição do sistema Air Handler e do Multisplit. Sob outra perspectiva, o impugnante afirma que são indevidos os lançamentos realizados quanto a operações tributadas com alíquota zero ou amparadas por isenção, suspensão ou diferimento, supostamente não comprovadas. Sobre a falta de escrituração de notas de transferências de créditos no valor de R$ 137.298,68 e consequente utilização em duplicidade, o impugnante alega que o valor transferido, pela matriz, para a filial de Salvador, pela Nota Fiscal de transferência nº 4009, foi de 23.046,86, ao passo que o valor considerado pelo Auto de Infração impugnado foi o que consta na fl. 309 (vol. 2), de R$ 223.046,86, por erro de digitação. Para comprovar a alegação a defesa junta cópia da mencionada nota fiscal, na fl. 427 (vol. 3). Segue a defesa, dizendo que, por força dos argumentos anteriores expostos, são improcedentes as demais glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, restando indevida a consequente reconstituição da escrita fiscal do IPI, inclusive com base nas conclusões do Processo nº 11065.005554/200821, em tramitação, seja por força da decadência anteriormente referida, sejam por força das razões de mérito apresentadas. Sobre a glosa dos valores creditados a título de correção monetária dos saldos credores do IPI, reconhecida em juízo, o impugnante alega que essa glosa se deu em face da apuração de débitos do IPI, débitos que não se sustentam, pelas razões antes expostas na defesa, motivo pelo qual a glosa da correção também procede. Na sequência, o interessado alega que as multas, juros de mora e atualização monetária da base de cálculo do IPI não podem ser exigidos no presente caso, por força do disposto no parágrafo único do art. 100 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), no sentido de que a observância das normas referidas no valor monetário da base de cálculo do tributo. A defesa também solicita a realização de perícia técnica, para determinar as características e funções dos produtos que deram causa aos erros de classificação na TIPI, segundo a fiscalização, para o que indica e qualifica assistente técnico e elabora quesitos. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 673 15 Por último, o interessado pede a procedência da impugnação ou, alternativamente, a exclusão das multas, dos juros de mora e da atualização monetária. Em, 16 de setembro de 2010, o interessado apresentou o arrazoado das fls. 453 a 459 (vol. 3), com propósito de complementar a defesa, arrazoado este instruído pelos documentos das fls. 460 a 504 (vol. 3). Na fl. 507 (vol. 3), foi juntada petição do interessado, apresentada em 20 de outubro de 2010, informando a substituição do assistente técnico anteriormente indicado na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação de perícia, rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade por preterição do direito de defesa e, no mérito, julgar improcedente a impugnação de fls. 367 a 402 (vol 2), para manter integralmente a exigência formalizada no Auto de infração das fls. 268 a 273 (vol. 2). Intimada do acórdão supra em 04/03/2011, inconformada a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/04/2011. Voto Vencido Conselheiro GIELNO GURJÃO BARRETO, Relator Preliminar de nulidade por cerceamento de defesa por inexistência de diligência Alega a defesa, preliminarmente, que houve cerceamento do seu direito, pelo fato de a primeira instância administrativa ter indeferido o pedido de diligência (perícia), pois esta seria imprescindível para a formação do convencimento do I. julgador a quo. Argumenta que seu pleito não poderia deixar de ser atendido, sob pena de nulidade da decisão, por afronta aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Entretanto, vejase que a Interessada juntou aos autos parecer técnico e demais documentos, que já seriam suficientes para demonstrar eventuais contradições da Fiscalização, não haveria, assim, razão para realização de diligência. Dessa forma, após o exame desses autos e de outros sobre a mesma matéria, entendo possível formar convicção a partir das suas informações, e deve ser rejeitada a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Preliminar de nulidade por preterição do direito de defesa – ausência de requisitos do lançamento Ainda em sede preliminar, alega a defesa que o lançamento seria nulo, pois a argumentação do autor do procedimento fiscal não observou a necessidade de indicação do código da TIPI supostamente aplicável, pois o este se limitou a consignar que a classificação Fl. 674DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 674 16 deveria ter ocorrido nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade do equipamento em frigorias/hora e, portanto, implicaria em nulidade por preterição do direito de defesa. Acontece que as imputações formuladas contra o Interessada foram por ela perfeitamente compreendidas, sendo contestadas amplamente, inclusive sustentando que os equipamentos em causa devem ser classificados nos códigos próprios de elementos separados, e não no código próprio para máquinas e aparelhos de arcondicionado, que é o cerne da questão. Devese, portanto, ser rejeitada a preliminar de nulidade por preterição do direito de defesa. Decadência A interessada alega que a ciência do auto de infração ocorreu em 30/03/2010, e que, portanto, por força do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, os créditos tributários anteriores a 29/03/2005 estão atingidos pela decadência. Conforme entendimento reiterado dessa Câmara, considerase decaído o direito da Fazenda constituir o crédito tributário quando transcorridos mais do que cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador do imposto, independente de antecipação de pagamento, nos casos de lançamento por homologação. Nesse sentido, reproduzimos a seguinte decisão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 10/04/2003 DECADÊNCIA. A decadência dos tributos lançados por homologação operase no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, independentemente de antecipação de pagamento. Inteligência do art. 150, caput e § 40, do CTN.” (CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 3302 00.625 em 01/10/2010) Dessa forma, entendo que os lançamentos anteriores a 29 de março de 2005 foram atingidos pela decadência. Do mérito – considerações preliminares Da Classificação da TIPI Creio importante tecer uma consideração inicial – a classificação fiscal da mercadoria impõe dúvida quanto à finalidade da venda conjunta das unidades condensadora e evaporadora constituiremse em ar condicionado da posição 84.15 em especial quanto àquelas de menor complexidade. Eis que as demais, de maior porte, enquadrarseiam na posição 84.18 pela sua própria descrição, sem que fosse talvez necessário o intérprete valerse das Regras Fl. 675DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 675 17 Gerais de Interpretação da TIPI. Por isso, iniciarei pelas máquinas mais complexas para aofim tratar daquela que maior dificuldade se nos apresenta. Por isso, copio aqui o quadro apresentado pela recorrente em seus memoriais para que melhor possa se visualizar o contexto da autuação: Posição 8415 Posição 8418 Posição 8419 Posição defendida pelo Fisco para todos os equipamentos Posição defendida pela Recorrente para a Condensadora Posição defendida pela Recorrente para o Fan Coil MÁQUINAS E APARELHOS DE ARCONDICIONADO CONTENDO UM VENTILADOR MOTORIZADO E DISPOSITIVOS PRÓPRIOS PARA MODIFICAR A TEMPERATURA E A UMIDADE, INCLUÍDOS AS MÁQUINAS E APARELHOS EM QUE A UMIDADE NÃO SEJA REGULÁVEL SEPARADAMENTE. REFRIGERADORES, CONGELADORES ("FREEZERS") E OUTROS MATERIAIS, MÁQUINAS E APARELHOS PARA A PRODUÇÃO DE FRIO, COM EQUIPAMENTO ELÉTRICO OU OUTRO; BOMBAS DE CALOR, EXCLUÍDAS AS MÁQUINAS E APARELHOS DE ARCONDICIONADO DA POSIÇÃO 84.15 APARELHOS E DISPOSITIVOS, MESMO AQUECIDOS ELETRICAMENTE (EXCETO OS FORNOS E OUTROS APARELHOS DA POSIÇÃO 85.14), PARA TRATAMENTO DE MATÉRIAS POR MEIO DE OPERAÇÕES QUE IMPLIQUEM MUDANÇA DE TEMPERATURA, TAIS COMO AQUECIMENTO, COZIMENTO, TORREFAÇÃO, DESTILAÇÃO, RETIFICAÇÃO, ESTERILIZAÇÃO, PASTEURIZAÇÃO, ESTUFAGEM, SECAGEM, EVAPORAÇÃO, VAPORIZAÇÃO, CONDENSAÇÃO OU ARREFECIMENTO, EXCETO OS DE USO DOMÉSTICO; AQUECEDORES DE ÁGUA NÃO ELÉTRICOS, DE AQUECIMENTO INSTANTÂNEO OU DE ACUMULAÇÃO Do mérito – da consulta formulada Bem rapidamente, entendo que a consulta formulada não vincula o contribuinte. Fazêlo significa obstar a aplicação do PAF ao caso concreto, PAF esse que é justamente o controle dos atos da administração pública. O contrário seria afirmar que o contribuinte, ao formular a consulta, estaria ao bel prazer da administração pública, cuja opinião emitida estaria “blindada” contra a insurgência do contribuinte em qualquer instância por meio do processo administrativo fiscal. Entendo que seus efeitos se resumem, sim, à aplicação da multa. Caso vencido nesses tópicos que estejam favoráveis aos contribuintes, significa que aplicável era a consulta. Nesse caso, adoto os argumentos do I. Conselheiro Alexandre Gomes em caso similar, onde afirma: Fl. 676DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 676 18 “Isto porque o princípio da legalidade tributária inserto no artigo 150, inciso I da Constituição Federal, ao qual estão vinculados todos os órgãos da administração – inclusive os julgadores deste Conselho impede a exigência de quaisquer valores em razão de fatos não alcançados por normas tributárias. Em síntese, se não ocorrer no mundo fático à hipótese de incidência previamente descrita em lei, não terá ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, nem será lícita à manutenção de qualquer tipo de exigência fiscal, ainda que decorrente de confissão de dívida ou lançamento de ofício não impugnado. Por este motivo à administração tributária está proibida de exigir dos contribuintes valores que sabe ou deveria saber indevidos, de modo que o resultado de uma consulta anterior não impede, agora, seja novamente analisada a incidência da norma tributária diante do caso concreto. Referida proibição adquire tal modo e força que a conduta do agente que não a observar é considerada ilícita (Código Penal, artigo 326). Então se a lei, em tese, não define o nascimento da obrigação tributária nas operações realizadas pela recorrente, não pode a administração se furtar de analisar seus argumentos sob o pretexto de existir prévia consulta desfavorável. A eficácia normativa conferida às respostas das consultas não permite a manutenção de exigência tributária contrária à lei. Não possui o condão de vincular o entendimento da Fazenda a ponto de impedir a revisão deste posicionamento em sede de impugnação ao lançamento tributário, dos critérios legais necessários à manutenção de exação tributária. Foge até mesmo à proporcionalidade exigir que a administração tributária mantenha determinada exigência fiscal ao arrepio da lei. Acreditase que, qualquer que tenha sido o resultado da consulta, a administração deverá analisar a defesa do contribuinte, sob pena de incorrer em cerceamento de defesa e de excesso de exação. Em verdade, as respostas dadas nas soluções de consulta não vinculam o contribuinte, apenas à administração. A consulta é um instrumento posto à disposição dos administrados para evitar a imposição dos acréscimos legais nos casos que suscitam dúvidas a respeito do alcance da legislação tributária. Quando as respostas convergem no sentido do nascimento da obrigação tributária, o contribuinte deverá obedecer aos comandos legais para promover ao recolhimento das quantias, acrescidas de correção monetária. Quando decidem pela não incidência, isenção ou qualquer tipo de regra que não implique no nascimento da obrigação de recolher tributo, o contribuinte estará liberado, ao menos num primeiro momento, daquela obrigação. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 677 19 Entretanto, em qualquer das situações, se houver uma mudança na interpretação e aplicação da legislação objeto da consulta, tal posicionamento não poderá ser ignorado pelo contribuinte ou pela administração. Tanto é verdade que o resultado da consulta impede apenas “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”, na forma do artigo 100, parágrafo único do CTN, porquanto o principal não poderá ser dispensado. Neste contexto, entendo que a Consulta existente não vincula o Contribuinte, forte nos princípios acima expostos.” Do mérito Erro de classificação fiscal de produtos Equipamento Self Contained Alega a fiscalização que verificada a classificação fiscal dos equipamentos Self Contained, que seriam constituídos pela conjugação de um módulo de ventilação (código 40BV) a condensação a ar remota (código 40BZ), caso em que é efetuada por um terceiro módulo condensador (códigos 9AB ou 9CK). Para que executasse as funções típicas de ar condicionado requeridas pela TIPI e pelas Nesh, farseia necessária a conjugação dos módulos “ventilação” (um ventilador a motor) e “trocador de Calor” (com a função de interferir na temperatura e, por condensação, na umidade), que por isso desempenham conjuntamente as funções próprias das unidades evaporadoras. A fiscalização analisou as notas fiscais de saída e constatou que 74% das vendas desses equipamentos era “casada”, ou seja, os cliente, em grande parte consumidores finais, adquiriam um “módulo de ventilação” e um “módulo trocador de calor”, caracterizando um aparelho de arcondicionado Entendo que tratar esse equipamento na posição 84.15, como um simples ar condicionado, não seria o caso. Os aparelhos do tipo Self Contained são aparelhos de grande porte, que podem ser utilizados para outros fins, dependendo do projeto técnico de engenharia. São aparelhos para a produção de frio, mas que não necessariamente têm o uso de ar condicionado, ainda que possa para tanto ser utilizado. Aplicase aqui, portanto, Regra Geral 2, que nos dizeres de Cabral Mascarenhas, é complementar à regra Geral 1. Por ela, o fato de uma posição referir a um artigo, implica que essa posição alcança o artigo mesmo que incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontre, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente artigo completo ou acabadao, ou como tal considerado, mesmo que se apresente desmontado ou a montar. Para esse doutrinador, por essa regra, qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, pura, misturada ou associada a outras matérias. Qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. Nesse sentido, quanto a esse aparelho, entendo assistir razão ao contribuinte. Aparelhos Fan Coil Afirma a fiscalização que “verificou a classificação fiscal de aparelhos de ar condicionado do tipo Fan Coil, que podem funcionar em corpo único ou em módulos. Alguns são montados em um gabinete com acabamento para ficar exposto no ambiente a ser refrigerado e outros com gabinete sem acabamento esmerado, próprios para ficarem em Fl. 678DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 678 20 ambientes reservados, mas todos apresentando ventilador motorizado, tendo a função de modificar a temperatura (arrefecimento/aquecimento) e, por condensação, a umidade do ar. A fiscalização ressalta que o próprio contribuinte denomina os referidos aparelhos de “condicionadores de ar” e que o fato de um Fan Coil de fluido frio produzido em outro equipamento (um Chillher, por exemplo) não descaracteriza a classificação do Fun Coil na posição 8415, porquanto as características intrínsecas desse último equipamento preenchem todos os requisitos já referidos no tocante aos aparelhos de arcondicionado do tipo split system.” Entendo nesse caso ainda mais difícil aplicarse a clasisficação do 84.15. Inclusive pelas fotografias apresentadas que tratamse de equipamentos ainda maiores, a exemplo daquele implantado no aeroporto de Congonhas. Ademais, a descrição do equipamento mostra a clara separação entre a unidade central e todas as demais unidades que têmse que acoplar para que esta funcione, a exemplo dos chillers, tubulações, torres de resfriamento, juntas, quadros elétricos de força e compando, bombas, caldeiras e trocadores. Tratálos, novamente, como sendo simples split systems, seria inadequado ao caso. Aplicase aqui, portanto, Regra Geral 2, que nos dizeres de Cabral Mascarenhas, é complementar à regra Geral 1. Por ela, o fato de uma posição referir a um artifo, implica que essa posição alcança o artigo mesmo que incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontre, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente artigo completo ou acabadao, ou como tal considerado, mesmo que se apresente desmontado ou a montar. Para esse doutrinador, por essa regra, qualquer referênfcia a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, pura, misturada ou associada a outras matérias. Qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituidas inteira ou parcialmente dessa matéria. Nesse sentido, quanto a esse aparelho, entendo assistir razão ao contribuinte. Sistemas Air Handler Afirma a fiscalização que “os sistemas de climatização do tipo Air Handler 39CM destinamse a grandes ambientes (shopping centers, hospitais, aeroportos e estabelecimentos comerciais em geral), sendo equipamentos de concepção modular, com unidade ventilador e unidade trocador de calor, as quais conjuntamente apresentam todos os requisitos para classificação na posição 8415. O interessado oferece a seus clientes alguns acessórios (grifei) para o referido sistema, tais como “Módulo Atenuador de Ruídos”, “Equalizador/Damper”, “Resistência de Aquecimento”, “Módulo de Filtragem” e “Módulo de Mistura”, acessórios incorporados ao condicionador de ar, classificáveis, por disposição das Notas 3 a 5 da Seção XVI da TIPI, no código do aparelho de arcondicionado. A fiscalização analisou as notas fiscais de saída e constatou que 79% das vendas desses equipamentos era “casada”, ou seja, os clientes, em grande parte consumidores finais, adquiriam um “módulo de ventilação” e um “módulo trocador de calor”, caracterizando um aparelho de arcondicionado, que deveria ter sido classificado nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI Também nesse caso, vejo que a fiscalização fez algumas ilações inadequadas. Veja que classifica as outras partes e peças, relevantes, como mero acessórios, conferindo peso maior aos ventiladores/trocadores de calor, e que por isso estes deveriam ser classificados como arcondicionado. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 679 21 Novamente, não vejo dessa forma. Pela sua própria forma e descrição técnica, esses aparelhos podem ou não exercer a atividade de condicionamento de ar, mas não de uso doméstico. Por outro lado, podem, e o fazem, exercer a atividade de produção de frio para câmaras frigoríficas, por exemplo. Daí não entendo ser o caso de aplicarse a classificação do 84.15 a esse produto. Aplicase aqui, portanto, Regra Geral 2, que nos dizeres de Cabral Mascarenhas, é complementar à regra Geral 1. Por ela, o fato de uma posição referir a um artigo, implica que essa posição alcança o artigo mesmo que incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontre, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente artigo completo ou acabado, ou como tal considerado, mesmo que se apresente desmontado ou a montar. Para esse doutrinador, por essa regra, qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, pura, misturada ou associada a outras matérias. Qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. Nesse sentido, quanto a esse aparelho, entendo assistir razão ao contribuinte. Por fim, trataremos das unidades condensadoras, evaporadores e dos multisplits, todos de menor porte em conjunto, pois sobre esses recaem a maior dificuldade na classificação, eis que a finalidade a que se destinam, em conjunto ou em separado, é aquela de um ar condicionado de uso doméstico, ou até mesmo comercial, mas em espaços de menor porte. Além da teoria da finalidade, a fiscalização demonstra percentuais de “vendas casadas”, que provariam que tais elementos sempre têm essa finalidade, e que a sua venda, conjunta ou não, deveria inserirse na classificação do 84.15; Unidades condensadoras Segundo a fiscalização, as unidades condensadoras de aparelhos de ar condicionado do tipo splitsystem (sistema com elementos separados) atuam conjuntamente com unidades evaporadoras, interligadas entre si por fios e dutos. A fiscalização constatou a existência de inúmeros casos de “vendas casadas”, efetuadas pelo interessado, ou seja, vendas conjuntas de unidades evaporadoras e de unidades condensadoras, em igual quantidade, no mesmo documento fiscal e para o mesmo cliente, ou no conjunto de notas fiscais subsequentes, porém tributadas a menor, com alíquotas zero, 2% ou 5%, conforme o caso, como se tais unidades não formassem um conjunto entre si, que é o aparelho de arcondicionado do tipo splitsystem. Ainda segundo a fiscalização, esta efetuou o lançamento de ofício das diferenças do IPI, com base no erro de classificação fiscal, exclusivamente nos casos de vendas de unidades condensadoras efetuadas juntamente com unidades evaporadoras, algumas vezes acompanhadas de kit de controle remoto, sendo que cerca de 40% das vendas das unidades condensadoras ocorreram nas referidas condições. Unidades evaporadoras Em seguida, foi objeto de exame a classificação fiscal das unidades evaporadoras, tendo sido constatado pela fiscalização que o estabelecimento produz vários modelos. A fiscalização também verificou que, no período sob exame neste processo, o contribuinte passou a acatar de forma ampla a orientação emanada da Solução da Consulta antes referida, mas em algumas poucas operações as unidades evaporadoras permaneceram Fl. 680DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 680 22 classificadas indevidamente nas posições 8418 e 8419 da TIPI. O estabelecimento foi, então, autuado por ter utilizado a classificação e a alíquota incorretas, ou por ter utilizado a classificação correta, mas com alíquota incorreta, tributando os produtos a menor, com alíquotas zero ou 2%, conforme o caso. Em tais situações, houve a majoração da multa de ofício, no Auto de Infração, de 75% para 112,5% pela inobservância do teor da Decisão/SRRF 10ª RF/Diana nº 12, de 1998. OU seja, nesses casos, a autuação foi pelo remanescente, aquilo que o contribuinte em tese teria certeza não tratarse de destinação para uso doméstico, e por isso teria adotado a classificação pela sua finalidade real. Equipamentos Multisplit O estabelecimento fiscalizado também fabrica equipamentos denominados Multisplit, que são produzidos em duas linhas: uma de alta e outra de baixa capacidade. Os princípios de funcionamento desses aparelhos são idênticos aos das unidades condensadoras dos aparelhos de arcondicionado do tipo splitsystem. Nas duas linhas, as funções “unidades evaporadoras” são exercidas pela conjugação de dois módulos independentes, denominados “módulo trocador de calor” e “módulo ventilação” (códigos 40MZ, na linha de alta capacidade e 40MS, na linha de baixa capacidade). As “unidades condensadoras” são identificadas pelo estabelecimento com os códigos 38MZ (ventilador centrífugo) ou 38AB (ventilador axial), na linha de alta capacidade, e 38MS na linha de baixa capacidade. A fiscalização constatou que aproximadamente 40% das vendas de unidades condensadoras e dos módulos “trocador de calor” e “ventilação” era casada. Da classificação fiscal dos itens 4, 5 e 6 Como dito, esses itens trazem maior dificuldade em classificálos. Inicialmente, creio que é importante denotar que nos casos da unidades condensadoras e do multisplit, as vendas casadas foram de aproximadamente 40%. Quanto as unidades evaporadoras, não há essa evidência. Contudo, creio que o fato de 40% das unidades serem vendidas de forma conjunta podem ser uma prova indiciária, mas não deveria definir a melhor classificação dessas mercadorias. A recorrente afirma, e é verdade, que estas unidades em separado não são um split system, faltaria um terceiro elemento, os dutos, a instalação, que são relevantes no processo de montagem desses equipamentos para que eles alcancem uma finalidade, e que realmente o são. Segundo a recorrente, a regra 2a da Posição autorizaria essa classificação, anteriormente à IN nº 1072/2010. Quanto a esses argumentos, importante ressaltar primeiramente que com relação aos critérios de classificação fiscal de mercadorias/produtos, estes estão regulados pelas Regras Gerais de Interpretação (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias e, subsidiariamente, pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias – NESH , do Conselho de Cooperação Aduaneira (DL nº 1.154/71 c/c arts. 16 e 17 do RIPI/82). Conforme o que entendemos como a melhor doutrina (Tudo sobre IPI – Imposto sobres produtos Industrializados Ed. Afiliada – 2003), “a classificação fiscal de um produto é feita a partir da Regra Geral 1, que estabelece que a classificação é determinada Fl. 681DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 681 23 pelos textos das posições e das notas de seções e capítulos, esclarecendo, ainda, que os títulos da seções têm apenas valor indicativo, não tendo força legal para fundamentar uma classificação. Seguindo a determinação dessa regra básica, orientado pelo título das seções e capítulos, procuramos encontrar o texto da posição que melhor se ajuste à discriminação da mercadoria que necessitamos classificar, analisando, também, as diversas notas de seção e capítulo ao qual pertença a posição encontrada, bem como de outras seções e/ou capítulos com os quais se relacione, a fim de verificar se essas notas não estipulam de forma diferente.” As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), mais recentes, texto a partir da IN nº 1.072/2010, dispõe que constituem elemento subsidiário a interpretação do conteúdo das posições e subposições, em relação a posição 8415 da TIPI, nos seguintes termos: “Esta posição abrange os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade. Estes conjuntos contém as vezes elementos para purificar o ar. Estas máquinas e aparelhos são utilizados para a climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc., bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar, exigido para algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo (tabaco), produtos alimentícios, etc. Só se incluem nesta posição as máquinas e aparelhos: 1) contendo um ventilador a motor, e 2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar, e 3) nos quais os elementos citados nas alíneas 1) e 2) se apresentem em conjunto. Os elementos destinados a umidificar ou desumidificar o ar podem ser diferentes dos que asseguram o aquecimento e o arrefecimento. Algumas máquinas contêm, todavia, apenas um dispositivo que modifica ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar. Estas máquinas e aparelhos de arcondicionado arrefecem e desumidificam, por condensação do vapor de água sobre uma bateria fria, o ar ambiente do local onde funcionam ou, se são providos de uma entrada de ar externo, uma mistura de ar fresco e ar ambiente. São geralmente providos de cubas de recuperação da água de condensação. As máquinas e aparelhos da espécie podem ser constituídos por um único dispositivo contendo todos os elementos necessários, como os aparelhos dos tipos utilizados em paredes ou dos tipos utilizados em janelas, formando um corpo único. Podem igualmente apresentarse sob a forma de splitsystems (sistemas com elementos separados), nos quais o condensador e o Fl. 682DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 682 24 evaporador destinamse a ser instalados respectivamente no exterior e no interior, e cujos diferentes blocos operam enquanto conectados um ao outro. Esses aparelhos do tipo splitsystem não comportam dutos mas utilizam um evaporador individual para cada ambiente a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). Do ponto de vista estrutural, as máquinas e aparelhos de ar condicionado da presente posição devem conter, por conseguinte, no mínimo, além do ventilador a motor que assegura a circulação de ar, os seguintes elementos: quer um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar; quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); quer um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar. Em alguns casos, o desumidificador utiliza as propriedades higroscópicas de produtos absorventes. Pertencem a esta posição, por exemplo, as bombas de calor reversíveis concebidas para executar, por um sistema único munido de válvula de inversão do ciclo térmico, a dupla função de aquecimento e refrigeração dos locais. No ciclo de refrigeração, a válvula de inversão envia o vapor quente sob alta pressão para a unidade exterior onde o calor liberado por condensação é dissipado no ambiente enquanto o líquido refrigerante comprimido circula em um evaporador interior onde ele é vaporizado, absorve calor e resfria o ar que um ventilador faz circular no local. No ciclo de aquecimento, a mudança de posição da válvula de inversão do ciclo térmico provoca uma inversão do escoamento do líquido refrigerante de tal sorte que o calor é liberado no local. As máquinas e aparelhos de arcondicionado podem ser alimentados por uma fonte externa de calor ou de frio. São geralmente providos de filtros nos quais o ar se liberta das poeiras ao atravessar uma ou mais camadas de matérias filtrantes freqüentemente umedecidas de óleo (têxteis, lã de vidro, palha de ferro, palha de cobre, chapas de metal distendido, etc.). Podem também ser equipados de dispositivos para regular a temperatura ou a umidade do ar. Esta posição abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação. Entre eles, podemse citar os aparelhos acima mencionados formando corpo único e os do tipo splitsystem compreendendo um condensador instalado no exterior do edifício e um evaporador individual para cada área a Fl. 683DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 683 25 ser climatizada (por exemplo, cada cômodo de uma casa). São igualmente compreendidos aqui os aparelhos para equipar câmaras frias constituídos por um evaporador de resfriamento e um ventilador motorizado acondicionados em um mesmo invólucro e as unidades de aquecimento e/ou de refrigeração de um espaço fechado [caminhão, reboque ou contêiner (contentor*)], constituídos por um compressor, um condensador e um motor, montados em um receptáculo situado no exterior do compartimento de mercadorias, bem como um ventilador e um evaporador montados num receptáculo situado no interior deste compartimento. Todavia, excluemse da presente posição as unidades de refrigeração constituídas por um grupo frigorífico concebido para produzir frio com objetivo de manter, em um espaço fechado [caminhão, reboque ou contêiner (contentor*), por exemplo, uma temperatura determinada bastante inferior a 0°C, e providas de um dispositivo de aquecimento cuja finalidade é elevar a temperatura do ambiente, dentro de um limite determinado, quando a temperatura exterior for muito baixa. Estes aparelhos classificamse na posição 84.18, como máquinas e aparelhos para produção de frio, sendo a função de aquecimento acessória em relação à função essencial destes aparelhos, que é a de produzir frio para conservar produtos perecíveis durante o transporte.” No presente caso a Fiscalização entendeu que os produtos descritos os itens 4, 5 e 6 (e também os anteriores) acima colacionados não foram vendidos separadamente, mas, na realidade, foram comercializados em conjunto, ocorrendo uma “venda casada”, ou seja, a venda do aparelho de ar condicionado completo e não “elementos dos grupos de ar condicionados”. Nesse sentido, cabe trazer à colação trechos constantes do fundamento do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro José Antonio Francisco, relator do Acórdão nº 3302 090.000 em processo que discute a classificação fiscal de itens similares ao do presente processo, em virtude de autuação contra a mesma Interessada: “Na posição 84.18, classificarseiam os refrigeradores e congeladores, o que não abrange as unidades condensadoras, pela simples aplicação da regra geral de classificação 2a: a) qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. É sabido que os dois elementos do sistema não foram projetados para funcionar separadamente. Vale dizer, não têm função, quando separados. Caso não houvesse a “venda casada”, poderseia discutir a aplicação da regra acima sob algum outro aspecto Fl. 684DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 684 26 interpretativo, mas o que importa, portanto, é saber se se trata de “venda casada” ou não; em outras palavras, se a Interessada vendeu “aparelho de ar condicionado” ou “elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente”. Isso por que, segundo a regra acima citada, a venda dos elementos principais do ar condicionado deve ter o mesmo tratamento do aparelho completo, para efeito de classificação fiscal. Nesse contexto, a argumentação da Interessada de que há permissão legal para o seu procedimento, contida na própria Tipi, é completamente contraditória com a de que não saberia qual fim seus clientes dariam aos elementos vendidos. A primeira argumentação pressupõe a possibilidade clara de venda de aparelho completo, adotandose a posição menos onerosa por suposta expressa previsão legal, enquanto que a segunda justifica o procedimento pelo fato de supostamente não saber se vende ou não aparelho de ar condicionado ou elementos de ar condicionado. A primeira alegação depende da interpretação do que sejam “elementos apresentados separadamente”; a segunda pressupõe a ignorância do fato. No primeiro caso, a interpretação da Interessada do que seja “apresentados separadamente” é inadmissível. “Apresentar”, aqui, é utilizado como sinônimo de “por à disposição; oferecer”. Quer dizer, se o produto é oferecido separadamente, então se aplica a regra; caso seja oferecido o aparelho de ar condicionado, aplicase a classificação própria. Assim, no entendimento da Interessada, ela poderia vender o aparelho de ar condicionado, ofertando separadamente os elementos, por expressa previsão legal. Entretanto, é óbvio que o fato de haver classificação fiscal para os elementos separados não implica que a discriminação nas notas fiscais de tais elementos implique que, de fato e direito, a oferta tenha sido efetuada separadamente. Caso contrário, terseia que concluir que a classificação fiscal dependeria, unicamente, de uma escolha do contribuinte. Vale dizer, o contribuinte, embora fabrique aparelhos de ar condicionado, poderia simplesmente escolher não os vender, por vender apenas seus elementos separadamente, ainda que na mesma nota fiscal. É elementar que não é esse o espírito da norma, que pretendeu, na realidade, esclarecer que a venda do aparelho de ar condicionado é diferente da venda dos seus elementos, separadamente. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 685 27 Por isso tem toda razão a Fiscalização ao indagar sobre, quando, então, a Interessada venderia aparelhos de ar condicionado do tipo “split system”.” (grifo nosso) É argumento forte que deve ser considerado pelos Ilustres pares, ante a controvérsia que se nos apresenta. Devemos analisar, ainda, o argumento de que os produtos vendidos em uma mesma nota fiscal poderiam representar a venda de dois produtos separadamente e não da unidade, haja vista que as unidades podem ser usadas para reposição de peças defeituosas. A recorrente alega que “podem ser utilizados em conjunto com outros aparelhos produzidos por outros fabricantes para a formação de um aparelho de ar condicionado ou, ainda, utilizados para a formação de outros equipamentos que não aparelhos de arcondicionado, como, por exemplo, máquinas industriais (nas quais atua na refrigeração) ou de refrigeração frigorífica”. Essa alegação também é tecnicamente correta, e é fato que a fiscalização comprova o contrário em apenas 40% das vendas. Ademais, com base nos dados levantados pela fiscalização, bem como pelas notas fiscais trazidas aos autos, verificamos que na maioria dos casos houve a venda dos produtos em conjunto, sendo que, em diversas notas fiscais, incluíam um “kit de controle térmico” ou de controle remoto. Nesses casos, não há demonstração do volume em que aparecem tais unidades. Assim, temos diante de nós duas opções – aplicar a teoria da finalidade plenamente, desconsiderando o fato de que a fiscalização comprovou a destinação de parte desses equipamentos ao destino final de ar condicionado, ou aplicar o princípio da legalidade estrito – ou seja, considerando que havia dúvida, a descrição atual, adequada, não estaria em vigor á época, e que o novo texto realmente demonstraria essa incorreção, um avanço da tecnologia industrial à frente da legislação, e que não poderia ser aplicado tributo sine lege. Vejamos o texto atual, da IN nº 1072/2010: Posição 84.15. 1. PARTES. Nova redação: “De acordo com as disposições da Nota 2 b) da Seção XVI, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem (sistema com elementos separados) desta posição, quando apresentados separadamente classificamse sempre nesta mesma posição. As outras partes das máquinas e aparelhos de arcondicionado, quer sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.), ou, no caso de a Nota 2 a) não ser aplicável, de acordo com as disposições da Nota 2 b) ou da Nota 2 c) da Seção XVI, conforme sejam ou não reconhecíveis como destinadas exclusiva ou principalmente às máquinas de arcondicionado das quais elas são partes.” Fl. 686DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 686 28 2. Notas Explicativas de Subposições. Nova Nota Explicativa de Subposição para a subposição 8415.90. Inserir após as Notas Explicativas de Subposições atuais: “Subposição 8415.90 Esta subposição compreende, quando apresentadas separadamente, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem da subposição 8415.10. Essas unidades são concebidas para ser conectadas entre si por fios elétricos e tubos de cobre pelos quais o fluido frigorígeno circula entre as unidades internas e externas.” Posição 84.19. Primeiro parágrafo (exclusões). Exclusão c). Nova redação: “c) Aparelhos domésticos para cozinhar ou aquecer da posição 74.18;” Na redação anterior inexistia tais elementos, remanescendo a dúvida acerca de sobre como tributar tais elementos. Não creio que nesse caso a legislação possa retroagir para prejudicar. Se dúvida havia, deveria ter sido sanada pelas autoridades fiscais, ao contribuinte é lícito interpretar e integrar a norma tributária nessas circunstâncias o que o fez. Tributálo seria contrariar a máxima de que não há tributo sem lei que o estabeleça. Nesse sentido, ainda que reconheça que sua utilização destinese em parte significativa (não pelo total, como anteriormente exposto) a condicionadores de ar de uso doméstico, fico como princípio da legalidade, e nesses itens também reconheço a pretensão da recorrente. Nesse ponto, reproduzo e adoto também como fundamento as razões do I. Conselheiro Alexandre Gomes, em caso similar: A meu ver, a questão se prende exclusivamente na interpretação adotada pela NESH que assim expressamente determina: os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc) Em que pese o fato de que à época da redação não se concebia a existências dos splitsystem, e de clareza substancial que a norma interpretativa determinava expressamente que os aparelhos de ar condicionados apresentados separadamente (unidade condensadora e unidade evaporadora) deveriam ser classificados nas posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79. Ainda que se possa discutir qual a melhor classificação a ser adotada a única posição que foi expressamente excluída é a 84.15. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 687 29 Esta posição somente passou a ser possível de adoção a partir da alteração promovida pela Instrução Normativa RFB nº 1.072/10 que assim passou a tratar do assunto: De acordo com as disposições da Nota 2 b) da Seção XVI, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem (sistema com elementos separados) desta posição, quando apresentados separadamente classificamse sempre nesta mesma posição. Vale destacar que a classificação de fiscal é operação complexa e deve ser efetuada com base na legislação tributária. O RIPI/02 assim orienta: DA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS Art. 15. Os produtos estão distribuídos na TIPI por Seções, Capítulos, subcapítulos, posições, subposições, itens e subitens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem assim das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Decretolei nº 1.154, de 1971, art. 3º). Destaco que as determinações contidas nas notas explicativas são elementos subsidiários de caráter fundamental. Feitos estes apontamentos entendo que a posição adotada pela fiscalização afronta expressamente a determinação contida na NESH, o que acarreta no reconhecimento de sua improcedência.” Glosas de créditos – saldo credor inicial/correção monetária Com relação à reconstituição da escrita fiscal, no Processo nº 11065.005554/200821 foi determinado o estorno do saldo credor apresentado no mês de dezembro de 2004. Assim, foi realizada a reconstituição da escrita fiscal e, os créditos do IPI foram utilizados para dedução prioritária dos débitos desse mesmo imposto, apurados de ofício naquele processo. Tratase de procedimento legítimo. Caso vencido reste, considero adequado o procedimento. Da multa majorada Fl. 688DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 688 30 Insurgese a Interessada quanto à aplicação da multa majorada de ofício de 112,5%, pela inobservância do teor da Decisão/SRRF 10a RF/Diana nº 12, de 1998, que estipula que as unidades evaporadoras descritas na consulta, mesmo quando apresentadas isoladamente, deveriam seguir os códigos da posição 8415 da TIPI. Em processo de fiscalização, verificouse que diversas notas fiscais analisadas descreviam a venda de unidades evaporadoras na posição 8418/8419 da TIPI, entretanto, conforme informações da Recorrente, na verdade, tais notas fiscais diriam respeito a vendas de aparelhos Fan Coil, que não foram objeto da decisão antes mencionada. Conforme verificado no processo nº 11065.005554/200821, que discute autuação fiscal por motivo semelhante ao do presente processo, foi realizada diligência para esclarecimentos relativos a presente matéria (unidades evaporadoras x Fan coil). No referido processo, a Fiscalização afirmou que “Nos livros Registro de Inventário, apresentados pela contribuinte interessada (cópias parciais às lis. 1.664 a 1.694), temos inúmeros exemplos, ao longo de todo o ano em estudo (2004), tanto de aparelhos Fan Coil cujo código começa com 42L, quanto de Unidades Evaporadoras cujo código começa com 42L.” Com efeito, apesar da tentativa de esclarecimento através da referida diligência, entendo que ainda inexistem nos autos elementos esclarecedores ou mesmo de prova necessários para a configuração do tipo penal pretendido, motivo pelo qual a multa agravada não deve ser aplicada ao caso concreto. Em relação à reconstituição da escrita, adoto, no que couber, as razões do Acórdão n. 3302002.117, julgado nesta mesma data. Finalmente, resta a questão da vinculação da consulta, que considero inexistir no caso concreto para o contribuinte, como explanado anteriormente. Finalmente, em relação a correção monetária, alega a Interessada que quando o presente julgamento fosse reconhecido como improcedente, sua situação restaria regularizada. Caso vencido esteja, considero cabível a atualização monetária imposta pelo lançamento. Finalmente, não reconheço no presente caso nenhuma das situações previstas no artigo 110 do CTN , portanto, não caberia a exclusão das multas, juros de mora e atualização monetária. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Redator Designado Fl. 689DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 689 31 Inicialmente, esclareçase que o presente processo trata das seguintes matérias: Classificação fiscal em vendas conjuntas das unidades condensadoras do tipo “split system”; Classificação fiscal em vendas conjuntas de aparelhos “multisplits”, “self containded” e “air Handler”; Classificação fiscal de aparelhos “fal coils”, unidades evaporadoras; Majoração da multa de ofício, em razão de prévia consulta fiscal, relativamente às saídas de unidades evaporadoras com classificação fiscal incorreta; Reconstituição da escrita em função de outros autos; Glosa de correção monetária de créditos glosados. A impugnação tratou dos seguintes assunto: Decadência relativa a escrituração até 29/03/2005; Nulidade do lançamento quanto aos Self Contained e Air Handler, por ausência de indicação da classificação adotada; Correta classificação dos equipamentos; Inexistência de saídas de unidades evaporadoras com classificação fiscal incorreta; Exclusão das multas, juros e atualização Prova pericial para identificar as funcionalidades dos equipamentos; Em relação à decadência, há que se esclarecer, inicialmente, que o auto de infração tratou apenas da aplicação da multa isolada por falta de lançamento do imposto (apuração de débito de IPI com cobertura de crédito). Dessa forma, não há lançamento do imposto para se cogitar da aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Por fim, não se aplica ao caso nenhuma das hipóteses previstas no art. 124, parágrafo único, do RIPI/2002, uma vez que não houve apuração de saldo devedor nos períodos abrangidos pelo lançamento da multa e os débitos somente apareceram posteriormente (dentro do prazo), para efeito da aplicação do inciso III do referido parágrafo. Não houve, portanto, decadência. Em relação às demais matérias, esclareçase que na presente sessão de julgamento também julgado o processo 11065.005554/200821, do qual fui relator, que contém as principais matérias discutidas nos presentes autos. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 690 32 Dessa forma, adoto, no que couber, as razões do Acórdão n. 3302002.117, de 22 de maio de 2013, abaixo reproduzidas: As matérias constantes do recurso são as seguintes: nulidade do auto de infração e do acórdão de primeira instância; realização de perícia; classificação fiscal das unidades condensadoras vendidas em conjunto com as unidades evaporadoras; classificação fiscal das unidades evaporadoras em desacordo com solução de consulta e consequente majoração da multa de ofício; classificação fiscal dos aparelhos “fan coil”; correção monetária do saldo credor reconhecido em ação judicial; reconstituição da escrita fiscal à vista do auto de infração constante do processo administrativo n. 11065.002749/200738; aplicação do art. 100 do CTN. Inicialmente, a Interessada alegou ser nulo o auto de infração, no que não tem razão, pois, conforme esclarecido pela Primeira Instância, a descrição dos fatos foi precisa, não havendo nulidade por cerceamento de defesa ou qualquer outra razão material ou formal. A seguir, a Interessada requereu a produção de prova pericial, “a fim de identificar com detalhe as reais funcionalidades dos bens que foram objeto da fiscalização”. A DRJ denegou a realização da perícia, o que levou a Interessada a alegar nulidade do acórdão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa. Entretanto, ao mesmo tempo em que requereu a perícia, apresentou explicações sobre tais funcionalidades, cópias de manuais de funcionamento e instalação e laudo técnico do IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas (fls. 1097 e seguintes), tratando da classificação fiscal das unidades evaporadoras (laudo ao qual a Fiscalização já havia se referido no termo de verificação fiscal). Nesse contexto, os quesitos formulados pela Interessada estão direcionados a provar fatos que utiliza em sua defesa e que desejou contrapor aos fatos afirmados pela Fiscalização. Entretanto, ainda que tais fatos sejam conhecidos nos presentes autos, a questãochave para resolver o presente processo não está na possibilidade de ocorrência de tais fatos, mas, sim, na interpretação da legislação e nas provas que constam dos autos. Ademais, vejase que, se o parecer juntado aos autos e os demais documentos já seriam suficientes para demonstrar os erros e contradições da Fiscalização, não haveria razão para realização de perícia. Por tais razões, o acórdão de primeira instância não é nulo, nem necessária a realização de perícia. É indiscutível que as provas trazidas aos autos trouxeram dúvidas sobre a procedência de mérito do auto de infração, mas somente em relação a algumas questões específicas. Nesse Fl. 691DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 691 33 contexto, com a realização da diligência aprovada, considerase que a prova adicional necessário à solução do litígio foi efetuada, muito embora a Interessada não tenha concordado com o resultado, como ficou esclarecido no relatório. Passase ao exame do mérito. Quanto às unidades condensadoras, primeiramente há que se esclarecer que a IN RFB no 1.072, de 30 de setembro de 2010, não inovou propriamente a classificação fiscal dos produtos em questão. O texto de Subposição 8415.90 introduzido pela IN foi o seguinte: “Esta subposição compreende, quando apresentadas separadamente, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem da subposição 8415.10. Essas unidades são concebidas para ser conectadas entre si por fios elétricos e tubos de cobre pelos quais o fluido frigorígeno circula entre as unidades internas e externas.” Vale dizer, diz o referido texto que a mencionada subposição, abaixo reproduzida, compreende as unidades “quando apresentadas separadamente”: “84.15 Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente. “8415.10 Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo "splitsystem" (sistema com elementos separados) “[...]” “8415.8 Outros: “8415.81 Com dispositivo de refrigeração e válvula de inversão do ciclo térmico (bombas de calor reversíveis) “[...]” “8415.81.90 Outros” “[...]” “8415.90.00 Partes” A alteração, portanto, referiuse à classificação dos aparelhos “quando apresentados separadamente”. A classificação das unidades condensadoras utilizada pela Interessada foi a de posição 8418.69.90, que se refere a outros “Refrigeradores, congeladores (‘freezers’) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento Fl. 692DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 692 34 elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15.” Portanto, é elementar que, seguindo as regras de classificação, máquinas de ar condicionado somente poderiam classificarse na posição 8415 e nunca na 8418. Entretanto, a Interessada argumentou que, anteriormente a essa conclusão, haveria expressa previsão de exclusão “das referidas posições os elementos que compõem os aparelhos de ar condicionado quando apresentados separadamente”, segundo o que segue: “Os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.).” Portanto, temse que a divergência não se refere à modificação efetuada pela IN, uma vez que a Fiscalização entendeu que os produtos, no caso, “não se apresentavam separadamente”, classificandoos como “ar condicionado” e não como “elementos dos grupos de ar condicionados”, à vista do que chamou de “venda casada”. De toda forma, a nota citada somente diz respeito aos elementos que se poderiam classificar nas posições indicadas, sendo que os demais elementos classificamse na respectiva posição. Na posição 8418, classificarseiam os refrigeradores e congeladores, o que não abrange as unidades condensadoras, pela simples aplicação da regra geral de classificação 2a: “a) qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar.” É sabido que os dois elementos do sistema não foram projetados para funcionar separadamente. Vale dizer, não têm função quando separados. Caso não houvesse a “venda casada”, poderseia discutir a aplicação da regra acima sob algum outro aspecto interpretativo, mas o que importa, portanto, é saber se se trata de “venda casada” ou não; em outras palavras, se a Interessada vendeu “aparelho de ar condicionado” ou “elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente”. Isso por que, segundo a regra acima citada, a venda dos elementos principais do ar condicionado deve ter o mesmo Fl. 693DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 693 35 tratamento do aparelho completo, para efeito de classificação fiscal. Nesse contexto, a argumentação da Interessada de que há permissão legal para o seu procedimento, contida na própria Tipi, é completamente contraditória com a de que não saberia qual fim seus clientes dariam aos elementos vendidos. A primeira argumentação pressupõe a possibilidade clara de venda de aparelho completo, adotandose a posição menos onerosa por suposta expressa previsão legal, enquanto que a segunda justifica o procedimento pelo fato de supostamente não saber se vende ou não aparelho de ar condicionado ou elementos de ar condicionado. A primeira alegação depende da interpretação do que sejam “elementos apresentados separadamente”; a segunda pressupõe a ignorância do fato. No primeiro caso, a interpretação da Interessada do que seja “apresentados separadamente” é inadmissível. “Apresentar”, aqui, é utilizado como sinônimo de “por à disposição; oferecer”. Quer dizer, se o produto é oferecido separadamente, então se aplica a regra; caso seja oferecido o aparelho de ar condicionado, aplicase a classificação própria. Assim, no entendimento da Interessada, ela poderia vender o aparelho de ar condicionado, ofertando separadamente os elementos, por expressa previsão legal. Entretanto, é óbvio que o fato de haver classificação fiscal para os elementos separados não implica que a discriminação nas notas fiscais de tais elementos implique que, de fato e direito, a oferta tenha sido efetuada separadamente. Caso contrário, terseia que concluir que a classificação fiscal dependeria, unicamente, de uma escolha do contribuinte. Vale dizer, o contribuinte, embora fabrique aparelhos de ar condicionado, poderia simplesmente escolher não os vender, por vender apenas seus elementos separadamente, ainda que na mesma nota fiscal. É esse o teor da argumentação apresentada. É elementar que não é esse o espírito da norma, que pretendeu, na realidade, esclarecer que a venda do aparelho de ar condicionado é diferente da venda dos seus elementos, separadamente. Por isso tem toda razão a Fiscalização ao indagar sobre, quando, então, a Interessada venderia aparelhos de ar condicionado do tipo “split system”. A conclusão lógica, portanto, é que se a Interessada vendeu os aparelhos completos, então ela vendeu aparelhos de ar condicionado e não os seus elementos. Nesse contexto, a referência da Interessada à forma de industrialização do tipo “montagem” também é improcedente, Fl. 694DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 694 36 ao sugerir que, para resultar um aparelho de ar condicionado “split”, teria que haver uma industrialização do tipo montagem, que, não ocorreria no caso. A regra geral 2a anteriormente citada afasta essa possibilidade de interpretação. Se assim fosse, qualquer produto que exigisse montagem no local de funcionamento seria um produto intermediário e não um produto acabado. Logicamente, a definição de montagem contida no Regulamento do IPI é mais restrita e específica do que a mencionada pela Interessada, uma vez que um conjunto formado por unidade evaporadora e condensadora forma um aparelho de ar condicionado, ainda que não instalado. Ademais, segundo o regulamento, a “reunião” de produtos, partes e peças, por si só, já representa montagem, o que significa que basta estarem os elementos reunidos e assim comercializados para se falar no produto aparelho de ar condicionado. Dessa forma, não resta dúvida alguma de que a venda do conjunto formado pelas unidades evaporadora e condensadora representa a venda de um aparelho de ar condicionado. Esclareçase ainda que a regra geral n. 2 não é de aplicação sucessiva à regra 1, pois diz respeito a “qualquer referência a um artigo em determinada posição” (2a) da Tipi e, assim, deve ser aplicada em conjunto com a regra n. 1. A outra questão a ser respondida é se seria possível que uma determinada venda específica de duas unidades distintas em uma mesma nota fiscal poderia representar a venda de dois produtos separadamente e não da unidade. Em termos gerais, não se pode afirmar que não é possível, pois determinado cliente poderia ter, por exemplo, dois aparelhos instalados, que sofreram danos concomitantes, um numa unidade e o outro na outra. Então, para reparar os aparelhos instalados, tal cliente poderia muito bem adquirir duas unidades distintas com o objetivo de substituir as unidades danificadas. Qualquer outra hipótese que se imagine é parecida com essa, no sentido de que os dois elementos juntos formam um aparelho de ar condicionado, mas, isoladamente, não tem função para o consumidor final que não tenha o outro elemento. O fato de os produtos serem compatíveis com os de outros fabricantes não muda em nada tal situação. Portanto, é claro que essa não seria uma situação comum e que a “venda casada” dificilmente corresponderia a uma hipótese dessas. Poderseia, então, alegar que a autuação teria ocorrido por presunção, questão que, da forma aqui colocada, não foi Fl. 695DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 695 37 alegada pela Interessada, mesmo por que defendeu o direito de “optar” por uma tributação menos onerosa. Entretanto, não se trata de presunção, pois todas as notas fiscais representam o que a Fiscalização chamou de “vendas casadas”. A Interessada, entretanto, para se esquivar à prova específica sobre cada operação, desde logo adiantou que não teria conhecimento da intenção dos clientes que compraram os produtos. Essa alegação não é razoável diante dos numerosos casos em que ocorreu tal situação (fls. 157 a 159) e do fato de as vendas terem sido efetuadas na maioria dos casos, o que se deduz das notas fiscais constantes dos autos, a revendedores de aparelhos de ar condicionado. Vejase que, se se tratasse de vendas a empresas de assistência técnica, ainda se poderiam admitir as hipóteses anteriormente mencionadas, mas, ainda assim, seria muita coincidência que, em todas as vendas, o número dos dois elementos sempre fosse o mesmo. A alegação da Interessada de que “podem ser utilizados em conjunto com outros aparelhos produzidos por outros fabricantes para a formação de um aparelho de arcondicionado ou, ainda, utilizados para a formação de outros equipamentos que não aparelhos de arcondicionado, como, por exemplo, máquinas industriais (nas quais atua na refrigeração) ou de refrigeração frigorífica”, é absurda para os casos em questão. Se se tratasse de uma venda isolada de um elemento, não haveria o que se questionar, mas não se consegue conceber a possibilidade razoável de uma empresa comprar os dois elementos, que juntos formam um aparelho de ar condicionado, para usálos, cada um, em uma função diferente. Por fim, destaquese que, em muitos casos, as vendas também incluíam “kit de controle térmico” ou de controle remoto, que vários conjuntos foram entregues em canteiros de obra (p. ex., fl. 96), para instalação em construções e que sempre, nos conjuntos, ainda que em notas com maior quantidade como a de fl. 85, as unidades são compatíveis entre si em termos de voltagem e capacidade térmica. Portanto, não restam dúvidas de que as vendas que ocorreram foram dos conjuntos e, assim, de aparelhos completos de ar condicionado. Ainda em relação às unidades evaporadoras, a Interessada apresentou, em memoriais, a alegação de que a classificação fiscal deve seguir a ordem das regras de classificação e, assim, não se poderia aplicar a regra “2” se a regra “1” permitisse classificar os produtos. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 696 38 Nesse contexto, ressalta que a 1ª regra determina a classificação seja efetuada “pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo”. Entretanto, a regra “2a” 1 não se apresenta como solução a uma impossibilidade de classificação pela regra “1”, mas, sim, como um esclarecimento de como deve ser interpretada a “referência a um artigo em determinada posição”. Dessa forma, a referida regra é de observância obrigatória para a interpretação da “referência a um artigo em determinada posição”. Quanto às unidades evaporadoras, primeiramente afirma ser correto o seu critério de classificação e que as soluções de consulta não vinculam o órgão julgador. De fato, em relação ao Carf as soluções de consulta não são vinculativas, embora o sejam em relação às DRJ. Portanto, cabe analisar, em princípio, qual a classificação fiscal das referidas unidades, mas, como a Interessada as classificou na posição 8419, a questão será analisada posteriormente, juntamente com a classificação dos “fan coil.” Ainda em relação às unidades evaporadoras, requereu a aplicação do princípio da verdade material, afirmando que, “apesar de algumas das notas fiscais analisadas pela fiscalização, com alíquotas inferiores a 20%, descrevessem a venda de Unidades Evaporadoras, NA VERDADE todas as notas fiscais em questão dizem respeito a operações de venda de aparelhos ‘Fan Coil’”. Anteriormente à diligência, conduzi meu voto de forma a dar provimento parcial ao recurso, nos termos abaixo expostos: “A Interessada Teria cometido equívocos ao preencher as notas fiscais, o que poderia ser comprovado pelo “código do produto” delas constantes. “A Primeira Instância recusou credibilidade ao argumento, para efeito da desconsideração da majoração da multa, pelo fato de, em dois processos anteriores, a Interessada havêlo apresentado. “Nos processos 11065.002749/200738 e 11065.001377/201028 também foi discutida a questão dos “fancoil”. “No primeiro processo, considerouse que a questão seria irrelevante, pois os aparelhos “fancoil” teriam a mesma 1 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 697 39 classificação dos “Split systems”. No segundo, a argumento da DRJ foi a mesma apresentada nos presentes autos. “Portanto, embora possa faltar credibilidade ao argumento, certamente é cabível a alegação de erro, uma vez que as unidades “fan coil” foram objeto de outro item da autuação, diversamente das unidades evaporadoras, o que significa que a Fiscalização aplicou a majoração da multa apenas às unidades evaporadoras. “A tabela de saídas das unidades evaporadoras constou das fls. 166 a 176. Das fls. 470 a 488 constaram as notas fiscais de saídas de unidades evaporadoras e de “fan coils” “O que se verifica é que os códigos relativos aos produtos “EV SPL BUILTIN” divergem dos códigos de produtos “FAN COIL”, ao menos em parte. “A Interessada apresentou o esquema de denominação dos códigos, em que, pelo dígito de número 9, poderseia concluir que se trata de “fan coil” (“A”). “Também apresentou, em anexos, manuais dos produtos e relação dos produtos com descrição incorreta (fls. 671 a 680). “Todas as unidades evaporadoras constantes das notas fiscais em questão têm o código “A”, mas não no 9º e sim no 11º dígito, do mesmo modo que os “fan coils”. Os “fan coils”, entretanto, tem, a seguir, os códigos “W” ou “WB”. “Já as unidades evaporadoras seriam identificadas pelo dígito 4 (“C” ou “Q”). “Mas as unidades evaporadoras constantes das notas fiscais de “venda casada” trazem os dígitos “B”, “T” ou “Q” e algumas constantes das notas de fls. 470 a 488 trazem também o código “Q”. Alguns parelhos “fan coil” têm, ademais, códigos bastante diversos dos demais aparelhos. “Apesar disso, a classificação das unidades evaporadoras das fls. 166 a 176 não coincide com as de fls. 470 a 488, que iniciam com os códigos “42L” e obedecem à regra constante da cópia de manual apresentado pela Interessada. “Em relação a tais unidades (de código inicial “42L”), portanto, a Interessada demonstrou haver dúvida sobre se tratar de fato de unidades evaporadoras.” Na sequência, concluíase que, pela dúvida, a multa majorada não deveria ser aplicada a tais unidades. Entretanto, resolveu a Turma Julgadora baixar os autos em diligência, em relação a essa matéria e às que se seguiram. Como resultado da diligência, a Fiscalização pressupôs que a dúvida referirseia tanto em relação às “vendas casadas” Fl. 698DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 698 40 quanto às vendas de unidades evaporadoras, enquanto que, de fato, somente se refere a essas últimas. Quanto à conclusão acima mencionada, a Fiscalização afirmou que “Nos livros Registro de Inventário, apresentados pela contribuinte interessada (cópias parciais às lis. 1.664 a 1.694), temos inúmeros exemplos, ao longo de todo o ano em estudo (2004), tanto de aparelhos Fan Coil cujo código começa com 42L, quanto de Unidades Evaporadoras cujo código começa com 42L.” Segundo a Interessada, em relação ao segundo item da diligência (que perquiria sobre a existência de outros meios que poderiam provar a alegação), a resposta seria “tendenciosa e negligente”, porque, segundo alegou, somente teria reconhecido que o erro na descrição teria ocorrido também nos livros em relação aos produtos acabados. Entretanto, os componentes utilizados na fabricação dos aparelhos possibilitaria comprovar suas alegações. Acrescentou que tais informações foram apresentadas à Fiscalização e que, ainda, teria sido demonstrada a retificação das informações em seus sistemas de controle de estoque. De fato, a prova a ser efetuada por meio da diligência revelouse muito mais trabalhosa do que se poderia supor. Imaginase que o controle de estoque revelaria, de imediato, o alegado equívoco. Entretanto, a própria Interessada reconheceu que o mesmo erro repetirseia nos controles ou, de outra forma, os erros contidos nas notas derivariam dos controles de estoque. Num primeiro momento, afirmou que a identificação dos produtos pelo seu código seria a melhor forma de verificar o erro. Entretanto, embora o Relator tenha se convencido da possibilidade de dúvida, conforme trecho reproduzido anteriormente do voto apresentado por ocasião do primeiro julgamento, decidiuse efetuar a diligência para que não restassem dúvidas a respeito da questão. Esperavase, ademais, resolver a dúvida em relação aos demais modelos de produtos (que não continham a indicação “42L” no código). Mas a prova por meio do código revelase muito frágil no âmbito de uma diligência, pois a alegação já era conhecida e tida como insuficiente. A Interessada, no decorrer da diligência, pretendeu apresentar outras provas, pela análise dos componentes das unidades evaporadoras e dos “fan coils” e uma espécie de auditoria de estoque, como já esclarecido. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 699 41 Essa prova não foi aceita pela Fiscalização, tendo a Interessada alegado que a Fiscalização teria sido negligente em relação a suas alegações. Entretanto, não se pode atribuir tal acusação à Fiscalização por que não foi essa a prova requerida na resolução. Ademais, não se sabia de antemão que a prova requerida na resolução poderia ser inútil. Dentro do que foi requerido, a Fiscalização verificou o controle do estoque e concluiu que as notas fiscais estariam de acordo com ele. As outras verificações efetuadas foram relativas à análise dos códigos e os preços. Quanto aos códigos, a Fiscalização considerou que haveria vários casos de unidades evaporadoras com código “42L”. Entretanto, a conclusão a que se chegou anteriormente não era a de que todos os produtos com início de código “42L” seriam “fan coils”, mas, sim, de que, nesses casos, haveria dúvida sobre serem ou não unidades evaporadoras. Não houve, além disso, possibilidade de verificar uma diferença sistemática de preços entre os produtos. Dessa forma, além da considerada diferença de códigos, não haveria outra forma de comprovar as alegações da Interessada a não ser a auditoria de estoques (insumos). Ao menos é o que se deduz das alegações da própria Interessada nos autos. Na informação de fls. 927 a 931, a Interessada relacionou, como exemplo, uma nota fiscal com seu pedido, o pedido com a ordem de produção e a ordem de produção com os insumos, concluindo que o uso de dois coletores e a ausência de distribuidor comprovariam qual foi o produto produzido (“fan coil”). A seguir, apresentou relação de documentos. A verificação das alegações da Interessada, em relação às demais unidades, somente poderia ser efetuada por meio de outra diligência. Portanto, o problema de erro no controle de estoque é grave e de culpa exclusiva da Interessada, de forma que não se poderia afastar, hipoteticamente, a incidência do IPI sobre as referidas unidades por erro em sua identificação pela Fiscalização. De toda forma, nunca se poderia obter a certeza de que houve o referido erro, uma vez que restou confirmado que as notas fiscais foram escrituradas de acordo com a descrição contida no controle de estoque. De fato, os produtos em questão (evaporadoras e “fan coils”) não são compostos somente pelos elementos mencionados pela Interessada, mas por vários outros. Seria preciso, assim, não só verificar o emprego desses dois componentes, mas também de outros, para se confirmar a consistência do controle de estoque. Nesse contexto, considero que a diligência foi realizada corretamente, mas não foi muito além do que se tinha nos autos, Fl. 700DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 700 42 especialmente por que a Interessada apresentou como exemplos de suas alegações os mesmos tipos de códigos analisados pelo voto vencido na resolução. Ademais, mantémse a conclusão de que, ainda que se tratasse de unidades “fan coil”, para efeito da exigência do imposto, a questão não se modificaria, uma vez que o mesmo problema de classificação que se apresenta em relação às unidades evaporadoras também se aplica às unidades “fan coil”. Portanto, a conclusão a que se chega é a de que não restou definida tal questão com a diligência, mas, no caso da majoração da multa, o disposto no art. 112 do CTN deve ser aplicado à vista de uma mínima dúvida existente sobre a questão. Resta, ainda, analisar, quanto à classificação fiscal, a alegação da Recorrente de ter havido impropriedade de se classificar um "Fan Coil" como um condicionador de ar. Esclareçase que, embora não sejam especialmente relevantes ao caso, não se podem aceitar como provas em favor do Fisco as declarações acostadas aos autos pela Fiscalização após a diligência, uma vez que se trataria de prova emprestada, que somente seriam admissíveis se tivessem sido apresentadas anteriormente à impugnação de lançamento, à vista do princípio do contraditório. Ainda se deve destacar que a questão da majoração da multa é distinta da presente, uma vez que, lá, discutiuse uma situação agravante, que dependia de se tratar de fato e sem sombra de dúvidas dos mesmos aparelhos objetos da solução de consulta. Ademais, não se aplica aqui a questão da regra geral de classificação “2a”, pois a classificação é feita pelas notas de posição e subposição. A Fiscalização destacou o seguinte em seu relatório (fls. 510 e 511): “3.1.2.14 Fazem parte da linha de produção da fiscalizada também os aparelhos denominados "FanCoil", que são aparelhos condicionadores de ar, ou unidades (partes) de um sistema condicionador de ar, sendo algumas concebidas para funcionar como um corpo único (evaporadora e condensadora) e outras concebidas para funcionar com condensação a ar remoto; algumas montadas em um gabinete com acabamento para ficar exposto no ambiente a ser refrigerado, e outras com gabinete sem acabamento tão esmerado, próprias para ficarem em ambientes reservados, mas todas apresentando ventilador motorizado, tendo a função de modificar a temperatura (arrefecimento/aquecimento) e, por condensação, a umidade do ar, conforme podese ver, resumidamente, nos catálogos colocados pela fiscalizada na internet, referentes aos citados aparelhos, catálogos estes anexos à fls. 177 a 180. Estes Fl. 701DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 701 43 aparelhos foram classificados erroneamente pela fiscalizada, no código 8419.50.90, o qual prevê alíquota aplicável de 5%. “3.1.2.15 Analisando a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002, constatamos que a posição 8415 compreende as máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente. [...]” No acórdão no 1015.260, da 3ª Turma da DRJ / POA, constante do processo no 11065.002749/200738, a DRJ assim decidiu: “5. Já no que se refere a classificação fiscal do aparelho denominado “FanCoil” descrito, resumidamente, nos itens 2.2. e 2.3 do relatório deste acórdão, as alegações principais do impugnante são de que nesse aparelho circula água por uma serpentina, que não evapora, diferentemente das “unidades evaporadoras” split, nas quais circula um líquido refrigerante, o qual, segundo diz, evapora dentro da serpentina. Além disso, alega que o referido aparelho apresenta a função específica de remover calor do sistema de refrigeração, transferindo esse calor ao meio ambiente, não tendo sido concebidos para modificar, simultaneamente, a temperatura e a umidade do ar, o que impossibilitaria a classificação na posição 8415 atribuída aos aparelhos de arcondicionado. “5.1. O entendimento exposto pelo interessado não pode prosperar, uma vez que o contribuinte insiste na premissa de que um aparelho de arcondicionado só pode ser assim considerado se for concebido para modificar (ou regular), simultaneamente, a temperatura e a umidade do ar, argumento que não se sustenta quando da análise do texto das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH referente à posição 8415, abaixo transcrito, que não exige tal condição: ‘“Esta posição abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação. Entre eles, podemse citar os aparelhos acima mencionados formando corpo único e os do tipo splitsystem compreendendo um condensador instalado no exterior do edifício e um evaporador individual para cada área a ser climatizada (por exemplo, cada cômodo de uma casa). São igualmente compreendidos aqui os aparelhos para equipar câmaras frias constituídos por um evaporador de resfriamento e um ventilador motorizado acondicionados em um mesmo invólucro e as unidades de aquecimento e/ou de refrigeração de um espaço fechado (caminhão, reboque ou contêiner (contentor*)), constituídos por um compressor, um condensador e um motor, montados em um receptáculo situado no exterior do compartimento de mercadorias, bem como um ventilador e um evaporador montados num receptáculo situado no interior deste compartimento. (grifei)’ Fl. 702DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 702 44 “5.2. Ademais, é de conhecimento geral que o ar, quando sofre a ação de aparelhos condicionadores de ar, tem a temperatura alterada e, por consequência, a sua umidade também é alterada, por condensação, razão pela qual é necessário coletar e direcionar a água proveniente dessa condensação, exatamente como ocorre com o aparelho “FanCoil” fabricado pelo interessado, conforme catálogo técnico do produto, de fls. 346 e 389, que indica possuir uma “Bandeja de Dreno”, com as seguintes características: “A bandeja possui uma prolongação para recolhimento de água condensada proveniente das válvulas de controle (2 ou 3 vias). Isso é exatamente o que ocorre no aparelho em questão, até mesmo porque a redução na umidade também contribui para o conforto proporcionado pelo uso desses equipamentos. Desta forma, fica evidente que em seu projeto, a alteração da umidade do ar por condensação também foi considerada, por ser uma consequência natural do processo de condicionamento do ar. A título de ilustração, podemos dizer que o fenômeno da condensação que ocorre no aparelho em análise é o mesmo que acontece com um copo gelado exposto ao meio ambiente, onde a umidade do ambiente é absorvida e condensa nas paredes externas do copo, por elas escorrendo. Por outro lado, caso os aparelhos em análise tivessem sido concebidos para não modificar simultaneamente a temperatura e a umidade, teriam que ter, p. ex., dispositivos para repor a umidade do ar, em quantia equivalente à da água condensada, o que não é o caso dos aparelhos analisados. “5.3. Já a outra alegação do contribuinte, quando menciona que para ser considerada uma “unidade evaporadora” há a necessidade de evaporação do líquido refrigerante, no caso a água, também não se aplica ao presente caso. A diferença entre os aparelhos em questão é que o aparelho “FanCoil” funciona utilizando água, que passa por uma serpentina (fl.389), (e não um gás, como nas “unidades evaporadoras”), onde o ar é resfriado ou aquecido (quando funcionando em ciclo reverso), em nada interferindo na função principal do aparelho, e que realmente interessa para efeitos de classificação fiscal, que é a alteração da temperatura do ar, sofrendo, simultânea e consequentemente, como já se viu, a alteração em sua umidade. “5.4. Desta forma, o aparelho denominado “FanCoil” se enquadra perfeitamente nas exigências das NESH Seção XVI da posição 8415, contendo ventilador motorizado e dispositivos que modificam a temperatura e umidade do ar, nos termos do definido na posição 8415 da TIPI/2001, acima transcrita, e mesma fundamentação utilizada na já mencionada Decisão de Consulta SRRF/10ªRF/DIANA nº 012, de 1998, conforme transcrição abaixo: ‘"... Do ponto de vista estrutural, as máquinas e aparelhos de ar condicionado da presente posição devem conter, por conseguinte, no mínimo, além do ventilador a motor que assegura a circulação de ar, os seguintes elementos: Fl. 703DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 703 45 ‘“ Quer um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar; ‘“ Quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); ‘“ Quer um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar. ..."’ . (grifo nosso) “5.5. Em razão de tudo o que foi exposto acima resta claro que, tanto as denominadas “unidades evaporadoras” dos aparelhos split, bem assim os aparelhos denominados “FanCoil”, contêm um ventilador motorizado e são destinados a funcionar em conjunto com outras unidades (unidades condensadoras ou torre de resfriamento, conforme já visto), devendo ser classificados de acordo com função principal que caracteriza o conjunto, que é a de modificar, ao mesmo tempo, a temperatura e a umidade do ar, funções típicas dos aparelhos de arcondicionado, nos exatos termos da definição expressa na posição 8415 da TIPI/2001, com alíquota de 20%. Dessa forma, para efeitos de valor do IPI, é irrelevante verificar se a descrição dos produtos nas notas fiscais foram feitas de forma equivocada, como alegado pelo impugnante, mostrandose, também por esse motivo, desnecessária a realização de perícia técnica, como solicitado.” Contra tais argumentos, a Interessada alegou que haveria, à época dos fatos, previsão na Tipi para afastar a classificação como ar condicionado dos elementos que o compõem, quando apresentados separadamente. Afirmou que os aparelhos “fan coil” requereriam, para funcionar como aparelho de ar condicionado, além dos elementos de expansão, também do módulo compressor. No caso dos “fancoil”, dito conforme anteriormente, a Fiscalização esclareceu que se trataria de aparelhos integrados ou em módulos. Portanto, de acordo com a própria Fiscalização, há situações em que os aparelhos são completos ou em que se aplica uma das regras reproduzidas na transcrição acima efetuada do acórdão de primeira instância (acima transcrito). A alegação de que não haveria condensação é incorreta, uma vez que, no contato da água gelada com o ar, ocorre necessariamente condensação do ar, razão pela qual há dutos condutores da água condensada, sendo irrelevante ao caso que não haja dispositivo para controle específico da umidade. Quanto às notas da Tipi, originalmente a redação da Nota de Posição 84.15 dizia o seguinte: “Os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem Fl. 704DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 704 46 reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.)” A redação dada Pela IN RFB no 1.072, de 2010, foi a seguinte: “De acordo com as disposições da Nota 2 b) da Seção XVI, as unidades internas e externas de aparelhos de arcondicionado splitsystem (sistema com elementos separados) desta posição, quando apresentados separadamente classificamse sempre nesta mesma posição. “As outras partes das máquinas e aparelhos de arcondicionado, quer sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.), ou, no caso de a Nota 2 a) não ser aplicável, de acordo com as disposições da Nota 2 b) ou da Nota 2 c) da Seção XVI, conforme sejam ou não reconhecíveis como destinadas exclusiva ou principalmente às máquinas de arcondicionado das quais elas são partes.” Dessa forma, para os “splits”, a nova redação dizia que os elementos classificarseiam na posição 84.15, mas, para as demais partes de aparelhos de ar condicionado, a classificação foi mantida em relação às disposições das Notas 2 a), b) ou c) da Seção XVI: “2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: “a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; “b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas em uma mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; “c) as outras partes classificamse nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.87 ou 85.48.” Fl. 705DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 705 47 Segundo tais regras, se as partes constituíremse, por si, em artefatos das posições próprias, elas classificamse nestas posições próprias (a). Caso contrário, mas sejam exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina de determinada posição, então se classificam na posição da máquina. De acordo com a Interessada, os referidos aparelhos não poderiam ser classificados na posição 8415, por não representarem aparelhos de ar condicionados, mas tão somente trocadores de calor. Portanto, a questão é saber se um “fan coil”, por si só, é um trocador de calor ou se é exclusiva ou principalmente destinado a ser utilizado com aparelhos de ar condicionado (considerando que não se classificam nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 ou 85.4). Obviamente, por tudo o que consta dos autos, como a descrição dos manuais da máquina, a situação é, de fato, semelhante à das unidades evaporadoras, aplicamse ao caso o raciocínio contido no final do voto proferido no acórdão de primeira instância anteriormente citado. Por fim, devese considerar o que foi decidido no processo administrativo n. 11065.004409/200407. No mencionado processo, decidiuse a respeito da classificação fiscal das unidades evaporadoras, tendo sido o Acórdão n. 310101.118 favorável à Interessada nesse ponto. A Interessada havia adotado a posição 8418.99, enquanto que o Fisco adotou as posições 8415.10.10, 8415.82.10 ou 8415.82.90. Concluiu o acórdão o seguinte quanto à referida classificação, no mesmo sentido do que se expôs anteriormente: “Por outro lado, apenas perante as disposições das Notas 4 e 2.a da Seção XVI da NCM, a posição NCM 84.15, apontada pela Fazenda Nacional, também não se mostra adequada, porquanto, isoladamente, as unidades evaporadoras dos condicionadores de ar "splitsystem" e as máquinas "self não se identificam com o texto da posição: "MÁQUINAS E APARELHOS DE AR CONDICIONADO CONTENDO UM VENTILADOR MOTORIZADO E DISPOSITIVOS PRÓPRIOS PARA MODIFICAR A TEMPERATURA E A UMIDADE, INCLUÍDOS AS MÁQUINAS E APARELHOS EM QUE A UMIDADE NÃO SEJA REGULÁVEL SEPARADAMENTE". O Relatório Técnico ANT 68, de 30 de novembro de 2010 [ 56 ] contém os subsídios técnicos para fundamentar esta conclusão, por exemplo: “[...] “Avançando na classificação almejada, recorro à Nota 2.b da Seção XVI da NCM, assim redigida: Fl. 706DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 706 48 ‘“2. Ressalvadas as disposições da Nota l da presente Seção [ 57 ] e da Nota l dos Capítulos 84 e 85 [ S8 ], as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: ‘“a) as partes que constituam [ 5<í ] artefatos [ t,ü ] compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31. 84.48. 84.66. 84.73. 84.85. 85.03. 85.22. 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; ‘“b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17;”’ “Ora, é fato que tanto as unidades evaporadoras dos condicionadores de ar "splitsystem" quanto as máquinas "self são artefatos exclusiva ou principalmente destinados para compor máquinas e aparelhos de arcondicionado alcançados pelo texto da posição NCM 84.15MÁQUINAS E APARELHOS DE ARCONDICIONADO CONTENDO UM VENTILADOR MOTORIZADO E DISPOSITIVOS PRÓPRIOS PARA MODIFICAR A TEMPERATURA E A UMIDADE, INCLUÍDOS AS MÁQUINAS E APARELHOS EM QUE A UMIDADE NÃO SEJA REGULÁVEL SEPARADAMENTE". “Por conseguinte, a Nota 2.b da Seção XVI da NCM determina o enquadramento das unidades evaporadoras dos condicionadores de ar "splitsystem" e das máquinas "self na posição NCM 84.15, com quatro subposições de primeiro nível, na vigência da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) aprovada pelo Decreto 3.777, de 23 de março de 2001 [ 61 ]. “[...] “Das quatro subposições de primeiro nível, três são sumariamente descartadas, pois os artefatos ora sob exame devem acompanhar a classificação das máquinas com as quais se identificam como exclusiva ou principalmente destinados (Nota 2.b da Seção XVI da NCM) e essas máquinas não têm corpo único (8415.1), não são utilizadas em veículos automóveis (8415.2), nem são partes de outras máquinas (8415.9). Resta a subposição residual de primeiro nível 8415.8, desdobrada em três subposições de segundo nível. “[...] Fl. 707DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 707 49 “Das três subposições de segundo nível, considero uma delas inadequada para as máquinas de arcondicionado com as quais se identificam como exclusiva ou principalmente destinadas as unidades evaporadoras dos "splitsystem" e as máquinas "self: 8415.83 Sem dispositivo de refrigeração. “A classificação que se busca está restrita a duas subposições de segundo nível: 8415.81 e 8415.82, cada uma delas desdobrada em dois itens: o primeiro deles, para máquinas "com capacidade inferior ou igual a 30.000 frigorias/hora"; o residual, para os demais casos. “[...] “Amparado na denúncia fiscal [ ] e no Relatório Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia [ 6j ], concluo que a ora recorrente, dentre outras atividades, produz e/ou comercializa artefatos que .compõem máquinas e aparelhos de ar condicionado. Também é certo que pelo menos parte dessas maquinas é equipada com válvula de inversão do ciclo térmico (bombas de calor reversíveis), mas essa é uma informação demasiadamente vaga: não há, no lançamento do crédito tributário, separação dos produtos equipados com e sem válvula de inversão do ciclo térmico. “Também não consta da denúncia fiscal, por exemplo, se a capacidade dessas máquinas é inferior, igual ou superior a 30.000 frigorias/hora, dado fundamental para a correta classificação desse tipo de mercadorias. “Em princípio, na vigência da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) aprovada pelo Decreto 3.777, de 23 de março de 2001 [ 64 ]. dos códigos NCM adotados pela Fazenda Nacional no lançamento do crédito tributário tomo quatro deles como corretos: 8415.81.10, 8415.81.90, 8415.82.10 e 8415.82.90, porque somente dependem da existência ou não de válvula de inversão do ciclo térmico e da capacidade de refrigeração de cada uma das máquinas cujo conjunto é composto ora pelas unidades evaporadoras ("splitsystem"), ora pelas máquinas "self, temas não litigiosos. “Entretanto, perante o ordenamento jurídico então vigente, um dos códigos NCM utilizados pela Fazenda Nacional para a classificação de unidades evaporadoras dos "splitsystem" está incorreto: 8415.10.10 [ 65 ], porque específico para máquinas em "corpo único" e, por força da Nota 2.b da Seção XVI da NCM, as unidades evaporadoras dos condicionadores de ar "splitsystem" devem ser esquadradas na classificação correspondente às máquinas com as quais se identificam como exclusiva ou principalmente destinadas, com as quais formam um conjunto com três unidades interligadas (unidade evaporadora, elementos de expansão e unidade condensadora), vale dizer, sistema com elementos separados. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 708 50 “Esse código incorreto, por sua vez, contamina toda a parcela do lançamento associado à discutida classificação de mercadorias, pois não há, nos autos deste processo administrativo, detalhamento suficiente para permitir a exclusão da exigência de parcela correspondente ao código NCM 8415.10.10. Nos demonstrativos de débitos apurados do IPI, parte integrante do auto de infração, por exemplo, sequer são indicados os códigos NCM das mercadorias [ 66 ], apenas genericamente mencionados no relatório de verificação fiscal [ 67 ]: o cálculo do crédito tributário lançado foi levado a efeito de forma globalizada, sem individualização dos códigos NCM que a Fazenda Nacional apontou como corretos. “Ademais, a denúncia fiscal e o julgamento de primeira instância, fazem remissão à Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) aprovada pelo Decreto 2.092, de 1996, à época dos fatos já revogada pelo Decreto 3.777, de 23 de março de 2001, que aprovou a TIPI vigente entre I o de abril de 2001 e 31 de dezembro de 2001 [ 68 ].” Entretanto, tal questão não diz respeito ao caso dos autos, que trata de períodos posteriores sob vigência de outra Tipi, além de ter sido objeto de embargos declaratórios contestando a conclusão. Mas a fundamentação demonstra que a classificação correta foi a adotada pelo Fisco. Em relação à correção monetária do saldo credor de IPI, a argumentação da Interessada é de que, “uma vez julgado improcedente o lançamento efetuado no presente auto de infração, restará regularizado o conta corrente da Impugnante”, o que não ocorreu. A Fiscalização concluiu o seguinte: “Todavia, após a devida reconstituição da escrita fiscal em função desta fiscalização, verificase que, devido aos lançamentos de ofício efetuados, tanto a título de classificação fiscal erroneamente aplicada quanto a título de glosa de créditos básicos, os saldos credores de IPI da fiscalizada, nos períodos de apuração analisados sofreram alterações.” Nesse contexto, o procedimento adotado foi correto, pois, com a redução do saldo credor, a correção monetária sofrerá redução também. A Interessada acrescentou que a diferença de imposto deveria ser recolhida apenas com juros de mora, “não havendo que se falar na incidência de qualquer penalidade, eis que não houve descumprimento da legislação tributária”. Ao contrário do alegado, houve, sim, descumprimento da legislação, caso contrário não seria preciso haver auto de infração, como é elementar. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 709 51 Não há, igualmente, irregularidade na reconstituição da escrita fiscal, que é procedimento decorrente da própria autuação. Entretanto, a apresentação de impugnação de lançamento no outro processo suspende não só a exigibilidade do crédito tributário lá lançado, mas, também, os demais efeitos da atuação sobre o saldo de créditos. Ressaltese o que foi decidido no processo mencionado sobre a mesma matéria: “Dito isso, lembro que foi regularmente impugnado o estorno do créditoprêmio no valor de R$ 22.693.369,05, determinado nos autos do processo administrativo 11080.013226/200133. Como consequência desse fato, a definitiva implementação do estorno do créditoprêmio depende do resultado final do julgamento daquele litígio. “Por conseguinte, a execução administrativa de eventual crédito tributário exigível diante do julgamento do recurso voluntário ora submetido a este colegiado resta subordinada ao julgamento irrecorrível na via administrativa do estorno, no livro registro de apuração do IPI, do saldo credor no valor de R$ 22.693.369,05, relativo ao terceiro decêndio de abril de 2001, e respectivos ajustes dos períodos de apuração subsequentes.” Como o referido processo ainda não foi julgado definitivamente, não se podem aplicar ao presente caso, incondicionalmente, os efeitos da reconstituição da escrita fiscal. Portanto, devese subordinar a execução administrativa deste acórdão, nessa parte, à conclusão do julgamento administrativo do estorno naquele processo. Quanto à exclusão das multas, juros de mora e atualização monetária, caso mantido o lançamento, por força do disposto no artigo 110 do CTN, não é o caso dos autos, pois a classificação adotada pela Interessada não de deveu a qualquer das hipóteses previstas no referido artigo. Para efeito do presente recurso, ainda cabem as seguintes considerações. Primeiramente, em relação à classificação fiscal dos aparelhos “multisplits”, “air handler” e “self containded”, aplicamse cumulativamente os fundamentos acima expostos em relação à venda conjunta e à classificação de equipamentos de ar condicionado. No tocante às vendas de alíquota zero, cabe razão à Interessada, uma vez que a Fiscalização não fundamentou devidamente a desconsideração das operações. Nesse contexto, caberia à Fiscalização ter apontado cada caso especificamente no termo de verificação e não apenas afirmar que houve comprovação parcial. Da mesma forma, em relação à transferência de créditos, a Interessada apresentou cópia de nota fiscal que demonstrou suas alegações em relação ao erro de cálculo, mas a DRJ afastou a prova, alegando que a modalidade de operação não permitiria o crédito. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.000667/201054 Acórdão n.º 3302002.116 S3C3T2 Fl. 710 52 Tratouse, portanto, de inovação da fundamentação do auto de infração, devendose ser excluída a matéria da autuação. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar a autuação em relação às operações de alíquota zero e às transferências de créditos, para excluir a majoração da multa em relação às saídas dos produtos especificados no voto e por subordinar a execução administrativa deste acórdão, na parte relativa à falta de reconstituição da escrita fiscal ordenada no processo n. 11065.002749/200738, à conclusão do julgamento administrativo do estorno naquele processo. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 711DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 31/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.018760/99-93
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 01/09/1999 (dentro do prazo de 10 anos), mister se faz afastar a decadência do seu direito de pleitear restituição dos valores de FINSOCIAL relativos aos fatos geradores compreendidos entre setembro de 1989 e março de 1992.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1989, 1990, 1991 FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 01/09/1999 (dentro do prazo de 10 anos), mister se faz afastar a decadência do seu direito de pleitear restituição dos valores de FINSOCIAL relativos aos fatos geradores compreendidos entre setembro de 1989 e março de 1992. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 01/09/1999 (dentro do prazo de 10 anos), mister se faz afastar a decadência do seu direito de pleitear restituição dos valores de FINSOCIAL relativos aos fatos geradores compreendidos entre setembro de 1989 e março de 1992. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 87 60 /9 9- 93 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 5º, inciso I do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais em face ao acórdão de número 30236.344, proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência do direito do contribuinte pleitear, em 01/09/1999, a restituição/compensação dos valores de FINSOCIAL recolhidos a maior no período de setembro de 1989 a março de 1992 com base em alíquotas posteriormente declaradas inconstitucionais, conforme ementa a seguir: “O prazo decadencial de cinco anos para pedir a restituição dos pagamentos de Finsocial iniciase a partir da edição da MP 1110, de 30/08/1995, devendo ser reformada a decisão monocrática para, considerando a não decadência do direito de fazer esse pleito, examinar a questão de mérito, além de se certificar se o contribuinte reveste a forma jurídica que o habilita a pleitear tal restituição. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à legislação tributária alegando, em síntese, que o inciso I do artigo 168 combinado com o caput do artigo 165, ambos do Código Tributário Nacional, se tratam dos únicos dispositivos legais a definir o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para que o contribuinte possa pleitear a restituição de valores indevidamente recolhidos a título de Finsocial, sendo o mesmo dado a partir da data de extinção do crédito tributário. Nesse sentido, reiterou também acerca da necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF n.º 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10580.018760/9993 Acórdão n.º 9303002.028 CSRFT3 Fl. 136 3 lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente da Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, em despacho de fls. 97/99, deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 103/111 requerendo fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional de forma que fosse definitivamente afastada a decadência do seu direito de pleitear a restituição dos valores em referência. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, o qual se encontra em conformidade com o inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição dos valores de FINSOCIAL recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis n.os 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo decadencial deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação da MP 1.110/95, a qual, em seu artigo 17 previu que estariam os contribuintes dispensados de recolher a contribuição para o FINSOCIAL com base nas alíquotas instituídas pelas Leis n.os 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, ou seja, a partir de 31/08/1995. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos deveria ter sido contado a partir do pagamento indevido realizado pelo contribuinte nos termos do que dispõe o inciso I do artigo 168 combinado com o caput do artigo 165, ambos do CTN. A relevância de aludida controvérsia é nítida tendo em vista que o contribuinte protocolou seu pedido de restituição no dia 01/09/1999 e que os valores de FINSOCIAL são relativos aos períodos compreendidos entre setembro de 1989 e março de 1992. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA 4 Considerando que segundo o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, mister se faz que essa Relatora aplique os entendimentos proferidos pelo STJ no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 146DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10580.018760/9993 Acórdão n.º 9303002.028 CSRFT3 Fl. 137 5 jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, por força do atual Regimento Interno do CARF, deve ser aplicada, nos presentes autos, a decisão objeto de recurso repetitivo no STJ que entendeu por aplicar, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL), a tese dos 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150,§4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN), cumulandose num prazo de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador. Sendo certo que o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 01/09/1999, e que os termos iniciais dos seus prazos de 10 (dez) anos se deram entre setembro de 1989 e março de 1992, entendo que o seu direito de pleitear restituição/compensação não foi atingido pela decadência. Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar integral provimento para afastar a decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição dos valores de FINSOCIAL objeto dos presentes autos. Nanci Gama Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 36202.003107/2007-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.055
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ACORDAM os membros do Colegiado, Por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza.Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 2 2 RELATÓRIO A instância a quo produziu o Relatório abaixo que compulsei com os autos e tendo corroborado seu conteúdo o transcrevi com grifos de minha autoria : “ Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n°.37.063.3857 que, tendo em vista a extinção da Secretaria da Receita Previdenciária SRP do Ministério da Previdência Social MPS e a conseqüente transferência dos processos administrativos fiscais para a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, conforme art. 40 da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, recebeu nova numeração, passando a consubstanciar o Processo n°. 36202.003107/ 200765, encaminhado para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro IIDRJ/ RJ2, com competência para julgamento dos processos do Espírito Santo estabelecida pela Portaria:RFB n° 10.238, de 15/ 05/ 2007. Do Lançamento 2. A NFLD foi lavrada no montante de R$ . 400.068, 44 (quatrocentos mil sessenta e oito reais e quarenta e quatro centavos), consolidado em 13/ 07/ 2007, dentro do período de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09407408F00, de 06/ 06/ 2007. 2.1. 0 período fiscalizado, constante do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF, de 13/ 07/ 2007, foi de 01/ 1997 a 12/ 2006, fls. 118 e 119. 3. Segundo informação do relatório fiscal da lavratura, fls. 123 a 126 e dos demonstrativos, Anexos I e II, das fls. 127 a 198, a Cia. Importadora e Exportadora COIMEX pagou a seus empregados no período supracitado a verba Seguro de Vida em Grupo, sem uma correspondente previsão de pagamento de prêmios de seguro de vida em Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho ACT, conforme a exigência contida no art. 214, § 9°, XXV do Decreto no 3.048/ 99, com redação do Decreto 3.265/ 99 . 4. Em relação aos pagamentos ocorridos no período de 01/ 1997 a 11/ 1999, antes da vigência do Decreto n° 3.265/ 99, estes também integraram o levantamento, em vista de a parcela Seguro de Vida em Grupo não constar anteriormente ao Decreto entre aquelas elencadas no § 90 do art. 28 da Lei n° 8.212/ 91; e § 9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/ 99, quais tratam dos casos de isenção de incidência das contribuições para a Seguridade Social. 5. Por não reconhecer a Empresa o caráter remuneratório dessa verba, deixou de recolher à Previdência Social as contribuições a cargo dos segurados empregados e a cargo da empresa, incluidas aquelas para a complementação das prestações por acidente do trabalho, conforme o período, para o financiamento dos beneficios concedidos em decorrência dos riscos ambientais do trabalho; e para outras Entidades e Fundos (FNDE/ INCRA/ SENAC/ SESC e SEBRAE) 6. As bases de cálculo foram apuradas a partir dos lançamentos contábeis (Ctas.n° 0302010509; 33010507 e 3312014) até 04/ 2003; quanto ao período 05/ 2003 a 12/ 2006, apuradas a partir das folhas de pagamento.Assim, os dados de todos os Fl. 432DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 3 3 levantamentos, tanto do período anterior à implantação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência SocialGFIP; quanto do período posterior à sua implantação, mas não declarados em GFIPs, foram eles identificados relativamente aos levantamentos "VX/ VYA/ VYB" a partir da escrituração contábil; e em relação ao levantamento "VY2" os dados foram identificados nas folhas de pagamento. 7. As contribuições a cargo dos segurados empregados exigidas nos levantamentos "VX/ VYA/ VYB" foram calculadas com a aplicação da alíquota mínima sobre o total das basesdecálculo, pois que os valores da verba remuneratória Seguro de Vida em Grupo não se encontravam discriminados por empregado na escrituração contábil. Em relação ao levantamento "VY2", cujos dados se encontravam expressos nas folhas de pagamento, deuse a apuração de forma individualizada as alíquotas foram aplicadas conforme a faixa e limite do salário de contribuição de cada segurado. Tudo demonstrado nos Anexos I e II do relatório fiscal. 8. A Notificada deixou de cumprir 'com as obrigações previdenciárias acessórias previstas no art. 32, I e II da Lei n° 8.212/ 91, ter sido por isso lavrados Autos de Infração. Pelos dados não constantes nas folhas de pagamentos e nas GFIPS, o que configura em tese o crime previsto no art. 337A, I do Código Penal, com redação dada pela Lei n° 9.983/ 2000, foi encaminhada ao Ministério Público Federal uma Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. Da Impugnação 9. A Cia. Importadora e Exportadora COIMEX, inconformada com o Lançamento, apresentou impugnação tempestiva de fls. 272 a 290, comprovando a legitimidade do representante legal nas fls. 291/ 292 e335 . A COIMEX alega em síntese o que a seguir se expõe. 9.1. Transcrevendo os artigos 195 e 201 da Constituição Federal e os artigos 22, inciso I; e 28, I e III da Lei n° 8.212/ 91; e o art. 65 da Instrução Normativa MPS/ SRP n° 03/ 2005, argumenta que só integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas destinadas a retribuir serviços prestados (retributividade), ou, para os casos em que não se prestarem à retribuição de trabalho, aquelas pagas com habitualidade. Qualquer pagamento realizado em condições diferentes dessas não se adequaria ao fato jurídico tributário que obriga a incidência dessas contribuições. 9.2. 0 prêmio do seguro de vida em grupo contratado pela Impugnante para todos os seus empregados, sem distinção de cargo ou função, por liberalidade da Empresa, não configuraria nem a retributividade, nem a habitualidade, quesitos essenciais da remuneração. 9.2.1. Para ser retributivo, o valor do beneficio precisaria ser proporcional ao trabalho desempenhado por eles, A sua produtividade; proporcional A sua remuneração, quando, então, não seria idêntico para todos os empregados. 0 valor da indenização .não guardaria qualquer relação com o valor dos salários ou dos serviços Fl. 433DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 4 4 prestados pelos empregados (Transcrição de entendimentos do Superior Tribunal de JustiçaSTJ, de 2004, e do Conselho de Recursos da Previdência SocialCRPS, de 1995, fls. 276 e 277.) 9.2.2. Também não seria habitual o pagamento do beneficio, porquanto esse seria adstrito a eventual ocorrência de um sinistro, invalidez permanente ou falecimento, eventos incertos e aleatórios, não podendo ser considerado salário. Dessa forma não há como a verba em questão integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 9.3. Por outro lado, o inciso XXV acrescentado ao § 9 0 do art. 214 do RPS/ 99 pelo Decreto 3.265/ 99, transcrito na peça impugnatória, fl. 278 do Processo, apenas exemplificaria uma das espécies de seguro de vida que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Isso porque o decreto não é ato normativo adequado para limitar direitos ou criar obrigações, donde não poderia o' aludido dispositivo ser taxativo. A Lei do Custeio Previdenciário, Lei n° 8.212/91, já havia estipulado que pagamentos de caráter não remuneratório não integrariam a base de cálculo das contribuições (Transcrição de textos jurisprudenciais nas fls. 278 a 280.). De tal modo, não se poderia afirmar que outros seguros de vida não previstos em Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho ACT constituiriam base de cálculo, porque a Lei 8.212/ 91 assim não dispôs. 9.4. 0 seguro de vida concedido antes do Decreto n° 3.265/ 99 não compunha essa base, pois a Lei n° 8.212/ 91 já não previa a incidência das contribuições previdenciárias sobre pagamentos efetuados a esse titulo, razão pela qu'L seria impertinente o lançamento do período compreendido entre 01/ 1997 e 11/ 1999. 9.5. 0 lançamento fiscal, período 01/ 1997 a 12/ 2006, teria sido constituído para valores parcialmente decaídos em razão de a Autoridade Fiscal valerse do prazo decenal fixado na Lei n° 8.212/ 91, olvidando o artigo 146 da constituição Federal e os artigos 150, § 40 e 173, I do Código Tributário Nacional CTN, este com status de lei complementar, a quem cabe estabelecer normas gerais de matéria tributária. Essa matéria não poderia ter sido abordada pela Lei n° 8.212/ 91, lei ordinária. Aplicável As contribuições previdenciárias viria a ser a regra do art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN, cujo prazo decadencial é de " cinco anos (Transcrição de dispositivos constitucional e tributário; e de textos jurisprudenciais nas fls. 281 a 285). 9.6. Por fim, a Auditoria Fiscal teria imputado de forma ilegal e, por conseqüência inconstitucional, a responsabilidade solidária aos sócios e ex sóciosda Impugnante para o pagamento do suposto crédito tributário. As únicas hipóteses em que essas pessoas poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento dessas obrigações estariam previstas nos artigos 134 e 135 do CTN e não se aplicariam ao caso presente (Transcrição dos dispositivos citados na fl.286 e entendimentos de Tribunais nas fls. 287 e 288). 9.6.1. Segundo a Impugnante não caberia a alegação de infração à lei para os fins descritos no inciso III do art. 135 do CTN pelo fato de ela discutir administrativamente a exigibilidade dos valores apontados como Fl. 434DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 5 5 devidos pela Auditoria. Nem tão pouco caberia dizer que a relação de coresponsáveis serviria para o eventual ajuizamento de execução fiscal para a cobrança judicial dos créditos devidos. Isto depois de a Impugnante fazer lembrar na fl. 289 o parágrafo único do art. 13 da Lei no 8.620/ 93, segundo o qual a responsabilidade dos sócios darseia quando provado pelo fisco o inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social (Cópia do Acórdão n° 671/ 2005 do CRPS). 9.7. Requer a Defendente seja dado provimento à Impugnação com o cancelamento da NFLD e extinção do crédito tributário; e a exclusão dos sócios, ex sócios e administradores do pólo passivo da Notificação.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 364, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil Do Rio de Janeiro – RJ – DRJ/RJ II, em 13 de novembro de 2007, emitiu o Acórdão n° 1317.941 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 382 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” e inovou inserindo matéria não expressamente contestada em sede de impugnação. Tratase das alegações sobre hipotética inobservância do limite máximo de contribuição dos segurados. É o Relatório. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 6 6 DO VOTO Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.410, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Às fls.123/126, registram as circunstâncias materiais que motivaram o lançamento em comento. Em apertada síntese, os itens 3 e 4 traduzemnas: “3. Preliminarmente, cabe o registro de que os valores pagos a titulo de prêmio de seguro de vida em grupo não integram a remuneração para fins previdenciários,desde que disponibilizados a todos os empregados e dirigentes e previstos em convenção ou acordo coletivo, nos termos do art. 214, §9° , XXV, do Decreto n° 3.048, de 1999, na redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999. 4. Entretanto, no caso em tela, como será demonstrado, não cumpriu o contribuinte as condições legais para que o beneficio concedido ao segurado não integrasse a remuneração: seja pela concessão do beneficio antes da existência de norma jurídica considerandoo como não integrante da remuneração; seja pela não observância da condição expressa na norma quanto previsão do beneficio em acordo ou convenção coletiva.” É relevante ressaltar que a Recorrente jamais refutou que tenha pago os prêmios ora caracterizados como salário de contribuição. Confundindo o objeto da autuação, impugnou matéria estranha aos autos, alegou que : “ não seria habitual o pagamento do beneficio, porquanto esse seria adstrito a eventual ocorrência de um sinistro, invalidez permanente ou falecimento, eventos incertos e aleatórios, não podendo ser considerado salário. Dessa forma não há como a verba em questão integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias.” Cumpre registrar que a questão de fundo não se refere aos pagamentos de benefícios aleatórios, mas sim os efetivos pagamentos dos prêmios de seguro em grupo que a Recorrente fazia à seguradora para que em caso de eventual sinistro seus empregados ou beneficiário indicados, pudessem gozar dos benefícios aludidos pelo contribuinte que, entretanto, não motivaram o lançamento em apreço. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 7 7 Na forma do item 4.2.0 do contrato colacionado às fls 349, com grifos de minha autoria, se infere que os prêmios dos seguro em grupo são os valores pagos mêsamês à seguradora posto que insertos nas faturas imediatamente emitidas após o início da vigência do risco individual: “4.2 0 prêmio correspondente ao novo segurado sendo recolhido a partir do mês da sua admissão e concomitantemente à sua inclusão no seguro e deverá ser computado na fatura a ser emitida imediatamente após o inicio da vigência do risco individual, juntamente com os demais movimentos.” Referindome, ainda , ao contrato supra, às fls. 343 consta que a estipulante é a Recorrente Cia Importadora e Exportadora COIMEX e a empresa seguradora é a Icatu Hartford S.A. e, também, que o pagamento do seguro será mensal através de Fatura contra Estipulante Fls 345. É cediço que a pessoa jurídica que efetivamente pagar o prêmio do Seguro de Vida em Grupo, se quiser não sofrer a tributação tem que observar o comando do § 9º inciso XXV do art. 214 do RPS, acrescentado pelo Decreto n°. 3.265, de 29 de novembro de 1999: Art. 214, § 9º , XXV do Decreto 3.048 : “ § 9º Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os art. 9 e 468 da Consolidação das Leis do trabalho. ( incluído pelo Decreto n° 3.365, de 1.999). ” O § 10 do aludido artigo, prevê que: “as parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Como se nota, o Caput do artigo 214 do Decreto 3.048 defini o que se entende por salário de contribuição. Entretanto, o § 9º no inciso XXV do referido artigo o Legislador impõe condições para que o efetivamente pago pela pessoa jurídica não seja definido como salário de contribuição e, por lógico, não sofra as incidências legais. Aduz que destacandose a parte final do inciso em tela ; “desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e Fl. 437DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 8 8 dirigentes ..”, se observam com grifos de minha autoria, 2 condicionantes para que os referidos pagamentos não sejam entendidos como salário de contribuição, a saber : acordo ou convenção coletiva e disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes. Assim, se conforme os itens 3 e 4 do Relatório Fiscal às fls 123 a 126, materialmente provado e não contestado pela recorrente, a notificação em comento foi lavrada em razão da Recorrente ter efetivamente pago aos seus empregados o prêmio do seguro de vida em grupo sem uma correspondente previsão em Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho, à luz da interpretação acima, tais pagamentos se configuram salário de contribuição, logo não há que se falar em não incidências tributárias. Em isto ocorrendo, na forma do que determina os incisos I , II, IV, e VI do artigo 149 do Código Tributário nacional – CTN, a Autoridade Fiscal não pode declinar de constituir o crédito mediante o lançamento: “3. Preliminarmente, cabe o registro de que os valores pagos a titulo de prêmio de seguro de vida em grupo não integram a remuneração para fins previdenciários, desde que disponibilizados a todos os empregados e dirigentes e previstos em convenção ou acordo coletivo, nos termos do art. 214, §9° , XXV, do Decreto n° 3.048, de 1999, na redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999. 4. Entretanto, no caso em tela, como será demonstrado, não cumpriu o contribuinte as condições legais para que o beneficio concedido ao segurado não integrasse a remuneração: seja pela concessão do beneficio antes da existência de norma jurídica considerandoo como não integrante da remuneração; seja pela não observância da condição expressa na norma quanto previsão do beneficio em acordo ou convenção coletiva.” Vozes dissonantes, inclusive dentro deste egrégio Conselho, têm entendimento que o seguro de vida em grupo pago pelo empregador para todos os empregados, de forma geral, não pode ser considerado como espécie de benefício ao empregado, o qual não terá nenhum proveito direto ou indireto, eis que estendido a todos uma espécie de garantia familiar, em caso de falecimento. Se de seguro individual se tratasse, não haveria dúvida quanto à incidência, o que, entretanto, não ocorre em relação ao seguro de vida em grupo" (Resp 1121853/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 14/10/2009). Neste sentido, os Ministros da segunda turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, acordaram em dar provimento ao recurso Resp 660202/CE nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, ocasião em que os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Na condução do voto, o Relator entendeu que é irrelevante para esse raciocínio que a exigência para tal pagamento esteja estabelecida em acordo ou convenção coletiva, desde que o seguro seja em grupo e não individual.A regulamentação da Lei n. 8.212/91 por meio do art. 214, § 9º, inc. XXV, do Decreto n. 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n. 3.265/99, Fl. 438DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 9 9 extrapolou os limites estabelecidos na norma e acabou por inovar ao estabelecer a necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva para fins de não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor do prêmio de seguro de vida em grupo pago pela pessoa jurídica aos seus empregados e dirigentes. Cumpre trazer à colação o teor do ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011 da lavra da PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL : “ PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2119 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.” JURISPRUDÊNCIA: REsp 759.266/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2009, DJe 13/11/2009; REsp 839.153/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/12/2008, DJe 18/02/2009; REsp 701.802 / RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA julgado em 06/02/2007, DJ 22/02/2007 p. 166; REsp 1121853 / RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 14/10/2009; AgRg no Resp 720.021/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 26/08/2009; AgRg no Ag 903.243/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06.11.2007, DJe 31.10.2008; REsp 794.754/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14.03.2006, DJ 27.03.2006; e REsp 441.096/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 03.08.2004, DJ 04.10.2004. Brasília, 20 de dezembro de 2011. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36202.003107/200765 Resolução n.º 2403000.055 S2C4T3 Fl. 10 10 ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional ” Premido pelo inciso II, “a” do parágrafo único do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho, sou obrigado a observar aquele comando, in verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional,lei ou ato normativo: II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da FazendaNacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;”( grifos de minha autoria) Assim, é compulsório saber se o pagamento do seguro se enquadra nos termos do Ato Declaratório supra. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, conheço do recurso para ao abrigo do art. 29 do Decreto 70/235/72, votar pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização verifique e demonstre se efetivamente os créditos a que se refere o lançamento se subsumem ou não ao teor do Ato Declaratório n° 12/ 2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 15/06/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10976.000498/2008-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO. IMPEDIMENTO PARA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL -MPF
Na forma do parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, na emissão do novo MPF , não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso para determinar a nulidade em razão do ato estar maculado por vício formal "AB INITIO.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso para determinar a nulidade em razão do ato estar maculado por vício formal "AB INITIO. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
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IMPEDIMENTO PARA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Na forma do parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371, de 12 dezembro de 2007, na emissão do novo MPF , não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso para determinar a nulidade em razão do ato estar maculado por vício formal "AB INITIO. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 04 98 /2 00 8- 01 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório A instância ad quod produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “Auto de InfraçãoAI em pauta, conforme Relatório Fiscal da Infração, 21/23, foi lavrado em virtude da empresa ter deixado de informar a fiscalização, apesar de regularmente intimada, os números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF do Ministério da Fazenda e Números de Inscrição de Trabalhador IT dos beneficiários de remunerações sob o titulo de honorários advocatícios para os segurados contribuintes individuais Eliseu Marques de Oliveira e Ciistiano Augusto Teixeira, aos quais foram efetuados pagamentos de remunerações em maio e outubro de 2004, infringindo ao disposto no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91, com a redação da Medida Provisória 449 de 4 de dezembro de 2008, combinado com o artigo 225, inciso III do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06 de maio de 1999. O Auditor Fiscal autuante informa que ficou configurada a circunstancia agravante correspondente a reincidência especifica, prevista no inciso V do parágrafo único do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, pois a empresa foi autuada em fiscalização anterior através do Auto de Infração n° 35.593.564 3, lavrado em 17/12/2003, por infração ao artigo 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, c/c o artigo 225, inciso IV, § 4° do RPS e efetivou o pagamento da multa correspondente em 06/12/2004 (extrato anexado as fls. 28). Como houve a constatação da existência de reincidências especificas e genéricas no procedimento fiscal prevalece para a gradação da multa, a reincidência especifica, que eleva o valor da multa originária em três vezes. Não ficou configurada a circunstancia atenuante prevista no artigo 291 do RPS. De acordo com Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 24/25, a multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 92 e 102, da Lei n° 8.212/1991, e artigos 283, inciso II, alínea "h" e 373 do RPS, atualizada pela Portaria MPS/MF n° 77, de 11/03/2008, publicada no DOU de 12/03/2008, cujo valor mínimo, de R$12.548,77 (doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), foi elevado em três vezes, nos termos do artigo 292, inciso IV do mencionado RPS, passando para R$ 37.646,31 (trinta e sete mil seiscentos e quarenta e seis reais e trinta e um centavos). O Auto de Infração foi lavrado em 19/01/2009 tendo a empresa autuada dele tomado ciência nesta mesma data, conforme assinatura do representante legal no campo próprio do Auto, as fls. 01. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10976.000498/200801 Acórdão n.º 2403001.559 S2C4T3 Fl. 3 3 A empresa autuada apresentou impugnação, de fls. 41/55, e, em síntese, argumenta o seguinte: Preliminarmente, alega existência de duas nulidades formais instransponíveis, a viciar a presente autuação falta de apresentação à impugnante de termo de prorrogação do MPF originário e a utilização de MPF's distintos para o mesmo Auditor Fiscal, razão pela qual fica prejudicada a análise do mérito e das demais nulidades formais. No mérito, alega que após o recebimento da intimação para apresentação das informações referentes aos advogados Eliseu Marques de Oliveira e Cristiano Augusto Teixeira, beneficiários de pagamentos de remunerações em maio e outubro de 2004, a impugnante prontamente informou o número de identidade profissional de tais advogados, mesmo assim foi lavrado o Auto de Infração ora rechaçado. Salienta que advogados caracterizamse como contribuintes individuais, conforme é da dicção da lei n° 8.212/91, sendo impertinente a solicitação de informações a seu respeito. Aduz que o agente autuante incluiu os advogados no conceito de trabalhadores avulsos (artigo 20 da lei n° 8.212/91) mas a advocacia é uma atividade econômica independente, de natureza urbana, com fins lucrativos, enquadrandose estes, como contribuintes individuais. Argumenta que os advogados em questão trabalharam em forma de "sociedade civil" e nesta condição foram remunerados. Informa que o advogado Cristiano Augusto Teixeira recebeu honorários através da sociedade Moisés e Freire Advocacia Soc. Civil, inscrita no CNPJ 05.249.760/000150, conforme documento em anexo, sendo descabida a exigência de apresentação dos pagamentos realizados aos contribuintes individuais. Pugna a impugnante que o presente Auto de Infração seja declarado insubsistente, haja vista que a intimação fora devidamente cumprida a tempo e a modo, mesmo sendo esta totalmente impertinente. Quanto ao valor da multa, caso não seja declarada a insubsistência do AI, a impugnante rechaça a forma de cálculo da pretensa irregularidade. Merece reparo a aplicação da presente multa pois o artigo 8°, V da Portaria Interministerial MPS/MF n° 77/08 é claro ao dispor que a partir de 1° de março de 2008 o valor da multa sell retificado, desde que não haja penalidade expressamente cominada. No caso em epígrafe, o artigo 283, II, "j" do Decreto n° 3.048/99 comina expressamente a penalidade de R$ 6.361,73, devendo ser esta aplicada. Assim, requer, caso não seja declarado insubsistente o presente Auto de Infração, que a penalidade Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 tenha como base o valor de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos). Sobre a gradação da multa, cuja fundamentação legal utilizada na peça acusatória foi a do artigo 292, IV do Decreto n° 3.048/99, argumenta que a função do Decreto é o de regulamentar uma Lei, e não pode, em hipótese alguma, inovar na mesma ou agravar disposição constante naquela. Acrescenta que, na Lei n° 8.212/91, inexiste qualquer disposição no sentido de agravar eventual punição em razão de circunstâncias agravantes, o que macula denulidade a gradação da multa, ferindo o principio da legalidade, pois somente com previsão em lei poderiam ocorrer situações tendentes a agravar penalidade. Requer que o Auto seja declarado insubsistente pelas máculas nele contidas e, caso não superadas as insuperáveis irregularidades, que a multa seja reduzida ao patamar previsto em Lei. O processo foi baixado para diligencia, tendo o fiscal autuante apresentado esclarecimentos e documentos, às fls. 61/63. De acordo com o despacho de fls. 67, a empresa autuada, embora cientificada do despacho de diligência fiscal da DRJ/BHE e do Termo de Informação Fiscal, não se manifestou a respeito.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.68 a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 23 de dezembro de 2010, exarou o Acórdão n° 0228.740, mantendo procedente o lançamento . DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.81 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . É o Relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10976.000498/200801 Acórdão n.º 2403001.559 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro nos autos, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Em 17/02/2009 a empresa apresentou impugnação conforme fls. 41/55 que motivou por parte da Presidente da 6ª turma da DRJ/BH a determinação de diligência na forma do despacho de fls. 58 onde preliminarmente se argüiu : “ com base no disposto na Portaria RFB n° 11.371/2007, duas nulidades formais instransponíveis, a viciar a presente autuação – falta de apresentação à impugnante de termo de prorrogação do MPF originário e a utilização de MPF's distintos para o mesmo Auditor Fiscal, razão pela qual fica prejudicada a análise do mérito e das demais nulidades formais.” Cumprida a diligência solicitada conforme fls. 61, sem fazer referência da data de emissão e prazo fatal para o primeiro MPF , no item 5 a Autoridade Fiscal assim se manifestou: “ 5) A ciência ao sujeito passivo da continuidade da ação fiscal em 1 de fevereiro de 2008, da qual o mesmo tomou conhecimento formal, por meio do TERMO DE CONTINUIDADE DE AÇÃO FISCAL anexado (fls. 63), respaldada na autorização contida no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 0611002.2008.00046.” Na forma do despacho de fls. 65, foi enviado a empresa o documento denominado COMUNICAÇÃO n° 081/2010ARF/BET/MG; “ COMUNICAÇÃO n° 081/2010ARF/BET/MG. Prezados Senhores, Estamos enviando cópias dos Despachos de Diligência Fiscal da 6a Turma da DRJ/BHE e dos Termos de Informação Fiscal DRF/CON/SAFISMG, referentes aos processos n° 10976.000499/200847,10976.000498/200801, 10976.000537/200861 e 10976.000536/200817. Para maiores esclarecimentos, nos encontramos à disposição nesta Agência da Receita Federal do Brasil, localizada à Rua Inconfidência, 360 Centro Betim, no horário de 13:00 as Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 16:00, e, para sua maior comodidade, sugerimos agendar horário pela interne. Atenciosamente,” Cumpre destacar que, ainda que eventualmente este tenha sido o objeto do envio das aludidas cópias, não se observa no texto clara e efetivamente oportunizada a reabertura de prazo para manifestação. Entretanto, às fls. 67, consta despacho onde no item 2 informa que a empresa fora notificada da abertura de novo prazo para se manifestar sobre o Termo de Informação Fiscal : “ Processo: 10976.000498/200801 Interessado: ENARPE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA CPF/CNPJ: 86.551.744/000110 Assunto: Envio de Termo de Informação Fiscal diligencia da DRJ/BHE I. Feita inclusão de eventos de processo no SICOB. Processo excluído e cadastrado novamente no SIEF, devido a erro nos juros e data de consolidação. 2. Enviada comunicação, folha 065, A. empresa em referencia para ciência do despacho de diligencia fiscal da DRJ/BHE e do Termo de Informação Fiscal, com abertura de prazo para o contribuinte se manifestar. 3. Após decorrido prazo de manifestação encaminhar a DRJ/BHE para julgamento.” A instância “ ad quod” em seu relatório , parte final, fazendo remissão às fls. 67 sobreditas, entendeu que a empresa não teve interesse de se manifestar: “ De acordo com o despacho de fls. 67, a empresa autuada, embora cientificada do despacho de diligência fiscal da DRJ/BHE e do Termo de Informação Fiscal, não se manifestou a respeito.” Em sede recursal, a Recorrente reitera que : “ A fiscalização teve inicio com a expedição do "Termo de Inicio de Ação Fiscal" TIAF, expedido em 06/09/2007, onde vem expresso o número do Mandado de Procedimento Fiscal 09420239, sendo o termo firmado pelo Agente "José Carlos de Oliveira". Acompanhando o TIAF acima, foi apresentado à Impugnante o "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO 09420239F00", emitido em 04 de setembro de 2.007, o qual autoriza o auditor fiscal "José Carlos de Oliveira" a proceder à fiscalização de contribuições sociais relativas ao período de janeiro/2004 a dezembro/2004.” Exortando as instruções estabelecidas pelos artigos 11 a 13 da Portaria RFB n°11.371/2007 em que, também , se louvou o Auditor Fiscal , observa a Recorrente que “ Tratandose na espécie de mandado de "fiscalização" (MPFF) o prazo de validade daquele apresentado à Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10976.000498/200801 Acórdão n.º 2403001.559 S2C4T3 Fl. 5 7 Impugnante haveria, pois de se expirar, o mais tardiamente, em 04 de janeiro de 2.008.” Aduz que é correto o entendimento. Retornando pois ao Termo de Informação Fiscal DRF/CON/SAFISMG, da diligência cumprida conforme fls. 61, destacase que conforme afirma a Autoridade Fiscal a ciência da prorrogação da ação fiscal foi realizada em 01/02/2008 : “ 5) A ciência ao sujeito passivo da continuidade da ação fiscal em 1 de fevereiro de 2008, da qual o mesmo tomou conhecimento formal, por meio do TERMO DE CONTINUIDADE DE AÇÃO FISCAL anexado (fls. 63), respaldada na autorização contida no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 0611002.2008.00046.” O MPF original recebeu o n° 09420239F00 e teve continuidade com a emissão de novo mandado de n° 0611002.2008.00046. No item 2 do Termo de Informação Fiscal diligencia da DRJ/BHE de fls. 61 o Auditor Fiscal exorta corretamente o inciso II artigo 20 da Portaria RFB n°11.371/2007: 2') A vigência do inciso II artigo 20 da Portaria n° 11.371, de 12 dezembro de 2007: "Os procedimentos fiscais iniciados antes da vigência desta Portaria que não forem concluídos até 31 de dezembro de 2007, com ciência do sujeito passivo, terão o seguinte tratamento: em relação à matéria previdenciária, deverão ser encerrados e os procedimentos fiscais correspondentes terão continuidade com a emissão de novos MPF, nos termos desta Portaria." Do exposto emerge que não foi observado que o prazo do mandado se expirara sem ter sido providenciado a tempestiva prorrogação, ressaltese que mais tarde fora providenciada. Também não se procedeu ao necessário encerramento determinado na forma do inciso II , artigo 20 da então recém emitida Portaria n° 11.371, de 12 dezembro de 2007. Não obstante a falha registrada não ensejar nulidade pela prorrogação intempestiva, não há previsão para contemporizar a falta de encerramento determinada pelo inciso II do artigo 20 do mesmo diploma em comento. Isto descumprido e mais o comando do parágrafo único do artigo 15 da multicitada Portaria, ensejou motivação para que a Recorrente alegasse a nulidade do ato uma vez que praticado pelo mesmo Auditor Fiscal indicado em ambos mandados: “ Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. ” A Recorrente argüiu a competência da Autoridade Fiscal para continuar a fiscalização tendo sido emitido novo MPF. No “ decisium” “ ad quod”, no que se refere à competência da autoridade fiscal para lavrar o auto, o I. Julgador assim se manifestou: “As questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito administrativo e não têm o condão de tornar nulo o lançamento por falta de competência da autoridade fiscal. A incompetência só poderia ser caracterizada se o ato não estivesse incluído nas atribuições legais do agente que o praticou. ” Referindome a este entendimento que norteou a decisão “ ad quod” , é justo neste ponto que o parágrafo único do artigo 15 supra exclui a Autoridade Fiscal da competência para praticar o ato: Parágrafo único do Art. 15.Portaria n° 11.371, de 12 dezembro de 2007 : “ Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto.” Assim, de tudo que foi exposto, o vício emerge explícito fazendo lícito inferir a nulidade do lançamento em razão de o agente não dispor , nas circunstâncias, de legitimidade para executálo. Segundo dispõe o inciso I ,artigo 59 do Decreto 70.235/72 : “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;” No mesmo códex se observa a outorga para que a nulidade seja declarada: “Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Desse modo dou providência às alegações da Recorrente ao tempo em que por economia processual deixo de enfrentar o mérito e demais alegações interpostas. CONCLUSÃO Conheço do recurso para EM PRELIMINAR determinar a NULIDADE em razão do ato estar maculado por VÍCIO FORMAL “ AB INITIO” . É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10976.000498/200801 Acórdão n.º 2403001.559 S2C4T3 Fl. 6 9 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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