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7234154 #
Numero do processo: 10480.731677/2015-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança com base em omissão de receitas constatada a partir da apuração de diferença de estoque, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer os motivos da imputação e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. ARBITRAMENTO DE LUCRO. CABIMENTO. POSTULAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. A ocorrência de omissão de receitas em montantes mensuráveis, apurados a partir de dados fornecidos pelo próprio contribuinte em inventários físicos, enseja a tributação com base na sistemática adotada pelo contribuinte, não constituindo hipótese para o arbitramento do lucro. O arbitramento de lucros, aliás, constitui método excepcional de tributação e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir o imposto apurado. DIFERENÇA DE ESTOQUES. Constatada diferença a maior ou a menor no estoque de mercadorias em relação ao estoque inventariado, presume-se ter a pessoa jurídica vendido ou comprado mercadorias sem o correspondente registro contábil, caracterizando hipótese de presunção legal relativa de omissão de receita. MULTA AGRAVADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando- se de lançamentos reflexos, aplica-se a decisão prolatada no lançamento matriz às demais exigências.
Numero da decisão: 1201-002.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 29/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança com base em omissão de receitas constatada a partir da apuração de diferença de estoque, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer os motivos da imputação e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. ARBITRAMENTO DE LUCRO. CABIMENTO. POSTULAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. A ocorrência de omissão de receitas em montantes mensuráveis, apurados a partir de dados fornecidos pelo próprio contribuinte em inventários físicos, enseja a tributação com base na sistemática adotada pelo contribuinte, não constituindo hipótese para o arbitramento do lucro. O arbitramento de lucros, aliás, constitui método excepcional de tributação e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir o imposto apurado. DIFERENÇA DE ESTOQUES. Constatada diferença a maior ou a menor no estoque de mercadorias em relação ao estoque inventariado, presume-se ter a pessoa jurídica vendido ou comprado mercadorias sem o correspondente registro contábil, caracterizando hipótese de presunção legal relativa de omissão de receita. MULTA AGRAVADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando- se de lançamentos reflexos, aplica-se a decisão prolatada no lançamento matriz às demais exigências.

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1201­002.094  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2018  Matéria  OMISSÃO DE RECEITAS   Recorrente  ANTUNES PALMEIRA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.   Não  ocorre  a  nulidade  do  auto  de  infração  quando  forem  observadas  as  disposições  do  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional  e  os  requisitos  previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.   CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.   Não se configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança  com base em omissão de receitas constatada a partir da apuração de diferença  de  estoque,  notadamente  quando  o  contribuinte  demonstra  conhecer  os  motivos  da  imputação  e  o  direito  ao  contraditório  se  encontra  plenamente  assegurado.  ARBITRAMENTO  DE  LUCRO.  CABIMENTO.  POSTULAÇÃO  COMO  MATÉRIA DE DEFESA.   A ocorrência de omissão de receitas em montantes mensuráveis, apurados a  partir  de  dados  fornecidos  pelo  próprio  contribuinte  em  inventários  físicos,  enseja  a  tributação  com  base  na  sistemática  adotada  pelo  contribuinte,  não  constituindo hipótese para o arbitramento do lucro.  O arbitramento de lucros, aliás, constitui método excepcional de tributação e  não  pode  ser  utilizado  como  instrumento  de  defesa  do  sujeito  passivo  para  elidir ou reduzir o imposto apurado.   DIFERENÇA DE ESTOQUES.   Constatada  diferença  a  maior  ou  a  menor  no  estoque  de  mercadorias  em  relação ao estoque inventariado, presume­se ter a pessoa jurídica vendido ou  comprado  mercadorias  sem  o  correspondente  registro  contábil,  caracterizando hipótese de presunção legal relativa de omissão de receita.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 16 77 /2 01 5- 86 Fl. 4394DF CARF MF     2 MULTA  AGRAVADA.  EMBARAÇO  À  FISCALIZAÇÃO.  NÃO  CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO.   A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei  9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações  pelo sujeito passivo  impossibilite,  total ou parcialmente, o  trabalho fiscal, o  que não restou configurado.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.   Tratando­  se  de  lançamentos  reflexos,  aplica­se  a  decisão  prolatada  no  lançamento matriz às demais exigências.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Vencidas  as  conselheiras  Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli ­ Relator.  EDITADO EM: 29/03/2018  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis  Henrique Marotti  Toselli  e Gisele  Barra  Bossa.  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros  José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.  Relatório  O  presente  processo  administrativo  é  decorrente  de Autos  de  Infração  (fls.  02/55) que exigem IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS),  referentes ao ano calendário de  2011,  acrescidos  de  multa  agravada  de  112,50%  e  juros  Selic,  em  razão  da  presunção  de  omissão de receitas caracterizada em face da apuração de diferenças de estoque.  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 57/72:  16) Inicialmente faz­se o registro de que, em relação ao período  fiscalizado,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  sistema  de  custo  integrado  e  coordenado  com  o  restante  da  escrituração.  Constatou  a  Fiscalização  que  o  custo  das  mercadorias  revendidas foi determinado com base em inventários periódicos,  conforme  estoques  registrados  nos  períodos  de  apuração  encerrados  em  31/12/2010  ­  31/03/2011  ­  30/06/2011  ­  30/09/2011 e 31/12/2011.  17)  Na  determinação  da  omissão  de  receita,  a  Fiscalização  efetuou o levantamento quantitativo por espécie de mercadoria,  Fl. 4395DF CARF MF Processo nº 10480.731677/2015­86  Acórdão n.º 1201­002.094  S1­C2T1  Fl. 3          3 em  04  (quatro)  estabelecimentos,  selecionados  entre  os  14  (quatorze)  que  estavam  ativos  no  ano­calendário  de  2011,  a  saber:  07.392.529/0003­09 Filial de Salvador/BA  07.392.529/0006­51 Filial de Campina Grande/PB  07.392.529/0007­32 Filial de João Pessoa/PB  07.392.529/0009­02 Filial de Maceió/AL  [...]  20)  O  resultado  do  cotejamento  demonstrou  a  ocorrência  de  omissão  de  receitas,  caracterizada  pela  falta  de  registro  de  compra  e/ou  de  vendas  de  mercadorias,  conforme  consta  indicado  no  "Demonstrativo  Analítico  de  Movimentação  de  Mercadorias" de cada estabelecimento (DOC. 50 / 53 / 56 / 59).  21) O artigo 286 do RIR/99 ­ Regulamento do Imposto de Renda,  aprovado  pelo  Decreto  3.000,  de  26/03/1999,  define  que  é  hipótese  de  omissão  de  receita  a  diferença  de  estoque  determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade  de  matérias­primas,  de  produtos  intermediários  utilizados  no  processo produtivo, bem como, de mercadorias adquiridas para  revenda pela pessoa jurídica, [...]  22)  O  demonstrativo  "Resumo  Mensal  das  Omissões  de  Receitas"  consolida,  por  estabelecimento  e  por  espécie  de  mercadoria, o resultado do levantamento da Fiscalização (DOC.  52 / 55 / 58 / 61).  23)  Em  anexo  (DOC.  62)  apresenta­se  o  "Resumo  Geral  das  Omissões de Receitas", o qual consolida as omissões detectadas  em  todos  os  estabelecimentos  que  foram  submetidos  ao  levantamento quantitativo por espécie.  24) A partir dos demonstrativos acima referidos, a Fiscalização  apresenta nos primeiros 04 quadros a seguir o resultado mensal  das omissões de receitas, consolidadas por estabelecimento. No  5°  quadro  está  consolidada  a  omissão  mensal  de  todos  os  estabelecimentos.  [...]  25)  Registra­se  que,  em  relação  as mercadorias  indicadas  nos  quadros  abaixo,  embora  tenham  ocorrido  movimentações  nos  estoques,  a  Fiscalização  não  identificou  nos  arquivos  digitais  registros  indicando  movimentações  nos  períodos  do  levantamento,  razão  pela  qual,  estão  apresentadas  no  final  do  "Demonstrativo Analítico de Movimentação de Mercadorias",  apenas  para  fins  de  indicação  dos  saldos  iniciais  e  finais dos  inventários, bem como, das respectivas omissões.  [...]  Fl. 4396DF CARF MF     4 26)  Registra­se  ainda  que  na  determinação  dos  valores  monetários das omissões de compras e de vendas, a Fiscalização  aplicou sobre as quantidades omitidas o preço médio de compra  ou  de  venda  da  mercadoria,  respectivamente,  do  período  de  apuração (trimestre) em que ocorreu a omissão.  27) O preço médio de compra e de venda foi obtido pela divisão  da  soma  de  valor  da mercadoria pela  soma  de  quantidade  de  mercadoria adquirida ou vendida, em cada período de apuração  (trimestre), conforme demonstrado em documento anexo (DOC.  51  /  54  /  57  /  60).  Não  foram  consideras  as  devoluções  de  compras e vendas.  28) Contudo,  quando  inexistentes  operações  de  compras  ou  de  vendas  de  mercadorias  no  período  (trimestre)  em  que  foi  verificada a  omissão,  a Fiscalização utilizou  o  preço médio  de  períodos de apuração mais próximos, de acordo com os critérios  a seguir, aplicados de forma sucessiva:  Nas omissões de Compras:  a)  preço médio das  compras do(s)  trimestre(s)  imediatamente  anterior(es) ao da omissão;  b)  preço médio das  compras do(s)  trimestre(s)  imediatamente  seguinte(s) ao da omissão;  c preço médio das vendas do trimestre da omissão;  preço  médio  das  vendas  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  anterior(es) ao da omissão;  preço  médio  das  vendas  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  seguinte(s) ao da omissão;  f)  custo do inventário do trimestre da omissão;  g)  custo  do  inventário  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  anterior(es) ao da omissão;  h)  custo  do  inventário  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  seguinte(s) ao da omissão .  Nas omissões de vendas:  a)  preço  médio  das  vendas  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  anterior(es) ao da omissão;  b)  preço  médio  das  vendas  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  seguinte(s) ao da omissão;  c)  preço médio das compras do trimestre da omissão;  d)  preço  médio  das  compras  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  anterior(es) ao da omissão;  e)  preço  médio  das  compras  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  seguinte(s) ao da omissão;  f) custo do inventário do trimestre da omissão;  Fl. 4397DF CARF MF Processo nº 10480.731677/2015­86  Acórdão n.º 1201­002.094  S1­C2T1  Fl. 4          5 g)  custo  do  inventário  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  seguinte(s) ao da omissão;  h)  custo  do  inventário  do(s)  trimestre(s)  imediatamente  anterior(es) ao da omissão.  Dos Lançamentos Reflexos (CSLL – PIS ­ COFINS)  29)  Com  fundamento  nos  fatos  cuja  apuração  serviu  para  a  determinação  das  infrações  à  legislação  do  imposto  sobre  a  renda  e  proventos  de  qualquer  natureza  ­  IRPJ,  vale  dizer,  omissão de receitas da atividade, conforme acima demonstrada,  serão efetuados os lançamentos reflexos referentes à CSLL – PIS  ­ COFINS.    A  contribuinte  apresentou  impugnação  aos  lançamentos  (fls.  4.113/4.156).  Alega, em resumo, a nulidade dos Autos de Infração por falta de motivação, violação ao artigo  142 do CTN, erro de enquadramento  legal e emprego de metodologia de apuração confusa e  imprecisa.  Aduz  que  ocorreram  inconsistências  e  distorções  insanáveis  pelo  fato  da  fiscalização ter tomado como referência apenas 4 (quatro) de 14 (quatroze) estabelecimentos.  Sustenta que as diferenças apontadas decorrem de erros na manipulação dos  dados  que  alimentaram  a  planilha  "Demonstrativos  Analíticos  de  Movimentação  de  Mercadorias",  planilha  esta  que,  por  ter  sido  preparada  sem  qualquer  diligência  prévia,  não  pode  ser  considerada  como  prova  verdadeira.  Esclarece  também  que  a  empresa  passa  por  rigoroso acompanhamento por parte da fiscalização do ICMS e que não há mais espaço para as  aberrantes  estripulias  fiscais  que  aponta  a  fiscalização.  Os  fornecedores  deveriam  ter  sido  diligenciados e intimados a esclarece evidentes atipicidades em determinadas operações, o que  também não foi feito.  Afirma, ainda, existir "indisfarçada ilegalidade" no lançamento de omissão de  receitas  de  forma  trimestral,  quando  o  correto  seria  mensalmente,  assim  como  que  o  TVF  indevidamente desconsiderou o direito ao abatimento de créditos para fins de apuração do PIS  e COFINS não cumulativos.  A  impugnação foi  julgada improcedente por meio de decisão proferida pela  10 Turma da DRJ/BHE (fls. 4.227/4.243), cuja ementa recebeu a seguinte redação:  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  Tendo  sido  o  lançamento  efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo  prova de violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e  artigos 10  e  59  do Decreto  n°  70.235,  de  1972,  não  há  que  se  falar de nulidade do lançamento.  NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  A ciência de Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal e  do Termo de Verificação Fiscal  com a descrição dos  fatos que  deram  origem  ao  lançamento  e  o  acesso  a  todos  os  elementos  constantes  do  processo,  aliados  à  demonstração  do  pleno  conhecimento  das  irregularidades  contestadas  na  impugnação  Fl. 4398DF CARF MF     6 apresentada  afastam  a  conjetura  de  cerceamento  do  direito  de  defesa.  DIFERENÇA DE ESTOQUES. Constatada diferença a maior ou  a  menor  no  estoque  de  mercadorias  em  relação  ao  estoque  inventariado,  presume­se  ter  a  pessoa  jurídica  vendido  ou  comprado  mercadorias  sem  a  correspondente  contabilização,  afigurando­se correta a imputação fiscal de omissão de receitas,  não infirmada por prova cabal produzida em sentido contrário.  ARBITRAMENTO  ­  ARGÜIÇÃO  PELA  IMPUGNANTE  ­  NÃO  CABIMENTO. O Fisco possui à faculdade de arbitrar o lucro do  sujeito passivo quando a sua escrita fiscal se mostra imprestável.  Ao reverso não cabe ao sujeito passivo argüir a necessidade do  arbitramento  para  a  constituição  de  créditos  tributários  decorrentes  de  ilícitos  verificados  pelo  Fisco  ao  exame  da  escrita  fiscal,  ainda  que  esta,  eventualmente,  possa  conter  equívocos.  LANÇAMENTOS  DECORRENTES  DO  DE  IRPJ:  PIS,  CSLL,  COFINS.  Ressalvados  os  casos  especiais,  os  lançamentos  decorrentes  colhem  a  sorte  daquele  que  lhe  deu  origem,  na  medida  em  que  não  há  fatos  ou  argumentos  novos  a  ensejar  conclusões diversas.  AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO PARA 112,5%  Constatado  que  a  autuada  utiliza­se  de  sistema  de  processamento  eletrônico  de  dados  para  registrar  suas  atividades econômicas e escriturar livros fiscais, e os respectivos  arquivos  digitais  não  são  apresentados  à  fiscalização  quando  intimada,  configura­se  a  hipótese  de  agravamento  da multa  de  ofício.    Após  cientificada,  a  empresa  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  4.262/4.334).  Reitera os argumentos de defesa e sustenta que a decisão de piso foi omissa na apreciação de  todos os argumentos, o que ratifica a necessidade de cancelamento das cobranças.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli  O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade.  Dele, portanto, conheço.  Nulidade  Da  leitura  do  recurso  voluntário,  nota­se  que  a  Recorrente  basicamente  se  concentrou  em  argumentos  de  nulidade  das  autuações,  sob  diversas  alegações:  (i)  falta  de  motivação da descrição  da efetiva ocorrência do  fato  gerador;  (ii)  violação ao  artigo 142 do  CTN;  (iii) manipulação  indevida dos dados, uma vez que apenas  as  informações de parte de  suas filiais foram levadas em conta; (iv) a planilha utilizada como parâmetro seria indecifrável;  Fl. 4399DF CARF MF Processo nº 10480.731677/2015­86  Acórdão n.º 1201­002.094  S1­C2T1  Fl. 5          7 (v)  o  fisco,  quando  muito,  deveria  ter  empregado  o  método  de  arbitramento;  e  (vi)  o  lançamento foi feito de forma excessiva, conforme exemplos que indica.  Do  ponto  de  vista  do  processo  administrativo  fiscal  federal,  dispõem  os  artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que:  “Artigo  10  ­  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula”.  “Artigo 59 ­ São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa”.    Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos  ocasionada  pela  inobservância  do  disposto  no  art.  10º  acima,  bem como não  se  faz  presente  nenhuma das nulidades previstas no art. 59.  Os  Autos  de  Infração  foram  emitidos  com  observância  de  seus  requisitos  essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito.  Artigo  142  ­  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo  caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional”.    Fl. 4400DF CARF MF     8 Tal  como  determinado  nesse  dispositivo  legal,  os  lançamentos  têm  como  motivação a caracterização de omissão de  receita  fundamentada no  artigo 286 do RIR/1999,  verbis:  "Art.  286.  A  omissão  de  receita  poderá,  também,  ser  determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade  de  matérias­primas  e  produtos  intermediários  utilizados  no  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  (Lei  n°  9.430,  de  1996,  art. 41).  § 1° Para os fins deste artigo, apurar­se­á a diferença, positiva  ou  negativa,  entre  a  soma  das  quantidades  de  produtos  em  estoque  no  início  do  período  com  a  quantidade  de  produtos  fabricados  com  as  matérias­primas  e  produtos  intermediários  utilizados  e  a  soma  das  quantidades  de  produtos  cuja  venda  houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com  as  quantidades  em  estoque,  no  final  do  período  de  apuração,  constantes do Livro de Inventário (Lein°9.430, de 1996, art. 41,  § 1°).  § 2° Considera­se receita omitida, nesse caso, o valor resultante  da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de  matérias­primas  e  produtos  intermediários  pelos  respectivos  preços  médios  de  venda  ou  de  compra,  conforme  o  caso,  em  cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei n°  9.430, de 1996, art. 41, § 2°).  § 3 °  Os  critérios  de  apuração de  receita  omitida de  que  trata  este  artigo  aplicam­se,  também,  às  empresas  comerciais,  relativamente  às  mercadorias  adquiridas  para  revenda  (Lei  n°  9.430, de 1996, art. 41, § 3°). "    Nesses  termos,  a  fiscalização  demonstrou  que  a  Recorrente  não  possuía  sistema de custo integrado com a escrituração, bem como que não apresentou os documentos  de  controle  de  estoque  de  acordo  com  os  padrões  normativos  exigidos,  razão  pela  qual  procedeu ao levantamento quantitativo na linha do que dispõe o comando legal em questão.  Mais precisamente, o fisco fez um cotejo entre as informações constantes dos  registros de inventário físico que acabou sendo disponibilizada (fls. 111, 274 e seguintes) e as  informações da escrituração contábil/fiscal e daí apurou diferenças que, aos olhos do referido  artigo 286, de fato constituem hipótese de omissão de receitas.  No  exercício,  então,  de  sua  atividade  plenamente  vinculada,  a  fiscalização  cumpriu  seu  dever  de,  após  identificar  diferenças  de  estoque  em  quatro  dos  quatorze  estabelecimentos da Recorrente, constituir o crédito tributário correlato por presunção legal.  O conjunto probatório  acostado aos  autos,  somado à descrição dos motivos  de fato e de direito caracterizadores da infração, são suficientes para a aplicação da presunção  legal de receitas omitidas, permitindo o pleno conhecimento da lide e o julgamento do recurso  voluntário.   Ao contrário do que sustenta a Recorrente, a meu ver a motivação dos Autos  de  Infração está clara, explícita e congruente no TVF: omissão de receitas por diferenças de  estoque, nos termos do artigo 286 do RIR/99.  Fl. 4401DF CARF MF Processo nº 10480.731677/2015­86  Acórdão n.º 1201­002.094  S1­C2T1  Fl. 6          9 Sobre  a  alegação  de  que  a  contribuinte  não  teria  sido  intimada  a  prestar  esclarecimentos sobre as divergências constatadas no seu estoque, cabe observar o que restou  certificado na decisão de piso:  [...] os termos relacionados a seguir demonstram que a autuada  foi  intimada  e  reintimada  a  apresentar  documentos  fiscais  e  prestar  os  referidos  esclarecimentos  sobre  as  divergências  nos  estoques:  i.  Termo de Intimação Fiscal datado de 12/11/2014, recebido  pela  contadora  da  empresa, MARIA DE  FÁTIMA XAVIER DE  ANDRADE, em 25/11/2014, fl. 287/289 destes autos;  ii.  Termo de Intimação Fiscal datado de 16/12/2014, recebido  pela  contadora  da  empresa, MARIA DE  FÁTIMA XAVIER DE  ANDRADE, em 18/12/2014, fl. 299/301 destes autos;  iii.  Termo de Intimação Fiscal datado de 17/12/2014, recebido  pela  contadora  da  empresa, MARIA DE  FÁTIMA XAVIER DE  ANDRADE, em 18/12/2014, fl. 302/304 destes autos;  iv.  Termo de Intimação Fiscal datado de 29/01/2015, recebido  pela  contadora  da  empresa, MARIA DE  FÁTIMA XAVIER DE  ANDRADE, em 03/02/2015, fl. 305/307 destes autos;  v.  Termo de Intimação Fiscal datado de 29/01/2015, recebido  pela  contadora  da  empresa, MARIA DE  FÁTIMA XAVIER DE  ANDRADE, em 03/02/2015, fl. 308/309 destes autos;  vi.  Termo de Intimação Fiscal datado de 29/01/2015, recebido  pela  contadora  da  empresa, MARIA DE  FÁTIMA XAVIER DE  ANDRADE, em 03/02/2015, fl. 310/311 destes autos;  [...]  Acrescenta­se  que  as  planilhas  utilizadas  pela  autoridade  autuante  foram  elaboradas  com  dados  dos  estoques  iniciais  e  finais  de  cada  estabelecimento  em  cada  período  de  apuração  conforme declarado pela própria Impugnante nos livros por ela  mesma  escriturados  e  nos  arquivos  digitados  transmitidos  por  ela mesma ao SPED.  Para cada estabelecimento autuado foi elaborada uma planilha  denominada  "DEMONSTRATIVO  ANALÍTICO  DE  MOVIMENTAÇÃO  DE  MERCADORIAS".  Nessas  planilhas  foram discriminados os produtos comercializados, por operação  de  compra  ou  venda,  agrupados  por  período  de  apuração,  constando os saldos inicial e final em cada operação. Na última  operação do período é comparado o saldo final apurado com o  saldo final inventariado. Se o saldo final apurado for menor que  o  saldo  final  inventariado,  a  diferença  equivale  a  omissão  de  compras.  Se o  saldo  final apurado  for menor que o  saldo  final  inventariado, a diferença equivale a omissão de vendas.  Os  valores monetários  das  omissões  foram  obtidos mediante  a  multiplicação  das  quantidades  de  produtos  omitidos  nas  Fl. 4402DF CARF MF     10 operações de compra ou venda pelos preços médios de compra  ou  venda  em  cada  período  de  apuração  em  cada  estabelecimento.  Exatamente  como  preceitua  o  artigo  286  do  decreto n° 3.000/99 ­ RIR. O cálculo do preço médio de compra  e  venda de  cada produto em cada estabelecimento  foi  efetuado  na planilha denominada "APURAÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE  COMPRA E VENDA". Nessas planilhas foram discriminados os  produtos  comercializados  por  operação  de  compra  ou  venda,  agrupados  por  período  de  apuração.  Esses  valores  de  preços  médios  foram  utilizados  no  "DEMONSTRATIVO  ANALÍTICO  DE MOVIMENTAÇÃO DE MERCADORIAS"  onde  constam  os  valores  totais  das  omissões  de  compras  e  vendas  por  estabelecimento  e  por  período  de  apuração.  Esse  totais  foram  transportados  para  as  planilhas  "RESUMO  MENSAL  DAS  OMISSÕES DE RECEITAS", onde constam os valores totais por  produto, por mês e, conseqüentemente, por período de apuração.  Toda essa metodologia  foi  devidamente  explicada no Termo de  Verificação Fiscal (fls. 57/73).    Os referidos  termos de verificações fiscais sempre  indicaram que o foco do  fisco  estava  sendo  o  controle  de  estoques  da Recorrente,  especialmente  as  4  (quatro)  filiais  contempladas nos lançamentos, o que definitivamente afasta o alegado "desconhecimento" da  Recorrente sobre a matéria discutida.  O contribuinte sustenta, ainda, que deveria a autoridade autuante ter efetuado  o arbitramento do lucro, sob pena de macular o lançamento.  Razão não lhe assiste.   Digo isso porque o arbitramento constitui método de tributação facultativo e  aplicável  em  face de  impossibilidade de apuração direta do  lucro,  o que não  se  fez presente  nessa  situação.  Não  custa  repetir,  aqui,  que  a  caracterização  da  omissão  de  receitas  por  diferenças de estoque tem por fundamento a diferença levantada entre os inventários (físico x  contábil) que estavam mantidos em poder do próprio contribuinte.  E como determina o artigo 24, da Lei 9.249/1995:   Art.  24.  Verificada  a  omissão  de  receita,  a  autoridade  tributária determinará o valor do imposto e do adicional a  serem  lançados  de  acordo  com  o  regime  de  tributação  a  que estiver submetida a pessoa jurídica no período­base a  que corresponder a omissão. [...]    Nota­se, contudo, que ao contrário do quanto quer fazer crer a Recorrente, a  metodologia de apuração, além de ter base em lei, não possui vícios de nulidade.  Ademais,  cumpre  notar  que  restou  consolidado  na  jurisprudência  administrativa que não cabe ao contribuinte postular o arbitramento como matéria de defesa,  visto  que  esse  recurso  é  posto  apenas  a  serviço  da  Fazenda  Pública  como  instrumento  de  salvaguarda do crédito tributário. Veja­se alguns julgados nesse sentido:  Fl. 4403DF CARF MF Processo nº 10480.731677/2015­86  Acórdão n.º 1201­002.094  S1­C2T1  Fl. 7          11 PROCEDIMENTO  FISCAL.  DESCLASSIFICAÇÃO  DE  ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS ­ Sendo a aplicação  desses  instrumentos  prerrogativa  da  Fazenda  Pública  como  salvaguarda  do  crédito  tributário,  não  pode  o  contribuinte  reclamar a aplicação para furtar­se ao pagamento do justo valor  do imposto. As diferenças existente entre as receitas registradas  nos  Livros  Registros  de  Apuração  do  ICMS  e  as  receitas  informados  na  DIPJ,  constitui  omissão  de  receita  passível  de  tributação.  (Acórdão  n.  1103­000.823.  Data  da  decisão:  06/03/2013).  PROCEDIMENTO  FISCAL.  DESCLASSIFICAÇÃO  DE  ESCRITA E ARBITRAMENTO DE LUCROS Sendo a aplicação  desses  instrumentos  prerrogativa  da  Fazenda  Pública  como  salvaguarda  do  crédito  tributário,  não  pode  o  contribuinte  reclamar a aplicação para furtar­se ao pagamento do justo valor  do  imposto.  (Acórdão  n.  1401­001.410.  Data  da  decisão:  05/03/2015).    Finalmente,  e  considerando  a  alegação  do  contribuinte  de  que  teria  apresentado  diversos  argumentos  na  peça  de  defesa  que  não  teriam  sido  enfrentados  pela  decisão de piso, é bom ressaltar que a autoridade julgadora é livre para fazer uma análise tópica  das  matérias  em  litígio,  sendo  que,  ao  decidir,  não  está  obrigada  a  examinar  todos  os  fundamentos  invocados pela partes, podendo conferir  aos  fatos qualificação  jurídica  igual ou  diversa da que foi atribuída.  Em outras palavras, o julgador não possui o ônus de responder uma a uma as  questões suscitadas pelas partes, competindo a ele, isto sim, resolver a lide a partir da análise  da controvérsia  instaurada e teses conceituais discutidas no processo enquanto necessárias ao  convencimento e julgamento da causa.  Esse  entendimento,  aliás,  já  restou  consolidado  no  âmbito  dos  Tribunais  Superiores, a exemplo das ementas dos julgados do STJ abaixo transcritas:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA  ORIGINÁRIO.  INDEFERIMENTO DA  INICIAL.  OMISSÃO,  CONTRADIÇÃO,  OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA.  [...]  2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões  suscitadas  pelas  partes,  quando  já  tenha  encontrado  motivo  suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art.  489  do  CPC/2015  veio  confirmar  a  jurisprudência  já  sedimentada  pelo Colendo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  sendo  dever  do  julgador  apenas  enfrentar  as  questões  capazes  de  infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. [...] (STJ. 1ª  Seção. EDcl no MS 21.315­DF, Rel. Min. Diva Malerbi, julgado  em 8/6/2016).  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  INTERNO  NO  RECURSO  ESPECIAL.  CÓDIGO  DE  PROCESSO  CIVIL  DE  2015.  APLICABILIDADE.  OFENSA  AO  ART.  489  DO  CPC/2015.  Fl. 4404DF CARF MF     12 AUSENTE.  HONORÁRIOS.  REVISÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  SÚMULA  N.  7/STJ.  INCIDÊNCIA.  ARGUMENTOS  INSUFICIENTES  PARA  DESCONSTITUIR  A  DECISÃO  ATACADA.   [...]  II  ­ O  art.  489  do Código  de  Processo Civil  de  2015  impõe  a  necessidade  de  enfrentamento  dos  argumentos  que  possuam  aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado, não  estando  o  julgador  obrigado  a  responder  a  todas  as  questões  suscitadas  pelas  partes,  quando  já  tenha  encontrado  motivo  suficiente  para  proferir  a  decisão.  Precedentes.  [...]  (STJ.  1ª  Turma. AgInt no REsp 1662345 / RJ. DJe 21/06/2017).    Base de cálculo  Especificamente quanto aos valores computados na base de cálculo ­ os quais  foram  considerados  confusos  e  imprecisos  pela  Recorrente,  é  importante  compreender  a  metodologia adotada no lançamento.  Segundo  o  TVF,  o  resultado  do  cotejamento  (movimentação  física  x  escriturada) demonstrou a ocorrência de omissão de receitas caracterizada pela falta de registro  de  compra  e/ou  de  vendas  de  mercadorias,  de  acordo  com  as  planilhas  (consolidadas  e  analíticas) juntadas às folhas 3.743/4.092.  Ressalte­se  que  os  dados  usados  para  comparação,  de  acordo  com  o  relato  dos itens 10 e 11 do TVF e seus documentos anexos, foram apurados com base nos registros  contábeis  (Sped),  escrituração  fiscal  (EFD  e  NFe)  e  inventário  entregue  pelo  próprio  contribuinte em meio físico e em planilhas formato excell (Docs. 30 a 45 ­ fls. 829/3.641).  A partir das quantidades de mercadorias em estoque no início dos períodos de  apuração (inventários de 31/12/2010 ­ 31/03/2011 ­ 30/06/2011 e 30/09/2011), computando­se  as mercadorias movimentadas  nos  trimestres  de  apuração  de  2011,  a  Fiscalização  apurou  as  quantidades de mercadorias que deveriam compor o estoque no final dos períodos de apuração  encerrados em 31/03/2011 ­ 30/06/2011 ­ 30/09/2011 e 31/12/2011, respectivamente.  Ato contínuo, as quantidades de mercadorias apuradas pela Fiscalização, na  forma acima  indicada,  foram confrontadas  com as quantidades de mercadorias presentes nos  estoques  físicos  dos  inventários  dos  estabelecimentos  submetidos  ao  levantamento,  cotejamento este que realmente aponta a referida omissão de receitas.  As  planilhas  que  resumem  as  diferenças,  na  verdade,  são  resultados  de  detalhado trabalho realizado pelo fiscal responsável, trabalho este que identifica cada uma das  operações consideradas, bem como descreve as mercadorias, sua série, fonte, período, natureza  da operação, quantidade e preço.  Nesse  ponto,  cumpre  observar  a  seguinte  passagem  da  decisão  recorrida,  a  qual também acolho como razões de decidir:  A  Interessada  é  empresa  comercial,  de  modo  que  o  Auditor  Fiscal  Autuante,  para  cada  item  comercializado,  partiu  da  quantidade do Estoque Inicial, adicionou as entradas (compras),  diminuiu  das  saídas  (vendas)  e  chegou  ao  quantitativo  de  Estoque  Final  apurado.  Comparou  este  com  o  quantitativo  de  Estoque  Final  inventariado  (declarado).  Nos  casos  em  que  Fl. 4405DF CARF MF Processo nº 10480.731677/2015­86  Acórdão n.º 1201­002.094  S1­C2T1  Fl. 8          13 ocorreu  diferença,  presumiu,  com  base  no  artigo  286  do  RIR/1999,  a  ocorrência  de  omissão  de  vendas  (quantidade  de  Estoque Final apurado maior do que o constante no inventário ­  declarado)  ou  de  omissão  de  compras  (quantidade  de  Estoque  Final  apurado  menor  do  que  o  constante  no  inventário  ­  declarado).  Deve­se  notar  que  esta  presunção  é  relativa,  podendo  ser  infirmada  pelo  contribuinte mediante  prova  da  ocorrência,  por  exemplo, de furto de um determinado item do seu estoque em vez  de omissão de vendas.  Da fiscalização efetuada, de acordo com a contabilidade, livros  e notas fiscais da Interessada, (arquivos magnéticos transmitidos  pela Interessada ao SPED e livros apresentados à Fiscalização),  a  título  de  exemplo,  demonstra­se  a  seguir  as  conclusões  da  auditoria:  ­  Filial  Salvador/BA  (fl.  3646)  ­  para  o  item  "Código  de  Mercadoria n° 521507 ­ TAPETE VIAREGGIO 1,00 X 1,50", o  estoque final em 30/06/2011 deveria ser de 47 unidades e não de  0  como  inventariado  (declarado),  o  que  se  presume  como  omissão de notas­fiscais de venda de 47 unidades deste item.  ­  Filial Campina Grande/PB (fl. 3797) ­ para o item "Código  de  Mercadoria  n°  502081  ­  TAPETE  RENASCENSE  1,50  X  2,00", o estoque final em 31/03/2011 deveria ser de 38 unidades  e não de 164 como inventariado (declarado), o que se presume  como omissão de notas­fiscais de compra de 126 unidades deste  item.  ­  Filial  Maceió/AL  (fl.  3945)  ­  para  o  item  "Código  de  Mercadoria n° 388530 ­ TOALHA DE BANHO DANUBIO 65 X  130",  o  estoque  final  em  31/12/2011  deveria  ser  de  1.608  unidades  e  não  de  2  como  inventariado  (declarado),  o  que  se  presume  como  omissão  de  notas­fiscais  de  venda  de  1.606  unidades deste item.  O mesmo raciocínio foi empregado pelo Auditor Fiscal Autuante  para  os  demais  itens  constantes  nos  Demonstrativos  Analíticos  de  Movimentação  de  Mercadorias  de  cada  estabelecimento  autuado,  Salvador/BA às  fls.  3.646/3.784, Campina Grande/PB  às  fls.  3.797/3.840,  João  Pessoa/PB  às  fls.  3.850/3.933,  Maceió/AL às fls. 3.944/4.071.  Em  sua  defesa,  a  Impugnante  traz  inúmeras  alegações  relacionadas  às  planilhas  elaboradas  pelo  Auditor  autuante,  como abaixo destacadas:  Sobre a complexidade das referidas planilhas;  Que se baseiam em indícios ilusórios e não convergentes com a  verdade real;  Que  decorrem  de  erros  grosseiros  na  manipulação  dos  dados  por parte do Auditor Autuante;  Fl. 4406DF CARF MF     14 Que  as  distorções  ocorridas  entre  os  estoques  apurados  e  os  constantes  nos  Livros  de  Registro  de  Inventário  podem  estar  relacionadas  a  distorções  nos  outros  estabelecimentos,  o  que  implicaria  na  obrigatoriedade  de  fiscalização  nos  demais  estabelecimentos da empresa;  Que o Auditor não diligenciou os fornecedores para comprovar  as omissões de compras;  Que  não  efetuou  nenhuma  operação  comercial  que  estivesse  desamparada do respectivo documento fiscal;  Cabe  salientar  que  todas  as  alegações  são  genéricas  e  destituídas  dos  correspondentes  e  imprescindíveis  elementos  de  prova.  Para  que  a  Impugnante  pudesse  infirmar  a  presunção  legal  feita  pelo  Auditor  Fiscal  Autuante,  era  preciso  que  ela  analisasse,  para  cada  item, a diferença encontrada, e provasse  que ela se deveu a causa diversa da presumida com base na Lei.  Como  isto  não  ocorreu,  deve  ser  mantida  a  presunção  de  omissão  de  compra  ou  venda,  conforme  o  caso,  e,  em  consequência, a omissão de receita.  [...]  A impugnante alega que no Auto de Infração consta a descrição  da  infração  "Omissão  de  Receitas  por  Presunção  Legal  ­  Diferença  de  Estoque",  entretanto  no  TVF  consta,  no  seu  entender,  outra  infração,  "Omissão  de  Receita  ­  levantamento  quantitativo  por  espécie  de mercadoria".  Na  realidade  trata­se  de uma única  infração capitulada no artigo 286 do Decreto n°  3.000/1999 ­ Regulamento do Imposto de Renda e no artigo 41  da  Lei  n°  9.430/96  que  é  a  Presunção  Legal  de  Omissão  de  Receitas  apurada  através  do  levantamento  quantitativo  por  espécie  de  mercadoria  e  da  constatação  de  diferenças  nos  estoques  finais  das  mercadorias  comercializadas  em  cada  período de apuração.  Caracteriza­se  omissão  de  receitas  a  diferença  encontrada  levando­se em consideração as entradas e saídas de mercadorias  no período, apuradas por levantamento quantitativo de estoques,  mormente quando o contribuinte deixa de apresentar elementos  de prova que pudessem ilidir tal constatação.  Com relação ao preço médio utilizado pelo autuante no cálculo  do valor das omissões de receitas detectadas no curso da ação  fiscal,  apesar  de  não  arguido  pelo  contribuinte,  verifica­se,  no  caso concreto, que tais valores foram estabelecidos pelos preços  médios  de  compra  e  de  venda  dos  produtos,  praticados  no  período  de  apuração  das  irregularidades,  no  presente  caso,  trimestral, não se cogitando qualquer erro no seu cálculo, visto  que  a  autuada adotou  a  sistemática  de  apuração do  lucro  real  trimestral no período fiscalizado. Ressalte­se que a metodologia  de  apuração  da  omissão  de  receita  com  a  utilização  do  preço  médio de compra e de venda dos produtos está prevista no art.  41 da Lei 9.430/1996.  A Impugnante argumentou sobre a venda de 89.018 unidades de  "colcha  indiana  casal  em  jacard  180x240"  na  cidade  de  Campina Grande/PB no ano de 2011. Afirma que seria o caso de  Fl. 4407DF CARF MF Processo nº 10480.731677/2015­86  Acórdão n.º 1201­002.094  S1­C2T1  Fl. 9          15 um  recorde  de  vendas  passível  de  inclusão  no  Livro  Guiness.  Ora, se os cálculos das planilhas "Demonstrativos Analíticos de  Movimentação  de  Mercadorias"  foram  feitos  com  base  nos  estoques inicial e final de cada período de apuração, declarados  nos Livros de Registro de Inventário elaborados e apresentados  pela  própria  autuada  e  nas  notas  fiscais  de  compras  e  vendas  obtidas  através  dos  arquivos  digitais  transmitidos  pela  própria  autuada  ao  SPED,  caberia  à  Impugnante  especificar  e  comprovar  onde  ela  própria  incorreu  em  equívoco  na  elaboração dos referidos documentos e livros fiscais. O que não  ocorreu.  Ademais,  diante  das  inúmeras  formas  de  comercialização de mercadorias, hodiernamente tão usuais, não  se  pode  cravar  que,  necessariamente,  todas  as  vendas  do  referido produto tenham sido efetuadas apenas para o habitantes  do município de Campina Grande.  A  Impugnante  reconhece  em  sua  peça  recursal  que  pode  ter  incorrido  em  erros  na  elaboração  do  Livro  de  Registro  de  Inventário.  Afirma  ser  possível  terem  ocorridos  erros  na  contagem física de alguns itens do estoque, inclusive cita alguns  casos  em  que,  possivelmente,  os  dados  de  contagem  de  alguns  itens  podem  ter  sido  repetidos  erroneamente  em  alguns  trimestres  do  ano  de  2011. Novamente,  tratam­se  de  alegações  possíveis,  mas  sem  a  devida  especificação  e  comprovação  do  erro cometido pela autuada, portanto sem o condão de combater  o lançamento efetuado.  Em  suma,  todo  o  lançamento  foi  efetuado  com  base  nos  documentos  e  livros  fiscais  apresentados  pela  Impugnante,  portanto  se  ocorreram  inconsistências  devido  a  equívocos  na  elaboração  dos  referidos  documentos  e  livros  fiscais,  caberia  somente  a  Impugnante  especificar  e  comprovar  o  erro.  A  Impugnante limitou­se a tecer inúmeras alegações sem a devida  comprovação.  Sendo assim, não merece reparos o presente lançamento.    Com efeito,  os  fatos  apurados  foram enquadrados  corretamente na hipótese  legal  de  omissão  de  receitas  caracterizada  pela  diferença  de  estoques,  afinal  a  fiscalização  conseguiu  comprovar  que  a  existência  de  divergências  entre  o  estoque  físico  e  o  estoque  declarado se submete à presunção legal do art. 286 do RIR/99.  As presunções, como se sabe, são meios de prova previstos no artigo 212, IV,  do Código Civil (aprovado pela Lei nº 10.406/2002) e, desde que previstas em lei, podem ser  utilizadas no direito tributário. Tal expediente acaba por exercer papel auxiliador na busca de  riqueza (capacidade contributiva) do contribuinte, coibindo práticas e desestimulando condutas  que poderiam implicar abusos ou sonegação.  O efeito prático da presunção consiste em inverter o ônus da prova. Nesses  termos, a  regra geral  ­  a de que caberia ao  fisco o ônus de provar o  fato constitutivo do seu  direito,  e  ao  contribuinte  o  de  provar  o  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  daquele  direito ­ é invertida. Nesses termos, cabe ao fisco demonstrar a existência do fato definido pela  Fl. 4408DF CARF MF     16 lei como necessário e suficiente à subsunção da presunção, transferindo ao contribuinte o ônus  de provar que o fato presumido pela lei não ocorreu.  Trazendo  essas  considerações  à  situação  concreta,  restou  demonstrado,  segundo penso, que houve diferença de estoque reveladora de omissão de receita, o que dá axo  à tributação por presunção de omissão de receita.  Já  a  Recorrente  se  esquivou  do  seu  ônus  de  fazer  prova  em  contrário  da  presunção. Não há, nos autos, prova hábil trazida que seja capaz de demonstrar a regularidade  do estoque da Recorrente, que limitou­se a questionar os lançamentos com base em razões de  nulidade,  cerceamento  de  defesa  e  outros  genéricos,  mas  nunca  foi  “direto  ao  ponto”,  contornando o cerne da questão acerca da regularidade do seu estoque.  O recurso voluntário reitera suas razões de impugnação sem acrescentar a ela  uma única prova, desconsiderando por completo a decisão de piso que registrou expressamente  a falha do Recorrente no que diz respeito à questão probatória contra a diferença apurada.  A Recorrente, a fim de afastar a presunção de omissão de receita, deveria ter  trazido  exemplos  de  operações  canceladas,  furtadas  ou  devolvidas.  Deveria  ter  comprovado  eventual erro no inventário físico, justificar a existência de um outro controle, mas nada disso  foi feito.  Como, então, não cumpriu o ônus de afastar a presunção legal que milita em  seu desfavor, correta a imputação de omissão de receitas em face da Recorrente.  Tal  entendimento,  ressalte­se,  está  em  consonância  com  os  precedentes  jurisprudenciais do CARF abaixo citados:  DIFERENÇAS DE ESTOQUES. Constatadas diferenças a maior  ou  a menos  no  estoque  de mercadorias  em  relação ao  estoque  inventariado, presume­se ter a pessoa jurídica, respectivamente,  comprado  ou  vendido  mercadorias  sem  a  correspondente  contabilização,  afigurando­se  correta  a  imputação  fiscal  de  omissão  de  receitas,  não  infirmada  por  prova  cabal  produzida  em  sentido  contrário.  (Acórdão  n.  1401­00.468.  DOU:  21/06/2011).    IRPJ  ­  DIFERENÇA  DE  ESTOQUE  ­  PREÇO  MÉDIO  DE  VENDA.  A  diferença  a  maior  no  estoque  de  mercadorias,  em  confronto com o registrado na contabilidade, configura omissão  de  receitas.  Na  determinação  da  omissão  de  receitas  apurada  com  base  em  diferença  de  estoque,  deve  prevalecer  o  preço  médio  de  venda  praticado  no  período  de  apuração  das  irregularidades. (Acórdão n. 107­05907. DOU 23/10/2000).    IRPJ  ­  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  DIFERENÇA  DE  ESTOQUES.  Constatada  diferença  a  maior  no  estoque  de  mercadorias em relação ao estoque inventariado, presume­se ter  a  pessoa  jurídica  vendido  mercadorias  sem  a  correspondente  contabilização,  afigurando­  se  correta  a  imputação  fiscal  de  omissão  de  receitas,  não  infirmada  por  prova  cabal  produzida  Fl. 4409DF CARF MF Processo nº 10480.731677/2015­86  Acórdão n.º 1201­002.094  S1­C2T1  Fl. 10          17 em  sentido  contrário.  (Acórdão  n.  105­14.136.  DOU  12/06/2003).    Da multa agravada (de 75% para 112,5%)   O agravamento da multa de ofício foi aplicado com base no artigo 44, § 2°,  da Lei n° 9.430/96, que assim prevê:  (...) § 2o ­ Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do  caput  e  o  §  1  o  deste  artigo  serão  aumentados  de metade, nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado, de intimação para: grifei  I ­ prestar esclarecimentos;  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;   III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta Lei.    A meu  ver  tal  dispositivo  deve  ser  interpretado  com  cautelas,  dirigindo­se  apenas  às  situações  de  reiterado  não  atendimento  às  intimações  feitas  ao  longo  do  procedimento fiscalizatório.   E, diga­se, "não atender" não é "sinônimo de "mal atender".  O  campo  de  aplicação  do  agravamento  da  penalidade  não  contempla  a  hipótese de prestação deficitária ou insuficiente de documentos e esclarecimentos por parte dos  contribuintes, o que , a meu ver, foi o que ocorreu na presente situação.  A  falta  de  apresentação  de  determinado  livro  e/ou  documentos  da  escrituração, o descumprimento de dada formalidade de registro/arquivo ou a não prestação de  um  determinado  esclarecimento  pontual,  em  um  universo  onde  foram  apresentados  alguns  documentos solicitados e determinadas respostas, por si só, não enseja o agravamento da multa  de oficio.  A fiscalização, a bem da verdade, se valeu de várias respostas fornecidas ao  longo do procedimento fiscal para reforçar sua  tese e, mais ainda, apurou a  receita omitida a  partir dos dados dos estoques colhidos diretamente do contribuinte.  Não vislumbro, nessa situação fática, que a conduta da Recorrente no sentido  de não prestar todos os esclarecimentos de seu estoque na forma pela qual pretendeu o auditor  fiscal  responsável  e  o  fato  de  existir  vícios  no  formato  dos  arquivos  digitais  tenham  gerado  obstáculos ao levantamento do crédito tributário e instrução dos Autos de Infração.  A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  a  propósito,  vem  afastando  o  agravamento da multa quando não há prejuízos ao  trabalho  fiscal,  conforme atesta a decisão  abaixo.  Fl. 4410DF CARF MF     18 MULTA  AGRAVADA  ­  ARTIGO  44,  §  2º,  LEI  9.430/96  ­  EMBARAÇO  À  FISCALIZAÇÃO  ­  LANÇAMENTO  POR  PRESUNÇÃO. A aplicação do agravamento da multa nos termos  do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer quando a falta  de  cumprimento  das  intimações  pelo  sujeito  passivo  impossibilite,  total  ou  parcialmente,  o  trabalho  fiscal.  Na  hipótese  em  que  a  fiscalização  se  vale  de  regra  que  admite  o  lançamento por presunção, a atitude do sujeito passivo torna­se  irrelevante para o deslinde do trabalho fiscal, de modo a tornar­ se  inaplicável  o  agravamento  da  multa.  (Acórdão  n.  9202­ 004.290. Data de publicação: 17/08/2016)    Nesse sentido, considero que o agravamento da multa de ofício é  incabível,  razão pela ela deve ser reduzida de 112,5% para 75%.    Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  RECURSO  VOLUNTÁRIO, reduzindo a multa de ofício de 112,5% para 75%.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli                              Fl. 4411DF CARF MF

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7146907 #
Numero do processo: 18470.721518/2013-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmar a existência dos parcelamentos dos débitos constantes do Termo de Indeferimento, em 31/01/2013. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 77          1 76  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18470.721518/2013­32  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1001­000.034  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Data  6 de fevereiro de 2018  Assunto  SIMPLES NACIONAL ­ INDEFERIMENTO DE OPÇÃO  Recorrente  PIZZARIA E LANCHONETE LOBITENSE LTDA ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à Unidade  de Origem,  para  confirmar  a  existência  dos  parcelamentos dos débitos constantes do Termo de Indeferimento, em 31/01/2013.     (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente  (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva – Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Lizandro Rodrigues  de  Sousa,  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Eduardo  Morgado  Rodrigues  e  Jose  Roberto  Adelino  da  Silva.    Relatório  Trata­se Recurso Voluntário contra o acórdão, número 04­35.074 da 2ª Turma  da  DRJ/CGE,  o  qual  indeferiu  a  Manifestação  de  Inconformidade  contra  Termo  de  Indeferimento  da  Opção  pelo  Simples  Nacional,  face  à  existência  de  débitos  fiscais,  sem  exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 21 51 8/ 20 13 -3 2 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 18470.721518/2013­32  Resolução nº  1001­000.034  S1­C0T1  Fl. 78          2 A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da  DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto:  Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço.  A  interessada argumentou  que  os  débitos  que  ensejaram  o  Termo de  Indeferimento haviam sido parcelados, conforme o documento juntado  às fls. 09. Mas não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos  de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros,  o que comprovaria sua regularidade fiscal, nos termos dos arts. 205 e  206  do  CTN,  pois  é  este  o  documento  hábil  que  comprova  a  regularidade fiscal da empresa. A tentativa de obtê­la via internet não  surtiu  efeito,  vez  que  ali  foi  certificado  que  a  contribuinte  possui  pendências nos sistemas da Receita Federal.  Conclusão.  Em  face  do  exposto  e  considerando  tudo mais  que  dos  autos  consta,  julgo  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  e  mantenho  o  Termo  de  Indeferimento  de  Opção  ao  Simples  Nacional  por  seus  próprios fundamentos.  Voto  Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator   Inconformada,  a  recorrente  apresentou  o Recurso Voluntário,  tempestivo,  que  apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço.  No Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional foram listados os  débitos  existentes  para  os  quais  a  Recorrente  juntou  a  documentação  necessária  para  tentar  fazer prova da sua opção por parcelamentos e/ou recolhimentos dos débitos, tempestivamente  (até 31/01/2013).  A  DRJ  julgou  improcedente  a  impugnação  pelo  fato  de  a  Recorrente  não  ter  apresentado a certidão negativa (ou positiva com efeitos de negativa) de débitos.  Em  seu  Recurso,  a  Recorrente  reitera  que  apresentou  a  comprovação  dos  pedidos e termos de parcelamentos bem como anexou cópia destes.  Em seu recurso, a recorrente argumentou, que:   Fl. 56DF CARF MF Processo nº 18470.721518/2013­32  Resolução nº  1001­000.034  S1­C0T1  Fl. 79          3   Fl. 57DF CARF MF Processo nº 18470.721518/2013­32  Resolução nº  1001­000.034  S1­C0T1  Fl. 80          4   Mais  adiante,  cita  a  Súmula  22,  deste  CARF,  argumentando  haver  um  cerceamento no direito de defesa e o direito a ampla defesa e ao contraditório, o que rejeito de  imediato, posto que o Termo de Indeferimento da Opção pleo Simples, claramente, discrimina  os débitos existentes e que foram objeto do referido indeferimento.  No entanto,  o  contribuinte  apresentou diversas  cópias de documentos os quais  aparentam confirmar que houve, de fato o parcelamento de todos os seus débitos.  A DRJ não questionou este argumento, entretanto, baseou a sua decisão, única e  exclusivamente, no fato de a Recorrente não ter apresentado a certidão negativa de débitos (ou  positiva  com  efeitos  de  negativa)  e  que,  ainda,  não  a  obteve  porque  foi  certificado  que  a  empresa  possui  pendências  nos  sistemas  da  Receita  Federal.  Portanto  negou  provimento  a  impugnação, baseada no artigo 205, do Código Tributário Nacional ­ CTN, o qual reproduzo a  seguir:  Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado  tributo,  quando  exigível,  seja  feita  por  certidão  negativa,  expedida  à  vista  de  requerimento  do  interessado,  que  contenha  todas  as  informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 18470.721518/2013­32  Resolução nº  1001­000.034  S1­C0T1  Fl. 81          5 e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o  pedido.  Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos  em que tenha sido requerida e será  fornecida dentro de 10 (dez) dias  da data da entrada do requerimento na repartição.  Proponho  converter  o  processo  em  diligência  para  que  a  unidade  de  origem  confirme que as provas apresentadas são suficientes e idôneas para se concluir que os débitos  existentes  estavam  com  a  exigibilidade  suspensa,  nos  termos  do  artigo  151,  inciso  VI,  do  Código Tributário Nacional  ­ CTN, e sendo, devidamente, quitados, posto que a ausência da  CND (ou positiva com efeitos de negativa), na visão deste relator, não é requerida tanto pela  LC 123/2006 e nem pela Resolução CGSN 94/2011, como condição necessária para a opção  pelo Simples Nacional, conforme disposto no art. 205, do CTN, acima transcrito.  Concluída a diligência,  deverá  ser dada ciência de  seu  conteúdo à  interessada,  ofertando­lhe prazo adequado para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na seqüência, o  processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento.   (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva  Fl. 59DF CARF MF

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Numero do processo: 10700.000049/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 CONHECIMENTO PARCIAL. PENALIDADE E RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MATÉRIA COM DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. RESP nº 923.012/MG. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC). DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à decadência e à retroatividade benigna e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI

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Acórdão nº  9202­006.515  –  2ª Turma   Sessão de  27 de fevereiro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  TELEMAR NORTE LESTE S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004  CONHECIMENTO  PARCIAL.  PENALIDADE  E  RESPONSABILIDADE  DA  SUCESSORA.  MATÉRIA  COM  DECISÃO  DEFINITIVA  DO  STJ.  RESP nº 923.012/MG.  Não  servirá  como  paradigma  o  acórdão  que,  na  data  da  análise  da  admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão judicial transitada em  julgado,  nos  termos  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­  Código de Processo Civil (CPC).  DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173,  I DO CTN.  As  obrigações  acessórias  ostentam  caráter  autônomo  em  relação  à  regra  matriz  de  incidência  do  tributo.  Assim  o  descumprimento  de  obrigação  acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando­se o art. 173,  I do CTN.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 0. 00 00 49 /2 00 7- 11 Fl. 557DF CARF MF   2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à decadência e à retroatividade benigna  e, no mérito, na parte conhecida, em negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes,  Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.    Relatório  Trata­se de auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de  obrigação  acessória  caracterizada  pelo  fato  do  contribuinte  ter  apresentado  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores da totalidade das contribuições previdenciárias devidas no  período.  Entre  as  verbas  omitidas  foram  apontadas:  remunerações  pagas  a  segurados  sem  vínculo empregatício, auxílio filhos excepcionais, abonos indenizatórios de acordos coletivos,  participação nos lucros e resultados e salário maternidade.  Segundo  Relatório  Fiscal,  em  agosto  de  2001,  a  Contribuinte  incorporou  outras  15  empresas  do  ramo  de  telecomunicações.  Durante  processo  de  fiscalização  foi  constatada a irregularidade apontada, tendo sido esclarecido que foi aplicado um AI referente a  cada  incorporada  e  um  referente  à  incorporadora  em  função  da  necessidade  de  observar  o  número de segurados por empresa, de forma a aplicar o limite do art. 284,  I e II, do Decreto  3.048/99  (Regulamento da Previdência Social  ­ RPS). A observância deste  limite se deu por  empresas  separadamente  até  07/2001,  data  da  incorporação.  A  partir  de  08/2001,  foi  considerada a empresa como um todo. Apesar da separação acima, todos os autos de infração  foram lavrados no CNPJ da contribuinte Telemar registrada sob o CNPJ 33.000.118/0001­79.  O  presente  AI  (DEBCAD  35.505.462­0)  refere­se  à  incorporada  Telecomunicações de Roraima S.A. ­ Telaima (CNPJ 05.934.567/0001­59),  tendo a apuração  compreendido o período de 01/1999 a 12/2004.  Consta do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal ­ TEAF (e­fls. 38) as  seguintes  NFLD's:  35.576.769­4,  35.576.764­3,  35.576.765­1,  35.576.766­0,  35.576.767­8,  35.576.768­6 e 35.576.770­8.  Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10700.000049/2007­11  Acórdão n.º 9202­006.515  CSRF­T2  Fl. 558          3 Intimado  a  contribuinte  apresentou  impugnação  (e­fls.  95)  defendendo  a  decadência parcial do  lançamento com base no art. 150, §4º do CTN e  ilegitimidade passiva  haja  vista  a  impossibilidade  cobrança  de  multa  da  sucessora  por  infrações  praticadas  pela  sucedida nos termos do art. 132 do CTN. No mérito pugna pela exclusão da multa uma vez que  houve o pagamento das parcelas relativas aos contribuintes individuais e salário maternidade e  pelo fato das demais verbas apuradas não integrarem a base de cálculo da contribuição.  O auto de infração foi mantido pela Secretaria da Receita Previdenciária.  Em  sede  de  recurso  voluntário  o  Contribuinte  reitera  seus  argumentos  de  defesa, destacando ainda que o prazo de 10 anos aplicado pelo órgão julgador para cálculo da  decadência  é  inconstitucional  conforme  jurisprudência  construída pelos  tribunais. Em  tempo,  cita a Súmula Vinculante nº 08 do STJ e requer o recálculo da multa em função da publicação  da MP nº 449/09 e do art. 106, II, 'c' do CTN.  Por meio  da Resolução  nº  2401­00.055,  a  4ª  Câmara  /  1ª  Turma Ordinária  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  apuração  de  quais  as  notificações  fiscais  correspondem  as  obrigações  principais  que  deram  origem  ao  presente  lançamento  por  descumprimento de obrigação acessória.  Em resposta à diligência  temos o  relatório  fiscal de e­fls. 321 que aponta e  conclui que as obrigações principais relevantes para o presente processo são:  NFLD  Processo  Descrição  35.576.767­8  12045.000559/2007­87  participação nos lucros/resultados  35.576.768­6  37280.000871/2006­38  Auxílio Filhos Excepcionais, Auxílio Material  Escolar, Complemento Auxílio­Doença e Abonos  Indenizatórios.  35.576.769­4  15374.002950/2009­44  Contribuintes Individuais  35.576.764­3  37280.001940/2005­40  salário­maternidade.  Ciente das informações prestadas, o Colegiado a quo deu provimento parcial  ao recurso para declarar com base no art. 173, I do CTN a decadência até a competência 11/99,  inclusive 13º salário/99, excluir a penalidade aplicada em relação aos pretensos fatos geradores  rechaçados nos lançamentos principais (NFLD's correlatas), rejeitar a argüição de ilegitimidade  passiva e recalcular o valor da multa, tendo como limite o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei  nº 9.430/96. O acórdão recebeu a seguinte ementa:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004  PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA  DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32,  INCISO IV, § 5º, LEI  Nº 8.212/91.  Constitui  fato  gerador  de  multa,  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  apresentar  o  contribuinte  à  fiscalização  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  GFIP  com  omissão  de  fatos  geradores  de  todas  contribuições previdenciárias.  Fl. 559DF CARF MF   4 CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  DECADÊNCIA.  De  conformidade  com  a  jurisprudência  dominante  neste  Colegiado,  tratando­se  de  auto  de  infração  decorrente  de  descumprimento  de  obrigação  acessória,  onde  o  contribuinte  omitiu  informações  e/ou  documentos  solicitados  pela  fiscalização,  caracterizando  o  lançamento  de  ofício,  o  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  previdenciário  é  de  05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  termos  do  173,  inciso  I,  do Código  Tributário Nacional,  tendo  em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da  Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos  RE’s  nºs  556664,  559882  e  560626,  oportunidade  em  que  fora  aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DECORRENTE  DE  LANÇAMENTOS  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  JULGADOS  PROCEDENTES  EM  PARTE.  AUTUAÇÃO  REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.  Impõe­se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência  de  informação  em  GFIP  de  fatos  geradores  lançados  em  Autuações/Notificações  Fiscais,  pertinentes  ao  descumprimento  da  obrigação  principal,  declaradas  procedentes  em  parte,  em  face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se  vislumbra na hipótese vertente.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  SUCESSÃO  EMPRESARIAL  POR  INCORPORAÇÃO.  RESPONSABILIDADE  EM  RELAÇÃO  À  MULTA  PUNITIVA  DO SUCESSOR. CABIMENTO.  Na  esteira  da  legislação  tributária  que  contempla  a  matéria,  notadamente  o  artigo  132  do  Código  Tributário  Nacional,  corroborada pela jurisprudência firmada no âmbito do Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  empresa  sucessora,  in  casu,  por  incorporação,  responde  pelos  tributos,  bem  como  pelas multas  de  natureza  punitiva  decorrente  do  descumprimento  de  obrigações acessórias, da empresa sucedida.  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES.  INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA.  A  multa  prevista  no  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430,  de  1997,  decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75%  (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não  pagamento  (parcial  ou  total)  do  tributo  devido,  quanto  a  não  apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver  como  mensurar  o  que  foi  aplicado  para  punir  uma  ou  outra  infração.  No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista  no  revogado  art.  32,  §  5º,  que  se  refere  à  apresentação  de  declaração  inexata,  e  também  da  sanção  pecuniária  pelo  não  pagamento  do  tributo  devido  no  prazo  de  lei,  estabelecida  no  igualmente  revogado  art.  35,  II,  o  cotejo  das  duas multas,  em  Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10700.000049/2007­11  Acórdão n.º 9202­006.515  CSRF­T2  Fl. 559          5 conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do  art.  44,  inciso  I,  da Lei  9.430, de 1997, que  se destina a punir  ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação  no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.  Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa  mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta  apenada  e  a  atualmente  disciplinada  no  art.  44,  I  da  Lei  no  9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa  nas NFLDs correlatas.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Intimada  do  acórdão  a  Contribuinte  apresentou  recurso  especial  visando  rediscutir os seguintes temas:  1) termo inicial da contagem do prazo decadência para lançamento de ofício  de obrigação acessória vinculada à obrigação principal: acórdão paradigma nº  2403­002.961;  2)  aplicação  do  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas. Requer seja  aplicado o art. 32­A, inciso I da Lei nº 9.430/96: acórdão paradigma nº 2302­ 003.359; e   3) Exigência de multa punitiva à sucessora nos casos de lançamento lavrado  após a incorporação: acórdão paradigma nº 1201­000.764.  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do  julgamento.  É o relatório.    Voto             Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora    Do conhecimento:  Antes  de  analisarmos  o  mérito,  pertinente  tecer  comentário  acerca  do  conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, especificamente no que tange  a terceira divergência: exigência de multa punitiva à sucessora nos casos em que o lançamento  se dá após a incorporação.  Conforme consta do relatório o presente lançamento imputou a Recorrente na  condição  de  empresa  incorporadora  a  responsabilidade  pelo  pagamento  de  multa  pelo  descumprimento de obrigações acessórias devida pela empresa incorporada. Valendo destacar  Fl. 561DF CARF MF   6 que  embora  os  fatos  geradores  das  obrigações  tenham  ocorrido  em  momento  anterior,  o  lançamento das respectivas penalidades somente se deu em data posterior à operação societária  da incorporação.  A  divergência  suscitada  tem  como  base  decisão  proferida  no  acórdão  paradigma  nº  1201­000.764,  datado  de  08.11.2012.  Na  situação  analisada,  o  Colegiado  deu  provimento ao recurso do contribuinte fixando o entendimento de que somente se aplica multa  de ofício/penalidade à sucessora, por atos praticados na gestão da empresa extinta, se essa tiver  sido lançada antes do ato sucessório.  Embora  da  fato  exista  um  conflito  entre  a  decisão  recorrida  e  o  acórdão  citado o que temos é um impedimento regimental para o conhecimento do recurso neste ponto.   Reza o art. 67, §12 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que  não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso  especial, contrariar decisão definitiva do STJ e STF proferidas em sede de Recurso Repetitivo  ou Repercussão Geral. Referido artigo, na data de ciência do acórdão recorrido (02.07.2015),  da  interposição  do  recurso  (16.07.2015)  e  do  respectivo  exame  de  admissibilidade  (19/10/2015) possuía a seguinte redação:  Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial interposto contra decisão que der à legislação tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.  ...  §  12. Não  servirá  como paradigma o  acórdão que, na  data  da  análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar:  ...  II ­ decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts.  543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973  ­ Código de Processo  Civil (CPC); e  ...  Neste aspecto, e o sobre o tema,  temos que destacar a existência de decisão  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  no REsp  nº  923.012/MG  sob  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos  e  cujo  trânsito  em  julgado  se  deu  em  04.06.2013.  O  tribunal  superior  firmou a seguinte tese:  Tema  382:  A  responsabilidade  tributária  do  sucessor  abrange,  além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou  punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham  o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu  fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.  O Ministro Napoleão Nunes Maia Filho ao analisar embargos de declaração  opostos pelo  contribuinte,  afastando qualquer dúvida quanto  ao  alcance  da decisão,  assim  se  manifestou:  4.  Quanto  à  responsabilidade  do  sucessor  pelas  multas  (moratórias  ou  punitivas),  observe­se  que  o  ordenamento  jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar  Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10700.000049/2007­11  Acórdão n.º 9202­006.515  CSRF­T2  Fl. 560          7 com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e  seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor:   Art.  132.  A  pessoa  jurídica  de  direito  privado  que  resultar  de  fusão,  transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos  tributos  devidos  até  a  data  do  ato  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.   5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227  da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou  várias  sociedades  por  outra  ou  outras,  com  a  extinção  da  sociedade  incorporada,  que  transfere  integralmente  todos  os  seus direitos e obrigações para a incorporadora.   6.  Entende­se  que  tanto  o  tributo  quanto  as  multas  a  ele  associadas  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal  fazem  parte  do  patrimônio  do  contribuinte  incorporado  que  se  transfere  ao  incorporador,  de  que  modo  que  não  pode  ser  cingida  a  sua  cobrança,  até  porque  a  sociedade  incorporada  deixa de ostentar personalidade jurídica.   7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da  responsabilidade por sucessão aplica­se, por igual, aos créditos  tributários  já  definitivamente  constituídos,  ou  em  curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos  mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações tributárias surgidas até a referida data.   8.  O  que  importa,  portanto,  é  a  identificação  do  momento  da  ocorrência  do  fato  gerador,  que  faz  surgir  a  obrigação  tributária,  e  do  ato  ou  fato  originador  da  sucessão,  sendo  desinfluente,  como  restou  assentado  no  aresto  embargado,  que  esse  crédito  já  esteja  formalizado  por  meio  de  lançamento  tributário, que apenas o materializa.  Vale  mencionar,  inclusive,  que  este  Tribunal  Administrativo  diante  da  jurisprudência pacificada revogou, por meio da Portaria CARF nº 72/2017, sua súmula 47.  Assim, diante do exposto, aplicando art. 67, §12 do RICARF, aprovado pela  Portaria MF nº 343/2015, deixo de conhecer o recurso do contribuinte no que tange ao tema:  exigência  de  multa  punitiva  à  sucessora  nos  casos  em  que  o  lançamento  se  dá  após  a  incorporação. Quanto  aos  demais  pontos  o  recurso  preenche  os  requisitos  regimentais  razão  pela qual, ratificando o despacho de admissibilidade, deles conheço.    Do mérito:  Da decadência:  É sedimentado que o prazo decadencial aplicável às obrigações acessórias é  aquele previsto no art. 173, I do CTN. Isso porque, independentemente do reconhecimento da  decadência  da  obrigação  principal  essa  em  algum  momento  foi  devida  e  por  não  ter  sido  adimplida  gerou  o  lançamento  de  ofício  da multa  pelo  respectivo  descumprimento  do  dever  Fl. 563DF CARF MF   8 instrumental,  multa  essa  que  nos  termos  do  art.  113,  §3º  do  mesmo  diploma  assumirá  a  natureza de obrigação principal.  A meu ver o art. 113 do CTN deixa claro que as obrigações acessórias, apesar  de em sua maioria estarem relacionadas  ao dever de pagar um  tributo, dessas  são distintas e  autônomas:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §  2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.  Assim, descumprida uma obrigação acessória haverá o lançamento de ofício  da penalidade, devendo neste caso ser aplicado o art. 173, I do CTN ainda que tenha havido o  pagamento parcial do crédito relacionado à obrigação principal.  Cito, para ilustrar, o entendimento da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e  Silva Vieira, no acórdão 2401­003.209, que ainda nos traz apontamentos relevantes acerca da  finalidade das informações prestadas em GFIP:  Ressalto,  que  independente  da  decadência  das  obrigações  principais ter sido decretada a luz do art. 150, § 4, nos autos de  obrigação  acessória  não  há  como  atribuir  mesmo  raciocínio,  tendo  em  vista  serem  obrigações  distintas,  a  de  recolher  a  contribuição devida,  e a de  informar  em GFIP  fatos geradores  de  contribuição  previdenciária.  A  informação  em  GFIP  não  possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas  acima  de  tudo,  informar  a  remuneração  do  segurado  da  previdência  social,  informação  essa  que  irá  subsidiar  a  concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de  benefício.  Diante do exposto, com base no art. 173, I do CTN, e por se tratar de recurso  interposto  pelo  contribuinte  (o  que  impede  o  reformatio  in  pejus  em  relação  ao  mês  de  13/1999,  considerando  que  a  obrigação  acessória  dessa  competência  somente  seria  devida  a  partir de 01/2000), mantenho a decisão recorrida que  limitou a decadência para o período de  01/1999 a 11/1999 e 13/1999.    Da retroatividade benigna:  O  outro  ponto  do  recurso  trata  da  controvérsia  relativa  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações  promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao  sujeito passivo.  Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10700.000049/2007­11  Acórdão n.º 9202­006.515  CSRF­T2  Fl. 561          9 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do  CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De  inicio,  cumpre  registrar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  de  forma  unânime  pacificou  o  entendimento  de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade da  retroatividade benigna, não basta  a verificação da denominação atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta  do  Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão  de 23 de junho de 2016),  cuja  ementa  transcreve­se:  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ MULTA ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA.  A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  mesmo que referente a  fatos geradores anteriores a publicação  da referida lei, é de ofício.   AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  Fl. 565DF CARF MF   10 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à  Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava, para  a  situação em que ocorresse  (a)  recolhimento  insuficiente do  tributo  e  (b)  falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício,  acrescido  das multas  previstas  nos  arts.  35,  II,  e  32,  §  5o,  ambos  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz  remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar  (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  e (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação  da  retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores  no  sistema  de  cobrança,  a  fim  de  que,  em  cada  competência,  o  valor  da multa  aplicada  no  AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.   Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão,  a  penalidade  anterior  à  vigência  da MP  449,  de  2008,  ultrapassar  a multa  do  art.  35­A da Lei  n°  8.212/91,  correspondente  aos  75%  previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal ­ deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época os dispositivos  legais aplicáveis  eram multa  ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo  da  fase  processual  do  débito)  e  art.  32  (100%  da  contribuição  devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o  Auto de infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10700.000049/2007­11  Acórdão n.º 9202­006.515  CSRF­T2  Fl. 562          11 omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  Fl. 567DF CARF MF   12 estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  · Norma anterior,  pela  soma da multa aplicada nos moldes do  art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual,  pela aplicação da multa de  setenta e  cinco por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10700.000049/2007­11  Acórdão n.º 9202­006.515  CSRF­T2  Fl. 563          13 acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os  fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade  responsável pela execução do acórdão, quando do  trânsito em julgado administrativo, deverá  observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à aplicação  do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em  face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  Fl. 569DF CARF MF   14 §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento.  Art.  3º A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma  do art.  35­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os débitos pagos,  os parcelados,  os não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação  da Medida Provisória  nº  449,  de  3  de  dezembro  de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­ A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada  limitar­se­á  àquela  prevista  no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009.  Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10700.000049/2007­11  Acórdão n.º 9202­006.515  CSRF­T2  Fl. 564          15 Vale destacar,  conforme consta do  relatório que o presente  lançamento está  atrelado aos seguintes processos:  Embora  ainda  não  haja  decisão  definitiva  em  relação  ao  processo  37280.000871/2006­38,  quanto  aos  demais  débitos  as  informações  constantes  no  sítio  do  CARF apontam a manutenção parcial dos valores  lançados,  fato que nos permite fixar a  tese  que será aplicada em relação ao cálculo da multa sem trazer quaisquer prejuízos às partes.    Conclusão:  Diante de todo o exposto, conheço em parte do recurso do Contribuinte e na  parte conhecida nego­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri                              NFLD  Processo  Descrição  35.576.767­8  12045.000559/2007­87  participação nos lucros/resultados  35.576.768­6  37280.000871/2006­38  Auxílio  Filhos  Excepcionais,  Auxílio  Material  Escolar,  Complemento Auxílio­Doença e Abonos Indenizatórios.  35.576.769­4  15374.002950/2009­44  Contribuintes Individuais  35.576.764­3  37280.001940/2005­40  salário­maternidade.  Fl. 571DF CARF MF

score : 1.0
7174150 #
Numero do processo: 16349.000259/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral a patrona Anali Caroline Castro Sanches Menna Barreto, OAB/SP 273.768, escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA

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3201­001.154  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  27 de fevereiro de 2018  Assunto  PERDCOMPS PIS/COFINS  Recorrente  WHIRLPOOL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência.   (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Marcelo Giovani Vieira ­ Relator   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira  (Presidente),  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Paulo  Roberto  Duarte Moreira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade,  Marcelo  Giovani  Vieira.  Fez  sustentação  oral  a  patrona Anali Caroline Castro Sanches Menna Barreto, OAB/SP 273.768,  escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados.    Relatório  Trata­se  de  Pedidos  de  Ressarcimento  de  Cofins,  vinculada  a  exportação,  relativa ao 1º  trimestre de 2006, com fundamento no artigo 6º da Lei 10.833/2003, cumulada  com Declarações de Compensação.  O Despacho Decisório decidiu por não homologar as compensações, em vista da  glosa dos créditos, conforme os seguintes motivos:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 25 9/ 20 09 -0 4 Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16349.000259/2009­04  Resolução nº  3201­001.154  S3­C2T1  Fl. 587          2 ­ equívocos no rateio de créditos vinculados à exportação;  ­ glosa sobre aquisições de ferramentas, paletes, carretéis, materiais de limpeza,  vestuário e embalagens destinadas à movimentação de material reciclável;   ­  glosa  de  valores  das  notas  fiscais  231.795,  por  crédito  apurado  em  duplicidade, e 1.473, que se trata de retorno de mercadoria remetida para industrialização;  ­ glosa de despesas de frete:  ­ de transporte de container vazio;  ­ devolução de caixas de coleta de recicláveis ­ “Top Verde”;  ­ envio de amostras;  ­ reposição em garantia;  ­ outras devoluções;  ­ glosa de valores  relativos à  tomada de crédito sobre encargos de depreciação  sobre  móveis,  utensílios  e  equipamentos  de  informática,  os  quais,  segundo  o  Fisco,  não  estavam relacionados à produção;  Como resultado das glosas, a homologação foi homologada parcialmente.   Cientificada,  a  empresa  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  argumentando:  ­ que o Despacho Decisório seria nulo, porque não fundamentou a glosa relativa  a ferramentas, carretéis e pallets e caixas top verde;  ­ que houve equívoco no apuração do rateio entre receita tributadas no mercado  interno,  receita  não  tributadas  no  mercado  interno  e  receitas  exportadas;  que  a  data  de  embarque não pode ser considerada para fins de apuração da receita exportada, mas sim a data  da nota fiscal, em vista do conceito de faturamento como base de cálculo das contribuições;   ­ legitimidade dos créditos tomados em relação a ferramentas, carretéis e pallets;   ­  a  regra  de  não  cumulatividade  de  Pis  e  Cofins,  segundo  princípios  constitucionais, seria muito mais ampla que a adotada pelo Fisco;   ­ a nota fiscal 1.473 existe e apenas conteria erro no CFOP;  ­  quanto  à  glosa  de  frete  de  caixas  “Top  Verde”  seria  indevida,  porque  são  embalagens utilizadas para recolher mercadorias para reciclagem, se tratando, desse modo, em  gasto  necessário  para  aquisição  de  insumos;  o  mesmo  para  a  movimentação  de  conteineres  vazios; e que os fretes na remessa de peças para substituição em garantia estarima no mesmo  conceito de frete na venda, cf. inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003;  Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16349.000259/2009­04  Resolução nº  3201­001.154  S3­C2T1  Fl. 588          3 A  impugnante  expressamente  deixa  de  recorrer  quanto  às  glosas  relativas  a  material de limpeza, de segurança, à notas fiscal aproveitada em duplicidade, e depreciação de  bens do ativo imobilizado.   A  DRJ/Porto  Alegre/RS  –  2ª  Turma  decidiu  pela  improcedência  da  Manifestação  de  Inconformidade,  mantendo  integralmente  o  teor  do  Despacho  Decisório.  Transcrevo a ementa:  NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.  Deve  ser  afastada  a  preliminar  de  nulidade  por  ausência  de  fundamentação  ou  motivação,  quando  o  Despacho  Decisório  indica  todos  os  pressupostos  de  fato  e  de  direito  que  embasaram  a  sua  decisão, inclusive com planilhas e demonstrativos como suporte.  DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS.  Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem  ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de  créditos pela nãocumulatividade.  BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO.  A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente  é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro.  EXPORTAÇÃO. MOMENTO DO RECONHECIMENTO DA RECEITA.  A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos  produtos vendidos para o exterior.  FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.  Somente os dispêndios com fretes vinculados à venda de produtos, cujo  ônus  seja  suportado  pelo  vendedor,  geram  créditos  a  serem  descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica.  A  empresa  então  interpôs  o  Recurso  Voluntário,  reforçando  os  argumento  da  Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.  Voto   O processo ainda não está maduro para julgamento.  Os créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a  vendas  tributadas  no mercado  interno  podem  ser  objeto  de  compensação com os  respectivos  débitos,  inclusive de meses  subsequentes,  em vista do  art.  3º,  caput,  das Leis 10.637/2002 e  10.833/2003,  e  §4º1.  No  caso  de  créditos  de  Pis  e  Cofins,  relativos  a  insumos  e  outros  dispêndios  vinculados  a  exportação,  eventual  saldo  credor  pode  ser  objeto  de  pedido  de  compensação com outros débitos, e inclusive ressarcidos, nos termos do artigo 5º das mesmas                                                              1  § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes.  Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16349.000259/2009­04  Resolução nº  3201­001.154  S3­C2T1  Fl. 589          4 Leis.  2  Para  esse  fim,  calcula­se  o  rateio  proporcional  entre  receita  de  exportação  e  receita  bruta.    Não  há  acusação,  por  parte  do  Fisco,  de  exportações  fictícias.  Não  obstante,  constata­se que as exportações mensais consideradas pelo Fisco são sistematicamente menores  que as exportações  informadas em Dacon. O  total  trimestral difere em dezenas de mihões de  reais. A mera diferença de metodologia de apuração, pela data de embarque, não ensejaria essa  diferença, em valores agregados.  Aparentemente, as notas fiscais de saída para exportação, cujo embarque tenha  ocorrido no mês seguinte, não foram computadas nas receitas de exportação em nenhum mês.  Mas não há, nos autos, elementos suficientes para dirimir a dúvida.  Desse  modo,  proponho  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  a  Receita Federal providencie os seguintes esclarecimentos:   ­qual  a  composição  das  receitas  exportadas  em  cada  mês  consideradas  no  Despacho Decisório ? Todos os embarques de exportação em cada mês foram considerados, ou  somente os embarques relativos a notas fiscais do próprio mês ?  ­  caso  todas  as  notas  fiscais  de  exportação,  tanto  do  próprio  mês,  quanto  de  meses anteriores, tiverem sido consideradas no cálculo do valor exportado de cada mês, qual a  origem da diferença substancial dos valores agregados de exportação ?   Após  relatório  conclusivo,  com  as  considerações  que  entender  pertinentes,  a  Delegacia da Receita Federal deve providenciar a cientificação da recorrente para manifestar­ se, se desejar, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, e devolver o processo a este Carf.  Marcelo Giovani Vieira, Relator.                                                              2  Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de:   Produção  de efeito    I ­ exportação de mercadorias para o exterior;    II  ­  prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente ingresso de divisas;      (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)    III ­ vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.    § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o  para fins de:    I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno;    II ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados  pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.    § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer  das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  Fl. 589DF CARF MF

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7123371 #
Numero do processo: 11516.001117/2010-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 2          1 1  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.001117/2010­05  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1001­000.280  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  18 de janeiro de 2018  Matéria  SIMPLES NACIONAL ­ INEFERIMENTO DE OPÇÃO  Recorrente  IVANIR RAMOS ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL  ANO­CALENDÁRIO 2010  A existência de débitos, apontados no Termo de Indeferimento de Opção, é  hipótese  de  indeferimento  da  inclusão  no Simples Nacional,  nos  termos  do  inciso V, do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de  2006.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edgar  Bragança  Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino  da Silva    Relatório  Trata­se  Recurso  Voluntário  contra  o  acórdão,  número  04­33.773  da  2ª  Turma  da  DRJ/CGE,  o  qual  indeferiu  a Manifestação  de  Inconformidade  contra  Termo  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 17 /2 01 0- 05 Fl. 117DF CARF MF     2 Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional,  face  à existência de débitos  com a Fazenda  Nacional, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº  123, de 2006.  A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão  da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto:  A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço.  Inicialmente,  é  de  se  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  por  constar  o  CNPJ  de  outra  empresa  no  despacho  decisório  e  notificação,  vez que nenhum prejuízo  trouxe à  contribuinte que  entendeu  seus  termos  e  opôs  sua  manifestação.  No  mérito,  a  própria  impugnante  confirmou  que  quitou  totalmente  o  débito  60130836­0 em 29/07/2012, ou seja, após mais de dois anos do  pedido de opção ao Simples Nacional em 29 de janeiro em 2010.  Conclusão.  Em  face  do  exposto  e  considerando  tudo  mais  que  dos  autos  consta,  julgo improcedente a manifestação de inconformidade e  mantenho  o  Termo  de  Indeferimento  de  Opção  ao  Simples  Nacional por seus próprios fundamentos.  Voto             Conselheiro José Roberto Adelino da Silva ­ Relator  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235/72., portanto dele conheço.  Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente argumentou que:  Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11516.001117/2010­05  Acórdão n.º 1001­000.280  S1­C0T1  Fl. 3          3   A  preliminar  e  o  mérito,  argumentados  pela  recorrente,  têm  a  mesma  natureza. Assim, limitar­me­ei à análise dos fatos.  Verifica­se,  no  processo,que,  de  fato,  a  Recorrente  aderiu  ao  parcelamento  instituído pela Lei 11.941/2009, consoante o documento Acompanhamento de Pedidos, emitido  pela Receita Federal do Brasil, anexado ao seu Recurso Voluntário.  Em  tal  documento,  verifica­se  que  o  requerimento  de  adesão  foi,  de  fato,  deferido.   Entretanto, verifica­se do acórdão da DRJ e pelos documentos, anexados ao  processo, que o mencionado débito foi quitado somente em 29/07/2011 (e não em 29/07/2012,  como consta, equivocadamente, no acórdão da DRJ), de qualquer forma, fora do prazo regular  para  exercer  a  opção  no  ano­calendário  de  2010,  que  seria  31/01/2010,  consoante  o  art.  7°,  parágrafo 1°, inciso I, da Resolução CGSN n° 4/2007 (e normas posteriores):  art.7° A A ME ou EPP poderá efetuar o agendamento da opção  de que  trata o parágrafo 1° do art. 7° observadas as  seguintes  disposições:  III  ­  na hipótese  de  serem  identificadas  pendências  impeditivas  ao ingresso no Simples Nacional, o agendamento será rejeitado,  podendo a empresa: (Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60,  de 22 de junho de 2009)  Fl. 119DF CARF MF     4 a)  solicitar  novo  agendamento  após  a  regularização  das  pendências, observado o prazo previsto no inciso I; (Incluído(a)  pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009)  Portanto,  é  de  ser  mantida  a  decisão  da  DRJ.  Consequentemente,  nego  provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio.  É como voto.   (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva                             Fl. 120DF CARF MF

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7131051 #
Numero do processo: 10166.730552/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS. IMPRESCINDIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É imprescindível, para o conhecimento do recurso de embargos, que a decisão vergastada seja maculada pelo vício da omissão, contradição ou obscuridade.
Numero da decisão: 2201-004.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos interpostos. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2.069          1 2.068  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.730552/2012­59  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2201­004.059  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de fevereiro de 2018  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Embargante  M GARZON, EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA  Interessado  BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  REQUISITOS.  IMPRESCINDIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.  É  imprescindível,  para  o  conhecimento  do  recurso  de  embargos,  que  a  decisão  vergastada  seja  maculada  pelo  vício  da  omissão,  contradição  ou  obscuridade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer dos embargos interpostos.  (assinado digitalmente)  CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA ­ Presidente e Relator.     EDITADO EM: 22/02/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da  Silva  Risso,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra  e  Rodrigo  Monteiro  Loureiro  Amorim.  Ausente  justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 05 52 /2 01 2- 59 Fl. 2070DF CARF MF     2 Relatório  Tratam­se  de  embargos  de  declaração  interpostos  pelo  devedor  solidário,  contra  decisão  consubstanciada  no Acórdão  2201­003.331,  prolatado  em  20  de  setembro  de  2016, por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento.  Em 17 de outubro de 2017, por meio de despacho de folhas 2.056, o recurso  foi admitido. Tal decisão se encontra fundamentada nos termos abaixo reproduzidos, que adoto  como relatório, por sua concisão e clareza:  "Trata­se de determinação judicial para inclusão em pauta de  julgamento  dos  embargos  de  declaração  apresentados  pela  empresa  acima  (devedora  solidária)  em  face  de  acórdão  proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção.   A  1ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2ª  Seção  exarou  o  Acórdão  nº  2201­003.331,  dando,  por  unanimidade  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  desqualificação da multa.   Contra  esta  decisão  o  devedor  solidário  BRASIL BROKERS  PARTICIPAÇÕES  S/A  opôs  embargos  de  declaração,  os  quais  foram rejeitados monocraticamente mediante despacho  do Presidente da Turma Embargada (fls. 1.872/74).   Inconformado,  embargante  impetrou  o  Mandado  de  Segurança  1003419­35.2017.4.01.34  perante  a  20.ª  Vara  da  Seção  Judiciária  do  Distrito  Federal  buscando  a  suspensão  do  processo  administrativo  até  que  seus  embargos  administrativos  sejam analisados pela Turma de  Julgamento  do CARF.   O pedido  de  antecipação  dos  efeitos  da  tutela  foi  indeferido  em  primeira  instância,  todavia,  restou  acolhido  por  decisão  do TRF­4 em agravo de instrumento, conforme documento de  fls. 1.932/38. Ali verifica­se a seguinte determinação judicial:   "Assim,  diante  da  eventual  possibilidade  de  recebimento  dos  embargos de declaração para correção de erro por omissão na  intimação  da  parte  agravante,  em  juízo  de  cognição  sumária,  com base no poder geral de cautela e no art. 1.019, I, do CPC,  defiro  o  pedido  de  antecipação  da  tutela  recursal,  para  suspender  o  processamento  do  Processo  Administrativo  10166.730552/2012­59  do  CARF  até  que  seja  apreciado  o  pedido de seguimento dos embargos de declaração pela Turma  do CARF."   (destaques não são originais)   Visando ao cumprimento a decisão judicial acima, determino  a  inclusão  dos  embargos  de  declaração  em  pauta  para  sua  apreciação pelo colegiado."  Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 10166.730552/2012­59  Acórdão n.º 2201­004.059  S2­C2T1  Fl. 2.070          3 Por amor à clareza, necessário reproduzirmos o despacho, prolatado em 10 de  fevereiro de 2017  (folhas 1.872), que não admitiu os  embargos  interpostos, o que motivou a  procura, pelo Embargante, da tutela judicial.  "Tratam­se  de  embargos  opostos,  pelo  Devedor  Solidário,  com  fundamento  no  artigo  65  do Regimento  deste Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.   O Responsável  Solidário  tomou ciência,  por meio do  pedido  de  cópia  integral  do  processo,  em  19  de  outubro  de  2016,  consoante  se  verifica  às  folhas  1885,  do  Acórdão  2201­ 003.330  prolatado  pela  1ª  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara desta Segunda Seção de Julgamento (fls. 2063), que  rejeitou  a  preliminar  de  nulidade  para,  no  mérito,  dar  provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da  multa de ofício.   Em 24 de outubro de 2016, o Devedor Solidário  interpôs os  presentes embargos de declaração, anexados às folhas 1848.   Por serem tempestivos, deles conheço e passo a analisá­los na  ordem de suas alegações.   Alega  a  embargante  que  por  ser  parte  diretamente  interessada  na  solução  da  lide,  deveria  ter  sido  cientificada  do  julgamento  de  segunda  instância.  São  os  argumentos  do  apelo (fls 1849):   "Ocorre  que  apesar  de  ser  parte  diretamente  interessada  na  solução  da  lide,  a  Embargante  somente  tomou  ciência  do  julgamento  do  Recurso  Voluntário  por  meio  da  intimação  do  acórdão recorrido, deixando de exercer o  seu direito de defesa  oral  perante  o  órgão  julgador,  por  não  ter  sido  intimada  da  inclusão do processo em pauta (...)"   (grifos não constam do original)  Por  não  ter  sido  intimada,  entende  a  Embargante  que  houve  nulidade  do  acórdão  recorrido  com  relação  a  ela,  sendo  necessário que seja realize novo julgamento.   Não observo a nulidade apontada. O  recurso dos  embargos de  declaração se presta ao aclaramento de uma decisão.   (...)"  Por  ser  Redator  do  voto  vencedor,  e  em  razão  do  término  do mandato  do  Conselheiro Relator,  a  análise do  recurso  foi  para mim distribuída,  consoante  as disposições  regimentais.  É o relatório do necessário.    Fl. 2072DF CARF MF     4 Voto             Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator.  Como  relatado,  tratam­se  de  embargos  de  declaração  interpostos  contra  decisão prolatada por este Colegiado, em sessão da qual, o embargante, devedor solidário, não  foi intimado. Segundo o Embargante, tal fato enseja nulidade da decisão proferida, em razão da  preterição do seu direito de defesa, posto que não houve o exercício de defesa oral.  Não se pode conhecer do recurso. Explico.  O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, no  âmbito federal, textualmente determina:  "Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais far­se­á conforme dispuser o regimento interno."   Forçoso  reconhecer  que  o  julgamento  de  segunda  instância  dos  processos  tributários federal seguirão, por expressa disposição de lei, as normas previstas no Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).  Consta do RICARF:  CAPÍTULO IV DOS RECURSOS   Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF  são cabíveis os seguintes recursos:   I ­ Embargos de Declaração;   II ­ Recurso Especial; e   III ­ Agravo. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)   Parágrafo  único.  Das  decisões  do  CARF  não  cabe  pedido  de  reconsideração.   Seção I   Dos Embargos de Declaração   Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria  pronunciar­se a turma.  (...)  §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator  do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre  a admissibilidade dos embargos de declaração.   § 3º O Presidente não conhecerá os embargos  intempestivos e  rejeitará,  em  caráter  definitivo,  os  embargos  em  que  as  alegações  de  omissão,  contradição  ou  obscuridade  sejam  manifestamente  improcedentes ou não estiverem objetivamente  apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)   Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 10166.730552/2012­59  Acórdão n.º 2201­004.059  S2­C2T1  Fl. 2.071          5 § 4º Do despacho que não conhecer ou rejeitar os embargos de  declaração será dada ciência ao embargante."   (grifamos)  Patente a determinação regimental: cabem embargos de declaração quando a  decisão  guerreada  padecer  de  omissão,  obscuridade,  contradição  entre  a  decisão  e  seus  fundamentos ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar­se a turma.  Recordemos o apelo proposto por via de embargos de declaração (fls. 1.894):  "Ocorre  que  apesar  de  ser  parte  diretamente  interessada  na  solução  da  lide,  a  Embargante  somente  tomou  ciência  do  julgamento  do Recurso Voluntário  por meio  da  intimação  do  acórdão recorrido, deixando de exercer o seu direito de defesa  oral  perante  o  órgão  julgador,  por  não  ter  sido  intimada  da  inclusão do processo em pauta  Isso  porque,  nada  obstante  discorde  de  sua  inclusão  como  responsável  solidário,  tem  interesse  direto  da  demanda,  sendo  certo que seu nome deveria constas da publicação da pauta de  julgamento, e não apenas do devedor principal, o que cerceia o  seu direito à ampla defesa  Não  foi,  contudo,  o  que  ocorreu  neste  caso,  o  que  enseja  a  nulidade do acórdão recorrido com relação à Embargante, pelo  que  necessário  que  seja  realizado  novo  julgamento,  oportunizando­se ao contribuinte a apresentação de memoriais e  realização  de  sustentação  oral  acerca  do  direito  que  pretende  ver reconhecido pela E Turma Julgadora"  Simples  leitura  demonstra  a  total  ausência  de  demonstração  de  omissão,  obscuridade  ou  contradição  da  decisão  vergastada. Há  sim,  insurgência  contra  suposto  vício  processual prévio à decisão combatida.  Nesse  ponto,  para  que  reste  claro,  importante  ressaltar  que  o  Regimento  Interno deste Conselho é explicito em mencionar que da pauta de julgamento constará o nome  do devedor principal seguido da expressão "e outros".  Art. 55. A pauta da reunião indicará:  I ­ dia, hora e local de cada sessão de julgamento;  II ­ para cada processo:  a) o nome do relator;  b) o número do processo; e   c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido;  III  ­  nota  explicativa  de  que  os  julgamentos  adiados  serão  realizados independentemente de nova publicação.  Fl. 2074DF CARF MF     6 §  1º  A  pauta  será  publicada  no  Diário  Oficial  da  União  e  divulgada  no  sítio  do  CARF  na  Internet,  com,  no  mínimo,  10  (dez) dias de antecedência.  § 2º Na hipótese  de  pluralidade  de  sujeitos  passivos,  constará  da pauta o nome do sujeito passivo cadastrado como principal  no processo, seguido da expressão “e outros”.  Portanto, nem o vício apontado pelo Embargante se pode admitir.  Assim, não houve, nos embargos  interpostos, o cumprimento dos  requisitos  intrínsecos  previstos  no Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais  que ensejem sua admissão.  Não  há  nenhum vício  na  decisão  prolatada,  quanto mais  um  que  possa  ser  combatido por via de embargos de declaração.    CONCLUSÃO  Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por não conhecer  dos embargos interpostos.    (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Relator                                Fl. 2075DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.901384/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. GLOSA. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS. Os julgamentos do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI e dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI só fazem sentido se concomitantes. Sendo improcedente o auto de infração, é de se afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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3301­004.182  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de janeiro de 2018  Matéria  Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Recorrente  DELL Computadores do Brasil Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009  RESSARCIMENTO  DE  IPI.  SALDO  CREDOR  DO  TRIMESTRE  CALENDÁRIO.  GLOSA.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  JULGAMENTO  CONJUNTO DE PROCESSOS.  Os julgamentos do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI  e  dos  pedidos  de  ressarcimento  de  créditos  de  IPI  só  fazem  sentido  se  concomitantes.  Sendo  improcedente  o  auto  de  infração,  é  de  se  afastar  as  glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro  de  contas  estampado  no  PER/DCOMP  apresentado,  homologando  total  ou  parcialmente,  de  acordo  com  o  resultado  da  apuração  e  comprovação  de  todos os valores envolvidos.  Recurso voluntário parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  afastar  as  glosas  efetuadas  e  determinar  à  unidade  de  origem  que  proceda  ao  encontro  de  contas  estampado  no  PER/DCOMP  apresentado,  homologando  total  ou  parcialmente,  de  acordo  com  o  resultado  da  apuração  e  comprovação de  todos os valores  envolvidos,  nos  termos do  relatório  e voto que  integram o  presente julgado.   José Henrique Mauri ­ Presidente.   Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  José  Henrique  Mauri  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Valcir  Gassen,  Liziane  Angelotti  Meira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Ari  Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 13 84 /2 01 3- 86 Fl. 7353DF CARF MF Processo nº 11080.901384/2013­86  Acórdão n.º 3301­004.182  S3­C3T1  Fl. 7.353          2 Relatório  Adoto o relatório da decisão recorrida, o qual segue transcrito:  Trata o presente de pedido de ressarcimento de crédito de IPI, feito através do PER/DCOMP  n° 24285.75656.200712.1.1.01­8946, no valor de R$ 21.477.867,60, referente ao 1º trimestre de  2009.     Ao crédito foram vinculadas as DCOMP abaixo relacionadas:      A  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Campinas,  através  do  Despacho  Decisório,  fl.  2.819,  deferiu  parcialmente  o  pedido.  Reconheceu  crédito  de  IPI  no  valor  de  R$5.135.491,02,  homologou  parcialmente  a  DCOMP  nº  06039.34763.150812.1.3.01­2829  e  não  homologou  as  demais.   Segundo consta na informação fiscal, fls. 2.842/2.843, foi lavrado auto de infração (cópia às  fls. 2.844/2.876), que resultou na reconstituição da escrita fiscal e consequente redução do saldo  credor ressarcível ao final do trimestre. Conforme relatado, foi constatada falta de lançamento de  imposto  por  ter  o  estabelecimento  industrial  promovido  a  saída  de  produtos  tributados  com  redução  da  alíquota  do  IPI,  em  razão  de  uso  indevido  de  benefício  fiscal  (sobre  bens  de  informática) instituído pela Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991 e por inobservância de alíquota  de IPI.   Conforme  descrição  dos  fatos  constante  de  auto  de  infração,  fls.  2.844/2.876,  foram  constatadas as seguintes infrações:   1. Falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos  tributados com falta de lançamento nas notas fiscais relacionadas no demonstrativo “RELAÇÃO  DAS NOTAS  FISCAIS  DE  SAÍDA  SEM O DEVIDO DESTAQUE DO  IPI  –  ANEXO  IV”,  folhas 1161/1171, por erro de alíquota. Período Março/2009 a junho/2011.   2. Falta de lançamento do imposto em virtude da indevida utilização da redução de alíquota  prevista  na  Lei  nº  8.248/91,  com  a  redação  modificada  pelas  Leis  nº  10.176/2001,  e  nº  11.077/2004, nas saídas de bens de informática. Verificou­se a falta de lançamento em saídas de  produtos  ocorridas  antes  da  inclusão  desses  produtos  na  Portaria  Interministerial,  e  que  foram  relacionadas no Anexo II (fls. 259/330), e falta de lançamento nas saídas de produtos que nunca  constaram  na  Portaria  Interministerial,  que  foram  relacionadas  no  Anexo  III  (fls.  381/385.  Demonstrativo  geral  encontra­se  às  fls.  1172/1545,  “RELAÇÃO  DAS  NOTAS  FISCAIS  DE  SAÍDA  COM  USO  INDEVIDO  DE  BENEFÍCIO  FISCAL  –  ANEXO  V”  –  Período  de  Janeiro/2009  a  junho/2011.  As  notas  fiscais  de  saída  fazem  expressa  referência  à  Portaria  Interministerial MCT.MDIC.MF nº 985/2006, porém, esta Portaria, conforme pesquisa no portal  da  internet  relativo  ao  Ministério  de  Ciência  e  Tecnologia  (MCT),  não  identifica  inequivocamente os produtos/modelos discriminados nas notas fiscais.   Fl. 7354DF CARF MF Processo nº 11080.901384/2013­86  Acórdão n.º 3301­004.182  S3­C3T1  Fl. 7.354          3 Os anexos e as folhas citados nos dois itens acima são do processo nº 10830.726826/2013­14  referente ao Auto de Infração.    Regularmente  cientificada  do  Despacho  Decisório,  em  20/02/2014,  a  Recorrente,  em manifestação  de  inconformidade,  teceu  os  mesmos  argumentos  aduzidos  na  impugnação ao auto de infração do processo n° 10830.726826/2013­14.   Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/BEL proferiu  o Acórdão nº 01­31.456, com a seguinte ementa:     ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008  RESSARCIMENTO  DE  IPI.  SALDO  CREDOR  DO  TRIMESTRE CALENDÁRIO.  Extinguindo­se  o  saldo  credor  de  IPI  do  trimestre­ calendário,  em  virtude  do  lançamento  de  imposto  e  reconstituição  da  escrita  fiscal,  indefere­se  o  pedido  de  ressarcimento.  DCOMP.  DIREITO  CREDITÓRIO.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO.  Considera­se  não  homologada  a  declaração  de  compensação  apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a  existência do crédito apontado como compensável.    A  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  no  qual  repisa  as  razões  de  sua  manifestação de inconformidade e combate ponto a ponto a decisão de piso.  É o relatório.  Voto             Conselheira Semíramis de Oliveira Duro  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos  legais  de  admissibilidade, por isso deve ser conhecido.  Conforme  relatado,  a  matéria  destes  autos  é  a  mesma  do  auto  de  infração  formalizado no processo administrativo nº 10830.726826/2013­14.  É  cristalino  o  fato  de  que  o  presente  processo  é  totalmente  vinculado  a  este  outro, como bem apontou a decisão de piso:  Fl. 7355DF CARF MF Processo nº 11080.901384/2013­86  Acórdão n.º 3301­004.182  S3­C3T1  Fl. 7.355          4 A  contribuinte  transmitiu  declarações  de  compensação  com  base em saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2009. A DRF  em Campinas deferiu parcialmente o pedido porque constatou  falta  de  lançamento  do  imposto  por  ter  o  estabelecimento  industrial  promovido  a  saída  de  produtos  tributados  com  redução  da  alíquota  do  IPI,  em  razão  de  uso  indevido  de  benefício  fiscal  previsto  na  Lei  nº  8.191/91,  e  por  inobservância  de  alíquota  de  IPI.  Em  virtude  da  reconstituição  da  escrita  fiscal  e  da  lavratura  de  auto  de  infração, teria sobrado saldo credor a ser ressarcido inferior  ao pedido.   O  auto  de  infração,  que  contempla  o  período  de  apuração  01/2009  a  01/2011,  consta  do  processo  nº  10830.726826/2013­14,  e  que  foi  julgado  pela  4ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/SDR  em  12/12/2014,  Acórdão  nº  15­ 37.851,  cópia  às  fls.  6988  a  7020.  Abaixo  transcrevemos  o  Voto  constante  do  processo  em  referência,  aprovado  por  unanimidade,  que  enfrentou  as  questões  apresentadas  no  presente processo.  Por conseguinte, diante da vinculação deste julgamento ao do auto de infração,  há que se aplicar a decisão proferida no processo nº 10830.726826/2013­14, cuja ementa  foi  assim redigida:  IPI. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL. DISTINÇÃO ENTRE  NOVO MODELO E VERSÃO DO MODELO HABILITADO. Mediante  a  juntada de laudos técnicos, demonstrado que os equipamentos objetos do auto  de infração apresentam as características técnicas dos modelos já habilitados  no incentivo fiscal e que são, portanto, versões, resultantes da combinação de  características  alternativas  que  podem  pertencer  a  cada  um  dos  modelos,  conforme  já  constara  no  processo  de  habilitação,  então  não  houve  descumprimento  da  Portaria  de  concessão  do  benefício  fiscal.  Legítima  a  saída com as reduções de IPI.  PROVA.  LAUDO  TÉCNICO  ELABORADO  PELO  INSTITUTO  NACIONAL  DE  TECNOLOGIA.  Nos  termos  do  art.  30  do  Decreto  70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência  e Tecnologia,  a elaboração de  laudo visando ao  esclarecimento de questões  de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos,  cujas  conclusões  sobre  tais  questões  técnicas,  devem  ser  acatadas  pelas  instâncias julgadoras.  JUROS DE MORA  SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A  obrigação  tributária  principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos à taxa Selic.  Recurso voluntário parcialmente provido.    Diante disso, como todo pedido de ressarcimento depende da existência de um  crédito, o qual deve ser reconhecido na exata medida de sua comprovação, a Recorrente deve  Fl. 7356DF CARF MF Processo nº 11080.901384/2013­86  Acórdão n.º 3301­004.182  S3­C3T1  Fl. 7.356          5 ter  seu  direito  creditório  analisado  e  apurado  pela  unidade  de  origem,  dentro  dos  limites  da  decisão proferida no auto de infração.    Logo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade  de origem proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP, homologando total ou  parcialmente,  de  acordo  com  o  resultado  da  apuração  e  comprovação  de  todos  os  valores  envolvidos.     (Assinado digitalmente)    Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora                                Fl. 7357DF CARF MF

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Numero do processo: 10120.902608/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado

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existência  e  da  liquidez  do  crédito  são  requisitos  essenciais à acolhida de pedidos de compensação.  Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário apresentado.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Rosaldo  Trevisan,  Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Tiago  Guerra  Machado  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo Branco.  Relatório  Versa  o  presente  sobre  PER/DCOMP  invocando  créditos  referentes  a  pagamento  indevido  ou  maior  de  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 26 08 /2 00 9- 12 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10120.902608/2009­12  Acórdão n.º 3401­004.049  S3­C4T1  Fl. 3          2  Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi  intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não  homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação  de  Inconformidade,  na  qual  alegou,  em  síntese,  que:  (a)  é  inconstitucional  a majoração  de  alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998,  já reconhecida pelo Poder  Judiciário  e  declarada  por  ato  do  Senado  (Resolução  no  49,  de  9/10/1995),  e  a  aplicação  retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no  1.417­0, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10,  de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar  definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado.  A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da  manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem  comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido  intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificou­se a existência de DARF  de  recolhimento  com  a  data  de  arrecadação  diversa  da  indicada  no  pedido,  parecendo  a  empresa buscar com a data  incorreta  em seu pedido  frustrar eventual extinção de prazo para  pedir  restituição,  que  ocorre  após  cinco  anos  do  pagamento  indevido,  com vem decidindo  o  STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF.  Ciente  da  decisão  de  piso,  a  empresa  interpôs  Recurso  Voluntário,  basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no  9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e  reconheceu  a  própria  Receita  Federal,  na  IN  SRF  no  6/2000;  e  acrescentando  que  a  Lei  no  9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo  decaído.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­004.025, de  24  de  outubro  de  2017,  proferido  no  julgamento  do  processo  10120.901000/2009­62,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­004.025):  "O  recurso  voluntário  apresentado  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade  e,  portanto,  dele  se  toma  conhecimento.  Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco  a  discutir  no  presente  processo.  Isso  porque  em  nenhuma  das  peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi  intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual  Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10120.902608/2009­12  Acórdão n.º 3401­004.049  S3­C4T1  Fl. 4          3  foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que  especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida.  Enquanto  a  defesa  se  alonga  em  discussões  de  direito  que,  em  geral,  já  estão  pacificadas  administrativa  e  judicialmente,  não  dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende  indevidos  o  são  pela  ocorrência,  no  caso  concreto,  de  tais  situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou  a  instância  de  piso,  a  empresa  jamais  comprovou  o  suposto  pagamento  a maior  ou  indevido, mesmo  tendo  sido  intimada a  tanto, na fase pré­contenciosa.  Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito,  ainda antes de se  iniciar a discussão  jurídica, que deixa de ser  relevante,  por  não  se  saber,  de  forma  peremptória,  se  é  relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe,  assim,  a  postulante  ao  crédito,  de  seu  ônus  probatório,  acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua  demanda,  sem  realizar  qualquer  esforço  para  vincular  tais  discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de  liquidez o crédito.  Em  relação  a  alegação  de  decadência  para  cobrança,  cabe  destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido  de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a  DRJ,  a  existência  de  Resolução  do  Senado  reconhecendo  eventual  inconstitucionalidade  é  despicienda  para  fins  de  contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578­SP, julgado  na sistemática dos recursos repetitivos).  Poder­se­ia  agregar  aos  argumentos  de  defesa,  de  ofício,  o  tratamento  reconhecido  aos  pedidos  administrativos  pelo  STF  (RE  no  566.621/RS)  e  pelo  CARF  (Súmula  CARF  no  91).  No  entanto,  como destacado de  início,  a  discussão  sobre  haver  ou  não  expirado  o  prazo  para  pedir  restituição  se  afigura  secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito.  E  a  comprovação  da  existência  e  da  liquidez  do  crédito  são  requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.  Pelo  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário apresentado."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao  recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan                Fl. 77DF CARF MF

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Numero do processo: 10611.002418/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REVISÃO. ERRO DE FATO. FATO NÃO CONHECIDO OU NÃO PROVADO POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR. IMPRECISÕES NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. É pacífico na doutrina e jurisprudência que o erro de fato é passível de revisão, conforme as circunstâncias taxativamente elencadas no art. 149 do CTN. Aqueles erros que se referem a eventual erro, imprecisão ou omissão da autoridade lançadora encontram-se previstos nos incisos VIII e IX. As imprecisões quanto ao cômputo da base de cálculo ou apuração dos impostos incidentes representam fato não conhecido, para efeito da citada disposição legal. O que resta afastado das disposições do inciso VIII, em verdade, é a revaloração jurídica de fatos conhecidos à época do lançamento, na ocasião relevados, o que representaria efetiva mudança de critério jurídico, expressamente vedado conforme disposições do art. 146 do CTN. DESCRIÇÃO DA CONDUTA. IMPRESCINDIBILIDADE DE SUAS CIRCUNSTÂNCIAS. FATO DETERMINADO. JUÍZO DE INFERÊNCIA. A descrição da conduta imputada deve conter as circunstâncias que lhe dotem contornos próprios aptos a serem aferidos no conjunto dos fatos que se inserem, de forma que a argumentação sobre que assente sua conclusão probatória possa resultar inteiramente razoável em face de critérios lógicos do discernimento humano. Cabe ressaltar neste sentido, que os fatos por provar devem ser determinados, sendo indispensável que se apresentem com características próprias aptas a distingui-los de outros que se lhes assemelham. BENEFÍCIO FISCAL. IMUNIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO NO REGIME. DESCARACTERIZAÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL ANTES DEFERIDO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE OU FISCO. Há que se distinguir a ação fiscal de deferimento do benefício fiscal daquela de revisão de benefício fiscal antes deferido. A primeira envolve mera satisfação, sob iniciativa do interessado, dos requisitos e condições relacionados ao gozo do benefício. A segunda, lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, regido pelo processo administrativo de determinação dos créditos tributários da União previsto no Decreto 70.235/72, que estabelece que a exigência do crédito tributário deverá estar instruída com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Com isso, uma vez deferido, a presunção de seu correto enquadramento, originalmente conferido para efeito de gozo do benefício, milita em favor do contribuinte, cabendo ao Fisco produzir prova em contrário. O ônus da prova quanto ao gozo do benefício cabe ao contribuinte, já sua descaracterização, ao Fisco. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LIMITES DA PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. Não se pode tomar o lançamento como prova pré-constituída incorporada em ato que goze da presunção de legitimidade. Não se pode invocar a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precipitada presunção não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de dúvida. De há muito, já se firmou o entendimento de que tal presunção de legitimidade não serve como meio de supressão de lacunas probatórias. E tal entendimento, antes de ser resultado de qualquer formulação doutrinária ou jurisprudencial, nasce diretamente da lei, posto que, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. NECESSÁRIA DEMONSTRAÇÃO FÁTICO-PROBATÓRIA. A ideia de ônus da prova não significa a de obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar. Trata-se da necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível obter êxito na causa. É daí que o ônus da prova recai sobre a autoridade lançadora, imbuída de demonstrar, ante o princípio basilar do contraditório e amplo direito de defesa do autuado, a ocorrência do fato imponível objeto do lançamento, salvo na hipótese de conclusão presuntiva, na forma prevista no art. 334 do CPC. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO FÁTICO-PROBATÓRIA. INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O Decreto 70.232/1972 dispõe que o auto de infração deve conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal (art. 10, incisos III e IV), bem como ser instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito (art. 9º, caput). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos constituintes do direito da Fazenda. A ausência da demonstração fático-probatória do fato imponível eiva o lançamento de vício insanável. É nulo o ato administrativo de lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ERRO. ANULAÇÃO. NATUREZA DO DEFEITO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. DISTINÇÃO. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Se o erro residir na incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato, o erro será de direito, insanável, caracterizando, pois, um vício material. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NATUREZA DO DEFEITO. ERRO DE FATO E DE DIREITO. DISTINÇÃO. O ‘erro de fato’ situa-se no conhecimento dos fatos, enquanto simples fatos, independentemente da relevância jurídica que possa ter. É o erro na constituição do fato. Por outro lado, o ‘erro de direito’ seria um problema de subsunção equivocada operada pelo elaborador da norma individual e concreta que não tipifica ou valora juridicamente correta a situação descrita. Na prática, podemos exemplificar o ‘erro de fato’ quando o Fisco considera no lançamento aspectos diferentes daqueles efetivamente acontecidos, e o ‘erro de direito’, quando configurado falso conhecimento, interpretação equivocada ou mesmo ignorância da norma jurídica.
Numero da decisão: 3201-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o patrono Dr. Hélio Márcio de Andrade Lopes, OAB/MG 98.881, escritório Cursage & Pires Avogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o patrono Dr. Hélio Márcio de Andrade Lopes, OAB/MG 98.881, escritório Cursage & Pires Avogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REVISÃO. ERRO DE FATO. FATO NÃO CONHECIDO OU NÃO PROVADO POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR. IMPRECISÕES NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. É pacífico na doutrina e jurisprudência que o erro de fato é passível de revisão, conforme as circunstâncias taxativamente elencadas no art. 149 do CTN. Aqueles erros que se referem a eventual erro, imprecisão ou omissão da autoridade lançadora encontram-se previstos nos incisos VIII e IX. As imprecisões quanto ao cômputo da base de cálculo ou apuração dos impostos incidentes representam fato não conhecido, para efeito da citada disposição legal. O que resta afastado das disposições do inciso VIII, em verdade, é a revaloração jurídica de fatos conhecidos à época do lançamento, na ocasião relevados, o que representaria efetiva mudança de critério jurídico, expressamente vedado conforme disposições do art. 146 do CTN. DESCRIÇÃO DA CONDUTA. IMPRESCINDIBILIDADE DE SUAS CIRCUNSTÂNCIAS. FATO DETERMINADO. JUÍZO DE INFERÊNCIA. A descrição da conduta imputada deve conter as circunstâncias que lhe dotem contornos próprios aptos a serem aferidos no conjunto dos fatos que se inserem, de forma que a argumentação sobre que assente sua conclusão probatória possa resultar inteiramente razoável em face de critérios lógicos do discernimento humano. Cabe ressaltar neste sentido, que os fatos por provar devem ser determinados, sendo indispensável que se apresentem com características próprias aptas a distingui-los de outros que se lhes assemelham. BENEFÍCIO FISCAL. IMUNIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO NO REGIME. DESCARACTERIZAÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL ANTES DEFERIDO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE OU FISCO. Há que se distinguir a ação fiscal de deferimento do benefício fiscal daquela de revisão de benefício fiscal antes deferido. A primeira envolve mera satisfação, sob iniciativa do interessado, dos requisitos e condições relacionados ao gozo do benefício. A segunda, lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, regido pelo processo administrativo de determinação dos créditos tributários da União previsto no Decreto 70.235/72, que estabelece que a exigência do crédito tributário deverá estar instruída com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Com isso, uma vez deferido, a presunção de seu correto enquadramento, originalmente conferido para efeito de gozo do benefício, milita em favor do contribuinte, cabendo ao Fisco produzir prova em contrário. O ônus da prova quanto ao gozo do benefício cabe ao contribuinte, já sua descaracterização, ao Fisco. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LIMITES DA PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. Não se pode tomar o lançamento como prova pré-constituída incorporada em ato que goze da presunção de legitimidade. Não se pode invocar a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precipitada presunção não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de dúvida. De há muito, já se firmou o entendimento de que tal presunção de legitimidade não serve como meio de supressão de lacunas probatórias. E tal entendimento, antes de ser resultado de qualquer formulação doutrinária ou jurisprudencial, nasce diretamente da lei, posto que, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. NECESSÁRIA DEMONSTRAÇÃO FÁTICO-PROBATÓRIA. A ideia de ônus da prova não significa a de obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar. Trata-se da necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível obter êxito na causa. É daí que o ônus da prova recai sobre a autoridade lançadora, imbuída de demonstrar, ante o princípio basilar do contraditório e amplo direito de defesa do autuado, a ocorrência do fato imponível objeto do lançamento, salvo na hipótese de conclusão presuntiva, na forma prevista no art. 334 do CPC. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO FÁTICO-PROBATÓRIA. INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O Decreto 70.232/1972 dispõe que o auto de infração deve conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal (art. 10, incisos III e IV), bem como ser instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito (art. 9º, caput). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos constituintes do direito da Fazenda. A ausência da demonstração fático-probatória do fato imponível eiva o lançamento de vício insanável. É nulo o ato administrativo de lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ERRO. ANULAÇÃO. NATUREZA DO DEFEITO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. DISTINÇÃO. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Se o erro residir na incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato, o erro será de direito, insanável, caracterizando, pois, um vício material. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NATUREZA DO DEFEITO. ERRO DE FATO E DE DIREITO. DISTINÇÃO. O ‘erro de fato’ situa-se no conhecimento dos fatos, enquanto simples fatos, independentemente da relevância jurídica que possa ter. É o erro na constituição do fato. Por outro lado, o ‘erro de direito’ seria um problema de subsunção equivocada operada pelo elaborador da norma individual e concreta que não tipifica ou valora juridicamente correta a situação descrita. Na prática, podemos exemplificar o ‘erro de fato’ quando o Fisco considera no lançamento aspectos diferentes daqueles efetivamente acontecidos, e o ‘erro de direito’, quando configurado falso conhecimento, interpretação equivocada ou mesmo ignorância da norma jurídica.

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3201­003.374  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  31 de janeiro de 2018  Matéria  Papel Imune  Recorrente  ESDEVA INDÚSTRIA GRÁFICA S.A.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007, 2008  LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REVISÃO. ERRO DE FATO. FATO  NÃO  CONHECIDO  OU  NÃO  PROVADO  POR  OCASIÃO  DO  LANÇAMENTO  ANTERIOR.  IMPRECISÕES  NA  APURAÇÃO  DA  BASE DE CÁLCULO.  É  pacífico  na  doutrina  e  jurisprudência  que  o  erro  de  fato  é  passível  de  revisão,  conforme  as  circunstâncias  taxativamente  elencadas  no  art.  149  do  CTN. Aqueles erros que se  referem a eventual erro,  imprecisão ou omissão  da  autoridade  lançadora  encontram­se  previstos  nos  incisos  VIII  e  IX.  As  imprecisões quanto ao cômputo da base de cálculo ou apuração dos impostos  incidentes  representam  fato não conhecido, para  efeito da  citada disposição  legal. O que  resta  afastado das disposições do  inciso VIII,  em verdade,  é  a  revaloração  jurídica de fatos conhecidos à época do  lançamento, na ocasião  relevados,  o  que  representaria  efetiva  mudança  de  critério  jurídico,  expressamente vedado conforme disposições do art. 146 do CTN.  DESCRIÇÃO  DA  CONDUTA.  IMPRESCINDIBILIDADE  DE  SUAS  CIRCUNSTÂNCIAS.  FATO  DETERMINADO.  JUÍZO  DE  INFERÊNCIA.  A descrição da conduta imputada deve conter as circunstâncias que lhe dotem  contornos  próprios  aptos  a  serem  aferidos  no  conjunto  dos  fatos  que  se  inserem,  de  forma  que  a  argumentação  sobre  que  assente  sua  conclusão  probatória  possa  resultar  inteiramente  razoável  em  face  de  critérios  lógicos  do  discernimento  humano.  Cabe  ressaltar  neste  sentido,  que  os  fatos  por  provar devem ser determinados, sendo indispensável que se apresentem com  características  próprias  aptas  a  distingui­los  de  outros  que  se  lhes  assemelham.  BENEFÍCIO  FISCAL.  IMUNIDADE.  CUMPRIMENTO  DOS  REQUISITOS  E  CONDIÇÕES  DE  ENQUADRAMENTO  NO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 24 18 /2 01 0- 05 Fl. 17401DF CARF MF     2 REGIME.  DESCARACTERIZAÇÃO  DE  BENEFÍCIO  FISCAL  ANTES  DEFERIDO.  ÔNUS  DA  PROVA.  CONTRIBUINTE  OU  FISCO.  Há que se distinguir a ação fiscal de deferimento do benefício fiscal daquela  de  revisão  de  benefício  fiscal  antes  deferido.  A  primeira  envolve  mera  satisfação,  sob  iniciativa  do  interessado,  dos  requisitos  e  condições  relacionados  ao  gozo  do  benefício.  A  segunda,  lançamento  de  ofício,  formalizado  em  auto  de  infração,  regido  pelo  processo  administrativo  de  determinação  dos  créditos  tributários  da  União  previsto  no  Decreto  70.235/72, que estabelece que a exigência do crédito  tributário deverá estar  instruída com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do  ilícito.  Com  isso,  uma  vez  deferido,  a  presunção  de  seu  correto  enquadramento,  originalmente  conferido  para  efeito  de  gozo  do  benefício,  milita  em  favor  do  contribuinte,  cabendo  ao  Fisco  produzir  prova  em  contrário. O ônus da prova quanto ao gozo do benefício cabe ao contribuinte,  já sua descaracterização, ao Fisco.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  LIMITES  DA  PRESUNÇÃO  DE  LEGITIMIDADE  DO  ATO  ADMINISTRATIVO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  PRÉ­CONSTITUÍDA.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL. ÔNUS DA PROVA DO FISCO.  Não se pode tomar o lançamento como prova pré­constituída incorporada em  ato que goze da presunção de legitimidade. Não se pode invocar a presunção  de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente  para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente  porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio  convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precipitada presunção  não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de  dúvida. De há muito,  já  se  firmou o  entendimento  de  que  tal  presunção  de  legitimidade não serve como meio de supressão de lacunas probatórias. E tal  entendimento, antes de  ser  resultado de qualquer  formulação doutrinária ou  jurisprudencial,  nasce  diretamente  da  lei,  posto  que,  como  se  depreende  da  parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  ÔNUS  DA  PROVA.  NECESSÁRIA  DEMONSTRAÇÃO  FÁTICO­PROBATÓRIA.  A  ideia  de  ônus  da  prova  não  significa  a  de  obrigação,  no  sentido  da  existência  de  dever  jurídico  de provar. Trata­se  da  necessidade  ou  risco  da  prova, sem a qual não é possível obter êxito na causa. É daí que o ônus da  prova  recai  sobre  a  autoridade  lançadora,  imbuída  de  demonstrar,  ante  o  princípio  basilar  do  contraditório  e  amplo  direito  de  defesa  do  autuado,  a  ocorrência  do  fato  imponível  objeto  do  lançamento,  salvo  na  hipótese  de  conclusão presuntiva, na forma prevista no art. 334 do CPC.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  ÔNUS  DA  PROVA.  AUSÊNCIA  DA  DEMONSTRAÇÃO  FÁTICO­PROBATÓRIA.  INSUFICIÊNCIA  NA  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  PRETERIÇÃO  DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.  O Decreto 70.232/1972 dispõe que o auto de infração deve conter a descrição  dos fatos e o enquadramento  legal  (art. 10,  incisos  III e  IV), bem como ser  instruído com  todos os  termos, depoimentos,  laudos e demais  elementos de  Fl. 17402DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.402          3 prova  indispensáveis  à  comprovação  do  ilícito  (art.  9º,  caput).  O  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue  ou  que  lhe  serve  de  impedimento.  Cabe  à  autoridade  fiscal  apresentar as provas dos fatos constituintes do direito da Fazenda. A ausência  da  demonstração  fático­probatória  do  fato  imponível  eiva  o  lançamento  de  vício insanável. É nulo o ato administrativo de lançamento, formalizado com  inegável  insuficiência  na  descrição  dos  fatos,  não  permitindo  que  o  sujeito  passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo  direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o  conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ERRO.  ANULAÇÃO.  NATUREZA  DO DEFEITO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. DISTINÇÃO.  A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de  fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Se o erro residir na  incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do  ato, o erro será de direito, insanável, caracterizando, pois, um vício material.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  NATUREZA  DO  DEFEITO.  ERRO  DE FATO E DE DIREITO. DISTINÇÃO.  O ‘erro de fato’ situa­se no conhecimento dos fatos, enquanto simples fatos,  independentemente  da  relevância  jurídica  que  possa  ter.  É  o  erro  na  constituição do fato. Por outro lado, o ‘erro de direito’ seria um problema de  subsunção  equivocada  operada  pelo  elaborador  da  norma  individual  e  concreta que não tipifica ou valora juridicamente correta a situação descrita.  Na prática, podemos exemplificar o ‘erro de fato’ quando o Fisco considera  no  lançamento  aspectos  diferentes  daqueles  efetivamente  acontecidos,  e  o  ‘erro  de  direito’,  quando  configurado  falso  conhecimento,  interpretação  equivocada ou mesmo ignorância da norma jurídica.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o patrono Dr. Hélio Márcio de Andrade  Lopes, OAB/MG 98.881, escritório Cursage & Pires Avogados.  (assinatura digital)  WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto.   (assinatura digital)  PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Tatiana  Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.  Fl. 17403DF CARF MF     4 Relatório  Trata­se de Recurso de Ofício em face de decisão proferida pela DRJ/PE de  fls. 17310 que decidiu pela procedência da impugnação de fls. 1681, 5870 e 11281, restando  anulado por vício material o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração de II, IPI, Pis  e Cofins de fls. 4, 143, 282, 390, 1395 e 1534, na importação de papel imune.  Como  de  costume  nesta  Turma  de  julgamento,  transcreve­se  o  relatório  e  ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, exposto a seguir:  "Trata­se de auto de infração  lavrado contra a contribuinte em  epígrafe, por meio do qual  formaliza­se a exigência de Imposto  de  Importação,  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  além  das  contribuições  para  o  Financiamento  da  Financiamento  da  Seguridade Social e para o Programa de Integração Social, que  incidiriam  sobre  a  importação  de  papel  desembaraçado  no  período de 2006 a 2008, sob a alegação de que estaria sujeito à  imunidade  constitucional.  Sobre  a  diferença  de  impostos  e  contribuições lançados incidiriam, ainda, juros de mora e multa  de ofício de 75%.    DA AUTUAÇÃO    Inicialmente,  aponta  a  autoridade  fiscal  a  base  legal  que  determinaria  a  incidência  dos  impostos  e  contribuições  elencados sobre operações de importação, destacando, por outro  lado,  o  dispositivo  constitucional1  que  prevê  a  imunidade  dos  livros,  jornais,  periódicos  e  dos  papéis  destinados  à  sua  impressão.  Acrescenta  a  autoridade  fiscal  que  a  Instrução  Normativa  n°  71/2001  estabeleceu  a  obrigação  de  registro  para  pessoas  jurídicas  importadoras  de  Papel  Imune,  estabelecendo  os  requisitos necessários e hipóteses de cancelamento.  Nesse trilhar, ressaltou a autoridade fiscal que o importador de  papel imune estaria obrigado a apresentar a DIF ­ Papel Imune,  ficando sujeito à aplicação da penalidade prevista no art. 57 da  Medida Provisória 2.158­34/2001.  Por  fim,  destaca  a  autoridade  fiscal  que  o  art.  147  do  Regulamento  Aduaneiro  de  2002  (aprovado  pelo  Decreto  n°  4.543/2002),  delimita  o  alcance  da  imunidade  constitucional,  esclarecendo sobre a natureza dos periódicos que fariam jus ao  benefício,  excluindo  expressamente  aqueles  destinados  exclusivamente à venda e propaganda, exceto no caso de encarte  ou  suplemento  efetivamente  vinculados  a  livros,  jornais  e  periódicos.  Nesse ponto, a autoridade fiscal passa a descrever o desenrolar  da fiscalização.  Fl. 17404DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.403          5 Inicialmente, observa que embora a empresa tenha num primeiro  momento respondido à todas as solicitações de apresentação de  documentos e esclarecimentos, as informações prestadas seriam  insuficientes  para  verificação  da  destinação  do  papel  imune  importado.  Relata a autoridade fiscal que, no que tange ao cumprimento das  obrigações acessórias relacionadas ao papel imune, foi possível  verificar  que  a  contribuinte  possui  o  registro  especial  para  importação, conforme estabelecido na IN SRF n°71/2001.  Quanto à obrigação de apresentação da Declaração Especial de  Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF ­ Papel  Imune), estabelecida na mesma Instrução Normativa, registra a  autoridade  fiscal  que,  embora  a  empresa  tenha  prestado  tais  declarações,  a  omissão  de  determinadas  informações  inviabilizaria o adequado controle da destinação do produto.  A título exemplificativo, destaca a autoridade fiscal que, na DIF  relativa  ao  1°  semestre  de  2006,  embora  sejam  corretamente  informados  os  dados  das  notas  fiscais  de  entrada,  é  omitida  a  informação das notas fiscais de saída.  Observa  a  autoridade  fiscal  que  a  análise  do  documento  permitiria  distinguir  produtos  importados  de  produtos  adquiridos no mercado interno, posto que a contribuinte informa  o  número  da  declaração  de  importação  na  nota  fiscal  de  entrada.  Entretanto,  destaca  a  autuante  que,  embora  exista  um  campo  específico  para  preencher  o  número  da  declaração  de  importação na nota fiscal de saída, a contribuinte não presta tal  informação.  Observa  que  sem  tal  informação,  tem­se  a  falsa  impressão  de  que  todo  o  papel  imune  importado  não  fora  utilizado,  e  que  as  notas  de  saída  referir­se­iam  a  produtos  fabricados  apenas  com  matéria­prima  adquirida  no  mercado  interno.  Esclarece,  outrossim,  que  essa  falsa  impressão  é  corrigida  quando  se  analisam  os  estoques  de  papel,  onde  se  destaca, de forma global, a quantidade de papel imune utilizada  no período.  Assim, registra a autoridade fiscal que, sem a vinculação entre o  número  da  declaração  de  importação  e  a  nota  fiscal  de  saída,  não é possível identificar qual a destinação do papel imune. No  particular, relembra a autoridade lançadora que a imunidade do  papel  está  condicionada  à  sua  finalidade  e  que,  ante  à  tal  omissão de informação, não seria possível verificar em que tipo  de produto o papel  fora  empregado,  se  jornais,  flyers,  revistas,  cartazes etc.  Acrescenta  a  autoridade  fiscal  que  além  da  dificuldade  de  vinculação entre as declarações de importação e as notas fiscais  de saída, haveria outro fator complicador que seria a diferença  entre a unidade de medida de registro da entrada (quilograma) e  a unidade de medida de registro das vendas (unidades de jornal,  revista, flyers etc.). Nesse sentido, seria necessário verificar­se a  Fl. 17405DF CARF MF     6 relação  insumo­produto  para  cada  item  fabricado,  isto  é,  o  quantitativo em quilos de papel empregado em cada item.  Informa  a  autoridade  lançadora  que,  dando  prosseguimento  à  fiscalização, passou­se  a  verificar as  notas  fiscais  de  saída,  no  intuito  de  se  conhecer  os  produtos  finais  fabricados  pela  empresa e seus clientes. Tal análise permitiu verificar os tipos de  publicação  produzidos  pela  empresa,  com  emprego  de  papel  imune  ou  não,  a  saber:  revista,  encarte  de  jornal,  jornal,  cartilha,  livro,  encarte  de  revista,  manual,  guia,  almanaque,  classificados,  publicidade,  cartaz,  aparas  de  papel,  display,  impressos,  calendário,  bula,  pasta,  flyer,  caixas de  embalagem,  cupom, folheto e papel beneficiado.  Observa a autoridade fiscal que a gama de produtos fabricados  inclui  itens que não  fariam  jus à  imunidade,  fato que por  si só  não indicaria a prática de qualquer irregularidade, posto que a  empresa  também  adquiria  papel  sem  imunidade.  Tal  fato,  todavia,  tornaria  ainda  mais  imprescindível  a  existência  de  controle  que  permita  identificar  com  precisão  as  publicações  impressas em papel imune importado, em papel imune nacional e  em  papel  sem  imunidade,  a  fim  de  se  verificar  a  correta  utilização da imunidade tributária.  Nesse  trilhar,  procedeu  a  autoridade  lançadora  à  análise  de  algumas notas fiscais de saída, observando que o único elemento  a  sugerir  que  o  produto  teria  sido  fabricado  com  papel  imune  (sem  mencionar  se  de  origem  importada  ou  nacional)  seria  a  menção,  no  campo  "Dados  Adicionais",  ao  art.  150,  IV,  d,  da  Constituição Federal.  Nesse  ponto,  destaca  a  autoridade  fiscal  que  em  determinadas  notas fiscais, resta caracterizado que a contribuinte informara o  não  recolhimento  dos  tributos  por  aplicação  da  imunidade  constitucional, sendo que o produto efetivamente produzido não  deveria  ser  alcançado  por  aquele  instituto.  A  título  exemplificativo, foram apontadas duas notas fiscais referentes a  publicidade,  uma  para  a Comercial  de Veículos Delta  LTDA e  outra para a Prefeitura Municipal de Guarará. Além dessas, foi  destacada  uma  nota  referente  à  impressão  de  revistas  para  a  Sendas  Distribuidora  SA,  sendo  apontado  que  tais  revistas  referir­se­iam a lista de preços/ofertas.  Observa ainda que mesmo nas operações em que o interessado  não  se  valera da  imunidade  sobre  o papel,  fora  informado nas  notas  de  saída  o  não  recolhimento  do  IPI,  por  aplicação  de  redução da  alíquota  a  zero,  nos  termos  do Decreto 4070/01,  o  qual teria sido revogado pelo Decreto 4.544/2002 (Regulamento  do IPI).  Registra  ainda  a  autuante  que,  segundo  esclarecimentos  prestados  pela  empresa,  poderiam  ser  considerados  imunes  todos  os  trabalhos  relacionados  a  notas  fiscais  que  não  houvessem  sido  tributadas  pelo  ICMS  e  ISS.  Nesse  ponto,  destaca  a  autoridade  fiscal  que  itens  descritos  como  "publicidade",  "mapa de Fortaleza",  "Guia Oi Bazar",  "aparas  de papel sucatas", "flyer Compre Bem Drogaria verão 2", "Bula  Fl. 17406DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.404          7 Koleston",  "Calendário  CREA  RJ",  entre  outros,  segundo  tal  informação, teriam sido confeccionados com papel imune.  Assim  sendo,  concluiu  a  autoridade  fiscal  que,  seja  por  inexistência ou por incongruência, as informações prestadas nas  notas  fiscais  de  saída  seriam  insuficientes  para  qualificar  o  papel  imune  e  identificar  em  quais  produtos  ele  teria  sido  utilizado.  Nesse  trilhar,  o  próximo  passo  da  auditoria  seria  buscar  as  informações  necessárias  nos  mecanismos  de  controle  da  produção e estoque empregados pela fiscalizada.  Inicialmente,  observa  a  autoridade  fiscal  não  ser  possível  identificar uma relação "insumo­produto" para os diversos itens  produzidos. Na descrição apresentada na DIF  constaria  o  tipo  de  papel  e  a  quantidade  de  folhas  da  publicação,  sem  informação de sobras e inutilização.  No que toca ao Registro de Controle da Produção e do Estoque  apresentado  pela  contribuinte,  observa  a  autoridade  fiscal  que  tal  registro  seria  preenchido  mensalmente,  por  tipo  de  papel,  informando  o  estoque  existente  (inicial  e  final),  e  todas  as  entradas  e  saídas  no  período,  conforme  exemplo  abaixo  transcrito.    Destaca  a  autoridade  fiscal  que  embora  as  entradas  correspondam  exatamente  às  declarações  de  importação  registradas no período, não há controle sobre o papel após o seu  envio à produção. Ou  seja,  sabe­se quanto do papel  importado  foi enviado para produção num determinado período, mas não se  sabe qual teria sido a destinação deste papel, uma vez que não  há  ordem  de  serviço  ou  número  de  pedido  que  vincule  a  nota  fiscal  de  entrada  e  a  nota  fiscal  de  saída,  informando  a  quantidade utilizada.  Tal  fato  teria motivado  a  elaboração  de  nova  intimação,  desta  feita  requerendo  que  fossem  apresentadas  informações  que  permitissem vincular entrada e  saída, detalhamento acerca dos  controles eletrônicos utilizados sobre o papel imune nacional e,  ainda,  que  fosse  preenchida  planilha  discriminando o  consumo  de  determinado  tipo  de  papel,  em  determinado  período.  A  autoridade  lançadora  teria  feito  ainda  constar  da  referida  intimação  que  a  impossibilidade  de  atender  a  quaisquer  das  solicitações deveria ser justificada por escrito.  Fl. 17407DF CARF MF     8 Em  resposta,  a  empresa  destacara  que  atendera  a  todas  as  intimações  anteriores,  fato  corroborado  pela  autoridade  lançadora,  justificando  o  não  atendimento  a  essa  última  nos  seguintes termos:    Nesse ponto, observa a autoridade fiscal que caberia à autuada,  como  beneficiária  de  imunidade  sobre  o  papel,  o  ônus  de  comprovar que preenchera os requisitos a ela inerentes.  Acrescenta que restara caracterizado, em seu entendimento, que  a  Esdeva  deixava  de  executar,  de  forma  contumaz,  os  devidos  controles exigidos sobre operações com papel imune importado.  No entendimento da  fiscalização, o prazo de um ano  requerido  pela  contribuinte  para  levantar  as  informações  solicitadas  corresponderia ao prazo necessário à construção do mecanismo  de controle até então inexistente.  Por  outro  lado,  reconhece  a  fiscalização  que,  com  base  na  documentação  apresentada  seria  possível  verificar  que  a  contribuinte,  em  diversas  ocasiões,  utilizara  o  papel  imune  na  finalidade  prevista,  não  sendo  todavia  possível  identificar  o  quantum  de  papel  (cujo  entrada  em  estoque  era  registrada  em  quilogramas) teria sido empregado em cada produto.  Desse modo, concluiu a autoridade fiscal pelo não cabimento da  imunidade na totalidade das importações realizadas no período,  ante à impossibilidade de se auditar a destinação do papel imune  importado,  uma  vez  que  a  empresa  não  manteria  controles  adequados  à  comprovação  do  cumprimento  das  condições  previstas.  Por  conseguinte,  procedeu  a  fiscalização  ao  lançamento  dos  impostos  e  contribuições  incidentes  sobre  a  totalidade  de  importações  de  papel  imune  realizadas  no  período,  ao  qual  foram acrescidos juros de mora e multa de ofício de 75%.    DA IMPUGNAÇÃO    Devidamente  cientificada,  comparece  a  autuada  ao  processo  para impugnar o lançamento, apresentando as razões de defesa  a seguir apresentadas em apertada síntese.  1) Inicialmente, alega vício de motivação, posto que a autuação  fora  motivada  pelo  descumprimento  de  suposta  obrigação  de  incluir  em  todas  as  notas  fiscais  de  saída  o  número  das  declarações de importação relativas ao papel imune aplicado na  confecção  dos  produtos,  bem  como  de  suposta  obrigação  de  manter  controles  segregados  entre  o  uso  de  papel  imune  Fl. 17408DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.405          9 importado e papel imune nacional. Tais exigências não estariam  previstas em Lei.  Alega  que  seria  impossível  e  desnecessário  manter  controles  sobre o papel imune segregados conforme a origem (adquiridos  no mercado interno ou importado).  Nesse  trilhar,  argumenta  que,  analisado  globalmente  o  papel  imune  de  qualquer  origem,  restaria  caracterizada  sua  correta  utilização.  2) Sustenta que o auto  teria baseado­se  em presunção absurda  pois,  embora  a  fiscalização  tenha  registrado  haver  restado  caracterizado  a  correta  destinação  dos  bens  em  diversas  operações, concluíra pela descaracterização da imunidade para  100% das importações.  3)  Pugna  pela  nulidade  do  lançamento,  por  cerceamento  de  defesa,  uma  vez  que  o  auto  de  infração  lavrado  deixara  de  descrever,  com  exatidão  os  dispositivos  legais  infringidos.  Discorre detalhadamente a respeito de cada um dos dispositivos  legais  evocados  pela  fiscalização  e  conclui  que  nenhum  deles  traria a descrição de conduta passível de autuação.  4)  Ainda  no  que  diz  respeito  à  ausência  de  fundamentação,  destaca  que  a  autoridade  fiscal  deixara  de  mencionar  o  dispositivo  legal  que  viabilizaria  a  realização  da  revisão  do  lançamento.  Sustenta  que  o  art.  149  do  CTN  enumeraria  taxativamente  as  hipóteses  em  que  caberia  revisão  do  lançamento, cabendo à autoridade fiscal demonstrar que o caso  em tela se enquadraria em alguma delas.  5)  O  cerceamento  do  direito  de  defesa  decorreria  também  do  fato de que não fora franqueado acesso ao Dossiê Sapel n° 52,  que  teria  apontado  os  indícios  de  irregularidades  motivadores  do procedimento fiscal.  6)  Acrescenta  que  a  impugnante  deixara  de  receber  os  anexos  mencionados no auto de infração. Assim, a contribuinte deixara  de  tomar  conhecimento  das  notas  fiscais  em  que  se  baseara  a  autuação.  Enumera  os  diversos  anexos  descritos  nos  autos,  alegando  que  a  falta  de  acesso  a  tais  documentos  impedia  a  autuada  de  tecer  comentários  sobre  a  análise  procedida.  Igualmente não seria possível verificar se o cálculos relativos ao  PIS e à Cofins estariam corretos.  7) No mérito, sustenta que o cruzamentos dos dados da DIF com  as notas  fiscais de entrada e  saída permitiria acompanhar com  clareza  a  origem  e  aplicação  do  papel  imune  e  do  papel  adquirido no mercado interno. Não haveria base para exigência  da informação relativa ao número da declaração de importação  na  nota  fiscal  de  saída,  nem  poderia  a  ausência  desse  número  impedir o rastreamento da destinação do papel imune.  Sustenta  novamente  que  não  haveria  amparo  legal  para  tal  exigência.  Fl. 17409DF CARF MF     10 8)  Sustenta,  por  outro  lado,  que  a  fiscalização  simplesmente  deixara  de  observar  que  a  informação  relativa  ao  peso  dos  produtos  constava  da  DIF,  de  forma  clara,  inexistindo  as  dificuldades alegadas pela fiscalização em razão de divergências  entre unidades de medidas empregas nos registros de entradas e  saídas.  9)No tocante às notas fiscais apontadas pela fiscalização em que  supostamente  se  teria  deixado  de  destacar  o  ICMS  e  ISS  incidentes  sobre  produtos  que  não  fariam  jus  à  imunidade,  aponta  que,  na  maior  parte  dos  casos,  tratar­se­iam  de  operações  de  simples  remessa,  não  tendo  ocorrido,  em  tais  casos, fato gerador de tributos.  10) Da mesma  forma,  sustenta  que  grande  parte  das  notas  em  que  a  fiscalização  apontara  que  deixara  de  ser  informada  a  quantidade  do  produto  consumido  tratarse­  iam  de  operações  intangíveis, como venda de anúncios.  11)  Da  mesma  forma,  as  notas  fiscais  que  deixaram  de  discriminar o preço dos produtos seriam referentes à prestação  de  serviço  de  anúncio  publicitário  em  jornal.  Não  haveria  demanda, nesse  caso por papel,  posto que o  jornal  em si  seria  objeto de outra transação.  12) Aponta  falha  nas  conclusões  adotadas  pela  fiscalização ao  exemplificar  produtos  que  supostamente  não  fariam  jus  à  imunidade, posto que não constituiriam publicação de conteúdo  informativo.  Menciona  especificamente  o  periódico  da  Sendas  Distribuidora  SA,  que  não  constituiria  mera  lista  de  preços,  como  aventado  pela  fiscalização,  mas  teria  conteúdo  editorial  produzido  pela  Editora  Globo.  No  mesmo  trilhar,  aponta  o  "Manual de Pessoa Física",  que  supostamente  estaria  sujeito a  entendimento  exarado  no  bojo  do  Pregão  SRF/Copol/11/2003,  referente ao fornecimento de manuais do ITR/2003.  13)  Refuta  a  alegação  de  que  os  controles  exercidos  sobre  o  papel  imune  seriam  insuficientes,  ou  necessitassem  aprimoramentos,  sustentando  ser  possível,  embora  trabalhoso,  promover  todo  o  rastreamento  necessário.  Refuta  igualmente  a  necessidade de se subdividir os controles adotados sobre o papel  imune conforme a origem do produto.  14)  Para  comprovar  tais  alegações  apresenta  planilha  (anexa  como Doc.  n°  04),  onde  demonstra,  com  base  nos  documentos  disponibilizados à  fiscalização,  todo o percurso pelo qual  teria  passado o papel imune correspondente ao primeiro trimestre de  2006.  Justifica tal delimitação em razão de haver sido esse o período  em que se concentrava a análise por amostragem procedida pela  fiscalização e, por outro  lado, em razão do volume de  trabalho  necessário à compilação de tais informações.  15)  Justifica  a  inviabilidade  da  inclusão  do  número  da  DI  na  nota  fiscal  de  saída  argumentando  que  uma  mesma  NF  diz  respeito a vários produtos, que por sua vez utilizam mais de um  insumo, com origem em diversas importações. Não seria viável a  inclusão  de  todas  as  informações  necessárias,  além  do  peso  Fl. 17410DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.406          11 correspondente  a  cada  insumo  no  campo  "informações  complementares"  que  seria  usualmente  destinado  a  esclarecimentos, à Fazenda Estadual, sobre CFOP ou regime de  tributação.  16)  Aponta  ainda  que  haveria  certa  inexatidão  nos  números  relativos ao consumo de papel, imune ou não, em decorrência de  perdas  no  emprego  da  matéria­prima,  fato  que  explica  que  o  resultado  da  subtração  do  total  de  saídas  do  total  de  entradas  jamais será zero, sendo usual um volume de perdas da ordem de  25  a  30%. Discorre  sobre  a  origem  de  tais  perdas. Reconhece  que  nem  todas  as  perdas  revertem­se  em  prejuízos,  pois  há  comercialização  dos  chamados  cortes  trilaterais,  o  que  se  fez  constar da referida planilha.  17.  Destaca  que  tal  planilha  evidenciaria,  de  plano,  o  descabimento  de  se  desconsiderar  100%  das  operações  com  papel  imune  importado, posto que  tal conclusão  seria derivada  de ausência de aprofundamento da investigação.  18.  Noutro  giro,  defende  que  a  adoção  de  tal  presunção  pela  fiscalização seria abusiva e ilegal. Cita extensa doutrina.  19.  Nessa  linha,  combate  ainda  a  adoção  de  exclusivamente  análise  documental  por  amostragem  para  sustentação  do  lançamento.  Argumenta  que  o  uso  indevido  e  arbitrário  de  tal  critério levou a conclusões irreais.  20.Invoca o princípio da verdade material, que deve prevalecer  no  âmbito  do processo  administrativo  fiscal,  para  solicitar  que  seja aprofundada a análise da documentação fiscal da empresa,  de modo a se afastar a conclusão de que 100% do papel imune  importado não faria jus ao benefício.  21.  Requer  a  realização  de  perícia  técnica  contábil.  Formula  quesitos e indica perito.  22. Por fim, requer a juntada posterior de provas e das planilhas  relativas  aos  trimestres  subsequentes  fiscalizados,  bem  como  laudo  que  ateste  o  percentual  correspondentes  a  perdas  do  processo  produtivo;  o  deferimento  da  perícia  e  da  formulação  quesitos  suplementares  após  o  trabalho  pericial;  e  que  seja  julgado improcedente o auto de infração.    DA REVISÃO DE OFÍCIO    Cumpre registrar que, em 27 de dezembro de 2010, por meio de  despacho  anexo  às  fls  1.392  e  seguintes,  noticia  a  autoridade  lançadora  que  fora  constatado  erro  material,  nos  autos  de  infração relativos ao II e IPI, lavrados em 24 e 25 de novembro  de  2010,  cuja  ciência  pelo  contribuinte  ocorrera  em  1°  de  dezembro de 2010.  Fl. 17411DF CARF MF     12 Teria sido observada, em 14 de dezembro de 2010, divergência  entre  os  valores  constantes  do  corpo  do  auto  de  infração  e  aqueles  que  figurariam  nos  respectivos  demonstrativos  de  cálculos de impostos.  Assim, noticia ainda a autoridade lançadora que ditos autos de  infração haveriam de ser considerados insubsistentes, devendo o  lançamento ser revisto de ofício, nos termos do art. 149, XIII, do  CTN.  Em  consequência,  foram  lavrados  dois  novos  autos  de  infração, nos quais  seriam  sanadas  as divergências de  valores,  em 27 de dezembro de 2010.  Relembre­se que em 28 de dezembro daquele ano a contribuinte  apresentara  impugnação  quanto  aos  quatro  autos  de  infração  originalmente lavrados (relativos ao II, IPI, PIS e Cofins).  Em 29 de dezembro, fora a contribuinte cientificada dos autos de  infração  substitutos,  comparecendo  ao  processo  em  10  de  janeiro  de  2011,  para  apresentar  nova  impugnação,  na  qual,  além de ratificar os argumentos manejados por meio da primeira  petição apresentada pela defesa, insurge­se contra a revisão de  ofício procedida no lançamento.  No  seu  entender,  não  caberia  tratar  como  "fato  novo",  nos  termos  do  art.  149,  VIII,  do  CTN,  mero  erro  cometido  pela  fiscalização.  Por  "fato  novo"  haveriam  de  ser  entendidos  fatos  jurígenos praticados pelo contribuinte e que fossem passíveis de  tributação.  Acrescenta,  outrossim,  que  o  reconhecimento  do  erro  pela  autoridade fiscal invalidaria a autuação.  Requer,  por  fim,  que  sejam  considerados  nulos  os  autos  de  infração revisionais e julgado improcedente o crédito tributário  lançado.  Observe­se  ainda  que,  em 22  de  fevereiro de  2011,  em petição  anexa às  fls.  11.294 e  seguintes,  a  interessada apresenta  laudo  pericial  com  vistas  a  comprovar  o  percentual  de  perdas  de  insumos incorrido na produção.  DAS DILIGÊNCIAS PROCEDIDAS  Em 28 de março de 2012, por meio do despacho de fls. 11.325 e  11.326, essa julgadora propôs o retorno dos autos à Unidade de  Origem,  para  realização  de  diligência,  visando  à  complementação  da  instrução  processual,  sob  a  justificativa  a  seguir transcrita:  Por outro lado, de acordo com o despacho à fl. 5868 (processo  eletrônico),a  autoridade  preparadora  noticia  que,  em  face  da  dificuldade  de  realizar  a  digitalização  de  determinados  elementos  apresentados  juntamente  com  a  impugnação,  promovera  a  criação  de  dossiê  em  papel  que,  dentre  outros,  contemplaria  a  referida  planilha.  Consignou,  ainda  que  esse  dossiê  em  papel  permaneceria  arquivado  naquela  unidade  administrativa.  Fl. 17412DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.407          13 Decorre  do  exposto  que  um  elemento  essencial  à  solução  do  litígio  não  se  encontra  disponível  para  análise,  fazendo­se  necessária  a  sua  juntada  ao  processo.  Por  outro  lado,  considerando  que  dita  planilha  contrariaria  frontalmente  premissas  adotadas  pela  fiscalização,  entendo  que,  preliminarmente,  tal  demonstrativo  deva  ser  analisado  pela  autoridade lançadora.  Além  da  anexação  da  planilha,  foram  solicitados  os  seguintes  esclarecimentos:  1) A planilha apresentada abrange, de fato, todas as operações  realizadas no período indicado pelo contribuinte?  2)  Dita  planilha  permite  rastrear,  de  forma  inequívoca,  a  destinação do papel importado com imunidade? Detalhar.  3)  Todos  os  elementos  mencionados  na  referida  planilha  encontram­se  efetivamente  respaldados  nos  documentos  apresentados e na escrituração do contribuinte? Justificar.  4)  À  vista  das  respostas  apresentadas  nos  quesitos  1  e  2,  pronunciar­se a respeito dos demais períodos fiscalizados.  Em atendimento àquela solicitação, a autoridade fiscal anexou a  planilha  apresentada  pela  defesa  às  fls.  11.325  a  11.348  e  apresentou relatório de diligência fiscal de fls. 11.351 a 11.353,  onde em resumo registra que:  1)  As  planilhas  apresentadas  pela  contribuinte  não  seriam  suficientemente esclarecedoras pois a coluna relativa ao "peso"  estaria  praticamente  em  branco  para  NF  de  papel  imune  nacional e importado.  2)  As  planilhas  não  permitiriam  o  rastreio  inequívoco  da  destinação do papel importado com imunidade. Além da lacuna  relativa ao peso, que não permitiria quantificar o total de papel  utilizado em cada nota fiscal de saída, as planilhas também não  permitiam conhecer o tipo de papel empregado em cada nota. O  dado  apresentado  seria  agrupado,  tratando  conjuntamente  o  papel imune nacional e o importado. Haveria ainda divergência  pois  muitos  produtos  descritos  como  "publicidade"  teriam  recebido tratamento de imunidade.  3)  Era  possível  verificar  que  as  informações  da  planilha  encontravam­se  respaldadas  pelos  documentos  manejados  pela  fiscalização.  A  autoridade  lançadora  ressalvou  que  parte  das  informações (como entradas de papel  tributado ou papel  imune  nacional) não faziam parte do escopo da fiscalização, não sendo  possível atestar tais informações.  4)  Uma  vez  que  a  planilha  contemplava  apenas  o  primeiro  trimestre de 2006, não seriam analisados os demais períodos.  Por  sua  vez,  cientificada  do  resultado  da  diligência  em  1°  de  março de 2013, comparece a autuada ao processo em 1° de abril  do  mesmo  ano,  para  novamente  contestar  as  conclusões  Fl. 17413DF CARF MF     14 apresentadas pela autoridade fiscal. No que se refere à ausência  da  informação  relativa  ao  peso  para  diversas  notas  fiscais  de  saída  que  refletiriam  operações  sem  incidência  de  impostos  a  impugnante  reitera  argumentos  manejados  na  impugnação.  Segundo alega, tais situações referir­se­iam a:  1) Notas fiscais de serviços de publicidade e propaganda, como  venda  de  anúncio  em  jornais,  o  que  não  se  confunde  com  a  impressão e venda do jornal em si;  2) Venda de assinaturas, uma vez que o produto envolvido não é  físico;  3)  Venda  de  exemplares  avulsos,  que  a  despeito  de  incluírem  produto físico, consumiria quantidade irrisória de insumos.  4) Operações  que  envolvem  beneficiamento  de  papel  fornecido  pelo  cliente,  caso  da  revista  Canal  Extra.  Tais  operações  envolveriam a emissão de três notas fiscais:  a de entrada do papel imune fornecido pelo cliente, a de retorno  simbólico desse papel imune ao cliente e a de saída do produto  acabado (revista). O registro da informação do peso na nota de  saída levaria ao cômputo em duplicidade do consumo de papel  imune pela empresa.  Esclarece a autuada que, embora as operações de serviços não  estivessem no escopo da autuação, mantivera­as na planilha de  modo a registrar todo o volume de transações do período.  Aponta  ainda  a  ocorrência  de  erro material  no  preenchimento  da  DIF  de  2006,  quando  o  código  NCM  do  papel  fora  indevidamente digitado no campo peso.  Por  fim,  registra  que  a  planilha  fora  estendida  de  modo  a  contemplar todo o período fiscalizado.  Após  análise  dos  resultados  da  diligência,  a  6a.  Turma  da  DRJ/Recife decidiu, por meio da Resolução 11.001.874, de 30 de  julho  de  2013,  converter  o  julgamento  em  diligência,  por  entender  indispensável  à  solução  da  lide  o  esclarecimento  dos  seguintes pontos:  I.  No  que  concerne  às  notas  fiscais  das  quais  não  consta  a  informação peso:  a)  É  possível  verificar­se,com  base  no  código  da  operação,  tratar­se  de  prestação  de  serviços,  como  alega  a  impugnante,  para os  casos de  venda de publicidade/propaganda e  venda de  assinaturas?  Caso  negativo,  pede­se  que  autoridade  fiscal  posicione­se  sobre  as  justificativas  apresentadas  pela  impugnante (às fls. 11.356 e seguintes).  b)  No  caso  de  operações  com  papel  de  terceiros,  qual  o  posicionamento  da  autoridade  fiscal  face  às  justificativas  apresentadas?  c)  No  caso  da  venda  de  exemplares  avulsos,  confirmam­se  os  percentuais apontados pela impugnante?  Fl. 17414DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.408          15 II. No que concerne às notas fiscais que, segundo a fiscalização,  sugeririam destinação do papel  imune em aparente  infração às  disposições  constitucionais,  pede­se  que  a  autoridade  fiscal  relacione todas as operações supostamente divergentes e, à vista  de  esclarecimentos  a  serem  prestados  pela  impugnante,  apresente  as  devidas  justificativas  para  o  afastamento  da  imunidade.  III. No que concerne à nova planilha de conciliação apresentada  pela impugnante:  a) Verifica­se, considerando os  esclarecimento  já prestados  em  relação  à  versão  anterior,  a  presença  de  todos  os  elementos  necessários  ao  rastreamento  da  destinação  do  papel  imune  utilizado pela empresa?  b)  No  caso  de  ainda  se  constatarem  eventuais  lacunas  ou  divergências,  solicitasse  detalhadas  justificativas,  após  esgotadas  todas  as  possibilidades  de  esclarecimentos  pela  impugnante.  IV.  Considerando­se  as  planilhas  de  conciliação  apresentadas  pela  impugnante,  bem  como  as  respostas  aos  quesitos  relacionados aos itens I, II e III acima, pedese:  a) Que sejam apontadas todas as operações onde se entende ter  havido  desvio  de  finalidade  no  emprego  do  papel  imune,  independentemente da origem nacional ou estrangeira;  b) Que seja detalhado e quantificado o montante de papel imune,  de origem importada, para o qual não foi comprovada a regular  destinação  no  período  fiscalizado,  e  procedidos  os  devidos  ajustes no lançamento;  c)  Alternativamente,  na  impossibilidade  de  se  distinguir  as  operações  que  envolveram  papel  de  origem  importada,  seja  detalhado e quantificado o montante total de papel imune para o  qual  não  foi  comprovada  a  regular  destinação  no  período  fiscalizado,  e  procedidos  os  devidos  ajustes  no  lançamento,  independentemente da origem do papel.  Em  resposta,  a  autoridade  fiscal  apresenta  Relatório  de  Diligência Fiscal,  datado de 16 de abril  de 2015, anexo às  fls.  17.158 a 17.196.  Em tal documento, a autoridade relata as sucessivas intimações  realizadas  com  vistas  a  esclarecer  supostas  divergências  ou  incoerências  percebidas  nas  planilhas  apresentas  pela  contribuinte.  Também  descreve minuciosa  análise  empreendida  no sentido de verificar  se seria cabível a imunidade a cada um  dos produtos comercializados pela autuada.  Novamente  aponta  a  autoridade  fiscal  ausência  da  informação  relativa  ao  peso  em  diversos  itens  da  planilha,  argumentando  que  não  seria  possível  verificar  se  todas  essas  situações  Fl. 17415DF CARF MF     16 corresponderiam  a  venda  de  intangíveis,  como  sugere  a  impugnante, pois haveria indicação de CFOP indevido.  Por  outro  lado,  elenca  a  autoridade  fiscal  as  notas  fiscais  de  saída  que  seriam  referentes  a  produtos  não  alcançados  pela  imunidade  constitucional.  No  que  se  refere  à  Revista  Sendas,  mencionada expressamente no auto de infração e na impugnação  originalmente  apresentada  pela  defesa,  esclarece  a  autoridade  lançadora que, tendo recebido cópia de um exemplar da revista,  restara  caracterizado  tratar­se  de  publicação  de  preços  e  ofertas, não possuindo o alegado conteúdo editorial.  Esclarece  ainda  que,  mesmo  intimada,  a  autuada  descrevera  apenas  parte  dos  demais  produtos  comercializados.  Assim,  restara  descaracterizada  a  imunidade  para  os  produtos  que  comprovadamente estariam fora do conceito de "livros, jornais e  periódicos",  bem assim para  aqueles  sobre  os  quais a  autuada  deixara de demonstrar sua natureza.  Por  sua  vez,  reitera  a  autoridade  fiscal  que  a  planilha  não  permitiria  rastrear  o  papel  imune  importado,  uma  vez  que  o  controle realizado sobre o papel imune não distinguia o papel de  origem importada daquele de origem nacional.  Finalmente, a autoridade fiscal logra calcular o montante global  de papel imune, de origem importada e nacional, empregado em  produtos não alcançados pela imunidade:    No entanto, no que se refere à solicitação formulada no item IV,  "c", da Resolução 11.001.874 da 6° Turma da DRJ/Recife para  que,  "na  impossibilidade  de  se  distinguir  as  operações  que  envolveram  papel  de  origem  importada,  seja  detalhado  e  quantificado o montante total de papel imune para o qual não foi  comprovada  a  regular  destinação  no  período  fiscalizado,  e  procedidos  os  devidos  ajustes  no  lançamento,  independentemente  da  origem  do  papel",  a  autoridade  fiscal  respondeu  simplesmente que  "uma vez  glosada uma nota  fiscal  de  saída  é  impossível  rastrear  a  origem  exata  do  papel:  se  importado  ou  nacional".  Sendo  assim,  concluiu  pela  impossibilidade de se proceder aos ajustes solicitados.  Por  fim, observe­se que, em 19 de outubro do ano corrente,  foi  distribuída  a  esta  julgadora,  pela  Presidente  da  6a.  Turma  da  DRJ/Recife,  petição  encaminhada  pelos  Correios  dirigida  ao  Titular desta Delegacia.  Tal  documento,  que  não  se  encontrava­se  anexado  ao  presente  processo,  destina­se  a  questionar  os  resultados  da  segunda  diligência realizada, conforme a seguir resumido:  1)  Inicialmente,  a  impugnante  ratifica,  resumidamente,  argumentos manejados na impugnação ao lançamento. A seguir  ataca o trecho do relatório fiscal em que a autoridade lançadora  acusa  a  existência  de  inúmeros  registros  na  planilha  fornecida  Fl. 17416DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.409          17 pela  contribuinte  sem  a  informação  correspondente  ao  peso.  Repisa  as  justificativas  anteriormente  apresentadas  quanto  a  tratar­se de operações com bens intangíveis.  2) Defende­se igualmente de outras divergências suscitadas pela  fiscalização,  como  erro  na  identificação  do  CFOP  referente  a  operações sem consumo de papel.  Alega que a autoridade fiscal omitira em seu relatório que, após  questionamento,  a  autuada  revisara  sua  documentação  e  reconhecera  que,  em  alguns  casos,  devido  a  identificação  incorreta  do  código CFOP,  houvera  consumo  indevido  e papel  imune, fato prontamente comunicado à autoridade fiscal.  Destaca,  outrossim,  que  o  volume  representado  por  tais  equívocos  seria  irrisório,  correspondendo  a  0,39%  de  todo  o  papel imune consumido no período.  3) Afirma não haver firmado contrato para prestação de serviços  de  impressão que acobertasse as operações de  industrialização  por encomenda, conforme prática usual do mercado gráfico.  4)  No  que  tange  às  operações  listadas  como  tendo  feito  uso  indevido  de  papel  imune,  sustenta  não  concordar  com  as  conclusões  da  autoridade  fiscal.  Particularmente  no  que  se  refere  às  revistas  Sendas  e  Compre  Bem,  argumenta  que  a  autoridade  fiscal  "julgara  o  livro  pela  capa".  Folheando­se  os  exemplares  apresentados  à  fiscalização  seria  possível  perceber  que tais revistas teriam sim conteúdo editorial, juntamente com a  veiculação  de  anúncios  e  propaganda.  Tratar­se­iam  de  publicação de conteúdo misto. Reitera que o conteúdo editorial  de tais revistas caberia às editoras Globo e Abril.  5) Destaca que a diligência demonstrara a correta aplicação da  maior parte do papel  imune adquirido. Nesse ponto argumenta  que,  mesmo  que  se  acolhesse  a  íntegra  das  glosas  ora  procedidas  pela  fiscalização,  o  montante  de  papel  imune  empregado  em  desacordo  com  o  preceito  constitucional  (7.063.818,96  kg,  segundo  cálculo  da  autoridade  fiscal)  corresponderia  a  7,5%  do  total  de  papel  imune  adquirido  no  período.  Argumenta  que  quanto  a  essa  parcela  sobre  a  qual  recai  a  acusação  de  desvio  de  finalidade,  poder­se­ia  aprofundar  a  análise,  mas  não  se  poderia  deixar  de  reconhecer  a  insubsistência do lançamento em relação ao restante.  Nesse  ponto,  chega  a  sugerir  que  caberia  a  autoridade  fiscal  adotar  critério  de  rateio  proporcional  para  deduzir  a  parcela  que seria do papel empregado com desvio de finalidade oriunda  de importações e de aquisições no mercado interno. Todavia, tal  abordagem  somente  poderia  ser  levada  a  efeito  por  meio  de  outro lançamento.  É o que importa relatar.”  Fl. 17417DF CARF MF     18   A Ementa  do Acórdão  de  primeira  instância  administrativa  fiscal  proferido  por essa DRJ/PE, foi assim publicada:  “LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  REVISÃO.  ERRO  DE  FATO.  FATO NÃO CONHECIDO OU NÃO PROVADO POR OCASIÃO  DO  LANÇAMENTO  ANTERIOR.  IMPRECISÕES  NA  APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.  É  pacífico  na  doutrina  e  jurisprudência  que  o  erro  de  fato  é  passível  de  revisão,  conforme  as  circunstâncias  taxativamente  elencadas no art.  149 do CTN. Aqueles  erros que  se  referem a  eventual  erro,  imprecisão ou  omissão  da  autoridade  lançadora  encontram­se  previstos  nos  incisos  VIII  e  IX.  As  imprecisões  quanto ao cômputo da base de cálculo ou apuração dos impostos  incidentes representam fato não conhecido, para efeito da citada  disposição legal. O que resta afastado das disposições do inciso  VIII, em verdade, é a revaloração jurídica de fatos conhecidos à  época do lançamento, na ocasião relevados, o que representaria  efetiva  mudança  de  critério  jurídico,  expressamente  vedado  conforme disposições do art. 146 do CTN.  DESCRIÇÃO  DA  CONDUTA.  IMPRESCINDIBILIDADE  DE  SUAS CIRCUNSTÂNCIAS. FATO DETERMINADO. JUÍZO DE  INFERÊNCIA.  A descrição da conduta imputada deve conter as circunstâncias  que  lhe  dotem  contornos  próprios  aptos  a  serem  aferidos  no  conjunto dos fatos que se inserem, de forma que a argumentação  sobre  que  assente  sua  conclusão  probatória  possa  resultar  inteiramente  razoável  em  face  de  critérios  lógicos  do  discernimento humano. Cabe ressaltar neste sentido, que os fatos  por provar devem ser determinados, sendo indispensável que se  apresentem com características próprias aptas a distingui­los de  outros que se lhes assemelham.  BENEFÍCIO  FISCAL.  IMUNIDADE.  CUMPRIMENTO  DOS  REQUISITOS  E  CONDIÇÕES  DE  ENQUADRAMENTO  NO  REGIME.  DESCARACTERIZAÇÃO  DE  BENEFÍCIO  FISCAL  ANTES DEFERIDO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE OU  FISCO.  Há  que  se  distinguir  a  ação  fiscal  de  deferimento  do  benefício  fiscal  daquela  de  revisão  de  benefício  fiscal  antes  deferido.  A  primeira envolve mera satisfação, sob iniciativa do interessado,  dos requisitos e condições relacionados ao gozo do benefício. A  segunda, lançamento de ofício, formalizado em auto de infração,  regido  pelo  processo  administrativo  de  determinação  dos  créditos tributários da União previsto no Decreto 70.235/72, que  estabelece  que  a  exigência  do  crédito  tributário  deverá  estar  instruída  com  todos  os  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação do ilícito. Com isso, uma vez deferido, a presunção  de  seu  correto  enquadramento,  originalmente  conferido  para  efeito  de  gozo  do  benefício,  milita  em  favor  do  contribuinte,  cabendo ao Fisco produzir prova em contrário. O ônus da prova  quanto  ao  gozo  do  benefício  cabe  ao  contribuinte,  já  sua  descaracterização, ao Fisco.  Fl. 17418DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.410          19 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LIMITES DA PRESUNÇÃO DE  LEGITIMIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE  PROVA  PRÉ­CONSTITUÍDA.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL. ÔNUS DA PROVA DO FISCO.  Não  se  pode  tomar  o  lançamento  como  prova  pré­constituída  incorporada em ato que goze da presunção de legitimidade. Não  se  pode  invocar  a  presunção  de  legitimidade  inerente  ao  ato  administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os  seus  efeitos  no  âmbito  do  processo  em  questão,  exatamente  porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar  seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto,  a  precipitada  presunção  não  está  com  força  para  vincular  a  formação da decisão judicial, no caso de dúvida. De há muito, já  se  firmou o  entendimento de que  tal  presunção de  legitimidade  não serve como meio de supressão de lacunas probatórias. E tal  entendimento,  antes  de  ser  resultado  de  qualquer  formulação  doutrinária  ou  jurisprudencial,  nasce  diretamente  da  lei,  posto  que, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.º do  Decreto n.º 70.235/1972.  LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO  FISCAL. ÔNUS DA PROVA. NECESSÁRIA DEMONSTRAÇÃO  FÁTICO­PROBATÓRIA.  A  ideia  de  ônus  da  prova  não  significa  a  de  obrigação,  no  sentido  da  existência  de  dever  jurídico  de  provar.  Trata­se  da  necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível obter  êxito  na  causa.  É  daí  que  o  ônus  da  prova  recai  sobre  a  autoridade  lançadora,  imbuída de demonstrar,  ante o princípio  basilar do contraditório e amplo direito de defesa do autuado, a  ocorrência  do  fato  imponível  objeto  do  lançamento,  salvo  na  hipótese de conclusão presuntiva, na forma prevista no art. 334  do CPC.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  ÔNUS  DA  PROVA.  AUSÊNCIA  DA  DEMONSTRAÇÃO  FÁTICO­PROBATÓRIA.  INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. PRETERIÇÃO  DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.  O  Decreto  70.232/1972  dispõe  que  o  auto  de  infração  deve  conter  a descrição  dos  fatos  e  o  enquadramento  legal  (art.  10,  incisos  III  e  IV),  bem  como  ser  instruído  com  todos os  termos,  depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis  à comprovação do ilícito (art. 9º, caput). O ônus da prova recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue  ou  que  lhe  serve  de  impedimento.  Cabe  à  autoridade  fiscal apresentar as provas dos fatos constituintes do direito da  Fazenda. A ausência da demonstração fático­probatória do fato  imponível  eiva  o  lançamento  de  vício  insanável.  É  nulo  o  ato  administrativo  de  lançamento,  formalizado  com  inegável  insuficiência  na  descrição  dos  fatos,  não  permitindo  que  o  sujeito  passivo  pudesse  exercitar,  como  lhe  outorga  o  ordenamento  jurídico,  o  amplo  direito  de  defesa,  notadamente  Fl. 17419DF CARF MF     20 por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito  que lhe está sendo imputado.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ERRO.  ANULAÇÃO.  NATUREZA DO DEFEITO.  VÍCIO  FORMAL OU MATERIAL.  DISTINÇÃO.  A  ocorrência  de  defeito  no  instrumento  do  lançamento  que  configure  erro  de  fato  é  convalidável  e,  por  isso,  anulável  por  vício  formal.  Se  o  erro  residir  na  incorreção  dos  critérios  e  conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato, o erro  será  de  direito,  insanável,  caracterizando,  pois,  um  vício  material.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  NATUREZA  DO  DEFEITO.  ERRO DE FATO E DE DIREITO. DISTINÇÃO.  O  ‘erro  de  fato’  situa­se  no  conhecimento  dos  fatos,  enquanto  simples  fatos,  independentemente  da  relevância  jurídica  que  possa  ter.  É  o  erro  na  constituição  do  fato.  Por  outro  lado,  o  ‘erro  de  direito’  seria  um  problema  de  subsunção  equivocada  operada  pelo  elaborador  da  norma  individual  e  concreta  que  não tipifica ou valora juridicamente correta a situação descrita.  Na  prática,  podemos  exemplificar  o  ‘erro  de  fato’  quando  o  Fisco  considera  no  lançamento  aspectos  diferentes  daqueles  efetivamente  acontecidos,  e  o  ‘erro  de  direito’,  quando  configurado  falso  conhecimento,  interpretação  equivocada  ou  mesmo ignorância da norma jurídica.  Impugnação Procedente.  Crédito tributário Exonerado.”  Em  conjunto  com  a  decisão  de  primeira  instância  a  DRJ/PE  recorreu  de  oficio  e  após  isto,  os  autos  foram  distribuídos  e  pautados  para  julgamento  nos  moldes  do  regimento interno deste Conselho.  Relatório proferido.  Voto             Conselheiro Relator ­ Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.  Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições  apresentados  aos  autos  deste  procedimento  administrativo  e,  no  exercício  dos  trabalhos  e  atribuições  profissionais  concedidas  aos  Conselheiros,  conforme  Portaria  de  condução  e  Regimento Interno, apresenta­se este voto.  Por  conter  matéria  preventa  desta  3.ª  Seção  de  Julgamento  e  presentes  os  requisitos de admissibilidade, o Recurso de Ofício deve ser conhecido.  Apesar  da  regularidade  nas  operações  de  importação  de  papel  imune  do  contribuinte  a  fiscalização  apresentou  o  entendimento  de  que  as  empresas  devem  sempre  indicar nas Notas Fiscais  tanto a destinação do papel  imune assim como a vinculação com a  DI, uma vez que a destinação seria determinante para a manutenção da imunidade.  Fl. 17420DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.411          21 No  cumprimento  de  seu  dever,  a  fiscalização  solicitou  os  documentos  relacionados, principalmente o Livro Modelo 3, tendo em vista a sua necessidade de verificar  se  as destinações dos papéis  imunes  e  se o  contribuinte  segregava  as  aquisições do mercado  interno das importações.  Mas a questão jurídica que merece destaque é a seguinte, ou o fiscal deveria  ter  analisado  e  descaracterizado  o  controle  apresentado,  porque  não  merecia  fé,  ou  tivesse  analisado para que pudesse embasar o suposto desvio de finalidade do cumprimento das regras  relativas ao papel imune.   Para  efeito  fiscal  o  controle  não  foi  analisado,  para  fazer  contra­prova  em  favor do lançamento.  Nesta  linha presunçosa de raciocínio, a  fiscalização concluiu que 100% das  operações de 2005 a 2008 deveriam perder direito à imunidade.  E  ainda  mais  grave,  na  própria  conclusão  do  Relatório  Fiscal  de  fls.  506,  reconhece  que  não  houve  qualquer  desvio  do  benefício  em muitas  das  operações,  conforme  Anexo II desse relatório.  Em  análise  da  fundamentação  legal  do  lançamento,  também  é  possível  verificar que a  fiscalização não aponta nenhum dispositivo  legal que permita desconsiderar a  imunidade  conquistada  pelo  contribuinte,  porque  são  todas  fundamentações  genéricas  e  nenhuma caracteriza uma infração propriamente dita.  Em seguida nos autos, verifica­se que a Receita Federal cancelou os Autos de  Infração de II e de IPI por terem sido lavrados com valores errados e lavrou dois novos Autos  de  Infração  (fls.  1391  e  seguintes),  com  valores maiores,  juntados  aos  autos  em  fls.  1395  e  1534.  Diante deste quadro inicial, o contribuinte impugnou o lançamento conforme  relatado  e  solicitou  a  nulidade  do  lançamento,  o  provimento  da  impugnação  e  a  busca  da  verdade material por meio de diligencia, perícia e laudo (fls. 11313).  Em fls. 11325 a DRJ/PE converteu o julgamento em diligência para que fosse  analisada  uma  planilha  apresentada  pelo  contribuinte  em  impugnação.  Em  fls.  11351  a  fiscalização  juntou  o  relatório  da diligencia  que  confirmou que  a planilha  serve  como prova  porque  tem  relação  com  as  operações,  que  encontram  respaldo  nos  documentos  e  livros  do  contribuinte, mas que não permitem constatar qual a destinação futura da aplicação dos papéis  imunes.  Em fls. 11358 o contribuinte apresentou sua manifestação sobre o resultado  da diligência  e  salientou que o  resultado da diligência  foi  insuficiente,  porque  a  fiscalização  não analisou os dados da planilha.  Em fls. 14039 a DRJ/PE converteu novamente o julgamento em diligência e  solicitou as seguintes análises:  “Ante  o  exposto,  a  6a.  Turma  da  DRJ/Recife  converteu  o  presente julgamento em diligência, por entender indispensável à  solução da lide o esclarecimento dos seguintes pontos:  Fl. 17421DF CARF MF     22 I.  No  que  concerne  às  notas  fiscais  das  quais  não  consta  a  informação peso:  a)  É  possível  verificarse,  com  base  no  código  da  operação,  tratarse  de  prestação  de  serviços,  como  alega  a  impugnante,  para os  casos de  venda de publicidade/propaganda e  venda de  assinaturas?  Caso  negativo,  pedese  que  autoridade  fiscal  posicionese sobre as justificativas apresentadas pela impugnante  (às fls. 11.356 e seguintes).  b)  No  caso  de  operações  com  papel  de  terceiros,  qual  o  posicionamento  da  autoridade  fiscal  face  às  justificativas  apresentadas?  c)  No  caso  da  venda  de  exemplares  avulsos,  confirmamse  os  percentuais apontados pela impugnante?  II. No que concerne às notas fiscais que, segundo a fiscalização,  sugeririam destinação do papel  imune em aparente  infração às  disposições  constitucionais,  pedese  que  a  autoridade  fiscal  relacione todas as operações supostamente divergentes e, à vista  de  esclarecimentos  a  serem  prestados  pela  impugnante,  apresente  as  devidas  justificativas  para  o  afastamento  da  imunidade.  III. No que concerne à nova planilha de conciliação apresentada  pela impugnante:  a)  Verificase,  considerando  os  esclarecimento  já  prestados  em  relação  à  versão  anterior,  a  presença  de  todos  os  elementos  necessários  ao  rastreamento  da  destinação  do  papel  imune  utilizado pela empresa?  b)  No  caso  de  ainda  se  constatarem  eventuais  lacunas  ou  divergências,  solicitasse  detalhadas  justificativas,  após  esgotadas  todas  as  possibilidades  de  esclarecimentos  pela  impugnante.  IV.  Considerandose  as  planilhas  de  conciliação  apresentadas  pela  impugnante,  bem  como  as  respostas  aos  quesitos  relacionados aos itens I, II e III acima, pedese:  a) Que sejam apontadas todas as operações onde se entende ter  havido  desvio  de  finalidade  no  emprego  do  papel  imune,  independentemente da origem nacional ou estrangeira;  b) Que seja detalhado e quantificado o montante de papel imune,  de origem importada, para o qual não foi comprovada a regular  destinação  no  período  fiscalizado,  e  procedidos  os  devidos  ajustes no lançamento;  c)  Alternativamente,  na  impossibilidade  de  se  distinguir  as  operações  que  envolveram  papel  de  origem  importada,  seja  detalhado e quantificado o montante total de papel imune para o  qual  não  foi  comprovada  a  regular  destinação  no  período  fiscalizado,  e  procedidos  os  devidos  ajustes  no  lançamento,  independentemente da origem do papel.  Concluídas as providências acima, deve ser concedido prazo de  30 dias para manifestação pela impugnante, findo o qual devem  Fl. 17422DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.412          23 os  autos  retornar  a  esta  DRJ/Recife  para  continuidade  do  julgamento.  Sala das Sessões, em 30 de julho de 2013.  (assinado por certificação digital)  Antonella Saraiva Lanna – Relatora  Matrícula 65.607.”  Em seguida a fiscalização juntou novo relatório de fls. 17158, desta vez mais  detalhado  e o  contribuinte novamente  se manifestou  em  fls.  17202,  alegando principalmente  que  as  diligências  fizeram  o  trabalho  que  a  fiscalização  deveria  ter  feito  e  não  fez,  como  a  constatação  de  que  alguns  papéis  foram  classificados  de  forma  equivocada  e  por  isso  foram  mal aplicados, sendo que estes casos representaram somente 0,4% de todo o lançamento.  Em nova peça, de fls. 17291 o contribuinte afirmou que a diligência acabou  por confirmar que 96% do lançamento não procedem.  Finalmente na análise da lide administrativa, a DRJ/PE anulou o lançamento  por vício material, uma vez que o contribuinte comprovou a regularidade nas operações (possui  registro  especial  prévio,  cumpriu  requisitos  e  apresentou  as  DIFs),  que  a  fiscalização  não  comprovou  a  descaracterização  da  imunidade,  que  o  lançamento  foi  realizado  por  pura  presunção e amostra, que o lançamento por si não serve como prova pré­constituída, que não  houve descrição e tampouco individualização da infração, que não foi comprovado o desvio de  finalidade  e  que  na  posse  do  Livro  Modelo  3  (livro  de  registro  de  controle  e  produção  e  estoque)  a  fiscalização  poderia  ter  cruzado  as  informações  pretendidas  (Notas  Fiscais  com  entradas,  saídas,  origem  e  destinação),  que  a  fiscalização  inverteu  o  ônus  da  prova,  que  o  lançamento foi revisado e inovado nas diligências e que somente com a publicação da IN RFB  976/09 é que surgiu a obrigatoriedade do registro cruzado das importações, mercado interno e  estoque.  De  fato,  todas  as  conclusões  do  colegiado  de  primeira  instância  procedem.  Como exemplo, transcreve­se trecho do relatório Fiscal, em fls. 537, que explicitou a inversão  do ônus da prova por parte da fiscalização:    Assim, ficou claro que a fiscalização exigiu controle que não possui amparo  legal, assim como criou contra­prova em face ao contribuinte.  Como  pode  ser  verificado  em  muitos  outros  lançamentos,  a  fiscalização  deveria ter diligenciado e procedido ao confronto das informações com os livros apresentados,  notas fiscais, valores das entradas e saídas, consumo efetivo, contagem física, giro de estoque e  capacidade industrial, de forma a remontar a fórmula da produção do contribuinte nas diversas  etapas  de  industrialização  dos  semi  elaborados  e  finais,  avaliando  o  processo  produtivo  e  destinações  e  somente  a  partir  dessas  análises  concluir  quantas  mercadorias  poderiam  ter  configurado o suposto desvio de finalidade.  Fl. 17423DF CARF MF     24 A  conclusão  mais  acertada  é  reconhecer  a  ausência  de  descrição,  comprovação e motivação do lançamento, em respeito às garantias previstas no art. 93, inciso  IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art.  2.º da lei n. 9.784/99.  O  Auditor  Fiscal  descreve  “Importação  não  amparada  por  imunidade”,  ou  “Falta de Recolhimento”, mas as alegações do contribuinte vieram no sentido de demonstrar  que  não  existem  sequer  fatos  que  possam  subsumir  às  disposições  legais  que  poderiam  fundamentar  a  lavratura  do Auto  de  Infração,  assim  como  sequer  existem  disposições  legais  que poderiam “receber” os fatos.  Inclusive,  sem  prejuízo  aos  fundamento  utilizados  na  decisão  de  primeira  instância, é  importante  registrar que a exigência de  liquidez e certeza dos créditos é conditio  sine qua non para o lançamento.   Não é controverso, mas é importante lembrar, em analogia ao presente caso,  que autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é algo impossível,  porque a comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste.   No  caso  em  tela,  o  contribuinte  alega  que  o  fisco  lançou  os  tributos  sem  apresentar provas válidas que comprovam as suas acusações.   A  autoridade  fiscal  tem  o  ônus  da  comprovação  dos  fatos  quando  da  realização do lançamento tributário. A validade ou procedência do lançamento somente poderia  ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação  de documentação comprobatória válida não é suficiente para lançar o tributo.  A alegação do contribuinte veio no  sentido de  ressaltar que a  existência da  lacuna  na  tessitura  do  libelo  basilar, mais  precisamente,  da  natureza  da  infração  descrita  no  auto  de  infração  restou  comprometida,  face  a  incerteza  material  e  a  insegurança  jurídica  relativa ao crédito tributário, pois imprecisa a exigência narrada pelo autor do feito com o tipo  infrator, não reportando com fidelidade a materialidade do fato infringente detectado. Vigente  no  Decreto  70.235  (PAF)  e  no  Código  Tributário  Nacional,  o  ônus  da  prova  do  estado  é  positivado da seguinte forma:    “PAF  ­ Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V ­ a determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou  impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  (...)  Fl. 17424DF CARF MF Processo nº 10611.002418/2010­05  Acórdão n.º 3201­003.374  S3­C2T1  Fl. 17.413          25 CTN  ­  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo  caso, propor a aplicação da penalidade cabível.”  Analisando a situação da necessidade da prova, pode ser lembrada a lição de  Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito  de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco  de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito  subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima  antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.”  A quantificação e a certeza realizada pelo lançamento são pressupostos para a  realização  da  sua  finalidade  principal  e  única  que  seria  a  determinação  e  exigibilidade  do  crédito.   O lançamento tornaria a obrigação tributária certa e liquida, mas isto apenas  por que tais atributos são indispensáveis para que o débito se torne exigível.   Certeza,  liquidez  e  exigibilidade  representa  a  trilogia  dos  efeitos  do  lançamento. Importante recordar que para se tornar divida ativa, o crédito tributário tem que ser  anteriormente líquido, conforme disposto no CTN:  “CAPÍTULO II  Dívida Ativa  Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito  dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa  competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento,  pela lei ou por decisão final proferida em processo regular.  Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os  efeitos deste artigo, a liquidez do crédito.  Art.  204.  A  dívida  regularmente  inscrita  goza  da  presunção  de  certeza e liquidez e tem o efeito de prova pré­constituída.  Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa  e  pode  ser  ilidida  por  prova  inequívoca,  a  cargo  do  sujeito  passivo ou do terceiro a que aproveite.”    A  Lei  6.830/80  que  dispõe  sobre  a  cobrança  judicial  da  dívida  ativa  da  fazenda  pública,  prevê  de  forma  expressa  a  importância  e  condição  taxativa  da  liquidez  do  crédito tributário.  "Art.  2º  ­  Constitui  Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública  aquela  definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17  de  março  de  1964,  com  as  alterações  posteriores,  que  estatui  normas  gerais  de  direito  financeiro  para  elaboração  e  controle  Fl. 17425DF CARF MF     26 dos  orçamentos  e  balanços  da  União,  dos  Estados,  dos  Municípios e do Distrito Federal.   § 8º ­ Até a decisão de primeira instância, a Certidão de Dívida  Ativa  poderá  ser  emendada  ou  substituída,  assegurada  ao  executado a devolução do prazo para embargos.  §  3º  ­  A  inscrição,  que  se  constitui  no  ato  de  controle  administrativo  da  legalidade,  será  feita  pelo  órgão  competente  para  apurar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  e  suspenderá  a  prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a  distribuição  da  execução  fiscal,  se  esta  ocorrer  antes  de  findo  aquele prazo.”    CONCLUSÃO.    Diante  do  exposto,  vota­se  para  NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO  DE OFÍCIO para que a decisão de primeira instância seja integralmente mantida, nos mesmos  moldes  e  fundamentos,  em  razão  do  reconhecimento  da  nulidade  do  lançamento  por  vício  material.  Voto proferido.  (assinatura digital)  Conselheiro Relator ­ Pedro Rinaldi de Oliveira Lima                                      Fl. 17426DF CARF MF

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7147673 #
Numero do processo: 19679.017068/2003-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 INCENTIVOS FISCAIS. REVOGAÇÃO PELA MP 2.145/01. RESPEITO AO DIREITO ADQUIRIDO E AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O contribuinte, a luz da lei vigente no ano calendário de 2000, teve assegurado o direito de destinar parte do imposto de renda pago em incentivos fiscais. A MP 2.145/2001, em respeito ao direito adquirido e ao principio da irretroatividade das leis, evidentemente não teria o condão de revogar esse direito sob o argumento de que a opção, realizada quando da tempestiva entrega da DIPJ, fora feita quando o incentivo já se achava revogado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer o direito ao pleito do incentivo e determinar o retorno à autoridade administrativa da Unidade de origem para que examine o PERC.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1          1             S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19679.017068/2003­34  Recurso nº  161.960   Voluntário  Acórdão nº  1402­00.209  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de julho de 2010  Matéria  IRPJ ­ PERC  Recorrente  ANGLO AMERICAN BRASIL LTDA  Recorrida  2ª TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO SP­I    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  INCENTIVOS  FISCAIS.  REVOGAÇÃO  PELA MP  2.145/01.  RESPEITO  AO DIREITO ADQUIRIDO E AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE  DAS LEIS. O contribuinte,  a  luz da  lei vigente no ano calendário de 2000,  teve  assegurado  o  direito  de  destinar  parte  do  imposto  de  renda  pago  em  incentivos  fiscais. A MP 2.145/2001,  em  respeito  ao  direito  adquirido  e  ao  principio  da  irretroatividade  das  leis,  evidentemente  não  teria  o  condão  de  revogar  esse  direito  sob  o  argumento  de  que  a  opção,  realizada  quando  da  tempestiva  entrega  da  DIPJ,  fora  feita  quando  o  incentivo  já  se  achava  revogado.   Recurso Voluntário Provido.     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer o  direito ao pleito do incentivo e determinar o retorno à autoridade administrativa da Unidade de  origem para que examine o PERC.    (assinado digitalmente)  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antônio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique  Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 17/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.017068/2003­34  Acórdão n.º 1402­00.209  S1­C4T2  Fl. 2          2   Relatório  ANGLO  AMERICAN  BRASIL  LTDA,  CNPJ  42.184.226/0001­30,  inconformada  com  a  decisão  proferida  pela  2ª  Turma  da  DRJ  em  SÃO  PAULO  SP­I,  que  indeferiu a manifestação de inconformidade, recorre a este Colegiado objetivando a reforma do  julgamento.   Tratam  os  presentes  autos  de Pedido  de Revisão  de Ordem  de Emissão  de  Incentivos Fiscais ­ PERC (fls. 01), formulado pela pessoa jurídica acima identificada.  Através do Despacho Decisório de fls. 84, cuja ciência deu­se em 08/11/2004  (AR  de  fl.  86),  o  pedido  do  Contribuinte  foi  indeferido.Na  decisão  de  fl.  84,  a  Autoridade  Administrativa  afirmou  que  a  Administração  do  FINOR/FINAM  informou  à  Secretaria  da  Receita  Federal  que  o  Contribuinte  não  está  enquadrado  no  art.  9º  da  Lei  nº  8.167/91,  não  possuindo direito ao incentivo conforme inciso IV do art. 32 da MP nº 2.157­5/2001. A opção  dos incentivos foi efetivada com a entrega da DIPJ após a data de 02/05/2001.  A  Interessada  tomou  ciência  do  despacho  decisório  em  08/11/2004  e  apresentou  a  Manifestação  de  Inconformidade  de  fls.  87  a  92  em  08/12/2004,  alegandoem  síntese, que optou por investir no FINOR mediante opção feita por ocasião da entrega da sua  declaração de rendimentos. Entende que o fundamento que originou o indeferimento do PERC  – sem efeito a opção em DIPJ entregue após 02/05/2001 para fundo diferente do art. 9º, da Lei  nº  8.167/91  (projetos  próprios)  –  violou  o  seu  direito  adquirido,  bem  como os  princípios  da  segurança jurídica, da irretroatividade das normas e da isonomia.   Levado  a  julgamento  a  2ª  Turma  da  DRJ  em  São  Paulo  SP­I,  por  unanimidade  de  votos  indeferiu  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  contribuinte, ancorando o voto condutor nos argumentos que podem ser resumidos na ementa  do acórdão nº 16­13.622 de 30 de maio de 2.007, verbis:   INCENTIVO  FISCAL.  FINOR.  PRAZO  PARA  APLICAÇÃO  EM  PROJETOS  PRÓPRIOS.  A  aplicação  no  fundo  fica  assegurada  até  o  final  do  prazo  previsto  para a implantação do projeto, desde que a pessoa jurídica tenha exercido o direito  até 02/05/2001 e o projeto esteja em situação de regularidade, cumpridos todos os  requisitos previstos e os cronogramas aprovados.  VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de matérias que  questionam  a  constitucionalidade/legalidade  de  legislação  tributária  é  de  competência reservada ao Poder Judiciário.   Inconformada a empresa apresentou o recurso voluntário de folhas 221 a 230,  onde repete as argumentações da  inicial e diz que idêntica questão foi decidida nos autos do  recurso 149.160, com decisão favorável proferida pela então 7ª Câmara do 1º CC no acórdão nº  107­08.652, cuja cópia de inteiro teor fez juntar aos autos.   É o relatório.  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 17/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.017068/2003­34  Acórdão n.º 1402­00.209  S1­C4T2  Fl. 3          3   Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira ­ Relator  O recurso é tempestivo, dele conheço.   Examinando os autos verifico que assiste razão ao recorrente pois a questão é  idêntica àquela já julgada pela 7ª Câmara do 1º CC, tendo o acórdão 107­08.652 a relatoria do  eminente Conselheiro Natanael Martins, a qual adoto como razão de decidir e peço vênia para  aqui transcreve­la:   “Trata­se,  como  visto,  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  da  decisão  proferida pela d. Autoridade Julgadora que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem  de Emissão de Certificado de  Investimento — PERC,  sob o  fundamento de que o  direito  ao  Primeiramente,  convém  trazer  à  baila  o  que  dispõe  o  artigo  50,  inciso  XVIII, da Medida Provisória n° 2.145, de 02.05.2001) verbis:  "Art. 50. Ficam revogados: (...) XVIII— o inciso I do art. 1° da Lei n°8.167,  de 16 de abril de 1991;"  Por  sua  vez,  o  artigo  1°,  inciso  I,  da  Lei  n°  8.167191  possui  a  seguinte  redação,  litteratim:  "Art. 1°. A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao período­ base  de  1990,  fica  restabelecida  a  faculdade  da  pessoa  jurídica  optar  pela  aplicação de parcelas do imposto de renda devido:  I  —  no  Fundo  de  Investimentos  do  Nordeste  (Finor)  ou  no  Fundo  de  Investimentos da Amazónia (Finam) (Decreto­lei n° 1.376, de 12 de dezembro  de 1974, art. 11, alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Económica  do Espírito Santo (Funres) (Decreto­lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974,  art. 11, V);"  O  direito  à  aplicação  em  incentivos  fiscais  encontra­se  veiculado  nos  arts.  592  e  seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, cujos dispositivos seguem:  "Art. 592. A pessoa  jurídica  tributada com base no  lucro real poderá optar  pela  aplicação  de  parcelas  do  imposto  de  renda  devido,  nos  termos  do  disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611  e 613 (Decreto­Lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1°).  Art.  601.  As  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real  poderão  manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na  declaração  de  rendimentos  ou  no  curso  do  ano­calendário,  nas  datas  de  Pagamento do imposto com base no lucro estimado apurado mensalmente ou  no lucro real, apurado trimestralmente. (Vide Medida Provisória n° 2.199­14,  de 2001).   Do emaranhado das normas supra, depreende­se que a pessoa Jurídica podia optar  por destinar parcelas do imposto de renda devido em incentivos regionais, tal como  o FINOR,  in casu, mediante a aplicação de percentuais  relativos, manifestando  tal  opção  por  meio  da  entrega  de  DIPJ  ou,  caso  a  opção  seja  feita  durante  o  ano­ calendário, mediante DARF's com códigos de arrecadação específicos, devidamente  declarados na DIPJ.  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 17/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.017068/2003­34  Acórdão n.º 1402­00.209  S1­C4T2  Fl. 4          4 No  presente  caso,  o  recorrente  optou  por  destinar  parcela  do  imposto  de  renda  devido e recolhido no ano­calendário de 2000 ao FINOR, por intermédio da entrega  da DIPJ em 28.06.2001.  A Medida Provisória n° 2.145 foi editada em 02.05.2001, de modo que a revogação  trazida  em  seu  bojo  —  em  face  do  principio  constitucional  da  irretroatividade­,  somente  pode  se  aplicar  em  relação  aos  fatos  geradores  de  imposto  de  renda  ocorridos a partir daquela data, ou melhor, a partir do ano calendário de sua edição.  Com efeito, ainda que a opção pelo incentivo fiscal tenha sido formalizada quando  da  entrega  da  DIPJ,  não  se  pode  perder  de  vista  de  que  este  ato  somente  tem  o  condão de formalizar direito que, a luz da lei vigente ao tempo de sua percepção, já  seria  de  sua  titularidade.  A  opção,  por  assim  dizer,  tinha  o  condão,  apenas,  de  realizar direito  já adquirido que, em face da Constituição, não poderia,  jamais,  ser  vulnerado por norma posterior.  O direito de o recorrente poder realizar a opção pelos incentivos fiscais até a data em  que a lei vigente ao tempo de sua percepção lhe assegurava, a toda evidência, acha­ se albergado em garantias constitucionais emergentes da Carta da República, mais  especificamente  no  princípio  que  determina  respeito  ao  direito  adquirido  e,  consequentemente, de suas dobras, prega como regra a irretroatividade de leis, senão  vejamos:  "Ar. 5°•(...) XXXVI — a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico  perfeito e a coisa julgada".  Aliás, conclusão diversa certamente acabaria por criar situações que vulnerariam o  principio  da  isonomia  inserto  no  caput  do  art.  5º  da  Constituição  Federal  ­  que  prescreve que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza" ­,  na  medida  em  que  aqueles  que  tivessem  feito  opção  no  curso  do  próprio  ano  calendário  de  2000,  mediante  recolhimento  do  incentivo  em  código  de  DARF  específico  e  aqueles  que  tivessem  antecipado  a  entrega  de  sua DIPJ  teriam  o  seu  direito  assegurado. Certamente que  esta não  é a  solução, muito menos  a  intenção,  desejada pela ordem constitucional e pelo legislador ordinário ao editar referida MP.  Tanto  isso  é  verdade  que  a  própria  DIPJ  atinente  ao  ano  calendário  de  2000,  entregue  no  exercício  financeiro  de  2001,  trazia  em  seu  âmago  a  possibilidade  de  destinação de parcela do imposto de renda para aplicação em incentivos fiscais que,  por  sinal,  não  fora  concedido  pela Receita  Federal  não  porque  não  existiria, mas,  sim,  porque  o  recorrente,  segundo  a  administração,  como  visto,  não  estaria  em  situação de regularidade.”incentivo fiscal fora revogado.  Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para  reconhecer o direito ao pleito do incentivo e determinar à Unidade de origem que faça o exame  do PERC.     (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.                                Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 17/03/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA

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