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Numero do processo: 10980.004358/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2002
FATO GERADOR: 31/07/2002, 19/08/2002 - RESPONSABILIDADE DA
FONTE. RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR - Compete à fonte pagadora reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior.
MULTA DE OFICIO - APLICABILIDADE - Legitima a imposição da multa
de oficio, na forma preconizada pela legislação vigente.
SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(1° CC - Súmula n° 4)
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.354
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ágg-` SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.004358/2007-53 Recurso n° 160.735 Voluntário Acórdão n° 2201-00.354 — 2 Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRRF - Ex.: 2002 Recorrente REPLECTA PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida 1' TURMA/DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2002 FATO GERADOR: 31/07/2002, 19/08/2002 - RESPONSABILIDADE DA FONTE. RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR - Compete à fonte pagadora reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. MULTA DE OFICIO - APLICABILIDADE - Legitima a imposição da multa de oficio, na forma preconizada pela legislação vigente. SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(1° CC - Súmula n° 4) Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. 1,1 nIè tV 1 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.354 Fl. 2 ‘$) MOISÉ "1"̀ I: _e D ILVA — Presidente EDUARD ' • DEU FARAH Relator FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Cons; heiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Manoel Coelho Arruda Júnior (Suplente convocado) Eduardo Tadeu Farah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia Moreira : nos Mazza (Suplente convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em ercício). 2 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00354 Fl. 3 Relatório REPLECTA PARTICIPAÇÕES LTDA, recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 1" TURMA - DRJ - CURITIBA/PR, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 183 a 205. Trata-se de exigência de IRRF com valor total de R$ 2.195.775,00, incluídos multa de oficio de 75 % e juros de mora. A infração apurada pela fiscalização foi de falta de recolhimento do IRRF sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. De acordo com o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, de tis. 112 a 116, ocorreu o fato gerador do IRRF incidente sobre ganho de capital auferido pela integralização de imóveis pela empresa estrangeira de nome Kennyblock Sociedade Anônima no capital social da autuada, da qual é sócia majoritária, e sem a correspondente retenção na fonte do imposto. Cientificada do lançamento, a autuada apresenta impugnação de fls. 129 a 148, sustentando, em síntese: a) que não há nenhuma norma que determine a responsabilidade de retenção do imposto de renda para a empresa, que é a adquirente dos imóveis integralizados em seu capital pela empresa Kennyblock; b) que a própria Receita Federal, ao editar a Instrução Normativa SRF n° 73/1998 e Instrução Normativa SRF n° 208/2002, esclarece que o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital deverá ser efetuado na data da alienação, sendo responsável o alienante ou o seu procurador; c) que, para a indicação de um sujeito como responsável tributário, deve haver a previsão expressa em lei (art. 121, II, do Código Tributário Nacional); d) que nenhuma das normas citadas pela fiscalização possui força de lei ordinária; e) que, ao determinar a imposição da retenção e do pagamento do imposto de renda à adquirente, está a autoridade fiscal a inobservar a Constituição Federal, além de negar o princípio da legalidade, posto que não há lei que defina tal obrigatoriedade; f) que é ilegítima a incidência do imposto de renda na transferência de bens imóveis do patrimônio de pessoa jurídica, a título de integralização do capital social, por não se constituir acréscimo patrimonial tributável; g) que a multa aplicada ofende o princípio constitucional do não-confisco; of h) que é ilegal e inconstitucional a taxa Selic. 3 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.354 Fl. 4 A i a Turma da DRJ de Curitiba/PR proferiu Acórdão 06-14.291, mantendo integralmente o lançamento, sob os argumentos postos, resumidamente: De acordo com o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, de fls. 112 a 116, a norma legal que determina a responsabilidade de retenção do imposto de renda para a autuada (fonte pagadora) é o art. 100, do Decreto-Lei n2 5.844, de 23 de setembro de 1943 - instrumento jurídico que, à época de sua instituição, tinha força de lei (art. 180 da Constituição Federal de 10 de novembro de 1937). As Instruções Normativas SRF n 2s 73, de 23 de julho de 1998, e 208, de 27 de setembro de 2002, mencionadas na Impugnação tratam de hipótese diversa, devendo ser rejeitada a preliminar argüida de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. A integralização de bens no capital de pessoa jurídica configura, indubitavelmente, uma alienação, não só para efeitos fiscais, mas também para efeitos civis e comerciais. A operação significa a transferência de bens ou direitos de um patrimônio para outro mediante qualquer negócio jurídico translativo da propriedade, ou, na definição mais precisa de De Plácido e Silva (in Vocabulário Jurídico, Editora Forense), termo jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designa todo e qualquer ato que tem o efeito de transmitir o domínio de uma coisa para outra pessoa. Desta forma, deve ser mantida a exigência, assevera o relator. A multa de oficio constitui penalidade imposta como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo, pois, inaplicável a ela o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. As leis determinadoras da taxa de juros Selic procuraram, justamente, compensar a Fazenda Nacional na exata medida do prejuízo causado pelo atraso do sujeito passivo naquele recolhimento. É sabido que a União paga juros à taxa Selic pelo dinheiro tomado no mercado financeiro. Os juros de mora não configuram uma sanção, senão uma indenização pelo dano causado pelo retardamento no recolhimento dos tributos e contribuições devidos. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório refere-se a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. Assim, deve ser mantida a multa de oficio no percentual de 75 %, finaliza o relator. Cientificada da decisão de primeira instância (fl.182), Replecta Participações Ltda interpôs Recurso Voluntário, alegando, basicamente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. eg. 4 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.354 Fl. 5 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega a recorrente, preliminarmente, ilegitimidade passiva, pois segundo seu ponto de vista, a responsabilidade pelo recolhimento do imposto sobre o ganho de capital é do alienante ou seu procurador, conforme Instrução Normativa SRF n° 73, de 23 de julho de 1998 e Instrução Normativa SRF n° 208, de 27 de setembro de 2002. Inicialmente, há de se tecer um breve histórico a cerca da responsabilidade sobre a retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital quando o alienante é residente no exterior. O desenvolvimento natural das relações internacionais suscitou intenso debate sobre a tributação da renda internacional, se no país onde se apura o rendimento (princípio da territorialidade), ou se no pais onde reside o investidor (principio da universalidade). O Estado brasileiro adotou os dois princípios, entretanto, relativamente ao ganho de capital, convencionou-se, em Direito Internacional, que os rendimentos sujeitam-se à legislação do país onde estão situados, quer seu proprietário resida ou não no mesmo território, excetuando-se, por obvio, os acordos entre Estados soberanos com previsões especificas sobre determinada matéria tributária. Aliás, os acordos internacionais solucionaram um grande dissídio tributário, ou seja, a dupla tributação. Desta feita, foi editada o Decreto-Lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943 e os seus arts. 97 e 100 preceituam: Art. 97. Sofrerão o desconto do impôsto à razão de 15% os rendimentos percebidos. (Redação dada pela Lei n° 154, de 1947) a) pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no estrangeiro; (Vide Lei e 154, de 1947) Art. 100. A retenção do imposto, de que tratam os arts. 97 e 98, compete à fonte, quando pagar, creditar; empregar, remeter ou entregar o rendimento. (Vide Lei n°9.249, de 1995) / \ Parágrafo único. Excetuam-se os seguintes casos, em que competirá ao procurador a retenção: Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.354 Fl. 6 a) quando se tratar de aluguéis de imóveis; b) quando o procurador não der conhecimento à fonte de que o proprietário do rendimento reside ou é domiciliado no estrangeiro. O Decreto-Lei n° 5.844/1943, ferramenta legislativa usada à época com força de lei, a exemplo do Código Penal vigente, determinou a retenção do imposto sobre os rendimentos recebidos pela pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. Por sua vez, atribuiu à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção quando esta pagar, creditar, empregar, remeter ou entregar o rendimento. Pelo que se vê, o argumento é extremamente simples, ou seja, em que pese o beneficiário ser residente no exterior, seu acréscimo patrimonial ocorreu no país, razão pela qual se deve tributar no país o rendimento aqui produzido. Como o ganho de capital representa um acréscimo patrimonial, não haveria sentido tratá-lo de forma diferente. É o que prevê os arts. 18 e 28 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no Pais. (.) Art. 28. A aliquota do imposto de renda de que tratam o art. 77 da Lei n° 3.470, de 28 de novembro de 1958 e o art. 100 do Decreto-Lei n" 5.844, de 23 de setembro de 1943, com as modificações posteriormente introduzidas, passa, a partir de I° de janeiro de 1996, a ser de quinze por cento. Dessa forma, o ganho de capital auferido por não-residente, nas operações com bens situados no Brasil, se sujeita à legislação tributária brasileira, sofrendo incidência de imposto ou, na hipótese de haver acordo entre o Brasil e o país de residência do alienante, o determinado nesse ato internacional, se essa hipótese estiver expressa no acordo. Não poderia ser de outro modo, em face da determinação contida no art. 98 do CTN I , em que as convenções internacionais revogam e/ou modificam a legislação tributária interna. Ressalte-se, ainda, que na ausência de acordo entre os sujeitos de Direito Internacional, sobre determinado assunto, deve-se utilizar a legislação interna para solução da lide. 1 Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária w interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. 6 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00354 Fl. 7 Neste sentido, houve a consolidação da matéria pelos arts. 685 e 702 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda (RIR11999): Art.685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa fisica ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 100, Lei n2 3.470, de 1958, art. 77, Lei n2 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n2 9.779, de 1999, arts. 72 e 89: I- à aliquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: b)os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; §12Prevalecerá a alíquota incidente sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos residentes ou domiciliados no País, quando superior a quinze por cento (Decreto-Lei n 2 2.308, de 1986, art. 22, e Lei n2 9.249, de 1995, art. 18). $22No caso do inciso II. a retenção na fonte sobre o ganho de capitai deve ser efetuada no momento da alienação do bem ou direito, sendo responsável o adquirente ou o procurador, se este não der conhecimento, ao adquirente, de que o alienante é residente ou domiciliado no exterior, §320 ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País (Lei n 2 9.249, de 1995, art. 18). Art.702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 100, Lei n2 3.470, de 1958, art. 77, e Lei n 2 9.249, de 1995, art. 28). Então, pelo que se verifica de todo exposto, na alienação de bens localizados no Brasil, o imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido por pessoa jurídica com sede no exterior, deverá ser retido e recolhido pelo adquirente ou procurador no momento da alienação. 7 Processo n° 10980.004358/2007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00354 Fl. 8 Esse também é o entendimento do Primeiro conselho de Contribuintes, consoante à ementa abaixo transcrita: RESPONSABILIDADE DA FONTE. RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. Compete à fonte pagadora reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. (Acórdão 102-49101 de 29/05/2008) Em relação à alegação de que o responsável pelo recolhimento do imposto é o alienante ou seu procurador, na forma Instrução Normativa SRF n° 73, de 23 de julho de 1998 e Instrução Normativa SRF n° 208, de 27 de setembro de 2002, esclareço que os referidos atos normativos não se subsume ao caso em apreço. Em verdade, se referem à tributação de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior e dos ganhos de capital apurados na alienação de bens e direitos situados no exterior por pessoa física residente no Brasil e dos rendimentos recebidos e dos ganhos de capital apurados no País por pessoa fisica não-residente no Brasil, respectivamente. Ressalte-se que embora a autoridade fiscal tenha também mencionado no auto de infração, o art. 26 da Lei n° 10.833/2003, todavia, determinado ato não prejudica a compreensão do lançamento, pois a matriz legal relativa ao enquadramento da exigência foi devidamente informada, qual seja o art. 100 do Decreto-Lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943. Em relação ao mérito, sustenta a recorrente que não houve fato gerador do imposto, pois, de acordo com seu entendimento, a integralização de bens imóveis não caracteriza alienação para efeito de incidência do imposto de renda. De pronto, deve ficar claro que o fato gerador do ganho de capital é a integalização do capital social de uma empresa, mediante transferência de bens imóveis, em valor superior ao custo de aquisição. Nessa senda, a integralização do capital com imóvel representa negócio jurídico valido, cujo efeito é a transmissão do domínio ou do direito de propriedade do bem. No caso em apreço, houve de fato a transmissão dos imóveis para a pessoa jurídica, sendo o novo proprietário o detentor de direito absoluto e exclusivo, podendo usar, gozar e dispor na forma que melhor lhe convém. Portanto, repise, no caso de transmissão de bem imóvel para fins de integralização de aumento de capital de empresa, o ganho é calculado entre a diferença do constante do custo de aquisição e o valor ajustado na alteração de contrato da empresa incorporadora do bem. Assim, de acordo com o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fl. 113), o ganho de capital representou a quantia de R$ 14.638.500,00, relativo C:4%) f'\ 8 Processo n° 10980.00435812007-53 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00354 Fl. 9 incorporação de quatro imóveis (matriculas n's 1.729, 1730, 42.578 e 7.040) expressos nos respectivos registros carreados as fls. 19 a 43. Destarte, como foi constatado ter havido integralização do capital social da empresa, mediante a transferência de bens imóveis em valor superior ao custo de aquisição, deve ser mantida a exigência na forma concebida pela autoridade fiscal. Relativamente à multa de oficio, entendo, pois legal e legitima sua imposição. Contudo, para que se afira a natureza confiscatória da multa ou se ela afronta a capacidade contributiva do contribuinte, é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que não têm os órgãos administrativos julgadores, na forma da Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a incongtitucionalidade de lei tributária. Por fim, a Selic foi adequadamente aplicada, conforme entendimento pacificado neste Conselho de Contribuintes, consoante a Súmula n° 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso. Sala das S -sões, em 30 de julho de 2009 100*-7 E B ARDO /5 EU FARA - Relator 9
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900885/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 74 1 73 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.900885/200854 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.514 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2013 Assunto COFINS Recorrente ICALDA INDUSTRIA DE CONSERVAS ALIMENTICIAS LEON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Monica Elisa de Lima (Suplente), Mario Cesar Francalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .9 00 88 5/ 20 08 -5 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Resolução nº 3402000.514 S3C4T2 Fl. 75 2 Relatório Tratamse os autos de Declaração de compensação realizada pelo contribuinte, que objetivou parte do pagamento de CSLL do período de Dez/2003, no valor de R$935,94 (novecentos e trinta e cinco reais e noventa e quatro centavos), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior relativo à multa de mora em débito de COFINS (confessado espontaneamente), do período de Jun/2004, no valor de R$1.044,15 (hum mil e quarenta e quatro reais e quinze centavos). Em análise à compensação transmitida a Autoridade Preparadora houve por bem em não homologar o pleito do contribuinte, alegando que para o DARF declarado no PER/DCOMP havia sido encontrados um ou mais pagamentos, tendo o referido valor sido utilizado integralmente na quitação de débitos. O contribuinte insurgiuse, argüindo que a multa paga através do referido DARF era indevida, uma vez que o pagamento ali realizado havia sido denunciado espontaneamente, o que materializaria o indébito utilizado na compensação. O julgamento em primeira instancia rechaçou os fundamentos da manifestação de inconformidade, apresentando entendimento suportado por decisão do STJ, no sentido de que a declaração de débito em DCTF e o seu respectivo recolhimento em atraso não configuram denúncia espontânea, não esclarecendo, todavia, o momento efetivo da declaração e do recolhimento ocorrido nos autos. O recurso foi apresentado nos mesmos termos da Manifestação de Inconformidade e no julgamento em 2ª instância o CARF houve por bem em converter o julgamento em diligência para apurar a ocorrência ou não de declaração do débito em DCTF, bem como o momento (posterior ou ulterior) do pagamento realizado, a fim de observar a caracterização ou não do pagamento espontâneo afirmado pelo sujeito passivo Realizada a diligência foi apresentado parecer conclusivo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes, numerado até a folha 73 (setenta e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Resolução nº 3402000.514 S3C4T2 Fl. 76 3 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam estes autos de diligência, designada pela Resolução nº. 3401000.290, na qual o Ilustre Relator, Julio Cesar Alves Ramos, solicitou informações à Autoridade Preparadora afim de apurar fatos ocorridos nos autos, que lhe desse suporte ao efetivo deslinde da causa. É que, conforme o relatório acima tratase o processo de compensação formalizada pelo sujeito passivo, na qual a origem do direito creditório, segundo consta, é o pagamento indevido efetuado pelo contribuinte a título de multa, relativo a débito por ele “confessado espontaneamente”. Bem ponderada a diligência estabelecida pela Resolução acima citada, pois que objetivou a verificação da existência ou não da declaração de débito em DCTF e sua direta co relação com a data do pagamento efetuado, de forma a poderse observar a existência ou não do instituto da denúncia espontânea e daí, constatar ou não o pagamento indevido a título de multa como alegado pelo contribuinte. Entretanto, de forma absolutamente breve, cumpre informar que ainda que a diligência realizada nos autos tenha de fato esclarecido pontos cruciais ao deslinde da causa, sendo extremamente conclusiva, o fato é que ao contribuinte não foi dada vistas de seu resultado, prejudicando o bom andamento do processo, em necessária observação ao princípio do contraditório e ampla defesa respeitado no processo administrativo fiscal. Sem mais delongas, mesmo que o resultado desta diligência permita a averiguação concreta da existência (ou não) do pagamento espontâneo, e por via de conseqüência, a materialização (ou não) do indébito apontado pelo contribuinte, ao mesmo não foi dada a oportunidade de se manifestar, nos termos do que dispõe o artigo 26 e seguintes da Lei 9.784/99. Sendo, assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, afim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 5/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.017255/2003-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF.
COFINS. BASE DE CÁLCULO AMPLIADA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0, § 1°, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editado o mencionado dispositivo legal. As receitas financeiras, no caso concreto, extrapolam o conceito de faturamento.A repercussão geral da matéria relativa à inconstitucionalidade do referido dispositivo foi reconhecida pelo Tribunal Pleno da Suprema Corte.
TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA
Não incide Cofins sobre as entradas financeiras decorrentes da pratica de atos cooperativos, por não caracterizarem receita ou faturamento sujeitos à tributação.
Numero da decisão: 1401-000.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, CONHECERAM e ACOLHERAM dos embargos, DANDO-LHES efeitos infringentes, nos seguintes termos:
- Por maioria de votos, acolheram a omissão e deram-lhes provimento para excluir da tributação os atos cooperativos, após a MP , nos termos da diligência. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos, que rejeitavam essa omissão, acolhendo parcialmente embargos com efeitos infringentes apenas em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições sobre o faturamento (Cofins). Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor.
- Por unanimidade de votos, conheceram da omissão relativa aos juros de mora sobre a multa de ofício para então rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF. COFINS. BASE DE CÁLCULO AMPLIADA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0, § 1°, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editado o mencionado dispositivo legal. As receitas financeiras, no caso concreto, extrapolam o conceito de faturamento.A repercussão geral da matéria relativa à inconstitucionalidade do referido dispositivo foi reconhecida pelo Tribunal Pleno da Suprema Corte. TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA Não incide Cofins sobre as entradas financeiras decorrentes da pratica de atos cooperativos, por não caracterizarem receita ou faturamento sujeitos à tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, CONHECERAM e ACOLHERAM dos embargos, DANDO-LHES efeitos infringentes, nos seguintes termos: - Por maioria de votos, acolheram a omissão e deram-lhes provimento para excluir da tributação os atos cooperativos, após a MP , nos termos da diligência. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos, que rejeitavam essa omissão, acolhendo parcialmente embargos com efeitos infringentes apenas em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições sobre o faturamento (Cofins). Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. - Por unanimidade de votos, conheceram da omissão relativa aos juros de mora sobre a multa de ofício para então rejeitá-los. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF. COFINS. BASE DE CÁLCULO AMPLIADA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3 0, § 1°, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editado o mencionado dispositivo legal. As receitas financeiras, no caso concreto, extrapolam o conceito de faturamento.A repercussão geral da matéria relativa à inconstitucionalidade do referido dispositivo foi reconhecida pelo Tribunal Pleno da Suprema Corte. TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA Não incide Cofins sobre as entradas financeiras decorrentes da pratica de atos cooperativos, por não caracterizarem receita ou faturamento sujeitos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 72 55 /2 00 3- 12 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, CONHECERAM e ACOLHERAM dos embargos, DANDOLHES efeitos infringentes, nos seguintes termos: Por maioria de votos, acolheram a omissão e deramlhes provimento para excluir da tributação os atos cooperativos, após a MP , nos termos da diligência. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos, que rejeitavam essa omissão, acolhendo parcialmente embargos com efeitos infringentes apenas em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições sobre o faturamento (Cofins). Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, conheceram da omissão relativa aos juros de mora sobre a multa de ofício para então rejeitálos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 897 3 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissão/obscuridade no Acórdão nº 140100.498, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: Transcrevo relatório do Acórdão embargado naquilo de mais relevante: (...) “1. Contra a contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 06/11, o qual exige a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 481.117,46, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 30/10/2003. 2. Na descrição dos fatos, a Fiscalização, reportandose ao Termo de Verificação Fiscal – TVF, apontou uma infração à legislação tributária, qual seja, a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição. Do Termo de Verificação Fiscal – TVF, de fls. 24/33. 3. Eis os principais pontos que a Fiscalização aborda no TVF 4. Inicialmente, destaca o art. 2º, “caput” e seus parágrafos, do Estatuto Social da Fiscalizada, os quais definem os seus objetivos sociais (fls. 48/49). 5. Enfocando preceitos da Lei nº 5.764, de 1971, que definiu a política nacional de cooperativismo, salienta que as cooperativas são sociedades de pessoas, constituídas para prestar serviços aos associados e que são atos cooperativos, exclusivamente, aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, quando associadas, para consecução dos objetivos sociais. 6. Lembra que as cooperativas podem, porém, praticar atos nãocooperativos, os quais serão considerados como renda tributável, à luz do art. 111 da Lei nº 5.764, de 1971. 7. Aduz que, no âmbito administrativo, foi editado o Parecer Normativo CST nº 38, de 30/10/1980, visando a esclarecer dúvidas acerca da base de cálculo do IRPJ em relação aos atos nãocooperativos. 8. Diz que as cooperativas de trabalho médico (como é o caso da Fiscalizada), ao contratarem com terceiros a prestação de serviços de pessoas físicas ou jurídicas não associadas, estarão praticando atos nãocooperativos. 9. Nesse sentido, acentua que a Lei nº 5.764, de 1971, estabeleceu a não incidência objetiva, submetendo as cooperativas, em relação aos atos não Fl. 898DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 cooperativos, às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas jurídicas. 10. A Fiscalização constatou que a contribuinte (UNIMED – Ponte Nova) pratica, com habitualidade, atos nãocooperativos, quando contrata com os usuários, a preço global, não discriminativo, a prestação de serviços de assistência médica e hospitalar, com cobertura de despesas relativas a tratamento clínico ou cirúrgico, honorários profissionais, diárias e taxas hospitalares, enfermagem e medicação, cujas receitas, provenientes dos planos de saúde, estão fora do alcance da isenção. 11. Salienta que os fatos configuram mercancia, quando haja prática habitual de atos nãocooperativos. 12. Destaca, está claro a figura do plano de saúde, conforme o parágrafo 1º do art. 2º do Estatuto Social da Fiscalizada. 13. Esclarece, as receitas auferidas com os pagamentos mensais não são dos médicos. Nesse sentido, existem receitas de naturezas diversas: uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde; a outra, pelo serviço prestado ao cliente, que a cooperativa paga ao médico a título de honorários. 14. Examinando os contratos de plano de saúde, verificou a autuante que: a) a UNIMEDPonte Nova se obriga a prestar ao contratante e seus dependentes, que não são, via de regra, participantes da cooperativa como cooperados, os serviços de assistência médica e cirúrgica, em consultórios de médicos cooperados, internações, além dos serviços de diagnóstico e terapia, tais como exames laboratoriais, serviços radiológicos e etc., dentre a rede contratada, de acordo com o referido contrato; b) como decorrência da disponibilização desses serviços, o contratante se obriga a pagar à UNIMED uma mensalidade de acordo com os serviços oferecidos, utilizandoos ou não. 15. Enfatiza, uma cooperativa de médicos atua primordialmente para buscar captação de clientela para os médicos cooperados. Quando a UNIMEDPonte Nova realiza a venda dos chamados “Planos de Saúde”, ela recebe receitas não dos cooperados, mas de pessoas contratadas como USUÁRIAS DE PLANO DE SAÚDE. Assim podemos observar nas cópias dos contratos apresentados pela Fiscalizada, em anexo ao processo. 16. Perquirindo os dispositivos da Lei nº 5.764, de 1971, conclui a autuante que: a) essa lei definiu o que são atos cooperativos típicos das sociedades cooperativas, quais são os atos nãocooperativos legalmente permitidos, como controlálos e contabilizálos adequadamente, qual o tratamento tributário pertinente e como conseqüência, quais os atos nãocooperativos que não são legalmente permitidos, que são todos aqueles não englobados nos arts. 85, 86 e 88; b) portanto, como decorrência, se uma sociedade cooperativa exercer atividades que se definam como atos não cooperativos legalmente não permitidos, para efeitos tributários se descaracterizará como cooperativa e terá um tratamento idênticos a uma sociedade mercantil qualquer; c) caso a sociedade cooperativa exerça, além dos atos cooperativos, apenas atos não cooperativos legalmente permitidos, aí sim, e somente caso atenda aos demais requisitos da legislação em vigor, como por exemplo, a contabilização em separado desses atos, é que se tributaria os atos não cooperativos legalmente Fl. 899DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 898 5 permitidos, preservando os atos cooperativos dessa tributação, em consonância com a legislação acima citada. 17. A autuante esclareceu que, conforme resposta datada de 15/09/2003, ao Termo de Intimação Fiscal nº 001 (fls. 172/181), a respeito dos valores excluídos da base de cálculo da COFINS, a fiscalizada declarou que: “Deduzimos os valores acima da base de cálculo da Cofins por não concordarmos com a MP 18587 de 29/7/99, na qual determina que as cooperativas teriam com base de cálculo para a Cofins o seu faturamento bruto, a partir de novembro/99. Que confirmamos com o processo nº 2000.38.00.030.8605, que aguarda julgamento da apelação imposta pela UNIMED”. 18. Evidenciou a Fiscalização que: mesmo que, ainda considerássemos a UNIMEDPonte Nova como uma cooperativa não haveria como tributar os atos não cooperativos, de acordo com legislação, pois a fiscalizada não faz de forma correta a segregação das receitas de atos cooperativos e de atos nãocooperativos, porque considera a maior parte de seus atos como cooperativos.” 19. Diante disso, concluiu o Fisco que a contribuinte é uma empresa comercial como outra qualquer, não podendo usufruir de privilégios ao excluir da base de cálculo do IRPJ e contribuições federais, valores que deveriam ser tributados normalmente, pois tratamse de receitas de atividades comerciais normais, apesar da impugnante considerálas como atos cooperativos em quase toda a sua totalidade. 20. Então, a Fiscalização lavrou o presente Auto de Infração da COFINS, cujos valores tributáveis são os totais das receitas mensais apuradas pela Fiscalizada, excluídos os valores já oferecidos à tributação, conforme Declarações do Imposto de Renda – IRPJ, dos exercícios de 1999 a 2003 (Anexo “01”, fls. 143/383), e demonstrativos da contribuinte (fls. 73/89 e Anexo “01”, fls. 122). 21. Salientou, ainda, o Fisco que com respeito à ação impetrada na Justiça Federal pela contribuinte, verificase que o Mandado de segurança nº 2000.38.00.030.8605, tem por objetivo a suspensão da exigibilidade da Cofins sobre os atos cooperativos a partir de 11/99. A liminar foi indeferida e a segurança denegada. Não se trata do mesmo objeto do presente Mandado de Procedimento Fiscal. Da impugnação. 22. Tendo sido dele notificado, em 25/11/2003, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 18/12/2003, mediante o instrumento de fls. 132 a 139. Adiante compendiamse suas razões. 23. Inicialmente, a impugnante realça a tempestividade da presente defesa. 24. Salientando um trecho do TVF, no qual a Fiscalização argumenta no sentido de descaracterizar os atos cooperativos, a contribuinte discorda desse entendimento, afirmado que, de fato, os atos tidos pela autuante, como de mercado, são meros atos cooperativos. 25. Ressalta que o principal erro cometido pelo Fisco foi com relação à conceituação dos atos praticados por ela. 26. Discorre acerca das características jurídicas das cooperativas. 27. Quanto ao ato cooperativo, diz, este pode ser detalhado, levandose em conta sua natureza, delimitação, agentes e utilização como valor de referência: Fl. 900DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 a) Tratase se, “sic”, ato de natureza exclusivamente operacional, sem que configure operação de mercado ou contrato de compra e venda de produto, mercadoria ou serviço. O ato de associarse não é ato cooperativo mas précondição para praticálo. Das três qualidades do associado, proprietário, gestor dos negócios sociais e usuários dos serviços sociais, o ato cooperativo é a terceira qualidade, sem a qual as duas primeiras seriam inócuas. Cooperativa alguma sobreviverá, muito menos desenvolverseá, sem que seus associados se utilizem dos serviços sociais, pouco importando que tenha capital e administradores; b) O ato cooperativo é delimitado pelo objeto social da cooperativa, ou seja, pela sua consecução. E por quê? Porque o objeto social estatutário das sociedades define os empreendimentos comuns aos associados; c) Os agentes deste ato são as cooperativas e seus associados naqueles atos praticados entre as primeiras e os segundos ou entre estes e aqueles; e, também pelas cooperativas entre si, quando associadas; e d) O ato cooperativo é o único valor de referência para atribuição de sobras ou de prejuízos aos associados, ou, em outras palavras, é o denominador da fórmula proporcional do retorno ou prejuízo. 28. Citando o art. 3º da Lei nº 5.764, de 1971, argumenta que na cooperativa não há a subordinação de uns em proveito de outros. Ao contrário, nesta forma societária, os associados se agrupam para mutuamente se ajudarem. Daí advém a finalidade da cooperativa: prestação recíproca de um auxílio que vai substituir uma atividade que, não fora a cooperativa, teria que ser desempenhada, individualmente, por cada um. 29. Indaga, apenas os atos praticados entre a cooperativa e os associados ou entre estes e aquela são considerados atos cooperativos? 30. Aduz, no seu caso, a cooperativa age como mera intermediária de seus associados ao vender planos de saúde que serão atendidos por estes mesmos associados. O que se paga é apenas pelo direito de que os médicos cooperados possam prestar seu serviço a quem tenham interesse. 31. Fala, assim, como no caso da cooperativa de produção, que recebe de seus associados a produção pra venda a terceiros, no presente caso, também se está diante de um ato puramente cooperativo. 32. Diz, no caso de prestação de serviços por quem não seja associado, caso em que o valor despendido pelo adquirente do plano é reembolsado, este valor é normalmente oferecido à tributação. 33. Destaca, se se aceitasse a proposta do Fisco de que seriam atos cooperativos apenas os praticados entre os sócios, então até mesmo as cooperativas de produção somente poderiam vender a produção de seus associados para eles mesmos, o que é impossível. 34. Esclarece, vejase que no caso presente, ela é mera intermediária da relação médico versus paciente e os valores recebidos pela cooperativa são, descontadas as despesas administrativas, todos repassados para seus associados; não é a cooperativa que presta os serviços, mas sim os médicos. 35. Concluindo, assevera que, data máxima venia, não se pode concordar com o entendimento da Fiscalização que desconsiderou os atos cooperativos praticados por ela. 36. Alega que, na hipótese de prevalecer o entendimento do Fisco, da base de cálculo utilizada deve ser decotado todos os valores que estejam em trânsito na sua Fl. 901DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 899 7 contabilidade, fazendose quando muito, a incidência do tributo nos valores utilizados pela cooperativa para sua própria manutenção. 37. Além disso, assevera que a Fiscalização não reconheceu o seu direito à dedução das parcelas previstas no § 9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001. 38. Ao final, pede o cancelamento do presente Auto de Infração. 39. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2003 Ementa: COOPERATIVA DE SERVIÇO MÉDICO. As sociedades cooperativas de serviços médicos ao desenvolverem atos diversos dos previstos na Lei n° 5.764, de 1971, não se encontram alcançadas pelos benefícios fiscais próprios dos atos cooperativos. DEDUÇÕES AUTORIZADAS NA BASE DE CÁLCULO. Segundo a legislação tributária vigente, na determinação da base de cálculo da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (I) co responsabilidades cedidas; (II) a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; e (III) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e ressaltando: a nulidade do auto de infração por considerar ilegal a descaracterização da recorrente como sociedade cooperativa, alegando que a SRF é incompetente para tal procedimento. Em apoio desta tese junta jurisprudência que admite a prática de atos não cooperativos por este tipo de sociedade, sem que isto a torne uma pessoa jurídica comum. No mérito, defende a ilegalidade da tributação do ato cooperativo, citando jurisprudência do STJ em que se teria reconhecido a não incidência da Cofins sobre o ato cooperativo praticado por outra Unimed. Diz a recorrente que só presta serviços aos seus cooperados angariando clientela, sendo seus cooperados que prestam serviços aos usuários. Insiste, ainda, na inexistência de receita quando do repasse dos valores recebidos pela cooperativa aos cooperados e, ao final, aduz que, na qualidade de cooperativa Operadora de Planos de Saúde, tem direito de excluir da base de tributação da Cofins aquelas deduções que a própria lei lhe permite (art. 3 2, § 92, da MP nº 2.15835/2001 c/c o art. 26 da IN/SRF nº 247/2002), desde o início da exigência da exação. Sem estas exclusões, a tributação não se daria sobre as receitas Fl. 902DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 mas sobre as entradas, o que se mostra desarrazoado pela ordem jurídica (e como corolário da legalidade: art. 150, I, da CF/88 e art. 97 do CTN). Ao final, requer a nulidade do lançamento fiscal, tendo em vista que a autuação embasouse fundamentalmente na descaracterização da recorrente como sociedade cooperativa, ou que, no mérito, que se reforme parcialmente a decisão recorrida para anular integralmente o auto de infração. Em qualquer das hipóteses, que se observe a regra específica para Operadoras de Planos de Saúde, sendo reconhecido o direito de proceder as deduções previstas em lei desde o início da exação e não somente no anocalendário de 2002, como admitiu a DRJ. Em 08 de maio de 2008, a então Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes resolveram declinar competência ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DOS MESMOS FATOS QUE LEVARAM À EXIGÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes o julgamento do auto de infração de Cofins, quando a exigência esteja lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica. Esta 1ª turma ordinária da 4a Câmera da 1ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência de forma a segregar as receitas e resultados decorrentes da pratica de atos cooperativos daquelas decorrentes dos atos considerados como não cooperativos. Consta da fls. 345/347 o resultado de diligência fazendo a segregação de atos cooperativos e nãocooperativos através do rateio de custos. Conforme documento de fls. 357/358, a Recorrente desiste parcialmente de seu recurso para as alegações de direito sobre as quais se funda o presente processo, em relação aos débitos descritos na tabela de fls. 359, envolvendo todos os débitos anteriores a dezembro de 2001, inclusive. Consigna ainda que o objetivo foi o de ingressar no parcelamento de que trata a Lei n.° 11.941/2009. Em sede de Embargos aponta três omissões: Alega equívoco da decisão embargada quando declara a inexistência de regra expressa que determine a "isenção" da COFINS após a revogação do artigo 6o, I da Lei Complementar n.° 07/70, eis suas próprias palavras: Esquivouse o julgador, no entanto, de diferenciar juridicamente os institutos que menciona, a "não incidência". Confirma a doutrina de Hugo de Brito Machado3 que, ao passo que a "isenção" consiste em favor fiscal, razão pela qual deve estar disposto expressamente na legislação, a "não incidência" caracterizase quando determinado fato ou ato, em ocorrido, não materializa a subsunção da regra de Fl. 903DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 900 9 incidência, exatamente por não se enquadrar nesta mesma hipótese, não representando benesse ao contribuinte. (...) E, neste ponto, independentemente do advento da Lei n.° 9.718/98, persiste a vigência da Lei n.° 5.764/71 e o tratamento tributário que esta confere aos atos cooperativos, que não representam faturamento da cooperativa, conceito este adstrito à prática de atos não cooperativos. Esclareçase que não se pretende o reexame de mérito da matéria, qual seja, a extensão do ato cooperativo de trabalho (a ser aviada em sede de Recurso Especial). Embargase do acórdão para a definição quanto à aplicabilidade ou não da não incidência da COFINS (e não isenção) sobre os atos cooperativos, afastandose a oscilação interpretativa acima demonstrada, e que merece reparo. A outra omissão apontada relacionase ‘a não aplicação pelo CARF de entendimento já sufragado pelo Plenário do STF, em decisão definitiva a respeito do “alargamento da base de cálculo” das Contribuições sociais que incidem sobre o faturamento, a partir da vigência dos artigos 2° e 3°, § 1º da Lei n. ° 9.718/98. Entendeu o acórdão que durante a vigência daquele dispositivo, a base de cálculo da discutida contribuição abrangeria a totalidade das receitas, "independentemente da natureza dos atos negociais que lhes dão origem.". Dessa forma, omitiuse acerca da determinação contida no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, que conduz à aplicação, em sede administrativa, do entendimento firmado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal. Omissão sobre a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Alega que não poderia ter argüido tal matéria em momento anterior, já que somente com a intimação do acórdão embargado, teve conhecimento de que as guias emitidas geraram atualização indevida da multa de ofício, não autorizada pela legislação em se tratando de auto de infração com tributo. É o relatório. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. a) 1a Omissão – isenção/Não incidência Alega a Embargante omissão, pois quando declara a inexistência de regra expressa que determine a "isenção" da COFINS após a revogação do artigo 6o, I da Lei Complementar n.° 07/70. Não prospera a alegada omissão, a uma porque se trata notoriamente de inconformismo do embargante referente ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entende que: (...) independentemente do advento da Lei n.° 9.718/98, persiste a vigência da Lei n.° 5.764/71 e o tratamento tributário que esta confere aos atos cooperativos, que não representam faturamento da cooperativa, conceito este adstrito à prática de atos não cooperativos. Por outro lado, o Acórdão embargado abraçou o entendimento divergente: (...) cabe salientar que a MP 1.8589, de 24 de setembro de 1999, no lugar da não incidência, introduziu exclusões à base de cálculo do Cofins, representado pela menção direta à aplicação da Lei nº 9.718/99 às sociedades cooperativas, encerrando um texto que se tornou definitivo nas reedições sucessivas, até a derradeira e ainda vigente MP nº 2.15835, de 2001. Eis o artigo 15, caput e §§ 1º e 2º, da MP nº 1858 9, repetido na atual vestimenta da MP 2.15835: A divergência está bastante clara, entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Outrossim, conforme jurisprudência do STJ não é necessário que o Acórdão seja exaustivo analisando ponto por ponto da defesa quando os fundamentos alinhavados por ele são suficientes para a justificação da decisão. Dessa forma, rejeitase a primeira omissão apontada. 2a OMISSÃO – Alargamento da base de cálculo A outra omissão apontada relacionase ‘a não aplicação pelo CARF de entendimento já sufragado pelo Plenário do STF, em decisão definitiva a respeito do “alargamento da base de cálculo” das Contribuições sociais que incidem sobre o faturamento, a partir da vigência dos artigos 2° e 3°, § 1º da Lei n. ° 9.718/98. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 901 11 Com razão à Recorrente. De fato, o Acórdão foi omisso nessa questão. A Suprema Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria relativa à inconstitucionalidade do referido dispositivo, na Sessão Plenária realizada no dia 10 de setembro de 2008, como se constata no resumo abaixo transcrito: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3 0, § 1°, da Lei n° 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE n° 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1°.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98. (RE 585235 RGQO, Relator(a): MM. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL 0234310 PP02009) Assim, acolho parcialmente os embargos para dar provimento parcial admitindose a exclusão das receitas estranhas ao faturamento, como é o caso das receitas financeiras, conforme decisão definitiva do Pleno do STF (nos RE n. 357.950 e 358.273) onde foi restringido o alargamento da base de cálculo das contribuições incidentes sobre faturamento (artigo 3°, § 1º da Lei n. ° 9.718/98). 3a OMISSÃO – juros sobre multa de ofício Aponta omissão sobre a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Alega que não poderia ter argüido tal matéria em momento anterior, já que somente com a intimação do acórdão embargado, teve conhecimento de que as guias emitidas geraram atualização indevida da multa de ofício, não autorizada pela legislação em se tratando de auto de infração com tributo. Apesar dessa autoridade julgadora também não ter como se pronunciar sobre algo que não fora alegado, esta Turma tem admitido a omissão em função da peculiaridade da matéria que só se apresenta quando da ciência do Acórdão. Juros de mora sobre Multa de Ofício Conhecese, portanto, dos embargos, mas rejeitaos pelos motivos a baixo expostos. Insurgese a Embargante contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Na defesa desse tese, geralmente se utilizam do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa estaria consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em Fl. 906DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento da Recorrente no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 902 13 Por todo o exposto, conhecer dos embargos e acolher parcialmente com efeitos infringentes apenas em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições sobre o faturamento (Cofins). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 908DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Redator designado: Dentre as questões trazidas pela Embargante como razões de recurso, apresenta o não tratamento da matéria posta em julgamento quando da análise do recuros voluntário, da nãoincidência da COFINS sobre os chamados atos cooperativos; em detrimento da discussão acerca da existência, ou não, de isenção sobre o mesmo fato. De fato, a decisão embargada, a par de referenciar essa discussão, não abordou, no aspecto constitucional, a ausência de competência impositiva sobre os atos cooperativas, de forma a cotejar a existência de obrigação tributária quando da prática de atos cooperativos. No mérito, a Recorrente sustenta a desconstituição do auto de infração, porquanto os resultados submetidos por esse à tributação são provenientes da prática de atos tipicamente cooperativos. A controvérsia resumese à classificação das receitas da Embargante em receitas oriundas da prática de atos cooperativos ou atos não cooperativos, visto que as provenientes de atos cooperados não estão sujeitas à tributação. Para tanto, devese analisar a legislação em vigor, sobretudo a Lei nº. 5.764/71. As cooperativas, na exegese dos arts. 3º e 4º da Lei nº. 5.764/71, são sociedades de pessoas constituídas, sem intuito de lucro, com o objetivo principal de prestar serviços aos seus associados. Dispõe os referidos artigos, in litteris: “Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa;” Fl. 909DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10680.017255/200312 Acórdão n.º 1401000.935 S1C4T1 Fl. 903 15 Nesse contexto, o art. 79 da citada lei dispõe que os atos cooperativos, ou seja, os atos praticados pela cooperativa com seus associados, ou pelas cooperativas entre si, “não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” Ademais, ainda no que concerne à definição dos atos praticados pelas cooperativas, o art. 87 da referida lei estabelece que “os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos”. Dessa forma, da combinação dos arts. 79 e 87 da Lei das Cooperativas, tem se que os atos cooperativos, entendidos como as operações realizadas entre a cooperativa, na condição de intermediária, e seus cooperados, não serão tributáveis por não estarem incluídos na hipótese de incidência da norma tributária. Todavia, os atos não cooperativos, ou seja, os praticados pela cooperativa com não associados estarão sujeitos à tributação federal, vez que resultam em lucro. Nesse diapasão, o Min. Castro Meira, ao analisar os resultados provenientes da prática de atos cooperativos e não cooperativos por sociedades cooperativas, concluiu que “os atos cooperativos não geram receita nem faturamento para a sociedade cooperativa. O resultado financeiro deles decorrente não está sujeito à incidência do tributo. Cuidase de uma nãoincidência pura e simples, e não de uma norma de isenção. Já os atos não cooperativos, praticados com não associados, geram receita à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação.” (REsp nº. 807.690/SP, 2ª Turma do STJ, DJ de 01/02/2007). Após a definição e a delimitação do ato cooperativo, cabe promover a segregação de receitas realizada pela Fiscalização, no que tange à sua legalidade. Isso porque, no termo dos arts. 15 e 16 da Medida Provisória nº. 2.158/2001, os valores deocrrentes da prática de atos cooperados não estão sujeitos à tributação pela COFINS. Dispõe os referidos artigos, in litteris: “Art.15.As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos art. 2º e 3º da Lei nº. 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Ios valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; IIIas receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; Fl. 910DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 Vas receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; Vas receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; IIserão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Art.16.As sociedades cooperativas que realizarem repasse de valores a pessoa jurídica associada, na hipótese prevista no inciso I do art. 15, deverão observar o disposto no art. 66 da Lei nº. 9.430, de 1966”. (grifos acrescidos) Assim, sanando a omissão apontada nos embargos de declaração, deve ser concedido efeito infringente ao recurso, com o cancelamento do auto de infração relativos à tributação os atos cooperativos, após a MP , nos termos da diligência. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 911DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZER RA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13433.900773/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado.
A DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas alteração do valor do débito, mas não é prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como sendo a origem do crédito compensado.
Numero da decisão: 3102-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. A DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas alteração do valor do débito, mas não é prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como sendo a origem do crédito compensado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. DCTF RETIFICADORA. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. OBRIGATORIEDADE. A DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas alteração do valor do débito, mas não é prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como sendo a origem do crédito compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 90 07 73 /2 00 9- 96 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 11/4/2006, em que informada a compensação de parte do crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2005, no valor de R$ 2.807,22, com débito da Cofins do mês de setembro de 2004. Em face da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, porque, embora localizado na base dados da Administração tributária, o suposto pagamento indevido fora integralmente utilizado na quitação do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2005, conforme explicitado no Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 01. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que a receita auferida no respectivo período de apuração era decorrente da venda de “leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano”, que, a partir de 30 de dezembro de 2004, passou a ser beneficiada com a alíquota zero da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasepl, nos termos do art. 1º, X, combinado com o art. 3º, I, ambos do Decreto nº Decreto nº 5.630, de 22 dezembro de 2005. Informou ainda que, após a ciência do referido Despacho Decisório, a DCTF do período fora retificada e os valores dos débitos indevidos da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep foram zerados. Diante da precariedade da instrução processual, a Turma de Julgamento de primeiro grau, com respaldo no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), converteu o julgamento em diligência, para que a interessada fosse intimada “a comprovar se – e em que medida – as vendas realizadas nos períodos de interesse foram dos produtos enquadrados no inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de2005”. Apesar de regularmente cientificada, a interessada não atendeu a intimação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Recife/PE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base no argumento de que a retificação da DCTF e a alegação de pagamento indevido, desacompanhada de prova documental adequada, não permitiam a confirmação da existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13433.900773/200996 Acórdão n.º 3102001.825 S3C1T2 Fl. 21 3 Em 29/5/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 26/6/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 52/54, em que reafirmou o argumento suscitado na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que, apesar de reconhecido pela Relatora do processo originário que a atividade econômica da recorrente enquadravase no CNAE 1051100 (Preparação do leite), a Turma de Julgamento de primeiro grau julgara improcedente da Manifestação de Inconformidade, contrariando a norma do inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No recurso em apreço, alegou a recorrente que o valor do crédito utilizado era decorrente de parte do pagamento do débito indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês outubro de 2005, calculado sobre a totalidade da receita de venda de “leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano”, contemplada com a alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. Alegou ainda a recorrente que, como sua atividade econômica enquadravase no CNAE 1051100 Preparação do leite, consequentemente, as receitas obtidas eram decorrentes da venda dos produtos discriminados no inciso X do art. 1º do citado Decreto. Não procede a alegação da recorrente. O CNAE declarado no CNPJ informa, de forma genérica, qual a atividade econômica desenvolvida pela respectiva pessoa jurídica. Por essa limitação, é evidente que o referido Código não prova que a receita obtida pela recorrente seja proveniente, exclusivamente, da venda dos produtos especificados no inciso X do art. 1º do Decreto nº 5.630, de 2005. Para fim de comprovação do tipo de produto vendido, induvidosamente, os elementos probatórios adequados são as notas fiscais de venda, acompanhadas dos livros fiscais e contábeis exigidos pela legislação. Sem a apresentação da referida documentação, resta inviabilizada a verificação do tipo de produto vendido pela recorrente, bem como a confirmação se a receita auferida pela recorrente enquadrase na hipótese de tributação favorecida, prevista no inciso X do art. 1º do Decreto nº Decreto nº 5.630, de 2005. Da mesma forma, sem a comprovação da modalidade de receita, também resta não comprovada a origem do direito creditório alegado e impossibilitada a homologação da compensação declarada, haja vista que, em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 170 do CTN, combinado com o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a realização do procedimento de compensação, de iniciativa do sujeito passivo, depende da comprovação da existência de crédito certo e líquido, passível de restituição ou ressarcimento, na data da realização do procedimento, que se formaliza com a entrega da DComp. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Tratase de requisito obrigatório que, na esfera administrativa, deve ser provado pelo sujeito passivo titular do crédito e autor do procedimento de compensação, em duas oportunidades: (i) quando demandado pela autoridade fiscal, previamente a decisão sobre a legalidade do procedimento compensatório, nos termos do art. 74 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012; ou (ii) após a decisão denegatória da homologação da compensação, no âmbito contencioso administrativo, inaugurado com a manifestação da inconformidade, prevista no § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, conforme consignado no citado Despacho Decisório, o procedimento de compensação não foi homologado porque o crédito informado não existia, porque tinha sido integralmente utilizado no pagamento de débito da própria recorrente. Assim, uma vez declinado que o motivo da não homologação da compensação era inexistência do crédito, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9;430, de 1996, a recorrente tinha o ônus/dever de coligir aos autos os elementos de prova adequados a demonstração da existência do direito creditório infirmado, mediante apresentação de provas inequívocas de que o pagamento realizado fora indevido, conforme alegado, o que não feito. É oportuno ressaltar ainda que a simples retificação da DCTF, especialmente, após a ciência do Despacho Decisório, como no caso em apreço, apenas comprova a retificação do débito, mas não constitui elemento de prova suficiente de que o pagamento informado era indevido. Em situação desse jaez, além da retificação da DCTF, o titular o direito creditório tem ônus de provar que o pagamento realizado referese a tributo indevido ou a maior que o devido, conforme determina o art. 165 do CTN. Tratase de condição necessária para fim de repetição do indébito tributário, que deve ser demonstrada com documentos e livros fiscais e contábeis revestidos das formalidades legais. Diante dessa omissão, previamente ao julgamento da controvérsia, a Turma de Julgamento de primeiro grau converteu o julgamento em diligência e, assim, ofertou uma nova oportunidade para que a recorrente provasse a existência do crédito compensado. No entanto, embora devidamente intimada e ciente da necessidade de provar a origem do indébito alegado, a recorrente não atendeu a intimação nem apresentou qualquer justificativa para a não apresentação das provas solicitadas. Da mesma forma, nesta fase recursal, a recorrente também não apresentou nenhuma prova de que a receita auferida estava sujeita a alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep. Ao assim proceder, a recorrente deve arcar com as consequências jurídicas da sua deliberada e intencional omissão, o que implica manutenção da decisão não homologatória da compensação em razão da falta de comprovação da existência do crédito compensado. No âmbito processual, o ônus/dever de provar os fatos cabe a quem os alega. Tratase de regramento que deve ser observado tanto no processo administrativo, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, quanto no processo judicial, conforme estatui o art. 333, I, do CPC. A consequência jurídica do não exercício desse ônus/dever é a falta de comprovação do suposto direito alegado. 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13433.900773/200996 Acórdão n.º 3102001.825 S3C1T2 Fl. 22 5 Nesse sentido, no âmbito do processo de compensação, não é suficiente a mera alegação, em tese, de um direito abstrato a um suposto crédito. Além disso, é imprescindível que haja prova inequívoca da existência concreta desse direito, mediante demonstração cabal dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, conforme exige o art. 170 do CTN. A recorrente alegou, mas não comprovou que o débito da Contribuição para o PIS/Pasep pago era indevido. No caso, a simples alegação de que as receitas auferidas estavam sujeitas a alíquota zero, desacompanhado de qualquer elemento probatório idôneo desse fato, obviamente, não representa condição suficiente para fim de demonstrar que houve pagamento indevido e, em decorrência, a existência do crédito compensado, portanto, deve ser mantida a decisão não homologatória da compensação declarada. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13002.720517/2011-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO.
Configurada nos autos a natureza indenizatória e não remuneratória da verba sobre a qual incidiu a autuação (indenização para transporte de servidor público), não pode subsistir o lançamento fundado em omissão de rendimentos tributáveis.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 15/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO. Configurada nos autos a natureza indenizatória e não remuneratória da verba sobre a qual incidiu a autuação (indenização para transporte de servidor público), não pode subsistir o lançamento fundado em omissão de rendimentos tributáveis. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 72 05 17 /2 01 1- 10 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 15/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite. Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.17 e ss. da numeração eletrônica de vez que ausente numeração original), referente ao exercício 2010, anocalendário de 2009, em razão de suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação judicial. Impugnou o lançamento (fls. 2) arguindo, em síntese, que Houve um erro no preenchimento da declaração de rendimentos, devido à informação por telefone da Receita Federal, de que a indenização para transporte de funcionário público federal seria isento. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/POA, em sessão realizada no dia 19/06/2012, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que tratase de valores recebidos da União Federal, em virtude de processo judicial, relativos a indenização de transporte para militares transferidos para a reserva remunerada; que o valor recebido pelo contribuinte não se enquadra no art.39, inciso XXIV, do RIR/99, sendo tributável por ausência de norma isentiva explícita. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 42, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl.44, invocando o disposto no art. 6o, XX, da Lei no. 7713/88. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, imputação de omissão de rendimentos ao contribuinte. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13002.720517/201110 Acórdão n.º 2802002.203 S2TE02 Fl. 51 3 O contribuinte, como de resto, reconhece o lançamento, recebeu valores em virtude de decisão judicial. Tais valores possuem natureza de indenização de transporte, como o reconheceu a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região, acórdão abaixo, localizado por consulta ao site do Tribunal, a partir do número do feito, que consta de fl.5. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2002.71.12.0066740/RS ADMINISTRATIVO. MILITAR. PASSAGEM À RESERVA REMUNERADA. INDENIZAÇÃO DE TRANSPORTE. LEI N° 8.237/91 E DECRETO N° 986/93. LIMITAÇÃO DE DISTÂNCIA PELA PORTARIA N° 588/96. ILEGALIDADE. DIREITO RECONHECIDO. 1. A Lei n° 8.237, de 30 de setembro de 1991, regulamentada pelo Decreto n° 986, de 12 de novembro de 1993, assegurava ao militar transferido à reserva a indenização de transporte, sem qualquer ressalva quanto à distância entre a Unidade militar e a localidade de destino. 2. A Portaria Ministerial n° 588/GM6, de 3 de setembro de 1996, incidiu em ilegalidade ao estabelecer em seu artigo 1° o limite de 2.500 km para o pagamento da indenização de transporte. 3. Apelação provida. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar provimento ao apelo, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 16 de junho de 2005. Ressalto que o entendimento quanto à natureza indenizatória desta verba advém de suas peculiares características, na medida em que tratase de uma verba paga ao militar que, por razões de serviço, é transferido para localidade longe de seu domicílio e, ao ser transferido para a reserva, faz jus a uma ajuda de custo para financiar as despesas com o transporte de si próprio, de seus familiares e de seus bens para o local onde vai fixar residência. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Assim sendo, tenho como estabelecida a natureza não remuneratória do valor recebido, que prestouse a auxiliar o deslocamento do militar transferido para a reserva remunerada para seu domicílio original. Aos fundamentos supra, é de desconstituirse integralmente o lançamento, para o que dou provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 53DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720143/2007-24
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõe-se do valor do imóvel, conforme Escritura pública, devendo esse ser utilizado.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindo-se o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2004, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõe-se do valor do imóvel, conforme Escritura pública, devendo esse ser utilizado. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2440; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 63 1 62 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.720143/200724 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.051 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria ITR Recorrente LUIZ OTÁVIO FIGUEIREDO FRANÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõese do valor do imóvel, conforme Escritura pública, devendo esse ser utilizado. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 43 /2 00 7- 24 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 64 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindose o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2004, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 24/09/2007, a Notificação de Lançamento nº 02103/00110/2007 de fls. 01/05, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 12.513,73, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 9.385,29 e mais juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda São Luiz”, cadastrado na RFB, sob o nº 6.908.5250, com área declarada de 2.118,0 ha, localizado no Município de Santana do Araguaia/PA. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Intimação Fiscal constante das fls. 08 e 09, considerando que a declaração apresentada para o referido imóvel rural incidiu em parâmetros de Malha Fiscal, conforme fl. 10, apontando “quando o imóvel, cujo VTN declarado pelo contribuinte, confrontado com o menor valor das aptidões agrícolas informado no Sistema de Preços de Terra – SIPT para o município em questão, esteja abaixo do limite mínimo definido”. O contribuinte apresentou um “pedido de prorrogação” (fl. 18), demonstrando ter recebido a intimação fiscal, em 24 de setembro de 2007, mesma data da lavratura da Notificação de Lançamento, o que leva a crer que a documentação só foi apresentada após a realização do lançamento fiscal. Consta do processo o “Laudo de Avaliação”, para o “ITR exercícios 2003, 2004 e 2005”, assinado pelo Engenheiro Agrônomo Ivano Kuhn (ART na fl. 25), com data de 01 de outubro de 2007. Esse Laudo emite “opinião de valor” para o imóvel rural em questão, dizendo ter como fonte de pesquisa “Prefeitura Municipal, Banco do Brasil e Emater/PA”, atribuindo o valor de R$ 17,00 por hectare à terra nua, no exercício de 2004. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 65 3 Como bem ressaltou o julgador de 1ª instância, em seu voto: “Na análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela RFB em consonância com o disposto no art. 14, caput, da Lei 9.393/96, sendo alterado o VTN declarado, de R$ 1.000,00 ou R$ 0,47/ha, para R$ 153.237,30 ou R$ 72,35/ha, correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se situa o imóvel, conforme relatado pelo autuante às fls. 02. No presente caso é preciso admitir, até prova documental hábil em contrário, que o VTN Declarado, por hectare, de apenas R$ 0,47 (R$ 1.000,00 : 2.118,0 ha), referente ao exercício de 2004, está de fato subavaliado, posto que o mesmo está bem abaixo de VTN/ha médio, apontado no SIPT, de R$ 72,35, apurado com base nos valores informados nas DITR/2004, pelos próprios contribuintes do ITR, com imóveis rurais localizados no município de Santana do Araguaia – PA.”.(grifos originais) (....) “Nesta fase, não obstante a apresentação do “Laudo de Avaliação”, doc. de fls. 17/19, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Ivano Kuhn, com ART devidamente anotada no CREA/PA, doc./cópia de fls. 20/21, o requerente limitase a contestar o procedimento fiscal, argumentando, em síntese, não ser possível elaborar esse laudo retroativamente ao exercício de 2004 (art. 1º caput e art. 8º, § 2º, da Lei 9.393/96), pois não houve, àquela época, coleta de dados de mercado nem a avaliação propriamente dita do imóvel, ficando prejudicado o cumprimento dos itens 5, 7 e 9, da NBR 14.653 da ABNT.” Desta feita, após tecer considerações sobre a legalidade do procedimento fiscal, contestando as alegações do contribuinte de que seria impossível atender às exigências de elaboração de Laudo Técnico em 2007, relativamente ao exercício de 2004, dizendo que “além de não poder se falar em cerceamento do direito de defesa, pois é perfeitamente possível a elaboração de laudo técnico de avaliação, para fins de demonstrar, de forma retroativa, o valor fundiário do imóvel, o laudo apresentado não atende aos requisitos das Normas da ABNT (NBR 14.6533), não constituindo documento hábil para demonstrar, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2004.”, o julgamento a quo deuse para: “considerar improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendose o crédito tributário consubstanciado na Notificação de fls. 01/03, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 27/10/2011, (fl. 53), apresentou recurso voluntário em 18/11/2011 (fl. 54). Em sede de recurso voluntário, narra que adquiriu a propriedade rural em 17 de novembro de 2003, mediante Escritura Pública de Cessão de Direitos Hereditários, pelo Fl. 65DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 66 4 valor de R$ 102.500,00 (cento e dois mil e quinhentos reais). Diz ainda que “o dito imóvel, à época, não possuía qualquer benfeitoria, sejam construções, cercas, pastagens artificiais (formadas), estando literalmente em seu estado bruto.” (grifei) Importante destacar ainda, conforme o recurso voluntário apresentado, as seguintes informações (fl. 58): “Assim, quando adquiriu, mediante cessão, os direitos hereditários da propriedade, outro fato que colaborou para sua desvalorização, o Recorrente pagou a cifra de R$ 48,40 (quarenta e oito reais e quarenta centavos) por hectare, posto que, conforme vislumbramos da cópia da Escritura Pública em anexo, o total do pagamento foi no importe de R$102.500,00 (cento e dois mil e quinhentos reais). Desta forma, quando o Recorrente procurou profissional que se dizia habilitado em contabilidade, no intuito de efetuar a declaração de ITR referente ao ano de 2004, entregandolhe cópia da dita Escritura de Cessão de Direitos Hereditários, determinou que fosse declarado, como valor da terra nua, cifra equivalente àquela que realmente havia pagado, ou seja, algo em torno de R$ 48,00 (quarenta e oito reais por hectare)” A seguir, o recorrente tece considerações sobre a contratação dessa profissional para elaboração de sua DITR e o acordado entre ambos; suposto “erro de digitação (“Realmente um absurdo!)” cometido pela mesma na elaboração da declaração (R$ 0,47/ha – quarenta e sete centavos por hectare); sua surpresa ao receber a notícia de que o valor declarado “não tinha sido aceito pela Receita Federal”; a contratação de engenheiro para a elaboração de Laudo, crendo que “a problemática seria resolvida” e que ficou “estupefato” quando soube que o valor declarado em sua DITR 2004 para o imóvel em questão foi de R$ 0,47/ha, por “erro de digitação”. Assim, entende que “não pode ser penalizado com multa e correção monetária em cifra exagerada, tendo em vista que, por sua vontade, o valor da terra nua deveria ter sido declarado em R$ 47,00 (quarenta e sete reais) por hectare, naquele ano de 2004, pugnando desde já pela retificação da declaração do ITR daquele ano”.(grifei) É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. Apesar da manifestação do órgão preparador, na fl. 62, de que não consta autenticação de assinaturas nem autenticação de cópias na apresentação do recurso voluntário, entendo que esse lapso não pode prejudicar o contribuinte, em seu direito à ampla defesa, no seguimento de seu recurso, já que falha maior do responsável pela formalização do processo. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 67 5 Considerando a informalidade ou formalidade mitigada a orientar os processos administrativos, podese verificar por semelhança as assinaturas apostas no recurso voluntário e na procuração, registrada em Cartório, na fl. 33. Também, o dado que mais interessa no documento anexado na fl.59, que é o valor da negociação do imóvel (R$ 102.500,00) confere com o valor aposto na DITR de 2004, recebida em 30/03/2005 (fls. 15 e 16). MÉRITO. DO ARBITRAMENTO DO VTN. A VERDADE MATERIAL. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2004, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade fiscal, uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, através de Laudo de Avaliação do imóvel, nos ditames da NBR 14.653 da ABNT, o valor declarado, passandose a considerar o valor de R$ 72,35 por hectare, por ela constatado, para o imóvel. É o que se depreende da Notificação de Lançamento. Não se verifica no processo a ‘tela’ informadora do sistema – SIPT. Contudo, informa o julgamento de 1ª instância, em seu Relatório, que: “Por não ter sido apresentado, em tempo hábil, o laudo de avaliação então exigido, a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a rejeição do VTN declarado, de R$ 1.000.00 ou R$ 0,47/ha, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 153.237,30 ou R$ 72,35/ha, correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se situa o imóvel, com conseqüente aumento do VTN tributável, disto resultando imposto suplementar de R$ 12.513,73, conforme demonstrado às fls. 03.”(sublinhei) E, no Voto, confirma: “Na análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela RFB em consonância com o disposto no art. 14, caput, da Lei 9.393/96, sendo alterado o VTN declarado, de R$ 1.000,00 ou R$ 0,47/ha, para R$ 153.237,30 ou R$ 72,35/ha, correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se situa o imóvel, conforme relatado pelo autuante às fls. 02.”(sublinhei) Este procedimento é o orientado pela RFB às fiscalizações da espécie, como se pode observar nas instruções constantes da fl. 10, sob o título “Sistema de Malha Fiscal do Imposto Territorial Rural – Parâmetro 20: Cálculo do Valor da Terra Nua a partir de 2003”. Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a impossibilidade de utilização do VTNmédio, calculado a partir das declarações de ITR para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de não encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que não reflete a Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 68 6 realidade e a peculiaridade do imóvel, por não considerar a localização e dimensão e a capacidade potencial da terra. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 69 7 Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Desta feita, não é possível aceitar o valor arbitrado pela autoridade fiscal lançadora e mantido pelo julgamento de 1ª instância administrativa. Contudo, irreal e, como disse o contribuinte recorrente “absurdo”, é o valor declarado na DITR/2004, de R$ 0,47 (quarenta e sete centavos de real) por hectare para a “terra nua” do imóvel em questão. Quanto ao Laudo apresentado com finalidade de demonstrar qual seria então este valor, mostrase sucinto, sem especificar critérios utilizados, formas de pesquisa, valores de referência, características peculiares do imóvel e fundamentação, e de forma alguma pode Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 70 8 ser considerado para valoração da terra para fins de apuração do ITR, haja vista estar muito distante das normas estabelecidas pela ABNT – NBR 14.6533. Entretanto, em sede de recurso voluntário, traz o contribuinte recorrente informações e documento que nos levam à verdadeira realidade material sobre o imóvel, em novembro de 2003, menos de dois meses antes da data que marca a ocorrência do fato gerador do imposto para o exercício de 2004 (1º/01/2004). Confessa que adquiriu, mediante cessão, o direito hereditário sobre a propriedade do imóvel, tendo formalizado a negociação em 17 de novembro de 2003, através de escritura pública (cópia anexa fl. 59) pelo valor de R$ 102.500,00 (cento e dois mil e quinhentos reais). Relata ainda que o imóvel, na época, não possuía qualquer benfeitoria. E diz também que na declaração do ITR 2004, “determinou que fosse declarado, como valor da terra nua, cifra equivalente àquela que realmente havia pago, ou seja, algo em torno de R$ 48,00 (quarenta e oito reais) por hectare” Bem, R$ 48,00 por hectare é o valor decorrente da divisão do valor total pago, de R$ 102.500,00 pela área do imóvel, de 2.118 ha, com aproximação aos inteiros. Ora, que melhor parâmetro para se estabelecer qual era o valor da terra nua em 1º/01/2004, que não este: o valor escriturado na negociação do imóvel, ocorrida menos de dois meses antes? Assim, não encontramos nos autos qualquer fato, documento ou ilação lógica que possa levar a utilizar o valor de R$ 47,00 (quarenta e sete reais) por hectare, como pedido pelo contribuinte. É mera sugestão. Quanto às informações de que contratou profissional para elaborar e entregar a DITR, importante colacionar o Art. 4º da Lei 9.393/1996: “Lei 9.393/1996 Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” Em seguida, do Código Tributário Nacional, temos que: “Lei nº 5.172/166 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 71 9 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” Desta feita, não é possível, à luz da legislação tributária, levar em conta tais alegações de que contratou profissional para, em seu nome, elaborar a declaração e “combinou” valores a serem apostos e que houve erro por parte da mesma, com vistas à exclusão de responsabilidade pela infração detectada e sanções conseqüentes. Ademais, a alegação de que ocorreu um “erro de digitação” não se afigura verdadeira. Isso porque o valor da terra nua não é “digitado” na DITR e sim “calculado” a partir das informações de valor total do imóvel menos valor das benfeitorias, como se pode observar na cópia da declaração na fl. 15. Assim, ninguém “digitou” R$ 0,47/ha para a terra nua, mas sim informou o valor total do imóvel corretamente, R$ 102.500,00 e “inventou” um valor de “benfeitorias” de R$ 101.500,00, fazendo então com que o valor da terra nua fosse de inacreditáveis R$ 1.000,00, que divididos pela área total declarada do imóvel (2.118 ha) fizesse chegar aos irreais R$ 0,47 por hectare. Digo que o valor das benfeitorias foi “inventado” na declaração pois o próprio recorrente reconhece em seu recurso voluntário que ao adquirir os direitos sobre o imóvel, não havia no mesmo qualquer benfeitoria, “estando literalmente em seu estado bruto”. Assim, o que se pode crer é que não houve erro de digitação, mas clara intenção de reduzir o valor do imposto a pagar. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Para aplicação da multa de 75,0% devese observar, primeiramente, o disposto no § 2º do art. 14, da Lei nº 9.393/1996, que assim dispõe: “Art. 14 (...) § 1º (...) § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que estabelece: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 72 10 Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2º do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996). Também, importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DOS JUROS DE MORA. Apesar de mencionado apenas “en passant”, pelo recorrente, naquilo que chama de “correção monetária em cifra exagerada” e com a qual não concorda arcar, destacamos que, neste aspecto, é pacífico o entendimento esposado nesta instância administrativa, inclusive já sendo matéria constante de Súmula. Assim, os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, vejamos: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)” CONCLUSÃO Inaplicável o valor da terra nua arbitrado no lançamento, com base no SIPT, tendo como informação a média das DITR no ano, para o Município de localização do imóvel. Também inadmissível o valor constante de Laudo de Avaliação apresentado e anexado aos autos, por absoluta ausência de critérios. Entretanto, consta Escritura Pública onde foram negociados os direitos hereditários sobre o imóvel, em novembro de 2003, atribuindo ao mesmo o valor total de R$ 102.500,00 reais, o que representa R$ 48,39 por hectare (2.118 hectares). Relata o contribuinte que o imóvel, na época, não possuía qualquer benfeitoria. Assim, segundo o próprio, o valor total da escritura corresponde ao valor da terra nua. Considerando que não havia qualquer benfeitoria no imóvel, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindose o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2004. Inalteráveis o percentual de multa de ofício aplicada, de 75% sobre o valor da infração que restar apontada e o percentual de juros de mora calculado na forma legal. Assinado digitalmente Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720143/200724 Acórdão n.º 2801003.051 S2TE01 Fl. 73 11 Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13807.009030/2003-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Para ser configurada a nulidade do auto de infração deve existir algum dos requisitos previsto no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72.
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3401-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Redator designado.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Para ser configurada a nulidade do auto de infração deve existir algum dos requisitos previsto no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Redator designado. EDITADO EM: 16/05/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 90 30 /2 00 3- 07 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório O presente processo tem como início a suposta falta de recolhimento da COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho de 1998 a dezembro de 1998, declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração, em 22.6.2003, de fls. 6/7, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional, juros de mora e multa isolada, calculados até 30.6.2003, perfazendo o total de R$ 423.794,91, com o seguinte enquadramento legal: arts. 1º a 4º da Lei Complementar nº 70/91; art. 1º da Lei 9249/95; art. 57 da Lei 9069/95; arts. 56, 60 e 66 da Lei 9430/96; arts. 53 e 69 da Lei 9532/97. Irresignada com a Autuação, a contribuinte protocolou, em 4.9.2003, Impugnação de fls. 1/3, acompanhada dos documentos de fls. 4/55, sustentando, em síntese, que: a) Preliminarmente, verificase que a exigência fiscal decorre das compensações efetuadas, conforme cópias reprográficas das DCTF’s anexas (docs. nºs. 1/6), nas quais constam, ainda, as informações referentes ao número de processo judicial, 97454533, da 8ª Vara Federal de São Paulo, no qual foi reconhecido o seu direito de efetuar a compensação; b) A exigência mencionada, no Auto de Infração, encontravase suspensa, com arrimo no art. 151, inc. V, do CTN. Tal suspensão ocorreu por força da Tutela Antecipada concedida pelo MM. Juiz de Direito da 8ª Vara Federal de São Paulo, em 20 de outubro de 1997, publicada no DOE em 31.10.1997; c) De acordo com a referida ordem judicial, proferida em Primeiro Grau da Justiça Federal, a contribuinte havia sido autorizada a compensar os valores recolhidos a título de contribuição destinada ao PIS com os valores devidos a título de PIS e da COFINS. E, como o processo encontravase ainda “sub judice”, em fase de Recurso Especial no STJ, ainda surtia efeitos a referida decisão de Primeiro Grau, ou seja, a exigibilidade do crédito tributário citada no Auto de Infração estava suspensa; d) Não se justifica a cobrança de tais valores, tendo em vista o art. 316, parágrafo 1º do Código Penal, bem como a cobrança indevida que ensejaria causa de indenização por dano moral; e) O Auto de Infração deve ser nulo, já que não procede a motivação que determinou a lavratura do Auto de Infração (“Proc. Jud. não comprovado”, conforme “Anexo I – Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados”), porquanto a contribuinte, em nenhum momento, foi intimada a comprovar a existência de fatores que Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13807.009030/200307 Acórdão n.º 3401002.237 S3C4T1 Fl. 110 3 acarretariam a ausência de motivação do Auto de Infração, o que prontamente seria atendido, caso tivesse sido intimada. Destarte, têmse a violação dos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, tendo em vista a não intimação da contribuinte; f) O art. 59, inc. II, do Decreto nº 70.235/72, prescreve que são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; g) No mérito, enfatiza novamente a preliminar e acresce ser incabível a aplicação da multa de ofício (75%). Ademais, diz ser, também, inaplicável a multa, pois os valores citados no Auto de Infração, referentes à COFINS, foram declarados pela contribuinte ao fisco federal. Desta forma, a autuada pediu que fosse dado provimento à Impugnação, mormente à luz da preliminar levantada. Tendo em vista a Impugnação, a 9ª Turma da DRJ/SP1, em 8.12.2011, acolheu parcialmente os anseios da contribuinte, fundamentando, em apertado resumo, que: a) O Auto de Infração apresenta todos os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o procedimento fiscal foi realizado conforme as normas pertinentes, não havendo nenhuma das situações previstas no art. 59 do Decreto já citado e, conforme o art. 60 do mesmo decreto, não há o que se falar em nulidade; b) Quanto à alegação de violação dos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório, a DRJ afirma que o referido Auto de Infração foi lavrado em conseqüência da apresentação da DCTF pela própria impugnante, não tendo havido arbitramento, restando, então, plenamente atendido o disposto no art. 142 do CTN. Além disso, consta no mesmo Auto de Infração – item 6 – que, fica o contribuinte intimado a recolher ou impugnar, no prazo de 30 dias contados da ciência do Auto de Infração, nos termos dos arts. 5º, 15, 16, 17 e 23 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. Assim, o Auto de Infração sendo um ato executório, constitui ato que respeita o processo legal e os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa assegurados nos incisos LIV e LV, art. 5º da Constituição c) No tocante à ação judicial informada pela DCTF (Ação Ordinária nº 97 454533), a compensação pretendida pela impugnante não foi autorizada na esfera superior judicial, ensejando, pois, a manutenção dos débitos da COFINS e no Auto de Infração (conforme o despacho da Delegacia da Receita Federal – DERAT/EQAMAJ em São Paulo, exarado em 26.1.2011 – fl. 75 –, a decisão judicial transitou em julgado em 25.8.2005 no STJ – fl. 69 –, não autorizando a compensação com outros tributos que não o próprio PIS); d) A multa de ofício exigida foi lançada porque a contribuinte deixara de efetuar o pagamento da obrigação tributária já vencida sem apontar alguma causa válida que justificasse a mora (a imposição da multa Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 fundavase no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430/96 e no art. 90 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001). Contudo, após a lavratura do Auto de Infração, a regra para o lançamento foi alterada (art. 18 da MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051/2004). Assim, não cabe imposição de multa de ofício fora dos casos mencionados, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face do Princípio da Retroatividade Benigna, consagrada no art. 106, inc. II, “c” do CTN, havendo que se exonerar a multa de ofício aplicada. Isto posto, a DRJ votou pela procedência em parte da Impugnação e manutenção em parte do crédito tributário, sendo a contribuinte exonerada da multa proporcional no valor de R$ 121.412,11 e sendo mantida a cobrança referente ao COFINS no valor de R$ 161.882,81. Considerando que parte do teor julgado não foi procedente, a contribuinte insatisfeita protocola, em 28.2.2012, o presente recurso, no qual são apresentadas suas razões de inconformidade, como segue: a) A recorrente não discute nos presentes autos os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, pressupostos obrigatórios no Auto de Infração, mas a sua oportunidade ou motivação em face do que dispõe o art. 149 do CTN e dos débitos declarados na DCTF. Com isso, não deve prevalecer a motivação que determinou a lavratura do Auto de Infração (“Proc.jud. não comprovado”, conforme “Anexo I – Demonstrativo dos Créditos Não Confirmados”), cuja exigência fiscal decorre das compensações efetuadas, conforme cópias reprográficas das DCTF’s anexas na Impugnação, nas quais constam, ainda, as informações referentes ao número de processo judicial, 97454533, 8ª Vara – São Paulo/SP, no qual foi reconhecido seu direito de efetuar a compensação; b) A decisão judicial transitou em julgado em 25.8.2005 no STJ, frisese, pois, que a exigência mencionada no Auto de Infração, por ocasião de sua lavratura, em 22.6.2003, estava suspensa por força de Tutela Antecipada concedida pelo Poder Judiciário, na 8ª Vara Federal de São Paulo, em 20.10.1997, e acrescenta, também, in verbis: “e quanto ao prazo prescricional de dez anos, contados da data do recolhimento do tributo, de acordo com os documentos acostados na Impugnação”; c) A COFINS é espécie tributária, cujo lançamento é por homologação (art. 150 do CTN); e, estando ela devidamente declarada na DCTF, o Auto de Infração lavrado, exigindo a mesma contribuição, é totalmente ilegal, isto é, o Auto de Infração não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Assim, com arrimo na argumentação exposta, a recorrente requer que seja provido o presente recurso para o fim de assim ser decidido , ante os fundamentos que inquinam o Auto de Infração de vício insanável. É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13807.009030/200307 Acórdão n.º 3401002.237 S3C4T1 Fl. 111 5 Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, porém, deve ser conhecido parcialmente. Em suma, a contribuinte foi autuada (Auto de Infração de fls. 6/7), para exigência do crédito tributário de COFINS referente a períodos de apuração de julho de 1998 a dezembro de 1998. Não logrando êxito em sua Impugnação, protocolou Recurso Voluntário onde defende a nulidade do Auto de Infração e que a exigência nele mencionada se encontrava suspensa por força de Tutela Antecipada concedida pelo Poder Judiciário. Quanto à nulidade do Auto de Infração, conheço do recurso, mas negolhe provimento, pois o Auto de Infração, no caso concreto, apresenta todos os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/ 72, in verbis: “O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. Desta forma, temse que o procedimento fiscal foi realizado conforme as normas pertinentes, não havendo nenhuma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (I – Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa) e, conforme o art. 60 do mesmo decreto (“As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”), não há que se falar em nulidade. Além disso, o referido Auto de Infração foi lavrado em decorrência da apresentação da DCTF pela própria recorrente, não se percebendo qualquer arbitramento por parte da autoridade fiscal à época da lavratura do Auto de Infração, ficando, então, plenamente atendido o disposto no art. 142 do CTN. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 Por outro lado, cumpre ressaltar que não foi observado no Auto de Infração uma sequer das hipóteses para revisão de ofício elencadas no art. 149 do CTN. Com isso, o pedido formulado pela recorrente, quanto à nulidade do Auto de Infração, não deve ser acolhido. Por outro lado, as demais alegações da recorrente não merecem ser conhecidas, uma vez que a recorrente valeuse da concessão, por meio de tutela antecipada (em decisão judicial proferida em Primeiro Grau), para compensar os valores recolhidos a título de contribuição destinada a PIS com os valores devidos a título de pagamento do próprio PIS e da COFINS. Com isso, naquele momento, a exigência mencionada no Auto de Infração encontravase suspensa. Entretanto, o Tribunal Regional Federal da Terceira Região reformou em parte (com a supervisão de Relatoria da Desembargadora Federal Marli Ferreira integrante da Sexta Turma Julgadora), o entendimento do Juízo de Primeiro Grau, dando parcial provimento à apelação que havia sido interposta pela União e à remessa oficial, para determinar a aplicação correção monetária segundo os índices oficiais utilizados pela Receita Federal para a correção de seus tributos, para afastar a incidência dos juros de mora e da taxa SELIC, por serem incabíveis em sede de compensação de crédito fiscais. Após a decisão do Juízo “ad quem”, a contribuinte interpôs Recurso Especial no STJ, contra o acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, contudo, o REsp foi conhecido em parte e, na parte reconhecida, foi dado provimento ao recurso, conforme segue: “Inicialmente não conheço do Recurso Especial no tocante à possibilidade de compensação do PIS com as demais contribuições, eis que ausente pressuposto indispensável ao seu conhecimento, qual seja, o prévio esgotamento das instâncias ordinárias, o que torna inviável a abertura da via recursal especial, neste particular. É que a Sexta Turma do Tribunal Regional da 3ª Região julgou por maioria recurso de apelação em ação ordinária, restringindo a compensação do PIS com parcelas do próprio PIS, cabendo, portanto, a ora recorrente, aviar Embargos Infringentes quanto à parte não unânime do julgado, nos termos do art. 530 do CPC. No tocante aos juros moratórios, merece reparos o acórdão objurgado. Com efeito, com a edição da Lei nº 9.250/95, foi estatuído em seu art. 39, parágrafo 4º, que, a partir de 1º de Janeiro de 1.996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa Selic para tributos federais acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido. Efetivamente, desde 01.01.1996, não mais se aplica a hipótese delineada no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual determina que os juros moratórios, na repetição de indébito, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. Entendo, aliás, que o referido artigo, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, parágrafo 4º, da Lei 9.250/95, restou por este derrogado”. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13807.009030/200307 Acórdão n.º 3401002.237 S3C4T1 Fl. 112 7 Em face da decisão judicial ora exposta, não conheço do Recurso integralmente, já que à esfera Administrativa não cabe modificar decisões já proferidas pelo Poder Judiciário, tendo em vista a Súmula nº 1 do CARF: “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação, judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial”. Frente a todo exposto conheço parcialmente do Recurso Voluntário e nego provimento à parte conhecida. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13807.721500/2011-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
A glosa da dedução de despesa médica efetuada com pessoa jurídica não pode se fundamentar exclusivamente na falta de apresentação da nota fiscal, quando o contribuinte apresenta recibo emitido pela prestadora do serviço com as formalidades legais, mormente quando os cheques emitidos pelo contribuinte e debitados em sua conta bancária representam indícios convergentes e coerentes com o recibo apresentado para comprovar o pagamento da despesa médica.
Numero da decisão: 2802-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$22.160,00 (vinte e dois mil, cento e sessenta reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior (relator) que negava provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOAS JURÍDICAS. A glosa da dedução de despesa médica efetuada com pessoa jurídica não pode se fundamentar exclusivamente na falta de apresentação da nota fiscal, quando o contribuinte apresenta recibo emitido pela prestadora do serviço com as formalidades legais, mormente quando os cheques emitidos pelo contribuinte e debitados em sua conta bancária representam indícios convergentes e coerentes com o recibo apresentado para comprovar o pagamento da despesa médica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$22.160,00 (vinte e dois mil, cento e sessenta reais) de dedução de despesas médicas, nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior (relator) que negava provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 15 00 /2 01 1- 14 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 03 a 08, formalizada para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, em virtude da constatação de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 25.040,00, nos seguintes termos constantes da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: “Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 25.040,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal 05.766.178/000161 Tit. Consultório de Psicologia Rosely Gomes Ltda. R$ 25.040,00. Os recibos apresentados não preenchem os requisitos formais do regulamento do IR.” A contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fl. 02, alegando, em síntese, que: Questiona apenas o valor R$ 22.160,00 que diz tratarse de despesas médicas do próprio contribuinte. Fundamentando sua alegação, informa que anexa cópia de recibos e de declaração do Consultório de Psicologia Rosely Gomes Ltda., os quais entende estarem revestidos dos requisitos exigidos pela legislação do IRPF e atestam a veracidade das despesas médicas incorridas. Solicita prioridade na análise de sua impugnação e requer o provimento de sua impugnação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), julgou a impugnação improcedente, fls. 21 a 26, nos seguintes termos de sua ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA Não comprovadas as despesas médicas informadas na declaração de rendimentos do exercício fiscalizado, deve ser mantida a glosa relativa à despesa não comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 56DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR Processo nº 13807.721500/201114 Acórdão n.º 2802002.419 S2TE02 Fl. 56 3 Cientificada em 09/08/2012, fls. 32, a contribuinte ingressou recurso voluntário em 01/09/2012, alegando, em síntese: não concorda com a decisão, posto que os comprovantes apresentados se revestem de todas as exigências legais; lá estão o nome da paciente/contribuinte que é a beneficiária do tratamento, nome, endereço e número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ do profissional prestador dos serviços (CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA ROSELY GOMES LTDA. Rua Guarará n° 529 Conjunto 78 São Paulo SP CEP 01425001 CNPJ n° 05.766.178/000161), dados estes constantes das fls. 11 a 16 do processo; diz que anexa aos autos, como prova do efetivo pagamento das despesas glosadas, cópia dos extratos bancários do ano calendário de 2007, onde constam destacadamente, cada um dos pagamentos efetuados, com data, valor e número do respectivo cheque; requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com a descrição dos fatos constantes da Notificação de Lançamento, fls. 6, a glosa da despesa médica foi motivada pelo fato de “os recibos apresentados não preenchem os requisitos formais do regulamento do IR” Dentre a legislação citada como fundamento legal da glosa, o lançamento citou o art. 8º, inciso II, alínea “a”, § 2º, da Lei nº 9.250, de 1995, que assim dispõe: "Art.8° — A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 57DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR 4 (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;" O dispositivo legal acima citado, bem define as despesas médicas dedutíveis, como também as condições a serem observadas para que possam ser deduzidas. De acordo com o inciso III, do § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250, de 1995, acima transcrito, a terminologia adotada pela lei é “documentação” que pode compreender diversos tipos de documentos, tais como, recibo de pagamento/nota fiscal, exame medico, cheque nominal, prontuário médico, laudo médico, dentre outros. Cabe ressaltar que, no caso de serviço é prestado por pessoa jurídica, tornase necessário a apresentação do cupom fiscal ou a nota fiscal de serviços, com a identificação da pessoa física beneficiária e os serviços prestados, nos termos do art. 61 da lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Do exame dos documentos apresentados pela contribuinte, destaquese o de fls. 11, que, por se tratar de declaração firmada pela empresa Consultório de Psicologia Rosely Gomes Ltda, CNPJ 05.766.178/000161, há informação das datas e dos valores que teriam sido recebidos da paciente/contribuinte. Por se tratar de serviço prestado por pessoa jurídica, para atendimento da exigência formal prevista na legislação de regência, caberia à recorrente trazer aos autos a cópia da nota fiscal emitida por tal empresa, o que não ocorreu no caso. Por outro lado, na tentativa de satisfazer a comprovação documental exigida pela legislação, a recorrente juntou cópia dos extratos de sua conta corrente bancária, às fls. 42 a 51, nos quais sublinhou os registros dos cheques que teriam sido liquidados mediante compensação bancária. A esse respeito estabelece o inciso III, do § 2º, do art. 8º, da Lei n 9.250, de 1995, anteriormente transcrito, que na falta do documento comprobatório seria admitido, como prova eficaz, a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Nesse aspecto, importa ressaltar que a recorrente não apresentou e tampouco mencionou que os cheques por ela grifados nos extratos de sua conta corrente bancária teriam sido emitidos de forma nominal à empresa Consultório de Psicologia Rosely Gomes Ltda. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR Processo nº 13807.721500/201114 Acórdão n.º 2802002.419 S2TE02 Fl. 57 5 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Não obstante o bem fundamentado voto do Conselheiro relator, entendo que a questão deva ser solucionada de outra forma. Vejamos. O art. 61 da Lei 9.532/1997 não pode ser interpretado isoladamente e sim de forma harmonica com a legislação específica que trata da dedução de despesas médicas pela pessoa física, bem como as legislações dos demais entes federativos que disciplinam as obrigações tributárias acessórias dos prestadores de serviço. A dedução das despesas médicas regese pelo art. 8º, inciso II, alínea “a”, § 2º, da Lei nº 9.250, de 1995. Não há uma exigência de que a comprovação, pela pessoa física, se faça exclusivamente por nota fiscal ou cupom fiscal. A exigência de cupom fiscal ou nota fiscal a que se refere o §1º do art. 61 da Lei 9.532/1997 é requisito para dedução de custos e despesas pelas pessoas jurídicas obrigadas, não é um requisito indispensável para a dedução das despesas médicas pelas pessoas físicas, as quais devem comprovar com documentação que contenham os requisitos do art. 8º da Lei 9.250/1995, na falta de dcumentação com todos esses elementos é que surge para o declarante a possibilidade de provar com o cheque nominativo. Anotase, ainda, que a legislação tributária municipal, muitas vezes, dispensa os prestadores de serviço de emitir nota fiscal, como é o caso, por exemplo, da Lei 13.701/2003 (art. 15) e da IN SF/Suren nº 10/2011 (art. 1º) do Muncípio de São Paulo, onde tem sede o prestador do serviço em questão, que estabelecem casos de dispensa. Ademais, por parte da pessoa jurídica, não obstante o art. 61 da Lei 9.532/1997, há modalidade de tributação em que não se exige comprovação de custos e despesas, a exemplo do lucro presumido. No caso dos autos, a declaração de fls. 11 contém os requisitos exigidos pela Lei 9.250/1995 contituindo documentação hábil e idônea para a dedução no valor de R$22.160,00, mormente quando a indicação feita nos extratos bancários coincide com os valores descritos na referida declaração, de forma que a falta dos cheques nominativos – que seriam uma prova subsidiária não pode ser impedimento para a dedução. Nesse sentido citamse precedentes desta Turma. (...)IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS DE PESSOAS JURÍDICAS. A glosa da dedução de despesa médica efetuada com pessoa jurídica não pode se fundamentar exclusivamente na falta de apresentação da nota fiscal, quando o contribuinte apresenta Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR 6 recibo emitido pela prestadora do serviço com a formalidades legais. Recurso provido.(Acórdão 280201.385, de 09/02/2012) Da mesma maneira, acórdãos280201.444 e 280201.445, de 13/03/2012. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$22.160,00 (vinte e dois mil, cento e sessenta reais) de dedução de despesas médicas. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JACI DE ASSIS JUN IOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725077/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.211,18 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.211,18 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martin Fernandez.
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 50 77 /2 00 9- 11 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$28.211,18 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 158 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725077/200911 Acórdão n.º 2802001.188 S2TE02 Fl. 8 3 “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 103.997,84, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725077/200911 Acórdão n.º 2802001.188 S2TE02 Fl. 9 5 contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia.” Ato contínuo, em sessão de 24/03/2010, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1523.146, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 (a) as diferenças reconhecidas através da Lei Complementar da Bahia n.º 20, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b) o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c) independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 3º Lei Complementar da Bahia n.º 20, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d) a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e) o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f) a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Membros do Ministério Público Estadual, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g) é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h) é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i) inaplicável o artigo 100 do CTN ao caso, haja vista que os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não tem caráter normativo e nem a autoridade administrativa emitente teria competência para versar sobre a matéria em comento. Regularmente intimado (fl. 165), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 167/253), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal, a fim de que seja cancelado o débito fiscal, alegando, preliminarmente e no mérito, (i) supressão de instância; (ii) natureza indenizatória da URV; (iii) ilegitimidade ativa da União; (iv) violação ao Princípio da Capacidade Contributiva; (v) violação ao Princípio da Isonomia; (vi) reconhecimento da natureza da verba indenizatória da URV na esfera estadual, tal como decidido na esfera federal ao Membros do Ministério Público; (vi) da incorreção das alíquotas utilizadas pela Autoridade Fiscal; (viii) inobservância de deduções aplicáveis; (ix) responsabilidade tributária da fonte pagadora e não do contribuinte; e (x) exclusão da multa de ofício e dos juros de mora; É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725077/200911 Acórdão n.º 2802001.188 S2TE02 Fl. 10 7 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. No que se refere às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção, além de o Acórdão ter enfrentado esta questão, o entendimento sustentado pelo Recorrente está superado pela jurisprudência desse Conselho. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais. Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 “Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003.” Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõe: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725077/200911 Acórdão n.º 2802001.188 S2TE02 Fl. 11 9 Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Entretanto, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício e para excluir da tributação os valores de R$28.211,18 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10945.000034/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
NORMAS PROCEDIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA.
Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3102-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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CONCOMITÂNCIA. Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes Filho e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 00 34 /2 00 9- 34 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem resumir os autos até a fase respectiva, peço vênia para integrar ao presente ato o relato empreendido pela 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP no julgamento da manifestação de inconformidade de inconformidade do contribuinte epigrafado: Trata o presente de indeferimento de pedido de ressarcimento do crédito presumido, em razão do contribuinte ter exportado produtos classificados na TIPI como NT (nãotributados pelo IPI). A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando que a lei não vedaria tal incentivo no caso de suas exportações, conforme doutrina e julgados que cita, bem como defende o direito de compor o crédito com aquisições de insumos de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS e a correção monetárias dos valores a serem ressarcidos. Encerrou requerendo diligências que possam aferir seu processo produtivo. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, pelos motivos bem retratados na ementa do julgamento, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000034/200934 Acórdão n.º 3102001.287 S3C1T2 Fl. 218 3 INDEFERIMENTO. , Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese; por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado quanto a decisão a quo, o contribuinte manejou competente recurso voluntário, pelo qual basicamente reitera os seus argumentos já expostos por ocasião da sua manifestação de inconformidade, quais sejam: a necessidade da inclusão da receita relacionada à exportação de produtos classificados na TIPI como NT – não tributados – no cálculo do crédito presumido de que trata da Lei n º 9.363/96, ao argumento de que a legislação haveria eleito como destinatário dos créditos o produtor e exportador de mercadorias nacionais, não tendo ela feito qualquer menção a necessidade dessas serem tributadas pelo IPI; a necessidade da inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas igualmente no cálculo do crédito em pauta, sob a alegação de que o regime jurídico do crédito presumido visa desonerar o peso das contribuição ao PIS e da Cofins de toda a cadeia produtiva, em nenhum momento tendo disposto quanto ao ônus imediato sobre o insumo; a correção dos créditos pela taxa Selic. Antes de iniciado o julgamento, por ocasião da sessão, chegou às mãos dos conselheiros, por meio do patrono, Acórdão proferido em sede de Reexame Necessário em Mandado de Segurança impetrado pela empresa (Processo n º 001058190.2008.404.7002/PR), que trataria de matéria idêntica a versada nos autos. Os documentos foram juntados aos autos às fls. 201 a 216. Em face do encerramento do mandato do Conselheiro Relator e da não formalização do acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório, no essencial. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, redator designado. O recurso voluntário atende aos seus pressupostos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta 3a. Seção. Conforme retratado na parte final do relato, o patrono da Recorrente noticiou que o tema que deveria ser debatido no curso dos autos é alvo de debate judicial em sede de Mandado de Segurança, cuja transcrição de parte da ementa do julgamento nos autos do Reexame Necessário n º 001058190.2008.404.70002/PR já é suficiente a elucidar propugnada identidade: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. COFINS. LEI Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 N. 9.363/96. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA JUNTO A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO FINAL NÃO TRIBUTADO. IN/SRF 23/97. PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. ART. 24 DA LEI 11.457/2007. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. ÓBICE DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. FIXAÇÃO DE MULTA. APÓS DESCUMPRIMENTO DA ORDEM JUDICIAL. Nos termos da Súmula CARF n º 1, : “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”. Atento aos termos do Acórdão trazido aos autos pelo patrono da parte antes do início do julgamento, que versa sobre tema idêntico ao que seria tratado no mérito do presente recurso, resta este Colegiado impedido de examinar o tema. Isto posto, não conheço do recurso, em face da concomitância entre esta via administrativa e a judicial. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Redator Designado. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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