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Numero do processo: 10920.720396/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
LUCRO ARBITRADO. CONTA BANCÁRIA EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA.
Se a própria contribuinte admite que a movimentação bancária foi mantida à margem da escrituração, fica sujeita à forma de tributação pelo lucro arbitrado para apuração do IRPJ e CSLL e à sistemática cumulativa para apuração da contribuição ao PIS e da Cofins.
BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DA RECEITA AUFERIDA. OPERAÇÕES DE FOMENTO MERCANTIL. FATOR ANFAC.
Existindo nos autos provas robustas de que a recorrente exerce a atividade de factoring a base tributável deve ser apurada pela aplicação, sobre o valor dos depósitos/créditos bancários, do "Fator de compra", indicador publicado pela ANFAC-Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil-Factoring e que serve de referência para os negócios de fomento no país. O Fator ANFAC constitui um preço de referência para o mercado nas suas relações com as empresas clientes.
O Fator é a precificação da compra de créditos, computando-se todos os itens de custeio de uma sociedade de fomento. Com este método se apura a receita efetivamente auferida.
DEDUÇÃO DE VALORES LANÇADOS.
Não encontra fundamento legal a pretensão de deduzir, da base de cálculo da exigência de IRPJ, o valor da CSLL lançada, sobretudo se o lançamento foi formalizado com base na tributação pelo lucro arbitrado.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. ALEGAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS.
Na ausência de prova documental que permita identificar os créditos questionados como receitas financeiras (juros recebidos), injustificável a pretensão da Recorrente de se eximir do pagamento das contribuições reflexas de PIS e Cofins, mediante alegação de aplicação de alíquota zero.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
MULTA QUALIFICADA. CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
O uso de interposição de pessoas, caracterizado pela movimentação bancária em contas de terceiro, configura o dolo inerente à sonegação, e, portanto, o intuito de fraude suficiente dar ensejo à cominação de multa qualificada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas e em relação à responsabilidade tributária; ii) rejeitar as arguições de nulidade da decisão recorrida e: iii) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a aplicação sobre os depósitos bancários objetos da autuação, para fins de quantificação da receita omitida, dos índices de lucratividade das atividades de factoring divulgados pela ANFAC, nos termos da tabela contida no bojo do voto condutor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ILEGITIMIDADE DE PESSOA JURÍDICA PARA RECORRER, EM NOME PRÓPRIO, EM FAVOR DOS SEUS SÓCIOS OU ADMINISTRADORES. A sociedade empresária não possui legitimidade, tampouco interesse, para recorrer, em nome próprio, na defesa de interesse de sócio ou administrador responsabilizado pelo crédito tributário. Isso porque, consoante vedação expressa do art. 6º do CPC, ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Dessa forma, como não há lei que autorize a sociedade a interpor recurso contra exigência fiscal constituída em face dela própria, e que também tenha incluído no polo passivo da demanda os seus respectivos sócios ou administradores, temse a ilegitimidade da pessoa jurídica para a interposição do referido recurso. Precedente do STJ no REsp 1.347.627SP, Rel. Min. Ari Pargendler, julgado em 9/10/2013, sob o regime do art. 543C do CPC. Nulidade de decisão de primeira instância rejeitada. JUÍZO NATURAL. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. REGIMENTO INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme Portaria Ministério da Fazenda nº 213/2012, prevê que as delegacias de julgamento possuem jurisdição nacional, possibilitando ainda ao Secretário da RFB e ao Subsecretário de Tributação transferirem processos administrativos fiscais entre delegacias de julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 03 96 /2 01 1- 48 Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.732 2 A Portaria RFB nº 453/2013, que extinguiu a competência territorial das delegacias de julgamento, somente veio antecipar o direito já pertencente aos dirigentes da RFB em gerirem o acervo de processos administrativos fiscais do órgão, permitindo que já na distribuição dos processos levese em consideração a capacidade de trabalho de cada unidade de julgamento, evitandose transferências de processos já distribuídos, praxe adotada até então. Desse modo, não há que se falar em juízo natural, com base em critérios territoriais, para julgamento dos processos administrativo fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LUCRO ARBITRADO. CONTA BANCÁRIA EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Se a própria contribuinte admite que a movimentação bancária foi mantida à margem da escrituração, fica sujeita à forma de tributação pelo lucro arbitrado para apuração do IRPJ e CSLL e à sistemática cumulativa para apuração da contribuição ao PIS e da Cofins. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DA RECEITA AUFERIDA. OPERAÇÕES DE FOMENTO MERCANTIL. FATOR ANFAC. Existindo nos autos provas robustas de que a recorrente exerce a atividade de factoring a base tributável deve ser apurada pela aplicação, sobre o valor dos depósitos/créditos bancários, do "Fator de compra", indicador publicado pela ANFACAssociação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring e que serve de referência para os negócios de fomento no país. O Fator ANFAC constitui um preço de referência para o mercado nas suas relações com as empresas clientes. O Fator é a precificação da compra de créditos, computandose todos os itens de custeio de uma sociedade de fomento. Com este método se apura a receita efetivamente auferida. DEDUÇÃO DE VALORES LANÇADOS. Não encontra fundamento legal a pretensão de deduzir, da base de cálculo da exigência de IRPJ, o valor da CSLL lançada, sobretudo se o lançamento foi formalizado com base na tributação pelo lucro arbitrado. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. ALEGAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Na ausência de prova documental que permita identificar os créditos questionados como receitas financeiras (juros recebidos), injustificável a pretensão da Recorrente de se eximir do pagamento das contribuições reflexas de PIS e Cofins, mediante alegação de aplicação de alíquota zero. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.733 3 A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. MULTA QUALIFICADA. CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. O uso de interposição de pessoas, caracterizado pela movimentação bancária em contas de terceiro, configura o dolo inerente à sonegação, e, portanto, o intuito de fraude suficiente dar ensejo à cominação de multa qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas e em relação à responsabilidade tributária; ii) rejeitar as arguições de nulidade da decisão recorrida e: iii) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a aplicação sobre os depósitos bancários objetos da autuação, para fins de quantificação da receita omitida, dos índices de lucratividade das atividades de factoring divulgados pela ANFAC, nos termos da tabela contida no bojo do voto condutor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.734 4 Relatório AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1445.454 da 13ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados em 28/03/2011 (fl. 2496) formalizando crédito tributário no valor de R$ 3.383.821,03, aí incluídos principal, multa de ofício de 150% e juros de mora, em razão da constatação de omissão de receitas nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. As irregularidades que ensejaram a autuação foram contextualizadas no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 2473/2490, do qual se extrai: Breve Histórico Tendo em vista procedimento fiscal deflagrado face a Caroline May, CPF 060.653.58967 (fls 17 a 19), cujo domicílio tributário informado pela mesma é coincidente com o do Sr Alberto May, CPF 289.229.80915 e, considerandose que ela não atendeu às intimações das quais tomou ciência e nem teve rendimentos informados nas suas Declarações de Ajuste Anual relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008 (não apresentou DIRPF 2007) que justificassem os valores movimentados em suas contas bancárias, cujos importes foram de: R$ 1.835.752,34, R$ 3.044.412,97 e R$ 2.455.905,38, respectivamente aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, requisitamos (fls 46 e 47; 255 a 257) então os extratos bancários e outros documentos junto às instituições financeiras onde ela mantém/manteve as contascorrentes sob análise (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal). De posse dos documentos requisitados, constatei a existência de procurações (fls 42 a 277; 258 a 319) nas quais ela (Caroline May) outorga poderes ao Sr Alberto May (genitor da mesma) para movimentação das referidas contas bancárias. Face ao exposto, o Sr Alberto May foi intimado (fls 329 a 331) a esclarecer a origem dos recursos movimentados nas referidas contas bancárias e, em atendimento ao mesmo ele esclareceu (fls 334 a 338) que os recursos movimentados nas contas correntes em referência eram todos da Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.735 5 pessoa jurídica denominada de “AM FACTORING E FOMENTO COMERCIAL LTDA”, CNPJ 02.623.364/000153. Visando colher mais informações acerca da origem dos recursos movimentados, lavrei Termos de Intimação Fiscal face a diversas pessoas jurídicas e físicas (fls 1958 a 2108) que teriam sido beneficiário ou depositante de recursos que tiveram origem ou destino, respectivamente, nas contas sob análise. Considerandose que todos aqueles que foram cientificados (alguns mudaram ou não foram procurados) responderam (fls 1958 a 2202) esclarecendo que os recursos referemse ou às operações de adiantamento de crédito para aquisição de insumos/matérias primas de Pessoa Jurídica ou às operações de venda de títulos de créditos de Pessoa Jurídica, foi deflagrada Ação Fiscal face à AM Factoring Fomento Comercial Ltda, CNPJ 02.623.364/000153 (fls 2279 a 2282), para esclarecimentos e comprovação das origens de recursos depositados/creditados nas contas mencionadas, redirecionando assim a Ação Fiscal iniciada face a Caroline May para AM Factoring Fomento Comercial Ltda. Pelo exposto, concluí pelo encerramento sem resultado do MPFF nº 09.2.02.002009015058, emitido face à Caroline May, CPF 060.653.58967. Início da Ação Fiscal No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, procedemos a ação fiscal conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 09.2.02.002011000275 junto à Contribuinte acima identificada com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, CSLL, PIS e COFINS, compreendida no período de 01/01/2006 a 31/12/2008. A Ação Fiscal foi deflagrada de ofício e com o fim de verificar indícios de sonegação fiscal, visto a constatação de que a Contribuinte em tela (PJ) realizou movimentação financeira de seus recursos (através do sócio administrador Sr Alberto May) na contacorrente nº18606, Agência 3160, Banco Brasil; e contacorrente nº 000007330, Ag.: 1897, CEF, cuja titular de direito é a Sra Caroline May, CPF 060.653.58967. Na seqüência, descreve o Autuante o PROCEDIMENTO FISCAL relacionando os Termos formalizados e as correspondentes formas de ciência, para, então, abordar a Infração como segue: 2 – INFRAÇÃO 2.1–OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Conforme exposto acima, de posse dos documentos encaminhados pelas instituições financeiras (fls 48 a 227; 258 a 319) e análise Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.736 6 dos mesmos, constatei que a Caroline May, CPF 060.653.58967, outorgou poderes, por meio de procuração, ao Sr Alberto May, CPF 289.229.80915, para que este movimentasse a contacorrente nº 18606, Agência 3160, Banco Brasil; e a contacorrente nº 000007330, Ag.: 1897, CEF. Em decorrência, o Sr Alberto May foi intimado (fls. 329 a 331) a esclarecer a origem dos recursos movimentados nas referidas contas bancárias e, em atendimento à intimação ele informou (fls. 334 a 338) que, verbis: (...)“apesar de figurarem na conta corrente de titularidade de Caroline May, são, em verdade, de titularidade da AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA., CNPJ nº 02.623.364/000153, onde o contribuinte epigrafado é sócioadministrador.” (...) Considerandose o teor da resposta apresentada, conforme transcrição parcial acima, bem como o fato do Sr Alberto May ser procurador da CAROLINE MAY para movimentação das citadas contas bancárias, ele foi, então, intimado (fls 339 a 380) a justificar e comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nas contas sob análise, pois também é sócio administrador da AM Factoring Fomento Comercial Ltda. Na resposta apresentada (fls. 381 a 393) em atendimento à segunda intimação o Sr Alberto May confirmou que todos os créditos ali registrados são de titularidade da AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA. Ademais informou que os mesmos decorrem de operações de fomento ou de faturização realizadas entre a AM Factoring e seus clientes. Vale ressaltar que o Sr Alberto May apresentou os “Relatórios de Movimentação de Títulos” referentes à CEFCaixa Econômica Federal (fls 394 a 1609), bem como do Banco do Brasil (fls. 1722 a 1855). No caso desta última instituição, os documentos são referentes ao mês de janeiro até meados do anocalendário de 2006, pois, os créditos do restante do período referemse majoritariamente aos “desbloqueios de depósitos”, conforme informado na resposta do Sr Alberto May (fls. 381 a 393). Destaco, ainda, que o Sr Alberto realizou conciliação entre os valores informados nos “Relatórios de Movimentação de Títulos” fornecidos pelas instituições financeiras e aqueles que constam dos respectivos extratos bancários, procurando assim demonstrar que parte das movimentações ocorridas nas contas bancárias sob análise referemse ou às operações de fomento ou de faturização, pois ocorreram também diversos créditos relativos a “desbloqueios de depósito” que decorrem de contratos de faturização formalizados com pessoas jurídicas faturizadas, as quais são titulares dos direitos creditórios que são vendidas às empresas de factoring (no caso à AM Factoring), além das transferências eletrônica de recursos (fls. 48 a 227; 258 a 319) verificadas. Contudo, referida conciliação não demonstrou as receitas efetivamente auferidas em cada uma das alegadas operações. Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.737 7 Por oportuno, vale esclarecer também que de acordo com a resposta apresentada pelo Sr Alberto May, a “AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA”, da qual ele é sócioadministrador, celebra dois tipos de contratos com seus clientes. Para ambos os casos o interessado em vender direitos creditórios à AM FACTORING preenche cadastro e através do mesmo é feito estudo da capacidade econômica e da idoneidade da pessoa jurídica interessada. Em tendo o cadastro aprovado é celebrado um “CONTRATO DE FOMENTO MERCANTIL”, popularmente conhecido como “contratomãe”, no qual são especificadas as regras primordiais da relação jurídica, inclusive o limite de crédito disponibilizado para as operações. Assim, o cliente poderá formalizar dois tipos de contratos junto à “AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA”, quais sejam: ou “Contrato de Fomento à produção, Aquisição de MatériaPrima e Custeio de Insumos com Penhor Industrial, Garantia Cambiária e Outras Avenças” ou “Termo Aditivo de Fomento Mercantil” (faturização). Importante destacar que não obstante a apresentação de alguns contratos celebrados entre a AM Factoring e o Auto Posto JC Ltda, conforme Anexo 7 (fls. 1876 a 1957), e a menção na resposta ora em comento de que no período sob fiscalização tenha operado com o percentual de 2,8%, a documentação apresentada não comprova os valores efetivamente recebidos nas operações de factoring praticadas pela AM FACTORING. Em face ao exposto, na data de 15 dezembro de 2010 lavrei diversos Termos de Intimação Fiscal face a terceiros vinculados à Caroline May visando obter informações acerca de recursos recebidos ou depositados por aqueles, a partir da ou para a conta bancária titularizada pela Caroline May, respectivamente. De acordo com as respostas apresentadas pelos terceiros vinculados (fls. 1958 a 2202), os fatos econômicos que geraram direito e/ou obrigações ao recebimento e/ou pagamento teriam sido em decorrência de: ou operações de adiantamento de crédito para aquisição de insumos/matérias primas ou operações de venda de títulos de créditos à AM Factoring. Em decorrência ao exposto foi deflagrada Ação Fiscal face a AM Factoring Fomento Comercial Ltda, sendo que a mesma foi cientificada do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 2279 a 2282; 2316 a 2386) em 01 de fevereiro de 2011, conforme respectivo AR (fl. 2283). No referido termo foram requisitados os Livros Fiscais com os respectivos registros das receitas auferidas em cada uma das operações de factoring realizadas, bem como as respectivas Notas Fiscais emitidas. Ademais, foi solicitada planilha demonstrativa das receitas auferidas, vinculandoas aos créditos/depósitos de recursos ocorridos nas contascorrente sob análise. Na resposta apresentada (fls. 2284 a 2286) em atendimento ao Termo Inicial a ora fiscalizada esclareceu que, verbis: “2) Todos os créditos que transitaram nas sobreditas contascorrente não foram oferecidos à tributação pela contribuintepeticionante, de Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.738 8 modo que transitaram à margem da escrituração contábil. (...) 4) Para todos os créditos constantes nas contas correntes referidas foram celebrados um dos contratos acima. Sucede, porém, conforme já avultado em manifestação pessoal do sócio administrador da AM FACTORING, assim que liquidada a operação (em relação à duplicata quando era a mesma liquidada junto ao sistema bancário e em relação ao cheque quando o mesmo era compensado) os contratos eram inutilizados, razões pelas quais a contribuinte não possui os contratos coincidindo com os créditos constantes das contas correntes em referência.” (...) De acordo com o trecho da resposta acima transcrita as receitas auferidas não foram escrituradas e nem foram oferecidas à tributação. Informa também que os créditos ocorridos nas contascorrente sob análise são decorrentes de operações de factoring, as quais teriam sido previamente acordadas em contratos e que logo após a liquidação das operações os respectivos contratos supostamente teriam sido inutilizados. Tenta assim justificar a falta dos contratos relativos aos créditos constantes das contas corrente sob análise, porém não apresentou as receitas efetivamente auferidas em cada uma das referidas operações. Vale destacar ainda que na mesma resposta foi mencionada (não transcrita) a realização de conciliação entre os créditos ocorridos na contacorrente da CEFCaixa Econômica Federal e os valores constantes dos relatórios de movimentação de títulos fornecidos pela mesma instituição financeira, conforme já comentado anteriormente. Já em relação à conta corrente do Banco do Brasil foi informado (não transcrita) que foi procedida conciliação em relação às duplicatas de janeiro até junho/2006, pois, a partir de então, supostamente teriam sido depositados apenas cheques, o que teria impedido a realização da conciliação, pois, os prepostos da instituição financeira (BB) teriam informado que não há relatórios dos cheques de terceiros depositados na contacorrente em comento. Diante o exposto não resta outra alternativa senão o lançamento do Auto de Infração face à AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e tributos reflexos incidentes sobre os créditos/depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. A matriz legal que dispõe sobre a tributação de depósitos bancários é o Art. 42 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito, in verbis: ... Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.739 9 Cabe esclarecer que não basta a fiscalizada informar e demonstrar que os recursos movimentados nas contascorrente sob análise, titularizada por pessoa física, são, de fato, da ora fiscalizada (pessoa jurídica) se os mesmos não foram escriturados e nem oferecidos à tributação, conforme já demonstrado acima de forma exaustiva. Logo, os recursos movimentados restaram não comprovados, pois a fiscalizada não conseguiu demonstrar e nem comprovar que os mesmos estão corretamente registrados nos respectivos Livros Fiscais e que foram corretamente oferecidos à tributação. Ao contrário, ficou demonstrado e comprovado que os recursos são de fato da pessoa jurídica e os mesmos foram movimentados nas contas bancárias de pessoa física, revelando assim, em tese, a intenção dolosa de ocultar os recursos e sonegar os tributos devidos. Tendo sido apresentadas as constatações de movimentações bancárias irregulares e as justificativas apresentadas pela fiscalizada, transcrevo a seguir o Art. 530 do RIRRegulamento do Imposto de Renda de 1999, que dispõe acerca dos critérios para apuração pelo lucro arbitrado, verbis: ... No caso em concreto tratase de pessoa jurídica que devido a sua atividade (factoring) está obrigada a tributar pelo lucro real. Ademais, realizou intensa movimentação financeira em contas bancárias titularizada por pessoa física, ou seja, pela CAROLINE MAY, filha do sócioadministrador (Sr ALBERTO MAY) da ora fiscalizada (AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA). Vale lembrar, ainda, que de acordo com a resposta apresentada em atendimento ao Termo Inicial as receitas auferidas nas operações de factoring estão à margem da escrituração contábil e, decorrente, não foram oferecidas à tributação. Os fatos expostos acima revelam que a sua escrituração (AM Factoring) apresenta evidentes indícios de fraudes, o que a torna imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, bem como para determinação do lucro real, conforme regulamentado no Art. 530 do RIR/99 que encontrase parcialmente transcrito acima. Isto posto, a apuração do imposto devido no período considerado foi realizado com base no lucro arbitrado, tendo sido considerado para tal o imposto inicialmente pago pela fiscalizada, conforme obtido pelas pesquisas realizadas nos sistemas da Receita Federal (fls. 2310 a 2315) e demonstrado nas planilhas abaixo: Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.740 10 Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.741 11 Os valores das diferenças de rendimentos apurados neste procedimento fiscal e que foram incluídos nas respectivas bases de cálculo para apurar os tributos devidos estão demonstrados nas planilhas a seguir Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.742 12 2.1.1. REFLEXOS Além do IRPJ devido em função das omissões detalhadas no item 2.1 acima, são devidos como reflexos a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, PIS nãocumulativo e COFINS nãocumulativo incidentes sobre as omissões apuradas. Importante ressaltar que na apuração dos tributos reflexos foram considerados os respectivos tributos inicialmente pagos pela fiscalizada, conforme obtido pelas pesquisas realizadas nos sistemas da Receita Federal (fls. 2310 a 2315) e demonstrados nas planilhas abaixo: ... 3EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE/MULTA QUALIFICADA Por oportuno, vale lembrar que o Sr Alberto May, sócio administrador da AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA, obteve procuração de sua filha Caroline May para movimentação das contas bancárias na CEF e no BB. Ocorre que o Sr Alberto May movimentou recursos não declarados da AM FACTORING nas referidas contas. Face ao exposto, e considerandose que: • a Fiscalizada – AM FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA movimentou na contacorrente nº 18606, Agência 3160, Banco do Brasil, e na contacorrente nº 000007330, Agência 1897, Caixa Econômica Federal, cuja titular de direito é: Sra Caroline May, CPF 060.653.58967, durante os anoscalendário de 2006 a 2008, recursos pertencentes á pessoa jurídica, os quais não foram escriturados e nem declarados à Receita Federal, conforme exaustivamente explicado e demonstrado acima, não resta dúvida de que a fiscalizada teve intenção de ocultar parte dos rendimentos tributáveis auferidos durante os anoscalendário de 2006 a 2008, evitandose assim o pagamento do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, bem como os tributos reflexos tais como CSLL e PIS/COFINS nãocumulativos devidos, assumindo o risco de tal conduta. Conforme definido nos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64: ... Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.743 13 Nas situações acima, há que ser caracterizado o dolo, cujo conceito encontrase definido no inciso I do art. 18 do Decretolei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal: “Art. 18 – Dizse o crime: I – doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo;” Face ao exposto, não resta dúvida de que as infrações citadas foram cometidas intencionalmente pelo contribuinte. Desta forma, incorreu, também, no art. 957 do RIR/99, segundo o qual: ... Portanto, com base no artigo transcrito acima, está sendo aplicada multa qualificada de 150% à infração objeto do item 2.1. No item 4 de seu Termo, consigna a Fiscalização a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais e, no item 5, consolida o crédito tributário constituído nestes autos, como segue: Ainda expõe a Fiscalização que: A ora fiscalizada não apresentou documentação original durante a execução do procedimento fiscal ora encerrado; Tendo em vista o disposto no Art. 135 do CTNCódigo Tributário Nacional e a constatação de que o caso em concreto tratase de um dos casos previsto naquela norma legal, foi lavrado o “Termo de Responsabilidade Solidária” [fls. 2492/2493] visando a resguardar os interesses da Fazenda Nacional. Noticia também a elaboração de arrolamento de bens e consigna ter a ação fiscal se restringido ao exame dos créditos não justificados e ocorridos na contacorrente do Banco do Brasil, Ag. 3160, c/c: 18606 e da Caixa Econômica Federal, Ag.: 1897, c/c:000007330, ressalvado o direito da Fazenda Nacional de instaurar novos procedimentos fiscais e constituir os respectivos créditos tributários, caso sejam detectados, posteriormente, valores tributáveis a qualquer título. Em 28/3/2011 foi dada ciência das exigências à pessoa jurídica autuada e à pessoa física a quem atribuída responsabilidade solidária. Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.744 14 Em 26/04/2011 foi protocolizada, em nome da pessoa jurídica AM Factoring Fomento Comercial Ltda., impugnação de fls. 2.508/2.565, acompanhada dos documentos de fls. 2566/2588, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Após abordar os fatos, argúi, em preliminar, a nulidade do lançamento por inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar 105/01, por entender ter ocorrido quebra de sigilo bancário por parte do Auditor Fiscal sem autorização judicial. Discorre acerca da matéria invocando excertos doutrinários e jurisprudenciais, destacando o acórdão do STF no Recurso Extraordinário 389.808 em sessão de 15/12/2010 e defendendo sua aplicação ao caso concreto por força do art. 26A do Decreto n° 70.235/72. Defende também a Nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária, alegando não serem apontados fundamentos que justifiquem a medida e, reportandose a julgado do CARF e a excertos doutrinários, expõe que: a imputação de responsabilidade solidária depende, necessariamente, da comprovação do interesse do responsabilizado na omissão de rendimentos que deu azo à autuação; o art. 135, III, do CTN cuidase de hipótese de responsabilidade tributária subjetiva e subsidiária e sua aplicação equiparase à “desconsideração da personalidade jurídica e, como tal, como parece intuitivo, depende de fundamentação e prova”, exigindo que as condutas ali elencadas sejam provadas, cujo ônus é da própria fazenda. No mérito, sob o título “a base de cálculo das operações de Factoring”, argumenta ter a Fiscalização adotado indevidamente como base de cálculo dos tributos lançados o valor dos depósitos e movimentações, não levando em consideração a base de cálculo correta a que está submetida a pessoa jurídica que explora a atividade de factoring, no caso, o valor da efetiva receita auferida por esta, ou seja, o deságio do título que originou a operação. Discorre acerca da atividade de factoring transcrevendo excertos doutrinários, identificando as partes envolvidas, como (i) faturizado, (ii) faturizador ou factor e (iii) devedor/sacado, para defender que: o valor depositado em conta e os valores de duplicatas não são os valores que refletem a remuneração da faturizadora (factoring) ora impugnante. Esse valor é o valor do título que acabara de comprar. Porém sua renda propriamente dita, ...., é apenas o quantum do deságio aplicado nos títulos negociados; a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS é o que se chama de deságio Invoca disposições do art. 28, § 1º, alínea c.4, da Lei 8.981/95; art. 10, § 1º, aliena “d”, da Lei 9.065/95; art. 15, § 1º, inciso III, alinea “a” da Lei 9.246/95, art. 58 da Lei 9.430/96, art. 14, inciso VI, da Lei 9.718/98 , art. 10, § 3º, do Decreto 4.524/02 e, ainda, aos Atos Declaratórios Normativos Cosit nºs 51/94, 31/97 e a Perguntas e Respostas disponibilizadas Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.745 15 na página da Receita Federal na internet, especificamente a pergunta 413 do anocalendário 2004, e alega que, em descompasso com a legislação referida, a Fiscalização utilizou como base de cálculo o valor total dos depósitos, com fundamento no art. 42 da Lei 9.430/96. Reportase ao procedimento fiscal iniciado em face de Carolina May, seu redirecionamento para Alberto May e para a pessoa jurídica AM Factoring, a respostas e documentos apresentados no curso do procedimento, a respostas de clientes da Impugnante intimados pela Fiscalização e a formalização dos Autos de Infração em litígio, questionando não ter sido oportunizado, em nenhum momento, à pessoa jurídica propriamente dito se manifestar sobre os termos dos extratos. Destaca que: o sócio administrador da Impugnante fora intimado a comprovar individualmente os valores e que, em resposta, o mesmo avulta diversas questões que deixam entrever, à exaustão, tratarse de operação de factoring, ...., ainda que não tenha juntado a totalidade dos contratos. Tanto assim é, que tais documentos servem de substrato ao Auditor Fiscal para “redirecionar” a ação fiscal em face da pessoa jurídica; em relação aos créditos vinculados à conta corrente 10007330, agência 1897, da CEF, foram juntados os relatórios de todos os títulos – fls. 394/1609, bem como planilha conciliatória atribuindo tais títulos a Sacadora Faturizada, isto é, a pessoa jurídica que alienara a duplicata à Impugnante, foram apresentados pela Impugnante alguns contratos; em relação aos créditos figurantes na conta corrente nº 18.6066 Agência 31607 do Banco do Brasil ... a conciliação se deu apenas até o mês de agosto/2006, pois doravante foram não mais levados a créditos duplicatas, e sim cheques, oriundo também de operações de faturização. Em relação a estes, pela fato de o BB, não ter relatório detalhado, impermitiu a Impugnante formulasse a conciliação destes, cujas razões foram expostas naquela petição (item 4), às fls. 391393; foram levados aos autos do processo, além de relatório de título fls. 1722 1855, foram juntados a própria planilha elaborada pela autoridade fiscal, quando da intimação, selecionadas em caneta hidrocor, identificando os valores que foram apontados no relatório de títulos.... Continua reportandose a respostas e documentos apresentados no curso do procedimento, para concluir inexistir dúvidas acerca da natureza da atividade de factoring desenvolvida pela Impugnante, e que, sendo assim, somente é possível entender que a base de cálculo das operações deve ser o deságio. E, em função de contratos juntados pelas pessoas intimadas, defende que: a base de cálculo seja encontrada mediante a aplicação da alíquota de 2,8% sobre os crédito apontados nas duas contas correntes em evidência, na exata Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.746 16 forma da legislação aplicável, ou, alternativamente, é o caso de se aplicar as taxas médias divulgadas pela ANFAC, no sítio da internet que identifica; não é possível alterar o regime jurídico da base de cálculo da operação tributável, simplesmente porque não foram juntados todos os contratos, de forma individualizada; uma vez comprovada, como de fato está, tratarse de factoring, a base de cálculo possível é uma só: o valor resultante do deságio do valor de face do título (sendo o valor de face do título o valor que é creditado na conta corrente em que fora colocado em cobrança simples). Acrescenta que: a empresa foi constituída em 1998, mantendo atividade permanente e crescente ainda nos dias presentes, sendo que nos anos de 2006, 2007 e 2008 a Impugnante esteve em pleno funcionamento,conforme folder de propaganda (fls. 2308/2309), inclusive recolhendo substanciais valores, os quais foram considerados pela Fiscalização (fls. 2310/2315); os balanços patrimoniais que ora se junta, referente ao período fiscalizado, deixa entrever de forma inequívoca o que está afirmando a Impugnante, podendose verificar que da conta “Direitos Realizáveis A Curto Prazo” (1.1.2), inserida no “ATIVO CIRCULANTE”, constam as empresas com quem celebra contratos , entre as quais figuram aquelas pessoas jurídicas intimadas pela autoridade fiscal; o próprio cartão CNPJ denota o pleno funcionamento da Impugnante, estando em pleno funcionamento, ..., reforçado pelos documentos constantes nos autos de que se fez referência, ou pela própria Impugnante (fls. 3941657) ou pelas pessoas físicas e jurídicas intimadas (fls. 19582202), que atestam tratarse de créditos decorrentes da exploração de atividade de factoring, é de se concluir que a base de cálculo possível.... deve ser o deságio e não o valor total do crédito que tramitou na conta corrente; a renda mensal da Impugnante não é o valor das movimentações, mas verdadeiramente, receita de deságio, ou seja, a diferença entre o valor da aquisição e o valor de face dos direitos creditícios que negocia; o próprio Auditor Fiscal reconhece esta atividade como sendo a proeminente da Impugnante, figurando como fato incontroverso nos presente autos; o art. 42 da Lei 9.430/96 não pode transmudar a base de cálculo de um tributo; o erro da Impugnante foi ter feito transitar créditos de sua titularidade (em razão da aquisição de títulos decorrentes de operações mercantis de seus clientes), em conta corrente de terceira pessoa, no caso, da filha do sócio administrador. Para sancionar tal prática está em pleno funcionamento a multa Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.747 17 no patamar de 150% na forma preconizada pela Súmula CARF nº 34 e § 5º do art. 42 da Lei 9.430/96; que há renda omitida não há que se negar, mas a sua tributação deve observar disposições legais e constitucionais, como art. 43, 44 e 45 do CTN; o art. 42 da Lei 9.430/96 está tratando de obrigações tributárias e, mormente, de crédito e lançamento tributários (...), o que poderia ocorrer apenas por lei complementar conforme art. 146, III, b, da CF; a Fiscalização elegeu como renda o que não é renda, de modo que, a perdurar o lançamento, estarseá chancelando a utilização do tributo com efeito sancionatório, em absoluta afronta ao art. 3º do CTN; o art. 288 do RIR/99, com fundamento no art. 24 da Lei 9.249/95, especifica que se deve dar a omissão de receita o tratamento tributário a que está submetida a operação. Cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes acerca da atividade de factoring. Reportase a acórdãos de DRJ, a Soluções de Consulta da Disit 08, a julgados do STJ e a Ato Declaratório Normativo Cosit nº 31/97 para amparar sua tese e entende que, caso de dúvida, caberia a aplicação do art. 112 do CTN. Ainda acrescenta que: em última análise é de se asseverar que a Impugnante teria comprovado a origem dos recursos na forma preconizada pelo art. 42 da Lei 9.430/96 com a juntada aos autos dos seguintes documentos: Finaliza este tópico requerendo a improcedência do lançamento na parte que utilizou o valor total dos créditos nas duas contas correntes como base de cálculo, para o fim de determinar a incidência do percentual de 2,8% (...) ou, alternativamente os índices divulgados pela própria Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.748 18 ANFAC, para identificar o valor da renda (IRPJ/CSLL) e a receita (PIS/COFIN), mantendose a aplicação do lucro arbitrado. Defende, também, a dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ, argumentando que o art. 1º da Lei nº 9.316/96, objeto da conversão da Medida Provisória nº 1.5162 de 1996, proibiu a dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ, o que ofende o conceito constitucional de renda e invade matéria afeta à Lei Complementar . Discorre acerca de seu entendimento de inconstitucionalidade do referido dispositivo e invoca Recurso Extraordinário 585.525 em que reconhecida pelo STF a repercussão geral da matéria, discutida também nos Recursos Extraordinários 432.072 e 432.512, e que entende aplicável no julgamento administrativo por força do art. 26 A do Decreto 70.235/72 e art. 62 da Portaria MF nº 256/09. Reportase à redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins a partir de 02/08/2004 conforme Decreto 5.442/05, alegando que: apura seus tributos ordinariamente sob o regime da não cumulatividade, porquanto está submetida ao lucro real não há que se negar que a receita auferida pela Impugnante seja qualificada como “receita financeira”; o próprio fato da incidência de IOF sobre as operações da Impugnante não oferta dúvidas acerca de sua natureza; a Receita Federal em diversas Soluções de Consulta tem exarado o mesmo entendimento (Solução de Consulta da Disit da 8ª Região de nºs 332, de 28/09/2009; nº 271 de 07/08/2009 e nº 272 de 07/08/2009). Requer a redução da multa de 150%, alegando que: a multa deve ser reduzida a patamares razoáveis não superiores a 30%, em razão do princípio constitucional que veda o confisco, além do princípio da razoabilidade e proporcionalidade; o Supremo Tribunal Federal já decidiu acerca da redução de multa, conforme ementas que cita, entendimento aplicável ao julgamento em sede administrativa em conformidade com o art. 62 e 62 A da Portaria MF 256/09; a Impugnante não está se insurgindo contra a aplicação e, si (direta) dos arts 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, mas sua insurgência tem por base os princípios do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Finaliza resumindo suas razões e requerendo o reconhecimento da nulidade do lançamento e do Termo de Responsabilidade Solidária ou, no mérito, a improcedência do lançamento. Requer, também que antes do julgamento definitivo seja determinada à autoridade fiscal ou órgão competente, que faça scanear em forma colorida, os documentos juntados às fls. 18571875 para evidenciar as duplicatas que foram conciliadas, referentes aos créditos da conta do Banco do Brasil. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.749 19 Em análise da impugnação apresentada, a 13ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgoua improcedente, não conhecendo as questões atinentes à responsabilização do sócio administrador da Recorrente por não haver qualquer defesa em nome do próprio coobrigado. A ciência da decisão se deu em 05 de novembro de 2013 (fl. 2665), tendo o contribuinte apresentado recurso voluntário em 02 de dezembro de 2013 (fls. 26672727). Em síntese, a Recorrente repisa seus argumentos apresentados em impugnação, arguindo ainda, de forma preliminar, a nulidade da decisão de primeira instância: (i) por suposta violação ao princípio juízo natural, uma vez que caberia à DRJ Florianópolis analisar a impugnação apresentada, e não a DRJ Ribeirão Preto; (ii) em razão da ausência de análise da parte da impugnação que contesta a imputação de responsabilidade tributária ao seu sócio administrador. É o relatório. Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.750 20 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1. ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. RESUMO DA LIDE Tratase de lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em razão de omissão de rendimentos apontada pela autoridade fiscal com base em depósitos bancários sem comprovação de origem (art. 42 da Lei nº 9.430/96). O lucro do período foi arbitrado em razão de o contribuinte não escriturar sua movimentação financeira em seus livros contábeis. Houve imputação de corresponsabilidade a sócio com poder de gerência que teria movimentado recursos da Recorrente não contabilizados em conta bancária de sua filha. Em razão de tal fato (conta bancária em nome de terceiros), houve a qualificação da penalidade. Passase à análise dos itens objeto de litígio. 3. DA SUPOSTA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO O Recorrente traz à baila inúmeras questões atinentes a princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis. Ocorre que em relação a tais matérias, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.751 21 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Assim sendo, não conheço do recurso em relação a tais pontos. 4. DA ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA 4.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL Alega a Recorrente que a decisão de primeira instância é nula por ofensa ao princípio do juízo natural, pois quando da interposição da impugnação a DRJ Florianópolis deveria ser o órgão responsável pelo julgamento da lide, conforme previsto em portaria da RFB. Portanto, a seu ver, a redistribuição dos autos para DRJ Ribeirão Preto, e posterior julgamento por esta mesma unidade, feriria o princípio do juízo natural, implicando a nulidade do julgamento de primeira instância. Entendo não lhe assistir razão. Isso porque o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme Portaria Ministério da Fazenda nº 213/2012, prevê que as delegacias de julgamento possuem jurisdição nacional (caput do art. 283), possibilitando ainda ao Secretário da RFB (art. 280, inciso XXIII) e ao Subsecretário de Tributação (art 282, II) transferirem processos administrativos fiscais entre delegacias de julgamento. A Portaria RFB nº 453/2013, que extinguiu a competência territorial das delegacias de julgamento, somente veio antecipar o direito já pertencente aos dirigentes da RFB em gerirem o acervo de processos administrativos fiscais do órgão, permitindo que já na distribuição dos processos levese em consideração a capacidade de trabalho de cada unidade de julgamento, evitandose transferências de processos já distribuídos, praxe adotada até então. Desse modo, não há que se falar em juízo natural, com base em critérios territoriais, para julgamento dos processos administrativo fiscais. Assim sendo, rejeito esta arguição de nulidade. 4.2 DO NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO EM RELAÇÃO À RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA IMPUTADA AO SÓCIOADMINISTRADOR. IMPUGNAÇÃO E RECURSO APRESENTADOS PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A discussão a respeito da responsabilidade tributária cominada a terceiros se deu no bojo da impugnação interposta pelo próprio contribuinte. A decisão de primeira instância deixou de adentrar o mérito do tema em razão de a impugnação ser subscrita em nome da pessoa jurídica, e, mesmo tendo sido intimado para tanto, o coobrigado deixou de Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.752 22 apresentar defesa própria. Concluiu a decisão recorrida não haver por parte da pessoa jurídica legitimidade, tampouco interesse, em recorrer em nome do coobrigado. No único recurso voluntário apresentado, reforcese, pelo contribuinte, além de trazer à baila os argumentos já aduzidos em sua impugnação a respeito da responsabilidade tributária atribuída a seu dirigente, argui a nulidade da decisão de primeira instância em razão de não ter enfrentado a matéria. Passo a analisar o tema. Entendo não assistir razão à Recorrente. O tema não é novo na turma, tampouco controverso. Já tive a oportunidade de relatar lide que versava sobre o mesmo tema, como, por exemplo, no acórdão nº 1402001.528, em que a conclusão deste colegiado não destoa da decisão ora atacada. Ora, a Lei nº 9.784, de 1999, aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, assim dispõe: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: [...] III por quem não seja legitimado; [...] § 2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. [grifos nossos] No que tange à legitimidade para recorrer, não se desconhece que o art. 9º, inciso II, da Lei nº 9.784, de 1999, dispõe que são legitimados como interessados no processo administrativo aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada. Ora, no caso concreto, qual o interesse da pessoa jurídica – contribuinte recorrer em nome do coobrigado, o qual poderia, em tese, assumir o ônus do crédito tributário em discussão? Seria, no mínimo, contraditório o interesse da sociedade empresária em assumir para si a responsabilidade integral do montante discutido, excluindo do polo passivo da demanda terceiro que poderia também responder pelo adimplemento da obrigação. Sobre o tema, o STJ, em recente julgado sob o regime do art. 543C do CPC, assim se manifestou: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ILEGITIMIDADE DE PESSOA JURÍDICA PARA RECORRER, EM NOME PRÓPRIO, EM FAVOR DOS SEUS SÓCIOS. RECURSO REPETITIVO (ART. 543C DO CPC E RES. 8/2008STJ). Em execução fiscal, a sociedade empresária executada não possui legitimidade para recorrer, em nome próprio, na defesa de interesse de sócio que teve contra si redirecionada a execução. Isso porque, consoante vedação expressa do art. 6º do CPC, ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Dessa forma, como não há lei que autorize a sociedade a interpor recurso contra decisão que, em execução ajuizada contra ela própria, tenha incluído no polo passivo da demanda os seus respectivos sócios, temse a ilegitimidade da pessoa jurídica para a interposição do referido recurso. REsp 1.347.627SP, Rel. Min. Ari Pargendler, julgado em 9/10/2013. Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.753 23 Desse modo, concluise que a pessoa jurídica não possui legitimidade, tampouco interesse, para recorrer em nome de seu administrador, não devendo o recurso ser conhecido em relação a tal ponto. Em razão disso, não há que se falar em omissão da decisão de primeira instância pela falta de análise da matéria. Assim, além de não conhecer da matéria em sede de recurso, rejeito também a arguição de nulidade da decisão recorrida. 5. DO ARBITRAMENTO DE LUCROS Como se vê nos demonstrativos de fls. 2387/2395 e 2.402/2.407, os valores tributáveis do IRPJ e CSLL foram obtidos mediante aplicação dos coeficientes respectivamente de 38,4% e 32% sobre as receitas, como previsto nos art. 27, I, da Lei 9.430/96, e art. 22 da Lei 10.684/03, de modo que, distintamente do que alegado, a base de cálculo destes tributos não corresponde à integralidade dos depósitos. Tampouco se cogita de que na autuação a movimentação bancária teria sido tomada como resultado da atividade. Pelo contrário, para apuração do IRPJ a utilização do coeficiente de arbitramento de 38,4% equivale a admitir que 61,6% dos recursos movimentados em conta corrente representam dispêndios necessários à atividade. Quanto a alegações relacionadas à validade do referido artigo 42, cumpre observar que, tratandose de dispositivo legal regularmente inserido no ordenamento jurídico brasileiro, não cabe a apreciação, em sede de julgamento administrativo, de questionamentos dessa natureza matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário como já visto. No tocante à menção ao art. 24 da Lei 9.249/95, dispõe ele que verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. No caso, para os períodos autuados (Anoscalendário 2006, 2007 e 2008), de acordo com as pesquisas de fls. 2203/2278, a Interessada apresentou DIPJ com opção pelo lucro real anual. Todavia, injustificável a pretensão de que a exigência se desse com observância desta forma de tributação uma vez que, como admitido pela própria contribuinte, a movimentação financeira questionada na autuação não foi contabilizada. Nestas circunstâncias, a Fiscalização considerou que a escrituração da empresa, por omitir as contas bancárias, apresenta evidentes indícios de fraude, o que a torna imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, bem como para determinação do lucro real, configurandose hipótese prevista no art. 530 do RIR/99 de arbitramento do lucro. Neste aspecto, recordese, acerca da apuração do do imposto de renda, que o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), em seu artigo 44, define três tipos de base de cálculo tributável: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A regra é de que as pessoas jurídicas sejam tributadas de acordo com o seu lucro real, determinado a partir das demonstrações financeiras. Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.754 24 É de se ressaltar que a sistemática de apuração da base tributável do IRPJ e CSLL adotada pelos contribuintes somente prevalece quando são apresentados, durante o procedimento fiscal, elementos suficientes que comprovem a regularidade da apuração informada ao órgão fiscalizador constituído pelo Poder Público, no caso a RFB. A legislação tributária impõe obrigações aos contribuintes de tributos federais, sendo a principal a de recolher os tributos devidos sobre as receitas e lucros auferidos no desenvolvimento de suas atividades econômicas, conforme dispositivos legais consolidados no Regulamento do Imposto de Renda vigente [destaques acrescidos]: REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RIR/1999 [aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 29/03/1999] Título IV Determinação da Base de Cálculo Subtítulo I Disposições Gerais Art. 218. O imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 25, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 55). Capítulo I – Base de Cálculo Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. (...) Capítulo II Período de Apuração Seção I Apuração Trimestral do Imposto Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). No que concerne às obrigações tributárias acessórias, a legislação determina aos contribuintes, além da entrega das declarações a que se obriga como pessoa jurídica, as quais devem refletir o real resultado aferido em sua escrituração, a manutenção em ordem dos livros e documentação contábil/fiscal com registro das operações realizadas no desenvolvimento de suas atividades econômicas e correspondentes resultados na situação patrimonial da sociedade. Logo, a escrituração contábil/fiscal das pessoas jurídicas e a documentação que lhe dá suporte, abrangendo todas as operações da empresa, além de ser mantida regularmente em dia, deverá ser disponibilizada ao Fisco, assim que solicitado, tornandose a Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.755 25 contribuinte única responsável pela inobservância de tais obrigações, segundo dispositivos do RIR/1999 a seguir [destaques acrescidos]: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Seção IV CONSERVAÇÃO DE LIVROS E COMPROVANTES Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2º (...) §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Capítulo IV VERIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE TRIBUTÁRIA Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.756 26 FISCALIZAÇÃO DO IMPOSTO Da prova Art. 923 A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Portanto, não remanesce qualquer dúvida quanto à obrigatoriedade imposta aos contribuintes de tributos federais acerca da manutenção em boa ordem e guarda da escrituração exigida na legislação e da documentação que ampare os registros. No caso, na ausência de escrituração refletindo todas as operações comerciais e sua movimentação financeira, a autoridade lançadora fica autorizada ao arbitramento das bases tributáveis da pessoa jurídica, conforme permissão inicial contida no próprio Código Tributário Nacional: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. No mesmo sentido, na ausência ou imprestabilidade de escrituração hábil e da correspondente documentação de suporte, a permitir a apuração do lucro real, a adoção da forma de tributação pelo arbitramento encontrase prevista no art. 530, inciso III, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.757 27 (...) Portanto, injustificável à menção ao art. 24 da Lei 9.249/95, posto que presentes circunstâncias que inviabilizam a adoção da tributação pelo lucro real. Pertinente também esclarecer que o arbitramento não é uma penalidade, mas sim a única conseqüência possível a uma situação consumada, qual seja a inexistência de escrituração contemplando a movimentação financeira, para a apuração do lucro real. O arbitramento é simplesmente um critério adotado para o cálculo do lucro. Nesse sentido, perfila a jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – órgão colegiado administrativo de julgamento em instância definitiva: “ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE – O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro” (Ac. CSRF/010.123/81). 6. DA OMISSÃO DE RECEITAS O contribuinte é acusado de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.758 28 em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. O contribuinte foi intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.759 29 Em resposta, apresentou diversos contratos que comprovariam que os depósitos em questão referiamse à atividade de fomento mercantil. Aduz ainda que as próprias diligências levadas a efeito pelo Fisco chegaram às mesmas conclusões. Discorre ainda, com profundidade e qualidade, acerca das operações de fomento mercantil, suas formas de tributação e, em especial, sobre a quantificação das receitas apuradas por empresas de factoring, qual seja, a diferença entre o valor de face do título e o valor pago na sua aquisição (deságio), nos termos dos ADNs Cosit nº 51/1994 e 31/1997. Requer, caso mantida a omissão de receitas, que sua quantificação se dê com base nos mesmos percentuais de deságios dos contratos anexados aos autos (2,8%), ou, alternativamente, o percentual divulgado mensalmente pela Associação Nacional de Fomento Comercial – ANFAC. Compulsando os autos, de fato, constatase de forma inequívoca que os depósitos bancários considerados omissão de receitas advêm de operações de fomento mercantil. A própria autoridade fiscal, em seu Termo de Verificação Fiscal (especificamente às fls. 2497 a 2500), após diligências conclui que os depósitos realizados nas contas correntes examinadas dizem respeito a operações de factoring. Ressalto excerto de tal relatório (fl. 2499): De acordo com as respostas apresentadas pelos terceiros vinculados (fls 1958 a 2202), os fatos econômicos que geraram direito e/ou obrigações ao recebimento e/ou pagamento teriam sido em decorrência de: ou operações de adiantamento de crédito para aquisição de insumos/matérias primas ou operações de venda de títulos de créditos à AM Factoring. Assim sendo, embora, de fato, não haja comprovação individualizada dos ganhos auferidos em cada operação, não há dúvida que os ganhos da Recorrente relativos aos contratos de fomento mercantil não podem ser quantificados pela mera soma dos depósitos bancários em questão. Há de analisar o contexto do procedimento fiscal, bem como o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, sob o prisma da razoabilidade e proporcionalidade. Houvesse dúvida a respeito das operações que deram origem às operações em comento poderseia argumentar que caberia ao contribuinte ao menos segregar e comprovar quais seriam os depósitos referentes a contratos de fomento mercantil. Contudo, após a Recorrente informar que os depósitos referiamse a títulos adquiridos em operações de fomento mercantil, a autoridade fiscal realizou circularização em clientes da Recorrente, obtendo resposta de todos eles que, de fato, os títulos haviam sido negociados com o contribuinte em operações típicas de factoring. Ou seja, não há dúvidas sobre a origem dos depósitos, de modo global, restando tão somente controvertido o efetivo ganho da Recorrente. Em situações idênticas às ora narradas, este Tribunal Administrativo chegou a cancelar a exigência fiscal, como se pode observar, por exemplo, no Acórdão nº 10322502, de lavra do Eminente Conselheiro Flávio Franco Correa, cujo excerto de interesse da ementa transcrevese a seguir: ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 PESSOAS JURÍDICAS QUE EXERCEM ATIVIDADE DE FACTORING No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de factoring, não há Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.760 30 como partir do pressuposto de que os depósitos bancários, sem origem comprovada, reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço. Diversamente, nas pessoas jurídicas do ramo de factoring, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos, como orientam o ADN Cosit nº 31/97 e o artigo 10, § 3º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Em suma, para corresponder à conceituação jurídica relativa à receita bruta da atividade de factoring, apenas os depósitos bancários não promovem a presunção de que, na ausência de comprovação de suas origens, a receita sonegada equivale, justamente, ao somatório dos referidos depósitos, no período de apuração. De outra banda, tal exegese pode implicar verdadeira impossibilidade de utilização da presunção legal de omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 no caso de empresas de factoring, o que também não me parece razoável, desincentivando os contribuintes a agirem em prol do princípio da colaboração que deles se espera durante um procedimento fiscal. Em situações análogas, mais recentemente, há inúmeros julgados no CARF que buscam conciliar os dois extremos, quais sejam, exonerar o contribuinte de qualquer exigência ou tributar todos os depósitos como se rendas fossem. Transcrevo, nesse sentido, excerto do voto condutor do acórdão nº 10809263, de relatoria da Ilustre Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro: Mas verifico uma questão favorável a recorrente, no que tange ao dimensionamento da base de cálculo imponível Presentes se encontravam os pressupostos de ocorrência do fato imponivel. A partir de então, para quantificar o ilícito, este seria operado sobre uma base de cálculo, que é a grandeza decorrente de regra matriz tributária. O próprio autuante no termo de verificação fiscal assim versou: "Foram tomados depoimentos de clientes da ICL Intermediação de Negócios Ltda, que nos anos de 1998 e 1999 fizeram operações de facturização de cheques (fis. 157160). Em todos os depoimentos houve a afirmação de que oscheques foram recebidos de uma factoring situada na Av. Sete de Setembro e que nenhum dos cheques foi recebido no endereço da empresa (Rua Nochi, 570). No depoimento de fl. 158 é informado que a factoring onde o depoente recebeu os cheques (Av. Sete de Setembro) é a mesma que funciona hoje no endereço da LCL Fomento Comercial Ltda., cujo endereço é General Osório, 1052A. No depoimento Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.761 31 de fl. 159, o depoente informa que a factoring onde recebe os cheques (Av. sete de Setembro) era de propriedade de Luis Cláudio Lemieszek Pereira. Em todos os depoimentos há a informação de que a única factoring com que costumavam transacionar naquele período era a situada na Av. Sete de Setembro. Na época a factoring que funcionava no referido endereço era a empresa LCL factoring Ltda. (fl. 84), hoje FortPel Participações e Representações Ltda., administrada, na época, pelos sócios Luis Cláudio Lemieszek Pereira, Luis Felipe Vaz e Cláudio Leão Lemieszek." Por sua vez o artigo 42 da Lei 9430/1996 não determina que se tenha no depósito em seu valor integral a base imponível para o lançamento. O depósito é o indicio da omissão e sua quantificação segue o que determina a própria legislação de regência do imposto de renda da atividade comercial do interessado. A menção especifica pelo autuante da atividade da recorrente, factoring, implicaria na conclusão de que pelo tipo de atividade a receita bruta não estaria no valor dos cheques comprados e sim na comissão que deles tirou. O artigo 42 acima mencionado, tratando de um tipo de infração fiscal, deve ser compreendido dentro dos limites de seus termos, pois outro sentido não se depreenderia do seu texto que pudesse sustentar a amplitude conferida pelo autuante, ao considerar a totalidade dos depósitos como omissão de receitas. Sendo o direito positivo quem prescreve quais fatos silo necessários à composição do fatojurídico gerador de norma, uma vez conhecida a atividade comercial da recorrente há que se aceitar a forma habitual de seu procedimento para aferição da renda como preceituada no inciso I do artigo 43 do CT1V, em respeito ao princípio da verdade material, uma dos pilares não só do processo administrativo tributário como da própria administração tributária. Sua busca corresponde a retirar, da narrativa dos fatos, o fato em si. Ensina James Marins que, "o dever de investigação da administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciara a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos." Ensina Paulo de Barros Carvalho as funções da base de cálculo, no procedimento de lançamento tributário, servem para bem mensurar a intensidade das determinações contidas no núcleo do fato jurídico, para, combinandoo à alíquota, definir o valor a ser recolhido. Ela confirma, infirma ou afirma o critério material exprimido na norma criadora do tributo. instrumento jurídico que se presta para: Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.762 32 a) medir as proporções reais do fato; b) compor a especifica determinação da divida; c) confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma." O autor da ação não atinou para este aspecto. Mas isto não invalida o trabalho fiscal, apenas reduz o montante exigível e, digase de passagem, sem qualquer novação no feito, porque, a base imponível foi conhecida a partir dos depósitos bancários, conforme demonstrado às fls. 1004/1005, (após ajustes realizados pela autoridade de primeiro grau), sobre os quais deverá incidir o fator de compra explicitado às fls. 564. A matéria já foi conhecida neste Colegiado, através do PAT 11516.002027/200213; Recurso n°. 135.058 EX OFFICIO; de 14/04/2004, onde foi restabelecido o lançamento através do Acórdão nº 10807.763, que esteve assim ementado: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — BASE IMPONÍVEL — DIMENSIONAMENTO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 42 DA LEI 9430/1996 FRENTE AO CONCEITO DE RENDA INSCULPIDO NO ARTIGO 43 do CTN — POSSIBILIDADE — Havendo nos autos a prova fornecida pela recorrente quanto à real base de cálculo do tributo e não sendo esta expressamente contestada pelo autor da ação, a autoridade julgadora deverá aceitála como suficiente para realização do lançamento de ofício, devendo cancelar apenas a parcela que exceder a este valor. [...] São esses os motivos que me convenceram a [...] no mérito dar parcial provimento ao recurso para ajustar a base de cálculo imponível aos percentuais estabelecidos para a atividade de factoring. Base inicial nas tabelas de fls.1004/1005, (após ajustes realizados pela autoridade de primeiro grau, considerando os fatores de compra explicitados às fls. 564) nos valores seguintes: [...] O voto citado aplicase perfeitamente ao recurso ora julgado. A própria Câmara Superior já se posicionou no mesmo sentido, conforme podese observar no Acórdão n.º 9101001.563, de relatoria da Ilustre Conselheira Suzy Gomes Hoffmann, cujo excerto de interesse de seu voto tomo a liberdade de transcrever: Na medida em que a fiscalização constatar a omissão de receitas, não demonstradas na escrituração do contribuinte, por empresas de factoring, duas situações poderiam ocorrer: (i) o contribuinte poderia provar que as receitas eram oriundas das atividades de factoring, quando, então, a apuração do Lucro Real deveria ser o método para quantificar o lucro arbitrado e, nesse caso, haveria espaço para a utilização dos índices da Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.763 33 ANFAC (ex vi art. 24 da Lei 9.249/95 c.c art. 14,VI, da Lei 9.718/98); ou (ii) o contribuinte, ante a impossibilidade de provar a natureza das receitas omitidas, ficaria sujeito ao arbitramento do lucro fundamentado no critério legalmente estabelecido para tanto, não mais possível a produção de prova em contrário, já que, não provando o antecedente (natureza das receitas), não caberia a prova do consequente (Lucro Real), de forma que não caberia perquirir qual o valor de mercado do deságio que deveria ser utilizado para o arbitramento do lucro, pois, de qualquer maneira, as receitas não seriam caracterizadas como receitas da compra de créditos. Conforme explanado, é incontroverso que os depósitos em discussão referemse a operações de factoring. Portanto, concluo que a base tributável deve ser apurada pela aplicação do "Fator de compra", indicador publicado pela ANFAC Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring e que serve de referência para os negócios de fomento no país. Não há como se acolher o pedido da Recorrente de se utilizar o percentual de 2,8% como ganho médio, pois tal percentual decorreu de uma única operação isolada. Mostrase mais prudente a utilização de um índice que melhor reflete os ganhos médios, nos respectivos períodos, em operações similares. O Fator ANFAC constitui um preço de referência para o mercado nas suas relações com as empresas/clientes. O Fator é a precificação da compra de créditos, computandose todos os itens de custeio de uma sociedade de fomento. A fim de evitar maiores discussões a respeito da liquidação do presente julgado, efetuei consulta no sítio http://www.anfac.com.br/v3/anfacfator.jsp#anfac, identificando os fatores de compras informados pela ANFAC, referentes a cada mês objeto da presente exigência aplicandoos sobre o montante de depósitos mensais indicado no Termo de Verificação Fiscal (planilhas 4, 5 e 6 às fls. 25032504), conforme demonstrado a seguir: Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.764 34 OMISSÃO LANÇADA OMISSÃO MANTIDA janeiro 66.118,98 60.987,03 127.106,01 4,52% 5.745,19 fevereiro 11.888,57 42.060,34 53.948,91 4,51% 2.433,10 março 36.444,49 50.729,10 87.173,59 4,51% 3.931,53 268.228,51 12.109,82 abril 15.779,12 17.417,96 33.197,08 4,42% 1.467,31 maio 48.528,26 11.342,45 59.870,71 4,35% 2.604,38 junho 55.683,20 8.114,40 63.797,60 4,31% 2.749,68 156.865,39 6.821,36 julho 63.158,54 158.052,46 221.211,00 4,29% 9.489,95 agosto 74.537,90 237.527,85 312.065,75 4,24% 13.231,59 setembro 64.866,80 171.073,29 235.940,09 4,13% 9.744,33 769.216,84 32.465,87 outubro 127.773,56 179.960,34 307.733,90 4,06% 12.494,00 novembro 76.970,69 276.344,51 353.315,20 3,99% 14.097,28 dezembro 89.328,62 261.580,18 350.908,80 3,96% 13.895,99 1.011.957,90 40.487,26 OMISSÃO LANÇADA OMISSÃO MANTIDA janeiro 63.046,42 294.217,78 357.264,20 3,96% 14.147,66 fevereiro 49.310,71 147.668,96 196.979,67 3,95% 7.780,70 março 53.033,34 154.910,18 207.943,52 3,94% 8.192,97 762.187,39 30.121,33 abril 132.153,96 141.799,19 273.953,15 3,92% 10.738,96 maio 180.080,23 188.004,33 368.084,56 3,91% 14.392,11 junho 99.282,11 96.077,21 195.359,32 3,90% 7.619,01 837.397,03 32.750,08 julho 188.493,88 122.438,15 310.932,03 3,90% 12.126,35 agosto 216.850,80 141.408,10 358.258,90 3,91% 14.007,92 setembro 169.992,38 109.452,89 279.445,27 3,91% 10.926,31 948.636,20 37.060,58 outubro 219.501,08 143.713,19 363.214,27 3,92% 14.238,00 novembro 129.397,84 143.664,54 273.062,38 3,94% 10.758,66 dezembro 261.781,61 86.684,45 348.466,06 3,96% 13.799,26 984.742,71 38.795,91 OMISSÃO LANÇADA OMISSÃO MANTIDA janeiro 216.987,52 143.080,39 360.067,91 3,96% 14.258,69 fevereiro 151.704,81 195.487,67 347.192,48 3,95% 13.714,10 março 72.323,58 152.940,65 225.264,23 3,95% 8.897,94 932.524,62 36.870,73 abril 150.486,22 162.366,04 312.852,26 3,98% 12.451,52 maio 63.619,70 29.387,09 93.006,79 3,99% 3.710,97 junho 80.504,37 66.865,62 147.369,99 4,01% 5.909,54 553.229,04 22.072,03 julho 65.720,83 30.909,11 96.629,94 4,02% 3.884,52 agosto 117.942,65 54.155,76 172.098,41 4,03% 6.935,57 setembro 113.984,01 13.355,11 127.339,12 4,00% 5.093,56 396.067,47 15.913,65 outubro 245.265,65 26.997,29 272.262,94 4,07% 11.081,10 novembro 148.065,10 41.965,62 190.030,72 4,07% 7.734,25 dezembro 102.690,70 13.495,56 116.186,26 4,07% 4.728,78 578.479,92 23.544,13 TOTAL TRIMESTRAL TOTAL TRIMESTRAL 2008 CEF BB TOTAL DE DEPÓSITOS (LANÇAMENTO) FATOR ANFAC RECEITA MENSAL OMITIDA CONFIRMADA 2007 CEF BB TOTAL DE DEPÓSITOS (LANÇAMENTO) FATOR ANFAC RECEITA MENSAL OMITIDA CONFIRMADA Planilha 04 créditos/depósitos nas contas da CEF e BB Planilha 05 créditos/depósitos nas contas da CEF e BB Planilha 06 créditos/depósitos nas contas da CEF e BB 2006 CEF BB TOTAL DE DEPÓSITOS (LANÇAMENTO) FATOR ANFAC RECEITA MENSAL OMITIDA CONFIRMADA TOTAL TRIMESTRAL Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para REDUZIR a base de cálculo de acordo com a aplicação do percentual divulgado pela ANFAC. Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.765 35 7. LANÇAMENTOS REFLEXOS Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. De igual forma, o arbitramento de lucros levado a efeito em relação ao IRPJ impõe a mesma sistemática de apuração à CSLL. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, considerando as conclusões do IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter a simetria em tais exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser mantidos parcialmente, considerandose como receitas omitidas os valores indicados nas tabelas reproduzidas no item anterior deste voto. 7.1 Alíquota de PIS e de Cofins e Dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ A respeito do tema, a decisão recorrida mostrase irretocável, razão pela qual adotoa em parte como fundamento de meu voto, transcrevendoa conforme possibilita o §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99: Alega também a Impugnante estar submetida à sistemática de apuração pelo lucro real, tendo apurado PIS e Cofins pelo regime da não cumulatividade. Todavia, inviabilizada a manutenção, pelos motivos já analisados, da forma de tributação pelo lucro real para apuração do IRPJ e da CSLL, resta afastada a possibilidade de apuração da contribuição ao PIS e da Cofins pelo regime da nãocumulatividade, a teor do art. 8º, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, e art. 10, inciso II, da Lei 10.833, de 2003, leis estas que introduziram a sistemática nãocumulativa como segue: Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.766 36 Lei 10.637 de 30/12/2002 “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; ...” Lei n° 10.833 de 29/12/2003 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6°, 8° e 9° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, e na Lei n° 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; ....” No tocante às alíquotas de PIS e Cofins, defende a Impugnante que deveriam ser reduzidas a zero posto que a receita auferida teria natureza de receita financeira. Contudo, não há como acatar tal pretensão [...] porque [...]a receita decorrente do deságio, distintamente do que defende a Impugnante, não se equipara a receita financeira. Esse é o entendimento da administração tributária externado nas Soluções de Consulta invocadas pela própria defesa, a exemplo daquelas de nº 271 e 332, ambas da 8ª Região Fiscal, proferidas em 2009, de cujas ementas se extrai: Solução de Consulta nº 332 de 28/09/2009 – SRRF08/Disit ... FACTORING. RECEITA FINANCEIRA. Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.767 37 EMPRESAS DE FACTORING. JUROS DECORRENTES DE RECEBIMENTOS DE TÍTULOS EM ATRASO. Constituemse como receitas financeiras os valores recebidos a título de juros recebidos em decorrência do atraso no pagamento, pelos sacados, dos títulos adquiridos pela consulente, nas suas operações de factoring. Por outro lado a diferença entre o valor de face e o valor de aquisição de títulos ou direitos de crédito adquiridos por essas empresas, resultante de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, por não ser considerada receita financeira, deve integrar a base de cálculo da contribuição.. (destaques incluídos) Solução de Consulta nº 272 de 07/08/2009 – SRRF08/Disit ... FACTORING. RECEITA FINANCEIRA As receitas financeiras auferidas pela empresa de fomento comercial (factoring), tais como os juros de mora decorrentes do atraso no pagamento, pelos sacados, dos títulos adquiridos ou da recompra, pelos clientes, dos títulos inadimplidos pelos sacados, quando houver previsão contratual de responsabilidade do cliente pela solvabilidade destes estão beneficiadas pela redução a 0% (zero por cento) da alíquota da Cofins na forma prevista no art. 1º do Decreto nº 5.442, de 2005 Por outro lado a diferença entre o valor de face e o valor de aquisição de títulos ou direitos de crédito adquiridos por essas empresas, resultante de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, por não ser considerada receita financeira, deve integrar a base de cálculo da contribuição. (Destaques incluídos) Como se vê, a Solução de Consulta é clara ao atribuir natureza de receita financeira apenas a valores recebidos a título de juros decorrentes de pagamentos recebidos em atraso e não a valores recebidos em razão do deságio de títulos. De todo modo, no caso, a contribuinte não logrou êxito em vincular cada crédito questionado pela Fiscalização a determinada operação de factoring e, muito menos, comprovar documentalmente que corresponderia a receita de juros. Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.768 38 Assim, não se encontra fundamento legal nem fático para a pretensão da Impugnante. Dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ Argumenta, ainda, a Impugnante que deveriam ser deduzidos, da base de cálculo do IRPJ, os valores da CSLL, questionando a constitucionalidade do art. 1º da Lei 9.316/96. Todavia, também sob este aspecto, mostrase inaplicável a pretensão da defesa pois além de a dedutibilidade dos tributos estar condicionada à sua regular contabilização para apuração do lucro real, o que não é o caso dos autos , os valores lançados no presente processo foram obtidos segundo a forma de tributação pelo lucro arbitrado, sendo aplicado, sobre a receita representada pelos depósitos de origem não identificada, o coeficiente de apuração da base de cálculo (38,4% para o IRPJ), coeficiente este no qual já estão contempladas todas as deduções cabíveis. Ademais, ainda que tivesse sido adotada a forma de tributação pelo lucro real – o que não é o caso do presente processo , cumpre consignar que, como admite a própria Impugnante, a questão é objeto de discussão pelo STF, que já reconheceu a repercussão geral da matéria, no Recurso Extraordinário 585.525, no qual, conforme andamento abaixo reproduzido, ainda não se tem notícia de decisão plenária definitiva favorável ao entendimento da contribuinte. Pelo contrário, a movimentação processual noticia que em julgamento do mérito de 09/05/2013 o Tribunal, por maioria, negou provimento ao Recurso. [...] Nestas circunstâncias, ainda que se tratasse de lucro real, o que, repitase, não é o caso nestes autos, injustificável se mostra a alegação de inaplicabilidade do art. 1º da Lei n° 9.316/96, posto que este dispositivo permanece integrando o ordenamento jurídico. 8. DA MULTA DE OFÍCIO A Recorrente insurgese contra a aplicação da multa qualificada de 150%. Sustenta ser ilegal e despropositada a qualificação da penalidade. Argumenta que, tendo o lançamento sido constituído sob presunções de omissões de receita, a lei não autoriza a qualificação da multa, citando ainda a Súmula 15: "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autorizada a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuído de fraude do sujeito passivo". Discordo de tal irresignação. Em relação aos depósitos em contas de terceiros, não há reparos a fazer em relação à decisão recorrida. Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.769 39 A previsão legal da multa de 150% encontrase no art. 44, §1° da Lei nº 9.430, de 1996 e Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a seguir transcritos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007) ......................................................................................................... .......................... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007) ____________________________________________________ _____________ Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. A conduta do contribuinte consistiu em movimentar recursos financeiros à margem da contabilidade e em conta de interposta pessoa, o que afasta qualquer dúvida quanto à existência do dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.720396/201148 Acórdão n.º 1402001.885 S1C4T2 Fl. 2.770 40 A propósito, nos lançamentos de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, a qualificação da multa, em caso de constatação do expediente de movimentação financeira por interpostas pessoas, é matéria sumulada no CARF, conforme verbete n° 34: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Quanto à arguição de inconstitucionalidade por confisco, importa compreender que a apreciação da inconstitucionalidade de normas é de competência privativa do Poder Judiciário. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo aos juízes e tribunais. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois a autoridade fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas da legislação tributária, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. Assim sendo, negase provimento ao recurso no tocante à penalidade cominada. 8. CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas e no tocante à responsabilidade tributária, rejeitar as arguições nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a aplicação sobre os depósitos bancários objetos da autuação, para fins de quantificação da receita omitida, dos índices de lucratividade das atividades de factoring divulgados pela ANFAC. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000089/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 08 9/ 20 09 -5 0 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000089/200950 Resolução nº 3401000.864 S3C4T1 Fl. 446 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, pela a Contribuinte pretende o ressarcimento da COFINS nãocumulativa vinculada a operações do mercado interno do segundo trimestre de 2008 (fls.40/42). A delegacia de origem indeferiu o crédito, sob fundamento de que no Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0071850 foi determinado que a autoridade administrativa analisasse o pedido da Contribuinte no prazo de 30 dias. Contudo, para cumprir esse prazo seria necessário que a Contribuinte apresentasse as provas da existência do crédito, dentre elas, os livros contábeis. Como assim não fez, não ficou comprovado a existência do crédito (fls.138/142). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 145/154), mas a DRJ São Paulo I/SP manteve o indeferimento ao prolatar acórdão (fls.353/362) com a seguinte ementa: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O crédito pleiteado em Pedido de Ressarcimento deve ter sua liquidez e certeza comprovadas para que o pleito seja deferido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/11/2009 (fl. 364) e interpôs recurso voluntário em 18/12/2009 (fls.365/378) com as alegações resumidas abaixo: · O crédito em questão foi pleiteado por empresa sediada no Rio Grande do Sul, que, desde agosto de 2009, depois das sucessões empresariais, passou ser sediada na cidade de Itajaí/SC, portanto, a DRJ São Paulo I era incompetente para julgar a manifestação de inconformidade, de modo que a decisão é nula. · O despacho de decisório é nulo, vez que o prazo concedido para apresentação dos documentos para comprovação do crédito, cinco dias, foi insuficiente e a legislação determina o mínimo de vinte dias; · Também configura o cerceamento de defesa no acórdão da DRJ, ao exigir que a Recorrente tivesse apresentado os arquivos digitais, quando as informações presentes neles podem ser verificadas nos arquivos juntados à manifestação de inconformidade; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000089/200950 Resolução nº 3401000.864 S3C4T1 Fl. 447 3 · A Recorrente não poderia anexar os documentos comprovadores de seu crédito à PER/DCOMP e, como o prazo dado pela delegacia de origem foi insuficiente, juntou posteriormente aos autos documentos como cópias das DACONs, planilhas com a composição das DACONs e as informações como data de geração de crédito, data de pedido de ressarcimento, data de estorno de crédito, dentre outras informações. Além disso, em razão do grande volume de documentos, não foram anexados aos autos, mas foram expressamente colocados à disposição do Fisco em caso da realização de diligência livros fiscais, livros contábeis e notas fiscais; · Com base no Princípio da Verdade Material, os documentos apresentados pela Recorrente e deixados à disposição do Fisco devem ser analisados. Ao fim, a Recorrente pediu a declaração de nulidade do acórdão da DRJ em razão da incompetência; a declaração de nulidade do acórdão da DRJ em razão do cerceamento de defesa ou o reconhecimento do direito ao ressarcimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento de crédito da COFINS nãocumulativa e se insurge contra o acórdão da DRJ sob alegação, preliminar, de nulidade da decisão da instância inferior e, no mérito, sustenta que os documentos apresentados nos autos de colocados à disposição de diligências comprovam a existência do crédito. Sendo assim, devese analisar as nulidades arguidas pela Recorrente e, se ultrapassadas, julgar a existência de crédito. 1. Da nulidade do despacho decisório A Recorrente alega que o despacho decisório é nulo, pois teria sido proferido com cerceamento de defesa, vez que a não lhe foi dado prazo suficiente para apresentar os documentos necessário a provar a existência do crédito. Neste ponto, não cabe razão a Recorrente. Na situação de fato, quando moveu a ação judicial requerendo mais rapidez na análise de pedido de ressarcimento, a Recorrente já deveria ter separados os documentos que supostamente provam a existência do crédito. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000089/200950 Resolução nº 3401000.864 S3C4T1 Fl. 448 4 Além disso, o prazo dado pela autoridade fiscal para a apresentação dos documentos fezse necessário em razão do exíguo tempo para o cumprimento da liminar. Na decisão judicial liminar de fl. 04/07, o Excelentíssimo Magistrado da 15ª Vara Cível da Seção Judiciária do Estado de São Paulo concedeu o prazo de apenas trinta dias para que delegacia de origem se manifestasse, conclusivamente, sobre o pedido de ressarcimento. Caso fossem concedidos vinte dias para que a Contribuinte apresentasse os documentos, seria inviável cumprir a decisão liminar. Como a autoridade fiscal agiu em cumprimento à decisão judicial, cuja origem foi um pedido da própria Contribuinte, não se vislumbra a ocorrência de qualquer tipo de nulidade do despacho decisório proferido nessas circunstâncias. Portanto, não há razão para declarar o despacho decisório nulo. 2. Da existência do crédito As ocorrências no presente processo demonstramse atípicas. Notase que, em razão da decisão judicial, o prazo dado à Contribuinte para apresentação dos documentos foi inferior ao prazo que se pratica. Com isso, o crédito negado por falta de prova e que o resultado poderia ter sido diferente em outras circunstâncias. Nas fls. 272/289 dos presentes autos, a Recorrente juntou DACONs e planilhas para demonstrar a existência do crédito, bem como se pôs à disposição para apresentar demais documentos necessários para provar o direito creditório. Diante dos fatos ocorridos e do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal, é caso de realização de diligência, a fim de que o direito ao crédito seja analisado com mais detalhes. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, a qual deve analisar os documentos já apresentados nos autos e intimar a Recorrente para apresentar os documentos necessários e, ao fim, elaborar relatório conclusivo respondendo às seguintes questões: 1 A Contribuinte tem direito ao crédito do COFINS nãocumulativa referente ao segundo trimestre de 2008? Em caso de resposta positiva, qual o valor do crédito? 2 O crédito é suficiente para extinguir o débito compensado? 3 – Fazer juntada das Portarias que definiram a competência da DRJ São Paulo I, especificamente deste processo. Após a conclusão da diligência, a Contribuinte deve ser intimada para, querendo, apresentar manifestação no prazo de trinta dias. Vencido o prazo, os autos devem retornar para julgamento do CARF, ainda que a Recorrente não tenha se manifestado. Ex positis, converto o julgamento em diligência, nos termos propostos acima. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 444DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910877/2008-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 77 /2 00 8- 61 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910877/200861 Acórdão n.º 3803006.697 S3TE03 Fl. 61 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 12.891,86, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910877/200861 Acórdão n.º 3803006.697 S3TE03 Fl. 62 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910877/200861 Acórdão n.º 3803006.697 S3TE03 Fl. 63 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910877/200861 Acórdão n.º 3803006.697 S3TE03 Fl. 64 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914602/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 46 02 /2 00 9- 11 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914602/200911 Acórdão n.º 3402002.547 S3C4T2 Fl. 352 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de IRPJ, com crédito decorrente de pagamento considerado a maior, a título de PIS, atinente ao período de apuração 05/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da Perd/Comp juntada aos autos (fls. 04/08). A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 11), pela não homologação da compensação efetuada, pela inexistência do direito creditório pleiteado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte tomou ciência do despacho em 03/04/2009, conforme se verifica no AR de fl. 08 e apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 13/16) em face ao referido despacho. Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição para o PIS, no montante de R$28.022,07, está incorreto; sendo que o valor correto do débito corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$26.545,23. Ressalta que o crédito original informado no PER/DCOMP (fls. 04/08), no valor de R$1.476,84 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado. Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1331.783 (fls. 114 a 116), de 14/10/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 354DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Para a DRJ, o Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 05 de 2002, se o confessado na DCTF ou aquele informado em DIPJ. Para o órgão julgador, o Contribuinte deveria ter trazido documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o que ocorreu, para a DRJ, foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo que votouse no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo se integralmente o despacho decisório recorrido, conservando exigível a cobrança do débito não compensado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, o contribuinte apresentou tempestivamente o recurso de fls. 125 a 130. O recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Apresentou, ainda, Livro de Balancetes Retificadores (doc. 05) onde, segundo a recorrente, resta clara a existência de um crédito em seu favor no montante de R$1.476,84. Ao fim requer o recebimento do recurso voluntário e seu regular processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral do crédito de PIS informado, homologando a compensação objeto do recurso. DA DILIGÊNCIA DO CARF Em 01/09/2011, às fls. 162 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acordou por converter o julgamento em diligência, sustentando que os balancetes retificadores apresentados não contêm a comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário. Ao final requereu as seguintes providências: 1 – Intime o contribuinte a apresentar a cópia dos Livros de Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, especificamente quanto ao período objeto deste processo administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de encerramento; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914602/200911 Acórdão n.º 3402002.547 S3C4T2 Fl. 353 5 2 – Intime o contribuinte a apresentar cópia fiel e autenticada pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao período objeto deste processo administrativo, contendo os lançamentos que compõem os Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, como também os próprios Balancetes, nos termos da legislação pertinentes aos livros societários, que contenha ainda os Termos de Início e Encerramento respectivos; 3 – Que a Repartição de Origem certifique que as cópias acostadas correspondam ao que contam dos originais contidos no Livro Diário e respectivos Balancetes. 4 – Finalmente, que a Repartição de Origem se manifeste, através de relatório circunstanciado, se o crédito apontado na DIPJ do contribuinte está em consonância com os dados contidos no Livro Diário e Livro de Balancetes, referente ao período objeto deste processo administrativo, certificando a existência ou não de pagamento indevido ou a maior pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Intimado às fls. 169, na data de 29/10/2013, às fls. 175 (n.e.), o contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF. Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente. Intimado às fls. 326, o contribuinte, às fls. 331, manifestouse acerca do relatório de diligência fiscal, concordando com o mesmo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 344 (trezentos e quarenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto João Carlos Cassuli Junior Relator Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados a seguir colacionados: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302002.979 em 18.02.2004) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / ACÓRDÃO 2302002.424 em 02.05.2013) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914602/200911 Acórdão n.º 3402002.547 S3C4T2 Fl. 354 7 Ante o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 11516.002611/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3401-000.073
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-14T13:06:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-14T13:06:40Z; Last-Modified: 2011-10-14T13:06:40Z; dcterms:modified: 2011-10-14T13:06:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:76941a13-6e14-4a9a-bdf5-48bcee0dac40; Last-Save-Date: 2011-10-14T13:06:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-14T13:06:40Z; meta:save-date: 2011-10-14T13:06:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-14T13:06:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-14T13:06:40Z; created: 2011-10-14T13:06:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-10-14T13:06:40Z; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-14T13:06:40Z | Conteúdo => S3-C4 -1- 1 Fl 118 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11516.002611/2007-83 Recurso n° 506.871 Resolução n° 3401-00.073 — 4° Câmara / P Turma Ordinária Data 30 de setembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. /271 - GilsOn a e ositospburg Filho - Presidente assi Guerzoni Filho elator Pun s am do julg en o os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Trata-se de PER/Dcomp entregue em 14/02/2006 com a indicação da existência de Crédito Pagamento Indevido ou a Maior PIS/Pasep no valor original de R$ 51.353,99, relativo ao pagamento do PIS/Pasep do período de apuração de fevereiro de 2001, efetuado em 15/03/2001, para a compensação de debito do próprio PIS/Pasep do período de apuração de janeiro de 2006, com vencimento para 15/02/2006. Todavia, do confronto que fez entre o valor PIS/Pasep devido e o valor recolhido, a DRF/Florianópolis-SC não vislumbrou a existência de n‘nhum saldo credor em favor do interessado e não homologou a compensação declarada. 1 Na Manifestação de Inconformidade a interessada trouxe à baila informações mais detalhadas acerca da origem do crédito pleiteado, ou seja, não tratar-se-ia de um recolhimento a maior puro e simples, mas, sim, de um recolhimento feito a maior por ter incluído na formação da base de cálculo do PIS/Pasep o valor correspondente a "Outras Receitas" (receitas financeiras e receitas não operacionais), não integrantes do faturamento, Assim, insurgindo-se contra a parte do Despacho Decisório que não reconhecera o seu direito ao crédito, desfilou argumentos direcionados na defesa da tese de que o "alargamento da base de cálculo da Cofins" trazido pelo § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, fora julgado inconstitucional pelo STF, o que estaria a justificar o seu pedido de reconhecimento de pagamento a maior ou indevido. Juntou, à fl. 41, demonstrativo demonstrando os efeitos da inclusão na base de cálculo dos valores correspondentes As receitas financeiras e As receitas não operacionais. A 4"rurma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, entendeu não poder manifestar-se a respeito de ilegalidades ou de inconstitucionalidades de legislação tributária e manteve na integra o Despacho Decisório. No Recurso Voluntário, a interessada repetiu os argumentos em defesa de seu alegado crédito (inclusão indevida na base de cálculo do Pis do valor das receitas financeiras e das receitas não operacionais), de seu procedimento de compensação, e, para pedir a reforma da decisão recorrida, invocou o parágrafo 6°, do art. 26-A, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela 11.941, de 27/05/2009, cuja aplicação teria cabimento em face do § 1° do artigo 3 0 da Lei n° 9.718, de 1998, já ter sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF. Assim, para a Recorrente, não se trataria de permitir ao órgão administrativo declarar a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, mas, sim, da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar uma norma inconstitucional o Relatório, no essencial, elaborado a partir de arquivo digitalizado. Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 08/07/2009, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 31/07/2009. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de se ressaltar que a DRF não teceu qualquer consideração acerca do real motivo que levou a interessada a formular o pedido de reconhecimento de um crédito, qual seja, o "alargamento da base de cálculo", até porque os campos disponíveis para preenchimento nas Dcomp não chegam a tal nível de detalhamento, o que só se deu quando da Manifestação de InconfOrmidade. Assim, a DRF formou sua convicção quanta A inexistência de crédito diante apenas do confronto que fizera entre o valor indicado na DCTF e o valor recolhido. Note-se que o valor pleiteado nada mais é do que aquele obtido pela aplicação da alíquota do PIS/Pasep, de 0,65%, sobre R$ 7.906.614,13, correspondente A soma das rubricas receitas financeiras e receitas não operacionais (fl. 41), ou seja, os R$ 51.353,99 indicados como pagamento a maior. E essa matéria alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cotins — embora venha recebendo da parte deste Colegiado o mesmo tratamento reclamado pela ora Recorrente, não pode ser ainda julgada haja vista que, no presente caso, não foram carz ,,íados ao DASSI GUERZONI Fl o Processo n° 11516,002611/2007-83 S3-C4T1 Resoluck, n.° 340140.073 F1, 119 processo elementos capazes de elidir quaisquer dúvidas quanto it formação dos valores daquelas receitas, ou seja, não se tem a certeza de que nelas não estejam outros valores que não apenas os decorrentes do faturamento da empresa. Assim, em face dessa incerteza, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem traga a este Colegiado a informação precisa quanto aos valores que integram as referidas rubricas receitas financeiras e receitas não operacionais, isto 6, se nelas estão mesmo contidos valores que nada têm a ver com o faturarnento da empresa. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestar-se no prazo de dez dias. Ap 's, o processo deverá retornar a este Colegiado. 3
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Numero do processo: 10380.906975/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § Iº, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, .. 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Angela Sartori.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente) Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Mota Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § Iº, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § Iº, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, .. 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 69 75 /2 00 9- 16 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente) Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Mota Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 174,18. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DiPJ's e DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10380.906975/200916 Acórdão n.º 3401002.695 S3C4T1 Fl. 3 3 bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJTs e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de COFINS em 30/11/2003 perfazia originalmente 17.650,30 (dezessete mil, seiscentos e cinqüenta reais e trinta centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos (pagamentos e compensações) no montante de R$ 18.451,57 (dezoito mil, quatrocentos e cinqüenta e um reais e cinqüenta e sete centavos) (também valores principais), remanescendo saldo credor original de R$ RS 801,27 (oitocentos e um reais e vinte e sete centavos), valor este parcialmente utilizado nesse Pedido de Compensação. . Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.245 – 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu pedido. Em Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.245 ficou assim redigida: AS S U N T O : P R O C E S S O A D M I N I S T R A T I V O F I S C A L Anocalendário: 2003 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10380.906975/200916 Acórdão n.º 3401002.695 S3C4T1 Fl. 4 5 o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o iem ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Referido Conselho ao analisar as manifestações do contribuinte aduziu, em síntese que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". E finaliza o julgamento do recurso com a Resolução n 3402000.175 – da 2ª Turma da 4ª Câmara do CARF, baixando o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias e indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), concluiu Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10380.906975/200916 Acórdão n.º 3401002.695 S3C4T1 Fl. 5 7 que os demonstrativos apresentados às fls. 11/12 dos autos, onde se apura o valor correto do tributo devido, encontra fidelidade com os registros contábeis exibidos. Ela verificou que, na apuração da base de cálculo originária, o contribuinte incluíra valores de outras receitas afora as oriundas das receitas de convênios e receitas de exames, receitas estas as principais de sua atividade. Constou naquela base de cálculo receitas decorrentes de variação monetária ativa, juros ativos, rendimentos de aplicações financeiras, reversões de provisões entre outras. A autoridade fiscal finaliza seu parecer informando: Assim, em procedimento de acerto da base de cálculo em consonância com o conceito de faturamento reconhecido pelo STF, cuja a observância é solicitada pelo julgado acima, constatamos que o valor correto da contribuição é de R$ 17.819,56. Como o contribuinte originalmente apurou o valor de R$ 18.451,73, e pagou R$ 18.451,57; considerando o valor pago há uma diferença de tributo a seu favor no montante de R$ 632,01.(18.451,5717.819,56 = 632,01). Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recuso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra a decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 03932.14458.301106.1.3.04.8154. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Cofins, referente ao mês de novembro de 2003 e efetuado em 15.12.2003. com débito de estimativa de IRPJ, respeitante ao mês de outubro de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 103 20594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6a Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Io Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/200267, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 10247820, Sessão de 16/08/2006) Correta a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10380.906975/200916 Acórdão n.º 3401002.695 S3C4T1 Fl. 6 9 necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Por outro lado, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Há decisões do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Io, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 101 95764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Io, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, limar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475 L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Sessão de 01/07/2008). A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência confirma em parte as alegações do recorrente e os valores que seriam devidos desse tributo no período em questão. Por todos esses elementos, concluo que deve se dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito até o total calculado pela autoridade jurisdicionante em sua Informação Fiscal às fls. 174176. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10650.000314/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 50 .0 00 31 4/ 20 10 -9 1 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10650.000314/201091 Resolução nº 2402000.479 S2C4T2 Fl. 174 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0938.896 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Juiz de Fora (MG), fl. 135142, com ciência ao sujeito passivo em 29/03/2012, fl. 150151, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.319.1618, do qual o sujeito passivo tomou ciência em 15/10/2010, fl. 437. De acordo com o relatório fiscal de f. 1924, o lançamento trata de exigência das contribuições patronais devidas para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos vereadores no período de 01/01/2005 a 31/12/2007. O Ente autuado impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que os vereadores Afrânio Cardoso de Lara Resende, Hely Geraldo de Andrade e Marilda Ribeiro Resende são servidores públicos estaduais detentores de cargos efetivos e nessa condição estão vinculados ao Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSENG), e que o exvereador Valdecy Caetano de Souza é servidor público federal detentor de cargo efetivo e nessa condição está vinculado ao regime próprio de previdência social dos servidores públicos federais. Afirma que esses agentes políticos eram vinculados aos seus empregos públicos, auferiam salários e tinham os descontos em seus proventos que eram recolhidos aos institutos de previdência dos regimes próprios, de modo que não participam do Regime Geral de Previdência Social, nos termos da parte final do artigo 12, inciso “j”da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 10.887/2004. Sustenta que recolheu as contribuições incidentes sobre as remunerações dos demais vereadores e pede o cancelamento do crédito tributário. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário lançado, reconhecendo a decadência do período de janeiro a novembro/2005. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2007 37.319.161.8 Ementa AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AGENTES POLÍTICOS. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E PARA O RAT. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA. São devidas as contribuições tributárias previdenciárias sobre a remuneração paga pelo Ente Municipal ao detentor de cargo eletivo municipal, salvo se o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10650.000314/201091 Resolução nº 2402000.479 S2C4T2 Fl. 175 3 Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, estiver afastado dele para o exercício do mandato eletivo e filiado a Regime Próprio de Previdência Social no cargo de origem, É cabível a aplicação de multa e juros na ocorrência de não recolhimento das contribuições devidas, ou mesmo na hipótese do recolhimento em atraso, nos termos da previsão legal e regulamentar. A decadência, mesmo não argüida na impugnação, deve ser declarada de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Ente Federativo, por meio de seu procurador, interpôs recurso, fl. 154161, no qual reitera, na íntegra, as razões da defesa. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10650.000314/201091 Resolução nº 2402000.479 S2C4T2 Fl. 176 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Diligência O Município alega que os vereadores Afrânio Cardoso de Lara Resende, Hely Geraldo de Andrade, Marilda Ribeiro Resende e Valdecy Caetano de Souza estão vinculados a Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) na condição de servidores públicos detentores de cargos efetivos. Essa informação foi dada à fiscalização durante o desenvolvimento da ação fiscal, fl. 55, entretanto, o relatório fiscal nada dispõe a esse respeito. O Município sustenta, ainda, que recolheu as contribuições incidentes sobre o pagamento feito aos demais vereadores. A esse respeito, o relatório fiscal esclarece que os valores aqui lançados não foram declarados em GFIP e que “para os valores constantes nas competências neste AI não foram apresentados até esta data nenhum recolhimento ou objeto de parcelamento de débito” (item 2.2, fl. 20). As informações sobre pagamento de tributos constam dos bancos de dados de arrecadação da Receita Federal do Brasil, cabendolhe, por meio de seus agentes, conhecer de ofício da prova de pagamento, conforme arts. 36 e 37 da Lei 9.784/99: 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. É certo que constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), sendo que, na espécie, a vinculação darseia mediante retificação, pela empresa, das GFIP entregues com omissão dos fatos geradores aqui tratados. Todavia, não há, nos autos, notícia quanto à adoção ou não deste procedimento por parte da recorrente. De qualquer sorte, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é facultado ao contribuinte solicitar a imputação do indébito a créditos tributários constituídos em seu desfavor. Portanto, é relevante para a solução do caso que sejam prestadas essas informações, as quais, saliento, não estão disponíveis nos autos. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10650.000314/201091 Resolução nº 2402000.479 S2C4T2 Fl. 177 5 Diante do exposto, entendo que o processo não está em condições de ser apreciado, carecendo, antes, de manifestação motivada da autoridade lançadora quanto ao que foi afirmado pela recorrente, mediante esclarecimento dos seguintes pontos: a) esclarecer se os vereadores Afrânio Cardoso de Lara Resende, Hely Geraldo de Andrade, Marilda Ribeiro Resende e Valdecy Caetano de Souza possuíam vínculo efetivo estadual ou federal no período do lançamento, e se nessa condição estavam amparados por RPPS. b) informar em quais documentos estão vinculados os pagamentos efetuados pela recorrente no período do lançamento disponíveis em seu contacorrente (por exemplo, os valores recolhidos podem estar vinculados aos fatos geradores declarados em GFIP), sendo relevante que essa informação fique consignada em demonstrativo no qual sejam identificados os créditos e débitos da recorrente no período do lançamento; c) informar se a recorrente providenciou a inclusão dos fatos geradores aqui lançados em GFIP retificadora e se há pagamento dos valores declarados; d) informar se no período do lançamento há valores recolhidos excedentes aos valores declarados em GFIP, e se o valor excedente já foi apropriado a algum débito da recorrente ou se foi objeto de compensação ou restituição. Em suma, a autoridade fiscal deverá examinar os documentos apresentados, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, inclusive prestando informações adicionais e juntando documentos que entender necessários, intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Conclusão Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10074.000614/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/03/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. COMUNICAÇÃO IMPRECISA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A falta de clareza da comunicação dirigida ao contribuinte, no que concerne à demanda fiscal por informações e documentos, compromete sua resposta e sua compreensão do que lhe foi imputado. Entendo que se ocorre imprecisão na determinação do fato objeto da autuação, implica em cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3401-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; a Conselheira Efigênea Duarte declarou-se suspeita; e por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário; vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; e a Conselheira Efigênia Duarte se declarou suspeita.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveria e Ribeiro e Ângela Sartori.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrente O L Comércio Importação e Exportação Ltda. e FAZENDA NACIONAL Recorrida O L Comércio Importação e Exportação Ltda. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 31/03/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. COMUNICAÇÃO IMPRECISA. CERCEAMENTO DE DEFESA. A falta de clareza da comunicação dirigida ao contribuinte, no que concerne à demanda fiscal por informações e documentos, compromete sua resposta e sua compreensão do que lhe foi imputado. Entendo que se ocorre imprecisão na determinação do fato objeto da autuação, implica em cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; a Conselheira Efigênea Duarte declarouse suspeita; e por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário; vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; e a Conselheira Efigênia Duarte se declarou suspeita. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveria e Ribeiro e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 06 14 /2 00 7- 66 Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Relatório Trata o presente de auto de infração que constitui crédito tributário referente a multa estabelecida no § 3º do art. 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976, que trata da conversão da pena de perdimento de bens não localizados ou consumidos vinculados a operação ou operações consideradas enquadradas na infração e situação previstas no inciso V e § 1º do artigo 23 desse mesmo diploma legal. Como bem resumiu o acórdão recorrido, que aqui reproduzo: "Depreendese dos autos que a Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro RJ, submeteu a interessada ao rito previsto na Instrução Normativa SRF n. 228/2002, com vista a verificar a origem dos recursos aplicados no comércio exterior por ocasião das operações de importação e exportação levadas a efeito pela interessada. em sobredito procedimento restou constatado na data de 30/11/2005 que a empresa não estaria mais em atividade no endereço declarado á SRF conforme cadastro do CNPJ. intimada a apresentar a escrituração e documentação comprobatória (diário, razão e extratos bancários, etc) dos recursos empregados para o fechamento do cambio e recolhimento dos tributos incidentes nas operações de importação e exportação, a interessada não apresentou dentro do prazo previsto no artigo 10 da IN SRF 228/2002 (60 dias contados da ciência da intimação) os comprovantes aptos a demonstrar a origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, o que afastaria a hipótese de interposição fraudulenta de pessoas nas operações realizadas. assim diante da ausência de documentos hábeis a comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações de comercio exterior, e expirado o prazo anteriormente citado, o procedimento especial foi concluído sumariamente pela IRF no Rio de Janeiro em razão da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. (...) relata a fisclização que a impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas restou caracterizada em virtude da resposta apresentada pela interessada (fl. 106) ao Termo de Intimação (fls. 104), onde a interessada informou que não existiam saldos remanescentes de mercadorias importadas. A autuada impugnou e, além das alegações que pediam a nulidade do auto de infração, informou que a empresa não mais operava desde o segundo semestre de 2004 e encerrou suas atividades em 31/12/2006. os documentos contábeis estavam em posse de contador que deixou de prestar ser viços à empresa; e informações de operações cambiais não estavam acessíveis porque a empresa não mais estava habilitada ao Siscomex (senha cancelada por falta de uso); que esse conjunto de dificuldades explicava a demora na obtenção das informações e documentos solicitados pela fiscalização e a necessidade de mais prazo. alegou cerceamento de defesa pela dificuldade de apresentar as provas que afastariam a autuação face o encerramento sumário por parte da fiscalização. A Respeitável 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis apreciou a autuação e a impugnação e firmou as seguintes considerações e conclusões: · indeferiu o pedido de realização de diligência por considerar preclusa a produção de prova documental e considerar não necessária para a autoridade julgadora formar sua convicção. · afastou a alegação de que a IN SRF 228/2002 fere o principio da legalidade, esclarecendo: "..o legislador facultou à Secretaria da Receita Federal agir positivamente, estabelecendo requisitos e condições para a autuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro, como se depreende do contido nos incisos I e II do artigo 80 da MP n. 2.15835 de 2001." · afastou a justificativa de falta de atendimento à intimação fiscal e concluiu: Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.000614/200766 Acórdão n.º 3401002.719 S3C4T1 Fl. 3 3 · Logo, como evidenciado na expressa disposição normativa (final do inciso II do art. 11 da IN SRF 228/2002), presumese a interposição fraudulenta nas operações de comercio exterior abrangidas pela fiscalização em face da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, por força da expressa presunção legal contida no § 2º do art. 23 do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002. Os motivos apresentados pela interessada, no sentido dever justificada a falta de atendimento à intimação para entrega dos comprovantes e documentos contábeis aptos a demonstrar a licitude das operações realizadas não encontram guarida na legislação de referencia da matéria. a falta de guarda e controle dos documentos, ausência da escrituração contábil e tantos outros fatores acabam por confirmar a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência doa recursos empregados nas operações de comércio exterior." · afastou a alegação de mero erro formal no preenchimento das declarações de importação, pois a autuada tinha conhecimento dos requisitos estabelecidos pela IN SRF 225/2002 para as importações realizadas por conta e ordem de terceiros: no caso a autuada deixou de habilitarse no Siscomex como importadora por conta e ordem; não identificou em cada operação as empresas adquirentes e a situação de se tratar de importação por conta e ordem ; passou ao controle aduaneiro a informação de que importava por conta própria. · sublinhou a definição do fato infracional originário do objeto desta autuação, no âmbito das operações de importação como: "É indubitável, portanto, que o resultado da efetivação das irregularidades apontadas é a ocultação do vinculo existente entre as mercadorias importadas e a real compradora na operação de importação. situação que igualmente acarreta na aplicação da pena de perdimento conforme se depreende do teor do art. 4º da IN SRF 225/2002. · contudo, concluiu pela improcedência da multa em tela, com relação aos bens importados, justificando: "considerando os motivos apresentados, considerando as alegações apresentadas pela interessada relacionadas às mercadorias objeto de importação e considerando que não restou demonstrado nos autos que estas mesmas mercadorias objeto de aplicação da pena de perdimento não foram localizadas, nem foram consumidas pela interessada, há que se concluir que restou prejudicada a aplicação do disposto no § 3º do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976 (com a redação dado pela Lei n. 10.637 de 2002) para as mesmas. · com relação às operações de exportação os julgadores a quo concluíram pela manutenção da penalidade, justificando: "Relativamente as mercadorias objeto das operações de exportação (declarações com averbação de embarque às fls. 13 a 44), cuja localização no território aduaneiro não pode ser levada a efeito em razão da natureza da própria operação, e considerando ainda que a caracterização da infração relacionada à aplicação da pena de perdimento restou caracterizada, como já fartamente explicitado anteriormente, há que se manter a autuação. importa observar ainda que, no que se relaciona às operações de exportação, a impugnante não apresentou contestações em sua peça de defesa." Os julgadores a quo consideraram parcialmente procedente a impugnação e decidiram manter em parte o crédito tributário. Recorreram de ofício a este Conselho pela parte exonerada. O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário por meio do qual alegou, em resumo: · cerceamento de defesa pela falta de clareza e objetividade dos termos da intimação e do relatório fiscal; subtração de informações ao autuado para poder compreender os fatos imputados. o relatório fiscal não foi enviado às intimadas. · ofensa ao principio da ampla defesa e ao contraditório com a conclusão sumária neste caso; Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 · as exportações que realizou foram regulares com aquisição no mercado interno de diversas mercadorias com recursos próprios da empresa e após averbação dos embarques houve a liquidação dos recursos advindos do exterior com a efetiva troca por Reais depositados m conta correntes da recorrente, como provam os documentos juntados. · a DRJ não apreciou e contestou suas alegações de cerceamento de defesa, razão porque pede nulidade do Acórdão. É o relatório Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o Recurso. Atendidos demais requisitos de admissiilidade. Primeiramente vou tratar do objeto do recurso de ofício, para, em seguida, analisar o objeto do recurso voluntário. A autoridade fiscal informa em seu relatório o propósito da fiscalização foi verificar a origem dos recursos aplicados no comércio exterior por ocasião das operações de importação e exportação levadas a efeito pela interessada e combater a interposição fraudulenta de pessoas, consoante as normas contidas nas IN SRF 200/2002 e 228/2002 e suas bases legais. A DRJ decidiu pela improcedência da multa relativa às operações de importação, e pela manutenção da multa relativa às operações de exportação. Ela entendeu que ficou configurada a falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, pois a contribuinte não apresentou documentos que esclarecessem a respeito e provassem o contrario. sendo assim, a situação leva à presunção da interposição fraudulenta, consoante dispõe o § 2º do artigo 23, e considerar essas importações como dano ao Erário (inciso V do art. 23 desse Decreto Lei) impondo a pena de perda das mercadorias importadas (§ 1º desse mesmo artigo). Mas se esses bens não são encontrados, a pena de perda é convertida em outra, no caso a multa aqui discutida. A multa em questão tem sua fonte no que dispõe o § 3º do art. 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ........ IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.000614/200766 Acórdão n.º 3401002.719 S3C4T1 Fl. 4 5 § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Parágrafo único. O dano ao Erário decorrente das infrações previstas no " caput " deste artigo, será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Suprimido com a nova Redação da Lei nº 10.637,2002) O texto é claro ao especificar que ser converte em multa equivalente ao valor aduaneiro a mercadoria que não foi localizada ou que tenha sido consumida. § 3º A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (incluido pela Lei n. 10.637, de 2002) Mas a fiscalização não demonstrou a não localização desses bens, ou terem sido eles consumidos. remanesceu ela na informação da não existência de saldo em estoque desses bens para concluir que a totalidade deles deveria ser considerada não localizada e justificar a conversão em multa. Com razão os Julgadores a quo. insustentável a penalidade com relação às importações fiscalizadas pois é da sua definição a demonstração de que elas não puderam ser localizadas ou que foram consumidas, o que não se deu nesse caso. Por isso proponho NEGAR PROVIMENTO AO Recurso de Ofício. Com relação às operações de exportação, a DRJ interpretou que a localização dos bens exportados "não poderia ser levada a efeito em razão da natureza da própria operação, e considerando ainda a caracterização da infração relacionada à aplicação da pena de perdimento restou caracterizada, como já fartamente explicitado anteriormente", concluiu pela Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 procedência da multa. Ela interpretou, ainda, que a impugnante não contestou essas multa com relação às exportações. Deduzo que a caracterização da infração relacionada à aplicação da pena de perdimento fartamente explicitado anteriormente para os bens exportados, conforme afirmado pelos Julgadores de 1ª Instância, se circunscreva à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de exportação. ou seja, a caracterização da infração reside no fato do contribuinte não ter conseguido apresentar os documentos que efetivasse essa comprovação e afastassem a presunção de interposição fraudulenta. Faço constar, apenas a título de ponderação, que, a meu ver, às exportações não cabem considerações feitas pelos Julgadores a partir da IN SRF 225/2002 e dos contrlles aduaneiros prescritos para as operações de comercio exterior por conta e ordem, pois essas normas se destinam às importações. Para podermos analisar a situação no âmbito das exportações é necessário irmos um pouco além do argumentado pelos Julgadores de 1ª Instância. Nesse sentido, ao ler a intimação feita à autuada, constato que a intimação não deixou claro o que estava sendo solicitado e com que finalidade. O texto pede diário, razão e extratos bancários, um conjunto de documentação comprobatória dos recursos empregados para o fechamento de câmbio e recolhimento dos tributos incidentes nas operações de exportação realizadas através dos Registros de Exportação a seguir relacionados. e acrescenta em negrito, que para a comprovação não basta um contrato (ainda que registrado em cartório), mas a demonstração inequívoca de que os recursos foram aportados na empresa. ao final, a intimação indica ainda dois tipos de documentos que ela requer: cópias dos contratos de câmbio e livro de registros de empregados. Senão vejamos: INTIMO a sócia, Sra NEYSE MARIA DIAS OLlVIERI CPF N° 052.810.64738, a comparecer no dia 15 de dezembro de 2005 às 14 horas na Av. Presidente Antônio Carlos, n . 375, sala 911, a fim de prestar esclarecimentos sobre a empresa, devendo apresentar, os esclarecimentos e elementos de prova a seguir relacionados e quaisquer outros que o contribuinte achar necessário para comprovar o que dispõem os incisos I e II do artigo 4° e artigo 5° da IN SRF 228/2002. (....) 2 Apresentar a escrituração e documentação comprobatória (diário, razão e extratos bancários, etc.) dos recursos empregados para o fechamento de câmbio e recolhimento dos tributos incidentes nas operações de exportação realizadas através dos Registros de exportação a seguir relacionados, para a comprovação da origem dos recursos e da efetividade da entrega do numerário não basta um contrato (ainda que registrado em cartório), mas a demonstração inequívoca de que os recursos foram aportados na empresa. . 2.2 Apresentar cópia dos contratos de câmbio dos referidos RE. 3 Livro de registro de empregados (grifos nossos) INTIMO o contribuinte acima identificado, ou seu procurador regularmente constituído a apresentar, DO prazo de 5 (CINCO) dias, a contar da data da ciência, os seguintes elementos/esclarecimentos: Informar se existem saldos remanescentes das mercadorias importadas pela empresa O L Comércio Importação e Exportação Ltda., empresa esta que teve como sócio o contribuinte acima identificado; Apresentar outras informações adicionais que julgar necessária. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.000614/200766 Acórdão n.º 3401002.719 S3C4T1 Fl. 5 7 Ora e afinal, o que exatamente solicitara a autoridade fiscal e com que finalidade? A verificação fiscal da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas exportações não é o mesmo que verificar os recursos empregados para o fechamento do câmbio das exportações e para o pagamento dos tributos incidentes nas exportações. e a documentação requerida, s.m.j., não consegue atender o propósito da fiscalização. em nenhum momento ficou inequivocamente definido para o fiscalizado esse propósito no âmbito das exportações. de fato, pareceme que o contribuinte somente foi compreender o amplo espectro do que estava sendo fiscalizado (a origem dos recursos empregados para a realização das exportações) com as considerações feitas pelo Acórdão a esse respeito. O Relatório Fiscal, que o contribuinte declara não ter recebido em tempo, e o texto do auto de infração também não têm melhor sorte. Repisam a falta de comprovação da origem dos recursos empregados no fechamento de câmbio e no pagamento dos tributos, ambos nas operações de exportação. Considerandose a impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas, pela não existência de saldos remanescentes, conforme resposta ao Termo de Intimação datado de 02/04/2006 anexo de fls. 106 aplicase ao presente a penalidade prevista no Decretolei n. 1.455/76, artigo 23, item V, item este incluído pela Medida Provisória n° 66 de 30.08.2002), convertida pela Lei nO 10.637/2002, regulamentado pelo Decreto n 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro), artigo 618 e § 1°. Em 30/11/2005, compareci ao endereço da empresa constante do CNPJ, quando constatei que a empresa não está mais localizada nesse endereço conforme termo de constatação/declaração lavrado, fls. 07. Foram intimadas as sócias da empresa , conforme termos de fls. 1114 e 1720 e ,respectivamente nas datas de 09/12/2005 e 12/12/2005. Em 15/12/2005 a empresa protocolizou pedido de prorrogação de prazo para entrega da documentação solicitada. Em 21/12/2005 a empresa foi intimada através do termo de fls. 24/27 a apresentar à documentação, tendo sido prorrogado o prazo de cumprimento até 04/02/2006, a pedido da empresa conforme petição de fls. 23. Em 20/02/2006 a empresa protocolizou a carta de fls. 29 apresentando I alguns contratos de câmbio e o livro de Registro de Empregados e explicando que: "não foi possível obter os relat6rios pelo fato da empresa não possuir mais habilitação no siscomex; ... ", A empresa deixou de apresentar: 1 a escrituração e documentação comprobatória (diário, razão e extratos bancários, etc.) dos recursos empregados para o fechamento de câmbio e recolhimento dos tributos incidentes nas operações de importação; , 2 extrato sisbacen / solicitar ao banco central a situação dos contratos de câmbio da diligenciada (PCAM450MCAM439F e PCEX330 MCEX531A) das declarações de importação; 3 a escrituração e documentação comprobatória (diário, razão e extratos bancários, etc.) dos recursos empregados para o fechamento de câmbio e recolhimento dos tributos incidentes nas operações de exportação. grifos nossos Dentre as exigências arroladas no termo de intimação, lavradas em cumprimento às determinações dos artigos 4°, 5° e 6° da IN SRF 228/2002, convém ressaltar aquelas relacionadas diretamente com a demonstração da origem dos recursos utilizados no comércio exterior, bem como a sua efetiva entrega à sociedade fiscalizada, e o afastamento inequívoco de interposição fraudulenta de pessoas nas operações pertinentes. O não cumprimento das exigências dos Termos de Intimação nos obriga a observar a disposição expressa contida no artigo 10 da IN SRF 228/2002, reproduzido abaixo: Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 I "Artigo 10. Decorrido o prazo de sessenta dias, contado da ciência de intimação formulada pela SRF, sem o devido atendimento pela empresa, o procedimento especial será concluído sumariamente. " Transcorridos sessenta (60) dias após o prazo estipulado para o cumprimento das exigências formalizadas em competente Termo de Intimação, não há mais como O Auto de Infração não surge ex abrupto de dados ou da ausência de dados. Ao contrário, ele é resultante de atividades que compõem um procedimento, conduzido pela autoridade fiscal, para chegar a encontrar ou produzir os elementos constituintes da autuação. e se o objeto de verificação desse procedimento depende de dados e informações a serem prestadas pelo fiscalizado, é necessário que a comunicação a ele dirigida para obter esses dados seja clara, sob risco dele não conseguir contribuir satisfatoriamente com a fiscalização. A meu ver, a falta de clareza da comunicação dirigida ao contribuinte, no que concerne às exportações, comprometeu sua resposta à demanda da fiscalização e sua compreensão do que lhe foi imputado. Entendo que ocorreu imprecisão na determinação do fato objeto da autuação. Isso implicou em cerceamento do direito de defesa. TENDO EM VISTAS ESSAS CONSIDERAÇÕES, propugno, portanto, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 13856.000945/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2007
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Presidente em exercício
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente temporariamente, o presidente Julio César Vieira Gomes.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 09 45 /2 00 7- 97 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Presidente em exercício Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente temporariamente, o presidente Julio César Vieira Gomes. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13856.000945/200797 Acórdão n.º 2402004.376 S2C4T2 Fl. 316 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por Italo Lanfredi S/A Indústrias Mecânicas, em face do acórdão de fls. 238/254, restando mantida a multa lançada no Auto de Infração n. 37.107.3626. Verificase do Relatório Fiscal da Infração à fl 08, que a Empresa autuada deixou de prestar ao INSS, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, devidas ao referido Órgão, além de esclarecimentos necessários à fiscalização. Transcrevo, a propósito, inteiro teor do relatório fiscal que justificou o lançamento: A empresa auditada deixou de apresentar as apólices de seguro de vida em grupo (apresentou declaração de que não possuia, mas consta na escrituração contábil), os contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros (apresentou declaração de que não possuia, mas houve cessão de mão de obra), todas as lista dos segurados beneficiados pelo programa de previdência privada (apresentou uma lista do mês 06/1999, sem timbre da empresa ou instituição financeira), e a lista dos segurados beneficiados pelo seguro de vida em grupo, sendo o primeiro e o segundo acima requerido no Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF recebido em 13/09/2007, e o terceiro e quarto acima requerido no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD recebido em 07/11/2007 , anexos a este Auto de Infração AI, não tendo sido disponibilizado até a presente data. A infração está disciplinada no art. 32 da Lei n° 8212/1991. O contribuinte foi cientificado acerca do lançamento efetivado em. 07/12/2007(fls.02 ). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, que houve falta de clareza como também cerceamento do direito a defesa, uma vez que não houve a devida exposição dos fatos e fundamentos ensejadores da mencionada autuação, pleiteando pela nulidade do Auto de Infração. Alega que a autoridade fiscal, ao declarar o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias como sendo de 10 anos, agride norma constitucional tendo em vista a Sumula Vinculante n°08 STF, a qual elimina as disposições constantes do artigo 45 da Lei 8212/91. É o relatório Fl. 317DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINAR Alega o Recorrente que em face da ausência de clareza no Relatório Fiscal é que teve o seu direito a defesa cerceado, no entanto razão não lhe assiste. Verificase que o relatório fiscal está em plena concordância com a legislação tributária vigente, contendo toda a fundamentação de fato e de direito de forma a viabilizar que o recorrente exercesse o seu direito a ampla defesa e ao contraditório. Assim, atendidos todos os requisitos que trata a lei é que rejeito o pleito da Recorrente no tocante a preliminar. MÉRITO Conforme já relatado, o presente processo resumese na cobrança de multa em razão da recorrente ter deixado de prestar esclarecimentos requeridos pela fiscalização, sendo o seu fundamento legal o disposto no art. 32, cito: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) No entanto, em análise mais apurada ao relatório, constatase que a imputação fiscal muito mais se assemelha, em determinados casos, a não apresentação de documentos no que se refere ao pedido de apresentação das (i) as apólices de seguro de vida em grupo e (ii) os contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, conforme se depreende do art. 33 da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Fl. 318DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13856.000945/200797 Acórdão n.º 2402004.376 S2C4T2 Fl. 317 5 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). No entanto, mesmo entendendo que tais condutas de não apresentação de documentos não seriam hábeis a justificar a aplicação da multa, resta claro que o fato que também consta no relatório fiscal, indicando que não foram prestados esclarecimentos acerca dos beneficiários de pagamentos que constavam na contabilidade da empresa acerca do (i) programa de previdência privada (apresentou uma lista do mês 06/1999, sem timbre da empresa ou instituição financeira), e a (i) lista dos segurados beneficiados pelo seguro de vida em grupo, que por sua vez são motivos suficientes a justificar a manutenção da multa, que deve ser aplicada no caso do cometimento de uma ou mais infrações. Ademais, o recorrente não se insurgiu contra a imputação fiscal de forma pontual, demonstrando ter prestado os esclarecimentos solicitados, de sorte que o seu pleito não merece acolhida. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10865.001249/2008-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2007
LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima que votou pela manutenção do lançamento fiscal por constar do item 13 do relatório fiscal que parte dos documentos probantes da autuação consta do processo n. 10865000953/2008-17 do AI DEBCAD n. 37.152.222-6. O conselheiro Oseas Coimbra Junior foi vencido quanto à PLR concedido a empregado terceirizado.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima que votou pela manutenção do lançamento fiscal por constar do item 13 do relatório fiscal que parte dos documentos probantes da autuação consta do processo n. 10865000953/200817 do AI DEBCAD n. 37.152.2226. O conselheiro Oseas Coimbra Junior foi vencido quanto à PLR concedido a empregado terceirizado. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 12 49 /2 00 8- 81 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.001249/200881 Acórdão n.º 2803003.716 S2TE03 Fl. 166 2 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.001249/200881 Acórdão n.º 2803003.716 S2TE03 Fl. 167 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.113143) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 96110do processo digital), que manteve o crédito tributário oriundo da aplicação de contribuições previdenciárias (patronal e empregados) e a terceiras entidades, no período entre 01/10/2005 a 31/05/2007, em razão de remuneração paga a título participação de lucros e resultados em desconformidade com a Lei n. 10.101/2002. A decisão reiterou as seguintes falhas legais da Recorrente: i) da ausência de participação do representante do Sindicato da categoria dos empregados, na comissão escolhida pelas partes para negociar a participação nos lucros ou resultados — PLR; ii) ausência do arquivamento do acordo assim firmado na entidade sindical dos trabalhadores; iii) extensão da PLR aos funcionários terceirizados, assim entendidos aqueles que prestam serviços na autuada mas mantém vinculo empregaticio com outra empresa. A ciência do auto de infração inaugural foi em 11.06.2008 (fls. 30). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: i) o sindicato foi comunicado do PPR e chamado para compor a comissão, abstendose de participar sem qualquer justificativa da sua ausência; ii) não obstante, houve a protocolização da prorrogação dos acordos firmados diretamente na entidade sindical, considerandose este fato uma homologação indireta; iii) defende que o PPR está expressamente desvinculado da remuneração mediante texto constitucional, não havendo que se falar em base de cálculo da contribuição social; iv) no tocante à participação de terceiros (terceirizados), diz que em sentido inverso ao determinado no âmbito da administração pública, ao particular é dado fazer tudo o que não esteja proibido por lei, sendo que a extensão dos beneficios do PPR aos funcionários terceirizados não encontra vedação legal; diz que descabe a autuação referente a participação de terceiros, pois. Em análise ao processo verificouse, no relatório fiscal (fls. 16) e na decisão recorrida (fls.122), há remição a resposta por ofício do Sindicato responsável pelos empregados da Recorrente sobre os motivos de não haver o participação do sindicato e arquivamento no Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.001249/200881 Acórdão n.º 2803003.716 S2TE03 Fl. 168 4 mesmo nas negociações. Porém o mesmo não se encontra juntado nos autos, prejudicando a análise nos autos. Assim, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse solicitada informações da autoridade preparadora sobre se houve ou não a anexação de cópia do referido documento, caso tenha sido anexado previamente, mas que não está juntado nos autos, que seja remetida cópia do mesmo. Em resposta à diligência, a autoridade preparadora competente prestou as seguintes informações: Em resposta a solicitação de Diligência, Resolução 2803000.077 3ª Turma Especial – Segunda Seção de Julgamento CARF, informo que com relação ao documento citado às fls. 122, o servidor responsável pela preparação do processo para envio ao CARF não se encontra mais trabalhando junto à RFB, uma vez que houve seu retorno ao INSS, ficando prejudicada a argumentação de possível anexação do documento ao processo. O processo físico original também não se encontra nesta Unidade, tampouco está em nossa posse cópia do referido documento. Isto posto, esta agente não tem por hora condições de obter maiores esclarecimentos quanto a dúvida aludida por este digníssimo Conselho. Os autos foram devolvidos à esta Turma para apreciação. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.001249/200881 Acórdão n.º 2803003.716 S2TE03 Fl. 169 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato 1) O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2) Com a resposta da autoridade preparadora, que informa a total impossibilidade esclarecer o solicitado, de documento que deveria ter sido juntado nos autos. Documento esse que é expressamente mencionado pelo Relatório Fiscal e na Decisão da DRJ como constante nos autos e sendo base das alegações fundantes de sua convicção: i) da ausência de participação do representante do Sindicato da categoria dos empregados, na comissão escolhida pelas partes para negociar a participação nos lucros ou resultados — PLR; ii) ausência do arquivamento do acordo assim firmado na entidade sindical dos trabalhadores. A desculpa prestada pela autoridade preparadora por não localizar o funcionário responsável pela autuação, a não localização ou indicação dos originais do processo, não procede, pois afronta diretamente os princípios da Administração Pública, em especial o da boafé administrativa, impessoalidade, segurança jurídica e continuidade da prestação dos serviços. Observese que a Administração Pública deve ser impessoal, mantendo os seus arquivos de forma adequada, para não depender apenas de uma única pessoa. Assim, em razão do colocado pela autoridade preparadora, presumise que o documento referido como presente nos autos pelo relatório fiscal, como inexistente. Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Não podendo referir documento como existente nos autos, mas que sequer foi juntado, afrontando a verdade material do processo administrativo. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/172). Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.001249/200881 Acórdão n.º 2803003.716 S2TE03 Fl. 170 6 Por si só, tal ausência já geraria a improcedência do lançamento. Pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. ratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Assim, na forma como encontrase o lançamento, o mesmo não poderia ter constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente, pois está eivado de vícios materiais, devendo ser cancelado o lançamento e credito. 6) Isso posto, voto por conhecer o recurso, para, no mérito, darlhe provimento, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para cancelar o crédito tributário constituído em razão de nulidade. É como voto. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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