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Numero do processo: 14112.000239/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado.
Numero da decisão: 3401-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
Nome do relator: Relator Jean Cleuter Simões Mendonçca
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PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 39 /2 00 6- 21 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 07/06/2004, pelo qual o Contribuinte pretende compensar débitos da COFINS de março a junho de 2003 com créditos oriundos de suposto pagamento indevido ou a maior da COFINS de junho de 2001. A delegacia de origem indeferiu o crédito e negou a homologação da compensação por entender que faltava liquidez e certeza no crédito pleiteado, haja vista as muitas divergências encontradas nas planilhas apresentadas pela Contribuinte. A Contribuinte apresentou impugnação, mas a DRJ em Campo Grande/MS manteve o indeferimento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. NULIDADE. A legislação que trata da forma de cálculo dos valores de crédito e débito, para fins de compensação, não se submete ao principio da anterioridade tributária, mormente se a legislação superveniente em nada inova. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ QUANTO AO CRÉDITO. Para haver a compensação tributária há a necessidade de certeza e liquidez quanto ao crédito do contribuinte. Compensação não Homologada”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ e interpôs recurso voluntário com as alegações resumidas abaixo: 1 Existem questões prejudiciais que impedem o prosseguimento do processo. Uma delas é o fato de o crédito compensado ser decorrente do pedido de revisão e restituição do PIS, que consta no processo administrativo nº 10140.003653/200199; 2 Outro fato impeditivo do prosseguimento do feito é que a base de cálculo de apuração do crédito compensado, 03/2001, é indeterminada, pois foi objeto de lançamento de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000239/200621 Acórdão n.º 3401002.656 S3C4T1 Fl. 329 3 ofício, o qual foi impugnado, formando o processo 14120.0000018/200734, e está pendente de julgamento; 3 A planilha apresentada pelo Parecerista da SAORT, parte integrante do Despacho Decisório, referente à base de cálculo do período de 03/2001, é incoerente com a apuração efetivada pela fiscalização, o que demonstra erro de fato; 4 A autoridade fiscal fundamentou que a partir do ano de 2002 a autocompensação não era permitida, como foi feito no processo 10140.003653/200199. Todavia, o 10140.003653/200199 foi protocolado no ano de 2001; 5 O crédito tem origem em pagamento efetuado em 03/2001. Quando foi iniciada a fiscalização para a apuração do crédito, março de 2007, que culminou no processo 14120.000018/200734, o prazo quinquenal para a Fazenda constituir o crédito tributário já estava decaído, razão pela qual não cabia mais discutir a liquidez e certeza do crédito; 6 O resultado deste processo é dependente do julgamento dos processos 10140.003653/200199 e 14120.000018/200734, motivo pelo qual o julgamento deste processo deve ser sobrestado até a decisão definitiva dos processo citados. Ao fim, a Recorrente pediu a homologação das compensação ou o sobrestamento do julgamento deste processo. O recurso voluntário foi analisado pela primeira vez pela Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara, da Terceira Seção de julgamento do CARF, sob relatoria da Conselheira Nayra Bastos Manatta. Na oportunidade, entendeuse que o julgamento deste processo depende dos resultados dos processos 10140.003653/200199 e 14120.000018/2007 34. Com isso, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos (fls.01/07): “Desta forma, diante dos fatos, e com esteio no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, somos pela transformação do presente voto em diligência, para que sejam tomadas as seguintes providências: a) Informar qual a situação dos processo nº 14120.0000018/200734 e n°10140.003653/200199. (se houve interposição de recurso, e, se houve, anexar cópia das decisões finais); b) Verificar, diante das decisões finais proferidas naqueles processos, se efetivamente havia credito relativo ao período de janeiro/2001 capaz de fazer frente aos débitos constantes deste processo e objeto de compensação; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 c) Elaborar demonstrativo de calculo; d) Elaborar parecer conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão”. Em cumprimento à diligência foi elaborada a informação fiscal, na qual está exposto o resumo do que aconteceu nos processos 14120.0000018/200734 e n°10140.003653/200199 e a conclusão de inexistência de crédito a ser compensado. Em resposta ao resultado da diligência, a Recorrente manifestouse alegando o seguinte: 1 A resposta à diligência não cumpriu o seu papel, pois não foi conclusiva, vez que afirma que “ao que tudo indica já ocorreu decisão definitiva”, mas não esclarece qual foi a decisão; 2 A resposta à diligência informa que houve pagamento a maior, mas a Recorrente, desde o início, não alega pagamento a maior, mas sim pagamento indevido, e isso não nunca foi analisado e julgado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O suposto crédito pleiteado tem origem no pedido de revisão que compôs o processo nº 10140.003653/200199. Sobre o mesmo mês que supostamente originou o crédito, ocorreu lançamento de ofício do qual surgiu o processo nº 14120.0000018/200734. No recurso voluntário, a Recorrente foi clara ao afirmar que a decisão de homologação da compensação é dependente dos processos nº 10140.003653/200199 e nº 14120.0000018/200734. Na primeira análise, o julgamento foi convertido em diligência e da informação fiscal que apresenta o resultado de diligência extraise o seguinte no que concerne ao processo nº 10140.003653/200199: “5.1 Em 20/12/2001, a interessada apresentou pedido de restituição dos valores recolhidos a titulo de PIS no valor total Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000239/200621 Acórdão n.º 3401002.656 S3C4T1 Fl. 330 5 de R$ 388.376,44. Foi anexada aos autos planilha de cálculo, quantificando os valores de PIS, nos códigos 3885 (Receita Operacional), 8002 (Dedução), 8205 (Repique) e 8109 (Faturamento), que teriam sido recolhidos indevidamente durante o período de 03/02/92 a 15/01/99 (fls.09/15). 5.2 Por meio do Despacho Decisório, que teve por fundamento o Parecer 063/2006 (fls. 446/450), houve o indeferimento do pedido de restituição em razão de todos os pagamentos, efetuados até a data de 20/12/96, já se encontrarem abrangidos pela decadência quando do protocolo do pedido de restituição, e pelo fato incontroverso da vigência da Lei n° 9.715/98, a partir de 10 de março de 1996, pois ela somente convalidou a MP n° 1212/95 e suas reedições; e, por consequência a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas pela própria interessada. 5.3 Inconformado com a decisão da DRF, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande — MS (fls. 460/498). Por meio do Acórdão 0410051 (fls. 517/530), aquela delegacia manteve a decisão da DRF. 5.4 Desta feita, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (fls. 538/549). Em Acórdão 3403 — 00217, a Terceira Seção de Julgamento da 4ª Câmara do CARF (fls. 571/579), proveu em parte o recurso, assim decidindo: 5.4.1 Manteve indeferimento por decadência para possíveis créditos decorrentes dos Decretos/Leis de res 2.445 e 2.449, ambos de 1988. 5.4.2 Foi afastada a decadência para o período (fato gerador) de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, porém no mérito decidiu pela restituição apenas dos pagamentos efetuados em relação ao período de outubro de 95 a fevereiro de 96, observado o critério da semestralidade. 5.5 O Procurador da Fazenda Nacional, após ser cientificado do Acórdão no 3.403 00217 (fl. 580), apresentou recurso especial por divergência ao Presidente da 4ª Câmara da 3º Seção do CARF (fls. 582/616), com o seguinte pedido: "reconhecimento da prescrição dos pagamentos efetuados no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996". O recurso especial passou pelo juízo de admissibilidade (fl. 618). 5.6 O contribuinte apresentou contrarazões ao recurso especial apresentado pela PGFN (fls. 673/675), como também apresentou recurso especial contra a decisão proferida no Acórdão 3403 00217 (fls. 628/638). Em exame de admissibilidade, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão 340300217 (fls. 711/712). Foi mantido o despacho denegatório da admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte (fl. 713), após pedido de reexame feito pelo contribuinte. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 5.7 Em 16/08/2011, o processo foi encaminhado à Câmara Superior de Recursos Fiscais para análise do recurso especial interposto pela PGFN (fl. 714). Foi negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional”. Quanto ao processo nº 14120.0000018/200734, o relatório fiscal apresenta o que segue: “5.11 Como resultado do trabalho da fiscalização desta DRF, foram lavrados dois autos de infração, um de Pis e um de Cofins (fls. 503/530). As fls. 543/564, consta extrato com os débitos apurados no auto de infração. Em 13/10/2007, o contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 565/1387). Em 11/05/07, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande — MS, para análise da impugnação (fls. 1388). 5.12 Por meio do Acórdão 0419101, (fls. 1392/1402), a DRJ julgou procedente em parte a impugnação. Transcrevese trecho do referido Acórdão: ‘Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de conhecer da impugnação, acolher parcialmente a preliminar de decadência, exonerando os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos de 28 de fevereiro de 2001 a 28 de fevereiro de 2002. No mérito, a impugnação é improcedente, permanecendo inalterados os demais valores dos períodos não alcançados pela decadência’. 5.13 Houve recurso de oficio interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande — MS ao Conselho de Administração de Recursos Fiscais, motivado pela exoneração de débitos acima do limite de alçada. Ao mesmo tempo, o contribuinte —apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 1422/1429). 5.14 O recurso de oficio e voluntário de n° 898288 foi objeto do Acórdão n° 3302 00904 – 3ª Câmara/2' Turma Ordinária (fls. 1432/1438) e teve por resultado: "Recurso de Oficio e Voluntário Negados". Foi dada ciência do referido Acórdão ao Procurador da Fazenda Nacional (fl. 1439), e não houve, por parte do procurador, interposição de recurso a Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1440). 5.15 O processo foi encaminhado à DRF de origem para ciência a interessada do teor do Acórdão n° 330200904 (fl. 1443). As fls. 1444/1448, consta extrato do processo após a decisão do CARF. Foi o contribuinte intimado do referido Acórdão, na data de 09/11/01 (fls. 1449/1452).Contribuinte não apresentou recurso especial, porém apresentou embargos de declaração quanto ao Acórdão 330200904 (CARF) (fls. 1459/1462). Em 19/12/2011, processo retornou ao CARF para apreciação dos embargos de declaração apresentado pelo contribuinte (fls. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000239/200621 Acórdão n.º 3401002.656 S3C4T1 Fl. 331 7 1477/1478). Os embargos de declaração foram não conhecidos/rejeitados (fls. 1480/1481)”. Nas conclusões do relatório de diligência, é informado o seguinte: “6.3 Observando o teor das decisões finais proferidas nos processos 10140.003653/200199 (parágrafos 5.4 e 5.8) e 14120.000018/200734 (parágrafos 5.12 e 5.16), pode se afirmar que não há nenhum crédito de contribuição para o Pis, relativo ao tperiodo de apuração de março de 2001. (...) 6.5 A Seção de Fiscalização desta DRF, após conferir a base de cálculo do PIS, relativa ao período de apuração de março de 2001, apurou um valor de débito de Pis bem maior que o valor declarado pelo contribuinte na DCTF. Apenas a diferença apurada (R$ 24.844,77) é que foi objeto de cancelamento no auto de infração motivada por decadência. Resta claro que a decadência declarada no auto de infração, quando da apreciação em 1ª instância de julgamento, em nada afeta o valor declarado pelo próprio contribuinte na DCTF. Ressaltase, mais uma vez, que não ha erro em relação ao valor declarado na DCTF, pois este foi objeto de conferencia quando do procedimento fiscal realizado pela Seção de Fiscalização desta DRF. O que resta agora verificar é se houve pagamento a maior para o débito de PIS, declarado na DCTF, relativo ao período de apuração de março de 2001. É o que veremos a seguir. 6.5.1 Confrontandose os valores apurados no auto de infração (incluindo ai apenas o valor declarado na DCTF: R$ 16.152,10) e o pagamento efetuado pelo contribuinte, concluise que não houve nenhum pagamento a maior de PIS relativo ao período de apuração de março de 2001, pois o pagamento realizado para tal período de apuração corresponde exatamente ao valor declarado na DCTF, conforme consta de consulta realizada no sistema SIEF/FISCEL (fl.298). (...) 6.6 Diante das exposições e considerações acima transcritas, não há nenhum crédito de contribuição do PIS, relativo ao período de apuração de março de 2001, que possa amparar as compensações de débitos objeto deste processo”. (grifo nosso) Diante dos fatos narrados, a conclusão a que se chega é a de que pelo julgamento dos outros dois processos (processos nº 10140.003653/200199 e nº 14120.0000018/200734), não existe crédito a ser compensado. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 A alegação da Recorrente no sentido de que a diligência não cumpriu o seu papel não prospera. Em primeiro lugar, porque, ao contrário da alegação da Recorrente, o relatório fiscal da diligência foi conclusiva, resumindo o andamento de cada processo e demonstrando qual foi a conclusão de cada um. Em segundo lugar, porque o relatório de diligência informou que a parte do auto de infração mantida tem valor maior que o crédito pleiteado. Isto é, além de não existir crédito a restituir, a Recorrente ainda devia à Fazenda. Se o pagamento fosse indevido, não haveria crédito a ser lançado de ofício e o auto de infração teria sido cancelado no julgamento do processo nº 14120.0000018/200734. Por fim, a conclusão é bem clara no sentido de que “não há nenhum crédito de contribuição de COFINS, relativo ao período de apuração de junho de 2001, que possa amparar as compensações de débitos objeto deste processo”. Por tudo isso, deve ser indeferido o crédito e a homologação pleiteada. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto e mantenho o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 16327.000422/2010-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
Ementa:
PERIODICIDADE NA ENTREGA DA DCTF PELO CRITÉRIO DE RECEITA BRUTA. RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXTENSÃO DO CONCEITO NÃO CONCEBÍVEL.
As receitas geradas por equivalência patrimonial, por não serem decorrentes da atividade fim (objeto social) da pessoa jurídica não fazem parte do conceito para receita bruta e faturamento, mormente, não podem entrar no cômputo do valor para definição da periodicidade da entrega da DCTF, se mensal ou semestral, não sendo possível a aplicação do conceito trazido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que inclusive foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório.
MULTA. ENTREGA DA DCTF FORA DO PRAZO NORMATIVO. NÃO CABIMENTO.
O contribuinte entregou a DCTF Semestral dentro do prazo normativo. Contudo, pelos sistemas da Receita Federal do Brasil constando como pendência a não entrega da DCTF Mensal, obrigou o contribuinte a cumprir a pendência, pela entrega fora do prazo normativo da obrigação acessória, o que lhe acarretou a multa pelo atraso. Contudo, como a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal não possui fundamento, sua multa também não pode perseverar - o acessório segue o principal. Os dados declarados pela DCTF Semestral se mostram válidos e cumprem o objeto normativo que, declarados no prazo legal supre por completo o objeto da DCTF Mensal.
Numero da decisão: 1802-002.118
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencido o Conselheiro Relator Nelso Kichel. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marciel Eder Costa Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXTENSÃO DO CONCEITO NÃO CONCEBÍVEL. As receitas geradas por equivalência patrimonial, por não serem decorrentes da atividade fim (objeto social) da pessoa jurídica não fazem parte do conceito para receita bruta e faturamento, mormente, não podem entrar no cômputo do valor para definição da periodicidade da entrega da DCTF, se mensal ou semestral, não sendo possível a aplicação do conceito trazido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que inclusive foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório. MULTA. ENTREGA DA DCTF FORA DO PRAZO NORMATIVO. NÃO CABIMENTO. O contribuinte entregou a DCTF Semestral dentro do prazo normativo. Contudo, pelos sistemas da Receita Federal do Brasil constando como pendência a não entrega da DCTF Mensal, obrigou o contribuinte a cumprir a pendência, pela entrega fora do prazo normativo da obrigação acessória, o que lhe acarretou a multa pelo atraso. Contudo, como a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal não possui fundamento, sua multa também não pode perseverar o acessório segue o principal. Os dados declarados pela DCTF Semestral se mostram válidos e cumprem o objeto normativo que, declarados no prazo legal supre por completo o objeto da DCTF Mensal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 22 /2 01 0- 12 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 75 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencido o Conselheiro Relator Nelso Kichel. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 76 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls. 45/55 contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 35/40) que julgou improcedente a impugnação do auto de infração – multa pecuniária por atraso na entrega da DCTF mensal do PA Junho/2005 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta do auto de infração de 23/03/2010 (efl. 16) que a Contribuinte, em 30/06/2009, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA Junho/2005, com atraso de 47 (quarenta e sete) meses calendário ou fração. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 05/08/2005; b) data de entrega: 30/06/2009; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 5.005.492,29; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos/contribuições informados na DCTF, limitada a 20%; cálculo da multa: R$ 5.005.492,29 x 20% = R$ 1.001.098,45; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF, ou seja, antes da ciência de início do procedimento de ofício) = R$ 1.001.098,45 x 50% = R$ 500.549,22 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) por mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. A multa cabível foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, (...) Enquadramento legal: Artigos 115 e 160 do CTN; Artigo 1° da Lei n° 9.249/95; Artigo 7°, inciso II e § 3°, inciso II da Lei n° 10.426/02 e alterações posteriores. (...) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 77 4 A Contribuinte tomou ciência do auto de infração, por via postal, em 30/03/2010 (efls. 32 e 35), e apresentou impugnação em 29/04/2010 (efls.02/09), cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida e que aproveito, nessa parte, para transcrever por contemplar os principais aspectos da lide (efls. 35/40), in verbis: (...) 3.1 Preliminarmente alega que entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava a sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei nº 9.718/98 (art. 3º, § 2º), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2º da IN SRF nº 482/04. A receita Federal, no entanto, entendia que as referidas exclusões seriam admitidas exclusivamente para compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, não servindo para a definição de receita bruta para entrega da DCTF. Com a recusa de recebimento da DCTF semestral pela via eletrônica, o contribuinte entregou, por meio de ofício a DCTF do primeiro semestre de 2005 e por meio eletrônico a do 2º semestre. Devido a pendências no SINCOR (de todo o ano de 2005), que impedia a renovação de CND, o impugnante, seguindo orientações da Receita Federal, transmitiu as DCTFs mensais, mesmo tendo apresentado tempestivamente as DCTFs semestrais. 3.1.1 Em razão de erro nos sistemas da Receita Federal, a empresa protocolou ofício de fls. 18, em 09/03/09, requerendo que as DCTFs mensais fossem aceitas. Por sua vez, a Receita Federal verbalmente orientou o impugnante a solicitar o cancelamento das DCTFs semestrais para possibilitar a transmissão das mensais e, via de conseqüência, a baixa das pendências do SINCOR.. O pedido de cancelamento do segundo semestre foi protocolado em 20/04/2009, já que a do primeiro semestre não foi transmitida eletronicamente. Em 01/06/2009, o Impugnante foi cientificada da decisão da RFB de cancelamento da DCTF referente ao 2º semestre de 2005 e, em razão disso, transmitiu as DCTFs mensais de todo o ano de 2005, gerando a presente autuação e outras 11 – uma para cada entrega mensal. 3.1.2 O impugnante entendia que estava sujeita à entrega semestral da DCTF e assim o fez, entregando, tempestivamente, a DCTF semestral, posteriormente entregou as DCTFs mensais, todavia esse procedimento não significaria confissão de divida ou concordância com a exigência do Fisco — foi um procedimento meramente burocrático. Do ponto de vista tributário o impugnante não concordava com a exigência da entrega mensal da DCTF. 3.1.3 Mesmo que o entendimento fosse diverso não haveria que se falar em multa, uma vez que houve a entrega da declaração semestral onde constavam todas as informações que a DCTF mensal teria. Ou seja, a entrega, mesmo semestral, permitiria ao Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 78 5 Fisco receber todas as informações por ele exigidas, registrar em seus sistemas e fazer regularmente a ação fiscal, sem prejuízo. Assim, penalizar o contribuinte que agiu de forma tempestiva e diligente, conforme a melhor interpretação da regra, da mesma maneira que aquele que deixou de transmitir informações ao Fisco, descumprindo integralmente a obrigação acessória é desproporcional e antiisonômico. Por fim, caso o entendimento seja pela obrigatoriedade da DCTF mensal o impugnante entende que o cálculo da multa deve levar em consideração apenas o período entre o dia em que a entrega deveria ter ocorrido e o dia em que foi feita a entrega da DCTF semestral. 3.2 Em seguida, o impugnante apresenta as razões pelas quais entende estar sujeito à entrega da DCTF semestral no ano de 2005. Basicamente, alega que o conceito de receita bruta disposto no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 pressupõe as exclusões do § 2º do mesmo dispositivo, assim para o cálculo previsto no inciso I do artigo 2º da IN SRF nº 482/2004 não deveriam entrar as receitas objetos da referida exclusão legal, dentre as quais se encontram as receitas de equivalência patrimonial. Segundo seu entendimento, se o legislador quisesse atingir toda e qualquer receita não teria feito remissão ao § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 que pressupõe as exclusões do § 2º. 3.2.1 Caso não se entenda a receita bruta com as exclusões previstas acima, há que se admitir que as receitas só podem ser consideradas se fizerem parte da base tributável do IRPJ e CSLL, conforme entende estar consubstanciado na ementa da Solução de Consulta que colaciona. 4. Por fim, solicita que seja julgada procedente a presente impugnação, cancelandose o auto de infração em questão, ou ainda, caso não seja este o entendimento, que a multa seja reduzida para incidir somente pelo período decorrido entre o dia em que a entrega deveria ter sido feita com bases mensais e o dia em que foi feita a entrega semestral da DCTF. (...) A DRJ/São Paulo I (8ª Turma), à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 12/04/2012 (efls.35/40), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 79 6 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do anocalendário de 2005, ficaram obrigadas à apresentação mensal da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, as pessoas jurídicas cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais. RECEITA BRUTA. TOTALIDADE DAS RECEITAS. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões previstas no § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98 só servem para o fim de cálculo do PIS e da COFINS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 20/04/2012 – sextafeira (efls. 44 e 72), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22/05/2012terçafeira (efls. 46/56), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1– Receita bruta. Periodicidade de apresentação da DCTF: Quanto à receita bruta, a Recorrente rechaça o entendimento de que as exclusões do art. 3o, §2° da Lei n° 9.718/98 seriam admitidas exclusivamente para compor a base do PIS e da COFINS e, portanto, não se prestariam para definir a receita bruta para entrega da DCTF. Vale dizer: que discorda do critério utilizado pelo fisco quanto à definição da periodicidade para apresentação de DCTF. E, por conseguinte, repudia a obrigatoriedade de apresentação de DCTF mensal. A Recorrente pugna pela reforma da decisão recorrida, defendendo a tese, para efeito de definição da periodicidade de entrega da DCTF, da receita bruta, menos a exclusões previstas no § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Senão vejamos: a) que entregou tempestivamente, no ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°); b) que a entrega semestral da DCTF ocorreu porque o artigo 2o, I, da Instrução Normativa SRF n° 482/04, vigente à época dos fatos, não obrigava a Recorrente à entrega mensal. Vale dizer, que a IN determinara que a Contribuinte a partir de 2005, caso tivesse auferido receita bruta superior a R$ 30 milhões no segundo anocalendário anterior ao período de apuração correspondente à DCTF apresentada, deveria apresentar a DCTF mensalmente; Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 80 7 c) que, contudo, o § 1o do art. 2o da IN SRF n° 482/04 determinou que o conceito de receita bruta para fins de determinação do período de entrega da DCTF era aquele contido no §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98; d) que, por decorrência lógica, entendeu a Recorrente, no conceito de receita bruta (§1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98), a ser observado para cumprimento da obrigação acessória, caberiam as exclusões previstas no § 2° desse mesmo artigo, como por exemplo, as receitas = resultado positivo com equivalência patrimonial; e) que, ao observar o conceito de receita bruta previsto no art. 2°, I, § 1º, da IN SRF n° 482/04, constatou que não se enquadrava no critério de entrega mensal da DCTF, razão pela qual efetuou a entrega tempestiva da DCTF semestral; f) que, entretanto, a DCTF semestral, entregue em outubro/2005 (relativa aos PA janeiro a junho/2005), não foi aceita; g) que, necessitando renovar sua certidão de regularidade fiscal, entregou a DCTF mensal em 30/06/2009, quanto ao PA Junho/2005; porém, muito tempo antes (ainda em 2005), entregara, tempestivamente, a DCTF semestral, quanto aos PA 1º semestre/2005; h) que, mesmo entedendo estar sujeita a entrega semestral da DCTF e assim o fez tempestivamente, acabou por transmitir as DCTF do ano de 2005 de forma mensal, como forma de baixar as pendências apontadas no SINCOR e possibilitar, via de conseqüência, a renovação de sua certidão de regularidade fiscal, documento indispensável à continuidade de suas atividades empresariais; i) que a entrega, por último, da DCTF mensal não desnatura a premissa que defende, ou seja, de que estava obrigada a apresentar DCTF semestral quanto aos PA 1º semestre/2005; que discorda da decisão recorrida, também, na parte atinente à receita bruta. Vale dizer: discorda do entendimento do fisco de que as exclusões do art. 3o, §2°, da Lei n° 9.718/98 seriam admitidas exclusivamente para definição da base de cálculo do PIS e da COFINS e que, portanto, seriam computadas para definição da receita bruta para entrega da DCTF, por força do art. 2o, §1°, da IN SRF n° 482/04; que o citado dispostivo da IN não pode ser interpretado de forma isolada; j) que, alega a Recorrente, o dispositivo da IN, ao inserir o conceito estabelecido pelo §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, buscou alcançar para fins de determinação do período de entrega da DCTF um conceito de receita bruta compatível com aquele da lei e com ordenamento jurídico; k) que interpretálo de forma contrária, ou seja, no sentido de que tal conceito não comporta exclusões legais, traduz um equívoco pois parte do pressuposto de que o §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 continha um conceito fechado, fora de todo um contexto no qual foi inserido; l) que a Lei n° 9.718/98, por certo, não contemplava dois conceitos de receita bruta um para a base de cálculo do PIS e da COFINS e outro para outros fins! Tal veículo legislativo possuía apenas uma definição de receita bruta que, necessariamente, se compatibilizava com todo o ordenamento jurídico e contábil; m) que se o legislador pretendesse abranger toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica não seria feita a remissão ao §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, cujo conceito pressupõe as exclusões contidas no §2° do mesmo artigo; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 81 8 n) que, ademais, a corroborar a premissa de que a interpretação isolada de receita bruta decorrente do § 1 o do art. 3o da Lei n° 9.718/98 era incompatível com o ordenamento jurídico, vale relembrar que o Supremo Tribunal Federal, no final do ano de 2005, declarou a inconstitucionalidade de tal dispositivo (RE's n°s 346.084/PR, 390.840/MG, 358.273/RS, 357.950/RS). E, posteriormente, o § 1 o do art. 3o da Lei n° 9.718/98 foi revogado pela Lei n° 11.941/09; o) que, em suma, o conceito de receita bruta, para qualquer fim, admite exclusões legais, sob pena de incompatibilidade com o ordenamento jurídico. Isso posto, resta demonstrado que a Recorrente se sujeitava à entrega semestral da DCTF, e, consequentemente, não houve atraso apto a legitimar a cobrança da multa remanescente ainda discutida; p) que, por fim, ainda que se admita que o conceito de receita bruta contido no §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 não albergava as exclusões previstas no §2° do mesmo artigo, o que se admite por retórica, ao menos deve ser considerada como receita bruta, para fins de determinação da periodicidade da apresentação da DCTF, àquela relativa à receita tributável pelo IR e pela CSLL, conforme já decidiu a SRF na Solução de Consulta n° 85 de 29.03.2005 da 6a RF: "DCTF MENSAL RECEITA BRUTA A contrapartida do aumento do ativo, em decorrência da atualização dos estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos destinados à venda, tanto em virtude do registro de estoque de crias nascidas no período, como pela avaliação de estoque a preço de mercado, por constituir receita tributável pelo imposto de renda e pela CSLL, deve ser computada para efeito de fixação do limite 30 (trinta) milhões de reais de receita bruta anual que determina a apresentação da DCTF mensal. " q) que, com o devido respeito, ao contrário do que foi afirmado pelo Relator da decisão ora combatida, a mencionada Solução de Consulta demonstra, sim, que a Receita Federal do Brasil considera que as receitas que devem compor a receita bruta para efeito de fixação do limite de 30 milhões de reais de receita bruta anual são aquelas tributáveis pelo IR e pela CSLL; r) que o fato que gerou a apresentação da DCTF semestral ao invés da mensal foi a exclusão, para o cálculo da receita bruta, da receita de equivalência patrimonial. E tal receita não é tributável pelo IR e pela CSLL. 2 – Efetiva entrega das informações e espontaneidade: que a Recorrente entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2o da IN SRF n° 482/04; que a Receita Federal, no entanto, entendia que essas exclusões seriam admitidas exclusivamente para compor a base do PIS e da COFINS, não servindo para definição de receita bruta para entrega da DCTF. Com isso, o valor apurado seria maior e sujeitaria a empresa à entrega mensal. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 82 9 que a ausência da entrega mensal das DCTF deu causa a pendências no SINCOR (de todo o ano de 2005), que impediam a renovação da Certidão Negativa da Recorrente; que a Recorrente, seguindo orientação da própria Receita Federal, viuse obrigada a transmitir as DCTF mensais, mesmo tendo apresentado, tempestivamente, as DCTF semestrais; que, todavia, para que pudesse transmitir as DCTF mensais, e via de conseqüência, obter a baixa das pendências no SINCOR, a Recorrente foi orientada pela Receita Federal a cancelar as DCTF semestrais. Tal procedimento foi efetuado, conforme documentação juntada à impugnação; que a Recorrente, mesmo entendendo que se sujeitava à entrega semestral da DCTF, e assim o fez tempestivamente, acabou por transmitir as DCTF do ano de 2005 de forma mensal, como forma de baixar as pendências apontadas no SINCOR e possibilitar, via de conseqüência, a renovação de sua certidão de regularidade fiscal, documento indispensável à continuidade de suas atividades empresariais; que tal procedimento, adotado unicamente para a obtenção de certidão de regularidade fiscal, deu ensejo à aplicação da multa ora atacada, o que, conforme amplamente demonstrado acima, não merece prosperar; que é certo que a Recorrente entregou, antes de qualquer procedimento da fiscalização, todas as informações necessárias ao cumprimento da obrigação tributária. Assim, em que pese a DCTF ter sido entregue de forma semestral, é cristalino que tal declare não consolidava todas as informações que as DCTF mensais conteriam; que a entrega da DCTF, ainda que de forma semestral, permitiu ao Fisco receber todas as informações por ele exigidas, registrar em seus sistemas e fazer regularmente sua ação fiscal, sem qualquer outro prejuízo aos cofres públicos. Por isso, sob esse argumento, não se justifica, a partir desse momento (da entrega da DCTF semestral) a cobrança de multa; que se tem decisão do Superior Tribunal de Justiça no sentido de inaplicabilidade de multa por descumprimento de obrigação acessória quando não se configura prejuízo ao Fisco (princípio da razoabilidade); que, caso não se entenda pelo afastamento da multa em questão, requer o Recorrente que a referida penalidade seja reduzida para incidir apenas pelo período decorrido entre o dia em que a entrega deveria ter sido feita com bases mensais e o dia em que foi feita a entrega semestral da DCTF; 3 – Não incidência de juros de mora sobre a multa: Por fim, com base nessas razões, a Recorrente pediu a improcedência da multa aplicada de ofício e dos juros de mora ou, subsidiarimente, a redução da multa e dos juros de mora. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 83 10 Voto Vencido Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF do PA Junho/2005, ou seja, pela inobservância de prazo limite no cumprimento dessa obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF era 05/08/2005. Entretanto, a Contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 30/06/2009. Por isso, da imposição, em concreto, da multa pecuniária objeto dos autos. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão a quo. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. PERIODICIDADE MENSAL. CRITÉRIO. RECEITA BRUTA SEM EXPURGOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. PERDA DE PRAZO. IMPOSIÇÃO DE MULTA PECUNIÁRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A RFB está exigindo, por auto de infração, multa formal pecuniária da Recorrente, por descumprimento de obrigação acessória autônoma, ou seja, pela entrega intempestiva da DCTF mensal atinente ao PA Junho/2005. A obrigação acessória autônoma entrega de DCTF, quanto a fatos geradores do anocalendário 2005, está regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 482, de 21/12/2004, in verbis: Art. 2ºA partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou II – (...) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 84 11 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Redação dada pela IN SRF nº532, de 30/03/2005) (...) Art. 6ºA DCTF será apresentada: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada ano calendário, no caso de DCTF relativa ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de DCTF relativa ao segundo semestre do ano calendário anterior. (...) A obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensal, a partir de 1º de janeiro 2005, decorreu do fato da Contribuinte no anocalendário 2003 ter apresentado DIPJ informando receita bruta superior a R$ 30 milhões, conforme relata a fiscalização da RFB no Termo de Verificação Fiscal de 16/02/2006 (efls.24/25), in verbis: (...) (1) Foi constatado que o contribuinte fiscalizado deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referentes aos meses de Janeiro e fevereiro de 2005; (2) Em vista do não atendimento das disposições contidas na Instrução Normative nº 482 de 21/12/2004, o contribuinte fiscalizado foi intimado em data de 16/05/2005 (fis. ) a prestar os devidos esclarecimentos, o que foi feito em 13/06/2005 (fls. ). (3) Em suas considerações, entende o contribuintefiscalizado que embora tenha auferido a receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme os dados constantes na DIPJ do arocalendário de 2003, deveria ser excluido o valor de R$ 51.735.971,59 referente à receita de equivalência patrimonial informada na citada DIPJ, (...) valor foi declarado nas DCTFs trimestrais do A/C 2003 inferior ao limite de R$ 3.000.000,00 previsto no inciso II do art. 2 ° da IN 482/2004. (4) Argumenta ainda que em data de 06/10/2005, foi impedido pelo sistema Receitanet de proceder à transmissão eletrônica da DCTF Semestral, apontando o relatório no formato TXT, gerado pelo mencionado sistema, pelo qual a contribuinte estava obrigado a utilizar o PGD DCTF mensal (fl. ). (...) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 85 12 A divergência da Recorrente, em síntese, reside acerca da interpretação das normas infralegais que definem condições ou critérios de obrigatoriedade de apresentação de DCTF semestral ou mensal (IN SRF nº 482/2004); que entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a respectiva DCTF de forma semestral, pois calculara sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2o da IN SRF n° 482/04. A Recorrente defende a tese de que no anocalendário 2005 estaria obrigada a apresentação de DCTF semestral, e não DCTF mensal, alegando: a) que em relação ao critério da receita bruta estariam excluídas as receitas de que trata o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; b) que o art. 2o, I, §1°, da IN SRF n° 482/04, o qual reproduz o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não pode ser interpretado de forma isolada; que discorda da aplicação de um conceito de receita bruta para as contribuições e outro critério para definição do modo e forma como a DCTF deve ser apresentada; que além de tudo o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo STF. c) que, tendo efetuado exclusões de que trata o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.318/98 (mormente o resultado positivo com equivalência patrimonial), apresentou tempestivamente a DCTF semestral, a qual não foi aceita pelo fisco e que, então, algum tempo depois, necessitando a obtenção do Certificado de Regularidade Fiscal ou CND para exercício de sua atividade operacional, foi obrigada a apresentar a DCTF mensal mesmo discordando da interpretação do fisco; que, então, recebeu a autuação pela intempestividade no cumprimento dessa obrigação acessória; d) que, caso seja vencida na tese defendida de necessidade de expurgo do ganho com equivalência patrimonial, então seja acolhida a tese da exclusão da receita bruta das parcelas não tributáveis pelo IRPJ, como é caso do ganho com equivalência patrimonial. Vale dizer, em suas considerações, a Recorrente entende que, embora tenha auferido a receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme dados constantes na DIPJ do anocalendário de 2003, deveria ser excluido o valor de R$ 51.735.971,59 referente à receita de equivalência patrimonial, para efeito de critério ou condição na definição de periodicidade de apresentação da DCTF, se mensal ou semestral. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. Para o anocalendário 2005, como critério de definição, fixação, de periodicidade mensal para apresentação de DCTF, a IN SRF 482/2004 (art. 2º, I, § 1º) estabeleceu a receita bruta, caso auferida em patamar superior a 30 (trinta) milhões de reais no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada, independentemente da receita ser tributada ou não. “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas (Lei 9.718, art. 3º, § 1º). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 86 13 A obrigação acessória autônoma – DCTF não tem natureza de tributo (não está vinculada a fato gerador de nenhum tributo); é uma obrigação de fazer autônoma, implementada em decorrência do poder de polícia administrativa (fiscalização de tributos). Nesse caso, o fisco pode, nada impede, de utilizar o critério alargado da receita bruta (sem expurgos), para efeito de definição, determinação da períodicidade de apresentação dessa declaração pelos contribuintes. O STF declarou a inconstitucionalidade do alargamento da receita bruta do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 para efeito tributário (quando utilizado como matéria tributável, base de cálculo, imposição/aumento de carga tributária), por envolver fato gerador de imposição tributária (com ressalva das instituições financeiras ou equiparadas, pois as receitas de tal atividade são eminentemente financeiras). Inclusive, o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 já foi revogado pela Lei nº 11.941/09. Porém, como dito inicialmente, a situação dos autos é diversa; é de outra ordem. Entretanto, no caso a receita bruta alargada (sem expurgos) está sendo utilizada meramente como critério para definição, fixação, de periodicidade de entrega da DCTF, para efeito de cumprimento de obrigação acessória autônoma de natureza não tributária (obrigação formal, autônoma, não atinente a fato gerador de determinado tributo ou contribuição). Vale dizer, a IN SRF nº 482/2004 (art. 2º, I, § 1º) utilizou o entendimento de receita bruta ampliado para efeito de obrigação acessória autônoma, a qual não tem natureza tributária (obrigação autônoma de fazer de natureza não tributária, decorrente da atividade de fiscalização, poder de polícia da Administração Tributária), conforme precedentes jurisprudenciais transcritos mais adiante. Desta forma, entendo, data venia, que não há óbice algum para utilização do critério da receita bruta sem expurgos – como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, para definição, fixação, da periodicidade mensal de entrega da DCTF para o anocalendário 2005. Logo, o ganho de equivalência patrimonial integra o conceito de receita bruta, para efeito de critério, fixação, da periodicidade mensal para entrega da DCTF (obrigação acessória autônoma), pois é irrelevante o fato dessa parcela da receita bruta ter ou não tratamento específico na legislação do IRPJ e de outras exações fiscais. Vale dizer, para efeito de condição ou definição da periodicidade de entrega mensal ou sementral da DCTF, pouco importa se algumas parcelas da receita bruta total são, ou não, tributáveis pelo IRPJ, CSLL, PIS ou Cofins. Todas as receitas devem ser computadas na receita bruta como condição para definição da periodicidade para apresentação da DCTF: se mensal ou semestral. Tanto que pessoas jurídicas imunes ou isentas, ainda que todas as suas receitas sejam imunes ou isentas, também estão obrigadas a apresentar DCTF mensal, caso a receita bruta total esteja enquadrada no art. 2º, I, da IN SRF nº 482/2004 (dispositivo já transcrito acima). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 87 14 A escolha, eleição de critérios, condições, para definição de periodicidade, modo e forma de cumprimento de obrigação acessória autônoma (para entrega tempestiva de DCTF pelos contribuintes) são prerrogativas da Administração Tributária, dentro da política de fiscalização, e não envolvem imposição tributária, nem aumento de carga tributária. Logo, é mera tergiversação a tese da Recorrente de que a receita – ganho com esquivalência patrimonial deveria ser expurgada da receita bruta. Não se está no campo de imposição tributária, mas de mera utilização de critério para fixação de periodicidade de entrega da DCTF. Não teria nenhum sentido exigir a entrega de DCTF com base na condição de receita bruta total, se houvesse a permissão de exclusões ou expurgos de receitas, mascarando o controle da fiscalização. O fisco não teria a real dimensão, de plano, de forma expedita, do nível de atividade econômica do contribuinte, se compatível em relação ao montante dos tributos declarados na DCTF. É a situação dos autos. A Contribuinte, atuando no ramo de capitalização (equiparada à instituição financeira) auferiu receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme dados constantes da DIPJ do anocalendário de 2003. Se fosse permitida a exclusão de R$ 51.735.971,59 (ganho com equivalência patrimonial) da receita bruta total, o critério da receita bruta restaria esvaziado ou prejudicado, o que inviabilizaria a utilização desse critério dentro da política de fiscalização de controle das DCTF, pois não espelharia o nível de atividade econômica da Recorrente que, pertencendo à categoria dos médios/grandes contribuintes deste País, passaria a apresentar DCTF não mensal, mas semestral – como se fosse contribuinte de pequeno porte a partir de 01/01/2005, implicando, além de postergação de informações, evidente prejuízo ao controle expedito mensal pela repartição fiscal de origem, quanto a fatos geradores do anocalendário 2005 e seguintes. Implementação da DCTF. Base legal. A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Federais), obrigação acessória autônoma, foi instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126/98, de 30 de outubro de 1998, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e em consonância com o art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 88 15 § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...). No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (grifei) (...) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 89 16 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...). 3) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea. Precedentes jurisprudenciais. Matéria sumulada pelo CARF. Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável, como mencionado anteriormente, o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória (infração de natureza não tributária, infração de natureza formal). Nesse sentido, transcrevo a fundamentação do voto do Exmo. Sr. Ministro do STJ, José Delgado, no REsp n° 190388/GO, que tratou da multa pelo atraso na entrega da declaração do Imposto de Renda, cujo entendimento é, igualmente, aplicável à entrega tardia da Dimob, DCTF etc, pois são exemplos de obrigação acessória autônoma, in verbis: "A configuração da denúncia espontânea, como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 90 17 pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte." (Grifei) No mesmo sentido, cabe trazer à baila precedentes jurisprudenciais do STJ: EAREsp n° 258141/PR, cujo acórdão tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. PRECEDENTES. 1. (omissis) 2. (otnissis) 3. (omissis) 4. A entidade 'denúncia espontánea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições e Tributos Federais DCTF. 5. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 6. (omissis) 7. Embargos declaratórios rejeitados." Acórdãos em sede de Recurso Especial REsp cujas ementas transcrevo, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 91 18 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Ainda, nessa linha de entendimento, por ser elucidativo, colaciono a ementa do seguinte julgado do TRF/2ª Região: TRIBUTÁRIO. ENTREGA DCTF EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. LEGALIDADE. 1. Conforme iterativa jurisprudência do STJ, somente são albergadas pela denúncia espontânea as infrações de natureza tributária, quer sejam principais ou acessórias. 2. O retardamento na entrega do DCTF constitui mera infração formal. 3. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessária ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. 4. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação autônoma, não abarcada pela denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF. 5. A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do Fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. 6. Remessa e recursos conhecidos e providos. (AMS NUM: 97.02.329043 REG: 02 TURMA: 06 DEC: 1506 2004 REL: JUIZ POUL ERIK DYRLUND). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 92 19 Na esfera administrativa, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, também, nesse diapasão, pronunciouse sobre o assunto e destaco, aqui, a ementa do Acórdão CSRF n° 020.829, da lavra da ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez: "DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Precedentes do STJ.” Ademais, por ser matéria de entendimento pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – CARF, a inaplicabilidade da denúncia espontânea quanto à obrigação acessória autônoma encontrase sumulada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo exposto, demonstrada está a inaplicabilidade da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN para cumprimento tardio, a destempo, de obrigação acessória autônoma, pois tratase de obrigação que não tem natureza tributária (infração de natureza formal). Perda de prazo. Cominação de penalidade. Lei em sentido estrito. Já, a multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 93 20 O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Ainda, como a entrega da DCTF semestral não configurou cumprimento de obrigação acessória (DCTF com períodicidade diversa da determinada), logo incabível a pretensão da Recorrente de que fosse exigida a multa apenas para o período entre a data limite para cumprimento tempestivo da DCTF mensal e a data de entrega da DCTF semestral. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a decisão recorrida. JUROS DE MORA SOBRE O VALOR DA MULTA REGULAMENTAR ISOLADA. No caso, foi aplicada multa regulamentar – por infração de natureza formal (de natureza nãotributária) – perda de prazo para cumprimento tempestivo de obrigação acessória autônoma, ou seja, por penalidade não vinculada à falta de pagamento de tributo ou contribuição. Por não ter natureza tributária essa infração (infração formal descumprimento de obrigação autônoma), é inaplicábel o instituto da denúncia espontânea, ainda que seja cumprida a obrigação acessória após o prazo de vencimento e antes do início de qualquer procedimento de ofício. Mas, o descumprimento dessa obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (CTN, art. 113, § 3º). O crédito decorrente dessa multa isolada aplicada, quando não pago até a data de vencimento, sujeita a cobrança de juros de mora, sim, conforme art. 43 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o art. 43, transcrito acima, estatui a imposição de juros de mora SELIC, na hipótese de auto de infração – imposição de multa isolada. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 94 21 Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 95 22 Voto Vencedor Conselheiro Marciel Eder Costa – Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente Relator, peço vênia para dele divergir, especificamente quanto ao que diz respeito à interpretação do conceito “receita bruta” para fins de determinação da obrigatoriedade da periodicidade da entrega da DCTF, interpretação esta que define a incidência ou não da multa por atraso na obrigação acessória, objeto de análise nos presentes autos. Portanto, o alcance da divergência ora proposta é em relação ao tópico “OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. PERIODICIDADE MENSAL. CRITÉRIO. RECEITA BRUTA SEM EXPURGOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. PERDA DE PRAZO. IMPOSIÇÃO DE MULTA PECUNIÁRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.” com resultado diretamente vinculado ao resultado de mérito. O voto condutor analisou adequadamente à luz da norma vigente à época, pela Instrução Normativa nº 482, de 21 de dezembro de 2004, que: Art. 2ºA partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou [...] Portanto, o critério que definiu a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal é ser a Receita Bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF superior a 30 milhões de reais. A referida Instrução Normativa também estabeleceu prazo para sua apresentação: Art. 6ºA DCTF será apresentada: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; [...] Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 96 23 Assim, tratandose de obrigatoriedade de apresentação da DCTF relativa ao anocalendário de 2005, devese recorrer ao anocalendário 2003 na busca da Receita Bruta tendente a definir a periodicidade de entrega: mensal ou semestral. A análise desta questão foi feita tanto pela r. fiscalização como pelo voto condutor, acima já transcrito, que identificou que a “receita bruta” no anocalendário do contribuinte em 2003, conforme constante em DIPJ foi de R$ 55.352.891,77, valor superior portanto, aos 30 milhões de reais, o que em tese determina ser a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal. Ocorre que o contribuinte, com razão, expõe que deste montante, R$ 51.735.971,59 está claramente atrelado à receita por equivalência patrimonial, o que não poderia ser considerado intrínseco ao conceito de “receita bruta”. No voto condutor, o Eminente Relator aplicando o conceito de “receita bruta” do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, entendeu que independe a classificação contábil adotada para a receita, devendo ser considerado a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” e que, no critério de obrigação acessória autônoma, implementada como decorrente do poder de polícia administrativa, seria cabível a aplicação de critério alargado para determinação da periodicidade de apresentação da DCTF. Ainda, na interpretação exarada, dispõe que a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo do §1º do art. 3º da referida Lei teria efeito tão somente tributário, e não haveria óbice de sua utilização como critério para definição da periodicidade na entrega da DCTF. Daí, conclui que: [...] Desta forma, entendo, data venia, que não há óbice algum para utilização do critério da receita bruta sem expurgos – como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, para definição, fixação, da periodicidade mensal de entrega da DCTF para o anocalendário 2005. Logo, o ganho de equivalência patrimonial integra o conceito de receita bruta, para efeito de critério, fixação, da periodicidade mensal para entrega da DCTF (obrigação acessória autônoma), pois é irrevalente (sic) o fato dessa parcela da receita bruta ter ou não tratamento específico na legislação do IRPJ e de outras exações fiscais. [...] (Grifo no original) Na sequência, o Eminente Relator através de precedentes jurisprudenciais e enxertos da própria legislação que (i) denotam a força normativa para imposição da multa por Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 97 24 atraso na obrigação acessória, (ii) afastam a hipótese de aplicação das benesses da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional e (iii) impõe a incidência de multa pecuniária pela falta da entrega da DCTF, ou a entrega a destempo, determinou a manutenção da decisão recorrida, matérias não contraditadas pela Turma. Contudo, o conceito de “receita bruta” incluindo as receitas a título de equivalência patrimonial na visão da maioria, não corresponde a melhor interpretação. Primeiramente, forçoso destacar que o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido inclusive declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório. Num dos Acórdãos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal observase que o objeto principal da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em comento, foi exatamente a extrapolação do conceito já definido pelo direito privado para “receita bruta” e “faturamento”, contrariando o art. 110 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (Grifouse) Logo, não se pode definir como parâmetro para qualquer fim esse dispositivo legal, incluindo na definição da periodicidade na entrega da DCTF, mensal ou semestral. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 98 25 Isto porque, está evidente a afronta aos princípios basilares da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, a definição de “receita bruta” e “faturamento” feitas pelo dispositivo em comento. O conceito de “receita bruta” da pessoa jurídica deve estar vinculado à atividade fim a que está estabelecida. Vejase que a recorrente tem como objetivo social a venda de títulos de capitalização. Neste ínterim, as receitas contábeis obtidas por equivalência patrimonial não são vinculadas a sua atividade fim, mormente que não podem ser consideradas como receita bruta da pessoa jurídica. Interpretação diferente estendendo o conceito de receita bruta e faturamento, incluindo receitas que embora influenciem no resultado patrimonial da pessoa jurídica, não fazem parte de seu objetivo social, diverge totalmente ao que já está definido pelo direito privado para esses institutos, desde outrora. Não vejo como possível adotar essa interpretação apenas para fins tributários, nem como estender o alcance impositivo da multa para definição da periodicidade da entrega das obrigações acessórias, pois se tratam exatamente do mesmo conceito para receita bruta e faturamento, não havendo como ser diferente a interpretação de uma em relação à outra. Ademais, ainda que o referido dispositivo servisse de base para definição do conceito de “receita bruta” e “faturamento”, a mesma Lei constitui hipóteses de exclusão da receita bruta, daí sim, afetando para fins tributários a base de cálculo de incidência dos tributos relacionados ao PIS e à COFINS: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; [...] (Grifouse) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.000422/201012 Acórdão n.º 1802002.118 S1TE02 Fl. 99 26 Apesar do §2º intentar determinar somente uma exclusão da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, fato é que relacionou em seu contexto uma clara extensão de exclusão da própria concepção de receita bruta, que havia sido definida pelo §1º, posteriormente revogado. Assim sendo, desconsiderando o §2º, inciso II, o “resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido” onde estariam enquadrados os resultados provenientes de equivalência patrimonial da receita bruta, por evidente que tal montante também não deveria influenciar na definição da periodicidade da entrega da DCTF de forma mensal. Por tais motivos, a turma por maioria entende equivocada a imposição de multa pela obrigatoriedade na entrega da DCTF Mensal, visto que o conceito de faturamento e receita bruta para definição da periodicidade não pode se estender às receitas por equivalência patrimonial. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROCEDÊNCIA ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13656.900220/2010-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 0941.231/12 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, efls. 59 a 64, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) objetos destes autos. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Por meio do Despacho Decisório emitido pela DRF/PCS/MG, nº Rastreamento 858234448, de 9 de março de 2010, foi assim decidido: [...] RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 56 .9 00 22 0/ 20 10 -5 2 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13656.900220/201052 Resolução nº 1801000.346 S1TE01 Fl. 3 2 Valor do saldo negativo disponível: R$ 395.255,26 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 39670.02719.280406.1.3.023423 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 36748.46456.310506.1.3.027010 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: 1. Conforme se infere da linha 19 do anexo relativo à ficha 12A da DIPJ 2006, anocalendário 2005, a arguente apurou credito de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 621.061,99. 2. Sendo detentora desse crédito líquido e certo de R$ 621.061,99, minimizado para R$ 621.061,98, a arguente, como lhe era lícito, na forma da legislação vigente, compensou, em 30/3/2006, no contexto do PER/DCOMP n.° 39945.55581.300306.1.7.020062 (cópia anexa), e em sede retificadora, débito de IRPJ, no valor de R$ 197.222,88, de janeiro de 2006; remanescendolhe, pois, um crédito de R$ 425.791,80, após inclusão de juros legais de R$ 1.952,70. 3. No mesmo diapasão, em 31/3/2006, a arguente compensou, no âmbito do PER/DCOMP n.° 36150.33426.3103061.3.02.7497 (cópia anexa), débito de IRPJ, no valor de R$ 173.421,93, de fevereiro de 2006; ficandolhe, portanto, um crédito de R$ 254.086,92, depois de incluídos juros legais de R$ 1.717,05. 4. Ainda, em 28/4/2006, na seara do PER/DCOMP n.° 39670.02719.280406.1.3.023423 (cópia inclusa), a arguente compensou débito de IRPJ, no valor de R$ 200.616,33, de março de 2006; sobrandolhe, por conseguinte, um crédito de R$ 55.456,89, após acrescentados juros legais finais de R$ 1.986,30. 5. Finalmente, em 31/5/2006, por meio do PER/DCOMP n.° 36748.46456.310506.1.3.027010 (cópia anexa), a argunente compensou débito de IRPJ, no valor de R$ 56.011,46, de abril de 2006; nada lhe restando, depois do cômputo de juros legais sobre o saldo anterior, de R$ 554,57. 6. Diante disso, foi com incredulidade que arguente recebeu, em dia 16/3/2010, o despacho decisório proferido no feito em tela, dando conta da glosa de crédito no valor de R$ 219.580,45, a implicar ter sido ignorada, erraticamente, parte substancial do valor, que é incontendível, apontado na predita linha 19 da ficha 12A da DIPJ 2006, anocalendário 2005. 7. Assim, desafeiçoandose à razão o rechaço, pela DRF, de parte das compensações validamente promovidas pela arguente, porquanto levadas a cabo não apenas de maneira consentânea com o direito vigente mas, sobretudo, com esteio em crédito concreto e real, precedente aos débitos atinentes às compensações indevidamente recusadas. 8. Nesse contexto, imperiosa a modificação da decisão denegatória proferida no processo aludido no intróito, com vistas à homologação, enfim, da totalidade das escorreitas compensações em foco. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13656.900220/201052 Resolução nº 1801000.346 S1TE01 Fl. 4 3 9. Posto isso, requer a peticionária seja não apenas conhecida esta oportuna manifestação de inconformidade, com a imediata determinação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário cuja cobrança se colima, na forma cristalina do §11 do artigo 74 da Lei n.° 9.430/96, mas, precipuamente, após minudente verificação dos documentos que instruem a presente, provida, alfim, esta irresignação, homologandose totalmente as compensações glosadas, porque corretamente realizadas, de maneira a evitar se concretize intolerável ilicitude em desproveito dos legítimos direitos e interesses tributários e financeiros da agora manifestante. 10. Nesses termos, pedindo a junta desta aos autos, com os documentos que a instruem, em número de 25 (vinte e cinco), espera deferimento. VOTO [...] Consoante se verifica da peça de defesa apresentada, transcrita no Relatório supra, a manifestante se limita a afirmar que possui o crédito solicitado, tudo com base em sua DIPJ/2006, anocalendário 2005. A par disso, de acordo com o documento intitulado Análise das Parcelas de Crédito, anexo ao Despacho Decisório, o direito creditório solicitado não fora integralmente reconhecido à solicitante em razão da não confirmação e/ou confirmação apenas parcial das seguintes parcelas de composição do crédito: Período Data Valor Valor Total Valor Utilizado Valor Valor Justificativa de de do do para Compor Não Apuração Arrecadação Principal DARF o Saldo Negativo Confirmado Confirmado do Período 31/01/2005 28/02/2005 117.824,79 117.824,79 117.824,79 54.677,82 63.146,97 Estimativa quitada parcialmente por compensação 31/07/2005 31/08/2005 162.659,76 162.659,76 162.659,76 0 162.659,76 DARF informado não localizado De uma análise dos dados constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal, podese verificar que: a estimativa mensal IRPJ apurada, período de apuração 31/01/2005, débito apurado no valor de R$ 117.824,79, foi parcialmente extinta por compensação, restando saldo devedor em aberto no valor de R$ 63.146,97 (processo n° 19991.000307/2008 89). No PER/Dcomp n° 25286.50311.290705.1.3.021770, retificado pelo de n° 03255.49803.131006.1.7.024973, a compensação declarada fora parcialmente homologada por insuficiência de crédito para tanto. Em razão disso, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, que foi considerada improcedente. Posteriormente, apresentou recurso ordinário ao CARF, estando a matéria suspensa para devida análise (processo n° 19991.000307/200889). Assim, uma vez não confirmada a devida extinção da parcela, débito estimativa IRPJ, período de apuração JAN/2005, esta não pode compor a apuração do IRPJ ao final do período. a estimativa mensal IRPJ apurada, período de apuração 31/07/2005, débito no valor de R$ 162.659,76, também não foi extinta, restando saldo devedor em aberto no valor do débito informado (processo n° 17248.000015/200914). No PER/Dcomp n° 36530.65204.310805.1.3.020844, a compensação declarada não foi homologada por inexistência de crédito para tanto. Em razão disso, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, que foi considerada improcedente. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13656.900220/201052 Resolução nº 1801000.346 S1TE01 Fl. 5 4 Posteriormente, apresentou recurso ordinário ao CARF, estando a matéria suspensa para devida análise (processo n° 17248.000015/200914). Assim, uma vez não confirmada a devida extinção da parcela, débito estimativa IRPJ, período de apuração JUL/2005, esta não pode compor a apuração do IRPJ ao final do período. Registrese, por pertinente, não constar, nos autos nem nos sistemas informatizados da RFB, DARFs referentes ao períodos de apuração ora analisados. Sobre a situação fática supra evidenciada, esclareçase à manifestante que a exegese levada a efeito, no sentido de não poder o débito de estimativa CSLL proveniente de compensação não homologada compor o saldo negativo do período, justificase precisamente no fato da não homologação de compensação de débito(s) oriundos de estimativa(s) tornar o respectivo saldo negativo ilíquido e incerto, porquanto este irá possuir em sua composição valores que até então não deram entrada nos cofres públicos. [...] Ora, homologação parcial/não homologação dos débitos de estimativa IRPJ, janeiro e julho de 2005, os respectivos valores ficaram em aberto, configurando saldo devedor (ainda que sua exigibilidade esteja suspensa). Consequentemente, o valor do saldo negativo/direito creditório apurado/pleiteado passou a ser inferior àquele informado no PER/DCOMP sob análise e na DIPJ respectiva. [...] Por todo exposto, encaminho meu voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, para assim manter o Despacho Decisório sob análise nos exatos termos em que foi proferido.” (grifos não pertencem ao original) A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 107 a 110, reiterando os termos da defesa exordial e requer que as estimativas objetos de outros Per/Dcomp, cujas compensações não foram homologadas e, por conseguinte, estão sendo consideradas não quitadas, sejam assim mesmo consideradas no Saldo Negativo de IRPJ por terem sido confessadas em Per/Dcomp, e cita a Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT nº 18/2006. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Os Per/Dcomp objetos do presente litígio não foram integralmente deferidos pelas autoridades, administrativa e de julgamento, a quo em vista de não restarem comprovados os recolhimentos integrais das estimativas de IRPJ de janeiro e julho do ano calendário de 2005, que comporiam o Saldo Negativo de IRPJ informado pela contribuinte na DIPJ/06. 1 AR – 24/09/12, efls. 77; Recurso – 24/10/12, efls. 107 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13656.900220/201052 Resolução nº 1801000.346 S1TE01 Fl. 6 5 A Turma Julgadora de Primeira Instância esclarece que os processos administrativos nºs 19991.000307/200889 e 17248.000015/200914 que veiculam os referidos Per/Dcomp estão pendentes de julgamento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em consulta ao sistema eprocesso realizada em 15 de setembro do corrente ano verifico que os dois processos estão aguardando distribuição para julgamento. Ao analisar os autos, entendo que impõese, pois, decidir sobre matéria prejudicial de natureza processual. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil CPC Art.102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...]. (grifos não pertencem ao original) Apesar de os processos (aqueles e este) não tratarem exatamente do mesmo crédito tributário, flagrante é a continência entre eles, pois as estimativas que estão sendo discutidas naqueles acima referenciados compõem, sem dúvida, o saldo negativo ora requerido. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09), em seu artigo 6º e 49, § 7º, do Anexo II, dispõem: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. [...] Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13656.900220/201052 Resolução nº 1801000.346 S1TE01 Fl. 7 6 [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos não pertencem ao original) É competência regimental do Serviço de Controle de Julgamento (Secoj) a distribuição de processos, dentro do órgão – artigo 20, inciso III, Anexo I: Art. 20. Ao Serviço de Controle de Julgamento (Secoj) compete: (...) III distribuir e movimentar os processos administrativos fiscais para as Seções e Câmaras; Destarte, deve o Secoj proceder à remessa dos processos administrativos nºs 19991.000307/200889 e 17248.000015/200914, devidamente digitalizados, a esta Conselheira, para que se possa proceder à apreciação e votação conjunta com o presente litígio, por flagrantemente interligados seus objetos. Na oportunidade, este deverá ser remetido de igual forma a esta Conselheira. Voto em converter o julgamento na realização de diligência a ser cumprida pelo Secoj do Carf. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.010781/2002-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL - ATIVIDADE RURAL - COMPENSAÇÃO DO SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA - LIMITAÇÃO DE 30%. O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no artigo 16 da Lei nº 9.065, de 20.06.95, não se aplica ao resultado decorrente de atividade rural, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo que se tratar de período anterior à vigência do artigo 42 da Medida Provisória nº 1991-15, de 10 de março de 2000.
Numero da decisão: 9101-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade dos votos, em conhecer e negar provimento ao recurso da fazenda.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL - ATIVIDADE RURAL - COMPENSAÇÃO DO SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA - LIMITAÇÃO DE 30%. O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no artigo 16 da Lei nº 9.065, de 20.06.95, não se aplica ao resultado decorrente de atividade rural, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo que se tratar de período anterior à vigência do artigo 42 da Medida Provisória nº 1991-15, de 10 de março de 2000.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade dos votos, em conhecer e negar provimento ao recurso da fazenda. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado).
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O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no artigo 16 da Lei nº 9.065, de 20.06.95, não se aplica ao resultado decorrente de atividade rural, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo que se tratar de período anterior à vigência do artigo 42 da Medida Provisória nº 199115, de 10 de março de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª turma do câmara SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade dos votos, em conhecer e negar provimento ao recurso da fazenda. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 07 81 /2 00 2- 88 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.010781/200288 Acórdão n.º 9101002.096 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado). Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.010781/200288 Acórdão n.º 9101002.096 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 250/254), apresentado em 18/03/2008, com fundamento no artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra o Acórdão n° 10323.332 (às fls. 235/239), proferido pela Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão do dia 07 de dezembro de 2007. O processo trata de Auto de Infração (fls. 69/73), cuja ciência ocorreu em 30/10/2002 (fls. 75) para a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, decorrente da compensação da base de cálculo negativa superior a 30% do lucro líquido, no ano calendário de 1997. Impugnado o lançamento (fls. 76/79), sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 210/214), julgando o lançamento procedente. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 218/224), para o qual o Acórdão nº 10323.332 (fls. 235/239) deulhe provimento, por entender que o limite de 30% para compensação de base negativa de CSLL não se aplica ao resultado de atividade rural. A decisão restou assim ementada: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES — LIMITES É possível a compensação da base de cálculo negativa da contribuição sobre o lucro, decorrentes da atividade rural, sem a aplicação da trava de 30%, mesmo antes da permissão expressa no art. 41 da Medida Provisória n° 2.113/01. Recurso provido” No dia 18/03/2008, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 250/259), no qual argumenta, em suma, que a dispensa, às pessoas jurídicas que exploram a atividade rural, do limite de compensação de 30% da base de cálculo negativa para a apuração da CSLL, acorreu apenas com a Medida Provisória nº 1.99115/2000, que não tem aplicação retroativa. Aponta o acórdão paradigma para sustentar a divergência jurisprudencial. O Despacho de fls. 262/263 determinou o seguimento do Recurso Especial. O contribuinte apresentou suas Contrarrazões às fls. 269/274. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.010781/200288 Acórdão n.º 9101002.096 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e foi determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade, pela decisão não ter sido unânime e tendo sido conhecida a questão pelo argumento de afronta à lei (limite de compensação da base de cálculo negativa da CSLL da atividade rural). Ainda, a Fazenda Nacional apresentou decisão paradigma, que sustentava haver divergência jurisprudencial. A DIPJ acostada aos autos aponta que a contribuinte exerce atividade rural (fl. 53), tratandose de matéria incontroversa nos autos. A despeito do Recurso Especial preencher as formalidade legais que à época ensejava o seu seguimento, já que interposto em 2008 e a súmula abaixo transcrita foi publicada no ano de 2010, o recurso não merece provimento. Isto porque, a matéria está absolutamente pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido inúmeras vezes julgada por esta Câmara Superior, além de se encontrar sumulada – Súmula CARF nº 53 deste Conselho Administrativo – segundo a qual: “Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000.” Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Sala das sessões, 22/01/2015. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 359DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.010781/200288 Acórdão n.º 9101002.096 CSRFT1 Fl. 6 5 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10865.001733/2007-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues, Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues, Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues, Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 73 3/ 20 07 -2 0 Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001733/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.269 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1430.312 da 6ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte pelo reconhecimento da decadência parcial do crédito tributário. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração a obrigação acessória — AUDEBCAD n° 37.014.9181, lavrado em face da empresa acima identificada pela infração ao artigo 32, inciso IV e § 5° da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97 uma vez que esta apresentou GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, durante período compreendido entre as competências janeiro de 1999 a dezembro de 2005. A Auditoria Fiscal identifica no relatório fiscal da infração e da multa aplicada e em seus anexos, por competência e por segurado, as omissões havidas, imputandolhes a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5 0 da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, que importou em R$ 1.129.260,26 (Um milhão, cento e vinte e nove mil, duzentos e sessenta reais e vinte e seis centavos), com ciência do contribuinte em 31/10/2006. A empresa interessada contestou o lançamento mediante impugnação, na qual alega, em síntese e preliminarmente, que: i) a autuação é nula pela inclusão sem embasamento legal dos componentes da diretoria como coresponsáveis pelo debito, o que redunda em cerceamento de defesa da Impugnante. ii) operouse a decadência para o período de apuração compreendido entre janeiro de 1999 a outubro de 2001, tendo em vista a ciência do contribuinte em 31/10/06 e aplicandose ao caso o art. 150, § 40 do Código Tributário nacional (cita jurisprudência); refuta, também, o art. 45 da Lei n° 8.212/91 para embasar sua assertiva; iii) aduz que, ao considerar o valor mínimo para aplicação da penalidade em todas as competências como sendo aquele trazido pela Portaria n° 342 de 16/08/2006, no valor de R$ 1.156,95, aplica A Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001733/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.269 S2C4T3 Fl. 4 3 Impugnante penalidade mais gravosa, ferindo o principio da irretroatividade da lei tributária (CTN, art. 105), uma vez que tais valores mínimos deveriam ser considerados como sendo aqueles vigentes A época dos fatos (elabora quadros demonstrativos dos valores então vigentes e da diferença entre as multas aplicadas); Quanto ao mérito, acrescenta: iv) que os valores lançados somente servirão de motivação aos autos após estarem definitivamente constituídos, o que se dará após a decisão final na esfera administrativa; nesse compasso, entende que enquanto não decidido definitivamente se são devidos os créditos lançados através das Notificações Fiscais impugnadas, não há que se falar em imposição de penalidade, o que impõe que os presentes autos sejam julgados em conjunto com aqueles. Posta nestes argumentos, requer a insubsistência do presente Auto de Infração e que seja julgado em conjunto com as NFLDs que cita. Em análise preliminar do processo e da defesa, entendeu por bem a Delegacia da Receita Previdenciária de São PauloOeste, jurisdicionante do contribuinte A época, encaminhar os autos aos Auditores Fiscais autuantes para análise conjunta da multa aplicada com as diligências suscitadas nos autos das NFLD's 37.014.9122 e 37.014.9130, já diligenciadas e que lhe eram conexas. Tendo em vista a mudança de endereço do contribuinte, todo o processo foi encaminhado para a Delegacia da Receita Federal do Brasil — Previdenciária, em Campinas (SP), sendo posteriormente remetido para esta Delegacia de Julgamento em Ribeirao Preto (SP), onde a diligência originalmente suscitada foi reiterada, em Despacho proveniente desta 6a Turma. Em cumprimento ao quanto disposto manifestaramse no processo a Auditora Fiscal originalmente autuante (As fls. 847) e a Auditora Fiscal incumbida da análise pela Delegacia agora jurisdicionante (As fls. 851/852), de tudo dandose ciência ao contribuinte (AR As fls. 878) e reabrindolhe prazo para manifestação, do qual efetivamente se valeu para, através do documento de fls. 881/885, reiterar os argumentos já explicitados em sede de impugnação acrescentado que, tendo em vista as alterações trazidas pela Lei n° 11.941/09, que revogou expressamente o artigo legal que dava embasamento A autuação, a multa aplicada deve ser afastada por completo (cita jurisprudência), ou ao menos ser recalculada pela aplicação dos dispositivos introduzidos pela supracitada Lei. Relatese, também que se encontram anexadas aos autos petições do contribuinte para que se proceda ao recálculo da multa aplicada, com o mesmo fundamento acima citado (As fls. 853) e outra, encaminhada em 26 de março de 2009 e recebida em 30 de março de 2009 pelo CAC/Pinheiros, em São Paulo (SP), dando conta da inovação introduzida no ordenamento jurídico pela Lei n° 11.457/2007, disposta em seu artigo 24, que obriga decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de defesa. Estando, naquele momento transcorrido mais de 2 anos e 4 meses da impugnação inicial, propugna pela extinção do lançamento ou pelo afastamento dos juros Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001733/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.269 S2C4T3 Fl. 5 4 de mora a partir de 02/05/2008 (361° dia da data da entrada em vigor do dispositivo normativo), argumentando que o contribuinte não deu causa ao retardamento da apreciação da liquidez e certeza do crédito tributário, pela aplicação analógica do § 2° do art. 161 do CTN, que transcreve. É a síntese, apertada, do essencial. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese, que: · nulidade da autuação coresponsáveis; · decadência; · aplicação das alterações introduzidas pela lei n° 11.941/09; · discrepância dos valores lançados · vinculação da presente autuação com as de n°s 37.013.6241, 37.013.6250, 37.013.6292, 37.013.6284, 37.014.9122 e 37.014.9130. É o relatório Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001733/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.269 S2C4T3 Fl. 6 5 Voto Este lançamento referese à omissão de fatos geradores em GFIP. Entendo que esta autuação está totalmente vinculada às obrigações principais correspondentes, o que me leva a concordar com a tese da vinculação apresentada pela recorrente. O processo deve baixar em diligência para anexar a este processo o resultado dos julgamentos administrativos das obrigações principais. CONCLUSÃO Voto por converter o julgamento em diligência para a juntada da~s informações acima especificadas. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10280.905538/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado.
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 55 38 /2 00 9- 11 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 196/205 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de COFINS, no valor de R$ 12.707,34, relativo ao mês de maio de 2003. No Despacho Decisório (fls. 7/8), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada. Consta da referida decisão: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega: “(...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros. (...) até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905538/200911 Acórdão n.º 3802003.993 S3TE02 Fl. 230 3 desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais. (...) muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. (...) Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são suportados pelos armadores que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. Assim, o Contribuinte, ora Recorrente, preencheu todos os requisitos acima descritos, fazendo jus ao direito narrado, confirmado através da Solução de Consulta nº 05, de 08 de fevereiro de 2007 (...) Posto isto, a Recorrente, preenchendo todos os requisitos acima descritos e fazendo jus ao benefício descrito, ingressou com pedido administrativo de Restituição e Compensação, via Per/Dcomp dos valores não prescritos. (...) O suposto débito em cobrança (...) referese à compensação efetuada em virtude de restituição do crédito acima descrita (...). (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. (...) Diante dos argumentos acima aludidos, temos que a r. decisão deva ser reformada, dando provimento ao presente recurso (...).” Na seqüência, foi determinada a realização de diligência, de cujo Despacho consta: “Constatase que a requerente formulou, quanto à matéria, consulta à Superintendência Regional da Receita Federal na 2ª Região Fiscal, a qual foi solucionada por intermédio da Solução de Consulta nº 05, de 8 de fevereiro de 2007, cujos excertos seguem transcritos: ‘13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior.Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 14. Com relação à segunda condição, objeto de dúvida, a consulente esclarece que os pagamentos são feitos em moeda corrente (reais) pelas agências representantes do transportador estrangeiro, por força da Carta Circular do Banco Central do Brasil n° 3.280, de 9 de março de 2005, a qual contém as normas para o tratamento cambial das operações de frete internacional. (...) 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. (...) 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.’ Verificase, contudo, que a contribuinte deixou de trazer aos autos a comprovação de que é signatária de contrato de Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905538/200911 Acórdão n.º 3802003.993 S3TE02 Fl. 231 5 direito privado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega haver prestado serviços, bem como os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes. Também não apresentou as notas fiscais relativas aos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, bem como o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas. (...) Em face do exposto, proponho a realização de diligência (...), para as seguintes providências: (...) b) Adotar providências necessárias para que, em sede de Diligência Fiscal, seja apurada a efetiva prestação de serviços a pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior, cujo(s) pagamento(s) tenha(m) representado ingresso de divisas, verificandose a procedência ou não do direito creditório pretendido, após demonstrado, pela interessada, que foi observada a legislação de regência, mediante a juntada aos autos, dentre outros que entenda necessários a autoridade fiscal, de: b.1) Contrato(s) de direito privado firmado(s) com a(s) pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) tenha prestado serviço; b.2) Notas Fiscais relativas à prestação de serviço para a(s) pessoa(s) jurídica(s)residente(s) ou domiciliada(s) no exterior e do livro fiscal em que foram escrituradas; e b.3) Contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior. c) Apurar, em sendo o caso, o quantum do eventual direito creditório.” Como resultado da diligência, foi expedido relatório fiscal nos seguintes termos: “Ainda no que é concernente ao item acima, em tese e redundante em principio, pela simples observância da natureza da atividade da empresa, Notas Fiscais emitidas (as quais não nos foi possível contestar) e registros contábeis pertinentes, a mesma como desenvolvida levanos ao entendimento, ao que nos parece, SMJ, que a mesma propicia o "ingresso de divisas no pais" indo ao encontro das disposições legais pertinentes relativas à não incidência da COFINS e PIS, de forma que podemos afirmar, em tese, pela sistemática operacional de como se estabelecem as relações contratuais, que os armadores estrangeiros atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como seus representantes (agentes) para a contratação de serviços como: Auxilio logístico, transporte, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias, praticagem etc..., o que nos permite afirmar, em tese, que os serviços prestados pela Empresa de Praticagem do Norte Ltda são geradores de divisas para o pais. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Há, no entanto, no caso vertente, a singularidade de que tais prestações de serviços são intermediadas por terceiros (agentes), o que suscitaria a dúvida quanto ao uso e gozo do benefício fiscal, o que nos parece dirimido pela Solução de Consulta nº 7 SRRF02/DISIT, de 30/06/2011. Entende a mesma que a intermediação de terceiros por si só não desfigura o direito ao beneficio fiscal e considera que: "Os agentes ou representantes dos armadores estrangeiros figuram, na verdade, como intermediários nas transações internacionais. O representante no País age como mero mandatário, persistindo o vínculo jurídico entre o transportador estrangeiro e o prestador de serviços brasileiro. Na condição de mero mandatário do transportador estrangeiro, não age o agente ou representante em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante(armador estrangeiro), de modo que esse fato, por si só, não desfigura a prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. Ainda na mesma Solução de Consulta a mesma assevera que: é o armador, tomador dos serviços residente ou domiciliado no exterior, quem suporta e remete previamente ao Pais divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seu navios por águas e portos nacionais(extraído da Solução de Consulta já identificada). (...) Prosseguindo no atendimento NÃO nos foram apresentados contratos ao Despacho da DRJ/Belém, item "b" sub item "b.1", cumprenos informar de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio (grifamos). Quanto ao item "b.2", do mesmo despacho, informamos que foram anexadas cópias das Notas Fiscais relativas a prestação de serviços, bem como das folhas em cujo registro no Livro Fiscal foram escrituradas de maneira individualizada, segregando prestações de serviços para armadores nacionais dos serviços prestados para armadores estrangeiros; e quanto ao item "b.3". NÃO nos foram apresentados os contratos de câmbio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem (grifamos). Quanto ao item "c": "Apurar, em sendo o caso, o quanto do eventual direto creditório" não consideramos necessário fazêlo uma vez que os mesmos já estão demonstrados nos respectivos PER/DCOMP's, sem que tenha havido discordância com os valores ali expressos.” Cientificado do resultado da Diligência, o sujeito passivo afirma: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905538/200911 Acórdão n.º 3802003.993 S3TE02 Fl. 232 7 “A Lei n° 10.637/2002, que trata da Contribuição ao PIS e da COFINS, dispõe que a não incidência da contribuição em exportações depende de duas condições: 1) o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e 2) o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador),por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. (...) Vale ressaltar, que o Contribuinte possui contrato com a Centronave Centro Nacional de Navegação, no qual consta a relação de todos os tomadores de serviços para os quais presta serviço, podendo ser confrontado com a notas fiscais apresentadas. (transcreve e comenta decisão judicial)(...) Portanto, as despesas havidas com o exercício daquelas atividades no Brasil, entre as quais as relativas a serviços prestados por empresas nacionais, como do Contribuinte em questão, a armadores estrangeiros, são sempre suportadas por divisas oriundas rio exterior. Assim, o BACEN determina que toda pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que atue no Brasil, tenha um representante ou agente brasileiro, sendo que este recairá a responsabilidade pela comprovação do ingresso e destinação dos valores acordados, como contrato de câmbio.” Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 É o relatório Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO . NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. PAF. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 11/07/2012 (fl. 226), a Recorrente, em 01/08/2012, apresentou o recurso voluntário (fls. 210/221), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente informa o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito alegado; em seguida elabora uma relação de Soluções de Consulta da RFB em todo o território nacional e faz abordagem dos recentes julgados sobre a não incidência de PIS e Cofins sobre a exportação de serviços no entendimento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Apresenta os demais argumentos, conforme tópicos abaixo: a) Do direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS: alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; explana e reproduz vasta legislação que trata dessa matéria; b) Do tomador de serviço residente ou domiciliado no exterior: aduz que os contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante do Brasil do transportador estrangeiro. Porém, resta claro que o fato de o pagamento ser feito por representante no Brasil, daquela pessoa jurídica (armador estrangeiro), em reais, não Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905538/200911 Acórdão n.º 3802003.993 S3TE02 Fl. 233 9 descaracteriza, por si só, para efeitos de nãoincidência do PIS/Pasep e da Cofins; para tanto, cita trechos da Solução de Consulta nº 217, da Disit/SRRF/9ªRF; c) O pagamento deve representar ingressos de divisas: alega que neste requisito para a configuração de uma prestação de serviço como exportação – entrada de divisas, a situação em estudo merece a mesma conclusão exposta item anterior; visando corroborar os entendimentos, cita a solução de Divergência Cosit nº 12/2001, indicando ainda, a necessidade de se analisar, as normas emanadas pela autoridade monetária do País (BACEN); d) Dos normativos do Banco Central do Brasil aplicáveis ao caso: tratou das condições para a não incidência (prestador de serviços residente no exterior e ingresso de dividas no País) e dos atos normativos expedidos pelo Banco Central do Brasil que seriam aplicáveis ao caso, especialmente no que concerne à estipulação da representação no Brasil de armador estrangeiro, e e) Da comprovação do valor do crédito: informa em seu recurso que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. Ao final, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos da DCOMP Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de COFINS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de maio de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório e que em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita e conforme já lhe havia sido anteriormente esclarecido por intermédio de Solução de Consulta, já no ano de 2007, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas. Também lhe fora evidenciada a necessidade de que a prestadora dos serviços seja “signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade, mesmo após conversão do processo em diligência. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, foi determinada a realização de diligência para que a interessada comprovasse a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trouxesse aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas. Contudo, não foi apresentado qualquer contrato com pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior, ao passo que as notas fiscais de serviços trazidas aos autos foram todas emitidas para pessoas jurídicas domiciliadas em território nacional, também ratificando, o Livro Razão nº 2 do sujeito passivo, o fato de que prestou serviços diretamente a pessoas jurídicas nacionais. Logo, não encontra fundamento na prova carreada ao processo administrativo a precipitada inferência de Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905538/200911 Acórdão n.º 3802003.993 S3TE02 Fl. 234 11 que “o representante no País age como mero mandatário, persistindo o vínculo jurídico entre o transportador estrangeiro e o prestador de serviços brasileiros”. Ora, na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos, as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, limitamse a mero exercício imaginativo. Também a açodada conclusão de que haveria o ingresso de divisas no País, com base apenas na “simples observância da natureza da atividade da empresa, das Notas Fiscais emitidas (...) e registros contábeis pertinentes”, não encontra suporte na prova dos autos, haja vista que tais documentos atestam exatamente o contrário, ou seja, que houve a direta prestação de serviços a residentes e domiciliados no Brasil e que, portanto, não houve o ingresso de divisas como exclusivo resultado (nexo causal) dessa atividade. Notese que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar os dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços a residente ou domiciliado no exterior: conforme reportado na decisão recorrida, não foi apresentado qualquer contrato com pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior, ao passo que as notas fiscais de serviços trazidas aos autos foram todas emitidas para pessoas jurídicas domiciliadas em território nacional, também ratificando o Livro Razão nº 2 da Recorrente, o fato de que prestou serviços diretamente a pessoas jurídicas nacionais. Vejase trecho do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 158): (...) Prosseguindo no atendimento ao Despacho da DRJ/Belém, item "b" sub item "b.l", cumprenos informar que NÃO nos foram apresentados contratos de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio (grifamos). 2) quanto ao ingresso de divisas: analisando a decisão a quo, concluiuse que haveria o ingresso de divisas no País, com base apenas na “simples observância da natureza da atividade da empresa, das Notas Fiscais emitidas (...) e registros contábeis pertinentes”, como asseverado pela decisão recorrida não encontra suporte na prova dos autos, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 haja vista que tais documentos atestam exatamente o contrário, ou seja, que houve a direta prestação de serviços a residentes e domiciliados no Brasil e que, portanto, não houve o ingresso de divisas como exclusivo resultado (nexo causal) dessa atividade. Vejase trecho do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 158): (...) e quanto ao item “b.3", NÃO nos foram apresentados os contratos de cambio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem (grifamos). Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Apresentou notas fiscais relativas à prestação de serviços para empresas nacionais. Assim, mesmo após a realização da Diligência, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de comprovação. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905538/200911 Acórdão n.º 3802003.993 S3TE02 Fl. 235 13 Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse). Como visto nos autos, quando da manifestação de inconformidade, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15374.952715/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1801-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma de Julgamento de Primeira Instância para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma de Julgamento de Primeira Instância para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 27 15 /2 00 9- 15 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.952715/200915 Acórdão n.º 1801002.253 S1TE01 Fl. 177 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório SOBRARE SERVEMAR LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 12042192 (fl. 146), pela DRJ Rio de Janeiro I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 16296.51672.210906.1.3.040310, que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 10: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 12, em que afirma que o valor devido de estimativa no período em tela é aquele informado em sua DIPJ e não aquele informado na respectiva DCTF. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dando a seguinte ementa à sua decisão: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CREDITO. ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetua pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a titulo de estimativa mensal, somente pode utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que ocorreu o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Cientificado dessa decisão em 13/12/2011, por meio de remessa postal (fl. 151), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 153), em 09/01/2012, em que afirma a legitimidade do seu crédito e a impossibilidade deste deixar de ser reconhecido em razão da IN SRF nº 600, de 2005. Por fim requer a realização de diligência para que fique claro o seu direito. É o relatório Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.952715/200915 Acórdão n.º 1801002.253 S1TE01 Fl. 178 3 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. A DCTF e a DIPJ dizem respeito a fatos pretéritos que devem ter sido oportunamente registrados na contabilidade do contribuinte. Portanto, a prova da veracidade das informações assim declaradas está nessa contabilidade, que deve ser apresentada à autoridade julgadora na extensão suficiente para que seja demonstrada a correta apuração da estimativa em questão. A demonstração da veracidade da informação prestada pelo contribuinte na sua DIPJ, em oposição àquela prestada anteriormente em sua DCTF, é ônus do recorrente, não podendo à Administração tributária substituílo na busca do direito por ele reclamado. Desta feita, indefiro o pedido de diligência. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento apontado havia sido totalmente utilizado. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e, desta vez, a DRJ considerou improcedente o direito de crédito por considerar que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual da contribuição. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.952715/200915 Acórdão n.º 1801002.253 S1TE01 Fl. 179 4 No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a DRJ Rio de Janeiro prolatar nova decisão, superando a questão preliminar que fundamentou a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13558.901391/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 20/12/2003
Compensação
A compensação pressupõe a demonstração de créditos líquidos e certos. Demonstrado que parte das operações não geraria crédito, há que se reconhecer a glosa promovida pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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LIMITES O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade prestase exclusivamente a discutir a não homologação da declaração de compensação apresentada, não abrindo espaço para analisar a higidez dos débitos confessados, máxime quando não se tem notícia da retificação do PER/Dcomp. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/12/2003 COMPENSAÇÃO A compensação pressupõe a demonstração de créditos líquidos e certos. Demonstrado que parte das operações não geraria crédito, há que se reconhecer a glosa promovida pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 13 91 /2 00 9- 73 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 01/05) da interessada contra o Despacho Decisório eletrônico de rastreamento nº 831635986 (fl. 29) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itabuna, que reconheceu parcialmente o valor do crédito de IPI no valor de R$27.282,85, tendo sido solicitado/utilizado o crédito no valor total de R$47.238,56, no processo 13558.901391/200973 e PER nº 10115.66283.030407.1.7.013056. Por conseguinte, homologou parcialmente a compensação declarada através do PER/DCOMP nº 15479.43466.300905.1.3.018371 e não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP nº 39724.48220.311005.1.3.015572 e 18927.60624.291205.1.3.01 0035, haja vista que o crédito informado foi insuficiente para compensar os débitos totais declarados em razão das glosas motivadas por créditos de códigos fiscais – CFOP 2556, nas notas fiscais de nº 17653 e 619309, emitidas pelas empresas de CNPJ nº 52891.405/000160 (estabelecimento emitente não cadastrado no CNPJ) e 56.993.512/000150, meses de janeiro e fevereiro/2005, respectivamente, não admitidos pela legislação do IPI. Cientificada do despacho decisório em 03/05/2009, fl.34, o interessado apresentou a Manifestação de Inconformidade em 29/05/2009, alegando que houve algumas falhas na análise das informações prestadas no PER/DCOMP, uma vez que analisou se o PER/DCOMP do 2º trimestre/2005 como se fosse o do 1º trimestre/2005. Relata o interessado que: ∙ apresentou em 31/08/2005 o PER/DCOMP nº 39765.59551.310805.1.3.019937, informando o crédito no valor de 30.995,71 e compensação dos débitos de IRPJ R$808,67 e CSLL – R$25.947,31 totalizando R$26.755,98, restando saldo credor de R$4.239,73, aproveitado no PER/DCOMP nº 15479.43466.300905.1.3.018371, na compensação da CSLL do 1º trimestre/2005. Todavia, o primeiro PER/DCOMP recepcionado em 31/08/05, referente ao 1º trimestre/2005, foi retificado para informar o correto débito de CSLL a compensar para o valor de R$25.947,27, constando o crédito utilizado nesta PER/DCOMP, de nº 22463.09399.051206.1.7.01.0274, no valor de R$26.755,94, e desta feita, o crédito inicialmente informado de R$30.995,71, foi utilizado totalmente, não existindo nenhum crédito remanescente, conforme planilha que anexa; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13558.901391/200973 Acórdão n.º 3102001.836 S3C1T2 Fl. 109 3 ∙ assim, conforme PER/DCOMP entregues referente ao 1º trimestre/2005 constam os de nº 39765.59551.310805.1.3.01 9937; 15479.43466.300905.1.3.018371 e 22463.09399.051206.1.7.01.0274, cujos valores informados não correspondem aos citados no despacho decisório; ∙ os PER/DCOMP nº 39724.48220.311005.1.3.015572 e 18927.60624.291205.1.3.010035, citados no despacho decisório, se referem ao 2º trimestre/2005; ∙ requer que seja homologada a compensação conforme PER/DCOMP nº 39765.59551.310805.1.3.019937; 15479.43466.300905.1.3.018371 e 22463.09399.051206.1.7.01.0274, uma vez que está equivocado o entendimento do auditor fiscal, uma vez que analisou os PER/DCOMP do 2º trimestre/2005 ao invés do 1º trimestre/2005. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão recorrido pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/12/2003 ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Não tendo o interessado comprovado a existência de erro no preenchimento do PER/DCOMP, e restando comprovada a insuficiência do crédito, deixase de homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, acrescentar suas razões acerca: a) da possibilidade de apurar créditos na aquisição realizada ao contribuinte inscrito no CNPJ sob o nº 52.891.405/000160. Sustenta, com relação a este último, que, diferentemente do assumido, o fornecedor estaria regularmente inscrito no CNPJ. Anexa tela de consulta ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet; e b) da ausência de suporte normativo para cancelamento do PER/Dcomp original em razão da apresentação de PER/Dcomp retificador alegadamente em desacordo com a legislação. É o Relatório Voto Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Antes de adentrar na análise do litígio propriamente dito, é preciso relembrar o que dizem os parágrafos sétimo a nono do art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 2003, que indicam as consequências da não homologação da Dcomp, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Confirase: § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (original não destacado). Cabe a este Colegiado, portanto, discutir exclusivamente a higidez ou não do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações até o limite de R$ 27.282,85, não nos cabendo tecer qualquer consideração acerca do valor dos débitos confessados. Feitas tais considerações, analiso separadamente as razões de inconformidade. 1 Créditos Glosados Verificandose o despacho decisório às fls. 29 a 33, mais especificamente no campo “Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos Créditos por Entradas no Período”, à fl. 31, concluise que duas aquisições foram alvo de glosa. A primeira, que é alvo de manifestação de inconformidade, diz respeito a operação entabulada com contribuinte informado como inscrito no CNPJ sob o nº 52.891.405/000160, estaria baseada em dois fundamentos: 1 o CFOP informado no documento fiscal (2.556Compra de material para uso ou consumo1) não geraria crédito; e 2 o estabelecimento emitente não estaria cadastrado no CNPJ. É inegável que a documentação trazida aos autos induz séria dúvida acerca da procedência de um dos fundamentos da glosa. Ainda que seja pouco provável que o órgão que administra o cadastro de contribuintes esteja pouco informado acerca de sua própria base de dados, é inegável que, pelo menos na data da consulta realizada pela recorrente, a emitente da nota fiscal estava com sua inscrição regular. 1 Classificamse neste código as compras de mercadorias destinadas ao uso ou consumo do estabelecimento. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13558.901391/200973 Acórdão n.º 3102001.836 S3C1T2 Fl. 110 5 Poderseia, então, indagar qual seria a situação da inscrição na data da emissão do documento fiscal ou do cruzamento de informações que gerou o despacho decisório. Ocorre, entretanto, que tal verificação revelase inteiramente desnecessária, pois, ainda que se considere o emitente regularmente inscrito, não haveria como acatar o crédito. De fato, o Fisco considerou que aquisições para consumo do estabelecimento (não confundir com o processo produtivo) não geram crédito e a recorrente não se insurgiu contra essa conclusão. Mantenho, portanto, a glosa. 2 Cancelamento dos PER/Dcomp Conforme se extrai do despacho decisório à fl. 29, mais especificamente no campo “IDENTIFICADOR DO PER/DCOMP” a compensação analisada teve origem no PER 10115.66283.030407.1.7.013056, relativo ao 1º Trimestre/2005 Na mesma página, consta do campo “FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” a informação de que o Fisco homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP: 15479.43466.300905.1.3.018371 e não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP 39724.48220.311005.1.3.015572 e 18927.60624.291205.1.3.010035. Consequentemente, foram extintos créditos tributários no valor de R$ 27.282,85 e considerado indevidamente compensado o débito de R$ 19.955,71. Por outro lado, a recorrente informa que o valor pleiteado/compensado no primeiro trimestre de 2005, é inferior ao considerado no despacho decisório (R$ 47.238,56). Segundo alega, para o 1º trimestre de 2005, foram apresentados os PER/Dcomp n°s 39765.59551.310805.1.3.019937, 15479.43466.300905.1.3.01.8371 e 22463.09399.051206.1.7.01.0274, onde teria sido pleiteado o valor de R$ 30.995,71. Acresce, nessa linha, que os dois PER/Dcomp considerados não homologados no despacho diriam respeito ao 2º semestre de 2005. A primeira informação relevante para o deslinde do litígio é o fato de que o PER/Dcomp 39765.59551.310805.1.3.019937 foi retificado pelo de nº 10115.66283.030407.1.7.013056 que se “sobrepôs” ao primeiro e, consequentemente, o cancelou2. Quanto a esse ponto, é preciso destacar que tal medida em nada se confunde com sanção, tratase de mera operacionalização do pedido. Ou seja, as compensações homologadas por meio do despacho decisório questionado permanecem válidas. Outro ponto que a recorrente não logrou êxito contestar é o motivo pelo qual remanesceu saldo devedor de R$ 19.955,71. 2 Vide extrato de PER/Dcomp à fl. 35, que atribui a condição de retificador ao PER/Dcomp 10115.66283.030407.1.7.013056 e faz alusão expressa ao PER/Dcomp 39765.59551.310805.1.3.019937, como retificado. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Com relação a esse aspecto, é possível observar, à fl. 33 que, após a utilização dos créditos reconhecidos, deixaram de ser extintos os seguintes débitos: R$ 1.285,13, informado no PER/Dcomp 15479.43466.300905.1.3.018371; R$ 2.526,48 e R$ 5.970,05, informados no PER/Dcomp 39724.48220.311005.1.3.015572; e R$ 10.174,05, informado no PER/Dcomp 18927.60624.291205.1.3.010035. A soma desses valores é, de fato, R$ 19.955,71. Não vejo qualquer reparo no despacho decisório. Resta enfrentar as alegações recursais acerca do suposto equívoco relativo às PER/Dcomp 39724.48220.311005.1.3.015572 e 18927.60624.291205.1.3.010035. Inobstante a recorrente tenha informado que os créditos diriam respeito ao 2º Semestre de 2005, quando do preenchimento dessas declarações, foi efetivamente prestada a informação de que os créditos teriam sido informados em outro PER/Dcomp, no caso, o PER/Dcomp de nº 15479.43466.300905.1.3.018371, relativo a créditos do 1º trimestre. Ou seja, se erro há, não se pode imputar tal erro à autoridade fiscal, máxime quando não se tem notícia de que tais informações teriam sido retificadas. Assim sendo, partindo da premissa de que não nos cabe discutir o montante dos débitos declarados e que o despacho decisório acertadamente homologou a compensação até o limite dos créditos disponíveis, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000156/2010-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Informar incorreta, inexata ou incompletamente em GFIP os dados relacionados geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
ISENÇÃO. PEDIDO INDEFERIDO. MATÉRIA ALHEIA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
0 exame do pedido de isenção faz-se em autos próprios e ocorre em momento processual anterior. À época da constituição do lançamento a declaração de isenção realizada pelo órgão competente em processo apartado ao de constituição era pré-requisito ao reconhecimento da isenção das contribuições de previdenciárias. Assim, é defesa a análise do ato declaratório que negou o pedido de isenção da cota patronal, nos autos do processo de notificação fiscal de lançamento de débito, por lhe ser matéria estranha.
AUSÊNCIA DE PROVA DE CORREÇÃO DE FALTA. Na ausência de prova nos autos da correção da falta incorrida, desautoriza por não apresentação de circunstância atenuante para relevação de multa(art. 291 do R.P.S.)
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2006 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Informar incorreta, inexata ou incompletamente em GFIP os dados relacionados geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. ISENÇÃO. PEDIDO INDEFERIDO. MATÉRIA ALHEIA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. 0 exame do pedido de isenção faz-se em autos próprios e ocorre em momento processual anterior. À época da constituição do lançamento a declaração de isenção realizada pelo órgão competente em processo apartado ao de constituição era pré-requisito ao reconhecimento da isenção das contribuições de previdenciárias. Assim, é defesa a análise do ato declaratório que negou o pedido de isenção da cota patronal, nos autos do processo de notificação fiscal de lançamento de débito, por lhe ser matéria estranha. AUSÊNCIA DE PROVA DE CORREÇÃO DE FALTA. Na ausência de prova nos autos da correção da falta incorrida, desautoriza por não apresentação de circunstância atenuante para relevação de multa(art. 291 do R.P.S.) Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Informar incorreta, inexata ou incompletamente em GFIP os dados relacionados geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. ISENÇÃO. PEDIDO INDEFERIDO. MATÉRIA ALHEIA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. 0 exame do pedido de isenção fazse em autos próprios e ocorre em momento processual anterior. 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Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 01 56 /2 01 0- 81 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000156/201081 Acórdão n.º 2803003.948 S2TE03 Fl. 191 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000156/201081 Acórdão n.º 2803003.948 S2TE03 Fl. 192 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de decisão a quo que manteve os créditos tributários lavrados pelo Auto de Infração do descumprimento de obrigação acessória, por não por ter apresentado GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados nao relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e §6º, por não ser reconhecida como entidade beneficiária do que dispunha o art. 55, da Lei n. 8.212/1991. O lançamento tomou por base os períodos de 01 a 13/2006. A Recorrente, tempestivamente, alegando que é beneficiária da imunidade na forma do art. 195, §7º, da CF/1988, ser beneficiária de atenuação/relevação da multa na forma do art. 291, do RPS, bem como a sua abusividade, violação do seu direito de contraditório e defesa sendo ela passível de afastar o crédito lançado, nulidade do lançamento por ter sido vago, porque a multa aplicada foi indevida em razão de ausência de dolo, nulidade do julgamento e pedido de deferimento de perícia, pois ainda não teria sido definitivamente julgado. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, o qual considerou nula a decisão anterior, por causa de seus pressupostos fáticos. Esse é o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000156/201081 Acórdão n.º 2803003.948 S2TE03 Fl. 193 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Em que pese a fundamentação da defesa, à época dos fatos geradores e do lançamento, o art. 55, da Lei n. 8.212/1991, até a Lei 12.101/2009, regulamentava a imunidade do art. 195, §7º, da Constituição Federal/1988, que esclarece também que a isenção será regulada por lei. No art. 55, §1º, da Lei n. 8.212/1991, era claro: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. O reconhecimento da isenção das contribuições patronais, além dos requisitos materiais, exigia declaração expressa do INSS. Assim, essa é uma condição sine qua non para Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000156/201081 Acórdão n.º 2803003.948 S2TE03 Fl. 194 5 fins de reconhecimento da imunidade/isenção à época. Contudo, a contribuinte não preenchia todos os requisitos, faltandolhe o disposto no inciso II, do art. 55, supratranscrito. Assim, as alegações sobre a aplicação da isenção, sem considerar o requisito do art. 55, §1º, da Lei n. 8.212/1991, não têm o condão de afastar a tributação lançada. Logo, os demais fundamentos demonstram descolado do presente lançamento, pois dizem respeito a apreciação de outro processo próprio e vigente à época dos fatos. A sua possível inconstitucionalidade não pode ser apreciada pelo CARF/MF, salvo nas exceções do art. 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do órgão. (Súmula CARF n. 2º). III Ressaltese que a obrigação de informar em GFIP de informar corretamente os dados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, está prevista no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. O lançamento está correto, pois foram cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo, pois houve a oportunização de defesa e contraditório pleno à parte. Observese que não houve presunções, mas os dados foram todos obtidos com base nos documentos e registros à parte, conforme os anexos ao relatório, bem como demonstrou os cálculo do crédito. O pedido de prorrogação de prazo da parte não afeta o julgamento, pois indiferentemente de haver a prorrogação deferida ou não, em razão o princípio da verdade material, bem como na forma do art. 16, do Dec. 70235, poderia ter apresentado os documentos que alegava ter. Inclusive, após a resposta à solicitação de diligência de primeiro grau, a parte teve concedido novo prazo para apresentar documentos. Também, não houve especificação ou apresentação de indício de qualquer elemento da prova que pretendia produzir, não havendo prejuízo à sua defesa, e, conseqüência, não incidência do art. 59, do decreto retro indicado. Quanto ao pedido de perícia, o art. 16, do Dec. 70235, é claro que o pedido de perícia deve ser motivado, bem como acompanhado dos quesitos junto com a impugnação, fato não ocorrido nos autos. Logo, o pedido de perícia deve ser indeferido. IV – Quanto ao pedido de atenuação/relevação, na forma do art. 291, do Regulamento da Previdência Social, que, mesmo entendendose como aplicável à época dos fatos, a parte não comprovou nos autos que corrigira a irregularidade formal apontada no lançamento, não cumprindo as exigência do dispositivo legal. V – A alegação de que a multa aplicada é indevida por ausência de dolo, bem como sua abusividade, também não merece prosperar o recurso voluntário. O elemento volitivo para aplicação de sanção por descumprimento de obrigações tributárias é inexistente, a sua responsabilidade é objetiva, conforme o art. 136, do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ou seja, estando prevista a obrigação acessória na Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11052.000156/201081 Acórdão n.º 2803003.948 S2TE03 Fl. 195 6 legislação a ser obedecida, bem como a sanção pelo seu descumprimento, a sua aplicação será realizada quando descumprida a obrigação indiferentemente da intenção do agente. O dolo somente será exigido se a legislação especificamente assim dispuser. Ao alegar a abusividade e confiscatoriedade como causa de inconstitucionalidade para fins de afastamento, a mesma não pode ser apreciada pelo CARF/MF, salvo nas exceções do art. 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do órgão. (Súmula CARF n. 2º). VI Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13629.900433/2011-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DÉBITO EXTINTO MEDIANTE COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO.
A inexistência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do respectivo direito creditório e a não homologação da compensação.
PER/DCOMP APRESENTADA EM DUPLICIDADE.
Havendo a apresentação de PER/DCOMP em duplicidade, onde se fuguram os mesmo débitos e créditos e a primeira tendo sido analisada, está precluso o direito da Recorrente de ver sua repreciação, contudo a segunda declaração deve ser cancelada, tendo em vista a perda de objeto.
Numero da decisão: 1802-002.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DÉBITO EXTINTO MEDIANTE COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO. A inexistência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do respectivo direito creditório e a não homologação da compensação. PER/DCOMP APRESENTADA EM DUPLICIDADE. Havendo a apresentação de PER/DCOMP em duplicidade, onde se fuguram os mesmo débitos e créditos e a primeira tendo sido analisada, está precluso o direito da Recorrente de ver sua repreciação, contudo a segunda declaração deve ser cancelada, tendo em vista a perda de objeto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.900433/201192 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.420 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria DCOMP Recorrente A PREFERIDA COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DÉBITO EXTINTO MEDIANTE COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO. A inexistência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do respectivo direito creditório e a não homologação da compensação. PER/DCOMP APRESENTADA EM DUPLICIDADE. Havendo a apresentação de PER/DCOMP em duplicidade, onde se fuguram os mesmo débitos e créditos e a primeira tendo sido analisada, está precluso o direito da Recorrente de ver sua repreciação, contudo a segunda declaração deve ser cancelada, tendo em vista a perda de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 04 33 /2 01 1- 92 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13629.900433/201192 Acórdão n.º 1802002.420 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13629.900433/201192 Acórdão n.º 1802002.420 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passo a adotar o relatóorio da DRJ: “Tratase de Declaração Eletrônica de Compensação – Dcomp n.º 14751.73478.300807.1.3.047009, cujo objeto é a compensação de débitos da contribuinte com crédito oriundo de pagamento indevido de SIMPLES, período de apuração abril/2006, data de arrecadação 15/05/2006, DARF no valor de R$ 6.755,26. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico n.º 930821052, de 4 de maio de 2011, não foi homologada a compensação objeto da referida Dcomp, porque “... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. A empresa contribuinte foi cientificada, tendo se manifestado nos seguintes termos: I OS FATOS 01 A notificada transmitiu a PER/DCOMP n° 31289.58230.311206.1.3.046043 em 31/12/2006, para compensar débitos, com crédito do mesmo valor, crédito da competência de maio de 2006, e débitos das competências de abril e maio de 2006, PER/DCOMP não homologada conforme Despacho Decisório 831229197 de 09/04/2009, por falta de atualização dos valores dos débitos declarados. 02 A notificada transmitiu nova PER/DCOMP n° 14751.73478.300807.1.3.047009 em 30/08/2007, com atualização dos débitos e do crédito, conforme preceitua o Programa da PER/DCOMP, como declaração original, na tentativa de resolver a pendência da PER/DCOMP n° 31289.58230.311206.1.3.046043. 03 A notificada apresentou Manifestação de Inconformidade do Despacho Decisório n° 831229197 de Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13629.900433/201192 Acórdão n.º 1802002.420 S1TE02 Fl. 39 4 09/04/2009, originando o PROC. n° 13629.901.156/2009 11, que se encontra em julgamento. II – O DIREITO II.1 PRELIMINAR: É direito do contribuinte na declaração de compensação, fazer a atualização dos seus créditos, o que não acontece no Programa da PER/DCOMP, que só atualiza os débitos dos contribuintes, e não atualiza os créditos dos contribuintes. Na PER/DCOMP n° 31289.58230.311206.1.3.046043, o crédito declarado (pagamento indevido ou maior), é no valor de R$6.755,26 ( Seis mil, setecentos e cinquenta e cinco reais e vinte e seis Centavos), e os débitos são no valor de R$6.728,52 (Seis mil, setecentos e vinte e oito reais e cinquenta e dois Centavos). O crédito é da competência de 04/2006, conforme xerox do DARF em anexo no valor de R$ 6.755,26, conforme xerox do detalhamento da compensação em anexo. Os débitos são das seguintes competências: competência de 04/2006 no valor de R$3.670,06, e da competência de 05/2006 no valor de R$3.052,92, conforme xerox do detalhamento da compensação em anexo. Se atualizarmos hoje 25/05/2011, o valor do crédito de R$6.755,26 (Seis mil, setecentos e cinquenta e cinco reais e vinte e seis Centavos), o crédito atualizado será de R$11.765,63 (Onze mil, setecentos e sessenta e cinco reais e sessenta e três Centavos). E se atualizarmos hoje 28/05/2011, os valores dos débitos de R$6.728,52 (Seis mil, setecentos e vinte e oito reais e cinquenta e dois Centavos), o valor dos débitos atualizados é R$11.682,97 (Onze mil, seiscentos e dois reais e noventa e sete Centavos). II.2 – MÉRITO A notificada espera que a Receita Federal, refaça os cálculos da compensação solicitada pela "PER/DCOMP" n° 31289.58230.311206.1.3.046043, porque a notificada acha errado e injusto a fórmula de cálculo do PROGRAMA DA PER/DCOMP, que só atualiza os valores dos débitos a favor da Receita Federal, e não atualiza o valor do crédito a favor da notificada. A notificada solicita da Receita Federal, o CANCELAMENTO da "PER/DCOMP" n° 14751.73478.300807.1.3.047009 de 30/08/2007, porque o Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13629.900433/201192 Acórdão n.º 1802002.420 S1TE02 Fl. 40 5 valor do crédito e os valores dos débitos são os mesmos na "PER/DCOMP" n° 31289.58230.311206.1.3.046043 de 31/12/2006. No Despacho Decisório n° 830821052 de 30/09/2007, a Receita Federal intima a notificada a recolher o valor de R$6.755,26 (Seis mil, setecentos e cinquenta e cinco reais e vinte e seis Centavos), com alegação que não existe crédito para compensação dos débitos informados na 'PER/DCOMP'. Conforme solicitação da notificada, a PER/DCOMP n° 14751.73478.300807.1.3.047009 de 30/08/2007, sendo cancelada, o problema fica sanado, porque existe um único crédito e um único débito, em duas PER/DCOMPs com os mesmos valores.” A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DÉBITO EXTINTO MEDIANTE COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO. A inexistência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do respectivo direito creditório e a não homologação da compensação. CANCELAMENTO. PROCESSO. PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. Consoante norma a reger a matéria, somente compete às Delegacias de Julgamento conhecer e julgar manifestações de inconformidade contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a compensação atinentes à não homologação destas, ou seja, não há como as DRJ’s se manifestarem em relação a pedidos de cancelamentos de processos devidamente instaurados, PER/Dcomps etc. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. VALORAÇÃO. PRECLUSÃO. Constitui matéria preclusa solicitação já indeferida em outro processo administrativo fiscal, já encerrado e com decisão definitiva, não cabendo mais a sua discussão na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13629.900433/201192 Acórdão n.º 1802002.420 S1TE02 Fl. 41 6 Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 12/09/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 09/10/2013, onde reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua impugnação. Este é o Relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13629.900433/201192 Acórdão n.º 1802002.420 S1TE02 Fl. 42 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Primeiramente vale informar que o crédito ora solicitado pela recorrente tem sua origem em recolhimento efetuado mediante DARF, código de receita 6106, imposto SIMPLES. Outrossim, conforma visto pelo Relator do acórdão da DRJ, através de uma análise detalhada dos dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, podese verificar também que o referido crédito foi solicitado em 2 (dois) PER/Dcomps: nº 31289.58230.311206.1.3.04‐6043. nº 14751.73478.300807.1.3.04‐7009 (objeto do Despacho Decisório sob apreço). O Despacho Decisório sob análise faz menção à primeira declaração entregue pela contribuinte, de n.º nº 31289.58230.311206.1.3.046043., isso porque, conforme a seguir transcrito, esta consumiu integralmente o direito creditório aqui solicitado, ref. pgto. 2588596171. Ocorre que o crédito solicitado e reconhecido na Dcomp n.º 25137.63724.311206.1.3.043707 foi insuficiente para a homologação integral dos débitos declarados na respectiva declaração, pelo que a compensação foi considerada parcialmente homologada pelo sistema. A Recorrente informa ainda ter apresentado manifestação de inconformidade contra a decisão proferida no Despacho Decisório n° 831229197 (de 09/04/2009), que deu origem ao processo de cobrança n° 13629.901.156/200911 (correspondente ao processo n.º 113629.901017/200997), dizendo ainda encontrarse o processo em julgamento. Sobre isso, importa assinalar que do julgamento efetuado resultou a emissão do Acórdão n.º 0944.140 1ª Turma da DRJ/JFA, o qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo inalterada a decisão proferida no citado Despacho Decisório. Embora a contribuinte suscite questões atinentes a valoração do crédito no presente processo, a matéria encontrase preclusa, porquanto, como visto, já fora objeto de análise nos autos do processo n.º 113629.901017/200997, já encerrado e com decisão definitiva, não cabendo mais a sua discussão na esfera administrativa. A propósito, nos sistemas informatizados da RFB, não consta pendência alguma em relação ao referido processo. Muito pelo contrário, consta que os débitos neste inclusos, todos, sem exceção, encontramse extintos, seja por compensação, seja por pagamento/parcelamento. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13629.900433/201192 Acórdão n.º 1802002.420 S1TE02 Fl. 43 8 Solicita ainda a recorrente o cancelamento do PER/Dcomp n.º 14751.73478.300807.1.3.047009. Verificase no doc. intitulado Detalhamento da Compensação, Valores Devedores e Emissão de Darf, anexo ao Despacho Decisório n.º 831229197, o crédito solicitado no PER/Dcomp n.º 31289.58230.311206.1.3.046043 foi totalmente reconhecido e devidamente corrigido até a data de transmissão da declaração, 31/12/2006 (Crédito Utilizado para Compensação Valorado R$: 7.280,80), mas insuficiente para a integral compensação dos débitos nesta informados. Conforme informado pela DRJ (efls. 60), o crédito solicitado no PER/Dcomp n.º 14751.73478.300807.1.3.047009 é o mesmo que foi totalmente reconhecido e utilizado na declaração n.º 31289.58230.311206.1.3.046043, não há saldo algum de crédito a ser aqui reconhecido e utilizado. Por outro lado, como se trata dos mesmos débitos e créditos e, tendo a primeira sido analisada sem o cabimento de recurso, encontrase precluso o direito da Recorrente de ver a reapreciação da primeira. A esse respeito a DRJ reconheceu (efls 62 / 63): “A propósito, nos sistemas informatizados da RFB, não consta pendência alguma em relação ao referido processo. Muito pelo contrário, consta que os débitos neste inclusos, todos, sem exceção, encontramse extintos, seja por compensação, seja por pagamento/parcelamento”. Há evidência de coincidência, pelo menos parcial, dos débitos informados nos referidos PER/DCOMP. Nesse sentido, a cobrança dos DÉBITOS insertos no segundo PER/DCOMP, já quitados pelo primeiro PER/DCOMP ou por parcelamento/pagamento, poderia implicar em excesso de exação.. Contudo, os procedimentos administrativos para a correção desse tipo de problema, mediante confrontação e composição dos dois PER/DCOMP que estão tratando da compensação dos mesmos débitos, não é atribuição do CARF, mas sim das Delegacias da Receita Federal. Desse modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso, porque os procedimentos para revisão e correção de erro no preenchimento de PER/DCOMP, visando evitar duplicidade de débitos, refogem às competências do CARF. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 129DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13629.900433/201192 Acórdão n.º 1802002.420 S1TE02 Fl. 44 9 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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