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Numero do processo: 10120.721005/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
ALIENAÇÃO DE DIREITO MINERARIO. GANHO DE CAPITAL. A determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do sujeito passivo, excluídos os efeitos de operações internas ao grupo empresarial, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço.
VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS. GLOSA. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. A glosa de despesas computadas na apuração do lucro tributável deve estar fundamentada na inobservância dos dispositivos legais que regem a matéria.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
Numero da decisão: 1101-001.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à tributação do ganho de capital, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de variações monetárias passivas; e, 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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GANHO DE CAPITAL. A determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do sujeito passivo, excluídos os efeitos de operações internas ao grupo empresarial, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS. GLOSA. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. A glosa de despesas computadas na apuração do lucro tributável deve estar fundamentada na inobservância dos dispositivos legais que regem a matéria. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à tributação do ganho de capital, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de variações monetárias passivas; e, 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 10 05 /2 01 1- 28 Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório MINERADORA SANTO EXPEDITO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 18/04/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 38.286.535,27. O lançamento decorre de falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação/baixa de bem do ativo permanente gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito à tributação pelo IRPJ e pela CSLL nos anoscalendário 2007 a 2010. Foi apurada, também, falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL de janeiro/2008 a novembro/2010. O ganho de capital referese à cessão parcial de direitos de titulo minerario, celebrado em 14/10/2005 entre a autuada e Companhia Brasileira de Alumínio, em razão da qual a autuada receberia US$ 60,000,024.00 sendo: US$ 6,000,000.00 em 14/10/2005; US$ 3,000,000.00 em 12/11/2005; US$ 3.000.000,00 em 15/12/2005; e o restante US$ 48,000,024.00 em 72 (setenta e duas) parcelas mensais de 16/01/2006 a 15/12/2011. Referido direito passou a integrar o patrimônio da autuada em 26/07/2005, mediante subscrição de capital por Terra Goyana Mineradora Ltda, que integralizou o referido ativo no valor de R$ 43.962,00, conforme laudo de avaliação a valor contábil confeccionado nos termos do art. 8o da Lei nº 6.404/76. Todavia, em 13/09/2005 Terra Goyana Mineradora Ltda transferiu suas quotas de capital na autuada para TGM Participações Ltda, sociedade constituída em 03/08/2005, atribuindo a estas quotas o valor de mercado de R$ 253.076.000,00 conforme laudo de avaliação emitido por Deloitte Touche Thomatsu Consultores S/S Ltda. Com base em outro laudo de avaliação emitido por Recurso Contábil S/C Ltda, o acervo patrimonial de TGM Participações Ltda foi avaliado em 30/09/2005 no valor de R$ 86.079.152,00, aí já considerada a Provisão para Manutenção e Integridade do Patrimônio Líquido no valor de R$ 166.997.848,00, redutora do ágio de R$ 253.027.042,00 atribuído à participação na autuada. Nestas condições, a TGM Participações foi extinta em 04/10/2005 por incorporação pela autuada, a qual teve seu capital social aumentado em R$ 86.079.156,00, mediante versão dos bens e direitos da incorporada, consistentes basicamente no caixa de R$ 1.000,00 e no investimento nela própria, reavaliado por Deloitte Touche Thomatsu Consultores S/S Ltda como antes mencionado. Observando que a reorganização societária em referência foi promovida entre sócios comuns, sem ingresso de recursos financeiros por parte dos sócios ou de terceiros, ensejando o reconhecimento contábil de uma mais de valia de um investimento originado de transação entre partes relacionadas, com o ágio gerado internamente carecendo de fundamento econômico para sua obtenção, a autoridade fiscal reportouse às manifestações da Comissão de Valores Mobiliárias – CVM contrárias ao registro de ágio interno, bem como a jurisprudência e texto doutrinário contrários a esta figura. Em conseqüência, na apuração do ganho de capital admitiu como custo apenas as parcelas demonstradas às fls. 1410/1484 correspondente à proporção da área de exploração cedida à Companhia Brasileira de Alumínio Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 5 4 aplicada sobre o direito de exploração que lhe foi atribuído por Terra Goyana Mineradora Ltda pelo valor de R$ 43.962,00. A operação questionada repercutiu, também, na apuração dos anoscalendário 2005 e 2006, ensejando lançamentos formalizados nos autos dos processos administrativos nº 10120.007045/201082 e 10120.010008/201051, respectivamente. Nos lançamentos anteriores, a fiscalização verificou que o contribuinte não estava oferecendo à tributação o ganho de capital mensal pelos recebimentos dos valores do citado contrato, motivo pelo qual foi feito constituição de crédito tributário com base nos valores recebidos em reais, sem levar em conta perdas e/ou ganhos de variação cambial. Já no presente procedimento fiscal, foram constatados registros de variação cambial passiva no anocalendário 2010, excluídos pela autoridade lançadora, na medida em que a apuração do ganho de capital levantado pela fiscalização é somente com base nos valores recebidos em reais pelo contribuinte. Ademais, questionada, a contribuinte não logrou demonstrar a contabilização de receitas de variação cambiam oriundas da venda feita à CBA. Impugnando a exigência, a contribuinte questionou a abordagem dos fatos pela Fiscalização, observando especialmente que não houve reavaliação das quotas que a Terra Goyana Mineradora Ltda possuía na TGM Participações Ltda, mas sim avaliação a mercado das quotas detidas pela primeira na autuada, com base na qual foi promovido o aporte em TGM Participações Ltda. Defendeu, assim, que qualquer ganho de capital, se devido, deveria ser cobrado de Terra Goyana Mineradora Ltda. E, na presença de erro de identificação do sujeito passivo, que configura vício material, asseverou ser nulo o lançamento, acrescentando que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu no momento em que a Terra Goyana Mineradora Ltda avaliou a mercado os bens de seu patrimônio, e não em 14/10/2005, quando firmada a cessão parcial com Companhia Brasileira de Alumínio. Subsidiariamente aduziu que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 autorizava as operações realizadas com diferimento do ganho de capital, questionou a equivocada visão econômica do fato jurídico tributário, defendeu a licitude dos procedimentos adotados e questionou a aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício. Apontou apuração incorreta da base de cálculo porque desconsiderado o custo efetivo decorrente da incorporação, bem como os prejuízos acumulados decorrentes de variação cambial. Por fim, afirmou a inexigibilidade de multa dos sucessores. A Turma julgadora, invocando apreciação anterior da matéria em 1a e 2a instâncias administrativas de julgamento, rejeitou estes argumentos aduzindo que: · Mostrouse correta a identificação do sujeito passivo pela Fiscalização porque as operações efetuadas pela contribuinte, no âmbito da reorganização societária carecem de propósito negocial e não poderiam ser opostas ao Fisco. Irrelevante, portanto, se a avaliação do ativo de direito de pesquisa mineral teria ocorrido quando o patrimônio estaria em outra pessoa jurídica. O ativo era de propriedade da impugnante, que celebrou contrato de cessão e transferência parcial, incorrendo na hipótese prevista no art. 418 do RIR/99; · Tendo em conta a reorganização societária em razão da qual não foi alterado o controle da autuada, mas fez o direito de pesquisa mineral avaliado em R$ 43.962,00 passar ao patamar de R$ 253.076.000,00, concluiu, nos termos da abordagem desenvolvida pela Fiscalização, que restou caracterizada a ausência de propósito negocial nas operações de reorganização societária, na medida em que o ágio foi criado especificamente para integrar o custo de aquisição do ativo, aumentadoo de tal forma que, mesmo parcialmente Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 6 5 cedido e transferido onerosamente a um valor muito superior ao seu custo contábil, não registrou resultado positivo. · A acusação fiscal é precisa e clara, e está validamente fundamentada no art. 418 do RIR/99. A apuração do IRPJ e da CSLL está correta, e o prejuízo cambial não foi provado. Correta, assim, a apuração do lucro real anual. · É possível a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício, e não se verificou qualquer sucessão que pudesse justificar a pretensão de ver afastada a multa proporcional. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/05/2013 (fl. 712), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/06/2013 (fls. 1715/1765). Inicialmente reprisa o que classifica como verdadeiros fatos, descrevendo a constituição da autuada em 20/03/1996, antes denominada Rio Vermelho Mineração Ltda; o ingresso de novos sócios em 19/07/2005, dentre eles Terra Goyana Mineradora Ltda; o aporte, por esta, de Direitos a Títulos Minerarios em 26/07/2005, aumentando o capital social de R$ 4.996,00 para R$ 48.962,00; a constituição da TGM Participações Ltda em 03/08/2005; o aporte em 13/09/2005 das quotas da autuada detidas por Terra Goyana Mineradora Ltda em TGM Participações Ltda, pelo valor de mercado definido em laudo de avaliação, com apuração pela primeira de ganho de capital com tributação diferida na forma do art. 36 da Lei nº 10.637/2002; e a incorporação de TGM Participações Ltda pela autuada em 04/10/2005, com acervo líquido avaliado em R$ 86.079.152,00. Destaca, neste contexto, que o aporte de capital promovido por Terra Goyana Mineradora Ltda em TGM Participações Ltda teve em conta relatório de avaliação econômico financeira das quotas detidas na autuada, de modo que não houve reavaliação, mas sim avaliação a valor de mercado. A Fiscalização teria se equivocado ao dizer que o capital social de Terra Goyana Mineradora Ltda passou de R$ 1.000,00 para R$ 253.076.000,00, pois seria TGM Participações Ltda quem apresentaria aquele capital inicial. Para afirmar a existência de erro na identificação do sujeito passivo, reporta se ao art. 21 da Lei nº 9.249/95, o qual autorizaria a avaliação a valor de mercado pela pessoa jurídica que tiver o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão, submetendo à tributação o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de avaliação e o custo de aquisição. Assim, o ganho de capital teria sido apurado por Terra Goyana Mineradora Ltda, e quando da incorporação da TGM PARTICIPAÇÕES LTDA, que por sua vez tinha como sócia a TERRA GOYANA MINERADORA LTDA, pela MINERADORA SANTO EXPEDITO, ora recorrente, já detinha o patrimônio líquido avaliado no montante de R$86.079.152,00. Enfatiza que a Fiscalização tinha conhecimento do valor de seu capital social consolidado após tais operações, reportandose a documentos e termos lavrados no curso do procedimento fiscal. Argúi a nulidade do lançamento por preterição ao direito de defesa, na medida em que os dispositivos legais indicados no auto de infração não tipificam a conduta da Recorrente, e muito menos se prestam para fundamentar o lançamento ou definir o fato gerador. Transcreve os dispositivos legais apontados nas exigências de IRPJ e CSLL, e invoca jurisprudência administrativa e judicial em favor da nulidade em tais circunstâncias. No mérito, aduz que a Fiscalização tem certeza do acerto de todo o procedimento contábil levado à frente pela Impugnante, pois sabe que a legislação à época Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 7 6 dava total respaldo legal às operações nos termos em que ficaram dispostas. A legalidade estaria presente no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, vigente até 21/11/2005, abarcando o período em que ocorreram os fatos geradores apontados pela Fiscalização, e assim permanecendo diferido o ganho de capital auferido por Terra Goyana Mineradora Ltda, assim como o imposto economizado com a operação, o qual só é cobrado quando da alienação ou venda. Discorda da cogitação de uma simples simulação, pois se tratam as operações de situações verdadeiras, lastreadas em legislação tributária existente e fatos geradores posteriores. Cita jurisprudência administrativa, inclusive no que tange a incorporações às avessas. Discorda da conduta fiscal que tentou dar uma visão econômica para um fato jurídico tributário, mormente tendo em conta a fundamentação da acusação em pareceres da CVM. Opõese à manifestação deste Conselho invocada na decisão recorrida, e defende que o Direito Tributário não é uma Ciência Econômica, reportandose a doutrina e argumentando que ninguém, entre duas possibilidades de estruturação de uma operação está obrigado a escolher a mais onerosa, sendo justo interesse do contribuinte escolher a mais favorável. Invoca o princípio da legalidade e diz que não há norma que autorize a Administração Pública a desconsiderar atos e negócios jurídicos legalmente constituídos pelo simples fato de que não coaduna que o seu entendimento (sic). Reportase a decisões judiciais favoráveis a planejamentos tributários, e observa que a argumentação fiscal baseiase na ideologia de que o tributo visa, essencialmente, atingir situações econômicas substanciais e não suas exteriorizações jurídicas. Se assim fosse, em seu entendimento, o intérprete da norma se converteria em legislador. Transcreve doutrina em favor de seu entendimento e invoca o art. 136 do CTN para afirmar a irrelevância da intenção do agente na caracterização de infrações. Defende o uso de formas lícitas, observa que não se trata, aqui, de prática de atos simulados, fundamenta as operações em doutrina de Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins, e invoca o que expresso no voto condutor do Acórdão nº 110100.708, desta Turma Ordinária, concluindo que o fato das operações terem sido realizadas com empresas do mesmo grupo econômico não desnatura as operações que foram efetivamente realizadas, com base em laudo de avaliação não impugnado pela Fiscalização, resultando em ágio efetivamente ocorrido, baseado em expectativa futura, autorizado pela legislação em vigor, inexistindo qualquer ato de simulação que pudesse desqualificar as operações realizadas. Afirma a improcedência da aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício proporcional, observando que para evitar esta alegação a Fiscalização teria primeiro lançado a multa isolada. Invoca jurisprudência administrativa e decisões judiciais em favor de suas alegações, observa que são irrelevantes as modificações introduzidas depois da Lei nº 11.488/2007 e reportase ao art. 112 do CTN. Reitera as argüições de erro na apuração do valor tributável, porque desconsiderados os valores efetivamente suportados pela Impugnante na realização do negócio, qual seja, o preço ou custo efetivo decorrente da incorporação societária, bem como os prejuízos acumulados decorrentes da variação cambial. Assevera que a apuração do lucro real deve ter em conta tais despesas e prejuízos, na forma do art. 30 da Medida Provisória nº 2.158/2001. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 8 7 Defende a inexigibilidade da multa dos sucessores, nos termos do art. 132 do CTN e art. 5o, inciso III do Decretolei nº 1.598/77, reportandose a doutrina e jurisprudência neste sentido. Finaliza reiterando a inobservância do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, em razão do qual não há de falar em realização quando da transferência de participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, se esta decorre de fusão, cisão ou incorporação, reafirmando seu direito de adotar o caminho menos oneroso em termos fiscais. Defende a elisão fiscal, invoca o art. 43 do CTN, e conclui que empresas que possuíam investimentos cujo valor de mercado fosse superior ao contábil podiam valerse do disposto no artigo 36 da Lei nº 10.637/02 com vistas à obtenção de benefício fiscal. Assim, se a forma celebrada é jurídica e lícita, a fazenda pública deve respeitála. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 1784/1822), nas quais defende que a MINERADORA SANTO EXPEDITO – MSE – auferiu ganho de capital com a alienação de parte do seu direito de pesquisa mineral à Companhia Brasileira de Alumínio. E mais: todas as operações societárias realizadas pela empresa TG com suas controladas, dentre as quais a MSE (ora recorrente), foram nitidamente artificiais, pois promovidas sem qualquer propósito negocial ou substrato econômico. Em seu entendimento, com as operações societárias realizadas, pretendia o Grupo TERRA GOYANA gerar, por meio de um ágio inexistente, um aumento fictício do valor patrimonial (preço de aquisição) do direito de pesquisa mineral, o qual seria posteriormente alienado pelo ora Recorrente. Faz breve resumo das operações societárias e reafirma o aumento fictício do valor patrimonial do direito de pesquisa mineral, explicitando as razões para concluir pela inexistência do ágio registrado pela empresa TGMP quando da aquisição das quotas da ora Recorrente, e por conseqüência de qualquer ganho de capital auferido pela controladora, e expondo como esse ágio fictício foi utilizado para aumentar de forma falaciosa o custo de aquisição do direito que seria futuramente alienado. Assevera que ao contrário de tudo o que fora afirmado pelo insurgente, o custo de aquisição do direito de pesquisa mineral suportado pelo Recorrente é o valor de R$ 43.962,00, decorrente do investimento realizado pela sua controladora TG em 26/07/2005. Após esse evento, não houve qualquer outra justificativa suficiente a provocar a alteração do valor patrimonial desse direito. Após essa data, o Recorrente não despendeu qualquer recurso que justifique o aumento do referido custo de aquisição. Prossegue discorrendo sobre a artificialidade das operações realizadas, invocando jurisprudência administrativa em favor de seu entendimento, e afirmando regular a qualificação da recorrente como contribuinte dos tributos lançados, na medida em que ela, como legítima proprietária do direito de pesquisa mineral desde 26/07/2005, promoveu seu alienação em 04/10/2005, auferindo os frutos decorrentes dessa venda. Finaliza afastando qualquer discussão acerca de responsabilidade tributária por sucessão e defendendo a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente lançamento reflete as repercussões dos fatos constatados pela Fiscalização no anocalendário 2005, consoante descrito no processo administrativo nº 10120.007045/201082. Naqueles autos constatase que, intimada a esclarecer lançamentos contábeis vinculados à baixa do imobilizado alienado à Companhia Brasileira de Alumínio, a contribuinte demonstrou ter reconhecido contabilmente o valor de R$ 136.020.054,41 como direito a receber em razão do contrato firmado em 14/10/2005, equivalente ao montante de US$ 60.000.024,00, convertido tendo em conta a cotação do dólar do dia anterior (13/10/2005 R$ 2,2670). De outro lado, baixou custo no valor de R$ 152.291.091,62, assim apurado: c) Em decorrência da incorporação da TGM Participações Ltda, a Mineradora Santo Expedito recebeu direitos minerarios relativos ao Processo nº 860.260/4, com o valor registrado contabilmente de R$ 253.071.004,00, equivalente a 904 hectares, e reserva mineral no total de 47.500.000/t. de bauxita britada. Conforme detalhado no item anterior, houve comercialização de parte desses direitos, no montante de 574,79 hectares, o que representa aproximadamente 63% da área total registrada. Conservadoramente, para fins de baixa do custo correspondente à parcela comercializada, foi considerado o valor de R$ 152.291.091,62, que representa aproximadamente 60%, vejamos: [...] c.1) O método utilizado pela sociedade para apuração do valor residual foi a divisão da área em hectares e multiplicado pelo valor em hectares vendido; c.2) Poderia, também ser utilizado o método de apuração do valor residual em quantidade de toneladas por hectare, mas levando em consideração que não existia a objetividade de determinar em qual posição geográfica haveria a quantidade de 20.000.000/t, optouse por transferir para a CBA 574.79 hectares, área esta indefinida, podendo ser que a MSE transferirá mais áreas ou poderá no futuro receber de volta área mineralizada. Este ajuste, para mais ou para menos, também será efetuado nos registros contábeis, inclusive, podendo no futuro o prejuízo na venda aumentar, ou até mesmo diminuir e inclusive transformar em lucro, que neste momento será oferecido a tributação. c.3) Considerando que o contribuinte tem o direito de diferir o lucro quando do recebimento das receitas, o procedimento de ajustar quando completado o negócio não provocará prejuízos aos cofres públicos. A contribuinte esclareceu, ainda, que em razão da comercialização de 63,58% do referido ativo também foi baixada contabilmente, na mesma proporção, a Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido, recebida em razão da incorporação de TGM Participações Ltda. A provisão de R$ 166.997.848,00 foi, assim, reduzida em R$ 106.160.531,97, e seu registro a crédito do resultado, juntamente com a receita decorrente do contrato de 14/10/2005 (R$ 136.020.054,41), foram confrontados com o custo do ativo baixado (R$ 152.291.091,62), resultando em ganho R$ 89.889.494,76. Referido ganho, porém, depois de computado no resultado do período, foi confrontado com a exclusão da receita de reversão Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 10 9 da provisão antes mencionada, mas agora no valor de R$ 152.291.091,62, ensejando a apuração de prejuízo fiscal, no anocalendário 2005, de R$ 62.891.944,63. Observando que em 13/09/2005 a empresa Deloitte Touche Tohmatsu Consultores S/S Ltda, de São Paulo SP, apresentou relatório de Avaliação Econômico Financeira para avaliar o valor, em 31/08/2005, da totalidade das quotas da Mineradora Santo Expedito Ltda, atribuindolhes o valor justo de mercado de R$ 253.076.000,00, a autoridade fiscal questionou qual quantidade de toneladas de bauxita que foram previstas, para chegar nesse valor financeiro a preço de mercado, e qual foi o valor financeiro de cada tonelada. Em resposta, a contribuinte esclareceu que foi estimada a reserva lavrável total em 51.052.108 toneladas, a serem extraídas durante o período de operação da empresa, à razão de 1.900 mil toneladas líquidas por ano, e conseqüente fruição ao longo de 25 anos. Descreveu, ainda, os demais cálculos para determinação do fluxo de caixa daí decorrente e a conseqüente apuração do valor justo antes indicado. Frente a este contexto, a autoridade fiscal conclui que os valores recebidos de Companhia Brasileira de Alumínio em 17/10/2005 (R$ 13.506.600,00), 14 e 18/11/2005 (R$ 6.559.500,00) e 15/12/2005 (R$ 6.833.700,00) deveriam ser confrontados com o custo proporcional do ativo tendo em conta seu valor original de R$ 27.952,04, correspondente à parte alienada do ativo originalmente recebido em aumento de capital, no valor de R$ 43.962,00. Invocando o disposto no art. 31, §2o do Decretolei nº 1.598/77, admite a pretensão da contribuinte de reconhecer o lucro tributável na proporção da parcela do preço recebida em cada períodobase, mas rejeita sua apuração, reduzindo o custo do ativo baixado, bem como negando qualquer efeito às operações societárias que ensejaram sua majoração nos cálculos do ganho de capital. Referida exigência já foi apreciada pela 2a Turma da Quarta Câmara desta Primeira Seção. O Acórdão nº 1402001.181 restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IRPJ. REAVALIAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. TRATAMENTO FISCAL. O artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, revogado pela Medida Provisória nº 232, de 30.12.2004, convertida na Lei nº 11.119, de 25.05.2005, que estabelecia que não será computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica, pressupõe que este ato não envolva transação que resulte na alienação de ativos, pois se assim for o ágio só pode ser deduzido pelo adquirente, observados os pressupostos para tal. Ocorrendo alienação de ativo a amortização do ágio somente pode ser deduzida pelo adquirente nos casos em que o fundamento deste estiver alicerçado em laudo que demonstre a expectativa de rentabilidade futura. O voto condutor do acórdão, de lavra do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, inicialmente firma a semelhança da situação tratada nestes autos com o caso Gerdau, apreciado por esta Turma de Julgamento em sessão de 11 de abril de 2012. Reportandose às operações societárias ocorridas antes da alienação acima referida, o Relator observa que Terra Goyana Mineradora Ltda era detentora de um ativo referente à Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 11 10 prerrogativa de direito de pesquisa mineral, o qual só se constituiria em suporte fático suficiente à geração de imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro líquido quando da sua alienação a terceiros, não se incluindo nesta situação os casos de utilização do ativo para integralizar capital social em empresa da qual a titular é sócia ou vier a se tornar sócia. Seguindose o aporte deste ativo na autuada, e a integralização de capital em TGM Participações com base no laudo de avaliação emitido pela Deloitte Touche Consultores Ltda (no valor de R$ 253.077.000,00), o Relator ressalta que o ato da empresa Terra Goyana Mineradora Ltda integralizar capital social com ativo que possuía contabilizado, à luz da legislação vigente à época, não constitui fato do qual pudesse decorrer, naquele ato, obrigação de pagar imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro líquido, em razão do disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, cuja justificativa é a inexistência de troca de proprietário da participação societária. Anotando que a incorporação da TGM pela Mineradora Santo Expedito também não representou situação fática da qual decorra a incidência das regras de exigência do IRPJ e da CSLL, consignou que em 14/10/2005 o ativo referente ao direito de exploração de minérios, que pertencia à empresa Terra Goyana foi transferido pela Mineradora Santo Expedito à Companhia Brasileira de Alumínio, pelo valor especificado no termo de verificação fiscal, e somente nesta alienação houve efetivo ingresso de recursos ao detentor dos referidos direitos. Rejeitados os embargos opostos ao referido julgado, a interessada interpôs recurso especial que aguarda admissibilidade. Argúi, ali, a aplicação de interpretação divergente daquela aplicada por esta Turma de Julgamento ao caso Gerdau (Acórdão nº 1101 00.708). Nestes autos, a autoridade fiscal reitera os argumentos deduzidos no processo administrativo nº 10120.007045/201082 para negar efeitos à reorganização societária promovida pela contribuinte, e por conseqüência afirmar tributável a operação de alienação de direitos minerarios à Companhia Brasileira de Alumínio, divergindo da apuração negativa demonstrada pela contribuinte no anocalendário 2005, e atribuindo aos anoscalendário 2007 a 2010 o ganho de capital apurado em razão das parcelas daquela alienação recebidas nestes períodos, tendo em conta o custo do ativo apurado segundo os mesmos parâmetros adotados no lançamento anterior. Assim, a presente exigência decorre da desconsideração do custo atribuído pela contribuinte ao ativo baixado em 14/10/2005, originalmente motivada nos autos do processo administrativo nº 10120.007045/201082 e apreciada pela 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção. Indiscutível, portanto, a conexão entre os lançamentos. Em contexto semelhante, esta Conselheira já suscitou, em preliminar, a conexão dos processos, interpretada como uma limitação à cognição das Turmas de Julgamento, com vistas a evitar a reapreciação de fato já julgado e a prolação de decisão em sentido diverso da anterior. Todavia, com base nos mesmos princípios da economia processual, eficiência e segurança jurídica que sustentavam a tese, ela foi em duas ocasiões rejeitada por este Colegiado, que não vislumbrando previsão regimental para tanto, suscitou ofensa à ampla defesa e ao contraditório, que fatalmente resultariam na anulação do acórdão assim orientado, e conseqüente retardo na solução do litígio. Frente a tais circunstâncias, a mencionada preliminar deixa de ser suscitada, e passase à apreciação do mérito do recurso voluntário interposto nestes autos. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 12 11 A recorrente argúi a nulidade do lançamento por preterição ao direito de defesa, na medida em que os dispositivos legais indicados no auto de infração não tipificam a conduta da Recorrente, e muito menos se prestam para fundamentar o lançamento ou definir o fato gerador. Contudo, além de se reportar ao art. 31, §2o do Decretolei nº 1.598/77, como feito no procedimento fiscal anterior, a autoridade lançadora fundamentou o lançamento, dentre outros, no art. 418 do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 31 do Decretolei nº 1.598/77, em seu caput e §1o. Logo, a tributação do ganho de capital está validamente fundamentada no que dispõe referido diploma legal: Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. § 2º Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do exercício social seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada períodobase. § 3º O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (§ 1º), diminuído da provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. [...] Já a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas está claramente vinculada ao disposto no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, já na redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, vez que as infrações apenadas se verificaram a partir de janeiro/2008. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento. A recorrente defende a regularidade das operações societárias que ensejaram a majoração do custo global do ativo parcialmente alienado de R$ 48.962,00 para R$ 253.076.000,00. Observa que o valor apurado está expresso em laudo de avaliação, e que houve reconhecimento, por Terra Goyana Mineradora Ltda, de ganho de capital com tributação diferida na forma do art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Como apontado no Acórdão nº 1402001.181, e invocado pela recorrente no recurso especial interposto nos autos do processo administrativo nº 10120.007045/201082, a matéria em questão é objeto do Acórdão nº 110100.708, no qual esta Relatora restou vencida em seu entendimento contrário aos efeitos fiscais almejados com a reorganização societária promovida. Isto porque tais operações buscam, apenas, atribuir ao ativo um valor futuro, que não reúne qualquer materialidade como justificativa para o incremento patrimonial, distinguindose essencialmente do que se verifica nos casos em que um terceiro paga pela expectativa de rentabilidade futura e antecipa no patrimônio da investidora esta realidade. Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 13 12 Nestes termos, o fato de em 13/09/2005 Terra Goyana Mineradora Ltda ter atribuído às quotas por ela detidas na autuada o valor de mercado de R$ 253.076.000,00, com base em laudo de avaliação que considerava os resultados a serem obtidos com a exploração do ativo integralizado na autuada por valor histórico de R$ 43.962,00, não altera o custo contábil deste ativo alienado no mês seguinte à Companhia Brasileira de Alumínio. Não se verificou a intervenção de qualquer terceiro, parte independente, na criação daquela riqueza, mas apenas a interposição de TGM Participações Ltda, constituída em 03/08/2005 para ser extinta por incorporação em 04/10/2005. A autoridade fiscal descreve amplamente estas operações, e demonstra graficamente que o capital social da autuada evolui de R$ 48.962,00 em 26/07/2005 para R$ 86.079.156,00 em 04/10/2005, permanecendo sob titularidade de Terra Goyana Mineradora Ltda, Marcos de Alencastro Curado, Luiz Antônio Vessani, André Alencastro Curado e José Lincoln Gambier Costa, sem qualquer aporte de novos bens ou direitos, mas apenas em razão da atualização dos direitos minerarios a valor de mercado. Neste contexto, é irrelevante o equívoco cometido pela Fiscalização ao dizer que o capital social de Terra Goyana Mineradora Ltda passou de R$ 1.000,00 para R$ 253.076.000,00, pois seria TGM Participações Ltda quem apresentaria aquele capital inicial. A recorrente enfatiza que não houve reavaliação, mas sim avaliação a valor de mercado no aporte de capital promovido por Terra Goyana Mineradora Ltda em TGM Participações Ltda, na medida em que teve em conta relatório de avaliação econômico financeira das quotas detidas na autuada. Todavia, a avaliação a valor de mercado sem a intervenção de terceiros em nada se distingue, na essência, do procedimento de reavaliação de ativos. Em verdade, a prática do grupo empresarial alcançou resultados equivalentes aos de uma reavaliação do ativo, porém sem o registro da reserva correspondente, a ser realizada por ocasião da alienação contemporaneamente contratada, de modo a permitir a tributação da riqueza efetivada com a intervenção de terceiros. A recorrente afirma a existência de erro na identificação do sujeito passivo, reportase ao art. 21 da Lei nº 9.249/95, que autoriza a avaliação a valor de mercado pela pessoa jurídica que tiver o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão, submetendo à tributação o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de avaliação e o custo de aquisição. Defende, assim, que o ganho de capital teria sido apurado por Terra Goyana Mineradora Ltda, afirmando o acerto de todo o procedimento contábil levado à frente pela Impugnante, pois sabe que a legislação à época dava total respaldo legal às operações nos termos em que ficaram dispostas, na medida em que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 permaneceu vigente até 21/11/2005, autorizando o diferimento do ganho de capital auferido por Terra Goyana Mineradora Ltda, assim como o imposto economizado com a operação, o qual só é cobrado quando da alienação ou venda. A descrição fiscal, porém, demonstra claramente que nenhum efeito tributário pode ser atribuído à alegada avaliação a valor de mercado, ou ao ganho de capital eventualmente reconhecido por Terra Goyana Mineradora Ltda em razão de operações praticadas internamente ao grupo empresarial, e mediante o uso de uma empresa de efêmera duração, que se prestou apenas como veículo para o patrimônio da autuada de registros contábeis que acabaram por majorar, sem qualquer substância, o custo do ativo alienado. A incorporação cogitada no art. 21 da Lei nº 9.249/95 é aquela que efetivamente enseja reunião patrimonial entre empresas, substancialmente distinta da operação Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 14 13 societária verificada entre TGM Participações e a autuada, na medida em que a primeira sequer pode ser conceituada como sociedade empresária, em razão das finalidades a que se destinou, nos termos da descrição fiscal. Quanto ao ganho capital reconhecido na forma do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, até porque a contribuinte fundamenta as operações em doutrina de Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins, cumpre reproduzir as considerações expostas por esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 110100.913: Registrese, ainda, que em artigo publicado por Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins (“A incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade, in “http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004”) vislumbrase que a lei fiscal admite que o ágio surja em outras circunstâncias, em razão do que dispunha o art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Referido trabalho acadêmico, no que importa à área de especialização de seus autores, conclui que definitivamente, à luz da teoria da contabilidade é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. Não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante. E, para assim arrematarem, argumentam que: Em síntese, o ágio (ou, por vezes, o deságio) surge do confronto entre o valor justo (fair value) de uma dada entidade (valor de saída), precificado por intermédio de uma transação envolvendo terceiros independentes, e o valor contábil (valor de entrada) do patrimônio líquido dessa mesma entidade (considerando, é claro, a participação acionária adquirida). Logo, em termos de Teoria da Contabilidade, a rigor, em uma transação admitese tão só a figura do ágio, que vem a ser um resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assest), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas. Enfim, quando o ágio for resultado de um processo de barganha negocial não viciado, que concorra para a formação de um preço justo dos ativos líquidos em apreço. [...] Não faz sentido algum reconhecer, numa boa e sadia contabilidade, o resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade. Isso é, na realidade, geração artificial de resultado. Contudo, adentrando à seara tributária, referidos autores limitamse a concluir que o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferido do Estado para o grupo via renúncia fiscal. Analisando exclusivamente um dos efeitos da operação interna, concernente ao diferimento da tributação do ganho de capital reconhecido pela parte que aliena a participação societária, tratado no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, os autores expõem que: Elucidando o caput do artigo 36, temse que caso uma dada companhia “A” possua participação societária em outra companhia “B”, e resolva constituir uma terceira companhia “C”, integralizando ações subscritas de “C” com a participação societária em “B” avaliada economicamente, o lucro apurado por “A” na integralização das ações subscritas de “C” não será tributado de imediato, para fins de IRPJ e CSLL. Mais à frente, ao mencionar que o ágio carreado de “C” para “B” será dedutível tanto na apuração do lucro real quanto na base de cálculo da CSLL a ser apurado em “B”, os autores não explicitam qual dispositivo legal autorizaria a classificação daquela parcela como ágio. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 15 14 Diz a Lei nº 10.637/2002, nesta parte já revogada, desde a edição da Lei nº 11.196/2005: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o. Ocorre que a lei apenas difere a tributação do ganho de capital verificado no momento em que o direito da pessoa jurídica convertese em outro de maior valor, por ação única e exclusiva do titular deste direito, e sem que tal direito deixe, efetivamente, seu patrimônio. Na prática, a lei apenas equivale a situação fiscal do sujeito passivo que assim age àquela na qual permanece o sujeito passivo que não promove qualquer transferência de seu investimento para outra pessoa jurídica sob seu controle. E, somente por esta razão, já seria possível afastar o outro efeito aventado para esta operação, qual seja, a formação do ágio. Isto porque inexiste ganho real por parte da pessoa jurídica que transfere seus investimentos para outra pessoa jurídica, mas continua a deter sua titularidade de forma indireta. O diferimento da tributação, assim, não representa qualquer benefício, mas apenas a anulação de uma incidência que se materializaria por ato exclusivo do titular do direito. De outro lado, em momento algum o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 admite que na nova investida este direito reavaliado tenha a sua maisvalia reconhecida contabilmente como ágio, nem cogita que esta maisvalia seja amortizável. Os autores também não se reportam a qualquer ato normativo, solução de consulta ou julgamento administrativo que assim tenha concluído. Interpretação naquele sentido somente é possível olvidandose dos elementos conceituais de uma aquisição, quais sejam, partes independentes e preço. Vejase que estes elementos integram um conceito uniforme tanto na esfera contábil (na redação da Lei nº 6.404/76, ao menos até sua alteração pela Lei nº 11.638/2007) como na esfera tributária (art. 20 do Decretolei nº 1.598/77), determinante do que representa o custo de aquisição de um investimento. De outro lado, o ágio nada mais é do que a diferença entre o custo de aquisição e a equivalência patrimonial da participação societária, e no presente caso o primeiro restou majorado por conta do valor que lhe foi atribuído pelo seu titular ao subscrever capital na sociedade intermediária que passou temporariamente a deter o controle direto da investida. Assim, somente olvidando que custo de aquisição é o valor efetivamente despendido em transações com o mundo exterior (art. 7o da Resolução CFC nº 750/93), é possível construir o ágio amortizado pela recorrente. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 16 15 Do disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um mecanismo para evitar a tributação do ganho escriturado em razão da transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir e o ganho se tornasse real. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 29a edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: O art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. O diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP nº 66, de 29082002, convertido no art. 36 da Lei nº 10.637, de 30122002, dispondo: [...] A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio líquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio líquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio líquido sem tributação. A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei específica não foi revogado. Mas, também relevante neste caso, é atentar para o fato de que a controladora não apenas integraliza capital em uma empresa do mesmo grupo societário, nela aportando ações de empresa controlada por valor maior que o patrimonial, fazendo surgir o que se denominou ágio, o qual passou a ser amortizado depois de a controlada incorporar a holding intermediária do grupo. Mais que isso, o resultado final desta operação é que, em razão da mencionada incorporação, a controladora restabelece o controle direto sobre aquela controlada, de modo que tudo volta a ser como era antes, embora com uma “novidade”: o surgimento, no patrimônio da investida, de um item classificado como ágio, no valor de R$ 112.888.136,35, que se presta a reduzir seu lucro tributável nos cinco anos subsequentes, tendo como fundamento, justamente, a expectativa da controladora de que este lucro fosse auferido. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 17 16 No presente caso, a “novidade” resultante de tais operações foi a transposição do custo contábil de um ativo de R$ 43.962,00 para R$ 253.076.000,00, às vésperas de sua alienação parcial e hábil a converter em prejuízo o resultado positivo revelado com a venda de 63% daquele ativo por US$ 60 milhões, ou R$ 136.020.054,41. Nestes termos, embora a autoridade fiscal não tenha classificado as operações como simuladas, a argumentação desenvolvida foi suficiente para retirarlhes qualquer efeito no âmbito tributário, assim como a Comissão de Valores Mobiliários o fez no âmbito societário, providência que não pode ser desclassificada por representar uma visão econômica para um fato jurídico tributário, na medida em que se presta a revelar a real natureza dos atos formalmente praticados. Acrescentese, ainda, que não se está, aqui, obrigando o sujeito passivo a, entre duas possibilidades de estruturação de uma operação, escolher a mais onerosa, pois somente duas operações estão materialmente demonstradas: o aporte do ativo pelo custo histórico de R$ 43.962,00 e a sua alienação por R$ 136.020.054,41. A majoração do custo contábil a R$ 253.076.000,00 não contou com a intervenção de terceiros para atribuir substância à avaliação econômica, e assim não se constituía em uma possibilidade de estruturação da operação, como vislumbrado pela recorrente. O princípio da legalidade, nos termos expostos no art. 31 do Decretolei nº 1.598/77, impõe o custo histórico como base de valor para a baixa de ativos, e sua reavaliação somente é admitida se observados os requisitos legais. A reorganização societária internamente ao grupo empresarial não é meio válido para incremento do valor de ativos ou geração interna de riqueza que venha a se converter em redutor da base tributável, não se verificando qualquer hipótese de elisão fiscal que deva ser respeitada pela Fazenda Pública. O intérprete, neste contexto, tem o dever de demonstrar os reais contornos do fato jurídico que se submete à incidência tributária, e não estará, por tal razão, criando nova hipótese legal de tributação. Por fim, no que tange à inexigibilidade de multa dos sucessores, somente se pode cogitar que a contribuinte reportese a esta argumentação por vislumbrar que o lançamento aqui formalizado deveria ter sido dirigido a Terra Goyana Mineradora Ltda ou TGM Participações, incorporada pela autuada. Todavia, a argumentação até aqui desenvolvida evidencia que o ganho de capital foi auferido pela autuada que alienou ativos, mas os baixou por valor indevidamente majorado. Restabelecido o custo original, e evidenciada a renda por ela auferida, correto o lançamento contra ela formalizado, não se cogitando de qualquer sucessão. Assim, restando demonstrado que a contribuinte considerou, na apuração do ganho de capital, custo indevidamente majorado por operações societárias realizadas internamente ao grupo empresarial, correta a exigência calculada sobre as parcelas dos lucros computadas nos recebimentos verificados de 2007 a 2010. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à tributação do ganho de capital. No anocalendário 2010, além da tributação do ganho de capital no valor de R$ 17.589.484,82, a autoridade fiscal também glosou variações cambiais passivas no valor de R$ 17.059.063,43. A recorrente aponta erro na apuração do valor tributável, não só porque desconsiderados os valores efetivamente suportados pela Impugnante na realização do negócio, qual seja, o preço ou custo efetivo decorrente da incorporação societária, mas Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 18 17 também os prejuízos acumulados decorrentes da variação cambial. Assevera que a apuração do lucro real deve ter em conta tais despesas e prejuízos, na forma do art. 30 da Medida Provisória nº 2.158/2001, que assim dispunha na redação vigente até 2010: Art.30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. §1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. §2o A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o anocalendário. §3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. A legislação, nestes termos, estabeleceu que o reconhecimento de variações cambiais observaria, em regra, o regime de caixa, computandose a variação, positiva ou negativa, quando da liquidação da correspondente operação. O sujeito passivo, porém, poderia optar pelo reconhecimento segundo o regime de competência. A autoridade fiscal, por sua vez, nada menciona acerca do regime ao qual se sujeitava a contribuinte. Embora reconheça que o contrato foi firmado para pagamentos em 75 parcelas, com seus valores convertidos, à data do pagamento, segundo a cotação oficial do dólar americano para o valor em moeda corrente nacional, observou que as exigências anteriores não levaram em conta perdas e/ou ganhos de variação cambial, e que somente em 2010 a contribuinte procedeu a lançamentos de variação cambial, sem excluir as correspondentes despesas no LALUR. Tal justificativa, porém, é insuficiente para justificar a glosa promovida. Os valores tributáveis foram apurados tendo em conta os recebimentos efetivos, já atualizados, contabilizados pela contribuinte. Assim, não há reparos à quantificação do ganho de capital. Já o direito subsistente no ativo da contribuinte sujeitase a atualização, porque lastreado em um contrato vinculado à variação do dólar americano e, desta forma, a contribuinte poderia, a cada recebimento, registrar a variação cambial correspondente à parcela da operação liquidada. Todavia, consoante esclarecimentos prestados no curso do procedimento fiscal (fls. 1275/1278), a contribuinte assim procedeu: O tratamento contábil aplicado as receitas foi o recebimento de parcela de venda a prazo, ocorrido em ano anterior, cujo reflexo é a entrada de recurso no caixa e a baixa do ativo (contas a receber CBA). Quanto a variação cambial passiva, despesa financeira foi reconhecido pela sociedade, somente no ano de 2010, a variação cambial passiva, do período de 14/10/2005 a 15/12/2010, conforme planilha abaixo, cujo critério usado foi na data do recebimento da parcela, que transformou a quantidade de dólar em reais, Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 19 18 comparada ao efetivamente recebido, e contabilizou a diferença para mais ou para menos da variação cambial adotando o regime de caixa, de acordo com a necessidade de ajuste do valor de recebimento. O primeiro registro de variação cambial passiva verificase em janeiro/2010, no valor de R$ 11.685.392,55 (fl. 504). Ao final de janeiro/2010, segundo os esclarecimentos acima, o saldo contábil do direito em reais seria de R$ 48.329.343,09 (descontados os valores recebidos em reais do direito originalmente contabilizado em R$ 136.020.054,41), ao passo que, considerada o crédito a receber em dólares americanos (US$ 16.733.341,00), o direito representaria valores atualizados de R$ 35.021.209,38 (fl. 1278). A diferença entre o direito contabilizado em reais e o valor convertido pelo dólar norteamericano atualizado em janeiro/2010 corresponderia a R$ 13.308.133,65, de modo que ao registrar a perda de R$ 11.685.392,55 a contribuinte pode ter se valido de outros referenciais de cálculo, eventualmente até limitando o registro à perda correspondente apenas às parcelas do direito efetivamente recebidas até aquele período. Nos termos do art. 30 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 este registro poderia ter sido feito por ocasião da liquidação de cada parcela do direito a receber, e a oscilação do dólar norteamericano poderia ensejar o reconhecimento de variações cambiais passivas ou ativas. Deste modo, para rejeitar seu registro acumulado ao longo do ano calendário 2010 a autoridade fiscal deveria ter apurado a que período de apuração competiria a variação cambial, de modo a determinar quais parcelas representariam postergação de receita ou de despesa, imputandolhes os efeitos fiscais correspondentes. A glosa total, como procedida, alcança parcelas que podem corresponder a postergação de despesa ou mesmo a despesas dedutíveis no próprio anocalendário 2010 em razão do regime de caixa. A acusação fiscal, porém, foi dirigida no sentido de que tais variações cambiais não poderiam ser reconhecidas porque os registros contábeis, até então, vinham sendo produzidos sem levar em consideração cálculos de valores de conversão de dólares americanos, e também porque a contribuinte não está reconhecendo receitas oriundas da venda feita à CBA, o que não é correto afirmar, na medida em que a receita foi reconhecida, e apenas o ganho não o foi, em razão da majoração dos custos como antes exposto. Resta evidente, assim, que a glosa de variações monetárias passivas não foi devidamente fundamentada pela Fiscalização. A motivação, por sua vez, é elemento essencial na constituição do crédito tributário, e sua deficiência pode ser interpretada como vício material, por ausência de adequada descrição dos fatos (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72), ou por falha na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável (art. 142 do CTN). Em tais condições, é possível declarar a nulidade do lançamento por vício material ou mesmo a sua improcedência por deficiências de mérito. O fato, porém, é que em ambos os casos, depois da lavratura do auto de infração, não é mais possível a sua complementação, porque ausente uma das hipóteses previstas no art. 41, §1o, incisos I e II do Decreto nº 7.574/2001 (norma de natureza procedimental e assim de aplicação retroativa), ou mesmo a sua nova constituição na forma do art. 173, inciso II do CTN, por não se tratar de mero vício formal, e sim vício material, insuscetível de retificação mediante nova formalização do lançamento, porque dependente do acréscimo de aspectos fáticos e jurídicos ausentes na formalização original. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 20 19 Impõese, assim, a conclusão de que a acusação fiscal não reúne argumentação suficiente para justificar a glosa das variações monetárias passivas, devendo ser cancelado, por vício material, o lançamento. Assim, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de variações monetárias passivas. Por fim, a recorrente afirma a improcedência da aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício proporcional, invocando jurisprudência administrativa e decisões judiciais em favor de suas alegações, bem como observando que são irrelevantes as modificações introduzidas depois da Lei nº 11.488/2007, e defendendo a aplicação do art. 112 do CTN. Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 21 20 Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.721005/201128 Acórdão n.º 1101001.052 S1C1T1 Fl. 22 21 III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%. Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: o ilícito que enseja a aplicação da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e o ilícito que autoriza a aplicação da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Diante de todo o exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário apenas para cancelar as exigências correspondentes às glosas de variações cambiais passivas. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10680.724415/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa
CARNÊ-LEÃO.
Não comprovados, de forma hábil e idônea, os recolhimentos a título de carnê-leão no montante informado na declaração de ajuste, cabíveis as glosas efetuadas
Numero da decisão: 2202-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente, e no mérito em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, e Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa CARNÊLEÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 44 15 /2 00 9- 61 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR 2 Não comprovados, de forma hábil e idônea, os recolhimentos a título de carnêleão no montante informado na declaração de ajuste, cabíveis as glosas efetuadas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente, e no mérito em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, e Fabio Brun Goldschmidt Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.724415/200961 Acórdão n.º 2202002.579 S2C2T2 Fl. 122 3 Relatório Em decorrência da ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte identificado, foi lavrado auto de infração (fls. 02/09), relativo ao Imposto de Renda PessoaFísica, do exercício 2005, anocalendário de 2004, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário no valor total de R$ 856.985,60 O lançamento originouse na constatação de compensação indevida de carnê leão. Ante a não localização nos sistemas de Receita Federal dos Darf apresentados, foi encaminhada intimação à Caixa Econômica Federal para verificação da autenticidade dos documentos. Em resposta, a Caixa Econômica Federal enviou ofício informando que não constava registrado o recebimento dos Darf e que não reconhecia a legitimidade das autenticações mecânicas dos referidos documentos. Dessa forma, foi glosado o valor de R$ 484.850,00 a título de carnêleão. Cientificada do lançamento, a inventariante do espólio o impugna, alegando, resumidamente, o que se segue: Afirma que os Darf apresentados e devidamente autenticados comprovam o pagamento do valor constante da declaração. A mera afirmação da instituição bancária de não constar registrado o recebimento não tem o condão de infirmar a prova do pagamento, sendo que não foi apresentado nenhum documento comprobatório. A obrigação foi extinta pelo pagamento. Além disso, o crédito tributário foi extinto tendo em vista o decurso do prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador. Também não houve a intimação para prestar esclarecimentos, configurando cerceamento de defesa, impondose a anulação do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte – DRJ/DHE ao analisar a impugnação, por unanimidade de votos manteve o lançamento através do acórdão 0238285 de 30 de março de 2012, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DECADÊNCIA Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR 4 O fato gerador do imposto de renda pessoa física sobre os rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções, ou seja, 31 de dezembro de cada anocalendário, nos casos em que se constata que houve pagamentos referentes ao imposto. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não cabe falar em cerceamento do direito de defesa se todos os fatos relevantes que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. CARNÊLEÃO. Não comprovados, de forma hábil e idônea, os recolhimentos a título de carnêleão no montante informado na declaração de ajuste, cabíveis as glosas efetuadas. Devidamente cientificado dessa decisão, o recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação.] É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.724415/200961 Acórdão n.º 2202002.579 S2C2T2 Fl. 123 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes devemos analisar a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente. Decadência Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.724415/200961 Acórdão n.º 2202002.579 S2C2T2 Fl. 124 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR 8 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente ao ano calendário 2004, em que foi apurada falta de recolhimento de carneleão, infrações sujeitas ao Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.724415/200961 Acórdão n.º 2202002.579 S2C2T2 Fl. 125 9 imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Para o anocalendário 2004, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.2004, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2009 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 07/12/2009, não havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. Nulidade – Cerceamento Direito Defesa Quanto as preliminares de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, argüidas pelo recorrente, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora e administrativa feriram diversos princípios fundamentais, quais sejam: eleição de base de cálculo irreal, período de apuração incorreto, necessidade de produção de prova de titularidade de bens ou acréscimo patrimonial e inobservância do princípio da territorialidade. Estas preliminares devem ser rejeitadas pelos motivos que se seguem. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pela agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR 10 imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. O excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.724415/200961 Acórdão n.º 2202002.579 S2C2T2 Fl. 126 11 Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Desta forma, verificase totalmente incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, haja vista que o lançamento foi perfeitamente assimilado pelo litigante, não se constatando em seu recurso qualquer dificuldade para o exercício do seu direito de defesa, pois demonstrou pleno conhecimento da infração apontada. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Carneleão. No que diz respeito a validade ou não dos pagamentos efetuados pelo Recorrente a título de carneleão, entendo que não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que fez uma busca nos sistemas da Receita Federal do Brasil na tentativa de localizar os pagamentos, bem como foi intimada a instituição financeira que teria efetuado os pagamento no caso a Caixa Econômica Federal, e em nenhum desse locais foram localizados os mesmos. O recorrente limitase a dizer que apresentou os darf’s com as autenticações mecânicas, mas não trouxe nenhuma outra prova que demonstrasse que os mesmos foram pagos, como por exemplo microfilmagem dos cheques, ou extratos bancários que demonstrassem que tais valores saíram de sua conta corrente. Diante do exposto, conheço do recurso, rejeito as preliminares e no mérito nego provimento. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR 12 (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000021/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004
COOPERATIVA MÉDICA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. DISCRIMINAÇÃO. SEGREGAÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
Na comercialização de planos de saúde, existe prestação de utilidade pela cooperativa a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e utilidades conexas de não cooperados. O contratante, simplesmente, não paga o preço através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado. Assim, são atos cooperativos, nas cooperativas de médicos, apenas os serviços prestados por estes, classificando-se como atos não cooperativos os serviços prestados por terceiros. Diante da falta de segregação contábil entre os resultados provenientes dos atos cooperativos e aqueles decorrentes dos atos não-cooperativos, é cabível a tributação pelo IRPJ do resultado global da cooperativa.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível
ATOS COOPERADOS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS.
A isenção de COFINS concedida pela Lei Complementar 70/91 às cooperativas se cingia aos ingressos decorrentes de atos cooperativos, não sendo afetada sua revogação, no lançamento em dissídio. Exigência sobre as receitas de atos não cooperativos que deve ser mantida reflexamente.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio as receitas não oferecidas à tributação.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária as multas isoladas aplicadas, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto que negavam provimento integralmente.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003, 2004 COOPERATIVA MÉDICA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. DISCRIMINAÇÃO. SEGREGAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Na comercialização de planos de saúde, existe prestação de utilidade pela cooperativa a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e utilidades conexas de não cooperados. O contratante, simplesmente, não paga o preço através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado. Assim, são atos cooperativos, nas cooperativas de médicos, apenas os serviços prestados por estes, classificando-se como atos não cooperativos os serviços prestados por terceiros. Diante da falta de segregação contábil entre os resultados provenientes dos atos cooperativos e aqueles decorrentes dos atos não-cooperativos, é cabível a tributação pelo IRPJ do resultado global da cooperativa. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível ATOS COOPERADOS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A isenção de COFINS concedida pela Lei Complementar 70/91 às cooperativas se cingia aos ingressos decorrentes de atos cooperativos, não sendo afetada sua revogação, no lançamento em dissídio. Exigência sobre as receitas de atos não cooperativos que deve ser mantida reflexamente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio as receitas não oferecidas à tributação. Recurso Parcialmente Provido.
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ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. DISCRIMINAÇÃO. SEGREGAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Na comercialização de planos de saúde, existe prestação de utilidade pela cooperativa a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e utilidades conexas de não cooperados. O contratante, simplesmente, não paga o preço através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado. Assim, são atos cooperativos, nas cooperativas de médicos, apenas os serviços prestados por estes, classificandose como atos não cooperativos os serviços prestados por terceiros. Diante da falta de segregação contábil entre os resultados provenientes dos atos cooperativos e aqueles decorrentes dos atos nãocooperativos, é cabível a tributação pelo IRPJ do resultado global da cooperativa. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 21 /2 00 7- 39 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível ATOS COOPERADOS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A isenção de COFINS concedida pela Lei Complementar 70/91 às cooperativas se cingia aos ingressos decorrentes de atos cooperativos, não sendo afetada sua revogação, no lançamento em dissídio. Exigência sobre as receitas de atos não cooperativos que deve ser mantida reflexamente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio as receitas não oferecidas à tributação. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária as multas isoladas aplicadas, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto que negavam provimento integralmente. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Fl. 956DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 3 3 (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Relatório UNIMED DE AVARE COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 50.368.034/000101, com domicílio fiscal na cidade de Avaré, Estado de São Paulo, na Rua. Santa Catarina, nº 1981 Bairro Alto, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 899/909, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 921/943. Contra a contribuinte, acima identificada, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP, em 16/01/2007, os Autos de Infrações de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); de multas isoladas pela falta de recolhimento sobre a base estimada de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 04/30), com ciência pessoal, em 16/01/2007 (fl. 04), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.813.365,88), a título de multas isoladas e contribuições, acrescido de multa lançamento de ofício normal 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições referente aos exercícios de 2003 a 2004, correspondente aos anoscalendário de 2002 a 2003, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2003 a 2004, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades; 1 – MULTAS ISOLADAS PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ e CSLL SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA: Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de calculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal e seus respectivos anexos, os quais são partes integrantes do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996 alterado pelo art. 18 da Medida Provisória n ° 303, de 2006 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 1966. 2 – FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE PIS (FATURAMENTO): Valor apurado conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal. Infração capitulada nos arts. 1º e 3°, da Lei Complementar n° 07/70; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715, de 1998; arts. 2° e 3°, da Lei n° 9.718, de 1998; arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. 3 – FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE COFINS: Valor apurado conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal. Infração capitulada nos art. 1º da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3º e 8º, da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807 de 1999 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n º 1.858, de 1999 e reedições e arts. 2°, inciso II e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 4 5 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 31/40), entre outros, os seguintes aspectos: que no exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, procedemos á auditoria fiscal junto à contribuinte acima qualificada, cujos trabalhos tiveram inicio em 07 de julho de 2006, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, CSLL, PIS e COFINS, dos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, onde foram apuradas a irregularidades descritas na seqüência; que a Unimed de Avaré, a empresa fiscalizada, foi constituída como uma cooperativa de trabalho médico, conforme definida em seu Estatuto Social. O tratamento tributário das sociedades cooperativas tem guardado a devida correlação com a função econômicosocial dos seus objetivos. A Lei n.° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que rege essas entidades, as declara como sociedades de pessoas, com natureza jurídica própria, de natureza civil, sem objetivo de lucro; que verificase que o art. 182, do RIR/99, contempla a isenção para o resultado positivo nos chamados atos cooperativos, e o art. 183 submete a tributação os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, os chamados atos nãocooperativos; que concluise que quando a sociedade cooperativa obedecer ao disposto na legislação especifica sobre os resultados de atos cooperativos (resultado positivo da prestação de serviços médicos pelos associados), não haverá incidência do imposto de renda da pessoa jurídica, diferentemente de quando, por exemplo, a cooperativa prestar outros serviços ou comercializar produtos adquiridos de terceiros (comercialização de planos segurosaúde, internações hospitalares, exames e serviços laboratoriais, venda de medicamentos, etc.), caso em que o resultado destes atos nãocooperativos será alcançado pela tributação do imposto de renda da pessoa jurídica; que o Parecer Normativo CST nº 38, de 1980 deixa bem claro que as sociedades constituídas como cooperativas de serviços médicos, e este é o caso típico da contribuinte UNIMED DE AVARE, voltadas ao mercantilismo habitual de planos de saúde, serviços e medicamentos: (1) atividade econômica, (2) fins lucrativos, (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de risco), ao desenvolverem atos diversos dos previstos na Lei 5.764171 (arts. 85, 86 e 88), encontramse ao desabrigo da não incidência dos tributos, com relação a esses atos, e ao contratar com terceiros prestação de serviços de pessoas física ou jurídicas não associadas, a Cooperativa está praticando ato não cooperativos, não importa a denominação que se lhes dê, e portanto, está sujeita normalmente à tributação do imposto de renda da pessoa jurídica; que a contribuinte praticou claramente atos nãocooperativos, fazendo, porém, irregularmente, subtrair de forma clara e contrária aos ditames legais todos os valores do campo da incidência tributária. Além do mais, embora revestida sob o manto de cooperativa, a contribuinte pratica com habitualidade, basicamente, a atividade de mercancia de planos de saúde, constituída na venda de bens e serviços de terceiros e medicamentos, com assunção dos resultados econômicos (risco), com fins lucrativos e habitualidade; que de acordo com a documentação anexada e pela análise da escrituração contábilfiscal, a UNIMED DE AVARE contrata com a clientela, conjuntamente com os Fl. 959DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 serviços médicos dos sócios (atos cooperativos), a prego global não discriminativos, ainda o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com diária e serviços hospitalares, serviços de laboratórios, serviços odontológicos, venda de medicamentos (farmácia), transporte terrestre e aéreo e outros serviços especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, sendo evidente que estas operações são atos não cooperativos independente da auto denominação dada pela contribuinte – não se compreendendo nem entre os atos cooperativos, nem entre os excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com tragos de seguro saúde, conforme estabelece a legislação aplicável, estando sujeitos à incidência tributaria; que as receitas auferidas correspondentes aos habituais atos de comércio desses planos de seguro saúde e as devidas às demais atividades operacionais da cooperativa fiscalizada, foram indevidamente classificadas e englobadas sob o titulo "ATOS COOPERATIVOS" pela contribuinte nas mais variadas rubricas: mensalidades empresa, mensalidade pif, manutenção mensal, intercâmbio, além de "Outros Ingressos", como taxas administrativas, guias vendas, transporte UTI móvel usuário, farmácia, receitas financeiras e outras receitas; que uma vez que a escrituração contábilfiscal procedida pela contribuinte, não traz a segregação da receita obtida com a prestação de serviços acima explicitados, para atos cooperativos e nãocooperativos, procedeuse A intimação da contribuinte, em 08/08/2006, fazendo constar naquele Termo de Intimação : "Uma vez que, conforme análise dos livros e demais registros da entidade, constatase que escrituração contábil fiscal da contribuinte não permite a segregação das receitas dos atos cooperativos das receitas dos atos nãocooperativos (exceção feita às receitas já declaradas de Transporte UTI MóvelParticular e as Comissões s/ Planos Uniodontos), comprovar explicitamente, mediante documentação hábil, idônea e através de critérios claros e compatíveis com as regras contábeis e fiscais, a legal segregação das receitas oriunda de atos cooperativos, quais sejam do trabalho médico prestados pelos associados, das demais receitas oriundas dos atos nãocooperativos, quais sejam, (a) diária e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios e institutos, (c) serviços odontológicos, (d) venda de medicamentos (farmácia); (e) transporte terrestre e aéreo, (f) seguro saúde cobrado conjuntamente com os planos prépagos e (g) outros serviços especializados ou não, prestados por não associados, pessoas físicas ou jurídicas; que embora optando pela tributação anual com base no lucro real, a contribuinte não efetuou o recolhimento dos valores calculados do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, impondose a aplicação da multa isolada prevista no inciso IV, parágrafo único do artigo 957 do RIR/99(Lei n.° 9.430/96, art. 44, §1.°, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303/06.). (v. Anexos "IRPJ2002" e "CSLL 2002"); que a apuração da PIS/PASEP devida, portanto, a partir de 01/11/1999, tendo em vista o disposto na MP n.° 1.8587 e reedições na MP 101/2002, nas Leis n.° 10.676/2003 e 10.684/2003, no Decreto n.° 4.524/2002 e nas IN SRF n.° 145/99 e 247/2002, o PIS/PASEP das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, definida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica; que constatada a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição em tela, e apurados os valores das bases de cálculos demonstradas nos documentos anexos ao presente Termo de Verificação, procedeuse o devido lançamento dos valores devidos, tudo consubstanciado no AUTO DE INFRAÇÃO, do qual o presente Termo e seus anexos são partes integrantes; Fl. 960DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 5 7 que da apuração da COFINS devida, a partir de 01/11/1999, as sociedades cooperativas passaram a ficar sujeitas a COFINS, de acordo com a sistemática introduzida pela MP 1.858/99 e suas reedições, com inovações trazidas pela MP 101/2002 e pelas Leis n.° 10.676/2003 e 10/684/2003. A isenção relativa aos atos cooperativos foi expressamente revogada pelo art. 23 da MP n.° 1.858/99. As novas regras foram disciplinadas, inicialmente, pela IN SRF n.° 145/99. Atualmente, encontramse disciplinadas pela Decreto n.° 4.524/2002 e pela IN SRF n.° 247/2002, onde são previstas exclusões especificas para a sociedades cooperativas além das exclusões comuns previstas a todas as demais pessoas jurídicas; que constatada a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição em apurados os valores das bases de cálculos explicitadas nos demonstrativos anexos ao presente Termo de Verificação, procedeuse o devido lançamento dos valores devidos, tudo consubstanciado no AUTO DE INFRAÇÃO, do qual o presente Termo e seus anexos são partes integrantes. Em sua peça impugnatória de fls. 480/494, instruída pelos documentos de fls. 495/600, apresentada, tempestivamente, em 14/02/2007, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que inconformado com as autuações, o contribuinte apresentou as impugnações contra o auto de infração de multa por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ (fls. 552566), contra o auto de infração de multa por falta de recolhimento de estimativa de CSLL (fls. 597611), contra o auto de infração de COFINS (fls. 641661) e contra o auto de infração de PIS (fls. 782799); que a pretensão, conforme reconhecido pelo próprio auditor fiscal, decorreu do equivocado entendimento de que a cooperativa, estaria intermediando, com feições mercantis, serviços de terceiros – internações hospitalares, comercialização de pianos de "seguro saúde", exames e serviços laboratoriais, além de venda de medicamentos; que entendeu o Sr. Fiscal, que tais atos seriam tratados como atos não cooperativos, porquanto, não estariam enquadrados no artigo 79 da Lei 5.764/71 muito embora ele mesmo tenha transcrito referida norma no corpo da autuação, cujo sentido literal diverge claramente do considerado pela fiscalização; que soma a isso a alegação de que a autuada não teria segregado os atos cooperativos dos não cooperativos, nem os ingressos deles decorrentes, o que, com base no disposto no artigo 182 do Regulamento do Imposto de Renda, permitiria a tributação do alegado “lucro”, que na realidade são sobras; que, no entanto, as considerações do Fiscal não guardam respaldo nem na doutrina nem no jurisprudência pátrias, qualificando erroneamente e em descompasso com a realidade, os ingressos efetivados na autuada, porquanto os títulos mencionados corno atos não cooperativos, na realidade e em conformidade com a classificação contábil apresentada pela autuada, são sim atinentes ao atingimento do objetivo social da cooperativa, portanto atos cooperativos nos termos do artigo 79 da Lei 5.764/71, transcrito, mas aparentemente não analisado pela fiscalização.; que sendo a autuada uma cooperativa, e sendo os atos por si praticados atos cooperativos, o que se o caso poderá em perícia comprovar, não poderia sofrer a incidência Fl. 961DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 tributária que lhe foi imputada, daí porque não se sustentar o lançamento bastando para espancar qualquer dúvida apenas se atentar para aquele que é o seu regime jurídico; que na medida em que as cooperativas não atuam em nome próprio, não auferem resultados, porque prestadoras de serviços aos associados, os quais são a um só tempo sócios e beneficiários (principio da dupla identidade), do (por que: os eventuais superávit, legalmente denominados de "sobras", retomam aos associados proporcionalmente ou são reinvestidos em proveito comum dos sócios (Lei 5.764/71, arts. 70, inc. VII e 44. II); e, os eventuais déficits, legalmente denominados de "perdas", são suportados pelos associados (Lei 5.764, arts. 21 . IV e 89); que a atividade hospitalar, incluindo o fornecimento de medicamentos ao paciente internado, bem como a realização de exames e serviços laboratoriais são atividades inerentes à prestação de serviços médicos, portanto, ínsitas no objetivo social da cooperativa; que, cumpre verificar, finalmente, que a multa aplicada também não se sustenta. É que seguindo o mesmo regime jurídico tributário dos tributos, o que resulta claro o disposto no art. 113, § 1º, do CTN, que a ela se refere como sendo objeto, ao lado do próprio tributo, da obrigação tributária principal, não se poderia admitir que fosse fixada em percentual que representa inegável confisco; que nas impugnações apresentadas contra os autos de infração de COFINS e de PIS, são reiteradas as alegações mencionadas, acrescidas de citações jurisprudenciais e doutrinárias no sentido de que os atos atinentes ao objetivo social da cooperativa não sofrem incidência dessas exações, pois não há a ocorrência do respectivo fato gerador, tendo em vista a ausência de receita decorrentes da prestação de serviços aos cooperados. As receitas auferidas, segundo alega, são dos próprios cooperados e não da cooperativa, razão pela qual inexiste no campo fático a base de cálculo prevista nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1999. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que indefiro o pedido de perícia formulado pelo impugnante por ser prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, ante a verificação de que há nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador; que no tocante às alegações de que não é cabível a tributação dos resultados apurados pelas sociedades cooperativas, cabe uma breve análise da atividade de uma empresa de plano de saúde e da atividade de uma cooperativa de trabalho médico; que uma empresa de plano de saúde tem por objeto o fornecimento de cobertura geral de qualquer serviço relativo à saúde física e mental do cliente, o que engloba serviços médicos, como consulta e exames clínicos; hospitalares, como internação e cirurgia; ambulatoriais, como prontosocorro e pequenas intervenções cirúrgicas etc., além dos serviços de outros profissionais de saúde, como de protéticos, fisioterapeutas e outros tantos; que, enfim, o objeto do plano de saúde é, mediante pagamento de prestação mensal, cobrir os custos de todo e qualquer procedimento necessário, dentro dos limites do contrato, à preservação da saúde do cliente; Fl. 962DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 6 9 que no caso da cooperativa, a finalidade não pode voltarse diretamente para o atendimento pleno do cliente, pois os associados, limitados a uma categoria de atuação, é que formam o parâmetro do seu objeto social; que, não há a menor possibilidade de serviço hospitalar ou de qualquer outro serviço prestado por não cooperado enquadrarse como ato cooperado, quando presentes as situações indicadas pela fiscalização, relativamente à contratação de terceiros para prestação de serviços hospitalares, laboratoriais e médicos não cooperados; que a contratação do terceiro, nesse caso, não visa à prestação de serviço ao associado da cooperativa, mas a possibilidade de cumprimento de um contrato de plano de saúde, realizado com cliente da cooperativa. Mudase, portanto, o enfoque da prestação de serviço, passando a ser objeto da cooperativa o serviço contratado com o cliente, em vez de o serviço contratado com o associado; que no estatuto da cooperativa (fl. 184), está claro que os associados são médicos, inscritos no CRM de São Paulo; que, portanto, há no caso da cooperativa de trabalho médico, uma transformação do modo de atuação dos serviços contratados com os clientes, cujo resultado para o associado é pagamento, por exemplo, de uma consulta pela cooperativa; que as receitas auferidas com os pagamentos mensais não são dos médicos, pois a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente. Na segunda, o pagamento se dá pelo serviço prestado pelo médico ao paciente, cabendo à cooperativa o repasse dos honorários ao médico; que, assim, é claro que há receitas de naturezas diversas, uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de saúde, e outra auferida pelo associado, em face da prestação específica do serviço médico; que a gestão da cooperativa envolve, portanto, a administração dos custos e despesas, de forma a prover a cobertura integral dos custos com os associados, com os terceiros contratados e com atividades administrativas; que, assim, quando a cooperativa contrata serviços de terceiros, para atender aos clientes, retira de suas receitas recursos para custeio dos serviços, com o fim de dar cumprimento ao contrato com o cliente, o que representa, sem a menor sombra de dúvidas, ato de mercancia; que o médico associado fica de fora do ato praticado pela cooperativa. O serviço custeado pela cooperativa ao cliente passa a ter fundamento diverso do prestado pelo associado, pois interessa apenas ao cumprimento do contrato realizado entre a cooperativa e seu cliente; que o preço cobrado dos clientes tem de ser estimado para cobrir também os custos representados pelo valor cobrado pelos prestadores de serviços. Há, portanto, mercancia de serviço, pela contratação de serviço de terceiro para cumprimento de contrato com cliente; Fl. 963DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que o cliente, ao celebrar o contrato com a cooperativa, busca a contratação de um plano de saúde. Se o impugnante deixasse de oferecerlhe os serviços oriundos de atos não cooperativos, não haveria o mesmo interesse do cliente pela contratação, pois a cobertura do plano de saúde estaria restrita a consultas e exames realizados pelos médicos cooperados; que, aliás, não se nega à cooperativa de trabalho médico a necessidade que tem, para complementar seus serviços, de oferecer a seus pacientes os serviços complementares de exames radiológicos e laboratoriais, internação em outras clínicas e hospitais com os quais mantém convênio, etc. Contudo, tal não se confunde com a atividade beneficiada pela tributação, devendo sofrer a tributação na forma da legislação tributária, pois são eles cobrados dos usuários pela Cooperativa, através do plano de saúde; que a prestação de serviços por terceiros, não cooperados, não se enquadra no conceito de atos cooperados. Nas cooperativas de trabalho médico em que estas se comprometem a fornecer, além dos serviços médicos dos associados, serviços de terceiros, tais como exames laboratoriais, diárias hospitalares etc., esses serviços prestados por não associados não se classificam como atos cooperativos, devendo seus resultados serem submetidos à tributação; que, ainda que tais benefícios complementem os serviços prestados pelos médicos associados de uma cooperativa, facilitando a vida do paciente, não fazem parte do trabalho médico profissional prestado pela cooperativa de serviços médicos, vez que seu objetivo exclusivo é a prestação dos serviços médicos de seus associados e não a venda de outros serviços, como exames laboratoriais, internações etc.; que se a escrita, lastreada em documentação hábil, não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária; que, portanto, não sendo possível segregar as receitas com cooperados das receitas com não cooperados, correto o procedimento da fiscalização em tributar o resultado global da cooperativa; que a alegação de que as multas aplicadas têm efeito confiscatório não pode ser oposta no âmbito administrativo. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, tal como a base legal da multa de ofício aplicada. A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002 MULTA ISOLADA ESTIMATIVA COOPERATIVA MÉDICA ATOS NÃOCOOPERATIVOS SEGREGAÇÃO TRIBUTAÇÃO São atos cooperativos, nas cooperativas de médicos, apenas os serviços prestados por estes, classificandose como atos não cooperativos os serviços prestados por terceiros. Diante da falta de segregação contábil entre os resultados provenientes dos atos cooperativos e aqueles decorrentes dos atos nãocooperativos, é Fl. 964DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 7 11 cabível a tributação pelo IRPJ do resultado global da cooperativa. A falta de recolhimento do IRPJ devido por estimativa enseja a aplicação da multa de 50% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Fl. 965DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/11/2012, conforme Termo constante às fls. 920, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, intempestivamente (20/12/2012), o recurso voluntário de fls. 921/943, instruído pelos documentos de fls. 944/947, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a sociedade cooperativa, e no caso recorrente, pratica atos voltados para os seus sócios e sem qualquer objetivo de lucro; que na medida em que as cooperativas não atuam em nome próprio, não auferem resultados, porque prestadoras de serviços aos associados, os quais são a um só tempo sócios e beneficiários; que podese assim dizer que ato cooperativo é todo ato que a cooperativa pratica com seu associado ou em nome deste, para a consecução dos objetivos sociais e sob a égide dos princípios que regem o cooperativismo, de modo que é o associado que atua como proprietário ou beneficiário, daí porque não há lucro ou intermediação da cooperativa; que qualquer alegação de lucro, em nenhum momento se verifica nos autos que a cooperativa cobrou qualquer valor a mais do que aquele que seria a da contratação dos serviços, desenvolvendo atividade intermediaria mercantilista, ou praticou qualquer ato que não guardasse estrita relação com aquela que é o seu objeto social, com pessoas que podendo se associar a ela não o fez, de modo que não há que se falar em ato não cooperativo, e muito menos na incidência tributaria de IRPJ, PIS e COFINS e suas conseqüentes multas; que a atividade hospitalar, incluindo o fornecimento de medicamentos ao paciente internado, bem como a realização de exames e serviços laboratoriais são atividades inerentes à prestação de serviços médicos, portanto, ínsitas no objeto social da cooperativa, fato que os torna atos cooperativos; que demais atos invocados pelo Fisco como não cooperativos – comercialização de planos “seguro saúde” e venda de medicamentos, esclareçase que não comercializa seguro saúde, mas apenas, contratos de prestação de serviços médicos, obviamente atividade imprescindível para a prestação de serviços médicos, objetivo social da autuada, portanto inequivocamente enquadrada no artigo 79 da retrocitada Lei n° 5764/71; que só praticando ato cooperativo, sem qualquer finalidade de lucro, impossível a exigência de PIS e COFINS, porque a cooperativa não possui receita da sua atividade objeto, pela prestação dos serviços aos cooperados, não caracterizando aquisição de disponibilidade econômica; que na medida em que inexiste nos autos qualquer afirmação de que a cooperativa cobrou qualquer valor a mais do que aquele que seria a da contratação dos serviços, desenvolvendo atividade intermediária mercantilista, impossível se falar em ato não cooperativo; que só se praticou ato cooperativo, insistase, impossível a exigência dos tributos da recorrente, porque esta não possui receita da sua atividade objeto, pela prestação dos serviços aos cooperados; Fl. 966DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 8 13 que jamais incidiria PIS e COFINS mesmo nas cooperativas, até porque referidas contribuições só atingem as pessoas jurídicas, mas não os cooperados que vendem ou prestam serviços, de modo que não há que se falar em materialidade da hipótese de incidência; que a multa tem o mesmo tratamento jurídico dos tributos, não se lhe podendo exigila em valor que representa expressiva ofensa ao direito de propriedade. É o relatório. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 921/943), interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (fls. 899/909). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2003 e 2004, onde a autoridade fiscal lançadora apurou falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2002, razão pela qual, por meio dos autos de infração de fls. 0506 e 0910 para lançamento de multas isoladas decorrentes dessas infrações. Além disso, foi constatada falta de recolhimento de PIS e de COFINS sobre o faturamento de todos os meses dos anos de 2002 e 2003, de modo que foram lavrados os autos de infração de fls. 1315 (PIS) e de fls. 2325 (COFINS). Conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 32/41, “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 32/41, afirma a autoridade autuante que, com base nas normas que regulam a tributação das sociedades cooperativas e especificamente no tocante às cooperativas de trabalho médico, não há incidência do IRPJ sobre os resultados de atos cooperativos (resultado positivo da prestação de serviços médicos pelos associados). Por outro lado, quando a cooperativa prestar outros serviços ou comercializar produtos adquiridos de terceiros (comercialização de planos segurosaúde, internações hospitalares, exames e serviços laboratoriais, venda de medicamentos etc), haverá prática de atos nãocooperativos, sendo os resultados positivos provenientes desses atos tributados pelo IRPJ. Inconformado com as autuações, o contribuinte apresentou as impugnações contra o auto de infração de multa por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ (fls. 552 566), contra o auto de infração de multa por falta de recolhimento de estimativa de CSLL (fls. 597611), contra o auto de infração de COFINS (fls. 641661) e contra o auto de infração de PIS (fls. 782799). Na impugnação apresentada contra a multa por falta de recolhimento por de estimativa de IRPJ, alega o contribuinte que a obrigação acessória depende da principal, nos termos do art. 113, § 1º, do CTN, de modo que, inexistindo a obrigação principal, a autuação também será descabida. A decisão recorrida entendeu que são atos cooperativos, nas cooperativas de médicos, apenas os serviços prestados por estes, classificandose como atos não cooperativos os serviços prestados por terceiros. Diante da falta de segregação contábil entre os resultados provenientes dos atos cooperativos e aqueles decorrentes dos atos nãocooperativos, é cabível a tributação pelo IRPJ do resultado global da cooperativa. A falta de recolhimento do IRPJ Fl. 968DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 9 15 devido por estimativa enseja a aplicação da multa de 50% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando, tãosomente, razões de mérito. Quanto ao IRPJ, aduzse que, se a cooperativa pratica atos cooperativos, então estes não podem estar sujeitos à tributação do Imposto de Renda, já que não há renda propriamente dita da cooperativa, mas sim, dos seus cooperados (os rendimentos destes estarão sujeitos ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), de acordo com a tabela progressiva). Assim, os atos cooperativos não devem sofrer tributação do IRPJ. Assim estabelece o art. 182 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). A questão sobre a incidência do IRPJ sobre os demais atos não cooperativos está tratada no art. 183, do mesmo regulamento: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Assim, a incidência do IRPJ dependerá da classificação do ato praticado pela cooperativa: se consistir em ato cooperativo, não há incidência do IRPJ, se tratarse de ato não cooperativo, o IRPJ incidirá como em qualquer ato empresarial. A discussão sobre a CSLL é muito semelhante à do IRPJ, já que esta incide sobre o lucro líquido da pessoa jurídica. Não auferindo a cooperativa lucro, mas sim resultados, partir da prática de atos cooperativos, não há que se falar na incidência dessa contribuição sobre os resultados da cooperativa. Nesse sentido, estabelece o art. 39 da Lei 10.865/2004. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL.". Mais uma vez, o essencial para estabelecerse a isenção (na realidade, não incidência) da CSLL, é a classificação do ato em cooperativo ou não cooperativo. Em relação ao PIS e à COFINS, a discussão passa, também, sobre a revogação da isenção antes prevista pela Lei Complementar n. 70/91, que para muitos teria sido inconstitucional, já que operada pela Lei 9.718/98, lei ordinária, bem como segundo o argumento que tais contribuições incidem sobre a receita e antes, o faturamento – das cooperativas. Como muitos entendem que o ato cooperativo não importa operação de mercado, bem como seus resultados não representam verdadeiro faturamento, já que são distribuídos imediatamente aos cooperados, não haveria incidência dessas contribuições sobre os atos cooperativos. Ora estruturalmente as cooperativas, quer de trabalho, quer de produção, quer de consumo, quer de crédito, são formas organizacionais de internalização do interesse social, isto é, voltadas para dentro, e não orientadas para o mercado (externalização do interesse social). Daí se falar que os atos cooperativos, e suas conseqüentes relações (= efeitos dos atos). Podese dizer, pois, que os atos corporativos são endógenos, e não exógenos aos atores sociais dessa organização. Por isso que os fatos econômicos que emanam dos atos corporativos são conformados na prestação direta de serviços pela cooperativa a seus associados. A Lei 5.764/71 disciplina as sociedades corporativas, e que em seus arts. 7º e 79 dispõem: Art. 7º. As cooperativas singulares1 se caracterizam pela prestação direta de serviços aos associados. Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Tais fatos econômicos não representam receita nem compõem o resultado (lucro ou prejuízo) da cooperativa. Justamente porque, sobre não ostentar fins lucrativos, a cooperativa, no exercício de atos corporativos, expressa forma organizacional de internalização do interesse social, não dirigida ao mercado. São esses fatos econômicos que não representam receita da cooperativa. Exatamente porque quando a cooperativa autua nesses limites, ela é simplesmente o meio para que os cooperados ou associados aufiram receitas nas relações com terceiros, utilizandose da estrutura organizacional da cooperativa. Quando essa forma organizacional pratica atos econômicos com terceiros, não como representante direto ou indireto dos cooperados, a cooperativa não exerce atos cooperativos. Nesta hipótese, a cooperativa pratica atos de e com o mercado. Aí, deixando de ser exclusivamente meio da atividade dos cooperados, ela passa a apurar diretamente receitas e resultados (lucros ou prejuízos), e não os cooperados (receita e resultado diretos), ao teor da legislação brasileira. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 10 17 Tais assertivas tem amparo nos arts. 83, 85, 86, 87 e 111, da Lei 5.764/71: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a autorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Pois bem. Concluise, pela leitura dos arts. 79, 85, 86, 87, 111, da Lei 5.764/71 e os itens 2.3.1 e 3, 3.1 a 3.5 do PN/CST 38/80, que a cooperativa de serviços médicos tem como objetivo único a prestação de serviços médicos pelos seus associados no trabalho pessoal, na clínica médica ou na cirurgia. Os argumentos expendidos pela recorrente em sentido contrário não podem ser aceitos uma vez que tal entendimento levaria à confusão entre atos de intermediação e ato cooperativo, quando é certo, que este consiste apenas na prestação de serviços médicos, nada mais. Este entendimento já se encontra solidificado na esfera administrativa, tanto pelas orientações internas expedidas pelos órgãos normativos da SRF, conforme ilustra o citado PN/CST 38/80, como pelos diversos julgados proferidos pelas Delegacias de Julgamento e pelos Conselhos de Contribuintes. Destaquese que o fato de constar no estatuto social da recorrente a previsão de prestação de serviços hospitalares ou laboratoriais por terceiros não cooperados, não é suficiente para conferir natureza cooperativa a esse ato, mesmo que a despeito do conceito legal pretendase, contratualmente, conferirlhe esse atributo. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 Da mesma forma, o fornecimento de medicamentos, ainda que a preço de custo, não se enquadra no conceito de ato cooperativo. Tais operações configuramse como operações mercantis e assim devem ser tratadas. Resta evidente, que a recorrente presta serviços aos cooperados na forma de captação de clientela (atos cooperativos), mas com comercialização de planos de saúde, cujos contratantes (filiados ou usuários dos planos) pagam preço global não discriminativo, recebendo em contraprestação o direito de usar os serviços médicos de cooperados e de não cooperados. O contratante (terceiro ou filiado) paga preço global quer use ou não os serviços médicos dos cooperados. A recorrente praticou, claramente, atos nãocooperativos, fazendo, porém, irregularmente, subtrair de forma clara e contrária aos ditames legais todos os valores do campo da incidência tributária. Além do mais, embora revestida sob o manto de cooperativa, a contribuinte pratica com habitualidade, basicamente, a atividade de mercancia de planos de saúde, constituída na venda de bens e serviços de terceiros e medicamentos, com assunção dos resultados econômicos (risco), com fins lucrativos e habitualidade, como já exposto. Concorde com a jurisprudência, tal prática descaracteriza a sociedade cooperativa, para fins fiscais De acordo com a documentação anexada e pela análise da escrituração contábilfiscal, a recorrente contrata com a clientela, conjuntamente com os serviços médicos dos sócios (atos cooperativos), a preço global não discriminativos, ainda o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com diária e serviços hospitalares, serviços de laboratórios, serviços odontológicos, venda de medicamentos (farmácia), transporte terrestre e aéreo e outros serviços especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, sendo evidente que estas operações são atos nãocooperativos independente da auto denominação dada pela contribuinte – não se compreendendo nem entre os atos cooperativos, nem entre os excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com tragos de seguro saúde, conforme estabelece a legislação aplicável, estando sujeitos a incidência tributária. Correto, portanto, o procedimento fiscal que constituiu crédito tributário devido à Fazenda Nacional, à título de PIS e COFINS pela prática, por parte da recorrente, dos atos não cooperativos mencionados no presente processo. A recorrente articula nulidade dos lançamentos por ausência de segregação de receitas, de modo que todos os ingressos de recursos foram considerados para imposição de IRPJ, CSL, PIS e COFINS. As exigências recaíram sobre resultado global da recorrente, o que é rechaçado pela jurisprudência do CARF. Acentua que não houve segregação das receitas de atos cooperativos e de atos não cooperativos, ao olhar de fiscalização, embora essa separação fosse possível, porquanto a recorrente mantém regular escrituração contábil com separação dos tipos de receitas. Ainda, que a recorrente jamais se esquivara de apresentar quaisquer documentos, de modo que à fiscalização competia promover tal segregação, ainda que intimando a recorrente para tanto. Resta claro nos autos de que a escrituração contábilfiscal procedida pela contribuinte, não traz a segregação da receita obtida com a prestação de serviços acima explicitados, para atos cooperativos e nãocooperativos, procedeuse à intimação da contribuinte, em 08/08/2006, fazendo constar naquele Termo de Intimação : "Uma vez que, conforme análise dos livros e demais registros da entidade, constatase que escrituração contábil fiscal da contribuinte não permite a segregação das receitas dos atos cooperativos das receitas dos atos nãocooperativos (exceção feita as receitas já declaradas de Transporte UTI Fl. 972DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 11 19 MóvelParticular e as Comissões s/ Planos Uniodontos), comprovar explicitamente, mediante documentação hábil, idônea e através de critérios claros e compatíveis com as regras contábeis e fiscais, a legal segregação das receitas oriunda de atos cooperativos, quais sejam do trabalho médico prestados pelos associados, das demais receitas oriundas dos atos nãocooperativos, quais sejam, (a) diária e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios e institutos, (c) serviços odontológicos, (d) venda de medicamentos (farmácia); (e) transporte terrestre e aéreo, (f) seguro saúde cobrado conjuntamente com os planos prépagos e (g) outros serviços especializados ou não, prestados por não associados, pessoas físicas ou jurídicas. Assim, segundo soa o Termo de Verificação Fiscal, a recorrente não segregou em sua escrituração contábil as receitas e assim os resultados de atos cooperativos e de atos não cooperativos, por entender que todos os ingressos decorrem de atos cooperativos. Ora, a inexistência da segregação da receita obtida com a prestação de serviços (atos cooperativos e nãocooperativos) não estar apoiada em documentação hábil que a legitime, não obedecendo as disposições contidas na Lei n.° 5.764/71, infringindo o artigo 182 do RIR/99. Desta forma, é de se entender que se a segregação da receita feita pela sociedade não estiver apoiada em documentação hábil que a legitime, o resultado global será tributado, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. Como visto do relatório, outro ponto da presente discussão diz respeito à aplicação da multa exigida isoladamente, em razão da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL pela estimativa da base de cálculo, cujo procedimento fiscal ocorreu após o encerramento dos exercícios questionados. Não há dúvidas de que o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Significa dizer que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária. Sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. Entretanto, não é essa a discussão no presente processo. Aqui a discussão se restringe aos casos em que a aplicação das multas exigidas isoladamente foram realizadas após o encerramento do exercício questionado. É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, sujeitase à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Nesta linha de raciocínio entendo que a razão esta com a recorrente, isto porque depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade – Multa Isolada, havendo ou não base tributável em 31/12, não há como subsistir tal exigência, já que os dispositivos legais Fl. 973DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 previstos nos incisos III e IV, § 1º, art. 44, da Lei 9.430, de 1996, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que poderá ser devido ao final do anocalendário. A Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a aplicação da multa isolada, se manifesta da seguinte forma: Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A Lei nº 8.981, de 1995, se manifesta da seguinte forma: Art. 35 – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. [...] § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do Fl. 974DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 12 21 período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31/12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do ano calendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo – sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Assim, não tenho dúvidas que é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o anocalendário em curso, tendo em vista que, com a apuração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Ora, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação, tãosomente, do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex offício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do Código Tributário Nacional, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, conforme se depreende dos autos, o auto de infração foi lavrado após o encerramento dos anoscalendário objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro líquido, efetivamente, devidos nos períodos. Logo, embora a contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o tributo nos anoscalendário questionado, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após os anoscalendário questionados, portanto, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto e a contribuição efetivamente devidos, porquanto, impossível, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do anocalendário. Esta matéria já tem jurisprudência formada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e com decisão favorável ao sujeito passivo e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas: Acórdão nº 10320.662, de 20/07/2001: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 CSSL. LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO ANTES E APÓS A ENTREGA DA DIRPJ. MULTAS DE OFÍCIO ISOLADA E EM CONJUNTO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA TRIBUTAÇÃO. Não podem prosperar a incidência da multa de ofício isolada sobre os valores mensais estimados nãorecolhidos e a exigência de multa associada à parcela defluente da apuração anual, tendo em vista que aquela, por ser mera antecipação desta, esta aquela contém. Subsistirá a exigência da multa isolada quando a ação fiscal se der no curso do anocalendário, desde que indisponíveis as demonstrações financeiras, em toda a sua extensão e profundidade, do período investigado. Acórdão nº 10707.047, de 19/03/2003 PENALIDADE. MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido devido por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. Acórdão CSRF nº 9101001.207, de 17/10/2011: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002 CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. Acórdão CSRF nº 9101001.335, de 26/04/2012: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Acórdão CSRF nº 9101001.237, de 21/11/2011: FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 13 23 A multa isolada por falta de recolhimento de imposto/contribuição sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de ofício proporcional ao imposto que está sendo exigido. Assim, a decisão recorrida encontrase em dissonância com a iterativa jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que a exigência da multa isolada sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidas mensalmente somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário. Como se infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir o mérito da irregularidade apurada, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Para finalizar o presente voto é de se dizer que não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (capacidade contributiva e confisco), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de Fl. 977DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do Fl. 978DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 14 25 processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada, bem como da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É entendimento, neste Conselho de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 15889.000021/200739 Acórdão n.º 1402001.584 S1C4T2 Fl. 15 27 A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária as multas isoladas aplicadas. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 981DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10073.721770/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. APLICAÇÃO. ATUALIZAÇÃO DO DEVIDO. TAXA SELIC.
Sobre as verbas descritas no item 14 do acórdão recorrido, como bem exposto pelos julgadores a quo, operou-se o fenômeno da concomitância de instância, a teor da Súmula CARF nº 1.
No que concerne à atualização dos valores devidos não houve ofensa ao princípio constitucional da isonomia como afirma o contribuinte. Aplicou-se, in casu, ainda na esfera judicial, a taxa SELIC, conforme se pode observar do item 15 da decisão recorrida.
Na situação vertente, mesmo que não houvesse a ocorrência da concomitância de instância, a aplicação da taxa SELIC estaria correta, tendo em vista o comando inserto na Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.122
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. APLICAÇÃO. ATUALIZAÇÃO DO DEVIDO. TAXA SELIC. 1. Sobre as verbas descritas no item 14 do acórdão recorrido, como bem exposto pelos julgadores a quo, operouse o fenômeno da concomitância de instância, a teor da Súmula CARF nº 1. 2. No que concerne à atualização dos valores devidos não houve ofensa ao princípio constitucional da isonomia como afirma o contribuinte. Aplicouse, in casu, ainda na esfera judicial, a taxa SELIC, conforme se pode observar do item 15 da decisão recorrida. 3. Na situação vertente, mesmo que não houvesse a ocorrência da concomitância de instância, a aplicação da taxa SELIC estaria correta, tendo em vista o comando inserto na Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 70 /2 01 2- 31 Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721770/201231 Acórdão n.º 2803003.122 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721770/201231 Acórdão n.º 2803003.122 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a valores devidos à Seguridade Social, decorrentes de glosa de compensação efetuada indevidamente, cujos valores compensados foram declarados em GFIP, no período de 09/2008 a 12/2008. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 24 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. MANUTENÇÃO. CRÉDITOS EXIGÍVEIS. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. Deve ser mantida a glosa de compensação relativa a valores reconhecidamente exigíveis através de sentença judicial transitada em julgado. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. No caso de compensação de valores em que o sujeito passivo busca o Poder Judiciário para que este declare a existência de crédito em seu favor, há que se esperar o trânsito em julgado do respectivo processo para se proceder à compensação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A exigibilidade do crédito deverá ser suspensa. É imperioso o recebimento do recurso, bem como a suspensão da exigibilidade dos supostos débitos em comento, sob pena de a recorrente sofrer maléficos efeitos patrimoniais, antes da constituição definitiva do crédito, com a consequente decisão final administrativa. De acordo com a fiscalização, a recorrente lastreou as referidas compensações no processo judicial nº 2008.51.04.0029927 e que a memória de cálculo apresentada pela recorrente estaria revestida de irregularidades. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721770/201231 Acórdão n.º 2803003.122 S2TE03 Fl. 5 4 Não considerando os argumentos trazidos pela recorrente, procedeu á glosa integral das compensações efetuadas no período em comento, eis que supostamente foram processadas de forma indevida. São possíveis as compensações efetuadas. A não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre os valores em debate resta inequívoca diante da análise da hipótese de incidência aplicável ao caso. Deve ser assegurado ao recorrente, por força do princípio constitucional da isonomia, a aplicação dos mesmos índices de correção monetária e juros aplicados pela Fazenda Nacional quando da cobrança de seus créditos. A recorrente pretende provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, principalmente pelas provas documentais que se fizerem necessárias, para melhor evidenciar a idoneidade de todo o procedimento adotado. Por todo o que foi exposto, requerse, com base no Decreto nº 70.235/72, bem como no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional: a) Seja o presente recurso voluntário recebido, declarandose a sua tempestividade e a observância do rito do Dec. 70.235/72, suspendendose a exigibilidade dos supostos débitos aqui discutidos, devendo a autoridade competente tomar as medidas cabíveis para que os débitos não constem como restrição à expedição de CND, até final julgamento do processo em tela; b) Seja o presente acolhido em todos os seus termos, reconhecendose a nulidade do Auto de Infração nº 37.368.7494 e a homologação das compensações realizadas nos autos do processo em epígrafe, sponte própria pela recorrente, eis que realizadas de acordo com legislação em vigor, notadamente o artigo 66 da Lei 8.383/91. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721770/201231 Acórdão n.º 2803003.122 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Cuidam os presentes autos de glosa de compensação efetuada indevidamente pelo contribuinte, cujos valores foram declarados em GFIP, relativamente ao período compreendido no período de 09/2008 a 12/2008. Em seu recurso o contribuinte requer a suspensão da exigibilidade do crédito, sob pena de a empresa sofre maléficos efeitos patrimoniais antes da constituição definitiva do crédito. Alega o recorrente que a fiscalização lastreou as referidas compensações em processo judicial e que a memória de cálculo apresentada pelo contribuinte estaria revestida de irregularidades. No que se refere à questão da discussão concomitante do assunto, na esfera administrativa e judicial, consta no acórdão recorrido que: 10. As decisões do Poder Judiciário sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta pela autuada ação judicial na qual é discutida a mesma questão suscitada em sua defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa é substituída pela sentença. 11. Importa ressaltar que, no caso em foco, o contribuinte teve seu pedido denegado na primeira instância, com relação ao saláriomaternidade, férias e o adicional de 1/3 de férias, e, na segunda instância, a sentença foi reformada para negar provimento também ao pedido relativo aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente/acidentado. Por sua vez, os Embargos Declaratórios do contribuinte não foram providos. 12. Não consta nos autos do processo informação de que o contribuinte tenha apresentado recurso aos tribunais superiores, assim como não foi possível localizar nos endereços eletrônicos dos mesmos qualquer informação nesse sentido. 13. Dessa forma, verificase que na instância judicial o contribuinte teve seu pleito denegado, não cabendo, assim, a discussão de tal matéria na instância administrativa, Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721770/201231 Acórdão n.º 2803003.122 S2TE03 Fl. 7 6 posto que, como já dito, a decisão judicial se sobrepõe à administrativa. 14. Considero, assim, desnecessária a discussão acerca da inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente/acidentado, saláriomaternidade, férias e o adicional de 1/3 de férias, tendo em vista que a decisão judicial definitiva se sobrepõe à administrativa. Com efeito, sobre as verbas descritas no item 14 do acórdão recorrido, como bem exposto pelos julgadores a quo, operouse o fenômeno da concomitância de instância, a teor da Súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vêse, portanto, que sobre a questão das compensações indevidas, correto o posicionamento da autoridade administrativa lançadora, bem como aquele esposado pelos julgadores da primeira instância administrativa. No que concerne à atualização dos valores devidos não houve ofensa ao princípio constitucional da isonomia como afirma o contribuinte. Aplicouse, in casu, ainda na esfera judicial, a taxa SELIC, conforme se pode observar do item 15 da decisão recorrida. Na situação vertente, mesmo que não houvesse a ocorrência da concomitância de instância, a aplicação da taxa SELIC estaria correta, tendo em vista o comando inserto na Súmula CARF nº 4, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Destarte, não vislumbro nenhuma possibilidade de alterar o resultado da decisão recorrida. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10073.721770/201231 Acórdão n.º 2803003.122 S2TE03 Fl. 8 7 É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10218.720027/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Relatório
Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 85.460,80, calculados até 28/09/2007, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Arapari I, Lote 1, Gleba Misteriosa, cadastrado na RFB sob o nº 3.713.464-7, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu PA.
A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1,00, que entendeu subavaliado, arbitrando-o em R$ 435.600,00 (R$ 100,00/ha), correspondente ao menor valor, por aptidão agrícola - terras de florestas, apontado no SIPT para o município de São Félix do Xingu PA, conforme demonstrativo de fl. 26.
Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:
- declara que, desde o ano de 1996, não é proprietário do imóvel rural denominado Fazenda Arapari I, Lote 1, Gleba Misteriosa, posto que efetuou a venda do mesmo naquele período;
- a apresentação da DITR/2004 em seu nome, deu-se em razão de inúmeros óbices burocráticos para transferir a titularidade do imóvel para o novo proprietário e, conseqüentemente, não providenciou a alteração dos dados cadastrais do imóvel junto à Receita Federal. Isto, para evitar a inscrição de seu nome em Divida Ativa da União;
- depois de entregar tal declaração, tomou as medidas necessárias para solicitar o cancelamento do cadastro do imóvel em seu nome, dando origem ao processo administrativo nº 10218.000300/2008-62;
- pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, invocando o disposto no art. 151 do CTN e citando Geraldo Ataliba;
- pede a anulação do lançamento, uma vez que a intenção do impugnante ao apresentar a declaração do ITR do imóvel que não lhe pertencia e, por tal motivo, declarou valores que não correspondiam com as características do imóvel com o único intuito de evitar que seu nome, que ainda constava como titular do referido imóvel, respondesse por penalidades tributárias e sofresse restrições fiscais, como inscrição na divida ativa, com as implicações decorrentes;
- por não ter sido possível localizar o atual proprietário do imóvel, requer a realização de perícia na área em questão, por necessária e imprescindível, em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa;
- novamente, pede a suspensão prevista no art. 151 do CTN e pela produção de prova pericial, que sejam aceitas as razões de mérito expendidas, para considerar a total improcedência do lançamento impugnado, e - por fim, requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de decidir pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelando-se o débito fiscal reclamado.
A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:
DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como contribuinte do imposto na correspondente DITR/2004, além de não ter sido devidamente comprovado nos autos a efetiva alienação do imóvel em data anterior à do fato gerador do imposto, observada a legislação pertinente.
DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO.
Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no menor valor, por aptidão agrícola da terra, constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão.
Impugnação Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 38), Sebastião Machado de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 25/04/2011 (fls. 41 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 85.460,80, calculados até 28/09/2007, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Arapari I, Lote 1, Gleba Misteriosa, cadastrado na RFB sob o nº 3.713.464-7, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu PA. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1,00, que entendeu subavaliado, arbitrando-o em R$ 435.600,00 (R$ 100,00/ha), correspondente ao menor valor, por aptidão agrícola - terras de florestas, apontado no SIPT para o município de São Félix do Xingu PA, conforme demonstrativo de fl. 26. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: - declara que, desde o ano de 1996, não é proprietário do imóvel rural denominado Fazenda Arapari I, Lote 1, Gleba Misteriosa, posto que efetuou a venda do mesmo naquele período; - a apresentação da DITR/2004 em seu nome, deu-se em razão de inúmeros óbices burocráticos para transferir a titularidade do imóvel para o novo proprietário e, conseqüentemente, não providenciou a alteração dos dados cadastrais do imóvel junto à Receita Federal. Isto, para evitar a inscrição de seu nome em Divida Ativa da União; - depois de entregar tal declaração, tomou as medidas necessárias para solicitar o cancelamento do cadastro do imóvel em seu nome, dando origem ao processo administrativo nº 10218.000300/2008-62; - pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, invocando o disposto no art. 151 do CTN e citando Geraldo Ataliba; - pede a anulação do lançamento, uma vez que a intenção do impugnante ao apresentar a declaração do ITR do imóvel que não lhe pertencia e, por tal motivo, declarou valores que não correspondiam com as características do imóvel com o único intuito de evitar que seu nome, que ainda constava como titular do referido imóvel, respondesse por penalidades tributárias e sofresse restrições fiscais, como inscrição na divida ativa, com as implicações decorrentes; - por não ter sido possível localizar o atual proprietário do imóvel, requer a realização de perícia na área em questão, por necessária e imprescindível, em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa; - novamente, pede a suspensão prevista no art. 151 do CTN e pela produção de prova pericial, que sejam aceitas as razões de mérito expendidas, para considerar a total improcedência do lançamento impugnado, e - por fim, requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de decidir pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelando-se o débito fiscal reclamado. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como contribuinte do imposto na correspondente DITR/2004, além de não ter sido devidamente comprovado nos autos a efetiva alienação do imóvel em data anterior à do fato gerador do imposto, observada a legislação pertinente. DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no menor valor, por aptidão agrícola da terra, constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 38), Sebastião Machado de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 25/04/2011 (fls. 41 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 85.460,80, calculados até 28/09/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .7 20 02 7/ 20 08 -9 6 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720027/200896 Resolução nº 2201000.176 S2C2T1 Fl. 3 2 Arapari I, Lote 1, Gleba Misteriosa”, cadastrado na RFB sob o nº 3.713.4647, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu – PA. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1,00, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 435.600,00 (R$ 100,00/ha), correspondente ao menor valor, por aptidão agrícola terras de florestas, apontado no SIPT para o município de São Félix do Xingu – PA, conforme demonstrativo de fl. 26. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: declara que, desde o ano de 1996, não é proprietário do imóvel rural denominado “Fazenda Arapari I, Lote 1, Gleba Misteriosa”, posto que efetuou a venda do mesmo naquele período; a apresentação da DITR/2004 em seu nome, deuse em razão de inúmeros óbices burocráticos para transferir a titularidade do imóvel para o novo proprietário e, conseqüentemente, não providenciou a alteração dos dados cadastrais do imóvel junto à Receita Federal. Isto, para evitar a inscrição de seu nome em Divida Ativa da União; depois de entregar tal declaração, tomou as medidas necessárias para solicitar o cancelamento do cadastro do imóvel em seu nome, dando origem ao processo administrativo nº 10218.000300/200862; pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, invocando o disposto no art. 151 do CTN e citando Geraldo Ataliba; pede a anulação do lançamento, uma vez que a intenção do impugnante ao apresentar a declaração do ITR do imóvel que não lhe pertencia e, por tal motivo, declarou valores que não correspondiam com as características do imóvel com o único intuito de evitar que seu nome, que ainda constava como titular do referido imóvel, respondesse por penalidades tributárias e sofresse restrições fiscais, como inscrição na divida ativa, com as implicações decorrentes; por não ter sido possível localizar o atual proprietário do imóvel, requer a realização de perícia na área em questão, por necessária e imprescindível, em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa; novamente, pede a suspensão prevista no art. 151 do CTN e pela produção de prova pericial, que sejam aceitas as razões de mérito expendidas, para considerar a total improcedência do lançamento impugnado, e por fim, requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de decidir pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal reclamado. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como contribuinte do imposto na correspondente DITR/2004, além de Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720027/200896 Resolução nº 2201000.176 S2C2T1 Fl. 4 3 não ter sido devidamente comprovado nos autos a efetiva alienação do imóvel em data anterior à do fato gerador do imposto, observada a legislação pertinente. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no menor valor, por aptidão agrícola da terra, constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 38), Sebastião Machado de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 25/04/2011 (fls. 41 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal alterou o VTN declarado pelo recorrente, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Arapari I, Lote 1, Gleba Misteriosa”, de R$ 1,00 para R$ 435.600,00, com base no SIPT Sistema de Preços de Terra praticados no município de São Félix do Xingu – PA (fl. 26). De acordo com a Descrição dos Fatos, fl. 02, “Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado”. Em sua peça recursal alega o suplicante, preliminarmente, ilegitimidade passiva, pois, “... a propriedade em questão foi desapropriada e transformada em um projeto de assentamento, segundo a Portaria de n.° 0052 de 15/12/2002”. Pois bem, de pronto cumpre reproduzir a Certidão expedida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) Superintendência Regional do Sul do Pará (fl. 54): MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO – MDA INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA – INCRA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO SUL DO PARÁ SR(27) Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720027/200896 Resolução nº 2201000.176 S2C2T1 Fl. 5 4 C E R T I D Ã O O Superintendente Regional do Sul do Pará SR 27, no uso das atribuições que lhe conferidas pelo Art. 29 do Regimento Interno da Autarquia, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 164, de 14 de julho de 2000, publicada no Diário Oficial da União do dia 17 do mesmo mês e ano, e no uso das atribuições que também lhe são conferidas pela Portaria INCRA/P/Nº.160/2003, de 26 de março de 2003, certifica, para os devidos fins que se fizerem necessários e em atendimento à solicitação formulada pelo Sr., SEBASTIÃO MACAHDO DE OLIVEIRA, portador da carteira de identidade n°. 867.274 SSP/GO do CPF n°. 380.624.86253, através de requerimento protocolado neste Órgão em 15 de abril de 2008, que a fazenda denominada ARAPARI, localizada no município de São Félix do Xingu, foi adquirida pelo INCRA através de desapropriação e transformada no projeto de assentamento ARAPARI, segundo a Portaria de n°. 0052 de 15/12/2002. (grifei) Do exposto, verificase que a propriedade rural objeto da lide foi desapropriada e transformada no projeto de assentamento. Contudo, pela simples leitura da Certidão não é possível identificar a data de transferência da propriedade para o INCRA e/ou imissão na posse, consoante prevê o § 1º do art. 1º da Lei nº 9.393/1996: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (grifei) Diante da existência de dúvida, quanto ao real sujeito passivo da obrigação tributária, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Delegacia de origem, afim de que seja solicitada a manifestação do INCRA, em relação aos seguintes pontos: a) se o imóvel denominado “Fazenda Arapari I, Lote 1, Gleba Misteriosa”, cadastrado na RFB sob o nº 3.713.4647, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu – PA, foi de fato desapropriado e transformado no projeto de assentamento ARAPARI; b) em caso positivo, qual a data da transferência de propriedade para o INCRA (Cartório de Registro de Imóveis) e/ou imissão na posse. Realizada a diligência, intimese a parte recorrente para manifestarse no prazo de 10 dias, com posterior retorno dos autos ao CARF. É o voto. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721437/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até manifestação definitiva do STF sobre a matéria, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Ausênte, justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até manifestação definitiva do STF sobre a matéria, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Ausênte, justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até manifestação definitiva do STF sobre a matéria, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Ausênte, justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 21 43 7/ 20 12 -1 1 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 816 2 Petromarte – Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase dos Autos de Infração lavrados em 14/03/2012, abrangendo o ano calendário de 2007, e relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, com lançamento no valor total de R$ 92.497.646,78, aí incluídos principal, multa de ofício aplicada no percentual de 150% e juros de mora calculados até 03/2012. As circunstâncias que ensejaram a autuação estão consubstanciadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 507/538, formalizado com indicação, na qualidade de contribuinte, da pessoa jurídica fiscalizada Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo S/A. CNPJ nº 03.632.191/000100 e, na qualidade de sujeito passivo (responsáveis tributários) as pessoas físicas (1) Tieko Fukuda Hasegawa, CPF/MF nº 063.038.60800, (2) Shin Hasegawa CPF/MF nº 137.685.49887 e (3) Carlos Sussumu Hasegawa, CPF/MF nº 100.332.84822, e descrevendo o que segue: Tratase de ação fiscal levada a efeito na empresa PETROMARTE DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA., CNPJ 03.632.191/000100, doravante denominada fiscalizada. I A EMPRESA 1. A fiscalizada é sociedade por cotas de responsabilidade Ltda., e tem por atividade, o comércio atacadista de álcool carburante, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes não realizados por transportador retalhista. 2. Seu quadro societário é formado pelo Sr. Shin Hasegawa, CPF 137.685.498 87, com 50% das cotas e Sra. Tieko Fukuda Hasegawa, CPF 063.038.60800, com 50% das cotas remanescentes. 3. Possui como procurador principal, o Sr. Carlos Sussumo Hasegawa, CPF 100.332.84822, médico, filho dos sócios. 4. Apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no ano calendário em questão, pela sistemática do Lucro Real Anual, com valores zerados para o anocalendário 2007. 5. Também, apresentou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), também com valores zerados para o ano calendário 2007. 6. Declarou para Fisco do Estado de São Paulo um faturamento de R$ 372.377.319,15 para o anocalendário 2007. 7. Através de alterações efetuadas na JUCESP, em 10/04/2008 a fiscalizada foi transformada de LTDA para S/A e em 20/07/2011 seu domicilio fiscal foi alterado para o endereço: Av Antônio Fadim, 751, Cascata, Paulínia, SP. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 817 3 II A AÇÃO FISCAL 8. A ação fiscal iniciouse em 16/07/2010, através da afixação na repartição do Edital SEFIS n° 238/2010, para ciência do Termo de Constatação e Início de Fiscalização, tendo em vista o contribuinte se encontrar em lugar incerto e ignorado. 9. Com efeito, conforme o aludido Termo de Constatação e Início de Fiscalização, lavrado em 16/07/2010, quando do comparecimento ao domicílio fiscal do contribuinte, conforme cadastro na RFB, verificouse que no local estava instalada outra empresa, qual seja: Tercom Terminal de Armazenagem de Combustível Ltda, CNPJ 09.361.622/000110, portanto, não se logrou êxito em localizála. 10. Também, visando conceder aos sócios a ampla defesa, o referido Termo foi encaminhado ao sócio Sr. Shin Hasegawa, tendo sido recebido por AR em 22/07/2010, porém, o mesmo até a presente data não se manifestou, não outorgou mandato a um procurador, preferindo permanecer oculto durante toda auditoria. 11. O exame descrito neste Termo de Verificação Fiscal foi direcionado única e exclusivamente ao Imposto de Renda PJ e seus reflexos, no ano calendário 2007. 12. Em conformidade com o disposto no artigo 173, I combinado com o artigo 150 e parágrafo quarto, ambos do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) procedemos ao lançamento de ofício, na forma do artigo 142 do mesmo diploma legal, relativo aos fatos apurados, por este Serviço de Fiscalização concernente exclusivamente ao anocalendário 2007. 13. Visando à correta apuração do Lucro Real, a fiscalizada foi intimada várias vezes a apresentar os Livros Diário e Razão, através dos seguintes Editais afixados na repartição: a) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/353/2010 DE 01/10/2010; b) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/457/2010 DE 01/12/2010; c) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/054/2011 DE 28/01/2011; d) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/139/2011 DE 29/03/2011; e) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/232/2011 DE 27/05/2011; f) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/305/2011 DE 25/07/2011; g) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/393/2011 DE 30/09/2011; h) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/485/2011 DE 12/12/2011; i) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/34/2012 DE 15/02/2012 14. Até a presente data, a fiscalizada não apresentou os Livros Diário e o Razão, nem, tampouco, justificou a sua não apresentação, inviabilizando a apuração através do lucro Real, motivo pelo qual o Lucro será apurado através do arbitramento. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 818 4 15. Após tomarmos conhecimento da alteração de endereço na JUCESP, em 20/07/2011, foi lavrado novo Termo e encaminhado ao novo domicílio fiscal da fiscalizada, para ciência via postal mediante ARAviso de Recebimento. 16. A referida correspondência foi devolvida pelos correios com a indicação "Mudouse". 17. Por oportuno, esclarecemos que em 10/11/2010, foi encaminhado o Ofício 10.535/SEFIS/DRFCPS à Agência Nacional de Petróleo ANP (Diretor Regional em São Paulo), entidade reguladora do setor de combustíveis no país, solicitando à mesma que enviasse a esta fiscalização informações referente à fiscalizada, a saber: Dados cadastrais; Volume de comercialização da empresa, especificando o produto (gasolina, óleo diesel, álcool), por litro e por mês, de janeiro de 2007 a dezembro de 2007. 18. Em 01/12/2010, a ANP, por meio do Oficio n° 2865/2010/SAB, respondeu o Ofício mencionado no item anterior, encaminhando os documentos requeridos. 19. Mediante o exame da documentação analisada, chegouse às seguintes constatações: III DOS FATOS CONSTATADOS III.I DA AÇÃO FISCAL EM FACE DA FISCALIZADA NOS ANOS CALENDÁRIO 2004/2005/2006 20. Inicialmente cumpre esclarecer que a fiscalizada foi objeto de autuação nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 nas mesmas infrações objeto do presente lançamento, quais sejam, omissões de receita da atividade. 21. Numa prática sistematizada, a mesma vem fraudando o fisco, deixando de recolher os valores dos tributos devidos, conforme quadro sintético a seguir: [...] 22. Portanto, analisandose o quadro anterior, verificase que a fiscalizada, num flagrante desprezo para com a Fazenda Pública, nem ao menos se deu trabalho de apresentar impugnação dos Autos de maior valor, estando na Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança. III.II – DOS DOCUMENTOS ENCAMINHADOS PELO FISCO ESTADUAL 23. Em outubro de 2007, a DEAT COMBUSTÍVEIS, Diretoria Executiva da Administração Tributária da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, encaminhou cópias reprográficas do procedimento administrativo de cassação da inscrição estadual da fiscalizada (cadastro de contribuintes no ICMS) por diversas irregularidades constatadas, conforme Despacho exarado em 09/03/2007. 24. Dos documentos acostados, foram encontrados os depoimentos prestados ao Fisco Estadual pelos sócios Shin Hasegawa, Tieko Hasegawa e pelo procurador, Sr. Carlos Fl. 818DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 819 5 Hasegawa, confirmandose que administravam conjuntamente a fiscalizada, sendo o principal administrador, o procurador Sr. Carlos. 25. Também, o Fisco Estadual constatou diversas discrepâncias fiscais e contábeis, não apenas com o ICMS, mas, também, com as DIPJ apresentadas (2004, 2005 e 2006). 26. O Fisco Estadual constatou que a fiscalizada prestou várias informações falsas acerca da integralização do capital social, tendo declarado o montante de R$ 30.000.000,00 para a JUCESP. 27. A função principal do Capital Social de uma empresa é a garantia dos credores e, é evidente que, quanto maior for o capital social integralizado, maior é a proteção destes. 28. Em síntese, para formação do capital social, a fiscalizada prestou informações inverídicas em relação a uma suposta Reserva de Reavaliação no montante de R$ 28.900.000,00 não declarada nas DIPJs. 29. Os Laudos de Avaliação apresentados que embasariam a Reserva de Reavaliação foram efetuados em data posterior ao da Alteração Contratual em que constava a informação da Reserva. 30. Portanto, o Fisco Estadual constatou que era inverídico o Capital de R$ 30.000.000,00, situação que denota que a mesma prestou informações falsas quanto à sua capacidade financeira de satisfazer os eventuais interesses de credores (Fazenda Pública). III.III DOS DOCUMENTOS ENCAMINHADOS PELA ANP 31. Também, verificamos que a Agência Nacional de Petróleo ANP, através do Ofício 2329/2008/SAB de 01/10/2008, prestou vários esclarecimentos, dentre os quais, que a fiscalizada somente foi autorizada a operar no mercado de combustíveis, de 2002 a 01/07/2008, através de medidas judiciais (Mandado de Segurança). 32. Assim, numa prática delituosa, a mesma também fraudou Fisco Federal em 2007, causando grave lesão aos cofres públicos. IV DA IRREGULARIDADE CONSTATADA OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE 33. É mister relembrar que a fiscalizada DECLAROU para o Fisco Federal valores ZERADOS de tributos a pagar nas DCTFs e na DIPJ, incidindo em omissão de receitas da atividade, eis que declarou vultosos valores para o Fisco Estadual (ICMS) e para a ANP. 34. Todas as distribuidoras de combustíveis são obrigadas a apresentar mensalmente à ANP uma declaração denominada "DCP Demonstrativo de Controle de Produtos" indicando o volume, em litros, transacionado de gasolina, óleo diesel, álcool anidro e álcool hidratado. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 820 6 35. De acordo com a Portaria CNPDIPLAN n 221, de 25/06/1981, as empresas misturadoras e envasilhadoras, produtoras e distribuidoras de produtos derivados de petróleo, misturadoras e distribuidoras de AEAC (álcool etílico anidro combustível) e AEHC (álcool etílico hidratado combustível) grifo nosso, são obrigadas a preencher mensalmente o formulário denominado "Demonstrativo de Controle de Produtos DCP", no qual, são inseridos todos dados sobre produção, distribuição e consumo dos combustíveis retromencionados. 36. Este é um dos prérequisitos da ANP para que as distribuidoras sejam autorizadas a operar no mercado de combustíveis. 37. A Agência Nacional de Petróleo ANP encaminhou a esta fiscalização, em 01/12/2010, demonstrativos contendo volume em litros dos combustíveis transacionados, bem como outros documentos referentes à fiscalizada, inclusive informou que o registro da empresa estava "CANCELADO". 38. Assim, para a apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, levouse em consideração apenas o volume de álcool hidratado transacionado no período, tendo em vista que, a teor do artigo 42 da Medida Provisória 2.15835/01, as alíquotas das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da Venda de gasolinas exceto de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas, ficam reduzidas a zero a partir de julho de 2000. 39. Com base no volume de vendas informado no demonstrativo enviado pela ANP, bem como, consulta ao "site" da ANP, os quais indicam os preços praticados, separados por região, elaborouse o demonstrativo analítico que segue anexo a este Termo, cujos totais apresentamos a seguir. 40. Informamos que foram utilizados os valores médios dos produtos praticados no estado de São Paulo, os quais, por oportuno, são, na média, os menores valores do país. 41. Assim, não tendo sido possível a obtenção dos valores reais de vendas dos produtos, tendo em vista a omissão da fiscalizada, optouse, em benefício da mesma, em alocar os valores mínimos dos preços das distribuidoras, conforme consta do TVF.. 42. Também, através do Convênio de Cooperação Técnica RFB/GAB n° 02337/2008, celebrado em 30/05/2008 pela União (Secretaria da Receita Federal do Brasil) e o Estado de São Paulo (Secretaria da Fazenda), publicado no DOU em 03/06/2008, extraímos os dados de apuração do ICMS (Nova GIA), tendo constatado um expressivo faturamento anual de R$ 372.377.319.15 (saída de combustíveis CFOP 5.651 a 5.666 e 6.651 a 6.666). 43. Os valores de apuração se encontram discriminados nas folhas em anexo do Presente Auto de Infração e suas folhas de continuação, juntamente com o demonstrativo de multa e juros de mora. V DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA V.I DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA EM FACE DO PROCURADOR 44. Conforme já explanado anteriormente, a DEAT – Diretoria Executiva da Administração Tributária Combustíveis, encaminhou vasta documentação contendo Fl. 820DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 821 7 elementos que embasaram a cassação em 2007 das atividades da fiscalizada como distribuidora de combustível. 45. Conforme documentação acostada pela DEAT, verificouse que a administração da fiscalizada foi efetuada principalmente pelo procurador, mas conjuntamente com os dois sócios, conforme declarações prestadas pelo Sr Carlos e pela Sra Tieko: Sr. Carlos Sussumu Hasegawa (procurador): "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra. Tieko Fukuda Haseçiawa (sócia): "Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". 46. Visando elucidar dúvidas quanto à administração da fiscalizada no ano calendário 2007, foi encaminhada ao Banco Bradesco S/A, a RMF 08104002010001175, solicitando informações sobre eventuais procuradores da empresa, bem como a movimentação financeira do ano calendário de 2007. 47. Constatouse a hipótese de indispensabilidade, prevista no art. 3° do Decreto 3.724/2001, inciso XI, tendo em vista que a fiscalizada declarou receitas zeradas em suas declarações, mas efetuou uma movimentação financeira de R$ 65.129.219,74 em 2007, havendo indícios de interpostas pessoas. 48. Da análise dos documentos, encaminhados pelo Banco Bradesco, constatamos, procuração pública datada de 30/03/2000, por meio da qual a Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. nomeou e constituiu o Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, inscrito no CPF sob o n° 100.332.84822, seu procurador, outorgadolhe amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar os negócios da firma outorgante no tocante a todo o ramo de atividade em que possa representála, assinar e requerer todos os documentos necessários para a referida administração (...) representando os outorgantes perante todas as repartições públicas, (...) comprar e comercializar mercadorias, assinando e emitindo notas fiscais; (...) contratar e dispensar funcionários, etc. 49. Na seqüência, com base nos extratos bancários, foram solicitados ao Banco Bradesco RMF 08104002011001632, cerca de 30 cópias de diversos cheques, com os valores mais expressivos, a fim de conferir quem os assinava. 50. Novamente, constatouse a hipótese de indispensabilidade, prevista no art. 3° do Decreto 3.724/2001, inciso XI, tendo em vista que a fiscalizada declarou receitas zeradas em suas declarações, mas efetuou uma movimentação financeira de R$ 65.129.219,74 em 2007, havendo indícios de interpostas pessoas, sendo necessário buscar os eventuais beneficiários. 51. Em 04/07/2011, o Banco Bradesco encaminhou os referidos documentos solicitados. 52. De posse das cópias dos cheques, verificamos que os mesmos foram assinados pelo Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, o que corrobora que ele cumpria cabalmente a Fl. 821DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 822 8 outorga da procuração, e, por conseguinte, administrava a empresa conjuntamente com os seus sócios. 53. Diante dos elementos e fatos apurados no curso do procedimento fiscal, verificamos que a empresa Petromarte atuou no ano de 2007 no comércio atacadista de combustíveis. 54. As atividades da Petromarte, como constatado, foram realizadas sob a gestão de seu administrador principal (mandatário): Carlos Sussumu Hasegawa que atuou efetivamente na sua administração, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal, bem como, deixou de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes (vide tópico IV. I). 55. Assim nos termos do inciso II do artigo 135 do Código Tributário Nacional é cabível a sujeição passiva solidária em face do contribuinte Carlos Sussumu Hasegawa. 56. Por oportuno transcrevemos a seguir os aludidos dispositivos legais acompanhados de jurisprudência federal: [....] V.II DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA EM FACE DOS SÓCIOS 57. A dissolução irregular da sociedade restou caracterizada em virtude de a mesma não ter sido localizada em seu domicílio fiscal e não ter havido qualquer comunicação à Secretaria da Receita Federal deste fato. 58. Tal situação foi corroborada pela informação prestada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a esta fiscalização (item acima), acerca do cancelamento do registro para distribuição de combustíveis da empresa Petromarte. 59. Também, foi corroborada pela cassação da inscrição estadual efetuada pelo Fisco do Estado de São Paulo em 09/03/2007. 60. Sem autorização para comercialização, a sociedade cessou suas atividades e não adotou as devidas providências junto aos órgãos de registro, simplesmente foi abandonada. 61. Conforme já explanado anteriormente, a DEAT – Diretoria Executiva da Administração Tributária Combustíveis, encaminhou vasta documentação contendo elementos que embasaram a cassação em 2007 das atividades da fiscalizada como distribuidora de combustível. 62. Na documentação acostada pela DEAT, verificouse que a administração da fiscalizada foi efetuada principalmente pelo procurador, mas conjuntamente com os dois sócios, conforme declarações prestadas pelo Sr Carlos e pela Sra Tieko: Sr. Carlos: "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da Fl. 822DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 823 9 empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra Tieko: "Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". 63. Com efeito, na qualidade de sócios administradores atuando na sua administração, praticaram atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixaram de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. 64. A adoção dessas condutas configuram infração à lei societária, infração à lei ou excesso de poderes e implicam a responsabilização dos sócios administradores, com base no disposto no art. ,135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). 65. Ademais, de acordo com a Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça, "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente." 66. Desta forma, entendemos que deve atribuída ao Sr. Shin Hasegawa e Sra. Tieko Fukuda Haseqawa, sóciosgerentes e administradores da fiscalizada, responsabilidade tributária solidária pelo crédito tributário apurado, bem como ao seu administrador Sr. Carlos Sussumu Hasegawa. 67. Pois bem. Efetuados os registros concernentes à administração da empresa e à responsabilidade dos sócios administradores, passemos à apuração dos tributos devidos. VI DO DIREITO 68. Para o anocalendário 2007, tendo em vista o lançamento, aplicouse os dispositivos legais constantes da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais dos Autos de Infração, o qual por oportuno, transcrevemos a seguir alguns dispositivos legais. VII DO ARBITRAMENTO DO LUCRO 69. O Lucro da fiscalizada será arbitrado tendo em vista que a empresa não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração de suas receitas e à identificação da efetiva movimentação financeira da empresa que não permitem a apuração do Lucro Real Trimestral. 70. A base de cálculo do IRPJ deverá ser apurada em conformidade com a sistemática do Lucro Arbitrado, seguindo os mandamentos contidos no inciso III do artigo 530 do RIR/99, transcritos a seguir: [...] 71. O lançamento farseá de acordo com o artigo 532 do RIR/99, sendo o lucro arbitrado tomandose por base as receitas de revenda de combustíveis de acordo com os valores declarados para o Fisco do Estado de São Paulo, extraídos da Nova GIA: Fl. 823DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 824 10 [...] VIII DA AUTUAÇÃO 72. A empresa está sendo autuada no anocalendário 2007, tendo em vista que declarou valores zerados dos tributos comprovadamente devidos, para o Fisco Federal. 73. Conforme item "41", a base de cálculo do PIS e da COFINS é somente sobre a venda de álcool hidratado, cujos valores foram obtidos multiplicando o volume de litragem mensal vezes o menor valor de álcool verificado no mês, em benefício da fiscalizada. 74. Dos valores mensais aplicamse as alíquotas de 1,46% para o PIS e 6,74% para a COFINS, para o álcool hidratado, de acordo com o disposto no artigo 3° da Lei 9.990/2000. 75. Para uma melhor visualização, elaboramos o quadro a seguir contendo os valores apurados de PIS e COFINS, sendo oportuno esclarecer que não foram localizados recolhimentos dessas contribuições: [...] 76. A base de cálculo do IRPJ e da CSLL é sobre a venda de todos os produtos, conforme GlAs apresentadas pela fiscalizada ao Fisco do Estado de São Paulo, conforme quadro a seguir, sendo oportuno esclarecer que não foram localizados recolhimentos desses tributos: [...] IX DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 77. A fiscalizada não declarou o IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos no anocalendário 2007 incidindo na multa qualificada tipificada no artigo 44 da Lei 9.430/96. 78. Com efeito, a mesma já havia sido autuada nos anos calendário 2004, 2005 e 2006 pela mesma infracão: omissão de receitas da atividade. 79. Portanto, a mesma vem reiteradamente fraudando o Fisco Federal desde 2004. 80. Frisese que mesmo tendo a sua inscrição estadual cassada em marco de 2007 continuou operando normalmente. 81. Também, não apresentou sua escrituração (Livros Diário/Razão) referente ao anocalendário 2007, nem tampouco, justificou a sua nãoapresentação. 82. Em verdade, encaminhamos o Termo de Início para o endereço dos sócios, via postal, cujo Aviso de Recebimento AR retornou à repartição devidamente assinado. 83. Entretanto, não houve qualquer manifestação por parte dos sócios até a presente data, preferindo permanecerem ocultos. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 825 11 84. Conforme já explanado anteriormente, a fiscalizada declarou como receitas tributáveis GIA (CFOP Saídas Base de cálculo do ICMS) o montante de R$ 372.377.319,15, a qual inclui a venda de todos os combustíveis. 85. Com efeito, a fiscalizada apresentou mensalmente à ANP a aludida declaração denominada "DCP Demonstrativo de Controle de Produtos" indicando o volume, em litros, transacionado de gasolina, óleo diesel, álcool anidro e álcool hidratado, com expressivos valores, conforme quadro do item "37", totalizando o montante de R$ 220.626.498,00 (pelos valores mínimos em favor da mesma). 86. Entretanto, para a Receita Federal do Brasil, apresentou a DIPJ e as DCTF com valores zerados. 87. A sua movimentação bancária no anocalendário 2007 alcançou o montante de R$ 65.129.219,74, e as informações de terceiros (DIPJ Compras de terceiros) que adquiriram combustíveis da fiscalizada alcançou o montante de R$ 139.641.513,66. 88. Conforme já explanado anteriormente, o Fisco Estadual constatou que a fiscalizada prestou informações falsas quanto á sua capacidade financeira de satisfazer os eventuais credores, dentre os quais, a Fazenda Pública. 89. Também, verificamos que a fiscalizada somente foi autorizada pela ANP a operar no mercado de combustíveis, de 2002 a 01/07/2008, através de medidas judiciais (Mandado de Segurança). 90. A combinação de tais fatos afastam a possibilidade de um mero erro escusável, eis que, apenas para a Fazenda Nacional a fiscalizada declarou receitas zeradas. 91. Não seria plausível que a fiscalizada declarasse para o Fisco Estadual o montante de R$ 372.377.319,15, para a ANP uma expressiva litragem de produtos vendidos (R$ 220.626.498,00 pelos preços mínimos), empresas adquirentes de seus produtos declarassem para o Fisco um montante de compras de R$ 139.641,513,66, e a mesma declarasse receitas zeradas para a Receita Federal do Brasil, com se estivesse inoperante. 92. O fato de a fiscalizada ter declarado ao Fisco Federal ZERO DE RECEITAS AUFERIDAS, mas declarado vultosas receitas para o Fisco Estadual, bem como para a ANP, denotam a evidente intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional. 93. Oportuno se faz a transcrição do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e dos artigos nela mencionados da Lei nº 4.502/64: [...] 94. Ocorre, porém, que nos tipos penais acima transcritos há necessariamente um componente doloso, sem o qual não é possível a caracterização do ilícito. 95. Em outras palavras, para a ocorrência do crime, é necessário que a ação perpetrada tenha como finalidade prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 826 12 96. Adentramos, assim, no campo das infrações subjetivas, em contraposição à regra geral da responsabilidade objetiva que impera no campo das infrações à legislação tributária. 97. Sobre os conceitos de infração objetiva e subjetiva, Paulo de Barros Carvalho ("Curso de Direito Tributário", Ed. Saraiva, 14a ed., p. 504 e ss) pontifica, in verbis: [...] 98. Cristalino, portanto, que para a configuração do crime no caso sob comento é preciso restar caracterizado que o autor do ilícito agiu com a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, pela Fazenda Pública, do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS devidos no período sob ação fiscal. 99. É mister esclarecer que a caracterização do intuito doloso, na maioria das vezes, configura uma difícil tarefa, tendo em vista que a sua comprovação só pode ser evidenciada quando temos um determinado padrão da conduta delitiva associada a atos comissivos ou omissivos praticados de maneira inafastável. 100. O intuito doloso foi caracterizado pela prática de uma única infração: Prática reiterada de Omissão de Receitas da Atividade culminando com a não declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela mesma à Fazenda Estadual, à ANP corroboradas com sua expressiva movimentação financeira e as informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos. 101. Portanto, a comprovação de que a prática delituosa deuse de forma consistente denota o intuito doloso pela fiscalizada. 102. A magnitude desta prática delituosa promoveu grave lesão aos cofres públicos nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007. 103. Assim, diante das definições anteriormente transcritas e da análise dos fatos e documentos apurados por esta fiscalização, constatamos que a PRÁTICA REITERADA SISTEMÁTICA da fiscalizada, materializada pela omissão de declarar ou recolher ao Fisco o IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos no anocalendário 2007, se subsumem perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei n.° 4.502/1964. 104. Para corroborar tais assertivas trazemos à presente lume algumas jurisprudências, iniciandose pelo brilhante voto aquilatado pelo ilustre julgador José Tarcísio Januário, Acórdão n° 38, de 28 de setembro de 2001, da 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, SP: [...] 105. Portanto, demonstrado de maneira clarividente, é imperativo a aplicação da Multa Qualificada de 150%, no anocalendário 2007, a teor no disposto do artigo 44 da Lei 9.430/96. X DA AUTUAÇÃO DO IRPJ/CSLL/PIS/COFINS Fl. 826DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 827 13 106. Isto posto e, tendo em vista que os elementos apresentados são suficientes para formação de convicção no que tange a infração à legislação tributária, lavramos o presente Auto de Infração, do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em face da fiscalizada, encerrando nesta data a fiscalização levada a efeito no anocalendário 2007. 107. O presente Termo de Verificação Fiscal é parte integrante e indissociável deste auto de infração. 108. Ressaltese que a Fazenda Nacional poderá, obedecido ao prazo decadencial, efetuar novos lançamentos suplementares, em períodos ainda que já fiscalizados, quando detectar novos elementos que comprovem a prática de ilícito fiscal. 109. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração os seguintes documentos: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo; Este Termo de Verificação Fiscal; Folha de Rosto dos Autos de Infração e folhas de continuação; Base de Cálculo (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS); Demonstrativos de Multa e Juros de Mora; Demonstrativos da ANP e página da internet, "site" da ANP Agencia Nacional de Petróleo, onde constam os valores dos produtos no período sob ação fiscal; Demonstrativos de Apuração do ICMS. [...] Instruem os autos, entre outros documentos: Termo de Constatação e Início de Fiscalização, datado de 16/7/2010, fls. 2; RMF (requisição de informação de movimentação financeira), fls. 12 e 29; informações do Banco Bradesco, fls. 13 e 32/103 (cópias de cheques) Termo de Continuidade de Fiscalização e ciência dos atos até então praticados, dirigido ao endereço alterado na JUCESP (fls. 104); Ofício da Secretaria da Fazenda do Estado (fls. 113/145); GIAs (fls. 146/157), Ficha Cadastral na Jucesp (fls. 158/161); documentos Jucesp (fls. 178/223); documentos ANP (fls. 224/237) relação das operações (fls. 238/459); Fl. 827DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 828 14 Representação Fiscal para Fins de Inaptidão (fls. 460/461) Ato Declaratório de Inaptidão e publicação em DOU (fls. 462/463); pesquisas DCTF / DIPJ (fls. 464//489); pesquisas SINAL08 (fls. 490/504); Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 582/590); Como consignado às fls. 597, a ciência à pessoa jurídica do auto de infração (fls.539/581) foi efetuada por meio de Edital, afixado em 20/03/2012 conforme fls. 591. Os sujeitos passivos solidários foram cientificados por via postal, conforme Avisos de Recebimento, a saber: Shin Hasegawa fls. 582/584 ciência em 20/03/2012 fls. 592; Tieko Fukuda Hasegawa fls. 585/587 ciência em 20/03/212 fls. 593; e Carlos Sussumo Hasegawa fls. 588/590 ciência em 20/03/2012 fls. 594. Impugnação de Carlos Sussumo Hasegawa Em 12/04/2012 foi protocolizada impugnação de fls. 599/616 em nome de Carlos Sussumo Hasegawa, com as razões de defesa a seguir sintetizadas: De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que o fato de uma determinada pessoa exercer poderes de gerência de uma sociedade, isto não implica dizer que o procurador ou mandatário de uma determinada empresa será sempre responsabilizado pessoalmente pelos débitos tributários contraídos pela pessoa jurídica, isto porque, segundo preceito estatuído na redação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, é indispensável que no exercício desta gerência tenha o administrador agido dolosamente, com a intenção de praticar atos com excesso de poderes de forma a violar a lei ou contrato social. Transcreve o art. 135, inciso III, do CTN, para alegar que o Termo de Sujeição Passiva Solidária expedido ao ora impugnante se deu no mais total alvedrio a norma acima transcrita, pois dos autos emerge ausência de provas no sentido de que o impugnante tenha agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, já pacificou o entendimento segundo o qual a existência de dívida tributária não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio ou administrador, posto que para a atribuição da responsabilidade pessoal a terceiros é necessário a comprovação de que o sócio, com poderes de gerência da sociedade, tenha incorrido nas transgressões a que alude o inciso III, do art. 135, do CTN. Cita ementas de dois acórdãos do STJ que entende corroborar sua tese e complementa: Ainda que o impugnante assinasse cheques em nome da empresa Petromarte e detivesse poderes para representála, via procuração, o certo é que tais circunstâncias apenas não comprovam o efetivo exercício da administração da sociedade empresária, e muito menos que tenha este administrado a pessoa jurídica de forma fraudulenta que pudesse a ensejar na sua responsabilidade pessoal; Fl. 828DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 829 15 Embora o impugnante detivesse procuração outorgada pela Petromarte, o certo é que a representação por parte do impugnante na empresa era bastante diminuta, competindo lhe apenas assinar cheques em nome da empresa, efetuar pagamentos, ou seja, gerir a parte financeira da empresa. Isto porquê, o impugnante, morando na cidade de São Paulo, está geograficamente mais próximo da sede da empresa que seus sócios, residentes na cidade de Pacaembu, que dista mais de 500 quilômetros da cidade de Paulínia; A bem da verdade, as grandes decisões, os balanços, as negociações em torno das vendas da empresa, ou seja, toda a parte comercial da empresa era administrada pela sócia Sra. TIEKO FUKUDA HASEGAWA, conforme esta própria chegou a reconhecer no Termo de Verificação Fiscal. O impugnante não tinha conhecimento de que a empresa tenha declarado ao Fisco Federal faturamento zero no ano calendário de 2007, eis que a representação do impugnante era por demais diminuta, sendo que o departamento comercial e fiscal da empresa era todo controlado pela sócia Tieko; Noutro ponto da defesa ofertada assevera: o fato de uma determinada empresa ter encerrado suas atividades sem promover a baixa de seus registros não é causa para a despersonalização da pessoa jurídica, conforme já decidiu a 4ª Turma do E. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL da 3ª REGIÃO, conforme ementa que cita; é ilegal o ato administrativo tendente a sujeição passiva solidária do ora impugnante, visto a mais ampla inexistência de provas a comprovar que o requerente agiu dolosamente frente a representação da sociedade para praticar atos com excessos de poderes e contrário as leis tributárias, o que por certo inviabiliza a atribuição de responsabilidade pessoal dos sócios. Reportase, ainda, a julgado da 4ª Turma do TRF3ª Região que entende corroborar seu entendimento. Acrescenta ainda que: é incabível a responsabilização solidária dos gerentes e administradores quanto aos débitos de natureza previdenciária prevista com base no art. 13, da Lei 8.620/93, ... em razão da revogação desta norma, conforme art. 79, VII, da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009; a responsabilidade dos sócios e administradores por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva o que implica reconhecer que o sócio ou a pessoa a qual tenha poderes de gerência da sociedade responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fisco ter este sócio/gerente incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional; Argumenta, ainda, não ter a Fiscalização logrado comprovar que a empresa Petromarte tenha encerrado suas atividades, pois o simples fato de uma correspondência ter retornado com a informação “Mudouse” não implica dizer que tenha encerrado suas atividades Considera extremamente temerário condicionar a existência de uma empresa ao fato Fl. 829DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 830 16 de receber correspondência em seu endereço, pois conforme apontou o Auditor Fiscal a Petromarte havia promovido regularmente a alteração de seu endereço na JUCESP, mas, no entanto, não tinha o Fisco conhecimento desta mudança. E continua: conforme visto houve apenas alteração do endereço da sede, não implicando com isso no encerramento de suas atividades; a presunção de dissolução irregular não milita em favor do Fisco no caso em exame, ante a inexistência de elementos probatórios dando conta do fechamento da empresa. Multa agravada Discorda da aplicação da multa qualificada, alegando que: a multa agravada somente pode ser aplicada nos casos de fraude quando a fiscalização comprove ter o contribuinte agido dolosamente; a “prática sistemática reiterada” expressão exaustivamente utilizada pela fiscalização não está por si só a comprovar a conduta dolosa do contribuinte prevista nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502, tão indispensável para aplicação da multa exasperada. a Fiscalização fundamenta a aplicação da multa qualificada no fato da empresa Petromarte ter supostamente omitido receitas e rendimentos, mas, está pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes da União que, para aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, há de estar devidamente comprovado o intuito de fraude do sujeito passivo, através do elemento dolo, a teor das Súmulas 14 e 25 do CARF. em vista da conseqüente representação para fins penais, para aplicação da penalidade mais gravosa, o tipo deve estar devidamente descrito e exaustivamente comprovado por parte de quem acusa. os atos devem estar devidamente registrados, comprovados e formalizados nos autos; o princípio da presunção de inocência prevalece na seara penal, de maneira que não se pode por presunção aplicar multa qualificada com caráter penal no presente caso. Reportase a julgados do Conselho de Contribuintes. Questiona como aplicar a multa exasperada a quem, comprovadamente, não teve envolvimento com os fatos geradores, considerando que pelo princípio da individualização da pena, esta não pode ultrapassar a figura do transgressor? E conclui ser inaplicável a multa de 150%. Arbitramento Opõese ao lançamento por arbitramento, invocando seu caráter de excepcionalidade e sua utilização restrita aos casos de impossibilidade de utilização da base de cálculo originária, para defender que: debalde não tenha a empresa Petromarte disponibilizado toda a documentação solicitada, é certo que o descumprimento dessa obrigação acessória não dá ao Fisco o direito de Fl. 830DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 831 17 proceder ao lançamento a seu bel prazer, sem critérios, ensejando créditos de valores estratosféricos, totalmente destoante da realidade do faturamento, traduzindose num verdadeiro confisco; é inaplicável o arbitramento, uma vez que ao Fisco Federal foram repassadas todas as informações necessárias para a apuração do Lucro Real, seja pelas informações prestadas pelo Fisco Estadual, as prestadas pela Agência Nacional do Petróleo, ou, ainda, prestadas pelas empresas adquirentes de seus produtos. Expõe que o Conselho de Contribuinte já assentou o entendimento no sentido da impossibilidade da desconsideração total, por parte da fiscalização, quanto as despesas relacionadas a atividade do contribuinte, e, nesse compasso, alega irregularidade do lançamento em razão de a fiscalização não deduzir do valor do lucro arbitrado, todas as despesas relacionadas a atividade da empresa Petromarte. Entende ser desarrazoada a exigência no montante em que formalizada, reportandose à vedação constitucional da tributação confiscatória e alegando ofensa a princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Assevera pretender o impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e também do Auto de Infração relativos ao IRPJ e decorrentes, de CSLL, PIS e Cofins. Impugnação de Shin Hasegawa Também em 12/04/2012, foi apresentada Impugnação de fls. 622/641, em nome do sócio Shin Hasegawa, com as razões a seguir sintetizadas: De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que a responsabilidade solidária do sócio contemplada na redação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, não deriva do fato dele ser sócio, mas sim pelo fato dele exercer poderes de gerência da empresa. Transcreve o art. 135, inciso III, do CTN, para alegar que o Termo de Sujeição Passiva Solidária expedido ao ora impugnante se deu no mais total alvedrio da norma acima transcrita, pois dos autos emerge ausência de provas no sentido de que o impugnante detinha poderes de gerência da sociedade em questão e, tampouco, fez o Fisco a prova de ter o impugnante agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. Superior Tribunal de Justiça, já pacificou o entendimento segundo o qual mero inadimplemento da obrigação tributária não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio, e para que possa ocorrer o redirecionamento, necessário a comprovação de que o sócio, com poderes de gerência da sociedade, tenha incorrido nas transgressões a que alude o inciso III, do art. 135, do CTN. Cita ementas de dois acórdãos do STJ que entende corroborar sua tese e complementa: no caso em apreço, a própria fiscalização informa haver indícios de que a empresa Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo S A , não era administrada pelo sócio ora impugnante, reportandose a constatação de outorga de procuração; Fl. 831DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 832 18 o próprio Fisco Federal se encarrega de comprovar que o sócio ora impugnante não detinha poderes de gerência da sociedade, ante a existência de provas irrefutáveis dando conta de que a administração da empresa era exercida por terceiros mediante procuração. na verdade, o procurador Carlos Sussumo Hasegawa respondia pela parte financeira da empresa, ao passo que toda parte comercial e fiscal da empresa era toda ela administrada pela sócia Tieko Fukuda Hasegawa, administradora principal e responsável pelas decisões mais relevantes da empresa. Sujeição Passiva Solidária Entende restar comprovada a total impossibilidade de atribuir ao sócio impugnante a sujeição passiva solidária porque : o Fisco não logrou êxito em comprovar que o sócio em questão detenha poderes de gerência da sociedade à época da ocorrência do fato gerador do tributo, ou então à época da dissolução irregular da sociedade, e de igual modo, de ter este sócio incorrido numa das transgressões previstas no artigo 135, III, do CTN. Acrescenta conforme julgados que menciona: o mero inadimplemento da obrigação tributária não constituiu hipótese que autoriza o redirecionamento da ação de execução contra os sócios, sendo necessária a prova de ter este agido com excesso de poderes, violação ao contrato ou estatuto, ou ter havido a dissolução irregular, e que este sócios tinha poderes de gerência da sociedade, fato que não restou demonstrado nos autos; a eventual ausência de patrimônio, de igual modo, não enseja a despersonalização da pessoa jurídica Reportase, ainda, a julgado da 4ª Turma do TRF3ª Região que entende corroborar seu entendimento. Acrescenta que: é incabível a responsabilização solidária dos sócios quanto aos débitos de natureza previdenciária prevista com base no art. 13, da Lei 8.620/93, ... em razão da revogação desta norma, conforme art. 79, VII, da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009; a responsabilidade dos sócios e administradores por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva o que implica reconhecer que o sócio ou a pessoa a qual tenha poderes de gerência da sociedade responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fisco ter este sócio/gerente incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional; Argumenta, ainda, não ter a Fiscalização logrado comprovar que a empresa Petromarte tenha encerrado suas atividades, pois o simples fato de uma correspondência ter retornado com a informação “Mudouse” não implica dizer que tenha encerrado suas atividades Considera extremamente temerário condicionar a existência de uma empresa ao fato desta receber correspondência em seu endereço, pois conforme apontou o Auditor Fiscal a Petromarte havia promovido regularmente a alteração de seu endereço na JUCESP, mas, no entanto, não tinha o Fisco conhecimento desta mudança. E continua: Fl. 832DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 833 19 conforme visto houve apenas alteração do endereço da sede, não implicando com isso no encerramento de suas atividades; a presunção de dissolução irregular não milita em favor do Fisco no caso em exame, ante a inexistência de elementos probatórios dando conta do fechamento da empresa. Multa qualificada Discorda da aplicação da multa qualificada, alegando que: a imposição da multa qualificada não constitui regra, mas sim exceção, podendo somente ser aplicada nos casos de fraude quando a fiscalização comprove ter o contribuinte agido dolosamente. a “prática sistemática reiterada” expressão exaustivamente utilizada pela fiscalização não está por si só a comprovar a conduta dolosa do contribuinte prevista nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502, tão indispensável para aplicação da multa exasperada. a Fiscalização fundamenta a aplicação da multa qualificada no fato da empresa Petromarte ter supostamente omitido receitas e rendimentos, mas, está pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes da União que, para aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, há de estar devidamente comprovado o intuito de fraude do sujeito passivo, através do elemento dolo, a teor das Súmulas 14 e 25 do CARF. em vista da conseqüente representação para fins penais, para aplicação da penalidade mais gravosa, o tipo deve estar devidamente descrito e exaustivamente comprovado por parte de quem acusa. os atos devem estar devidamente registrados, comprovados e formalizados nos autos; o princípio constitucional da presunção de inocência prevalece na seara penal, de maneira que não se pode por presunção aplicar multa qualificada com caráter penal no presente caso. Reportase a julgados do Conselho de Contribuintes. Questiona como aplicar a multa exasperada a quem, comprovadamente, não teve envolvimento com os fatos geradores, considerando que pelo princípio da individualização da pena, esta não pode ultrapassar a figura do transgressor? E, diante disso, conclui ser inaplicável a multa de 150%. Arbitramento Opõese ao lançamento por arbitramento, invocando seu caráter de excepcionalidade e sua utilização restrita aos casos de impossibilidade de utilização da base de cálculo originária, para defender que: debalde não tenha a empresa Petromarte disponibilizado toda a documentação solicitada, é certo que o descumprimento dessa obrigação acessória não dá ao Fisco o direito de proceder ao lançamento a seu bel prazer, sem critérios, ensejando créditos de valores Fl. 833DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 834 20 estratosféricos, totalmente destoante da realidade do faturamento, traduzindose num verdadeiro confisco; é inaplicável o arbitramento, uma vez que ao Fico Federal foram repassadas todas as informações necessárias para a apuração do Lucro Real, seja pelas informações prestadas pelo Fisco Estadual, as prestadas pela Agência Nacional do Petróleo, ou, ainda, prestadas pelas empresas adquirentes de seus produtos. Expõe que o Conselho de Contribuinte já assentou o entendimento no sentido da impossibilidade da desconsideração total, por parte da fiscalização, quanto as despesas relacionadas a atividade do contribuinte, e alega irregularidade do lançamento em razão de a fiscalização não deduzir do lucro arbitrado, todas as despesas relacionadas a atividade da empresa Petromarte Entende ser desarrazoada a exigência no montante em que formalizada, reportandose à vedação constitucional da tributação confiscatória e alegando ofensa a princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Assevera pretender o impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e também do Auto de Infração relativos ao IRPJ e decorrentes, de CSLL, PIS e Cofins. Impugnação Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa Termo de Sujeição Passiva de fls. 585/587 Ainda em 12/04/2012, foi apresentada Impugnação de fls. 646/652, em nome do Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa, representado por seu inventariante Sr. Shin Hasegawa, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que embora a impugnante exercesse a administração da empresa, o certo é que o Fisco Federal não trouxe provas a embasar ter a impugnante agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. Superior Tribunal de Justiça, já pacificou o entendimento segundo o qual a mera existência de débito tributário não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio, e para que possa ocorrer o redirecionamento, necessário a comprovação de ter o sócio gerente incorrido nas transgressões a que alude o inciso III, do art. 135, do CTN. Cita jurisprudência. Acrescenta que o Erário Público ao determinar a sujeição passiva solidária do sócio, não trouxe a imprescindível prova de ter este sócio incorrido em algumas das condutas previstas no artigo 135, III, do CTN. Alega que, segundo julgado do TRF 3ª Região que menciona, o encerramento das atividades de determinada empresa sem a baixa de sua inscrição, não caracteriza por si só sua dissolução irregular. Diz que, a responsabilidade dos sócios por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva, o que implica reconhecer que o sócio responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fl. 834DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 835 21 Fisco ter este sócio incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Assevera pretender a impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em razão da fiscalização não ter se desincumbido de seu dever de provar ter a sócia com poderes de gerência, haver praticado dolosamente atos irregulares na gestão da empresa. Finaliza formulando pedido no sentido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva. Por meio da Intimação SECAT nº 929/2012, de 10 de maio de 2012 (fl. 659), a autoridade preparadora intimou o interessado – Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa a apresentar, sob pena de ser negado seguimento ao recurso, o seguinte: 1. documento que comprove a nomeação do inventariante (Shim Hasegawa) e 2. Cópia do documento de identificação do signatário da impugnação (inventariante). Em atendimento, foi apresentada resposta de fls. 665/666, em nome de Tieko Fukuda Hasegawa, representada pelo viúvomeeiro, Sr. Shin Hasegawa, encaminhando cópia da carteira de identidade do subscritor da impugnação e informando que não houve a abertura de processo judicial de inventário, que, por inexistir herdeiros menores, o procedimento será por escritura pública lavrado em Cartório, conforme permite a atual legislação. Na seqüência, por meio do despacho de fls. 676 a autoridade preparadora encaminhou o processo para julgamento das Impugnações interpostas.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 0539.193 (fls. 677732) de 23/10/2012, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento apenas para excluir a responsabilidade do espólio de Tieko Fukuka Hasegawa quanto à multa de ofício lançada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007 RECEITAS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. Caracterizase omissão de receitas da atividade a apresentação de declarações a RFB com valores zerados em contradição com vultosos valores declarados pela própria pessoa jurídica para o Fisco Estadual e a órgão regulador da atividade Agência Nacional do Petróleo, valores estes não refutados no presente processo. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ARBITRAMENTO. IRPJ. CSLL. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, apesar de regularmente intimada, deixa de exibir livros e documentos da escrituração, que a amparariam em outra modalidade de tributação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracteriza evidente intuito de fraude, com intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, a prática Fl. 835DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 836 22 reiterada de omissão de receitas da atividade culminando com a não declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIO. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SÓCIO FALECIDO. A responsabilidade do sucessor a qualquer título, do cônjuge meeiro e do espólio é pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha, da adjudicação ou da abertura da sucessão, não havendo dispositivo legal que autorize a exigência de multa de ofício quando a ciência do auto de infração se deu em momento posterior à morte do de cujus.” Da aludida decisão foram cientificados a empresa e os coobrigados nas seguintes datas: Petromarte, em 04/01/2013 (edital de fl. 785), Tieko Fukuda Hasegawa Espólio, em 28/11/2012 (A.R. de fl. 774), Shin Hasegawa, em 28/11/2012 (A.R. de fl. 772), Carlos Sussumo Hasegawa, em 27/11/2012 (A.R. de fl. 770). Apresentaram recurso voluntário em 27/12/2012 (fls. 788 a 801), onde repisam os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 837 23 Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Há que se reconhecer, de início, que o presente processo traz, dentre outras, matéria relativa a acesso a dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. É o que se constata nos autos com as requisições de informações sobre movimentação financeira, fls. 12 e 2931. Passo a enfrentar esse tópico específico me valendo dos fundamentos, que adoto como razões de decidir neste Voto, apresentados pelo i. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que transcrevo abaixo. “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 838 24 Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 839 25 Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando Fl. 839DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 840 26 os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fl. 840DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Resolução nº 1402000.209 S1C4T2 Fl. 841 27 Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Por todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento do presente processo, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911358/2012-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 58 /2 01 2- 83 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911358/201283 Acórdão n.º 3803005.649 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911358/201283 Acórdão n.º 3803005.649 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911358/201283 Acórdão n.º 3803005.649 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911358/201283 Acórdão n.º 3803005.649 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911358/201283 Acórdão n.º 3803005.649 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911358/201283 Acórdão n.º 3803005.649 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19515.722409/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2008
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES. ATO COM INFRAÇÃO À LEI.
Na linha da consagrada jurisprudência nacional, a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do dirigente com base no art. 135 do CTN, devendo essa ser excluída em relação à parcela do crédito tributário para a qual não restou demonstrada a conduta com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (STJ EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005).
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO.
É cabível a imposição de multa de ofício proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150% na parcela do crédito tributário para a qual restou demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
Recurso Voluntário do devedor principal não conhecido
Recursos Voluntários dos devedores solidários providos em parte
Numero da decisão: 3402-002.860
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário do devedor principal e dar provimento parcial aos recursos dos devedores solidários para excluir a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário que não decorreu da reclassificação fiscal dos produtos no código 7308.9090. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2008 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES. ATO COM INFRAÇÃO À LEI. Na linha da consagrada jurisprudência nacional, a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do dirigente com base no art. 135 do CTN, devendo essa ser excluída em relação à parcela do crédito tributário para a qual não restou demonstrada a conduta com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (STJ EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. É cabível a imposição de multa de ofício proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% na parcela do crédito tributário para a qual restou demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. Recurso Voluntário do devedor principal não conhecido Recursos Voluntários dos devedores solidários providos em parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 09 /2 01 2- 51 Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário do devedor principal e dar provimento parcial aos recursos dos devedores solidários para excluir a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário que não decorreu da reclassificação fiscal dos produtos no código 7308.9090. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1344/1365) em face do Acórdão DRJ/RPO nº 1449.367, de 26/03/2014, exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP que julgou improcedente a impugnação. Foi lavrado, em face da recorrente, auto de infração para a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 155.157,84, em virtude da saída do seu estabelecimento de produtos tributados com falta ou insuficiência de lançamento do imposto por erro de classificação fiscal e/ou alíquota; acrescido de multa proporcional e de multa pelo valor do IPI apurado, mas não lançado em razão da cobertura de crédito existente, totalizando R$ 1.676.281,62, consolidado até 31/10/2012. Foram arrolados como responsáveis solidários pela exigência fiscal os seguintes sócios: Aristide da Silva, Ariany Carla Novaes, Laurete D’Avila, Carlos Franscisco Novais Silva e Cristiany Nadir Novais Silva. A responsabilização solidária foi efetuada, nos termos dos arts. 121, 124 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN). O procedimento fiscal teve origem nas irregularidades constatadas no exame de 18 Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP’s), os quais foram integralmente indeferidos. Diante da falta de destaque de IPI em grande parte das notas fiscais de saída emitidas a partir de novembro de 2006 e do aguardo da reescrituração da contabilidade e da entrega dos respectivos arquivos digitais, foi instaurada a ação fiscal para a análise do IPI nos períodos de novembro de 2006 a junho de 2008. Além dos saldos devedores de IPI apurados nos meses de agosto/2007 e de fevereiro, março e junho de 2008; a fiscalização constatou, nos demais meses do intervalo fiscalizado, valor de IPI não destacado, mas que foi acobertado pelos créditos existentes no mesmo período; do que decorreu a exigência da multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, no percentual de 75% sobre o valor do imposto, com exceção da parcela relativa aos produtos com classificação fiscal 7308.9090, para a qual foi aplicado o percentual de 150% sobre o valor do imposto não destacado. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.722409/201251 Acórdão n.º 3402002.860 S3C4T2 Fl. 1.438 3 A multa qualificada, com relação aos produtos com classificação fiscal 7308.9090, restou caracterizada à fiscalização com a demonstração do evidente intuito de fraude, em virtude da emissão de notas fiscais de saída com dados incorretos com o objetivo de eximirse do pagamento dos tributos. A fiscalizada era filiada à ABCEM – Associação Brasileira da Construção Metálica, que já tinha formulado consulta sobre a classificação fiscal do referido produto, que foi objeto da Solução de Consulta Coana nº 9, de 04/11/2003. Ainda assim, a partir de 08/11/2006, descreveu as “telhas de aço” como se fossem “chapas”, com a intenção deliberada de eximirse da alíquota de 5% aplicável à classificação fiscal adequada para o produto (7308.9090). Mediante o Acórdão nº 1449.367, de 26/03/2014, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Correta a imputação de responsabilidade solidária a terceiras pessoas quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e as pessoas a quem se imputa a solidariedade passiva. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. ILEGALIDADES. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. Mediante petição conjunta da contribuinte e de dois responsáveis solidários, Aristides da Silva e Laurete D’Avila, postada nos Correios em 09/10/2014, foram Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 apresentadas, nas fls. 1344/1366, as razões de defesa no Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), sintetizadas a seguir: Multa de Ofício: A multa com fundamento no art. 80 da Lei nº 4.502/64 seria endereçada à omissão ou ação dolosa do contribuinte de lançar o tributo ou, lançandoo, não o recolher. No caso, o auto de infração e a decisão recorrida não poderiam ocultar a inexistência de dolo na sua conduta. De outra parte, seria inafastável o direito de a recorrente ter suas declarações retificadas, antes do lançamento definitivo, nos termos do art. 147 do CTN. Haveria muitas dúvidas quanto à classificação dos produtos e alíquotas utilizadas, o que justificaria os erros cometidos pela recorrente e afastaria qualquer suspeição de dolo ou malícia no seu agir, de efetuar lançamento com intenção de sonegação ou omissão de dados. A sua conduta teria decorrido por conta da complexidade do lançamento do tributo e das normas legais, bem como pela demora na resposta da consulta realizada perante o órgão fiscal. Afinal, a apuração do débito teria vindo senão por retificação de ofício, que seria diferente do lançamento de ofício. A autoridade fiscal teria somente retificado os lançamentos já existentes. Assim, seria indevida a multa de 75%. Multa de Ofício qualificada: A tipificação qualificada da multa, por sonegação, conluio e fraude, não corresponderia com a conduta da recorrente. Na autuação criminal, a acusação seria uma “singeleza”, simplesmente transcreveria os artigos da Lei nº 8.137/90, sem relacionálos à postura da recorrente. Ademais, a conduta anterior da recorrente teria sido de cuidado em aferir, junto à Solução de Consulta formulada pela ABCEM, o lançamento correto da contabilidade. A fiscalização não teria verificado, por não haver, subterfúgios, flagrantes de conduta de esconder qualquer documentação e tantos outros modos esquivos. Pelo contrário, teria atendido imediatamente todos os pedidos da fiscalização. A recorrente destacava o IPI sobre os produtos de classificação 7308.9090 com a alíquota de 5%, mas, a partir de 08/11/2000 [2006], passou a não destacar o IPI, atribuindo ao produto a classificação 7308.9010 (alíquota zero). A fiscalização teria citado a falta de apresentação de livros, muito embora a recorrente tivesse cumprido todos os pedidos de documentos, sem qualquer resistência, omissão ou má vontade. Portanto, não haveria exercício hermenêutico que pudesse tipificar a conduta da recorrente em qualquer dos ilícitos tributários previstos no Decreto nº 4.502/64. Representação Fiscal para Fins Penais: Não seria devida a representação fiscal para fins penais, eis que o procedimento administrativo não constituiria elemento que autorizasse o processamento da ação penal, ou de instauração civil como fosse penal, para apuração de sonegação fiscal. A referida representação teria sido imposta sem conduta típica da recorrente. Conforme Súmula Vinculante nº 24 do STF, não se tipifica crime material contra ordem tributária antes do lançamento definitivo. A conduta de não atender o prazo concedido para apresentação de documentos de difícil contabilização e alcance, não poderia ser considerada como negação à vigência de procedibilidade da ação, a permitir a imputação do crime de sonegação fiscal. A determinação de sequestro de bens dita pela Auditora lesaria o art. 5º, LIV da Constituição Federal, mesmo porque a privação dos bens somente poderia ocorrer após o trânsito em julgado pela via judicial. A acusação de fraude para multar seria aleatória. Não se trataria de fraude, mas de mero erro de interpretação da obrigação tributária, ou ainda, erro de procedimento e atraso de informações. O Fisco, que teria levado um vasto tempo para apresentar a resposta à consulta, não pode agora aplicar multa de todo o período e ainda Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.722409/201251 Acórdão n.º 3402002.860 S3C4T2 Fl. 1.439 5 imputar um crime quando teria sido o próprio Fisco o responsável pela demora na correção dos dados. Pelo que se imporia o cancelamento da multa e do auto de infração pela inexigibilidade de conduta diversa. Responsabilidade Solidária: Os sócios Aristides e Laurete teriam sido incluídos no presente processo, sem que estes fossem partes legítimas para figurarem no pólo passivo com responsabilidade solidária pela dívida da empresa. Ocorre que, para a responsabilização, nos termos do art. 135, III do CTN, seria necessário que os sócios tivessem atuado com infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto, o que não teria ocorrido no caso em apreço. Nesse sentido, transcreve julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ), com a manifestação de que a falta de pagamento do tributo não caracteriza infração à lei para ensejar a responsabilidade dos sócios gerentes, com base no art. 135, III do CTN. A moderna doutrina não aceita a responsabilidade presumida dos sócios com dívidas da sociedade, pois há a separação entre a pessoa jurídica e a pessoas dos sócios. Nessa linha, também seria o preceito basilar de direito empresarial, de livre disposição dos bens, constantes no direito de propriedade, e do princípio da livre iniciativa, os quais fomentariam a economia nacional. Não havendo a comprovação de que o sócio agiu com excesso de mandato, ou infringiu a lei, o contrato social ou o estatuto, não haveria como manter os sócios impugnantes como responsáveis, nem tampouco decretar a indisponibilidade de seus bens. Ao final, requereu a recorrente o provimento do recurso voluntário para: a) afastar a incidência da multa de ofício e da multa de ofício qualificada; b) desconstituir a representação fiscal para fins penais; e c) afastar a responsabilidade solidária dos sócios da empresa. Mediante juntada ao processo de Representação Fiscal para Fins Penais, de número 19515.722410/201285, foi apresentado outro Recurso Voluntário, postado nos Correios em 13/10/2014, em nome da contribuinte (CENTRAL TELHA) e dos outros três responsáveis solidários (CARLOS FRANCISCO NOVAIS DA SILVA, ARIANY CARLA NOVAIS SILVA e CRISTIANY CARLA NOVAIS SILVA), cuja cópia foi juntada ao presente processo nas fls. 1370/1392, o qual traz argumentações idênticas ao Recurso Voluntário das fls. 1344/1366, resumidas acima. Mediante a Resolução nº 3402000.715, de 11 de dezembro de 2014, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: (...) Consta no processo a comprovação da legitimidade dos signatários dos recursos para representar somente o recorrente Aristides da Silva (fl. 1304). Razão pela qual entendo que os autos devam retornar à autoridade preparadora, para que esta promova ao devido saneamento na representação processual e, se for o caso, na ciência do Acórdão, antes da análise por este Conselho Administrativo dos requisitos de admissibilidade dos dois Recursos Voluntários. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Nesse sentido, deve a Unidade de Controle do crédito tributário intimar a contribuinte Central Telha Indústria e Comércio Ltda. e os responsáveis solidários Laurete D'Avila, Carlos Franscisco Novais Silva, Ariany Carla Novaes e Cristiany Nadir Novais Silva a apresentarem comprovação da legitimidade dos signatários dos correspondentes Recursos Voluntários para representálos nestes atos, bem como a declaração de ratificação do correspondente Recurso já apresentado em todos os seus termos. Importante salientar que, embora a contribuinte Central Telha Indústria e Comércio Ltda. e a Sra. Laurete D'Avila não tenham sido regularmente cientificados do Acórdão, os seus comparecimentos aos autos, somente após o devido saneamento da representação processual, pode suprir a irregularidade, nos termos do art. 26, §5° da Lei nº 9.784/99. No entanto, não se logrando êxito ao devido saneamento deverá a Unidade de Controle realizar nova ciência do Acórdão de primeira instância da contribuinte e da Sra. Laurete D'Avila, concedendolhes o prazo legal para manifestação. Assim, meu voto é no sentido de converter o julgamento em diligência para encaminhamento dos autos à Unidade preparadora para que promova aos saneamentos acima enumerados, devendo, após, retornarem a este Conselho para prosseguimento na análise dos requisitos de admissibilidade dos Recursos Voluntários. (...) Os autos retornaram da Unidade de Origem com os devidos saneamentos: (i) da ciência da decisão de primeira instância da contribuinte, a qual não se manifestou em face das intimações; (ii) da representação processual dos responsáveis solidários Laurete D'Avila, Carlos Franscisco Novais Silva, Ariany Carla Novaes e Cristiany Nadir Novais Silva, os quais compareceram aos autos e ratificaram os termos dos recursos já apresentados. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Relatora A contribuinte e todos os responsáveis solidários foram regulamente cientificados da decisão de primeira instância. Não tendo a contribuinte CENTRAL TELHA comprovado a legitimidade do signatário do recurso para representála, não se toma conhecimento do recurso em relação a ela. Por atender aos requisitos de admissibilidade, os recursos devem ser conhecidos em relação aos demais recorrentes, os responsáveis solidários: Aristides da Silva, Laurete D'Avila, Carlos Franscisco Novais Silva, Ariany Carla Novaes e Cristiany Nadir Novais Silva. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.722409/201251 Acórdão n.º 3402002.860 S3C4T2 Fl. 1.440 7 Conforme já consignado no Acórdão de primeira instância, não foi questionado expressamente o lançamento do tributo na impugnação, mas somente da multa, tratandose de matéria preclusa. Também no recurso voluntário nada foi suscitado sobre essa questão. Passase a análise do mérito do recurso voluntário. Multa de Ofício: A multa com fundamento no art. 80 da Lei nº 4.502/64 não qualificada (no percentual de 75%) não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado, o que o recorrente não contesta. De forma que a eventual boafé alegada pela recorrente não lhe socorre neste caso. A retificação das declarações pelo próprio sujeito passivo são admitidas antes da notificação do lançamento de ofício efetuado pelo fisco, nos termos do art. 147 do CTN, mas não se trata da hipótese dos autos, em que, o Fisco, dentro do prazo decadencial do tributo, em procedimento fiscal regular, verificou a apuração prévia do crédito tributário efetuada pelo contribuinte, exigindo o tributo (IPI) que deixou de ser recolhido e a multa que ora se discute. É totalmente desprovida de sentido a alegação da recorrente de que a apuração do débito teria vindo por “retificação de ofício”, que seria diferente do lançamento de ofício. O caso presente tratase de lançamento de ofício, em caráter supletivo, previsto no art. 149 do CTN, decorrente da verificação da não regularidade da apuração prévia do crédito tributário pelo contribuinte, eis que o IPI é um tributo sujeito a lançamento por homologação (art. 150 do CTN), que se caracteriza pela determinação legal ao sujeito passivo para apurar previamente o montante do tributo devido e efetuar o pagamento correspondente, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Por certo, a complexidade da legislação tributária ou a eventual demora para resposta à consulta formulada pela contribuinte não lhe dão aval para deixar de recolher os tributos cabíveis e cumprir as obrigações acessórias, em conformidade com as normas tributárias aplicáveis. Diante do exposto, entendo que não cabe qualquer reparo na decisão a quo que manteve a aplicação da multa não qualificada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64. Multa de Ofício qualificada: A multa qualificada, relativa somente aos produtos com classificação fiscal 7308.9090, foi aplicada por intuito de fraude, em virtude da emissão de notas fiscais de saída com dados incorretos com o objetivo de eximirse do pagamento dos tributos. Conforme definido no art. 72 da Lei nº 4.502/64, “Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. É matéria incontroversa nos autos que houve ação ou omissão da contribuinte tendente a reduzir o montante do IPI devido, restando analisar, em sede de recurso voluntário, se teria havido dolo na referida conduta, no sentido da vontade de querer o resultado. Conforme apontado pela fiscalização, a contribuinte, dentro do período fiscalizado, até 07/11/2006, agia corretamente com relação ao produto “telhas de aço”, com a descrição e a classificação adequadas, efetuando o destaque com o correto valor do IPI nas notas fiscais de saída. A fiscalizada era filiada à ABCEM – Associação Brasileira da Construção Metálica, que já tinha formulado consulta sobre a classificação fiscal do referido produto, que foi objeto da Solução de Consulta Coana nº 9, de 04/11/2003. A referida Solução de Consulta, desde a data da ciência da Associação consulente, produzia, portanto, efeitos também para a contribuinte. De forma que a recorrente tinha conhecimento, e nada contesta nesse ponto, da correta classificação fiscal para esses produtos. No entanto, sem qualquer justificativa plausível, passou, a partir do dia 08/11/2006, a descrever as “telhas de aço” incorretamente como “chapas”, classificandoas na posição tarifária correspondente a “chapas” (7308.9010 – alíquota zero) e emitindo as notas fiscais de saída dos produtos com a falta de destaque do IPI e, portanto, eximindose da alíquota de 5% aplicável à classificação fiscal adequada para o produto (7308.9090). Pelo que restou comprovado nos autos o dolo na conduta da contribuinte deliberada no sentido de reduzir ou suprimir o tributo, descrevendo e classificando o produto como se fosse outro, cuja alíquota era zero, o que não se confunde com mero erro na escrituração, restando configurada a fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64, e, por consequência, a multa qualificada prevista no art. 80 dessa mesma Lei. A eventual colaboração da contribuinte no atendimento às intimações no curso da ação fiscal ou a eventual demora na resposta do Fisco não alteram a situação relatada pela fiscalização de subsunção à tipificação da multa qualificada. Representação Fiscal para Fins Penais: Nos termos da legislação de regência, a Representação Fiscal para Fins Penais deve ser formalizada pelo servidor da Receita Federal do Brasil que identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária e outros crimes. Na hipótese de crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 83 da Lei nº 9.430/96, a referida Representação será encaminhada ao Ministério Público somente após a decisão administrativa definitiva desfavorável ao sujeito passivo. Não obstante a Representação Fiscal para Fins Penais seja originária da mesma ação fiscal que originou a exigência tributária sob estudo e que deva, no caso de crime contra a ordem tributária, aguardar a decisão administrativa definitiva desta, não há qualquer previsão legal de julgamento do mérito da Representação Fiscal para Fins Penais por este Conselho Administrativo. Além do que, tratase de peça de mera comunicação de fato ao Ministério Público, que é o órgão competente para verificar a existência de prova de materialidade e indícios de autoria de crime suficientes para a deflagração da persecução penal. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.722409/201251 Acórdão n.º 3402002.860 S3C4T2 Fl. 1.441 9 Nesse sentido dispõe a Súmula CARF nº 28: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". Responsabilidade Solidária: Nesta questão, alega a recorrente, em síntese, que, para a responsabilização, nos termos do art. 135, III do CTN, seria necessário que os sócios tivessem atuado com infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto, o que não teria ocorrido no caso concreto. A mera falta de pagamento do tributo não caracterizaria infração à lei para ensejar a responsabilidade dos sóciosgerentes, com base no art. 135, III do CTN. Na decisão de primeira instância, a justificativa para a manutenção da responsabilidade solidária foi no sentido de que os responsáveis tinham poder de decisão, conforme cláusula quinta do contrato social da contribuinte, além do que, relativamente ao art. 135 do CTN, “restou neste julgamento que a administração da empresa realizou atos ilegais, os quais se materializaram, como já visto, nas razões que fundamentaram a multa qualificada”. Nesse aspecto, entendo como acertada a decisão a quo com relação à parte do crédito tributário, aquela decorrente da reclassificação fiscal dos produtos no código 7308.9090, que ensejou a aplicação da multa qualificada por fraude, em virtude da emissão de notas fiscais de saída com dados incorretos (descrições, classificação e alíquotas), quando tinha conhecimento da classificação fiscal adequada para o produto, com o objetivo deliberado de eximirse do pagamento dos tributos. Nos atos que ensejaram a aplicação da multa qualificada, não há como negar que foram atos contrários à lei em face da fraude perpetrada, prevista no art. 72 da Lei nº 4502/64, caracterizada por atos dolosos tendentes a ocultar os fatos geradores tributários ou a modificar suas características. Nos demais atos, que não ensejaram a aplicação da multa qualificada, para os quais a fiscalização não comprovou que os sócios administradores tenham agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa, entendo que a responsabilidade solidária deve ser excluída. A jurisprudência nacional já se debruçou sobre a questão, sendo importante destacar, a esse respeito, a existência de precedente específico do Superior Tribunal de Justiça – STJ, que, sob a sistemática própria dos chamados “Recursos Repetitivos” (Art. 543C do CPC), assim então já se pronunciou: Processo REsp 1101728 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02440246 Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 11/03/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 23/03/2009 Ementa Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Acórdão Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. (...) Nos termos do art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015 (DOU de 10 de junho de 2015), a aplicação do entendimento acima do STJ, contida em precedente sob a sistemática “Recursos Repetitivos” (Art. 543C do CPC), tornase obrigatória no presente julgamento. No caso dos autos, a não ser nos atos que ensejaram a aplicação da multa qualificada (reclassificação fiscal no código 7308.9090), a responsabilidade solidária apontada na autuação decorreu exclusivamente do poder de gerência dos sócios administradores, conforme composição da sociedade no período de novembro/2003 a janeiro/2009, e da falta de recolhimento do tributo, não restando caracterizada a conduta com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa, que autorizaria a responsabilidade dos dirigentes da pessoa jurídica, em conformidade com o entendimento acima do STJ sobre o art. 135, inciso III do CTN. Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.722409/201251 Acórdão n.º 3402002.860 S3C4T2 Fl. 1.442 11 Assim, entendo que a responsabilidade solidária de Aristide da Silva, Ariany Carla Novaes, Laurete D’Avila, Carlos Franscisco Novais Silva e Cristiany Nadir Novais Silva deve ser excluída somente em relação aos atos que não ensejaram a aplicação da multa qualificada, facilmente identificáveis no auto de infração em relação à exigência tributária (tributos e multas) que não decorreram da reclassificação fiscal no código 7308.9090. Assim, diante de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário da contribuinte (devedora principal) e de DAR PROVIMENTO PARCIAL aos Recursos voluntários dos devedores solidários, para excluir a responsabilidade solidária de todos os sócios administradores arrolados no auto de infração somente na parcela do crédito tributário que não decorreu da reclassificação fiscal dos produtos no código 7308.9090, devendo a responsabilidade solidária ser mantida em relação a outra parte do crédito tributário, decorrente dessa reclassificação fiscal, que ensejou a aplicação da multa qualificada. É como voto. [Assinatura Digital] MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10920.003226/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DE SALÁRIO-MATERNIDADE. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
Cabe a compensação do salário-maternidade comprovadamente pago, para abatimento das contribuições previdenciárias lançadas.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996.
Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos os valores apurados na competência 05/2007 do estabelecimento 0002.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Cabe a compensação do saláriomaternidade comprovadamente pago, para abatimento das contribuições previdenciárias lançadas. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 32 26 /2 01 0- 14 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos os valores apurados na competência 05/2007 do estabelecimento 0002. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10920.003226/201014 Acórdão n.º 2402004.849 S2C4T2 Fl. 163 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 26.126 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SP), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.279.6001. O crédito em questão referese à exigência das contribuições dos segurados empregados, que a empresa tem o dever legal de reter e recolher à Seguridade Social. De acordo com o relatório fiscal, fls. 91/98, a autuada optou, em 22/02/2000, pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, nos termos definidos na Lei n.º 9.317/1996 e alterações posteriores. Afirma que mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n.º 554425, de 02/08/2004, o contribuinte foi excluído do Simples, com efeitos a partir de 01/08/2003, por manter atividade econômica vedada a empresas optantes por tal regime tributário. Assevera que, mesmo diante da exclusão, a empresa continuou a se declarar e a recolher as contribuição lançadas como se fosse beneficiária do regime simplificado de recolhimento de tributos, recolhendo apenas parte da contribuição descontada dos segurados empregados, vez que do confronto das folhas de pagamento com as GFIP's e GPS, restou constatado que a autuada não informou, tampouco recolheu a totalidade das contribuições previdenciárias retidas dos segurados empregados. Informase que os fatos geradores foram os pagamentos de remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais, conforme valores registrados nas folhas de pagamento. Segundo o fisco, a multa foi imposta levando em consideração as alterações promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, de modo que o contribuinte ficasse sujeito à penalidade menos gravosa. Cientificado do lançamento em 20/08/2010, o sujeito passivo ofertou impugnação, cujas razões foram acatadas em parte pelo órgão de primeira instância, que manteve o em parte o lançamento. A DRJ considerou que para a competência 13/2009 não havia diferenças a recolher, haja vista que o fisco houvera deixado de considerar os créditos relativos ao salário maternidade pagos pela empresa no estabelecimento matriz e na filial 0006. Na decisão recorrida deixouse claro que foram consideradas apenas as compensações devidamente declaradas na GFIP. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 144/151, no qual, alegou que: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 a) é uma empresa de prestação de serviço de assistência técnica de telefones celulares e optou legitimamente pelo Simples em 22/02/2000, conforme facultado pela legislação; b) foi excluída do sistema mediante ato da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis, sob o pretexto de que sua atividade seria vedada pela lei de regência, haja vista que, sendo empresa especializada em reparos de aparelhos telefônicos, teria necessidade de contar com os serviços de profissional de engenharia; c) inconformada, solicitou revisão administrativa de sua exclusão do Simples, a qual não foi ainda apreciada, por esse motivo, continuou a efetuar os recolhimentos tributários como se mantivesse a opção pelo regime simplificado; d) além da competência excluída pela DRJ, deixaram de ser considerados os valores de saláriomaternidade que a recorrente pagou em 09, 10 e 11/2009 para a matriz; e) em relação à filial de Chapecó houve a compensação na competência 07/2007 de apenas R$ 98,54, todavia, o valor efetivamente pago de saláriomaternidade foi de R$ 1.942,85; f) também deixouse de compensar os salários maternidade pagos no período de 02 a 09/2007; g) na aplicação da multa mais benéfica o limite de 20% do tributo devido não pode ser ultrapassado, posto que esse é o patamar fixado no art. 61 da Lei n. 9.430/1996. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida e a possibilidade de produção de todas as provas em direito admitidas. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10920.003226/201014 Acórdão n.º 2402004.849 S2C4T2 Fl. 164 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Compensação saláriomaternidade Acerca da compensação dos valores pagos a título de saláriomaternidadade na matriz, verifico que para as competências 09, 10 e 11/2009 não houve diferenças a recolher, portanto, improcede o inconformismo da autuada. Quanto a filial de Chapecó (0002), verifico que das contestações lançadas no recurso apenas a competência 05/2007 apresenta pagamento de saláriomaternidade. De fato, o valor passível de compensação é R$ 1.108,81 ao passo que a contribuição dos segurados devida é R$ 460, 04 (ver fls. 110/111). Nesse sentido deve ser excluído da apuração, além dos valores expurgados pela DRJ, aquele referente à competência 05/2007 para o estabelecimento 0002 (filial Chapecó). Ao contrário do que entendeu a primeira instância, uma vez tendo o contribuinte comprovado o pagamento de saláriomaternidade, deve a quantia ser objeto de compensação, independentemente da empresa haver declarado tal valor em GFIP, posto que a apuração fiscal foi efetuada com base na folha de pagamento, onde resta demonstrado o crédito pelo pagamento do benefício previdenciário. Multa Requer o sujeito passivo também que a multa, se considerada devida, seja imposta observandose a nova redação dada ao dispositivo em questão pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que trouxe ao art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O referido art. 61 da Lei n. 9.430/1996 assim prescreve: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ocorre que a aplicação retroativa a que se refere dispositivo acima somente tem lugar quando se está diante de pagamento espontâneo, ou seja, não objeto de lançamento de ofício. Às situações em que o sujeito passivo deixou de declarar os fatos geradores e recolher as contribuições, levando o fisco a constituir o crédito tributário, a regra da novel legislação é o art. 44, I, da Lei n. 9.430/2006, conforme previsão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzida pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2008: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Conforme detalhado no relatório fiscal, a aplicação da legislação mais benéfica foi feita comparandose a multa aplicada conforme o inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996 e aquela prevista na legislação vigente quando da ocorrência do fato gerador (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 na redação vigente antes da MP n.º 449/2008). Isso pode ser perfeitamente visualizado no cujos valores constam do Anexo 01, Quadro 02, coluna "11"; Quadro 03, coluna "13", Quadro 04, coluna "6" e Quadro "5", coluna 11. Descabe portanto a limitação da multa a 20% da contribuição devida, posto que houve o lançamento de ofício das contribuições. Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela procedência do lançamento, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10920.003226/201014 Acórdão n.º 2402004.849 S2C4T2 Fl. 165 7 Conclusão Voto por conhecer do recurso, para darlhe provimento parcial para que seja excluída a competência 05/2007 para o estabelecimento 0002. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10880.722210/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 22 21 0/ 20 13 -7 1 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722210/201371 Resolução nº 3201000.597 S3C2T1 Fl. 208 2 Trata o presente processo de cobrança referente a pedido de compensação não homologado, que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000.281/201036. O Processo Administrativo nº 12585.000.281/201036, foi julgado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que manteve o despacho decisório negando os créditos pleiteados pela Recorrente. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recurso voluntário, posteriormente os processos foram desapensados no CARF e distribuídos a este Relator para julgamento. A turma de julgamento ao analisar o Processo Administrativo nº 12585.000281/201036 resolveu converter o processo em diligência, que ainda encontrase pendente de realização pela Unidade de Origem. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o pedido de compensação controlado no presente processo referese aos créditos constantes do Processo Administrativo nº 12585.000281/201036, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Entendo, que a desapensação do processo foi equivocada sendo necessário a sua juntada novamente ao Processo Administrativo nº 12585.000281/201036. Confirmando este entendimento, o novo Regimento Interno do CARF determina de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722210/201371 Resolução nº 3201000.597 S3C2T1 Fl. 209 3 acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a apensação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000281/201036. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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