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Numero do processo: 10820.902166/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.588
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 66 /2 01 2- 12 Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10820.902166/201212 Acórdão n.º 3401003.588 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10820.902166/201212 Acórdão n.º 3401003.588 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10820.902166/201212 Acórdão n.º 3401003.588 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10820.902166/201212 Acórdão n.º 3401003.588 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1069DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910091/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 29/12/2006
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/12/2006 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 91 /2 01 2- 13 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11020.910091/201213 Acórdão n.º 3402004.041 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.804, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11020.910091/201213 Acórdão n.º 3402004.041 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901177/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.701
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 77 /2 00 9- 17 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901177/200917 Acórdão n.º 3201002.701 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.458. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901177/200917 Acórdão n.º 3201002.701 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901177/200917 Acórdão n.º 3201002.701 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720387/2016-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RETIFICAÇÃO DE DIRPF. PREVIDÊNCIA PRIVADA. LIMITE DE DEDUÇÃO.
A retificação de declaração para reclassificar rendimentos tributáveis em rendimentos isentos e não tributáveis, ao ser considerada indevida, deve restabelecer o montante não aproveitado na retificadora das contribuições à previdência privada que, eventualmente, tenham sido desconsideradas por excederem o limite legal para tal dedução em relação aos valores dos rendimentos tributáveis objeto da declaração sob análise.
Numero da decisão: 2201-003.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 RETIFICAÇÃO DE DIRPF. PREVIDÊNCIA PRIVADA. LIMITE DE DEDUÇÃO. A retificação de declaração para reclassificar rendimentos tributáveis em rendimentos isentos e não tributáveis, ao ser considerada indevida, deve restabelecer o montante não aproveitado na retificadora das contribuições à previdência privada que, eventualmente, tenham sido desconsideradas por excederem o limite legal para tal dedução em relação aos valores dos rendimentos tributáveis objeto da declaração sob análise.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PREVIDÊNCIA PRIVADA. LIMITE DE DEDUÇÃO. A retificação de declaração para reclassificar rendimentos tributáveis em rendimentos isentos e não tributáveis, ao ser considerada indevida, deve restabelecer o montante não aproveitado na retificadora das contribuições à previdência privada que, eventualmente, tenham sido desconsideradas por excederem o limite legal para tal dedução em relação aos valores dos rendimentos tributáveis objeto da declaração sob análise. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 03 87 /2 01 6- 10 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo ao exercício de 2011, fl. 21/25, pela qual a Autoridade Administrativa, em sede de Malha Fiscal, identificou a infração à legislação abaixo descrita (fl. 23): Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, sujeito à tabele progressiva, no valor de R$ 69.168,22, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo, indevidamente declarados como isento e/ou não tributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. Contribuinte solicitou análise de sua declaração, conforme protocolo DRFSts 092561 em 06/01/2016. Conforme laudo apresentado a contribuintes é portadora de retinose pigmentar CID H35.0, como descrito no próprio documento tratase de deficiência visual e, portanto, não há previsão legal para isenção. Ressaltese que o pedido protocolado foi escrito e assinado pela contribuinte. O procedimento fiscal em tela foi levado a termo a partir de declaração retificadora, sendo certo que a contribuinte, na DIRPF retificada, havia declarado todos o valores da aposentadoria como rendimento tributável, apurando, na ocasião, imposto a pagar, que foi recolhido antes do início do procedimento fiscal. Ciente do lançamento em 15 de janeiro de 2016, fl. 27, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 2/3 e 9/11, onde apresentou suas considerações que objetivavam comprovar a improcedência da alteração efetuada no curso do procedimento fiscal. No julgamento de 1ª Instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou procedente em parte a impugnação, fl. 39/48, pois, embora tenha considerado que a enfermidade apresentada pela contribuinte não configura moléstia que ampare direito à isenção do IR sobre os rendimentos de aposentadoria, considerou que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte deveriam ser considerados na apuração do saldo do imposto devido e na imposição da penalidade de ofício. Assim, reduziu o lançamento de R$ 9.293,00 para R$ 388,17. Ciente do Acórdão da DRJ em 06 de junho de 2016, fl. 53, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 22 de junho de 2016, o Recurso Voluntário de fl. 55/56, no qual não contesta as conclusões da 1ª instância sobre o direito à isenção, mas tão só, o saldo ainda pendente de pagamento, por considerar que o valor do imposto devido apurado na declaração retificada, a qual considerou os rendimentos de aposentadoria como tributáveis, teria sido integralmente recolhido. É o relatório necessário. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10845.720387/201610 Acórdão n.º 2201003.648 S2C2T1 Fl. 85 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Sustenta o recorrente que preencheu sua declaração retificadora sob orientação da Delegacia da RFB em Santos/SP, informando como isentos e não tributáveis os valores recebidos a título de aposentadoria englobando o 13º salário. Entende que o valor apurado de R$ 9.293,00 calculado pela Delegacia de Santos incidiu sobre o valor de R$ 98.510,45, quando o correto seria R$ 93.136,89. A análise do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido de fl. 24, que é parte integrante da Notificação em lide, é claro ao evidenciar que o lançamento partiu exatamente dos R$ 93.136,89 considerados como devido pelo contribuinte. Mas como explicar que a omissão dos mesmos rendimentos informados na declaração retificada resultou em lançamento de ofício com saldo de imposto diferente daquele apurado e pago pelo contribuinte? A resposta é simples. Tratase da dedução originalmente declarada a título de contribuição à previdência privada. Na declaração retificada, o valor deduzido a este título foi de R$ 4.287,75 (3.674,50 + 613,25). Já na Declaração retificadora, embora o valor declarado tenha sido o mesmo (R$ 4.287,75), a dedução foi de apenas R$ 2.876,24, tudo em razão do limite fixado pelo art. 11 da Lei 9.532/97, que é de 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. Desta forma, ao considerar tributável os rendimentos informados na declaração revisada como isento, a decisão recorrida deveria ter restabelecido a totalidade dos valores declarados a título de previdência privada. Se assim tivesse procedido, o Julgador de 1ª Instância teria apurado imposto devido de R$ 14.373,22, pouco menor do que o apurado no lançamento de ofício, R$ 14.761,39. Deduzindose o IRRF declarado (R$ 5.468,39) do novo valor apurado, concluise que o valor a pagar do imposto de renda para o exercício de 2011 seria de R$ 8.904,83, exatamente o que a decisão recorrida já considerou como extinto por pagamento em razão dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. Desta forma, são procedentes os argumentos do recorrente. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para exonerar o crédito tributário remanescente no presente processo, no valor de R$ 388,17. Fl. 86DF CARF MF 4 Fica ressalvada a necessidade da DRF de origem dar o tratamento adequado ao Perdcomp nº 29774.91510.171215.2.2.040129. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.016072/2001-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 91.
No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n. 91.
Numero da decisão: 1201-001.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n. 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 60 72 /2 00 1- 53 Fl. 152DF CARF MF 2 Relatório Trata de pedido de restituição de fl. 01, por intermédio do qual a Interessada pleiteou valor retido e não compensado sobre aplicações financeiras relativas ao anocalendário de 1996. Foi transmitida, em 15/01/2004, PER/DCOMP eletrônica (Declaração de Compensação) vinculada ao presente processo, anexada as fls. 47/50. A Autoridade Administrativa, por meio do Despacho Decisório de fls. 40/44, denegou a solicitação em razão da ocorrência da decadência do direito da Interessada, conforme legislação de regência, indeferindo o pedido de restituição e não homologando a PERDCOMP. A empresa, tendo tomado ciência do decidido no referido despacho, em 18/11/2008 (fl. 46 verso), apresentou manifestação de inconformidade em 17/12/2008 (fls. 56/60), na qual, nas palavras de seu procurador (fls. 32 e 61/74), alega, em síntese, que: a lei tributária deve ser aplicada e analisada de acordo consonância com a legislação vigente a época dos fatos, sendo que não vigorava a Lei Complementar n° 118/2005, devendo ser aplicado ao caso, o prazo decadencial de cinco mais cinco anos, que teria sido largamente aplicado pela RFB, não tendo o pedido de restituição sido alcançado pela decadência; destacase nesse sentido a diretiva jurisprudencial seguida atualmente pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 58.9185RJ fls. 59/60); requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de acordo com o disposto no art. 151, III, do Código Tributário Nacional CTN. Decisão da DRJ Em decisão de 28/07/2009, a 4°Turma da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementa abaixo: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA . JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. IRPJ. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, O direito de o contribuinte pleitear a restituição de valores pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇAO. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.016072/200153 Acórdão n.º 1201001.625 S1C2T1 Fl. 3 3 Não se homologa as compensações posto que negado o pedido de restituição. Recurso Voluntário Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário para ratificar seus argumentos de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, deve ser apreciado. Suspensão da Cobrança Quanto à suspensão da exigibilidade de créditos tributários, a citada suspensão, decorre da impugnação ou manifestação de inconformidade, conforme disposto no art. 151, III que prevê como causa de suspensão de exigibilidade do crédito tributário “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. No entanto, se o Recorrente se refere à eventual exclusão do CADIN ou emissão de CND, destaco acórdão constante da própria decisão da DRJ: “EXCLUSÃO DO cAD1N E AUTORIZAÇÃO PARA EMISSÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. Consoante dispõe O Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, não é da competência dos Conselheiros decidir sobre a possibilidade de exclusão do contribuinte do Cadastro de Inadimplentes CADIN, bem assim sobre a emissão de Certidão Negativa de Débitos. Recurso negado. " (Acórdão no 20177331, de 04/11/2003, do Segundo Conselho de Contribuintes)" Fl. 154DF CARF MF 4 Desta sorte, não vejo qualquer necessidade de manifestação deste Conselho a este respeito, sendo que qualquer questão relacionada ao CADIN ou CND , deve ser tratada coma delegacia de origem. Decadência Quanto à decadência, aplicase ao caso em tela a Sùmula CARF n. 91 que assim dispõe: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Tendo em vista que o pedido de restituição foram formulado no ano de 2004 e referiase à saldo do ano de 1995, não há que se falar em decadência. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. È como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002306/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002
Ementa:
PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR.
Comprovado nos autos e corroborado por informação de autoridade fiscal de que houve o suficiente pagamento, do principal e dos acréscimos legais, extingue-se a exigência.
Numero da decisão: 3201-002.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
CÁSSIO SCHAPPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002 Ementa: PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO EM PERÍODO POSTERIOR. Comprovado nos autos e corroborado por informação de autoridade fiscal de que houve o suficiente pagamento, do principal e dos acréscimos legais, extingue-se a exigência.
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Comprovado nos autos e corroborado por informação de autoridade fiscal de que houve o suficiente pagamento, do principal e dos acréscimos legais, extinguese a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. CÁSSIO SCHAPPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 4), lavrado contra a Recorrente pela falta de recolhimento de Pis/Pasep conforme demonstrado às folhas 7, tendo como fato gerador o período de 03/2002 a 06/2002, cujos valores devidos de tributo totalizam R$ 22.921,57. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 23 06 /2 00 6- 26 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10925.002306/200626 Acórdão n.º 3201002.619 S3C2T1 Fl. 284 2 Inconformado com o lançamento fiscal o Contribuinte apresentou impugnação (fls. 75), onde afirma que todas as diferenças apontadas pela fiscalização foram recolhidas na data de 15/01/2003, juntamente com o valor devido da competência 12/2002 de R$ 7.993,92, que somado ao valor da diferença apurada de R$ 22.921,57 é igual ao valor do DARF que foi pago e informado na DTCF de R$ 30.915,49. Requer em sua impugnação que seja determinada diligência para que sejam confrontadas pelo fisco as provas apresentadas e apurado eventual diferença relacionada a multa e juros de mora pelo recolhimento fora do prazo. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo – I julgou procedente o lançamento e ementou sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002 PAGAMENTO EM PERÍODO POSTERIOR. INOCORRÊNCIA. Não comprovado que o alegado pagamento se referia ao período de apuração do crédito lançado, conforme comprovante de recolhimento e declaração DCTF enviada pela empresa, deve ser mantida a exigência. MULTA DE OFÍCIO. Legalidade do percentual de multa aplicado e adequação ao seu caráter punitivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original, porém, faz um adendo com o seguinte tópico: DA PARTE DA DECISÃO NÃO OBJETO DO PRESENTE RECURSO XIV. Nos termos dos comprovantes que anexa ao presente recurso, esclarece a Recorrente a esse E. Conselho que recolheu, em data de 30 de novembro último, os juros moratórios incidentes sobre o débito exigido, calculados na conformidade e com os benefícios previstos na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Assim o fez porque, conquanto tenha efetuado o recolhimento dos valores lançados a título da contribuição para o PIS/PASEP, a que se refere o lançamento, é certo que referido pagamento foi efetuado a destempo, como já admitido, pelo que a exigência dos acréscimos decorrentes da mora se apresentava legítima. XV. Sendo assim, para os fins e efeitos previstos na mencionada Lei n°11.941/2009 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06, de Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10925.002306/200626 Acórdão n.º 3201002.619 S3C2T1 Fl. 285 3 22 de julho de 2009, especialmente em atendimento ao que se encontra disposto no artigo 13 e respectivos §§ da citada Portaria, a Recorrente manifesta, de forma expressa e irrevogável, sua desistência da impugnação, na parte relativa à exigência dos encargos incidentes sobre o valor nominal das contribuições exigidas, renunciando a quaisquer alegações de direito especificamente quanto a esta parte, ficando o recurso ora interposto restrito à exigência do valor nominal das contribuições lançadas. Distribuído esse processo para a relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo G. Barbieri, dessa 1ª TO da 2ª Câmara, na sessão realizada na data de 12/08/2011, foi convertido o julgamento em diligência, por unanimidade de votos, através da Resolução nº 3201000.281, sob os seguintes argumentos: Destarte, entendo que para a solução do litígio deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes (Recorrente e Fisco) esclarecerem estes fatos, através da juntada de documentação probante aos autos, em atendimento ao princípio da verdade material. O princípio da verdade material referese ao dever de esclarecer o fato real, trazer aos autos a versão mais próxima possível do evento ocorrido, para que o julgador disponha de elementos seguros para a sua decisão. Ademais, são princípios constitucionais basilares que devem permear todo processo administrativo fiscal o contraditório e a ampla defesa. Referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes demandadas de produzirem defesas de qualidade e indicar suas provas. Implicam no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos. Essa regra de equilíbrio decorre do denominado princípio da igualdade das partes, tão importante para o embate processual quanto qualquer um dos demais princípios orientadores do processo. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto no. 70.235/72 voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade fiscal da DRF Joaçaba – SC: 1º.) Intime a Recorrente a apresentar documentos e/ou informações que comprovem a efetividade dos recolhimentos da Contribuição para o PIS/Pasep, em relação aos períodos de apuração março, abril, maio e junho de 2002 e dos devidos acréscimos legais; 2º.) Ateste a suficiência e tempestividade dos alegados recolhimentos efetuados; 3ª.) Elabore Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10925.002306/200626 Acórdão n.º 3201002.619 S3C2T1 Fl. 286 4 outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos; 4º.) Encerrada a instrução processual, a Interessada deverá ser cientificada e intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Dando seguimento ao que foi deliberado a DRF/JOAÇABA/SC procedeu com intimação ao Sujeito Passivo (fls. 148), para apresentar livros, documentos e arquivos que relaciona o que foi prontamente atendido pela parte intimada (fls. 150/194). A Autoridade Fiscal designada apresentou RELATÓRIO FISCAL DE DILIGÊNCIA (fls. 195/198), confirmando todos os fatos trazidos pela recorrente, relacionados aos pagamentos efetuados, tanto das contribuições quanto dos juros e da multa sob os benefícios da mencionada Lei 11.941/2009. Destacase: O contribuinte recolheu o valor de R$ 22.921,56 em 15/01/2003 no código 8109, apontando no DARF o período de apuração 31.12.2002, vencimento em 15/01/2003 e na mesma data fez outro recolhimento no valor de R$ 7.993,93 com idêntico código, período de apuração e vencimento. O primeiro valor coincide com a soma das parcelas originais de Pis do Auto de Infração e o contribuinte alega que este recolhimento referese aos valores de Pis apurados na mencionada ação fiscal. Ambos os valores foram declarados em DTCF do período de apuração dezembro de 2002, no código de receita 8109, valor total 30.915,49. Os valores autuados não constam das DCTF’s dos respectivos meses. Da análise da Ficha 19 A da DIPJ 2003 referente ao ano calendário 2002, entregue em 26/03/2003, ANTES, portanto da lavratura do auto de infração, constatase que na mencionada Ficha de Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP a empresa já demonstrara os cálculos que corroboram suas alegações tanto para o PIS devido nos meses autuados, como no mês de dezembro para o qual foi recolhido em separado o valor de R$ 7.993,93, confirmei estas informações com dados extraídos da contabilidade. Por razões não explicadas a empresa não solicitou o REDARF e não entregou DCTF retificadora. Pela distribuição do faturamento da empresa durante o ano de 2002, fica evidente o ERRO DE FATO da declarante ao alocar todo o PISFaturamento como sendo do período de apuração dezembro de 2002, pelo que efetuei os cálculos de IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL prevista no art. 163 da lei 5.172/66 (CTN), considerados os cálculos de VALOR ORIGINAL, MULTA DE MORA E JUROS do período entre os vencimentos e o dia do pagamento (15/01/2003), temos os demonstrativos abaixo; Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10925.002306/200626 Acórdão n.º 3201002.619 S3C2T1 Fl. 287 5 Considerando os recolhimentos fora do prazo com as imputações devidas da multa e juros de mora, somados os recolhimentos feitos no código 6636 – Juros Pis/Pasep com as exonerações da Lei 11.941/2009, o demonstrativo de folhas 196 traz a seguinte conclusão da autoridade fiscal: “Com as exonerações da Lei 11.941/09 o contribuinte NADA TERIA A RECOLHER, pois recolheu em 30/11/2009 R$ 11.283,01 e devia R$ 9.344,92”(sublinhei). Contudo, declara a autoridade fiscal que: “Este relatório de diligência propõe que as exonerações da Lei 11.941/09 NÃO SEJAM CONCEDIDAS, pelo fato de que a empresa não apresentou o REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA instituído pelo Art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, sem o mencionado requerimento não fica configurada a RENÚNCIA AO CONTRADITÓRIO, que é a condição da lei para a concessão do favor fiscal”. Seguindo o Relatório Fiscal de Diligência é retomado os cálculos sem as desonerações da Lei 11.941/2009, sendo feita a imputação dos valores recolhidos em 30/11/2009 no código de Juros de Mora no valor de R$ 11.283,01 com manifestação pelo prosseguimento da cobrança do saldo final ora demonstrado no valor de R$ 5.340,95 devidos em 30/11/2009. Foi concedido à autuada reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, contados da data da ciência. A Recorrente retorna ao processo apresentando suas razões através de petição juntada às fls. 208/210, reeditando o que já consta de seu recurso, de que atendeu plenamente o que foi previsto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009. Requer ao final que seja declarada extinta a exigência tributária ora discutida. O processo foi devolvido ao CARF para dar continuidade ao julgamento, sendo redistribuição por sorteio para minha relatoria, primeiro em face da renuncia de mandato do Conselheiro inicialmente designado e segundo em face de termino de mandato do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo Presentes os pressupostos de admissibilidade, dáse seguimento à lide. Após os fatos acima relatados, resumese a discussão em apreciar os termos a que se chegou a diligência proposta por esse Conselho conforme Resolução nº 3201000.281, de 12/08/2011, considerando a informação do Auditor encarregado pela análise da documentação apresentada pelo contribuinte sob intimação. Em respeito ao princípio da verdade material e da ampla defesa, questões basilares do contencioso administrativo tributário, buscouse resgatar fatos que permaneciam, ainda, obscuros, razão de deliberação dessa mesma 2ª Turma Ordinária, através da Resolução já mencionada. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10925.002306/200626 Acórdão n.º 3201002.619 S3C2T1 Fl. 288 6 O Auditor Fiscal encarregado de dar cumprimento à diligência prestou esclarecimento dos fatos nos termos da informação de folhas, dando por suficientes os recolhimentos já realizados, mas se expressa de forma diversa quanto a aplicação dos benefícios da Lei 11.941/2009, ligados aos pagamentos feitos na data de 30/11/2009. Quanto a busca da verdade material que deu causa ao lançamento fiscal, vê se que foi plenamente atingida. O Auditor Fiscal que fez a análise dos fatos, concluiu que: 1. os recolhimentos efetuados na data de 15/01/2003 com indicação no DARF da competência 12/2002, correspondem efetivamente aos valores devidos nos meses de março, abril, maio e junho de 2002; 2. que houve evidente erro de fato da declarante ao alocar todo o PisFaturamento como sendo do período de apuração dezembro de 2002; 3. que o faturamento da empresa informado na Ficha 19/A da DIPJ de 2003, ano base 2002, foi declarado de forma correta, antes da lavratura do auto de infração, dando base ao cálculo do valor devido de PisFaturamento, porém, recolhido fora do prazo e em outra competência; 4. que houve o pagamento dos acréscimos legais por conta do atraso no recolhimento da contribuição, efetuado com os benefícios da Lei nº 11.941/2009, de forma suficiente, inclusive, além do necessário; Resta aqui apenas um fato cuja abordagem feita pelo auditor no Relatório Fiscal de Diligência, não confere com a peça recursal. A recorrente requereu de forma objetiva a desistência de parte da lide, exatamente como prevê o dispositivo apontado no relatório fiscal, art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009. Um pedido contido no recurso da Recorrente não pode simplesmente ser ignorado, tem que ser enfrentado e respondido, sob pena de omissão contaminando o contraditório e a ampla defesa. São termos do recurso (fls.120): XV. Sendo assim, para os fins e efeitos previstos na mencionada Lei n°11.941/2009 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06, de 22 de julho de 2009, especialmente em atendimento ao que se encontra disposto no artigo 13 e respectivos §§ da citada Portaria, a Recorrente manifesta, de forma expressa e irrevogável, sua desistência da impugnação, na parte relativa à exigência dos encargos incidentes sobre o valor nominal das contribuições exigidas, renunciando a quaisquer alegações de direito especificamente quanto a esta parte, ficando o recurso ora interposto restrito à exigência do valor nominal das contribuições lançadas. Mesmo não fazendo mais parte do litígio por expressa renuncia da contribuinte, o que retiraria da autoridade informante a possibilidade de se manifestar sobre o tema, não deixa de ser relevante, por emprestar subsídios para o procedimento de liquidação da decisão aqui proferida. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10925.002306/200626 Acórdão n.º 3201002.619 S3C2T1 Fl. 289 7 Quanto a parte recorrida relacionada ao recolhimento da contribuição para o Pis/Pasep dos meses de março a junho de 2002, ficou confirmado o seu recolhimento no mês de janeiro de 2003, porém, sem os acréscimos pelo pagamento fora do prazo legal. Com relação aos juros e multa de mora devidos pelo pagamento posterior ao vencimento dos débitos de Pis/Pasep apurados para os meses de março a junho de 2002, houve a renúncia expressa do sujeito passivo em seu recurso de discutilos nesse processo, em face de opção de sua liquidação através da Lei nº 11.941/2009. Dessa forma, dou provimento ao recurso voluntário, considerando a parte editada em suas razões suplementares de folhas 208/210, para considerar extinta parte do crédito tributário correspondente aos valores originais de Pis/Pasep dos meses de março a junho de 2002. Por haver a renuncia de parte da lide, correspondente aos valores de juros e multa de mora pelo pagamento fora do prazo legal, fica essa parte transferida para o âmbito da Lei nº 11.941/2009. Cássio Schappo Relator Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720208/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES OBJETIVOS. OBSERVÂNCIA.
A opção pela via judicial implica renúncia à discussão administrativa sobre as mesmas matérias deduzidas perante o Poder Judiciário, de maneira que as decisões judiciais transitadas em julgados, ao estabelecerem os limites objetivos e subjetivos da demanda julgada, não podem ser objeto de revisão ou relativização em sede administrativa, cabendo tão somente o seu fiel cumprimento.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES. DEFINIÇÃO. SENTENÇA. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Estabelecidos em sentença transitada em julgado os índices de atualização monetária, não é possível a sua modificação na instância administrativa, sob pena de indevida relativização da coisa julgada.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES OBJETIVOS. OBSERVÂNCIA. A opção pela via judicial implica renúncia à discussão administrativa sobre as mesmas matérias deduzidas perante o Poder Judiciário, de maneira que as decisões judiciais transitadas em julgados, ao estabelecerem os limites objetivos e subjetivos da demanda julgada, não podem ser objeto de revisão ou relativização em sede administrativa, cabendo tão somente o seu fiel cumprimento. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES. DEFINIÇÃO. SENTENÇA. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Estabelecidos em sentença transitada em julgado os índices de atualização monetária, não é possível a sua modificação na instância administrativa, sob pena de indevida relativização da coisa julgada. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 02 08 /2 01 0- 16Fl. 193DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo de restituição/compensação de crédito oriundo de FINSOCIAL, reconhecido judicialmente na Ação Ordinária 94.00.0103093, com trânsito em julgado em 15/04/2005, e devidamente habilitado no processo administrativo nº 10120.006516/200578. A DRF Goiânia/GO homologou em parte as declarações de compensação, à luz da decisão proferida nos autos da ação judicial em epígrafe, destacando que as divergências de cálculo, em relação aos valores indicados pelo contribuinte, referiamse a equívocos na atualização monetária do crédito e na indevida inclusão de juros moratórios na apuração. Em impugnação o contribuinte sustentou a observância do regramento compensatório, nos termos da Lei nº 9.430/96, mormente quanto à aplicabilidade da taxa selic, como índice de atualização do indébito tributário; que a jurisprudência é pacífica em reconhecer o prazo decadencial para reaver o que recolhido a maior em de 10 (dez) anos; e, que haveria ofensa ao princípio do direito adquirido, por ter sido realizada a compensação com fulcro em direito reconhecido judicialmente. A DRJ São Paulo I/SP julgou a manifestação de inconformidade improcedente em decisão assim ementada: “DISCUSSÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. PROVIMENTO JURISDICIONAL. LIMITES. Tendo ocorrido o trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o direito ao indébito, a restituição/compensação na esfera administrativa, cumpridos os demais requisitos, deve ser efetuada nos termos da sentença judicial, inclusive no que tange à atualização monetária e aos juros de mora. A contribuinte não pode, ao executar o provimento jurisdicional alcançado, transbordar seus limites. A sentença transitada em julgado pesa sobre ela como norma jurídica individual e concreta, de observância obrigatória.” O recurso voluntário, com alguma variação, repetiu a argumentação da peça inaugural. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10120.720208/201016 Acórdão n.º 3401003.823 S3C4T1 Fl. 11 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Inicialmente, cabe acentuar que, tratandose de reconhecimento de direito à repetição do indébito fundado em título judicial, cumpre à instância administrativa darlhe fiel cumprimento, nos exatos limites objetivos e subjetivos lá estabelecidos. A decisão judicial passada em julgado é norma individual e concreta, fazendo lei entre as partes, eis que já promovida a subsunção dos fatos às normas gerais e abstratas de regência, por órgão julgador dotado de jurisdição. Neste sentido, dispõem os arts. 502, 503 e 508 do Código de Processo Civil aprovado pela Lei nº 13.105/15, consoante os quais a decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, uma vez recoberta pelos efeitos da coisa julgada, tornase imutável e indiscutível, considerandose deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido. Pelo exposto, não é possível a realização de qualquer reexame das questões de direito julgadas, mas tãosomente a correta observância do que decidido em sede judicial. Nos termos da Súmula CARF nº 1, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Demarcadas as balizas deste julgamento administrativo passo à reprodução do pedido inicial e das principais decisões proferidas, registrando que o inteiro teor da ação judicial encontrase no PA 10120.006516/200578. Consta da petição inicial da Ação Ordinária nº 94.00103093, datada de 09/12/94, que tramitou no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o seguinte pedido: “A postulante pretende, com a presente ação, reaver de volta, pelo instituto da compensação, aquilo que lhe foi indevidamente cobrado, para tanto requer: (...) b) a procedência da ação para declarar o direito da postulante de se ver ressarcida, através do instituto da compensação, da importância em reais equivalente à 120.968,45 UFIR's, conforme sobejamente demonstrado nos documentos anexos, condenandose, ainda a Requerida no pagamento das custas processuais e honorários Fl. 195DF CARF MF 4 advocatícios a razão de 20% (vinte por cento) sobre o valor atualizado da causa; (...)” (grifos no original) A decisão de primeiro grau acolheu o pleito, em 08/06/2001, da seguinte forma: Ante o exposto, julgo procedente o pedido, e, em conseqüência, reconheço o direito da autora efetuar a compensação dos valores pagos a titulo de FINSOCIAL, no que sobejar a alíquota de 0,5% (meio por cento), corrigidos através dos índices especificados na fundamentação da presente sentença, com débitos relativos a COFINS, realizados a partir do dia 16.12.89, uma vez que se verificou a decadência em relação aos pagamentos efetivados no prazo superior a cinco anos da propositura da ação, protocolada no dia 16.12.94. Saliento que a compensação a ser e efetivada pela autoria deverá ser fiscalizada pela autoridade administrativa, a quem compete verificar se a referida compensação está sendo efetivada de acordo com as diretrizes indicadas em lei e especificadas na presente sentença. (...)” (destaques no original) O excerto da fundamentação que especifica os índices de correção monetária, bem assim sobre o (des)cabimento de juros moratórios, está vazado nos seguintes termos: “Na aplicação da correção monetária, a autora deverá proceder da seguinte forma: a) até o mês de fevereiro de 1.991, pelo BTNF; b) de fevereiro de 1.991 até o dia 31.12.1991, pelo IPC; c) a partir do dia 1° de janeiro de 1.992 até o dia 26.10.2.000, pela UFIR; d) a partir do dia 27.10.2.000, pelo INPC. Em relação aos juros moratórios, como a compensação deferida depende de providência do próprio contribuinte, entendo que eles não são devidos.”(destaques no original) Sujeita ao reexame necessário, a decisão foi objeto de apelação por parte da Fazenda Nacional e recurso adesivo pelo contribuinte, reclamando esse último, além da verba honorária fixada, o reconhecimento da prescrição/decadência do direito à restituição em 10 (dez) anos. O TRF 1ª Região, em 25/06/2002, negou provimento à remessa necessária e apelação e deu parcial provimento ao recurso adesivo manobrado: “TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. EMPRESAS COMERCIAIS E MISTAS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. VERBA HONORARIA. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10120.720208/201016 Acórdão n.º 3401003.823 S3C4T1 Fl. 12 5 1. O prazo prescricional para pleitear a restituição ocorrerá após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco, a partir da homologação tácita. 2. O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 150.764 1, Relator Ministro Marco Aurélio, DJ de 02/04/93, declarou a inconstitucionalidade dos arts. 90 da Lei n° 7.689/88, 7° da Lei n° 7.787/89, 1° da Lei n° 8.147/90, que promoveram sucessivas majorações na allquota da contribuição para o FINSOCIAL. 3. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é possível ao judiciário declarar a compensação dos créditos pagos a maior com os débitos referentes a exações com idêntica natureza e espécie. 4. Tratandose de questão já pacificada pelo poder judiciário, os honorários advocatícios devem ser arbitrados de acordo com o artigo 20, § 4° do CPC. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial desprovidas. Recurso adesivo provido, em parte.” A Fazenda Nacional embargou a decisão em comento para esclarecer o reconhecimento ou não dos expurgos inflacionários no montante a restituir, decidindo o tribunal, em 29/04/2003, pelo seu cabimento: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINSOCIAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. OMISSÃO. 1. Os embargos de declaração são recurso cabível, nos termos do artigo 535, incisos I e II do Código de Processo Civil, quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou omissão. 2. Consoante precedentes do STJ, devem ser incluídos os chamados ‘expurgos inflacionários’, fixandose os seguintes índices integrais de correção monetária: 42,72% em janeiro de 1989; 10,14% em fevereiro de 1989; 84,32% em março de 1990. 44,80% em abril de 1990; 7,87% em maio de 1990 e 21,87% em fevereiro de 1991. 3. Embargos de declaração acolhidos, para suprir a omissão quanto aos índices expurgados.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando a decadência decenal e os índices de atualização monetária definidos, tendo o Presidente do TRF 1ª Região inadmitido a peça. Agravado o juízo de admissibilidade, em decisão monocrática, a Min. Denise Arruda, do Superior Tribunal de Justiça, negou provimento ao agravo. Dessa decisão a Fazenda apresentou agravo regimental, que, acolhido, levou à reconsideração da decisão agravada para, em análise de mérito, negar provimento, por ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial. A decisão transitou em julgado em 15/04/2005. A recorrente renunciou ao direito de execução judicial, devidamente homologado, para promover a compensação administrativa do indébito. Fl. 197DF CARF MF 6 Então, segundo as decisões transcritas, foi reconhecido o direito à restituição dos valores recolhidos a maior, a título de FINSOCIAL, com sujeição ao prazo decadencial de 10 (dez) anos, correção monetária na forma definida em sentença, aí incluídos os expurgos inflacionários, e sem incidência de juros moratórios. Revendo os termos do Despacho Decisório nº 521/2010DRF/GOI, de 30/06/2010, fls. 83/102, constato que o montante apurado a que faz jus o contribuinte está em plena conformidade com os termos estabelecidos pelo Poder Judiciário, com levantamento do crédito a partir de setembro/1989, acrescido de atualização monetária como determinado e sem inclusão dos juros de mora, também como decidido. O contribuinte, ora recorrente, contesta a não aplicação da taxa SELIC, ao argumento que procedeu à compensação na forma prevista lei, como reconhecido pela instância judicial, com a aplicação dos “encargos” previstos na Lei nº 9.430/96, mormente a correção monetária pela SELIC. Ocorre que, em momento algum, foilhe reconhecido direito à correção monetária à taxa SELIC, muito menos que essa atualização deveria obedecer a “legislação de regência”, como defende o recorrente. Nesse ponto, o magistrado foi bastante diligente e relacionou expressamente os índices inflacionários a serem adotadas na correção monetária dos valores sujeitos a devolução, não havendo margem para qualquer interpretação extensiva ou analógica. A sentença é cristalina: “Na aplicação da correção monetária, a autora deverá proceder da seguinte forma: a) até o mês de fevereiro de 1.991, pelo BTNF; b) de fevereiro de 1.991 até o dia 31.12.1991, pelo IPC; c) a partir do dia 1° de janeiro de 1.992 até o dia 26.10.2.000, pela UFIR; d) a partir do dia 27.10.2.000, pelo INPC. Em relação aos juros moratórios, como a compensação deferida depende de providência do próprio contribuinte, entendo que eles não são devidos.”(destaques no original) Assim, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC, em obediência aos ditames da Lei nº 9.430/96, porquanto a decisão judicial transitada em julgado, como alhures exposto, tem força de lei nos limites da questão expressamente decidida (art. 503 do CPC/15). É certo que, por ocasião do proposição da ação judicial, ainda não se encontrava em vigor a Lei nº 9.430/96, cuidandose de direito superveniente, entretanto, conforme preceituava o art. 462, do CPC/73, então vigente, sobrevindo algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito capaz de influir no julgamento da lide, caberia ao juiz tomálo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a sentença. Considerando que a sentença foi proferida em 08/06/2001, quando já vigente o diploma em questão, caberia ao juiz manifestarse textualmente sobre a sua aplicação ou, acaso silente, ser instado pela parte a tanto. No entanto, pelo que se extrai dos autos judiciais, o contribuinte não reclamou o cálculo do indébito pela aplicação da taxa SELIC, contentandose com o critério estabelecido. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10120.720208/201016 Acórdão n.º 3401003.823 S3C4T1 Fl. 13 7 Mais uma vez, um dos principais efeitos da coisa julgada consiste em considerarse deduzidas e repelidas todas as alegações que seria possível propor ao juízo para acolhimento da demanda, operandose a preclusão máxima em relação a elas. Também não acode ao recorrente a alegação que, tendo a decisão judicial declarado o direito à compensação através de procedimento próprio sob supervisão da RFB, implicitamente estaria a reconhecer a aplicação da legislação específica, no caso a Lei nº 9.430/96, haja vista que o magistrado determinou apenas que o requerente observasse o rito previsto nas normas de regência para realização da compensação, daí não se podendo inferir que esta referência alcance a forma de atualização do direito creditório, pois, se assim o fosse, haveria menção própria e incontroversa no trecho específico da fundamentação sentencial. Assim, uma vez estabelecida claramente a forma de correção monetária de valores sujeitos à devolução, mormente por decisão judicial definitiva e imutável, impossível a sua revisão em sede administrativa, mesmo porque houve renúncia ao contencioso neste ponto, ex vi da Súmula CARF nº 1 c/c o art. 78 do RICARF/15 (reprodução do Art. 78 do RICARF/09). Quanto à definição do lapso extintivo para efetivação da restituição, não obstante a abordagem recursal, não há qualquer dissenso sobre o tema, eis que a Administração Tributária aplicou o prazo decenal determinado pelo Poder Judiciário. Respeitante à suposta “ofensa ao princípio do direito adquirido”, da mesma forma, não assiste razão ao recorrente, eis que a validade da compensação não decorre do crédito “ter sido constituído legitimamente e reconhecido judicialmente”, ao passo que o título judicial apenas definiu os contornos do direito ao crédito, não apontando ou reconhecendo qualquer valor específico em favor do contribuinte, mas sim da correta apuração dos montantes envolvidos e do respectivo encontro de contas. Outrossim, o fato de tanto a decisão judicial como a lei garantirem o direito à compensação, não significa que a Administração Tributária não esteja investida do poderdever ou impedida de aferir a correção dos procedimentos adotados. Aliás, não sem razão determinou a autoridade judicial que a RFB verificasse se o procedimento adotado pelo sujeito passivo, na compensação, obedecia os limites determinados em lei e na sentença. Em síntese, o despacho decisório e a decisão administrativa recorrida estão em consonância com a decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária nº 94.00.0103093, não merecendo qualquer reparo. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 199DF CARF MF 8 Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.001106/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITA. ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia não tem por finalidade suprir a omissão do sujeito passivo em promover a escrituração do livro caixa da atividade rural e nem tampouco produzir provas que cabia ao contribuinte carrear ao processo.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF.
A atribuição de caráter confiscatório à multa de ofício prevista legalmente corresponde à alegação de inconstitucionalidade da legislação tributária, matéria sobre a qual não deve se pronunciar este Conselho.
Numero da decisão: 2201-003.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 20/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia não tem por finalidade suprir a omissão do sujeito passivo em promover a escrituração do livro caixa da atividade rural e nem tampouco produzir provas que cabia ao contribuinte carrear ao processo. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. A atribuição de caráter confiscatório à multa de ofício prevista legalmente corresponde à alegação de inconstitucionalidade da legislação tributária, matéria sobre a qual não deve se pronunciar este Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 20/06/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 11 06 /2 00 7- 04 Fl. 309DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls 295) apresentado em face do Acórdão nº 0822.650, da 1ª Turma da DRJ/FOR (fls 271), que deu parcial provimento à impugnação (fls 176) apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração pelo qual se exige dele crédito tributário que, na data de sua constituição, somava R$ 517.277,44 (fl 157), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF e seus acréscimos legais incidente sobre omissão de rendimentos da atividade rural no curso do anocalendário 2003. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 162), tendo em vista o contido no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o contribuinte foi intimado a apresentar relação de todas as contascorrentes, poupanças e investimentos, acompanhados dos respectivos extratos, mantidos em seu nome, do cônjuge e de seus dependentes no Brasil e no Exterior. Em resposta, o contribuinte teria informado que não possuía caderneta de poupança e não teria realizado aplicações financeiras no Brasil ou no Exterior, bem como de que não teria condições de apresentar seus extratos bancários referentes ao período solicitado. Em vista disso, a fiscalização teria elaborado Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, o que resultou em informações das instituições financeiras Banco Rural S/A, Banco Bradesco S/A e Banco Mercantil de São Paulo S/A. No tratamento das informações recebidas, foram desconsiderados créditos inferiores a R$ 500,00 e o contribuinte foi intimado a justificar os demais depósitos, em razão do que esclareceu que todos os valores creditados e depositados em seu nome seriam oriundos da atividade de pecuarista, inclusive a compra e venda de bovinos. O sujeito passivo apresentou notas fiscais de compra de bovinos e faturas expedidas por empresa de leilões pela venda desses animais a ele. A fiscalização afirma ter identificado seu registro no cadastro de contribuintes do ICMS do Estado do Maranhão onde tem como atividade a criação de bovinos de corte (CNAE 151201). Apurou também que ele não declarou, para efeitos de ICMS, qualquer valor e que na sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física DIRPF teria informado como receita bruta o valor de R$ 94.592,00. Segundo a fiscalização, no caso de receita bruta total superior a R$ 56.000,00 seria obrigatória a escrituração do livro caixa (art. 18 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995), razão pela qual o contribuinte foi intimado em 02/07/2007 a apresentálo. Em resposta de 08/07/2007, o fiscalizado informou que estaria aguardando os documentos bancários já que "estes fundamentarão a escrituração do livro caixa". Constatada a inexistência do livro caixa, a fiscalização "procedeu ao levantamento dos valores movimentados mensalmente pelo contribuinte, sendo elaborado o Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10325.001106/200704 Acórdão n.º 2201003.701 S2C2T1 Fl. 309 3 Demonstrativo Mensal de Créditos com base no Anexo do Termo de Intimação Fiscal de 16/05/2007. Por fim, foi elaborado o Demonstrativo de Apuração do Resultado Tributável da atividade rural arbitrado" (fl 165). Os demonstrativos elaborados pela fiscalização estão a fls 166/170, e por eles se observa que foram somados os valores creditados nas contas do fiscalizado e sobre esse somatório foi aplicado o percentual de arbitramento de 20%. O contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração (fls 176), o que resultou na prolação do Acórdão nº 0822.650 da 1ª Turma da DRJ/FOR (fls 271), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003 Resultado da atividade rural. Omissão de rendimentos. Arbitramento. Sendo obrigatória a escrituração do LivroCaixa, a falta desta enseja o arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do anocalendário, mormente quando o contribuinte foi regularmente intimado para tanto. Quando for levantada omissão de receitas, pela autoridade fiscal, em função do exercício da atividade rural, relativamente ao contribuinte que tenha optado pelo arbitramento de seu resultado tributável, há que ser respeitada a opção expressa pela pessoa física, em sua Declaração de Ajuste Anual, cabendo a recomposição, pela autoridade lançadora, do valor a ser tributado, que há de ser calculado, no que concerne ao respectivo anocalendário, em 20% (vinte por cento) da soma das receitas tidas como omitidas com aquelas declaradas pelo autuado. Multa de ofício. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 Pedido de perícia. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia. Dessa decisão tomou ciência o contribuinte em 07 de março de 2012 (fl 293). Fl. 311DF CARF MF 4 O recurso voluntário foi apresentado na segundafeira 09 de abril de 2012 (fl 294), de forma tempestiva, já que o prazo de 30 dias encerrarseia na sextafeira, dia 06 de abril de 2012, contudo este dia foi feriado nacional da Paixão de Cristo. Em suas razões de recorrer, o impugnante alega, em síntese, que: O indeferimento do pedido de perícia pela decisão de piso implica cerceamento do direito de defesa, já que impossibilita o conhecimento do efetivo resultado tributável da atividade rural, uma vez que a auditoria incluiu nesse resultado valores que não representam receitas, tais como empréstimos e outros, bem como não deduziu das receitas os valores das despesas; Apenas a perícia poderá demonstrar que valores ingressados nas contas correntes representam receita da atividade rural e qual seria o efetivo resultado tributável; Menciona jurisprudência administrativa pela qual a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 deve ser afastada quando o contribuinte comprove que exerce a atividade informada e que a origem dos depósitos decorre do exercício desta atividade; A multa de 75% tem efeito confiscatório e contraria recentes decisões do Supremo Tribunal Federal que teriam estabelecido como padrão o percentual de 20%; Requer que o processo seja convertido em diligência para identificar os créditos da atividade rural e também as despesas da mesma atividade ou a anulação do auto de infração ou, ainda, a redução da multa de 75% para 20%. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. No caso em análise, foram identificados créditos nas contas bancárias do contribuinte que, segundo número apresentado pela decisão de piso, corresponderiam a um somatório de R$ 4.226.256,48. Intimado, o contribuinte afirmou que todos os créditos em suas contas bancárias seriam decorrentes de atividade rural e, para fazer prova do quanto alegado, apresentou 29 notas fiscais que, somadas, não chegam a totalizar R$ 1.000.000,00. A despeito disso, e tendo em vista outros elementos de convicção, a fiscalização acatou as alegações do contribuinte tratando os créditos bancários como receita da atividade rural. Explorando atividade rural com receita superior a R$ 56.000,00 ao ano, seria dever legal do contribuinte escriturar seu livro caixa demonstrando nele suas receitas e suas despesas. É o que decorre, sem embargo, da literalidade do seguinte dispositivo da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10325.001106/200704 Acórdão n.º 2201003.701 S2C2T1 Fl. 310 5 Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de R$ 56.000,00 (cinqüenta e seis mil reais) facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o registro do Livro Caixa. Resta claro que não foi à fiscalização que a lei atribuiu a responsabilidade pela escrituração do livro caixa. Esse ônus foi imposto ao contribuinte e o resultado de sua inobservância é o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta no anocalendário (§ 2º). É um pressuposto lógico dessa obrigação que ela deve ser cumprida antes da entrega da DIRPF e, também, antes do procedimento fiscal. O contribuinte não se desincumbiu de sua obrigação antes da entrega da declaração, não o fez antes ou durante o procedimento fiscal e, ao que tudo no processo indica, esta atividade não foi realizada até hoje. Assim, o que pretende ao pedir perícia, é transferir para a Administração Pública um ônus que é seu, e não é para isso que se presta esse meio de prova, como bem fundamentou a decisão recorrida em razões que adoto. Se o lançamento fiscal, procedimento de autoridade pública que goza de presunção de legitimidade, foi realizado tendo por base um valor incorreto de receita tributável, cabia ao contribuinte demonstrar esse equívoco e qual é efetivamente o valor a ser oferecido à tributação. Argumentações genéricas como as feitas por ele não servem a esse propósito. Quanto a essa questão específica, o recorrente alega que a fiscalização considerou como crédito valores que não teriam essa natureza e aponta como prova do que alega o fato de que o demonstrativo fiscal listou valores identificados como "LIQ.DESC./EMP.F". Compulsandose o demonstrativo de fls 166/170, verificase que, de fato, existem alguns lançamentos com esse histórico. Se esses lançamentos não correspondem a créditos efetivos mas sim a operações de empréstimo, como alega o recorrente, ele poderia ter trazido aos autos documentação que fizesse prova desse fato, o que permitiria a exclusão dos valores correspondentes da base de cálculo tributável. Fl. 313DF CARF MF 6 Não seria necessária qualquer perícia para isso, já que as operações não são tão numerosas e são de fácil compreensão. Ocorre, entretanto, que o contribuinte não faz prova daquilo que alega e, pela descrição do histórico da operação, ela pode corresponder à quitação de desconto de títulos de crédito, o que significa corresponder a um crédito tão bom quanto o de um cheque compensado. Na seqüência de sua defesa, o recorrente transcreve jurisprudência administrativa pela qual a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser afastada quando o contribuinte comprove que exerce a atividade informada e que a origem dos depósitos decorre do exercício desta atividade. Foi exatamente o que fez a fiscalização no curso do procedimento: acatou as informações prestadas pelo contribuinte e tributou os créditos como decorrentes da atividade informada. Essa conclusão é facilmente corroborada ao se analisar os fundamentos legais apresentados pelo auto de infração, que estão a fl 159 do processo: arts. 1º a 7º da Lei nº 8.023, de 1990; arts. 9 e 18 da Lei nº 9.250, de 1995; arts. 57, 58 e 60 do RIR/1990; art. 1º da MP nº 22, de 2002, convertida na Lei nº 10.451, de 2002. Indefiro, portanto, o pedido de perícia. Defende ainda o recorrente que a multa de 75% deve ser reduzida ao percentual de 20% sob pena de se caracterizar confisco e cita a existência de precedente neste sentido do STF. A multa de 75% está prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, dispositivo legal em vigor e apto a produzir todos os seus efeitos. Alegar que esse percentual tem caráter confiscatório equivale a atribuirlhe a pecha de inconstitucionalidade, matéria sob a qual não deve se pronunciar este Conselho, a teor do que estabelece o seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, a teor do que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho, apenas nas hipóteses de decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil CPC de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC de 2015, é que os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Nenhuma dessas circunstâncias foi demonstrada nesse processo. Nego provimento ao recurso no que diz respeito à redução da multa de 75%. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10325.001106/200704 Acórdão n.º 2201003.701 S2C2T1 Fl. 311 7 Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.001442/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/10/2005
APRESENTAR A EMPRESA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa é obrigada a informar em GFIP todas as remunerações de segurados.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial no artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras gerais no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitando as preliminares suscitadas e reconhecendo a decadência até a competência 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2001. Quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" a Conselheira Andrea Brose Adolfo; e pela tese "c" os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Jorge Henrique Backes. Excluída a tese "b" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do RICARF; em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "c", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal, com isto para fins de retroatividade benigna, devem ser comparadas as multas lançadas (art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991) com o novel art. 32-A da mesma Lei, acrescido pela Lei nº 11.941/2009. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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A empresa é obrigada a informar em GFIP todas as remunerações de segurados. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial no artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras gerais no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 14 42 /2 00 7- 54 Fl. 128DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitando as preliminares suscitadas e reconhecendo a decadência até a competência 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2001. Quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" a Conselheira Andrea Brose Adolfo; e pela tese "c" os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Jorge Henrique Backes. Excluída a tese "b" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do RICARF; em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "c", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal, com isto para fins de retroatividade benigna, devem ser comparadas as multas lançadas (art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991) com o novel art. 32A da mesma Lei, acrescido pela Lei nº 11.941/2009. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 15504.001442/200754 Acórdão n.º 2301005.017 S2C3T1 Fl. 129 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 19/11/2007 pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos no período de 01/01/1999 a 30/10/2005. Seguem transcrições de alguns trechos do relatório fiscal que melhor sintetizam os fatos e a lide: 1 Em diligência fiscal, para fins de se apurar quanto à alegação da empresa, de que os valores das folhas de pagamento a autônomos, fornecidos fiscalização, na época em que havia sido fiscalizada e que deram origem a NFLD 37.083.5344, de 15.03.2007, estavam equivocados, constatouse que a mesma elaborou e apresentou as GFIP's, nas competências 03 a 08/2000, 10 a 12/2000, 01 a 05/2001, 07 a 08/2001, 04/2002, 06 a 10/2002, 12/2002 e 03/2003 com dados inexatos, deixando de incluir todos os segurados autônomos a seu serviço nas mesmas. Este fato constitui infração ao disposto na Lei 8212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 5°. acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97 combinado com art. 225, inciso IV, parágrafo 4°. do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06.05.99. 1.2 Os segurados autônomos omitidos nas folhas de pagamento apresentadas, estão discriminados nominalmente, na "Planilha/ Folha de Autônomos/ conforme Escrituração Contábil — Anexo l". Nela constam as competências, as datas dos pagamentos, os respectivos valores recebidos pelos mesmos, o INSS devido pela empresa e também os valores totais das folhas de autônomos apresentadas pela empresa. Tais valores foram verificados nos documentos apresentados pela empresa, e contabilizados conforme verificação dos livros contábeis da empresa na conta 00148 —Serviços de Terceiros, Pessoa Física e 00123— Assistência Médica. Os serviços prestados foram de consultoria, oficina de arte culinária, exames médicos. Ressaltamos que para o ano de 2000, também não estão incluídos os autônomos das folhas de pagamento da empresa nas GFIPs apresentadas. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar a autuação procedente. Segue transcrição da ementa do acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/10/2005 Fl. 130DF CARF MF 4 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIARIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias constitui infração à Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV, §5°. Lançamento Procedente Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: Alega que autuação é nula, pois no Mandado de Procedimento Fiscal MPF que antecedeu a presente autuação somente há autorização para realização de diligencia fiscal para atender ao processo 37.083.5344. Em nenhum momento foi deferida uma refiscalização da impugnante. Cita jurisprudência no sentido de ser nulo o lançamento fiscal se ausente o MPF. Menciona o artigo 573 da Instrução Normativa — IN 03/2005 e acrescenta que o tipo de mandado a ser expedido (diligência ou fiscalização) vai depender da finalidade dele, não se podendo tomar um pelo outro. Destaca que o período autuado já havia sido auditado anteriormente e que é necessário a autorização da autoridade competente para proceder a reexame de período já fiscalizado. Conclui que como a fiscalização estendeu a auditoria a tarefa não autorizada no MPF expedido, todo o procedimento é nulo. Diz que a conduta é atípica, pois a Lei 8.212/91, artigo 32, IV, §5°, prescreve multa apenas pela apresentação de GFIP "com dados não correspondentes aos fatos geradores". Já a redação do RPS, artigo 284, II, alterada pelo Decreto 4.729/2003, tornouse um divisor de águas. Afirma que antes do Decreto 4.729/2003 não existia a presente multa, e depois dele a penalidade continuou a não existir, já que não há pena sem prévia cominação legal. Cita jurisprudência. Entende que um simples decreto não pode criar a obrigação de pagar multa e que as alterações introduzidas pelo Decreto 4.729/2003 não podem retroagir para abarcar omissões supostamente praticadas pela impugnante, que se referem as competências 03/00 a 03/03. Junta trechos do DespachoDecisório n ° 11.401.4/0028/2005, de 20 de julho de 2005, proferido pela Delegacia da Receita Previdenciária em Belo Horizonte, onde há explanação sobre o entendimento manifestado pela administração após a publicação do Decreto 4.729/03, que alterou a redação do inciso II do artigo 284 do RPS, no que se refere ao preenchimento incorreto do campo "código de ocorrência". Conclui que verificado o equivoco no enquadramento legal da infração, a presente autuação deverá ser cancelada. Alega que não é possível a expedição de representação fiscal para fins penais, possível se pode cogitar da prática de crime de sonegação após o lançamento definitivo. Cita jurisprudência. Conclui que não é cabível a representação fiscal para fins penais, seja porque não houve lançamento de tributo sonegado, Fl. 131DF CARF MF Processo nº 15504.001442/200754 Acórdão n.º 2301005.017 S2C3T1 Fl. 130 5 seja porque ainda não se encerraram os debates na esfera administrativa. O julgamento fora convertido em diligência em razão da conexão com o processo principal nº 10680.010387/200739. Em resposta, a fiscalização informou que o crédito fora liquidado e que após ciência não houve nova manifestação do recorrente, fls. 126: O contribuinte, apesar regularmente citado, não manifestou. Foram apensados os processo: 10680.010387/200739 baixado por liquidação; 15504.001441/200718 baixado por decisão de notificação. Em 14/01/2009 o recorrente adita o recurso voluntário pedindo a retroatividade benigna, fls. 104. É o Relatório. Fl. 132DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade e passo a examinar o recurso voluntário. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 15504.001442/200754 Acórdão n.º 2301005.017 S2C3T1 Fl. 131 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Quanto a supostos vícios dos mandados de procedimento fiscal, a jurisprudência deste CARF se consolidou no sentido de sua desvinculação com o lançamento tributário, que permanece válido por não se contaminar com eventuais vícios na formalização do documento que motivou o procedimento fiscal: Processo nº 12963.000347/201033 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.900– 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria IRPF Recorrente ROGÉRIO BOTTURA BORDIGONI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF. O fato de sucessivas prorrogações terem sido feitas sem a ciência pessoal do contribuinte constituise em mero erro administrativo, que não tem o condão de macular o lançamento em si, que foi lavrado por autoridade competente, e por meio de instrumento formalmente perfeito. Recurso especial negado. ... Fl. 134DF CARF MF 8 Com relação a alegação de que não se poderia lavrar auto de infração por descumprimento de obrigação acessória quando o procedimento fiscal se inicia por MPFD mandado de procedimento fiscal de diligência, não assiste razão ao recorrente. O procedimento de diligência se iniciou em 10/10/2007, fls. 25, quando vigorava a Portaria RFB nº 4.066, de 02/05/2007 que manteve a redação original do Decreto nº 3.969, de 15/10/2001. O parágrafo único do artigo 3º previa, ainda que em diligência, a possibilidade de lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória: DECRETO Nº 3.969, DE 15 DE OUTUBRO DE 2001. Art.3o Para os fins deste Decreto, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração previdenciária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único.O procedimento fiscal poderá implicar na lavratura de auto de infração ou na apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive em meio digital.(Parágrafo único incluído pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001) ... PORTARIA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB Nº 4.066 DE 02.05.2007 Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela RFB, bem assim da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário ou apreensão de mercadorias; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive em meio digital. Quanto a alegação de refiscalização, não se trata de revisão do crédito anteriormente constituído, como previsto no artigo 149 do CTN, quando a fiscalização apenas procede o reexame dentro do prazo decadencial para verificar fatos geradores anteriormente não apurados, o que sempre lhe é possível, respeitadas as garantias constitucionais, no exercício das prerrogativas inerentes ao poder de polícia: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 15504.001442/200754 Acórdão n.º 2301005.017 S2C3T1 Fl. 132 9 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Inclusive, no presente caso se trata de crédito decorrente do descumprimento de obrigação acessória, sem relação com o crédito constituído sobre as obrigações principais. Quanto à improcedência da representação fiscal para fins penais, este órgão não é competente para seu reexame: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Inicialmente, ressaltase que nesse processo discutese apenas a autuação por omissão em GFIP das remunerações lançadas através do processo principal nº 10680.010387/200739. Assim, deve ser aqui reproduzido o mesmo entendimento quando do Fl. 136DF CARF MF 10 exame de seu processo principal. No caso, houve a extinção do processo por sua liquidação por parte do recorrente. Decadência Após a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal STF, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN, o CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial para fins de aplicação da regra decadencial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial ainda quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, não é lançamento por homologação. Conforme relatado, a ciência do lançamento ocorreu em 19/11/2007. Assim, todos os valores correspondentes ao período de 01/99 a 11/2001, inclusive, e sobre o décimo terceiro salário devem ser excluídos da autuação. Quanto às inconstitucionalidades, carece de competência a esse órgão se pronunciar sobre a questão, conforme Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multa aplicada GFIP Uma vez requerida a exclusão da multa no aditamento do recurso voluntário, entendo que devo aqui examinar questão recorrente neste CARF, que é o direito à retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional, e em razão da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 15504.001442/200754 Acórdão n.º 2301005.017 S2C3T1 Fl. 133 11 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Fl. 138DF CARF MF 12 Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15504.001442/200754 Acórdão n.º 2301005.017 S2C3T1 Fl. 134 13 pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Fl. 140DF CARF MF 14 Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora/multa especial previdenciária, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora/multa especial previdenciária. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Considero que na verdade se trata de uma multa especial, pois não coincide exatamente com as características da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996 e nem da multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Na verdade, para melhorar elucidar a questão, talvez seja mais adequado se atribuir uma denominação própria à multa multa previdenciária sobre obrigações principais: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15504.001442/200754 Acórdão n.º 2301005.017 S2C3T1 Fl. 135 15 Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; Fl. 142DF CARF MF 16 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15504.001442/200754 Acórdão n.º 2301005.017 S2C3T1 Fl. 136 17 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Fl. 144DF CARF MF 18 Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. No caso, essa comparação deve ser apartada das regras que disciplinam a aplicação da multa cobrada sobre o tributo devido e que fazem parte do lançamento da obrigação principal. Embora seja entendimento deste relator que sempre se aplica o artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, no presente caso ainda há uma questão que a meu ver não se poderia aplicar a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. O crédito de obrigação principal já foi liquidado, tendo restado somente a multa de obrigação principal aqui examinada. Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial para que: a) seja reconhecida a decadência em relação ao período até 11/2001, inclusive, e décimoterceiro salário; e b) em relação a multa de GFIP, sejam comparadas as multas a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.001093/2002-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracteriza-se quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo.
Numero da decisão: 9303-005.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracterizase quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 10 93 /2 00 2- 56 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13804.001093/200256 Acórdão n.º 9303005.147 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3101001.635, de 24/04/2014, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. RESSARCIMENTO. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DO PEDIDO. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. Conforme pacificado pela Primeira Seção do STJ, nos Embargos de Divergência em Agravo Regimental 1220942/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 10/04/2013, DJe 18/04/2013, o pedido de ressarcimento, “sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei”... “foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária”. No dizer da Colenda Corte Superior:“A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada "resistência ilegítima" exigida pela Súmula n. 411/STJ. Precedentes.”...“O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento.” RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Inconformada com essa decisão a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso por entender em apertada síntese que o ressarcimento de crédito presumido de IPI é um incentivo fiscal e possui natureza jurídica distinta da restituição de tributos. Argumenta ainda Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13804.001093/200256 Acórdão n.º 9303005.147 CSRFT3 Fl. 4 3 que o ressarcimento de crédito presumido de IPI não se amolda ao que foi decidido pelo STJ e que não há previsão legal para sua concessão. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho de Admissibilidade, efls. 485/488, pelo então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Por sua vez, o contribuinte apresentou tempestivas contrarrazões pedindo o não conhecimento do recurso especial e, caso conhecido, que seja improvido pelas razões que manifesta. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo devendo ser apreciado quanto ao seu conhecimento e ao mérito. Conhecimento do Recurso Especial A recorrente apresentou o Acórdão da 2ª Turma da CSRF nº 0203.718 como primeiro acórdão paradigma da divergência, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 03/06/2001 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recurso Especial do Procurador Provido. Inicialmente há que se ressaltar que este acórdão cuida de ressarcimento de crédito de IPI com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e o presente processo trata de crédito presumido de IPI decorrente da aplicação da Lei nº 9.363/96. Na minha opinião esta pequena diferença de base legal dos pedidos até poderia ser ultrapassada, pois tratam ambos de processo de pedido de ressarcimento de crédito escritural de IPI. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13804.001093/200256 Acórdão n.º 9303005.147 CSRFT3 Fl. 5 4 Porém, além desta diferença, o acórdão paradigma foi julgado em sessão de 27/11/2008, quando os repetitivos do STJ, utilizados como fundamento do acórdão recorrido, ainda não tinham trânsito em julgado. Tratamse dos REsp 993164/MG e 1035847/RS, respectivamente em 06/08/2012 e 03/03/2010, os quais foram julgados na sistemática dos recursos repetitivos previstos no art. 543C do antigo CPC. Portanto, entendo que, em relação a esse paradigma, a divergência não foi comprovada. Embora tenham chegado à conclusão diversa a respeito da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, fizeramno sobre realidade jurídica distinta. Para comprovar a divergência, no meu entendimento, o paradigma deveria ter negado a incidência da correção monetária sob o ângulo da inaplicabilidade dos repetitivos do STJ nos casos de demora da administração tributária em analisar e reconhecer os valores a serem ressarcidos ao contribuinte, que é justamente o caso dos presentes autos. Melhor sorte não cabe ao Acórdão da 3ª Turma da CSRF nº 930300720, apresentado como segundo paradigma da divergência. Ambos, recorrido e paradigma, tratam de pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI e chegaram a conclusão distintas a respeito da incidência da Taxa Selic sobre os valores ressarcidos. Vejam a sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a .30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COF1NS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de formula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas fisicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. TAXA SELIC. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13804.001093/200256 Acórdão n.º 9303005.147 CSRFT3 Fl. 6 5 É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de una "plus", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Neste paradigma, da mesma forma que no anterior, não houve a análise quanto à não incidência da taxa Selic no ressarcimento de IPI nas situações de demora da administração tributária, ante a aplicação também do entendimento consubstanciado nos recursos repetitivos do STJ. Também pela razão de que na data da sessão de julgamento do acórdão paradigma, 02/02/2010, ainda não haviam transitado em julgado os citados repetitivos. A respeito do recurso especial de divergência, assim dispõe o caput do art. 67 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Portanto, entendendo que as decisões proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C, recursos repetitivos, integram a legislação tributária, entendo que a divergência não foi comprovada, a despeito de meu entendimento particular de que as citadas decisões não seriam aplicáveis ao presente caso, ou seja, na minha opinião, a simples demora na análise e reconhecimento dos valores a ressarcir não é hipótese da oposição ilegítima de que tratam os julgados do STJ. Portanto, voto pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 541DF CARF MF
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