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Numero do processo: 10730.002657/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2002
MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR
ESTIMATIVA. A penalidade após o encerramento do período de apuração é aplicável até o limite do resultado do período.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.998
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto
que negavam provimento.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2002 MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. A penalidade após o encerramento do período de apuração é aplicável até o limite do resultado do período. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto que negavam provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório CONCESSIONARIA RIO TERESOPOLIS S. A. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). A DRJ também recorreu de oficio em face do valor do credito tributário exonerado. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 4/11, lavrado pela DRF/Niterói, com ciência do interessado em 27/07/2003 (fl. 4), para a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$417.386,61, com multa de 75% e juros de mora, e de multa isolada, no valor de R$307.353,57. O crédito total lançado monta a R$1.296.206,43. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, terem sido apuradas as infrações abaixo: 1 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DEVIDOS E OS DECLARADOS. Valores apurados em face de divergências entre os valores efetivamente devidos nas fichas – Cálculo do Imposto e os constantes das DCTF, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 7/8). 2 MULTA ISOLADA. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DEVIDOS E OS DECLARADOS ESTIMATIVA. Valores apurados em face de divergências entre os valores efetivamente devidos de IRPJ incidente sobre base estimada e os constantes das DCTF, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 7/8). O enquadramento legal consta do Auto de Infração. O interessado apresentou, em 06/08/2003, a impugnação de fls. 211/224. Na referida peça de defesa, alega, em síntese, que: anocalendário 1998: o valor lançado, R$235.569,05, não é devido, apenas decorreu da não inclusão de determinadas informações nas DCTF, conforme demonstra; anocalendário 1999: o valor lançado, R$20.761,78, não é devido, apenas decorreu da desconsideração do IRRF dos meses de janeiro a novembro de 1999; reconhece que preencheu erroneamente as DCTF; anocalendário 2000: o valor lançado, R$161.055,78, referese à compensação do saldo de IRPJ recolhido a maior no ano calendário de 1999; reconhece que preencheu erroneamente a DCTF; Fl. 557DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 3 janeiro, fevereiro, abril e maio/2002: embora não tenha havido falta de recolhimento (os valores apurados pela fiscalização foram compensados), como demonstra, reconhece que preencheu erroneamente as DCTF; da alegação de recolhimento a menor de CSLL: não são devidos os valores apurados pela fiscalização, conforme demonstra. Encerra requerendo o cancelamento do lançamento e protestando por todos os meios de prova admitidos na legislação. A decisão recorrida está assim ementada: DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DEVIDOS E OS DECLARADOS. Não comprovada a ocorrência de infração, deve ser cancelado o lançamento. MULTA ISOLADA. Constatada a falta ou a insuficiência de recolhimento mensal por estimativa, é devido o lançamento de multa isolada. Lançamento procedente em parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto a exigência da multa de oficio isolada do anocalendário de 2002 isso porque ao final do anocalendário não apurou tributo a recolher.. Finaliza requerendo o provimento. É o relatório. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Por sua vez, o recurso de oficio é equivocado, tratandose a meu ver de erro na edição do acórdão, haja vista que o valor exonerado é inferior a R$ 1.000.000,00 limite de alçada estabelecido na portaria MF 3/2008 – Vide demonstrativo ao final da decisão de 1a. instância. Remanesce em litígio a multa de oficio isolada por falta de recolhimento de estimativas do anocalendário de 2002. O contribuinte aduz, em síntese, que a penalidade não é devida haja vista que não restou valores a pagar no ajuste anual do aludido anocalendário. No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grife0 Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 5 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105141498, Processo n° 13629.000292/200304, Acórdão CSRF/0105.838, verbis: “As remissões relevantes são as seguintes: Art. 35 (Lei nº 8.981/95) – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei nº 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 6 Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que “o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais”. 1 Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. Nesse sentido, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQUÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. è Pagar multa de 75% ou 150%3 calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) ; Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. è Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV); Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. è Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44. §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada “sobre a totalidade ou diferença de tributo”. Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. 22 Ricardo Guastini citado por Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. 3 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 7 Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da Fl. 562DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 8 estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ”pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. 4 Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de ofício – na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, 4 Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 9 passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6º). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de ofício em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. No caso presente, em relação ao anocalendário de 1998 a 2002, o relatório indica que a empresa foi autuada para exigir principal e multa de ofício em relação ao imposto de renda não recolhido ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla aplicação, por força do princípio da consunção, não pode subsistir.” Portanto, a multa pode ser aplicada após o encerramento do ano calendário, estando rigorosamente de acordo com a lei, desde que não seja concomitante com a multa proporcional de oficio sobre o tributo devido e que, evidentemente, seja apurado saldo de tributo a pagar no final do período de apuração. No presente caso o contribuinte apurou saldo ZERO de recolhimento de IRPJ no ajuste anual do anocalendario de 2002 , logo não cabe a exigência da multa isolada. __ IRPJ,IRPJCONS,CONSULTA ( CONSULTA DECLARACOES IRPJ )_______________________ 10/04/2012 14:17 CONSULTA DECLARACAO DIPJ/2003 CNPJ: 00.938.574/000105 L.REAL AC 2002 RF 07 DECL. 0672287 DV 60 PAG: 01 / 02 FICHA 12A CALCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL PJ GERAL/CORRETORA APURACAO ANUAL VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.A ALIQUOTA DE 15% 1.512.567,45 02.A ALIQUOTA DE 6% 0,00 03.ADICIONAL 984.378,30 DEDUCOES 04.()OPERACOES DE CARATER CULTURAL E ARTISTICO 0,00 05.()PROGRAMA DE ALIMENTACAO DO TRABALHADOR 41.989,88 06.()DESENVOLV. TECNOLOGICO INDUSTRIAL / AGROPECUARIO 0,00 07.()ATIVIDADE AUDIOVISUAL 0,00 08.()FUNDOS DOS DIREITOS DA CRIANCA E DO ADOLESCENTE 0,00 09.()ISENCAO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS DE TRANSPORTE 0,00 10.()ISENCAO E REDUCAO DO IMPOSTO 0,00 11.()REDUCAO POR REINVESTIMENTO 0,00 12.()IMP. PAGO NO EXTER.S/LUC.,REND.E GANHOS DE CAP. 0,00 13.()IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 0,00 14.()IMP. DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ORGAO PUBLICO 0,00 15.()IMPOSTO PG INCID.SOBRE GANHOS NO MERC.DE REN.VAR. 0,00 16.()IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 2.454.955,87 17.()PARCEL.FORMALIZADO DE IR SOBRE BASE CALC.ESTIMADA 0,00 18.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 0,00 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR DE SCP 0,00 20.I.R. S/ DIF. ENTRE O CUSTO ORCADO E O CUSTO EFETIVO 0,00 21.I.R. POSTERGADO DE PERIODOS DE APURACAO ANTERIORES 0,00 Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e excluir a exigência da multa de oficio isolada. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 564DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.002657/200371 Acórdão n.º 140200.998 S1C4T2 Fl. 0 10 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000155/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula nº 12, Portaria CARF nº 52,
de 21 de dezembro de 2010)
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Nos casos de lançamento de ofício aplicam-se a multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora, calculados com base na taxa Selic, previstos na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula nº 12, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Nos casos de lançamento de ofício aplicamse a multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora, calculados com base na taxa Selic, previstos na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10508.000155/200510 Acórdão n.º 210201.970 S2C1T2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 27/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra JOSÉ ERLON ALVES DE SANTANA foi lavrado Auto de Infração, fls. 07/13, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2001, exercício 2002, no valor total de R$ 73.584,88, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até fevereiro de 2005. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 44.884,71 (rendimentos recebidos do Banco do Brasil, em decorrência de ação judicial trabalhista processo 49.02.96.112501). Houve, ainda, ajuste do valor recebido, de sorte que os rendimentos tributáveis foram reduzidos de R$ 159.058,99 para R$ 142.989,36. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/05, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SDR nº 1514.710, de 27/12/2007, fls. 99/101. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 18/01/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 103, o contribuinte apresentou, em 19/02/2008, recurso voluntário, fls. 104/109, no qual traz as alegações a seguir resumidas: O montante dos juros e multa exigidos do contribuinte representam dano ao seu patrimônio, posto que se originaram da omissão do Banco do Brasil em efetuar a devida retenção e o recolhimento do imposto na fonte. Por esta razão pede a reforma parcial do indigitado auto de infração, com a exclusão da multa e dos juros moratórios, para reduzilo ao valor do imposto de renda apurado, devidamente corrigido monetariamente. É o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10508.000155/200510 Acórdão n.º 210201.970 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, o contribuinte limita suas alegações à exigência da multa de ofício e dos juros de mora, de sorte que o imposto (principal) foi transferido para o processo 10580.000157/200843, conforme esclarecido no despacho, fls. 133. Alega o recorrente que não estaria sujeito ao pagamento da multa e dos juros de mora, posto que a exigência de tais acréscimos legais são decorrentes da omissão do Banco do Brasil, que deixou de proceder a retenção e o recolhimento do imposto na fonte. Neste aspecto, vale lembrar que o fato de a fonte pagadora ter deixado de reter o imposto de renda na fonte, não desobriga o contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação, quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, sendo este o entendimento exarado na Súmula CARF nº 12, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Aliás, este foi o procedimento adotado pelo próprio contribuinte: recebeu os rendimentos e os ofereceu à tributação em sua DAA. Entretanto, compensou imposto de renda que não fora retido, tampouco, recolhido. Logo, correto o procedimento da autoridade fiscal ao imputar ao contribuinte a infração de compensação indevida de imposto na fonte e, via de conseqüência, exigir o tributo com os acréscimos legais cabíveis, quais sejam multa de ofício e juros de mora, dado que o tributo não fora recolhido dentro do prazo legal. Como já visto, o fato de a fonte pagadora ter deixado de reter o imposto não exonera o contribuinte do pagamento do tributo, sendo certo que a conduta adotada pelo contribuinte não pagamento do imposto na data do vencimento – tem como conseqüência o lançamento de ofício, que impõem ao contribuinte a exigência da multa de ofício e dos juros moratórios. Por fim, vale dizer que a multa de ofício, no percentual de 75%, foi aplicada nos termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e que os juros moratórios foram exigidos na forma prevista no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10508.000155/200510 Acórdão n.º 210201.970 S2C1T2 Fl. 4 4 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 145DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13151.100004/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Anocalendário:
2003
Ementa: PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À
RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. RECURSO
REPETITIVO STJ.
Com a edição do art. 62A
do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ
submetidas ao rito do art. 543C
do CPC devem ser seguidas pelo CARF.
Assim, conforme acórdão do STJ, proferido no REsp no 1.149.022, o
pagamento de diferença de contribuição devida anterior ou
concomitantemente à retificação de DCTF representa denúncia espontânea,
hipótese que afasta a incidência da multa moratória.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-000.905
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do
voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003 Ementa: PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. RECURSO REPETITIVO STJ. Com a edição do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ submetidas ao rito do art. 543C do CPC devem ser seguidas pelo CARF. Assim, conforme acórdão do STJ, proferido no REsp no 1.149.022, o pagamento de diferença de contribuição devida anterior ou concomitantemente à retificação de DCTF representa denúncia espontânea, hipótese que afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003 Ementa: PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. RECURSO REPETITIVO STJ. Com a edição do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ submetidas ao rito do art. 543C do CPC devem ser seguidas pelo CARF. Assim, conforme acórdão do STJ, proferido no REsp no 1.149.022, o pagamento de diferença de contribuição devida anterior ou concomitantemente à retificação de DCTF representa denúncia espontânea, hipótese que afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Fl. 212DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100004/200790 Acórdão n.º 3301000.905 S3C3T1 Fl. 202 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Sustentou pela parte a Advogada Anete Mariel Maciel Medeiro OAB/DF nº. 15.787. Relatório PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL MATO GROSSO LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 142/152, contra o acórdão nº 0418.974, de 06/11/2009, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande MS, fls. 130/135, que julgou procedente o auto de infração de Cofins de fls. 39/40, relativo a pagamento de contribuição após o vencimento, com insuficiência de acréscimos legais, referente a períodos compreendidos entre 01/01/2003 a 31/12/2003, cuja ciência ocorreu em 17/04/2007 (fls. 01 e 128), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de impugnação apresentada contra auto de infração que, apurando pagamento em atraso desacompanhado dos respectivos acréscimos moratórios, formalizou a exigência de multa de mora relativamente a débitos de PIS, tendo por fundamento legal o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e demais dispositivos citados no auto de infração de fls. 38 a 56. Preliminarmente alegou ilegitimidade passiva, dado que na qualidade de sucessora não responde por infrações praticadas pela sucedida, quando a multa é lançada após a sucessão. No mérito, a contribuinte apresentou impugnação na qual, em síntese, alegou que, antes de qualquer procedimento fiscal, procedera aos pagamentos dos débitos não inseridos previamente nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. O tributo, embora pago em atraso, foi acrescido apenas de juros de mora, porquanto entende a impugnante estar amparada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN, o qual, consagrando o instituto da denúncia espontânea, afasta a imposição de qualquer tipo de multa, inclusive a de natureza moratória. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência do auto de infração. A DRJ julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003 ALTERAÇÃO DE QUADRO SOCIETÁRIO E DE DENOMINAÇÃO SOCIAL. SUCESSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SUCESSOR. CRÉDITOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DA SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100004/200790 Acórdão n.º 3301000.905 S3C3T1 Fl. 203 3 A alteração do quadro societário e da denominação social não caracterizam sucessão, porquanto se trata da mesma pessoa jurídica. Entretanto, mesmo na hipótese de sucessão, o sucessor responde pelos créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes desse evento, mesmo que o lançamento seja efetuado posteriormente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. ALCANCE. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa de mora pelo cumprimento tardio da obrigação tributária, seja acessória ou principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, em 01/09/2009, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 142/152, no sentido de que a denúncia espontânea tem o condão de afastar a aplicabilidade de multa (moratória ou punitiva), no caso de recolhimentos em atraso, nos termos do art. 138 do CTN e jurisprudência do STJ, cujos requisitos são: (i) o pagamento da totalidade do tributo devido, incluídos os juros de mora porventura existentes; (ii) a inexistência de processo de fiscalização iniciado relacionado com a infração; e (iii) no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a inexistência de débito tributário declarado em DCTF e não pago. De se ressaltar que os pagamentos da contribuição e juros moratórios ocorreram antes da apresentação das DCTF retificadas em 17/11/2005. Por fim, requer o afastamento da multa de mora imposta pelo auto de infração É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. No auto de infração à fl. 39, verificase que, em relação aos dados das DCTF referentes ao ano calendário de 2003, a contribuinte apresentou as DCTF retificadoras em 17/11/2005, referente aos quatro trimestres de 2002. Por sua vez, os pagamentos correram nas seguintes datas: Fl. 214DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100004/200790 Acórdão n.º 3301000.905 S3C3T1 Fl. 204 4 Por meio da fls. 53/54 e das precitadas, verificase que os juros de mora, quando devidos foram corretamente pagos e, somente a multa de mora deixou de ser paga, fato que motivou o presente lançamento. Por outro lado, a contribuinte entende ter se valido do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, e assim sendo, tornase incompatível a exigência de multa de mora. Sobre o tema cabem algumas considerações. É certo que no nosso diaadia, caso não se pague o compromisso na data de seu vencimento, devese fazêlo com os devidos acréscimos, apesar de não sermos notificados do atraso. Sendo a multa moratória uma realidade inconteste nas relações obrigacionais privadas, não há razoabilidade para tratamento diverso no caso de dívidas tributárias. A vigorar a tese da denúncia espontânea para pagamentos a destempo, sem os acréscimos devidos, seus vencimentos passarão a ser meras referências. Todos os tributos com vencimento no mês poderiam ser pagos no último dia do próprio mês, sem qualquer acréscimo. A certeza de imposição de penalidade estipulada em lei (multa e juros) àqueles que ignoram o vencimento é que faz os contribuintes recolherem os tributos com a multa de mora, para os vencimentos dentro do mês. Não há como ignorar a multa instituída pela Lei n° 9.430/96, destinada ao pagamento espontâneo e extemporâneo, sendo de 0,33% ao dia, limitada a 20%, consignada no art. 61 e §§. A não observância deste preceito ensejaria a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I. Conforme se observa, o legislador elaborou uma sistemática visando motivar a contribuinte ao recolhimento dos tributos nos respectivos vencimentos. A multa de mora, portanto se constitui em um encargo menos oneroso que a multa aplicada em procedimento de ofício, a qual, por se tratar de penalidade, está sujeita ao contraditório e a ampla defesa. A iniciativa da contribuinte em efetuar o pagamento de seus débitos em atraso, com observância dos juros e multa de mora, portanto de natureza indenizatória, tem a função de afastar a aplicação de multa punitiva. Fls. P. Apuração Vencimento Pagamento Vl. Principal 47 jan/03 14/2/2003 25/7/2005 98.281,60 48 fev/03 14/3/2003 25/7/2005 90.434,90 49 mar/03 15/4/2003 25/7/2005 90.616,00 41 abr/03 15/5/2003 25/7/2005 94.899,13 42 mai/03 13/6/2003 30/6/2003 4.508,43 42 mai/03 13/6/2003 25/7/2005 83.522,47 43 jun/03 15/7/2003 30/7/2003 4.833,32 43 jun/03 15/7/2003 25/7/2005 89.230,34 50 jul/03 15/8/2003 25/7/2005 97.204,06 51 ago/03 13/9/2003 25/7/2005 92.749,77 52 set/03 15/10/2003 25/7/2005 95.193,26 44 out/03 14/11/2003 25/7/2005 107.929,00 45 nov/03 13/12/2003 25/7/2005 98.590,04 46 dez/03 15/1/2004 29/1/2004 4.932,49 46 dez/03 15/1/2004 25/7/2005 97.209,25 Fl. 215DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100004/200790 Acórdão n.º 3301000.905 S3C3T1 Fl. 205 5 A multa moratória sempre funcionou como encargo decorrente do recolhimento do tributo a destempo, de modo espontâneo efetuado pelo contribuinte, sem o concurso do fisco. A vigorar a tese da recorrente, a multa de mora seria inaplicável, pois, sendo efetuado o recolhimento antes de qualquer procedimento de ofício, com base nesse entendimento ela se torna indevida e, por outro lado, se o recolhimento fosse efetivado após o inicio de procedimento fiscal, somente a multa de ofício, mais gravosa deveria ser exigida. Portanto, não haveria aplicabilidade à multa de mora, a despeito de sua previsão pelo legislador. Conforme demonstrado, contrariar o instituto da denúncia espontânea contido no art. 138 do CTN, com suas previsões sancionatórias elaboradas de modo sistêmico como fixou o legislador pátrio, além de retirar a eficácia das normas que determinam os prazos de vencimentos dos tributos, desorganizando a arrecadação tributária do Estado, ainda extirparia a multa de mora do ordenamento jurídico, pela sua total inaplicabilidade. Contudo, por meio do Resp nº 1.149.022, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 09/06/2010, o STJ pronunciouse de outro modo, conforme registram as razões de decidir postas nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, Fl. 216DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100004/200790 Acórdão n.º 3301000.905 S3C3T1 Fl. 206 6 independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos constam do original) Por outro lado, a Portaria MF nº 256/09, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nos 446/09 e 586/10, que aprova o Regimento Interno do CARF, passou a dispor do seguinte modo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13151.100004/200790 Acórdão n.º 3301000.905 S3C3T1 Fl. 207 7 Portanto, vez que a decisão citada fora proferida em conformidade com o rito previsto no art. 543C, deverá ser seguida por este colegiado. Assim, conforme bem concluiu o Conselheiro José Antonio Francisco, relator do voto condutor do acórdão nº 330200.832, de 04/02/2011: “havendo pagamento da diferença antes ou concomitantemente à retificação da declaração, sem que o Fisco tenha tomado providências em relação à matéria, configurase a denúncia espontânea”. Vez que este fato se verificou no presente caso, não deverá incidir a multa de mora. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 218DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10209.000372/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 01/02/2006
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR POR UTILIZAÇÃO DE ALÍQUOTA INCORRETA NO PAGAMENTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO.
Constatado que a interessada declarou a importação de "juta (macerada) em fibras" no despacho aduaneiro e a classificou
corretamente no código NCM/TEC 5303.10.12, a alíquota aplicável é
a de 8%, e não a de 2% prevista em destaque (ex) na Resolução
Camex ri 30, de 2005, especificamente para "juta em bruto".
PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Constatado o recolhimento a menor do Imposto de Importação, cabível será a tributação reflexa do PIS/Pasep e da Cofins exigível na importação, por aquele compor as suas bases de
cálculo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3202-000.123
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por falta de fundamentos em relação à ação fiscal.
No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 01/02/2006 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR POR UTILIZAÇÃO DE ALÍQUOTA INCORRETA NO PAGAMENTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Constatado que a interessada declarou a importação de "juta (macerada) em fibras" no despacho aduaneiro e a classificou corretamente no código NCM/TEC 5303.10.12, a alíquota aplicável é a de 8%, e não a de 2% prevista em destaque (ex) na Resolução Camex ri 30, de 2005, especificamente para "juta em bruto". PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Constatado o recolhimento a menor do Imposto de Importação, cabível será a tributação reflexa do PIS/Pasep e da Cofins exigível na importação, por aquele compor as suas bases de cálculo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:54:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:54:35Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:54:36Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:54:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:64af5d0c-edf2-4169-a531-2ea052ba7a61; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:54:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:54:36Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:54:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:54:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:54:35Z; created: 2010-07-13T13:54:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-07-13T13:54:35Z; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:54:35Z | Conteúdo => S3-C2T2 Fl. 268 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10209.000372/2006-57 Recurso n° 343.723 Voluntário Acórdão n° 3202-00.123 — 2 Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2010 Matéria Imposto de Importação - Pis/Pasep - Cofins Recorrente COMPANHIA TÊXTIL DE CASTANHAL Recorrida DRJ FORTALEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- li Data do fato gerador: 01/02/2006 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RECOLHIMENTO A MENOR POR UTILIZAÇÃO DE ALÍQUOTA INCORRETA NO PAGAMENTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Constatado que a interessada declarou a importação de "juta (macerada) em fibras" no despacho aduaneiro e a classificou corretamente no código NCM/TEC 5303.10.12, a aliquota aplicável é a de 8%, e não a de 2% prevista em destaque (ex) na Resolução Camex ri 30, de 2005, especificamente para "juta em bruto". PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Constatado o recolhimento a menor do Imposto de Importação, cabível será a tributação reflexa do PIS/Pasep e da Cofins exigível na importação, por aquele compor as suas bases de cálculo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ésrn rejeitar a preliminar de nulidade por falta de fundamentos em relação à ação fiscal. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JOS . ÓVO ROSSARI - Presidente e Relator Processo n° 10209.000372/2006-57 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.123 Fl. 269 FORMALIZADO EM: 28 de junho de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Alan Fialho Gandra, Luciano Pontes de Maya Gomes, Rodrigo Cardozo Miranda e José Luiz Novo Rossari (Presidente). Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi. 2 Processo n° 10209.000372/2006-57 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.123 Fl. 270 Relatório Trata-se de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que concluiu pela procedência integral do lançamento que exigiu da recorrente diferenças de Imposto de Importação, de Pis/Pasep e de Cofins, acrescidos de juros de mora e de multas por falta de recolhimento, em decorrência de utilização de aliquota incorreta no cálculo do Imposto de Importação, o que se refletiu no recolhimento a menor das referidas contribuições, quando do despacho de mercadoria objeto da Declaração de Importação dl 06/0125943-7, registrada em 0/2/2006, e descrita pelo importador como "juta (macerada) em fibras". Para historiar os fatos transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: "Trata-se de lançamento tributário da lavra da Alfândega do Porto de Belém em face da interessada ora identificada, inerente ao Imposto de Importação, ao COFINS-Importação e ao PIS/PASEP-Importação, formalizado por meio dos autos de infração de fls. 47 a 70, perfazendo um crédito tributário total de R$ 52.712,06. Os fundamentos da exigência se reportaram à suposta dissonância entre a mercadoria declarada (Juta Macerada) classificada no código NCM 5303.10.12 e a utilização da alíquota de 2% inerente à redução tarifária da Resolução CAMEX n° 30, de 2005, dirigida à mercadoria "Juta em bruto". De modo a demonstrar que a mercadoria importada se tratava de "Juta Macerada", NCM 5303.10.12, a fiscalização se apoiou nas conclusões do laudo de identificação de fls. 12 — 13, da Engenheira Florestal Ana Cristina Magalhães Carvalho, a qual se apoiou no conceito de "maceração" da Portaria MA 149/82, na definição do verbo "macerar" do Dicionário Houaiss e nas Notas Explicativas (NESH) da posição 5303. Ato contínuo, a autoridade autuante concluiu pela ocorrência das seguintes infrações: a) Ali quota incorreta do Imposto de Importação, posto que o importador deixou de aplicar a alíquota de 8% do código 5303.10.12 e aplicou a de 2% prevista na Resolução CAIVIEX n° 30, de 2005; b) Insuficiência de recolhimento da Cofins e Pis/Pasep-Importação (Cobrança de diferença das contribuições). Destaca-se que, dentre os fatos que permeiam o litígio, há diversos documentos (vide fls. 24 — 25) onde a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), reportando-se à correspondência da 1F1BRAN (Instituto de Fomento à Produção de Fibras Vegetais da Amazônia), solicita à Receita Federal que fosse verificada a possibilidade de autorizar a importação de juta, com redução de aliquota do II para 2%, na posição 5303. 10.12, tendo em vista que o "espírito da lei" (Resolução CAMEX 30/2005) foi o de abranger também a juta macerada e que uma correção do ato demorará mais de 1 mês. Conforme cópia de e-mails de fls. 27 — 28, consta que o posicionamento da SRF é no sentido de que "deverá ser aplicada a legislação e aliquotas vigentes", isto considerando que o procedimento desta é vinculado à lei. Tendo sido cientificada em 19/06/2006 (fls. 49, 57 e 65), inconformada, a autuada apresentou sua impugnação em 14/07/2006 (fls. 75 — 96), sendo que, em suas razões de defesa, em síntese, pede, primeiramente, a reunião dos processos a , g _ Processo n° 10209.000372/2006-57 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.123 Fl. 271 interessada que supostamente versam da mesma matéria (10209.000367/2006-44, 10209.000368/2006-99, 10209.000369/2006-33, 10209.00037012006-68, 10209.000371/2006-11, 10209.000372/2006-57 e 10209.000373/2006-00) para fins de facilitação na produção de provas. Em seguida, reportando-se aos fatos, argumenta que atua há mais de 40 anos no beneficiamento de juta, e que, em face da sazonalidade da produção nacional de fibra de juta tem recorrido à importação. Dirigindo-se ao pedido de redução tarifária que resultou na Resolução CAMEX 30/2005, informa que a redução diz respeito à NCM 5303.10.11, posto que o produto a ela inerente é o que tem sido usualmente importado (fibra de juta em bruto), sendo este o que se ajusta às máquinas existentes no Brasil, não se importando outro tipo de fibra de juta que não este. Frisa que o imposto de importação é um tributo regulatório e não arrecadatório. Refuta a conclusão a que chegou o laudo de identificação de fls. 14 — 15, visto que a diferença entre "juta bruta" e "juta macerada" é singela e depende do que se compreende por maceração. Alega que, adotando-se um conceito "a-técnico" (sic), sem base em critérios científicos e econômicos, juta bruta seria igual à "planta", e que, não há, no mundo, comércio de juta bruta no sentido de planta ou árvore, e sim o de fibra de juta em bruto, daí o nome técnico da fibra importada ser "RAW JUTE FlBER", tal como consta nas faturas comerciais, tanto do ano de 2006, como dos anos anteriores. Traçando uma analogia com o comércio de mogno, aduz que não se exporta "árvore de mogno", mas sim "mogno", ou seja, a madeira sem a casca, sem as folhas, sem os galhos, etc., e que no caso da juta o comércio é tão somente de fibra. Prossegue salientando que é na indústria que a "fibra bruta (raw jute fiber)" sofre um processo "químico" chamado maceração, que, dentre outras possibilidades, consiste na aplicação de óleo vegetal (caso da impugnante) para que a fibra fique macia para ser penteada e pronta para fiar e ser transformada em sacos e em fio. Diz ainda que o uso do NCM 5303.10.11 foi porque a fibra é importada sem nenhum tratamento químico, apenas "limpa", sem caule ou outras impurezas, logo, é "fibra de juta em bruto", e não, "fibra macerada", sendo esta diferença "química" que muda a classificação. Aduz que a perita responsável pela elaboração do laudo de identificação de fls. 14 — 15 é uma Engenheira Florestal, e como tal, segundo ateste do CREA-PA (fls. 155), não é profissional habilitada para proceder à análise e emitir parecer técnico sobre o produto fibra de juta bruta, pelo que pede anulação do lançamento. Frisa que o órgão técnico estadual responsável pela classificação do produto é a ADEPARÁ (Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado do Pará), e que a mesma emitiu laudos, há época, classificando como 'juta em bruto" e não "juta macerada". Para provar o que diz e alega, requer a produção prova pericial, formula quesitos e indica perito, nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Sobre o lançamento da multa do controle administrativo, repudia sua imposição por diversos motivos, a saber: • Argumenta que há uma patente diferença entre "ausência de licença de importação", ceme do tipo legal, e erro de classificação fiscal, posto que não se trata de fraude, onde se declara juta e consta, p. ex., motocicletas ou aparelhos celulares, o que foi importado é juta, se macerada ou bruta é o ponto de discórdia; 4 Processo n° 10209.000372/2006-57 S3-C2T2 Acórdão n. 0 3202-00.123 Fl. 272 • Vez que esta norma possui caráter sancionatório, rege-se pelas prescrições aplicáveis ao direito penal, e não ao direito fiscal, sendo importante analisar aspectos tais como "boa fé" e "tipicidade cerrada"; • Quer seja juta bruta ou macerada a finalidade industrial é a mesma, o que indica a inexistência de fraude ou de desvio de finalidade; • Requer tratamento isonômico ao que foi conferido a um outro contribuinte importador de mercadoria idêntica, o qual, com singela troca de LI (licenciamento de importação) liberou a mercadoria sem a multa de 30%, pagando apenas a multa de 1%; • O impugnante pagou o imposto de importação com alíquota de 2%, o que afasta o dolo, ocultamento ou aplicação da vultosa multa imposta, e; • A multa de 30% possui caráter confiscatório, o que infringe o art. 150, IV, da Constituição Federal. Por fim, salientando a ocorrência de práticas reiteradas, protesta pela produção de provas e a juntada de documentos ao longo do processo, de modo a buscar a verdade material, e a conseqüente improcedência dos autos. Na sessão de julgamento de 31/07/2007, após análise deste julgador, o processo foi submetido à apreciação da 2' turma desta DRT/Fortaleza, a qual, nos termos da Resolução n° 934 (fls. 173 — 177), por unanimidade de votos, acordou em converter o julgamento em diligência para realização de perícias. Em atendimento à diligência, aos autos foram anexados os documentos de Es. 179 — 212 que, dentre outros, incluem-se os laudos de folhas 183 — 184 e 192 — 196; o Fax CGQV n° 114 (fls. 186); o Relatório Fiscal de folhas 197 — 199; e a manifestação da interessada de folhas 200 —212. É o relatório, passo ao voto." O julgamento de primeira instância foi realizado pela r Turma da DRJ em Fortaleza/CE, nos termos do Acórdão DRJ/FOR n2 08-13.697, de 10/7/2008 (fls. 218/224), - cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 01/02/2006 REDUÇÃO TARIFÁRIA. DIFERENÇA DE TRIBUTO. Constatado que a interessada declarou como mercadoria importada "juta (macerada) em fibras" e a classificou no código NCM/TEC 5303.10.12, a aliquota a ser considerada é de 8%, e não, a de 2% inerente à redução tarifária prevista na Resolução CAMEX n° 30, de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 01/02/2006 DIFERENÇA DE TRIBUTO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Constatado o recolhimento a menor do Imposto de Importação, cabível será a tributação reflexa do COFINS exigível nas operações de comércio exterior, por aquele compor a sua base de cálculo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/02/2006 Vk 5 - Processo n° 10209.000372/2006-57 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.123 Fl. 273 DIFERENÇA DE TRIBUTO. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Constatado o recolhimento a menor do Imposto de Importação, cabível será a tributação reflexa do PIS/Pasep exigível nas operações de comércio exterior, por aquele compor a sua base de cálculo. Lançamento Procedente" - O entendimento que norteou o acórdão foi de que, embora a importadora alegue em sua impugnação que faz jus à redução tarifária por ter importado "juta em bruto", argumento que estaria em consonância com a constatação de que, inicialmente, obteve licenciamento de importação para "juta bruta em fibras", o fato é que esse LI foi cancelado e substituído por outro LI para "juta (macerada) em fibras), contando essa descrição na DI, bem como a classificação fiscal do código NCM/TEC 5303.10.12. Dessa forma, tendo concordado a fiscalização com a descrição e a classificação fiscal adotada pela importadora, inexiste lançamento quanto a essas matérias, restringindo-se a questão à utilização da aliquota de 2% especifica para a redução tarifária de que trata a Resolução Camex 30/2005, apesar de a mercadoria haver sido classificada no código 5303.10.12, cuja aliquota era de 8%. Por isso, considerando que a interessada declarou a importação de "juta (macerada) em fibra" e classificou a mercadoria no código correspondente, cuja aliquota vigente era de 8%, concluiu que a aliquota de 2% foi utilizada de modo indevido. A contribuinte apresenta recurso às fls. 230/251, no qual solicita a reunião dos processos para julgamento em conjunto, e alega que: • é completamente errada a posição adotada pela DRJ, em contrário ao que todo o mundo científico adota; a fibra de juta é retirada do caule, que representa entre 92 a 95% do peso da planta de juta; a fibra é retirada do caule e apenas a fibra que é beneficiada, a qual corresponde apenas a 8 e 5% do peso; • que está corretíssima a informação dos sites citados no acórdão sobre as macerações: a primeira é a que se faz sobre a planta juta, a fim de separar de seu caule a ínfima parcela que é a fibra; a segunda é apenas sobre a fibra; a fibra importada não foi macerada; • foram omitidos o titulo e a origem do texto transcrito no acórdão: o foco do artigo ("Características tecnológicas dos caules de juta visando a produção de pastas celulósicas para papel') é o caule da juta e não a fibra de juta; que se busca o aproveitamento do caule da juta para a produção de papel e não para a indústria têxtil; esse uso do caule requer maceração que pode se dar através de processo biológico ou químico para uso na finalidade prevista naquele ensaio científico: fabricação de papel a partir do caule da juta; logo, trata-se de algo diverso do uso da fibra de juta para indústria de fiação e tecelagem; é nessa indústria que ocorre a maceração química da fibra da juta (e não da planta juta), daí o motivo de a importação ser de fibra de juta em bruto e não fibra de juta macerada, sendo cabível a aliquota diferenciada de 2% prevista na Resolução Camex 30/2005; • a perita da Alfândega fez confusão na diligência e sequer analisou as amostras que foram coletadas para a fase processual, fornecendo opiniões que não se referiam à importação de 2006, e sim, de 2007, reitera a anulação dos autos de infração; • jamais mencionou que havia importado fibra de juta macerada; • é injusta a imposição da multa administrativa, ratificando as razões já expostas em sua impugnação. Pelo exposto, requer seja provido o pedido de anulação do Auto de Infração, em razão de a classificação ter sido efetuada por pessoa não perita na matéria, conforme declaração exarada pelo CREA, ou seja aquele anulado por falta de base fática que o sustente; caso não seja acatada nenhuma dessas alternativas, que seja afastada a multa de 30% imposta, vez que não existe amparo fático ou legal que a sustente na hipótese em apreço. 6 Processo n" 10209.000372/2006-57 S3-C2T2 Acórdão n." 3202-00.123 Fl. 274 Em petição extemporânea (fls. 255/263), junta aos autos decisão do STJ (RE 386.659-RS) sobre o descabimento, com base no art. 112 do CTN, da multa por infração ao controle administrativo por divergência entre a mercadoria importada e a descrita, e argumenta ser incabível a sua aplicação. É o relatório. 1.44 7 - Processo n° 10209.00037212006-57 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.123 Fl. 275 Voto Conselheiro JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Relator O recurso interposto pela interessada é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. Trata-se de exigência fiscal de diferenças de recolhimento de Imposto de Importação, de Pis/Pasep e de Cofins, decorrentes de utilização de aliquota a menor no cálculo do Imposto de Importação, o que se refletiu em recolhimentos a menor quanto às citadas contribuições. Preliminares Cumpre observar, preliminarmente, que, diferentemente do que consta nos demais processos administrativo-fiscais citados no relatório e instaurados contra a recorrente, por falta de recolhimento dos gravames fiscais em decorrência da classificação incorreta da mercadoria importada, em razão de a recorrente ter descrito nos despachos aduaneiros que se tratava de importação de "juta em bruto", classificada no código NCM/TEC 5303.10.11, quando ficou apurado que se tratava da importação de "juta macerada", classificada no código NCM/TEC 5303.10.12, no presente processo não foi apontada tal infração. No processo em exame a exigência fiscal diz respeito à simples aplicação de aliquota incorreta no despacho aduaneiro, visto que a recorrente declarou corretamente a mercadoria tanto no licenciamento de importação, por meio de substituição de LI, quanto no despacho aduaneiro, inclusive com a aposição da correta classificação da mercadoria, a qual descreveu como "juta (macerada) em fibras". Destarte, não tem qualquer fundamento a preliminar suscitada, que é impertinente à motivação dos Autos de Infração, pretendendo, em essência, questionar a identificação de produto que a própria recorrente declarou para efeitos de licenciamento e de despacho aduaneiro. Por isso, rejeito a preliminar suscitada. Também é descabida, por falta de amparo legal, a reunião dos processos para exame conjunto, visto não estar previsto tal procedimento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Aliquota aplicável Conforme já se expôs, a recorrente declarou tanto para efeito de licenciamento de importação como no despacho aduaneiro de importação, ter importado "juta (macerada) em fibras", com classificação fiscal no código NCM/TEC 5303.10.12. Também já se acentuou, em preliminar, que o presente processo não diz respeito à classificação fiscal, que foi aceita pelo Fisco, e sim, à aplicação de incorreta aliquota no despacho aduaneiro. 8 Processo n° 10209.000372/2006-57 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.123 Fl. 276 Assim, a quase totalidade das alegações da recorrente, referentes à classificação fiscal, são impertinentes à lide, que diz respeito exclusivamente à correta alíquota da mercadoria no despacho aduaneiro de importação. No fulcro da questão a matéria não comporta dúvidas. A Resolução Camex 30/12005 estabeleceu o ex tarifário de 2% exclusivamente para a mercadoria "juta em bruto", não cabendo tal extensão para a "juta macerada" ou, como descreveu a recorrente, "juta (macerada) em fibras". No que respeita a essa redução, cumpre lembrar que a aplicação de benefícios nas importações de mercadorias, inclusive de alíquota diferenciadas, subsume-se ao que consta na norma concedente do correspondente benefício, devendo ser observada a interpretação literal de que trata o art. 111, II, do CTN. Daí que não há como ser estendida a alíquota mais benéfica para produto não expressamente contido no ato ministerial que concedeu a redução, mesmo que venha a ser alegado pelos interessados que o "espírito da lei" era o de abranger mercadoria diversa. Para tais casos, há o remédio de retificação do ato por parte do órgão responsável pelo seu exame e concessão. No caso em exame é descabida a aplicação da redução pretendida, devendo ser utilizada a alíquota normal da TEC para a mercadoria, razão pela qual fica evidente que houve recolhimento a menor do Imposto de Importação e das contribuições ao Cofins e Pis/Pasep. Destarte, pelas razões expostas neste voto e em vista de tudo que no processo consta, entendo estar correta a exigência fiscal, devendo ser aplicado à mercadoria importada a alíquota de 8% correspondente à "juta macerada" classificada no código NCM/TEC 5303.10.12. Não se falará aqui sobre as alegações da recorrente quanto ao descabimento da multa por infração administrativa ao controle das importações, visto que não houve tal exigência neste processo. Diante do exposto, voto por que seja negado provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2010 (2/ JOSÉ-L- 111 • ' • • ' — 9
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Numero do processo: 10909.002948/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Data do fato gerador: 07/08/2007.
MULTA. MERCADORIAS NÃO DISPONIBILIZADAS PARA CONFERÊNCIA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO OPERADOR PORTUÁRIO.
O operador portuário tem a responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar, assim como pela movimentação das mercadorias e apresentação das mesmas para conferência física no prazo agendado pela a fiscalização.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.488
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator.
Designado como Redator o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 150 1 149 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.002948/200712 Recurso nº 344.888 Voluntário Acórdão nº 3202000.488 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria MULTA ADUANEIRA Recorrente TECONVI S/A TERMINAL DE CONTÊINERES DO VALE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Data do fato gerador: 07/08/2007. MULTA. MERCADORIAS NÃO DISPONIBILIZADAS PARA CONFERÊNCIA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO OPERADOR PORTUÁRIO. O operador portuário tem a responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar, assim como pela movimentação das mercadorias e apresentação das mesmas para conferência física no prazo agendado pela a fiscalização. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. Designado como Redator o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 151 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS), como constante às fls. 49 a 52, que considerou parcialmente procedente o lançamento constante do presente processo, in verbis: “Relatório Trata o presente processo da autuação consubstanciada no Auto de Infração de fls. 01 a 06, lavrado para a exigência da multa capitulada no art. 107, VII, "f”) do DecretoLei n° 37, de 18.11.1966, alterado pela redação do art. 77 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003. Segue relato da fiscalização aduaneira. Procedeuse, em 24/07/2007, a interrupção no Siscomex do despacho processado pela DI n° 07109600962 a fim de se proceder à verificação física das mercadorias. Agendada, com um dia de antecedência, a verificação física, as mercadorias somente foram posicionadas para conferencia no dia 31/07/2007, cinco dias após a data agendada. Tendo em vista a não disponibilização das mercadorias para conferência física no prazo agendado, a fiscalização autuou a empresa Teconvi pelo descumprimento do estabelecido na Portaria DRF/Itajaí n° 11, de 30.01.2004, aplicando, por conseguinte, a retrocitada penalidade. Intimada à folha 01, apresentou a empresa a impugnação de folhas 1823. Seguem as alegações da impugnante. Conforme folha 15, a impugnante tomou ciência em menos de 24 horas da conferência física. Aduz também em sua defesa que, diante de uma série de fatos, não contribuiu isoladamente para a concretização da infração, havendo, por conseguinte, culpa concorrente entre a Impugnante e a Administração, tendo em vista a absoluta falta de condições necessárias para desempenhar suas atividades, haja vista a exiguidade de espaço que lhe foi disponibilizada para tal mister. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 152 3 A empresa não detém controle completo das instalações portuárias, dado que esta é dividida em três partes (A, B e C), sendo que a empresa somente detém controle sobre a área A e parcialmente sobre a área B. O Delegado de Itajaí autorizou a remoção de contêineres para o Porto Seco Multilog. Diante das precárias condições das instalações portuárias, não detém a empresa a solução necessária para evitar tais atrasos. Alega a incompatibilidade do prazo de um dia estabelecido pela Portaria DRF/ITJ n° 11/2004 com a situação operacional do Porto de Itajaí. Solicita a improcedência da autuação. À folha 48, encaminhase o processo para julgamento.” A decisão de fls. 49/52, proferida pela DRJ/FLO, em virtude da desnecessidade de ementa (julgamentos de processos fiscais de valor inferior a R$ 50.000,00 cinquenta mil reais), na forma do artigo 1º, inciso I, da Portaria SRF nº 1364, de 10 de novembro de 2004, foi assim redigida: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/08/2007 DISPENSA DE EMENTA Estão dispensados de ementa os acórdãos resultantes de julgamento de processos fiscais de valor inferior R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), na forma do artigo 1°, inciso I, da Portaria SRF n° 1364, de 10 de novembro de 2004. Lançamento Procedente.” A Delegacia de Julgamento de Florianópolis – SC (fls. 49/52) considerou o lançamento procedente, sob o fundamento de que a Recorrente incorreu na infração imputada nestes autos por não ter disponibilizado as mercadorias para respectiva fiscalização física. Ciente da decisão em 31/03/09, conforme AR de fl. 53, a Recorrente apresentou a este Colegiado, em 30/04/09, o Recurso Voluntário de fls. 54/63 no qual aduziu, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, requerendo, ao final, que o recurso seja totalmente provido para que seja cancelado o Auto de Infração e extinto o lançamento. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 153 4 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisálo. Consoante se observa do Auto de Infração, cingese a controvérsia à cominação de multa isolada prevista no artigo 107, inciso VII, alínea 'f' do Decretolei n° 37, de 18.11.1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003. Com efeito, o Decretolei n° 37/66 assim dispõe: "Art. 107. Aplicamse as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) (...) VII — de R$1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) (...) f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenarem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e" (...) (g.n) A norma em questão foi estabelecida pela Portaria DRF/ITJ n.° 11/2004, de 30 de janeiro de 2004, que dispôs sobre os procedimentos na verificação física das mercadorias e determinou os prazos para sua apresentação. A Recorrente não contesta a ocorrência da infração, qual seja, a não disponibilização das mercadorias para seu respectivo exame físico na data agendada pela SRF, e, sim a sua responsabilidade pela infração. Percebese, então, que o ponto a ser aqui analisado é a responsabilidade pela infração, vez que a Recorrente entende não ser responsável pela movimentação e apresentação física da mercadoria ao Fisco, vez que essa responsabilidade, na sua visão, é da Superintendência do Porto de Itajaí. Com efeito, a Lei n.° 8.630/1993 (Lei dos Portos), que dispõe sobre o regime jurídico da exploração dos portos organizados e das instalações portuárias, prevê, em seu art. 33, § 1°, inciso III, que compete à Administração do Porto, dentro dos limites da área do porto, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 154 5 préqualificar os operadores portuários. Com isso, temse que a Superintendência do Porto de Itajaí exerce as funções de autoridade portuária e tem, portanto, a competência para préqualificar os operadores portuários, sendo a própria Administração do Porto considerada como operador. Vide, a propósito, o teor do art. 9º do referido diploma legal: "Lei n.° 8.630/1993 Art. 9°. A préqualificação do operador portuário será efetuada junto à Administração do Porto, na forma de norma publicada pelo Conselho de Autoridade Portuária com exigências claras e objetivas. § 1° As normas de préqualificação referidas no caput deste artigo devem obedecer aos princípios da legalidade, moralidade e igualdade de oportunidade. § 2° A Administração do Porto terá trinta dias contados do pedido do interessado, para decidir. § 3° Considerase préqualificada como operador a Administração do Porto”. Na mesma linha de raciocínio, é certo que o operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro no que tange ao período em que essas lhe estejam confiadas ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar. Porém, quando estiverem em área controlada pela Administração do Porto e após o recebimento destas, a responsabilidade pela movimentação das cargas cabe à própria Administração do Porto, e não ao operador portuário, conforme disposto nos arts. 12 e 13, da mencionada Lei n° 8.630/1993, verbis: "Lei n° 8.630/93 Art. 12. O operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe estejam confiadas ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar. Art. 13. Quando as mercadorias a que se referem o inciso II do art. 11 e o artigo anterior desta lei estiverem em área controlada pela Administração do Porto e após o seu recebimento, conforme definido pelo regulamento de exploração do porto, a responsabilidade cabe à Administração do Porto". (g.n.) A infração foi configurada pelo atraso no posicionamento das mercadorias que aconteceu no dia 31/07/2007, sendo que, no caso em tela, fica evidente que a Superintendência do Porto de Itajaí era a autoridade responsável pela movimentação das mercadorias para conferência física (depositária), uma vez que as mesmas se encontravam em área por ela controlada e já haviam sido formalmente recebidas, conforme se comprova do Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 155 6 documento de fls. 15. Confirma referida afirmação de que as mercadorias se encontravam em área controlada pela depositária, Superintendência do Porto de Itajaí, e já haviam sido formalmente recebidas, o fato de que a Declaração de Importação – DI, referente às mercadorias importadas, havia sido registrada em 22/07/2007 (fls. 07/11 e 36/40). Assim, independentemente do contrato de arrendamento firmado entre a Recorrente e a Superintendência do Porto de Itajaí (fls. 85/132 e Aditivo de fls. 133/148), esta era a responsável pela movimentação das mercadorias, por estarem em área controlada pela Administração do Porto. Corroborando o supracitado entendimento, existem vários precedentes do então 3º Conselho de Contribuintes referentes a caso extremamente similares ao ora analisado, conforme se vê das ementas abaixo copiadas: “MULTA. MERCADORIAS NÃO DISPONIBILIZADAS PARA CONFERÊNCIA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DA AUTORIDADE PORTUÁRIA. A autoridade portuária tem a responsabilidade pela movimentação das mercadorias, quando essas se encontram em área controlada pela Administração do Porto. Recurso Voluntário Negado.” (3º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Relatora Nanci Gama, Acórdão nº 30335.164, Sessão de 26 de março de 2008). “VISTORIA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE PELO ATRASO NO POSICIONAMENTO DAS MERCADORIAS PARA CONFERÊNCIA FÍSICA PELA RECEITA FEDERAL. DEPOSITÁRIO. O depositário é responsável pela movimentação das mercadorias que se encontram em área controlada pela Administração do Porto, independentemente de haver contrato de arrendamento com o dito operador portuário. Recurso voluntário negado.” (3º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Relator Nilton Luiz Bartoli, Acórdão nº 30335.262, Sessão de 24 de abril de 2008). No mesmo sentido estão os seguintes julgados do Conselho de Contribuintes e do CARF: a) 3º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Relator Celso Lopes Pereira Neto, Acórdão nº 30335.269, Sessão de 24 de abril de 2008, b) 3º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Relator Nilton Luiz Bartoli, Acórdão nº 30335.467, Sessão de 7 de julho de 2008, e c) 3ª Seção do CARF, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 320100.018, Relatora Anelise Daudt Prieto, Sessão de 25 de março de 2009. Destaquese, por fim, que, em todos os julgados anteriormente citados, a Superintendência do Porto de Itajaí foi considerada como responsável pelo atraso no posicionamento das mercadorias para conferência física. Ainda que assim não o fosse, entendo que a penalidade em questão não pode ser aplicada da forma como foi feita com fulcro na Portaria DRF/ITJ n.° 11/2004, como muito bem sintetizado no acórdão nº 0715.113 da 1ª Turma da DRJ/FNS, verbis: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 156 7 “EMENTA: CONFERÊNCIA FISICA DISPONIBILIZAÇÃO DE CARGA. MULTA. Sendo privativa de lei a definição de infrações, bem como a cominação de penalidades, revelase incabível a extensão da penalidade cominada na autuação aos casos de atraso no cumprimento de determinação fiscal.” (vide fls. 82 a 84 dos autos). Destaquese, ademais o seguinte trecho da referida decisão, que trata da impossibilidade de aplicação, ao presente caso, da penalidade prevista no artigo 107, inciso VII, alínea 'f' do Decretolei n° 37, de 18.11.1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003, o qual adoto para fundamentar o meu entendimento acerca do assunto: “Esse dispositivo de lei prevê a aplicação da penalidade a que se refere para os casos de descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades e movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos. Não se encontra no texto legal previsão alguma que autorize a extensão de suas disposições para os casos de atraso no cumprimento das imposições mencionadas. Considerando que a definição de infrações, bem como a cominação de penalidades, é matéria privativa de lei, entendo incabível estender a penalidade em causa aos casos de atraso no posicionamento da carga para fins de sua conferência física.” Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso, reformando se totalmente a r. decisão combatida, a fim de excluir a responsabilidade da Recorrente pela infração. Gilberto de Castro Moreira Junior Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator Designado. Como bem descrito pelo ilustre Conselheiro Relator, o litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração, para a cobrança da multa isolada prevista no artigo 107, inciso VII, alínea “f” do Decretolei n° 37, de 18.11.1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003, verbis: "Art. 107 Aplicamse as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) (...) VII — de R$1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) (...) f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 157 8 operacional para executar atividades de movimentação e armazenarem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e" (...) (grifamos) A norma operacional prevista no dispositivo legal acima citado foi estabelecida pela Portaria DRF/ITJ n.º 11/2004, de 30 de janeiro de 2004, que tratou dos procedimentos na verificação física das mercadorias e determinou os prazos para sua apresentação. No presente litígio não há contestação, por parte da Recorrente, quanto à ocorrência da infração (a não disponibilização das mercadorias para exame físico na data agendada pela SRF), como muito bem destacou o Conselheiro Relator. O motivo da controvérsia é a responsabilidade pela prática da infração. E neste ponto (a responsabilidade pela infração), discordamos das conclusões exaradas no voto do ilustre Relator. Não há como concordar com a Recorrente quando afirma que não é responsável pela movimentação e apresentação física da mercadoria ao Fisco, por entender que essa responsabilidade é da Superintendência do Porto de Itajaí. Neste sentido, vejamos o que dispõe a Lei n.° 8.630/1993 – “Lei dos Portos”, verbis: Art. 9° A préqualificação do operador portuário será efetuada junto à Administração do Porto, na forma de norma publicada pelo Conselho de Autoridade Portuária com exigências claras e objetivas. § 1° As normas de préqualificação referidas no caput deste artigo devem obedecer aos princípios da legalidade, moralidade e igualdade de oportunidade. § 2° A Administração do Porto terá trinta dias, contados do pedido do interessado, para decidir. § 3° Considerase préqualificada como operador a Administração do Porto. (...) Art. 12. O operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe estejam confiadas ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar. Art. 13. Quando as mercadorias a que se referem o inciso II do art. 11 e o artigo anterior desta lei estiverem em área controlada pela Administração do Porto e após o seu recebimento, conforme definido pelo regulamento de exploração do porto, a responsabilidade cabe à Administração do Porto. (negritamos) Nos termos do artigo 9º acima transcrito, a Superintendência do Porto de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 158 9 Itajaí exerce as funções de autoridade portuária e tem, portanto, a competência para pré qualificar terceiros como operadores portuários (caput), assim como a própria Administração do Porto é considerada como operador (parágrafo 3°). Destarte, foi firmado contrato de arrendamento entre a Superintendência do Porto de Itajaí e a Teconvi (fls. 85/132 e Aditivo de fls. 133/148), para que esta pudesse exercer a função de operador portuário. O artigo 12 da Lei dos Portos, por sua vez, prescreve que o operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar. A hipótese tratada no artigo 12, portanto, enquadrase perfeitamente ao caso concreto discutido nestes autos. A Recorrente tinha o controle da área do Porto onde as mercadorias estavam depositadas, conforme documento anexado à folha 16. Destaquese, por oportuno, que a hipótese tratada no artigo 13 referese aos casos em que o controle das mercadorias estiver em área controlada pela Administração do Porto e após o seu recebimento. A norma é clara no sentido de que a responsabilidade é de quem tiver o controle da mercadoria. No caso em tela, há esse controle em área exclusiva do Porto, pela Recorrente. Somente no caso de a mercadoria sair dessa área e ser entregue à Administração do Porto, e por esta recebida (tem que haver um recebimento formal, mediante assinatura confirmando esse recebimento), transferese a responsabilidade, passando esta a ser da Administração portuária. Não existe nos autos prova do recebimento formal das mercadorias, por parte da Superintendência do Porto de Itajaí. O documento de fls. 15, citado no voto vencido, a meu entender, não faz prova da transferência da mercadoria da Teconvi à Superintendência do Porto de Itajaí, uma vez tratarse de mera comunicação emitida por uma comissária de despacho (Blucargo) dirigida à Teconvi e à Superintendência do Porto de Itajaí, informando o agendamento da vistoria da mercadoria. Registrese que não há ciência aposta neste documento, confirmando seu recebimento, por parte da Superintendência do Porto de Itajaí (consta, apenas, o carimbo e assinatura de recebimento por parte do preposto da Teconvi – sr. Igor Sergiejew Jr.) Quanto ao argumento de inexistência de infração porque a norma operacional não está prevista em lei, tratase de alegação inteiramente descabida, visto que normas operacionais não fazem parte das leis. No caso, o que o dispositivo da lei (artigo 107, inciso VII, alínea “f” do Decretolei n° 37, de 18.11.1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003) tipificou como infração foi justamente o descumprimento de norma operacional estabelecida pelas autoridades aduaneiras (ato da autoridade local Portaria DRF/ITJ n.° 11/2004), o que ficou devida e inequivocamente configurado. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 3202000.488 S3C2T2 Fl. 159 10 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 12/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000028/2003-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: imposto sobre a Propriedade Territorial Rural- ITR.
Exercício: 1998
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE ADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 41 DO CARF
Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 1998, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da área de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARF.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que no ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. A Conselheira relatora, ressalvando sua posição pessoal, consignará as razões pelas quais o recurso foi conhecido, dispensando-se assim a designação de Conselheiro redator de voto vencedor. Por maioria de votos, em dar
provimento parcial para restabelecer o lançamento em relação à área de reserva legal.. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (relatora), Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Exercício: 1998 ATO DECLARATóRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE ADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 41 DO CARR Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 1998, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Area de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARF. AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A Area de reserva legal somente sera considerada como tal, para efeito de exclusão da Area tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior A ocorrência do fato gerador do imposto, o que no ocorreu no presente caso. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Process° n" 10540.000028/2003-44 CS121?-42 Acárdilo n " 9102-01.169 Fl Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffinann (Relatora), Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. A Conselheira relatora, ressalvando sua posição pessoal, consignará as razões pelas quais o recurso foi conhecido, dispensando-se assim a designação de Conselheiro redator de voto vencedor. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para restabelecer o lançamento em relação à área de reserva legal.. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (relatora), Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oli eira. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. Carlos Alberto Fre s Barr etei — Presrdente Sus Gorr‘ ek Relatbra Elias ampaio Freire — Redator-Designado EDITADO EM: 07 DEZ- 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candid°, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Processo n" 10540 000028/2003-44 CSRF-T2 Acórdão n 9202-01.169 . Fl 3 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, corn base em divergência jurisprudencial. Lavrou-se o auto de infração no valor de R$ 11.680,02, acrescidos de multa proporcional de 75% e juros de mora. O contribuinte apresentou impugnação As fls. 43/47 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou procedente o lançamento (fls. 52/63). Eis a ementa: Assunto • Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural- ITR. Exercício • 1998 Ementa.' AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE A exclusão de área como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento de/apelo IBAMA ou por órgdo estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, AEA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áteas de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas. pelo Ibama ou por órgiio estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis' meses, contado da data da entrega da DIM AREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbagtio et margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, atê a data da ocorrência do lato gerador. Lançamento Ptocedente. O contribuinte, então, interpôs o recurso voluntário (fls. 70/85). A antiga Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, As fls. 16.3/171 dos autos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte: Assunto Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural- IT]?, 3 Processo n 0 10540.000028/2003-44 CSRF-12 AcOrdilo n.' 9202-01.169 Fl 4 Exe, 'cicio. 1998, IT]? ÁREAS DE PRESERVAÇÁO PERMANENTE E RESERVA LEGAL EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE REQUERIMENTO DO ATO DECLARATORIO AMBIENTAL AO 1BAMA. comprovação da área de reserva legal, ben/ coma daquela de preservação permanente para efeito de sua exclusão na base de cálculo do TTR, nil° depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental- ADA, no prazo estabelecido Precedentes do Conselho de Contribuintes, STJ e TRP RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, com base em violação à legislação tributária, no que se refere á Area de reserva legal (art 16, §8°, da Lei no 4.771/65, e artigo 10, inciso II, da Lei n° 9.393/96). Em relação à Area de preservação permanente, suscitou divergência jutisprudencial, Defendeu, em síntese, a necessidade de averbação da Area de reserva legal, e a imprescindibilidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental, no que concerne à Area de Preservação Permanente. 0 contribuinte apresentou suas contra-razões As fls. 210/218 dos autos, o Relatório. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O recurso especial é tempestivo, Quanto A. comprovação da divergência jutisprudencial suscitada pela recorrente, relativa a comprovação da Area de Preservação Permanente, deixo consignado men entendimento de que o recurso não deveria ser conhecido, por ausência de preenchimento de tal requisito de admissibilidade. Com efeito, o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional teve como fundamento divergência jutisprudencial relativa à exigência de apresentação tempestiva do ADA para o reconhecimento das Areas de preservação permanente e da Area de reserva legal. Tem-se que o auto de infração rcfere-se ao exercício de 1998. A sAmuIa. n° 41 do CARP dispõe que: "A não apresentação do Alo Declatatório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou 61 gão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Conforme se depreende do atual Regimento Interno do CARP, tem-se que: Processo n" 10540 000028/2003-44 CSIZE-T2 Acórcifio n 9202-01.169 1:1 5 Seção II Do Recurso Especial Art. 67, Compete et CSRF, por suas turmas, julgar reetaso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que The tenha dado ouna câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique .siimula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARE ou que, na aprecia cão de matéria preliminar, decida pela anulação da decisdo de primeira instância. • 10. 0 acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, Já tiver sido superada pela CSRF, servirá de paradigma, independentemente da reforma especifica do paradigma indicado. CAPITULO V DAS SÚMULAS Art 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARP' serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno c/a CSRF a edição ('apreciar proposta) de enunciado de .smimula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais (minas da CSRF § 2° As laminas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente àsua atribuição § 3° As smimulas seriio aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARE Desta forma, diante dos dispositivos acima, e existindo súmula a respaldar a decisão reconida, verifica-se que inexiste a divergência jurisprudencial suscitada pela recon-ente. A minha posição pessoal é que se não cabe recurso especial contra decisão que aplique súmula da jurisprudência administrativa . no âmbito deste tribunal, também não se pode admitir recurso especial contra decisão que tenha sido proferida no mesmo sentido de súmula consolidada, ainda que tal súmula assome posterionnente a decisão combatida, já que, além de a súmula constituir-se em expressão do entendimento pacifico do tribunal, também de observância obrigatória pelos membros do CARF. Contudo, tendo em vista que se tem entendido, nesta 2'. Turma da CSRF, que em casos que tais deve ser admitido o recurso considerando a data da sua interposição, pois-A época, ainda não havia a súmula. 5 Processo n" 10540.000028/2003-44 CSR1-12 Acárdtio n " 9202-01.169 Fl 6 Portanto, curvando-me A posição majoritária do colegiado, admito o Recurso. Refere-se, o recurso especial, a questão concernente à comprovação da area de preservação permanente, que se sustenta deva-se fazer por meio da apresentação do Ato Declaratório do IBAMA ou pela apresentação do protocolo do seu pedido dentro do prazo de seis meses da entrega da DITR. Tratando-se, a autuação, do exercício de 1998, a questão já se encontra consolidada, nos termos da súmula n° 41 do CARE: "A não apresentagdo do Ato Dec laratói lo Ambiental (ADA) einitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode 17701iVar o lançamento de oficio relativo aflitos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Desta forma, é de se negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Por outro lado, no que se refere a necessidade de averbação da area de reserva legal, tenho que o recurso preenche todos os seus requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou os dispositivos legais que entende violados. E neste ponto, também, não procede o recurso da Fazenda. Com efeito, tem-se que o contribuinte juntou aos autos elementos probatórios suficientes à comprovação da Area de reserva legal, consistentes nos documentos presentes as fls. 87/154 dos autos. Alias, conforme se depreende do próprio acórdão recorrido: "Outrossim, ainda que partindo do pressuposto de que a comprovação prévia por parte do contribuinte se faz necesscir ia pato .fins de isenção ttibutária da drat considerada como de reserva legal, o interessado, uma vez notificado a comprovar o declarado, apt escutou, oportunamente, documentos pertinentes (17s. 87/154), dos quais se ink.re que foi averbado área de reserver legal (100.0 ha) sob proteção ambiental no ano de 1989, isto é, antes mesmo da ocor facia do lato get-actor da obrigação tributária, confbrnie declarado no DITR/1998 Tais documentos referenciados, poi tanto, se most; am aptos a comprovar as declarações constantes da aludida declaração, não havendo óbice ao reconhecimento da isenção pretendida Ademais, em se tratando de exigibilidade da previa averbação da Area de reserva legal A margem da matricula do imóvel, trago à baila o entendimento do STJ, externado em recentes decisões: PROCESSUAL UHL. TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL VIOLAÇÃO DO ART 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO DA AREA DE PRESERVAÇÃO P.ERMANENIE E RESERVA LEGAL, ISENÇÃO. PRINCIPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA LEI N" 9,393/96. I A ár ea de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § I", II, "a", da Lei 9393, de 19 de dezembro de 1996 2 0 TTR é tributo sujeito à homologação, por isso o § 7", do art. 6 Process() n' 10540 000028/2003-44 CSRF-T2 Acórd5o n." 9202-01.169 1 7 10, daquele diploma 1101111(IiiVO dispõe que. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administragdo tributária, nos prazor e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ,yç' 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso lo, deste artigo,• não está sujeita à prévia comprovação pot- parte do declarante, ficando o memo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n" 2.166-67, de 2001) 3. A isenção não pode ser conjurada por força de interpretaçâo ou integração analógica, máxime quando a lei tributária especial reafirmou o beneficio através da Lei n." 11 428/2006, reiterando a exclusão da área de reserva legal de incidencia da exação (art. 10, II, "a" e "b"), verbis: Art, 10. A apuração e o pagamento do IT]? serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. II - area tributável, a área total do imóvel, menos as areas. a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei /7" 4 771, de 15 de .setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 17 " 7.803, de 18 de julho de 1989; area aproveitável, a que foi' passível de exploração agrícola, pecuária, gi anjeira, aqilícola ou florestal, excluídas as áreas a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alineaY do inciso II devie parágrafo; 4. A imposição fiscal obedece ao principio da legalidade estrita, impondo ao julgador na aprecia cão da lide ater-se aos critérios estabelecidos em lei 5. Con sectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao ,firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da (free de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação fella após a data de ocorrência do fato gerador, não por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei n" 4.771/1965. Reconhece-se o direito it subtração do limite minimo de 20% da área do estabelecido pelo artigo 16 da Lei n" 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não (5. fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a prote cão legal ,sobre tal áreaU. 6. Os embargos de declaração que enft-entam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. Processo 10540.000028/2003-44 CSRF-T2 n." 9202-01.169 Fl 8 7 Ademais, o inagistrado não está obi igado a rebater, mu a mu, os argumentos trazidos pela pm te, desde que os fundamentos utilizados teu/iam sido suficientes par a einbasar a decisão. 8. Recurso especial a que se nega p1 ovimento (REsp I 060886/PR, Ref Miniso o LUIZ RIX, PRIIVIEIRA TURMA, julgado em 01/12/2009, Die 18/12/2009) PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE' E RESE'RPA LEGAL, ISENÇÃO, PRINCIPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA LEI N 9.393/96. I A Lei 11 9.393/96, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, preceitua que a área de reserva legal deve ser excluída do cômputo da área tributável do ini6vel para fins de apuração do ITR devido (art. 10, § I", II, a). 2. Por sua vez, a Lei n 11.428/2006 reafirma o beneficio reitera a exclusão da (ilea de reserva legal de incidência da exaÇii 0 (art. 10, II, "a" e IT "b '9 3. A r elação jurídica tributaria pauta-se pelo principio da legalidade estrita, la2C70 pela qual impõe-se ao julgador ater-se aos el itél ios estabelecidos em lei, não lhe sendo permitido qualquer interpretação extensiva para determinar a incidência ou afastamento de lei tributária Lsentiva. Recurso especial improvido (REsp 998.727/TO, Rel. Minisn o HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/04/2010, Die 16/04/2010) Realmente, a exclusão da incidência do ITR sobre a área de reserva legal no se condiciona à sua prévia averbação no registro de imóveis. A averbação, é de se ter, não consubstancia ato constitutivo da Area de Reserva Legal, mas apenas declaratório. Assim, ainda que a averbação da área de reserva legal, ainda que posterior (2003), é certo que houve a comprovação nos autos de que a Area sempre existiu e foi preservada conforme laudo técnico juntado aos autos. E consoante já exposto, o contribuinte logrou efetivamente comprovar a existência da área de reserva legal, por meio de dive r sos documentos Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. mes Hoffinann Processo 11° 1 0540 000028/2003 44 CSRF-T2 Acerao 9102-01.169 Fl 9 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado De feito, divirjo da ilustre conselheira relatora tãosomente no diz respeito A exigência da averbação da Area de reserva legal para fins de isenção do 1TR. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de 1TR incidente sobre a Area de reserva legal c, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. O art. 10, § inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art 10 § 1" Para os c:Mtos de apuração do ITR, considerar-se-á• II - área tributável, a área total do imóvel, menor as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas. na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, coin a redação dada pela Lei n" 7,803, de 18 de Itilho de 1989, Por seu turno, a Lei n" Lei If 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.80.3, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), passou a prever a obrigatoriedade de averbação da Area de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16, As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições . § 2"A reserva legal, assim entendida a área de , no minima, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada á, margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, Cl alteração de sua destinagão, nos casos de transmissào, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área ('incluído pela Lei a" 7 803 de 18.7 1989). Atualmente, a exigência da averbação da Area de reserva legal no registro de imóveis encontra respaldo legal no art 16, § 8° da Lei n° Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Medida Provisória 2.166-67, de 2001, in verbis: 9 Processo n" 10540.000028/2003-44 CSRF-12 Acórao o' 9102-01,169 H 10 §S'A área de reserva legal deve ser averbada à »largem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória n"2 166-67, de 2001) No meu entender a averbação da Area de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida Area seja, efetivamente, considerada como Area de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n" 22.688/PB) é explicito no sentido de que determinada Area somente pode ser considerada como Area de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança Desapropriação de imóvel rural par a .fins de reforma agrária Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averba cão existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso1, posterior inclusive ao Decreto em causa, que e de 06.09.96,(GRIFE1) Alandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepólveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeilo de não averbada se a área correspondente a reserva legal deveria ser excluida da álea aproveitável total cio imóvel para fins de apuração da sua produtividade ( .) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte detem minada do imóvel Sem que esteja determinada, não é, possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigaçiies positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe Por Quito lado, se sabe onde concretamente se encontra a rem., va, se ela não foi medida e denial cada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou destnembramenta, haveria uma diminuição do tamanho dct i eserva, proporcional diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de lo Puocesso n" 10540 000028/2003-44 CS1217 -1 2 Accirclao n." 9102-91.169 Fl 11 transmissão a qualquer titulo ou de desinembranteuto, que a lei flmestal prescreve . Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2" do art. 16 da lei n" 4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte , pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Precedente do ST.J neste sentido: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART 53.5 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA, 1TR BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA AREA DE PRESERVA06 PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAAIA INCLUSÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNC1A DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 53.5 do CPC, tampouco nega a prestação 1w icdicional, o acórdão que adota .fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. 0 art. 2" do Código Florestal prevê que Cis áreas de preseivação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder EXecutivo ou do proprietário para sua caracterização Assim, há óbice legal et Incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matricula cio imóvel ou a existência de ato decratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - IT]? é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos lermos da Lei 9 393/1996, permite exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.I23/PR, Segunda Turma, Rel. Mi17. Eliana Calmon, DI de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averba cão na matricula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para C07111»"01 ,C11" a á.' ca de preservação destinada reserva legal Assim„ somente com a averbação da circa de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, coin certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, 8", do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em ancilise (REsp 1125632 / PR, PRIMEIRA TURMA, Relatol: Ministro BENEDITO CiONÇALVES, D.Te 31/08/2009) Processo n° 10540 000028/2003-44 CSRF-T2 Acnrcliio o° 9102-01.169 12 Destarte, a area de reserva legal somente ser á considerada como tal, para efeito de exclusão da area tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior A ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda N 'onal, para restabelecer o lançamento em telação A Area de reserva legal. Elias S ripaio Freire 12
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Numero do processo: 11060.002245/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
IMUNIDADE DE CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO.
Para o período anterior à competência novembro de 2009, a autuada não contava com Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (inciso II do art.. 55 da Lei 8.212/91), bem como teve cassado o reconhecimento de utilidade pública federal (inciso. I, do art. 55 da Lei 8.212/1991).
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
Numero da decisão: 2302-001.881
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente HOSPITAL DE CARIDADE BRASILINA TERRA Recorrida DRJ JUIZ DE FORA MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IMUNIDADE DE CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Para o período anterior à competência novembro de 2009, a autuada não contava com Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (inciso II do art.. 55 da Lei 8.212/91), bem como teve cassado o reconhecimento de utilidade pública federal (inciso. I, do art. 55 da Lei 8.212/1991). INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11060.002245/201063 Acórdão n.º 230201.881 S2C3T2 Fl. 135 3 Relatório O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa relativa aos Terceiros, referente ao período compreendido entre as competências janeiro de 2007 a dezembro de 2009. A autuada não teria direito à isenção no período objeto do lançamento. Não conformado com a autuação, foi apresentada defesa pela entidade, fls. 59 a 61. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos da autuada e exarou a decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 77 a 81. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, conforme fls. 86 a 100. Alegou em síntese que: a) possuía direito à isenção das contribuições sociais; b) as limitações ao poder de tributar estavam previstas no CTN; c) durante o período de intervenção não coubera a autuação; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 85 e 86. Pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões de mérito. Para melhor esclarecimento fazse necessário apontar o histórico das isenções de contribuições no direito pátrio, em função das alterações legislativas que envolveram a matéria. Primeiramente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, e às entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 1º/6/1962, que regulamentou a Lei n. 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social (CNSS) a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse, assim, filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, que: • estivessem registradas no CNSS; • cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; • que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 1º de setembro, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: • que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: o Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; o Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; • que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: o de declaração de utilidade pública; o de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30/11/1977. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendessem aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/7/1991. Dessa forma, os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55, com a seguinte redação original: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11060.002245/201063 Acórdão n.º 230201.881 S2C3T2 Fl. 136 5 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme depreendese do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 6/7/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) – criado pela Lei n.º 8.742 de 7/12/1993 –, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/5/1992. Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADI 2.0285/1999. Aplicandose, portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Assim, ao contrário do afirmado pela recorrente, o STF não declarou inconstitucional o art. 55 da Lei 8.212, o que foi declarado inconstitucional foi a alteração promovida pela Lei 9.732 no art. 55 da Lei n 8.212. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/2/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/8/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda à Constituição nº 32, de 11/9/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, por meio do qual, a existência de débito passou a ser motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Para o período anterior à competência novembro de 2009, a autuada não contava com Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (inciso II do art.. 55 da Lei 8.212/91), bem como teve cassado o reconhecimento de utilidade pública federal (inciso. I, do art. 55 da Lei 8.212/1991). Portanto, foi correto o lançamento realizado pela fiscalização federal, haja vista a recorrente estar impedida de gozar do benefício tributário. O art. 55 da Lei n º 8.212 de 1991 que previa os requisitos necessários à obtenção do direito à isenção foi revogado pelo art. 44 da Lei n º 12.101 (DOU de 30 de novembro de 2009). De acordo com o previsto no art. 31 da Lei n º 12.101 de 2009, a Receita Federal deixou de ter competência para apreciar os requerimentos de isenção. O direito ao benefício será exercido pela entidade desde a data da publicação da concessão da certificação, atendidos os requisitos do art. 29 da Lei n º 12.101, independentemente de pedido ao órgão fazendário. Nesse sentido é o teor do art. 31, in verbis: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. A atuação do órgão fiscalizador ocorrerá na hipótese de descumprimento pela entidade do art. 29 da Lei n º 12.101, sendo lavrado diretamente o auto de infração, conforme expressamente previsto no art. 32 da Lei n º 12.101, nestas palavras: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.7 § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11060.002245/201063 Acórdão n.º 230201.881 S2C3T2 Fl. 137 7 Por seu turno, a concessão ou de renovação dos certificados não é mais de competência do CNAS, passando tal exercício para os Ministérios respectivos, nestas palavras: Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. § 1o A entidade interessada na certificação deverá apresentar, juntamente com o requerimento, todos os documentos necessários à comprovação dos requisitos de que trata esta Lei, na forma do regulamento. § 2o A tramitação e a apreciação do requerimento deverão obedecer à ordem cronológica de sua apresentação, salvo em caso de diligência pendente, devidamente justificada. § 3o O requerimento será apreciado no prazo a ser estabelecido em regulamento, observadas as peculiaridades do Ministério responsável pela área de atuação da entidade. § 4o O prazo de validade da certificação será fixado em regulamento, observadas as especificidades de cada uma das áreas e o prazo mínimo de 1 (um) ano e máximo de 5 (cinco) anos. § 5o O processo administrativo de certificação deverá, em cada Ministério envolvido, contar com plena publicidade de sua tramitação, devendo permitir à sociedade o acompanhamento pela internet de todo o processo. § 6o Os Ministérios responsáveis pela certificação deverão manter, nos respectivos sítios na internet, lista atualizada com os dados relativos aos certificados emitidos, seu período de vigência e sobre as entidades certificadas, incluindo os serviços prestados por essas dentro do âmbito certificado e recursos financeiros a elas destinados. Como regra de transição, a Lei n º 12.101 dispõe em seu artigo 35 que os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolados e, ainda, não julgados até a data de publicação dessa Lei serão julgados pelo Ministério da área no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da referida data. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n º 12.101. Desse modo, para os pleitos formulados até a data da publicação da Lei n. 12.101 há que se observar o procedimento disposto na Lei n 8.212. Para os fatos geradores ocorridos após a publicação da Lei n 12.101, não é mais necessária formulação de pedido do reconhecimento do direito. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Todavia, para a competência dezembro de 2009, a autuada não possui a certificação junto ao Ministério da Saúde. Desse modo, também, foi correto o lançamento fiscal. O regime jurídico de concessão de benefício fiscal deve ser interpretado literalmente nos termos do art. 111 do CTN. A Lei n ° 8.212/1991 é a todos imposta e para não afastar o princípio da isonomia, não seria o caso de não se aplicar à recorrente. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação. Por todo o exposto, foi correta a decisão do órgão previdenciário. A recorrente errou ao se enquadrar como entidade beneficente sem ter o reconhecimento do órgão previdenciário. Portanto, são devidas todas as contribuições previdenciárias. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não há possibilidade para a autoridade administrativa recursar o cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Conforme expressamente previsto no art. 26A do Decreto n 70.235 de 1972, na redação conferida pela Lei n 11.941 de 2009, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa maneira, diante da especificidade da Lei n. 8.212 de 1991 não há que se aplicar o art. 14 do CTN. O fato de a entidade sofrer intervenção não impede a realização do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Por todo o exposto voto pelo conhecimento do recurso voluntário e pela negativa de provimento a ele. É o voto. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11060.002245/201063 Acórdão n.º 230201.881 S2C3T2 Fl. 138 9 Marco André Ramos Vieira Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 17546.001208/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/07/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos
relacionados à contribuições previdenciárias.
AUTUAÇÃO POR NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO (ART. 33, §§2º E 3º DA LEI 8.212/91). ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. ARGUMENTOS GENÉRICOS.
Quando autuada por não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, cabe à parte comprovar a efetiva entrega dos mesmos, não podendo ser acolhidos argumentos genéricos de que não restou comprovado nos autos a sua recusa.
Numero da decisão: 2301-002.720
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/07/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. AUTUAÇÃO POR NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO (ART. 33, §§2º E 3º DA LEI 8.212/91). ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. ARGUMENTOS GENÉRICOS. Quando autuada por não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, cabe à parte comprovar a efetiva entrega dos mesmos, não podendo ser acolhidos argumentos genéricos de que não restou comprovado nos autos a sua recusa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/07/2006 AUTODEINFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. AUTUAÇÃO POR NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO (ART. 33, §§2º E 3º DA LEI 8.212/91). ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. ARGUMENTOS GENÉRICOS. Quando autuada por não apresentar documentos solicitados pela fiscalização, cabe à parte comprovar a efetiva entrega dos mesmos, não podendo ser acolhidos argumentos genéricos de que não restou comprovado nos autos a sua recusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 17546.001208/200766 Acórdão n.º 2301002.720 S2C3T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, de nº 37.038.0304, lavrado em face de AUTO POSTO SÃO BENEDITO DE GUARATINGUETÁ EPP, do qual foi notificado em 15/12/2006, em virtude de ter a Recorrente infringido as disposições ao art. 33, §2º da Lei 8212/91,combinado com o art.232 do Regulamento da Previdência SocialRPS aprovado pelo Decreto 3048 de 06.05.99,uma vez que a empresa deixou de exibir o Livro Diário referente ao período de 01/2006 a 07/2006, solicitado no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, datado de 22.11.2006. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 07 e seguintes), que foi aplicada a multa prevista no art. 283, inciso II alínea “y” do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999, no valor de R$ 11.569,42 elevada em 02(duas) vezes, face à ocorrência de uma reincidência genérica, conforme o disposto no art.292 Inciso IV do mesmo diploma legal, perfazendo o total da multa de R$ 23.138,84 (vinte e três mil, cento e trinta oito reais e oitenta e quatro centavos). Irresignada, apresentou a Recorrente defesa (fls.18), no escopo de desconstituir o lançamento realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente de seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: AUTO DE INFRAÇÃO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO, EM RELAÇÃO AO PERÍODO DE JANEIRO A JULHO DE 2006. Não obstante ter o contribuinte declarado em sua defesa que, na ação fiscal, o livro contábil estaria escriturado, faltandolhe apenas a encadernação, não logrou demonstrar que, finalmente, tenha promovido a correção da falta, uma vez que os documentos apresentados não evidenciam o atendimento das formalidades extrínsecas do aludido livro (assinatura, encadernação e registro). Lançamento Procedente Não satisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário (fls. 82), alegando em suma: a) Que até a data do inicio do procedimento fiscal foram devidamente apresentados, embora ainda não houvesse a encadernação de rigor; b) Que a não apresentação do Livro Diário ocorreu por uma má orientação; c) Que a autação restou totalmente sem efeito, vez que a falta de recolhimento que se apurou foi totalmente comprovada, fazendo prova da lisura adotada pelo contribuinte; d) Que os registros contábeis foram disponibilizados, o que se comprova pelo procedimento fiscal efetuado; de se insistir que a confusa situação não foi criada pelo contribuinte e que a própria legislação fiscal não faz exigência quando o contribuinte se Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 17546.001208/200766 Acórdão n.º 2301002.720 S2C3T1 Fl. 3 3 utiliza da forma presumida de apuração de lucro, podendo ser esta o ponto da discórdia verificada. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da Procedência do Lançamento O auto de infração em comento foi lavrado por não ter a empresa fornecido os documentos solicitados pela fiscalização. Os argumento deduzidos no recurso da Recorrente se baseiam no fato de que os livros contábeis não estavam encadernados, tendo a auditora fiscal aceitado recebêlos sem aquela formalidade, de modo que a Recorrente teria se surpreendido com a autuação. Ocorre que a Recorrente não comprova que o auditor fiscal tenha, expressamente, autorizado a dilação do prazo. Além do mais, a obrigação acessória consistente em manter os livros contábeis encadernados e assim apresentálos à fiscalização é dever do contribuinte, independentemente da manifestação da fiscalização. Ademais, sabendo do início da fiscalização, fica evidente a inércia da empresa em aguardar a manifestação expressa da auditora para depois providenciar a encadernação necessária. Se sabia que poderia corrigir a falta entre a intimação para apresentação e o início do procedimento, como afirmado no próprio Recurso Voluntário, deveria têlo feito. Verificase, portanto, que o Recurso não traz qualquer prova que afaste os fundamentos contidos no Auto de Infração, sendo irrelevante para o caso em comento a existência ou não do recolhimento das contribuições do período. Qualquer obrigação tributária acessória destinase a garantir ao Fisco o conhecimento das informações tributárias do contribuinte, bem como a viabilizar a fiscalização. A supressão de tais informações, ou ainda a sua apresentação por forma não prevista em lei, termina por dificultar esse acesso, já que retira o procedimento padrão que foi escolhido e que garante a agilidade no procedimento. Deste modo, a falta do contribuinte termina por ser tipificada no art. 33, §§2º e 3º da Lei nº 8.212/1991, segundo o qual a empresa é obrigada a exibir todos os documentos e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 17546.001208/200766 Acórdão n.º 2301002.720 S2C3T1 Fl. 4 4 livros relacionados às contribuições previdenciárias, recaindo sobre a penalidade prevista no art. 92 e 102 da Lei, que remete ao art. 283, II, “j” e 373 do RPS. Diante disso, não se podem acolher as alegações trazidas pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, devendo ser mantido o lançamento pelo Fisco realizado. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso para, na parte conhecida, NEGAR LHE PROVIMENTO, devendo ser mantido o lançamento originário pelo Fisco realizado. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de abril de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13002.000166/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
RESULTADO DE DILIGÊNCIA. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE CRÉDITO. NÃO CONTESTAÇÃO.
Realizado diligência para apurar fatos alegados pelo contribuinte e apurado erros no trabalho fiscal realizado anteriormente, há que se reconhecer o direito creditório apurado pela autoridade fiscal quando da realização da diligência e não contestado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE CRÉDITO. NÃO CONTESTAÇÃO. Realizado diligência para apurar fatos alegados pelo contribuinte e apurado erros no trabalho fiscal realizado anteriormente, há que se reconhecer o direito creditório apurado pela autoridade fiscal quando da realização da diligência e não contestado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 25/10/2004 a empresa MADEF S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de PIS não cumulativo, previsto no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002, relativo ao quarto trimestre de 2004. A DRF em Novo Hamburgo RS deferiu parcialmente o pedido da interessada pelas razões consignadas no Relatório Fiscal de fls. 118/137. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1014.923, de 17/01/2008, ratificando o entendimento da DRF em Novo Hamburgo RS fls. 182/183. Ciente desta decisão em 15/02/2008, a interessada ingressou, no dia 14/03/2008, com o recurso voluntário de fls. 190/210, no qual alega que: 1 na cessão onerosa de crédito de ICMS a terceiros não há ingresso de receita e, portanto, não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins; 2 há divergências nos valores das receitas de vendas no mercado interno, tanto em relação à DACON como em relação ao apurada pela Fiscalização. Faz um demonstrativo do que considera receita de vendas no mercado interno; 3 todas as receita operacionais foram consideradas na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins; 4 as despesas com encargos de parcelamento de dívidas fiscais são despesas financeiras e geram direito a crédito porque a lei não faz distinção entre empréstimos concedidos por particulares e os públicos; 5 inexiste a diferença apontada pela Fiscalização entre os valores descontados a título de bens utilizados como insumos para a composição da base de cálculo do PIS e da Cofins. Devem ser considerados os valores constantes nos seguintes CFOP: 1.101, 1.118, 1.124, 1.132, 2.101, 2.118, 2.124, 2.352,5.201 e 6.201; 6 não houve uso indevido de encargos de depreciação e de outros valores com direito a crédito. Solicita perícia para atestar o alegado; 7 inexiste os créditos do mês anterior apontado pela Fiscalização. Faz demonstrativo; 8 nos períodos de apuração deste processo não há divergência nos valores apurados pela Fiscalização relativos a devolução de vendas. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13002.000166/200571 Acórdão n.º 330201.442 S3C3T2 Fl. 369 3 Na sessão do dia 18/09/2009 o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 330200.013, para a repartição de origem adotar as seguintes providências: 1 com relação às vendas no mercado interno, há divergência entre os valores informados na planilha de fls. 125 e os valores do Relatório Fiscal e do Recurso Voluntário, a exemplo dos PA de 01/04, 06/04 e 10/04. Qual é o valor correto das vendas realizadas no mercado interno? Juntar cópia do livro apuração (do IPI ou do ICMS). Manter as vendas para entrega futura na forma apurada pela Fiscalização. 2 identificar as receitas operacionais não incluídas pela recorrente na base de cálculo do PIS e da Cofins, relacionadas no item 2.1.3 do Relatório Fiscal. 3 identificar a origem das diferenças apuradas e relativas aos bens utilizados como insumos (subitem 2.2.2 do Relatório Fiscal) e manifestarse acerca dos argumentos apresentados pela interessada no recurso voluntário. 4 intimar a recorrente a demonstrar e juntar prova do alegado sobre os encargos de depreciação, ou seja, que os créditos relativos a encargos de depreciação são exclusivamente em relação aos bens utilizados na produção. Manifestarse sobre a resposta da recorrente; 5 intimar a recorrente a detalhar, e juntar prova do alegado, os créditos relativos a “outros valores com direito a crédito” informados na DACON. Manifestarse sobre a resposta da recorrente; 6 havendo alteração nos valores apurados pela Fiscalização no Relatório Fiscal, refazer os demonstrativos “2.2.5 – Créditos do Mês Anterior” e o elaborado na Conclusão do Relatório (fl. 157). 7 dar ciência prévia desta Resolução à recorrente e, após concluída a diligência, dar ciência do seu resultado, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. Realizado a diligência, consubstanciada no excelente Relatório de Diligência Fiscal de fls. 318/336, resultou que a Fiscalização apurou um crédito a ressarcir, passível de compensação, no valor de R$ 39.008,29. Ciente do resultado da diligência, a Recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O recurso voluntário foi conhecido na sessão do dia 18/09/2009 quando o Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência para esclarecer e apurar diversos fatos alegados pela Recorrente e não considerados na decisão recorrida. No curso da diligência, o AuditorFiscal constatou erros no trabalho fiscal realizado anteriormente e nas informações prestadas pela Recorrente. Efetuado as retificações, a Recorrente foi intimada a se manifestar sobre as mesmas. A Recorrente respondeu a Intimação Fiscal nº 02 dizendo que não identificou “ressalvas para manifestar contrariedade”. Ciente do Relatório de Diligência Fiscal, do qual foi instada a se manifestar, nada disse a Recorrente. O AuditorFiscal foi além do solicitado na Resolução deste CARF e refez todo o trabalho fiscal de apuração do crédito da Recorrente, à luz da documentação apresentada, e concluiu que, de fato, tem razão em parte a Recorrente ao apurar um crédito no valor de R$ 39.008,29, ante os R$ 54.237,38, solicitados originalmente, e o valor reconhecido e ressarcido anteriormente R$ 9.788,88. No trabalho fiscal todos os documentos e esclarecimentos apresentados pela Recorrente foram devidamente analisados e consignados no Relatório Fiscal para que ela Recorrente pudesse contestar. Como esta concordou tacitamente com o resultado da diligência, adotoo para reconhecer o direito creditório a favor da Recorrente, no valor total de R$ 39.008,29 (trinta e nove mil, oito reais e vinte e nove centavos), incluindo os R$ 9.788,88 (nove mil, setecentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos) cujo ressarcimento já fora efetuado. Com relação à homologação das compensações declaradas, cabe à autoridade da RFB a sua realização, dentro do limite do crédito aqui reconhecido. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor acima referido. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 371DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10283.006909/2003-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE ATÉ O EXERCÍCIO 2000.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo
IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício
relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 - Súmula CARF nº 41.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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ADA TEMPESTIVO. DESNECESSIDADE ATÉ O EXERCÍCIO 2000. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 Súmula CARF nº 41. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Jose Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10283.006909/200357 Acórdão n.º 2101001.599 S2C1T1 Fl. 114 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1 e 11 a 18, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 1999, para glosar dedução de Área de Reserva Legal por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$3.416,00, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 28 a 41), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreve os argumentos do recurso da seguinte maneira (fl. 68): I – que o ADA é uma obrigação acessória; II – que a IN/SRF n° 43/1997 e 67/1997 foram revogadas pela IN/SRF n°73/2000, portanto padece de fundamento legal a alegação do Auditor Fiscal; III – que a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional vedam às normas infralegais de instituírem obrigações acessórias. Portanto, descabida a instituição da obrigação acessória através da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal; IV – que em virtude do disposto no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3° da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001 as áreas de preservação permanente e de reserva legal ficam dispensadas de qualquer outra obrigação acessória que não a própria DITR ou comprovação prévia para fins de caracterização de área nãotributável na apuração do ITR; V – que a área de reserva legal encontrase averbada à margem da inscrição da matrícula no registro de imóveis; VI – que o auditor fiscal ignorou a determinação judicial de se cancelar e considerar inexistente, como se nunca houvesse existido, o seu título de propriedade; e que assim, deixa de se enquadrar como contribuinte por não deter a posse e a propriedade do imóvel. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 66 a 77): Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10283.006909/200357 Acórdão n.º 2101001.599 S2C1T1 Fl. 115 3 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela junto ao Ibama ou a órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. A exclusão da área de utilização limitada/Reserva Legal da tributação pelo ITR depende ainda de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 04/12/2006 (fl. 78v), o contribuinte apresentou, em 22/12/2006, o recurso de fls. 88 a 108, onde: a) preliminarmente, defende sua ilegitimidade passiva, pois, antes da lavratura do auto de infração, a matrícula do imóvel em seu nome foi considerada inexistente por decisão exarada pela Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Amazonas com efeitos retroativos; b) que não é possível se glosar as deduções de área de reserva legal comprovada por Termo de Responsabilidade firmado junto ao IBAMA, por falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA. Ao final, pugna pelo cancelamento da autuação. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 112. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10283.006909/200357 Acórdão n.º 2101001.599 S2C1T1 Fl. 116 4 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio é de fácil solução. A discussão trata da necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA para se permitir a dedução de área de reserva legal da base de cálculo do ITR no exercício de 2000. Entretanto, a jurisprudência do CARF já se firmou em sentido contrário para fatos geradores ocorrido até o exercício 2000, desde a publicação da Súmula CARF nº 41, que possui o seguinte enunciado: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Nesse sentido, por se tratar de lançamento do fato gerador de 1999, a falta de apresentação tempestiva de ADA não traz qualquer consequência para a dedutibilidade da área em discussão. Acrescentese que a área glosada foi devidamente averbada na matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (fl. 9v). Dessa forma, como a autuação se fundamenta em entendimento contrário à súmula do CARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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