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Numero do processo: 11610.002999/2003-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora.
IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO INTERNA. LIMITES LEGAIS E CONVENCIONAIS. ACORDO BRASIL-ARGENTINA.
A pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. A norma interna, refletindo o padrão adotado internacionalmente nos acordos contra dupla tributação, busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro, sem, contudo, submeter o direito à compensação à percepção de lucro na operação no exterior.
PROCESSO CONEXO. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO.
Deve ser apropriada a decisão proferida no processo conexo, no qual se discutiu componente do saldo negativo utilizado no creditamento destes autos.
Numero da decisão: 1801-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que dava provimento em parte ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora. IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO INTERNA. LIMITES LEGAIS E CONVENCIONAIS. ACORDO BRASILARGENTINA. A pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. A norma interna, refletindo o padrão adotado internacionalmente nos acordos contra dupla tributação, busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro, sem, contudo, submeter o direito à compensação à percepção de lucro na operação no exterior. PROCESSO CONEXO. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. 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Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) em 26.02.2003, fls. 0708, nº 19468.94119.190906.1.7.026140 em 19.09.2006, nº 36241.12762.190906.1.7.021887 em 19.09.2006, nº 17882.19449.190906.1.7.022366 em 19.09.2006, nº 38134.12940.271207.1.3.026556 em 27.12.2007 e nº 42102.60975. 271207.1.3.023733 em 27.12.2007, fls. 546548, utilizandose dos créditos relativos ao anocalendário de 2002 apurados com base no lucro real anual de: a) saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$1.730.985,45; e b) saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$418.938,14. Cabe ressaltar que foram apensados aos presentes autos os processos de nºs 11610.004211/200319 e 11610.005952/200317, fl. 551. Na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2002, fls. 263295, foram apurados os seguintes saldos negativos: a) IRPJ no valor original de R$4.430.660,78; e b) CSLL no valor original de R$503.398,74. O processo está instruído com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 296300, com os Informes de Rendimentos, fls. 352372, 532533 e 554 771, e ainda com o Livro Razão, fls. 35260 e 373531. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.155 3 Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 772779, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou informado que em relação ao anocalendário de 2002 foram reconhecidos os seguintes direitos creditórios a título de saldos negativos de: a) IRPJ no valor original de R$4.300.852,64 e b) CSLL no valor original de R$114.390,68. Restou esclarecido que o saldo negativo de IRPJ não reconhecido no valor de R$129.807,14 é decorrente da dedução indevida de valor de IRRF do anocalendário de 2002. No que diz respeito ao saldo negativo de CSLL não reconhecido no valor de R$398.008,06, é originário da falta de informação em DCTF do valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2001 e da dedução indevida do valor de R$146.956,18 do IRRF pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital não declarados no anocalendário de 2000. Conclusão RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO contra a Fazenda Nacional a SOLVAY INDUPA DO BRASIL S.A., CNPJ n° 61.460.325/000141, na importância de R$4.300.852,64 (quatro milhões, trezentos mil, oitocentos e cinqüenta e dois reais e sessenta e quatro centavos), correspondente ao saldo credor de IRPJ do AC 2002 e na importância de R$114.390,68 (cento e catorze mil, trezentos e noventa reais e sessenta e oito centavos), correspondente ao saldo credor de CSLL do AC 2002, sobre as quais incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, nos termos do artigo 52 da IN/SRF n° 600/2005; HOMOLOGO AS COMPENSAÇÕES constantes das Declarações de Compensação das fls. 01 do presente processo e de seus apensos, e das DCOMP eletrônicas de nos 19468.94119.190906.1.7.026140, 36241.12762.190906.1.7.02 1887, 17882.19449.190906.1.7.022366, 38134.12940.271207.1.3.026556 e 42102.60975.271207.1.3.023733, até o limite do direito creditório reconhecido; NÃO CONVALIDO as compensações sem processo dos débitos de fls. 291 a 293, compensados com o saldo credor de CSLL do AC 2000; [...] Cientificada em 03.03.2008, fl. 780, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 02.04.2008, fls. 804824, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Defende a tese de que os débitos objeto de compensação estão com a exigibilidade suspensa. Argúi que os procedimentos apuração de saldos credores dos anoscalendário de 2000 e 2001 não mais poderiam ser retificados de ofício, uma vez que sobre eles houve a homologação tácita e se operou a decadência pelo decurso do prazo superior a cinco anos até a ciência do Despacho Decisório em 03.03.2008 (§ 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional). No que se refere à mencionada falta de informação em DCTF do valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no ano calendário de 2001, enfatiza que: Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.156 4 [...] é certo que o saldo credor de CSLL de 2001, atualmente, encontrase, em discussão, com sua exigibilidade suspensa, no processo acima apontado (11610.021229/200296), em virtude de apresentação de Manifestação de Inconformidade pela ora Manifestante (doc. 03), razão pela qual não pode ser objeto de cobrança. Atinente à dedução do valor de R$146.956,18 do IRRF pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital do anocalendário de 2000, esclarece que efetivamente informou esta quantia na linha a “receita de prestação de serviços” e não na linha “rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior” da Ficha 06A da DIPJ, fls. 263295 (art. 21 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24 de agosto de 2001 e art. 26 da Lei nº 9.249, de dezembro de 1995 Afirma que Tais compensações foram efetuadas com a própria CSLL devida, por estimativa, apurado mediante balancetes de suspensão/redução, nos primeiros meses do anocalendário de 2002, conforme atestou a DIPJ 2003 anobase 2002 e DCTF's, nas quais o valor do débito já é considerado liquido (com a dedução do crédito compensações sem processo). Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, requer seja conhecida e provida a presente Manifestação de Inconformidade, para que seja CANCELADA a decisão ora atacada, CONVALIDANDOSE E HOMOLOGANDOSE INTEGRALMENTE o crédito objeto do pedido de compensação n° 11610.002999/200311 e apensos, bem assim as compensações com débitos dele decorrentes, pelo reconhecimento destes D. Julgadores da ocorrência da decadência do fisco de questionálo em cotejo com o direito à compensação da contribuição social paga no exterior no ano de 2000 com os débitos do período de 2002. Caso os I. julgadores não cancelem de plano a totalidade dos valores glosados, nesse caso, a Manifestante requer sejam os autos devolvidos à instância fiscal de origem, a fim de se verificar os cálculos relativos aos rendimentos auferidos no exterior, em cotejo com as compensações do montante do imposto pago no exterior daí decorrentes, com os débitos apurados no Brasil, nos períodos subseqüentes, autorizandose, para tanto, a retificação e ajuste dos instrumentos acessórios, tais como DIPJ, DCTF, LALUR, em cumprimento ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Termos em que, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1617.912, de 28.07.2008, fls. 904911: “Compensação Homologada em Parte”, uma vez que foi homologada tacitamente a compensação constante na Per/DComp apresentada em 26.02.2003, fls. 0708. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.157 5 Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consideramse homologadas as declarações se compensação após cinco anos de seu protocolo, nos termos do § 5º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO EXTERIOR IMPOSTO PAGO A contribuinte tem direito à compensação de imposto pago no país em que prestou serviços, desde sue atenda aos requisitos previstos na Legislação Brasileira. Notificada em 28.05.2009, fl. 919, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.06.2009, fls. 922946, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Requer a produção de todos os meios de prova e que sejam aceitos todos os documentos acostados aos autos. Conclui Por todo o exposto, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para que seja reformada a decisão ora atacada, CONVALIDANDO SE E HOMOLOGANDOSE INTEGRALMENTE o crédito objeto do pedido de compensação n° 11610.002999/200311, bem assim as compensações com débitos dele decorrentes, pelo reconhecimento destes D. Julgadores da ocorrência da decadência do fisco questionálo em cotejo com o direito à compensação da contribuição social paga no exterior no ano de 2000 com os débitos apurados. Ainda, requer seja suspensa a exigibilidade dos débitos de IRPJ/CSLL referentes ao período de 2002, cujos pedidos de compensação foram atrelados ao crédito em comento, até o julgamento definitivo do presente processo administrativo. Caso os I. julgadores não cancelem de plano a totalidade dos valores glosados, nesse caso, requer sejam os autos devolvidos à instância fiscal de origem, a fim de verificar os cálculos relativos aos rendimentos auferidos no exterior, em cotejo com as compensações do montante do imposto pago exterior daí decorrentes, com os débitos apurados no Brasil, nos períodos subseqüentes, autorizandose, para tanto, a retificação e ajuste dos instrumentos acessórios, tais como DIPJ, DCTF, LALUR, em cumprimento aos princípios da verdade material que norteia o processo administrativo e ampla defesa. Termos em que, Pede Deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.158 6 TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.057, de 29.03.2011, fls. 0107 para que para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao anocalendário de 1998: a) a Recorrente deve ser intimada a: a.1) apresentar a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital (Argentina) que prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado, regularmente traduzida em vernáculo por tradutor juramentado (§ 3º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972); a.2) se houver, cópia dos balancetes mensais registrados no Diário e fichas do Razão demonstrando os pagamentos recebidos e os valores relativos às retenções efetuadas; a.3) apresentar planilha demonstrando efetivamente os valores recebidos e retidos pelas fontes pagadoras; a.4) apresentar planilha compondo os valores escriturados a título de receita auferida, relacionandoos com os valores recebidos das fontes pagadoras que alega haver sofrido retenção no período fiscalizado referente ao valor de R$146.956,18 de fonte paga no exterior; b) a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente deve: b.1) juntar ao presente processo cópias das pesquisas efetuadas nos sistemas internos da RFB, em especial naquele em que contenham dados a receita oferecida à tributação pela Recorrente no anocalendário de 2002; b.2) confrontar os referidos valores com aqueles apresentados pela Recorrente em resposta à Intimação Fiscal; b.3) juntar ao presente processo cópias dos autos do processo nº 11610.021229/200296 em que possa constatar se o valor de R$139.538,63 do tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2001, compôs o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 e se está disponível para utilização para compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 constante neste processo; b.4) verificar todas as informações elaborando um demonstrativo analítico com todas as informações referentes ao valor de R$146.956,18 e ao valor de R$139.538,63, que compuseram o saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2002. Foi proferido o Relatório de Diligência, fls. 10131018, do qual a Recorrente foi regularmente noticiada em 24.06.2013, fls. 10191020 e apresentou seu arrazoado em 04.07.2013, fls. 10211033, com as alegações a seguir resumidas. Diz que [...] a diligência aponta de forma categórica a comprovação, nos termos da legislação aplicável, das retenções de imposto sofridas sobre receitas apuradas em decorrência de serviços prestados no exterior, bem como o oferecimento dessas receitas [...] no respectivo período de competência. [...] Contudo, ao finalizar suas considerações, [afirma que] não houve apuração de lucro sobre os serviços prestados no exterior, [e] o limite do imposto compensável é zero. Portanto, a glosa no valor Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.159 7 de R$146.956,18, relativa a dedução de imposto pago no exterior, deve ser mantida, o que resulta em saldo devedor de CSLL AC 2000, no montante de R$60.029,20, conforme Despacho Decisório à f1.754. Suscita que a houve extrapolação dos limites da diligência, de modo que há ilegitimidade nas conclusões fiscais e assim é necessária sua desconsideração no julgamento do litígio. Afirma que O trabalho fiscal [...] preocupouse em buscar argumentos e adotar um critério novo e discrepante da discussão tida nos autos para justificar a legitimidade da glosa perpetrada pela autoridade fiscal [...], nos termos da Portaria n. 3.014, de 29 de junho de 2011 [e] do art. 18 do Decreto nº 70.235 [de 06 de março de 1972]. Defende que não cabe “ao Agente Fiscal, ao cumprir a diligência requerida e elaborar o relatório de suas conclusões, considerar aspectos que não estejam circunscritos aos próprios questionamentos formulados, sob pena de, indevidamente instaurar uma nova discussão no bojo do feito, o que é inapropriado para a fase processual em questão”, inclusive no que se refere “sobre as receitas auferidas em virtude da prestação de serviços no exterior” Menciona que a inovação dos argumentos no Relatório de Diligência é descabida, haja vista que é “necessária a limitação do trabalho fiscal aos argumentos constantes no feito fiscal”. Discorda de que houve uma “suposta ausência de apuração de lucro”, ou seja, “falta de apuração de lucro sobre os serviços prestados pela Recorrente no exterior”. Expressa que “as normas que disciplinam as referidas deduções não impõem nenhuma limitação nesse sentido, pois com o advento da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, qual trouxe normas de cunho procedimentais, os documentos acostados pela Recorrente são suficientes para demonstrar o imposto pago no exterior e, consequentemente, respaldar o direito da Recorrente em compensálos na forma da legislação aplicável”. No que se refere “à premissa equivocada adotada pelo agente fiscal quanto à glosa relativa à dedução da CSLL com imposto pago no exterior [, ou seja,] deduções efetuadas com base em imposto incidente sobre as receitas de serviços exportados” relata que “a autoridade fiscal entendeu pela manutenção da glosa efetuada, [pois] “os serviços faturados [no] o exterior seriam iguais ao custo dos serviços, [...] não tendo sido auferido [...] nenhum lucro quando da prestação dos serviços” e que “nesse particular as assertivas fiscais padecem de qualquer substancia”. Argui que (i) a pessoa jurídica possui o direito de compensar o imposto pago no exterior sobre a receita de prestação de serviços; (ii) referido direito encontrase limitado apenas ao disposto no artigo 26 da Lei n. 9.249/1995 (repisado pela parte final do caput do artigo 395 do RIR); (iii) esse limite consiste na fixação de um valor para compensação no Brasil; (iv) referido valor é fixado mediante o cálculo do imposto e das contribuições que seriam aqui devidos sobre as receitas de prestação de serviços no exterior. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.160 8 Dessa forma, na medida em que o farto conjunto probatório, acostado aos presentes autos, dão conta de que as compensação efetuadas pela empresa são oriundas de imposto incidente e retido no exterior, nos termos da legislação estrangeira, sobre receitas decorrentes da prestação de serviços para clientes situados naqueles países, e não sobre o lucro auferido no exterior, tal fato por si só invalida, peremptoriamente, todo o raciocínio montado pela fiscalização no relatório em epígrafe. [...] Por essa razão, fica claro que a premissa adotada pela autoridade fiscal na confecção do Relatório de Diligência discrepa com a situação concreta envergada nos autos, de modo que, também sob esse prisma, não se prestam os esclarecimentos oferecidos pelo fisco a direcionar o entendimento dessa E. Turma de Julgamento sobre a matéria. No que tange à “compensação da estimativa [abril de 2002] com saldo negativo AC 2001 por fim, constatase que a autoridade fiscal atestou ter restado reconhecido, por força de acórdão proferido pelo CARF no processo n. 11610.021229/200296, a convalidação da compensação sem processo, do saldo credor de CSLL AC 2001, com estimativa de CSLL período de apuração [abril de 2002], no montante total de R$114.468,53. Dessa forma, constatase que o saldo credor de CSLL AC 2002 foi de R$228.859,21, conforme atesta as conclusões da diligência. Conclui À vista de tudo que foi aqui exposto, a Recorrente manifesta sua discordância com as conclusões exaradas pela fiscalização na elaboração do Relatório de Diligência em epígrafe, no tocante aos esclarecimentos prestados nos itens 16 e 17 do trabalho fiscal, seja em virtude (i) da extrapolação, pelo I. Agente Fiscal, dos limites da diligência requerida pelo CARF; seja pela (ii) comprovada discrepância entre as premissas adotadas pela fiscalização, a fim de justificar a glosa efetuada com os contornos fáticos e jurídicos do caso em tela. Por fim, ante constatação quanto à convalidação da compensação sem processo do saldo credor de CSLL AC 2001, com estimativa de CSLL período de apuração abril/2002, no montante total de R$114.468,53, a glosa referente o referido montante deverá ser em definitivo afastada. Termos em que, Pede e espera Deferimento Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.161 9 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento referese ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 não reconhecido no valor total de R$398.008,06: pela compensação indevida do valor de R$146.956,18 da fonte paga no exterior; e pela falta de informação em DCTF no valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no período de abril anocalendário de 2002. A Recorrente diz que os procedimentos apuração de saldos credores dos anoscalendário de 2000 e 2001 não mais poderiam ser retificados de ofício, uma vez que sobre eles houve a homologação tácita e se operou a prescrição pelo decurso do prazo superior a cinco anos até a ciência do Despacho Decisório. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde do exame de todos os valores que compõem o montante pleiteado. Necessária é a constatação da sua liquidez e certeza, já que não há norma que atribua ao reconhecimento do direito creditório pleiteado essa presunção absoluta. Os créditos do sujeito passivo para com a Fazenda Pública somente são passiveis de restituição quando revestidos destes requisitos, os quais devem restar evidenciados. Por esta razão, a Recorrente é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969 e art. 170 e art. 195 do Código Tributário Nacional). Não tem cabimento, assim, alegar que o direito de a Fazenda Pública verificar se a escrituração está prescrita, pois cabe à Recorrente, com observância das disposições legais, demonstrar o seu direito creditório líquido e certo por documentos hábeis. Neste sentido, o reconhecimento do direito creditório alegado e a conseqüente homologação da compensação efetivada impõe que a Recorrente apresente comprovação inequívoca dos elementos que integraram o valor objeto de repetição. No presente caso, tratase de Per/DComp originalmente entregues em 2003, fls. 784799, referentes a direito creditório do anocalendário de 2002, que contém fragmentos de valores referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001, cujos débitos não foram alcançados pela homologação tácita da compensação. Por conseguinte, diferente do entendimento da Recorrente, não há que se falar em prescrição do direito de o Erário de averiguar a liquidez e certeza dos valores objeto do pedido de reconhecimento do direito creditório. A ilação designada pela defendente, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, porque a Autoridade Fiscal supostamente analisou os fatos de forma abrangente. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.162 10 O Despacho Decisório foi lavrados por servidor competente que verificou a regularidade do Per/DComp, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo está regularmente motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado na decisão de primeira instância de julgamento administrativo e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. Na busca da verdade material no processo administrativo fiscal podem ser examinados mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e feitos comerciais ou fiscais e os comerciantes, industriais ou produtores são obrigados a exibilos. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Assim, a autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização deve lavrar os termos necessários para que se documente o procedimento. (art. 197 do Código Tributário Nacional). Por essas razões, a Autoridade Fiscal responsável pela realização da diligência procedeu corretamente as investigações abrangentes observando as especificidades dos fatos objeto de exame de forma explícita, clara e congruente. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas nos Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.163 11 do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 4. Em relação à dedução de tributo retido na fonte a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente5. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 5 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.164 12 Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período6. Ademais, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 80 “na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto”. I) Valor de R$146.956,18 de tributo retido na fonte paga no exterior O Decreto nº 87.976, de 22 de dezembro de 1982 (Decreto Legislativo nº 74, de 05 de dezembro de 1981 e Portaria MF nº 22 de 20 de janeiro de 1983) que promulga a Convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria do Imposto sobre a Renda determina que ARTIGO XXIII Métodos para evitar a dupla tributação 1. Quando um residente do Brasil receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Argentina, o Brasil, ressalvado o disposto no parágrafo 2, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente um montante igual ao imposto sobre a renda pago na Argentina. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis na Argentina. Atendendo às circunstâncias peculiares do fato de tratado nos autos, temse que pessoa jurídica domiciliada no Brasil que auferir, de fonte no exterior, receita decorrente da prestação de serviços efetuada diretamente poderá compensar o imposto pago no país de domicílio da pessoa física ou jurídica contratante. Além disso, a pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Para efeito de determinação do limite o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto.O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. 6 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.165 13 Aa pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real7. Observese que o tributo pago no exterior que tem possibilidade jurídica de ser compensado com o tributo pago no Brasil, deve ser aquele necessariamente incidente sobre a mesma base de cálculo como mecanismo para evitar dupla tributação internacional, em conformidade com o tratado internacional correspondente do qual o Brasil seja signatário. Vale ressaltar que em conformidade com o Relatório de Diligência, fls. 1014 1018, restaram confirmadas as seguintes informações: 9. O imposto pago no exterior informado como dedução da CSLL devida relativo ao ano calendário de 2000 deve atender às condições estabelecidas pela Lei n° 9.249/1995, art.25, e pela Lei no 9.430/1996, art.16, para que possa fazer parte da apuração do saldo negativo de CSLL. 10. Conforme solicitado na intimação, o interessado apresentou o artigo 93 da Lei n° 20.628, juntamente com tradução oficial às fls.975/979. 11. Juntou aos autos certificados de retenção de imposto emitidos por órgão competente argentino (fls.831/840/847). As informações do faturamento bem como dos valores. 12. De acordo com os demonstrativos as fls.829/830, os rendimentos constantes nos certificados de retenção n° 85842000007195 e 8584200076 correspondem ao ano calendário 2000 e o de n° 85842000003220 ao ano calendário de 1999. Tais rendimentos constam devidamente registrados no Livro Diário. Certificado nº 85842000007196 Imposto Pago no Exterior Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD Valor Retenção USD (31,5%) Valor retenção AS (31,5%) Imposto de Renda Contribuição Social Diário Fl. AC 2000 2923 132.184,47 67.482,37 1010 2915 132.913,73 69.653,98 1007 Total 265.098,20 137.136,35 43.197,57 43.197,57 67.025,40 17.426,60 Certificado nº 85842000007195 Imposto Pago no Exterior Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD Valor Retenção USD (31,5%) Valor retenção AS (31,5%) Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD 2924 220.733,47 112.343,99 1014 2925 1.259.376,00 640.969,06 1014 Total 1.480.109,47 753.313,05 237.291,54 237.291,54 368.727,90 95.869,26 7 Fundamentação legal:art. 15 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.166 14 Certificado nº 85842000003220 Imposto Pago no Exterior Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD Valor Retenção USD (31,5%) Valor retenção AS (31,5%) Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD 2806/07 54.187,42 27.757,10 1003 2789 62.034,18 32.284,25 997 2756 449.083,89 234.398,40 994 33.223,02 25.507,28 (64.109,95) Total 565.305,49 289.060,10 91.053,93 163.123,12 129.462,80 33.660,32 13. Anexo 3 — Detalhamento da Receita de Serviços, Valores Recebidos e Retenção do Imposto (fl.1026) demonstra o valor liquido recebido que confere com os contratos de câmbio juntados aos autos (fls.1027/1040). 14. Nos termos do art.26 da Lei n° 9.249/1995 e art.16 da Lei no 9.430/1996, a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. 15. Para efeito de cálculo do limite do valor do imposto compensável, o contribuinte foi intimado (fl.1043) a apresentar os custos relativos às operações de prestação de serviços no exterior nos anos de 1999 e 2000. 16. Em resposta foi apresentado Demonstrativo da Receita de Serviços e Custos dos Serviços— 1999 e 2000 — Faturamento para a Solvay Indupa S.A.I.C. Argentina (fl.1047) onde consta a informação de que o valor dos serviços faturados para o exterior é igual ao custo dos serviços acrescentados somente do ISS, não tendo sido auferido nenhum lucro no faturamento dos serviços. 17. Uma vez que não houve apuração de lucro sobre os serviços prestados no exterior, o limite do imposto compensável é zero. Portanto, a glosa no valor de R$146.956,18, relativa à dedução de imposto pago no exterior, deve ser mantida, o que resulta em saldo devedor de CSLL AC 2000, no montante de R$60.029,20, conforme Despacho Decisório fl.754 (grifos acrescentados). Nesse sentido, devem ser acolhidas como corretas as análises realizadas pela Autoridade Fiscal responsável pela realização da diligência por estarem explícitas, claras e congruentes com as determinações legais de que a pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Não há previsão legal para compensar o tributo pago no exterior com o tributo não pago no Brasil, incidente sobre a mesma base de cálculo, já que nesse caso não há que se falar em dupla tributação internacional, em conformidade com o Decreto nº 87.976, de 22 de dezembro de 1982 que promulgou a Convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.167 15 Matéria do Imposto sobre a Renda. Logo, não deve ser reconhecido qualquer valor a esse título. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. II) Valor de R$139.538,63 atinente à CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no período de abril anocalendário de 2002. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. No que se refere à dedução de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, temse que a pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza9. Cabe esclarecer que em conformidade com o Relatório de Diligência, fls. 10141018, restaram confirmadas as seguintes informações: 18. Com relação ao processo n° 11610.021229/200296, que trata da análise do saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário 2001, verificouse que foi emitido Acórdão pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, que deu provimento ao recurso e determinou que fosse calculada as compensações (cópia do Acórdão às fls.1081/1089). 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.168 16 19. Em atendimento ao referido Acórdão, foi emitido despacho onde consta a convalidação da compensação sem processo do saldo credor de CSLL AC 2001 com a estimativa de CSLL período de apuração abril/2002 no valor de R$114.468,53. 20. Por todo exposto, concluise que o saldo credor de CSLL AC 2002 foi de R$228.859,21, conforme demonstrado abaixo: AC 2002 Valor Pleiteado Ficha 17 Observação CSLL Devida () CSLL mensal paga por estimativa (114.390,68) Confirmado cf Despacho Decisório (fls.750/757) () CSLL mensal paga por estimativa (114.468,53) Confirmado cf tens "18" e "19" () Imposto pago no exterior CSLL a Pagar (228.859,21) Nesse sentido, devem ser acolhidas como corretas as análises realizadas pela Autoridade Fiscal responsável pela realização da diligência por estarem explícitas, claras e congruentes, em conformidade com as decisões constantes processo n° 11610.021229/200296, com o qual esse é conexo. Portanto deve ser reconhecido em sede de segunda instância de julgamento o valor de R$114.468,53 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002. Ressaltese que já foi reconhecido no Despacho Decisório, fls. 772779 o valor de R$114.390,68 a título de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002. A contestação aduzida pela defendente, por isso, pode ser sancionada em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o valor de R$114.468,53 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 de para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.169 17 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Redator Designado Pedi vista dos autos para apreciar, especialmente, a questão da apropriação dos tributos incidentes no exterior sobre os rendimentos da Recorrente, na composição do saldo negativo de CSLL. Para bem delimitar a lide sob análise, vejamos o que restou definido em cada etapa processual: No Despacho Decisório de fls. 750 e seguintes, assentouse que (fl. 754): “26. Em relação ao Imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital, deve ser considerada a Instrução Normativa SRF nº. 213, de 7 de outubro de 2002, que trata do assunto em questão. De acordo com tal IN: 27. Analisandose DIPJ 2001, no entanto, foi constatado que não foram declarados rendimentos e ganhos de capital no exterior na ficha 06ª – Demonstração do Resultado (fl. 307), e também não foi adicionado, na ficha 17 – Cálculo da CSLL, nenhum montante nas linhas 05 – Lucros disponibilizados no Exterior e 06 Rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, à Base de Cálculo da CSLL (fl. 321 – Ficha 17). Assim sendo, a dedução no montante de R$ 146.956,18, referente a imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital, não pode ser considerada. 28. Assim, no AC 2000, em vez de saldo credor, foi apurado um saldo devedor de CSLL, no montante de R$ 60.029,20, conforme demonstrado abaixo. 29. Desta forma, as compensações sem processo com o saldo do AC 2000 não podem ser convalidadas. 30. No que se refere à compensação sem processo com o saldo credor de CSLL do AC 2001, foi constatado, através da leitura do despacho decisório do processo 11610.012229/200296 (fls. 296 a 303), que essa não foi convalidada. ... 33. Tendo em vista o constante no presente processo, e a análise feita, PROPONHO: ... Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.170 18 d) a NÃO CONVALIDAÇÃO das compensações sem processo dos débitos de fls. 291 a 293, compensados com o saldo credor de CSLL do AC 2000;” Em manifestação de inconformidade, no que tange ao aproveitamento da tributação havida no exterior, alegouse que as receitas respectivas foram oferecidas à tributação e computadas na DIPJ 2001 na linha “Receita de Prestação de Serviços”, anexando também os “certificados de retenção de imposto no exterior”. Argumenta que aquela seria a linha correta na DIPJ, e que “lucros, rendimentos e ganhos de capital no exterior” abrangeria esses ingressos, mas não as receitas de prestação de serviços. Quanto ao saldo credor de CSLL de 2001, confirmou que o despacho decisório de indeferimento (no processo nº. 11610.021229/200296) ainda estava submetido à tramitação do contencioso administrativo. O julgamento na d. DRJ em São Paulo (fl. 882 e ss.) proclamou a homologação tácita da DCOMP apresentada em 24/02/2003. Por outro lado, manteve a glosa da dedução da tributação no exterior, arguindo óbice diverso daquele invocado no despacho impugnado: o problema seria a falta de revestimento formal previsto na lei, dos documentos estrangeiros comprobatórios da tributação na Argentina. Em recurso voluntário foram reiterados os argumentos submetidos à 1ª Instância, com questionamento dos requisitos formais suscitados na DRJ e com considerações sobre o pedido de diligência que restou indeferido. Nos termos da Resolução nº. 180100.057, esta E. 1ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência, no sentido de aperfeiçoar a instrução processual, de modo a viabilizar a mais adequada decisão sobre a lide administrativa. No relatório de diligência (fl. 1.092 e ss.), restou confirmado que os rendimentos constantes nos certificados de retenção (na Argentina), foram devidamente registrados no Livro Diário. E referese que a Recorrente trouxe aos autos documentação traduzida para confirmar a tributação na fonte efetivada no exterior. Porém, nova argumentação foi invocada para obstar o aproveitamento dos créditos da tributação estrangeira. Ao pretender dar cumprimento à diligência determinada, a repartição responsável, interpretando a legislação aplicável, intimou a Recorrente a “apresentar os custos relativos às operações de prestação de serviços no exterior nos anos de 1999 e 2000.” E, apurando ausência de lucro na prestação de serviços específica, aduz que “o limite do imposto compensável é zero”. Quanto ao saldo negativo de 2001, o relatório informa que houve julgamento no processo nº. 11610.021229/200296, definindo o saldo credor de 2001 (anocalendário), com despacho de convalidação da compensação do saldo credor no valor de R$ 114.468,53. Conclui apontando saldo credor de CSLL para o anobase 2002, no montante de R$ 228.859,21. As razões postas nos autos para rejeitar o aproveitamento do tributo retido na Argentina, não merecem acolhimento. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.171 19 Em primeiro lugar, revelase nos presentes autos uma sequência de inovações argumentativas, a cada instância, surpreendendo a Recorrente e denotando violação das regras do processo administrativo fiscal. No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora. Mais grave ainda, se ao inovar, a instância seguinte nem mesmo firma posição quanto aos fundamentos contrários ao contribuinte adotados pela autoridade anterior. Ademais, a repartição fiscal, ao dar cumprimento à diligência requerida pelo CARF, deve atuar nos limites da demanda instrutória. Descabe sacar novo argumento, nunca cogitado nos autos, nem pela DRJ, nem no despacho decisório. Foi o que ocorreu no cumprimento da diligência em tela. O processo assim desenvolvido aponta para nulidade, para cerceamento do direito de defesa, para negativa de prestação da atividade judicante administrativa. No entanto, atentando para a ressalva disposta no parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto nº. 70.235/72 (“quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”), o prosseguimento na apreciação da lide mostrase pertinente. Pelo que se apura do conjunto probatório trazido ao processo, tanto com as peças de defesa, como no contexto da diligência determinada por esta E. Turma, há comprovação: das retenções efetivadas na fonte localizada na Argentina; de que o valor líquido (pós retenção) recebido confere com os contratos de câmbio juntados aos autos; de que os rendimentos/receitas do exterior foram registrados no Livro Diário da Recorrente; de que tais receitas foram incluídas na DIPJ 2001, na linha “Receitas de Prestação de Serviços”; de que o tributo retido na Argentina atende ao requisito de ser “congênere” com os tributos sobre a renda no Brasil, embora incidindo sobre base imponível bruta (não lucro, tal qual nosso IRRF). Portanto, nada mais faltaria para o deferimento do pleito inicial da Recorrente. Tenho que esses elementos todos suprem os defeitos apontados no despacho decisório e na DRJ quanto à comprovação dos créditos de retenções no exterior e sua dedutibilidade nos termos da lei interna. Ocorre que o relatório de diligência aponta prejudicialidade de cunho jurídico, inédita na lide dos autos, contra o deferimento do pedido da Recorrente. Por tudo o que já referimos, resta clara a impertinência processual da inovação em comento. Cabe trazer à colação trecho conclusivo do voto condutor do Acórdão nº 180300.482, que tratou da mesma matéria, com a mesma Recorrente (relativamente a período anterior, processo nº. 11610.021229/200296, já citado), de lavra do Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes: Quanto a esse ponto, dispõe o art. 128 do Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF) (sublinhouse): Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta sendolhe defeso conhecer de questões não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.172 20 Observase que, em nenhum momento, nos autos, foi levantada, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), a questão de o documento de imposto de renda emitido pelo país onde o Recorrente prestou os serviços no ter o reconhecimento pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Assim sendo, não é admissível que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e, menos ainda, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) atropelando a procedimento adotado pela DRF, exijam novas comprovações anteriormente não requeridas, obstando, dessa forma, por vias transversas, o pleito da recorrente. A 3ª Turma Especial, no aresto acima mencionado, encerrou a apreciação da lide diante da inovação vedada ocorrida na DRJ. Nos presentes autos, a E. Turma determinou o avanço na instrução probatória. Em retorno, recebeu nova argumentação, além dos documentos e dados requeridos. Para bem concluir o julgamento, passase a analisar a alegação vinda com o relatório de diligência, tendose em vista a ressalva de que a análise é possível porque a solução de mérito favorece a Recorrente. Eis o que se alega no relatório de diligência: 14. Nos termos do art.26 da Lei n° 9.249/1995 e art.16 da Lei no 9.430/1996, a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. 15. Para efeito de cálculo do limite do valor do imposto compensável, o contribuinte foi intimado (fl.1043) a apresentar os custos relativos às operações de prestação de serviços no exterior nos anos de 1999 e 2000. 16. Em resposta foi apresentado Demonstrativo da Receita de Serviços e Custos dos Serviços — 1999 e 2000 — Faturamento para a Solvay Indupa S.A.I.C. Argentina (fl.1047) onde consta a informação de que o valor dos serviços faturados para o exterior é igual ao custo dos serviços acrescentados somente do ISS, não tendo sido auferido nenhum lucro no faturamento dos serviços. 17. Uma vez que não houve apuração de lucro sobre os serviços prestados no exterior, o limite do imposto compensável é zero. Portanto, a glosa no valor de R$ 146.956,18, relativa à dedução de imposto pago no exterior, deve ser mantida, o que resulta em saldo devedor de CSLL AC 2000, no montante de R$ 60.029,20, conforme Despacho Decisório à fl. 754. Grifamos o trecho supra em que o entendimento equivocado foi sintetizado. A autoridade fiscal interpretou as normas aplicáveis, considerando que o limite para a compensação, no caso em tela, repousaria no lucro obtido na operação no exterior. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.173 21 Os dispositivos legais diretamente envolvidos tem o seguinte teor: Lei 9.430/96 Art. 15. A pessoa jurídica domiciliada no Brasil que auferir, de fonte no exterior, receita decorrente da prestação de serviços efetuada diretamente poderá compensar o imposto pago no país de domicílio da pessoa física ou jurídica contratante, observado o disposto no art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Lei 9.249/95 Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. A leitura do caput do artigo 26 tem que ser promovida correlacionando cada valor econômicocontábil referido no início, com o mesmo signo linguístico empregado pelo legislador na parte final, quando define os limites. Assim, o tributo incidente no exterior sobre determinado lucro, terá como limite de aproveitamento máximo o montante do tributo congênere incidente no Brasil sobre esse mesmo lucro. O teto para dedução do imposto incidente no exterior sobre o ganho de capital, será o imposto resultante da tributação desse mesmo ganho, segundo as leis brasileiras. E, como no caso dos autos, a limitação da dedução do imposto de renda recolhido na fonte, no exterior, sobre receitas de prestação de serviços (rendimentos), encontra parâmetro no montante da incidência interna sobre esses mesmos rendimentos brutos (não delineados por subtração de custos, como se sugeriu na diligência fiscal). Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.174 22 A fórmula veiculada no artigo 26 adota modelo tradicional em termos de tributação internacional, que busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro. Evitase que um Estado que utilize alíquotas mais reduzidas, tenha que conceder crédito mais elevado para quem tenha obtido lucros, ou receitas, no exterior, em Estado que aplique alíquotas mais elevadas. Aquele primeiro Estado teria arrecadado menos em sua tributação interna, e ainda arcaria com renúncia fiscal desvinculada dos parâmetros nacionais. A norma legal brasileira refletiu o que já figurava desde 1982 no Acordo para evitar a bitributação entre Brasil e Argentina (Decreto nº 87.976/82) ARTIGO XXII Outros rendimentos Os rendimentos de um residente de um Estado Contratante não tratados nos artigos anteriores e provenientes do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. ARTIGO XXIII Métodos para evitar a dupla tributação 1. Quando um residente do Brasil receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Argentina, o Brasil, ressalvado o disposto no parágrafo 2, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente um montante igual ao imposto sobre a renda pago na Argentina. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis na Argentina. Portanto, não procede o entendimento de que, no caso ora analisado, o limite para a dedução do imposto incidente sobre as receitas tributadas na fonte na Argentina, estaria delimitado pelo tributo incidente sobre os lucros na prestação de serviços específica. O limite deve ser fixado no montante obtido pela incidência, no Brasil, do imposto de renda computado sobre os rendimentos (receitas) auferidos na prestação de serviços no exterior, tal como procedeu a Recorrente. Por fim, com relação ao saldo negativo do anocalendário de 2001, diante do julgamento favorável no processo nº. 11610.021229/200296, já apropriado no relatório de diligência, deve ser reconhecido o saldo credor dele decorrente. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.175 23 (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10580.720904/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). RELATÓRIO Contra a contribuinte JANETE FADUL DE OLIVEIRA, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$172.978,55, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, originado da constatação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, na qual o autuante esclarece que a contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 90 4/ 20 09 -7 1 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 148 2 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Antes do julgamento, foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 149 3 Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir: “DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.” Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs, em 02/05/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 100/137, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. VOTO O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Antes da apreciação do presente recurso, é cediço que se registre que a exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa física, em períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Essa é matéria reconhecida de repercussão geral, que aguarda julgamento dos Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 150 4 como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários sobre a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 151 5 Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil, ou que haja alteração na legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 152 6 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10675.000593/2004-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1999, 2000
COMPROVAÇÃO PAGAMENTOS. PROCEDIMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO.
Excluem-se dos lançamentos os valores retidos e pagos pelos Bancos a títulos de CPMF anteriormente ao procedimento fiscal, devidamente comprovados em diligência.
PAGAMENTO FORA DO PRAZO SEM A DEVIDA MULTA DE MORA Constitui inovação ao lançamento o fato mencionado na decisão recorrida acerca de pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora.
RO Negado e RV provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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DISTRIBUIÇÃO SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1999, 2000 COMPROVAÇÃO PAGAMENTOS. PROCEDIMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Excluemse dos lançamentos os valores retidos e pagos pelos Bancos a títulos de CPMF anteriormente ao procedimento fiscal, devidamente comprovados em diligência. PAGAMENTO FORA DO PRAZO SEM A DEVIDA MULTA DE MORA Constitui inovação ao lançamento o fato mencionado na decisão recorrida acerca de pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora. RO Negado e RV provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 05 93 /2 00 4- 67 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 443 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratamse de Recurso de Ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 003, de 03 de janeiro de 2008 e de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte MARTINS COMÉRCIO E SERV. DISTRIBUIÇÃO SA, ambos em face do Acórdão nº . 0923.792 I a Turma da DRJ/JFA, que revisa o Acórdão n° 0917.004, de 29de agosto de 2007, anteriormente prolatado. Por bem relatar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido: “Tratase de auto de infração (fls. 1/10), lavrado contra o contribuinte em epígrafe, relativo à falta de recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, relativamente a fatos geradores ocorridos de 17/06/1999 a 05/04/2000, no montante de R$ 6.834.089,13, incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora devidos até a data da lavratura do auto. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do Auto de Infração, o lançamento decorreu de "FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIB. PROV. S/ MOVIM.OU TRAMSM. VAL. E CRÉD. E DIR. DE NAT. F1NANC. A PARTIR DE 17/06/1999", conforme discriminado nos demonstrativos de fls. 02/10. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresenta impugnação de fls.31/44, carreando aos autos os documentos de fls. 63/128 a fim de comprovar as alegações abaixo: 1) Em preliminar informa pagamento parcial do auto de infração, relativamente aos valores não retidos e não recolhidos pelos bancos Banestado e Banco do Brasil, após a cassação da medida judicial em 03/03/2000, que ampara o não recolhimento da CPMF. Afirma ter procedido ao recolhimento da respectiva contribuição, acrescida da SELIC e da multa de 75%, totalizando um crédito tributário recolhido nos valores de R$17.524,69 (Banestado) e R$20.923,66 (Banco do Brasil). Do mesmo modo procedeu a autuada a pagamento parcial do montante relativo a CPMF apurada em decorrência de operações bancárias efetuadas junto à Caixa Econômica Federal. 2) Propugna pela nulidade do auto de infração por afronta aos princípios constitucionais de defesa do contribuinte, Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 444 3 configuração do crime de excesso de exação, alegando a inexistência de qualquer crédito tributário relativo a CPMF pendente de quitação. 3) Defende ainda a nulidade da autuação por ilegitimidade passiva aduzindo ser a autuada parte ilegítima para figurar no pólo passivo do presente feito vez que a obrigação pela retenção e recolhimento da contribuição é por lei atribuída às instituições financeiras. 4) No mérito aduz que esteve acobertada por liminar no Mandado de Segurança n° 1999.38.03.0016988 e que os débitos da CPMF tornaramse exigíveis somente em 03/03/2000, quando a decisão proferida em primeira instância tornouse eficaz. 5) Conclui com base no artigo 63, parágrafo 2o , da Lei 9.430/96, que, no presente caso, considerando que a decisão judicial que considerou devido o tributo somente em 03/03/2000 (uma sextafeira), o prazo de 30 dias para pagamento do respectivo tributo sem incidência de multa de mora terminou em 05/04/2000. 6) Assegura a autuada que, após a análise da questão relativamente a cada uma das instituições financeiras citadas no presente auto de infração,apurou o que se segue. Em 31/03/2000, o Banco ABN AMRO Real S.A. debitou na conta corrente n° 20012094, a CPMF no valor de R$2.415.020,04, cinco dias antes do término do prazo para recolhimento. Afirma que a referida instituição financeira enviou correspondência à autuada informando equívocos nos lançamentos internos, que ocasionaram informação para a Receita Federal de pendência de recolhimento da CPMF por parte da autuada, na qual atesta que toda a contribuição devida em face da revogação da decisão judicial de que era beneficiária a autuada (de 174/06/1999 a 01/03/2000) foi retida em 31/03/2000 e recolhida em 05/04/2000. Com relação ao banco Bradesco, informa que foi debitado na contacorrente n° 00087041, mantida pela autuada, junto à referida instituição financeira, o montante de R$33.266,59, relativamente aos valores devidos a título da CPMF informados no demonstrativo apresentado à Receita Federal. A Caixa Econômica Federal informou para Receita Federal que os valores devidos a título da CPMF totalizavam R$285.077,15, no entanto após minucioso levantamento conclui a autuada que o valor efetivamente devido era R$10.462,16. Assim, procedeu ao recolhimento com a devida atualização pela SEL1C e aplicação da multa de 75%. Entende a autuada que a justificativa da diferença encontrada entre os valores apontados pela instituição financeira e aqueles efetivamente devidos pela autuada devem ser buscados junto à citada instituição financeira. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 445 4 Insurgese a contribuinte contra a imposição da multa de 75%, por ser injusta uma vez que comprovado o pagamento integral do crédito tributário objeto da autuação. Contesta também a cobrança de juros de mora tendo em vista que o suposto crédito tributário foi devidamente pago, não devendo também em relação a esta parcela o auto de infração prevalecer. Por fim, requer o reconhecimento da nulidade do auto de infração, o deferimento da sua impugnação e a realização de perícia visando apurar os lançamentos bancários sujeito à incidência da CPMF. Do exame dos elementos constantes dos autos, verificouse divergências entre os valores devidos a título da CPMF informados à Receita Federal pelas instituições financeiras Banco ABN AMRO Real S/A e Caixa Econômica Federal e as informações prestadas pela autuada em sua impugnação. Constatouse que o documento de fls. 75, não se mostrou suficiente, inclusive no seu aspecto formal, para comprovar cabalmente a alegação da autuada no sentido de que a retenção da CPMF para o período de 17/06/1999 a 01/03/2000 fora efetivada. Já com relação aos documentos de fls. 105/128, extratos da Caixa Econômica Federal, verificouse ainda que a quase totalidade dos lançamentos a débito foi efetuada com não incidência da CPMF, apurandose ao final um valor total devido de CPMF no montante de R$ 10.462,16. Por outro lado, os valores declarados pela CEF como devidos a título da CPMF, resumidos no demonstrativo de fls. 14, totalizam R$ 285.077,15. Em vista do exposto, e por conta do princípio da verdade material que norteia o julgamento administrativotributário, o processo foi enviado à Repartição de origem a fim de efetuar diligência junto às instituições financeiras para apurar: "l)No caso do BANCO ABN AMRO REAL S/A: o total dos valores debitados a título da CPMF e as datas dos respectivos débitos nas contas correntes do contribuinte em epígrafe, relacionados às movimentações financeiras sujeitas à cobrança da mencionada contribuição no período de 17/06/1999 a 01/03/2000. 2) No caso da Caixa Econômica Federal, o valor total das movimentações financeiras sujeitas à retenção da CPMF, os valores debitados a título da CPMF e as datas dos respectivos débitos nas contas correntes do contribuinte em epígrafe, tudo relativamente ao período de 17/06/1999 a 22/03/2000.". Da diligência efetuada junto à autuada resultou o Relatório Fiscal de fls.280/281, por meio do qual o Auditor Fiscal conclui: Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 446 5 a CPMF devida relativamente às movimentações financeiras junto ao Banco ABN AMRO REAL está quitada. a movimentação financeira da correntista junto à CAIXA ECONÔMICA FEDERAL CEF gerou na verdade um montante de CPMF não retida no valor de R$12.435,68, relativamente aos fatos geradores de 17/06/1999 a 22/03/2000, restando descaracterizado o valor de R$285.077,15 a título de CPMF que originou o presente auto de infração. do valor devido de CPMF de R$12.435,68, a autuada comprovou o pagamento de R$10.432,96 (correspondente a R$10.462,16 R$29,20, que é o valor devido de abril de 2000 não contemplado no auto de infração), remanescendo portanto o valor da CPMF ainda não recolhida de R$2.002,72 (valor original). A interessada teve ciência do referido Relatório Fiscal em 29/06/2007, conforme "AR" de fls. 308. Em sua manifestação, às fls. 309/310, informa a impugnante que efetuou, em 18/07/2007, o recolhimento do saldo apurado, devidamente acrescido da multa e dos juros aplicáveis. Em sessão de julgamento realizada em 29/08/2007, foi exarado pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora o Acórdão de n.° 0917.0042, fls. 326/336, que decidiu pela procedência em parte do lançamento para exigir da contribuinte valor devido de CPMF, no importe de R$28.123,77 (R$7.150,60 + R$8.537,09 e R$12.435,68). Conforme despacho de fls. 340, a Sacat/DRF/Uberlândia aponta divergência entre os valores exigidos por meio do citado acórdão e aqueles registrados no sistema de controle de processos fiscais — Profisc, solicitando a verificação de eventuais inconsistências entre os saldos dos débitos relacionados no acórdão e a informação do resultado do julgamento.” Em face da divergência apontada pela a Sacat/DRF/Uberlândia a Turma emite o Acórdão n.° 0923.792 , ora recorrido, em substituição do citado Acórdão, com guarida no art. 32 do Decreto n° 70.235, de 1972, que dispõe que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, e, ainda, de acordo com o art. 22, § 1º , da Portaria MF n° 58/2006, que determina que para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, no qual julga procedente em parte o lançamento, consoante se demonstra pela ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA C P MF Anocalendário: 1999, 2000 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 447 6 INEXATIDÕES MATERIAIS. SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes no Acórdão, poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, havendo para tanto que ser proferido novo Acórdão. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. Lançamento Procedente em Parte Acórdão Acordam os membros da I a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento para: eximir os valores da CPMF, ora exigidos, decorrentes das movimentações financeiras havidas juntos aos bancos ABN AMRO Real e Bradesco nos importes de R$2.427.178,50 e de R$28.438,89, respectivamente; eximir parte do valor da CPMF devida em relação às movimentações financeiras junto à Caixa Econômica Federal no importe de R$272.641,47, remanescendo um saldo no valor R$12.435,68; manter o saldo mencionado no item anterior, nos moldes do demonstrativo ao final do voto, parte integrante do presente julgado, ressalvada a utilização dos pagamentos efetuados, conforme DARF de fls. 104, 255 e 317 na amortização da parcela mantida; manter parcela da CPMF devida em relação às movimentações financeiras realizadas junto ao Banestado, Banco do Brasil, nos valores de R$7.072,44, de R$8.537,09, correspondentes aos fatos geradores listados no demonstrativo de fls. 12, 13 el4, exceto o fato gerador de 16/06/1999, observandose os pagamentos efetuados conforme DARF de fls. 72, para amortização dessa parcela mantida.” Assim decidindo, recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997 e Portaria MF n° 3, de 03/01/2008. Cientificada da decisão de 1ª Instância de Julgamento administrativo em 13/10/2011 (Aviso de Recebimento – AR de efl 386), por meio Ofício 0619 de efl 385, a contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 10/11/2011, o seu recurso voluntário, por meio do qual, com base nos argumentos apresentados, pretende: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 448 7 “i. o recebimento do presente Recurso Voluntário, já que cabível e tempestivo; ii. a reforma do r. Acórdão da 1 Turma da DRJ/JFA para reconhecer a não incidência da multa de mora face o recolhimento da CPMF sobre as operações havidas com os Bancos Real e Bradesco, em estrita observância ao prazo de que trata o § 2 o do Art. 63 da Lei n° 9430/96, ou, caso não seja este o entendimento destes i. Conselheiros, o que admitese somente em atenção ao princípio da eventualidade, que seja declarada expressamente a necessidade de prévio lançamento da multa de mora e a sua conseqüente impossibilidade, face a já consumada decadência.” Suas argumentações encontramse dispostas nos seguintes itens e subitens do seu recurso voluntário: I DO CABIMENTO E TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO II DO ACÓRDÃO RECORRIDO III DAS RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO 3.1. DA COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO TOTAL DA PARTE DO LANÇAMENTO MANTIDO MULTA DE MORA MATÉRIA ESTRANHA A LIDE 3.2. DA NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O RECOLHIMENTO DA CPMF SOBRE AS OPERAÇÕES COM OS BANCOS ABN AMRO REAL S/A E BRADESCO 3.2.1. DA NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA PAGAMENTO ESPONTÂNEO DO TRIBUTO NO PRAZO LEGAL (ART. 63, § 2° DA LEI N° 9.430/96) – EFEITO SUSPENSIVO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 3.2.2. DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DECADÊNCIA CONSUMADA IV DA CONCLUSÃO Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo. E atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 449 8 Igualmente deve ser conhecido o recurso de Ofício, em face da exoneração parcial do Crédito Tributário em valor superior ao limite imposto na Portaria MF nº 003, de 03 de janeiro de 2008, em conformidade com os dispositivos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997. DO RECURSO DE OFÍCIO O crédito tributário relativo à CPMF objeto da autuação, decorre de operações realizadas junto a diversas instituições financeiras abaixo relacionadas, no período de 17/06/1999 a 05/04/2000, período em que esteve amparada por medida liminar nos autos do mandado de segurança n° 1999.38.03.0016988, posteriormente cassada e cujos Valores foram apurados conforme informações constantes das Declarações da CPMF apresentadas pelas instituições financeiras: 1) ABN Amro Real S/A R$ 2.427.178,50 2) Bradesco – R$ 28.438,89 3) Banestado – R$ 7.150,50 4) Banco d o Brasil R$ 8.537,25 5) Caixa Econômica Federal R$ 285.077,15 Constatase dos autos que em decorrência de diligência solicitada pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, consoante Relatório de Diligência Fiscal de efl 284 e 285, restou comprovado que: · As instituições financeiras ABN Amro Real S/A e Bradesco, após a decisão denegatoria da segurança, mais precisamente em 31/03/2000, efetuaram retenções na respectiva conta corrente da cliente, a contribuinte ora recorrente, e os recolhimentos da CPMF, considerandose somente o débito principal e juros de mora, sem incidência de multa de mora; · A Caixa Econômica Federal teria consolidado e retificado as informações anteriormente prestadas, declarando que, na verdade, a movimentação financeira do correntista teria gerado um montante de CPMF não retida no valor de R$ 12.435,68 (CPMF decorrente da movimentação financeira período de 17/06/1999 a 22/03/2000, equivalente aos fatos geradores de 23/06/1999 a 22/03/2000). Sendo indevido, portanto, parte do valor de CPMF de R$ 285.077,15 lançado originalmente no Auto de Infração desse processo. As razões para eximir os lançamentos da CPMF referentes às operações com a ABN Amro Real S/A e com o Bradesco foram assim destacadas pela autoridade a quo: “Relativamente aos valores devidos a título de CPMF sobre operações na conta corrente a interessada mantida junto ao Banco ABN AMRO Real S/A, após a diligência, conforme Relatório Fiscal de fls. 280/281, assim conclui o Auditor Fiscal: ‘Nas folhas 179/180, constam extratos de conta corrente do banco Real, onde estão registrados os débitos na conta corrente do contribuinte, a título de CPMF, nos valores de R$2.415.020,04 e R$122.291, 94, na data de 31/03/2000, totalizando R$2.537.311,98. Por outro lado, conforme planilha de fl. 307, denominada 'Calculo da CPMF' — Banco ABN AMRO REAL', elaborada por este Auditor Fiscal que subscreve, demonstrase que o valor devido até 31/03/2000, calculado com incidência de juros de mora apenas, era de R$2.529.371,78, o que permite concluir que a CPMF relativa a esse Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 450 9 banco está quitada pelo contribuinte Martins. Nesse mesmo sentido é a informação prestada pelo banco, nas fls. 305/306 (resposta datada de 11 de maio de 2007).’ Do mesmo modo, consta do extrato de fls. 88 de conta corrente da autuada junto ao banco Bradesco, o registro da retenção a título de CPMF em 31/03/2000, no valor de R$30.646,16, relativamente aos fatos geradores do período de 23/06/1999 a 22/03/2000, cujos recolhimentos efetuados por meio dos DARF de fls. 90/103 totalizam R$29.694,65, calculados com juros de mora apenas. O valor declarado para a Receita Federal pelo Bradesco, conforme demonstrativo de fls. 13, relativamente aos mesmos fatos geradores, importa o valor de R$28.438,89, o que permite concluir que a CPMF relativa a esse banco está quitada pela autuada. Desse modo temse por improcedente as parcelas do auto de infração, correspondente aos valores devidos a título da CPMF decorrente de operações financeiras junto aos bancos Real e Bradesco, recolhidas conforme acima explicitado antes do início da ação fiscal, o que implica a impossibilidade de aplicação da multa de ofício por falta de recolhimento da CPMF devida.” Diante de tal constatação, conforme se verifica na parte dispositiva da decisão recorrida, restaram eximidos os valores relativos às operações com ABN Amro Real S/A e Bradesco, bem como quanto ao montante de R$ 272.641,47 da CEF. Foram mantidos os lançamentos relativos ao Banco do Brasil, Banestado e saldo remanescente da CEF no importe de R$ 12.435,68, tendo a Autoridade julgadora a quo determinado a amortização de tais valores com os pagamentos comprovados nos autos. É que, conforme consta registrado no Relatório Fiscal de diligência e devidamente provado nos autos, do saldo devedor apurado e retificado pela CEF no valor de R$ 12.435,68, a contribuinte teria apresentado, em resposta protocolada em 30/05/2007, comprovantes de pagamento da maior parte do valor acima referido, de forma que da CPMF devida de R$ 12.435,68, o valor de R$ 10.432,96 (equivalente a 10.462,16 () 29,20 que é o valor de abril/2000 não contemplado no auto de infração) já foi recolhido aos cofres públicos, cujo recolhimento deuse com a devida atualização pela SEL1C e aplicação da multa de 75%. Portanto, o valor da CPMF ainda não recolhida seria de R$ 2.002.72 (valor de principal). E, tal valor, foi posteriormente recolhido pela contribuinte, acrescido de juros de mora e multa de ofício. Também, consta noticiado no recurso voluntário e comprovado nos autos o recolhimento por parte da Recorrente da CPMF em face das movimentações junto às instituições financeiras do Banco do Brasil e do Banestado considerando principal, juros de mora e multa de ofício, após intimação da autuação fiscal, quando, afirma a contribuinte, teve ciência de que essas Instituições não cumpriram com sua obrigação de retenção e recolhimento do tributo em questão. Assim verificado e comprovado nos autos, é de se concordar plenamente com a decisão proferida no Acórdão nº .0923.792, ora recorrido, cuja fundamentação adoto e ratifico, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, ressalvada a análise que se faz quando do julgamento do recurso voluntário, a seguir. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 451 10 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Detectase que no recurso voluntário a contribuinte não mais apresenta alegações preliminares de nulidade e não mais questiona o saldo devedor da CPMF decorrente da movimentação financeira junto à CEF, no valor de R$ 12.435,68 que restou mantido na Acórdão recorrido, tendo, inclusive, efetuado o recolhimento. Igualmente, a contribuinte efetuou os recolhimentos dos créditos tributários da CPMF lançados em face da sua movimentação financeira junto à Instituições financeiras BANESTADO e BANCO DO BRASIL, nos importe de R$17.524,69 e R$20.923,66, em 30/03/2004 e 29/03/2004, respectivamente. E, conforme destacado pela relatora do voto da decisão recorrida, “o pagamento do crédito tributário exigido encerra o litígio quanto à parcela paga, visto que caracterizada a concordância da autuada com o lançamento efetuado, tornandoo definitivo na esfera administrativa.” A única motivação que levou a contribuinte a apresentar o seu recurso voluntário foi uma ressalva feita no voto do Acórdão nº 0923.792, quando a relatora assim se pronuncia: “Desse modo temse por improcedente as parcelas do auto de infração, correspondente aos valores devidos a título da CPMF decorrente de operações financeiras junto aos bancos Real e Bradesco, recolhidas conforme acima explicitado antes do início da ação fiscal, o que implica a impossibilidade de aplicação da multa de ofício por falta de recolhimento da CPMF devida. Por outro lado, em que pese o entendimento contrário da autuada, a multa de mora, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/96, é devida no caso em tela, uma vez que a retenção e o recolhimento da CPMF devida se deu após findo o prazo de que trata o artigo 63, § 2o , da mesma lei, abaixo transcrito:” E, fundamenta o seu entendimento da seguinte forma: “Afirma a autuada em sua defesa que esteve acobertada por liminar no Mandado de Segurança n° 1999.38.03.0016988 e que os débitos da CPMF tornaramse exigíveis somente em 03/03/2000, quando a decisão proferida em primeira instância tornouse eficaz, razão pela qual reputa corretos os recolhimentos efetuados sem incidência da multa de mora, a título da CPMF, conforme disposto no artigo 63, § 2, da Lei 9.430/96: (...) Contudo, não procede tal afirmação visto que a sentença (fls.63/67), que denegou a segurança e cassou a liminar anteriormente deferida, foi publicada em 29/01/2000, passando a produzir seus efeitos a partir dessa data (fls. 321). A referida publicação datada de 03/03/2000, referese à decisão proferida nos embargos de declaração apresentados contra a sentença que denegou a segurança. Referidos embargos não têm o condão de restabelecer a liminar cassada, para gerar os efeitos que lhe são próprios. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 452 11 Isto porque, a regra no mandado de segurança é o recebimento dos recursos apenas no efeito devolutivo. Para este lado inclina se a jurisprudência majoritária: (...)”. A Recorrente alega que a multa de mora é matéria estranha à lide. Nesta questão é de se dar razão à recorrente. No presente lançamento não houve acusação da autoridade lançadora acerca do fato mencionado na decisão recorrida quanto ao pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora. Tratase de uma inovação efetuada na decisão da 1ª Instância administrativa. Nos presentes autos não se cogitou de lançamento e/ou cobrança de multa de mora isolada, devido a pagamento de CPMF em atraso sem os respectivos acréscimos. Veja que da parte dispositiva do r. decisum restaram eximidos exatamente os valores relativos às operações com ABN Amro Real S/A e Bradesco, bem como quanto ao montante de R$ 272.641,47 da CEF, tendo sido mantidos apenas os lançamentos relativos ao Banco do Brasil, Banestado e saldo remanescente da CEF no importe de R$ 12.435,68. A Análise acerca da decisão que cancelou os créditos tributários em face das movimentações efetuadas com as Instituições financeiras ABN Amro Real S/A e Bradesco já foi efetuada acima quando do julgamento do recurso de Ofício, na qual entendeu essa relatora pela manutenção do cancelamento do lançamento da CPMF em face das respectivas instituições. É possível, sim, a cobrança da multa de mora, quando haja recolhimento em atraso sem a devida cobrança da multa de mora, na forma prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Mas, fazse necessário o respectivo lançamento, mencionando a sua ocorrência, posto tratarse de penalidade diferente da multa de ofício, aqui lançada e eximida, consoante se denota pela redação contida no art. 43 da mesma lei, in verbis: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 453 12 cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” Anteriormente, havia a previsão na Lei nº 9.430/96 de lançamento da multa de ofício isolada quando se detectava o recolhimento do tributo em atraso sem a devida multa de mora. Contudo, tratase esse, de fato diferente ao que foi motivador do lançado sob litígio nos presentes autos. Ademais, conforme a própria autoridade julgadora a quo destacou, tal dispositivo foi revogado por força da Medida Provisória n° 371, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, e do princípio da retroatividade benigna, é incabível a imposição da multa de ofício isolada, aplicada em virtude da falta de pagamento de multa de mora. Portanto, a questão da multa de mora não está contemplada no lançamento sob litígio no presente processo, motivo pelo o qual se torna desnecessária a análise sobre as alegações de decadência e do efeito suspensivo dos embargos declaratórios, o que, alíás, registrese, tratase, esta última, de uma questão polêmica, posto que os embargos de declaração são um recurso sui generis e o que ocorre com os embargos de declaração é que, a princípio poderseia defender que, com a sua interposição, paralisase a eficácia da decisão embargada. Mas, como disse, a questão da multa de mora não está contemplada no presente lançamento. Por, fim, cabe ressaltar a falta de amparo legal para que as intimações doravante expedidas sejam encaminhadas para o endereço do advogado da contribuinte, haja vista as disposições contidas no inciso II e no § 4º do artigo 23 do Decreto 70.235/72, as intimações via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, o qual não se confunde com o endereço de seu patrono na causa: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 454 13 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) CONCLUSÃO De acordo com a fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo o cancelamento do Lançamento da CPMF atinente às operações efetuadas junto com as Instituições financeiras ABN Amro Real S/A e Bradesco e de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer que a multa de mora não está contemplada no presente lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19740.720250/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SERVIÇOS CONTRATADOS. DEMONSTRAÇÃO DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE.
Somente são admitidas como dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais necessárias, usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Cabe ao contribuinte demonstrar a efetividade da execução dos serviços prestados que contratou, sob pena dos pagamentos a esse título se tornarem indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1202-001.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito Plínio Rodrigues Lima e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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DEMONSTRAÇÃO DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. Somente são admitidas como dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais necessárias, usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Cabe ao contribuinte demonstrar a efetividade da execução dos serviços prestados que contratou, sob pena dos pagamentos a esse título se tornarem indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito Plínio Rodrigues Lima e Geraldo Valentim Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 02 50 /2 00 9- 71 Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.147 2 Relatório Tratase do exame dos Autos de Infração para exigência do IRPJ e da CSLL, do anocalendário de 2004, onde a fiscalização glosou despesas de prestação de serviços contabilizadas pela autuada que foram consideradas não necessárias, com aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic. Por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever parte do Relatório do Acórdão nº 1234363 da DRJ/RJ1, de fls. 2092 à 2098 do eprocesso, o qual também passo a adotar: “Conforme o termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 893/901, a auditoria teve início com a identificação de elevadas deduções de despesas a título de serviços contratados, fato que deu azo à intimação da interessada para comprovar tanto a efetiva prestação de tais serviços quanto a realização dos pagamentos, com a apresentação dos contratos firmados, notas fiscais recebidas e documentos correlatos. Ainda segundo o TVF, em resposta aos questionamentos fiscais, a interessada, após sucessivas prorrogações do prazo para atendimento à intimação, limitouse a apresentar alguns contratos, os lançamentos contábeis das despesas em análise e algumas notas fiscais, todas com descrições genéricas como “assessoria” e “serviços de consultoria”. Dando prosseguimento ao feito, a fiscalização houve por bem circularizar a auditoria, intimando as empresas prestadoras de serviços a apresentar talonários das notas fiscais utilizadas no período, descrição dos serviços prestados à interessada e documentos que demonstrassem que as receitas auferidas de pagamentos realizados pela interessada eram decorrentes de serviços efetivamente prestados. Os fornecedores alcançados pela ação fiscal responderam com a mostra de documentos similares aos que a fiscalizada já havia exibido. Para a fiscalização, os documentos apresentados não eram idôneos e hábeis a comprovar as despesas contabilizadas, tampouco permitiam constatar o atendimento, por estas, dos requisitos à dedutibilidade das bases de cálculo dos tributos lançados, posto que não demonstrada a conexão dos pagamentos supostamente realizados nem com a atividade explorada, nem com a manutenção da fonte de receita. O enquadramento legal da exigência fiscal foi o mencionado nos autos de infração de fls. 902/915. Inconformada com a autuação, da qual tomou ciência em 16/12/2009 (fls. 901, 904 e 909), a interessada interpôs, no dia 15 do mês seguinte, a impugnação de fls. 922/940, nas quais, em síntese, alega: • que, em razão do objeto do seu negócio, “há todo um critério e controle que deve ser apregoado para fomentar suas carteiras, requerendo toda uma logística capaz de operacionalizar os créditos, empréstimos e financiamentos concedidos aos mutuários (clientes)”. Para tanto, contratou prestadores de serviços especializados em prospecção e captação de clientes, procedimento este que seria “usual nas atividades financeiras de fomento de crédito pessoal e consignado”. • que incumbia a seus contratados: prospectar clientes, intermediar operações com os clientes que contatava e encaminhar documentos cadastrais dos clientes; Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.148 3 • que seus contratados eram comissionados, em regra, à razão de 5% (cinco por cento) do valor do negócio, remuneração esta paga contra nota fiscal ou recibo, acompanhados de relatórios acerca dos contratos intermediados; • que, embora, o autuante tenha tido acesso à documentação afeta aos serviços prestados, ainda assim considerou desnecessárias à atividade fim da interessada as despesas a eles relacionadas, sendo que não cabe ao Fisco desprezar documentos que considere “desprovidos de aspectos formais capazes de comprovar a efetiva prestação de serviços”; • que, a despeito de o TVF mencionar, que, pela iminência da decadência, o fornecedor Família Paulista Promotora de Vendas Ltda deixou de ser diligenciado, a fiscalização considerou que esta prestadora de serviços não comprovou o efetivo recebimento pelos serviços que realizou; e • que, em conseqüência de tudo que expôs, não cabe a recomposição do prejuízo fiscal e da base de cálculo da CSLL. Em reforço aos seus argumentos, a interessada acostou à peça de bloqueio amostras dos documentos que havia apresentado ao autuante e transcreveu dispositivos normativos que tomou como concernentes à matéria, bem assim farta jurisprudência. Culminou o recurso com os pedidos de diligência e perícia e para que seja declarada a procedência da impugnação. É o relatório.” Na seqüência foi emitido o Acórdão nº 1647.325da DRJ/SP1, de fls. 2092 à 2098 do eprocesso, julgando a impugnação improcedente, com o seguinte ementário: Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Somente são admitidas, como operacionais, as despesas com prestação de serviços, quando efetivamente comprovada a sua realização, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de notas fiscais e documentos gerados pela própria interessada, mormente quando com descrição insuficiente dos serviços supostamente prestados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão foi impetrado recurso voluntário, de fls. 2110 a 2117 , repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.149 4 O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomase conhecimento. A matéria em litígio diz respeito em verificar se há nos autos a comprovação da efetividade da prestação de serviços de terceiros para a autuada. As despesas glosadas pela fiscalização dizem respeito a notas fiscais com descrições genéricas, tais como “serviços prestados”, “assessoria”, “serviços de consultoria”, “comissão de intermediação de negócios”, cuja efetividade da prestação dos serviços não teria sido adequadamente comprovada. O acórdão recorrido manteve a autuação sob o argumento de que a autuada, com base na documentação apresentada (notas fiscais, contratos de prestação de serviços e relatórios), não logrou sucesso em demonstrar a efetividade da prestação dos serviços. Já em seu recurso, a defesa repisa os argumentos de que para atingir o seu objeto social contratou prestadores de serviços especializados em prospecção e captação de clientes, procedimento este que seria usual nas atividades financeiras de fomento de crédito pessoal e consignado”. O que se verifica é que os documentos juntados aos autos não comprovam a efetividade dos serviços prestados pelas empresas contratadas. Os contratos de prestação de serviços e as notas fiscais não são documentos suficientes para comprovar a dedutibilidade dos gastos na apuração do IRPJ e da CSLL. Necessário, ainda, que o contribuinte demonstre, mediante documentação hábil e idônea, que os pagamentos se refiram a serviços efetivamente prestados e necessários à atividade da empresa contratante. Nos termos da legislação do imposto de renda, para ser considerada uma despesa operacional e admitida como dedutível da base de cálculo do IRPJ a despesa deverá ser, necessária, usual ou normal para o tipo de operação, a teor do art. 299 e parágrafos do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). (grifei) Em outras palavras, a dedutibilidade da despesa é condicionada à comprovação da efetiva realização do gasto e que estes tenham relação direta com pessoas ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da mesma. Conforme se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 886 a 901, houve todo um esforço da fiscalização, por meio de intimações e reintimações ao contribuinte para que este demonstrasse a efetividade da prestação dos serviços que pagou. A Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.150 5 apresentação de contratos de prestação de serviços e das notas fiscais não tem o condão de comprovar a efetividade dos serviços foram prestados. Os relatórios juntados com a impugnação (fls. 1032 e seguintes) demonstram o “cálculo” das “comissões” por serviços pretensamente prestados, mas não comprovam a execução desses serviços. Necessária a apresentação de provas adicionais, tais como relatórios de consultoria e de assessoria que teriam sido executados, contratos dos clientes que o fornecedor dos serviços diz ter captado para a autuada, material de treinamento, enfim, todo e qualquer meio de prova que viesse ao encontro do alegado e que materialize a execução dos serviços, o que tornariam hábeis e idôneas as notas fiscais emitidas, o que não foi feito pela defesa. Para confirmar as suas conclusões, o agente fiscal ainda circularizou os principais fornecedores de serviços, intimandoos a demonstrarem a efetiva prestação de serviços realizados, o que também não ocorreu. Limitaramse a descrever, de forma genérica e sucinta, tratarse da prestação de “serviços de consultoria comercial na intermediação e promoção de negócios na captação de clientes e assessoria no treinamento da equipe de promoção de vendas”(fls.847), sem apresentar qualquer documento que atestasse a execução desses serviços, conforme se verifica nas respostas dadas, de fls. 830 a 879. Vejase o que relatou a fiscalização, fls. 896: “Com a finalidade de firmar o convencimento do fisco em face da falta de documentação comprobatória não apresentada por parte da fiscalizada, deuse início a um procedimento de circularização nas empresas prestadoras de serviços (Fls. 830 a 879). As empresas circularizadas foram intimadas a apresentar a) talonarios de Notas Fiscais utilizados ao longo do anocalendário de 2004; b) descrição dos serviços prestados ao Banco Morada 5/A e c) documentação comprobatória que demonstrasse que as receitas decorrentes de negócios realizados com o Banco Morada S/A corresponderam a bens ou serviços efetivamente prestados. De forma resumida, foram seis empresas circularizadas de um montante de sete (a empresa FAMILIA PAULISTA PROMOTORA DE VENDAS LTDA deixou de ser circularizada por falta de tempo hábil). A exceção de duas prestadoras de serviços (1 PLANEI ASSESSORIA LTDA; 2IDEAL ASSESSORIA E CONSULTORIA S/C LTDA), nem a fiscalizada nem as demais prestadoras de serviços circularizadas apresentaram qualquer documentação comprobatória de que os serviços prestados foram efetivamente executados, limitaramse a fornecer, conforme já visto, cópias de contratos, pagamentos e notas fiscais de serviços cujas descrições dos serviços foram feitas de forma genérica e resumida, não permitindo a identificação do serviço prestado. Quanto aos serviços em si, não se encontra nos autos um único documento que confirme suas prestações. Os termos, respostas e conclusões sobre as diligências encontramse em diversos demonstrativos elaborados e anexados ao presente termo (Fls. 830 a 879). O fato concreto é que não há nos autos provas concretas da execução dos serviços contratados pela autuada. Assim, não há como respaldar a dedutibilidade de uma despesa caracterizada pela liberalidade da empresa em pagar prestadores de serviços sem comprovação da efetividade dos serviços prestados. Portanto, não atendidos os critérios de necessidade, usualidade e normalidade dos serviços prestados, necessários à atividade da empresa, previstos no art. 299 do RIR/99, não resta outra alternativa senão glosar referidas despesas. Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.151 6 Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001001/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NÃO APONTADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhecem dos embargos que não apontam a omissão ou contradição no acórdão embargado, mas restringe-se a alegar a existência de equívoco em sua fundamentação, em face dos elementos dos autos. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta.
Numero da decisão: 1302-001.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos interpostos, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo,
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NÃO APONTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhecem dos embargos que não apontam a omissão ou contradição no acórdão embargado, mas restringese a alegar a existência de equívoco em sua fundamentação, em face dos elementos dos autos. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos interpostos, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Declarouse impedido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 10 01 /2 00 6- 90 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10950.001001/200690 Acórdão n.º 1302001.440 S1C3T2 Fl. 178 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1302001.282 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 05/12/2013, com a seguinte ementa: MULTA REGULAMENTAR. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. CARACTERIZAÇÃO. Restando evidenciado que a indicação de fundamentação legal equivocada causou incerteza na discussão da matéria por parte da recorrente, prejudicando o pleno exercício de seu direito de defesa, o lançamento deve ser declarado nulo, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/1972. O colegiado negou provimento ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, cancelando a exigência da multa regulamentar em face da fundamentação legal equivocada ter prejudicado o direito de defesa da recorrente. Encaminhados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 27/01/2014, para fins de ciência do acórdão, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, restou configurada a intimação do Procurador da Fazenda Nacional em 26/02/2014, nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs, em 28/01/2014, embargos de declaração, sustentando que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso invocando para tanto as razões da decisão da DRJ, sendo que esta teria se equivocado quanto ao fundamento da acusação de omissão na apresentação dos arquivos magnéticos, imputada pela fiscalização. Alega que existe total adequação entre a acusação fiscal e a conduta omissa. Ao final, a embargante requer “o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas”. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10950.001001/200690 Acórdão n.º 1302001.440 S1C3T2 Fl. 179 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, pelo que passo a examinar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Alega, a embargante que a decisão recorrida ao negar provimento ao recurso de ofício teria se amparado em fundamento equivocado contido na decisão de primeiro grau. A embargante, todavia, não aponta qualquer omissão ou contradição no acórdão embargado, mas tão somente alega a perpetração de um suposto equívoco de entendimento originado no acórdão de primeiro grau. Não obstante o acórdão embargado tenha transcrito trecho parcial da decisão de primeiro grau o certo é que indicou como razão de decidir a existência de prejuízo ao direito de defesa da recorrente em face da indicação de enquadramento legal equivocado. Assim, o que a embargante pretende é o reexame do entendimento acolhido no acórdão embargado. Como cediço, “o objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão. Não se presta, portanto, esse recurso, a corrigir uma decisão errada” 1. Desta feita, ainda que o acórdão recorrido não tivesse adotado o melhor entendimento na análise dos elementos dos autos, como sustenta a embargante, não cabe em sede de recurso de embargos rediscutir a valoração dada pelo colegiado ao conjunto probatório apreciado. Assim, entendo que o recurso não pode ser conhecido, pois não preenche os requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do RICARF. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer dos embargos interpostos. Sala de sessões, em 29 de Julho de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 1 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. CURSO AVANÇADO DE PROCESSO CIVIL, volume I: Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. 12 ed. São Paulo Editora Revista dos Tribunais, 2011. p. 714. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10950.001001/200690 Acórdão n.º 1302001.440 S1C3T2 Fl. 180 4 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000858/2007-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Despesas Operacionais. Assistência Médica de Empregados e Dirigentes
Não existe previsão legal que imponha a condição da dedutibilidade da despesa à extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da pessoa jurídica, indistintamente.
Tributação Reflexa. CSLL
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-002.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que negava provimento ao recurso e apresentará Declaração de Voto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 DESPESAS OPERACIONAIS. ASSISTÊNCIA MÉDICA DE EMPREGADOS E DIRIGENTES Não existe previsão legal que imponha a condição da dedutibilidade da despesa à extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da pessoa jurídica, indistintamente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que negava provimento ao recurso e apresentará Declaração de Voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 08 58 /2 00 7- 87 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Brasilia/DF que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências de IRPJ e de CSLL consubstanciadas nos autos. Por resumir os fatos adequadamente adoto o relatório da DRJ em Brasília/DF: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 366/386, formalizando lançamentos de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo aos anoscalendário de 2002 e 2003, incluindo juros de mora calculados até 28/09/2007 e multa proporcional de 75%, totalizando R$ 545.671,68: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 401.229,22 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 144.442,46 A descrição dos fatos dos autos de infração remete ao Relatório de Verificação Fiscal lavrado às fls. 369/373, que conclui pela glosa das seguintes despesas deduzidas indevidamente na apuração dos resultados tributáveis:' a) despesas consideradas não necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora dos rendimentos, no valor de R$ 42.419,53, em 31/12/2003; b) custo de aquisição de bens que deveriam ter sido contabilizados no ativo permanente, no valor de R$ 119.856,36, em 31/12/2003; e c) despesas efetuadas a título de “assistência médica”, correspondentes a pagamentos à empresa Amil Assistência Médica Internacional Ltda., que só são dedutíveis quando destinadas indistintamente a todos os empregados e dirigentes da pessoa jurídica, na forma do art. 13, inciso V, da Lei n º.9.249, de 1995, c/c o art. 360 do Dec. n°. 3.000, de 1999 (RIR/99), condição não satisfeita pela contribuinte, nos importes de R$ 244.341,59 e R$ 271.796,46, em 31/12/2002 e 2003, respectivamente. Cientificada pessoalmente das exigências em 15/10/2007 (fls. 366 e 379), a contribuinte apresentou em 14/11/2007 a petição acostada às fls..39l/398, impugnando parcialmente as matérias objeto dos autos de infração, como se detalha a seguir. Quanto às infrações capituladas como DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS e BENS DO ATIVO PERMANENTE, a interessada abdica expressamente de questionálas, informando que recolheu os valores exigidos no auto de infração, com o benefício da redução da multa de oficio em 50%, como atesta o DARF exibido à fl. 411, no total de R$ 106.319,94. No tocante à glosa dos valores relativos a despesas de assistência médica, a impugnante argumenta que a dedução é cabível, na medida em que a redação do art. 13, inciso V, da Lei n º. 9.249, de 1995, que reproduz, não condiciona a dedução à Fl. 548DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000858/200787 Acórdão n.º 1801002.031 S1TE01 Fl. 3 3 destinação indistinta do beneficio da espécie a todos os, funcionários e dirigentes da pessoa jurídica. Essa condição, que foi a causa motivadora da glosa procedida pela fiscalização, foi expressa pelo art. 360 do Dec. n º. 3.000, de 1999 (RIR/99), cuja redação introduziu restrição não originalmente prevista no texto da lei, desviandose, assim, o Poder Executivo, de sua função constitucional de regulamentar a lei (art. 84, IV, da CF/88), incorrendo em violação do princípio da legalidade tributária e do que determina o art. 99 do CTN. Ressalva que se fosse vontade do legislador restringir o direito à dedução de despesas com assistência médica, o faria expressamente, de modo análogo ao aconteceu em relação às despesas com alimentação, cujo art. 13, § l º, da própria Lei n º. 9.249, de 1995, admite a dedução somente quando o fornecimento alcançar indistintamente todos os empregados da empresa. A Turma de Julgamento de 1a. Instância, ao justificar a manutenção da parcela remanescente das exigências, cuja infração foi impugnada, consignou que não haveria contradição entre o que dispôs o art. 360 do RIR/99 e o que fora previsto no art. 13, V da Lei n º 9.249, de 1995. Nesse sentido, consignou: Em uma análise minudente dos dois textos, podese depreender que não há entre eles a antinomia apontada pela interessada. Vejase que o legislador, ao definir o universo dos beneficiários, elegeu que os seguros e planos de saúde e de previdência complementar devem ser instituídos em favor dos (preposição de + artigo definido os) empregados e dirigentes, o que traduz abrangência dos benefícios a todos eles. Caso contrário, se o legislador pretendesse autorizar a dedução sem que os benefícios tivessem como destinatários todos os empregados e dirigentes, mas apenas alguns, bastaria utilizar simplesmente a preposição de, ou seja, benefícios da espécie instituídos em favor de empregados e dirigentes poderiam ser dedutíveis. No texto regulamentar constante do art. 360 do Dec. n º 3.000, de 1999, o Poder Executivo limitouse a declarar (no sentido de tornar claro) a condicionante estabelecida na dicção da própria lei ordinária, empregando, em lugar de “instituídos em favor dos empregados e dirigentes”, a expressão “destinados indistintamente a todos os seus empregados e dirigentes.” Nec plus ultra. Notificada da decisão, em 23/10/2008 (AR fl. 526 p.d.), apresentou a interessada, em 24/11/2008, recurso voluntário (fls. 527 e ss p. d.). Preliminarmente sustenta a tempestividade da peça de defesa e a inexigibilidade de depósito prévio ou de arrolamento de bens para conhecimento do recurso interposto. No mérito defendeu que a dedutibilidade das despesas com pagamentos de planos de saúde a funcionários e diretores estaria justificada pelo caráter que dela se revelaria de substituição da função Estatal pelo particular, acrescentando que a norma legal – art. 13, V da Lei 9.249/95 não teria estabelecido qualquer condição para referida dedutibilidade, extrapolando, nesse sentido, a norma regulamentadora – art. 360 do RIR/99. Tece comentários a respeito do princípio da legalidade em matéria tributária e reafirma que o Poder Executivo, ao regulamentar o texto legal, extrapolou em seu poder introduzindo condição não prevista pelo legislador ordinário. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Ao final pede pelo provimento do recurso. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Alberto de Medeiros Filho, OAB/DF nº 24.741. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se constata do relato a parte controvertida dos presentes autos diz respeito às despesas efetuadas pela recorrente com convênios médicos, consideradas indedutíveis pelo agente fiscal, porque os benefícios contratados não teriam sido destinados indistintamente a todos os empregados e dirigentes da empresa. A recorrente, a seu turno, aduz que a Lei n º 9.249, de 1995, que autorizou a dedutibilidade de tais despesas, não menciona qualquer condição para sua fruição e que somente o Regulamento do Imposto de Renda, ato unilateral do Poder Executivo, aprovado pelo Decreto n º 3.000, de 1999, ao compendiar os atos legais, inseriu, indevidamente, na redação do dispositivo, condição não prevista em lei para a dedutibilidade desse tipo de despesa. Com efeito, a Lei n º 9.249, de 1995, autorizou, no art. 13, V, a dedutibilidade de despesas efetuadas com planos de assistência médica a empregados e dirigentes das pessoas jurídicas, nos seguintes termos: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: ... V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000858/200787 Acórdão n.º 1801002.031 S1TE01 Fl. 4 5 (*) destaques acrescidos A IN SRF n º 11, de 1996, que dispõe “sobre a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do anocalendário de 1996”, também se referiu expressamente a tais despesas, no art. 28, § 1º, “a”: Art. 28. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é vedada a dedução das despesas com doações e contribuições não compulsórias. § 1º A vedação de que trata este artigo não se aplica, exclusivamente, em relação às: a) contribuições destinadas a custear seguros e planos de saúde e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; Contudo, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n º 3.000, de 1999 – RIR/99, prevê, no art. 360: Art. 360. Consideramse despesas operacionais os gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinados indistintamente a todos os seus empregados e dirigentes. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V). (*) negritei e sublinhei Interessante notar que o art. 360 do RIR/99 tem, expressamente, por base legal, o artigo 13, V da Lei n º 9.249, de 1995. Contudo, como visto nos parágrafos anteriores, na redação do art. 13, V, da Lei n º 9.249, de 1995, não constou a expressão “indistintamente”, tampouco tal expressão foi inserida no art. 28, § 1º, “a” da IN SRF n º 11/96, que, a rigor, mantémse em vigor, pois não foi revogada por nenhum outro ato legal ou infralegal. Verificase, assim, que o Decreto n º 3.000, de 1999 – RIR/99, inseriu no texto do diploma da Lei n º 9.249, de 1995, e no texto da norma complementar – IN SRF 11/96, condição para dedutibilidade de despesas com pagamento de planos de assistência médica de empregados e dirigentes que não existia nesses comandos normativos. A Turma Julgadora de 1a. Instância justificou a manutenção da glosa à gramática adotada nos textos do art. 13, V da Lei n º 9.249, de 1995 e do art. 360 do RIR/99, consignando que o uso da expressão “dos” – na frase “em favor dos” – como resultado da junção da preposição “de” e do artigo “os”, obrigatoriamente traduziria a abrangência do benefício a todos os empregados e dirigentes, sem distinção, o que seria diferente se o legislador tivesse se utilizado no texto apenas da preposição “de”, significando que não haveria a obrigatoriedade de disponibilizar o benefício a todos indistintamente. Assim, ao aplicador da Lei restaria a clareza do raciocínio: a expressão “dos” levaria a concluir, sem qualquer de dúvida, que o benefício somente seria dedutível se estendido a todos os funcionários e dirigentes, indistintamente. Como dito, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, reproduz comando legais e normativos, organizandoos de modo a facilitar o Fl. 551DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 entendimento de tais normas. E como visto, na base legal do art. 360 do RIR/99 13, V, da Lei n º 9.249, de 1995 não foi prevista qualquer outra condição para dedutibilidade da despesa, além daquelas previstas no próprio comando legal. Assim, não havendo base legal que sustente a manutenção da indedutibilidade das despesas com pagamento de assistência médica de empregados e diretores, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque A presente Turma de Julgamento decidiu por dar provimento ao recurso voluntário em análise. Manifesto meu respeito pelo entendimento dos ilustres Conselheiros, mas peço vênia para discordar e utilizo a presente declaração para registrar minhas razões de divergência. Conforme já foi muito bem relatado, o presente processo trata de lançamento tributário de IRPJ e CSLL em razão de terem sido glosadas despesas com convênios médicos. A glosa foi motivada pelo fato de os convênios não beneficiarem a todos os empregados e dirigentes da empresa. O recorrente alega que o artigo 13 da Lei n º 9.249, de 1995, autoriza a dedução de despesas com planos de saúde, sem exigir que beneficie a todos os empregados, embora reconheça que tal exigência esteja normatizada no artigo 360 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999. Embora eu reconheça que o Decreto nº 3.000, de 1999, trouxe limitação não prevista na Lei nº 9.249, de 1995, curvome à força normativa do Decreto nº 70.235, de 1972, que tem status de lei ordinária, quando o seu artigo 26A veda aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000858/200787 Acórdão n.º 1801002.031 S1TE01 Fl. 5 7 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, o Decreto nº 3.000, de 1999, não pode deixar de ser aplicado por este órgão de julgamento, mesmo que esteja violando o princípio da legalidade. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 553DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13827.000653/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF. Júlio César Alves Ramos Presidente Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13827.000653/200530 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.777 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2013 Assunto Pis e Cofins Recorrente Zevel Veículos e Peças Ltda Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 27 .0 00 65 3/ 20 05 -3 0 Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13827.000653/200530 Resolução nº 3401000.777 S3C4T1 Fl. 6 2 RELATÓRIO Cuidase de pedido de restituição, referente ao período de 01/06/2000 a 31/10/2002, protocolado, no valor equivalente na qual se pleiteia a repetição de indébito de PIS e COFINS em razão da inclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados na base de cálculo das contribuições, em razão das previsões das Instruções Normativas SRF n. 54/00 e artigo 44 da Medida Provisória n. 199115, de 10 de março de 2000, MP 215835 de 24 de agosto de 2001. O referido pedido de restituição restou indeferido por meio de Despacho Decisório proferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP, que obteve a seguinte ementa: DESPACHO DECISÓRIO SAORT Assunto: Restituição de PIS e COFINS referente ao IPI da base de cálculo. Período – 07/2000 a 10/2002 Valor Solicitado – R$ 210.702,85 Ementa: Não há previsão legal para a exclusão do IPI na base de cálculo do PIS e COFINS de revendedor de veículos. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA e COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Diante do indeferimento do pedido de restituição em menção, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 1204/1211. Ao analisar os argumentos ali contidos, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão nº. 1434.639, fl. 1218/1222, na qual não reconheceu o direito creditório pretendido, julgandoa improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Cofins devida pelos fabricantes ou importadores de veículos, na condição de substitutos tributários dos comerciantes varejistas, conforme Medida Provisória n. 1.99115 e reedições, é o preço da venda da pessoa jurídica fabricante, o qual inclui o IPI cobrado na operação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13827.000653/200530 Resolução nº 3401000.777 S3C4T1 Fl. 7 3 A base de cálculo da Cofins devida pelos fabricantes ou importadores de veículos, na condição de substitutos tributários dos comerciantes varejistas, conforme Medida Provisória n. 1.99115 e reedições, é o preço da venda da pessoa jurídica fabricante, o qual inclui o IPI cobrado na operação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 PRIMEIRA INSTÂNCIA. VINCULAÇÃO. O julgador administrativo de primeira instância está vinculado ao entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, sustentando, em suma, que a Instrução Normativa SRF n. 54/00 carece de validade, posto que não compete à SRF inovar ou majorar a base de cálculo de tributos, violando o art. 100, I, do CTN, inovando na ordem jurídicotributária. É o relatório. VOTO Conselheira Ângela Sartori, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme documento de fl., e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Apesar de o Recorrente inicialmente lançar seus argumentos em face da legalidade ou não da IN SRF n. 54/2000, em verdade, a questão enfrenta necessariamente a definição do conceito constitucional de faturamento. Oocrre que, a matéria teve reconhecida a Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal – STF, em 09/09/2010, através do RE 605506RG, de relatoria da então Ministra Ellen Gracie, consubstanciado no tema 303, in verbis: TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA FRENTE. MONTADORAS DE VEÍCULOS. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA. POSSIBILIDADE DA CONSIDERAÇÃO DO IPI PARA FINS DE CÁLCULO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 605506 RG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 09/09/2010, DJe224 DIVULG 22112010 PUBLIC 23112010 EMENT VOL0243602 PP00334 ) Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13827.000653/200530 Resolução nº 3401000.777 S3C4T1 Fl. 8 4 Os argumentos tecidos pelo recorrente no processo acima são os mesmos do contribuinte do presente processo administrativo, para tanto, vejase trecho do voto da repercussão geral, in verbis: 1. A empresa recorrente entende que as Medidas Provisórias 2.15835/01 e 1.99115/00 e a IN 54/00 teriam violado os arts. 145, parágrafo 1o, 150, parágrafo 7o e 195, I, b, da Constituição, na medida em que o IPI Não constitui receita da empresa substituída, mas da própria União. Estaria, assim, desbordando do conceito de receita que constitui a base econômica dada à tributação. 2. Se a argumentação tem consistência ou não, é matéria de mérito, sendo certo, contudo, que a questão sempre foi colocada pela empresa recorrente sob a perspectiva constitucional justificandose o seu conhecimento. Em relação ao sobrestamento esclarece o site do STF: 10/09/2010 Decisão pela existência de repercussão geral PLENÁRIO VIRTUAL Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada,. Sendo assim, é o caso de aplicação §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF que assim dispõe: § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Ex positis, em atendimento ao §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, voto pelo sobrestamento do julgamento do presente Recurso Voluntário, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 605506RG pelo STF. Ângela Sartori Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724674/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91.
SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 251 1 250 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.724674/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.584 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2014 Matéria SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO DE INCENTIVO Recorrente ALA DISTRIBUIDORA DE FILTROS E LUBRIFICANTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 74 /2 01 0- 41 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 2 devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10980.724674/201041 Acórdão n.º 2401003.584 S2C4T1 Fl. 252 3 Relatório ALA DISTRIBUIDORA DE FILTROS E LUBRIFICANTES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 0634.075/2011, às fls. 218/235, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, lavrado em 22/11/2010 (AR fl. 83), referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados e contribuintes individuais a título de prêmio/incentivo, em relação ao período de 01/2006 a 01/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 52/55, consubstanciadas nos seguintes Levantamentos: 1) IH – Pagamentos Comissões Notas Fiscais – salário de contribuição apurado a partir do valor total creditado nas contas dos cartões dos segurados, em razão de a empresa ter deixado de informar os valores individualmente. Multa de 24%; 2) IH1 – Pagamentos Comissões Notas Fiscais – salário de contribuição apurado a partir do valor total creditado nas contas dos cartões dos segurados, em razão de a empresa ter deixado de informar os valores individualmente. Multa de 75%, mais benéfica; 3) PA – Pagamentos Comissões Autônomos remunerações apuradas com base nas informações sobre os valores pagos aos segurados autônomos, prestadas pela contribuinte conforme planilha anexa; 4) PC – Pagamentos Comissões Empregados remunerações apuradas com base nas informações sobre os valores pagos aos segurados empregados, prestadas pela contribuinte conforme planilha anexa; 5) PS – Pagamentos Comissões Sócios remunerações apuradas com base nas informações sobre os valores pagos aos segurados sócios (gerentes), prestadas pela contribuinte conforme planilha anexa; De conformidade com o Relatório Fiscal, o presente crédito previdenciário fora apurado com base nos valores nominais constantes das Notas Fiscais e Faturas de Prestação de Serviço emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE LTDA., devidamente elencadas naquele anexo, as quais foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal e confrontadas com os lançamentos contábeis do período Livros Diários e Folhas de Pagamento. Inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às fls. 240/249, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 4 total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. Em defesa de sua pretensão, infere que o fiscal autuante em momento algum demonstrou/comprovou, a partir de documentação hábil e idônea, que os pagamentos ora tributados se referiam a remunerações de contribuintes individuais (prólabore dos sócios), de maneira a fazer incidir contribuições previdenciárias. Disserta a propósito do programa desenvolvido pela empresa Incentive House, como forma de marketing promocional e campanhas de gratificação, elucidando que os prêmios pagos aos segurados empregados consistem em pacote de incentivos concedidos quando atingidas metas fixadas pela empresa em que trabalham, para melhor rendimento e desempenho dos funcionários. Assevera que o fato de o prêmio concedido aos funcionários se dar mediante cartão de premiação não é capaz de atribuir a natureza de remuneração a tais importâncias, não se incorporando, a qualquer título, ao salário de contribuição, conforme se extrai da farta e mansa jurisprudência a propósito da matéria. Contrapõese ao presente lançamento, sob a alegação de que as verbas em comento concedidas por mera liberalidade da empresa aos segurados empregados, a título de prêmios, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não podendo ser consideradas remunerações, sobretudo por não se vislumbrar o caráter de contraprestação habitual pelos serviços prestados pelos funcionários. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que os valores pagos aos segurados empregados a título de prêmio, pagos de forma esporádica/eventual pelo cumprimento de metas previamente estabelecidas, não podem ser considerados salário de contribuição, uma vez lhes faltar os requisitos essenciais à caracterização da remuneração, especialmente a habitualidade e a contraprestação por serviços prestados. Acrescenta que a fiscalização não logrou comprovar que os valores pagos aos sócios gerentes, por meio da empresa Incentive House, de fato, se caracterizariam como pró labore, mormente diante da possibilidade de concessão de inúmeras rubricas à tais contribuintes individuais, sem a incidência de contribuições previdenciárias, tais como, distribuição de lucros, juros sobre capital próprio, etc. Igualmente, quanto aos prestadores de serviços autônomos, suscita que a autoridade lançadora não logrou comprovar que aquelas pessoas prestaram serviços à sociedade e receberam remuneração por isso. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10980.724674/201041 Acórdão n.º 2401003.584 S2C4T1 Fl. 253 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Preliminarmente, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em defesa de sua pretensão, infere que o fiscal autuante em momento algum demonstrou/comprovou, a partir de documentação hábil e idônea, que os pagamentos ora tributados se referiam a remunerações de contribuintes individuais (prólabore dos sócios), de maneira a fazer incidir contribuições previdenciárias. Igualmente, quanto aos prestadores de serviços autônomos, suscita que a autoridade lançadora não logrou comprovar que aquelas pessoas prestaram serviços à sociedade e receberam remuneração por isso. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos dos lançamentos foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 6 dos livros contábeis, Notas Fiscais, GFIP’s, folhas de pagamentos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Ademais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontrase maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Por outro lado, quanto à argumentação de que a fiscalização não teria comprovado que os valores, a título de prêmio, de fato, foram pagos aos contribuintes individuais, sócios ou demais prestadores de serviços, melhor sorte não socorre à recorrente. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é obrigação dos contribuintes a manutenção da escrita contábil de forma regular, de modo a fazer prova contra ou a seu favor. Na hipótese de não refletir o movimento real das remunerações dos funcionários da empresa, ou quando o contribuinte deixar de apresentar os documentos solicitados, os quais seriam capazes de demonstrar a perfeita base de cálculo ou comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias, a fiscalização dispõe de instrumentos excepcionais, arbitramento, por exemplo, para lançar os tributos devidos, atividade esta vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade, como se vislumbra no caso sub examine. Destarte, extraise do Relatório da Autuação, que a fiscalização intimou a contribuinte para apresentar a relação dos beneficiários dos prêmios concedidos, com os respectivos valores, que serviria para compor a base de cálculo das contribuições ora lançadas por arbitramento ou elidir a obrigação da contribuinte, não tendo esta fornecido ao fisco referida documentação. Dessa forma, in casu, não restou outra alternativa ao fiscal autuante senão promover o lançamento por aferição indireta, agindo da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, mormente com relação ao artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, que assim preceitua: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...]” Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10980.724674/201041 Acórdão n.º 2401003.584 S2C4T1 Fl. 254 7 Conforme se depreende do dispositivo legal encimado, bem como dos elementos constantes dos autos, de fato, o presente lançamento decorre de presunção. No entanto, tratase de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca. (CTN, art. 204 e parágrafo único). Na hipótese vertente, consoante se infere do Relatório Fiscal e anexo FLD, a autoridade lançadora ao promover o lançamento, imputou devidas as contribuições ora lançadas, apuradas por aferição indireta, com espeque no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por tratarse de presunção juris tantum, albergada por lei, mas passível de comprovação do contrário presumido. A recorrente assim não procedendo com documentos hábeis e idôneos, é de se manter o lançamento na forma da peça vestibular do feito, não havendo que se falar em afronta aos princípios do devido processo legal e da verdade material ou real. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea, mormente tratandose de lançamento por arbitramento. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. MÉRITO Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais a título de Prêmios de Incentivo, por meio da empresa Incentive House S/A, não podem ser admitidos como base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista lhes faltar os requisitos necessários à caracterização da remuneração, notadamente a habitualidade. Sustenta que o artigo 28, § 9º, item 7, da Lei nº 8.212/91, oferece proteção ao pleito da recorrente, impondo seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal, excluindose a tributação de referidas importâncias pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, sobretudo quando concedidas por mera liberalidade. Não obstante o esforço da contribuinte, mais uma vez, seu insurgimento não é capaz de macular a exigência fiscal em comento. Da análise dos autos, concluise que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, senão vejamos. Antes de se aprofundar no tema em discussão, imperioso destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, senão vejamos: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 8 III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer a contribuinte. Ocorre que, via de regra, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas em epígrafe, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. Ademais, observase que a própria contribuinte considera tais verbas como prêmios, ou seja, uma vantagem, sendo cediço na legislação que disciplina a matéria e jurisprudência administrativa que valores recebidos a título de prêmios são considerados como salário de contribuição, como segue: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10980.724674/201041 Acórdão n.º 2401003.584 S2C4T1 Fl. 255 9 Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição. Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Mister elucidar, ainda, que, tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos funcionários a título de prêmio devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 10 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE
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Numero do processo: 19515.006151/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/07/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. CANCELAMENTO DA MULTA. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente do suposto descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Júlio César Vieira Alves - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2004 a 30/07/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. CANCELAMENTO DA MULTA. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente do suposto descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Júlio César Vieira Alves - Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Recorrente UNIVERSO ONLINE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/07/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. CANCELAMENTO DA MULTA. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente do suposto descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Júlio César Vieira Alves Presidente Thiago Taborda Simões – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 61 51 /2 00 8- 65 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.006151/200865 Acórdão n.º 2402003.601 S2C4T2 Fl. 234 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado sob n° 37.190.9945, por ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, IV e § 5° c/c com o art. 225, IV e § 4°, da Lei n° 8.212/00, bem como do art. 225, IV e §4°, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Nos termos do relatório fiscal de fls. 33, a empresa deixou de incluir em GFIP valores relativos a diferenças de valores de SAT/RAT no período de Setembro a Dezembro de 2004 e o Décimo Terceiro Salário. Ainda de acordo com o REFISC, não foram informadas em GFIP as contribuições relativas a PLR paga pela empresa a seus empregados em desacordo com a legislação, na competência de julho de 2004. As contribuições omitidas referentes ao SAT foram objeto do Auto de Infração n° 37.190.9929 (PAF n° 19515.006153/200854) e as relativas à PLR dos autos de infração n° 37.190.9970 e 37.190.9988. Intimada da autuação, a Recorrente, às fls. 62/81, apresentou impugnação a qual fora julgada improcedente (fls. 165/178), para manter o crédito tributário em questão, sob o fundamento de que, por tratarse de processo de obrigação acessória, deveria acompanhar a conclusão dos processos de obrigação principal. Às fls. 163/164 foi proferido despacho determinando o apensamento, uma vez que conexos os processos. Intimada do julgamento da impugnação (fls. 182), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 183/206, alegando, em suma: i) Que há tempos a empresa celebra programas de distribuição de lucros, sempre com previsão clara e detalhada das condições do acordo, como período de vigência, periodicidade, elegibilidade e metas; ii) Que em todos os anos os programas de participação estiveram balizados nos mesmos critérios, o que permitia que as metas e requisitos sempre fossem conhecidos pelos empregados e pelo Sindicato; iii) As negociações e a própria fixação de metas ocorreram em período anterior à apuração dos resultados almejados e ao pagamento de PLR realizado, de modo a dar pleno conhecimento aos empregados acerca da ‘performance’ esperada ao longo do ano; iv) A assinatura do plano ter ocorrido em junho de 2004, ou seja, no meio do exercício, não significa que somente nesta data foram realizadas as negociações acerca do que restou formalizado e assinado pelas partes; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 v) Verificase que: conforme requisitos traçados pela DRJ para fruição da isenção não há qualquer imposição legal quanto ao momento da assinatura e formalização do acordo; mesmo antes da assinatura formal do PPR as negociações e a comunicação dos níveis de qualidade e produtividade eram levados a efeito; vi) A participação do Sindicato nas negociações e as regras sendo claras e objetivas – requisitos que em nenhum momento foi negado pela Autoridade Fiscal e DRJ –, protegem e garantem aos trabalhadores a justa parcela nos pagamentos sobre os lucros, bem como o direito às partes envolvidas estarem cientes em que termos foi acordado; vii) A integração entre o capital e o trabalho se fez presente neste plano e foi definitivamente alcançada dado o atingimento dos resultados almejados e os trabalhadores foram recompensados com parte deste lucro; viii) Não há prejuízo ao incentivo à produtividade quando o acordo é assinado no final de período de mensuração nos casos em que os parâmetros de distribuição de valores se repetem durante anos; ix) A reclassificação da Recorrente no CNAE 72900 para cobrança do SAT à alíquota de 2% foi feita sem qualquer justificativa e a DRJ, na tentativa de salvar o auto de infração, alegou ponto novo não abordado pela fiscalização – a atividade empresarial da Recorrente – que, em momento algum do Termo de Verificação Fiscal é analisada ou sequer questionada pela fiscalização; x) A autoridade julgadora deve solucionar a lide com base nos argumentos que lhe foram submetidos pelas partes, sendolhe vedado apresentar novos fundamentos para justificar a providência adotada pelo agente enunciador do lançamento; xi) A Recorrente alterou seu enquadramento no CNAE 64203, vez que representava com precisão a atividade econômica na qual está alocada a maior parte dos seus empregados. Tal alteração decorreu da Resolução n° 7/2002, na qual a CONCLA incluiu no CNAE a subclasse mencionada, referente à atividade de provedora de acesso à internet, tributada à alíquota de 1%; xii) Que o agente fiscal, ao reenquadrar a Recorrente, deixou de verificar de forma efetiva e comprovada qual seria a atividade exercida pela maioria dos empregados da Recorrente, nos termos do § 3° do art. 202 do RPS; xiii) Que nos termos do art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, deve ser aplicável a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.006151/200865 Acórdão n.º 2402003.601 S2C4T2 Fl. 235 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No mérito Tratase de recurso interposto contra auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, nos termos disposto art. 32, IV e § 5° c/c com o art. 225, IV e § 4°, da Lei n° 8.212/00, bem como do art. 225, IV e §4°, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, teria deixado a Recorrente de incluir em GFIP valores relativos a diferenças de valores de SAT/RAT no período de Setembro a Dezembro de 2004 e o Décimo Terceiro Salário. Ainda de acordo com o REFISC, não foram informadas em GFIP as contribuições relativas a PLR paga pela empresa a seus empregados em desacordo com a legislação, na competência de julho de 2004 Ante a infração verificada, a autoridade fiscal imputou à Recorrente a multa prevista no art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91 e do art. 284, II e art. 373, do Decreto.n° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), correspondente a 100% do valor devido. Todavia, ante a ausência de infração verificada nos autos dos processos n° 19515.006157/200832 e 19515.006153/200854 (obrigações principais), não há que se falar em imputação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Ante o exposto, reconheço o direito da Recorrente ao cancelamento do auto de infração. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário e a ele dou provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11516.720752/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligencia. Vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Robson Jose Bayerl- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI E MÔNICA RIOS.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Resolvem, os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligencia. Vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Robson Jose Bayerl Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI E MÔNICA RIOS. RELATÓRIO Tratase de fiscalização em face da Brasil Foods S.A., CNPJ 01.838.723/0001 27, sucessora por incorporação da Perdigão S.A., nos termos dos arts. 129 e 132 do Código Tributário Nacional. A qual foi intimada de todos os atos de ofício, segundo a fiscalização no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1371/1389. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 75 2/ 20 12 -4 9 Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.720752/201249 Resolução nº 3401000.823 S3C4T1 Fl. 6 2 A presente autuação referese aos PER/Dcomp relativos aos 2º (PER 10183.905472/201174 e 10183.905474/201163), 3º (PER 10183.905477/201105 e 10183.905475/201116) e 4º (PER 10183.905476/201152 e 10183.905479/201196) trimestres de 2007, dentre as constatações da fiscalização, percebeuse que: 1 Grande parte das vendas de mercadorias com fim específico de exportação destinaramse à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S/A, situada na rua Jorge Tzachel, 475, Itajaí/SC, que não é armazém alfandegado; 2 A Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda excluiu parte significativa de sua receita da base de cálculo de PIS e COFINS, a título de receita de exportação (Linha 07 das Fichas 07A PIS e 17A COFINS), entre abril e dezembro de 2007, totalizando o importe de R$ 115.537.639,93 e, ao examinar as notas fiscais e registros do Siscomex, constatouse que a contribuinte não realizou nenhuma operação de exportação de mercadorias em seu nome no período fiscalizado. 3 – Nas vendas com CFOP 5501/6501, não se configurou o “fim específico de exportação”, de acordo com o DecretoLei n. 1248/72, art. 231 do Regulamento Aduaneiro e art. 10 do Decreto 1.455/76 e art. 14 da MP n. 2.15835/2001. 4 – A Perdigão Agroindustrial S.A, em seu próprio nome, adquiria as mercadorias da fiscalizada, “estufava” os contêineres em armazéns de terceiros e realizava as exportações. Dessarte, as vendas da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda para a Perdigão Agroindustrial S.A., eram vendas normais no mercado interno. 5 – Aparentemente, a Perdigão Agroindustrial S.A., operava com a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda como se esta fosse uma filial daquela, pois somente neste caso as mercadorias poderiam ser transferidas de uma para a outra sem incidência de PIS e COFINS, não importando onde as mercadorias fossem entregues. No entanto, embora façam parte do mesmo grupo econômico e tenham sido sucedidas pela mesma pessoa (BRF Brasil Foods S.A), Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda e Perdigão Agroindustrial S.A., eram, à época dos fatos, pessoas jurídicas distintas, que não se confundiam. 6 – Assim, no período de 04 a 12/2007, a contribuinte não faria jus à exclusão, da base de cálculo de PIS e COFINS, das saídas de mercadorias feitas em desacordo com as regras que outorgam a isenção às “vendas para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação”. O Resultado do auto de infração fora o importe de R$ 5.086.819,30 de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, R$ 2.370.425,85 de juros e R$ 3.815.114,48 de multa, totalizando o valor de R$ 11.272.359,63. Quanto à contribuição para o PIS/PASEP, o valor da Contribuição fora de 1.104.364,45 R$ 514.618,69 de juros e R$ 828.273,37 de multa, totalizando o montante de R$ 2.447.256,51, fl. 1426. Em virtude dos Autos de Infração lavrados , a empresa acostou nas fls. 1463/1559, impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, julgado, em 22 de março de 2013 (Acórdão 0730.939 – 4ª Turma), pela procedência parcial, fls. 1630/1675. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.720752/201249 Resolução nº 3401000.823 S3C4T1 Fl. 7 3 Na decisão, os membros da DRJ, por maioria de votos, julgaram por cancelar a exigência das multas de ofício nos valores de R$ 828.273,37 e 3.815.114,48, tendo, portanto, recorrido de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, I do Decreto 30.235/1972 e do art. 1º da Portaria MF n. 03/2008. Em face do Acórdão supracitado, o contribuinte interpôs nas fls. 1677/1747, Recurso Voluntário, com os seguintes argumentos, em síntese: Nulidades: 1.i) Ausência de motivação clara, explícita e congruente quanto aos créditos de PIS/COFINS: afirma o recorrente que os processos administrativos não possuem qualquer fundamentação acerca dos créditos de PIS/COFINS e outros apenas possuem um breve e genérico esclarecimento; não se pode glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, resumindose a citar a legislação e a linha da DACON; não houve a entrega juntamente com a notificação de qualquer relação dos itens glosados com a respectiva fundamentação fática e jurídica, sequer planilha e documento de suporte; 1.ii) Cerceamento do direito de defesa em razão da ausência de motivação clara, explícita e congruente; 1.iii) Descumprimento do art. 9º do Decreto n. 70.235/72, ausência de documentos e provas, inobservância do devido processo legal, em reflexo à ausência de motivação. 2) Ilegitimidade passiva da Perdigão MT Ltda., uma vez que, nos termos do relatório da fiscalização, a exigência de PIS e COFINS decorre do fato de que houve a desconsideração de exportação, razão pela qual o lançamento deveria ser realizado nas operações ligadas à exportação em face da compradora, qual seja: Perdigão Agroindustrial S.A., nos termos do art. 7º da Lei n. 10.637/2002. 3) A desoneração das receitas de exportação: o art. 149, parágrafo 2º, I da CF/88 impõe a impossibilidade de o legislador infraconstitucional tributar receitas de exportação, da mesma forma está o art. 5º da Lei n. 10.637/2002 e art. 6º da Lei 10.833/2003 e art. 44 e 45 do Decreto n. 4.524/2002; 4) Houve exportação dos produtos pela Perdigão Agroindustrial S.A., no prazo de 180 dias do recebimento das mercadorias; não houve creditamento do PIS e COFINS da exportação efetuada pela Perdigão Agroindustrial S.A.,; As notas fiscais e a contabilização pela recorrente são de venda com fim específico de exportação; A fiscalização reconhece possuir a compradora (Perdigão S.A.) todos os requisitos legais para exportar tais produtos; a irregularidade constatada pela fiscalização é apenas formal (os produtos foram armazenados em locais não alfandegados); 5) A legislação do PIS e da COFINS somente enunciam venda com fim específico de exportação, nada exigindo no tocante às questão de armazenagem em recintos alfandegários; 6) As glosas efetuadas tomaram como base os fundamentos das Instruções Normativas SRF n. 247/2002 e n. 358/2003. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.720752/201249 Resolução nº 3401000.823 S3C4T1 Fl. 8 4 É o relatório. VOTO Conselheiro Angela Sartori O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Afirma a recorrente que a Perdigão MT Ltda é parte ilegítima no presente processo administrativo, pois, nos termos do relatório da fiscalização, a exigência de PIS e COFINS decorre do fato de que houve a desconsideração de exportação, razão pela qual o lançamento deveria ser realizado nas operações ligadas à exportação em face da compradora, qual seja: Perdigão Agroindustrial S.A., nos termos do art. 7º da Lei n. 10.637/2002. Ocorre que o argumento não merece guarida. Concordo com a DRJ que afirma que as contribuições lançadas (no caso de receitas de vendas com “fim específico de exportação), foram praticados pela Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda e Não pela Perdigão Agroindustrial S/A. A responsabilidade tributária das contribuições devidas para o caso em tela, para empresa exportadora é do contribuinte vendedor das mercadorias e, tendo sido esta, incorporada pela empresa recorrente, tais débitos passaram a ser exigíveis de sua sucessora, nos termos dos arts. 129 e 132 do CTN, exceto a multa. Com relação a nulidade em razão do cerceamento do direito de defesa o recorrente afirma que os processos administrativos não possuem qualquer fundamentação acerca dos créditos de PIS/COFINS e outros apenas possuem um breve e genérico esclarecimento, sem ter havido qualquer relação dos itens glosados, com a respectiva fundamentação fática e jurídica, sequer planilha ou documento de suporte. Ocorre que essas premissas não se sustentam diante da documentação elaborada pela fiscalização e que está presente nos autos do presente processo administrativo, conforme já bem explanado pela DRJ no corpo do voto do julgador de piso. Foram trazidos aos autos do presente processo todos os despachos decisórios dos processos já mencionados no relatório, que tratam das glosas dos valores efetuadas na base de cálculo dos créditos das contribuições do 2º, 3º e 4º trimestres de 2007, com seus respectivos Termos de Verificação Fiscal. Para tanto, vejase o que está descrito nas informações fiscais dos despachos decisórios, fl. 1192, in verbis: 4.3. Das verificações realizadas Com a finalidade de verificar os créditos informados nos Dacon respectivos, foram utilizadas as memórias de cálculo fornecidas pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 001/01110 (recibo do SVA a fl. 291). Notese que as memórias de cálculo são essenciais para a comprovação do crédito pedido pelo contribuinte. É através das memórias de cálculo que o contribuinte informa à fiscalização Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.720752/201249 Resolução nº 3401000.823 S3C4T1 Fl. 9 5 quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo declarados em Dacon. Numa primeira etapa de verificação, as informações presentes nas citadas memórias de cálculo foram cotejadas com as notas fiscais, por meio do cruzamento com os arquivos magnéticos previstos na IN SRF nº 86/2001. Este procedimento permitiu a validação dos arquivos. Todas as notas fiscais foram confirmadas e consideradas no cálculo do crédito, com as eventuais inconsistências corrigidas de ofício. A segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”. A fiscalização analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens que davam direito a crédito. A terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo. Com este procedimento, podese identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita. Os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte seqüência: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do DACON; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não dão direito a crédito; subtraindose o segundo do primeiro, chegase ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Caso a diferença seja igual a zero ou negativa, não há glosa. Sequencialmente, podese representar os procedimentos de seguinte forma: 1. Soma dos itens na memória de cálculo 2. Resultado da aplicação da matriz de glosas 3. Valor reconhecido = linha 1 menos linha 2 4. Valor glosado = diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido. Ao final, os procedimentos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas e que todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nas planilhas “Relação de Notas Fiscais Glosadas” e “Crédito presumido – Detalhe”, que estão nas fls. 712/1186. Percebo que estes documentos descrevem as razões que embasaram o indeferimento por parte da fiscalização, com base na própria documentação do contribuinte, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa e suas repercussões. Dessa forma, entendo que o lançamento foi lavrado à época com observância do disposto no artigo 9o, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.720752/201249 Resolução nº 3401000.823 S3C4T1 Fl. 10 6 Ocorre que o lançamento fora efetuado com base nas IN 247/2002 e 404/2004, em analogia ao que se aplica ao IPI. No entanto, o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e COFINS, é próprio. Para tanto, colaciono precedente que julgo esclarecedor, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF. Processo: 13053.000112/200518, Contribuinte: DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVICOLA INDUSTRIAL, RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, Data da Sessão: 09/11/2011, Relator(a): NANCI GAMA, Nº Acórdão 9303001.740) No precedente acima, discutiuse acerca do conceito de insumo, deixandose claro tratarse de conceito próprio, alheio àquele de que trata a legislação do IPI, bastante restritivo, nem tão elástico quanto o conceito de despesa dedutível para fins do IRPJ. Reproduzo abaixo trechos da declaração de voto da conselheira Susy Gomes Hoffman, in verbis: “Em linhas gerais esta terceira corrente possui duas vertentes que, mais uma vez esclareço, não são conflitantes entre si: 1.Os insumos viriam de todos os bens e serviços que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada (diretos e indiretos para a produção do bem ou serviço); 2. Os insumos que geram o créditos são aqueles bens ou serviços imprescindíveis ao processo produtivo. .... Assim, entendo que todos os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção dos serviços e bens por ela realizada devem servir de crédito para apuração do PIS e da COFINS. .... Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.720752/201249 Resolução nº 3401000.823 S3C4T1 Fl. 11 7 Não é fácil, mas é necessário analisar, em cada caso, se o bem ou serviço objeto do processo administrativo, pode ser classificado como insumo para fins de crédito de PIS e COFINS. E, mais uma vez, é importante destacar que, o critério de julgamento vai necessariamente passar pela análise da relação entre o bem ou serviço produzido e os bens ou serviços utilizados para a sua produção. .... Em conclusão, para a utilização do bem ou serviço como insumo para fins de creditamento para PIS e COFINS eu afasto a utilização dos conceitos de insumo previstos na legislação do IPI e também a afasto a utilização da legislação do IRPJ para a caracterização do insumo numa analogia ao conceito de custos e de despesas necessárias. Todavia, será relevante verificar, se o bem ou o serviço é inerente, essencial e necessário à realização/produção do bem ou do serviço. .... Frente a todo o exposto, ao analisar o presente caso, entendo necessário verificar a relação entre o produto objeto da produção da empresa Recorrida – alimentos – e o insumo ora colocado em discussão: uniformes específicos determinados pela lei. Como critério entendo que serão inerentes ao produto ou serviço todos os bens ou serviços que são exigidos por lei para a realização da atividade fim da empresa (desde que o referido crédito não esteja expressamente vedado em lei). .... Por conclusão, resta indiscutível, neste caso que a utilização do uniforme específico determinado pela lei é uma atividade inerente para a produção do bem, pois sem a utilização deste uniforme a Recorrida não conseguiria realizar regularmente as suas atividades. Ou, ainda, são fatores de produção indiretos. Neste sentido, adotando o critério de que o bem ou o serviço para ser classificado como insumo apto a gerar crédito de PIS e COFINS precisa ser inerente à atividade empresarial (mas não necessariamente parte integrante do processo produtivo, no sentido de nele ser consumido), o que neste caso se reveste pelo fato de que, sem a utilização deste bem (uniformes obrigatórios por lei) o bem a ser produzido não alcança um requisito legal para ser disponibilizado à venda.” Por tal razão, entendo que cada “insumo” deva ser analisado sob a perspectiva do produto e seu processo, para que ele seja configurado ou não como insumo. Dentre os produtos indicados no documento Relação de Notas Fiscais Glosadas, estão os seguintes: PRODUTO MOTIVO PRODUTO MOT. PRODUTO MOT. PRODUTO MOT. PRODUTO OLEO DIESEL COMBUSTÍVEL CFOP PALLET NI CALCARIO NT CAULIM NT PINTO DL METIONINA Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.720752/201249 Resolução nº 3401000.823 S3C4T1 Fl. 12 8 ALUGUEL EQUIPAMENTO CFOP SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO) NI SERVIÇO FRETE E CARRETO CFOP BOTA DESCAR POLIETILENO COLORIDO NI DESINF ASSOC GLUT SERVIÇO LAVAGEM UNIFORMES NI SERVIÇO EXPEDIÇÃO E ARMAZENAGEM CEREAIS NI SC BIG BAG NI SERVIÇO MÃO DEOBRA; NI SERVIÇO IMOBILIZADO GERAL SOLVENTE NI SORGO GRANEL SU LACRE LARANJADO CFOP BUCHA NAVALHA NI SERVIÇO TECNICO ELETRICIDADE GASOLINA COMUM COMBUSTÍVEL VEÍCULOS NI MOTO BOMBA MOD.ME2 NI MILHO GRANEL SU DISCO CFOP BUJÃO ¼” GAS FACA INOX CFOP DEDO BORRACHA DUREZA CFOP DESENGRIPANTE METAL CFOP ANEL CFOP PAPEL MIOLO ONDULADO MOLA CFOP ROLETE LIMPAR MOELA CFOP ROLOS VISCERAIS CFOP ACOPLAMENTO SCHNEIDER NI TUBO COBRE SELO MEC NI CHAVETA NI COTOVELO NI ANEL O’RING SCHNEIDER NI EIXO SCHNEIDER ROTOR COM CUBO NI CONTRAPORCA NI PINCA DUPLA FILME NI GUANICAO TAMP SILICONE NI REBOLO LAPIDAÇÃO AFIADOR DICK REBOLO RETIFICA NI MANCAL ROLO NI MANCAL FREZZAS NI FOTOCELULA NI PASSADOR ELASTICO RODA DENTADA ASA NI BLOCO TERMINAL NI RESISTENCIA ABAULADA NI FIXADOR SDV NI VENTILADOR AXIAL GUIA DISCO NI TRILHO SOLDA NI VACUOMETRO NI O recorrente afirma em diversas passagens de sua peça recursal que tais produtos são aplicados no processo produtivo da empresa, que possui um procedimento complexo, dada peculiaridade de sua atividade. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11516.720752/201249 Resolução nº 3401000.823 S3C4T1 Fl. 13 9 Cita a jurisprudência deste conselho quanto a essencialidade dos Pallets, insumos para industrialização, higiene do processo fabril, dentre outros. Ocorre que o presente processo não está maduro para julgamento. Não obstante as planilhas (Matriz de Glosas) elaboradas pela fiscalização seja suficiente para não causar o cerceamento do direito de defesa, ela não está apta a descrever a aplicação do produto do recorrente no seu respectivo processo. Além da Matriz de Glosas, entendo ser necessário, ante a complexidade própria da atividade da recorrente e da quantidade de itens constantes nas notas fiscais apuradas pela fiscalização, a realização de diligência para que a recorrente elabore uma “Matriz de Insumos”, descrevendo seu processo produtivo e a aplicação dos referidos itens objeto de glosa pela fiscalização nas etapas respectivas, através de documento assinado por profissional apto a tal desiderato. Cabendo a fiscalização apresentar sua manifestação e relatório final do material apresentado pelo contribuinte. Abrindo vista ao contribuinte para se manifestar em 30 dias sobre o relatório final apresentado pelo fiscal. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. Angela Sartori Relator Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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