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Numero do processo: 10218.720641/2007-77
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Relatório
Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 76.004,99, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.
Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 2 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de reserva legal no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 3.
Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra SIPT da RFB.
A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 30/38, assim ementado:
Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2005 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal.
DO VALOR DA TERRA NUA - VTN.
Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado.
Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 44), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 45/68, acompanhado dos documentos de fls. 69/79. Na peça recursal aduz, em síntese, que:
Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia
- Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996.
- Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996.
- O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea a não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea b do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea c), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade.
- A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas a do inciso II do § 1° do art. 10.
- A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte.
- O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (art. 924).
- A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos).
- Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório.
- Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos.
Área indígena
- Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01).
- O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02).
- O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04).
- Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05).
- Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse.
- O imóvel - LOTE 14 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06).
Pedidos
Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 2 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de reserva legal no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 3. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 30/38, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2005 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 44), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 45/68, acompanhado dos documentos de fls. 69/79. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia - Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. - Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. - O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea a não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea b do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea c), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. - A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas a do inciso II do § 1° do art. 10. - A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. - O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (art. 924). - A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). - Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. - Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena - Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). - O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). - O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). - Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). - Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. - O imóvel - LOTE 14 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 76.004,99, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. 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Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .7 20 64 1/ 20 07 -7 7 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720641/200777 Resolução nº 2801000.315 S2TE01 Fl. 84 2 estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 30/38, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, informadas na DITR/2005 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 44), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 45/68, acompanhado dos documentos de fls. 69/79. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputarlhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720641/200777 Resolução nº 2801000.315 S2TE01 Fl. 85 3 A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluirse da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, tratase de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativoambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720641/200777 Resolução nº 2801000.315 S2TE01 Fl. 86 4 Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. O imóvel LOTE 14 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Registro, por primeiro, que as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios não perdem essa característica por ainda não terem sido demarcadas, na medida em que a demarcação tem efeito meramente declaratório, valendo destacar, sobre este ponto, o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Ayres Britto no julgamento da Petição 3.388 (Ação Popular de Demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol): 12. Direitos “Originários”. Os direitos dos índios sobre as terras que tradicionalmente ocupam foram constitucionalmente “reconhecidos”, e não simplesmente outorgados, com o que o ato de demarcação se orna de natureza declaratória, e não propriamente constitutiva. Ato declaratório de uma situação jurídica ativa preexistente. Esta a razão de a Carta Magna havêlos chamado de “originários”, a traduzir um direito mais antigo do que qualquer outro, de maneira a preponderar sobre pretensos direitos adquiridos, mesmo os materializados em escrituras públicas ou títulos de legitimação de posse em favor de não índios. Assim, nenhuma relevância tem para o caso concreto o fato de a homologação administrativa da demarcação da Terra Indígena APYTEREWA, localizada no Município de São Félix do Xingu, no Estado do Pará, ter acontecido no ano de 2007 (cópia do Decreto s/n, de 19/04/2007, às fls. 77/78) e o presente lançamento se referir ao exercício de 2005. O que importa, preliminarmente, para o deslinde da controvérsia, é saber se o Lote 14 da Fazenda Tucumanzeira está localizado nos limites da terra indígena demarcada. O Recorrente alega que o imóvel LOTE 14 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, conforme descrição no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007, que homologou a demarcação. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720641/200777 Resolução nº 2801000.315 S2TE01 Fl. 87 5 Nada obstante, a Declaração do ITR apresentada pelo Interessado revela que o endereço do imóvel em questão é a “margem direita do Rio Xingu”, que não se confunde com o Rio Bacajá, embora ambos tenham curso no Estado do Pará. Anoto, ainda, por oportuno, que tanto a fazenda do contribuinte, quanto a Terra Indígena APYTEREWA, estão localizadas no Município de São Félix do Xingu, o que me ocasionou dúvida se a divergência apontada decorre de mero engano do contribuinte. Nesse contexto, entendo que deva ser oportunizado ao Recorrente, pela última vez, comprovar que o imóvel objeto de tributação encontrase em terra tradicionalmente ocupada por índios, devidamente demarcada, o que o qualificaria como imóvel imune à tributação. Penso, todavia, que a prova deve ser feita exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da Fundação, com identificação do proprietário e do imóvel, atestando que a área total está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA). Os requisitos acima delineados são necessários para preservar a segurança jurídica na relação fisco/contribuinte. Face ao exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem intime o Interessado a comprovar que o Lote 14 da Fazenda Tucumanzeira está situado na terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), mediante a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará (com os requisitos acima mencionados). Após, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10875.907890/2012-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 90 /2 01 2- 99 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907890/201299 Acórdão n.º 3801003.797 S3TE01 Fl. 91 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/07/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito(s) do contribuinte, restando saldo creditório inferior ao pretendido.. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907890/201299 Acórdão n.º 3801003.797 S3TE01 Fl. 92 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907890/201299 Acórdão n.º 3801003.797 S3TE01 Fl. 93 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório reconhecido foi inferior ao pretendido, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam parcialmente vinculados a débitos já declarados. Diante da insuficiência do crédito, a compensação declarada foi parcialmente homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907890/201299 Acórdão n.º 3801003.797 S3TE01 Fl. 94 5 § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907890/201299 Acórdão n.º 3801003.797 S3TE01 Fl. 95 6 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917228/2011-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2002
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2002 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 28 /2 01 1- 13 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917228/201113 Acórdão n.º 3801003.964 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917228/201113 Acórdão n.º 3801003.964 S3TE01 Fl. 64 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917228/201113 Acórdão n.º 3801003.964 S3TE01 Fl. 65 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917228/201113 Acórdão n.º 3801003.964 S3TE01 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917228/201113 Acórdão n.º 3801003.964 S3TE01 Fl. 67 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917228/201113 Acórdão n.º 3801003.964 S3TE01 Fl. 68 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720402/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente o Dr. Luis Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ 88.704.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente o Dr. Luis Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ 88.704. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Alberga este feito lançamento de PIS/Pasep e Cofins decorrente de operações de alienações de ações envolvendo processos de “desmutualização”, referentes a fatos geradores ocorridos entre agosto/2008 e maio/2010. Considerando as peculiaridades do caso sub examine, adoto o relatório da decisão de primeiro grau administrativo, que passo a reproduzir: “2.2. O objeto da ação fiscal foi, dentre outros, a apuração de ganho de capital obtido em decorrência da desmutualização das Bolsas de Valores e da CETIP Associação, ocorridas em 2007 e 2008, bem como lucros auferidos quando da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 40 2/ 20 13 -1 2Fl. 581DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Resolução nº 3401000.834 S3C4T1 Fl. 3 2 subseqüente alienação das ações subscritas nestas operações. Anteriormente à abertura da ação fiscal em exame, foi lavrada no processo nº 16327.001281/201055 uma autuação contra o mesmo contribuinte, havendo a constituição de crédito tributário a título de PIS e Cofins relativo à venda de ações da BOVESPA/Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. 2.3. O Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. tem por objeto social a prática de todas operações permitidas aos bancos de investimentos, dentre as quais as operações de participação societária de caráter temporário (conforme o art. 1ª da Resolução CMN nº 2.624, de 1999). Por ser banco de investimento, a referida instituição financeira está sujeita à tributação do PIS e da Cofins, nos moldes da Lei nº 9.718, de 1998. 2.4. A BM&F foi constituída sob a forma de uma associação civil sem fins lucrativos. A partir de 20/09/2007, através de um processo de cisão parcial, o patrimônio daquela associação foi vertido para a BM&F S.A., sendo que na ocasião os títulos patrimoniais detidos pelos associados foram convertidos em ações, conforme deliberação de Assembléia Geral Extraordinária, operação denominada de desmutualização. 2.5. Os apontados títulos patrimoniais representavam frações ideais do patrimônio da BM&F, contabilizados em conta do Ativo Permanente dos detentores e atualizados periodicamente, com base nas demonstrações financeiras. A contrapartida dos acréscimos ao valor do citado ativo era contabilizada na conta de ‘Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais’, dentro da conta de ‘Reserva de Capital’, que compõe o Patrimônio Líquido. 2.6. Segundo consta no mencionado processo nº 16327.001281/201055, o Credit Suisse possuía dois títulos patrimoniais na BM&F (Membro de Compensação e Sócio Efetivo). Em decorrência do processo de desmutualização, ficou estabelecido que para cada título de Membro de Compensação corresponderiam 4.961.610 ações, perfazendo o montante de R$ 4.961.610,00 e que para cada título de Sócio Efetivo corresponderiam 10.000 ações, perfazendo o montante de R$ 10.000,00. 2.7. O Credit Suisse alienou as ações da BM&F S.A. em três etapas, conforme quadro a seguir, cabendo frisar que apenas a operação realizada em 31/12/2009 foi oferecida à tributação do PIS e da Cofins: 2.8. Ao ser intimado a esclarecer a exclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins da receita na alienação das ações (BM&F S.A.), o contribuinte explicou que os ganhos auferidos nestas operações não suscitaram pagamento das contribuições, pois, além de não serem receitas provenientes da venda de bens ou serviços, tais ações compunham o seu Ativo Permanente. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Resolução nº 3401000.834 S3C4T1 Fl. 4 3 2.9. Já a CETIP Associação foi constituída pelos participantes do mercado de renda fixa privado, sob a forma de associação civil sem fins lucrativos. Os títulos patrimoniais da CETIP Associação apresentavamse sob dois aspectos: (i) um de caráter patrimonial e (ii) outro de caráter operacional (denominado de direito de acesso). Por meio do processo de desmutualização, os direitos patrimoniais dos antigos associados foram desvinculados dos direitos de acesso e convertidos em participações acionárias, mediante processo de subscrição. Após a mencionada operação, as atividades da CETIP passaram a ser desempenhadas por uma nova sociedade por ações, com fins lucrativos, denominada CETIP S.A. 2.10. Na desmutualização da CETIP Associação, em 31/07/2008, o Credit Suisse subscreveu 406.506 ações da CETIP S.A., a um custo de R$ 447.827,362. Em 30/10/2009, esta instituição financeira alienou 250.672 ações da CETIP S.A, tendo auferido um resultado da ordem de R$ 2.479.144,07. Em seguida, o saldo de ações restante foi alienado em 30/04/2010 e 17/05/2010, tendo sido apurado um resultado de R$ 2.985.682,85 e R$ 411.974,33, respectivamente. Estes resultados também foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins, ao mesmo argumento de ser tratar de venda de bens do Ativo Permanente. 2.11. A autoridade fiscal desenvolveu argumentação sobre a descaracterização da intenção de permanência na aquisição dos apontados ativos, considerados de caráter temporário e que deveriam ter sido registrados no Ativo Circulante do Credit Suisse. Para se atingir este entendimento, foi analisada a natureza das operações dos bancos de investimentos, bem como a legislação societária, comercial e tributária, as quais conduziram à mesma conclusão de impossibilidade de classificação das indigitadas ações no Ativo Permanente. 2.12. Dessa forma, por ter considerado irregular a exclusão nas bases de cálculo do PIS e das Cofins das receitas das alienações da BM&F S.A e CETIP S.A., a Fiscalização efetuou o lançamento de ofício das contribuições, ora em exame. 3. Devidamente cientificado da exigência em 23/04/2013, a pessoa jurídica autuada apresentou a sua impugnação no dia 23/05/2013, contendo as seguintes justificativas, em síntese: 3.1. Informa que em 09/10/1985 adquiriu um título de patrimonial da CETIP Associação; em 09/05/1989 adquiriu um título patrimonial da BM&F, na categoria ‘Sócio Efetivo’, e em 01/11/2001 adquiriu outro título patrimonial desta mesma entidade, na categoria ‘Agente de Compensação’. 3.2. Esclarece que nesta época a BM&F e a CETIP Associação eram entidades sem fins lucrativos e a aquisição dos seus títulos patrimoniais, que representavam frações ideais de seus patrimônios, era condição necessária para que as instituições financeiras e corretoras pudessem operar em seus mercados. Segundo normas baixadas pelo Banco Central do Brasil (BACEN), o impugnante registrava as apontadas participações no Ativo Permanente. 3.3. Este quadro permaneceu até setembro de 2007, para a BM&F, e maio de 2008, para a CETIP Associação, quando houve a aprovação dos respectivos processos de desmutualização, ocasião em que as atividades de mercado passaram a ser exercidas por sociedades anônimas, denominadas BM&F S.A. e CETIP S.A., respectivamente, as quais incorporaram parcelas cindidas dos correspondentes patrimônios das entidades originárias. 3.4. O número de ações de emissão da BM&F S.A. e da CETIP S.A. foi determinado com base na posição patrimonial dos detentores de títulos patrimoniais, Fl. 583DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Resolução nº 3401000.834 S3C4T1 Fl. 5 4 sendo que coube ao impugnante a titularidade de 4.971.610 ações da BM&F S.A. e 406.650 ações da CETIP S.A., com mesmo valor contábil do título substituído. 3.5. Disse que as ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A. foram registradas no Ativo Permanente, por terem sido recebidas em substituição a títulos patrimoniais detidos há anos e por representarem a continuidade dos investimentos do impugnante na BM&F e na CETIP Associação. 3.6. Em 30/04/2008, sete meses após o processo de desmutualização da BM&F, o impugnante alienou 4.464.449 ações da BM&F S.A. Posteriormente, em 30/10/2009, 30/04/2010 e 17/05/2010, alienou a totalidade das ações da CETIP S.A. Esclareceu que as receitas das indigitadas alienações não foram oferecidas à tributação do PIS e da Cofins por representarem venda de bens do Ativo Permanente, segundo disposto na Lei nº 9.718, de 1998. 3.7. Contesta o que chamou de ‘absurda tese da Fiscalização’, segundo a qual o impugnante, por ser um banco de investimento, jamais poderia contabilizar títulos e/ou valores mobiliários no seu Ativo Permanente. Refutou, também, a conclusão de que teria alienado as ditas participações em um curto espaço de tempo. 3.8. O contribuinte informa que em 15/09/2009, ajuizou Mandado de Segurança Preventivo, distribuído à 5a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo (autuado sob o n° 2009.61.00.0207292), para questionar a constitucionalidade e a legalidade da cobrança de PIS e Cofins sobre receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios e sobre quaisquer outras receitas não decorrentes exclusivamente de venda de mercadorias e prestação de serviços. Relata que interpôs recurso de apelação, requerendo reforma integral da decisão e concessão da segurança, então denegada, o qual fora recebido no efeito devolutivo e remetido ao TRF da 3a Região onde aguardava julgamento. Aduz que o processo encontrase pendente de decisão judicial, mas não configura óbice ao julgamento administrativo, porquanto trata de matéria distinta da tratada no presente processo. 3.9. Adverte contudo que, no caso de vir a obter êxito em sua demanda judicial e, por conseguinte, ver reconhecido que as contribuições sociais em comento somente poderão ser cobradas sobre suas receitas de venda de mercadorias e prestação de serviços, os presentes autos terão de ser cancelados, tendo em vista que as receitas ora em discussão não correspondem a receitas de venda de mercadorias ou de prestação de serviços. 3.10. Passa então a discorrer sobre o conceito de Ativo Permanente e, para tal, reportase ao Parecer Normativo CST nº 78 (parágrafo 7), de 01/09/1978, ao COSIF, instituído pela Circular BACEN n° 1.273, de 1987, editada com base na Lei nº 4.595/64, (Capítulo 1, Seção 11, Item 3 e subitens 10 e 11); aos parágrafos 7 e 7.1 do PN CST nº 108, de 31/12/1978; à doutrina de Nelson Gouveia e José Luiz Bulhões e a excerto de Solução de Consulta publicada no DOU de 17/07/2006, concluindo, em suma, que: (a) Tanto as normas contábeis aplicáveis às instituições financeiras, como a melhor doutrina, defendem que a classificação do bem no Ativo Permanente não depende da sua natureza, mas sim da intenção de permanência, manifestada no momento da aquisição, pela contabilização em conta de Ativo Permanente; (b) Independentemente da intenção de permanência, são também classificáveis no Ativo Permanente os investimentos contabilizados no Ativo Circulante e não alienados até o final do exercício subseqüente ao da sua aquisição; e Fl. 584DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Resolução nº 3401000.834 S3C4T1 Fl. 6 5 (c) A intenção de permanência não impede a venda do bem, não havendo necessidade, nesse caso, da sua prévia reclassificação para o Ativo Circulante para que seja alienado. 3.11. Tece comentários sobre a natureza contábil das ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A. recebidas nos processos de desmutualização, já referenciados. 3.12. Informa que a aquisição de títulos patrimoniais da BM&F e da CETIP Associação, que representavam frações ideais de seu patrimônio, era condição necessária para que instituições financeiras e corretoras pudessem operar em seus mercados. 3.13. Os mencionados títulos patrimoniais tinham a característica de bens permanentes, seja em razão da intenção de permanência, seja por presunção legal, na medida em que a aquisição de tais títulos havia se dado há muitos anos. 3.14. Em função das operações de cisão parcial da BM&F e da CETIP Associação, seguida pela incorporação das parcelas cindidas pela BM&F S.A. e CETIP S.A., os títulos patrimoniais da BM&F e da CETIP Associação, até então detidos pelo impugnante, foram substituídos por ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A., aduzindo que nestas operações (cisão e incorporação) não há alienação de bens e sim sucessão. Apontou que as ações foram recebidas pelo mesmo valor contábil dos títulos, até então detidos nas BM&F e CETIP Associação. 3.15. Caso a BM&F e da CETIP Associação tivessem sido extintas ou tivessem tido seus capitais reduzidos, seus bens teriam transitado pelo patrimônio dos associados/acionistas, que poderiam, então, manifestar sua intenção de transferilos, ou não, à BM&F S.A. e CETIP S.A., o que, de fato não se verificou no caso concreto. As indigitadas ações das BM&F S.A. e CETIP S.A. recebidas, em essência representaram a continuidade dos investimentos do impugnante na BM&F e na CETIP Associação, que passaram a ser controladas por aquelas; ou seja, as desmutualizações não tiveram o efeito de descontinuar ou extinguir o investimento que o impugnante detinha naquelas entidades, que continuaram a existir sob outra estrutura. Explica que não haveria sentido em se reclassificar os referidos investimentos do Ativo Permanente para o Ativo Circulante; pois, pelo contrário, tal procedimento contraria à própria orientação da Receita Federal (segundo exposto no item 5.15 de sua defesa). Afirmou que a natureza desses investimentos, bem como os ativos subjacentes das entidades investidas permaneceram os mesmos. 3.16. Asseverou que nenhum dos ativos integrantes do patrimônio cindido da BM&F e CETIP Associação foram entregues aos seus associados, uma vez que foram apenas atribuídos a eles ações de emissão da BM&F S.A. e da CETIP S.A., operação que equivale a uma devolução do patrimônio destas entidades aos seus associados. 3.17. Aduziu que as ações não representaram investimentos novos, mas apenas a continuidade dos investimentos mantidos junto à BM&F e à CETIP Associação, trazendo, neste sentido, decisão do CARF (Acórdão nº 3403001.757), a seguir transcrita (ementa): (...) 3.18. Sustenta que a intenção da continuidade deve ser verificada tomando por base a data de aquisição dos títulos na BM&F e CETIP Associação, e não do mero recebimento, por sucessão, das ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Resolução nº 3401000.834 S3C4T1 Fl. 7 6 3.19. Justifica que o fato de as ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A. terem sido alienadas pouco tempo depois de recebidas não autoriza que a Fiscalização presuma que tais ‘novos’ investimentos sejam registrados no Ativo Circulante, transcrevendo, neste particular, ementa do Acórdão do CARF nº 3403001.734. (...) 20. Destaca que há uma particularidade que diferencia este processo de outros também envolvendo as operações de desmutualização na Bolsa de Valores. É que a proximidade temporal entre o recebimento das ações e a sua alienação foi bastante levado em consideração, inclusive no julgamento de 1ª instância do processo 16327.001281/201055: ‘Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. Correta a classificação, no Ativo Circulante, das ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F e que foram negociadas logo após o seu recebimento, no caso, dentro de poucos meses de seu ingresso nos registros contábeis da impugnante. .................................................................................................................................. 5.8. No caso, como a alienação da totalidade das ações da Bovespa Holding e parte das ações da BM&F S/A se deu logo após ao seu recebimento, isto é, dentro de alguns meses de seu ingresso nos registros contábeis da impugnante, é certo que haveria de se classificar esse bem (ações) no Ativo Circulante. Haja vista que os protocolos e atas das assembléias das bolsas já sinalizavam tal procedimento.’ (grifos adicionados na impugnação) 3.21. Sustenta que no processo em tela a alienação não foi realizada logo após o recebimento das ações, mas em: (i) 7 meses; (ii) 1 ano e 4 meses; (iii) 1 ano e 10 meses; e (iv) 1 ano e 11 meses após o recebimento das respectivas ações. Por tal fato, a Fiscalização não utilizou a mencionada tese, desenvolvendo um novo argumento de que os bancos de investimentos jamais poderiam contabilizar títulos ou valores mobiliários no seu Ativo Permanente, pois, pela sua natureza, somente poderiam adquirir tais bens com a intenção de revenda. Alega que tal argumentação não procede, pois o art. 1º da Resolução CMN nº 2.624, de 29/07/1999, citado pela Fiscalização, não prevê, mesmo que implicitamente, esta situação. 3.22. Afirma que o COSIF prevê expressamente a possibilidade do registro de ações em conta de Ativo Permanente, além de prever que a intenção de permanência neste tipo de investimento se manifesta no momento de sua aquisição. 3.23. Contesta a justificativa para a autuação com base no disposto no item 7 do PN CST nº 108/78, que supostamente levaria ao entendimento que um bem alienado antes do final do período subseqüente a sua aquisição teria a natureza de bem do Ativo Circulante, independentemente de sua classificação contábil inicial, pois, em seu entender, este dispositivo apenas prevê que: (i) a intenção de permanência ou não de uma participação societária deve ser verificada por ocasião da aquisição dessa participação e, (ii) que essa intenção de permanência passa a ser presumida caso a pessoa jurídica tenha registrado inicialmente esta participação em seu Ativo Circulante e não a tenha alienado até o término do exercício seguinte àquele da aquisição. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Resolução nº 3401000.834 S3C4T1 Fl. 8 7 3.24. Acusa que a Fiscalização, ao perceber que algumas alienações ocorreram após o término do exercício seguinte ao da aquisição, buscou justificar a autuação sob o argumento que a aquisição das ações teriam ocorrido em um mesmo momento e que, por conseguinte, se submeteria ao mesmo enquadramento contábil, tese que não encontra amparo legal.” A DRJ Recife/PE reputou o lançamento procedente mediante decisão assim ementada: “DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. EXTINÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS. AÇÕES RECEBIDAS COMO DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DAS ENTIDADES. Na desmutualização de associação civil sem fins lucrativos há a devolução do patrimônio entregue pelos associados, sob a forma de ações das novas sociedades empresariais constituídas com finalidade lucrativa. BANCOS DE INVESTIMENTOS. VENDA DE PARTICIPAÇÕES TEMPORÁRIAS. RECEITA OPERACIONAL. FATURAMENTO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA. A venda das ações das novas sociedades constituídas com a desmutualização das Bolsas de Valores, subscritas sem o caráter de permanência, é receita operacional dos Bancos de Investimentos, pois decorre do exercício de sua atividade empresarial típica, estando inserido no conceito de faturamento para fins da incidência do PIS e da Cofins, previsto no caput do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das associações civis sem fins lucrativos, subscritas com manifesta intenção de venda, ainda que parte da venda tenha se concretizado após exercício subseqüente ao recebimento das ações.” O recurso voluntário, com alguma variação, reprisou a argumentação da impugnação. Nesta oportunidade recursal o contribuinte fez juntar parecer jurídico acerca da matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo a atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Esquadrinhando o presente processo e comparandoo a outros já examinados neste Conselho Administrativo, verifiquei que para a implementação da denominada “desmutualização” da BOVESPA e, acredito eu, da CETIP também tratada nestes autos e Fl. 587DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Resolução nº 3401000.834 S3C4T1 Fl. 9 8 cujos procedimentos aparentam ser similares , houve a necessidade que os detentores de títulos patrimoniais destas instituições se comprometessem a ofertar obrigatoriamente um percentual mínimo das ações recebidas em devolução de capital destas instituições, com o escopo de viabilizar a Oferta Pública Primária (IPO, do inglês Initial Public Offering) e, por consequência, a própria “desmutualização”. No caso específico da BOVESPA, há relato, p.e., no PA 16327.000113/201042, da existência de um documento intitulado “Instrumento Particular de Assunção de Obrigações”, onde se firmou o compromisso que os detentores de títulos patrimoniais da entidade deveriam vender, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das ações recebidas, bem assim, a contratação da venda de 10% (dez por cento) das ações a comprador firme, no caso, a General Atlantic. Este fato também foi registrado por Cássio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza, em artigo intitulado “A Desmutualização das Bolsas de Valores e sés Efeitos Fiscais para o PIS/COFINS” 1, citado por Luís Eduardo Garrossino Barbieri (Aresto 3202000.711), verbis: “Cumpre mencionar que, nesse interregno, em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., muitas sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de ‘Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F’, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (‘IPO’). Além disso, grande parte das sociedades corretoras firmou, conforme ‘Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.’,a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (‘General Atlantic’).” Neste processo, encontrase anexado o “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. e Outorga de Poderes”, relativamente à venda de ações ao fundo de investimentos integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (GA Latin América Investiments, LLC), o que leva a pressupor que o contribuinte tenha firmado, também, o já aludido “Instrumento Particular de Assunção de Obrigações” para venda mínima de ações na oferta primária inicial, até mesmo porque, na minuta existente no PA 16327.000113/201042, no documento denominado “Reratificação do Acordo de Acionistas da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A.”, consta o nome do contribuinte, ora recorrente (Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A, como um dos aderentes ao acordo de acionistas. Outrossim, tendo em conta a similaridade das operações de desmutualização realizadas pela BOVESPA e pela CETIP, acredito que nesta última entidade houve, também, pactuação semelhante, no que diz respeito à exigência de disposição mínima de percentual de ações recebidas em devolução de patrimônio para a realização da oferta pública primária (IPO). 1 "PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF". Volume 2. Coord. Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Júnior. São Paulo: MP Editora, 2013. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Resolução nº 3401000.834 S3C4T1 Fl. 10 9 Como estes documentos não compõem o processo e, em meu juízo, são de suma importância para o deslinde da questão posta, proponho a conversão do julgamento em diligência para que se providencie o seguinte: 1. Verificar junto ao contribuinte autuado, à Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F Associação e BM&F S/A) e à CETIP (CETIP Associação e CETIP S/A) a existência de instrumentos de assunção de encargos ou documentos equivalentes, firmados por estas entidades e o autuado, que impunham a disponibilização de quantitativo mínimo de ações recebidas em devolução de capital para realização da oferta pública primária (IPO); 2. Em se confirmando a existência dos sobreditos documentos, juntar cópia dos respectivos documentos ao processo; 3. Havendo compromisso de venda de quantidade mínima de ações (BM&F e CETIP) , esclarecer se as alienações lançadas neste auto de infração correspondem ao total alienado, à parcela mínima compromissada ou apenas à parte remanescente; 4. Elaborar relatório circunstanciado das verificações efetuadas e das conclusões obtidas; 5. Em caso de elaboração de relatório, cientificar o contribuinte interessado para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Finda a diligência, devolvamse os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 589DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10880.678182/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 81 82 /2 00 9- 61 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 26 de agosto de 2011, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI), em julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa, transmitida eletronicamente pela empresa SÁFILO DO BRASIL LTDA, com o propósito de compensar débito propósito de compensar débito com suposto crédito de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior que teria em 11/11/205. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 1, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Tomando ciência da decisão, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade, na qual tece os seguintes argumentos: a) Salienta de início que a interposição do recurso em apreço suspende de imediato a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b) Alega que, em virtude de inclusão indevida de IPI relativo às vendas realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, recolheu essas contribuições em valores substancialmente superiores ao que seria devido, sendo notório que tal imposto não faz parte de sua base de cálculo; c) Afirma que, ao se aperceber do erro, efetuou um levantamento do referido indébito, apurando créditos no de (PIS) e de (COFINS), os quais passou a compensar por meio de vários PER/DCOMP transmitidos em datas diversas; d) No entanto – prossegue – devido a falha administrativa interna, deixou de retificar e retransmitir eletronicamente, por meio do sítio da RFB, as DCTF e os DACON relativos a esse período – o que levou a Fazenda Federal, ante a Fl. 216DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 14 4 impossibilidade de reconhecer os pagamentos a maior, a não homologar as compensações realizadas; e) Acrescenta que, desejando regularizar tal pendência, transmitiu as DCTF e os DACON retificadores; f) Passando a tratar especificamente do processo em exame, descreve com minúcias a natureza e o valor do débito e do crédito compensados na DCOMP objeto do despacho decisório impugnado e observa estar à disposição das autoridades fiscais “toda a documentação comprobatória relativa aos recolhimentos e compensações efetuadas”; g) Assevera que o crédito utilizado na DCOMP realmente existe e deve ser reconhecido, citando em seguida dois acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas tratam de erro material no preenchimento de DCTF e mencionam o princípio da verdade material; h) Concluindo, requer a reforma do despacho decisório e apresenta, na última folha da impugnação, uma lista de documentos que traz aos autos. É o relatório” A DRJ de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ai sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante com fito de reduzir tributo – mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar – só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 15 5 DCOMP. SUSPENSÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66) Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando do contraditório e da ampla defesa, alega aplicabilidade da verdade material e a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificados, nem transmitidos no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 23/11/2009, ou seja, cerca de um mês após o despacho que indeferiu a homologação do pedido de compensação, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Conforme o disposto nos §§ 1, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, é necessário para que os efeitos da retificadora sejam plenos a apresentação de prova inequívoca da ocorrência de erro. Colacionase os referidos dispositivos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas Fl. 219DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 17 7 Hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCT retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe desses saldo; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal §3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos faltos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas rações recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de São Paulo I/SP: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 220DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 18 8 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado,então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Apesar de não haver qualquer comsideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678182/200961 Acórdão n.º 3801004.108 S3TE01 Fl. 20 10 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911790/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2006
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 90 /2 00 9- 77 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911790/200977 Acórdão n.º 3802003.518 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000491/2010-92
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores à margem da escrituração contábil e fiscal, destinada para aquisição de produtos, sem a inferência da fiscalização.
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Dá-se a exclusão do sistema simplificado quando a empresa optante por esse sistema não respeita os limites de aferição de receita bruta disciplinado na legislação de regência
EXCLUSÃO. ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE.
Correta a exclusão do Simples a partir do ano calendário subsequente, ou seja, aquele em que ultrapassado o limite legalmente estabelecido.
MULTA QUALIFICADA.
A qualificação da multa é cabível como devidamente comprovada que a empresa praticou ação dolosa, tendente a omitir receita.
Numero da decisão: 1803-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose André Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores à margem da escrituração contábil e fiscal, destinada para aquisição de produtos, sem a inferência da fiscalização. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Dá-se a exclusão do sistema simplificado quando a empresa optante por esse sistema não respeita os limites de aferição de receita bruta disciplinado na legislação de regência EXCLUSÃO. ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE. Correta a exclusão do Simples a partir do ano calendário subsequente, ou seja, aquele em que ultrapassado o limite legalmente estabelecido. MULTA QUALIFICADA. A qualificação da multa é cabível como devidamente comprovada que a empresa praticou ação dolosa, tendente a omitir receita.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tratase de omissão de receitas a existência de valores à margem da escrituração contábil e fiscal, destinada para aquisição de produtos, sem a inferência da fiscalização. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Dáse a exclusão do sistema simplificado quando a empresa optante por esse sistema não respeita os limites de aferição de receita bruta disciplinado na legislação de regência EXCLUSÃO. ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE. Correta a exclusão do Simples a partir do ano calendário subsequente, ou seja, aquele em que ultrapassado o limite legalmente estabelecido. MULTA QUALIFICADA. A qualificação da multa é cabível como devidamente comprovada que a empresa praticou ação dolosa, tendente a omitir receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 04 91 /2 01 0- 92 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose André Neto, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, no presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ/Simples, CSLL/Simples, Pis/Simples, Cofins/Simples e INSS/Simples, tendo em contas as irregularidades apuradas no ano calendário de 2005. A ação fiscal resultou na constituição do crédito, multa de ofício qualificada de 150%, acréscimos legais, bem com do Ato de Exclusão do Sistema Simplificado. Desse modo, cumpre referir que o presente processo é composto de dois litígios: a impugnação contras as exigências formalizadas nos autos de infração lavrados em 24.11.2010, com ciência em 25.11.2010 e manifestação de inconformidade contra Ato Declaratório Executivo exclusão do Simples a partir de 04.04.2006, com ciência em 01.02.2001. Do relatório fiscal compreendese, de forma sintética, que a fiscalização em consulta ao Sistema informatizado da SRF que a pessoa jurídica COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, C.N.P.J.33.069.766/000181 (IPIRANGA), havia informado, em sua DIPJ 2006 / 2005, a venda de produtos para a pessoa jurídica RIO SANTO LTDA EPP, 2 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 C.N.P.J. 04.539.249/000120, no período de janeiro a dezembro de 2005, totalizando R$ 10.954.934,50 (Dez milhões, novecentos e cinqüenta e quatro mil, novecentos e trinta e quatro reais e cinqüenta centavos), enquanto a RIO SANTO, em sua DSPJ 2006 / 2005, havia declarado uma Receita Bruta anual muito abaixo, não chegando a 1,5% (um e meio por cento) desse valor, o que gerou a instauração de diligência fiscal na IPIRANGA para que esta detalhasse as vendas informadas para a RIO SANTO. Em resposta, a IPIRANGA apresentou planilha informando que a RIO SANTO teria adquirido, no período de janeiro a dezembro de 2005, produtos no valor de R$ 10.954.934,50 (dez milhões, novecentos e cinquenta e quatro mil, novecentos e trinta e quatro reais e cinquenta centavos). Frente a disparidade entre o montante adquirido e das receitas declaradas, foi investigado o local onde a RIO SANTO está instalada. Com a investigação verificouse que a empresa RIO SANTO não teria porte e tampouco capacidade para adquirir, armazenar e consumir essa quantidade de combustível, já que sua atividade consistia em levar turista até o ponto do Rio Paraíba do Sul onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada, sendo que tal percurso é realizado com um pequena balsa. Ademais, relata a autoridade fiscal que não foram visualizados tanques que pudessem armazenar os 115.000 (cento e quinze mil) litros de óleo diesel que a RIO SANTO chegava a adquirir da IPIRANGA em um único dia. Ainda, foi solicitado à IPIRANGA o detalhamento dessas vendas e em sua resposta a empresa apresentou uma planilha informando que a RIO SANTO teria adquirido, no período de janeiro a dezembro de 2005, 7.546.000 (sete milhões, quinhentos e quarenta e seis mil) litros de combustíveis, com predominância de óleo diesel, totalizando R$ 11.268.667,00 (onze milhões, duzentos e sessenta e oito mil, seiscentos e sessenta e sete reais). Assim, a autoridade fiscal se convenceu que a empresa RIO SANTO não era a real adquirente dos produtos em comento e que, muito provavelmente, havia sido usada como interposta pessoa ("laranja") para esconder a compra dos produtos, que deveria ter sido realizada com recursos mantidos à margem da tributação pelo real adquirente, tornandose imperioso encontrarse essa ou essas pessoas física(s) e/ou jurídica(s). Frente a esses fatos, nova intimação foi remetida à IPIRANGA para que esta informasse o nome e CPF do seu vendedor que, no período de janeiro a dezembro de 2005, atendia a região de Aparecida, Guaratinguetá, Lorena e Roseira e em resposta foi informado o nome do Sr. Luiz Eduardo Martinez Moreira Filho, C.P.F. n° 041.258.63636. O Sr. Luiz Eduardo, ao ser intimado e comparecer à seção de fiscalização esclareceu que: a) como assessor comercial da IPIRANGA procurou a pessoa jurídica Extratora Itaguaçu, cujo sócio, conhecido por CLÁUDIO BRAGA, após concordar em incluir a IPIRANGA no rol dos fornecedores da EXTRATORA ITAGUAÇU, apresentou documentação solicitando o cadastro das pessoas jurídicas EXTRATORA ITAGUAÇU, RIO SANTO E CDM junto à IPIRANGA, para que 3 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 pudessem realizar pedidos de compra de combustíveis e lubrificantes fornecidos por ela; b) reconhece ter realizado vendas ao Sr. CLÁUDIO BRAGA, no ano de 2005, conforme a planilha de fls 175/186 (elaborada com base na informação encaminhada pela IPIRANGA a fls. 161/167); c) no local da visita ao Sr. CLÁUDIO BRAGA (atrás do Magic Park em Aparecida) funcionavam as empresas RIO SANTO e EXTRATORA ITAGUAÇU, onde existiam tanques aéreos para armazenamento de combustível, duas bombas de combustível e vários caminhões com a logomarca ITAGUAÇU, o que justificaria a compra de combustível por essas empresas; d) que o Sr. Cláudio Braga cadastrou caminhões para retirar o produto diretamente da filial da IPIRANGA em São José dos Campos/SP. A fiscalização objetivando confirmar e registrar a falta de capacidade da RIO SANTO para adquirir e armazenar os combustíveis e lubrificantes adquiridos em seu nome, junto à COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, instaurou na primeira uma diligência fiscal por meio do MPF n 08.1.08.002009004041. Restou registrado que a pessoa jurídica RIO SANTO não teria porte e tampouco capacidade para adquirir, armazenar e consumir a quantidade de combustível adquirida da IPIRANGA, justificando com o fato de a atividade da RIO SANTO se limitar a levar turistas até o ponto do rio Paraíba do Sul onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada, o que faz utilizando uma pequena balsa percorrendo um curto percurso, ao custo de R$ 4,00 (quatro reais) por passageiro. Nesse mesmo termo, afirmaram não ter visualizado tanques que pudessem armazenar combustíveis. Ainda, a fiscalização constatou que a de acordo com as informações do sistema CNPJ, a RIO SANTO tem seu endereço na Av. Itaguaçu, S/N, conforme declarou o Sr. Luiz Eduardo, mas, nesse mesmo sistema, consta que seus sócios são JEFERSON LUIS LINO DOS SANTOS, C.P.F. 178.161.82830 e CLAUDIA LINO DOS SANTOS MANTOVANI, C.P.F. 050.189.92867, não havendo, portanto, alguém de nome CLÁUDIO BRAGA em seu quadro societário. Com base nesses dados levantados em relação à RIO SANTO e considerando o seu diminuto porte e capacidade, levantados pela fiscalização em sua visita ao local, entendeu evidente que estavam adquirindo combustível utilizando a pessoa jurídica RIO SANTO como interposta ou "laranja", com grande possibilidade da participação do citado Sr. CLÁUDIO BRAGA. E que o único caminho a se chegar ao real ou reais adquirentes dos combustíveis/lubrificantes e, sendo o caso, fazerlhe(s) o lançamento e a cobrança dos tributos sonegados, seria identificar os reais pagadores dos boletos bancários emitidos em favor da IPIRANGA contra a RIO SANTO, os quais, segundo informações prestadas pela IPIRANGA, em resposta à intimação, haviam sido emitidos pelo Banco Bradesco. 4 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Neste caminho, foi solicitado ao Ministério Público Federal que obtivesse, via judicial, junto ao Bradesco, a identificação da(s) pessoa(s) física(s) e/ou jurídica(s) que realizaram os pagamentos dos boletos bancários emitidos em favor da IPIRANGA contra a RIO SANTO, elencados pela IPIRANGA em sua resposta a ntimação de fls. 141/155. Essa solicitação deu origem à representação judicial n° 2009.61.18.0012660. A resposta do BRADESCO se deu por meio da planilha de fls. 195/210, encaminhada pelo Excelentíssimo Sr. Dr. Procurador da República em Guaratinguetá(SP), por meio do Ofício n° 2009.000909/PRM/GRT, de 23/11/2009 (fls. 193), na qual o banco elencou algumas pessoas jurídicas como as reais pagadoras dos boletos, dentre as quais a EXTRATORA DE MINERAIS ITAGUAÇU LTDA,CNPJ: 47.553.060/000103. Diante da informação recebida, uma nova pesquisa foi realizada nos sistemas da RFB, a qual revelou que a EXTRATORA DE MINERAIS ITAGUAÇU LTDA, CNPJ: 47.553.060/000103 (ITAGUAÇU) e seus sócios são CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA, C.P.F 494.129.49804 e ADALBERTO NALDI FILHO, C.P.F. 548.583.48849 (incluído em 21/02/2008), mas que a sócia anterior, excluída em 18/02/2008, era MARIA DE FÁTIMA LINO DO SANTOS BRAGA, C.P.F. 740.553.80887, ESPOSA DE CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA E IRMÃ DE CLAUDIA LINO DOS SANTOS MANTOVANI (SÓCIA DA RIO SANTO). Além disso, foi verificado que os pagamentos realizados pela ITAGUAÇU em nome da RIO SANTO totalizaram, no ano calendário de 2005, a importância de R$ 1.308.095,00 (um milhão, trezentos e oito mil e noventa e cinco reais) (fls. 71/75), enquanto a receita bruta total declarada pela ITAGUAÇU na DSPJ 2006 / 2005 foi de R$ 1.137.301,07 (um milhão, cento e trinta e sete mil, trezentos e um reais e sete centavos) (fls. 303). Em ato contínuo, intimouse a IPIRANGA a apresentar cópia das notas fiscais referentes às compras em nome da RIO SANTO e como resposta esta apresentou o conjunto das notas fiscais solicitadas que instruem o presente feito. E com isso, entende a fiscalização ter colhido um feixe de indícios que apontam para a utilização da RIO SANTO como interposta pessoa ("laranja") para encobrir a aquisição de combustível por parte da ITAGUAÇU, com o claro intuito dessa última de omitir receitas e se eximir do pagamento de tributos, deixando a RIO SANTO, uma pessoa jurídica de patrimônio diminuto, para responder pelos tributos não recolhidos. Instaurado o procedimento fiscal, a fiscalização foi iniciada, em 23/08/2010, mediante ciência pessoal à ITAGUAÇU, em relação ao ano calendário de 2005, a apresentar seu contrato social e alterações, os livros Caixa, Diário e Razão (Simples) acompanhados dos extratos bancários relativos à movimentação financeira realizada no Bradesco, bem como o Livro de Registro de Entradas. De igual modo, a empresa, ora recorrente, foi intimada a informar se constava como titular da conta corrente mandita no Bradesco, Agência 1976, comprovar a escrituração dos pagamentos relacionados na planilha anexa ao Termo, denominada "PAGAMENTOS DE BOLETOS INFORMADOS PELO BANCO BRADESCO S/A" (fls. 71/75), informar o motivo de ter realizado os pagamentos das aquisições de produtos feitas pela pessoa jurídica RIO SANTO EPP, C.N.P.J. 04.539.249/000120; comprovar, no caso dos pagamentos não terem sido escriturados, a origem dos recursos utilizados para suas 5 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 realizações bem como, se assim for o seu entendimento, o oferecimento desses recursos à tributação e/ou a sua condição de isentos ou de tributação exclusiva. A empresa recorrente, em resposta à referida intimação, apresentou o Contrato Social e alterações, bem como informou o número de sua conta no Banco Bradesco, Agência 1976. Mas, em relação aos Livros, deixou de apresentálos, alegando, em síntese que não os conseguiu localizar, provavelmente por terem sido inutilizados em decorrência das enchentes ocorridas nos últimos anos na cidade onde está situada, em função da sua localização próxima ao Rio Paraíba do Sul. Juntou, em socorre de sua tese, diversos recortes de jornais versando sobre a enchente na região. A fiscalização ao analisar a documentação acostada verificou que segundo consta do Contrato Social e alterações, a empresa recorrente é pessoa jurídica regularmente constituída sob a forma de sociedade por contas de responsabilidade limitada e atua no ramo de Extração e Comercialização de areia, pedra e outros produtos Minerais para Construção, Transporte Rodoviário de Cargas em Geral e Comércio de Materiais de Construção. Essas atividades, como se observa, fazem consumir combustíveis, principalmente ÓLEO DIESEL, que é o produto predominante nas transações entre a IPIRANGA e a RIO SANTO que geraram os boletos pagos pela recorrente. No que tange à conta corrente informada, verificou a fiscalização que o número da conta corrente mantida pela empresa recorrente no Bradesco coincide com aquela informada pelo Bradesco de onde partiram os recursos para o pagamento dos boletos listados fls. 71/75. Ainda, no que diz respeito à alegação do extravio dos Livros que teria gerado a impossibilidade de comprovar tanto a regular escrituração dos pagamentos em tela, quanto à origem dos recursos utilizados para a quitação, entende a fiscalização que, muito embora as reportagens sobre enchentes na região tenham sido acostadas, a empresa não comprovou ter adotado os procedimentos previstos na legislação de regência para esses casos, que são contemplados no §§1° e 2° do art. 164 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 3000/99 (RIR/99). Já quanto ao contrato de mútuo, que teria sido o motivo dado para a empresa recorrente realizar os pagamentos das compras efetuadas pela RIO SANTO, não foi apresentado qualquer documento que lhe comprovasse a efetividade. Face toda as alegações, a empresa recorrente foi novamente intimada a comprovar ter adotado todos os procedimentos exigidos no art. 264, §§1° e 2° do RIR/99, refazer o Livro Caixa e o Livro Registro de inventário, nos moldes da legislação comercial e fiscal, apresentar toda documentação comprobatória dos lançamentos realizados nos livros refeitos e apresentar o contrato de mútuo citado na resposta ao termo de início do procedimento fiscal. Em sua resposta, a empresa recorrente fez juntar cópia de jornais e de um boletim de ocorrência de autoria conhecida bem como respondeu aos três itens do citado termo fiscal. Em análise, temse que os documentos demonstram que a empresa recorrente, embora tardiamente, fez cumprir, dentro das limitações temporais, as exigências previstas no art.264,§§1° e 2° do RIR/99. No entanto, a empresa declarouse impossibilitada de refazer o Livro Caixa e o Livro Registro de Inventário, alegando para tanto o extravio dos documentos comprobatórios 6 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 que seriam utilizados para a execução dos lançamentos contábeis e fiscais nesses Livros, fato que, segundo o seu entendimento, deixaria nulo e duvidoso, frente às normas contábeis vigentes, qualquer ato documentado nesta situação. De igual modo, não apresentou o contrato de mútuo que teria sido firmado com a RIO SANTO, conforme sua alegação, não trouxe qualquer documento hábil e idônea comprobatória do recebimento quanto da devolução do objeto emprestado. Realizada nova diligência junto à empresa RIO SANTO, na qual a sócia Claudia Lino dos Santos Mantovani, em declaração firmada, aduz, dentre outras coisas, que a pessoa jurídica nunca adquiriu produtos vendidos pela Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga e, por via de consequência, não tem conhecimento dos boletos bancários emitidos em seu nome pela IPIRANGA. Por essa razão, conclui a autoridade fiscal que essa declaração põe por terra a tese da empresa recorrente de que os pagamentos dos boletos decorreram em função de um mútuo com a RIO SANTO. Ainda, salienta a autoridade fiscalizadora em seu relatório que a empresa recorrente não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que os pagamentos dos boletos bancários, emitidos em favor da IPIRANGA contra a RIO SANTO, informados pelo Bradesco em planilha anexada, denominada "PAGAMENTOS DE BOLETOS NÃO ESCRITURADOS" às fls. 123/125, totalizando R$ 1.308.098,27 (um milhão, trezentos e oito mil, noventa e oito reais e vinte e sete centavos), constavam regularmente registrados em sua escrituração. Assim, como a empresa tampouco comprovou que estes pagamentos foram realizados com recurso já oferecidos a tributação de forma exclusiva ou com a utilização de receitas não tributáveis ou ainda que os mesmos não foram efetivamente realizados, inclusive isso ela não teria negado, tendo construído a sua teses de defesa sobre o contrato de mútuo, restou caracterizada a prática de omissão de receitas, conforme presunção legal prevista no art. 281, II do RIR/99. Conclui a autoridade fiscalizadora que os pagamentos dos boletos bancários efetuados pela recorrente, no ano calendário de 2005, referente às compras efetuadas junto à IPIRANGA, cujas respectivas notas fiscais estão acostadas aos autos, os quais se encontram elencados na planilha denominada "pagamento de boletos não escriturados", elaborada a partir da planilha denominada "pagamentos de boletos informados pelo banco Bradesco", por não haver sido comprovada sua regular escrituração, foram feitos com recursos oriundos de receitas omitidas no ano calendário de 2005, totalizando R$ 1.308.095,00 (um milhão, trezentos e oito mil e noventa e cinco reais). E, quanto à qualificação da multa, dispõe estar comprovado que a RIO SANTO não foi a real adquirente dos produtos junto à IPIRANGA e que foi usada, de forma dolosa pela empresa recorrente, como interposta pessoa ("laranja"), com o claro intuito de esconder as suas compras dos produtos junto à IPIRANGA, realizadas utilizando recursos mantidos à margem da tributação, quais sejam suas receitas omitidas, com claro intuito de se eximir do pagamento de tributos e deixar a RIO SANTO, uma pessoa jurídica de patrimônio diminuto, para, sendo o caso, responder pelos tributos não recolhidos. Salienta o fato da sócia da RIO SANTO, Sra. Claudia Lino do Santos Mantovani, ser irmã da esposa do sócio da ITAGUAÇU, Sr. Claudio Doan Del Mônaco Braga. Assim, há de se proceder à qualificação da multa prevista no art. 44, I, §1° da Lei 9.430/96 e art. 71,72 e 73 da Lei 4.502/64. 7 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Aduz a autoridade fiscal que em decorrência dessa omissão de receitas apurada, a receita bruta efetiva acumulada, ou seja, a declarada somada à omitida, atinge valores superiores aos declarados originalmente pela empresa recorrente na DSPJ/2006.Atenta para o fato de que segundo o disposto na legislação de regência, as alíquotas do SIMPLES se elevam em função do aumento da receita bruta acumulada auferida, posto que progridem de acordo com a faixa de enquadramento da receita bruta acumulada. Assim, caso a recorrente não tivesse omitido receitas, a partir do mês de 02/2005 ficaria sujeita a alíquotas para apuração do SIMPLES mais elevadas do que aquelas utilizadas em sua DIPJ/2006. Por esse motivo, sobre a receita bruta mensal declarada na DIPJ/2006 pela recorrente, a partir do mês de FEVEREIRO/2005, passaram a incidir as alíquotas mais elevadas que efetivamente deveriam ter sido aplicadas, gerando diferenças dos impostos e contribuições em relação aos apurados na DIPJ/2006. Ressalta que sobre essas diferenças também deve ser aplicada a multa qualificada, posto que decorreram do fato da FISCALIZADA ter omitido receitas com a utilização de interposta pessoa ("laranja"). Já quanto à exclusão do Simples, afere que em face da receita bruta total, qual seja a declarada da DSPJ/2006, acrescida da omitida por falta de escrituração de pagamentos efetuados, apurada no ano calendário de 2005, ter excedido o limite legal anual para permanência no Simples a partir do ano calendário de 2006, efetuou a competente Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples Desse modo, temse na descrição dos fatos do auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples: I OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS C/RECURSOS ESTRANHOS À ESCRITURAÇÃO Omissão de Receitas caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos de compras realizadas mediante a utilização de interposta pessoa ("LARANJA"), descrito no Relatório Fiscal de fls. 308/319 II INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada em decorrência de OMISSÃO DE RECEITAS caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos de compras realizadas mediante a utilização de interposta pessoa ("LARANJA"), descrito no Relatório Fiscal de fls. 308/319. Devidamente cientificada do auto de infração, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação, de forma tempestiva, alegando, em apertada síntese não ser a empresa RIO SANTO uma empresa "laranja", mas sim uma empresa cuja atividade 8 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 econômica lícita utiliza combustível diesel. Esclarece que a sócia da empresa RIO SANTO, Sra. Cláudia, irmã da exsócia da recorrente, Sra. Maria de Fátima, esposa de um dos atuais sócios, Sr. Claudio Doan, não seria a administradora de fato da referida empresa e, por esse motivo, desconheceria a aquisição de combustível da IPIRANGA, não tendo sido ainda questionado à Sra. Cláudia de onde a empresa RIO SANTO adquire o combustível utilizado em sua atividade. Acrescenta que o Sr. Armando Augusto, falecido sócio da empresa Rio Santo, tinha com o atual sócio Cláudio Doan diversas relações comerciais e familiares, sendo legítimo, diante da relação familiar, a existência de dívidas (mútuos verbais) entre eles as empresas (recorrente e RIO SANTO). Atenta para o fato do depoimento do vendedor da IPIRANGA confirmar que a empresa recorrente e a empresa RIO SANTO terem cadastros na IPIRANGA para aquisição de combustível, sendo que o auxílio do Sr. Cláudio Doan na obtenção de cadastro da empresa Rio Santo na IPIRANGA é fato mais que natural para empresas familiares. Atenta para o fato de que o relatório fiscal omitir a informação do Sr. Luiz Eduardo, funcionário da IPIRANGA, no sentido de que o combustível adquirido era entregue à empresa RIO SANTO. Frisa que não ha omissão de receitas presumida pela fiscalização e não há provas nos autos que comprovem estas suposições da fiscalização. Ainda, aduz que não há provas de ingresso de receitas na conta bancária da Impugnante, que teve seu sigilo bancário quebrado por ordem judicial. A recorrente se defende alegando o art. 110 do CTN e questiona a incidência dos tributos exigidos, vez que sua base de cálculo é a receita bruta auferida e, não ocorrendo uma das hipóteses previstas no art. 9°, §3°, da Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, não poderia a legislação tributária equiparar qualquer outra hipótese ao conceito de receita. Nesse caminho, defende que o pagamento do boleto bancário pela recorrente em nome de terceira empresa não corresponde à sua receita bruta estabelecida no Simples, mas sim corresponde a uma despesa. Salienta que não se pode confundir os conceitos de receita e despesa e passa a elencar os motivos da incorreção do lançamento. Inicia referindo que despesa não é receita; que não restou comprovado pela fiscalização o ingresso de receitas supostamente evadidas pela recorrente e que a empresa não comprovou a escrituração das despesas, porque sua documentação contábil se extraviou em enchente, sendo que a própria fiscalização afirma que a recorrete cumpriu com os requisitos formais do extravio de documentos contábeis/fiscais, com base no disposto no art. 264, §1° do RIR/99, e por fim afirma que a empresa RIO SANTO não é uma empresa "laranja", mas de familiares próximos dos sócios da recorrente. Busca a reversão do ônus probante e no caso de ser o auto de infração considerado válido, seja o mesmo anulado com base no art. 112 do CTN, posto restar claro a inexistência das circunstâncias materiais de fato que imputa a fiscalização, além de não ser possível imputar à recorrente a imputação de pagamento de tributo que a fiscalização tenha dúvida quanto a sua validade, em conformidade com o art. 112, II do Código Tributário Nacional. E afere que inexistiu dolo por parte da recorrente. 9 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Já no que diz respeito à multa aplicada, a recorrente afirma não ter restado comprovada a existência do elencado subjetivo (dolo) atribuído à conduta da mesma, haja vista que não teria a empresa ITAGUAÇU voluntária e conscientemente omitido informações para o fisco, não induzindo ou mantendo em erro. De igual modo, sustenta a inocorrência de utilização de interposta pessoa na aquisição de combustível, mas apenas pagamentos decorrentes de contraprestação oriunda de contrato de mútuo verbal, afirmando que tais valores teriam sido devidamente escriturados, fato que não poderia ser comprovado pela perder de parte de seu patrimônio, e entre ele seus arquivos, haja vista a enchente ocorrida na região que atingiu suas instalações. Defende que a multa aplicada pela autoridade lançadora feriria o Princípio Constitucional de Violação ao Confisco, estabelecido pelo art. 150, IV, da CF, devendo ser afastada e traz à colação julgados do Supremo Tribunal Federal que corroborariam o alegado. Ainda, segundo a recorrente a mesma não pode ser excluída do regime do Simples Nacional ou cobrada da majoração de alíquotas até que o crédito fiscal seja definitivamente constituído. Isso porque a constituição definitiva do crédito tributário somente ocorrerá quando da decisão irrecorrível da autoridade do Fisco em processo administrativo fiscal litigioso, conforme art. 174 CTN. Frisa que na eventualidade de exclusão da empresa do Simples Nacional pela Receita Federal do Brasil, essa não poderá ter efeito pretéritos. Em 29.12.2010 foi formalizada a Representação Fiscal Exclusão do Simples, com proposta de expedição de Ato Declaratório de Exclusão da pessoa jurídica Extratora de Minerais Itaguaçu Ltda, do Simples com efeitos a partir de 01.01.2006 e demais providências de sua alçada. A fundamentação da Exclusão se deu em virtude da empresa recorrente ter extrapolado o limite de receita bruta, estipulada em norma específica do sistema simplificado. Devidamente cientificada do Ato de Exclusão, a empresa apresenta manifestação de inconformidade, alegando praticamente as mesmas escusas do mérito da demanda, quais sejam tratarem as omissões de meros empréstimos verbais entre as empresas. Alega que a exclusão não pode ser julgada primeiro, ou seja, sem antes ser decidida a omissão de rendimentos, mérito desta autuação. Ainda, contrapõese à retroatividade da Exclusão. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter a autuação realizada no presente feito, bem como a Exclusão do Simples. Segundo o entendimento do julgador, descabida a preliminar de nulidade do julgamento, tomando em conta que foram observados os requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN para a formalização do lançamento tributário, bem como obedecidas as disposições art. 10 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Observa que no artigo 59 do citado Decreto, a legislação admite a nulidade no processo administrativo fiscal, somente de atos e termos lavrados por agente incompetente (inciso I) e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (inciso II), fatos estes na evidenciados no auto lavrado. A autoridade julgadora de primeira instância salienta que a nulidade, arguida pela recorrente, diz respeito ao mérito da demanda e que será apreciado como mérito. De igual modo, observa que no presente litígio a recorrente contesta o mérito da autuação sob as mesmas argüições já afastadas por esta turma de julgamento em dois processos semelhantes 10 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 que envolvem a recorrente e mesma matéria e reproduzir adiante o entendimento expresso nas decisões já proferidas, a exemplo do Acórdão Nº 0532.268 abaixo parcialmente reproduzido, ora adotado integralmente: DA VERDADE DOS FATOS Conforme relatado, a fiscalização foi instaurada devido à existência de compras de combustível diesel efetuadas pela empresa Rio Santo junto à Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, que no ano calendário 2005 teriam totalizado R$ 10.954.934,50. De acordo com o informado pelo autuante, a empresa Rio Santo não possuiria condições estruturais ou financeiras para efetuar tais pagamentos, vez que sua receita bruta anual não chegaria a 1,5% desse valor. Segundo relatado, em 15/07/2009 foi lavrado TERMO de CONSTATAÇÃO referido termo a inexistência de tanques para armazenamento dos 115.000 litros de combustível que a empresa chegava a adquirir num único dia. Como se pode observar das fotos juntadas aos autos (fls. 166/169), a pessoa jurídica é empresa de diminuto porte, a qual realiza passeios (apenas nos fins de semana e feriados) pelo Rio Paraíba do Sul, cobrando R$ 4,00 por pessoa. Em declaração firmada (fls. 245/248) pela própria sócia administradora da Empresa Rio Santo, a Sra. Cláudia Lino dos Santos Mantovani (irmã da Sra. Maria de Fátima Lino dos Santos Braga, que por sua vez é esposa do Sr. Cláudio Doan Del Mônaco Braga), a empresa dispõe de apenas um barco e uma lancha, sendo ambos locados. Afirma ainda que o combustível utilizado por tais embarcações seria fornecido pelo locador, que o repassava para a Rio Santo, sendo o mesmo cobrado posteriormente. Salienta que OS SÓCIOS (Claudia Lino dos Santos Mantovani e Jéferson Luis Lino dos Santos) não têm conhecimento de Boletos emitidos pela Companhia Ipiranga, pois não adquiriram tais produtos. E acrescenta: "A empresa não possui recursos financeiros para aquisição de tais compras, se trata de uma empresa de pequeno porte, sem muita receita, em suma, uma empresa familiar. Como frisado anteriormente os boletos, os pagamentos e as compras não eram de conhecimento da empresa, sendo que nunca teve laços comerciais com a Companhia Ipiranga.(negrejouse)" Esclareçase que, em que pese a afirmação da Impugnante em sentido contrário, a Sra. Cláudia Lino dos Santos Mantovani figura como sócia administradora da Empresa Rio Santo, de acordo com as informações trazidas aos autos pelo Termo de fls. 248. 11 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Assim, com base nas informações acima expostas, correta a conclusão da Autoridade Fiscal em caracterizar a empresa Rio Santo como INTERPOSTA pessoa (ou “laranja”). Passase, então, à verificação quanto às reais adquirentes do combustível diesel junta à Empresa Ipiranga. REAIS ADQUIRENTES Nesse contexto, as informações trazidas aos autos pelo Termo de Declaração (fls. 150/152) firmado pelo vendedor da Empresa Ipiranga, Sr. Luiz Eduardo Martinez Moreira Filho, de que teria intermediado transações entre a Ipiranga e as empresas Rio Santo, CDM e Extratora Iguaçu, mediante contato exclusivo com o Sr. Cláudio Braga, administrador da CDM, denotam sua importância nas relações comerciais com a Ipiranga. Do referido Termo extraise: "O contato inicial aconteceu com a empresa “Extratora Iguaçu” por meio do Sr. Cláudio Braga, que já utilizava combustíveis de outras empresas, Petrobrás e Ale. A partir desse contato, o Sr. Cláudio Braga providenciou para cadastrar, além da Empresa “Extratora Itaguaçu”, as empresas “Rio Santo” e “CDM junto à “Ipiranga” e iniciou suas compras com a “Ipiranga”, sem deixar de comprar, pelo menos, com a Petrobrás, pois já tinha uma bomba da Petrobrás na “Extratora Itaguaçu”. Que o Sr. Cláudio Braga também cadastrou na Ipiranga, junto com o cadastro inicial, caminhões para retirar combustíveis na base da Ipiranga em São José dos Campos. Segundo o Sr. Luiz Eduardo, a empresa Ipiranga não realizava entrega por meio de suas transportadoras em local diferente do cadastrado do comprador na inscrição estadual e no CNPJ. (...) Que o Sr. Cláudio possui caminhões, mais de cento e cinqüenta caminhões, para carregamento de sucata para empresas GERDAU, GM, Villares, entre outras, além de comercializar areia. (...) O Sr. Luiz Eduardo informou que no local de visita (atrás do Magic Park) funcionavam as empresas Rio Santo e Extratora Iguaçu, informação obtida na cadastro das empresas na Ipiranga, e neste local existiam tanques “aéreos” para armazenamento de combustível e duas bombas de abastecimento, sendo uma com logomarca PETROBRÁS, e outra própria da empresa, além de um tanque de lubrificante fornecido pela Ipiranga e vários caminhões com a logomarca ITAGUAÇU nas portas. Que era informado pelo comprador pelo seu potencial de compra por mês e que o limite era determinado a partir dessa informação (...). Afirma, ainda, o vendedor não conhecer os sócios da Empresa Rio Santo, Sr. Jefferson Luis Lino dos Santos e Sra.Claudia Lino dos Santos Mantovani. Entretanto, não apenas declara ter efetivado transações comerciais com o Sr. Cláudio Doan Del Mônaco Braga, como foi apresentado a sua esposa, sócia da Empresa CDM. 12 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Destaquese que o Sr. CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA, responsável pelas compras efetuadas junto à empresa Ipiranga, é PAI dos sócios da empresa FDM e administrador da Empresa CDM. Não há como se rechaçar ser o Sr. Cláudio Braga o responsável pelas transações com a empresa Ipiranga. Contudo, alega a Impugnante que a intervenção de seu administrador em nome da Rio Santo advinha de laços familiares, o que tornava sua “assistência” na compra do combustível algo normal. Além disso, defende que o pagamento pela CDM dos boletos bancários emitidos em nome da Rio Santo (fato confirmado pela Defesa), teria como fundamento a quitação de mútuos verbalmente firmados entre as duas empresas. Ora, como já analisado e demais comprovado, não se vislumbra qualquer possibilidade de a empresa Rio Santo ser a real interessada nas compras efetuadas junto à empresa Ipiranga. Conforme relatado, a atividade da Empresa Rio Santo, apesar de requerer o uso de diesel, se restringe à utilização de apenas 480 litros por dia (fl. 248), e não 115.000 litros, sem mencionar que, conforme esclarecido pela Sra. Cláudia Lino, o combustível é fornecido pelo locador das embarcações, não sendo comprado diretamente pela empresa. Dessa forma, não há como sustentar a justificativa de consistirem os pagamentos dos boletos bancários em nome da Rio Santo quitação de mútuo verbal, vez que esta sequer reconhece tais compras. Claramente, as compras efetuadas em nome da Rio Santo tinham como objeto o abastecimento da própria CDM. Além disso, a existência de eventual mútuo, mormente para fins fiscais, necessita de comprovação documental, sendo inócua a alegação de acerto verbal, não passível de confirmação. Assim, tendo em vista os valores discriminados na Planilha denominada “PAGAMENTOS DE BOLETOS NÃO ESCRITURADOS” (fls. 102/103), elaborada com base nas notas fiscais acostadas aos autos nas fls. 191/244 e quitadas pela impugnante, não restam dúvidas quanto à ocorrência das compras junto à Ipiranga por parte da CDM, no valor de R$ 833.944,50, utilizandose da empresa Rio Santo como interposta pessoa. DO EXTRAVIO Após constatar definitivamente a titularidade de tais compras, a Fiscalização concedeu várias oportunidades para a impugnante demonstrar a efetiva escrituração das transações. Entretanto, restringiuse a contribuinte autuada a alegar (fl. 76): "Em razão das várias enchentes ocorridas nos últimos anos na cidade, sendo a localização da empresa e de seus arquivos muito próximos ao Rio Paraíba do Sul, como já mencionado no requerimento de prorrogação de prazo, este motivado pela dificuldade em encontrar os livros, os mesmos não foram localizados, tendo, 13 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 provavelmente, sido inutilizados face ao enorme volume de água. A empresa, à época da catástrofe não soube informar o destino dos livros solicitados. Notese, sobre a conservação de livros e documentos contábeis e fiscais, o que dispõe o art. 264 do RIR/99: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decretolei nº486/69, art. 44º). § 1º. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decreto lei nº 486/69, art. 10). § 2º. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (Decreto lei nº 486/69, art. 10, parágrafo único). (Grifouse). Como se verifica, as empresas em geral, entre as quais se incluem as optantes pela sistemática do SIMPLES, são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros, documentos e demais papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No caso de extravio desses documentos, o fato deve ser divulgado em jornal de grande circulação dentro de 48 horas e comunicado ao órgão competente do Registro do Comércio e à Receita Federal da jurisdição da empresa. É de fundamental importância e de exclusivo interesse da contribuinte as providências acima transcritas, sendo imprescindíveis para o resguardo de seus interesses. Entretanto, segundo se depreende dos autos, apenas em 02/10/2010, após termo de Intimação Fiscal (fls. 91/92) requerendo a comprovação da observância aos procedimentos exigidos pelo art. 264, §1º e §2º do RIR/1999, cuja ciência foi dada em 14/09/2010, a impugnante fez publicar em jornal a suposta perda de seus documentos contábeis (fl. 96), juntamente com a perda dos documentos comprobatórios do mútuo (dito verbal). E, em 06/10/2010, registrou boletim de ocorrência que, segundo afirma, teria se dado o extravio no dia 07 de janeiro de 2010, à noite (fls.99/100). É importante esclarecer que a adoção dos procedimentos previstos no §1º supra transcrito, apesar de necessária, não é suficiente para excluir a responsabilidade do contribuinte pela guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais, principalmente quando adotadas de forma não espontânea. 14 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 O certo é que, em se tratando de matéria tributária, não importam os motivos pelos quais a pessoa jurídica deixou de atender às exigências fiscais. A infração é do tipo objetivo, na forma do art. artigo 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), isto é, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Assim, ainda que as providências previstas no § 1º do art. 264 do RIR/99 tivessem sido devidamente tomadas, não estaria o contribuinte eximido da obrigação de reconstituir a sua escrita contábil (ou pelo menos o livro Caixa, no caso das empresas optantes pelo SIMPLES) e, quando intimado, comprovar documentalmente suas operações, conforme se conclui das disposições do § 2º do dispositivo transcrito, que prevê a reconstituição dos livros fiscais. Caberia à interessada, no caso, buscar e obter as informações e cópias de documentos junto a terceiros, como instituições financeiras, repartições estaduais e federais, fornecedores, clientes etc. Somese a isso restar claro ter sido a Impugnante a responsável pela perda, ao não garantir a guarda segura de seus documentos. Matéria semelhante a essa ora em discussão foi apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 25/11/81, Acórdão n° CSRF/010.178, no qual o relator, Dr. Urgel Pereira Lopes, de forma brilhante, firmou os seguintes balizamentos: 1. possuir livros comerciais em ordem para exibição ao Fisco, tornouse inquestionável obrigação de fazer, por parte dos contribuintes; 2. dentre as causas pré excludentes do cumprimento da obrigação de fazer de que se trata avultam o caso fortuito e a força maior; 3. no nosso Direito, a força maior e o caso fortuito estão disciplinados no § único do artigo 1.058 do Código Civil, "In verbis": Parágrafo único O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir. 4. a distinção entre força maior e caso fortuito perde relevância, na medida em que as regras jurídicas a respeito dos dois casos são as mesmas; 5. por fato necessário temos que considerar o fato determinado pela força maior, ou pelo caso fortuito, cuja previsibilidade ou imprevisibilidade são absolutamente irrelevantes; 6. o núcleo da questão é a preponderância atribuída pela lei à inevitabilidade das conseqüências. De maneira que é irrelevante saber se é impossível evitar ou impedir o fato necessário mas sim os efeitos de tal fato. Como também é fundamental saber se as conseqüências ou efeitos a que se alude são objetáveis ao adimplemento; 7. se o fato era imprevisível, e implícita ou explicitamente não se lhe poderiam evitar as conseqüências, incide o artigo 1.058 do Código Civil, com o seu parágrafo único; 15 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 8. se o fato era previsível e não foram tomadas as providências para que se lhe evitassem as conseqüências, não há caso fortuito ou força maior pré excludentes da responsabilidade, e o artigo 1.058 não incide; e 9. se o fato era previsível, mas seriam ineficientes as medidas para lhe evitar as conseqüências, incide o artigo 1.058, com seu parágrafo único. Na seqüência do acórdão sob exame, registra o relator que "resta, portanto, examinar se a recorrente adotou as cautelas que se poderiam esperar do bom senso, da prudência e diligência normais para evitar a destruição de seus livros e documentos, por incêndio?". Depreendese do acórdão que, se o incêndio era previsível ou não, o fato não se mostrava importante. O que tem que se verificar é se as onseqüências do incêndio, em relação à destruição de livros e documentos, eram evitáveis ou inevitáveis. No presente caso está caracterizado que não foram tomadas as providências devidas e necessárias para que os mesmos fossem guardados em local próprio e seguro. Ao contrário, os livros e documentos teriam sido deixados em local suscetível a enchentes recorrentes, o que, de antemão já autoriza a concluir, não foi observado o aspecto relativo à boa ordem e a segurança, conforme estabelece o CC/2002, em seu art. 1.194. Podese entender que o fato, no caso a enchente, não era previsível, mas as consequências poderiam ser perfeitamente evitadas, já que livros e documentos de uma empresa não devem ser largados em local suscetível a enchentes, vez que, como dito pela própria contribuinte, estas acontecem há muitos anos. Dessa forma, claro está o total descaso da Contribuinte com suas obrigações fiscais, sendo superadas as alegações de impossibilidade de comprovação dos valores escriturados por extravio da documentação. ÔNUS DA PROVA Conforme disciplinado pelo art. 281, inc. II do RIR/1999: "Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.(negrejouse) No mesmo sentido, a Lei 9.430/96: Falta de Escrituração de Pagamentos 16 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Art.40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Acerca do dispositivo acima, registrese que argumentos dirigidos à sua validade não são oponíveis na esfera administrativa, como adiante analisado, tendo em conta que a lei 9.430/96 encontrase regularmente inserida no ordenamento jurídico pátrio. O artigo 40 da Lei 9.430, de 1996 determina caracterizar presunção legal de omissão de receitas a falta de escrituração dos pagamentos efetuados, desde que outros elementos consolidem os indícios apurados. A lei 9.317/96, em seu artigo 18, determina a aplicação do disposto acima às Empresas abarcadas pela sistemática do SIMPLES, como se segue: "Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Assim, tornase desnecessário ao Fisco apontar o nexo de causalidade entre os pagamentos e a receita considerada omitida, pois a previsão legal contida no mencionado artigo 40 dispensa tal comprovação. De fato, esse nexo é decorrência lógica da comprovação da ocorrência do pagamento, o que sequer foi negado pela Impugnante. Assim, a Fazenda Pública cumpriu o ônus a ela atribuído, de identificar os pagamentos e intimar o contribuinte a se manifestar acerca deles. Não sendo admissível prejuízo à incidência tributária, por impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para manutenção da exigência, até porque admitida legalmente. É a lei, pois, e não o Fisco, que caracteriza os valores pagos como receita omitida, quando o adquirente das compras não comprova sua escrituração, autorizando a exigência de ofício dos tributos sobre eles incidentes. Tratase, pois, de presunção legal relativa, invertendo o ônus da prova, que passa a ser do sujeito passivo. Contudo, como se nota, o Fisco não se limitou em presumir, de forma superficial, a existência de compras omitidas. Ao revés, investigou, aprofundou, circularizou (mediante intimação da IPIRANGA e Banco BRADESCO) e constatou, de forma inquestionável, as inúmeras aquisições feitas pela autuada. Mais ainda, juntou documentos comprobatórios dos pagamentos efetuados, documentos oferecidos pelo próprio fornecedor e pelo Banco Bradesco, mostrando, inequivocamente, que a contribuinte foi a responsável pelos pagamentos efetuados. Ora, a alegação inicial da contribuinte de não ser a adquirente do combustível, quando restava clara sua participação na transação, já denota a inocorrência da 17 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 escrituração contábil dos referidos pagamentos. Somese a isso o suposto extravio e impossibilidade de apresentação de seus livros contábeis. O princípio básico da caracterização de omissão de receitas através a apuração de omissão de compras é justamente a supressão contábil de tais pagamentos, posto que, por óbvio, tais pagamentos presumemse efetuados com recursos obtidos à margem da escrituração e contabilidade, frutos, claramente, de vendas não contabilizadas, ou seja, omissão de receitas. No caso, além de não apresentar a escrituração da Empresa, as disponibilidades por ela informadas na declaração de fls. 249/262 não comportam os pagamentos efetuados (confirmados pela Contribuinte) no período, os quais atingiram o montante de R$ 833.944,50 (fls. 102/103). Insustentável, pois a afirmação da Impugnante (fl. 77) de que os pagamentos teriam como origem sua receita, uma vez que no ano calendário 2005, foi ela de apenas R$ 705.012,69 (fl. 258), para fazer frente os seus dispêndios, o que corrobora a presunção aqui esposada. Percebese, portanto, que o regramento do artigo 281 do RIR/99 restou amplamente cumprido, inclusive tendo sido dada toda a possibilidade e oportunidade de a contribuinte invalidar a presunção, caso dispusesse de elementos probatórios suficientes. Assim, insubsistentes se mostram as objeções da impugnante, permanecendo incólume a imputação de omissão de receita. Relevante elucidar que os pagamentos não constituem fato gerador de tributo, de forma que a tributação não incide sobre os valores pagos, mas sobre a renda que representam tais recursos quando não identificada a sua correspondente tributação. Assim, também afastada, por totalmente infundada, a alegação da contribuinte de que receita não é despesa e, portanto, tais pagamentos não fariam parte da base de cálculo dos tributos ora lançados, qual seja, a Receita Bruta. DA SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. No tocante à multa aplicada, opõese a interessada à sua qualificação, sob alegação de ausência de provas do elemento subjetivo (dolo) da Impugnante. Todavia, impõese lembrar que a fiscalização motiva expressamente o agravamento da multa por restar comprovado que a RIO SANTO não foi a real adquirente dos produtos junto à IPIRANGA, e que FOI USADA, DE FORMA DOLOSA PELA FISCALIZADA, COMO INTERPOSTA PESSOA (“laranja”), com o claro intuito de esconder as suas compras dos produtos junto à Ipiranga, realizadas utilizando recursos mantidos à margem da tributação fatos que, quais sejam suas receitas omitidas, com o claro intuito de se eximir do pagamento de tributos e deixar a RIO SANTO, uma pessoa jurídica de patrimônio diminuto, para, sendo o caso, responder pelos tributos não recolhidos, o que, em tese, caracterizam o intuito da sonegação, fraude e do conluio, definidos nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando aplicação da multa de 150%. 18 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Diante de clara ocorrência da utilização da Empresa RIO SANTO como interposta pessoa, fato que se encontra amplamente comprovado pelas provas constantes dos autos, convergentes na direção de uma conduta DOLOSA de ocultar a existência de receitas tributáveis, com vistas a suprimir tributo, cumpriria ao contribuinte, minimamente, demonstrar a origem dos valores utilizados nos pagamentos efetivados à empresa Ipiranga e sua efetiva tributação. Todavia, sequer foram apresentados Livros e documentos, sob alegação de que tudo teria sido destruído. Quanto à pretensão de que fossem apresentadas provas efetivas e inequívocas da ação dolosa da Impugnante, é importante ressaltar que a presunção firmada a partir dos indícios apresentados prestase a provar tal intenção, e seu uso, inclusive, é indispensável em casos como o presente, como bem circunstancia Maria Rita Ferragut (Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): "As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa." Frente a tal contexto, vêse que a fiscalização reuniu no presente processo conjunto de indícios convergentes e consistentes que evidenciam conduta dolosa e que se prestam a provar, por presunção, a fraude. Ausente, assim, qualquer prova que desconstitua tal presunção, dúvidas não restam quanto à intenção da contribuinte de evitar a incidência tributária relativamente às receitas omitidas em decorrência dos pagamentos efetivamente realizados para os quais nenhuma origem foi comprovada documentalmente. Sobretudo, acentuese que, no caso de empresas optantes pelo Simples, além do interesse em não pagar tributos sobre as receitas omitidas, a manutenção da receita bruta declarada em patamares reduzidos possibilita sua permanência na sistemática simplificada de tributação. Desse modo, regular é o percentual de multa aplicado sobre o crédito tributário decorrente das infrações apuradas, pois encontra respaldo no art. 44 da Lei 9.430/96 que, com as alterações da Lei nº 9.532/97, que dispõe: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 19 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 [...]. (negrejouse)" Observese, ainda, que penalidades em iguais dimensões permanecem previstas na redação do referido dispositivo, alterada pela Lei nº 11.488/2007: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] (negrejuse") Esclareçase à defesa que não se está imputando a multa qualificada, prevista na redação atual do art. 44, §1º da Lei nº 9.430, de 1996, por não ter a contribuinte colaborado com a fiscalização. Tal conduta ensejaria o agravamento da multa de ofício aplicada (de 150% para 225%), nos termos do art. 44, §2º, “a” da Lei nº 9.430, de 1996, o que não foi feito nas presentes autuações. Em verdade, a multa foi qualificada (de 75% para 150%) por ter a contribuinte atuado com dolo na omissão de receitas decorrentes de significativos pagamentos efetuados a título de compras de combustível, utilizandose de interposta pessoa (“laranja”Rio Santo) para ocultar tais transações. Assim, vêse que a aplicação da multa no percentual de 150% tem fundamento tanto fático como legal, sendo improcedentes as alegações apresentadas. DA ANÁLISE CONSTITUCIONAL Quanto às referências ao caráter confiscatório da penalidade aplicada, esclareça se que tem ela respaldo no que previsto no art. 44, da Lei nº 9.430/96, acima transcrito, a pretensão do contribuinte conduz a análise para a aferição da inconstitucionalidade da legislação de regência. E, neste ponto, importa observar que a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da 20 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 constitucionalidade ou da legalidade da legislação. Deveras, o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Acrescentese que o dever de observância abrange também as normas complementares editadas no âmbito da Secretaria da Receita Federal – SRF, expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme expressa disposição da Portaria do Ministro da Fazenda nº 58, de 17 de março de 2006, in verbis: "Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros." Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dispondo, in verbis: "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Assim, estando os efeitos do ato devidamente fundamentados, não cabe a este órgão administrativo perquirir sua validade, e por conseqüência da sua constitucionalidade, como já antes mencionado. DA TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS OMITIDAS Cumpre destacar as disposições do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: "Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão." Desta forma, configurada a omissão de receitas, a partir da falta de comprovação da escrituração dos pagamentos efetuados, o valor da receita omitida deve ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento dos tributos abarcados pelo Simples. E, segundo disciplina a legislação regente da sistemática privilegiada do Simples, o valor devido mensalmente será fixado mediante a aplicação de alíquotas diferenciadas, as quais serão determinadas de acordo com a faixa de receita bruta auferida pela contribuinte. 21 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Enquadrandose sua receita bruta em faixa diversa da até então apurada, instaria aplicar as alíquotas a ela correspondentes. Tal ato seria automático, independendo da ação do Fisco para tanto. Assim, sendo somados os valores omitidos aos valores antes declarados em DSPJ/2006, novas alíquotas devem ser aplicadas, agindo corretamente o autuante ao fazêlo. Acrescentese que os efeitos da omissão de receita no presente caso restringemse a reclassificar a faixa de receita a que se enquadra a empresa para aplicação da alíquota legalmente prevista, aplicação esta que não depende de decisão administrativa definitiva acerca da omissão de receita. O julgador a quo compreendeu, do voto reproduzido acima, que a ação fiscal em comento também relaciona, no ano calendário de 2005, vendas e combustível realizadas pela IPIRANGA, totalizadas em 115.000 litros no valor de R$ 10.954.934,50 para a empresa RIO SANTO, utilizada como "interposta pessoa" por três pessoas jurídicas, enquanto as receitas auferidas no período pela empresa constante como adquirente nos documentos fiscais não chegavam a 1,5% do montante das referidas transações, as quais forma negadas pela então sócia administradora da destinatária constantes das notas fiscais emitidas pela IPIRANGA (Sra. Cláudia Lino dos Santos Mantovani, segundo declaração firmada nos autos). Prossegue aduzindo que evidenciase a coincidência no teor das alegações de extravio de documentos para justificar a não apresentação dos livros e documentos contábeis/fiscais do período fiscalizado, bem como de existência de "mútuo verbal" entre a empresa RIO SANTO e as pessoas jurídicas autuadas, reais adquirentes cadastradas junto à fornecedora de combustíveis IPIRANGA pelo Sr. Cláudio Doan Del Mônaco Braga, quais sejam: C. D. M. Itaguaçu Mineração e Transportes Ltda. ME; F. D. M. Transportes Ltda. ME e Extratora de Minerais Itaguaçu Ltda. Destaca a vinculação das três empresas responsáveis pelos pagamentos dos boletos emitidos pela IPIRANGA, em razão das notas fiscais de venda de combustíveis tendo por destinatária a empresa RIO SANTO LTDAEPP, com o Sr. CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA, intermediário das negociações segundo declara o vendedor da distribuidora de combustível. Reproduz os dados extraídos das Fichas registradas na JUCESP, quais sejam: "• C. D. M. Itaguaçu Mineração e Transportes Ltda. ME sócios atuais: Armando Augusto Moreira Flausino e Maria de Fátima Lino dos Santos Braga administradora (esposa de Cláudio Doan Del Mônaco Braga), tendo sido o Sr. Cláudio Braga sócio da empresa desde a sua constituição em 23/02/1990 até 03/01/2001; • F. D. M. Transportes Ltda. ME sócios desde a constituição em 27/08/2003: Fábio Doan Santos Del Mônaco Braga e Flávio Doan Santos Del Mônaco Braga (Procurador da autuada Extratora de Minerais Itaguaçu Ltda.), sendo ambos filhos do Cláudio Doan Del Mônaco Braga, 22 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 • Extratora de Minerais Itaguaçu Ltda sócios atuais: Cláudio Doan Del Mônaco Braga (administrador) e Maria de Fátima Lino dos Santos. • RIO SANTO LTDAEPP sócios atuais: Cláudia Lino dos Santos Mantovani (irmã de Maria de Fátima Lino dos Santos Braga e cunhada do Sr. Cláudio Braga) e Jefferson Luis Lino dos Santos, ambos sócios administradores." Conclui que ao se conjugar as Fichas Cadastrais da JUCESP às informações trazidas aos autos pela fiscalização, que foi responsável pelos levantamentos na distribuidora IPIRANGA, resta patente o objetivo das empresas autuadas, comprovadas autoras dos pagamentos dos boletos vinculados às notas fiscais de compras de combustíveis de acordo com o extrato bancário fornecido pelo Banco Bradesco, em interpor a pessoa jurídica RIO SANTO LTDA nas mencionadas operações, com o intuito de não recolher tributos e, principalmente, de segregar as receitas auferidas e não ultrapassar o limite admitido pela sistemática simplificada, o que seria inviável se englobados os resultados em único empreendimento. Finaliza referindo não restar dúvidas quanto à efetividade da omissão de receitas, no ano calendário de 2005, também pela pessoa jurídica Extratora de Minerais Itaguaçu Ltda, mediante a utilização do nome da empresa RIO SANTO LTDA, cujas aquisições foram pagas por transferência bancária, na mesma conta identificada nos pagamentos dos boletos listados às fls. 71/75, conforme resposta dada pelo citado banco ao Minsitério Público Federal (pedido de quebra de sigilo de dados), na qual são apontados os reais adquirentes de combustíveis junto à IPIRANGA. Atenta para a legislação aplicada e aduz que no ano calendário de 2005, em que constatadas as irregularidade na empresa recorrente, constatase DEMONSTRATIVO DE PERCENTUAIS APLICÁVEIS SOBRE A RECEITA BRUTA, elaborado pelo autuante às fls. 02/05, a correta observância dos percentuais estabelecidos na legislação, de conformidade com o montante da receita bruta acumulada a cada mês de apuração dos tributos na sistemática do SIMPLES, sendo desnecessário qualquer ajuste no presente momento. Destaca o interesse do sócio da empresa, de que o seu faturamento na escrituração não ultrapassasse os limites da receita bruta anual fixados na legislação que regulamenta o SIMPLES FEDERAL, utilizandose de "interposta pessoa" na aquisição de combustível para realizar suas atividades evitando, assim, evidenciar ao Fisco o auferimento de receitas em montante que justificaria a imediata exclusão da pessoa jurídica de um regime diferenciado que a favorece com tratamento simplificado e uma carga tributária reduzida. Expõe que restou caracterizado e comprovado o dolo da recorrente através da interposição da pessoa jurídica RIO SANTO LTDA nas aquisições de combustíveis junto à distribuidora IPIRANGA, enquanto a documentação fornecida pelo BANCO BRADESCO, encaminhada pelo Ofício nº 2009.000909/PRM/GRT da Procuradoria da República em Guaratinguetá/SP, do Ministério Público Federal (fl. 194), em atendimento ao pedido de quebra de sigilo de dados nº 2009.61.18.0012660, identifica a empresa fiscalizada como 23 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 pagadora dos boletos listados às fls. 195/210, referentes a notas fiscais tendo por destinatária a RIO SANTO LTDA (fls. 215/288). Desta forma, leva em conta que na declaração DSPJ/2006 a empresa não englobou os valores correspondentes no resultado auferido no ano de 2005, adotando conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, justificando a qualificação da multa de ofício no percentual de 150%. No que tange à exclusão do Simples, o julgador de primeira instância afere que a empresa recorrente, quando fiscalizada foi apurada omissão de receitas em virtude dos pagamentos de compras não escriturados no valor de R$ 1.308.095,00, no ano calendário de 2005. Quando adicionado o referido montante às receitas declaradas na DSPJ/2006, no valor de R$ 1.137.301,07, as receitas auferidas pela empresa no ano calendário de 2005 atingem a importância de R$ 2.445.396,07, ultrapassando o limite de permanência no Simples, que naquele ano era de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), enquadrandose, assim na situação excludente disposta no artigo 9º, inciso II, da Lei nº 9.317, de cinco de dezembro de 1996. Embora a recorrente tenha argumentado que a Exclusão do Simples não pode se perfectibilizar até a apreciação da impugnação apresentada em face da autuação lavrada nos autos do processo administrativo n. 16045.000491/201092, a autoridade julgador a a quo entende que não há necessidade de se aguardas a solução definitiva, no contencioso administrativo para concretização dos efeitos da exclusão do Simples e a formalização de exigência de tributos sobre as receitas omitidas, uma vez que os procedimentos não são interdependentes, podendo ser apreciadas as irregularidades em fases processuais distintas, desde que devidamente configuradas nos respectivos autos. Equivocase igualmente a defesa ao recorrerse do art. 104 do CTN objetivando assegurar que a exclusão só teria aplicabilidade a partir do primeiro dia do exercício subseqüente à publicação do ato declaratório, visto que o referido dispositivo remete a alterações legais: I que instituem ou majoram impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; e III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178, o que não é o caso dos autos. Isto porque a exclusão de empresa do sistema simplificado de tributação observou atentamente as disposições contidas na lei que o instituiu, na qual é permitida a interrupção do benefício a partir do ano subseqüente em que ultrapassado o limite de receita admitido para enquadramento na sistemática, fato distinto de eventual majoração de impostos, nova hipótese de incidência ou extinção de isenção, visto que a própria lei que institui o benefício determina a exclusão da pessoa jurídica da sistemática quando configurado o não atendimento a qualquer dos requisitos nela expressos. Observa, ainda que, no procedimento fiscal, a tributação das receitas omitidas foi apurada a partir das alíquotas previstas na Lei nº 9.317, de 1996, de conformidade com a receita bruta acumulada mensalmente, havendo assim apenas adequação dos novos montantes de receitas às alíquotas correspondentes ao total acumulado na sistemática do SIMPLES, não cabendo se falar em nulidade da autuação por indevida majoração de alíquotas. 24 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Acrescenta a possibilidade legal de exclusão de ofício da pessoa jurídica que incorrer em causa impeditiva À opção/permanência no Simples. Cita legislação a respeito. E afirma que o Ato Declaratório foi emitido por autoridade competente e foi observado as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa, demonstrado pelo enfrentamento das questões pela recorrente. Deixa de enfrentar as argumentações da recorrente quanto aos princípios constitucionais, bem com a legitimidade de normas ainda vigentes. Cita para tanto a Súmula CARF n. 02. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação. Complementa refutando a acusação de interposta pessoa, haja vista que os sócios de ambas as empresas são membros da mesma família, mas ainda sim compõem pessoas jurídicas distintas. Descaracteriza o dolo e consequentemente a multa de 150%. Quanto ao mútuo realizado entre as empresas: recorrente e RIO SANTO, afere que o mesmo não necessita se perfectibilizar pela forma escrita. No caso, os mútuos se davam entre as empresas citadas de forma verbal. Cita jurisprudência nesse sentido. Repete o argumento de que teria preenchido todos os passos no caso de documentos extraviados. Em ato continuo, cita que a própria autoridade fiscal confirma esse ponto. De igual modo, atenta para o fato de que não havendo receita tributada, mas sim meras presunções, esta não pode efetuar a soma para fins de compor a base de cálculo da tributação pelo sistema Simples. Elenca os princípios constitucionais que entende terem sido violados e roga pelo cancelamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração lavrado em detrimento do Sistema Simplificado, para cobrar os tributos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, decorrentes de omissão de rendimentos, no ano calendário de 2005, acrescido de multa de 150%, em face da utilização de interposta pessoa, bem como da empresa recorrente ter 25 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 extrapolado o limite de aferição de receita bruta disciplinado na legislação de regência. Assim, foi lavrado Ato Declaratório de Exclusão do Simples com efeitos a partir do ano subsequente. A autuação se perfez em detrimento da fiscalização da empresa IPIRANGA e sua venda de combustível a uma empresa chamada RIO SANTO LTDA, de propriedade de familiares dos sócios da recorrente. Ocorre que essa empresa não detinha condições físicas para a aquisição de todo o combustível, como também foi detectado que as faturas eram todas pagas pela recorrente. Intimada a esclarecer, a empresa argumenta que se tratavam de contrato de mútuo verbal, visto serem todos os sócios, de ambas empresas, parentes. Ainda, contrapõese ao auto de infração, visto que entende justificados os depósitos através dos referidos mútuos. Contesta a exclusão do simples sob a justificativa de interposta pessoa, já que a empresa RIO SANTO LTDA é de parente, mas não se trata de "laranja", não sendo devedora da multa de 150%. No mesmo caminho, não concebe a imputação da fiscalização a respeito de ter ultrapassado o limite do valor bruto a ser auferido pela empresa, tomando em conta que os valores não lhe pertenciam. Por fim, a empresa recorrente alega violação de princípios constitucionais. Discordo das argumentações da empresa e entendo que o acórdão proferido, em primeira instância, está em perfeita consonância com os ditames legais, não merecendo reforma. Ainda, tal como disposto no julgamento precedente, este Egrégio Conselho não pode apreciar questões referente à violação de princípios constitucionais ou legalidade de norma, por fugir de sua competência. Tudo conforme disciplinado na Súmula CARF n. 02. Em ato contínuo, restou claro que a empresa recorrente era a responsável pelos pagamentos das faturas da empresa RIO SANTO LTDA e que esse artifício era implementado para seguir tributando pela sistemática Simplificada. Os pagamentos das faturas sequer foram contestados, tendo ela alegado que essa prática se dava em função de serem todos da mesma família, perfazendose em um contrato de mútuo verbal. No entanto, a empresa não prova ou demonstra sequer que houve devolução dos valores, com a finalidade de dar respaldo as suas argumentações. De certo que se tratando de empresas distintas, ainda que de familiares, e tendo ocorrido um empréstimo, mútuo ou algo que o valha, o retorno dos valores são imprescindíveis e também uma forma mínima de comprovação do alegado. De outro ponto, entendo que a argumentação de interposta pessoa, tomando a oura empresa RIO SANTO LTDA como laranja da situação não calha para a imputação da exclusão da empresa do Sistema Simplificado. Tudo em razão da disposição da legislação a respeito, senão vejamos (Lei 9.317/96): "Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) 26 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual;" Certo que a empresa recorrente possui sócios distintos da empresa RIO SANTO LTDA e sequer a pessoa jurídica encontrase inscrita nos quadros societários da recorrente. Do artigo se deduz que a exclusão se dará quando a empresa autuada, com o fim de esconder os reais sócios da empresa, utiliza de outra pessoa para figurar no quadro societário. Contudo, entendo que a argumentação é válida para configurar o dolo da empresa recorrente em esconder a compra dos produtos da IPIRANGA, realizada com recursos omitidos, deixandoos à margem da fiscalização. Isso porque através da empresa RIO SANTO LDTA, a recorrente adquiria produtos sem que isso aparecesse em sua contabilidade. Assim, certo está que os pagamentos, dos boletos bancários, efetuados pela recorrente, no ano calendário de 2005, referente às compras realizadas junto à IPIRANGA, cujas respectivas notas fiscais estão acostadas nestes autos, elencadas na planilha denominada "pagamento de boletos não escriturados", elaborada a partir da planilha denominada "pagamentos de boletos informados pelo banco Bradesco", por não haver sido comprovada sua regular escrituração, foram feitos com recursos oriundos de receitas omitidas no ano calendário de 2005, totalizando R$ 1.308.095,00 (um milhão, trezentos e oito mil e noventa e cinco reais). Temse que a receita bruta total, declarada pela empresa recorrente na DSPJ 2005/2006 foi de R$1.137.301,07 (um milhão, cento e trinta e sete mil, trezentos e um reais e sete centavos) (fls. 303), somandose à receita omitida apurada, atinge valores superiores aos declarados originalmente pela empresa na DSPJ/2006. E, segundo o disciplinado na legislação de regência as alíquotas do SIMPLES se elevam em função do aumento da receita bruta acumulada auferida, posto que progridem de acordo com a faixa de enquadramento da receita bruta acumulada. Nesse caminho, a empresa teria extrapolado o limite de receita bruta estipulado como teto para a opção pela sistemática do SIMPLES. Coerente a decisão que manteve a exclusão da empresa do sistema simplificado. Quanto à imputação de omissão de receitas, cumpre salientar que a empresa recorrente limitase, tão somente, a referir que os supostos valores era oriundo de contrato de mútuo verbal, firmado entre empresas de familiares. Mas, a mesma apenas alega referidas transferências e não comprova tratarse dos mesmos valores ou de valores já tributados anteriormente. A recorrente não junta ao feito qualquer documento, contrato ou recibo que lhe dê embasamento às suas argumentações. Nesse caminho, temse que sem a legitimidade da comprovação, demonstrando que estes mesmos valores usados para adquirir produtos da IPIRANGA, via empresa RIO SANTO LTDA, não lhe pertencem, mas sim são efetivamente empréstimos feitos à empresa RIO SANTO LTDA, perfectibilizados nos pagamentos das faturas pela recorrente, não há como cancelar o auto. Importa frisar que as faturas não poderiam ser pagas pela 27 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 empresa recorrente, ainda que pertencentes a outra empresa, sem um contrato que lhe desse respaldo. Em ato contínuo, cumpre salientar que a comprovação das alegações de mérito é obrigação da empresa recorrente, que pode se dar a partir de livros contáveis e fiscais, bem como documentação hábil e idônea que indiquem a devolução dos valores ou mesmo que estes se encontram devidamente tributados. Assim, sendo a empresa recorrente a conhecedora de sua contabilidade, não pode furtarse com argumentações sem embasamento em documentação, apenas alegando tratarse de um mútuo verbal. Importa frisar que há, imposição legal de registro e contabilização de todos os movimentos financeiros da empresa. Nesse caminho, entendo que a empresa deve ser excluída do sistema simples por ter extrapolado os limites de aferição de receita bruta, estipulado em lei, vez que manteve valores à margem de sua escrituração contábil e fiscal. De igual modo, entendo que deve prevalecer a multa qualificada de 150%, por prática dolosa, haja vista que a empresa utilizou de uma empresa para adquirir produtos para si, com esses valores que não se encontravam declarados. Por fim, entendo que a exclusão se perfaz no ano subsequente, tal como disciplinado no acórdão "a quo". Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 28 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906194/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2006
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 61 94 /2 01 2- 11 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906194/201211 Acórdão n.º 1802003.161 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912936/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 29 36 /2 01 2- 13 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912936/201213 Acórdão n.º 3801004.189 S3TE01 Fl. 11 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912936/201213 Acórdão n.º 3801004.189 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto mos autos do processo nº 11020.911453/201293, contra o acórdão nº 0250.260, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 29 de outubro de 2013, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$3.677,23, decorrente de recolhimento com DARF efetuado em 20/03/08. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: Preliminarmente, defende a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e motivação e porque não foi intimado a esclarecer os motivos que o levaram a postular a compensação de débitos com os créditos dos pagamentos que considerou indevidos. Afirma que o procedimento foi eletrônico e que houve preterição do direito de defesa. Acrescenta que o despacho decisório não se presta a instaurar de forma legítima o contraditório administrativo, que não houve Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912936/201213 Acórdão n.º 3801004.189 S3TE01 Fl. 13 4 diligência por parte da fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado e que isso prejudica a ampla defesa. Solicita a posterior juntada de documentos que comprovem suas alegações em respeito ao princípio da verdade material. Defende a ilegalidade e a inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante do tributo supostamente devido que fere os princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer a nulidade do despacho decisório e a procedência da manifestação de inconformidade.. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, dizendo ainda que foi prejudicado o contraditório e ampla defesa, alegando também a aplicabilidade da verdade material e, por fim, a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912936/201213 Acórdão n.º 3801004.189 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado determina, a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no tópico “DÉBITO CONFESSADO”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando com a manifestação de inconformidade documentos idôneos e suficientes para comprovação de crédito líquido e certo como escrituração contábil e fiscal do período, para fins de confrontar possível erro no sistema da RFB em compensar o crédito com débito confessado em DCTF. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912936/201213 Acórdão n.º 3801004.189 S3TE01 Fl. 15 6 Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto a necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912936/201213 Acórdão n.º 3801004.189 S3TE01 Fl. 16 7 “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912936/201213 Acórdão n.º 3801004.189 S3TE01 Fl. 17 8 “Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. “ Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 18471.001316/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
IRPJ. CSLL. LUCRO REAL. DESPESAS OPERACIONAIS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL A COMPROVAÇÃO.
O contribuinte que realiza apuração do IRPJ e CSLL pelo regime do Lucro Real deve manter sua contabilidade detalhada a fim de realizar as inclusões e exclusões, ou seja, as despesas lançadas em contabilidade pelo contribuinte devem e
Numero da decisão: 1302-001.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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CSLL. LUCRO REAL. DESPESAS OPERACIONAIS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL A COMPROVAÇÃO. O contribuinte que realiza apuração do IRPJ e CSLL pelo regime do Lucro Real deve manter sua contabilidade detalhada a fim de realizar as inclusões e exclusões, ou seja, as despesas lançadas em contabilidade pelo contribuinte devem e Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 16 /2 00 8- 01 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S/A, doravante denominada recorrente. O presente auto de infração foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro DEFIS/RJ, mediante os quais estão sendo exigidos da ora recorrente créditos de IRPJ (R$ 776.275,79) e CSLL (R$ 298.545,90) (Auto de Infração – fls. 169/176). A autuação tem origem na intimação (fls. 87) da recorrente, em que o AFRFB requereu a apresentação de documentos para que se comprovasse o valor de R$ 28.546.123,99, relativo à CPMF, lançado como despesa operacional na DIPJ/2005 (ficha 05A, linha 13 – fls. 6), referente ao anocalendário 2004. Logo, a recorrente apresentou os relatórios do Banco do Brasil S/A (fls. 89/143), do HSBC Bank Brasil S/A (fls. 144/146), do Banco Bradesco S/A (fls. 148/150) e um arquivo contendo lançamentos de CPMF sem a identificação de origem, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (fls. 154). Nessa esteira, na descrição dos fatos contida no auto de infração (fls. 169/176) o AFRFB dispôs o seguinte: (i) Que Em face da comprovação parcial das despesas, intimou o contribuinte, em 02/06/08 (fls. 154), a comprovar o valor restante de R$ 2.202.666,11, de despesa operacional relativa a CPMF; (ii) Que em resposta a esta intimação, o contribuinte além de apresentar novamente um arquivo magnético com lançamentos referentes a CPMF, que por si só não comprovam tais registros, mesmo porque não identificam com clareza as respectivas origens, justifica, em suma, a não comprovação do valor restante da despesa da CPMF pela falta de resposta dos bancos ABN AMRO Real S/A e Caixa Econômica Federal à sua solicitação; (iii) Que apesar de ter sido dado tempo suficiente ao contribuinte para que obtivesse documentação comprobatória de tais despesas, para não prejudicálo, foram levadas em consideração as informações fornecidas à RFB pelas instituições financeiras, relativas aos valores de CPMF cobrados de Furnas, no valor total da R$ 638.268,27 ABN AMRO Real S/A (fls. 182/183) e de R$ 62.801,32 Caixa Econômica Federal (fls. 181/182); (iv) Por fim, foi lavrado auto de infração relativo ao IRPJ e à CSLL sobre o valor escriturado como despesa operacional não comprovada, referente à CPMF (R$ 1.501.596,52). Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração lavrado em 02/07/2008 (fls. 170 e 176). Na sequência, apresentou impugnação em 31/07/2008 (fls. 197/202), sendo esta julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fls. 225/231): Fl. 631DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001316/200801 Acórdão n.º 1302001.463 S1C3T2 Fl. 632 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 GLOSA DE DESPESAS. Em processo fiscal predomina o principio de que a apresentação de provas quanto às afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. Na ausência de comprovação das despesas mantémse o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO REFLEXO. Na ausência de novos argumentos e provas, mantido o lançamento principal, igual sorte colhe ao lançamento reflexo. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 10/09/2010 (fl. 237), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 13/10/2010 (fl. 238/261), trazendo à baila, em síntese, os seguintes argumentos: (i) Que com relação ao pedido de perícia, o acórdão o indeferiu por considerálo prescindível, sob a desculpa de que existiriam, nos autos, elementos suficientes à formação da convicção dos julgadores de Primeira Instância; (ii) Que houve a demonstração de uma posição prédefinida, da parte do Relator e acatada pela Turma Julgadora de Primeira Instância Administrativa, no sentido de manter, a qualquer custo, a autuação contra a Recorrente, em nítida postura que implica OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA desta última, e consequente agressão aos ditames constitucionais e legais; (iii) Que em face do prejuízo causado à Recorrente, pela negativa da diligência solicitada, a única conclusão possível e coerente com os ditames constitucionais, o Decreto n.º 70.235/1972 e a jurisprudência, é a de que o Acórdão n° 1232.830 da DRJ/RJ deve ser declarado nulo de pleno direito; (iv) Que sofreu glosa de parte das despesas com a CPMF pois, segunda a fiscalização, os seus registros contábeis divergiam das informações das instituições financeiras; (v) Que, os bancos, regulados pelas normas do COSIF/Banco Central, eram instados a registrarem os valores relativos à CPMF diariamente, pelo débito Fl. 632DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 em conta corrente. Por outro lado, a recorrente somente poderia efetuar os respectivos registros da despesa quando da cobrança semanal efetuada pelos Bancos. Assim, tornavase impraticável que seus lançamentos da despesa correspondente à citada contribuição coincidissem exatamente com a competência adotada pelos Bancos; (vi) Que os lançamentos bancários da primeira e da última semana do ano deixam claras as possibilidades de haver diferenças de cálculos, tendo em vista que a CPMF somente era cobrada pelo Banco na semana seguinte à de competência, o que impossibilitava antes disto o cálculo do valor com precisão, haja vista a recorrente não possuir acesso aos documentos hábeis para efetualos. Tal procedimento acarretava em um descompasso na apropriação da CPMF; (vii) Que a base de cálculo da exigência contida no auto de infração foi determinada por simples diferença entre as informações colhidas junto às instituições financeiras e o montante de CPMF que a recorrente deduziu como despesa operacional, sem nenhum apuro técnico; (viii) Que a autoridade fazendária não determinou corretamente a base de cálculo dos tributos exigidos, não considerou os dados contábeis da recorrente e nem se aprofundou nas informações prestadas pelas instituições financeiras, considerando estas últimas como informações verídicas, em detrimento das informações apresentadas pela recorrente, por simples presunção; (ix) Que no direito tributário, o que importa são as provas materiais, válidas e objetivas, sendo que as presunções têm que estar autorizadas por lei, e, no presente caso, compulsada a legislação que supostamente regeria a matéria, não se vislumbra qualquer disposição legal que autorize o Fisco a, sem dispor de qualquer evidência concreta, tributar baseado em suposições pessoais; (x) Que ficou evidente a fundamentação do Fisco em presunção de que eventualmente, as operações não ocorreram como alegado e demonstrado pela recorrente, apesar de todos os documentos oferecidos para análise da fiscalização e ora carreados aos autos; (xi) Assim, o auto de infração deve ser cancelado por não observar os ditames do artigo 142, do Código Tributário Nacional, pois não se realizou a avaliação correta do suporte fático a convalidar o lançamento. É o relatório. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001316/200801 Acórdão n.º 1302001.463 S1C3T2 Fl. 633 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recorrente foi intimado da decisão proferida pela DRJ em data de 10/09/2010 (fl. 237), e, em data de 13/10/2010, apresentou recurso voluntário (fl. 238/261), pelo que o recurso voluntário é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Preliminar. Do Suposto Cerceamento de Defesa. A recorrente em seu recurso voluntário (fls. 238/261) insurgese contra o r. acórdão (fls. 225/231) proferido pela instância a quo, dispondo, em síntese, que o acórdão em comento ao negar o seu pedido de perícia contábil (confrontar os valores informados pelos Bancos a título de CPMF com os valores registrados na contabilidade da empresa a título de despesas operacionais com CPMF) afrontou flagrantemente os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, haja vista, deixar a empresa sem subsídios concretos para realizar a sua defesa no presente auto de infração. No entanto, conforme já mencionado alhures, a recorrente foi intimada pelo AFRFB a fim de justificar o valor de R$ 28.546.123,99 relativo à CPMF, lançado como despesa operacional na DIPJ/2005 (ficha 05A, linha 13 – fls. 6), referente ao anocalendário 2004, valores estes apurados e lançados em contabilidade pela própria recorrente. Em outras palavras, o AFRFB intimou a recorrente para simplesmente justificar os valores lançados em sua contabilidade a título de despesas operacionais CPMF, por meio de documentos habéis. Após esta primeira intimação (fls. 87), a recorrente comprovou através de diversos relatórios e extratos bancários (fls. 89/146) o montante de R$ 26.343.457,88 das despesas operacionais escrituradas referentes à CPMF. Posteriormente, num segundo momento, o AFRFB considerou (fls. 171) também o valor da CPMF informados pelo ABN AMRO Real S.A. e pela Caixa Econômica Federal como cobrados da recorrente (fls. 181/183), respectivamente nos montantes de R$ 638.268,27 e de R$ 62.801,32. Restou, portanto, um saldo de despesa operacional escriturada no valor de R$ 1.501.596,52, referente à CPMF, mas não comprovada pela recorrente com documentos hábeis e idôneos. Vale lembrar, que a recorrente por realizar a sua apuração do IRPJ e CSLL por meio do Lucro Real, deve manter a sua contabilidade detalhada a fim de realizar as inclusões e exclusões de valores que o regime de apuração em comento necessita, ou seja, as Fl. 634DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 despesas lançadas em contabilidade pela recorrente devem ou deveriam estar vinculadas a documentos habéis à comprovação de tais despesas. Importante dispor que não se está a discutir a possibilidade da recorrente incluir os valores a título de CPMF nas suas despesas operacionais, pois conforme dispõe o art. 47 da Lei n.° 4.506, de 1964, a pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real poderá deduzir, da base de cálculo do IRPJ, as despesas ditas operacionais, que sejam necessárias, normais, usuais e devidamente escrituradas. Essa norma encontrase consolidada no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR. Senão, vejamos: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°). §2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°). Todavia, as despesas escrituradas pelo contribuinte devem estar respaldadas em documentação que as comprovem. Não se pode imputar a um terceiro a responsabilidade de comprovalas, pois se assim fosse possível, o contribuinte poderia abrir mão de resguardar os documentos comprovantes de suas despesas por contar que terceiro poderá ter estes documentos. Nesse passo, entendo ser obrigação da recorrente manter a sua contabilidade de maneira clara e detalhada, ou seja, ao lançar uma despesa em sua contabilidade, deve esta estar vinculada a documentação hábil a comprovála. Sendo assim, não vislumbro qualquer afronta aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa que enseja a nulidade do r. acórdão proferido pela instância a quo. Por outro giro, mister também dispor que o Decreto 70.235/72, em seu art. 16, § 4º, traz a possibilidade de se juntar prova documental em momento posterior a impugnação nos casos em que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Senão, vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 635DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001316/200801 Acórdão n.º 1302001.463 S1C3T2 Fl. 634 7 Sendo assim, acaso não disponibilizasse no momento da autuação ou da impugnação dos documentos que comprovassem as despesas aqui referidas, poderia a recorrente juntálas posteriormente, demonstrando assim o seu direito. Logo, não há que se falar em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa que enseja a nulidade do r. acórdão proferido pela instância a quo, não merecendo guarida os fundamentos apresentados pela recorrente em sede de preliminar. 2. Do Mérito. Da Suposta Improcedência do Lançamento. A recorrente em seu recurso voluntário dispõe que o AFRFB teria realizado o lançamento tributário, fruto do presente auto de infração, com subsídios em meras presunções de fato, com fundamentos em critérios pessoais, violando assim o art. 142, do CTN, por ser o lançamento tributário atividade vinculada e não discricionária. Todavia, no presente auto de infração não há que se falar em lançamento tributário com base em presunções e critérios pessoas por parte do AFRFB, pois conforme já mencionado alhures, a recorrente foi intimada a comprovar/justificar o valor de R$ 28.546.123,99, relativo à CPMF, lançado na DIPJ/2005 como despesa operacional, ou seja, o AFRFB realizou o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Como já demonstrado alhures, a recorrente comprovou através de diversos relatórios e extratos bancários (fls. 89/146) apenas o montante de R$ 26.343.457,88 das despesas operacionais escrituradas referentes à CPMF. Mesmo reintimada, não houve a comprovação por documentos hábeis e idôneos do saldo restante de tais despesas. Destacase, ainda, que o AFRFB (fls. 171) investigou as informações junto às instituiçõe financeiras, sendo que considerou o valor da CPMF informados pelo ABN AMRO Real S.A. e pela Caixa Econômica Federal como cobrados da recorrente (fls. 181/183), respectivamente nos montantes de R$ 638.268,27 e de R$ 62.801,32. Logo, restou um saldo de despesa operacional escriturada no valor de R$ 1.501.596,52, referente à CPMF, não comprovada pela recorrente com documentos hábeis e idôneos. Segundo bem preceitua o art. 923, do RIR/99, a escrituração realizada pelo contribuinte faz prova a seu favor desde que os registros ali lançados estejam devidamente comprovados por documentos hábeis, in verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais Em outras palavras, aplicando o preceito legal ao presente caso, deveria a recorrente manter em seus arquivos os documentos hábeis que respaldaram as despesas escrituradas a título de CPMF no anocalendário fiscalizado. Assim, bastaria que a recorrente apresentasse os extratos ou informes bancários capazes de demonstrar o valor cobrado pelas instituiçoes financeiras a título de Fl. 636DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 CPMF e que estivessem relacionados a todo montante das despesas operacionais escrituradas a este título, não apenas a parte delas. Ao menos, a recorrente deveria ter sido mais diligente na requisição de tais informações aos bancos em que realiza suas operações financeiras, não sendo possível se imaginar que a mera alegação de falta de respostas das instituições seria suficiente para a desimcumbir do seu ônus probatório. Portanto, o lançamento tributário foi realizado pelo AFRFB em razão da falta de comprovação da recorrente dos valores relativo à CPMF, lançados como despesa operacional no anocalendário fiscalizado, tendo como base os documentos juntados pela recorrente, assim como, por informações fornecidas à Receita Federal do Brasil pelas instituições financeiras. Sendo assim, não há que se falar em lançamento tributário com base em presunções e critérios pessoais por parte do AFRFB, pois o procedimento administrativo realizado está em estrita consonância com o previsto no art. 142, do CTN, transcrito abaixo: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. É pacífico neste Conselho que as despesas operacionais escrituradas mas não respaldadas por documentos hábeis e idôneos são passíveis de glosa pela autoridade fiscal, destacandose os seguintes julgados: (...) GLOSA DE DESPESAS. PROVA DOCUMENTAL. DILIGÊNCIA DESNECESSÁRIA. São mantidas as glosas promovidas pela autoridade fiscal se a contribuinte, depois de deixar de atender às intimações no curso do procedimento fiscal, não traz as provas das despesas escrituradas, cuja natureza é documental e em volume que poderia ter sido juntado aos autos. (CARF. Acórdão n.º 1101001.101. Rel. Edeli Pereira Bessa. Sessão de 07/05/2014) (...) DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. NÃO ATENDIMENTO. GLOSA. Documentação disponibilizada pela contribuinte não se mostra suficiente para demonstrar que as despesas escrituradas corresponderam á efetiva contrapartida de um serviço recebido, ou seja, se os serviços teriam os atributos de usualidade, normalidade e necessidade, e tampouco se ocorreu o correspondente pagamento, em razão da ausência de apresentação de documentos hábeis para lastrear os registros contábeis. Nesse sentido, cabe a glosa das despesas, por serem indedutíveis na determinação da base de cálculo para a apuração do lucro líquido, vez que não se mostraram necessárias à atividade da empresa e à manutenção de fonte produtora. (CARF. Acórdão n.º 1103000.938. Rel. André Mendes de Moura. 08/10/2013) (...) DESPESAS NÃO COMPROVADAS OU DESNECESSÁRIAS. GLOSA. Não tendo sido comprovadas, nem podendo ser consideradas necessárias, tudo à luz da legislação Fl. 637DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001316/200801 Acórdão n.º 1302001.463 S1C3T2 Fl. 635 9 de regência da matéria, há que se manter a glosa operada em face das despesas operacionais assim escrituradas. (CARF. Acórdão n.º 1401000.854. Rel. Antonio Bezerra Neto. Sessão de 11/09/2012) Assim, entendo que não se verifica neste auto de infração qualquer violação ao art. 142, do CTN, conforme fundamenta a recorrente em seu recurso voluntário. Logo, não merece provimento o recurso voluntário interposto pela recorrente, razão pela qual mantenho inalterados os fundamentos do r. acórdão proferido pela instancia a quo. 3. Da Conclusão Voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 638DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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