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Numero do processo: 19515.002224/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 24 /2 01 0- 64 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 139DF CARF MF Processo nº 19515.002224/201064 Acórdão n.º 2201004.234 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 140DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19515.002224/201064 Acórdão n.º 2201004.234 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 142DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902458/2006-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COMPENSAÇÃO – PERDCOMP – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – A homologação tácita ocorre apenas corridos cinco anos da data em que houve a
compensação do crédito pleiteado, via PER/DCOMP, o que não se verifica neste caso.
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – Cabe ao contribuinte comprovar
seu direito ao crédito cuja compensação pleiteia, ônus do qual não se desincumbiu neste processo. Os informes de rendimento não comprovam o montante do crédito pedido. Será concedido o crédito identificado por pagamento de DARF e no sistema SIEF. ERRO MATERIAL – DESPACHO DECISÓRIO – Houve contradição no despacho decisório denegatório de crédito a compensar. Confrontado o
despacho decisório com seu inteiro teor e as provas do processo, restou comprovado crédito adicional de R$ 67.369,88, originado em 31.12.2001.
RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP – AUMENTO DO VALOR PRINCIPAL COMPENSADO – INADMISSIBILIDADE – A regulamentação específica não permite a retificação da PER/DCOMP para aumentar o valor principal
compensado.
COMPENSAÇÃO – PRAZO – INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO – INADMISSIBILIDADE Nos termos do REsp “Repetitivo” 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010, o prazo prescricional para restituir o
indébito pago em 2001 é de 10 (dez) anos. Tal referendo ainda padece de confirmação pelo STF em sede de repercussão geral determinada em 04.06.08 no RE 567110/AC. Mesmo considerando esse prazo e admitindo o pedido de compensação de fls. 45 e seguintes, não há saldo de IRPJ líquido e certo a compensar com o correspondente débito.
Numero da decisão: 1302-000.624
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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ementa_s : COMPENSAÇÃO – PERDCOMP – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – A homologação tácita ocorre apenas corridos cinco anos da data em que houve a compensação do crédito pleiteado, via PER/DCOMP, o que não se verifica neste caso. COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – Cabe ao contribuinte comprovar seu direito ao crédito cuja compensação pleiteia, ônus do qual não se desincumbiu neste processo. Os informes de rendimento não comprovam o montante do crédito pedido. Será concedido o crédito identificado por pagamento de DARF e no sistema SIEF. ERRO MATERIAL – DESPACHO DECISÓRIO – Houve contradição no despacho decisório denegatório de crédito a compensar. Confrontado o despacho decisório com seu inteiro teor e as provas do processo, restou comprovado crédito adicional de R$ 67.369,88, originado em 31.12.2001. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP – AUMENTO DO VALOR PRINCIPAL COMPENSADO – INADMISSIBILIDADE – A regulamentação específica não permite a retificação da PER/DCOMP para aumentar o valor principal compensado. COMPENSAÇÃO – PRAZO – INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO – INADMISSIBILIDADE Nos termos do REsp “Repetitivo” 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010, o prazo prescricional para restituir o indébito pago em 2001 é de 10 (dez) anos. Tal referendo ainda padece de confirmação pelo STF em sede de repercussão geral determinada em 04.06.08 no RE 567110/AC. Mesmo considerando esse prazo e admitindo o pedido de compensação de fls. 45 e seguintes, não há saldo de IRPJ líquido e certo a compensar com o correspondente débito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2446; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 330 1 329 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.902458/200666 Recurso nº 502478 Voluntário Acórdão nº 1302000.624 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria Compensação Recorrente KRAFT FOODS BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL COMPENSAÇÃO – PERDCOMP – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA – A homologação tácita ocorre apenas corridos cinco anos da data em que houve a compensação do crédito pleiteado, via PER/DCOMP, o que não se verifica neste caso. COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – Cabe ao contribuinte comprovar seu direito ao crédito cuja compensação pleiteia, ônus do qual não se desincumbiu neste processo. Os informes de rendimento não comprovam o montante do crédito pedido. Será concedido o crédito identificado por pagamento de DARF e no sistema SIEF. ERRO MATERIAL – DESPACHO DECISÓRIO – Houve contradição no despacho decisório denegatório de crédito a compensar. Confrontado o despacho decisório com seu inteiro teor e as provas do processo, restou comprovado crédito adicional de R$ 67.369,88, originado em 31122001. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP – AUMENTO DO VALOR PRINCIPAL COMPENSADO – INADMISSIBILIDADE – A regulamentação específica não permite a retificação da PER/DCOMP para aumentar o valor principal compensado. COMPENSAÇÃO – PRAZO – INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO – INADMISSIBILIDADE Nos termos do REsp “Repetitivo” 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010, o prazo prescricional para restituir o indébito pago em 2001 é de 10 (dez) anos. Tal referendo ainda padece de confirmação pelo STF em sede de repercussão geral determinada em 040608 no RE 567110/AC. Mesmo considerando esse prazo e admitindo o pedido de compensação de fls. 45 e seguintes, não há saldo de IRPJ líquido e certo a compensar com o correspondente débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. Fl. 26DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório O extrato da DIPJ 2002 do contribuinte demonstra que no anocalendário de 2001 houve prejuízo fiscal sendo que sobrou saldo de IRPJ pago a maior assim composto: R$ 1.752.535,9 a título de imposto de renda retido na fonte e R$ 1.250.304,84 relativo a antecipações mensais de IRPJ pago por estimativa. O saldo total de IRPJ pago a maior foi de R$ 3.002.840,80 Às folhas 39, em 15/01/2007, o contribuinte encaminhou o PER/DCOMP para compensar, desse total, um valor original de R$ 2.671.932,19. Posteriormente, em 15/10/2007, às fls. 38 a 44, o contribuinte buscou retificar a PER/DCOMP original para aumentar o valor do débito. Ainda às fls. 45 a 56 transmitiu outra PER/DCOMP em 29/12/2008, para compensar um valor residual do crédito. Às folhas 106 e seguintes, a autoridade competente expediu seu despacho decisório deferindo a compensação apenas no limite de R$ 2.179.976,29. No mais, indeferiu a retificação da compensação com incremento do valor do débito feita em 15/10/2007, por força do artigo 59 da IN SRF 600/05 e por outro lado indeferiu a PER/DCOMP enviada em 29/12/2008, por força do decurso do prazo prescricional de 5 anos a contar de 31/12/2001, nos termos dos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional e item I do Ato Declaratório SRF n° 096 de 26/11/1999. Embora a autoridade fiscal tenha autorizado a compensação apenas até o montante de R$ 2.179.976,29, os créditos do contribuinte foram reconhecidos no montante de R$ 2.247.346,17, assim compostos. 1 – Conforme extrato SIEF, foram localizados R$ 966.148,63 relativos ao IRRF (fls. 57 e seguintes), do total de R$ 1.752.535,96 informados pelo contribuinte. Composição do Crédito da Contribuinte DIPJ Fisco DIPJ Fisco IRRF 1.752.535,96 966.148,63 (786.387,33) 1 1 IR Antecipação Mensal . Pago em 2001 . Compensado com crédito de 2000 1.250.304,84 1.250.304,84 2 1.250.304,84 1.250.304,84 2 . Recomposição de destino mensal a incentivo fiscal, que não prevaleceu 3112 30.892,70 30.892,70 2 30.892,70 2 Crédito de 2000 Antes de Compensações 2.954.257,93 1.648.253,29 2.5. . IRRF 810.641,51 381.710,24 2.3. . DARF 2.143.616,42 1.175.149,68 2.4. . Incentivo Fiscal 91.393,37 2.4. Total Geral 3.002.840,80 2.247.346,17 (755.494,63) 1.703.953,09 367.055,75 Obs. AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2000 DESCRIÇÃO Diferença Obs. Fl. 27DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.902458/200666 Acórdão n.º 1302000.624 S1C3T2 Fl. 331 3 2 – Verificado que havia saldo a compensar de IRPJ do anocalendário de 2000, de empresa sucedida, suficiente para compensar as antecipações mensais de IRPJ do anocalendário de 2001, foi reconhecido o valor a elas correspondente de R$ 1.250.304,84, mais R$ 30.892,10, recomposto por força do efeito que se anulou da destinação de incentivo fiscal relacionada à antecipação do mêscalendário de março de 2001. 2.1. – Foi observado que o valor antecipado pela empresa Kraft em 2001 foi objeto de compensação com créditos da empresa sucedida, CNPJ 57.003.881/200114, decorrentes de IRPJ pago a maior no ano de 2000. 2.2. Analisando a DIPJ/2001 da empresa incorporada, verificouse que ela informou para 31122000 crédito de IRPJ da seguinte maneira: Imposto de renda retido na fonte – R$ 810.641,51 Total pago por estimativa – R$ 2.143.616,42 Imposto de renda pago a maior – R$ 2.954.257,93 2.3. – No sistema SIEF, foram localizados apenas R$ 381.710,24 a título de IRRF, do total de R$ 810.641,51 (fls. 79 e seguintes). 2.4. – Do total pago por estimativa de R$ 2.143.616,42, foram reconhecidos apenas os pagamentos mensais via DARF (incluindo a destinação mensal a incentivos fiscais que no final do ano não prevaleceu), somando o total de R$ 1.266.543,05. 2.5. – O total do crédito reconhecido do contribuinte do ano de 2000 então foi de R$ 1.648.253,29, do total de R$ 2.954.257,93. Cientificado da decisão em 18/07/2008, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 19/08/2008 (fls. 116/155), fundamentada pelos seguintes argumentos, aqui sintetizados. (i) Não pode, a administração, promover a glosa de prejuízo fiscal , ou base negativa de cálculo da CSLL, sem a formalização de lançamento correspondente. (ii) Encontrase fulminada pela decadência a revisão e glosa do prejuízo fiscal. (iii) No que tange ao saldo negativo apurado em 31/12/2000, os comprovantes juntados à impugnação demonstram que houve retenção no valor de IR de R$ 810.641,51, e não de R$ 381.710,24, conforme alegado pela unidade de origem. (iv) O mesmo ocorre quanto ao saldo negativo apurado em 31/12/2001, onde o valor retido seria de R$ 1.752.535,96, e não de R$ 966.149,63. (v) A diferença no saldo negativo apurado em 2000 não resta provada pela fiscalização. (vi) As Dcomps retificadoras devem ser aceitas, visto que não visaram o aumento do valor de débito originalmente informado, mas informar que a compensação original deveria incluir os juros incidentes sobre o principal compensado após a data do vencimento do tributo. Fl. 28DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 (vii) Ainda que rejeitadas as Dcomps, deve a fiscalização proceder de ofício às compensações, quando verificada a existência de créditos em nome do contribuinte. (viii) As compensações não homologadas em razão do decurso de prazo prescricional devem ser aceitas, respeitando a tese de interpretação do art. 168 do CTN, contandose 10 anos (tese dos 5+5 anos). A Delegacia da Receita Federal de Curitiba acordou, por unanimidade de votos, por deferir, em parte, a solicitação do contribuinte (fls. 280 e seguintes), conforme breve síntese dos fundamentos encontrados no voto do relator. (i) No que tange à preliminar de nulidade argüida pelo contribuinte, quando infere que a Administração glosou prejuízo fiscal sem a formalização do lançamento correspondente, não assiste, ao contribuinte, razão. Não se trata de glosa de prejuízo fiscal, mas sim de aferição dos pagamentos e compensações de débitos de estimativa que compuseram o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/2002. (ii) Quanto ao argumento de que decaiu o direito da Fazenda de revisar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa, aplicase o mesmo fundamento: a revisão limitouse apenas a aferir a efetividade dos pagamentos e extinções de estimativas via compensação. (iii) A homologação tácita prevista pelo CTN referese ao lançamento, não podendo ser aplicada para tornar definitivo um pagamento inexistente. (iv) Assiste ao contribuinte o ônus de provar seu direito creditório. (v) Observase que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos a fim de provar as retenções de IR sofridas. (vi) Porém, embora da análise dos documentos fique confirmado o valor de R$ 613.007,26 em favor da incorporada, este se refere ao ano de 2000, irrelevante para o presente processo que trata do saldo negativo apurado em 2001. (vii) No que se refere às retenções de IR referentes ao ano de 2001, deve ser reconhecido o valor de R$ 114.832,09, conforme pesquisa em relação as filiais da incorporada. (viii) No que se refere a inadmissibilidade da Dcomp retificadora de fls. 38/44, onde o contribuinte argumentou que não visou aumentar o valor do débito originalmente informado, mas informar que a compensação original deveria incluir os juros incidentes, cabe esclarecer que, se de fato tratase apenas da informação dos juros incidentes, fazse desnecessária a Dcomp, visto que os débitos compensados após a data do vencimento ensejam cobrança automática dos encargos moratórios. (ix) Contudo, na presente situação, constatase que não se trata de mero equívoco de preenchimento, visto que os valores demonstrados visando compor o débito a ser compensado com o direito creditório (R$ 534.386,44 acrescidos de juros no valor de R$ 430.181,08) são distintos do valor demonstrado na referida Dcomp (R$ 410.943,17), o que implica a rejeição da mesma. Fl. 29DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.902458/200666 Acórdão n.º 1302000.624 S1C3T2 Fl. 332 5 (x) Não assiste razão à alegação do contribuinte de que o prazo prescricional contado deveria ser de 10 anos. (xi) Este entendimento já foi superado pelo legislador, e por força do art. 168, I, do CTN, o prazo correto seria de 5 anos a contar da data do pagamento indevido, e não da homologação tácita do lançamento. (xii) Mesmo que superada, por hipótese, a prescrição no tocante às Dcomps referidas, observase da análise da Dcomp de fls. 30/37 que não assiste, ao contribuinte, direito creditório capaz de compensar o débito pretendido. (xiii) Assim, conclui o relator por deferir em parte a solicitação do contribuinte, de forma a reconhecer o direito creditório no valor de R$ 114.832,09, referente ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2001 e considerar homologada a compensação até o limite do crédito reconhecido. Como resultado da decisão da DRJ, o valor da compensação anteriormente autorizada no montante de R$ 2.179.976,29 subiu em R$ 111.389,64, tendo ido para o montante de R$ 2.291.365,93 (fls. 287 e 288). Cientificado da decisão em 13/05/2009, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 291 e seguintes, com o protocolo datado de 15/06/2009, alegando basicamente o seguinte. (i) A revisão da autoridade relacionada a saldo credor de IRPJ equipara se à revisão de prejuízos fiscais pois nos anoscalendários de 2000 e 2001 havia prejuízos fiscais e disso resultou o saldo negativo. Na altura em que foi expedido o despacho decisório, 18/07/08, o direito a rever o valor do saldo negativo e do prejuízo fiscal já havia expirado, decaído. (ii) A retificação do débito feita em 15/10/2007 foi apenas para adicionar o valor dos juros SELIC, não houve qualquer alteração de principal. O contribuinte foi pioneiro no uso da versão PER/DCOMP 1.0 e na altura não sabia como fazer o preenchimento. O ajuste posterior foi só para inserir os juros SELIC do débito compensado, o que deve ser acatado pela autoridade, pois se tratou de erro material no preenchimento do formulário. (iii) A autoridade não motivou adequadamente porque reduziu em tanta monta o saldo de IRPJ pago a maior de 2000 na medida em que o IRRF não localizado no SIEF foi de apenas R$ 381 mil sendo que cabe à autoridade fazer essa prova. (iv) Por outro lado, o prazo para pedir a restituição de indébito é de 10 (dez) anos, de acordo com a melhor interpretação dos Tribunais Superiores, sendo que a Lei Complementar 118/05 é modificativa e não interpretativa. (v) O contribuinte alegou ainda que não há prova a seu desfavor neste processo e que por outro lado as provas que trouxe demonstram que o valor do IRRF do anocalendário de 2001 é exatamente igual àquele informado na DIPJ/02, logo, deve ser integralmente reconhecido o direito ao crédito do contribuinte. Fl. 30DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. 1 – O prazo para análise do pedido de compensação (PER/DCOMP) pelo fisco iniciase na data em que foi efetuada a compensação e não na data em que foi originado o crédito a compensar. Neste caso, não houve homologação tácita. Os créditos compensados pelo contribuinte são relacionados à apuração de tributos pagos a maior em 2001 e aos reflexos da apuração a maior em 2000 no ano de 2001. O contribuinte efetuou a compensação desses valores em 2007, antes de decorridos 5 anos entre a data em que o contribuinte poderia ter compensado os tributos, conforme Dcomp original. É a partir da data da transmissão da Dcomp obviamente que conta o prazo do fisco para analisar o pedido de compensação, sob pena de homologação tácita nos termos do artigo 74 da Lei 9.43096 com alterações posteriores. Não se aplicam ao saldo negativo de IRPJ os mesmos critérios do prejuízo fiscal. O primeiro é direito de crédito do contribuinte e só conta prazo de análise pelo fisco a partir do pedido de restituição e compensação. O segundo é base de cálculo de tributo e conta prazo de análise desde a data do fato gerador. 2 – Retificação de PER/DCOMP para aumentar valor principal compensado não é admissível. A retificação do débito feita em 15/10/2007 não pode ser aceita na medida em que aumentou o valor principal dos débitos e créditos compensados, nos termos exarados na decisão da DRJ, não correspondendo apenas a ajuste de juros. Nessa medida, o pedido de compensação, na parte em que retificado, está em desconformidade com a regulamentação aplicável, conforme exaustivamente citada pela DRJ. 3 – Cômputo dos valores de crédito a compensar do contribuinte. Correção. O contribuinte alega que a autoridade não motivou adequadamente porque reduziu em tanta monta o saldo de IRPJ pago a maior de 2000 na medida em que o IRRF não localizado no SIEF foi de apenas R$ 381 mil sendo que cabe à autoridade fazer essa prova. Ocorre que inicialmente o IRRF encontrado pela autoridade fiscal no SIEF e declarado pelas fontes pagadoras foi apenas R$ 381 mil, Fl. 31DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.902458/200666 Acórdão n.º 1302000.624 S1C3T2 Fl. 333 7 segundo despacho decisório, sendo toda a diferença não localizada. Feita a leitura correta do despacho, diferentemente do que leu o contribuinte, está corretamente clara e fundamentada a decisão da autoridade fiscal. Posteriormente, avaliando os informes de rendimento apresentados pelo contribuinte, a DRJ reconheceu que o IRRF da incorporada do ano de 2000 não era de apenas R$ 381 mil, mas sim de R$ 613.007,26. Nos termos da tabela constante do Relatório, que é um resumo da comparação entre as DIPJ e o despacho decisório, o fato de o IRRF de 2000 ser R$ 381 mil ou R$ 613 mil não tem impacto na decisão deste processo. Ocorre que a autoridade fiscal originária acatou 100% dos créditos do contribuinte compensados em 2001 com o saldo de IRPJ pago a maior de 2000. A integralidade da diferença de créditos não localizada pela autoridade que culminou em glosa e indeferimento parcial da compensação tem relação com a diferença, relativa ao ano de 2001, no valor do IRRF declarado pelo contribuinte em 2001 como se retido fosse e o tanto encontrado nos registros da receita e informado pelas fontes pagadoras (SIEF). A autoridade fiscal justificou adequadamente sua decisão e comprovoua com base nos DARF objeto de pagamento pelo contribuinte, bem como com base nos registros das fontes pagadoras via SIEF. O valor do crédito do contribuinte aperfeiçoouse com a decisão da primeira instância administrativa. Verifico no teor decidido apenas um erro material. Reportome à tabela abaixo que traz um resumo comparativo do quanto reconheceu a autoridade fiscal preparadora versus a DIPJ do contribuinte. Se por um lado a autoridade fiscal no despacho decisório reconheceu um crédito de R$ 2.247.346,17, no dispositivo final autorizou a compensação de apenas R$ 2.179.976,29, sem qualquer fundamentação adicional. Nesse tanto concordo com o contribuinte que a decisão merece ser reparada para reconhecer o direito ao crédito e à compensação da diferença, qual seja, R$ 67.369,88. Nesse sentido, verifico ainda que o erro material não foi reparado pela decisão da DRJ merecendo ser reparado nesta instância. Nessa medida, o crédito neste processo deve ser concedido da seguinte maneira. Composição do Crédito da Contribuinte DIPJ Fisco DIPJ Fisco IRRF 1.752.535,96 966.148,63 (786.387,33) 1 1 IR Antecipação Mensal . Pago em 2001 . Compensado com crédito de 2000 1.250.304,84 1.250.304,84 2 1.250.304,84 1.250.304,84 2 . Recomposição de destino mensal a incentivo fiscal, que não prevaleceu 3112 30.892,70 30.892,70 2 30.892,70 2 Crédito de 2000 Antes de Compensações 2.954.257,93 1.648.253,29 2.5. . IRRF 810.641,51 381.710,24 2.3. . DARF 2.143.616,42 1.175.149,68 2.4. . Incentivo Fiscal 91.393,37 2.4. Total Geral 3.002.840,80 2.247.346,17 (755.494,63) 1.703.953,09 367.055,75 Obs. AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2000 DESCRIÇÃO Diferença Obs. Fl. 32DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 IRPJ do anocalendário de 2001 $ . IRRF retido no ano que compôs o saldo negativo, conforme despacho da DRF 66.148,63 . Valor compensado com IRPJ pago a maior de 2000, conforme despacho da DRF .250.304,84 . Complemento de valor compensado Incentivo Fiscal, conforme despacho da DRF 0.892,70 . Valor concedido pela DRJ 14.832,09 . Valor total do crédito do ano de 2001 que pode ser objeto de compensação no processo 1980.902458/200666 .362.178,26 4 – O contribuinte não logrou comprovar no mais o direito ao crédito que pleiteia. Embora o contribuinte tenha afirmado que os informes de rendimento e declarações, correspondências, que anexou ao processo confirmem os valores declarados em sua DIPJ, verdade é que não logrou fazer a soma dos IRRF contidos nesses outros documentos. Se assim fizesse, verificaria de forma cabal que não foram comprovadas as somas constantes da DIPJ. Cabe ao contribuinte comprovar o seu direito ao crédito, líquido e certo, cuja existência afirma, nos termos do artigo 333 do Código Processo Civil e Decreto 70.23572. Nessa linha, não foram trazidos em defesa quaisquer outras provas do contribuinte interessado capazes de atestar a liquidez e certeza de seu crédito ou opor qualquer dúvida sobre o crédito reconhecido pela autoridade fiscal. 5 – Nos termos do REsp “Repetitivo” 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010, o prazo para restituir o indébito pago em 2001 é de 10 (dez) anos. Tal referendo ainda padece de confirmação pelo STF em sede de repercussão geral determinada em 040608 no RE 567110/AC. De qualquer maneira referida discussão é inócua no presente caso pois não restou saldo de imposto de renda a compensar com o PER/DCOMP processado às fls. 45 a 56. Quanto às compensações processadas às fls. 45 a 56, em 29/12/2008, o contribuinte por outro lado alega o prazo para pedir a restituição de indébito é de 10 (dez) anos. O novo Regimento do Conselho vincula as decisões administrativas ao teor dos julgados do Superior Tribunal de Justiça em recursos repetitivos. Assim, já deliberou o STJ que o prazo que o contribuinte possui para pedir a restituição de indébito é de 10 (dez) anos, sendo que a Lei Complementar 118/05 é modificativa e não interpretativa. Nessa linha, como os fatos geradores que originaram o crédito do contribuinte são anteriores à vigência dessa nova Lei, reconheço que o direito instrumental de pedir a compensação ou restituição do crédito reportase à legislação vigente à época dos fatos que o geraram, para fins de computar o prazo prescricional. A Lei em comento é o artigo 168 do Código Tributário Nacional, na interpretação dada em sede de repetitivo pelo STJ, segundo a qual o prazo para pedir a repetição de indébito é de 10 (dez) anos. Vide nessa linha o inteiro teor que consta no sítio do STJ na internet (http://jurisprudenciasuprema.wordpress.com/2010/07/23/stj4381%C2%AAsecao repetitivocompensacaoprescricao/ ; consultado em 26052011): Fl. 33DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.902458/200666 Acórdão n.º 1302000.624 S1C3T2 Fl. 334 9 STJ 438 – 1ª SEÇÃO – REPETITIVO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Tratase de recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC e Res. n. 8/2008STJ) em que a recorrente, pessoa jurídica optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido, impetrou mandado de segurança na origem, em 26/8/2005, pretendendo a declaração de inexigibilidade da Cofins nos moldes da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota previstas nos arts. 3º, §§ 1º e 8º, da Lei n. 9.718/1998, com o reconhecimento do direito à compensação dos valores recolhidos indevidamente a esse título, corrigidos monetariamente. Então, nas razões recursais, pugnou pelo reconhecimento do prazo prescricional decenal, visto que o tribunal de origem entendeu ser aplicável à espécie o prazo quinquenal, bem como buscou a aplicação das regras de imputação do pagamento previstas no CC/2002. É cediço que a Seção, em recurso repetitivo, já assentou que o advento da LC n. 118/2005 e suas consequências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 9/6/2005), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Assim, explica o Min. Relator que, quanto ao prazo prescricional decenal, assiste razão à recorrente, pois não houve prescrição dos pagamentos efetuados nos dez anos anteriores ao julgamento da ação. Ademais, o princípio da irretroatividade implica a incidência da LC n. 118/2005 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência, e não às ações propostas após a referida lei, visto que essa norma concerne à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação. Entretanto, assevera ainda que, quanto à segunda questão controvertida no REsp, qual seja, a possibilidade de aplicação à matéria tributária do instituto da imputação do pagamento tal qual disciplinada no CC/2002, não pode prosperar a pretensão. Isso porque este Superior Tribunal já pacificou o entendimento de que a regra de imputação de pagamentos estabelecida nos arts. 354 e 379 do CC/2002 é inaplicável aos débitos de natureza tributária, visto que a compensação tributária regese por normas próprias e específicas, não sendo possível aplicar subsidiariamente as regras do CC/2002. Também aponta não haver lacuna na legislação tributária, em matéria de imputação de créditos nas compensações tributárias, que autorize a sua integração pela aplicação da lei civil. Precedentes citados: REsp 1.002.932SP, DJe 18/12/2009; EREsp 644.736PE, DJ 17/12/2007; REsp 1.130.033SC, DJe 16/12/2009; AgRg no Ag 1.005.061SC, DJe 3/9/2009; AgRg no REsp 1.024.138RS, DJe 4/2/2009; AgRg no REsp 995.166SC, DJe 24/3/2009; REsp 970.678SC, DJe 11/12/2008; REsp 987.943SC, DJe 28/2/2008, e AgRg no REsp 971.016SC, DJe 28/11/2008. REsp 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010. Nessa medida, segundo STJ, em 2008 o contribuinte possuía efetivamente o direito de compensar o crédito originado em 2001, ocorre que não logrou provar a existência líquida e certa desse crédito em montante suficiente para compensar o débito conforme pedido de 2008. Observese ainda que a decisão do STJ ainda será passível de revisão diante da Repercussão Geral reconhecida reconhecida para o Recurso Especial RE 566621. De qualquer maneira, ainda que aceitássemos o entendimento do STJ e considerássemos o prazo de repetição de indébito de 10 anos, nos termos expostos Fl. 34DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 pela autoridade fiscal e materializado neste processo, o crédito comprovado do contribuinte sequer foi suficiente para compensar integralmente o débito conforme pedido processado pelo contribuinte em 2007, quiçá estes demais débitos compensados em 2008! Logo, não restou comprovada a existência do crédito para homologar o quanto pedido relacionado ao PER/Dcomp de folhas 45 a 56. Nessa linha, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito residual de crédito no valor de R$ 67.369,88, além do que já foi reconhecido neste processo pela DRF e DRJ. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 35DF CARF MF Excluído Documento de 15 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0518.16334.C316. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 12/04/2012 14:32:40. Documento autenticado digitalmente por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 12/04/2012. Documento assinado digitalmente por: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 12/04/2012 e MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 12/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 29/05/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.0518.16334.C316 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9665E230B0AB5BD698D7B736C9AB81C419B50EDE Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10980.902458/2006-66. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11060.003724/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DESPESAS COM CONSTRUÇÃO. NULIDADE MATERIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR MANIFESTO EQUÍVOCO EM RELAÇÃO AO SEU FUNDAMENTO.
Verificando-se a manifesta dissociação entre o critério utilizado para a lavratura do auto de infração e a base de cálculo erigida pela fiscalização, afigura-se nulo o lançamento, em virtude do manifesto equívoco material.
Por tais razões, sendo certo que não compete a este órgão revisor a tarefa de lançar o crédito tributário, e, igualmente correta a impossibilidade de adoção de outra base de cálculo com fundamento em documentos sequer disponibilizados ao contribuinte, afigura-se nulo o lançamento em relação à glosa das despesas com construção.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE.
Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA PARCIAL DE LIQUIDAÇÃO DE CPRs MEDIANTE A DEVOLUÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. NECESSÁRIA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF.
Havendo a comprovação, in casu, da devolução de valores relacionados a parte das CPRs apontadas pela fiscalização, com a conseqüente prova da falta de sua liquidação mediante a entrega dos produtos, faz-se mister a exclusão de tais valores da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSÁRIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF.
Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, afasta-se a multa de ofício qualificada de 150%.
Numero da decisão: 2401-005.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial para: a) preliminarmente, excluir da base de cálculo os valores relativos à glosa de despesas com construção no valor de R$ 46.740,13; e b) no mérito, excluir da base de cálculo o valor de R$ 76.315,50 e a qualificadora da multa, reduzindo-a ao patamar de 75%.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DESPESAS COM CONSTRUÇÃO. NULIDADE MATERIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR MANIFESTO EQUÍVOCO EM RELAÇÃO AO SEU FUNDAMENTO. Verificandose a manifesta dissociação entre o critério utilizado para a lavratura do auto de infração e a base de cálculo erigida pela fiscalização, afigurase nulo o lançamento, em virtude do manifesto equívoco material. Por tais razões, sendo certo que não compete a este órgão revisor a tarefa de lançar o crédito tributário, e, igualmente correta a impossibilidade de adoção de outra base de cálculo com fundamento em documentos sequer disponibilizados ao contribuinte, afigurase nulo o lançamento em relação à glosa das despesas com construção. IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE. Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA PARCIAL DE LIQUIDAÇÃO DE CPRs MEDIANTE A DEVOLUÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. NECESSÁRIA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Havendo a comprovação, in casu, da devolução de valores relacionados a parte das CPRs apontadas pela fiscalização, com a conseqüente prova da falta de sua liquidação mediante a entrega dos produtos, fazse mister a exclusão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 37 24 /2 01 0- 05 Fl. 2538DF CARF MF 2 de tais valores da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSÁRIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF. Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, afastase a multa de ofício qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial para: a) preliminarmente, excluir da base de cálculo os valores relativos à glosa de despesas com construção no valor de R$ 46.740,13; e b) no mérito, excluir da base de cálculo o valor de R$ 76.315,50 e a qualificadora da multa, reduzindoa ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 11060.003724/201005 Acórdão n.º 2401005.407 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MARIA ODILA ABREU TERRA PINTO, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, Acórdão nº 1030.954/2011, às efls. 2282/2305, que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos da atividade rural e glosa de despesa da atividade rural, em relação aos anos calendário 2004 e 2005, conforme Auto de Infração, às fls. 2211/2214, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/12/2010 (AR. fl. 2253), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL Omissão de rendimentos provenientes de atividade rural. Quanto a esta infração foi aplicada a multa qualificada. b) ATIVIDADE RURAL GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL Glosa de despesas da atividade rural. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2312/2328, procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, aduz preliminarmente a nulidade do lançamento quanto a glosa de despesa da atividade rural, indicando para tanto a deficiência/superficialidade da descrição dos fatos e conseqüente cerceamento do direito de defesa. Ainda em caráter preliminar, pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por entender estar eivada de vícios, sendo embasada em prova emprestada inexistente de outro PAF, desrespeitando frontalmente os parâmetros do Decreto nº 70.235/72, acarretando o cerceamento de defesa. Alternativamente, em relação ao mérito da glosa das despesas, insurgese contra a pretensão fiscal, reiterando os fundamentos da impugnação quanto "a glosa de valores estranhos à obra", "a inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção", "a inatingibilidade dos gastos correspondentes aos anos calendário 2003 e 2004", "a característica da exploração conjunta das áreas rurais", "a irrelevância da área e da edificação estarem em nome da contribuinte', 'da inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias" e a "improcedência da glosa das demais despesas". Fl. 2540DF CARF MF 4 Quanto a omissão de receitas da atividade rural, repisa os fundamentos e argumentos da impugnação, alegando estarem equivocadas as premissas sobre os adiantamentos recebidos na contratação das CPRS, não se materializando as liquidações contábeis pela entrega de grãos e não houve vendas sem emissão de notas fiscais, colaciona ao recurso documentos comprobatórios das liquidações das CPRS (ANEXO B). Contrapõese à aplicação da multa qualificada, esclarecendo não haver indícios ou documentos comprovantes da fraude, simulação ou dolo, sendo um absurdo agravar a penalidade com base em mera presunção. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a nulidade do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 21 de janeiro de 2015, foi proposto despacho de diligência e saneamento pelo Nobre Conselheiro Relator Dr. Eduardo de Souza Leão, às efls 1878/1881, in verbis: "(...) Deste modo, como o processo administrativo se apresenta bastante volumoso, conformando aproximadamente duas mil páginas – segundo primeiramente anotado pela Relatora anterior –, e tendo em vista que, nestas circunstâncias, efetivamente não pode ser apreciado com segurança, entendo que continua necessário o seu saneamento. Pelo exposto, entendo a necessidade de diligências, nos seguintes termos: (i) inicialmente, seja encaminhado os autos à Secretaria da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, no sentido de serem verificadas, uma a uma, as folhas do feito, a fim de assegurar se estão digitalizadas todas as páginas do processo, promovendo a complementação das ausentes e corrigindo a ordenação numérica das folhas dispostas em pdf; (ii) caso não seja possível a complementação, confirmada a falta de alguma página (e.g. fls. 313 a 323), conformando impossibilitado o reparo, a situação deverá ser certificada nos autos e baixado perante a Delegacia da Receita Federal de origem, no sentido de requerer informações e providências para a respectiva anexação das folhas faltantes, devendo inclusive, se for o caso, ser intimada a Recorrente para auxiliar na restauração do feito administrativo; (iii) após a realização das referidas diligências, retornando os autos em sua integralidade a esta Corte Tributária, deverá ser regularmente disposto no formato “pdf” na correta ordenação numérica e cronológica, conforme determina o art. 22 do Decreto nº 70.235/1972. Assim, remeto o presente procedimento ao Ilmo. Sr. Presidente da Turma, para que sejam tomadas as devidas providências." Fl. 2541DF CARF MF Processo nº 11060.003724/201005 Acórdão n.º 2401005.407 S2C4T1 Fl. 4 5 Em resposta ao despacho encimada, houve um despacho de encaminhamento, efls. 1882, para posteriormente ser o processo desentranhado e anexados quatro novos volumes de efls. 1884/2355, após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. Após, inclusão em pauta de julgamento, em 14 de março de 2017, foi proposta nova resolução por este Nobre Conselheiro Relator, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 2356/2361, in verbis: (...) Com mais especificidade, a delegacia de julgamento adotou para fins de conclusão uma decisão em outro PAF referente a "mesma área rural". Nada impede que o julgador utilize os fundamentos de outra decisão como razão de decidir, porém, no caso em tela foi utilizado mais do que apenas razões, mas, sim, os fatos referentes ao lançamento em face de contribuinte diverso e infração distinta. Ocorre que, as informações sequer foram objeto de análise pela contribuinte, uma vez que os dados existentes no processo fiscal são protegidos pelo sigilo fiscal, e mais, o Conselheiro que relata a demanda nesta oportunidade, também não tem acesso, restando prejudicada a análise dos argumentos da decisão de piso. A contribuinte insurgese também quanto a decisão ora guerreada, afirmando para tanto que foi embasada numa prova emprestada inexistente, haja vista ter tido conhecimento de que o outro lançamento foi totalmente cancelado. No entendimento deste Conselheiro, existe a necessidade de confrontar os fatos dos autos para que reste claro a relação de causa e efeito entre eles, especialmente se for verdade que o lançamento que se prestou, em parte, a escorar a decisão de primeira instância, de fato, fora cancelado. Nestes termos, não podemos deixar de lado a ausência de conhecimento dos fatos em outro PAF, que fora utilizado como razões de decidir do julgador de primeira instância. Dessa forma, devem ser anexadas ao processo os documentos mencionados abaixo e respondidas as seguintes indagações: 1) Acostar aos autos as peças inaugurais (auto de infração, demonstrativos e termo de verificação fiscal) do PAF n° 11060.001682/201060; 2) Anexar aos autos cópia do Acórdão referente ao PAF encimado, bem como extrato do andamento do processo;(...) Em resposta a diligência encimada, a autoridade preparadora anexou o PAF solicitado e demais documentos às efls. 2398/2532. É o relatório. Fl. 2542DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO/NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA (GLOSA DE DESPESAS DESPESAS COM CONSTRUÇÃO) Aduz preliminarmente a nulidade do lançamento quanto a glosa de despesa da atividade rural, indicando para tanto a deficiência/superficialidade da descrição dos fatos e conseqüente cerceamento do direito de defesa. Ainda em caráter preliminar, pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por entender estar eivada de vícios, sendo embasada em prova emprestada inexistente de outro PAF, desrespeitando frontalmente os parâmetros do Decreto nº 70.235/72, acarretando o cerceamento de defesa. Em relação às despesas escrituradas no livro caixa da parceria rural (os parceiros se valiam de um único livro caixa), entendeu a fiscalização, para a lavratura do auto de infração, que os gastos com a construção de benfeitorias em terreno (4 ha.) de propriedade do Sr. Pedro Herter, bem como os relativos aos tributos como o ICMS incidente na venda da produção rural (excluído pela tributação) e do IRRF, não seriam usuais e necessários à manutenção da fonte produtora, bem como à percepção de seus rendimentos, na forma do art. 62, §1º, do RIR/99. No tocante à glosa relativa aos gastos com construção, ressaltou o contribuinte, em sua defesa administrativa, que a glosa integral da rubrica de “Despesas de construção”, apontada no livro caixa, abrangia valores em muito superiores àqueles despendidos em relação, estritamente, aos 4 ha. questionados pela fiscalização, na medida em que a parceria rural abrangia propriedades cujas áreas, somadas, chegavam a 12.226,10 ha. Pois bem. Analisando as alegações do contribuinte, então impugnante, a DRJ, muito embora tenha mantido a glosa dos valores de construção, entendeu equivocado o quantum arbitrado pela fiscalização, alterando a base de cálculo da glosa efetuada, considerando, para tanto, os valores apontados como custo de aquisição pelo contribuinte Pedro Herter, nos autos de outro processo administrativo fiscal relativo ao ganho de capital apurado na alienação do citado imóvel à Herter Cereais Ltda. No tocante ao citado ponto, pois, a decisão recorrida, valendose de prova emprestada, tomada do Processo Administrativo n.º 11060.0016822/201060, entendeu que os gastos com a construção das benfeitorias no terreno de 4 ha. seria de R$ 233.700,67, tal como supostamente apontado nos autos do referido feito, reduzindo, portanto, a glosa à razão de 20% sobre o citado valor, correspondente à participação do contribuinte na parceria. Nesse sentido, em que pese ao entendimento sufragado pela DRJ de Porto Alegre, entendo que o auto de infração, especificamente no que atine à glosa dos valores de Fl. 2543DF CARF MF Processo nº 11060.003724/201005 Acórdão n.º 2401005.407 S2C4T1 Fl. 5 7 construção no terreno, afigurase nulo, em razão do manifesto equívoco material na base de cálculo eleita pela fiscalização. Com efeito, consoante salienta Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo possui função destacada no chamado conseqüente da regra matriz de incidência tributária, se destinando, como destaca o autor, “a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. pp. 341342). Em outras palavras, admite a doutrina, representada pelo escólio de Paulo de Barros Carvalho, o relevante papel atribuído à base de cálculo, concernente, não apenas, ao dimensionamento da hipótese de incidência (fato tributável), como, igualmente, em relação à necessária confirmação ou infirmação do verdadeiro critério material da hipótese de incidência tributária, permitindo ao aplicador verificar, na espécie, o verdadeiro objeto de tributação ou fundamento legal do auto de infração. Feitas as precedentes ressalvas, podese observar, do auto de infração objeto de análise, que, muito embora tenha o auditor fiscal apontado, para o lançamento tributário de ofício, a incorreção da dedução das despesas de construção relativas, apenas e tãosomente, ao imóvel de 4 ha., posteriormente integralizado pelo Sr. Pedro Herter na sociedade Herter Cereais Ltda., verificase que a base de cálculo eleita para a glosa não refletiu o aspecto apontado. De fato, compulsandose os termos do lançamento tributário, especificamente em relação à glosa das despesas escrituradas no livro caixa, podese observar que o auditor fiscal houve por bem desconsiderar todos os valores apontados na rubrica “Despesas de construção”, sem fazer qualquer ressalva em relação aos valores que, de fato, se referiam à construção de benfeitorias em imóvel não objeto da parceria. Assim, muito embora, alegadamente, os valores glosados se referissem, exclusivamente, aos gastos de construção relativos às benfeitorias realizadas no imóvel de 4 ha., fato é que a glosa se reportou a toda e qualquer despesa de construção relativa à parceria rural, alterando, de forma irrefutável, o fundamento do auto de infração, que, com a alteração da base de cálculo, passa a ser a desconsideração, como despesas dedutíveis, e, portanto, relacionadas à manutenção da fonte produtora, de todo e qualquer gasto com construção em imóveis destinados às parcerias rurais. É dizer, a base de cálculo infirma o critério eleito pelo auditor fiscal, acabando por glosar todas as despesas de construção escrituradas e relacionadas aos imóveis utilizados na parceria agrícola. Justamente por essa razão, aliás, procurou a DRJ refazer o lançamento, alterando a base de cálculo eleita pelo auditor fiscal, relativa a outro fundamento não utilizado, para os efetivos custos realizados com o imóvel de 4 ha., de propriedade do Sr. Pedro Herter, utilizando, para tanto, prova emprestada de outro processo administrativo fiscal relativo à apuração de ganho de capital na integralização do imóvel. Em virtude do manifesto equívoco na base de cálculo, pois, admitido, por vias transversas, pela própria DRJ, tenho para mim que o lançamento não se sustenta, no que Fl. 2544DF CARF MF 8 atine à manutenção da glosa das despesas de construção, na medida em que, como se sabe, não compete a este órgão julgador alterar os critérios materiais de lançamento. De fato, como se sabe, o direito pátrio, no que toca à possibilidade de revisão dos atos administrativos de lançamento tributário, estabeleceu uma profunda diferença entre as atribuições do agente fiscal, a quem incumbe lançar o crédito tributário de ofício no caso de constatar a ocorrência da hipótese de incidência do tributo, e as dos órgãos julgadores (Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), aos quais incumbe o mister de aferir a validade da constituição do crédito tributário pelo lançamento. Notese, por oportuno, que a competência dos órgãos julgadores limitase a aferir a validade do lançamento, não cabendo a eles, acaso verifiquem alguma incorreção, efetuar lançamento complementar ou acertar vícios constantes do ato administrativo apreciado. Incumbe aos órgãos julgadores, pois, com fulcro no direito de petição constitucionalmente estabelecido (art. 5º, XXXIV, ‘a’, da CF), a prática de atos secundários, reapreciando os termos do lançamento. Para que se compreenda o exposto, cumpre colacionar, muito embora extensa, a lição de Alberto Xavier, in verbis: Nesse contexto, revestese de especial relevância no Direito Tributário brasileiro a distinção entre órgãos de lançamento e órgãos de julgamento; os órgãos de lançamento têm competência exclusiva ou reservada para a prática dos atos primários em que o lançamento se traduz; os órgãos de julgamento têm competência exclusiva reservada para a prática dos atos secundários, de reapreciação dos primeiros. No processo de impugnação administrativa de tributos federais, a lei atribui a competência para o julgamento a órgãos destituídos do poder de praticar o lançamento (as Delegacias da Receita Federal especializadas em julgamento e os Conselhos de Contribuintes) e, como veremos, não é admissível a ‘reformatio in pejus’, pelo que a decisão do processo se reduz às alternativas da anulação ou da confirmação, não podendo jamais revestir a modalidade de substituição (na forma de lançamento suplementar). Pode, pois, afirmarse que no processo administrativo de impugnação se exerce uma cognição restrita, visando exclusivamente a anulação do lançamento e não a sua reforma ou substituição. Tratase, porém, de figura distinta da cassação, pois nesta a reapreciação do ato impugnado é restrita a questões de direito, enquanto a revisão abrange igualmente questões de fato. (...) Pode, pois, concluirse que o recurso de revisão pelo qual se opera a impugnação administrativa do lançamento entra nos moldes de um processo constitutivo de anulação” (XAVIER, Alberto. Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1999. pp. 311313) Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 11060.003724/201005 Acórdão n.º 2401005.407 S2C4T1 Fl. 6 9 Exatamente por esta razão, não se pode pretender alterar, em sede recursal, o fundamento do auto de infração, descortinado pela base de cálculo utilizada pelo Ilmo. Sr. auditor fiscal À guisa de todo o exposto, portanto, verificase a patente nulidade do auto de infração, ao adotar base de cálculo correspondente a fundamento absolutamente distinto daquele que, alegadamente, fundamentaria o lançamento de ofício in casu. Além disso, não se pode olvidar que a adoção de critério quantitativo totalmente diverso daquele que, supostamente, suportaria o lançamento tributário acabou por cercear o direito de defesa do contribuinte, o que, como se sabe, viola direitos fundamentais adotados, expressamente, pelo legislador no art. 2º da Lei n.º 9.784/99, bem como pelos artigos 59, II, e 60 do Decreto n.º 70.235/72. Resta ainda mais evidente a ocorrência de cerceamento de defesa, na hipótese, ao se constatar que a decisão recorrida, exarada pela DRJ, ao fundamentar a alteração da base de cálculo relativa à glosa de despesas de construção com o citado imóvel, houve por bem se reportar a documentos sequer juntados ao feito, relativos a processo administrativo em que o contribuinte sequer é parte e acobertados pelo manto do sigilo fiscal. Com a devida vênia, o ordenamento jurídico brasileiro não adota, como fundamento de decidir, a livre convicção do julgador, mas, sim, a teoria do livre convencimento motivado, sendo a motivação, portanto, inerente aos órgãos administrativo e judiciário, tal como contemplado, expressamente, no art. 2º da Lei n.º 9.784/99. Nessa toada, portanto, não se pode admitir, sob pena de violação aos cânones basilares do Estado Democrático de Direito, a sustentação de decisão com base em fatos sequer demonstrados, em parte alguma, e supostamente ocorridos extra autos. Por tais razões, ainda que se pudesse entender admissível, excepcionalmente, a chamada motivação per relationem no ordenamento jurídico pátrio, fazse mister, além da indicação do documento em que se baseou o julgador, anexálo aos autos de maneira a possibilitar a adequada defesa da parte, sob pena de violação ao devido processo legal. Este é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal, como se extrai do seguinte acórdão, cuja ementa ora se traz à baila: MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM CONSTANTE DA DELIBERAÇÃO EMANADA DA COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO. Tratandose de motivação per relationem, impõese à Comissão Parlamentar de Inquérito quando esta faz remissão a elementos de fundamentação existentes aliunde ou constantes de outra peça demonstrar a efetiva existência do documento consubstanciador da exposição das razões de fato e de direito que justificariam o ato decisório praticado, em ordem a propiciar, não apenas o conhecimento do que se contém no relato expositivo, mas, sobretudo, para viabilizar o controle jurisdicional da decisão adotada pela CPI. É que tais fundamentos considerada a remissão a eles feita passam a incorporarse ao próprio ato decisório ou deliberativo que a eles se reportou.(...)”(STF, Tribunal Pleno, MS 23452, relator Ministro Celso de Mello, j.em 16/09/1999) Em razão de todo o exposto, pois, verificandose que (i) a base de cálculo apontada pelo Ilmo. Sr. auditor fiscal colheu, para a tributação, fato absolutamente diverso Fl. 2546DF CARF MF 10 daquele apontado como fundamento para o auto de infração, bem como (ii) não apenas o próprio auto de infração, ao apontar base de cálculo e fundamentos desconexos, mas, igualmente, a própria DRJ, ao refazer o auto de infração alterando o cálculo com base em informações extra autos, acabaram por gerar cerceamento de defesa em relação ao contribuinte, entendo haver nulidade insanável, na hipótese, fazendose mister a anulação do auto de infração em relação à citada glosa de despesas com construção. MÉRITO GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL DESPESAS COM IRRF Consoante tracejado no item anterior, apenas podem ser escrituradas no livro caixa como despesas decorrentes da atividade rural, mais especificamente da parceria, aquelas relativas ao custeio da atividade e, bem assim, as de investimento consideradas necessárias à percepção dos rendimentos, bem como à manutenção da fonte produtora (art. 62, §1º, do RIR/99). Ora, como se sabe, o IRRF, ainda que relativo às retenções feitas pelas fontes pagadoras em virtude de pagamentos efetuados à parceria (o IRRF retido em pagamentos feitos pela própria parceria rural sequer são despesas suas, mas do beneficiário dos recursos), não se refere, especificamente, à atividade rural, não podendo ser considerado, pois, despesa de custeio ou de investimento para os fins específicos do art. 62, §1º, do RIR/99. Por tais razões, sendo certo que inexiste fundamento legal para sufragar a possibilidade de consideração de tais despesas no livro caixa, entendo inexistir fundamento para a irresignação da Recorrente, devendo ser mantida, destarte, a decisão recorrida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL No tocante à omissão de rendimentos decorrente da atividade rural, entendeu a fiscalização, no que foi seguida pela DRJ, que diversas Cédulas de Produtor Rural (CPR), relativas a valores antecipados pela fonte pagadora para entrega futura da produção, teriam sido liquidadas sem a correspondente emissão de nota fiscal de saída da produção, anteriormente paga. Em virtude de tal fato, entendendo o Ilmo. Sr. auditor fiscal que o contribuinte, na qualidade de parceiro, teria deixado de emitir a nota fiscal de saída para impedir a incidência do imposto de renda, diferido para o momento da efetiva entrega, lavrou o presente auto de infração, com a capitulação de multa qualificada. Especificamente em relação à tributação dos adiantamentos para entrega futura, dentre os quais as CPRs, o Regulamento do Imposto de Renda dispõe o seguinte: Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtor vendedor.(...) §2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. (...) §5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 11060.003724/201005 Acórdão n.º 2401005.407 S2C4T1 Fl. 7 11 promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais.” O parágrafo 2º do retro transcrito artigo, como se percebe, faz menção aos contratos de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura; nesse sentido, é cediço que a Cédula de Produtor Rural – CPR é um título que viabiliza o surgimento dessa relação. Sendo a CPR um título de crédito rural, regulado pela Lei n.º 8.929/94, representativo de promessa de entrega de produtos rurais, com ou sem garantia cedularmente constituída, concluise tratar de um título líquido, certo e exigível pela quantidade e qualidade do produto nela previsto. De acordo com João Luiz Coelho da Rocha “Tratase, portanto, de um título de crédito que traduz não um creditamento em dinheiro, senão um compromisso de entrega de certa qualidade de produtos rurais, em uma determinada quantidade” (ROCHA, João Luiz Coelho da. “Um título de crédito recente: A Cédula de Produto Rural”, in Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, Malheiros Editores, 2000, p. 114). Nesse sentido, Pedro Miguel Ferreira Custódio define que “A Cédula de Produto Rural, instituída pela Lei n.º 8.929/94, caracterizase como um título de crédito emitido por produtor rural ou associações de produtores rurais, incluindose as cooperativas, e, nos termos do artigo 1º da citada Lei é ‘representativa de promessa de entrega de produtos, com ou sem garantia cedularmente constituída’.” (CUSTÓDIO, Pedro Miguel Ferreira. “O Regime Tributário Aplicável às Cédulas de Produto Rural Financeira – Operações Realizadas nos Mercados Primário e Secundário”, in O Direito Tributário e o Mercado Financeiro e de Capitais, São Paulo: Dialética, 2009, p. 405). Em outras palavras, a CPR representa o compromisso celebrado entre as partes, em virtude do qual o produtor se obriga a entregar um produto rural, existente ou não no tempo em que foi firmado o acordo. Ou seja, tratase de uma venda futura, na qual o produtor rural recebe um pagamento antecipado, comprometendose a entregar a mercadoria acordada. Considerando que se trata de título líquido e certo, sua liquidação poderá ser parcial, ou então, em caso de impossibilidade de cumprimento, o pagamento antecipado poderá ser ressarcido, à exceção da CPR financeira, que não é objeto de análise, pois se ampara em regime jurídico distinto. No presente caso, à luz do quanto disposto no §2º do art. 61 do RIR/99 e tendo em vista a ausência de notas fiscais que comprovassem a movimentação dos produtos no anocalendário de 2005, a fiscalização concluiu pela omissão de rendimentos do contribuinte, uma vez que, à época dos fatos, ele era integrante de uma parceria rural que emitiu diversas CPRs, considerando como database o vencimento das CPRs no ano de 2005, pois sua liquidação faz prova da entrega do produto. Ou seja, a fiscalização, diante da falta de documentação que comprovasse a liquidação ou não das CPRs, objeto de discussão, concluiu que os referidos títulos foram liquidados nas datas previstas como data de vencimento das cédulas (todas com vencimento em 2005), fazendo prova, portanto, da entrega do produto. Em que pese, in casu, o Recorrente informar que as CPRs analisadas e que ensejaram a glosa são CPRs financeiras, bem como os contratos fazerem alusão à Lei n.º Fl. 2548DF CARF MF 12 10.200/2001, que inseriu essa subespécie de CPR, a partir da leitura de tais títulos verificase que elas não cumprem os requisitos de uma CPR financeira, não podendo ser consideras como tal. De acordo com o referido diploma, a CPR financeira deve ter explicitado, em seu corpo, os referenciais necessários à clara identificação do preço ou do índice de preços a ser utilizado no resgate do título, a instituição responsável por sua apuração ou divulgação, a praça ou o mercado de formação do preço e o nome do índice, além de ser caracterizada por seu nome, seguido da expressão “financeira” (art. 4º, incisos I e III). A partir da análise dos títulos emitidos pela parceria da qual o Recorrente faz parte, verificouse que os mencionados requisitos não foram cumpridos. Feita essas considerações, vale salientar que dessa mesma fiscalização foram autuados vários contribuintes. No caso da contribuinte e de Fábio Pinto Herter as autuações são idênticas originadas dos mesmos fatos geradores sendo que foram julgadas da mesma forma em primeira instância e apresentados Recursos Voluntários iguais a este Conselho. Considerando que o Recurso de Fábio Pinto Herter, Processo 11060.003728/201085, já foi julgado por no Acórdão n° 2101001.565, de 14/03/2012, tendo como relator do voto o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, retificado pelo Acórdão nº 210101.852, cujo julgado se amoldando com perfeição ao meu entendimento no que tange a infração de omissão de rendimentos, passo a utilizálo como fundamento desse ponto em diante, verbis: O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No tocante à parte do referido acórdão relativa à omissão de rendimentos decorrentes da liquidação das CPRs emitidas pela parceria, muito embora tenha restado apontada, na parte dispositiva da decisão, a comprovação do montante de R$ 800.000,00, verificou este relator que o referido valor, apontado no documento de fl. 325, não se refere, integralmente, aos títulos (CPRs) discutidos nos presentes autos. De fato, compulsandose o documento que fundamentou o referido entendimento, acostado à fl. 325, verificase que o montante da transferência realizada atribuível às CPRs discutidas no presente feito (i.e. n. s 272, 274, 275, 276, 277, 12000, 235, 248, 25000, 260, 178 e 279) totaliza a importância de R$ 382.577,51, e não o valor de R$ 800.000,00 apontado no acórdão embargado, razão pela qual apenas o primeiro valor deveria ser considerado para o fim de demonstrar a inexistência da alegada omissão de rendimentos. Além disso, cumpre esclarecer, no que atine ao referido aspecto, que os valores considerados omitidos em relação às citadas CPRs se referem, apenas, a 20% do valor total dos referidos títulos, na medida em que o proveito econômico de sua venda era vertido, integralmente, à parceria agrícola, da qual o contribuinte participa à proporção de 20%. Por tais razões, em relação a este ponto, deve ser mantido o provimento em parte ao recurso do contribuinte, esclarecendo se, no entanto, que o valor a ser excluído da base de cálculo utilizada para o cômputo da omissão de rendimentos é de R$ 76.315,50 (R$ 381.577,51 : 5 = R$ 76.315,50), comprovadamente restituído à Herter Cereais Ltda. Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 11060.003724/201005 Acórdão n.º 2401005.407 S2C4T1 Fl. 8 13 Observo que analisando o documento de liquidação das CPRs, fl. 328, o montante total das CPR 272, 274, 275, 276, 277, 12000, 235, 248, 25000, 260, 178 e 279, temos o seguinte: (...) Em relação as demais CPR não encontramos documentos que demonstrassem de forma inequívoca as liquidações assim devem ser mantidos os respectivos lançamentos. Por tais razões, portanto, entendo que, em relação a este ponto, deve ser dado parcial provimento ao recurso, excluindose da base de cálculo utilizada para o cômputo da omissão de rendimentos o montante de R$76.315,50 (R$381.577,51*20% = R$76.315,50). (grifei) Portanto, devese excluir da base de cálculo o montante de 76.315,50. MULTA QUALIFICADA Por fim, a recorrente contrapõese à aplicação da multa qualificada, esclarecendo não haver indícios ou documentos comprovantes da fraude, simulação ou dolo, sendo um absurdo agravar a penalidade com base em mera presunção. Pois bem. Discordo da decisão recorrida no que tange à manutenção da multa qualificada de 150% em relação à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural. Isso porque, analisando os autos, entendo que a fiscalização não comprovou o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação por parte do Recorrente. De fato, compulsandose os presentes autos, verificase que a autuação fiscal ocorreu com fundamento, exclusivamente, na data de liquidação das CPRs emitidas pelos produtores rurais, a partir das quais foi possível ao Ilmo. Sr. auditor fiscal entender que teria ocorrido a entrega da produção ao subscritor dos referidos títulos, sem a correspondente emissão das notas fiscais. Em que pese ao referido entendimento, tenho para mim que, muito embora válido o meio probatório eleito, permitindo a inferência da ocorrência da liquidação do título executivo com a conseqüente entrega da soja, pareceme que a mera inversão do ônus da prova proporcionada pela liquidação do título não permite inferir a existência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, entendo não haver provas suficientes de que tenha o contribuinte, dolosamente, deixado de emitir as notas fiscais para acobertar a não incidência do imposto de renda sobre os valores recebidos, antecipadamente, pela emissão das CPRs, sendo aplicável, destarte, o teor da Súmula n.º 14 deste CARF, vazada nos seguintes termos: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Neste diapasão, voto no sentido de afastar a aplicação da multa qualificada relativa à omissão de rendimentos provenientes da atividade rural. Fl. 2550DF CARF MF 14 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para: a) preliminarmente determinar a exclusão da base de cálculo do imposto dos valores relativos à glosa de despesas da atividade rural, despesas com construção no valor de R$ 46.740,13; b) a exclusão da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos da atividade rural do valor de R$ 76.315,50, relativo a CPRs liquidadas mediante a devolução dos valores antecipados; c) a redução da multa aplicada sobre a omissão de rendimentos ao patamar de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 2551DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901095/2014-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901095/201406 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.057 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 95 /2 01 4- 06 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901095/201406 Acórdão n.º 1402003.057 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901095/201406 Acórdão n.º 1402003.057 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901095/201406 Acórdão n.º 1402003.057 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901095/201406 Acórdão n.º 1402003.057 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901095/201406 Acórdão n.º 1402003.057 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901095/201406 Acórdão n.º 1402003.057 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915948/2008-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-006.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 48 /2 00 8- 12 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 261 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.511, de 24/09/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa se transcreve na parte que interessa ao litígio em discussão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 (...) INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção ou imunidade, pois operações isentas ou imunes não podem se submeter à alíquota zero, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. Os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negaram provimento ao recurso voluntário do contribuinte. No Recurso Especial, o contribuinte insurgiuse contra o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) ao pagamento da contribuição, alegando, em síntese, que as vendas realizadas para empresas localizadas naquela Zona Franca, para todos os efeitos fiscais, se equiparam a exportações e, por forca do disposto no art. 4º, do Decretolei nº 288/1967, c/c o art. 40 do ADCT da CF/1988, e, portanto, são isentas do PIS, nos termos do art. 14, II, c/ o § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, desde fevereiro de 1999. Por meio do despacho de fls. 206/209, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo, preliminarmente, que não se conheça do recurso, sob o argumento de que o recurso voluntário foi negado sob Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 262 3 dois fundamentos: um, por ausência de provas da certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Dcomp; e outro, pelo não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas à contribuição que resultaria nos indébitos (créditos financeiros) utilizados nas Dcomp. Contudo, o contribuinte insurgiuse apenas contra a segunda questão: isenção/imunidade das receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na ZFM. Para a primeira questão, relativa à ausência de provas, não foi suscitada divergência pelo contribuinte. Assim, havendo dois fundamentos que embasaram o acórdão recorrido, sendo cada um deles suficiente por si só, para mantêlo, e tendo o contribuinte suscitado divergência apenas em relação a um deles, o recurso não deve ser admitido. No mérito, o representante da Fazenda Nacional traçou a evolução histórica da legislação referente à isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento da pessoa jurídica, citando e transcrevendo diplomas e dispositivos legais sobre esta matéria, concluindo, ao final, que as receitas decorrentes das vendas para a ZFM somente foram desoneradas das contribuições para o PIS e Cofins depois da edição da MP nº 202, de 23/07/2004, publicada em 26/07/2004, que reduziu a zero a alíquota dessas contribuições, com vigência a partir 1º de novembro de 2004. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Consoante o acórdão recorrido, o recurso voluntário do contribuinte foi improvido sob dois fundamentos a saber: i) falta de comprovação da certeza e liquidez do indébito reclamado, ou seja, não apresentou as notas fiscais (cópias) das vendas de mercadorias para empresas localizadas na ZFM nem documentos de suas internações naquela Zona Franca; e, ii) o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas de vendas de mercadorias para aquela Zona Franca ao pagamento do PIS e da Cofins. No entanto, o contribuinte, em seu recurso especial, suscitou divergência apenas em relação ao fundamento II: o não reconhecimento da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas à ZFM. Este fato, por si só, implicaria o não conhecimento do presente recurso, tendo em vista que apenas um dos fundamentos é suficiente para o indeferimento do ressarcimento pleiteado e, consequentemente, a não homologação da Dcomp em discussão. Contudo, por força do princípio da ampla defesa, entendo que o recurso deve ser conhecido. Como se trata de matéria recorrente nesta 3ª Turma da CSRF, adoto como fundamento para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, o Acórdão de nº 9303004.932, que proferi nos autos do processo nº 10380.008890/200202, na sessão realizada em 10 de abril de 2017, reproduzido a seguir: Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 263 4 "O Sujeito Passivo sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Entendo que esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa dispõe, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 264 5 VIII de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Vale lembrar que esse status somente foi modificado pela Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 265 6 § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Tal matéria já foi objeto de discussão neste Colegiado, razão pela qual adoto como fundamentos para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, o entendimento aplicado no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, no qual foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido pela CSRF no julgamento do processo 10650.902444/201141, conforme reproduzido abaixo: A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/ 00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/ 2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/ 2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 266 7 a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais, nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia –pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decreto lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 267 8 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 268 9 posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 269 10 intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 270 11 que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte." Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Como visto, com a edição da Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei nº 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, o legislador, de forma acertada, reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu o Sujeito Passivo. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.915948/200812 Acórdão n.º 9303006.390 CSRFT3 Fl. 271 12 Assim, até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência." À luz do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904348/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES.
Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1201-002.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 43 48 /2 00 9- 80 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório de recolhimento indevido ou a maior de 2089 IRPJ – Lucro Presumido, para compensar débitos. 2. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância. 4. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, no qual informa: Em síntese, o decisum ora atacado se baseou em duas premissas básicas, quais sejam: i) a Recorrente não constituía, à época do crédito, como uma sociedade empresária; e, ii) a não apresentação de provas para a satisfação do direito da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido, para os fins de enquadramento como "serviços hospitalares". Quanto ao primeiro argumento, não deverá prosperar pelo simples fato de que o art. 2.031 do Código Civil permitiu que as empresas constituídas sob a égide do Código Civil anterior e demais legislações esparsas pudessem realizar as devidas adaptações do seu contrato social até 11.11.2007 na redação que foi dada pela Lei 11.127/2005. No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de "serviços hospitalares", cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação Aliás, da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF. Ora, se a discussão se deu exclusivamente em torno da demonstração dos créditos na respectiva DCTF, não há o que se falar da necessidade da apresentação das provas acerca do exercício da atividade de "serviços hospitalares", sob pena de preclusão. Em outras palavras, em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido. 5. Sobre a Natureza de Sociedade Empresária, refuta que não fosse sociedade empresária à época dos fatos, segundo o Código Civil: Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 4 3 Já o art. 966 define o empresário como sendo aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O parágrafo único do mesmo artigo ressalva quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Em outras palavras, quem exerce atividade intelectual em princípio, não é empresário, mas pode ser se em sua atividade estiver presente o elemento de empresa. (...) (...) A Recorrente, que possui a atividade de Laboratório de Análises Clínicas, a exerce de forma organizada e evidenciada pela circulação de serviços, necessária para a definição do conceito de "empresário", além do aspecto da mãodeobra especializada e do fator tecnológico (equipamentos modernos, muitos deles importados). A circulação dos serviços se constata também pela necessidade de contratação de diversos profissionais qualificados (bioquímicos, farmacêuticos, enfermeiros, etc.) para a perfeita prestação dos seus serviços, os sócios, ainda que sejam profissionais, não poderiam, sozinhos, dar conta da demanda de um laboratório de análises clínicas. (...) Destarte, concluise, portanto, que é descabido o argumento invocado para negar um direito líquido e certo da Recorrente, por se enquadrar, à época da constituição do crédito a seu favor, como sociedade empresária, mediante os novos conceitos instituídos pelo Novo Código Civil, ainda que seus atos constitutivos tenham sido adaptados em 09 de julho de 2004, no prazo previsto no seu artigo 2.031. 6. Sobre a Prestação dos Serviços Hospitalares, invoca INs da RFB e Solução de Consulta que protocolou: A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 12 32003, publicada no DOU de 342003, a administração tributaria firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884/94, do Ministério da Saúde. 7. Que, posteriormente a IN SRF nº 480, de 2004, com as alterações pela IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005, no art. 27, apresentou nova definição, que transcreve. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 5 4 8. E relata que protocolou consulta, recebendo resposta positiva na Solução de Consulta 12, de 16 de fevereiro de 2007, cuja ementa transcreve: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 12 de 16 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Lucro Presumido. Percentuais. Serviços Hospitalares. A pessoa jurídica que exerça a atividade de Laboratório de análises clínicas Ligada à atenção e assistência à saúde, (atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de vigilância sanitária n$ 50, de 21 de fevereiro de 2062, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 do Lei n9 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrar se nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 9 66 do Código civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n& 480, de 2904. Esse entendimento aplicase retroativamente. 9. Haja vista que o Acórdão recorrido considerou prova insuficiente a Solução de Consulta supra, anexa os seguintes documentos comprobatórios: a) Contratos de Prestação de Serviços firmados com entidades contratantes de tais serviços; b) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de laboratório de análises clínicas e patológicas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.031, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.904165/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do 3º trimestre de 2002. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.031): Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 6 5 "10. A IN SRF nº 539, de 2005, foi revogada pela IN SRF nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, alterada pela IN RFB nº 1.540, de 05 de janeiro de 2015: Dos Serviços Hospitalares e Outros Serviços de Saúde Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Art. 31. Nos pagamentos efetuados, a partir de 1º de janeiro de 2009, às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que as prestadoras desses serviços sejam organizadas sob a forma de sociedade empresária e atendam às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será devida a retenção do IR, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no percentual de 5,85% (cinco inteiros e oitenta e cinco centésimos por cento), mediante o código 6147. 11. O contribuinte, optante pelo lucro presumido, efetuou recolhimento do IRPJ apurado mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta; pleiteia que efetuou recolhimento a maior, uma vez que, como sua atividade está compreendida no conceito de serviços hospitalares, o percentual correto para a apuração é o de 8%. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Para comprovar a atividade, anexou contratos e notas fiscais; tratamse de contratos: de 17/08/1989, prestação de serviços de análises clínicas; 29/12/1989, patologia clinica; 08/03/2001, assistência médica; 01/02/2001, serviços de laboratório nas dependências do contratante; e contratos de 2003 e 2004, de serviços de análises clínicas, assistência médica, atendimento ambulatorial e procedimentos de diagnóstico e tratamento; e as notas fiscais são de 2004, tendo como objeto "Serviços prestados em exames, Materiais de produtos consumidos", "Exames laboratoriais automatizados", "material de consumo utilizado para a realização de exames automatizados". 13. Às págs. [...], consta a Alteração Contratual n° 09 e Consolidação, de 09/07/2004: SEGUNDA: O objeto da sociedade é: exploração do ramo de laboratório de análises clinicas e a importação de produtos bioquímicos para laboratórios de análises clínicas. 14. Na DIPJ 2003/2002, retificadora entregue em 18/05/2009, informou Código da Natureza Jurídica: 2062 Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada Empresa Privada; Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 85.146/02 Atividades dos laboratórios de análises clínicas, na qual informa a totalidade da receita bruta como sujeita ao percentual de 8%. 15. Não consta a DIPJ 2003/2002 original. 16. Esses elementos atestam as atividades de laboratório de análises clínicas, e de importação de produtos bioquímicos, embora a receita informada seja referente à primeira. 1 Atividade Empresarial 17. A antiga Sociedade Civil foi substituída, no novo Código, pela Sociedade Simples (CC, art. 982). a. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, Código Civil, revogado. Art. 16. São pessoas jurídicas de direito privado: I. As sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações. 18. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil vigente desde 01/2003: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 2 Lucro Presumido. Atividades Hospitalares. 19. O CARF já sedimentou o entendimento acerca da questão: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 13/03/2014 Nº Acórdão 1201000.986 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para: negar o pedido de restituição quanto aos créditos alcançados pela decadência, ao crédito relativo ao REDARF e ao crédito compensado em /duplicidade, nos termos do voto do relator, tendo sido reconhecido o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% para 8%. Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, restam compreendidas no conceito de serviços hospitalares (artigo15, parágrafo 1º, inciso III, alínea a, da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8%, relativamente ao IRPJ. 20. Transcrevese o teor do voto do Acórdão CARF supra, que analisou análoga situação relativamente a laboratório de análises clínicas, uma vez que retrata o entendimento do CARF, com o qual esta Relatora concorda: "Vencidos tais argumentos, cumprenos analisar a questão central dos autos, que se consubstancia na qualificação jurídica da Recorrente, que apresentou todas os pedidos de restituição e declarações de compensação até aqui mencionados ante o entendimento de que sua Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 9 8 atividade se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, nos termos da Lei n. 9.249/95. Aliás, a mudança de entendimento somente ocorreu após o trânsito em julgado (20 de março de 2007) da ação que não lhe reconheceu o direito de isenção da COFINS, com base na Lei Complementar n. 70/91. A partir da ciência de tal decisão, conforme acórdão prolatado pelo TRF da 1ª Região, o contribuinte passou a apresentar as DIPJ e DCTF retificadoras já analisadas, bem como as declarações de compensação com os créditos a que entendia fazer jus. A base legal da tributação encontrase nos artigos 15 e 20 da Lei n. 9.249/95, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do §1º do art 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento, (grifamos) De se notar que a legislação, para os anoscalendário sob análise, fazia clara distinção entre os serviços em geral e a prestação de serviços hospitalares. Não há dúvida, em razão da dicção normativa, que o legislador considerava que os serviços prestados pelos laboratórios eram diferentes daqueles compreendidos na expressão "serviços hospitalares", até porque em 2008 o próprio texto foi alterado para incluir, a partir do anocalendário de 2009, os serviços de laboratório na faixa de tributação de 8% do lucro presumido, conforme observamos a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 10 9 § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Sacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11. 727, de 2008) (grifamos) Portanto, atualmente é possível que um laboratório de análises clínicas seja tributado pela alíquota de 8%, observados os critérios legais, mas isso só se concretizou a partir do advento da Lei n. 11.727/2008, com para o anocalendário de 2009. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, de que mesmo antes das alterações promovidas pela Lei n° 11.727/2008, deve ser aplicada a alíquota de 8% para fins de presunção do lucro de laboratórios de análises clínicas que se enquadram em determinados requisitos. Reproduzimos, a seguir, o paradigmático acórdão: RECURSO ESPECLAL Nº 837.913 SC (200600756635) Relator: Ministro Hamilton Carvalhido Recorrente: Centro Médico São José Ltda Recorrido: Fazenda Nacional RECLUSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA ARTIGO 15, PARAGRAFO 1O, INCISO III, ALÍNEA A, DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÀLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1o, inciso III, alínea a, da Lei n° 9.249/95, antes das alterações da Lei n° 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clinicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp. n° 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido Por força de tal decisão, e ante as características da prestação de serviços laboratoriais demonstradas pela Recorrente nos autos, em razão dos diversos contratos firmados, inclusive com entidades de natureza pública, entendo forçoso reconhecer, na esteira do que decidiu o STJ, que deve ser conferido à interessada o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro, de 32° o para 8%. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10530.904348/200980 Acórdão n.º 1201002.048 S1C2T1 Fl. 11 10 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para reconhecer o direito de reenquadramento da Recorrente no coeficiente de presunção do lucro de 8%." Conclusão Voto por DAR provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de 2089 – IRPJ Lucro Presumido recolhido a maior, até o limite da diferença entre os valores apurados com o percentual de 32% e o de 8% sobre a receita bruta da atividade de serviços de laboratório de análises clínicas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.901728/2010-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ERRO MATERIAL APONTADO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE NOVA ANÁLISE PELA DRJ.
Não há vedação para que o contribuinte indique, após o despacho decisório que não homologou a compensação, erro material por ele identificado no que concerne à data de arrecadação do DARF indicado em sua DCOMP.
Com fulcro no disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, os autos deverão retornar à DRJ, para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3002-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto que rejeitou a preliminar suscitada, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário alegado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard e Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ERRO MATERIAL APONTADO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE NOVA ANÁLISE PELA DRJ. Não há vedação para que o contribuinte indique, após o despacho decisório que não homologou a compensação, erro material por ele identificado no que concerne à data de arrecadação do DARF indicado em sua DCOMP. Com fulcro no disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, os autos deverão retornar à DRJ, para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto que rejeitou a preliminar suscitada, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário alegado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard e Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Erro material. Recorrente PARTAGE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ERRO MATERIAL APONTADO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE NOVA ANÁLISE PELA DRJ. Não há vedação para que o contribuinte indique, após o despacho decisório que não homologou a compensação, erro material por ele identificado no que concerne à data de arrecadação do DARF indicado em sua DCOMP. Com fulcro no disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, os autos deverão retornar à DRJ, para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto que rejeitou a preliminar suscitada, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário alegado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard e Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 17 28 /2 01 0- 26 Fl. 91DF CARF MF 2 Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 41 dos autos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica, transmitida em 25 de maio de 2006, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 48.587,45, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), mediante Darf, em 15 de março de 2006, no valor de R$ 292.560,08, relativo ao período de apuração de fevereiro de 2005. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo – Derat SP pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 9, emitido em 22 de janeiro de 2010, fazendo o com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, discriminado na Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que se equivocou ao informar a data do pagamento do crédito como 15 de março de 2006, quando o correto era 15 de março de 2005. Solicita, assim, o cancelamento do Despacho Decisório para que sejam feitas as devidas correções na Dcomp. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a negativa de homologação (fls. 47/49), conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ESPÉCIE DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. LIMITES DA APRECIAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA No âmbito das compensações declaradas pelos contribuintes, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente declarado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.901728/201026 Acórdão n.º 3002000.202 S3C0T2 Fl. 92 3 Direito Creditório Não Reconhecido Como fundamento, consignou que, a contribuinte foi intimada, à folha 6, a conferir as informações prestadas na Dcomp, uma vez que o Darf não foi localizado e que no Termo de Intimação, a autoridade fiscal esclarece que, havendo erro no preenchimento, a contribuinte disporia de prazo para retificar a Declaração de Compensação. Ressalta, contudo, que não consta dos autos que a contribuinte tenha retificado a Dcomp, corrigindo a data do pagamento do crédito. Segue dispondo que: Se o contribuinte quiser ver modificada a informação relativa à origem do crédito declarado na Dcomp, deverá retificála antes de qualquer apreciação da compensação por parte das unidades da Receita Federal. Se assim não o fizer, terá sua compensação analisada nos estritos termos do que foi originariamente declarado, não lhe sendo lícito inovar, já em sede contenciosa, quanto às alegações e/ou fundamentos relativos à existência de seu crédito. Pois bem, assim firmado o limite da análise que se pode aqui fazer, há que dizer, de plano, que a compensação intentada pela contribuinte por meio da Dcomp objeto do presente processo não pode ser aqui homologada, pois a origem de seu possível crédito não é aquele constante do Darf informado na Dcomp. (Grifos apostos). O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 21/01/2014 (vide termo de ciência por decurso de prazo à fl. 45 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 19/02/2014, Recurso Voluntário (fls. 47/88), através do qual trouxe fundamentação jurídica bem mais robusta do que aquela apresentada em sua manifestação de inconformidade, no intuito de ter reconhecido o seu direito creditório, com a consequente homologação da compensação realizada. Em seu recurso, argumentou, inicialmente, que a decisão recorrida estaria equivocada, pois não faria sentido entender que os erros materiais somente poderiam ser corrigidos anteriormente ao despacho decisório. Repisou o argumento constante da sua manifestação de inconformidade no sentido de que, em que pese ter informado o período de apuração e vencimento correto do indébito tributário, equivocouse quanto à data de arrecadação do DARF. No intuito de comprovar o equívoco alegado, juntou aos autos, nesta oportunidade o comprovante de arrecadação (fl. 86), o qual estaria corretamente atrelado à DCTF do período (fl. 87), bem como a DCTF do período de apuração fevereiro/2016 (fl. 88), relativo ao período a que se refere o vencimento erroneamente informado na DCOMP, em que seria possível verificar que não possui qualquer relação com o pagamento ora discutido. Afirmou, com base no princípio da verdade material e nos artigos 142, 145 e 149 do CTN, que no caso de o lançamento ter se baseado em erro, omissão ou inexatidão, deve ser revisto. Sustenta, ainda, que não haveria que se falar em impossibilidade de correção do erro ou inexatidão cometido pela Recorrente na informação da data de arrecadação da guia DARF informada no PER/DCOMP, especialmente porque não traz qualquer modificação acerca da origem ou natureza do indébito tributário. Fl. 93DF CARF MF 4 Segue dispondo que, acaso se supere o argumento acima, o débito exigido em razão da não homologação da compensação não seria devido, em razão da impossibilidade de cobrança de estimativas após o encerramento do respectivo ano calendário. Esclarece que o PER/DCOMP em questão pretendeu compensar débito a título de estimativa de IRPJ referente ao período de apuração de abril/2016. Apresentou, então, pedido subsidiário no sentido de que seja reconhecida a impossibilidade de cobrança da estimativa após encerrado o anocalendário. Ao final, requereu, ainda, a realização de diligência e/ou perícia técnica, em atenção ao princípio da verdade material. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início, defendeu o contribuinte em seu Recurso Voluntário que o erro relativo à data do pagamento do DARF poderia ser revisto em observância ao princípio da verdade material e ao disposto nos artigos 142, 145 e 149 do CTN. Pediu, então, o provimento integral do seu Recurso Voluntário, para fins de reconhecer o crédito tributário de COFINS relativo ao período de fevereiro/2005, homologandose a compensação declarada. Entendo que assiste parcial razão ao contribuinte em seu pleito. Consoante restou devidamente descrito acima, a DRJ, em sua decisão, não chegou a se debruçar acerca da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, por ter adotado a premissa de que não seria admitida a análise de erros que não tivessem sido corrigidos pelo contribuinte anteriormente ao despacho decisório. Por essa razão, não chegou a analisar o mérito da contenda, relativo à existência ou não do crédito tributário alegado. Ao me debruçar acerca da premissa adotada na decisão recorrida, entendo ter a DRJ se equivocado em seus fundamentos. Isso porque, a legislação pátria não impõe qualquer impedimento para que o contribuinte traga, após o despacho decisório, informações acerca de eventual erro/equívoco constante da sua DCOMP apresentada, em especial no que tange à informação atinente ao DARF indicado na declaração apresentada. A negativa através de despacho eletrônico se justifica, em razão da não identificação do DARF. Contudo, uma vez apontado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade o erro material detectado pelo mesmo quando do preenchimento da DCOMP, tal falha há de ser averiguada, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. O entendimento da DRJ, portanto, que negou a homologação da compensação tão somente sob o fundamento da impossibilidade de análise de informações que não constaram da DCOMP originalmente enviada, não possui respaldo legal. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.901728/201026 Acórdão n.º 3002000.202 S3C0T2 Fl. 93 5 Tanto que o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, ao analisar tema análogo, discorreu sobre a possibilidade de apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório, caso em que a correção da retificação realizada deverá ser verificada pela fiscalização. É o que se extrai da transcrição a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 95DF CARF MF 6 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Entendo que a lógica apresentada no referido Parecer COSIT se estende à situação aqui apreciada. Uma vez identificada e apontada pelo contribuinte, após o despacho decisório, a origem da inconsistência que legou à não homologação da sua DCOMP, a fiscalização deverá verificar se os argumentos apresentados pelo contribuinte procedem, e não se omitir de fazêlo sob o fundamento de que deveria ter apresentado o pleito corretamente deste a sua origem. Destaquese, inclusive, que, à primeira vista, o equívoco relatado (erro na informação da data de arrecadação da guia DARF) não traz qualquer modificação acerca da origem ou da natureza do débito tributário. Acontece que tal análise não chegou a ser realizada no caso concreto ora apreciado, seja pela DRF, que não chegou a receber a informação acerca do erro no que tange à data de arrecadação do DARF, seja pela DRJ, em razão do equivocada premissa adotada por tal instância de julgamento. Entendo ter a decisão recorrida, ao assim proceder, prejudicado o sujeito passivo, pois, tendo em vista a adoção de premissa equivocada (impossibilidade de análise de erro material detectado após a transmissão da DCOMP), deixou de apreciar o mérito da contenda. E, uma vez constatada tal falha, tornase imperativa a sua correção, com amparo no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De outro norte, entendo que não seria possível à presente instância de julgamento, ao superar a referida premissa, julgar o mérito da contenda, sob pena de supressão de instância. Sendo assim, tornase imperativo o retorno dos autos à DRJ, inclusive em observância ao princípio da verdade material, para que esta analise a certeza e liquidez do crédito tributário em testilha. Por oportuno, trazse a seguir, acórdãos deste Conselho Administrativo Fiscal, prolatados em casos análogos ao presente: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.901728/201026 Acórdão n.º 3002000.202 S3C0T2 Fl. 94 7 Exercício: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de erro material do preenchimento da DIPJ com base nos valores recolhidos a título de débito de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada consignados em DARF. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. (Acórdão nº 1803002.575 de 04/03/2015). *** NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. (Acórdão nº 3803002.683 de 22/03/2012). Com fulcro nos fundamentos acima expostos, entendo que deve ser acatado o argumento preliminar do contribuinte de que a decisão recorrida incorreu em erro ao não apreciar os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Como consequência, há de ser dado parcial provimento ao recurso voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer o direito do contribuinte de ter analisado o erro material relativo à data do DARF. Uma vez superada a premissa equivocadamente adotada na decisão recorrida, considerando que a existência do crédito tributário em comento não chegou a ser analisada pela instância anterior, entendo que os autos deverão ser devolvidos à DRJ, para que esta analise a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, evitando assim supressão de instância. Diante do entendimento acima apresentado, tornase despicienda a análise do pedido alternativo apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário acerca da necessidade de conversão do julgamento em diligência e/ou designação de perícia técnica. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de, com fulcro no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, acatar a preliminar de erro suscitada pelo contribuinte e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer a possibilidade de análise de erros materiais apontados pelo contribuinte após o despacho que não homologou o pedido de compensação, e, por consequência, determinar o retorno dos autos à DRJ, para que profira nova decisão, em que seja analisada a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Fl. 97DF CARF MF 8 É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.721517/2011-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. RENÚNCIA . DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9202-006.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. RENÚNCIA . DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. RENÚNCIA . DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 15 17 /2 01 1- 94 Fl. 539DF CARF MF 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de 3 (três) autos de infração, abaixo listados, lavrados contra o sujeito passivo supra identificado em 13/04/2011 e cientificados através de Registro Postal em 01/06/2011, relativos ao período de 01/2008 a 12/2009: Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA 68, DEBCAD 37.331.5961, lavrado em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de acima citado o FPAS 639, como sendo entidade isenta das contribuições previdenciárias, quando não está habilitada a usufruir tal benefício; Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP 37.331.5970, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, e Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP 37.331.5988, relativo às contribuições patronais e referentes aos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados. Segundo Relatório Fiscal de fls. 34/47, a entidade não apresentou deferimento do pedido de isenção tanto pelo INSS, antes da edição da Lei n.º 11.457/2007, quanto pela Receita Federal do Brasil, para o período posterior, como também não apresentou a contabilidade em arquivos digitais para permitir avaliar o cumprimento dos requisitos necessários à isenção e os percentuais aplicados em gratuidade. Aduz o relatório que a entidade teve indeferido um pedido de isenção patronal através do Despacho Decisório n.º 895, em 10/12/2010, com base no §6º, do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91; que pelo Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil, PLENUSCONFILAN, há o registro do indeferimento do pedido de isenção da entidade fiscalizada em 12/03/2004 e posteriormente, não houve mais registros. O relatório conclui dizendo que a entidade de forma indevida faz uso da isenção patronal, que no período de vigência da MP 446/2008, não apresentou a contabilidade a que estava obrigada, tendo a multa dos autos de infração de obrigação principal agravada nas competências a partir de 12/2008, inclusive, pela falta de apresentação dos arquivos digitais. Para as competências anteriores à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, ou seja até 11/2008, foi aplicada a multa de mora de 24%, conforme artigo 32,II da Lei n.º 8.212/91. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10120.721517/201194 Acórdão n.º 9202006.608 CSRFT2 Fl. 3 3 A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 21/01/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302002.907 (fls. 434/449), com o seguinte resultado: “Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a competência 10/2009, frente a não definitividade do Despacho Decisório n.º 895, exarado em 10/12/2010, que indeferiu o pedido de isenção da entidade protocolado em 09/10/2009, e para que a multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.331.5961, seja calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2009 ISENÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DO GOZO DO BENEFÍCIO Ao não comprovar o cumprimento dos requisitos legais para usufruir da isenção patronal, a entidade sujeitase ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias. ISENÇÃO REQUERIMENTO A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre o benefício legal. À época dos fatos geradores vigorava o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, que exigia que a isenção fosse requerida. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 541DF CARF MF 4 O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 18/02/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 21/03/2014, Recurso Especial (fls. 451/457). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 310/2014, da 3ª Câmara, de 08/06/2014 (fls. 491/493). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2302002.907, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 21/05/2015, o contribuinte apresentou em 05/06/2015, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 503/522) contra a parte do Acórdão que lhe foi desfavorável e contrarrazões (fls. 497/502). Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 27/10/2015 (fls. 525/528) e Despacho s/nº, da CSRF, (fls. 529/530), respectivamente Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que o aresto paradigma, a despeito de não se amoldar ao caso sub examine, decorre de julgamento preferido em sessão de 27/06/2012 e que o entendimento dos acórdãos 2301004.272, 2301003.531, 2403002.971 e 2403002.954 são mais recentes. Diz que temse por incabível o recurso especial da Fazenda Nacional, considerandose o disposto no §10, do art. 67 do Regimento Interno do CARF, verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. §10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” O contribuinte atravessou documento, fls. 537, em que informa o ingresso em juízo com pedido de anulação do crédito fiscal em questão. É o relatório. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10120.721517/201194 Acórdão n.º 9202006.608 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 490. Havendo questionamento acerca do conhecimento do Resp da Fazenda, competiríamos, primeiramente, apreciar a questão, contudo, entendo que exista outra informação trazida aos autos que antecede a essa apreciação, e que implicaria não conhecimento dos argumentos trazidos pelo sujeito passivo em sede de contrarRazões. Cingese a controvérsia, às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Todavia, entendo existir uma questão que prejudica a apreciação do mérito da questão. Conforme consta de informação colacionada pelo próprio sujeito passivo, fls. 537, o mesmo ingressou em juízo com pedido de anulação do crédito fiscal em questão, senão vejamos os termos de seu documento: O Regimento interno do CARF, em seu art. 78, descreve que o ingresso em juízo com ação judicial com o mesmo objeto da lançamento, importa desistência do recurso, o que nos leva concluir pelo mesmo tratamento em relação as alegações trazidas em sede de contrarazões. Vejamos, o trecho do regimento: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. Fl. 543DF CARF MF 6 § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Com as informações colacionas pelo sujeito passivo, podemos concluir que o ingresso com uma ação anulatória em relação ao crédito em questão, enseja a aplicação do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 o qual prevê que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação tributária, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Esse mandamento já foi internalizado por este Conselho por meio da Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O Professor Marcos Vinícius Neder e a Conselheira Maria Teresa Martinez López, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (Editora Dialética. São Paulo 2010, p. 299) explicam que a súmula reflete o fundamento de que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no artigo 5º, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. A todo rigor, inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Dessa forma, devese encaminhar pelo provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional para declarar a definitividade do crédito. Conclusão Diante do exposto, caracterizada a concomitância, voto CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO,para declarar a definitividade do lançamento, tendo em vista a concomitância do processo administrativo com a ação judicial. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 544DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.914467/2009-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/03/2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 44 67 /2 00 9- 32 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 9303006.811 CSRFT3 Fl. 193 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3801001.809, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 10/03/2006 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Contribuinte interpõe Recurso Especial, aponta dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 3301001.936 10196.829. Em seguida, o Presidente da 1º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, conforme se extrai do exame de admissibilidade, ás fls. 172/175. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 177/190. No essencial é o Relatório. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 9303006.811 CSRFT3 Fl. 194 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Contribuinte referese quanto ao não provimento de seu recurso face a ocorrência de suposto erro de fato ao indicar, em pedido de compensação, como origem do crédito, DARF incorreto. In caso, a decisão recorrida entendeu em converter o julgado em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 10/03/2006, inclusive verifique se, de fato, o ônus financeiro recaiu sobre a instituição financeira. Vejamos fragmentos do aresto: "Recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de valor recolhido indevidamente, em face de que na qualidade de substituto tributário efetuou a retenção da CPMF, por equívoco, sobre operações não tributadas, seja em razão da imunidade do cliente correntista, seja em razão da não incidência da contribuição por ser o cliente órgão público. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 9303006.811 CSRFT3 Fl. 195 4 Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. A Delegacia de origem realizou diligência fiscal e constatou que a Contribuinte deixou de comprovar qualquer cobrança indevida da CPMF recolhida através do DARF de nº 2423898361, período de apuração 10/03/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 146.824.951,05, data de arrecadação 17/03/2006, objeto da DCOMP nº 01726.89096.180406.1.3.042557. Como se vê, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a Contribuinte não o comprovou por meio de provas documentais hábeis. Do retorno dos autos ao CARF, a turma a quo negou provimento ao Recurso por entender que, eventual repetição de indébito relativo a pagamento a maior de outros recolhimentos tem que ser pleiteada em processo administrativo fiscal específico. Não se trata de mero erro formal como quer fazer crer a recorrente, mas de inobservância das normas legais que regem a restituição e compensação de tributos, portanto não há possibilidade de que o PER/DCOMP seja retificado de ofício. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 3301001.936 e 10196.829: Transcrevese parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 3301 001.936: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. VERDADE MATERIAL. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Recurso Voluntário Provido. Fragmentos do acórdão: Relatório Ocorre Senhores, que a Requerente ao preencher a DCOMP Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 9303006.811 CSRFT3 Fl. 196 5 equivocouse ao informar a origem do crédito, ou seja, informou o valor referente ao DARF de R$ 38.057,28 o qual foi recolhido para a extinção do próprio período de competência objeto da compensação, quando o certo seria informar os recolhimentos a maior efetuados no período de dezembro de 2002 a junho de 2003. Voto De forma bastante clara pode ser verificado que a interessada, de fato, cometeu um erro material ao indicar que a origem de seu crédito estaria no DARF no valor de R$ 38.057,28 o qual foi recolhido para extinção do próprio período de competência objeto da compensação (novembro de 2003). Do exame da documentação trazida aos autos pela Recorrente (DIPJs, DACONs, DCTFs e DARFs) constatase, com alguma facilidade, que foram efetuados recolhimentos a maior no montante de R$ 14.521,99. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Como se observa, para a decisão recorrida seria irrelevante o fato de o contribuinte ter apresentado DCTF retificadora, uma vez que desacompanhada de provas. No caso do acórdão indicado como paradigma, houve essa retificação e comprovação. Sendo peculiaridade fática relevante para a fundamentação da decisão recorrida, resta claro que, já num primeiro plano, não se poderia ter como configurado o dissídio jurisprudencial diante da diversidade dos quadros fáticos nos quais proferidos os acórdãos confrontados. Acórdão nº 10196.829: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DComp), às fls. 1/2, não homologada através de despacho decisório (fls. 156/160), por se considerar que o crédito pleiteado na DComp original estaria zerado na data do pedido e de não ser possível aceitar a retificação do anocalendário e do valor do crédito. Diante deste parecer, o interessado, ora Recorrente, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 165/169), na qual alega que a compensação foi efetuada (conforme razão) com crédito de IRPJ, anobase 2001 — e não, como erroneamente declarado, do anobase 1998 —, cabendo a retificação por se tratar de erro material. No que tange a divergência do acórdão paradigma nº 10196.829, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, também não se comprova divergência. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 9303006.811 CSRFT3 Fl. 197 6 Para decisão recorrida seria irrelevante o fato da contribuinte ter apresentado DCTF retificadora, uma vez o processo foi convertido em diligência, e não houve a comprovação de crédito. Por outro, lado, a tese de erro material encartada pela Contribuinte, apontada no acórdão paradigma, resta contraditória, pois a decisão recorrida por meio de diligência provou que não há nenhum crédito, enquanto que o acórdão paradigma entendeu o seguinte: "Os atos administrativos emanados, não há como deixar de reconhecer os erros de fatos procedidos pelo contribuinte quando da formalização de seu pedido, eis que no processo administrativo, deve, acima de tudo, prevalecer a verdade material dos fatos e, nesse sentido, merece ser apreciado o pedido de acordo com as informações constantes do processo". Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para deferir a manifestação de inconformidade, determinando o retomo do processo a unidade de origem para que a autoridade administrativa aprecie o pedido de compensação, considerando os créditos existentes nos anos calendário 2000 e 2001". Como visto, não há qualquer divergência ou similitude fática, o acórdão recorrido converteu o julgamento em diligência, o qual restou comprovada a inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma determinou que autoridade administrativa verificasse a existência de eventuais créditos, portanto, não há o que se falar em erro material ou formal. Destarte, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.914467/200932 Acórdão n.º 9303006.811 CSRFT3 Fl. 198 7 Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.007225/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. DIPJ. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DIFERENÇAS. PROCEDÊNCIA.
Uma vez constatada que a DIPJ informou deduções a maior a título de estimativa e de IR-Fonte, sendo a diferença apurada não justificada ou comprovada pelo contribuinte, correta a cobrança de ofício do imposto que deixou de ser pago.
Numero da decisão: 1201-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Rodrigues Morgado. Ausente, justificadamente, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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AUTO DE INFRAÇÃO. DIPJ. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DIFERENÇAS. PROCEDÊNCIA. Uma vez constatada que a DIPJ informou deduções a maior a título de estimativa e de IRFonte, sendo a diferença apurada não justificada ou comprovada pelo contribuinte, correta a cobrança de ofício do imposto que deixou de ser pago. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Rodrigues Morgado. Ausente, justificadamente, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 72 25 /2 00 7- 65 Fl. 114DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Auto de Infração (fls. 50/54) que exige IRPJ, relativo ao anocalendário 2002, após revisão de ofício do lucro real declarado em DIPJ. Segundo o TVF (fls. 45/48): DIPJ FICHA 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real RETIFICACÃO DE OFÍCIO. Linha 16 Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa Considerando que somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos ou compensados, e tendo em vista a não homologação das compensações efetuados em DCTFs, para os meses de Julho a Setembro/02, dos valores devidos por estimativa de IRPJ, o valor correto a ser considerado na linha 16 é de R$ 202.525,16 (duzentos e dois mil, quinhentos e vinte e cinco reais e dezesseis centavos). Este valor representa a soma dos valores considerados como recolhidos (R$164.086,77) com o valor das compensações homologadas (R$ 38.438,39). Vide tabela 03 (fl..05), Linha 13 Imposto de Renda Retido na Fonte Transcrevemos considerações contidas na Informação Fiscal SEORT n°. 286/06: "...os valores de imposto de renda retido na fonte são considerados como antecipação do IRPJ anual podendo ser aproveitadas somente durante o anocalendário de retenção para redução do IRPJ devido, conforme arts. 2° e 64 § 3° da Lei n°. 9.430/96, não podendo, dessa forma os valores de IRRF serem utilizados na dedução de IRPJ devido em anoscalendário posteriores. Uma vez informados corretamente na DIPJ respectiva, os valores de IRRF serão convertidos, no momento da apuração anual, em saldo negativo, que poderá ser restituído ou compensado em períodos posteriores." Assim sendo, também retificamos de ofício, os valores informados na linha 13, uma vez que pelas informações contidas nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRFs (resumo na folha de n°.37) o valor Retido, no anocalendário de 2002, corresponde a R$ 8.971,83 (oito mil, novecentos e setenta e um reais e oitenta e três centavos). Isto posto, retificamos de ofício os valores contidos nas linhas 13, 16 e 18 da Ficha 12 A da DIPJ/2003, anocalendário 2002, que resuminos abaixo: [...] Em face das alterações acima mencionadas, constatamos que ao invés de um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 72.514,31, contidos na DIPJ retificadora, apresentada em 21.12.2006, apuramos um saldo devedor de R$23.780,13. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10945.007225/200765 Acórdão n.º 1201002.124 S1C2T1 Fl. 3 3 A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 56/58). Questiona a diferença de R$63.542,48 de IRFonte, afirmando que a fiscalização não teria considerado o imposto retido e pago (de R$ 63.513,21) pela Empresa Sudcoop Cooperativa Agroindustrial, CNPJ 77.595.395/80001 47 por ocasião de pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP). Em Sessão de 19/11/2009, a DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente por meio de Acórdão (fls. 79/81) que recebeu a seguinte ementa: ALEGADA COMPENSAÇÃO DO DÉBITO COM IRRF REFERENTE A JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO RECEBIDOS. O imposto retido na fonte relativo aos juros sobre capital próprio recebidos será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado, podendo ser deduzido do imposto devido, desde que os correspondentes rendimentos integrem as receitas tributáveis declaradas. A empresa interpôs recurso voluntário (fls. 85/86). Sustenta que a premissa de que ela não teria considerado o valor dos rendimentos de JCP (de R$ 423.421,43) nas receitas tributáveis informadas não procede, tendo em vista que este montante teria sido registrado na conta contábil n. 3.4.1.01.0021 (participação em resultados de controladas e coligadas), cujo saldo foi declarado na DIPJ (ficha 6A, linha 26) junto com o saldo da conta n. 3.4.1.01.0020. Após encaminhamento dos autos ao CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência (fls. 88/91) nos seguintes termos: Diante desse cenário, a decisão é pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal de origem certifique que a receita de juros sobre capital próprio está computada na linha 26 da Ficha 6A da DIPJ/2003, portanto, que foi oferecida à tributação as receitas de juros sobre capital próprio aqui sob análise no valor de R$ 423.421,43. Assim, a autoridade fiscal da Delegacia de origem deve solicitar à recorrente os lançamentos contábeis, livro diário e razão contábil com a abertura do valor constante da linha 26, bem como demais documentação que julgar necessária para comprovar que o valor consta dessa linha. Em seguida a autoridade fiscal responsável emitiu o Termo de Informação Fiscal de fls. 94, do qual a contribuinte, mesmo intimada, não se manifestou (fl. 108). É o relatório. Voto Fl. 116DF CARF MF 4 Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. As razões que levaram a DRJ a julgar a autuação procedente foram assim justificadas na decisão recorrida: 6. Verificase que a litigante não computou como receita, na apuração da base de cálculo do IRPJ, os R$ 423.421,43 de juros sobre capital próprios recebidos da então Sudcoop, conforme se pode verificar à fl. 28, ficha 06 A, linha 23. 7. Obviamente, é condição, para se deduzir o IRRF do IRPJ anual apurado, que as correspondentes receitas tenham sido computadas como tributáveis na declaração. De fato, de uma análise superficial da DIPJ, Ficha 06A Demonstração do Resultado (fls. 30), é possível deduzir a não inclusão das receitas de JCP, afinal a Linha 23 Receitas de Juros sobre o Capital Próprio, apta ao registro desta informação, encontrase zerada. Ocorre que a contribuinte, no recurso voluntário, sustenta que a receita em questão, na verdade, teria sido incluída na Linha 26 Resultados Positivos em Participações Societárias. O valor informado na Linha 26, ressaltese, é de R$ 1.412.493,40 (fls. 30), mas o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis do AC 2002, bem como nenhum demonstrativo analítico da sua composição. Diante da dúvida que permaneceu, foi determinada diligência tendente a verificar a inclusão ou não da receita de JCP na referida Linha 26, da Ficha 06A, da DIPJ do AC 2002. Em atendimento, a autoridade fiscal competente assim se manifestou: 1. A empresa foi intimada em 03102014, via Postal, com recebimento em 07102014, conforme Aviso de Recebimento AR, a apresentar seu livro contábil Razão correspondente ao ano calendário de 2002. 2. Em 20102014, via Procurador legalmente habilitado, a empresa efetuou a entrega dos seguintes documentos, conforme Carta Protocolo (anexada a esta Informação Fiscal): · Cópia em meio magnético do razão contábil ref. o 19 semestre de 2003; · Cópia das páginas onde se encontram os lançamentos contábeis sendo: conta 3.4.1.01.01.021 30/04/2003 conta 1.1.2.03.10.0010 28/02/2003 (grifos não constam do original) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10945.007225/200765 Acórdão n.º 1201002.124 S1C2T1 Fl. 4 5 3. Analisando os documentos apresentados constatei que a conta contábil 1.1.2.03.10.0010IRF A COMPENSAR (Ativo Realizável) contém o registro à débito de R$ 63.513,21, em 28 022003 e a conta contábil 3.4.1.01.01.0021PARTICIP. RESULTADO DE CONTR. E COLIGADAS (Conta de Resultado) contém o registro à crédito de R$ 423.421,43, em 30042003. 4. Também estou anexando a esta Informação Fiscal cópia das folhas do livro contábil Razão entregue em meio magnético, com os mesmos registros do item 3 acima. Como se nota, a autoridade diligenciante se certificou de que a referida receita de JCP e respectivo IRFonte dizem respeito ao ano calendário de 2003, e não ao ano calendário de 2002, este sim objeto do lançamento. Dessa forma, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
