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Numero do processo: 15374.912748/2008-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 27 48 /2 00 8- 41 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório INFNET EDUCAÇÃO LTDA. apresentou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DComp) no 41029.51511.130804.1.3.04 6003, por meio do qual requereu a restituição de indébito, no valor de R$ 1.016,53, por pagamento indevido ou a maior do que o devido a título de PIS, efetuado em 15/01/2004, e declarou sua compensação com débito de Cofins. O Despacho Decisório Eletrônico no de rastreamento 781146546, fl. 10, indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio reclamação, fls. 12, por meio da qual o declarante alega erro no valor do débito de PIS do PA 01/12/2003 a 31/12/2003 e que, no Per/DComp, foi composto o crédito no valor de R$ 1.016,53, que é a diferença entre o valor pago em Darf e o valor efetivamente devido. A DRJ/RJ24ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 1333.273, de 31 de janeiro de 2011, fls. 50 a 58, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/12/2003 a 31/12/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/RJ24ª Turma. O arrazoado de fls. 50 a 58, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, manifesta sua irresignação contra o fato de não ter sido intimada a apresentar a documentação necessária para a comprovação do seu direito de crédito e exige que se realiza diligência para que a prova necessária seja produzida, sobretudo porque a Administração Tributária já estava ciente do saldo utilizado de crédito para consecução da compensação levada a efeito mas não homologada. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.912748/200841 Acórdão n.º 3403002.111 S3C4T3 Fl. 99 3 Considerando que bastaria à ora Recorrente trazer à lume a documentação específica que comprova a demonstração da redução do que foi pago a maior para justificar que a diferença se caracteriza crédito apto a ser utilizado na compensação, promete juntar aos autos, oportunamente, toda a documentação necessária para provar a existência e o acerto de seu crédito. Concluindo, pede provimento ao recuso voluntário, reformando a decisão a quo e despacho decisório da autoridade fiscal, homologando a compensação apresentada/declarada no PER/DComp. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 50 a 58 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ24ª Turma nº 1333.273, de 31 de janeiro de 2011. Liminarmente, saliento que o recorrente não cumpriu o prometido e não trouxe aos autos a documentação comprobatória do seu crédito. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.912748/200841 Acórdão n.º 3403002.111 S3C4T3 Fl. 100 5 contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/DComp nº 41029.51511.130804.1.3.046003 comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reporto me à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.912748/200841 Acórdão n.º 3403002.111 S3C4T3 Fl. 101 7 cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente objetou que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/DComp nº 41029.51511.130804.1.3.046003 lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, como demonstrou bem saber, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008, mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/12/2003 a 31/12/2003) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DComp, dispensada inclusive a apresentação de DCTF retificadora, já que a mesma não teria qualquer efeito em razão da perda de espontaneidade, e na DIPJ, de caráter meramente informativo. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Relator 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10880.928995/2008-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 95 /2 00 8- 26 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS S/Acontra a decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido, em 30/04/2004, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DComp) no 34457.23780.300404.1.3.043923, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de Cofins, período de apuração de 01/03/2003 a 31/03/2003, no valor de R$ 4.139,27, e débito de CSLL do período de apuração do 1º trimestre de 2004. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 790560915, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação, alegando que o valor da contribuição devida no período havia sido recolhido a maior, tendo o despacho decisório se baseado nos dados declarados erroneamente em DCTF, cuja retificação providenciara por meio do programa apropriado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DComp e da DCTF retificadora entregue em 24/09/2008. A DRJ São Paulo I/SP13ª Turma não reconheceu o direito creditório, considerando que a DCTF retificadora fora entregue após a ciência do despacho decisório, não tendo havido, ainda, a apresentação de qualquer documento idôneo que justificasse as alterações promovidas. O Acórdão nº Acórdão 16031.867, de 3 de junho de 2011, fls. 53 a 57, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 15/04/2003 ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, cm razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, devendo vir acompanhada por documentos idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DEBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do credito foi utilizado para quitar débito Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.928995/200826 Acórdão n.º 3403002.124 S3C4T3 Fl. 115 3 confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, 59 a 67, requerendo a reforma do acórdão da DRJ São Paulo I/SP, com a homologação total da compensação pleiteada, arguindo que o crédito declarado efetivamente existe, em razão do que a DCTF retificadora deve ser analisada, em conformidade com o princípio da verdade material. Segundo o Recorrente, sendo a DCTF o meio apto a constituir o crédito tributário, o teor da retificadora deveria ter sido objeto de averiguação na primeira instância administrativa, pelo menos, via diligência à repartição de origem. Ao final, protesta pela juntada futura de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários e de identificação de seu representante legal. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 59 a 67 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP113ª Turma nº Acórdão 16 031.867, de 3 de junho de 2011. A propósito, o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis da 3ª TE desta Seção relatou processo idêntico ao ora sub judice, na sessão de julgamento de 23 de fevereiro de 2013. Por partilhar integralmente de seu entendimento, transcrevo na íntegra o seu voto, que adoto como razão de decidir. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Conforme o relator a quo já havia constatado, o contribuinte, ao ser cientificado da não homologação da compensação e do não reconhecimento do direito creditório, procurou retificar a DCTF no sentido de ajustar suas informações à realidade pretendida na Declaração de Compensação. No entanto, para que a DCTF retificadora produzisse efeitos imediatos, com alteração dos débitos confessados, ela deveria ter sido apresentada anteriormente ao início do procedimento fiscal, nos termos do art. 11, § 2º, inc. III, da Instrução Normativa RFB nº 786, de 14/12/2007, bem como da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Além disso, ainda que se considerasse a DCTF retificadora intempestivamente apresentada pelo Recorrente, ela não o socorreria, pois que desacompanhada de qualquer documento comprobatório do crédito alegado, como a escrituração contábilfiscal que demonstrasse a apuração da contribuição devida no período. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP e da DCTF retificadora, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte nada acrescenta, trazendo aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários, protestando por entrega futura dos documentos comprobatórios que alega possuir. 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.928995/200826 Acórdão n.º 3403002.124 S3C4T3 Fl. 116 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fazendo minhas as palavras do Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, a quem homenageio, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000632/2003-99
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 28/02/2000, 28/02/2001
CONCOMITÂNCIA DE OBJETO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.RECURSO NÃO CONHECIDO.
A concomitância de objeto inviabiliza o conhecimento do recurso. Se o objeto do recurso administrativo já estiver sendo apreciado pelo judiciário, não poderá o Segundo Conselho de Contribuintes conhecer do Recurso Voluntário, em respeito a Súmula no 01 deste Conselho, in verbis:
“SÚMULA No 01
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo”.
Não sendo conhecido o recurso tornam-se prejudicados as demais matérias postas para a apreciação deste Conselho.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 203-13783
Nome do relator: Jean Cleuter Simões Mendonça
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 28/02/2000, 28/02/2001 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.RECURSO NÃO CONHECIDO. A concomitância de objeto inviabiliza o conhecimento do recurso. Se o objeto do recurso administrativo já estiver sendo apreciado pelo judiciário, não poderá o Segundo Conselho de Contribuintes conhecer do Recurso Voluntário, em respeito a Súmula no 01 deste Conselho, in verbis: “SÚMULA No 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo”. Não sendo conhecido o recurso tornam-se prejudicados as demais matérias postas para a apreciação deste Conselho. Recurso não conhecido.
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A concomitância de objeto inviabiliza o conhecimento do recurso. Se o objeto do recurso administrativo já estiver sendo apreciado pelo judiciário, não poderá o Segundo Conselho de Contribuintes conhecer do Recurso Voluntário, em respeito a • Súmula no 01 deste Conselho, in verbis: "SÚMULA N° 01 • Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o_ _ _ _ _ mesmo objeto do processo administrativo". Não sendo conhecido o recurso tornam-se prejudicados as demais matérias postas para a apreciação deste Conselho. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORD:., os Membros da TERCEJÂ CÂMARA do SEGUNDO • CONSELHO DE CO ' 1 ,7 BUINTE, e e un . midad tos,,em não conhecer do recurso, por opção pela via,;(71. , O MA E • ROSENBUgG FILHO i,à,-SECUNDO CONSELHO DE COTiTRIBUINTES / Presidente CONFERE COM O ORiGiNAL Brasília, M I pz.s 1_09 1 Matilde Cursin e Oliveira Mat. Siape 91650 Processo n° 19740.000632/2003-99 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.783 Fls. 345 , JEAN CLEUTE r 4-v O MENDONÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos • Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, José Adão Vitorino de Morais, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente) e Luis Guilherme Queiroz Vivacq (Suplente). '''''' tc.::0,3•Çi",4:)-FC;s'iÓR"---""—NE:.)cE0L1-1,m0000ERCIGOígTNALRIGUINTES Brasília Matilde Omina e Oliveira Mat. Sia. - 91650 • • 2 Processo n0 19740.000632/2003-99 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.783 MF-BEGUNDO CONSELH0 DE COWTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 346 --Brasília. 49 Marido Curs • • . e Oliveira Met. Sla p o 91650 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls.112/115) lavrado em 06/11/2003, em decorrência da contribuinte não ter recolhido o PIS no período de 28/02/1999 a 31/10/1999, 28/02/2000 e 28/02/2001. No termo de verificação fiscal (fls.102/107) consta a itiformação que a contribuinte é litisconsorte nos Processos Judiciais ri c's 10.768.013072/2001-98 e 10.768.020391/00-34, que tramitam na 14° Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.11/55). Nessas ações judiciais a autuada, juntamente com os demais litisconsortes, protestam a contribuição PIS pela totalidade de suas receitas e - a tributação da COFINS pela Lei n° 9.718/98. A pretensão foi negada nos dois Mandados de Segurança, mas foi permitido o depósito judicial a fim de evitar a exigibilidade do montante devido. A autuada protocolizou impugnação junto à DRJ alegando que a cobrança feita na autuação fiscal foi relativo à atividades cooperativas, no entanto, as cooperativas não são sujeitos passivos do PIS, pois a pratica cooperativa não aufere renda, lucro ou receita, conforme art. 79 da Lei n° 5.764/71. A impugnante também argumentou que o período entre fevereiro e outubro de 1999 não podem ser cobrados, pois estes foram enquadrados na Medida Provisória n° 1.858/99, no entanto, em decorrência do princípio da anterioridade nonagesimal, tal norma passou a produzir efeitos somente em 30/10/1999. Ao fim, a impugnante requereu que fosse declarado integralmente nulo o lançamento. No acórdão (fls.230/238), a DRJ julgou pela improcedência da impugnação, mantendo todos os lançamentos, entendendo, em suma, que a autuada é cooperativa de crédito e que esse tipo de cooperativa é equiparada à instituição financeira, portanto, deve ser tributada como tal. A contribuinte foi intimada do acórdão em 15/01/2007 (fl.243) e interpôs Recurso Voluntário em 08/02/2007 com as seguintes alegações, em síntese (fls.244/268): Na preliminar. 1. A esfera administrativa não julga somente as mesmas matérias das ações judiciais, toda via, no Mandado de Segurança não está sendo discutido o Princípio da Anterioridade Nonagesimal, o qual é trazido a este processo administrativo. 2. A autuação é nula, pois tributou indistintamente todas as atividades da contribuinte, sem diferenciar os atos cooperativos e os não-cooperativos. 3 s. Na autuação e no acórdão da DRJ não foi respeitado 'o princípio no e imal. /13 3 Processo n° 19740.000632/2003-99 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.783 Fls. 347 No mérito. 1. No ato cooperativo não há conteúdo econômico, não representando receita para fins de incidência do PIS; 2. Explicou as atividades da cooperativa de crédito, informando que todas essas atividades são voltadas para os cooperados e cumpri o objeto social da cooperativa. 3. A cooperativa atua como mandatária dos cooperados, portanto, a receita percebida pela cooperativa pertence, na realidade, aos cooperados, não podendo ser tributado como receita da cooperativa. Ao fim a recorrente pediu o reconhecimento da ausência de renuncia à esfera administrativa em decorrência da ação judicial; a nulidade do lançamento fiscal, pois na autuação descaracterizou a sociedade cooperativa da recorrente; anulação parcial do auto de infração, relativo ao período de fevereiro a outubro de 1999, em virtude da anterioridade nonagesimal. É o relatório. ?— MF U coM O ORIGNP,L NRÍTES 1,12_ 13tIts11ia, Maytkiemad-t, 9da165010tveira tape 4 Processo n° 19740.000632/2003-99 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.783 Fls. 348 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brastfia, /2 / 0_3 / 9, Marilde Curs , e Oliveira Mat. Siar.* 91650 Voto Conselheiro , JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Alega a recorrente que a matéria tratada no Mandado de Segurança não é o mesmo trazido ao Recurso Voluntário. Veja-se a transcrição do pedido efetuado pela recorrente no Mandado de Segurança n° 2000.51.01.014134-9/14 (fls. 40/41), contido no Processo Judicial n° 10.768.013072/2001-98, in verbis: "1- A concessão de medida liminar inaudita altera parts, com base no art. 151, IV do Código Tributário Nacional, afim de que a autoridade Coatora se abstenha de cobrar a COFINS; 2- Que, em caso de indeferimento do pedido de medida liminar, seja concedido o direito às Impetrantes de depositar em conta corrente, à disposição deste Juízo, os valores do tributo em questão, até a decisão definitiva, nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional; 3-Que seja notificada a Autoridade Coatora para, querendo, informar sobre ato impugnado. 4 — Que seja concedida segurança, ao final da ação, impedindo, definitivamente, que a Autoridade Coatora exija o pagamento dos tributos em questão, ou, sendo o caso, determinando a diminuição da aliquota e da base de cálculo do tributo, alterados ilegalmente pela Lei n° 9.718/98". (grifo nosso) Pelos pedidos_ transcritos _ acima, nota-se_ que _a _contribuinte_ busca-- na ação judicial que a Receita Federal não cobre o PIS e a Cofins. No presente processo, a recorrente busca inexistência da cobrança do PIS. Portanto, forçoso concluir que, apesar de argumentos diversos, o processo judicial e o administrativo cuidam da mesma matéria, qual seja, a incidência do PIS sobre as cooperativas. Sendo assim, não podem ser apreciadas pela esfera administrativa as matérias que estão transitando na esfera judicial, concomitantemente, isso porque no momento em que a contribuinte faz opção pela via judicial, caracteriza-se a desistência pela da via administrativa, portanto, apesar das alegações do contribuinte todas as matérias do recurso estão dependentes da decisão judicial, portanto, não há como aprecia-las. Essa presunção de desistência já foi objeto de várias discussões outrora, o que já não cabe mais, vez que a não apreciação pela esfera administrativa de matéria conco • ante foi pacificada pela súmula n° 01 deste Segundo Conselho de Contribuinte, in verbis: 5 46 . 4 Processo n° 19740.000632/2003-99 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.783 Fls. 349 , - "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo , sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo". Sendo assim, ficam excluídas da apreciação desta Câmara as matérias atinentes à inconstitucionalidade das normas aplicadas e quanto ao cálculo que da base de cálculo do lançamento, haja vista que esta última matéria já está sendo apreciada pelo judiciário. Ex positis, não conheço o Recurso Interposto, em razão da opção pela via judicial. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2009 - " or / JEAN CLEUTER 0 i 1 'S , :', é • ÇA /-7 ..L,---- .-------65------trse s . to4z.GuNczotàonit-colopoRtotsr-d.\ Bru9P.I1.,t1---0Q---1----ai-1---- ";4t 3 011vekamame Cte" (131650 Uca S'aP.-- .. .--------__.....-- • . , 6 I , • CCO2/CO3 Fls. 166 MINISTÉRIO DA FAZENDA • •n1, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n" 13727.000409/2003-33 Recurso n" 138.965 Voluntário Matéria Auto de Infração de Cofins Acórdão n° 203-13.793 Sessão de 04 de fevereiro de 2009 Recorrente SOLA S/A INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO II/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/10/2001 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. ART. 3 0, § 1°, LEI N° 9.718/98. A base de cálculo da Cofins é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Logo, as receitas de locação de bens móveis e imóveis integram a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à análise de inconstitucionalidade de leis por esse colegiado, na linha fixada pela súmula n° 02 deste Conselho de Contribuintes; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, para declarar que toda a receita auferida pelo contribuinte constitui a receita da sociedade, fazendo parte da base de cálculo da exação. Vencidos os Conselhei s, Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Luciano Pontes de M ya Gomes (Suplente) e Luiz Guilherme Queiroz Vivacqua (Suplente). MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brunia, ,/ (23 f o 9 Marikte Ctirsino de Oliveira Mat. Siape 91650 Processo n° 13727.000409/2003 3 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.793 Fls. 167 11# ROSE BURG " LHO Presidente 111 DASSI GUERZONI FILH elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e José Adão Vitorino de Morais. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Bradá, e, , 03 , 09 Marido Cudo Oliveira Mat. Slapo 91650 2 Processo n° 13727.000409/2003-33 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.793 Fls. 168 Relatório Trata o presente julgamento de analisar o Recurso Voluntário interposto pela interessada contra o Acórdão proferido pela 5' Turma da DRJ II do Rio de Janeiro/RJ, o qual manteve integralmente o lançamento de oficio efetuado em 12/03/2004 pela DRF em Volta Redonda/RJ para a constituição de crédito tributário relativo à Cofins dos períodos de apuração de outubro de 2001 a agosto de 2002 e de novembro e dezembro de 2002, no valor de R$ 248.598,48, nele incluídos o principal, os juros de mora e a multa de oficio de 75%. De acordo com a decisão da instância de piso, não poderia ela deliberar sobre as questões de inconstitucionalidade de lei suscitadas pela autuada e que, além disso, a autuação estaria consubstanciada na Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998, segundo a qual as receitas de locação de bens móveis e imóveis devem integrar a base de cálculo da contribuição. No Recurso Voluntário a autuada, em resumo, alega que, por não fazerem parte de seu objeto social, as receitas de aluguel de seus bens móveis e imóveis não podem ser incluídas na base de cálculo da Cofins, primeiro por não se inserirem no conceito de faturamento trazido pela Lei Complementar n° 70/91, segundo por não se caracterizaram como receitas de prestação de serviços e, por fim, pelo fato de o alargamento da base de cálcul trazido pela Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, ser inconstitucional, inclusive tendo h. Supremo Tribunal Federal se manifestado nesse sentido. É o Relatório. _ MF-SEGUNDO CONSELHO DE-CONTRIBUINTE _ - - CONFERE COM O ORIGINAL S °rufia, / 03 , Q 9 Marikle Cursino de Oliveira Met, Slope 91650 3 . . Processo n° 13727.000409/2003-33 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.793 Fls. 169 MF:SEGUNDO CONSELHO DE CONTR CONFERE COM O ORIGINAL"1"4 C7-3 / 09 MIM° Cursino de 011veira Mat. 61 e 91650 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 07/12/2006, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 08/01/2007. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Um dos argumentos trazidos pela Recorrente é o de que a mudança no conceito de faturamento trazido pela Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, é inconstitucional. No entanto, a partir da edição da Súmula n° 2, aprovada na Sessão Plenária de 18 de Setembro de 2007, publicada no DOU de 26/09/2007; Seção I, pág. 28, o enfrentamento de questões dessa ordem restou pacificado no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme se vê em seu enunciado, transcrito abaixo: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Outro argumento é o de que o próprio Supremo Tribunal Federal admitiu a inconstitucionalidade acima apontada. Todavia, a minha posição é pela impossibilidade de aplicação, nesta oportunidade, de tal inconstitucionalidade, porque decretada pelo STF na via incidental (Recursos Extraordinários ti% 357.950, 358.273 e 390.840 relator, para estes três publicados no DJ de 15/08/2006, p. 25, o Min. Marco Aurélio, e 346.084, relator para este último, publicado em 01/09/2006, o Min. Ilmar Gaivão) e, ao menos até agora, não sobreveio Resolução do Senado nem ato do Poder Executivo, afastando com efeitos erga omnes o citado dispositivo legal. Como tal inconstitucionalidade foi declarada na via incidental, cujos efeitos não são erga omnes, até que sobrevenha ato do Secretário da Receita Federal ou do Procurador- . Geral da Fazenda Nacional cancelando tais lançamentos, conforme autorizado pelo art. 4° do Decreto n° 2.346/97, descabe a este órgão julgado administrativo considerar tal inconstitucior—fflid-ade. Outra alternativa a evitar prejuízos para os cofres_ públicos e demora_ _ _ _ _ _ para os contribuintes é a edição de súmula vinculante por parte do STF, nos termos da recente Lei n° 11.417, de 19/12/2006. Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso Sala das Sessões, em 'i4 de fevereiro de 2009 .04P DASSI GU RZON-I HO 4
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720870/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1993 a 30/11/1994, 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/05/1995 a 30/08/1995
PIS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO MONTANTE. UFIR APLICÁVEL.
Para apuração do montante a restituir ou compensar, aplica-se a mesma Ufir diária utilizada no seu recolhimento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1993 a 30/11/1994, 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/05/1995 a 30/08/1995 PIS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO MONTANTE. UFIR APLICÁVEL. Para apuração do montante a restituir ou compensar, aplica-se a mesma Ufir diária utilizada no seu recolhimento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 550 1 549 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.720870/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.063 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2013 Matéria PIS DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1993 a 30/11/1994, 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/05/1995 a 30/08/1995 PIS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO MONTANTE. UFIR APLICÁVEL. Para apuração do montante a restituir ou compensar, aplicase a mesma Ufir diária utilizada no seu recolhimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 08 70 /2 00 9- 33 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 481 a 545) apresentado em 17 de agosto de 2011 contra o Acórdão no 0531.512, de 26 de novembro de 2010, da 3ª Turma da DRJ/CPS (fls. 464 a 475), cientificado em 21 de julho de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de PIS dos períodos de junho de 1993 a novembro de 1994, março, maio a agosto de 1995, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1993 a 30/09/1995 PAGAMENTO INDEVIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. UFIR MENSAL. UFIR DIÁRIA. Para fins de atualização monetária, o valor recolhido indevidamente, expresso em Cruzeiros Reais, deverá ser convertido em UFIR mediante divisão pelo valor da Ufir diária vigente à data do recolhimento. A quantidade de UFIR apurada deverá ser multiplicada pelo valor da UFIR de R$ 0,8287, apurandose o valor recolhido indevidamente, atualizado até 01/01/1996. Confirmada a correta atualização nos cálculos efetuados pela unidade local, não se reconhece direito creditório adicional. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 20 de agosto de 2007 e inicialmente apreciada pelo despacho decisório de fls. 387 a 392. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: A interessada, em sua manifestação às fls. 412/420, bem resume os fatos relevantes nos presentes autos. Dela se extraem os seguintes trechos: “A Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, estando sujeita ao recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. “Neste sentido, ajuizou a Ação Declaratória nº 2000.61.00.0427343, perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, visando à declaração de inexistência de relação jurídicotributária entre a autora e a Ré, consistente na exigência da contribuição para o PIS, com base no faturamento mensal nos anos de 1989 a setembro de 1995, reconhecendo o seu direito de recolhêla, neste lapso temporal, com base no faturamento do sexto mês anterior, nos termos da Lei Complementar nº 7/70, resguardando, consequentemente, o exercício da compensação dos valores indevidamente recolhidos no período especificado, com parcelas vincendas da mesma exação, devidamente atualizados desde a data de seu recolhimento, com a inclusão dos índices legais adotados, considerandose os expurgos inflacionários ocorridos em janeiro de 1989 (42,72%), março/90 (84,32%), abril/90 (44,80%), Fl. 552DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 551 3 maio/90 (7,87%) e fevereiro/91 (21,87%), utilização do IPC/INPC no período de março a dezembro de 1991, onde havia determinação de correção monetária pela TR, de acordo com remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, acrescidos da taxa de juros SELIC, a partir de 1996, conforme determinado pela Lei nº 9250/95. “Ao analisar a demanda, o D. Juiz Federal de primeira instância houve por bem julgála parcialmente procedente, assegurando à Recorrente o direito de promover a compensação dos valores indevidamente recolhidos a partir de outubro de 1990 (fato gerador de setembro de 1990), em razão do período decenal. “Irresignadas, ambas as partes interpuseram Recurso de Apelação, tendo sido dado provimento à apelação da União, para reconhecer a ocorrência da prescrição do crédito tributário que se pretendia compensar, qual seja, os valores indevidamente recolhidos a título de PIS, que excederam o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 7/70. “Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Especial cujo acórdão deu provimento ao seu pleito, propugnando expressamente pela inocorrência da prescrição, fundamentado no entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça firmado quando do julgamento dos EREsp nº 435.835/SC, in verbis: "no que tange ao prazo prescricional, a Colenda Primeira Seção, ao apreciar o EREsp nº 435.835/SC, buscando planificar as discussões em torno do prazo prescricional, decidiu pela tese da prescrição decenal". “Tendo em vista o trânsito em julgado do acórdão proferido pelo E. STJ, a Recorrente solicitou junto à Secretaria da Receita Federal a habilitação do aludido crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, referente ao período de julho de 1993 a agosto de 1995, no montante de R$ 176.736.728,74 (...), atualizados até maio de 2007. “Ocorre que o referido Pedido de Habilitação foi deferido no montante de R$ 136.357.961,19 (...) “A Recorrente, então, apresentou manifestação de inconformidade, a qual sequer foi analisada, sob a alegação de que tal defesa não seria cabível em face do despacho decisório proferido por falta de previsão legal. “Assim, a Recorrente efetuou as compensações utilizandose do crédito que entendia efetivamente possuir, tendo sido surpreendida com o recebimento do despacho decisório ora guerreado, o qual reconheceu o direito creditório no valor de R$ 136.357.961,19, homologando as compensações efetuadas até o limite do aludido crédito. “Inconformada, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade visando à comprovação da existência do direito creditório no valor de R$ 176.736.728,24. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 “Contudo, em 16/12/2008, o SEORT/DRF/SAE recebeu a manifestação de inconformidade apresentada nos autos do Pedido de Habilitação de Crédito – PA nº 13820.000370/2007 10, como Recurso Hierárquico e o encaminhou para a apreciação da Divisão de Tributação da SRRF da 8ª Região Fiscal. A Divisão de Tributação, por sua vez, enviou o recurso para análise da unidade local, juntamente com a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, em face da decisão que não homologou parte das compensações efetuadas, já que trazem as mesmas alegações. Após a análise, foi proferido despacho decisório, julgando procedentes quase todos os argumentos esposados pela Recorrente e reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 162.647.549,35, bem como facultando à Recorrente a apresentação de nova manifestação de inconformidade. Assim, uma vez que o direito de crédito, mesmo após a revisão de ofício foi reconhecido em valor menor do que o pleiteado, outra opção não restou à Recorrente senão a apresentação de manifestação de inconformidade, pelos motivos de direito a seguir expostos. O citado despacho que reviu de ofício a decisão inicial do SEORT da DRF em Santo André encontrase às fls. 381/386. O feito examina as questões expostas pela contribuinte nas peças de fls. 207/219 e 316/329 apresentadas, respectivamente, contra a decisão que reconheceu direito creditório no montante de R$ 136.357.961,19 e contra o deferimento parcial do Pedido de Habilitação. Em sede de revisão de ofício o direito creditório reconhecido elevouse à cifra de R$ 162.647.549,35. O resultado da referida Revisão de Ofício foi cientificado à interessada em 25/05/2010 e em 22/06/2010 a contribuinte apresentou a peça de fls. 411/420, na qual, após resumir os fatos na transcrição acima, argumenta: Do despacho decisório ora recorrido, verificase que a D. Autoridade Fiscal entendeu: a) aplicável a Taxa Selic acumulada de janeiro de 1996 a junho de 2007, acrescida de 1% referente ao mês de julho de 2007, no valor de R$ 220,22% nos exatos termos em que defendido pela Recorrente; b) que a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos da Lei Complementar nº 7/70; c) que o débito de PIS compensado, referente ao mês de junho de 1994, deveria ser consolidado no cálculo do direito creditório e, por fim, d) que o Fisco não poderia ter efetuado a compensação de ofício dos débitos apurados nos meses de dezembro de 1994 a fevereiro de 1995 e abril de 1995, com os créditos pleiteados, pois tais débitos estariam fulminados pela decadência; Fl. 554DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 552 5 Portanto, a D. Autoridade Fiscal somente discordou com os cálculos da Recorrente no que tange à utilização da UFIR Mensal, pois entende que, no caso em tela, seria correta a utilização da UFIR no dia do pagamento do PIS. Tal entendimento, contudo, está equivocado, pois o índice correto a ser utilizado é a UFIR Mensal. Ora, como se trata de medida judicial, devem ser observados os índices de correção previstos pela sentença transitada em julgado, constantes no Provimento nº 26/2001, do Tribunal Regional da 3ª Região, com a redação dada pelo atual provimento nº 64/2005, em que se determina a correção pela UFIR mensal. Tanto que na própria sentença que concedeu a segurança pleiteada, posteriormente confirmada em sede de Recurso Especial, a ilustre magistrada determina que a correção monetária seja realizada nos termos do Provimento nº 26/2001. Assim, para que não haja descumprimento dos ditames da sentença transitada em julgado, não pode a D. Autoridade Fiscal efetuar a correção dos débitos em dissonância com o determinado no Provimento acima mencionado. Além disso, importante mencionar que não existe, atualmente, embasamento legal para utilização da UFIR diária como forma de correção monetária de créditos/débitos federais, tendo sido o referido índice expressamente extirpado do nosso ordenamento jurídico. Após sua extinção, os artigos 61 e 62 da Lei nº 9.069/95, determinaram a utilização da UFIR Mensal, como forma de atualização da moeda (...) Depois de transcrever jurisprudência em apoio a sua tese, finaliza a interessada pela necessidade de retificação dos cálculos realizados pela unidade local, a fim de que os valores em Cruzeiros Reais sejam convertidos para Reais utilizandose, para tanto, o valor da UFIR Mensal do mês de referência, nos termos em que calculados pela Recorrente. A DRJ, conforme ementa reproduzida, entendeu ser aplicável a Ufir do dia do pagamento. No recurso, a Interessada repetiu as alegações, reafirmando que, “como se trata de medida judicial, devem ser observados os índices previstos para correção de sentença transitada em julgado, constantes no Provimento n° 26/2001, do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, com a redação dada pelo Provimento n° 64/2005, em que se determina a correção pela UFIR mensal.” Cita ementas de decisões judiciais e administrativas. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, está em litígio somente a conversão dos indébitos para Ufir, defendendo a Interessada a Ufir mensal, que seria a adotada pelo Provimento n. 26 da Corregedoria Regional do Tribunal Regional Federal da 3ª Região; O citado provimento tem o seguinte teor (http : // www . trf3 . jus . br / NXT / gateway.dll?f=templates&fn=default.htm&vid=trf3_atos:trf3_atosv): DISPÕE SOBRE PROCEDIMENTOS PARA CONFERÊNCIA E ELABORAÇÃO DE CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO, NO ÂMBITO DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO. O CorregedorGeral da Justiça Federal da 3ª Região, no uso de suas atribuições legais e , CONSIDERANDO a necessidade de orientar os Srs. Contadores da Justiça Federal da 3ª Região , tendo em vista a aprovação do MANUAL DE ORIENTAÇÃO DE PROCEDIMENTOS PARA OS CÁLCULOS NA JUSTIÇA FEDERAL, bem como a jurisprudência dominante relativa à aplicação dos índices integrais de inflação na atualização monetária das diversas espécies de créditos cobrados judicialmente, CONSIDERANDO que a edição de tabelas e a criação de programas de informática, em função de tais fatores, agilizará a conferência e elaboração dos cálculos de liquidação, RESOLVE I Adotar, no âmbito da Justiça Federal da 3ª Região, os critérios fixados no Manual de Cálculos aprovado, em 17 de fevereiro de 1997, pelo E. Conselho da Justiça Federal, a fim de que sejam elaboradas tabelas e criados programas de informática, com base em tais critérios e na jurisprudência relativa aos diversos expurgos inflacionários, para conferência e elaboração de cálculos de liquidação em execuções fiscais, ações que versem sobre benefícios previdenciários, ações condenatórias em geral e desapropriações , na forma do Anexo que integra o presente Provimento. II Aprovar as Tabelas de Índices de Correção Monetária elaboradas pela Diretoria do Foro da SJ/SP, por meio da Supervisão de Cálculos do Foro Pedro Lessa, em função dos parâmetros fixados no supra referido Anexo, bem como os respectivos programas de informática já desenvolvidos, sendo que tais Tabelas serão distribuídas, com os correspondentes roteiros de aplicação, às demais Supervisões de Cálculos da Justiça Federal da 3ª Região, atualizadas mensalmente. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 553 7 III Estabelecer que os critérios ora definidos e índices relativos aos expurgos inflacionários serão aplicados na forma do presente Provimento, inclusive no que tange aos cálculos pendentes de conferência junto às Contadorias desta 3ª Região, cabendo à Diretoria do Foro providenciar o equipamento de informática necessário para que todos os cálculos sejam elaborados via terminal ou microcomputador. Este Provimento entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as disposições em contrário. Os casos não abrangidos no presente Provimento deverão ser submetidos a esta CorregedoriaGeral para apreciação e deliberação. Registrese. Publiquese. Cumprase. JUIZ JOSÉ KALLÁS CORREGEDORGERAL DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO ANEXO DO PROVIMENTO Nº 24/97 CONSIDERAÇÕES GERAIS A atualização monetária dos créditos em execução judicial é normalmente efetuada em função de critérios estabelecidos na legislação pertinente, a qual varia em função da natureza do crédito em cobrança, como, por exemplo, no caso do crédito tributário e créditos decorrentes de benefícios previdenciários em que se constata a existência de leis específicas disciplinando a atualização de cada um destes créditos não satisfeitos oportunamente pelo devedor. Todavia, a jurisprudência de nossos Tribunais está se firmando no sentido de que determinados créditos devem ser corrigidos por índices que melhor reflitam a variação da inflação, como no caso de créditos decorrentes de indenização por desapropriação, ante o princípio constitucional da justa indenização. Assim, considerandose a legislação que disciplina cada espécie de crédito e a respectiva jurisprudência, foram elaboradas as seguintes tabelas de índices de correção monetária: 1) para atualização de débitos em Execução Fiscal; 2) para atualização de débitos relativos a benefícios previdenciários; 3) para a atualização de débitos decorrentes de condenações em geral; 4) para atualização de débitos decorrentes de desapropriações. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Os programas de cálculos serão efetuados com base em tais tabelas, mas de forma que comportem alterações quando houver determinação judicial em outro sentido. I DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS EXECUÇÕES FISCAIS. a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos débitos em Execução Fiscal serão levados em consideração os seguintes indexadores: de 1964 a fev/86 ORTN (Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/jan/89 deverão ser multiplicados, neste mês, por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87, OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN(Lei nº7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de 01.02.91 a 31.12.91 não há incidência de correção monetária, mas em tal período incidem juros de mora equivalentes à TRD, nos termos do art. 30, da Lei 8.218/91. a partir de 01.01.92 UFIR (Lei nº 8.383/91), voltando os juros de mora a serem calculados à taxa de 1% ao mês. b) JUROS DE MORA E MULTA Observar a legislação pertinente. c) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Nas Execuções Fiscais ajuizadas pela Fazenda Nacional, bem como nos seus respectivos Embargos, não são arbitrados honorários advocatícios, uma vez que o encargo previsto no art. 1º do DL 1025/69 substitui tal verba (Súmula 168 do extinto E. TFR), nas demais Execuções Fiscais deverá ser observado o valor arbitrado judicialmente. d) CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS As custas processuais são calculadas integralmente por ocasião da elaboração da conta de liquidação, na forma da Tabela I, "a", da Lei nº 9289/96, deduzindose eventuais recolhimentos de custas já efetuados. Atualmente os Embargos à Execução não estão sujeitos ao pagamento das custas iniciais e da apelação ou Embargos Infringentes(art. 7º da Lei nº 9289/96 e Resolução nº 184/97 do E. Conselho da Justiça Federal). As despesas processuais serão incluídas no cálculo em função dos valores arbitrados pelo Juiz (perícias, traduções etc.), no caso de publicações e serviços postais será considerado o valor correspondente ao cobrado pelo órgão que efetuou a publicação e pela Empresa de Correios e Telégrafos ECT, respectivamente, sendo todos os valores devidamente atualizados. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 554 9 OBS Os débitos relativos ao FGTS são cobrados atualmente pela Fazenda Nacional em convênio com a CEF, sendo que para atualização monetária de tais débitos devem ser observados os critérios estabelecidos no Edital publicado mensalmente no DOU, a disposição na Supervisão de Cálculos do Foro das Execuções Fiscais da SJ/SP. II DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NOS PROCESSOS DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos créditos decorrentes de benefícios previdenciários serão observados os seguintes critérios: Súmula 71 TFR : é aplicada apenas quando houver decisão judicial nesse sentido, corrigindose as prestações anteriores ao ajuizamento da ação, desde as datas dos respectivos vencimentos, com base na variação do salário mínimo, até o ajuizamento da ação, adotandose, a partir de então, os seguintes indexadores: de 1964 a fev/86 ORTN(Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/JAN/89 deverão ser multiplicados neste mês por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87, OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN (Lei nº 7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de mar/91 a dez/92 INPC (art. 41 parágrafo 7º, Lei 8.213/91) de jan/93 a fev/94 IRSM (Lei 8.542, de 23.12.92, art. 9º, parágrafo 2º) de 01.03.94 a 30.06.94 conversão em URV (MP 434/94, Lei 8.880., de 27.5.94 art. 20, parágrafo 5º) de 01.07.94 a 30.06.95 IPCr (Lei 8.880, de 27.5.94, art. 20, parágrafo 6º) de 01.07.95 a 30.04.96 INPC (MP 1.053, de 30.6.95) de maio/96 em diante IGPDI (MP 1.488/96). Nota 1 Nos meses de janeiro de 1989 e março de 1990 será considerado o IPC integral de 42,72% e 84,32%, respectivamente, conforme entendimento jurisprudencial dominante. Nota 2 As prestações vencidas, ainda que anteriores ao ajuizamento da ação, serão atualizadas monetariamente a partir do mês da respectiva competência até o mês da elaboração da conta, em função dos indexadores supra mencionados( "A jurisprudência de nossos pretórios e em especial a do antigo Fl. 559DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 TFR(Súmula 71) já admitia , bem antes do advento da Lei nº 6899/81(art. 1º) a correção monetária das dívidas de valor, ainda que ilíquidas, a contar de quando devidas. A Lei nº 6899/81, na trilha dessa jurisprudência, apenas veio consolidar a correção monetária das dívidas de valor e admitir, por questão de justiça, também a correção monetária das dívidas de dinheiro(REspe 474205/SP DJ de 13.02.95 pág. 2249) . Verificase esta mesma interpretação nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 68.662/SP (Registro nº 96/00243956) Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro Cid Flaquer Scartezzini ("in" D.J.U. de 04.11.96, Seção I, pág. 42.425) Nota 3 O art. 18 da Lei nº 8870/94 não estabelece a UFIR como indexador de prestações relativas a benefícios previdenciários, pois tal dispositivo legal determina apenas a conversão do saldo apurado em UFIR, procedimento, aliás, questionável no caso de expedição de precatório. b) JUROS DE MORA: 6% ao ano ou 0,5% ao mês, contados a partir do mês em que ocorreu a citação até o mês em que a conta for elaborada, salvo determinação judicial em outro sentido (arts. 1.536, parágrafo 2º, 1.062, 1.063, 1.064, todos do Código Civil e Súmula nº 254/STF). Tais juros incidem também sobre a soma das prestações(atualizadas) devidas até a citação, embora sejam contados somente a partir de tal ato processual. c) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS Observar o estabelecido na sentença ou acórdão e o disposto na alínea "d" do item I retro, no que couber. III DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS AÇÕES CONDENATÓRIAS EM GERAL, INCLUSIVE REPETIÇÃO DE INDÉBITO a) CORREÇÃO MONETÁRIA Na atualização monetária dos créditos decorrentes de sentenças condenatórias em geral serão observados os seguintes critérios: de 1964 a fev/86 ORTN(Lei nº 4357/64) de mar/86 a jan/89 OTN(DL 2284/86), observandose que os débitos anteriores a 16/jan/89 deverão ser multiplicados, neste mês, por 6,17. OBS: de abril/86 a fev/87 OTN "prorata". de fev/89 a fev/91 BTN(Lei nº 7730/89), observandose que o último BTN correspondeu a Cr$126,8621. de mar/91 a dez/91 INPC(IBGE), uma vez que a TR (Lei 8.177, de 01.3.91), foi considerada inconstitucional pelo STF como critério de correção monetária, conforme ADIN nº 493/DF (RTJ 143); a partir de jan/92 UFIR (Lei 8383/91). Fl. 560DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.720870/200933 Acórdão n.º 3302002.063 S3C3T2 Fl. 555 11 Nos meses de janeiro de 1989 e março de 1990 será utilizado o IPC integral de 42,72% e 84,32%, respectivamente , com a exclusão dos índices oficiais de inflação em tais meses. b) JUROS DE MORA: 6% ao ano ou 0,5 ao mês, contados a partir do mês da citação até o mês da elaboração da conta, salvo determinação judicial em outro sentido (Arts. 1.536, parágrafo 2º, 1.062, 1.063, 1.064, todos do Código Civil e Súmula nº 254/STF). Nas ações de Repetição de Indébito os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês e incidem a partir do trânsito em julgado(art. 161 e 167 do CTN). c) CUSTAS, DESPESAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATICÍOS observar o estabelecido na sentença ou acórdão e o disposto na alínea "d" do item I retro, no que couber. IV DOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO NAS AÇÕES DE DESAPROPRIAÇÃO a) CORREÇÃO MONETÁRIA Os indexadores utilizados na atualização monetária das indenizações decorrentes de desapropriação direta ou indireta são os mesmos mencionados no item anterior, inclusive no que tange à OTN "prorata", todavia, ante o principio constitucional da justa indenização, serão observados os seguintes índices integrais de inflação: janeiro de 1989 42,72%; março de 1990 84,32%; abril/90 44,80%; maio/90 7,87% e fevereiro de 1991 21,87%, com a exclusão dos índices oficiais de inflação em tais meses. b) JUROS COMPENSATÓRIOS 12% ao ano, contados a partir da da imissão na posse, incidindo sobre o valor atualizado da indenização, na conformidade das Súmulas: 110TFR, 12STJ, 69STJ e 113STJ, salvo determinação judicial em outro sentido. c) JUROS MORATÓRIOS 6% ao ano, contados a partir da data do trânsito em julgado da sentença e incidente sobre o valor atualizado da condenação, na conformidade das seguintes Súmulas: 70TFR, 70STJ e 254 STF. d) HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Para o cálculo dos honorários advocatícios devese aplicar o comando emergente das Súmulas 141TFR, 141STJ e 617STF, ou seja, serão calculados sobre a diferença da oferta e do valor da indenização, ambos atualizados monetariamente. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Nota Os critérios acima referidos somente prevalecem se não houver determinação em outro sentido na sentença ou acórdão, tendo em vista o disposto no art. 610 do CPC. e) CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS observar o estabelecido na sentença ou acórdão e a alínea "d" do Item I retro, no que couber. O provimento, como se verifica de sua análise, nunca especifica que deva ser utilizada a Ufir mensal, sendo inaplicáveis, da pretensa forma automática defendida pela Interessada, os entendimentos adotados em outras decisões judiciais, cujos efeitos não ultrapassam as suas partes. Portanto, o mencionado provimento, ao contrário do afirmado pela Interessada, não dispõe que deva ser utilizada a Ufir mensal na reconversão para apuração do montante a ser restituído e, tendo a lei adotado o critério muito claro da Ufir diária, é esse o índice que deve ser empregado. De fato, a regra vigente à época dizia que o tributo apurado no mês seria convertido em Ufir pela Ufir diária do primeiro dia do mês seguinte e reconvertido em moeda pela Ufir do dia do pagamento. Notese que a medida favorecia o contribuinte, uma vez que a adoção da Ufir do mês de referência implicaria a apuração de um valor maior em quantidade de Ufir. Para efeito da restituição, obviamente, bastaria que se convertesse o valor à Ufir do dia do pagamento, de forma que, assim, o contribuinte receberia, em Ufir, exatamente o mesmo valor que teria pago. Adotar a Ufir do mês anterior implicaria a apuração de um valor maior em Ufir, o que não se justifica. Se, para efeito da apuração do valor a pagar a lei não adotou esse critério, exatamente para beneficiar o contribuinte, não faz sentido, na restituição, adotar injustificadamente um critério que prejudique o Fisco. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 562DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10880.904531/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 04 53 1/ 20 09 -1 3 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 26/11/2007 o PER/DCOMP eletrônico n° 40741.42477.261107.1.3.047082, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de CSLL, código 2484, no valor de R$ 782.183,11, onde consta: a) débito compensado CSLL estimativa mensal (código de receita 2484) Período de apuração: setembro/2007; vencimento: 30/11/2007 principal: R$ 383.857,50; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 383.857,50. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 18102.27693.110607.1.3.045958 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 782.183,11 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 251.726,34 Crédito Atualizado: R$ 383.857,50 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 383.857,50 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 251.726,34 Saldo do Crédito Original: R$ 0,00 A DERAT/DIORT/EQPIR/SPO emitiu Despacho Decisório (fl. 2), onde não homologou a compensação, argumentando que o pagamento discriminado como indébito foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a desejada compensação, conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 251.726,34. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, relativamente ao anocalendário 2004, por estar submetida ao regime de apuração do lucro real anual, antecipou pagamentos do IRPJ e da CSLL, a título de estimativa mensal; que, nesse anocalendário 2004, realizou operações de exportação para clientes situados na América Latina; que a receita de exportação é imune da CSLL pela Constituição Federal (art. 149, § 2º, I), conforme redação dada pela EC nº 33/2001; que, em 09/08/2004, buscou a aplicação dessa imunidade, prevista constitucionalmente, para a CSLL sobre as receitas de exportação, impetrando Ação de Mandado de Segurança Preventivo (fls. 41/63), Processo Judicial nº 2004.61.00.0220237, sendo deferida liminar, em 26/08/2004, pelo TRF/3ª Região para todo o período do ano calendário de 2004; que, a partir da obtenção dessa liminar, excluiu da base de cálculo da CSLL as receitas de exportação; que, entretanto, antecipara recolhimentos da CSLL – estimativa mensal dos meses anteriores à concessão da liminar sem exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL; que na DCOMP, objeto dos autos, utilizou crédito de pagamento indevido ou a maior da CSLL – estimativa mensal do PA março/2004 (pagamento indevido, ocorrido antes da obtenção da liminar, sobre as receitas de exportação); que, porém, a DERAT/São Paulo não deferiu o crédito pleiteado e não homologou a compensação; que, diversamente do entendimento do fisco, tem direito de refazer os débitos informados da CSLL – estimativa mensal dos PA de janeiro/2004 a julho/2004 (períodos anteriores à obtenção da liminar); que, como já dito, a liminar foi concedida em 26/08/2004, nos autos de Agravo de Instrumento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Agravo sob n° 2004.03.00.048485 7; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 5 4 que a liminar foi mantida por sentença de mérito de 11/12/2007, do juízo da 19ª Vara Cível Federal1ª Subseção Judiciária de São Paulo, que concedeu a segurança autos do processo nº 2004.61.00.0220237 (fl. 38/40); que não efetuou o pagamento do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos, pois utilizou direito creditório para extinguilo mediante DCOMP, atinente a pagamento indevido ou maior da CSLL estimativa mensal do PA março/2004, em face desse provimento jurisdicional que amparou a não cobrança da CSLL do anocalendário 2004 acerca de receitas de exportação (pagamento indevido ou maior de CSLL estimativa mensal sobre receitas de exportação); que o débito da CSLL informada na DCOMP não homologada está sendo cobrado, com multa e juros de mora; que, entretanto, a compensação tributária configura modalidade de extinção do crédito tributário (CTN, arts. 156, II e 170) e art. 74 da Lei nº 9.430/96; que, como visto, a lei autoriza a compensação tributária de débitos vencidos ou vincendos, com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública; que, existindo lei disciplinando o procedimento de compensação tributária, o fisco não pode obstaculizar a concretização dessa forma de extinção do crédito tributário; Por fim, com base nessas razões da manifestação de inconformidade, a contribuinte pediu o reconhecimento do crédito pleiteado, homologação da compensação tributária, extinção do débito confessado na DCOMP e arquivamento dos autos. A DRJ de São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/04/2004 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. O crédito reconhecido em decisão judicial não transitada em julgado não apresenta o atributo da certeza, que é necessário à utilização do crédito pela contribuinte mediante restituição ou compensação na via administrativa. SUBSUNÇÃO DA HIPÓTESE AO PROVIMENTO JUDICIAL. O crédito sobre o pagamento considerado indevido na esfera judicial deve ser reconhecido na via administrativa somente se a requerente comprovar que o referido pagamento corresponde, de fato, à CSLL cuja exigibilidade restou afastada pela decisão judicial obtida, qual seja, aquela incidente sobre receitas de exportação. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 6 5 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/02/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 40741.42477.261107.1.3.047082 (fls. 01/03), com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de CSLL (código 2484), no valor original de R$ 782.183,11, com débito de estimativa de mesma natureza, referente ao período de outubro/2007. Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Derat/São Paulo/SP, consta que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 251.726,34. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1627.818, de 17 de novembro de 2010, ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 8 7 Desse modo concluiu que, somente a base negativa de CSLL apurada no encerramento do anocalendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 9 8 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Inconformado com a decisão a quo, a recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a revisão da decisão recorrida, argumentando a existência de duplicidade de pagamento da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004 e que não se justifica a denegação do crédito pleiteado e não homologação da compensação informada/efetuada, nos presentes autos. Nas razões do recurso, a recorrente informou que a liminar, que estava amparando a exclusão da receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro do anocalendário 2004, foi revogada em setembro/2010. Porém, não juntou cópia dessa decisão aos autos, nem informou se desistiu da demanda judicial. Outrossim, a recorrente informou e comprovou nos autos que, em face da revogação da liminar, de imediato efetuou o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal dos períodos que estavam com exigibilidade suspensa desde 2004, inclusive efetuou, novamente, o Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904531/200913 Resolução nº 1802000.198 S1TE02 Fl. 10 9 recolhimento do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004, conforme cópia do DARF – data de arrecadação 29/10/2010. Como visto, aparentemente houve pagamento em duplicidade da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004, pois, além da arrecadação de 29/10/2010 – cópia do DARF (fl. 94), o despacho decisório alude a recolhimento da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004 – data de arrecadação 30/04/2004 (fl. 06). Por conseguinte, o fundamento do pedido de restituição/aproveitamento do direito creditório, no caso, seria pagamento indevido ou a maior (duplicidade de pagamento) do débito do PA março/2004. Não obstante, compulsando os autos, observamse falhas de instrução processual que não permitem, neste momento, ao julgador a formação de convicção quanto ao mérito da lide objeto dos presentes autos, de modo que se torna necessário o saneamento do processo. Por isso, voto pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos à DERAT/São Paulo, para: a) confirmar o pagamento em duplicidade do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004, valor do principal R$ 782.183,11, nas datas de arrecadação de 30/04/2004 e 29/10/2010; b) caso tenha sido efetuado o pagamento em 29/10/2010, confirmar se o mesmo foi suficiente para a quitação do crédito tributário; c) juntar aos autos cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004 e da DCTF do período de apuração março/2004; d) intimar o contribuinte para juntar aos autos cópia da decisão judicial que revogou a liminar a qual amparava a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro/2004; e) intimar o contribuinte a informar a situação em que se encontra a demanda judicial que demandava o reconhecimento de imunidade de tributação pela CSLL às receitas de exportação, com a devida comprovação. Concluída a diligência fiscal, a DERAT/SP deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resulados apurados, mormente se houve, ou não, pagamento em duplicidade da CSLL Estimativa Mensal do PA março/2004, bem como da demanda judicial. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720133/2007-22
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INSUFICIÊNCIA. Ainda que integralmente reconhecido, a insuficiência do direito creditório pleiteado determina que as compensações dos débitos remanescentes, não absorvidos pelas compensações operacionalizadas, devem ser não homologadas.
Numero da decisão: 1801-000.880
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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DIREITO CREDITÓRIO. INSUFICIÊNCIA. Ainda que integralmente reconhecido, a insuficiência do direito creditório pleiteado determina que as compensações dos débitos remanescentes, não absorvidos pelas compensações operacionalizadas, devem ser não homologadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa acima identificada protocolizou, em 12/05/2003, Declaração de Compensação relacionando diversos débitos a serem compensados com créditos de Saldo Negativo de IRPJ, anos calendários 2001 e 2002, e Saldo Negativo de CSLL, anos calendários 2000 e 2002 (fls. 01 e 02), originando o presente processo. Em seguida, transmitiu diversas Declarações de Compensação eletrônicas (DCOMPs) utilizando tais créditos. De acordo com a informação de fl. 3, optouse por baixar a DCOMP com crédito de Saldo Negativo de CSLL, anocalendário 2002, informando para tratamento manual este processo, criandose outros processos para tratar os demais créditos. Assim, este processo trata de Declarações de Compensação Eletrônicas pelas quais pretende a interessada a compensação de débitos de IRPJ e de CSLL com direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002, no valor de R$ 111.185,04. Pelo Despacho Decisório n º 1.845/2008 (fls. 63/64, verso) a DRF em Belo Horizonte/MG analisou a composição do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, determinando um saldo negativo no valor de R$ 79.354,42 (fl. 64). O saldo negativo no valor de R$ 79.354,42 foi suficiente para quitar os débitos de estimativa de IRPJ dos PA 01/2003 e 02/2003, e uma parte da estimativa do PA 03/2003, como se vê no demonstrativo de apoio operacional (fl.55). Após estas compensações não restou saldo negativo do AC 2002 para se compensar com as Dcomp eletrônicas. Em razão da insuficiência do crédito as compensações foram parcialmente homologadas. Cientificada, em 07/11/2008, do conteúdo do despacho decisório (fl. 66), a interessada protocolizou, em 04/12/2008 manifestação de inconformidade (fls. 68/71), alegando a decadência do direito do Fisco em retroagir a análise do direito creditório ao ano calendário 1997, afirmando que todas as compensações formalizadas no período anterior a 07/11/2003 encontramse tacitamente homologadas. Afirma que não teria sido considerado um pagamento no valor de R$ 1.981,50 e esclarece que o reconhecimento parcial do direito creditório neste processo é decorrência do não reconhecimento integral dos saldos negativos de CSLL de períodos anteriores, em outros processos administrativos que se encontram em análise da manifestação de inconformidade. A DRJ em Belo Horizonte/MG apreciou o litígio (fls. 177/187) e afastou as alegações de decadência e de homologação tácita das compensações. Após identificar a existência de litígio em relação ao direito creditório pleiteado e em relação às compensações declaradas aquela autoridade julgadora consignou, em relação ao direito creditório, que a divergência entre a apuração efetuada pelo contribuinte na DIPJ e o apurado pelo fisco teria origem nas compensações declaradas em DCOMP, referentes a estimativas mensais apuradas nos meses de outubro, novembro e dezembro, objeto de análise no processo 10680.006299/200347. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.720133/200722 Acórdão n.º 180100.880 S1TE01 Fl. 282 3 Naqueles autos o contribuinte contestou a não homologação das compensações cujo crédito teria sido glosado neste processo. Esta contestação teria sido objeto de análise pela DRJ, resultando na prolação do Acórdão n° 22.414, aos 27 de maio de 2009, que reconheceu o direito creditório e homologou as compensações. Assim, foi efetuada nova apuração da CSLL referente ao anocalendário de 2002, incluindose as estimativas mensais apuradas nos meses de outubro/novembro e dezembro, cuja compensação foi homologada no processo 10680.006299/200317, através do Acórdão n° 0222.414, de 27 de maio de 2009. Acerca do recolhimento mencionado esclareceu que conforme documentos anexados ao processo, este somente ocorreu em 31/10/2006, data posterior à apresentação das DCOMP's em análise neste processo (a DCOMP apresentada em 31/10/2006 seria retificadora da DCOMP original apresentada em 25/07/2005). Neste contexto, um recolhimento somente efetuado em 31/10/2006 não poderia dar origem a pretenso indébito ocorrido no período entre 09/05/2003 e 07/10/2005. Constatouse, assim, a procedência do crédito advindo do Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2002 no valor de R$ 111.185,04, para utilização nas compensações de débito declaradas nas DCOMP's em análise neste processo. Como já fora reconhecido pela DRF a importância de R$ 79.354,42, foi reconhecida pela DRJ a diferença do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 31.830,62. Ainda que tenha sido reconhecido integralmente o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 o valor não foi suficiente para fazer frente às compensações pleiteadas, conforme demonstrativo à fl. 186, razão pela qual foram parcialmente homologadas as compensações. Notificada da decisão, em 27/10/2010, como demonstra a cópia do AR à fl. 197, apresentou, a interessada, em 22/11/2010, o recurso voluntário de fl. 200, afirmando que na manifestação de inconformidade já havia apresentado um demonstrativo denominado “Controle de Crédito de CSL e Compensações” que demonstraria que o crédito consignado na DIPJ, de R$ 111.185,04, seria suficiente para homologar integralmente as compensações pleiteadas. Consignou, ainda: O acórdão, em fls. 09 (185 do PTA), admite que o crédito do contribuinte realmente é aquele pleiteado, todavia homologa parcialmente as compensações, apresentado carta de cobrança para aquelas não homologadas e homologada parcialmente. O contribuinte, pelo presente expediente, volta a afirmar que as compensações vinculadas ao crédito de CSL relativo ao saldo negativo da contribuição do ano calendário de 2002 são somente aquelas constantes do documento "Controle de Crédito de CSL e Compensações", QUE NOVAMENTE VOLTA A ANEXAR AOS AUTOS. Razões pelas quais pede a homologação total das compensações efetuadas. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. De acordo com a Declaração de Compensação de fls. 01/02, a empresa interessada pleiteia um direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002, no valor de R$ 111.185,04. A DRF em Belo Horizonte analisou o saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002 informado na DIPJ da empresa no mesmo valor de R$ 111.185,04 (fls. 44 a 46), formado por antecipações a título de estimativas. As estimativas somaram R$ 111.185,04, sendo R$ 18.617,41 referentes à CSLL retida por órgão público e R$ 92.567,63 referentes à compensação com SN de períodos anteriores. O valor retido na fonte foi confirmado em DIRF, já as estimativas foram quitadas com saldo negativo de períodos anteriores. Na análise das compensações de estimativas com saldo negativo de períodos anteriores a DRF em Belo Horizonte/MG considerou que as estimativas dos meses de outubro/2002, no valor de R$ 10.740,20, novembro/2002, no valor de R$ 5.382,40, e dezembro/2002, no valor de 15.708,02, não foram compensadas pois não havia direito creditório de períodos anteriores suficiente para quitar tais valores, razão pela qual foi reconhecida a parcela de R$ 79.354,42 do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 [(111.185,04 – 31.830,62) = 79.354,42]. A DRJ em Belo Horizonte, entretanto, admitiu a procedência das compensações das estimativas dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002 e as incluiu, novamente, na apuração do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, reconhecendo, assim, a integralidade do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 apurado pela interessada na DIPJ e pleiteado para as compensações declaradas nestes autos, no valor de R$ 111.185,04. Entretanto, tal valor, ainda que reconhecido integralmente, não foi suficiente para suportar todos os débitos indicados para compensação, razão pela qual as compensações não foram integralmente homologadas. Tendo sido reconhecida a integralidade do direito creditório pleiteado pela interessada, de R$ 111.185,04, nada mais há que ser reconhecido, nestes autos, a título de direito creditório. Por esta razão as compensações remanescentes devem ser não homologadas. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.720133/200722 Acórdão n.º 180100.880 S1TE01 Fl. 283 5 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10280.720560/2008-02
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O arbitramento do lucro está previsto na legislação e é aplicável nas hipóteses previstas pelo art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. In casu, não apresentou o contribuinte os respectivos livros fiscais solicitados pela fiscalização, hipótese que permite o arbitramento para lançamento de ofício.
PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA.
A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, consoante art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A autoridade fiscal está vinculada à Lei, de forma que deve aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
Consoante art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, a Fazenda possui 5 (cinco) anos contados do fato gerador para homologar o lançamento. Ultrapassado esse prazo, resta decaído o crédito tributário ainda não constituído. Para fins de aplicação do dispositivo legal, a data de ocorrência do fato gerador coincide com a data final do período de apuração do tributo, que dá a medida temporal para a formação da base de cálculo.
Numero da decisão: 1802-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência apenas em relação a meses do PIS e da Cofins, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (relator) e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que davam provimento parcial para reconhecer a decadência também em relação à parte de IRPJ e CSLL, nos termos do voto vencido. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MARCIEL EDER COSTA - Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão Ausente momentaneamente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro está previsto na legislação e é aplicável nas hipóteses previstas pelo art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. In casu, não apresentou o contribuinte os respectivos livros fiscais solicitados pela fiscalização, hipótese que permite o arbitramento para lançamento de ofício. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, consoante art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A autoridade fiscal está vinculada à Lei, de forma que deve aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Consoante art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, a Fazenda possui 5 (cinco) anos contados do fato gerador para homologar o lançamento. Ultrapassado esse prazo, resta decaído o crédito tributário ainda não constituído. Para fins de aplicação do dispositivo legal, a data de ocorrência do fato gerador coincide com a data final do período de apuração do tributo, que dá a medida temporal para a formação da base de cálculo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência apenas em relação a meses do PIS e da Cofins, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (relator) e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que davam provimento parcial para reconhecer a decadência também em relação à parte de IRPJ e CSLL, nos termos do voto vencido. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCIEL EDER COSTA - Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão Ausente momentaneamente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
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O arbitramento do lucro está previsto na legislação e é aplicável nas hipóteses previstas pelo art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. In casu, não apresentou o contribuinte os respectivos livros fiscais solicitados pela fiscalização, hipótese que permite o arbitramento para lançamento de ofício. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, consoante art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A autoridade fiscal está vinculada à Lei, de forma que deve aplicála, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Consoante art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, a Fazenda possui 5 (cinco) anos contados do fato gerador para homologar o lançamento. Ultrapassado esse prazo, resta decaído o crédito tributário ainda não constituído. Para fins de aplicação do dispositivo legal, a data de ocorrência do fato gerador coincide com a data final do período de apuração do tributo, que dá a medida temporal para a formação da base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência apenas em relação a meses do PIS e da Cofins, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (relator) e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que davam provimento parcial para reconhecer a decadência também AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 05 60 /2 00 8- 02 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 3 2 em relação à parte de IRPJ e CSLL, nos termos do voto vencido. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCIEL EDER COSTA Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão Ausente momentaneamente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração reclamando IRPJ e reflexos em CSLL, PIS e COFINS decorrente de exclusão do SIMPLES e que acarretou na imposição do Lucro Arbitrado por não ter o contribuinte, disponibilizado documentação exigida pela fiscalização. Por bem descrever os fatos que antecedem a análise do presente recurso voluntário, colaciono a seguir relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/BEL, através do Acórdão n° 0122.281, constante às fls. 123/126: I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referente ao anocalendário de 2003, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 29.08.2008). Da referida ação fiscal foi apurado o CRÉDITO Tributário abaixo descrito. CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 31.881,51 Programa Integração Social R$ 628,98 Contribuição p/Financiamento S. Social R$ 6.151,85 Contribuição Social s/Lucro Líquido R$ 11.499,96 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 23/09/2008.(fls. 95). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Preliminarmente, cabe destacar que o procedimento fiscal teve início com base no Parecer SECAT/DRF/BEL N9 578/2005 (sic), o qual serviu de fundamento ao Despacho Decisório de exclusão de ofício do contribuinte de sua opção pelo SIMPLES, com efeitos retroativos ao AC 2002, tudo conforme apurado no âmbito do processo administrativo 10280.003901/200440 (em anexo). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 5 4 Com efeito, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, sujeitarseá a pessoa jurídica (PJ) às normas de tributação aplicáveis às demais PJ (art. 16 da Lei nº 9.317/96) (sic). Desse modo, deveria o contribuinte proceder à elaboração da escrituração contábil de acordo com as leis comerciais e fiscais, como também, apresentar à RFB a DIPJ/DCTF/DACON, os quais foram objeto de intimação/reintimação da autoridade fiscal e não atendidos em tempo razoável concedido para tal, reprisese, desde a ciência do Termo de Início (26/05/2008). Nesse diapasão, não tendo sido disponibilizados os livros comerciais e fiscais, tão pouco transmitidos à RFB as declarações (obrigações acessórias) a que estava obrigado (em anexo), o regime de tributação a que estará sujeito o contribuinte é o do LUCRO ARBITRADO, ex vi do do art. 47 da Lei n9 8.981/95 (sic), ............................................................................ ........................... O percentual aplicável sobre a receita bruta auferida no período de apuração (trimestral) para fins de arbitramento do lucro é de 32%, majorada em 20% (art.15, § 1º, inciso III, alínea “a” e art. 16 da Lei nº 9.249/95) (sic), em face da atividade exclusiva desenvolvida pela sujeito passivo, qual seja, prestação de serviços em geral, conforme delineado no processo administrativo de exclusão. Na apuração da base de cálculo da CSLL, observouse as prescrições do art. 20 da Lei n° 9.249/95 c/c o art. 28 e 29 da Lei nº 9.430/96 (sic). Quanto ao PIS e COFINS, em face do arbitramento do lucro, obrigatório é o recolhimento dessas contribuições com base no regime cumulativo, aplicáveis as alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente, calculadas sobre a receita bruta mensal, em conformidade com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (art. 29 da Lei nº 9.718/98; art. 29 , inciso I, alínea “a”, inciso II e parágrafo único, arts. 39 , 10, 22 e 51 do Decreto ne4.524/02) (sic). Foram deduzidos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devidos os valores dos recolhimentos mensais unificados correspondentes ao SIMPLES, os quais foram partilhados proporcionalmente aos percentuais aplicáveis a cada tributo/contribuição, nos termos do art 23, inciso II (Empresa de Pequeno Porte EPP) da Lei n 9 9.317/96 (sic). As planilhas em anexo demonstram a receita bruta mensal/trimestral que servem de base à apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem como, o rateio dos pagamentos efetuados pelo SIMPLES sob o código 6106. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 23/10/2008, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 105/117), e alega: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 6 5 4 IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DAS DIFERENÇAS DAS EXAÇÕES DE QUE TRATA O PERÍODO (AC 2003). O ato administrativo que não pode retroagir ao ano em questão diante do cancelamento da exclusão. Ato tempestivamente impugnado exegese do § 3º do art. 15 e art. 16 da Lei 9.317/96 c/c art. 42 do Decreto nº 70.235/72. Estabelecimento de confusão à contribuinte que não pode perpetrar vulneração a boa fé objetiva e segurança jurídica. Superior Tribunal de Justiça. Sinteticamente, a ora impugnante foi optante do SIMPLES desde 1997, data de sua constituição, mantendo essa condição até o Ato Declaratório n° 518884, datado de 02 de agosto de 2004, que a excluiu sistema de pagamentos com efeitos retroativos à 01.01.2002, mas que em seguida foi cancelado, tornando novamente à condição de contribuinte pelo sistema especial de pagamento de tributos, status mantido até dezembro de 2005, quando então foi cancelado o cancelamento (?!), decisão administrativa tornada definitiva somente em abril de 2007, data em que foi definitivamente julgado o processo administrativo alhures mencionado. Em que pese entendimento contrário, que vai escudado na IN SRF n.° 355/2003, pela qual os efeitos da exclusão podem retroagir no tempo, para alcançar o contribuinte em situação esdruxulamente pretérita, não prospera a interpretação, diante da dicção do art. 146 do CTN, do art. 16 da Lei 9.317/96, máxime, ademais, diante da obrigatória aplicação do art. 42 do Dec. 70.235/72, os quais aplicados exegeticamente ao caso concreto, somente vieram a tornar definitiva a exclusão envidada pelo fisco federal em abril de 2007. Diante do intrincado feixe normativo que envolve a matéria, a percepção objetiva da contribuinte agora autuada passou a ser, então, que sua situação perante o fisco federal era regular e definitiva, não se afigurando lícito subverter por meio de exclusão em tudo atabalhoada e vacilante, com efeitos pretéritos, aquilo que foi ocasionado com exclusividade pelo órgão tributário. Destaquese que não se está a discutir a questão fulcral daquilo que restou definitivamente decidido no Ac. n.° 8.025 da 3.a T. da DRJ/BEL, ou seja, a permanência ou não da impugnante no SIMPLES, mas antes os pretendidos efeitos retroativos dessa exclusão que somente vieram a se substanciar por meio da autuação levada a efeito. Convém ressaltar que era do conhecimento da Fazenda Nacional a atividade desenvolvida pela ora impugnante, posto que desde sua constituição foi incluída no simples, confrontandose com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça , por essa razão, a interpretação que administrativamente se pretende emprestar aos art. 15 e 16 da Lei 9.317/96. 5 ARBITRAMENTO DE LUCRO INADMISSÍVEL NA ESPÉCIE. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 7 6 O Contribuinte estava desobrigado a manter a escrituração contábil e relatórios impertinentes ao Simples. Inexistência, ademais, de cientificação que a não a apresentação dos documentos solicitados importaria em arbitramento do resultado da Empresa. 6 DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA PELA FAZENDA NACIONAL. PERCENTUAL DE 75% INCORRETO. MULTA LIMITADA AO PERCENTUAL DE 20% CONFORME § 2o DO ART. 61 DA LEI 9.430/1996. Em atenção ao princípio da eventualidade, deve ser destacada a nulidade da multa aplicada na autuação combatida. A multa aplicada no ato de lançamento ora impugnado importa no percentual de 75% sobre o valor do crédito suplementar que entende devido pela contribuinte a Fazenda Nacional. Contudo, no caso em espécie ante ao que foi ao norte aduzido, onde não houve máfé do contribuinte, elidindose o caráter punitivo, a multa de ofício conforme vaticina o § 2º do art. 61 da Lei n.° 9.430/1996 está limitado ao percentual de 20%, conforme reiterada jurisprudência dos Tribunais pátrios. Por essa razão, incorreta a penalização aplicada pela Fazenda Nacional, o que torna abusivo o valor exigido no ato de lançamento. 7 DO REQUERIMENTO Ante o exposto, requer a impugnante: a) seja anulada a autuação imposta e cancelado os lançamentos realizados, haja vista a regularidade dos recolhimentos envidados pela empresa contribuinte então admitida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES no AC 2003, alvo do relatório parcial referente do MPF n.° 02.1.01.002008003027, declarandose na oportunidade ainda a inexistência de diferenças de exações decorrentes de sua exclusão somente tornada definitiva ulteriormente ao período de apuração em questão, relativas ao IRPJ e seus reflexos, em razão da impossibilidade retroativa desta exclusão, conforme declinado no item 2 desta impugnação; ou b) seja anulada a atuação baseada em arbitramento do lucro da impugnante, deferindolhe prazo verdadeiramente razoável para apresentar demonstração de resultados que remonta mais de 5 anos, em tudo observados os princípios da razoabilidade e contraditório, na forma do expendido no item 3; e/ou c) seja reduzida a multa aplicada ex oficio pelo Fisco, no percentual de 75% sobre o valor apurado, haja vista a inexistência de máfé da contribuinte no recolhimento das Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 8 7 diferenças das exações, reduzindoa ao percentual de 20%, conforme vaticina o § 2º do art. 61 da Lei n.° 9.430/1996. Naquela oportunidade, entendeu a nobre turma julgadora em julgar pela improcedência do reclamo, conforme a seguinte Ementa (fls. 122): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITO RETROATIVO. QUESTIONAMENTO. Já existe Decisão definitiva sobre o assunto. Não cabe reabrir a discussão a respeito na via administrativa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro não é uma penalidade tributária, mas, sim, uma modalidade de apuração do lucro necessária e obrigatória em casos de impossibilidade de apuração do lucro real e/ou lucro presumido. A não apresentação dos livros de escrituração obrigatória é motivo suficiente para a medida. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. DISPENSA. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada do decisum em 28/11/2011, apresentou em 27/12/2011 Recurso Voluntário onde reitera seus argumentos acerca da impossibilidade de retroação dos efeitos da exclusão do SIMPLES, da irregularidade no arbitramento do lucro e da aplicação da multa de 75% dissonante ao caso concreto. É o relato do essencial. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Inicialmente oportuno delimitar o objeto do presente processo: Auto de Infração reclamando impostos e contribuições não recolhidos/recolhidos a menor em decorrência de exclusão do SIMPLES. Neste sentido, não há mais que se falar da exclusão do SIMPLES e seus efeitos, tendo sido instaurado processo próprio para arrazoálo. Portanto, fica prejudicada a análise do ponto recorrido a seguir, eis que está restrito ao contraditório no processo n° 10280.003901/200440: DA IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO PARA COBRANÇA DAS DIFERENÇAS DAS EXAÇÕES REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 2003. CANCELAMENTO DA EXCLUSÃO OPERADO PELO PRÓPRIO ÓRGÃO TRIBUTÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE EXCLUSÃO DATADA DE ABRIL/2007. Mas caso tenha considerado a recorrente seu reclamo especificamente ao lançamento de ofício controlado nestes autos ao anocalendário de 2003, ressaltase que este é reflexo de imposição legal, relativo ao art. 15 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Ressaltase que tal Lei, hoje revogada pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, tinha eficácia plena aos fatos geradores de 2003, merecendo sua aplicação conforme interpretação da norma pelo direito tributário, trazido pelo Código Tributário Nacional: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Neste prisma, a decisão definitiva do processo n° 10280.003901/200440 que determinou os efeitos da retroatividade, devidamente amparada na Lei n° 9.317/96, não pode ser contrariada, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica das decisões administrativas – Consulta eletrônica ao Comprot confirma processo encerrado, no Arquivo Geral da SAMFPA. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 10 9 Neste ponto, o lançamento de ofício retroativo ao anocalendário de 2003 oferecido pelos presentes autos, em reflexo à decisão que confirmou a exclusão do SIMPLES da recorrente, não merece reparos. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO O arbitramento de lucro, previsto no art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, é decorrente de fatores que tornem imprestável a escrituração e impeçam a efetiva identificação da movimentação financeira do contribuinte. Um desses indícios é retratado pelos incisos III e VI desse mesmo artigo acima, senão vejamos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 11 10 Tal comando é senão positivado pelo teor do art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 12 11 b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. In casu, restou evidenciada a não demonstração dos documentos pertinentes e próprios à validação da escrituração da recorrente, o que obrigou a fiscalização a apurar o tributo via lançamento de ofício através do lucro arbitrado, assim como ordena a legislação. Ressaltase como imprescindível a demonstração dos livros Diário e Razão comprovando as movimentações realizadas pelos contribuintes na atividade de lançamento exercida pela fiscalização, conforme já decidido por este Conselho: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável, mormente quando não comprovada a sua destruição em enchente, causadora de sinistro nas dependências da empresa, quando não atendidas as exigências contidas no art. 210 §1°, do RIR/94, com a comunicação à repartição fiscal e ao órgão de registro do comércio, a publicação tempestiva da notícia do ocorrido em jornal de grande circulação e a tentativa de reconstituição da escrita contábil. (1° CC, 8a Câmara, Acórdão n° 10807.624, julgado em 04.12.2003)(Grifouse.) Ressaltase ainda, que após a decretação do lucro arbitrado, incabível e sem validade a demonstração dos documentos que lhe conduziram a essa condição, conforme já sumulado por este Conselho: Súmula CARF n° 59. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Portanto, temse como válido o procedimento de apuração pelo lucro arbitrado procedido pela fiscalização, estando este em conformidade com a legislação, dada a constatação de que não demonstrou o contribuinte escrita fiscal e contábil regular capaz de satisfazer os trabalhos da fiscalização. DA MULTA DE OFÍCIO Novamente a Lei estabelece que ao lançamento de ofício é onerado multa de 75%. É senão o trazido pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 13 12 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Desta forma, sendo imposição legal a autoridade fiscal deve atender, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, respaldada em lei, devida é a multa no percentual de 75%, não se aplicando a multa de 20% de que trata o art. 61, que corresponde tão somente a acréscimo moratório no pagamento de tributo. DA DECADÊNCIA A recorrente foi intimada do lançamento de ofício em 23/09/2008, conforme constam às fls. 64/65 (IRPJ), fls. 70/71 (CSLL), fls. 76/77 (PIS/PASEP) e fls. 83/84 (COFINS). O Código Tributário Nacional, com status de lei complementar disciplina que os tributos cujo lançamento se dá por homologação, possui o prazo de 5 (cinco) anos para ser exigido, senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] §4° Se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 14 13 esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que, o Auto de Infração realiza o lançamento de ofício nos períodos e débitos a seguir relacionados: TABELA 1 – Valores do Auto de Infração IRPJ FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL TRIBUTO DEVIDO TRIBUTO RECOLHIDO TRIBUTO A RECOLHER 30/09/2003 113.566,53 6.541,43 543,01 5.998,42 31/12/2003 140.261,70 8.079,07 849,45 7.229,62 CSLL 30/09/2003 113.566,53 3.270,71 1.135,66 2.135,05 31/12/2003 140.261,70 4.039,53 1.402,62 2.636,91 PIS/PASEP 31/07/2003 36.567,38 237,68 142,61 95,07 31/08/2003 32.454,58 210,95 168,76 42,19 30/09/2003 44.544,57 289,53 231,63 57,90 31/10/2003 47.883,19 311,24 248,99 62,25 30/11/2003 37.946,01 31/12/2003 54.432,50 COFINS 31/07/2003 36.567,38 1.097,02 731,35 365,67 31/08/2003 32.454,58 973,63 649,09 324,64 30/09/2003 44.544,57 1336,33 890,89 445,44 31/10/2003 47.883,19 1.436,49 957,66 478,83 30/11/2003 37.946,01 1.138,58 758,92 379,46 31/12/2003 54.432,50 1.632,97 1.088,65 544,32 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 15 14 Como se observa, existem tributos que recolhidos e abatidos do valor do lançamento, reforçam o afastamento da aplicação do art. 173, I do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Assim sendo, os fatos geradores ocorridos anteriormente a 23/09/2003, estão decaídos, não podendo ser objeto de cobrança por parte da Fazenda Nacional, via lançamento de ofício. Neste sentido é de se ressaltar, que o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre no dia a dia. Confrontado com situação idêntica, assim já interpretou o STJ: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO EM DUODÉCIMOS. LEI N. 7.787/89. POSSIBILIDADE. A ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO DAS EMPRESAS, MEDIANTE O RECOLHIMENTO EM DUODÉCIMOS, NÃO É INCOMPATÍVEL COM O SISTEMA JURÍDICOTRIBUTÁRIO VIGENTE, NEM CONTRARIA A REGRA CONTIDA NO ART. 43 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. A LEI, POR IMPOSIÇÃO DOS OBJETIVOS DA POLÍTICA FISCAL, ESTABELECE, POR VEZES, A APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO DO LUCRO POR UNIDADE DE FATO AQUISITIVO, COMO PRELECIONAM OS TRIBUTARISTAS. E OS FATOS AQUISITIVOS DA RENDA DAS EMPRESAS OCORREM NO DIA A DIA, CONQUANTO A SUA TRIBUTAÇÃO, ORA ISOLADA, ORA MENSAL, SEMESTRAL OU ANUAL, CONSTITUISE EM MERA TÉCNICA DE TRIBUTAÇÃO EM CONJUNTO DE INÚMEROS FATOS GERADORES SIMPLES OU COMPLEXOS. NÃO SE PODE, POIS, AFIRMAR, QUE O FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA OCORRERA NO MOMENTO EM QUE O CONTRIBUINTE AUFERE A RENDA OU A DISPONIBILIDADE ECONÔMICA, E, COMO TAL CONSIDERADO O FINAL DO EXERCÍCIO INDICADO NA LEGISLAÇÃO. A LEI CONSIGNA EXPRESSAMENTE QUE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO (OU DA CONTRIBUIÇÃO) OCORRE NO DECURSO DO PERÍODO BASE, DE PRIMEIRO (1.) DE JANEIRO A 31 DE DEZEMBRO, AO TEMPO EM QUE SE REALIZAM OS CORRESPONDENTES FATOS AQUISITIVOS. RECURSO PROVIDO. DECISÃO INDISCREPANTE. (REsp 76935/PR, Rel. Ministro DEMÓCRITO REINALDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/1996, DJ 18/03/1996, p. 7540) (Grifouse) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 16 15 Como se observa, embora a legislação venha a definir periodicidade para que o contribuinte efetue a apuração do tributo, isso não altera o fato gerador do mesmo. Nesta esteira, não pode o lançamento de ofício em tela exigir o tributo cujo fato gerador ocorreu antes de 23/09/2003, tendo em vista que o mesmo já se encontra decaído. Esta interpretação por extensão também afasta a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora correspondentes sobre o tributo exonerado. Assim sendo, a unidade de origem deverá apurar e adequar o lançamento de ofício do mês de 09/2003, eis que só podem ser exigidos os valores cujos fatos geradores ocorreram a partir de 23/09/2003, acrescentandose aos valores que colaciono a seguir como parte que merece prosperar a cobrança – fatos geradores não decaídos quando do lançamento de ofício: TABELA 2 – Valores do Auto de Infração não exonerados IRPJ FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL TRIBUTO DEVIDO TRIBUTO RECOLHIDO TRIBUTO A RECOLHER 30/09/2003* 31/12/2003 140.261,70 8.079,07** 849,45*** 7.229,62 CSLL 30/09/2003* 31/12/2003 140.261,70 4.039,53** 1.402,62*** 2.636,91 PIS/PASEP 30/09/2003* 31/10/2003 47.883,19 311,24 248,99 62,25 30/11/2003 37.946,01 31/12/2003 54.432,50 COFINS 30/09/2003* 31/10/2003 47.883,19 1.436,49 957,66 478,83 30/11/2003 37.946,01 1.138,58 758,92 379,46 31/12/2003 54.432,50 1.632,97 1.088,65 544,32 * A Unidade de Origem deverá manter o lançamento somente aos fatos geradores supervenientes a 23/09/2003. ** presunção de lucro para o lucro arbitrado: 38,4% art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Alíquotas de 15% para IRPJ e 9% para CSLL. *** com base nas informações de fls. 91. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 17 16 Sobre os valores que permanecem, é de se manter a aplicação da multa de 75%, de acordo com o art. 44 da Lei n° 9.430/96, e os juros de mora de acordo com as regras de atualização pertinente ao caso (SELIC). CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a tributação dos fatos geradores anteriores a 23/09/2003. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa – Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir apenas quanto ao critério utilizado na contagem da decadência. A existência de pagamentos, ainda que parciais, realmente desloca o prazo de decadência do art. 173, I, do CTN, para o do art 150, §4º, do mesmo código: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo acrescido) O problema é que o Relator considerou os fatos geradores em questão como ocorridos diariamente, determinando a exclusão da tributação sobre as receitas auferidas antes de 23/09/2003, uma vez que o lançamento foi realizado em 23/09/2008. Para fins de contagem da decadência, não entendo correta a segregação feita entre a data de ocorrência do fato gerador e a data final do período de apuração do tributo (que dá a medida temporal para a formação da base de cálculo). Sabese que um dos aspectos essenciais para a apuração do tributo é a base de cálculo, que, aliás, configura critério quantitativo da própria obrigação tributária. Assim, não há que se falar em ocorrência de fato gerador e surgimento de obrigação tributária antes da possibilidade de apuração da base de cálculo, e esta possibilidade só surge para o Fisco após o transcurso do período de apuração (que é outro elemento constitutivo da obrigação tributária – aspecto/critério temporal). A base de cálculo só se completa no final do período de apuração, e o texto da LC 70/1991 (art. 2º) é bastante esclarecedor a esse respeito, quando estabelece que a Cofins “incidirá sobre o faturamento mensal”, e não sobre a receita auferida em cada operação, ou sobre a saída das mercadorias, etc. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720560/200802 Acórdão n.º 1802001.460 S1TE02 Fl. 19 18 Não é dado ao Fisco apurar tributo antes de encerrado o período de apuração. e se não há como apurar, não há também como constituir, e muito menos como exigir tributo antes desse marco temporal. Sendo assim, não seria razoável iniciar a contagem da decadência antes mesmo de o Fisco poder realizar a apuração do tributo, mediante a atividade inerente ao lançamento. O IRPJ e a CSLL apurados mediante arbitramento do lucro possuem período de apuração trimestral (Lei 9.430, art. 1º, c/c Lei 8.981/1995, art. 57), e é só depois de encerrado esse período que os coeficientes de apuração do lucro poderão ser aplicados sobre as receitas auferidas no trimestre, para aferição da base de cálculo (que, no caso, é o lucro arbitrado). Nestes termos, não há que se falar em decadência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos em 30/09/2003 (abrangendo todo o terceiro trimestre de 2003), uma vez que o lançamento ocorreu em 23/09/2008. Já no caso do PIS e da COFINS, que possuem períodos de apuração mensal (Lei 9.715/1998, art. 2º, e LC 70/1991, art. 2º), a decadência alcança apenas os meses de julho e agosto de 2003, pelas mesmas razões já expostas. Portanto, além das exigência de IRPJ e CSLL, ficam também mantidas as exigência de PIS e COFINS de setembro/2003 em diante, na sua integralidade. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, apenas para afastar as exigências de PIS e COFINS relativas aos meses de julho e agosto de 2003. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10650.902394/2011-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL.
Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Cofins incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO.
Mantém-se o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Cofins incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO. Mantém-se o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Cofins incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO. Mantémse o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 23 94 /2 01 1- 01 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), transmitido em 29/3/2004, no valor de R$ 1.513,99, relativo a pagamento a maior que o devido da Cofins do mês de outubro de 1999, efetuado em 12/11/1999, decorrente de vendas de mercadorias a clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus (ZFM). Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 5, o pedido foi indeferido, por inexistência de crédito, com base no argumento de que o pagamento indicado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não crédito disponível para restituição. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou, em preliminarmente, nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que não tinha certeza quanto ao motivo do indeferimento nem informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas pelo contribuinte. No mérito, alegou que tinha direito à restituição do crédito pleiteado, com base nos seguintes argumentos: a) as vendas para clientes situados na ZFM eram equiparadas à uma exportação para o estrangeiro, logo, todas as vantagens fiscais que a legislação tributária estabelecesse para as operações de exportação, seja por meio de imunidade, seja por meio de isenção, seria extensíveis à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a Medida Provisória nº 18586 determinara que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de exportação de mercadorias para o exterior eram isentas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no entanto vedara a isenção das vendas para a ZFM; c) a limitação constante da referida Medida Provisória fora contestada perante o Supremo Tribunal Federal (STF), por intermédio da Medida Cautelar nº 2.2161; d) o STF havia decidido que não era permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes; e e) o suposto erro formal contido na DCTF, não era capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior, sob pena de agressão aos princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Para fim de comprovação da existência do crédito pleiteado, solicitou realização de diligência e apresentou quesitos. Sobreveio o acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nas seguintes razões: a) a motivação do Despacho Decisório era perfeitamente clara e adequada ao descrever o motivo da inexistência do crédito solicitado, logo, não era cabível a sua nulidade; b) a realização da diligência proposta era desnecessária, uma vez que os quesitos formulados eram do conhecimento do Colegiado e as questões de fato eram irrelevantes para a solução do litígio, ademais, os elementos coligidos aos autos eram suficientes para o julgamento do litígio; c) no mérito, com respaldo no entendimento exarado na Solução de Divergência Cosit nº 22, de 2002, não acolheu o pedido de restituição formulado, com base nos argumentos, explicitados na ementa do acórdão recorrido, a seguir transcritos: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902394/201101 Acórdão n.º 3802001.651 S3TE02 Fl. 21 3 A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições. Em 26/3/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão primeira instância. Em 25/4/2012, protocolou Recurso Voluntário de fls. 81/96, em que, apenas em relação ao mérito, reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) os efeitos fiscais da equiparação das vendas para a ZFM a uma operação de exportação para o exterior também valeriam para a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, instituídas após a vigência do Decretolei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, pois, a expressão “constantes da legislação em vigor” constante do artigo 4º do citado Decretolei, não tinha o condão de conferir interpretação estática à isenção das vendas para a ZFM, de modo a alcançar apenas os tributos vigentes ao tempo em que referido diploma entrou em vigor, nem tampouco mitigara a equiparação entre as exportações para o exterior e as exportações para a ZFM; b) a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins não incidiria para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, o que abrange a competência reclamada pela recorrente, haja vista (i) a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, § 2°, do artigo 14 da MP nº 2.03725, de 2000, e sucessivas reedições, e (ii) a equiparação dos efeitos fiscais das exportações para o exterior às exportações para a ZFM, contemplada no artigo 14, II, da referida MP e sucessivas reedições, conforme prevê o artigo 4º do Decretolei nº 288, de 1967, e a jurisprudência dos tribunais superiores; e c) a restituição do indébito era sempre devida, sendo irrelevante a retificação ou não da DCTF, o que pode ser feita em qualquer momento no curso da homologação do crédito pleiteado, a menos que haja procedimento fiscal instaurado de ofício, o que não é o caso. Ademais, o direito da recorrente não poderia ser mitigado por eventual erro ou falha no preenchimento da DCTF, haja vista que o processo administrativo fiscal era informado pelos princípios da verdade material, prejuízo ou insignificância, razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Duas questões de mérito são relevantes no caso em tela. A primeira, diz respeito à isenção das receitas de venda para a ZFM da cobrança da Cofins, origem do suposto Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 crédito pleiteado pela recorrente. A segunda, referese à necessidade de retificação prévia da DCTF, para fim de reconhecimento do direito à restituição da parcela do valor crédito pleiteada e computada no valor total do débito declarado na DCTF. O deslinde da primeira questão prescinde da análise e decisão quanto a existência jurídica do alegado direito à isenção, que, caso não seja reconhecido, obviamente, torna desnecessária a análise da segunda questão. E a razão é evidente, se não há suporte legal para a alegada isenção, consequentemente, inexiste o alegado indébito, logo o valor total do débito declarado na DCTF está correto e é devido, não havendo motivo para a retificação da citada Declaração. Da isenção da Cofins incidente sobre as receitas de venda para a ZFM. Em relação a esse ponto, a controvérsia gira em torno da isenção da Cofins incidente sobre as receitas de vendas realizadas às pessoas jurídicas situadas na ZFM. A Turma de Julgamento a quo entendeu que não existia previsão legal para a referida isenção, enquanto que a recorrente alegou que a citada isenção existia desde 1º de fevereiro de 1999, por força do inciso II do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, que teve sucessivas reedições, até a redação definitiva da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que tem a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] Segundo a recorrente, como as receitas de venda para a ZFM foram excluídas da vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, tais receitas passaram a ser isentas, desde 1º de fevereiro de 1999, nos termos do inciso II do art. 14 anteriormente transcrito, pois, para efeitos fiscais, as operações de venda para ZFM eram equiparadas às operações de exportação para o exterior, conforme estabelecido no art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, a seguir reproduzido: Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. De fato, antes da edição da Medida Provisória nº 1.95231, de 14 de dezembro de 2000, o inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, tinha a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902394/201101 Acórdão n.º 3802001.651 S3TE02 Fl. 22 5 § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [...] (grifos não originais) Após a edição da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000, a expressão “na Zona Franca Manaus” do inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, foi excluída, conforme exposto no art. 11 da referida MP, a seguir reproduzido: Art. 11. O inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR) Em face dessa alteração, a partir da edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, a expressão “na Zona Franca de Manaus” foi suprimida do inciso I do § 2º do art. 14, passando a ter a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Após sucessivas reedições, essa nova redação foi mantida até a edição da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e permanece em vigor até a presente data. Com a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do referido preceito legal, a partir 15/12/2000, data da vigência da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000, às receitas das vendas para a ZFM foram excluídas da restrição legal quanto à extensão do benefício da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre as receitas de exportação, prevista no inciso II do caput do art. 14 das citadas Medidas Provisórias. Em consequência dessa alteração, a partir de 15/12/2000, para fim de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, foi restabelecida a equiparação das vendas para ZFM às operações de exportação para o exterior, nos termos do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967. Da mesma forma, a isenção das receitas de exportação foi estendida às receias das vendas de mercadorias para ZFM, conforme estabelecido no inciso II do caput do art. 14 das citadas Medidas Provisórias. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 O entendimento aqui esposado, está em consonância com decisão liminar unânime do pleno do C. Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em 07/12/2000, nos autos da ADI nº 2.3489, em que deferida medida cautelar, com efeito ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Essa decisão liminar foi mantida até 10/2/2005, quando foi revogada, por meio de decisão que, em face da ausência de aditamento da inicial, declarou prejudicado o pedido por perda de objeto. A proximidade das datas evidencia que a finalidade da novel redação do inciso I do § 2º do art. 14 fora adequar o texto normativo ao conteúdo da referida decisão liminar. Assim, em conformidade com teor da referida decisão, no período em que vigeu a vedação ao direito da isenção em apreço, este Colegiado, por expressa vedação legal, determinada no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), em relação às receitas de vendas para a ZFM, não tem competência para afastar a aplicação da vedação estabelecida no artigo 14, § 2º, I, vigente até o advento da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000. No caso em tela, o crédito pleiteado referese a receitas de vendas para a ZFM do mês de outubro de 1999, período em que tais receitas estavam sujeitas à cobrança da Cofins. Logo, se não havia isenção, não houve alegado pagamento indevido, portanto, inexistente o direito creditório pleiteado. Assim, demonstrada a inexistência do direito material, fica prejudicada a análise da questão formal concernente à necessidade de retificação da DCTF previamente ao pedido de restituição em apreço. No caso em tela, embora não exista fundamento jurídico para o direito creditório, entendo oportuno analisar a questão probatória, o que será feito no tópico a seguir. Da inexistência de prova do direito creditório. Com o fim de provar a existência do direito ao crédito pleiteado, a recorrente trouxe à colação dos autos, instruindo a Manifestação de Inconformidade, apenas as notas fiscais de vendas do mês de outubro de 1999 (fls. 34/44), realizadas para os clientes situados na ZFM. As referidas notas fiscais, embora necessárias para comprovar as receitas das vendas para a ZFM, são insuficientes para comprovar a parcela do pagamento maior que o devido da Contribuição para PIS/Pasep do mês de outubro de 1999. Na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do PAF, a recorrente tinha o ônus de acostar aos autos a prova inequívoca do crédito requerido. Para tal finalidade, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. Assim, fica demonstrado que a recorrente não se desincumbiu adequadamente do ônus probatório determinado no inciso III do artigo 16 do PAF, logo, também em razão da ausência de comprovação do crédito pleiteado, deve ser mantido o indeferimento do pedido de restituição em apreço. Da conclusão. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902394/201101 Acórdão n.º 3802001.651 S3TE02 Fl. 23 7 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 11020.000767/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 17/03/2010
APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS COM REGISTRO NO ÓRGÃO COMPETENTE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXIBIÇÃO NA DATA FIXADA PELO FISCO. INFRAÇÃO POR APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE LIVRO. INOCORRÊNCIA.
Se o contribuinte, ao receber o termo de início de ação fiscal, registra os livros contábeis e os apresenta no momento determinado pelo fisco, não há o que se cogitar de atuação pela apresentação deficiente de elementos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.396
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Designado para redigir o
voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/03/2010 APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS COM REGISTRO NO ÓRGÃO COMPETENTE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXIBIÇÃO NA DATA FIXADA PELO FISCO. INFRAÇÃO POR APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE LIVRO. INOCORRÊNCIA. Se o contribuinte, ao receber o termo de início de ação fiscal, registra os livros contábeis e os apresenta no momento determinado pelo fisco, não há o que se cogitar de atuação pela apresentação deficiente de elementos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.000767/201005 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2401002.396 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJJISTA DE FARROUPILHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/03/2010 APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS COM REGISTRO NO ÓRGÃO COMPETENTE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXIBIÇÃO NA DATA FIXADA PELO FISCO. INFRAÇÃO POR APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE LIVRO. INOCORRÊNCIA. Se o contribuinte, ao receber o termo de início de ação fiscal, registra os livros contábeis e os apresenta no momento determinado pelo fisco, não há o que se cogitar de atuação pela apresentação deficiente de elementos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire – Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.269.5248, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 80 a 81 em seu relatório, de acordo com o parágrafo único do art. 233 daquele Regulamento, " considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais , bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda , que omita informação verdadeira " , estando entre as formalidades extrínsecas a que sujeitos os instrumentos de escrituração notadamente o Livro Diário a autenticação no registro público competente. Não obstante, os Livros Diário n° 09, 10, 11 e 12, respectivamente de janeiro a dezembro de 2005, janeiro a dezembro de 2006, janeiro a dezembro de 2007 e janeiro a dezembro de 2008, apresentados pela empresa em 19 de fevereiro de 2010, só foram registrados no órgão competente, Ofício de Registro de Títulos e Documentos de Farroupilha RS, em 10 de fevereiro de 2010. depois da ciência do início do procedimento fiscal, ciência ocorrida em 02 de fevereiro de 2010. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 102 a 106. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 137 a 148. Vejamos ementa da referida decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/03/2010 AUTO DE INFRAÇÃO . OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO . DOCUMENTOS RELACIONADOS COM A CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS EXTRÍNSECAS . Constitui infração à legislação previdenciária a falta de apresentação, à fiscalização, de quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, bem como sua apresentação deficiente, sem atender as formalidades legais exigidas, tal como o registro no órgão competente em data posterior ao início do procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 186 a 190. Em síntese, a recorrente em seu recurso traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Afirma que não ocorreu a infração objeto desta autuação, eis que a verificação de sua irregularidade só poderia se dar quando da sua apresentação ao fisco, considerando que os livros Diário apresentados à fiscalização foram registrados após o início da ação fiscal, mas antes de sua exibição ao fiscal. Assim, quando da efetiva apresentação encontravam se regulares e legais. 2. Entende que da leitura da lei o contribuinte tem oportunidade de regularizar sua contabilidade até o momento em que a fiscalização estabelece o prazo para a sua apresentação, o qual não se extingue em nenhum outro momento anterior. A legislação diz que os Livros Diário devem estar regularizados quando de sua apresentação ao fisco, e não quando do início do procedimento fiscal. 3. A multa não está correta quanto à sua quantificação, por não atender aos limites estabelecidos no art. 283, II do RPS. O contribuinte não praticou qualquer ato capaz de provocar a agravante, nem com intuito de prejudicar a ação da fiscalização, nunca antes tendo sido multado. A dosagem da multa está acima dos limites legais. 4. Requer seja declarado nulo ou totalmente improcedente o auto, ou, alternativamente, seja limitado o valor da multa ao estabelecido no artigo 283, I I , c/c artigo 292 do RPS..^ A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Importante destacar que as associações em relação aos segurados que contrata, ou mesmo no caso de contratação de cooperativas, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Assim, irrelevantes os argumentos de que em sendo associação estaria desobrigada de efetuar as devidas retenções quando da contratação de cooperativas. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Requereu a autoridade fiscal os livros diários porém ao apreciálos identificou que o mesmos foram registrados após o procedimento fiscal, o que tira do recorrente a espontaneidade. Contudo, dito argumento não é suficiente para afastar a autuação, posto que o fato que configura a infração restou configurado, qual seja “apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme dispositivo legal infringido.” Notese que os argumentos trazidos pelo recorrente são exatamente os mesmos já apresentados na IMPUGNAÇÃO, onde quando do julgamento de primeira instância apreciou o julgador os argumentos ali contidos, não tendo o recorrente contraposto qualquer novo argumentos capaz de alterar aquele julgado. Portanto, transcrevo trecho da referida decisão. Da Penalidade por Descumprimento de Obrigação Acessória 8. Inicialmente, destacase que a autuação ora sob exame foi imposta à impugnante pelo seu próprio descumprimento de uma obrigação acessória prevista em lei, qual seja, a de apresentar livros obrigatórios na forma exigida pela legislação. 9. Pelas leis civis, o empresário e a sociedade empresária estão obrigados a manter escrituração contábil idônea, consubstanciada no Livro Diário, cuja exigibilidade está prevista no artigo 1.180 do Código Civil (lei n.° 10.406/2002), o qual deve ser autenticado no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). Como se segue: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 4 7 Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. (...) Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. (...) Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis, (g. n.) 10. O livro Diário deve observar, portanto, certas formalidades extrínsecas e intrínsecas (artigos 1.183 e 1.184 do Código Civil), sob pena de autuação própria, nos termos da legislação tributária previdenciária. Vejase a Lei n.° 8.212/91: Art. 33. [omissis] (...) § 2° A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). § 3â Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). 11. Há ainda a previsão, no Regulamento da Previdência Social (RPS) Decreto n.° 3.048/99, de que a escrituração contábil seja exigida após noventa dias da ocorrência dos fatos geradores. Citase: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: 12. Além disto, a Instrução Normativa SRF n. 16/1984 estabelece como prazo para registro e autenticação dos Livros Diário o último dia determinado para a entrega da DIPJ. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 13. Deste modo, verificando que o livro Diário, exigível de qualquer empresa nos termos da lei, não se encontrava registrado no órgão competente no início do procedimento fiscal, ficou caracterizada, pela fiscalização, a sua apresentação de modo deficiente, isto é, sem o registro em tempo hábil. Há, sim, infração, na medida em que as formalidades legais não foram atendidas no momento determinado pelas normas em vigor. 14. Não é somente a falta de apresentação de livro obrigatório que é capaz de ensejar a infração em tela. A sua apresentação deficiente, sem observância de formalidades legais exigidas, tal como o registro ou autenticação, também o é. Ora, sem a observância das formalidades, dentre as quais se inclui o registro contemporâneo dos livros contábeis, não se pode falar em regularidade na documentação da empresa, a qual deve merecer confiabilidade exatamente por se verificar ter atendido todos os requisitos estabelecidos nos normativos vigentes. Assim, fica estabelecida a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal para autuar a empresa, nos termos do artigo 33, § 2 o e 3o da Lei 8.212/91. 15. Portanto, a situação fática encontrada pela fiscalização quando do início da ação fiscal foi a de uma escrita contábil desprovida de registro, ou seja, sem regularidade. O inicio da fiscalização deuse em 02/02/2010, conforme AR que comprava o recebimento do TIPF, de fls. 72. Os livros Diário apresentados, de 2005 a 2008, contêm como datas de registro 10/02/2010; após portanto o inicio da auditoriafiscal, conforme documentos de fls. 82/99. O registro operado pela Autuada foi, assim, extemporâneo, desatendendo o que preconiza a legislação de regência, e imputando a sua escrita contábil o atributo da irregularidade. De nada adianta a empresa sob procedimento fiscal cumprir um dever instrumental somente após o termo inicial desse procedimento. 16. Isto porque o início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade para os fins de retificar ou sanar infrações referentes às contribuições sociais e previdenciárias objeto do procedimento fiscal a que está submetido. Tudo nos termos do art. 138 e parágrafo único do CTN e art. 7.° e § 1.° do Decreto n.° 70.235/72. 17. Por outro lado, a jurisprudência assinala a impossibiliade desse aplicar o instituto da denúncia espontânea nas obrigações acessórias, puramente formais, como é o caso do Auto de Infração em tela. 18. O entendimento é corroborado na CSRF Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da transcrição abaixo, em que foi recorrida a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (julgado em 21.05.2001 do RD/2020.363, DOU, Seção I, p. 19, de 23/10/2002): "Acórdão CSRF/02.01,029. DCTF ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 5 9 A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138, do CTN.Precedentes do STJ. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Cons.Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva" 19. Nesse contexto, ao verificar o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 33, § 2o da Lei n° 8.212/91, c/c art. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, lavrouse corretamente o correspondente auto de infração, com aplicação da multa prevista no artigo 283, inciso I I , " j " do RPS, valor esse atualizado pela Portaria Ministerial vigente à época. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. VALOR DA MULTA Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, ressaltese: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria MPS/MF n. 350/2009 reajustou os valores da multa: Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências. Ademais, a alegação de que não tinha a intenção de praticar qualquer falta, também não afeta o lançamento, uma vez que a intenção do agente não interfere, ou seja o fato de ter agido com dolo ou culpa não interfere no lançamento. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais, posto inclusive a possibilidade de relevação. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 6 11 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Ao contrário do que entendeu a ilustre Relatora, data vênia, vou dar razão à recorrente no que diz respeito à inocorrência da infração. Inicio por transcrever os termos do dispositivo legal que fundamentou a lavratura: Lei n.º 8.212/1991 Art.33.(...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Observe que fiz questão de grifar os vocábulos que encerram o núcleo da obrigação acessória supostamente desrespeitada. Sem maiores digressões, é de se notar que a conduta desejada do sujeito passivo é a apresentação de livros/documentos, sendo considerada infração a falta de exibição ou mesmo a sua apresentação deficiente, conforme se extrai do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, verbis: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único.Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Indo ao caso concreto, temse que o sujeito passivo, tendo sido intimado a apresentar os Livros Diário relativos os exercícios de 2005 a 2008 em 02/02/2010, registrouos no órgão competente em 10/02/2010, tendo feito a exibição dos mesmos ao fisco em 19/02/2010. Para a Auditoria, o registro dos livros em momento posterior ao início do procedimento fiscal, retiraria a espontaneidade do contribuinte, justificando, assim, a lavratura. Não vejo dessa forma. É que a infração sob cuidado somente se perfectibiliza no momento da exibição dos elementos. A conduta omissiva tem lugar quando da falta de apresentação dos elementos ou a sua apresentação deficiente. Na espécie, não há o que se cogitar da falta de apresentação, posto que os livros foram entregues, então, perguntase: os Livros Diário foram apresentados de forma Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11020.000767/201005 Acórdão n.º 2401002.396 S2C4T1 Fl. 7 13 deficiente? A resposta é negativa, posto que o fisco recebeu os elementos com todas as formalidades intrínsecas e extrínsecas cumpridas, conforme narrado no seu relato. Quanto à possível exclusão da denúncia espontânea em razão do registro dos livros haver sido efetuado somente após o início da auditoria, devese ter em conta que esta raciocínio poderia ser utilizado nas situações em que a obrigação consistisse em “registrar os livros contábeis em data X”, mas não é essa a obrigação que suposta mente foi descumprida, a qual, não custa reprisar, diz respeito à “exibição de documentos e livros”. Nesse sentido, tendo os livros sido entregues na data fixada pela Auditoria e estando os mesmos em conformidade com as normas aplicáveis, não há que se falar em ocorrência de infração à norma insculpida no § 2.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11065.905337/2011-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA.
Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantémse a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 53 37 /2 01 1- 38 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Tratase de Declaração de Compensação (DComp), em que informada a compensação de crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de março de 2004, no valor de R$ 2.088,42, com débito da Cofins do mês de janeiro de 2007. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 02/04, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que o crédito compensado era legítimo, com base nos argumentos de que (i) o valor do débito informado na DCTF estava errado e era indevido; (ii) a comprovação do pagamento indevido era realizado com a simples apresentação do Darf; e (iii) a DCTF e a DIPJ não geravam crédito nem afetavam a compensação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declarada, com base no argumento de que não foram comprovados os requisitos da liquidez e certeza do crédito compensado. Em 23/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 16/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 48/64, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegalidade, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação comprobatória do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. Em preliminar, alegou a recorrente a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegal, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação adequada à comprovação do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. O motivo e o fundamento da não homologação da compensação declarada, consignado no contestado Despacho Decisório, foi a inexistência do crédito compensado. Com base nessa informação, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no § Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11065.905337/201138 Acórdão n.º 3802001.697 S3TE02 Fl. 21 3 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), cabia ao contribuinte apresentar os elementos probatórios adequados com vistas a comprovação da existência do valor crédito informado, o que não feito. Por essa razão, fundamentadamente, a Turma de Julgamento a quo manteve a não homologação da compensação por ausência de “comprovação da liquidez e certeza do crédito”, que equivale a inexistência do direito creditório. Dessa forma, a decisão recorrida não só manteve o fundamento/motivo da decisão prolatada no Despacho Decisório guerreado (inexistência do crédito), como apresentou a razão pela qual concluíra que o direito creditório não inexistia, ou seja, a ausência das provas hábeis e idôneas para fim de comprovação do valor crédito pleiteado. Também a falta de intimação para apresentar a documentação comprobatória do crédito também não configura motivo suficiente para inquinar a decisão recorrida. Ônus probatória não é da incumbência da autoridade julgadora, mas da parte interessada, nos termos do art. 16 do PAF, combinado com o disposto no art. 333 do CPC. No caso do procedimento de compensação, quem tem que provar a existência do crédito é quem alega possuílo, ou seja, o sujeito passivo autor da declaração de compensação. Por essas razões, a autoridade julgadora não tem o dever intimar o contribuinte para produzir provas. Em consonância com o disposto nos arts. 18 e 29 do PAF, a autoridade julgadora, com vistas a formação de convicção, poderá determinar a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias e imprescindíveis para o esclarecimento de dúvidas acerca da prova apresentada, situação que não se vislumbra no caso em tela. Por todas essas razões, rejeito a preliminar de nulidade. Do mérito. Em relação ao mérito, a recorrente insiste na alegação de que a apresentação do Darf seria prova suficiente para comprovar a existência do crédito. Na verdade, o Darf comprova a realização do pagamento, mas, no caso em tela, tal prova era prescindível, pois, o pagamento já havia sido confirmado pelo Administração Tributária, conforme explicitado no Despacho Decisório. Por força do disposto no art. 170 do CTN, a homologação da compensação depende da prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, logo, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do PAF, a recorrente tinha o ônus de carrear aos autos a prova inequívoca do crédito compensado, ao não se desincumbir adequadamente desse encargo, fica sujeita as consequências dessa omissão. É oportuno ressaltar que, mesmo ciente da necessidade da apresentação da documentação probatória adequada, nesta fase recursal, a recorrente insistiu na omissão, uma 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 vez que não trouxe à colação do recurso qualquer documento comprobatório do suposto indébito. No caso, como se trata de suposto crédito decorrente de pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. A recorrente não apresentou nenhum dos referidos documentos, inclusive na atual fase recursal, conforme já mencionado. Com base nessas considerações, por falta de prova, resta não comprovado a existência do crédito compensado, logo, deve ser mantida a não homologação da compensação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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