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Numero do processo: 16682.720038/2015-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/10/2012
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.
A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme Art. 142 do CTN e Súmula Carf n.º 48, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo e pode ser realizado, mesmo que tenha o objetivo de prevenir a decadência.
Numero da decisão: 3201-004.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme Art. 142 do CTN e Súmula Carf n.º 48, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo e pode ser realizado, mesmo que tenha o objetivo de prevenir a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 38 /2 01 5- 03 Fl. 798DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 365, apresentados em face da decisão proferida no âmbito da DRJ/RJ de fls.346, que julgou a Impugnação de fls. 162 procedente em parte, referente ao lançamento consubstanciado no TVF de fls. 64 e AI de fls. 72 e 78, que pretende formalizar a cobrança Pis e Cofins sobre as receitas de juros de capital próprio, por insuficiência de recolhimento. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório das decisões de primeira instância, segue a deste processo para apreciação: "Tratase de crédito tributário lançado através dos presentes Autos de Infração relativos às contribuições do PIS (lançamento de R$ 137.591.022,94, com multa e juros) e da Cofins (lançamento de R$ R$ 633.752.590,47, com multa e juros), totalizando um crédito tributário de R$ 771.343.613,41 (fl. 2 1). Os Autos de Infração se encontram às fls. 72 a 83, e conforme esclarecido nos mesmos estariam com o crédito tributário constituído com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial. De se esclarecer que o objeto social da VALEPAR é exclusivamente participar como acionista do capital social da VALE S/ª O Termo de Início de Fiscalização de 19/12/2013 se baseou no MPF nº 07.1.85.00 201300337. Foram solicitados ao contribuinte: informações sobre os juros sobre o capital próprio recebidos e o motivo de tais receitas não constarem nos DACONs e nas DCTFs; informação sobre a existência de ações judiciais; apresentação detalhada da escrituração contábil com as contas lançadas, datas e discriminação dos lançamentos de juros sobre o capital próprio; comprovação dos depósitos judiciais; entre outros. Estão juntados aos autos os DACONs (fls. 84 a 95), as DCTFs (fls. 96 a 101), o estatuto da VALEPAR e suas alterações (fls. 102 a 142), as procurações (fls. 143 a 152), entre outros. O interessado informou possuir ação judicial em andamento – Mandados de Segurança nº 2011.51.01.0117631 e nº 2007.51.01.0227524, além de processo administrativo nº 16682.721174/201189 sobre o tema. O processo nº 16682.721174/201189 trataria da cobrança de PIS e de Cofins supostamente incidentes sobre valores recebidos a título de juros de capital próprio em abril de 2010. Teria apresentado impugnação quanto à aplicação de multa, uma vez que os demais valores seriam objetos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0117631. Obteve julgamento administrativo para cancelar a multa e manter os juros, o que levou a apresentar Recurso Voluntário que teve negado provimento, sobre o qual não recorreu. Sobre a não declaração dos valores em DCTF para o período entre 2010 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16682.720038/201503 Acórdão n.º 3201004.251 S3C2T1 Fl. 799 3 a 2012, diz ter se tratado de uma opção da empresa (fls. 20 a 21). A conta juros de capital próprio era contabilizada pelo contribuinte a crédito na conta de investimento (fl. 28). Foram apresentadas pelo impugnante as guias “localizadas” de depósitos judiciais referentes aos meses de 10/2011, 04/2012 e 10/2012, sendo também posteriormente apresentados depósitos de 10/2010, 01/2011 e 04/2011 (fls. 38 a 58). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal das fls. 64 a 71 foram verificadas receitas de juros de capital próprio que não foram oferecidas à tributação. O § 2º, do art. 27, da Lei nº 10.865/04, e § único, do art. 1º, do Decreto nº 5.442/05, disporiam que as receitas de juros de capital próprio integrariam as bases de cálculo das contribuições. Conforme o período de apuração esses valores foram ou não declarados em DACON, de acordo com a tabela da fl. 66, e relativamente às DCTFs a empresa optou por não declarálos, conforme tabela das fls. 66 a 67. Diante de tais verificações se constatou a necessidade do lançamento de ofício dos valores não declarados. Esclarece ainda o Termo de Verificação Fiscal que a VALEPAR possuía ação judicial onde discutia a questão dos juros de capital próprio, tendo realizado depósitos judiciais. Ao analisar esses valores a fiscalização assim conclui: “Os valores cobrem integralmente os valores devidos no período em questão e, desta forma, suspendem a exigibilidade deste crédito tributário”. Diz ainda a fiscalização que mesmo ante os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte no intuito de suspender a exigibilidade do crédito tributário, subsiste a necessidade do lançamento de ofício, uma vez que o sujeito passivo não incluiu, deliberadamente, os valores em suas DCTFs. Os períodos de apuração lançados são 10/2010, 01/2011, 04/2011, 12/2011, 04/2012 e 10/2012. A ciência do Auto de Infração foi dada ao contribuinte em 21/01/2015, conforme fls 153 a 154 dos autos. O contribuinte apresentou em 20/02/2015 impugnação às fls. 162 a 176. Em síntese faz as seguintes alegações: QUE o objeto dos Autos de Infração é a prevenção de decadência, não tendo sido aplicada multa pois o crédito tributário já estaria integralmente depositado via Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0117631. No entanto, foram aplicados juros de mora sobre o montante lançado o que é incabível na medida em que os depósitos de tributos Fl. 800DF CARF MF 4 federais realizados junto à Caixa Econômica já são remunerados pela Taxa Selic. QUE o depósito judicial integral corresponde à efetiva constituição do crédito tributário dispensando a lavratura dos Autos de Infração. Cita jurisprudências. Diz que o art. 63, da Lei nº 9.430/96, somente disciplina a lavratura de Autos de Infração para prevenir a decadência em duas hipóteses: quando o crédito tributário estiver suspenso por força de liminar em Mandado de Segurança e quando de tutela antecipada. Aduz que na doutrina mais abalizada o depósito feito pelo sujeito passivo equivale ao efetivo lançamento e constitui o crédito tributário. Argumenta que o lançamento da mesma quantia depositada configura evidente cobrança em duplicidade. QUE conforme Súmula nº 5 do CARF seria descabida a cobrança de juros. Discorre que foram aplicados juros de mora contados dos fatos geradores até a data dos efetivos depósitos. Nas datas em que efetuou os depósitos dentro dos períodos de vencimento das contribuições não caberia a inclusão desses juros de mora. Diz sempre ser indevida a cobrança de juros, visto que mesmo os recolhidos após as datas do vencimento tiveram incluídos nesses depósitos os valores dos juros cabíveis. QUE os depósitos de tributos federais são automaticamente remunerados pela Caixa Econômica Federal, na forma do § único, do art. 7º, do DecretoLei nº 1.737/79. Desconsiderando essa disposição legal foram acrescentados os juros de mora desde os respectivos vencimentos até a data do lançamento, evidenciando novamente o verdadeiro intuito de arrecadar em duplicidade. Ressalta que o próprio fiscal reconhece em sua fundamentação que ocorreram os depósitos de forma integral. QUE entender o contrário seria respaldar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. POR FIM, requer que seja julgada procedente sua impugnação para anular os Autos de Infração de PIS e de Cofins, tendo em vista que: a) os valores cobrados nos presentes Autos de Infração estavam com exigibilidade suspensa por força do depósito judicial integral realizado nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.011763 1, fato este que constituiu o referido crédito e manteve a suspensão da sua exigibilidade, com a onseqüente impossibilidade de lavratura dos Autos de Infração pela autoridade administrativa; b) o depósito integral não está entre as hipóteses previstas no art. 63, da Lei nº 9.430/96, Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16682.720038/201503 Acórdão n.º 3201004.251 S3C2T1 Fl. 800 5 que autorizam a lavratura de Auto de Infração para prevenir a decadência; c) o depósito judicial foi realizado em montante integral, seja com o devido acréscimo de juros até o momento do depósito para os períodos de 10/2010, 01/2011, 04/2011 e 10/2011, seja dentro do vencimento para os períodos de 04/2012 e 10/2012. Assim, não caberia a inclusão de juros nos lançamentos calculados desde os vencimentos até a efetiva lavratura dos Autos de Infração, resultando em lançamento de juros indevidos; d) e caso não se entenda na forma do disposto anteriormente e se conclua que os presentes Autos de Infração, de fato, possuem natureza de lançamento para prevenção de decadência, requer que seja cancelada ao menos a cobrança dos juros cobrados indevidamente, uma vez que nesta parte os Autos de Infração ultrapassaram os limites da “prevenção da decadência” resultando em efetivo lançamento de ofício indevido. Às fls. 331 e 332 temos ainda considerações da DRF de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DEMAC/RJ) apontando que o presente processo administrativo de lançamento de ofício trataria de parte dos créditos tributários atacados pelo Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0117631. Haveria ainda outro Mandado de Segurança (MS nº 2007.51.01.022752 4), onde a VALEPAR requer o direito de não ser penalizada por não incluir na base de cálculo das contribuições os valores relativos a juros sobre o capital próprio, tanto no que se refere àqueles valores creditados a partir de fevereiro de 2004, como em relação aos próximos pagamentos que fossem feitos pela sociedade investida. Conclui assim à DEMAC/RJ: “5. Nesse contexto, pelo despacho à fl. 324, a Equipe de Cobrança (EAC/5) desta especializada remeteu o presente PAF a esta EAC/2 para verificação quanto à identidade de objeto, total ou parcial, entre as instâncias administrativa e judicial, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014. 6. A toda evidência, pelo que foi acima apontado, não há identidade entre os objetos dos aludidos mandados de segurança e da impugnação administrativa. 7. Logo devese aplicar ao presente caso a conclusão do item 21b do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014: “... quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne a matéria distinta”. É o relatório." Fl. 802DF CARF MF 6 A decisão de primeira instância foi publicada com a seguinte Ementa, assim transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de Apuração: 01/01/2010 a 31/10/2012 JUROS DE MORA. CRÉDITOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Não há de ser aplicado juros de mora em relação a créditos tributários com a exigibilidade suspensa, cujo lançamento visa prevenir a decadência, em virtude de depósito judicial do seu montante integral, o qual engloba necessariamente o valor principal e os acréscimos moratórios que porventura existam. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/2010 a 31/10/2012 JUROS DE MORA. CRÉDITOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Não há de ser aplicado juros de mora em relação a créditos tributários com a exigibilidade suspensa, cujo lançamento visa prevenir a decadência, em virtude de depósito judicial do seu montante integral, o qual engloba necessariamente o valor principal e os acréscimos moratórios que porventura existam. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." Os autos foram distribuídos e pautados em acordo com as regras regimentais deste Conselho. Em fls. 671 esta Turma de julgamento converteu os autos em diligência para que fosse confirmada a interposição de Recurso de Ofício. Em fls. 711 a DRJ cumpre a diligência e informa que não foi interposto Recurso de Ofício em razão do valor não ter alcançado o valor de alçada, mas que concorda com a tese da Fazenda, de que os juros devem ser computados para tal cálculo e concluem pela concordância de uma "nova" interposição de Recurso de Ofício. Em fls. 723 o contribuinte manifesta sua indignação contra o conhecimento do Recurso de Ofício e reforçou que os depósitos nos montantes integrais dos tributos, com juros, são suficientes para impedir qualquer cobrança. Em seguida, em fls. 785, a Fazenda solicita que o "novo" Recurso de Oficio seja formalizado por Despacho Complementar, que foi realizado e juntado em fls. 792. Por fim, a receita determinou a devolução dos autos ao Carf para julgamento do Recurso de Ofício em fls. 796. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16682.720038/201503 Acórdão n.º 3201004.251 S3C2T1 Fl. 801 7 Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros Titulares, conforme Portaria de Condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Apesar de conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não houve a apresentação de Recurso de Ofício. Mesmo se houvesse, esta Turma de julgamento entende que Recurso de Ofício somente pode ser apresentado sobre a exoneração de tributo e multa, nunca sobre juros, conforme entendimento que pode ser extraído da leitura das portarias que regulam a matéria, em especial a Portaria MF 63/2017, conforme seu art. 1.º transcrito a seguir: "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Em primeira instância a DRJ/RJ cancelou a cobrança dos juros em razão do contribuinte ter efetuado depósito judicial integral dos valores cobrados, conforme mencionado no TVF de fls. 64. Assim, a questão dos juros não é objeto do presente julgamento. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. É importante registrar que o contribuinte não contestou o mérito da autuação, que trata da cobrança de Pis e Cofins das receitas advindas dos juros sobre capitais próprios. Restou para análise somente o argumento a respeito da impossibilidade de lavratura de AI para prevenir decadência em razão do Art. 63 da Lei 9.430/96, questão de processo administrativo fiscal. Conforme análise conjunta do Art. 142 do CTN em combinação com a Súmula n.º 48 deste Conselho, transcrita a seguir, é permitido o lançamento para prevenir decadência: "Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. " Fl. 804DF CARF MF 8 Diante do exposto, votase para que o Recurso Voluntário seja negado. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 805DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.902936/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-005.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 29 36 /2 01 1- 03 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.902936/201103 Acórdão n.º 3402005.803 S3C4T2 Fl. 0 2 Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação por meio da qual a contribuinte realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose de crédito de Cofins cumulativa. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo, para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão. Diante do exposto, requer o acolhimento da manifestação para o fim de homologar a compensação pleiteada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu o Acórdão nº 06042.945, pelo qual julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório e a não homologação da compensação. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo, pugnando pelo provimento para que seja reformada a decisão recorrida e homologada a compensação formalizada. Em Recurso Voluntário a Contribuinte alegou que: i) O direito creditório tem origem em pagamento indevido ou a maior, tendo em vista a ilegalidade e inconstitucionalidade da inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS; ii) Foram adotadas as medidas administrativas, retificações de declarações e protocolo das DCOMP's, dando conta dos créditos geradores e a forma de utilização; Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.902936/201103 Acórdão n.º 3402005.803 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Foi induzida a erro e a pagar valores indevidos ou a maior, a título de PIS e COFINS, em virtude de legislação que se verifica ilegal e inconstitucional. iv) Após exposição legislativa da contribuição e forma de apuração, a Recorrente invocou a Lei nº 9.718/70 para as empresas optantes pelo Lucro Presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.795, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.902926/201160, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.795): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Como relatado na decisão de primeira instância, a Recorrente havia apresentado Manifestação de Inconformidade com os seguintes argumentos: "Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo,para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Acrescenta que “No caso em tela, verificase que além dos elementos não terem sido analisados suficientemente, conforme legislação e a jurisprudência, há ausência de fundamentação jurídica que baseie a decisão e que mostre de maneira convincente o motivo pelo qual a Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.902936/201103 Acórdão n.º 3402005.803 S3C4T2 Fl. 0 4 Impugnante não pôde ter seu crédito compensado.” Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão." Outrossim, verificase do PERD/COMP de fls. 610 as seguintes informações, o que demonstra que não foi informado crédito oriundo de ação judicial: Diante dos argumentos da Contribuinte, a DRJ enfrentou a preliminar de nulidade e, no mérito, concluiu pela improcedência do pedido nos seguintes termos: "A compensação declarada na Dcomp não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da emissão do despacho decisório o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004, indicado como origem do crédito para compensação, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte. Notese, aliás, que essa situação, diferentemente do que afirma a interessada na manifestação, não sofreu qualquer alteração, nem mesmo após a emissão do Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.902936/201103 Acórdão n.º 3402005.803 S3C4T2 Fl. 0 5 Despacho Decisório, conforme demonstram as declarações (DCTF) entregues pela interessada. A última DCTF relativa ao débito de Cofins do setembro de 2004 apresentada pela interessada foi a DCTF do 3º trimestre de 2004 (Retificadora), entregue em 17/11/2004, por meio da qual esse débito foi confessado no valor de R$ 42.432,20, e para o qual foi vinculado o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004 (justamente o DARF apontado como crédito na Dcomp tratada no presente processo). Lembrese, nesse ponto, que a DCTF constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos tributários nelas declarados, de acordo com o que dispõe o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Como se vê, o Despacho Decisório contestado relata exatamente a situação acima identificada, ou seja, a ausência de crédito em face da utilização de todo o valor do DARF indicado como origem do crédito em outro débito da própria contribuinte. É evidente, portanto, que inexiste nesse ato administrativo falta de clareza,precisão e lógica, afinal ele está a retratar a situação que a própria interessada declarou (através de DCTF) para o órgão administrativo." A motivação da improcedência decorreu da ausência de provas apresentadas pela Contribuinte sobre o direito creditório passível de surtir os efeitos legais. Ocorre que em análise às razões de Recurso Voluntário, constatase que a Recorrente abordou, de maneira genérica, pela ilegalidade e inconstitucionalidade de inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS, conforme colacionado abaixo: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.902936/201103 Acórdão n.º 3402005.803 S3C4T2 Fl. 0 6 (...) Ou seja, além de não haver nenhuma informação e/ou comprovação de que o alegado crédito teve origem nas razões demonstradas em Recurso Voluntário, resta flagrante que a Recorrente inaugura nova discussão, sem amparo, portanto, no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.902936/201103 Acórdão n.º 3402005.803 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, foi proferido o v. Acórdão nº 3401004.446 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Por sua vez, resta igualmente impossibilitado o conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao con hecimento do Órgão Julgador de Primeira Instância, sob pena de supressão de instância e negativa de vigência ao artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001436/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não havendo omissão/contradição/obscuridade na decisão embargada, deve ser mantida a decisão embargada.
Numero da decisão: 1401-002.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios e negar-lhes provimento, mantendo incólume o Acórdão 1401-001.452, julgado em 10/12/2015.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de OliveIra Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Não havendo omissão/contradição/obscuridade na decisão embargada, deve ser mantida a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios e negarlhes provimento, mantendo incólume o Acórdão 1401001.452, julgado em 10/12/2015. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de OliveIra Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 14 36 /2 00 3- 13 Fl. 1548DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração interpostos por Telefônica Brasil S/A na decisão proferida no Acórdão nº 1401002.067, desta 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF que negou provimento ao recurso voluntário e cujo Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2001 COMPENSAÇÃO DCTF INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A homologação tácita é previsão peculiar e exclusiva da compensação mediante DCOMP. Não pode ser estendida por analogia para outras formas de compensação. Desse modo, no caso de valores registrados na DCTF, assim como em outras declarações, como a DIPJ, a Fazenda Pública tem o direito de verificar as informações que julgar necessárias para reconhecer o indébito tributário e não se sujeitar a um suposto prazo decadencial não previsto em lei. Evidentemente que, esgotados os cinco anos da realização da compensação, o Fisco perde o direito de cobrar o crédito tributário, mas por força do fenômeno da prescrição do direito de cobrar. Isso não significa que tenha que acatar que a efetiva liquidação da dívida foi promovida para fins de aferir o direito de repetição do contribuinte. RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos ilimitados de domínio público para a Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 11610.001436/200313 Acórdão n.º 1401002.946 S1C4T1 Fl. 1.549 3 esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado. Em seu arrazoado, alegou o embargante, omissão do julgado que foram aceitos nos seguintes termos: No item 3.1 de seus embargos alega a recorrente que a Turma incorreu em omissão na apreciação do tópico 2.4 do recurso voluntário, que trata da apuração dos saldos negativos de CSLL dos anoscalendários de 1999, 2000, 2001, conforme trechos de sua peça recursal a seguir reproduzidos: Quanto ao ponto 2.4 contido nas razões recursais da contribuinte ("Saldo negativo de CSLL. Consolidação das informações econômicofiscais da Telesp. Apuração dos saldos negativos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos anoscalendários de 1999, 2000 e 2001"), notase que este e. Conselho limita sua alegação de que "relativamente à CSLL, não há argumento específico a ser analisado. Logo, estendese para a contribuição as mesmas razões de decidir adotadas para o IRPJ". Em que pese haver a caracterização mútua entre o IRPJ e a CSLL acerca da homologação tácita das compensações declaradas pela Embargante em DCTF, e da decadência do direito do Fisco em reconstituir os saldos de períodos anteriores, notase que o recurso voluntário apresenta também a consolidação das informações contidas em declarações fiscais, apontando a regularidade do saldo credor de CSLL declarado pela Embargante, o que sequer fora mencionado no voto proferido pelo Relator. Desse modo, fazse imperiosa a integração do acórdão recorrido para que a Turma se pronuncie sobre este particular, sob pena de afronta ao dever de motivação dos atos administrativos previsto no art. 50, V, da Lei n° 9.784/1999: (...) Bem, pelo exame do aludido item 2.4 do recurso voluntário verificase que, de fato, a ora embargante procurou comprovar especificamente a existência e a composição do saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2001, no montante de R$ 35.013.963,04, senão vejamos (efl. 945 e ss): Demonstrase, neste escopo, a apuração mensal das estimativas de CSLL de 2001 (doc. n° 01 da petição protocolizada em 30.10.2008), conforme a base de cálculo e deduções informadas na Ficha 16 da DIPJ 2002 (doc. n° 02 da petição protocolizada em 30.10.2008), além de compensações e recolhimentos informados nas DCTF (doc. n° 03 da petição protocolizada em 30.10.2008) do ano de 2001. Destacase, apenas, a modificação dos lançamentos operacionalizados na DIPJ a partir do mês de 05/01, diante da Recorrente não ter computado a compensação Fl. 1550DF CARF MF 4 na ordem de R$ 7.811.282,72 (DCTF relativa ao 2°Trimestre de 2001 PA 04/01). Vejamos a consolidação de todas as informações presentes nas declarações fiscais da Recorrente: (...) A apuração mensal das estimativas de CSLL acima demonstrada convergiu ao seguinte resultado do período, ajustado por todas as adições, exclusões e compensações admitidas pela legislação fiscal: (...) Assim, mostrase evidente a correspondência exata do resultado da Recorrente ao valor do saldo credor de CSLL informado na Ficha 17 da DIPJ 2002 (doc. 02 da petição protocolizada em 30.10.2008, cit.) de R$ 35.013.963,04, vejamos: (...) Por sua vez, ao examinar o acórdão recorrido não logrei encontrar manifestação da Turma a esse respeito, daí porque devese reconhecer que não é manifestamente improcedente a presente alegação de omissão. Nesse sentido, vieram aos autos para que fosse complementada a decisão, conforme a omissão acima arguida e aceita. Esse é o relatório do essencial. Voto 1 Admissibilidade O recurso foi admitido e deve ser julgado conforme omissão acima apontada. 2 Mérito Alega a embargante a ausência de menção no acórdão do recurso voluntário, quanto à compensação da base de cálculo negativa de CSLL. Aduz que se encontrava precluso o direito da autoridade administrativa em recompor as bases em decorrência do decurso de prazo em virtude da aplicação do art. 150, §4º do CTN. Contudo, não vejo razão nas argumentações do Contribuinte. Isso porque, conforme restou julgado pelo acórdão embargado a Fazenda ainda estava apta a verificar a legitimidade do crédito alegado: "No caso de valores registrados na DCTF, assim como em outras declarações, como a DIPJ, a Fazenda Pública tem o direito de verificar as informações que julgar necessárias para reconhecer o indébito tributário e não se sujeitar a um suposto prazo decadencial não previsto em lei. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 11610.001436/200313 Acórdão n.º 1401002.946 S1C4T1 Fl. 1.550 5 Evidentemente que, esgotados os cinco anos da realização da compensação, o Fisco perde o direito de cobrar o crédito tributário, mas por força do fenômeno da prescrição do direito de cobrar. Isso não significa que tenha que acatar que a efetiva liquidação da dívida foi promovida para fins de aferir o direito de repetição do contribuinte. Ora, se até a extinção do crédito tributário promovida pela modalidade típica, que é o pagamento, pode e deve ser verificada pela autoridade fiscal para reconhecer o direito do contribuinte, evidentemente as demais formas de extinção não podem ter o condão de inibir o direito que o Fisco tem de verificar se a liquidação foi realmente devida para fins de aferir o indébito tributário." Assim, não seria suficiente a mera declaração em DCTF devendo ser comprovado documentalmente o alegado crédito tributário, devendo a quem alega demonstrar seu direito. A fundamentação acima exposta consta do acórdão embargado, conforme abaixo: Decadência do direito de a Fazenda rever a apuração do IRPJ e da CSLL para os anoscalendário de 1998 a 2001 Assim como a DRJ também entendo que os prazos de caducidade são para o exercício das competências de lançar e cobrar, nada mais. Já me manifestei nesse sentido diversas vezes. Cito o Acórdão nº 1401001.808,de 21/03/2017, cuja ementa abaixo transcrevo: (...)(grifos nossos) Por outro lado, não há como aceitar o pedido da embargante para que se baixem os autos em diligência pois a fase probatória há muito foi esgotada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de conta com débitos próprios vencidos ou vincendos objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Assim, não restando demonstrado documentalmente o crédito de CSLL que se pretende compensar, tampouco estando prescrito o direito da Fazenda em verificar a legitimidade do crédito, temse como inexistente o crédito que se pretende compensar. Ademais, vislumbro que não restou omissa a decisão embargada conforme exposto abaixo: Fl. 1552DF CARF MF 6 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Relativamente à CSLL, não há argumento específico a ser analisado. Logo, estendese para a contribuição as mesmas razões de decidir adotadas para o IRPJ. Conforme demonstrado acima não houve omissão no acórdão do RV. Na verdade no último parágrafo do acórdão está expresso que para a CSLL aplicamse as mesmas razões apresentadas para o IRPJ. Ou seja, os fundamentos para não aceitar os créditos de CSLL são os mesmos utilizados para a não aceitação do crédito de IRPJ, qual sejam: O contribuinte informou, no ano de 2001, que parte das estimativas devidas mensalmente foram quitadas com créditos de saldo negativo do mesmo tributo de períodos anteriores. Realizando a conferência dos valores dos créditos em exercícios anteriores (no caso da CSLL) constatouse que o saldo negativo do ano 2000 tinha se baseado, em quase sua totalidade, em compensações de créditos de anos anteriores; A DRF então verificou as apurações de 1999, 1998 e 1997. Nestes anos em 1999 foi apurado CSLL a pagar nem saldo negativo; em 1998 foi apurado saldo de CSLL a pagar, sendo que grande parte deste foi quitado com saldos de exercícios anteriores e, finalmente, em 1997, não consta nenhuma informação de saldo negativo de CSLL a ser utilizado. Em seus recursos o contribuinte apenas alega que efetuou compensações com saldos negativos de exercícios anteriores e que foi informada na DCTF (a única coisa que confere é esta informação da DCTF), no entanto não apresenta planilha demonstrando de onde vieram os saldos negativos utilizados de anos anteriores. Mesmo depois do indeferimento pela DRJ a empresa não juntou uma DIPJ com apuração de saldo negativo que pudesse ter sido utilizada nas compensações; A única alegação é a de que a receita não poderia retroagir para analisar os saldos. Quanto a esta alegação, o acórdão embargado se posicionou conforme exposto acima, pois o que se está fazendo é conferindo se os créditos utilizados nas compensações das estimativas de 2001, que somente foram compensados na contabilidade do contribuinte, existem de fato. Por isso o acórdão embargado aduz que, ao contrário do que o contribuinte alega, não se está realizando um lançamento de tributos, mas sim revendo a composição do valor do crédito que o contribuinte está utilizando em 2001. Se o valor se origina em anos anteriores e o contribuinte nunca apresentou pedido de utilização, cabe ao órgão da administração conferir se as autocompensações estão corretas e, não estando, indeferir o pedido de crédito na parte compensada que não foi confirmada. Por todo o exposto não assiste razão ao contribuinte. Ele não demonstrou a existência de créditos em anos anteriores que suportassem as compensações efetuadas em 2001. Pior ainda, não juntou nenhum documento em seu favor. Nesse sentido, confirmo a decisão embargada que indeferiu a compensação da CSLL e conduzo meu voto para não acolher os embargos pois o a decisão remete a análise da CSLL aos fundamentos apresentados na análise do IRPJ e, desta forma, não haveria omissão Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 11610.001436/200313 Acórdão n.º 1401002.946 S1C4T1 Fl. 1.551 7 no julgado, pois os fundamentos de decidir pelo não provimento do recurso estão apresentados na decisão relativa ao IRPJ. 3. Conclusão Pelos motivos expendidos, voto para conhecer dos embargos declaratórios e negarlhes provimento, mantendo incólume o Acórdão 1401001.452, julgado em 10/12/15. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 1554DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.918414/2015-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/11/2013
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.503
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/11/2013 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 84 14 /2 01 5- 77 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 144 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 137/138) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 122/126), proferida em sessão de 08 de junho de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1677.860, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 03/04) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 05/05/2015 (efl. 115), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 10717.14930.110414.1.3.048680 (efls. 110/114), transmitido em 11/04/2014, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/11/2013 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 110/114 (PER/DCOMP n.º 10717.14930.110414.1.3.048680), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (cód. receita 2484 – CSLL – PJ QUE APURA IR COM BASE NO LUCRO REAL DEMAIS ENTIDADES Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 145 3 ESTIMATIVA MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/10/2013. Pelo Despacho Decisório de fl. 115 o contribuinte foi cientificado, em 12/05/2015 (fl. 117), de que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 10.074,31). Irresignado, o contribuinte apresentou em 09/06/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 03/04, alegando, em síntese, i) que recolheu e declarou em DCTF a estimativa de CSLL relativa a outubro/2013, no valor de R$ 267.002,11; ii) que não retificou a DCTF correspondente para apontar o valor correto da estimativa de CSLL de outubro/2013, que seria de R$ 249.350,32; iii) que o valor correto da estimativa de CSLL de outubro/2013 foi devidamente informado na DIPJ transmitida em 30/06/2014; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF; v) anexa em favor dos seus argumentos, cópias da DCTF, PER/DCOMP, DIPJ, todas originais, do DARF no valor de R$ 267.002,11, bem como do razão contábil das contas de CSLL referentes ao ano de 2013; vi) por fim, pede que seja acolhida a sua Manifestação de Inconformidade e homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos ns.º 10880.918420/201524, 10880.918421/201579, 10880.918415/201511 e 10880.918419/201508, estão sendo julgados, tendo em vista a identidade do direito creditório discutido e corresponderem ao mesmo Darf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 17.651,73, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/10/2013 2484 R$ 267.002,11 29/11/2013 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Valor Original Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO Valor Original Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 146 4 Pagamento Total (DB) Utilizado 2670473893 R$ 267.002,11 Db: cód 2484 PA 31/10/2013 R$ 267.002,11 Valor Total R$ 267.002,11 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2015 Principal: R$ 10.074,31 Multa: R$ 2.014,85 Juros: R$ 1.200,85 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme consignado no Despacho Decisório de fl. 115, o indeferimento teve como origem a alocação integral do Darf de R$ 267.002,11 para quitação do débito de CSLL (cód 2484) relativo a outubro/2013. Ou seja, uma das providências requeridas para a indicação do pretenso direito creditório seria a retificação da DCTF referente a outubro/2013. Consulta aos sistemas da RFB revela que a DCTF atualmente ativa de outubro/2013 (original) foi entregue em 20/12/2013, nela constando a alocação integral do pagamento ao débito de outubro/2013, tal qual demonstra a DCTF anexada pelo interessado às fls. 32 e seguintes. Assim, tomandose em consideração a informação prestada pelo próprio contribuinte em sua DCTF, inexistiria direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. Reza o parágrafo 1.º do artigo 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984: Parágrafo 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário,constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Tratase de confissão extrajudicial da existência de tais débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) – Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso mesmo é título executivo. Os débitos tributários, então declarados e confessados na DCTF, decorrem do lançamento por homologação de que trata o artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. É a DCTF, portanto, a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente do tributo. Por essa razão a necessidade da retificação da DCTF sempre que o sujeito passivo queira modificar anterior informação prestada quanto aos seus débitos Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 147 5 tributários, pois o conhecimento deste fato pelo Fisco é elemento indispensável para o aperfeiçoamento do lançamento por homologação. Sobre a imprescindibilidade da retificação da DCTF para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, a Receita Federal do Brasil editou o Parecer Normativo (PN) COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, que confirmou a vinculação necessária entre as informações prestadas na DCTF e a disponibilidade do direito creditório utilizado em PER/DCOMP, além de esclarecer diversos pontos relacionados à temporalidade da apresentação desta DCTF retificadora, admitindo, sem deixar de considerála obrigatória, a sua apresentação mesmo após a transmissão do PER/DCOMP, e até após a ciência de Despacho Decisório que não tenha homologado as compensações declaradas. É oportuna a transcrição de trecho do citado PN que aborda a necessidade da informação do débito correto em DCTF para que possa ficar caracterizado o direito creditório do pagamento indevido ou a maior, inclusive com citação a vários acórdãos da 2ª instância administrativa de julgamento (CARF): 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão n.º 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. (Acórdão n.º 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) 10.6. A despeito da necessidade de o sujeito passivo retificar a DCTF para ter direito creditório contra a Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 148 6 Fazenda Nacional, não há impedimento para que ele a retifique para reduzir tributos cujos pagamentos já tenham sido objeto de PER ou de DCOMP como créditos a serem restituídos ou compensados. Consoante o seguinte julgado administrativo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativo poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão n.º 3403003.340, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, Sessão de 15/10/2014). Sendo assim, não tendo o interessado retificado, até a data deste julgamento, o débito de CSLL Estimativa de outubro de 2013, através da necessária apresentação da DCTF retificadora, é de se indeferir seu pedido de homologação das compensações por ausência do indébito pleiteado na PER/DCOMP objeto deste processo. Todavia, ainda que essa questão preliminar da ausência da retificação do débito em DCTF correspondente ao pagamento pleiteado como indevido ou a maior pudesse ser superada, o que se faz aqui por mera argumentação, a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 16 de sua DIPJ (fl. 84) consta demonstração do cálculo da estimativa de CSLL devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 CSLL apurada 1.197.152,51 () CSLL devida em meses anteriores 943.157,82 () CSLL retida na fonte 4.644,32 (=) CSLL a pagar 249.350,37 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Porém, no razão contábil de CSLL devida (conta 2112100003) ,acostado ao processo à fl. 60, o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 271.646,42, que diminuído da CSLL informada como retida neste mês de R$ 4.644,32, redunda em valor a recolher de R$ 267.002,10, exatamente o valor efetivamente recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 149 7 elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de CSLL relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de CSLL neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, ausente a retificação do débito de CSLL estimativa referente a outubro de 2013, bem como não tendo o sujeito passivo comprovado adequadamente por meios hábeis e idôneos o indébito, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário (efls. 137/138), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Argumenta que não efetuou a retificação da DCTF mensal de Outubro/2013 para o valor correto do débito de R$ 249.350,32, conforme DIPJ do respectivo período. Diz que essa problemática originou a divergência que redundou na inexistência do crédito. Alega que os pontos de discordância são: a) a DIPJ de 2013, transmitida em 30/06/2014, informa o valor correto de débito para o IRPJ na ordem de R$ 249.350,32; b) houve erro no preenchimento da DCTF de Outubro/2013, resultando no lançamento de imposto indevido; c) devese considerar os lançamentos apresentados na DCTF retificadora transmitida em 17/11/2017 que evidencia o referido crédito tributário originado de pagamento à maior, referente ao código de receita 248401 CSLL (página 03, no valor de R$ 249.350,32 CSLL por estimativa mensal demonstrado na DIPJ de 2013). Informa como documentos anexados, especialmente: a DCTF retificadora referente a Outubro/2013; a DIPJ de 2013; o razão contábil das contas de CSLL de Outubro/2013; recibo do SPED Contábil referente a 2013. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 150 8 Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 17.651,73. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/10/2017, efls. 128 e 133/134, e protocolo recursal em 22/11/2017, efls. 135/137), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 151 9 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação. Ocorre que, após analisar os autos, incluindo os documentos não pagináveis, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. O razão contábil, quanto a conta apresentada, não atesta a redução do débito. Aliás, neste ponto interessante a anotação da DRJ, nestes termos, litteris: (...), a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 16 de sua DIPJ (fl. 84) consta demonstração do cálculo da estimativa de CSLL devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 CSLL apurada 1.197.152,51 () CSLL devida em meses anteriores 943.157,82 () CSLL retida na fonte 4.644,32 (=) CSLL a pagar 249.350,37 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 152 10 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Porém, no razão contábil de CSLL devida (conta 2112100003) ,acostado ao processo à fl. 60, o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 271.646,42, que diminuído da CSLL informada como retida neste mês de R$ 4.644,32, redunda em valor a recolher de R$ 267.002,10, exatamente o valor efetivamente recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de CSLL relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de CSLL neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. No que se refere ao argumento acima apresentado pela primeira instância, o contribuinte não refuta o fundamento, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos da escrita contábil, não resta comprovado o crédito. Aliás, as demonstrações contábeis também não estão colacionadas a contento nos autos para confirmação inconteste do eventual crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Relator: Waldir Navarro Bezerra Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e, consequentemente, da comprovação Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 153 11 inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, eventuais balancetes transcritos na escrita contábil, o Balanço, eventuais apurações demonstrando os erros e correções posteriores, deixandose, portanto, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito vindicado apenas com as declarações, ou parte delas, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito. Sendo assim, não cabe reconhecer liquidez e certeza, no que não resta demonstrado, comprovado. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, apurações, balanço patrimonial, balancetes e demais demonstrações contábil, e integral análise de contas contábeis do razão, tudo a fim de comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito, inclusive para se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.918414/201577 Acórdão n.º 1002000.503 S1C0T2 Fl. 154 12 Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte e apreciado no Despacho Decisório. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000674/2004-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA.
Alei 9.250/95admite, em seu artigo 8º, que as despesas incorridas com a instrução própria do contribuinte e de seus dependentes sejam deduzidaspara fins de determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). A dedutibilidade de gastos desta natureza, no entanto, tem limite e deve ser devidamente comprovada.
Numero da decisão: 2001-000.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
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GLOSA. Alei 9.250/95admite, em seu artigo 8º, que as despesas incorridas com a instrução própria do contribuinte e de seus dependentes sejam deduzidaspara fins de determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). A dedutibilidade de gastos desta natureza, no entanto, tem limite e deve ser devidamente comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 74 /2 00 4- 19 Fl. 83DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte em epígrafe recebeu a Notificação de Lançamento de folhas 14 a 17, por meio do qual exigese o pagamento do Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 206,37, relativo ao exercício 2003, anocalendário 2002. Os dispositivos legais infringidos constam da referida Notificação de Lançamento, a qual evidencia que a autuação decorre da glosa de dedução de despesa com instrução declarada de R$ 1.998,00. Explica a autoridade lançadora que o valor informado como despesas com instrução (linha 10) foi alterado porque o somatório das linhas 09 e 10 do quadro 06, mais o somatório das despesas com instrução própria, declarada no quadro 07 com o código 01, multiplicado pelo valor legal ultrapassou o limite permitido. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta a impugnação na qual alega que esteve em 2004 na Agência a Receita Federal em Blumenau para questionar a restituição da Declaração de 2003, referente ao anocalendário 2002 e ficou surpreso ao verificar que havia sido notificado via AR acerca da autuação. Salienta que gastou com instrução própria em curso de pósgraduação o valor de R$ 4.363,32 e solicita imediato cancelamento da notificação e a restituição devida registrada na Declaração de 2003. A DRJ Florianópolis, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar o seu pleiteado direito porque ficou apenas na seara das alegações, sem comprovar nada, ou seja, não instruiu sua impugnação com documentos que fundamentem o que alega e sustenta. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte junta uns comprovantes de pagamento sem comprovar o curso e o beneficiário da alegada despesa com pós graduação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Conforme mencionado no relatório acima, a discussão administrativa decorreu de glosa de despesa de instrução, a qual foi alegada e pleiteada como despesa dedutível pelo contribuinte, mas ele não comprova o que sustenta. Em sede de recurso voluntário, aduz que não sabia que tinha que comprovar o pagamento e junta uns comprovantes sem nenhum detalhamento do curso, instituição ou beneficiário do curso. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13971.000674/200419 Acórdão n.º 2001000.808 S2C0T1 Fl. 3 3 Nesta senda, merece frisar que o processo administrativo se distingue do processo judicial, por suas regras próprias, respeitando as balizas do Texto Constitucional. Assim, provém a idéia de verdade processual, como um modo para o julgador entender como se deu o fato para aplicar a norma adequada ao caso concreto. Vejamos o que diz o Professor Marinoni: “Tamanha é a importância da verdade (e da prova) no processo, que Chiovenda ensina que o processo de conhecimento travase entre dois termos (a demanda e a sentença), por uma série de atos, sendo que ‘esses atos têm, todos, mais ou menos diretamente, por objeto, colocar o juiz em condições de se pronunciar sobre a demanda e enquadramse particularmente no domínio da execução das provas’. Na mesma linha de pensamento, Liebman, ao conceituar o termo ‘julgar’, assevera que tal consiste em valorar determinado fato ocorrido no passado, valoração esta feita com base no direito vigente, determinando, como consequência, a norma concreta que regerá o fato.” Especificamente, quanto ao postulado da Verdade Material e sua aplicação ao processo administrativo, esclarecedoras são as palavras do saudoso Hely Lopes Meirelles: “O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a Administração a valerse de qualquer prova lícita que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo. É a busca da verdade material em contraste com a verdade formal. Enquanto nos processos judiciais o Juiz devese cingir ás provas indicadas no devido tempo pelas partes, no processo administrativo a autoridade processante ou julgadora pode, até final julgamento, conhecer de novas provas, ainda que produzidas em outro processo ou decorrentes de fatos supervenientes que comprovem as alegações em tela.” Esta busca da verdade material infere, inclusive, a possibilidade de reformatio in pejus no julgamento dos recursos administrativos e garante o formalismo moderado, já que interessa saber o ocorrido no mundo fático, de maneira lícita, para atingir a realidade dos fatos na decisão administrativa e bem aplicar o direito positivo. O cerne da verdade real, no processo administrativo, tem por fundamento o princípio da supremacia do interesse público. Será um meio para, em harmonia com os demais princípios constitucionais, se chegar ao que aconteceu no mundo fático, para aplicar a legislação pertinente e resolver a lide. Em que pesem divergências, entendo cabível a produção de provas no processo administrativo, até decisão final, inclusive no procedimento de segunda instância, possibilitando a reformatio in pejus recursal, em respeito ao interesse público inerente. O art. 29, do Decreto 70.235/72, trás importante fundamento para a aplicação da verdade material ao estabelecer que: “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.”. Na jurisprudência do STJ, o princípio da verdade material já está bastante sedimento, sacramentando sua eficácia no processo administrativo e um introdutório no processo judicial, in verbis: Em suma, a busca pela verdade, seja a formal ou material, temse que o regramento básico, com a garantia do contraditório e ampla defesa devem ser respeitados. As provas, em processos administrativos ou judiciais devem ser lícitas, de acordo com o regramento prático. Sabese que o procedimento não é um fim em si mesmo, sendo um meio Fl. 85DF CARF MF 4 para atingir um resultado eficaz, de demonstração ao julgador de fato ocorrido no passado, observada a boafé, lealdade processual e proporcionalidade. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e manter o crédito tributário lançado de acordo com a Notificação de Lançamento juntada no presente processo. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721804/2013-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2013 O parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional e para com a Previdência Social INSS é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN, não se aplicando o disposto no inciso V, do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 18 04 /2 01 3- 34 Fl. 121DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1662.785 da 1ª Turma da DRJ/SPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. 1. O Contribuinte solicitou ingresso no Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) em 23/01/2013, pleito esse que lhe foi enfim negado à razão de existência de débito com exigibilidade não suspensa em face da Fazenda Pública Federal (art. 17, inciso V, LC nº 123, de 2006), nomeadamente, “irregularidade nos parcelamentos PAEX” (fl. 09). Do corpo do respectivo Termo de Indeferimento, para os propósitos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea “b”, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, se apanha que a “data de registro deste termo” é 25/02/2013. D’outro tanto, vem o Interessado aos autos em 20/03/2013 (fls. 02/03) para alegar, breve síntese, “pagamentos das parcelas pendentes [...]”. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, proferida em 05/12/2017 (fl 77) Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A DRJ proferiu o seguinte voto (reprodução parcial): 4. Pesquisa nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (como abaixo mostrado), sobre o tópico “parcelamentos PAEX”, dá conta da existência de dois parcelamentos conduzidos sob dita modalidade: “OPÇÃO PARC 130” e “OPÇÃO PARC 120: SIMPLES”. Vejase: ... 5. Como se percebe, ambos foram rescindidos por “Pedido de desistência do contribuinte”, assim anotado em 11/11/2009. Vide consultas abaixo: ... 6. D’outro tanto, junta o Contribuinte demonstrativos de “Parcelamento Simples Nacional – Débitos administrados pela RFB, com exceção das contribuições previdenciárias”, de “Parcelamento Simples Nacional – Débitos administrados pela PGFN”, esses inaugurados em julho/2007, bem que outros “Demonstrativos de Parcelas – Parcelamento Excepcional”, assim inaugurado em novembro/2009, tudo seguido de correspondentes comprovantes de arrecadação que sugerem regularidade dos mencionados expedientes pelo menos até janeiro/2013. 7. Considerada a data em que os parcelamentos “PAEX”, antes mencionados, foram rescindidos e a data em que inaugurado o expediente retratado no citado “Demonstrativos de Parcelas – Parcelamento Excepcional”, tudo em novembro/2009, igualmente sugere que os primeiros houveram de ser assimilados no último (terceiro parcelamento), isso pela via da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (art. 1º), por exemplo. Ocorre que é necessária prova de que o Contribuinte tenha atuado nesse justo sentido, que não é o caso ocorrente nesses autos. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10530.721804/201334 Acórdão n.º 1001000.902 S1C0T1 Fl. 3 3 8. Posto isto e tudo o mais que dos autos consta, este voto dá por IMPROCEDENTE O PEDIDO VEICULADO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Em seu Recurso, a Recorrente reitera que apresentou a comprovação dos pedidos e termos de parcelamentos bem como anexou cópia destes. A recorrente, em seu recurso voluntário, alegou, em síntese, o seguinte: · A empresa possuí dois parcelamentos; · Ambos foram rescindidos por pedido de desistência em 11/11/2009; · No mesmo mês, novembro de 2009, optou pelo parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009; · Que reimprimiu todos os documentos relativos ao parcelamento e o recibo da consolidação. Consultandose o processo, verificase que, de fato a recorrente desistiu os parcelamentos anteriores, ao optar por aquele instituído pela Lei 11.941/2009. A recorrente apresentou as devidas provas da desistência dos parcelamentos anteriores, assim como do pedido de parcelamento, instituído pela Lei 11.941/09, recibo de inclusão da totalidade dos débitos, no referido parcelamento (Lei 11.941/09) e, ainda do recibo de inclusão do saldo remanescente dos programas anteriores. Assim, em sessão realizada em 17 de janeiro, essa turma concluiu pela conversão em diligência, como segue: Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o recurso em diligência, à Unidade de Origem, para corroborar que, em, 31/01/2013, o parcelamento estava ativo, vencidos os conselheiros José Roberto adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que deram provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. Em retorno de diligência, a Unidade de Origem concluiu (fl 68): DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Em atendimento ao despacho de fls. 83, que solicita informações sobre a situação do parcelamento referido nas fls. 78/79 em 31/01/2013, temos as seguintes informações a prestar:1 O Termo de Indeferimento do Simples Nacional faz referência a irregularidades de recolhimentos no parcelamento PAEX;2 Os parcelamentos controlados pelo sistema PAEX, no âmbito da RFB, em nome do sujeito passivo, que se encontravam ativos em janeiro de 2013 são Simples Nacional 2007 RFB NP e L.11941 RFBDEMAIS ART 3º;3 Consultas aos sistemas informatizados da RFB demonstram que até 31/01/2013 as prestações referentes ao parcelamento SIMPLES NACIONAL 2007 NP e ao Fl. 123DF CARF MF 4 parcelamento L.11941RFBDEMAISART 3º encontravamse pagas, exceto as de janeiro de 2013, que foram recolhidas em 28/03/2013, cf. extrato de fls. 90 à 101 e 103 à 113;Diante do exposto, encaminho o presente processo para o SEORT para prosseguimento da análise. Assim, é de concluirse que os débitos estavam com a exigibilidade suspensa, em 31/01/2013, nos termos do artigo 151, inciso , do Código Tributário Nacional CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: VI – o parcelamento. Com efeito, o inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006, dispõe que a existência de débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com as Fazendas Federal, Estadual ou Municipal e para com a Previdência Social, impede a opção pelo Simples Nacional, o que não se comprovou existir, no caso da Recorrente. Portanto, dou provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903151/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2000
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 51 /2 00 9- 71 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.903151/200971 Acórdão n.º 3301005.408 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.409, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.903151/200971 Acórdão n.º 3301005.408 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903151/200971 Acórdão n.º 3301005.408 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903151/200971 Acórdão n.º 3301005.408 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903151/200971 Acórdão n.º 3301005.408 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.903151/200971 Acórdão n.º 3301005.408 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720286/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
Ementa:
RECEITAS DE CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS REFERIDAS NO ARTIGO 12 DA LEI 9.532/1997. ISENÇÃO COFINS. SÚMULA CARF Nº 107.
A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/1997.
Numero da decisão: 3302-006.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar provimento parcial para exonerar os lançamentos relativos à Cofins.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS REFERIDAS NO ARTIGO 12 DA LEI 9.532/1997. ISENÇÃO COFINS. SÚMULA CARF Nº 107. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar provimento parcial para exonerar os lançamentos relativos à Cofins. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 02 86 /2 01 4- 16 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 344 2 Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep e à Cofins, no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2011, em razão de a recorrente não possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos termos dos artigos 1º e 3º da Lei nº 12.101/2009. A recorrente foi considerada imune para o IRPJ e para a CSLL, porém a fiscalização entendeu que deveria recolher as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins. Relativamente ao PIS/Pasep, a fiscalização efetuou o abatimento do PIS recolhido sobre a folha de salários. Em impugnação, a recorrente aduziu que: 1. A impugnante é entidade sem fins lucrativos que atende aos requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional e que a matéria relativa ao lançamento deveria ser analisada sob o prisma do art. 195, § 7º, da Constituição Federal; 2. A impossibilidade de restrição à imunidade tributária por requisitos impostos por lei ordinária, por afronta ao artigo 146, II da CF/88, ou seja, inconstitucionalidade formal por ultrapassar o disposto no artigo 14 do CTN; 3. Que o STF já iniciou o julgamento do RE 566.622, versando sobre a (in) constitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 com repercussão geral e de quatro ações diretas de inconstitucionalidade ADI´s nº 2.028/DF, 2.036/DF, 2.228/DF e 2.621/DF, com votos declarando a inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991; 4. Que a Lei nº 12.101/2009 é lei ordinária e não poderia passar ao largo do texto inconstitucional, que exige lei complementar para regulamentar o poder de tributar; 5. A inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada, por possuir efeito confiscatório e atentar contra os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida a 20%. 6. Que as intimações sejam feitas na pessoa da procuradora referida na peça recursal. Posteriormente, aditou a impugnação, alegando, em síntese, que mesmo que a impugnante não fosse imune à tributação pelas contribuições, em relação aos fatos geradores ocorrido desde 1º de fevereiro de 1999, haveria a isenção quanto à Cofins, nos termos da MP nº 2.15835/2001. A Segunda Turma da DRJ em Campo Grande proferiu o Acórdão nº 04 40.643, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 IMUNIDADE. LANÇAMENTO. Não tendo sido reconhecida a imunidade ou a isenção quanto à contribuição para o PIS/Pasep, por descumprimento aos requisitos da Lei nº 12.101/2009, deve ser mantido o auto de infração. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 345 3 MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É defeso na esfera administrativa o exame de constitucionalidade de lei, bem como o da violação pelo ato normativo a princípios constitucionais, entre eles o da vedação ao confisco. AUTUAÇÃO REFLEXA: COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação e em seu aditamento. Ao final, pediu que fosse provido seu recurso e que as intimações sejam endereçadas aos advogados e à recorrente. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe esclarecer que o período autuado corresponde ao ano calendário de 2011, já vigente a Lei nº 12.101/2009, que revogou o artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Assim, o lançamento não se fundamenta no referido artigo, mas na ausência de certificado de entidade beneficente de assistência social de que tratou os artigos 1º e 3º da Lei nº 12.101/2009, a seguir transcritos: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. [...] Art. 3o A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de 12 (doze) meses de constituição da entidade, o cumprimento do disposto Fl. 346DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 346 4 nas Seções I, II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respectivas áreas de atuação, e cumpra, cumulativamente, os seguintes requisitos: (Vide Lei nº 13.650, de 2018) I seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1o; e II preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidade sem fins lucrativos congêneres ou a entidades pública Já o artigo 29 dispõe que a entidade certificada na forma da Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições dos artigos 22 e 23 da Lei 8.212/1991, desde que atenda, cumulativamente, os requisitos mencionados em seus incisos, abaixo transcritos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) I – não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos, exceto no caso de associações assistenciais ou fundações, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de Fl. 347DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 347 5 regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Uma vez verificado o descumprimento dos requisitos estabelecidos na referida lei, a fiscalização da RFB lavrará o Auto de Infração, conforme artigo 321. Constatase, assim, que a isenção das contribuições das entidades enquadradas como beneficentes de assistência social, para períodos posteriores a 30/11/2009, possui como pressuposto o atendimento aos requisitos previstos na Lei nº 12.101/2009, dentre eles, a certificação de que tratam os artigos 1º e 3º da Lei nº 12.101/2009. Observase que não há litígio quanto ao cumprimento dos requisitos do artigo 14 do CTN ou dos demais requisitos previstos no artigo 29 da Lei nº 12.101/2009. A alegação da recorrente diz respeito, na realidade, quanto à inconstitucionalidade desta referida lei por infringência à reserva de lei complementar estabelecida no artigo 146, II da Carta Magna. Esta alegação, como qualquer outra relativa ao afastamento dos requisitos da Lei nº 12.101/2009, por suposta infringência das normas constitucionais, deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho delas conhecer, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 622 do Anexo II do Regimento 1 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 348DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 348 6 Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A mesma impossibilidade de conhecimento se aplica às alegações de caráter confiscatório da multa de ofício aplicada e de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/1996, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1423 do CTN. Concernente ao RE 566.622 e as ADI´s mencionadas, referidas ações versam sobre a aplicação do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, o qual não foi fundamento da autuação. Em alegação subsidiária, a recorrente pugnou pela aplicação da isenção de Cofins sobre as receitas próprias da atividade, ainda que não seja possível reconhecer a imunidade pela falta do CEBAS, nos termos dos artigos 13 e 14 da MP nº 2.15835/2001. Com razão a recorrente. Referidos artigos possuem a seguinte redação: Art.13.A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...] III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; [...] Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 349 7 Xrelativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Já o artigo 17 da mesma medida provisória exigia que as entidades tratadas nos incisos III e IV do artigo 13 cumprissem o disposto no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, cujo inciso II determinava que a entidade fosse portadora do CEBAS: Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. A respeito da aplicação do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, o STF, em um primeiro momento, examinou a imunidade das entidades beneficentes de educação e de assistência social, de que tratou o §7º do artigo 195 da CF/88, no RE nº 636.941/RS, com repercussão geral reconhecida, no qual restou decidido que , conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. REPERCUSSÃO GERAL CONEXA. RE 566.622. IMUNIDADE AOS IMPOSTOS. ART. 150, VI, C, CF/88. IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES. ART. 195, § 7º, CF/88. O PIS É CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (ART. 239 C/C ART. 195, I, CF/88). A CONCEITUAÇÃO E O REGIME JURÍDICO DA EXPRESSÃO “INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCAÇÃO” (ART. 150, VI, C, CF/88) APLICASE POR ANALOGIA À EXPRESSÃO “ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL” (ART. 195, § 7º, CF/88). AS LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR SÃO O CONJUNTO DE PRINCÍPIOS E IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS (ART. 146, II, CF/88). A EXPRESSÃO “ISENÇÃO” UTILIZADA NO ART. 195, § 7º, CF/88, TEM O CONTEÚDO DE VERDADEIRA IMUNIDADE. O ART. 195, § 7º, CF/88, REPORTASE À LEI Nº 8.212/91, EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL (MI 616/SP, Rel. Min. Nélson Jobim, Pleno, DJ 25/10/2002). O ART. 1º, DA LEI Nº 9.738/98, FOI SUSPENSO PELA CORTE SUPREMA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16062000). A SUPREMA CORTE INDICIA QUE SOMENTE SE EXIGE LEI COMPLEMENTAR PARA A DEFINIÇÃO DOS SEUS LIMITES OBJETIVOS (MATERIAIS), E NÃO PARA A FIXAÇÃO DAS NORMAS DE CONSTITUIÇÃO E DE FUNCIONAMENTO DAS ENTIDADES IMUNES (ASPECTOS FORMAIS OU SUBJETIVOS), OS QUAIS PODEM SER VEICULADOS POR LEI ORDINÁRIA (ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91). AS ENTIDADES QUE PROMOVEM A ASSISTÊNCIA SOCIAL BENEFICENTE (ART. 195, § 7º, CF/88) SOMENTE FAZEM JUS À IMUNIDADE SE PREENCHEREM CUMULATIVAMENTE OS REQUISITOS DE QUE TRATA O ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E AQUELES PREVISTOS NOS ARTIGOS 9º E 14, DO CTN. AUSÊNCIA DE CAPACIDADE CONTRIBUTIVA OU APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE SOCIAL DE FORMA INVERSA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16062000). INAPLICABILIDADE DO ART. 2º, II, Fl. 350DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 350 8 DA LEI Nº 9.715/98, E DO ART. 13, IV, DA MP Nº 2.158 35/2001, ÀS ENTIDADES QUE PREENCHEMOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, E LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE, A QUAL NÃO DECORRE DO VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE DESTES DISPOSITIVOS LEGAIS, MAS DA IMUNIDADE EM RELAÇÃO À CONTRIBUIÇÃO AO PIS COMO TÉCNICA DE INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. EX POSITIS, CONHEÇO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, MAS NEGOLHE PROVIMENTO CONFERINDO EFICÁCIA ERGA OMNES E EX TUNC. Restou decidido que a imunidade alcançaria, inclusive, o PIS/Pasep sobre a folha de salários, não invalidando, em princípio, a aplicação do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Porém, no RE 566.622/RS, com repercussão geral e, ainda, não transitado em julgado, o tribunal decidiu pela inconstitucionalidade formal do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, vinculando a imunidade ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no artigo 14 do CTN, conforme a ementa abaixo: IMUNIDADE – DISCIPLINA – LEI COMPLEMENTAR. Ante a Constituição Federal, que a todos indistintamente submete, a regência de imunidade fazse mediante lei complementar. Salientase que o Ministro Marco Aurélio encaminhou o Ofício nº 594/R à presidência do CARF, informando sobre decisão interlocutória proferida no referido recurso extraordinário determinando a suspensão dos processos que veiculem a aplicação do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, cujo excerto abaixo reproduzo: "3. Admito a requerente como terceira interessada. Implemento a medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991." Assim, a aplicação do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 está suspensa, inclusive para os processos em trâmite no CARF. Ocorre que, embora a fiscalização tenha mencionado tal artigo no TVF, o fato é que a autuação não se fundamentou no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, posto que foi revogado pelo artigo 44, I da Lei nº 12.101/2009, ao passo que os fatos geradores referemse a 2011. Por sua vez, a Lei nº 12.101/2009 trouxe alterações no procedimento de certificação e estabeleceu, em seu artigo 29, os requisitos para a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/1991, ou seja, contribuição patronal para a Previdência Social e as contribuições sobre o faturamento e o lucro para a Seguridade Social,: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 351 9 I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) I – não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos, exceto no caso de associações assistenciais ou fundações, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 352 10 VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. § 1o A exigência a que se refere o inciso I do caput não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 2o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 1o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Assim, referido diploma, apesar de revogar o artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 estabeleceu os requisitos para as entidades beneficentes de educação e assistência social pudessem usufruir das isenções para as contribuições referidas nos artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/1991, cujo regramento se aplica aos fato geradores do anocalendário de 2011, aqui lançados. Analisando a tributação das receitas de aluguel das referidas entidades sob a égide da Lei nº 12.101/2009, a Solução de Consulta nº 639/2017 concluiu que para usufruírem da imunidade para o IRPJ, as entidades deveriam atender aos requisitos do artigo 14 do CTN e do artigo 12 da Lei nº 9.532/1997, enquanto que para usufruírem a imunidade para a CSLL, Cofins e PIS/Pasep, deveriam atender ao artigo 14 do CTN e ao 29 da Lei nº 12.101/2009 : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 353DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 353 11 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. ALUGUÉIS. DISPENSA DE RETENÇÃO NA FONTE. As entidades beneficentes de assistência social são imunes ao Imposto de Renda, à Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, quando atenderem aos requisitos da legislação de regência, Para usufruírem a imunidade ao Imposto de Renda, as entidades beneficentes de assistência social devem atender aos requisitos do art. 14 do CTN e do art. 12 da Lei nº 9.532/1997. Para usufruírem a imunidade à CSLL, à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, as entidades beneficentes de assistência social devem atender aos requisitos do art. 14 do CTN e do art. 29 da Lei nº 12.101/2009. São imunes ao Imposto de Renda, à CSLL, à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep as rendas e as receitas das entidades beneficentes de assistência social decorrentes do aluguel de bens imóveis, quando, além de serem atendidos os requisitos legais, (i) as pessoas jurídicas em questão destinam as referidas receitas às suas finalidades essenciais, (ii) os objetivos sociais das pessoas jurídicas em questão não se desvirtuam e (iii) o aluguel dos bens imóveis em questão não afronta o princípio da livre concorrência. Quando entidade beneficente de assistência social imune ao Imposto de Renda, à CSLL, à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep apresenta ao inquilino de seus bens imóveis (i) declaração conforme os modelos constantes dos Anexos II, III ou IV da Instrução Normativa RFB nº 1.234/2012 e (ii) o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), o referido inquilino está dispensado de efetuar a retenção desses tributos prevista no art. 2º da instrução normativa em questão. Dispositivos Legais: CF/1998, arts. 150, VI, ‘c’, 153, III, 195, caput e § 7º, 239; CTN, arts. 9º, IV, ‘c’, e 14; Lei nº 12.101/2009, art. 29; MP nº 2.15835/2001, art. 17; Lei nº 9.532/1997, art. 12; Lei nº 8.212/1991, art. 23; Nota PGFN/CASTF nº 637/2014; Parecer PGFN/CAT nº 768/2010; IN RFB nº 1.234/2012, arts. 2º, 4º e 6º Defluise, portanto, que a certificação das entidades tratada nos artigos 1º e 3º da Lei nº 12.101/2009 não é exigida para a fruição da imunidade para o IRPJ. No caso aqui tratado, a fiscalização evidenciou que a recorrente preenchia as condições para a imunidade fiscal para o IRPJ e CSLL, se enquadrando nos requisitos do artigo 124 da Lei nº 9.532/1997, 4 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins Fl. 354DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 354 12 lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide ADI 1802) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. (Vide ADIN Nº 1802) § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, exceto no caso de associações assistenciais ou fundações, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, exceto no caso de associações, fundações ou organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva e desde que cumpridos os requisitos previstos nos arts. 3o e 16 da Lei no 9.790, de 23 de março de 1999, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; (Vide ADIN Nº 1802) g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) § 4o A exigência a que se refere a alínea “a” do § 2o não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Fl. 355DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 355 13 conforme itens 5, 5.1 e 5.6 do TVF (efls. 18/21). Assim, restou assentado que a recorrente é uma associação sem fins lucrativos. Decorre, portanto, que embora a recorrente não possua a certificação prevista na Lei nº 12.101/2009 para usufruir das isenções previstas em seu artigo 29, ela foi reconhecida pela fiscalização como entidade beneficente de assistência social, imune ao IRPJ, nos termos do artigo 12 da Lei nº 9.532/1997, em consonância com o disposto na Solução de Consulta nº 639/2017. Destarte, entendo que a recorrente se enquadra no inciso III do artigo 13 da MP nº 2.15835/2001, fazendo jus à isenção da Cofins sobre as receitas das atividades próprias de que trata o inciso X do artigo 14 da medida provisória. Embora não possam ser consideradas imunes ao PIS/Pasep e Cofins sobre suas receitas, pelo falta de certificação, podem ser consideradas isentas sobre as receitas próprias da atividade, se consideradas imunes ao IRPJ nos termos do artigo 12 da Lei nº 9.532/1997, o que foi o caso concreto. Tal conclusão constou da Solução de Divergência Cosit nº 1/2011, que ao tratar de receitas de aluguéis, assim decidiu: 14. Observese que em 27 de novembro de 2009, foi editada a Lei nº 12.101, que dispõe especificamente sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e da isenção de contribuições para a seguridade social, para as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que prestam serviços nas áreas de assistência social, saúde e educação. Tal diploma legal, por meio de seu art. 44, revogou, expressamente, o art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, a revogação citada não gerou um vácuo normativo, eis que a Lei nº 12.101, de 2009, em seu art. 29, dispôs sobre os requisitos necessários para a obtenção da isenção, conforme abaixo transcrito: (...) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 5o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 4o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 6o O disposto nos §§ 4o e 5o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 356 14 Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos:(Negritouse) I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. (...) 14.1. Analisada as disposições transcritas no item 14, concluise que, em relação às instituições beneficentes de assistência social, a isenção da Cofins dependerá da entidade possuir ou não o certificado expedido pelo respectivo Ministério da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome, conforme estabelece o art. 21 da citada Lei nº 12.101, de 2009. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 357 15 14.2. Significando dizer, que se a instituição beneficente de assistência social for detentora do aludido certificado, a isenção da Cofins alcançará também as receitas de aluguel por ela auferidas. Isto porque o caput do art. 29 da Lei nº 12.101, ao tratar especificamente da matéria, concede isenção sobre a totalidade das receitas, afastando a aplicação da restrição contida na expressão “receitas relativas às atividades próprias” a que se refere o inciso X do art. 14 da citada Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. 14.3. Por sua vez, se a entidade, mesmo sendo das áreas de assistência social, saúde e educação, não for possuidora do referido certificado de isenção, automaticamente estará sujeita a incidência e recolhimento da Cofins sobre suas receitas, inclusive receitas de aluguel. Excetuamse desta incidência as chamadas receitas próprias, quais sejam, receitas derivadas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, recebidas de doadores, associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e ao desenvolvimento dos objetivos sociais da instituição. (grifos não originais) 15. Por outro lado, em relação às entidades recreativas e as associações civis isentas do imposto de renda pessoa jurídica que prestem serviços para os quais foram instituídas, a isenção da Cofins continua sendo aplicada somente sobre as receitas decorrentes das atividades próprias, o que não inclui as receitas auferidas com rendimentos de aluguel e de aplicações financeiras, as quais são tributadas normalmente pela Cofins. O item 14.3 não deixa margens a dúvidas: mesmo não possuindo o certificado, tais entidades estão isentas sobre as receitas próprias. Todavia, a solução ainda se referia ao conceito de atividade própria tratada no §2º do artigo 47 da IN SRF nº 247/2002, conforme abaixo transcrito: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais Ocorre que esta definição de atividade própria extrapolou os limites legais ao considerar que a existência de receitas decorrentes de caráter contraprestacional afastaria a isenção, excluindo, praticamente, as instituições de educação e de assistência social, bem como instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e fundações, que prestem vinculados às suas finalidades, sem fins lucrativos. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 358 16 O STJ, por seu turno, ao julgar o REsp 1.353.111/RS (transitado em julgado em 02/03/2016) sob a sistemática de recursos repetitivos, afirmou a ilegalidade do §2º do artigo 47 da IN SRF nº 247/2002 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos, conforme a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.158 35/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 203 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 359 17 12738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/200461, Acórdão n. 3401002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201 001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 3403 002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/2007 75, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403 002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303 001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 360 18 Tal matéria, em relação às instituições de educação, restou pacificada neste conselho, com a edição da Súmula CARF nº 1075. Portanto, as receitas obtidas com a contraprestação de serviços educacionais pelas referidas entidades estão isentas da Cofins, o que se aplica ao caso em julgamento, uma vez que a autuação recaiu sobre as mensalidades auferidas, conforme item 5.7 do Termo de Verificação Fiscal (efl. 21), abaixo reproduzido: Destarte, devem ser exonerados os lançamentos relativos à Cofins. Por fim, concernente ao pedido de que as intimações sejam feitas nas pessoas dos representantes legais referidos, esclareçase que as intimações no processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário são regidas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, consolidado no artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011, o qual prevê as formas pessoal, por via postal, telegráfica ou qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário, ou por meio eletrônico, não sujeitos a ordem de preferência, e, ainda, por edital, caso os meios anteriores sejam improfícuos, nos termos abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 5 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158 35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997 Fl. 361DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 361 19 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 362DF CARF MF Processo nº 15983.720286/201416 Acórdão n.º 3302006.064 S3C3T2 Fl. 362 20 § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, o pedido efetuado carece de previsão legal. Diante do exposto, voto para conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar provimento parcial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 363DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.904875/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/11/2005
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.904884/2011-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.904875/201113 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.600 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLOGICOS E HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 48 75 /2 01 1- 13 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.904875/201113 Acórdão n.º 1301003.600 S1C3T1 Fl. 3 2 provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.904884/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.904875/201113 Acórdão n.º 1301003.600 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLOGICOS E HOSPITALARES LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da ausência de comprovação de recolhimento indevido de estimativa e na impossibilidade de se retificar a origem do crédito pleiteado para saldo negativo de IRPJ. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na PER/DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de IRPJ, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que não houve mero erro no preenchimento da PER/DComp, tampouco haveria que se falar em inexatidões materiais em seu preenchimento, tratandose, em realidade, de pedido do contribuinte para alteração da natureza jurídica do pedido, uma vez que PER/DComp indicava tratarse de pagamento indevido de estimativa, mas, na realidade, de saldo negativo de IRPJ. Concluiu não haver prova de recolhimento indevido de estimativa, indeferindo o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado e não homologando as compensações declaradas. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte, tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida com o consequentemente reconhecimento do direito creditório requerido e a homologação das compensações declaradas. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.904875/201113 Acórdão n.º 1301003.600 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.599, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.904884/2011 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.599): "O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou Per/DComp utilizandose de créditos decorrentes de IRPJ (estimativa) pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O acórdão recorrido, por sua vez, superou a fundamentação utilizada no despacho decisório em razão de posterior alteração de entendimento por parte da RFB por meio do art. 10 da IN RFB nº 900, de 2008, e da Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, tanto em relação à admissão ao direito de restituição ou de compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, quanto à sua aplicação aos PER/DComp originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estivessem pendentes de decisão administrativa. Aduz que o contribuinte não trouxe prova do recolhimento a maior e que o pedido de retificação do PER/DComp para se considerar como origem do crédito o saldo negativo de IRPJ, em vez de pagamento indevido ou a maior de Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.904875/201113 Acórdão n.º 1301003.600 S1C3T1 Fl. 6 5 estimativa, não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 78 da IN RFB nº 900, de 2008 Pois bem, passo à análise da controvérsia. O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.904875/201113 Acórdão n.º 1301003.600 S1C3T1 Fl. 7 6 REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe." Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10580.904875/201113 Acórdão n.º 1301003.600 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.727306/2014-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
A receita oriunda de alugueis não está vinculada à propriedade do imóvel, sendo que o mero possuidor pode, pela legislação civil, auferir rendimentos provenientes da locação de imóveis.
Numero da decisão: 2002-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A receita oriunda de alugueis não está vinculada à propriedade do imóvel, sendo que o mero possuidor pode, pela legislação civil, auferir rendimentos provenientes da locação de imóveis.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A receita oriunda de alugueis não está vinculada à propriedade do imóvel, sendo que o mero possuidor pode, pela legislação civil, auferir rendimentos provenientes da locação de imóveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 73 06 /2 01 4- 77 Fl. 111DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 33 a 37), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.592,28, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 32 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02, alegando, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, pois foi recebido apenas o valor declarado. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, em 29/01/2015, no acórdão 0736.479, às efls. 44 a 46, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 21/03/2015 às efls. 52 a 102 no qual alega, em síntese, que a imobiliária cometeu erro nas declarações apresentadas, já que a locadora do imóvel é a senhora Alzira Pontes Pessoa, sua genitora, idosa, e quem vai até a sede da empresa pegar os cheques do pagamento dos alugueis é o contribuinte. Ainda, alega que o imóvel está registrado em nome de seu falecido genitorm senhor Joaquim Simão Pessoa. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 26/02/2015, efls. 49, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 21/03/2015, efls. 52, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas alugueis e outros, no valor de R$20.335,56, conforme DIMOB apresentada pelas empresas administradoras de imóveis, correspondente a diferença entre o valor declarado de R$ 15.150,00 e o total dos rendimentos de aluguel recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 35.485,56. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10469.727306/201477 Acórdão n.º 2002000.416 S2C0T2 Fl. 112 3 A DRJ assim se posicionou: No caso em análise, em que pese a alegação do impugnante, constatase que de fato houve o recebimento de rendimentos de aluguéis pagos pelos locatários José de Anchieta Rodrigues, CPF n.º 008.011.888,73, no valor de R$ 21.850,56, e João Antonio de Oliveira Martins, CPF n.º 020.098.72401, no valor de R$ 13.635,00, já deduzidas as taxas de administração, como comprovam os contratos de locação e comprovantes de rendimentos de fls. 8 a 13 e 23 a 27, ratificando os valores informados em DIMOB pelas imobiliárias: (...) Portanto, restando comprovado nos autos que o contribuinte deixou de oferecer à tributação o total dos rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, há que se manter o lançamento correspondente aos rendimentos omitidos, no valor de R$ 20.335,56. Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, como se vê pela redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/99): Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Fl. 113DF CARF MF 4 Ainda, conforme jurisprudência deste CARF: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS — São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. (Acórdão n°: 9202 002.451 – 08/11/2012) Os aluguéis devem der tributados de acordo com a Tabela Progressiva do Imposto de Renda das pessoas físicas e a responsabilidade pelo recolhimento depende da natureza jurídica do locatário: · Se pessoa jurídica, caberá a sociedade empresária recolher o imposto de renda na fonte. O locatário informa em sua DAA a razão social, CNPJ, o valor do aluguel recebido no ano e o imposto retido na fonte, no campo "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Titular"; · Se pessoa física, o locatário deve declarar o valor recebido no item "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior", dentro da aba "carnêleão". O artigo 631 do RIR/99 trata da primeira hipótese: Art. 631. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas. Já a segunda hipótese é regida pelo artigo 106 do mesmo Regulamento: Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 8º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 24, § 2º, inciso IV): I os emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; II os rendimentos recebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial, ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10469.727306/201477 Acórdão n.º 2002000.416 S2C0T2 Fl. 113 5 III os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; IV os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas. Ainda, poderão ser abatidos dos valores dos alugueis recebidos, conforme artigo 632 do RIR/99: Art. 632. Não integrarão a base de cálculo para incidência do imposto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Ainda, nos termos da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 1.500/14, temos: Art. 30. Para determinação da base de cálculo sujeita ao recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) de que trata o Capítulo IX, no caso de rendimentos de aluguéis de imóveis pagos por pessoa física, devem ser observadas as mesmas disposições previstas nos arts. 31 a 35. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017) Parágrafo único. Ressalvado o disposto no inciso II do caput do art. 11, o valor locativo do imóvel cedido gratuitamente (comodato) será tributado na DAA. Art. 31. No caso de aluguéis de imóveis pagos por pessoa jurídica, não integrarão a base de cálculo para efeito de incidência do imposto sobre a renda: I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; Fl. 115DF CARF MF 6 II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas pagas para sua cobrança ou recebimento; e IV as despesas de condomínio. § 1º Os encargos de que trata o caput somente poderão reduzir o valor do aluguel bruto quando o ônus tenha sido do locador. § 2º Quando o aluguel for recebido por meio de imobiliárias, por procurador ou por qualquer outra pessoa designada pelo locador, será considerada como data de recebimento aquela em que o locatário efetuou o pagamento, independentemente de quando tenha havido o repasse para o beneficiário. A DIMOB, acostada ao voto da DRJ, às efls. 46 demonstra que o contribuinte recebeu líquidos, R$21.850,56 de José de Anchieta Rodrigues Menezes e R$13.635,00 de João Antônio de Oliveira Matias, totalizando R$35.485,56. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte limitase a informar que não é o proprietário do imóvel, que pertencia ao seu falecido pai, e cujo os proventos de alugueis eram destinados à sua genitora. Conforme disposição do Código Civil de 2002 a propriedade dos bens deixados em herança transmitese desde a morte do de cujus a seus herdeiros: Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmitese, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Assim, com a morte de seu pai, o contribuinte já é , no mínimo coproprietário do imóvel com sua mãe, a depender do regime de casamento desta ou da existência de testamento, dispondo de maneira diversa. A certidão de casamento, tampouco a existência de testamento é suscitada ou documentos comprobatórios são anexados aos autos. Ainda, para beneficiarse dos proventos de aluguel o contribuinte não precisa ser necessariamente o proprietário do imóvel, podendo ter apenas os direitos relativos a posse, haja visto a legislação civil permitir até mesmo o locatário possuidor do bem imóvel sublocálo, caso não estipulado em contrário no contrato de locação. Logo, como o contribuinte não comprovou que a renda dos alugueis foram auferidas pela sua genitora, há que se dar fé nas informações contidas na DIMOB. Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10469.727306/201477 Acórdão n.º 2002000.416 S2C0T2 Fl. 114 7 Thiago Duca Amoni Fl. 117DF CARF MF
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