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Numero do processo: 15165.000037/2003-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
DIVERGÊNCIA. DOCUMENTOS APRESENTADOS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. DTA. PROVA DA EFETIVA CHEGADA DAS MERCADORIAS INDICADAS NA DI.
Restando evidente a divergência entre os documentos
apresentados no desembaraço aduaneiro e os constantes da DTA,
e considerando-se que, depois de cinco anos, seria impossível
para a fiscalização fazer provas das mercadorias que realmente
chegaram, é de se considerar legítima a aplicação da multa
prevista no 365, I do RIPI, sobre o valor comercial das
mercadorias constantes da fatura comercial indicada na DTA,
porque totalmente desamparada de documento regular de
desembaraço aduaneiro, uma vez que este desembaraço referia-se
a outra documentação.
Numero da decisão: 9303-001.527
Decisão: ACORDAM os membros da terceira turma do câmara superior de recursos
fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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DOCUMENTOS APRESENTADOS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. DTA. PROVA DA EFETIVA CHEGADA DAS MERCADORIAS INDICADAS NA DI. Restando evidente a divergência entre os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro e os constantes da DTA, e considerandose que, depois de cincos anos, seria impossível para a fiscalização fazer provas das mercadorias que realmente chegaram, é de se considerar legítima a aplicação da multa prevista no 365, I do RIPI, sobre o valor comercial das mercadorias constantes da fatura comercial indicada na DTA, porque totalmente desamparada de documento regular de desembaraço aduaneiro, uma vez que este desembaraço referiase a outra documentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 2 _________ 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gaman, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de Recurso Especial por maioria interposto pela Fazenda Nacional (fls. 189/196) em face da decisão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, posto que a autuação fora aplicada com base em presunções, não havendo prova documental para a sua subsistência. O presente processo trata de Auto de Infração (fls.01/06) no qual se exige do contribuinte a importância de R$ 36.592,74, referente à aplicação da multa prevista no artigo 365, caput e inciso I, do RIPI (Decreto n. 87.981/82), pelo fato de haver constatado divergências entre as informações contidas na DTA e DI e, ainda, não sendo viável a busca e apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento. De acordo com a descrição de fatos do AIIM “Fazendose o cotejo entre a DTA e a respectiva DI, observase haver grande divergência entre suas informações, principalmente no que se refere à espécie, ao valor e à quantidade das mercadorias. A fatura comercial n. 1001 (fl. 11), que instruiu a DI 98/01088893 não corresponde à fatura comercial n. 1001 (fls. 18 a 25), que instruiu a DTA 00063. Na fatura do trânsito aduaneiro consta 222 itens de mercadorias diversas, em geral eletroeletrônicos, no valor CIF de U$$32.777,45, resultando numa diferença de U$$ 25.132,13 para mais em relação ao valor CIF de U$$ 7.645,32, dos itens Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 3 _________ 3 declarados na DI 98/01088893, cujo despacho foi parametrizado para o canal vermelho. A empresa Armazéns Gerais Colúmbia S/A informou (fl. 15) que não houve desova do respectivo container até o momento de sua saída daquela recinto.” O contribuinte apresentou impugnação (fls.49/68) alegando em síntese que 1. O autuante não era autoridade competente para proceder à presente autuação, visto que não fora designado por meio do Mandado de Procedimento, razão pela qual, o Auto deve ser considerado nulo; 2. O Auto de Infração também é nulo, pois menciona MPF que o contribuinte desconhece, bem como há menção de que o processo n. 15165.000038/200372 teria sido apensado aos presentes autos, contudo, o contribuinte também não tem conhecimento do referido processo; 3. Outro ponto que leva a nulidade do AI se refere à discrepância entre a descrição dos fatos e o enquadramento legal, e além disso não houve clareza no cumprimento destas formalidades; 4. Impossível o reexame do despacho aduaneiro, cuja DI tenha sido selecionada para o canal vermelho de conferência aduaneira; 5. O prazo para imposição da multa ora aplicada é de 5 anos, contados da data da suposta infração, o que no presente caso, teria sido a data em que o veículo transportador teria entrado no porto, o que se conclui pela decadência do direito do fisco efetuar a cobrança; 6. O fisco baseou a presente autuação em confronto de documentos, sendo de um lado documentos do próprio estabelecimento, devidamente registrados e de outro, cópias de documentos sem autenticação e/ou assinatura; 7. Não há provas nos presentes autos de que o contribuinte teria procedido à operação irregular, o fisco se baseou em presunções e indícios, não se desincumbindo de provar a irregularidade; 8. A operação realizada pelo contribuinte se refere à fatura de fl. 11, e que não conhece as faturas de fls. 18 a 25, bem como as mercadorias nelas descritas Em Acórdão proferido às fls. 73/79 a DRJ de Porto Alegre/RS julgou procedente o lançamento, pelos motivos abaixo a) O art. 11, II da Portaria SRF n. 3.007/2001 estabelece que o MPF não será exigido em caso de procedimento de fiscalização interna, de revisão aduaneira, que é o caso da presente autuação; b) O processo n. 15165.000039/200372 trata de apuração da responsabilidade criminal do contribuinte, na hipótese de manutenção do presente lançamento e sem que haja quitação do débito, por isso fora apensado; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 4 _________ 4 c) Quanto ao prazo decadencial, como não há dispositivo específico que trata da matéria na legislação aduaneira, devese socorrer do quanto estabelece o CTN, em seu art. 173, I; d) Como a presente infração ocorreu na data do registro da DI n. 98/01088893, em 04/02/1998, a decadência teria ocorrido em 1º de janeiro de 2004. Tendo o contribuinte tomado ciência da intimação em 23/01/2003, não há que se falar em decadência; e) Quanto à alegação de falta de provas: “Os dois despachos aduaneiros de início mencionados se referiam às mercadorias acondicionadas no contêiner n. TRIU 9911037. Todavia, a Fatura Comercial n. 1001, das fls. 18 a 25, que instruiu o primeiro despacho, processado com base na DTA n. 00063 (fls. 16 e 17), relaciona 222 itens de mercadoria diversas (na maioria, eletroeletrônicos), tendo sido substituída por outra Fatura Comercial n. 1001, da fl. 11, para instruir a DI n. 98/01088893 (fls. 7 a 10), relacionando mercadorias distintas, no caso, 270 lajotas de mármore, 5 espreguiçadeiras em metal e 4 sofáscamas, de madeira, o que é inadmissível, pela divergência das mercadorias de uma para outra declaração” Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 89/98, reiterando praticamente os mesmos argumentos aduzidos na impugnação. Em sessão realizada no dia 12/09/2005, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes anulou o processo, tendo em vista o fato de que o julgamento da DRJ não enfrentou todas as questões postas à exame. Em novo Acórdão (fls. 137/146), a DRJ de Porto Alegre manteve o entendimento no sentido da procedência do lançamento, acrescentando que: a. O art. 54 da IN SRF 69/1996 não excluiu as declarações selecionadas para o canal vermelho, apenas estabelece “uma prioridade para revisão dos despachos, em relação às declarações selecionadas para outros canais de conferência aduaneira” b. Conforme declaração de fl. 15, o container n. TRIU 9911037 foi baixado sem desova, embora a DI 98/0108893 tenha sido selecionada para o canal vermelho c. A presente autuação não fora baseada em presunções, mas sim em documentos inclusive juntados pelo próprio contribuinte d. “A falta de autenticação nas cópias das duas versões da Fatura Comercial n. 1001 está plenamente suprida, pela ampla menção que a elas é feita, no Auto de Infração, das fls. 1 a 3, o que atribui fé pública àquelas reproduções, que têm origem em documentos entregues pelo próprio estabelecimento” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 5 _________ 5 Novo Recurso Voluntário foi apresentado pelo Contribuinte (fls. 153/169), reiterando os argumentos do apelo anterior, acrescentando que i) a nova decisão ainda contem os vícios apontados no Acórdão do Conselho de Contribuintes; ii) foi julgada insubsistente a denúncia de irregularidades em processo administrativo disciplinar instaurado contra o auditor que designado para o desembaraço objeto dos presentes autos. A 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu novo julgamento (fls. 175/186), dando provimento ao Recurso Voluntário por maioria de votos, sob a seguinte ementa: Despacho aduaneiro de importação. Desembaraço pelo canal vermelho. Revisão aduaneira. Pena de perdimento. Conversão em multa. Toda mercadoria selecionada para o canal vermelho de conferência aduaneira somente é desembaraçada após seu exame documental e sua verificação física. Assim, as presunções de regularidade documental e da conformidade das mercadorias com os documentos fiscais protegem o importador. Denúncia de importação irregular ou fraudulenta amparada em alegada entrega de mercadorias desembaraçadas pelo canal vermelho sem exame documental e sem verificação física deve ser acompanhada de manifestação da unidade aduaneira competente acerca da arbitrária adoção de procedimento em desacordo com o ordenamento jurídico A União apresentou Recurso Especial por Maioria (fls. 189/195), alegando contrariedade à evidência das provas, tendo em vista que os documentos acostados aos autos foram disponibilizados pelo próprio contribuinte. Contra razões às fls. 206/216. Em síntese é o relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora. Cuidase o presente de Recurso Especial por maioria interposto pela Fazenda Nacional (fls. 189/196) em face da decisão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, posto que a autuação fora aplicada com base em presunções, não havendo prova documental para a sua subsistência. O processo trata de Auto de Infração (fls.01/06) no qual se exige do contribuinte a importância de R$ 36.592,74, referente à aplicação da multa prevista no artigo 365, caput e inciso I, do RIPI (Decreto n. 87.981/82), pelo fato de haver constatado divergências entre as Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 6 _________ 6 informações contidas na DTA e DI e, ainda, não sendo viável a busca e apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento. Conheço do recurso por entender que os requisitos estão atendidos. A questão a ser decidida em sede deste Recurso Especial diz respeito à prova e ao ônus da prova. Entendeu, em síntese, o Acórdão recorrido que desde a autuação não houve prova cabal de que teria havido divergências entre as informações contidas na DTA e DI. E mais, não houve comprovação de que as mercadorias objeto da presente autuação teriam passado pelo Canal Vermelho sem a devida conferência, o que demonstra que o julgamento foi favorável ao contribuinte, justamente pela ausência de provas. Vale transcrever trecho do acórdão recorrido: Conforme relatado, versa a lide sobre o lançamento de multa igual ao valor comercial da mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no país ou importada irregular ou fraudulentamente, com fundamento na Lei 4.502 de 30/11/1964, artigo 83, inciso I, com a redação dada pelo Decretolei 400, de 30 de dezembro de 1968. É fato que tais mercadorias foram desembaraçadas pelo canal vermelho de conferência aduaneira. Também é fato que o acórdão de primeira instância administrativa concluiu sumariamente pela entrega das mercadorias sem exame documental e sem conferência física com base na correspondência de folha 15, expedida pelos Armazéns Gerais Columbia e dirigida à Alfândega de Curitiba, verbis: Informamos que ambas DTAI´s (63, de 1998, e 448, de 1999) tiveram seus containers baixados em nossa unidade, não havendo desova até o momento de suas saídas. Por outro lado, o artigo 51 do Decretolei 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo Decretolei 2.472, de 1º. de setembro de 1988, determina a conclusão da conferência aduaneira previamente ao desembaraço da mercadoria e à sua entrega ao importador. Mais especificamente ainda o artigo 19, inciso III e parágrafo único, incisos I e II da IN SRF 69 de 10 de dezembro de 1996, vigente à época da importação e do desembaraço das mercadorias, e o artigo 20, inciso III, artigo 24 e artigo 30, todos da IN SRF 206, de 25 de setembro de 2002. Segundo essas duas instruções normativas, mercadoria submetida a despacho de importação selecionado para o canal vermelho de conferência aduaneira ´somente será desembaraçada e entregue ao importador posteriormente à realização de seu exame documental e da conclusão do procedimento destinado à sua identificação, quantificação, determinação da sua origem e respectiva classificação fiscal. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 7 _________ 7 Consequentemente, as presunções de regularidade documental e da conformidade das mercadorias com os documentos fiscais protegem o importador, razão pela qual entendo que eventual denúncia de importação irregular ou fraudulenta amparada em alegada entrega de mercadorias desembaraçadas pelo canal vermelho sem exame documental e sem verificação física deve ser acompanhada de manifestação da unidade aduaneira competente acerca da arbitrária adoção de procedimento em desacordo com o ordenamento jurídico. Nada obstante, tanto o auditor fiscal autuante quanto a Terceira Turma da DRJ Porto Alegre (RS) demonstraram total desinteresse em averiguar objetivamente as reais circunstâncias em que foi promovido o desembaraço de importação das mercadorias ditas de procedência estrangeira introduzidas clandestinamente no país ou importadas irregular ou fraudulentamente. O auditor fiscal autuante e a turma de julgamento de primeira instância administrativa formaram convicções com base em uma presunção construída a partir da correspondência de folha 15 que informa não ter havido desova dos containers até o momento de suas saídas da Eadi Curitiba. Entretanto, verificando atentamente os documentos juntados aos autos, e com a devida vênia ao entendimento da Colenda Câmara Recorrida, discordo da posição adotada. Cumpre anotar que, apesar de a mercadoria ter sido desembaraçada por meio da DI 98/01088893 que passou pelo canal vermelho, realmente, é indiscutível que a presunção é de que houve a conferência física de todas as mercadorias que foram objeto daquela importação, e aí, presumese que foram importadas aqueles itens previstos na DI e fatura citados, no caso, lajotas, mármores e etc. Ocorre, que no âmbito da revisão aduaneira, a fiscalização verificou que a DTA referente a esta mesma DI, cujos documentos foram todos trazidos pelo próprio contribuinte, e que se referia àquela DI, ao BL, ao mesmo número de fatura comercial, trouxe, apesar do mesmo número de fatura comercial e do mesmo emitente, outras mercadorias, todos eletroeletrônicos. Assim, resta evidente a divergência entre os documentos apresentados quando do desembaraço aduaneiro e os constantes da DTA, sendo que ambos foram documentos apresentados pelo contribuinte. Entendo a posição do Acórdão recorrido, no sentido de entender que o fato de ter sido feito o desembaraço por meio do canal vermelho trazia a presunção de que efetivamente chegaram as mercadorias indicadas naquela DI. Por outro lado, passados quase 5 anos dos fatos, seria impossível à fiscalização fazer prova de quais mercadorias efetivamente chegaram, e, por mais este motivo deveria prevalecer o constante na DI, uma vez que houve, por presunção a verificação física dos documentos. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15165.000037/200383 Acórdão n.º 9303001.527 CSRF/T03 Fls. 8 _________ 8 Isto valeria, consoante o meu entendimento, se não houvesse os documentos acostados, pelo próprio contribuinte, à DTA, que se referem a esta mesma DI e ao mesmo BL,indicando outros documentos. Fica demonstrado, a meu ver, que a) ou o contribuinte se equivocou ao preencher os dados da DTA e aí poderia ter trazido aos autos documentos que indicassem este equívoco, ou b) estes novos documentos, que foram apresentados pelo próprio contribuinte, se sobrepõem aos documentos que instruíram a DI. Do mais, verificase que o Armazém Columbia informou que não houve desova dos contairners. Assim, não havia outro caminho para os agentes autuantes que não fosse o de aplicar a multa prevista no 365, I do RIPI, sobre o valor comercial das mercadorias constantes da fatura comercial indicada na DTA, posto que totalmente desamparada de documento regular de desembaraço aduaneiro, uma vez que este desembaraço referiase a outra documentação. Neste sentido, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional. Brasília,04 de julho de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000731/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 30/11/2002
ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Embora o
Termo de Verificação Fiscal pudesse ser mais detalhado, a análise cuidadosa
das planilhas fiscais, combinadas com os esclarecimentos contidos no Termo,
permitem a adequada compreensão da apuração das bases de cálculo
utilizadas. Assim, não procede a alegação de cerceamento de defesa.
CRÉDITOS APURADOS DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO.
O pagamento a maior ou indevido, feito no período fiscalizado e apurado pela
Fiscalização, deve ser compensado pela autoridade fiscal lançadora, desde
que disponível para alocação nos sistemas da SRF, com débitos apurados nos
períodos fiscalizados e posteriores ao do pagamento.
Dado Provimento Parcial ao Recurso.
Numero da decisão: 3302-001.559
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso
voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 30/11/2002 ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Embora o Termo de Verificação Fiscal pudesse ser mais detalhado, a análise cuidadosa das planilhas fiscais, combinadas com os esclarecimentos contidos no Termo, permitem a adequada compreensão da apuração das bases de cálculo utilizadas. Assim, não procede a alegação de cerceamento de defesa. CRÉDITOS APURADOS DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO. O pagamento a maior ou indevido, feito no período fiscalizado e apurado pela Fiscalização, deve ser compensado pela autoridade fiscal lançadora, desde que disponível para alocação nos sistemas da SRF, com débitos apurados nos períodos fiscalizados e posteriores ao do pagamento. Dado Provimento Parcial ao Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.627 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros WALBER JOSE DA SILVA (PRESIDENTE), JOSE ANTONIO FRANCISCO, FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO, JOSE EVANDE CARVALHO ARAÚJO, GILENO GURJÃO BARRETO. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 139/145), que constituiu crédito de PIS relativo às competências 04/2001 a 12/2001 e 02/2002 a 11/2002. O lançamento baseiase em diferença apurada pelo Fisco, entre os valores constantes na contabilidade da Recorrente (em especial, os balancetes elaborados mensalmente pelo próprio contribuinte), e os valores indicados em sua DCTF, como base de cálculo da contribuição. De acordo com o sucinto Termo de Verificação Fiscal (fls. 120), as diferenças foram apuradas, e consolidadas, nos seguintes termos: “(...) 2. Nos períodos de apuração de abril de 2001 a novembro de 2002 foram constatadas diferenças entre os valores declarados como devidos a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) nas Declarações de Tributos e Contribuições Federais e os que seriam devidos, calculados com base na escrituração comercial e fiscal do contribuinte, que justificam o lançamento de ofício das diferenças apuradas conforme planilhas "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" constantes de folhas 137 a 138. 3. Os "Valores do Principal Apurados pelo AFRF" que compõem a primeira coluna dos Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada já mencionados foram calculados com base nos balancetes mensais apresentados pelo contribuinte (fls. 26/119), que serviram como fonte de dados para a confecção das planilhas "Planilha de Faturamento — Base de cálculo do PIS/COFINS", em que se apuram as receitas brutas e acréscimos mensais e as exclusões dos valores de devoluções de mercadorias, custo de veículos usados (tratamento como mercadoria em consignação) e de receita de veículos novos (substituição tributária). Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.628 3 4. Em virtude dos fatos acima narrados, lavrouse o auto de infração em que se faz o lançamento de oficio do PIS devido no montante de R$ 22.008,21. (...)” As planilhas indicativas da apuração da base de cálculo e do tributo objeto do auto de infração, encontramse na sequência (fls. 121/138). Intimada do lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 155/187), alegando em síntese: (i) nulidade do lançamento por falta de indicação clara das infrações cometidas e da materialidade dos fatos, o que implica em cerceamento do direito de defesa; (ii) nulidade do lançamento pois apesar de indicar que a apuração do tributo lançado levou em consideração balancetes elaborados pela Recorrente, os valores não coincidem com os dos balancetes apresentados; (iii) nulidade do lançamento por não ter indicado quais valores exatamente não estariam de acordo com a apuração, bem como quais serviram de base para o lançamento, o que implica em cerceamento de defesa; (iv) ilegalidade do auto de infração porque o contribuinte não consegue identificar a origem dos valores utilizados pela fiscalização para promover o lançamento; (v) ofensa ao artigo 142 do CTN, por não esclarecer os fatos e as condutas irregulares que teriam sido praticadas; (vi) ilegalidade do lançamento que desconsiderou a aplicação da alíquota zero para operações realizadas a partir de dezembro/2002, em razão da instituição do regime monofásico de tributação; (vii) ilegalidade do lançamento por ter desconsiderado DARF’s recolhidos, antes do procedimento fiscalizatório, complementando os valores indicados nas DCTF’s. A DRJ, ao analisar a impugnação apresentada, manteve parcialmente o lançamento, reduzindo o valor do PIS lançado em relação às competências para as quais a Recorrente apresentou pagamentos que não foram considerados na apuração do tributo lançado (e que foram recolhidos em atraso, mas antes do início do procedimento de fiscalização). A decisão restou assim ementada (fls. 933/942): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 30/11/2002 ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.629 4 Estando presente no Auto de Infração o enquadramento legal, não procede a alegação de cerceamento de defesa. Também, a exposição suficiente dos fatos elaborada pelo autuante, com a demonstração inequívoca dos valores submetidos a cobrança, assim como a oferta de um apelo impugnatório em que o direito de defesa é plenamente exercido, suprem as falhas, se estas porventura existirem, na capitulação legal da infração. PAGAMENTO O pagamento efetuado antes do início do prosseguimento fiscal, extingue o crédito tributário na forma prevista no artigo 156 do CTN. VENDA DE VEÍCULOS NOVOS/ SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. A partir de junho de 2000 as operações da venda de veículos novos passaram a receber tratamento diferenciado, com a introdução do regime de substituição tributária instituído pelo art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115, de 10/03/2000 reeditada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, alterado pelo art. 64 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Lançamento Procedente em Parte” Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 945/958), oportunidade em que reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação de insuficiência de informações e inexatidões no processo de fiscalização, e pleiteou a compensação de valores que teriam sido recolhidos a maior no ano de 2002. Na seqüência, vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno de valores tributáveis pelo PIS, mas que não teriam sido incluídos na base de cálculo do tributo, declarada pela Recorrente em suas DCTF’s. O lançamento se refere ao período de 04/2001 a 12/2001 e 02/2002 a 11/2002, de modo que afasto de início as alegações da Recorrente de que o Fisco não teria Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.630 5 observado o regime monofásico de tributação de seus produtos, na medida em que o mesmo passou a ser aplicável apenas a partir de 12/2002. A Recorrente alega, ainda, que o lançamento é nulo porque não esclarece quais seriam as divergências apuradas pela Fiscalização, o que cercearia sua defesa. Alega, ainda, que embora a fiscalização tenha afirmado que os valores utilizados como base do lançamento sejam originários de seus próprios balancetes, encontra divergências entre os balancetes e as planilhas da autoridade fiscal. De certa forma, concordo com a Recorrente de que o lançamento é, de fato, um pouco confuso. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 120) é extremamente resumido, e não informa com clareza ou detalhes como foram elaboradas as planilhas que originaram o lançamento. Contudo, se a Recorrente se detivesse para analisar tais planilhas, constataria que as linhas que compõem cada uma das grandezas utilizadas para apuração das bases do tributo lançado indicam as contas dos balancetes a que se referem. Assim, embora as planilhas da fiscalização não tenham utilizado as mesmas denominações das contas existentes nos balancetes, ao indicar os números destas contas tornase possível identificar a origem de cada um dos valores ali inseridos. Tomando o mês de dezembro/2001, que foi o único exemplo da suposta inconsistência das planilhas fiscais, indicado pela Recorrente em sua defesa, constato que os valores que o contribuinte alega serem “contraditório”, em verdade tem origem no balancete daquela competência. Vejamos. A Recorrente questiona o valor de R$ 2.313.676,77, indicado pelo Fisco como sendo o valor da Receita de Revenda. Analisando a planilha que indica a apuração das base de cálculo (fls. 123/125), constato que este valor é composto por várias subcontas do balance de dezembro, todas integrantes das contas de “Vendas de Automóveis Novos”, “Venda de Caminhões e Comerciais Novos”, “Venda Veículos Usados”, assim como algumas subcontas da conta de “Vendas Departamento Mecânica”, “Vendas Funilaria e Pintura” e “Vendas Departamento de Peças” (em especial as subcontas que se referem a vendas de produtos e não a serviços). Todos os valores indicados na planilha da fiscalização coincidem com os valores indicados nos balancetes, para as respectivas subcontas. O valor total apurado pelo Fisco também está correto e não contradiz nenhuma informação do balancete, como alegou a Recorrente. As devoluções, cujo total indicado na planilha fiscal soma R$ 48.209,41 – e não os R$ 24.709,41, indicados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário – também têm origem em subcontas do balancete e os valores coincidem. Assim, novamente, não há qualquer irregularidade ou contrariedade, como alegado. O valor indicado como receita da prestação de serviços, por sua vez, é a soma de valores indicados em várias subcontas – inclusive de “Vendas do Departamento Mecânica” e “Vendas Funilaria e Pintura”, por exemplo – pois se referem a subcontas de serviços de mão de obra, razão pela qual foram classificadas, pelo Fisco, na apuração de tais receitas (serviços). Não há aí, tampouco, contrariedade. Em suma, as alegações apresentadas pela Recorrente, no sentido de que não é possível compreender a apuração as bases de cálculo do lançamento, não procedem. Isto Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.631 6 porque, embora trabalhoso, é possível identificar as subcontas que foram utilizadas pela autoridade fiscal na composição de cada conta que integrou a apuração do lançamento. Mesmo as alegadas inconsistências que existiriam entre os valores indicados nos balancetes do contribuinte, e aqueles usados pela fiscalização, não existem. Portanto, ainda que através de um pequeno esforço, a Recorrente teria condições de compreender exatamente quais valores foram utilizados pela fiscalização pra promover o lançamento. E aí, sim, se não concordasse com os critérios da apuração da base de cálculo do tributo objeto do lançamento, deveria ter apresentado seus argumentos (por exemplo, se não concordasse com a inclusão de determinado valor no cômputo das receitas, ou se alguma exclusão não tivesse sido considerada). Não tendo sido identificada nenhuma irregularidade neste sentido, o lançamento referente ao ano de 2001 parece adequado. Em relação ao débito relativo ao ano de 2002, alega a Recorrente que em alguns meses houve recolhimento, e que tais fatos foram constatados pela fiscalização no momento da constituição do crédito tributário. Requer, para estes casos, a aplicação da compensação de ofício para que os créditos sejam considerados e reduzidos dos valores autuados. Com razão a Recorrente. Os pagamentos realizados a maior pela Recorrente decorreram de erro na apuração do tributo, tal erro foi detectado pela fiscalização no momento da análise das contas contábeis (vide planilha de fls. 136, bem como planilha informada ao final da decisão da DRJ) e, assim como os pagamentos a maior devem ser computados para a apuração do saldo devedor do período. É preciso obedecer, somente, a ordem cronológica dos pagamentos, para a aplicação dos consectários legais pertinentes, mas a compensação deve ser realizada de ofício, pela própria autoridade administrativa. Importante esclarecer que não se trata de procedimento de compensação, menos ainda de compensação realizada em recurso voluntário, até porque não se trata de valores apurados pelo contribuinte mas pela própria fiscalização. Tratase de apuração de saldo devedor e alocação de valores, o que pode e deve ser feito pelo agente administrativo no momento da verificação do cumprimento das obrigações principais e acessórias, consubstanciando em mero procedimento de auditoria e retificação de erros diretamente no sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Desta forma, correta a Recorrente quando pleiteia que, assim como seus débitos, sejam considerados, para apuração do saldo devido, os valores recolhidos a maior e constados pela fiscalização. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário apresentado posto que presentes os pressupostos de admissibilidade, para o fim de DARLHE PARCIAL Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.000731/200414 Acórdão n.º 330201.559 S3C3T2 Fl. 1.632 7 PROVIMENTO para o fim de determinar o aproveitamento dos valores recolhidos a maior e apurados pela fiscalização às fls. 136 e pela DRJ (recolhimentos complementares), devendo ser realizada a compensação de saldo devedor e credor. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/0 6/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10675.903024/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO.
Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do
PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como
a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de
qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-001.719
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos
termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna, OAB 87198/MG. Nayra Bastos Manatta Presidente Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo transmitiu, em 29 de novembro de 2006, Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito com crédito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente de pagamento em valor maior que o devido no período de apuração de abril de 2001. A compensação não foi homologada em virtude de o pagamento indicado como origem do crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de UberlândiaMG procedeu à revisão de ofício do despacho decisório para novo exame do direito creditório, tendo em vista tratarse de crédito reclamado nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 2000.38.03.000.7782, por meio do qual se pretendeu garantir o direito ao recolhimento do PIS, a partir de 1° de janeiro de 2001, à alíquota de 0,65% sobre o faturamento, afastandose a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. No novo despacho decisório, a autoridade fiscal concluiu que, após a realização dos cálculos dos créditos decorrentes do supracitado MS, não havia crédito disponível e não homologou a compensação declarada. Contra essa decisão, foi protocolizada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), que, por sua vez indeferiu a manifestação, com o entendimento de que, à vista da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS impetrado pela contribuinte, a base de cálculo da contribuição pra o PIS alcançaria as receitas das “chamadas operações bancárias ("spreads", prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc..)”, que constituiriam a essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Não se conformando com a decisão do colegiado de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – a decisão transitada em julgado proveu integralmente o seu Recurso Extraordinário (RE) e foi proferida com base no art. 557, § 1°A, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), ou seja, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, que circunscrevem as receitas oriundas das atividades empresariais, para incidência do PIS, à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; II – com o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi assegurada a restituição/compensação dos valores recolhidos a mais que o devido; III – a decisão proferida pelo STF não só declarou a inconstitucionalidade do precitado dispositivo legal como também determinou o conceito de faturamento para incidência do PIS; e Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10675.903024/200980 Acórdão n.º 3402001.719 S3C4T2 Fl. 2 3 IV – para se delimitar o conceito de faturamento consignado na decisão monocrática proferida pelo Ministro Cezar Peluso, é necessário buscar esse conceito na jurisprudência do STF e não na posição pessoal do Ministro. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso ou o sobrestamento do processo, tendo em vista a repercussão geral reconhecida no RE n° 609.096. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Preliminarmente, cumpre registrar que o RE n° 609.096 cuida da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e, em 04 de março de 2011, teve repercussão geral reconhecida pelo STF. Foram sobrestados os processos judiciais que cuidam dessa matéria, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowski, em 10 de junho de 2011, no RE 609096; contudo, no caso em exame, a ora recorrente possui ação própria já transitada em julgado, que trata da sua base de cálculo para incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Portanto, não cogita aqui o sobrestamento do presente julgamento. Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tão somente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 4 MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Ora, de acordo com a decisão judicial em questão, a recorrente, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2000 e regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, a contribuição para o PIS deve incidir apenas sobre o faturamento “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Em face disso, pareceme idene de dúvida que os valores do PIS recolhidos sobre base de cálculo que não configura receita bruta de venda de mercadoria ou de prestação de serviços tornaramse indevidos em face da decisão judicial transitada em julgado em favor da recorrente e, ademais, considerando que essa decisão foi proferida com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, entendo que sua interpretação deve ser consoante com a interpretação dada para os casos submetidos a este colegiado e apreciados à luz da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, com reconhecimento de repercussão geral. Destarte, por comungar o entendimento expendido pelo Conselheiro Robson José Bayerl, designado para redigir o voto vencedor do Acórdão n° 340300.581, proferido na sessão de 30 de setembro de 2010, no julgamento do recurso voluntário n° 256.916, interposto nos autos do processo n° 16327.000980/200511, transcrevo trecho desse voto vencedor a seguir: (...) Destarte, é irretorquível o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo excelso pretório, contudo, tal manifestação se limitou àquele dispositivo que, justamente, veiculava o pretenso conceito de “receita bruta”, ordinariamente conhecido como “alargamento” da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Não se pode olvidar, entretanto, que os arts. 2º e 3º, caput, da referida Lei nº 9.718/98 permaneceram incólumes, de tal sorte que há, sim, definição da base de cálculo da exação, in casu, o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, senão veja se: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Portanto, o conceito a ser buscado no ordenamento jurídico tributário é o de “receita bruta” da pessoa jurídica, porquanto aquele predicado pelo indigitado art. 3º, § 1º não é mais válido, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10675.903024/200980 Acórdão n.º 3402001.719 S3C4T2 Fl. 3 5 não me parecendo razoável buscarse, como pretende o voto vencido, com a devida vênia, uma base de cálculo extraordinária para a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Reitero, a base de cálculo já existe e, como já dito, equivale ao faturamento, assim entendido como a receita bruta apurada pelo contribuinte. Dentro do microssistema das contribuições sociais sobre faturamento (PIS e Cofins), convergem, ainda que por via oblíqua1, as definições constantes do art. 72, V do ADCT (regulada pela Lei nº 9701/98) e Lei nº 9.715/98, que reeviam à legislação do IRPJ para aclarar o sentido da expressão “receita bruta”, cujo art. 279 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: “Art.279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” De outro ângulo, a Lei nº 9.718/98, além de reconfigurar a Cofins, teve por desiderato unificar o regime de apuração de ambas as contribuições, o que se revela pela leitura de seu art. 1º e de seu contexto geral. Nesta trilha, sendo ela inegavelmente sucessora da LC 70/91, no que concerne à Cofins, não é descabida o empréstimo de seu conceito de faturamento, bastante assemelhado à literalidade daquele adrede reproduzido, sendo na essência idêntico, ex vi do art. 2º, caput: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” Tenho que esta definição é a mais consentânea com a sistematização pretendida pelos sucessivos diplomas que trataram do tema em data mais recente, até o advento da não cumulatividade, nomeadamente, Lei Complementar nº 70/91, Medida Provisória nº 1.212/95 (convertida na Lei nº 9.715/98) e art. 72, V do ADCTF. Cuidase, na espécie, de integração da legislação tributária, em face do lacunoso conceito de receita bruta na regra matriz de 1 Digo por via oblíqua ao passo que o art. 72, V do ADCT informa que a base de cálculo será a receita bruta operacional, como definida pela legislação do imposto de renda, ao passo que a Lei nº 9.715/98 (arts. 2º c/c 3º) indica como base de cálculo o faturamento mensal, assim entendida a receita bruta, tal como prevê a legislação do imposto de renda. Ou seja, ainda que por caminhos diversos, a conclusão é a mesma. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 6 incidência do PIS/Pasep, aplicandose à hipótese as previsões do art. 108 do Código Tributário Nacional. Acentuo que a integração, ora feita, a partir da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS alcança tãosomente a acepção do termo “receita bruta”, para estabelecimento do que venha a ser “faturamento”, e não a própria definição da base de cálculo da exação, o que seria vedado pelo § 1º do mesmo dispositivo. Pertinente, a este respeito, o escólio de Luciano Amaro2, quando examina o instituto da integração da legislação tributária: “Prevê o art. 108, após a analogia, o emprego dos princípios gerais de direito tributário (item II), antes de mencionar os de direito público (item III). Costumase falar, também, ao invocaremse os princípios para suprir lacunas da lei , em analogia juris, a par da analogia legis. Nesta, buscase uma norma para suprir a lacuna; naquela, a solução para a lacuna achase através do processo lógico de conformação do regramento do caso concreto com o conjunto do direito vigente, o que supõe que se invoquem os princípios integrantes desse sistema, e não uma norma; a utilização de certa norma posta no sistema traduziria analogia legis. O caminho é parecido com o da interpretação sistemática; nesta, temse uma norma, cuja interpretação se busca em harmonia com o sistema jurídico em que ela se insere; na analogia juris, procurase construir norma para o caso concreto que se harmonize com o sistema jurídico em que a disciplina desse caso deve ser inserida.” Em síntese, consigno meu entendimento que, eleito o faturamento como base de cálculo da contribuição para o PIS e sendo este equivalente à receita bruta, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, não atingidos pela decisão do STF, à luz de uma interpretação sistemática e da integração da legislação pertinente ao tema, devese entender como a receita das vendas de bens e serviços de qualquer natureza, ainda que fornecidos de forma conjunta, como aduz a sobredita legislação. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, lembrando que o provimento parcial é devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário decorrente da incidência do PIS apenas sobre a receita bruta de vendas de mercadoria e/ou de prestação de serviços. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Sílvia de Brito Oliveira 2 DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 203. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10675.903024/200980 Acórdão n.º 3402001.719 S3C4T2 Fl. 4 7 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10073.721493/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM OS PADRÕES NORMATIVOS. INFRAÇÃO.
A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pela Administração Tributária caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória.
COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. DISPENSA DE PREPARAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO.
A comprovação do pagamento da remuneração, seja por qualquer meio, não isenta o sujeito passivo de preparar as folhas de pagamento em conformidade com os padrões normativos.
RELATÓRIO FISCAL. EXPOSIÇÃO DA OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO, APRESENTAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
MULTA ATUALIZADA POR PORTARIA. AMPARO EM PREVISÃO LEGAL.
A correção dos valores das penalidades por Portaria Interministerial do Ministério da Previdência Social e Ministério da Fazenda encontra guarida na legislação previdenciária.
RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. PEDIDO APÓS A REVOGAÇÃO DA NORMA QUE PREVIA O FAVOR FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Após a revogação do § 1.º do art. 291 do RPS pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009, deixou de haver a possibilidade jurídica para dispensa de multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A ausência do requisito de saneamento da infração era requisito impeditivo da concessão do favor fiscal de relevação da penalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM OS PADRÕES NORMATIVOS. INFRAÇÃO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pela Administração Tributária caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. DISPENSA DE PREPARAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. A comprovação do pagamento da remuneração, seja por qualquer meio, não isenta o sujeito passivo de preparar as folhas de pagamento em conformidade com os padrões normativos. RELATÓRIO FISCAL. EXPOSIÇÃO DA OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO, APRESENTAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. MULTA ATUALIZADA POR PORTARIA. AMPARO EM PREVISÃO LEGAL. A correção dos valores das penalidades por Portaria Interministerial do Ministério da Previdência Social e Ministério da Fazenda encontra guarida na legislação previdenciária. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. PEDIDO APÓS A REVOGAÇÃO DA NORMA QUE PREVIA O FAVOR FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Após a revogação do § 1.º do art. 291 do RPS pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009, deixou de haver a possibilidade jurídica para dispensa de multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração era requisito impeditivo da concessão do favor fiscal de relevação da penalidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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INFRAÇÃO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pela Administração Tributária caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. DISPENSA DE PREPARAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. A comprovação do pagamento da remuneração, seja por qualquer meio, não isenta o sujeito passivo de preparar as folhas de pagamento em conformidade com os padrões normativos. RELATÓRIO FISCAL. EXPOSIÇÃO DA OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO, APRESENTAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. MULTA ATUALIZADA POR PORTARIA. AMPARO EM PREVISÃO LEGAL. A correção dos valores das penalidades por Portaria Interministerial do Ministério da Previdência Social e Ministério da Fazenda encontra guarida na legislação previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 14 93 /2 01 1- 86 Fl. 5829DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. PEDIDO APÓS A REVOGAÇÃO DA NORMA QUE PREVIA O FAVOR FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Após a revogação do § 1.º do art. 291 do RPS pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009, deixou de haver a possibilidade jurídica para dispensa de multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA DE SANEAMENTO DA INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência do requisito de saneamento da infração era requisito impeditivo da concessão do favor fiscal de relevação da penalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 5830DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.721493/201186 Acórdão n.º 2401003.109 S2C4T1 Fl. 5.830 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 50.770 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 51.008.8732. A lavratura em questão teve como fato gerador a conduta da empresa de deixar de preparar as folhas de pagamento em conformidade com os padrões estabelecidos pela administração tributária. Nos termos do relatório fiscal, fls. 03 e segs., não foram incluídos nas folhas de pagamento os segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à autuada, os quais foram listados no anexo I, conforme valores constantes em recibos de pagamento. A penalidade foi graduada no seu valor mínimo, em face da inexistência de circunstâncias agravantes e atenuantes. A empresa ofertou impugnação, fls. 72 e segs., cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que manteve integralmente a penalidade imposta. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 5753 e segs., no qual alegou, em apertada síntese, que: a) a regra inserta no parágrafo único do art. 464 da CLT afasta a exigência contida no inciso I do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, bem como do inciso I do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008; b) por cautela, apresentou as folhas de pagamento que o fisco entendeu estarem em desacordo com a legislação; c) para que fosse válida a imposição fiscal, a Autoridade Lançadora deveria ter demonstrado com precisão quais os vícios verificados nas folhas de pagamento, sob pena de claro cerceamento ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório; d) a autuação com base em mera alegação de que os documentos não preenchem os requisitos legais, sem, contudo declinar acerca das irregularidades, impede ao sujeito passivo a perfeita compreensão da acusação que lhe é imputada; e) ao contrário do que afirmou a decisão recorrida, as planilhas acostadas pelo fisco (fls. 05/09) não se prestam a justificar o castigo imposto; f) a multa imposta não se coaduna com os ditames do inciso I do art. 283 do RPS; g) o pedido de relevação da penalidade deve ser acatado, uma vez que o Decreto n. 6.727/2009, que extinguiu a possibilidade de perdão da multa, não pode ser aplicado retroativamente; Fl. 5831DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 h) a relevação da penalidade é medida imperativa a ser observada, seja mediante a aplicação do princípio tempus regit actum, seja pelo cumprimento dos requisitos normativos que autorizavam a concessão do benefício. Ao final, pugna pelo provimento do recurso, com consequente cancelamento da lavratura. É o relatório. Fl. 5832DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.721493/201186 Acórdão n.º 2401003.109 S2C4T1 Fl. 5.831 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A infração De acordo com o fisco, a empresa incorreu em conduta contrária ao inciso I do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 ao deixar de incluir nas folhas de pagamento os segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. Eis o dispositivo supostamente violado: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...) Para comprovar a falta imputada ao sujeito passivo, a Autoridade Fiscal juntou planilhas de fls. 05/09 nas quais estão indicados os segurados que deixaram de ser incluídos nas folhas de pagamento e as respectivas remunerações. Afirma o fisco que os dados que alimentaram os citados demonstrativos foram coletados de recibos de pagamentos de autônomos . Não merece, portanto, acolhida o argumento recursal de que teria havido cerceamento ao direito de defesa em razão da imprecisão do fisco em descrever a infração. O relato da auditoria aponta que o fato gerador da penalidade foi a preparação de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões normativos, em razão da não inclusão de contribuintes individuais. Na seqüência, lista cada um dos segurados omitidos das folhas e indica os documentos em que se baseou para concluir pela infração. Portanto, os elementos necessários à empresa para que pudesse exercer o seu direito à defesa com amplitude foram perfeitamente colocados pelo fisco a seu dispor, não merecendo sucesso o argumento de prejuízo ao direito de impugnar ou mesmo afronta ao princípio do contraditório. Não procede o argumento de que a disposição do parágrafo primeiro do art. 464 da CLT dispensaria as empresas do cumprimento da obrigação acessória prevista no inciso I do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 5833DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O dispositivo invocado encontrase assim redigido: Art. 464 O pagamento do salário deverá ser efetuado contra recibo, assinado pelo empregado; em se tratando de analfabeto, mediante sua impressão digital, ou, não sendo esta possível, a seu rogo. Parágrafo único. Terá força de recibo o comprovante de depósito em conta bancária, aberta para esse fim em nome de cada empregado, com o consentimento deste, em estabelecimento de crédito próximo ao local de trabalho. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) Como se vê, a regra acima trata da forma de comprovação de pagamento de salário ao empregado, não guardando relação com a obrigação do empregador de prestar informações na folha de pagamento. Na verdade, o pagamento de remuneração aos contribuintes individuais foi comprovado mediante o recibo de pagamento a autônomo – RPA, os quais foram verificados pelo fisco, todavia, a infração sob cuidado não se refere a falta de pagamento de remuneração, mas falta de inclusão de segurados na folha de pagamento. Verificase que independentemente da existência de recibo de pagamento ou de comprovante de depósito na conta bancária do segurado, tem a empresa a obrigação de preparar as folhas de pagamento com inclusão de todos os segurados a seu serviço, posto que esse dever instrumental visa propiciar ao fisco meios de verificar o total de remuneração pago pelo empregador em determinada competência. A multa O relatório fiscal esclarece que a multa foi imposta com esteio nos arts. 92 e 102 da Lei n.º 8.212/1991 combinados com a alínea “a” do inciso I do art. 283 e art. 373 do RPS. Afirmase ainda que o valor de R$ 1.524,43 decorreu de atualização promovida pela Portaria Interministerial MPS/MF n. 407 de 14/07/2011. Ao contrário do que se afirmou no recurso, não houve atropelo à legislação na aplicação da penalidade, uma vez que há a previsão legal de atualização da multa por ato do Poder Executivo. Vejamos A Lei n.º 8.212/1991 estipula o piso e o teto de valores para fins de aplicação das penalidades decorrentes de descumprimento da legislação previdenciária. Percebase que o legislador remeteu ao RPS o disciplinamento da matéria, bem como, estabeleceu a forma de reajustamento desses valores, o qual deverá observar o mesmo índice aplicável aos benefícios pagos pela Previdência Social. Eis os dispositivos que tratam do tema: Art.92.A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos Fl. 5834DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10073.721493/201186 Acórdão n.º 2401003.109 S2C4T1 Fl. 5.832 7 índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. Atendendo aos comandos normativos acima, o RPS fixou a multa para a infração em tela, nos seguintes termos: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) j)deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (...) Repetindo o comando da Lei n.º 8.212/1991, o RPS também tratou da questão do reajustamento dos valores das penalidades: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Ocorre que os benefícios previdenciários são reajustados anualmente por Portaria do Ministro da Previdência Social, a qual atualiza, pelos mesmos índices, também outros valores, como é o caso das multas por descumprimento de obrigações acessórias, exatamente como mandam a Lei n.º 8.212/1991 e o seu Regulamento. Verificase, assim, que a auditoria aplicou a multa no espaço que lhe foi reservado pelas balizas. Fl. 5835DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Relevação da Penalidade Conforme asseverouse na decisão recorrida, o pedido de relevação da multa carece de amparo jurídico. É que a norma, que permitia a concessão desse favor aos contribuintes primários no cometimento de infrações à legislação previdenciária, que houvessem corrigido a falta até a decisão de primeira instância, foi revogada. O § 1.º do art. 291 do RPS foi expressamente revogado pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009, deixando de haver, a partir de então, possibilidade jurídica para dispensa de multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Vejase que a data da lavratura é 23/12/2011, portanto, bem depois da revogação do dispositivo do RPS que permitia a relevação da penalidade. Embora os fatos geradores tenham ocorrido em momento anterior, a concessão da dispensa da multa se os requisitos § 1. do art. 291 do RPS tivessem sido cumpridos antes da revogação deste dispositivo, o que efetivamente não ocorreu. Vale argumentar que mesmo que a relevação pudesse ser concedida, a recorrente não poderia ser beneficiada, posto que não comprovou a correção da falta, que era condição sine qua non para concessão do benefício. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 5836DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10726.000202/2004-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 24/01/2001 a 08/03/2003
PEREMPÇÃO.
Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência
da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se
conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-001.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 24/01/2001 a 08/03/2003 PEREMPÇÃO. Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 07/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 189.646,81 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multa de mora, juros de mora e multa por Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 2 mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, em razão de reclassificação fiscal de mercadoria importada. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada submeteu a despacho de importação, mercadorias amparadas pelas Declarações de Importação nº 01/00805447 (adição 001), nº 01/02690884 (adição 002), nº 01/03754541 (adição 005), nº 01/03952882 (adição 001), nº 01/04175650 (adição 001) e nº 01/04497917 (adição 001), registradas, respectivamente, em 24/01/2001, 06/03/2001, 17/04/2001, 20/04/2001, 26/04/2001 e 07/05/2001. As mercadoria foram classificadas na NCM 8431.43.10 (partes das máquinas de sondagem/perfuração rotativas). De acordo com o Relatório Descrição dos Fatos – Anexo I, parte integrante do auto de infração, a classificação fiscal declarada está incorreta. Do Anexo I do auto de infração se extrai que a análise das mercadorias importadas no período de 24/01/2001 a 07/05/2001, e sua classificação fiscal foram realizadas com base nas informações técnicas disponibilizadas pelo contribuinte, assim como nas descrições dos bens constantes dos extratos das Declarações de Importação e de acordo com as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado. As mercadorias foram assim reclassificadas: Declaração de Importação nº 01/00805447, adição 001: A mercadoria foi descrita como “controle automático Fischer com válvula de gás Wizard de 3”, para pressão de 150 libras”. De acordo com a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado da posição 8481 e Nota 2, a, da Seção XVI da TEC/NCM, bem como RGI/SH nº 1 e nº 6 e RGC1, a mercadoria se classifica no código NCM 8481.80.95. Declaração de Importação nº 01/02690884, adição 002: A descrição da mercadoria é “conjunto determinador de parâmetros de perfuração para poços direcionais, completo, com sensor de fluxo PA, unidade de UTB, caixa terminal, UZB caixa zener, sensor sônico, detetor de gás Draeger”. De acordo com a descrição de alguns dos componentes da cabine, assim como os termos da resposta do contribuinte, a cabine é, na realidade, uma máquina automática de processamento de dados, que são os parâmetros de perfuração, utilizandose certamente de um ou mais softwares dedicados a esta aplicação. Assim, pela aplicação das RGI nº 1 e 6 e da RGC1, e por força do disposto na Nota 2, a, da Seção XVI da TEC/NCM, a mercadoria se classifica na NCM 8471.41.90. Declaração de Importação nº 01/03754541, adição 005: De acordo com o contribuinte, as mercadorias amparadas por essa DI são “partes e peças de uma Unidade de Monitoração e Registro Automático e contínuo de parâmetros de perfuração. É usada pela Petrobrás em atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás, em poços de água e outros no continente e na Plataforma Continental Brasileira.” Ocorre que a NCM 8431.43.10 se refere a partes das máquinas de sondagem/perfuração rotativas da posição 8430 e a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 8430 Item IIIF, informa que “a presente posição engloba apenas as máquinas de perfuração propriamente ditas; os outros mecanismos bem distintos, de fácil identificação, que formam com elas uma instalação de perfuração, seguem o seu próprio regime, mesmo que se apresentem com as máquinas de perfuração: é o caso das ...” Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10726.000202/200461 Acórdão n.º 310201.416 S3C1T2 Fl. 3 3 a. O “Motor GZG11 à prova de explosão + gancho GZ013 part.no.412.AA.010”, de acordo com o contribuinte, não se trata de motor elétrico, mas sim a ar de até 3000 RPM, e tem potência de 82 HP. Portanto, é classificado na NCM 8412.39.00. b. As “Placas de alimentação de sensor interna, SCP: condicionador de pulsos e SCP: 1 constatnte & monolog” são partes a serem utilizadas na Unidade de Monitoração e Registro Automático e contínuo dos parâmetros de perfuração, sendo esta uma máquina automática para processamento de dados. Portanto, classificamse na NCM 8473.30.49. c. A “Caixa externa de monolog à prova de água” é equipada com placas de circuitos impressos nela montados, classificandose na NCM 8538.90.10. d. O “Sensor de temperatura 420 mA” de acordo com a descrição na DI e na fatura comercial, se trata de transmissor eletrônico de temperatura, classificado na NCM 9026.80.00. e. O “Sensor de resistividade: Transmitter 420 mA”, de acordo com a descrição na ID e na fatura comercial, se trata de um transmissor eletrônico de reatividade, classificado na NCM 9031.80.90. f. A “Célula de detecção, geofid modificada, part. Nº 412.DH.011”, de acordo com a descrição do contribuinte se trata de um componente do detector de gás, sendo classificado na NCM 9031.80.90. g. A “Placa reserval: bomba/gás part.nº 700.BB.304”, de acordo com a resposta do contribuinte, faz parte do detector de gás Reserval, portanto classificase na NCM 9031.80.90. h. O “Sensor de resistividade: probe 871ECEV3part.nº700.AE.194” tratase de uma peça do transmissor de resistividade, classificado na NCM 9031.80.90. Declaração de Importação nº 01/04175650, adição 001. O importador informou que as mercadorias seriam peças destinadas à reposição e manutenção dos diversos equipamentos auxiliares de perfuração, dentre eles as unidades Slick Line, Wire Line, separadores, quadros de manobra, preventores de erupção, aquisitores de dados, painéis de aquisição de dados, unidades de produção e perfilagem. Ocorre que a NCM 8431.43.10 se refere a partes das máquinas de sondagem/perfuração rotativas da posição 8430 e a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 8430 Item IIIF, informa que “a presente posição engloba apenas as máquinas de perfuração propriamente ditas; os outros mecanismos bem distintos, de fácil identificação, que formam com elas uma instalação de perfuração, seguem o seu próprio regime, mesmo que se apresentem com as máquinas de perfuração: é o caso das ...” a. As “Placas FGP meça módulo, fast asquisition e FCP detector”, de acordo com o importador são peças de equipamento auxiliar de perfuração, do módulo de medição de parâmetros durante a perfuração. Portanto, são peças/partes de máquina automática para processamento de dados, classificadas na NCM 8473.30.49. b. O “Alarme sirena”, de acordo com o importador , é um dispositivo de alarme sonora, portanto classificado na NCM 8531.80.00. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 4 c. O “Sensor sônico” é descrito na fatura comercial como sensor de nível de lama ultrassônico, portanto classificado na NCM 9026.10.29. d. O “Sensor de pressão 750 420mA, sensor de pressão 750 junção de barra, sensor de pressão 10 bar e sensor de pressão 400 bar 420 mA”, de acordo com as informações técnicas são classificados na NCM 9026.20.90. e. O “Sensor DMS 4200 entrada e sensor DMS 4200 saída”, de acordo com o importador “monitoram a densidade de fluidos durante a perfuração” e considerando as informações técnicas, se classifica na NCM 9026.80.00. f. O “Sensor de resistividade transmitter, sensor tensiometer 5000 dan e sensor de draworks” , de acordo com as informações técnicas são classificados na NCM 9031.80.90. g. O “Cell detetor rsv, cell detetor reserval, placa FCP stand alone modulo, placa FGP alimentação, sensor de resistividade probe, placa RSV gás/impulsionador, placa RSV EVP analysis, placa FCP alimentação, protetor para sensor H2S e placa FGP detetor”, de acordo com as informações da fatura comercial e do importador são partes/peças de instrumentos e são classificados na NCM 9031.90.90. Declaração de Importação nº 01/04497917, adição 001. O importador informou que as mercadorias seriam peças destinadas à reposição e manutenção dos diversos equipamentos auxiliares de perfuração, dentre eles as unidades Slick Line, Wire Line, separadores, quadros de manobra, preventores de erupção, aquisitores de dados, painéis de aquisição de dados, unidades de produção e perfilagem. Ocorre que a NCM 8431.43.10 se refere a partes das máquinas de sondagem/perfuração rotativas da posição 8430 e a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 8430 Item IIIF, informa que “a presente posição engloba apenas as máquinas de perfuração propriamente ditas; os outros mecanismos bem distintos, de fácil identificação, que formam com elas uma instalação de perfuração, seguem o seu próprio regime, mesmo que se apresentem com as máquinas de perfuração: é o caso das ...” a. A “bomba texsteam 5004 ¾” com conetor”, de acordo com as informações do importador é uma bomba de deslocamento positivo, em aço anticorrosivo, com proteção contra H2S e CO2 e inox, do tipo alternativa, vazão de 16 GPD, pressão de 5000 psi, fluidos bombeados antiespumante e anticoagulante e que comporta um dispositivo medidor, classificada na NCM 8413.19.00. b. O “check 2” 400900 lbs e válvula check 3” 400900 lbs” de acordo com a descrição da fatura comercial classificase na NCM 8481.30.00. c. O “manifold”, descritos nas faturas como “tubulações múltiplas interligadas (manifold), para produção de petróleo” ou “tubo conector e cotovelos soldados”, é classificado na NCM 8481.80.99. d. O “assento para válvula ET 3” 600 RF, cesta válvula ET 3” 600 RF, kit assento/selo para válvula BVL3 2” 600 RF, bola para válvula 3” 600 RF, manobrador ED 2” 600 RF equal % cesta, aro de assento para válvula ED 2” 600 RF, kit assento/selo para válvula BVL 4” 600 RF e manobrador borboleta 3” 150lbs RF”, de acordo com a descrição da fatura comercial são partes/peças de válvulas, sendo classificadas na NCM 8481.90.90. e. O “detetor para gás completo Draeger”, de acordo com as informações do importador e da constante na fatura comercial é classificado na NCM 9031.80.90. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10726.000202/200461 Acórdão n.º 310201.416 S3C1T2 Fl. 4 5 f. O “registrador de temperatura – 30°C + 170°C” de acordo com a descrição da fatura comercial é classificado na NCM 9032.89.82. g. O “registrador BBLS para medidor PLC30 3” 600” de acordo com a descrição da fatura comercial é classificado na NCM 9032.89.89. Declaração de Importação nº 01/03952882, adição 001. O importador informou que as mercadorias seriam peças destinadas à reposição e manutenção dos diversos equipamentos auxiliares de perfuração, dentre eles as unidades Slick Line, Wire Line, separadores, quadros de manobra, preventores de erupção, aquisitores de dados, painéis de aquisição de dados, unidades de produção e perfilagem. Ocorre que a NCM 8431.43.10 se refere a partes das máquinas de sondagem/perfuração rotativas da posição 8430 e a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 8430 Item IIIF, informa que “a presente posição engloba apenas as máquinas de perfuração propriamente ditas; os outros mecanismos bem distintos, de fácil identificação, que formam com elas uma instalação de perfuração, seguem o seu próprio regime, mesmo que se apresentem com as máquinas de perfuração: é o caso das ...” a. O “motor GZG completo”, de acordo com as informações do importador combinado a descrição da fatura comercial é classificado na NCM 8412.39.00. b. A “caixa externa de monolog meb” de acordo com o importador é um caixa de conexão de sensores adicionais no sistema. Sendo o sistema a Unidade de Monitorização e Registro Automático e contínuo dos parâmetros de perfuração uma máquina automática de processamento de dados, a classificação fiscal é na NCM 8473.30.19. c. A “placa DAP: sistema CPU + 1 eprom 9600” de acordo com o importador é uma peça de equipamento auxiliar de perfuração, portanto uma peça pertencente ao sistema de registro automático e contínuo dos parâmetros de perfuração, classificada na NCM 8473.30.41. d. A “placa alimentação PK 55 5V/5ª +/ 15V/1A; placa DAP: fda 12 bit adc 6V 5302E; placa DAP: com 4s port 9641 placa ALS2; placa DLP: suporte + IEEE Centronics; placa SCP: alimentação; placa FCP: alimentação/termostato; placa FGP: stand alone module FGP.01; placa alimentação PK 60 BO Volt +/ 15V/2ª e placa microstar DAP 3000e/212”, de acordo com as informações do importador, são peças pertencentes ao sistema de registro automático e contínuo dos parâmetros de perfuração, classificadas na NCM 8473.30.49. e. O “transformador 12KVA/3fases” de acordo com a descrição da fatura comercial, classificase na NCM8504.32.21. f. A “placa p/caixa de alarme placa ALS2, caixa de alarme externa, caixa terminal de alarme, sirena 220V à prova de explosão e sirena à prova de explosão”, de acordo com as repostas do importador, combinado com as descrições da fatura comercial, são classificadas na NCM 8531.80.00. g. O “indicador de vazão ALLTECH digital 4700”, de acordo com a descrição da fatura comercial, se classifica na NCM 9026.10.19. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 6 h. O “sensor de nível de lama ultrasônico” é descrito como sensor sônico usado para medir o volume de lama usada pela perfuração de poços petrolíferos, que combinado com a descrição da fatura comercial, classificao na NCM 9026.10.29. i. O “sensor de pressão 750 B 4/20MA, sensor de pressão 10B 4/20MA, sensor de pressão 10 BRI SD e sensor de pressão 400 B 4/20MA” de acordo com as descrições da fatura comercial e com as informações técnicas, se classificam na NCM 9026.20.90. j. O “sensor de H2S completo”, de acordo com a descrição da fatura comercial, se classifica na NCM9027.10.00. k. O “sensor de resistividade : probe 871ECV3, sensor de resistividade: 4 20MA, sensor de drawwork completo e célula de detecção modificada” de acordo com as informações do importador e das descrições da fatura comercial são classificados na NCM 9031.80.90. l. O “regulador de pressão 60 psi 1/8””, de acordo com a descrição da fatura comercial, é classificado na NCM 9032.89.81. m. A “placa SCP: gás, adaptador QFT2 para instrumento CE, suporte para sensor ultrasônico, kit para sensores de fumaça e gás EEX, kit suporte de sensor de bomba e protetor de sensor de H2S”, de acordo com as informações do importador e das decrições na fatura comercial, se classificam na NCM 9033.00.00. Do Anexo II do auto de infração se extrai que a análise das mercadorias importadas no período de 03/02/2003 a 06/03/2003, e sua classificação fiscal foram realizadas com base nas informações técnicas disponibilizadas pelo contribuinte, assim como nas descrições dos bens constantes dos extratos das Declarações de Importação e de acordo com as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado. As mercadorias foram assim reclassificadas: Declaração de Importação nº 03/01410580, adição 001. O “manifold”, de acordo com a descrição do importador e do Ato Declratório Coana nº 85/1999, se classifica na NCM 8481.80.99. Declaração de Importação nº 03/01410580, adição 001 e Declaração de Importação nº 03/00906261 adição 003 item 2. O BOP, preventor simples de erupção, de acordo com informações do importador e da Petrobrás, tratase de um dispositivo semelhante a uma válvula, classificado na NCM 8481.80.99. Declaração de Importação nº 03/01410580, adição 002 e Declaração de Importação nº 03/0090626, adição 003 0 item 1. De acordo com informação da Petrobrás, tratase de peça do equipamento denominado BOP, classificado na NCM 8481.80.99. Por meio do auto de infração do presente processo se exige a diferença de impostos, apurada em face das incorreções, com os acréscimos legais cabíveis. As mercadorias foram declaradas corretamente nas Declarações de Importação, portanto não foi lançada multa de ofício, mas sim, multa de mora, conforme Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10/1997. Em relação às Declarações de Importação nº 03/00906263, nº 03/01410580 e 03/01847104, registradas no período de 03/02/2003 a 06/03/2003, as mercadorias importadas ao seu amparo foram classificadas incorretamente na Nomenclatura Fl. 728DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10726.000202/200461 Acórdão n.º 310201.416 S3C1T2 Fl. 5 7 Comum do Mercosul, sendo lançada a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Regularmente cientificada por via postal (AR fls. 311), a interessada apresentou a impugnação tempestiva (v. fls. 465) de folhas 325 a 339, com os documentos de folhas 340 a 464 anexados. Inicialmente a impugnante alega irregularidades na condução do processo administrativo e requer a realização de diligência para dirimir suas dúvidas. A impugnante contesta o embasamento legal dos autos de infração defendendo que se deve levar em conta o entendimento manifestado pela Secretaria da Receita Federal por meio de seus próprios atos normativos. Alega que a Instrução Normativa SRF nº 4, de 10 de janeiro de 2001, que regulamentou o regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), listou os bens aos quais referido regime seria aplicável. E dentre esses bens encontramse os classificados sob o código NCM 8431.43 que, de acordo com o teor do próprio anexo único, abrangeriam todos os equipamentos para serviços auxiliares na perfuração e produção de poços de petróleo. Transcreve parte da IN SRF nº 4/2001 referida. Defende, assim, que, com base no entendimento manifestado pela IN SRF nº 4/2001, qualquer contribuinte, importador de bens sujeitos ao Repetro ou não, pode concluir que no código NCM 8431.43, incluemse todos e quaisquer equipamentos destinados a serem utilizados em serviços auxiliares na perfuração e produção de poços de petróleo. Defende que não se pode adotar determinado posicionamento para a classificação fiscal de bens importados sob o regime do Repetro e outro para importação de bens sob o regime comum de importação. Alega que, sendo assim e pelo fato de todos os bens por ela importados serem destinados a serem utilizados na prestação de serviços auxiliares na perfuração e produção de poços de petróleo, não há que se falar que foram importados sob o código NCM incorreto. Defende que, enquanto estiver vigente a IN SRF nº 4/2001 e não houver ato interpretativo, os contribuintes têm o direito de utilizar o código NCM para importar quaisquer equipamentos a serem utilizados em serviços auxiliares na perfuração e produção de poços de petróleo. Alega que as próprias regras de interpretação da Tarife Externa Comum derrubam a pretensão da fiscalização e amparam a classificação por ela adotada, ao se referirem a combinação de máquinas que constituem uma unidade funcional nas notas complementares 3 e 4 da Seção XVI da TEC. Defende que a grande maioria das Declarações de Importação autuadas foram conferidas no momento da importação e chanceladas quanto à utilização da NCM 8431.43.10. Não pode a fiscalização depois de passados anos da importação mudar a classificação fiscal antes adotada, pois tal fato caracteriza mudança de critério jurídico, o que não é permitido pelo disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Dessa forma, mesmo que a classificação no código NCM 8431.43.10 estivesse incorreto, não pode mais a fiscalização proceder à reclassificação das mercadorias que foram objeto de conferência pelos canais amarelo e vermelho. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Requer a anulação dos autos de infração ou, alternativamente, a reforma parcial exonerando as Declarações de importação que foram conferidas pelos canais amarelo e vermelho por ocasião dos despachos aduaneiros. Requer a produção de prova pericial, indicando o técnico e os quesitos a serem respondidos. Acolhidos os protestos da impugnante foi determinada diligência que resultou no “Laudo Pericial” de folhas 492 a 501. Referido laudo traz as seguintes considerações: DI nº 01/03754541/005 – “Verifiquei que esta DI se refere a partes e dispositivos a serem usados em conjunto com cabines para determinação e monitoração dos parâmetros de perfuração de poços de petróleo.” (sic) DI nº 01/04175650/001 – “Verificase que diversos itens na Descrição da Mercadoria estão mau descritos e, até mesmo, incompreensíveis. Pela descrição identificável, tratase de peças e acessórios utilizados na cabine e também externamente no serviço auxiliar de perfuração e sondagem de poços. Destinamse a determinar os parâmetros de perfuração de poços de petróleo, constituindose em equipamento auxiliar de perfuração, instalado junto à coluna de perfuração de plataformas offshore e de perfuratrizes onshore.” (sic) DI nº 01/03952882/001 – “As considerações são as mesmas que para a DI anterior” (sic) DI nº 01/04497917/001 – “Tratase de cabine de metal e diversos componentes destinados à reposição e manutenção dos diversos equipamentos auxiliares de perfuração para as unidades de “Slick Line”, Wire Line, quadros de manobra, painéis de aquisição de dados, responsáveis por prestar diversos serviços auxiliares ao longo de toda a extenção do poço.” (sic) DI nº 01/00805447/001 – “Mais um componente para o serviço auxiliar para controle de pressão de gás no poço.” (sic) DI nº 01/02690884/002 – “Também tratase de mercadoria destinada ao serviço auxiliar de determinação de parâmetros de perfuração. (...) As cabines são totalmente dedicadas, em sua estrutura, para trabalho junto a colunas de perfuração e poços de petróleo. Notei diversos microcomputadores no interior das cabines, adquiridos, segundo fui informado, no mercado nacional. Essas cabines são verdadeiros laboratórios de geologia aptos a prestar os serviços de determinação e monitoração dos parâmetros de poço de petróleo. Observei também unidade de “slick line”, que também executam serviços auxiliares de perfuração de poços, descendo ferramentas, acionando válvulas, ao longo do poço perfurado” (sic) Resposta aos quesitos: (...) As mercadorias em referência destinamse à reposição e manutenção dos diversos equipamentos auxiliares de perfuração conforme constatei não só pela documentação como também pelas observações nas instalações da Georesearch. Entendo que as máquinas de sondagem ou de perfuração referidas nas subposições referidas acima pertencem à empresa que executa o trabalho de perfuração ou sondagem. A Georesearch executa serviços paralelos e auxiliares que facilitam e dá maior rendimento àquele trabalho. Dessa forma ela importa mercadorias para Fl. 730DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10726.000202/200461 Acórdão n.º 310201.416 S3C1T2 Fl. 6 9 execução desse serviço auxiliar. Assim sendo, considero que as mercadorias relacionadas nas DIs não são partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas de sondagem ou de perfuração. (...) Os itens das adições referidas são variados. Alguns foram unidades funcionais outros são de difícil identificação como formando unidades funcionais. (...) Da mesma forma que o quesito anterior, nem todos os itens formam unidades funcionais. (...) Aqueles itens que formam unidades funcionais podem ser classificados como equipamentos a serem utilizados em serviços auxiliares à perfuração e produção de poços de petróleo. (...) De acordo com o objetivo social da Empresa, a prestação de serviços auxiliares de perfuração, produção e estimulação de poços de petróleo e gás natural, concluo que os itens importados, mesmo os de difícil identificação, têm a finalidade de serem utilizados em serviços auxiliares à perfuração e produção de poços de petróleo.” (sic) Cientificada do resultado da diligência, a interessada apresentou o aditivo à impugnação inicial, de folhas 512 a 514, na qual defende que o laudo pericial ampara sua defesa. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 24/01/2001 a 08/03/2003 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Não constitui mudança de critério jurídico a alteração de ofício procedida pela autoridade fiscal, em ato de revisão aduaneira, no código NCM declarado pela importadora, com base na descrição da mercadoria, constante na fatura comercial, na Declaração de Importação e em laudo técnico. NORMAS PROCESSUAIS. VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 24/01/2001 a 08/03/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. NCM. ALÍQUOTA. TEC. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Para o cálculo do imposto de importação é imprescindível a correta classificação fiscal da mercadoria segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul, de forma a se determinar a alíquota correspondente a seu posicionamento na Tarifa Externa Comum. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Depreendese do despacho à folha 589 do processo que o mesmo foi encaminhado a este Conselho por força da determinação contida no artigo 35 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores, determinando o julgamento da perempção pelo órgão de segunda instância do Processo Administrativo Fiscal, se não vejamos. Considerando todo o acima exposto, bem como, o disposto no art. 35 do Decreto n° 70.235/72, que diz: "0 recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção"; PROPONHO o encaminhamento dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (MF/DF) para prosseguimento. Vêse à folha 551 que o Aviso de Recebimento cientificando a recorrente da decisão de primeira instância foi recebido no dia 17 de junho do ano de 2010, uma quinta feira, e o Recurso Voluntário apresentado no dia 23 de julho do mesmo ano. O Decreto 70.235/72 e alterações posteriores estabelece que os prazos se iniciam e encerram somente em dias de expediente normal, e serão contínuos, excluindose de sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Constatase que o Recurso foi apresentado 36 dias depois da ciência do Acórdão recorrido. Sendo de 30 dias contados da data da ciência o prazo para apresentação do Recurso, está caracterizada a perempção, restando definitiva na esfera administrativa a decisão tomada em primeira instância. Dos Prazos Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Fl. 732DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10726.000202/200461 Acórdão n.º 310201.416 S3C1T2 Fl. 7 11 No corpo do Recurso, sob o título “Tempestividade”, a recorrente afirma ter sido intimada do acórdão recorrido em 24 de junho de 2010, razão para que fosse considerado tempestivo o Recurso Voluntário carreado aos autos. Embora isso, as peças processuais acima identificadas dão conta de outra realidade, não havendo qualquer razão para que se acolha a data informada pela recorrente. Pelo exposto, VOTO POR NÃO CONHECER do Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado, tendo em vista sua apresentação fora do prazo determinado em Lei. Sala de Sessões, 21 de março de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 14337.000263/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do Fato Gerador: 31/10/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula
Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência
do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Sendo o valor da penalidade único e indivisível, basta para a sua
caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração em período
não acometido pela caducidade, de modo que o reconhecimento da
decadência parcial não implica o afastamento da imputação nem modificação
no valor da multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.607
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto
que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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IMPORTADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 31/10/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Sendo o valor da penalidade único e indivisível, basta para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade, de modo que o reconhecimento da decadência parcial não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14337.000263/200714 Acórdão n.º 230201.607 S2C3T2 Fl. 49 3 Relatório Período de apuração: 12/1998 a 03/2004. Data de lavratura do Auto de Infração: 31/10/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 31/10/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas nos parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de apresentar à fiscalização os livros Diário e Razão relativos ao período de 12/1998 a 12/2001, e os livros Caixa, referentes ao período de 01/2002 a 03/2004, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fl. 11. CFL 38 Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Informa a autoridade autuante que “o contribuinte, no período de 12/1998 a 12/2001, era tributado com base no lucro real, e no período de 01/2002 a 03/2004 passou a ter a forma de tributação baseada no lucro presumido, de acordo com as declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apresentadas à fiscalização. A escrituração contábil dos livros Diário e Razão é obrigatória e sua apresentação à fiscalização é exigida após 90 dias da ocorrência do fato gerador, consoante artigo 225, parágrafo 13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. Ao passar a ser tributado pelo lucro presumido, o contribuinte foi dispensado legalmente da escrituração dos livros Diário e Razão, mas passou a ter a obrigação da escrituração dos livros Caixa. Assim, os referidos livros contábeis são de escrituração obrigatória, na dispensa legal da escrituração dos livros Diário, consoante o artigo 225, parágrafo 16, inciso II, do RPS”. Para o cálculo do valor da multa foi considerado o valor básico de R$ 11.951,21, de acordo com os artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, "j" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, reajustado nos termos da Portaria Interministerial MPS/GM Nº 42, de 11 de abril de 2007, multiplicado por 2 vezes em razão de reincidência genérica, conforme descrito Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 12. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 14/18. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa a aviada no Acórdão a fls. 37/40, julgando procedente a autuação, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/12/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 42. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 43/46, concentrando seu inconformismo na alegação de decadência do direito do fisco de exigir documentação referente ao período de apuração. Ao fim, requer a declaração de improcedência da presente autuação. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14337.000263/200714 Acórdão n.º 230201.607 S2C3T2 Fl. 50 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 19/12/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 15/01/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14337.000263/200714 Acórdão n.º 230201.607 S2C3T2 Fl. 51 7 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Nessa condição, tendo sido o Auto de Infração lavrado em 31/10/2007, este alcançaria todas as obrigações acessórias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, excluídas as relativas ao 13º salário desse mesmo ano. No caso vertente, o prazo decadencial relativo à competência dezembro de 2001 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2003, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2007, inclusive. Ocorre que, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 11, a empresa, malgrado devidamente intimada para tanto, deixou de apresentar à fiscalização os livros Diário e Razão relativos ao período de 12/1998 a 12/2001, e os livros Caixa, referentes ao período de 01/2002 a 03/2004. Conforme se observa, grande parte das infrações que deram ensejo à vertente autuação foram ocorreram em período não abraçado pelo decurso do prazo decadencial debatido nos parágrafos precedentes. Citese, ainda, que o valor da penalidade imposta através do presente Auto de Infração, conforme relatado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fls. 12, é único e indivisível, isto é, independe do número de infrações cometidas, bastando, para a sua caracterização e imputação, a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade. Nesse contexto, há que se considerar que o reconhecimento da decadência parcial acima delineada não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14337.000263/200714 Acórdão n.º 230201.607 S2C3T2 Fl. 52 9 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000037/2002-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A base de cálculo da Cofins é o faturamento e, em virtude de
inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF,
devem ser excluídas dessa base as receitas tributadas com base no dispositivo
legal declarado inconstitucional.
ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ATIVIDADE PRÓPRIA.
A receita decorrente da prestação de serviço para cumprimento de convênio
firmado pela entidade de educação e de assistência social configura receita de
atividade própria quando o serviço prestado está previsto no objeto social da
entidade.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE INFERIOR AO DE ALÇADA. NÃO
CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso de ofício de decisão que tenha exonerado crédito
tributário de valor inferior ao limite de alçada definido pelo Ministro de
Estado da Fazenda.
Recurso de ofício não conhecido
Numero da decisão: 3402-001.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício, por tratarse
de exoneração de crédito tributário em valor
inferior ao limite de alçada, e dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente INSTITUTO DAS IRMÃS DE SANTA MARCELINA Recorrida DRJ em CAMPINASSP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da Cofins é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas dessa base as receitas tributadas com base no dispositivo legal declarado inconstitucional. ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita decorrente da prestação de serviço para cumprimento de convênio firmado pela entidade de educação e de assistência social configura receita de atividade própria quando o serviço prestado está previsto no objeto social da entidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE INFERIOR AO DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso de ofício de decisão que tenha exonerado crédito tributário de valor inferior ao limite de alçada definido pelo Ministro de Estado da Fazenda. Recurso de ofício não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por tratarse de exoneração de crédito tributário em valor inferior ao limite de alçada, e dar provimento ao recurso voluntário. Nayra Bastos Manatta Presidente. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (presidente), Júlio César Alves Ramos, Angela Sartori, Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Leonardo Siade Manzan Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração, com ciência em 21 de junho de 2002, para formalizar a exigência tributária relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período entre janeiro de 1997 e dezembro de 2000, com a multa aplicável nos lançamentos de ofício e os juros moratórios correspondentes. Ensejou a constituição de ofício do crédito tributário a constatação de que a contribuinte deixara de declarar e de recolher a Cofins incidente sobre receitas auferidas classificadas contabilmente como “outras receitas”, tendo em vista que a isenção de que goza abrange apenas as receitas de suas atividades próprias. A peça fiscal foi impugnada e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP (DRJ/CPS) julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 152 a 160, para cancelar integralmente a exigência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1997 a janeiro de 1999, inclusive, e parte do crédito tributário referente aos demais períodos de apuração, fundamentada no entendimento de que as ditas receitas gerais, constituídas de receitas de atividades religiosas, cooperadores, diversas, donativos de pessoas físicas e jurídicas, recuperação de despesas e reembolsos, utilidades/folha de pagamento, encontros, cursos e retiros, configurariam receitas da atividade própria e, por isso, deveriam ser excluídas da base de cálculo da Cofins. A DRJ/CPS recorreu de ofício de sua decisão, com fundamento na Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Ciente do Acórdão proferido pelo colegiado de piso, em 22 de dezembro de 2006, a contribuinte protocolizou, em 22 de janeiro de 2007, o recurso voluntário constante das fls. 219 a 258 para alegar, em síntese, que: I – é organização religiosa, constituída como pessoa jurídica de direito privado, sem fins econômicos e lucrativos, de caráter confessional, educacional e de assistência social, com a finalidade de evangelização dos povos por meio da educação e da assistência social e que presta serviços gratuitos e permanentes, por meio de creches, escolas, faculdades, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A Processo nº 19515.000037/200236 Acórdão n.º 340201.046 S3C4T2 Fl. 457 3 hospitais, postos de saúde, ambulatórios médicos e obras sociais e missionárias, sem discriminação de clientela, caracterizada como entidade beneficente de assistência social e, por isso, imune aos impostos e às contribuições para a seguridade social, conforme arts. 150, inc. VI, “c”, e 195, § 7º, da Constituição Federal; II – a totalidade de seus recursos econômicos e financeiros é aplicada na consecução de suas finalidades; III – colabora com a missão do Estado, mantendo atividade de caráter religioso, educacional, de assistência à saúde e de assistência social, sem fins lucrativos, atendendo às disposições do art. 14 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN); IV – é imune à Cofins por força do art. 195, § 7º, da Constituição Federal e pelo art. 6º, inciso III, da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; V – os valores que serviram de base de cálculo são inadequados, uma vez que todas as receitas estão vinculadas ao atendimento de suas finalidades institucionais, isto é, são próprias de suas atividades, todas elas previstas em seu estatuto social; VI – não há caráter contraprestacional, uma vez que seus serviços não são remunerados; VII – todas as suas receitas são destinadas ao seu custeio e à manutenção de suas finalidades institucionais; VIII – é a Lei Complementar que regulamenta os arts. 150, inc. VI, “c”, e 195, § 7º, da Constituição Federal é o CTN; IX – a Lei nº 9.718, de 1998, padece de vício insanável de inconstitucionalidade; X – não há suporte jurídico constitucional para a exigência da Cofins, visto tratarse de entidade de educação e de assistência social, como reconheceu a própria Auditora Fiscal autuante e o Relator da instância recorrida; XI – ao se exigir a Cofins da recorrente, estáse fazendo incidir tributo sobre o seu patrimônio, a sua renda ou seus serviços, com desrespeito às limitações ao poder de tributar; X – a cobrança da Cofins, no caso, é inconstitucional por ferir o estado de direito, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito; XI – todas as receitas incluídas na base de cálculo da Cofins pela fiscalização estão previstas no seu estatuto social e são receitas institucionais, essenciais e típicas da recorrente , não sendo decorrentes de contraprestação de serviços; e XII – o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998; Ao final, a recorrente solicitou que se julgue insubsistente, improcedente e incabível o auto de infração e, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, que sejam Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A 4 cancelados os juros multas e encargos, por tratarse de entidade beneficente, sem fins econômicos e lucrativos. Na sessão de 04 de novembro de 2008, a Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a fiscalização informasse se a recorrente atendia os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 14 do CTN. O processo retornou a este colegiado com a informação de que a contribuinte não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), mas atenderia os requisitos do art. 14 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Inicialmente, quanto ao recurso de ofício, notese que, conforme quadro resumo elaborado na decisão recorrida, o valor da Cofins excluída foi de R$ 459.573,13 (quatrocentos e cinquenta e nove mil quinhentos e setenta e três reais e treze centavos), que, somado à multa de ofício, totaliza R$ 804.252,98 (oitocentos e quatro mil duzentos e cinqüenta e dois reais e noventa e oito centavos). Assim sendo, uma vez que esse valor é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, para interposição do recurso de ofício, não se pode conhecer do recurso ofertado pelo Presidente da Turma de Julgamento do colegiado de piso. Relativamente ao recurso voluntário, esclareçase que a diligência solicitada, visava à formação da convicção de alguns conselheiros deste colegiado que, até então, não afastavam a incidência do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, por inconstitucionalidade declarada pelo pleno do STF, para definição da base de cálculo da Cofins. Contudo, entre a proposta da diligência e o retorno destes autos para julgamento, o entendimento de que deve ser afastado o dispositivo legal em questão ganhou novos adeptos e, considerando que, após a decisão da DRJ/CPS, a exigência tributária remanescente referese a fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 1999, o litígio será solucionado, independentemente do atendimento de requisitos para gozo da imunidade. Notese que, na autuação, as receitas tributadas foram classificadas em quatro grupos identificados na decisão recorrida, que transcrevo: (...) 1.4.1. Receitas financeiras e patrimoniais (alugueres ativos, descontos e abatimentos, diversos, juros ativos e rendimentos de investimentos); Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A Processo nº 19515.000037/200236 Acórdão n.º 340201.046 S3C4T2 Fl. 458 5 14.2. Receitas de convênios filantrop./assist. (ASM Colégio Muiraé, Colégio Santa Marcelina SP, ASM Colégio S. Marcelina RJ, Colégio Santa Marcelina Castelo, Casa Santa Marcelina, Centro do Menor Santa Marcelina, ASM – Faculdade Santa Marcelina); 14.3. Receitas transitórias e eventuais (variação monetária e rendas eventuais); 14.4. Receitas gerais (atividades religiosas, cooperadores, diversas, donativos de pessoas físicas e jurídicas, recuperação de despesas e reembolsos, utilidades/folha de pagamento, encontros, cursos e retiros). (...) As receitas gerais já foram excluídas no julgamento da 1ª instância. Quanto às “receitas financeiras e patrimoniais” e às “receitas transitórias e eventuais”, não pode subsistir a autuação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, e o dever da Administração Pública de afastar a aplicação desse dispositivo, estando este colegiado diante de hipótese prevista no art. 62, parágrafo único, inc. I, do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que prescreve: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Cabe então lembrar que o STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 390.840MG, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da supramencionada lei, tendo o Acórdão correspondente transitado em julgado em 5 de setembro de 2006. Ora, a disposição regimental acima transcrita emana do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, que, a meu ver, no parágrafo único do seu art. 4º, trata de situação excepcional ao caput do artigo, pois, não mantendo o Carf subordinação hierárquica ao Secretário da Receita Federal, tampouco ao ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, seria exdrúxulo supor que a atuação desses órgãos julgadores estivesse vinculada a determinações emanadas dessas autoridades. Nesse ponto, frisese que o próprio caput do art. em comento limita a abrangência dessas determinações ao âmbito das respectivas competências, referindo se, com isso, não só à segregação das competências do Secretário da Receita Federal e do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, mas também à delimitada esfera de atuação de cada um, que, a todas as luzes, nesse particular, não alcança os órgãos julgadores da segunda instância administrativa. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A 6 Destarte o Decreto em tela, ao dispor sobre os procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em virtude de decisões judiciais, expressamente impôs aos órgãos julgadores da administração fazendária o dever de afastar dispositivo declarado inconstitucional e, se tal dever não era cumprido até a publicação do novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, é porque anterior disposição regimental, materializada no art. 22A introduzido pela Portaria MF nº 103, de 23 de abril de 2002, no regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, vedava expressamente o afastamento de dispositivo legal em virtude de inconstitucionalidade, na hipótese de que aqui se cuida. Assim, a alteração da norma regimental, desde a Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, evidencia a mudança de entendimento sobre a matéria do Sr. Ministro da Fazenda e, nesse ponto, não se pode olvidar a subordinação direta dos Conselhos de Contribuintes a esse Ministro de Estado. Destarte, devem ser excluídas da base de cálculo da Cofins os valores correspondentes às “receitas financeiras e patrimoniais” e às “receitas transitórias e eventuais”. Relativamente às receitas de convênio, não comungo o entendimento esposado na decisão recorrida de que, sendo tais receitas decorrentes de prestação de serviços, seriam próprias de atividade de natureza econômicafinanceira. Ora, se tais serviços são próprios da atividade da recorrente, e o são, as receitas advindas d a prestação desses serviços figuram no âmbito das receitas de atividade própria da recorrente, estando, pois, alcançadas pela isenção prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Pelas razões expostas, voto pelo provimento do recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721743/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE VÍNCULOS.
A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
O pagamento de comissões a contribuintes individuais sujeita-se a incidência de contribuições sociais.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2401-002.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2006; e II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A no auto de infração nº 37.346.299-9, sendo que este último, dava provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os juros sobre a multa de ofício.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Provido em Parte. O pagamento de comissões a contribuintes individuais sujeita-se a incidência de contribuições sociais. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2006; e II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A no auto de infração nº 37.346.299-9, sendo que este último, dava provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os juros sobre a multa de ofício. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Os valores pagos a titulo de prêmio de incentivo à produtividade integram o saláriodecontribuição, pois não se incluem nas hipóteses de isenção contempladas no §9° do art. 28 da Lei 8.212/91. PAGAMENTO DE COMISSÕES A PESSOAS FÍSICAS SEM VÍNCULO DE EMPREGO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O pagamento de comissões a contribuintes individuais sujeitase a incidência de contribuições sociais. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 PRAZO DECADENCIAL. CONCLUSÃO ACERCA DE ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 43 /2 01 1- 35 Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Quando se conclui, com esteio nos elementos constantes dos autos,que houve antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2006; e II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A no auto de infração nº 37.346.2999, sendo que este último, dava provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os juros sobre a multa de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.338 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 38.656 de lavra da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 37.346.3006: exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; b) AI n.º 37.346.3014: exigência de contribuições patronais para outras entidades ou fundos; e c) AI n.º 37.346.2999: aplicação de penalidade por declaração da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o relatório fiscal, os fatos geradores foram os pagamentos de remuneração a segurados empregados e contribuintes individuais, os quais não foram declarados na GFIP. As remunerações a segurados empregados consistiram de créditos em cartões emitidos por empresas contratadas para prestação de serviços de marketing de incentivo. Os valores foram obtidos com base nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviço, de onde apurouse o total líquido repassado aos segurados correspondente a diferença entre o total da fatura e os custos do serviço prestado. Quanto aos contribuintes individuais, as bases apuradas corresponderam a diferença entre os pagamentos constantes das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e as remunerações declaradas nas GFIP. Cientificado das lavraturas em 20/12/2011, a empresa ofertou impugnação, fls. 308/358, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que a declarou improcedente, mantendo integralmente os créditos lançados. A DRJ afastou a decadência, concluindo que deveria ser aplicada norma do art. 173, I, do CTN, posto que as contribuições lançadas não foram declaradas na GFIP e nem houve recolhimento destas. Não foi acolhida a tese de exclusão dos dirigentes da empresa da Relação de Vínculos, por entender o órgão recorrido que inexiste responsabilização tributária para as pessoas arroladas, mas mera informação, que poderá ou não ser utilizada em futuro processo de execução. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Quanto à alegada conexão, a DRJ ponderou que todos os processos lavrados na ação fiscal estavam sendo julgados, mesmo não reconhecendo que houvesse dependência entre todos os processos. No mérito, a DRJ entendeu que os pagamentos mediante cartões de premiação integram o saláriodecontribuição e que o fisco delimitou com precisão a base de cálculo, não havendo o que se falar em afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Afirmouse que os prêmios tem nítida feição retributiva, não devendo prevalecer a tese de que não teriam caráter salarial. Concluise ainda que os pagamentos a contribuintes individuais tratavamse de comissões, sendo legítima a sua tributação. Também foi rejeitado o argumento de que houve prêmios repassados a pessoas físicas sem vínculo de emprego. O órgão recorrido entendeu que o fisco demonstrou a contento que os bônus eram repassados apenas aos empregados da recorrente. A existência de juros sobre a multa de ofício foi repelida pela DRJ, que indeferiu o pedido para juntada de novos documentos e para a realização de sustentação oral no julgamento de primeira instância. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 1.285/1.327, no qual, após tecer comentários sobre suas atividades empresariais e acerca dos principais fatos do processo, em síntese, alegou que: a) ocorreu decadência para os fatos geradores ocorridos antes de 20 de dezembro de 2006; b) devem ser unificados em um único processo os AI sob cuidado e o AI n.º 51.011.1416; c) o fisco não respeitou o princípio da verdade material ao tributar verbas que estão fora do campo de incidência de contribuições, como é o caso dos pagamentos a título de marketing de incentivo a seus funcionários e dos pagamentos a empregados de outras empresas, como forma de estimular a venda dos produtos da recorrente; d) os valores repassados em programas de premiação a empregados e não empregados, independentemente da forma do repasse, não integram o conceito de saláriode contribuição; e) apresenta situações em que os empregados da recorrente receberam os prêmios por uma única vez durante todo o período fiscalizado, o que demonstra que as parcelas não tem caráter de salário, por faltarlhe o requisito da habitualidade; f) os prêmios representam liberalidade do empregador e não contraprestação, posto que somente é pago caso o empregado atinja a meta fixada no programa; g) os pagamentos destinados a empregados de outras empresas também não devem sofrer a incidência de contribuições, posto que não há relação de emprego ou prestação de serviços, mas apenas incentivo para venda de produtos da empresa que instituiu o programa de premiação, no caso, a recorrente; Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.339 5 h) não há de se exigir a declaração dos referidos pagamento em GFIP, posto que não se está diante de fatos geradores de contribuições; i) é ilegal a aplicação da taxa Selic para fins tributários; j) os administradores não podem figurar no “Relatório de Vínculos”, posto que inexistem os requisitos legais para sua responsabilização pelos créditos em questão; k) não há de se admitir a incidência de juros sobre a multa de ofício. Ao final, pede o cancelamento das lavraturas. É o relatório. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três regras que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.340 7 Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo do Débito, os autos levamnos a concluir que há recolhimentos para o período, uma vez que na ação fiscal sob enfoque foram apuradas contribuições apenas sobre as verbas pagas mediante cartão de premiação e sobre comissões, o que sugere que a empresa efetuava recolhimentos decorrentes de outros fatos geradores. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendemos que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Esse posicionamento conduz à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2006, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 20/12/2011. Reunião de processos O sujeito passivo requereu a reunião dos AI incluídos no processo sob enfoque com o AI n.º 51.011.1416, aduzindo que se tratam de lavraturas conexas. O referido auto de infração foi lavrado para aplicação de multa por falta de apresentação de documentos solicitados durante a ação fiscal. Por esse motivo, não enxergamos a aludida conexão, posto que essa lavratura tem existência independente das demais. No processo ora julgado, estamos diante de autuações para exigência de obrigação principal (pagamento do tributo) e para punição pela falta de declaração de fatos geradores na GFIP, as quais podem ser declaradas procedentes e, ao mesmo tempo, ocorrer do AI n.º 51.011.1416 ser cancelado por falta de comprovação da ocorrência da infração. Do mesmo modo, pode a autuação decorrente da falta de apresentação de documentos ser mantida e as demais serem afastadas caso se entenda que inocorreram os fatos geradores apontados pelo fisco. É perfeitamente possível que em uma auditoria verifiquese que todas as contribuições foram recolhidas e declaradas na GFIP, mas haja necessidade de punir a empresa, pelo fato desta não cumprir o seu dever de colaborar com a fiscalização, deixando de apresentar elementos requeridos pela Autoridade Fiscal. Todavia, mesmo não reconhecendo a obrigatoriedade de que os processos sejam julgados conjuntamente, resolvemos indicar para pauta todos os processos lavrados na ação fiscal, da mesma forma como procedeu o órgão de primeira instância. Assim, resta atendido o pedido do sujeito passivo, quanto ao julgamento conjunto dos processos. Exclusão dos administradores do Relatório de Vínculos O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas. Os administradores, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Incidência de contribuições sobre os valores pagos a contribuintes individuais Um primeiro ponto a se observar é que a empresa não se contrapõe aos valores lançados, afirma, no entanto, que as quantias pagas a pessoas físicas, declaradas na DIRF e não constantes da GFIP, não sofrem incidência de contribuições, posto que destinadas a empregados de outras empresas, as quais recebiam prêmios para incrementar a venda de produtos da recorrente. Não é essa a situação que os autos revelam. De acordo com o fisco, ao se deparar com divergências entre as remunerações declaradas na DIRF e aquelas constantes na GFIP para segurados contribuintes individuais, intimou o sujeito passivo a esclarecer a discrepância, tendo como resposta a indicação de que os pagamentos declarados na DIRF com o código de retenção “0588” referiamse a comissões. O enquadramento legal das pessoas físicas que receberam comissões da empresa deve ser feito na categoria de contribuintes individuais, conforme alínea “g” do inciso V do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Na acepção remuneratória do termo, comissão indica um valor a ser pago em razão de serviço de intermediação comercial, em que o beneficiário geralmente recebe um percentual sobre o valor da transação. Assim, se houve o pagamento de comissão, obviamente esta se deu em razão da prestação de um serviço remunerado, a qual é fato gerador de contribuições, como se extrai do conceito de salário de contribuição para o segurado contribuinte individual, constante na Lei n.º 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.341 9 III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) De se concluir que as comissões pagas a pessoas jurídicas sem vínculo de emprego sofrem a incidência de contribuições previdenciárias, por representarem remunerações por serviços prestados por contribuintes individuais. Dos pagamentos a empregados mediante cartões de premiação. Quanto a esse ponto do lançamento, o sujeito passivo também não se insurge contra os valores apresentados pela auditoria. O seu questionamento é no sentido que as verbas não se enquadram no conceito de salário, por lhes faltar o caráter de habitualidade. Iniciemos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Para nós esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.342 11 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) À luz da legislação citada, o melhor entendimento é o de que somente não incidem contribuições sobre os ganhos eventuais, se esses forem pagos como mera liberalidade do empregador, sem que possuam qualquer caráter de retributividade. O que, temos certeza, não se aplica a situação de pagamento de bônus de incentivo. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações efetuadas mediante créditos em cartões eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores, as quais correspondiam, nos termos do regulamento apresentado, a 1,5% do lucro líquido que o gerente tivesse aportado para o banco empregador, sendo que os superintendentes eram premiados na mesma proporção, mediante a soma das gratificações de todos os gerentes sobre a sua área de atuação. Além disso, todos os gerentes e superintendentes ganhavam R$ 200,00 por cada novo cliente ativo. Na verdade, esses pagamentos, malgrado sejam concedidos em razão do alcance das metas acima referidas, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabia, a priori, que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, faria jus ao bônus. Independentemente de determinados segurados terem sido beneficiados apenas uma vez no período fiscalizado, como ressaltado no recurso, as premiações devem se sujeitar a incidência de contribuições, posto que decorrentes do esforço do empregado para cumprir as regras determinadas pelo empregador, caracterizandose como contraprestação pelo resultado obtido em termos de lucratividade e número de clientes captados. Portanto, deve ser afastada a tese de que as premiações eram eventuais e que não tinham caráter contraprestativo. De se concluir que o fisco atuou dentro das balizas legais ao lançar as contribuições sobre as parcelas pagas aos empregados mediante programa de marketing de incentivo. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Juros sobre multa de ofício A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.343 13 Esse posicionamento é adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Processo n.º 16327.002244/9933, Relator Conselheiro Elias Freire, Sessão 16/02/2012) Assim, curvamonos à jurisprudência predominante nesse Tribunal Administrativo para afastar a tese recursal de que não pode incidir juros sobre a multa de ofício imposta nos lançamentos guerreados. Conclusão Voto por reconhecer a decadência até competência 11/2006 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.003192/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
ALEGAÇÕES. ÔNUS PROBATÓRIO.
Cabe ao contribuinte aportar aos autos os elementos de prova capaz de servir de suporte para as suas alegações de defesa. No caso vertente, a simples alegação de que parte das receitas computada nas bases de cálculo das exigências formalizadas não foram auferidas, haja vista a ocorrência de vendas canceladas e o não pagamento do preço, por si só, não é capaz de elidir o feito fiscal, seja pela ausência da comprovação dos fatos, seja em virtude do regime de tributação aplicado de ofício ou de escrituração dos resultados adotado pela fiscalizada.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA.
Ausentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos valores apurados por meio do procedimento de ofício, seriam capazes de demonstrar a sua efetiva participação nas infrações detectadas, descabe incluí-lo no pólo passivo da obrigação tributária constituída.
Numero da decisão: 1301-001.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso impetrado pela empresa autuada e DAR PROVIMENTO aos recursos interpostos pelos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata, para excluí-los do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. ALEGAÇÕES. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte aportar aos autos os elementos de prova capaz de servir de suporte para as suas alegações de defesa. No caso vertente, a simples alegação de que parte das receitas computada nas bases de cálculo das exigências formalizadas não foram auferidas, haja vista a ocorrência de vendas canceladas e o não pagamento do preço, por si só, não é capaz de elidir o feito fiscal, seja pela ausência da comprovação dos fatos, seja em virtude do regime de tributação aplicado de ofício ou de escrituração dos resultados adotado pela fiscalizada. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. Ausentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos valores apurados por meio do procedimento de ofício, seriam capazes de demonstrar a sua efetiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 92 /2 01 0- 14 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 831 2 participação nas infrações detectadas, descabe incluílo no pólo passivo da obrigação tributária constituída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso impetrado pela empresa autuada e DAR PROVIMENTO aos recursos interpostos pelos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata, para excluílos do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 832 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS), relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas em virtude das infrações adiante descritas. Diante da ausência dos livros fiscais e contábeis, a auditoria foi efetuada tomandose por base as informações consignadas em declarações apresentadas à Receita Federal (DIPJ, DACON e DCTF) e as que foram fornecidas à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo por meio de Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA). Promovendo o confronto entre os valores relativos às receitas auferidas transmitidos à Receita Federal e os que foram repassados à Fazenda estadual, a Fiscalização constatou a seguinte divergência: Receita Federal: R$ 106.306,58 Receita Estadual: R$ 10.385.182,95 Os sócios da fiscalizada, intimados a prestar esclarecimentos acerca do fato, informaram, por meio de procurador habilitado, que em virtude do extravio dos livros fiscais e contábeis não tinham como esclarecer a situação apontada pela Fiscalização. Diante da constatação e da ausência de documentação contábil e fiscal, a autoridade fiscal promoveu o arbitramento do lucro com base na receita conhecida, aplicou multa qualificada de 150% e imputou responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores da contribuinte, SÉRGIO DA SILVA BUENO e ALEXANDRE NORIYOSHI HIRATA. Inconformada, a autuada interpôs impugnação, momento em que trouxe os seguintes argumentos: que a Fiscalização presumiu que os valores informados nas GIAs teriam sido omitidos da sua DIPJ e DCTF; que esta presunção resultou em uma conclusão falsa, pois não foram considerados os valores das receitas não pagas pelos clientes e as devoluções de mercadorias realizadas em 2007; que “tais fatos deveriam ter sido, necessariamente, investigados pela fiscalização, em razão do seu dever de identificar todas as hipóteses possíveis para caracterização da materialidade tributável, de acordo com o artigo 142 do Código Tributário Nacional”;. que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por diversas vezes, declarou, por meio de acórdãos, que o erro na determinação da base de cálculo macula Fl. 837DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 833 4 de forma insanável o auto de infração, de modo que “o descumprimento desse dever caracteriza a nulidade absoluta do respectivo auto de infração, pois macula o caráter vinculado e obrigatório do lançamento tributário”; que o fato de não ter apresentado seus livros fiscais e contábeis, em razão de extravio, não autoriza a Fiscalização a desconsiderar eventuais devoluções de mercadorias no ano posterior ao período fiscalizado; que em momento algum durante o procedimento de fiscalização foi requerido, pela autoridade fiscal, os documentos relativos ao anocalendário de 2007, evidenciando o descaso da Fiscalização com o seu dever de apurar adequadamente eventuais devoluções de mercadorias, para fins de apuração da sua receita bruta; que as devoluções de mercadorias (em 2007) e o nãopagamento das faturas pelos clientes deixaram de ser registrados em GIA, de modo que não foi informada às autoridades fiscais estaduais a efetiva receita bruta por ela apurada; que há grande dificuldade prática na retificação da GIA pelo contribuinte nos casos em que deve ser reduzido o montante de ICMS informado nessa declaração, pois, de acordo com o artigo 18, inciso I, alínea “b”, do Anexo V, da Portaria CAT nº 92/98, a referida retificação deve ser submetida à aprovação do Posto Fiscal correspondente, em procedimento demorado e, por vezes, sem definição; que também a sua má gestão no fim do ano de 2006 e início de 2007, que ficou evidenciado pelo grande número de devoluções em 2007 e pela falta de pagamento das faturas, resultou no Distrato Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), em junho de 2007; que, por tais motivos, os autos de infração deveriam ser cancelados, ou o julgamento deveria ser convertido em diligência, para apuração correta dos fatos; que o artigo 44, da Lei nº. 9.430/96 esclarece que a aplicação da multa de 150% justificase quando a Fiscalização comprova a prática de uma “ação ou omissão dolosa” adotada pelo contribuinte ao deixar de pagar tributo, ou seja, quando fica comprovada a existência de dolo do contribuinte em fraudar a Fazenda Pública; que, no caso em discussão, não se pode admitir que o descasamento entre as GIAs e suas declarações de tributos seria suficiente para o agravamento da multa, de 75% para 150%, pois se trata de erros formais de maneira reiterada; que o descompasso entre as declarações em questão decorre da dificuldade de retificar as GIAs, como já abordado, junto à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, não tendo ocorrido qualquer omissão de receita e sim não ocorrência do fato gerador, em razão da devolução de mercadorias; que a comprovação do alegado tornouse impossível porque os documentos fiscais e contábeis foram objeto de extravio, conforme registrado junto às autoridades policiais competentes; que, diante disso, é evidente que existe dúvida quanto à verificação exata da conduta supostamente infracional (artigos: 71; 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), nos termos do Fl. 838DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 834 5 artigo 112 do CTN, sobretudo em face da referida presunção, utilizada nos casos em que há incerteza quanto à matéria fática, justificando a redução da multa agravada, de 150% para 75%. Os apontados como responsáveis solidários, Srs. Alexandre Noriyoshi Hirata e Sérgio Da Silva Bueno, apresentaram suas impugnações, nas quais, repetindo os argumentos trazidos pela contribuinte fiscalizada em sua peça de defesa, aditaram: que o interesse dos sócios nos resultados da empresa jamais poderia se equiparar ao “interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação tributária”; que a solidariedade decorre do fato de uma mesma situação ter acarretado para mais de uma pessoa, originariamente, responsabilidade tributária em relação ao mesmo tributo, sendo esta, inclusive, a situação citada na doutrina invocada pela Fiscalização para demonstrar a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN; que o “interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária” somente pode surgir entre pessoas que estejam vinculadas diretamente à referida situação, por terem se tornado sujeitos passivos em razão da sua materialização, ou seja, são responsáveis solidários apenas os coautores de uma materialidade tributária, e não aqueles que têm meros interesses econômicos na sua realização, nem aqueles cujas decisões favoreceram indiretamente a criação da referida materialidade; que apenas as pessoas que tenham poder de gerência (administradores ou sóciosgerentes) podem ser responsabilizados por débitos da pessoa jurídica, e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos por eles praticados com excesso de poder ou infração da lei, contrato social ou estatuto; que, nesses casos, a responsabilidade não decorre do artigo 124, inciso I, do CTN, mas do artigo 135, inciso III, do mesmo Código Tributário Nacional (CTN); que, no presente caso, a Fiscalização não demonstrou, nem sequer alegou, que as supostas irregularidades nas declarações da empresa teriam decorrido de atos praticados pelos seus sócios; que a comprovação exigida pelo artigo 135, III, do CTN, não admite presunção, sendo necessário que a Fiscalização demonstre o nexo causal entre a conduta do sóciogerente e a infração supostamente identificada na respectiva pessoa jurídica. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pelas defesas, decidiu, por meio do acórdão nº. 16 36.105, de 09 de fevereiro de 2012, pela procedência dos lançamentos tributários, considerando, também, correta a imputação de responsabilidade tributária promovida pela Fiscalização. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Mesmo que tivesse sido provada a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do lançamento de ofício, o que não foi provado, não seria motivo de anulação dos auto de infração, mas sim, de retificação. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 835 6 OMISSÃO DE RECEITA. VALOR DECLARADO NA “GIA” E NÃO INFORMADO NA “DIPJ”. É válido o lançamento realizado em decorrência da comprovação da omissão de receita caracterizada pela não informação à Receita Federal do Brasil, através da DIPJ, de valor de receita declarado, por meio da GIA, para o fisco Estadual. LUCRO ARBITRADO. Correto o arbitramento do lucro quando os livros fiscais e contábeis não forem apresentados, em decorrência de extravio, conforme previsto nos incisos do artigo 530, do RIR/99. MULTA QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o IRPJ e lançamentos reflexos decorrente das receitas omitidas, pois a conduta do contribuinte se enquadrou no previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, ao sonegar imposto e contribuições não informando valores de receitas tributáveis na DIPJ, agindo reiteradamente com essa finalidade, tentando impedir o conhecimento, por parte das autoridades tributárias, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária aplicada aos sócios administradores, com base no artigo 135, do CTN, em decorrência dos atos praticados com infração de lei. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 553/622, por meio do qual, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que o caso trata de sucessão tributária, visto que, conforme Contrato de Compra e Venda de Ativos, ela foi vendida para a empresa MARFRIG FRIGORÍFICOS E COMÉRCIO DE ALIMENTOS S/A, motivo pelo qual não poderia responder pelos débitos. Apresentaram também recursos os senhores SÉRGIO DA SILVA BUENO e ALEXANDRE NORIYOSHI HIRATA, indicados como responsáveis tributários. Na mesma linha da empresa autuada, renovam as alegações esposadas nas impugnações anteriormente apresentadas. É o Relatório. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 836 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Os recursos impetrados devem ser conhecidos, eis que atendidos os requisitos de admissibilidade. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas em virtude da constatação de omissão de receitas, apurada a partir do confronto entre os valores declarados à Receitas Federal e os informados à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo. Os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL foram efetuados com base no lucro arbitrado, foi imputada responsabilidade tributária aos sócios da fiscalizada e foi aplicada multa qualificada de 150%. As exigências foram mantidas, na íntegra, pela autoridade julgadora de primeira instância, razão pela qual a contribuinte e os responsáveis solidários interpuseram recursos voluntários. Aprecio, pois, as razões de defesa trazidas pela autuada e pelos demais Recorrentes. EMPRESA BRASILEIRA DO HAMBÚRGUER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA Alega a Recorrente que o presente caso envolve sucessão tributária, nos termos do art. 133 do Código Tributário Nacional (CTN), conforme contrato que diz anexar. Afirma que, em virtude de tal fato, não pode ser responsabilizada pelos débitos objeto dos Autos de Infração. Em primeiro lugar, cabe registrar que a argumentação em referência, bem como a documentação que lhe serve de suporte, foi trazida pela Recorrente somente por ocasião da interposição da peça recursal, isto é, tanto no curso da ação fiscal como por ocasião da apresentação da impugnação, ela não fez qualquer pronunciamento acerca deste fato. Como é cediço, nos termos do disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, abaixo transcrito, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De qualquer forma, ainda que assim não fosse, os documentos aportados ao processo pela Recorrente indicam que não estamos diante de sucessão tributária, eis que o contrato de fls. 615/622 trata de COMPRA E VENDA DE ATIVOS. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 837 8 Tenho por certo, ainda, que, caso a Fiscalização tivesse tomado conhecimento de referida documentação, os fundamentos utilizados tanto para imputar responsabilidade aos sócios como para qualificar a penalidade aplicada teriam uma excelente peça de reforço. Com efeito, tomandose por base as informações constantes no Termo de Verificação Fiscal de fls. 200/2071, a conduta da contribuinte de omitir receitas ao Fisco federal revelase de natureza reiterada, de modo que, dentro desse contexto, a alienação de ativos poderia ser vista como uma medida que tinha por objetivo tornar inócua uma futura execução fiscal. EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS Sustenta a Recorrente que a Fiscalização presumiu que os valores informados ao Fisco estadual teriam sido omitidos na DIPJ, DCTF e DACON. Diz que tal presunção resultou em uma conclusão falsa, visto que na apuração das bases de cálculo dos tributos e contribuições exigidos não foram considerados o montante de pagamentos que deixaram de ser realizados pelos seus clientes e as devoluções de mercadorias realizadas em 2007, ano posterior ao auditado pela Fiscalização. O equívoco, penso, não está no procedimento adotado pela autoridade fiscal, mas, sim, na argumentação expendida pela ora Recorrente. Em primeiro lugar, caberia à contribuinte (e não à Fiscalização) aportar aos autos os elementos que poderiam servir de lastro para as suas alegações. Noto ainda que, considerada a declaração apresentada à Receita Federal (fls. 160/170), em que não existe registro, na determinação das bases de cálculo das exações devidas, de realização de valores cuja tributação tenha sido diferida, podese concluir que a contribuinte optou pelo regime de competência na tributação dos seus resultados, sendo irrelevante, assim, o pagamento ou não de seus clientes. MULTA QUALIFICADA Argumenta a Recorrente que é descabida a multa de 150% quando, apesar de ser válida a autuação por omissão de rendimentos, a fraude é apenas presumida, e não comprovada pela Fiscalização. Diz que o entendimento da Fiscalização é equivocado, pois não considerou: a) a má gestão da empresa; b) a devolução de mercadorias no ano seguinte ao que foi objeto da ação fiscal; c) o nãopagamento de faturas pelos clientes; d) a incompetência técnica dos seus funcionários; e e) a burocracia e a demora no procedimento de retificação das GIA. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 200/207, extraio os seguintes elementos: i) a contribuinte já havia sido autuada em procedimento anterior, relativamente aos fatos ocorridos no anocalendário de 2005, ocasião em que foi, inclusive lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização; ii) no que tange ao ano submetido ao procedimento fiscal objeto do presente processo (anocalendário de 2006), por meio de confronto entre as informações prestadas ao Fisco estadual e o que foi declarado à Receita Federal, foi apurada uma omissão de receitas no montante de R$ 10.277.875,00; e iii) a contribuinte declarou ao Fisco estadual 1 A Fiscalização noticia que a contribuinte, em procedimento anterior ao que ora se aprecia, foi fiscalizada relativamente ao anocalendário de 2005, tendo sido autuada por omitir receitas. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 838 9 ter auferido receitas no total de R$ 10.385.182,95, enquanto à Receita Federal informou o montante de R$ 106.306,58. Diante de tal quadro, em que a omissão de receitas decorre de prova direta, eis que lastreada em informações prestadas pela própria contribuinte, não há como não se admitir a exasperação da penalidade. Equivocase a Recorrente quando afirma que a caracterização, por parte da Fiscalização, da sua conduta dolosa, decorreu de presunção, pois, como dito, no presente caso estamos diante de prova direta carreada aos autos, representada pela Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) apresentadas por ela própria ao Fisco estadual. Ainda que restassem comprovada nos autos a efetiva ocorrência dos fatos elencados na peça de defesa (devolução de mercadorias e ausência de pagamento de clientes), o que não é o caso, a qualificação adotada pela autoridade fiscal deveria subsistir, vez que, diante da magnitude dos valores sonegados, supostas anulações de receita, nos casos em fossem admitidas, contribuiriam tãosomente para reduzir minimamente o montante a tributar. ALEXANDRE NORIYOSHI HIRATA E SÉRGIO DA SILVA BUENO Os Recorrentes, incluídos no pólo passivo das obrigações tributárias constituídas como responsáveis solidários, inicialmente, reiteram a argumentação expendida pela empresa autuada. Adiante, afirmam que a interpretação que a Fiscalização atribui ao art. 124, I, do CTN, é equivocada, pois o interesse dos sócios nos resultados da pessoa jurídica não pode se equiparar ao “interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação tributária”. Argumentam que apenas as pessoas que tenham poder de gerência (administradores ou sóciosgerentes) podem ser responsabilizados por débitos da pessoa jurídica, e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos por eles praticados com excesso de poder ou infração da lei, contrato social ou estatuto, sendo que, nesses casos, a responsabilidade não decorre do artigo 124, inciso I, do CTN, mas, sim, do artigo 135, inciso III, do mesmo diploma legal. No presente caso, noto que o esforço envidado pela autoridade fiscal foi direcionado no sentido de confirmar o quadro societário da fiscalizada. Nessa linha, reuniu elementos no sentido de comprovar que os Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata foram os administradores da contribuinte. Amparada nas disposições do arts. 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, e ainda em excerto extraído do Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, que apresenta conclusão no sentido de que “o administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade”, a autoridade fiscal imputou responsabilidade tributária aos ora Recorrentes. A rigor, portanto, a imputação de responsabilidade sob análise foi efetuada, única e exclusivamente, em virtude do fato de os Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata terem administrado a empresa fiscalizada no período em que a infração foi praticada. Embora entenda que em situações muito específicas as disposições do art. 124 do Código Tributário Nacional possam servir de base para inclusão de terceiros no pólo passivo da obrigação tributária, penso que a norma estampada no inciso I do referido Fl. 843DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 839 10 dispositivo, na linha do sustentado pelos imputados, não abriga a situação em que a citada inclusão deriva de responsabilidade, seja por substituição, seja por transferência. A meu ver, o inciso I do art. 124 da CTN alcança situações em que a solidariedade se dá entre contribuintes, isto é, entre pessoas que tenham relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Para aplicação do disposto no inciso III do art. 135 do CTN, por sua vez, penso que a autoridade fiscal deve carrear aos autos elementos representativos dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não sendo suficiente para tanto a simples comprovação de que, à época da prática da infração, os sócios administravam a sociedade. No caso vertente, como já dito, a Fiscalização cuidou, apenas, de reunir elementos no sentido de comprovar o exercício da administração da fiscalizada por parte dos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata, sem, entretanto, apontar o ato praticado por eles que, revelando excesso de poder ou contrariando a lei ou o contrato social, concorreu para subtrair da tributação parcela significativa das receitas auferidas. Diante de tais circunstâncias, sou pela exclusão dos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso impetrado pela empresa autuada e DAR PROVIMENTO aos recursos interpostos pelos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata, para excluílos do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 844DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720193/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO.
É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratar-se de matéria nova não submetida ao litígio.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária.
PERÍCIA. DILIGÊNCIA.
Sendo incabível a apreciação dos documentos, resta prejudicado o pedido de realização de perícias e diligências relacionadas à citada documentação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratar-se de matéria nova não submetida ao litígio. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Sendo incabível a apreciação dos documentos, resta prejudicado o pedido de realização de perícias e diligências relacionadas à citada documentação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 953 1 952 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.720193/201166 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.180 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente MARCELLO MARGONARI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratarse de matéria nova não submetida ao litígio. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Sendo incabível a apreciação dos documentos, resta prejudicado o pedido de realização de perícias e diligências relacionadas à citada documentação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 93 /2 01 1- 66 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 362), que reproduzo a seguir: “Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, com ciência do sujeito passivo em 25/08/2011, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercícios 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008, sendo apurados os seguintes valores”: IRPF (sujeito à multa de ofício de 75%) 229.082,69 Multa de Ofício –75% (passível de redução) 171.812,02 Juros de Mora – calculados até 08/2011 62.812,37 Total do crédito tributário apurado 463.707,08 Motivou o lançamento de ofício, conforme Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração, a constatação de omissão de rendimentos no valor de R$ 352.414,01 no anocalendário 2007 e de R$ 504.412,87 no anocalendário 2008, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada por documentação hábil e idônea, após ter sido o contribuinte regularmente intimado a apresentála. Conforme detalhado no Relatório Fiscal, o contribuinte sob ação fiscal foi inicialmente intimado a apresentar seus extratos bancários, e, como os apresentou de maneira incompleta, a autoridade lançadora requisitou às instituições bancárias nas quais o contribuinte manteve contas as informações necessárias. Efetuadas as conciliações nas contas bancárias do fiscalizado, ficou demonstrado que diversos valores creditados em contas de depósitos mantidas pelo interessado, totalizando R$ 856.826,88, não tiveram origens comprovadas com elementos hábeis e idôneos, após intimação com esta finalidade, sendo assim passíveis de lançamento por presunção de omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10970.720193/201166 Acórdão n.º 2201002.180 S2C2T1 Fl. 954 3 O sujeito passivo apresentou impugnação ao lançamento em 25/09/2011, requerendo o cancelamento do débito fiscal alegando que, ao solicitar às instituições financeiras seus extratos bancários, o Fisco feriu o inciso XII, artigo 5º da Constituição Federal, que dispõe sobre os direitos fundamentais à intimidade, à vida privada, à honra, à imagem e ao sigilo, acrescentando que a quebra do sigilo bancário só poderia ser decretada por ordem judicial. É o relatório.” A 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG julgou a impugnação improcedente (fls. 361 a 366), nos termos da ementa a seguir reproduzida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Não configura violação de direitos constitucionais fundamentais a prestação pelas instituições financeiras de informações a que estas estão obrigadas, dentro de parâmetros prédeterminados, acerca da movimentação financeira dos usuários dos seus serviços. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 25/11/2011 (Aviso de Recebimento de fls. 369), o Interessado interpôs, em 22/12/2011, o Recurso de fls. 370 a 376, juntamente com a documentação de fls. 377 a 948, alegando, em suma que: a) os depósitos bancários realizados nas quatro contas correntes possuem origem comprovada, conforme documentação acostada, e não configuram renda. Afirma que é sócio da empresa Bazar Universal Ltda, que presta serviço de apoio para realização de shows, e os valores constantes nos depósitos são decorrentes do pagamento realizado pelos clientes do serviço prestado, incluindo os gastos e despesas, conforme as notas fiscais anexas; b) os referidos depósitos bancários não são caracterizados como renda, uma vez que tais valores eram o lucro da empresa já qualificada, bem como o pagamento de mãodeobra e mercadorias necessárias ao desenvolvimento da atividade mercantil; c) discorre sobre princípios constitucionais que, segundo seu entendimento, resguardariam seus interesses no caso em apreço. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Diante do exposto requer o cancelamento da autuação e que seja realizada a perícia nos documentos, diligências para comprovação de entradas, depósitos, e saídas de contas bancárias, pois alega que não possui competência para tanto. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso foi apresentado tempestivamente. Como se nota, em seu Recurso o Recorrente inova, não mais discorrendo sobre a inconstitucionalidade do procedimento por violação aos direitos fundamentais à intimidade, à vida privada, à honra, à imagem e ao sigilo mas trazendo questionamentos que não foram expostos em sua impugnação, como violação a outros princípios constitucionais e alegação de prova da origem dos depósitos bancários. Quanto aos princípios constitucionais que, segundo o Recorrente, teriam sido desrespeitados, convém ressaltar que, nos termos da Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, e o reconhecimento de que tais princípios foram desrespeitados implica no pronunciamento da inconstitucionalidade das leis que os teriam afrontado, que fundamentaram o lançamento. Súmula CARF nº 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No que diz respeito à alegação de que depósitos bancários sem origem comprovada não configuram renda, cumpre assinalar que este Conselho já pacificou o entendimento em sentido contrário, por meio da Súmula CARF nº 26, que assim dispõe: Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.”(destaquei) Assim, tornase dispensável tecer maiores comentários sobre a matéria. Acerca da inovação nos argumentos da defesa, é importante destacar que o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido, determina que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Ou seja, todas as alegações de defesa devem ser expostas na peça impugnatória. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Fl. 956DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10970.720193/201166 Acórdão n.º 2201002.180 S2C2T1 Fl. 955 5 Cumpre assinalar que o Recurso Voluntário é um instituto processual destinado a combater a decisão recorrida, com o intuito de reformála. Assim deve questionar os fundamentos daquela decisão, não podendo trazer novos argumentos que não foram argüidos na impugnação ou que não estejam relacionados com o que foi decidido, sob pena de preclusão. No caso em apreço na impugnação não foi alegado que os depósitos bancários possuíam origem comprovada, logo não se instaurou o litígio quanto a esta matéria, precluindo o direito de o Contribuinte questionála em sede recursal, haja vista que não foi objeto de apreciação pelo órgão julgador de primeira instância. Assim, não havendo a decisão recorrida se manifestado sobre a prova da origem dos depósitos bancários, em virtude de não ter sido alegada na impugnação, não há que se falar em reforma do julgado em relação a essa questão. Por tais razões o recurso não deve ser conhecido quanto à alegação de que os depósitos bancários têm origem comprovada. Ainda que fosse possível a apreciação dos questionamentos apresentados no Recurso, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, as notas fiscais apresentadas pelo Contribuinte, visando à comprovação da origem dos depósitos, foram anexadas somente nesta instância recursal, sendo que o § 4º do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido, estabelece que as provas devem ser apresentadas na impugnação, com exceção das situações ali descritas, que não foram verificadas neste caso. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” Em que pese existirem decisões deste Conselho admitindo a apresentação de provas em sede recursal, entendo que no caso de lançamento decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada essa permissão não é válida, dada a natureza da infração, que se aperfeiçoa exatamente na ausência de prova da origem de tais depósitos. Isso porque como não cabe ao julgador desclassificar a tributação de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem comprovada para uma tributação específica, quando a origem é comprovada e os rendimentos estão sujeitos à tributação específica, o contribuinte pode utilizar o artifício de apresentar os documentos comprobatórios somente quando da interposição do Fl. 957DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 recurso voluntário, para evitar que seja autuado pela tributação específica, haja vista que o prazo para realizar esse lançamento já pode ter decaído. Por tais razões voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE provimento. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 958DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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