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Numero do processo: 17437.720092/2011-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008,2009
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 00 92 /2 01 1- 81 Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.954 2 A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 322331 com a exigência do crédito tributário no valor de R$99.512,42 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado referente ao terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007 e aos quatro trimestres do ano calendário de 2008. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) RECEITA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS ESCRITURADA E NÃO DECLARADA [...] Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.955 3 Arts. 224, 518, 519, 841, inciso III e 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99; Arts 45, § único, e 47, inciso II, alínea "a", da Lei ° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; Arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Art 27, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 332341 com a exigência do crédito tributário no valor de R$45.087,20 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 PIS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS [...] Arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; Arts. 2º, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº4.524/02. III – O Auto de Infração às fls. 342351 com a exigência do crédito tributário no valor de R$208.096,14 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS [...] Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. IV – O Auto de Infração às fls. 352361 a exigência do crédito tributário no valor de R$74.634,28 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 CSLL CSLL SOBRE O LUCRO ARBITRADO [...] Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 20 da Lei nº 9.249/95; Art. 29 da Lei nº 9.430/96; Art. 37 da Lei nº 10.637/02; Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 367376, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.956 4 Ab initio, a empresa notificada constitui sociedade por quotas de responsabilidade limitada, possuindo como ramo de negócio o transporte rodoviário de cargas em geral, de acordo com a cláusula terceira do seu contrato social. Como forma de tributação foi optante pelo SIMPLES — Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições, na condição de Microempresa (ME), no anocalendário de 2006 e 1º semestre do anocalendário de 2007. Todavia, já no 2º semestre de 2007 e anocalendário de 2008 a Impugnante tributou seus resultados pelo Lucro Presumido, a qual pela atividade desenvolvida é de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta mensal. Tratase de empresa idônea e de ampla credibilidade frente a seus clientes e instituições financeiras, bem como pontual com todas as suas obrigações tributárias, sem nunca ter ficado inadimplente com qualquer uma destas entidades, fato este público e notório, de incipiente verificação. Em 07/06/2011 fora iniciada fiscalização da referida empresa, concernente aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, havendo sido intimado o contribuinte a apresentar, os livros fiscais (Registro de Apuração do ICMS e/ou ISS), Livros Contábeis (Diário e Razão). Da apresentação de tais documentos, o Sr. Auditor Fiscal não encontrou irregularidades para o anocalendário de 2006 e 1ª semestre do anocalendário de 2007, frisase que, tal período se refere a tributação pelo SIMPLES. Todavia, para o 2º semestre de 2007 e anocalendário de 2008, período que a empresa tributou seus resultados pelo Lucro Presumido fora constatada pelo Sr. Auditor Fiscal, divergências entre os valores escriturados e os oferecidos à tributação, constantes na Planilha de Cálculo confeccionada pelo Sr. Auditor Fiscal. Ocorre que, antes do início do procedimento fiscal, em 14 de abril de 2011, o Impugnante apresentou DIPJ retificadoras para os anoscalendário 2007 e 2008, as quais foram desconsideradas pelo Sr. Auditor Fiscal. Destarte, o Sr. Auditor fiscal lavrou os autos de infração pelas diferenças apuradas"antes das DIPJ Retificadoras; o que não pode subsistir, posto que, se consideradas as retificadoras não haveria qualquer diferença entre os v. o, declarados e a base de cálculo. Ainda, tendo em vista que a Impugnante não registrou no Livro caixa a movimentação bancária, o Sr. Auditor Fiscal, arbitrou de ofício o lucro do período, o que não poderá prosperar. Em 21 de junho de 2011, o Impugnante foi cientificado da referida decisão, assim apresentou esclarecimentos mediante Declaração, onde declarou que: "O movimento fiscal e financeiro declarado pela empresa mensalmente e nas declarações do imposto de renda referese a RECEITA BRUTA menos os valores pagos aos caminhoneiros, referente aos fretes contratados, inclusive temos os recibos arquivados devidamente assinados pelos motoristas comprovando o recebimento dos fretes, os quais eram informados mensalmente ao escritório contábil para registrar." No entanto, o entendimento impreciso do Nobre Auditor não se compatibilizou com as razões apresentadas pela empresa fiscalizada, motivo pelo qual foram lavrados os autos de infração, procedendo ao lançamento de ofício do Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.957 5 IRPJ e reflexos, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, utilizando como base de cálculo as diferenças apuradas. Inconformado, porém, com os autos de infração lavrados, vem o contribuinte apresentar impugnação, com fulcro no art 15 do Decreto 70.235/72. II DO DIREITO DA INFRAÇÃO APURADA A empresa fiscalizada, conforme já mencionado, dedicase à atividade específica de transporte de cargas em geral. No cerne de seus procedimentos comerciais, a empresa impugnante quando contabilizou e declarou a receita bruta descontou o valor dos fretes pagos aos motoristas terceirizados, sendo desses a responsabilidade pela tributação daquilo que recebem. Pois bem! A determinação do Lucro presumido, no caso da Impugnante, se dá no percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta mensal. A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Temos que, foi contabilizado e declarado o faturamento da empresa (valor recebido pela prestação de serviço menos o valor pago aos motoristas terceirizados), sendo, portanto essa a receita bruta considerada para a apuração do tributo devido, a fim de se evitar a bitributação. Neste diapasão, é mister destacar que SOMENTE o valor referente à prestação do serviço em sua., essência e cuja íntegra efetivamente o caixa da empresa impugnante, passando a constituir a receita bruta e como a sua autêntica base de cálculo. A contrário sensu do explanado, conforme se depreende do auto de infração, o Fisco glosou esta diferença entre os valores constantes nos 'livros e registros declarados (declaração simplificada da pessoa jurídica) pela empresa impugnante, fato que deu causa a lavratura do auto de infração ora impugnado. Notese bem! A fim de evitar a tautologia, mas no intuito de clarificar o que se afirma, os valores recebidos e repassados diretamente aos motoristas, não integram a receita bruta da impugnante, não compondo, por óbvio, o fluxo de caixa da impugnante nem tão pouco a base de cálculo. Dessa forma, a pretensão do Fisco de ver novamente tributado esses valores juntamente com a efetiva receita bruta auferida pela empresa impugnante, beira os auspícios da lei, uma vez que configura a bitributação, terminantemente vedado pelo nosso ordenamento jurídico, regra esta, inclusive, ratificada na Carta Maior. Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.958 6 Sendo assim, à empresa impugnante cabe tãosomente a tributação sobre os valores percebidos com o desempenho de sua atividade receita bruta real legalmente informados e declarados no imposto de renda apresentados. Assim, restam insubsistentes os autos de infração IRPJ, PIS/PASEP E COFINS, eis que inexiste o fato gerador. ARBITRAMENTO DO LUCRO "De acordo com o art. 530, do Decreto 3.000/99 (RIR/99), o imposto de renda devido trimestralmente será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para “identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou determinar o lucro real;" Ocorre que o Impugnante não se enquadra em nenhuma das hipóteses acima elencadas, senão vejamos: Muito embora a Impugnante não tenha registrado a movimentação bancária, declarou que o Livro Caixa é feito na própria empresa de forma simplificada, contendo apenas o FATURAMENTO BRUTO REAL DA EMPRESA. Neste diapasão, o lucro da empresa corresponde ao preço do serviço prestado menos aquilo que não recebeu, pois repassou diretamente a terceiros (motoristas), caso óbvio em que a receita bruta não pode ser considerada como base de calculo para o arbitramento do lucro! Assim, padece de firmeza o auto de infração CSLL sobre o LUCRO ARBITRADO. DA MULTA QUALIFICADA O Sr.Auditor Fiscal concluiu que o procedimento da Impugnante em retificar as DIPJ assim que foi intimada,,a apresentar sua escrituração, afasta a hipótese de erro, deduzindo que houve dolo. O Impugnante não teve intenção NENHUMA de fraudar o fisco, descabendo a penalidade da multa qualificada. Nesse sentido: Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Portaria CARF n° 49 de 01/12/2010, DOU de 07/12, republicado no DOU de 09/12, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) Na melhor hipótese, caso a forma de tributação adotada não seja recebida como plausível, o contribuinte cometeu erro escusável de caráter formal, os quais foram identificados por ocasião da verificação fiscal e imediatamente corrigidos através das retificadoras apresentadas antes do procedimento fiscal. O erro por si afasta o dolo e por sua vez afasta definitivamente qualquer intenção de fraudar o fisco. Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.959 7 Ademais, se o contribuinte realmente estivesse agindo com dolo não manteria seus livros fiscais com o valor total de sua receita bruta. Ainda, em que pese as explanações do Nobre Fiscal, no âmbito da competência do tributo, há que se exaurir o processo administrativofiscal com ampla defesa do contribuinte, ainda que seja crime tributário porque a doutrina, sob o ponto de vista da consumação ou resultado (do crime), só o acata se houver o real prejuízo ao Fisco, classificando, assim, quanto à consumação/resultado em: material, formal e de mera conduta podendo – podendo, fora, desse diapasão de resultado, haver ainda a exclusão da pena se o débito pago. Resta claro que após o procedimento fiscal, aceitando em tese a forma equivocada de tributação, não se verifica prejuízo algum ao erário. O que se verifica nitidamente é que a empresa Impugnante efetivamente recolheu a sua contribuição tributária e declinou a terceiros (motoristas) que recolham a sua parte. Neste sentido, parece lógico que o fisco deva verificar a tributação efetiva de terceiros, o que complementaria a cadeia tributária. Nobre Julgador! O Impugnante sempre manteve sua escrita fiscal com o valor de sua receita bruta, todavia, utilizou a base de cálculo que julgava estar correta, ou seja, o valor do serviço prestado menos o valor que repassava a terceiros, pois esses valores não formavam sua base de cálculo para a tributação. Ocorre que, em diligência fiscal, ao ser intimado em 31 de março de 2011 para apresentar a documentação solicitada, foi alertado pelo Sr. Auditor fiscal Thiago Flores Schmitt, o provável equivocado, e imediatamente informado pelo contribuinte ao fiscal que seria feito a retificadora, adequando os livros fiscais com as DSPJ e DIPJ. Assim, em 14 de abril de 2011, a empresa apresentou suas retificadoras, adequando os livros fiscais com as DSPJ e DIPJ, restando cabalmente demonstrada a inexistência de dolo no procedimento adotado. Ademais, a retificadora é uma faculdade do contribuinte e que em hipótese alguma induz a qualquer tipo doloso! Portanto, o autuado não cometeu a infração capitulada no art. 71 da Lei n° 4.502/64, NÃO PRATICOU ATO DE SONEGAÇÃO, UMA VEZ QUE MANTINHA SEU LIVRO CAIXA COM O TOTAL DA RECEITA BRUTA E AINDA APRESENTOU AS RETIFICADORAS, descabendo portanto a aplicação da multa qualificada. Conclusão: Insofismavelmente padece de amparo a qualquer título a pretensão da autoridade fiscal autuante máxime pela exegese emergente do artigo 112 do Código Tributário Nacional, que disciplina, "verbis": "Art. 112. A. lei tributária que defina infrações, ou lhe comina penalidade, interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I — à capitulação legal do fato; Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.960 8 II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV a natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." O agente fiscal, no momento da autuação, não levou em conta às circunstâncias materiais do fato (erros formais) e a extensão dos seus efeitos (não houve prejuízo ao fisco), o que comprova a ilegitimidade da autuação, através da qual o autuante quer receber tributo sem o fato gerador que justifique a incidência do imposto. Mister salientar que a autuada retificou seu erro, através das DSPJ e DIPJ retificadora, sendo desconsiderada sua boafé e ainda havendo interpretação de que sua atitude evidenciava dolo, em total desrespeito ao contribuinte que se vê cada vez mais impossibilitado de exercer sua atividades, ao lhe ser imputado multa de valor tão elevado e sem suporte fático e jurídico. III DO PEDIDO Ante o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, o cancelamento do débito fiscal reclamado, tornandose insubsistente os autos de infração, acaso não seja esse o entendimento, que ao menos seja excluída a multa qualificada, pois o Impugnante não agiu com dolo, por medida de JUSTIÇA. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 34.748, de 06.11.2011, fls. 390394: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. A receita bruta para apuração do imposto de renda e contribuições na sistemática do lucro arbitrado, é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. LUCRO ARBITRADO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado a contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A conduta sistemática e reiterada de apresentar ao Fisco declarações contendo, em média, 12% (doze por cento) da receita bruta, faz inferir o dolo de sonegar, ou seja, é ação tendente a impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.961 9 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 17.10.2011, fl. 399, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.11.2011, fls. 401410, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II O Direito 11.1 DA RECEITA TRIBUTÁVEL Conforme se extrai do Auto de Infração, o agente fiscal considerou como receita bruta tributável os valores relativos ao Conhecimentos de Transporte escriturados no Livro Caixa e no Livro do ICMS, lançando as diferenças do IRPJ , CSLL, PIS e COFINS não declaradas em DCTF. No entanto, com base nos Conhecimentos de Transporte e Recibos de Frete ora anexados, é possível concluir que, em todos os casos houve a efetiva prestação de serviços por terceiros, cujo valor foi simultaneamente pago quando da contratação do serviço, o que caracteriza uma só operação. Assim, a Recorrente tributou a diferença entre os valores recebidos do contratante de serviço e aqueles simultaneamente repassados aos prestadores de serviço. Portanto, como a Recorrente optou pelo Lucro Presumido, a questão cingese em determinar qual é a receita bruta, base de cálculo dos referidos tributos, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e art. 31 da Lei nº 8.981/95. O que está devidamente demonstrado nos autos é que o Recorrente pratica somente agenciamento de transporte praticado por terceiros, que corresponde ao seu faturamento, cristalinamente, o da diferença entre o que recebe do contratante do frete e o pago a quem transporta o produto, fato incontroverso. Não se sustenta a posição defendida pelo Fisco de que os ingressos dos valores globais recebidos do contratante do serviço de transporte sejam considerados faturamento da ora recorrente. O faturamento é conceito com fundamento e efeito jurídicos e não pode expandirse para albergar qualquer ingresso no caixa do contribuinte. O faturamento ocorre quando existe intimidade entre o ato praticado e a atividade exercida efetivamente pelo contribuinte. Na presente discussão, a atividade (serviço prestado) exercida é o agenciamento de cargas. In casu, há de se ter em mente que não se confunde o numerário que ingressa a título de ressarcimento ao efetivo prestador de serviço com a receita própria da pessoa jurídica, constituída pelo produto arrecadado em razão do preços de serviços, componentes exclusivos dos resultados da contabilidade da empresa e agregado ao verdadeiro faturamento do contribuinte, constituindose em receita oriunda da atividade empresarial, apropriado no patrimônio da pessoa e não é destinado a ressarcir despesas. Essa discriminação não conflita com o art. 3º da Lei n° 9.718/98 e tampouco com o art. 31 da Lei nº 8.981/95; aliás, até vem ao encontro do princípio da capacidade contributiva, norte maior dos princípios tributários, pois apesar de o Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.962 10 diploma legal prever a possibilidade de exclusões da base de cálculo das exações em comento, o ajuste contábil é concretizado entre ativos e passivos internos de pessoa jurídica. Desse modo, os valores destinados a remunerar a prestação de serviço, não integrando a receita empresarial, configurase como receita extraorçamentária que só circula, ou transita, pelo contribuinte, e deve ficar à parte da base de cálculo das contribuições, porque não são entradas financeiras pertencentes ao sujeito passivo da obrigação tributária. A incidir as exações sobre a remuneração paga pelos contratantes, mero cálculo revelará que a quantia exigida pelo fisco extrapolará o resultado auferido pela Recorrente, geralmente resultado de percentual aplicado sobre o valor dos serviços prestados, pertencentes ao patrimônio não da empresa contratante e sim do transportador. Por outro lado, o art. 114 do CTN estabelece a necessidade e suficiência da situação prevista em lei para a ocorrência do fato gerador como determinante para fazer surgir a obrigação tributária. Diz o art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e o art. 31 da Lei nº 8.981/95, in verbis, Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835. de 2001) Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; A mesma estabelece como elemento nuclear do fato gerador o faturamento. Não é admissível que qualquer ingresso de valor nos cofres do contribuinte se constitua em receita decorrente de faturamento. Temos nesta assertiva duas figuras distintas. Uma é o ingresso. A outra é a receita. Toda a receita decorre de um ingresso de valores. A recíproca, indene de dúvidas, não é verdadeira. O conceito de receita deve vincularse a um ganho da empresa, decorrente de uma atividade plenamente afeiçoada às suas atividades operacionais. In casu, a ora recorrente teve somente em seu favor o faturamento/receita decorrente da diferença entre o valor cobrado do tomador do serviço e o pago a quem transportou, desde sempre assim dividido, dado à sua condição de mero agenciador. É irrelevante que o transporte feito por terceiro seja identificado como sub contratação, terceirização, ou qualquer outra definição ou conceito para daí dizer, como pretende a fiscalização, para que esta condição determine a diferença entre mero custo da recorrente ou faturamento destinado a terceiros. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.963 11 Nesse diapasão inocorreu a situação definida em lei suficiente e necessária para o surgimento da obrigação tributária no que se refere aos valores repassados ao prestador do serviço. Por fim, no que se refere ao fato da autoridade fiscal embasar o ingresso de receita nos valores escriturados Livro do ICMS, não se pode pretender justificar a incidência de determinado tributo com base em requisito formal (conhecimento de transporte) estabelecido por outro tributo, mormente de outro ente tributante e com fato gerador específico e diverso. É incontestável que os ingressos — que a Fiscalização chama de receita — foram destinados a outro contribuinte, por força de prestação de serviço autônomo. O fato do conhecimento de transporte ser por ele emitido, ainda que para efeitos da incidência do ICMS, não transmuda a natureza do ato praticado, e nem serve a operação formal determinadora da incidência do tributo estadual como supedâneo da incidência do tributo versado nos autos. Considerando ainda a situação específica da Recorrente, onde efetivamente ingressou em média 15% dos valores tributados pela Fiscalização, a carga tributária somente do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL calculada aquela receita, que representa 5,93%, compromete a viabilidade da manutenção da atividade empresarial, em aparente violação ao princípio da capacidade contributiva da empresa. Portanto, a receita bruta tributável da Recorrente para fins de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS é aquela que efetivamente ingressou no seu patrimônio, qual seja, a diferença entre o valor recebido do contratante, constante dos CT's em anexo, e aquele repassado ao efetivo prestador, ato contínuo. Assim, considerando que a Recorrente apurou e declarou seus tributos na forma correta, não pode prosperar o lançamento do IRPJ, COFINS, PIS e COFINS na sua integralidade, bem como a multa vinculada de 150%. II.2 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme relatado, o arbitramento dos lucros da Recorrente teve como motivos fundamentais a escrituração de seu Livro Caixa com a falta de escrituração de contas bancárias. O art. 26, §1° da Lei 9.430/96, determina a opção pelo Lucro Presumido, in verbis: Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Conforme DARF em anexo relativo ao pagamento do IRPJ, restou confirmada a opção da Recorrente pela tributação com base no Lucro Presumido relativamente ao anocalendário de 2007 e 2008. Entretanto, em procedimento fiscal, a autoridade fiscal autuou a Recorrente com base no Lucro Arbitrado, haja vista a ausência da movimentação bancária no Livro Caixa, com fulcro no art. 530, inciso III do RIR/99. Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.964 12 Em vista da não contabilização da movimentação bancária no Livro Caixa, foi efetuado o arbitramento do lucro do IRPJ e da CSLL. É exarcebado o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ, embasado exclusivamente na falta de movimentação bancária escritura no Livro Caixa. Em momento algum a Fiscalização requereu os extratos bancários da empresa, de forma a apurar a receita bruta efetivamente auferida ou, se fosse o caso, apurar o lucro real. Caso tivesse assim procedido, seria possível verificar que a movimentação bancária efetuada no BANCO BRADESCO é compatível e guarda relação direta com o faturamento da Recorrente. Aliás, em atendimento à intimação para apresentação do Livro Caixa do 2007 e 2008 a Recorrente declarou que o mesmo não continha a movimentação bancária, mas que os lançamentos eram oriundos exclusivamente do seu faturamento. Nesse sentido, com o fito de corrigir as irregularidades no Livro Caixa de 2007 e 2008, o recorrente incluiu a sua movimentação bancária, conforme Livro Caixa ora anexado. Confrontando o Livro Caixa apresentado à Fiscalização com aquele corrigido, é possível aferir que a Receita Bruta do Recorrente é aquela proveniente dos Conhecimentos de Transporte escriturados originalmente, os quais foram considerados para fins de apuração do IRPJ e da CSLL pela autoridade fiscal. Portanto, constatada a impropriedade, não haveria óbice legal de que o Fisco intimasse a apresentar a Livro Caixa com a movimentação bancária, lastreada nos extratos bancários, o que permitiria aferir a Receita Bruta real da Recorrente, aplicandose o lançamento com base no Lucro Presumido, em atendimento ao princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. [...] Ora, o arbitramento não constitui uma modalidade de lançamento, mas uma técnica, um critério substitutivo que a legislação permite, excepcionalmente, quando o contribuinte não cumpre com seus deveres de manter a contabilidade em ordem e em dia e de apresentar as declarações obrigatórias por lei. Não tem, em atenção ao princípio da verdade material, qualquer caráter punitivo, apenas sendo justificado quando, em razão do nãoexercício ou exercício deficiente do dever de colaboração do contribuinte, impossível a análise da prova direta da base de cálculo do tributo (escrituração regular). O fisco deve buscar sempre se aproximar da realidade econômica da matéria tributável, valendose dos meios de pesquisa ao seu alcance. Somente quando restarem eliminadas todas as possibilidades de descoberta direta da base real do tributo, legitimase a desclassificação da escrituração oferecida pelo contribuinte e, de conseqüência, o arbitramento. Ressaltese que a falta de contabilização da movimentação bancária, bem como o registro de forma resumida de operações realizadas pela empresa podem, sem dúvida alguma, instaurar insegurança quanto à veracidade do lucro presumido. Todavia, os efeitos decorrentes destes fatos devem estar cabalmente demonstrados, de forma a não restarem dúvidas acerca dos seus reflexos na apuração do resultado tributável. Não havendo demonstração por parte da Fiscalização da impossibilidade de se apurar o lucro presumido, o lançamento, como efetuado, revelase inseguro e incerto, sobretudo por consistir o arbitramento em medida extrema de determinação da base de cálculo. Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.965 13 Nesse contexto, é de afastarse a tributação do Lucro Arbitrado, aplicandose o percentual relativo à atividade da Recorrente para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, ou seja, 8% sobre a Receita Bruta auferida trimestralmente com base nos documentos fiscais e contábeis, conforme preconiza o art. 15, § 1°, inciso II, alínea "a" da Lei nº 9.249/95. 11.3 DA MULTA AGRAVADA INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA Com base nos argumentos fáticos acima expostos, não procedendo o lançamento da obrigação tributária principal relativamente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos períodos abarcados no 2o semestre/2007 e anocalendário 2008, não pode subsistir a multa de ofício de 150%, que se trata de multa vinculada ao tributo lançado. Entretanto, se não for este o entendimento, é de se entender pelo afastamento da multa qualificada, reduzindo o percentual para 75%, esta prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, haja vista que a Recorrente, em hipótese alguma, incidiu em ação ou.missão dolosa, condição necessária para o agravamento da multa. Senão, vejamos. A decisão recorrida manteve a multa qualificada de 150% no 2° semestre de 2007 e anocalendário de 2008 sobre tributos e contribuições incidentes sobre receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte, por entender que estaria caracterizado o dolo pelo fato do sujeito passivo ter apresentado originalmente as DIPJ's do anos calendário de 2007 e 2008 com receita de valor inferior à efetivamente auferida e, posteriormente, mas, antes do início do procedimento fiscal, apresentado retificadora das referidas declarações, onde informou os valores escriturados no Livro Caixa, o que afastaria a configuração de erro [Relatório Fiscal e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996]. In casu, o AFRFB embasou a aplicação da multa agravada no art. 71 da Lei n° 4.502/64 acima transcrita. Como se vê, o referido artigo diz respeito apenas ao fato gerador e inexiste qualquer referência ao descumprimento de obrigações acessórias. A obrigatoriedade da apresentação da DIPJ ou declaração de contribuições e tributos federais DCTF, bem como a escrituração de livros fiscais e comerciais constituemse em simples obrigações acessórias que tem como finalidade o controle da arrecadação. A apresentação da DIPJ, que se trata de declaração meramente informativa e não é constitutiva de crédito tributário, não tem qualquer implicação com o fato gerador da obrigação principal. Tendo em vista que o disposto no artigo 71 diz respeito à ocorrência do fato gerador, a simples alteração da receita declarada na DIPJ, inclusive efetuada antes do início do procedimento fiscal, não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Tratase de DECLARAÇÃO INEXATA, no caso, exclusivamente em relação à DIPJ, já que a DCTF não foi retificada, situação definida no artigo 841, inciso III do RIR1999, enquadramento este utilizado no Auto de Infração, o qual estabelece: "Art. 841 — O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.966 14 III — fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida." Como se vê, a omissão de qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar constitui simples declaração inexata e não comporta presunção de sonegação, conforme definição do artigo 71 da Lei nº 4.502/64. Nos casos de declaração inexata, a jurisprudência administrativa tem consagrado o entendimento de que não cabe multa qualificada [...] Mesmo que o lançamento tenha sido efetuado com base nos Livros Fiscais da Receita Estadual ICMS e, ainda que o arbitramento de lucro tenha sido motivado por falta de escrituração da conta bancária aberta em nome do sujeito passivo, estes fatos não podem ser motivo para a aplicação da multa qualificada, vez que não houve qualquer intenção de ocultação do fato gerador. Até porque todos os elementos, livros e comprovantes estiveram à disposição da fiscalização para constatar a ocorrência dos fatos geradores e, especificamente no caso do Livro Caixa, as entradas escrituradas são coincidentes em data e valor com as operações registradas no Livro do ICMS, não havendo qualquer tentativa de ocultação da ocorrência das operações que foram tributadas. [Relatório Fiscal]. Portanto, a autoridade fiscal reconheceu como correta a escrituração fiscal e contábil da Recorrente e que as irregularidades apontadas, no seu entender, dizem respeito apenso confronto desta com os valores declarados na DIPJ, DCTF e DACON, o que caracteriza a infração conhecida como de declaração inexata. Reforça este entendimento a tipificação da Infração consignada como RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA, o que enseja somente o lançamento de ofício para constituição do credito tributário não oferecido à tributação pelo contribuinte, mas não configura ação dolosa. [...] Ainda, a aplicação de multa qualificada no caso de arbitramento de lucro, cujo cálculo prevê a aplicação dos percentuais utilizados na apuração do lucro presumido acrescidos de 20%, motivado pela presunção do lucro que não pode ser aferida diretamente. Dolo não é presumível, mas provado, ainda mais no caso da Recorrente que apresentou os Livros exigidos por lei e a tributação foi embasada nos lançamentos contábeis. Tal entendimento, inclusive, é manifestado na sumulando E. 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: "Súmula 1° CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." [...] Assim, na hipótese dos autos não houve conduta ativa ou omissiva da Recorrente com o intuito de dissimular a ocorrência do fato gerador, mas sim mera omissão na prestação de informações e recolhimento do tributo, lastreada em entendimento divergente da Administração Tributária Federal acerca da tributação dos seus rendimentos, entendendo sujeitarse tal comportamento tão somente à multa de 75%. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.967 15 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, qual seja, o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativo aos períodos de apuração de julho/2007 a dezembro/2008. Caso não seja este o entendimento, que afaste a aplicação do arbitramento do lucro ara fins de apuração do IRPJ, considerando a opção pelo Lucro Presumido e, ainda, afastar a aplicação da multa qualificada de 150%, reduzindo para 75%. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.968 16 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. Em relação ao argumento de que “as questões postas para apreciação da primeira instância administrativa, embora haja divergência de sua possibilidade de arguição, devem ser apresentadas sob pena de ferir de morte o princípio da legalidade, da ampla defesa e supressão de instância”, a Recorrente não indica minuciosamente as questões que entende não foram enfrentadas naquela ocasião, demonstrando o prejuízo processual supostamente experimentado. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.969 17 da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 322361 e o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1034.748, de 06.11.2011, fls. 390394, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.970 18 A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 59 7. Os tributos foram então apurados de ofício com no lucro arbitrado, em conformidade com o Relatório de Procedimento Fiscal, fls. 316321, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 1. Considerações Iniciais 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.971 19 1.1 O procedimento fiscal no contribuinte acima identificado teve início em 07/06/2011, com a ciência, de forma pessoal, do Termo de Início do Procedimento Fiscal. 1.2 Registrase que este trabalho foi precedido da Diligência Fiscal n° 10.1.02.00 201000328, onde o contribuinte foi intimado a apresentar seus livros Fiscais e Contábeis. 1.3 Nesse procedimento foram apresentados somente os livros Fiscais: Registros de Entradas, Saídas e de Apuração do ICMS, conforme Termo de Retenção de Documentos que na ocasião foi lavrado. Não foram apresentados os livros relativos à contabilidade (Diário e Razão ou livro Caixa). 1.4 Registrase ainda que alguns dias após a diligência realizada, a empresa procedeu à entrega de declarações de rendimentos (Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DSPJ SIMPLES e Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ) retificadoras, correspondentes aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. 1.5 Nessas declarações retificadoras o contribuinte trocou os valores originalmente informados, pelos valores apurados conforme escrituração contida nos livros fiscais e contábeis, o que aumentou substancialmente o valor das receitas declaradas. 1.6 A planilha “DSPJ/DIPJ originais x DSPJ/DIPJ retificadoras” faz um comparativo desses valores. 1.7 Para o anocalendário de 2006 e 1° semestre do anocalendário de 2007, período que a empresa apurou seus resultados pelo Sistema Integrado de Pagamento dos Impostos e das Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte –SIMPLES, tendo em vista que os valores informados nas correspondentes DSPJ constituem confissão de dívida, não remanesceu irregularidade pelo confronto dos livros com as informações prestadas nas retificadoras. 1.8 Porém, para o 2° semestre de 2007 e anocalendário de 2008, período que a empresa tributou seus resultados pelo Lucro Presumido, conforme Declarações de Informações da Pessoa Jurídica (DIPJ/2008 e 2009) apresentadas, considerando que os valores informados nessas declarações não constituem confissão de dívida, e considerando ainda que não foram apresentadas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadoras, e tampouco efetuados recolhimentos complementares até o início deste procedimento, consideramos, em nossas apurações, os valores informados nas DIPJ originais, tendo em vista que estes guardam correspondência com os valores informados em DCTF e recolhidos. 1.9 A atividade da empresa fiscalizada é o “Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional”, conforme dados constantes da base CNPJ. 1.10 Após realizarmos o trabalho de auditoria fiscal na documentação apresentada, relatamos, a seguir, os procedimentos realizados e as irregularidades detectadas no curso dos trabalhos, referente ao período fiscalizado. 2. Da Infração Apurada 2.1 Receita da prestação de serviços de transporte de cargas escriturada e não declarada Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.972 20 2.1.1 Conforme relatado nos itens 1.2 e 1.3 deste relatório, em diligência efetuada anteriormente a este procedimento não foram apresentados os livros Contábeis Diário e Razão e tampouco o livro Caixa. 2.1.2 Sendo assim, intimamos a fiscalizada, através do Termo de Início deste procedimento, a apresentar tais livros. 2.1.3 No mesmo termo a empresa foi cientificada de que “no caso de apresentação do Livro Caixa, ressaltase que nos termos do (...) art 45, § único, da Lei n° 8.981/1995, este deverá conter toda a movimentação financeira, inclusive bancária”. 2.1.4 Em atenção à intimação fiscal, o contribuinte apresenta documento intitulado “DECLARAÇÃO”, onde encaminha os livros Caixa e também declara: “segue anexo, O LIVRO CAIXA, o qual é feito na própria empresa de forma simplificada, sem o Lançamento do movimento Bancário e da parte financeira” (grifouse). 2.1.5 Declara ainda que “(...) nunca efetuamos aplicações financeiras, sendo a nossa RECEITA o valor declarado nos LIVROS FISCAIS e no LIVRO CAIXA (...) nosso movimento Bancário é originado exclusivamente pela nossa Receita” (grifou se). 2.1.6 Examinamos os livros apresentados onde constatamos que realmente não existe movimento bancário escriturado. 2.1.7 De posse da escrituração, efetuamos uma análise comparativa entre os valores que foram escriturados nos livros Caixa, Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS, com os valores que foram informados/declarados nas correspondentes Declarações de Informações da Pessoa Jurídica – DIPJ (originais), Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON. 2.1.8 Nessa análise, verificamos a existência de divergências entre os valores escriturados e os oferecidos à tributação. 2.1.9 Essas divergências estão demonstradas nas planilhas constantes do anexo único ao Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 9302, linhas “Diferença apurada”, cuja ciência deuse de forma pessoal em 21/06/2011. 2.1.10 Nesse termo, além de ser cientificada do descrito nos itens 2.1.7 a 2.1.9, a fiscalizada foi também cientificada do que segue: “Com relação à utilização dos valores informados originalmente nas DIPJ, embora tenham sido retificadas antes do início deste procedimento fiscal, salientase que essa declaração tem natureza informativa, não constituindo, portanto, confissão de dívida. Dessa forma, tendo em vista que os valores constantes das DIPJ originais estão consistentes com os informados no DACON e DECLARADOS em DCTF, foram desconsiderados, em nossa análise, os valores informados nas DIPJ retificadoras”. 2.1.11 Foram concedidos cinco dias úteis para apresentação de documentos que “justifiquem, contestem, modifiquem ou complementem os fatos”, onde também o contribuinte ficou ciente de que “a não manifestação (...) ou a manifestação com argumentos/documentos que não alterem o (...) descrito, ensejará lançamento de ofício, nos termos dos arts. 841, incisos III e VI, e 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999”. Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.973 21 2.1.12 Ainda no mesmo termo, em seu item 02, a empresa foi cientificada de que “considerando a informação prestada sobre a NÃO contabilização da movimentação bancária, embora os sistemas informatizados da RFB registrem significativo movimento no período, segundo art 47, inciso II, alínea “a” da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o lucro do período fiscalizado será, de ofício, ARBITRADO”. 2.1.13 A fiscalizada manifestase em 28/06/2011 onde declara: “O movimento fiscal e financeiro declarado pela empresa mensalmente e nas declarações de imposto de renda referese a RECEITA BRUTA menos os valores pagos aos caminhoneiros, referente aos fretes contratados. Inclusive temos os recibos arquivados devidamente assinados pelos motoristas comprovando o recebimento dos fretes, os quais eram informados mensalmente ao Escritório Contábil para registrar”. 2.1.14 Declara ainda que: “A cada frete contratado 85% (...), aproximados referese ao FRETE PAGO AOS CAMINHONEIROS, e o saldo é a comissão da Empresa para pagar suas despesas”. Não apresenta outros documentos. 2.1.15 Conforme já relatado, o contribuinte optou, no período fiscalizado, por tributar seus resultados pelo Lucro Presumido. 2.1.16 A base de cálculo do IRPJ e adicional, nesse caso, é determinada mediante a aplicação de um percentual, que varia em função da atividade da empresa, que no caso é de 8%, sobre a receita bruta do período de apuração. 2.1.17 A receita bruta compreende, no caso em questão, o preço dos serviços prestados. 2.1.18 Portanto, nessa forma de tributação, não existe previsão legal para dedução das despesas da empresa na apuração da base de cálculo do imposto, como pleiteia. 2.1.19 Para utilizar essas deduções, teria que ter optado pelo Lucro Real, porém, tendo em vista que a opção pela forma de tributação é irretratável para todo o anocalendário, a alteração, nesse período, não é mais possível. 2.1.20 Assim, embora tenha apresentado seus argumentos, entendemos que a situação descrita nos itens 01 e 02 do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 9302, e descrita neste relatório, não foi alterada. 2.1.21 Diante do acima exposto, procedemos ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, utilizando como base de cálculo os valores constantes do anexo único ao Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 9302, linhas “Diferença apurada”, conforme preceituam os artigos 841, inciso III e 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, devido à caracterização da infração: Receita da prestação de serviços de transporte de cargas escriturada e não declarada. ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 224, 518, 519, 841, inciso III e 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99; Arts. 45, § único, e 47, inciso II, alínea “a”, da Lei ° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; Arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Art 27, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3. Do Arbitramento do Lucro Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.974 22 3.1 Conforme descrito nos itens 2.1.4 a 2.1.5 deste relatório, a empresa fiscalizada apresentou o Livro Caixa sem a escrituração da movimentação bancária. Em sua declaração, embora admita possuir movimentação bancária, item 03 do documento apresentado, também declara que o livro não possui lançamentos de movimento bancário ou financeiro, conforme item 01 do mesmo documento. 3.2 Além disso, os sistemas informatizados da RFB (dados extraídos do Dossiê Integrado) registram um significativo movimento bancário no período fiscalizado. 3.3 A esse respeito o art 47, inciso II, alínea “a” da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 determina que: “O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando (...) a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para (...) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária” (grifouse). 3.4 A fiscalizada foi cientificada dessa situação pelo item 02 do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 9302. 3.5 Assim, procedemos ao arbitramento do lucro, utilizando como base de cálculo a receita bruta conhecida constante do anexo único ao Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 9302, onde foi utilizado o percentual de 9,6%, conforme preceitua o art 532 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que tem como matriz legal o art 16 da Lei nº 9.249/95 e o art 27, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. [...] Planilha: DSPJ/DIPJ originais x DSPJ/DIPJ retificadoras, [fl. 90]: Forma de tributação: Lucro Presumido DIPJ Ano calendário Trimestre Original Retificadora Diferença Percentual Declarado (%) 3° Trimestre 38.786,00 487.894,00 449.108,00 7,95 2007 4° Trimestre 42.958,00 407.426,00 364.468,00 10,54 1° Trimestre 52.262,00 473.941,00 421.679,00 11,03 2° Trimestre 60.051,00 538.093,00 478.042,00 11,16 3° Trimestre 67.927,00 468.862,00 400.935,00 14,49 2008 4° Trimestre 79.821,50 424.426,60 344.605,10 18,81 TOTAIS 341.805,50 2.800.642,60 2.458.837,10 12,20 A Recorrente argui que apresenta, depois de instaurada a fase litigiosa, um conjunto probatório de sua alegação de que discriminou “exercia tãosomente a atividade de “agenciamento de transporte praticado por terceiros” e por essa razão parte dos valores tributados eram de titularidade de terceiros e assim não poderia ter sido adotado de ofício a tributação pelo lucro arbitrado com utilização da base de cálculo a totalidade dos valores pagos a título de fretes. Essa apuração foi adotada de ofício corretamente por falta da escrituração bancária no Livro Caixa e todavia, não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal. Ademais, nessa sistemática não há previsão legal para dedução de despesas decorrentes do exercício da Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.975 23 atividade econômica de “transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional”, como informado espontaneamente à RFB, fls. 9193 e 314 e 315. Na fase recursal são apresentados o Livro Caixa, os extratos bancários, recibos de fretes e conhecimentos de transporte rodoviários, fls. 4111932. Consta no Termo de Intimação, fls. 8586, cientificado, a Recorrente 21.06.2011: 01 Efetuamos uma análise comparativa entre os valores que foram escriturados nos livros Caixa, Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS, com os valores que foram informados/declarados nas correspondentes Declarações de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ (originais), Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON. Nessa análise, verificamos a existência de divergências entre os valores escriturados e os oferecidos à tributação. Essas divergências estão demonstradas nas planilhas constantes do anexo único a este Termo, linhas "Diferença apurada", que possui duas páginas. Ante o exposto, caso o contribuinte possua documentos que justifiquem, contestem, modifiquem ou complementem os fatos acima especificados, deverá apresentálos (originais) no prazo de 05 (cinco) dias úteis, justificando por escrito. A não manifestação do contribuinte, ou a manifestação com argumentos/documentos que não alterem o acima descrito, ensejara lançamento de ofício, nos termos dos arts 841, incisos III e VI, e 926 do Decreto n° 3.000, de 2 6 de março de 1999. Com relação à utilização dos valores informados originalmente nas DIPJ, embora tenham sido retificadas antes do início deste procedimento fiscal, salientase que essa declaração tem natureza informativa, não constituindo, portanto, confissão de dívida. Dessa forma, tendo em vista que os valores constantes das DIPJ originais estão consistentes com os informados no DACON e DECLARADOS em DCTF, foram desconsiderados, em nossa análise, os valores informados nas DIPJ retificadoras. 02 CIENTIFICAMOS ainda que, considerando a informação prestada sobre a NÃO contabilização da movimentação bancária, embora os sistemas informatizados da RFB registrem significativo movimento no período, segundo o art 47, inciso II, alínea "a" da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o lucro no período fiscalizado será de ofício, ARBITRADO. No que se refere aos extratos bancários, aos recibos de fretes, aos conhecimentos de transporte rodoviários e ao Livro Caixa, as informações ali constantes já foram analisados durante a ação fiscal mediante os Livros de Registro de Entrada nºs 12, 13, e 14 dos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, ao Livros de Registro de Saídas nºs 12, 13, e 14 dos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, os Livros de Registro de Apuração de ICMS nºs 12, 13, e 14 dos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008 e os Livros Caixa nºs 11 e 12 dos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, que foram restituídos à Recorrente em 04.07.2011, de acordo com o Termo de Devolução de Documentos, fl. 364. Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.976 24 Atinente ao argumento de que “os valores destinados a remunerar a prestação de serviço, não integrando a receita empresarial”, temse que o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Nesse sentido, não foram tributados quaisquer valores a título de receita financeira, como quer crer a Recorrente, mas, somente valores a título de receita bruta. Por conseguinte, em relação ao PIS e à Cofins, não tem aplicação no presente caso a decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS8, no Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 527.602/RS9 que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998,10, e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Em relação à aplicação da multa de ofício proporcional qualificada, via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste 8 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie, Plenário, Brasília, DF, 11 de junho de 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=546303>. Acesso em: 22 set.2011. 9 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 527.602/RS. Ministro Relator Originário: Eros Grau, Ministro Relator Acórdão: Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Brasília, DF, 5 de agosto de 2009. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=605653>. Acesso em: 22 set.2011. 10 BRASIL. Supremo Tribunal Federal.Jurisprudência. Repercussão Geral. Relatório da Repercussão Geral. Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeralRelatorio>. Acesso em: 22 set.2011. 11 Fundamentação legal: art. 195 da Constituição Federal, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.977 25 doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações12. Em conformidade com o Relatório de Procedimento Fiscal, fls. 316321, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 4. Da multa Qualificada 4.1 Conforme descrito nas considerações iniciais deste relatório, este procedimento fiscal foi precedido de diligência fiscal que solicitou, através do Termo de Intimação lavrado em 31/03/2011, os livros fiscais e contábeis dos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. 4.2 Na oportunidade o contribuinte apresentou somente os livros fiscais, sem apresentar os livros contábeis, conforme Termo de Retenção de Documentos lavrado na mesma data. 4.3 No dia 14/04/2011, quatorze dias depois de iniciada a diligência fiscal, o contribuinte apresentou declarações de rendimentos (DSPJ e DIPJ) retificadoras, onde aumentou significativamente os valores informados como receitas, com a finalidade de adequar esses valores com os livros fiscais e livros Caixa apresentados. 4.4 Com esse procedimento, conforme já descrito no item 1.7, a fiscalizada conseguiu evitar que o crédito tributário decorrente dessas diferenças, relativo ao período que optou pelo SIMPLES, fosse constituído de ofício. 4.5 No entanto, no período fiscalizado, tendo em vista que não houve retificação das correspondentes DCTF e tampouco recolhimentos complementares, a constituição dos créditos tributários decorrentes das diferenças originalmente não declaradas deuse neste procedimento fiscal. 4.6 Elaboramos a planilha “DSPJ/DIPJ originais x DSPJ/DIPJ retificadoras”, onde esses valores estão consolidados, sendo que na coluna “Percentual Declarado (%)” é possível verificar que dos valores de receitas apurados segundo a escrituração, o contribuinte declarava somente, em média, 12% do total das receitas auferidas. 4.7 Sendo assim, caso não ocorresse a ação do fisco, a empresa fiscalizada tributaria somente a média de 12% de suas receitas. 4.8 Essa conduta foi adotada pela fiscalizada, pelo menos, em todos os meses dos anos – calendário de 2006, 2007 e 2008, conforme é possível verificar na planilha mencionada no item 4.6. 12 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.978 26 4.9 Tendo a fiscalizada adotado essa conduta de forma reiterada, por tanto tempo, e ciente da situação, pois obviamente tinha conhecimento do teor de seus livros, e tratando de retificar suas declarações assim que foi intimada a apresentar sua escrituração, afastase a hipótese de erro, o que nos resta inferir que houve dolo. 4.10 Desta forma, tornase evidente a tentativa dolosa dessa Pessoa Jurídica em impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador. 4.11 A esse respeito o art 71 da Lei nº 4.502/64 define: “Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. (grifou se)”. 4.12 O art 44 da Lei nº 9.430/1996 assim dispõe: “Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts 71, 72, e 73 da Lei nº 4.502/64, independente de outras penalidades administrativas ou criminais” (grifouse). 4.13 Por essas razões elaboramos a Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no processo nº 17437720093/201126, nesta mesma data, de acordo com o que preceitua o art. 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata com intenção de omitir sistematicamente a totalidade dos rendimentos escriturados em seus assentos contábeis referente ao terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007 e aos quatro trimestres do anocalendário de 2008. Não se trata assim de simples apuração de omissão de receita, mas restou comprovado o evidente intuito de fraude da Recorrente. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso13. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade14. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 13 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 14 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17437.720092/201181 Acórdão n.º 1803002.477 S1TE03 Fl. 1.979 27 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 15. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 15 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13051.000144/2009-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3803-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a contribuinte para comprovar a veracidade das transferências de milho destinado à produção de ração, consoante documentos dos autos, e os valores de receitas repassadas aos cooperados, bem como das exclusões dos dispêndios agregados ao produto do cooperado, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Corintho Oliveira Machado.
Declarou-se impedido o conselheiro Paulo Renato Mothes de Moraes.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a contribuinte para comprovar a veracidade das transferências de milho destinado à produção de ração, consoante documentos dos autos, e os valores de receitas repassadas aos cooperados, bem como das exclusões dos dispêndios agregados ao produto do cooperado, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Corintho Oliveira Machado. Declarouse impedido o conselheiro Paulo Renato Mothes de Moraes. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Samuel Luiz Manzotti Riemma. RELATÓRIO Tratase de retorno de diligência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .0 00 14 4/ 20 09 -5 9 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13051.000144/200959 Resolução nº 3803000.628 S3TE03 Fl. 374 2 Esta pessoa jurídica transmitiu Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER por meio do qual solicitou o saldo credor de Cofins Não Cumulativa Mercado Interno, referente ao 2º trimestre de 2009, no valor de R$ 1.295.735,56. A DRF/Santa Cruz do Sul promoveu ação fiscal para exame da legitimidade do crédito, tendo sido constatado que os valores solicitados eram superiores aos efetivamente existentes. O Relatório de Ação Fiscal, de fls. 21/24, aponta que as divergências estão, sinteticamente: a) erro no cálculo dos créditos presumidos agroindustriais; b) base de cálculo da contribuição calculada a menor; Da ação fiscal resultou auto de infração para alteração da base de cálculo antes oferecida à tributação pela Contribuinte, com consequente majoração da contribuição, além da glosa de créditos. Não há exigência de crédito tributário, pela diferença, vez que estas foram compensadas com parcela dos créditos pleiteados. O Parecer DRF/SCS n° 151/2009, fls. 40/41, resultante da ação fiscal, deu respaldo ao despacho decisório, de 19 de outubro de 2009, fl. 42, pelo qual foi reconhecido o direito creditório de R$ 888.019,02. O valor em litígio, pois, perfaz a importância de R$ 407.716,54. A Interessada apresentou impugnação/manifestação de inconformidade, fls. 169/177, por meio da qual contrapôsse ao despacho decisório, ao tempo em que abordou as questões levantadas na ação fiscal, tendo alegado que: a) a contabilidade da contribuinte não foi fiscalizada, e não lhe foram solicitadas informações, prejudicando o contraditório na ação fiscal e a ampla defesa nesse procedimento; b) a Fiscalização equivocouse na apuração da base de cálculo da contribuição, visto que não considerou as exclusões previstas em lei para as sociedades cooperativas agroindustriais. Considerando a inconsistência do trabalho executado, insubsistente o despacho decisório emitido com amparo na base precariamente apurada; c) ao calcular o crédito presumido agropecuário, a Fiscalização não considerou a compra de leitões para produção em regime de parceria integrada com os cooperados e a compra de milho para industrialização; d) mesmo se considerados os débitos apurados pela Fiscalização e deles fossem descontados os créditos, ordinários e presumidos, também apurados pela Fiscalização, a contribuinte teria saldo credor em todos os períodos, não se justificando a glosa dos créditos restituíveis; e) considerando que a glosa protelou indevidamente a restituição do crédito da contribuinte, esta faz jus à atualização do crédito restituível com a aplicação da Selic; Ao fim, requereu diligência fiscal para apuração dos fatos invocados na impugnação/manifestação de inconformidade. Em julgamento da lide, a DRJ/Salvador tratou da defesa, a um só tempo, como impugnação e como manifestação de inconformidade, dado ser documento único. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13051.000144/200959 Resolução nº 3803000.628 S3TE03 Fl. 375 3 Rejeitou o pedido de diligência realizado pela impugnante, por não atender aos requisitos legais, em face da ausência de quesitos referentes aos exames desejados, ao tempo em que ressaltou que não é papel da diligência fiscal suprir a deficiência da defesa da contribuinte, buscando a apuração dos fatos alegados na manifestação de inconformidade e os elementos de prova não carreados ao processo, pela Impugnante/Manifestante. A decisão foi ementada como segue: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para incidência de correção monetária ou de quaisquer outros acréscimos sobre o ressarcimento de créditos do PIS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Exclusões da base de cálculo Cientificada a Contribuinte da decisão em 06 de julho de 2011, irresignada, apresentou, em 03 de agosto de 2011, recurso voluntário, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade. O julgamento foi convertido em diligência, para que a Repartição de origem a) conferisse os quantitativos de movimentação da matériaprima milho para a fábrica de rações, segundo os dados informados em documento anexado à manifestação de inconformidade; b) confirmasse o valores do crédito presumido decorrente A diligência foi efetuada pela DRF/Santa Cruz do Sul, que consignou seu resultado no Relatório de Diligência Fiscal, de fls. 360/362. É o relatório. VOTO Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13051.000144/200959 Resolução nº 3803000.628 S3TE03 Fl. 376 4 Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Com o respeito que é devido ao trabalho executado pelo d. Auditor, a condução dada à diligência não atende ao requisitado na Resolução. O conteúdo da lide neste processo gerado pela ação fiscal que teve o fim de verificar a legitimidade do saldo credor de PIS e Cofins não cumulativos, de que resultou auto de infração e indeferimento parcial do direito creditório pleiteado, insta a que se busque a verdade mais próxima da real, ante o convencimento da verossimilhança das alegações e à vista dos demonstrativos extracontábeis de apuração, dos créditos e das exclusões. Créditos presumidos agroindustriais; Para a certificação desses créditos foi solicitado, na Resolução, que o órgão de origem atestasse a utilização do insumo milho na fábrica de rações, conforme documentos internos de sua transferência, no valor de R$ 8.316.893,00, em contraposição ao valor considerado de apenas R$ 4.220.640,60, justificado no fato de as notas de entrada terem consignado como natureza da operação "compras para comercialização". Os documentos extracontábeis de fls. 127, 128, 130, 131, 132, 134, 135, 136, 138 dão conta da quantidade e valor do insumo transferido e informado à Contabilidade para cálculo do crédito presumido, segundo informa a Recorrente. Tais documentos já haviam disso anexados ao processo na impugnação. Deve, pois, a DRF/Santa Cruz do Sul, intimar a Contribuinte para que comprove as transferências do insumo no período em foco, que teria sido destinado à utilização na produção de ração, não se importando de ser a aquisição ou a utilização a variável a ser considerada no cálculo. Exclusões da base de cálculo A descrição fática do auto de infração mostra uma carência no manuseio dos elementos estruturantes da base de cálculo da contribuição, tendo em vista a sua regramatriz. Consta do Relatório de Ação Fiscal (RAF), fl. 23, que a apuração da base de cálculo não inclui as vendas para exportação, as vendas com alíquotas zero e as vendas de insumos agropecuários para os cooperados, exemplificados como "rações, soja em granel, vacinas e outros produtos que fazem parte da criação de suínos são retirados da base de cálculo por expressa previsão legal". Mesmo segregando esses elementos na metodologia utilizada, são grandes as diferenças entre as bases de cálculo consideradas na ação fiscal e as calculadas pela Cooperativa, vindo a ser, aquela, praticamente duplicada. As diferenças, segundo a Recorrente, resultam do fato de a Auditoria não ter considerado na sua apuração as exclusões previstas no art. 15 da MP nº 2.158/2001[1] (valores repassados aos cooperados) e o art. 17 da Lei nº 10.684/2003[2] (Exclusão dos dispêndios industriais agregados ao produto do cooperado). 1 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue â cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13051.000144/200959 Resolução nº 3803000.628 S3TE03 Fl. 377 5 A Recorrente, na defesa, explica que não há campo no Dacon apto a sediálas. A decisão de primeira instância desproveu este pedido por ter considerado genérico o apontamento da Impugnante. A defesa apresenta em sua peça as exclusões da base de cálculo desconsideradas nos valores de R$ 5.467.221,13 (abril/09), R$ 3.793.898,21 (maio/09) e R$ 2.965.599,57 (junho/09). Há nos autos documentos de apuração extracontábil que dão forte indício da pertinência da sua queixa (fls. 98, 101, 104, 105, 106 e 108), que demonstra a verossimilhança da alegação, que deve ser cotejadas na diligência. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a Contribuinte para que: a) ateste com outros elementos de prova as transferências do insumo milho destinado à utilização na produção de ração, no período em foco, conforme indicam os documentos constantes dos autos; b) comprove os valores de receitas repassadas aos cooperados e das exclusões dos dispêndios industriais e comerciais agregados ao produto do cooperado, em obediência ao art. 15 da MP nº 2.158/2001 e ao art. 17 da Lei nº 10.684/2003; Uma vez que haja comprovação deste objeto da diligência, certifique a nova apuração resultante: da contribuição e/ou do consequente saldo credor passível de ressarcimento, considerandose que já foi reconhecido o direito creditório de R$ 888.019,02. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2° Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 2 Art. 17 . Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002 , as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999 . Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/11/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000689/2005-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000
Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. SÚMULA CARF Nº 41.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
Numero da decisão: 2201-001.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de proteção permanente de 200ha e considerar como área de reserva legal a área de 1.496,3ha, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Francisco Assis de Oliveira Júnior que exigiam o Ato Declaratório Ambiental referente à área de reserva legal.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ADA. SÚMULA CARF Nº 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de proteção permanente de 200ha e considerar como área de reserva legal a área de 1.496,3ha, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Francisco Assis de Oliveira Júnior que exigiam o Ato Declaratório Ambiental referente à área de reserva legal. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 174DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 26/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 01/02/2005, o Auto de Infração de fls. 19/22, relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2000, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$76.737,75, dos quais R$26.679,33 correspondem a imposto, R$30.014,24 a multa de ofício, e R$20.044,18, a juros de mora calculados até 31/01/2005. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 21), a autoridade fiscal apurou a seguinte infração: “Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Forquilha, cadastrado na Receita Federal sob o n° 0.547.1656, localizado no Município de Matrinchã/GO, nos termos do artigo 15, da Lei n° 9.393/96, em que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. Na DITR/2000, relativa ao imóvel retromencionado, o contribuinte declarou 200,0 ha de Área de Preservação e 1885,0 ha de Utilização Limitada. Intimado em 27/10/2004 e reintimado em 22/11/2004, a comprovar com documentoshábeis e idôneos, as áreas por ele declaradas de Utilização Ltda, o contribuinte não se manifestou.Expedimos, então, a Intimação Fiscal n° 1/2005 para o contribuinte e a de n° 2/2005 para o Cartório de Registro de Imóveis de Aruanã. O contribuinte, em resposta à citada Intimação, apresentou o original da Matricula 5.681, da qual extraímos cópia e autenticamos em 14/01/2005; por sua vez, o Cartório de Registro de Imóveis de Aruanã enviou correspondência datada de 14 de janeiro de 2005,anexando Certidão de Propriedade Imóvel Rural em Inteiro Teor da matricula 5.681, em nome da Globo Agropecuária S/A. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.000689/200582 Acórdão n.º 220101.251 S2C2T1 Fl. 2 3 No documento retromencionado consta averbação da área de 1.496,3 ha destinado à Reserva Legal, nos Termos do Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal, firmado em 20 de fevereiro de 2002. Entretanto, a Instrução Normativa SRF n° 073,de 18 de julho de 2000 em seu artigo 17 determina que para fins de apuração do ITR, as áreas de utilização limitada sejam reconhecidas mediante ato do Ibama, ou órgão delegado através de convênio; e que o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da Declaração do ITR para protocolizar o requerimento do ato citado junto ao Ibama. Caso ocontribuinte não proceda ao requerimento ou se este não for reconhecido pelo citado Instituto, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. Em pesquisa efetuada no banco de dados dos Atos Declaratórios Ambientais do Ibama, enviado à Coordenação de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, por meio do Oficio n° 109/2003, de 18 de setembro de 2003, não foi localizado ADA para o imóvel em questão. Portanto, foram desconsideradas as áreas declaradas de preservação e as de utilização limitada, gerando ITR suplementar, objeto do presente auto de infração. Foi aplicada a multa de oficio agravada, conforme previsto no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 14, da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tendo em vista que o sujeito passivo deixou de atender às Intimações n° 23/2004 e 30/2004. 001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado pela fiscalização, em virtude de o contribuinte não ter cumprido os requisitos previstos na legislação para a comprovação da área de utilização limitada, por ele declarada.” Cientificada do Auto de Infração em 04/02/2005 (AR de fls. 29), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 35/49, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “• quando da incorporação/unificação dos imóveis registrados com matrículas diversas já existiam áreas de florestas que, mais tarde, viriam a ser averbadas como área de preservação de florestas, ou seja, de reserva legal; • informa que bem antes da averbação da área de reserva legal já existia o Memorial Descritivo, que traz todos os dados referentes ao imóvel e é assinado por representantes da Fl. 176DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 administração pública, ou seja, o representante da Agência Ambiental de Goiás e do CREA — GO; • transcreve trecho da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes no Auto de Infração; • preliminarmente, cita o art. 149 do CTN, alega que o dispositivo obriga ao lançamento de oficio quando o contribuinte "se omite" e que no presente caso a autuada não se omitiu e nem se recusou a prestar esclarecimentos à autoridade administrativa; • afirma que a autuada apresentou a DITR/2000 com dados baseados em fatos reais e que no entanto o Auditor Fiscal lavrou o auto de infração, cujo conteúdo, se comparado corretamente com os fatos narrados e com os documentos acostados aos autos, mostram claramente que razão não assiste à autoridade administrativa, posto que os dispositivos legais tido como infringidos não amparam a peça fiscal, principalmente o art. 10, § 1º, II, que trata da apuração e pagamento do imposto exigido; • que o Auto de Infração é improcedente e merece ser anulado porque foi lavrado ao arrepio da legislação aplicável à espécie, contrariando o que dispõe o art. 97, IV, do Código Tributário Nacional e art. 149 combinado com o art. 146, III, "a" da Constituição Federal, violando assim o princípio constitucional da legalidade, pois está a exigir imposto de forma não amparada na lei, haja vista que o art. 10, § I", inciso II; art.11, § 1"; art. 14 e o art. 15 e parágrafo da Lei 9.393/96 não amparam a pretensão da autoridade autuante; • informa que não consta da Lei n° 9.393/1996 e de outras leis que tratam do ITR, como a Lei n° 4.771/95, Lei 7.803/89 e a Medida Provisória n° 2.08064, de 2001, como condição para o gozo do beneficio fiscal, que a reserva legal esteja averbada às margens da matricula do imóvel; • transcreve ementa do Conselho de Contribuintes sobre averbação de reserva legal • afirma que à vista dos arts. 14 e 15 da Lei 9.393/96 e dos documentos juntados aos autos a impugnante entende que fica clara a improcedência do auto de infração porque ela não prestou informações fraudulentas, incorretas ou inexatas, sendo que o artigo 15 é de clareza solar quando dispõe que no processo administrativo fiscal realizado para a determinação da exigência, deve ser observada a legislação prevista para os demais tributos federais, no caso, observar o principio da legalidade, o que não ocorreu; • alega que a cobrança da multa de oficio agravada é improcedente e indevida, urna vez que o contribuinte não infringiu os dispositivos alegados pela autoridade autuante; • quanto à Instrução Normativa n° 43/97, alterada pela IN 67/97, norma regulamentar que é, sua finalidade é a explicitação da Lei 9.393/96, para que possa ser aplicada e, assim, deve se restringir a isso a sua aplicação, e não querer ampliar a base de cálculo do tributo contestado, e que no caso o dispositivo teve Fl. 177DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.000689/200582 Acórdão n.º 220101.251 S2C2T1 Fl. 3 5 sua função extrapolada, e transcreve trechos do art. 146 da Constituição Federal e do art. 97 do CTN; • cita o art. 150, I, da Constituição Federal para concluir que a Carta Maior não permite quaisquer delegações legislativas no que se refere à definição da hipótese de incidência tributária, em todos os seus aspectos, transcrevendo, nesse sentido, ensinamentos de Hugo de Brito Machado e Hely Lopes Meirelles, bem como ementa de Acórdão proferido pelo STF; • por fim, requer que o auto de infração seja julgado improcedente e arquivado, pois assim agindo estará praticando Justiça.” A 1ª Turma da DRJ em Brasília, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado de conformidade com a legislação vigente, e que não cabe à autoridade fiscal apreciar questões de legalidade ou constitucionalidade, não há que se falar em qualquer irregularidade que implique nulidade do Auto de Infração. DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A área de utilização limitada /reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve estar averbada à época do respectivo fato gerador, além de ser reconhecida, junto com a área de preservação permanente, como de interesse ambiental pelo 1BAMA/órgão conveniado, ou ter o protocolo do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental ADA. MULTA DE OFÍCIO de 112,5%. Não restando caracterizada a tentativa de obstruir ou retardar a fiscalização, é de se cancelar, de oficio, o agravamento da multa de oficio de 112,5%, cabendo a mesma ser fixada no percentual de 75%, a incidir sobre o imposto suplementar. Lançamento Procedente em Parte” Cientificada da decisão de primeira instância em 31/08/2007, conforme AR de fls. 127, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, o recurso voluntário de fls. 128/141, por meio do qual reitera suas razões apresentadas na impugnação. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O presente lançamento decorre da glosa pela autoridade fiscal das áreas declaradas pela Recorrente a título de (i) Área de Preservação Permanente APP (200ha) e (ii) Reserva Legal (1.885ha), em decorrência da ausência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA, bem como, no caso da reserva legal, de averbação de área em valor menor na matrícula do imóvel. No tocante ao APP o critério que levou a autoridade fiscal a efetuar a glosa da área declarada a título de APP foi a ausência de ADA tempestivamente protocolado junto ao Ibama. A jurisprudência deste E. Colegiado, no entanto, já se pacificou no sentido de que a não apresentação do ADA não pode motivar a exigência de ITR até o exercício de 2000, tendo sido editada neste sentido a Súmula CARF nº 41, de aplicação obrigatória por este Colegiado, in verbis: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Destarte deve ser restabelecida a APP como declarada pela Recorrente. Por outro lado, entendo que o lançamento também deve ser revisto em relação à área de reserva legal glosada, restabelecendose o valor da reserva legal efetivamente averbado na matrícula do imóvel no montante de 1.496,3ha. De fato, ao examinar a documentação trazida aos autos, especialmente a cópia da matrícula do imóvel (fls. 8vº), verifico a existência de averbação de reserva legal de 1.496,3ha. A existência da averbação em questão foi, inclusive, reconhecida pela d. Autoridade Fiscal conforme se verifica da fundamentação do Auto de Infração (fls. 12), sendo que a glosa da área em questão decorreu (i) da ausência de apresentação tempestiva de ADA e (ii) do fato de que tal averbação somente se deu em exercício posterior ao exercício fiscalizado. Sobre a data de averbação verifico que a reserva legal somente foi averbada em 20/02/2002, ou seja, posteriormente ao fato gerador objeto do presente lançamento que se verificou em 01/01/2000, mas anteriormente ao início do procedimento fiscal, o que para este julgador é que suficiente para provar sua existência. Ademais, tenho para mim que a comprovação das áreas de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10º, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado originalmente pela Medida Provisória nº 1.95650, de Maio de 2000 e convalidado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do Fl. 179DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.000689/200582 Acórdão n.º 220101.251 S2C2T1 Fl. 4 7 contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade, in verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” No presente caso, tendo havido a contestação da existência dessa área pela autoridade fiscal a averbação na matrícula (fls. 08) comprova a existência de uma reserva legal de 1.496,3ha. Observo, no entanto, que a Recorrente declarou em sua DITR a existência de área de reserva legal de 1.885ha, razão pela qual mantenho a glosa de 388,7ha. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer a área de proteção permanente de 200ha e a área de reserva legal de 1.496,3ha. Gustavo Lian Haddad – Relator (assinado digitalmente) Fl. 180DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10920.907765/2012-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 65 /2 01 2- 96 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907765/201296 Acórdão n.º 3803006.818 S3TE03 Fl. 67 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 10 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907765/201296 Acórdão n.º 3803006.818 S3TE03 Fl. 68 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907765/201296 Acórdão n.º 3803006.818 S3TE03 Fl. 69 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em julho de 2006 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 44.299,09 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 16.350,79 (conforme índice de juros de 36,91% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 8.992,93, valor esse muito próximo, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907765/201296 Acórdão n.º 3803006.818 S3TE03 Fl. 70 5 com diferença de apenas R$ 0,22, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 8.992,71). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914284/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.339
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 28 4/ 20 09 -1 7 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914284/200917 Resolução nº 3802000.339 S3TE02 Fl. 219 2 A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 67 a 71 (PER/DCOMP nº 25782.59232.290307.1.3.042142, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o PIS/PASEP (código de receita 4574) relativo ao período de apuração ocorrido em junho de 2002 (30/06/2002). Pelo Despacho Decisório de fls. 37 e 76, a contribuinte foi cientificada, em 19/10/2009 (fl. 73), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 3509867548 33.632,56 Db: cód 4574 PA 30/06/2002 33.632,56 Valor Total 33.632,56 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 17.834,51). Irresignada, a contribuinte apresentou em 18/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/07. Na peça de defesa, a contribuinte argumenta que a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar e tem como objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar e, por conseguinte, pagar aposentadorias complementares às pagas pela Previdência Social; tendo apurado crédito decorrente de pagamento a maior de tributos federais, apresentou, como lhe é facultado pela legislação de regência, a Declaração de Compensação de Tributos Federais n° 25782.59232.290307.1.3.042142; Nesta PER/DCOMP foi utilizado um crédito do código 4574 com período de apuração 30/06/2002, relativo à guia no montante total de R$ 33.632,56, com crédito histórico de R$ 20.667,04; A Manifestante apurou nesta competência o montante de R$.43.704,99 que, quando confrontado com o valor recolhido na competência R$ 64.372,03 podese identificar como crédito exatamente o valor utilizado na PER/DCOMP conforme demonstrado à fl. 04; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914284/200917 Resolução nº 3802000.339 S3TE02 Fl. 220 3 a Manifestante cometeu um equívoco formal, pois não demonstrou a existência do crédito no preenchimento da DCTF, sendo, contudo, o crédito, legítimo; Uma vez demonstrada a origem dos pagamentos realizados a maior que a Manifestante pretendeu compensar, como restou comprovado acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado; os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, reportandose a ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins e Hugo de Brito Machado; A quantia recolhida a título de tributo a maior, que não. era devida, nem sequer pode ser considerada tomo receita do Estado, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa; Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode esta quantia a que se pretende compensar ser integrada ao patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário; Tão logo apurado o recolhimento indevido, esta parcela foi compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação; vale ressaltar que se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não houve. Assim, se aquele que confessou o fez em virtude de erro, a confissão pode ser revogada, conforme determina o Código de Processo Civil em seu artigo 352; Considerando que o valor confessado pela Manifestante não corresponde às hipóteses de incidência tributária, à confissão de dívida e conseqüente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária, prevalecendo os fatos verdadeiros sobre o confessado; Demonstrado que o fato confessado não correspondia à hipótese de incidência tributária, este não era capaz de gerar a obrigação tributária tornando a confissão de dívida absolutamente irrelevante, o que possibilita, deste modo, a compensação pretendida. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914284/200917 Resolução nº 3802000.339 S3TE02 Fl. 221 4 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1648.837, de 25/07/2013, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do PIS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração de junho de 2002. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914284/200917 Resolução nº 3802000.339 S3TE02 Fl. 222 5 Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do PIS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de PIS para esta competência. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração do PIS de junho de 2002, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do PIS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10167.001649/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 17/01/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.
BOLSAS DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes a eles tenham acesso. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.
COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91.
É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente à alíquota de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.914
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Também deve ser reconhecida a fluência parcial do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I do CTN.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/01/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. BOLSAS DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes a eles tenham acesso. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91. É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente à alíquota de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 BOLSAS DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes a eles tenham acesso. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 22, IV DA LEI Nº 8.212/91. É devida a contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente à alíquota de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Também deve ser reconhecida a fluência parcial do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I do CTN. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 775 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriano Gonzáles Silvério e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração MPF: outubro/1998 a dezembro/2004. Data da lavratura da Auto de Infração: 17/01/2006. Data da ciência do Auto de Infração: 20/01/2006. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do recorrente, em virtude de não terem sido informados em GFIP os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seguir elencados, conforme consta no Relatório Fiscal a fls. 18/19, e anexos: 1 O contribuinte forneceu alimentação em desacordo com a legislação pertinente (Falta de inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT); 2 O contribuinte pagou Seguro de Vida em Grupo em desacordo com a legislação pertinente (Falta de previsão em acordo coletivo, celebrado anualmente entre o sindicato e o contribuinte); 3 O contribuinte pagou bolsa de estudos para os cursos de ensino médio, pósmédio, 3º grau e pósgraduação, em desacordo com a legislação pertinente. Esse benefício não foi extensível a todos, uma vez que consta como condição para sua concessão, em acordo coletivo, um prazo mínimo de tempo de serviço de 12 (doze) meses, sendo que no ano 2004 esse prazo chegou a 18 (dezoito) meses; 4 O contribuinte efetuou pagamento de aluguel e condomínio residencial para o funcionário Décio Michellis Junior, CPF: 037.996.42870, no valor de R$ 15.525,46; 5 O contribuinte efetuou pagamento de Notas Fiscais relativo a serviços prestados por cooperados por intermédio de Cooperativas de Trabalho na área Médica, sem o devido recolhimento de 15% exigido a partir de 03/2000 e não declarou em GFIP. Segue anexa a esta lavratura a capa da NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.783.5441; Fl. 776DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 6 O contribuinte efetuou pagamentos, a título de propaganda, com associações desportivas que mantém equipes de futebol profissional no período de 04/2000 a 07/2000 ao Interporto Futebol e, em 03/2001, ao Palmas Futebol, conforme lançamento na contabilidade, rubrica 615.0411.990.214 (Despesas com eventos); 7 O contribuinte pagou PLR aos seus empregados, nos anos de 2002 e 2003, em desacordo com a legislação (Os valores e critérios utilizados para essa participação foram de forma arbitrária, não havendo qualquer participação do Sindicato ou Trabalhadores), conforme valores apurados nas folhas de pagamento apresentadas pela Celtins nas competências 08/2002 e 08/2003; CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Informa o auditor fiscal autuante que a multa foi aplicada em conformidade com o inciso IV, combinado com o art. 32, §5º da Lei n° 8.212/91 e inciso II, do art. 284 e art. 373 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Assim, a multa para cada competência corresponde a 100% (cem por cento) do valor das contribuições sociais previdenciárias devidas ou do valor que seria devido no período em que houvesse a substituição tributária e que não foram declaradas, sendo limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, conforme Relatório Fiscal da Multa Aplicada, a fl. 25/26 e seus anexos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 41/63. Em virtude de o sujeito passivo ter feito prova, a fl. 76, de estar a empresa devidamente inscrita no PAT, durante todo o período a que se refere o lançamento, passando a usufruir da hipótese de isenção prevista no art. 28, § 9°, "c", da Lei 8.212/91, foi lavrado Despacho Decisório, a fls. 191/194, corrigindose o valor da multa aplicada para R$ 459.432,23 , sendo reaberto o prazo de quinze dias para oferecimento de defesa. Impugnação administrativa a fls. 198/215. A Delegacia da Receita Previdenciária em Palmas/TO lavrou Decisão Notificação, a fls. 217/222, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário no valor corrigido nos termos do Despacho Decisório acima referido. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 776 5 A autuada foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 08 de fevereiro de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 224. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 226/245, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que houve decadência dos créditos cujos fatos geradores tenham ocorrido há mais de cinco anos, contados do lançamento em conformidade com o art. 173, inciso I, e art. 150, parágrafo 4° ambos do CTN; • Que a Recorrente não tem a obrigação de informar a ocorrência de fatos simples que não significam "fatos geradores" de contribuições sociais a seu cargo ou a cargo de terceiros. A ausência de relato desses fatos pela Recorrente em GFIP não caracteriza infração à legislação previdenciária e, consequentemente, não autoriza ao agente fiscal à imposição de qualquer multa ou penalidade; • Que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o seguro de vida em grupo, pois é pago a todos os segurados da empresa, única exigência prevista na Lei 8.212/91, em seu Art. 28, §9°, alínea "p", não podendo norma infralegal impor novas condições; • Que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudos pagas pela empresa aos segurados a seu serviço, pois não têm caráter salarial, visto tratarse de programa de assistência social mantido pela requerente em observância a contrato coletivo de trabalho, o qual visa à qualificação profissional e ao bemestar do empregado, e não ao pagamento de salário indireto ou in natura; • Que são inexigíveis as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor de notas fiscais/faturas de serviços, emitidas por cooperativas de trabalho, as quais estão baseadas no art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99, quando deveriam ser instituídas por lei complementar, a teor do Art. 154, I, c/c o Art. 195, I, da Constituição Federal; Ao fim, requer seja declarada a insubsistência do crédito tributário constituído pelo AI n° 35.783.5468 e determinada a sua baixa administrativa definitiva, além da suspensão de sua exigibilidade nos termos do art. 151, III do CTN. O julgamento foi convertido em diligência para que fossem apensadas aos presentes autos cópias das decisões definitivas proferidas nos processos administrativos fiscais referentes às NFLD n° 35.783.5417, 35.783.5425, 35.783.5433 e 35.783.5441. DecisãoNotificação a fls. 561/563, referente à NFLD n° 35.783.5417, pautouse pela declaração de improcedência do lançamento incidente sobre alimentação fornecida in natura. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 DecisãoNotificação a fls. 569/582, referente à NFLD n° 35.783.5425, decidiuse pela procedência integral do lançamento incidente sobre a parcela de remuneração paga a segurados na forma de cursos de formação escolar não acessíveis a todos os empregados, e seguro de vida em grupo não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. A própria Recorrente, mediante requerimentos a fls. 567/568, formulou pedido de desistência do recurso interposto em face da decisão de 1ª instância acima referida. A empresa, mediante documento a fls. 673, requereu a desistência de impugnação/recurso administrativo referente à NFLD n° 35.783.5433. Por derradeiro, a Cia Energética do Tocantins, por intermédio do documento a fls. 684/685, requereu a desistência de impugnação/recurso administrativo referente à NFLD n° 35.783.5441, exclusivamente na parte relativa ao lançamento associado ao pagamento de valores a cooperativa de trabalho médico. Quanto aos demais lançamentos constantes dessa Notificação Fiscal, DecisãoNotificação a fls. 686/693, pugnou pelas suas procedências integrais. O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência requerida, nos termos do Aviso de Recebimento a fl. 770/771, não se manifestando nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 08/02/2007, quintafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na sextafeira seguinte, digase, 09/02/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09 de março de 2007, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 777 7 Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o Auto de Infração levado à ciência do sujeito passivo no dia 20 de janeiro de 2006, este apenas alcançaria as obrigações acessórias exigíveis a contar da competência dezembro/2000, inclusive, excluídas as relativas ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências Fl. 780DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 anteriores a dezembro de 2000, exclusive, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Rogase atenção ao fato de que o reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário não inquina de vício todo o processo. A declaração de caducidade acima aduzida apenas tem o condão de extirpar do lançamento tributário, tão somente, as obrigações atingidas pelo citado instituto de direito tributário uma vez que a ocorrência deste constituise causa extintiva do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN, e não hipótese de nulidade do lançamento. Dessarte, o eventual crédito tributário decorrente das obrigações relativas às competências atingidas pela decadência encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído da abrangência do presente Auto de Infração. 3. DO MÉRITO. Em razão do provimento relativo à decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo, nos termos do item 2.1. supra, apenas será objeto de apreciação por este colegiado as matérias de fato e de direito referentes aos fatos geradores ainda não alcançados pelo decurso do prazo decadencial acima referido. Dessarte, o exame do mérito se cingirá aos fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro de 2000, inclusive. Em relação aos demais, consideraremos ter havido perda do interesse processual, razão pela qual não serão mais objeto de deliberação. Outrossim, cumpre assentar que também não será objeto de apreciação por este colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO. Alega o Recorrente não ter obrigação de informar a ocorrência de fatos simples que não significam "fatos geradores" de contribuições sociais a seu cargo ou a cargo de terceiros. A ausência de declaração desses fatos pela Recorrente em GFIP não caracterizaria infração à legislação previdenciária e, consequentemente, não autorizaria ao agente fiscal a imposição de multa ou penalidade. Complementa asseverando que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o seguro de vida em grupo, pois é pago a todos os segurados da empresa, única exigência prevista na Lei 8.212/91, em seu Art. 28, §9°, alínea "p", não podendo norma infralegal impor novas condições. A rogativa do Recorrente não merece amparo. Cumpre inicialmente registrar que a hipótese vertida na alínea ‘p’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estatui como hipótese de exclusão do computo do Salário de Contribuição, tão somente, “o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” sem expender qualquer menção a seguro de vida em grupo. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 778 9 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Nos termos do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o Salário de Contribuição dos segurados empregado e trabalhador avulso compreende toda a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, ressalvadas as hipóteses de isenção fixadas numerus clausus no parágrafo nono do mesmo dispositivo legal. Cumpre registrar, por relevante, que as disposições encartadas no §9º do aludido art. 28, por se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva. Ocorre que o Regulamento da Previdência Social, com o advento da publicação do Decreto nº 3.265/99, aumentou os benefícios fiscais previstos na citada lei de custeio, passando a excluir da planilha de cálculo do Salário de Contribuição o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 . Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação Fl. 782DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265/99) (grifos nossos) Nessa perspectiva, observandose apenas as disposições legais, o valor efetivamente pago pela pessoa jurídica a título de prêmio de seguro de vida em grupo, por não constar expressamente nas hipóteses de exclusão do Salário de Contribuição elencadas no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, integra o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de custeio da Seguridade Social. Por outro lado, o Regulamento da Previdência Social, ao retirar do referido cômputo tal espécie de verba, não o fez de forma incondicionada, mas, sim, desde que tal benefício estivesse expressamente previsto, entre outras condições, em acordo ou convenção coletiva de trabalho, o que, in casu, não ocorreu. Assim, por não atender a todos os requisitos condicionantes para a fruição do benefício fiscal previstos na legislação tributária, a verba ora em destaque subsumese na qualidade de parcela integrante do Salário de Contribuição, de molde que, por tal razão, deveria ter sido declarada nas GFIP correspondentes. Outra não foi a postura adotada pela DecisãoNotificação a fls. 569/582, referente à NFLD n° 35.783.5425. Ademais, registrese que a própria Recorrente, mediante requerimentos a fls. 567/568, formulou pedido de desistência do recurso interposto em face da decisão de 1ª instância acima referida. 3.2. DA BOLSA DE ESTUDO. Sustenta o Recorrente não haver incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudos pagas pela empresa aos segurados a seu serviço, pois estas não têm caráter salarial, visto trataremse de programa de assistência social mantido em observância a contrato coletivo de trabalho, o qual visa à qualificação profissional e ao bemestar do empregado, e não ao pagamento de salário indireto ou in natura; O argumento exortado pelo Recorrente, além de tecnicamente imperfeito, peca em um ponto sutil. Deflui da redação da alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que a fruição do benefício fiscal ali encartado não decorre de forma automática, mas, sim, mediante o cumprimento rigoroso e concomitante das condições de gozo nela expressamente previstas, quais sejam, que o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes lhe tenham acesso. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 783DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 779 11 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 20.11.98). Nesse panorama, para que os valores relativos a bolsa de estudos deixem de integrar o conceito de saláriodecontribuição, exige a lei que a benesse concedida pela Recorrente alcance, dentre outras condições, a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ocorre, no entanto, que tal condição determinante não foi observada pelo Recorrente, eis que, para que o trabalhador pudesse ter direito à bolsa de estudos em apreço, lhe era exigido tempo mínimo de serviço – 12 meses e, em 2004, 18 meses , sendo excluídos, por conseguinte, aqueles que não houvessem cumprido tal condição. Assim, por não atender a todos os requisitos condicionantes para a fruição do benefício fiscal previstos na legislação tributária, a verba ora em destaque subsumese na qualidade de parcela integrante do Salário de Contribuição, de molde que, por tal razão, deveria ter sido declarada nas GFIP correspondentes. Outra não foi a postura adotada pela DecisãoNotificação a fls. 569/582, referente à NFLD n° 35.783.5425. Ademais, registrese que a própria Recorrente, mediante requerimentos a fls. 567/568, formulou pedido de desistência do recurso interposto em face da decisão de 1ª instância acima referida. 3.3. DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Argumenta o Recorrente serem inexigíveis as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor de notas fiscais/faturas de serviços, emitidas por cooperativas de trabalho, as quais estão baseadas no art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99, quando deveriam ter sido instituídas por lei complementar, a teor do Art. 154, I, c/c o Art. 195, I, da Constituição Federal. A cantilena esposada pelo Recorrente não merece acolhida. Em primeiro lugar, há que se observar que, nos termos dispostos no art. 4º da Lei nº 5.764/71, “as sociedades cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características...”. Assim, não são as cooperativas de trabalho que prestam serviços a outras pessoas, físicas ou jurídicas, mas, sim, os cooperados, tidos pela lei de custeio da Seguridade Social como segurados contribuintes individuais, que prestam serviços através da cooperativa, conforme muito bem estabelecido no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifos nossos) Em segundo lugar, a contribuição social previdenciária, a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas não foi instituída, como acredita e argumenta o Recorrente, pela Lei nº 9.876/99, mas, sim, pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Conforme redação acima transcrita, não figurava abarcada no campo de incidência das contribuições previdenciárias, a exação incidente sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados não empregados, dentre eles os assim denominados segurados contribuintes individuais, somente poderia ser promovida mediante Lei Complementar, no exercício da competência residual exclusiva da União, prevista no art. 150, I da CF/88, conforme estatuído expressamente no art. 195, §4º da Carta. Nessa perspectiva, no desempenho da competência residual supra referida e trilhando um processo legislativo em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente à época, foi editada pelo Congresso Nacional, imerso na ordem constitucional então vigente, e promulgada pelo Presidente da República, a Lei Complementar n° 84/1996, instituindo a novel fonte de custeio previdenciário incidente sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos e demais pessoas físicas. LEI COMPLEMENTAR nº 84, de 18 de janeiro de 1996. Art.1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das Fl. 785DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 780 13 remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Posteriormente, com a publicação da citada Emenda Constitucional n° 20/1998, foi alterado o teor normativo do art. 195, I da Constituição Federal, cuja redação passou a dispor, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (...) Da leitura de tais comandos constitucionais, deflui que as normas que disciplinam a espécie ora em apreciação não impõem mais qualquer exigência de Lei Complementar para a imposição de tributação sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, a qual pode ser instituída mediante mera lei ordinária, em obediência à reserva legal prevista no art. 97 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Nessa perspectiva, sem que tenha ocorrido solução de continuidade, foi editada, já sob a nova ordem constitucional, a lei nº 9.876/99 que majorou a alíquota de 15% para 20%, ao mesmo tempo em que fez inserir, no corpo da lei de custeio da Seguridade Social, precisamente em seu art. 22, o inciso III estabelecendo o regramento da exação previdenciária ora em debate. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Conforme detalhadamente descrito, a contribuição social previdenciária a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados contribuintes individuais, assim qualificados os empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, foi instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Anotese que a instituição de nova fonte de custeio destinada a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social depende de lei complementar, no entanto, a majoração de alíquota só depende de lei ordinária, assim como a extinção de qualquer fonte de custeio, a teor do art. 97 do CTN. Cabenos chamar atenção ao seguinte fato: Uma vez instituída a contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente sobre o Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, exauriuse a competência exclusiva da lei complementar prevista na Carta Constitucional, qual seja, a de instituir a espécie tributária em foco, isto é, a de introduzir no ordenamento jurídico a norma cogente em debate, e, com ela, a obrigação tributária principal correspondente. Uma vez inserida no ordenamento jurídico houve por esgotada a função da Lei Complementar nº 84/96. Registrese, por relevante, que a matéria relativa à majoração de alíquota de tributo não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o atendimento ao princípio da legalidade pode ser satisfeito mediante lei ordinária. A matéria ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n. 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Nesse panorama, diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência legal, que a condução do regramento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias é Fl. 787DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 781 15 prerrogativa reservada à Lei Orgânica da Seguridade Social, e, não, à Lei 8.383/91, tampouco ao Regulamento do Imposto de Renda, como defende com veemência o Recorrente. Dessarte, a base de incidência das contribuições previdenciárias, na hipótese ora tratada, abraça o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. Noticiese que a Cia Energética do Tocantins, por intermédio do documento a fls. 684/685, compareceu aos autos requerendo a desistência de impugnação/recurso administrativo referente à NFLD n° 35.783.5441, exclusivamente na parte relativa ao lançamento associado ao pagamento de valores a cooperativa de trabalho médico. Abordando as alegações do recorrente por um outro ângulo, não se pode esquecer que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos normativos que regem a imposição da obrigação tributária principal ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legislativos implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ao cabo de tais considerações, impõese consignar que não vislumbramos qualquer vício que possa macular, formal ou materialmente, o procedimento operado pela fiscalização. 3.4. DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Fl. 788DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente, como assim demonstra acreditar o Recorrente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 789DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 782 17 cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Fl. 790DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 783 19 Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) Fl. 793DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10167.001649/200783 Acórdão n.º 230201.914 S2C3T2 Fl. 784 21 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive, eis que atingidas pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 173, I do CTN. Outrossim, a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo deve ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 795DF CARF MF Impresso em 30/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10735.002298/2004-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE
Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.
COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO QUE NÃO SE REFERE A TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE.
Verificando-se que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundou-se em motivos evidenciados nos autos e previstos em lei como ensejadores da não-declaração da compensação, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência ao sujeito passivo.
EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS. CAUTELAS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. ART. 74 DA LEI 9.430/1996. INAPLICABILIDADE.
As Cautelas de Obrigações referentes a empréstimo compulsório cobrado em conta mensal de consumo de energia elétrica são administrados pela Eletrobrás, inexistindo previsão legal para serem utilizadas em compensação tributária, razões pelas quais não se sujeitam à sistemática prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996.
CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários (Súmula CARF nº 24).
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO QUE NÃO SE REFERE A TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE. Verificando-se que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundou-se em motivos evidenciados nos autos e previstos em lei como ensejadores da não-declaração da compensação, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência ao sujeito passivo. EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS. CAUTELAS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. ART. 74 DA LEI 9.430/1996. INAPLICABILIDADE. As Cautelas de Obrigações referentes a empréstimo compulsório cobrado em conta mensal de consumo de energia elétrica são administrados pela Eletrobrás, inexistindo previsão legal para serem utilizadas em compensação tributária, razões pelas quais não se sujeitam à sistemática prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários (Súmula CARF nº 24). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.002298/200493 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.554 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente AROUCA REPRESENTAÇÕES COMÉRCIO E TRANSPORTADORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOSX LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO QUE NÃO SE REFERE A TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE. Verificandose que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundouse em motivos evidenciados nos autos e previstos em lei como ensejadores da nãodeclaração da compensação, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência ao sujeito passivo. EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS. CAUTELAS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. ART. 74 DA LEI 9.430/1996. INAPLICABILIDADE. As Cautelas de Obrigações referentes a empréstimo compulsório cobrado em conta mensal de consumo de energia elétrica são administrados pela Eletrobrás, inexistindo previsão legal para serem utilizadas em compensação tributária, razões pelas quais não se sujeitam à sistemática prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários (Súmula CARF nº 24). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 22 98 /2 00 4- 93 Fl. 2930DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 2931DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório AROUCA REPRESENTAÇÕES, COMÉRCIO E TRANSPORTADORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., contribuinte inscrito no CNPJ nº 32.369.019/0001 04, com domicílio fiscal atual na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Gomes de Carvalho, nº 892 – Conjunto 41 – Vila Olímpia, jurisdicionado atualmente a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 632/647), prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 649/689. A requerente apresentou, em 27/08/2004, o Pedido de Restituição de fls. 01/09, com base na Cautela de Obrigações da Eletrobrás n° 0000708867 (079303) (Empréstimo Compulsório incidente sobre energia elétrica, com vencimento vintenário, em 27 de abril de 1998), e dos PER/DCOMPs, de n°s representados pelos algarismos finais 3666, 6320 e 0026 e transmitidas à RFB em 11/11 e 09//12/2004, referente ao exercício decisão judicial correspondente ao anocalendário de decisão judicial, no valor de R$ 8.680.012,15. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, através do Despacho Decisório (fls. 408/412), apreciou e concluiu, em 13/09/2007, que o Pedido de Restituição e os Pedidos de Compensações são improcedentes, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que o pedido de restituição, no valor de R$ 8.680.012,15, formulado pelo representante da interessada e protocolizado em 27.08.2004, com base na Cautela de Obrigações da Eletrobrás n° 0000708867 (079303), emissão de 1976, trazida por cópia acompanhada da dos laudos da atualização monetária e do exame, documentoscópico, de parecer de tributarista, de julgados judiciais a título de exemplo e aviada legislação (fls. 01/183); que o pedido de restituição não pode prosperar, porque decorre de suposto crédito oriundo de título denominado Cautela de Obrigações, referente ao empréstimo compulsório à Eletrobrás cobrado na conta mensal de consumo de energia elétrica (Lei n° 4.156/62, art. 4°), portanto, estranho a tributos e contribuições sob a administração da RFB; menos ainda se refere a direito creditório que tenha sido reconhecido à interessada por decisão judicial transitada em julgado; que, os julgados judiciais, teses doutrinárias, as citadas jurisprudências administrativas, a farta documentação sobre as decisões proferidas e os procedimentos adotados pela DRF/Santo André/SP, nos processos de determinado contribuinte jurisdicionado por essa Delegacia e que tratam de matéria semelhante, não socorrem a interessada; que, contrariamente à utilização pela interessada dos respectivos formulários (papel), o pedido de restituição e a declaração de compensação somente podem ser efetuados em formulário pelo contribuinte, em vez de gerados eletronicamente a partir do Fl. 2932DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 programa PER/DCOMP e transmitidos à RFB pela Internet, à exceção das hipóteses mencionadas na legislação, fora das quais é considerado não formulado o pedido de restituição e não declarada a compensação (IN/SRF n° 43212004, arts. 2° ao 4°). As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: RESTITUIÇAO. CAUTELA DE OBRIGAÇOES DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a restituição de suposto crédito derivado de título denominado Cautela de Obrigações, referente ao empréstimo compulsório à Eletrobrás cobrado na conta mensal de consumo de energia elétrica, por não tratar de tributo ou contribuição administrados pela RFB nem de receita arrecadada por DARF, passível de restituição ou ressarcimento por esse órgão. COMPENSAÇÃO. SUPOSTO CRÉDITO OFERECIDO ORIUNDO DE CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. CONSIDERADA NÃO ADMITIDA A COMPENSAÇÃO. É considerada não admitida a compensação em que o crédito oferecido não se refira a tributos e contribuições administrados pela RFB (Lei n° 9.430196, caput do art. 74). RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO RESPECTIVO FORMULÁRIO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. CONSIDERADO NÃO FORMULADO O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E NÃO DECLARADA A COMPENSAÇÃO. O pedido de restituição e a declaração de compensação somente podem ser efetuados em formulário pelo contribuinte, em vez de gerados eletronicamente a partir do programa PER/DCOMP e transmitidos à RFB pela Internet, à exceção das hipóteses mencionadas na legislação, fora das quais é considerado não formulado o pedido de restituição e não declarada a compensação (IN/SRF n° 432/2004, arts. 2º ao 4°). Considerado Não Formulado o Pedido de Restituição e Não Admitidas as Compensações. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 01/05/2008, conforme Termo constante à fl. 712, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (24/10/2007), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 423/545, instruído pelos documentos de fls. 546/605, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que demonstraremos a seguir que não há previsão em lei para a Secretaria da Receita Federal de São Paulo em considerar o pedido de restituição não formulado e a declaração de compensação não admitida. E mais, a própria Secretaria da Receita Federal em casos exatamente idênticos, determina que o pedido de restituição deve ser considerado como indeferido e a declaração de compensação considerada como não homologada , caso não aceite as compensações apresentadas; que vejamos as seguintes premissas: (1) as declarações de compensação foram efetuadas todas no ano de 2004; (2) em virtude do fato descrito no item anterior, a lei Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 4 5 que regulava a matéria de compensação era a Lei 9.430/96, alterada pela lei 10.637102, em seu artigo 74, § 7º, § 8º, § 9º e § 11; (3) não há previsão legal para o fisco em considerar como não formulado o pedido de restituição e não admitida a declaração de compensação; (4) – a atividade do estado é vinculada a lei, portanto descabe qualquer ato administrativo que não tenha amparo na lei; (5) o fisco somente tem previsão legal no ano de 2004 (data da entrega da declaração de compensação), para indeferir o pedido de restituição; (6) o fisco não tem previsão legal para considerar não admitida a declaração de compensação efetuada; (7) o fisco somente tem previsão legal para não homologar as declarações de compensação; (8) a Receita Federal já se manifestou em casos exatamente iguais, determinando o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da declaração de compensação; que, não há previsão legal para que o pedido de restituição seja considerado não formulado e não admitida as declarações de compensação, tanto é que não foi indicado o inciso ou o parágrafo do art. 74 da Lei n° 9.430/1996 em que tal conduta estaria prevista, ferindo o princípio da ampla defesa e do contraditório previstos nos artigos 5°, LV da Constituição Federal; 2, I da Lei n° 9.784/1999 e, 59, II do Decreto n° 70.235/1972; que o fisco deveria, em nome do princípio da legalidade, isonomia e da vinculabilidade das decisões, indeferir o pedido de restituição e não homologar as declarações de compensação, nos moldes dos §§ 7°, 8°, 9° e 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com as alterações das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo que o direito de apresentar manifestação de inconformidade somente foi proibido com o advento da Lei n° 11.051/2004; que, não foi entregue a documentação que serviu de suporte para o auto de infração lavrado; que o contribuinte somente está vinculado a lei, sendo que a Lei n° 9.430/1996 é hierarquicamente superior à Instrução Normativa n° 432/2004; que a possibilidade de quitação de tributos federais com obrigações da Eletrobrás decorre da responsabilidade solidária da União pelo resgate de tais créditos, prevista no art. 4° da Lei n° 4.156/1962 que instituiu o empréstimo compulsório, sendo este o entendimento da jurisprudência; que o após sistematização de seu crédito perante a Receita Federal, recorrente passou a efetuar as declarações de compensação, conforme procedimento previsto na IN SRF n° 323, em especial seu art. 3°; que o procedimento adotado pela autoridade administrativa encontrase em desacordo até mesmo com o art. 13 da IN SRF n° 210/2002, cabendo salientar que o emolumento a que se refere tal dispositivo somente veio a ser instituído pela IN SRF n° 81/1996, razão pela qual o empréstimo compulsório não foi recolhido mediante Darf; que e impossível a exigência da multa isolada, com fundamento nos arts. 90 da M.P. n° 2.15835, 18 da Lei n° 10.833 e7 4 da Lei n° 9.430/1996, com a alteração dada pela Lei n° 10.637/2002, uma vez que não havia, à época, previsão para sua imposição para as hipóteses de declaração de compensação com utilização de créditos da Eletrobrás; que quanto aos débitos confessados, relativos ao Pis e Cofins do período de 01/2000 a 11/2004, há inúmeras inconstitucionalidades que os contaminam, como o alargamento de suas bases de cálculo, a majoração da alíquota de 2% para 3% e a inclusão do Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 ICMS em suas bases de cálculos, as vedações ao creditamento trazidas pelo art. 12 da Lei n° 10.833/2003 e 31 da Lei n° 10.865/2004; que a manifestante pede, ao final, a declaração de nulidade do despacho decisório ou, alternativamente, deferido o pedido de restituição e homologadas as declarações de compensação. Cumulativamente, pede para que não seja enviado o débito à Defic para lançamento da multa isolada e que as intimações sejam enviados aos subscritores das razões. Subsidiariamente, requer a exclusão dos valores inconstitucionais que compõem a base de cálculo dos tributos declarados; que, as fls. 624/629, foi juntada cópia de decisão liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.12.0129032, em que a Excelentíssima Juíza Federal da 26° Vara Cível da Seção Judiciária do Estado de São Paulo atribuiu efeito suspensivo à manifestação de inconformidade, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, enquanto pendente de julgamento administrativo; que seja anulado o despacho em virtude do mesmo não possuir como fundamento de validade as normas previstas no § 7 0 à 11° do artigo 74 da Lei 9.430/96, incorrendo desta forma em erro na fundamentação e ofensa ao princípio da legalidade, bem como infringência ao principio Constitucional da Isonomia, uma vez que adota entendimento diverso das demais Secretarias em situações exatamente idênticas; que caso não seja esse o entendimento, seja dado provimento a presente Manifestação de Inconformidade, devendo para tanto ser deferido o presente pedido de restituição e consequentemente homologada as declarações de compensação, como forma de direito e justiça; que em eventual discordância em relação a compensação como forma de extinção do crédito tributário, seja provido o presente recurso para o fim de excluir da base de cálculo tributo declarado os valores inconstitucionais, conforme explanado; que não seja enviado o débito compensado à DEFIC para aplicação de multa isolada, em virtude da não ocorrência de dolo, fraude ou conluio conforme anteriormente demonstrado. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 06/03/2008, a 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP autoridade julgadora revisora resolveu negar provimento à manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 632/647): que, no que diz respeito ao pedido de intimação formulado pela defesa, é de se dizer que, preliminarmente, indefiro o pedido formulado pela manifestante para que as intimações das futuras decisões sejam efetuadas em nome e no endereço de seus patronos. que não há previsão legal para que a Administração Tributária notifique o contribuinte de seus atos, mediante via postal, em endereço diverso daquele oficialmente declarado à Administração Tributária como de seu domicílio fiscal intimações serão encaminhadas àquele que se encontra assentado nos sistemas informatizados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ; que, no que diz respeito à admissibilidade da manifestação de inconformidade, é de se dizer que os supostos créditos que a contribuinte pretende restituir e compensar estão consubstanciados em Cautelas de Obrigações, originários do empréstimo Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 5 7 compulsório à Eletrobrás, cobrado na conta mensal de consumo de energia elétrica (Lei no 4.156/62, art. 4°); que não se trata, portanto, de tributos e contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Também está evidenciado que a contribuinte apresentou seus pedidos de restituição e o de compensação, em formulários de papel, em desacordo com os artigos 2° e 4° da Instrução Normativa SRF no 432/2004; que a autoridade a quo considerou não formulado o pedido de restituição e não admitidas as compensações declaradas pela contribuinte. Isto é, considerou as compensações não declaradas e, portanto, não reconheceu a aplicação do rito processual do Decreto n° 70.235/1972, mas a possibilidade de interpor recurso administrativo, sem efeito suspensivo, consoante procedimento previsto nos arts. 56, 56 e 61 da Lei n° 9.784/1999; que inconformada, a contribuinte propôs ação mandamental com pedido liminar para que o pedido de restituição fosse considerado indeferido e a declaração de compensação, não homologada, reconhecendose, ainda, o direito ao efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada, assegurando a não inscrição do débito em dívida ativa, nos termos dos §§ 7% 8% 9° e 11° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996; que tendo em vista a liminar concedida, a manifestação de inconformidade foi encaminhada a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao invés de ser submetido à apreciação pelo Senhor Superintendente da Receita Federal na Oitava Região Fiscal, na condição de recurso hierárquico, nos moldes previstos pela Lei n° 9.784/1999; que, portanto, a presente manifestação de inconformidade será admitida, tendo em vista o cumprimento da decisão judicial; que da inocorrência de cerceamento de defesa, a autoridade a quo consignou em sua decisão que um de seus fundamentos legais seria o capuz do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, consoante constante de sua ementa (fl. 408); que, portanto, o auditorfiscal não apontou o inciso ou o parágrafo do art. 74, como alegou à manifestante, porque sua decisão está fundamentada na cabeça do dispositivo legal, não ficando caracterizado cerceamento de defesa por falta de indicação de fundamentação legal; que, no que diz respeito ao mérito da manifestação de inconformidade, é de se dizer, que o CTN atribuiu à lei ordinária o papel de estipular as condições e requisitos para que se processassem as compensações de créditos tributários com créditos do sujeito passivo; que o atual regramento da compensação relativa a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal está previsto no artigo 74 da lei n° 9.430/1996, que sofreu profundas alterações com o advento da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002. Ulteriores modificações foram também introduzidas pela Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003, bem como pela Lei n° 11.051/2004, assim se encontrando a atual redação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996; que a partir de 1° de outubro de 2002, o contribuinte que apurasse créditos em face da Secretaria da Receita Federal poderia compensálos com débitos próprios relativos Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, mediante apresentação de declaração na qual constassem informações relativas aos créditos utilizados e os respectivos débitos compensados, extinguindose o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; que a sistemática até então vigente era a de que o contribuinte deveria, antes de proceder à compensação, pedir uma prévia autorização à Secretaria da Receita Federal. Com o advento da MP n° 66/2002, o contribuinte passou a efetuar a compensação mediante declaração a ser entregue ao Fisco que, por sua vez, deve homologála em até cinco anos de sua entrega, nos termos do § 5° do dispositivo legal anteriormente transcrito, com a redação dada pela MP n° 135/2003; que salientese que o art. 17, §§ 9° e 10, da Medida Provisória n° 135/2003, expandiu a competência dos órgãos de julgamento administrativo, ao facultar ao interessado a possibilidade de apresentação de recursos contra a nãohomologação da compensação pretendida; que é inconteste que tal regramento adota como premissa a existência de uma declaração de compensação, seja aquela apresentada a partir da edição daqueles atos legais, seja aquela resultante da convolação dos anteriores pedidos de compensação, por força do § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, dispositivo introduzido pela MP n° 66/2002; que, todavia, um dos pressupostos de existência dessa declaração é a de que o crédito que o sujeito passivo pretenda compensar com seus débitos seja, nos termos do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, "relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federar'. Portanto, não é qualquer direito creditório que pode ser submetido à apreciação da Receita Federal, mas apenas aquele originário de tributos e contribuições administrados pelo próprio órgão fazendário; que dada ao necessário detalhamento exigido para operacionalizar a nova sistemática de compensação, o Poder Executivo, mediante a Secretaria da Receita Federal, no exercício de seu poder regulamentar, editou instruções normativas com a finalidade de padronizar e fixar os requisitos para caracterizar o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação elaborados de acordo com as normas do art. 74 da Lei n° 9.430/1996; que, portanto, nos termos do art. 96 c/c o art. 100, I do CTN, as instruções normativas expedidas pela Receita Federal são normas complementares, com força vinculante, eis que compreendidas no conceito de legislação tributária; que a época do protocolo do "pedido de restituição" (27.08.2004) e das "declarações de compensação" (27.08.2004, 15.09.2004 e 06.10.2004) formulados pela contribuinte, encontravamse em vigor as seguintes normas complementares: IN SRF n° 210, de 30.09.2002; a IN SRF n° 323, de 24.04.2003; e, a IN SRF n° 432, de 22.07.2004; que, todavia, o "pedido de restituição" e as "declarações de compensação" que se encontram às fls. fls. 01/09 destes autos e nas primeiras folhas dos apensados de n° 10735.002462/200462, 10735.002638/200486 e 10735.002639/200421, não atendem aos requisitos formais e substanciais previstos na legislação para que sejam tratados de acordo com o art. 74 da Lei no 9.430/1996; que a regra enunciada pelo art. 2° da então vigente IN SRF n° 432/2004, em consonância com o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, determinava que o sujeito passivo que apurasse crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 6 9 restituição ou de ressarcimento, e que desejasse utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, deveria encaminhar à SRF, respectivamente, Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.4.; que a consoante se percebe, o próprio caput do art. 74 já estabelecia, com clareza, que somente poderiam ser submetidos à apreciação da SRF, pedidos de restituição e declarações de compensação referentes a tributos e contribuições por ela mesma administrados, razão pela qual o fundamento legal apontado pela autoridade administrativa foi a "cabeça" do dispositivo; que a configuração jurídica do pedido de restituição e da declaração de compensação estabelecida pelo art. 74 da Lei 9.430/1996 e regulamentada pelas normas complementares estava condicionada, assim, à verificação de dois requisitos de existência: (i) quanto ao objeto do pedido, consistente em débitos e créditos originários de tributos ou contribuições administrados pela SRF, e (ii) forma prescrita em lei, qual seja, apresentação de Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.4.; que eventuais pedidos e declarações apresentados com a ausência de qualquer um desses requisitos, por decorrência lógicojurídica, levaria à inarredável impossibilidade de se admitilos; que não se trata de aplicação retroativa da Lei n° 11.051/2004, como quer fazer crer a manifestante, mas de observância dos dispositivos legais já vigentes à época em que a contribuinte apresentou seu "pedido de restituição' e "declarações de compensação" ao Fisco. O empréstimo compulsório cobrado dos consumidores de energia elétrica, cuja contrapartida a Eletrobrás contraiu Obrigações das quais a contribuinte se intitula credora neste processo, não é tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, e, nos termos do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, cuja redação não foi alterada pela Lei n° 11.051/2004, não poderia ser objeto do pedido formulado; que a manifestante alegue que à época do recolhimento do empréstimo compulsório ainda não havia sido instituído o Darf, o que veio a ocorrer pela IN SRF n° 37, de 29.10.1974 e não pela IN SRF n° 81/1996, como mencionou a contribuinte, tal fato é irrelevante, pois não resta desnaturada a condição de que somente receitas arrecadadas mediante tal documento é que seriam passíveis de pedido de restituição mediante formulário e não por meio de pedido e transmissão eletrônicos de dados, via Internet; que a alegação de que não é possível exigir a multa isolada prevista no art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, este processo administrativo não é o foro adequado para tal debate, uma vez que a mencionada exigência fiscal não é objeto deste procedimento fiscal. Portanto, não se formando a lide, não compete a este órgão julgador manifestarse antecipadamente sobre um lançamento ainda não concretizado; que também não compete a este órgão julgador desautorizar ou não a remessa da representação feita pela autoridade a quo para a Defic lançar a multa isolada. O auditorfiscal fiscal que receber a representação é quem deverá formar o juízo de convencimento para efetuar ou não o lançamento que, se vier a ocorrer, poderá ser impugnado e, assim, ser submetido à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que no que tange às argüições de inconstitucionalidade da legislação que levou à formação dos débitos informados pela contribuinte, ainda que fossem tratados como valores regularmente confessados e constantes de uma declaração de compensação, o que não o são, não competiria às autoridades administrativas, com base em alegação de suposta afronta à Constituição, deixar de aplicar atos normativos regularmente postos e vigentes no ordenamento jurídico; que compete às Turmas de AuditoresFiscais lotados nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar, em primeira instância administrativa, os processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, aferindo se as exigências efetuadas pelas autoridades lançadoras estão em conformidade com a lei e com as demais normas complementares à legislação tributária, não lhes cabendo julgar alegações acerca da inconstitucional idade de referidos atos normativos, eis que se configuraria usurpação das atribuições do Poder Judiciário; que, portanto, ainda que os formulários apresentados fossem considerados uma regular declaração de compensação, não poderiam as autoridades fiscais, sob o fundamento de inconstitucionalidade, exonerar parcela dos valores informados. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2000, 15/03/2000, 14/04/2000, 15/05/2000, 15/06/2000, 14/07/2000, 15/08/2000, 15/09/2000, 13/10/2000, 14/11/2000, 15/12/2000, 15/01/2001, 15/02/2001, 15/03/2001, 12/04/2001, 15/05/2001, 15/06/2001, 13/07/2001, 15/08/2001, 14/09/2001, 15/10/2001, 14/11/2001, 14/12/2001, 31/07/2002, 30/08/2002, 15/01/2003, 28/02/2003, 14/03/2003, 31/03/2003, 15/04/2003, 14/11/2003, 15/12/2003, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/08/2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Constando da decisão recorrida que seu fundamento legal é o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, fica afastada a caracterização de cerceamento do direito de defesa por falta de identificação do inciso ou parágrafo do dispositivo. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. RAZÕES IMPUGNATÓRIAS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao julgador apreciar razões impugnatórias relativas a lançamento estranho ao processo em discussão. DECISÃO. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. ENDEREÇO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. As decisões proferidas pela Administração Tributária são encaminhadas à ciência do contribuinte via postal, modalidade de intimação que deve ser endereçada, obrigatoriamente, a seu domicílio tributário. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE JURISDICIONAL. Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 7 11 O controle de constitucionalidade de atos normativos é da competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise da legalidade da autuação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2000, 15/03/2000, 14/04/2000, 15/05/2000, 15/06/2000, 14/07/2000, 15/08/2000, 15/09/2000, 13/10/2000, 14/11/2000, 15/12/2000, 15/01/2001, 15/02/2001, 15/03/2001, 12/04/2001, 15/05/2001, 15/06/2001, 13/07/2001, 15/08/2001, 14/09/2001, 15/10/2001, 14/11/2001, 14/12/2001, 31/07/2002, 30/08/2002, 15/01/2003, 28/02/2003, 14/03/2003, 31/03/2003, 15/04/2003,14/11/2003, 15/12/2003, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/08/2004 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LEI 9.430/1996. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. AUSÊNCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. É considerado não formulado o pedido de restituição e não declarada a compensação que não atendam aos requisitos formais e substanciais previstos no caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, bem como aqueles constantes das Instruções Normativas n°s. 210/2002, 323/2003 e 432/2004. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMAS COMPLEMENTARES. FUNDAMENTO DE VALIDADE. CAPUT DO ART. 74 DA LEI 9.430/1996. LEI 11.051/2004. APLICAÇÃO RETROATIVA. INOCORRÊNCIA. O disciplinamento do procedimento de restituição e compensação contido nas Instruções Normativas n°s. 210/2002, 323/2003 e 432/2004, normas complementares da legislação tributária, tem como fundamento de validade o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, razão pela qual não há que se falar em aplicação retroativa da Lei n° 11.051/2004 que, ademais, apenas explicitou o comando que já se extraía da interpretação do referido dispositivo legal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 15/02/2000, 15/03/2000, 14/04/2000, 15/05/2000, 15/06/2000, 14/07/2000, 15/08/2000, 15/09/2000, 13/10/2000, 14/11/2000, 15/12/2000, 15/01/2001, 15/02/2001, 15/03/2001, 12/04/2001, 15/05/2001, 15/06/2001, 13/07/2001, 15/08/2001, 14/09/2001, 15/10/2001, 14/11/2001, 14/12/2001, 31/07/2002, 30/08/2002, 15/01/2003, 28/02/2003, 14/03/2003, 31/03/2003, 15/04/2003, 14/11/2003, 15/12/2003, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/08/2004 EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS. CAUTELAS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. ART. 74 DA LEI 9.430/1996. INAPLICABILIDADE. Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 As Cautelas de Obrigações referentes a empréstimo compulsório cobrado em conta mensal de consumo de energia elétrica são administrados pela Eletrobrás, inexistindo previsão legal para serem utilizadas em compensação tributária, razões pelas quais não se sujeitam à sistemática prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Compensação não Declarada Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 14/05/2008, conforme Termo constante à fl. 712, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (21/05/2008), o recurso voluntário de fls. 649/689, instruído pelos documentos de fls. 690/755, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase da manifestação de inconformidade, reforçado pelas seguintes considerações: que a recorrente, apresentou administrativamente junto ao órgão da Secretaria da Receita Federal pedido de restituição de Empréstimo Compulsório referente debêntures emitidas pelas Centrais Elétricas Brasileiras, cumulada com declaração de compensação com débitos federais que a recorrente possuía; que a Delegacia Colegiada de Julgamento de São Paulo, emitiu decisão, e sem analisar todos os argumentos mencionados na defesa, não homologou a declaração de compensação efetuada; que da nulidade do julgamento de 1° instância em virtude do não enfrentamento de todas as questões suscitadas no recurso de 1° instância. Portanto, na defesa interposta pela recorrente à Delegacia Colegiada, foi alegado que a Secretaria da Receita Federal quando da emissão do despacho, não entregou cópia completa da documentação que se funda a pretensão, conforme item 2 da defesa, às fls. 21 da defesa; que requerse, desta forma, novo julgamento pelo ilustre julgador da Delegacia de julgamento de São Paulo, SPO I, com o escopo de obter decisão administrativa de 1° instância que enfrente o fato do contribuinte não ter acesso a toda documentação necessária ao desenvolvimento de sua linha de defesa, bem como a hierarquia da Lei ordinária n° 9.430/96 sobre a instrução normativa n° 432/2004, sob pena de nulidade da decisão; que da compensação realizada, ou seja, alega a Delegacia de Julgamento que as Eletrobrás trazidas pela recorrente na utilização da compensação, não servem para compensação em razão do artigo 170 do CTN; que o direito de compensar é decorrência natural da garantia dos direitos de crédito, combinada com o princípio constitucional da isonomia. Absurdo pretender de alguém, sendo devedor, e também credor, da mesma pessoa, pudesse exigir daquela o pagamento de seu crédito, sem que estivesse também obrigado a pagar o seu débito. A compensação é na verdade um efeito inexorável das obrigações jurídicas; que assim, a jurisprudência vem entendendo a possibilidade de utilização de créditos decorrentes de empréstimo compulsório, na compensação tributária, como forma de extinção do crédito tributário; que da liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação administrativas, portanto, alega a Delegacia de Julgamento que os supostos créditos não Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 8 13 possuem liquidez e certeza e até mesmo não podem ser sequer submetidos a utilização em garantia de processos de execuções fiscais; que, desta forma, o direito material aplicável permite que a executada ofereça a penhora título de crédito, ou seja, as debêntures emitidas pela Eletrobrás, não obstante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça; que da inconstitucionalidade da cobrança dos valores declarados na DCOMP, sendo assim, na defesa apresentada, foi alegado que não obstante os débitos de PIS e da COFINS terem sido declarados para compensação, em sua base de cálculo contém valores tidos por inconstitucionais; que a Delegacia de Julgamento de São Paulo, alega que não cabe ao órgão de julgamento administrativo analisar questões relacionadas a inconstituciona1idade das normas; que não corroboramos com este entendimento da E. Delegacia, isto porque entendemos que o Tribunal Administrativo poder deixar de aplicar lei, desde que a entenda inconstitucional; que, desta forma, o órgão administrativo de julgamento não apreciou a matéria de inconstituciona1idade de PIS e da COFINS declarada no período de 01/2000 à 11/2004, conforme alegações na defesa às fls. 66 em diante, devendo, pois ser apreciada por este E. órgão; que da ausência de fundamentação da questão relacionada a multa isolada, neste sentido, a Delegacia de Julgamento ausentase de analisar as questões suscitadas pela recorrente sobre a inaplicabilidade da Multa isolada, alegando que foge da sua competência de análise. No entanto, ausentase de fundamentar em qual norma estaria a Delegacia de Julgamento de São Paulo, desobrigada da análise sobre a incidência ou não da multa isolada ao presente caso; que ao não fundamentar a possibilidade de sua "omissão" no julgamento sobre a incidência ou não de eventual multa isolada, fere a Delegacia de Julgamento o princípio da motivação e da fundamentação do ato administrativo, devendo o julgado ser declarado NULO por esta Corte Administrativa; que da compensação efetuada como extinção do crédito tributário do prazo, portanto, alega a delegacia de julgamento colegiado que o suposto crédito deveria ser habilitado até 26/04/2003 e que assim teria havido no caso concreto a decadência do direito; que não se pode esquecer que, quando do lançamento dessas obrigações no mercado interno, o cidadão, ora contribuinte, acreditou no Governo, entregou seu dinheiro, por meio do recolhido empréstimo compulsório e fez tudo isso, jamais cogitando da possibilidade de, algum dia, ainda que num futuro distante, fosse alvo de um calote oficial. que requer seja conhecido e provido o presente recurso para o fim de analisar as questões preliminares referente a nulidade do julgamento da Delegacia de Julgamento de São Paulo, em virtude da sua ausência da análise de todas as questões de defesa suscitadas no recurso em face de despacho decisório da Secretaria da Receita Federal de São Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 Paulo, remetendo os autos novamente a Delegacia de Julgamento de São Paulo, para proceder novo julgamento; que caso eventualmente não seja este o entendimento deste E. Conselho, requer seja conhecido e provido o presente recurso para o fim de deferir o pedido de restituição e homologar a declaração de compensação em razão das alegações trazidas pela recorrente neste recurso dirigido ao Conselho de Contribuintes, ou ainda, deferir perícia contábil, convertendo o julgamento em diligência, com o escopo de demonstrar que valores inconstitucionais compuseram a base de cálculo do PIS e da COFINS (cumulativa nos moldes da Lei 9.718/98 e não cumulativa nos molde da Lei 10.637102 e 10.833103) no período objeto da compensação, para o fim de se realizar JUSTIÇA. É o relatório. Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente processo de Pedido de Restituição, no valor de R$ 8.680.012,15, formulado pela interessada e protocolizado em 27/08/2004, com base na Cautela de Obrigações da Eletrobrás n° 0000708867 (079303), emissão de 1976, trazida por cópia acompanhada da dos laudos da atualização monetária e do exame, documentoscópico, de parecer de tributarista, de julgados judiciais a título de exemplo e de variada legislação (fls. 01/183). Vinculadas ao presente processo as declarações de compensação: (a) protocolizadas junto com o pedido de restituição, em 2710812004, na DRF/Nova Iguaçu/RJ; (b) protocolizadas na mesma Delegacia em 15/09 e 06/10/2004 e objeto dos processos n°s 10735.0024621200462, 10735.0026381200486 e 10735.0026391200421, que juntados foram encaminhados a esta DERAT/SPO para prosseguimento em virtude do domicílio fiscal da interessada; (c) geradas eletronicamente a partir do programa PER/DCOMP, de n°s representados pelos algarismos finais 3666, 6320 e 0026 e transmitidas à RFB em 11/11 e 09/12/2004, nas quais a interessada declara os débitos nos valores e períodos de apuração, a saber: a) COFINS (cód. 2172), R$ 3.872.173,61 de 01 a 12/2000, 01 a 12/2001, 01, 07 a 12/2002, 02, 03,10 a 12/2003; PIS (cód. 8109), R$ 850.729,52 de 01 a 12/2000, 01 a 12/2001, 01, 08 a 12/2002, 02, 03, 10 a 12/2003 (fls. 02/9); b) COFINS (cód. 2172), R$ 599.652,47 de 07 e 08/2002, 02 e 03/2003, 03 a 06/2004; PIS (cód. 8109), R$ 26.662,15 de 02 e 03/2003 e 06/2004; COFINS NãoCumulativa (cód. 5856), R$ 54.161,72 e PIS NãoCumulativo (cód. 6912), R$ 13.663,23 de 08/2004 (fls. 195/6 e 01 dos processos juntados); c) COFINS Não Cumulativa (cód. 5856), R$ 67.804,62 de 09 e 10/2004; PIS NãoCumulativo (cód. 6912), R$ 28.354,11 de 09 a 11/2004; COFINS (cód. 2172), R$ 36.480,22 de 11/2004 (fls. 381192). Da análise dos autos, constatase que o Despacho Decisório (fls. 408/412) não reconheceu o direito creditório baseado na seguinte argumentação: que é inadmissível a restituição de suposto crédito derivado de título denominado Cautela de Obrigações, referente ao empréstimo compulsório à Eletrobrás cobrado na conta mensal de consumo de energia elétrica, por não tratar de tributo ou contribuição administrados pela RFB nem de receita arrecadada por DARF, passível de restituição ou ressarcimento por esse órgão; que o pedido de restituição e a declaração de compensação somente podem ser efetuados em formulário pelo contribuinte, em vez de gerados eletronicamente a partir do programa PER/DCOMP e transmitidos à RFB pela Internet, à exceção das hipóteses mencionadas na legislação, fora das quais é considerado não formulado o pedido de restituição e não declarada a compensação (IN/SRF n° 432/2004, arts. 2º ao 4°). Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Inconformada a requerente apresentou a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, a qual não reconheceu a pretensão da contribuinte sob os seguintes fundamentos básicos: que constando da decisão recorrida que seu fundamento legal é o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, fica afastada a caracterização de cerceamento do direito de defesa por falta de identificação; do inciso ou parágrafo do dispositivo. que é vedado ao julgador apreciar razões impugnatórias relativas a lançamento estranho ao processo em discussão; que as decisões proferidas pela Administração Tributária são encaminhadas à ciência do contribuinte via postal, modalidade de intimação que deve ser endereçada, obrigatoriamente, a seu domicílio tributário; que o controle de constitucionalidade de atos normativos é da competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise da legalidade da autuação fiscal; que é considerado não formulado o pedido de restituição e não declarada a compensação que não atendam aos requisitos formais e substanciais previstos no caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, bem como aqueles constantes das Instruções Normativas n°s. 210/2002, 323/2003 e 432/2004; que o disciplinamento do procedimento de restituição e compensação contido nas Instruções Normativas n°s. 210/2002, 323/2003 e 432/2004, normas complementares da legislação tributária, tem como fundamento de validade o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, razão pela qual não há que se falar em aplicação retroativa da Lei n° 11.051/2004 que, ademais, apenas explicitou o comando que já se extraía da interpretação do referido dispositivo legal; que as Cautelas de Obrigações referentes a empréstimo compulsório cobrado em conta mensal de consumo de energia elétrica são administrados pela Eletrobrás, inexistindo previsão legal para serem utilizadas em compensação tributária, razões pelas quais não se sujeitam à sistemática prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Inconformada com a decisão, da autoridade julgadora, a recorrente apresenta a sua peça recursal alicerçada nas mesmas considerações apresentadas na peça de manifestação de inconformidade acrescida de preliminar de nulidade da decisão recorrida. Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, argüida pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, já que a autoridade teria deixado de se manifestar sobre o não enfrentamento de todas as questões suscitadas no recurso de 1° instância, já que na defesa interposta, foi alegado que a Secretaria da Receita Federal quando da emissão do despacho, não entregou cópia completa da documentação que se funda a pretensão, conforme item 2 da defesa, às fls. 21 da defesa, sou pela rejeição pelos motivos abaixo expostos. Como se vê do relatório, no entendimento da suplicante a decisão de Primeira Instância teria deixado de se manifestar sobre pontos questionados na peça de manifestação de inconformidade, em razão disso, entende ser nula a decisão recorrida, eis que atenta contra a garantia do devido processo legal e o direito de ampla defesa do contribuinte. Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 10 17 Da análise dos autos, verificase que o ponto central do litígio está restrito ao Pedido de Restituição, no valor de R$ 8.680.012,15, formulado pela interessada e protocolizado em 27/08/2004, com base na Cautela de Obrigações da Eletrobrás n° 0000708867 (079303), emissão de 1976, trazida por cópia acompanhada da dos laudos da atualização monetária. Ora, com todas as vênias, por qual razão se deveria analisar uma legislação tributária que nada tem haver com a solicitação em questão. Assim, não restam dúvidas, nos autos, que a discussão se restringe sobre a natureza do crédito das cautelas de obrigações da Eletrobrás, qual seja: Estes créditos tem ou não natureza tributária? A Secretaria da Receita Federal do Brasil é o órgão responsável pela devolução destes créditos? Na análise da comparação entre os fundamentos constantes no pedido de restituição e os fundamentos constantes da peça decisória, não vislumbro nenhuma desconsideração ou inovação, por parte da autoridade julgadora, do conteúdo fundamental pela qual a autoridade administrativa indeferiu o pedido. A preliminar levantada pela suplicante, data vênia, não tem nenhum cabimento, por qualquer ângulo que se pretende analisála. Acolher da forma como foi suscitada, seria atrelar o julgador à estrita vontade da autoridade lançadora, autoridade administrativa ou à vontade do autuado. Ou seja, a autoridade julgadora seria obstada de fundamentar a sua própria decisão com base em textos legais ou de emitir juízo próprio, deste que, evidentemente, não contrário à lei. Assim sendo, entendo que não se deva dar razão a suplicante, já que a decisão de Primeira Instância apreciou de forma circunstancial todos os fatos e desdobramentos contidos na imputação feita e objeto de resistência pela recorrente, com argumentos equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pela suplicante, na fase da manifestação de inconformidade (impugnatória), cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa da impugnante, ou o acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria nulidade da decisão singular. Ora, os autos demonstram claramente, o despacho decisório acompanhada da descrição dos fatos, a decisão de Primeira Instância, é cristalina, e se manifesta sobre os principais argumentos apresentados pela suplicante em sua peça de manifestação de inconformidade. Estes são os principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela decisão de Primeira Instância, talvez, não a contento da suplicante, ou seja, o resultado não foi como a suplicante gostaria que fosse. No meu entender, não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, embasando a sua opinião em teorias jurídicas, textos legais e jurisprudenciais, principalmente, os que não teriam o poder de modificar a decisão da questão discutida, qual seja, as Cautelas de Obrigações da Eletrobrás são ou não de natureza tributária. Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 É evidente, que o artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, arrola a incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos atos praticados no curso do processo fiscal. Da mesma forma, é evidente, que a obediência plena ao direito de defesa, igualmente prescrito no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Não obstante, a infinidade de situações suscetíveis de ser compreendida no significado da expressão preterição do direito de defesa, ou do direito de ampla defesa é de tal amplitude que se faz necessário distinguir quando existe a falta de apreciação de prova ou argumento de defesa, bem como quando existe inovação no fundamento do lançamento, seja por inovação dos fundamentos legais, seja por alteração dos valores lançados. Os artigos 29 e 30, do Decreto n.º 70.235, de 1972, dizem respeito à liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas, respectivamente. É claro, que essa liberdade, no entanto, não autoriza o julgador, ao seu talante, deixar de apreciálas, pois isso certamente acarretará cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, devese ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de alguma questão levantada pela impugnante, não necessariamente dá origem à preterição do direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa. Para que flore o cerceamento do direito de defesa, que seria uma condicionante para a nulidade da decisão de Primeira Instância, se faz necessário que esta questão tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório, não pode ser alegação por alegação, sem nenhuma importância no fato discutido. Como da mesma forma, o acréscimo de algum esclarecimento sem prejudicar a discussão, não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância, baseado no entendimento que a mesma foi proferida dentro dos parâmetros legais, abrangendo os fatos importantes relatados pela suplicante. Por fim, é de se dizer, que os supostos créditos que a contribuinte pretende restituir seriam originários do empréstimo compulsório à Eletrobrás cobrado na conta mensal de consumo de energia elétrica (Lei n° 4.156, de 1962, art. 4º), consubstanciado em Cautela de Obrigações, não se tratando, portanto, de tributos e contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Embora a suplicante alegue que à época do recolhimento do empréstimo compulsório ainda não havia sido instituído o Darf, o que veio a ocorrer pela IN SRF n° 37, de 29/10/1974 e não pela IN SRF n° 81, de 1996, como mencionou a contribuinte, tal fato é irrelevante, pois não resta desnaturada a condição de que somente receitas arrecadadas mediante tal documento é que seriam passíveis de pedido de restituição mediante formulário e não por meio de pedido e transmissão eletrônicos de dados, via Internet. Também não se aproveita a contribuinte da segunda exceção, uma vez que esse suposto crédito, à evidência, não estavam sob administração da SRF, inexistindo autorização em lei para que ela pudesse ser usada para compensar tributos e contribuições federais. À vista da legislação federal que rege esses títulos, sobretudo o § 11 do art. 4° da Lei n° 4.156, de 1964 e art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, tais obrigações não seriam Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10735.002298/200493 Acórdão n.º 1402001.554 S1C4T2 Fl. 11 19 mais exigíveis (restituíveis) à época da apresentação dos pedidos, uma vez que o prazo máximo para o consumidor de energia elétrica resgatálas seria de cinco anos, contados da data de seu vencimento que, a teor do que declara a própria manifestante às fls. 01, seria em 27/04/1998. Ademais, matéria já pacificada neste Tribunal Administrativo através da Súmula CARF nº 24: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10380.003719/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento deste processo, para que seja juntado ao processo principal n. 10380.001968/2005-01.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes Presidente
(assinado digitalmente)
Benedicto Celso Benício Júnior Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Decidem os membros da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento deste processo, para que seja juntado ao processo principal n. 10380.001968/200501. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Por bem representar os fatos que circundam a presente discussão, reproduzo, adiante, com pontuais ajustes, o relatório que frondeia o aresto recorrido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 03 71 9/ 20 05 -4 1 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10380.003719/200541 Resolução nº 1101000.048 S1C1T1 Fl. 3 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls.09/20, o qual lhe exige a importância de R$ 280.708,12, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, correspondente a fatos geradores trimestrais nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, já acrescidos da multa de oficio de 75% e juros de mora à época do pagamento. Os autos de infração em questão tiveram como suporte fático infração abaixo transcrita: RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Tendo em vista a exclusão do SIMPLES da referida empresa, de acordo com o Ato Declaratório Executivo n° 22, de 11/03/2005, a partir do anocalendário de 2000 até 2002 e, tendo em vista que o contribuinte não possui escrituração contábil, procedeuse ao arbitramento do lucro, que terá como base o valor das vendas de mercadorias constantes de seus livros fiscais, relativas aos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002. Enquadramento Legal: Art. 532 do RIR/99. Em decorrência deste lançamento, foram ainda lavrados Autos de Infração a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 21 a 31), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls.32 a 42) e de Contribuição Social sobre o Lucro CSLL (fls. 43 a 54), nas importâncias de R$ 113.472,41, de R$ 523.721,48 e de R$ 187.803,79, respectivamente, já acrescidas da multa de oficio de 75% e de juros de mora à época do pagamento. Irresignada, a empresa apresentou, representada por procurador (fls. 188) a impugnação de fls. 177 a 187, protocolizada em 06/06/2005, na qual alega, em síntese, o seguinte DOS FATOS Em procedimento fiscal, autorizado pelo MPF2003.008394, junto ao contribuinte ora recorrente, segundo termo de constatação, foram localizados depósitos bancários com movimentação financeira na pessoa física do representante legal da recorrente, ou seja, com movimentação financeira da pessoa jurídica, aqui recorrente, que na época não possuía contas bancárias. Ocorre que a empresa N.R. da Silva, na época, era OPTANTE DO SIMPLES, desde a data de 24/11/1997, apresentando declaração de rendimentos em suas épocas próprias. No entanto, face aos “depósitos e movimentação financeira da pessoa jurídica na conta da pessoa física”, e verificandose divergência entre a declaração apresentada pelo sistema e as discrepâncias encontradas entre o declarado e o apurado pela fiscalização, foi procedido o lançamento de oficio, adotandose como base de cálculo os valores dos depósitos registrados nas contas bancárias da pessoa física, cujos valores, após as exclusões pertinentes, são considerados como originários de receitas provenientes de atividades mercantis. No decorrer da Ação fiscal, constatouse, no anocalendário de 1999, divergência de receita em decorrência da omissão de depósitos bancários no valor de R$1.793.504,45, mediante confronto entre os valores declarados e os constantes dos extratos bancários do Banco HSBC. Considerando tal situação, a empresa estaria indevidamente amparada pelo SIMPLES nos anoscalendário 2000,2001, 2002. Por esta razão, através de ATO DECLARATÓRIO nº 22, de 11/03/2005, EXCLUIUSE a recorrente, a partir do anocalendário de 2000, até 2002, efetivandose, assim, Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10380.003719/200541 Resolução nº 1101000.048 S1C1T1 Fl. 4 3 o arbitramento do suposto lucro, arbitrado pelas vendas de mercadorias constantes de seus livros fiscais, relativos aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Estes são os fatos. A IMPOSSIBILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO A Ilma. Delegada, através do Ato Declaratório nº 22, expedido na data de 11 de março de 2005, e recebido pelo solicitante na data de 06.04.2005, excluiu esta do SIMPLES. A empresa vem através do presente apresentar suas razões, com intuito de que seja revista a exclusão de que trata o presente ato, haja vista os motivos aqui elencados e o iminente prejuízo que poderá ocorrer ao solicitante em razão da injustiça praticada. O agente do fisco, no procedimento de fiscalização junto ao Auto de Infração lavrado contra o solicitante, informa que este ultrapassou o limite de R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) de faturamento, conforme levantamento efetivado nos autos do processo administrativo de nº 10380.001968/200501. Nas alegações, ressalta que o solicitante não havia declarado todas as receitas oriundas da revenda de mercadorias (produtos hortifrutigranjeiros), partindo de suas constatações descritas no Termo de constatação e dos Demonstrativos dos Depósitos Bancários na conta corrente 7.369x, agência 2879, do Banco do Brasil, e conta corrente 1119.02203213, agência 1119 Maracanaú, do HSBC Bank Brasil S.A., relativos ao anocalendário de 1.999, ocorrendo, desta feita, os efeitos da exclusão, considerados a partir da data de 01/01/2000, em obediência ao disposto no art. 15, inc.IV, da Lei 9.317/96. Ocorre que a recorrente jamais deixou de ser optante do SIMPLES. O termo de constatação é um grande equívoco, haja vista que, efetivamente, a empresa não ultrapassou os valores de R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), à época do ano base de 1999 até 2000. Ocorrera um grave equívoco. DA DEFESA DE MÉRITO Conforme pode se testificar, o agente do fisco federal não cumpriu o que determina a Lei 9.317/96, em seu artigo 18. Pelo que se assevera da Lei 9.317/96, não poderia a recorrente ser excluída do SIMPLES na forma que se deu, tampouco ser autuada da mesma forma, haja vista que o princípio da ampla defesa ainda está em vigor na nossa legislação (Carta Magna) e não poderá arear com o ônus de elevada autuação pela EXCLUSÃO de certa forma arbitrária. Em momento algum ocorreu OMISSÃO DE RECEITAS, e a dedução do ilustre fiscal, que culminou no ato ora guerreado, está eivado de equívocos quanto a este fato inicial . Ademais, a empresa jamais teve livros contábeis, até pela sua condição de optante do SIMPLES. Portanto, não poderia "criar estes livros requisitados pela fiscalização se, efetivamente, esta era, como sempre foi, optante pelo regime do SIMPLES. Senão vejamos a seguir. DO SUJEITO PASSIVO O Ato Declaratório e, consequentemente, a lavratura do Auto de Infração deramse pelos motivos supra informados. No entanto, referidos atos ocorreram por conclusões precipitadas e deduções ilógicas, haja vista que o agente do fisco caracterizou como agente passivo da obrigação tributária a recorrente N R DA SILVA. Ou seja, esta difere totalmente daquela constante nos extratos bancários, pois o titular da contas correntes é a PESSOA FÍSICA NASCIMENTO RAIMUNDO SILVA, portador do CPF 250.001.79072, e não a pessoa jurídica, N R DA SILVA, inscrita no CNPJ sob número 02.243.401/000106. JAMAIS a pessoa jurídica pode ser confundida com a pessoa física, pois ambas têm natureza jurídica e objetivos diferentes, seus patrimônios não se confundem, nem tampouco suas obrigações. Não se pode imputar uma obrigação tributária a uma entidade, em Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10380.003719/200541 Resolução nº 1101000.048 S1C1T1 Fl. 5 4 que não se configura a materialização do possível fato gerador do tributo ou do possível ato de infração a legislação tributária. É uma afronta aos princípios constitucionais, fiscais, tributários, previdenciários – enfim, evidentemente violadores de qualquer ramo do direito a que se apresente. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRBUTARJOOMISSÃO DE IP' RECEITA INTERPRETAÇÃO BENIGNA. Os motivos que levaram a se decretar o Ato Declaratório nº 22 e, concomitantemente, acatar o Auto de Infração ora discutido, estão eivados de vícios. Vícios estes que, por si só, anulam o auto ali lavrado e, por via de conseqüência, o ato declaratório. Ou seja, agente do fisco conseguiu o feito de criar uma situação no mínimo duvidosa quanto ao real agente passivo da obrigação tributária, pois os extratos de contas correntes, ÚNICOS ELEMENTOS que formam a base de sustentação do agente fiscal para o encaminhamento da formação de juízo para a decretação do Ato Declaratório de exclusão e o ato de Infração ora guerreado, não pertencem ao contribuinte AUTUADO. Ou seja, se ocorreu a pretensa omissão de receita, deveria o agente fiscal observar os livros de caixa e inventário, vez que se tratava de empresa inscrita no SIMPLES, salvo contrário ocasionando assim absoluto equívoco, passível da mais ampla nulidade. O lançamento de oficio há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que o ensejaram constituem, efetivamente, infração à legislação tributária. Se houver dúvida quanto à correta identificação das circunstâncias e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN. Desta forma, face às consequências que poderão advir em face aos atos praticados (auto de infração e Ato Declaratório), e os efeitos deste, merece absoluta revisão e justiça a serem aplicadas. Portanto, se afigura no caso em tela, pelas PRELIMINARES supra apresentadas de absoluta NULIDADE. DA OMISSÃO DE RECEITAS via EXTRATOS BANCÁRIOS A Movimentação bancária pode representar indicio de capacidade contributiva, mas indícios não é a realidade. Uma pessoa física que em suas declarações afirma receber rendimentos anuais equivalentes a "X", mas movimenta no mesmo período "Y", possivelmente possui capacidade contributiva superior aquela pela qual esta sendo tributada, pode ter omitido rendimentos em sua declaração. O que não é o caso. Não se pode dizer porém, que o "Y" movimentados sejam todos rendimentos tributáveis a serem onerados pela Receita Federal. É comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente na mesma conta, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com retomo integral dos valores para a conta correspondente, etc. (Hugo de Brito). Esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como "RENDIMENTOS", para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado realmente equivale a um rendimento omitido na respectiva declaração. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10380.003719/200541 Resolução nº 1101000.048 S1C1T1 Fl. 6 5 O Tribunal Federal de Recursos TRF, a propósito, através de sua SÚMULA 182, consolidou o entendimento segundo o qual: "É ILEGÍTIMO O LANÇAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA ARBITRADO COM BASE APENAS EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS". A Câmara Superior de Recursos Fiscais, última instância no julgamento de processos administrativos tributários federais, manifestouse sobre a questão nos seguintes termos: "IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS existência de depósitos bancários em montante incompatível com os dados da declaração de rendimentos, por si só não é fato gerador de impostos de renda. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de rendimentos, RECURSO PROVIDO." É de se ressaltar, porém, que uma Lei não pode mudar a necessidade de fundamentação concreta e comprovada da ocorrência do fato gerador, pois essa exigência decorre da própria natureza da fundamentação do ato administrativo, e ainda dos elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte. E mais, como será adiante desenvolvido essa exigência decorre da natureza do lançamento tributário que é atividade privativa da administração. Aliás, importa lembrar que o exame dessa questão pelo extinto Tribunal Federal de Recursos deuse exatamente a luz da natureza da atividade de lançamento e dos elementos necessários ao exercício do direito de defesa por parte do contribuinte: "Tributário. IR. Lançamento de Oficio. Presunção. Depósito Bancário, Sinais Exteriores da Riqueza." I "É ilegítimo o lançamento de oficio do imposto de renda, tomandose como renda SIMPLES existência de depósito bancário."(EAC 72.975 R.I, rel. Min. Justino Ribeiro, 20 edição, 04.11.82). II A presunção hominis adotada pela autoridade lançadora pode ser elidida. mediante demonstração de que os indícios utilizados pela administração são insuficientes para evidenciar a ocorrência do fato gerador, pois mera presunção não permite a instauração de processo fiscal". (MS 72.745SP, rel. Min. Otto Rocha, 1° T25.08.1975." Isso reforça a contestação de que, ainda que a Lei nº 9.430/96 afirmasse que a mera existência de um depósito bancário sem outro dado exterior que comprove omissão de rendimentos, autoriza a tributação pelo Imposto de renda e transfere o ônus de prova em contrário para o contribuinte, essa norma seria inválida. Isso porque o fato meramente alegado ou cuja ocorrência não é demonstrada, Simplesmente não tem o condão de obrigar o contribuinte aqui autuado. Essa é a lição de Marco Aurélio Grecco, ao afirmar que, nesses casos o ônus do contribuinte: "(...) Não é o de produzir prova negativa ou prova impossível, mais sim o de demonstrar que a exigência feita padece de vicias, dentre os quais pode se encontrar o de não Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10380.003719/200541 Resolução nº 1101000.048 S1C1T1 Fl. 7 6 ter a administração realizada prova suficiente da ocorrência do fato gerado do tributo.' Esse entendimento aliás, harmonizase com aquele sempre adotado pelo Poder Judiciário, segundo o qual o que estaria vedado ao fisco seria o lançamento baseado exclusivamente em depósitos bancários, vedação que, por decorrer da Constituição e não das leis, continua existindo independentemente do que dispõe a Lei nº 9.430/96. PEDIDO Desta forma, demonstrando absoluta e incompreensível inconformação, com o Auto de Inflação aplicado, vem a Impugnante requerer justiça haja vista acreditar que não deva subsistir a autuação defendida, tão pouco a exclusão aqui guerreada face a flagrante nulidades ali apontadas, as próprias alegações do agente fiscal e justificação da recorrente. Não merece prosperar o Auto de Infração por completamente insubsistente, pois jamais poderia o auditor fiscal equiparar o solicitante (Pessoa Jurídica) à Pessoa Física, e ainda basear toda a autuação em depósitos bancários de outra personalidade jurídica e por fim com isto efetivar tamanhos equívocos e iminentes prejuízos incalculáveis. Em face de todo o exposto requer que se digne de tornar insubsistente o presente auto de infração, como prática da mais lídima justiça, é o que requer. Protesta provar o alegado por todos os meios, de prova permitidos, inclusive juntada posterior de documentos e perícias se necessário. Em sede de julgamento, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE manteve integralmente os lançamentos, segundo arguições que assim acabaram ementadas: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002. Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DE LUCROS. INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. CABIMENTO. A inexistência de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal impõe o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002. Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10380.003719/200541 Resolução nº 1101000.048 S1C1T1 Fl. 8 7 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Lançamento Procedente.” Cientificado da decisão recorrida em 04/05/2006 (fl. 214), interpôs o contribuinte, tempestivamente, o Recurso Voluntário em apreço (fls. 215 e ss.), agitando ilações idênticas às aventadas em grau inferior. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamentos de IRPJ, de um lado, e dos tributos reflexos – CSLL, PIS e COFINS –, de outro, amparados em arbitramento do lucro da autuada, naquilo que concerne aos trimestres dos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002. Consoante explanado no corpo das peças imputacionais e no acórdão recorrido, as exigências presentemente formatadas derivaram da apuração, no bojo do Processo Administrativo n. 10380.012387/200413, de depósitos bancários não contabilizados, atinentes a receitas presumidamente sonegadas pela recorrente, mantidas em contascorrentes do titular pessoa física da empresa. Em decorrência desta averiguação, lavraramse, naquela oportunidade, autos de infração destinados a exigir os tributos incidentes aos rendimentos creditados junto a instituições financeiras nacionais, não declarados à Receita Federal. Simultaneamente, empreendeuse o desenquadramento da autuada perante o Simples Federal, desde o anobase de 2000, em razão da aferição de receita bruta superior àquela maximamente admitida pela Lei nº 9.317/96. Entendemos que o julgamento do presente processo de forma independente dos demais processos, todos resultantes do Processo Administrativo n. 10380.012387/200413, pode acarretar incongruência e contradições malfazejas à processo administrativo fiscal. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10380.003719/200541 Resolução nº 1101000.048 S1C1T1 Fl. 9 8 Por essas razões, voto pelo encaminhamento dos autos deste processo, para a juntada ao processo principal n. 10830.001968/200501. Sala das Sessões, em 12 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.908022/2009-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 80 22 /2 00 9- 53 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908022/200953 Acórdão n.º 9303002.582 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908022/200953 Acórdão n.º 9303002.582 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10073.900579/2008-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/02/2003 a 20/02/2003
IPI. BASE DE CÁLCULO. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. NORMA LEGAL VIGENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO DE ILEGALIDADE.
Na saída de produto importado, a qualquer título, para sociedades interdependentes, a base de cálculo será o valor tributável mínimo (art. 15 da Lei nº 4.502, de 1964). Não padece de vício de ilegalidade norma do RIPI que tenha amparo na lei do antigo imposto de consumo.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO.
No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação da sua livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Em decorrência, não há vício de legalidade na decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para justificar o indeferimento do pleito de realização de nova prova pericial, mormente se esta se mostra despicienda.
Numero da decisão: 3802-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro relator.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Sustentação oral pela recorrente Dr. Carlos Renato Vieira, OAB/RJ 144.134.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/02/2003 a 20/02/2003 IPI. BASE DE CÁLCULO. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. NORMA LEGAL VIGENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO DE ILEGALIDADE. Na saída de produto importado, a qualquer título, para sociedades interdependentes, a base de cálculo será o valor tributável mínimo (art. 15 da Lei nº 4.502, de 1964). Não padece de vício de ilegalidade norma do RIPI que tenha amparo na lei do antigo imposto de consumo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação da sua livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Em decorrência, não há vício de legalidade na decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para justificar o indeferimento do pleito de realização de nova prova pericial, mormente se esta se mostra despicienda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 05 79 /2 00 8- 78 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Sustentação oral pela recorrente Dr. Carlos Renato Vieira, OAB/RJ 144.134. Relatório O contribuinte PEUGEOTCITROËN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0931.441, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o presente processo da DCOMP n° 15829.30009.091204.1.3.040844, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido do IPI no valor original de R$216.618,51, oriundo de recolhimento efetuado em 27/02/2004, no valor de R$245.966,63, relativo ao segundo decêndio de fevereiro de 2004. A apuração e o recolhimento são referentes ao estabelecimento 67.405.936/000416. A verificação da legitimidade dos créditos alegados foi efetuada pela unidade de origem, que intimou a contribuinte a identificar e comprovar o crédito oriundo do pagamento indevido do IPI (fls. 21/23). Em atendimento, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 24/77, informando, em resumo, que: a) quando de sua chegada ao Brasil, adotou a estratégia de vender veículos a preços inferiores ao valor da importação; b) não obstante, "realizou indevidamente o estorno dos créditos do IPI importação proporcionalmente à diferença entre os valores de entrada e saída" (historiados como estornos ref. valor tributável mínimo); c) em razão desses estornos indevidos, apurou e efetuou recolhimentos de valores a maior do IPI, visto não terem sido deduzidos os créditos escriturais pertinentes; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.900579/200878 Acórdão n.º 3802002.366 S3TE02 Fl. 112 3 d) posteriormente (em 2004), ciente do equívoco cometido, decidiu recuperar os créditos estornados mediante a apresentação de DCOMPs, sem lançálos no RAIPI. A Saort/DRF/Volta Redonda/RJ analisou as informações/documentos apresentados, mas não reconheceu o direito ao crédito. Fundamentou o indeferimento, essencialmente, nas seguintes razões: o procedimento adotado pela interessada, de vender os veículos importados por preço inferior ao custo de aquisição, não encontra respaldo na legislação do IPI (valor tributável mínimo); no tocante ao valor alegado como pagamento indevido, argumentou que a contribuinte não comprovou a redução do valor do saldo devedor do IPI originalmente apurado, única forma de comprovar ter sido indevido o pagamento efetuado (na sua totalidade). Concluiu que o procedimento adotado pela contribuinte não se enquadra na sistemática da restituição de pagamento indevido prevista no artigo 165 do CTN, do que resultou o nãoreconhecimento do direito creditório. Por conseguinte, a compensação declarada resultou não homologada. É o que se extrai do Despacho Decisório de fls. 79/82. Insurgiuse a interessada contra o indeferimento de seu pleito apresentando manifestação de inconformidade (fls. 91/120). Em preliminar, requereu a nulidade do Despacho Decisório por falta de motivação para o indeferimento do pleito, o que acarretou prejuízo à defesa da Impugnante. No mérito, apresentou as seguintes razões, em apertada síntese: i. suscitou a ilegalidade do artigo 136 do RIPI/2002, que exige a observância de um valor tributável mínimo, quando confrontado aos artigos 46 e 47 do que definem a base de cálculo do IPI; ii. que é imperiosa a manutenção dos créditos escriturais, indevidamente estornados, em razão do princípio da nãocumulatividade e da capacidade contributiva; iii. que é inequívoca a existência dos estornos indevidamente efetuados, e, por consequência, dos créditos utilizados nas compensações declaradas; iv. ao final, requer a realização de diligência para confirmar o valor dos créditos estornados como ajustes ao valor tributável mínimo, bem como a vinculação desses estornos com a diferença entre os valores de entradas e saídas dos veículos importados. Apesar de a contribuinte ter apresentado alguns documentos em atendimento à intimação da unidade de origem, deixou de apresentar a cópia do RAIPI relativo ao período de apuração para o qual solicitou a restituição (202/2004). O processo foi, então, baixado em diligência por intermédio do despacho de fl. 147. Em atendimento, foi juntado aos autos a cópia do RAIPI solicitada (fls. 154/158). Fl. 242DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 É o relatório, no essencial. Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/10/2003 a 20/10/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR QUE O DEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Nos termos das disposições do art. 165 do CTN, não há como reconhecer direito creditório informado como pagamento indevido se não restar comprovado que o valor do pagamento do tributo foi superior ao devido em face da legislação tributária aplicável. Eventual inadequação na forma de tributação do imposto, da qual não resulte pagamento em montante superior ao devido, não enseja direito a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora – DRJ/JFA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da preliminar de nulidade do despacho decisório e do Acórdão recorrido A Recorrente inicia suas razões argüindo nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que o indeferimento da perícia contábil solicitada carecia de fundamentação jurídica, uma vez que, caso este Colegiado entendesse pela não aplicação do Valor Mínimo Tributável (VMT), o seu direito de comprovar o valor dos pertinentes créditos restaria prejudicado. Não merece guarida o argumento inicial da Recorrente, pois a decisão foi proferida em conformidade com o RPAF, que confere à autoridade julgadora de primeira instância a discricionariedade de converter o processo em diligência somente quando entendê la necessária ao deslinde da controvérsia. No presente caso, em consonância com os fundamentos apresentados no voto condutor da decisão recorrida, a Turma de Julgamento de primeira instância considerou absolutamente prescindível a realização da prova pericial requerida pela Interessada, pelas seguintes razões: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.900579/200878 Acórdão n.º 3802002.366 S3TE02 Fl. 113 5 A única prova documental essencial à solução do litígio, a saber, o livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI), já havia sido juntada aos autos; e Não existiam dúvidas quanto aos fatos, haja vista que a controvérsia limitavase a questões eminentemente de direito. Assim, entendo correta a decisão recorrida que considerou desnecessária a realização de nova prova pericial, com respaldo no entendimento que tal prova era despicienda para o deslinde do presente litígio. Igualmente, a suscitada nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação não me parece subsistente, porquanto este, realizado de forma manual, possui forte motivação para rejeição do direito creditório pleiteado (fls. 79 e seguintes). Destaco: (...) A teor do regulamento do IPI, o direito ao crédito é também atribuído ao contribuinte para (RIPI, art. 163, §§ 1° e 2°): 1) anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados; 2) os valores escriturados a título de incentivo, nos casos estabelecidos em lei em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação; 3) o valor do imposto, já escriturado, no caso de cancelamento da respectiva nota fiscal, antes da saída da mercadoria; 4) e ainda o valor da diferença do imposto em virtude de redução de alíquota, nos casos em que (a) tenha havido lançamento antecipado para o momento da venda, quando esta for à ordem ou para entrega futura do produto ou (b) do faturamento, pelo valor integral, no caso de produto cuja unidade não possa ser transportada de uma só vez. (...) O regulamento do IPI estabelece ainda as hipóteses em que o crédito do imposto será anulado, mediante estorno na escrita fiscal (RIPI, art. 193). De outra parte, o regulamento do IPI estabelece um valor tributável mínimo, que, no caso em questão, não deve ser inferior (RIPI, art. 136): I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, tomarseá por base de cálculo (RIPI, art. 137, parágrafo único): I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Como se vê, o procedimento adotado pela interessada de comercializar seus veículos importados por preços inferiores ao custo de aquisição não encontra amparo na legislação do IPI. Além disso, no tocante à argumentação de que vinha lançando o IPI no Demonstrativo de Débitos, como estorno de crédito referente à venda sob valor mínimo, proporcionalmente às vendas que tinham como base tributável um valor inferior à base tributável do mesmo bem, no momento de sua entrada no estabelecimento, a interessada não apresentou qualquer documentação contábilfiscal relativamente ao período de apuração em questão, em que demonstra a recuperação do estorno desse valor como crédito, para reduzir o valor do saldo devedor do IPI daquele período de apuração para zero, o que, por consequência, tornaria indevido o pagamento efetuado. Não obstante, para justificar seu direito creditório, a interessada alega que, ao invés de proceder à recuperação do estorno de créditos que entende indevidos a cada período de apuração do imposto, que seria o correto caso o procedimento fosse cabível em face da legislação aplicável, preferiu, diante da dificuldade de retificar a escrituração de cada período de apuração, consolidar os valores de créditos estornados e aproveitálos em um único período de apuração. Por essas razões, rejeito as preliminares de nulidade. Do mérito: análise do direito creditório No mérito, segundo o Despacho Decisório, a Recorrente não fazia jus ao valor do crédito informado na referida DComp. A uma, porque não lograra comproválo, por meio dos livros fiscais obrigatórios. A duas, porque os valores dos créditos estornados pela Recorrente, para se ajustar ao VTM, estavam de acordo com o disposto nos art. 123 e 124 do RIPI/1998, vigente na época dos fatos, portanto, inexistente o alegado indébito. Por outro lado, alegou a Recorrente que o valor do crédito informado correspondia aos valores dos créditos do IPI, vinculado a importação, proporcionais à diferença entre os preços de entrada e os de saída dos veículos, equivocadamente estornados da sua escrituração fiscal para se adequar ao VTM, haja vista que era ilegal o artigo 136 do RIPI/2002, que exigia a observância do VTM, pois contrariava o disposto no 47 do CTN, que define a base de cálculo do IPI. Tais alegações não merecem guarida. Basta ver que o art. 15, I, da lei 4.502/64 traz disposição expressa que dá fundamento de validade ao art. 136 do RIPI/98, nos seguintes termos: Art . 15. o valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto fôr remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro incluído no artigo 42 e seu parágrafo único; No caso em tela, de forma expressa, confessou a Recorrente que não retificou a sua escrituração fiscal, nem sequer o livro RAIPI, limitandose apenas a retificar a DCTF. Esta declaração, por sua vez, sem respaldo nos documentos e livros fiscais obrigatórios, não tem condão de comprovar a existência do crédito alegado pela Recorrente, porquanto tem por objetivo confessar o valor débito apurado na escrituração contábil e fiscal do contribuinte, devendo estar em harmonia com todo o restante de sua documentação contábil e fiscal. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.900579/200878 Acórdão n.º 3802002.366 S3TE02 Fl. 114 7 Acontece que, ao contrário do alegado pela Recorrente, as cópias do livro RAIPI do citado período, apresentada pela própria Recorrente, ratificam que o valor do IPI pago no período considerado é igual ao saldo devedor apurado. Isso reforça a rejeição da autoridade administrativa ao direito creditório pleiteado, pois faz presumir que o valor total do pagamento do IPI do período foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito do período declarado na DCTF originária. A Recorrente deveria, para ilidir essa presunção – que já se mostra reforçada pela documentação acostada aos autos –, apresentar documentação hábil e idônea a demonstrar que a verdade material lhe assiste. Contudo, no presente processo toda a documentação apresentada pela Recorrente não só comprova que, em relação ao período em destaque, não houve o alegado pagamento a maior do IPI, como também demonstra que o valor do débito do IPI do período confessado na DCTF retificadora não corresponde ao valor apurado no livro RAIPI. Ora, o caso é relativamente simples: tratase de aquisição de veículos automotores, por empresa brasileira junto a outra, do mesmo grupo econômico, no exterior, por valores superiores aos de venda. Para desconstituir essa descrição da autoridade administrativa (baseada em documentação), com a devida vênia, não é suficiente argüir que o decreto é carente de lei que o embase – mormente quando a lei é expressa e possui redação praticamente idêntica à do RIPI. Dessa forma, se as provas carreadas aos autos demonstram, de forma inequívoca, a inexistência do crédito alegado, sob o ponto de vista do direito melhor sorte não assiste à Recorrente. Com efeito, no que tange a essa questão, explicitamente, a Recorrente admitiu que as vendas, no mercado interno, dos veículos por ela importados enquadravamse nas disposições do inciso I do art. 136 do RIPI/2002 (matriz legal o art. 153 da Lei 4.502, de 1964), a seguir transcrito: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência Em relação a essa questão, a discordância da Recorrente limitase ao aspecto da legalidade do referido preceito normativo. Porém, o art. 15 da Lei 4.502/64, como já dito, expressamente respalda a norma executiva, de modo que não merecem acolhida seus argumentos nesse sentido. Esta Turma Especial inclusive já analisou pleito idêntico do mesmo sujeito passivo, em caso relatado pelo Em. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, restando o Acórdão 380201.029 (sessão de 23 de maio de 2012) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/11/2001 a 20/11/2001 IPI. BASE DE CÁLCULO. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. NORMA LEGAL VIGENTE. AFASTAMENTO POR ILEGALIDADE OU Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 INCONSTITUCIONALIDADE POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Na saída de produto importado, a qualquer título, para firmas interdependentes, a base de cálculo será o valor tributável mínimo (art. 15 da Lei nº 4.502, de 1964). Tratandose de norma legal vigente, é vedado aos órgãos do contencioso administrativo afastar a sua aplicação, em razão de alegada ilegalidade ou inconstitucionalidade (art. 26A do PAF). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. CABIMENTO. Não merece reparo o Despacho Decisório, proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), que, em razão da inexistência do valor do crédito informado na Declaração de Compensação (DComp), expressamente não homologou a compensação declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/11/2001 a 20/11/2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A matéria não expressamente impugnada considerase preclusa, não podendo ser apreciada na fase de recursal, sob pena afronta direta ao princípio do duplo grau jurisdição que rege o processo administrativo fiscal. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida ou refeita com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação da sua livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. Em decorrência, não há vício de legalidade na decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para justificar o indeferimento do pleito de realização de nova prova pericial, uma vez que se trata de decisão da alçada do poder discricionário da autoridade julgadora. Recurso Voluntário Negado. Não havendo qualquer inovação no caso, mantenho meu entendimento esposado no processo acima, rejeitando os argumentos da Recorrente. Do pedido de produção da prova pericial No presente caso, a própria Recorrente admitiu que não emitira nem retificara os documentos e livros fiscais exigidos por lei. Por consequência, revelase desnecessária a produção da prova pericial por ela requerida, principalmente tendo em conta que os quesitos por ela formulados seriam prontamente respondidos mediante a simples apresentação da documentação fiscal adequada, exigida pela legislação do IPI, mas que a própria Recorrente já afirmou não possuíla. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.900579/200878 Acórdão n.º 3802002.366 S3TE02 Fl. 115 9 Ora, se não existe documentação a ser periciada, evidentemente, revelase sem nenhum propósito a realização da perícia requerida. Por essa razão, entendo ser desnecessária, para o deslinde da presente contenda, a produção da prova pericial requerida. Em consequência, com respaldo no art. 18 do RPAF, sou pelo seu indeferimento. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 248DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 21/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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