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Numero do processo: 13851.721634/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO.
O direito às isenções previstas nos incisos XIV e XXI e no caput do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, estende-se aos portadores de cegueira parcial (cegueira monocular), cuja moléstia tenha sido comprovada mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para corroborar que a Recorrente é portadora de moléstia grave ensejadora das isenções previstas nos incisos XIV e XXI e o caput do art. 6º da Lei nº 7.713/1988.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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CEGUEIRA MONOCULAR. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. O direito às isenções previstas nos incisos XIV e XXI e no caput do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, estendese aos portadores de cegueira parcial (cegueira monocular), cuja moléstia tenha sido comprovada mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 16 34 /2 01 5- 15 Fl. 188DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para corroborar que a Recorrente é portadora de moléstia grave ensejadora das isenções previstas nos incisos XIV e XXI e o caput do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13851.721634/201515 Acórdão n.º 2402005.566 S2C4T2 Fl. 189 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 162/168) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA (fls. 149/156), que julgou improcedente impugnação (fl. 9/14) apresentada em face da Notificação de Lançamento de Imposto de Renda das Pessoas Físicas IRPF (fls. 5/8), relativa ao ano calendário 2013 / exercício 2014, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 951,57 (novecentos e cinquenta e um reais e cinquenta e sete centavos). De acordo com a Notificação de lançamento, o crédito foi constituído em razão da glosa de valores deduzidos com i) despesas médica, R$ 14.253,73 (catorze mil, duzentos e cinquenta e três reais e setenta e três centavos), pois a destinatária dos serviços não se revestia da condição de dependente da Recorrente; e ii) dependente, R$ 2.063,64 (dois mil, sessenta e três reais e sessenta e quatro centavos) por falta de comprovação da relação de dependência. Por meio de sua impugnação a Recorrente não apresentou contestação em razão das glosas efetuadas pela fiscalização, mas alegouse isenta do IRPF por ser pensionista, desde 08/12/2005; aposentada, desde 26/04/2011; e portadora de moléstia grave (cegueira de um olho – CID H54.4) comprovada por laudo pericial oficial emitido por serviço de saúde do Estado de São Paulo. Alega ainda que: a) sofreu acidente automobilístico no ano de 2005, causando afundamento facial do lado direito, inclusive com perfuração do olho direito, necessitando se submeter a várias cirurgias reconstrutoras, no entanto, a visão comprometida no acidente não foi recuperada; b) era servidora pública estadual ocupante do cargo de Fotógrafa Pericial e, em decorrência das sequelas provocadas pelo acidente, não pode mais exercer sua função, sendo reconhecida pela perícia oficial do Estado de São Paulo, na data de 26/4/2011, através do laudo pericial nº 366/2011 (fl. 41) sua incapacidade para o trabalho, o que ocasionou sua aposentadoria por invalidez; c) somente no mês 9/2013 é que houve a publicação oficial de sua aposentadoria por invalidez, porém ressaltando que ela seria retroativa à data da realização da perícia, qual seja, 26/4/2011; d) ajuizou ação declaratória de inexigibilidade em face do Estado de São Paulo, nos termos da Súmula 447 do STJ, donde obteve êxito no reconhecimento da isenção do aludido imposto, retroativa à data da concessão da aposentadoria e da pensão por morte, inclusive com trânsito em julgado da sentença. Junta aos autos as partes principais do processo n° 100582858.2014.8.26.0037, da 1º Vara Fazendária da Comarca de Araraquara SP (fls. 15/40); Fl. 190DF CARF MF 4 e) é de seu conhecimento que somente a decisão judicial prolatada em processo em qual a União seja parte é que tem efeito vinculante na seara administrativa, contudo, é necessário se resguardar o princípio da segurança jurídica nas decisões administrativas; f) em que pese o imposto sobre a renda tratarse de tributo vinculado à competência da União, o produto de sua arrecadação decorrente dos descontos na folha de pagamento dos servidores estaduais ativos e inativos e pensionistas é destinado aos cofres públicos do Estado Federado a quem os servidores estão vinculados, nos termos do artigo 157, I, da CF, sendo a legitimidade passiva para figurar nesta ação é do Estado Federado quanto ao IRRF. Transcreve súmula n° 447 do STJ; g) não houve como ingressar com ação judicial contra a União na justiça Federal, mas foi obrigatório usar a Justiça Estadual de São Paulo, todavia a decisão judicial proferida naqueles autos, apesar de não ser vinculante à Receita Federal, deve ser observada, em respeito a legalidade e Segurança Jurídica; h) a lei n.° 7.713/1988, em seu art. 6°, incisos XIV e XXI; o Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), art. 39, incisos XIV e XXI; e Instrução Normativa SRF nº 15/200, art. 5°, incisos XII e XXXV, estabelecem expressamente que tem direito a isenção do IRPF o aposentado ou pensionista que for portador de doença grave descrita na lei, ou tenha sido aposentado por invalidez decorrente de acidente de trabalho e finalmente quando possuir moléstia profissional, independente de ter sido ou não aposentado por invalidez; i) no momento da elaboração da declaração de ajuste anual original a requerente desconhecia tal direito, motivo o qual informou erroneamente que os valores recebidos a título de pensão por morte e aposentadoria eram tributáveis; j) em que pese o CTN dizer que a interpretação que deva ser feita da Lei tributária que outorga isenções seja literal, esta interpretação não pode se abster de consagrar os princípios constitucionais da isonomia tributária e dignidade da pessoa humana, especialmente; k) fazer uma interpretação literal de tal forma que exclua os portadores de cegueira parcial é uma afronta a Constituição e seus princípios fundamentais, além de uma grande aberração jurídica; l) a lei usa o termo genérico cegueira, cuja moléstia deve ser identificada em termos médicos, donde surge então o Código Internacional de Doenças – CID 10, que elenca todas as doenças existentes conhecidas e suas subespécies m) dentre as doenças denominadas Cegueira pelo CID, encontrase a cegueira em um olho (CID H54.4); n) a jurisprudência do STJ corrobora a tese defendida na impugnação de que portador de cegueira em um olho e aposentado ou pensionista é detentor do direito a isenção do IRPF; Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13851.721634/201515 Acórdão n.º 2402005.566 S2C4T2 Fl. 190 5 o) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda – CARF, em julgamento realizado em 2012 e reiterado em 2014, acolheu a tese de que o portador de visão monocular é isento no IRPF decorrente da moléstia cegueira. Reproduz ementas dos Acórdãos nº 2802001.471 e nº 2101 002.460. A DRJ/POA julgou o mérito da impugnação improcedente sob os seguintes fundamentos: A cegueira apontada como moléstia grave pela legislação vigente corresponde à cegueira que incapacite o seu portador de enxergar. É essa cegueira que caracteriza a moléstia grave e possibilita o seu portador de beneficiarse da isenção do imposto de renda. Embora apresente deficiência visual, a contribuinte não é portador de cegueira, já que apresenta perda completa da visão do olho direito e visão normal no olho esquerdo, como evidencia a documentação trazida aos autos. Por conseguinte, como a isenção deve ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não resta caracterizada cegueira ensejadora de isenção por motivo de moléstia grave definida em lei. Cabe observar que a jurisprudência do STJ somente se aplicam as partes em litígio, nos termos do art.472 do CPC, dentre as quais a contribuinte não se encontra, e a jurisprudência do CARF não tem lei que estabeleça eficácia normativa, conforme condiciona o art.100, II, do CTN. No que concerne à ação impetrada na Justiça do Estado de São Paulo, que reconheceu o direito da contribuinte à isenção, a decisão de primeira instância estabeleceu que: Para que uma ação judicial produza efeitos em relação à União, pessoa jurídica competente para instituir o imposto de renda, nos moldes do art. 153, III, da Carta Magna, há de ser proposta, necessariamente, perante a Justiça Federal, em observância ao art. 109, I, da Constituição, e nunca apenas contra terceiros, no caso o Estado de São Paulo. Por ocasião do recurso voluntário a Recorrente reitera os argumentos apresentados na impugnação acrescentando que “ o conceito de ‘cegueira legal’ descrito no Decreto nº 3.298/99, que é avocado pelo v. acórdão (recorrido), só vem ao encontro da tese defendida, pois cegueira legal, pode ser unilateral ou bilateral, e no caso em apreço ela é unilateral, portanto, é cegueira de qualquer maneira”. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, convém mencionar que, a despeito de o produto da arrecadação do IRPF descontado dos servidores dos Estados e do Distrito Federal ser destinado ao respectivo ente federativo, o inciso III do art. 153 da Constituição de 1988 estabelece ser a instituição do tributo de competência da União. Desta feita, o estabelecimento de norma isentiva, bem assim o reconhecimento do direito à isenção, é atribuição do ente federado responsável pela instituição do imposto. Por consequência, de conformidade com inciso I do art. 109 da Constituição Federal, as ações relativas à isenção do tributo devem ser proposta perante a Justiça Federal em face da pessoa jurídica competente para sua criação. Não obstante, a ação judicial proposta pelo sujeito passivo, que reconheceu seu direito à isenção, foi impetrada na Justiça Estadual contra o Estado de São Paulo. Desse modo, há que se reiterar os termos da decisão da DRJ/POA de que “a sentença proferida contra o Estado de São Paulo não alcança a Fazenda Nacional”. No que se refere à isenção que por ora se discute, os incisos XIV e XXI e o caput do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõem: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; [...] XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13851.721634/201515 Acórdão n.º 2402005.566 S2C4T2 Fl. 191 7 O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece como condição para o usufruto do benefício legal que a moléstia de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/1988 seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial (federal, estadual ou municipal) de natureza pública: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima o exercício do direito à isenção pressupõem que: i) os rendimentos sejam provenientes de proventos de aposentadoria ou reforma ou recebidos a título de pensão; ii) a aposentadoria ou reforma sejam motivadas por acidente em serviço ou pelas doenças relacionadas no dispositivo legal, sendo a isenção extensiva a quem tenha contraído uma das referidas doenças depois da aposentadoria ou reforma; iii) no caso de pensionista, que o beneficiário seja também portador de uma das moléstias previstas na lei, independentemente de têla contraído após a concessão da pensão; e iv) a moléstia seja comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial federal, estadual, distrital ou municipal. No caso sob análise, a Recorrente enquadrase em todos os requisitos estabelecidos nas normas legais, havendo dúvidas tãosomente se a doença da qual é acometida, cegueira monocular, está compreendida entre aquelas relacionadas no XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, haja vista que o dispositivo legal faz referência cegueira sem especificar a possibilidade de extensão do benefício quando essa é parcial. Diferentemente do que aduz a Recorrente, o assunto ainda é controvertido no âmbito do CARF, havendo decisões que reconhecem o direito à isenção e outras que apontam em sentido diametralmente diversos. Senão vejamos recentes julgados que abordam a matéria: Acórdão nº 2301004.630, de 13 de abril de 2016 VISÃO MONOCULAR. PATOLOGIA NÃO INSERIDA NO ROL DE MOLÉSTIAS CONSIDERADAS GRAVES. A previsão legal indica a cegueira como moléstia grave determinante da concessão do benefício da isenção. Cegueira é a patologia que se caracteriza pela ausência do sentido biológico da visão. A visão monocular não subtrai integralmente tal sentido do indivíduo e não se encontra elencada na norma isencional. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acórdão nº 2201003.014, 10 de março de 2016 Fl. 194DF CARF MF 8 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Em que pesem os argumentos favoráveis e contrários ao reconhecimento da isenção para os casos de cegueira parcial, entendo que o deslinde da questão passa necessariamente pelo exame da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10), da Organização Mundial de Saúde, que é adotada pelo Sistema Único de Saúde SUS e estabelece as definições médicas das doenças em geral. Sobre a cegueira a CID 10 apresenta a seguinte classificação: H54 Cegueira e visão subnormal H54.0 Cegueira, ambos os olhos H54.1 Cegueira em um olho e visão subnormal em outro H54.2 Visão subnormal de ambos os olhos H54.3 Perda não qualificada da visão em ambos os olhos H54.4 Cegueira em um olho H54.5 Visão subnormal em um olho H54.6 Perda não qualificada da visão em um olho H54.7 Perda não especificada da visão (grifamos) Vejase que, de acordo com a CID 10, a patologia definida como cegueira engloba tanto aquela que acomete ambos os olhos quanto a que atinge somente um deles, ou seja, segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, cegueira em um olho é espécie do gênero cegueira. Assim sendo, discordo do entendimento exarado na decisão de primeira instância administrativa de que a interpretação literal da norma, feita nos termos do art. 111 do Código Tributário Nacional CTN conduziria à conclusão de que não restou caracterizada cegueira ensejadora de isenção por motivo de moléstia grave definida em lei. Ao revés disso, e à luz da CID 10, entendo que a interpretação literal da regra isentiva não permite outra conclusão senão a de que o fato de a cegueira atingir apenas um dos olhos não é óbice ao reconhecimento da moléstia, como prevista na Lei nº 7.713/1988. Ademais, em razão da vasta jurisprudência judicial acerca de casos de mesma natureza e com entendimento semelhante aos esposado acima, o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, por meio do Ato Declaratório Executivo PGFN nº 3, de 30 de março de 2016, autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos com relação à presente matéria nos seguintes termos: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13851.721634/201515 Acórdão n.º 2402005.566 S2C4T2 Fl. 192 9 “nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988, abrange os valores recebidos a título de aposentadoria, reforma ou pensão, quando o beneficiário for portador do gênero patológico “cegueira”, seja ela binocular ou monocular, desde que devidamente caracterizada por definição médica.” (Grifei) Dessa forma, considerando que a Recorrente apresentou laudo emitido por junta médica do Departamento de Perícias Médicas do Estado/Secretaria de Gestão Pública de São Paulo (fl. 41), atestando sua invalidez permanente e reconhecimento à aposentadoria a partir de 26/04/2011, além de comprovantes que atestam ser ela beneficiária de proventos de aposentadoria e de pensão por morte no anocalendário objeto da Notificação de Lançamento (documentos de fls. 115/123 e de fl. 126), entendo pelo reconhecimento do direito à isenção. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para corroborar que a Recorrente é portadora de moléstia grave ensejardora das isenções previstas nos incisos XIV e XXI e o caput do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720034/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida, muito menos à introdução de argumentos não trazidos anteriormente em sede de recurso.
Numero da decisão: 1301-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida, muito menos à introdução de argumentos não trazidos anteriormente em sede de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 34 /2 01 4- 11 Fl. 27355DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.356 2 Trata o presente de embargos de declaração (fls. 27190/27197) opostos pelo contribuinte acima identificado em face do Acórdão nº 1301002.043 (fls. 27115/27178), de 08/06/2016, prolatado por este Colegiado. Na oportunidade, a Turma decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A IN SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO MÉTODO PIC. IMPOSSIBILIDADE Após o início da ação fiscal, o contribuinte não se encontra em situação de espontaneidade para alterar opções por ele antes realizadas em declaração. Assim, vinculado a sua opção, ele deve se sujeitar à verificação da autoridade fiscal, nos termos da legislação. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte, nos termos do §1º do artigo 7º do Decreto 70.235/72 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APLICAÇÃO DOS TRATADOS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO PIC PARA TAIS FINS. O método PIC não pode ser utilizado como forma de se afastar a ocorrência da vantagem indevida, prevista no Tratados, uma vez que neste método (PIC) fazse uma comparação entre o preços praticado entre duas pessoas vinculadas com o preço praticado em operações realizadas por outros importadores, com outras pessoas não vinculadas. O art. 9º dos tratados modelo OCDE não permite comparações externas, restringindo a sua aplicação às hipóteses de "divergência interna" entre os preços praticados pelo mesmo importador nas suas relações com pessoas vinculadas e nas suas relações com terceiros não vinculados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:2009 ABUSIVIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRECEITOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Fl. 27356DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.357 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Ciente da decisão em 01/07/2016 (fl. 27188) e com ela irresignada, a interessada apresentou em 07/07/2016 (fl. 27189) os embargos declaratórios ora analisados. Em apertada síntese, quatro são as alegações: 1. Omissão: Estudos técnicos da Deloitte para o PRL. 2. Omissão: Estudos técnicos da Deloitte para o PIC. 3. Omissão: Inobservância da legislação aplicável sobre o momento de comprovação do método mais benéfico. 4. Contradição: os Tratados Internacionais invertem o ônus da prova. Ao final, a embargante pede o conhecimento e integral provimento dos embargos, inclusive com efeitos modificativos, a fim de cancelar a totalidade da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A embargante tomou ciência dos acórdãos ora embargados em 01/07/2016, sextafeira (termo à fl. 27188). Tendo sido os embargos de fls. 27190/27197 apresentados em 07/07/2016, quintafeira (termo à fl. 27189), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, ao requisito regimental. Atendidos os demais requisitos Fl. 27357DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.358 4 processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, tendo por parâmetros delimitadores aqueles estabelecidos pelo caput do art. 65 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 1. Omissão: Estudos técnicos da Deloitte para o PRL. A embargante afirma que o acórdão embargado teria negado provimento ao seu recurso, mantendo “ajustes de preços de transferência, com base no método PRL 60 da IN 243/2002”. No entanto, teria havido omissão quanto ao estudo técnico elaborado pela empresa de auditoria independente Deloitte, Touche & Tohmatsu, no qual restaria provada, no caso concreto, a inexistência de transferência indevida de resultados tributáveis do Brasil para o exterior e que nas operações efetivamente praticadas pela empresa a aplicação da IN 243/2002 resulta em majoração de tributação, em comparação com a fórmula da Lei nº 9.430/1996. Lembra que esse estudo se encontra nos autos desde a fase impugnatória e argumenta, ainda, que a desconsideração de prova técnica exige contraprova técnica. Pede que a omissão seja sanada, com a observância das provas técnicas aplicáveis ao caso concreto, contidas no estudo da Deloitte. Esse estudo da Deloitte foi mencionado pela então recorrente no recurso voluntário às fls. 26816/26817, especialmente nos parágrafos 46 e 47, que transcrevo: 46. Não bastasse a já suficiente justificativa da ilegalidade da IN 243/02 com base em sua hermenêutica comparada à da Lei 9.430/96, cabe destacar que a majoração da base de cálculo de IRPJ e CSL por conta da IN 243/02, em descompasso com a fórmula prevista pela Lei 9.430/96, é também demonstrada em estudo preparado pelos consultores da Deloitte, Touche & Tohmatsu para a Recorrente conforme já juntado a esses autos (doc. 6 da Impugnação). 47. Como se nota deste material, a fórmula inovadora da IN 243/02 pode ser entendida como um cálculo com duas etapas: [...] É possível observar que esse relatório foi trazido pela recorrente como reforço aos seus argumentos de ilegalidade da IN 243/2002, e que essa suposta ilegalidade decorria de sua interpretação do texto da Lei 9.430/1996. Nesse sentido, é natural que, dentro da linha interpretativa defendida pela recorrente, os ajustes seriam maiores quando calculados pela IN e restaria demonstrada sua alegada ilegalidade. Mas, insisto: somente se chegaria a essa conclusão caso adotada a linha interpretativa defendida pela recorrente. E o acórdão embargado rejeitou essa linha, conforme se verifica do seguinte excerto do voto vencedor (fls. 27170/27175, grifos não constam do original): As alegações da recorrente buscam demonstrar a ilegalidade do método PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF 243/2002, quando comparado com as disposições da Lei nº 9.430/1996. Sustenta a interessada que o normativo teria alterado profundamente a regra veiculada por lei, majorando desta forma a base tributável pelo IRPJ. [...] O argumento, como se vê, pode ser apreciado sob duas vertentes. A primeira deve examinar a alegada ilegalidade, ou seja, se o normativo teria introduzido Fl. 27358DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.359 5 interpretação incompatível com o texto legal, inovando a matéria e extrapolando a competência do órgão regulamentador. A seguir, devese examinar se a interpretação esposada pelo normativo em questão teria efetivamente majorado a base de cálculo do imposto. Ambas as questões têm sido debatidas no âmbito do CARF. Em particular, este colegiado já teve oportunidade de discutir em minúcias esta matéria em várias ocasiões, não sendo demais relembrar o alentado e nunca pouco elogiado voto do ilustre Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator do Acórdão nº 1302001.164, de 10/09/2013, do qual peço vênia para transcrever os excertos a seguir, adotandoos, desde já, como razões de decidir. [...] Comungo da análise acima transcrita e das conclusões, adotandoas também aqui como razões de decidir. Com efeito, entendo demonstrada a existência de duas possíveis linhas interpretativas do texto legal, a primeira adotada pela IN SRF 32/2001 e a segunda aquela da IN SRF 243/2002. De fato, houve uma mudança na interpretação adotada pela Administração Tributária, mas ambas as interpretações são possíveis e, pelas razões expostas, a segunda é preferível à primeira, seja por considerações de ordem gramatical, semântica ou mesmo finalísticas. Considero, assim, que a IN 243/2002 não introduziu critérios incompatíveis com a norma legal e, destarte, não exorbitou a competência do Poder Executivo. Ressalto, ainda, que a proporcionalização de que trata o § 11 do art. 12 da IN 243/2002 tem por finalidade corrigir as distorções criadas pelas inúmeras relações entre valor do insumo e valor do preço de revenda ou, em outras palavras, permite isolar o insumo importado de outros insumos que possam comparecer no produto final. Sua aplicação leva, em qualquer caso, a valores de preço parâmetro superiores (e, portanto, a ajuste menor, mais favorável ao contribuinte) do que aqueles que seriam obtidos sem esse recurso (proporcionalização). Também esse ponto foi objeto de demonstração matemática no Acórdão nº 1302001.164, confirmado por simulações empíricas levadas a efeito por este Conselheiro. Considero desnecessária a transcrição daquela extensa análise matemática nesse sentido. Os cálculos trazidos pela recorrente, com os quais busca provar que a IN 243/2002 levaria a majoração ilegal de tributos, foram feitos em comparação com a metodologia da IN 32/2001, a qual não mais estava em vigor por ocasião dos fatos aqui discutidos. A linha interpretativa defendida pela recorrente era aquela que constava da anterior IN 32/2001. O acórdão embargado entendeu que a linha interpretativa que conduziu à edição da IN 243/2002 não era incompatível com o texto da lei, sendo mesmo preferível àquela outra. Nessa ordem de idéias, não fazia sentido qualquer aprofundamento na análise de documentos ou estudos técnicos (os “cálculos”, referidos no último parágrafo acima transcrito) que partiam do princípio da existência de um cálculo “segundo a lei” (ou segundo a IN 32/2001) que seria incompatível com o cálculo “segundo a IN 243/2002”. Tendo sido esse princípio rejeitado pelo Colegiado, não havia motivos para análise detalhada dos estudos da consultoria contratada pela interessada. Concluo, assim, que o acórdão embargado não incorreu em omissão sobre ponto acerca do qual deveria se pronunciar a Turma, devendo ser rejeitados os embargos, quanto a este ponto. Fl. 27359DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.360 6 2. Omissão: Estudos técnicos da Deloitte para o PIC. Sustenta a embargante que o acórdão embargado teria ignorado os estudos da Deloitte que comprovariam, no caso concreto, a inexistência de ajustes tributáveis com base no método PIC, para os produtos Accord LX e Accord EX. Havendo prova do método mais benéfico, este deveria prevalecer, especialmente na situação sob exame “em que a Embargante elegeu o PRL (da Lei 9.430/96), o qual foi desconsiderado pela autoridade fiscal, sem abertura de prazo razoável para apresentação/comprovação de método alternativo (no caso, o PIC)”. A embargante pede o saneamento da omissão, com a reforma do acórdão embargado para que seja admitido o método PIC e afastados os ajustes tributários para os produtos especificados. A possibilidade de aplicação do método PIC, no caso concreto, foi tratada no voto do ilustre Relator (que neste ponto não ficou vencido), como segue (fls. 27161/27163, grifos não constam do original): [...], a Requerente pleiteia a aplicação subsidiária do Método dos Preços Independentes Comparados ("PIC") a dois produtos para os quais se elegeu o método PRL20. Vale ressaltar que a D. Fiscalização aplicou o PRL20 para três produtos (Accord LX, Accord EX e Elemento filtro ar), a Requerente pleiteia a aplicação do PIC apenas para os itens Accord LX (código do produto: 00000CP1639L) e Accord EX (código do produto: 00000CP3679JN), pois são os dois únicos itens para os quais a Requerente possui material suficiente para a comprovação do PIC. Alega ainda que optou pela utilização do PRL, por se tratar do método mais favorável, no entanto, com a alteração do cálculo pela D. Fiscalização o referido método deixou de lhe ser o mais favorável, pelo que requer a aplicação do método PIC para os itens Accord LX e Accord EX, por se tratar do método mais favorável. Ou seja, entende a recorrente que ela poderia, a qualquer momento, mesmo na fase da impugnação, escolher pelo método que lhe fosse mais vantajoso, sem qualquer limite temporal. No meu modesto entendimento, razão não assiste à recorrente! Inicialmente, cumpre observar que a fiscalização manteve em seus cálculos o método adotado pela contribuinte no anocalendário de 2007 para o cálculo dos ajustes de preços de transferência na importação. De fato, pode a contribuinte, ao apurar os ajustes em sua DIPJ, optar pelo método que lhe for mais benéfico, nos termos do artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: [...] No entanto, a supracitada norma não impõe à fiscalização a apuração dos preços de transferência por mais de um método e a escolha do mais favorável ao contribuinte. Essa é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização, que pode aplicar apenas um método, face ao disposto no § único do artigo 40 da IN SRF nº 243/2002, in verbis: Fl. 27360DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.361 7 [...] Ademais, há que se observar que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte, nos termos do §1º do artigo 7º do Decreto 70.235/72 (“O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas”), e, uma vez afastada a espontaneidade, exceto nas hipóteses em que seja constatado erro de fato no preenchimento da DIPJ, os dados informados se tornam definitivos, não cabendo mais ao contribuinte rever as opções levadas a efeito na DIPJ apresentada. [...] Rejeitamse, assim, as alegações da recorrente, desconsiderandose os possíveis novos cálculos a serem realizados com a utilização do método PIC para alguns dos produtos autuados, para os quais havia adotado, inicialmente, o método PRL (mantido pela fiscalização durante a ação fiscal). Nesse sentido, rejeitase também o pedido de diligência, pois o mesmo perdeu o objetivo dado a interpretação adotada que não caberia mais uma nova apuração com base em outro método (PIC). Não há dúvidas de que a interessada optou pelo PRL20, que entendia ser mais favorável. No entanto, aplicou essa metodologia de acordo com sua peculiar interpretação da lei e em desconformidade com a então vigente IN 243/2002. Após o lançamento, pretendeu a mudança de opção, pleiteando a aplicação do PIC, o que o Colegiado rejeitou. Diante dessa decisão, tornase irrelevante qualquer análise de estudo técnico elaborado por empresa de Consultoria que demonstraria a inexistência de ajustes pelo PIC, visto que a aplicação desse método foi rejeitada. Como se observa, à semelhança com o item anteriormente analisado, também aqui o acórdão embargado não incorreu em omissão sobre ponto acerca do qual deveria se pronunciar a Turma. De fato, o que sobressai é a irresignação da interessada com a decisão que lhe foi desfavorável, o que não se há de resolver pela estreita via dos embargos. Voto pela rejeição dos embargos, quanto a este ponto. 3. Omissão: Inobservância da legislação aplicável sobre o momento de comprovação do método mais benéfico. Nas palavras da embargante (grifos no original): 16. As regras que determinam a opção irretratável do método em DIPJ, antes do início do procedimento de fiscalização, concedendo prazo de 30 dias para contraprova do contribuinte no caso de arbitramento pelo Fisco (restringindo assim o prazo de comprovação do método mais benéfico), somente foram introduzidas ao ordenamento legal pela Medida Provisória (MP) 563/12, posteriormente convertida na Lei 12.715/12 (que incluiu o artigo 20A à Lei 9.430/96), exclusivamente para fatos geradores posteriores a 2012: "20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no Fl. 27361DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.362 8 prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação." (não destacado no original) 17. À época dos fatos geradores (2009), a Lei 9.430/96 não dispunha de nenhuma regra nesse sentido. Portanto, era incontroverso que a prova do método mais benéfico poderia ser feita a qualquer tempo, inclusive no curso do Processo Administrativo. Esta alegação se insere no contexto do pedido de aplicação do PIC, analisado no item anterior. Conforme visto, o pedido foi rejeitado pelo Colegiado. No recurso voluntário não se identifica qualquer menção ao art. 20A da Lei nº 9.430/1996, ou seja, a aplicação desse dispositivo legal, da forma como agora pretendida pela embargante, não foi sequer ventilada pela então recorrente. Certamente por esse motivo não se fez qualquer menção a essa questão no acórdão embargado, não residindo nisso qualquer omissão. O que se constata é a tentativa da embargante de trazer à discussão um novo argumento, que não constava de seu recurso voluntário, o que se mostra inadmissível em sede de embargos. Voto por sua rejeição, quanto a este ponto. 4. Contradição: os Tratados Internacionais invertem o ônus da prova. Mais uma vez, nas palavras da embargante (grifos no original): 24. A Embargante trouxe aos autos argumento para aplicação dos Tratados Internacionais, segundo o qual somente poderiam ser exigidos ajustes quando ficar comprovada a transferência de resultados ao exterior, sendo vedada a adoção de presunções desprovidas de comprovação técnica (Artigo IX). 25. Com a devida vênia, o Acórdão Embargado incorreu duas contradições: (i) a primeira, porque ao mesmo tempo que reconhece a aplicabilidade do aludido artigo IX, o Acórdão Embargado transferiu ao contribuinte o ônus de comprovar a inexistência da transferência de resultados indevidos para o exterior; (ii) a segunda, porque o contribuinte fez efetiva prova da inexistência dos ajustes tributáveis, pelos estudos técnicos da Deloitte (tanto para o PRL, como para o PIC, como demonstrado nos itens "a", "b" e "c" destes Embargos de Declaração e na própria Impugnação) docs. 6 a 199 da Impugnação / fls. 26.165 a 26.419. [...] 31. Assim, a contradição apontada deve ser sanada, para que se afastem os ajustes baseados no PRL 60 da IN 243/02, pois: (i) a autoridade fiscal não fez prova da transferência indevida de recursos tributáveis do Brasil para o exterior; e (ii) a Embargante fez prova, através dos estudos da Deloitte, da efetiva inexistência dessa transferência indevida no caso concreto. Essa matéria foi abordada pelo ilustre Relator (que não foi vencido, neste ponto) da seguinte maneira (negrito não consta do original): Fl. 27362DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.363 9 Por fim, aduz que importou os itens objeto do presente processo dos Estados Unidos, China, Japão, México, Reino Unido e Tailândia. No tocante aos países que possuem Acordos para Evitar a Dupla Tributação (China, Japão e México), não há que se falar em obrigatoriedade de adoção de um método para fins de preços de transferência, pelo que bastaria a comprovação de que os preços praticados entre a Requerente e empresas relacionadas são os mesmos praticados em transações similares com pessoas não relacionadas. No seu entendimento temos: [...] No seu entendimento, o método PIC poderia ser utilizado como forma de se provar que não houve a obtenção da referida vantagem anormal e, portanto, não seria possível ao Brasil proceder unilateralmente com os ajustes, dada a prevalência dos tratados sobre a lei interna. Prossegue ainda no sentido de que os tratados devem ser aplicados, resultando em nenhuma necessidade de se proceder com qualquer ajuste, na medida em que não houve comprovação pela Fiscalização de utilização de preços "anormais" que não correspondam ao preço arm's length, ou melhor dizendo, não houve a comprovação da "vantagem anormal", vantagem esta que é requisito objetivo para aplicação dos tratados. No entendimento da recorrente, a comprovação de que não houve a requerida vantagem anormal seria feita através da determinação do preço parâmetro, para os itens Accord LX e Accord EX, com base no método PIC. Ocorre que nos dizeres do Professor Alberto Xavier, o método PIC nunca poderia ser utilizado como forma de se afastar a ocorrência da vantagem indevida, uma vez que neste método (PIC) farseia uma comparação entre o preços praticado entre duas pessoas vinculadas com o preço praticado em operações realizadas por outros importadores, com outras pessoas não vinculadas. No entendimento do Doutrinador Português, o art. 9º não permite comparações externas, restringindo a sua aplicação às hipóteses de "divergência interna" entre os preços praticados pelo mesmo importador nas suas relações com pessoas vinculadas e nas suas relações com terceiros não vinculados. Assim, não vejo como o Método PIC poderia resolver a questão aqui posta em discussão. A única saída que me parece sustentável seria aquela resultante do requisito de aplicação do art. 9º dos DTTs, qual seja, que apenas poderiam ser incluídos nos lucros e tributados como tal os lucros que teriam sido obtidos por uma empresa brasileira, mas que não o foram por causa de uma vantagem indevida concedida à sua parte relacionada no exterior. Como entendo que o método PIC não seria adequado para fazer tal prova, não tendo a interessada apresentado qualquer outra prova que pudesse afastar a concessão da vantagem indevida, tenho que os preços parâmetros obtidos como a aplicação do PRL60 devam ser utilizados como forma de se determinar a adequação dos preços efetivamente praticados (ou seja, se tais preços foram estabelecidos numa medida arm's length). Diante das alegações da recorrente acerca da aplicação dos tratados internacionais, em síntese, o acórdão embargado firmou posição no sentido de que os preços parâmetros obtidos com a aplicação do PRL 60 são o meio de se demonstrar a adequação (ou não) dos preços efetivamente praticados, e que o método PIC não estaria apto a afastar a Fl. 27363DF CARF MF Processo nº 16561.720034/201411 Acórdão n.º 1301002.237 S1C3T1 Fl. 27.364 10 ocorrência de vantagens indevidas. Esta última conclusão, quanto ao PIC, é independente da impossibilidade de mudança de opção, discutida no item 2 dos presentes embargos. A decisão embargada se revela, pois, coerente e livre de qualquer contradição. O Fisco provou, mediante a aplicação do método previsto em lei (PRL60) e disciplinado dentro da lei pela IN 243/2002, que os preços efetivamente praticados se afastavam da medida arm’s lenght, e o contribuinte não conseguiu demonstrar o contrário. No que se refere ao PRL, porque os cálculos e estudos técnicos apresentados consideravam interpretação da lei diversa daquela que o Colegiado entendeu correta. E no que tange ao PIC, porque a Turma teve esse método como incapaz de afastar a ocorrência de vantagens indevidas. Diante desse entendimento, correta a conclusão de manter o lançamento dos ajustes. Demonstrada a inocorrência de contradição entre a decisão e seus fundamentos, os embargos devem ser rejeitados, também quanto a esta matéria. Conclusão. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento aos presentes embargos, ratificando integralmente o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301002.043, de 08/06/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 27364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.008947/00-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 202-00.877
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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DRJ em Recife - PE 10480.008947/00-11 127.728 Sala Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Raimar da Silva Aguiar, Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente), Marcelo Marcondes Meyer- Kozlowski e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Con,selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HOSPITAIS ASSOCIADOS DE PERNAMBUCO LTDA. ' : questiona a constitucionalidade da taxa Selic; ========::=::~"",,==""'='===_="'7":::_~ ::..=.=;:;::....:::i.Il"(Il':;;@;;~.H:;-, .. fUU'!'=.;:,c :., =.:4.•..=.::. :;:;:SO=:;::=:e:C=:.:;'" Trata o presente processo de auto de infração de PIS-Faturamento e PIS-Repique, decorrente da falta de recolhimento da contribuição. A contribuinte, inconformada, apresenta impugnação parcial ~í;l'qual alega: . o auto seria nulo por que a descrição dos fatos não teria sido minuciosa e clara; ~Ld MINISTÉRIO DA FAZ~~DA Segundo Conselho de Contnbumtes CONFERE COM O ORIG~ Brasília-DF. em.!!:L/~/- ~lifUji Secrellilla da Segunda Cima,Q HOSPITAIS ASSOCIADOS DE PERNAMBUCO LTDA. RELATÓRIO 10480.008947/00-11 127.728 no mérito, insurge-se apenas contra as competências de junho a dezembro de 1997, fevereiro a maio de 1998, julho a setembrb e dezembro de 1998, alegando que não teriam sido considerados os cancelamentos de notas fiscais nos meses de abril e agosto, nem suas compensações nos meses seguintes, ou seja, nos meses de maio a setembro, e que não teriam sido consideradas algumas retenções da Contribuição efetuadas por órgãos públicos p'ai-a os quais a autuada teria prestado serviços, retenções tais que já teriam sido incluídas no valor da nota de serviços; Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes pleiteia a produção de provas. Remetidos os autos à DRJ em Recife - PE, foi o lançamento parcialmente mantido, sendo afastada a nulidade e, no mérito, sendo parcialmente refutadas as glosas por falta de provas e comprovação, e quanto às retenções, as mesmas foram consideradas pela , fiscalização, conforme inclusive afirmado pela contribuinte: com relação aos períodos de junho a dezembro de 1997, fevereiro, março, abril, julho, agosto, setembro e dezembro de 1998, e setembro de 1999, a contribuinte alegou que a fiscalização não teria considerado retenções na fonte por órgãos da administração pública, no entanto, apresentou para todos estes períodos, com exceção do período de setembro de 1998, apenas planilhas de sua emissão chamadas de Controle de Deduções Impostos (Federais), conforme fls. 192, 194, 199, 202, 205, 210, 213, 216, 223 e 227 dos autos, sem no entanto juntar cópias das notas fiscais para os períodos, que indiquem os beneficiários dos serviços prestados e atestem o efetivo recebimento destes serviços por tais beneficiários, mediante a aposição da sua assinatura e a indicação da data de tal recebimento de serviços, além do que não demonstrou, a contabilização das citadas retenções; . para o período de setembro de 1998, além das planilhas apresentadas, a contribuinte anexou somente cópia das notas fiscais e de extratos bancários. Observa-se, no entanto, que as cópias não atestam o recebimento dos mesmos; ao contrário, o espaço reservado para tal encontra-se t branco. Ainda, a contribuinte não contabilizou as mencionadas retenções; '\ ~ 2 3 ~Ld MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE CO~ O ORIGINAL Brasilia-DF. em_l_l.-L,_2t06_ ~ttkkfUji S.crelãroa ia Segunda Câmara10480.008947/00-11 127.728 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes quanto às notas fiscais canceladas nos períodos de abril a agosto de 1998, a contribuinte não as escriturou em seu livro específico, o que faz prova contrária às suas alegações; quanto à alegação sobre base de cálculo e pagamentos, conforme vasta exposição do voto da DRJ em Recife - PE, somente deve ser recalculado parte dos;valores lançados, o que é feito; por fim, quanto às provas, é dever do contribuinte apresentar as provas que entende devidas, sendo o voto reflexo daquelas apresentadas até o momento; quanto aos juros contestados, a Administração não é o foro adequado para se discutir a constitucionalidade de normas, razão pela qual insubsistem suas alegações. A contribuinte então interpôs recurso voluntário para o Conselho de Contribuintes essencialmente repisando os argumentos de sua impugnação. Desta feita' esmiúça período a período, acostando documentação que entende ser devida e que terra sido desconsiderada pela fiscalização. É o relatório.\ 4 ~bJ MINISTÉRIO DA FAZ~~DA Segundo C.nselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAl,... Brasília-DF. eml.!2-IL.I~ ~JafUji Secretalla da Segunda Cam,lfa ~ AVO KELL Y ALENCAR 10480.008947/00-11 127.728 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVOKELLY ALENCAR Tempestivo é o recurso, acompanhado de arrolamento de bens. Assim, do mesmo Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ".Tendo:em vista a documentação acostada pela recorrente, ainda que supostamente a destempo, e levando conta a busca da verdade material, que deve nortear o julgamento do presente recurso, voto no sentido de se converter o presente julgamento em diligência para que se analise a mesma, com relação ao cancelamento de notas fiscais, retenção de tributos e compensações realizadas. Procedo desta forma por entender que a documentação esteve sempre à disposição da fiscalização, eis que configurada de acordo com as normas de contabilidade aplicáveis, a . saber,a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 2, que dispõe acerca da escrituração,cQntábi1. Pelo exposto, deverá a fiscalização proceder da seguinte forma: os argumentos pontuais alegados pela recorrente devem ser analisados à luz da documentação acostada, a fim de se apurar o real montante do tributo devido. Se inexiste comprovação da aceitação do serviço, mas houve a retenção de tributos, deve a mesma ser considerada quando da apuração do montante a ser lançado; . quanto às notas fiscais canceladas, o procedimento deverá ser o mesmo, pois pela documentação acostada verifica-se incongruência entre o alegado no lançamento, na decisão da DRJ e pela contribuinte; após isto, que seja a contribuinte intimada a se manifestar sobe o resultado da diligência, devendo então os autos retomar a este colegiado para julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 8 de novembro de 2005. 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000641/2007-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 41 /2 00 7- 82 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 551DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 553DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 555DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 15586.000641/200782 Acórdão n.º 9202004.737 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720179/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.282
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS que constituíram o crédito tributário total de R$ 9.604.023,09, somados o principal, multa de ofício agravada e juros de mora. Do relatório da decisão recorrida, extraise os detalhes do litígio: No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade assim contextualiza o lançamento: 3. O contribuinte tem como atividade econômica a industrialização e a comercialização de produtos do segmento de autopeças. 4. A sistemática da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep foi introduzida pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Contribuição RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 17 9/ 20 12 -8 1 Fl. 5026DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 11 2 para o Financiamento da Seguridade Social Cofins pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ambas modificadas pela Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 3º dessas leis estabeleceu os créditos que podem ser descontados dentro da sistemática da nãocumulatividade. (...) Em 2007, com a publicação da Lei n° 11.529, foi permitido ao setor de autopeças aproveitar o desconto de crédito de PIS e da Cofins sobre o valor integral de bens de capital destinados ao seu parque fabril, in verbis: Art. 1º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, de que tratam o inciso VI do caput do art. 3º da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso VI do caput do art. 3º da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o inciso V do caput do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, poderão ser descontados, em seu montante integral, a partir do mês de aquisição no mercado interno ou de importação, na hipótese de referiremse a bens de capital destinados à produção ou à fabricação dos produtos: I classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 28 de dezembro de 2006: a) nos códigos 0801.3, 42.02, 50.04 a 50.07, 51.05 a 51.13, 52.03 a 52.12, 53.06a 53.11; b) nos Capítulos 54 a 64; c) nos códigos 84.29, 84.32, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06; e d) nos códigos 94.01 e 94.03; e II relacionados nos Anexos 1 e II da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo serão determinados: I mediante a aplicação dos percentuais previstos no caput do art. 2º da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro 2003, sobre o valor de aquisição do bem, no caso de aquisição no mercado interno; ou II na forma prevista no § 3º do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de importação. 8. Como se verifica da leitura do art. 3º da Lei n° 10.833, de 2003, o legislador, para fins de utilização de crédito na modalidade da nãocumulatividade, optou por listar de forma exaustiva os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade. Assim, a aquisição de um bem ou serviço, mesmo que listado, poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. 9. Em relação aos insumos, a legislação definiu que, além dos combustíveis e lubrificantes referidos no inciso II do artigo 3° das Leis n° 10.637, de 2002 e n° 10.833, de 2003, consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na Fl. 5027DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 12 3 apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativas, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 10. Portanto, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 11. Na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas SRF n° 247, de 2002, e n° 404, de 2004, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos. 12. Face aos dispositivos legais elencados nos itens anteriores, em 31/01/2012, através dos Termo de Constatação Fiscal n° 0001, o contribuinte foi cientificado a respeito de divergências entre os saldos das contas de passivo "Pis a recolher" e "Cofins a recolher" e os valores declarados nos Dacon, bem como sobre o aproveitamento de valores como desconto de créditos sobre dispêndios em desacordo com a legislação vigente, conforme detalhado no "Demonstrativo das Diferenças entre Dacon e Contabilidade" e no "Demonstrativo de Créditos do PIS/Cofins Glosados". ... 15. Já no que se refere aos valores considerados como créditos glosados sobre gastos com armazenagem de produtos importados e fretes relativos ao transporte dessas mercadorias do recinto alfandegado até o estabelecimento do importador, não assiste razão ao contribuinte que estariam de acordo com a legislação vigente a interpretação da legislação tributária feita pela Secretaria da Receita Federal do Brasil através de Soluções de Consulta. Na verdade, somente os valores de PISImportação e CofinsImportação recolhidos quando do registro das respectivas Declarações de Importações (DI) podem ser descontados na apuração das contribuições no regime nãocumulativo, face ao disposto no art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004 (...). 16. Também não há previsão legal para o desconto de créditos de PIS e da Cofins sobre despesas relacionadas à mãodeobra temporária. ... 18. A partir do esclarecimento do contribuinte no sentido de que o razão contábil não reflete exatamente os créditos descontados, a fiscalização, com o objetivo de identificar os corretos períodos nos quais foram utilizados, confrontou os demais CFOP registrados nos Livros de Apuração de IPI com os valores declarados nos Dacon, levando também em consideração as memórias de cálculo das contribuições apresentadas pelo fiscalizado em resposta aos Termos de Intimação. Nessas memórias, consta que a base de cálculo declarada na LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16 A) é constituída principalmente por valores gastos com mão de obra temporária, armazenagem e fretes sobre compras. Já a base da LINHA 13. OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO (fichas 06A e 16A) é formada por Fl. 5028DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 13 4 dispêndios com serviços de manutenção, partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, locação desses bens e, nos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, créditos extemporâneos desses mesmos gastos e também de mão de obra temporária, armazenagem e frete de mercadorias importadas (recinto alfandegado até o estabelecimento). 19. A partir dos esclarecimentos do contribuinte em resposta ao Termo de Constatação Fiscal n° 0001, ficou claro que os valores registrados nos CFOP 1.124/2.124 industrialização efetuada por outra empresa, compõe a base de cálculo da LINHA 02. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16 A). ... 22. Da confrontação entre os gastos com fretes escriturados nos Livros de Registro de IPI, já deduzidos os valores aproveitados na base de cálculo utilizada na LINHA 07. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES SOBRE VENDAS (fichas 06A e 16A) verificase que os montantes considerados pelo contribuinte como fretes sobre compras na base de cálculo da LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16A), excedem, em vários períodos de apuração, o total dos gastos dessa natureza que constam na escrita fiscal (...). 23. Notase, também, que a base de cálculo considerada na LINHA 03. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (fichas 06A e 16A) supera em praticamente todos os períodos os valores detalhados na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0006. (...). 24. Além dessas diferenças de bases de cálculo ocorridas na apuração das contribuições, existem os dispêndios sobre os quais foram descontados créditos de PIS e da Cofíns em desacordo com os arts. 3º das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, tais como mão de obra temporária, armazenagem e fretes de mercadorias importadas, material de escritório, material de segurança do trabalho e serviços de laboratório e de controle de qualidade, que constam detalhados nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte ao longo da ação fiscal, bem como discriminados nas contas de resultado 3.01.01.07 Despesas Operacionais da contabilidade do contribuinte. Cabe observar que os gastos com armazenagem de matériaprima, locação de veículos, equipamentos de escritório e de hardware, apontados no Termo de Constatação Fiscal n° 0001, não foram localizados na memória de cálculo de apuração das contribuições apresentada pelo contribuinte. Os descontos de créditos de PIS e da Cofins sobre os excessos nas bases de cálculo e dispêndios acima mencionados são glosados pela fiscalização e estão relacionados no Demonstrativo de Glosas de Créditos do PIS/Cofins, que segue anexo a este Termo de Verificação Fiscal. MULTA REGULAMENTAR Constatouse, durante o procedimento fiscal, que o contribuinte preencheu com dados incompletos os Dacon dos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, porquanto não declarou os períodos dos créditos extemporâneos nas fichas 13A e 23A, razão pela qual é cabível a aplicação de multa regulamentar, nos termos do disposto no art. 7º , incisos III e IV, e § 3° da Lei n° 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004. MULTA AGRAVADA Fl. 5029DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 14 5 Na aplicação das penalidades é considerado o disposto no art. 959, inciso II do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que implica na majoração da multa prevista no art. 957, inciso I, em 50%, para os períodos de janeiro/2008 e março/2009, uma vez que o contribuinte apresentou à fiscalização fora do prazo regulamentar os arquivos digitais do ano calendário de 2008, no padrão da Instrução Normativa SRF n° 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 2001. Tratase de responsabilidade objetiva, isto é, as dificuldades técnicas alegadas pelo contribuinte não afastam essa penalidade. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: 06. Destarte, para consecução do seu objeto social, a Impugnante contrata mão de obra temporária a qual é alocada na produção industrial, bem como se faz necessária a contratação de armazenagem no recinto alfandegário para os insumos importados, da mesma forma que se faz necessário a contratação de frete para transporte desses insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento da Impugnante, onde tais insumos serão aplicados no processo produtivo. 07. Desde já, de suma importância esclarecer que a subtração desses serviços, quais sejam, (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial, (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário, (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento, importaria na inviabilidade da produção dos bens comercializados ou na prestação de serviços exercida pela Impugnante. 08. Pois, essencialmente, a Impugnante importa insumos e neste sentido, dispensável salientar que é imprescindível armazenar tais produtos no recinto alfandegário, da mesma forma que posteriormente devem ser transportados para o estabelecimento onde se encontra localizada a produção industrial. 09. Mesmo entendimento se estende a de mão de obra temporária especializada, que é contratada para trabalhar no setor produtivo linha de produção da Impugnante vez que tal serviço visa suprir temporária ou periodicamente as necessidades produtivas da mesma. 10. Assim, com base na legislação que trata da sistemática da não cumulatividade das contribuições em tela, mais adiante estudadas pormenorizadamente, a Impugnante se aproveitou do crédito de PIS e COFINS sobre os gastos com a contratação de mão de obra temporária, armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento. ... 14. Antes de se adentrar ao mérito do direito aos créditos de PIS e COFINS glosados pela presente autuação, considerando que se pretende demonstrar a legitimidade da apropriação dos mesmos, vez que se enquadram perfeitamente a definição de insumo considerada pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, farseá necessário uma sintética explanação acerca da sistemática da não cumulatividade dessas contribuições. ... 21. O fenômeno da cumulatividade está relacionado com a incidência de determinada espécie tributária sobre uma base que já foi objeto de incidência Fl. 5030DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 15 6 desse mesmo tributo, provocando, dessa forma, o efeito da oneração do preço, em razão da superposição tributária. 22. Portanto, quando uma norma afirma que certo tributo não será cumulativo, o que se está determinando é que seja instituído algum meio a fim de impedir que ocorra os nocivos efeitos da incidência em cascata. 23. No caso do ICMS e IPI, a sistemática adotada foi a do direito de abatimento efetivado por meio do desconto do imposto devido do imposto cobrado na operação anterior, sempre que se realizar operação de circulação de mercadorias ou prestação de serviços, para o ICMS, e operação de industrialização de produtos para o IPI. Logo, o método seguido guarda relevância fática com as características destes impostos. 24. Já a técnica empregada para concretizar a nãocumulatividade do PIS e da COFINS se dá pela redução da base de cálculo, com a dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e serviços objeto de faturamento em momento anterior, enquanto a do IPI visa evitar o efeito cascata da tributação, por meio de compensação de débitos e créditos. 25. Assim, evidente que a intenção do legislador, por meio da edição das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, foi a de ampliar o conceito de insumo contemplado na legislação do IPI, uma vez que o PIS e a COFINS alcançam outras receitas e não apenas as diretamente vinculadas ao processo produtivo. 26. Tanto é que o artigo 3°, inciso II, das referidas Leis, acima transcritos, ao estabelecer as hipóteses de creditamento para efeito de dedução dos valores das bases do PIS e da COFINS, contempla o aproveitamento de bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. 27. Todavia, a Delegacia da Receita Federal do Brasil, com a finalidade de regulamentar as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, editou Instruções Normativas SRF n° 247/2002 (que dispõe sobre o PIS e a COFINS) e 404/2004 (que trata da incidência nãocumulativa do PIS e da COFINS) e respondeu a consultas formuladas por contribuintes restringindo o conceito de insumo às matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e demais bens consumidos no processo produtivo em decorrência do contato físico com o produto em fabricação. 28. Ou seja, buscou na legislação do IPI o critério para os créditos de PIS e de COFINS, numa visão absolutamente restritiva e em descompasso com princípio da nãocumulatividade. ... 30. Ainda que se possa admitir a existência de lacuna quanto ao conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS, devese buscar esse conceito na legislação de tributos que guardem similaridade e que mais se aproximem à do PIS e da COFINS, o que, certamente, não é o IPI. 31. Ora, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS se presta a afastar da receita tributável os gastos necessários à sua obtenção, sejam elas referentes a insumos, ativos ou materiais de uso e consumo, destinados direta ou indiretamente à atividade da empresa. Assim, se sem a aquisição de determinado bem ou serviço for impossível realizar o processo industrial ou prestação dos serviços, não há dúvidas de que o mesmo é aplicado na atividade econômica que gera a receita tributada, motivo pelo qual a despesa incorrida, desde que esteja no âmbito de Fl. 5031DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 16 7 alcance de tais contribuições, junto à outra pessoa jurídica gera direito ao crédito de PIS e COFINS. ... 42. Conforme sinalizado inicialmente, a Impugnante, com base na legislação que trata da sistemática da nãocumulatividade das contribuições em tela, se aproveitou do crédito de PIS e COFINS sobre despesas com: (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento. ... 44. Assim, no que tange aos serviços dantes referidos, visando demonstrar sua essencialidade para o processo produtivo da Impugnante, se faz necessário uma análise pormenorizada de cada um deles. 45. Ressaltase ainda que a Impugnante já solicitou a elaboração de Laudos, os quais estão sendo preparados por profissionais técnicos e habilitados para tanto, a fim de comprovar cabalmente que sem tais serviços seu processo produtivo restaria totalmente inviabilizado, uma vez que eles são imprescindíveis às atividades da empresa Contribuinte. 47.1 DOS SERVIÇOS MÃO DE OBRA TERCEIRIZADA Cumpre salientar que a Impugnante necessita contratar mão de obra terceirizada especializada para trabalhar em seu setor produtivo linha de produção. Evidente que apesar da legislação em vigor que regulamenta o PIS e a COFINS não trazer explicitamente o direito ao crédito sobre contratação de mão de obra terceirizada, tal serviço é atrelado ao processo produtivo. A contratação do serviço mão de obra especializada visa suprir temporária ou periodicamente as necessidades produtivas da empresa Impugnante. Ademais, importante salientar que, além das jurisprudências colacionadas no tópico anterior, a Receita Federal já se pronunciou favoravelmente sobre esse assunto por diversas vezes (...). Tanto é possível o crédito sobre os valores pagos à título de mão de obra, que nos § 2°s dos artigos 3°s das Leis n.° 10.367/2002 e 10.8300/2002, há vedação apenas quando a mão de obra é paga a pessoa física, o que não é caso dos autos (...). Evidente que se a vontade do legislador fosse restringir o crédito sobre valores pagos à título de mão de obra tanto à pessoa física, quando à pessoa jurídica, o texto da lei seria diverso. Portanto, diferentemente do apurado pela fiscalização, resta cristalino o direito da Impugnante ao desconto dos créditos de PIS e COFINS sobre as despesas relacionadas à mão de obra pagas a pessoa jurídica, sendo, portanto, totalmente indevida a glosa realizada pela autoridade fazendária. 47.2 FRETE E ARMAZENAGEM NA IMPORTAÇÃO DE INSUMOS Cumpre esclarecer que, essencialmente, a Impugnante importa insumos e neste sentido, tornase imprescindível a armazenagem de tais produtos no recinto alfandegário, da mesma forma que posteriormente devem ser transportados para o estabelecimento onde se encontra localizada sua produção industrial. Desta feita, evidente que sem que o insumo chegue até a empresa, impraticável o processo produtivo da mesma, sendo necessária a contração de armazenagem de insumos importados nos entrepostos aduaneiros e de serviço de frete para transporte desses insumos do porto até seu estabelecimento. Fl. 5032DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 17 8 Ademais, os serviços de frete e armazenagem nas operações de importação de matérias primas devem ser considerados insumos, uma vez que tais serviços incluemse nos custos dos insumos importados adquiridos e utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. ... Assim, novamente em dissonância ao apurado pela fiscalização, resta comprovado o direito da Impugnante ao desconto dos créditos de PIS e COFINS sobre as despesas relacionadas armazenagem de insumos importados e frete relativos ao transporte desses insumos do recinto alfandegário até o estabelecimento da impugnante, restando, pois, totalmente indevida a glosa realizada pela autoridade fazendária. 48. Não obstante a certeza de procedência da presente Impugnação, com o consequente cancelamento do Auto de Infração e Imposição de Multa em referência, em homenagem ao princípio da verdade material, bem como do contraditório e da ampla defesa que norteiam o processo administrativo tributário, requer desde já, seja deferido a posterior juntada dos Laudos Técnicos que estão sendo preparados por profissionais habilitados, a fim de que não restem quaisquer dúvidas acerca da essencialidade dos serviços, cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados pela fiscalização, à atividade produtiva da Impugnante. ... 55. Por fim, tem plena convicção a Impugnante que, a vista dos robustos argumentos apresentados, a exigência administrativa que lhe é feita é totalmente improcedente, todavia, na remota hipótese do não acolhimento destes e apenas para fins de argumentação, resta a improcedência total das multas que foram aplicados. 56. Isto, pois, restou consignado pela Fiscalização que a Impugnante apresentou fora do prazo regulamentar os arquivos digitais do anocalendário de 2008, no padrão da Instrução Normativa SRF n° 86 de 2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 2001 e que, tratandose de responsabilidade objetiva, as dificuldades técnicas alegadas pelo contribuinte não afastam essa penalidade. 57. Cumpre esclarecer a multa aplicada pela fiscalização, embora esteja embasada no Regulamento do Imposto de Renda, art. 957, inciso I, a mesma decorre da previsão legal constante do art. 44 da Lei n2 9.430, de 1996. 58. Assim, como restará demonstrado pelo posicionamento da doutrina, bem como pela jurisprudência administrativa e judicial, para a imputação da penalidade agravada, é necessário que o contribuinte não atenda às intimações da autoridade fiscal e a falta de atendimento deve ser total, de modo que implique em omissão, por parte do sujeito passivo, em responder às indagações da autoridade fiscal e apresentar documentos. 59. Contudo, devese frisar que o fato de a autoridade fiscal considerar que o atendimento, por parte do sujeito passivo, foi precário e não suficiente para esclarecer as dúvidas ou apresentar documentos não é suficiente para caracterizar o tipo da penalidade agravada. 60. In casu, a empresa Impugnante não deixou de atender as solicitações da fiscalização, apenas as atendeu com alguns dias de atraso, contudo, as solicitações foram atendidas na integralidade. 61. Da mesma forma que, não havendo fraude, dolo ou tentativa de embaraçar a fiscalização, o que de fato não aconteceu no presente caso, não há se aplicar a multa agravada. Fl. 5033DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 18 9 ... 65. Desta feita, não estando presente os motivos ensejadores ao agravamento da multa aplicada, na remota hipótese de ser mantida a presente autuação, o que se admite apenas à título de argumentação, a multa agravada deverá ser relevada. 66. Segundo constou do Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante teria preenchido com dados incompletos os DACON's dos períodos de apuração de agosto/2009 e março/2010, bem como não declarou os períodos dos créditos extemporâneos nas fichas 13A e 23A, razão pela qual lhe foi aplicada a multa regulamentar disciplinada pelo art. 7°, incisos III e IV, e § 3° da Lei n° 10.426/2002. ... 70. O descumprimento da obrigação acessória faz com que recaia multa sobre o infrator, com a finalidade clara de sancionar o descumprimento das obrigações fiscais, e não de recompor o patrimônio desfalcado, o que está evidente no caso em tela, com relação às multas aplicadas no tocante ao período de agosto/2009 e março/2010. 71. Ainda, não restam dúvidas quanto a boa fé da Impugnante, que nunca teve a intenção de fraudar o Fisco com informações inverídicas, não havendo nenhum registro de outros períodos ou autuações neste sentido. 72. Ademais, de se dizer que não há nenhuma norma regulamentadora dispondo acerca da necessidade de declarar em DACON possíveis créditos extemporâneos, desta forma, não lhe é razoável ser aplicada uma multa por falta de declaração, quando, na realidade, não existe lei assim dispondo. Assim, sendo, imperioso que a multa regulamentar aplicada à Impugnante seja cancelada. 73. Diante de todo o exposto, é a presente para requerer à Vossa Senhoria que receba regularmente a Impugnação ora apresentada, vez que tempestiva, devendo ser totalmente acolhida, para cancelar o Auto de Infração e Imposição de Multa constante do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 0812400/00228/2011. vez que insubsistentes as alegações tecidas pelo Nobre Agente Fiscal, haja vista ter a Impugnante esclarecido a possibilidade de aproveitamento de crédito de PIS e de COFINS sobre as despesas com (i) contratação de mão de obra temporária alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; (iii) frete dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial, vez que a subtração de tais serviços importaria na inviabilidade da produção dos bens comercializados ou na prestação de serviços por ela exercida. 74. No entanto, na remota hipótese de que se confirme a infração imputada à Impugnante no presente AIIM, fazse necessário que sejam relevadas as multas agravada e regulamentar, uma vez comprovado que a empresa atendeu às Intimações da Fiscalização, não havendo que se cogitar tentativa de fraudar ou burlar o Fisco, nos termos da jurisprudência e doutrina colacionadas na presente defesa. A 3ª Turma da DRJ/CPS, no Acórdão 0538.282, manteve a integralidade da atuação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 5034DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 19 10 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CONCEITO. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mão de obra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. FRETES. Somente os valores das despesas realizadas com fretes e armazenagem contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados na sistemática de apuração não cumulativa. Fretes pagos para o transporte de bens dentro ou entre as unidades da empresa não geram créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 (...) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Como bem ressaltou a DRJ, o auto de infração menciona a aplicação da multa regulamentar definida no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, todavia não consta neste presente processo, qualquer ato de ofício que tenha constituído essa penalidade. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera seus argumentos da impugnação, para pleitear o reconhecimento dos créditos de: (i) contratação de mão de obra alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e (iii) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento, bem como cancelamento da multa agravada aplicada, já que a empresa atendeu a todas as intimações da Fiscalização. Fl. 5035DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 20 11 Em petição datada de 15 de fevereiro, a Recorrente sustenta dois pontos: I) Nulidade do AIIM e (ii) Juntada de novos documentos aos autos que comprovam o direito creditório da Recorrente. Informa que, no presente caso, verificase do “Demonstrativo das glosas de créditos de PIS/COFINS”, que acompanhou o AIIM, elaborado pela D. Fiscalização, que as glosas dos créditos não foram especificadas. E que na apuração do D. Fiscal, em diversos oportunidades, deixa de mencionar a quais notas fiscais se referem os valores indicados como glosados. Alega que o Auditor Fiscal elaborou demonstrativo sem qualquer referência às notas fiscais ou muitas vezes sequer fazendo referência ao fornecedor. Portanto, restou impossível para a Recorrente verificar amplamente quais foram os créditos glosados, o que resultou na impossibilidade de exercer amplamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa no presente processo. Dessa forma, o auto seria nulo por cerceamento de defesa. Salienta que: Cumpre esclarecer que, não obstante o argumento de nulidade do AIIM não ter sido alegado nas razões da Impugnação Administrativa e no Recurso Voluntário destes autos, por se tratar de matéria de ordem pública, alegável a qualquer tempo, a ora Recorrente demonstrará de forma inequívoca a nulidade que macula a integralidade do presente AIIM. Ademais, junta aos autos notas fiscais da prestação de serviços, os quais entende como "insumos" de sua atividade, efls. 32855025. Justifica a recentíssima juntada, nos seguintes termos: Apenas neste momento foi possível o levantamento de referidos documentos, considerando o grande volume de papéis em arquivos físicos e sucessivas trocas de gestão da Recorrente, o que dificultou em muito a sua localização. Ao final de sua manifestação, requer: Por derradeiro, o “Demonstrativo das glosas de Crédito de PIS/COFINS” do Auto de infração em comento, por não indicar Notas Fiscais a que se referem os créditos glosados ou até mesmo em algumas oportunidades não fazer referência ao “fornecedor”, tornou impossível a possibilidade da Recorrente em se defender plenamente das acusações fiscais, de modo que se impera o reconhecimento da nulidade do auto de infração ou, caso não seja este o entendimento dos I. Conselheiros, que seja determinada a baixa dos autos em diligência para esclarecimentos da autoridade administrativa. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Fl. 5036DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 21 12 O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, foram glosados os créditos de mãodeobra temporária, armazenamento e fretes de mercadorias importadas por entender a fiscalização que não há previsão legal para seu aproveitamento. Portanto, o ponto controvertido nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos com armazenagem de produtos importados, fretes relativos ao transporte de mercadorias do recinto alfandegado até o estabelecimento do importador e contratação de mãodeobra temporária, por entendêlos como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o seguinte: 10. Portanto, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 11. Na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. O critério utilizado pela DRJ/Campinas para analisar o caso foi: Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Quanto ao insumo “contratação de mãodeobra temporária”, a DRJ entendeu que apenas o trabalho executado pelo empregado temporário é que pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo e nunca os serviços prestados pela empresa de Fl. 5037DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 22 13 trabalho temporário, a qual atua na função de intermediária na contratação e na seleção dos mesmos. Por outro lado, alega a Recorrente que a contratação tem outra função e é essencial: Cumpri salientar que a Recorrente necessita contratar mão de obra terceirizada especializada para trabalhar em seu setor produtivo – linha de produção. Evidente que apesar da legislação em vigor que regulamenta o PIS e a COFINS não trazer explicitamente o direito ao crédito sobre contratação de mão de obra terceirizada, tal serviço é atrelado ao processo produtivo. A contratação do serviço mão de obra especializada visa suprir temporária ou periodicamente as necessidades produtivas da empresa Recorrente. Já para os insumos “armazenagem de insumos em recintos alfandegários” e “fretes relativos ao transporte de mercadorias do recinto alfandegado até o estabelecimento do importador”, salientou a DRJ que é possível a apuração de créditos apenas para as operações de armazenagem de mercadorias no bojo de operações de venda, mas não de aquisição de insumos que serão armazenados em recinto alfandegário. Entendeu a DRJ também que não há previsão legal para créditos a partir de gastos com fretes não relacionados às operações de venda. Em sentido contrário, assevera Recorrente quanto à armazenagem e frete: Cumpre esclarecer que, essencialmente, a Recorrente importa insumos e neste sentido, tornase imprescindível a armazenagem de tais produtos no recinto alfandegário, da mesma forma que posteriormente devem ser transportados para o estabelecimento onde se encontra localizada sua produção industrial. Desta feita, evidente que sem que o insumo chegue até a empresa, impraticável o processo produtivo da mesma, sendo necessária a contratação de armazenagem de insumos importados nos entrepostos aduaneiros e de serviço de frete para transporte desses insumos do porto até seu estabelecimento. Ademais, os serviços de frete e armazenagem nas operações de importação de matériasprimas devem ser considerados insumos, uma vez que tais serviços incluemse nos custos dos insumos importados adquiridos e utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados a venda. O conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Fl. 5038DF CARF MF Processo nº 19311.720179/201281 Resolução nº 3301000.282 S3C3T1 Fl. 23 14 Em razão disso, só podem ser considerados como insumos os bens e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à fabricação dos produtos destinados à venda, o que demanda, então, análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não cumulatividade. A atividade desenvolvida pela Recorrente é a industrialização e a comercialização de produtos do segmento de autopeças, o que, em tese, pode envolver que sejam incorridas as despesas ora pleiteadas. É imperiosa a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente, o que justifica a conversão do julgamento em diligência. Assim, voto para converter o presente processo em diligência a fim de que a unidade de origem esclareça o processo produtivo da Recorrente; segregando as atividades comercial e industrial, a fim de demonstrar o papel no processo produtivo da produção ou fabricação de produtos destinados a venda, dos insumos dos itens: (i) contratação de mão de obra alocada na produção industrial; (ii) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário e (iii) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento. Instruído o processo com documentos apresentados pela empresa, e cientificados o contribuinte e a Fazenda Nacional do resultado da diligência, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Sala de Sessões, 21 de fevereiro de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 5039DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.917358/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.093
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 35 8/ 20 11 -3 2 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10480.917358/201132 Resolução nº 3401001.093 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.089. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10480.917358/201132 Resolução nº 3401001.093 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10480.917358/201132 Resolução nº 3401001.093 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.006804/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO EM GFIP. AFERIÇÃO INDIRETA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES.
Verificada a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, mesmo que por aferição indireta da base de cálculo, é cabível a autuação pelo descumprimento do dever de informação de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias na GFIP, restando ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2201-003.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 29/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO EM GFIP. AFERIÇÃO INDIRETA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. Verificada a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, mesmo que por aferição indireta da base de cálculo, é cabível a autuação pelo descumprimento do dever de informação de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias na GFIP, restando ao contribuinte o ônus da prova em contrário. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator. EDITADO EM: 29/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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INFORMAÇÃO EM GFIP. AFERIÇÃO INDIRETA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. Verificada a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, mesmo que por aferição indireta da base de cálculo, é cabível a autuação pelo descumprimento do dever de informação de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias na GFIP, restando ao contribuinte o ônus da prova em contrário. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 68 04 /2 00 8- 81 Fl. 116DF CARF MF 2 EDITADO EM: 29/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias relativas às contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais, previstas no inciso III do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 16 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 37.157.8485, no valor de R$ 26.352,69, atualizado até novembro de 2008, referente ao valor da multa, CFL 68, por deixar o sujeito passivo de apresentar a GFIP com todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. · Auto de Infração Debcad n° 37.157.8493, no valor de R$ 93.691,45, atualizado até novembro de 2008, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição patronal incidente sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais, formalizado no âmbito do processo administrativo nº 10510.006800/200801. · Auto de Infração Debcad n° 37.157.8507, no valor de R$ 46.763,54, atualizado até novembro de 2008, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição dos segurados contribuintes individuais, formalizado no âmbito do processo administrativo nº 10510.006806/200871. · Auto de Infração Debcad n° 37.157.8469, no valor de R$ 25.097,54, atualizado até novembro de 2008, atualizado até novembro de 2008, referente ao valor da multa, CFL 35, por deixar o sujeito passivo de apresentar documentos que contêm informações contábeis, financeiras e cadastrais de interesse da RFB, formalizado no âmbito do processo administrativo nº 10510.006802/200892. · Auto de Infração Debcad n° 37.157.8477, no valor de R$ 37.646,31, atualizado até novembro de 2008, referente ao valor da multa, CFL 38, por deixar o sujeito passivo de apresentar documentos relacionados às contribuições à Seguridade Social, formalizado no âmbito do processo administrativo nº 10510.006803/200837. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10510.006804/200881 Acórdão n.º 2201003.478 S2C2T1 Fl. 117 3 O crédito tributário constituído se refere a período de fevereiro a dezembro de 2004. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do contribuinte em 20 de novembro de 2008 (fls. 13) Inconformado, o sujeito passivo apresenta impugnação (fls. 33), tempestivamente. A 6ª Turma da DRJ Salvador, por unanimidade, por meio do Acórdão 15 19.760 (fls.75), decidiu pela improcedência da impugnação. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: "A constatação dessa omissão foi possível, apesar de o autuado não ter apresentado à fiscalização as GFIP, por meio de consulta ao sistema previdenciário denominado CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais. 5.2. A fiscalização constatou a reincidência, circunstância agravante da infração, prevista no art. 290, inciso V e parágrafo único, do RPS, pois cm face desse contribuinte foram emitidos anteriormente os AI no 35.546.0009 e 35.546.0017, sendo que a decisão condenatória se tornou irrecorrível administrativamente em 12/04/2004, há menos de cinco anos, tendo em vista a expiração do prazo sem apresentação de recurso contra a Decisão Notificação de procedência da autuação. 6. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação em 18/12/2008, de fls. 31/70, alegando, em síntese, o que se segue: 6.1. Conforme se depreende do AI n° 37.157.8469, a base legal para sua lavratura deuse porque o autuado entregou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 6.2. Ora, nos AI nos 37.157.8469 e 37.157.8477, o Auditor Fiscal multou o impugnante justamente pelo fato deste não ter apresentado a documentação solicitada, já neste Al, diz que o impugnante apresentou documentos, o que é uma tremenda contradição, ate porque nada foi entregue ao AuditorFiscal, pelo simples fato de que toda documentação solicitada foi levada pelo conselho gestor anterior, o qual administrou a impugnante no triênio 2004/2006, consoante ata de posse (doc. 03), tls. 53/56, então não pode o AuditorFiscal ter confrontado nada, porque este nada recebeu relativo à documentação da impugnante do período de 01/04 a 12/04, o que demonstra que o representante do fisco lavrou o presente Al baseado em suposições, o que é terminantemente proibido por lei, porque cerceia o direito de defesa do contribuinte. (...)" Devidamente intimado, por via postal (AR. fls. 81), da decisão de piso, o contribuinte interpõe em 19 de agosto de 2009, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 83). Constam do apelo, em síntese, as seguintes alegações: Fl. 118DF CARF MF 4 · O AI deve ser anulado posto que a impugnante não apresentou os documentos e não pode sofrer autuação com base em mera suposição posto que o lançamento foi realizado com base na GFIP, sem confronto desta com os documentos do contribuinte. · Foi comprovado que houve a propositura de ação judicial para que o conselho gestor anterior apresentasse a documentação solicitada pela RFB e que tal fato é de conhecimento da fiscalização. · Que o lançamento fiscal foi realizado com base em informações constantes do sistema da Previdência Social, mesmo tendo o Fiscal conhecimento da impossibilidade que a Recorrente tinha em atender a notificação para apresentação dos documentos, e que tal procedimento não pode produzir um trabalho bem feito, cerceando o direito de defesa do contribuinte. · Que o CTN têm, nos artigos 108 e 112 regras que protegem o contribuinte e que tais normas foram desrespeitadas pelo Fisco. Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. Foi relatado que o presente processo administrativo decorre de lançamento de crédito tributário previdenciário decorrente de valores pagos a contribuintes individuais, verificados na DIRF (código 0588), entregue pelo Contribuinte. Tal procedimento foi necessário em razão da ausência de apresentação de documentos, que, segundo o sujeito passivo, não se encontravam em sua posse. Assim explicitou a autoridade lançadora: "2.1.1. O valor deste fato gerador foi apurado de acordo com as informações do autuado na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, com o código: 0588 rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. 2.1.2. A utilização dessa declaração foi necessária, tendo em vista que a empresa, apesar de intimada pelo Termo de Intimação Fiscal TIF anexo, deixou de apresentar, entre outros, o Livro Diário/Livro Razão, assim como, o Livro Caixa, as folhas de pagamento dos segurados, o que determinou a emissão do Auto de Infração n° 37.157.8477, por contrariar o § 2°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10510.006804/200881 Acórdão n.º 2201003.478 S2C2T1 Fl. 118 5 2.1.3. Aplicouse, assim, o comando expresso no § 3°, do art. 33, da Lei n° 8.212/91. 2.1.4. Em relação a este fato gerador, a contribuição previdenciária não declarada resulta da aplicação da alíquota de 20% (vinte por cento), de acordo com o inciso III, do art.22, da Lei n° 8.212/91, sobre a base de cálculo (PCI) não declarada, somandose ao resultado a contribuição do segurado contribuinte individual (CCI) não declarada e que foi calculada, tendo em vista o art. 4° da Lei n° 10.666/03, combinado com o § 26, do art. 216, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. 2.1.5. Encontramse como arquivos do CD anexo planilhas com as informações dos segurados (CCI), ambas não declaradas em GFIP. A planilha com PCI recebe do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais — SVA o código de identificação: e374731ddf3c6857065fce0377ed040a e a com CCI o código de identificação: e896dbe2545elda7522c2031 7fc9fc0d. 2.1.6. 0 quadro demonstrativo I, em anexo, relaciona a base de calculo (PCI) e o valor de CCI e o quadro demonstrativo II, também, em anexo, relaciona o valor da contribuição não declarada. 2.2. Código de Levantam nto RDN: neste levantamento encontrase o prólabore pago aos dirigentes do autuado, segurados obrigatórios como contribuintes individuais, conforme previsão da alínea f, do inciso V, do art. 12, da Lei n° 8.212/91. mensais, por segurado, dos valores dessas remunerações (PCI) e das contribuições (...) 3. Em razão da omissão, em GFIP, dos fatos geradores relatados no item 2, o autuado incorreu na infração prevista no inciso IV e no § 50, do art. 32, da Lei 8.212/91, e no inciso II, do art. 284, do RPS. 4. A constatação dessa omissão foi possível, apesar de o autuado não ter apresentado à fiscalização as GFIP, por por meio de consulta ao sistema previdenciário denominado CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais. 5. A fiscalização constatou a reincidência, circunstancia agravante da infração, prevista no inciso V combinado com o parágrafo único, do art.290, do RPS, pois em face desse contribuinte foram emitidos, anteriormente, os Autos de Infração n° 35.546.0009 e n°35.546.0017, sendo que as decisões condenatórias se tornaram irrecorríveis administrativamente em 12/04/2604, há menos de cinco anos, tendo em vista a expiração do prazo sem apresentação de recurso contra a decisão notificação de procedência da autuação." Fl. 120DF CARF MF 6 Tal procedimento já fora objeto de impugnação pelo Contribuinte. Analisando os argumentos apresentados, a 6ª Turma da DRJ Salvador assim se manifestou (fls 89): 9. Assim, inexistente cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos. 10. 0 crédito objeto do presente lançamento é relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 02/04 a 12/04. Essa obrigação está prevista no art. 32, inciso IV, §§ 3° c 5°, da Lei n° 8.212, de 1991. com a redação dada pela Lei no 9.528, de 1997, combinado com o art. 225, inciso IV e § 4', do RPS. 11. Rezava o art. 33 da Lei no 8.212. de 1991, à. época do lançamento: "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar,fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. I I, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição: e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. li, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente (...) § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo ii empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) ." (destaquei) Em sua apelação, o contribuinte novamente se insurge contra a autuação, alegando que não pode apresentar os documentos posto que não se encontravam em sua posse, subtraído que foram pela gestão anterior. Que em tal situação, não pode o Fisco aplicar a sanção em razão da impossibilidade que comprovação dos valores constantes nas declarações (GFIP e DIRF), quanto mais ao se considerar que os dados foram obtidos em sistemas internos de dados da Previdência Social, o que impossibilita a ampla defesa. Alega ainda que o CTN veda a tributação por analogia e que a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. Não merece reparos a decisão de piso. As alegações do Recorrente, embora acompanhadas de algum indício de prova como por exemplo a propositura de ação judicial de apresentação de documentos não tem o condão de afastar a lisura do procedimento fiscal, Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10510.006804/200881 Acórdão n.º 2201003.478 S2C2T1 Fl. 119 7 posto que não houve a apresentação dos documentos que permitem a análise e quantificação dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Tal omissão, por expressa disposição da Lei de Custeio mencionada no auto de infração enseja a aferição indireta do quantum devido pelo Contribuinte, posto que há declaração da ocorrência do fato gerador por meio da DIRF apresentada. Importante ressaltar que não há nenhuma contradição no procedimento fiscal, quando há aplicação de multa por ausência de informações em GFIP de dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e o procedimento de aferição indireta. Ao reverso, não poderia o Auditor Fiscal ter procedido de maneira diversa, posto que se houvesse a apresentação dos documentos que permitissem além da verificação da ocorrência do fato gerador, sua exata quantificação. Verificada a ocorrência de fato gerador de contribuições previdenciárias a remuneração de segurados contribuintes individuais e a ausência dessa informação em GFIP, impende a aplicação da sanção pelo descumprimento da obrigação acessória, nos termos da Lei de Custeio. Mister realçar, como bem fez a decisão de piso, que a alegação da impossibilidade da apresentação dos documentos não tem o condão de inibir o lançamento tributário, posto que verificado o descumprimento da obrigação tributária. Tal omissão, como dito, determina que o procedimento fiscal se realize por arbitramento, ou seja, que o Auditor Fiscal quantifique o tributo devido com base em documentos ou provas indiretas da ocorrência do fato gerador, cabendo ao contribuinte a comprovação de fato modificativo do direito de crédito do Fisco, com a comprovação de base de cálculo diversa daquela adotado pela Administração Tributária. E é justamente tal possibilidade a de confrontação do cálculo do tributo obtido pelo arbitramento, por meio de apresentação de novos documentos, que garante a ampla defesa. Nesse sentido, não socorrem o Apelante as disposições mencionadas do CTN, uma vez que não houve o emprego de analogia para a exação, ao reverso, constatouse pela declaração entregue pelo próprio Contribuinte a ocorrência do fato gerador e com base nessa mesma declaração, quantificouse o crédito tributário correspondente. Ora, não há analogia, ou seja, interpretação por similute de legislação. O que existe é a quantificação do crédito tributário de forma indireta, por documentos que permitem que se mensure a obrigação tributária surgida pela prática do fato gerador pelo sujeito passivo.Tal procedimento está textualmente previsto pela Lei de Custeio, art. 33: "§3oOcorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário" (destaquei) Mister ressaltar, como fez a decisão de primeiro grau que, em face do advento da Lei 11.941/09, devese verificar e se for o caso, aplicar a retroatividade benigna. Recordemos o voto condutor da decisão da DRJ Salvador (fls79): Fl. 122DF CARF MF 8 "17. Considerando, contudo, as alterações da legislação previdenciária pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei IV 11.941, de 27 de maio de 2009, o órgão preparador deverá, quando do transito em julgado administrativo, efetuar a comparação das multas aplicadas neste Al e nos Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal que lhe são conexos (Multas vigentes antes da MP n° 449, de 2008, com a multa vigente a partir da MP n° 449, de 2008). 18. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada neste Al somado com as multas aplicadas nos Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal não exceda o percentual de 75%, previsto no art. 35A da Lei n°8.212, de 1991." (negritei e sublinhei) Por todo o exposto, e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário, ressaltando como determinado na decisão de piso que, quando da cobrança do valor consubstanciado no presente auto de infração, devese recalcular o valor da multa aplicada, observandose as determinações aplicáveis constantes dos artigos 476 e 476A da IN RFB nº 971/09. . assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900034/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.574
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de PIS, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 34 /2 01 2- 13 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900034/201213 Acórdão n.º 3302003.574 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.800. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900034/201213 Acórdão n.º 3302003.574 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900034/201213 Acórdão n.º 3302003.574 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900034/201213 Acórdão n.º 3302003.574 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900034/201213 Acórdão n.º 3302003.574 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.900034/201213 Acórdão n.º 3302003.574 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.900034/201213 Acórdão n.º 3302003.574 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.907806/2011-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2000
PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF
A base de cálculo da contribuição para o PIS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE
Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. No caso, constatou-se que o crédito havia sido utilizado em outro PER/DCOMP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para o PIS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. No caso, constatouse que o crédito havia sido utilizado em outro PER/DCOMP. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 78 06 /2 01 1- 34 Fl. 245DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, prolatada pela DRJ em Ribeirão Preto (SP) no Acórdão nº 1443.854, de 20/08/2013, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração Dezembro de 2000, no valor de R$ 58,42. O Pedido de Restituição, de autoria do contribuinte Green Veículos Comércio e Importação Ltda, CNPJ nº 68.947.738/000102, foi transmitido em 07/06/2005, através do PER nº 41365.82843.070605.1.2.040058, fls. 2/4. Em 30/07/2005, o contribuinte foi incorporado pela empresa Pará Automóveis Ltda., CNPJ nº 74.386.137/000162. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência da empresa incorporadora, o que ocorreu em 21/12/2011, conforme comprovante constante à fl. 6. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 7/15, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10850.907806/201134 Acórdão n.º 3403003.999 S3C4T3 Fl. 246 3 pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos constantes à fl. 8, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa incorporada, Green Veículos (fls. 45/46). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que Fl. 247DF CARF MF 4 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 16/09/2013, a Recorrente foi intimada da decisão (fl. 61). Inconformada, em 16/10/2013, se socorre a este Conselho, reproduzindo em seu Recurso Voluntário (fls. 63/83), na essência, as mesmas razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando mais documentação comprobatória. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 27/03/2014, os membros da extinta 1ª Turma Especial/3ª Sejul, reconhecem o bom direito da Recorrente (declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), no entanto resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para fins de apuração da correta composição das bases cálculo, conforme Resolução nº 3801000.706, nos seguintes termos (fls. 128/134): "(...) Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento". Os autos, então, foram encaminhados à DRF em São José do Rio Preto (SP), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização, após a conclusão dos trabalhos, prolatou a Informação Fiscal de fls. 148/150. Concluído os trabalhos, a Recorrente foi intimado para ciência de Resolução CARF neste processo, bem como da Informação Fiscal dela decorrente elaborada pelo Fisco (fls. 155/156). Em 06/04/2015, a Recorrente manifestouse nos seguintes termos (fls. 171/172) grifei: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10850.907806/201134 Acórdão n.º 3403003.999 S3C4T3 Fl. 247 5 "(...) Concluindo a diligência, transcrita abaixo, a fiscalização indeferiu o crédito pleiteado, tendo em vista que o mesmo foi objeto do PER/DCOMP n. 07488.05592.271108.1.3.045852, controlado pelo processo administrativo n.10850.909900/201128" (...). Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3801 000.698, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. Ressalto que no presente processo deve ser alterada a identificação da Recorrente, passando a constar os dados da pessoa jurídica descrita no cabeçalho deste acórdão, sucessora por incorporação daquela que apresentou o PER. 1. Do direito A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme muito bem asseverado pela Resolução nº 3801000.706, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Fl. 249DF CARF MF 6 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei º 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Desta forma, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de PIS nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). 2. Da comprovação dos créditos Em que pese o direito da Recorrente, do exame dos elementos comprobatórios, foi constatado pela decisão a quo, que no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da PIS e eventuais pagamentos a maior. No entanto, por força da Resolução nº 3801000.706, este processo foi convertido em diligência, para que a Delegacia de origem "(...) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS, com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98". O Fisco cumprindo as determinações deste CARF, realizou as diligências necessárias, intimando a Recorrente a apresentar informações e documentos fiscais/contábeis, bem como ao final, elaborou a Informação Fiscal de fls. 148/150 e procedeu ciência do resultado a interessada, oferecendolhe prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Na conclusão dos trabalhos, assim concluiu a fiscalização (grifei): "(...) Conforme demonstrado na planilha acima, o valor apurado à titulo de PIS para a competência dezembro de 2000 foi R$1.527,51, enquanto que o valor recolhido, conforme já mencionado, foi de R$1.602,40, pelo que, apuramos um recolhimento a maior de R$74,89. Desta forma, proponho que o direito creditório pleiteado no PER nº 41365.82843.070605.1.2.040058, transmitido em 07/06/2005 (fls. 02/04) seja indeferido, uma vez que o mesmo foi utilizado no PER/DCOMP nº 20756.39997.271108.1.3.040422, controlado através do processo nº 10850.909899/201131. Proponho também que cópia desta informação fiscal seja anexada ao processo nº 10850.909899/201131". Após a conclusão da diligência, a Recorrente foi devidamente intimada do resultado e protocolou sua manifestação nos seguintes termos (fl. 163). "(...) Concluindo a diligência, transcrita abaixo, a fiscalização indeferiu o crédito pleiteado, tendo em vista que o mesmo foi objeto do PER/DCOMP n. 07488.05592.271108.1.3.045852, controlado pelo processo administrativo n.10850.909900/201128" (...). Diante da diligência acima, verificase que a fiscalização reconheceu integralmente o direito ao crédito requerido no PER n. 41365.82843.070605.1.2.040058, tendo em vista a diferença entre o valor pleiteado e valor apurado, indeferindo o crédito tão somente em razão de sua utilização em outro processo. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10850.907806/201134 Acórdão n.º 3403003.999 S3C4T3 Fl. 248 7 Em conformidade ao entendimento da fiscalização, a ora Requerente requer seja expedido ofício ao processo administrativo n. 10850.909899/201131 contendo a cópia desta informação fiscal que reconhece o crédito pleiteado". Como se vê, após intimação (fls. 137), a Recorrente apresentou os Livros Diário e Razão do mês de dezembro de 2000, que verificados conforme Balancete e Contas do Razão (fls.141/147), bem como a DIPJ referente ao anocalendário 2000 (Ficha 19A –Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP), apurouse através do demonstrativo o valor da base de cálculo e da contribuição do PIS referente ao mês de dezembro de 2000. Conforme demonstrado na planilha de fl. 149, o valor apurado à titulo de PIS para a competência dezembro de 2000 foi R$ 1.527,51, enquanto que o valor recolhido, conforme já mencionado, foi de R$ 1.602,40, pelo que, apurouse um recolhimento a maior no valor de R$ 74,89. No entanto, foi proposto que o direito creditório pleiteado no PER nº 41365.82843.070605.1.2.040058, transmitido em 07/06/2005 (fls. 02/04), seja indeferido, uma vez que o mesmo foi utilizado no PER/DCOMP nº 20756.39997.271108.1.3.040422, controlado através do PAF nº 10850.909899/201131. 3. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, não reconhecendo o direito ao crédito requerido no Pedido de Restituição (fls. 02/04), nos exatos termos como restou consignado na Informação Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 251DF CARF MF 8 Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001323/2005-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2001
ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA.
O arbitramento por ser medida extrema, deve ser pautado pela estrita observância das normas de regência, caracterizado pela adoção de cautelas e procedimentos que efetivamente demonstrem a imprestabilidade da escrituração contábil apresentada. A existência de documentos sem os requisitos formais ou materiais ou mesmo a omissão de receitas, devem ser objeto de tributação específica, sem implicar necessariamente em desclassificação da escrita.
Numero da decisão: 1803-000.854
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2001 ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. O arbitramento por ser medida extrema, deve ser pautado pela estrita observância das normas de regência, caracterizado pela adoção de cautelas e procedimentos que efetivamente demonstrem a imprestabilidade da escrituração contábil apresentada. A existência de documentos sem os requisitos formais ou materiais ou mesmo a omissão de receitas, devem ser objeto de tributação específica, sem implicar necessariamente em desclassificação da escrita.
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DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. O arbitramento por ser medida extrema, deve ser pautado pela estrita observância das normas de regência, caracterizado pela adoção de cautelas e procedimentos que efetivamente demonstrem a imprestabilidade da escrituração contábil apresentada. A existência de documentos sem os requisitos formais ou materiais ou mesmo a omissão de receitas, devem ser objeto de tributação específica, sem implicar necessariamente em desclassificação da escrita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Relatório Fl. 415DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 401 2 GREEN TOWER PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. DO PROCEDIMENTO FISCAL Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo ao anocalendário de 2001, exercício de 2002, foi lavrado em 05/05/2005 o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 04 a 07), o auto de infração da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 11 a 13), o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL (fls. 25 a 28), e o auto de infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 18 a 20) com crédito tributário total lançado de R$ 316.377,92 (trezentos e dezesseis mil, trezentos e setenta e sete reais e noventa e dois centavos), conforme abaixo demonstrado: (...) Conforme Termo de Verificação e de Constatação Fiscal de fls. 32 a I 36, foram verificados os fatos a seguir sintetizados. A Autoridade Lançadora, inicialmente, intimou o Contribuinte a apresentar, referentes ao anocalendário de 2001, os livros contábeis e fiscais, contrato social e alterações, contratos de empréstimos e financiamentos a curto e longo prazo e os de arrendamento mercantis, o demonstrativo por empreendimento imobiliário e os imóveis destinados à venda, as receitas apuradas e os custos orçados ou incorridos no período. Em resposta, o Contribuinte apresentou os elementos indicados à fl. 32 dos autos. Feita nova intimação em 20/12/2004, foi solicitada a composição das unidades imobiliárias com saldo em dezembro de 2001 e registradas na conta do ativo "OBRAS EM ANDAMENTO", os documentos dos lançamentos nas contas correntes dos sócios, dos valores lançados a débito e a crédito das contas correntes bancárias da Caixa Econômica Federal CEF e do Banco de Crédito 1 Nacional S/A BCN, da conta de Adiantamentos de Clientes, e os contratos das vendas das unidades imobiliárias do Edifício Champs Elisees. O Contribuinte também foi intimado a reconstituir o Livro Diário do período de 2001, em virtude de ter apresentado o livro sem numeração, contendo registros contábeis em sua maioria na forma de partidas mensais, em desacordo com a legislação, devido à opção pelo regime de tributação do LUCRO REAL. O Contribuinte foi alertado de que não efetuando a reconstituição do Livro Diário e não apresentando a documentação que dava suporte aos respectivos lançamentos contábeis do período, a empresa poderia ter os seus lucros arbitrados. Fl. 416DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 402 3 Em seguida, a Autoridade Fiscal afirmou que o Contribuinte reconstitui o Livro Diário comprovando os lançamentos das contas correntes bancárias com documentação "inidônea", que, em sua maioria, são recibos e cópias de cheques. Esses documentos estão especificados dos à fl. 33 dos autos. O Contribuinte, em 14/02/2005, foi reintimado a apresentar os documentos e os demonstrativos registrados no Termo de Intimação de 20/12/2004, assim como os extratos de contas correntes bancárias, pois os enviados não eram extratos oficiais, faltando extratos em vários meses de 2001. Como resposta, o Contribuinte apresentou cópias de correspondências enviadas à CEF e ao BCN, planilhas do sistema EXCEL dos registros da conta corrente da CEF, as quais foram devolvidas por não serem oficiais. Em 12/04/2005, de posse dos extratos das contas correntes bancárias da CEF e do BCN, o Contribuinte foi intimado a comprovar com documentação idônea as origens e os recursos dos créditos e dos débitos registrados nessas contas correntes, e também apresentar os contratos das unidades imobiliárias vendidas, os valores recebidos, os custos e as despesas incorridas no período de 2001. A Autoridade Fiscal informou que o Contribuinte apenas apresentou, os contratos de venda de três apartamentos, indicados à fl. 34. O Contribuinte fiscalizado, no anocalendário 2001, apurou o IRPJ pelo regime do lucro real anual, também CSLL anual, amparado no Livro Diário escriturado sem numeração e autenticado fora do prazo regulamentar, sem a respectiva documentação idônea, sem respeito ao regime de apuração, o que caracteriza o arbitramento dos seus lucros nos termos dos artigos 258 e 530 do RIR/99. Os créditos e os depósitos do período fiscalizado, efetuados na CEF e no BCN, conforme termo de intimação e indicados nos ANEXOS 1 e 2, não foram comprovados com documentação idônea. Nos ANEXOS 3 e 4, constam os registros dos valores lançados a crédito nas respectivas contas correntes bancárias correspondentes aos recebimentos do sócio José Thomaz e as transferências entre as contas correntes da empresa. O ANEXO 5 foi elaborado para demonstrar os valores consolidados dos ANEXOS 1, 2, 3 e 4 e os totais mensais e trimestrais dos créditos apurados, das receitas da atividade imobiliária e das "Outras Receitas", esta caracterizada por receitas omitidas, cujos totais dos recebimentos são superiores aos valores informados no Livro Diário e na Declaração de Rendimentos apresentada pela empresa. Fl. 417DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 403 4 No ANEXO 6, foram registrados os valores recebidos em 2001 referentes às unidades imobiliárias vendidas e os seus respectivos custos, imputados de acordo com a documentação e o demonstrativo apresentado pelo Contribuinte. No ANEXO 7, foram registrados as parcelas recebidas, os custos e os lucros apurados mensalmente e trimestralmente no período de 2001. No ANEXO 8, estão as locações de imóveis, conforme apresentado pelo Contribuinte. De acordo com o art. 534 do RIR/99, dos valores apurados e tributáveis em 2001, foram deduzidos os custos declarados das unidades imobiliárias vendidas. ENQUADRAMENTO LEGAL IRPJ — Arts. 530, inciso II; 532; 534; 537, todos do RIR/99. Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n°9.430/96. CSLL Arts. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 19, 20 e 24 da Lei n° 9.249/95; art. 29 da Lei n° 9.430/96; art. 60 da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. PIS — Art. 1° e 3° da Lei Complementar n. 07/70. Art. 24, § 2°, da Lei n. 9.249/95. Arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9° da Lei n°9.715/98. Arts. 2° e 3° da Lei n°9.718/98. COFINS — Art. 1° da Lei Complementar n. 70/91; Art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95. Arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da MP n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da MP n° 1.858/99 e suas reedições. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do auto de infração em 05/05/2005, o Contribuinte apresentou impugnação às fls. 320 a 337 em 06/06/2005, na qual faz a defesa a seguir sintetizada. A Impugnante, preliminarmente, alega cerceamento de defesa e, impossibilidade de argüição da inidoneidade dos documentos. Argumenta a Impugnante que a inidoneidade, dos documentos apresentados, alegada pela Autoridade Fiscal não pode ser entendida como válida e suficiente para autorizar o arbitramento de seus lucros, pois toda a.documentação comprobatória dos lançamentos efetuados em suas contas correntes e registrados em seu Livro Diário foi fornecida à Fiscalização. Assim, diz que não há como entender inidôneos documentos como recibo de aluguéis, reembolsos de despesas, recebimento por serviços prestados, pagamentos recebidos e outros diversos recebimentos. Esses documentos apresentados são válidos e regulares e demonstram de forma clara e inatacável os lançamentos efetuados em seus livros. A Impugnante afirma que a Fiscalização apenas alegou e não provou a inidoneidade da documentação apresentada, conforme exige o art. 9° do Decreto 70.235/72. A inidoneidade alegada pelo Auditor Fiscal só poderia ser feita após a realização de perícia técnica contábil e bancária, e eventualmente Fl. 418DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 404 5 "documentoscópica", efetuada por "expert" competente no assunto. Dessa forma, entende que a Autoridade Fiscal, ao considerar a documentação apresentada como inidônea, sem que lhe desse possibilidade de se defender, fulminou de nulidade todo o procedimento fiscal executado, conforme preceitua o art. 59 do art. 59 do Decreto 70.235/72 e o art. 5°, inciso LV, da CF/88. Em seguida, a Impugnante relaciona julgados do Conselho de Contribuintes sobre inidoneidade documental. Continuando, a Impugnante passa a defender a impossibilidade jurídica do arbitramento na forma como ele foi realizado pela Autoridade Fiscal. Defende a Impugnante que o arbitramento só é possível diante da total e absoluta falta de elementos indispensáveis à determinação do montante tributável, ou da absoluta imprestabilidade das fontes de informação existentes, circunstância essencial que não se viu no caso. Cita entendimento de Edmar Oliveira Andrade Filho, explanado no livro Manual de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. No presente caso, o arbitramento se baseou na falsa premissa de uma incomprovada inidoneidade documental, que eivou de nulidade absoluta o lançamento efetuado. Por mais esse motivo, defende a nulidade do auto de infração e imposição de multa lavrado O cálculo do arbitramento, também, foi efetuado em ofensa à legislação aplicável, gerando a sua nulidade. Isso porque o lucro deveria ter sido arbitrado na forma do art. 284 do RIR/99 e não na forma do art. 530 do mesmo regulamento, conforme fez ilegalmente a Fiscalização. O art. 284 referese ao lucro real, ao passo que o art. 530 utilizado se refere ao arbitramento do lucro do contribuinte que optou pelo lucro presumido, que não foi o caso da Impugnante. Pelos motivos acima sintetizados, a Impugnante defendeu o cancelamento do auto de infração lavrado contra ela, pois inconsistente e eivado de nulidade absoluta. Por fim, protestou pelo direito de produção de provas por todos os meios admitidos em direito, notadamente a juntada de novos documentos, a oitiva de testemunhas e perícias técnicas. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão 1618.012, de 07 de agosto de 2008 (fls. 349/364), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE t t PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: ARBITRAMENTO. COMPETÊNCIA.PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO. PERÍCIA. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade constituída pela lei Fl. 419DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 405 6 para praticar as atividades que resultam no ato de lançamento, incluída a atividade de perícia de livros e documentos e a atividade de determinação da base de cálculo do tributo. O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento deve ser levado a efeito quando a documentação e a escrituração do contribuinte não possibilitem a identificação da efetiva movimentação financeira, incluída a bancária. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. De acordo com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal, as provas devem ser apresentadas em conjunto com a apresentação da impugnação. PERÍCIA. PEDIDO. Indeferese o pedido de perícia quando nos autos verificase ser ela prescindível. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. COFINS. PIS A tributação reflexa segue a mesma linha decisória quanto ao decidido no IRPJ. Lançamento Procedente Ciente da decisão em 11/09/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 373), apresentou o recurso voluntário em 09/10/2008 fls. 374/397, onde reitera os argumentos da inicial acrescentando os argumentos de nulidade da decisão de primeira instância pelo indeferimento de perícia e a imprestabilidade dos depósitos bancários para caracterizar a omissão de receita sem a comprovação de acréscimo patrimonial. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 406 7 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), lavrados em virtude do arbitramento do lucro do ano calendário 2001, apuradose omissão de receitas por depósitos bancários sem origem comprovada. Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade do lançamento de ofício por cerceamento de defesa não tendo a contribuinte sido intimada a comprovar adequadamente os documentos tidos como inidôneos e os motivos de sua imprestabilidade; b) A nulidade da decisão de primeira instância igualmente por cerceamento de defesa já que não foi oportunizada a perícia técnica requerida na impugnação; c) Que o arbitramento foi indevido já que apresentada nova escrituração e os documentos pertinentes, sendo as falhas apontadas insuficientes para sustentar a imprestabilidade da escrituração; d) Que havia elementos suficientes para lastrear o lançamento notadamente os extratos bancários, sendo desnecessário o arbitramento do lucro, embora os depósitos bancários não representem omissão de receita, sem a comprovação do acréscimo patrimonial; e) Que o arbitramento deveria ter sido na forma preconizada no art. 284 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) e não com base no art. 530 do mesmo diploma legal. Considerando o entrelaçamento entre as alegações preliminares e de mérito passo a apreciar diretamente o mérito do litígio. Não obstante a improcedência de parte das alegações entendo que assiste razão à recorrente. Com efeito, considerando os elementos constantes dos autos, constatase ter agido com equívoco a autoridade fiscal ao realizar o lançamento de ofício com base no lucro arbitrado. A motivação invocada para adotar o regime de tributação do lucro arbitrado e desprezar a escrituração da empresa fiscalizada pode assim se resumida (vide auto de infração – fl. 05): Fl. 421DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 407 8 O Livro Diário do ano calendário de 2001 registrado fora do prazo regulamentar e escriturado em partidas mensais; Documentação inidônea para comprovação dos registros nas contas correntes bancárias e lançados parcialmente no Livro Diário de 2001. Já no Termo de Verificação e de Constatação (fls. 33/34), sintetiza a autoridade fiscal sua motivação para o arbitramento: Em 20/12/2004 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal, cuja ciência ocorreu em 28/12/2004, solicitando a composição das unidades imobiliárias com saldo em dezembro de 2001 e registradas na conta do Ativo "OBRAS EM ANDAMENTO"; os documentos dos lançamentos nas contas correntes dos sócios; dos valores lançados a débito e a crédito das contas correntes bancárias da Caixa Econômica Federal — CEF e do Banco de Crédito Nacional S/A — BCN; da conta de "Adiantamentos de Clientes"; e os contratos das vendas das unidades imobiliárias do EDIFÍCIO CHAMPS ELISEES. Na mesma data, o contribuinte foi intimado a reconstituir o LIVRO DIÁRIO do período de 2001, em virtude de ter apresentado o livro sem numeração, contendo os registros contábeis em sua maioria na forma de partidas mensais, em desacordo com a legislação vigente, devido à opção pelo regime de tributação do LUCRO REAL e com a observação de que não efetuando a reconstituição do Livro Diário e a não apresentação dos documentos que dão suporte aos respectivos lançamentos contábeis do período à empresa poderia ter os seus lucros arbitrados. O contribuinte reconstitui o LIVRO DIÁRIO comprovando os lançamentos das contas correntes bancárias com documentação inidônea que em sua maioria são recibos e cópias de cheques, os quais foram especificados abaixo: (...) O contribuinte entregou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do Ano Calendário de 2001, pelo regime de tributação do LUCRO REAL com apuração do IRPJ e CSLL Anual, cópia anexa, amparado nos registros contábeis do LIVRO DIÁRIO, que foi registrado sem numeração e autenticado sob n° 114 no 1º. Oficial de Reg. Civil das Pes. Nat. e de Tutelas do 1°. Sub da Sede Santos — SP, em 19/02/2004, fora do prazo regulamentar, em desacordo com a legislação vigente para esse regime de apuração, e sem documentação idônea, que caracterizam o arbitramento dos seus lucros nos termos dos artigos n° 258 e 530 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 110 3 .000, de 26/03/1999, a seguir transcritos: “Art. 258 Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, Fl. 422DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 408 9 diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei n° 46, 1969, art. 5°).” Assim, de forma sintética duas foram as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal para submeter a contribuinte ao regime do lucro arbitrado, desclassificando a escrituração apresentada: a) atraso no registro do Livro Diário e alguns lançamentos realizados em partidas mensais; e b) comprovação de lançamentos com documentação inidônea. Com relação a primeira motivação, entendo ter sido a mesma totalmente superada ao exigir e permitir a autoridade fiscal para que a contribuinte refizesse a escrituração conforme intimação de fl. 136. Conforme a própria autoridade fiscal reconhece em seu Termo de Verificação e Constatação, a contribuinte apresentou a nova escrituração, não tendo a fiscalização feito qualquer reparo na sua estruturação e forma. Destarte, se a própria fiscalização exigiu e permitiu a confecção de nova escrituração e não apresentou qualquer objeção quanto a sua apresentação, tal motivação deve ser inteiramente rejeitada para justificar o abandono da escrituração e fundamentar o arbitramento do lucro. Quanto ao segundo ponto, entendo igualmente equivocada a motivação invocada pela autoridade fiscal para legitimar o abandono da escrituração. Com efeito, conforme termo de intimação constante das fls. 133/135, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem de diversos lançamentos contidos na escrituração contábil. A contribuinte apresentou os documentos de fls. 137/162, que foram recusados pela fiscalização como inidôneos, sem contudo apontar a fiscalização a razão de sua recusa. Não é possível determinar dada a acusação genérica da fiscalização se os documentos apresentados carecem de requisitos formais ou materiais que os tornam imprestáveis para sustentar a escrituração ou mesmo se lhes faltam os requisitos de dedutibilidade fiscal para amparar custos ou despesas da contribuinte. Se os documentos e os esclarecimentos prestados foram insuficientes à critério da autoridade fiscal, impunhase nova intimação para os esclarecimentos necessários e se fosse o caso, apurar a matéria tributável correspondente – glosa de despesas ou pagamentos a beneficiário não identificado, ou mesmo omissão de receitas, sujeitandoos à tributação específica conforme o caso. Importante notar, que parte dos lançamentos contábeis inquinados como não lastreados em documentos idôneos se referem a créditos e débitos da movimentação financeira Fl. 423DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 409 10 bancária, que foi utilizada para apurar a omissão de receita por depósitos bancários sem origem. Sendo assim, não poderiam e nem deveriam ser utilizados também como motivação para o arbitramento do lucro pois a simples existência de omissão de receitas não é aventada pela legislação como motivo para o arbitramento do lucro. Não fosse este o entendimento, seriam inócuas as disposições contidas no art. 24 da Lei nº 9.250/95: (verbis) Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. (...) De outra banda, a própria presunção legal esculpida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, amparase na falta de comprovação da origem do crédito/depósito bancário caracterizandoo como omissão de receitas, descabendo utilizarse destes mesmos valores para justificar o arbitramento simplesmente pela existência dos mesmos. Por oportuno, constatase outro equívoco por parte da autoridade fiscal ao apurar a matéria tributável do lançamento de ofício, pois desprezou por completo a receita bruta conhecida referente aos aluguéis recebidos, englobandoa juntamente com os valores dos depósitos bancários sem origem o que se apresenta incorreto ante as disposições da Lei nº 9.250/95 (anteriormente transcrita) e também do art. 42 da Lei nº 9.430/96: (verbis) Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Dessumese que dispondo a autoridade fiscal de vasta gama de matéria tributável decorrente da omissão de receitas por depósitos bancários não comprovados, ou mesmo de possíveis glosas de custos ou despesas, bastava adicionálas ao lucro líquido do Fl. 424DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10845.001323/200555 Acórdão n.º 180300.854 S1TE03 Fl. 410 11 exercício, para determinação de novo lucro real, sendo o critério jurídico adotado no lançamento de ofício, equivocado ante as disposições das normas tributárias que regem a matéria. Destarte, entendendo a autoridade fiscal haver elementos suficientes para a desclassificação da escrituração e o conseqüente arbitramento do lucro, cabialhe apresentar de forma pormenorizada e detalhada os motivos que a levaram a adotar o procedimento sob pena de invalidade do lançamento. Impõese, ante o incorreto critério jurídico adotado no lançamento de ofício o cancelamento integral da exigência. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 425DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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