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Numero do processo: 12466.002002/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 30/06/2010
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. DESCABIMENTO.
O auto de infração deve-se ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há que se falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório.
IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM RECURSOS DO CAPITAL.
Não comprovada a origem dos recursos utilizados na integralização do capital social da empresa, dos empréstimos (mútuos), das importações e dos recursos oriundos das vendas realizadas às empresas, resta caracterizada a dissimulação da origem dos recursos empregados na execução das importações da empresa, como forma de ocultar o real interveniente dessas operações.
INCOMPATIBILIDADE ENTRE OS MONTANTES DAS OPERAÇÕES TRANSACIONADAS NO COMÉRCIO EXTERIOR E A CAPACIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA EMPRESA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira e econômica da pessoa jurídica é uma presunção legal juris tantum de interposição fraudulenta de terceiros, a qual só poderá ser afastada pela apresentação de documentação idônea capaz de comprovar a origem lícita dos recursos utilizados nas transações em questão.
IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Dispensável a realização de diligência quando os documentos integrantes dos autos revelaram-se suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Solicitação indeferida, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011.
Recursos de Ofício e Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente a Dra. Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, OAB/DF nº 26.538.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 30/06/2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. DESCABIMENTO. O auto de infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há que se falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM RECURSOS DO CAPITAL. Não comprovada a origem dos recursos utilizados na integralização do capital social da empresa, dos empréstimos (mútuos), das importações e dos recursos oriundos das vendas realizadas às empresas, resta caracterizada a dissimulação da origem dos recursos empregados na execução das importações da empresa, como forma de ocultar o real interveniente dessas operações. INCOMPATIBILIDADE ENTRE OS MONTANTES DAS OPERAÇÕES TRANSACIONADAS NO COMÉRCIO EXTERIOR E A CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA DA EMPRESA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. A incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira e econômica da pessoa jurídica é uma presunção legal juris tantum de interposição fraudulenta de terceiros, a qual só poderá ser afastada pela apresentação de documentação idônea capaz de comprovar a origem lícita dos recursos utilizados nas transações em questão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 20 02 /2 01 0- 25 Fl. 4078DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a realização de diligência quando os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Solicitação indeferida, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Recursos de Ofício e Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário para negarlhes provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente a Dra. Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, OAB/DF nº 26.538. Relatório Tratase os autos de Auto de Infração lavrado por AFRFB em exercício na Alfândega do Porto de Vitória (ES), contra a empresa TOHNES IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÃO LTDA, doravante denominada apenas por TOHNES, que em sede de Procedimento Especial de Fiscalização Aduaneira (rito da IN SRF nº 228/02), para averiguar a regularidade das importações realizadas por conta própria e por encomenda, no período de 01/10/2007 a 30/06/2010, que ao final restou apurado conduta em infração tipificada como “Dano ao Erário”, punível com a penalidade de perdimento das mercadorias, convertida em pecúnia em face da impossibilidade de sua apreensão, com fulcro no inciso § 3º do artigo 23 do Decreto Lei nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Fl. 4079DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.079 3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida nº 1147.680, prolatada pela 6ª Turma da DRJ em Recife (PE), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 21.773/21.794): "(...) Contra a empresa TOHNES IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÃO LTDA., ora impugnante, já devidamente qualificada nos autos deste processo, doravante denominada apenas por Tohnes, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Alfândega do Porto de Vitória (ES), em sede de Procedimento Especial de Fiscalização Aduaneira levado a efeito contra a mesma, no tocante às operações de importação registradas por sua conta e risco e encomenda, no período de 01/10/2007 a 30/06/2010, ao final do qual restou apurada a infração tipificada como “Dano ao Erário”, haja vista a não comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos financeiros envolvidos em sua execução, punível com a penalidade de perdimento das mercadorias, convertida em pecúnia em face da impossibilidade de sua apreensão, com lançamento de crédito tributário no montante total de R$ 3.591.778,33. A seguir, destacaremos os principais fatos e elementos indiciários apresentados pela fiscalização como motivação do presente lançamento, instruídos por documentos, informações e pesquisas levantados no curso da ação fiscal, constantes do Relatório de Fiscalização, anexo do presente auto (fls. 03 a 67). Após apresentar esclarecimentos sobre o desenvolvimento da ação fiscal, bens jurídicos protegidos pelo controle aduaneiro e prejuízos perpetrados pela interposição fraudulenta de pessoas, em síntese, as motivações e fundamentos para o lançamento foram apresentados pela fiscalização conforme se resume a seguir: 1. O contrato social para constituição da empresa TOHNES foi assinado em 07/03/2006, com cláusulas contratuais que declaravam que o capital social de R$ 100.000,00 estaria integralizado em moeda corrente na data da assinatura do contrato. A composição societária inicial e quotas do capital estavam assim constituídos: Apolônia Horbelt Tohnes (CPF n° 035.902.73771) com R$ 75.000,00 (75%) E Joelson Delarmina (CPF n° 071.389.507 13) com R$ 25.000,00 (25%); 2. De acordo com a 1ª ALTERAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL, assinada em 12/08/2008, o capital foi aumentado de R$ 100.000,00 para R$ 400.000,00. Naquele ato, R$ 130.000,00 seriam integralizados em moeda corrente e R$170.000,00 seriam integralizados no prazo de 730 dias. Desta forma, a Composição Societária seria assim alterada: Apolônia de R$ 75.000,00 para R$ 300.000,00 (75%) E Joelson de R$ 25.000,00 para R$ 100.000,00 (25%), fl. 17; 3. De acordo com a 2ª ALTERAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL, assinada em 24/06/2009, (registrado na JUCEES sob o n° 20090750012 em 29/06/2009) foram efetuadas Fl. 4080DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 as seguintes modificações: ampliação do objeto social e a declaração de que o capital social encontrarseia totalmente integralizado. A Fiscalização observou que dessa forma, os sócios Apolônia e Joelson deveriam ter capacidade financeira suficiente para a integralização do capital social nos valores de R$ 300.000,00 e R$ 100.000,00, respectivamente, fato que o procedimento jamais conseguiu verificar; 4. Destacou que a empresa TOHNES foi intimada e reintimada várias vezes a comprovar a integralização de seu capital social, desde sua formação original bem como nas diversas integralizações decorrentes das alterações contratuais ocorridas; 5. Observou que a integralização do Capital Social da TOHNES deveria ter ocorrido em 07/03/2006, nos termos descritos no Contrato Social. Em tal data, deveriam ter ocorrido as transferências de recursos para a empresa nos valores de R$ 75.000, 00, por parte da Sra. Apolônia e de R$ 25.000,00 por parte do Sr. Joelson, para fins de integralização do capital social declarado. Verificou, entretanto, que nenhum documento foi apresentado, coincidente em datas e valores, que comprovasse estas duas integralizações. Apontou um detalhe curioso: “No entanto, observase nas cópias dos extratos bancários (fls. 2298 do processo digital), que nos dias 03 e 04/04/2006, ou seja, em datas não coincidentes com as datas de integralização de Capital declaradas no Contrato Social (07/03/2006), foram observados depósitos que somaram o valor de R$ 100.700,00 e, no mesmo dia, retiradas na importância de R$ 99.620,79”, fl. 20; 6. Aduziu que aquilo que seria a suposta integralização do capital social inicial, não passou de uma simulação, já que praticamente toda a entrada de recursos na empresa foi retirada no mesmo dia. Destacou que a capacidade econômica operacional da empresa restou comprometida após o saque desses recursos pelos sócios. Além disso, não foram apresentados contratos de empréstimos ou mútuos da empresa aos sócios que explicitassem quando e sob qual remuneração tais recursos seriam devolvidos à empresa. Prosseguiu dizendo que a isso acresce o fato de que os supostos recursos dos sócios, conforme declarado na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, do ano calendário de 2006, seriam provenientes de empréstimos, o que, também, não foi comprovado, fl. 21; 7. No que tange à 1ª ALTERAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL, assinada em 12/08/2008, haveria um suposto aumento do capital social da ordem de R$ 300.000,00, sendo R$ 130.000,00 realizado no ato, ou seja, em 12/08/2008, e R$ 170.000,00 realizado até o dia 24/06/2009. Observou neste ponto que a maior parte dos recursos foi realizada em dinheiro vivo. Do valor total de entradas de R$ 431.700,00, o valor depositado em dinheiro foi de R$ 277.160,00, ou seja, 64% do total, sem a identificação de sua origem, fl. 21; Fl. 4081DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.080 5 8. A fiscalizada apresentou informação de que a sócia Apolônia teria se valido de empréstimos particulares e que estes seriam a fonte dos recursos utilizados para a integralização de sua parcela do capital social, através de contratos de mútuo firmados pela mutuaria/sócia Apolônia com terceiros (3 pessoas físicas e uma pessoa jurídica). Ressaltou que tais contratos, os quais nunca foram pagos pelo mutuário, teriam sido firmados sem garantidor, sem valor da garantia, sem a forma de prestação e sem a identificação dos bens oferecidos em garantia (fls. 2842 a 2849 do processo digital). Aduziu ainda que não poderia haver bens em garantia já que a sócia Apolônia não os possuía em valor compatível com a garantia necessária e que seria necessário comprovar também a disponibilidade financeira por parte dos provedores dos empréstimos (quando não forem contraídos com instituições financeiras autorizadas pelo BACEN), fl. 22; 9. Consignou que essa comprovação não ocorreu, muito pelo contrário. O contribuinte apresentou cópias das DIRPF Declaração Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009 (anocalendário 2008), dos agentes financiadores da sócia Apolônia, as quais comprovam a falta de capacidade financeira desses agentes (fls. 2850 a 2865), como segue: A) a mutuante Isabel Clotildes de Carvalho Passos apresenta disponibilidade anual de R$ 14.939,20 (AC/2008), não tendo assim disponibilidade financeira para emprestar R$ 100.000,00 para a sócia Apolônia; B) o mutuante Sr. Gil Jefferson de Carvalho Passos, também, apresenta disponibilidade anual (AC/2008) de apenas R$ 15.774,40; C) o mutuante Sr. Gilberto Almeida Passos, também, apresenta disponibilidade anual (AC/2008) de apenas R$ 15.360,00; D) o quarto mutuante PJ IRMÃOS PAOLINO FERRAGENS LTDAME (CNPJ N° 29.742.863/000116), atualmente com o nome UMUARAMA CORRETORA DE TÍTULOS E CRÉDITOS LTDAME não apresentou sua declaração DIPJ no ano calendário/2008, fls. 23 a 25; 10. A empresa TOHNES não apresentou contrato de mútuo e nem apresentou qualquer documento que comprovasse a origem, disponibilidade e transferência de recursos desse suposto quarto agente financiador (empresa UMUARAMA). Concluiu ressaltando que como estes agentes financiadores não comprovaram disponibilidade financeira para realizar tais empréstimos, os respectivos recursos devem ser excluídos do fluxo financeiro da sócia Apolônia, resultando no fato da sua indisponibilidade financeira para aportar sua parcela no capital social da empresa TOHNES, conforme demonstrativo apresentado à fl.26; 11. Quanto ao sócio Joelson Delarmina, também não foi apresentada documentação comprobatória da integralização de sua parcela no Capital da empresa; registrou que da análise das suas DeclaraçõesDIRPF restou evidente que o Sr. Joelson não dispunha de rendimentos suficientes para o aporte de capital Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 descrito no contrato social, e suas alterações, da empresa TOHNES (declarou rendimentos tributáveis nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008 de R$ 13.407,62; 0,00 e R$ 2.988,00, respectivamente), fl. 27; 12. Com isso, como não foi comprovada a origem e a efetiva transferência dos recursos empregados pelos sócios para integralização do capital social da empresa, conclui restar não comprovada a disponibilidade dos recursos empregados na realização de suas operações de comércio exterior, na forma previstas no art. 23, § 2º, do Dl. 1.455/76, fl.28; 13. Desde sua habilitação como operador no comércio exterior, a empresa TOHNES registrou importações declaradas como sendo por conta própria no total de US$ 424.257,42 (ou R$ 815.478,02), por conta e ordem de terceiros no valor (CIF) de US$ 2.960.895,95 (ou R$ 6.775.797,72), e por encomenda no total de (CIF) de US$1.106.366,65 (ou R$1.562.405,66), fl. 30; 14. A fiscalizada apresentou planilhas e recibos referentes aos financiamentos que obteve junto ao BANDES/FUNDAP. Os empréstimos obtidos na sistemática do BANDES/FUNDAP poderiam ser liquidados em 20 anos, com 5 anos de carência. Porém, a empresa TOHNES optou pela recompra de parte da dívida em leilões com deságio. Observou, nesse ponto, que os recursos advindos desses empréstimos são muito inferiores àqueles requeridos para suportar as importações por conta própria e as realizadas por encomenda no período fiscalizado, fl. 32; 15. Consignou que a TOHNES não demonstrou capacidade econômica para suportar os dispêndios nas suas operações internacionais, devido a não comprovação de suas fontes de financiamento, que mesmo consideradas se mostram insuficientes ao fluxo financeiro da empresa, e aos baixos resultados apresentados na sua atividade mercantil, conforme informação depreendida da análise do Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados constantes dos livros fiscais apresentados pelo contribuinte, registrando fluxo financeiro negativo (conta caixa “a descoberto”) nos anos calendário de 2007 a 2009 (saldo acumulado negativo em 31/12/2009 de R$ 424.840,81), fl. 35; 16. Concluiu o procedimento com a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas pela impugnante nos anos de 2007 a 2010, registradas pela TOHNES como operações por conta própria e por encomenda, convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro de R$ 3.591.778,83 em face da impossibilidade de sua apreensão, vez que já foram consumidas, nos termos do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, com a redação do art. 59 da Lei n° 10.637/2002, e dos arts. 73 e 81 da Lei n° 10.833/2003. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela impugnante podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 541 a 561): Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.081 7 (A) O auto de infração peca pelo vício da generalização, da presunção de fraude, que evidentemente não pode subsistir no ordenamento jurídico, mercê das garantias constitucionais constantes do artigo 5º da Constituição Federal; (B) Falase em ocultação, mas não se diz quem esteve oculto. Falase em utilização de recursos ilícitos de terceiros, mas não se diz quem seriam esses terceiros, nem de que forma o dinheiro teria saído da empresa autuada para retornar a esses “ilícitos financiadores”; (C) Especificamente a Sra. Apolônia H. Tohnes, sócia majoritária da Autuada, foi recentemente vítima de aviltante ação penal, na qual, por obra de auditores fiscais inimputáveis dessa mesma ALF/Vitória, foi acusada injustamente de dezenas de crimes, simplesmente, por na época, atuar como despachante aduaneira de várias empresas importadoras, que diferentemente desta agora autuada, nem mesmo lhe pertenciam (ação penal n°. 2007.50.01.0084929, na qual, após promoção de arquivamento do próprio MP, foi prolatada sentença absolutória de mérito, pelo MM. Juízo da 2ª Vara Federal Criminal de Vitória; (D) A estratégia da autuação é simples e perversa. Descaracterizar, com argumentos presunçosos, toda e qualquer fonte de recursos ou financiamento da autuada, para ao final chegar à conclusão que todas as importações foram irregulares, e que em nenhuma foi comprovada a origem dos recursos; (E) É perfeitamente possível uma pessoa, somente com sua reputação, obter crédito junto a exportadores, especialmente asiáticos, para iniciar um negócio de importação com prazo para pagamento, de tal forma que o exportador seja pago com o produto da venda das mercadorias desembaraçadas; (F) Outra situação juridicamente inaceitável é o procedimento pelo qual a fiscalização descaracterizou os contratos de mútuo apresentados pela autuada. O que se fez foi simplesmente analisar a declaração de renda dessas pessoas e concluir que as mesmas não dispunham de recursos para realização dos empréstimos; (G) A única divergência da integralização do capital social em relação às disposições do contrato social diz respeito a datas, o que não significa ausência de integralização; (H) A presunção de interposição fraudulenta a partir da não comprovação da origem de recursos não pode se dar de forma absoluta, dissociada de uma análise da pessoa dos sócios e das demais circunstâncias concretas da empresa, máxime quando toda a receita de vendas da empresa é desconsiderada, com base nesse absurdo raciocínio indutivo derivado da não comprovação do capital social; (I) Neste sentido, aponta a existência de receitas proveniente das operações por conta e ordem de terceiro, as quais não envolve recursos próprios da empresa e não foram consideradas como Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 fonte de recurso para o custeio de suas operações próprias de comércio exterior; (J) A mesma situação se aplica às fontes lícitas de recursos da empresa através dos financiamentos providos pelo BANDES, dentro da sistemática do FUNDAP, da qual a recorrente é beneficiária; (K) No tocante ao quantum da penalidade, aponta erro material, vez que na apuração de sua base de incidência foram incluídas operações registradas na modalidade por conta e ordem, com expressiva majoração do crédito lançado, especificando um total de 36 importações à fl. 549; (L) Por fim, requer que não sendo declarado nulo o presente lançamento, que se determine a realização de diligência para que seja considerado lícito todo recurso proveniente da venda das mercadorias importadas por conta própria e por encomenda, pela prestação de serviço nas importações por conta e ordem de terceiro, dos financiamentos do BANDES e dos contratos de mútuos, nos quais os mutuantes não tenham sido intimados pela fiscalização para comprovação dos recursos emprestados, para assim considerando tais recursos na execução das atividades de comércio exterior da recorrente, julgar improcedente o lançamento. É este o relatório. O pedido de diligência solicitado pela impugnante foi deferido pela Autoridade Julgadora de primeira instância, que providenciou a verificação completa das DI’s, mediante pesquisas nos sistemas extratores de dados, para determinar quais foram efetivamente registradas na modalidade “por conta e ordem de terceiros”, quem são esses terceiros (razão social e CNPJ) e qual o seu valor aduaneiro. Concluída a diligência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, então julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela Recorrente, para, acolhendo os resultados da diligência, excluir da exação todas as DI's cursadas na modalidade "por conta e ordem de terceiros", em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2007 a 30/06/2010 INCOMPATIBILIDADE ENTRE OS MONTANTES DAS OPERAÇÕES TRANSACIONADAS NO COMÉRCIO EXTERIOR E A CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA DA EMPRESA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. A incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira e econômica da pessoa jurídica é uma presunção legal juris tantum de interposição fraudulenta de terceiros, a qual só poderá ser afastada pela apresentação de documentação idônea capaz de comprovar a origem lícita dos recursos utilizados nas transações em questão. Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.082 9 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. A pena de perdimento, na hipótese de interposição fraudulenta de terceiros, convertese na multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida ou não for localizada. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. ADQUIRENTE DECLARADO NÃO DESCARACTERIZADO. EXTENSÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. A caracterização da interposição fraudulenta pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados em importações por conta própria, por si só, não é suficiente a caracterizar idêntica ocorrência nas operações realizadas por conta e ordem de terceiro, sem que se apure idêntica ocorrência em relação ao terceiro supridor dos recursos. Não tendo sido descaracterizada a condição do adquirente declarado, não há que se fala em interposição fraudulenta de tais operações, devendo as mesmas serem excluídas da base de apuração da penalidade aplicável ao importador ostensivo. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de laudo técnico quando os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Desta forma, o Presidente da 4ª Turma da DRJ/Recife recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Da ciência da decisão e do Recurso Voluntário A recorrente, foi cientificada da referida decisão da DRJ (recibo AR) em 06/10/2014 (fl. 3.818) e apresentou em 05/11/2014 (fl. 3.820) o Recurso Voluntário de fls. 3.820/3.859), aduzindo em resumo as seguintes razões: Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 (i) requer que julgue improcedente o presente Auto de Infração quanto à parte que foi mantida pela DRJ, nos termos do artigo 59, § 3°, do Decreto 70.235/72, uma vez que alega que provou que a origem dos recursos para suas operações decorre de vendas de mercadorias, operações de mútuo e empréstimo bancários; (ii) que a DRJ conferiu à questão da integralização do capital social, efeito que não possui qualquer base legal, pois a não comprovação da origem dos recursos utilizados em sua integralização não autoriza concluir que a Recorrente não possui origem para suas operações de importação; (iii) o fato de a Fiscalização considerar que não foi comprovada a origem lícita da integralização do capital social não tem o condão de contaminar os recursos utilizados em todas as operações de comércio exterior realizadas; (iv) que a Recorrente apresentou documentos e esclarecimentos solicitados pela Fiscalização quanto à origem dos recursos utilizados na integralização do capital social, consoante se verifica exemplificativamente dos documentos constantes às fls. 921/940 e 1.020/1.065 dos autos e declaração de fls. 1.018/1.019; (v) que a ausência de declaração para fins de tributação do imposto de renda pelos supridores dos recursos utilizados na integralização do capital social, não é suficiente para afastar a licitude dos recursos, mormente diante da efetiva comprovação da origem e que a omissão de rendimentos nas declarações em tela poderia ensejar, eventual violação dos dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Física e Jurídica, mas não a conclusão de que os recursos são ilícitos; (vi) ainda que não se considere comprovada a origem dos recursos utilizados na integralização do capital social, alega que só poderiam ser desconsideradas as importações que utilizaram tais recursos e não genericamente todas as importações; (vii) que provou que possui financiamento decorrente do BANDES relativamente ao FUNDAP (fls. 3.513/3.602), contratos de financiamentos (empréstimos em Bancos) consoante se verifica nos documentos acostados às fls. 3.605/3.640 e mútuo, conforme documentos de fls. 3.674/3.681; (viii) apresentou conjuntos de Notas Fiscais da matriz e da filial, dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, reconhecido pela fiscalização à fl. 11 do Auto de infração, sendo que as mesmas gozam de presunção de veracidade, só podendo ser afastadas por meio de robusta prova em sentido contrário, o que não ocorreu no caso em concreto; (ix) igualmente apresentou os seguintes documentos, que suportam a demonstração de que possui origem para os recursos: (a) Balancetes dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 (fls 1259/2205); (b) Diário, Razão, Registro de Entradas e Saídas e Planos de Contas dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 (fls. 1259/2205); (c) Demonstrativo da formação de preço (fls. 2207/2279); (d) Extratos mensais das movimentações bancárias de suas contas (fls. 2802/3116); e, (e) Contratos de compra e venda celebrados com empresas exterior (fls. 3.118/3.134). (x) requer que se ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração quanto à parte que foi mantida pela DRJ, porque o Auto de Infração não possui a descrição de Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.083 11 fatos específicos referentes a cada uma das Dl's tidas como irregulares, em flagrante violação ao disposto no artigo 10, do Decreto n.° 70.235/1972; (xi) que se ANULE Acórdão recorrido quanto à parte que foi mantida pela DRJ, por cerceamento ao direito de defesa, convertendo o feito em diligência e baixando os autos à origem para que o Fisco considere lícitas todas as receitas da autuada. Diante de todo o exposto, e com base no entendimento jurisprudencial do CARF, pede o conhecimento e o provimento do Recurso Voluntário, para o fim de reforma do acórdão recorrido, cancelandose, em definitivo, a multa aplicada. O recurso, então, chegou a este CARF, que foi analisado pelo Colegiado que decidiu por converter o processo em Diligência, conforme Resolução nº 3402000.718, de 27/01/2015, que pelo voto vencedor, a Turma assim decidiu (fls. 3.870/3.878): "(...) Assim sendo, entendeuse que o processo não se encontrava em condições de receber um julgamento justo, pelo que se votou pela sua conversão em diligência, no sentido de determinar que a autoridade preparadora adotasse as seguintes providências: a) Refazer o fluxo de pagamentos e recebimentos, cotejando com as disponibilidades de caixa/banco da Recorrente, excluindo as operações de importação por conta e ordem; b) Considerar o preço pela prestação de serviços decorrentes das importações por conta e ordem realizadas pela Recorrente, assim como os aportes de investimentos fruto de captações junto a instituições financeiras; c) Em face das providências acima, elaborar “Relatório de Recomposição do Fluxo de Caixa” da Recorrente e sua aplicação das operações de importação direta ou por encomenda (estas, se houverem – identificar esta circunstância), manifestandose circunstanciada e objetivamente sobre a existência de recursos para cada uma das Declarações de Importação realizadas; d) Para orientação do julgamento a ser proferido após cumprimento da diligência, abrir uma opção no “Relatório de Recomposição do Fluxo de Caixa”, no qual se leve em consideração os mútuos declarados pela Recorrente, na pressuposição de que os mesmos efetivamente tivessem existido, e após, também em adendo ao mesmo Relatório, manifestandose circunstanciada e objetivamente sobre a existência de recursos para cada uma das Declarações de Importação realizadas, também nesse pressuposto. e) Intimar a Recorrente para manifestarse sobre o Relatório conclusivo da diligência, em prazo não inferior a 30 dias, após o que, com ou sem manifestação, seja determinado o retorno dos autos ao Conselho para reinserção em pauta de julgamento. Posto isto, em atendimento à Resolução nº 3402000.718 da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a fiscalização da ALF/Porto de Vitória (ES), intimou a empresa a apresentar documentos e arquivos contábeis (fls. Fl. 4088DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 3.884/3.885). Após receber os arquivos (juntados aos autos fls. 3.890/4.025) e proceder as respectivas análises, o Fisco elabora Informação Fiscal às fls. 4.065/4.073, nos seguintes termos: a) Neste item o julgador solicita que seja refeito o fluxo de pagamento e recebimentos excluindose as operações por conta e ordem de terceiros. Ressaltese, de princípio, que o fluxo de pagamentos e recebimentos (FLUXO FINANCEIRO INDISPONIBILIDADE DE RECURSOS PARA OPERAR NO COMÉRCIO EXTERIOR) utilizado por esta fiscalização, não se confunde com outros fluxos financeiros também utilizados para este mesmo fim. Para poder atender a este quesito e aos outros que vem em seqüência, a fiscalização refez o fluxo de pagamentos e recebimentos considerando as datas de todas as Declarações de Importações por Conta Própria e Por Encomenda, excluindose as operações Por Conta e Ordem de Terceiros. Foram consideradas também as datas das glosas das integralizações diárias e não mensais, apenas a título informativo, pois não mudaram o resultado final. Desta feita, o FLUXO FINANCEIRO, que era mensal, se tornou diário para as datas onde ocorreram estas citadas operações de importação. Vale ressaltar que não se faz necessária qualquer adição ou exclusão de valores destas operações por conta da exclusão das operações por conta e ordem de terceiros no FLUXO FINANCEIRO já que os valores que foram dispensados para o pagamento das despesas com estas operações foram em sua integralidade suportados pelo adquirente que tão somente fez o repasse destes valores para a TOHNES, ou seja, deveriase desconsiderar os dispêndios com estas operações por conta e ordem de terceiros e cumulativamente deveria se desconsiderar as entradas de recursos para suportar os dispêndios. O resultado disso, por óbvio, seria nulo. Logo abaixo do FLUXO FINANCEIRO, listamos uma planilha auxiliar (OPERAÇÕES POR CONTA PRÓPRIA E POR ENCOMENDA) onde estão registradas as Declarações de Importação (Nº), dia do registro, CIF Real da Importação, e modalidade de importação. As datas destas operações são as datas que orientaram o FLUXO FINANCEIRO. Registramos abaixo, também, a planilha DEPÓSITOS BANCÁRIOS, onde constam os valores glosados dos anos 2008 e 2009 no FLUXO FINANCEIRO constante do auto de infração nas fls. 20 do processo administrativo fiscal. As datas em cor cinza são as datas em que houve operações de importação, conforme planilha auxiliar. (...) demonstrativos b) O FLUXO FINANCEIRO utilizado por esta fiscalização considera, como já explicado no auto de infração, todas as entradas de recursos na empresa, tanto própria como de terceiros, fazendo no final e quando necessário, a devida “glosa” dos valores não comprovados de acordo com a legislação aplicável. As receitas pela prestação de serviços decorrentes das importações por conta e ordem realizadas pela TOHNES já foram consideradas pela fiscalização, pois estão compreendidas nas disponibilidades da empresa, pois o lançamento contábil da receita terá como contrapartida a conta caixa ou bancos (Receita de Serviços a Caixa/Bancos). Com relação aos aportes de investimentos, frutos das captações junto às instituições financeiras, registramos que os mesmos não existiram, conforme pode se constatar pela análise da contabilidade da empresa. Se tivessem existido, também, estariam compreendidos no FLUXO FINANCEIRO, já que não houve por parte desta fiscalização nenhuma ‘glosa’ destes valores. c) O (FLUXO FINANCEIRO INDISPONIBILIDADE DE RECURSOS PARA OPERAR NO COMÉRCIO EXTERIOR) em conjunto com o a planilha auxiliar (OPERAÇÕES POR CONTA PRÓPRIA E POR ENCOMENDA) atendem este quesito. As Declarações de Importação com as respectivas datas e suas modalidades estão na planilha auxiliar e a recomposição do fluxo de caixa está refletida diariamente no FLUXO FINANCEIRO. A coluna Saldo Real (FLUXO FINANCEIRO) reflete a existência ou não de saldo para cada dia em que houve operação de importação (datas na cor cinza). Fl. 4089DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.084 13 d) Nas páginas 3.674 à 3.681 do processo constam os mútuos declarados pelo contribuinte tendo como mututantes: Isabel Clotildes de Carvalho Passos R$ 100.000,00, Gilberto Almeida Passos – R$ 100.000,00, Gil Jefferson de Carvalho Passos – R$ 110.000,00 e Irmãos Paolino Ferragens LtdaMe – 74.000,00. O total dos mútuos, portanto, é de R$ 384.000,00. Se levarmos em consideração estes mútuos, que tem seu início em 15/07/2008, teremos a planilha listada no item “a”, DEPÓSITOS BANCÁRIOS, alterada para o período de 2008 e 2009 para DEPÓSITOS BANCÁRIOS ALTERADO. Por conseqüência o FLUXO FINANCEIRO também ficará modificado para FLUXO FINANCEIRO ALTERADO. Ressaltase que os dois valores de 2007 permanecem inalterados. Em 13/07/2015, a Recorrente foi regularmente intimada para manifestarse sobre o Relatório conclusivo da diligência elaborada pela ALF/Porto de Vitória (fl. 4.037). Em 12/08/2015, às fls. 4.039/4.047, protocola suas manifestações sobre o resultado da diligência, em resumo, apresentando as seguintes contrarazões: que ao analisar o relatório conclusivo da Fiscalização, cotejando com os quesitos a serem seguidos para a realização da diligência, verificase que as planilhas demonstrativas do fluxo financeiro da empresa não considerou os critérios, e, assim, não correspondem com a realidade dos fatos, consoante a seguir comprovado; em primeiro lugar, em atenção ao fluxo financeiro da pg. 2 do Relatório, a simples leitura do extrato bancário da empresa, comprova a existência, em todos os dias, de saldo positivo, que chegou a ser de até R$ 341.941,97, no 17/11/2009, C/C 14.6706, do Banco Bradesco; não obstante a existência de saldo na conta bancária, aquela Fiscalização, sem considerar de forma circunstanciada e objetiva a existência de recursos para as importações próprias e por encomenda, realizou diversos ajustes no saldo bancário, sem, contudo, indicar objetivamente o motivo das "glosas" dos recursos; temse que o modelo adotado pela Fiscalização na comprovação da origem dos recursos utilizados em cada operação de importação, não corresponde ao exigido (e comumente adotado) por este Conselho de Contribuintes; com efeito, a planilha acostada pelo Fisco não espelha a real movimentação na conta bancária da empresa, e assim não indica cada crédito/débito que foi lançado no extrato bancário, seja com o ingresso dos recursos (fruto de receitas financeiras e operacionais), seja os débitos, indicando sucintamente as despesas com importação; a Fiscalização não faz qualquer referência as despesas com os câmbios e sua correspondente origem. Enfim, em nada demonstra de maneira clara, objetiva e circunstanciada os recursos utilizados pela empresa para amparar cada despesa com a operação de importação (seja com o pagamento dos tributos, seja com o pagamento dos câmbios ao fornecedor). toma como exemplo a importação própria amparada pela DI n°09/1476990 6, registrada em 26/10/2009, cuja despesa com os tributos foi de R$ 14.305,80 (II, PIS e COFINS). Essa despesa, foi devidamente paga no mesmo dia do registro da DI, conforme se pode depreender do print do extrato bancário do Banco do Brasil abaixo, conforme demonstrativos de fls. 4.042/4.045. Como se vê, isso não foi feito pela Fiscalização, tampouco foram considerados os mútuos e empréstimos da forma discriminada acima (no caso de origem amparada por empréstimos). Fl. 4090DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 nesta senda, percebase, com base na Planilha de Comprovação da Origem dos Recursos anexa, que cada operação, repitase, foi circunstanciada e objetivamente comprovada, com indicação da origem dos recursos provenientes, não havendo que se falar de inexistência de saldo para arcar com todas as despesas, demonstrando, assim, que a Recorrente possui capacidade financeira, sendo seus recursos oriundos ou de receita operacional, ou de receita financeira. Anexa aos seguintes demonstrativos de comprovação da origens dos recursos financeiros das Importações por Encomenda de fls.4.048/4.055 e das importações por conta própria de fls. 4056/4061. Sucessivamente, na remota hipótese de entenderem que a empresa não tinha origem, o que se admite para fins de argumentação, requer a redução do percentual da multa administrativa aplicada de 100% para 10%, tendo em vista que os adquirentes de todas as mercadorias foram devidamente identificados na contabilidade/extratos (fl. 4.045); Diante do exposto, requer seja considerada a Planilha ora anexada para fins de comprovação de origem dos recursos empregados para satisfazer as despesas com os tributos e com os câmbios nas operações de importação, com a conseqüente improcedência do auto de infração ou, caso assim não entenda esta Turma Julgadora, baixe novamente o feito em diligência, a fim de que seja: (i) o fluxo financeiro detalhado de forma objetiva, considerando, no caso, operação por operação e os recursos empregados em cada uma; (ii) em caso de eventual glosa da receita utilizada, seja objetivamente indicado, operação a operação, o porquê da origem daquele recurso estar sendo desconsiderada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente, foi cientificada da referida decisão da DRJ (recibo AR) em 06/10/2014 (fl. 3.818) e apresentou em 05/11/2014 (fl. 3.820) o Recurso Voluntário de fls. 3.820/3.859), tempestivo, portanto. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235, de 1972, o mesmo pode e deve ser conhecido. Introdução No presente caso, em razão da decisão de 1ª instancia que deu provimento parcial a impugnação, estão em julgamento os Recurso de Oficio e o Recurso Voluntário. A motivação do recurso de ofício efetuado pela DRJ em Recife (PR), foi por ter considerarado procedente em parte a impugnação, acatando o resultado da diligência realizada pela Alfândega do Porto de Vitória (ES), que de fato, identificou e quantificou operações por conta e ordem de terceiro compondo a base de incidência da penalidade aplicada, as quais fogem ao escopo deste procedimento, razão pela qual devem ser excluídas da base de incidência da penalidade, exonerandose o sujeito passivo de parte do crédito tributário Fl. 4091DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.085 15 lançado no valor de R$ 1.241.188,44 (fls. 3.768 a 3.769), mantendo o valor lançado em R$ 2.350.589,89, conforme demonstrativo de fl. 3.788. Do Recurso de Ofício Como visto nos autos, são totalmente procedentes os argumentos apresentados no voto condutor da decisão a quo, onde a interposição fraudulenta caracterizada no caso estaria assim restrita às importações cuja execução demandaria recursos próprios. A conclusão prevista no art. 23, § 2º, do Decreto Lei nº 1.455/76, aplicase ao caso por assim não ter sido comprovada a origem, disponibilidade e transferência de tais recursos. Idêntico efeito para fins de caracterização da conduta em relação às importações realizadas por conta e ordem de terceiro apenas seria possível caso este, intimado a comprovar a origem dos recursos transferidos ao importador para execução das operações por sua conta e ordem, assim não o fizesse ou conseguisse comprovar, o que não é o caso, já que a ação fiscal envolveu exclusivamente a Recorrente. Por tais razões, com base no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999, adoto na integra os argumentos da decisão de 1° grau para o caso, e assim voto por considerar improcedente o recurso de oficio. Do Recurso Voluntário Preliminares de nulidade (a) Descrição do fato A Recorrente requer que se ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração quanto à parte que foi mantida pela DRJ, porque o Auto de Infração não possui a descrição do fato específicos referentes a cada uma das Dl's tidas como irregulares, em flagrante violação ao disposto no artigo 10, do Decreto n.° 70.235/1972. Que a mera leitura do Auto de infração demonstra que o Fisco não apresenta dados concretos que demonstrem a suposta prática de interposição fraudulenta para cada processo de importação objeto dos presentes autos. O Fisco deve individualizar cada conduta, demonstrando, efetivamente, que não teria comprovado os recursos utilizados para promover as importações narradas nos autos, evitandose, desta forma, o uso de generalizações sem qualquer base probatória. Que apesar de não listado no artigo 59 do Processo Administrativo Fiscal, o descumprimento dos requisitos do auto de infração configura nulidade por ausência de requisitos fundamental do auto de infração. Quanto aos fundamentos da autuação e a descrição dos fatos, há que se destacar que o Relatório Fiscal que é parte integrante do auto de infração (folha de continuação), no corpo do Auto de Infração encontrase expressamente destacado sua composição e motivação, conforme se verifica no inicio da fl. 4, in verbis: "(...) Com a conclusão do procedimento especial de fiscalização aplicado à TOHNES, foi lavrada representação fiscal para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ da empresa, processo nº 12466.002001/201081, cuja cópia integral se encontra nos 15 volumes do ANEXO I deste Auto, e tem como parte integrante o Relatório da Fiscalização e a documentação analisada pela ação fiscal, cujas fls. são citadas no presente Auto". Fl. 4092DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 E, pela leitura dos autos, constatase que o Fisco não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos, bem como o enquadramento legal e normativos às fls. 4/68 do Relatório Fiscal (continuação do Auto de Infração), como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação, conforme o resultado do Procedimento Especial culminando com o Relatório de Fiscalização às fls 3.701/3.761 e documentos acostados aos autos de fls. 586/3.700. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa a descrição dos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre a nulidade dos autos, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se sabe, no âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002 e a Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 2011, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e encaminhados ao conhecimento da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Por fim, o auto de infração deve ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos ditames do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Rejeitase, portanto, esta preliminar de nulidade. Fl. 4093DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.086 17 (b) Cerceamento do direito de defesa No que se refere ao argumento para que se ANULE acórdão recorrido quanto à parte que foi mantida pela DRJ, por cerceamento ao direito de defesa, convertendo o feito em diligência e baixando os autos à origem para que o Fisco considere lícitas todas as receitas da autuada, também não procede tal pedido. A autuação foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa, havendo sido atendidas todas as garantias processuais, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, art. 142 do CTN e arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972. Em suma, neste auto, não existe cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta refutando essas imputações em todas as fases processuais. Portanto, rejeitase também esta preliminar. MÉRITO Histórico da legislação e conceitos aduaneiros nas operações de importação. Inicialmente, cabe salientar que a lei e a legislação aduaneira vigente admitem a atuação dos importadores em três diferentes modalidades de operações, a saber: 1.Importação Direta; 2. Importação por Conta e Ordem de Terceiros; e 3.Importação para Revenda a Encomendante Prédeterminado. Nesse caminho para melhor esclarecer os fatos, reproduzo um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta, elaborado pelo Conselheiro Winderley Morais Pereira, proferido no Acórdão nº 3201001.852, de 28/01/2015: O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei nº 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior, o Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex, módulo de Importação em janeiro de 1997. A partir deste Sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Fl. 4094DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresa interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações, existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art.23.Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº10.637,de30.12.2002). § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas: a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 23, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da Fl. 4095DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.087 19 mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o Dano ao Erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do Decreto Lei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui tem os um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecido pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do Decreto Lei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa.Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. ANÁLISE DO CASO SOB EXAME Alega a Recorrente que quanto a efetiva comprovação dos recursos empregados na integralização de capital social e nas operações de importação, a fiscalização conclui, em seu relatório fiscal, que a hipótese dos autos seria de interposição fraudulenta presumida, diante da ausência de comprovação regular da origem dos recursos utilizados na Fl. 4096DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 integralização do Capital Social e, por consequência, em operações de importação da TOHNES. Como bem destacado pela decisão a quo, nesse particular, os seguintes elementos do quadro indiciário foram identificados pelo Fisco, que, em seu conjunto, demonstram, de forma coerente e inequívoca, a ocultação dos recursos requeridos para o financiamento das operações de comércio exterior da recorrente, fato a partir do qual se conclui pela interposição fraudulenta de suas importações por conta própria e encomenda, na forma prevista no art. 23, § 2º, do Decreto Lei nº 1.455, de 1976: (i) da falta de capacidade econômica dos sócios em relação a integralização do montante do capital social da empresa (aporte inicial e nas alterações posteriores); (ii) não comprovação (da origem) da efetiva integralização do capital social pelos sócios; (iii) da consequente falta de capacidade econômica e operacional da empresa; (iv) caracterização de simulação na captação de recursos, tanto na integralização do capital social quanto nos financiamentos e contratos de mútuos apresentados. Do retorno da Diligência solicitada pelo CARF Como visto, em atendimento à Resolução nº 3402000.718, a ALF/Porto de Vitória (ES), intimou a empresa a apresentar documentos e arquivos contábeis (fls. 3.884/3.885). Após os exames, o Fisco elabora Informação Fiscal às fls. 4.065/4.073, o qual destacase abaixo os trechos considerados mais importantes (grifouse): item (a) da Resolução: Neste item o julgador solicita que seja refeito o fluxo de pagamento e recebimentos excluindose as operações por conta e ordem de terceiros )...). Para poder atender a este quesito e aos outros que vem em seqüência, a fiscalização refez o fluxo de pagamentos e recebimentos considerando as datas de todas as Declarações de Importações por Conta Própria e Por Encomenda, excluindose as operações Por Conta e Ordem de Terceiros (...). Desta feita, o FLUXO FINANCEIRO, que era mensal, se tornou diário para as datas onde ocorreram estas citadas operações de importação. (...) Logo abaixo do FLUXO FINANCEIRO, listamos uma planilha auxiliar (OPERAÇÕES POR CONTA PRÓPRIA E POR ENCOMENDA) onde estão registradas as Declarações de Importação (Nº), dia do registro, CIF Real da Importação, e modalidade de importação. As datas destas operações são as datas que orientaram o FLUXO FINANCEIRO. Registramos abaixo, também, a planilha DEPÓSITOS BANCÁRIOS, onde constam os valores glosados dos anos 2008 e 2009 no FLUXO FINANCEIRO constante do auto de infração nas fls. 20 do processo administrativo fiscal. As datas em cor cinza são as datas em que houve operações de importação, conforme planilha auxiliar. item (b) da Resolução: O FLUXO FINANCEIRO utilizado por esta fiscalização considera, como já explicado no auto de infração, todas as entradas de recursos na empresa, tanto própria como de terceiros, fazendo no final e quando necessário, a devida “glosa” dos valores não comprovados de acordo com a legislação aplicável. As receitas pela prestação de serviços decorrentes das importações por conta e ordem realizadas pela TOHNES já foram consideradas pela fiscalização, pois estão compreendidas nas disponibilidades da empresa, pois o lançamento contábil da receita terá como contrapartida a conta caixa ou bancos (Receita de Serviços a Caixa/Bancos). Com relação aos aportes de investimentos, frutos das captações junto às instituições financeiras, registramos que os mesmos não existiram, conforme pode se constatar pela análise da contabilidade da empresa (...). item (c) da Resolução: O (FLUXO FINANCEIRO INDISPONIBILIDADE DE RECURSOS PARA OPERAR NO COMÉRCIO EXTERIOR) em conjunto com o a planilha auxiliar (OPERAÇÕES POR CONTA PRÓPRIA E POR ENCOMENDA) atendem este quesito. As Declarações Fl. 4097DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.088 21 de Importação com as respectivas datas e suas modalidades estão na planilha auxiliar e a recomposição do fluxo de caixa está refletida diariamente no FLUXO FINANCEIRO. A coluna Saldo Real (FLUXO FINANCEIRO) reflete a existência ou não de saldo para cada dia em que houve operação de importação (datas na cor cinza). item (d) da Resolução: Nas páginas 3.674 à 3.681 do processo constam os mútuos declarados pelo contribuinte tendo como mututantes: Isabel Clotildes de Carvalho Passos R$ 100.000,00, Gilberto Almeida Passos – R$ 100.000,00, Gil Jefferson de Carvalho Passos – R$ 110.000,00 e Irmãos Paolino Ferragens LtdaMe – 74.000,00. O total dos mútuos, portanto, é de R$ 384.000,00. Se levarmos em consideração estes mútuos, que tem seu início em 15/07/2008, teremos a planilha listada no item “a”, DEPÓSITOS BANCÁRIOS, alterada para o período de 2008 e 2009 para DEPÓSITOS BANCÁRIOS ALTERADO. Por conseqüência o FLUXO FINANCEIRO também ficará modificado para FLUXO FINANCEIRO ALTERADO. Ressaltase que os dois valores de 2007 permanecem inalterados. Após a ciência, em 13/07/2015, a Recorrente manifestase sobre o Relatório conclusivo da diligência (fl. 4.037), apresentando suas contrarazões, afirmando que ao analisar o relatório da Fiscalização, cotejando com os quesitos a serem seguidos para a realização da diligência, as planilhas demonstrativas do fluxo financeiro da empresa não considerou os critérios solicitados e o modelo adotado pelo CARF, assim, não correspondem com a realidade dos fatos, como a seguir resumido: (a) em primeiro lugar, em atenção ao fluxo financeiro da pg. 2 do Relatório, a simples leitura do extrato bancário, comprova a existência, em todos os dias, de saldo positivo, que chegou a ser de R$ 341.941,97, no 17/11/2009, C/C 14.6706, do Banco Bradesco; (b) a Fiscalização, sem considerar de forma circunstanciada e objetiva a existência de recursos para as importações próprias e por encomenda, realizou diversos ajustes no saldo bancário, sem, contudo, indicar o motivo das "glosas" dos recursos; (c) a fiscalização não faz qualquer referência as despesas seja com o pagamento dos tributos, seja com o pagamento dos câmbios ao fornecedor e sua correspondente origem; (d) toma como exemplo a importação própria amparada pela DI n° 09/14769906, registrada em 26/10/2009, cuja despesa com os tributos foi de R$ 14.305,80 (II, PIS e COFINS). Alega que essa despesa, foi devidamente paga no mesmo dia do registro da DI, conforme se pode depreender do print do extrato bancário do Banco do Brasil abaixo, conforme demonstrativos de fls. 4.042/4.045; (e) tampouco foram considerados os mútuos e empréstimos da forma discriminada acima (no caso de origem amparada por empréstimos); (f) apresenta os demonstrativos Planilha de Comprovação da Origem dos Recursos, em que alega cada operação, foi circunstanciada e objetivamente comprovada, com indicação da origem dos recursos provenientes para as importações por Encomenda de fls.4.048/4.055 e para as importações por conta própria de fls. 4056/4061 e (g) requer, na remota hipótese de entenderem que a empresa não tinha origem, o que se admite para fins de argumentação, requer a redução do percentual da multa administrativa aplicada de 100% para 10%, tendo em vista que os adquirentes de todas as mercadorias foram devidamente identificados na contabilidade/extratos (fl. 4.045); Diante do exposto, requer seja considerada as Planilhas (demonstrativos de fluxo financeiro) ora anexada, a conseqüente improcedência do auto de infração ou, caso assim não entenda, baixe novamente o feito em diligência. Como se vê dos argumentos acima, a Recorrente nada comprovou ou comentou sobre as origens dos recursos aportados pelos sócios quando da integralizações do capital social da empresa, fato amplamente considerado e consignado no Relatório elaborado pela Fiscalização, centrando todas as suas considerações sobre o fluxo financeiro elaborado. Fl. 4098DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 No caso, a Recorrente alega que, quanto a sócia Apolônia, os recursos para sua participação na empresa foram obtidos através de empréstimos (alegando existir contrato de mútuo) obtidos de pessoas físicas (sem disponibilidade financeiras comprovada na DIRPF), bem como a empresa Umuarama (que será objeto tópico próprio), esta não sabendo comprovar a origem de tais recursos aportados. No entanto, da mesma forma, a Recorrente nada comentou sobre a comprovação da origem dos recursos das pessoas físicas e jurídicas provedoras dos empréstimos (mútuos) que alega ser a fonte de financiamento dos recursos da sócia Apolônia. Por outro lado, como ficou demonstrado no resultado da diligência, o total dos mútuos declarados pela Recorrente foi de R$ 384.000,00 e se considerarmos os valores desses mútuos (como financiamentos de origem comprovadas), que teve seu início em 15/07/2008, teremos como resultado a Planilha listada no item “a” da Informação Fiscal, DEPÓSITOS BANCÁRIOS, alterada para o período de 2008 e 2009 para DEPÓSITOS BANCÁRIOS ALTERADO. Por conseqüência o FLUXO FINANCEIRO também ficará modificado para FLUXO FINANCEIRO ALTERADO, às fls. 4.071/4.073. Portanto, pode se verificar que a capacidade econômica e operacional da TONHES, pode ter seu "divisor de águas" a partir de 07/2008, consoante os recursos originados dos contratos de mútuos que a Recorrente alega ter sido efetuados como forma de financiamento da integralização do capital social e das operações de importação realizadas por conta própria e por encomenda. Nesse contexto, a seguir passaremos, então, a analise dos tópicos aqui tratados. Da Origem dos recursos na integralização do Capital Social Inicialmente destacase que desde sua habilitação como operador no comércio exterior, a empresa TOHNES registrou importações declaradas como sendo por conta própria no total de R$ 815.478,02, por conta e ordem de terceiros no valor R$ 6.775.797,72 e por encomenda no total de R$ 1.562.405,66, conforme demonstrativo à fl. 31. Verificase nos autos que o Contrato Social para constituição da empresa TOHNES foi assinado em 07/03/2006, com capital social de R$ 100.000,00, integralizado em moeda corrente na data da assinatura do contrato. A composição societária inicial e quotas do capital estavam assim constituídos: Apolônia Horbelt Tohnes, CPF n° 035.902.73771, com R$ 75.000,00 (75%) e Joelson Delarmina, CPF n° 071.389.507 13, com R$ 25.000,00 (25%). Consta da 1ª alteração do Contrato Social, assinada em 12/08/2008, que o capital foi aumentado de R$ 100.000,00 para R$ 400.000,00, sendo que R$ 130.000,00 seriam integralizados em moeda corrente e R$ 170.000,00 integralizados no prazo de 730 dias. A composição societária ficou desta forma: Apolônia passou de R$ 75.000,00 para R$ 300.000,00 (75%) e Joelson de R$ 25.000,00 para R$ 100.000,00 (25%) à fl. 18. Na 2ª alteração, de 24/06/2009, foram efetuadas as seguintes modificações: ampliação do objeto social e a declaração de que o capital social encontrarseia totalmente integralizado (fl. 19). O Fisco, então, observou que dessa forma, os sócios Apolônia e Joelson deveriam ter capacidade financeira suficiente para a integralização do capital social nos valores de R$ 300.000,00 e R$ 100.000,00, respectivamente, fato que durante o procedimento fiscal, a empresa TOHNES foi intimada e reintimada por várias vezes a comprovar e não conseguiu Fl. 4099DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.089 23 lograr êxito, desde sua formação original, bem como nas demais integralizações decorrentes das alterações contratuais. Verificase que no aporte original, quando do início de suas atividades, que nenhum documento foi apresentado, coincidente em datas e valores, que comprovasse tais integralizações. Ressaltese ainda, que no Relatório Fiscal chama atenção do Fisco para um detalhe à fl. 21. Notese que a constituição da empresa se deu em 07/03/2006. Vejase: "(...) No entanto, observase nas cópias dos extratos bancários, fls. 2.298 do ANEXO I, que nos dias 03 e 04/04/2006, ou seja, em data não coincidente com as integralização de Capital declaradas no Contrato Social, foram observados os seguintes depósitos e, no mesmo dia, as seguintes retiradas: DEPÓSITOS RETIRADAS DATA HISTÓRICO VALOR DATA HISTÓRICO VALOR 03/04/2006 TRANSF. AG DINH 30.114,00 04/04/2006 RECIBO RETIRADA 30.000,00 04/04/2006 DEP DINHEIRO 19.886,00 04/04/2006 RECIBO RETIRADA 19.810,43 04/04/2006 DEP DINHEIRO 24.905,00 04/04/2006 RECIBO RETIRADA 25.000,00 04/04/2006 TRANSF. AG DINH 25.095,00 04/04/2006 RECIBO RETIRADA 24.810,36 100.700,00 99.620,79 A fiscalização entendeu que essa operação, de suposta integralização do capital social inicial, não passou de uma simulação, já que praticamente toda a entrada de recursos na empresa (que foi efetuada em dinheiro) foi resgatada no mesmo dia (ver disposição no quadro acima). Com relação aos aportes em dinheiro realizados na conta bancária da empresa, inexiste qualquer elemento probatório trazidos aos autos que demonstre sua origem como recursos próprios dos sócios, sem considerar que ato contínuo foram sacados da conta da empresa, não apresentando a recorrente qualquer motivação, registro contábil ou documental de seu dispêndio no objeto comercial da empresa. Somase a isso o fato de que os supostos recursos dos sócios, conforme declarado na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, do anocalendário de 2006, seriam provenientes de "empréstimos", o que, também, não restou comprovado, uma vez que não se havia conseguido identificar a titularidade dos depositários. O Fisco destaca que não houve a apresentação de regulares instrumentos de contrato de financiamento ou empréstimo e nem houve a comprovação da efetiva transferência dos recursos dos financiadores aos sócios. Estas duas situações são cumulativas e indispensáveis à comprovação de financiamentos e empréstimos, conforme mandamento da Instrução Normativa SRF n° 228/2002, em seu artigo 6º, III, § 1º. Vejase (grifouse): Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II (...). III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; Fl. 4100DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. Desta forma a capacidade econômicaoperacional da empresa restou comprometida após o saque desses recursos pelos sócios e que não houve a comprovação da integralização do Capital Social inicial da empresa TOHNES. E mais. Quanto à 1ª alteração do CONTRATO SOCIAL, de 12/08/2008, haveria um suposto aumento do capital social da ordem de R$ 300.000,00, sendo R$ 130.000,00 realizado no ato, ou seja, em 12/08/2008, e R$ 170.000,00 realizado até o dia 24/06/2009. A fiscalização observa que a maior parte dos recursos também foi realizada em dinheiro vivo. Do valor total de entradas de R$ 431.700,00, o valor depositado em dinheiro foi de R$ 277.160,00, ou seja, 64% do total, sem a identificação de sua origem (fl. 21/22). Consta às fl. 24/25 do Relatório de Fiscalização, que a Recorrente apresentou informação de que a sócia Apolônia teria se valido de empréstimos particulares e que estes seriam a fonte dos recursos utilizados para a integralização de sua parcela do capital social, através de contratos de mútuo firmados pela sócia Apolônia com terceiros (3 pessoas físicas e uma pessoa jurídica). Ressaltou que tais contratos, os quais nunca provou que foram pagos pelo mutuário, teriam sido firmados sem garantidor, sem valor da garantia, sem a forma de prestação e sem a identificação dos bens oferecidos em garantia (fls. 3.674/3.681 do processo digital). Ressaltou ainda que não poderia haver bens em garantia já que a sócia Apolônia não os possuía em valor compatível com a garantia necessária e que seria necessário comprovar também a disponibilidade financeira por parte dos provedores dos empréstimos (quando não forem contraídos com instituições financeiras autorizadas pelo BACEN). Como bem frisado pela decisão recorrida, ficou consignado no Relatório Fiscal (fls. 25/28), que essa comprovação não ocorreu, muito pelo contrário. O contribuinte apresentou cópias das DIRPF exercício 2009 (anocalendário 2008), dos agentes financiadores da sócia Apolônia, as quais comprovam a falta de capacidade financeira desses agentes (fls. 3.682 a 3.697), como segue: (a) a mutuante Isabel Clotildes de Carvalho Passos apresenta disponibilidade anual de R$ 14.939,20 (AC/2008), não tendo assim disponibilidade financeira para emprestar R$ 100.000,00 para a sócia Apolônia; (b) o mutuante Sr. Gil Jefferson de Carvalho Passos, também, apresenta disponibilidade anual (AC/2008) de apenas R$ 15.774,40; (c) o mutuante Sr. Gilberto Almeida Passos, também, apresenta disponibilidade anual (AC/2008) de apenas R$ 15.360,00; (d) o quarto mutuante PJ Irmãos Paolino Ferragens Ltda ME (CNPJ n° 29.742.863/000116), atualmente com o nome UMUARAMA Corretora de Títulos e Crédito LtdaME não apresentou sua declaração DIPJ no ano calendário/2008. A empresa TOHNES não apresentou contrato de mútuo e nem apresentou qualquer documento que comprovasse a origem, disponibilidade e transferência de recursos desse suposto quarto agente financiador (empresa UMUARAMA). Já em relação ao sócio Joelson Delarmina, também não foi apresentada documentação comprobatória da integralização de sua parcela no Capital da empresa; registrou Fl. 4101DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.090 25 que da análise das suas DIRPF restou evidente que o Sr. Joelson não dispunha de rendimentos suficientes para o aporte de capital descrito no contrato social, e suas alterações, da empresa TOHNES. Conforme consta à fl. 27, declarou rendimentos tributáveis nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008 de R$ 13.407,62; 0,00 e R$ 2.988,00, respectivamente. Neste diapasão, observase um conjunto de elementos indiciários que convergem e se reforçam no sentido de indicar a artificialidade das posição dos sócios no capital social da TOHNES. Em sua peça impugnatório bem como em seu recurso, a Recorrente apenas apresenta refutações genéricas às evidências e conclusões apresentadas pela fiscalização, não trazendo qualquer argumento substancial ou elemento probatório que enfraqueça ou contradiga as conclusões do Fisco. Quando do retorno da Diligência solicitado por este CARF, a Recorrente também nada acrescentou sobre esse tópico. Ficou demonstrado nos autos que a sócia Apolônia, não possui rendimentos informados em sua declaração de rendimentos à RFB suficientes para tais integralizações de capital, conforme quadro demonstrativo apresentado pela fiscalização à fl. 26/27. Apesar disso, alega a Recorrente que o capital social foi integralizado, existindo apenas divergência em relação à data dos eventos, porém nada acrescenta em relação à licitude da origem dos recursos aportados pela sócia, como forma de demonstrar a regular integralização do capital social, que entre os meses de julho a outubro de 2008, apenas em depósito em dinheiro, totalizaram R$ 277.160,00, acrescido de outro montante referente a transferências bancárias de sua conta para a empresa, em valor total de R$ 141.340,00 (ver quadro fl. 20). Dos financiamentos do BANDES/FUNDAP e outros Alega a Recorrente em seu recurso que ainda que não se considere comprovada a origem dos recursos utilizados na integralização do capital social, que no caso, só poderiam ser desconsideradas as importações que utilizaram tais recursos e não genericamente todas as importações. Alega que provou possuir financiamentos decorrente do BANDES relativamente ao FUNDAP (fls. 3.513/3.602), contratos de financiamentos (empréstimos em Bancos) consoante se verifica nos documentos acostados às fls. 3.605/3.640 e mútuo, conforme documentos de fls. 3.674/3.681. A Recorrente apresentou planilhas e recibos referentes aos financiamentos que obteve junto ao BANDES/FUNDAP (conforme consta do Relatório Fiscal às fls. 14/16). Segundo levantamentos da fiscalização, totalizaram R$ 977.337,41, tendo a empresa efetuado arremate de parte do montante da dívida ao custo de R$ 105.600,67, o que resultaria uma disponibilidade financeira advinda desta linha de crédito no valor final de R$ 871.736,66, obtida no decorrer de 3 (três) anos (2007 a 2009). A fiscalização constatou ainda, que os empréstimos obtidos na sistemática do BANDES/FUNDAP poderiam ser liquidados em 20 anos, com 5 anos de carência. Porém, a empresa TOHNES optou pela recompra de parte da dívida em leilões com deságio. Observou, nesse ponto, que os recursos advindos desses empréstimos são muito inferiores àqueles Fl. 4102DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 requeridos para suportar as importações por conta própria e as realizadas por encomenda no período fiscalizado, fl. 31. Através de estudo de fluxo financeiro apresentado pela fiscalização às fls. 35 a 36, resta ali demonstrado quantitativamente a insuficiência financeira da empresa ao longo de sua vida operacional se excluídos os aportes financeiros realizados sem origem declarada (empréstimos e integralização do capital social), que ao longo dos 03 (três) anos totalizaram R$ 488.044,40. Em tal levantamento, todo o resultado financeiro auferido pela empresa em sua atividade comercial e os empréstimos levantados junto ao programa do FUNDAP são considerados, refletidos nos saldos finais em caixa e depósitos bancários. Da mesma forma, os contratos de empréstimos apresentados como fonte dos recursos pecam pela falta de elementos fáticos/probatórios de sua efetiva realização e transferência dos recursos, diante de uma evidente falta de capacidade econômica dos mutuantes para sua realização, conforme bem destacou a fiscalização (fls. 23 a 26). Em seu recurso bem como no resultado da Diligência, aponta os empréstimos do FUNDAP e o resultado econômico de suas importações por conta e ordem de terceiro como fontes a serem consideradas no custeio de suas operações por conta própria. Porém, a análise de seu fluxo financeiro pelo estudo acima citado (fls. 35/36) demonstra a insuficiência dos demais recursos da empresa no custeio de suas atividades, restando clara a imprescindibilidade daqueles aportes de origem desconhecida no desempenho de sua atividade comercial, qual seja, a realização de operações de comércio exterior. Como já visto no resultado da diligência, se os aportes financeiros realizados sem origem declarada (mútuos e integralização do capital social), que ao longo dos 03 (três) anos totalizaram R$ 384.000,00, forem considerados, o desempenho da empresa encontrase favorável, como pode ser visto nos demonstrativos de fls. 4.071/4.073. Dos Contratos de Mútuos Afirma que a realização de mútuos, ao contrário do quer fazer crer a fiscalização, comprova a licitude da origem dos recursos empregados nas operações de integralização do capital social. Ora, é sabido que é lícito firmar contratos mútuos e que caso contrário, estar seia admitindo que as importadoras não poderiam sequer tomar empréstimos bancários na realização de suas operações. Porém, no caso, a Recorrente alega que no caso da sócia Apolônia, os recursos para sua participação na empresa foram obtidos através de empréstimos (alegando existir contrato de mútuo) obtidos de pessoas físicas (sem disponibilidade financeiras comprovadas), bem como a empresas Umuarama citadas em tópico anterior, esta não sabendo comprovar a origem de tais recursos aportados. Posto isto, concluise que a Recorrente não apresenta nos autos qualquer instrução probatória de sua efetiva realização e quitação, o que se torna insuficiente para efeito de comprovação de origem dos recursos empregados na integralização do capital da empresa bem como na realização de operações de comércio exterior tratado nesses autos. Dos documentos fiscais e contábeis apresentados Aduz a Recorrente que apresentou os seguintes documentos, que suportam a demonstração de que possui origem para os recursos: (a) Balancetes dos anos de 2006, 2007, Fl. 4103DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.091 27 2008 e 2009 (fls 1.259/2.205); (b) Diário, Razão, Registro de Entradas e Saídas e Planos de Contas dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 (fls. 1259/2205); (c) Demonstrativo da formação de preço (fls. 2.207/2.279); (d) Extratos mensais das movimentações bancárias de suas contas (fls. 2.802/3.116); e, (e) Contratos de compra e venda celebrados com empresas exterior (fls. 3.118/3.134) e ainda as Notas Fiscais da matriz e da filial. Por outro giro, em seu relatório, o Fisco consignou que a TOHNES não demonstrou capacidade econômica para suportar os dispêndios nas suas operações internacionais, devido a não comprovação de suas fontes de financiamento, que mesmo consideradas se mostram insuficientes ao fluxo financeiro da empresa, e aos baixos resultados apresentados na sua atividade mercantil, conforme informação depreendida da análise do Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados constantes dos livros fiscais e contábeis apresentados pela Recorrente, registrando fluxo financeiro negativo (conta caixa “a descoberto”) nos anos calendário de 2007 a 2009 (saldo acumulado negativo em 31/12/2009 de R$ 424.840,81), fl. 35/36. Em resumo, com isso, como não foi comprovada a origem e a efetiva transferência dos recursos empregados pelos sócios para integralização do capital social da empresa, conclui restar não comprovada a disponibilidade dos recursos empregados na realização de suas operações de comércio exterior, na forma previstas no art. 23, § 2º, do Decreto Lei nº 1.455/76. Da multa aplicada presunção de interposição fraudulenta Argumenta a Recorrente que não se poderia presumir a ocorrência de interposição fraudulenta em suas operações de comércio exterior pela simples não comprovação de integralização do capital social, considerando sem origem lícita toda a receita gerada nas atividades comerciais da empresa para efeito de comprovação dos recursos empregados na execução de suas atividades de comércio exterior. Aduz ainda que os contratos de mútuos apresentados para efeito de origem dos recursos foram desconsiderados pela simples análise da declaração de renda dos mutuantes, sem que efetivamente se caracterizasse sua inexistência. E ainda que os empréstimos junto ao BANDES não foram considerados. Por outro lado, o Fisco entendeu que houve a ocorrência de interposição fraudulenta nas importações realizadas pela empresa, por conta própria e encomenda, haja vista a não comprovação de origem dos recursos envolvido em tais operações de comércio exterior, já que se identificou no procedimento fiscal falta de capacidade financeira dos sócios em relação à integralização do capital social, irregularidades no demonstrativo de sua integralização e falta de capacidade econômicaoperacional da empresa (e seus sócios) em relação ao montante de suas operações de comércio exterior. Pois bem. Ocorre que o fundamental da questão (relacionada à origem dos recursos empregados na integralização do capital social), não tem como única referência a pessoa jurídica que os recebeu, mas também o sócio que proveu os recursos. Caso contrário bastarseia que o terceiro oculto dotasse os recursos através dos sócios que os integralizariam ao capital da empresa, para que assim restasse comprovada a sua origem. Como se sabe é obrigação do sujeito passivo apresentar, quando solicitado pelo Fisco, todos os documentos que deram suporte à sua escrituração contábil e fiscal. A prova da origem e efetiva entrega dos recursos para integralização de capital da empresa, deve ser comprovada por documento hábil, idônea e coincidente, em datas e valores. Fl. 4104DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 Embora neste ponto é fato que se encontra demonstrada a efetiva transferência dos recursos envolvidos na integralização do capital social, com origem em conta bancária de sua titularidade, como já exposto em tópico anterior, é fato que não se verifica a devida demonstração em relação à origem lícita dos recursos empreendidos em tal integralização pelos referidos sócios da TOHNES. Conforme apontado pelo Fisco no Relatório de Fiscalização, a sócia Apolônia H. Tohnes (com 75% do capital) e Sr. Joelson Dalarmina (com 25% do capital), em suas respectivas DIRPF, demonstrou não ter capacidade econômica, portanto, indisponibilidade dos recursos empregados no aporte inicial no capital social da empresa (quadro fl. 27). Muito embora, destacase que na Declaração do IR da sócia Apolônia, aponte a origem para tais recursos atribuída a contratos de mútuos elaborado junto a três pessoas físicas e uma jurídica (fls. 3.682/3.697), ressaltese os quais foram firmados sem qualquer garantia e outras formalidades. Portanto, em referência à origem dos recursos empregado pelos sócios para integralização do aporte inicial de Capital Social da TOHNES (no valor de R$ 100.000,00, em 07/03/2006), não existe nos autos qualquer comprovação hábil que demonstre que a efetiva origem desses recursos eram lícitos, ressaltandose que neste ponto, houve várias e infrutíferas tentativas apresentadas pela sócia e Recorrente com tal objetivo. Da mesma forma sucedese nas alterações contratuais subsequentes. Posto isto, não apenas a efetividade da transferência, mas também a origem dos recursos aplicados pelo sócio cotista são requisitos cumulativos e essenciais à comprovação de regularidade dos recursos envolvidos no financiamento das atividades de uma empresa, aspectos intrinsecamente relacionados aos reais intervenientes envolvidos na execução de suas atividades operacionais, em conformidade às conclusões presuntivas previstas no § 2º, V, do art. 23, do DL nº 1.455, de 1976. Penalidade Conversão do perdimento em multa Como podemos verificar, evidenciouse a infração tipificada na legislação tributária que trata da matéria, qual seja, "Dano ao Erário" consignado no art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976 (reproduzido abaixo), bem como o disposto na Instrução Normativa SRF n° 228, de 2002, quando fica evidente as infrações regulamentares nos dispositivos da citada IN (SRF). Vejase (grifado): Art. 1º As empresas que revelarem indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada ficarão sujeitas a procedimento especial de fiscalização, nos termos desta Instrução Normativa. § 1º O procedimento especial a que se refere o caput visa a identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor. (...) Art. 4º O procedimento especial será iniciado mediante intimação à empresa para, no prazo de 20 dias: I (...) . Fl. 4105DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.092 29 II comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. (...) Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Já o art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, estabelece que: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). (...) A redação do § 3º, acima citado, com alteração trazida pela Lei nº 12.350/2010, passou a ser: § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 4106DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. A inserção destas normas no ordenamento jurídico teve como objetivo evitar práticas reiteradas de fraudes, em que empresas, com fins exclusivos de sonegação e de blindagem contra possíveis ações fiscalizatórias, operavam no comércio exterior através de terceiras pessoas indevidamente interpostas, normalmente constituídas com o objetivo único de se fazer aparecer na condição de real importadora e/ou exportadora, não possuindo bens capazes de suportar uma eventual execução fiscal, ficando o patrimônio da real operadora no comércio exterior totalmente resguardado, fatos que, sem dúvida, ocasionam grandes prejuízos ao Erário. Assim, podese conceituar a interposição fraudulenta como uma espécie de fraude ou de simulação que se configura quando uma pessoa física ou jurídica, de forma indevida, apresentase como responsável por uma operação comercial, interpondose entre determinada parte (o Fisco) e a outra (o verdadeiro sujeito passivo responsável pela operação de comércio exterior), obtendose vantagens ilícitas em detrimento do erário. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática ilegais, dentre outras, a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJj e da CSLL. Posto isto, o Fisco, então, após encerrado o procedimento fiscal e concluir que houve dano ao erário por ter ocorrido a interposição fraudulenta em operações de comércio exterior durante o período de 01/10/2007 a 30/06/2010, aplicouse a conversão da pena de perdimento em multa equivalente a 100% do valor aduaneiro em relação àquelas mercadorias não localizadas, consumidas ou revendidas, com fulcro no inciso V, § 3º, do artigo 23 do DecretoLei 1.455/1976, com nova redação dada pelo art. 41 da Lei nº 12.350, de 2010. Da redução da multa administrativa aplicada de 100% para 10% (retorno diligência). Considerando que os adquirentes de todas as mercadorias foram devidamente identificados na contabilidade/extratos (fl. 4.045), requer a redução do percentual da multa administrativa aplicada de 100% para 10%. Preliminarmente, ressaltese que essa matéria se encontra preclusa, uma vez que não foi discutida em sua peça impugnatória. Vejase precedente do CARF: Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do Fl. 4107DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.093 31 recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. No entanto, me parece que a Recorrente solicita a aplicação da multa capitulada no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, em razão da diversidade de objetividade jurídica das infrações. No entanto, ao contrário do que foi alegado pela Recorrente, tal motivo não afastaria a possibilidade da cominação cumulativa da multa substitutiva. A objetividade jurídica dos preceitos é completamente distinta. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, correspondente a 10% do valor da operação, é imposta em função do uso abusivo da personalidade jurídica, quando empregada como simples anteparo para a ocultação dos reais envolvidos na operação de comércio exterior. A pena de perdimento e a multa substitutiva do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, por sua vez, têm como pressuposto o dano ao erário decorrente da interposição fraudulenta. As infrações, portanto, não podem ser consideradas idênticas, o que afastaria a caracterização do bisinidem. Se fosse o caso de vigência da referida Lei à época dos fatos, as multas, por conseguinte, deveriam ser aplicadas de forma cumulativa, nos termos do art. 99 do DecretoLei nº 37/66, mesmo quando a caracterização da interposição fraudulenta ocorre de forma presumida. Ambas, portanto, aplicarseiam cumulativamente, consoante interpretação igualmente adotada no seguinte julgado da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara: CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Recursos de Ofício Provido e Voluntário Negado.” (Acórdão nº 310200.662 3ª S. 1ª C. 2ª TO. Rel. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. S. 24/05/2010). Portanto, quanto a este item, mesmo sendo matéria preclusa, não assisteria razão a solicitação da recorrente. Do pedido de Diligência A Recorrente solicita que se considere com origem comprovada os recursos envolvidos na execução de suas importações, as receitas provenientes de sua atividade empresarial, relacionadas à revenda das mercadorias importadas por sua conta e risco e aquelas provenientes das operações por conta e ordem de terceiro e por encomenda, bem como os Fl. 4108DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 financiamentos obtidos no programa FUNDAP, para as quais requer a realização de diligência para sua identificação e quantificação. Este CARF, entendeu necessário e converteu o processo em Diligência, o que resultou na Informação Fiscal (fls. 4.065/4.073), bem como a Recorrente manifestouse sobre o resultado prolatado pelo Fisco (fl. 4.039/4.047), que ao final, solicita novamente a possibilidade de se baixar novamente o feito em diligência, a fim de que seja: (i) o fluxo financeiro detalhado de forma objetiva, considerando, no caso, operação por operação e os recursos empregados em cada uma; (ii) em caso de eventual glosa da receita utilizada, seja objetivamente indicado, operação a operação, o porquê da origem daquele recurso estar sendo desconsiderada. A propósito, transcrevo os parágrafos pertinentes do voto condutor da decisão recorrida: Por fim, considerando vencidos todos os itens das contrarrazões da recorrente, convêm observar ainda que os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e julgamento do feito, demonstrandose despicienda e meramente procrastinatória a providência genérica solicitada pela defendente para a realização de diligências e perícias necessárias à elucidação das questões apontadas. As diligências e a perícia técnica são meios de prova auxiliares da formação do julgador, destinadas ao esclarecimento de questões dúbias e à elucidação de aspectos técnicos, cuja solução necessite de expertise e conhecimento especializados e que escapam do conhecimento das partes. Dito de outra forma, a perícia e mesmo as diligências não se presta para a produção de provas que a parte pode e deve produzir, no momento processual oportuno. A jurisprudência desta Turma Recursal caminha nessa direção: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Fl. 4109DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.002002/201025 Acórdão n.º 3402003.045 S3C4T2 Fl. 4.094 33 Assim, nos termos dispostos no Decreto nº 70.235/72, art.18 c/c art. 28, in fine, com as respectivas redações dadas pela Lei nº 8.748/93, tornase dispensável a realização de nova diligência em face de estarem presentes nestes autos todos os elementos necessários à formação da convicção do órgão julgador para a consequente solução da lide, conclusão a que este relator já chegara justamente depois de examinar todos os documentos acostados. Dos processos de Inaptidão do CNPJ e de Representação Fiscal Concluído o procedimento de fiscalização, com a constatação da prática de irregularidades no comércio exterior, inclusive a interposição fraudulenta, foram lavrados: 1) Representação fiscal para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ da empresa, processo n° 12466.002001/201081, cuja cópia se encontra no ANEXO I e tem como parte integrante o Relatório da Fiscalização e a documentação analisada pela ação fiscal e citada no presente Auto; 2) Representação fiscal para fins penais, processo n° 12466.002003/201070. Conclusão Pelo todo exposto, com base nos elementos probatórios contidos nos autos, VOTO no sentido de conhecer dos Recursos, para: I – Preliminarmente, para REJEITAR a arguição de nulidade do Auto de Infração; II – No mérito, julgar IMPROCEDENTE os recursos de ofício e voluntário, restando, assim, legítima a constituição da exação em comento, estando escorreita a subsunção dos fatos à norma aplicada, mantendose, portanto, a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 4110DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11618.720842/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofícial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Á época do lançamento o contribuinte ainda não encontrava-se aposentado, razão pela qual não fazia jus à isenção pois os rendimentos não eram provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão conforme exigido pela legislação vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofícial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Á época do lançamento o contribuinte ainda não encontravase aposentado, razão pela qual não fazia jus à isenção pois os rendimentos não eram provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão conforme exigido pela legislação vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 72 08 42 /2 01 3- 72 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. Maria Cleci Coti Martins Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11618.720842/201372 Acórdão n.º 2401004.341 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 04/02/2013, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2012, AnoCalendário 2011, na qual foi constatada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 175.994,04 (cento e setenta cinco mil, novecentos e noventa quatro reais e quatro centavos), recebidos pelo titular. A fim de comprovar o acometimento de moléstia grave pelo contribuinte, foi juntado aos autos Laudo Pericial emitido pela Previdência Social (fls. 9), dispondo que o contribuinte é portador de Cardiopatia Grave. Inconformado com a notificação apresentada, que se refere a período posterior ao indicado pelo Laudo como início da incapacidade em 15/04/2009, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise eram isentos em razão do reconhecimento da sua incapacidade por Laudo Médico de Órgão Oficial. E apresentou ainda cópia de acórdão proferido no Mandado de Segurança nº 999.2012.0012763/001, julgado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, que determinou sua aposentadoria e reconheceu o direito a isenção do Imposto de Renda. O contribuinte peticionou Às fls. 62 requisitando a tramitação prioritária do processo em virtude de ser portador de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “Embora o contribuinte alegue que o Mandado de Segurança tenha garantido seu direito à isenção desde abril de 2009, o que se observa dos autos é que o acórdão determinou a isenção de imposto de renda incidente sobre seus proventos de aposentadoria, em face de laudos médicos atestando sua condição de portador de cardiopatia grave desde abril de 2009. Em nenhum momento a decisão judicial determinou a isenção de imposto sobre os vencimentos percebidos pelo interessado anteriormente à data de sua aposentadoria.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou que havia sido diagnosticado com Cardiopatia grave em 15/04/2009, conforme exames, mas a aposentadoria só teria sido concedida três anos após por morosidade do órgão que a concedeu. Alegando ainda, que não poderia ser prejudicado pela demora do Órgão em efetivar a aposentadoria. Por fim, alega que o artigo 30 da Lei nº 9.250, de 1995 veio exigir Laudo Pericial de Órgão Oficial para reconhecimento de isenção por doença grave, não podendo Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 prevalecer sobre esta lei a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, especificamente no artigo 5, §2º, inciso I, que diz que a isenção tão somente será a partir do rendimento do mês da concessão da aposentadoria. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11618.720842/201372 Acórdão n.º 2401004.341 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 03/11/2014, conforme termo de ciência às fls. 88, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 25/11/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 175.994,04 (cento e setenta cinco mil, novecentos e noventa quatro reais e quatro centavos), recebidos de Pessoa Jurídica indevidamente declarados como isentos ou não tributáveis, em razão de a contribuinte não estar aposentado á época, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 19 de dezembro de 2004, determinam: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 Nesse sentido, o artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia grave fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Confirase: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia grave e natureza específica do rendimento, qual sejam, provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Inexistindo dúvida acerca da doença do recorrente, fazse necessário a análise acerca da natureza dos rendimentos percebidos. Verificase que o cerne da controvérsia em questão é a possibilidade de isenção do Imposto de Renda do contribuinte anteriormente a concessão da Aposentadoria pelo Órgão Oficial competente para tal, em virtude da morosidade em sua concessão e reconhecimento anterior da Cardiopatia Grave. Cumpre esclarecer que embora o Laudo oficial reconheça a existência de patologia grave desde 2009, a aposentadoria do contribuinte só foi publicada no diário Oficial em 02/08/2012, conforme se extrai do documento de fls. 6. Nesse descortino, ao contrário do que alega o recorrente, em nenhum momento a decisão judicial juntada aos autos determinou a isenção de imposto de renda sobre os proventos anteriormente à data de sua aposentadoria. Recordese: “Assim, tendo sido comprovado que o impetrante preencheu os requisitos previstos no art. 40 da CF/88 com redação dada pela Emenda Constitucional nº 70/2012, art. 19, §§ 5º e 6º da lei nº 7.517/2003, alterada pela Lei 9.721/2012 e art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88, modificada pela Lei n 1.052/04, verificase que o requerente tem direito líquido e certo a aposentadoria com proventos integrais, garantida a paridade, bem com à isenção do Imposto de renda sobre seus proventos.” (fls. 24) Assim, não resta dúvida sobre o direito do recorrente a aposentadoria, bem como a isenção destes proventos. No entanto, não existe decisão judicial, nem amparo legal para o pedido de isenção de proventos anteriores a aposentadoria em virtude da existência de doença grave preexistente. Por todo o exposto, e tendo em vista que a documentação anexada demonstrou que a aposentadoria só ocorreu em 02/08/2012 (fls. 10), os rendimentos percebidos até essa data não gozam da isenção requerida. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11618.720842/201372 Acórdão n.º 2401004.341 S2C4T1 Fl. 5 7 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 0/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
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Numero do processo: 11020.722513/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR.
A compensação de base de cálculo negativa da CSLL que tenha sido utilizada em lançamento de ofício anterior sujeita-se a glosa, mormente quando a exigência fiscal foi julgada procedente na primeira instância Recurso Voluntário Negado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
ÍNDICE DOS JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR. A compensação de base de cálculo negativa da CSLL que tenha sido utilizada em lançamento de ofício anterior sujeitase a glosa, mormente quando a exigência fiscal foi julgada procedente na primeira instância Recurso Voluntário Negado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 ÍNDICE DOS JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 25 13 /2 01 1- 14 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 613 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 614 3 Relatório RIO GRANDE ENERGIA S.A. recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1035.068 proferido pela 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: I DA AUTUAÇÃO FISCAL Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração de contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL (fls. 336 a 342), referentes aos fatos geradores apurados em 31/12/2006 e 31/12/2007, pelos quais exigese o crédito tributário no valor total de R$ 11.585.143,57, inclusos os consectários legais até 30/06/2011. A infração está assim descrita no auto de infração da CSLL: 001 – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, a contribuinte informou compensação de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), entretanto, no sistema de acompanhamento do prejuízo, lucro inflacionário e base de cálculo negativa da CSLL (sistema SAPLI) não havia, nos citados períodos, saldo de base de cálculo negativa a ser compensada. Vide Relatório de Atividade Fiscal em anexo. Valores tributados: R$ 28.838.943,77 em 31/12/2006 e R$ 30.885.419,89 em 31/12/2007. Enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei nº7.689/99; art. 58 da Lei nº 8.981/95; art. 16 da Lei nº 9.065/95; art. 37 da Lei nº 10.637/02. No relatório de atividade fiscal produzido (fls. 344 a 348), consta que as inconsistências apuradas nas compensações das bases de cálculo negativas da CSLL em 2006 e 2007 são decorrentes da emissão do auto de infração constante do processo administrativo fiscal (PAF) nº 11080.009008/200447, o qual alterou os resultados declarados pela autuada nos anoscalendário de 1999 a 2003, que extinguiu a totalidade dos saldos de base de cálculo negativa da CSLL que a contribuinte possuía até aquele momento. Relativamente ao auto de infração do processo nº 11080.009008/200447, informa o autuante que ele foi julgado procedente tanto pela Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 615 4 DRJ/POA (Acórdão nº 5.331/2005) como pelo Conselho de Contribuintes/MF (Acórdão nº 10195.786 – fl. 333). Esclarece ainda que o contribuinte apresentou embargos de declaração, que foram rejeitados de plano através do Despacho nº 247 do Presidente da 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes, e que, atualmente, o processo em questão encontrase no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na situação – “Em tramitação” (fls. 331/332). O autuante informa ainda que emitiu o presente auto de infração tendo em vista a proximidade do termo final do prazo decadencial para efetuar o lançamento referente ao anocalendário de 2006. A multa de ofício aplicada foi no percentual de 75%, tendo como enquadramento legal o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Também foram lançados juros de mora com base nos art. 28 c/c art. 6º, 2º da Lei nº 9.430, de 1996. II DA IMPUGNAÇÃO Cientificada da exigência do crédito tributário em 11/07/2011 (fl. 337), a autuada, por meio de representante legal, apresenta, em 10/08/2011, a impugnação de fls. 355 a 385, com documentos de fls. 386 a 523, arguindo, em síntese: que a impugnação é tempestiva e deve ser integralmente apreciada, nas preliminares e no mérito; que o presente auto de infração tem por objeto a mesma matéria que está sendo discutida no PAF n° 11080.009008/200447, no qual pende julgamento de recurso especial interposto pela impugnante; por isso, solicita sobrestamento da decisão deste processo; que naquele processo discutese o crédito tributário de IRPJ e de CSLL, relativos ao período compreendido entre 1999 e 2003, e oriundo da glosa de diversas despesas, especialmente amortização de ágio, e da adição como receita dos valores da atualização SELIC na conta CVA; que neste processo discutese o montante de base de cálculo negativa de CSLL utilizado pela requerente em 2006 e 2007, sendo que esse montante é fruto da dedução das despesas de amortização do ágio e da exclusão dos valores registrados na conta CVA, que foram objeto de questionamento naquele processo administrativo; dessa forma, considerando a semelhança da matéria debatida, entende a impugnante que se faz imprescindível a suspensão do presente processo até que seja definitivamente julgado o PAF n° 11080.009008/200447; que caso assim não se entenda deve ser cancelada a presente autuação, já que a glosa de despesa de amortização de ágio e a adição como receita dos valores da atualização SELIC na conta CVA, efetuadas no auto de infração originário do PAF n° 11080.009008/200447, são absolutamente improcedentes; que no momento da incorporação da DOC 3 e durante todo o período de amortização do ágio vigia a Lei nº 9.532/97, determinando que o prazo mínimo para amortização com base na expectativa de rentabilidade futura é de 5 (cinco) anos e máximo de 10 (dez) anos; portanto, a amortização efetuada pela impugnante, no prazo de dez anos, e abalizada por carta emitida pela Ernst & Young, está em perfeita conformidade com a legislação fiscal; Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 616 5 que as regulamentações infralegais da CVM jamais podem se sobrepor à lei fiscal, específica e hierarquicamente superior, se considerados exclusivamente os efeitos fiscais dessa amortização, ou seja, para fins de apuração do lucro real da impugnante; que mesmo que se considerasse aplicável a Instrução CVM nº 247/96 (o que não é correto), ainda assim o procedimento adotado pela impugnante estava correto, já que, na data em que houve a incorporação, não havia qualquer disposição relacionada à amortização do ágio no prazo da concessão. Esse dispositivo foi inserido posteriormente à incorporação, pela Instrução CVM nº 285/98, sendo, portanto inaplicável ao presente caso; que a alteração inserida pela Instrução CVM nº 285/98 aplicase apenas ao ágio apurado na aquisição do direito de concessão, totalmente diferente do presente caso, que se tratou de ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura de uma sociedade; portanto, por qualquer prisma que se analise a questão, a única conclusão a que se chega é que o procedimento aplicado pela impugnante para amortizar o ágio foi o mais correto; que os valores da atualização da conta CVA pela taxa SELIC, não podem ser submetidos à tributação antes da aprovação da nova tarifa pela ANEEL, já que tal atualização reflete um mero controle de custos que a impugnante está obrigada a efetuar, para servir de parâmetro a eventual aumento da tarifa no ano posterior; e, dessa forma, a receita relacionada a tais valores somente é efetivamente auferida após a aprovação da nova tarifa pela ANEEL e com o consumo da energia elétrica pelos consumidores, o que somente pode ocorrer no ano posterior. Antes disso, há mera expectativa de direito, que não gera disponibilidade jurídica ou econômica da renda e, portanto, não pode ser considerada receita para a empresa; que tem como comprovada a exatidão dos procedimentos adotados na apuração dos seus resultados entre 1999 e 2003, de modo que o saldo de prejuízo fiscal utilizado para compensação em 2006 e 2007 encontra pleno fundamento nos fatos e no direito aplicável. Ao final, quer o acolhimento integral da presente impugnação, com o objetivo de cancelar o auto de infração em tela, bem como as penalidades aplicadas, com o consequente arquivamento do processo administrativo. Protesta também pela posterior juntada de documentos ou realização de provas eventualmente pertinentes. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 09 de novembro de 2011 (fl. 535), tendo interposto tempestivamente recurso voluntário de fls. 537567 em 08 de dezembro de 2011, o qual, em resumo, reafirma os termos da impugnação apresentada, requerendo a suspensão do julgamento dos presentes autos até que seja definitivamente julgado o processo nº 11080.009008/200447. Subsidiariamente requer o cancelamento da exigência, considerando regulares e dedutíveis as despesas glosadas naqueles autos, o que, consequentemente, implicaria o provimento ao presente recurso. Caso mantida a exigência, requer a anulação da multa de 75% cominada e da exigência de juros Selic sobre o valor do principal e da multa. É o relatório. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 617 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO A questão posta nos autos é absolutamente simples: foi lavrado auto de infração relativo aos anoscalendário de 1999 a 2003 (processo 11080.009008/200447) referente a glosa de diversas despesas, especialmente amortização de ágio, e a adição de receitas na base da cálculo da ora Recorrente. Nos presentes autos discutese o montante da base negativa de CSLL utilizada nos anoscalendário de 2006 e 2007, sendo que o valor em discussão decorre justamente das infrações discutidas naqueles autos que vieram a reverter as bases negativas então apuradas naqueles períodos e que também refletiram nas bases negativas dos anoscalendário de 2006 e 2007. A própria requerente requereu em seu recurso voluntário que se aguardasse a análise do recurso especial interposto nos autos 11080.009008/200447. Embora entenda não ser necessário aguardar decisão administrativa irreformável no processo principal para que os decorrentes possam ser julgados, bastando que todos se encontrem na mesma fase processual para que os decorrentes possam ser analisados, no caso concreto, a questão é irrelevante, pois no processo principal já houve julgamento do recurso voluntário (acórdão nº 10195.786) e o recurso especial interposto teve seu seguimento negado. Considerandose que foi negado provimento ao recurso voluntário, mantendose integralmente a exigência, por decorrência, a presente exigência também deve ser mantida. A respeito do mérito das glosas realizadas naqueles autos, essa controvérsia já foi apreciada no bojo do respectivo processo, não podendo ser rediscutido no presente litígio. 3 MULTA DE OFÍCIO Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, a redação do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 618 7 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] A penalidade aplicada de 75%, portanto, tratase de mera aplicação de dispositivo legal, não podendo esta Corte Administrativa debruçarse sobre temas ligada a inconstitucionalidade de normas (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.) ou confisco, já que essa última limitação constitucional ao poder de tributar é dirigida ao legislador, e não ao aplicador das normas tributárias. Desse modo, voto por negar provimento ao recurso também em relação à multa de ofício. 5 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SELIC SOBRE O TRIBUTO E SOBRE A MULTA DE OFÍCIO No que atine à aplicação da taxa Selic como índice para cálculo dos juors moratórios, assim dispõe a Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim sendo, e considerandose que os membros do CARF não podem afastar a aplicação das súmulas aprovadas por esta Corte Administrativa, mantenho a aplicação da taxa Selic como índice moratório. Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 619 8 No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 620 9 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 621 10 pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 622 11 Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722513/201114 Acórdão n.º 1402002.166 S1C4T2 Fl. 623 12 implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603–CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Isso posto, voto por manter a aplicação da taxa Selic como índice moratório, aplicandose não só ao tributo exigido, mas também sobre a multa de ofício cominada. 4 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 623DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722822/2014-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA BEATRIZ PENTEADO DE ARRUDA CAMARGO PEDROZO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 28 22 /2 01 4- 30 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10830.722822/201430 Acórdão n.º 2401004.357 S2C4T1 Fl. 96 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo a alteração realizada na declaração do contribuinte. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1269.518 (fls. 65/68): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea, mantendose a glosa sobre a parte cuja demonstração do efetivo pagamento não restou comprovada, quando o contribuinte foi instado a fazêlo. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2013/093555596453991, relativa ao anocalendário 2012, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 9.550,00 (fls. 56/60). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor do imposto a restituir. 3. Cientificada da notificação por via postal em 26/5/2014, às fls. 61, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/3). 4. Intimada em 10/11/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 69/71, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 18/11/2014 (fls. 73/74). 4.1 Expõe, em síntese, que acompanha a sua petição cópias dos recibos emitidos pelo profissional e dos cheques nominais utilizados para o pagamento do prestador do serviço, além de uma declaração deste profissional corroborando os fatos. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10830.722822/201430 Acórdão n.º 2401004.357 S2C4T1 Fl. 97 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito das deduções de despesas médicas, prescreve o Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) 7. Segundo a acusação fiscal, o contribuinte, devidamente intimado, não demonstrou o efetivo pagamento das despesas médicas, deixando de comprovar a movimentação financeira relativa à dedução glosada (fls. 58). 7.1 Na impugnação, não tendo sido apresentados elementos adicionais àqueles da fase preparatória ao lançamento, a decisão de piso não acatou as justificativas do contribuinte e manteve a glosa. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10830.722822/201430 Acórdão n.º 2401004.357 S2C4T1 Fl. 98 4 8. Entretanto, nessa fase recursal do contencioso administrativo, a recorrente logrou desincumbirse do ônus probatório, trazendo aos autos um conjunto probatório hábil e suficiente para afastar a imputação da irregularidade apontada pela fiscalização. 9. Com efeito, os recibos comprobatórios dos pagamentos, nos valores de R$ 6.200,00 e R$ 3.350,00, datados de 10/11/2012 e 12/12/2012, respectivamente, contêm os requisitos formais arrolados no inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, acima reproduzidos, tais como nome, endereço e número de inscrição do odontólogo (fls. 76). 10. As cópias dos cheques, que estão acostadas às fls. 77/83, totalizam o montante de R$ 9.550,00, divididos em 7 (sete) pagamentos, alguns prédatados: R$ 900,00 (21/8/2012), R$ 900,00 (21/8/2012), R$ 900,00 (21/8/2012), R$ 900,00 (21/9/2012), R$ 2.600,00 (26/9/2012), R$ 1.100,00 (5/11/2012) e R$ 2.250,00 (5/12/2012). 10.1 Embora inicialmente emitidos ao portador, o campo beneficiário dos cheques foi preenchido, mediante aposição de carimbo, com o nome do profissional prestador dos serviços de odontologia, Dr. Francisco Mendes de Carvalho Neto, à exceção de um deles, o cheque de fls. 82, no importe de R$ 1.100,00, compensado em nome de terceiro. 10.2 Todavia, a falta da emissão de cheque nominal não implica a desconsideração do pagamento, tendo em conta a consistência dos elementos de prova, avaliados em seu conjunto. Ademais, a experiência revela que não é procedimento incomum o repasse de cheque a terceiros por parte de beneficiário do pagamento. 11. Por fim, constam duas declarações prestadas pelo profissional de saúde, Dr. Francisco Mendes de Carvalho Neto. A primeira, atestando a veracidade dos recibos emitidos, no valor total de R$ 9.550,00 (fls. 75). A segunda, ratificando a declaração anterior e fornecendo cópia dos prontuários de atendimento do paciente, ora recorrente, em que se pode verificar o registro de diversos procedimentos odontológicos realizados no período de jun a dez/2012 (fls. 84/86). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer as deduções a título de despesas médicas no importe de R$ 9.550,00, tornando insubsistente a alteração efetuada na declaração do contribuinte relativa ao anocalendário de 2012. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100829/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso.
Embargos de declaração não conhecidos
Numero da decisão: 3301-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 29 /2 00 9- 10 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3301002.858 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de lançamento tributário consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon, no valor de R$ 7.868,09, referente a abril de 2009, cujo prazo final era 07/08/2009, tendo sido entregue em 15/09/2009. Os presentes embargos de declaração foram opostos em face do Acórdão prolatado pela extinta 1ª Turma Especial, que manteve a exigência da multa por atraso na entrega da DACON: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado. A embargante requer o conhecimento e o provimento dos embargos de declaração, para o sobrestamento do feito até a decisão de mérito pelo STF na repercussão geral no RE 640.452, e para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro A embargante reitera o pedido de sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo STF de tema que acredita ter influência sobre o presente caso, nos seguintes termos: Precipuamente, cumpre ressaltar a necessidade de verificação de fato capaz de modificar completamente o rumo da decisão ora embargada. Tratase da existência de Recurso Extraordinário com reconhecimento de repercussão geral em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal, cuja relatoria é do Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida no presente Processo Administrativo Fiscal. Assim ementado o acórdão de reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3301002.858 S3C3T1 Fl. 12 3 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER INSTRUMENTAL RELACIONADO À OPERAÇÃO INDIFERENTE AO VALOR DE DÍVIDA TRIBUTÁRIA (PUNIÇÃO INDEPENDENTE DE TRIBUTO DEVIDO). "MULTA ISOLADA". CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. QUADRO FÁTICOJURÍDICO ESPECÍFICO. PROPOSTA PELA EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL DEBATIDA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação que não gerou débito tributário. (RE 640452 RG, RElator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 06/10/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 232 DIVULG 06122011 PUBLIC 07122011 RT v. 101, n. 917, 2012, p. 643651). Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, sem mesmo adentrar na similitude do tema deste processo com o da repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, incabível o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013. Alega a embargante que houve omissão no acórdão citado, nos seguintes termos: Outrossim, no Recurso Voluntário apresentado foram expressamente veiculados argumentos no sentido de que o fato de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória de apresentação da DACON não deveria ensejar a aplicação de multa. Além disso, o contribuinte elaborou argumentação no sentido de infirmar a base de cálculo da multa supostamente devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo como base de cálculo a mesma da obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal tenha sido devidamente cumprida. Vejase, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser a mesma base de cálculo da obrigação principal. Assim, argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário. Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do tributo, razão pela qual não se pode vincular uma obrigação acessória a uma obrigação principal que possui fato gerador completamente diferente. É importante deixar claro que a multa tributária é espécie de sanção fiscal oriunda de atos omissivos relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3301002.858 S3C3T1 Fl. 13 4 A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que pago integralmente. Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da grandeza financeira. Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta. A exigência de multa pelo atraso do Dacon aplicada à embargante tem expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100829/200910 Acórdão n.º 3301002.858 S3C3T1 Fl. 14 5 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” No caso concreto, é incontroverso que a DACON foi entregue em atraso, portanto, a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei n. 10.426/2002. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Por isso, deve ser afastada a alegação de que "Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta." Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição, porventura, verificados na decisão recorrida, não se prestam, portanto à rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido qualquer omissão, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração interpostos. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 13053.000095/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO FIXADO DE ACORDO COM A ESPÉCIE DO INSUMO.
Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal, destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar créditos calculados sobre as aquisições de insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e aplicados no seu processo produtivo, mediante a aplicação dos percentuais, fixados no art. 8º, § 3º, I a III, da Lei 10.925/2004, de acordo com a espécie do insumo adquirido.
AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE A TOTALIDADE DOS INSUMOS ADQUIRIDOS. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, apropriar-se de créditos da Cofins calculado sobre o valor total (sem a redução do percentual de participação do parceiro) das aquisições de ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação dos animais, por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE.
O contribuinte que faz jus ao crédito presumido da atividade agroindustrial, previsto na Lei 10.925/2004, tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. SALDO REMANESCENTE PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, os saldo remanescentes de créditos da Cofins não cumulativa passíveis de ressarcimento não estão sujeitos à atualização pela taxa Selic.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários à formação da convicção do julgador quanto ao adequado deslinde da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia formulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO FIXADO DE ACORDO COM A ESPÉCIE DO INSUMO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal, destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar créditos calculados sobre as aquisições de insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e aplicados no seu processo produtivo, mediante a aplicação dos percentuais, fixados no art. 8º, § 3º, I a III, da Lei 10.925/2004, de acordo com a espécie do insumo adquirido. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE A TOTALIDADE DOS INSUMOS ADQUIRIDOS. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, apropriarse de créditos da Cofins calculado sobre o valor total (sem a redução do percentual de participação do parceiro) das aquisições de ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação dos animais, por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE. O contribuinte que faz jus ao crédito presumido da atividade agroindustrial, previsto na Lei 10.925/2004, tem direito à utilização dos valores AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 95 /2 00 9- 34 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. SALDO REMANESCENTE PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, os saldo remanescentes de créditos da Cofins não cumulativa passíveis de ressarcimento não estão sujeitos à atualização pela taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários à formação da convicção do julgador quanto ao adequado deslinde da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de nº 23273.21449.080509.1.1.090050 (fls. 2/6), em que solicitado o ressarcimento de crédito da Cofins não cumulativa, relativo às operações de exportação realizada no 1º trimestre de 2009, no valor total de R$ 16.847.693,67. Por meio do Despacho Decisório de fl. 23, o pedido foi parcialmente deferido, sendolhe reconhecido em favor da interessada o direito creditório no valor de R$ Fl. 463DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000095/200934 Acórdão n.º 3102001.208 S3C1T2 Fl. 463 3 11.966.086,48. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 12/16 e planilhas de fls. 17/22, verificase que os motivos da glosa parcial do crédito pleiteado foram os seguintes: a) valores dos pedidos de ressarcimento sem base na memória de cálculo; b) erro na determinação do percentual de exportação; c) erro na determinação do montante do crédito presumido agroindustrial; e d) valores de créditos transportados com erro de meses anteriores. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 63/99, em que, resumidamente, apresentou as seguintes alegações: a) com exceção do ajuste relativo ao valor das devoluções de vendas para exportação, que deveria ter sido diminuído do valor informado, a interessada afirmou ser merecedora do ressarcimento do integral postulado; b) era errônea a glosa referente à divergência entre o preenchimento do PER/DCOMP e do Dacon (apuração de crédito decorrente de aquisições no mercado interno, regime nãocumulativo e importação regime nãocumulativo), eis que devidamente demonstrados em fichas próprias do Dacon, enquanto que a ausência de campo específico no formulário magnético impossibilitou o apontamento da utilização dos saldos de créditos apurados; c) a documentação disponível e a transmissão do Dacon comprovam o cumprimento da obrigação acessória e permite a verificação da existência do crédito e de sua correta apuração, não havendo de permanecer o afastamento a este título; d) não existia irregularidade no preenchimento do Dacon, relativamente ao valor ressarcível, em razão de que houve equívoco da autoridade fiscal quanto ao ajuste nos valores totais das aquisições de insumos/produtos agropecuários, geradores de crédito presumido. Segundo a interessada, houve utilização arbitrária e incorreta de redutor em percentual de 10% sobre aquelas aquisições, visto que o procedimento da empresa na utilização do crédito decorre do fato de que é responsável pela integralidade dos custos do montante dos insumos empregados no processo produtivo e está previsto no caput do art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004; e) deveriam ser afastadas as indevidas aplicações de percentuais inferiores a 60%. As alíquotas de 35% e 50%, previstas nos incisos II e III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, sobre as aquisições de insumos/produtos agropecuários, são indevidas, eis que não se coadunam com a atividade desenvolvida pela empresa e não estão de acordo com a legislação de regência, sendo cabível, inclusive, perícia sobre este aspecto; f) deveria ser acolhida a manifestação de inconformidade no que se refere à homologação integral do pedido de ressarcimento, uma vez que a Lei 10.925/2004, (art. 8°), simplesmente autorizou a dedução do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep ou da COFINS, não trazendo qualquer restrição quanto à forma dessa devolução, não podendo haver imposição contrária e desfavorável à empresa por meio de norma infralegal, no caso a Instrução Normativa SRF 660/2006; g) embora o reconhecimento do ajuste a ser efetuado (devoluções de vendas para exportação), o ressarcimento postulado havia de ser homologado em sua integralidade, consoante os fundamentos de fato e de direito amplamente explicitados, e acrescido de correção monetária e da taxa Selic; e Fl. 464DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 h) fosse acolhido o pedido de realização de perícia, eis que atendidos os requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, para que o Perito respondesse os quesitos formulados. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 276/299), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 ATOS ADMINISTRATIVOS. EXISTÊNCIA DE ILEGALIDADES. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questões que envolvam ilegalidade de atos legislativos ou normativos, bem como de afronta a princípios constitucionais. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS objeto de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples apresentação de DACON não tem o condão de comprovar que os créditos apurados e utilizados no PER/DCOMP tiveram origem em vendas para o mercado externo. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar corno créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). Fl. 465DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000095/200934 Acórdão n.º 3102001.208 S3C1T2 Fl. 464 5 A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de COFINS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 14/1/2010, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 301). Inconformada, em 12/2/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 302/337, em que reafirmou as alegações aduzidas na fase de manifestação de inconformidade, incluindo o pedido de realização de perícia. Por intermédio do Despacho de fl. 461, com base no art. 17, III, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, o Presidente da Turma designou este Conselheiro para formalizar o acórdão nº 3102 001.208 (votos vencido e vencedor), relativo ao julgamento do recurso voluntário, realizado na Sessão de 1/9/2011, dado que o Relator, exConselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, e o Redator Designado do voto vencedor, exConselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, não mais integram nenhum dos Colegiados do CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, cabe esclarecer que, na Sessão de 1/9/2011, sob a relatoria do Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, além deste processo foram julgados mais 8 processos da recorrente, em relação aos quais o Colegiado proferiu duas decisões diferentes. Para o lote formado pelos processos de nºs 13005.000618/200756, 13005.000619/200709, 13005.000620/200725, 13005.000621/200770, 13005.000626/2007 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 01, 13053.000095/200934, foram proferidos, respectivamente, os acórdãos de nºs 3102 001.201, 3102001.202, 3102001.203, 3102001.204, 3102001.2051, 3102001.208, cuja parte dispositiva ficou a assim redigida, in verbis: Por maioria, negouse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. Enquanto que para o lote formado pelos processos de nºs 13053.000034/200896, 13053.000035/200831, 13053.000309/200719, foram proferidos, respectivamente, os acórdãos de nºs 3102001.206, 3102001.207, 3102001.209, cuja parte dispositiva ficou a assim redigida, in verbis: Por unanimidade, deuse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a integralidade dos insumos aplicados em relação de parceria, observado o art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, bem assim o direito a pleitear ressarcimento ou compensação, nos termos do art. 36, § 1º e incisos, da Lei nº 12.058, de 2009. Fez sustentação oral o advogado Carlos Eduardo Domingues Amorim, OAB/RS nº 40.881 Em relação ao primeiro lote de processos, cabe ainda esclarecer que, com exceção deste processo, nos demais verificase que a única questão submetida à apreciação e julgamento deste Colegiado foi a controvérsia acerca da atualização dos créditos com base na variação da taxa Selic. Assim, fica evidenciado que a decisão consignada em ata para este processo não reflete o teor das questões apreciadas e julgadas na referida Sessão por esta Turma. Com efeito, conforme a seguir demonstrado, o teor do dispositivo que melhor reflete as questões suscitadas no recurso voluntário objeto deste processo, induvidosamente, é aquele atribuído ao segundo lote de processos. Com base nessa premissa e tendo em conta que não foi localizado o voto vencido escrito, proferido e lido pelo Relator em Sessão, com vistas a manter o máximo de fidelidade possível ao entendimento do Relator, a seguir será reproduzido os excertos extraído do voto condutor proferido no âmbito do acórdão nº 3102001.206 (processo nº 13053.000034/200896), redigido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Presidente e Redator Designado, onde foram transcritos partes do voto do Relator, em que analisou questões idênticas às que foram aduzidas no recurso voluntário oposto neste processo. No recurso em apreço, a recorrente, em preliminar, reafirmou a alegação de nulidade do Despacho Decisório, por cerceamento do direito de defesa. No mérito, reafirmou o direito ao ressarcimento do valor do crédito integral pleiteado, acrescido da taxa Selic, com base na alegação de que: a) as informações sobre o crédito pleiteado prestadas no Dacon estavam corretas e comprovadas com a documentação fiscal e contábil colacionada aos autos, e não conflitava com as que foram apresentadas no PER/DCOMP; b) o percentual de 60% (sessenta por cento), aplicado na apuração do crédito presumido estava correto; c) fazia jus ao valor do crédito presumido agroindustrial integral, sem o redutor de 10% (dez por cento), pois os insumos foram integralmente utilizados na sua atividade produtiva; e d) fazia jus ao montante do saldo de créditos transferidos dos meses anteriores e que encontrava demonstrado 1 Em consulta ao e.Processo verificouse que o acórdão nº 3102001.205 ainda não foi formalizado. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000095/200934 Acórdão n.º 3102001.208 S3C1T2 Fl. 465 7 na sua escrituração contábil e fiscal. A recorrente reiterou ainda o pedido de realização de perícia. Conforme já mencionado, o Relator se manifestou sobre as questões suscitadas no recurso voluntário no voto proferido e lido em Sessão, que foi parcialmente transcrito no acórdão nº 3102001.206, cujos excertos pertinentes seguem transcritos: Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal no caso sob análise, tomo conhecimento do recurso respectivo. E da análise cuidadosa dos autos percebese que a lide posta perante esta instância de julgamento fica restrita a quatro pontos, a saber: (a) (in)correção da aplicação dos percentuais versados em forma progressiva nos incisos do § 3º, do art. 8º, da Lei n º 10.925/2004; (b) possibilidade de tomar a Recorrente créditos oriundos da sistemática não cumulativa do PIS/PASEP nas aquisições de insumos a serem aplicados em relação de parceria; e, (c) aproveitamento dos créditos de que trata o art. 8º da Lei n º 9.925/2004 além da mera dedução dentro do respectivo período de apuração com a própria contribuição ao PIS a Cofins. No que remonta ao primeiro ponto, devese observar que foi a Lei n° 10.833, de 2003, que inseriu a Cofins dentro do regime de apuração nãocumulativa, sendo esta, portanto, quem trata dos créditos básicos vinculados a este sistema de apuração não cumulada. Foi, entretanto, a Lei n º 10.925, de 2004, por seu art. 8º, que em forma de crédito presumido assegurou o aproveitamento de créditos sobre as aquisições, efetuadas à pessoas físicas ou cooperados pessoa física, de insumos aplicados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal (nela especificadas) e destinados a alimentação humana ou animal. O § 3º do aludido dispositivo é quem define a forma de apuração do crédito em questão. Atentese para a sua redação: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do Fl. 468DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 caput do art. 3° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei n°11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis es 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis ns 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Na realidade, o objeto da lide, no caso, se a aplicação das alíquotas acima destacadas estariam vinculadas ao bem produzido pelo beneficiário do crédito presumido ou ao insumo adquirido para a produção do mesmo bem, não se resolve à partir de uma interpretação literal do texto legal. Aliás, são manifestadamente retóricos as considerações de ambas as partes quando enaltecem a clareza do texto, de indiscutível obscuridade Fl. 469DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000095/200934 Acórdão n.º 3102001.208 S3C1T2 Fl. 466 9 no que tange ao critério para a definição da alíquota a ser aplicada. A solução à questão, distante da literalidade do texto legislativo, está em sua teleologia do dispositivo ou na mens legis. Atentese. A legislação em questão sucedeu intensa discussão travada logo após a instituição do regime não cumulativo para o PIS e para a COFINS, especificamente sobre a possibilidade da tomada de créditos nas aquisições efetuadas à pessoa física. Os reclames partiam principalmente do setor agropecuário, aonde estão reunidos os maiores produtores de mercadorias para consumo humano ou animal. Aliás, cujos negócios possuíam e possuem como característica marcante a aquisição de insumos de produtores rurais pessoas físicas. Como argumento mais substancial, defendiase exatamente que embora as pessoas físicas não fossem contribuintes do PIS e da COFINS, na produção dos bens por estes negociados, eram indiscutivelmente utilizados insumos tributados pelas aludidas contribuições. A graduação constante dos incisos do citado § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, então, entendemos nós, adota como referência o insumo adquirido pelo beneficiário, não o produto por este produzido, como quer fazer crer a recorrente. E isto por uma lógica simples: O crédito que se pretende assegurar de forma presumida é aquele decorrente dos insumos onerados pelo PIS e pela COFINS e suportados pelo produtor pessoa física, não contribuinte destas contribuições. Assim, as alíquotas decrescentes são inversamente proporcionais ao custo de produção dos bens (insumos) de que farão uso o beneficiário do crédito presumido em seu processo de produção. Por estas razões, entendemos que agiu com acerto a instância a quo ao manter a glosa sobre os créditos tomados com base na alíquota máxima do § 3º, do art. 8º, da Lei n º 10.925/2004, aplicando, conforme o caso, os percentuais de 35 e 50%. Ainda sobre este tema, tendo sido ele aqui definido mediante premissa de direito, em prejuízo ou esvaziando de qualquer sentido o esclarecimento fático probatório quanto à natureza do bem produzido pela Recorrente, entendemos pela impertinência da diligência pericial requestada. O segundo ponto acima indicado está relacionado à possibilidade da pessoa jurídica tomar créditos, na forma do art. 3º, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, sobre insumos por ela fornecidos a parceiro para a produção de bens, mediante contraprestação, em favor daquela primeira. Para a correta aplicação da norma jurídica contida no art. 3o acima citado, convém inicialmente conhecermos em detalhes a operação de remessa de insumos a terceiro parceiro. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 Conforme se infere dos autos, a recorrente processa/industrializa frango, iniciando seu processo produtivo com a criação das aves. Por razões que não interessa ao deslinde da lide, terceiriza parte da criação dos animais a parceiros, fornecendo a estes insumos (ração). Tais animais, por seu turno, retornam à recorrente e são reinseridos no seu processo produtivo, de modo a que entendemos que a melhor exegese do art. 3º, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, é a que permite ao recorrente a apuração de créditos decorrentes da sistemática não cumulativa do PIS. Atente à redação do dispositivo mencionado: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] O art. 17 da Lei n º 11.033/2004, c/c o art. 16 da Lei n º 11.116/2005 não tem aplicação ao crédito presumido de que versa o art. 8 da Lei n º 9.925/2004. Aqueles regulam a manutenção creditória relacionadas às saídas à alíquota zero, isenção e imunidade. O último institui crédito presumido, em lei especial que veda o pretenso aproveitamento. Já o art. 36 da Lei n º 12.058, de 13/10/2009, por sua vez, efetivamente introduziu no mundo jurídico outras hipótese para a utilização dos saldos credores de créditos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, relativos aos bens nele mencionados, especificamente a compensação com quaisquer outros tributos, vencidos ou vincendos, administrados pela RFB, ou ainda o ressarcimento em espécie. Confirase: Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000095/200934 Acórdão n.º 3102001.208 S3C1T2 Fl. 467 11 § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (grifos do original) Da leitura dos excertos transcritos, observase que o Relator não acatou as razões de defesa suscitadas pela recorrente em relação à primeira alegação (incorreção da aplicação dos percentuais de presunção fixados nos incisos do § 3º do art. 8º, da Lei n º 10.925/2004), mas acatou as outras duas alegações (possibilidade de apropriação de créditos sobre o totalidade dos insumos aplicados criação de todos os animais em regime parceria e o aproveitamento dos créditos mediante ressarcimento em dinheiro). O pedido de realização de perícia também foi expressamente negado pelo Relator Verificase ainda que o Relator não analisou as razões de defesa aduzidas pela recorrente sobre a atualização do crédito não reconhecido com base na variação da taxa Selic, questão que foi por ele analisada no voto encartado no acórdão nº 3102001.201, proferido na mesma Sessão, relativo ao processo nº 13005.000618/200756 de interesse da recorrente, que segue integralmente transcrito: Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Consoante bem observou a instância de julgamento a quo, observase que a lide renovada em sede de recurso voluntário, assim como o foi quando da apresentação da manifestação de inconformidade, restringese exclusivamente à questão da atualização monetária, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento acatados pela unidade de origem em seu valor principal histórico. No que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 203 11.501), as posições contrárias à atualização monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividemse entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos de IPI, de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. E não se trata aqui em transbordo da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 20311.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindose verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000095/200934 Acórdão n.º 3102001.208 S3C1T2 Fl. 468 13 Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: “Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estendese à hipótese dos autos.” De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filiome a tese da possibilidade da adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo Ementa: IPI. RESARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/0201.690) Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Afasto igualmente as motivações adotadas pelo acórdão recorrido, no sentido de vedar a correção em razão das normas jurídicas previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n.º 10.833/03, pois dirigidos a situações específicas que não se confundem com as dos autos. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento perante a Autoridade Fazendária competente, com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe provimento, no sentido de reconhecer a correção monetária, pela Selic, sobre o pedido de ressarcimento dos autos, a partir da data do seu protocolo. Deve, outrossim, observar a autoridade de origem os limites do crédito histórico reconhecido ao contribuinte. Luciano Pontes de Maya Gomes – Relator. Da leitura do voto transcrito, inferese que o Relator acatou as razões de defesa suscitadas pela recorrente em relação ao direito ao acréscimo da taxa Selic sobre a parcela do crédito não reconhecida pela autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem. Ainda com base nos excertos dos votos transcritos, inferese que o Relator não analisou a preliminar de nulidade do despacho decisório nem às questões de mérito atinentes (i) às divergências de informação prestadas no PER/DCOMP e no Dacon e (ii) aos valores dos créditos glosados transportados de períodos anteriores. Por todo o exposto, votase pelo indeferimento do pedido de perícia e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para reconhecer: a) o direito da recorrente apuração do crédito presumido agroindustrial sobre valor total dos insumos aplicados na criação das aves em regime de parceria integrado, devendo ser observado os percentuais fixados no art. 8º, § 3º, I a III, conforme procedimento adotado pela fiscalização; e b) o direito ao ressarcimento em dinheiro da totalidade do crédito reconhecido neste julgamento, que deverá ser acrescido da taxa Selic. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000095/200934 Acórdão n.º 3102001.208 S3C1T2 Fl. 469 15 Voto Vencedor Não foi disponibilizado a este Redator a minuta de voto do Conselheiro Redator originário, por essa razão, para manter fidelidade com o que fora debatido e decidido na Sessão de julgamento, reproduzse a seguir os excertos extraídos do voto proferido pelo ex Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Redator originário), proferido no âmbito do acórdão nº 3102001.206 (processo nº 13053.000034/200896), em que analisou questões idênticas às que foram aduzidas no recurso voluntário oposto neste processo. Durante os debates, chegouse ao consenso de que os parágrafos do art. 36 da Lei nº 12.058, de 2009 não restringiram os créditos que poderiam ser aproveitados, mas a data da apresentação dos pedidos. Ou seja, naquela oportunidade, decidiuse que, desde que atendida a condição definida no parágrafo 2º acima reproduzido, o saldo do Créditos Presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925/04, Créditos do qual aqui nos ocupamos, passou a ser, ele também, passível de ressarcimento. Definiu a norma, portanto, que os pedidos somente poderiam ser efetuados (i) a partir do primeiro dia do mês subseqüente à publicação da Lei e (ii) a partir de 1º de janeiro de 2010, respectivamente, em relação (i) aos créditos apurados nos anos calendário de 2004 a 2007 e (ii) os créditos apurados no ano calendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação da Lei. As datas acima tratamse, salvo melhor juízo, de uma medida destinada a disciplinar o fluxo de ingresso dos pedidos, sem qualquer consequência em relação ao direito propriamente dito. Nessa linha, não considero que a inobservância das datas especificadas nos incisos I e II do parágrafo 1º tivesse o condão de excluir o direito ao aproveitamento do Crédito sob a forma autorizada na Lei. Também não vejo como pretender obrigar o Contribuinte a apresentar um novo pedido, em substituição àquele que é objeto do presente litígio. De fato, poderseia argumentar que, em determinados casos, o escalonamento proposto pela Lei 12.058, de 2009 provocaria a prescrição de determinados créditos e, nessa ordem de consequência, a decisão de permitir o aproveitamento dos pedidos já apresentados representaria o ônus para o Fisco. Ocorre que tal discussão não se aplicaria ao presente litígio, pois o pedido trata de créditos relativos ao 4º trimestre de 2007. Ou seja, a prescrição somente ocorreria cinco anos após o encerramento no 4ª trimestre de 2012. Também não se poderia falar no acréscimo indevido de correção monetária, pela apresentação de pedido em data anterior àquela Fl. 476DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A 16 veiculada no ato novel. Tratandose de créditos relativos à Cofins nãocumulativa, não há espaço para que se promova a correção monetária a partir da apresentação do pedido. Trata se de vedação expressa contida no art. 13 da Lei nº 10833, de 20032, que também é aplicável à contribuição para o PIS não cumulativa, por força do art. 15 da mesma Lei3 Com essa considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de se apurar créditos relativamente aos insumos aplicados em relação de parceria, observado o art. 3º da Lei 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, bem assim o direito a pleitear ressarcimento ou compensação, nos termos do art. 36, § 1º e incisos, da Lei nº 12.058, de 2009. Da leitura dos trechos transcritos, chegase a conclusão de que o entendimento da maioria dos membros do Colegiado apenas divergiram do Relator em relação à atualização pela taxa Selic da parcela do crédito reconhecida no mencionado julgamento. Ainda com base nos excertos do voto transcrito, inferese que o Redator originário também não analisou a preliminar de nulidade do despacho decisório nem às questões de mérito atinentes (i) às divergências de informação prestadas no PER/DCOMP e no Dacon e (ii) aos valores dos créditos glosados transportados de períodos anteriores. Por todo o exposto, votase pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso voluntário para “reconhecer a possibilidade de se apurar créditos relativamente aos insumos aplicados em relação de parceria, observado o art. 3º da Lei 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, bem assim o direito a pleitear ressarcimento ou compensação, nos termos do art. 36, § 1º e incisos, da Lei nº 12.058, de 2009.” (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 2 Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2ºdo art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. 3 Art. 15 . Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3º e 4º do art. 6ºdesta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV nos arts. 7º e 8º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 477DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000095/200934 Acórdão n.º 3102001.208 S3C1T2 Fl. 470 17 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /05/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10855.724830/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
A dedução de despesas com advogado que atuou na esfera administrativa é cabível tanto quanto na esfera judicial, desde que devidamente comprovada a despesa por meio de recibo ou contrato. No caso concreto, não havendo indícios de inidoneidade do recibo apresentado, deve ser considerado apto e hábil a comprovar o dispêndio a título de honorários advocatícios.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MATÉRIA ESTRANHA AO LANÇAMENTO.
O julgamento do recurso voluntário deve ficar adstrito à infração capitulada no Auto de Infração, não sendo cabível o julgador apreciar matéria estranha ao lançamento.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso voluntário, por entender que não há prova nos autos de o recibo em questão ter sido fornecido por advogado.
( Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
( Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. A dedução de despesas com advogado que atuou na esfera administrativa é cabível tanto quanto na esfera judicial, desde que devidamente comprovada a despesa por meio de recibo ou contrato. No caso concreto, não havendo indícios de inidoneidade do recibo apresentado, deve ser considerado apto e hábil a comprovar o dispêndio a título de honorários advocatícios. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MATÉRIA ESTRANHA AO LANÇAMENTO. O julgamento do recurso voluntário deve ficar adstrito à infração capitulada no Auto de Infração, não sendo cabível o julgador apreciar matéria estranha ao lançamento. Recurso Provido
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DEDUÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. A dedução de despesas com advogado que atuou na esfera administrativa é cabível tanto quanto na esfera judicial, desde que devidamente comprovada a despesa por meio de recibo ou contrato. No caso concreto, não havendo indícios de inidoneidade do recibo apresentado, deve ser considerado apto e hábil a comprovar o dispêndio a título de honorários advocatícios. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MATÉRIA ESTRANHA AO LANÇAMENTO. O julgamento do recurso voluntário deve ficar adstrito à infração capitulada no Auto de Infração, não sendo cabível o julgador apreciar matéria estranha ao lançamento. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso voluntário, por entender que não há prova nos autos de o recibo em questão ter sido fornecido por advogado. ( Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 48 30 /2 01 3- 51 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 ( Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes Relatório Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada em 08/04/2013 Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente ao Exercício 2009, anocalendário 2008 (fls. 08/11), tendo sido crédito tributário apurado em R$ 20.055,20. A infração decorreu da Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, conforme descrição: Houve Solicitação de retificação de Lançamento SRL a qual restou indeferida em 15/07/2013, sendo a data de ciência em 16/12/2013 ( fl. 06). Inconformado com a Notificação de Lançamento, o contribuinte protocolou impugnação em 16/12/2013 (fls. 02/04), na qual alega, em síntese: • Que se não houvesse a contratação do advogado, não havia recebido da previdência social o valor de R$ 186.897,99, que são de direito (totais recebidos acumuladamente de diferenças de exercícios anteriores 2008) e o restante de R$ 12.987,27 (proveniente de rendimentos tributáveis); • Que o impugnante estaria sendo duplamente penalizado pelo governo em relação à tributação e os rendimentos de diferenças de direito, referentes a 96 meses, que só foram reconhecidos por meio de seu advogado junto a Previdência Social, administrativamente; • Que houve custo com advogado para reivindicar e receber essa quantia; • Que o valor de RS 34.400,00, referente a honorários do advogado, teria sido duplamente tributado, pois houve a incidência da tributação da pessoa física pelo recebimento; • Que se essa quantia fosse paga corretamente de acordo com os meses correspondentes aos seus rendimentos, não incidiria imposto a pagar conforme tabela da época; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10855.724830/201351 Acórdão n.º 2301004.685 S2C3T1 Fl. 68 3 • Que em 28 de abril de 2009 foi elaborada e enviada a declaração original, a qual originou um imposto a pagar de R$ 30.118,82, e uma retificadora em 10/06/2010, originando um imposto a pagar de R$ 20.658,82, na qual foram deduzidas as despesas com honorários advocatícios de R$ 34.400,00, conforme recibo que anexa; • Que deveria ser observado o princípio da isonomia jurídica ao presente caso, para que seja aplicada a regra do art. 12A da Lei 7.712/88; • Que, diante da Lei 7.713/88, art. 12A, foi elaborada uma simulação na declaração 2009, ano base 2008, separando os rendimentos tributáveis dos rendimentos recebidos acumuladamente, apurando nos cálculos finais o valor de R$ 14.910,11 a restituir, conforme cópia que junta aos autos. Juntou documentos em fls. 13/33. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação, restando assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Os rendimentos recebidos acumuladamente em anos anteriores a 2010 não poderão ser tributados na forma do art. 12A da Lei 7.712/88. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Não há previsão legal para a diminuição de honorários advocatícios dos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão em processo administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão 0435.080 3ª Turma da DRJ/CGE (fl. 49), em 12/05/2014 por meio de Aviso de Recebimento AR (fl. 59). Em 13/05/2014, sobreveio recurso voluntário com os mesmas teses de defesa da impugnação apresentada. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso ora analisado possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. Com a finalidade de delimitar a lide, cabe fazer algumas breves considerações. Em que pese a decisão "a quo" tenha exarado decisão com base na tese defensiva do recorrente, insta consignar que o julgamento dos recursos administrativos devem ficar adstritos ao Auto de Infração. O autuado afirma que os rendimentos recebidos tratamse de rendimentos recebidos acumuladamente ( RRA) e que se os tivesse recebido na época correta, não incidiria imposto a pagar, conforme tabela vigente à época. Com isso, traz à tona a discussão sobre "isonomia jurídica" da aplicabilidade do art. 12A, Lei nº 7.713/88, para rendimentos recebidos a partir de 27 de julho de 2010. Frisase, entretanto, que, embora assista razão ao recorrente quanto à questão levantada acerca de rendimentos acumulados, tendo em vista que restou cabalmente comprovado que efetivamente o valor auferido na esfera administrativa tratavase de rendimentos recebidos acumuladamente, este NÃO É O OBJETO DO PRESENTE LITÍGIO. Cabe a este E. Conselho, julgar o recurso do contribuinte com base do Auto de Infração lavrado pela Autoridade Fiscal. Portanto, esta Relatora deve ficar adstrita à autuação, analisando a descrição dos fatos e capitulação legal. In casu: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Confrontando os valores dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Ponte (Dirf) para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 34. 400,00. Recebido (s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00 . [...] Enquadramento Legal: Arts 1º a 3º e §§, 8º e 9º ' da Lei nº 7 .713/88. arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/90; arts. 5º .6º e 33 da Lei nº 9 250/95; arts. 1º e 15 da Lei nº 10 451/2002: arts. 43 a 45. 47. 49 a 53 do Decreto nº 3.000/99 RIR/1999. Neste contexto, cabe apreciar a insurgência do recorrente quanto ao ponto em que a decisão a quo manteve o lançamento efetuado, decorrente da infração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 34.400,00. Alega o contribuinte que o valor omitido tratase de valores dedutíveis, pois foram pagos ao advogado a título de honorários advocatícios. Aduz que não é justo ser tributado por uma quantia que na verdade não foi recebida. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10855.724830/201351 Acórdão n.º 2301004.685 S2C3T1 Fl. 69 5 A Turma Julgadora de Primeira Instância entendeu que o lançamento é procedente, pois inexiste previsão legal para a dedução efetuada, uma vez que os valores recebidos foram decorrentes de decisão em processo administrativo. Em relação aos honorários advocatícios diminuídos dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual 2008 do contribuinte, no valor de R$ 34.400,00, cabe destacar que não há previsão legal para essa dedução, por se tratar de rendimentos recebidos em decorrência de decisão em processo administrativo. Quanto ao tratamento diferenciado dispensado ao advogado que litiga em juízo ou administrativamente, esse não é o entendimento desta Relatora. Sabese que a principal, senão única, diferença entre a atuação do advogado na esfera judicial e na esfera administrativa é que na primeira o advogado é indispensável, enquanto que na segunda é optativa. Portanto, se o contribuinte optou por fazer valer seu direito na esfera administrativa por meio de advogado, tal despesa desde que preenchidos os requisitos legais deve ser deduzida dos rendimentos tributáveis auferidos. Os honorários advocatícios, efetivamente pagos pelo contribuinte para que o advogado desempenhe suas funções em relação à ação administrativa, têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Isso porque, entendeu o contribuinte que sem a intervenção do advogado não seria possível o recebimento de qualquer valor. Tornase assim, impossível diferenciar o trabalho do advogado no âmbito administrativo e no judicial, posto que há empenho e esforço do profissional em ambas as esferas. Esposado o entendimento desta Relatora quanto a atividade profissional de advogado no âmbito administrativo e no judicial, cabe analisar o caso concreto, verificando se o contribuinte, ora recorrente, trouxe aos autos comprovante de despesa com honorários advocatícios. Compulsando os autos, verificase que foi acostado à fl. 19, recibo no valor de R$ 34.400,00, datado de 24 de outubro de 2008, constando que o valor é correspondente ao pagamento dos honorários advocatícios referente ao benefício nº115.675438.8. O recibo é assinado, constando como CPF/RG o nº 417.240.38834. Ainda analisando os documentos, verificase que o contribuinte declarou em sua DAA no campo "PAGAMENTOS E DOAÇÕES EFETUADOS" a despesa com código 60 (advogado) em nome de Argemiro Sereni Pereira, CPF nº 417.240.38834. Em consulta ao Cadastro Nacional de Advogados CNA localizase o Advogado Argemiro Sereni Pereira, com a devida inscrição na OAB/SP nº 69183. Desta feita, como a despesa se deu em favor de advogado e que não há indícios de inidoneidade do recibo apresentado, deve este ser acolhido como apto a comprovar a despesa de R$ 34.400,00 a título de honorários advocatícios, sendo, portanto, passível de dedução. Assim, tendo em vista que foram fornecidas as informações necessárias para comprovar a natureza da despesa, deve ser cancelado o lançamento efetuado. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Ante o exposto, DAR PROVIMENTO ao recurso para considerar dedutível a título de honorários advocatícios, o valor de R$ 34.400,00. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13748.720642/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO E REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO E REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 06 42 /2 01 1- 06 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720642/201106 Acórdão n.º 2201002.784 S2C2T1 Fl. 107 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/CGE (Fls. 53), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: LANÇAMENTO Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de notificação de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa física (fls. 05/10), resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste anual do exercício 2009, anocalendário 2008, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 25.827,74, assim discriminado: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CÓD DARF VALORES EM REAIS Imposto sobre a renda da pessoa física suplementa Sujeito a multa de ofício 2904 13.511,77 Multa de ofício – passível de redução 10.133,82 Juros de mora calculados até 31/01/2011 2.182,15 Imposto sobre a renda da pessoa física sujeito a multa de mora 0211 0,00 Multa de mora – não passível de redução 0,00 Juros de mora calculados até 30/09/2009 0,00 Valor do crédito tributário apurado 25.827,74 Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 06/08), foi feito o lançamento de ofício do imposto sobre a renda, com o acréscimo de multa e juros, em decorrência das seguintes infrações: omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física CPF nº 740.089.517/68, no valor de R$ 8.038,71, decorrente da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da RFB; dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 41.095,00, por falta de comprovação. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720642/201106 Acórdão n.º 2201002.784 S2C2T1 Fl. 108 3 A contribuinte foi cientificada do lançamento pessoalmente em 06/12/2011 (fl. 05). IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação em 08/12/2011 (fls. 02/03), por meio da qual a interessada, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa, acompanhada de cópia de documentos pessoais (fl. 04) e de outros documentos (fls. 12/27), cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: não houve omissão de rendimentos pois foi recebido apenas o valor declarado, conforme informe de rendimentos de Maision House Ltda., com valor bruto de R$ 9.178,71, do qual foi deduzida a taxa de administração de R$ 1.110,00 e que gera o líquido declarado de R$ 8.038,71; o valor das despesas médicas referese a despesas do próprio contribuinte e foi comprovado através de recibos com identificação do paciente, descrição dos serviços, data do pagamento, identificação do pagador, endereço e registro do órgão de classe e CPF do profissional; anexa os documentos que relaciona, tendo recebido a notificação somente em 06/12/2011 devido a mudança de endereço. Ao final, solicita prioridade na análise da impugnação, de acordo com o artigo 71 do Estatuto do Idoso. Passo adiante, 3ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Comprovado o erro de fato na indicação da fonte pagadora, deve ser corrigido o lançamento correspondente à omissão destes rendimentos. DESPESAS MÉDICAS A dedução das despesas médicas deve ser efetuada mediante documentação hábil e idônea, acompanhada de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Cientificada em 13/03/2012 (Fls. 62), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12/04/2012 (fls. 63 a 74), argumentando em síntese: (...) 9. No que se refere à dedução da despesa médica referente ao tratamento realizado com o Dr. Sérgio Danillo lung, declarada tia sua DAA/09, no valor de RS 20.000,00, a Recorrente informa que optou pelo pagamento do débito de 1RPF decorrente da glosa de tal despesa, no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida, aproveitandose, assim, do benefício da redução de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720642/201106 Acórdão n.º 2201002.784 S2C2T1 Fl. 109 4 30% da multa de ofício aplicada, nos termos do artigo 6o, inciso III, da Lei n° 8.218.91. 10. Na planilha abaixo, a Recorrente apresenta a apuração do IRPF devido em razão do reconhecimento da glosa da despesa médica no valor de R$ 20.000,00. Vale observar que, no cálculo do IRPF devido, foi considerada como correta a dedução da despesa médica relativa ao plano de saúde, no valor RS 7.946,64, que não foi questionada no lançamento, e das despesas médicas, no valor total de R$ 21.095,00, pagas aos Drs. Ana Camargo Pinheiro e Mareio Kollenz Carrascosa, cuja glosa é questionada no presente recurso. APURAÇÃO DESPESAS MÉDICAS ANO CALENDÁRIO 2(108 (Exercício 2009) Linhas üa Declaração Valores Declarados Valores apurados após a decisão de primeira instância Defesa Rendimentos Tributáveis P.T RS 349.926,88 RS 341.888,17 RS 341 888,17 Rendimentos Tributáveis PF R$ 0,00 R$ 8.038,71 RS 8.038,71 Total Rendimentos Tributáveis RS 349.926,88 RS 349.926,88 RS 349.926,88 Contribuição Previdenciária Oficial RS 4.755,71 RS 4.755,71 RS 4.755,71 Contribuição Previdenciária Privada RS 33.000,00 RS 33.000,00 R$ 33.000,00 Despesas Médicas R$ 49.041,64 RS 7.946,64 RS 29.041,64 Total de Deduções RS 86.797,35 RS 45.702,35 RS 66.797,35 Base de Cálculo RS 263.129,53 R$ 304,224,53 RS 283.129,53 Alíquota 27,50% 27,50% 27,50% Parcela a Deduzir R$ 6.585,93 RS 6.585,93 RS 6.585,93 Imposto Calculado RS 65.774,69 R$ 77,075,82 R$71.274,69 Imposto Devido RS 65.774,69 R$ 77,075,82 R$71.274,69 IRRF RS 57.224,50 RS 57.224,50 RS 57.224.50 Saldo do Imposto a Pagar RS 8.550,19 RS 19.851,32 RS 14.050,19 Imposto Suplementar RS 11.301,13 RS 5.500, 00 Exercício Vencimento Valor Principal de IRPF Multa de Ofício com Redução de 30% Juros Juros sobre a Multa Total 2009 30.04.2009 RS 5.500,00 R$ 2.887,50 RS 1.585,65 RS 345,92 R$10.319,07 11. Apesar da sua concordância com essa parcela do lançamento, por outro lado, a Recorrente discorda do lançamento com relação à glosa das seguintes despesas médicas: Dra. Ana Camargo Pinheiro, no valor de R$ 15.130,00, e Dr. Mareio Kollenz Carrascosa, no valor de R$ 5.965,00, que totalizam R$ 21.095,00. Isto porque inexiste razão para a desconsideração dos recibos emitidos por esses profissionais, os quais foram anexados à impugnação, não tendo sido apresentado qualquer alegação razoável e plausível para suportar a sua suposta inidoneidade. Além do que, a Recorrente Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720642/201106 Acórdão n.º 2201002.784 S2C2T1 Fl. 110 5 possui a documentação comprobatória da prestação dos serviços, e da realização de saques bancários para pagamento dessas despesas médicas. (...) 25. A Recorrente quando selecionava os médicos que iriam atendêla dava preferência àqueles credenciados a seu plano de saúde. No entanto, em situações específicas, quando julgava necessária a priorização de sua saúde, a Recorrente contratava médicos particulares desvinculados de seu plano de saúde. 26. Como também é de conhecimento notório, os profissionais de saúde com boa qualificação e reputação são bem remunerados, de modo que o custo de suas consultas corresponde a um valor elevado. 27. Sendo assim, conforme razões acima expostas, não há qualquer irrazoabilidade no fato de a Recorrente ter contratado três profissionais desvinculados de seu plano de saúde e no fato de terem sido efetuados pagamentos considerados elevados a esses profissionais durante o anocalendário de 2008. 28. Ultrapassada assim as alegações acerca da suposta inidoneidade dos recibos médicos apresentados, verificase que não há qualquer razão para a desconsideração de tais documentos que suportam a dedutibilidade das despesas médicas em questão. 29. De qualquer forma, para que não reste qualquer dúvida acerca da efetividade de tais despesas médicas, a Recorrente apresenta, novamente, os recibos emitidos pelos Drs. Ana Camargo Pinheiro e Mareio Kollenz Carrascosa (doc. 02), que comprovam e discriminam cuidadosamente os valores cobrados pelos serviço médico prestados com clara identificação de que a Recorrente passou por tais tratamentos médicos, os quais são pertinentes para pessoas de idade elevada, como é o seu caso, bem como apresenta declarações prestadas por esses profissionais, que também confirmam a efetividade da prestação dos serv iços (doc. 03). (...) 34. A Recorrente reconhece que os saques realizados de sua conta bancária mantida no Banco Itaú não são suficientes para pagamento de todas as despesas médicas, mas esclarece que isso se deve ao fato de que os valores mais relevantes eram sacados de sua conta bancária mantida na Caixa Econômica Federal. 35. Ocorre, todavia, que a Recorrente não teve a mesma sorte com a Caixa Econômica Federal, sendo certo que, apesar da sua solicitação (doc. 05), até o momento da interposição do presente recurso, não lhe foram disponibilizados os extratos bancários referentes ao anocalendário de 2008. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720642/201106 Acórdão n.º 2201002.784 S2C2T1 Fl. 111 6 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inicialmente verificase que trata o litígio de omissão de rendimentos de aluguéis e dedução indevida de despesas médicas. Ocorreu que, por ocasião de seu julgamento, a DRJ entendeu que não houve omissão de rendimentos de aluguéis, tendo sido o valor relativo à este erroneamente incluído na DIRPF pela contribuinte como recebido de pessoa jurídica, caracterizando apenas um erro de fato no preenchimento, por outro lado, manteve a glosa das despesas médicas. Por ocasião de seu recurso, a contribuinte confessou que realmente eram devidas parte das despesas médicas glosadas, no valor de R$20.000,00. Desta feita, observase que permanece em litígio apenas a glosa relativa à despesas médicas não comprovadas com os profissionais Ana Camargo Pinheiro(psicóloga), no valor de R$15.130,00 e Marcio Kollenz Carrascosa(dentista), no valor de R$5.965,00. Observo ainda que o litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a fiscalização fundamenta no fato de a contribuinte, após regular intimação, não ter sequer se manifestado acerca das despesas médicas questionadas. Vejo ainda, que a DRJ, primeira autoridade a examinar a documentação relativa as deduções com despesas médicas, entendeu que haveria a necessidade da comprovação do efetivo pagamento e da prestação do serviço. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Neste mesmo sentido tem sido o entendimento da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS: DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS DEDUTIBILIDADE RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso especial provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720642/201106 Acórdão n.º 2201002.784 S2C2T1 Fl. 112 7 CSRF Segunda Turma Acórdão nº 9202003.159 Data da Decisão 06/05/2014 Data de Publicação 13/08/2014). Por esta razão, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e a decisão da DRJ, e nela vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pela recorrente. De fato, há nos autos a evidência de que a contribuinte, apesar de possuir plano de saúde, realizou despesas médicas de valores consideravelmente elevados. Logo, entendo que há nos autos elementos que permitam a fiscalização, e a DRJ, afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos e da prestação dos serviços. Ao ser solicitada pela DRJ a comprovação dos efetivos pagamentos e comprovação da realização dos serviços, a contribuinte fez juntar aos autos cópia de seu extrato bancário à fls. 90 à 96. Ocorre que a mesma não discriminou de qualquer forma quais saques foram efetuados para a satisfação dos referidos pagamentos, devendo ainda ressaltarse que os saques constantes dos extratos apresentam valores inferiores e, portanto, insuficientes para a realização dos supostos pagamentos. Quanto a efetiva prestação dos serviços, a contribuinte permanece silente, nada apresentando. Portanto, como não constam nos autos documentos capazes de comprovar a realização dos efetivos pagamentos nem a realização da prestação dos serviços, as glosas devem ser mantidas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13748.720642/201106 Acórdão n.º 2201002.784 S2C2T1 Fl. 113 8 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 12448.722306/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
É válida a ciência da Notificação de Lançamento por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
A impugnação não será conhecida quando interposta fora do prazo recursal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos o relator e os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho e Carlos Alexandre Tortato, que davam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto vencedor.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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É válida a ciência da Notificação de Lançamento por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A impugnação não será conhecida quando interposta fora do prazo recursal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 23 06 /2 01 1- 10 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Vencidos o relator e os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho e Carlos Alexandre Tortato, que davam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto vencedor. André Luís Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.722306/201110 Acórdão n.º 2401004.307 S2C4T1 Fl. 80 3 Relatório CESAR AUGUSTO DOS SANTOS, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1339.068/2011, às fls. 53/58, que não conheceu da impugnação, mantendo a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de glosas de deduções indevidas de dependentes, despesas médicas, pensão alimentícia e da previdência privada e Fapi, em relação ao exercício 2009, conforme peça inaugural do feito, às fls. 15/22, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, emitida em 04/01/2011, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Especificamente, no decorrer da ação fiscal apurouse dedução indevida com dependente, com despesas médicas, pensão alimentícia e de previdência privada, uma vez que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comproválas, razão das glosas procedidas pelo auditor fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem não conhecer da impugnação do contribuinte, em razão de considerála intempestiva, rechaçando os argumentos concernentes à tempestividade da defesa. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à fl. 69/72, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. De início, faz breve relato da decisão a quo que não conheceu de sua impugnação por considerála intempestiva e, por conseguinte, válida a intimação por via postal no endereço enviado, mantendo integralmente o crédito tributário. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do feito, por cerceamento do seu direito de defesa, uma vez não ter recebido a intimação inicial, o que impossibilitou a apresentação dos esclarecimentos solicitados pela fiscalização, quanto à comprovação das despesas glosadas. Aduz que aludida intimação inicial e o respectivo AR assinado, peças inaugurais do procedimento de ofício (artigo 7º do Decreto nº 70.235/72) sequer constam do processo para análise do contribuinte, ensejando cerceamento do direito de defesa, por não permitir amplo desenvolvimento desta defesa, não podendo, portanto, prosperar a notificação fiscal com base nesse elemento inexistente. Ainda em sede de preliminar, suscita o recorrente a correta interpretação dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 7.574/2011, mostrando seu inconformismo quanto a intimação efetuada em pessoa diferente do contribuinte, ressaltando, também, que o seu domicilio é Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 diverso daquele constante da Notificação de Lançamento, trazendo aos autos DIRPF comprobatória das suas alegações. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, sob o argumento de que o lançamento encontrase escorado em evidente comodismo da autoridade fiscal, a qual glosou todas despesas deduzidas do DIRPF do contribuinte simplesmente porque não obteve resposta aos seus questionamentos. Sustenta, o contribuinte, ser cidadão de bem, coronel dos Bombeiros, estando todas as deduções constantes da DIRPF em questão comprovadas e anexadas aos autos, impugnando especificamente a dedução quanto a pensão judicial dada a exmulher. Pugna, ao final, pela aplicação do disposto no artigo 11, inciso II, do Decreto nº 7.574/2011, o qual contempla que havendo dúvida quanto a data da ciência do contribuinte da intimação, a data de início da contagem do prazo começa a fluir 15 (quinze) dias da data de emissão. Assim, se a notificação fiscal foi emitida em 04/01/2011, a intimação dela decorrente para pagar ou impugnar começa a contar a partir de 19/01/2011, encerrandose o prazo em 18/02/2001, posterior à data de protocolização da impugnação, não restando dúvida sobre a tempestividade da mesma. Por todo o exposto, requer a contribuinte o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.722306/201110 Acórdão n.º 2401004.307 S2C4T1 Fl. 81 5 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito suscitas pelo contribuinte pugnando pela decretação da insubsistência do lançamento, há nos autos vício processual sanável, ocorrido no decorrer do PAF, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia do devido processo legal para o autuado. Destarte, extraise da decisão recorrida que a impugnação interposta pelo contribuinte não fora conhecida em razão de ter sido considerada intempestiva. Assim, consoante jurisprudência firmada no âmbito administrativo, a impugnação interposta fora do prazo legal de 30 (trinta) dias enseja a preclusão administrativa relativamente às questões meritórias suscitadas na defesa inaugural, cabendo recurso voluntário a este Egrégio Conselho tão somente quanto à prejudicial de conhecimento da peça impugnatória, razão pela qual não contemplaremos nesta oportunidade as alegações da recorrente pertinentes à eventuais nulidades e/ou insubsistência da exigência fiscal. Em suas razões de recurso, o contribuinte defende a tempestividade de sua impugnação, suscitando a correta interpretação dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 7.574/2011, de maneira a explicitar seu inconformismo quanto a intimação efetuada em pessoa diferente do contribuinte, ressaltando, também, que o seu domicilio é diverso daquele constante da Notificação de Lançamento, trazendo aos autos DIRPF comprobatória das suas alegações. Pugna, ao final, pela aplicação do disposto no artigo 11, inciso II, do Decreto nº 7.574/2011, o qual contempla que havendo dúvida quanto a data da ciência do contribuinte da intimação, a data de início da contagem do prazo começa a fluir 15 (quinze) dias da data de emissão. Assim, se a notificação fiscal foi emitida em 04/01/2011, a intimação dela decorrente para pagar ou impugnar começa a contar a partir de 19/01/2011, encerrandose o prazo em 18/02/2001, posterior à data de protocolização da impugnação, não restando dúvida sobre a tempestividade da mesma. Em que pese a substanciosa argumentação da ilustre autoridade julgadora de primeira instância no sentido de não conhecer da impugnação do contribuinte, o insurgimento do recorrente merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a propósito da matéria, sobretudo em observância ao devido processo legal e ampla defesa, verdade material e princípio da razoabilidade. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito ao termo inicial do prazo de impugnação, a partir da intimação do contribuinte da Notificação do Lançamento. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 De um lado, a autoridade julgadora de primeira instância adotou a data da entrega da Notificação Fiscal no domicílio fiscal constante do AR, de fl. 49, o que levou ao não conhecimento da impugnação por intempestiva. Em outra via, pretende o contribuinte a reforma da decisão recorrida, sustentando que o endereço adotado para fins de intimação do lançamento era sua residência antiga, tendo mudado de casa em período anterior à citação. Como pretendeu fazer crer a autoridade julgadora de primeira instância, não fossem as especificidades do caso, o deslinde da controvérsia simplesmente encontraria supedâneo na Súmula CARF nº 09, que assim preceitua: "Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." A rigor, via de regra, compartilhamos com este entendimento, sobretudo quando se trata de recebimento de AR por pessoa diversa do contribuinte, alegação rotineira na via administrativa e validade pela jurisprudência dominante. Por outro lado, a análise da presente demanda, em face de sua peculiaridade, transpassa a questão básica da constatação da intimação do lançamento no domicílio fiscal do contribuinte que, por óbvio, fosse de solução fácil, não exigiria tanta "tinta de caneta". Neste ponto, aliás, impende registrar que devemos analisar cada caso diante de suas especificidades, evitando, assim, incluir numa “vala comum” todas situações postas em debate, a partir de conceitos gerais, aplicáveis à maioria das demandas, mas que devem recuar quando diante de casos específicos. Partido dessa premissa, é salutar que os conceitos, princípios e a própria legislação de regência, convivam em harmonia, sempre recuando um em favor de outros quando confrontados, mormente em razão das peculiaridades de cada caso submetido ao crivo deste Colegiado, como aqui se vislumbra. Feitas essas considerações, passamos a contemplar os fatos que permeiam a presente controvérsia, com o fito de procurar conferir a melhor solução, sempre no intuito de se fazer justiça. Eis os fatos: Consta da folha de rosto da Notificação de Lançamento, de fl. 15, o seguinte endereço do contribuinte: "R Lauro Muller, 128, Apto. 1102 Botafogo, 22290160, Rio de Janeiro/RJ" Como não poderia deixar de ser, o mesmo endereço fora utilizado para cientificar o contribuinte da Notificação de Lançamento, como se verifica do AR, de fl. 49, com ciência em 12/01/2011. Em sua impugnação, de fls. 04/11, em preliminar de tempestividade da impugnação, o contribuinte reconhece que, de fato, o endereço acima era onde residia até meados de Setembro de 2010, razão pela qual não constava de sua Declaração de Imposto de Renda anterior (exercício 2010). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.722306/201110 Acórdão n.º 2401004.307 S2C4T1 Fl. 82 7 A corroborar seu entendimento, consta dos autos, às fls. 46, Conta de Luz referente ao mês de Janeiro de 2011, onde se verifica o novo endereço do contribuinte, qual seja, Rua Visconde Pirajá, nº 371, Apartamento 704, Ipanema Rio de Janeiro/RJ CEP 22410003. Igualmente, no Recibo de entrega da Declaração de Imposto de Renda, Exercício 2011 Ano Calendário 2010, de fls. 73, observase a informação do novo domicílio fiscal do contribuinte (Rua Visconde Pirajá, nº 371, Apartamento 704, Ipanema Rio de Janeiro/RJ CEP 22410003). Por derradeiro, a ciência do Acórdão de primeira instância, ocorrida em 17/09/2013, da mesma forma, se deu no novo endereço do contribuinte (Rua Visconde Pirajá, nº 371, Apartamento 704, Ipanema Rio de Janeiro/RJ CEP 22410003). Melhor explicitando, o contribuinte está sendo penalizado porque quando da intimação da Notificação de Lançamento, em 12/01/2011, ainda não havia sido aberto o prazo para apresentação de sua Declaração de imposto de renda, oportunidade em que poderia/deveria informar a mudança do domicílio fiscal (e assim o fez). É bem verdade que o contribuinte poderia se dirigir à Receita Federal do Brasil e solicitar a alteração do seu endereço, quando ocorrera a mudança. Entrementes, qual o "homem médio", mormente sem ter conhecimento de nenhum procedimento fiscal contra si intentado, teria tal conduta? Via de regra, todas as informações pertinentes ao anocalendário são fornecidas no respectivo exercício de oferecimento da Declaração. No caso dos autos, as informações do contribuinte atinentes ao anocalendário 2010 são/foram prestadas na DIRPF do exercício 2011, em regra, nos meses de março e abril. Ou seja, é muito mais comum que o contribuinte preste as informações sobre seus rendimentos, domicílio, deduções, etc somente por ocasião da entrega da Declaração, não sendo factível imaginar que se dirija à Repartição da RFB para informar sua mudança de domicílio em período anterior. Portanto, partindo dessa premissa, tenho o entendimento que o prazo para mudança de domicilio é o da entrega da Declaração. Daí porque, o caso dos autos, nos exige afastar da pura e simples análise da letra fria da lei, para procurar supedâneo nos princípios da razoabilidade e verdade material. Este último princípio, aliás, de fácil aplicação, tendo em vista estar cabalmente comprovado pela conta de luz, de fl. 46, que em janeiro de 2011 o contribuinte já residia em seu novo endereço. In casu, o que torna a situação ainda mais digna de realce, é que o contribuinte, igualmente, não fora cientificado do Termo de Intimação Fiscal que solicitou esclarecimentos a respeito das deduções constantes de sua DIRPF, objeto do lançamento. Aliás, da análise dos autos, sequer encontramos tal intimação e respectivo AR, o que por si só já nos causa estranheza. Por óbvio, não podemos exigir do Fisco que intime o contribuinte em local que não tem conhecimento. Por outro lado, igualmente, é verdade que a autoridade fiscal deve ser diligente neste desiderato, sobretudo com o fito de evitar injustiças e/ou nulidades processuais. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 Mais a mais, podemos inferir que a hipótese vertente encontrase em um hiato da legislação e jurisprudência administrativa: a intimação fora realizada entre a data da mudança de domicílio e o prazo final para entrega da DIRF respectiva, sendo certo que em janeiro o contribuinte já residia no novo endereço (conta de luz). Estamos diante, portanto, de uma situação singular, que deve ser analisada como tal, afastandose dos casos corriqueiros, de maneira a conferir razão ao contribuinte e considerar a intimação realizada 15 (quinze) dias após a data da expedição da intimação, nos termos do artigo 11, inciso II, do Decreto nº 7.574/2011, que assim preceitua: "Art. 11. Considerase feita a intimação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): [...] II se por via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso II, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67);" No caso vertente, expedida intimação em 12/01/2011 (AR. fl. 49), considera se o contribuinte intimado em 27/01/2011, começando o prazo para impugnação a fluir no dia 28/01/2011 (sextafeira), encerrandose no dia 26/02/2011 (sábado), deslocandose, assim, para 28/02/2011 (segundafeira). Assim, tendo o contribuinte protocolizado a impugnação em 17/02/2011, impõese admitir sua tempestividade, devendo ser conhecida e analisada em seu mérito, sob pena de cerceamento do direito de defesa e contraditório do autuado, impondo seja decretada a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, com a finalidade de analisar a defesa inaugural, para que seja proferido novo Acórdão na boa e devida forma. Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, considerando tempestiva a impugnação do contribuinte, devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.722306/201110 Acórdão n.º 2401004.307 S2C4T1 Fl. 83 9 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado DA INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO Limitase o presente julgamento a avaliar se a impugnação do Autuado ao lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento 2009/030449839818010, a fls. 15/22, houve por oferecida tempestivamente ou não. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 15 concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, para o oferecimento, ao órgão julgador de 1ª instância, de impugnação a lançamento tributário. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Revelase auspicioso destacar que o art. 5º do aludido Decreto nº 70.235/72 dispõe de forma hialina que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Registrese que o prazo para o oferecimento de impugnação ao lançamento tem natureza ex lege, sendo excluído da administração tributária qualquer veio de liberdade/discricionariedade para dispor de modo diverso. Cumpre ser destacado que, originariamente, o art. 6º do diploma normativo de regência do Processo Administrativo Fiscal previa hipótese excepcional que autorizava a autoridade preparadora a acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência, atendendo a circunstâncias especiais, mediante Despacho fundado. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) Tal hipótese extraordinária, por opção política, houvese por excluída do ordenamento jurídico pátrio pela Lei nº 8.748/93, circunstância que deságua no entendimento insofismável de que o elastecimento do prazo para o oferecimento de defesa administrativa em face de lançamento tributário não pode mais ser admitido em hipótese alguma, ostentando natureza objetiva, independentemente dos motivos aventados pelo interessado. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 A comunicação dos atos processuais consiste na transmissão de informações sobre os atos praticados no curso do processo às pessoas sobre cujas esferas de direito atuarão os efeitos deste, permitindo dessarte às partes envolvidas a perpetração de condutas positivas ou negativas do seu interesse. Configurase, portanto, elemento essencial à efetividade do princípio do contraditório e da ampla defesa. Colhemos da Cartilha estabelecida pelo Decreto nº 70.235/72 que a ciência de atos processuais ao sujeito passivo poderá ser realizada, dentre outras formas, pessoalmente, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. O ato de ciência em foco pode, igualmente, ser levado a cabo por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido à administração tributária para fins cadastrais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.722306/201110 Acórdão n.º 2401004.307 S2C4T1 Fl. 84 11 expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Assim conduzido o ato de ciência do sujeito passivo, este será considerado formalmente intimado do ato em apreço na data aposta no termo de ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal, ou, de outro canto, tratandose de intimação via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Cumpre salientar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que os meios de intimação previstos no Decreto nº 70.235/72 não estão sujeitos a qualquer ordem de preferência, conforme assim determina o §3º do art. 23 do citado Diploma Legal. Dessarte, inexiste qualquer óbice jurídico à intimação do Contribuinte, diretamente por via postal, no domicilio tributário eleito pelo Sujeito Passivo perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo certo que a atualização de tal domicilio tributário constituise ônus exclusivo do Contribuinte. Notese que, do Requerimento de Convolação em Divórcio, a fl. 29, extraise que, pelo menos desde 04/10/2005, o Contribuinte não mais residia na Rua Lauro Muller, 128, apt. 1102, Botafogo – Rio de Janeiro/RJ, mas sim, àquela data, na Rua Padre André Moreira, 328, apt. 401, Meier – Rio de Janeiro/RJ, tendo tido ele tempo mais que suficiente para proceder à atualização de seu domicílio tributário perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não podendo agora o Contribuinte escudarse em eventual desatualização do seu endereço tributário para os fins de alegações de não recebimento de intimações da Administração Tributária. Desse modo, a alegação do Recorrente esbarra no óbice “nemo potest venire contra factum proprium”, locução de origem canônica que expressa o ideal de que ninguém se beneficie de sua própria torpeza, consagrado no art. 243 do Código de Processo Civil e no art. 973 do Código Civil. Merece ainda ser destacado que a Jurisprudência Administrativa reputa como totalmente válida a ciência da intimação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo Contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do Destinatário, conforme disposto na Súmula nº 09 deste Conselho. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nessa vertente, a intimação dirigida ao Contribuinte, em seu endereço tributário constante nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, confirmada com a assinatura do recebedor, ainda que não o próprio destinatário ou o seu representante legal, constituiuse prova da ciência da Notificação de Lançamento por parte do Sujeito Passivo da exação. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 12448.722306/201110 Acórdão n.º 2401004.307 S2C4T1 Fl. 85 13 No caso em estudo, colhemos dos autos, que o Contribuinte houvese por intimado, via postal, em seu domicilio tributário, no dia 12 de janeiro de 2011, quartafeira, dia útil, conforme assim denuncia o Aviso de Recebimento, a fl. 49, iniciandose o prazo para o oferecimento de defesa administrativa no dia 13/01/2011, quintafeira, dia útil. Assim, o dies a quo do aludido prazo de impugnação recaiu, para todos os efeitos jurídicos, no dia 13 de janeiro de 2011, quintafeira, dia útil, o que implicou o encerramento do trintídio legal para a interposição da impugnação no dia 11/02/2011, sexta feira, dia útil, assim se configurando como o dies ad quem para a protocolização do instrumento de defesa em debate. Nesse contexto, havendo sido a impugnação protocolizada, tão somente, no dia 17 de fevereiro de 2011, quintafeira, dia útil, como assim revela o Carimbo de Protocolo aposto no canto superior direito do instrumento de defesa administrativa, a fl. 02, imperioso se mostra o reconhecimento da intempestividade da peça de defesa, fato que impediu o seu conhecimento pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I, da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Não merece reparo, portanto, a decisão prolatada pelo órgão julgador de 1ª Instância. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 29/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 10166.724010/2013-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
APURAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. TOTAL DAS RECEITAS AUFERIDAS.
A sistemática de apuração pelo lucro arbitrado não convive com outras modalidades. Daí porque devem ser consideradas na base tributável todas as receitas auferidas pelo sujeito passivo seja omitidas ou declaradas. Cabe apenas a dedução dos tributos pagos na apuração original do resultado feita pelo sujeito passivo.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS COOBRIGADOS. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO APRESENTADO.
Na ausência de recurso voluntário contestatório da responsabilidade que lhes foi imputada, tem-se como definitiva a responsabilização dos coobrigados.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. INAPLICABILIDADE.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ( Súmula CARF nº 14)
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 1402-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para reduzir a multa ao percentual de 75%.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 APURAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. TOTAL DAS RECEITAS AUFERIDAS. A sistemática de apuração pelo lucro arbitrado não convive com outras modalidades. Daí porque devem ser consideradas na base tributável todas as receitas auferidas pelo sujeito passivo seja omitidas ou declaradas. Cabe apenas a dedução dos tributos pagos na apuração original do resultado feita pelo sujeito passivo. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS COOBRIGADOS. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO APRESENTADO. Na ausência de recurso voluntário contestatório da responsabilidade que lhes foi imputada, tem-se como definitiva a responsabilização dos coobrigados. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ( Súmula CARF nº 14) JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
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TOTAL DAS RECEITAS AUFERIDAS. A sistemática de apuração pelo lucro arbitrado não convive com outras modalidades. Daí porque devem ser consideradas na base tributável todas as receitas auferidas pelo sujeito passivo seja omitidas ou declaradas. Cabe apenas a dedução dos tributos pagos na apuração original do resultado feita pelo sujeito passivo. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS COOBRIGADOS. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO APRESENTADO. Na ausência de recurso voluntário contestatório da responsabilidade que lhes foi imputada, temse como definitiva a responsabilização dos coobrigados. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 10 /2 01 3- 28 Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ( Súmula CARF nº 14) JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para reduzir a multa ao percentual de 75%. Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.724010/201328 Acórdão n.º 1402002.156 S1C4T2 Fl. 2.056 3 Relatório Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referente aos anos calendário de 2009 e 2010, nos valores de R$ 773.847,37; R$ 57.721,38; R$ 266.406,37 e R$ 255.157,66; respectivamente, incluindo juros de mora e multa de ofício no percentual de 150%. A tributação incidiu sobre a omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. A multa no percentual qualificada foi motivada na omissão reiterada de receitas pelo sujeito passivo. O resultado foi apurado por arbitramento, tendo em vista que o sujeito passivo não apresentou os livros e documentos de sua escrituração, ainda que regularmente intimado a fazêlo. Foi lavrado Termo de Responsabilidade Solidária dos Srs. José Olímpio de Queiroga Neto e Diego Wanilton da Silva Queiroga. O primeiro deles, em função do resultado de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público com conclusão no sentido de que seria sócio de fato da pessoa jurídica autuada. O segundo, por ser sócio administrador com interesse econômico na situações relatadas. Em impugnação tempestiva, foi suscitada nulidade por superposição de exigências, tendo em vista que foram exigidos em duplicidade valores sobre receitas já tributadas pela impugnante. Argúi ainda a nulidade pela ilegal quebra do sigilo bancário. Argumenta pela impossibilidade de lançamento tributário com base exclusivamente em extratos bancários, defende o caráter confiscatório da multa de ofício e sutenta a impossibilidade de cobrança da taxa SELIC como indexador dos juros de mora. Apresenta alegações específicas para justificar parte dos depósitos autuados. O coobrigado José Olímpio de Queiroga Neto apresentou impugnação sustentando, em síntese, não ter sido apresentada qualquer prova de que o impugnante fosse sócio de fato da empresa, tendo sido a conclusão baseada em informações de terceiros. Acrescenta que a sentença judicial não afirma em momento algum que seria sócio de fato da empresa. O coobrigado Diego Wanilton da Silva Queiroga apresentou impugnação defendendo, em síntese, que não poderia ser colocado como responsável de fato apenas por ser sócio administrador, sem que lhe tenha sido imputado qualquer ato ilícito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 0127.760 considerando parcialmente procedente a impugnação exclusivamente no que se refere ao valor de R$ 113.000,00 lançado no 2º trimestre de 2010, cuja origem foi considerada demonstrada. Ressaltou a decisão que várias razões de defesa foram direcionadas a valores não incluídos no lançamento. Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Devidamente cientificada, a pessoa jurídica autuada recorre a esta Corte ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Os coobrigados não apresentaram recurso voluntário. É o Relatório Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.724010/201328 Acórdão n.º 1402002.156 S1C4T2 Fl. 2.057 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso voluntário da pessoa jurídica autuada é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente intimado e dele conheço. Apesar de devidamente intimados da decisão de primeira instância, os coobrigados não apresentaram recurso voluntário. Sendo assim temse como definitiva a responsabilidade tributária a eles imputada. Em relação à alegada quebra de sigilo bancário, registrese que os extratos bancários foram fornecidos pela interessada, conforme resposta ao Termo de Início de Fiscalização. O não atendimento por ela suscitado na peça de defesa referese a outros elementos solicitados pelo Fisco. Assim, não há que se falar em quebra de sigilo. Mesmo que as informações bancárias tivessem sido fornecidas pelas instituições financeiras, ainda assim não haveria qualquer irregularidade eis que em recentíssimo julgamento (24/02/2016) o STF manifestouse em repercussão geral pela constitucionalidade das normas que autorizam a disponibilização pelas instituições financeiras de informações bancárias ao Fisco. A recorrente argúi a impossibilidade da tributação com base exclusivamente em extratos bancários. Tratase de questão já absolutamente superada pela legislação em vigor. A Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no .430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) O art. 42 da Lei nº 9.430/96, mencionado no texto normativo supra transcrito, estabeleceu a presunção legal de que caracterizam omissão de receita a existência de valores Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 creditados em conta de depósito junto a instituição financeira em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos. Assim, a Lei transferiu ao sujeito passivo o ônus da prova quanto à origem dos recursos movimentados. Em resumo, tratase de presunção com expressa disposição legal e nesse aspecto a jurisprudência trazida aos autos pela interessada não lhe socorre, eis que baseada em legislação anterior não aplicada ao presente caso. Quanto à suposta exigência em duplicidade pelo fato da apuração fiscal considerar também os valores declarados, o próprio sujeito passivo esclareceu quando afirma que o arbitramento, quando utilizado, constituise na única base de apuração legítima. Exatamente por isso, a apuração pelo lucro arbitrado deve considerar na base tributável todas as receitas auferidas pelo sujeito passivo sejam omitidas ou declaradas. Cabe apenas a dedução dos tributos pagos na apuração original do resultado feita pelo sujeito passivo. Foi exatamente esse o procedimento adotado pelo Fisco que, nessa questão, não merece qualquer censura. No que tange à comprovação dos valores depositados, não há qualquer reparo à atuação do Fisco que no Termo de Verificação analisou detalhadamente as razões apresentadas pelo sujeito passivo face à intimação para esclarecer a origem dos valores depositados. Boa parte das alegações foram acatadas e as que não o foram estão devidamente motivadas. O trabalho foi complementado pela decisão recorrida e o recurso voluntário não trouxe qualquer elemento adicional que pudesse contestála. Relativamente à multa, a inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. A arguição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já no que se refere à multa qualificada, a autoridade fiscal assim a justificou: Não se pode olvidar que a autuação foi feita com base numa presunção legal. Isso significa que a irregularidade tem origem na assunção de que se obterá o mesmo resultado que se obteve numa generalidade de casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência de resultados conhecidos. A norma concede à autoridade o poder de presumir ocorrido esse resultado. Entretanto, a fraude não se presume. Há que se aprofundar a análise dos indícios apurados. Saliento que, a meu ver, não é o fato de se tratar de apenas um indício que descaracteriza o dolo. Ao contrário, indício é prova e a prova indiciária pode perfeitamente Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.724010/201328 Acórdão n.º 1402002.156 S1C4T2 Fl. 2.058 7 firmar convicção quanto à conduta fraudulenta. Só que, em casos como o presente, é necessária a constatação de fatos agravantes complementares que diferenciem perfeitamente esta situação de outras hipóteses de omissão de receita nas quais é aplicada multa de 75%. O procedimento de não declarar as receitas, ou declarálas em valores muito inferiores ao auferido, de forma reiterada, foi o motivo elencado pela Fiscalização para majorar a multa. Ratificando que meu entendimento ora esposado só se aplica em casos de presunção legal, o que se vislumbra na presente situação é a descrição típica da omissão de receita sem qualquer agravante que justifique a qualificação. Em casos de presunção legal, a reiteração não é suficiente para caracterizar a conduta dolosa. Sendo assim, voto no sentido de reduzir a multa ao percentual de 75%. A imputação dos juros de mora com base na taxa SELIC é matéria consolidada neste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 4 com Enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em resumo do exposto, voto no sentido de manter a responsabilização dos coobrigados e dar provimento parcial ao recurso da pessoa jurídica autuada para reduzir o percentual da multa a 75%. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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