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4925722 #
Numero do processo: 10120.009637/2010-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO.GLOSA Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pelo contribuinte ou em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. BASE DE CÁLCULO APURADA ATRAVÉS FOLHA DE PAGAMENTO. DOCUMENTOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE Presumem-se verdadeiros os valores lançados pela autoridade fiscal fundamentados nas folhas de pagamento da empresa, fornecido pela própria contribuinte, não declarados em GFIP, cabendo a esta o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE SAT/GILRAT NÃO FUNDAMENTADA NOS AUTO DE INFRAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. FISCALIZAÇÃO IN LOCO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O re-enquadramento de alíquota do SAT/GILRAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade parcial do lançamento e dos créditos a título de diferença e reenquadramento de SAT/GILRAT, por vicio material. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira do Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 236          2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial  ao  recurso,  no  sentido  de  reformar  a  decisão  a  quo  e  decretar  a  nulidade  parcial  do  lançamento e dos créditos a título de diferença e reenquadramento de SAT/GILRAT, por vicio  material. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.  (Assinado Digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.   (Assinado Digitalmente)  Gustavo Vettorato ­ Relator.   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice­presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira  do Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 237          3     Relatório  O  presente Recurso Voluntário  (fls.  190  e  seguintes  dos  autos  digitais)  foi  interposto  contra  decisão  da  DRJ(fls.  171  e  seguintes  do  processo  digital),  que  manteve  o  crédito tributário oriundo de apuração de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social,  relativa às glosas de compensações decorrentes de valores compensados em desacordo com as  normas  vigentes  e  de  diferença  de  contribuições  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente dos  riscos  ambientais do trabalho ­ GILRAT. De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 46/61, constituem  fato gerador das contribuições sociais lançadas as remunerações pagas, devidas e/ou creditadas  a qualquer título aos trabalhadores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social ­ RGPS  a serviço do Município, declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações para a  Previdência Social – GFIP, constantes dos sistemas da RFB no período de 06/2007 a 12/2009.   A ciência do auto de infração inaugural foi em 24.11.2010 (fls. 01).  Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que  apresentou os seguintes argumentos, em parte repetindo o posto em peça impugnatória:   ­  preliminar  de  nulidade  do  lançamento  por  ausência  de  Mandado  de  Procedimento Fiscal e de provas juntadas ao auto de infração, em prejuízo à defesa;  ­ preliminar de que o contribuinte não pode ser considerado empresa para fins  da Lei n.8.212/1991;  ­  a compensação  foi  realizada de  forma devida,  pois  foi  feita  com base  em  recolhimentos  de  contribuições  a  maiores  nos  períodos  de  01/2002  e  02/2002,  09/2002  a  01/2003, e 03/2003 a 06/2003, antes do termo do prazo prescricional.  ­ pedido de oportunidade de retificação de GFIP´s;  ­  que  a  jurisprudência  entende  que,  no  tocante  às  contribuições  recolhidas  antes da Lei Complementar n. 118/2005, o prazo prescricional seguiria a tese da contagem 5+5  anos.  ­ que as  compensações  foram realizadas mediante apuração de créditos dos  agentes políticos fundamentadas em decisão judicial transitada em julgado no STF, no Recurso  Extraordinário n. 351.717/PR, de 08.10.2003, que teve seus efeitos estendidos a de forma geral  pela  Resolução  do  Senado  Federal  n.  26/2005,  e  que  o  prazo  prescricional  para  repetição/compensação começaria somente a correr a partir dessa data;  ­ que o re­enquadramento do SAT/GILRAT de 1% para 2% é  incorreta por  não considerar a atividade preponderante do contribuinte;  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 238          4 ­ que a multa aplicada na apuração da diferença de SAT/GILRAT com base  no art. 44,I, da Lei n. 9430/1996 (75% sobre a obrigação principal não declarada em GFIP),  devendo ser aplicada a multa de 20%.  Ressalta­se  que  quanto  à  glosa  de  compensação  referente  à  03.2008,  não  houve impugnação ou recurso, pois conforme às fls. 60, tratou­se de um erro de lançamento na  GFIP, reconhecido pela contribuinte.  Os autos vieram para apreciação desta Turma Especial.  Esse é o relatório.  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 239          5     Voto             1. O recurso é tempestivo, assim deve o mesmo ser conhecido.  2. Quanto à preliminar de ausência de MPF, não merece ser acolhida, pois o  mesmo foi emitido em sua forma digital e indicada no Termo de Início de Procedimento Fiscal  ­ TIPF, datado de 18/03/2010, de fl. 25, registra que o MPF é o de nº 012.01.00.2010.00336 e o  código  de  acesso  15425165,  com  ciência  do  contribuinte  em  23/03/2010,  AR  de  fl.  26,  comprovando o acerto da autoridade fiscal. A versão digital do MPF é autorizado pelo art. 2º,  caput, do Decreto 3.724/2001, com redação dada pelo Decreto nº 6.104/2007, e artigo 2º e 4º,  da Portaria RFB nº 11.371, de 12/12/2007. Logo, perde fundamento a alegação da contribuinte.  3.  Quanto  à  preliminar  de  que  o  contribuinte  (Município)  não  pode  ser  equiparado à empresa para fins previdenciários, novamente é equivocado, em razão do art. 15,  I,  da  Lei  n.  8.212/1991,  que  expressamente  equipara  a  empresa  para  fins  previdenciários  os  órgãos e entidades da administração pública. Novamente, deve ser afastada a preliminar.  4. A questão  quanto  à  regularidade  das  compensações,  indiferentemente  da  declaração  de  inconstitucionalidade  da  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  remunerações pagas a agentes políticos, que foam recolhidas nos períodos 01/2002 e 02/2002,  09/2002 a 01/2003, e 03/2003 a 06/2003, e compensadas com os créditos lançados referentes  aos  períodos  06.2009  a  12/2009,  o  direito  à  repetição/compensação  efetivamente  sofreu  a  prescrição. Em razão à glosa de compensação referente à 03.2008,  ressalta­se que não houve  impugnação ou recurso, pois conforme às fls. 60, tratou­se de um erro de lançamento na GFIP,  reconhecido pela contribuinte, logo não será apreciada.  Quanto à interpretação conjunta que haveria entre o art. 150, §4º, e 168, do  CTN,  antes  do  art.  4º  da  Lei  Complementar  n.  118/2005,  em  que  o  prazo  prescricional  de  5(cinco) somente teria início após 5(cinco) anos do pagamento sujeito há homologação tácida,  seria aplicável a fatos geradores tributários ocorridos até a data da promulgação da indicada Lei  Complementar 118/2005, não merece acolhimento.  Isso, em especial razão após a decisão do  STF  no  Recurso  Extraordinário  566.621,  em  decisão  plenária,  estabeleceu  que  o  prazo  de  5(cinco)  anos  para  repetição  tributária  seria  aplicável  aos  pedidos  protocolizados  após  120  (cento e vinte) dias de vacância da Lei Complementar n. 118/2005. Assim, por esse argumento,  por  terem  sido  as  compensações  realizadas mais  de  cinco  da  data  do  fato  gerador  e  efetivo  pagamento supostamente indevido, o direito de repetição/compensação já teria sido extinto, por  prescrição.  No  tangente  à  tese  de  que  o  prazo  prescricional  teria  início  a  partir  da  publicação da Resolução do Senado n. 26/2005, novamente não tem razão o contribuinte, pois  a jurisprudência pátria, inclusive do STF, adota que o prazo prescricional inicia­se a contar do  fato gerador, vide o seguinte arresto que confirma tal entendimento:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  TRIBUTÁRIO.  CLÁUSULA  DE  RESERVA  DE  PLENÁRIO.  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 240          6 EXISTÊNCIA  DE  DECISÃO  DO  PLENÁRIO  DESTA  CORTE  SOBRE A CONTROVÉRSIA DOS AUTOS. VIOLAÇÃO DO ART.  97 DA CF/88.  INOCORRÊNCIA.  ART.  4º,  SEGUNDA PARTE,  DA LC 118/05. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO  GERAL  RECONHECIDA  NO  RE  566.621.  AGRAVO  REGIMENTAL NÃO PROVIDO.  1. A cláusula de  reserva de plenário não  incide quando houver  orientação  consolidada  do  STF  sobre  a  questão  constitucional  discutida.  Precedente:  RE  571.968­AgR,  Segunda  Turma,  Relator  o Ministro  Ricardo  Lewandowski,  DJ  de  05.06.12.  No  mesmo  sentido:  RE  594.515­AgR,  Segunda  Turma,  Relator  o  Ministro Joaquim Barbosa, Dj de 22.05.12.  2. A repercussão geral da matéria sub examine foi reconhecida  pelo Plenário do STF, nos autos do RE 566.621, de relatoria da  e. Ministra Ellen Gracie, e na apreciação de mérito da demanda,  a Corte, declarou “a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda  parte,  da  LC  118,  por  violação  do  princípio  da  segurança  jurídica,  nos  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos arts. 1º e  5º,  inciso  XXXV,  e  considerando  válida  a  aplicação  do  novo  prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso  da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de  2005”.   3.  In  casu,  o  acórdão  recorrido  assentou  que:  “EMENTA.  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  PESSOA  FÍSICA.  LICENÇA­PRÊMIO.  FÉRIAS  NÃO  GOZADAS.  ABONO  ASSIDUIDADE.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  AUSÊNCIA  DE  DOCUMENTOS.  PRESCRIÇÃO.­  A  1ª  Seção  do  STJ,  na  apreciação do ERESP 435.835/SC, Rel. p/ o acórdão Min. José  Delgado, julgado em 24.03.2004, revendo a orientação até então  dominante,  firmou  entendimento  no  sentido  de  que  o  prazo  prescricional  para  o  ajuizamento  de  ação  de  repetição  de  indébito,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação, é de cinco anos, tendo como marco inicial a data  da  homologação  do  lançamento,  que,  sendo  tácita,  ocorre  no  prazo  de  cinco  anos  do  fato  gerador.  Considerou­se  ser  irrelevante,  para  efeito  da  contagem  do  prazo  prescricional,  a  causa  do  recolhimento  indevido  (v.g.,  pagamento  a  maior  ou  declaração  de  inconstitucionalidade  do  tributo  pelo  Supremo),  eliminando­se  a  anterior  distinção  entre  repetição  de  tributos  cuja  cobrança  foi  declarada  inconstitucional  em  controle  concentrado  e  em  controle  difuso,  com  ou  sem  edição  de  resolução  pelo  Senado  Federal,  mediante  a  adoção  da  regra  geral dos "cinco mais cinco" para a totalidade dos casos.­ É na  fase executória da decisão trânsita em julgado que se demonstra  o indigitado crédito perante o Fisco, quando se dará o encontro  de  contas.  Preliminar  a  que  se  rejeita.­  Sobre  as  verbas  recebidas a título de férias não gozadas, licença­prêmio e abono  assiduidade  não  incide  o  Imposto  de  Renda,  tendo  em  vista  o  caráter  indenizatório  daqueles  valores.­  Presume­se  por  necessidade do serviço o impedimento de que o servidor goze de  férias licença­prêmio. Precedentes do STJ.­ Já a verba percebida  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 241          7 a  título  de  participação  nos  lucros,  caracteriza­se  recebimento  de renda  tributável, na  forma do disposto no § 5º do art. 3º da  Lei  nº  10.101/2000.  (Precedente  desta  Corte).­  Preliminares  rejeitadas.­ Apelação provida em parte.”   4. Agravo regimental a que se nega provimento.(AI 707213 AgR,  Relator(a):  Min.  LUIZ  FUX,  Primeira  Turma,  julgado  em  18/12/2012,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  DJe­033  DIVULG  19­ 02­2013 PUBLIC 20­02­2013)  Assim,  indiferentemente  da  discussão  se  a  glosa  da  compensação  estaria  motivada  pelo  não  cumprimento  de  condições  formais  da  forma  de  compensação,  inclusive  quanto  à  necessidade  de  correção  de  GFIP,  são  desnecessários,  em  razão  da  ocorrência  de  prescrição supra demonstrada.  5.  Quanto  à  alegação  de  ser  indevida  o  re­enquadramento  da  alíquota  SAT/GILRAT, de 1% para 2%, realmente merece atenção.  A  reclassificação  das  atividades  da  empresa  para  fins  de SAT, mesmo  que  fosse apenas analisando exclusivamente em razão do CNAE, conforme Anexo V Relação de  Atividades  Preponderantes  e  Correspondentes  Graus  de  Risco  (Conforme  a  Classificação  Nacional  de  Atividades  Econômicas)  do  RPS,  alterado  pelo  Decreto  nº  6.042,  de  12  de  fevereiro de 2007, estaria incorreta.  Como  prevê  a  própria  legislação,  o  enquadramento  e  re­enquadramento  da  atividade  econômica  da  empresa  para  fins  SAT  tem  como  base  a  atividade  laboral  exercida  pela preponderância dos seus empregados da empresa como um todo. Quanto à aplicação das  alíquotas  do  Seguro  de  Acidente  do  Trabalho  –  SAT,  conforme  o  art.  22,  II,  da  Lei  n.  8.212/1991,  o  voto  do  Conselheiro  Amílcar  Barca  Teixeira  Júnior,  desta  mesma  Turma  Especial,  no  julgamento  do  Recurso  Voluntário  n.  257.987,  do  processo  n.  11020.000119/2008­26, é o norte da presente decisão:  Segundo  o  magistério  da  professora  Cláudia  Salles  Vilela  Vianna  (in  Previdência  Social  –  Custeio  e  Benefícios.  –  São  Paulo : LTr. 2005. páginas 218 / 220), a partir da competência  julho/2007, a atividade preponderante da empresa, para fins de  enquadramento  na  alíquota  de  grau  de  risco  destinada  a  arrecadar recursos para custear o financiamento dos benefícios  concedidos  em  razão  de  maior  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, é aquela  que  ocupa,  na  empresa,  o  maior  número  de  segurados  empregados e trabalhadores avulsos.  Para  a  realização  do  auto­enquadramento,  deverá  o  empregador,  portanto,  obedecer  às  seguintes  disposições,  notadamente  em  relação  a  empresa  com  mais  de  um  estabelecimento e diversas atividades econômicas, como é o caso  da Recorrente:  Inicialmente, deverá se enquadrar por estabelecimento, em cada  uma  das  atividades  econômicas  existentes,  prevalecendo  como  preponderante  aquela  que  tiver  o  maior  número  de  segurados  empregados e trabalhadores avulsos.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 242          8 Em  seguida,  comparará  os  enquadramentos  dos  estabelecimentos para definir o enquadramento da empresa, cuja  atividade  preponderante  será,  então,  aquela  que  tiver  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos,  apurada dentre todos os seus estabelecimentos.  A título de exemplo,  imaginemos uma empresa com mais de um  estabelecimento,  como matriz  e  filiais,  que  têm o mesmo CNPJ  raiz.  Chamaremos  de  Estabelecimentos  01,  02,  e  03.  O  Estabelecimento  01  tem  a  atividade  “A”  com  10  (dez)  empregados,  a  atividade “B”  com 15  (quinze)  empregados  e a  atividade  “C”  com  20  (vinte)  empregados.  A  atividade  preponderante  do Estabelecimento  01  é  a  “C”,  com  20  (vinte)  empregados.  Continuando  o  mesmo  exemplo  imaginemos  que  o  Estabelecimento 02 tem a atividade “D” com 25 (vinte e cinco)  empregados,  a  atividade  “E”  com  05  (cinco)  empregados  e  a  atividade “F” com 15  (quinze) empregados. Assim, a atividade  preponderante no Estabelecimento 02 é a “D”, com 25 (vinte e  cinco) empregados.  Finalmente, o Estabelecimento 03  tem a atividade “G” com 10  (dez) empregados, a atividade “H” com 20 (vinte) empregados e  a  atividade  “I”  com  15  (quinze)  empregados.  A  atividade  preponderante  no Estabelecimento  03  é  a  “H”,  com  20  (vinte)  empregados.  A  conclusão  a  que  se  chega  do  exemplo  acima  é  que  a  ATIVIDADE  PREPONDERANTE  NA  EMPRESA  É  A  “D”,  COM 25 EMPREGADOS.  Assim  sendo,  percebe­se  que  a  fórmula  acima  é  que  deve  ser  utilizada  para  se  determinar  a  atividade  preponderante  relativamente  ao  correto  enquadramento  no  grau  de  risco,  metodologia  que  foi  totalmente  ignorada  pela  fiscalização,  conforme  comprova  o  subitem  3.3.2  do  Relatório  Fiscal  (fls.  689).  Ao realizar o enquadramento de ofício somente porque, em tese,  preponderariam  as  atividades  referentes  às  CNAE`s  sob  os  códigos 8511­1, 8512­0, 8513­8 e 8514­6, efetivamente, não nos  parece ser a maneira mais correta de aferição para sustentar o  lançamento.  O  fisco  para  realizar  o  enquadramento  de  ofício  deveria  ter  verificado, in loco, no caso a empresa como um todo, incluindo  aí  o  hospital,  as  diversas  atividades  existentes  nos  estabelecimentos  da  recorrente,  e  não  arbitrar  utilizando  a  CNAE como elemento suficiente para se cumprir seu mister.  No  que  diz  respeito  à  Classificação  Nacional  de  Atividades  Econômica  ­  CNAE,  segundo  a  apresentação  constante  do  site  da  RFB  (www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNAEFiscal/txtcna e.htm),  a  CNAE­Fiscal  é  o  instrumento  de  padronização  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 243          9 nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de  enquadramento  utilizados  pelos  diversos  órgãos  da  Administração Tributária do país.    Trata­se de um detalhamento da CNAE ­ Classificação Nacional  de  Atividades  Econômicas,  aplicada  a  todos  os  agentes  econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços,  podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou  públicas,  estabelecimentos  agrícolas,  organismos  públicos  e  privados,  instituições  sem  fins  lucrativos  e  agentes  autônomos  (pessoa física).    A  CNAE  ­  Fiscal  resulta  de  um  trabalho  conjunto  das  três  esferas  de  governo,  elaborada  sob  a  coordenação  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  orientação  técnica  do  IBGE,  com  representantes  da  União,  dos  Estados  e  dos  Municípios,  na  Subcomissão  Técnica  da  CNAE  ­  Fiscal,  que  atua  em  caráter  permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação ­  CONCLA.    A  tabela  de  códigos  e  denominações  da  CNAE  ­  Fiscal  foi  oficializada  mediante  publicação  no  DOU  ­  Resolução  IBGE/CONCLA 01 de 25/06/98 e atualizações posteriores.    Sua estrutura hierárquica mantém a mesma estrutura da CNAE  (5  dígitos),  adicionando  um  nível  hierárquico  a  partir  de  detalhamento  de  classes  da  CNAE,  com  07  dígitos,  específico  para  atender  necessidades  da  organização  dos  Cadastros  de  Pessoas Jurídicas no âmbito da Administração Tributária.    Na Receita Federal do Brasil, a CNAE ­ Fiscal é o código a ser  informado  na  Ficha Cadastral  de  Pessoa  Jurídica  (FCPJ)  que  alimentará o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica/CNPJ.    A responsabilidade em relação à gestão e manutenção da CNAE  está  a  cargo  do  IBGE,  a  partir  das  deliberações  da Comissão  Nacional de Classificação ­ CONCLA.    Das definições e  responsabilidades acima mencionadas,  restou  evidenciado que as possibilidades aventadas pela fiscalização e  também  pela  i.  Relatora  são  totalmente  incompatíveis  com  a  realidade fática das empresas de um modo geral.    No  que  concerne  à  responsabilidade  mensal  pelo  enquadramento  no  grau  de  risco,  observada  a  atividade  econômica  preponderante,  a  legislação  previdenciária  determinou  que  tal  função  está  a  cargo  do  próprio  sujeito  passivo,  cabendo  ao  fisco  rever  o  auto­enquadramento  em  qualquer tempo.    Ora,  querer  atribuir  ao  sujeito  passivo  o  ônus  tributário  pretendido  somente  porque  ele  tem  a  responsabilidade  de  realizar  o  enquadramento mensal  no  grau  de  risco  e utilizar  a  CNAE ­ Fiscal como balizador de  tal obrigação é, sem dúvida,  querer  ignorar  completamente  o  princípio  da  verdade material  que informa o processo administrativo fiscal.   Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 244          10  O enquadramento na CNAE é realizado uma única vez quando a  empresa  faz  seu  cadastramento  no  CNPJ  do  Ministério  da  Fazenda. Depois disto, haverá modificações somente na hipótese  de alteração da sua natureza jurídica.    Destarte,  não  resta  nenhuma  dúvida  em  relação  à  impossibilidade  de  a  empresa,  mensalmente,  alterar  suas  informações  cadastrais  na  CNAE,  como  é  de  sua  responsabilidade,  ao  contrário,  a  realização  de  seu  enquadramento  no  grau  de  risco,  observando­se,  como  já  mencionado, a sua atividade econômica preponderante.    Para  deixar  bem  clara  a  impossibilidade  de  respaldar  a  pretensão  do  fisco,  tomamos  como  exemplo  uma  empresa  da  indústria  da  construção  civil,  cujo  grau  de  risco  é  o  máximo  (3%). Nesse caso, é correto afirmar que tal empresa poderá em  algum momento  de  sua  existência  estar  sem  qualquer  obra  em  curso.  No  entanto,  os  empregados  da  área  administrativa  e  diretiva  são  mantidos  e  estão  aguardando  a  contratação  de  novos empreendimentos.    De  acordo  com  o  entendimento  do  fisco,  no  exemplo  acima,  tendo  em  vista  a  CNAE  da  empresa  de  construção  civil,  o  enquadramento teria que ser aquele de grau máximo, ou seja, de  3% (três por cento).   Todavia,  seguindo  as  determinações  da  legislação  previdenciária,  caso  a  empresa  tenha  realizado  o  enquadramento mensal em grau de risco distinto do máximo, não  há  que  se  falar  em  revisão  do  auto­enquadramento  embasado  apenas na CNAE.   Destarte, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao  recurso apresentado pelo contribuinte, excluindo do lançamento  o acréscimo de alíquota em razão do reenquadramento efetuado  pela Autoridade Fiscal relativamente ao SAT/RAT.  Em  adição  de  tais  argumentos,  da  mesma  forma  que  está  ratificado  pelo  PARECER PGFN/CRJ/Nº  2120/2011  (ATO DECLARATÓRIO Nº  11  /2011),  observando  a  necessidade de uma fiscalização em loco exigida ao caso, fato que sequer há comentários sobre  sua ocorrência, verifica­se uma afronta ao que dispõe os artigos 142 e 147 do CTN, bem como  dos artigos 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, que exigem a demonstração pela fiscalização  dos fatos precisos que motivaram o desenquadramento da situação anterior do SAT, bem como  afeta diretamente a constituição da norma de incidência tributária na formação de sua alíquota  (elemento  quantitativo),  sob  pena  de  haver,  no mínimo,  uma  nulidade  por  vício material  do  crédito lançado.   Assim,  deve  ser  cancelada,  por  nulidade  material,  a  parcela  do  crédito  lançado com base na diferença de alíquota de SAT/GILRAT (Rubricas S2, SC1 e SC2).  Em  razão,  da  nulidade  dos  créditos  lançados  com  base  na  diferença  de  SAT/GILRAT,  não  é  possível  a  aplicação  de  multa  de  ofício  sobre  o  mesmo,  por  falta  de  obrigação principal sobre qual a sanção deve incidir (art. 44, da Lei n. 9430).  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.009637/2010­39  Acórdão n.º 2803­002.448  S2­TE03  Fl. 245          11 6. Conclusão  Isso  posto,  meu  voto  é  para  CONHECER  O  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  CONCEDENDO  PARCIAL  PROVIMENTO,  no  sentido  de  reformar  a  decisão  a  quo  e  decretar  a  nulidade  parcial  do  lançamento  e  dos  créditos  a  título  de  diferença  e  re­ enquadramento de SAT/GILRAT, por vicio material.  (Assinado Digitalmente)  Gustavo Vettorato ­ Relator                                  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 11030.721427/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  relativas  à  parcela  dos  segurados não descontada e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento  das  prestações  concedidas  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos  riscos ambientais do  trabalho  (SAT/GILRAT) e  as contribuições destinadas  a  outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2006 a 12/2009.  Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória.  O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores das contribuições lançadas  decorrem das remunerações devidas aos segurados empregados e contribuintes individuais que  trabalharam na empresa.  A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 23/08/2011 (fl.  01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva,  alegando,  em  síntese,  que  autuação é improcedente e não pode prevalecer.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Porto  Alegre/RS  –  por meio  do Acórdão  no  10­36.059  da  7a  Turma  da DRJ/POA  –  considerou  o  lançamento  fiscal  procedente  em  sua  totalidade,  eis  que  ele  foi  lavrado  com  pleno  embasamento  legal  e  observância  às  normas  vigentes,  não  tendo  a  Defendente  apresentado  elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura.  A  Notificada  apresentou  recurso  (fls.  844/993),  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no mais  efetua  repetição das alegações da peça de impugnação.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  (DRF)  em  Passo  Fundo/RS  encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e  julgamento.  É o relatório.  Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11030.721427/2011­75  Acórdão n.º 2402­003.430  S2­C4T2  Fl. 3          3   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verifica­se que não  houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade.  A Recorrente  foi  intimada  da  decisão  de  primeira  instância  em  10/01/2012  (fl.  843),  mediante  correspondência  postal  acompanhada  de  Aviso  de  Recebimento  (AR),  conforme documento dos Correios juntado aos autos.  Por  sua  vez,  a  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  844/993),  apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, e não se manifestou  a respeito da tempestividade do recurso.  Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verifica­se que a  Recorrente  interpôs  o  recurso  voluntário  em  10/02/2012  (fl.  844),  nos  termos  da  papeleta  devidamente assinada por servidor do Fisco (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Passo  Fundo­RS), papeleta inicial do recurso.  O  art.  5º,  parágrafo  único,  do Decreto  70.235/1972 –  diploma que  trata  do  contencioso  administrativo  fiscal  no  âmbito  dos  tributos  arrecadados  e  administrados  pela  União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso,  transcrito  abaixo:  Art.  5º.  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  Salienta­se que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do  protocolo  junto  ao  órgão  preparador  do  processo  (circunscrição  do  domicílio  fiscal  da  Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é  que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do  art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.(g.n.)  A Recorrente  teve  ciência da  decisão  de  primeira  instância  –  prolatada  por  meio  do Acórdão  no  10­36.059  da  7a  Turma  da DRJ/POA  (fls.  824/838)  –,  em  10/01/2012  (terça­feira). Assim, levando­se em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia  de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto  70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 11/01/2012 (quarta­feira). O  trigésimo dia ocorreu em 09/02/2012 (quinta­feira). Entretanto o recurso só teria sido postado  em 10/02/2012, sexta­feira.  Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  Com  o mesmo  entendimento,  o  art.  15  do Decreto  70.235/1972  estabelece  que a peça recursal deverá ser apresentada no  local do órgão preparador de circunscrição do  sujeito passivo.  Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal ­ PAF):  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data  em que for feita a intimação da exigência. (g.n.)  A  regra  na  contagem  dos  prazos  processuais  é  a  continuidade,  ou  seja,  os  prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou  de  caso  fortuito,  como  greves  ou  outros  fatos  que  impeçam  o  funcionamento  dos  órgãos  da  Administração.  Essas  hipóteses  devem  ser  devidamente  comprovadas  nos  autos  e,  no  momento, não as encontramos presentes neste processo.  Nesse  sentido,  resta  claro  que  a  autuada  não  verificou  o  prazo  para  apresentação do recurso, só vindo a apresentá­lo após o vencimento legal.  CONCLUSÃO:  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NÃO  CONHECER  do  recurso  interposto em razão da sua intempestividade.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/04/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 13971.900878/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.535
Decisão: RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.900878/2008­77  Resolução nº  3402­000.535  S3­C4T2  Fl. 1.335          2    Relatório  Tratam­se os autos de Declaração de Compensação realizada pelo contribuinte,  decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS referente ao período de FEV/2004  sob o valor original de R$ 6.245,08 (seis mil, duzentos e quarenta e cinco reais e oito centavos)  com parte de débito oriundo da mesma contribuição de competência de OUT/2004 sob o valor  de R$ 6.849,60, (seis mil, oitocentos e quarenta e nove reais e sessenta centavos).   Em análise à  compensação  transmitida  a DRF de Blumenau  indeferiu o pleito  sob  o  argumento  da  inexistência  de  crédito,  pois  o  valor  do  "DARF  discriminado  no  PER/DCOMP" havia sido utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível  para compensação.  O  contribuinte  insurgiu­se,  argüindo  que  a  insuficiência  de  crédito  para  compensação  se  deveu  a  um  erro  no  preenchimento  da  DCTF  e  da  DACON  e  que  em  20/05/2008 enviou DCTF e DACON retificadoras. Ainda, se diz estar amparado pelo princípio  da  Verdade Material,  onde  caberia  ao  fisco  buscar  esclarecimentos  acerca  das  divergências  encontradas,  ofendendo  ainda  o  princípio  da  razoabilidade,  se  apegando  a  um  excesso  de  formalismo.  O julgamento em primeira instância rechaçou os  fundamentos da manifestação  de  inconformidade,  apresentando  entendimento  de  que,  é  ônus  do  contribuinte  corrigir  qualquer erro de informação em DACON e DCTF em tempo hábil. Esclareceu ainda que, como  disposto  no  art.  170  do  CTN,  a  compensação,  para  ser  válida,  demandaria  a  existência  de  crédito liquido e certo, o que não se apurou no presente caso. Afirmou não haver dúvidas de  que  a  contribuinte  retificou  sua  DCTF,  porém  o  fez  em  data  posterior  à  apresentação  da  DCOMP, o que retirou do crédito indicado a liquidez e certeza que a lei impõe a ele para que  possa  ser  objeto  de  repetição.  E  ainda,  finalizou  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade, mantendo a não homologação das compensações.  O  recurso  foi  apresentado  nos  mesmos  termos  da  Manifestação  de  Inconformidade  e  no  julgamento  em  2ª  instância  o  CARF  houve  por  bem  em  converter  o  julgamento em diligência para que se verificasse a integralidade do crédito a ser compensado.   Realizada a diligência foi apresentado parecer conclusivo, no sentido de que “o  crédito disponível teria sido suficiente para efetivar a compensação”.  DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes,  numerado  até  a  folha  88  (oitenta  e  oito),  estando  apto  para  análise  desta Colenda  2ª  Turma  Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  É o relatório.    Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.900878/2008­77  Resolução nº  3402­000.535  S3­C4T2  Fl. 1.336          3  Voto  Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator.  Retornam estes autos de diligência, designada pela Resolução nº. 3402­00.108,  na  qual  o  Ilustre  Relator,  Júlio  César  Alves  Ramos,  solicitou  informações  à  Autoridade  Preparadora  afim  de  apurar  fatos  ocorridos  nos  autos,  que  lhe  dessem  suporte  ao  efetivo  deslinde da causa.  É  que,  conforme  o  relatório  acima  trata­se  o  processo  de  compensação  formalizada pelo  sujeito passivo, na qual a origem do direito creditório,  segundo consta,  é o  pagamento a maior efetuado pelo contribuinte.  Bem ponderada a diligência estabelecida pela Resolução acima citada, pois que  objetivou  a  verificação  da  efetiva  existência  ou  não  pagamento  a  maior,  não  considerando  como suficientes (para fazer nascer o indébito apontado), apenas e tão somente as retificações  das declarações efetuadas pelo contribuinte.  Segundo a Resolução acima,  “é o  reconhecimento,  agora pelo  sujeito  ativo da  relação  tributária,  de  que  o  sujeito  passivo  efetivamente  recolheu  tributo  em  excesso  ou  indevidamente, que dá a ele o direito à  restituição. E se há direito a  ela,  há possibilidade de  utilizá­lo  para  compensação  de  tributo”.  Assim,  foi  designada  a  diligência,  para  apuração  concreta do indébito alegado.  Entretanto,  de  forma  absolutamente  breve,  cumpre  informar  que  ainda  que  a  diligência  realizada nos autos  tenha de fato esclarecido pontos cruciais ao deslinde da causa,  sendo  extremamente  conclusiva,  o  fato  é  que  ao  contribuinte  não  foi  dada  vistas  de  seu  resultado, prejudicando o bom andamento do processo, em necessária observação ao princípio  do contraditório e ampla defesa respeitado no processo administrativo fiscal.  Sem  mais  delongas,  mesmo  que  o  resultado  desta  diligência  permita  a  averiguação concreta da existência (ou não) do pagamento a maior, e por via de conseqüência,  a  materialização  (ou  não)  do  crédito  apontado  pelo  contribuinte,  ao  mesmo  não  foi  dada  a  oportunidade  de  se manifestar  acerca  das  conclusões  adotadas  pela Autoridade  Preparadora,  nos termos do que dispõe o artigo 26 e seguintes da Lei 9.784/99.  Sendo, assim, voto no sentido de converter o  julgamento em diligência para  determinar  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem,  afim  de  que  o  sujeito  passivo  seja  cientificado do resultado da diligência realizada, intimando­o para se manifestar, querendo, no  prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do  julgamento.   (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior – Relator.    Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR

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Numero do processo: 15940.000293/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 GLOSA DE CUSTOS. Não havendo o sujeito passivo logrado êxito em provar nem a entrega da mercadoria por ele supostamente adquirida, nem o pagamento do respectivo preço, correta a glosa de custos realizada pela fiscalização e a conseqüente lavratura de auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser recolhidos aos Cofres Públicos. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. A multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL incidente sobre as bases de cálculo mensais estimadas, por força do princípio da consunção, não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio pela falta de pagamento daqueles tributos ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 1201-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para exonerar a multa isolada, por concomitância. Os Conselheiros Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco estendiam o provimento às aquisições relativas aos fornecedores que não haviam cedido seus créditos às Srªs. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini e também quanto às aquisições acompanhadas de notas fiscais chanceladas pelo fisco do Estado de Minas Gerais. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 3          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Francisco  de  Sales  Ribeiro de Queiroz  (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael  Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº  70.235/72, contra o acórdão nº 14­36.037 exarado pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto ­  SP.  Por  bem descrever  os  fatos  litigiosos  objeto  do presente  processo,  tomo de  empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 8362 e ss.):  Contra  empresa  acima  identificada,  tributada  pela  sistemática  de  apuração  de  lucro  real  por  estimativa,  foi  lavrado  auto  de  infração  que  lhe  exigiu  os  tributos  relacionados  no  quadro  adiante. A base legal do lançamento dos tributos, dos acréscimos  e  da multa  isolada  encontra­se  descrita  nos  demonstrativos  do  auto de infração (fls. 5111/5124).  (...)  A constituição do crédito tributário decorreu de outro processo  em  que  a  interessada  pleiteou  ressarcimento  de  contribuições  devidas ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins).  Nesse  processo  foram  detectadas  irregularidades  que  suscitaram  a  ação fiscal. Efetuou­se a glosa de créditos relacionados ao PIS e  à Cofins, daí resultando reflexos na apuração da base de cálculo  do IRPJ e da CSLL.  Segundo  o  termo  de  verificação  fiscal,  das  notas  fiscais  que  a  empresa  apresentou,  constatou­se  que  parte  delas  referia­se  a  fornecedores  que  apresentavam  irregularidades  como  empresa  inapta, inativa, inexistente de fato, não cadastrada na respectiva  Secretaria de Fazenda do Estado de localização, além de grande  parte do pagamento relativo às aquisições de matéria­prima ter  sido efetuado a terceiros, por cessão de crédito, desamparada de  qualquer  espécie  de  comprovação  de  vínculo  de  negócio  ou  jurídico com o fornecedor.  Foram relacionadas as empresas fornecedoras cujos documentos  fiscais  foram  objeto  de  glosa.  Constam  dos  autos  cópias  dos  processos  de  representação  para  inaptidão  do  CNPJ  das  empresas antes referidas.  Elaborou­se  quadro  demonstrativo  da  base  de  cálculo  mensal  para  lançamento  dos  tributos,  levando  em  conta  as  glosas  efetuadas,  cujo  montante  foi  de  R$  32.389.504,76,  além  de  demonstrativo de apuração da multa  isolada,  incidente  sobre o  não­recolhimento  de  IRPJ  e  CSLL  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  obtida  em  decorrência  dos  valores  glosados  (fls.  5135/5137).  Fl. 8448DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 4          3 Houve  imposição  de  multa  de  ofício  qualificada,  por  ter  a  autoridade  tributária  entendido  que  existiu  intenção  dolosa,  materializada no evidente intuito de fraude.  Consta  ter  sido  lavrada  representação  fiscal  para  fins  penais,  processo autuado  sob n.  15940.000295/2009­18, pelo  fato de a  autoridade  entender  que  em  tese  existiu  crime  contra  a  ordem  tributária.  A  contribuinte  ingressou  com  a  impugnação  de  fls.  5146/5177  em  que  alegou  preliminarmente  cerceamento  de  defesa  caracterizado  pelo  fato  de  que  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  inicialmente  emitido  refere­se  à  intimação  para  apresentar documentos relativos à fiscalização de CSLL do ano­ calendário  de  2003.  A  posterior  inclusão  de  outros  tributos  no  escopo  da  verificação  fiscal  não  fora  acompanhada  da  respectiva  notificação  para  prestar  esclarecimentos  antes  do  lançamento fiscal.  Apresentou  justificativas  para  cada  uma  das  empresas  fornecedoras  relacionadas  pela  fiscalização.  Em  síntese,  suas  alegações são de que:  a) descabe não ter sido considerada a documentação relativa a  bilhetes  de  pesagem  e  Recibos  de  Pagamento  a  Autônomos  (RPA),  em  vista  de  que  agiu  acobertada  por  boa­fé;  a  fiscalização  não  visitou  as  dependências  da  contribuinte  para  conhecer o processo produtivo tampouco realizou auditoria dos  estoques para verificar o efetivo ingresso das mercadorias;  b) é improcedente a glosa dos custos motivada por pagamentos a  empresas  declaradas  inidôneas  pois  os  processos  de  inaptidão  são  posteriores  às  compras  efetuadas;  assim,  a  declaração  de  inaptidão  lavrada  e  publicada  posteriormente  às  compras,  não  pode atingir fatos anteriores à sua edição;  c)  o  recebimento  e  o  pagamento  das  mercadorias  foi  comprovado,  conforme descrição das planilhas  e comprovantes  de  pagamento;  não  houve  verificação  do  efetivo  ingresso  dos  produtos adquiridos,  objeto  das  glosas,  em  ofensa  ao  princípio  da verdade material;  d) o  fato de em suas diligencias a  fiscalização não  lograr êxito  em  localizar  os  fornecedores  não  lhe  assegura  o  direito  de  glosar  as  operações  que  eles  mantiveram  com  a  contribuinte,  porque as operações se referem ao ano de 2004 e a maioria das  diligencias e manifestações de inaptidão se deu apenas a partir  do mês de dezembro/2007;  e) a legislação que prevê a inidoneidade de documentos emitidos  por pessoa jurídica com inscrição no CNPJ inapta resguarda o  contribuinte  de  boa­fé,  adquirente  de  bens,  direitos  e  mercadorias que comprove a efetivação do pagamento do preço  e  o  recebimento  dos  bens,  direitos  e  mercadorias,  consoante  entendimento  do  Conselho  de  Contribuintes  e  do  Superior  Tribunal de Justiça;  Fl. 8449DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 5          4 f)  é  improcedente a aplicação concomitante de multa  isolada e  multa  de  ofício,  que  incidem  sobre  o  mesmo  fato  gerador  e  idêntica  base  de  cálculo,  pois  com  o  levantamento  do  balanço  anual que apurou o valor do tributo que não foi declarado e não  pago,  não  há  estimativa  e,  por  decorrência  aplica­se  apenas  multa de ofício;  g)  a  imposição  da  multa  agravada  ressente­se  da  efetiva  comprovação do evidente intuito de fraude.  Ao  final  requereu  realização  de  perícia  contábil,  ao  mesmo  tempo  em  que  indicou  o  perito  e  relacionou  quesitos  a  serem  respondidos (fls. 5176/5177).  Vindos  os  autos  para  apreciação  prolatou­se  a  Resolução  n.  1275, de 9 de outubro de 2009 (fls. 7703/7706), que decidiu pelo  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  colher  as  providências a seguir:  a) manifestação conclusiva da autoridade fiscal no sentido de a  empresa ter ou não recebido os bens, além do registro contábil  dos produtos a que se referem as quantias objeto de glosa, bem  assim  discriminação  na  planilha  de  fls.  5135/5137  de  quais  importâncias  referem­se  a  pagamento  direto  a  fornecedor  e  quais referem­se a pagamentos a terceiros beneficiários;  b)  com  base  no  demonstrativo  de  fls.  5135/5137,  intimar  a  contribuinte a relacionar, por documento fiscal, quais depósitos  bancários  são  representativos  de  pagamentos  dos  referidos  documentos,  bem  assim  a  justificar/comprovar  eventuais  insuficiências;  c) intimar a contribuinte a apresentar documentação probatória  de  relação  de  negócio  entre  os  fornecedores  dos  produtos  adquiridos e o beneficiário dos créditos, nas situações em que os  fornecedores indicam terceiros beneficiários;  d) intimar a contribuinte a apresentar os contratos de cessão de  crédito  registrados  relativamente  às  operações  mantidas  com  empresas  de  fomento  mercantil,  em  consonância  com  a  legislação.  Pela  intimação  lavrada  em  4/4/2011  (fls.  7749/7750)  a  contribuinte  foi  notificada  a  apresentar  documentos  relacionados com os quesitos antes referidos.  Em  atendimento  encaminhou  cópia  do  livro  Razão,  Balanço  Patrimonial  e  Demonstração  de  Resultado  do  Exercício.  Justificou a apresentação de planilhas de controle de estoque em  substituição  ao  livro  Registro  de  Controle  da  Produção  e  do  Estoque, com base no art. 388 do Regulamento do Imposto sobre  Produtos Industrializados (RIPI).  Quanto  à  comprovação  da  relação  de  negócio  entre  o  fornecedor/cedente e a empresa de factoring/cessionário, alegou  que não se encontra dentre os obrigados a prestar informações,  Fl. 8450DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 6          5 como  prevê  o  art.  197  do  CTN.  Arguiu  que  é  descabida  a  exigência de comprovação da relação jurídica entre os terceiros  antes referidos pois eles não estão obrigados a prestar contas de  suas atividades comerciais (fls. 7754/7756).  A autoridade  fiscal  teceu esclarecimentos complementares para  cada  uma  das  fornecedoras  cujas  notas  fiscais  foram  glosadas  (fls. 8342/8351), confirmando as irregularidades antes referidas,  a  saber,  empresa  inapta,  inativa,  inexistente  de  fato,  não  cadastrada  na  respectiva  Secretaria  de  Fazenda  do  Estado  de  localização,  além  do  fato  de  que  ditas  empresas  praticaram  operações irregulares.  No  que  se  refere  aos  quesitos  especificados  ao  final  da  resolução, a autoridade fiscal respondeu que:  a) Manifestação conclusiva da autoridade fiscal no sentido de a  empresa ter ou não recebido os bens, além do registro contábil  dos produtos a que se referem as quantias objeto da glosa, bem  assim  discriminação  na  planilha  de  fls.  4829/4831  de  quais  importâncias  referem­se  a  pagamento  direto  a  fornecedor  e  quais referem­se a pagamentos a terceiros beneficiários.  A  intimada não apresentou o Livro Registro de Controle da  Produção e do Estoque ou sistema equivalente. Forneceu tão  somente os demonstrativos contendo a movimentação mensal  do  couro  (fls.  7908  a  7943),  o  que  restou,  neste  particular,  prejudicada uma análise conclusiva.  Juntamos ao processo as contas do livro razão em que foram  escrituradas  as  notas  glosadas  (custos,  fornecedores,  descontos  obtidos,  bancos  e  caixa),  bem  como  a  planilha  elaborada  pela  fiscalização  contendo  os  dados  solicitados  (fls. 7449 a 7599, 7602 a 7799 e 7802 a 7882 planilha vide  observ., em especial o contido na letra "d").  Entendemos  que  a  documentação  carreada  aos  autos,  adicionada  pelos  esclarecimentos  complementares  de  fls.  8034 a 8043, permitem (sic) a tomada de decisão.  b)  com  base  no  demonstrativo  de  fls.  5135/5137,  intimar  a  contribuinte a relacionar, por documento fiscal, quais depósitos  bancários  são  representativos  de  pagamentos  dos  referidos  documentos,  bem  assim  a  justificar/comprovar  eventuais  insuficiências;  A planilha citada anteriormente, elaborada em conformidade  com  os  elementos  existentes  no  processo,  contém,  s.m.j.,  as  informações solicitadas.  Intimada,  a  contribuinte  deixou  de  apresentar  a  documentação solicitada.  Consta  da  Ficha  Cadastral  Simplificada,  emitida  pela  Junta  Comercial  do  Estado  de  São  Paulo,  o  registro  de  que  fora  determinado  o  processamento  de  recuperação  judicial,  com  a  Fl. 8451DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 7          6 nomeação  de  administrador  judicial,  acréscimo  da  expressão  “em recuperação judicial” após o nome empresarial (fl. 8354).  Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela improcedência  da impugnação, em decisão assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Exercício: 2004  EMPRESA  INAPTA.  CUSTOS  OU  DESPESAS.  GLOSA.  PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO.  Cabível  o  lançamento  decorrente  da  glosa  de  documentos  representativos  de  custos  ou  despesas,  emitidos  por  empresa  declarada  inapta  se  inexistir  efetiva  comprovação  de  que  o  adquirente  dos  bens,  direitos,  mercadorias  ou  tomador  do  serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens.  MULTA  ISOLADA.  ESTIMATIVA.  RECOLHIMENTO.  FALTA  OU INSUFICIÊNCIA.  No  caso  de  opção  pela  apuração  anual  do  IRPJ,  quando  o  sujeito  passivo  deixa  de  apurar  e  recolher  as  estimativas  mensais, é cabível o lançamento da multa isolada.  (...)  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS.  O  pedido  de  diligência  ou  perícia  deve  ser  denegado  se  estiverem presentes nos autos elementos de convicção suficientes  à adequada compreensão dos fatos.  MULTA  QUALIFICADA.  DOLO.  INTENÇÃO.  DEMONSTRAÇÃO.  Demonstrada  a  intenção  dolosa,  aplica­se  a  multa  de  ofício  qualificada.  CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO.  Para ter eficácia perante terceiros a cessão de crédito deve estar  embasada  em  contrato  público,  ou  contrato  particular  que  atenda  aos  requisitos  da  legislação  civil,  em  ambos  casos  devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos.  Irresignada,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  pedindo,  ao  final,  a  reforma da  decisão  de  primeira  instância,  sob  as  seguintes  alegações,  em  síntese  (fl.  8379  e  ss.):  Fl. 8452DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 8          7 a)  é  nulo  o  lançamento,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  tendo  em  conta  que  o  auditor fiscal deixou de apreciar os elementos de prova ofertados pela fiscalizada;  b)  é nula a decisão de primeira instância, também por cerceamento do direito de defesa,  haja  vista  o  indeferimento  de  seu  pedido  para  realização  de  perícia,  a  qual  revelava­se  indispensável ao julgamento da impugnação;  c)  os  atos  declaratórios  exarados  pelo  fisco,  acerca  da  suposta  inidoneidade  dos  documentos  emitidos pelas  empresas  fornecedoras da  contribuinte,  não  podem  retroagir para  alcançar operações  realizadas antes da data de sua publicação. Ademais,  em violação ao que  determina o art. 80, § 4º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2010, as  referidas declarações de  inidoneidade não foram divulgadas no sítio da Secretaria da Receita  Federal na internet;  d)  o  lançamento  foi  efetuado  pela  simples  presunção  de  que,  tendo  as  empresas  fornecedoras da contribuinte sido declaradas inaptas, as operações de aquisição de mercadorias  não teriam efetivamente ocorrido. Tal presunção, todavia, não pode prevalecer uma vez que há  nos  autos  farta  comprovação  da  efetividade  daquelas  operações  de  compra,  tais  como  comprovantes  de  recebimento  dos  produtos  adquiridos  e  comprovantes  dos  respectivos  pagamentos;  e)  é incabível a exigência de multa isolada, especialmente a qualificada, quando houver  concomitantemente o lançamento da multa de ofício, como no caso presente;  f)  incabível, também, a exigência de multa de ofício qualificada, uma vez que não houve  intuito de fraude por parte da contribuinte.  Pede  ainda  a  recorrente  a  realização  de  perícia  a  fim  de  que  sejam  respondidos os quesitos indicados à fl. 8440 e ss.  Voto             Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator.  Registre­se em primeiro  lugar que as  remissões às  folhas do processo feitas  neste voto referem­se à numeração digital.  1) Da Admissibilidade do Recurso  O  recurso  atende  aos  pressupostos  processuais  de  admissibilidade  estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele deve­se tomar conhecimento.  2) Da Preliminar de Nulidade do Lançamento ­ Cerceamento do Direito de Defesa  Pede a interessada seja declarado nulo o lançamento, por cerceamento de seu  direito  de  defesa,  sob  o  argumento  de  que  a  autoridade  fiscal  não  teria  examinado  os  documentos por ela apresentados ao longo da fase de fiscalização.  Fl. 8453DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 9          8 Não assiste razão à recorrente. De fato, como é possível observar no abaixo  transcrito  trecho  do  termo  de  verificação  fiscal,  a  autoridade  examinou  os  documentos  apresentados pela interessada (fl. 5126):  Diante destas  irregularidades a  fiscalização efetuou diligências  em parte  das  empresas  fornecedoras,  e  o  resultado  da maioria  delas  foi:  constatação  de  inexistência  de  fato  com proposta  de  Inaptidão.  As  notas  fiscais  emitidas  por  tais  empresas  foram  consideradas  inidôneas.  Houve  emissão  e  utilização  farta  de  notas  fiscais  inidôneas  anexadas  às  folhas  333  a  3161,  juntamente com pagamentos apresentados e cartas de cessão de  crédito.  Para  melhor  análise,  e  formação  de  convicção,  foram  anexados,  também,  cópias  dos  relatórios  lavrados  quando  da  realização  das  referidas  diligências  (folhas  3162  a  3479)  .  (Grifamos)  O contribuinte apresentou cópias de bilhetes de pesagem e guias  "RPA"  ­  Recibo  de  pagamentos  a  autônomos.  Porém,  tais  documentos  não  são  suficientes  para  comprovar  a  entrada  da  mercadoria.  em  seu  estabelecimento.  Neste  sentido,  há  os  acórdãos  14­21.906,  14­22.212,  14­21.953,  14­22.125  e  14­ 22.126 prolatados pela 4 a truma da DRJ/RPO, e o acórdão 14­  22.117  prolatado  pela  2  a  turma  da  DRJ/RPO,  os  quais  prescrevem o seguinte: (Grifamos)  (...)  Ademais, segundo jurisprudência pacífica deste Conselho, não há que se falar  em  cerceamento  do  direito  defesa  do  sujeito  passivo  por  atos  praticados  pela  autoridade  durante a ação fiscal.  Como  é  cediço,  o  procedimento  fiscal  é  regido  pelo  princípio  inquisitório.  Nesta fase deve ao auditor verificar se o sujeito passivo encontra­se, ou não, adimplente com  suas obrigações tributárias principal e acessórias. Ao sujeito passivo compete, apenas, atender  às intimações fiscais que lhe forem dirigidas.  O  direito  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório  é  garantido  somente  na  fase  litigiosa quando, não se conformando com a autuação, o sujeito passivo propõe impugnação ao  feito fiscal. É o que se extrai do disposto no art. 14 do Decreto nº 70.235/72, verbis:  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  Em outras palavras, não há que se falar propriamente em existência de litígio  durante a fase do procedimento fiscalizatório, daí porque nesta fase o sujeito passivo não pode  ser qualificado como litigante.  Não  é  outro  também  o  entendimento  que  se  dessume  do  art.  5º,  LV,  da  Constituição  da República,  aludido  pela  defesa. De  fato,  como  estampado  naquela  norma,  o  direito ao contraditório e à ampla defesa é garantido aos “litigantes”, no âmbito de “processos”  judiciais ou administrativos, e não em “procedimentos” administrativos.  Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  Fl. 8454DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 10          9 residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (Grifamos)  (...)  Pelo  acima  exposto,  voto  por  indeferir  a  preliminar  de  nulidade  do  lançamento suscitada pela defesa.  3) Da Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida ­ Indeferimento do Pedido de Perícia  Pede a interessada seja declarada a nulidade da decisão recorrida em razão de  órgão  de  primeiro  grau  haver  indeferido  o  pedido  de  perícia  formulado  na  impugnação,  cerceando, assim, o seu direito de defesa.  Sobre  o  pedido  de perícia  o  art.  18,  caput,  do Decreto  nº  70.235/72,  assim  estabelece:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifamos)  (...)  Como  se  depreende  da  norma  sob  exame,  o  indeferimento  do  pedido  de  perícia não é causa, por si só, de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa. O  vício em questão somente ocorreria acaso o órgão julgador deixasse de expor as razões pelas  quais  entendeu  desnecessária  ou  impraticável  a  providência,  algo  que,  no  caso,  não  ocorreu,  conforme se vislumbra no trecho da decisão de primeiro grau abaixo transcrito (fl. 8367):  No  que  diz  respeito  ao  pedido  de  perícia,  entendo  que  é  desnecessário  seu  acolhimento,  em  face  de  que  as  informações  requisitadas  pela  Resolução  n.  1.275,  de  9/10/2009,  objeto  da  intimação de 4/4/2011, têm a mesma natureza do que pleiteou a  contribuinte (fls. 7703/7706, 7749/7750).  (...)  Isso posto, voto por indeferir a preliminar de nulidade da decisão de primeiro  grau.  3) Do Pedido de Perícia  Em seu recurso voluntário a interessada renova seu pedido de perícia, a fim  de que sejam respondidos os seguintes quesitos (fl. 8397 e ss.):  Fl. 8455DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 11          10 1)  As  mercadorias  constantes  nas  notas  fiscais  cujos  valores  foram glosados,  efetivamente deram entrada na empresa,  como  comprovam  os  conhecimentos,  fretes,  romaneios,  registros  fiscais e contábeis?  2)  Existem  pagamentos,  devidamente  comprovados  das  mercadorias objeto das notas fiscais glosadas?  3) Os estoques iniciais e finais no período objeto da ação fiscal,  guardam  proporção  com  as  compras  e  saídas,  levando  em  consideração as notas fiscais glosadas?  4)  A  empresa  mantinha  controle  efetivo  das  entradas,  saídas,  produtos  em  elaboração  e  acabados?  Se  positivo,  são  compatíveis com as mercadorias compradas, cujas notas fiscais  foram rejeitadas pelo fisco?  5)  A  fiscalização  para  formalizar  o  lançamento,  realizou  levantamento fiscal, objetivando a exatidão das compras, saídas  e estoques no período fiscalizado?  Os quesitos que a  interessada deseja ver  respondidos  são,  todos,  relativos a  matéria contábil. Ocorre que, sendo o CARF um órgão especializado no julgamento de litígios  tributários, seus membros detêm competência para se pronunciarem sobre questões contábeis,  sendo portanto incabível o deferimento de pedido de perícia quanto a essa matéria.  Ademais, como se verá ao longo dos próximos itens deste voto, os elementos  acostados  aos  autos  durante  a  fase  de  fiscalização,  acrescidos  daqueles  juntados  quando  da  realização da diligência solicitada pelo órgão de primeiro grau, são suficientes à formação da  convicção do julgador.  Isso posto, voto por indeferir o pedido de perícia.  4) Dos Atos Declaratórios de Inaptidão dos Fornecedores  Parte  dos  custos  escriturados  pela  contribuinte  no  ano­calendário  de  2004,  referentes  à  aquisição  de  couro  bovino  junto  aos  16  fornecedores  indicados  no  termo  de  verificação  fiscal,  foi  glosada  pelo  auditor  sob  o  argumento  de  que  essas  aquisições  efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos  autos.  Referida  glosa  (fl.  5135  e  fls.  8328/8341)  corresponde  a  aproximadamente  10,8% do  total dos custos informados pela autuada em sua DIPJ/2005 (fl. 8303).  Em  seu  recurso  voluntário  a  interessada  alega  que  os  atos  declaratórios  de  inaptidão  de  seus  fornecedores  foram  exarados  a  partir  de  2008,  daí  porque  não  poderiam  produzir  efeitos  retroativamente  para  alcançar  operações  efetuadas  em  2004,  conforme  decidido  pelo  STJ  nos  autos  do  REsp  1.148.444–MG.  Argumenta,  ainda,  que  não  há  ato  declaratório para alguns dos 16 fornecedores apontados pelo auditor, e que, para os demais, os  atos padecem de vício formal pois não foram publicados no sítio da RFB na internet, conforme  previsto no art. 80, § 4º, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 11.941/2009.  Pois bem, sobre o assunto os arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430/96, em sua redação  original, assim estabelecem:  Fl. 8456DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 12          11 Art.  81.  Poderá,  ainda,  ser  declarada  inapta,  nos  termos  e  condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição  da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual  de  imposto  de  renda  em  um  ou  mais  exercícios  e  não  for  localizada  no  endereço  informado  à  Secretaria  da  Receita  Federal, bem como daquela que não exista de fato. (Grifamos)  Art.  82.  Além  das  demais  hipóteses  de  inidoneidade  de  documentos  previstos  na  legislação,  não  produzirá  efeitos  tributários  em  favor  de  terceiros  interessados,  o  documento  emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de  Contribuintes  tenha  sido  considerada  ou  declarada  inapta.  (Grifamos)  Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos  em  que  o  adquirente  de  bens,  direitos  e  mercadorias  ou  o  tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do  preço  respectivo  e  o  recebimento  dos  bens,  direitos  e  mercadorias ou utilização dos serviços.  O art. 81  acima  transcrito  trata das hipóteses de declaração de  inaptidão da  inscrição de uma pessoa jurídica junto ao Cadastro Geral de Contribuintes ­ CGC (atualmente  denominado de Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ). Entre essas hipóteses, a que  mais nos interessa no presente caso é a da pessoa jurídica inexistente de fato, ou seja, aquela  pessoa que não possui existência real (estabelecimento, bens necessários à consecução de seus  objetivos etc), mas apenas formal (registro dos atos constitutivos, inscrição estadual, inscrição  no federal etc.).  Já o art. 82 cuida de um dos efeitos da declaração de inaptidão, qual seja, a  presunção  de  inidoneidade  dos  documentos  emitidos  pela  pessoa  jurídica  declarada  inapta,  ressalvada  ao  sujeito  passivo  a  produção  de  prova  em  contrário.  Trata­se  aqui  de  presunção  legal  relativa  cujo  efeito,  como  é  cediço,  é  a  inversão  do  ônus  da  prova.  Em  assim  sendo,  declarada a inaptidão da pessoa jurídica, caberá ao interessado que com ela manteve negócios  comprovar  o  recebimento  dos  bens  e  o  respectivo  pagamento,  sem  o  que  poderá  o  fisco  presumir que aqueles negócios efetivamente não ocorreram.  Embora  tratando de  questão  relativa  à  legislação  do  ICMS,  em  especial  do  art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, a decisão do STJ apontada pela recorrente, exarada  no  âmbito  do  REsp  1.148.444–MG,  vai  ao  encontro  do  estabelecido  no  art.  82  da  Lei  nº  9.430/96, conforme ementa a seguir transcrita:  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  CRÉDITOS  DE  ICMS.  APROVEITAMENTO  (PRINCÍPIO  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE).  NOTAS  FISCAIS  POSTERIORMENTE  DECLARADAS  INIDÔNEAS.  ADQUIRENTE DE BOA­FÉ.  1. O  comerciante  de boa­fé  que  adquire mercadoria,  cuja  nota  fiscal  (emitida  pela  empresa  vendedora)  posteriormente  seja  declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito  do  ICMS  pelo  princípio  da  não­cumulatividade,  uma  vez  demonstrada  a  veracidade  da  compra  e  venda  efetuada,  Fl. 8457DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 13          12 porquanto  o  ato  declaratório  da  inidoneidade  somente  produz  efeitos a partir de sua publicação (...) (Grifamos)  (...)  3. In casu, o Tribunal de origem consignou que:  "(...)os  demais  atos  de  declaração  de  inidoneidade  foram  publicados  após  a  realização  das  operações  (f.  272/282),  sendo  que  as  notas  fiscais  declaradas  inidôneas  têm  aparência  de  regularidade,  havendo  o  destaque  do  ICMS  devido,  tendo  sido  escrituradas  no  livro  de  registro  de  entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há,  nos  autos,  comprovantes  de  pagamento  às  empresas  cujas  notas  fiscais  foram declaradas  inidôneas  (f. 163, 182, 183,  191,  204),  sendo  a  matéria  incontroversa,  como  admite  o  fisco e entende o Conselho de Contribuintes ."  4. A boa­fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas  inidôneas  após  a  celebração  do  negócio  jurídico  (o  qual  fora  efetivamente  realizado),  uma  vez  caracterizada,  legitima  o  aproveitamento dos créditos de ICMS. (Grifamos)  5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a  insurgência  especial  fazendária  reside  na  tese  de  que  o  reconhecimento,  na  seara  administrativa,  da  inidoneidade  das  notas  fiscais  opera  efeitos  ex  tunc,  o  que  afastaria a  boa­fé  do  terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136,  do CTN.  6.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  A  fim  de  esclarecer  a  decisão  acima  referida,  há  que  se  dizer  que  o  mencionado art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, abaixo transcrito, ao contrário do art. 82,  parágrafo  único,  da  Lei  nº  9.430/96,  não  ressalva  a  possibilidade  de  o  interessado  produzir  prova em contrário à presunção de não ocorrência dos negócios  registrados nas notas  fiscais  declaradas inidôneas.  Art.  23. O  direito  de  crédito,  para  efeito  de  compensação  com  débito  do  imposto,  reconhecido  ao  estabelecimento  que  tenha  recebido as mercadorias ou para o qual  tenham sido prestados  os serviços, está condicionado à idoneidade da documentação e,  se  for  o  caso,  à  escrituração  nos  prazos  e  condições  estabelecidos na legislação. (Grifamos)  Ao interpretar a referida norma o fisco estadual entendeu que ela estabelecia  uma  presunção  legal  absoluta,  que,  como  tal,  não  admite  prova  em  contrário  por  parte  do  interessado  no  crédito,  não  importando  se  a  nota  fiscal  havia  sido  emitida  antes  ou  após  a  publicação do ato que a declarou inidônea.  Por meio da decisão acima mencionada o STJ flexibilizou a interpretação do  fisco estadual, mas, s.m.j., somente em relação às notas fiscais emitidas antes da publicação do  ato que as declarou inidôneas. Em relação a esses casos, entendeu a Corte que o creditamento  do ICMS seria admitido, desde que o interessado no crédito comprovasse a efetiva realização  Fl. 8458DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 14          13 da operação. Dito de outro modo, nestes casos permanece a presunção legal de inidoneidade da  nota fiscal e, portanto, é vedado o creditamento do ICMS, facultado ao contribuinte produzir  prova  em  contrário,  caso  em  que  fará  jus  ao  crédito.  Trata­se,  assim,  de  presunção  legal  relativa.  Já  em  relação  às  notas  fiscais  emitidas  após  à  publicação  do  ato  que  as  declarou  inidôneas,  parece­me,  pela  leitura  do  inteiro  teor  do  REsp  1.148.444–MG,  que  a  interpretação emprestada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996 é de que se trata  de  presunção  legal  absoluta,  como  defendido  pelo  fisco  estadual,  sendo  por  conseguinte  incabível o creditamento do ICMS, ainda que o adquirente viesse a comprovar a efetividade da  operação.  Seja como for, no presente processo administrativo não há dúvida de que as  notas  fiscais  objeto  da  glosa  foram  emitidas  pelos  fornecedores  da  contribuinte  antes  de  publicados os atos declaratórios de  sua  inidoneidade. Em assim sendo,  seja com base no art.  82, parágrafo único, da Lei n 9.430/96, seja com base na interpretação dada pelo STJ ao art. 23  da Lei Complementar nº 87/1996, aquelas notas fiscais são inidôneas à comprovação dos atos  nelas registrados, facultado à contribuinte a produção de prova em contrário.  E  foi  exatamente  isso  que  a  ora  recorrente  procurou  fazer  desde  a  fase  de  fiscalização até a presente fase recursal. Tais provas, contudo, foram consideradas, tanto pela  autoridade lançadora quanto pela autoridade julgadora de primeiro grau, como insuficientes à  comprovação do recebimento das mercadorias e do pagamento do respectivo preço. Isso posto,  no  âmbito  do  presente  recurso,  em  que  a  interessada  reitera  seus  argumentos,  caberá  a  esta  Turma  decidir,  pelo  exame  dos  elementos  juntados  aos  autos  pela  contribuinte,  se  esta  se  desincumbiu do ônus de provar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço.  Mas  há  mais.  A  rigor,  uma  vez  que  a  autoridade  fiscal  também  produziu  provas que, sob sua ótica, são suficientes à comprovação de que as operações sob exame não  ocorreram  (em  especial,  diligências  juntos  aos  fornecedores  da  contribuinte),  sequer  haveria  necessidade, ao menos para os fins do presente processo, que propusesse às DRFs competentes  a declaração de inaptidão das pessoas jurídicas fornecedoras (vide processos de representação à  fl. 3461 e ss.).  De  fato,  é  preciso  ter  em  conta  que  uma  das  principais  funções  do  ato  declaratório de inaptidão da pessoa jurídica “A” é dispensar o auditor, que esteja fiscalizando a  pessoa  jurídica  “B”,  de  produzir  prova  da  inidoneidade  das  notas  fiscais  emitidas  por  “A”.  Assim, basta  ao  auditor  acostar  aos  autos  o  ato  declaratório de  inaptidão de  “A” para que o  ônus  da  prova  se  inverta,  cabendo  então  a  “B”  fazer  prova  do  recebimento  da  mercadoria  adquirida junto a “A” e do pagamento do preço.  Mas, como já afirmado, no caso dos autos o auditor não lastreou sua autuação  exclusivamente nos atos declaratórios de inaptidão dos fornecedores da contribuinte. Muito ao  contrário,  cuidou  de  colacionar  elementos  materiais  que,  em  seu  entender,  provam  a  não  ocorrência  das  operações  descritas  nas  notas  fiscais  glosadas.  Em  assim  sendo,  a  alegada  inexistência de ato declaratório para alguns  fornecedores, bem como a  suposta ocorrência de  vício formal nos atos declaratórios dos demais fornecedores (não publicação no sítio da RFB  na internet), de modo algum seriam suficientes para afastar­se, de pronto, o lançamento.  Resumindo, a existência e validade dos atos declaratórios de inaptidão dos 16  fornecedores da contribuinte são questões cuja solução de modo algum porá fim ao litígio de  Fl. 8459DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 15          14 que  cuida  o  presente  processo  pois  o  lançamento,  em  tese,  poderia  se  sustentar  apenas  nos  elementos  de  prova  trazidos  aos  autos  pelo  fisco.  Nesse  sentido,  o  litígio  somente  será  solucionado  por  meio  do  exame  e  da  valoração  dos  elementos  de  prova  trazidos  pela  recorrente, pela fiscalização e pela diligência solicitada pela DRJ. É o que se passa a fazer.  5) Do Exame dos Elementos de Prova  Em  seu  termo  de  verificação  fiscal  (fl.  5125  e  ss.)  o  auditor  afirma  serem  inidôneas, para fins de comprovar as transações nelas registradas, as notas fiscais apresentadas  pela contribuinte para amparar a dedução de custos relativos à aquisição de couro bovino junto  a 16 fornecedores deste produto. Lastreia sua afirmação nos fatos por ele apurados quando da  realização de diligências  junto aos  fornecedores  (fls. 3462/3780), bem como em documentos  apresentados pela contribuinte em resposta a intimações fiscais a ela dirigidas (fls. 334/3461 e  fls. 3803/5044). A relação dos custos glosados encontra­se às fls. 3781 a 3802.  A contribuinte, por sua vez, contesta a mencionada glosa de custos mediante  a apresentação de elementos que, a seu juízo, comprovam tanto a efetiva entrega da mercadoria  quanto  o  respectivo  pagamento.  Em  anexo  a  sua  impugnação  a  interessada  juntou  os  documentos  já  apresentados  durante  a  fiscalização, mas  de  uma  forma mais  organizada  (fls.  5232/7658).  Argumenta  ainda  que  adquiriu  os  produtos  de  boa­fé,  e  que  não  pode  ser  responsabilizada por eventuais irregularidades cometidas por seus fornecedores.  O julgamento de primeiro grau foi convertido em diligência, havendo, então,  a autoridade fiscal designada, juntado aos autos o relatório de diligência e os documentos que  serviram de base à resposta aos quesitos formulados pela DRJ (fl. 7707/8360).  Não foi apresentada pela interessada contrarrazões ao relatório de diligência.  O  órgão  a  quo  julgou  improcedente  a  impugnação.  A  recorrente  não  apresentou  novos  elementos de prova em anexo ao voluntário.  Dito  isso,  passemos ao  exame dos  elementos de prova presentes nos  autos,  relativamente  a  cada  um  dos  fornecedores  investigados.  No  item  6  do  voto  trataremos  de  valorar as provas aqui examinadas.  5.1) Alexandra Nagle Gonçalves dos Reis Rodrigues  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3461 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  a atividade declarada é o comércio varejista de carnes (açougue), e não o comércio de  couros;  b)  não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Jacareí – SP;  c)  o proprietário do imóvel onde deveria funcionar a empresa declarou que o contrato de  locação encerrou­se em dezembro de 2003, não tendo sido renovado;  d)  consta como “não habilitado”, desde 31/12/2003, no cadastro do Fisco paulista;  Fl. 8460DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 16          15 e)  os pagamentos  realizados  em  razão da  aquisição do  couro pela ora  recorrente  foram  feitos a terceiro, por meio de cessão de crédito;  f)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  06/11/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 31/12/2003.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 5232 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  07/10/2004,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de  R$  54.600,00,  emitidas  pelo  fornecedor no mês de março de 2004;  c)  comprovante  bancário  de  pagamento  feito  à  NEC Negócios  Complementares  Ltda.,  acompanhado  de  instrumento  de  cessão  de  crédito  do  fornecedor  (cedente)  a  essa  empresa  (cessionário);  d)  ticket de pesagem de carga emitido pela própria  recorrente,  e recibo de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  o  fornecedor,  supostamente  domiciliado  em  Jacareí  –  SP,  cedeu  seu  crédito  à NEC  Negócios Complementares Ltda., que se encontra domiciliada em Belo Horizonte – MG;  b)  a NEC Negócios Complementares Ltda.  também aparece como cessionária de outros  fornecedores  da  recorrente  que  também  tiveram  notas  fiscais  glosadas  no  âmbito  deste  processo, tais como, Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda. e Karla Patrícia Lessa  Paim.  5.2) Comercial St. Paul Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3522 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São Paulo – SP;  b)  seus  sócios  não  possuem  capacidade  econômica  para  realização  das  atividades  da  empresa;  c)  os  sócios outorgaram a  terceiro amplos poderes de administração da pessoa  jurídica,  indicando interposição de pessoas;  d)  o  Fisco  paulista  declarou  como  inidôneos  os  documentos  emitidos  pela  empresa  a  partir de 09/12/2003;  Fl. 8461DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 17          16 e)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  f)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  27/02/2009, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 25/09/2002.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 5241 e ss.):  a)  extrato de consulta ao CNPJ realizada em 30/07/2008, onde consta que naquela data o  fornecedor encontrava­se em situação “ativo” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de R$  4.951.599,21,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de abril e agosto de 2004;  c)  comprovantes  bancários  de  pagamentos  feitos  à  terceiros,  acompanhados  dos  respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu, que vem a ser parente da esposa do Sr.  Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que  o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro;  b)  a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que também vem a ser parente da esposa do Sr.  Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora autuada, figurou como cessionária de créditos que  o fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro;  c)  a cessionária Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda. recebeu créditos,  na  mesma  condição,  de  outros  fornecedores  que  também  tiveram  notas  fiscais  glosadas  no  âmbito deste processo, tais como, M J Aragão Cruz, Montana Comércio de Óleos Ltda. e WG  Couros Ltda.  5.3) Frigorífico Alta Noroeste Ltda. ­ Frigoan  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3554 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Araçatuba ­ SP;  b)  seus  sócios  não  possuem  capacidade  econômica  para  realização  das  atividades  da  empresa;  c)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  Fl. 8462DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 18          17 d)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  13/06/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 27/12/2002.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 5842 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  19/10/2005,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de R$  2.044.380,40,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de março e agosto de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos  instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004;  b)  a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson  Riga  Vitale,  sócio  majoritário  da  ora  autuada,  figurou  como  cessionária  de  créditos  que  o  fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro;  c)  as  cessionárias  Ibituruna  Couros  Ltda.  ME  e  Norte  Sul  Comércio  de  Couros  Ltda.  receberam  créditos,  na  mesma  condição,  de  outros  fornecedores  que  também  tiveram  notas  fiscais  glosadas  no  âmbito  deste  processo,  tais  como,  Comércio  de  Couros  Celeste  Ltda.  e  Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda.;  d)  também  figurou  como  cessionária  de  créditos  a  empresa  Lacerda Couros  Ltda.,  que  aparece como fornecedor investigado nos autos deste processo.  5.4) Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda. (Itacouros)  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3577 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  seu domicílio tributário, em Itabuna – BA, sequer existe fisicamente;  b)  os sócios da empresa não foram encontrados em seus domicílios tributários;  c)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  Fl. 8463DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 19          18 d)  o Sr. Francisco Barros Montes e a empresa Curtume Souza Ltda., que figuram como  cessionários de créditos do fornecedor, afirmaram que nunca mantiveram relações comerciais  com este;  e)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  23/03/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 27/12/1999.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 5982 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  21/07/2003,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de R$  1.632.972,00,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de janeiro e setembro de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos  instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004;  b)  a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson  Riga  Vitale,  sócio  majoritário  da  ora  autuada,  figurou  como  cessionária  de  créditos  que  o  fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro;  c)  os  cessionários  Manoel  Medici  de  Souza,  Norte  Sul  Comércio  de  Couros  Ltda.  e  Jadelson  Sardinha Brandão  receberam  créditos,  na mesma  condição,  de  outros  fornecedores  que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo,  tais como, M J Aragão  Cruz ME, Marfabi Agro Comercial Ltda., Nelore Couros Ltda., Comércio de Couros Celeste  Ltda. e Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda.;  5.5) M J Aragão Cruz ME (M A Comércio de Couros)  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3616 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Mata de São João – BA;  b)  o  titular  da  firma  individual  informou  que  inicialmente  o  objeto  da  empresa  era  o  comércio de carnes (açougue), mas que essa atividade encerrou­se em 2002, e a partir de então  passou  a  eventualmente  representar  a  empresa  Sergicouros  na  venda  de  couro,  onde  recebia  apenas comissão;  Fl. 8464DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 20          19 c)  afirmou  também  desconhecer  a  emissão  de  aproximadamente  R$  15.000.000,00  em  notas fiscais de sua empresa;  d)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  e)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  27/03/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 24/04/2002;  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 6080 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  27/09/2004,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação das notas  fiscais glosadas, no valor  total de R$ 10.989.000,00, emitidas pelo  fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos  instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004;  b)  diversas notas fiscais em seqüência numérica e valores idênticos;  c)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  pela  recorrente  a  este  fornecedor  se  deu  em  valores muito inferiores àqueles constantes das notas fiscais;  d)  há notas fiscais com numeração repetida;  e)  diversos pagamentos feitos via conta Caixa;  f)  baixas contábeis efetuadas no ano de 2006;  g)  na  condição  de  cessionária,  a  Sergicouros  transferiu  créditos  para  terceiros,  sem  encargos, após 17 meses da emissão da documentação fiscal pelo fornecedor.  5.6) Marfabi Agro Comercial Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3633 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São Paulo – SP;  Fl. 8465DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 21          20 b)  um dos sócios também não foi localizado em seu domicílio tributário. O outro afirmou  jamais haver participado como sócio em nenhuma empresa;  c)  o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de  11/07/2003;  d)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  e)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  04/03/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 16/06/2003.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 6786 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  03/11/2003,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de R$  1.725.955,50,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de janeiro e junho de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos  instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  não há informação sobre funcionários registrados no ano de 2004;  b)  apesar de estar supostamente domiciliado em São Paulo – SP, cedeu crédito a pessoas  supostamente  domiciliadas  em Aracaju  –  SE,  Belo Horizonte  ­ MG,  Bom Despacho  ­ MG,  Feira de Santana – BA.  5.7) Max Comércio de Couros Rio Preto Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3633 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  não foi encontrado em seu domicílio tributário, em São José do Rio Preto – SP;  b)  os sócios da empresa também não foram encontrados em seus domicílios tributários;  c)  o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de  17/06/2004;  Fl. 8466DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 22          21 d)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  e)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  31/01/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 17/06/2004.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 6900 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  03/03/2005,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de  R$  351.680,00,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de novembro e dezembro de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos  instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  a  cessionária  Norte  Sul  Comércio  de  Couros  Ltda.  recebeu  crédito,  na  mesma  condição, de outros  fornecedores que  também tiveram notas  fiscais glosadas no âmbito deste  processo,  tais  como,  Jadluc  Indústria  e  Comércio  de  Couros  Ltda.  e  Comércio  de  Couros  Celeste Ltda.  5.8) Montana Comércio de Óleos Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3759 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  o domicílio tributário informado à SRF, em São Paulo – SP, sequer existe fisicamente;  b)  um dos sócios não foi localizado em seu domicílio tributário. O outro afirmou jamais  haver participado como sócio em nenhuma empresa;  c)  o Fisco paulista declarou inidôneos os documentos emitidos pela empresa a partir de  26/04/2004;  d)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  e)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  12/02/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 10/03/2004.  Fl. 8467DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 23          22 Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 6929e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  31/08/2004,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de  R$  727.252,84,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de maio e agosto de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos  instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  a Sra. Beatriz Ramos Amorim Marini, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson  Riga  Vitale,  sócio  majoritário  da  ora  autuada,  figurou  como  cessionária  de  créditos  que  o  fornecedor mantinha junto a recorrente, por suposta venda de couro;  b)  foram baixados diversos valores via conta Caixa.  5.9) Pró Boi Comércio Importação e Exportação Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3652 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  o  estabelecimento  matriz  não  foi  encontrado  em  seu  domicílio  tributário,  em  Belo  Horizonte – MG. O mesmo se diga em relação à filial, que deveria estar domiciliada em Nova  Serrana – MG;  b)  o único sócio identificado também não foi localizado em seu domicílio tributário;  c)  o  Fisco  mineiro  “bloqueou”  a  empresa  em  27/04/2004  em  razão  de  seu  desaparecimento;  d)  o  Fisco  estadual  também  informou  que  o  Banco  do  Brasil  não  reconheceu  a  autenticação aposta nas guias de recolhimento antecipado do  ICMS na saída  interestadual de  couro bovino dos meses de junho a agosto de 2004, bem como do ICMS sobre as respectivas  operações de transporte, razão pela qual o imposto foi lançado de ofício;  e)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  f)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  13/03/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 01/01/2003.  Fl. 8468DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 24          23 Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 6986 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  15/10/2005,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “não habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de R$  3.678.150,00,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de março e agosto de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamento feito à terceiros, acompanhados dos respectivos  instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga;  e)  conhecimentos de transporte.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  ocorreram baixas contábeis nos anos de 2005 a 2007, tendo como origem notas fiscais  emitidas em 2004. Diversos valores baixados tiveram como contrapartida a conta “Caixa”;  b)  a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson  Riga  Vitale,  sócio  majoritário  da  ora  autuada,  figurou  como  cessionária  de  créditos  que  o  fornecedor mantinha  junto  a  recorrente,  por  suposta  venda  de  couro.  Intimada,  a  cessionária  declarou não ter realizado qualquer operação comercial ou financeira com o fornecedor.  5.10) Trajano Comércio de Óleos Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3705 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Taboão da Serra – SP;  b)  os sócios, intimados, informaram jamais haverem participado da sociedade;  c)  o Fisco paulista considerou  inidôneos os documentos emitidos pela pessoa jurídica a  partir de 20/07/2004;  d)  o pagamento realizado em razão da aquisição do couro pela ora recorrente foi feito a  terceiro por meio de cessão de crédito;  e)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  28/02/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 20/07/2004.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 7216 e ss.):  Fl. 8469DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 25          24 a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  14/04/2008,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “não habilitado” neste cadastro;  b)  indicação  da  única  nota  fiscal  glosada,  no  valor  de  R$  105.977,25,  emitida  pelo  fornecedor no mês de setembro de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamentos feitos ao terceiro, acompanhados do respectivo  instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àquele (cessionário);  d)  ticket de pesagem de carga emitido pela própria recorrente.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  a cessionária  Indústria de Rações Bondespachense Ltda.  recebeu créditos, na mesma  condição,  de  outro  fornecedor  que  também  teve  notas  fiscais  glosadas  no  âmbito  deste  processo, qual seja, Marfabi Agro Comercial Ltda.  5.11) WG Couros Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no processo de representação para  inaptidão da empresa (fl. 3727 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  não foi encontrado em seu domicílio tributário, em Esmeraldas – MG;  b)  os sócios da empresa também não foram encontrados em seus domicílios tributários;  c)  o  Fisco  mineiro  informou  que  a  pessoa  jurídica  encontra­se  bloqueada  desde  01/12/2006;  d)  em razão dos fatos acima expostos foi declarado inapto pela SRF por ato publicado em  24/03/2008, em razão de sua inexistência de fato,  tendo os documentos por ele emitidos sido  considerados inidôneos a partir de 22/05/2001.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 7224 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  16/06/2006,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de R$  4.927.500,00,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de janeiro e dezembro de 2004;  c)  comprovantes  bancários  de  pagamentos  feito  ao  terceiro  R.S.P.  Fomento  Mercantil  Ltda.,  acompanhados  dos  respectivos  instrumentos  de  cessão  de  crédito  do  fornecedor  (cedente) àquele (cessionário);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Fl. 8470DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 26          25 Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  ocorreram  diversas  baixas  contabilizadas  ao  longo  dos  anos  de  2005  e  2006,  destacando­se o lançamento efetuado em 19/07/2005;  b)  a Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson  Riga  Vitale,  sócio  majoritário  da  ora  autuada,  figurou  como  cessionária  de  créditos  que  o  fornecedor mantinha  junto  a  recorrente,  por  suposta  venda  de  couro.  Intimada,  a  cessionária  declarou não ter realizado qualquer operação comercial ou financeira com o fornecedor;  c)  cessões de créditos contendo redação semelhante às emitidas por outras “noteiras”;  d)  pagamentos de duplicatas efetuados à Marfrig.  5.12) Lacerda Couros Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), e nos documentos a eles anexados  (em especial fl. 3251 e ss.):  a)  supostamente domiciliada em Nova Era – MG;  b)  apenas R$  50.000,00,  referente  a  parte  de  uma  nota  fiscal  de  venda  de  couro  à  ora  requerente, no valor de R$ 126.000,00, foi objeto de exame pela fiscalização;  c)  cedeu a parte do crédito acima referido à Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu,  que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora recorrente;  d)  intimada,  a  Sra.  Virgínia  Célia  Ramos  Amorim  Gazineu  (cessionária)  negou  a  existência  de  qualquer  relação  comercial  com  o  fornecedor  em  questão  (cedente),  que  justificasse a cessão do crédito.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 7633 e ss.):  a)  relação de notas  fiscais, no valor  total de R$ 5.215.500,00, emitidas pelo  fornecedor  entre os meses de março e novembro de 2004;  b)  comprovante  bancário  de  pagamento  feitos  ao  terceiro,  acompanhado  do  respectivo  instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àquele (cessionário);  c)  ticket de pesagem de carga emitido pela própria  recorrente,  e  recibo de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  o suposto fornecedor cedeu o crédito à Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu,  que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora recorrente.  Fl. 8471DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 27          26 5.13) Karla Patrícia Lessa Paim  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), e nos documentos a eles anexados  (em especial fl. 3319 e ss. e fl. 3350 e ss.):  a)  supostamente domiciliado em Sabará – MG;  b)  apenas  duas  notas  fiscais  de  venda  de  couro  à  ora  requerente,  no  valor  de  R$  138.000,00 e R$ 138.300,00, respectivamente, foram objeto de exame pela fiscalização;  c)  cedeu  parte  do  crédito,  no  valor  de  R$  253.103,00,  à  Sra.  Virgínia  Célia  Ramos  Amorim Gazineu, que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário  da ora recorrente;  d)  intimada,  a  Sra.  Virgínia  Célia  Ramos  Amorim  Gazineu  (cessionária)  negou  a  existência  de  qualquer  relação  comercial  com  o  fornecedor  em  questão  (cedente),  que  justificasse a cessão do crédito.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 7643 e ss.):  a)  relação  de  notas  fiscais,  no  valor  total  de  R$  783.700,00,  emitidas  pelo  fornecedor  entre os meses de outubro e novembro de 2004;  b)  comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros, acompanhados do respectivo  instrumento de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  c)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  o suposto fornecedor cedeu o crédito à Sra. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu,  que vem a ser parente da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio majoritário da ora recorrente.  5.14) Comércio de Couros Celeste Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), no relatório da diligência realizada  pelo Fisco estadual (fl. 3771 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  seu  domicílio  tributário,  localizado  em  Pirangi  –  SP,  não  reúne  condições  de  infraestrutura para o exercício do comércio de couro;  b)  sócio  gerente,  entrevistado  pela  fiscalização  paulista,  demonstrou  não  possuir  conhecimento dos negócios da empresa;  c)  em agosto de 2004 adquiriu couro  junto à empresa Comércio de Couros Marapoama  Ltda., a qual encontra­se na situação “não localizada” desde 05/09/2003;  Fl. 8472DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 28          27 d)  em  setembro  de 2004  adquiriu  couro  junto  à  empresa Minalva Comércio  de Couros  Ltda.,  sendo  que  nas  respectivas  notas  fiscais  constam  como  transportadores  dessas  mercadorias  veículos  sem  capacidade  de  transporte,  tais  como motocicletas  e  automóveis  de  passeio, bem como veículos cujo registro não foi encontrado;  e)  documentação obtida junto à ora recorrente, relativa às notas fiscais nos 001 a 006, 030  e 031, aponta que os pagamentos por estas  supostas aquisições  foram efetuados diretamente,  por  transferências  bancárias,  à  empresa  Norte  Sul  Comércio  de Couros  Ltda.,  localizada  no  município de Campo Belo ­ MG. Não existe documento que aponte a existência de qualquer  relação  comercial  entre  este  fornecedor  (cedente)  e  Noite  Sul  Com.  de  Couros  Ltda.  (cessionário) que pudesse justificar tais transferências de numerário;  f)  pelo acima exposto todos os documentos emitidos pelo fornecedor foram considerados  inidôneos pelo Fisco estadual.  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 7546 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  26/10/2004,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de  R$  558.440,00,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de agosto e setembro de 2004;  c)  comprovantes  bancários  de  pagamentos  feitos  a  terceiros,  acompanhados  dos  respectivos instrumentos de cessão de crédito do fornecedor (cedente) àqueles (cessionários);  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  não há registro de empregados para este fornecedor no ano de 2004;  b)  a Norte Sul Comércio de Couros Ltda., principal cessionária, também recebeu valores  provenientes  das  “noteiras”  Frigoan  Frigorífico  Alta  Noroeste  Ltda.  e  Jadluc  Indústria  e  Comércio de Couros Ltda.  c)  ademais, a Norte Sul Comércio de Couros Ltda. é domiciliada no município de Campo  Belo ­ MG, ao passo que a cedente tem como endereço propriedade rural localizada em Pirangi  – SP.  5.15) Nelore Couros Ltda.  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.), e nos documentos a eles anexados:  a)  supostamente domiciliado em Conselheiro Lafaiete, MG;  Fl. 8473DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 29          28 b)  foi considerado como “não habilitado” pelo Fisco estadual em 01/08/2003, em razão  de seu “desaparecimento” (fl. 3777);  c)  foi considerado “inapto” pela SRF em razão de sua condição de omisso não localizado,  conforme ato publicado em 20/07/2004, com efeitos a partir de 11/02/1999 (fl. 3778);  d)  boa  parte  dos  pagamentos  realizados  em  razão  da  aquisição  do  couro  pela  ora  recorrente foi feita a terceiros por meio de cessão de crédito;  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 7598 e ss.):  a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  05/02/2004,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de  R$  540.000,00,  emitidas  pelo  fornecedor no mês de janeiro de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros;  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  não há informação sobre funcionário registrados pelo fornecedor em 2004;  b)  os cessionários Jadelson Sardinha Brandão, Manoel Medici de Souza, Carlos Chaves  Rego Jr. e Cláudio César Bueno Henrique receberam créditos, na mesma condição, de outros  fornecedores que também tiveram notas fiscais glosadas no âmbito deste processo, tais como,  Jadluc  Indústria  e Comércio  de Couros  Ltda., Marfabi Agro Comercial  Ltda.  e M  J Aragão  Cruz ME;  c)  foram  ainda  constatadas  algumas  anormalidades,  como  notas  fiscais  emitidas  em  seqüência numérica, a maioria com valores idênticos e descontos elevados.  5.16) Santos Soares Dias  Sobre  o  fornecedor  acima  referido  constam,  entre  outras,  as  seguintes  informações no termo de verificação fiscal (fl. 5127 e ss.) e nos documentos a eles anexados:  a)  supostamente domiciliado em Montes Claros – MG;  b)  foi considerado pela SRF como “inapto” por motivo de inexistência de fato, conforme  ato publicado em 23/11/2004, com efeitos a partir de 11/02/1999 (fl. 3779).  Como forma de comprovar sua boa­fé, bem como o efetivo recebimento da  mercadoria  e  seu  respectivo  pagamento,  a  recorrente  juntou  os  seguintes  documentos,  entre  outros (fl. 7625 e ss.):  Fl. 8474DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 30          29 a)  extrato  de  consulta  ao  Sintegra/ICMS  realizada  em  07/04/2008,  onde  consta  que  naquela data o fornecedor encontrava­se “não habilitado” neste cadastro;  b)  relação  das  notas  fiscais  glosadas,  no  valor  total  de  R$  135.000,00,  emitidas  pelo  fornecedor entre os meses de fevereiro e maio de 2004;  c)  comprovantes bancários de pagamentos feitos a terceiros;  d)  tickets de pesagem de carga emitidos pela própria recorrente, e recibos de pagamento a  autônomo pelo transporte da carga.  Por fim, a autoridade fiscal que realizou a diligência solicitada pela DRJ de  origem informou, entre outras coisas, o seguinte (fl. 8342 e ss.):  a)  não há informação sobre funcionário registrados pelo fornecedor em 2004;  b)  não foram exibidos sequer os documentos de cessão de crédito;  c)  é anormal o desconto concedido à nota fiscal nº 49286.  6) Da Valoração dos Elementos de Prova  No item 5 deste voto e em seus subitens examinamos os elementos de prova  trazidos  aos  autos  pela  fiscalização,  pela  contribuinte  e  pela  autoridade  que  realizou  a  diligência  solicitada  pela  DRJ.  Passemos  agora  a  sua  valoração,  primeiro  no  que  toca  ao  recebimento  da  mercadoria  e  depois  quanto  ao  pagamento  do  respectivo  preço,  conforme  exigido pelo art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96.  6.1) Do Recebimento do Couro  A fim de provar o  efetivo  recebimento da mercadoria  a contribuinte  juntou  aos autos tickets de pesagem de carga e recibos de pagamento a autônomo (RPAs) pela suposta  prestação do serviço de transporte da carga.  Pois bem, a meu  juízo, o valor probatório desses elementos é  relativamente  baixo, haja vista que tanto os tickets de pesagem de carga quanto os RPAs são documentos de  emissão do próprio autuado.  Maior  força probante  teriam os  conhecimentos de  transporte  rodoviários de  cargas (CTRC), pois são documentos emitidos por terceiros não interessados, quais sejam, os  transportadores das mercadorias. No entanto, a ora recorrente, apesar de estar obrigada a exigir  dos transportadores a 2ª via do CTRC, que inclusive serviria como comprovante de entrega das  mercadorias  (vide  art.  19,  II,  do  Convênio  Sinief  nº  06/1989,  mais  adiante  transcrito),  não  exibiu esse importante documento à fiscalização, nem os juntou aos autos posteriormente.  Por  outro  lado  a  fiscalização  apresentou  como  prova  de  sua  acusação  as  diligências realizadas nos domicílios tributários dos 16 fornecedores objeto da auditoria e, em  alguns  casos,  as  diligências  também  efetuadas  pelo  fisco  estadual  (fl.  3461  e  ss.).  Nessas  diligências restou cabalmente comprovado que os 16 fornecedores, à época em que emitidas as  notas  fiscais  aqui  glosadas  (ano  de  2004),  não  existiam  nos  endereços  constantes  das  notas  fiscais objeto da presente glosa, ou seja, não existiam em seus domicílios tributários.  Fl. 8475DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 31          30 Embora  esteja  provado  que,  em  2004,  os  citados  16  fornecedores  não  existiam nos endereços constantes das notas fiscais glosadas, esse fato, por si só, não pode ser  tomado  como  prova  inequívoca  de  que  a  contribuinte  não  recebeu  a mercadoria,  pois  ainda  haveria  a  possibilidade  que  esses  fornecedores  estivessem  desenvolvendo  clandestinamente  suas  atividades  em  outros  locais,  que  não  em  seus  domicílios  tributários.  Nessa  hipótese,  a  contribuinte poderia alegar, como realmente o fez, que não estava obrigada a saber que os 16  fornecedores não funcionavam em seus domicílios tributários.  Todavia  essa  afirmação  contradiz  um  dos  elementos  juntados  pela  própria  contribuinte em sua defesa, qual seja, os recibos de pagamento a autônomo por ela emitidos em  razão da alegada contratação dos serviços de transporte de carga.  De fato, se é verdade que ora recorrente contratou os serviços de transporte  do  couro  bovino  (daí  a  emissão  dos  RPAs),  é  de  se  perguntar:  qual  o  endereço  que  a  contribuinte  informou  aos  transportadores  como  local  para  recebimento  da  carga?  Ora,  o  endereço  para  o  qual  o  transportador  deve  se  dirigir  para  receber  a  carga  é  informado  pela  contratante do serviço de transporte, no caso, pela contribuinte. E se a contribuinte os mandou  receber a carga nos domicílios tributários de seus 16 fornecedores, então os transportadores não  os encontrariam ali, pois, como visto, à época eles não existiam naqueles endereços.  Também aqui o conhecimento de transporte rodoviário de carga poderia fazer  prova a favor da (ou contra a) contribuinte. Neste documento, de emissão obrigatória por todos  os transportadores, inclusive os autônomos, deve estar indicado, entre outras coisas, o local do  recebimento  da  carga.  Sobre  a  emissão  do  CTRT,  o  Convênio  Sinief  nº  06/1989  assim  estabelece:  Art.  16. O Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas,  modelo  8,  será  utilizado  por  quaisquer  transportadores  rodoviários  de  cargas  que  executarem  serviço  de  transporte  rodoviário  Intermunicipal,  interestadual  e  internacional,  de  cargas, em veículos próprios ou afretados. (Grifamos)  Parágrafo único. Considera­se veículo próprio, além do que se  achar registrado em nome da pessoa, aquele por ela operado em  regime de locação ou qualquer outra forma.   Art.  17.  O  documento  referido  no  artigo  anterior  conterá,  no  mínimo, as seguintes indicações:  (...)  VI ­ a identificação do remetente e do destinatário: os nomes, os  endereços  e  os  números  de  inscrição,  estadual  e  no  CGC  ou  CPF;  VII  ­  o  percurso:  o  local  de  recebimento  e  o  da  entrega;  (Grifamos)  VIII ­ a quantidade e espécie dos volumes ou das peças;  IX ­ o número da nota fiscal, o valor e a natureza da carga, bem  como  a  quantidade  em  quilograma  (Kg), metro  cúbico  (m³)  ou  litro (l);  Fl. 8476DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 32          31 (...)  Art.  19.  Na  prestação  de  serviço  de  transporte  rodoviário  de  cargas  para  destinatário  localizado  no  mesmo  Estado,  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido,  no mínimo, em 4 (quatro) vias, que terão a seguinte destinação:  I ­ a 1ª via será entregue ao tomador do serviço; (Grifamos)  II  ­  a  2ª  via  acompanhará  o  transporte  até  o  destino,  podendo  servir de comprovante de entrega; (Grifamos)  (...)  Art.  20.  Na  prestação  de  serviço  de  transporte  rodoviário  de  cargas  para  destinatário  localizado  em  outro  Estado,  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido  com uma via adicional  (5ª  via),  que acompanhará o  transporte  para fins de controle do fisco do destino.  (...)  Isso posto, sobre o efetivo recebimento da carga, há que pesar­se, pela  lado  da contribuinte, a debilidade das provas por ela trazidas aos autos (documentos de sua própria  emissão), bem como a falta de juntada dos CTRC. Pelo lado do fisco pesa o fato, provado, de  que os 16 fornecedores não existiam nos endereços informados nas notas fiscais glosadas, na  época em que foram emitidas. Por fim, há ainda a questão, aqui  levantada, sobre o local para  onde os  transportadores deveriam se dirigir a  fim de  receber a carga dos 16  fornecedores,  já  que foi a contribuinte quem contratou os serviços de transporte (vide RPAs).  A  valoração  dessas  provas,  a  meu  juízo,  autorizam  concluir  que  a  ora  recorrente  não  se  desincumbiu  do  ônus  de  provar,  conforme  exigido  pelo  art.  82,  parágrafo  único, da Lei nº 9.430/96, o efetivo  recebimento da mercadoria  (sobre o ônus da prova vide  item 4 deste voto).  6.2) Dos Pagamentos pela Aquisição das Mercadorias  A fim de provar o efetivo pagamento do couro que alega ter adquirido junto  aos  citados  16  fornecedores,  a  contribuinte  apresentou  os  comprovantes  bancários  dos  pagamentos (TED, transferência bancária etc.), bem como a grande maioria dos  instrumentos  de cessão de crédito dos fornecedores em favor de terceiros.  Deve­se  reconhecer  desde  já  que  os  comprovantes  bancários  constituem­se  em elementos de prova aos quais deve­se atribuir elevado peso, já que, além de serem emitidos  por  terceiros não  interessados no presente  litígio, não seria crível que  instituições  financeiras  fornecessem comprovantes bancários ideologicamente falsos a seus clientes.  De  seu  lado,  não  nega  o  fisco  a  existência  dos  aludidos  comprovantes  bancários.  Afirma  entretanto  que  os  pagamentos  não  tiveram  como  beneficiários  os  16  fornecedores,  e  sim  terceiros,  por meio  de  cessão  de  crédito. Ademais,  constatou  o  autor da  diligência fiscal que parte dos créditos foi cedida a pessoas ligadas ao sócio majoritário da ora  recorrente.  Fl. 8477DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 33          32 Pois bem, quanto aos contratos de cessão de crédito é de se dizer que trata­se  de um negócio jurídico legítimo, por meio do qual o cedente (no caso dos autos, o fornecedor)  transfere ao cessionário  (no caso dos autos, o  terceiro) a sua posição de credor de um direito  perante o devedor (no caso dos autos, a contribuinte). Havendo a contribuinte sido notificada  por  escrito  da  cessão  de  crédito  dos  fornecedores  aos  terceiros,  em  princípio  nada  há  de  irregular nos pagamentos feitos diretamente a estes.  A situação se inverte, todavia, quando a autoridade que realizou a diligência  solicitada pela DRJ constatou que em diversas ocasiões os fornecedores do couro cederam seus  créditos às Sras. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu e Beatriz Ramos Amorim Marini, que  vêm a ser parentes da esposa do Sr. Nilson Riga Vitale, sócio que detém 95% do capital social  da autuada. Intimadas, aquelas senhoras declararam ao fisco que não mantiveram negócios com  os cedentes do crédito, o que nos autoriza concluir que cessão  teria se dado a título gratuito.  Ademais,  intimada  do  relatório  de  diligência,  a  ora  recorrente  não  se  manifestou  sobre  o  assunto, nem em contrarrazões àquele relatório, nem no voluntário.  Assim  sendo,  deve­se  perguntar:  (i)  seria  razoável  crer  que  os  supostos  fornecedores do couro à contribuinte tenham cedido seus créditos a terceiros a título gratuito?  (ii) ainda que positiva a resposta, seria razoável crer que os beneficiários da cessão gratuita dos  créditos sejam pessoas ligadas justamente ao devedor dos títulos, no caso, a contribuinte?  As respostas a ambas as perguntas há que ser, definitivamente, negativa. É de  conhecimento  público  que,  via  de  regra,  as  pessoas  não  cedem  seus  créditos  (dinheiro  a  receber) a terceiros a troco de nada. Exceções podem existir, como, por exemplo, o caso do pai  que cede o crédito a seu filho, mas esse não é o caso dos autos. Aqui os supostos fornecedores  do couro, em diversas ocasiões, cederam gratuitamente seus créditos a pessoas que não eram a  eles ligadas, e sim ligadas à contribuinte, devedora dos títulos.  O fato de a contribuinte haver feito pagamentos a pessoas a ela ligadas, sem  que houvesse entre estas pessoas e os cedentes do crédito (os supostos fornecedores de couro)  qualquer  relação  negocial  (a  não  ser  a  própria  cessão  gratuita  do  crédito),  autoriza  concluir,  sem  espaço  para  dúvida,  que  os  citados  pagamentos,  apesar  de  comprovados  (vide  comprovantes bancários), não tiveram como causa a aquisição de couro junto àqueles supostos  fornecedores.  6.3) Conclusão sobre a Valoração dos Elementos de Prova  Conforme visto no item 6.1, a meu juízo, a recorrente não se desincumbiu do  ônus de provar o efetivo recebimento do couro bovino a que aludem as notas fiscais objeto da  glosa.  Recorde­se uma vez mais que, conforme explicado no item 4 do voto, o ônus  da  prova,  no  caso,  recai  sobre  a  contribuinte,  uma  vez  que  as  citadas  notas  fiscais  foram  emitidas por pessoas jurídicas inexistentes de fato, à época de sua emissão.  Assim sendo, haja vista que a recorrente não logrou êxito em provar o efetivo  recebimento do  couro bovino  registrado nas notas  fiscais, não haveria  sequer necessidade de  examinar­se a questão da comprovação do pagamento do respectivo preço, uma vez que o art.  82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96 exige que a contribuinte comprove tanto o recebimento  da mercadoria quanto o seu pagamento.  Fl. 8478DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 34          33 Ainda assim, no item 6.2, examinamos a questão dos pagamentos relativos às  aquisições de couro bovino  junto aos 16 fornecedores. Aqui a  recorrente  juntou aos autos os  respectivos  comprovantes  bancários  de  pagamento  tendo  como  beneficiários,  via  de  regra,  terceiros,  cessionários  dos  créditos  dos  fornecedores  pela  suposta  venda  a  prazo  do  couro  bovino à contribuinte.  Todavia, restou cabalmente provado pela  fiscalização, ao menos em relação  às cessões de crédito feitas pelos fornecedores às Sras. Virgínia Célia Ramos Amorim Gazineu  e Beatriz Ramos Amorim Marini, que os respectivos pagamentos realizados pela contribuinte  não tiveram como causa a alegada aquisição de couro bovino.  Quanto aos demais pagamentos, é certo que poderíamos pedir a realização de  nova  diligência,  já  que  a  solicitada pela DRJ não  teve  como objeto  a  verificação  da  ligação  entre os cessionários dos créditos (terceiros) e a contribuinte, ou entre aqueles e os cedentes.  A  realização  de  nova  diligência,  contudo,  revela­se  desnecessária  pois  a  contribuinte,  como  dito  acima,  deixou  de  provar  o  efetivo  recebimento  do  couro  bovino,  condição necessária ao aproveitamento do custo dessas supostas aquisições.  7) Da Multa Qualificada  Pois  bem,  admitido  que  a  contribuinte  reduziu  indevidamente  as  bases  de  cálculo do IRPJ e da CSLL mediante o registro contábil de compras de couro que efetivamente  não existiram, não há como afastar­se a qualificação da multa de ofício.  Isso porque não há como crer que essas compras, cujo valor total superou R$  32.000.000,00 no ano de 2004, tenham sido registradas na contabilidade por mero “erro” (falsa  percepção da realidade) ou culpa (negligência, imprudência ou imperícia) da ora recorrente. Ao  contrário,  os  fatos  objeto  de  análise  nos  itens  precedentes  deste  voto  revelam,  com  clareza  solar, que a contribuinte agiu voluntariamente (dolo).  8) Da Multa Isolada  A  decisão  recorrida  manteve  tanto  a  incidência  da  multa  aplicada  isoladamente  sobre  a  falta  de  recolhimento  do  IRPJ  e  da  CSLL  apurados  por  estimativas  mensais, como a incidência da multa de ofício aplicada sobre o IRPJ e a CSLL devidos ao final  do ano­calendário de 2004.  Em  suas  razões,  a  contribuinte  argumenta,  em  síntese,  que  a  cobrança  é  indevida em razão de ambas as penalidades incidirem sobre a mesma base, o que implica dupla  penalização.  Inobstante as razões adotadas pela autoridade julgadora de primeira instância,  entendo que  a  exigência  da multa  isolada  deve  ser  afastada,  em observância  ao  princípio  da  consunção.  Segundo Damásio  de  Jesus  (in Direito Penal,  vol.  1),  incide  o  princípio  da  consunção  ou  absorção,  entre  outras  hipóteses,  quando  a  prática  de  um  determinado  ato  infracional constitui­se em meio necessário ou normal à prática de um segundo ato infracional.  Assim,  na  hipótese  de  cometimento  das  duas  infrações,  a  aplicação  da  norma  que  tipifica  o  ilícito “meio” é excluída, subsistindo apenas a aplicação da norma que tipifica o ilícito “fim”.  Fl. 8479DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15940.000293/2009­29  Acórdão n.º 1201­000.798  S1­C2T1  Fl. 35          34 Esse  é  exatamente  o  caso  dos  autos. A  falta  de  pagamento  das  estimativas  mensais  do  IRPJ  e  da  CSLL  constitui  infração  ao  art.  2º  da  Lei  nº  9.430/96,  conduta  essa  punível com multa isolada estabelecida no art. 44, § 1º, IV, da mesma Lei nº 9.430/96 em sua  redação original.  Todavia, referida conduta constitui­se em meio normal à prática da infração  relativa à falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano­calendário, conforme  estabelecido no art. 6º, § 1º, I, da Lei nº 9.430/96, infração essa punível com a multa de ofício  proporcional a que se refere o art. 44, caput, da Lei nº 9.430/96 em sua redação original.  Tendo em vista que a contribuinte cometeu as duas infrações, e em atenção  ao  princípio  da  consunção,  a  aplicação  da  norma  “meio”  é  afastada,  subsistindo  apenas  aplicação da norma “fim”, razão pela qual deve­se afastar a multa isolada.  9) Conclusão  Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do  lançamento, a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e o pedido de perícia, e, no  mérito,  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  para  afastar  a  exigência  da  multa  isolada.  (documento assinado digitalmente)  Marcelo Cuba Netto                                Fl. 8480DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO

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Numero do processo: 10882.908382/2009-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERDA DE OBJETO. O processo administrativo fiscal instaura-se com a apresentação de Manifestação por parte do sujeito passivo da demanda e tem um objeto específico a alteração do pedido altera o objeto da discussão implica em impossibilidade de conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 3801-001.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso , nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2 Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Ressarcimento/Compensação  transmitido  em  02.03.2009  através  do  PER/DCOMP  nº  37037.32709.02309.1.704­0474  no  qual se objetivava compensar créditos apurados da COFINS referentes ao período de apuração  de maio de 2005 no valor total original de R$ 122.846,16 (cento e vinte e dois mil oitocentos e  quarenta  e  seis  reais  e  dezesseis  centavos)  com  débitos  de  IRPJ  referentes  ao  período  de  apuração de setembro de 2005 no valor total original de R$ 7.457,27 (sete mil quatrocentos e  cinquenta e sete reais e vinte e sete centavos).  Em  07.10.2009  foi  proferido  Despacho  Decisório  indeferindo  o  pedido  formulado sob alegação de que não foram encontrados créditos suficientes para satisfação dos  débitos apontados.  Irresignada,  apresentou  a  Contribuinte  em  18.11.2009  a  competente  Manifestação  de  Inconformidade  alegado  em  síntese  que  incorrera  em  erro  quando  do  preenchimento  da  DCTF  original,  a  qual  todavia  havia  sido  retificada  em  16.11.2009.,  requerendo fosse reconhecida formalmente a não procedência da cobrança contida no despacho  decisório e a reconsideração da não homologação declarada.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campinas/SP  proferiu  acórdão  em  17.02.2011  julgando  improcedente  a  defesa  apresentada  sob  alegação  de  que  a  Impugnante não lograra êxito na comprovação de seus créditos eis que a retificação da DCTF  após o despacho decisório deve ser acompanhada de prova da existência do crédito.  Cientificada  do  indeferimento  de  seu  pleito  apresentou  em  29.03.2011  o  presente Recurso Voluntário, objetivando seja cancelada a exigência fiscal e seja arquivado o  processo  administrativo  instaurado  sob  o  argumento  que  no mês  de  competência  não  consta  qualquer débito em aberto, ou seja, não tinha valores a pagar de IRPJ (estimativa) no mês para  o qual pediu a compensação.   É o relatório,  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908382/2009­33  Acórdão n.º 3801­001.866  S3­TE01  Fl. 71          3 Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator  Conforme  depreende­se  do  relatório,  trata  o  presente  caso  de  pedido  formulado  pela  Recorrente  objetivando  fossem  compensado  débitos  de  IRPJ  com  créditos  apurados do PIS/PASEP.  No  seu  recurso  voluntário  a  Recorrente  alega  que  não  existe  nada  a  compensar  e  pede  que  seja  cancelada  de  ofício  a  cobrança  decorrente  da  presente  compensação.  Tenho que o pedido não se coaduna com o pedido nesse processo, que é o de  compensação.  A cobrança decorre da sua não­homologação e pelo que se pode depreender,  o  que  a  Recorrente  pleiteia  é  o  cancelamento  da  Per/Dcomp  porque  não  havia,  no  período  compensado valores a pagar.  Esse  pedido,  entretanto  é  novação  ao  pedido  inicial  e  torna  impraticável  à  essa Turma apreciá­lo por absoluta falta de competência, vejamos como foi formulado:  Em  razão  do  exposto,  a  Recorrente  requer,  no  mínimo,  a  realização de diligência em seu estabelecimento para análise da  documentação  hábil  e  idônea  tendente  à  verificação  e  comprovação de que não houve base  tributável para o IRPJ no  mês de competência 09/05.  (...)  ...ser  reformada  totalmente  a  r.  decisão  proferida  pela D. DRJ  em  Campinas,  cancelando  a  exigência  que  foi  objeto  de  manutenção a título de IRPJ, multa, juros e demais acréscimos,  em face da inexistência do débito compensado, determinando­se,  por  conseguinte,  o  arquivamento  do  processo  administrativo  instaurado,  ou,  no  mínimo,  seja  convertido  o  julgamento  em  diligência  para  averiguação  e  comprovação  de  que  não  houve  base tributável para o mês competência 09/05.  A  possibilidade  de  conhecimento  e  apreciação  dessas  novas  alegações  é  defesa a essa turma por força dos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Nesse sentido, não há como se conhecer do presente recurso.  É como voto,  (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4                               Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10670.002058/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 01/02/2000 DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vota pelas conclusões o Conselheiro Oséas Coimbra Junior. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 234          1 233  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10670.002058/2009­03  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­002.226  –  3ª Turma Especial   Sessão de  16 de abril de 2013  Matéria  CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE  PAGAMENTO.  Recorrente  TRANSNORTE TRANSPORTE E TURISMO NORTE DE MINAS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL.     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/1999 a 01/02/2000  DECADÊNCIA.  PRESCRIÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  LANÇAMENTO  ANTERIOR  ANULADO  POR  VÍCIO  FORMAL.  CRÉDITO  SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE.   Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do  relator. Vota  pelas  conclusões  o Conselheiro  Oséas Coimbra Junior.   (Assinado digitalmente).  Helton Carlos Praia de Lima. ­Presidente  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira. – Relator  Participaram, ainda, do presente  julgamento, os Conselheiros Helton Carlos  Praia  de  Lima,  Eduardo  de  Oliveira,  Natanael  Vieira  dos  Santos,  Oséas  Coimbra  Júnior,  Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 20 58 /2 00 9- 03 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/2009­03  Acórdão n.º 2803­002.226  S2­TE03  Fl. 235          2 Relatório  O  presente  Auto  de  Infração,  ­  DEBCAD  37.243.975­6,  objetiva  o  lançamento  da Obrigação  Principal,  contribuições  sociais  previdenciárias  não  declaradas  em  GFIP pelo empregador contribuinte – decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos  trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, de fls. 62 a 64,  com período de apuração de 03/1999 a 01/2000.  Cumpre informar inicialmente que o presente Auto de Infração é substitutivo  do Lançamento de Débito Confessado – LDC – DEBCAD 35.068.221­6, o qual  foi  anulado  pelo  Despacho  –  Decisório  DRF/MCR/SARAC/EAC­1  Nº  246/2009,  em  razão  de  vício  formal, inexistência dos Fundamentos Legais do Débito – FLD.  O LDC anulado foi  incluído de forma sucessiva em diversos parcelamentos  especiais.  O sujeito passivo  foi cientificado do  lançamento, em 05/11/2009, conforme  AR, de fls. 66.   O  contribuinte  apresentou  sua  defesa/impugnação,  via  postal,  envelope,  as  fls. 69, com postagem, em 02/12/2009, e petição com razões, acostada, as fls. 68 a 76, estando  acompanhada dos documentos, de fls. 77 a 111.    Não há manifestação quanto à tempestividade da impugnação.  Os autos foram baixados em diligência pela DRJ/BHE, fls. 121 a 122.  A  Seção  de  Controle  e  Acompanhamento  Tributário  –  SACAT  emitiu  o  despacho, de fls.125 a 126, em atendimento a diligência, acompanhado dos documentos, de fls.  127 a 201, tendo sido o contribuinte notificado deste, pelo AR, de fls. 203.  O sujeito passivo não se manifestou sobre a diligência.  O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 02­35.787 ­ 8ª Turma  da DRJ/BHE, em 03/11/2011, fls. 210 a 212, no qual a impugnação foi considerada procedente  em  parte,  haja  vista  a  competência  03/1999  ter  sido  lançada  com  valor  superior  no  AI  substitutivo ao que registrado originalmente na LDC substituída.   O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 04/10/2012, AR, de  fls. 224.  Irresignado  o  contribuinte  impetrou  o  Recurso  Voluntário,  petição  de  interposição  e  razões  recursais,  as  fls.  226  a  230,  remetida  por  via  postal,  em  30/10/2012,  envelope, as fls. 231, desacompanhado de qualquer documento, as  teses recursais sumariadas  estão a seguir expostas.  Preliminarmente.  Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/2009­03  Acórdão n.º 2803­002.226  S2­TE03  Fl. 236          3 · que  em  razão  da  SV  STF  Nº  08/2008  os  artigos  45  e  46  da  lei  8.212/91  são  inconstitucionais,  sendo  os  prazos  prescricionais  quinquenais, artigos 173 e 174 do CTN;  · que o direito adquirido e o ato jurídico perfeito devem ser observados,  aplicando­se  o  limite  temporal  de  decadência  em  01/01/2004  e  prescricional  em  03/11/2004,  homologação  tácita  do  vencidos  e  antecedentes  em  31/12/2003,  com  a  garantia  constitucional  à  coisa  julgada;  · que neste lançamento são indicados leis e decretos revogados pela SV  Nº 8, sendo ineficaz e nulo;  · que  o  período  de  01/01/1998  a  30/04/2000  lançado  em  05/11/2009  esta extinto pelo decadência, artigo 173 e 156, V, do CTN, sendo que  vícios formais não suspendem a decadência;   · A recorrente requer e pede: a) que o crédito residual não provido pela  DRJ  deve  ser  cancelado  pelo CARF;  b)  feitas  as  devidas  anotações  nos  registros  eletrônicos  da  repartição,  baixa  no  CADIN  e  fornecimento de CPD­EM com respectivo arquivamento.  A  autoridade  preparadora  não  se  manifestou  quanto  à  tempestividade  do  recurso.  Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 233.  Informo que a recorrente por intermédio de representante legal escritório de  advocacia Moreth e Graco, usando da prerrogativa do pedido de urgência, pediu a retirada de  pauta destes autos, no dia 16/04/2013, às 12h10min, conforme petição  recebida, durante esta  sessão de julgamento.  É o Relatório.  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/2009­03  Acórdão n.º 2803­002.226  S2­TE03  Fl. 237          4 Voto             Conselheiro Eduardo de Oliveira ­ Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado   Cumpri registrar, inicialmente, que neguei o pedido de retirada de pauta, pois  entendo que da publicação da pauta  até  a data do  julgamento decorreu prazo  suficiente para  que o novo representante legal tomasse conhecimento da matéria, além do que a empresa não  informou em sua petição, quando houve a troca de patrono, o que possibilitaria averiguar com  maior precisão a necessidade de adiamento, não havendo, assim justificativa para tal, observe­ se o excerto do aresto.  PROCESSUAL  PENAL.  HABEAS  CORPUS  PREVENTIVO.  PEDIDO  DE ADIAMENTO DA SESSÃO DE  JULGAMENTO  INDEFERIDO.  CRITÉRIOS  PARA  O  CUMPRIMENTO  DA  PENA  RESTRITIVA  DE  DIREITO  ESTABELECIDOS  NO  PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL  SUPERVENIENTE. PERDA DO OBJETO.  1. A  jurisprudência  do  col  STJ  entende  que "o adiamento da sessão de  julgamento  do recurso de apelação deve ser acompanhado de  justificativa  plausível, pois a sua realização não pode ficar ao alvedrio das  partes". Precedente:  (STJ, HC 200800378828, JORGE MUSSI,  STJ  ­  QUINTA  TURMA,  DJE:  15/12/2009).  No  caso,  o advogado impetrante, embora tenha requerido o adiamento do  julgamento, não  trouxe nenhuma justificativa para embasar o  seu  pleito,  limitando­se  a  afirmar  que  "não  há  tempo  hábil"  para comparecer ao  julgamento, o que  impõe o  indeferimento  do  pedido  de adiamento.  2.  Resta  sem  objeto  o  habeas  corpus  que  visava  obstar  a  prática  de  qualquer  ato  que  culminasse  na substituição das  penas  restritivas  de  direitos  por  pena  privativa  de  liberdade,  uma  vez  que,  em  momento  posterior  à  impetração, o juiz de primeiro grau proferiu decisão fixando os  critérios  para  cumprimento  das  penas  restritivas  de  direito  impostas  ao  ora  paciente.  3.  Perda  de  interesse  processual  superveniente. Precedente: (TRF5, HC 00151040720104050000,  Desembargador  Federal  Edílson  Nobre,  Quarta  Turma,  DJE:  07/10/2010). 4. Pedido de adiamento indeferido e Habeas corpus  denegado. TRF5. Segunda Turma. HC 00041580520124050000  HC ­ Habeas Corpus – 4693. Desembargador Federal Francisco  Barros  Dias.  DJE  ­  Data::17/05/2012  ­  Página::260.  (grifo  meu).  Ressalto  que  como  esclarecido  anteriormente  o  presente  lançamento  é  substitutivo do LDC DEBCAD 35.068.221­6, fls.140 a 201, lançado em 30/06/2000, fls. 140,  tendo sido fiscalizado o período de 01/1998 a 05/2000, conforme Termo de Encerramento da  Ação Fiscal – TEAF, de fls. 200.  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/2009­03  Acórdão n.º 2803­002.226  S2­TE03  Fl. 238          5 Fica evidente, desta forma, que, ainda, que se aplicasse o prazo de decadência  de cinco anos artigo 150, § 4º ou 173, I, ambos, do CTN em obediência à Súmula Vinculante  Nº 08 do STF, à época do lançamento a decadência não havia se operado, pois entre a primeira  contribuição  lançada 03/1999 e a data do  lançamento 30/06/2000, quando muito passará um  ano e três meses. Logo, não há que se falar em decadência.  Aliás, o julgador de primeiro grau sobre isso se pronunciou, conforme abaixo  transcrito  Contudo,  apesar  do  exposto,  considerando­se  que  o  LDC  anulado DEBCAD nº 35.068.221­6), foi lavrado na competência  06/2000, sendo que a competência mais antiga nela incluída era  03/1999,  constata­se  que mesmo  considerando­se  os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  do  STF,  n°  8, DOU  de  20/6/2008,  no  LDC  substituído  não  foram  apuradas  contribuições  relativas  a  qualquer competência alcançada pela decadência..  A  DRF  informa  que  o  LDC  esteve  incluso  em  vários  parcelamentos  especiais, conforme descrito a seguir.  · REFIS – LEI 9.964/2000 FIM 01/05/2003, FLS. 137;  · PAES – LEI 10.684/2003 FIM 29/08/2006, FLS. 137;  · PAEX MP 303/2006     FIM 25/08/2008, FLS. 138.  É  cediço  de  todos  que  uma  vez  efetuado  o  lançamento  o  instituto  da  decadência deixa de operar para dar  lugar ao da prescrição e esta, nos  termos do artigo 174,  caput, da Lei 5.172/66, também, têm prazo de cinco anos. No entanto, o parágrafo único, inciso  IV,  desta  norma  diz:  “A  prescrição  se  interrompe:  por  qualquer  ato  inequívoco  ainda  que  extrajudicial,  que  importe  em  reconhecimento  do  débito  pelo  devedor.”  Foi  exatamente  o  que  ocorreu no presente caso a prescrição se interrompeu quando do pedido de cada parcelamento,  iniciando­se nova contagem de cinco anos a cada interrupção do pagamento e como entre o fim  de um parcelamento e o início do outro, não transcorreu o lustro, a prescrição não se operou.  O  Auditor  Fiscal  lançador  e  o  julgador  de  primeiro  grau  informam  que  o  LDC foi anulado por haver vício formal em sua constituição, ou seja, ausência do relatório de  fundamento legal do débito com a aplicação do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, o qual segundo  seus termos o crédito pode ser reconstituído.  Desta  forma,  tendo  a  anulação  do  LDC  ocorrido,  em  18/05/2009,  e  novo  lançamento  ocorrido,  em  05/11/2009,  representando  por  este  Auto  de  Infração  não  houve  ocorrência de decadência.  O instituto da decadência não pode operar no período em que este não existia,  ou  seja,  entre  30/06/2000  e  25/08/2008,  data  do  primeiro  lançamento  e  da  interrupção  do  parcelamento do PAEX, não pode ocorrer decadência simplesmente porque esta não operava  estava­se sob a égide da prescrição, pois o lançamento existia.   O  pedido  de  CPD­EN  –  certidão  de  regularidade  fiscal  –  está  fora  da  competência deste órgão julgador, sendo atribuição exclusiva dos gestores de DRF; Inspetorias  e Agências a quem deve ao contribuinte buscar para operacionalizar o pleito.  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002058/2009­03  Acórdão n.º 2803­002.226  S2­TE03  Fl. 239          6 Posto isto, afasto as alegações da recorrente seja em preliminar ou em mérito  por falta de lastro jurídico.  A  presente  decisão  não  reconhece  direito  creditório  de  nenhuma,  espécie,  ordem, valor ou origem em razão do contribuinte recorrente.  CONCLUSÃO:  Pelo exposto, voto pelo  conhecimento do  recurso, para no mérito negar­lhe  provimento.  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira.                                    Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 11831.001588/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMENTA OMISSA. NULIDADE. INOCORRENCIA. Consubstancia-se a ementa em descrição discursiva que resume, com palavras-chave, o conteúdo conceitual e principiológico do tema discutido e apresenta, de maneira genérica e abstrata, o dispositivo do julgado. Consoante jurisprudência do STF, de ordinário, sequer erro, defeito ou imprecisão da ementa ensejam embargos de declaração, precisamente, porque a ementa não integra o aresto. Não importa em nulidade as irregularidades, incorreções e omissões que não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTINÇÃO. INOCORRÊNCIA. O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. Mesmo ocorrendo a extinção do MPF pelo decurso do prazo nele consignado, a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, provados fartamente, que o controle e a direção são realizados pelo mesmo grupo de pessoas físicas o qual, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2302-001.672
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art.150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMENTA OMISSA. NULIDADE. INOCORRENCIA. Consubstancia-se a ementa em descrição discursiva que resume, com palavras-chave, o conteúdo conceitual e principiológico do tema discutido e apresenta, de maneira genérica e abstrata, o dispositivo do julgado. Consoante jurisprudência do STF, de ordinário, sequer erro, defeito ou imprecisão da ementa ensejam embargos de declaração, precisamente, porque a ementa não integra o aresto. Não importa em nulidade as irregularidades, incorreções e omissões que não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTINÇÃO. INOCORRÊNCIA. O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. Mesmo ocorrendo a extinção do MPF pelo decurso do prazo nele consignado, a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, provados fartamente, que o controle e a direção são realizados pelo mesmo grupo de pessoas físicas o qual, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. Recurso Voluntário Provido em parte.

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decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art.150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     2 MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  EXTINÇÃO.  INOCORRENCIA.  O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério  exclusivo da administração tributária. Mesmo ocorrendo a extinção do MPF  pelo  decurso  do  prazo  nele  consignado,  a  autoridade  responsável  pela  emissão do MPF extinto pode ainda determinar a emissão de novo MPF para  a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade.  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA.  RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA.  Não  incorre  em  cerceamento  do  direito  de  defesa  o  lançamento  tributário  cujos  relatórios  típicos,  incluindo  o  Relatório  Fiscal  e  seus  anexos,  descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de  todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas,  montantes  devidos,  as  deduções  e  créditos  considerados  em  favor  do  contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico,  permitindo  dessarte  a  perfeita  identificação  dos  tributos  lançados  na  notificação fiscal.   GRUPO  ECONÔMICO  DE  FATO.  GRUPO  COMPOSTO  POR  COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  Caracteriza­se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a  direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial,  comercial ou de qualquer outra atividade econômica.  Empresas  que,  embora  tenham  situação  jurídica  distinta,  provados  fartamente, que o  controle e a direção são  realizados pelo mesmo grupo de  pessoas físicas o qual, de fato, mantém a administração das empresas, sob um  comando  único,  configurado  está  o  grupo  econômico,  incidindo  a  responsabilidade solidária.  Recurso Voluntário Provido em parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  parcialmente  do  recurso  e,  na  parte  conhecida,  por  maioria  de votos,  em dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art.  173,  inciso  I  do  CTN.  Vencidos  os  Conselheiros Manoel  Coelho  Arruda  Junior  e  Eduardo  Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar­se o art. 150, paragrafo 4º do CTN para  todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.    Marco André Ramos Vieira ­ Presidente.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos  Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice­presidente de turma), Liége  Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e  Silva.   Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.305          3    Relatório  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004.  Data da lavratura da NFLD: 30/11/2006.  Data da Ciência do NFLD : 08/12/2006.    Trata­se de  crédito  tributário  lançado em desfavor da  empresa  em epígrafe,  consistente  em  contribuições  previdenciárias  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade Social  e  a  outras entidades e fundos, a saber, SEST e SENAT, incidentes sobre o total das remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  a  segurados  contribuintes  individuais  referentes a serviços de frete, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 45/57 e anexos.  Informa a Autoridade Lançadora que o vertente lançamento é composto pelo  levantamento  C21  ­  REM TRANSP AUT NÃO DL GFIP ARBIT,  no  qual  foram  lançados  como base de cálculo os valores apurados nos Livros Diários relacionados na tabela 02 a fls.  58/195. Considerou­se os valores pagos aos transportadores autônomos escriturados nas contas  contábeis  2.113  ­  FORNECEDORES  DE  TRANSPORTE  DE  GADO  e  2.114  ­  FORNECEDORES TRANSP. PROD. INDUS.  A  fiscalização caracterizou ainda a existência de grupo econômico  formado  pelas  empresas:  Frigorífico  Margen  Ltda,  Eldorado  Participações  Ltda,  MF  Alimentos  BR  Ltda,  SS  Administradora  de  Frigorifico  Ltda.,  Magna  administração  e  Participações  Ltda.,  Água  Limpa  Transportes  Ltda,  Ampla  Empreendimentos  e  Participações  Ltda,  CIA  União  Empreendimentos  e Participações  e Frigorífico Centro Oeste SP Ltda, pelas  razões dispostas  no  relatório  de  grupo  econômico  a  fls.  221/239.  Dessarte,  nos  termos  do  art.  748  da  IN  MPS/SRP  n°  03/2005,  todas  as  empresas  integrantes  do  grupo  econômico  acima  referido  figuram  com  responsáveis  solidárias  pelo  crédito  tributário,  razão  pela  qual  houveram  sido  devidamente cientificadas do presente lançamento.  Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  as  notificadas  apresentaram impugnação a fls. 1.046/1.063 e 1.064/1.086.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP  lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1.186/1.205, julgando procedente  o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade.  O  Sujeito  Passivo  assim  como  os  devedores  solidários  foram  devidamente  cientificados  da  decisão  de  1ª  Instância,  conforme  Avisos  de  Recebimentos  costados  a  fls.  1.219/1.228.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  1.229/1.253  e  as  solidária,  a  fls.  1.272/1.282  e  1.283/1.293,  respaldando  sua  inconformidade  em  argumentação  desenvolvida  nos seguintes elementos:  Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     4 •  Que  os  procedimentos  fiscais  somente  podem  ser  executados  por  Auditores  Fiscais  da  Previdência  Social  devidamente  autorizados  por  Mandado de Procedimento Fiscal e suas variantes, emitido por Autoridade  Administrativa  competente,  com  jurisdição  sobre  o  território  onde  se  localiza  o  domicilio  do  contribuinte,  extensivo  a  todos  os  estabelecimentos,  com  prazo  máximo  de  120  dias,  e  as  prorrogações  devem ocorrer antes de vencidos os MPF e delas deverão ser cientificadas  as partes.  •  Que  a  simplificação  e  generalidade  das  normas  citadas  nos  relatórios  abriram  espaço  para  omissão  de  várias  outras  leis  não  citadas,  gerando  insegurança jurídica e, em consequência, cerceando o direito de defesa do  Recorrente;  •  Decadência parcial; #173, I => dezembro/2000 em diante.  •  Que  não  há  grupo  econômico  nem  solidariedade  entre  as  empresas  Frigorífico Margen  Ltda.,  Água  Limpa  Transportes  Ltda  e  a  Cia  União  Empreendimentos e Participações.  •  Que  a  responsabilidade  integral  pelos  tributos  atribuídos  ao  suposto  GRUPO  MARGEN,  lançados  anteriormente  ou  posteriormente  ao  desligamento de NEY AGILSON PADILHA de  todas  as  sociedades,  foi  transferida legalmente para os adquirentes por sucessão;  •  Que o Acórdão recorrido é nulo em razão da incompleta ementa que não  retrata, com fidelidade, todos os títulos e temas levados a julgamento;  •  Que não foi dada a regular ciência do contribuinte quanto às prorrogações  do MPF originário;  •  Que  nada  há  nos  autos  que  permita  a  conclusão  da  existência  de  grupo  econômico;  •  Que falta a adequada demonstração quanto à apropriação de recolhimentos  feitos  oportunamente  pelo  contribuinte  aos  cofres  previdenciários.  Aduz  que  o  detalhe  de  não  ter  o  contribuinte  apresentado  GPS  com  correspondentes  chancelas  bancarias  de  recolhimentos,  não  induz  à  conclusão de que são inexistentes recolhimentos.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.306          5 1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  A  ciência  da  decisão  recorrida  aos  devedores  solidários  houve­se  por  concretizada  em  26/02/2008.  Havendo  sido  os  recursos  voluntários  protocolados  nos  dias  17/12/2007,  09/01/2008  e  12/02/2008,  há  que  se  reconhecer  a  tempestividade  dos  recursos  interpostos.    1.2.  DO CONHECIMENTO DO RECURSO.  O Frigorifico Margen ltda foi cientificado do lançamento tributário que ora se  opera no dia 11/12/2006, conforme assim revela o Aviso de Recebimento a fl. 1.043, deixando  transcorrer in albis o prazo assinalado na lei para oferecimento de impugnação ao lançamento.  O silêncio do coobrigado em tela atrai para si a aceitação formal dos termos  do  lançamento,  havendo  que  se  considerar  como  não  impugnada  as  matérias  não  expressamente contestadas pela parte passiva, em respeito às disposições inscritas no art. 17 do  Decreto nº 70.235/72.  Ademais,  não  tendo  sido,  tempestivamente,  impugnada  a  exigência  fiscal,  não  se  houve  por  instaurado,  em  face  do  devedor  solidário  em  realce,  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  não  lhe  sendo  lícito  querer  interferir  no  processo  na  fase  em que  se  encontra  oferecendo alegações em sede recursal não antes oferecidas ao órgão julgador de 1ª instância.    Também  não  será  levada  ao  conhecimento  deste  Colegiado  a  alegação  atinente  à  suposta  falta  de  adequada  demonstração  quanto  à  apropriação  de  recolhimentos  feitos  oportunamente  pelo  contribuinte  aos  cofres  previdenciários. Aduz  o Recorrente  que  o  detalhe de não ter o contribuinte apresentado GPS com correspondentes chancelas bancarias de  recolhimentos, não induz à conclusão de que são inexistentes recolhimentos.    Os  alicerces  do  Processo  Administrativo  Fiscal  encontram­se  fincados  no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo  art. 16,  III  estipula que a  impugnação deve  mencionar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta  a  defesa,  os  pontos  de  discordância e as  razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo  processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente  contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     6 §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;(Incluído  pela  Lei  nº  9.532, de 1997)  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;(Incluído  pela  Lei nº 9.532, de 1997)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)    Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997)    As  disposições  inscritas  no  art.  17  do  Dec.  nº  70.235/72  espelham,  no  Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no  art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido:  Código de Processo Civil   Art. 302. Cabe também ao réu manifestar­se precisamente sobre  os  fatos  narrados  na  petição  inicial.  Presumem­se  verdadeiros  os fatos não impugnados, salvo:  I ­ se não for admissível, a seu respeito, a confissão;  II ­ se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento  público que a lei considerar da substância do ato;  III ­ se estiverem em contradição com a defesa, considerada em  seu conjunto.  Parágrafo  único.  Esta  regra,  quanto  ao  ônus  da  impugnação  especificada  dos  fatos,  não  se  aplica  ao  advogado  dativo,  ao  curador especial e ao órgão do Ministério Público.    Deflui  da  normatividade  jurídica  inserida  pelos  comandos  insculpidos  no  Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo  art.  108  do  CTN,  que  o  impugnante  carrega  como  fardo  processual  o  ônus  da  impugnação  específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa  assinalado  expressamente  no  Auto  de  Infração,  observadas  as  condições  de  contorno  assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte.  Nessa  perspectiva,  a  matéria  específica  não  expressamente  impugnada  em  sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a  oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso.  Saliente­se  que  as  diretivas  ora  enunciadas  não  conflitam  com  as  normas  perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário,  a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a  cujo respeito já se operou a preclusão.   Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.307          7 De  outro  eito,  cumpre  esclarecer,  eis  que  pertinente,  que  o  Recurso  Voluntário consubstancia­se num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso  do  processo,  a  inconformidade  do  sucumbente  em  face  de  decisão  proferida  pelo  órgão  julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformá­la. Não exige o dispêndio de  energias  intelectuais  no  exame  da  legislação  em  abstrato  a  conclusão  de  que  o  recurso  pressupõe a  existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão  julgador postado  em posição processual hierarquicamente inferior.  Cumpre  frisar,  eis  que  pertinente,  que  o  efeito  devolutivo  do  recurso  não  implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da  decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem.  Assim,  não  havendo  a  decisão  guerreada  se  manifestado  sob  determinada  questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que  se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no  acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada.  Nesse  contexto,  à  luz  do  que  emana,  com  extrema  clareza,  do  Direito  Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que  todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad  quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e  violação ao devido processo legal.  Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não  expressamente  contestadas  pelo  impugnante  em  sede  de defesa  ao  lançamento  tributário  são  juridicamente  consideradas  como  não  impugnadas,  não  se  instaurando  qualquer  litígio  em  relação  a  elas,  sendo  processualmente  inaceitável  que  um  dois  devedores  solidários,  que  se  calou ante a exigência  tributária,  as  resgate das cinzas para  inaugurar,  em segunda  instância,  um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera.  O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento  do  Órgão  Julgador  Primário,  representaria,  por  parte  desta  Corte,  negativa  de  vigência  ao  preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia  emergir do Poder Judiciário.    Por  tais  razões,  as  alegações  recursais  oferecidas  pelo  devedor  solidário  Frigorifico Margen ltda, a fls. 1.272/1.272, não poderão ser conhecidas por este Colegiado.  Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade do  recurso,  dele  conheço  parcialmente.    2.  DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO.  2.1.   DO MPF  Alega  o  Recorrente  ser  o  auto  de  infração  nulo  porque  os  procedimentos  fiscais  somente  podem  ser  executados  por  Auditores  Fiscais  da  Previdência  Social  devidamente  autorizados  por Mandado de Procedimento Fiscal  e  suas  variantes,  emitido  por  Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     8 Autoridade Administrativa  competente,  com  jurisdição  sobre  o  território  onde  se  localiza  o  domicílio do contribuinte,  extensivo a  todos os estabelecimentos, com prazo máximo de 120  dias,  e  as  prorrogações  devem  ocorrer  antes  de  vencidos  os  MPF  e  delas  deverão  ser  cientificadas as partes.  Razão não lhe assiste.    2.1.1. DA COMPETÊNCIA   A decisão recorrida não merece reparos. Transcrevemos e tornamos nossos os  termos assentado no acórdão combatido:  I.1.—  Da  Competência  da  DRP  SP­  OESTE  para  efetuar  o  lançamento.  7.1. Confundiu­se a Impugnante CIA União Empreendimentos e  Participações,  eis  que  o MPF­F  e  os  MPF­Cs  foram  emitidos  pela  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  São  Paulo­Oeste,  e  não  pela  Delegacia  de  Campo  Grande­MS.  Os  MPFs  foram  emitidos  pela  Delegacia  responsável  pela  empresa  centralizadora, na época da fiscalização e do lançamento.  O que se faz necessário é que o estabelecimento centralizador da  empresa (a matriz ou qualquer outro estabelecimento eleito pela  empresa  c  aceito  pelo  Fisco)  pertença  à  área  de  atuação  da  Delegacia,  porque  se  assim  não  for,  estará  realmente  havendo  incompetência  para  o  desenvolvimento  da  atividade  fiscal.  Porém, no caso presente, não há que se falar em incompetência  da Delegacia  da Receita Previdenciária  São Paulo­Oeste,  uma  vez que o centralizador da Notificada, na época da fiscalização e  da  notificação,  estava  localizada  em Bairro  pertencente  a APS  Pinheiros,  que,  por  sua  vez,  pertence  à mencionada Delegacia  Previdenciária.  7.2. Deve­se advertir, ab initio, que a presente NFLD foi lavrada  por uma Junta Fiscal designada para a realização da auditoria  junto  ao  Grupo  Frigorífico  Margen,  fiscais  devidamente  designados  nos  MPFs,  sendo  assim  as  autoridades  fiscais  competentes  para  os  atos  lançados.  Não  há  que  se  falar  em  incompetência, alegação que se afasta.    2.1.2.   DO MPF.  Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento  das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.969, de 15 de  outubro  de  2001,  determinou  que  os  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  federais  previdenciários  deverão  ser  instaurados mediante  ordem específica  denominada Mandado de  Procedimento  Fiscal  (MPF),  o  qual  se  extinguirá  pela  conclusão  do  procedimento  fiscal  correspondente, registrado em termo próprio, ou, alternativamente, pelo decurso do seu prazo  de validade, consideradas as prorrogações ocorridas.  Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita  ser conduzida  sob a  cobertura de MPF válido,  aqui  incluídas  suas prorrogações,  desde  a  sua  Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.308          9 deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os  documentos  fiscais  atávicos  ao  seu  ofício  que  importem  numa  conduta  a  ser  praticada  pelo  Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração.  DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001.  Art.  4º  O MPF  será  emitido  na  forma  de  modelos  adotados  e  divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional  do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo,  nos  termos do art.  23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de  dezembro  de  1997,  por  ocasião  do  início  do  procedimento  fiscal.(Redação  dada  pelo  Decreto  nº  4.058,  de  18.12.2001).  (grifos nossos)     Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou,  no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos)   II  ­ por  via  postal,  telegráfica  ou por  qualquer  outro meio  ou  via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  (grifos nossos)   III  ­ por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:  (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída  pela Lei nº 11.196, de 2005)  b)  registro  em  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)    §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput  deste  artigo  ou  quando  o  sujeito  passivo  tiver  sua  inscrição  declarada  inapta perante o cadastro fiscal, a  intimação poderá  ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941,  de 2009)  I  ­  no  endereço  da  administração  tributária  na  internet;  (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)  II  ­  em  dependência,  franqueada  ao  público,  do  órgão  encarregado  da  intimação;  ou  (Incluído  pela Lei  nº 11.196,  de  2005)  III  ­  uma  única  vez,  em  órgão  da  imprensa  oficial  local.  (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)    §2° Considera­se feita a intimação:  I  ­ na data da ciência do  intimado ou da declaração de quem  fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos)   II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     10 expedição  da  intimação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997) (grifos nossos)   III  ­  se  por meio  eletrônico,  15  (quinze) dias  contados  da  data  registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito  passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)  b)  no  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito  passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)   IV ­ 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o  meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)    §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste  artigo  não  estão  sujeitos  a  ordem  de  preferência.  (Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos)     §4º Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)   I  ­  o  endereço postal por  ele  fornecido, para  fins  cadastrais,  à  administração  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)   II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde  que  autorizado  pelo  sujeito  passivo.  (Incluído  pela Lei nº 11.196, de 2005)  §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será  implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e  a administração tributária informar­lhe­á as normas e condições  de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de  2005)  §6º As  alterações  efetuadas  por  este  artigo  serão  disciplinadas  em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196,  de 2005)  §7º  Os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  serão  intimados  pessoalmente  das  decisões  do  Conselho  de  Contribuintes  e  da  Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda  na  sessão  das  respectivas  câmaras  subsequente  à  formalização  do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007)  §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não  tiverem sido  intimados  pessoalmente  em até 40  (quarenta)  dias  contados  da  formalização  do  acórdão  do  Conselho  de  Contribuintes  ou  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  do  Ministério  da  Fazenda,  os  respectivos  autos  serão  remetidos  e  entregues,  mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para  fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007)  §9º Os Procuradores  da Fazenda Nacional  serão considerados  intimados  pessoalmente  das  decisões  do  Conselho  de  Contribuintes  e  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  do  Ministério  da  Fazenda,  com  o  término  do  prazo  de  30  (trinta)  dias  contados  da  data  em  que  os  respectivos  autos  forem  entregues  à  Procuradoria  na  forma  do  §  8o  deste  artigo.  (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007)    Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.309          11 No Capítulo  reservado  à  regulamentação  dos  prazos  do MPF,  o  art.  13  do  citado Dec.  3.969/2001  estatui  que  o MPF  pode  ser  prorrogado  tantas  vezes  quantas  forem  necessárias, mediante a emissão do MPF Complementar.  DECRETO nº 3.969, de 15 de outubro de 2001.  Art.  13. A prorrogação do prazo de que  trata o art. 12 poderá  ser  efetuada  pela  autoridade  outorgante,  tantas  vezes  quantas  necessárias,  observados,  a  cada  ato,  os  limites  estabelecidos  naquele artigo.  Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF  será formalizada mediante a emissão do MPF­C.    Art. 15. O MPF se extingue:  I­  pela  conclusão  do  procedimento  fiscal,  registrado  em  termo  próprio;  II­ pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13.    Art.  16.  A  hipótese  de  que  trata  o  inciso  II  do  art.  15  não  implica  nulidade  dos  atos  praticados,  podendo  a  autoridade  responsável  pela  emissão  do  Mandado  extinto  determinar  a  emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal.  (grifos nossos)     Da  análise  da  legislação  mencionada,  deflui  que  o  MPF  ­  Mandado  de  Procedimento Fiscal – deve ser emitido por ocasião do  início do procedimento  fiscal,  e dele  deve ser dada a devida ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito  passivo,  de  forma  pessoal  ou  por  via  postal,  conforme  o  regramento  fixado  no  art.  23  do  Decreto  nº  70.235/72,  podendo  ser  prorrogado  tantas  vezes  quantas  necessárias  ao  cumprimento da ação fiscal.  O exame da legislação que instituiu e disciplina o mandado de procedimento  fiscal  revela  que  a  sua  finalidade  essencial  foca­se  na  segurança  do  contribuinte  quanto  à  regularidade e oficialidade do procedimento de fiscalização, afastando pseudo ações fiscais.  Saliente­se que a ordem contida no MPF é direcionada ao agente fiscal, não  ao  contribuinte,  ao  qual  apenas  deve  ser  dada  a  ciência  de  que  a Administração  Fazendária  incumbiu o auditor ali consignado a comparecer ao seu estabelecimento para a verificação do  cumprimento  das  obrigações  relativas  às  Contribuições  Sociais  administradas  pela  administração tributária emissora do documento em realce.  Dessarte,  a  ciência  do  sujeito  passivo  representa,  apenas,  um  feed  back  ao  Órgão Fazendário de que o contribuinte encontra­se conhecedor da oficialidade, do escopo e do  alcance da  ação  fiscalizatória  a  ser desenvolvida na  sua  empresa. Em  reforço  a  tal  assertiva,  note­se  que  o  art.  4º  do mencionado Dec.  3.969/2001  apenas  prevê  a  ciência  do MPF  pelo  sujeito passivo “por ocasião do inicio do procedimento fiscal”. Ademais, cite­se que, mesmo  que o MPF­C houvesse sido emitido após o decurso do prazo do MPF anterior, o que não é o  caso  presente,  tal  fato  não  implicaria  nulidade  do  procedimento,  eis  que  o  art.  16  do  já  mencionado Dec.  3.969/2001  estabelece,  de maneira  expressa,  que  a  autoridade  responsável  Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     12 pela emissão do MPF, mesmo extinto, pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a  conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade.  Compulsando os  autos verificamos que o Mandado de Procedimento Fiscal  nº 09303971F00 foi emitido em 18 de maio de 2006, para ser cumprido, inicialmente, até 01 de  setembro  do mesmo  ano. Ante  a  complexidade  dos  trabalhos,  foi  o  citado MPF prorrogado,  sucessivamente,  por  duas  vezes,  até  19  de  dezembro  de  2006.  Nesse  cenário,  houve­se  o  vertente  lançamento  por  formalizado  em  30  de  novembro  de  2006,  ou  seja,  ainda  no  prazo  consignado na 2ª prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal em foco.  Também não procede a alegação de que não teria sido dada a regular ciência  do contribuinte quanto às prorrogações do MPF originário. Conforme já salientado alhures, o  art.  4º  do mencionado Dec.  3.969/2001  apenas  prevê  a  ciência do MPF pelo  sujeito  passivo  “por ocasião do inicio do procedimento fiscal”, não tecendo qualquer consideração a respeito  da obrigatoriedade de ciência formal das prorrogações eventualmente realizadas. Repise­se que  a ordem contida no MPF é direcionada ao agente fiscal, não ao contribuinte.  Ademais, porta o MPF, em seu campo de observações, Código de acesso ao  Mandado de Procedimento Fiscal, mediante o qual,  conforme  ali  expressamente  consignado,  pode  ser  verificado  pelo  sujeito  passivo,  mediante  consulta,  a  autenticidade  do  Mandado  originário bem como das suas prorrogações.  Igualmente  revelam­se  improcedentes  as  alegações  de  que  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal não teria sido expedido pela autoridade administrativa competente. E diga  o art. 6° da Portaria MPS/SRP n° 3.031/2005, in verbis:  PORTARIA SRP Nº 3.031 , DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005  Art.  6º O Mandado  de Procedimento Fiscal  será  emitido  pelas  seguintes  autoridades  da  Secretaria  da  Receita Previdenciária,  permitida a delegação:  I ­ Secretário da Receita Previdenciária;  II  ­  Diretor  do  Departamento  de  Fiscalização  da  Receita  Previdenciária  III ­ Coordenador­Geral em Auditoria Especial;  IV ­ Delegado da Delegacia da Receita Previdenciária; e  V  ­ Chefe do Serviço ou Seção de Fiscalização das Delegacias  da Receita Previdenciária.    Art. 7º O MPF­F, o MPF­D e o MPF­E conterão:  (...)  §5º Os MPF poderão ser assinados eletronicamente.    No  caso  vertente,  o MPF  em  realce  foi  emitido,  diretamente,  pela  própria  chefe  de  equipe  de  fiscalização. Note­se  que  o  caput  do  art.  6º,  in  fine,  da  Portaria  SRP  nº  3.031/2005  autoriza  a  Delegação  de  competência  para  a  emissão  do  MPF,  como  de  fato  ocorreu, estando o exercício de tal faculdade registrado no corpo do MPF a fl. 29, no quadro  referente ao Encaminhamento, mediante o assentamento do Ato de Delegação: Portaria nº 046,  de 02 de dezembro de 2005.  O Parágrafo 5º do art. 7º da citada Portaria também prevê que o Mandado de  Procedimento Fiscal pode ser assinado eletronicamente. E assim o foi, conforme consignado no  item 4 do quadro de Observações integrantes do MPF em julgo.  Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.310          13   2.2.  DA EMENTA  Defende  o  Recorrente  a  nulidade  do  acórdão  recorrido  em  razão  da  incompleta  ementa  que  não  retrata,  com  fidelidade,  todos  os  títulos  e  temas  levados  a  julgamento.  Sem razão.    A se adotar a teoria das nulidades defendidas pelo Recorrente pode­se rasgar  os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72 que disciplina o Processo Administrativo Fiscal.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam consequência.  §2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)    Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.    É  de  sabença  geral  dentre  aqueles  que militam  com  seriedade  no  ramo  do  Direito que a ementa consubstancia­se numa descrição discursiva que resume, com palavras­ chave,  o  conteúdo  conceitual  e  principiológico  do  tema  discutido  e  apresenta,  de  maneira  genérica e abstrata, o dispositivo do julgado.  Revela­se bastante virtuoso, neste comenos,  trazermos a colação excerto do  voto condutor do Min. Nery da Silveira no Mandado d Segurança MS­QO 20941 DF, de sua  relatoria, Órgão Julgador: Tribunal Pleno do STF, publicado no DJ de 31/08/1992, in verbis:  “Todos sabemos que a ementa do Acórdão não é, em princípio,  parte  componente  do  julgado.  Este  se  expressa  pelo  conteúdo  dos  votos  dos  membros  da  corte,  que  do  julgamento  participaram. De ordinário,  sequer  erro,  defeito  ou  imprecisão  da  ementa  ensejam  embargos  de  declaração,  precisamente,  porque a ementa não integra o aresto. No RE nº 88.060, D.J. de  Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     14 01.06.1979,  esta  Corte  decidiu:  ”Para  simples  correção  de  ementa,  não  cabem  embargos  de  declaração.  Prevalecem  as  notas taquigráficas”    Ocorre, todavia, conforme já salientado anteriormente, que as ementas hão de  constituir uma síntese do que se houve decidido no julgamento. Sendo as súmulas publicadas  no Órgão Oficial e seus enunciados transcritos em repositórios de Jurisprudência, as ementas,  nos tempos que se corre, constituem instrumento de valiosa utilidade de pesquisa e propagação  de jurisprudência.  Não  por  outro  motivo  os  Tribunais  passaram  a  admitir  embargos  de  declaração  em  face  de  ementas  omissas,  com  incorreções  ou  contradições,  conforme  se  depreende dos julgados a seguir ementados:  EDAMS  ­  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NA  APELAÇÃO  MANDADO SEGURANÇA ­9301329654  Relatora : JUÍZA ELIANA CALMON   TRF1 Órgão julgador QUARTA TURMA  DJ de 18/09/1995 P. 62005     Ementa PROCESSO CIVIL ­ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ­  EMENTA OMISSA.   1. Por equivoco na confecção, o item "1"da ementa deixou de ser  escrita.   2.  Correção  que  se  faz  para  dizer  ser  o  Delegado  da  Receita  Federal  a  autoridade  responsável,  por  atacar  o  "writ"  arrecadação de tributo federal.   3. Embargos acolhidos.      EDAMS  ­  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NA  APELAÇÃO  MANDADO SEGURANÇA ­9401061530  Relatora: JUIZA SELENE MARIA DE ALMEIDA  TRF1 Órgão julgador QUARTA TURMA   DJ de 17/03/2000 PAGINA:135   Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO. EMENTA OMISSA QUANTO FUNDAMENTO  EXPRESSO  NO  ACÓRDÃO.  RESULTADO  DA  DECISÃO  MANTIDO.   1. A diferença BTNF/IPC, a ser deduzida, refere­se ao artigo 4º,  da Lei 8.200/91.   2. Embargos acolhidos.      Embargos de Declaração Ap Cível nº 11970087265  CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM ­ 5ª VARA CÍVEL  EMGTE SILVERIO ALVES DE FREITAS  Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.311          15 EMGDO VIAÇÃO ITAPEMIRIM S/A  RELATOR SUBS. ELIANA JUNQUEIRA MUNHOS FERREIRA  JULGADO EM 15/03/2011 E LIDO EM 15/03/2011    EMENTA:  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  EM  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  APELAÇÃO  CÍVEL.  ERRO  MATERIAL,  CONTRADIÇÃO  E  OMISSÃO.  EXISTÊNCIA.  EMENTA  INCOMPLETA  E  DISSONANTE  DO  restante  do  JULGADO.  Recurso provido.  1) A ementa anterior, de fato, não se harmoniza com o restante  do acórdão,  estando  incompleta  ­ o que acabou por ocasionar,  inclusive, a publicação equivocada no diário oficial. No ensejo,  foram  julgados  conjuntamente  dois  embargos  de  declaração,  sendo  que  a  ementa  constante  dos  autos  e  publicada  erroneamente  diz  respeito  a  apenas  um  deles.  Ademais,  a  referida  publicação  ainda  fez  confusão  quanto  à  condição  das  partes.  2)  A  redação  e  publicação  errônea  de  ementa  incompleta  caracteriza erro material, omissão e contradição com o restante  do  acórdão  (votos  e  conclusão),  a  justificar  o  provimento  do  presente  recurso  com  a  redação  de  nova  ementa,  dessa  vez  de  forma escorreita. Efetuando­se, portanto, a devida corrigenda, a  ementa integrante do acórdão objurgado passa a ter a seguinte  redação:  “EMENTA:  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  APELAÇÃO  CÍVEL.  RECURSO  DA  AUTORA:  PRETENSA  OMISSÃO.  INEXISTÊNCIA. Recurso desprovido.  1)  Porquanto  inexistente  a  suposta  omissão,  não  há  o  que  se  prover.  O  julgado,  por  óbvio,  afastou  a  tese  sustentada  pela  embargante vez que não se valeu apenas de prova testemunhal,  mas de todo o conjunto probatório dos autos.   2) Além disso,  não  se  torna  enfadonho  lembrar  que o  julgador  não  precisa  se  manifestar  de  forma  expressa  sobre  todos  os  pontos  suscitados,  podendo  apreciar  e  afastar,  ainda  que  de  forma lógica, apenas aqueles  imprescindíveis ao julgamento da  demanda.  3) Recurso desprovido.    RECURSO DO  RÉU:  PRETENSA OMISSÃO.  INEXISTÊNCIA.  EMBARGOS  PROTELATÓRIOS.  MULTA.  RECURSO  DESPROVIDO.  1)  Porquanto  inexistente  a  suposta  omissão,  não  há  o  que  se  prover. O julgado se manifestou de forma clara e expressa sobre  o ponto embargado.  2) Destarte, resta gritante o caráter ardiloso e protelatório dos  presentes embargos de declaração,  impondo­se assim a  fixação  de multa, ex vi do art. 538, parágrafo único, do CPC.  3) Recurso desprovido.”    Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     16 Exsurge do exposto, de forma hialina, que pretensas omissões na ementa de  um  julgado  não  ensejam  declaração  de  nulidade  da  decisão,  a  teor  dos  artigos  59  e  60  do  Decreto  nº  70.235/72,  podendo  dar  azo,  quando  muito,  a  embargos  de  declaração,  espécie  recursal desenhada adrede para tal sanatória.    2.3.   DO CERCEAMENTO DE DEFESA  Pondera  o  sujeito  passivo  que  a  simplificação  e  generalidade  das  normas  citadas nos  relatórios  abriram espaço para omissão de várias outras  leis não citadas,  gerando  insegurança jurídica e, em consequência, cerceando o direito de defesa do Recorrente;  Não procede.  Avulta  das  alegações  ora  clamadas  a  necessidade  de  os  relatórios  fiscais  serem  emitidos  também  em  Braille,  para  que  todos,  indistintamente,  aproveitando­se  da  sensibilidade epicrítica, possam ter acesso ilimitado aos seus fundamentos.  Compulsando  os  autos  do  processo  verifica­se  que  o Relatório  Fiscal,  a  fl.  46/57,  destacou  com  clareza  em  seu  item  2.1.  quais  as  rubricas  remuneratórias  integram  o  vertente  lançamento,  assim  como  a  fonte  documental  de  onde  foram  extraídos  os  fatos  geradores  em  apreciação.  Por  outro  viés,  a  planilha  a  fls.  58/195  apresenta  discriminativo  detalhado, pormenorizando cada fato gerador  lançado,  indicando em cada caso, dentre outras  informações,  o  estabelecimento  do Recorrente,  a  competência,  o  nome  do  transportador  e  o  valor por ele auferido, assim como a fonte documental de onde se houve por extraído cada fato  jurígeno tributário, favorecendo dessarte, o contraditório e a ampla defesa do Recorrente.  O Relatório Fiscal suso referido informa de maneira clara e precisa, logo em  sua introdução, a matéria tributável e as bases de calculo da exação em apreço, assim como os  procedimentos  adotados  pela  Autoridade  Lançadora  na  condução  da  ação  fiscal.  Informa  igualmente os documentos analisados e os  fatos geradores apurados, as bases de cálculo e as  alíquotas  correspondentes  a  cada  uma  das  contribuições  sociais  ora  lançadas,  destacando,  ainda,  os  eventuais  valores  de  dedução  legal  considerados,  assim  como  os  códigos  de  levantamento associados.  Relata ainda a Autoridade Lançadora, no item 2.1.2. do Relatório Fiscal, que  As bases de cálculo lançadas foram apuradas nos Livros Diários relacionados na Tabela 02.  Considerou­se  os  valores  pagos  aos  transportadores  autônomos  escriturados  nas  contas  contábeis  2.113  —  FORNECEDORES  DE  TRANSPORTE  DE  GADO  e  2.114  —  FORNECEDORES TRANSP. PROD. INDUS.”.  De outro eito,  as  informações pertinentes às contribuições  sociais objeto do  presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 04/11,  de  forma discriminada por  rubricas,  alíquota,  valor  absoluto,  base de  cálculo,  competência  e  estabelecimento,  de  molde  que  sua  correcção  e  consistência  pode  ser  sindicada  a  qualquer  tempo e oportunidade pelo sujeito passivo.  O  documento  descrito  no  parágrafo  precedente  informa  também,  de  forma  individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que  foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal e  as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente  notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a  Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente.   Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.312          17 De  forma  idêntica,  guardadas  as  devidas  particularidades,  os  preceitos  normativos  que  fornecem  sustentação  jurídica  ao  lançamento  então  operado,  foram  devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no  relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 21/23, elaborado de maneira  extremamente  individualizada  por  lançamento,  sendo  estruturado  de  forma  atomizada  por  tópicos  específicos  condizentes  com  os mais  diversos  e  variados  aspectos  relacionados  com  procedimento  fiscal  e  o  crédito  tributário  ora  em  apreciação,  descrevendo,  pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão  esteio  às  atribuições  e  competências  do  auditor  fiscal,  às  obrigações  decorrentes  da  responsabilidade  solidária  do  grupo  econômico,  às  contribuições  sociais  lançadas  e  seus  acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às  obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o  Diploma  Legal  invocado,  mas,  igualmente,  os  dispositivos  normativos  correspondentes,  permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendo­ lhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa.  Não há dúvidas de que o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito  revelou­se,  de  fato,  bastante  amplo  e  vasto,  característica  decorrente  da  complexidade  da  matéria  em  apreço  e  da  circunstância  de  o  período  de  apuração  do  presente  lançamento  abranger várias  competências,  sendo certo que  a  legislação pertinente  experimentou diversas  alterações nesse interregno.  Malgrado  as  alegações  apostas  nesta  preliminar  de  mérito,  a  empresa  demonstrou, tanto em sua impugnação ao lançamento como no recurso em face da decisão de  primeira  instância,  ter  compreendido  como  perfeição  os  motivos  ensejadores  da  vertente  notificação de lançamento. Com efeito, os Diplomas Jurídicos e os preceitos normativos sobre  os  quais  se  alicerça  a  exação  ora  atacada  foram  enfrentados  pelo  Recorrente  com  precisão  cirúrgica, da mesma forma que o fora a descrição dos fatos jurígenos tributários apurados pelo  fisco,  não  se  vislumbrando  nos  instrumentos  de  bloqueio  acima  delineados  qualquer  argumentação desvinculada ou alheia ao lançamento que tornasse verossímil a alegação de que,  concretamente, houve por cerceado o direito de defesa do sujeito passivo recorrente, fato que  revela  terem  os  relatórios  fiscais  integrantes  deste  Processo Administrativo  Fiscal  cumprido  fielmente o papel que lhe fora atribuído pela lei.  Não  há,  portanto,  qualquer  obscuridade,  lacunosidade,  dúvida,  tampouco  prolixidade nos relatórios  integrantes da vertente notificação fiscal nem quanto à hipótese de  incidência dos tributos objeto deste lançamento.  Ademais, o Recorrente não especifica qual a legislação estaria aposta no FLD  em excesso e qual a que estaria omissa.  Como  visto,  verifica­se  que  a Notificação  Fiscal  em  relevo  foi  lavrada  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  tipificação  da  obrigação  tributária  principal  violada,  os  fatos  jurígenos  não  adimplidos,  a  composição  pecuniária  das  bases  de  cálculo,  obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em  seus elementos de constituição.  O lançamento encontra­se revestido de todas as formalidades exigidas por lei,  dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo  sido o Sujeito Passivo  e os devedores  solidários  cientificados  de  todas  as decisões de  relevo  Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     18 exaradas  no  curso  do  presente  feito,  restando  garantido  dessarte  o  pleno  exercício  do  contraditório e da ampla defesa aos Notificados.  Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de  cerceamento  de  defesa  erguida  pelo  sujeito  passivo,  razão  pela  qual  impende  repelir  peremptoriamente tal de mérito tão veementemente sustentada pelo Recorrente.    2.4.   DA DECADÊNCIA   O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  exarado  na  Súmula  Vinculante  nº  8,  em  julgamento  realizado  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu  a  inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem:  Súmula  Vinculante  nº  8  ­  “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da  Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.    Conforme  estatuído  no  art.  103­A  da  Constituição  Federal,  a  Súmula  Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela  Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá­la de imediato.  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.    Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos  45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo  inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência.   O  instituto  da  decadência  no  Direito  Tributário,  malgrado  respeitadas  posições  em  sentido  diverso,  encontra­se  regulamentado  no  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN, que reza ipsis litteris:  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.313          19 tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.    Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302­ 01.387  proferido  nesta  2ª  TO/3ª  CÂMARA/2ª  SEJUL/CARF/MF/DF,  na  Sessão  de  26  de  outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/2008­65, convicto encontra­se este  Conselheiro  de  que,  após  a  implementação  do  sistema  GFIP/SEFIP,  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  não  mais  se  enquadra  na  sistemática  de  lançamento  por  homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN.  O  entendimento  majoritário  que  permeia  esta  2ª  Turma  Ordinária,  em  sua  escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas  rubricas  qualificadoras  dos  fatos  geradores  levantados  somente  poderiam  ter  sido  apuradas  mediante ação fiscal, aplica­se o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum  outro.  Com  fulcro  nos  fundamentos  expostos  nessas  breves  digressões,  deflui  da  análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência que, ao caso sub examine, opera­ se a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN.   Por outro lado, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do  Processo Administrativo Fiscal  referido nos parágrafos  anteriores,  entende este  relator que o  lançamento tributário encontra­se perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela  assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de  publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não,  atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária,  em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte  produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial.  Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostra­se isolado  perante  o  Colegiado.  Dessarte,  em  atenção  aos  clamores  da  eficiência  exigida  pela  Lex  Excelsior,  curvo­me  ao  entendimento  majoritário  desta  Corte  Administrativa,  em  respeito  à  opinio iuris dos demais Conselheiros.   Nessas condições, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 08  dias do mês de dezembro de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançaria, tão somente,  as  obrigações  tributárias  exigíveis  a  contar  da  competência  dezembro/2000,  inclusive,  nos  termos do art. 173, I do CTN.    Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo  decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário.  O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício  de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no  recolhimento das exações em apreço.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     20 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou  segurado  terá  o  prazo  de  15  (quinze)  dias  para  apresentar  defesa, observado o disposto em regulamento.    De  outro  canto,  o  art.  30  do mesmo Diploma  Legal,  na  redação  vigente  à  época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as  contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios  do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)   I ­ a empresa é obrigada a:   a)  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva remuneração;     b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a  contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como  as  contribuições a  seu  cargo  incidentes  sobre as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a  seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).    No  caso  da  competência  dezembro,  até  que  se  expire  o  prazo  para  o  recolhimento,  diga­se,  o  dia  02  de  janeiro  do  ano  seguinte,  não  pode  a  autoridade  administrativa  proceder  ao  lançamento  de  oficio,  eis  que  o  sujeito  passivo  ainda  não  se  encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Trata­se de concepção análoga  ao  o  princípio  da  actio  nata,  impondo­se  que  o  prazo  decadencial  para  o  exercício  de  um  direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor  pode, efetivamente, exerce­lo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês  de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte.   Nesse  contexto,  a  contagem do  prazo  decadencial  assentado  no  inciso  I  do  art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º  de janeiro do ano xx + 2.  Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal  de  Justiça  assentou  em  sua  jurisprudência  a  interpretação  que  deve  prevalecer,  espancando  definitivamente  qualquer  controvérsia  ainda  renitente,  conforme  dessai  em  cores  vivas  do  julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no  Recurso Especial nº 674.497, assim ementado:  Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.314          21 PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.   2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.   3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.    No  caso  vertente,  o  prazo  decadencial  relativo  à  competência  dezembro  de  2000  tem  seu dies  a  quo assentado  no  dia 1º  de  janeiro  de  2002,  o  que  implica dizer  que  a  constituição  do  crédito  tributário  referente  aos  fatos  geradores  ocorridos  nessa  competência  poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2006, inclusive.    Pelo  exposto,  pelo  entendimento  majoritário  deste  Sodalício,  encontram­se  atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos  geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive, caducando, por  conseguinte,  o  direito  da  Fazenda  Pública  de  constituir  o  crédito  tributário  a  elas  correspondente.    2.5.   DO GRUPO ECONÔMICO.  Sustenta  o  Recorrente  inexistir  o  grupo  econômico  apontado  pela  fiscalização.  O apelo acima postado não reflete a realidade enclausurada nos autos.    Cumpre  neste  comenos  esclarecer  que  a  responsabilidade  direta  pelas  obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD é da  empresa notificada. Ocorre que o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 dispõe as empresas  que  integram  grupo  econômico,  de  qualquer  natureza,  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas obrigações decorrentes dessa Lei.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     22 Art. 30 ...  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta Lei; (grifos nossos)     Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das  partes, ou, diretamente, de disposição  legal, como é o presente caso. Nesse sentido, dispõe a  Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005.  Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005:  Art. 748. Caracteriza­se grupo econômico quando duas ou mais  empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer outra atividade econômica.    Art.  749.  Quando  do  lançamento  de  crédito  previdenciário  de  responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as  demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  na  forma  do  art.  30,  inciso  IX,  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  serão  cientificadas  da  ocorrência.  §1°  Na  cientificação  a  que  se  refere  o  caput,  constará  a  identificação  da  empresa  do  grupo  e  do  responsável,  ou  representante  legal,  que  recebeu  a  cópia  dos  documentos  constitutivos  do  crédito,  bem  como  a  relação  dos  créditos  constituídos.  §2°  É  assegurado  às  empresas  do  grupo  econômico,  cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo  administrativo fiscal.    Tal  regulamentação  não  discrepa  das  disposições  encartadas  na  Instrução  Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo.  Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003  Art. 778. Caracteriza­se grupo econômico quando duas ou mais  empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer outra atividade econômica.    Art.  779.  Quando  do  lançamento  de  crédito  previdenciário  de  responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as  demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  na  forma  do  art.  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  serão  cientificadas  da  ocorrência.  §1º  Na  cientificação  a  que  se  refere  o  caput,  constará  a  identificação  da  empresa  do  grupo  e  do  responsável,  ou  representante  legal,  que  recebeu  a  cópia  dos  documentos  constitutivos  do  crédito,  bem  como  a  relação  dos  créditos  constituídos.  Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.315          23 §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas  na  forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo  fiscal.    O grupo  econômico de  fato  se  caracteriza pela  reunião de várias  empresas,  cada  uma  com  personalidade  jurídica  e  patrimônio  formalmente  distintos  e  próprios,  que  combinam efetivamente  recursos  ou  esforços  para  a  realização  dos  respectivos  objetos,  ou  a  participar de atividades ou empreendimentos comuns.  No  caso  ora  vertido,  conforme  detalhadamente  reportado  no  relatório  intitulado “GRUPO ECONÔMICO: GRUPO MARGEM” a fls. 221/246, a fiscalização apurou  a existência de um grupo econômico de fato constituído pelas empresas relacionadas a fl. 221.  Consoante reporte no Relatório Fiscal, a fl. 238, ad litteris et verbis:   “o  grupo  está  estrategicamente  composto  por  empresas  operacionais  e  de  investimentos.  As  empresas  de  investimento  Magna  Administração  e  Participações  Ltda.,  Cia.  União  Empreendimentos  e  Participações  e  Ampla Empreendimentos  e  Participações  Ltda  possuem  em  seus  quadros  societários  os  próprios  srs.  Mauro  Suaiden,  Geraldo  Antônio  Prearo  e  Ney  Agilson Padilha ou pessoas dos clãs Suaiden, Prearo e Padilha.   Por outro lado, dentre as empresas operacionais apenas uma —  Água Limpa Transportes Ltda. — tem no seu quadro societário  estas pessoas. As demais empresas— Frigorifico Margen Ltda.,  Frigorifico. Centro Oeste SP Ltda., MF Alimentos BR Ltda. e SS  Administradora  de  Frigorífico  Ltda.  —  encontram­se  convenientemente  em  nome  de  terceiros  interpostos.  A  razão  para  tanto  se  compreende  prontamente,  pois  é  nestas  que  se  praticam  os  fatos  geradores  de  tributos  e  das  contribuições  devidas à previdência social, mormente a contribuição incidente  sobre a aquisição de bovinos para o abate.  Assim,  as  empresas  onde  se  concentram  as  atividades  operacionais do Grupo Margen são empresas descapitalizadas,  desguarnecidas de bens — suas instalações industriais são todas  arrendadas  —  e  com  "sócios­gerentes"  perceptivelmente  desprovidos  de  capacidade  financeira,  patrimonial  e  gerencial  para  a  monta  daqueles  empreendimentos  industriais.  Pode­se  dizer que estas empresas representam a parte "podre" do Grupo  Margen,  sendo  exploradas  à  exaustão,  arrancando­lhes  faturamentos  mirabolantes  (R$  1.176.556.922,84  em  2003  —  Frig.  Margen  Ltda.)  e  estancando  nelas  dividas  para  com  a  Previdência Social igualmente assombrosas.  Os  Senhores  Mauro  Suaiden,  Geraldo  Antônio  Prearo  e  Ney  Agilson  Padilha,  com  seu  poderio  financeiro,  arregimentam  terceiros  incautos  para  emprestarem  seus  nomes  —  Jelicoe  Pedro  Ferreira,  Cláudio  Sobral  Oliveira  e  José  Geraldo  de  Freitas  —  a  figurarem  como  "sócios­gerentes"  diante  destas  empresas. Desta forma, com tais ardis colocam seus patrimônios  pessoais  em  salvaguarda,  pois  evidente  está  que  sua  intenção  velada é a de que, com a fraude perpetrada, o fisco busque seus  créditos no patrimônio nulo dos supostos "sócios­gerentes". Com  Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     24 tais subterfúgios, os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio  Prearo e Ney Agilson Padilha, embora sendo os gestores de fato  dos  empreendimentos,  ainda  buscam  se  esquivar  da  imputação  dos  inúmeros  crimes  contra  a  Previdência  Social  e  a  Ordem  Tributária  cometidos  em  tese  na  condução  dos  negócios.  Em  suma,  aos  supostos  "sócios­gerentes"  cabem  arcar  com  as  gigantescas  dívidas  tributárias  e  as  consequências  penais  dos  ilícitos, enquanto àqueles os fáceis e gordos lucros obtidos”.    As  empresas  Frigorífico  Margen  Ltda,  Frigorífico  Centro  Oeste  SP  Ltda,  Eldorado  Participações  Ltda.,  MF  Alimentos  BR  Ltda.,  SS  Administradora  de  Frigorifico  Ltda.,  Magna  Administração  e  Participações  Ltda.,  Água  Limpa  Transportes  Lida,  Ampla  Empreendimentos e Participações Ltda e CIA União Empreendimentos e Participações formam  um  grupo  econômico  em  razão  da  existência  de  poder  de  controle  único,  mesmo  desenvolvendo atividades diversas, eis que promovem entre si uma incessante transferência de  patrimônio e alteração da estrutura societária.  O Grupo Margen  atualmente  é  composto  por  nove  empresas  nos  seguintes  ramos  de  atividade:  Frigoríficos  —  Frigorífico  Margen  Ltda,  MF  Alimentos  BR  Ltda  e  Frigorífico Centro Oeste SP Lida; Transportes  ­ Água Limpa Transportes Ltda; Holdings — Eldorado  Participações  Ltda.,  Magna  Administração  e  Participações  Ltda.,  Ampla  Empreendimentos  c  Participações  Ltda  e  CIA  União  Empreendimentos  e  Participações;  Cessionária de Mão­de­obra ­ SS Administradora de Frigorifico Ltda. Estas empresas possuem  nas suas diversas alterações societárias sempre as mesmas pessoas como sócios e responsáveis:  Ney Agilson Padilha, Mauro Suaiden , Geraldo Prearo, suas esposas e familiares.  No Relatório  de Grupo  Econômico  às  fls.  221/239  a  fiscalização  apresenta  todo o histórico de  formação e  alterações  contratuais das nove empresas do grupo, donde se  extrai que os Srs. Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha são os personagens centrais na  sustentação  financeira,  administrativa  e  gerencial  destas  empresas.  Formalmente  aparecem  como sócios apenas no quadro societário da empresa Ampla Empreendimentos e Participações  Ltda. Nas demais empresas fizeram constar ora os cônjuges (Verena Maria Bannwart Suaiden,  Rosângela  de  Lurdes  Veronesi  Prearo  e  Tânia  Maria  Elias  Padilha),  ora  o  irmão  (Milton  Prearo), ora o sogro (Alexandre Elias), ora outros (Jelicoe Pedro Ferreira, Aldomiro Lopes de  Oliveira, Lourenço Augusto Brizoto, José Geraldo de Freitas, Cláudio Sobral Oliveira, Marcelo  Ribeiro Rocha).  Relata  a  fiscalização  que  a  pessoa  de  Jelicoe  Pedro  Ferreira  é  utilizada  de  forma ostensiva  e  amiúde,  na  época  da  lavratura  aparecia  à  frente  das  empresas:  Frigorifico  Margem Ltda, Eldorado Participações Ltda., MF Alimentos BR Ltda., e é o representante legal  da  "offshore"  uruguaia  Cyndell  Company  Sociedad  anônima.  Pelas  alterações  Jelicoe  ficou  como  o  único  responsável  pelo  Frigorifico Margen,  pois  este  é  o  sócio­gerente  da  empresa  Eldorado Participações e o representante legal da Cyndel no Brasil.  Na  cisão  da  empresa  Frigorifico  Margen  Ltda,  ocorrida  em  10/11/1995,  houve  a  transferência  de  80,6%  dos  bens  que  compunham  o  seu  ativo  imobilizado  para  a  empresa Água Limpa Transportes Ltda. A versão destes ativos  implicou em uma  redução de  seu Patrimônio Líquido de 98,1%. Esta manobra teve como finalidade evidente descapitalizar a  empresa  Frigorífico  Margen  para  posteriormente  passar  a  operá­la  com  a  interposição  de  pessoas  travestidas  de  sócios­gerentes,  o  que  de  fato  veio  a  ocorrer  com  a  modificação  do  quadro  societário  em  11/11/1996,  ocasião  em  que  a  esposa  do  Sr.  Mauro  Suaiden,  Verena  Maria Bannwart Suaiden,  transferiu suas quotas para o Sr. Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço  Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.316          25 Augusto Brizoto. Posteriormente em 03/12/1996, os Srs. Ney Agilson Padilha e Milton Prearo  também  cederam  suas  participações  a  Jelicoe  e  Lourenço.  Assim,  completou­se  o  ciclo  de  transformação  do  quadro  societário,  resultando  em  uma  empresa  exaurida  de  ativos  e  com  sócios  proprietários  fictícios. Ocorre  que  os  ativos  transferidos  para  a  empresa Água  Limpa  Transportes  Ltda  continuaram  a  ser  utilizados  pelo  Frigorifico  Margen  Ltda.  em  suas  atividades  operacionais  por  meio  de  contratos  de  locação  industrial  e  de  veículos  firmados  entre  as  empresas  do  grupo.  As  cópias  de  diversos  contratos  de  arrendamento  juntados  no  anexo 05 comprovam tal sistemática.  O esquema mostrado a fls. 226 V ilustra a sistemática adotada pelo grupo de  empresas em relação ao ativo composto pelo conjunto industrial situado no município de Rio  Verde/GO,  à Rodovia BR 060, Km 17. O Ativo  imobilizado migrou  da  empresa  Frigorifico  Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Da mesma forma, os  sócios Ney Agilson Padilha e Verena Maria Bannwart Suaiden migraram do quadro societário  da  empresa  Frigorifico  Margen  Ltda.  para  a  empresa  Magna  Administração  e  Participação  Ltda. Já o quadro societário do Frigorífico Margen passou a ser constituído pelos sócios Jelicoe  Pedro  Ferreira  e  Lourenço  Augusto  Brizoto  e  as  instalações  industriais  passaram  a  ser  exploradas por meio de arrendamento. Tal estratégia teve como finalidade afastar o patrimônio  de possíveis execuções  fiscais, uma vez que a partir de então o Frigorifico Margen passou a  acumular  enorme  passivo  fiscal, máxime  em  relação  às  contribuições  devidas  a  Previdência  Social.  A carência de patrimônio se manifesta de forma flagrante ante a constatação  de  que,  dentre  os  documentos  apreendidos,  há  copiosa  quantidade  de  contratos  de  financiamento firmados com instituições financeiras do Brasil e exterior. Estes financiamentos  levantavam recursos para operacionalizar as atividades do Grupo, beneficiando, entre outras, as  empresas  Frigorífico Margen  Ltda.,  Frigorífico  Centro  Oeste  SP  Ltda.  e MF Alimentos  BR  Ltda.  Todavia,  como  estas  empresas  não  apresentam  ativos  suficientes  para  garantir  os  volumosos empréstimos captados na rede bancária, da mesma forma que os seus sócios formais  ­  Jelicoe  Pedro  Ferreira,  Cláudio  Sobral  Oliveira  e  José  Geraldo  de  Freitas  ­  pessoas  de  acanhadíssima posição patrimonial e, portanto, sem a mínima capacidade financeira para obter  vultosos  empréstimos  e  oferecer  garantias  aos  financiadores,  os  verdadeiros  proprietários  destas empresas — Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha se viram ­  compelidos a avocarem de forma ostensiva as responsabilidades pelos empréstimos bancários  na condição de garantidores, fiadores, responsáveis solidários, etc.'  Noticie­se que a gestão administrativa, o comando gerencial das empresas do  Grupo Margen não está nas mãos daqueles que cederam os nomes para figurarem nos contratos  sociais  como  Jelicoe  Pedro  Ferreira,  Cláudio  Sobral  Oliveira  e  José  Geraldo  de  Freitas.  As  diversas procurações constantes no anexo 10 demonstram que a gestão administrativa está em  nome  de  outras  pessoas,  todas  relacionadas  de  algum modo  (na  maioria  deles  são  estreitos  laços familiares) com os Srs. Geraldo Prearo, Mauro Suaiden e Ney Agilson Padilha.   Na mesma  esteira,  contidos  no  anexo  11  estão  vários  contratos  de  locação  que  demonstram  o  comprometimento  dos  SUAIDEN  com  as  empresas  Frigorífico  Margen  Ltda e Frigorífico Centro Oeste SP Ltda, que empenham sua solidez financeira e patrimonial  para viabilizar contratos de aluguel.  Os  "Termos  de  Declarações"  tomados  pelos  Delegados  da  Policia  Federal  Cristian  Arley  Silva  Lages  e  Rubens  Alexandre  de  França,  anexo  08,  mostram  que  os  Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     26 empregados do Frigorifico Margen Ltda. e Água Limpa Transportes Ltda., desde o vigilante ao  Gerente Financeiro,  são unânimes em apontar os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio  Prearo e Ney Agilson Padilha como os proprietários e gestores de fato do Frigorifico Margen  Ltda.  Ao se analisar o contrato social e alterações das empresas e os contratos de  locação  de  imóveis  residenciais  do  anexo  12,  constata­se  que  os  "sócios­gerentes"  do  Frigorífico Centro Oeste SP  residem ou  residiram em  imóveis modestíssimos, muito  embora  apareçam como proprietários de uma empresa frigorífica com faturamento de milhões.   Dessai do exame perfunctório das declarações de ajuste anual de imposto de  renda  dos  Srs.  Cláudio  Sobral  Oliveira  e  José  Geraldo  de  Freitas,  anexo  13,  a  total  incompatibilidade dos seus patrimônios. Até o ano da fundação do Frigorífico Centro Oeste em  2002,  o Sr. Cláudio Sobral Oliveira  e  José Geraldo  de  Freitas  nem  IRPF declaravam,  o  seu  patrimônio era zero, e em 2003, o  seu patrimônio era constituído  tão somente por quotas de  capital de sociedades.   Estes  senhores  não  possuíam  ocupação  definida  até  o  exercício  de  2002,  conforme se observa no campo "Ocupação principal" de suas declarações do IRPF ­ consta ali  como  sendo  "Outros"  ou  "Outras  ocupações  não  especificadas  anteriormente".  Seus  rendimentos  eram  da  ordem  de R$  1.000,00 mensais,  valores  declarados  como  rendimentos  recebidos de pessoas físicas e do exterior. Prodigiosamente, a partir do exercício de 2002, estes  pouco favorecidos senhores  foram elevados à condição de "Dirigente, presidente e diretor de  empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços (ocupação principal declarada no IRPF  2003) do Frigorífico Centro Oeste SP Ltda., que já em 2002, ano de sua constituição, faturou a  fábula de R$ 121.081.452,50, e no ano seguinte o expressivo montante de R$ 299.002.191,54.  Registre­se  que  o  "Contrato  Rotativo  de  Limite  de  Crédito  Fixo"  firmado  entre  o  Banco  Industrial  e Comercial  S/A  e  o  Frigorífico Centro Oeste  SP  Ltda.,  anexo  14,  corrobora  a  função  meramente  coadjuvante  dos  "sócios­gerentes"  desta  empresa.  Neste  contrato  consta  como  fiadores,  entre  outros,  a  Magna  Administração  e  Participações  Ltda.,  Mauro Suaiden, Ney Agilson Padilha, Verena Maria Bannwart Suaiden. E no campo  "VI —  Autorização para Saque" consta o nome do Sr. Mauro Suaiden , o qual se encontra qualificado  como sócio, no campo "CARGO”. Isto mostra a predominância do Sr. Mauro Suaiden sobre a  empresa em questão, pois além de ser um dos fiadores do contrato, qualifica­se como sócio da  empresa e é o único autorizado a realizar saques naquela conta bancária.  A  documentação  acostada  aos  autos  consubstanciando­se  em  provas  contundentes da caracterização e configuração de grupo econômico de fato. A caracterização do  grupo econômico decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do Decreto­Lei n ° 5.452/43 ­ CLT.  Consolidação das Leis do Trabalho ­ CLT  Art.  2º  ­  Considera­se  empregador  a  empresa,  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  da  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.  (...)  § 2º  ­ Sempre que uma ou mais empresas,  tendo, embora, cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem  sob  a  direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo  industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica,  serão,  para  os  efeitos  da  relação  de  emprego,  solidariamente  responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.    Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.317          27 Registre­se,  por  relevante,  que  a  jurisprudência  pátria,  hodiernamente,  evoluiu  de  uma  interpretação  meramente  gramatical  do  §2°  do  art.  2°  da  CLT  para  o  reconhecimento  do  grupo  econômico,  ainda  que  não  haja  subordinação  a  uma  empresa  controladora  principal.  Admite,  portanto,  mesmo  nas  ordens  do  Poder  Judiciário,  a  configuração de grupo econômico, assim denominado "grupo composto por coordenação", em  que  as  empresas  atuam  horizontalmente,  no  mesmo  plano,  participando  todas  do  mesmo  empreendimento  independente do controle  jurídico, com base  apenas na organização comum  da  atividade  econômica,  conforme  dessai  dos  julgados  a  seguir  ementados,  perfeitamente  aplicáveis ao caso em apreciação:  GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.   Consoante  a  melhor  doutrina,  a  personalidade  jurídica  é  o  substrato  da  autonomia  dos  sujeitos  plúrimos  que  constituem o  grupo empresário, podendo­se dizer que a autonomia é uma das  facetas  do  grupo  econômico,  o  que,  antes  de  caracterizá­lo,  constitui­se em nota marcante de sua definição.   Quanto  à  exigência  de  controle  pelo  acionista  majoritário,  tal  entendimento  encontra­se  superado  pela  doutrina  e  jurisprudência. Admite­se, hoje, a existência de grupo econômico  independente do  controle e  fiscalização pela  chamada empresa  líder.   Evoluiu­se de uma interpretação meramente literal do artigo 2º,  §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda  que  não  haja  subordinação  a  uma  empresa  controladora  principal. É  o  denominado  "grupo  composto  por  coordenação"  em  que  as  empresas  atuam  horizontalmente,  no  mesmo  plano,  participando todas do mesmo empreendimento.   No  direito  do  Trabalho  impõe­se,  com  maior  razão,  uma  interpretação  mais  elastecida  da  configuração  do  grupo  econômico,  devendo­se  atentar  para  a  finalidade  de  tutela  ao  empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, § 2º,  da  CLT).  Grupo  Econômico  ­  Caracterização.  (TRT­RO­ 19827/97  ­  4ª  T.  ­  Rel.  Juiz  Ronan  Neves  Cury  ­  Publ.  MG  22.07.98)."    GRUPO ECONÔMICO.  Empresas  que  embora  tenham  situação  jurídica  distinta,  são  dirigidas  pelas  mesmas  pessoas,  exercem  suas  atividades  no  mesmo  endereço  e  uma  delas  presta  serviços  somente  à  outra,  formam  um  grupo  econômico,  a  teor  das  disposições  trabalhistas,  sendo  solidariamente  responsáveis  pelos  legais  direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T—  RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier).    GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO.  O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla  do que seu texto sugere, considerando­se a finalidade da norma,  e a evolução das  relações econômicas nos quase sessenta anos  de  sua  vigência.  Apesar  da  literalidade  do  preceito,  podem  ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a  administração  não  estejam  exatamente  nas  mãos  de  uma  Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     28 empresa,  pessoa  jurídica.  Pode  não  existir  uma  coordenação,  horizontal,  entre  as  empresas,  submetidas  a  um  controle geral,  exercido por pessoas  jurídicas ou  físicas,  nem sempre  revelado  nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração  do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle  e  a  direção  por  determinadas  pessoas  físicas  que,  de  fato,  mantém a administração das empresas, sob um comando único,  configurado  está  o  grupo  econômico,  incidindo  a  responsabilidade  solidária.  (TRT/15ª  REGIÃO.  Decisão  N°  061975/2005­PATR.,  Relatora: MARIANE  KHAYAT,  publicado  em 19/12/2005)    Tais  elementos,  ancorados  por  outros  descritos  em  tópicos  diversos  neste  voto,  demonstram  a  existência,  de  fato,  de  grupo  econômico  para  fins  de  imputação  de  responsabilidade solidária, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91.    As  provas  dos  autos  demonstram,  de  forma  insofismável,  que  as  pessoas  jurídicas  ali  elencadas  mantêm mais  do  que  relações  comerciais,  eis  que  desenvolvem  suas  atividades como se uma única empresa fosse, estabelecendo relações que revelam a unicidade  de interesses, atuando de maneira inequívoca como um grupo econômico de fato.    Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre,  de  plano,  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão  verdadeiras.    3.1.  DA SUCESSÃO   Alega o Recorrente que a responsabilidade integral pelos tributos atribuídos  ao suposto GRUPO MARGEN, lançados anteriormente ou posteriormente ao desligamento de  NEY  AGILSON  PADILHA  de  todas  as  sociedades,  foi  transferida  legalmente  para  os  adquirentes por sucessão.  A  alegação  oferecida  pelo Recorrente  revela­se  totalmente  alheia  à questão  de mérito discutida nos autos.  Cumpre  refrescar  a  lembrança  advertindo  que  o  presente  lançamento  tem  como devedor principal a empresa Água Limpa Transportes ltda, CNPJ 01.169.288/0001­95, e  como responsáveis solidários, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91, as seguintes  pessoas jurídicas:   CNPJ 25.068.875/0001­56 — Frigorifico Margen Ltda.;  CNPJ 05.281.319/0001­56 — SS Administradora de Frigorifico Ltda.  Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11831.001588/2007­37  Acórdão n.º 2302­01.672  S2­C3T2  Fl. 1.318          29 CNPJ 02.682.269/0001­20 — Eldorado Participações Ltda.;  CNPJ 02.135.319/0001­50 — Magna Administração e Participações Ltda.;  CNPJ 05.300.347/0001­73 — Ampla Empreendimentos e Particip. Ltda.;  CNPJ 05.166.382/0001­83 — Cia. União Empreendimentos e Participações;  CNPJ 04.872.265/0001­30 — Frigorifico Centro Oeste SP Ltda.;  CNPJ 05.307.573/0001­86 — MF Alimentos BR Ltda.    Não  há  nos  autos  qualquer  lançamento  ou  atribuição  de  responsabilidade  solidária ao Sr. Ney Agilson Padilha, o qual figura, tão somente, como representante legal da  empresa notificada, nos termos do CORESP, a fl. 24.    Da  análise  de  tudo  o  quanto  se  considerou  no  presente  julgado,  pode­se  asselar categoricamente que, à exceção da declaração de decadência parcial, a decisão recorrida  não demanda, alfim, qualquer reparo.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  recurso  voluntário para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do  lançamento,  tão  somente,  as  obrigações  tributárias  decorrentes  dos  fatos  geradores  ocorridos  nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva                                 Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA

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Numero do processo: 19515.003082/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE Afasta-se a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. No caso de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, confirmada a existência de pagamento antecipado, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, com exceção das parcelas decorrentes da prática de procedimentos dolosos, em que a contagem do prazo decadencial é iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele que cada lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação do coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento. Recursos de Oficio e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 1402-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.003082/2007­57  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1402­001.370  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de abril de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ/REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS  DEPOSITOS BANCARIOS.  Recorrente  MICRO SWITCH ELETRO ELETRÔNICA LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004  NULIDADE  Afasta­se  a  tese  de  nulidade  do  lançamento,  quando  lavrado  por  servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  A  apreciação  e  declaração  de  inconstitucionalidade  de  lei  é  prerrogativa  reservada  ao  Poder  Judiciário,  sendo  vedada sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da  legalidade e da independência dos Poderes.  DECADÊNCIA.  IRPJ,  CSLL,  PIS  E  COFINS.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  No  caso  de  tributos  e  contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, confirmada a existência de  pagamento  antecipado,  decai  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  com  o  transcurso  do  prazo  de  cinco  anos  contados  a  partir  da  data  da  ocorrência  do  fato  gerador,  com  exceção  das  parcelas  decorrentes  da  prática  de  procedimentos  dolosos,  em  que  a  contagem  do  prazo  decadencial  é  iniciada  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  que  cada  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  Caracterizam­se  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  junto  a  instituições  financeiras,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO  DA  ESCRITURAÇÃO.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os  livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento  dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei.  ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas,  quando  conhecida  a  receita  bruta,  será  determinado  mediante  a  aplicação  do  coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento.  Recursos de Oficio e Voluntário Negados.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 82 /2 00 7- 57 Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 3          2         Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de oficio  e  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passa a integrar o presente julgado.     (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira ­ Relator    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes  da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.        Relatório  MICRO SWITCH ELETRO ELETRÔNICA LTDA. recorre a este Conselho  contra a decisão proferida pela DRJ em primeira  instância, que julgou procedente em parte a  exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF).  Por  sua  vez,  a  DRJ  Recorre  de  ofício  em  face  da  exoneração  do  ano­ calendário de 2002, por decadência.    Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis):  Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam exigência de  crédito  tributário  relativo  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  no  valor  de  R$918.332,80  (novecentos  e  dezoito  mil,  trezentos  e  trinta  e  dois  reais  e  oitenta  centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$390.798,62  (trezentos  e  noventa  mil,  setecentos  e  noventa  e  oito  reais  e  sessenta  e  dois  centavos),  à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de  R$1.407.132,50  (um milhão,  quatrocentos  e  sete mil,  cento  e  trinta  e  dois  reais  e  cinquenta  centavos),  e  à  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social,  no  valor  de R$304.878,55  (trezentos  e  quatro mil,  oitocentos  e  setenta  e  oito  reais  e  cinquenta  e  cinco  centavos),  acrescidos  de  multa  de  ofício  e  dos  juros  de  mora,  totalizando R$7.277.273,24 (sete milhões, duzentos e setenta e sete mil, duzentos e  setenta e três reais e vinte e quatro centavos).  Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 4          3 De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração do IRPJ  (fls. 1.026 a 1.028), foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de  apuração  ocorridos  no  ano­calendário  de  2002  a  2004,  com  base  no  artigo  530,  inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), tendo em vista  que  a  Contribuinte  notificada  a  apresentar  os  livros  e  documentos  da  sua  escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação em  anexo,  deixou  de  apresentá­los,  e  nem  tampouco  reapresentou  os  novos  livros  escriturados, após seguidas intimações.  O  Lucro  Arbitrado  foi  determinado  com  base  na  receita  bruta  conhecida,  representada  por  depósitos  e  créditos  efetuados  em  contas­correntes  bancárias  mantidas em nome da Fiscalizada, nos anos­calendário 2002, 2003 e 2004, apurados  conforme  os  extratos  bancários  apresentados  pela  empresa,  e  cuja  origem  não  foi  devidamente comprovada, nos termos da legislação de regência.  Os valores  apurados  encontram­se discriminados nos anexos das  Intimações  Fiscais VI  e VIII,  e  consolidados  no Anexo  do Termo  de Verificação,  que  fazem  parte integrante do Auto de Infração.  No enquadramento legal foram capitulados: art. 27, inciso I, da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996; art. 251, 257, 258, 259, 260, 264, 287 e seus parágrafos,  527, parágrafo único, 530, inciso II, 532 e 537, do RIR/1999.  Os Autos de  Infração  relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS decorreram do  Auto de Infração de IRPJ. O enquadramento legal do Auto de CSLL aponta infração  aos arts. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; art. 19 e 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art.  29  da  Lei  nº  9.430,  de  1996;  art.  6º  da  Medida  Provisória  nº  1.858,  de  1999  e  reedições; art. 37 da lei nº 10.637, de 2002. O enquadramento legal do Auto de PIS  aponta infração aos art. 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 1970; art. 24, § 2º, da  Lei nº 9.249, de 1995; e art. 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715, de 1998;  art. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, art. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º,  10,  22,  51  e  91  do  Decreto  nº  4.524,  de  2002.  No  Auto  da  COFINS,  o  enquadramento  legal aponta  infração art. 1º da Lei Complementar nº 07, de 1970;  art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; art. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718, de 1998, com  as  alterações  da  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999  e  suas  reedições,  com  alterações da medida Provisória nº 1.858, de 1999 e suas reedições; art. 2º, inciso II  e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002.   O  Termo  de  Verificação  Fiscal,  às  fls.  1.011  e  1.012,  registrou  que,  em  continuação  à  fiscalização  levada  a  efeito  junto  ao  contribuinte,  para  os  anos­ calendário de 2002, 2003 e 2004, foram verificados os fatos assim descritos:  1) por meio da Intimação Fiscal VI, lavrada em 26/06/2007, com ciência por  via  postal,  em  04/07/2007,  foi  exigido  do  contribuinte  a  apresentação  da  documentação  comprobatória  dos  depósitos  e  créditos  efetuados  nas  contas­ correntes  bancárias  mantidas  pela  empresa  junto  aos  bancos  Santander  Banespa,  BCN, Bradesco, Bankboston, Sudameris  (somente do  ano­calendário 2002),  Itaú  e  Nossa Caixa, conforme planilhas anexas em papel e em meio magnético. Foi dada a  oportunidade  ao  contribuinte  de  apontar,  se  fosse  o  caso,  quando  o  depósito  ou  crédito  foi  decorrente  de  transferência de  valores  entre  as  contas  bancárias de  sua  titularidade;  2)  decorrido  o  prazo  concedido,  não  houve  qualquer  manifestação  da  fiscalizada. Sendo assim,  foi  novamente demandada por meio da  Intimação Fiscal  VII  para  apresentar  a  documentação  hábil  e  idônea  da  origem  dos  depósitos  e  créditos efetuados nas contas bancárias de sua titularidade. A ciência, que foi através  Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 5          4 da  via  postal,  ocorreu  em  08/08/2007.  Da  mesma  forma,  também  não  houve  qualquer manifestação quanto ao atendimento do exigido nas Intimações Fiscais VI,  VII;  3) em 08/08/2007 tomou ciência da Intimação Fiscal VIII, em que foi exigida  a  comprovação  da  origem  dos  depósitos  e  créditos  efetuados  especificamente  na  conta  corrente  bancária  mantida  junto  ao  Banco  Sudameris,  nos  anos­calendário  2003 e 2004;  4)  não  havendo  qualquer manifestação  do  contribuinte,  foi  lavrada  ainda  a  Intimação Fiscal IX, em que se reiterou o inteiro teor do exigido anteriormente nas  Intimações VI, VII, e VIII. Após decorrido o prazo concedido, não foi apresentada  nenhuma documentação que objetivasse comprovar a origem regular dos depósitos e  créditos  efetuados  nas  contas  correntes  bancárias  de  sua  titularidade,  relativas  aos  anos  calendários  2002,  2003  e  2004.  Todas  as  intimações  foram  encaminhadas  à  sócia e responsável perante a RFB, Vera Lucia da Costa, CPF 086.828.738­50, pois  a empresa já encerrou as suas atividades;  5) no início da ação fiscalizadora o contribuinte comunicou a perda de todos  os  seus  livros  comerciais  e  fiscais,  juntamente  com  toda  documentação.  Embora  tenha sido concedido prazo legal para a reconstituição da sua escrita, os livros não  foram apresentados.  INFRAÇÕES APURADAS  1) falta da apresentação do Livro Diário e demais livros comerciais e fiscais, e  da documentação correspondente que pudesse dar suporte à sua opção pela apuração  do lucro real trimestral para o ano calendário 2003;  2)  falta  da  apresentação  do  Livro  Caixa  e  demais  livros  comerciais,  e  da  documentação  correspondente,  que  pudesse  dar  suporte  à  opção  pela  apuração  do  seu lucro pelo lucro presumido para os anos calendário 2002 e 2004;  3) falta de comprovação da origem regular dos depósitos e créditos efetuados  em 2002, 2003 e 2004, nas contas correntes bancárias de sua titularidade, mantidas  junto  aos bancos Bradesco,  Itaú, Sudameris, Bank Boston, BCN Banespa e Nossa  Caixa. Os valores dos depósitos mensais não comprovados, que foram extraídos dos  extratos bancários entregues pelo contribuinte (fls. 229 a 1020), estão discriminados  nos  anexos  das  Intimações  Fiscais  VI  e  VIII  (fls.  06  a  77  e  fls.  81  a  88),  e  consolidados  no  demonstrativo  anexo  ao  Termo  de  Verificação,  que  fazem  parte  integrante do Auto de Infração lavrado pela ocorrência de omissão de receitas.  Enquadramento legal  Art. 251, 257, 258, 259, 260 e 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de  1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999); art. 287 e seus parágrafos do  RIR/1999; art. 527, parágrafo único do RIR/1999; art. 530, inciso III do RIR/1999;  art. 532 e 537 do RIR/1999.  A  contribuinte  tomou  ciência  dos  lançamentos  impugnando­os  em  29/11/2007,  por  seus  procuradores,  devidamente  constituídos  (Instrumentos  de  Mandato à fl. 1.097), sob os argumentos expostos a seguir:  –  o Auto  de  Infração  deve  ser  declarado  nulo,  tendo  em  vista  os  seguintes  fundamentos:  1)  decadência  dos  lançamentos  referentes  aos  períodos  de  apuração  ocorridos até setembro de 2002; 2) os cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal  Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 6          5 não  comprovam  o  nexo  de  casualidade  entre  o  depósito  e  o  fato  que  representa  omissão de receita, pois depósitos bancários, por si sós, não satisfazem essa certeza;  Da Decadência do Direito da Fazenda Pública de exigir os supostos Tributos  relativos a 2002  – por se tratar de lançamentos sujeitos ao lançamento por homologação (art.  150, § 4º, do CTN), a contagem do prazo decadencial se dá a partir da ocorrência do  fato gerador. Assim, os fatos geradores ocorridos até setembro/2002 estão distantes  em  mais  de  5  anos  da  data  de  lavratura  dos  Autos  de  Infração,  ocorrida  em  29/10/2007;  – ainda que se admita que para efeitos de aplicação do art. 150, § 4º, o Código  Tributário reclamaria prévio pagamento do tributo (regra contudo somente aplicável  ao  4º  trimestre),  a  verdade  é  que  a  Impugnante  efetuou  o  devido  pagamento  dos  referidos  tributos,  conforme  a  Fiscalização  pode  comprovar  de  seus  sistemas  de  controle de pagamentos de tributos;  – mesmo que se conclua que o prazo decadencial deva ser contado de acordo  com a regra do art. 173, inciso I e parágrafo único do CTN, o que se admite apenas  por hipótese, o lançamento persiste como decadente em relação aos meses de janeiro  a setembro, quanto ao PIS e Cofins, com relação aos quais o lançamento poderia ser  efetuado no próprio ano de 2002.  Da  Consideração  equivocada  dos  Valores  dos  Depósitos  como  Renda  ou  Receita  – a Fiscalização não poderia ter considerado a somatória de todos os valores  que constam dos depósitos bancários como sendo renda ou receita a ser oferecida à  tributação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins;  –  em  seu  ramo  de  atividade,  a  Contribuinte  adquire  bens  para  vendê­los  e  nessas  transações  comerciais  são  descontadas  despesas,  impostos  e  o  preço  de  mercado do produto e, no final, a apuração do lucro real é em média muito inferior  ao percentual arbitrado de 9,6%;  – de outro lado, há que se considerar que existem vários lançamentos que não  correspondem  a  entrada  de  depósitos  que  possam  ser  considerados  rendimentos  tributáveis.  A  título  de  exemplificação,  basta  verificar  o  anexo  do  termo  de  verificação do SUDAMERIS elaborado pelo Agente Fiscal, no qual todos os valores  foram  computados  como  receita  a  título  de  tributação,  senão  vejamos:  os  lançamentos  “Operação  de  descontos”  –  valor  R$35.337,21  referem­se  a  empréstimos  efetuados  pela  instituição  que,  após  descontar  os  encargos  credita  o  valor de R$173.190,35 na conta corrente da impugnante;  – a maioria dos depósitos bancários tributados não pode ser considerada, pois  não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda ou receita  tributável,  é  imprescindível  que  seja  comprovada  a  utilização  dos  valores  depositados  como  renda  consumida.  Assim,  o  lançamento  constituído  só  é  admissível  quando  ficar  comprovado  o  nexo  causal  entre  o  depósito  e  o  fato  que  representa omissão de receita;  –  para  que  haja  tributação  pelo  IRPJ  e  pela  CSLL  é  necessário  que  exista  renda (ou lucro) efetivamente auferida, nos termos do que dispõem os art. 135, III e  195, I, “c”, da Constituição Federal, o art. 43 do CTN e o art. 1º da Lei nº 7.689, de  1988;  Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 7          6 – no que se refere ao PIS e à Cofins tais tributos tinham por base de cálculo,  na época da lavratura dos autos de infração, o faturamento, entendido como o total  de receitas auferidas pela empresa no ano de 2002, nos termos do art. 3º da Lei nº  9.718,  de  1988  (transcreve).  Do  §  2º  do  referido  artigo,  assim  como  o  IRPJ  e  a  CSLL, tanto o PIS como a Cofins pressupõem acréscimo patrimonial;      Da Não Demonstração da Origem do Débito Tributário  – parte da doutrina entende que no quadro constante da Constituição Federal e  do Código Tributário Nacional, meros  indícios de  renda  (depósitos bancários) não  podem  legitimamente  ser  transformados,  nem  pela  lei  tributária,  a  fortiori  pelo  agente  fiscal,  em  acréscimos  patrimoniais  suscetíveis  de  tributação,  sem  que  previamente se exerça o dever de prova e investigação que a norma de lançamento  (art. 142 do CTN) exige;  – nesse sentido, o Auto de  Infração aqui  tratado deveria  ter fundamentado e  demonstrado  toda  a  origem  do  débito  tributário  que  foi  lançado,  pois  assim  determina o art. 142 do CTN. Ao não fazê­lo, já que não demonstrada a origem das  receitas que consubstanciaram o ato de lançamento, incorreu em vício não admitido  pelo  ordenamento  jurídico  brasileiro,  razão  pela  qual  deve  ser  considerado  como  nulo.  Da Multa Confiscatória Aplicada de 75%  – a  incidência de multa não pode subsistir uma vez que o  inciso  IV, do art.  150,  da  Constituição  Federal  veda  a  exigência  de  tributo  com  efeito  de  confisco  (transcreve);  – assim, ainda que esteja prevista multa neste patamar de 75% para a suposta  infração, esta é por completo descabida, tendo em vista o princípio do não­confisco  (cita doutrina);  Redução da Multa  –  a  multa  de  ofício  deve  ser  reduzida  para  20%  decorrente  de  falta  de  recolhimento de tributo devido no prazo legal, nos termos do art. 61, § 2º da lei nº  9.430, de 1996, e, não a multa com fulcro no art. 27,  inciso I, da Lei nº 9.430, de  1996,  porque  a  Autuada  não  praticou  qualquer  ilícito  ou  fraude  que  justifique  a  incidência excessiva de multa de 75%;  – a  Impugnante não apresentou sua regular escrituração por motivo de força  maior,  tendo  em  vista  que  os  livros  e  documentos  solicitados  foram  extraviados  devido  furto  do  veículo  que  os  transportavam,  conforme  Boletim  de  Ocorrência  lavrado em 04/07/2006 anexo.    Ilegalidade da Taxa Selic  –  por  ter  sido  instituída  e  regulada  mediante  resoluções  e  circulares  do  Conselho Monetário Nacional (e não por lei), por ter fins remuneratórios, e por estar  ajustada  a particularidades próprias das operações bancárias – que são regidas por  Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 8          7 mecanismos de oferta  e procura,  incompatíveis  com a própria noção da obrigação  tributária, essa taxa é flagrantemente incompatível com a cobrança de impostos;  –  a  taxa  Selic  volta­se  contra  os  princípios  da  legalidade,  anterioridade  e  indelegabilidade  e provoca a  insegurança  jurídica  e perplexidade, dada  a  flagrante  impossibilidade de equiparar os contribuintes aos aplicadores; estes praticam ato de  vontade; aqueles são submetidos a ato de império (cita jurisprudência de STJ)  – a Lei Ordinária não criou a  taxa Selic, mas  tão somente estabeleceu o seu  uso. Por conseguinte, a Lei Ordinária que estabeleceu o uso desta taxa está contra a  Lei Complementar, pois esta só autorizou  juros diversos a 1% se a  lei  estatuir em  contrário, o que não acontece no caso da Taxa Selic, tendo em vista que tanto para  medir a inflação ou adotada como juros, extrapola em todos os sentidos.  Conclusão  – requer seja declarado nulo o Auto de Infração, tendo em vista os argumentos  acima explanados, que podem ser resumidos da seguinte forma:  a)  o  Auto  de  Infração  não  pode  subsistir  tendo  em  vista  ter  ocorrido  o  fenômeno  da  decadência  para  o  período  de  janeiro  a  setembro  do  ano­calendário  2002, seja considerando­se o art. 150, § 4º ou o art. 173, I, do CTN;  b) os cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal não comprovam o nexo de  casualidade  entre  o  depósito  e  o  fato  que  representa  omissão  de  receita,  pois  os  depósitos bancários por si só, não satisfazem essa certeza, maculando dessa forma a  hipótese de incidência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins;  b.1) isso porque o valor apurado para o arbitramento da base de cálculo para  exigência  do  tributo  e  para  a  consideração  da  base  de  cálculo  para  exigência  do  tributo  e  para  a  consideração  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  não  corresponde  a  valor  de  renda  ou  receita  sujeita  a  tributação,  pois  os  depósitos  bancários não são renda ou receita;  b.2)  até  porque  muitos  dos  depósitos  considerados  pela  fiscalização  resultaram em cheques devolvidos, que em vez de renda gerou prejuízo, sendo que  também há valores que deveriam ser excluídos por tratarem de mera transferência de  conta da mesma  titularidade,  inclusive operação de desconto comercial  juntamente  com os empréstimos bancários;  b.3)  além  disso,  apesar  de  a  Impugnante  não  ter  condições  de  refazer  sua  escrita  fiscal  em  face  do  furto  dos  livros  e  documentos,  é  possível  elaborar  levantamento  sobre  os  lançamentos  bancários  excluindo  o  que  não  é  crédito,  e  o  crédito  que  é  proveniente  de  empréstimo  de  transferência  de  valores  de  conta  da  mesma titularidade ou de utilização de limite de garantia de conta bancária. Com as  exclusões  destes  valores,  o  valor  da  base  de  cálculo  para  arbitramento  do  tributo  seria bem menor. Além do que, a alíquota aplicada de 9,6% no presente lançamento  não corresponde à realidade de mercado para os produtos comercializados;  c)  finalmente, a aplicação de multa de 75% tem claro efeito de confisco, ad  argumentandum  tantun,  a  multa  deve  ser  reduzida  para  20%,  que  corresponde  a  tributo  recolhido com atraso, uma vez que não houve prática de atos a  justificar a  multa  punitiva.  Por derradeiro,  a  exclusão  da  aplicação  da  taxa SELIC  a  título de  juros moratórios por ser ilegal.    Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 9          8   A decisão recorrida está assim ementada:  NULIDADE  Afasta­se  a  tese  de  nulidade  do  lançamento,  quando  lavrado  por  servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  A  apreciação  e  declaração  de  inconstitucionalidade  de  lei  é  prerrogativa  reservada  ao  Poder  Judiciário,  sendo  vedada sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios  da legalidade e da independência dos Poderes.  DECADÊNCIA.  IRPJ,  CSLL,  PIS  E  COFINS.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  No  caso  de  tributos  e  contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, confirmada a existência de  pagamento  antecipado,  decai  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário com o  transcurso do prazo de  cinco anos contados a partir da data da  ocorrência  do  fato  gerador,  com  exceção  das  parcelas  decorrentes  da  prática  de  procedimentos  dolosos,  em  que  a  contagem  do  prazo  decadencial  é  iniciada  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  que  cada  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  PRESUNÇÃO  LEGAL.  Caracterizam­se  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  junto  a  instituições  financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO  DA  ESCRITURAÇÃO.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO. O fato de a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os  livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento  dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei.  ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas,  quando  conhecida  a  receita  bruta,  será  determinado  mediante  a  aplicação  do  coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/PASEP. Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Contribuição Social Sobre o  Lucro Líquido – CSLL. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu  de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser  estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos  à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e Cofins, em razão da relação de  causa e efeito existente entre as matérias, deduzindo­se, porém parcelas dos tributos  lançados confessadas espontaneamente.  MULTA DE OFÍCIO. Verificada a ocorrência de ilícito tributário em procedimento  regular de fiscalização, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e  cinco por cento).   Impugnação procedente em parte .  Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário,  no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento.  É o relatório.  Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 10          9   Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator.  Os  recursos,  voluntário  e  de  oficio  preenchem  os  requisitos  de  admissibilidade.  Conforme  relatado,  trata­se  de  exigência  com  base  em  depósitos  bancários  não  contabilizados,  que  a  origem  dos  recursos  não  foi  totalmente  justificada,  apesar  de  o  contribuinte ter sido intimado durante a ação fiscal.  Em face da grandeza das omissões, foi arbitrado o lucro do contribuinte.  A  DRJ  cancelou  a  exigência  do  ano­calendário  de  2002  em  face  da  decadência.  No recurso voluntário o contribuinte reitera suas alegações impugnativas.  Omissão  de  Receitas.  Depósitos  Bancários.  Aplicação  do  artigo  42  da  Lei  9.430 de 1996  Quanto  à  possibilidade  de  se  exigir  o  imposto  de  renda,  com  base  exclusivamente em depósitos bancários, deve­se esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º  da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais  exteriores de riqueza.   A  tributação  com  base  em  depósitos  bancários,  a  partir  de  01/01/1997,  é  regida  pelo  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  publicada  no DOU  de  30/12/1996,  que  instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o  contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea  a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira­se:  “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.   1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.   2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos,  submeter­se­ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à  época em que auferidos ou recebidos.   3º  Para  efeito  de  determinação  da  receita  omitida,  os  créditos  serão  analisados  individualizadamente, observado que não serão considerados:  I  ­  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa  física  ou  jurídica;   Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 11          10 II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor  individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório,  dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).”  Verifica­se,  então,  que  o  diploma  legal  acima  citado  passa  a  caracterizar  omissão  de  rendimentos,  sujeitos  a  lançamento  de  ofício,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Não  se  inquire  o  titular  da  conta  bancária  sobre  o  destino  dos  saques,  cheques  emitidos  e  outros  débitos,  ou  se  foram  utilizados  para  consumo,  aquisição  de  patrimônio,  viagens  etc.  A  presunção  de  omissão  de  rendimentos  decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada.   Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de  ser modalidade de arbitramento simples ­ que exigia da fiscalização a demonstração de gastos  incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza),  entendimento  também  consagrado  à  época  pelo  poder  judiciário  (súmula  TFR  182)  e  pelo  Primeiro Conselho de Contribuintes ­ para se constituir na própria omissão de rendimento (art.  43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda  Pública Federal.   Os  julgamentos  do  Conselho  de  Contribuintes  passaram  a  refletir  a  determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base  exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos  a seguir  reproduzidas:  “OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  SITUAÇÃO  POSTERIOR À LEI Nº  9.430/96  ­ Com o  advento  da Lei  nº  9.430/96,  caracteriza­se  também  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não  comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º,  do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 106­13329).  “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos  a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão  de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o  titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.”  “ÔNUS DA PROVA ­ Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe  a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais  e aquisições de bens e direitos.”(Ac 106­13188).”  Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o  artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei  de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutir­se sobre  a  constitucionalidade  ou  legalidade  de  uma  lei  em  vigor”,  consoante  Sumula  nº.  2  deste  Conselho. Uma  vez  que  o  diploma  legal  tenha  sido  formalmente  sancionado,  promulgado  e  publicado, encontrando­se em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio  da  legalidade  objetiva  que  informa  o  lançamento  e  o  processo  administrativo  fiscal.  O  lançamento  tributário,  conforme  estabelece  o  art.  142  do  CTN,  é  atividade  vinculada  e  obrigatória,  na  qual  a  discricionariedade  da  autoridade  administrativa  é  afastada  em  prol  do  Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 12          11 princípio  da  legalidade  e  da  subordinação  hierárquica  a  que  estão  submetidos  os  órgãos  e  agentes da Administração Pública.   Outrossim,  na  busca  da  verdade  material  e  imprescindível  a  análise  de  documentos e alegações/justificativas quanto aos  ingressos de numerários em conta bancária,  para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto o arbitramento com  base  na  aludida  presunção.  Todavia,  no  presente  caso  a  contribuinte  nada  apresentou  para  justificar a origem dos depósitos bancários considerados receitas omitidas.  Em  relação  as  demais  alegações  repisadas  pela  recorrente,  peço  vênia  para  adotar os fundamentos da decisão de primeira instancia a seguir transcritos:    Vejamos agora os fundamentos da decisão de primeira instância, que deu já  exonerou parte do crédito tributário em face da decadência.  (...)  Quanto  ao  requerimento  de  declaração  de  nulidade  dos  Autos  de  Infração,  cabe  inicialmente  aduzir  que  a  única  hipótese  prevista  de  nulidade  dos  atos  processuais,  entre  os  quais  se  incluem  os  autos  de  infração,  está  perfeitamente  definida no inciso I do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e refere­se ao caso  em  que  a  lavratura  tenha  sido  feita  por  pessoa  incompetente,  o  que  não  veio  a  ocorrer  na  situação  presente.  As  demais  irregularidades,  incorreções  ou  omissões  porventura verificadas, e que não é o caso dos lançamentos em exame, são passíveis  de saneamento, conforme prevê o artigo 60 do mencionado Decreto.  Observa­se,  ainda,  que  a  hipótese  do  inciso  II,  do  art.  59  do  Decreto  nº  70.235, de 1972,  relativa  ao  cerceamento do direito de defesa, não  se  aplicaria ao  auto  de  infração,  nem  à  notificação  de  lançamento.  É  que  a  ampla  defesa  e  o  contraditório somente têm lugar com a apresentação da impugnação. Isso porque o  procedimento de fiscalização tem natureza inquisitiva.  A  contribuinte  teve  acesso  a  todos  os  elementos  constantes  da  peça  de  autuação, os quais permitiram identificar o fundamento da exigência fiscal de forma  que  a  autuada  apresentou  sua  impugnação  no  prazo  de  30  (trinta)  dias  da  data  da  ciência  da  exigência  tributária,  conforme  preceitua  o  artigo  15  do  mencionado  Decreto,  demonstrando  amplo  conhecimento  da  matéria  tratada  e  exercendo  plenamente o seu direito de defesa.  Desta  forma, não há que se aventar a nulidade do auto de  infração uma vez  ausente qualquer indício que denote vício irremediável quer do lançamento quer do  procedimento  fiscal  que  lhe  deu  origem,  visto  que  nos  autos  não  restou  provada  qualquer violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos arts. 10 e 59  do PAF.  Com relação à preliminar de decadência dos lançamentos referentes aos fatos  geradores  ocorridos  até  setembro  de  2002,  cumpre  observar  que,  não  obstante  a  existência  de  entendimentos  diferenciados  a  respeito  da  contagem  do  prazo  decadencial,  a Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, visando à adequação e ao  cumprimento da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, expediu, em  1º  de  agosto  de  2008,  o  Parecer  PGFN/CAT  nº  1.617/2008,  que  assim  dispôs,  pontualmente, nas letras “d” e “e” de seu epílogo:  Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 13          12 (...);  d)  para  fins  de  cômputo  do  prazo  de  decadência,  não  tendo  havido  qualquer  pagamento,  aplica­se  a  regra  do  art.  173,  inc.  I  do  CTN,  pouco  importando se houve ou não declaração, contando­se o prazo do primeiro dia  do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;  e) para  fins de  cômputo do prazo de decadência,  tendo havido pagamento  antecipado, aplica­se a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...). (grifei)  Por  sua  vez,  o  Senhor  Ministro  de  Estado  da  Fazenda,  por  intermédio  de  Despacho  exarado  em  18/08/2008,  aprovou  o  Parecer  PGFN/CAT  nº  1.617/2008,  cujas orientações devem ser observadas pela RFB.  (...)  Logo, tendo decorrido mais de cinco anos entre os fatos geradores ocorridos  até  30  de  setembro  de  2002  e  a  data  da  ciência  do  lançamento  de  ofício  (30/10/2007), há de se reconhecer, de ofício, a decadência em relação aos referidos  períodos de apuração.   Dessa forma afasta­se a tributação referente aos fatos geradores ocorridos até  30/09/2002,  em  face  da  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  correspondente crédito tributário.  Passo à analise da parte do lançamento do IRPJ não atingida pela decadência,  cuja base de cálculo foi o lucro arbitrado, em virtude da não apresentação dos livros  e documentos contábeis e fiscais solicitados durante a ação fiscal, sendo que, por sua  vez,  o  lucro  arbitrado  foi  determinado  em  função  da  receita  bruta  conhecida,  representada  pelas  receitas  omitidas  caracterizadas  por  crédito/depósitos  bancários  efetuados em contas­corrente bancárias mantidas pela Contribuinte, cuja origem dos  recursos, a Contribuinte, apesar de regularmente intimada, não logrou comprovar.  Não  procede  a  inconformidade  da  impugnante  com  o  fato  de  a  autoridade  fiscal  ter  caracterizado  como  omissão  de  receitas,  os  valores  creditados  em  suas  contas­correntes, cuja origem não foi comprovada.  Há que se observar, primeiramente, que não estão sendo tributados depósitos  bancários como tal considerados, mas sim a omissão de receitas representada pelos  recursos,  de  origem  não  comprovada,  que  ingressaram  nas  contas  bancárias  da  Contribuinte.  Os  depósitos  bancários  são,  na  verdade,  apenas  a  forma,  o  sinal  de  exteriorização  pelo  qual  se  manifesta  a  omissão  de  receitas  objeto  da  tributação,  porque  não  satisfatoriamente  comprovada  a  origem  financeira  dos  recursos  utilizados.   (...).  Como se verifica, a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  sem  comprovação  de  origem,  ou  se  comprovada  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições a que estiverem sujeitos), presume­se, até prova em contrário (esta a  cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita).  Trata­se, pois, de uma presunção legal tributária, instituto cuja propriedade é a  de inverter o ônus da prova contra o sujeito passivo, autorizando o fisco a presumir a  ocorrência do fato gerador pela verificação da situação tipificada em lei.  Aqui,  restou  evidenciado  que  a  Contribuinte  não  comprovou  a  origem  de  valores  integrados  à  sua  conta  corrente  bancária,  bem  como  não  demonstrou  sua  contabilização,  indício  sério  e  veemente  de  que  tais  recursos  são  provenientes  de  uma fonte não identificada e sujeita à tributação. Por não ser admissível prejuízo à  Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 14          13 incidência tributária pela impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a  presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para a  manutenção da exigência, até porque prevista e admitida legalmente.  Portanto,  não  se  vislumbra  qualquer  irregularidade  no  ato  administrativo  adotado, conforme alegado, mas sim um procedimento legal que objetivou viabilizar  a fiscalização, estando devidamente amparado pela legislação em vigor.  Sobre os alegados lançamentos que seriam referentes a empréstimos, cumpre  dizer que somente pela leitura dos históricos constantes dos extratos bancários não é  possível  se  chegar  a  tal  conclusão  e  a  Contribuinte  não  apresentou  nenhum  documento hábil e idôneo para comprovar a sua alegação, razão pela qual não pode  ser acolhida tal alegação.  Em relação a possíveis transferências entre as contas da Autuada, tal fato não  é  observado  da  análise  dos  extratos  bancários.  As  operações  realizadas  em  determinada  instituição  financeira,  registradas  a  crédito,  denominadas,  conforme o  Histórico, como transferência, não guardam correspondência com movimentações a  débito,  de  iguais valores, na mesma data,  nos outros bancos em que  a  Interessada  mantinha conta corrente.  Argumenta ainda a Contribuinte, que em seu ramo de atividade a apuração do  lucro real é em média muito inferior ao percentual arbitrado de 9,6%.  Tal entendimento somente faz sentido relativamente à apuração dos resultados  com base no lucro real, pressupondo a existência de escrituração regular dos livros  contábeis e fiscais, o que não veio a ocorrer no presente caso.  São  três  as  formas de  apurar o  lucro da pessoa  jurídica  sujeita  à  tributação,  nos termos do artigo 44 da Lei n.º 5.172 (CTN), de 25 de outubro de 1966, e artigo  219  do Decreto  nº  3000,  de  26  de março  de  1999  ­  Regulamento  do  Imposto  de  Renda (RIR/1999) – real, presumido e arbitrado.  Para  a  apuração  do  Lucro  Real,  é  necessário  que  o  contribuinte,  pessoa  jurídica, mantenha  escrituração  com observância  das  leis  comerciais  e  fiscais  (art.  251 do RIR/1999).  Os  livros  comerciais  obrigatórios  para  as  pessoas  jurídicas  tributáveis  pelo  Lucro Real são o Livro Diário e o Livro Razão, mencionados nos art. 258 e 259 do  RIR/1999. Já os livros  fiscais cuja manutenção é obrigatória estão relacionados no  art. 260 do RIR/1999.  O arbitramento do lucro, por sua vez, é medida extrema, e só deve ser adotado  como  base  de  cálculo  do  imposto  quando  ocorrer  uma  das  hipóteses  previstas  no  artigo 47 da Lei n.º 8.981, consolidadas no art. 530 do RIR/1999, dentre as quais se  destaca a elencada no inciso III, in verbis:  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­calendário,  será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº  8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):  (...);  III  ­  o  contribuinte deixar de apresentar à autoridade  tributária os  livros  e  documentos da escrituração comercial e Fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese  do parágrafo único do art. 527;  (...).  Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 15          14 No presente caso, a Contribuinte, ao ser intimada a apresentar os seus livros  contábeis  e  fiscais,  comunicou  que  haviam  sido  perdidos,  juntamente  com  toda  a  documentação, e embora tenha sido concedido prazo legal para a reconstituição da  sua escrita, os livros não foram apresentados.  A  não  apresentação  dos  livros  contábeis  Diário  e  Razão  impossibilita  a  apuração  do  Lucro  Líquido  Contábil,  a  partir  do  qual  se  procede  à  apuração  do  Lucro  Real,  mediante  a  realização  de  ajustes  e  de  eventuais  compensações  de  prejuízos  fiscais,  que,  por  sua  vez,  devem  estar  escriturados  no Lalur,  livro  fiscal  também de manutenção obrigatória.  Sem a apresentação dos livros e respectiva documentação, obrigatórios para a  apuração do Lucro Real, especialmente os livros contábeis Diário e Razão, tornou­se  inviável  a  apuração  do  Lucro  Real  da  Impugnante  e  imperativa  a  adoção  do  arbitramento  do  lucro  como  forma  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ,  por  determinação legal expressa no art. 530, inciso III, do RIR/1999, já transcrito.  Diante  da  hipótese  de  arbitramento  do  lucro,  emerge  a  necessidade  de  observar os critérios legais para a sua determinação.  Segundo  o  art.  532  do  RIR/1999,  o  lucro  arbitrado  das  pessoas  jurídicas,  observado  o  disposto  no  art.  394,  §11,  quando  conhecida  a  receita  bruta,  será  determinado  mediante  a  aplicação  dos  percentuais  fixados  no  art.  519  e  seus  parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº  9.430, de 1996, art. 27, inciso I).  No  presente  caso,  os  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  constituíram  a  receita  tributável  para  fins  de  apuração  do  imposto  sobre  o  lucro  arbitrado.  A base de cálculo do imposto – o lucro arbitrado – foi obtida pela utilização  do percentual de 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), que nada mais é do  que um percentual 20% (vinte por cento) superior ao adotado para o lucro presumido  para a atividade de comércio, que é de 8% (trinta e dois por cento), sobre a receita  bruta conhecida – no caso, os valores omitidos.  Portanto, não cabe, aqui, apreciar se é demasiado o percentual utilizado pelo  Fisco, mas sim que guarda consonância com a legislação vigente.  Diante do exposto, os lançamentos de IRPJ referentes aos fatos geradores não  atingidos pela decadência devem ser mantidos integralmente.  Quanto  aos  demais  Autos  de  Infração,  decorrentes  da  omissão  de  receitas  detectada na apuração do IRPJ (Contribuição para o PIS, COFINS e CSLL), em se  tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto  de  Infração  principal,  uma  vez  que  todas  as  exigências  tiveram  o mesmo  suporte  fático.  Todavia,  verifica­se  que  a  Contribuinte  declarou,  espontaneamente,  em  DCTF, débitos referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social e à  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, em todos os períodos de  apuração em exame, os quais não  foram deduzidos dos montantes  apurados  como  devidos  nos Autos  de  Infração  em  comento. Logo,  os  aludidos  débitos  declarados  devem ser exonerados neste voto.   A  Impugnante  alega  que,  ainda  que  esteja  prevista  multa  de  75%  para  a  suposta infração, a citada multa seria descabida, pois estaria afrontando o princípio  Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 16          15 do  não­confisco,  consignado  no  artigo  150,  inciso  IV,  da  CF/1988,  e  pede  a  sua  redução para 20%.   No resultado da fiscalização restou apurada a falta de pagamento de tributos  devidos  a partir da omissão de  receitas que resultou em arbitramento do  lucro, ou  seja,  a  Impugnante  incorreu no  ilícito  tributário de não pagar os  tributos no prazo  fixado pela legislação tributária.  A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% está prevista no art. 44,  inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, e, uma vez caracterizada a falta de pagamento do  tributo devido, correta é a sua aplicação.  No tocante aos aspectos de inconstitucionalidade levantados pela impugnante  —  a  utilização  da  multa  e  do  tributo  com  o  efeito  de  confisco  e  a  violação  ao  princípio  da  proporcionalidade —,  tratam­se  de  garantias  constitucionais  dirigidos  ao legislador infra­constitucional e não ao executivo, mero aplicador da lei.  Por oportuno, cabe esclarecer que, por força dos princípios da legalidade e da  independência  e  harmonia  dos  poderes  da  República,  foge  à  competência  da  autoridade  administrativa  apreciar  a  argüição  e  declarar  ou  reconhecer  a  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  norma  legitimamente  inserida  no  ordenamento  pátrio,  por  se  tratar  de  prerrogativa  reservada  ao  Poder  Judiciário  (artigos 97 e 102 da Constituição Federal).  A norma jurídica, regularmente editada, goza da presunção de legitimidade e  constitucionalidade, cabendo a autoridade administrativa tão­somente velar pelo seu  fiel  cumprimento,  até  que  seja  excluída  do mundo  jurídico  por  uma  outra  norma  superveniente ou por resolução do Senado Federal, a partir de decisão definitiva do  Supremo Tribunal Federal (STF) declarando sua inconstitucionalidade.  Dessa  forma,  demonstrada  a  existência  dos  ilícitos  apontados  nos  autos  de  infração  e  estando  a  situação  fática  apresentada  perfeitamente  tipificada  e  enquadrada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que a insere no campo das infrações  tributárias,  mantenho  a  aplicação  da  multa  de  ofício,  no  valor  de  75%,  não  se  podendo  acolher  as  alegações  de  confisco  e  de  violação  ao  princípio  da  proporcionalidade, tampouco reduzi­la a percentual distinto daquele fixado na lei de  regência.  Insurge­se, ainda, a Impugnante contra o fato de os juros de mora terem sido  cobrados com base na taxa SELIC, o que teria ocorrido sem o devido amparo legal.  Os  juros  moratórios  estão  regulados  pelo  artigo  161  do  Código  Tributário  Nacional (CTN). O § 1º do citado artigo determina que os juros moratórios serão de  1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso.  Ocorre que, valendo­se dessa faculdade, o legislador ordinário, por intermédio  do artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, determinou que os juros de  mora  seriam equivalentes à  taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia  para Títulos Federais – SELIC, como se observa de sua transcrição:  (...)  A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu artigo 61, § 3º, corrobora  esse mandamento para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997.  Convém  frisar  que  o  legislador,  ao  redigir  o  artigo  161  do  CTN,  não  determinou outros requisitos para a fixação dos juros moratórios. Dessa forma, não  cabe  a  discussão  quanto  à  natureza  da  taxa  SELIC,  se  remuneratória  ou  compensatória.  Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.003082/2007­57  Acórdão n.º 1402­001.370  S1­C4T2  Fl. 17          16 (...)  Portanto,  é  legitima  a  aplicação  da  taxa  referencial  do  SELIC  como  fundamento para o cálculo de juros moratórios incidentes sobre débitos, já vencidos,  para com a Fazenda Pública.  (...)”  Aos fundamentos acima transcritos nada merece ser acrescentado, posto que  esgotam  as  questões  em  litígio,  deixando  patente  a  correta  tributação  das  receitas  omitidas  mediante arbitramento dos lucros.  Frise­se que  tais  fundamentos não  foram diretamente  contraditados na peça  recursal, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados  neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao  PAF(verbis):  Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e  dos fundamentos jurídicos, quando:  (...)  V ­ decidam recursos administrativos;  (...)  §  1o  A  motivação  deve  ser  explícita,  clara  e  congruente,  podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos  de  anteriores  pareceres,  informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.  (...)  §  3o  A motivação  das  decisões  de  órgãos  colegiados  e  comissões  ou  de  decisões  orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei)  Em relação ao recurso de ofício reitero que o auto de infração foi  lavrado e  cientificado  em  30/10/2007,  sendo  que  o  contribuinte  havia  realizado  recolhimentos  espontâneos  na modalidade  “lucro  presumido”,  portanto  é mesmo  correta  a  exoneração  dos  fatos geradores até 30/09/2002.   CONCLUSÃO:  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  aos  recursos  de  oficio e voluntário.    (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira                                Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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4963428 #
Numero do processo: 37220.004196/2002-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.145
Decisão: Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Devido à inocorrência do julgamento de primeira instância (DRJ), determinar o retorno dos autos à repartição de origem para ciência e reabertura de prazo para manifestação da recorrente, após o que efetuar o julgamento em primeira instância.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37220.004196/2002­05  Resolução nº  2403­000.145  S2­C4T3  Fl. 2          2 RELATÓRIO:    Trata­se  de  pedido  de  restituição  de  contribuições  previdenciárias  referente  à  retenção de 11 % sobre o valor bruto das Notas Fiscais de Serviço emitidas na  competência  08/2002 referente à obra de matrícula CEI 35.390.00105/77.  Às  folhas  166  a  171  consta  Despacho  Decisório  da  DELEGACIA  DA  RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM VOLTA REDONDA ­ SEÇÃO DE ORIENTAÇÃO  E  ANÁLISE  TRIBUTÁRIA  ­  SAORT  que  indeferiu    pedido  de  restituição  e  orientou  o  contribuinte a recorrer ao CARF.    DECISÃO   20. Visto que o consórcio constituído nos termos dos arts. 278 e 279 da  Lei n ° 6.404/1976, não é dotado de personalidade jurídica própria e,  por não ter aptidão para ser titular de direitos ou contrair obrigações,  não  possui  capacidade  tributária  passiva,  não  estando,  portanto,  legitimado  a  pleitear  restituição  dos  valores  retidos  pela  contratante  durante a execução do empreendimento. Desse modo, são as empresas  consorciadas aquelas que devem, de forma individualizada e dentro da  jurisdição  de  seu  domicílio  tributário,  pleitear  a  restituição  do  saldo  remanescente  da  retenção  havida,  na  proporção  de  sua  participação  do  empreendimento,  sujeitandose  o  pagamento  do  valor  porventura  deferido  a  cada  uma  delas,  necessariamente,  à  inexistência  das  situações  impeditivas,  elencadas  no  art.  216  da  Instrução Normativa  SRP n ° 03, de 14/07/2005.  21.  Ademais,  há  de  registrar  que  questões  ligadas  à  procedência  do  pedido de restituição, aos documentos necessários ao reconhecimento  do crédito e à capacidade probante das faturas de prestação de serviço  e  dos  demais  documentos  apresentadas  em  nome  do  consórcio,  não  foram, neste ato, analisadas e decididas, visto que a situação jurídica  do requerente já impõe, por si só, o indeferimento do pedido.  22. Por tudo exposto, proponho, baseado no previsto no art. 53 da Lei  n  °  9.784,  de  29/01/1999,  que  regula  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal,  a  revisão,  de  ofício,  do  Despacho  de  fis.  132,  que  deixou  de  observar  que  o  postulante  não  possui  legitimidade  para  pleitear  direito  creditório,  e,  de  sobra,  proponho  o  indeferira  do  pedido  de  restituição,  em  face  das  razões  apontadas no presente despacho.  ...  Conforme proposto no presente despacho, resolvo:  a) Rever,  de  oficio,  a  decisão  proferida,  na  data  de  23/08/2006  (fls.  132),  pelo  Chefe  da  Unidade  de  Atendimento  da  Receita  Previdenciária em Angra dos Reis, que deferiu o presente pedido de  restituição e, em contrapartida, indeferir o mesmo pedido, de acordo  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37220.004196/2002­05  Resolução nº  2403­000.145  S2­C4T3  Fl. 3          3 com  os  fatos  e  fundamentos  expostos,  conforme  delegação  de  competência efetivada pela Portaria DRF­VRA n ° 75, de 29/06/2007;  b)  Determinar  que  seja  dada  ciência  do  presente  despacho  ao  requerente, abrindo­lhe prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência,  para  apresentação  de  recurso  voluntário,  a  ser  dirigido  ao  2º  Conselho  de  Contribuintes  do Ministério  da  Fazenda,  na  forma  do  art. 305, § l o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo  Decreto ri 3.048/1999, combinado com o art. 29 da Lei ri 11.457, de  16/03/2007, caso ele não concorde com a decisão;  c) Encaminhar o processo à ARF em Angra dos Reis, para a finalidade  exposta acima.    O contribuinte recorreu ao CARF.      VOTO:    Após decisão da DRF o contribuinte recorreu ao CARF.  O Decreto  70.235/72  prevê  julgamento  de  primeira  instância  pelas Delegacias  da Receita Federal de Julgamento (DRJ).  O julgamento pela DRJ não ocorreu.  Esse vício deve ser sanado.      CONCLUSÃO    Devido  à  inocorrência  do  julgamento  de  primeira  instância  (DRJ),  determino o retorno dos autos à repartição de origem para ciência e reabertura de prazo  para manifestação da recorrente, após o que efetuar o julgamento em primeira instância.      Carlos Alberto Mees Stringari  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 19515.003610/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DOS TITULARES. No caso de conta bancária conjunta, é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto, sob pena de nulidade do feito fiscal em relação aos depósitos efetuados na referida conta. (Súmula CARF no 29, em vigor desde 22/12/2009)
Numero da decisão: 2202-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pelo contribuinte para, rerratificando o acórdão no 2202-01489, de 29/11/2009, sanar a omissão, mantendo todavia a decisão do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 649          1 648  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.003610/2007­78  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2202­002.300  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de maio de 2013  Matéria  Depósito Bancário ­ Conta Conjunta  Embargante  WAGNER PEDROSO RIBEIRO  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.  Acolhem­se os embargos declaratórios quando demonstrado que no acórdão  vergastado  houve  omissão  de  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se  o  Colegiado, procedendo­se o devido saneamento.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA  DOS TITULARES.   No  caso  de  conta  bancária  conjunta,  é  indispensável  a  regular  e  prévia  intimação  de  todos  os  titulares  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto, sob pena de  nulidade do feito fiscal em relação aos depósitos efetuados na referida conta.  (Súmula CARF no 29, em vigor desde 22/12/2009)      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos  interpostos  pelo  contribuinte  para,  rerratificando  o  acórdão  no  2202­01489,  de  29/11/2009, sanar a omissão, mantendo todavia a decisão do acórdão embargado.   (Assinado digitalmente)  Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente  (Assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 10 /2 00 7- 78 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 650          2 Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora   Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino  Astorga,  Fábio  Brun  Goldschmidt,  Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro  Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.  Fl. 650DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 651          3 Relatório  Em  sessão  plenária  de  29/11/2011,  o  processo  em  epígrafe  foi  julgado  por  esta  Segunda  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Segunda  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  proferindo­se  a  decisão  consubstanciada  no  Acórdão no 2202­01.489 (fls. 564 a 582), assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005   DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO  DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.  A  teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça,  no Recurso Especial no 973.733 ­ SC, sujeito ao regime do art.  543­C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  não  ocorre,  sem  a  constatação  de  dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é  regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.  Somente  nos  casos  em  que  o  pagamento  foi  feito  antecipadamente,  o  prazo  será  de  cinco  anos  a  contar  do  fato  gerador (art. 150, § 4o, do CTN).  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF   Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005   DECADÊNCIA.  RENDIMENTOS  SUJEITOS  AO  AJUSTE  ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  O  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  é  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação  e,  portanto,  nos  casos  de  rendimentos  submetidos  a  tributação no  ajuste  anual,  o  direito  da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos  contados da  data  de  ocorrência  do  fato  gerador,  que  se  perfaz  em  31  de  dezembro  de  cada  ano,  desde  que  tenha  havido  pagamento  antecipado  do  tributo  e  não  seja  constatada  a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS  Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em  conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando  o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas  operações,  sendo  dispensável  comprovar  o  consumo  da  renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no  26, em vigor desde 22/12/2009).  Fl. 651DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 652          4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR.  A omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de  origem não comprovada compõe a base de cálculo do imposto de  renda apurado no ajuste anual,  cujo  fato gerador se perfaz em  dia 31 de dezembro do ano­calendário. Entendimento pacificado  pela  Súmula  CARF  no  38  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, em vigor desde 22/12/2009.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005   CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO.  COMPETÊNCIA.  REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS   O contencioso administrativo destina­se, tão somente, a apreciar  o litígio conformado pela discordância do contribuinte quanto a  lançamento contra ele formalizado, não tendo competência para  se manifestar sobre questões externas ao crédito constituído, tal  como questões que versem sobre a representação fiscal para fins  penais.  Questão  consolidada  no  âmbito  deste  Tribunal  Administrativo por meio da Súmula CARF no 28, em vigor desde  22/12/2009.  A decisão foi assim resumida:  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  rejeitar  a  preliminar  suscitada  pelo  Recorrente  e,  no  mérito,  negar provimento ao recurso.  DOS EMBARGOS  Intimado  do  referido  Acórdão,  em  30/07/2012  (vide  AR  de  fl.  587),  o  contribuinte,  com  fundamento  no  art.  65,  §1o,  inciso  II,  do Regimento  Interno  do Conselho  Administrativo  de Recursos  Fiscais  (aprovado  pela  Portaria MF  no  256,  de  22  de  junho  de  2009, com as alterações  introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010),  opôs, em 02/08/2012, os Embargos de Declaração de fls. 588 a 600.  Em síntese, o embargante alega que o acórdão guerreado foi omisso no que  tange à necessidade de intimação de todos os co­titulares da conta bancária para comprovar a  origem dos depósitos nela efetuados, nos exatos termos da Súmula CARF no 29.  Requer, assim, que seja suprida a deficiência apontada com novo julgamento  e prolatação de novo acórdão.  DA DISTRIBUIÇÃO  Consoante disposto no §7o do art. 49 do RICARF, os presentes autos foram  distribuídos para esta Conselheira para manifestação, vindo digitalizados até à fl. 6441.                                                              1  Processo  digital.  Numeração  do  e­processo.  O  processo  físico  foi  numerado  até  a    fl.  644  (fl.  644  da  digitalização).  Fl. 652DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 653          5 Por  meio  da  Informação  em  Embargos,  anexada  às  fls.  645  a  647,  foi  proposto  o  acolhimento  dos  embargos  para  que  o  processo  fosse  novamente  submetido  à  apreciação  dos  membros  desta  Segunda  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Segunda  Seção do CARF, o que foi acatado por seu presidente, que determinou sua inclusão em pauta  para julgamento (fl. 648).  Fl. 653DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 654          6 Voto             Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora.  Primeiramente,  constata­se  a  tempestividade  do  apelo,  eis  que  apresentado  dentro do prazo regimental de cinco dias, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão  de  segunda  instância,  em  30/07/2012  (vide  AR  de  fl.  587),  apresentando  os  embargos  em  02/08/2012.  1  Apreciação dos embargos  De  acordo  com  os  embargos  opostos,  teria  havido  omissão,  pois  o  conselheiro relator não teria se pronunciado quanto à necessidade de intimação de todos os co­ titulares  da  conta  bancária  a  comprovar  a  origem  dos  depósitos  nela  efetuados,  nos  exatos  termos da Súmula CARF no 29.  Compulsando­se  os  elementos  que  compõem  os  autos,  verifica­se  que  no  Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 365 a 417) não há qualquer referência a  existência de contas conjuntas, razão pela qual na decisão embargada (fls. 564 a 582) não foi  mencionado no relatório e, muito menos, apreciado no voto condutor a questão relacionada à  necessidade de intimação de todos os co­titulares das contas objeto da autuação fiscal.  Observa­se,  contudo,  que  tal  questionamento  somente  foi  levantado  pelo  recorrente na petição de fls. 496 a 521, acompanhada do documento de  fl. 522, que, embora  tenha  sido  entregue  no  Protocolo  Geral  do  CARF  em  02/06/2011,  antes  do  julgamento  de  segunda  instância  (29/11/2011),  só  foi  incluída  no  e­processo  em  03/09/2012  (vide  data  da  autenticação dos documentos), ou seja, depois de prolatada a decisão ora embargada.  Importa  salientar  que  consta  expressamente  consignado  no  relatório  do  acórdão vergastado que o processo distribuído a relatora veio numerado até a fl. 495 (fl. 570) e  que “Não  foi encaminhado o processo  físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo  digital.” (vide nota de rodapé à fl. 570).  Evidenciada assim a omissão em relação à necessidade de intimação de todos  os  co­titulares  das  contas  objeto  da  autuação  fiscal  (vide  fls.  496  a  521)  e  ao  documento  anexado  à  fl.  522,  acolhem­se  os  presentes  embargos,  para  sanar  o  vício  apontado  pelo  embargante, com fulcro no art. 65 do RICARF.  2  Contas conjuntas  Trata­se  de  lançamento  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  em  que  o  contribuinte  argúi  a  nulidade  do  lançamento, alegando que sua esposa, co­titular das contas fiscalizadas, não foi intimada a se  manifestar  em  relação  à  movimentação  financeira  das  mesmas,  assim  se  manifestando  à  fl.  499:  Fl. 654DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 655          7 Trata­se  de  Auto  de  Infração  lavrado  contra  o  recorrente,  datado de 26/11/2007 para exigir crédito tributário de IRPF, no  valor  de  R$  2.672.574,54,  tendo  como  suporte  legal,  dentre  outras imputações, a omissão de rendimentos caracterizada por  depósitos bancários com origem não comprovada, apurados de  conformidade  com  os  créditos  lançados  em  contas  correntes  bancárias  junto  ao  Banco  Itaú  S/A,  HSBC  Bank  Brasil  S/A  e  Banco Citibank S/A, dos anos­calendário de 2002, 2003, 2004 e  2005.  Em  que  pese  o  recorrente  ter  fornecido  inúmeras  cópias  de  cheques  e  extratos  bancários  para  atender  aos  termos  das  intimações,  que  continham  indicação  expressa  quanto  a  titularidade conjunta da conta corrente 45670­4 , do Banco hail  S/A, que foi objeto de investigação fiscal, a agente fiscal, quando  da  autuação,  imputou  exclusivamente  ao  recorrente,  a  totalidade dos valores dos rendimentos e das receitas, deixando  de  observar  que  a  referida  conta  corrente  de  n°  45670­4  ,  do  Banco Itaú S/A, era de titularidade conjunta entre o recorrente  e  sua  esposa  (há  época  dos  fatos) Patrícia  de Toledo Ribeiro,  inscrita  no  CPF/MF  n°  287.691.298­86  (doc.  01),  cujas  declarações de rendimentos ou de informação dos titulares eram  apresentadas em separado, nos exatos termos do artigo 42, § 6°,  da Lei 9430/96, conforme comprovado através das declarações  de  ajuste  anual  dos  anos­calendários  de  2002,  2003,  2004  e  2005 do recorrente e de sua esposa Patrícia de Toledo Ribeiro,  que são de fácil verificação, junto ao sistema da Receita Federal  do Brasil.  De se analisar a questão.  No caso, importa observar o disposto no caput do art. 42 da Lei no 9.430, de  1996, combinado com o §6o do mesmo artigo, que assim dispõem:  Art.  42  ­  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  [...]  §  6º  ­  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  (grifos nosso)  De  acordo  com  o  dispositivo  acima  transcrito,  para  que  a  presunção  de  omissão de  rendimentos  se aperfeiçoe é necessário que o  titular seja previamente  intimado a  Fl. 655DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 656          8 comprovar a origem dos depósitos. Ou seja, cabe ao fisco identificar os depósitos bancários de  origem  não  comprovada  e  intimar  o  contribuinte  a  sobre  eles  se  manifestar  com  o  fim  de  cumprir o encargo que a presunção do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996 lhe transfere.  Assim,  diferentemente  de  outras  infrações,  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada  tem como requisito  fundamental a intimação prévia do titular da conta, sem a qual ela não se conforma.   No caso de contas conjuntas, em que os titulares apresentem declaração em  separado,  não  basta  intimar  apenas  um  deles;  todos  os  co­titulares  devem  ser  intimados  a  comprovar a origem dos créditos que ingressaram na conta bancária, sob pena de nulidade do  lançamento, visto que a omissão apurada será partilhada entre eles.   Ao se intimar apenas um dos titulares e efetuar o lançamento sobre todos os  co­titulares está se presumindo que os demais não comprovariam nenhum depósito, para o que  não  se  tem  amparo  legal.  Cabe  lembrar  que  a  eventual  comprovação  por  um  dos  titulares  reflete  diretamente  no  valor  a  ser  imputado  aos  outros  e,  portanto,  sem  a  prévia  e  regular  intimação a todos os titulares da conta bancária, não se pode quantificar, com certeza, a parcela  devida a cada um.   Esse  entendimento  já  se  encontra pacificado  no  âmbito  deste Tribunal  pela  Súmula CAR no 29, de aplicação obrigatória desde 22/12/2009:  Súmula  CARF  no  29:  Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  nela  efetuados,  na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou  rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.  Não obstante a redação da súmula acima transcrita tenha sido omissa quanto  ao contexto de sua aplicação, pelas ementas dos acórdãos2 paradigmas que lhe deram origem, a  seguir  reproduzidas  (grifos  nossos),  infere­se  claramente  que  a  intimação  dos  co­titulares  é  necessária apenas no caso de apresentação de declaração em separado.  Acórdão nº 106­17009, de 06/08/2008:  IRPF  ­  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS ­ CONTA CONJUNTA.  Nos termos do artigo 42, caput e seu § 6°, da Lei n° 9.430/96, é  necessária a  intimação do  titular  (se a conta  for  individual) ou  dos  titulares  das  contas  de  depósito  ou  de  investimento  (se  a  conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos  bancários  identificados.  Feito  isso  e  na  hipótese  de  as  declarações  de  rendimentos  terem  sido  apresentadas  em  separado, é que o valor dos rendimentos omitidos será dividido  pelo  número  de  co­titulares  da  conta  bancária.  A  ausência  de  intimação  de  um  dos  co­titulares  da  conta  conjunta  toma  insubsistente o lançamento com relação aos depósitos bancários  sem origem comprovada identificados junto a ela.                                                              2 Informação extraída no sitio do CARF em 30/04/2013.  (http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/Sumulas/listarSumulas.jsf)   Fl. 656DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 657          9 Acórdão nº 102­48460, de 26/04/2007:  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  CONTA  CONJUNTA  ­  Em  caso  de  conta  conjunta  em  que  os  titulares  não  sejam  dependentes  entre  si  e  apresentam  em  separado  a  declaração  do  imposto  de  renda,  é  obrigatória  a  intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a  titularidade dos depósitos bancários.  ­  Impossibilidade  de  atribuir,  de  oficio,  os  valores  como  sendo  rendimentos exclusivos de um dos correntistas.  ­  Ao  atribuir  a  integralidade  dos  depósitos  a  um  único  correntista,  sem  que  o  outro  tenha  sido  intimado,  o  auto  de  infração adotou base de  cálculo diferente daquela  estabelecida  pela  regra­matriz  do  §  6°,  do  artigo  42,  da  Lei  n°.  9.430,  de  1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado.  Acórdão nº 102­48163, de 26/01/2007:   CONTA  CONJUNTA  ­  Em  se  tratando  de  conta  conjunta,  é  necessário  intimar  todos  os  co­titulares  da  conta  para  que  informem sobre a origem dos recursos.  A divisão do total de rendimentos ou receitas pela quantidade de  co­titulares somente é cabível, quando, intimados os titulares da  conta  não  se  obtenha  êxito  quanto  à  prova  da  titularidade  dos  recursos.  ­  Não  pode  a  fiscalização,  sem  a  intimação  do  co­titular  da  conta,  cuja  declaração  de  rendimentos  tenha  sido  apresentada  em separado, presumir que a metade das receitas pertence a um  dos  correntistas  e  o  saldo  remanescente  ao  outro  contribuinte.  (inteligência art. 42, § 6°, da Lei n°9.430, de 1996).  Acórdão nº 104­22117, de 07/12/2006:  IRPF  ­  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  CONTA  CONJUNTA  ­  Em  caso  de  conta  conjunta é obrigatória a intimação de todos os correntistas para  informarem  a  origem  e  a  titularidade  dos  depósitos  bancários.  Impossibilidade  de  atribuir,  de  oficio,  os  valores  como  sendo  renda exclusiva de um dos correntistas.  Acórdão nº 104­22049, de 09/11/2006  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ CONTA CONJUNTA ­ A partir da  vigência  da  Medida  Provisória  n°.  66,  de  2002,  nos  casos  de  conta  corrente  bancária  com  mais  de  um  titular,  os  depósitos  bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente,  ser  imputados  em  proporções  iguais  entre  os  titulares,  salvo  quando  estes  apresentarem  declaração  em  conjunto.  É  indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos  os  titulares  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários  (jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes).  Fl. 657DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/2007­78  Acórdão n.º 2202­002.300  S2­C2T2  Fl. 658          10 Voltando  ao  caso  em  concreto,  verifica­se  que  foram  tributadas,  nos  anos­ calendário 2002 a 2005, três contas em nome do contribuinte: conta no 45670­4 do Banco Itaú  S/A, conta no 04437­07 do HSBC Bank Brasil S/A e conta no 32080280 do Citibank S/A (vide  planilhas de fls. 216 a 243).  Em sede de  recurso,  o  contribuinte  juntou declaração  fornecida pelo Banco  Itaú, segundo a qual a conta no 45670­4, junto a agência Vila Maria/São Paulo é conjunta com  a  Sra.  Patrícia  de  Toledo  Ribeiro,  desde  1989  (fl.  522).  Examinando­se  os  extratos  por  ele  fornecidos (fls. 30 a 60), não havia nada que indicasse que a conta era conjunta.  Contudo, não obstante o recorrente alegue que ele e sua esposa, Sra. Patrícia  de Toledo Ribeiro, teriam apresentado declaração em separado, verdade é que pelas cópias das  declarações  anexadas  pela  fiscalização  às  fls.  6  a  22,  a  referida  senhora  consta  como  sua  dependente nos anos­calendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (vide relação de dependentes às fls.  8, 12, 15 e 20).  Assim, apesar de ter sido tributada uma conta conjunta, uma vez que os co­ titulares apresentaram declaração em conjunto, não se aplica a Súmula no 29 do CARF.  Destarte, não há reparos a fazer no lançamento efetuado.  3  Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  por  ACOLHER  os  embargos  opostos  pelo  contribuinte  para  re­ratificar  o  Acórdão  no  2202­01.489,  de  29/11/2009,  sanando  a  omissão  apontada, manter a decisão original proferida.  (Assinado digitalmente)   Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga                                Fl. 658DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA

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