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Numero do processo: 10166.900171/2006-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 17/06/2000
IOF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente.
Numero da decisão: 3201-001.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)r
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente)r Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 01 71 /2 00 6- 03 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Referese o presente processo a pedido de compensação relativo a pagamento a maior ou indevido, a título de IOF Operações de crédito/Pessoa Física (código receita 7893 1). Para bem relator os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Nos exatos termos do Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 740375411, emitido em 29/01/2008, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 31148.11552.101003.1.3.045149, sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. [...] Esclarece ainda, tal despacho, que o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP é de R$ 3.540,81 (três mil quinhentos e quarenta reais e oitenta e um centavos). Inconformada com a decisão administrativa, cuja ciência ocorreu em 11/02/2008, a Requerente protocolou, em 11/03/2008 sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: No anocalendário de 2000 incorreu em pagamento a maior a título de IOF, cujo crédito é oriundo da aplicação equivocada da metodologia de cálculo do imposto com base no Anexo I da Instrução Normativa n° 46/01 na qual os juros e encargos compõem a base de cálculo do IOF devido. Entretanto, nos termos do Regulamento do IOF – RIOF vigente à época (Decreto n° 2.219/97) artigo 3°, §2° c/c o artigo 7°, § 10, os valores relativos aos encargos somente integram a base de cálculo do IOF nos casos em que não ficar definido o valor do principal a ser pago em favor do mutuário. A Requerente identificou que, após a revisão da base de cálculo do imposto, não procedeu, por equivoco, à retificação do valor efetivamente devido a título de IOF na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Para o Contribuinte as informações constantes na DCTF acabaram por conflitar com as informações apresentadas na Fl. 305DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10166.900171/200603 Acórdão n.º 3201001.487 S3C2T1 Fl. 94 3 DCOMP em epígrafe, que aponta um crédito de IOF que não encontra respaldo nas demais declarações da Requerente. Imediatamente após perceber o equívoco cometido procedeu à retificação da DCTF a fim de que pudesse demonstrar à RFB a origem do crédito compensado na DCOMP. Assim, com a retificação da DCTF, a Requerente aponta a existência de crédito de IOF oriundo de um pagamento realizado a maior e demonstra à SRFB que não se aproveitou do referido crédito indevidamente, tendo então, direito à compensação ora não homologada. Assim, diante todo o exposto resta demonstrado que incorreu apenas em erros de natureza formal, relativos ao preenchimento de declarações, razão pela qual já procedeu à retificação da DCTF. Ao final, requer possa efetuar a retificação da DCOMP, bem como seja reformada a r. decisão recorrida, para que seja HOMOLOGADA a compensação realizada, cancelandose, ainda, eventuais lançamentos a título IOF, multa, juros e demais encargos. Em despacho prolatado aos 25 de novembro de 2008, a 2ª Turma da DRJ/BSA entendeu não se tratar de manifestação de inconformidade, vejamos: Quanto ao processo em análise, cabe salientar que a petição de fls. 01/06 não pode ser recebida como manifestação de inconformidade, prevista no §9° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e no art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, tendo em conta a ausência de litígio quanto ao direito creditório utilizado na Dcomp e apreciado pela DRF de origem. E conclui pela devolução do processo à DRF de origem, assim relatado: Isto posto, proponho o encaminhamento do presente processo à DRF/Brasília,para fins dar prosseguimento às providências de sua alçada, incluindo a análise do pedido de retificação da referida DCOMP. A DRF de origem, por sua vez, se manifestou pelo indeferimento do pleito, tendo em vista a extemporaneidade da DCTF Retificadora. Não conformando com a decisão, a Requerente impetrou Recurso Voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. O processo foi julgado em 10 de dezembro de 2010 (recurso nº 521.510) com a seguinte ementa (Acórdão nº 340200.960): NORMAS PROCESSUAIS. DCOMP. EXAME DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a análise de manifestação Fl. 306DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 de inconformidade que, nos termos do art. 74 da Lei 9.430, com a redação que lhe deu o art. 17 da Lei 10.833/2003, contesta os fundamentos de despacho decisório denegatório de compensação regularmente declarada. Retornando os autos para a Delegacia de Julgamento, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do Fato Gerador: 17/06/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DCTF. Não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte quando não comprovado, por documentos hábeis e idôneos, que houve equívoco no preenchimento da DCTF, se esse erro foi a causa do não reconhecimento do direito creditório no despacho decisório proferido pela autoridade a quo. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida entendeuse que apresentação de DCTF retificadora somente seria aceita como único elemento de prova do direito creditório, se transmitida antes da ciência do Despacho Decisório, situação que não ocorreu no caso em tela. Acresceu que a DCTF retificadora, comprobatória de que o crédito relativo a IOF devido na 3ª semana de junho de 2000, foi apresentada em 07/03/2008, quando já havia transcorrido mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador é extemporânea, invalidandoa como elemento de análise. Nesse contexto, deveria a ora Recorrente ter instruído sua peça de defesa com a documentação que comprovasse o real valor devido a título de IOF e que demonstrasse a certeza e a liquidez do suposto pagamento a maior, pois é do contribuinte o ônus da prova em casos que tais. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescendo que: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10166.900171/200603 Acórdão n.º 3201001.487 S3C2T1 Fl. 95 5 i.juntou aos autos, a cópia da DCTF retificadora, comprovando que em relação ao IOF apurado inicialmente não seria o devido, conforme DARF constante dos autos, bem como apresentou DCTF retificadora; ii. a documentação referida seria suficiente para atestar a liquidez e certeza de seu crédito, demonstrando os elementos que corroboram seu direito creditório; iii. a presunção relativa de veracidade da declaração permanece incólume, mantido em favor da Administração o direito de fiscalizar tais informações, não sendo possível a inversão de quaisquer ônus probatórios contra o contribuinte, além daquele atinente à necessária comprovação acerca da retificação efetuada; iv. o art. 150, § 4o, do CTN trata do direito fiscal de constituir o crédito tributário contra o contribuinte devedor, não se relacionando com a retificação da DCTF e, tampouco, com o direito de compensação e, por isso, inaplicável para a contagem de prazos para apresentação de declarações fiscais e suas retificadoras; v. o prazo para pleitearse a restituição do crédito tributário, nos termos do § 4o do art. 150, do CTN c/c o art. 168, I, do CTN, é de 10 (dez) anos, como decidido pelo E. STF, no RE n° 566.621, julgado sob o rito da repercussão geral; vi. o CARF já se manifestou inúmeras vezes para reconhecer o direito do contribuinte, afastando o erro formal em nome da verdade material; vi. inexiste prejuízo ao Erário, pois conforme se comprova da documentação constante dos autos (DCTF original e retificadora), não restaram saldos a pagar de IOF; vi. a verdade material que norteia o processo administrativo deve se sobrepor a quaisquer equívocos presentes nas obrigações acessórias os quais, inclusive, se constatados pela Administração Pública, deverão ser corrigidos de ofício, conforme dispõe o parágrafo 2o, do artigo 147, do CTN; vii. inviabilizarse a compensação é vulnerar o direito do contribuinte à compensação tributária, tal como lhe defere o art. 74, da Lei n° 9.430/96, bem assim, representa verdadeira afronta ao Princípio da Legalidade dos atos da Administração Pública, assim como previsto no art. 37, da CF/88. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente alega que realizou pagamento a maior a título de IOF, uma vez que teria adicionado juros e correção à base de cálculo da exação, mas estes apenas deveriam ser computados no cálculo do imposto quando não ficasse definido o Fl. 308DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 valor principal a ser pago em favor do mutuário, conforme determina o art. 3o, § 2o c/c o art. 7o, §10 do Regulamento do IOF (Decreto n° 2.219/97), o que não era o seu caso. Contudo, na trouxe aos autos quaisquer documentos que amparassem o direito creditório afirmado, sendo certo que, conforme entendimento remansoso neste Conselho Administrativo Fiscal, o fato do pagamento indevido deve estar lastreado na contabilidade daquele que o alega, com a respectiva documentação pertinente. Nesse sentido, citese, exemplificativamente, os seguintes julgados: Acórdão3301001.931(Data de Publicação: 25/09/2013) Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Período de apuração: 01/10/2006 a 10/10/2006 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Recurso Improvido. Acórdão 3102001.717(Data de Publicação: 25/03/2013) Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Data do fato gerador: 15/01/2003 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ALÍQUOTA. LIMITE DE INCIDÊNCIA. EXTRAPOLAÇÃO. CRÉDITO. O valor do imposto recolhido sobre operações de crédito que exceder àquele correspondente ao resultante da aplicação da alíquota máxima legalmente estabelecida é considerado como pagamento a maior e passível de restituição/compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. EXTRATOS COMPROVANDO O DEPÓSITO DO VALROS OBJETO DO MÚTUO. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 3803002.796 (Data de Publicação: 13/09/2012) IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 15/10/2008 Ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.NÃO HOMOLOGAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Assim, apenas a documentação contábil completa, que reflita de maneira inconteste o direito creditório da Recorrente, demonstrando que o imposto foi pago a maior, seriam hábeis a fazer com que o Princípio da Verdade Material laborasse a seu favor. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da Fl. 309DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10166.900171/200603 Acórdão n.º 3201001.487 S3C2T1 Fl. 96 7 relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 20031 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. Todavia, o contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Portanto, a despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre 1§ 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 311DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10880.034212/99-07
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1989 a 29/02/1992
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 42 12 /9 9- 07 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 125 a 138), contra o v. acórdão proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 117 a 121) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, considerando devida a contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito a partir da data da norma emanada do Poder Executivo que reconheceu a inconstitucionalidade do FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%, no caso, a Medida Provisória nº 1.110, de 31 de agosto de 1995. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre janeiro de 1990 a março de 1992 (fls. 12 a 37). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.034212/9907 Acórdão n.º 9900000.627 CSRFPL Fl. 149 3 “Tratase de recurso(s) especial(ais), interposto(s) pela(s) PROCURADORIA DAFAZENDA NACIONAL , com fulcro no art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 47 de 2008, que foi admitido em relação à(s) seguinte(s) matéria(s):quanto ao pedido de restituição/compensação do Finsocial referente a pagamentos efetuados acima da aliquota de 0,5% (meio por cento). O pleito foi apresentado em 8/12/1999 e referese aos períodos de apuração de 01/12/1989 a 29/02/1992 Na sessão plenária de 21/10/04, a TERCEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES julgou o Recurso Voluntário n° 303125993, interposto por PAPELARIA E LIVRARIA MAX CENTER LTDA. e decidiu: “Por maioria de votos rejeitouse a argüição de decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição do Finsocial pago a maior, vencidos os conselheiros Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman e Mércia Helena Trajano D'Amorin; e por unanimidade de votos, determinouse a devolução do processo à Autoridade Julgadora de Primeira Instância competente para apreciar as demais questões de mérito”. A decisão foi formalizada no Acórdão n°30331682, da relatoria do Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, cuja ementa abaixo se transcreve: FINSOCIAL – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO POSSIBILIDADE DE EXAME POR ESTE CONSELHO Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal – Prescrição do direito de Restituição/Compensação – Inadnüssibilidade DIES A QUO – Edição de ato normativo que dispensa a constituição de crédito tributário Duplo grau de jurisdição. A parte recorrida não apresentou contrarazões. É o relatório, no essencial.” A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido” Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo por meio do presente recurso extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado, satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Aponta, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contandose o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. Embora intimado às fls. 143/144, a Recorrente não apresentou contrarrazões. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao termo inicial do prazo decadencial para a repetição de indébito tributário. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 141/142. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.034212/9907 Acórdão n.º 9900000.627 CSRFPL Fl. 150 5 limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.034212/9907 Acórdão n.º 9900000.627 CSRFPL Fl. 151 7 ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 160DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10880.034212/9907 Acórdão n.º 9900000.627 CSRFPL Fl. 152 9 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição/compensação formulado em 08/12/1999 (fls. 01), de parcelas de FINSOCIAL indevidamente pagas entre janeiro de 1990 e março de 1992. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do direito de restituição/compensação seria em janeiro de 2000 e março de 2002, respectivamente. Como o pedido de compensação em apreço foi apresentado em 08/12/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de compensação/restituição tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 161DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900842/2012-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 42 /2 01 2- 07 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900842/201207 Acórdão n.º 3801002.623 S3TE01 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900842/201207 Acórdão n.º 3801002.623 S3TE01 Fl. 67 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 03821.56824.051007.1.2.041352 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 160,08, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 160,08, recolhido em 14/03/2003. Em 01/08/2012 (Rastreamento nº 029227479) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de fevereiro03, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 03/09/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900842/201207 Acórdão n.º 3801002.623 S3TE01 Fl. 68 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900842/201207 Acórdão n.º 3801002.623 S3TE01 Fl. 69 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900842/201207 Acórdão n.º 3801002.623 S3TE01 Fl. 70 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900842/201207 Acórdão n.º 3801002.623 S3TE01 Fl. 71 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19991.000154/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
RECURSO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO DISSOCIADA DOS FATOS. NULIDADE.
É nula a decisão de primeiro grau administrativo que não examina os fatos efetivamente narrados no despacho decisório e manifestação de inconformidade, limitando-se a fazer simples remissão e reprodução de voto proferido em processo que julgou situações distintas, ainda que do mesmo contribuinte, por incidir na hipótese as disposições do art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72, caracterizando preterição do direito de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3401-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo desde a decisão da Delegacia de Julgamento, inclusive. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RECURSO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO DISSOCIADA DOS FATOS. NULIDADE. É nula a decisão de primeiro grau administrativo que não examina os fatos efetivamente narrados no despacho decisório e manifestação de inconformidade, limitandose a fazer simples remissão e reprodução de voto proferido em processo que julgou situações distintas, ainda que do mesmo contribuinte, por incidir na hipótese as disposições do art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72, caracterizando preterição do direito de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo desde a decisão da Delegacia de Julgamento, inclusive. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 01 54 /2 00 9- 51Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Cuidase, na espécie, de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 1º trimestre/2008, formalizado através do PERDCOMP 17367.45431.311008.1.1.099885. Apensado ao processo em epígrafe encontrase o PA 19991.000145/200960. Às fls. 422/426 foi juntado Termo de Constatação Fiscal lavrado pela SAFIS/DRF Poços de Caldas/MG, que objetivou o exame dos pedidos de ressarcimento do 1º trimestre/2003 ao 4º trimestre/2005, relativos ao PIS/Pasep não cumulativo, e o 1º trimestre/2004 ao 4º trimestre/2005, relativo à Cofins não cumulativa, onde foi relatada uma série de inconsistências concernente à comprovação dos pagamentos realizados junto aos fornecedores envolvidos, que, em sua maioria, ou estavam inativos, ou nada declaravam à RFB. Às fls. 427/435 consta termo assemelhado confeccionado pela SARAC/DRF Poços de Caldas/MG, visando analisar os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos referente ao período abrangido pelo 2º trimestre/2006 ao 2º trimestre/2008. Segundo o relato, a situação dos novos fornecedores não se altera em relação àqueles verificados anteriormente, ora não são localizados no endereço fornecido, ora se declaram como inativos ou, ainda, indicam que não houve movimentação no período, apresentando declarações “zeradas”. Aduz, também, que, em relação às aquisições de pessoa físicas e cooperativas, após historiar a legislação de regência, que o contribuinte não se qualifica como agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, pois a produção é realizada em estabelecimentos de terceiros, de modo que não faz jus a crédito algum. Em manifestação de inconformidade o contribuinte alegou que a “inidoneidade” das aquisições estaria pendente de julgamento no PA 13656.000021/200666, motivo pelo qual o presente processo deveria ser sobrestado, nos termos do art. 265, IV, “a” do CPC; que a fiscalização tentou imputar uma responsabilidade que é da Administração Tributária, pelo fato de seus fornecedores não cumprirem suas obrigações tributárias acessórias; que é adquirente de boafé, pois recebeu as mercadorias e por elas pagou; que não tem obrigação de verificar se seus fornecedores cumprem suas obrigações legais; que o art. 74, § 3º da Lei nº 9.430/96 não se aplica ao caso sub examine; que faz jus ao crédito presumido pelas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, uma vez que não há vedação legal à realização das atividades de produção por intermédio de terceiros; e, que as aquisições de cooperativas, à luz de soluções de consulta da própria RFB, que transcreve, garantem o direito de crédito e o seu ressarcimento. A DRJ Juiz de Fora/MG afastou a possibilidade de sobrestamento, por ausência de previsão no processo administrativo fiscal, e, no mérito, fazendo remissão ao voto proferido no PA 13656.000021/200666, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000154/200951 Acórdão n.º 3401002.428 S3C4T1 Fl. 11 3 O recurso voluntário repete, com alguma variação, as razões expendidas na manifestação de inconformidade. Em 17/07/2012, através da Resolução 3401000.534, esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara/3ª SEJUL, rechaçou, preliminarmente, a vinculação destes autos ao PA 13656.000021/200666, ao argumento que os fatos jurídicos tributários não seriam os mesmos; postergou a manifestação acerca das aquisições de pessoas físicas e cooperativas para o retorno dos autos; e, quanto às aquisições de pessoas jurídicas com problemas junto à RFB, converteu o julgamento em diligência para que fossem coligidos os despachos finais dos processos de inaptidão de CNPJ e verificação da comprovação de pagamento das aquisições realizadas com estas mesmas pessoas jurídicas. A DRF Poços de Caldas/MG realizou a diligência determinada encaminhando os documentos solicitados e aferindo, individualizadamente, a alegada comprovação de pagamento, cujas conclusões constam de demonstrativo e termo pormenorizados. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte apontou inconsistências nas glosas efetuadas, uma vez que houve glosa de aquisições realizadas antes da declaração de inaptidão das pessoas jurídicas arroladas, afirmando que os documentos são idôneos e os pagamentos pela aquisição dos produtos foram comprovados; que não é admissível a declaração de inidoneidade de documentos fiscais com efeito retroativo; que, na condição de adquirente de boafé, não pode ser responsabilizado pelas infrações cometidas por seus fornecedores; que faria jus ao crédito presumido da agroindústria. Aproveitando o ensejo, elaborou planilha com a vinculação dos pagamentos e as aquisições objetivando demonstrar a comprovação da operação e juntou mais documentos para formação do acervo probatório. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O juízo de admissibilidade do recurso voluntário foi realizado por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Com a aposentadoria do relator original, foramme distribuídos por sorteio estes autos, como determina o regimento interno deste Conselho Administrativo. Após uma análise abrangente da situação, concluí que houve um equívoco na premissa adotada pela decisão de primeiro grau administrativo que acabou por contaminar o julgamento como um todo, como passarei a expor. O colegiado a quo, talvez induzido pela referência feita, na peça recursal inaugural, à idoneidade das aquisições verificadas no PA 13656.000021/200666, inferiu que havia uma imbricação entre ambos e que se cuidariam dos mesmos fatos, simples extensão um do doutro, o que motivou a reprodução do voto proferido naquela assentada, que, por pertinência e conveniência, passo a transcrever trecho que interessa ao deslinde da questão: Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 “Da análise dos documentos acostados aos autos verificase que a empresa usou artifícios que lhe permitisse usufruir de crédito básico (que é apurado aplicandose a alíquota da contribuição sobre o valor da aquisição, sem nenhuma redução), quando a operação efetuada, na verdade gerava apenas o crédito presumido (a ser apurado na forma definida na legislação acima relacionada). Essa certeza se dá pelos seguintes fatos, narrados no Termo de Constatação Fiscal: 1) Nas diligências efetuadas nos estabelecimentos das empresas fornecedoras de café à manifestante, selecionadas por amostragem, verificouse que, quando encontrados, suas instalações não eram compatíveis com o volume das operações que elas supostamente efetuavam; 2) A empresa IZONEL DA SILVA CNPJ N° 04.461.584/000153, apresentou declaração de inatividade no período, e a J. BRAGA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA CNPJ N° 24.041.592/000158, não recolheu um centavo sequer dos valores de tributos declarados no período, sendo que todos eles foram inscritos em Dívida Ativa da União; 3) Registrese que as empresas acima são responsáveis por mais de 83% do fornecimento da mercadoria adquirida pela requerente no período, e ainda que seus responsáveis, como se vê no resultado das diligências, são pessoas humildes que residem em imóveis não condizentes com o volume de vendas supostamente efetuadas por elas e em suas declarações de renda, apresentam valores abaixo do limite de tributação ou não declaram. 4) As demais empresas diligenciadas, apresentam situações semelhante às duas citadas; 5) As informações prestadas pela ITAPORANGA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA., quanto ao pagamento das mercadorias adquiridas no período, apresentam uma série de inconsistência, a saber: 5.1) As declarações das empresas fornecedoras das mercadorias não coincidem com as da compradora, tanto em questão de valor, quanto à data e forma do pagamento; 5.2) Diversos pagamentos foram efetuados em data anterior à emissão da nota fiscal respectiva (têm se caso de até 07 meses de diferença entre o pagamento e a emissão da nota fiscal, e também de pagamento efetuado em um ano e a nota emitida em outro); 5.3) Os pagamentos eram efetuados com a emissão de um número grande de cheques para cada nota fiscal (por exemplo, para a nota n° 001243, foram 97 cheques, e temos ainda casos de emissão de cerca de 60 cheques para quitação de cada nota fiscal). 5.4) Importante registrar que esses inúmeros cheques eram nominais a produtores rurais (pessoas físicas) e não em às empresas supostamente vendedoras, como seria o correto se a venda tivesse sido efetuada por elas. Ainda que a manifestante afirme que “as operações de compra de café pautamse pela informalidade que a própria atividade lhe impõe”, não é concebível que tal informalidade produza fatos como o pagamento em datas muito anteriores ao recebimento dos produtos e principalmente, o pagamento efetuado diretamente ao produtor rural e não à empresa vendedora, como constatado pela autoridade fiscal. Pelos fatos narrados, verificase que a empresa ITAPORANGA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA., adquiria o café diretamente de produtores Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000154/200951 Acórdão n.º 3401002.428 S3C4T1 Fl. 12 5 rurais (pessoas físicas) e efetuava o pagamento a eles, sendo que essas operações eram acobertadas com emissão de nota fiscal de empresas que não possuem estrutura para movimentar o volume de mercadorias comerciadas, e não cumprem suas obrigações tributárias.” Ou seja, foi esta a motivação, baseada na situação fática encontrada em aludido processo, que balizou a decisão ora reclamada. No entanto, compulsando os autos verifiquei que os períodos de apuração são distintos; os fornecedores arrolados neste processo não constavam daquele, assim como, os fornecedores daqueloutro processo, como as pessoas jurídicas IZONEL DA SILVA e J. BRAGA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA., não constam deste, de modo que a situação dos fornecedores do presente processo não foi examinada; no PA 13656.000021/200666 os pagamentos pelas aquisições eram realizados por meio de cheques nominais aos produtores rurais pessoas físicas, enquanto neste feito os pretensos pagamentos são formalizados por transferência interbancária (TED), diretamente nas contas das pessoas jurídicas fornecedoras. Este quadro revela, então, fatos distintos que merecem análise e julgamento distintos. Esta peculiaridade não passou despercebida na formulação da Resolução nº 3401000.534, como se observa da seguinte passagem: “Primeiramente, de se esclarecer , aliás, conforme já dito acima, que estes dois processos tratam tão somente de pedidos de ressarcimento de Cofins e de PIS/Pasep sob o regime da não cumulatividade, não estando a eles atrelado qualquer pedido ou declaração de compensação, até porque referidos créditos [relacionados às operações com o mercado externo] só podem ser utilizados para deduzir o valor devido no mês a título das referidas contribuições e/ou serem ressarcidos. Assim, nenhuma dependência haveria entre estes dois processos e o invocado processo de nº 13656.000021/200666. Aliás, de pesquisa que efetuei junto ao sistema eletrônico de controle de processos do CARF, o eprocesso, verifiquei tratarse o de nº 13656.000021/200666 também de pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, porém, relativos aos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, de sorte que, repito, relação alguma possui com os dois processos objeto deste julgamento. Tampouco o julgamento em definitivo da matéria lá tratada no referido processo nº 13656.000021/200666 versando sobre as alegadas inidoneidades dos fornecedores de café à interessada poderia trazer qualquer contribuição ao presente caso ora em discussão, haja vista que os períodos e as circunstâncias são completamente distintos, não podendo ser aceito o argumento do Fisco de que os mesmos eventos ocorridos no passado tenham se repetido no presente caso; ao menos, sem a demonstração cabal de que isso realmente tenha ocorrido. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Pelo exposto, ou seja, pela inexistência de qualquer relação entre os presentes processos e o de nº 13656.000021/200666, afasto o pedido de sobrestamento do presente julgamento.” Destarte, como já dito, os fornecedores tratados neste processo não são os mesmos, assim como, que não é o mesmo o modus operandi de pagamento. Em suma, os processos são bastante distintos e independentes entre si. Como não bastasse, o acórdão vergastado se omitiu quanto ao direito de crédito pela aquisição de cooperativas, defendido pela recorrente. Desta forma, ao julgar da maneira como fez, reproduzindo voto que analisou fatos diversos, a bem da verdade, a turma julgadora acabou por decidir algo diferente do que consubstanciado nestes autos, onde a fundamentação do voto condutor é, a meu sentir, bastante dissociada dos fatos submetidos a exame, em clara preterição do direito de defesa, uma vez que, qualquer decisão pronunciada pelo colegiado ad quem diversa do provimento integral, acarretará a supressão de instância. Diante desta constatação, aplicável as disposições do art. 59, I do Decreto nº 70.235/72, consoante o qual são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Com estas considerações, voto por anular a decisão de primeira instância administrativa, determinando que outra seja proferida. Robson José Bayerl Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11128.006970/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
MULTA REGULAMENTAR ADMINISTRATIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Confirmado que as informações de obrigação do operador no comércio exterior, apesar de intempestivas, foram realizados em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplica-se o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A alteração do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II , alínea c do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de Votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira Redator Designado.
EDITADO EM: 17/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Confirmado que as informações de obrigação do operador no comércio exterior, apesar de intempestivas, foram realizados em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplicase o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II , alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de Votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 69 70 /2 00 7- 83 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira – Redator Designado. EDITADO EM: 17/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 19/09/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em face dos fatos a seguir descritos: • A empresa autuada procedeu ao registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil RFB para o despacho aduaneiro vinculado à Declaração de Exportação DDE No. 2031082631/4, cujo embarque se deu em 22/12/2003; • O registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX pela empresa autuada ocorreu em 26/07/2004, conforme extrato juntado ao processo; • Face o descumprimento do artigo 37 da Instrução Normativa SRF No. 28, de 27/04/1994, que determina o prazo do registro de dados de embarque em 07 dias, incorreu na infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei 37/66; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 04/10/2007, (fls. 73verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 16/10/2007, de fls. 74 e 75, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Através do Processo Administrativo No. 11128.005833/200489, a empresa foi autuada com multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por ter deixado de prestar informações referente à mesma DDE; • Tal processo já foi julgado pela 1ª Turma da DRJ/SPOII, em 02/08/2007, sendo declarado improcedente o lançamento e, por conseguinte, tendo exonerado o crédito tributário, uma vez que a obrigação foi cumprida a destempo. • Assim não procedeu a alegação de que a obrigação não tenha sido descumprida; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 3 3 Pugna o cancelamento da autuação fiscal. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/07/2004 A empresa autuada procedeu ao registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil RFB, face a determinação do artigo 37 da Instrução Normativa SRF No. 28, de 27/04/1994. A fiscalização entendeu estar tipificada a infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei 37/66. Não se trata de “bis in iden”. A penalidade é aplicável. Considerouse como embaraço à atividade de fiscalização aduaneira o fato de o transportador não promover o registro de dados do embarque, no prazo estabelecido. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O Auto de Infração veicula multa de R$ 5.000,00 pelo registro intempestivo dos dados de embarque em transporte internacional de cargas. A empresa já havia sido autuada pela mesma ocorrência. O Auto de Infração correspondente foi julgado improcedente em primeira instância em face da equivocada capitulação da infração como embaraço à fiscalização, em lugar da correta capitulação: deixar de prestar informações dentro dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal. A Recorrente protesta contra esse fato. Contudo, não vejo o que possa favorecêla. Se dentro do prazo decadencial do direito de impor penalidade, nada impede que novo auto de infração seja lançado. A multa aplicada está prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. O prazo foi definido no artigo 37 da IN SRF 28/94, alterado pelo artigo 1º da IN SRF 510/2005. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. Conforme descrição dos fatos do Auto de Infração, a informação foi prestada antes de qualquer procedimento fiscal, ainda que de forma extemporânea. O Decreto 37/66 foi recentemente alterado pela Lei 12.350/10. O parágrafo 2º do artigo 102, que anteriormente restringia a exclusão da responsabilidade, no caso de denúncia espontânea, às penalidades de natureza tributária, passou a ter a seguinte redação. Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. O novo comando legal é oposto à regra até então vigente, que restringia os efeitos da ação espontânea às penalidades de natureza tributária. A modificação introduzida também tratou de excepcionar as penas que pretendia não fossem alcançadas pela espontaneidade: aquelas aplicáveis quando a mercadoria está sujeita á pena de perdimento. Diante destas disposições, parece natural a interpretação de que também as ocorrências infracionais sob exame, praticadas nas condições em que o foram, estariam contempladas pelo excludente da responsabilidade, mas não acho que seja o caso. Assim penso, porque há muito fixei meu entendimento sobre o assunto, tendo em conta certos pressupostos extraídos da observação lógica do alcance do instituto da espontaneidade e não da definição acerca da natureza da penalidade aplicada. Se formal, tributária, administrativa, regulamentar etc. Exemplo disso é a linha de pensamento que adotava ainda em julgados antigos, quando o então Terceiro Conselho de Contribuintes detinha competência para julgar processos de exigência de multa por atraso na entrega da DCTF, conforme a seguir reproduzido. Também não socorre ao contribuinte o excludente da denúncia espontânea. Afora as considerações de cunho jurídico que, com muita freqüência, tem recebido toda a atenção dos tribunais administrativos, não vejo como a ação do contribuinte antes do procedimento fiscal possa corrigir uma ocorrência infracional tipificada Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 4 5 como atraso. A espontaneidade não tem o condão de desfazer a inobservância do prazo. Se a infração é por entregar um documento fora do prazo, uma vez que a data determina na legislação não foi observada, a apresentação espontânea do documento não pode mais desconstituir o fato. A ação não altera o quadro. O atraso persiste e para ele há previsão legal de multa. Entregar o documento espontaneamente, mas, ainda assim, em atraso é exatamente fazêlo a destempo, como fez o contribuinte, cometendo assim a infração. Com efeito, o núcleo da infração definida como prestação informações fora do prazo é em todo coincidente com a ação espontânea, se não vejamos. Do teor do conteúdo normativo presente no artigo 138 do Código Tributário Nacional extraise instantaneamente dois elementos essenciais aos efeitos da ação espontânea do sujeito passivo: a ocorrência de infração à legislação tributária e a ação preventiva, antes do conhecimento do Fisco. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Sem que tenha ocorrido a infração, não há que se falar em responsabilidade do sujeito passivo. A conduta proativa, por sua vez, constitui o remédio capaz de excluir a responsabilidade decorrente da infração. A infração, com muita frequência, está associada ao elemento temporal de uma determinada obrigação. A ideia de um momento predeterminado para o adimplemento de um compromisso é inerente a boa parte das condutas sancionadas. A obrigação, seja de recolher tributos ou de prestar informações, somente se aperfeiçoa quando expirado o prazo definido em lei para que o sujeito passivo tome a providência. De sua negligência decorre a infração, do tipo definido em texto normativo próprio. Constituída a violação da norma tributária pela inobservância do prazo de adimplemento da obrigação de fazer, a infração definida em lei estará destinada a coibir, em regra geral, duas diferentes condutas. A primeira delas referese à omissão ou erro do sujeito passivo em relação à obrigação que a norma lhe impunha, enquanto a segunda está associada apenas à inobservância do prazo estipulado na legislação tributária. A primeira das condutas sancionadas pode ser definida como pertencente a um grupo identificado pelas infrações por “deixar de fazer/fazer errado”, já a segunda, diferentemente, classificase no grupo de infrações por fazer fora do prazo. Como dito, a ação espontânea, embora proativa, motivada pela preocupação que faz o contribuinte anteciparse ao procedimento fiscal, é também extemporânea, pois a infração, o mais das vezes, só existe porque o prazo de adimplemento expirou. É deste quadro que exsurge atributo próprio do instituo da espontaneidade presente em qualquer cenário que contenha os elementos acima descritos. A ação espontânea do contribuinte, relacionese ela à obrigação principal ou acessória, é somente capaz de excluir Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 a responsabilidade pela infração que estiver relacionada à conduta classificada como omissão ou erro (deixar de fazer), nunca na conduta agir fora do prazo. Explico. Suponhamos que a data de vencimento de uma determinada obrigação tributária seja no dia 10 de um mês qualquer (ela pode estar relacionada ao dever de efetuar o recolhimento ou lançamento dos tributos/contribuições ou de prestar declaração exigida pelo Fisco). Somente algum tempo depois, no dia 20 do mesmo mês, o contribuinte paga ou lança os tributos devidos ou presta a declaração exigida. Mais tarde, no dia 30, o Fisco requer a comprovação do recolhimento ou lançamento dos tributos ou apresentação da declaração a que o contribuinte estava obrigado. Ao expirar o prazo de adimplemento do compromisso, no dia 10, uma vez que haja previsão legal, o contribuinte automaticamente incorre na infração por omissão ou erro, que poder é ser por falta de pagamento, falta de declaração, declaração inexata, falta de lançamento, lançamento a menor, ou outra do gênero. Essa infração perdura até o momento em que o contribuinte toma a providência que havia negligenciado, no dia 20, pagando, declarando, lançando ou retificando espontaneamente a prestação defeituosa. O instituto da espontaneidade é o que afasta a possibilidade de que o Fisco autue o contribuinte pela infração por omissão ou erro, que subsistiu no período que vai do dia 10 ao dia 20, mas que foi regularizada antes do início do procedimento fiscal. Até o dia 20, quando o contribuinte adota espontaneamente a providência de regularizar a sua situação, excluindo a responsabilidade pela infração de omissão ou erro, sequer haveria razão para que se falasse em infração por fazer fora do prazo. A única infração punível até a data na qual o contribuinte satisfaz espontaneamente a obrigação é por omitirse ou equivocarse na prestação. De fato, é justamente a medida acautelatória adotada que faz surgir, também acaso prevista em lei, a infração da segunda espécie, por fazer fora do prazo. O mais elementar exemplo prático da construção teórica acima desenvolvida encontrase nas infrações decorrentes da falta/atraso no pagamento/declaração/compensação dos tributos/contribuições. As penalidades correspondentes a essas infrações foram graduadas de acordo com a conduta observada. Se a Fiscalização Federal, no início do procedimento, constata que os tributos/contribuições não foram pagos/declarados/lançados, a infração apenada será por falta de pagamento, falta de declaração, falta de lançamento etc, passível de multa no percentual de 75% do valor devido. Se a constatação é a de que os tributos/contribuições foram pagos/declarados/lançados espontaneamente, mas fora do prazo, é afastada a infração maior, pelo não pagamento/declaração/lançamento, sobrevindo pena menor, não punitiva (remuneratóriocompensatória), de até 20%. Na linha do tempo antes formulada, a infração apenada com a multa de 75%, por omissão, perdurou desde o dia 10 até o dia 20. Como o Fisco apenas agiu no dia 30, essa infração já estava excluída pelo instituto da espontaneidade. Contudo, ao identificar o pagamento em atraso, será exigida do contribuinte a multa de até 20% pela infração decorrente do pagamento em atraso efetivado apenas no dia 20. Observese. O pagamento espontâneo realizado no dia 20 é justamente o fato gerador da infração por fazer fora do prazo. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 5 7 Assim sendo, como falarse, então, em exclusão de responsabilidade por infração nascida do próprio ato? E mais, como conceber a ideia de que o pagamento venha excluir uma infração que ainda não existe? Impossível. É verdade que nem todos os eventos irão alinharse tão perfeitamente ao esquema acima desenhado. Algumas infrações tipificam conduta que não pode ser determinada como pertencente a um ou a outro grupo, mas aos dois. É o caso da infração sub examine. Deixar de prestar informação (...) na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal enquadrase tanto como infração por omissão (deixar de prestar), quanto como infração por inobservância do prazo (deixar de prestar no prazo). Fosse a infração por “prestar fora do prazo” e teria enquadramento preciso no segundo grupo. Estivesse definida como “não prestar a informação”, no primeiro. A infração por deixar de fazer no prazo, ao contrário do exemplo proposto, nasce com o transcurso do prazo para adimplemento da obrigação. Não se percebe, assim, completamente reproduzida a situação na qual a infração decorre precisa e indistintamente da ação espontânea, conforme é o caso da infração por fazer em atraso. Inobstante, não me parece que esse fato possa alterar os efeitos decorrentes da prestação espontânea. Ainda que ausente um dos elementos que lhe destituem a função excludente, permanece o outro, qual seja, a exata coincidência entre a ação espontânea e a conduta sancionada, ou, pelo menos, uma das condutas sancionadas na norma. Deixar de fazer no prazo e fazer fora do prazo são diferentes apenas em relação ao momento a partir do qual a infração se encontra materializada (uma a partir do vencimento, outra a partir da ação). Contudo, uma vez que o contribuinte age, identificam conduta idêntica (não fazer no prazo, igual a fazer fora dele) e constituída pela ação espontânea. Ademais, a meu sentir, o que há de mais importante em infrações desta natureza é a presença expressa do elemento temporal. Quando o legislador pretende punir o atraso, não a omissão, pode se referir ao fato sem se atentar a todas essas particularidades. Referese assim, indistintamente à infração por prestar fora do prazo, não prestar no prazo, atraso na entrega etc. O que pretende coibir, contudo, não me parece que seja outra coisa, se não o atraso. Nesta linha de raciocínio foi editada a Súmula 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A seguir transcrevo a ementa de alguns dos Acórdãos que deram respaldo à Súmula. 10709.410 Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratar Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 se de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. 10709330 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, não alcança as infrações decorrentes do nãocumprimento de obrigações acessórias autônomas. Cabível a multa por atraso na entrega da entrega da declaração de rendimentos, mesmo que espontaneamente apresentada. 10516.676 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EX: 1999 a 2003 IRPJ MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO A partir de primeiro de janeiro de 1995, a apresentação da declaração de rendimentos, fora do prazo fixado sujeitará a pessoa jurídica à multa pelo atraso. (Art. 88 Lei nº 8.981/95 c/c art. 27 Lei nº 9.532/97, Art. 7º da LEI nº 10.426/2002). Inaplicável a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. 10809029 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN Cabível a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos devida pela sua apresentação fora do prazo estabelecido, ainda que a contribuinte a faça espontaneamente. Inaplicável a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. 10809029 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN Cabível a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos devida pela sua apresentação fora do prazo estabelecido, ainda que a contribuinte a faça espontaneamente. Inaplicável a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. Vêse que as decisões não estão fundamentadas na natureza da infração ou na precisa tipificação da pena. Multa por atraso na entrega, entendeuse, não pode ser excluída pela ação espontânea. Ainda mais, o tipo legal da infração prevista no artigo 7º da Lei 10.426/02, citado em uma das ementas acima, é em idêntica ao da infração cometida pela Recorrente. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos meus) Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 6 9 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) De se acrescentar que, com base nesses mesmos pressupostos, não vejo razões para entender que a modificação introduzida no parágrafo 2º do artigo 102 do Decreto lei 37/66 tenha trazido tão grande inovação ao mundo jurídico. Ao referir que a denúncia espontânea seja acompanhada do pagamento se for o caso, o artigo 138 do Código já previa a possibilidade de que outras infrações, não relacionadas à inadimplência da obrigação de pagar, fossem excluídas pela ação espontânea. Não me parece que as infrações administrativas estivessem privadas do instituto da espontaneidade. A modificação introduzida pela Lei nº 12.350, de 2010 não inaugura novo tratamento, apenas ratifica a regra insculpida na orientação de base. Sobre o assunto, pela excelência na abordagem empregada, transcrevo excertos do Voto proferido pelo i. Colega, Conselheiro José Fernandes do Nascimento, nos autos do processo 11128.002765/200749, Acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decreto lei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. (...) Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 7 11 Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória1 (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Para encerrar, não será demais acrescentar questão de natureza principiológica, relacionada à motivação pela qual o legislador previu a exclusão da responsabilidade pela infração nos casos de ação espontânea do contribuinte. 1 A origem dessa discussão está na jurisprudência do C. STF (RE nº 79.625/SP) que tratou da natureza jurídica da multa moratória (se punitiva ou ressarcitória), quando julgou questões acerca da aplicação do art. 184 do CTN, que trata dos privilégios do crédito fiscal, no âmbito do processo de falência. Segundo o referido julgado, entendeu a Corte Suprema que a dita multa tinha natureza punitiva. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 12 Como é de amplo conhecimento, o instituto da espontaneidade destinase a incentivar o sujeito passivo a regularizar sua situação tributária por iniciativa própria, sem a necessidade de que o Fisco empregue qualquer esforço neste desiderato. Em tais condições, se vê afastada a infração que, como se disse, perdurou por certo tempo, mas que, regularizada, nenhum prejuízo acarretou aos cofres públicos. Terminam as duas partes, sujeito passivo e Administração, favorecidos pela medida, um dispensado da alocação de recursos adicionais na promoção da arrecadação, outro exonerado da multa decorrente da prática da infração. No caso concreto estes elementos não estão presentes. Aqui, a prestação de informações fora do prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, boa parte das vezes, pode representar uma ação destituída de qualquer utilidade. Apenas para citar um exemplo, dentre os tantos prazos definidos pelas normas internas do Fisco, há os que exigem que a informação seja prestada antes da chegada ou atração do veículo transportador ao seu local de destino. Nestas situações, a prestação em data posterior termina por constituir em procedimento absolutamente inócuo e sem sentido. Ou seja, enquanto a ação espontânea contemplada na norma tributária destinase à regularização da situação do contribuinte inadimplente, à luz de princípios razoáveis, alicerçados no favorecimento de todas as partes envolvidas, o beneficio que decorreria da espontaneidade nas circunstâncias aqui descritas terminaria, em lugar disso, por prestigiar a desorganização do sistema. VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 29 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator Designado. Em que pese o respeitável voto do e. relator, divirjo do entendimento quanto a não aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas em discussão no presente processo. Entendo plenamente aplicável a denúncia espontânea às multas administrativas nos termos do art. 102 do Decretolei nº 37/66, alterado pela MP º 497/2010. A informação intempestiva das informações referentes às operações de comércio exterior e em momento anterior a atuação da fiscalização aduaneira é fato incontroverso no processo e portanto, a análise do recurso encontrase unicamente na possibilidade da utilização da denúncia espontânea para estas penalidades administrativas. Neste ponto é relevante, destacar que não há reparo a fazer na decisão da autoridade a quo, considerando a legislação vigente à época daquele julgamento. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 8 13 Entretanto, legislação superveniente alterou o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea. A alteração foi promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010. A nova redação do art. 102 esta transcrita abaixo. "Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." A legislação tributária de forma precípua, trata da vigência das leis sempre com visão de aplicação futura, ou seja, a eficácia da lei se faz sentir a partir da sua existência no mundo jurídico. Entretanto, em algumas situações quis o legislador criar exceções a regra geral, atribuindo a legislação tributária, o que se convencionou chamar de retroatividade benigna. As exceções estão previstas no artigo 106 do CTN. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática” No caso em tela, apesar do fato gerador da multa, ter ocorrido em data anterior à edição da Lei nº 12.350/10, obedecendo à alínea “c”, do inciso II, do art. 106 do Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 14 CTN, entendo que a nova sistemática que ampliou a aplicação da denúncia espontânea também para as penalidades administrativas, sem dúvida criou uma situação mais benéfica ao Recorrente, permitindo que à penalidade administrativa seja alcançada pelo instituto da denúncia espontânea. Quanto a classificação da multa em comento nos autos como multa administrativa, não vejo como mudar tal disposição. As multas tributárias tem o condão de punir o descumprimento do sujeito passivo da legislação tributária e podem ser classificadas em dois grupos: àquelas referentes a falta de recolhimento de tributos e àquelas referentes à falta de cumprimento de obrigação acessória. As primeiras são multas tipicamente tributárias, as segundas são multas administrativas. O legislador ao promover a alteração no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, deixou clara a sua posição quanto a matéria ao incluir dentre as penalidades possíveis de aplicar a denúncia espontânea as tributárias e administrativas, excluíndo àquelas aplicadas nas hipóteses de pena de perdimento. Entendo, que tal posicionamento, deixa evidente a condição das multas aplicadas por duscumprimento de obrigação acessórias serem multas administrativas. A matéria também foi objeto de julgamento na Primeira Turma da Primeira Câmara desta Terceira Seção que por unanimidade, decidiu aplicar a denúncia espontânea em multa por descumprimento no prazo para informação de registro de embarque no Siscomex. O referido Acórdão de nº 3101.000.997, de relatoria do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, foi assim ementado: “Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 25/10/2006 Ementa: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO..” Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso voluntário, aplicando a retroatividade benigna para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. Brasília, 29 de novembro de 2012. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 9 15 Winderley Morais Pereira Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11060.002209/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DE PROVAS E DE ALEGAÇÕES.
O acórdão deve referir-se, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio.
BOLSA DE ESTUDO. TRIBUTAÇÃO.
Incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa de estudo para pesquisa, realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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APRECIAÇÃO DE PROVAS E DE ALEGAÇÕES. O acórdão deve referirse, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio. BOLSA DE ESTUDO. TRIBUTAÇÃO. Incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa de estudo para pesquisa, realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 09 /2 00 9- 66 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 404 2 EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NIRVAN HOFSTADLER PEIXOTO foi lavrado Auto de Infração, fls. 100/107, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2007, exercícios 2005 a 2008, no valor total de R$ 26.334,29, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório de Fiscalização, fls. 109/114, encontrase assim descrita: O sujeito passivo classificou indevidamente,como isentos/não tributáveis, na Declaração de Ajuste Anual, os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de serviços prestados à FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA E CIÊNCIA (FATEC). A natureza jurídica dos rendimentos recebidos não se enquadra na hipótese.do art. 26 da Lei. n°9.250, de 26 de dezembro de 1995. Não se tratam, portanto, de rendimentos isentos/não tributáveis, mas de rendimentos tributáveis, conforme melhor demonstrado no Relatório de Fiscalização, que é parte integrante do presente lAuto de Infração. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 117/140, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1029.370, de 25/01/2011, fls. 263/274. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 29/03/2011, fls. 278, o contribuinte apresentou, em 12/04/2011, recurso voluntário, fls. 279/290, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que a decisão recorrida não analisou a vasta documentação acostada pelo contribuinte nos autos, eis que nada mencionou sobre a especificidade dos projetos em que atuou, da forma como se deu sua atuação nos referidos projetos, etc. Os julgadores simplesmente optaram por não analisar nenhuma das provas carreadas pelo contribuinte. que suas atividades preenchem plenamente os requisitos estabelecidos pela legislação. O recorrente recebeu bolsas, doações, isentas de tributação pelo imposto de renda. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 405 3 que o recorrente atuou em projetos de pesquisa. Em nenhum dos projetos a Fatec ficou com o monopólio dos resultados da sua pesquisa. Tais também não foram privilégio da UFSM ou de qualquer outra empresa ou entidade. Os resultados das pesquisas foram publicados em centenas de artigos e periódicos de âmbito nacional e internacional. Ou seja, o conhecimento desenvolvido pelo autor se tornou público. Ninguém obteve lucro com essa pesquisa (a não ser a humanidade como um todo, haja vista o conhecimento obtido). que o Poder Judiciário vem decidindo no sentido de reconhecer a isenção de bolsas de estudo doadas pela Fatec. É o Relatório. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 406 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte afirma em sua peça recursal que a decisão recorrida não analisou a vasta documentação acostada aos autos. Nesse sentido, importa dizer que a decisão recorrida encontrase devidamente fundamentada, sendo certo que a motivação para a manutenção do lançamento está fartamente demonstrada nos autos, conforme se infere do trecho a seguir transcrito: Conforme consta do Relatório da Fiscalização contido no auto de infração às fls. 109 a 114, os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo e pesquisa da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, considerados pelo contribuinte como isentos e não tributáveis, foram objetos de lançamento, por entender que tais bolsas não satisfazem os critérios previstos para usufruir o benefício de isenção previsto em lei. Diante da minuciosa descrição dos fatos feita pela fiscalização e da farta documentação constante dos autos, constatase que os valores percebidos pelo impugnante foram em virtude de prestação de serviços à Fundação. No caso, verificase que há prestação de serviço da FATEC para a UFSM, sendo que a fundação contrata servidores pertencentes aos quadros da própria universidade para comporem a equipe técnica que atuará na execução do projeto, mediante o pagamento de bolsas. Assim, a FATEC efetua os pagamentos aos servidores participantes como remuneração pelos serviços prestados nos diversos projetos. Destarte, as atividades desenvolvidas pelos bolsistas representam uma vantagem para o doador ou contraprestação de serviços, ainda que de forma indireta, descaracterizando a isenção nos termos do inciso VII do art. 39 do RIR/99, pretendida pelo impugnante. Digase, ainda, que o acórdão, resultante da apreciação da impugnação, deve referirse, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio. Logo, não assiste razão ao recorrente quando afirma que a decisão recorrida deixou de apreciar os documentos juntados aos autos. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 407 5 No mérito, o contribuinte afirma que os valores recebidos da Fatec caracterizamse como bolsas de estudo (doações) e que se enquadram nas condições de rendimentos isentos e não tributáveis. De pronto, devese ter em mente que, no que se refere à bolsa de estudo, a regra geral é a tributação, como se depreende pela leitura do art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), abaixo transcrito: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769, de 1998, arts. 1ºe 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; A isenção se restringe à hipótese descrita no artigo 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, matriz legal do artigo 39, inciso VII do citado RIR/1999: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Do dispositivo acima transcrito resta claro que somente são isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo que se caracterize como doação, ou seja, quando recebidos exclusivamente para proceder a estudo e pesquisa e o resultado dessas atividades não represente vantagem para o doador e não caracterize contraprestação de serviço. No presente caso, a autoridade fiscal demonstrou no Relatório de Fiscalização, fls. 109/114, que é parte integrante do Auto de Infração, que os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Fatec não preenchem os requisitos estabelecidos no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995. Por pertinente, transcrevese a seguir trecho do Relatório de Fiscalização: Nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física referentes aos anosbase 2004, 2005, 2006 e 2007, o contribuinte fez constar rendimentos isentos recebidos da FATEC, conforme já discriminado. Tais rendimentos; conforme também já mencionado,se referem aos Projetos 95914 e 95920, ambos de interesse do DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO DO RIO GRANDE DO SUL – Detran/RS. Em 2007 foi deflagrada a "Operação Rodin", visando aferir possíveis irregularidades envolvendo o Detran/RS e diversas pessoas físicas e jurídicas, dentre elas, a Fatec. A Justiça Federal não só autorizou a comunicação de dados à Secretaria Fl. 407DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 408 6 da Receita Federal do Brasil; obtidos no curso do inquérito e objeto do processo 2007.71.02.0078728, como também disponibilizou cópia em versão digital dos autos (fls. 44 e 45). Juntamos ao procedimento fiscal em curso, para fins de instrução, cópia das peças que passamos a mencionar. Em 1º de julho de 2003, foi firmado o Contrato n°.34/2003 (fls. 46 a 49) entre o Detran/RS (Contratante) e a Fatec (Contratada), válido por 180 (cento e oitenta) dias, tendo como objeto “a prestação de serviços técnicos especializados, objetivando o estabelecimento de procedimentos, execução e condições concernentes ao Exame de Habilitação para condução de veículos automotores no Estado do Rio Grande do Sul” (sic) Dentre as várias obrigações da Contratada, constam: revisar os itens relativos à Legislação de Trânsito; elaborar e incluir mensalmente 10 novos itens no Banco de Itens; desenvolver e manter software para a geração aleatória dos exames; confeccionar o exame teórico e aplicar o exame prático; e manter todas as condições de habilitação e qualificação exigidas. No contrato em questão há previsão, ainda, de que a Fatec contrate professores especializados nas matérias que compõem os exames (fl. 47) e realize auditorias periódicas, visando à identificação e saneamento de eventuais irregularidades nos processos e procedimentos de exame de habilitação, bem como o constante aprimoramento e modernização das normas que constituem o objeto contratual (grifos nossos), conforme consta à fl. 48, verso. Pela prestação dos serviços contratados, foram estipulados os valores a serem pagos à contratada (fl. 48, verso). (...) Em documentos apresentados pela Fatec à AuditoresFiscais lotados nesta Delegacia, que foram em parte descaracterizados, a bem do sigilo fiscal, fica demonstrada a utilização de valores pagos pelo Detran/RS à Fatec na remuneração dos "bolsistas" (fls. 65 a 70). A título exemplificativo, percebese, nas planilhas apresentadas pela Fatec, que: em 06. de abril de 2004, houve emissão de fatura pela Fatec em função dos serviços prestados ao Detran/RS, sendo que em 19 de abril de 2004 foram repassadas à UFSM as quantias de R$ 6.500,00 e de ;R$ 12.368,00. A UFSM, em 23 de abril de 2004, devolve a segunda parcela à Fatec (R$ 12:368,00), para que esta efetue pagamento mensal aos bolsistas, cujo valor é o mesmo estabelecido no Contrato 232/2003. Em 29 de abril de 2004, o contribuinte ora fiscalizado recebe a1 bolsa referente ao mês de Fl. 408DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 409 7 março daquele ano (fl. 89), no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais). Em resumo, a Fatec contratou serviços da UFSM, mais especificamente a Coperves, para atender a obrigações perante o Detran/RS, utilizando recursos, provenientes dos serviços prestados, ao Detran/RS nos pagamentos à UFSM. Por sua vez, a UFSM contratou a própria Fatec para que esta executasse projetos supostamente institucionais; visando atender a demandas da mesma Fatec e do Detran/RS. Os valores contratados se referem às “bolsas de pesquisa” e ao ressarcimento à UFSM, pelo uso de sua infraestrutura; o que quer que isso signifique. Notase, claramente, que os projetos em tese elaborados na UFSM vão ao encontro das obrigações decorrentes dos contratos firmados: entre a Fatec e o Detran/RS. Ou seja, surgem projetos supostamente "institucionais" da UFSM, quando, na verdade, tal artifício serviu para acobertar a natureza dos serviços prestados pelos "bolsistas", servidores públicos dentre eles o contribuinte ora fiscalizado, no interesse da Fatec e do Detran/RS. Do acima transcrito, resta evidenciado que os valores recebidos pelo contribuinte não se enquadram nas condições de isenção previstas no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995, posto que os trabalhos realizados foram no interesse do Detran/RS, que em última análise arcou com os pagamentos recebidos pelo contribuinte da Fatec. Digase, ainda, que tal entendimento está em linha com a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que em seus julgados vem decidindo que incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa para pesquisa realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes. Citese as decisões proferidas nos processo 500369306.2011.404.7102, de 19/03/2013, 500370435.2011.404.7102, de 26/02/2013 e 500160932.2011.404.7102, de 19/09/2012, trazendose a ementa da decisão do último processo citado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA.BOLSA DE ESTUDO OU PESQUISA. NÃO ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À CONCESSÃO DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Para que seja concedida a isenção do imposto de renda pretendida, é necessário que sejam cumpridos os requisitos previstos na legislação de regência, acima transcrita, ou seja, que o pagamento a bolsa objetive estudos ou pesquisas, cujo resultado da atividade não represente vantagens ao doador, de forma a poder caracterizálas como doação. 2. Logo, por óbvio, se a bolsa for concedida com o único objetivo de remunerar a prestação de serviço realizada pelo bolsista, não há como isentálo do pagamento do imposto de renda. 3. Resta claro que os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM relativamente à prestação de serviços pela FATEC às Fl. 409DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 410 8 pessoas jurídicas ou entes públicos interessados apresentam nos itens denominados "Plano de Aplicação de Recursos" a previsão de remuneração quanto à taxa de administração da FATEC. 4. Há retorno econômico tanto para a UFSM quanto para a FATEC, visto que ambas entidades são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos. 5. As atividades desenvolvidas pelos participantes dos projetos relacionadas aos programas não são eminentemente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visam a consecução de resultados econômicos em favor dos doadores, mediante aprimoramentos técnico de procedimentos realizados pelos mesmos em suas áreas de interesse e/ou atuação, o que é obtido a partir da prestação de assessoria administrativa/contábil. 6. Ainda que o alcance de tais resultados possa ocorrer em função de realização prévia de estudos, bem assim da aplicação de conhecimento científico consolidado, o escopo primordial das atividades é indisfarçavelmente a contraprestação de serviços aos doadores. 7. Em face da inversão da decisão, condenase a autora ao pagamento de custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados em 10% sobre o valor da causa, ex vi do art. 20, §§ 3º e 4º do CPC. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 410DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000591/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme determina o artigo 62 do RICARF. Aplicação da Sumula CARF nº 2.
RESTITUIÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO.
O ICMS integra a base de cálculo da Cofins e do PIS, não havendo falar em direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3101-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 30/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme determina o artigo 62 do RICARF. Aplicação da Sumula CARF nº 2. RESTITUIÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Cofins e do PIS, não havendo falar em direito creditório. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 30/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 05 91 /2 00 7- 27 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição formulado em papel em 04/06/2007, referente a suposto crédito de PIS do período de apuração maio/2002, decorrente de compensação, em seu entendimento, realizada a maior, com crédito vinculado ao processo n° 13819.001364/200212 anteriormente formulado. O referido pedido foi apreciado e indeferido pela unidade de origem, por entender não prevalecer a tese de que o ICMS não integraria o faturamento da empresa para fins de incidência da PIS. Cientificada da decisão, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, onde alega a ilegitimidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS. A 3ª Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde reproduz o alegado na manifestação de inconformidade. A unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente relativamente ao mês de maio de 2002, em razão da inclusão alegada como indevida, na base de cálculo dessa contribuição, de valores atinentes ao ICMS, que não configurariam, segundo seu entendimento, receita do vendedor. O r. acórdão não reconheceu do pedido por entender que o ICMS integra o faturamento da empresa para fins de incidência da PIS. Com relação ao mérito, o direito creditório reclamado pela Recorrente relativo à alegada ilegitimidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS, não pode ser reconhecido por esse órgão julgador. Argumentos de inconstitucionalidade de leis, como no caso em questão referente à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, transborda a competência desta Turma de Julgamento. A aplicação da lei ou decreto, no julgamento do processo administrativo fiscal é mandamento, mesmo sob o fundamento de inconstitucionalidade, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 13819.000591/200727 Acórdão n.º 3101001.550 S3C1T1 Fl. 4 3 conforme expressamente determina o artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Ademais, a Súmula CARF nº 2, dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária” O ICMS integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins, conforme previsto na Lei nº 9.718/1998, em vigor à época dos fatos. A previsão legal de exclusão da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições contempla o ICMS apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (art.3º, § 2°, I, da Lei nº 9.718/1998). Assim sendo, a alegação da recorrente de que o valor do ICMS não integra o conceito de faturamento para fins de inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins não tem respaldo na legislação, não existindo nenhuma determinação legal que autorize tal exclusão. Correto está o acórdão recorrido quando seu relator afirma que o ICMS, por ser um imposto indireto e com mecanismo de cálculo por dentro, contemplando o seu próprio montante em sua base de cálculo, agregase ao preço do produto, integrando também o faturamento. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Sala das sessões, em 27 de novembro de 2013. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902063/2011-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 20 63 /2 01 1- 61 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 191 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 192 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 07628.27201.140607.1.7.047575), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 13/06/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS cumulativa (Código 8109), apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 31/10/2002 14/11/2002 14/11/2002 6.049,23 6.049,23 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 2.369,62, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também da Contribuição para o PIS, Código 8109, relativo a maio de 2007, no valor de R$ 2.812,03, com vencimento em 20/06/2007, mais acréscimos legais. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 01/04/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 916012071, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 19/04/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 17/05/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 193 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 194 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 195 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 196 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 197 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 198 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 13708.001427/2005-22
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1o e 2o do Regimento do CARF. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Pachoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Márcio Henrique Sales Parada.
Relatório
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1o e 2o do Regimento do CARF. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Pachoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado conta decisão proferida pela 3a Turma DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida. Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração do anocalendário de 2000 às fls. 05 a 12, tendo sido apurada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 08 .0 01 42 7/ 20 05 -2 2 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13708.001427/200522 Resolução nº 2801000.262 S2TE01 Fl. 115 2 omissão de rendimentos recebidos da CEF sendo R$ 51.853,45 com base nos contracheques e R$ 78.796,49 da ação trabalhista. O lançamento apurou um crédito tributário total de R$ 32.323,59 A contribuinte contesta o lançamento por meio da impugnação de fls. 01 a 04, alegando, em síntese, que: A CEF ao emitir as declarações teria se equivocado nos valores, como apontado à fl. 02; Assim, procedeu no levantamento dos contracheques e alvará judicial para confecção da declaração retificadora, em anexo, resultando no rendimento de normal da CEF no valor de R$ 54.942,60 e mais aquele relativo à ação trabalhista no valor de R$ 20.023,96; fl. 03, lista os documentos anexados ao processo e pede que seja aceita a retificadora, nos termos do art. 832 do RIR/99; A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 29/31, que restou assim ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Deve ser mantido o lançamento que se baseou em informações contidas na própria ação trabalhista do contribuinte. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Após a ciência do auto de infração o contribuinte não pode retificar a declaração de ajuste anual com o objetivo de incluir valores de rendimentos omitidos e nem tampouco novos valores de dedução, em respeito ao que dispõe o art. 832, do RIR/99 e nos termos do art. 145, do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão da primeira instância, a contribuinte, em 24.05.2011 fls ( 90 ), apresentou o recurso em 20.06.2011 fls ( 93/101.). Em sua defesa, argumentou em síntese, o seguinte: ● Em 1988, propôs a demanda trabalhista em face da Caixa Econômica Federal. ● Que a sentença do referido processo foi prolatada em 17.04.1989 pelo uizo da 18a Vara Federal, sendo expedidos os correspondentes Alvará de Levantamento no curso do ano de 2000. ● Que a recorrente recebeu o alvará em 21.02.2000, tombado por – 0183966 – Alvará de Levantamento n. 010/2000 e já trazia o valor do imposto de renda devido na operação, transcreveu o teor do Alvará. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13708.001427/200522 Resolução nº 2801000.262 S2TE01 Fl. 116 3 ● Que a recorrente equivocadamente recolheu o valor de R$ 5.146,59 em DARF em duplicidade de pagamento. ● Alega que o informe de rendimentos apresentado pela CEF estava repleto de erros. ● Aduz que retificou sua declaração de ajuste, tendo por base os valores constantes dos seus contracheques e do Alvará destacado. ● Que os Auditores da Delegacia de Julgamento entenderam intempestiva a retificação da DIPF/2001. ● Finalizando, alega que sobre o tema igualdade, vale destacar que daqueles 12 autores do processo trabalhista apenas três, entre eles a recorrente, foram alvo de autuações do fiscal federal. Os outros 9, apesar de adotaram idênticos procedimentos em sua declarações de ajuste, sequer passaram por ações fiscais, menos, ainda tiveram que chegar a esse Colendo Conselho para fazer vale uma decisão judicial. ● No Mérito – pede o arquivamento do presente auto de infração bem como a restituição do valor de R$ 5.055,59, atualizado de acordo com a Lei. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese no lançamento de omissão de rendimentos tributáveis da fonte pagadora Caixa Econômica Federal no valor de R$ 51.853,45, tendo como base os contracheques junto aos autos pela contribuinte de ( fls 18/28 ), bem como Ação trabalhista ( planilha de ( fls. 57 ), também da Caixa Econômica Federal no valor de R$ 78.796,49. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13708.001427/200522 Resolução nº 2801000.262 S2TE01 Fl. 117 4 imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex oficio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13708.001427/200522 Resolução nº 2801000.262 S2TE01 Fl. 118 5 Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 16004.720207/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/09/2011
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
Não se conhece o recurso apresentado, quando a interessada tenha ingressado em juízo, antes ou após a autuação, com ação judicial discutindo a matéria que tem o mesmo objeto do processo administrativo.
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA AÇÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO.
O disposto no art. 89, parágrafo 10 da Lei nº 8.212/91, que trata da qualificação da multa nos casos de falsidade na declaração, não se aplica a compensações efetuadas com créditos objeto de discussão judicial, especialmente se o direito creditório que se busca ver reconhecido vem sendo respaldado pelos tribunais superiores. O fato de a compensação ter ocorrido antes do transito em julgado da ação ajuizada para reconhecimento do direito à compensação do crédito pretendido não configura falsidade de declaração ou fraude passível de aplicação da penalidade aqui tratada.
Afastada a multa do § 10 do art. 89, da Lei n. 8.212/1991, por não estar caracterizada a conduta que impõe a sua incidência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar improcedente o AI DEBCAD nº 51.016.933-3.
Elias Sampaio Freire Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Não se conhece o recurso apresentado, quando a interessada tenha ingressado em juízo, antes ou após a autuação, com ação judicial discutindo a matéria que tem o mesmo objeto do processo administrativo. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA AÇÃO JUDICIAL. ART. 170A DO CTN. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. O disposto no art. 89, parágrafo 10 da Lei nº 8.212/91, que trata da qualificação da multa nos casos de falsidade na declaração, não se aplica a compensações efetuadas com créditos objeto de discussão judicial, especialmente se o direito creditório que se busca ver reconhecido vem sendo respaldado pelos tribunais superiores. O fato de a compensação ter ocorrido antes do transito em julgado da ação ajuizada para reconhecimento do direito à compensação do crédito pretendido não configura falsidade de declaração ou fraude passível de aplicação da penalidade aqui tratada. Afastada a multa do § 10 do art. 89, da Lei n. 8.212/1991, por não estar caracterizada a conduta que impõe a sua incidência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 07 /2 01 2- 46 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar improcedente o AI DEBCAD nº 51.016.9333. Elias Sampaio Freire – Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 396 3 Relatório Como se verifica do Termo de Constatação Fiscal (fls. 211228), o processo administrativo n. 16004.720207/201246 tem origem em dois DEBCAD, lavrados contra o Município de Elisiário – Prefeitura Municipal, conforme a seguir: · AIOP/DEBCAD nº 51.016.9325: tem por objeto a exigência de obrigação principal, em razão da glosa de compensações efetuadas no período de junho/2010 a setembro/2011, com créditos oriundos de pagamento de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias e horas extras, pagamentos estes que o Autuado entende serem indevidos com base na jurisprudência dos Tribunais Superiores; · AIOP/DEBCAD nº 51.016.9333: tem por objeto a exigência de multa isolada, em razão de ter o Autuado inserido em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, informação de compensação a que sabidamente não teria direito – informação falsa, o que configura conduta ilegal tipificada no art. 72 da Lei n. 4.502/1964, ensejando a aplicação da multa estabelecida no § 10 do art. 89, da lei n. 8.212/1991, c/c art. 46, da IN/RFB 900/2008, de 150% sobre o valor da compensação indevida. Segundo o relato fiscal, a ação buscou verificar a regularidade das compensações promovidas pelo contribuinte em suas declarações nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, tendo este sido formalmente notificado a apresentar os elementos justificadores e os demonstrativos das compensações efetuadas bem como da apuração dos créditos compensados e certidão de objeto com as eventuais ações judiciais que as justificassem. Através da análise da documentação apresentada, concluiu a fiscalização que os créditos utilizados nas compensações não se originam de atos normativos declarados inconstitucionais, tampouco existe pronunciamento judicial favorável ao sujeito passivo que justificasse a compensação. O auditor fiscal autuante afirma que as compensações levadas a efeito dizem respeito às verbas/rubricas contábeis vertidas sobre o terço constitucional de férias e sobre horas extras, todas com caráter de contraprestação salarial e integrantes do saláriode contribuição dos segurados obrigatórios da Previdência Social, conforme dispositivos legais que transcreve. Ademais, afirma que o contribuinte não apresentou livros, documentos, medidas judiciais ou qualquer outra documentação hábil e idônea que corroborasse as compensações efetuadas, de maneira que promoveu as suas glosas nas competências em que foram formuladas e nos valores que especifica (a partir de junho de 2010 até setembro de 2011, em competências não contínuas). Acrescenta que o ente público não deteve sentença transitada em julgado em seu favor, tampouco esteve amparado a qualquer tempo por medida liminar que o autorizasse a Fl. 397DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 efetuar as citadas compensações e que, ainda que obtivesse autorização judicial, tal procedimento compensatório somente seria possível após o trânsito em julgado e com prévia habilitação do crédito, consoante preceituam disposições legais e normativas. Assim sendo, tais compensações reduziram, deliberadamente, o valor devido e o recolhimento das contribuições para a Seguridade Social, fato que configura a conduta ilegal de fraude, tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, ensejando a aplicação da multa preconizada no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, no importe de 150% sobre o valor da compensação indevida. Os dispositivos que lastreiam a aplicação da multa seguem abaixo reproduzidos para melhor análise: Lei 8.212/91 Art. 89. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 4502/64 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O Auditor emite Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente, em relatório à parte, com o fito de comunicar a possível ocorrência de ilícito penal de natureza tributária. Cientificado do auto de infração em 26.04.2012 (fl. 231), o contribuinte apresentou impugnações (fls. 235–273 e fls. 275316) em 17.05.2012, nas quais contesta os lançamentos fiscais com base nos seguintes argumentos: Impugnação ao AI/DEBCAD nº 51.016.9325(fls. 235273): · Afirma que o Supremo Tribunal Federal, a partir do RE nº 345.458/RS e iterativos julgamentos fixou o entendimento de que é ilegítima a incidência de contribuição previdenciária sobre adicionais de férias, horas extras e demais adicionais eventuais, por se tratarem de verbas indenizatórias/compensatórias, sendo que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor é que sofreriam a incidência da dita contribuição, conforme preceitua o art. 201, § 11 da CF/88. Da mesma forma, o Superior Tribunal de Justiça reviu sua posição para entender que não incide a contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias. Já o TRF da 3ª Região/São Paulo, ao julgar os MS nº 2009.61.14.0016860 e 2008.61.00.0289700 concedeu parcial provimento à apelação para Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 397 5 suspender a exigibilidade das contribuições sobre o terço constitucional de férias. Assim, por se tratar de matéria pacificada e com jurisprudência uniformizada no âmbito dos Tribunais Superiores, a autuação deve ser declarada nula ou inexistente; · Defende a regularidade da compensação, visto a impetração do Mandado de Segurança Preventivo n. 0000512811.2011.403.6106, junto à 1ª Vara da Justiça Federal de São José do Rio Preto. Impugnação ao AI/DEBCAD nº 51.016.9333(fls. 275316): · Repisa os argumentos da primeira impugnação no tocante à natureza indenizatória do terço constitucional de férias e horas extras; · Defende que a Súmula 460 do STJ, segunda a qual “é incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte” e o art. 170A do CTN, que obsta a compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial, não obstam o ajuizamento de mandado de segurança para que o Fisco respeite o direito do contribuinte de obter a restituição, mediante compensação, de tributo já declarado inconstitucional ou ilegal pelo STF ou pelo STJ, em decisões com efeitos erga omnes ou até mesmo gerais, tais como as proferidas em recursos submetidos à sistemática de repercussão geral ou de recursos repetitivos, que devem ser observados por todos os órgãos dos Poder Judiciário. Afirma que entendimento diverso permitiria que o Fisco se locupletasse às custas dos contribuintes, impedindo que eles obtenham de forma célere a restituição de tributos ilegítimos, já rechaçados definitivamente pelos Tribunais Superiores. O que, em seu entender, seria um estímulo à procrastinação de ações que sequer deveriam existir. · Conclui afirmando que jamais prestou informação falsa ou efetuou compensação de crédito inexistente, e pugna pela nulidade dos autos de infração. A 7 ª turma da DRJ/POR, através do Acórdão 1438.528 (fls. 321336), julgou a impugnação totalmente improcedente, em decisão assim ementada: PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos) e daqueles oriundos de verbas que se constituem, perante a legislação, basesdecálculo de contribuições previdenciárias; mormente quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 se operou o transito em julgado. Também corresponde à hipótese de compensação indevida aquelas formuladas em desacordo com as normas que disciplinam a matéria, vale dizer, aquelas que não foram precedidas de habilitação (quando oriundas de decisões judiciais) e retificação das declarações que motivaram os recolhimentos incorretos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. As hipóteses de nãoincidência ao salário de contribuição são aquelas arroladas em relação exaustiva no § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91, observadas as vigências da redação original e alterações posteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida e uma vez presente o elemento de falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Impugnação improcedente. Crédito Mantido. No entender do órgão julgador de primeira instância, as compensações realizadas encontram óbice nos arts. 170 e 170A do CTN, posto que não há, in casu, crédito líquido e certo, bem como porque estas foram realizadas antes do trânsito em julgado da respectiva demanda judicial. Aduz, ademais, a decisão de primeira instância, que não foram preenchidas as condições para o exercício do direito à compensação, a saber: 1) a declaração da compensação em GFIP; 2) a retificação da declaração que fundamentou o recolhimento indevido; 3) a habilitação prévia do crédito pelo sujeito passivo quando oriundo de decisões judiciais transitadas em julgado, dentre outros requisitos norteadores dispostos nas legislações de regência. Além disto, a decisão de primeira instância firma que as compensações são ilegais posto que as decisões judiciais mencionadas pelo ora Recorrente tratam da Previdência de Servidores Públicos, ao passo que nos autos se encontram constituídas contribuições devidas aos segurados vinculados ao Regime Geral da Previdência Social. Assim, ainda que algumas decisões judiciais de primeira instância tenham agasalhado a tese do ora Recorrente, estas operam efeitos apenas entre as partes envolvidas. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 398 7 No que tange à exigência de multa isolada, a DRJ entendeu que o conceito de fraude disposto no art. 72 da Lei n. 4.502/1964 não se resume tãosomente em evitar a ocorrência do fato gerador que conduz ao nascimento da obrigação tributária, o que não estaria caracterizado, já que a obrigação nasce com o fato gerador, mas comporta também a conduta tendente a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir seu pagamento. Partindo desta premissa, e levando em conta que o ora Recorrente declarou créditos i) inexistentes de fato – posto que os recolhimentos pertinentes encontram respaldo legal e normativo – e ii) não passíveis de compensação, dada a vedação legal de fazêlo antes do trânsito em julgado de sentença declaratória que os reconheça, que o contribuinte sequer detém, concluiu, a DRJ de origem, que o contribuinte passou para a Administração Tributária a falsa idéia de que estava adimplente com suas obrigações atuais e passadas, evitando o seu pagamento, caracterizandose, assim, o evidente intuito de fraude. Por esta razão, manteve também o lançamento consubstanciado no DEBCAD n. 51.016.9333. Cientificado da decisão em 28.02.2012, o ente público apresentou recurso voluntário (fls. 346 – 388) em 23.10.2012, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. AIOP/DEBCAD nº 51.016.9325: Glosa das compensações com créditos de contribuições previdenciárias pagas sobre Adicional de Férias (ou terço constitucional de férias) e Horasextras O Recorrente defende que as compensações efetuadas tem esteio na jurisprudência dos Tribunais Superiores. De fato, a jurisprudência dos Tribunais Judiciais já sedimentou o entendimento acerca da impossibilidade de cobrança das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, ante à sua natureza indenizatória. É reiterada a jurisprudência sobre o tema. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em recente julgado, também adotou este entendimento, validando compensações realizadas por contribuinte, como se infere da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE AS VERBAS TITULADAS DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS E DOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR AUXÍLIO DOENÇA OU ACIDENTE DO TRABALHO. AUXÍLIOCRECHE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. PARECER PGFN Nº 2.118/2011. DIREITO DE CRÉDITO. VERBAS QUE NÃO OSTENTAM O CARÁTER REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Não devem ser glosadas as compensações efetuadas com valores de contribuições devidas pela recorrente, quando se pleiteia o seu abatimento com valores pagos indevidamente ou a maior. No caso, devem ser considerados como direito de crédito à Recorrente os pagamentos de contribuições a maior incidentes sobre o terço/adicional constitucional de férias e os quinze primeiros dias de afastamento do trabalho em decorrência de auxíliodoença e acidente do trabalho, bem como os pagamentos referentes ao auxíliocreche. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). (...) (CARF. Acórdão 2402003.564 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Sessão de 15 de maio de 2013) Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 399 9 Quanto à incidência das contribuições previdenciária sobre as horas extras, a jurisprudência judicial ainda não se consolidou sobre o tema, de modo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não reconhece as compensações realizadas pelos contribuintes com créditos desta natureza. Apesar do entendimento pacífico dos Tribunais Superiores e do precedente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais quanto à validade de compensações com créditos de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, a glosa perpetrada pela Fiscalização merece prosperar, tanto quanto às compensações com estes créditos, como em relação àquelas realizadas com créditos de contribuições previdenciárias sobre horas extras. Isto porque o Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 0005128 11.2011.403.6106, que tem por objetivo o reconhecimento de inexistência de relação jurídica que o obrigue ao pagamento da contribuição previdenciária sobre horas extras e terço constitucional de férias (entre outras verbas), como se verifica da certidão acostada à fl. 19 dos autos e, concomitantemente, pleiteia a compensação dos créditos cujo reconhecimento está sob o crivo do Poder Judiciário. Tendo em vista que a matéria objeto do presente recurso voluntário encontra se em discussão no âmbito do Poder Judiciário, operouse a renúncia do contribuinte à sua apreciação pelo órgão julgador administrativo, conforme entendimento pacífico desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001, 2002, 2003 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO – IMPOSSIBILIDADE Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. (CARF. Acórdão nº 1803000.661 – 1ª Seção de Julgamento/3ª Turma Especial – Sessão de 10 de Novembro de 2010) Ademais, as compensações realizadas encontram óbice no art. 170A do CTN, que veda a realização da compensação antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifos nossos) Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 Diante de tudo que já foi destacado, voto por não reconhecer o direito à compensação das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias e sobre horasextras e, desta forma, manter a glosa perpetrada pelo DEBCAD n. 51.016.9325. AIOP/DEBCAD nº 51.016.9333 Multa isolada por falsidade da declaração prestada em GFIP No auto de infração destacado, a autoridade fiscal lança contra o Recorrente multa isolada de 150%, com fulcro na Lei nº 8.212/91, art. 89, § 10º, por afirmar que este apresentou declaração falsa ao promover compensação de crédito inexistente, estando configurada a conduta fraudulenta prevista no art. 72 da Lei n. 4.502/1964: Lei 8.212/91 Art. 89. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 4502/64 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso, entendo não estar caracterizada a materialidade da norma que impõe a aplicação da multa de 150% lançada contra o Recorrente. Para o cabimento da imposição da regra sancionatória imputada à Recorrente, seria necessário que a autoridade fiscal demonstrasse, de forma cabal, o evidente intuito do contribuinte em agir de forma fraudulenta. A aplicação da multa em debate é uma medida excepcional, que deve ser aplicada apenas nos casos em que se constate sonegação, fraude, devendo tal circunstância estar devidamente justificada e comprovada nos autos, como já tem entendido esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ESTRIBADA EM UMA PRESUNÇÃO LEGAL. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, em sua redação original, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 400 11 comprovação do evidente intuito de fraude. Nessa linha, incabível o exasperamento da multa de oficio quando a omissão de rendimentos está estribada em mera presunção legal, sem qualquer conduta adicional que qualifique a presunção. Recurso provido. (grifos meus) (Processo nº 18471.000150/200806, Acórdão nº 2102002.480 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 12 de março de 2013) (grifos nossos). Quando a fiscalização não logra comprovar todos os elementos para a aplicação da multa, o contribuinte não pode ser apenado, vez que em caso de dúvidas sobre a conduta fraudulenta, interpretase a norma da maneira mais favorável ao acusado. Tal entendimento encontra respaldo no Código Tributário Nacional, conforme disposto no art. 112, a seguir transcrito: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. No caso em análise, entendo que não houve intuito de fraude por parte do Recorrente, já que não houve compensação de crédito inexistente, mas sim de créditos que vem sendo reconhecidos no Poder Judiciário e que, possivelmente a Recorrente verá o seu direito reconhecido no futuro. A utilização de tais créditos antes do trânsito em julgado, de fato, ofende a legislação em vigor (art. 170A do CTN), mas não merece a aplicação de multa qualificada. A falsidade de declaração deve ser configurada quando não exista qualquer fundamento ao pleito do contribuinte, o que não é o caso dos autos. Veja o entendimento deste CARF sobre o tema: MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. O dispositivo do art. 89, parágrafo dez da Lei nº 8.212/91 que trata de falsidade na declaração deve ser analisado atentamente, não podendo se estender ao mero erro procedimental. A falsidade deve se dar quanto à materialidade do crédito a ser compensado. (CARF, 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO, proc. 10660.720348/201249, 2403001.8074ª Câmara/3ª Turma Ordinária) Desta forma, voto pela improcedência da multa lançada no DEBCAD nº 51.016.9333 por não restar caracterizado o fato que enseja a sua aplicação. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para julgar: ü PROCEDENTE o DEBCAD nº 51.016.9325 ü IMPROCEDENTE o DEBCAD nº 51.016.9333 É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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