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Numero do processo: 10814.010021/2005-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.075
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 07/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/08389403, em 30/09/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 398,86 (trezentos e noventa e oito reais e oitenta e seis centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias n’s 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5°, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006463/200587 (fls. 44), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 30/09/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/08389403, tendo deixado de pleitear o beneficio em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 05/12/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 398,86 (trezentos e noventa e oito reais e oitenta e seis centavos) pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 24 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010021/200535 Acórdão n.º 3102001.075 S3C1T2 Fl. 2 3 certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 47). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 47). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATORIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, beneficio este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um beneficio condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 48/49 Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, 'foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 50/53). Inconformado com o indeferimento de seu pleito o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 57/71, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 57/71 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITORIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010021/200535 Acórdão n.º 3102001.075 S3C1T2 Fl. 3 5 Conforme art. 165 da Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio misto de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.010021/200535 Acórdão n.º 3102001.075 S3C1T2 Fl. 4 7 Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 03 de junho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10166.723048/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - O erro na identificação do sujeito passivo representa vício insanável, quanto à existência do Ato Administrativo de Lançamento, em face do estabelecido nos artigos 132 e 142 do CTN, e do artigo 5º, inciso I, do Decreto-lei n.º 1.598, de 1977.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1101-001.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, e; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. O Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, acompanhou a declaração de voto do Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Na sessão de fevereiro/2015, fizeram sustenção oral os patronos da Recorrente, Dr. Élvis Del Barco, OAB/DF nº 15.192 e Dr. José Ribamar Barros Penha, OAB/DF nº 34.127, que acompanhou o julgamento.
[documento assinado digitalmente]
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
[documento assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, e; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. O Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, acompanhou a declaração de voto do Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Na sessão de fevereiro/2015, fizeram sustenção oral os patronos da Recorrente, Dr. Élvis Del Barco, OAB/DF nº 15.192 e Dr. José Ribamar Barros Penha, OAB/DF nº 34.127, que acompanhou o julgamento. [documento assinado digitalmente] Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente [documento assinado digitalmente] AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 30 48 /2 01 0- 31 Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.578 2 Antônio Lisboa Cardoso – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Adoto o relatório da diligência elaborado pelo Conselheiro Mário Sério Fernandes Barroso, que determinou o sobrestamento do feito com fulcro no art. 62A do RICARF, nos seguintes termos: Em 13/12/2010, durante procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foram lavrados, contra o sujeito passivo acima qualificado, autos de infração, todos referentes aos anos calendários de 2005 e 2006, para a exigência dos seguintes tributos: a) Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 2.967.630,19, compreendendo o valor relativo ao IRPJ, juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício (fls. 4 a 40). b) Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 2.057.228,39, compreendendo o valor relativo ao IRRF, juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício (fls. 41 a 60). c) Contribuição para o PIS/Pasep – PIS, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 846.712,68, compreendendo o valor relativo ao PIS, juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício (fls. 61 a 94). d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 1.400.765,37, compreendendo o valor relativo à CSLL, juros de mora calculados até 30/06/2010 e multa de ofício (fls. 95 a 129). e) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 3.907.906,68, compreendendo o valor relativo à Cofins, juros de mora calculados até 30/06/2010 e multa de ofício (fls. 130 a 160). Consoante descrição dos fatos contida nos Autos de Infração acompanhados dos respectivos demonstrativos de apuração, os lançamentos decorreram de: • IRPJ – RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) – REVENDA DE MERCADORIAS • IRRF – IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE BENEFÍCIOS INDIRETOS Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.579 3 • IRRF – IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA • PIS – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS • CSLL SOBRE O LUCRO ARBITRADO • COFINS – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS A REAL IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Em 29 de junho de 2009, teve início o procedimento fiscal autorizado objetivando verificar a correta apuração de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins devidos no ano calendário de 2005 e 2006 pela pessoa jurídica ÂNCORA ATACADISTA LTDA, CNPJ nº 05.395.636/000101 (fls. 165 a 168), visto constar movimentações financeiras de R$ 26.903.471,70, em 2005, e R$ 31.460.024,34, em 2006, e a sociedade haver informado faturamento ZERO em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (fls. 169 a 196). A fim de dar ciência ao sujeito passivo, a fiscalização compareceu ao endereço da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA, entretanto, a empresa não mais existia ali. Segundo informações colhidas no local, a empresa teria sido transferida para a QI 29, lotes 26, 27 e 28 em Taguatinga Norte DF. No endereço indicado, segundo informações de um empregado do local, funcionava a empresa ALFA ALIMENTOS LTDA, CNPJ nº 08.579.052/000176, dirigida por MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL. O contrato social da empresa ALFA ALIMENTOS LTDA indicava como contador o Sr. ANTONIO SABINO SOBRINHO, CPF nº 084.570.69187, coincidentemente, o mesmo contador da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA. Em atendimento ao Termo de Intimação nº 1 (fls. 1.552) o contador ANTONIO SABINO SOBRINHO informou em depoimento (fls. 1.549 a 1.551) que a Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL seria a real dirigente da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA e responsável pelas fraudes apuradas pela fiscalização. Apontado pelo locador do antigo endereço da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA como pessoa com quem havia fechado o negócio da locação e como proprietário da empresa juntamente com a Srª MAGNA, o Sr. ERICO SOUZA FERREIRA, CPF nº 066.857.14115, conhecido como TITO, informou (fls. 1.554 a 1.556) que a Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL, sua esposa, teria vínculos sociais apenas com a empresa ALFA ALIMENTOS LTDA, não participando do quadro societário da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA. Intimada pelo Termo de Intimação Fiscal nº 3 (fls. 1.574), a Srª MAGNA confirma sua presença à frente das empresas ÂNCORA e ALFA, porém na condição de empregada e prestadora de serviços, respectivamente. Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.580 4 Intimada novamente pelo Termo de Intimação Fiscal nº 44 (fls. 1.582) a apresentar carteira de trabalho que confirmasse seu vínculo empregatício com empresa ÂNCORA, a Sr. MAGNA, quedouse silente e não apresentou o documento solicitado. A fiscalização intimou a prestar esclarecimentos o Sr. JOSÉ SÉRGIO DE SOUZA PIMENTEL, CPF nº 234.023.79120, irmão da Srª MAGNA, gerente do setor de compras e armazenamento de mercadorias da empresa ÂNCORA e atual sócio da empresa ALFA (Termo de Intimação Fiscal nº 4, fls. 1.592). Em depoimento (fls. 1.596 a 1.597), o Sr. JOSÉ SÉRGIO afirma ser sócio da empresa ALFA, informa ser alcoólatra crônico e que não teria vínculos empregatícios com a empresa ÂNCORA. Intimado a apresentar sua carteira de trabalho, não a forneceu à fiscalização. A filha da Srª MAGNA, a Srª CLÁUDIA MAYRA DE SOUZA FERREIRA, que atuou como administradora da empresa ÂNCORA, por força de procuração lavrada no Cartório do 5º Ofício do Distrito Federal (fls. 2.158 e 2.159), declara (fls. 1.599 a 1.601) que esteve raras vezes na sede da empresa ÂNCORA, e afirma que sua mãe era apenas empregada de tal empresa. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 07 (fls. 1.606), a Srª AMANDA DA COSTA BEZERRA, CPF nº 009.279.05183, empregada do escritório de contabilidade que cuidou da redação dos contratos sociais das empresas ÂNCORA e ALFA, confirmou que a Srª MAGNA era a efetiva gerente da sociedade ÂNCORA (fls. 1.604 a 1.605). Também foi ouvido pela fiscalização o Sr. EDUARDO RODRIGUES, contador e proprietário da empresa de Contabilidade Porto Seguro Ltda, que em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 19 (fls. 1.614), informou que os contratos sociais das empresas FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA e PISTÃO AUTO SHOPPING, teriam sido redigidos e levados a registro e arquivamento apenas com a apresentação de cópias de documentos apresentados por parentes da Srª MAGNA, sem a presença física simultânea dos sócios alienantes e compradores das quotas (fls. 1.608 a 1.610). A.1 IDENTIFICAÇÃO DOS SÓCIOS – INTERPOSTAS PESSOAS No esforço para identificar o real sujeito passivo, foram intimados, via postal, os sócios indicados no Contrato Social e alterações (fls. 200 a 219), a saber: • MARIA DILMA DA SILVA SANTOS – sócia e administradora, com 90% das quotas do capital da empresa, no período de 01/11/2002 a 13/10/2006 (Termo de Intimação Fiscal nº 14 – fls. 1.627); • HEBER ROCHA DA SILVA – sócio e administrador, com 10 % das quotas, no período de 01/11/2002 a 20/03/2007 (Termo de Intimação Fiscal nº 16 – fls. 1.648); • JOSÉ CARLOS FERREIRA – falecido em 20/04/2010, sócio e administrador com 90% das quotas, a partir de 20/03/2007 (Termo de Intimação Fiscal nº 10 – fls. 1.616 a 1.617); Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.581 5 • JOSÉ ALVES BARBOSA – sócio, com 10% das quotas, a partir de 20/03/2007. A intimação de MARIA DILMA DA SILVA SANTOS foi recebida no endereço por LETÍCIA PIMENTEL, mas não foi atendida. Já aquelas dirigidas a HELDER ROCHA DA SILVA, JOSÉ CARLOS FERREIRA e JOSÉ ALVES BARBOSA retornaram com a indicação de serem pessoas desconhecidas nos endereços. O Sr. JOSÉ ALVES BARBOSA foi novamente intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 15 – fls. 1.621), por meio do advogado e procurador da empresa ÂNCORA, o Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO, e apresentou atestado médico que o afastava do trabalho, por 6 meses, para tratamento de alcoolismo crônico, com evolução para cirrose hepática (fls. 1.622). Houve então o Termo de Intimação Fiscal nº 64 (fl. 304 a 305) para que o Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO, procurador da empresa ÂNCORA, comparecesse à DRF Brasília em companhia das pessoas que configuraram o quadro societário da empresa. O Termo de Intimação Fiscal nº 111 (fl. 1.631), dirigido à Srª MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, recebido em sua residência por Jannsem Pimentel, intimavalhe a comparecer à Receita Federal, entretanto, não houve o atendimento à intimação. Houve apenas a informação, por meio do Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO de que ela teria viajado para São Paulo (fls. 1.633 a 1.634). Novamente a Srª MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, por intermédio do advogado e procurador Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO, foi intimada a comparecer à Receita Federal (Termo de Intimação Fiscal nº 136 – fls. 1.639) e finalmente atendeu à ordem fiscal, entretanto, reservouse o direito de permanecer calada ante as perguntas que lhe foram feitas (fls. 1.643 a 1.644). Também o Sr. HELDER ROCHA DA SILVA, atendeu ao chamado fiscal (Termo de Intimação Fiscal nºs 151 e 156 – fls. 1.651 e 1.653 a 1.654) e, em depoimento na presença do advogado Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO, confessou ter sido usado como interposta pessoa (laranja), mediante remuneração e que (fls. 1.655 a 1.656): • Não tem parentesco com a Srª MAGNA, tendo ela sido casada com um primo seu, conhecido como TITO, e falecido em agosto de 2010. • Possui apenas um telefone celular, uma conta na Caixa Econômica Federal, com saldo médio nunca superior a R$ 1.000,00, e um carro Fiat. • Já forneceu cópia de sua identidade e seu CPF para registrarse como sócio da empresa ÂNCORA, mas que não colocou nenhum capital na empresa, apenas emprestou seu nome para constar no contrato social, e em troca recebia menos de um salário mínimo mensal por esse empréstimo. • Não trabalhava e era alcoólatra. Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.582 6 • Havia emprestado seu nome também para constituir a empresa PISTÃO AUTO SHOPPING, por meio da Srª MARIA DILMA. • Nunca trabalhou na empresa ÂNCORA, estando lá apenas poucas vezes para receber a remuneração acertada em troca do seu nome no contrato social. • Não sabe informar o endereço da empresa ÂNCORA. • Não sabe informar o nome da pessoa que o substituiu na empresa ÂNCORA e nem o quanto essa pessoa recebeu. • Não conhece o nome do contador das empresas ÂNCORA e PISTÃO. • Já trabalhou como empregado, no regime da CLT, numa empresa de lavajato em Taguatinga. • Nem ele, nem a esposa, possuem ou possuíram imóvel. • Não sabe a razão de constar na DIPJ da empresa ÂNCORA informação com supressão de todos as receitas e despesas, pois nunca participou da sua administração. Pelo Termo de Intimação Fiscal nº 156 (fls. 1.665), a empresa ÂNCORA foi novamente intimada a apresentar os sócios JOSÉ CARLOS FERREIRA e JOSÉ ALVES BARBOSA. O Sr. ELVIS DEL BALCO CAMARGO informou falecimento do Sr. JOSÉ CARLOS FERREIRA (certidão de óbito fls. 1.668) e que não sabia como encontrar o Sr. JOSÉ ALVES BARBOSA (fls. 1.667). A. 2 INVESTIGAÇÃO DA VERDADEIRA TITULARIDADE/GERÊNCIA A. 2. 1 JUNTO A CLIENTES Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 59 (fls. 1.669 a 1.675), a empresa MERCADO YOMA LTDA informa que o proprietário da empresa ÂNCORA atendia pelo nome de TITO (marido da Srª MAGNA). A. 2. 2 JUNTO A FORNECEDORES A empresa CARAMURU ALIMENTOS S.A., em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 50 (fls. 1.676 a 1.689), apresenta a seguinte informação em na ficha de cadastro da empresa ALFA: “24/04/2003 – representante nos informou que este cliente é sucessor de Zeferino Souza e Souza Cód. 2958. NAA. ALTERAÇÃO: ÂNCORA ATACADISTA PASSA A SER ALFA ALIMENTOS LTDA., o comprador/gerente genro do Sr. Tito, SÉRGIO, passa a ser acionista. NESTA EMPRESA, Sr. Tito (PROPRIETÁRIO) se licenciou da vice prefeitura de águas lindas de Goiás e voltou a administrar as empresas (Elismar conhece o Sérgio). Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.583 7 10/03/2007 – o cliente ÂNCORA a partir de agora estará desativado, não terá mais movimentação no mercado.” A. 2. 3 JUNTO A EMPREGADOS Em resposta a intimações, os empregados da ÂNCORA ATACADISTA LTDA afirmaram que a proprietária e gerente da empresa eram a Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL. Segundo o Sr. APOLÔNIO BARBOSA DOS SANTOS, CPF nº 013.101.16180 (Termo de Intimação Fiscal nº 115 – fls. 1.695), carregador, o proprietário da empresa seria o Sr. TITO, que raramente ia à empresa; que a Srª MAGNA era quem dirigia a empresa; que o gerente era o irmão da Srª MAGNA, o Sr. SÉRGIO (fls. fls. 1.690 a 1.691). Segundo o Sr. HÉLIO SAMPAIO DE OLIVEIRA, CPF nº 788.266.91134 (Termo de Intimação Fiscal nº 118 fls. 1.701), auxiliar de escritório, a proprietária da empresa era a Srª MAGNA, esposa do Sr. TITO, que a via constantemente na empresa, enquanto raramente via o Sr. TITO (fls. 1.697). A. 2. 4 JUNTO AOS CADASTROS BANCÁRIOS NO BANCO DO BRASIL As operações revelam a presença, de forma disfarçada, da Srª MAGNA à frente dos negócios da empresa ÂNCORA. Como garantia para a concessão de linhas de crédito foram apresentadas as seguintes escrituras (fls. 1.705 a 1.728): • Gleba de 10 alqueires em Luziânia – GO, de propriedade de NOVA AMÉRICA TRANSPORTES E AGROINDUSTRIAL LTDA, sociedade constituída por CARMO FERREIRA DE SOUZA, sogro da Srª MAGNA. • Propriedade rural de 6 alqueires em São Sebastião do Descoberto – DF, de propriedade de COTRAMA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E TRANSPORTES AMÉRICA LTDA, de propriedade de ÉRICO SOUZA FERREIRA, falecido em 2010, exmarido da Srª MAGNA. • Casa no Lago Sul – Brasília – DF, então residência da família da Srª MAGNA e de propriedade de FÊNIX TRANSPORTADORA E AGROINDUSTRIAL LTDA, razão social alterada para FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA, que adquiriu o imóvel da Srª MAGNA. • Prédio em Taguatinga – DF, de propriedade da empresa FÊNIX, que na época era gerida pela Srª MAGNA. • Propriedade adquirida da Terracap pela empresa FÊNIX, que na época era gerida Srª MAGNA; • Galpão em Taguatinga – DF, de propriedade da empresa FÊNIX, que na época era gerida Srª MAGNA; Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.584 8 No “Contrato para Desconto de Títulos – Cláusulas Especiais”, além dos sócios constantes no contrato social da ÂNCORA, figuram como fiadores, a Srª MAGNA e seu esposo ÉRICO, conhecido como TITO. O documento “Análise de Risco”, elaborado pelo Banco do Brasil, revela a gerência da empresa ÂNCORA pela Srª MAGNA, nos seguintes termos: “I) Grupo Empresarial: Na análise de 25/07/2003 (DICREBSB 2003/001752), a empresa ‘Âncora Atacadista’ formava Grupo Empresarial com outras três: Zeferino Souza & Souza Ltda., Brasil Beneficiamento e Empreendimento de Cereais Ltda., e Fênix Marketing e Transportes Ltda., em função do controle único, notadamente da área financeira, da Srª MAGNA José de Souza Pimentel. Ressaltese que, de acordo com informações da Srª MAGNA, a qual continua como procuradora e responsável pela área financeira da ‘âncora Atacadista Ltda’ e da Fênix Marketing e Transportes Ltda.’ Essas empresas continuam ativas e existe relação de parentesco, e embora distante, entre os sócios da ‘Fênix’ e da ‘Âncora Atacadista’. Informounos, ainda, que foi efetuada alteração no contrato da ‘Fênix”, para que referida empresa possa avalizar operações de outras empresas, visando avalizar operações de ‘Âncora Atacadista’, quando necessário.” A. 2. 5 JUNTO DOS GERENTES DE CONTAS BANCÁRIAS A. 2. 5. 1 BANCO REAL (SANTANDER) Foi ouvido o Sr. RONALDO NUNES DE RESENDE, reestruturador de crédito do Banco Real (Santander), da praça de BrasíliaDF, que revelou (doc 15 – fls. 1.788 a 1.790): • Realizou reestruturação de crédito da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA, em 30/04/2007 com data final de 30/04/2008, no montante aproximado de R$ 200.000,00 • A garantia da operação era aval da sócia da empresa e o da Srª MAGNA • Os contratos mantidos pela empresa durante o período de renegociação do débito foram efetuados, com a Srª MARIA DILMA DA SILVA e a Srª MAGNA JOSÉ SOUZA PIMENTEL. A. 2. 5. 2 BANCO RURAL/ABN Real Foi ouvido o Sr. JURANDIR SILVA REGO, que revelou que (fls. 1,794 a 1.795): • Foi gerente da conta da empresa Âncora durante o período em que trabalhava na agência da 502 Norte (678) do Banco ABN Real S/ª • Conheceu a Srª MAGNA e seu esposo, o Sr. TITO dos círculos sociais de Taguatinga – DF, por época de captação de clientes par ao Banco Rural, antes de abrir a conta da empresa no ABN Real. Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.585 9 • Os contatos feitos no endereço da empresa ÂNCORA, na área administrativa e financeira, eram feitos quase sempre com a Srª MAGNA • Nos seus contatos com a empresa, não conheceu ninguém chamado HELDER. • É difícil saber, mas acha que conheceu a Srª MARIA DILMA. • Nunca tratou com o Sr. HELDER. A Srª MARIA DILMA assinada borderôs, mas não pode afirmar que os reconheceria se os visse. • Certamente reconheceria a Srª MAGNA e o Sr. TITO. 2. 5. 3 BANCO DO BRASIL Na oitiva do Sr. ROBERSON PATRÍCIO ALVES DA COSTA, gerente de contas no Banco do Brasil, agência nº 3383, localizada no Edifício Number One, no período de janeiro de 2005 a julho de 2007, foi declarado que (fls. 1.800 a 1.801): • Era o responsável pelo atendimento à conta da empresa ÂNCORA. • Em junho de 2007, lembrase de que a liquidez da carteira de cobrança apresentava problemas de inadimplência, por isso visitou a empresa e foi informado que estavam operando outra empresa. Quando os visitou, constatou que as pessoas que operavam a empresa ÂNCORA eram as mesmas que estavam operando a nova empresa. • A Srª MAGNA era a responsável pelos relacionamentos da empresa com o Banco do Brasil. • Entre janeiro e fevereiro de 2005, visitou a empresa ÂNCORA, onde fez contato exclusivamente com a Srª MAGNA. • Periodicamente visitava a empresa no interesse do relacionamento com o Banco, e que sempre falava com a Srª MAGNA ou seu esposo, um político, que se apresentavam sempre como os donos do negócio. • Não conheceu e não fez contato com HELDER e MARIA DILMA, pessoas que constam como sócias da empresa ÂNCORA em seu Contrato Social. • Quando questionou a Srª MAGNA por ter constatado que a situação societária da empresa não constasse seu nome, ela lhe justificou que estaria com problemas fiscais oriundos de uma antiga empresa. Tal fato foi relatado a seus superiores. Na oitiva do Sr. MAURÍCIO CARVALHO CÉSAR DE MORAES, gerente do Banco do Brasil, agência nº 3383, localizada no Edifício Number One, no período de abril de 2003 a dezembro de 2004, foi declarado que (fls. 1.805 a 1.806): • Era o responsável pelo atendimento à conta da empresa ÂNCORA. Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.586 10 • Visitou a empresa ÂNCORA várias vezes. • Os contatos com a empresa eram efeitos com a Srª MAGNA, pois ela se apresentava como proprietária da empresa ÂNCORA. • Não fez contato, nem conheceu as pessoas que se apresentavam no contrato social como sócias, HELDER e MARIA DILMA. • Tendo constatado a situação societária da empresa de não estar constituída em nome de MAGNA, mas de interpostas pessoas, que não se apresentavam perante o Banco do Brasil para efetuar os contatos e negociações, porém apenas quando apresentavam situações em que necessitavam de assinatura, quando quem assinava eram as pessoas que constavam do contrato social, questionou tal fato à Srª MAGNA, que justificou como tendo restrições em seu nome. • Tal fato foi reportado a seu superior, o Sr. MARCELO FERNANDES DE ASSIS, que junto com ele visitou a empresa algumas vezes. • No processo de migração da conta de Taguatinga para a Agência Empresarial Brasília, a empresa foi visitada por funcionários das duas agências que apresentaram o modelo de atendimento e a proposta à cliente de migração de conta. 3 PROVAS SEGUNDO INSCRIÇÕES NOS VERSOS DE CHEQUES PAGOS Observase no verso de cheques emitidos pela empresa, inscrições e rubricas do gênero: Conf. C/MAGNA 9:55, Conf. C/MAGNA 10:51, etc. (fls. 1.870 a 1.894). A. 4 DESTINAÇÃO DE RECURSOS, DE FORMA DISFARÇADA, DA EMPRESA ÂNCORA PARA A SRª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL E SUA FAMÍLIA. A pesquisa fiscal identificou a destinação disfarçada de recursos da empresa ÂNCORA para a Srª MAGNA e sua família. As retiradas de patrimônio e lucro não têm qualquer registro contábil. Os casos encontrados foram os seguintes: • DALVA FERREIRA, CPF nº 224.590.14104, cunhada da Srª MAGNA. Recebeu R$ 246.070,42, em cheques. Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF da Srª DALVA. Intimada pelo Termo de Intimação nº 106 a comparecer perante a Receita Federal, a Srª DALVA ignorou a ordem legal. • JOTA CARMO FERREIRA, CPF nº 144.548.15100, cunhado da Srª MAGNA. Recebeu R$ 39.841,36, em cheques (fls. 1.897 a 1906) Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. Intimado pelo Termo de Intimação nº 107 (fls. 1.895) a comparecer perante a Receita Federal, o Sr JOTA ignorou a ordem legal. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.587 11 • ERICO MARCELO DE SOUZA FERREIRA, CPF 000.288.29140, filho da Srª MAGNA. Recebeu R$ 9.300,00, em cheques (fls. 1.909 a 1.910). Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. Intimado pelo Termo de Intimação nº 108 (fls. 1.907) a comparecer perante a Receita Federal, o Sr ÉRICO ignorou a ordem legal. • BRUNO DA SILVA MATOS, CPF n º 004.449.59190, Motoboy da empresa. Recebeu R$ 6.000,00 pelo cheque nominal nº DY000214, do Banco Itaú (fl. 1.914). Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. Intimado pelo Termo de Intimação nº 79 (fls. 1.913) a comparecer perante a Receita Federal, o Sr BRUNO prestou os seguintes esclarecimentos: Sacou o dinheiro no caixa do banco por conta e ordem da Srª MAGNA, sua chefe. Foi funcionário da empresa ÂNCORA por aproximadamente 6 meses entre 2005 e 2006. Recebeu o referido cheque das mãos da Srª MAGNA, que em seu entendimento era a dona da empresa, pois eram quem despachava todos os serviços, dava ordem aos funcionários, conferia o dinheiro em espécie e os documentos recebidos pela empresa. Já levou documentos da empresa ÂNCORA para o contador, Sr. TONINHO, a mando da Srª MAGNA. • MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, CPF nº 573.064.43100, cunhada da Srª MAGNA, utilizada como sócia ”laranja”. Recebeu R$ 1.123.218,58, em cheques (fls. 1.916 a 1.975). Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. Intimada a comparecer perante a Receita Federal, a Srª MARIA DILMA apresentouse à RFB acompanhada do advogado da empresa Sr. ELVIS DEL BARCO CAMARGO, e afirmou que não responderia a nenhuma pergunta, utilizando seu direito constitucional de permanecer calada. A. 5 DESTINAÇÃO DE RECURSOS, SOB A FORMA DE BENEFÍCIOS INDIRETOS, DA EMPRESA ÂNCORA PARA A SRª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL E SUA FAMÍLIA. • BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A – CNPJ 27.665.207/000131 Foi pago pela empresa ÂNCORA R$ 30.000,00 em cheques para “Seguro de Vida com Cobertura de Sobrevivência – VGBL e Coberturas de Risco”, em benefício da Srª MAGNA e de seus filhos CLÁUDIA MAYRA DE SOUZA FERREIRA e ERICO MARCELO DE SOUZA FERREIRA e de sua cunhada MARIA DILMA DA SILVA SANTOS (fls. 1.998 a 2.002). Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro nas DIRPF dos beneficiários. • GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A E TV GLOBO LTDA – CNPJ 27.875.757/000102 e 33.252.156/000119 Foi paga pela empresa ÂNCORA a Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.588 12 importância de R$ 392.279,50 (fls. 2.002 a 2.020) para pagamento de dívidas da Srª MAGNA, do Sr. JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL, de CLÁUDIA MAYRA DE SOUZA FERREIRA, e da empresa PISTÃO AUTO SHOPPING COMÉRCIO DE VEÍCULOS, também de propriedade da Srª MAGNA, mas em nome de “laranjas”. Sem registro nos livros Diário e Razão. • KYOTO STAR MOTORS S/A – CNPJ 02.794.197/000103 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 33.700,00, mediante autorização de débito em conta do BB, agência 42056, c/c 132373 (fls. 2.048 a 2.050), pela compra de veículos para a empresa FÊNIX MARKETING E TRANSPORTE LTDA, também de propriedade da Srª MAGNA, mas em nome de “laranjas”. Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. • PISTÃO EVENTOS LTDA – CNPJ 05.470.648/000145 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 225.650,00, em cheques (fls. 2.057 a 2.067), para a empresa PISTÃO EVENTOS LTDA, também de propriedade da Srª MAGNA, mas em nome de “laranjas”. Sem registro nos livros Diário e Razão. • CVP COMERCIAL DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA – CNPJ 00.569.905/000187 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 20.990,00, pelo cheque 011354, agência 0678, c/c 57462399, do Banco Real (fls. 2.079 a 2.084), para a compra de veículo para a empresa PISTÃO AUTO SHOPPING COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA, também de propriedade da Srª MAGNA, mas em nome de “laranjas”. Sem registro nos livros Diário e Razão. • MOTODANY PEÇAS E SERVIÇOS LTDA – CNPJ 03.005.255/000135 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 4.290,00, pelo cheque 010770, agência 0678, c/c 57462399, do Banco Real (fls. 2.086 a 2.095). Tratase despesa contraída por CLÁUDIA FERREIRA, filha da Srª MAGNA, por conta da PISTÃO EVENTOS LTDA, de uma motocicleta faturada em nome de FC VEÍCULOS LTDA. Sem registro nos livros Diário e Razão. Sem registro em sua DIRPF. • TAGUAUTO TAGUATINGA AUTOMÓVEIS E SERVIÇO LTDA – CNPJ 00.101.378/000181 Foi paga pela empresa ÂNCORA a importância de R$ 9.600,00, pelo cheque 010841, agência 0678, c/c 57462399, do Banco Real (fls. 2.097 a 2.111). Tratase despesa contraída por CLÁUDIA FERREIRA, filha da Srª MAGNA, para aquisição de veículo novo. Sem registro nos livros Diário e Razão. A. 6 UTILIZAÇÃO PELA SRª MAGNA DE IMÓVEL ADQUIRIDO E VENDIDO POR ELA EM NOME DE EMPRESA TITULADA POR LARANJAS E SUA ALIENAÇÃO MEDIANTE SUBFATURAMENTO. Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.589 13 O imóvel localizado na QI 08, conjunto 16, casa 7, Lago Sul, Brasília, DF, era utilizado como residência da família da Srª MAGNA, conforme pode ser apurado no depoimento de seu filho (2.113 a 2.114). Na escritura de tal imóvel (fls. 2.119 a 2.123), consta que foi adquirido por FÊNIX TRANSPORTES E AGROINDUSTRIAL LTDA, CNPJ 32.917.536/000162, cuja procuradora é a Srª MAGNA. Em 24/09/2007, o referido imóvel foi vendido para a Srª MARIA DE JESUS BANDEIRA ROCHA BARBOSA, CPF nº 076.838.20334, pelo valor de R$ 800.000,00. Atendendo aos Termos de Intimação Fiscal nº 67 e 74 (fls. 2.150 e 2.152), a Srª MARIA DE JESUS BANDEIRA ROCHA BARBOSA afirma que (fls. 2.130 a 2.149): • quem residia no imóvel era a SRª MAGNA e sua família; • os sócios da empresa “FÊNIX” só apareceram no cartório com a missão de assinarem a escritura; • o dinheiro da compra do imóvel foi entregue integral e diretamente à Srª MAGNA. • Os cheques para a compra do imóvel totalizam R$ 1.200.000,00 (fls. 2.132 a 2.149). A. 7 CONDUTAS PARA GERIR E CONTROLAR AS EMPRESAS: PROCURAÇÕES PÚBLICAS E SUBSTABELECIMENTOS A Srª MAGNA utilizase, de máfé, de pessoas pobres e simples de sua família para constituir empresas e praticar a supressão de tributos, fazendo com que recaia sobre eles a responsabilidade tributária e penal que vierem a ser apuradas. Seu modus operandi iniciase com a constituição de empresas, que canalizam suas sobras de caixa para a empresa FÊNIX MARKETING E TRANSPORTE LTDA, que tem como sócio o sogro da Srª MAGNA, pessoa simples de 80 anos, aposentado da Previdência Social, com endereço em Santo Antônio do Descoberto – GO. A empresa FÊNIX alberga os ativos, veículos e imóveis. A Srª MAGNA possui procuração com poderes amplos, gerais e ilimitados de gerência e, em alguns casos, substabelece tais poderes. Exemplos são as seguintes procurações (fls. 2.153 a 2.160): 2º Tabelionato de Notas – Formosa – GO. Data:13/08/2002 o Objeto: FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA, representada por seu sócio, CARMO FERREIRA DE SOUZA, nomeia e constitui sua bastante procuradora a Sr MAGNA, a quem confere poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar livremente os negócios do outorgante. Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.590 14 5º Ofício de Notas do Distrito Federal Data: 16/12/2005. Objeto: MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL substabelece parte dos poderes que foram conferidos por FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA, para RENATA GOMES DE OLIVEIRA, nos termos da procuração lavrada no Cartório do 2º Tabelionato de Notas de Formosa – GO. 5º Ofício de Notas do Distrito Federal Data: 11/01/2005. Objeto: ÂNCORA ATACADISTA LTDA, por sua administradora, MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, nomeia e constitui sua bastante procuradora CLÁUDIA MAYRA DE SOUZA FERREIRA, com poderes para gerir e administrar a empresa outorgante, inclusive substabelecer. 5º Ofício de Notas do Distrito Federal Data: 21/12/2007. Objeto: FÊNIX MARKETING E TRANSPORTES LTDA, por seu administrador CARMO FERREIRA DE SOUZA, nomeia e constitui seu bastante procurador JOSÉ SÉRGIO DE SOUZA PIMENTEL, a quem confere poderes para representar a empresa junto ao INCRA..., inclusive substabelecer. A. 8 CONCLUSÃO QUANTO À TITULARIDADE Concluise que a Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL é verdadeira empresária e que vem desenvolvendo sua atividades sob a razão social de ALFA ALIMENTOS LTDA, que se utilizou ilicitamente de interpostas pessoas para figurarem como sócios no Contrato Social e alterações contratuais. Foi comprovada a existência de um pool de empresas fantasmas em nome de outras pessoas com parentesco com a Srª MAGNA, a quem sempre eram outorgadas procurações com poderes amplos e ilimitados de gestão. As empresas criadas passavam então a aplicar golpes no Fisco, uma vez que lançado o crédito tributário, descobriase que a empresa fantasma era desprovida de patrimônio garantidor de suas dívidas. B MÉRITO DO LANÇAMENTO IRPJ Ao longo do trabalho fiscal, onde, além de se buscar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária conforme narrado no tópico A, foram solicitados e entregues, tanto pelo procurador da empresa, quanto por instituições financeiras, diversos documentos contendo os extratos bancários da empresa. Assim, foi constatada a existência de receitas não declaradas no valor de R$20.004.721,44, em 2005, e R$ 22.882.034,55, em 2006, cujos valores mensais constam no Doc. 35 (fls. 921 a 1.023). Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.591 15 O lucro foi arbitrado tendo em vista que: • a autuada não possui escrituração regular ou caixa, • tendo sido intimada a apresentar sua documentação fiscal pelo Termo de Intimação Fiscal nº 161 (fls. 1.437 a 1.440), assim responde: “Sr. Auditor, não pretendo apresentar informações, escriturações e documentos complementares a vossa senhoria.” • A escrituração comercial da empresa ANCORA continha vícios e erros que não permitem a apuração pelo lucro real ou presumido, haja vista as omissões em suas escriturações das receitas Doc. 35 (fls. 921 a 1.023) e Doc 02 (fls. 169 a 196) • Não escrituração da integralidade da movimentação bancária (pagamentos de benefícios indiretos e sem causa não escriturados) – Doc 36 (fls. 1.024 a 1.323) e Doc 37 (fls. 1.324 a 1.434) • Confissão de não escrituração de pagamentos a fornecedores (Doc. 11 – fls. 459 a 463). A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. C MÉRITO DO LANÇAMENTO IRRF C. 1 – IRRF SOBRE BENEFÍCIOS INDIRETOS Foram considerados como remuneração indireta os valores pagos à Srª MAGNA ou à sua ordem referentes a: • plano de previdência privada para a autuada e pessoas de sua família; • pagamentos efetuados A empresas da Rede Globo quitando passivo da PISTÃO AUTO SHOPPING e de sua filha CLÁUDIA MAYRA. • Pagamentos efetuados a MOTODANY, TAGUAUTO, KYOTO MOTORS E CVP LTDA (Doc 37 – fls. 1.324 a 1.434). Os valores entregues pela empresa ÂNCORA aos beneficiários foram considerados líquidos e a base de cálculo foi reajustada nos termos do art. 725, do Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.592 16 C. 2 – IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA Foram constatadas importâncias pagas, sem causa, conforme documentos em cópias de cheques, às seguintes pessoas: • MARIA DILMA DA SILVA SANTOS, “laranja” e cunhada da Srª MAGNA, • DALVA FERREIRA, cunhada da Srª MAGNA • JOTA CARMO FERREIRA, cunhado da Srª MAGNA • ÉRICO MARCELO DE SOUZA FERREIRA, filho da Srª MAGNA • UMBELINA JOSÉ DE SOUZA SILVA, irmã da Srª MAGNA • JOSÉ SÉRGIO DE SOUZA PIMENTEL, irmão da Srª MAGNA • JOANA DARC DE LIMA FERREIRA • WILSON VIEIRA FIUZA Intimada a prestar esclarecimentos de diversos pagamentos, pelo Termo de Intimação Fiscal nº 150 (Doc 36 – fls. 1.024 a 1.323), a empresa ÂNCORA comprovou apenas parte deles (já excluídos do feito fiscal), restando não comprovados aqueles que foram indicados apenas ”DOCUMENTO NÃO LOCALIZADO”, “PAGAMENTO A EQUIPE DE TREINAMENTO”, “PAGAMENTO DE TÍTULO NÃO LOCALIZADO”, etc, sem a apresentação de documento comprobatório. A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. D MÉRITO DO LANÇAMENTO DO PIS/PASEP Lançamento decorrente do arbitramento do lucro, nos anoscalendários de 2005 e 2006 Valor das receitas não declaradas, apuradas com base nos extratos bancários contendo a movimentação financeira nos bancos: Banco do Brasil, Banco Itaú, ABN AMRO Real, Banco Rural e Bradesco, não lançados nas declarações de renda, conforme pautados no Doc 35 (fls. 921 a 1.023). A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. E MÉRITO DO LANÇAMENTO DA CSLL Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.593 17 Lançamento decorrente do arbitramento do lucro, nos anoscalendários de 2005 e 2006 Valor das receitas não declaradas, apuradas com base nos extratos bancários contendo a movimentação financeira nos bancos: Banco do Brasil, Banco Itaú, ABN AMRO Real, Banco Rural e Bradesco, não lançados nas declarações de renda, conforme pautados no Doc 35 (fls. 921 a 1.023). A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. F MÉRITO DO LANÇAMENTO DA COFINS Lançamento decorrente do arbitramento do lucro, nos anoscalendários de 2005 e 2006 Valor das receitas não declaradas, apuradas com base nos extratos bancários contendo a movimentação financeira nos bancos: Banco do Brasil, Banco Itaú, ABN AMRO Real, Banco Rural e Bradesco, não lançados nas declarações de renda, conforme pautados no Doc 35 (fls. 921 a 1.023). A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. G – PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO PARA DESCONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ÂNCORA E DA INSCRIÇÃO DE OFÍCIO DA SRª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL DO CNPJ Em atendimento ao disposto nos arts. 19, 28 e 30 da IN RFB nº 1.005, de 2010, foi efetuada a representação no processo nº 14041.00312/201021, procedida a baixa de ofício da empresa ÂNCORA ATACADISTA LTDA e a inscrição, também de ofício, da Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL, no CNPJ. I – IMPUGNAÇÃO Cientificada pessoalmente dos lançamentos em 14/12/2010 (fls. 5, 42, 62, 96 e 131), a Srª MAGNA apresentada, em 13/01/2011, sua impugnação (fls. 2.167 a 2.185), onde contesta o feito fiscal apresentando os seguintes argumentos: a. É nulo o lançamento, por abuso de poder de fiscalizar, tendo em vista o excesso de prazo de fiscalização em virtude das sucessivas prorrogações, sem a devida fundamentação. Entre a data do início e a do término dos trabalhos fiscais, passouse mais de um ano. As prorrogações do MPF foram efetuadas arbitrariamente, sem qualquer fundamentação. Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.594 18 Tendo em vista que o ato administrativo tributário não pode se afastar da fundamentação a que todo ato administrativo está sujeito, impõese a declaração de nulidade do lançamento. b. A multa aplicada é superior a 20% do valor do tributo e tem natureza confiscatória. c. O lançamento fiscal relativo ao anocalendário de 2005 está praticamente todo decaído, visto que o lançamento fiscal deuse em 13 de dezembro de 2010, já tendo passado mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. d. É ilegítimo que o fisco utilize como base de cálculo dos tributos exigidos os valores relativos à movimentação financeira da empresa autuada e não considere os valores constantes da escrita fiscal registrada na Junta Comercial. O Fisco não poderia simplesmente afastar os valores registrados nos livros fiscais da empresa ÂNCORA relativamente ao seu faturamento de ICMS decorrente do exercício da sua atividade societária. e. A fiscalização considerou como base de cálculo os valores decorrentes de empréstimos bancários e transferências entre contas de titularidade da empresa ÂNCORA (fls. 2.242 a 2,390). f. O feito fiscal deve ser anulado por foi lavrado com base em movimentação bancária obtida sem autorização judicial. Houve a quebra do sigilo bancário da empresa e a violação ao direito de privacidade e de intimidade do contribuinte. g. A equiparação da Srª MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL à pessoa jurídica não deveria ter sido efetuada por auditor fiscal, mas somente por juiz, visto ausência de competência legal ou constitucional para tal. A fundamentação legal utilizada pela fiscalização são os arts. 150 e 836, do RIR, os arts. 121, 126 e 142 do CTN , os arts. 19, 28 e 30 da IN RFB nº 1.005, de 2010 e os art. 966 do Código Civil, ocorre que tais dispositivos tratam da despersonalização da pessoa jurídica e não a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. É inconstitucional o art. 11 do CTN que confere ao auditor fiscal a atribuição de equiparar pessoa física à pessoa jurídica. h. todo o período fiscalizado é objeto do parcelamento, solicitado antes da autuação fiscal, de que trata a Lei nº 11.941, de 2009. Vale ressaltar que tal parcelamento está sendo regularmente adimplido pela empresa. Por fim, requer que seja conhecida e julgada procedente a impugnação para fins de anular todos os autos de infração. A 2ª Turma da DRJ de Brasília por meio do acórdão nº 0342.915, decidiu (ementa): Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.595 19 “NULIDADE. ABUSO DE PODER DE FISCALIZAR. MOTIVAÇÃO PARA A CONTINUIDADE DOS TRABALHOS. A fundamentação do MPF e suas prorrogações são a própria investigação a ser realizada descrita no Termo de Início de Procedimento Fiscal. A fundamentação para a prorrogação dos MPF foram os pedidos de prorrogação de prazos solicitados pela impugnante, o não comparecimento de intimados à Receita Federal, a recusa de intimados em prestar esclarecimentos e seu silêncio em situações de depoimento à autoridade fiscal. MULTA 150%. CONFISCO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que a contribuinte não efetuou pagamento dos tributos federais, não há que se falar em lançamento por homologação. A regra de contagem do prazo decadencial a ser aplicada é a do art. 173, inciso I, do CTN. ARBITRAMENTO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Pertinente o arbitramento do lucro com base na movimentação financeira quando não merece fé a escrituração efetuada pelo sujeito passivo. ARBITRAMENTO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. VALORES DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS E TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Constatado erro fiscal ao incluir no arbitramento do lucro os valores depositados nas contas correntes da autuada decorrentes de contratos de empréstimos bancários, valores decorrentes de transferências bancárias, de autoria da própria pessoa jurídica, entre contas que foram objeto do feito fiscal e os valores decorrentes de deposito decorrente de erro bancário, com estorno automático efetuado pela instituição financeira na mesma data e no mesmo valor. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DIREITO À INTIMIDADE, À VIDA PRIVADA, AO SIGILO DE DADOS E A INAFASTABILIDADE DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.596 20 O fornecimento de informações pelas instituições financeiras sobre a movimentação do sujeito passivo, na forma da Lei Complementar nº 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo, nem afronta os princípios constitucionais da intimidade, vida privada ou ao sigilo de dados. Tratase de medida que prescinde de autorização judicial, quando promovida nos termos da lei, durante procedimento fiscal em curso no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. DESPERSONALIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. É correta a baixa de ofício no CNPJ de pessoa jurídica inexistente de fato. É atribuição exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário mediante lançamento. Ao efetuar o lançamento, a autoridade fiscal deve identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, no caso o contribuinte, tendo em vista sua relação pessoal e direta com as situações que deram origem aos fatos geradores e independentemente deste estar constituído ou não como pessoa jurídica. As pessoas físicas que em nome individual explorem, habitual e profissionalmente qualquer atividade econômica de natureza comercial, com o fim de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços equiparamse a empresas individuais, por força do disposto no art. 150 do RIR 99, sendo obrigatória sua inscrição no CNPJ. É correta a inscrição de ofício no CNPJ de pessoa física equiparada à pessoa jurídica, desde que seguidos os ritos previstos na IN RFB nº 1.005, de 2.010. Não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. PARCELAMENTO LEI Nº 11.941, DE 2009. INAPLICABILIDADE AOS DÉBITOS NÃO DECLARADOS COM VENCIMENTO ANTERIOR A 30 DE NOVEMBRO DE 2008. Não são incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009, os débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, não declarados à RFB até 30 de julho de 2.010. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.597 21 Anocalendário: 2005, 2006 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase ao IRRF o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase à CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005,2006 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Aplicase ao PIS o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Aplicase à Cofins o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.” Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte recorre (tópicos): Requer que seja declarada nula a equiparação de Magna José de Souza Pimentel a Pessoa Jurídica; Da nulidade de oitiva de testemunhas na instrução de procedimento de investigação fiscal; Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.598 22 Da alegação do silêncio da sócia da empresa fiscalizada; Da alegação da destinação de recursos sob formas de benefícios indiretos da empresa âncora à Sra. Magna; Da nulidade da autuação por excesso de prazo do MPF Abuso do poder de fiscalizar; Da multa aplicada; Da decadência; Da base de cálculo utilizada para o cálculo da movimentação financeira; Base de cálculo utilizada débitos que devem ser considerados; Da quebra do sigilo bancário sem ordem judicial A fiscalização tinha extratos bancários não fornecidos pela contribuinte. Juntamente com os memoriais a Recorrente comprovou ter peticionado ao CARF, em 12/09/2014, requerendo a juntada do Termo de Verificação Fiscal (TVF) lavrado em ação desenvolvida na ALFA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL DE ALIMENTO, CNPJ 08.579.052/000176 (processo nº 14041.720027/201454), relacionado aos presentes autos, sustentando que o AuditorFiscal considerou haver um “grupo de fraudadores” ao fisco, entre as empresas ÂNCORA ATACADISTA LTDA, FÊNIX ARMAZENAGEM E TRANSPORTE LTDA, e SOUZA & FERREIRA ORGANIZAÇÃO DE FEIRAS E EXPOSIÇÃO LTDA, situação essa que jamais se configurou. A petição encontrase digitalizada e anexada ao processo digital. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recuso é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais pertinentes, razão porque dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por MAGNA JOSÉ DE SOUZA PIMENTEL, pessoa jurídica equiparada com inscrição no CNPJ sob nº 12.965.014/000129, realizada de ofício pela Fiscalização, com fulcro no art. 966 do Código Civil e art. 150, inciso II, do RIR/99 e arts. 121 e 126, do CTN, contra decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação mantendo integralmente as exigências de IRRF, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, dos anoscalendários 2005 e 2006, e respectiva multa de 150% em decorrência do arbitramento da base de cálculo pela prática das infrações descritas no relatório integrante do presente julgamento, com a despersonalização da pessoa jurídica. Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.599 23 A base de cálculo foi apurada por arbitramento, tendo em vista ter ocorrido a quebra do sigilo bancário com base no fornecimento de informações pelas instituições financeiras, com fulcro na Lei Complementar nº 105, de 2001, o que motivou inclusive o sobrestamento do processo, com base no art. 62A do RICARF. O lucro foi arbitrado em razão da autuada não possuir escrituração regular ou caixa, e segundo informações do Sr. Auditor Fiscal responsável pelos trabalhos de fiscalização, a escrituração comercial da empresa ANCORA continha vícios e erros que não permitiram a apuração pelo lucro real ou presumido, haja vista as omissões em suas escriturações das receitas bem como pela não escrituração da integralidade da movimentação bancária (pagamentos de benefícios indiretos e sem causa não escriturados) – Doc 36 (fls. 1.024 a 1.323) e Doc 37 (fls. 1.324 a 1.434), em conformidade com o art. 530, III, do RIR/99. A multa foi agravada (150%) nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista o evidente intuito de fraude ao promover o registro da empresa em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de esconder sua ligação com os fatos geradores dos tributos e fazendoa recair sobre pessoas hipossuficientes. Em seu recurso a Recorrente alega ter ocorrido nulidade do processo pela oitiva de testemunha na instrução de procedimento de investigação fiscal, sendo nulo o ato produzido sem o acmpanhamento do advogado constituído para essa finalidade. Não vislumbro qualquer nulidade pelo fato de ter ocorrido oitiva de testemunhas desacompanhadas do advogado da Recorrente, porquanto o procedimento administrtivo tributário é regido pelo princípio inquisitório, como ensina Alberto Xaviel(in Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, Rio de Janeiro, 1998, pág. 125), em razão de caber à autoridade fiscal dirigir a investigação dos fatos tributários, com obediência ao princípio da verdade material. O procedimento fiscal é um ato essencialmente vinculado, com amparo no art. 142, do CTN, devendo a Fiscalização verificar a ocorrencia do fato gerador, isto quer dizer que o mesmo está obrigado a utilizar os meios legais disponíveis para o convencimento e comprovação da ocorrência do fato gerador e a identificação do sujeito passivo, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Afasto, também a alegação de nulidade da autuação pelo suposto excesso de prazo do MPF, porquanto tratandose de processo complexo como o presente, envolvendo um conjunto de pessoas e situações que geralmente não são encontradas na rotina da fiscalização, não vislumbro qualquer nulidade em relação a esse ponto também. Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.600 24 Noutro ponto do recurso a Recorrente alega a nulidade do acórdão por falta de fundamentação legal, vez que constou do v. acórdão recorrido que a Sra. Magna José de Sousa Pimentel (PJ equiparada), foi equiparada à pessoa jurídica, para afastar a personalidade jurídica da sociedade empresária ANCORA ATACADISTA LTDA, com fundamento nos arts. 150 e 836 do RIR/99, arts. 142, 121 e 126 do CTN e art. 966, do Código Civil, além de instruções normativas da RFB, todavia, tais dispositivos tratam da despersonalização da pessoa jurídica e não da equiparação da pessoa física a jurídica. Em princípio a inscrição de ofício de pessoa física no CNPJ, encontra respaldo na legislação em vigor, art. 966, do Código Civil e artigos do RIR, bem como em remansosa jurisprudência deste colendo CARF, in verbis: Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10707986 do Processo 13921000213200342 Data 16/03/2005 Ementa PRELIMINAR DE NULIDADE DO FEITO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA Tendo sido dado ao contribuinte, no decurso da ação fiscal, todos os meios de defesa ao caso aplicáveis, não procede a preliminar de nulidade suscitada, mormente porque a correção dos lançamentos anteriormente feitos, fundada em regra da lei que rege o Processo Administrativo Tributário, visou sanar equívocos contidos nos lançamentos primitivos. . PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO SIGILO BANCÁRIO LANÇAMENTO EFETUADO COM FUNDAMENTO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, NOVA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 10.174, de 09.01.2001, E DECRETO Nº 3.724, DE 10.01.2001 IMPROCEDÊNCIA Em se tratando de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização a sua aplicação é imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA DOLO MULTA AGRAVADA APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN Tendo havido, no caso dos autos, dolo do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade exacerbada, para efeitos da decadência, não é aplicável a regra do art. 150, § 4º, do CTN, mas sim a do seu art. 173. Decadência não caracterizada. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA INSCRIÇÃO DE OFÍCIO NO CNPJ Constatado, pela fiscalização, que a pessoa física exercia atividade mercantil, correta a sua consideração como pessoa jurídica e a sua inscrição de ofício no CNPJ de molde a buscar a sua exata qualificação e possibilitar o adequado lançamento dos tributos cabíveis. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA INEXISTÊNCIA DE ESCRITA OMISSÃO DE Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.601 25 RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARBITRAMENTO Constatado pela fiscalização que a movimentação bancária da pessoa física fora proveniente da exploração de atividade mercantil, correta a consideração dos depósitos bancários como receita para fins de arbitramento do lucro em face da inexistência de escrita. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE CABIMENTO A exploração de atividade mercantil regular aliada, ainda, à ocultação da movimentação financeira dela decorrente, de molde a escapar da incidência de tributos, caracteriza evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. PIS/COFINS LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão proferida no lançamento de imposto de renda, dito matriz, aplicase aos lançamentos de PIS/COFINS, dito reflexos, quando fundados nos mesmos fatos que caracterizaram a infração à legislação do imposto de renda. PUBLICADO NO DOU Nº 243 DE 20/12/05, FLS. 54 A 58. URN urn:lex:br:primeiro.conselho.contribuintes;camara.7;turma.ordi naria:acordao:20050316;10707986 No mesmo sentido: Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10708228 do Processo 11618002735200214 Data 11/08/2005 Ementa NULIDADE DO LANÇAMENTO SIGILO BANCÁRIO RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174/2001. A obtenção de informações da CPMF está prevista na Lei Complementar nº 105/2001 e no art. 1º da Lei nº 10.174/2001 que deu nova redação ao art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96. Por se tratar de norma formal ou procedimental que amplia o poder de fiscalização, sua aplicação é imediata, alcançando fatos pretéritos, nos termos do art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Os extratos bancários foram fornecidos pelo contribuinte, após o início da ação fiscal. Não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO INFORMAÇÕES DA CPMF OBTIDAS ANTES DA CIÊNCIA DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Não há nada de ilegal no fato das informações da CPMF terem sido obtidas antes do início da ação fiscal. Primeiro, porque conforme o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311/96, as instituições financeiras responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF devem prestar à SRF as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nas condições e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda, e segundo, porque o início de uma ação fiscal pode se dar após o levantamento dos vários indícios de irregularidades Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.602 26 existentes no órgão fiscalizador, em nome de um determinado contribuinte. Esse procedimento torna os procedimentos mais objetivos e eficazes e não causa cerceamento do direito de defesa. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA INSCRIÇÃO DE OFÍCIO NO CNPJ Constatado pela fiscalização, que a pessoa física exercia atividade mercantil, correta a sua consideração como pessoa jurídica e a sua inscrição de ofício no CNPJ, nos termos do art. 127 do RIR/94, de forma a buscar a sua exata qualificação e possibilitar o adequado lançamento dos tributos cabíveis. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO ARBITRAMENTO DO LUCRO. Constatado pela fiscalização que a movimentação bancária da pessoa física provém da exploração de atividade mercantil e uma vez equiparada a pessoa jurídica, correta a consideração dos depósitos bancários de origem não comprovada, de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/96, como receita, para fins de arbitramento do lucro, por inexistência de escrituração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica se à exigência reflexa da CSLL, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua íntima relação de causa e efeito. PUBLICADO NO DOU Nº 54 DE 20/03/06, FLS. 42 A 45. RETIFICADO NO DOU Nº 55 DE 21/03/06. URN urn:lex:br:primeiro.conselho.contribuintes;camara.7;turma.ordi naria:acordao:20050811;10708228 Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10421136 do Processo 13726000449200395 Data 09/11/2005 Ementa NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando estão obedecidos todos os requisitos elencados no artigo 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, não houver violação ao artigo 59, do mesmo Decreto e nem for comprovada infringência ao artigo 142, do CTN. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA ATIVIDADE MERCANTIL Demonstrado que a pessoa física exercia com habitualidade atividade mercantil, deve a fiscalização, de ofício, promover a sua inscrição no CNPJ como Pessoa Jurídica, de modo a estabelecer a exata sujeição passiva e proceder ao lançamento dos tributos pertinentes. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.603 27 URN urn:lex:br:primeiro.conselho.contribuintes;camara.4;turma.ordi naria:acordao:20051109;10421136 Por fim, merece serem transcritos os seguintes trechos do voto condutor do Acórdão n°. : 10421.136, acima citado: Desta forma, não poderia a fiscalização ter autuado a recorrente como pessoa física, ao contrário, deveria, para dar efetividade às regras do CTN e do RIR199, de ofício, desqualificar a recorrente enquanto pessoa natural, dandolhe tratamento como pessoa jurídica, via arbitramento do lucro, efetuando a cobrança dos tributos pertinentes, ou seja, IRPJ — CSLL — PIS e COFINS. É nesse caminho que vem trilhando a jurisprudência deste Conselho, a exemplo do Acórdão n° 10707.986, 16 de março de 2005, de lavra do ilustre Conselheiro Natanael Martins, apresentando, na parte que interessa, a seguinte ementa: EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA – INSCRIÇÃO DE OFÍCIO NO CNPJ Constatado, pela fiscalização, que a pessoa física exercia atividade mercantil, correta a sua consideração como pessoa jurídica e a sua inscrição de ofício no CNPJ de molde a buscar a sua exata qualificação e possibilitar o adequado lançamento dos tributos cabíveis. Ora, em todos os exemplos acima citados, a inscrição de ofício da pessoa jurídica no CNPJ, foi em decorrência do exercício habitual de atividade empresarial diretamente por pessoa física, com habitualidade e com intuito de lucro, como requer o art. 966, do Código Civil, ou seja, é necessário que a atividade seja desenvolvida por pessoa física de forma profissional, habitual, senão vejamos: “Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.” Nesse passo a Recorrente pugna pelo provimento do recurso alegando que houve erro na identificação do sujeito passivo, diz que houve máfé do auditor em ter juntado apenas alguns depoimentos que em nada comprovam as suas alegações, imputando à Sra. Magna a condição de sujeito passivo da relação tributária, pois, o fato de ter prestado fiança bancária não a transforma em sócia da afiançada. De fato, não há a menor dúvida do exercício habitual de atividade empresarial por parte da Sra. Magna José de Sousa Pimentel, dadas as operações com empregados, fornecedores, bancos e outras instituições. No presente caso, apesar de estarem presentes os pressupostos que confirmam o exercício de atividade empresarial por parte da Sra. Magna José de Sousa Pimentel, ora Recorrente, todavia, os atos por ela praticados não estão isolados das atividades da empresa Âncora Atacadista Ltda (CNPJ 05.395.636/000101), da empresa Fênix Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.604 28 Armazenagem e Transportes Ltda (CNJ 32.917.536/000162), da empresa Alfa Representação Comercial Ltda (CNPJ 08.579.052/000176), além de outras citadas no desenvolver da ação, pelo que não seria o caso de inscrição de ofício no CNPJ. Mesmo porque, para a lavratura dos autos de infração a Fiscalização tomou por base a movimentação bancária da empresa Âncora, conforme permite dizer os diverso termos de intimação fiscal, como por exemplo o Termo de Intimação nº 153, (fls. 478 e seguintes do processo digitalizado), para prestar informações sobre a movimentação nas seguintes instituições bancárias (Bradesco, ABN AMRO REAL, BRADESCO, BANCO DO BRASIL, BANCO ITAÚ e RURAL). Essa movimentação bancária, inclusive, foi utilizada para o arbitramento do lucro, pelo que entendo que a solução legal e mais lógica, seria a constituição do crédito tributário na pessoa jurídica responsável pela movimentação bancária, ou seja, a empesa ÂNCORA ATACADISTA LTDA, com endereço certo, e que forneceu à Fiscalização as informações que dispunha, obviamente nem todas, pois, grande parte dos negócios foram praticados pela Sra. Magna José de Sousa Pimentel, conforme acima demonstrado, quando da investigação da verdadeira titularidade/gerência dos atos. Conforme demonstrado pela Recorrente, através da petição recebida em 12.09.2014, no protocolo geral deste colendo CARF, em outro caso, em que foram constatadas as mesmas situações verificadas no presente processo, a Fiscalização procedeu a autuação da empresa ALFA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL DE ALIMENTOS E SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA, inscrita no CNPJ sob nº 08.579.052/000176, da qual a Recorrente também não fazia parte dos quadros societários oficialmente, mas foi arrolada como responsável solidária no auto de infração objeto do processo administrativo 14041.720.027/201454, anos calendários 2009 e 2010, com fundamento no art. 135, III, do CTN c/c arts. 966, 967 e 968, do Código Civil. Essa coresponsabilização se deu em virtude dos mesmos fatos aqui verificados, senão vejamos o que foi informado no item 42, do TVF: 42. A grande quantidade de documentos e arquivos envolvendo as empresas Ancora Atacadista, Souza & Ferreira (anteriormente Pistão Auto Shopping), Alfa Alimentos e Fátima Oliveira da Silva EPP, apreendidos nos locais de busca, inclusive residência da Sra. Magna, demonstram o vínculo que há entre elas, que essas empesas fazem parte de um grupo comandado por Magna José de Souza Pimentel. A inscrição de ofício da Sra. Magna José de Souza Pimentel no CNPJ, atingiu também a pessoa jurídica ANCORA, vez que a mesma teve seu CNPJ baixado, afetando inclusive o parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009. Esse entendimento encontrase em conformidade com a remansosa jurisprudência deste colendo CARF, in verbis: Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10514257 do Processo 138510011280068 Data 05/11/2003 Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.605 29 Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE OFÍCIO NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE DO SÓCIO Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal a hipótese em que, embora formalizado em nome da empresa, o instrumento de constituição do crédito tributário mencionado a pessoa física do sócio como responsável, nos termos do artigo 135, do CTN. Recurso de ofício provido. URN urn:lex:br:primeiro.conselho.contribuintes;camara.5;turma.ordi naria:acordao:20031105;10514257 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Acórdão nº 310200765 do Processo 10494000465200875 Data 29/09/2010 Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II.DATA DO FATO GERADOR: 30/06/2008AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ACATAMENTO. A CORRETA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO É FORMALIDADE ESSENCIAL DO INSTRUMENTO QUE FORMALIZA O LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO TORNA NULO O AUTO DE INFRAÇÃO POR ILEGITIMIDADE PASSIVA (INTELIGÊNCIA DO ART. 142 DO CTN, C/C ART. 10, I, DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972)PROCESSO ANULADO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. urn:lex:br:conselho.administrativo.recursos.fiscais;secao.julgam ento.3;camara.1;turma.ordinaria.2:acordao:201009 29;310200765 Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10193726 do Processo 108400030249978 Data 23/01/2002 Ementa Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.606 30 I.R.P.J. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O erro na identificação do sujeito passivo representa vício insanável, quanto à existência do Ato Administrativo de Lançamento, em face do estabelecido nos artigos 132 e 142 do CTN, e do artigo 5º, inciso I, do Decretolei n.º 1.598, de 1977. I.R.P.J PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. MULTA. Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa. Inteligência dos artigos 3.º e 132 do CTN.» (Decisão do STF no RE n.º 90.834MG, relator Ministro Djaci Falcão, RTJ n.º 93, pág. 862). Recursos conhecidos: negado provimento ao ex officio e provido o voluntário. urn:lex:br:primeiro.conselho.contribuintes;camara.1;turma.ordi naria:acordao:20020123;10193726 Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10196161 do Processo 10865002474200592 Data 24/05/2007 Ementa IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMAS GERAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO O erro na identificação do sujeito passivo representa vício insanável, quanto à existência do Ato Administrativo de Lançamento, em face do estabelecido nos artigos 132 e 142 do CTN, e do artigo 5º, inciso I, do Decretolei n.º 1.598, de 1977. IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEPÓSITOS E/OU CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS INAPLICABILIDADE Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL PIS COFINS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.607 31 conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. urn:lex:br:primeiro.conselho.contribuintes;camara.1;turma.ordi naria:acordao:20070524;10196161 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, reconhecendo que o lançamento laborou em equívoco ao identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, tendo ocorrido erro na identificação da pessoa jurídica, em face do estabelecido nos artigos 132 e 142 do CTN, e do artigo 5º, inciso I, do Decretolei n.º 1.598, de 1977. Deixo de analisar as demais questões suscitadas no recuso, em razão de estarem prejudicadas. Sala das Sessões, em 3 de março de 2015 (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.608 32 Declaração de Voto Alguns aspectos envolvidos no presente julgamento levaramme ao pedido de vista, de forma a melhor poder analisar o tema debatido. Como se vê nos autos e foi corretamente relatado pelo I. Conselheiro Lisboa, desta 1ª Turma, a ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte Âncora Atacadista Ltda. – CNPJ nº 05.395.636/000101 foi finalizada com os seguintes procedimentos de ofício realizados pela autoridade tributária, a saber: i) baixa da pessoa jurídica auditada e, ii) imediata inscrição de Magna José de Souza Pimentel – CPF nº 119.907.67168, nos cadastros da Receita Federal, especificamente junto ao sistema CNPJ (Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas). Subsequentemente, os lançamentos (AI) foram perpetrados em face na novel pessoa jurídica nascida pelo ato de ofício realizado pela Fiscalização. De prefácio, não posso deixar de consignar o exaustivo, detalhado e minucioso trabalho investigativo levado a efeito pelo condutor da ação fiscal ao longo dos vários meses de duração da auditoria, com plena observância das normas legais, normativas e administrativas que devem cercar este tipo de procedimento, concedendo à fiscalizada amplas condições de defesa, de exposição de seus argumentos e de entrega da documentação exigida pelo Fisco (o que, a bem da verdade, nem sempre fez). Todavia, em que pese reconheça a profundidade do procedimento fiscal enquanto mantido na área investigativa, discordo da conclusão do trabalho por entendêla equivocada, como se mostrará na sequência. Posto este preâmbulo, passase à análise do procedimento do Fisco que decretou a baixa, de ofício, do CNPJ da fiscalizada, Âncora (por “inexistência de fato”) e a subseqüente inscrição, igualmente de ofício, de Magna José de Souza Pimentel, cunhada pela Fiscalização como “pessoa física equiparada a pessoa jurídica por prática de atos de comércio” (fls. 1459). Como o segundo evento, embora realizado quase concomitantemente ao primeiro, é conseqüência daquele e dele derivado, mister se faz, inicialmente, analisar as situações fáticas e jurídicas que teriam dado azo ao Fisco para o procedimento de cancelar (baixar), de ofício, a empresa inicialmente fiscalizada (Âncora) do sistema CNPJ, declarandoa “inexistente de fato”, inserindoa na situação cadastral “baixada”, conforme informação do site da RFB – sistema CNPJ, datada de 20/06/2011. A permissão de o Fisco (leiase, Receita Federal) adotar procedimento de cancelar e baixar empresas do sistema CNPJ tem respaldo no artigo 80, § 1º, I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, assim redigido à época dos fatos: Art. 80. As pessoas jurídicas que, estando obrigadas, deixarem de apresentar declarações e demonstrativos por 5 (cinco) ou mais exercícios poderão ter sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.609 33 Federal do Brasil, se, intimadas por edital, não regularizarem sua situação no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data da publicação da intimação. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Poderão ainda ter a inscrição no CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as pessoas jurídicas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que não existam de fato; Normativamente, diversos atos regulamentaram, ao longo do tempo, a aplicação destes dispositivos, no que interessa, a IN (SRF) nº 1.005, de 08/02/2010, adotada pelo condutor do feito na “Representação” de fls. 1459, mediante a qual relatou os fatos e propôs a “baixa” no CNPJ da empresa Âncora e a inscrição da pessoa física Magna como pessoa jurídica, na qualidade de “equiparada”, ambos os procedimentos de ofício (fls. 1462/1463): Prevêem os artigos 28 e 30 da IN, assumidos pelo Fisco para a consecução da baixa exofficio do CNPJ da Âncora naquilo que se referem a “inexistência de fato”: Da Baixa de Oficio Art. 28. Poderá ser baixada de oficio a inscrição no CNPJ da entidade: I – (...) II inexistente de fato, assim entendida aquela que: a) não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; b) não for localizada no endereço informado à RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; ou Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.610 34 c) se encontre com as atividades paralisadas, salvo se enquadrada nas hipóteses dos incisos I, II e VI do caput do art. 38; (...) Subseção III Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 30. Na hipótese de pessoa jurídica inexistente de fato, de que trata o inciso II do art. 28, o procedimento administrativo de baixa será iniciado por representação, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações mencionadas no referido inciso. § 1º O titular da unidade da RFB com jurisdição para fiscalização de tributos internos ou sobre comércio exterior, acatando a representação referida no caput, suspenderá a inscrição da pessoa jurídica no CNPJ, intimandoa, por meio de edital publicado no DOU, a regularizar, no prazo de 30 (trinta) dias, sua situação ou contrapor as razões da representação, observado o disposto no art. 9º. § 2º Na falta de atendimento à intimação referida no § 1º, ou quando não acatadas as contraposições apresentadas, a inscrição no CNPJ será baixada por meio de ADE do Delegado da DRF, da Derat, da Deinf, da Demac Rio de Janeiro ou do titular da ALF ou IRF, publicado no DOU, no qual serão indicados o nome empresarial e o número de inscrição da pessoa jurídica no CNPJ. (NR dada pela Instrução Normativa RFB nº 1097 de 2010) § 3º A pessoa jurídica que teve sua inscrição baixada conforme o § 2º poderá restabelecêla mediante prova em processo administrativo: I de que dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, no caso da alínea "a" do inciso II do art. 28; II de sua localização ou da localização dos integrantes de seu QSA, do responsável perante o CNPJ ou do seu preposto, no caso da alínea "b" do inciso II do art. 28; e III do reinício de suas atividades, no caso da alínea "c" do inciso II do art. 28. § 4º O restabelecimento da inscrição da pessoa jurídica baixada, na forma do § 2º, será realizado mediante publicação de ADE no DOU, pelo respectivo Delegado da DRF, da Derat, da Deinf, da Demac Rio de Janeiro ou pelo titular da ALF ou IRF, no qual serão indicados o nome empresarial e o número de inscrição no CNPJ. (NR dada pela Instrução Normativa RFB nº 1097 de 2010) Fl. 2610DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.611 35 Observese que a norma mandamental legislativa definiu EXPRESSAMENTE que “as pessoas jurídicas que, estando obrigadas, deixarem de apresentar declarações e demonstrativos por 5 (cinco) ou mais exercícios poderão ter sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, se, intimadas por edital, não regularizarem sua situação no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data da publicação da intimação”. (caput do artigo 80, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009), deixando ao órgão tributante (RFB) a liberalidade de conceituar o que seria “sociedade inexistente de fato” e que ensejaria a baixa, de ofício, do CNPJ da mesma (cf. § 1o do citado artigo). Claro que esta liberdade conceitual atribuída ao órgão tributário não teria, como não pode ter, uma amplitude desconexa com o ordenamento jurídico vigente, sob pena de confrontar regras solidificadas no nosso direito. Dizendo diversamente, não vejo como dissociar, para fins de aplicação da norma imperativa da lei, regulada pela IN nº 1.005/2010, os preceitos presentes nesta última com a mais expressiva corrente doutrinária e jurisprudencial que trata do tema. Nesta linha, se uma pessoa jurídica vê a inscrição cadastral que possuía junto ao órgão tributário (RFB) ser cancelada, com a cassação de seu CNPJ, pelo fato de ser qualificada como “inexistente de fato”, há que se buscar a correta conceituação do termo “sociedade de fato”, para averiguar a sua aplicação ao evento desconstitutivo de sua personalidade. Antes de tudo, forçoso reconhecer que, da mesma maneira que já o fazia o Código Comercial, o Código Civil de 2002 não mencionou as expressões “sociedade irregular” ou “sociedade de fato” em seu texto, não sendo possível saber ao certo, a intenção do legislador ao ocultálas. Talvez por isso, corrente expressiva da doutrina, como José Edwaldo Tavares Borba1, afirma que “as expressões sociedade irregular e sociedade de fato, após algumas controvérsias, são hoje consideras sinônimas, servindo para designar qualquer sociedade a que falte, quer o instrumento escrito, quer a inscrição desse instrumento”, enquanto que, para Ricardo Negrão2, “a expressão “sociedade em comum” nada mais é do que a sociedade cujos atos constitutivos ainda não foram inscritos em um dos órgãos do Registro Público, que a doutrina anterior tratava sob as rubricas “sociedade irregular” e “de fato”. Entre os autores modernos, a matéria mereceu estudo criterioso de Alfredo de Assis Gonçalves Neto3, que utiliza o art. 987 do Código Civil como fundamento para afirmar que a sociedade em comum abarba as sociedades irregulares e de fato: 1 R. Fac. Dir. UFG, V.34, n. 02, p. 136153 , jul. / dez. 2010 2 NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 2008. – pg. 309. 3 GONÇALVES NETO, Alfredo de Assis. Direito de Empresa: Comentários aos Artigos 966 a 1.195 do Código Civil. 1 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. – pg. 136. Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.612 36 “A partir do art. 987 podese dizer que a sociedade em comum insuscetível de comprovação escrita é uma sociedade de fato, que se caracteriza pela circunstância de os sócios não terem como invocar as relações jurídicas que possam ter ajustado entre si ou com terceiro. Dela diferenciase a sociedade irregular, também sociedade em comum, porque sem registro, em que há prova escrita de sua existência (contrato ou qualquer outro documento que revele o ajuste), que faculta aos sócios invocar as relações jurídicas documentadas entre si ou havidas com terceiro”. Pelo pensamento da doutrina civilista e comercial parece claro que a ausência de contrato social escrito leva à presença de sociedade de fato, enquanto que a dita sociedade irregular seria aquela que elabora contrato escrito, porém, passados os trinta dias a que se refere o art. 998 do Código, não o encaminha a registro. De qualquer modo, no epílogo, os efeitos serão os mesmos, ou seja, a elas serão aplicadas as regras das sociedades em comum (art. 986) em razão da inexistência de personalidade jurídica. De uma forma ou outra, porém, é induvidoso que, na ótica civil ou comercial, ainda que “inexistentes de fato”, tais sociedades, cuja existência não se prova por escrito, são sociedades que se provam pelos fatos, conceito extraído da lição de CLÓVIS BEVILAQUA (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil, Obrigações, tomo 2., 3ª Edição, Vol. V, SP, pág. 119). Digase, a ausência de instrumento contratual não impede o reconhecimento da existência da sociedade de fato, negócio jurídico que pode ser confirmado através de ação própria, por exemplo, na forma do art. 987, do Código Civil. Ainda na letra do retro dispositivo, a prova da existência da sociedade de fato poderá se feita através de recibos, de contratos firmados, de correspondências enviadas ou recebidas, sendo, por tal análise, defeso a utilização de provas de qualquer outra natureza (Código Civil Comentado, Coordenador Ministro CEZAR PELUSO, 3ª Edição, Ed. Manole, São Paulo, pag.952). Pois bem, mesmo observandose, in totum, as restrições presentes no artigo 109 do Códex Tributário4, é indiscutível, sabido e consabido que o direito é uno e nenhuma de suas disciplinas nas quais academicamente se divide ou subdivide, é inteiramente autônoma ou desvinculada das outras, sendo corriqueira a utilização de conceitos do Direito Civil (ramo do direito privado) na seara tributária (direito público), tais como as definições adotadas no CTN, artigos 113 (obrigação), bem imóvel (130), pagamento (157), compensação (170), transação (171), remissão (art. 172). 4 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.613 37 Consoante Cristiano Machado e outros5, “isso significa que as hipóteses tributárias são construídas de modo a incidir em situações já reguladas, em sua maior parte, pelo direito civil e comercial”, de forma ser comum a utilização, pela lei tributária, de conceitos já existentes, de uso comum, sem necessidade de explicálos ou definilos, isto porque tais conceitos devem ser buscados em seu nascedouro, isto é, no Direito Privado, via interpretação sistemática. No caso concreto, sob a visão do direito civil e do direito comercial, é inegável que a pessoa jurídica Âncora não tinha a menor característica de “sociedade de fato”, posto que não só tinha seus atos constitutivos devidamente formalizados e levados a registro, como, se verá adiante, exercia confirmada atividade operacional. Colocada a matéria nestes termos, é induvidoso que tais preceitos consagrados no ordenamento jurídico não podem passar ao largo de uma análise epistemológica que se faça dos mesmos conceitos quando assumidos pelo Direito Tributário, no caso, aqueles que, por expressa determinação legal (Lei nº 9.430/1996, artigo 80, § 1º), a Receita Federal, via ato normativo, exteriorizou como parametrizadores de uma sociedade “inexistente de fato” (IN – SRF 1.005/2010). Para melhor fixação, recordese: Da Baixa de Oficio Art. 28. Poderá ser baixada de oficio a inscrição no CNPJ da entidade: I (...) II inexistente de fato, assim entendida aquela que: a) não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; b) não for localizada no endereço informado à RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; ou c) se encontre com as atividades paralisadas, salvo se enquadrada nas hipóteses dos incisos I, II e VI do caput do art. 38; Em relação à letra “a” do inciso II acima, não há nos autos qualquer confrontação do Fisco de que a pessoa jurídica, Âncora, não fosse portadora de patrimônio ou não tivesse capacidade operacional para realizar seu objeto. 5 CARVALHO, Cristiano. PEIXOTO, Marcelo Magalhães; LACOMBE, Rodrigo Santos Masset (Coord.). Comentários ao Código Tributário Nacional. São Paulo: 2. Ed., São Paulo: MP Editora, 2008, p. 930. Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.614 38 Ao contrário, o contrato social e as suas alterações juntadas mostram a integralização total do capital em moeda corrente (não contestada pelo Fisco); com relação à capacidade patrimonial e operacional para girar e gerir seus negócios, os autos mostram exatamente o oposto, ou seja, a pessoa jurídica Âncora exerceu atividades, realizou vendas, fez compras, tinha escritório administrativo, tinha local para armazenagem, possuía empregados e colaboradores, enfim, era dotada de estrutura, organização e logística, mesmo que mínimas, para o exercício de seu objeto social, tanto que sua movimentação financeira (base para os lançamentos perpetrados e que se configuraram, de acordo com a informação fiscal no AI como “001 – RECEITAS OPERACIONAIS – REVENDA DE MERCADORIAS”) foi de: Trimestre/Ano Valores 1º trim/2005 5.228.364,12 2º trim/2005 4.455.781,15 3º trim/2005 5.053.426,56 4º trim/2005 5.267.149,61 TOTAL/2005 20.004.721,44 1º trim/2006 6.478.093,14 2º trim/2006 7.038.488,01 3º trim/2006 5.748.502,94 4º trim/2006 3.616.950,46 TOTAL/2006 22.882.034,55 Se tal movimentação – que o Fisco reconhece como originária de revenda de mercadorias – foi escriturada ou submetida à tributação – e ficou claro nos autos QUE NÃO FOI – é evidente que tal ocorrência, de per si, não tem a possibilidade de transformar a sociedade em “inexistente de fato”. Ainda mais, a juntada de cópia do Livro de Apuração do ICMS (fls. 2191/2241) confirma que a pessoa jurídica Âncora exerceu atividade e realizou vendas e compras. Em suma, a sociedade existiu e se fez presente no mundo negocial, como comprovam centenas de informações presentes nos autos e da lavra do próprio Fisco, relatando a investigação levada a efeito: Exemplificativamente (destaques acrescidos): Ø fls. 881 – “Já o irmão de Magna José de Souza Pimentel, que no passado gerenciou o setor de compras e armazenamento de mercadorias da pseudosociedade, José Sérgio de Souza Pimentel...” Ø fls. 888/889 – depoimento de Heber Rocha da Silva – “...que quando lá ia [à empresa], recebia o valor da ajuda mensal no balcão, sequer indo aos escritórios”. Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.615 39 Ø fls. 889/890 – resposta à intimação fiscal dada pela pessoa jurídica Caramuru Alimentos S/A – “O cliente Âncora a partir de agora [10/03/2007] estará desativado, não terá mais movimentação no mercado”. Ø fls. 890 – depoimento de Apolônio Barbosa dos Santos – “que foi funcionário da empresa Âncora Atacadista de Alimentos Ltda., em Taguatinga, de 01 de março de 2004 a 29 de novembro de 2006, na função de carregador” (...) “que via a Sra. Magna constantemente na empresa” (...) “que o gerente era o irmão de D. Magna, o Sr. Sérgio”. Ø fls. 890 – depoimento de Hélio Sampaio de Oliveira – “que foi funcionário da empresa Âncora (...) de 01 de setembro de 2003 a 26 de julho de 2006, na função de auxiliar de escritório, com funções diversas, tais como conferente, motorista, officeboy” (...) que via a Sra. Magna constantemente na empresa”. Ø fls. 893 – depoimento de Jurandir Silva Rego (gerente dos Bancos Rural e Real) – “que nos contatos presenciais feitos no endereço da empresa Âncora, na área administrativa e financeira, era feito quase sempre com a Sra. Magna...” Ø fls. 895 – depoimento de Maurício Carvalho Cesar de Moraes (gerente Banco do Brasil S/A) – “que nessa função visitou a empresa por diversas vezes” (...) “que periodicamente visitava a empresa Âncora no interesse do relacionamento e sempre falava com ela (Magna)” (...) “que, (...) por algumas vezes, o estabelecimento da empresa foi visitado pelo gerente de negócios, Sr. Marcelo Fernandes de Assis, juntamente com o depoente” (...) que no processo de migração da conta de Taguatinga para a Agência Empresarial de Brasília, a empresa foi visitada por funcionários das duas agências que apresentaram o modelo de atendimento e a proposta à cliente de migração da conta”. Mais ainda, a empresa Âncora mantinha, como visto, contas bancárias em diversos estabelecimentos, com emissão de cheques de sua lavra e assinados pela sócia Maria Dilma da Silva Santos. Exemplificativamente (há centenas de cópias de cheques acostadas aos autos): fls. 1067 (cheque Itaú), fls. 1074 (Rural), fls. 1112 (Bradesco). Todo este conjunto probatório mostra que a empresa, abstraindo o fato de vir a ser devedora contumaz de tributos federais, tinha capacidade de operar no ramo a que se dedicou, de forma que não restou atendido o preceito do inciso II, letra “a”, do artigo 28,da IN nº 1.005/2010. Melhor sorte não colhe as situações previstas nas letras “b” e “c”, do inciso II, do artigo 28 da IN 1.005/2010, posto que ficou claro que a empresa, nos anoscalendário de 2005 e 2006, operava regularmente no endereço indicado em seu cadastro junto à RFB (situação revertida, é verdade, na abertura da fiscalização, mas isto foi somente em 2009, quando a pessoa jurídica já se encontrava paralisada). Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.616 40 Este cabedal de informações e documentos permite concluir, sem nenhum equívoco, que a empresa Âncora, objeto da representação do Fisco para o cancelamento e baixa de seu CNPJ, exercia plenamente suas atividades, estava corretamente constituída, com seus atos sociais registrados no Registro do Comércio e nas repartições fiscais pertinentes e localizavase, em 2005 e 2006, no endereço fornecido à repartição jurisdicionante federal. Do mesmo modo ficou claro que a Sra. Magna José de Souza Pimentel – CPF nº 119.907.67168, tinha participação ativa nos negócios da mencionada pessoa jurídica, melhor dizendo, era ela a efetiva gestora da empresa, responsável por toda a administração e condução da sociedade, ainda que não figurando no contrato social. E, finalmente, também se mostrou não questionável o fato de a empresa, mesmo tendo movimento comercial que poderia classificála como sendo de “médio porte”, usou de todas as artimanhas possíveis para fugir a qualquer imposição tributária federal, entregando DIPJ com valores zerados, não apresentando DCTF, DACON, não escriturando sua movimentação bancária, não possuindo escrituração regular, etc., o que a coloca no patamar de omissa contumaz e sonegadora. Todavia, em que pese a induvidosa constatação deste fato, penso que só esta situação não poderia levar ao cancelamento da inscrição cadastral da empresa Âncora como feito pelo Fisco, com a decretação de sua baixa no CNPJ na condição de “inexistente de fato”, posto que, comprovadamente, seja pelo ângulo do direito civil/comercial seja pela ótica tributária, a pessoa jurídica era existente de fato e de direito e exercia regularmente suas atividades operacionais. Na verdade, por tudo que minuciosamente o Fisco apurou, caberia perpetrar os lançamentos na pessoa jurídica regularmente estabelecida (Âncora), arrolando, incontinenti, a Sra. Magna José de Souza Pimentel – CPF nº 119.907.67168, na qualidade de “responsável” pelos créditos tributários lançados, na forma do artigo 135, III, do CTN, em razão de ser ela, comprovadamente, a verdadeira gestora da sociedade. Situação que, por vias transversas, a própria autoridade tributária (RFB) acabou por reconhecer quando da finalização da ação fiscal contra ALFA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL DE ALIMENTOS E SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA, inscrita no CNPJ sob nº 08.579.052/000176, da qual Magna também não fazia parte – oficialmente dos quadros societários, mas foi arrolada como responsável solidária no auto de infração objeto do processo administrativo 14041.720.027/201454, anos calendários 2009 e 2010, com fundamento no art. 135, III, do CTN c/c arts. 966, 967 e 968, do Código Civil. Como já estampado no voto condutor do Conselheiro Lisboa, “essa co responsabilização se deu em virtude dos mesmos fatos aqui verificados”. Pelo exposto, deixo de analisar a subseqüente equiparação da pessoa física de Magna como pessoa jurídica, efetuada pelo Fisco, embora, pelos argumentos já expendidos, dela discorde por entender não presentes os requisitos que o Código Civil exige em seu artigo 966 “Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”, posto que os atos praticados pela mencionada pessoa física muito mais se perfilam como atos de gestão, como os que a mesma contribuinte já realiza em outras pessoas jurídicas, por exemplo, Fênix Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10166.723048/201031 Acórdão n.º 1101001.265 S1‐C1T1 Fl. 2.617 41 Armazenagem e Transportes Ltda. (CNJ 32.917.536/000162) e Alfa Representação Comercial Ltda. (CNPJ 08.579.052/000176. Neste sentido, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e voto com o Relator, acolhendo a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, por entender ocorrido erro na identificação e eleição do sujeito passivo, o que ocasiona o inevitável cancelamento dos lançamentos perpetrados contra a pessoa física transmudada, em ato de ofício do Fisco, em pessoa jurídica equiparada, no caso Magna José de Souza Pimentel, firma individual, CNPJ nº 12.965.014/000129, tema já objeto de reiterada jurisprudência deste colendo CARF, como bem citado no voto condutor do Acórdão. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 3 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.903217/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
A exclusão dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. A exclusão dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 32 17 /2 00 8- 11 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, não tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp. Em manifestação de inconformidade, a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: Assumo: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 26 de janeiro de 2009, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 25 de fevereiro de 2009, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.903217/200811 Acórdão n.º 3803006.885 S3TE03 Fl. 104 3 Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, gizese que passou ao largo da observação do d. Julgador a quo que o motivo da não homologação da compensação declarada foi o DARF originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado. O DARF é de fevereiro de 1997. Consta na DComp ter sido pago em 14 de maio de 2004. Improvável que seja fato esta declaração. Daí o sistema não têlo localizado. Assim, apresentavase para a Manifestante, primeiramente, a necessidade de provar o seu recolhimento, ainda que tivesse ocorrido em março de 1997. Esta prova haveria de estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito Em vista desse lapso, a manifestação de inconformidade poderia ter sido declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para contraporse ao resultado da busca feita pelos sistemas da RFB, estava ausente na peça. Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. No recurso voluntário, novamente não há prova de que o DARF indicado existe. De mais a mais, o DARF é de fevereiro de 1997, período de apuração em que o benefício ainda não havia sido estabelecido, assim, o teor da defesa pela exclusão, da base de cálculo, dos valores transferidos a terceiros que teriam sido computados como receitas não se coaduna com a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12861.000010/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2102-000.005
Decisão: RESOLVEM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10630.001204/2003-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 07/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 11/07/2003 a empresa COMERCIAL PAXÁ LTDA apresentou o Pedido de Restituição (fl. 01) de valores pagos a título de parcelamento de PIS (Processo nº 13631.000098/9627), realizados entre 30/08/1996 e 30/04/1999, sob a alegação de que os valores devidos foram depositados e convertidos em renda da União e, simultaneamente, foram pagos por meio do referido parcelamento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.001204/200356 Resolução n.º 330200.101 S3C3T2 Fl. 160 2 Os valores parcelados foram apurados por meio de CAD e, segundo informa a RFB, foram excluídos, dos valores devidos apurados pela CAD e parcelados, os valores convertidos em renda da União. A DRF não apurou diferença a restituir e indeferiu o pleito da recorrente porque no cálculo feito pela recorrente foi aplicado a alíquota de 0,5% da Lei Complementar nº 7/70, sem considerar o adicional de 0,25% instituído pela Lei Complementar nº 17/73. Não se conformando, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade alegando que a decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 determinava o recolhimento do PIS pela Lei Complementar nº 7/70, sem falar nas alterações promovidas pela Lei Complementar nº 17/73. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0917.607, de 30/11/2007, cuja ementa abaixo transcrevo: ALÍQUOTA A LC 17/73 não alterou a sistemática da LC 07/70, simplesmente elevou a alíquota a ser aplicada de 0,5% para 0,75%, não foi questionada pela empresa na esfera judicial e tampouco reputada inconstitucional pelo Pretório Excelso, restando escorreita sua aplicação. Solicitação Indeferida A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 19/11/2007, conforme AR de fl. 148, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 14/12/2007, com o recurso voluntário de fls. 149/156, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, merece ser conhecido. Como relatado, a empresa recorrente obteve decisão judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.448, ambos de 1988, e o direito de recolher o PIS pela sistemática da Lei Complementar nº 7/70. A recorrente entende que, por não ter a decisão judicial citado expressamente a Lei Complementar nº 17/73, que alterou a alíquota do PIS, não está sujeita à referida Lei Complementar nº 17/73. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.001204/200356 Resolução n.º 330200.101 S3C3T2 Fl. 161 3 Em que pesa discordar radicalmente dos argumentos da recorrente, posto que a decisão judicial não a excluiu, nem implícita e nem explicitamente, da sujeição à Lei Complementar nº 17/73, nos autos não consta elementos suficientes para convencer este Conselheiro Relator de que o débito cobrado pela CAD foi calculado com a observância integral das disposições das Leis Complementares 7/70 e 17/73, especialmente quanto à semestralidade da base de cálculo até o início da vigência da Medida Provisória nº 1.212/95, ou seja, até fevereiro de 1996, conforme dispõe a Súmula CARF nº 15, abaixo reproduzida, com efeito vinculante nos termos da Portaria MF n.º 383/2010: Súmula CARF no 15 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar no 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. A falta do demonstrativo de apuração dos débitos objeto de parcelamento obstam a formação da convicção deste Relator sobre a existência ou não de pagamentos indevidos, fazendose necessário trazer aos autos o referido demonstrativo e os esclarecimentos necessários à sua compreensão. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 juntar aos autos o demonstrativo de apuração dos valores devidos a título de PIS objeto do parcelamento controlado no Processo nº 13631.000098/9627, excluindo do valor devido os valores convertidos em renda da União e considerando a semestralidade da base de cálculo do PIS e a alíquota de 0,75% até fevereiro de 1996, e a partir de março de 1996 as disposições da Medida Provisória nº 1.212/95. No referido demonstrativo deve conter o período de apuração, a data do vencimento, a base de cálculo, o valor devido, o valor convertido em renda da União, os pagamentos eventualmente realizados e a diferença apurada; 2 se os valores das diferenças apuradas no item 1 forem diversos dos valores parcelados, imputar aos débitos porventura apurados os pagamentos realizados no parcelamento e apurar eventual crédito a favor da recorrente; 2.1 na imputação a que se refere o item 2, os pagamentos devem ser integralmente utilizados na ordem cronológico do seu recolhimento; 2.2 o crédito porventura existente, a que se refere o item 2, não deve incluir pagamentos realizados antes de 11/07/1998 e não utilizado na imputação do pagamento, em face do que dispõe o art. 168 do CTN e os arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005; 3 prestar os esclarecimentos que julgar necessário ao deslinde da questão e fazer o Relatório circunstanciado da diligência; 4 dar ciência à recorrente desta Resolução e do Relatório da Diligência, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse sobre o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15374.724335/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Acompanharam o julgamento, pela recorrente, os advogados Marcelo Rodrigues de Siqueira, OAB/MG nº. 106.133 e Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG nº. 138.921.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Bruno Maurício Macedo Curi e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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PROCESSO PRODUTIVO. Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Acompanharam o julgamento, pela recorrente, os advogados Marcelo Rodrigues de Siqueira, OAB/MG nº. 106.133 e Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG nº. 138.921. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Bruno Maurício Macedo Curi e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Por bem descrever o histórico do caso até à decisão da DRJ, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 21036.91691.300608.1.3.040713, de crédito no valor original de R$ 37.078.690,64, referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 13/10/2006, a título de Cofins, com débito de IRPJ no valor de R$ 43.979.034,97. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 33 5/ 20 09 -9 2 Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724335/200992 Resolução nº 3202000.346 S3C2T2 Fl. 1.596 2 A DEMAC/RJO, por meio do despacho decisório de fls. 1.397/1.398, reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor original de R$ 14.985.604,72 e homologou parcialmente a declaração de compensação acima descrita. Do Relatório de Verificação Fiscal que fundamentou o despacho decisório cabe transcrever o seguinte trecho: “O PER/DCOMP foi transmitido em 30/06/2008 e não havia nenhuma DCTF ou DACON para set/2006 que indicasse a existência do direito creditório pleiteado em sua integralidade, havendo uma diferença de apenas R$14.985.604,72 entre os recolhimentos e a DCTF ORIGINAL. No início de julho de 2008, a contribuinte apresentou DCTF e DACON RETIFICADORES, que, em comparação com as declarações originais, indicavam uma diferença de COFINS a pagar no valor de R$ 22.093.129,35, o qual somado à diferença de R$ 14.985.604,72, atinge exatamente o valor de R$ 37.078.690,64. Em 2011 a contribuinte apresentou novas declarações retificadoras com valores que supostamente dariam origem a créditos superiores ao que foi pleiteado no PER/DCOMP. Nas tabelas constantes do Relatório de Verificação Fiscal, apresenta se um demonstrativo de valores de base de cálculo dos CRÉDITOS que foram aumentados pela contribuinte no último DACON RETIFICADOR, com um comparativo de valores com o DACON ORIGINAL. Apresentase, ainda, um demonstrativo de valores de base de cálculo da COFINS que foram reduzidas pela contribuinte, com um comparativo de valores entre os DACONS. O processo de auditoria foi focado basicamente nestas mudanças de valores, e a contribuinte não logrou justificar alterações que lhe dessem direito ao valor integral do crédito pleiteado. No que se refere à redução de um item da base de cálculo da COFINS (FICHA 17B, linha 02), a contribuinte foi intimada em 05/09/2011 (fls. 44 a 49 Ver itens 6 e 7 do TIF00) a demonstrar, dentre outras coisas, a contabilização dos estornos/correções decorrentes de diferenças nas receitas que compõem a nova base de cálculo da COFINS, informadas na ficha 17B do último DACON RETIFICADOR (item 6 do TIF00), e a correlacionar com os valores dos RAZÕES, por ficha e número de linha do DACON, cada diferença nas receitas que compõem a nova base de cálculo da COFINS informada nesta ficha (item 7 do TIF00). Conforme Termo às fls. 1095 a 1101 (TIF05 – itens 1 e 2), até 31/07/2012 a contribuinte ainda não havia apresentado as informações referentes à contabilização dos estornos/correções decorrentes de diferenças nas receitas que compõem a nova base de cálculo da COFINS, informadas na ficha 17B do último DACON RETIFICADOR (item 6 do TIF0), e a resposta ao item 7 do TIF00 (Ver planilhas nas fls. 54 a 56 RESP TIF 00 ESCLARECIMENTOS 1) Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724335/200992 Resolução nº 3202000.346 S3C2T2 Fl. 1.597 3 não correlacionava cada diferença nas receitas da nova base de cálculo do ÚLTIMO DACON RETIFICADOR com os valores dos RAZÕES. Assim, em 06/08/2012, por intermédio deste mesmo termo (fls. 1095 a 1101 TIF05), e em 21/09/2012, por intermédio do Termo de Reintimação Fiscal n º 07 (fls. 1108 a 1110 TIF07), a contribuinte foi reintimada, por mais duas vezes, a prestar estas informações faltantes; todavia, desde a ciência do TIF00 em 05/09/2011 (fls. 44 a 49 TIF00) e das duas reintimações, até a presente data a contribuinte não as apresentou, solicitando sucessivas prorrogações de prazo (fls. 1102 a 1104 RESP TIF 05; fl. 1111 RESP TIF07 PED PRORROG 1; fl. 1112 RESP TIF07 PED PRORROG 2). No que se refere às alterações de créditos, em 10/05/2012, mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls. 69 a 70 TIF 03), a contribuinte foi intimada a apresentar demonstrativo analítico da formação da base de cálculo dos créditos demonstrados nas seguintes linhas da ficha 16A do DACON ORIGINAL e do ÚLTIMO DACON RETIFICADOR: a) 01. BENS PARA REVENDA; b) 02. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS; c) 07. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA; d) 10. SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO). De acordo com as observações 2 e 3 do TIF03 (fls. 69 a 70 TIF03), os demonstrativos deveriam ter informações completas das notas fiscais/DI/recibos/etc e, para cada item discriminado em cada nota fiscal/DI/recibo/etc, a contribuinte deveria informar a sua destinação na empresa e o motivo/critério que justificaria o seu uso na base de cálculo dos créditos da COFINS. Após um pedido de prorrogação (fl. 71 RESP TIF03 PED PRORROG), a contribuinte enviou, em 15/06/2012, a sua resposta ao TIF03 (fls. 72 a 74 RESP TIF03 ESCLARECIMENTOS). Da análise desta resposta, verificouse que a contribuinte não havia informado a destinação das mercadorias/insumos/bens na empresa, nem havia discriminado o motivo/critério que justificaria o seu uso na base de cálculo dos créditos da COFINS, nem quantidades e valores unitários. Em 06/08/2012, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 05 (fls. 1095 a 1101 TIF05), a contribuinte foi reintimada a apresentar estas informações, não tendo cumprido a obrigação até a presente data. Em outro aspecto, a partir das tabelas 7, 8 e 9 e das planilhas apresentadas pela contribuinte em resposta aos itens 1.1 e 1.2 TIF03, verificouse que houve um aumento considerável de documentos e valores que justificavam as informações dos valores da base de cálculo Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724335/200992 Resolução nº 3202000.346 S3C2T2 Fl. 1.598 4 dos créditos apurados no DACON ORIGINAL (fls. 1067 a 1090 RESP TIF03 ITEM 12; fls. 1343 a 1378 – ERRO FL 1073 a 1078 RESP TIF03 ITEM 12 BENS UT IN) e ÚLTIMO DACON RETIFICADOR (fls. 75 a 79 RESP TIF03 ITEM 1.1). Nos parágrafos seguintes, são apresentados os questionamentos acerca destes documentos que não estavam compondo a justificativa de valores da base de cálculo dos créditos apurados no DACON ORIGINAL (fls. 1067 a 1090 RESP TIF03 ITEM 12; fls. 1343 a 1378 – ERRO FL 1073 a 1078 RESP TIF03 ITEM 12 BENS UT IN) e surgiram na composição do DACON RETIFICADOR (fls. 75 a 79 RESP TIF03 ITEM 11). Comparandose as planilhas referentes aos itens 01 e 02 da ficha 16A do DACON, apresentadas pela contribuinte em resposta ao itens 1.1 e 1.2 do TIF03 (fls. 75 a 79 RESP TIF03 ITEM 11 BENS PARA REVENDA; fls. 80 a 146 RESP TIF03 ITEM11 BENS UT COMO INSUMOS; fls. 1067 a 1072 RESP TIF03 ITEM 12 BENS PARA REVENDA; fls. 1343 a 1378 ERRO FL 1073 a 1078 RESP TIF03 ITEM12 BENS UT IN), foi selecionada uma série de documentos relativos a bens para revenda e bens utilizados como insumos para os quais a contribuinte deveria apresentar a descrição detalhada de cada produto/mercadoria/bem/insumo/item/etc e minudenciar a sua utilização no processo produtivo da empresa (fls. 1095 a 1101 ver item 8 do TIF05). Conforme já explicado, tais documentos estão entre aqueles que não estavam compondo a justificativa de valores da base de cálculo dos créditos apurados no DACON ORIGINAL, mas apenas do RETIFICADOR. Para os documentos dos créditos referentes a armazenamento e transporte (DACON: ficha 16A, linha 07) que não estavam compondo a justificativa de valores da base de cálculo dos créditos apurados no DACON ORIGINAL (fls. 1079 a 1090 RESP TIF03 ITEM 12 ARMAZENAMENTO E TRANSPORTE), mas apenas do RETIFICADOR (fls. 1030 a 1066 RESP TIF03 ITEM 11 ARMAZENAMENTO E TRANSPORTE), a contribuinte foi intimada a apresentar, as seguintes informações (fls. 1095 a 1101 TIF05): a) se o item se referia armazenamento ou transporte; b) informação completa da nota fiscal de saída de cada insumo/produto/mercadoria/bem transportado; c) para cada elemento transportado, a contribuinte deveria informar se se tratava de produto acabado, produto em elaboração, matéria prima, bem do ativo permanente ou transporte de pessoal; d) origem e destino do transporte, com informação do nome e CNPJ do estabelecimento de origem e destino; e) no caso de transportes entre estabelecimentos da própria Petrobrás ou entre estabelecimentos de terceiros para armazenamento em nome da Petrobrás, a contribuinte deveria informar o motivo específico do transporte, por exemplo: Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724335/200992 Resolução nº 3202000.346 S3C2T2 Fl. 1.599 5 transporte de produto acabado para posterior distribuição regional pela unidade de destino; transporte de produto em elaboração para continuação da industrialização pela unidade de destino; transporte de bem do ativo permanente para utilização no processo produtivo; etc. A partir da análise das informações dos DACONs (Tabelas 7, 8 e 9) verificouse também que não havia originalmente informação de créditos sobre Bens do Ativo Imobilizado com Base no Valor de Aquisição no DACON ORIGINAL (Tabela 7: item 10), surgindo apenas no DACON RETIFICADOR (Tabela 8: item 10). A justificativa destes novos valores foi apresentada nas planilhas às fls. 147 a 539 em resposta ao TIF03 (RESP TIF03 ITEM 11 AQUISIÇÃO IMOBILIZADO I; RESP TIF03 ITEM 11 AQUISIÇÃO IMOBILIZADO II). Para a auditoria deste assunto específico, a contribuinte foi intimada a apresentar, para cada item destas planilha referente a aquisições para o ativo imobilizado, as seguintes informações (fls. 1095 a 1101 TIF05): a) utilização do bem. Exemplos de utilização: bem para locação a terceiros; bem utilizado na produção de outros bens destinados à venda; bem utilizado na prestação de serviços, etc; b) condições do bem adquirido. A contribuinte deveria informar se se tratava de bem usado ou novo; c) todas as localizações de cada bem durante de setembro de 2006 (fls. 1105 a 1107 ver item 1 do TIF 06), incluindo nome do setor e produto e/ou serviço produzido com a participação do bem. Tirante a questão de se saber se cada item da planilha às fls. 1030 a 1066 (RESP TIF03 ITEM 11 ARMAZENAMENTO E TRANSPORTE) se referia a armazenamento ou transporte (DACON: ficha 16A, linha 07), para todos estes questionamentos específicos anteriormente elencados, os quais, repitase, foram solicitados, em 06/08/2012, mediante o TIF05 (fls. 1095 a 1101 TIF05), com reintimação mediante o TIF07 (fls. 1108 a 1110 TIF07), a contribuinte não apresentou nenhuma destas informações até o presente momento (fls. 1102 a 1104 RESP TIF05; fl. 1111 RESP TIF 07 PED PRORROG 1; fl. 1112 RESP TIF 07 PED PRORROG 2). Não é possível, pois, sem estas informações, validar as alterações para reduzir a base de cálculo da COFINS (FICHA 17A, do DACON; ver tabela 10) e aumentar valores da base de cálculo dos créditos (ficha 16A, linhas 01, 02, 07 e 10 do DACON; ver Tabelas 7, 8 e 9), mantendose o valor de COFINS a pagar apurado na DCTF ORIGINAL, no montante de R$724.661.450,95 (ver Tabela 1). Assim, por conseqüência direta destas constatações, não se confirma a integralidade do direito creditório pleiteado pela contribuinte no valor ORIGINAL (não atualizado) de R$37.078.690,64, acatandose apenas o valor ORIGINAL (não atualizado) de R$14.985.604,72, Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724335/200992 Resolução nº 3202000.346 S3C2T2 Fl. 1.600 6 decorrente da diferença entre os recolhimentos (Tabela 3) e a DCTF ORIGINAL (Tabela 1).”(g.n.) Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1.405/1.415, na qual alega que: Em função dos problemas na implantação do sistema SAP R3 e das limitações no Sistema de Apuração dos Créditos no Mercado Interno (Sistema PROJ48), que deram, respectivamente, origem ao reprocessamento da receita e dos créditos atrelados ao PA 09/2006, mister ressaltar que não ocorreu de fato uma diminuição da receita, e sim a inclusão de créditos em virtude dos reprocessamentos retro, gerando a diminuição do débito. Não é demais esclarecer que ao procedermos ao exame dos Razões referentes ao PA 09/06, observase que os mesmos estão devidamente correlacionados com cada linha das DACON's retificadoras, extinguindo o supedâneo da decisão ora guerreada, na medida em que todas as escriturações praticadas se encontram em consonância umas com as outras. Com o reprocessamento, mais créditos foram incluídos e discriminados nas DACON's retificadoras. Para corroborar a fidedignidade dos créditos, apresentamos os demonstrativos analíticos "Item 9, 10, 12 e 15 Original" (contendo os créditos que foram incluídos originariamente na DACON) e “item 9, 10, 12 e 15 – Retif” (contendo todos os créditos, e suas respectivas informações detalhadas, que após o reprocessamento foram incluídos na DACON). Assim, as alterações dos créditos incluídos na DACON retificadora podem ser atestadas pelo cotejo entre os dois demonstrativos, sendo que pelo confronto será possível montar o "depara" (créditos originariamente incluídos x créditos agregados após o reprocessamento e levados à DACON através das retificadoras). Por fim, não é despiciendo aclarar algumas dúvidas levantadas pela autoridade fiscal quando da verificação dos créditos lançados na DACON retificadora, mormente no que tange ao TIF 03 (fls. 69 e 70), que nos intimou para “informar a destinação” e “o motivo/critério que justificaria o uso na base de cálculo” da COFINS para os seguintes itens: (i) Linha 01 Bens para Revenda. (ii) Linha 02 Bens Utilizados como insumos. (iii) Linha 07 Despesas de Armazenagem de mercadoria e Frete na Operação de Venda, (iv) Linha 10 Bens do Ativo Imobilizado (com base no valor de Aquisição). No intuito de elucidar nossos procedimentos para tomada de crédito da COFINS, importante conceituar que insumos são todos os bens e serviços adquiridos pelos estabelecimentos da empresa para integrarem os produtos resultantes de suas atividades fins, utilizados ou Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724335/200992 Resolução nº 3202000.346 S3C2T2 Fl. 1.601 7 consumidos no processo produtivo, bem como para prestação de serviços. Neste diapasão, os produtos abaixo delineados geram créditos à título de insumos de produção, a saber: (i) Produtos químicos utilizados nas fases de exploração e desenvolvimento (somente para a atividade de E&P Exploração e Produção). (ii) Produtos químicos utilizados nas fases de produção (E&P e de ABAST Abastecimento). (iii) Produtos químicos utilizados nas utilidades (E&P e ABAST). Ademais, os créditos sobre bens do Ativo Imobilizado valem ser lembrados, na medida em que: (i) Máquinas, equipamentos e outros bens dão direito ao crédito, desde que adquiridos a partir de 01.05.2004 e utilizados na persecução do objeto social da companhia, assim entendidos aqueles que forem utilizados nos processos produtivos, bem como na prestação de serviços da complexa atividade da indústria do petróleo (art. 6o, XIX, da Lei n° 9.478/1997). (ii) Edificações e benfeitorias dão direito ao crédito, desde que adquiridos a partir de 01.05.2004, independentemente de serem alocados às atividades fim ou às atividades administrativas. Por derradeiro, a energia elétrica consumida nos estabelecimentos (em atividades produtivas e administrativas), sobressalentes (quando adquiridos para máquinas e equipamentos utilizados nos processos produtivos e comerciais, bem como na prestação de serviços) e aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (desde que pagos a pessoas jurídicas, sendo vedado o crédito relativo a bens que já tenham integrado o patrimônio da contribuinte), todos geram créditos que resultam na redução da base de cálculo da COFINS. É o relatório. Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ a julgou improcedente, por ausência de provas do alegado direito creditório, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/10/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724335/200992 Resolução nº 3202000.346 S3C2T2 Fl. 1.602 8 Não resignada com a decisão acima transcrita, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando os argumentos articulados na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: Como é de conhecimento de todos deste Colegiado, o conceito de insumo que admito e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP , PI eME relacionados ao IPI.Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Como se observa do despacho decisório e do acórdão recorrido, uma série de bens e serviços foram glosados, por não se adequarem ao conceito de insumos , definido em instrução normativa, que muito se aproxima da definição – já dita inadequada – própria do IPI. Por isso, entendo que, nesses casos, deve ser convertido o julgamento em diligência, para que seja analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Ante o exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a empresa Recorrente a: a) efetuar descritivo minucioso do processo produtivo da Recorrente – elaborar laudo se necessário , a fim de que possa ser constatado o emprego dos custos, despesas e serviços glosados pelo despacho decisório, inclusive em relação aos créditos extemporâneos (se houver); 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724335/200992 Resolução nº 3202000.346 S3C2T2 Fl. 1.603 9 b) destacar quais as despesas vinculadas a cada uma das contas contábeis, inserindo sua participação no processo produtivo, inclusive em relação aos créditos extemporâneos (se houver); c) Apresentar balancetes ou Livro Razão comprovando o registro contábil da despesa no valor informado; d) trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Em seguida, a autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Por fim deve ser intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente sobre o resultado da presente diligência. Após, retornem a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 16327.002275/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Rejeitam-se os embargos apresentados uma vez inexistente a omissão alegada. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta.
EMBARGOS. PROCESSO CONEXO/REFLEXO CUJO PRINCIPAL AINDA NÃO TEM DECISÃO DEFINITIVA NO CARF.
Em se tratando de processo conexo/reflexo, uma vez julgado o recurso voluntário do processo principal, é cabível o julgamento dos conexos/reflexos, na mesma instância ou fase recursal, ainda que o principal tenha sido objeto de recurso voluntário ou especial.
Embargos de Declaração Conhecidos e Rejeitados.
Numero da decisão: 1402-001.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, rejeita-los, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Rejeitam-se os embargos apresentados uma vez inexistente a omissão alegada. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta. EMBARGOS. PROCESSO CONEXO/REFLEXO CUJO PRINCIPAL AINDA NÃO TEM DECISÃO DEFINITIVA NO CARF. Em se tratando de processo conexo/reflexo, uma vez julgado o recurso voluntário do processo principal, é cabível o julgamento dos conexos/reflexos, na mesma instância ou fase recursal, ainda que o principal tenha sido objeto de recurso voluntário ou especial. Embargos de Declaração Conhecidos e Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, rejeita-los, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Rejeitamse os embargos apresentados uma vez inexistente a omissão alegada. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta. EMBARGOS. PROCESSO CONEXO/REFLEXO CUJO PRINCIPAL AINDA NÃO TEM DECISÃO DEFINITIVA NO CARF. Em se tratando de processo conexo/reflexo, uma vez julgado o recurso voluntário do processo principal, é cabível o julgamento dos conexos/reflexos, na mesma instância ou fase recursal, ainda que o principal tenha sido objeto de recurso voluntário ou especial. Embargos de Declaração Conhecidos e Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, rejeitalos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 75 /2 00 3- 96 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 16327.002275/200396 Acórdão n.º 1402001.843 S1C4T2 Fl. 769 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos pela União Federal (Fazenda Nacional), insurgindose contra suposta omissão ocorrida no acórdão embargado. Em 14/08/2008, iniciado o julgamento do presente caso, restou decidido, no tocante ao crédito tributário principal, que o presente processo aguardaria a decisão a ser proferida nos autos do processo administrativo nº. 13805.011396/9701, no qual discutiase a procedência do crédito pleiteado pela Autuada, já que, uma vez reconhecida a existência do crédito naqueles autos, o crédito tributário pretendido pela Fazenda nestes autos estaria extinto. Retornaram os autos a essa egrégia Câmara, em razão de ter sido proferida decisão definitiva para o Pedido de Restituição e Compensação objeto do processo administrativo nº. 13805.011396/9701. Tal pedido fora definitivamente julgado pela egrégia 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, nos termos do acórdão nº. 10709.013, cuja ementa transcrevo: IRPJ. PER/DECOMP’S. Comprovado nos autos a que a empresa não compensara o imposto negativo referente ao ano de 1995, objeto do PER/DECOMPS, e que os valores compensados nos períodos seguintes o foram à conta de IRF de anos anteriores, insubsiste a presunção extraída pelo fisco para indefrir o pedido da pessoa jurídica. Provido o Pedido de Restituição, o aresto embargado homologou os pedidos de compensação correspondentes (pedidos de compensação objeto dos PA’s 13805.011396/9701, 13804.002816/9879 e 16327.001728/9974), até o limite do direito creditório reconhecido. Com isso, não existindo razões para a manutenção da presente cobrança, haja vista ter sido o crédito tributário extinto por compensação, nos termos do art. 156, II e 170 do CTN, este Eg. Colegiado, em sessão de julgamento realizada em 09/10/2013, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração em discussão, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITO EXTINTO POR COMPENSAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito tributário em cobrança foi extinto por compensação, nos termos do art. 156, II e 170 do CTN, deve ser cancelado o auto de infração. Recurso voluntário provido. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 16327.002275/200396 Acórdão n.º 1402001.843 S1C4T2 Fl. 770 3 Nesse contexto, sustenta o embargante que, o processo nº. 13805.011396/97 01 encontrase pendente de análise de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional e futura interposição de recurso especial, não havendo, portanto, decisão definitiva na esfera administrativa. Aduz que o aresto embargado restou omisso, deixando de se pronunciar sobre a falta de definitividade da decisão tomada no processo nº. 13805.011396/9701 e das repercussões que tal fato terá na decisão adotada no presente feito. É o breve Relatório. Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator. Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, assim, deles tomo conhecimento. Primeiro, há que se destacar que, na data do julgamento em que foi proferido o aresto embargado, não havia qualquer informação nos autos de que a decisão proferida nos autos do processo nº. 13805.011396/9701 fora objeto de recurso. Sendo assim, apenas por ocasião destes embargos declaratórios este Eg. Colegiado tomou conhecimento da interposição de recurso naqueles autos. Aliás, de se notar que muito embora os declaratórios opostos pela PFN façam menção ao anexo protocolo de interposição de recurso naqueles autos, o referido documento não se encontra anexado. Logo, não há que se falar em omissão do acórdão recorrido, pois tais elementos sequer compunham os autos quando da apreciação do recurso voluntário. Notese que, o objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta. Se o aresto embargado baseou se em premissa equivocada, poderá ser reformado por ocasião da análise de eventual recurso especial, caso efetivamente verificada a incorreção. Não bastasse isso, importa esclarecer que, em se tratando de processo conexo/reflexo, uma vez julgado o recurso voluntário do processo principal, é cabível o julgamento dos conexos/reflexos, na mesma instância ou fase recursal, ainda que o principal tenha sido objeto de recurso voluntário ou especial. Posto isso, considerando que a omissão citada não ocorreu, voto no sentido de conhecer os embargos para, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 16327.002275/200396 Acórdão n.º 1402001.843 S1C4T2 Fl. 771 4 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001658/2003-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Ementa:
IRPJ. CSLL. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ART. 150, § 4º. DO CTN. NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO APÓS O ESCOAMENTO DO PRAZO DECADENCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO Nº. 8 DA SÚMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Este Conselho, por força do que dispõe o art. 62-A de seu Regimento Interno, adota o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, no sentido de que verificada a realização de pagamento pelo contribuinte, ainda que parcial e, assim, insuficiente à quitação do crédito tributário, o prazo decadencial de que dispõe a Administração Tributária para efetuar o lançamento de ofício se inicia na data da ocorrência do fato gerador. Em contrário, inexistindo pagamento, o prazo decadencial inicia seu curso no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetuado o lançamento, consoante os termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Reconhecimento da decadência visto que a notificação do lançamento ocorreu após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da ocorrência do fato gerador.
Aplicação do regime jurídico estabelecido pelo Código Tributário Nacional à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212/91. Enunciado nº. 8 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 1103-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Hugo Correa Sotero - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Cristiane Costa Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Hugo Correia Sotero.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 28/08/2015.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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CSLL. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ART. 150, § 4º. DO CTN. NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO APÓS O ESCOAMENTO DO PRAZO DECADENCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO Nº. 8 DA SÚMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Este Conselho, por força do que dispõe o art. 62A de seu Regimento Interno, adota o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, no sentido de que verificada a realização de pagamento pelo contribuinte, ainda que parcial e, assim, insuficiente à quitação do crédito tributário, o prazo decadencial de que dispõe a Administração Tributária para efetuar o lançamento de ofício se inicia na data da ocorrência do fato gerador. Em contrário, inexistindo pagamento, o prazo decadencial inicia seu curso no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetuado o lançamento, consoante os termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Reconhecimento da decadência visto que a notificação do lançamento ocorreu após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da ocorrência do fato gerador. Aplicação do regime jurídico estabelecido pelo Código Tributário Nacional à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212/91. Enunciado nº. 8 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 58 /2 00 3- 18 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19515.001658/200318 Acórdão n.º 1103000.726 S1C1T3 Fl. 719 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Hugo Correa Sotero Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Cristiane Costa Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Hugo Correia Sotero. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 28/08/2015. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19515.001658/200318 Acórdão n.º 1103000.726 S1C1T3 Fl. 720 3 Relatório Em face do contribuinte restou formalizado lançamento de ofício por insuficiência de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apontando a autoridade lançadora a utilização, no procedimento de apuração do imposto e da contribuição, de prejuízos fiscais e bases negativas em montante superior ao limite legal (30%). Notificado, apresentou o contribuinte impugnação (fls. 148/176 e 591/619), alegando, em síntese, que o crédito tributário estaria definitivamente extinto em função da homologação tácita, de acordo com o artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), acrescentando que sua conduta não teria gerado completa ausência de recolhimento, mas, em grande parte, mera postergação, posto que deveria ser considerado o montante já recolhido nos anos seguintes (1998 a 2000), nos termos do Parecer COSIT n°. 02/1996. A impugnação foi parcialmente acolhida pela Delegacia de Julgamento de São Paulo por acórdão assim ementado: “IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de fraude, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN. CSLL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em dez anos, segundo dispõe o artigo 45 da Lei n°8.212/1991. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. POSTERGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Considerase postergada a parcela devida relativa a determinado períodobase quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. À compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores, por sua natureza diversa, não pode ser aplicado o tratamento de postergação do pagamento da exação. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. À esfera administrativa não cabe conhecer de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19515.001658/200318 Acórdão n.º 1103000.726 S1C1T3 Fl. 721 4 Lançamento Procedente em Parte.” Da decisão se extrai: “16. In casu, o sujeito passivo efetuou o recolhimento do imposto por estimativa apurado nos meses de agosto a dezembro de 1997, informado na linha 14 da Ficha 09 — IR e CSLL Mensal por Estimativa/Antecip. Obrigatórias — da declaração de IRPJ (fls. 25 a 29 e 882), cujo montante superou o imposto sobre o lucro real calculado (soma algébrica das linhas 01, 03,05 e 06 da Ficha 08— Cálculo do Imposto de Renda (fl. 17). 17. Dessa forma, afiguramse atendidos os requisitos para que a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento de eventual diferença apurada se dê na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, conforme transcrição a seguir: ... 18. Assim, por se tratar de fato gerador ocorrido em 31/12/1997, o mencionado prazo extinguirseia em 31/12/2002. Como o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 29/04/2003, deve ser acolhida a argüição de ocorrência de homologação tácita. ... 19. Resta ponderar que as considerações acima não se estendem ao lançamento da CSLL, que, por sua natureza, integra o rol das contribuições para a seguridade social, independentemente do órgão encarregado de sua administração, e tem como fundamento o artigo 195, inciso I, alínea "c", da Constituição Federal, que se transcreve, a seguir: ... 20. Assim sendo, aplicase a ela o prazo decadencial previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, bem como no artigo 70 do Regulamento da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto n°2.173/1997. Assim dispõe a Lei n° 8.212/1991: ... 23. Dessa forma, o prazo para o lançamento da CSLL é de 10 anos, contados do primeiro dia do exercido seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído. Assim, não restam dúvidas de que o lançamento foi realizado dentro do prazo legal.” Contra o acórdão interpôs o contribuinte recurso voluntário (fls. 898919), reproduzindo as razões de impugnação. Remetido o processo a este Conselho também por força de recurso de ofício, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19515.001658/200318 Acórdão n.º 1103000.726 S1C1T3 Fl. 722 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o acórdão. Formalizo este acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Hugo Correa Sotero, por ocasião do julgamento realizado em 07/08/2012, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Portanto, o entendimento consubstanciado neste voto tem por base a minuta de relatório e voto apresentada durante a sessão de julgamento, constante dos arquivos do CARF e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 07/08/2012, às nove horas, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. Transcrevo abaixo o voto apresentado pelo Relator e acolhido pelo colegiado: "Conselheiro Hugo Correia Sotero Relator Recurso voluntário tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Recurso de ofício regularmente interposto. Conheço, inicialmente, do recurso de ofício. A Delegacia de Julgamento de São Paulo acatou a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte, decretando a insubsistência do lançamento em virtude de sua formalização após o transcurso do prazo estabelecido no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. A decisão teve por fundamento a existência de pagamentos realizados pelo contribuinte (recolhimento das estimativas mensais relativas aos meses de agosto a dezembro de 1997), de sorte que a contagem do prazo quinquenal de decadência (em relação ao IRPJ) se iniciou quando da ocorrência do fato gerador (31 de dezembro de 1997) – aplicação direta da regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Este Conselho, por força do que dispõe o art. 62A de seu Regimento Interno, adota o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, no sentido de que verificada a realização de pagamento pelo contribuinte, ainda que parcial e, assim, insuficiente à quitação do crédito tributário, o prazo decadencial de que dispõe a Administração Tributária para efetuar o lançamento de ofício se inicia na data da ocorrência do fato gerador. Em contrário, inexistindo pagamento, o prazo decadencial inicia seu curso no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetuado o lançamento, consoante os termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. No caso, como assentado na decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, o contribuinte efetuou pagamento parcial do IRPJ devido (recolhimento das estimativas mensais de agosto a dezembro de 1997), de sorte que, consolidado o fato imponível Fl. 722DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19515.001658/200318 Acórdão n.º 1103000.726 S1C1T3 Fl. 723 6 complexivo em 31 de dezembro de 1997, poderia ser validamente formalizado o lançamento de ofício até 31 de dezembro de 2002. No entanto, somente em 29/04/2003 foi o contribuinte notificado do lançamento, sendo insofismável a decadência e a consequente nulidade do lançamento. Com estas considerações, conheço o recurso de ofício para negarlhe provimento. Através de recurso voluntário se insurge o contribuinte contra o acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento que afastou a arguição de decadência em relação à exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), afirmando a decisão, com esteio na regra inscrita no art. 45 da Lei Federal nº. 8.212/91, que “o prazo para o lançamento da CSLL é de 10 anos, contados do primeiro dia do exercido seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído”. Também por força do que dispõe o art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, impõese a aplicação do Enunciado nº. 8 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” A dualidade de regimes de decadência e prescrição aplicáveis aos impostos e às contribuições de financiamento da Seguridade Social, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, de sorte que às contribuições deve ser aplicado o regime jurídico estabelecido pelo Código Tributário Nacional (arts. 150, § 4º, e 173). Dessa forma, as razões que levaram à conclusão de estar configurada a decadência do direito de lançar em relação ao IRPJ são integralmente aplicáveis também à CSLL, pelo que, conheço do recurso voluntário para darlhe integral provimento, declarando a decadência do direito de lançar em relação à CSLL. Hugo Correia Sotero Relator" Acórdão formalizado em 28 de Agosto de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Fl. 723DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
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Numero do processo: 10980.721217/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§ 1º e 2º , do RICARF.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§ 1º e 2º , do RICARF. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º , do RICARF. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.1316/1337) interposto em 14 de julho de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls.1271/1289), do qual o Recorrente teve ciência em 16 de junho de 2011, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 322/329, lavrado em 25 de fevereiro de 2011, em decorrência de omissão de rendimentos, deduções indevidas de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 21 21 7/ 20 11 -8 5 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721217/201185 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101 000.113 S2C1T1 Fl. 1.340 2 dependentes e despesas médicas, em sua declaração de ajuste anual, exercício de 2009, constituindose um imposto suplementar no valor de R$ 59.224,48 mais cominações legais. O acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2009 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. GLOSA DE DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. Comprovada a dependência para fins do mposto de renda, restabelecese o valore relativo aos dependentes informados na declaração de ajuste. DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. – Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. FÉRIAS VENCIDAS NÃO GOZADAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO. FGTS. AVISO PRÉVIO. ISENÇÃO. As férias vencidas não gozadas por necessidade do serviço, o FGTS e o aviso prévio, são verbas isentas do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. HORAS EXTRAS. COMISSÕES. DEVOLUÇÕES DE DESCONTOS. ADICIONAL DE HORAS EXTRAS. REFLEXOS. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis todas as verbas, recebidas por meio de ação trabalhista, para as quais não haja expressa previsão legal de isenção. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. SOGRA. A sogra só pode ser considerada dependente na declaração em conjunto, que só se configura quando há rendimentos próprios do cônjuge ou companheiro(a) do contribuinte. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721217/201185 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101 000.113 S2C1T1 Fl. 1.341 3 Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA. Os serviços de instrumentação cirúrgica somente são considerados despesas médicas, para fins de dedução, quando fizerem parte da conta hospitalar ou forem pagos a quem pertence àquelas categorias profissionais expressamente referidas na legislação tributária, obedecidas as atribuições próprias de cada profissão. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, possui previsão legal e aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. É dolosa a conduta de fazer uso de documento que sabe não corresponder a uma efetiva prestação de serviço médico. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instância em 16/06/2011 (fl. 1293), o contribuinte apresentou, em 14/07/2011, o recurso de fls. 1316/1337, onde tão somente reitera alegações constantes na impugnação à quo. Por fim, requer: a) Exclusão da base de cálculo dos valores recebidos à título de juros compensatórios, vez que possuem caráter indenizatório; Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721217/201185 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101 000.113 S2C1T1 Fl. 1.342 4 b) Seja recalculado o valor devido a título de IR pelo regime de competência, considerando os valores recebidos à época pelo Recorrente, acrescido dos valores determinados mensalmente nos autos da reclamatória trabalhista, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade e da isonomia; c) Seja excluída a incidência de multa de ofício, pela não intenção deliberada de omitir receitas. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 1338, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o Auto de Infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2011, cumpriu a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988. Em 2009, contudo, o tema dos rendimentos recebidos acumuladamente foi objeto do Parecer PGFN n.º 287, de 2009, posteriormente ratificado pelo Ato Declaratório n.º 1, de 2009. Diferentemente do que determina a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, a orientação do referido Parecer PGFN é no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Tendo em vista que tal orientação, em última instância, derroga a regra do art. 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, a questão foi levada à apreciação, em caráter difuso, do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721217/201185 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101 000.113 S2C1T1 Fl. 1.343 5 como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, utilizada como fundamento para o cálculo do tributo devido neste processo, tal como se depreende do “Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Devido”, integrante do Auto de Infração, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF n.º 586, de 2010, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Dessa forma, o presente recurso voluntário deverá ser sobrestado, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.721217/201185 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2101 000.113 S2C1T1 Fl. 1.344 6 (assinado digitalmente) Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720633/2013-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO.
Tratando-se de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos a pessoa jurídica deverá reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, bem como manter em reserva de lucros - reserva de incentivos fiscais -, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais.
Tais subvenções serão tributadas caso seja dada destinação diversa, inclusive na hipótese de distribuição de tais valores aos sócios da respectiva pessoa jurídica.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 1402-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Cristiane Silva Costa que negavam provimento. Designado o Conselheiro Paulo Roberto Cortez para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Cristiane Silva Costa, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernanda Carvalho Alvares, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. Tratando-se de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos a pessoa jurídica deverá reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, bem como manter em reserva de lucros - reserva de incentivos fiscais -, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais. Tais subvenções serão tributadas caso seja dada destinação diversa, inclusive na hipótese de distribuição de tais valores aos sócios da respectiva pessoa jurídica. Recurso de ofício provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Cristiane Silva Costa que negavam provimento. Designado o Conselheiro Paulo Roberto Cortez para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Cristiane Silva Costa, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernanda Carvalho Alvares, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
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NÃO VINCULAÇÃO DOS RECURSOS PARA CARACTERIZAÇÃO. Tratandose de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos a pessoa jurídica deverá reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, bem como manter em reserva de lucros reserva de incentivos fiscais , a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais. Tais subvenções serão tributadas caso seja dada destinação diversa, inclusive na hipótese de distribuição de tais valores aos sócios da respectiva pessoa jurídica. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Cristiane Silva Costa que negavam provimento. Designado o Conselheiro Paulo Roberto Cortez para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 06 33 /2 01 3- 77 Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.246 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Cristiane Silva Costa, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernanda Carvalho Alvares, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.247 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 680/762), cumulados com juros e multa de ofício de 75%, referentes aos anos calendário de 2009 a 2011, apurados na sistemática do Lucro Presumido e lavrados em razão da suposta omissão de receita decorrente de subvenção recebida de Pessoa Jurídica de Direito Público Crédito Presumido de ICMS – Programa PróEmprego do governo de Santa Catarina, com fundamento legal no art. 3º da Lei nº. 9.249/95 e arts. 521 e 528 do RIR/99. Narra o Termo de Verificação Fiscal (fls. 763/785), que o crédito de ICMS decorrente do Programa PróEmprego consiste em um benefício fiscal através do qual contribuintes importadores recebiam do Estado de Santa Catarina um crédito do referido tributo no momento em que promoviam a saída das mercadorias importadas de seu estabelecimento, condicionado a que efetuassem as operações de importação através de portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados situados no Estado de Santa Catarina, além de outras obrigações acessórias. Aduz que, na ótica do direito financeiro, ramo do direito público que regula a atividade financeira do Estado, o referido benefício representa uma subvenção, cuja definição e classificação são encontradas nos parágrafos 2º e 3º do art. 12 da Lei nº 4.320, de 17/03/64. Afirma que, o benefício fiscal do crédito de ICMS concedido através do Programa PróEmprego se trata de uma subvenção, originária de dotação orçamentária de “transferência correntes”, da espécie “econômica”, cuja finalidade é a de cobrir “despesas de custeio” das entidades beneficiadas. Ressalta que, a Resolução CFC N.º 1.305/10, de 25/11/2010, do Conselho Federal de Contabilidade aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade NBC TG 07 (Subvenção e Assistência Governamentais), que tem por base o Pronunciamento Técnico CPC 07 (R1) (IAS 20 do IASB), expedido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, e correlata às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 20 (IASB). Analisando tais normas, enten de que, sob a ótica da ciência contábil, amparada pelas normas internacionais de Contabilidade (IAS 20), as subvenções governamentais devem ser reconhecidas pelas sociedades empresárias como receitas da entidade, apropriadas ao longo do período em que forem usufruídas, e confrontadas com as despesas que se pretende compensar. Destaca, ainda, que na ótica do direito tributário, as subvenções recebidas dos entes estatais devem ser tratadas como parte integrante da receita bruta operacional dos contribuintes, conforme expressamente determina o art. 44, caput e inc. IV, da Lei nº 4.506/64. Invocando o art. 392, inc. I do RIR/99 e o Parecer Normativo CST nº 112, de 29/12/1978, afirma que subvenção, sob o ângulo tributário, para fins de imposição de IRPJ, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.248 4 Nesse passo, conclui que o crédito de ICMS objeto do Programa Pró Emprego, benefício fiscal cuja natureza jurídica é a de subvenção corrente para custeio, deve compor a receita bruta operacional da pessoa jurídica beneficiária, devendo ser computado por ocasião da determinação do lucro operacional, e desta forma, incluído na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Argumenta que, o crédito do ICMS objeto do Programa PróEmprego é concedido pelo Estado de Santa Catarina a título gratuito, representando uma economia média de 8% a 13% do valor de saída das mercadorias importadas (para alíquotas de ICMS de 12% e 17% respectivamente), auferida pelos contribuintes agraciados com o referido regime que utilizarem os portos, aeroportos e pontos de fronteira catarinenses em suas operações de importação. Assim, outro tratamento não poderia ser dado pela legislação tributária federal senão o de tratálo como receita bruta operacional e determinar o seu cômputo na apuração do lucro operacional das pessoas jurídicas. Caso assim não fosse, haveria dupla vantagem: o governo do Estado além de tornar as empresas mais rentáveis e, por conseqüência, atraindoas para se instalar em território catarinense, estaria interferindo na tributação incidente sobe a receita e o lucro de competência da União. Assevera que, o afastamento da incidência de tributos federais sobre o crédito do ICMS/SC objeto do Programa PróEmprego implicaria em desigualdade fiscal ainda maior em relação aos contribuintes situados nos demais Estados da Federação, razão pela qual o legislador, com propriedade e sabedoria, determinou de forma inequívoca a sua inclusão na apuração do resultado dos contribuintes para efeito de incidência dos tributos federais devidos. Por fim, reconhece que o PIS e a COFINS, a partir de 28/05/2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa destas contribuições, não mais incide sobre o valor das subvenções governamentais, a exemplo do crédito de ICMS objeto do Programa PróEmprego, uma vez que o inciso XII do art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/88. Logo, no auto de infração, essas contribuições foram lançadas até maio de 2009. Inconformada, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 797/868), aduzindo, em síntese: Preliminar a) A nulidade material e formal dos autos de infração em razão de erro na essência quanto à classificação e análise dos contornos do regime especial em apreço. Mérito b) Ao se instalar em Santa Catarina, a Contribuinte recebeu do governo do Estado, no ano de 2008, por meio de regime especial, tratamento tributário diferenciado em relação ao ICMS, nítida renúncia fiscal, com pleno objetivo de atrair e fomentar investimentos para seu território, além de incentivar expansão de investimentos já em curso, a exemplo dos investimentos da própria Contribuinte. c) O tratamento tributário diferenciado foi concedido pelo ente estatal com objetivo de fomentar a economia, por meio de atração de investimentos ou a expansão dos investimentos em curso, exigindo dos detentores das benesses, a exemplo da ora Contribuinte, Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.249 5 contrapartidas das mais variadas possíveis. Tal benefício está nitidamente voltado ao incremento e atração de negócios para o território catarinense. d) A Contribuinte, a partir de novembro/2008, firmou protocolo de intenções com o governo do Estado de Santa Catarina, por meio do Tratamento Diferenciado nº 85000000503723, sob Despacho Concessório nº 850000001610426 (Nº Pedido 81900000629587, DIAT 101577087), programa este fundamentado no Decreto nº 105/2007 e Resolução nº 042/2007SEF. e) A concessão do regime especial é condicionada ao atendimento de exigências firmadas pelo Ente concessor, notoriamente vinculados a objetivos econômicos pelos quais o contribuinte recebedor deve atender para ter validado seu benefício, sob pena de, não atendendo, ver descaracterizado seu regime e, nesta via, ser compelido ao recolhimento integral das facilidades fiscais usufruídas, com os respectivos acréscimos legais. f) O benefício fiscal concedido mescla obrigação tributária acessória com crédito presumido referente à obrigação principal, este último que resulta em carga inferior de recolhimento do ICMS aos cofres estaduais. g) A sistemática deste benefício fiscal, denominado crédito presumido de ICMS, dáse no sentido de que o contribuinte beneficiário recebe do ente estatal um crédito presumido a ser aplicado na operação com o ICMS, de modo que, na saída da mercadoria, ao invés de recolher o tributo em sua totalidade, recolhese parte dele, redução que se dá exatamente pelo crédito recebido. h) Nesta sistemática não há que se falar em empréstimo por parte do Governo, sequer em recebimento de valores em pecúnia, situações estas que também contrapõem os argumentos trazidos pela fiscalização. Não há materializada qualquer entrada de recursos na empresa. Ocorre, de outra banda, redução da carga tributária, assim como nas isenções, demais créditos e benefícios fiscais concedidos pelos diversos entes estatais. i) A contabilização desses créditos presumidos não é de espécie contábil ou financeira apta a gerar no contribuinte capacidade contributiva, principalmente por não se transformar em resultado, lucro distribuível, e, também, não significar ingresso de recursos financeiros de qualquer natureza na empresa, que pudessem resultar em valoração financeira, resultado positivo no sentido da tributação. j) Os créditos presumidos do ICMS significam apenas recolhimento a menor do tributo, resultando em uma menor carga tributária. Tem como contraprestação a realização de investimentos a título de fomento econômico, manutenção mínima de empregos, dentre outros, ou seja, não se constitui de nenhuma natureza contributiva. k) Não se pode confundir tais exigibilidades (garantia, obrigações gerais e específicas) como se fossem retorno (pecuniário) do crédito presumido concedido, ou seja, como se fosse um empréstimo. l) A exigibilidade é materializada pelo compromisso do contribuinte subvencionado em contribuir para o desenvolvimento local, por meio de sua atividade comercial/empresarial, situação em que é condicionada ao cumprimento de determinadas obrigações. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.250 6 m) Não se pode admitir a autuação como feita única e exclusivamente por se tratar de crédito presumido de ICMS, pois não é esta a única característica, isolada, que determina a natureza do benefício para fins de incidência da tributação, mas especialmente os contornos factuais de cada benefício, estes sim pelos quais podese tratar e avaliar a natureza da concessão, se de custeio ou de investimento, se com ou sem contrapartida, quais e de que maneira são estas contrapartidas, enfim, sua essência. n) A legislação apresentada pelo fisco trata tão somente de subvenções, distinguindoas em subvenção para custeio e subvenção para investimento, esta última, conforme art. 443 do RIR/99, é excluída da base de cálculo para a incidência do IRPJ. o) Não procede a afirmação da fiscalização de que o crédito presumido do ICMS é uma subvenção para custeio. Colaciona jurisprudência do CARF e do STJ e transcreve parte do Decreto nº 105/2007 (SC), cuja finalidade era atrair investimentos para Santa Catarina, não tendo como destinação a reposição de custos. p) O tratamento tributário da Contribuinte é regime baseado no art. 43 da Lei nº 10.297/1996 e o Ente Estatal não vinculou a concessão de crédito presumido como reparador de qualquer custo. q) Com relação ao PIS e a COFINS, sem adentrar na discussão sobre a natureza do crédito (se subvenção para custeio ou investimento), certo é que em nenhuma hipótese poderseá admitir sua incidência sobre a concessão pelos Estados Federados de crédito presumido de ICMS, pois não constitui receita tributável e sim renúncia fiscal. r) Houve violação ao princípio do não confisco, da capacidade contributiva e a falsa presunção de disponibilidade econômica. Não há aquisição de disponibilidade reveladora de capacidade contributiva. O que há é simplesmente redução do ICMS. s) Houve violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Analisando o caso, os membros da 3ª Turma da DRJ/FNS, por maioria de votos, julgaram procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido (fl. 1116/1142), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe a receita bruta para fins de tributação do IRPJ, apuração pelo Lucro Presumido, o valor relativo ao crédito escritural incentivado de ICMS crédito presumido de ICMS, pois a desobrigação de recolher a integralidade do ICMS, operacionalizado por meio do referido benefício fiscal, não se traduz em auferimento de receita a ser tributada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.251 7 Anocalendário: 2009, 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL/PIS/COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Em razão do valor exonerado, o presidente da 3ª Turma da DRJ/FNS recorreu de ofício. É o relatório. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.252 8 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Tendo em vista a impossibilidade de o Conselheiro Relator formalizar relatório e voto dos presentes autos por não mais compor este colegiado, passo a fazêlo na condição de Redator ad hoc, adotando os fundamentos apresentados pelo Relator na sessão de julgamento, ressalvando que o posicionamento ora externado não se coaduna com meu entendimento sobre os temas ora tratados. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. No presente caso, a questão controvertida diz respeito à natureza jurídica do benefício fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina, por meio do Decreto nº 105/2007, que regulamentou a Lei nº 13.992, de 15/02/2007. O benefício concedido é um crédito presumido de ICMS atribuído à Recorrente no momento em que é promovida a saída das mercadorias importadas de seu estabelecimento. Recolhese tão somente parte do tributo devido ao invés de recolher o tributo em sua totalidade, resultando em uma carga menor do imposto. Consoante art. 1º e 2º da Lei Estadual/SC nº 13.992/07, o Programa Pró Emprego foi instituído com o objetivo de promover o incremento da geração de emprego e renda no território catarinense, destinandose a incentivar empreendimentos considerados de relevante interesse sócioeconômico situados em território catarinense ou que nele viessem a se instalar. A concessão específica para a Recorrente se deu através do Despacho Decisório nº. 85000001610426, de 21/11/2008 (fls. 82/90). A decisão recorrida afastou a inclusão dos valores referentes a créditos do programa estadual PróEmprego da base de cálculo dos tributos lançados, aduzindo, em resumo, que: De se dizer que os créditos presumidos de ICMS em análise, concedidos por meio do Decreto Estadual (SC) n° 105, de 2007, a despeito de não existirem evidências de aplicação direta e exclusiva destes valores em bens e direitos para expandir o empreendimento econômico, exigência esta não prevista no art. 443, incisos I e II, do RIR/99, se fosse necessário classificalos em subvenção para investimento ou para custeio, é certo que os mesmos guardam mais feições de subvenção para investimento do que de custeio, pois os incentivos em comento têm objetivo nítido de atrair investimentos, conforme definido na Lei Estadual/SC nº 13.992, de 2007, instituidora do referido Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.253 9 benefício fiscal, e não de servir como aporte de recursos ao cumprimento de obrigações diversas. Entretanto, conforme abordado no Parecer Normativo CST nº 112/1978, item 2.3, abaixo colacionado, nem todo benefício fiscal concedido na forma de redução de imposto pode ser caracterizado como subvenção. Importante trazer a lume que na quantificação do ICMS devido, o método de apuração adotado pelo legislador foi o “Método do Crédito de Imposto” ou “Método de Imposto contra Imposto”, traduzindose na possibilidade de compensar o montante devido na saída (vendas) com o valor efetivamente recolhido por ocasião da entrada (compras). Neste contexto, os incentivos concedidos sob a forma de créditos fiscais, no caso denominados de crédito presumido do ICMS, servem para reduzir o imposto estadual a pagar, revelandose, de fato, em mera redução no custo do bem adquirido. (fl.1136) (...). Na realidade, a matéria que nesses autos foi tributada pela Fiscalização é um crédito fiscal incentivado do ICMS, cuja natureza jurídica é distinta daquela atribuída a subvenção, sendo, também, distinta da definidora de receita tributável. O benefício fiscal em exame é um crédito escritural do ICMS que deverá ser registrado e compensado com débito deste imposto, todos controlados em livro fiscal próprio (fl. 1137) (...) Desse modo, para que se possa caracterizar um “incentivo fiscal” como subvenção, necessário se faz que haja uma transferência de recursos do Estado para a pessoa jurídica. In casu, o débito do ICMS já nasceu, em razão de lei especial, com seu valor reduzido, ou seja, o crédito presumido (incentivo fiscal em questão) não fazia parte da receita pública, portanto não poderia ser transferida à pessoa jurídica, pois não se pode transferir algo do qual não se detém a disponibilidade. Em outros termos, é o retorno ao particular de uma receita pública já incorporada ao patrimônio do Estado que vai caracterizar uma subvenção. (fl. 1138/1139) (...) Assim, tendo em vista que o critério material de incidência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no caso, é o lucro presumido, obtido a partir da receita tributável, e a matéria sobre a qual foi exigida os tributos representa um “crédito escritural incentivado do ICMS”, traduzindose, de fato, em redução de custos dos bens adquiridos em razão da diminuição do ICMS a pagar, a presente exigência, por evidente, não pode prosperar. Desse modo, o lançamento relativo ao IRPJ deve ser cancelado. (fl. 1140/1141) Acompanho as conclusões da decisão recorrida, no sentido de que o benefício fiscal em comento não representa receita tributável para fins de apuração do IRPJ (lucro presumido) e reflexos, cancelando o lançamento em sua totalidade. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.254 10 No entanto, discordo das razões apresentadas pelo julgador a quo, no sentido de que o benefício em comento represente mero “crédito escritural do ICMS”, pois entendo estarmos diante de verdadeira subvenção para investimento. Esclareço de início que as subvenções para investimento não importam a exata correlação entre os desembolsos efetuados pelo órgão governamental e as aplicações dos recursos em bens do ativo do beneficiário. Portanto, carece de fundamentação legal qualquer argumentação no sentido de que a transferência dos recursos haveria que ser anterior ou, pelo menos, concomitante à realização do investimento. Ademais, apresentando todos os esclarecimentos que se fazem necessários sobre o tema, inclusive sobre o conceito de subvenção para investimento se revestir na forma de isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, transcrevo o voto do ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, no acórdão nº. 110300.555, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção: Como elucida o mestre Bulhões Pedreira (cf. seu Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia, Rio: Forense, 1989, pp. 242 a 245), a maioria dos fluxos financeiros é criada por atos de troca ou por atos de transferência. Nos atos de transferência, há um único fluxo financeiro, sem contrapartida de outro em sentido oposto, ou seja, aqueles causam curso de bens entre patrimônios num único sentido. Os atos de transferência podem gerar fluxos de renda e fluxos de capital (assim como os atos de troca podem geram ambos os fluxos). Vale dizer, as duas categorias de fluxos financeiros – transferências de renda e transferências de capital – podem ser geradas por atos de transferência. Esclarece Bulhões Pedreira: Transferência de capital é o fluxo financeiro criado por fato patrimonial de que resulta o deslocamento de capital do patrimônio de uma pessoa com o fim de acrescer ao estoque do capital de outra. O capital pode ser transferido com o fim de integrar o patrimônio líquido da outra pessoa (como nos casos de doação, subvenções para investimento, subscrição do capital social de sociedade), ou sem essa destinação (como nos casos de empréstimo e sua restituição, subscrição e pagamento de debêntures, ou pagamento de obrigação nascida de ato ilícito). A forma jurídica do negócio nem sempre é suficiente para classificar o fluxo financeiro como transferência de renda ou de capital. (...) depende da intenção de quem cria a transferência... (grifamos, op. cit., p. 247) E, como casos de transferência de renda, são descritas, entre outras, as doações ou subvenções para despesas ou custeio, os lucros distribuídos por pessoas jurídicas (op. cit., p. 245). Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.255 11 Daí que o art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A. (de cujo anteprojeto de lei Bulhões Pedreira foi um de seus autores), antes da alteração promovida pela Lei 11.638/07, é claro ao determinar que as subvenções para investimento não são registráveis contabilmente como receita, mas como reservas de capital (no patrimônio líquido): Patrimônio Líquido Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. Na lógica e na inteligência da Lei de S.A., ao tratar do direito contábil, as subvenções para investimento e as doações não são registráveis como receita, mas como reservas de capital no patrimônio líquido, por representarem transferências de capital, e não transferências de renda (muito menos pagamento de renda). E o que determina se as transferências (fluxos financeiros num único sentido) são de renda ou de capital? A intenção do doador ou do subvencionador. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos é para subvencionar empreendimentos, aumentando o estoque de capital do subvencionado, estamos diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento. No caso de doação, se a intenção ou propósito é de doação para investimento (inversão de capital), aumentando o estoque de capital do donatário, também estamos diante de transferência de capital – são as doações de capital. Se a intenção de quem transfere recursos for de subvencionar o giro normal da empresa ou de cobrir déficits, ou de doar recursos para esse fim, estamos diante de transferência de renda – são as subvenções para custeio e as doações de renda, ambas receitas. Notese que nem toda doação seria, portanto, classificável como reservas de capital no patrimônio líquido. Em linguagem técnica, nem toda a Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.256 12 contrapartida contábil de doação recebida seria registrável como reservas de capital. Se as doações forem para (intenção ou propósito) cobertura de déficits, auxílio para o giro normal da empresa, a contrapartida contábil da doação é registrável como receita, e não como reservas de capital. Isso se coloca na lógica e na teleologia do art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A. (antes da alteração da Lei 11.638/07). Nessa mesma esteira (da própria Lei de S.A., i.e., do direito contábil), se a subvenção for para custeio (ou subvenção corrente), sua contrapartida contábil devese dar em conta de receita, pois será hipótese de transferência de renda. Em geral, as subvenções concedidas pelos particulares são de custeio ou correntes. Não por menos há expressa previsão dessa espécie de subvenção no Código Civil (art. 545). Pois bem. E como se manifesta a intenção do subvencionador de investimentos? No caso do Poder Público, principalmente através de estímulos à consecução de empreendimentos, pelo mecanismo de incentivos fiscais. É do étimo de subvenção socorrer, ajudar (subventio, subveniere). Por isso, De Plácido e Silva, quando define subvenção, fala em auxílio, ajuda pecuniária a alguém. Quer dizer, se um incentivo fiscal é concedido sob a “condição” de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. A caracterização de subvenção para investimento não se dá pela vinculação dos recursos recebidos aos empreendimentos, no sentido de destinação dos recursos a esses investimentos. Isso se ocorrer, constitui elemento acidental: o cerne é o que descrevi acima para configuração de subvenção para investimento. Com a devida vênia, subvenção para investimento não depende da vinculação no sentido de destinação dos recursos, por três razões básicas. Primeiro porque, ordinariamente, o beneficiário primeiro aplica seus recursos, para a realização dos empreendimentos, para depois passar a receber a subvenção para investimento. Basta pensar naquele que resolveu instalar sua fábrica em determinado Estado, por conta da subvenção para investimento na forma de incentivos fiscais. É evidente que só receberá os recursos da subvenção, após ter aplicado seus recursos próprios (ainda que obtidos mediante financiamento). Mesmo nos casos de ampliação de empreendimentos já existentes em certo Estado, o que se dá, em geral, é a aplicação de recursos próprios, e depois o recebimento dos recursos de subvenção para investimento. Segundo porque o aumento de estoque de capital como evidência da intenção de subvencionar investimento não depende da destinação dos recursos aos empreendimentos. Depende (aumento de estoque de capital) certamente da intenção de se subvencionar investimento (empreendimento), geralmente expressa (a intenção) por meio de estímulos ao investimento quando a subvenção se dá através de Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.257 13 incentivos fiscais. Noutras palavras, nem o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 prevê referida destinação dos recursos, ao tratar de subvenção para investimento para fins de IRPJ sob regime de lucro real tampouco o direito contábil (art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A.). Terceiro, que não deixa de ser um desdobramento das duas razões citadas, porque o dinheiro não “se carimba”, não é possível se “carimbálo”. Aliás, no caso de subvenção para investimento por meio de incentivos fiscais, em geral nem se recebe dinheiro, mas outro ativo. E, é claro, mesmo numa subvenção em que se receba dinheiro e o beneficiário o destine a algum empreendimento, se a subvenção for dada com intenção de cobrir despesas ordinárias ou para giro normal da empresa, a subvenção será de custeio ou corrente, e não de investimento. Logo, a contrapartida contábil do recurso recebido será receita (transferência de renda), e não reservas de capital (transferência de capital). Pelo que foi deduzido, e como corolário, a caracterização de subvenção para investimento não se dá, não depende de estreita correlação entre os recursos e aplicação específica nos empreendimentos, ou seja, de sincronismo. Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Ou seja, podese falar em vinculação como relacional à intenção do subvencionador. Neste sentido (e somente neste) se pode dizer em vinculação dos recursos a projetos de investimento aprovados, para o caráter de subvenção para investimento. Não foi diversa a conclusão no Acórdão nº 910100.566, da 1ª Turma da CSRF, da sessão de 17 de maio de 2010, de relatoria do nobre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. Transcrevo sua ementa: Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Amazonas, dentre eles a restituição total ou parcial do ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos no seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. O conjunto de obrigações assumidas pela beneficiária, em contrapartida ao favor fiscal, não configura aplicação obrigatória dos recursos transferidos. (grifamos) Também cito o Acórdão nº 9101001.094, da 1ª Turma da CSRF, da sessão de 29 de junho de 2011, no que pertine à questão da vinculação dos recursos e sincronismo, e que teve como relator o nobre Conselheiro Alberto Pinto Jr., assim ementado: Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.258 14 IRPJ. Subvenção para Investimento. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação.(grifamos) Muito bem. Alhures dissemos que, se um incentivo fiscal é concedido sob a “condição” de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. Dissemos custo econômico, pois a subvenção para investimento compreende, em seu sentido econômico, os incentivos fiscais na forma de isenção “condicionada”. Embora subvenção para investimento em sentido estritamente jurídico não se confunda com isenção, economicamente aquela compreende a isenção “condicionada”. Afinal, qual a diferença econômica entre, por ex., devolução de ICMS e isenção de ICMS? A devolução de ICMS, assim também o crédito presumido de ICMS, desde que ambas sejam “condicionadas” à consecução de investimentos ou empreendimentos, tanto uma como outra representam contabilmente um ativo, cujas contrapartidas informam aumento do estoque de capital, como subvenção para investimento em face da intenção materializada como já esclarecido. Assim, se a devolução de ICMS bem como o crédito presumido de ICMS se derem sob as “condições” referidas, eles são escriturados como ativo (débito), cujas contrapartidas contábeis são registradas a crédito em reservas de capital, no patrimônio líquido. Do mesmo modo, a isenção de ICMS, desde que “condicionada” à consecução de investimentos ou empreendimentos, ela é um ativo (ou uma redução de passivo), cuja contrapartida informa aumento do estoque de capital, como subvenção para investimento, diante da intenção conforme já dito. Contabilmente, refletindo a essência econômica da isenção concedida sob as “condições” mencionadas, devese escriturar uma despesa de ICMS contra crédito no passivo e o valor da isenção deve ser registrado: como ativo (a ser usado para baixar aquele passivo) ou diretamente como baixa do passivo, ambos a débito, contra reservas de capital (crédito). Exatamente porque o custo econômico no incentivo fiscal sob a forma de devolução de ICMS é o mesmo da isenção de ICMS, ambas “condicionadas” a que Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.259 15 o beneficiário realize os investimentos ou empreendimentos de interesse do Poder Público. Esse mesmo custo econômico se dá no incentivo fiscal na forma jurídica de crédito presumido de ICMS “condicionado” à feitura de empreendimentos. E, do que já foi deduzido até aqui, fácil constatar que o termo subvenções para investimento foi utilizado em seu sentido econômico pelo art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A., conforme sua lógica e teleologia. Daí assistir toda razão ao saudoso Bulhões Pedreira, quando afirma: O DL nº 1.598/77, para evitar dúvidas, esclarece que o conceito de subvenção para investimento inclui as que revestem a forma de isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (grifamos) No mesmo sentido, vejase no Manual de Contabilidade da Fipecafi, dos mestres Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Rubens Gelbcke: No caso de subvenção para atender a despesas de custeio (cobertura de prejuízos, déficits), seu registro deve ser como receita do exercício. Então, tal receita deve ser registrada separada e destacadamente do resultado das operações normais. Em relação às empresas privadas, as subvenções para investimentos mais comuns, dentro da acepção legal ainda existente, são as na forma de devolução, isenção ou redução de impostos devidos pela empresa. (...) Tratandose de subvenções destinadas a investimentos (expansão empresarial), são creditadas diretamente nessa conta de Reserva de Capital – Doações e Subvenções para Investimentos – para a qual a empresa deve ter subcontas por natureza de subvenção recebida. (grifamos) Atentese, por sua importância: à luz das normas contábeis (art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A.), mesmo sem se fazer remissão à lei do IRPJ (art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77), vêse que a subvenção para investimentos não é receita, mas reservas de capital (patrimônio líquido). Logo, para fins de CSL, por ex., diante de uma subvenção para investimento, este valor não compõe a base de cálculo do referido tributo, pela elementar razão de não ser receita, e, pois, não compor o lucro líquido. E, não há nas normas legais de CSL, comando que afaste o direito contábil nesse ponto. O mesmo se pode dizer para o IRPJ sob o regime do lucro presumido, pois o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/775 é regra específica para lucro real. Não Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.260 16 por menos ele é reproduzido somente no art. 443 do RIR/99. Esse artigo integra o Subtítulo III – Lucro Real do Título IV – Determinação da Base de Cálculo do Livro II – Tributação das Pessoas Jurídicas do RIR/99 (as normas para lucro presumido estão no Subtítulo IV, título e livro supra, do RIR/99). Vale dizer, como a subvenção para investimento não é receita, à luz do direito contábil, como o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 é regra específica para lucro real, e não há regra que afaste o direito contábil para o lucro presumido, também não compõe a base de cálculo desse a subvenção para investimento. A bem ver, no que concerne a subvenção para investimento, o que o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 trouxe de diverso ao que prevê o direito contábil, para fins de IRPJ sob o regime do lucro real, foi colocar os seguintes requisitos para não tributar aquilo que não é receita (= não adição ao lucro líquido). Que “as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos” sejam: necessariamente registradas como reservas de capital somente utilizáveis para absorver prejuízos ou serem incorporadas ao capital social, e que não haja redução de capital no montante capitalizado. Ou seja, o que a referida norma legal fez foi somente estabelecer dois requisitos, para fins do IRPJ sob o regime do lucro real, para que a subvenção para investimento não seja adicionável ao lucro líquido (= o que não é receita não precisar compor a base de cálculo do IRPJ sob regime do lucro real). E isso é confirmável inclusive pela interpretação lógica do art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77. Os pressupostos de fato previstos nos incisos do caput do art. 38, bem como o de seu § 1º 7, são todos hipóteses que também não são receita nem são despesa pelas normas contábeis (art. 182, § 1º, “a” a “c” e § 5º c/c o art. 30, § 1º, “b” e “c”, da Lei de S.A.) – tal como o do art. 38, § 2º, no caso, subvenção para investimento. Quer dizer, em relação àqueles pressuposto de fato, o art. 38 não colocou requisito para que não sejam tributáveis (adição ao lucro; e, claro, para não se poder excluir o débito, em patrimônio líquido, do lucro). E por que a necessidade de dizer que não são tributáveis os referidos pressupostos de fato (art. 38, caput e incisos e § 1º)? É necessário se lembrar que, à época, acabara de ser editado o novo regramento contábil (na nova Lei de S.A.). Por isso, houve por bem o legislador esclarecer que aquilo que não é receita, conforme o direito contábil, não é tributável para o IRPJ sob o regime do lucro real. Tanto que a Lei 7.689/88, ao instituir a CSL, não entrou nesses detalhes, justamente porque já não se fazia mais necessário. Em suma, conforme o direito contábil, a subvenção para investimento não é receita, sendo registrável em reservas de capital. Para efeitos de IRPJ sob o regime do lucro real, o que não é receita continua não compondo o lucro real, desde que atendidos os dois requisitos suprarreferidos; se não atendidos a tributação se dá (por adição ao lucro) só quanto ao IRPJ e sob o regime de lucro real. Registro aqui uma observação. Somente a partir do advento da Lei 11.638/07, que trouxe alterações no Capítulo das Demonstrações Financeiras da Lei de S.A., as subvenções para investimentos passaram a ser registráveis como receita9. Ainda assim, elas permanecem não sendo tributáveis, e não só para fins de IRPJ, conforme os arts. 15, Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.261 17 caput e § 4º, 16, 18 e 21, da Lei 11.941/09 (instituição do RTT Regime Tributário de Transição). .... Diante de todas as considerações que deduzi acima, reiterando as vênias ao nobre relator, não hesito em afirmar e não me resulta dúvida de que o incentivo fiscal em questão, no caso, o crédito presumido de ICMS, constitui subvenção para investimento. E a contrapartida da escrituração contábil do ativo crédito presumido de ICMS é registrável e foi registrada em reservas de capital no patrimônio líquido, não sendo receita. Diante do exposto, reafirmando a conclusão, no presente caso, o incentivo fiscal caracterizado pelo crédito presumido de ICMS é concedido como um estímulo à implantação ou expansão de um empreendimento econômico e configura subvenção para investimento, de forma que não caracteriza receita, devendo ser escriturado como reserva de capital, nos termos do que determina o art. 443 do RIR/99. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.262 18 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Redator Designado ad hoc Tendo em vista que o redator designado não mais compõe este colegiado, por determinação do Presidente desta turma julgadora atuarei como redator designado ad hoc, ressalvando que os fundamentos do entendimento ora firmado baseiamse nas razões adotadas pela turma julgadora na data da sessão de julgamento, não retratando, necessariamente, meu entendimento sobre o caso concreto. Passo, então, a expor os fundamentos do voto. Com a devida vênia, discordo do entendimento do ilustre Conselheiro Relator/Redator ad hoc. Ainda que se entenda que o benefício fiscal em análise seja uma subvenção para investimento, necessário se faz analisar se foram preenchidos os requisitos legais para que tais valores não sejam submetidos ao crivo da tributação. Sabese que as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público, desde que cumpridas determinadas regras societárias e tributárias, jamais influenciaram a determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Até 31.12.2008 tais subvenções eram contabilizadas diretamente em conta do patrimônio líquido, mais especificamente em Reserva de Capital. Contudo, desde o advento das leis que visavam à convergência da contabilidade, no Brasil, às normas contábeis internacionais, tais subvenções passaram a ser reconhecidas no resultado das pessoas jurídicas, passando, em tese, a poder influenciar nas bases de cálculo não só do IRPJ e da CSLL, mas também do PIS e da Cofins. Após a apuração do resultado do exercício, tal montante deveria compor outra conta do patrimônio líquido, uma reserva de lucros, denominada comumente por Reserva de Incentivos Fiscais. A esse respeito, assim lecionam Silvério das Neves e Vicenconti (NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo Eduardo V. Contabilidade avançada e análise das demonstrações financeiras. 16 ed. rev. e atual. São Paulo: Editora Saraiva, 2011, p. 166): O Pronunciamento Técnico CPC nº 7, que trata da Subvenção e Assistência Governamental, alterou substancialmente a classificação e o registro dos incentivos fiscais pela aplicação de parcela do IRPJ devido em fundos de investimentos regionais, bem como pela redução ou isenção de tributos em área incentivada. Tendo em vista que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados. [grifos do original] A entidade ganha efetivamente essa receita quando está de acordo com as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. Assim Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.263 19 como os tributos são lançados no resultado, é lógico registrar a subvenção governamental, que é, em essência, uma extensão da política fiscal, também na demonstração do resultado. [...] Com esteio no Pronunciamento Técnico CPC nº 7 referido pelos doutrinadores retrocitados, a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica NBCT nº 19.4, aprovada pela Resolução CFC nº 1.143/08 vigente no período fiscalizado – estabelece os procedimentos de contabilização das ditas subvenções governamentais. Por oportuno, transcrevemse alguns excertos de interesse de tal norma técnica: 3. Os seguintes termos são usados nesta Norma com as definições descritas a seguir: [...] Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as transações com o governo que não podem ser distinguidas das transações comerciais normais da entidade. [...] Redução, por sua vez, exclui somente parte do passivo tributário, restando, ainda, parcela de imposto a pagar. [...] 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. [...] 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. [...] 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas às condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. [...] 15. Há situações em que é necessário que o valor da subvenção governamental não seja distribuído ou de qualquer forma repassado aos sócios, fazendose necessária a retenção, após trânsito pelo resultado, em conta apropriada de patrimônio líquido para comprovação do atendimento dessa condição. Nessas situações, tal valor, após ter sido reconhecido no resultado, pode ser creditado à reserva própria (Reserva de Incentivos Fiscais), a partir da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. No anocalendário de 2008, a recorrente, por meio do Tratamento Tributário diferenciado nº 85000000503723, sob Despacho Concessório nº 850000001610426, fundamentado no Decreto nº 105/2007 e na Resolução nº 042/2007 titulado Programa Pró Emprego , recebeu do Estado de Santa Catarina tratamento tributário diferenciado em relação à tributação do ICMS. Necessário se faz transcrever o art. 1º do Decreto 105/2007, que regulamentou tal benesse fiscal: Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.264 20 Art. 1° O Programa PróEmprego, instituído pela Lei nº 13.992, de 2007, com o objetivo de promover o incremento da geração de emprego e renda mediante tratamento tributário diferenciado do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, destinase a incentivar empreendimentos situados em território catarinense ou que aqui venham instalarse considerados de relevante interesse sócioeconômico. Sobre as características de tal benefício fiscal, transcrevese explanação do próprio contribuinte extraída de sua peça impugnatória (fl. 801): De acordo com os conceitos extraídos da NBCT 19.4, concluise que o Tratamento Tributário Diferenciado do ICMS, concedido pelo Estado de Santa Catarina à recorrente, tratase de uma subvenção governamental, na modalidade de redução tributária, recebida na forma de redução do passivo. Conforme já abordado, tal subvenção deve ser contabilizada em conta específica de receita (item 12 da NBCT 19.4), uma vez que a forma como é efetivado tal benefício em dinheiro ou como redução do passivo não influencia o método de contabilização adotado (item 9 da NBCT 19.4). Cumpre, então, analisar se foram satisfeitas todas as condições necessárias a não tributação de tais valores. Quanto ao tratamento tributário dado às subvenções governamentais, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, em seus arts. 392 e 443, normatiza a matéria: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I – as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); [...] Art.443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I – registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II – feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Contudo, conforme já salientado, a redação da Lei 6.404/76 (Lei das S/A) foi alterada de modo a tornála convergente com as normas contábeis internacionais. Entre tais Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.265 21 mudanças, alterouse substancialmente a sistemática da contabilização das doações e subvenções para investimento: tais valores passaram a transitar pelo resultado, contabilizados como receita. Do ponto de vista tributário, mantevese a possibilidade de serem excluídos na apuração do IRPJ, da CSLL e das contribuições para o PIS e para a Cofins, desde que atendidas as novas exigências legais. Inicialmente, cumpre destacar que a Lei 11.638/2007 introduziu novos métodos e critérios contábeis, alterando a estrutura das contas do balanço patrimonial. Para fins da matéria em análise, destacase o tratamento dado às subvenções governamentais para investimentos, ao mesmo se revogando a alínea “d”, do parágrafo 1º do art. 182 da Lei 6.404/76 que classificava as doações e subvenções para investimento em reserva de capital , e incluindose o art. 195A, instituindose, a partir de então, a denominada reserva de incentivos fiscais: [...] Art. 2º A Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 195A: Reserva de Incentivos Fiscais Art. 195A. A assembléia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei). A fim de manter a neutralidade fiscal após a edição das normas contábeis de convergência, editouse a Lei nº 11.941/09, instituindose o Regime Tributário de Transição RTT (arts. 15 a 17), afetando a contabilização das doações e subvenções para investimento, que passaram a transitar em conta de resultado: “Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.266 22 momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3o deste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1o do art. 15 desta Lei. § 3º Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes.” Assim sendo, não há dúvidas que tanto as normas contábeis, quanto a legislação do Imposto de Renda, determinam que a redução de tributos caracteriza subvenção para investimento. De igual modo, o art. 18 da Lei nº 11.941/2009 determina que a subvenção para investimentos não deve ser computada na determinação das bases de cálculo de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, desde que atendidas certas condições, quais sejam: o valor da doação ou subvenção transite em conta de resultado; seja mantida em reserva de incentivo fiscal até o limite do lucro líquido do exercício (caso a pessoa jurídica apure prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente da subvenção, e neste caso não puder ser constituída como reserva de incentivos fiscais, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes); não seja distribuída ou restituída (na forma de redução de capital, após a incorporação da reserva de incentivos fiscais ao capital social) aos sócios ou acionistas. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.267 23 Compulsando a escrituração contábil do contribuinte constantes dos autos, mais especificamente as fichas do livro Razão referentes à conta “6847 – ICMS a pagar” (fls. 182184), constatase que a recorrente contabilizou o incentivo fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina da seguinte maneira: Anocalendário 2009 Anocalendário 2010 Anocalendário 2011 Débito na conta 6847 ICMS a pagar (Passivo), no valor de R$ 5.491.551,14 Débito na conta 6847 ICMS a pagar (Passivo), no valor de R$ 8.897.815,87 Débito na conta 6847 ICMS a pagar (Passivo), no valor de R$ 14.365.839,75 Crédito na conta 7203 ICMS s/vendas (conta de resultado deduções s/ vendas), no valor de R$ 5.426.609,30 Crédito na conta 39485 – Processos por conta e ordem de Fechamento (Passivo – outras obrigações), no valor de R$ 8.897.815,87 Crédito na conta 9031 – Importação por conta e ordem de terceiros (Passivo – adiantamento de clientes), no valor de R$ 14.315.375,75 Crédito na conta 10205 Desconto obtido ICMS (conta de resultado – receitas financeiras), no valor de R$ 64.941,84 Crédito na conta 7203 ICMS s/ vendas (conta de resultado – deduções s/ vendas), no valor de R$ 50.464,00 Conforme se observa no quadro acima, o incentivo fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina: transitou integralmente em contas de resultado no anocalendário de 2009, embora não tenha sido creditado em conta específica de receita, conforme determina o tópico 12 da NBCT nº 19.4; não transitou em conta de resultado no anocalendário de 2010; 99,64% do incentivo fiscal contabilizado no anocalendário de 2011 não transitou em conta de resultado, sendo que o valor transitado em conta de resultado não foi creditado em conta específica de receita, conforme determina a NBCT 19.4. De acordo com os balanços patrimoniais e demonstrativos de lucros e prejuízos acumulados acostados aos autos na peça impugnatória (fls. 10201102), verificase que a recorrente não constituiu a reserva de incentivos fiscais, bem como distribuiu dividendos/lucros a seus sócios: Ano calendário Lucro líquido do exercício (R$) Lucros/dividendos distribuídos aos sócios (R$) Lucros acumulados Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11516.720633/201377 Acórdão n.º 1402001.908 S1C4T2 Fl. 1.268 24 2009 128.959,02 478.959,02 562.341,17 2010 204.530,17 351.523,99 415.347,35 2011 674.439,21 50.000,00 1.039.786,56 Desse modo, concluise que a recorrente ao não contabilizar parte das subvenções para investimento como receita e, principalmente, não constituir a reserva de incentivos fiscais, distribuindo, em seguida, lucros e resultados, incluindo aí tais subvenções não atendeu às condições legais impostas pela legislação tributária para que os valores de subvenção para investimentos recebidos não compusessem a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado ad hoc Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 17/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/07/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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