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Numero do processo: 11850.000103/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA - SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES.
Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida.
Embargos acolhidos parcialmente.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3802-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher em parte os Embargos, para colmatação da omissão apontada, sem, no entanto, alterar o resultado do julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA - SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida. Embargos acolhidos parcialmente. Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher em parte os Embargos, para colmatação da omissão apontada, sem, no entanto, alterar o resultado do julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Interessado LUFTHANSA CARGO A.G. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRIMENTO DA OMISSÃO APONTADA SEM PRODUÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. Em casos nos quais o suprimento da omissão não produz efeitos modificativos ao julgado, é de se conhecer dos Embargos e os acolher parcialmente, porquanto sem aplicação da infringência pretendida. Embargos acolhidos parcialmente. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher em parte os Embargos, para colmatação da omissão apontada, sem, no entanto, alterar o resultado do julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 01 03 /2 00 8- 41 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 243), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A empresa LUFTHANSA CARGO A.G., opôs os presentes Embargos de Declaração de decisão emanada por esta 2ª Turma Especial, em Acórdão ementado nos seguintes termos: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela IN SRF nº 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado No caso em tela, foi negado provimento a Recurso Voluntário no qual o contribuinte arguiu que houve nulidade do lançamento por erro no enquadramento legal da infração, e que eventual violação de multa por embaraço à fiscalização deveria vir acompanhada de descrição condizente. Percebendo omissão e contradição no julgado, o contribuinte opôs os presentes embargos, alicerçado nos seguintes itens: Questiona que o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102/94 não estabelece qual o prazo que deve ser observado pelo transportador aéreo, deixando a questão carente de regulamentação, sendo pois não executável para fins de aplicação da multa pelo eventual descumprimento da norma, pois “no momento de sua chegada” não pode ser interpretado como prazo; Que a referida questão foi levantada no oferecimento da impugnação e da interposição do recurso voluntário, porém assevera que deixou de ser analisada objetivamente; Que a questão foi analisada, em caso semelhante, em relação a ausência de regramento disciplinador do prazo para as empresas através de Ação Ordinária, onde foi decidido pela impossibilidade de penalização do contribuinte no caso de não estabelecimento de prazo pelo legislador antes das alterações introduzidas pela IN/SRF nº 510/05, cuja vigência se deu após 14 de fevereiro de 2005; Informa que registrou as informações necessárias conforme Instrução Normativa nº 102/94 e do art. 107, IV, “e” e do DecretoLei nº 37/66; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11850.000103/200841 Acórdão n.º 3802003.941 S3TE02 Fl. 245 3 Informa obscuridade sobre se a autoridade julgadora reconhece que a embargante, de fato, registrou as informações; e porque o registro espontâneo não é válido, pois, de acordo com o art. 102, § 2º do DecretoLei nº 37/66, a providência de registro em denúncia espontânea por parte do contribuinte “(...) exclui a aplicação de penalidade (...)”. Recebidos os autos, incluílos em pauta para apreciação dos aclaratórios. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 243), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, passo à análise dos Embargos. Compulsando os autos, verifico que não há a contradição apontada. Ao contrário, o Embargante pretende se valer dos presentes aclaratórios para rediscutir a matéria mediante reforço dos seus argumentos. Isso porque, nada obstante não ter ocorrido manifestação expressa e exaustiva sobre a interpretação de todas as normas apontadas pelo Recorrente, a conclusão foi bastante clara quanto à possibilidade de se responsabilizar o transportador de carga. O Embargante assevera que a expressão “no momento da chegada” não pode ser determinada como parâmetro de controle de horários para a apresentação de registros de mercadorias, conforme inteligência do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102/94. Ora, o inconformismo do Embargante quanto à conclusão do Acórdão no sentido de que a autoridade administrativa acertou em sua interpretação da expressão “no momento da chegada”, não é razão suficiente para embargos de declaração. Deve ser explorado na via própria, que é o recurso especial, uma vez superados seus requisitos para admissibilidade. Em relação ao instituto da denúncia espontânea igualmente não assiste razão, uma vez que o contribuinte cometeu infração por obrigações acessórias, com relação às quais descabe o benefício da denúncia espontânea. No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará concretizada. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Admitir a denúncia espontânea no caso em tela, seria transformar esse instituto em instrumento de permissibilidade para infrações referentes a obrigações acessórias, já que o simples cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização), não levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do sujeito passivo em reconhecer seu erro e buscar retificálo, incentivaria o atraso no cumprimento das obrigações acessórias. De igual modo, a multa a ser aplicada no caso em tela não é feita por provocar prejuízos materiais ao fisco, mas por simples descumprimento de obrigação acessória. Assim é que, uma vez ocorrido o fato gerador, nos termos do art. 115 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo está vinculado ao ente tributante para cumprir com um dever formal diferente do pagamento. Seu descumprimento já é mais do que suficiente para a imputação de penalidade: tratase de multa de caráter formal. Assim, o fato de não haver falta de recolhimento de tributos não pode servir como excusante para aplicação de penalidade pelo sujeito passivo quanto ao descumprimento de suas obrigações acessórias. A rigor, a simples independência entre essas duas obrigações já leva a essa conclusão. Conclusão Ante todo o exposto, conheço dos Embargos de Declaração para, provendo os parcialmente de modo a colmatar a omissão apontada, sem, no entanto, aplicar os efeitos infringentes objetivados pelo Embargante. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.004465/2002-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃO-CONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS.
Aquisições pelo produtor-exportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas não-contribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
Numero da decisão: 3102-01.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Ségio Celani e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Paulo Sergio Celani
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RESSARCIMENTO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE NÃOCONTRIBUINTES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. Aquisições pelo produtorexportador de pessoas físicas e pessoas jurídicas nãocontribuintes integram o cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363, de 1996. SÚMULA CARF N.º 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidas em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. A PARTIR DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Ségio Celani e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Almeida Filho – Redator Designado EDITADO EM: 17/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama (VicePresidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório A recorrente solicitou o ressarcimento do crédito presumido, apurado no período em destaque, com base na Lei n.º 9.363/96 e na Portaria MF nº 38/97. O pleito foi deferido parcialmente, sendo que a parcela negada deveuse à exclusão, do cálculo do crédito presumido, das compras de bens de pessoas físicas e aquisições de bens que não se incluem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como estabelecido na legislação do IPI. Tempestivamente, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, ser ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não teria restringido, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas e de mercadorias efetivamente empregadas no processo produtivo, e que teria direito à atualização dos valores pleiteados. Ampara sua análise da legislação em entendimentos dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 576 3 A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. A lei nº 9.363/96, que instituiu o benefício pleiteado pela recorrente, traz, entre outras, as seguintes disposições: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(Realcei e sublinhei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.(Destaquei) § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 4 § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Vejase que a lei restringe sim quais empresas farão jus ao crédito e quais operações o ensejarão, de modo que o benefício será dispensado apenas às empresas produtoras e, apenas, como ressarcimento da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP1 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de produto exportado. Logo, as aquisições de produtos pela produtoraexportadora que não tenham sofrido a incidência das citadas contribuições nestas operações de aquisição não estão entre aquelas para as quais a lei atribuiu o benefício. É o caso de aquisições de pessoas físicas ou pessoas jurídicas não contribuintes. Notese que não é preciso recorrer à Instrução Normativa SRF n.º 23/97 para tal conclusão, o que implica não serem relevantes para este julgamento as alegações de que esta norma seria ilegal. Apesar de o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 993.164, representativo de controvérsia, ter decidido que a IN SRF n.º 23/97 é ilegal, tal decisão também não socorre a recorrente. Isto porque, por força do art. 26A do Decreto n.º 70253/72, incluído pela Lei n.º 11.941/2009, é vedado aos órgãos julgadores do processo administrativo fiscal afastar ou deixar de observar lei, ressalvadas apenas as hipóteses previstas no parágrafo 6o. do mesmo artigo, as quais não ocorreram. Além disso, não se aplica ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, porque a decisão do STJ ainda não transitou em julgado. Quanto a energia elétrica e combustíveis, não merece acolhida alegação de que não podem ser excluídos, porque a legislação do IPI permitiria que se incluíssem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário todos os insumos consumidos no processo de industrialização, ressalvandose, apenas, os compreendidos entre os bens do ativo permanente. 1 As leis complementares citadas no art. 1º da Lei nº 9.363/96 tratam da instituição destas contribuições. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 577 5 A lei n.º 9.363/96 exige que a empresa beneficiária seja produtora e que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem sejam obtidos, subsidiariamente, da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Uma vez que ela própria não apresenta tais conceitos, a aplicação subsidiária da legislação do IPI se torna relevante. Mais do que subsidiária, ela é fundamental. No julgamento do recurso especial 1.075.508, também submetido ao regime do artigo 543C do CPC, o STJ, interpretando a legislação do IPI, especialmente, o art. 164, I, do Decreto nº 4.544/20022 e o art. 147, I, do Decreto nº 2.637/983, decidiu que a aquisição de bens que integrem o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporem ao produto final ou cujo desgaste não ocorra imediatamente e integralmente no processo de industrialização não gera direito a crédito do imposto. Esta decisão transitou em julgado em 23/11/2009, logo, por determinação do art. 62A do RICARF, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por seu turno, após enfrentar vários casos versando sobre o que estaria compreendido nos conceitos de matériaprima e produtos intermediários, os antigos Conselhos de Contribuintes e o CARF firmaram entendimento segundo o qual para assim serem considerados, matériasprimas e produtos intermediários, os bens deveriam ser consumidos em contato direto com o produto obtido e exportado. Esta conclusão se extrai da leitura do enunciado da Súmula CARF nº 19, de observância obrigatória pelos membros deste órgão colegiado, por força do art. 72, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009, assim redigido: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.”[Destaquei.] Este entendimento também se confirma – e não é contraditado, como se poderia asseverar , pelo fato de que outra lei, a de n.º 10.276, de 2001, conversão da MP n.º 2.202/01, passou a permitir, expressamente, apenas para aqueles que utilizassem forma alternativa para o cálculo do crédito, prevista na própria lei, a inclusão neste cálculo dos custos com aquisição de energia elétrica e combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e dos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, apenas na hipótese de o encomendante ser o contribuinte do IPI. Observese que, ao introduzir os termos “energia elétrica”, “combustíveis” e “prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda” por meio da locução “bem assim”, a lei deixou claro que energia elétrica, combustíveis e serviços decorrentes de industrialização por encomenda não são matériasprimas ou produtos intermediários, ainda que componham o custo de produção. 2 Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/2002). 3 Norma que alterou o Regulamento do IPI de 1985 (RIPI/85), vigente à época dos fatos deste processo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 6 Notese, também, que o fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme o cálculo autorizado por esta lei é diferente do fator a ser multiplicado pela base de cálculo obtida conforme permissão dada pela Lei n.º 9.363/96. E, além disso, outras limitações foram impostas para os casos em que a forma de cálculo alternativa prevista na Lei n.º 10.276/01 pudesse ser utilizada. Cito trechos desta lei:: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 578 7 § 6o Relativamente ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. § 7o Para os fins do disposto no art. 14 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, o montante anual da renúncia, apurado, na forma do § 6º, nos meses de setembro de cada ano, será custeado à conta de fontes financiadoras da reserva de contingência, salvo se verificado excesso de arrecadação, apurado também na forma do § 6o, em relação à previsão de receitas, para o mesmo período, deduzido o valor da renúncia. O aproveitamento desses gastos só abrange períodos a partir do 4º trimestre de 2001 e restringese aos contribuintes que optarem pela sistemática do regime alternativo previsto na Lei nº 10.276, de 2001. Portanto, no caso em discussão, em que a contribuinte não se enquadrou na Lei n.º 10.270/01, energia elétrica e combustíveis, porque não se incluem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário, não dão direito ao crédito de IPI. Quanto à aplicação da Taxa Selic para fins de atualização do ressarcimento, destaquese que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Não se pode dizer que tal benefício equivale a uma restituição de indébito tributário, porque não houve pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, não se tratando de restituição de indébito, não se aplica ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. E uma vez que, por força do princípio da legalidade, não pode a Administração Fazendária aplicar a estes créditos acréscimos a título de atualização monetária ou de juros, também neste ponto os argumentos da recorrente não devem ser acolhidos. Porém, tendo em vista que, no julgamento do recurso especial 1.035.847, também representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”; que esta decisão transitou em julgado em 10/03/2010; e considerando o art. 62A do RICARF, entendo que os casos de solicitação de crédito presumido de IPI, apesar de não haver previsão legal para sua atualização, devam ser corrigidos a partir da data em que ficar caracterizada oposição pela Administração Fazendária. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 8 No caso sob discussão, por entender que as aquisições que a recorrente pretende sejam consideradas para fins de inclusão no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n.º 9.363/96, não reconhecidas pela fiscalização, não estão amparadas na lei 9.363/96, voto por negar provimento ao recurso voluntário, restando, por conseguinte, prejudicada eventual atualização. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Voto Vencedor Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Redator designado . Como demonstrado no relato acima a recorrente após requerer o crédito presumido de IPI com base na lei nº 9.363/1997 teve seu crédito parcialmente reconhecido. Dentre os valores glosados se encontram aqueles referentes às aquisições de pessoa física não contribuintes da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, matéria sobre a qual se restringe nossa análise. A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º4 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas. produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. De acordo com art. 6º da mesma lei, caberá ao Ministro de Estado da Fazenda expedir as instruções necessárias para atender a lei, o que foi atendido através da portaria nº 38/97, a qual autorizou o Secretário da Receita Federal apresentar normas complementares. Neste contexto foi expedida a instrução normativa nº 23/97, revogada pela nº 313/2003 posteriormente revogada pela nº 419/2004, restringindo a dedução do crédito presumido do IPI, às empresas produtoras e exportadores de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Percebese que a instrução normativa ao impor restrições a lei nº 9.363/96 ultrapassa seu limites, pois excluiu da base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pela COFINS e pelo PIS/PASEP. 4 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 579 9 Sabese que a competência administrativa de julgamento deste Conselho Tributário apenas encontra limite quando do reconhecimento de situações de inconstitucionalidade, por vedação expressa do art. 62 do regimento do CARF, não havendo óbice para aplicação do direito nos demais casos, mesmo que acha a necessidade do afastamento de normas administrativas em face da lei em vigor. A aplicação da instrução normativa em detrimento da lei não é capaz de ocorrer, pois a instrução normativa não tem o condão de reformar lei ordinária, o contrario sim, seria possível, conforme demonstram os ensinamentos do renomado Professor Gabriel Ivo, em sua obra “Norma Jurídica Produção e Controle”: 2.6.1.4 A revogação expressa e instrumentos normativos distintos. A revogação pode ocorrer entre instrumentos introdutores de normas diversos. Um instrumento normativo de hierarquia superior, que fundamente a validade do inferior, pode revogar uma espécie normativa que se encontre em patamar inferior. ...Assim, um instrumento superior pode modificar qualquer outra norma jurídica que emane de um instrumento normativo de hierarquia inferior. A força passiva consiste na capacidade de cada instrumento introdutor de resistir em face de outros instrumentos de hierarquia inferior. Uma norma jurídica somente pode ser modificada por uma norma jurídica que emane de um instrumento normativo superior ou igual, em face do critério cronológico.5 Quanto ao tema o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 993.164 entendeu que: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 5 IVO, Gabriel. In: Norma jurídica: produção e controle. São Paulo: Noeses, 2006. 97/98 p. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 10 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 580 11 intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI 12 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vale ressaltar, apesar da transcrição acima,. que o recurso especial citado foi submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, entretanto a decisão ainda não é definitiva. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13811.004465/200215 Acórdão n.º 310201.043 S3C1T2 Fl. 581 13 Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos oriundos de aquisições a não contribuintes do PIS e da COFINS, os quais deverão ser corrigidos a partir da data da ciência do despacho decisório. Sala de sessões 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10510.003038/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO REFLEXO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO CANCELADO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. EFEITOS.
A tributação lançada como reflexa, decorrente de ato de exclusão do Simples posteriormente cancelado por este Colegiado, merece a mesma sorte.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-002.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO REFLEXO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO CANCELADO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. EFEITOS. A tributação lançada como reflexa, decorrente de ato de exclusão do Simples posteriormente cancelado por este Colegiado, merece a mesma sorte. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 30 38 /2 01 0- 18 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10510.003038/201018 Acórdão n.º 3402002.671 S3C4T2 Fl. 300 3 Relatório Versa o processo de Auto de Infração por falta ou insuficiência de recolhimento de PIS/COFINS, no valor originário de R$ 15.091,70, sendo R$ 4.223,31 referentes ao PIS e R$ 10.868,39 relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A auditora fiscal responsável pelo lançamento descreve como fato gerador da obrigação tributária os seguintes argumentos: a) Que a empresa Albert Einstein Ltda. (alterada para Sistema Educacional Intellectus Ltda.), por ter como objeto a prestação de serviços de ensino (primeiro e segundo grau) estaria impossibilitada de ser optante do SIMPLES; e que houve desmembramento para exclusão de atividades do ensino médio (a fim de se optar pelo simples) originando o Sistema Educacional Intellectus Ltda. Porém, conforme inciso XVII do art. 9º da Lei 9.317/96 há vedação do regime tributário do SIMPLES, resultantes de cisão ou qualquer outro desmembramento; b) Que tais fatos levaram ao Ato Declaratório Executivo nº 40, o qual excluiu do SIMPLES o sujeito passivo nos termos do § 1º, Inciso II, do art. 24, da IN SRF. c) Finaliza alegando que o sujeito passivo não entregou o Livro de Apuração do Lucro Real, procedendo então o lançamento do IRPJ e CSLL, apurados com base no Lucro Real Trimestral, já as contribuições do PIS/COFINS foram pelo regime de apuração cumulativo; DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 17/08/2010, conforme AR de fls. 164 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Impugnação em 10/09/2010, aduzindo que: a) Não omitiu receitas e nem tampouco deixou de recolher os tributos autuados, tendo em vista a pendência de Recurso Voluntário contra o Ato Declaratório 40/2007 que discutia sua exclusão do simples; b) No período fiscalizado (07/2005 a 06/2007) estava regularmente inscrita no Simples, permanecendo nessa condição até entendimento exarado no ADE 40/2007 (25/09/2007), não podendo ser responsabilizada pela morosidade da fiscalização em não ter requerido sua exclusão anteriormente; c) Afirma que qualquer crédito tributário decorrente da referida exclusão não é certo e exigível, estando suspenso nos termos do 151 do CTN até decisão administrativa do recurso voluntário contra o ADE 40/2007; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 d) Teria direito ao tratamento jurídico diferenciado para Microempresas e EPP’s por força do art. 1º e 12 da Lei nº 9.841/99, sendo primeiramente orientada pelo Fisco e somente após autuada (regra da dupla visita nas fiscalizações); e) Haveria decadência com relação à competência 07/2005 com base no art. 150, §4º do CTN, sendo que tal exigência configuraria no confisco proibido pelo art. 150, IV da CF/88; f) Com doutrina e jurisprudências, afirmou que a multa de 75% seria errônea porque acreditava de boafé, recolher tributo como optante do regime Simples. Suscitou ainda a questão da existência de discussão administrativa contra o ADE 40/2007, o que acarretaria a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sendo que por força do art. 52, §1º da Lei nº 8.078/90, com a redação dada pela Lei nº 9.298/96, a multa estabelecida não poderia ser superior a 2%. Sucessivamente, se desconsiderado este percentual, não poderia ultrapassar 20% em razão de decisão prolatada pelo STF no RE/582.461SP, como repercussão geral, quanto à multa moratória; g) Quanto a taxa de juros, afirmou que deveria ser aplicado o limite percentual de 1%, nos termos do art. 59 da Lei nº 8.383/91, tendo em vista que as leis 9.250/95, 9.430/96 e 11.941/09 não a revogaram; h) A taxa SELIC posteriormente a janeiro/96 seria inconstitucional e feriria o princípio da indelegabilidade tributária e legalidade, por ser regulamentada pelo BACEN, e ainda sustentou que no caso de utilização, segundo STJ não se poderiam acrescer juros maiores que 1% a.m. Por fim requereu a nulidade do ato, e que fosse realizado o julgamento simultâneo dos autos de infração de IR/CSLL/PIS e COFINS e todos pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal n°. 0520100/00095/10, em razão da conexão, e das provas/documentos acostados ao presente processo, conforme determina inclusive o §1° do artigo 9º do Decreto 70.235/72 e a competência do 1º Conselho de Contribuintes. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (DRJ/SDR), houve por bem em considerar procedente em parte a impugnação, proferido Acórdão nº. 1529.764, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007 PESSOA JURÍDICA. CISÃO. DESMEMBRAMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10510.003038/201018 Acórdão n.º 3402002.671 S3C4T2 Fl. 301 5 A pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento não poderá optar pelo SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES em decorrência de ser resultante de cisão ou desmembramento sujeitarse á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. MULTA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. O Código de Defesa do Consumidor não compõe o rol da legislação tributária, pois não versa no todo ou em parte sobre tributos, sendo inaplicável às relações jurídicas a eles pertinentes. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa do SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em síntese a DRJ/SDR, houve por bem em considerar procedente em parte a Impugnação do sujeito passivo, para acatar a arguição de decadência da competência de 07/2005 (tanto na autuação de PIS, quanto de Cofins), em razão de não entender caracterizada a existência de dolo, fraude, ou simulação, contandose o quinquênio legal nos termos do art. 150, §4º do CTN, em razão das antecipações realizadas na sistemática do Simples. Meritoriamente a DRJ acima mencionada entendeu que o sujeito passivo foi constituído através de desmembramento de pessoa jurídica e, que desta forma os efeitos da exclusão do SIMPLES correm desde sua constituição, por força do art. 9º XVII combinado com o art. 15, II, e com o art. 16, da Lei nº 9.317/96, portanto, o pedido para que a exclusão tenha efeitos somente a partir da decisão administrativa ou judicial irrecorrível não pôde ser acolhido por absoluta falta de amparo legal. No que tangem às multas discutidas pelo contribuinte, a DRJ/SDR pontuou a previsão legal para a aplicação da multa no percentual de 75% e esclareceu não se aplicar à esfera tributária a multa de 2% prevista no Código de defesa do Consumidor. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão supracitado em 05/03/2012, conforme AR de fls. 260 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 262/275) em 23/03/2012, a fim de requerer, através da Súmula Vinculante nº 21 a dispensa de fazer depósitos ou arrolamento prévios de dinheiro ou bem como condição para apresentar Recurso Administrativo. No Mérito, repisa os argumentos já levantados em sede de Impugnação, e que por brevidade, não os repetirei, salientando ainda: a) Que ao contrário do que sustenta o Fisco, não se trata de pessoa jurídica resultante de cisão, a qual enseja a exclusão do Simples, mas sim, é, desde sua constituição uma “empresa remanescente”, não existindo vedação legal para que este tipo de empresa adote aquela sistemática; b) Que não pode ser exigida dos tributos autuados enquanto há pendência de apreciação do recurso voluntário que discute o ADE 40/2007; c) Que a multa no percentual de 75% é confiscatória; d) Que o sujeito passivo elencou as diversas ilegalidades praticadas quando da constituição do crédito tributário, sendo necessário destacar o fato da empresa não ter o seu tratamento diferenciado por ser EPP, estando sob a égide da Lei 9.481/99; e) Não foi observado o fato de que a exclusão do Simples estar sendo impugnada administrativamente sendo suspensa por determinação legal a exigência de tais valores (Art. 151, III, CTN); f) Afirma ter direito de não ser caracterizada como resultante de desmembramento ou cisão porque os atos praticados não ocorreram nos termos definidos pelo art. 229 da Lei das S/A; g) Que quem se enquadraria em desmembramento seria a Sistema Educacional Intellectus I LTDA, portanto, só se pode enquadrar a Sistema Educacional Intellectus LTDA como remanescente e não resultante de cisão, não havendo vedação legal para tanto, afirmando ter consultado o Manual de Perguntas e Respostas da RFB, especificamente em sua pergunta 150; h) Que a retirada de algumas atividades de seu objeto social contribuiu para diminuir a receita bruta anual justamente para ser optante do Simples, sistema este incentivado pelo governo pela Lei 10.034/2000, sendo um contra senso sua exclusão deste regime; Ao final a recorrente requereu a reforma do acórdão da DRJ/SDR a fim de se cancelar o auto de infração, e, caso não seja decretada sua nulidade (em razão da decadência dos tributos) que seja decretada a suspensão da sua exigibilidade dos mesmos. DO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Fl. 304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10510.003038/201018 Acórdão n.º 3402002.671 S3C4T2 Fl. 302 7 Em análise aos pontos suscitados pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário, a Primeira Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (2ª Turma), proferiu a o Acórdão 110200.652 , em 16 de janeiro de 2012, dando provimento ao recurso pela comprovação de que a recorrente não agiu de má fé, realizando alteração contratual para se incluir no comando do artigo 1º da Lei 10034/2000, sendo este procedimento lícito, amparado no instituto da elisão fiscal. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Em análise aos pontos suscitados pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário, a Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (2ª Turma), proferiu a Resolução nº 3402000.500 , em 29 de novembro de 2012, a qual determinou a conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Preparadora acostasse a decisão definitiva do processo nº 10510.002435/200777 em que se discute a exclusão ou não do contribuinte do SIMPLES, para que assim seja decidido aqui se existe ou não embasamento para a cobrança do PIS e da Cofins. Às fls. 284 (n.e) foi anexado ao processo a cópia da decisão final proferida no âmbito do PAF 10510.002435/200777, sob despacho de encaminhamento de fls. 296 (n.e), propondose a devolução dos autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Em sendo atendidos os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, o que confirmo, deve ser conhecido o recurso. A questão em tela, apesar de delongada em razão dos vários argumentos constantes do recurso do contribuinte a que devo analisar, não merece maiores considerações, pois que existente questão prejudicial a qualquer observação que se possa fazer, desencadeando o cancelamento sumário destes autos de infração, conforme exponho abaixo. É que, de acordo com o relato acima, tratase este processo de autos de infração de PIS e de COFINS, decorrentes da exclusão do contribuinte sujeito passivo do Simples através do Ato Declaratório Executivo nº. 40/2007, ensejando a exigência das autuadas contribuições pretensamente não recolhidas na forma considerada correta pelo Fisco. Ao longo de todo o processo o sujeito passivo alega que estão suspensas quaisquer cobranças de tributos decorrentes de decisão que esteja pendente ainda de julgamento por parte da Autoridade Administrativa, sendo necessário que se decidisse primeiramente sua exclusão do Simples, para depois dar rumo às cobranças fiscais daí decorrentes. Ora, então nada mais óbvio do que, antes de analisar quaisquer aspectos constantes dos autos, verificar qual o destino que tenha sido dado à dita exclusão da empresa autuada do Simples, o que, constato então, no caso em tela, que tenha a mesma sido CANCELADA, e considerado provido o recurso do contribuinte naqueles autos. Do processo verifiquei que a exclusão do Simples do qual decorre a autuação aqui analisada, está consubstanciada nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº. 10510.002435/200777, e que o mesmo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho em 16/01/2012, sendo considerada por aquele Colegiado como improcedente a exclusão da ora recorrente do Simples, nos termos do Acórdão nº. 1102 00.652, que restou assim ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2002 EMPRESA REMANESCENTE – Desmembramento ocorrido em 01/01/2001 para beneficiarse da tributação simplificada (Lei 10034 de 24/10/2000. art.1o.) incluise no rol da elisão fiscal que era permitida até o advento da Lei Complementar 123 de 14/12/2006, que expressamente proibiu à remanescente de optar pelo SIMPLES. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10510.003038/201018 Acórdão n.º 3402002.671 S3C4T2 Fl. 303 9 maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencida a Conselheira Elisa Bruzzi Boechat, nos termos do voto do relatora”. Como se observa, uma vez que a origem na qual se pretende embasar a cobrança do PIS e da COFINS aqui discutida não vigora mais no mundo jurídico, inexiste a falta/insuficiência de recolhimento dos tributos autuados, devendose de plano serem cancelados os autos de infração constantes deste processo. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho acompanha minhas razões: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/1999 a 31/03/2005 EXCLUSÃO. CANCELAMENTO DO ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS. O cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES em decisão definitiva devolve à empresa sua condição de optante pelo referido sistema, não sendo exigidas as contribuições previdenciárias”. (ACÓRDÃO 20501.369. 2º Conselho de Contribuintes 5a. Câmara. Data de publicação: 02/12/2008) “[...] LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal, pois decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova.” (CARF 1ª. Seção / 2ª. Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.643 em 01/09/2010) Assim, na esteira das considerações acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, cancelandose as autuações versadas neste processo. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901932/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Configura-se a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento.
Numero da decisão: 3803-006.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Configurase a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 32 /2 00 8- 11 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 O Contribuinte transmitiu a DComp nº 36764.00220.090304.3.049248,, por meio da qual compensou a importância de R$ 1.440,15, correspondente a pagamento a maior de referente ao período de apuração abril de 2003. Despacho Decisório eletrônico da DRF/OsascoSP e não homologou a compensação, sob o fundamento de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP'. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese, que: a) seria titular de um crédito, relativo ao recolhimento de PIS, em razão de ter calculado o tributo com alíquota maior que a realmente devida; b) utilizou esse crédito para compensar a CSLL relativa ao quarto trimestre de 2003; c) o Demonstrativo de Cálculo do PIS do período em referência por si só atesta a legitimidade do PER/DCOMP. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo observado que: a) a DCTF transmitida pela Contribuinte estava vigente b) a DComp indicou um DARF integralmente aproveitado no pagamento de tributo confessado em DCTF, sendo, portanto, inteiramente válidos os fundamentos e a conclusão do Despacho Decisório. c) o procedimento instituído pelo programa PER/DCOMP é um mecanismo eletrônico, a verificação dos dados informados pelo Contribuinte também é realizada eletronicamente, resultando o Despacho Decisório em discussão, que concluiu pela não homologação da compensação, sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que constituiria o crédito declarado, este não foi reconhecido pela Administração porque o respectivo valor havia sido utilizado para a extinção de outros débitos tributários incluídos pelo próprio Contribuinte em DCTF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. INSTRUMENTO E EFEITOS DO PER/DCOMP. A compensação de tributos federais é materializada, desde a edição da Lei n° 10.637/02, que introduziu o parágrafo primeiro ao artigo 74 da Lei 9.430/96, pela entrega do competente PER/DCOMP, ou seja: a compensação se realiza nos termos e nos limites do que foi declarado pelo contribuinte. A própria DCTF que constituiu fundamento do Despacho Decisório Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10882.901932/200811 Acórdão n.º 3803006.972 S3TE03 Fl. 161 3 informava a existência de crédito tributário vinculado ao recolhimento declarado indevido ou a maior no PER/DCOMP. OBRIGAÇÃO DE PROVAR ALEGAÇÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A simples apresentação de declarações, formuladas pelo Contribuinte, mesmo acompanhadas de simples demonstrativos de cálculo, não constituem prova hábil e suficiente para demonstrar a existência do crédito, formalmente declarado pelo próprio Contribuinte. Cientificada da decisão em 8 de novembro de 2012, quintafeira, conforme AR de fl. 31, apresentou recurso voluntário em 14 de dezembro de 2012, conforme Solicitação de Juntada de Documentos, segundo documentos de fls. 32/33. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme registro destacado ao final do Relatório neste acórdão, o recurso mostrase intempestivo. A data final para apresentação do recurso foi 8 de dezembro de 2012, sábado, estendendo o direito de apresentar o recurso para o dia 10 de dezembro de 2012. Em seu recurso voluntário, datado de 3 de dezembro de 2012, a Recorrente não estampa preliminar de tempestividade, a justificar o extravasamento do seu prazo de defesa. Pelo exporto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902468/2011-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O imposto de renda retido na fonte que incidiu no pagamento dos juros sobre o capital próprio pode ser compensado com o saldo negativo de IRPJ. No caso houve erro material na identificação do direito creditório, devidamente corrigido, nos termos do art. 147, §2º do CTN.
ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO.
O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos.
O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP.
Recurso voluntário provido
Direito creditório reconhecido
Numero da decisão: 1102-001.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e João Carlos de Figueiredo Neto, que convertiam o julgamento em diligência para análise do direito creditório relativo à parcela de R$ 6.288.269,11. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte que incidiu no pagamento dos juros sobre o capital próprio pode ser compensado com o saldo negativo de IRPJ. No caso houve erro material na identificação do direito creditório, devidamente corrigido, nos termos do art. 147, §2º do CTN. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP. Recurso voluntário provido Direito creditório reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e João Carlos de Figueiredo Neto, que convertiam o julgamento em diligência para análise do direito creditório relativo à parcela de R$ 6.288.269,11. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé.
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JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Recorrente COMPANHIA DE BEBIDA DAS AMERICAS AMBEV Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte que incidiu no pagamento dos juros sobre o capital próprio pode ser compensado com o saldo negativo de IRPJ. No caso houve erro material na identificação do direito creditório, devidamente corrigido, nos termos do art. 147, §2º do CTN. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP. Recurso voluntário provido Direito creditório reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 24 68 /2 01 1- 97 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e João Carlos de Figueiredo Neto, que convertiam o julgamento em diligência para análise do direito creditório relativo à parcela de R$ 6.288.269,11. Declarouse impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de pedido de compensação do saldo negativo de IRPJ, referente ao período de 01/09/2004 a 31/12/2004, no valor de R$ 43.211.490,21, protocolizado em 23/12/2008 por meio da DCOMP nº n°15629.49735.231208.1.7.025183 (fls. 8 – 12) com débito de IRRF – Juros s/ remuneração de capital próprio do 3o sem/janeiro/2005. Houve a homologação parcial da compensação efetuada, restando saldo devedor no valor de R$ 6.351.180,64 e tendo sido confirmado o valor de 36.923.192,55, conforme despacho decisório presente às fls. 03. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls 13 – 27) em 22/03/2011, alegando o seguinte: No mérito, alega que a Recorrente realizou operação de incorporação da empresa Labbat Holding, razão pela qual transmitiu DIPJ Especial, de acordo com a determinação prevista no art. 1º da Instrução Normativa da SRF nº 303/2003, referente ao período de jan/2004 a ago/2004. Na referida DIPJ Especial, referente ao período de 01.01.2004 a 27.08.2004, a Recorrente informou o valor de R$ 35.164.972,45 a título de saldo negativo de IRPJ (ficha 12 A), formado por IR/Fonte retido da cOmpanhia Brasileira de Bebidas quando do pagamento de JCP à Recorrente. Buscando compensar parte desse crédito, a Recorrente transmitiu, em 29.09.2004. a PER/DCOMP objeto do processo administrativo nº 16306.000024/200820, utilizando o montante de R$ 28.876.703,34 de crédito de IRPJ. Restava, assim, R$ 6.288.269,11 de crédito a compensar. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 4 3 Ato contínuo, o final do ano calendário de 2004, exclusivamente no que tange ao período de 01.09.2004 a 31.12.2004, a Recorrente também apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 36.923.192,55. Por equívoco no preenchimento da DIPJ do período de 01.09.2004 a 31.12.2004 (DIPJ 2005), informou o valor de R$ 0,00 de “Saldo negativo de IRPJ” onde deveriam constar os R$ 36.923.192,55. Assim, a recorrente apresentou uma DIPJ exercício 2005 retificadora, em que se lançou o valor correto de R$ 36.923.192,55 a título de saldo negativo de IRPJ, acrescido do valor de R$ 6.288.269,11 que não havia sido compensado, resultando em saldo negativo de IRPJ informado no valor de R$ 43.211.461,66. Sobre tal montante, foi aplicado, em janeiro de 2005, juros SELIC de 1% do saldo a compensar, perfazendo a quantia de R$ 43.646.605,11, objeto da DCOMP 15629.49735.231208.1.7.02 5183, por meio do qual se compensou débitos de IR/Fonte nesse mesmo valor, conforme tabela abaixo: De fato, a partir do valor de R$ 36.923.192,55, somado ao saldo de R$ 6.288.269,11, remanescente ao final do mês de agosto de 2004, chegouse ao montante de R$ 43.211.461,66 a título de saldo negativo de IRPJ, e ainda ao montante de R$ 72.088.165,00 (total de crédito percebido a título de IR/Fonte sobre JCP, nesse ano calendário) na ficha 53, que pode ser traduzido pela soma das retenções sofridas a título de JCP nos dois períodos fracionados de 2004, ou seja, R$ 35.164.972,45 + R$ 36.923.192,55. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 5 4 Em 29.09.2004, a Recorrente transmitiu a DCOMP registrada pelo nº 31278.73879.290904.1.3.069554, em que utilizou o crédito de saldo negativo de IRPJ verificado quando da apuração da DIPJ especial (evento de incorporação), ou seja, no montante de R$ 35.164.972,45, para compensar débitos de IR/Fonte, atinente ao período de set/2004, no montante de R$ 28.876.703,34 (objeto do PAF nº 16306.000024/200820, tendo sido deferido integralmente). Desse modo, a Recorrente deixou de aproveitar parte do saldo dessa compensação, qual seja, o valor de R$ 6.288.269,11. Nesta esteira, após o encerramento do ano calendário de 2004, a Recorrente efetuou nova compensação de saldo negativo de IRPJ, a qual foi parcialmente homologada, sendo objeto dessa defesa. A Recorrente procedeu dessa forma, pois, ao final do ano calendário de 2004, exclusivamente no que tange ao período de 01.09.2004 a 31.12.2004 novamente apurouse saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 36.923.192,55, para então se valer do saldo da compensação anterior e compensar o débito de IR/Fonte no valor de R$ 43.646.605,11. A Recorrente pode comprovar a existência dos valores aqui mencionados por meio de informe de rendimentos emitidos pela fonte pagadora. Sobre a alegação da DRJ de que as receitas que ensejaram as retenções na fonte não foram oferecidas à tributação, basta uma breve análise das DIPJ transmitidas pela Recorrente para que se verifique a total improcedência dessa verdadeira tentativa de salvar o Despacho Decisório. Ressalta que o PAF 16306.000024/200820, onde também se discute o crédito aqui pleiteado, foi recentemente julgado pela 1ª Turma, 1ª Câmara 2ª Seção do CARF; Se está diante de um erro material (erro de fato no preenchimento das declarações), o qual, em face do princípio da verdade material, não poderá prevalecer sobre a realidade dos fatos. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 6 5 Por fim, requer seja integralmente homologada a compensação efetuada por meio da DCOMP de 29.09.2004, cujo crédito adveio de saldo negativo de IRPF de R$ 35.164.972,45 do período de 1º.01.2004 a 27.08.2004, conforme corretamente informado na DIPJ Especial (DIPJ 2004). Pede seja dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para o fim de que seja reformado parcialmente o Despacho Decisório recorrido e seja integralmente homologada a Declaração de Compensação efetuada. A da 2ª Turma da DRJ/SP1 julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade da recorrente, conforme Acórdão nº 1644.240 (fls. 123 – 137), cuja fundamentação da decisão encontrase resumida na ementa abaixo: Acórdão 1644.240 2ª Turma da DRJ/SP1 Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Processo 10880.902468/201197 Interessado COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS AM BEV CNPJ/CPF 02.808.708/000107 ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDIC A IRPJ Anocalendário: 2004 IRRF. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. O imposto retido na fonte sobre JSCP será considerado ou antecipação do devido na declaração de rendimentos, facultado a sua dedução para compor o saldo negativo, ou poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. No entanto, para ambas as hipóteses, é imprescindível o oferecimento à tributação na declaração de rendimentos das receitas vinculadas às correspondentes retenções, sem as quais não podem ser utilizadas para qualquer espécie de dedução ou compensação . SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 416DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 7 6 Direito Creditório Não Reconhecido Na apreciação das preliminares, foi afastada quaisquer alegações de nulidade do processo pois não ocorreram os vícios prescritos no art. 59 do Decreto n. 70.235/1972, bem como também foi afastada a alegação de homologação tácita da compensação, pois não teria decorrido mais de 05 anos entre a data de protocolo da DCCOMP (dia 23/12/2008) e a ciência do Despacho Decisório em 18/02/2011 (fls.05), pois o termo inicial da contagem é reiniciado sempre que houver retificação do pedido de compensação nos termos do art. 29 e 60 da IN SRF n. 600/2005. A recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 140 – 160), repetiu todos os argumentos trazidos na impugnação, alegando adicionalmente, em sede de preliminar, a nulidade do acórdão pelo fato de que a DRJ ter alterado o critério jurídico do lançamento tributário ao condicionar o gozo dos créditos de IRRF à comprovação de que as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator Atendidos os pressupostos legais, é de se conhecer o presente recurso voluntário. Como relatado, a recorrente em 27/08/2004 incorporou uma outra sociedade, razão pela qual foi necessária a apresentação de duas DIPJs para o exercício de 2004, sendo a primeira de 1º de janeiro até 27 de agosto e a segunda de 1º de setembro até 31 de dezembro. Na referida DIPJ Especial, referente ao período de 01.01.2004 a 27.08.2004 (fls. 184/190), a Recorrente informou o valor de R$ 35.164.972,45 a título de saldo negativo de IRPJ (ficha 12 A), formado por IRRF recolhida em ago/2004 pela Companhia Brasileira de Bebidas quando do pagamento de JCP à Recorrente. Buscando compensar parte desse crédito, a Recorrente transmitiu, em 29.09.2004 a PER/DCOMP n. 31278.73879.290904.1.3.069554, o qual restou homologada a compensação requerida no montante de R$ 28.876.703,34, objeto de outro processo administrativo nº 16306.000024/200820. Restando assim do saldo negativo do período de 01.01.2004 a 27.08.2004 o valor de R$ 6.288.269,11 de crédito a compensar. Ato contínuo, o final do ano calendário de 2004, exclusivamente no que tange ao período de 01.09.2004 a 31.12.2004, a Recorrente também apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 36.923.192,55. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 8 7 Por equívoco no preenchimento da DIPJ do período de 01.09.2004 a 31.12.2004 (DIPJ 2005 – fls. 192 199), informou o valor de R$ 0,00 de “Saldo negativo de IRPJ”, onde deveriam constar os R$ 36.923.192,55 (fls. 196). Assim, a recorrente apresentou uma DIPJ exercício 2005 retificadora (fls. 201 – 203), em que se lançou o valor correto de R$ 36.923.192,55 a título de saldo negativo de IRPJ, acrescido do valor de R$ 6.288.269,11 que não havia sido compensado do período de 01.01.2004 a 27.08.2004, resultando em saldo negativo de IRPJ cumulativo informado no valor de R$ 43.211.461,66 (fls. 202). Sobre tal montante, foi aplicado, em janeiro de 2005, juros SELIC de 1% do saldo a compensar, perfazendo a quantia de R$ 43.646.605,11, objeto da DCOMP 15629.49735.231208.1.7.025183, por meio do qual se compensou débitos de IR/Fonte nesse mesmo valor. Neste ponto, tornase importante colacionar novamente o quadro feito pela recorrente através do qual se compunha o valor total do crédito de IRRF sobre juros sobre capital próprio distribuídos: A partir do valor de R$ 36.923.192,55, somado ao saldo de R$ 6.288.269,11, remanescente ao final do mês de agosto de 2004, chegouse ao montante de R$ 43.211.461,66 a título de saldo negativo de IRPJ, e ainda ao montante de R$ 72.088.165,00 (total de crédito percebido a título de IR/Fonte sobre JCP, nesse ano calendário) na ficha 53, que pode ser traduzido pela soma das retenções sofridas a título de JCP nos dois períodos fracionados de 2004, ou seja, R$ 35.164.972,45 + R$ 36.923.192,55 (fls. 205). Nos autos às fls. 86, está o “COMPROVANTE ANUAL DE RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS E DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PESSOA JURÍDICA”, por meio do que se comprova a retenção dos R$ 35.164.972,45 + R$ 36.923.192,55, totalizando R$ 72.088.165,00: Como se percebe através do relato, a questão se resume no erro cometido pela recorrente quando da instrumentalização do seu pedido de compensação do saldo negativo Fl. 418DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 9 8 remanescente de R$ 6.288.297,66, referente ao período de 01/01/2004 a 27/08/2004, não consumido integralmente na DCOMP 31278.73879.290904.1.3.069554, cuja homologação ocorreu no processo nº 16306.000024/200820, ainda em recurso especial. A recorrente ao invés de protocolizar uma DCOMP vinculando a originária acima, para aproveitar o saldo remanescente do período de 01/01/2004 a 27/08/2004, adicionou esse saldo na DCOMP 15629.49735.231208.1.7.025183, referente ao saldo negativo do período de 01/09/2004 a 31/12/2004, conforme quadro abaixo: Importante traz à colação a ementa do acórdão proferido no PAF nº 16306.000024/200820, no qual se reconheceu o direito creditório da recorrente referente à DCOMP nº 31278.73879.290904.1.3.069554: Processo nº 16306.000024/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.187– 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2004 IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte que incidiu no pagamento dos juros sobre o capital próprio pode ser compensado com o saldo negativo de IRPJ. No caso houve erro material na identificação do direito creditório, devidamente corrigido. Recurso Voluntário Provido Para ilustrar os argumentos daquele processo, colacionamos alguns trechos do voto do eminente Conselheiro Gilvanci Antônio De Oliveira Sousa da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 10 9 No mérito, versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação – DCOMP gerada através do programa PER/DCOMP, de fl. 2/3, através da qual a interessada alega possuir crédito no valor total de R$ 35.164.972,45. Com referido crédito a interessada pretende extinguir por compensação débitos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte, apurados por ocasião de pagamento efetuado a título de juros sobre o capital próprio, aos seus acionistas no mês de setembro de 2004, no valor de R$ 28.876.703,34. Assiste razão à interessada. [...] Se é defensável sob o ponto de vista da Administração Tributária o método sumário e eletrônico de reconhecimento do direito creditório constante do PER/DCOMP com base tão somente das inconsistências apresentadas nas declarações entregues pelo sujeito passivo, tal limitação não pode e não deve ser observada na análise manual que deve ser realizada sempre que houver a existência de erro de fato como é o caso aqui apreciado. Destarte, não tem sentido confirmar a decisão do despacho decisório eletrônico com base em supostas dúvidas acerca do direito creditório uma vez que a única motivação do indeferimento foi a suposta dualidade de uso do imposto de renda retido de juros sobre o capital próprio, situação sanada com a apresentação da DIPJ retificadora (fls. 553 a 600) que, por sua vez, confirma a origem do crédito pleiteado e a efetiva utilização apenas uma vez. Para comprovação ainda de seu direito ao valor de R$ 6.288.269,11, a recorrente juntou aos autos extratos do seu razão (fls. 88 – 90), nos quais demonstra a utilização gradual dos créditos ora pleiteado, inclusive com o registro o referido crédito: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 11 10 Desse modo, considerando todas as provas colacionadas nos autos, entendo que de fato a Recorrente deixou de aproveitar parte do saldo dessa compensação, qual seja, o valor de R$ 6.288.269,11. Nesse sentido, também dispõe o art. 147 do CTN que os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. (…) § 2° Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Nestes termos também, é a jurisprudência desta 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de relatoria do Conselheiro José Evande, conforme precedente a seguir: Processo nº 16682.902645/201239 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.124 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de junho de 2014 Matéria IRPJ Compensação Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕE S S A EMBRATEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDIC A IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo neg ativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pel a autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.902468/201197 Acórdão n.º 1102001.295 S1C1T2 Fl. 12 11 verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte. Por todo exposto, votase no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo na íntegra o direito creditório da recorrente. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 13878.000043/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 2002
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO, INOCORRÊNCIA. DAS HIPÓTESES DO ART. 59, DO DECRETOLEI N.º 70.235/72.
Oportunizado o direito ao contraditório e à ampla defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento.
CONCOMITÂNCIA. ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
SÚMULA CARF N.º 1.
A matéria submetida ao Judiciário não pode ser alvo de apreciação pela esfera administrativa.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. VEDADA APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA.
Consoante disciplina Súmula CARF n.º 2, não é possível em sede de Recurso
Voluntário apreciação de inconstitucionalidade de norma.
Numero da decisão: 1102-000.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do procedimento administrativo, não conhecer do recurso voluntário quanto à inexigibilidade da multa moratória por concomitância da discussão na esfera judicial e, no que tange ao alegado caráter confiscatório da multa, conhecer do recurso, mas negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2002 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO, INOCORRÊNCIA. DAS HIPÓTESES DO ART. 59, DO DECRETOLEI N.º 70.235/72. Oportunizado o direito ao contraditório e à ampla defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONCOMITÂNCIA. ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1. A matéria submetida ao Judiciário não pode ser alvo de apreciação pela esfera administrativa. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. VEDADA APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. Consoante disciplina Súmula CARF n.º 2, não é possível em sede de Recurso Voluntário apreciação de inconstitucionalidade de norma.
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Recorrida 5ª TURMA DRJ/RPO Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO, INOCORRÊNCIA. DAS HIPÓTESES DO ART. 59, DO DECRETOLEI N.º 70.235/72. Oportunizado o direito ao contraditório e à ampla defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONCOMITÂNCIA. ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1. A matéria submetida ao Judiciário não pode ser alvo de apreciação pela esfera administrativa. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. VEDADA APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. Consoante disciplina Súmula CARF n.º 2, não é possível em sede de Recurso Voluntário apreciação de inconstitucionalidade de norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do procedimento administrativo, não conhecer do recurso voluntário quanto à inexigibilidade da multa moratória por concomitância da discussão na esfera judicial e, no que tange ao alegado caráter confiscatório da multa, conhecer do recurso, mas negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Documento assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Documento assinado digitalmente Fl. 806DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13878.000043/200701 Acórdão n.º 110200.757 S1C1T2 Fl. 160 2 SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antônio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo. Relatório Insurgese a Recorrente contra Auto de Infração lavrado em decorrência de auditoria interna de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com o fito de exigir multa oriunda de pagamento em atraso da CSLL referente ao segundo trimestre de 2002, acrescido de juros. Na peça impugnatória apresentada, aduziu a Recorrente, em síntese, que nulo o lançamento por entender necessária a prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos e, apenas após tal procedimento, seria possível a lavratura do auto de infração, sob pena de afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa. No mérito, defendeu a Recorrente o afastamento da multa, por considerar caracterizada hipótese de denúncia espontânea prevista no art. 138, do CTN, diante do recolhimento do tributo antes de iniciado procedimento fiscalizatório acrescido de juros e correção monetária, como exige o artigo 161, do CTN, acrescentando, ainda, que tal instituto é aplicável não apenas para obrigações principais, como também para as acessórias. Por fim, defendeu seria confiscatória a multa aplicada e ilegal o lançamento, com base no art. 151, do CTN, haja vista que impetrado Mandado de Segurança, processo nº. 2005.61.10.0005614, objetivando a anulação da exigência ali formalizada. A DRJ manteve o lançamento aduzindo, em suma, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não impediria o lançamento, além de ter havido renúncia à instância administrativa, por força da impetração do mandado de segurança. No que tange ao Mandado de Procedimento Fiscal, registrou a DRJ que o art. 11, da Portaria SRF n.º 3007/2001 dispensa a sua emissão, na hipótese de procedimento de fiscalização relativo ao tratamento automático de declarações, além de considerar ter sido oportunizado o direito ao contraditório e à ampla defesa. Consta, ainda, na decisão que, apesar de prejudicada a análise da Impugnação diante da discussão judicial, não seria possível apreciar o alegado caráter confiscatório da multa, sob o entendimento de que não é lícito à autoridade administrativa absterse do cumprimento de normas vigentes, cabendo tal apreciação apenas ao Judiciário. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13878.000043/200701 Acórdão n.º 110200.757 S1C1T2 Fl. 161 3 Inconformada, a Recorrente interpôs o presente recurso (fls. 120/149), repetindo as razões postas na peça impugnatória e acrescentando que inexistente a alegada renúncia à via administrativa, uma vez que o mandado de segurança impetrado seria anterior e teria objeto distinto do auto de infração porquanto estaria adstrito ao reconhecimento do direito líquido e certo do contribuinte em dar continuidade às suas atividades sem que fosse prejudicada pela não emissão de certidões negativas de débitos, inscrições no CADIN e execuções fiscais, enquanto o processo administrativo versa sobre a anulação do lançamento e cancelamento da multa imposta; É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Preliminar de nulidade do procedimento fiscal: Preliminarmente, pugna a Recorrente pela decretação de nulidade do procedimento fiscal, por considerar seria necessária prévia intimação para prestar esclarecimentos para a lavratura de auto de infração. Afasto de plano a preliminar de nulidade, em razão de ter sido oportunizado e exercido o contraditório e o amplo direito de defesa da Recorrente quando apresentada Impugnação e interposto Recurso Voluntário. A Recorrente teve oportunidade de demonstrar seu ponto de vista e as razões pelas quais discorda do lançamento, de sorte que não ocorreu nenhuma das hipótese encartadas no art. 59, do Decreto n.º 70.235/72, cujo teor transcrevo, verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13878.000043/200701 Acórdão n.º 110200.757 S1C1T2 Fl. 162 4 Preliminar de concomitância: A Recorrente defende que não teria havido renúncia à esfera administrativa sob o entendimento de que o escopo do Mandado de Segurança seria a obtenção de certidões negativas de débitos e o afastamento de inscrições no CADIN ou quaisquer restrições antes de formalizado o lançamento, além de registrar que a impetração foi anterior à lavratura do Auto de Infração. Nos exatos termos da Súmula CARF n.º 1, apenas passível de apreciação por este Colendo Conselho a matéria que não foi submetida ao Judiciário, verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No presente caso, a Recorrente pleiteou e teve apreciado o pedido de cancelamento da multa moratória alvo do lançamento pelo Judiciário, consoante prova pedido formulado no Mandado de Segurança, verbis: “DO PEDIDO Diante de todo o exposto, na forma do artigo 7º da Lei 1533/51, REQUER que Vossa Excelência dignese conceder em caráter liminar, inaudita altera pars, ordem para que a autoridade coatora suspenda a exigibilidade da multa, ora questionada, com fundamento no todo exposto c.c. o artigo 151, inciso IV do CTN, bem como seja determinada a expedição de Certidão Negativa de Débitos ou Certidão positiva com efeitos de negativa nos exatos termos do artigo 206, do CTN, oficiandose em caráter de urgência. No mérito propriamente dito requer, dignese Vossa Excelência em: Julgar procedente a presente demanda concedendo a segurança pleiteada, para reconhecer a ilegalidade da cobrança destituída de lançamento, anulandose assim o suposto débito, remanescendo o direito da impetrada de proceder o lançamento em conformidade com a legislação vigente; Caso Vossa Excelência entenda de outra forma, forçoso é concluir a ocorrência dos efeitos da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, determinandose a abstenção da cobrança desses créditos. Condenar a impetrada no pagamento das custas processuais;”(...) (grifos acrescidos) O pleito alternativo formulado pela Recorrente demonstra que posto à apreciação do Judiciário à matéria em discussão no presente processo administrativo, tanto que houve manifestação expressa quanto ao tema pelos Egrégios Tribunal Regional Federal da 3ª Fl. 809DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13878.000043/200701 Acórdão n.º 110200.757 S1C1T2 Fl. 163 5 Região e Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, consoante provam ementas extraídas dos sites das referidas Cortes, verbis: E M E N T A TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DE TRIBUTO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. I – O contribuinte somente se beneficia do afastamento da incidência de multa punitiva se, antes de qualquer medida administrativa, efetuar o pagamento integral do tributo devido e seus consectários. II – A situação fática não revela adequação ao preceito contido no art. 138 do CTN, uma vez pertinente a tributos deliberadamente não pagos na época oportuna, não discutidos judicialmente pelo contribuinte, e cujo lançamento deve ser por ele efetuado. III A extemporaneidade no pagamento do tributo constitui infração de natureza formal, correspondente a autêntica obrigação acessória, na dicção do art. 113, § 2o, do Código Tributário Nacional, não se confundindo com o não cumprimento da obrigação tributária (art. 113, §1o, CTN) a que se refere o preceito contido no art. 138 do CTN. IV – Denúncia espontânea não configurada.” PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MATÉRIA SUSCITADA. ÍNDOLECO NSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. DISPOSITIVOS LEGAIS TIDOS POR VIOLADOS. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. SITUAÇÃO DESCARACTERIZADORA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SEARA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A suposta violação dos artigos 5º, inciso II, e 146, inciso III, letra "b", da Constituição Federal não pode ser examinada nesta Corte, por se tratar de matéria de índole constitucional, cuja competência é exclusiva do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102 da Carta Magna. 2. A falta de prequestionamento dos dispositivos legais tidos por violados – artigos 142 e 161 do Código Tributário Nacional e 47 da Lei nº 9.430/96 – impede o conhecimento do recurso especial. Aplicação das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 3. O acórdão recorrido concluiu estar descaracterizada a denúncia espontânea e ser devida a multa moratória aplicada, porque "... a situação fática narrada não revela adequação ao preceito contido no art. 138 do CTN, uma vez pertinente a tributos deliberadamente não pagos na época oportuna, não discutidos judicialmente pelo contribuinte, e cujo lançamento deve ser por ele efetuado." Ora, para se decidir em sentido contrário às conclusões contidas no aresto recorrido, isto é, que não houve pagamento em atraso e sim erro de cálculo do tributo, fazse imprescindível adentrar na seara fáticoprobatória dos autos, providência vedada pelo enunciado da Súmula 7/STJ. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13878.000043/200701 Acórdão n.º 110200.757 S1C1T2 Fl. 164 6 4. Recurso especial não conhecido”.(Resp 1.178.301SP, Dje 29/04/10) Consta, ainda, no site do Superior Tribunal de Justiça que transitada em julgado a decisão que considerou ser devida a multa em 01/03/11, o que impede a apreciação do tema neste recurso, sob pena de maculada a Súmula CARF n.º 01. Diante da notória submissão da matéria ao Judiciário, não me resta outra alternativa senão aplicar o entendimento sumulado e não conhecer do recurso quanto à exigibilidade da multa moratória imposta. No mérito: Após decotado o tema já submetido e julgado pelo Judiciário, remanesce a discussão quanto ao caráter confiscatório da multa, matéria que, por envolver apreciação de inconstitucionalidade de norma também não pode ser conhecida, consoante disciplina Súmula CARF n.º 2, verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em face do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade do procedimento administrativo, não conhecer do Recurso Voluntário quanto à inexigibilidade da multa moratória e, no que tange ao alegado caráter confiscatório da multa, conhecer do recurso, mas negarlhe provimento. Documento assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 811DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 04/12/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.006784/2008-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que a contribuição a cargo da empresa recairá sobre o total das remunerações pagas quando os trabalhadores lhe prestem serviços, sendo as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, pelos serviços efetivamente prestados.
VALOR PAGO PELO EMPREGADOR NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OU LESÃO QUE INCAPACITE O SEGURADO EMPREGADO PARA O TRABALHO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS NÃO INCIDÊNCIA.
O pagamento pelo empregador é imposto por lei em razão do afastamento do empregado previsto na Lei nº 8.213/91, art. 43, §2º, e art. 60, §3º, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, doença ou lesão que incapacite o segurado empregado para o trabalho. Dessa forma não caracteriza remuneração por serviços prestados. e, portanto, não incidem contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. ADICIONAL DE FÉRIAS.
A remuneração das horas extras paga ao segurado empregado bem como a remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
RETROATIVIDADE BENIGNA
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II , c, do Código Tributário Nacional - CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei.
MULTA DE MORA.
É pertinente o recálculo das multas se as circunstâncias motivarem comparar o resultado da aplicação do revogado art. 35 e incisos I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento com o do preceituado na nova redação dada ao sobredito art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 para em seguida compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35-A, incluído pela Lei n° 11.941/2009 e então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excetuando da tributação os créditos constituídos pelos pagamentos realizados pelo contribuinte nos primeiros quinze dias de afastamento dos empregados bem como determinar o recálculo da multa na forma do preceituado no art. 35 da Lei nº 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio d Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que a contribuição a cargo da empresa recairá sobre o total das remunerações pagas quando os trabalhadores lhe prestem serviços, sendo as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, pelos serviços efetivamente prestados. VALOR PAGO PELO EMPREGADOR NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OU LESÃO QUE INCAPACITE O SEGURADO EMPREGADO PARA O TRABALHO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS NÃO INCIDÊNCIA. O pagamento pelo empregador é imposto por lei em razão do afastamento do empregado previsto na Lei nº 8.213/91, art. 43, §2º, e art. 60, §3º, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, doença ou lesão que incapacite o segurado empregado para o trabalho. Dessa forma não caracteriza remuneração por serviços prestados. e, portanto, não incidem contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. A remuneração das horas extras paga ao segurado empregado bem como a remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II , c, do Código Tributário Nacional - CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo das multas se as circunstâncias motivarem comparar o resultado da aplicação do revogado art. 35 e incisos I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento com o do preceituado na nova redação dada ao sobredito art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 para em seguida compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35-A, incluído pela Lei n° 11.941/2009 e então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que a contribuição a cargo da empresa recairá sobre o total das remunerações pagas quando os trabalhadores lhe prestem serviços, sendo as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, pelos serviços efetivamente prestados. VALOR PAGO PELO EMPREGADOR NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OU LESÃO QUE INCAPACITE O SEGURADO EMPREGADO PARA O TRABALHO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS NÃO INCIDÊNCIA. O pagamento pelo empregador é imposto por lei em razão do afastamento do empregado previsto na Lei nº 8.213/91, art. 43, §2º, e art. 60, §3º, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, doença ou lesão que incapacite o segurado empregado para o trabalho. Dessa forma não caracteriza remuneração por serviços prestados. e, portanto, não incidem contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. A remuneração das horas extras paga ao segurado empregado bem como a remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 67 84 /2 00 8- 86 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 106, II , “c”, do Código Tributário Nacional CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo das multas se as circunstâncias motivarem comparar o resultado da aplicação do revogado art. 35 e incisos I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento com o do preceituado na nova redação dada ao sobredito art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 para em seguida comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A, incluído pela Lei n° 11.941/2009 e então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excetuando da tributação os créditos constituídos pelos pagamentos realizados pelo contribuinte nos primeiros quinze dias de afastamento dos empregados bem como determinar o recálculo da multa na forma do preceituado no art. 35 da Lei nº 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio d Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 2403002.992 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A Instância a quo produziu Relatório que compulsei com os autos e tendo corroborado, com grifos de minha autoria, abaixo o reproduzo: "Trata se de Auto de Infração no nome da empresa em epígrafe, abrangendo o período 10/2007 a 02/2008, inclusive 13/2007, e as seguintes contribuições, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados: a) contribuição patronal prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, I; b) contribuição patronal destinada ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Lei nº 8.212/91, art. 22, II); Foram também incluídos no Auto de Infração diferenças de acréscimos legais referentes a guias de recolhimento pagas em atraso. Segundo consta no Relatório Fiscal: 1) As bases de cálculo foram apuradas em folhas de pagamento geradas em meio magnético e correspondem a fatos geradores não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 2) Foi efetuado o confronto das remunerações de cada segurado constante nas folhas de pagamento com as respectivas remunerações declaradas em GFIP e a diferença foi lançado no levantamento “FP – REMUNERACAO FOLHA PAGTO”, equivalendo ao montante não declarado. 3) As bases de cálculo informadas em GFIP antes do início da ação fiscal não foram lançadas, mesmo quando as correspondentes contribuições não foram recolhidas. O crédito tributário alcançou o montante de R$ 105.887,86 (cento e cinco mil, oitocentos e oitenta e sete reais e oitenta e seis centavos), consolidados em 03/12/2008 em R$.134.246,05 (cento e trinta e quatro mil, duzentos e quarenta e seis reais e cinco centavos). A notificação do lançamento se deu em 03/12/2008 DA DEFESA Em 02/01/2009, a empresa apresentou defesa, na qual alegou, em síntese, que: 1) O fato gerador das contribuições previdenciárias é o pagamento das remunerações dos segurados empregados. O 1/3 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 de férias e as horas extras têm caráter indenizatório/compensatório em face das decisões exaradas pelo Supremo Tribunal Federal STF (RE 389.903DF e Agravo Regimental no RE 389.903DF). 2) Tendo o STF julgado inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária patronal sobre as verbas recebidas a título de 1/3 de férias e horas extras, tal reconhecimento também pode ser feito pela autoridade administrativa julgadora, a qual, antes de tudo, deve obediência à Constituição. É impossível dissociar a aplicação da lei à da própria Constituição, sendo o exame da constitucionalidade das leis inerente à atividade judicante da Administração Tributária. 3) Nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença, a verba por ele recebida do empregador tem caráter previdenciário, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária. Essa matéria encontrase pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça – STJ. 4) O STJ também já consolidou entendimento de que a contribuição para o INCRA deixou de existir com o advento da Lei n° 7.787/89. Ao final, o impugnante requer que seja acolhida a sua defesa e seja determinada a imediata anulação/desconstituição do Auto de Infração. É o relatório." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls.102, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza DRJ/FOR (CE ), exarou o Acórdão n° 08 22.525 , mantendo os créditos tributários exigidos DO RECURSO VOLUNTÁRIO Iressignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário ( fls. 118) reiterando as alegações que fizera em sede de impugnação É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 2403002.992 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza – Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Ortanto, dele tomo conhecimento. DAS PREJUDICIAIS Não há prejudicais para se analisar DO MÉRITO DAS HORAS EXTRAS E DA REMUNERAÇÃO ADICIONAL DE FÉRIAS Para os pagamentos de horas extras e remuneração adicional de férias , a meu juíz, andou bem a instância a quo na forma do abaixo manifestado: " Vêse, pois, que a base de cálculo da contribuição patronal coincide com o salário de contribuição do segurado disposto no art. 28, I, da Lei n° 8.212/1991, exceto quanto ao limite previsto para este último no art. 28, §5°, do mesmo diploma legal. . Ao contrário do que disse a empresa, o adicional de férias não tem caráter indenizatório/compensatório, mas se trata de verba paga ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho pactuado, ainda que seja recebido em período no qual não está prestando os serviços. Essa é a interpretação que consta no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: "Art. 214. Entendese por salário de contribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário de contribuição. (...)" Quanto às horas extras, não resta dúvida de que são pagas pelos serviços prestados, incorporando a base de cálculo das Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 contribuições previdenciárias, uma vez que não estão previstas nas exceções do art. 28, §9°, da Lei n° 8.212/1991." Embora a jurisprudência pacífica no STJ quanto a não incidência de contribuições previdenciárias quando dos pagamentos do adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, o § 4º do art. 214 do Decreto n° 3.048/1999 RPS não foi revogado e sob seu comando tais pagamentos integram o salário de contribuição, verbis: " Decreto n° 3.048/1999 Art. 214. Entendese por salário de contribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário de contribuição " Na forma do encimado, corroboro o entendimento a quo posto que legalmente defendido . DA VERBA PAGA NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO O art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que a contribuição a cargo da empresa recairá sobre o total das remunerações pagas quando os trabalhadores lhe prestem serviços, sendo as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, pelos serviços efetivamente prestados: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999)." Dispondo sobre planos de Benefícios a Lei 8.213/91, no Capítulo V Aposentadoria por Invalidez, no art. 43, "a", §2° é que se encontra definido a obrigação de a empresa efetuar pagamento nos primeiros 15 dias do AFASTAMENTO, verbis: " § 2o Durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, caberá à empresa pagar ao segurado empregado o salário." Como se nota, incursos em planos de benefício, os pagamento não decorrem de obrigações pactuadas em contrato de trabalho e tampouco pela remuneração de serviços prestados. Definidos por imposição do estado este, de pronto, se beneficia pela economia do Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 2403002.992 S2C4T3 Fl. 5 7 erário feita ao se eximir de pagar o benefício nos primeiros quinze dias embora o numerário arrecadado ao longo para esses efeitos. Neste sentido, até pela falta de amparo legal, não vislumbro como imputar ao contribuinte penalidade pela redução da produção/receita em face da ausência do empregado de seus quadros e ainda tributálo pelo valor obrigado a despender. É teratológico e confiscatório hipótese de ta procedimento. Isto posto, excetuo de incidência o pagamento dos primeiros 15 dias de afastamento tendo em vista efetivamente não se tratar de remuneração pelo trabalho prestado "stricto sensu " na forma do preceituado no art. 22 da Lei n° 8.212/91. Cumpre destacar que a autoridade autuante não individualizou em levantamento específico os créditos constituídos para tal rubrica. Dou provimento ao contribuinte. Do INCRA Mesmo não tendo sido motivo de autuação no Auto de Infração sob julgamento, insiste a autuada em arrazoar sobre a matéria. Assim, descabe discorrer sobre as alegações trazidas à colação. DA MULTA DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA O Princípio da Retroatividade Benigna está inserto nos termos do preceituado no art. 106, II, " c " do Código Tributário Nacional CTN ao determinar a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática , verbis: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Na forma do Relatório de Fundamentos Legais ( fls.12) , a empresa foi autuada sob o preceituado na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99 ) em razão de viger à época dos fatos geradores. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 "601.09 Competências: 10/2007 a 02/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, Ill (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", "b" e C, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99).( ....) " Assim, é pertinente o recálculo comparando o resultado da aplicação do revogado art. 35, I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento com o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 e finalmente compará los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso. Tendo presente o sobredito, entendo prevalente o preceituado no art. 35 da Lei n° 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei n° 11.94/20091, ou seja , nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento: . "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (redação dada lei pela Lei n° 11.94, de 2009 ) " " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) " Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 2403002.992 S2C4T3 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário, para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL excetuando da tributação os créditos constituídos pelos pagamentos realizados pelo contribuinte nos primeiros quinze dias de afastamento dos empregados bem como na forma do preceituado no art. 35 da Lei n° 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei n° 11.94/20091, ou seja, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de vinte por cento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13502.000589/2003-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Salvo exceções expressa em lei no sistema jurídico brasileiro, impõe-se a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada ou alterada, bem como dos seus efeitos, vedando-se a retroação da lei nova. Tal afirmação leva à inexorável conclusão de que a homologação tácita das compensações por decurso de prazo, somente alcança as declarações apresentadas a partir da vigência do § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, introduzido pela MP 135, de 30/10/2003.
Recurso Provido
Numero da decisão: 9303-003.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez López, Ivan Allegretti, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque e Silva, que negavam provimento.
assinado digitalmente
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
assinado digitalmente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto e Ivan Allegretti, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Salvo exceções expressa em lei no sistema jurídico brasileiro, impõese a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada ou alterada, bem como dos seus efeitos, vedandose a retroação da lei nova. Tal afirmação leva à inexorável conclusão de que a homologação tácita das compensações por decurso de prazo, somente alcança as declarações apresentadas a partir da vigência do § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996, introduzido pela MP 135, de 30/10/2003. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez López, Ivan Allegretti, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque e Silva, que negavam provimento. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente assinado digitalmente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto e Ivan Allegretti, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 05 89 /2 00 3- 98 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 9303003.300 CSRFT3 Fl. 420 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria Fazenda Nacional contra o acórdão nº 380100.986, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao recurso da contribuinte para considerar homologada tacitamente a compensação declarada. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 18/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. PRINCÍPIO DO "TEMPUS REGIT ACTUM". VERIFICAÇÃO DO PRESSUPOSTO EM FACE DO DIREITO APLICÁVEL. A lei aplicável, em matéria de compensação tributária, será aquela vigente na data do encontro de créditos e débitos, pois neste momento é que surge efetivamente o direito à compensação, de acordo com os cânones traçados pelo Direito Privado a tal instituto, que devem ser respeitados pela lei tributária. IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL DAS ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA SER CONSIDERADA NÃO DECLARADA A COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. No regime previsto nas Instruções Normativas SRF n° 210/2002 e 226/2002, e no artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, na redação decorrente da Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002, não havia previsão para se considerar não declarada a compensação com créditos de terceiros. Esta surgiu apenas com a alteração do § 12 do art. 74, pela Medida Provisória n°219/2004, convertida na Lei n° 11.051/2004. A legislação vigente no momento do encontro de contas limitava se a prever o indeferimento liminar do pedido de compensação (IN SRF n° 226/2002, revogada pela IN SRF n°460/2004). A Lei n° 11.051/2004 aplicase apenas às compensações pretendidas após o início da vigente da alteração legislativa. Parecer PGFN/CDA/CAD n° 1.499/2005 (itens 88, 90 e “c.4”) Tendo a autoridade prosseguido com o processo administrativo fiscal nos termos da lei de regência recebeu o pedido de compensação como "declaração de compensação" sujeita aos efeitos próprios, inclusive da homologação tácita. O protocolo de declaração em 18/06/2003. Intimação do despacho decisório em 23/10/2008. Homologação tácita reconhecida. Recurso Voluntário provido Fl. 423DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 9303003.300 CSRFT3 Fl. 421 3 Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pela inexistência de homologação tácita. O apelo fazendário logrou seguimento, nos termos do despacho de exame de admissibilidade de fl. 177. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso fazendário, o sujeito passivo apresentou, intempestivamente, contrarrazões, solicitando a manutenção do acórdão recorrido, seja pela negação do recurso especial ou pela existência de homologação tácita. Caso seja afastada a homologação tácita, solicita a prescrição dos débitos compensados ou, então, o retorno ao Colegiado para o julgamento das matérias de mérito do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. É nítida a divergência entre a decisão recorrida e o paradigma apresentado pela Fazenda, no tocante ao entendimento quanto à homologação tácita das compensações. Portanto, conheço do recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela contribuinte, contudo, intempestivamente. A ciência do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Procurador ocorreu em 19/11/2012 (fl. 209), segundafeira, e a apresentação das contrarrazões ocorreu em 05/12/2012 (fl. 210), quartafeira, ultrapassando o prazo de 15 dias do art.69 do RICARF, conforme consta do Despacho de Encaminhamento de fl. 417. Por isso, não conheço das contrarrazões da contribuinte. A teor do relatado, a matéria devolvida ao Colegiado cingese em decidir se a compensação realizada pelo sujeito passivo, à data da decisão da autoridade preparadora, encontravase homologada tacitamente. O colegiado recorrido entendeu que na data em que fora prolatado o despacho decisório já se havia exaurido o prazo da homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833/2003. O Regime jurídico das compensações relativas a tributos administrados pela Receita Federal é regido pelo art. 74 da Lei 9.430/1996 e suas alterações. Dentre essas, ganha destaque a introduzida pelo art. 49 da Lei 10.637, de 30/12/2002, resultado da conversão em Lei da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002. A grande alteração trazida por essa MP foi a que previu que a declaração de compensação extinguiria, antecipadamente, o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação1. Outra mudança que merece ser citada foi a do § 4º desse mesmo artigo2, 1 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 2 § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 424DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 9303003.300 CSRFT3 Fl. 422 4 que transformou os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em declarações de compensação, desde o seu protocolo. Posteriormente, o art. 17 da Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, introduziu novas alterações no art. 74 da Lei 9.430/1996, dentre as quais destacase o § 5º 3, que fixa prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para a homologação da compensação declarada. Diante desse quadro de alterações na legislação, a pergunta a ser feita é: essas mudanças na legislação de regência alcançam os pedidos de compensação protocolados sob o auspícios da legislação anterior? No caso da transformação de pedidos de compensação em declaração de compensação, dúvida não há, pois a Lei expressamente faz essa transformação. Todavia, no tocante à criação do prazo de homologação, essa alteração alcança apenas as compensações efetuadas a partir da vigência do dispositivo legal que introduziu tal prazo no ordenamento jurídico, ou seja, a partir de 30 de outubro de 2003, data em que foi editada a Medida Provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003. As normas de Direito Processual e o Direito Intertemporal Os processos instaurados na vigência da lei nova não oferecem maiores dificuldades, pois serão por ela disciplinados. Tampouco há dificuldade de entender os efeitos da lei nova sobre processos findos, que estão acobertados pelo manto da coisa julgada. Todavia, o mesmo não se pode dizer da situação em que, no curso do processo, haja alteração da lei processual, pois não há na legislação processual qualquer regulamentação de como e em que fase processual irá ocorrer a incidência da nova lei. Três teorias tentaram solucionar o problema. Teoria da unidade processual. Os adeptos dessa teoria consideram o processo como um todo, uma unidade, desdobrado em atos diversos. Essa característica unitária faria com que o processo fosse regido por uma única lei, a nova ou a velha. Mas como, em 4regra, a lei não retroage, a lei antiga deve se impor, de modo a evitar a retroação da nova, que acarretaria prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência. Teoria das fases processuais. Essa corrente, ao contrário da anterior, defende que o processo seria constituído de fases autônomas (postulatória, instrutória e de julgamento), cada uma disciplinada pela lei vigente ao seu tempo. Teoria do isolamento dos atos processuais. Segundo os defensores dessa corrente, a lei nova não alcançaria os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, aplicandose apenas aos atos que vierem a ser praticados após sua vigência, sem limitações quanto às fases processuais. Em síntese, por essa teoria, a lei nova, em relação ao processo pendente, confere eficácia aos atos processuais já realizados e passa a disciplinar os demais a partir de 3 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 4 Regra geral, a lei produz efeitos para frentes, à exceção da lei penal mais benéfica e da que for meramente interpretativa. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 9303003.300 CSRFT3 Fl. 423 5 sua vigência, respeitando o ato jurídico perfeito (acabado) e o direito adquirido de praticar um ato processual iniciado e ainda pendente. Na linha desse raciocínio, temse que se um processo foi iniciado sob a égide de uma lei processual e, em seu curso, nova lei foi publicada, o ato praticado sob os auspícios da lei antiga terá validade, sob pena de se vulnerar os princípios do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, cláusulas pétreas presentes na Carta Política da República. Não se pode olvidar, ainda, alguns princípios norteadores do sistema processual brasileiro, tais como o Princípio da Imediatividade, o Princípio da Irretroatividade da Norma Processual, e o Princípio do Tempus Regit Actum. Pelo primeiro, entendese que, uma vez vigente, a norma passa a valer para todos os processos pendentes e futuros a partir de então, como previsto no 5art. 1.211 do CPC; já pelo segundo, o da irretroatividade da lei processual, temse a impossibilidade da norma processual nova alcançar ato processual praticado sob o abrigo da lei antiga, por força do primado constitucional da defesa do direito adquirido e da proteção aos efeitos do ato jurídico perfeito, e, finalmente, pelo terceiro, que nada mais é do que a síntese dos dois primeiros, impõese a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada, bem como dos seus efeitos, vedandose a retroação da lei nova. Sob esse prisma, a lei em vigor na data da protocolização do pedido de compensação, ou da entrega da declaração de compensação, rege todo o processo. Hoje, encontrase apascentado, na doutrina e na jurisprudência, o entendimento de que o sistema processual brasileiro abraçou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, segundo a qual, os atos processuais são realizados durante o curso normal do processo e, uma vez inserida nova norma processual ao ordenamento jurídico, em relação a processo pendente, essa novel legislação regerá apenas os atos que ainda deverão ser praticados. Esse isolamento dos atos processuais garante que a lei nova não alcançará os efeitos produzidos por atos já realizados até aquela fase do processo, por ato préexistente à nova lei. É por demais óbvio que para os processos iniciados após a vigência da norma nova, não há que se falar em isolamento, e todos os atos do processo, desde o início, serão regidos por essa nova legislação. Sobre o tema, Galeno Lacerda6, ensina que a lei nova "não pode atingir situações processuais já constituídas ou extintas sob o império da lei antiga, isto é, não pode ferir os respectivos direitos processuais adquiridos. O princípio constitucional de amparo a esses direitos possui, aqui, também, plena e integral vigência". Cândido Dinamarco Rangel, um dos maiores expoente da Teoria Geral do Processo, ensina que a lei nova processual não tem aplicação imediata nas situações seguintes: quando atingir o próprio direito de ação, de modo a impor ao sujeito novas competências ou priválo dos meios antes postos a sua disposição para a obtenção da tutela jurisdicional; 5 Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes 6 O novo direito processual civil e os feitos pendentes, Rio de Janeiro, Forense, 1974, p. 13. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 9303003.300 CSRFT3 Fl. 424 6 quando retirar a proteção jurisdicional antes outorgada à determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida; quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas; quando haja redução da possibilidade de ampla defesa, quando crie novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes. De outro lado, o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, traz, numerus clausus, as situações em que a lei tem efeitos pretéritos, quais sejam: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A situação tratada nos autos não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas no artigo transcrito linhas acima, o que leva à conclusão inexorável que a alteração legislativa que introduziu o prazo de homologação tácita da compensação tributária não retroage para alcançar os pedidos efetuados anteriormente à vigência dos dispositivos veiculadores desse prazo. Por último, registro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre a lei aplicável à compensação. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. 1. Inexiste contradição em acórdão que lança premissas harmônicas com as conclusões adotadas. 2. A jurisprudência atual da 1ª Seção é no sentido de que a compensação tributária há de regerse pela lei vigente no momento em que o contribuinte a aciona. 3. No caso, a compensação estava vinculada aos ditames da Lei nº 9430 de 1996, que exigia requerimento prévio ao órgão arrecadador. 4. Embargos rejeitados. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 9303003.300 CSRFT3 Fl. 425 7 (EDcl no AgRg no REsp 701865/MG EMBARGOS DE : DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2004/01596046, Rel Ministro JOSÉ DELGADO DJ 22/05/2006 p. 152). Diante do exposto, a conclusão inexorável é a de que a homologação tácita, por decurso de prazo, introduzida no ordenamento jurídico das compensações alcança os pedidos convertidos em Dcomp, mas apenas no sentido de que o prazo introduzido pela MP 135, de 30 de outubro de 2003, contase a partir dessa data, não havendo possibilidade de ser aplicado retroativamente. Aplicandose tal entendimento ao caso concreto, não há homologação tácita para nenhum dos pedidos ora em apreço, uma vez que todos foram todos examinados antes de 29 de outubro de 2008. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a homologação tácita das compensações sob exame, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que examine as demais questões acerca dessas compensações. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de março de 2015. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001734/00-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/1999
FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. COFINS. ISENÇÃO.
A contraprestação não é fator fundamental para determinar a receita como própria da atividade. O importante é a análise individual da natureza jurídica de cada receita para então afirmar ser ou não própria da atividade da sociedade.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 9303-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a premissa de que a contraprestação descaracteriza as receitas como sendo próprias de atividade e determinar o retorno à instância a quo para que sejam analisadas individualmente a natureza jurídica das receitas com licença de uso de sistemas de faturamento; locação CPQD Polis; locação de equipamentos, patrocínio de seminários/treinamentos; prestação de serviços; recebimento ref. a aviso de débito/recebimento ref. a lançamento de royalties; recebimento ref. a recibo; recebimento ref. ao docto; serviços laboratoriais, para fins de determinar se são próprias da atividade da recorrente. Vencidas as conselheiras Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama e Fabiola Cassiano Keramidas que davam provimento total.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
assinado digitalmente
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Recorrente FUNDAÇÃO CPQD CENTRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM TELECOMUNICAÇÕES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/1999 FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. COFINS. ISENÇÃO. A contraprestação não é fator fundamental para determinar a receita como própria da atividade. O importante é a análise individual da natureza jurídica de cada receita para então afirmar ser ou não própria da atividade da sociedade. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a premissa de que a contraprestação descaracteriza as receitas como sendo “próprias de atividade” e determinar o retorno à instância a quo para que sejam analisadas individualmente a natureza jurídica das receitas com “licença de uso de sistemas de faturamento”; “locação – CPQD Polis”; “locação de equipamentos”, “patrocínio de seminários/treinamentos”; “prestação de serviços”; “recebimento ref. a aviso de débito/recebimento ref. a lançamento de royalties”; “recebimento ref. a recibo”; “recebimento ref. ao docto”; “serviços laboratoriais”, para fins de determinar se são próprias da atividade da recorrente. Vencidas as conselheiras Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama e Fabiola Cassiano Keramidas que davam provimento total. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 17 34 /0 0- 89 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10830.001734/0089 Acórdão n.º 9303003.262 CSRFT3 Fl. 423 2 assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A turma julgadora de primeira instância assim descreveu os fatos: Cuidase de pedido de restituição de Cofins, período fevereiro a outubro de 1999, em face de alegada inclusão de receitas alcançadas pela isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória nº 1.85810/99. A DRF Campinas/SP indeferiu o pleito ao argumento que a isenção pretendida somente abrange as receitas próprias das entidades arroladas, assim entendidas as contribuições, doações, anuidades ou mensalidades dos associados ou mantenedores, não englobando as receitas de cunho contraprestacional provenientes das vendas de mercadorias e/ou prestações de serviços. Em manifestação de inconformidade o contribuinte fez um relato histórico da legislação, destacando a publicação da Lei nº 9.718/98 e a superveniência dos arts. 13 e 14 da MP 1.858/99, com vigência a partir de 01/02/1999; asseverou que a isenção veiculada neste último dispositivo não poderia ser limitada por entendimentos administrativos, muito menos que estes atos opinativos (Decisão DISIT/SRF 8ª RF nº 162/2000) pudessem servir de base legal para prolação de decisões administrativas; que a interpretação reducionista não tem amparo legal; que a partir do conceito de faturamento veiculado no art. 3º da Lei nº 9.718/98, segundo o qual faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, toda as receitas elencadas em seu estatuto social seriam isentas; que as receitas próprias da atividade só podem ser aquelas contidas no seu objeto social, destinadas à sua manutenção, citando o art. 15 da Lei nº 9.532/97 para corroborar sua tese; que a prestação de serviços de cunho contraprestacional faz parte de seu objeto social; que onde a lei não exclui não cabe ao intérprete fazêlo; e, que a regulação da norma isentiva deve observar o princípio da legalidade estrita. A DRJ Campinas/SP manteve o indeferimento, afastando, preliminarmente, o debate acerca da constitucionalidade da Lei nº 9.718/98, e, no mérito, concluiu que o conceito de “atividades próprias” referido no art. 14, X da MP 1.858/99 não alberga as Fl. 716DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10830.001734/0089 Acórdão n.º 9303003.262 CSRFT3 Fl. 424 3 receitas de caráter contraprestacional representadas pelas vendas de mercadorias e/ou prestação de serviços, ainda que sem fins lucrativos. Em recurso voluntário o contribuinte rebate a interpretação conferida ao texto de lei e à flexibilização do art. 111 do CTN pela decisão recorrida, eis que fundada em interpretação histórica, em franca desconsideração ao teor de aludido preceito normativo; critica a referência feita a pareceres elaborados pelo próprio órgão que, como tais, não integram o ordenamento jurídico; reprisa a conceituação da expressão “atividades próprias”, destacando que o seu alcance não poderia se restringir a contribuições, doações e mensalidades porque são ingressos não decorrentes do exercício de qualquer atividade, mas mero desígnio altruísta das pessoas, de tal sorte que a isenção acobertaria todas as receitas previstas no seu estatuto; reforça o raciocínio que, estabelecendo a Lei nº 9.718/98 que todas as receitas estão submetidas à incidência da Cofins, também a isenção outorgada pela MP 1.858/99 deve alcançar todas as suas receitas; que a lei não arrolou apenas as doações, mensalidades, contribuições, etc., como receitas próprias da atividade; que pela redação do art. 15 da Lei nº 9.532/97 ditas receitas seriam as estatutárias, desde que destinadas à prestação de serviços para os quais foram instituídas; que interpretar de maneira distinta ofende o princípio da legalidade; que do cotejo de seu estatuto social com o texto legal observase que a entidade não aufere receitas divorciadas de suas atividades; que a isenção alcança toda a base tributável por inexistir exceção legal em sentido contrário. Na sessão de outubro/2005 a Segunda Câmara do Segundo Conselhos de Contribuintes baixou o processo em diligência, através da Resolução nº 20200.858, para que se providenciasse o seguinte: i) especificação das receitas componentes da base de cálculo do indébito requerido; ii) atendimento aos requisitos exigidos pelo art. 14 do CTN, por parte do contribuinte; e, iii) que se observasse o que decidido no processo administrativo 10830.007903/200191, em vista do reflexo nestes autos. Em final de diligência foi lavrado “Termo de Resultado de Diligência” onde se informam as seguintes rubricas contábeis e a função de cada uma delas: “acertos de lançamento/apropriações/estornos”; “cancelamentos”; “licença de uso de sistemas de faturamento”; “locação – CPQD Polis”; “locação de equipamentos”, “patrocínio de seminários/treinamentos”; “prestação de serviços”; “recebimento ref. a aviso de débito/recebimento ref. a lançamento de royalties”; “recebimento ref. a recibo”; “recebimento ref. ao docto”; “serviços laboratoriais” e “vendas de ativo fixo”. Conclui o relatório que devem ser excluídas os registros das contas “cancelamentos” e “vendas de ativo fixo”, mantidas as demais como receitas não próprias da atividade por ostentarem Fl. 717DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10830.001734/0089 Acórdão n.º 9303003.262 CSRFT3 Fl. 425 4 fundo econômico contraprestacional, sendo aberto prazo para manifestação do contribuinte. Em manifestação o contribuinte aduz que a diligência não respondeu adequadamente ao que proposto, havendo erro no trabalho fiscal pois incluiu ingressos que não representam receitas, ressaltando que as rubricas “acertos de lançamento/apropriações/estorno”, “cancelamentos” e “vendas do ativo fixo” não compõem o universo de receitas da entidade; que as demais receitas se vinculam ao estatuto social da entidade e, portanto, configuram receitas próprias; registra que não há receita sem conteúdo econômico, citando jurisprudência administrativa e judicial; frisa que é imperativo que este processo seja julgado conjuntamente com o auto de infração consubstanciado no PA 10830.007903/200191, haja vista a identidade da matéria. Julgando o feito, o Colegiado de a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário, em julgamento assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 31/10/1999 FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. COFINS. ISENÇÃO VEICULADA PELO ART. 14, DA MP 2.15835/01. SENTIDO E ALCANCE. O artigo 14, da MP no 2.15824/01 outorga isenção, relativamente a COFINS, às “receitas relativas às atividades próprias” de associações civis, dentre outras entidades, não se compreendendo, porém, no campo de abrangência desta regra isentiva as receitas auferidas em caráter contraprestacional, tais como as relativas ao recebimento pela prestação de serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que seja reconhecida que as receitas provenientes de serviços elencados em seu Estatuto Social são consideradas como receitas próprias de sua atividade e, por consequência, são isentas da Cofins, nos termos do art. 14 da MP nº 2.158 35/01. O recurso foi admitido pelo Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Fl. 718DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10830.001734/0089 Acórdão n.º 9303003.262 CSRFT3 Fl. 426 5 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e observa os demais requisitos de admissibilidade de forma que delo conheço e passo ao mérito. A teor do relatado, a questão trazida no recurso especial diz respeito à análise da natureza jurídica das receitas obtidas pela fundação e o enquadramento como receitas próprias de sua atividade. No despacho de admissibilidade do recurso, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção identificou dissenso jurisprudencial entre o acórdão vergastado e os acórdãos nº 20403016 e nº 20180173. Nos termos do referido despacho, à existência de dissenso jurisprudencial, procedente o conflito apontado, porquanto os arestos paradigmas concluíram que são consideradas receitas próprias da atividade, também aquelas que possuam cunho contraprestacional, desde que aplicadas no desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade sem fins lucrativos, em oposição ao acórdão recorrido, que as circunscreveu aos auxílios, contribuições e verbas congêneres. Portanto, o que se discute neste recurso é se receitas que possuam cunho contraprestacional podem ser consideradas como próprias da atividade, desde que sejam aplicadas no desenvolvimento dos objetivos da sociedade. Cravada a lide, passo à análise. Esse tema já enfrentado no Acórdão nº 9303002.447, de 08 de outubro de 2013, de minha lavra, no qual ficou decidido, por via obliqua, que a contraprestação não afeta a qualidade da receita como sendo própria da atividade. Transcrevo parte do voto como fundamento de minha decisão: II b) competências de fevereiro de 1999 a dezembro de 2001 Naquele período, foram tributadas outras receitas (correntes, eventuais, taxa moderadora, taxas de seguro/administração, aluguéis e financeiras). A Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que fundamentou a exigência nesse período, assim dispõe: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 719DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10830.001734/0089 Acórdão n.º 9303003.262 CSRFT3 Fl. 427 6 [...].” No entanto, posteriormente, foi editada a MP nº 2.15835, de 24/08/2001, assim dispondo: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...]; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. [...].” Por sua vez, o art. 13, citado no inciso X, assim estabelece: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...]; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; [...].” Ora, as receitas de taxas de seguro/administração e de taxa de moderação decorrem da atividade fim da contribuinte (próprias) e se enquadram no inciso X do art. 14, citados e transcritos acima. Dentre os objetivos do interessado se encontra a prestação de serviços aos seus associados (empregados e exempregados da sua instituidora), incluindo a administração de planos de benefícios e outros serviços administrativos. Para atender este objetivo, cobra taxas de administração e de moderação dos beneficiários dos serviços colocados a sua disposição. Assim, as receitas auferidas com tais serviços constituem receitas de suas atividades próprias e não estão sujeitas à Cofins, conforme decidido no acórdão recorrido. Já em relação às demais receitas (correntes, eventuais, aluguéis e financeiras), a exigência da contribuição teve como fundamento o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, citados e transcritos anteriormente, que havia ampliando a base da Cofins para a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Retornando aos autos, as receitas glosadas não foram as mesmas do processo acima citado. Mas isso não é relevante, pois a discussão não paira sobre as receitas propriamente ditas, e sim sobre a possibilidade de descaracterizar a receita como sendo própria da atividade pelo cunho contraprestacional. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10830.001734/0089 Acórdão n.º 9303003.262 CSRFT3 Fl. 428 7 É de fácil compreensão que na decisão proferida recentemente pela CSRF e por mim aduzida, a contraprestação não é fator fundamental para determinar a receita como própria da atividade. O importante é a análise individual da natureza jurídica de cada receita para então afirmar ser ou não própria da atividade da sociedade. Conforme já relatado, a instância a quo partiu da premissa de que a contraprestação descaracteriza a qualidade de receita própria a atividade, logo, não analisou cada receita glosada tendo como parâmetro o objeto da sociedade. Diante deste fato, é importante ressaltar que este Colegiado cingese a enfrentar a matéria admitida em sede de recurso especial. Em conseqüência, as demais questões relativas ao processo, aqui não examinadas, devem ser objeto de análise pela instância a quo a fim de ser prolatada nova decisão observandose este julgado. Ademais não se pode perder de perspectiva que a apreciação completa do caso por este Colegiado, neste momento, provocaria a supressão de instância administrativa e, por aí, abalaria o amplo direito de defesa do contribuinte que tem a prerrogativa de exercêlo em todas as instâncias cabíveis, sem qualquer indevida supressão. Como o amplo direito de defesa deve ser obviamente preservado, devem ser preservadas todas as instâncias previstas. Assim sendo, dou provimento parcial ao recurso para afastar a premissa de que a contraprestação descaracteriza as receitas como sendo “próprias da atividade” e determino o retorno do processo a instância a quo para que sejam analisadas individualmente a natureza jurídica das receitas com “licença de uso de sistemas de faturamento”; “locação – CPQD Polis”; “locação de equipamentos”, “patrocínio de seminários/treinamentos”; “prestação de serviços”; “recebimento ref. a aviso de débito/recebimento ref. a lançamento de royalties”; “recebimento ref. a recibo”; “recebimento ref. ao docto”; “serviços laboratoriais”, para fins de determinar se são próprias da atividade da recorrente. Henrique Pinheiro Torres – Relator. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.007590/2003-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2002
Ementa:
SIMPLES. EXCLUSÃO DESMOTIVADA. Prestação de serviços de telecomunicações e dados, representações e comércio de produtos de telefonia. Atividade permitida. Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) quando exclusivamente motivada no exercício da prestação de serviços de telecomunicações e dados e essa é apenas uma das atividades da sociedade empresária.
A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. Recurso a que se nega provimento.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Relatora) e Alberto Pinto Souza Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
André Mendes Moura Redator Ad Hoc - Designado
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO DESMOTIVADA. Prestação de serviços de telecomunicações e dados, representações e comércio de produtos de telefonia. Atividade permitida. Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) quando exclusivamente motivada no exercício da prestação de serviços de telecomunicações e dados e essa é apenas uma das atividades da sociedade empresária. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. Recurso a que se nega provimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Relatora) e Alberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 75 90 /2 00 3- 22 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Pinto Souza Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes Moura – Redator Ad Hoc Designado (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de recurso especial em face de acórdão nº 303134179, prolatado pela antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em procedimento decorrente de solicitação de revisão da exclusão da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples da empresa REQUITEL SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA. A exclusão, a partir de 01.01.2002, se deu pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 415573, de 07.08.2003 (fls. 06), pelo seguinte motivo: “atividade econômica vedada: 45330/02 Manutenção de estações e redes de telefonia e comunicações”, assemelhada a de engenharia. Na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, de 04.09.2003 (fls.01), o contribuinte sustenta que as atividades exercidas não exigem, obrigatoriamente, um profissional legalmente habilitado, que todas são realizadas pessoalmente pelos sócios da empresa e compreendem as seguintes atividades: Instalações de central telefônica; Conserto e manutenção de aparelhos telefônicos; Cabeamento e fiação de redes telefônicas; Reparos e consertos em redes telefônicas, residenciais e comerciais. Após mantido o indeferimento da solicitação pela DRJ, o contribuinte, em sede de recurso voluntário, alega que houve mudança no objeto social, conforme alteração contratual registrada na Junta Comercial em 20.03.2000, antes da opção pelo Simples, mas não foi informada à RFB e que a real atividade da empresa corresponde ao código CNAE nº 5245 0/03: comércio varejista de máquinas, equipamentos e materiais de comunicação. Junta cópia do CNPJ e de declarações entregues ao governo do Estado da Bahia referentes aos anos calendário 2000 a 2003. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.007590/200322 Acórdão n.º 9101001.146 CSRFT1 Fl. 3 3 A Câmara a quo converteu o julgamento em diligência para ser providenciada a autenticação dos documentos juntados nos autos (fls. 3643). No retorno, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: Ementa: Simples. Exclusão desmotivada Prestação de serviços de telecomunicações e dados, representações e comércio de produtos de telefonia. Atividade permitida. Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) quando exclusivamente motivada no exercício da prestação de serviços de telecomunicações e dados e essa é apenas uma das atividades da sociedade empresária. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996 não alcança: as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar, quaisquer serviços Ela é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada, caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. Foram apresentadas as seguintes razões de decidir, litteris: Admitir que o inciso XIII do artigo 9° da Lei 9317, de 1996, equipara todas as pessoas jurídicas que têm entre suas atividades a prestação de serviços de telecomunicações e dados aos serviços profissionais do engenheiro e veda àquelas a possibilidade de optar pelo Simples, é outorgar à lei ordinária hierarquia superior à Carta Magna, porquanto essa interpretação contradiz tanto o artigo 150, inciso II, quanto o artigo 179 supra transcritos. Inconformada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, alegando divergência jurisprudencial quanto ao exercício de atividades de instalação e manutenção de equipamentos de telefonia e telecomunicações como atividade vedada ao Simples. Em contrarrazões, o contribuinte alega preliminar de inadmissibilidade por intempestividade e falta de demonstração de divergência do acórdão recorrido em relação ao paradigma. Aponta que o processo foi recebido na PGFN em 14.09.2007 e o recurso foi interposto apenas em 04.10.2007. Aduz, ainda, que o acórdão paradigma não traz a mesma situação fática, pois enquanto a empresa dedicase apenas à comercialização de produtos telefônicos, no caso paradigma a atividade é de “manutenção e conserto de telefones”. Quanto ao mérito, sustenta a impossibilidade de exclusão do Simples “em razão da mera menção à prestação de serviços no contrato social” e que, embora prevista em seu contrato social a atividade de prestação de serviços de telefonia, a partir da alteração Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 contratual arquivada na Junta Comercial do Estado da Bahia, em 20.03.2000, a recorrida passou a exercer, de forma efetiva, apenas a comercialização de produtos telefônicos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes Moura, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que a Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Turma da CSRF, determinou designar este Conselheiro como Redator Ad Hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Preliminarmente, analiso a admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, ante o questionamento da recorrida quanto à tempestividade e a comprovação da divergência jurisprudencial. O processo foi recebido na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no dia 14.09.2007, conforme atesta a Relação de Movimentação (RM) de fls. 87, o procurador foi pessoalmente cientificado em 01.10.2007 e o recurso foi interposto no dia 04.10.2007. Quanto à contagem do prazo recursal, deve ser observada a regra disposta no art. 23, §9º, do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal: Art. 23.[...] § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Assim, ainda que não se considere a ciência pessoal lançada nos autos, mas procedase à contagem do prazo recursal de 15 dias iniciado após o término do prazo de ciência presumida do dispositivo acima, verificase a tempestividade do recurso, na forma da legislação. A divergência apontada entre o acórdão recorrido e o paradigma compreende o exercício de atividade relacionada a telefonia e telecomunicações. O paradigma apontado teve a seguinte ementa: Acórdão 30131.831 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELEFONIA. VEDAÇÃO. Os serviços de instalação e manutenção de equipamentos de telefonia e telecomunicações, inerentes a profissões que exigem Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.007590/200322 Acórdão n.º 9101001.146 CSRFT1 Fl. 4 5 habilitação profissional legalmente exigida, vedam a pessoa jurídica que o presta de optar pelo Simples. No presente caso, a Câmara entendeu que, mesmo prestando serviços de telecomunicações, o contribuinte não está vedado ao Simples, enquanto no acórdão paradigma, decidiuse pela vedação. Diante da divergência de entendimentos sobre a mesma situação fática, considero superada a preliminar de conhecimento e passo ao mérito. A Lei nº 9.317/96 estabeleceu as regras determinantes ao enquadramento no Simples, determinando, em seu art. 9º, que fica impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que preste serviços profissionais, dentre outros, de engenharia ou assemelhados e de qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. A decisão recorrida considerou que o contribuinte efetivamente prestou atividade mercantil nos anos de 2000 a 2003 e concluiu que essa atividade, por ser mais relevante, permite a opção pelo Simples, ainda que concomitante com a prestação de serviços de telecomunicações. De início se verifica que o contribuinte se contradiz quando declara na SRS, em 2003, que exerce as atividades de (a) instalações de central telefônica; (b) conserto e manutenção de aparelhos telefônicos; (c) cabeamento e fiação de redes telefônicas; e (d) reparos e consertos em redes telefônicas, residenciais e comerciais; e posteriormente, na fase recursal, sustenta que desde 2000 dedicase “basicamente” à comercialização de produtos telefônicos. A primeira alteração contratual (fls. 3637), de 18 de março de 2000, fez constar como objeto social o desenvolvimento de “atividades de prestação de serviços de telecomunicações e dados, representações e comércio de produtos de telefonia”. Posteriormente, em 5 de dezembro de 2003, foi efetuada outra alteração contratual (fls. 4449), para, dentre outras, fazer constar a substituição de um dos sócios, a alteração da denominação social para Requitel Comércio e Serviços Ltda ME e a alteração do objeto social para “comércio varejista de produtos de telefonia e prestação de serviços em telecomunicações”. Notese que o contribuinte não excluiu a prestação de serviços em telecomunicações do seu objetivo social, nem retirou o termo “serviços” de sua denominação social, mesmo após cientificado da exclusão no Simples, Afirma, ainda, que as atividades são realizadas pelos sócios e que não necessitariam ser exercidas por profissional legalmente qualificado. Ocorre que, desde o contrato original (fls. 0304), o representante legal do sujeito passivo, com poderes de administração, é o sócio Sr. Jorge Luz Souza, técnico em telecomunicações e inscrito no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia – CREA/BA, sob o nº 25.343/TD. O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – Confea, usando das atribuições do art. 27, parágrafo único, letras “a” e “f”, da Lei nº 5.194, de Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 24.12.1966, editou a Resolução CONFEA nº 218, de 29 de junho de 1973, discriminando as atividades profissionais de sua área, nos seguintes termos: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: [...] Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; [...] MODALIDADE ELETRÔNICA ou ao ENGENHEIRO DE COMUNICAÇÃO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a materiais elétricos e eletrônicos; equipamentos eletrônicos em geral; sistemas de comunicação e telecomunicações; sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico; seus serviços afins e correlatos. [...] Art. 23 Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Art. 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Assim, não há dúvida de que a atividade relacionada aos serviços de telecomunicações efetuada por técnico em telecomunicações enquadrase na vedação ao Simples prevista no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. Existindo tal previsão contratual, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a não realização de atividade vedada, consoante jurisprudência pacificada do Carf. Compulsandose os autos, verificase que na fase recursal foi juntada documentação em que consta a mudança no CNAE fiscal para “comércio varejista de máquinas, equipamentos e materiais de comunicação” e cópias da “declaração do movimento econômico de microempresa e empresa de pequeno porte” entregues ao governo do Estado da Bahia referentes aos anoscalendário 2000 a 2003 (fls. 3843). Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.007590/200322 Acórdão n.º 9101001.146 CSRFT1 Fl. 5 7 O código CNAE eleito pelo contribuinte não faz qualquer prova quanto ao não exercício de atividade distinta da informada. A documentação pertinente à movimentação econômica traz informação sobre as receitas e despesas do contribuinte. No quadro referente aos “recursos” (2000 e 2001) ou “saídas de mercadorias e/ou prestações de serviços” (anos 2002 e 2003) são consolidados valores no campo “venda de mercadorias e/ou produção”, assim como no campo “outras receitas”/“outras saídas”. Observase que neste último constam valores expressivos em relação aos valores das vendas nos quatro exercícios demonstrados, onde poderiam estar sendo registradas outras atividades relacionadas aos serviços de telecomunicações, uma vez que não foram juntadas as notas fiscais de saída. De todo o exposto, não considero provado pelo contribuinte o não exercício de atividade relacionada aos serviços de telecomunicações, cujo ônus da prova lhe cabia por fazer constar tal atividade do seu contrato e denominação social. Em razão disso, entendo procedente a exclusão do Simples efetivada pelo ADE DRF/SDR nº 415573, a partir de 01.01.2002, e dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) André Mendes Moura Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado Com as devidas vênias, esta Câmara, após exaustivos debates, decidiu por manter o entendimento da decisão recorrida, consubstanciada no voto condutor do eminente Conselheiro Tarásio Campelo Borges, o qual transcrevo, a seguir, na parte que interessa à solução da lide: “(...) Versa a lide, conforme relatado, sobre a exclusão da ora recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) exclusivamente motivada no exercício da prestação de serviços de manutenção de estações e redes de telefonia e comunicações , uma das atividades da sociedade empresária, cujo objeto social era, naquela ocasião: "prestação de serviços de telecomunicações e dados, representações e comércio de produtos de telefonia" . Aduz a ora recorrente que a prestação de serviços era uma das atividades do seu escopo societário e contesta a interpretação dada pela Secretaria da Receita Federal à vedação imposta pela Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 lei que instituiu o Simples. A efetiva atividade mercantil nos anos de 2000 a 2003 resta demonstrada nos documentos de folhas 38 a 43 e 67 a 72. Fazse mister, portanto, conhecer a exegese da vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, sem olvidar de dois importantes preceitos constitucionais: a limitação ao poder de tributar, imposta pelo artigo 150, inciso II, que veda a instituição da desigualdade tributária; e o princípio geral da atividade econômica enunciado no artigo 179." Para facilitar o raciocínio, trago à baila trechos das normas jurídicas mencionadas no parágrafo imediatamente precedente: "Lei 9.317, de 1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de [.3, engenheiro, [..], ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Constituição Federal: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e crediticias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de leL Admitir que o inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, equipara todas as pessoas jurídicas que têm entre suas atividades a prestação de serviços de telecomunicações e dados aos serviços profissionais do engenheiro e veda àquelas a possibilidade de optar pelo Simples, é outorgar à lei ordinária hierarquia superior à Carta Magna, porquanto essa interpretação contradiz tanto o artigo 150, inciso II, quanto o artigo 179 supra transcritos. Digo isso porque da leitura integrada que faço dos citados dispositivos constitucionais, entendo prescrito tratamento diferenciado tanto para as microempresas quanto 411 para as empresas de pequeno porte, reservada à lei a definição de microempresa e de empresa de pequeno porte, visto que o próprio texto constitucional veda expressamente a possibilidade de instituição da desigualdade entre contribuintes de situação equivalente. Logo, concluo que a vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.007590/200322 Acórdão n.º 9101001.146 CSRFT1 Fl. 6 9 agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Por outro lado, entendo pertinente a vedação nos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no inciso XIII do artigo 9°. No caso concreto, a constituição da pessoa jurídica por empreendedores que agregam meios de produção para explorar determinada atividade econômica é fato comprovado. (…) ” Diante de tão bem fundamentadas razões, que adoto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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