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Numero do processo: 35415.000026/2006-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE.
É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material "ab initio" Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak- OAB/ SP nº13.8192
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material "ab initio" Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak OAB/ SP nº13.8192 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 00 26 /2 00 6- 64 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 533 3 Relatório Com início em 31/03/2005 e término em 20/12/2005, a junta fiscal composta por 3 Auditores, definida no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09230037 às fls. 45, concluiu a ação fiscal na forma do Relatório de fls. 51. Aduz que no sobredito Relatório o crédito em comento fora constituído em razão de se observarem : “ Diferenças de contribuições a cargo da empresa destinadas á Seguridade Social e destinadas a Terceiros incidentes sobre a remuneração de empregados pelo fornecimento de veículos” Nos itens 3.1 a 3.8, reproduzidos na íntegra com grifos de minha autoria, a Junta Fiscal registra todos demais detalhes que motivaram o lançamento: “ DÉBITO PREVIDENCIÁRIO 3.1 Tratase de débito previdenciário lançado, contra a empresa acima identificada, referente às diferenças de contribuições a cargo da empresa destinadas à Seguridade Social contribuição da empresa na qualidade de empregador e contribuição da empresa para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa e destinadas às Entidades e Fundos (Terceiros), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. 3.2 0 valor do débito previdenciário é de R$ 2.237.763,48 (dois milhões, duzentos e trinta e sete mil, setecentos e sessenta e três reais e quarenta e oito centavos) consolidado em 19/12/2005, abrangendo o período de 07/2000 a 09/2005. 3.3 0 débito previdenciário tem por base em pagamentos efetuados a segurados empregados. 3.4 Os pagamentos e ou créditos mensais efetuados a segurados empregados no período de 01/2000 a 09/2005 a titulo de disponibilização pela empresa de veículos blindados para a diretoria e veículos convencionais para alguns funcionários da alta administração. Os funcionários trabalham no escritório, não sendo, desta forma, os veículos fundamentais para o desenvolvimento de suas atividades. 3.5 Este beneficio concedido por liberalidade deve ser oferecido tributação previdenciária em face de legislação não dispor sobre a isenção fiscal pelo fornecimento de veículos a empregados. Lançamos o crédito previdenciário pelo valor das depreciações mensais dos veículos. 3.6 Em planilha anexa detalhamos os valores mensais das depreciações. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3.7 Não foram incluídos no presente levantamento os gastos com veículos oferecidos a empregados que exerçam atividades em que o uso do carro é imprescindível. 3.8 A ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias citadas acima foram constatadas durante auditoria de diagnóstico.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa interpôs impugnação de fls 120, na qual alega, em síntese, que: a) o crédito previdenciário relativo ao período de janeiro a novembro de 2000 já se encontrava, abrangido pela decadência a que alude o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional; b) em momento algum o auditor fiscal notificante aponta quais são os critérios que o levaram a considerar as atividades cujo "uso do carro é imprescindível" e as atividades cuja utilização do veiculo seria "prescindível", bem como não aponta quais são os funcionários em relação aos quais o fornecimento de veiculo foi considerado verba salarial, o que caracteriza absoluto cerceamento do direito de defesa do impugnante; c) os vícios apontados no item anterior caracterizam inobservância do disposto no art. 9° do Decreto n° 70.235/72, da qual resulta a falta de liquidez e de exigibilidade do crédito lançado; d) a depreciação é a diminuição do valor dos bens corpóreos que integram o patrimônio de alguém, em decorrência de desgaste ou perda de utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolescência, além de ser um fenômeno ligado A propriedade, razões pelas quais não pode ela (a depreciação) servir de critério para apurar o crédito tributário; e) desta forma, a eleição dos valores de depreciação dos veículos, como de cálculo das contribuições exigidas, além de não encontrar amparo na legislação, não vem acompanhada da necessária motivação, o que também constitui um vicio do procedimento fiscal; f) de todo modo, o fornecimento de veículos não tem, no caso, natureza salarial, seja porque eles são utilizados para deslocamento "residênciatrabalho", seja porque, mesmo quando utilizados de forma particular, a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho afasta aquela natureza; g) é totalmente desprovida de fundamento a exigência da contribuição ao INCRA, uma vez que a Lei n° 7.787/89, no § 1° de seu art. 3°, suprimiu as contribuições incidentes sobre a folha de salários destinadas ao PRORURAL, com o que restaram extintas as contribuições àquela autarquia e ao FUNRURAL, previstas no inciso II do art. 15 da Lei Complementar n° 11/71; DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.522, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas (SP) DRJ/CPS, em 18 de julho de 2008, exarou o Acórdão n° 0522.425 , decidindo por Fl. 535DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 534 5 unanimidade de votos, em ANULAR o lançamento, extinguindose o crédito constituído sem julgamento de mérito. DO RECURSO DE OFÍCIO Com base no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 631972, c/c o inciso I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, e o art. 1° da Portaria n° 03, de 312008, do Ministro de Estado da Fazenda , a instância a quo recorreu de oficio da decisão que tomara. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não constam nos autos que a Recorrente tenha interposto Recurso Voluntário. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não consta nos autos que a empresa tenha interposto Recurso Voluntário. Aduz que o Recurso de Ofício reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DAS DILIGÊNCIAS Às fls. 375, solicitaramse diligência onde no item 2 se exigia atentar para o fato de a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal seria capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte, verbis: “ 2. Lembrando que, no lançamento fiscal, a motivação é a demonstração, nos autos, dos fundamentos fáticos e jurídicos da exigência, sendo a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte e que o processo administrativo, como espécie de procedimento em contraditório, exige reabertura de prazo para a audição da outra parte, na seguinte forma” Às fls. 396, uma segunda diligência, reiterando as observações que se fizeram na primeira, registrou que : “ Não constam nos autos os segurados beneficiados com os veículos disponibilizados pela empresa; b. A contribuição referente a segurados foi calculada utilizando se a alíquota mínima de oito por cento, sem levar em consideração o valor recolhido pelo empregado e a aplicação da tabela de contribuição mensal; 2. Em relação à diligência anterior, tratada no despacho de fls. 375/376, fazse necessária a juntada dos seguintes documentos: a. Telas do Girafa Siscol referentes ao Relatório Coresp e Vínculos; b. MPFC 0923003703; 3. Lembrando que, no lançamento fiscal, a motivação é a demonstração, nos autos, dos fundamentos fáticos e jurídicos Fl. 537DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 535 7 da exigência, sendo a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte e que o processo administrativo, como espécie de procedimento ” ( grifos de minha autoria) Analisando o econômico Relatório Fiscal de fls. 51, contraposto às alegações do Contribuinte efetuadas em sede de impugnação, a instância a quo requereu as sobreditas diligências cujos resultados foram criticados às fls. 526 pelo Julgador a quo nos seguintes termos: “ Enfim, do conjunto de vícios acima apontados os quais, salientese, restaram não saneados em qualquer das duas diligencias requeridas ” Às fls. 170, o Contribuinte colacionou documento denominado TERMO DE RESPONSABILIDADE PELO USO DE VEICULO onde os usuários concordam e declaram que o veiculo é ferramenta de trabalho e seu uso é vedado para fins particulares ou desvinculados de suas funções contratuais e, ainda, que o veiculo é de utilização exclusiva do funcionário, não sendo autorizado seu empréstimo para familiares e/ou terceiros : “Declaro, ainda, ter conhecimento e concordar com a Política de Concessão de Veículos, da qual este Termo é parte integrante, tendo ciência expressa de que o veiculo é ferramenta de trabalho e seu uso é vedado para fins particulares ou desvinculados de minhas funções contratuais. Autorizo expressamente meu empregador a descontar de minha remuneração e de minhas verbas rescisórias quaisquer valores correspondentes a danos causados ao veiculo que me foi confiado, ou a terceiros, e que decorram de dolo, imperícia, imprudência ou negligência e aqueles causados pel o. uso em desconformidade com a referida Política, incluindo os montantes referentes a multas por infração de trânsito. UTILIZAÇÃO DO VEÍCULO O veiculo é de utilização exclusiva do funcionário, não sendo autorizado seu empréstimo para familiares e/ou terceiros.” DO VALOR DA DEPRECIAÇÃO DOS VEÍCULOS COMO BASE DE CÁLCULO No item 3.5 do Relatório Fiscal de fls. 51 , a Junta Fiscal registra que o crédito previdenciário foi constituído pelo valor das depreciações mensais dos veículos: 3.5 Este beneficio concedido por liberalidade deve ser oferecido tributação previdenciária em face de legislação não dispor sobre a isenção fiscal pelo fornecimento de veículos a empregados. Lançamos o crédito previdenciário pelo valor das depreciações mensais dos veículos. Por depreciação podese entender como sendo o custo ( na produção ) ou a despesa decorrentes do desgaste ou da obsolescência dos ativos imobilizados (máquinas, Fl. 538DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 veículos, móveis, imóveis e instalações) da empresa. Ao longo do tempo, com a obsolescência natural ou desgaste com uso na produção, os ativos vão perdendo valor, essa perda de valor é apropriada pela contabilidade periodicamente até que esse ativo tenha valor reduzido a zero. Tratandose os veículos de bens que compõem o ativo imobilizado do contribuinte e que sequer sofreram transferência de propriedade para os empregados as depreciações havidas não podem de modo algum constituir pagamento indireto para formar critério para apurar o crédito tributário. Isto posto não há como anuir o procedimento. DO VOTO “AD QUOD” Na condução do voto aquo, o i. Julgador assim se manifestou: “Não pode este Colegiado abstrairse dos vícios de natureza formal a seguir enumerados, os quais, pela sua gravidade, são passíveis de acarretar a nulidade do lançamento. 1°) Da ausência de identificação dos trabalhadores Conforme ressaltado pela impugnante, a fiscalização não identifica, em momento algum, os trabalhadores que fizeram uso de veículos de propriedade da empresa e foram, por tal motivo, contemplados no lançamento. Neste aspecto, o relatório fiscal limitase à afirmação de que se tratam de membros da diretoria e "alguns funcionários da alta administração", que trabalham no escritório e em relação aos quais os veículos não são fundamentais para o desenvolvimento das respectivas atividades. 2°) Da não aplicação das faixas de saláriosdecontribuição e do limite estabelecidos, respectivamente, no art. 20 e no § 5° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 Da não especificação dos trabalhadores cujo salárioutilidade foi utilizado como base de cálculo na NFLD decorreu, naturalmente, a não aplicação das alíquotas previstas no art. 20 da lei de custeio, segundo a faixa de salário de contribuição mensal de cada um deles, bem como do limite máximo referido no § 5° do art. 28 do mesmo diploma. A esse respeito, os agentes do Fisco limitamse a dizer, no item 4.1 de seu relatório, que "a contribuição dos segurados foi calculada pela alíquota mínima", sem apontar as razões pelas quais este procedimento de exceção foi adotado. Com o intuito de sanear este vicio, é emitido o TIAD de fls. 398, em que, segundo vimos, a impugnante é intimada a apresentar "planilha onde constem os empregados beneficiados com os veículos disponibilizados pela empresa, com salários e respectivas retenções para a previdencia ...". Todavia, o AFRFB que subscreve o despacho de fls. 516 diz somente que: Supõese que os valores que constam nessa planilha sejam as que figuram na contabilidade da empresa (mais especificamente na conta de depreciação de veículos), mas, além disto não poder ficar apenas suposto nos autos ao contrário, era imperioso que se o dissesse explicitamente, acrescentamos que não é Fl. 539DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 536 9 informado se os mesmos valores correspondem a depreciação mensal da totalidade dos veículos da empresa, ou somente dos cedidos aos empregados que deles não tinham necessidade para exercer as suas atividades laborativas (...) Enfim, do conjunto de vícios acima apontados — os quais, salientese, restaram não saneados em qualquer das duas diligencias requeridas ” Corroborando as razões do “decisium” a quo, inclusive a ementa, por economia processual, descabe expor arrazoado sinônimo para ao final meramente anuir àquelas bem estruturadas motivações. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso de Ofício, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando a nulidade do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "ab initio. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.902490/2008-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do Fato Gerador: 30/04/2001
PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação - PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação não-homologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901577/2008-25), com observância da decisão definitiva nele proferida.
Numero da decisão: 1802-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação - PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação não-homologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901577/2008-25), com observância da decisão definitiva nele proferida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901577/200825), com observância da decisão definitiva nele proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 24 90 /2 00 8- 75 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, fl.49, que a seguir transcrevo: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 130313.79481.311003.1.3.045012, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ Data de Arrecadação : 30/04/2001 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 251.513,01 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 251.513,01 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 251.513,01 O crédito teria origem no DARF recolhido em 30/04/2001, de IRPJ (código 2362), no valor de R$ 484.822,34. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 07, n° de rastreamento 757785945, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 251.513,01. Analisando as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pleiteado. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação pleiteada." A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 05/05/2008, conforme AR, fls. 06. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 04/06/2008, fls.09/12, alegando: para efeitos da compensação realizada, atualizou o crédito tributário disponível, com base na evolução da taxa SELIC, até a data do efetivo vencimento dos débitos fiscais compensados. todavia, a administração fazendária resolveu incluir encargos moratórios sobre os débitos fiscais, objeto da compensação realizada, não obstante a existência de recursos mais do que Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 3 3 suficientes, na época da apresentação do pedido, quitação dos tributos. não concorda que sejam cobrados encargos moratórios sobre tributas liquidados, em tempo hábil, com créditos disponíveis a seu favor, na data da compensação efetivada. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 1237.361 de 20 de maio de 2011 (fls.48/51). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2001 COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO PARCIAL ENCARGOS MORATÓRIOS DO DÉBITO DATA DE VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Cientificada da mencionada decisão em 15/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 13/10/2011, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade perante a DRJ, portanto, desnecessário repeti los. Finalmente requer provimento do recuso voluntário para que se dê a integral compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço por lhe faltar requisitos de admissibilidade como será visto adiante. O litígio do presente processo se apresenta com a Manifestação de Inconformidade (fls.09/12), interposta em face do Despacho Decisório (fl.07) vinculado ao processo nº 15374.901577/200825 no qual constatouse a procedência do crédito pretendido no valor de R$ R$ 251.513,01 informado no PER/DCOMP nº 130313.79481.311003.1.3.045012. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 débitos informados no PER/DCOMP, a autoridade administrativa HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação declarada. O contribuinte, nos presentes autos, contesta a cobrança do débito, em que restou não homologada a compensação no valor de R$ 53.870,27 e acréscimos legais, conforme detalhado às fls.39/40. A Instrução Normativa RFB nº 900/2008 ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe: (...) Art. 37. O sujeito passivo será cientificado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 66. (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais ... Art. 55. Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: I debitará o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo respectivo; II creditará o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo e dos respectivos acréscimos e encargos legais, quando devidos; III registrará a compensação nos sistemas de informação da RFB que contenham informações relativas a pagamentos e compensações. IV certificará, se for o caso: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; e V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 4 5 remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício. (...) Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º O disposto neste artigo não se aplica à compensação de contribuição previdenciária. § 2º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. § 3º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. (...) (G.N) Portanto, cabe a manifestação de inconformidade e o recurso a ser obedecido o rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. Desse modo, no processo nº 15374.901577/200825, em que analisado o crédito, foi proferido o Despacho Decisório (fl.07) que resultou na homologação parcial da compensação declarada no PER/DCOMP nº 130313.79481.311003.1.3.045012, ficando o sujeito passivo CIENTIFICADO desse despacho e INTIMADO a, no prazo de 30(trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Vêse que, o processo de cobrança de que tratam os presentes autos indica os fatos e os elementos de comprovação que lastrearam o processo nº 15374.901577/200825, inclusive a manifestação de inconformidade de fls.09/12, traz em epígrafe o número do mencionado processo. Nesse passo, depreendese que o processo nº 15374.901577/200825 em que se discutiu o crédito e a compensação do débito objeto do PER/DCOMP em comento, é principal (apreciado primeiro) e o presente processo é dele decorrente. Portanto, o objeto desse é o resultado (reflexo) daquele outro. Sobre procedimentos conexos, assim dispõe o § 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72: Art. 9o (...) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (G.N) Assim, dada a íntima relação entre o processo principal e o dele decorrente, devem os presentes autos ser juntados ao processo nº 15374.901577/200825 a fim de que não sejam proferidas decisões contraditórias, no que tange à compensação nãohomologada versada nos mesmos processos. A teor da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, acima transcrita, concluise por inadmissível que o processo nº 15374.901577/200825 trate da análise do PER/DCOMP com decisão pela homologação parcial submetida ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, e o processo de cobrança do saldo devedor resultante da nãohomologação seja novamente submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, o que significa dizer que a mesma matéria seria duplamente discutida nas instâncias administrativas, sem que haja qualquer previsão normativa. Com efeito, no presente processo administrativo cuja essência é exclusivamente de cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação homologada parcialmente. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER da cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo nº 15374.901577/200825, com observância da decisão definitiva nele proferida. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11080.731763/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011
MULTA DUPLICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE
Demonstrado que o contribuinte, sistematicamente, creditava-se de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, sem contestação por este, caracterizada está a fraude.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011 MULTA DUPLICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE Demonstrado que o contribuinte, sistematicamente, creditava-se de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, sem contestação por este, caracterizada está a fraude. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 93 1 92 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.731763/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.027 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria IPI/MULTA Recorrente SULGRÁFICA EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011 MULTA DUPLICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE Demonstrado que o contribuinte, sistematicamente, creditavase de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, sem contestação por este, caracterizada está a fraude. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 17 63 /2 01 2- 11 Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 94 2 Tratase de recurso voluntário interposto por SULGRÁFICA EMBALAGENS LTDA. contra Acórdão nº 1041.902, de 17 de dezembro de 2012 (de fls. 1029 a 1035), proferido pela 3ª Turma da DRJ/POA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Tratase de impugnação ao lançamento de fls. 956/982, o qual tem por objeto a cobrança de IPI, com fundamento na glosa de créditos básicos indevidos (de 31/01/2008 a 31/12/2011) e cobrança da diferença entre o declarado e recolhido em relação ao saldo devedor apurado e o escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI (LAIPI) (de 31/03/2009 a 31/05/2009), com acréscimo de juros moratórios e multa de 150 %. O Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 983/995) motiva as duas infrações. Em relação aos créditos glosados, afirma o agente fiscal que no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2011 foram escriturados créditos de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento, conforme relação constante às fls. 984/985, onde consta o nº da NF emitida, data de emissão e o valor do crédito de IPI. Aduz que essas notas fiscais foram registradas no LAIPI e no Livro Registro de Entrada. No período de nov/2009 a jan/2010 os referidos créditos não foram registrados no Livro de Entrada. Esclarece a fiscalização, em sequência, que o contribuinte foi intimado, em 28/11/2011, a apresentar cópia das notas fiscais de entrada emitidas pelo estabelecimento, para fins de verificação da origem e base legal dos créditos. Em 20/12/2011 o contribuinte respondeu nos seguintes termos: “a base legal para a escrituração extemporânea dentro do prazo prescricional dos créditos de IPI relacionados, é relativa a insumos comprados e consumidos no processo de produção segundo ao princípio da não cumultatividade insculpido pela Constituição Federal do Brasil, como base também na jurisprudência do próprio CARF subordinado ao Ministério da Fazenda, nos acórdãos....entre outros”. Posteriormente, em 26/12/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de suporte para a escrituração dos créditos de IPI no ano de 2010, tendo aquele apresentado, em 14/02/2012, “planilha exemplificativa” (fl. 48 e segs.) contendo dados de notas fiscais de aquisições efetuadas pela empresa no período de janeiro/2005 a dez/2010, “totalizando créditos de IPI no valor de R$ 46.467,98”. Conclui o Fisco que “o contribuinte apresentou como origem para a escrituração de créditos de IPI no ano de 2010 no valor de R$ 1.024.412,36, planilhas exemplificativas com dados de notas fiscais de aquisições que totalizam créditos de IPI no valor de R$ 46.467,98”. Afirma a fiscalização que em análise da escrita contábil do autuado, constatou que nos períodos de 2008, 2009 e 2011 “também foram escriturados créditos de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento”, o que levou aquela a intimar o contribuinte para que apresentasse planilhas “com os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de base para escrituração de créditos de IPI no período de jan/2008 a dez/2011”. Averba o Fisco que “as planilhas apresentadas pelo contribuinte (312 pgs), contendo dados de notas fiscais de aquisições, totalizam créditos de IPI no valor de R$ 229.005,02”. Em análise dessas planilhas, constatou o agente fiscal autuante “que constam dados de notas fiscais de aquisições relativas a bens que não geram direito a créditos de IPI”. E exemplifica os bens adquiridos: “rolamentos, serra manual, lâmpada mista, filtro óleo, faca, correias, mangueira, tomada sobrepor, atilho, saco plástico, tomada, lavatório, fita isolante, tesoura, arruela, ...etc.”. Nesse ponto, a fiscalização sacou a primeira conclusão: Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 95 3 Portanto, o contribuinte apresentou como origem para a escrituração de créditos de IPI no período de jan/2008 a dez/2011 no valor de R$ 3.489.301,86, planilhas com dados de notas fiscais de aquisições que totalizam crédito de IPI no valor de R$ 275.473,00 (1ª planilha apresentada de R$ 46.467,98 + 2ª planilha apresentada de R$ 229.005,02). Nesta planilhas constam bens que não geram direito a créditos de IPI. Com base nesses fatos, foi lavrado Termo constando os mesmos, cujo teor leio em Sessão, cientificando o autuado de que se dados adicionais não fossem apresentados, seria adotado o seguinte procedimento. 13.1 – Todos os créditos extemporâneos de IPI, escriturados pelo contribuinte, correspondem a bens que não se caracterizam como matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, não gerando portanto direito a créditos de IPI. 13.2 – Para a maior parte do valor dos créditos extemporâneos de IPI, não foram atendidos os artigos 190 do RIPI/2002 e 251 do RIPI/2010. 13.3 – Os créditos extemporâneos de IPI foram escriturados sem base legal, resultando no estorno dos mesmos da escrita fiscal do contribuinte. A empresa não apresentou resposta a esse Termo de Intimação, datado de 25/07/2012. Assim, entendeu a fiscalização que o contribuinte não comprovou a origem dos créditos de IPI, escriturado no valor de R$ 3.489.301,86, tendo como base notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento ante o fato de que “não foram apresentadas pelo contribuinte as planilhas com os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de base para a escrituração dos créditos de IPI”, bem como “não apresentou as notas fiscais de aquisições que serviram de base para a escrituração dos créditos de IPI”. Diante disso, os “créditos” de IPI no valor de R$ 3.489.301,86 foram estornado pela fiscalização. A segunda infração constatada pela fiscalização foi que, no período 31/03/2009 a 31/05/2009, o imposto recolhido e declarado em DCTF o foi em valor inferior ao IPI devido apurado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração do IPI, conforme quadro à fl. 989. Intimado, em 11/07/2012, a esclarecer tais divergências, que totalizaram R$ 184.478,89, o contribuinte quedouse silente. Por fim, o autuante aplicou a multa a que alude o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a exasperação do § 1º daquele artigo, que determina que “o percentual de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Consignou o agente do Fisco que “as condutas descritas evidenciam a intenção do contribuinte em reduzir ao percentual aproximado de 10% do IPI devido...”, conforme tabela às fls. 991 e 992, onde o fiscal demonstra que a reiterada prática de se creditar de valores de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo estabelecimento autuado, reduziu o valor do IPI declarado em DCTF e recolhido a valores em torno de 10 % do que deveria ter sido recolhido sem essa prática, considerando os estornos perpetrados. O mesmo é demonstrado em relação à outra infração, quando os valores declarados em DCTF e recolhidos foram exatamente 10 % do IPI apurado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração do IPI, conforme o quadro de fl. 992. Não resignado com o lançamento, foi o mesmo impugnado (fls. 999/1004) exclusivamente em relação à exasperação da multa, sendo admitida a ocorrência das infrações narradas naquele. Ao analisar o teor do art. 72 da Lei 4.502, a impugnante faz leitura da norma no sentido de que ela “visa atingir somente as infrações relacionadas com o fato gerador da obrigação principal dos tributos” e que no caso do IPI “tal norma visa abarcar as infrações relacionadas com as saídas de produtos industrializados ou Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 96 4 importados do estabelecimento industrial ou importador, o que não ocorre no caso dos fatos descritos no Auto de Infração supramencionado”. Entende que a norma não se subsume aos fatos narrados no lançamento, uma vez que “as infrações cometidas pela impugnante não afetaram o fato gerador da obrigação principal do ...IPI”. Assevera que “as infrações cometidas pela Impugnante não se enquadram no conceito de fraude”, pugnando que a “sanção adequada para suas infrações é a que está prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que é de 75%”, sob o fundamento de que em matéria tributária, nos termos do art. 112, IV, do CTN, “a autoridade fiscal deve aplicar a penalidade menos gravosa ao contribuinte”. Consigna que o art. 112, IV, do CTN “tem como fonte os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, expresso no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal”. Finaliza averbando “que o enquadramento pela Fiscalização das infrações cometidas pela Impugnante como fraude é inaplicável, porque a norma que trata do preceito tributário de fraude não se enquadra aos fatos descritos”, pelo que requer “o reconhecimento da aplicação da sanção prevista no artigo 44, inciso I, da Lei supramencionada, que trata da multa de 75 % (setenta e cinco por cento)”. É o relatório. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte, considerando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011 MULTA DUPLICADA ANTE À OCORRÊNCIA DE FRAUDE Provado, e sequer contestado, que o contribuinte, sistematicamente, creditava se de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, caracterizada está a fraude no sentido de evitar ou diferir o pagamento do IPI. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE. A multa aplicada pelo Fisco decorre de previsão legal vigente e eficaz, descabendo ao agente fiscal perquirir se o percentual escolhido pelo legislador é exacerbado ou não. Para que se afira a natureza confiscatória da multa ou se ela afronta a capacidade contributiva do contribuinte, é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que não têm os órgãos administrativos julgadores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da referida decisão, por decurso de prazo de 15 dis a contar da disponibilizarão através da Caixa Postal, Módulo eCAC do site da Receita Federal em 02/01/2013, conforme fl. 1040, a interessada, em 30/01/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 1042 1053, onde se insurge contra o lançamento. Voto Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 97 5 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Das preliminares Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 02/01/2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 30/01/2013. Da multa Consta da peça de defesa da empresa que cuidase de discussão sobre o percentual da multa aplicada, pois a autoridade fazendária aplicou a de 150%, enquanto a recorrente entende que o correto seria a multa no patamar de 75 %, alegando que os fatos não se subsumemse ao descrito na norma legal que trata da definição de fraude (art. 72 da Lei 4.502/64). Aduz a recorrente que a sanção aplicada pela autoridade fazendária e corroborada pela DRJ/POÁ para as infrações cometidas é inadequada porque os fatos não se enquadram ao descrito na norma jurídica, haja vista que o art. 72 da lei 4.502/64 – in verbis: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou diferir o seu pagamento.” Entende a recorrente que tratase de uma norma, de natureza sancionatória de exceção, que deve ser interpretada e aplicada de forma estrita, ou seja, circunscrita a situações e conduta que inequivocadamente, se enquadram na hipótese legal, reduzindose ao máximo as avaliações subjetivas que possam cercar a hipótese material da conduta. O que, no que tange ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o fato gerador da obrigação principal se materializa com a saída de produtos industrializados ou importados do estabelecimento industrial ou do estabelecimento importador – não se lhes aplicando o dispositivo em questão. Insurge que, de acordo com as regras de hermenêutica, para que ocorra a incidência de norma jurídica sobre um caso concreto, todas as circunstâncias do caso concreto devem se refletir na norma jurídica (Lei), caso contrário a norma seria inaplicável ao caso concreto. Em síntese, com tais argumentações, pleiteia, considerando que as infrações em questão não se enquadram no conceito de fraude, a aplicação da multa de 75%, conforme reza o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Fundamenta seu pedido expondo que em matéria de infrações a legislação tributária, a autoridade fazendária deve aplicar a penalidade menos Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 98 6 gravosa ao contribuinte. Para tanto, frizase no art. 112, inciso IV, da Lei 5.172/66 – CTN, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) IV – a natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Importante trazer que a recorrente concorda ter praticado as infrações a si imputadas no auto de infração objeto deste processo administrativo fiscal, não trazendo defesa para tanto no recurso voluntário ora apresentado. Sendo assim, após descrever sinteticamente suas argumentações, depreendendose da análise do processo e das planilhas e demonstrações trazidas à fiscalização, entendo não assistir razão à recorrente – o que concordo integralmente com o entendimento exarado pela DRJ – o qual passo a transcrever parte do voto: “(...) Não prosperam as alegações da recorrente. A um porque o agente do Fisco, nos termos do art. 142, vinculase à Lei. Portanto, já neste ponto afasta se a aplicação do art. 112, IV, do CTN, pois esta norma só incidiria se não houvesse outra que, às claras, determinasse a aplicação de uma penalidade específica. O § 1º do artigo 44 da Lei 9.430, vincula o agente, restando a este o ônus de demonstrar em que artigo (71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64) o agir do contribuinte se subsume, o que foi feito e não contestado quanto aos fatos narrados. De outro turno, faz leitura incompleta do artigo 72 da lei 4.502, uma vez entender que esta norma só alcançaria o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a saída do produto industrializado do estabelecimento fabril, no seu caso. Não são esses os termos da referida norma, em seu todo, pois alem de frisar que “fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal” ela prossegue com “ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. Ora, cediço que um fato é a incidência da norma impositiva do IPI e outro o cálculo do valor a ser pago, que no caso desse imposto é mais complexo, pois em atenção aos preceitos constitucionais e legais, isso se faz com base em conta gráfica, com a confrontação entre seus débitos pela ocorrência do fato gerador do IPI e seus créditos passíveis, nos termos legais e regulamentares, de escrituração. Para o contribuinte, o art. 72 da 4.502, só incidiria quando ele fraudasse a ocorrência do fato gerador, diminuindo o débito do imposto calculado na saída do produto industrializado. Contudo, para ele, quando a fraude de se dá, como in casu, do que não há dissenso, no lado dos créditos ou se o valor declarado em DCTF e recolhido for inferior ao apurado no LAIPI, de fraude não se trataria, ao menos nos termos daquele artigo. Com a devida vênia, o legislador teve ótica mais abrangente, fazendo incidir o mencionado art. 72 da 4.502 não somente em relação à burla na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, seja pela forma que for, mas, igualmente, a faz incidir quando essa fraude tivesse por mote “reduzir o montante do imposto devido...”. E foi isso que, sistematicamente, a defendente fez, quer “criando” créditos inverossímeis, cuja glosa não discute, quer apurando um valor a pagar na escrita fiscal do IPI, mas declarando ao Fisco em DCTF e recolhendo valores a menor. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 99 7 O auditor fiscal demonstrou às escâncaras essa atitude fraudulenta com o evidente dolo, elemento subjetivo do tipo, de reduzir o montante do imposto devido, ação abarcada pelo teor do art. 72 da 4.502. Na hipótese do valor declarado e recolhido a menor nos períodos exacionados (março, abril e maio de 2009), o quadro da fl. 992 demonstra que o valor recolhido foi de 10% do valor escriturado e devido. A mesma tendência se dá quanto aos créditos glosados, conforme demonstrado pela fiscalização na motivação da duplicação da multa às fls. 991/992, quando os valores recolhidos, considerando os créditos “criados” pela empresa a partir de notas fiscais próprias de entrada ( sem qualquer lastro documental da efetiva compra de mercadorias), representam de 9 a 75% (com a moda em 10%) do total do IPI devido. Com base nesses fatos incontestes, é evidente a ação dolosa, premeditada, da recorrente no sentido de pagar menos imposto do que o devido, usando os meios fraudulentos já relatados.” Da Conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 11020.003640/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Period° de apuração: 01101/2005 a 31/03/2005
CRÉDITOS DE 1CMS VINCULADOS As RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA.
A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa.
Somente a partir de 1º de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE.
Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado deverá ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Verissimo de Sena e Nanci Gama.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Period° de apuração: 01101/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS DE 1CMS VINCULADOS As RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa. Somente a partir de 1º de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição. COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado deverá ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação. Recurso Voluntário Negado.
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MF rl. S3-C112 ri 95 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11020.003640/2005-72 Recurso n° 265.055 Voluntário Acórdão n° 3102-00.790 — 1° Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria COFINS - COMPENSAÇÃO Recorrente RAM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Period° de apuração: 01101/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS DE 1CMS VINCULADOS As RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa. Somente a partir de 1 0 de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição. COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado deverá ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passive l de compensação. Recurso Voluntário Negado. Aseinado dicilL.slinente ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/12/2010 poi LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Autenticado ciigitelmente ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Env ein 24/12/2010 peto lani:;tario do Fazcncla F I. 2 DF CARE ME Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntasio . Vencidas as Conselheiras Beatriz Verissimo de Sena e Nanci Gama, (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 17/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Verissimo de Sena, Jose Fernandes do Nascimento, L onardo Mussi da Silva e Nanci Gama. e R L Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Interessada visando a reforma do Acórdão n° 10-17.247, de 25 de setembro de 2008 (fls. 73/74v), proferido pelos membros da 2°1 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ/POA), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apurafilo. 01/03/2005 a 31/03/2005 CESSÃO DE ICMS - INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E CORNS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COF INS. Rest/Ress Indeferido Comp no homologada Por meio do presente processo, a Interessada informou a compensação do sido remanescente dos créditos da Cofins Exportação do 10 trimestre de 2005, discriminado nós Pedidos de Ressarcimento de fls, 02/05, com débitos do IRPJ e da CSLL, discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fis, 01, 16 e 21/24. Ao analisar o pleito em tela, por intermédio do Parecer de fls. 27/31, a autoridade fiscal da Uniadade da Receita Federal de origem informou que, após análise da cicumentação apresentada e dos dados extraídos dos sistemas de comércio exterior administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFE1), chegou a conclusão que os valores dos créditos pleiteados pela Recorrente estavam corretos, entretanto, como os valores das receitas de transferências de créditos de ICMS, auferidas no período, não compuseram a base cálculo da Contribuição, opinou pela glosa da parcela dos créditos equivalentes aos débitos a recolher relativos a tais receitas. Por sua vez, acantando as conclusões exaradas no referido Parecer, em 11/08/2008, a autoridade da Unidade da RFB de origem, por delegação de competência, Assinado dproferiu iiespachD.ecisórioudeLEf1s 3)1. moonhecendo;1:parcialmente;i ,o1rdireito; creditório ERRA DE CASTRO Autent1OOdo tiJiijitaimente em 17i11 , 2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 Emitido em 29/12/2010 petotOlnistrid do Fazenda latdrio OP CARP MF Fl. 3 Processou' 11020 003640/2005-72 S3-C11 2 Ac6rd5o n *3102-00.790 Fl 96 pleiteado e homologando as compensações declaradas, até o limite do valor do crédito reconhecido. Em 22/08/200S, a Interessada foi cientificada, por via postal (fl. 40), dos referidos Parecer e Despacho Decisório, bem como da Carta Cobrança de fls. , exigindo-lhe a parcela dos débitos, cuja compensação não foi homologada, por insuficiência de valor de crédito. Descontente, ern 03/09/2008, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 41/51, aduzindo as razões defesa que foram assim resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, ipsis litteris: Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação . Admite, para fins de argumentação, que 5e de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportagdo e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos creditas e de sua transferencia para terceiros doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa Sobreveio o Acórdão recorrido, em que, os membros da Turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, mantiveram o indeferimento da parcela do crédito não reconhecida e, em decorrência, a não homologação dos débitos compensados, com base nos seguintes argumentos: a) a cessão dos direitos de ICMS para terceiros era uma receita do cedente (contribuinte), independente de haver lucro ou prejuízo com a operação ,juridica/contibil; b) o fato gerador da Coflns é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pala pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; c) o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica; d) o negócio jurídico em tela não se enquadrava em nenhuma de exclusão da base de cálculo, prevista na legislação, para a referida Contribuição; e e) a cessão de créditos do ICMS não era uma operação de exportação de mercadorias ou serviços, como alegara a Interessada, logo, não estaria albergada por qualquer imunidade ou isenção em favor das exportações. Em 2111012008, a Recorrente foi cientificada, por via postal (fl. 79), do referido Acórdão e da Carta Cobrança de fls. 77/78. Inconformada, em 11/11/2008 (fl. 81), interpôs o Recurso Voluntário de fls. 81/91, reafirmando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e requerendo integral provimento do presente Recurso . Aazinacio talmentaom 17/11r2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/1212010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Amen:lc:ado rf gifatmente ern 1711112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 3 Enslido im 2011712010 pet° MmIsverio Faz(!nda Dr CA RF El. 4 F Ern cumprimento ao despacho de fl. 94 (ultima numerada), os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Ern cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria NW n°256, de 22 de junho de 2009, na Sessão de maio do cor rente ano, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este ConseIheiro. E o relatório. V to Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competancia deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo do pedido de ressarcimento do saldo remanescente do créditos da Cofins dos meses de janeiro a marco de 2005 (1° trimestre de 2005), que fora utilizado na compensação dos débitos do IRPJ e da CSLL, discriminados nas DComp de fls. OI T 16 e 21/24. }Id noticia nos autos de que o valor do crédito pleiteado corresponderia ao saldo remanescente dos créditos da Cofins — Exportação, decorrentes dos insumos vinculados reeeita de exportação auferida no citado trimestre. A presente compensação foi realizada sob a égide do inciso II do § 1 0, combinado com o § 3°, ambos do art. 6° da Lei n° 10,833, de 29 de dezembro de 2003, a seguir reproduzidos: "Art 6' A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de, I - exportação de mercadorias para o exterior ; II - prestação de serviços para pessoa fisica ou jut idica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10 865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora corn o fim eipecifico de exportação § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa juridica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3e, pare fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado infer no; compensação corn débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. sr 2' A pessoa jurídica que, até afinal de cada trimestre do ano civil, não conseguir utili:ar o crédito por qualquer das formas Assinado diglialmente em 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASC1tvIEN1C) 02 7 1212010 por LUIS MARCELO GLI ERRA DE CAFRO Autenticado ti gilalmente cm 17111/2010 co/ JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Einitido em 20/12/2010 pia Wistaria da Fazerda 4 M F Fl 5 DF CARF Processo n° 11020 003640/2005-72 S3-C1T2 AcOrdilo ri ° 3102-00.790 PI 97 previstas no .s; 1° poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislavao especifica aplicável a matéria. § 3 0 disposto nos §§ 12 e 2e aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados receita de exportavao, observado o disposto nos §§ 82- e 95 do art. ) (grilos não originals) Na data da formalização do procedimento compensatório em tela, a legislação especifica que disciplinava o assunto, a que alude o dispositivo legal transcrito, era o art, 21 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, com a redação e os acréscimos da Instrução Normativa RFB 563, de 23 de agosto de 2005. Segundo o Parecer de fls. 58/62, os valores dos créditos apurados no período estavam corretos, porém, os valores dos débitos a recolher não foram corretamente determinados, posto que a Interessada não incluiu na base de calulo da dita Contribuinção os valores das receitas referentes A alienação dos créditos do ICMS. Em decorrência, foram apurados novos valores da Cotins a pagar, os quais foram deduzidos do valor do saldo remanescente do crédito pleiteado. Por sua vez, o titular da Unidade da Receita Federal de origem, acatando as conclus6es apresentadas no mencionado Parecer, decidiu manter a glosa parcial do saldo remanescente do crédito pleiteado, com base no entendimento de que o valor da receita obtida na alienação dos créditos do ICMS integrava a base de cálculo da citada Contribuição. Os membros da Turma julgadora de primeiro grau, com base no mesmo entendimento, também mantiveram a glosa parcial do valor do saldo remanescentes do crédito pleiteado pela Recorrente. Com base no exposto, fica demonstrado que o cerne da presente controvérsia consiste em saber se os valores das receitas decorrentes das vendas dos créditos do ICMS comptiem ou não base de cálculo da Cotins não-cumulativa e, caso afirmativo, se os débitos a recolher concernentes A tais receitas devem ser deduzidos do valor do crédito vinculado a receita exportação, para fins de apuração do saldo remanescente passive] de compensação, conforme procedimento adotado pela autoridade fiscal da Unidade de origem. Da alienação de créditos de 1CMS: receita atípica. Antes de analisar se valor obtido na venda de créditos de ICMS integra ou não a base de cálculo da Cams não-cumulativa, entendo pertinente que seja deslindada a natureza da operação de alienação dos créditos de ICMS provenientes das vendas ao exterior. Segundo a Recorrente, tais valores não integrariam a base cálculo da referida Contribuição porque não se tratava de receita, mas de mera operação patrimonial. Não procede a alegação da Recorrente. Do ponto de vista contábil, toda opera* que altera quantitativa ou qualitativamente o patrimônio da pessoa jurídica (ou da entidade contábil, segundo os contabilistas) tem natureza patrimonial e deve ser registrada na contabide. Assinado ern /z li u 1 1/ ad por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE C.:f\STRO AtilenaJo digilzIlmento ern 17i 1 ii2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 5 ErnItiOz., sin 291i2/2010 polo Iviii-slolOsio do r ozards DP CARP MF FL 6 O que caracteriza uma operação como receita é a presença do ingresso de numerário (venda a vista) ou de um de um crédito (venda a prazo) no ativo da empresa, proveniente da alienação de um bem ou direito integrante do seu ativo circulante, realizável a longo prazo ou permanente, ou da prestação de serviço. Neste sentido, é a definição apresentada no inciso I do § 3° do art. 9° da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750, de 1993, que disptie sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC), que tem o seguinte teor, in verbis: Ar t 9° As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuravao do resultado do per iodo em que ocorrerem, sempre simullaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. ) § 3° As receitas consideram-se realizadas. I — nas transag'des com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, que, pela investidura na prop, iedade de bens anterior mente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruicao de seivicos por esta prestados; ) Por sua vez, o subitem 2.6.3 da Resolução do Conselho Federal de C ntabilidade n° 774, de 1994, que aprovou o apêndice à Resolução CPC n° 750, de 1993, es larece o conteúdo e abrangência da definição de receita apresentada no referido inciso I do § 30 do art. 9°, com a seguinte dicção, ipsis litteris: 2 6 3 — Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momenta em que Irá a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazê-lo num pre= qualquer. Normahnente, a transactio é formalizada mediante a emissao de nota fiscal on documento equivalente, em que consta a quantificação e aformalização do valor de venda, pressupostamente o valor de ruem cada da coisa ou do serviço ) Com explicaçães, fica devidamente esclarecido que a venda a terceiros dos créditos de ICMS, um direito integrante do ativo circulante da contribuinte, mediante a emissão de nota fiscal, apresenta todas as características de receita da pessoa jurídica vendedora. Da definição do fato gerador da Cofins não-cumulativa: receita em geral. 0 fato gerador da Cofins, com a incidência não-cumulativa, encontra-se definido no capuz' e § 1 0 do art, 1° da Lei n° 10.833, de 2003, nos seguintes termos, verbis: Art. 1 2 A Contribuicao para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência ,,o-cunndativa, tem como fato gerador frgliqvinetUo pjepsa, (its,rim entendfdo o total das Asoinado dip! almonto em 17/111.010 pur JoSL FLrinurelur.S Licj NA.SUlivrEN i 0..IT -12/20 por Wit; [vim:CUD GU ERRA DE C/iSTRO Autenticado clioitalmente cm 71112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Ernitido em 29/1212010 polo Ministéria da Fazontlz M F Processo n° 11020 003640/2005-72 Acórdaon °3102-00.790 I . 7 S3-C112 Fl 98 DF CARP receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § / a Para efeito da disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas opera em coma própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurldica ( ) (grifos não originais). De acordo os referidos preceitos legais, integram o fato gerador da Contribuição em apreço todas as receitas auferidas pela pessoa juridica, incluindo as receitas decorrentes da atividade principal ou típica (o faturamento ou receita bruta), bem como a da atividade atípica (as receitas não operacionais e operacionais esporádicas). A receita auferida na alienação dos créditos do ICY'S, originados de insumos vinculados is receitas de exportação, conforme o disposto no inciso II do §1 ° do art. 25 1 da Lei Complementar n 9 87, de 13 de setembro de 1996, com a redação dada pela Lei Complementar no 102, de 11 de julho de 2000, em sendo uma receita atípica, integra o fato gerador da mencionada Contribuição. Da exclusão da base cálculo da Corms não-cumulativa: fatos geradores até 31 de dezembro de 2008. Os tipos de receitas que não integravam a base de calculo da Contribuição em destaque, no período em que ocorreram os fatos geradores dos créditos objeto do presente pleito, constavam taxativamente discriminados no § 3 0 do art, 1° da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. l‘z ,...,.,... (. ) § 2' A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput § Não Integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas a al/quota 0 (zero); - nilo-operacionais, decorrente.s da venda de ativo permanente; "Art. 25. Para efeito de aplicaçflo do disposto no art. 24, os débitos e creditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensando-se os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. § 1° Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operWes e prestaçOes de que tratam o incise 11 do art. 3° e seu paragrafo único podem ser, na proporção que estas saldas representem do total das saidas realizadas pelo estabelecimento: 1- imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II - havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão nela autoriclude c,omnetente de document° que 'emit= o crédito Assinci oo digi cimenta ern ifilli2Ulu per ttiNANuEs rvASCImEN I L.) 02/12h:o1u per Lurs MARQL...Lb Gu ERRA DE Cf STIR° Autenticado digitalmente cm 1711112010 par -JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 7 Emitido em 20/12,2010 pale hilniteria do Fazenda OF CA RI' H 8 auferidas pela pessoa jur idica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a cant, ibuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV - de venda dos produtos de que tratam as Leis n" 9 990, de 21 de firth° de 2000, 10. 147, de 21 de dezembro dg 2000, 10 485, de 3 de julho de 2002, e 10 560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas ci incidência monofásica da contribuição; V- referentes a. a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) revetsões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do pan inrônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (grifos não originais) Da leitura do transcrito preceito legal, não se encontra qualquer menção receita proveniente da alienação dos créditos de 1CMS, o que conduz a conclusão de que esse tipo de receita não se encontrava contemplado no rol taxativo contido no transcrito parágrafo 3° Assim, fica demonstrado que, por falta de previsão legal, o referenciado tipo del receita integra a base de cálculo da Cotins não-cumulativa. Cabe ressaltar ainda que, para fins de incidência da refer ida Contribuição, a origem dos referidos créditos torna-se irrelevante. Com efeito, o que é determinante, no caso presente, é que a alienação ocorreu no mercado interno e gerou uma receita que, conforme definido em lei, integra a base de calculo da referida Contribuição. 0 fato de os referidos créditos estarem vinculados as receitas de exportação, que gozam de imunidade da Contribuição em apreço (art. 149, § 2°, 1, da CF/88), em nada al era o regime tributário atinente as receitas decorrentes da alienação dos citados créditos. Portanto, não procede a alegação da Recorrente de que a imunidade da receita e portação seria extensível a receita decorrente das vendas dos citados créditos. Não é demais ressaltar que, em se tratando de norma de natureza excepcional, por força do exposto no art. 150, § 5 0, da CF/88, a exclusão da receita auferida na alienação de créditos [CMS do campo incidência ou da base de calculo da Contribuição em apreço somente poderia ser efetivada mediante disposição legal expressa, veiculada em lei especifica. Dessa forma, demonstrado que na data do fato gerador não havia previsão legal para tal exclusão, a contrario sensii, é de se concluir que, no citado trimestre, a dita r ceita integrava a base de cálculo da Cofins não-cumulativa. Da previsão legal da exclusão da receita da venda de créditos do ICMS di base da Cofins: efeitos prospectivos. 0 art. 17 da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, deu nova redação ao art. 1° Assioad04 , .irtR.,iredrPt0,17idg 3902)saSIPP,999t.g. PJ9K991V,71,,a, PN.)Yts.-492491V$.:Ou..§.:413MarkaARARFalculd da ERRA OE CASTRO Auienticada ritilatmentr.". ern 17/112010 f-,c,r JOSE FERNAINIDES DO I1ASCIMENTO Ernaido eat 291 1212010 pele Mintstério da Fazenda Cofins não-cumulativa as receitas decorrentes de transferencia de créditos de 1CMS originados de operações de exportação, nos termos a seguir reproduzido: Art. 17. Os arts. 2R, 3", 10, 58-J e 58-0 da Lei na 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. .§ 3 R • - VI - decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e huermunicipal e de Comunicação - 'CMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do ,¢ J do art 25 da Lei Complementar n°87, de 13 de setembro de 1996." A referida norma não se aplica ao caso em tela, haja vista que os seus efeitos passaram ser produzidos somente a partir de 1 0 de janeiro de 2009, conforme expressamente determinado na alínea "d" do inciso I do art. 33 da referida Lei, a seguir reproduzida: Art, 33 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos I - a partir de I' de janeiro de 2009, em relação ao disposto: d) no art 17, relativamente ao inciso I/1 do s5 32 do art la e ao art. 58-J da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; ( A inclusão do novel inciso, acompanhado de previsão expressa de produção de efeitos apenas para os fatos geradores ocorridos a partir 1 0 de janeiro de 2009, vem ratificar o acerto das conclusões precedentemente apresentadas, no sentido de que, até 31 de dezembro de 2008, as receitas obtidas na venda dos citados créditos de ICMS comporiam a base de cálculo da Cofins não-cumulativa. Do direito de compensação do saldo remanescente dos créditos da Cofins Exportação. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no período (mês ou trimestre), o saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o P1S/Pasep, referente a custos, despesas e encargos vinculados its receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, vencidos ou vincendos, referente aos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Neste sentido dispõe os incisos I e o § 5° do art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB 563, de 2005, a seguir transcrito: Assinado ii9i aline:Me ern 1:1 /11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/1212010 por LUIS MARCELO GlJ ERRA DE C/ STRO AineritFcado r iglialinente ern 1711 I/2010 or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 9 Ernitido ern 2011212010 pelt: M ■ disi&io da Fazencia DE CARE ME Process+) if 11020 00364012005-72 Ac6rd5o n° 3102-00,790 El. 9 S3-Cl'r2 Fl 99 I. I 0 MF Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Colitis apurados na forma do ai:, 32 das Leis n2 s 10637, de 30 de dezembto de 2002, e 10833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribidOes, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuiçães de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes. (Redação dada pela IN SRP 563, de 23/08/2005) I - de custos, despesas e encargos vinculados its receitas decorrentes das operaçães de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa finca ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; ) § 52 Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Colins a que se refere o inciso I do capia, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do ano-calendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art, 26 (grifos não originais). Em consonfincia com o disposto no referido dispositivo legal, previamente utilização na compensação, o contribuinte deve deduzir do valor total do crédito do período, relacionado com as receitas de exportação, o valor total da contribuição a recolher, apurada no respectivo período, referente As demais receitas tributadas no mercado interno Assim, somente o saldo remanescente dos créditos da Cofins, vinculados as operações de exportação, apurado após a dedução da valor a recolher da respectiva Contribuição, sera passível de compensação, Logo, eventual diferença a maior do valor da contribuição a recolher, apurada em procedimento de fiscalização, deve ser previamente deduzida do saldo dos créditos originados das operações de exportação, para fins de determinação do saldo remanescente passível de compensação. Em decorrência, somente no caso inexistência ou insuficiente de saldo remanescente, seria cabível lançamento de oficio do valor total ou da parcela no deduzida, conforme o caso. No presente caso, o valor do direito creditório, reconhecido pela autoridade fi cal da Unidade de origem, foi determinado tendo em conta o valor do crédito utilizado na compensação, após a dedução do valor do débito recolher, apurado na fase de análise do presente procedimento compensatório. No caso presente, evidentemente, não houve necessidade de lançamento, haja vista que o valor total do débito suplementar a recolher foi inferior ao valor do saldo re' anescente do credito utilizado na compensação em tela. Cabe esclarecer ainda que, no caso em tela, a realização do lançamento, além d contrariar orientação expressa no § 5° do art. 21 da instrução Normativa SRF n°460, de 2003, com a nova redação, agravaria a situação da Recorrente, imputando-lhe elevado ônus A.53irocio dfinanceiro,, umai2vez que déhit supJementarIt5eriaacrescidt deLn1ulta 14aSoflçio de 75% ERRA DE CASTRO AutentIcado cligitalmento ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 10 Ei em 20/12/201D palQ hrlinistério do Fezencla , DE CAR P DE CARP' Processo n° 11020 003640/2005-72 S3-C I T2 Acórchlo n ° 3/f/2-01790 F1 100 (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, ao passo que o valor originário do saldo remanescente do crédito compensado (forma de ressarcimento crédito escritural), por falta de previsão legal, não teria nenhum acréscimo legal. Assim, fica demonstrado que a glosa parcial do crédito em questão foi realizada em consonância com a legislação tributiria ern vigor, por conseguinte, não merece reparo o Acórdão o recorrido. Da conclusão. Ern face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na Integra o Acórdão recorrido. Sala das SessÉlies, em 27 de outubro de 2010, (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Assinado ditititatments il:tn 17/1112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/1212010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Aulenticado digitalmente ern I 711 1 ,2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emitido em 29112/2010 pelo Moisterio da Fazerda 11
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Numero do processo: 11080.720482/2010-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 04 82 /2 01 0- 71 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.196, julgado na sessão de 04 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), referente ao processo administrativo n° 11080.720482/201071, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde 4 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, 6 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda; ” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900032/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
PIS. Calculo. Isonomia com Instituições Financeiras. Impossibilidade.
A base de cálculo eleita pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.718/98 (faturamento) encontra seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea b, da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, descabendo-se a pretensão de transformar o PIS em tributo sobre resultado.
Ademais, as exclusões previstas para as instituições financeiras estão afinadas com a tipicidade da atividade. Ainda que assim não o fosse, a pretensão de alterar a base de cálculo prevista em lei em razão da aplicação do princípio constitucional da isonomia esbarraria na restrição imposta pelo art. 62 do RICARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida, Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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Calculo. Isonomia com Instituições Financeiras. Impossibilidade. A base de cálculo eleita pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.718/98 (faturamento) encontra seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea ‘b’, da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, descabendose a pretensão de transformar o PIS em tributo sobre resultado. Ademais, as exclusões previstas para as instituições financeiras estão afinadas com a tipicidade da atividade. Ainda que assim não o fosse, a pretensão de alterar a base de cálculo prevista em lei em razão da aplicação do princípio constitucional da isonomia esbarraria na restrição imposta pelo art. 62 do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida, Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 00 32 /2 00 8- 14 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 0628.231, de 15/09/2010, da 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: Trata o processo de manifestação de inconformidade (fls. 08/23), apresentada em 25/03/2008, em face da nãohomologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 25213.84901.130906.1.7.043927 (que retificou o Per/Dcomp nº 18003.63304.111103.1.3.046800) nos termos do despacho decisório emitido em 14/02/2008 pela DRF em Ponta Grossa/PR (cópia à fl. 06). Segundo o despacho decisório, cientificado em 28/02/2008 (fl. 07), a compensação não foi homologada porque o crédito indicado (pagamento de PIS de R$ 774,73) encontravase totalmente utilizado, não restando crédito disponível para os fins desejados. Na manifestação a contribuinte disserta sobre o crédito pleiteado, ressaltando que decorre de diferença de tratamento tributário em relação às instituições financeiras (ressalta que se deve estender o benefício concedido às instituições financeiras, de modo que as mesmas deduções de base de cálculo da Cofins e do PIS sejam passíveis de aplicação para as demais pessoas jurídicas). Esclarece que vem recolhendo a contribuição sem as exclusões a que tem direito, não restando dúvidas acerca do direito ao crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior. Juntamente com a manifestação, a interessada apresentou cópias de documentos societários (fls. 24/25). Às fls. 01/05, cópia do Per/Dcomp apresentado em 13/09/2006. À fl. 27, extrato de consulta ao sistema de controle de arrecadação federal. Após delimitar a matéria impugnada, a 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba/PR, através do acórdão já referenciado, negou provimento à manifestação de inconformidade pelas motivações bem retratadas na ementa do referido julgamento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 56 3 Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. PIS. CÁLCULO. ISONOMIA COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Nos termos da legislação de regência, a contribuição devida a título de PIS pelas pessoas jurídicas de direito privado deve ser calculada com base no faturamento, assim, o pleito para observância do princípio da isonomia em relação à forma de cálculo aplicável às instituições financeiras, não pode ser atendido.. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado, o contribuinte manejou competente recurso voluntário, pelo qual seguiu a linha da defesa de que suas despesas operacionais podem ser deduzidas da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, tomando como paradigma as exclusões que são asseguradas às instituições financeiras pela mesma lei de regência das referidas contribuições. E concluiu, finalmente, que o tratamento desigual em relação aos demais contribuintes viria configurar comportamento vedado pelo art. 150, inciso II, da Constituição Federal de 1988. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório, em essência. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo voto lido em sessão, que foi acompanhado pela unanimidade dos presentes: Estando preenchidos os pressupostos de admissibilidade recursal e sendo o tema afeto à competência da 3a. Seção do CARF, dele tomo conhecimento. Em princípio, devese delimitar o cerne da controvérsia do recurso em exame. Neste particular, apressome a observar que inexiste qualquer pendência fática a ser resolvida, sendo o exame proposto eminentemente de direito. Mais especificamente, pretende a recorrente assegurar o recolhimento da contribuição ao PIS e da Cofins sobre o lucro bruto, ou seja, deduzindo todas as suas despesas operacionais da sua receita bruta. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 57 4 Sob o ponto de vista constitucional, devese chamar a atenção que a base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, embora pudesse ter como signo de riqueza tributável o lucro, foi definida pelo art. 3o da Lei n º 9.718/1998 como o faturamento. Tal definição encontra fundamento de validade na alínea ‘b’, do inciso I, do art. 195 da Carta Magna. Destaquese que a discussão história sobre da amplitude da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, cujo Supremo Tribunal Federal, reiteradamente, já reconheceu a impropriedade do alargamento da base, sob os auspícios da Lei n º 9.718/98, para além da receita operacional do contribuinte, não encontra eco nos autos. A pretensão do recorrente, por sua vez, vai bem além. Pretende transformar o tributo sobre faturamento em exação sobre o lucro, o que, como demonstramos, incompatibilizase com a base definida no art. 3o da Lei n º 9.718/98 (receita operacional), cujo fundamento de validade esta no art. 195, I, ‘b’, da CF/88. De outro giro, quanto à tentativa de legitimar sua pretensão nas exclusões prescritas na mesma Lei n º 9.718/98 para as instituições financeiras, além de entendermos que as previstas para tais atividades estão atreladas as suas respectivas particularidades do negócio desenvolvido pelas mesmas (de igual modo, por exemplo, como seria insensato imaginar em exclusão de valores referentes à vendas canceladas e descontos incondicionais para instituições financeiras), admitilas sob o argumento de ferir a norma do art. 150, inciso II, da CF/88 iria de encontro a restrição constante do art. 62 do Regimento Interno do CARF, assim vazado: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Isto posto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913508/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 35 08 /2 00 9- 68 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 13/01/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência maio de 2003, com débitos de CSLL referentes ao 4º trimestre de 2005, no valor total de R$ 3.979,41. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2003.41532969 de 14/08/2003 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 03.98.97.56.66. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913508/200968 Acórdão n.º 3803004.640 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913508/200968 Acórdão n.º 3803004.640 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11128.005993/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 12/05/2006
TRANSPORTADOR. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE.
Apurado o extravio de mercadoria em procedimento regular de vistoria aduaneira, , na forma e condições que prescreve o regulamento, cabe ao responsável - transportador ou seu representante no território nacional,-indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3101-001.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo E Eu, Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida DRJ/SÃO PAULOSP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/05/2006 TRANSPORTADOR. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE. Apurado o extravio de mercadoria em procedimento regular de vistoria aduaneira, , na forma e condições que prescreve o regulamento, cabe ao responsável transportador ou seu representante no território nacional, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo E Eu, Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 59 93 /2 00 6- 90 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 209 2 Relatório Tratase de exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos em virtude de extravio, formalizada após vistoria aduaneira que identificou o extravio/perda da mercadoria importada, a qual foi atribuída responsabilidade ao Recorrente por ser representante, no país, do transportador estrangeiro. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 08/12/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 112.167,10, em face dos fatos a seguir descritos. • O importador CORREIAS MERCÚRIO S/A solicitou vistoria aduaneira através do Processo Administrativo No. 11128.003361/200691, para a realização de conferência física em 50 caixas, amparadas pelo conhecimento de carga (B/L) No. SEASAN1106W01, para verificação de avaria e/ou extravio visando a apuração de responsabilidade tributária; • No ato de vistoria, a comissão constituída, constatou o extravio de parte da mercadoria importada, 50 caixas soltas, PRENSA – MAQUINA PARA PRODUÇÃO DE CORREIAS, conforme DAAF — Demonstrativo de Apuração de Avarias e/ou Falta de mercadoria estrangeira (folhas 34); • Foi apurada a falta de 07 (sete) caixas, referente a 06 (seis) colunas de dimensões de 5310 x 3860 mm em aço carbono e uma base medindo 5000 x 400 mm; • O Laudo de Assistência Técnica EQLAP No. 1692/2006 revelou que os itens faltantes são essenciais na linha de produção; • No ato de Vistoria o transportador apresentou protesto marítimo, sob a alegação de que foram surpreendidos com o mar extremamente violento; • Intimado o transportador marítimo a apresentar plano de carga do navio com descrição detalhada da localização das mercadorias amparadas pelo conhecimento de carga em questão, relatório de danos, escalas previstas até o Porto de Santos, limitouse a apresentar cópia do protesto marítimo; • A valoração das mercadorias teve por base a fatura comercial No. FMBR —0501; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 03/10/2006 (fls. 126verso), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 09/10/2006, de fls. 127 à 135, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 210 3 a) Preliminarmente, alega sua ilegitimidade passiva "ad causam" por não estar vinculado ao fato gerador da obrigação tributária, seja como contribuinte, seja como responsável; b) Tal exação é atacada pele entendimento esposado na Súmula n° 192 do extinto TFR e demais entendimentos jurisprudenciais; c) Nos termos do artigo 60 do Decreto Lei 37/66 e do artigo 591 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02 é atribuída a responsabilidade a quem der causa a avaria. No caso em questão, o impugnante não teve nenhuma contribuição nas operações de carga e durante a operação marítima quando o navio enfrentou mau tempo. Logo, não há como cogitar qualquer responsabilidade; d) A questão é de responsabilidade civil extracontratual; e) Ninguém pode ser responsabilizado por presunção ou culpa presumida, nos termos do artigo 186 do Código Civil; f) Transcreve trechos do protesto marítimo para alegar a excludente de responsabilidade por força de caso fortuito ou força maior; Pugna a IMPROCEDÊNCIA do lançamento. Este é o Relatório. Diante dessas alegações apresentadas em sua impugnação, o Recorrente requereu a procedência da impugnação, que, sob apreciação da autoridade julgadora de primeira instância, proferiu decisão mantendo a autuação, cuja ementa está transcrita nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOli Data do fato gerador: 12/05/2006 Falta de recolhimento do Imposto de Importação ocorreu em razão da falta de mercadoria apurada pela Comissão de Vistoria. A lógica arquitetada pelo legislador foi de apurar a responsabilidade pela avaria da mercadoria dentro do elo TRANSPORTADOR OPERADOR DEPOSITÁRIO, que são os agentes que atuam junto à importação da mercadoria. Dada a lógica empreendida pelo legislador, a ausência de carga foi apurada enquanto o container estava sob a responsabilidade do impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os argumentos trazidos na impugnação. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 211 4 Sob apreciação desta Turma , o julgamento foi convertido em diligência {a repartição de origem com as seguintes considerações e providências: Como no presente caso a perda das mercadorias se deu durante seu transporte marítimo, em razão de uma tempestade enfrentada pelo navio, o depositário no momento do extravio era o Comandante da embarcação, na qual apresentou em Juízo a competente RATIFICAÇÃO DE PROTESTO MARÍTIMO, o qual foi devidamente homologado por sentença judicial. Para bem instruir o feito, converto o julgamento em diligência à repartição de origem para providencie a juntada aos autos de cópia integral do processo judicial – Ratificação e Protesto Marítimo, processo n° 562.01.2006.0172617/000000000, a fim de que se possa ter conhecimento do deslinde daquele feito. Concluída a diligência, intimese a Recorrente para, querendo, manifestese no prazo de 30 (trinta) dias, sendo que esgotado o prazo, retorne o feito para apreciação desta Turma. Tendo sido infrutífera a diligência, pautei o processo para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Tratase de Recurso Voluntário, no qual o Recorrente se insurge contra a exigência do Imposto de Importação, PIS importação e COFINS importação exigidos devido ao extravio de mercadorias importadas, por entender ilegítima a atribuição de responsabilidade à Agente Marítimo, bem como pelo fato de estar amparado pelas excludentes de responsabilidade – caso fortuito e força maior. Inicialmente, entendo que, a partir da eterna Medida Provisória nº 2.158 35/2001, que alterou a redação dos artigos 31 e 32 do DecretoLei nº 37/66, a dúvida em relação à atribuição da sujeição passiva na pessoa agente marítimo representante do transportador, foi resolvida. Aliás, a Recorrente compareceu ao procedimento de Vistoria Aduaneira (fls. 34) como representante do Transportador/Armador, do Operador Portuário, do Emissor do BL Máster, sem contestar. Não há elementos probatórios nos autos de que o representante do transportador (ou responsável pelo transporte) seja outra pessoa que não a Recorrente. Para deslinde de causa, resta fundamental tecer algumas considerações, a começar pelo conceito de extravio regulamentado pelo art. 580 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002 – vigente à época dos fatos): Art. 580. Para os fins deste Decreto, considerase (Decretolei nº 37, de 1966, art. 60): Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 212 5 I avaria, qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou o seu envoltório; II extravio, toda e qualquer falta de mercadoria; e III acréscimo, qualquer excesso de volume ou de mercadoria, em relação à quantidade registrada em manifesto ou em declaração de efeito equivalente. Parágrafo único. Será considerada total a avaria que acarrete a descaracterização da mercadoria. Ocorrida uma destas hipóteses, realizadase a vistoria aduaneira, que tem por finalidade “verificar a ocorrência de avaria ou extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível” (art. 580 do Regulamento Aduaneiro de 2002), vistoria esta realizada em 06/06/2006 com a devida ciência dos interessados – fls. 34/37. Ademais, prescreve o art. 583 do Regulamento Aduaneiro/2002: Art. 583. Cabe ao depositário, logo após a descarga de volume avariado, ou constatação de extravio, registrar a ocorrência em termo próprio, disponibilizado para manifestação do transportador, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Como no presente caso a perda das mercadorias se deu durante seu transporte marítimo, em razão de uma tempestade enfrentada pelo navio, o depositário no momento do extravio era o Comandante da embarcação, na qual apresentou em Juízo a competente RATIFICAÇÃO DE PROTESTO MARÍTIMO, o qual foi devidamente homologado por sentença judicial. Assim, diante das informações prestadas pelos interessados, foi atribuída à Recorrente responsabilidade tributária pelas mercadorias extraviadas, conforme o art. 591 e seguintes do RA/2002: Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei nº 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). O fato de ter sido providenciada a ratificação do protesto marítimo junto ao Juízo da Comarca de Santos não exclui da Recorrente a responsabilidade pelo extravio. A responsabilidade atribuída pela lei decorre da presunção legal de que aquele que recebe a coisa em depósito ou transporte tem o dever de zelar pela coisa e restituir da forma como recebeu. Nesse pressuposto, e considerando que o controle aduaneiro se faz para garantir a soberania nacional, evitando que mercadorias ditas extraviads ingressem irregularmente no território nacional, é que o DecretoLei nº 37/66, previu a responsabilização Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.005993/200690 Acórdão n.º 3101001.376 S3C1T1 Fl. 213 6 daquele que, diante do dever de guarda de bens sob controle aduaneiro, “indenize” a Fazenda pelos tributos que não foram recolhidos em decorrência de avaria ou extravio1. Impende ressaltar, aliás que o extravio não constou do protesto do manifesto, sendo que sua divergência com o extravio ocorrido não exclui a responsabilidade. Aliás não considerado o extravio no protesto marítimo, ratifica a dúvida em relação à destinação dos bens: se sumiram em alto mar ou se sumiram quando da descarga do navio, antes da transferência ao depositário ou importador, o que confirma a aplicação da presunção legal que motiva a previsão legal do art. Do DL 37/66. O argumento de intempéries, atualmente, não pode ser considerado como força maior, uma vez que, como bem destacado no fundamento do lançamento, não configuram fato imprevisível, inevitável ou estranho às atividades desenvolvidas pela transportadora marítima, sendo não apenas possível, como exigível, a adoção de medidas, por parte do transportador, aptas a eliminar os previsíveis danos delas decorrentes. Note‐se que, apenas parte da carga foi perdida, de modo que a intempérie pode ter colaborado para a perda, mas não pode ser considerada isoladamente, haja vista que a maior parte das cargas mantevese ilesa. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo 1 Digno de nota que a partir da lei 12.350/2010, o instituto da indenização foi substituída pela responsabilidade pelos impostos, mediante lançamento de ofício. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721771/2009-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. INDÍCIOS DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE DELEGAÇÃO DA ELABORAÇÃO DA DIRPF A TERCEIROS NÃO COMPROVADA. NADA A DEFERIR.
Havendo evidentes indícios de fraude, quando o contribuinte faz declaração retificadora passado longo tempo da apresentação da declaração original, em razão da qual passa a fazer jus a restituição em valor elevado, não o socorre a alegação genérica de que foi iludido por profissional de contabilidade que teria elaborado a retificadora, sem fazer acompanhar suas alegações de quaisquer provas.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PEDIDO DE DEDUÇÃO DE DESPESAS RELATIVAS A PLANO DE SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR. IMPOSSIBILIDADE.
Tendo sido apurado o montante tributável com a devida consideração de despesas que o Contribuinte alega não terem sido observadas, é de se manter o lançamento de ofício.
MULTAS E JUROS. PEDIDO DE EXCLUSÃO POR INCAPACIDADE DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO PELO CARF DE EXAÇÕES PREVISTAS EM LEI.
Também não socorre o contribuinte pedidos de exclusão de multas ou juros, na medida em que os mesmos tem fundamento legal, não cabendo a este CARF questionar sua legalidade. Sendo matéria de execução do crédito tributário a capacidade pagadora do contribuinte.
IRREDUTIBILIDADE SALARIAL E IMPOSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO DE VALORES RECEBIDOS DE BOA-FÉ PELO SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LIAME LÓGICO COM A HIPÓTESE DOS AUTOS.
Nenhuma relação guarda com os presentes autos a alegação de violação ao princípio de irredutibilidade de salário ou da não repetição de valores de teor alimentar recebidos de boa-fé. A uma porque presentes fortes indícios de fraude, não há que se falar em boa-fé, a duas porque o presente administrativo nenhuma relação guarda, por óbvio, com qualquer pretensão de redução dos vencimentos recebidos pelo contribuinte em razão de seu trabalho.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL JÁ DEDUZIDA DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO, NADA HAVENDO A PLEITEAR NESTE PARTICULAR.
Quanto aos valores relativos a contribuições à previdência oficial, já foram os mesmos objeto de dedução, nada havendo a pleitear quanto a tal aspecto.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente).
Carlos André Ribas de Mello Relator.
EDITADO EM: 19/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. INDÍCIOS DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE DELEGAÇÃO DA ELABORAÇÃO DA DIRPF A TERCEIROS NÃO COMPROVADA. NADA A DEFERIR. Havendo evidentes indícios de fraude, quando o contribuinte faz declaração retificadora passado longo tempo da apresentação da declaração original, em razão da qual passa a fazer jus a restituição em valor elevado, não o socorre a alegação genérica de que foi iludido por profissional de contabilidade que teria elaborado a retificadora, sem fazer acompanhar suas alegações de quaisquer provas. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PEDIDO DE DEDUÇÃO DE DESPESAS RELATIVAS A PLANO DE SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR. IMPOSSIBILIDADE. Tendo sido apurado o montante tributável com a devida consideração de despesas que o Contribuinte alega não terem sido observadas, é de se manter o lançamento de ofício. MULTAS E JUROS. PEDIDO DE EXCLUSÃO POR INCAPACIDADE DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO PELO CARF DE EXAÇÕES PREVISTAS EM LEI. Também não socorre o contribuinte pedidos de exclusão de multas ou juros, na medida em que os mesmos tem fundamento legal, não cabendo a este CARF questionar sua legalidade. Sendo matéria de execução do crédito tributário a capacidade pagadora do contribuinte. IRREDUTIBILIDADE SALARIAL E IMPOSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO DE VALORES RECEBIDOS DE BOA-FÉ PELO SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LIAME LÓGICO COM A HIPÓTESE DOS AUTOS. Nenhuma relação guarda com os presentes autos a alegação de violação ao princípio de irredutibilidade de salário ou da não repetição de valores de teor alimentar recebidos de boa-fé. A uma porque presentes fortes indícios de fraude, não há que se falar em boa-fé, a duas porque o presente administrativo nenhuma relação guarda, por óbvio, com qualquer pretensão de redução dos vencimentos recebidos pelo contribuinte em razão de seu trabalho. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL JÁ DEDUZIDA DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO, NADA HAVENDO A PLEITEAR NESTE PARTICULAR. Quanto aos valores relativos a contribuições à previdência oficial, já foram os mesmos objeto de dedução, nada havendo a pleitear quanto a tal aspecto. Recurso improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente). Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 19/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
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INDÍCIOS DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE DELEGAÇÃO DA ELABORAÇÃO DA DIRPF A TERCEIROS NÃO COMPROVADA. NADA A DEFERIR. Havendo evidentes indícios de fraude, quando o contribuinte faz declaração retificadora passado longo tempo da apresentação da declaração original, em razão da qual passa a fazer jus a restituição em valor elevado, não o socorre a alegação genérica de que foi iludido por profissional de contabilidade que teria elaborado a retificadora, sem fazer acompanhar suas alegações de quaisquer provas. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PEDIDO DE DEDUÇÃO DE DESPESAS RELATIVAS A PLANO DE SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR. IMPOSSIBILIDADE. Tendo sido apurado o montante tributável com a devida consideração de despesas que o Contribuinte alega não terem sido observadas, é de se manter o lançamento de ofício. MULTAS E JUROS. PEDIDO DE EXCLUSÃO POR INCAPACIDADE DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO PELO CARF DE EXAÇÕES PREVISTAS EM LEI. Também não socorre o contribuinte pedidos de exclusão de multas ou juros, na medida em que os mesmos tem fundamento legal, não cabendo a este CARF questionar sua legalidade. Sendo matéria de execução do crédito tributário a capacidade pagadora do contribuinte. IRREDUTIBILIDADE SALARIAL E IMPOSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO DE VALORES RECEBIDOS DE BOAFÉ PELO SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LIAME LÓGICO COM A HIPÓTESE DOS AUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 17 71 /2 00 9- 35 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Nenhuma relação guarda com os presentes autos a alegação de violação ao princípio de irredutibilidade de salário ou da não repetição de valores de teor alimentar recebidos de boafé. A uma porque presentes fortes indícios de fraude, não há que se falar em boafé, a duas porque o presente administrativo nenhuma relação guarda, por óbvio, com qualquer pretensão de redução dos vencimentos recebidos pelo contribuinte em razão de seu trabalho. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL JÁ DEDUZIDA DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO, NADA HAVENDO A PLEITEAR NESTE PARTICULAR. Quanto aos valores relativos a contribuições à previdência oficial, já foram os mesmos objeto de dedução, nada havendo a pleitear quanto a tal aspecto. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente). Carlos André Ribas de Mello – Relator. EDITADO EM: 19/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls.94 e ss.) lavrada em decorrência de revisão de Declaração de ajuste Anual do imposto de Renda referente aos Exercícios 2004 a 2008, Anos Calendário 2003 a 2007, em razão de supostas dedução indevida de previdência oficial, de dependente, de despesas médicas, de pensão judicial, de despesas de instrução e de previdência privada/FAPI. Incidiu multa isolada, no percentual de 150%, sobre o imposto suplementar apurado para o anocalendário 2003, por flagrantes indícios de fraude, nos termos do relatório de fiscalização de fls.109 e ss. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação de fls. 118 e ss., alegando, em síntese, que foi iludido por profissional de contabilidade que o procurou em seu local de trabalho e que apresentou, sem o seu conhecimento, DIRPF em nome do Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10280.721771/200935 Acórdão n.º 2802002.526 S2TE02 Fl. 176 3 contribuinte da qual constaram informações falsas, causandolhe prejuízo; que não agiu dolosamente, requerendo o cancelamento do débito fiscal. Em julgamento, a 2ª Turma da DRJ/BEL, em sessão realizada no dia 03/03/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, ao fundamento de que nos termos do artigo 135 do CTN, o preposto responde pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, mas que tal responsabilidade não exclui a do próprio contribuinte, havendo solidariedade, nos termos dos artigos 819 e 820 do RIR/99 e do artigo 1177 do Código Civil. Cientificado da supramencionada decisão, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 140 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ e repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e requerendo a não incidência de juros, de modo a viabilizar o pagamento da obrigação pelo contribuinte; que sejam deduzidos da base de cálculo do imposto devido o valor relativo a contribuições para o PSSS (Plano de Seguridade Social do Servidor), por consistir em bitributação o contrário proceder; que não se pode exigir a restituição de valores recebidos de boafé pelo servidor público; que a irredutibilidade de salário veda que se imponha ao contribuinte exação que implicará em redução significativa de seus vencimentos, ameaçando o sustento de seus familiares; que o imposto está sendo exigido à vista, quando seria direito do contribuinte o parcelamento; cita decisão judicial neste sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso deve ser recebido, por tempestivo. Nos presentes autos não há qualquer elemento de prova que indique ter o contribuinte, de fato, entregue a elaboração de sua DIRPF a contador. As discussões sobre a responsabilidade de tal profissional dependeriam da prova de ter a elaboração da DIRPF sido delegada ao mesmo pelo contribuinte. Também não socorre o contribuinte pedidos de exclusão de multas ou juros, na medida em que,a imposição dos mesmos possui fundamento legal, não cabendo a este CARF questionar sua legalidade. Outrossim, nenhuma relação guarda com os presentes autos a alegação de violação ao princípio de irredutibilidade de salário ou da não repetição de valores de teor alimentar recebidos de boafé. Seria de indagar como de um momento para o outro, pela graça de uma declaração retificadora, alguém recebe mais de dez mil reais em restituição de imposto de renda, sem indagarse como isso foi possível, se a declaração original apontava imposto devido. Diante de tal quadro, pretenderse alegar a boafé ou transferir para terceiros a responsabilidade revelase mesmo espantoso. O presente administrativo nenhuma relação guarda, por óbvio, com qualquer pretensão de redução dos vencimentos recebidos pelo contribuinte em razão de seu trabalho, mas apenas do fato de que parte deles deverá pelo mesmo ser desembolsado, após sua percepção, para fazer frente às obrigações para com o Fisco, como qualquer cidadão. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Questões relativas a capacidade de pagar débito, não cabem no escopo de presente administrativo, sendo matéria a ser enfrentada quando da execução da obrigação. Quanto aos valores relativos a contribuições à previdência oficial, já foram os mesmos objeto de dedução, nada havendo a pleitear neste particular. Isto posto, nego provimento ao recurso. Carlos André Ribas de Mello, Relator. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000118/2010-66
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO.NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, obedecendo o art. 142 do CTN. Inexistindo tais omissões, o lançamento não pode ser considerado nulo.
FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SENAR. NECESSIDADE DE EFETIVA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA.
As contribuições arrecadadas em favor do SENAR têm como hipótese de incidência prevista pela legislação operações de compra e venda de produtos rurais, logo a contribuição somente é devida nos casos em que há real realização de tal operação, como disciplinada pelos institutos do direito privado, não podendo ser considerada aplicada a analogia ou alteração do conteúdo e alcance para justificar a aplicação.
JUNTADA EXTEMPORÂNEAS DE PROVAS. VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material no processo administrativo, admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. Contudo, a parte deve apresentar as provas que alega pretender juntar.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de cancelar e declarar insubsistente os créditos tributários lançados com base nas notas fiscais que representam integralização de capital societário.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO.NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, obedecendo o art. 142 do CTN. Inexistindo tais omissões, o lançamento não pode ser considerado nulo. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SENAR. NECESSIDADE DE EFETIVA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. As contribuições arrecadadas em favor do SENAR têm como hipótese de incidência prevista pela legislação operações de compra e venda de produtos rurais, logo a contribuição somente é devida nos casos em que há real realização de tal operação, como disciplinada pelos institutos do direito privado, não podendo ser considerada aplicada a analogia ou alteração do conteúdo e alcance para justificar a aplicação. JUNTADA EXTEMPORÂNEAS DE PROVAS. VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material no processo administrativo, admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. Contudo, a parte deve apresentar as provas que alega pretender juntar. Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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Inexistindo tais omissões, o lançamento não pode ser considerado nulo. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SENAR. NECESSIDADE DE EFETIVA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. As contribuições arrecadadas em favor do SENAR têm como hipótese de incidência prevista pela legislação operações de compra e venda de produtos rurais, logo a contribuição somente é devida nos casos em que há real realização de tal operação, como disciplinada pelos institutos do direito privado, não podendo ser considerada aplicada a analogia ou alteração do conteúdo e alcance para justificar a aplicação. JUNTADA EXTEMPORÂNEAS DE PROVAS. VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material no processo administrativo, admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. Contudo, a parte deve apresentar as provas que alega pretender juntar. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 18 /2 01 0- 66 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 174 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de cancelar e declarar insubsistente os créditos tributários lançados com base nas notas fiscais que representam integralização de capital societário. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 175 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve crédito tributário de obrigação principal de contribuições ao SENAR sobre a comercialização de produtos rurais, com base em relação de notas fiscais fornecidas pela Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso do Sul, no período de 06.2006 a 12.2007 de forma intercalada. A consolidação do auto de infração foi em 03.05.2010, e cientificado em 07.05.2010. Em recurso voluntário, tempestivo, apenas recorre alegando nulidade do lançamento por não ter trazido os documentos que lhe teriam baseado (art. 9º e 10 do Dec. 70.235), falta de clareza da exposição dos motivos jurídicos e fáticos do lançamento, houve pagamento de contribuições questionadas, bem como algumas das notas fiscais não representam venda de produtos rurais, mas integralização de capital e transporte (remessa) de gado para leilão. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 176 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Das Preliminares. Quanto à preliminar de aplicação direta dos artigo 9º, do Decreto n. 70.235, devido ao objeto do lançamento contribuições às terceiras entidades (SENAR), efetivamente não pode ser acolhida, por determinação do § 6º, do mesmo artigo, incluso pela Lei n. 11941/2009. Em que ele exclui dos lançamentos de contribuições a terceiras entidades a juntada de todos os documentos e laudos que lhe deram origem. Contudo, coaduno com ao respeito à necessidade de respeito art. 10, do Decreto do 70.235, contudo, verificase que no auto houve esse atendimento, estando claro o lançamento, na medida do possível, inclusive com a impossibilidade da fiscalização em obter os documentos solicitados diretamente com a contribuinte, como efetivamente relatado. Mesmo assim, houve a relação de todas as notas fiscais que basearam o lançamento, bem como os mesmos foram confrontados com os livros apresentados pelos representantes da recorrente. Ou seja, não houve prejuízo à oportunização da defesa e contraditório, pois a parte teve conhecimento, pelo menos de forma essencial, tanto que o mérito foi bem tratado. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento por suposta impossibilidade da lavratura de autos de infração de créditos oriundos de obrigações principais e acessórias, a mesma gera espécie, pois as duas obrigações, ao contrário do Direito Civil, são expressamente de naturezas e hipóteses distintas. As primeiras dizem respeito à origem e satisfação do direito do Estado em obter receita com base de tributos, a segunda é justamente o direito do Estado em obter informações tributárias do contribuinte, tudo conforme disciplina o art. 113, do CTN, o qual estabelece a desvinculação entre as obrigações. Ainda, o art. 7º, 8º e 9º, do Decreto n. 70.235, é claro em permitir a fiscalização lançar créditos tributários de naturezas diversas desde que vinculados aos mesmos fatos geradores em um mesmo ato. Assim, deixo de acolher as preliminares de nulidade do lançamento. Do mérito. Neste caso, efetivamente há elementos que deveriam ter sido observados pelo órgão de julgamento de primeiro grau. Quanto às alegações de que houve pagamento das contribuições questionadas da competência de 06/2006, verificase que houve o pagamento conforme comprovado pela GPS (fls. 60 e 61), e a relação das notas fiscais de fls. 62, mas todos os valores foram pagos por empresa diversa(Iaco Agrícola S/A) à adquirente dos produtos (recorrente). O art. 3º da Lei nº 8.315/91, artigo 2º da Lei 8.540/92 e na Lei 9.528/97, com a redação dada pela Lei Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 177 5 10.256/2001, definem o fato gerador e o responsável pela retenção e recolhimento da contribuição. No caso, as vendas representadas pelas Notas Fiscais enumeradas foram realizadas em nome da compradora, não da vendedora. Logo, não há como realizar a apropriação, sem a efetiva retificação da GPS. Quanto à incidência da contribuição sobre as transferências de produtos a título de integralização de capital, devese atentar que a transferência para fins de integralização de capital social não se enquadra na hipótese de incidência da regramatríz tributária do tributo em questão. Observese que o art. 2o. da Lei n. 8.540/1992, estabelece que o fato gerador da contribuição é a comercialização do produto rural. No caso transferência de direitos de propriedade para fins de integralização de capital, na verdade não há uma efetiva comercialização, mas sim transferência de propriedade para fazer parte de um patrimônio que o titular será o próprio sujeito que transferiu, não constituindo em comercialização que é justamente a alteração da propriedade entre sujeitos e patrimônios distintos. Conforme o Código Civil, no art. 481,compra e venda ocorre quando “um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro”, no caso em tela houve a subscrição de quotas sociais, o que, salvo desconsideração do negócio jurídico na forma do art. 148, do CTN, não pode ser considerada como uma compra e venda, assim não se trata de comercialização, sob pena de desvituarse instituto do direito privado sem devida justificativa (art. 110 e 111 do CTN). A tentativa do lançamento de equiparação da integralização do capital, quando realizada com bens, com uma comercialização, com base no art. 10, da Lei 6404/1976, desvirtua o sentido e alcance do próprio dispositivo, pois a equiparação é somente quanto à responsabilidade pela qualidade e quantidade do bem, mas não a um contrato de compra e venda, pois não há comprador. Logo neste ponto, merece acolhida o recurso voluntário. Quanto à alegação de que parte das notas fiscais de remessa de gado para leilão ou coleta de sêmen que serviram como base do lançamento, não houve demonstração de que efetivamente tais notas fiscais tinham tal fim, pois as mesmas não foram juntadas, nem foi demonstrado que o gado retornou. Assim, tornamse insubsistentes as alegações da recorrente, por falta de elementos probatórios como oportunizado pelo art. 16, do Decreto 70.235. Isso posto, voto para conhecer recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, no sentido de cancelar e declarando insubsistente os créditos tributários lançados com base nas notas fiscais que representam integralização de capital societário. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14120.000118/201066 Acórdão n.º 2803002.856 S2TE03 Fl. 178 6 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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