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Numero do processo: 14474.000057/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/05/2007
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. INFRAÇÃO.
Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação.
No presente caso, ficou demonstrada a ocorrência da infração, motivo da negativa de provimento ao recurso.
Numero da decisão: 2301-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, ANDREA BROSE ADOLFO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/05/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. No presente caso, ficou demonstrada a ocorrência da infração, motivo da negativa de provimento ao recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, ANDREA BROSE ADOLFO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14474.000057/200721 Recurso nº 259.820 Voluntário Acórdão nº 2301004.079 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CAPITAL ADMINISTRADORA DE CRÉDITO E COBRANÇA S/S LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/05/2007 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. INFRAÇÃO. Constituise infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. No presente caso, ficou demonstrada a ocorrência da infração, motivo da negativa de provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 00 57 /2 00 7- 21 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, ANDREA BROSE ADOLFO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14474.000057/200721 Acórdão n.º 2301004.079 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), Curitiba / PR, fls. 0159, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO. INFRAÇÃO. PEDIDO DE RELEVAMENTO DA PENALIDADE. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Constitui infração ao artigo 30, I, "a", da Lei n. 8.212, de 1991, e ao artigo 40 , caput, da Lei n. 10.666, de 2003, deixar a empresa de arrecadar a contribuição dos segurados empregados que lhe prestem serviços, mediante desconto de suas remunerações. São requisitos para relevamento da multa aplicada em auto de infração: pedido e correção da falta dentro do prazo de impugnação, primariedade do infrator e inexistência de circunstância agravante. Deve ser indeferido o pedido de relevamento em que não restar comprovada a correção da falta Lançamento Procedente Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 011, a autuação referese a recorrente ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. Segundo o Fisco, em síntese, a recorrente não arrecadou a contribuição dos segurados no momento do recebimento das premiações que receberam através de cartões eletrônicos administrados pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 31/05/2007 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 046 a 047, acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que corrigiu a falta, solicitando a relevação da multa. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 0159 a 0164. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0168, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Realizou todos os procedimentos para atenuação ou relevação da multa, mas não teve seu pleito atendido na decisão de primeira instância; 2. Pelo exposto, requer, em síntese, que o recurso seja recebido e provido. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0174. Na análise dos autos, a turma do CARF decidiu converter o julgamento em diligência, fls. 0175, nos seguintes termos: “Assim sendo, decido converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Conclusivo para que se posicione se todos os segurados que receberam por cartão premiação constam das GFIP´s apresentadas e se em todos ocorreu, pelo que demonstram as GFIP`s, o devido desconto de sua remuneração. Após essa providência, a Delegacia deve dar ciência desta decisão e do citado Parecer à recorrente, concedendo prazo de trinta dias para, caso a recorrente deseje, apresente argumentos complementares.” O Fisco emitiu parecer, fls. 0130, onde afirma que as GFIP´s foram retificadas e que a contribuição sobre os prêmios foi recolhida, mas que essas ações do sujeito passivo não bastam para a correção da falta, que é, em síntese, deixar de arrecadar a contribuição dos segurados a seu serviço O sujeito passivo foi cientificado e apresentou suas razões, fls. 0185, alegando, em síntese, que fez todos os procedimentos para corrigir a falta e que não há como arrecadar, descontar e repassar, contribuição de segurado sobre remuneração que já foi paga. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14474.000057/200721 Acórdão n.º 2301004.079 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. A questão em litígio não envolve a ocorrência, ou não, da infração, por descumprimento de obrigação acessória, mas sim a possibilidade de correção dessa infração, para que o sujeito passivo usufrui do benefício legislativo para a relevação da multa. A infração ocorreu por descumprimento de determinação legal. Lei 8.212/1991: Art. 30. ... I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Concordamos com o Fisco. Não há, após a ocorrência da infração, como corrigir a falta motivadora da autuação. As condutas de correções de GFIP´s e recolhimento das obrigações corrigem outras autuações, por descumprimento de obrigações acessória e principal, respectivamente, mas não corrigem a falta em comento. Assim sendo, a falta não foi corrigida e a multa não deve ser relevada. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 219DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10540.001256/2003-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR. PEDIDO DE PERÍCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
ITR. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE POSSE POR TERCEIROS - ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE PROVAR INATENDIDO. Tendo o ITR, por hipótese de incidência, o domínio e a posse sobre a coisa (CTN, art. 29), cobrado nos autos o exercício de 1996, denota-se insuficiente a afirmação de que o recorrente não tenha posse da gleba: crucial a prova registral imobiliária, reveladora da situação do bem.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF nº 41, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável.
REVISÃO DO VTN. A revisão do VTN relativo ao ITR incidente no exercício de 1996 somente é admissível com base em Laudo Técnico afeiçoado aos requisitos estabelecidos no § 4º do artigo 3º da Lei nº 8.847/94. O laudo de avaliação judicial para determinação do imposto de transmissão não é competente para determinar a base de cálculo do ITR.
ITR. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE TIPIFICADA NO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ. No tocante à aplicação da multa de ofício de 75% sobre o ITR lançado, deve-se anotar que o art. 14, § 2º, da Lei nº 9.393/96 expressamente remete as multas no âmbito do ITR para aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E, como é de conhecimento geral, as multas de ofício dos tributos federais estão estampadas no art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a área de preservação permanente de 2.706,9 ha.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canario da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy .
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 ITR. PEDIDO DE PERÍCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los. ITR. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE POSSE POR TERCEIROS - ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE PROVAR INATENDIDO. Tendo o ITR, por hipótese de incidência, o domínio e a posse sobre a coisa (CTN, art. 29), cobrado nos autos o exercício de 1996, denota-se insuficiente a afirmação de que o recorrente não tenha posse da gleba: crucial a prova registral imobiliária, reveladora da situação do bem. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF nº 41, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. REVISÃO DO VTN. A revisão do VTN relativo ao ITR incidente no exercício de 1996 somente é admissível com base em Laudo Técnico afeiçoado aos requisitos estabelecidos no § 4º do artigo 3º da Lei nº 8.847/94. O laudo de avaliação judicial para determinação do imposto de transmissão não é competente para determinar a base de cálculo do ITR. ITR. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE TIPIFICADA NO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ. No tocante à aplicação da multa de ofício de 75% sobre o ITR lançado, deve-se anotar que o art. 14, § 2º, da Lei nº 9.393/96 expressamente remete as multas no âmbito do ITR para aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E, como é de conhecimento geral, as multas de ofício dos tributos federais estão estampadas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a área de preservação permanente de 2.706,9 ha. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canario da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy .
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PEDIDO DE PERÍCIA DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. ITR. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE POSSE POR TERCEIROS ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE PROVAR INATENDIDO. Tendo o ITR, por hipótese de incidência, o domínio e a posse sobre a coisa (CTN, art. 29), cobrado nos autos o exercício de 1996, denotase insuficiente a afirmação de que o recorrente não tenha posse da gleba: crucial a prova registral imobiliária, reveladora da situação do bem. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF nº 41, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. REVISÃO DO VTN. A revisão do VTN relativo ao ITR incidente no exercício de 1996 somente é admissível com base em Laudo Técnico afeiçoado aos requisitos estabelecidos no § 4º do artigo 3º da Lei nº 8.847/94. O laudo de avaliação judicial para determinação do imposto de transmissão não é competente para determinar a base de cálculo do ITR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 12 56 /2 00 3- 31 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 ITR. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE TIPIFICADA NO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ. No tocante à aplicação da multa de ofício de 75% sobre o ITR lançado, devese anotar que o art. 14, § 2º, da Lei nº 9.393/96 expressamente remete as multas no âmbito do ITR para aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E, como é de conhecimento geral, as multas de ofício dos tributos federais estão estampadas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a área de preservação permanente de 2.706,9 ha. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canario da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy . Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.321/339) interposto em 06 de maio de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls.306/316), do qual o Recorrente teve ciência em 07 de abril de 2011, fls.319, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 3/6, oriundo de Auto de Infração lavrado em 19 de dezembro de 2003, alusivo à cobrança de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Nova Bahia” (NIRF 0.258.1990), sendo constituído um crédito tributário de R$ 263.967,27, mais cominações legais. A decisão teve exarada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 DO SUJEITO PASSIVO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA Fl. 365DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001256/200331 Acórdão n.º 2101002.404 S2C1T1 Fl. 365 3 Constando do titulo transmissivo da propriedade a quitação do ITR do exercício em questão, não ocorre a subrogação do crédito tributário na pessoa do adquirente, devendo o lançamento ser mantido em nome do alienante. DAS AREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, informadas na DITR11999 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declarat6rio Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA V'TN. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela autoridade autuante, por falta de documentação hábil para comprovar o valor fundiário atribuído ao imóvel, nos termos da legislação de regência. DA MULTA E JUROS DE MORA LANÇADOS. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal na declaração do ITR/1999, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa as razões da impugnação, quais sejam: · O imóvel objeto do tributo foi alienado e no ano de 1999 o mesmo já estava na posse dos adquirentes; · Relativamente às área de preservação permanente e de utilização limitada defende que à época o imóvel já estava na posse de terceiros, e que a providência caberia aos mesmos e, ainda, que o ADA passou a ser exigido somente a partir de 1997; · Quanto ao VTN a perícia técnica especializada determinada pela Justiça de Côcos – BA, tem o condão e capacidade para avaliar o imóvel com segurança, vez que a Justiça lhe atribui fé pública; · E, por fim, requer a reforma da decisão atacada, afastando o autuado e demais condôminos do pólo passivo da obrigação tributária, a multa de 75%, a incidência da taxa Selic e, por último requer prova pericial técnica. Na oportunidade, esclarece quanto à apresentação de recursos, em petição autônoma, pelos demais condôminos. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. De plano, rejeitase o pedido de prova pericial técnica, via diligência, pois o processo já se encontra com elementos de convicção para julgamento. Busca o recorrente cancelar o lançamento, ao argumento de que a imposição tributária deveria ser imputada ao adquirente do imóvel objeto da autuação, vez que os mesmos detinham a posse do mesmo por ocasião do fato gerador do ITR. O artigo 130 e 131, I, do CTN, reza: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a subrogação ocorre sobre o respectivo preço. Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) Aqui se deve observar que o art. 130 do CTN se aplica a bens imóveis e o art. 131 do referido diploma legal aos demais bens. Para o caso vertente, o art. 130 assevera que se subroga na pessoa do respectivo adquirente o imposto cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, como no ITR, desde que não conste do título aquisitivo a prova da quitação do tributo. Ora, compulsandose os autos, vêse que o recorrente não carreou quaisquer documentos que comprovem que a posse do imóvel se encontrava com terceiros, não sendo as procurações, por óbvio, capazes de confirmar tal condição. Destacase que as Escrituras de Compra e Venda (fls.120/125; 139/145; 168/175) trazem a seguinte informação: “(...) pondo o outorgado comprador a par e a salvo de contestações futuras e transmitindo à pessoa deste todo o direito, ação domínio e servidões ativas, que até o presente momento tinham na aludida propriedade, para que ele a considere sua Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001256/200331 Acórdão n.º 2101002.404 S2C1T1 Fl. 366 5 dora em diante, havendoa além disso, e desde já por empossado, em virtude da presente escritura e da cláusula ‘CONSTITUTI’.”1 Grifo nosso. Destarte o recorrente é parte legítima para figurar no pólo passivo da ação fiscal que busca a cobrança de ITR , de vez que não se comprovou a posse do imóvel em nome de terceiros, tendo o registro imobiliário do ato translativo de propriedade ocorrido em data posterior à do fato gerador do imposto, consoante documentos comprobatórios. Quanto às áreas de preservação permanente, in casu, devese observar o disposto na Súmula CARF nº 41, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CARF nº 41: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Assim, considerando o disposto na súmula acima transcrita, devese restabelecer, para fins de cálculo do ITR, a área de preservação permanente de 2.706,9 hectares. No que concerne à área de utilização limitada / reserva legal declarada (6.093,9 ha) constatase que não há nos autos a averbação à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, cuja exigência se encontrava estampada na Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), com as alterações introduzidas pela Lei nº 7.803/89, in verbis: “Art. 16 – (...) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” Assim, não há como deferir o pleito relativamente ao quesito em comento, vez que a averbação é uma providência prevista em lei, providência essa que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Continuando, passase ao exame do arbitramento do VTN. 1 Texto Cartorário; Expressão latina que é usada como salvaguarda contra a hipótese de que o vendedor possa vir a continuar a permanecer no imóvel, em face de algum desentendimento, mesmo após têlo transferido escrituralmente. E a alegação certamente poderá escudarse no fato da posse não ter sido objeto da escritura; Abona essa garantia para a hipótese de o vendedor prolongar sua permanência no imóvel vendido. (http://www.dicionarioinformal.com.br/clausula%20constituti/) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Em sua DITR/1999, o contribuinte informou VTN de R$ 572.500,00 (R$ 21,55ha), sendo o valor arbitrado R$ 1.328.450,00 (R$ 50,00ha), com base em valor extraído do SIPT, conforme extrato, fls. 18. De pronto cumpre lembrar que cabe ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de documentos, as informações prestadas na DITR, sendo certo que a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do VTN, em razão de o contribuinte ter deixado de comprovar o VTN declarado. Tal conduta adotada pela autoridade fiscal está correta e amparada consoante o disposto no artigo 14 da lei nº 9.393, de 1996, in verbis: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Destaquese que o valor de R$ 50,00/há, constante no SIPT, foi fornecido à Receita Federal pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Governo do Estado da Bahia, conforme ofício, fls. 17. Alega o recorrente que o laudo de avaliação resultante de mandato judicial objetivando a apuração do valor do imóvel para efeito de cálculo do imposto sobre transmissão é documento hábil para se comprovar o Valor da Terra Nua. Não assiste razão o recorrente. Em que pese o laudo ter sido preparado por avaliador judicial e ter sido aceito para fins de determinação do imposto de transmissão, não é competente para o fim de demonstrar o Valor de Terra Nua da propriedade em questão na data base para apuração do ITR/99. Não se apresenta segundo os padrões técnicos requeridos, não atende aos requisitos exigidos pela NBR 8.799/85, então vigente à época, quanto a pesquisa de valores para indicação do valor total do imóvel, ponto de partida para todo o desenvolvimento em busca do VTN. A norma prevê diferentes níveis de precisão para a avaliação. O nível de precisão exigível para um laudo com a finalidade de demonstrar o valor da base de cálculo do ITR seria o de precisão no mínimo normal. Mas, vejamos em que consiste o nível de precisão normal para o tratamento dos elementos que contribuem para formar a convicção do valor. Para a precisão normal, no seu item 7.2 a Norma estabelece os seguintes requisitos (parte do que se exige para o nível de precisão rigorosa): Fl. 369DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001256/200331 Acórdão n.º 2101002.404 S2C1T1 Fl. 367 7 a) atualidade dos elementos; b) semelhança dos elementos com o imóvel objeto da avaliação quanto à situação, destinação, forma, grau de aproveitamento, características físicas e ambiência, devidamente verificados; c) em relação à confiabilidade, deve o conjunto dos elementos ser assegurado por: homogeneidade dos elementos entre si, contemporaneidade, n° de dados de mesma natureza, efetivamente utilizados, maior ou igual a cinco; d) quando do emprego de mais de um método (...) O laudo para efeito do imposto de transmissão parte de valor aleatoriamente apontado como sendo o valor correspondente aos preços de mercado onde se localiza a propriedade rural; Parte de um dado aleatório, desacompanhado de quaisquer elementos referentes a outras propriedades comparáveis, para fins de, segundo a norma técnica regente, estabelecer, pelo método comparativo o real valor do imóvel. Flagrantemente descumpre a NBR 8.799/85 que exige para apresentação dos laudos (item 10), a exposição da pesquisa de valores, plantas, documentação fotográfica e outros elementos porventura utilizados para demonstrar o valor de um imóvel específico. Fica evidente, que não especificou elementos referentes a outros imóveis comparáveis, não apresentou paradigmas para demonstrar o valor apontado como real para o imóvel. Assim, caberia ao sujeito passivo oferecer elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que apresentasse valor de mercado relativo ao exercício questionado. Destarte não há como acolher o documento judicial por não conter as especificidades necessárias. No concernente à aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, ressaltese que cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, nos termos consignados no art. 14, § 2º, da Lei nº 9.393/96 e inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto à aplicação da taxa SELIC, tratase de assunto já pacificado nesta instância de julgamento administrativo, a teor da Súmula CARF nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer uma área de preservação permanente de 2.706,9ha. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16327.001070/2006-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/2001
DECADÊNCIA. DIFERENÇA APURADA. LANÇAMENTO.
Por força do disposto no art. 62-A do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, reconhece-se a decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituir a parte do crédito tributário lançada e exigida para a competência de junho de 1994.
JUROS DE MORA. TRIBUTO. DISCUSSÃO JUDICIAL
Inexista amparo legal para se dispensar a exigência de juros de mora sobre crédito tributário, em discussão concomitante, nas esferas administrativa e judicial.
Sobre o crédito tributário devido e não pago no vencimento incidem juros de mora independentemente de quaisquer motivos da inadimplência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria de mérito, em face da concomitância, e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Antônio Mário de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/2001 DECADÊNCIA. DIFERENÇA APURADA. LANÇAMENTO. Por força do disposto no art. 62-A do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, reconhece-se a decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituir a parte do crédito tributário lançada e exigida para a competência de junho de 1994. JUROS DE MORA. TRIBUTO. DISCUSSÃO JUDICIAL Inexista amparo legal para se dispensar a exigência de juros de mora sobre crédito tributário, em discussão concomitante, nas esferas administrativa e judicial. Sobre o crédito tributário devido e não pago no vencimento incidem juros de mora independentemente de quaisquer motivos da inadimplência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/1999 a 30/09/2003 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/2001 DECADÊNCIA. DIFERENÇA APURADA. LANÇAMENTO. Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, reconhecese a decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituir a parte do crédito tributário lançada e exigida para a competência de junho de 1994. JUROS DE MORA. TRIBUTO. DISCUSSÃO JUDICIAL Inexista amparo legal para se dispensar a exigência de juros de mora sobre crédito tributário, em discussão concomitante, nas esferas administrativa e judicial. Sobre o crédito tributário devido e não pago no vencimento incidem juros de mora independentemente de quaisquer motivos da inadimplência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 70 /2 00 6- 36 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria de mérito, em face da concomitância, e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Antônio Mário de Abreu Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ I em São Paulo (SP) que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento da Contribuição para o Programa de Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de junho de 1999 a setembro de 2003. O lançamento decorreu da diferença entre os valores da contribuição, declarados nas DCTF e os devidos, apurados com base nos registros contábeis, pelo fato de a recorrente ter excluído da base de cálculo da contribuição as receitas decorrentes de operações de créditos e de aplicações financeiras, com amparo em liminar concedida no mandado de segurança nº 1999.61.00.0152921, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 08/10. Intimada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: a) A parcela do auto de infração relativa aos créditos de COFINS do período de junho/1999 a junho/2001 deverá ser cancelada, em virtude de sua extinção pelo instituto da decadência. b) A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de qualquer das medidas relacionadas com discussões judiciais, elencadas no art. 151 do CTN, impede o exercício da pretensão da fiscalização de exigir o pagamento desse crédito até que a questão posta em juízo seja dirimida pelo Poder Judiciário. c) Resta clara a ausência de qualquer dívida da impugnante relativamente ao principal e aos juros de mora. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1617.528, datada de 19/06/2008, às fls. 181/186, sob as seguintes ementas: “DECADÊNCIA. SEGURIDADE SOCIAL. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme previsto em lei ordinária. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001070/200636 Acórdão n.º 3301002.366 S3C3T1 Fl. 240 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo nas hipóteses de crédito tributário discutido judicialmente. JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO. O não recolhimento do tributo até o vencimento legal da obrigação implica o cômputo de juros moratórios, seja qual for o motivo determinante da falta.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 205/220), requerendo a sua reforma, a fim que se cancele o lançamento, alegando, em síntese, (i) a decadência quinquenal do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos até a competência de junho de 2001, inclusive, e (ii) inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, que fundamentou o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Segundo o auto de infração e a própria recorrente reconheceu, as diferenças de parcelas da Cofins, objeto do lançamento em discussão, foram também objeto do mandado de segurança nº 1999.61.00.0152921. Ora, a opção da recorrente pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com idêntico pedido na instância administrativa implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Tratase de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio da Súmula nº 01, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, por força no disposto no § 4º do art. 72, do RICARF, obrigatoriamente, aplicase esta súmula, ao presente caso. Quanto à suscitada decadência do direito de a Fazenda Pública constituir parte do crédito tributário, assiste razão à recorrente. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Segundo consta do auto de infração, as parcelas lançadas e exigidas decorreram de diferenças entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos. Também o Demonstrativo de Apuração da contribuição às fls. 12/13 registra antecipações de pagamentos para todas as competências, objeto da suscitada decadência. A decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário está regulada no CTN, que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Já no julgamento do REsp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça (STJ) assim decidiu, quanto à decadência: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. No presente caso, a recorrente foi intimada do lançamento em 26/07/2006, conforme provam a assinatura e a data, postas no auto de infração às fls. 07. Contandose o prazo de 5 (cinco) anos, a partir do fato gerador ocorrido em 30/06/2001, a data limite para a Fl. 242DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.001070/200636 Acórdão n.º 3301002.366 S3C3T1 Fl. 241 5 constituição do crédito tributário, correspondente àquela competência, expirouse em 30/06/2006. Assim, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, aquela decisão, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente às competência de junho de 1999 a junho de 2001. Já, em relação aos juros de mora, inexiste amparo para suas exclusões. Segundo o CTN, art. 161, estes são devidos independentemente do motivo determinante do não pagamento, assim dispondo: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.”(grifo nãooriginal) Também, conforme dispõe o art. 9º, § 4º, da Lei nº 6.830, de 1998, somente o depósito judicial do montante do crédito tributário exclui a exigência dos juros: “Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...). § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora.” Assim, não provado o depósito judicial das parcelas do crédito tributário, em montante equivalente ao valor devido, correta a exigência de juros. Contudo, estes somente serão exigidos juntamente com as parcelas do principal se decisão judicial transitada em julgado for desfavorável à recorrente. Em face do exposto, não conheço do recurso voluntário, em relação à matéria de mérito, exigência da Cofins, nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, discutida concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial e, na parte conhecida, doulhe provimento parcial, apenas e tão somente para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir a parte do crédito tributário correspondente às competências de junho de 1999 a junho de 2001, cabendo à autoridade administrativa competente, após o trânsito em julgado da decisão judicial, cumprila, na íntegra. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11080.722371/2010-08
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada.
Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
Arbitramento dos Lucros.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III).
Numero da decisão: 1801-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. Arbitramento dos Lucros. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 23 71 /2 01 0- 08 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 6a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Em procedimento de auditoria fiscal constatouse que a empresa, optante pelo Simples Federal, omitiu receitas apurada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada, assim como deixou de manter escrituração mínima obrigatória para as pessoas jurídicas optantes por tal forma simplificada de tributação. Em vista da prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e ausência de escrituração, foi, a empresa, excluída da sistemática do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2007, pelo despacho decisório DRF/POA nº 175/2010. As receitas apuradas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovadas foram tributadas pelo lucro arbitrado, vez que a empresa, por diversas vezes intimada, declarou não possuir escrituração contábil e fiscal, nem sequer a do Livro Caixa. Em impugnação tempestivamente apresentada alegou, a empresa, cerceamento do direito de defesa porque existiriam, nos lançamentos, seis fatos geradores mencionados, três com data de 30/09/2007 e três com data de 31/12/2007. Aduziu que o auto de infração se baseia apenas em depósitos bancários e que a mera constatação desse fato não poderia ensejar a exigência de tributos. Afirmou que os valores dos créditos podem ter origens diversas, inclusive de vendas de veículos, locação, prólabore de sócios, mas que, ainda assim, isso nada provaria. Assinalou que questão crucial seria saber como se poderia comprovar a origem dos depósitos bancários de quase 5 anos atrás, de forma cabal, como prevê a lei e quer a administração tributária; Trouxe decisões lastreadas na súmula nº 182 do antigo TFR, que dizia ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; e concluiu pela inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/ 1996, por ferir os princípios constitucionais da legalidade, segurança jurídica e razoabilidade. A Turma Julgadora de 1a. Instância observou, inicialmente, que como a empresa não se manifestou contra a sua exclusão do Simples Federal, esta seria definitiva. A omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada foi justificada pelo art. 42 da Lei n º 9.430, de 1996. Observou que à época da edição da Súmula 182, do antigo Tribunal Federal de Recursos, ainda não havia a permissão legal que admitisse a presunção que só veio a ser incorporada ao ordenamento jurídico com a Lei n º 9.430, de 1996. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.722371/201008 Acórdão n.º 1801002.142 S1TE01 Fl. 3 3 O arbitramento dos lucros também foi justificado pela ausência de escrituração mínima obrigatória do Livro Caixa. Cientificada da decisão, em 12/03/2012 (AR efl. 254), apresentou a interessada, em 05/04/2012, recurso voluntário, no qual reproduz de forma literal as razões de defesa deduzidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato, a empresa recorrente foi excluída do Simples Federal, no período de janeiro a junho de 2007, por praticar, de forma reiterada, infração à legislação tributária, assim entendida a omissão de receitas apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada e pela ausência de escrituração mínima obrigatória, no caso, o Livro Caixa. Quanto a esse fato a recorrente não se defendeu e, como bem observou a Turma Julgadora de 1a. Instância, a exclusão do Simples tornouse definitiva. Em procedimento fiscal a recorrente foi, por diversas vezes, intimada a apresentar, além de atos constitutivos, a sua escrituração contábil e extratos bancários de contas correntes mantidas junto a instituições financeiras com as quais operava. Os extratos bancários foram espontaneamente apresentados, assim como seus atos constitutivos. Mas nenhum elemento ou documento de sua escrituração fiscal foi apresentado. Mais tarde, admitiu, a empresa, que não mantinha escrituração contábil sequer do Livro Caixa. Depois de efetuar a conciliação dos valores, com a exclusão daqueles decorrentes de transferências bancárias, estornos, resgates de aplicações financeiras, a auditoria elaborou demonstrativo contendo relação dos créditos bancários, que totalizaram, no período de janeiro a junho de 2007, o valor total de R$ 664.608,01. Intimada, também por diversas vezes, a comprovar a origem dos recursos creditados nas contas correntes bancárias, optou a recorrente, por omitirse. O Direito Tributário admite a utilização das presunções na construção da norma individual e concreta de constituição, de ofício, do crédito tributário. De fato, Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 presunções legais são meios indiretos de prova da ocorrência do evento descrito no fato jurídico. A presunção pautase numa relação jurídica de probabilidade fática que é composta por um ou mais fatos indiciários, dos quais se tem conhecimento, que implicam, juridicamente, na existência de um outro fato, indiciado, que se pretende provar. A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação de fatos secundários indiciários, a existência do fato principal. Importa consignar que, na data da ocorrência dos fatos geradores, a legislação em vigor permitia a presunção de omissão de receitas, formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada, independentemente do estabelecimento de “liame” entre os depósitos e os fatos geradores dos tributos. É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei no. 9.4.30 de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira,em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio, justamente, dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta o Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de recitas. No período de janeiro a junho de 2006 a omissão de receitas é inquestionável, verificada no simples confronto entre as receitas declaradas pelo Simples Nacional, num total de R$ 169.690,42, e a comprovada e expressiva movimentação financeira no mesmo período, no total de R$ 664.608,01. No caso concreto, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelo titular das contascorrentes e de investimento, deve ser a tributação de tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma. Para a refutação dos fatos indiciários, que levaram ao conhecimento jurídico do fato qualificador da norma de incidência tributária, in casu, a omissão de receitas, caberia à recorrente, provar que os indícios são falsos ou que não haveria nexo de implicação entre os fatos diretamente provados – depósitos bancários não comprovados e indiretamente provados – omissão de receitas. Entretanto, a recorrente não ofereceu nenhuma contraprova capaz de afastar os indícios. Mantida, pois, a imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.722371/201008 Acórdão n.º 1801002.142 S1TE01 Fl. 4 5 O arbitramento dos lucros se justifica. A empresa, optante pela apuração de seus resultados com base nas regras do Simples Federal, fica obrigada a escriturar, ao menos, o Livro Caixa englobando toda a sua movimentação financeira. A respeito, transcrevo os respectivos comandos legais, que determinam o arbitramento, in casu: Lei n º 9.317, de 1996: Art. 7ºA microempresa e a empresa de pequeno porte inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada, que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os art. 3º e art. 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem a guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Art. 14.A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ... II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200. da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); ... V prática reiterada de infração à legislação tributária; Art. 16.A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Decreto n º. 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99,: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Art. 530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. Dessa forma, a pessoa jurídica que optar pela tributação com base nas regras do Simples Federal estará obrigada a comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, e a escriturar os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período em Livro Caixa de forma a refletir toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária. A escrituração do Livro Caixa nessas condições está dispensada apenas se a pessoa jurídica mantiver escrituração contábil de acordo com a legislação comercial. No presente caso a empresa recorrente não possuía escrituração contábil e fiscal e nem sequer a escrituração do Livro Caixa. Também não apresentou nenhum documento hábil e idôneo que comprovasse os recebimentos e os pagamentos, ou que comprovasse a origem dos depósitos bancários. E tudo isso admitido pela própria defesa, no curso do procedimento fiscal. Dessa forma, os fatos apurados pelo agente fiscal determinavam a aplicação das disposições legais acima transcritas, pois a contribuinte se enquadrava na situação descrita no inciso III do artigo 530. A auditoria fiscal cumpriu, assim, as determinações da lei. Agiu com plena legalidade e em respeito, também, ao comando do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabil idade funcional . (destaques acrescidos). Os argumentos a respeito de ilegalidade e inconstitucionalidade de exigências fundamentadas na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n º 9.430, de 1996, não podem ser apreciadas na esfera administrativa de julgamento, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF n º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.722371/201008 Acórdão n.º 1801002.142 S1TE01 Fl. 5 7 O entendimento adotado nos respectivo lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Em face do exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 283DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15771.723327/2012-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/05/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
Numero da decisão: 3803-006.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/05/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/05/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 33 27 /2 01 2- 41 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.723327/201241 Acórdão n.º 3803006.513 S3TE03 Fl. 273 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/05/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 31/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.723327/201241 Acórdão n.º 3803006.513 S3TE03 Fl. 274 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.723327/201241 Acórdão n.º 3803006.513 S3TE03 Fl. 275 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.723327/201241 Acórdão n.º 3803006.513 S3TE03 Fl. 276 9 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16327.001622/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.201
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138192.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138192. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório. O presente processo cuida de autos de infração lavrados contra Banco Itaú S/A., para exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido relativos ao anocalendário de 2005. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 62 2/ 20 10 -9 2 Fl. 27519DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.201 S1C3T1 Fl. 3 2 O litígio foi submetido a julgamento em sessão de 13 de maio de 2013, tendo esta 1ª Turma Ordinária, mediante a Resolução nº 1301000.114, convertido o julgamento em diligência a fim de que: “a fiscalização analise a documentação juntada na fase recursal, e informe: (a) se foram supridas as deficiências probatórias da documentação apresentada na fase de fiscalização, elaborando planilhas correspondentes ao resultado dessa análise, explicitando, para cada contrato (conforme número sequencial indicado nos Anexos 1 e 2 do Termo de Verificação) o motivo da recusa ou aceitação; (b) se ficou superada, no todo ou em parte, a diferença de R$ 455.138,55 apontada no Auto de Infração.”: Cumprida a diligência, a fiscalização elaborou Relatório Fiscal em que informa que o contribuinte anexou 16 volumes que continham peças de processos judiciais e relatórios internos do contribuinte, coletadas em seus esforços para comprovar que atendeu às condições de dedutibilidade das perdas. E diz ter sido verificado o seguinte resultado geral do exame da documentação: Documentos relativos ao Anexo I Lei nº 9.430/96, art. 9º, § 1º, inciso III Quantidade de Contratos Valor da Perda em R$ Deduções glosadas no auto de infração Total sem novos documentos Documentos apresentados e rejeitados Documentos apresentados e aceitos 6154 6050 61 43 (118.761.234,72) (112.627.519,97) (4.812.923,49) 1.320.791,26) Documentos relativos ao Anexo II Lei nº 9.430/96, art. 9º, § 1º, inciso II Quantidade de Contratos Valor da Perda em R$ Deduções glosadas no auto de infração Total sem novos documentos Documentos apresentados e rejeitados Documentos apresentados e aceitos 149 64 75 10 (23.041.861,82) (12.542.328,52) (9.947.813,64) (551.719,66) Sobre os critérios utilizados na análise da documentação, relata a autoridade fiscal que foram os mesmos utilizados durante a fase de fiscalização: Relativamente ao Anexo I – Inciso III: Os contratos estavam vencidos há mais de dois anos Existe ação judicial, em curso Os documentos comprobatórios da ação judicial se referem ao cliente devedor e ao contrato, para o qual a perda foi deduzida. Relativamente ao Anexo II – Inciso II: A dívida é superior a R$ 30.000,00 Os contratos estavam vencidos há mais de um ano. Existe ação judicial, em curso. Fl. 27520DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.201 S1C3T1 Fl. 4 3 Os documentos comprobatórios da ação judicial se referem ao cliente devedor e ao contrato, para o qual a perda foi deduzida. Observou que a relação dos contratos aceitos em decorrência dos trabalhos efetuados na diligência foi confrontada com a relação de contratos aceitos em decorrência dos trabalhos efetuados na impugnação, e relacionados no documento: “Documentos aceitos como comprobatórios da perda”, fls. 5288 a 5292, tendo sido verificado tratarse de novos contratos, representando valores adicionais comprovados pelo contribuinte. Anexou planilhas com o resultado das análises. Sobre a diferença de R$ 455.138,55, que o contribuinte alega ser decorrente de erro de digitação no arquivo entregue à fiscalização, diz que os dados apresentados pelo contribuinte para corrigir o erro de digitação constituem prova contra ele mesmo, e que o erro de digitação implicou lançamento de ofício efetuado a menor no valor de R$ 455.138,55. Em conclusão, apresenta as seguintes respostas aos quesitos formulados na diligência: (a) Mediante os documentos, apresentados na fase recursal. O contribuinte comprovou atender as condições de dedutibilidade de perdas para: Enquadramento legal Quantidade de contratos Perda em R$ Lei nº 9.430/96, artigo 9º, inciso II c 43 (1.320.791,26) Lei nº 9.430/96, artigo 9º, inciso III 10 (551.719,66) TOTAL 53 (1.872.510,92) (b) Pelos motivos expostos no item V deve ser mantido o auto, no que se refere à diferença de R$ 455.138,53. Intimado a se manifestar sobre o resultado da diligência, o contribuinte, preliminarmente, informa que a dificuldade na obtenção da documentação relativa aos 13.792 contratos, solicitada pela fiscalização, foi agravada pelo fato de muitos deles dizerem respeito a instituições incorporadas. Esclarece que no prazo para impugnação conseguiu apresentar vários documentos, muitos dos quais foram aceitos pela decisão de primeira instância, com redução do lançamento, que entre a apresentação da impugnação e o recurso obteve e apresentou outros documentos (docs. 02 e 03 do Recurso Voluntário), e que, posteriormente, apresentou outros documentos que comprovam o preenchimento das condições de dedutibilidade, conforme petições protocoladas perante o CARF em 30/04/2013 e 14/05/2013, das quais anexa cópias. Diz que os documentos juntados em 30/04/2013 e 14/05/2013 não foram analisados pelo Auditor Fiscal e que, compulsando os autos, constatou que as petições protocolizadas ainda não haviam sido juntadas aos autos, o que certamente fez com que a autoridade fiscal examinasse apenas parte dos documentos. Requereu, considerando o princípio da verdade material, que as petições sejam juntadas e sejam também objeto de análise pela fiscalização. Fl. 27521DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.201 S1C3T1 Fl. 5 4 Quanto à diligência, aponta inconsistências na análise procedida em relação a 57 contratos. Além disso, diz serem improcedentes as glosas mantidas em relação aos processos com acordos homologados judicialmente, por representarem violação ao art.10, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Aduz que, ainda que assim não fosse, no que diz respeito aos acordos relativos a débitos que não eram objeto de cobrança judicial, não são aplicáveis as restrições dos arts. 9º e 10 da Lei, que dizem respeito apenas a perdas provisórias, como já vem decidindo o CARF. No que se refere á diferença de R$ 455.138,53, diz que o Auditor Fiscal reconhece expressamente a existência do evidente erro material contido na planilha apresentada por meio do ofício mencionado no parágrafo 60 do Termo de Verificação de Infração. Refuta a afirmativa de que o lançamento foi a menor. Reproduz os itens 59, 60 e 61 do Termo de Verificação de Infração, e argumenta: “O lançamento foi efetuado sob o fundamento de que a Recorrente teria deduzido como perda valor maior a que teria direito face à divergência entre a DIPJ e o arquivo apresentado, procedendo a fiscalização à glosa do suposto valor não dedutível. Porém, como restou comprovado no processo (doc.13 da impugnação) e foi reconhecido pelo próprio resultado da diligência, há de fato erro no arquivo final apresentado para a fiscalização que resultou na diferença de R$ 455.138,53, não restando dúvida quanto à improcedência da autuação também nessa parte.” É o relatório. VOTO Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recapitulando o relatado na sessão de 08 de maio de 2013, quando o julgamento foi convertido em diligência, a fiscalização acusou a pessoa jurídica de ter cometido irregularidades relacionadas com a dedução de perdas no recebimento de crédito, por descumprimento dos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996. Especificamente, considerou não comprovadas as condições de dedutibilidade das perdas correspondentes aos contratos sem garantia, de valor superior a R$ 30.000,00, e aos contratos com garantia, condição essa representada pela prova de que os contratos estavam vencidos há mais de um ou dois anos (conforme o caso), e que os procedimentos judiciais para recebimento foram iniciados e mantidos, ou de que foram arrestadas as garantias. Além disso, considerou indedutíveis os descontos concedidos para a recuperação dos créditos. As infrações estão descritas no Termo de Verificação de Infração (fls. 18 a 38 e Anexos de fls. 19 a 153). Além da diferença de tributos, acrescidos dos juros de mora e da multa de 75%, o lançamento para o IRPJ alcançou também juros de mora isolados em razão da postergação no Fl. 27522DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.201 S1C3T1 Fl. 6 5 pagamento do imposto. Para a CSLL foi também apurada falta de adição à base de cálculo de parcela indedutível da PDD. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 18 e seguintes do processo escrito, 37 e seguintes do processo digitalizado) as irregularidades detectadas foram as seguintes: Falta de comprovação de existência de ações judiciais, descritas no item II do Termo; Adição a menor, à base de cálculo da CSLL, de provisão para perdas indedutível, descrita no item III do Termo; Falta de adição de perdas indedutíveis, na recuperação de créditos, descritas no item IV do Termo. A matéria tributável apurada é assim composta: Item II do TVI: R$ 142.258.235,09 Falta de comprovação de ação judicial: R$ 141.803.096,54 (art. 9º, § 1º, inciso III): R$ 118.761.234,72 (art. 9º, § 1º, inciso II c): R$ 23.041.861,82 Não apresentação de contrato: R$ 455.138,55 Item III do TVI: RS 56.939.279,16 Adição a menor, à base de cálculo da CSLL, de parcela indedutível de provisão para perdas. Item IV do TVI: R$ 20.877.921,70 Falta de adição de perdas nas recuperações de créditos, indedutíveis, descrita no item IV, nos seguintes totais: Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso III: R$ 14.595.842,17 Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso II c R$ 1.495.184,51 Descontos concedidos, desistência de cobrança antes de 5 anos do vencimento, Inciso II b R$ 4.786.895,51 TOTAL DE PERDAS INDEDUTÍVEIS APURADO R$ 163.136.156,79 Falta de adição à base de cálculo da CSLL R$ 56.939.279,16 Juros isolados R$ 2.051.662,31 Fl. 27523DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.201 S1C3T1 Fl. 7 6 A decisão de primeira instância exonerou da matéria tributável, em relação a ambos os tributos, os montantes de R$ 5.450.971,84, relativo à acusação de falta de comprovação e ação judicial (item II do TVI) e R$ 4.197.930,77, referente aos descontos concedidos no recebimento de créditos (item IV do TVI). Reduziu, também, em R$ 359.351,56 os juros de mora cobrados isoladamente, que também se referem aos descontos concedidos no recebimento de créditos (item IV do TVI). Finalmente, afastou a exigência decorrente da acusação de falta de adição à base de cálculo da CSLL no valor R$ 56.939.279,16. No recurso voluntário a Recorrente alegou cerceamento de defesa e nulidade do lançamento por vício material porque: (a) não foi concedido tempo necessário para apresentar as provas da dedutibilidade das perdas registradas; (b) não foi feita a segregação das hipóteses de não apresentação de documentos das hipóteses de documentos não aceitos; (c) não foi individualizado, caso a caso, qual das três razões mencionadas pela fiscalização no parágrafo 53 do Termo de Verificação de Infração para a não aceitação dos documentos apresentados. Inicialmente, insta apreciar o pedido formulado pelo contribuinte na sua manifestação acerca do relatório fiscal da diligência efetuada. O Recorrente diz que, por meio de petições protocoladas perante o CARF em 30/04/2013 e 14/05/2013, pediu a juntada de documentos que comprovam o preenchimento das condições de dedutibilidade, os quais não foram analisados pelo Auditor Fiscal porque não haviam sido juntados aos autos, requerendo juntada e conversão em diligência para que a autoridade fiscal complete a análise, invocando o princípio da verdade material. Reportase ao Acórdão 110300680, cujo voto condutor registra: “(..) o princípio da verdade real deve nortear o processo administrativo fiscal e que, como consequência, este tipo de procedimento não deve adotar regras rígidas de preclusão, no mais das vezes prejudiciais à exata compreensão do fato imponível e à aplicação correta da legislação tributária. Desse modo, tendo o contribuinte, no curso do processo administrativo, apresentado os documentos que provam a inadimplência por determinado período de tempo e do ajuizamento e manutenção de ações judiciais de cobrança em relação aos devedores – elementos constitutivos do direito de proceder à dedução, as provas devem ser consideradas para fins de acertamento do litígio administrativo.” Endosso as lúcidas considerações acima transcritas, do Conselheiro Hugo Correia Sotero, e acolho aqui a diligência requerida pelo contribuinte, eis que no presente caso, as petições de juntada foram protocolizadas quando o processo já estava incluído em pauta para julgamento (30 de abril de 2013, uma semana antes da sessão) e após o julgamento (14 de maio de 2013), tornandose, portanto, necessário que a autoridade fiscal análise os documentos alí carreados aos autos, e confirme se os mesmos são hábeis ao preenchimento das condições de dedutibilidade. Após, dê ciência ao contribuinte do resultado da análise efetuada, para, se querendo, venha aos autos se manifestar acerca de seu resultado. Fl. 27524DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001622/201092 Resolução nº 1301000.201 S1C3T1 Fl. 8 7 É como voto. Sala das sessões, em 06 de maio de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 27525DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10670.001649/2010-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS.
Para os fatos geradores ocorridos na vigência do art. 55 da Lei 8.212/91, as entidades beneficentes de assistência social somente têm direito à isenção se atenderem, cumulativamente, os requisitos legais.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurado ao contribuinte a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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REQUISITOS. Recorrente HOSPITAL SÃO VICENTE DE PAULO DE BRASÍLIA DE MINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. Para os fatos geradores ocorridos na vigência do art. 55 da Lei 8.212/91, as entidades beneficentes de assistência social somente têm direito à isenção se atenderem, cumulativamente, os requisitos legais. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurado ao contribuinte a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32 A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 16 49 /2 01 0- 99 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.001649/201099 Acórdão n.º 2803003.760 S2TE03 Fl. 438 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de infração à Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV, e §5º, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, pois se declarou em GFIP como entidade beneficente de assistência social – FPAS 639, quando o correto seria 515, e deixou de incluir os segurados Contribuintes Individuais (médicos), cuja remuneração foi obtida por aferição indireta em vista da falta de apresentação de documentos, período 01/2005 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal, fls. 7/9. Consta ainda do Relatório Fiscal que: o contribuinte não faz jus à isenção por não possuir Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS, e Ato Declaratório de Isenção, emitido pelo INSS ou pela RFB, os quais são requisitos necessários à fruição da isenção; quanto às contribuições dos contribuintes individuais médicos, não apresentou os livros contábeis e documentos que comprovem os pagamentos realizados aos médicos pelos serviços prestados ao Hospital, bem como não incluiu os segurados em folha de pagamento e em GFIP, sendo a remuneração dos profissionais médicos obtidas por aferição indireta; deixou, ainda, de apresentar os documentos relativos ao pagamento de saláriofamília e maternidade. Os valores pagos foram glosados, sendo, ainda, o saláriofamília considerado como salário de contribuição; A multa está prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, §5º c/c o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 284, inciso II, e o valor da multa é calculado em 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos no §4º do artigo 32 da Lei 8.212/91. Foi efetuado o comparativo da multa de fls. 10/11. A interessada foi cientificada da auto de infração – AI em 30/8/2010, fl. 33, e apresentou impugnação. Os autos foram convertidos em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse sobre os argumentos e documentos apresentados no processo 10670.0001652/201011 pelo contribuinte. Em informação fiscal de fls. 390/391 consta que não foram apresentados documentos capazes de retificar o lançamento fiscal. Cientificado da informação fiscal, o contribuinte se manifestou, fls. 394/396, trazendo os mesmos argumentos da manifestação apresentada no processo principal 10670.001650/201013. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 DO RECURSO O órgão de primeira instância administrativa (8a Turma da DRJ/BHE) julgou procedente o lançamento fiscal. O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a decadência do período de 2005 a 2007; realização de perícia; a fonte pagadora dos médicos é o SUS; a recorrente auferiu sentença procedente com tutela antecipada, na qual ficou evidenciado a sua condição de imunidade, conforme atesta a Ação Declaratória de Debito Fiscal c/c Pedido de Anulação de Débito Tributário e Pedido Liminar de Emissão de Certidão Positiva com Efeito Negativo, processo n° 000575227.2011.4.01.3807, que tramita pela 1a Vara da Justiça Federal da secção judiciária de Montes ClarosMG, que abarca as contribuições previdenciárias patronais devidas para os anos de 2004 a 2006; apresenta ainda documentação do Sistema Integrado de Protocolo e Arquivo "SIPAR" no qual consta que o PROCESSO DE CONCESSÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL está em andamento, como também documento emitido pelo Ministério da Saúde onde consta a entidade aguardando somente o. trâmite administrativo para concessão do mesmo; quanto ao saláriofamília e salário maternidade foram apresentadas documentações, não restando dúvida, uma vez que os valores são repassados totalmente aos seus funcionários, não contribuindo em nada para a contabilidade da empresa estas quantias; vício do ato administrativo de lançamento por incompetência do agente fiscal; falsa alegação de falta de comprovação de entidade beneficente. Anexa jurisprudência. Na contabilidade não há remuneração a diretores nem comprovação de vínculo profissional médico do corpo clínico com o hospital; por fim, reitera as rações da impugnação e requer o cancelamento da autuação fiscal. Anexa cópia de documentos, dentre eles, a certidão de que protocolizou pedido de registro e concessão do CEAS no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, pelo processo n.° 7101.002411/200310, que se encontra em análise, datado de 3/06/2005, 10/09/2008. É o relatório. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.001649/201099 Acórdão n.º 2803003.760 S2TE03 Fl. 439 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Não foi possível a identificação nos autos da data da apresentação do recurso voluntário pelo contribuinte, assim sendo, o recurso será considerado tempestivo e preenchidos os pressupostos de admissibilidade. A autuação fiscal se deu em razão do contribuinte ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, pois se declarou como entidade beneficente de assistência social – FPAS 639, quando o correto seria 515, e deixou de incluir os segurados Contribuintes Individuais (médicos), cuja remuneração foi obtida por aferição indireta por falta de apresentação de documentos, período 01/2005 a 12/2007, infringindo o art. 32, inciso IV, e §5º, da Lei 8.212/91, conforme Relatório Fiscal, fls. 7/9. Por se referir a autuação fiscal por descumprimento de obrigação acessória deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN para a decadência. O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal em 30/8/2010, fl. 33. A competência mais remota (01/2005), a contar de 01/01/2006 só estaria decadente em 01/01/2011. Destarte, não há que se falar em período decadente na autuação fiscal. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. No período do auto de infração de 01/2005 a 12/2007 vigia o art. 55 da Lei 8.212/91 que exigia requisitos cumulativos para a concessão do benefício da isenção das contribuições patronais previdenciárias. Era necessário requerer o pedido ao órgão competente (INSS) para a verificação e controle dos requisitos (§ 1o) e verificação de débito ou não (§6o da Lei 8.212/91 e § 3o do art. 195 da CF/88). Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três Fl. 441DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 anos;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 2.0285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção.(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 3oPara os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 20285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 4oO Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 2028 5)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 5oConsiderase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 20285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3odo art. 195 da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Fl. 442DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.001649/201099 Acórdão n.º 2803003.760 S2TE03 Fl. 440 7 Como se pode notar, há necessidade do contribuinte comprovar o cumprimento de todos os requisitos legais, que são cumulativos, perante o órgão de controle do governo para a verificação (à época o INSS). A autoridade fiscal efetuou a autuação em razão do contribuinte não comprovar ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS e Ato Declaratório de Isenção emitido pelo INSS/RFB. Portanto, não atendeu os requisitos do art. 55, inciso II, e parágrafo 1º, da Lei 8.12/91. Assim, não podia se utilizar de benefício previdenciário indevidamente. Não há falsa alegação pela fiscalização de falta de comprovação de entidade beneficente, como menciona o contribuinte. O contribuinte assevera que todos os pressupostos do art. 55 da Lei 8.212/91 foram cumpridos, entretanto, não anexa aos autos a comprovação. Para se valer dos benefícios há necessidade de cumprimento de todos os requisitos legais exigidos. O lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos do art. 144 do CT. Argumentos sem comprovação não são suficientes para a desconstituição da autuação fiscal. No mesmo sentido, não se vê razão para o deferimento do pedido de perícia solicitado pelo contribuinte quando já houve diligência fiscal que examinou os argumentos e documentos apresentados. Todos os elementos de prova devem ser apresentados na impugnação. Considerarseá não formulado o pedido de perícia/diligência que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Destarte, indeferese o pedido de perícia. Assevera o contribuinte que auferiu sentença procedente com tutela antecipada, na qual ficou evidenciado a sua condição de imunidade, conforme atesta a Ação Declaratória de Débito Fiscal c/c Pedido de Anulação de Débito Tributário e Pedido Liminar de Emissão de Certidão Positiva com Efeito Negativo, processo n° 000575227.2011.4.01.3807, que tramita pela 1a Vara da Justiça Federal da secção judiciária de Montes ClarosMG, que abarca as contribuições previdenciárias patronais devidas para os anos de 2004 a 2006. Todavia, referida ação judicial encontrase em andamento, com recurso de apelação pela União (PFN), com efeitos devolutivo e suspensivo, conforme consulta no site do Tribunal Regional Federal da 1a Região (https://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00057522720114013807 &secao=MCL&pg=1&trf1_captcha_id=5fec045f71b94212dcef2acd488f5b56&trf1_captcha=4 67r&enviar=Pesquisar, em 16/10/2014): 1. Recebo o recurso de apelação interposto pela União (PFN) às f. 148/170, nos seus efeitos devolutivo e suspensivo.2. Intimese a parte autora para, no prazo de 15 dias, apresentar contrarrazões ao recurso. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 O contribuinte apresenta cópia da documentação do Sistema Integrado de Protocolo e Arquivo "SIPAR" no qual consta que o processo em andamento da concessão do certificado de entidade beneficente de assistência social; documento emitido pelo Ministério da Saúde de tramitação do processo para concessão; cópia da certidão de protocolo de pedido de registro e concessão do CEAS (processo n.° 7101.002411/200310), que se encontra em análise. Entretanto, tais documentos não são suficiente para a desconstituição da autuação fiscal. Menciona o contribuinte que a fonte pagadora dos médicos é o SUS, que não há comprovação de vínculo profissional médico do corpo clínico com o hospital, entretanto, não prova nos autos suas argumentações. Ademais, a autuação fiscal não se refere a remuneração de diretores como aduz o contribuinte. Os documentos apresentados quanto ao saláriofamília e salário maternidade foram analisados pela diligência fiscal e decisão recorrida que concluíram que são insuficientes para a retificação da autuação fiscal. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para o exame da contabilidade e constituição da autuação fiscal quando não cumpridos os requisitos legais pelo contribuinte para obtenção da isenção das contribuições sociais previstas no art. 55 da Lei 8.212/91, nos termos do art. 119 do CTN e art 6o da Lei 11.457/07. No mesmo sentido é a súmula nº 8 do CARF: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Diante dos fatos, não há vício do ato administrativo de lançamento por incompetência do agente fiscal. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas em GFIP foram alteradas pela lei 11.941/09, que beneficiam a recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 444DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.001649/201099 Acórdão n.º 2803003.760 S2TE03 Fl. 441 9 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Desse modo, resta evidenciado, com a Lei 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Lei nº 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. No caso em debate não há dúvida de que o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN é plenamente aplicável. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte.A análise do valor da multa para verificação e Fl. 445DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 10 aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 446DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16327.721628/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2008
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA QUANDO PEDIDO DE PERÍCIA VÁLIDO NÃO É APRECIADO.
A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. A existência de documentos cuja ausência de análise foi justificada não é causa de nulidade.
ABUSO DE FORMA. CONJUNTO FÁTICO QUE REVELA CAUSA DISTINTA DA DECLARADA PELA FORMA ADOTADA PARA O NEGÓCIO JURÍDICO. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS.
Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio que tem a causa objetiva, a função prático-social ou a finalidade econômico-social de outro, então o negócio formalizado é um ato ilícito que não tem reconhecido seus efeitos tributários. Nesse caso, correta a requalificação jurídica dos fatos realizada pela fiscalização.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DESPORPORCIONAIS SEM CAUSA. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A DIRETORES DA RECORRENTE. EXCLUSÃO DE DIRETORES DE OUTRA EMPRESA DO GRUPO
O conjunto fático revela que a distribuição de lucros desproporcionais da empresa do grupo beneficiando empresa da qual os diretores da recorrente eram sócios não teve justificativa que coincida com finalidade econômico-social desse tipo de negócio. Indícios que revelam a intenção de gratificar os diretores. Requalificação jurídica dos fatos para considerar o lucro distribuído pela empresa do grupo como pagamento de gratificação aos diretores que se submete à incidência das contribuições previdenciárias. Como o lançamento não foi feito em relação a todas as empresas do grupo, este só pode prevalecer em relação aos pagamentos que beneficiaram diretores da recorrente.
PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A DIRETORES POR MEIO DE FILIAL NO EXTERIOR. CARÁTER REMUNERATÓRIO E RESPEITO A TERRITORIALIDADE.
Diretores que prestaram serviços no Brasil e tiveram a relevância de sua prestação de serviço para filial no exterior reconhecida e recompensada com gratificação paga pela filial. Prestação de serviço no país que justifica a incidência das contribuições previdenciárias. Tributação que não ofende a territorialidade.
JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 5.
Em harmonia coma Súmula CARF nº 05, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2006, anteriores a 12/2006, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que se exclua do lançamento os valores referentes à remuneração de segurados que não integrem os quadros de segurados prestadores de serviço ao sujeito passivo, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações da recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Sustentação oral: Leandro Cabral. OAB: 234.687/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Leo Meirelles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Corra, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA QUANDO PEDIDO DE PERÍCIA VÁLIDO NÃO É APRECIADO. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. A existência de documentos cuja ausência de análise foi justificada não é causa de nulidade. ABUSO DE FORMA. CONJUNTO FÁTICO QUE REVELA CAUSA DISTINTA DA DECLARADA PELA FORMA ADOTADA PARA O NEGÓCIO JURÍDICO. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio que tem a causa objetiva, a função prático-social ou a finalidade econômico-social de outro, então o negócio formalizado é um ato ilícito que não tem reconhecido seus efeitos tributários. Nesse caso, correta a requalificação jurídica dos fatos realizada pela fiscalização. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DESPORPORCIONAIS SEM CAUSA. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A DIRETORES DA RECORRENTE. EXCLUSÃO DE DIRETORES DE OUTRA EMPRESA DO GRUPO O conjunto fático revela que a distribuição de lucros desproporcionais da empresa do grupo beneficiando empresa da qual os diretores da recorrente eram sócios não teve justificativa que coincida com finalidade econômico-social desse tipo de negócio. Indícios que revelam a intenção de gratificar os diretores. Requalificação jurídica dos fatos para considerar o lucro distribuído pela empresa do grupo como pagamento de gratificação aos diretores que se submete à incidência das contribuições previdenciárias. Como o lançamento não foi feito em relação a todas as empresas do grupo, este só pode prevalecer em relação aos pagamentos que beneficiaram diretores da recorrente. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A DIRETORES POR MEIO DE FILIAL NO EXTERIOR. CARÁTER REMUNERATÓRIO E RESPEITO A TERRITORIALIDADE. Diretores que prestaram serviços no Brasil e tiveram a relevância de sua prestação de serviço para filial no exterior reconhecida e recompensada com gratificação paga pela filial. Prestação de serviço no país que justifica a incidência das contribuições previdenciárias. Tributação que não ofende a territorialidade. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 5. Em harmonia coma Súmula CARF nº 05, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.325 1 1.324 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721628/201161 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301004.133 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria CONT PREV. REMUNERAÇÃO DE DIRETORES Recorrente BANCO VOTORANTIM S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA QUANDO PEDIDO DE PERÍCIA VÁLIDO NÃO É APRECIADO. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. A existência de documentos cuja ausência de análise foi justificada não é causa de nulidade. ABUSO DE FORMA. CONJUNTO FÁTICO QUE REVELA CAUSA DISTINTA DA DECLARADA PELA FORMA ADOTADA PARA O NEGÓCIO JURÍDICO. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio que tem a causa objetiva, a função práticosocial ou a finalidade econômicosocial de outro, então o negócio formalizado é um ato ilícito que não tem reconhecido seus efeitos tributários. Nesse caso, correta a requalificação jurídica dos fatos realizada pela fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 28 /2 01 1- 61 Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.326 2 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DESPORPORCIONAIS SEM CAUSA. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A DIRETORES DA RECORRENTE. EXCLUSÃO DE DIRETORES DE OUTRA EMPRESA DO GRUPO O conjunto fático revela que a distribuição de lucros desproporcionais da empresa do grupo beneficiando empresa da qual os diretores da recorrente eram sócios não teve justificativa que coincida com finalidade econômico social desse tipo de negócio. Indícios que revelam a intenção de gratificar os diretores. Requalificação jurídica dos fatos para considerar o lucro distribuído pela empresa do grupo como pagamento de gratificação aos diretores que se submete à incidência das contribuições previdenciárias. Como o lançamento não foi feito em relação a todas as empresas do grupo, este só pode prevalecer em relação aos pagamentos que beneficiaram diretores da recorrente. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A DIRETORES POR MEIO DE FILIAL NO EXTERIOR. CARÁTER REMUNERATÓRIO E RESPEITO A TERRITORIALIDADE. Diretores que prestaram serviços no Brasil e tiveram a relevância de sua prestação de serviço para filial no exterior reconhecida e recompensada com gratificação paga pela filial. Prestação de serviço no país que justifica a incidência das contribuições previdenciárias. Tributação que não ofende a territorialidade. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 5. Em harmonia coma Súmula CARF nº 05, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2006, anteriores a 12/2006, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que se exclua do lançamento os valores referentes à remuneração de segurados que não integrem os quadros de segurados prestadores de serviço ao sujeito Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.327 3 passivo, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações da recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Sustentação oral: Leandro Cabral. OAB: 234.687/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Leo Meirelles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Corra, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.328 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O crédito tributário tratado no presente Acórdão diz respeito aos lançamentos abaixo relacionados, conforme consta do Acórdão a quo: AIOP DEBCAD n° 37.346.3278: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuinte s individuais, no montante de R$41.377.468,71 (quarenta e um milhões, trezentos e setenta e sete mil, quatrocentos e sessenta e oito reais e setenta e um centavos), incluindo juros e multa, consolidado em 06/12/2011, abrangendo as competências 07/2006 a 09/2006, 02/2007, 03/2007, 08/2007, 12/2007, 02/2008 e 09/2008; AIOP DEBCAD n° 37.346.3286: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros Salário Educação e INCRA, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, no montante de R$40.706,71 (quarenta mil, setecentos e seis reais e setenta e um centavos), abrangendo as competências 03/2007 e 08/2007; AIOA DEBCAD n° 37.346.3294: Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV, §5°, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, no montante de R$274.397,40 (duzentos e setenta e quatro mil, trezentos e noventa e sete reais e quarenta centavos), abrangendo o período de 07/2006 a 09/2006, 02/2007, 03/2007, 08/2007, 12/2007, 02/2008 e 09/2008; Considerando a diversidade fática do caso, reproduzimos o relatório que consta do Acórdão a quo: Dos fatos geradores Foi constatado que a empresa pagou gratificações aos administradores de duas maneiras distintas, sem a devida incidência previdenciária, que compõem os levantamentos descritos nos itens abaixo: Através da empresa EVO Participações Ltda. Pagas pela filial do Banco Votorantim agência Nassau Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.329 5 Levantamento DE Distribuição de Lucros EVO Part. Ltda. período do crédito previdenciário: 07/2006, 02/2007, 08/2007, 12/2007 e 09/2008 Através do MPF 0816600.2010.0053 foi realizada diligência na empresa Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., CNPJ 01.170.892/000131, a fim de se verificar o motivo da desproporcionalidade dos lucros distribuídos aos sócios desta sociedade e eventuais reflexos tributários. A Votorantim Corretora é uma sociedade limitada, cujos sócios são as empresas: · Banco Votorantim S/A: detentor de 99,98% das cotas do capital; · EVO Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ 04.530.785/000165: detentora de 0,02% do capital. Não obstante, os lucros distribuídos pela Votorantim Corretora se deram da seguinte forma: Verificouse que a EVO Participações é uma empresa cujos cotistas são diretores do Banco Votorantim e de outras empresas financeiras do grupo. Eleitos pela Assembleia do Banco Votorantim como diretores estatutários, passam a figurar, pouco depois, como cotistas da EVO Participações, passando a receber dividendos desta, sendo que a única receita da EVO é resultante da participação societária que possui na Votorantim Corretora. Diante deste quadro, a Votorantim Corretora foi intimada a discriminar os valores pagos aos sócios cotistas da sociedade, e esclarecer o motivo da distribuição desproporcional dos lucros 75% para a EVO Participações, detentora de 0,02% das cotas e 25% para o Banco Votorantim, detentor de 99,98% das cotas. Data Total dos lucros distribuídos Total dos Lucros Distribuídos Banco Votorantim Total dos Lucros Distribuídos EVO Participações 31/07/2006 16.840.000,00 4.210.000,00 12.630.000,00 27/02/2007 10.000.000,00 2.500.000,00 7.500.000,00 02/08/2007 10.670.000,00 2.667.500,00 8.002.500,00 28/12/2007 48.000.000,00 12.000.000,00 36.000.000,00 05/09/2008 12.500.000,00 3.125.000,00 9.375.000,00 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.330 6 Em resposta, a Votorantim Corretora afirma que além de possuir amparo em expressa disposição do seu Contrato Social para a distribuição desproporcional dos lucros, t ambém possui respaldo legal nos artigos 1.007 e 1.008 do Código Civil Brasileiro, que tratam da distribuição de lucros aos sócios. Cita ainda em seu favor a Solução de Consulta n° 92/02 da Região Fiscal e jurisprudência administrativa fiscal Acórdão n° 10613305 do Conselho de Contribuintes, cujos pareceres e decisões caminham no sentido do reconhecimento da possibilidade de distribuição desproporcional de lucros entre os sócios, desde que o Contrato Social franqueie aos sócios tal possibilidade. Finaliza afirmando que realizou a distribuição desproporcional de lucros no período de 01/2006 a 12/2009 por expressa vontade de seus sócios, devidamente consignada nas atas de reuniões de sócios, com base na faculdade prevista no parágrafo segundo da Cláusula 8a de seu Contrato Social, que encontra fundamento legal nos artigos 1.007 e 1.008 do CCB. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 2, datado de 05/04/2011, o Banco Votorantim, dentre outras solicitações, foi intimado a esclarecer a motivação da cessão de dividendos para a EVO Participações. Em resposta, o Banco Votorantim afirma que a distribuição foi deliberada de comum acordo pelos sócios, de maneira expressa e de acordo com o facultado no Contrato Social e nas Atas de Reunião da Votorantim Corretora datadas de 30/06/2006, 27/02/2007, 29/06/2007, 28/12/2007 e 05/09/2008. Pelos fatos apresentados, podese concluir que: o Banco Votorantim, no período fiscalizado, era uma sociedade anônima fechada, que tinha como principal acionista a Votorantim Finanças S/A, com 99,94% do capital; o Banco Votorantim S/A resolve ceder, no período de 2006 a 2008, R$73.487.898,00 dos dividendos a que teria direito pela sua participação na Votorantim Corretora, em favor da empresa EVO Participações; a empresa EVO Participações declara na DIPJ como receita somente sua participação na Votorantim Corretora, cujos dividendos a que teria direito totalizaria R$19.602,00 no período de 2006 a 2008, não fosse a “vontade expressa” do sócio Banco Votorantim em transferir R$73.487.898,00 para a EVO; Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.331 7 a EVO Participações tem como sócios cotistas apenas diretores estatutários do Banco Votorantim S/A e outras empresas financeiras do grupo. Estes diretores não são acionistas do Banco Votorantim, nem tampouco da Votorantim Corretora; Em resumo, segundo a fiscalização, a recorrente teria pago gratificações a seus administradores utilizandose de distribuição de lucros em outra empresa do grupo, Votorantim Corretora, da qual os diretores eram também sócios por meio da Evo Participações. A autoridade fiscal entendeu que teria ocorrido abuso de forma e não aceitou os impactos tributários da operação da forma como foi apresentada. Nos levantamentos GD e GE, a fiscalização apontou que a recorrente pagou gratificações a diretores e empregados por meio de filial localizada em Nassau, Ilhas Bahamas. Tais gratificações diminuíram a base de cálculo do IRPJ e de CSLL, mas não foram submetidas à incidência das contribuições previdenciárias. A fiscalização observou que nos anos de 2006 e 2007 somente as remunerações fixas dos administradores constaram na folha de pagamento. Após tomar ciência pessoal da autuação em 16/12/2011, a recorrente apresentou impugnação na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 12ª Turma da DRJ/São Paulo no Acórdão de fls. 992/1050 julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 04/09/2012, fls. 1052. O recurso voluntário, apresentado em 03/10/2012, fls. 2585/2644, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Protesta pela nulidade da decisão de primeira instância por ter aquele decisório sido emitido sem análise de provas que juntou, sob fundamento de que as provas deveriam ter sido juntadas junto com a peça impugnatória. A autuação igualmente estaria eivada de nulidades, segundo a recorrente, por ter se baseado em meras presunções, com inversão do ônus da prova. Teria ocorrido preterição do direito de defesa na medida em que não houve a correta motivação e fundamentação do auto de infração. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Aponta ter ocorrido erro na identificação do sujeito passivo, pois os pagamentos foram feitos por Votorantim Corretora diretamente para a EVO e não pela ou para a recorrente. Somente ingressaram no patrimônio da recorrente a parte dos lucros que lhe foi atribuída segundo o que foi decidido em assembleia dos sócios da Corretora. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.332 8 Defende a legalidade da distribuição de lucros realizada pela Votorantim Corretora, posto que esta foi feita segundo deliberação dos sócios e em obediência aos dispositivos do Código Civil. Não admite a necessidade de razão lógica ou "resposta plausível" para justificar a distribuição desproporcional de lucros como a que foi feita. Sustenta que não há em nosso ordenamento jurídico exigência para tal justificativa. Destaca que a distribuição de lucros foi feita, entre outros motivos, devido ao fato de a "EVO congrega importantes executivos de todo o Grupo, inclusive da Votorantim Corretora, sendo que tais administradores são peçachave no desenvolvimento dos negócios e diretamente responsáveis pelo resultado obtido". Insiste que a distribuição de lucros desproporcional está amparada na legislação societária e no Contrato Social da Votorantim Corretora. A liberdade contratual permitiria que a Corretora fizesse a distribuição de lucros sem nenhuma justificativa para tanto. Argumenta que se a recorrente quisesse remunerar seus diretores sem pagar contribuições poderia ter utilizado outros instrumentos como a PLR e as stock options. Não admite que a operação realizada tenha gerado economia de tributos, pois os valores pagos aos diretores seriam dedutíveis do IRPJ e gerariam mais deduções do que a suposta economia fiscal apontada. Destaca algumas conclusões sobre a distribuição de lucros à EVO: a. E expressamente prevista no Contrato Social de Votorantim Corretora; b. Tem amparo na legislação societária e não é vedada pela legislação tributária; c. Foi acordada por vontade das partes (i.e., EVO Participações Ltda. e Recorrente); d. Não foi realizada em maior proporção à EVO Participações Ltda com o intuito exclusivo de reduzir sua carga tributária, haja vista que nem todos os sócios cotistas de EVO Participações Ltda eram diretores da Recorrente; e e. Não acarretou vantagem fiscal à Recorrente que ensejasse o alegado planejamento fiscal asseverado pela D. Autoridade Fiscal No tocante às gratificações pagas pela filial da recorrente no exterior, entende ter ocorrido violação ao princípio da territorialidade, pois, segundo tal princípio, a legislação tributária só poderia ter efeito nos limites do território da pessoa jurídica que edita a norma. Em outras palavras, a União não tem competência para tributar pessoas jurídicas fora de seu território. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.333 9 Destaca que a tributação em bases universais, aplicável ao IRPJ, não se aplica às contribuições previdenciárias. Assume que "os pagamentos foram efetuados a diretores e colaboradores do Banco Votorantim/Nassau. da Recorrente e de outras empresas do Grupo, mas que requeriam ligação com os negócios praticados pelo Banco Votorantim/Nassau, fato que será mais detalhadamente abordado no tópico seguinte". Afasta a ocorrência de habitualidade nos pagamentos. Argumenta que a maioria dos beneficiários das gratificações pagas pela filial de Nassau eram diretores da própria filial. Quanto ao diretores da recorrente, estes indiretamente colaboraram com o lucro daquela filial, motivo pelo qual foram gratificados. Resume seus argumentos contra essa última parte do lançamento da seguinte forma: a. Violação ao Princípio da Territorialidade. Competência Tributária; b. Ausência de Liame JurídicoTributário a Deflagrar Exigência Previdenciária sobre Pagamentos Provenientes do Exterior; e c. Efetividade do Banco Votorantim/Nassau: Razão básica a evitar sua Desconsideração. Subsidiariamente, ressalta que somente pagamentos aos diretores da recorrente poderiam permanecer na base de cálculo. Aponta a ilegalidade da aplicação de juros de mora sobre a multa, colacionando jurisprudência sobre o tema. É o relatório. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.334 10 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Súmula CARF 99. Com fundamento no art. 72, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com relação à decadência aplicamos o conteúdo do Súmula CARF 99, in verbis: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Observamos que a fiscalização não declarou no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 144 ter analisado comprovantes de recolhimento no período fiscalizado, no entanto, a recorrente juntou em fls. 1147/1181 os comprovantes de pagamento de contribuições previdenciárias no período que interessa para a decadência. Logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 16/12/2011, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2006. Todos os fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Nulidade da decisão de primeira instância. Inocorrência. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Destacamos que se faz necessário que a omissão esteja relacionada com questão que tenha relevância, ou seja, tenha o poder de Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.335 11 modificar algum item do decisório. O não enfrentamento de alegação sem nenhuma importância para lide ou o acréscimo de algum esclarecimento que não altera o deslinde desta, não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. Na peça recursal, a recorrente pretende a nulidade da decisão a quo por entender que documentos não foram analisados. Porém, tais documentos foram trazidos aos autos depois da apresentação da impugnação. A decisão a quo analisou o pedido de análise de tais provas e o indeferiu com base no art. 16 do Decreto 70.235/72, o que afasta eventual argumento de nulidade. Mérito O presente caso é um exemplo típico de situação que a recorrente pretende seja reconhecida a prevalência da forma , sob a perspectiva da autoorganização, em relação à substância econômica , empresarial ou extratributária. Porém, tal enfoque não é mais aceitável após a Constituição de 1998, conforme podemos observar das lições de Marco Aurélio Greco em excelente artigo no qual o autor, para criticar o formalismo no Direito Tributário, faz imperdível escorço histórico sintético a respeito de como o tema do planejamento tributário foi e vem sendo tratado na doutrina e na jurisprudência administrativa: "(...), a liberdade absoluta do contribuinte levou a uma infinidade de estruturas negociais e reestruturações societárias que, com propriedade, foram consideradas meramente “de papel”. A prevalência da forma levou, da perspectiva da legalidade, à veiculação de praticamente quaisquer conteúdos desde que através de lei em sentido formal; e da perspectiva da liberdade de autoorganização ao surgimento de “montagens jurídicas” sem qualquer substância econômica, empresarial ou extratributária." ( Cf. GRECO, Marco Aurélio. Crise do formalismo no Direito Tributário brasileiro. Revista da PGFN. Ano I, Número ,I, 2011, p. 14) Na jurisprudência deste CARF encontramos exemplo de casos nos quais houve requalificação jurídica dos fatos ao se verificar que a forma não se mostrava coerente com os objetivos buscados. Vejamos: Acórdão 10421.675 SIMULAÇÃO CONJUNTO PROBATÓRIO Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.336 12 OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. O enfoque dado pelo Acórdão a quo na noção de abuso de direito que, segundo a recorrente, seria uma inovação em relação ao que havia sido anotado pela fiscalização abuso de forma não é capaz de gerar nulidade do julgamento de primeira instância, uma vez que a própria doutrina confunde os conceitos, tratandoos até mesmo o primeiro, abuso de direito, como gênero que engloba o segundo, abuso de formas. Nesse sentido a lição de Ricardo Lobo Torres: "O problema fundamental a se examinar e o da distinção entre a simulação e o abuso de direito, neste compreendidas as suas diversas espécies (fraude à lei, ausência de propósito mercantil, abuso de forma, dissimulação do fato gerador abstrato etc.)" (Cf. TORRES, Ricardo Lobo. Planejamento tributário elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier: 2012, p. 126) No Acórdão 10421.675 deste CARF, muitas vezes citados como referência no estudo da jurisprudência administrativa relativa ao planejamento tributário, o Relator Nelson Malmann admite a confusão entre os conceitos de abuso de direito e abuso de forma, sugerindo serem sinônimos no seguinte trecho: "A teoria do abuso de direito conduziu à noção de abuso de forma, figuras intimamente relacionadas, e por vezes utilizadas como sinônimos." Diante de tais lições, reconhecemos o abuso de forma como espécie do abuso de direito, o que nos leva a afastar o argumento da recorrente de que o Acórdão a quo teria inovado em seus argumentos ao tratar o caso como abuso de direito ao passo que a fiscalização falou em abuso de forma. Passamos a colacionar algumas lições sobre o abuso de formas. Iniciamos com lições de Marco Aurélio Greco: "Atenção! A forma é relevante, não se pode pura e simplesmente ignorar a forma,mas não é admissível fazer mágicas com a forma e querer transformála em um único referencial da aplicação do Direito. A forma precisa ter um sentido prático e uma correspondência com o conteúdo."(Cf. GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo: Dialética, 2004., p. 148) "Não se trata de predominação da substância sobre a forma.Mas também não se trata de predominância da forma sobre a substância. Ambas devem ser igualmente ponderadas e consideradas no exame e enquadramento das operações realizadas. É preciso verificar a substância, mas não se deve atropelar pura e simplesmente a forma. A substância servirá Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.337 13 para perguntar o que é aquilo e o conteúdo da operação pode confirmar que a realidade é aquela que resulta da forma apresentada." (Cf. GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo: Dialética, 2004., p. 148). Hermes Marcelo Huck destaca a relação entre o abuso de forma e a capacidade contributiva no trecho a seguir: "(...)o uso de formas jurídicas com a única finalidade de fugir ao imposto ofende a um sistema criado sobre as bases constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia tributária." (Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 328) A falta de propósito negocial como razão para não considerar os efeitos fiscais do negócio da forma como engendrado é assim tratado por Hermes Marcelo Huck: " (...) uma relação jurídica sem qualquer objetivo econômico, cuja única finalidade seja de natureza tributária, não pode ser considerada como comportamento lícito." (Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 329) (...)ainda que o comportamento do contribuinte se apresente permeado num negócio permitido pelo direito privado, o fim nele perseguido poderá ser considerado ilícito se a forma jurídica adotada visar tãosó a burla da norma tributária." (Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 41) É uma noção comum entre os aplicadores do Direito aquele que nos revela que não é por denominarmos de compra e venda um negócio que se revela com as características jurídicas de uma doação que este assim será reconhecido no mundo do direito. Esse raciocínio traz em si a noção de causa objetiva do negócio jurídico que, seguindo as lições de Antonio Junqueira de Azevedo, equivale à função práticosocial ou econômicosocial do negócio. (Cf. AZEVEDO, Antonio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 151). Adotando tais lições, Rodrigo de Freitas assinalou como a análise da causa objetiva permeia o trabalho do intérprete tributário (Cf. FREITAS, Rodrigo. É legítimo economizar tributos? Propósito negocial, causa do negócio jurídico e análise das decisões do antigo Conselho de Contribuintes. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITAS, Rodrigo de (org.). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, p. 441490, (p. 4756)): Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.338 14 “O conteúdo do negócio jurídico (previsão objetiva – vontade declarada), plasmado em forma de linguagem, serve de parâmetro, de referência, para a determinação do regime jurídico. Contudo, é na análise da causa objetiva que o trabalho do intérprete irá apurar se o regime jurídico é adequado à norma tributária ou não. (...) (...)concluise que não é o conteúdo formal do negócio jurídico consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência da norma tributária, mas sim a causa objetiva. O que importa ao intérprete é procurar a verdade substancial do evento, não a simples declaração de vontade objetivada em forma de linguagem.” Portanto, cabe ao intérprete da lei identificar os dados da realidade para promover a requalificação jurídica dos fatos, ou seja, identificar para qual negócio jurídico apontava a causa objetiva do verdadeiro negócio celebrado. Identificado o negócio celebrado, atribuise a este as consequências que a legislação tributária prescreve. Para tanto, cumprenos identificar a causa objetiva do negócio jurídico celebrado. Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio com a denominação de contrato de prestação de serviço, mas que tem a causa objetiva, a função práticosocial ou a finalidade econômicosocial de um contrato de trabalho, então o negócio formalizado é um ato ilícito, conforme art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Ou seja, quem celebra negócio com falsa causa objetiva, abusa de seu direito, comete ato ilícito, pois excedeu os limites impostos pelo fim econômicosocial, pela causa objetiva do negócio. A formalização declarada é ilícita, mas os efeitos tributários do negócio jurídico celebrado subsistem, conforme sua causa objetiva. Oportuna o registro da lição de Hermes Marcelo Huck: "...negócios jurídicos que não tenham nenhuma causa real distinguível, a não ser sua finalidade tributária, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo." ( Cf. HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão. Rotas nacionais e internacionais do planejamento tributário. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 153) Assim, embora os contratos possam estar perfeitamente formalizados, as empresas envolvidas regularmente criadas e inscritas nos órgãos públicos, as situações fáticas revelaram que a recorrente pretendeu pagar remuneração a seus diretores por meio da distribuição de lucros de outra empresa do grupo da qual era detentora de 99,98% do capital e sem qualquer fim econômicosocial pra tal distribuição desproporcional de lucros. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.339 15 Por seu turno, a composição societária da EVO revela que entre os sócios não havia qualquer affectio societatis, posto que não se identifica a vontade de unir esforços e capitais na busca de um resultado empresarial. A ligação entre eles que se verifica é dado pelo fato de serem prestadores de serviço para o grupo Votorantim. Acrescentamos que a fiscalização apresentou indícios de que a distribuição de lucros era feita em data próxima ao pagamento de PLR aos demais prestadores de serviços, o que aponta para a intenção de gratificar os diretores. Por outro lado, assiste razão à recorrente quando esta alega que não pode prevalecer o lançamento em relação à remuneração atribuída a sócios da EVO que não são diretamente seus diretores e sim diretores de outras empresas do grupo. Sem que a fiscalização tenha realizado o lançamento em todas as emersas do grupo, não há como prevalecer o lançamento em relação a diretores de outras empresas. No tocante ao argumento de que as operações não gerariam economia tributária, acompanhamos os argumentos do Acórdão a quo, que demonstrou que existiu sim benefício tributário na operação, uma vez que deixou de recolher as contribuições previdenciárias e caso tivesse inserido na folha de pagamento não poderia deduzir do imposto de renda das pessoas jurídicas. Tal fato foi, como bem consignado na decisão a quo, destacado pela fiscalização no item 5.12 daquele documento. Com relação ao pagamento aos diretores por meios da filial em Nassau, as atas de Assembléia da recorrente apontam que esta quis remunerar o esforço de seus diretores e funcionários que repercutiram no resultado da filial com pagamentos feitos pela filial. Como muito bem apontado na decisão a quo, a prestação serviço foi realizada no país e aqui foi devida a contraprestação, o que afasta o argumento de violação da territorialidade. De maneira similar ao levantamento anterior, assiste razão à recorrente quando esta alega que não pode prevalecer o lançamento em relação à remuneração atribuída a diretores de outras empresas do grupo. Sem que a fiscalização tenha realizado o lançamento em todas as emersas do grupo, não há como prevalecer o lançamento em relação a diretores de outras empresas. Incidência de juros de mora sobre o total do crédito tributário não pago no vencimento. Súmula CARF Nº 05. Sobre a incidência de juros de mora sobre penalidades, a Súmula CARF Nº 05 afasta a dúvida sobre tal possibilidade, na medida em que admite a aplicação dos juros de mora sobre o total do crédito tributário não pago no vencimento. Vejamos: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.340 16 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.341 17 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.342 18 declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.343 19 · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.344 20 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.345 21 Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a: (a) afastar do lançamento os fatos geradores até 11/2006, inclusive, por conta da decadência; (b) limitar a multa de mora a 20%; (c) excluir do lançamento pagamentos atribuídos a diretores e empregados que não prestem serviços à recorrente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721628/201161 Acórdão n.º 2301004.133 S2C3T1 Fl. 1.346 22 Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10120.729553/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2011 a 31/07/2012
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA N.1 DO CARF.
Verificada a identidade da matéria debatida nos processos administrativo e judicial, na forma do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/80 e da Súmula CARF n° 1, inafastável a renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.352
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso voluntário. Vencido o conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves que votou por dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente a advogada Dra. Ana Carolina Coelho, OAB/DF nº 32.582.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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SICOBE Recorrente RINCO INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTARES E BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2011 a 31/07/2012 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA N.1 DO CARF. Verificada a identidade da matéria debatida nos processos administrativo e judicial, na forma do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/80 e da Súmula CARF n° 1, inafastável a renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso voluntário. Vencido o conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves que votou por dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente a advogada Dra. Ana Carolina Coelho, OAB/DF nº 32.582. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 95 53 /2 01 2- 87 Fl. 10096DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.097 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls.211255) interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação. Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, in verbis: Em julgamento o auto de infração de fls.9737 a 9740, que exige o recolhimento do montante de R$ 18.994.273,54 sob o seguinte fundamento fático (TVF de fls.9733 a 9735): No exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, realizamos o procedimento fiscal no estabelecimento industrial, acima identificado, para aplicação da multa prevista no art. 13 da IN RFB 869/2008, referente a anormalidade no funcionamento do SICOBE Sistema de Controle de Produção de Bebidas. A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplina a instalação de equipamentos contadores de produção nos estabelecimentos industriais envasadores de bebidas de que trata o art. 58T da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, através da Instrução Normativa RFB n°869, de 12 de agosto de 2008 e suas alterações. Em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal o procedimento se refere à aplicação da multa prevista no art. 13 da IN RFB 869/2008, quanto à anormalidade no funcionamento do SICOBE Sistema de Controle de Produção de Bebidas, referente ao período de 11 de novembro de 2012 a 31 de julho de 2012. A base legal de tal penalidade é o art. 30 da Lei n° 11.488/2007 combinado com art. 58T da Lei n°10.833/2003, com redação dada pela Lei n°11.827/2008. O Relatório Técnico de Ocorrências de 11/10/2011 (fls.37), expedido pela Casa da Moeda do Brasil, atesta que foi verificada a ausência do ressarcimento devido pela fiscalizada, em virtude da realização dos procedimentos de manutenção preventiva/corretiva efetuados no SICOBE pela Casa da Moeda do Brasil, tendo sido identificados valores de ressarcimento devidos e não pagos correspondentes ao período de abril a agosto de 2011, no valor total de R$ 189.414,96. Por meio do Termo de Diligência Fiscal lavrado em 26/10/2011 a fiscalizada foi regularmente intimada a regularizar (fls.38 e 39), no prazo de dez dias, o ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil no período de abril a agosto de 2011, conforme descrito no Relatório Técnico, enviado em anexo. Da intimação, constou ainda que o seu não atendimento implicaria na Fl. 10097DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.098 3 caracterização de anormalidade do funcionamento do Sicobe, nos termos dos arts. 8°A 13, § 4o, da Instrução Normativa RFB n° 869/2008, e início da contagem do prazo para fins de aplicação da penalidade de que trata o art. 13, inciso I, da Instrução Normativa RFB n°869/2008, amparada pelo art. 30, inciso I, da Lei n°11.488/2007. Findo o prazo estabelecido sem que a fiscalizada procedesse ao atendimento da intimação, foi expedido o Ato Declaratório Executivo Cofis n° 62, de 10 de novembro de 2011 (fls.58), caracterizando a anormalidade no funcionamento do Sicobe, considerando o disposto no art. 13, § 4o, da Instrução Normativa RFB n° 869, de 2008. A expedição do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 62, de 10 de novembro de 2011, caracterizando a anormalidade no funcionamento do Sicobe, é o marco inicial da contagem da multa a que se refere o artigo 13 da IN RFB n° 869, calculada a cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Cabe ressaltar, ainda, que o contribuinte impetrou mandado de segurança (MS n°329816.2011.4.01.3500) com pedido de liminar visando, entre outras coisas, impedir a aplicação da multa de 100% do valor da mercadoria produzida pela Receita Federal, prevista no art.13 da IN 869/2008. Em decisão da Justiça Federal do Estado de Goiás o pedido de liminar foi negado, conforme consta na decisão (fls. 59 a 62) e agravo de instrumento (fls.63). Desta forma, inexiste impedimento judicial para a lavratura do presente lançamento. Em consulta realizada aos sistemas da RFB, anexas a este processo, até a presente data, não foi verificada regularização dos valores de ressarcimento devidos pela fiscalizada (fls.43 a 57). O período de aplicação da multa compreende a data de publicação do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 62/2011, que caracterizou a anormalidade no funcionamento do Sicobe, até o dia 31 de julho de 2012, apurada de formal mensal, correspondendo ao período de apuração do IPI. Para apuração do valor comercial dos produtos fabricados no período, lançouse mão das notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada no período abrangido por este procedimento fiscal, por meio do Sistema Público de Escrituração Digital Sped. O valor da multa lançada é o resultado do produto entre os preços unitários identificados dos produtos vendidos e as quantidades de unidades comerciais comercializadas por nota fiscal de venda emitida. A planilha constante nas fls.64 a 9.732 apresenta, a cada período de apuração mensal, a lista dos produtos comercializados, suas respectivas quantidades e seus valores de venda, além da totalização mensal do valor da multa lançada. A insurgência deuse pelo arrazoado de fls.9748 a 9775, que assim vai resumido: ...a impugnante já comprovou ter realizado o depósito integral dos valores em juízo naquele período e que jamais esteve em qualquer estado de anormalidade ou irregularidade. De fato, todos aqueles valores apontados pela Casa da Moeda do Brasil encontramse com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, II do CTN. Fl. 10098DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.099 4 bem como a empresa nunca impediu ou contribuiu para o anormal funcionamento do sistema, razão pela qual a declaração de anormalidade e a multa fiscal dela decorrente são manifestamente ilegais e abusivas. Com efeito, a Associação dos Fabricantes de Refrigerantes à qual pertence a impugnante, denominada AFREBRAS, ajuizou a ação ordinária coletiva nº 500827938.2010.404.7000/ PR, na qual obteve antecipação de tutela (decisão em anexo) para permitir que seus associados depositassem em juízo os valores referentes à taxa de ressarcimento do SICOBE, obtendo os benefícios do art. 151, II do CTN. Diante disso, a impugnante passou a depositar os valores em conta vinculada ao processo coletivo, conforme comprovantes em anexo, sendo que a consulta sobre a regularidade dos depósitos sempre esteve à disposição do fisco através de simples consulta ao sistema integrado do Tesouro Nacional. Prova disso está no extrato de pagamentos emitido pelo próprio contribuinte através do portal eCAC, conforme anexo, que comprova a regularidade dos depósitos desde 11/2010. Ainda assim, em 17/10/2011 o fisco instaurou contra a impugnante o MPF n. 01.2.01.002011012440 para o fim de exigir o pagamento da taxa de ressarcimento do período de 04/2011 a 08/2011, ignorando o fato de que tais valores haviam sido depositados na ação coletiva. Tal fato foi destacado pela empresa na resposta apresentada em face do Termo de Diligência Fiscal n. 01/2011, conforme anexo, quando também foram apresentados os comprovantes de depósito. Nada obstante, o processo administrativo teve prosseguimento e culminou na publicação do ADE RFB n. 62/2011, por meio do qual o fisco reputou a anormalidade da empresa em razão do suposto inadimplemento da taxa de ressarcimento no período de 04/2011 a 08/2011. Cumpre salientar que a impugnante impetrou o mandado de segurança n. 000329816.2011.4.01.3503/ GO, conforme referido no auto de infração, para o fim de obter a suspensão do procedimento instaurado, e que ainda aguarda pronunciamento do E. TRF da lã Região acerca do pedido liminar pretendido, isto é, ao contrário do que afirmou o Auditor Fiscal, o procedimento coator instaurado com o MPF n. 01.2.01.002011012440 continua sub judice, visto que a possibilidade de antecipação de tutela recursal ainda não foi apreciada pelo órgão competente. Nada obstante, a RFB expediu este novo MPF n. 01.2.01.002012010190 para aplicar a multa prevista no art. 13, § 4º da IN RFB n. 869/2008, tendo por base aquela mesma declaração de anormalidade no SICOBE, emitida por meio do ADE RFB n. 62/2011 e decorrente do MPF n. 01.2.01.002011012440, o que se revela igualmente ilegal e abusivo, eis que se fundamenta no mesmo ato coator discutido nos autos do mandado de segurança impetrado. Por fim, não bastasse a empresa ser penalizada em razão da relutância do fisco em reconhecer o efeito liberatório garantido pelo art. 151, II do CTN, convém destacar que a RFB desligou e lacrou parte dos equipamentos do SICOBE que estavam funcionando plenamente, bem como cancelou o acesso da empresa à interface do SICOBE/Gerencial, conforme Termo de Acompanhamento Fiscal lavrado em 17/11/2011, em anexo. Ocorre que o contribuinte jamais se opôs ao normal funcionamento do sistema, tampouco Fl. 10099DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.100 5 obteve resposta aos questionamentos apresentados à autoridade em relação a essas condutas ilegais. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA TAXA DE RESSARCIMENTO DO SICOBE – ILEGALIDADE DA MULTA POR VIA REFLEXA – CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Ainda que os valores cobrados a título de ressarcimento não estivessem integralmente depositados em juízo (por culpa exclusiva da RFB) e que o fisco mantivesse o sistema em pleno funcionamento, notase que a fixação do ressarcimento em R$ 0,03 (três centavos) POR UNIDADE DE PRODUTO, nos termos do ADE RFB n. 61/2008, viola a legislação ordinária que instituiu a taxa, pois não leva em consideração fatores relacionados à capacidade produtiva do contribuinte, tais como MARCA. TIPO DE EMBALAGEM e VOLUME DE PRODUÇÃO. De fato, a fixação do ressarcimento não poderia se dar em detrimento desses elementos, haja vista que estão expressamente estabelecidos na legislação ordinária que regula o setor de bebidas (Leis n. 11.727/2008, 11.827/2008 e 10.833/2003), razão pela qual a taxa de ressarcimento e a multa prevista no art. 13 da IN RFB n. 869/2008 são ilegais e abusivos. ILEGALIDADE DA PENA DE MULTA IMPOSTA DESPROPORCIONALMENTE E EFEITO CONFISCATÓRIO. Não bastasse o fato de que os valores cobrados pela Casa da Moeda do Brasil foram legalmente depositados em juízo, bem como o fato de que a taxa de ressarcimento do SICOBE é absolutamente ilegal e abusiva, também não há dúvida de que a multa aplicada no presente caso é completamente ilegal e CONFISCATÓRIA, razão pela qual não pode ser mantida. Com efeito, o valor total do ressarcimento ilegalmente cobrado pela DRF de Goiânia soma R$ 189.414,96 (cento e oitenta e nove mil e quatrocentos e quatorze reais e noventa e seis centavos). Em contrapartida, o valor da multa aplicada chega a R$ 18.994.273,54 (dezoito milhões e novecentos e noventa e quatro mil e duzentos e setenta e três reais e cinquenta e quatro centavos) Comparativamente, para cada R$ 1,00 (um real) de ressarcimento indevidamente cobrado foi aplicada uma multa de aproximadamente R$ 100,27 (cem reais e vinte e sete centavos), o que representa uma multa de 10.027% sobre o valor principal supostamente inadimplido. Nesse ponto, convém destacar que a disponibilidade de liquidez imediata da empresa (Disponível/Passivo Circulante) soma R$ 88.069,79 entre caixas e bancos, ou seja, um valor 215 vezes menor que a multa aplicada, o que demonstra que a capacidade de pagamento da empresa para cada R$ 1,00 de multa aplicada é de apenas R$ 0,0047. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL ORDINÁRIA – CONTORNO FÁTICO NÃO CONFIGURADO – AMPLIAÇÃO DAS HIPÓTESES LEGAIS DE PENALIZAÇÃO DO CONTRIBUINTE – ILEGALIDADE DA IN RFB 869/2008. (...)Observase que o conceito de anormalidade por ausência de ressarcimento não existe na lei ordinária, mas tão somente na instrução normativa, o que importa flagrante ilegalidade porque somente a lei ordinária pode estabelecer a extensão do conceito para aplicação de sanção. De fato, os arts. 30 da Lei n. 11.488/2007 e 58T da Lei n. 10.833/2003, não contêm previsão de que o não pagamento do ressarcimento caracteriza Fl. 10100DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.101 6 anormalidade, razão pela qual não pode a norma regulamentadora ampliar o conceito e instituir essa hipótese. A própria sequência de atos normativos reguladores escancara a ausência de fundamento legal para aplicação da sanção por ausência de ressarcimento, na medida em que primeiramente foi publicada a Instrução Normativa n. 869/2008 sem a previsão de que a falta de pagamento caracterizava anormalidade, o que somente foi corrigido através da Instrução Normativa n. 972, de 19 de novembro de 2009 e pela Instrução Normativa n. 1148, de 25 de abril de 2011 (por isso a SRFB somente passou a cobrar os valores de ressarcimento a partir de abril/2011). Esses dispositivos são ilegais e abusivos porque estabelecem hipótese de apenamento e discriminação que não se encontra prevista no art. 30 da Lei n. 11.488/2007 e que não decorre de qualquer outra previsão legal. Desse modo, também padece de ilegalidade o MPF e todos os atos administrativos dele decorrentes, incluindo a multa aplicada. Com efeito, o art. 30 da Lei n. 11.488/2007, aplicável ao SICOBE por expressa referência do art. 58Tda Lei n. 10.833/2003,estabeleceu as multas cabíveis aos fabricantes em relação à instalação e funcionamento do sistema. Tal previsão deixa clara a incidência de penalidades em apenas duas situações: (1) se o fabricante prejudicar o normal funcionamento do SICOBE, seja impedindo sua instalação no prazo legal (art. 30, I), seja impedindo que o sistema instalado funcione adequadamente (art. 30, § l9 ); ou (2) se ele não efetuarum controle próprio de sua produção nas ocasiões em que o sistema deixar de funcionar por inoperância dos equipamentos(art. 30, II). Assim, o conceito trazido pela Lei n. 11.488/2007 e contido na expressão legal "normal funcionamento" diz respeito exclusivamente aos aspectos operacionais do SICOBE. Isto é, o objetivo da norma está em garantir que os equipamentos que compõem o SICOBE realizem normalmente as tarefas de medição e controle da produção de bebidas, pois as sanções visam convencer o fabricante/contribuinte a não obstar a instalação e, de modo geral, a não comprometer a integridade dos equipamentos isto é, o objetivo da penalidade está em proteger o funcionamento e a integridade dos equipamentos. Nesse sentido, cumpre salientar que a impugnante sempre contribuiu para o pleno funcionamento do SICOBE, tendo inclusive questionado a atitude dos fiscais da RFB e da Casa da Moeda do Brasil no momento em que realizaram o desligamento de parte dos equipamentos. Tal irresignação ficou registrada no Boletim de Ocorrência n. 7005/2011, conforme anexo, que comprova que a impugnante sempre buscou assegurar o normal funcionamento dos equipamentos, conforme determina a legislação aplicável. Ocorre que, ao regulamentar o SICOBE através da IN RFB n. 869/2008, especialmente após as alterações introduzidas pela IN RFB n. 1148/2011, a SRFB, de forma ilegal e abusiva, ampliou as sanções previstas na Lei n. 11.488/2007 e qualificou novas condutas como sujeitas à imposição de multa, à declaração formal da anormalidade no funcionamento do sistema e a diversas outras medidas restritivas... Fl. 10101DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.102 7 Assim, se existe anormalidade ela está na norma editada pela SRFB e não na conduta da impugnante, visto que a impugnante não impediu sua instalação no prazo legal (art. 30, I), e também não impediu que o sistema instalado funcionasse adequadamente (art. 30, § Tanto é assim que o art. 13 da IN RFB n. 869/2008 estabelece nos incisos I e II as hipóteses de anormalidade quando "o Sicobe não tiver sido instalado em virtude de impedimento criado pelo estabelecimento industrial"; ou então quando o "estabelecimento industrial não prestar as informações sobre os volumes de produção". Assim, os referidos dispositivos criam NOVAS E INDEVIDAS hipóteses para a caracterização da "anormalidade no funcionamento do sistema": a falta de manutenção preventiva e corretiva do SICOBE "em virtude da ausência do ressarcimento" para a Casa da Moeda. Ocorre que tal hipótese não está prevista nas Leis ns. 10.833/2003 e 11.488/2007, o que aponta a manifesta ilegalidade de quaisquer multas com fundamento nesses dispositivos. PEDIDOS Por todo o exposto, requer seja julgado totalmente improcedente o Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração em MPF n. 01.2.01.002012010190, lavrado em 03/10/2012, cancelandose por consequência as penalidades impostas pelo auditor fiscal, haja vista que: (I) a impugnante depositou em juízo os valores da taxa de ressarcimento apontados no procedimento que culminou com a declaração firmada no ADE RFB n. 62/2011, nos termos do art. 151, II do CTN, bem como foi impedida pelo fisco de depositar e recolher o tributo nos vencimentos seguintes, em virtude da desativação de acesso ao SICOBE/Gerencial, razão pela qual jamais existiu estado de anormalidade a autorizar a imposição da multa em comento; (II) a cobrança da taxa de “ressarcimento” do SICOBE é ilegal e inconstitucional, de modo que qualquer penalidade imposta em razão do seu não pagamento será igualmente indevida. (III) a multa é desproporcional e flagrantemente confiscatória, chegando ao cúmulo de ser 10.027% acima do valor do ressarcimento supostamente devido. (IV) não existe previsão legal para a aplicação da multa referida, haja vista que somente a IN RFB n. 869/2008 estende tal penalidade ao caso de não pagamento da taxa de "ressarcimento" do SICOBE, contrariando a lei de regência. É como relato. A ementa do acórdão da DRJ é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/2011 a 31/07/2012 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. ENCERRAMENTO DO LITÍGIO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Fl. 10102DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.103 8 É irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente apresentou recurso voluntário, reafirmando as alegações trazidas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão recorrida analisou a questão sob dois enfoques: i) os efeitos dos depósitos realizados em face da ação ordinária coletiva nº 500827938.2010.404.7000/ PR movida pela Associação dos Fabricantes de Refrigerantes – AFREBRAS em prol de seus associados; e ii) pretensa ilegalidade da multa imposta no presente lançamento. Quanto ao primeiro tema, a decisão a quo foi precisa ao dizer que a matéria não se sujeita ao PAF, senão vejamos: Trazendo para o caso concreto e descendo a detalhes, temse que todo o arcabouço de atos praticados pela autoridade pública que culminaram com o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 62/2011, bem como toda a argumentação de inconformismo atrelada à emissão do ADE, incluindo o evento dos depósitos realizados na ação ordinária coletiva nº 500827938.2010.404.7000/ PR movida pela Associação dos Fabricantes de Refrigerantes – AFREBRAS, constituem matéria não sujeita ao Processo Administrativo Fiscal/PAF, regulado este, como bem se sabe, pelo Decreto 70.235/72 e suas alterações. E se assim é, qual seja se PAF não há, falece a competência desta DRJ para manifestarse a respeito do Ato Declaratório em questão. Para o julgador administrativo o ADE constitui apenas uma condicionante para a lavratura do auto de infração que pune com severa multa a anormalidade no SICOBE, e uma condicionante cuja validade jurídica é aceita por presunção dentro da melhor doutrina dos atos jurídicos. Arrematando a questão, não haver PAF não significa óbice de insurgência. O disposto no artigo 56 da Lei nº 9.784/99 garante a interposição de recurso à autoridade superior àquela que proferiu a decisão. É o chamado recurso hierárquico, que estava à disposição da contribuinte como via de questionamento do ADE COFIS nº 62/2011. Fl. 10103DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.104 9 (...) Voltemonos agora para o lançamento da multa isolada decorrente do ADE COFIS nº 62/2011, lavrado nos termos da IN RFB nº 869/2008. A esse respeito informa a contribuinte na impugnação: Cumpre salientar que a impugnante impetrou o mandado de segurança n. 000329816.2011.4.01.3503/ GO, conforme referido no auto de infração, para o fim de obter a suspensão do procedimento instaurado, e que ainda aguarda pronunciamento do E. TRF da 1ª Região acerca do pedido liminar pretendido, isto é, ao contrário do que afirmou o Auditor Fiscal, o procedimento coator instaurado com o MPF n. 01.2.01.002011012440 continua sub judice, visto que a possibilidade de antecipação de tutela recursal ainda não foi apreciada pelo órgão competente. A notícia dada pela Interessada é a existência do MS 000329816.2011.4.01.3503/ GO que visa o questionamento do procedimento fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração. Em pesquisa no sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região extraise a sentença dada em relação ao provimento pedido: ...julgo extinto o processo, sem resolução do mérito, em razão da irregularidade do polo passivo, bem como pela ausência de direito líquido e certo do IMPETRANTE (art. 267, IV e VI, do CPC), oportunidade em que ressalvo ao IMPETRANTE o direito de renovar a demanda, melhor instruída, pela via processual entendida adequada. A sentença transitou em julgado em 12/04/2013. Em realidade, o trânsito em julgado tem pouca relevância para a nossa análise. O importante, isso sim, é determinar o objeto da ação, e este podemos obtêlo no relatório da sentença: O IMPETRANTE, ao final, pediu: a) fosse reconhecida a ilegalidade e abusividade da Instrução Normativa 1.148/2011 e do ADE n. 62/2011, para: (a.1) que a Autoridade Impetrada se abstenha de publicar Atos Declaratórios Executivos com o objetivo de atestar a "anormalidade no funcionamento do SICOBE"; se abstenha de divulgar a anormalidade no site da Receita Federal ou em qualquer outro meio de comunicação; e se abstenha de aplicar quaisquer multas, penalidades e restrições em razão da anormalidade no sistema, sempre que tal anormalidade esteja fundamentada na ausência do ressarcimento de que tratam os arts. 28, § 3º da Lei 11.488/2007, art. 11 da Instrução Normativa 869/2008 e arts. 1º e 2º do Ato Declaratório Executivo RFB 61/2008, haja vista que todos os valores estão sendo depositados em juízo; (a.2) fixar a incidência de multa no valor de R$ 100.000,00 para cada ato praticado pelo IMPETRADO em desobediência à sentença de mérito. (nosso grifo e sublinhado) O trecho sublinhado é claro: pleiteava a Impetrante a ilegitimidade da aplicação de quaisquer multas, penalidades e restrições em razão da anormalidade do sistema SICOBE. Considerando que a base normativa da multa que se analisa no presente lançamento coincide com o questionamento levantado no Judiciário, ou seja, foi lançada multa tomando como premissa as linhas normativas ditadas pela IN RFB 869/2008, cuja validade está inserta na tutela pretendida, é de se analisar o teor do ADN COSIT nº3 de 14/2/1996: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. l47, item III, do regimento interno da Fl. 10104DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.105 10 Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de l992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96. DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto ; (nosso sublinhado) b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. l49 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.l5l, do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). (nosso sublinhado) Se há identidade de objetos, operase a renúncia às instâncias administrativas; se não, prossegue o devido processo legal pelo rito do PAF. Mas há identidade. Tanto na peça administrativa quanto na petição inicial do MS 000329816.2011.4.01.3503/ GO está presente o intuito de fazer ruir a legitimidade da multa isolada lançada com supedâneo na IN RFB 869/2008. (...) Não importa se nas diferentes esferas – judicial e administrativa há diversidade de argumentos; o que importa é o objeto a ser alcançado, que, na hipótese presente, assomase como sendo o afastamento da penalidade vinculada à constatação de anormalidade no funcionamento do sistema SICOBE. Constato, portanto, a existência de concomitância dos processos administrativo e judiciais, já que a Recorrente, pleiteou a ilegitimidade da aplicação de quaisquer multas, penalidades e restrições em razão da anormalidade do sistema SICOBE. Não resta, portanto, outra alternativa senão o cumprimento do disposto na Sumula n° 1 do CARF, verbis: Fl. 10105DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10120.729553/201287 Acórdão n.º 3202001.352 S3C2T2 Fl. 10.106 11 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário, em vista da concomitância entre os processos administrativo e judicial. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 10106DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10882.911358/2011-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/01/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/01/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.911358/201104 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 3801003.745 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/01/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 13 58 /2 01 1- 04 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.911358/201104 Acórdão n.º 3801003.745 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.911358/201104 Acórdão n.º 3801003.745 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.911358/201104 Acórdão n.º 3801003.745 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.911358/201104 Acórdão n.º 3801003.745 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.911358/201104 Acórdão n.º 3801003.745 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.911358/201104 Acórdão n.º 3801003.745 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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