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Numero do processo: 10880.940585/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 15/10/2004
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.873
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 15/10/2004 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 05 85 /2 01 1- 59 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.940585/201159 Acórdão n.º 3302004.873 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.348. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.940585/201159 Acórdão n.º 3302004.873 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.940585/201159 Acórdão n.º 3302004.873 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.940585/201159 Acórdão n.º 3302004.873 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.940585/201159 Acórdão n.º 3302004.873 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720170/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9º-A e 9º-B.
O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9º-A e 9º-B.
O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Recurso de Oficio Negado
Numero da decisão: 3401-004.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9º-A e 9º-B. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9º-A e 9º-B. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso de Oficio Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9ºA e 9ºB. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9ºA e 9ºB. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso de Oficio Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 70 /2 01 3- 15 Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 15956.720170/201315 Acórdão n.º 3401004.332 S3C4T1 Fl. 2.052 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração, lavrados em 10/05/2013 (fls.1 1765/1771 e 1772/1777) e cientificado em 17/05/2013 (AR à fl. 1799), para exigência de créditos tributários relativos às diferenças de recolhimentos das contribuições para o PIS/PASEP (R$730.276,70) e COFINS (R$3.370.507,52) cumulativas, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, referente à insuficiências de recolhimentos resultante de exclusões indevidas das bases de cálculo das contribuições sociais, no anocalendário de 2009, conforme Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF (fls. 1778/1798). No TEPF, destacado que o sujeito passivo tem por objeto a exploração do ramo de operadora de planos médicos, com cobertura de risco, sem serviços próprios, operando exclusivamente através de rede credenciada ou contratada, quanto à matéria remetida ao reexame necessário, restou consignado indevida a exclusão da base de cálculo das contribuições sociais cumulativas do total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Relativamente à dedução mencionada no inciso III, do §9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, assevera que as indenizações equivalem ao valor dos desembolsos efetivamente realizados por uma operadora de plano de assistência à saúde para indenizar seus estabelecimentos de saúde conveniados, profissionais e empresas de saúde, por eventos utilizados por associados de outra operadora (fl. 1.786, primeiro parágrafo), conclusão corroborada pela Solução de Consulta nº 23 – SRRF 6ª RF: “não é permitido deduzir, da base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins todo o valor mensal das despesas e custos, suportados pelas operadoras de planos de assistência à saúde, com o atendimento médico realizado em seus próprios beneficiários (clientes), em rede própria ou conveniada/credenciada”, mas apenas “os valores das indenizações efetivamente pagas à rede própria ou conveniada/credenciada com o atendimento médico prestado a beneficiário (cliente) pertencente a outra operadora, deduzido (diminuído) do valor recebido a título de transferência de responsabilidade” (fl. 1791). 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 15956.720170/201315 Acórdão n.º 3401004.332 S3C4T1 Fl. 2.053 3 Cientificada dos Autos de Infração, em 17/05/2013 (AR à fl. 1799), apresentou Impugnação, em 13/06/2013 (fls. 1802/1827); no mérito ora revisado, entendendo estar amparada pelo inciso III, § 9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, incluído pela MP nº 2.158 35/01, para exclusão dos valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de beneficiários da própria operadora. A decisão de primeira instância, proferida em 20/01/2016 (fls. 1989/2005) é pela procedência em parte da impugnação, para permitir a exclusão total das bases de cálculo das contribuições sociais dos custos totais com eventos ocorridos, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS DE COBERTURA COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRA OPERADORA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o §9ºA, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, incluído pelo art. 19, da Lei nº 12.873/2013 de caráter expressamente interpretativo e que, por isto, deve ser retroativamente aplicado , podem ser deduzidos da base de cálculo da contribuição, a título de indenização por eventos ocorridos, não apenas os custos assistenciais, efetivamente pagos, decorrentes da utilização da cobertura pelos beneficiários de outras operadoras, atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, mas, igualmente, os custos assistências pela utilização dos planos de saúde relacionados a beneficiários da própria operadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS DE COBERTURA COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA E DE OUTRA OPERADORA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o §9ºA, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, incluído pelo art. 19, da Lei nº 12.873/2013 de caráter expressamente interpretativo e que, por isto, deve ser retroativamente aplicado , podem ser deduzidos da base de cálculo da contribuição, a título de indenização por eventos ocorridos, não apenas os custos assistenciais, efetivamente pagos, decorrentes da utilização da cobertura pelos beneficiários de outras operadoras, atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, mas, igualmente, os custos assistências pela utilização dos planos de saúde relacionados a beneficiários da própria operadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO RECORRIDA. Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 15956.720170/201315 Acórdão n.º 3401004.332 S3C4T1 Fl. 2.054 4 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DÉBITO AUTUADO. VALOR REMANESCENTE APÓS REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PAGAMENTO. IMPUGNAÇÃO. RENÚNCIA. A extinção, por meio de pagamento, da parcela do débito autuado remanescente após a diligência, com cujo resultado expressamente concordou a impugnante, importa em desistência, no particular, das questões inicialmente abordadas na Impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não houve apresentação de recurso voluntário, em relação ao crédito mantido pelo referido Acórdão. Por força de recurso necessário, o crédito exonerado [ R$715.455,27 (PIS), R$3.302.101,31 (COFINS) e acréscimos legais ], nos termos do art. 34, do PAF Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 03/08, revogada pela Portaria MF nº 63/172, foi submetido à apreciação do CARF. É o relatório. 2 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Cuidase de recurso de ofício, onde o valor desonerado supera o de alçada, atendendo os requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida, responsáveis pela exoneração da parcela do crédito tributário objeto do presente reexame necessário: Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 15956.720170/201315 Acórdão n.º 3401004.332 S3C4T1 Fl. 2.055 5 "44. Quanto à exclusão “do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades” de que trata o inciso III, do §9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, cumpre salientar que o entendimento da RFB, quando da autuação, era no sentido de que “não é permitido deduzir, da base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins todo o valor mensal das despesas e custos, suportados pelas operadoras de planos de assistência à saúde, com o atendimento médico realizado em seus próprios beneficiários (clientes), em rede própria ou conveniada/credenciada”, mas apenas “os valores das indenizações efetivamente pagas à rede própria ou conveniada/credenciada com o atendimento médico prestado a beneficiário (cliente) pertencente a outra operadora, deduzido (diminuído) do valor recebido a título de transferência de responsabilidade” (fl. 1791). 45. Na diretriz acima está a Solução de Consulta nº 23 – SRRF 6ª RF referenciada pela autuante e diversas outras Soluções de Consulta proferidas no âmbito da RFB. 46. Despiciendo aqui discorrer sobre os fundamentos por que a RFB atingiu a conclusão acima, pois, posteriormente, o art. 19, da Lei nº 12.873, de 24/10/2013, acrescentou ao art. 3º, da Lei nº 9.718/98, o §9ºA (bem como inseriu nesta Lei o art. 8ºA), que deu distinta (e mais benéfica ao contribuinte) interpretação à questão, nos seguintes moldes: “Art. 3º. (...)§ 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9 entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Art. 8ºA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9 do art. 3º desta Lei, observada a norma de interpretação do § 9ºA, produzindo efeitos a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória nº 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota”. 47. Portanto, a nova lei estabelece que, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, do art. 3º, da Lei no 9.718/98, compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos com beneficiários da própria operadora e de outra operadora, atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. 48. Não bastasse o texto do enfocado §9ºA já deixar expresso que a regra ali disposta tem caráter interpretativo, o art. 8ºA, da Lei nº 9.718/98 (também incluído pelo art. 19, da Lei nº 12.873/2013), ao fazer remissão a este parágrafo, deixa mais uma vez claro que o sobredito dispositivo constitui “norma de interpretação”. 49. Tratandose, pois, de norma interpretativa, ela deve ser retroativamente aplicada, em função do que preceitua o inciso I, do art. 106, do CTN, ainda mais por ser mais benéfica ao contribuinte, na medida em que proporciona exclusão da base de cálculo das contribuições mais ampla que a definida na interpretação da RFB. 50. Destarte, por aplicação retroativa da apontada lei interpretativa, é forçoso reconhecer que a dedução prevista no inciso III, do § 9º, do art. 3º, da Lei no 9.718/98, alcança os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 15956.720170/201315 Acórdão n.º 3401004.332 S3C4T1 Fl. 2.056 6 beneficiários (da própria ou de outra operadora, atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida) da cobertura oferecida pelos planos de saúde, efetivamente pagos, deduzidas as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades." Passase, então, a avaliar as razões apontadas pela decisão recorrida de oficio para exoneração da exação: incidência retroativa de norma interpretativa superveniente, em sentido favorável à pretensão da defesa. Art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718, de 1998, incluído pela MP nº 2.15835/01: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, superveniente, cujo art. 19 assim dispõe: Art. 19. A Lei no9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3o. ................................................................................... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ................................................................................... “Art. 8oA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9o do art. 3o desta Lei, observada a norma de interpretação do § 9oA, produzindo efeitos a partir do 1o(primeiro) dia do 4o(quarto) mês subseqüente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória no 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota.” Em vasta jurisprudência administrativa3, inclusive em recente decisão desta Turma, por unanimidade, em processo da minha relatoria, no Acórdão nº 3401003.458, de 30/03/2017, o entendimento consolidase no mesmo sentido adotado pela decisão recorrida, diante do caráter interpretativo do § 9ºA, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873/13, à autorizar a exclusão da base de cálculo das contribuições do total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. 3 Acórdãos CARF n° 3201002.071, de 24/02/16; 3302003.181, de 28/04/16; 3302003.242, de 23/06/16; e 9303003.295, de 24/03/15; 9303003.386, de 25/01/16; 9303003.499, de 25/02/16; 9303004.184, de 06/07/16. Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 15956.720170/201315 Acórdão n.º 3401004.332 S3C4T1 Fl. 2.057 7 Além da questão de direito, resta ainda analisar as conclusões sobre aspecto fático, abaixo, tratado na decisão ora revisada, in verbis: "51. Ora, no curso da diligência, realizada pela mesma AuditoraFiscal que formalizou a autuação, expôs que: (...) 52. Os valores das indenizações referentes aos eventos ocorridos de que tratam o inciso III, do §9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, considerados pela autoridade fiscal diligenciante no item 3.11, do “Termo de Revisão de Lançamento em Procedimento Fiscal” acima reproduzido se aproximam bastante (e na maioria dos meses coincidem) com os valores estampados nas planilhas anexadas pela contribuinte à Impugnação (fls. 1848, 1858, 1868 e 1878 dos autos), nas quais figuram, para os doze meses do ano de 2009, as seguintes informações sobre as deduções da base de cálculo das contribuições autuadas: (...) 53. Vêse que os valores das deduções estampadas na planilha acima coincidem, na maioria dos meses, em centavos, com aqueles considerados pela autoridade fiscal diligenciante, havendo pequenas discrepâncias nos meses de junho e dezembro/2009, sendo que a contribuinte, ao se pronunciar sobre o resultado da diligência, acabou por concordar com o levantamento fiscal. 54. Observo que não consta, da apuração fiscal ao final da diligência, dedução de valores a título de transferência de responsabilidades, o que está de conformidade com a resposta dada ao Termo de Intimação SEFIS nº 92/2012, expedido no curso do procedimento fiscal, pela contribuinte, a qual informou que não possui valores a título de coresponsabilidades cedidas (vide Termo de Intimação de fls. 1.251/1.254, segunda lauda, e petição de fls. 1.256/1.258, última lauda). 55. Ora, a autoridade fiscal responsável pela diligência a mesma Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil que formalizou a autuação , que está mais próxima dos fatos analisados, não ergueu qualquer dúvida quanto à efetividade e à natureza dos valores dos pagamentos das indenizações por eventos ocorridos que foram contabilizados pela recorrente. Logo, haja vista o que dispõe o art. §9ºA, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, devem ser acatadas as deduções, da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS autuadas, dos valores apontados por referida autoridade no “Termo de Revisão de Lançamento em Procedimento Fiscal” a título da indenização de que trata o inciso III, do §9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, extraídos da contabilidade do sujeito passivo. 56. Considerando as demais deduções a título de prestações pecuniárias efetivamente destinadas à PEONA (parcela que não integra o litígio), as exclusões das bases de cálculo das contribuições autuadas ficam conforme discriminadas em supradito Termo de Revisão (vide item 37 acima). Importante destacar que a decisão revisada acolheu o referido “Termo de Revisão de Lançamento em Procedimento Fiscal” (fls. 1943/1950), ressalvando, presumir verdadeira a informação do contribuinte que não possui valores a título de coresponsabilidades cedidas (indedutíveis ao cedente/dedutíveis para quem assume a responsabilidade transferida), acatadas as deduções apontadas pela autoridade diligenciante, a qual não ergueu qualquer dúvida quanto à efetividade e à natureza dos valores dos pagamentos das indenizações por eventos ocorridos que foram contabilizados pela recorrente Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 15956.720170/201315 Acórdão n.º 3401004.332 S3C4T1 Fl. 2.058 8 Assim, ratificando a decisão recorrida, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão de primeira instância pelos seus próprios fundamentos. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 2058DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900685/2006-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2003
DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontram-se eivados de vício insanável, devendo ser anulados.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Decisão da DRJ anulada.
Numero da decisão: 3002-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/04/2003 DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontram-se eivados de vício insanável, devendo ser anulados. Recurso Voluntário Não Conhecido. Decisão da DRJ anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente SUPERMERCADO GRICZINSKI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontramse eivados de vício insanável, devendo ser anulados. Recurso Voluntário Não Conhecido. Decisão da DRJ anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 06 85 /2 00 6- 23 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10940.900685/200623 Acórdão n.º 3002000.078 S3C0T2 Fl. 181 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 40/44), transmitido em 26/09/2003, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 15), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 25/06/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2/8), na qual informou que ocorreu erro de fato no preenchimento da DCTF, referente ao 1º trimestre de 2003 e da DIPJ 2004, ano calendário 2003. Apresentou, ainda, tabelas sobre a apuração do PIS com as informações, erradas e corretas, apresentadas, respectivamente, nas declarações originais e nas retificadoras. Ademais, alegou que a ocorrência do erro de fato seria demonstrada por meio das retificadoras, DCTF e DIPJ, já apresentadas à Receita Federal. Por fim, alegou que o erro cometido pela recorrente, ao não retificar a DCTF na época devida, não teria o condão de invalidar a compensação declarada. O sujeito passivo apresenta junto com sua Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: "01cópia do DARF no valor de R$ 4.862,93; 02cópia da fl. 06 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000185 período de 01 a 31 de março de 2003; 03cópia da fl. 06 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000347 período de 01 a 31 de março de 2003; 04cópia da fl. 06 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000428 período de 01 a 31 de março de 2003; 05cópia da fl. 06 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000509 período de 01 a 31 de março de 2003; 06cópia do despacho decisório n.° de rastreamento 770245097 n.° do processo 10940 900.685/200623; 07cópia do recibo de entrega n.° 24.18.98.99.45, da DCTF referente ao 1.° trimestre 2003 entregue em 15/05/2003; e folha Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10940.900685/200623 Acórdão n.º 3002000.078 S3C0T2 Fl. 182 3 n.° 13 débito apurado e créditos vinculados ao período de apuração março /2003 PIS / PASEP ( INCORRETA ) 08cópia do recibo de entrega n.° 30.78.52.73.31, da DCTF (RETIFICADORA ) referente ao 1.° trimestre 2003 entregue em 21/07/2008; e folha n.° 13 débito apurado e créditos vinculados ao período de apuração março /2003 PIS / PASEP (CORRETA) 09cópia da página 27 e 39 da DIPJ exercício de 2004 ano calendário de 2003 protocolizada em 29/06/2004 sob n.° 22.63.12.12.3031 ( INCORRETA ). 10cópia da página 27 e 39 da DIPJ exercício de 2004 ano calendário de 2003 protocolizada em 21/07/2008 sob n.° 19.05.23.08.4570 ( CORRETA ). llcópia das páginas 16, 17, e 18 período de apuração setembro de 2003 do tributo COFINS, da DCTF referente o 3.° trimestre / 2003 e recibo protocolizado em 14/11/2003, sob n.° 22.62.80.15.83. (INCORRETA) 12cópia das páginas 16, 17, e 18 período de apuração setembro de 2003 do tributo COFINS, da DCTF (RETIFICADORA) referente o 3.° trimestre / 2003 e recibo protocolizado em 21/07/2008, sob n.° 11.02.24.98.20. ( CORRETA) 13cópia da décima primeira alteração contratual datada de 08/05/2008, registrada na Junta Comercial do Paraná, Agência Regional de Irati, em 16/05/2008 sob n.° 41901038249 onde consta o nome do sócio que assina como responsável pela empresa." Em 09/04/2010, o Presidente da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba encaminhou o processo à unidade local da Receita Federal, através do despacho de fl. 46, com a seguinte motivação e propósito: "Em 22/07/2008 a interessada apresentou DCTF retificadora do 1° trimestre/2003 (fls. 1819) e em 21/07/2008 transmitiu a DIPJ 2004 retificadora (fls. 2325) para reduzir o débito de PIS Não Cumulativo do mês de março/2003 de R$ 4.862,93 (originalmente declarado) para R$ 1.294,90, cuja diferença alega, na manifestação de inconformidade de fls. 0105, ser decorrente de aproveitamento do crédito de PIS (1,65%) sobre entrada de mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, de produtor e de cigarros. Portanto, solicito à Seort da DRF/Ponta Grossa que confirme a veracidade das informações relativas às operações que deram causa ao alegado crédito de R$ 3.568,03 de PIS Não Cumulativo no mês de março/2003, fato desconhecido à época em que 0 Despacho Decisório de fl. 14 foi proferido, observandose que as declarações retificadoras da DCTF do 1° trimestre/2003 e da Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10940.900685/200623 Acórdão n.º 3002000.078 S3C0T2 Fl. 183 4 DIPJ 2004, transmitidas após a ciência desse Despacho Decisório, foram aceitas nos sistemas na RFB." (grifo nosso) Assim, em 21/05/2010, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Ponta Grossa elaborou despacho (fl 47/48) sobre os supostos créditos do contribuinte. Extraise excerto: "Além disso, verificase pelas planilhas apresentadas pelo contribuinte que o mesmo pretende incluir entre as receitas que dão crédito de PIS, aquelas relativas à aquisições com substituição tributária. Contudo, conforme disposto no art. 8°, VII, da Lei 10.637/2002, que instituiu o regime da não cumulatividade do PIS, permanece no regime da cumulatividade as receitas sujeitas à substituição tributária. ......................................................................................................... Dessa forma, entendemos não ser possível a utilização de créditos sobre as receitas alegadas pelo contribuinte." (grifo nosso) Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CTA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. lnexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10940.900685/200623 Acórdão n.º 3002000.078 S3C0T2 Fl. 184 5 Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 55/62), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que o Acórdão recorrido errou, pois, no caso, não se tratam de créditos sobre a entrada de mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, mas de crédito oriundo de pagamento a maior e, além disso, como já restaria consignado na planilha inserida na Manifestação de Inconformidade apresentada, os créditos de PIS referentes a cigarros foram excluídos da base de cálculo. A ora recorrente alega, ainda, que não procede a afirmação do relator do Acórdão recorrido de falta de provas do crédito pleiteado, pois todos os documentos contábeis e fiscais, que demonstravam a origem e a veracidade dos fatos alegados, já foram apresentados juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Ademais, a recorrente alega que a base de cálculo inicialmente utilizada foi de R$ 752.975,56, quando o correto era de R$ 969.220,19, gerando uma base não utilizada de R$ 216.244,63 e, conseqüentemente, gerando um crédito de R$ 3.568,03, referente ao PIS pago a maior. A recorrente protesta pela reforma da decisão, argumentando que deve ser observado o Princípio da Verdade Material, segundo o qual a instrução tem como finalidade a descoberta da verdade material no que toca ao seu objeto com os seus corolários da livre apreciação das provas e da admissibilidade de todos os meios de prova. Por fim, informa que anexou, ao seu Recurso Voluntário, cópia dos seguintes documentos: "DOCUMENTO 01 Notas Fiscais: comprovase por intermédio da NF's que as mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, tais como cigarros, foram excluídas totalmente da base de cálculo do PIS; DOCUMENTO 02 Planilha auxiliar de CFOP de entrada de mercadorias: relaciona as notas fiscais de entrada ICMSST dentro e fora do Estado do Paraná." É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10940.900685/200623 Acórdão n.º 3002000.078 S3C0T2 Fl. 185 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade. Entretanto, preliminarmente, devemos nos debruçar sobre uma questão de ordem pública que emerge da leitura do processo ora em análise. Constatase que a DRFPonta Grossa não deu ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência requisitada pela DRJ Curitiba, muito menos, oportunizou prazo para a sua manifestação. Desta forma, a falta da ciência devida acarretou a preterição do direito de defesa da contribuinte. Por conseguinte, todos atos processuais posteriores encontramse eivados de vício insanável, pois implicaram em prejuízo evidente para a parte, conforme o teor do art. 59, II e § 1°, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: ........................................................................................................ II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. ......................................................................................................... Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e anular a decisão da instância a quo por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar todos os documentos acostados aos autos e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720381/2012-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02
É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02.
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO REGULARIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Deve ser mantido o Termo de Indeferimento de opção no Simples Nacional quando não regularizadas as pendências impeditivas até a data prevista para a opção.
Numero da decisão: 1001-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO REGULARIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Deve ser mantido o Termo de Indeferimento de opção no Simples Nacional quando não regularizadas as pendências impeditivas até a data prevista para a opção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO REGULARIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Deve ser mantido o Termo de Indeferimento de opção no Simples Nacional quando não regularizadas as pendências impeditivas até a data prevista para a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 03 81 /2 01 2- 29 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10665.720381/201229 Acórdão n.º 1001000.260 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 51 a 67) interposto contra o Acórdão nº 0826.889, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Fortaleza/CE (fls. 44 a 46), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO REGULARIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Deve ser mantido o Termo de Indeferimento de opção no Simples Nacional quando não regularizadas as pendências impeditivas até a data prevista para a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade (fl. 2) oposta pelo interessado acima qualificado contra ato de indeferimento de opção pelo regime de tributação especial denominado Simples Nacional, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006, para o anocalendário 2011 (fls. 8/9), pelo fato de constar nos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, débitos de natureza previdenciária cuja exigibilidade não estaria suspensa, conforme apontado no referido Termo de Indeferimento. Em suas razões de inconformidade, o contribuinte sustenta que os débitos demonstrados no Termo de Indeferimento foram devidamente parcelados, razão pela qual protesta pelo deferimento da opção pelo Simples Nacional." Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10665.720381/201229 Acórdão n.º 1001000.260 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário calcado basicamente em duas premissas: (i) que a previsão feita pela LC 123/06 quanto a impossibilidade de adesão ao SIMPLES por empresas em débito para com o fisco violaria a Constituição Federal e (ii) que teria havido a regularização dos débitos por meio de adesão de parcelamento. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos aventados pelo recurso. Conforme relatado, a Recorrente alega em seu recurso que a previsão feita pela Lei Complementar 123/2006 em seu art. 17, inciso V; e na Resolução 94/2011, art. 15, inciso XV, qual seja de vedar a adesão ao SIMPLES por empresa que tenha débitos fiscais não suspensos, violariam a Constituição Federal em seu art. 170, IX, que estabelece o tratamento favorecido às micro e pequenas empresas. Ocorre que é vedado aos julgadores administrativos analisarem a inconstitucionalidade de lei. Tal entendimento já foi sumulado por meio do enunciado CARF de nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, tal impeditivo impossibilita o acolhimento das razões da parte enquanto aos argumentos de inconstitucionalidade, razão pela qual afastoos de plano, sem a necessidade de maiores analises quanto ao tema. Seguindo na análise dos demais argumentos da Recorrente, cabe tecer algumas linhas sobre a regularização fiscal do contribuinte na ocasião de sua opção pelo regime simplificado. O contexto legal aplicável à matéria, bem como a situação fática, já foram devidamente analisados pela decisão de piso, a qual tomo a liberdade de reproduzir abaixo, para tecer alguns comentários posteriores. "Inicialmente, acerca do prazo de que dispõe o interessado, a cada ano, para realizar a opção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do art 16 da Lei Complementar 123/2006 assim dispõe: Art 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10665.720381/201229 Acórdão n.º 1001000.260 S1C0T1 Fl. 5 4 ....................... § 2º – A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. De acordo com o Termo de Indeferimento, a pendência que impediu o contribuinte de efetuar a opção pelo Simples Nacional, para o anocalendário 2013, está relacionada à existência de débitos de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não estariam suspensa. Sobre o tema, o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, assim estabelece: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;(grifo nosso) As Resoluções CGSN de nº 04/2007 e 94/2011 dispõem que, enquanto não vencido o prazo para solicitação de opção, o contribuinte pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples. Na espécie, o Termo de Indeferimento aponta pendência relativamente aos débitos listado às fls. 8/9. O defendente afirma que os débitos motivadores do ato de indeferimento foram parcelados no prazo regulamentar. Contudo, o extrato de fl. 36, retirado dos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil, bem como o despacho (fl. 37) exarado pela Delegacia da Receita Federal em Divinópolis (MG), atestam que o débito correspondente à competência 11/2011 no valor de R$ 1.502,00, não foi incluído em parcelamento. Dessa forma, não se confirma a tese esboçada pelo defendente de que todos os débitos constantes do Termo de Indeferimento estariam parcelados." Conforme bem asseverou a DRJ de origem, a legislação é bastante objetiva quanto as regras para a adesão ao regime especial, determinando a recusa da opção quando existente pendências para com a fazenda, seja ela nacional, estadual ou municipal. Outrossim, a decisão de piso apontou especificamente o débito que deu origem ao indeferimento do pedido, vez que, diferente da maioria dos demais, não se encontrava com a exigibilidade suspensa à época dos fatos. O contribuinte em sua manifestação recursal não traz qualquer elemento que descaracterize a conclusão apontada na decisão em comento de que não haveria débitos pendentes no momento de sua opção. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10665.720381/201229 Acórdão n.º 1001000.260 S1C0T1 Fl. 6 5 Pelo contrário, não nega a sua existência, mas argumenta que teria sido regularizada antes da análise da Manifestação de Inconformidade. E invoca o art. 151,III, do CTN para sustentar que os efeitos do indeferimento da opção estariam suspenso até o fim da análise do presente feito, e portanto, a regularização ao longo deste período ensejaria a reversão da medida adotada pelo fisco. Primeiramente, é de se dizer que o art. 151, III, trata da exigibilidade do crédito tributário ao longo da discussão administrativa, e de se notar que o presente feito administrativo não foi iniciado com vistas a atacar qualquer exigência tributária e sim um ato administrativo de indeferimento do SIMPLES, logo não há que se invocar este permissivo no presente feito. Outrossim, ainda que os efeitos do ato administrativo possam ser suspensos até o fim de sua análise pelos órgãos administrativos competentes, é cediço que estes devem ser orientados pelos ditames legais e pelo contexto fático da época em que o ato foi realizado. Destarte, diante da Manifestação de Inconformidade contra qualquer ato administrativo, cabe à DRJ promover a revisão do ato e averiguar se a conclusão do mesmo se compatibiliza com os preceitos legais e os fatos existentes na sua data de origem, e declarar sua validade ou invalidade desde a data em que foi praticado. Assim, de forma alguma pode a revisão administrativa pela via do presente processo servir como uma "segunda chance" para o contribuinte promover a correção de fatos e obrigações que não estavam regularizados à época em que o ato ora impugnado foi lavrado. Portanto, concluo que a argumentação esposada pela Recorrente não encontra amparo jurídico, não merecendo prosperar. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.007382/2007-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
IRPJ. CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO.
É devida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. É devida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 73 82 /2 00 7- 74 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 232 2 Relatório SANEAMENTO DE GOIÁS S/A recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 178 a 194, contra o Acórdão nº 110100.255, de 9 de março de 2010 (efls. 164 a 172, 3º Volume V1 digitalizado), que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência da multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Optado pela apuração anual dos lucros, fica a pessoa jurídica obrigada a recolher estimativas mensais. Se não o faz, sujeitase a multa isolada, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à imposição da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais após o encerramento do exercício. Transcrevemse as ementas dos acórdãos indicados como paradigmas, no que interessa ao exame da matéria: Acórdão nº 910100.526, de 10/1/2010 Assunto: MULTA ISOLADA Exercício: 2001, 2002, 2003 e 2004 CSLL. MULTA ISOLADA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da ao repetição da sanção tributária. CSLL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de oficio. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 233 3 RETROATIVIDADE BENIGNA. O CTN consagra o princípio da aplicação retroativa da lei posterior mais benéfica às penalidades art. 106, inciso II, "a", do CTN Acórdão nº 910100.576, de 18/5/2010 Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 2000, 2001 e 2002 Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 219 a 221. Em suas razões recursais, a Recorrente aduz, em essência, que é improcedente a cobrança da multa isolada, por falta do recolhimento mensal das estimativas, após o encerramento do anocalendário, quando as antecipações pagas durante o ano superam o valor do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual. Em suma, os argumentos formulados pela Recorrente são os seguintes: a) Afirma que "concordou com o cabimento das multas isoladas (CSLL e IRPJ), referentes aos anocalendário de 2007, vez que o lançamento dos mesmos se deu antes de encerrado o anocalendário", tendo inclusive efetuado o recolhimento desses valores; b) Defende que na hipótese dos autos a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento mensal das antecipação da CSLL e do IRPJ por estimativa (Lei nº 9.430/96, arts. 2º e 30) em relação a alguns meses do ano de 2006 é improcedente, "vez que as antecipações pagas durante o ano foram superiores ao valor do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual (31/12/2006), gerando, inclusive, valores a serem restituídos e/ou compensados"; c) Entende que após o encerramento do período de apuração a exigência de recolhimento por estimativa perde sua eficácia, uma vez que o que deve prevalecer é a exigência dos tributos efetivamente devidos. Nesse sentido, colaciona jurisprudência do CARF; d) Aponta que no caso dos autos "não existe base de cálculo para apuração da multa isolada", uma vez que "não se apurou saldo de IRPJ e CSLL a pagar declarado pelo contribuinte, ou seja, os valores recolhidos a título de estimativas durante o ano superaram o valor do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual (...) como efetivamente devidos". Assim, defende que "a base Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 234 4 de cálculo da multa isolada, relativa ao ano de 2006 é igual a zero, devido a ausência de valores a tributar, portanto, é improcedente qualquer cobrança de multa isolada"; e) Salienta que as alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 22/1/2007, no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no que diz respeito à base de cálculo para aplicação da multa exigida isoladamente, tem aplicabilidade somente aos fatos geradores ocorridos a partir de sua vigência, não alcançando os períodos autuados. Assim, entende que ao presente caso aplicase a redação original do artigo 44, que previa que a base de cálculo da multa isolada era a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, e não a nova redação que prevê que a multa será exigida "sobre o valor do pagamento mensal"; f) Acrescenta que "as estimativas mensais não caracterizam falta de recolhimento, uma vez que este é apurado quando do ajuste anual, portanto, as estimativas são meras antecipações". Ao final, requer seja dado provimento ao recurso, para reformar o acórdão recorrido e determinar o cancelamento do lançamento em tela. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 223 a 229), aduzindo, em essência, o seguinte: a) Sustenta que a Lei nº 9.430, de 1996, ao estabelecer a aplicação de multa de ofício, exigida isoladamente, quando o sujeito passivo deixar de pagar o IRPJ e a CSLL apurados mensalmente com base em estimativa, dispôs que tal multa será exigida "tanto na hipótese de apuração de lucro real e base de cálculo positiva da CSLL, como no caso da apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL"; b) Defende que "a lei não restringiu a aplicação da multa ao lançamento efetuado antes do término do anocalendário". Pelo contrário, afirma que "a expressão 'ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário' leva à conclusão de que o lançamento pode ser efetuado após o seu encerramento, uma vez que antes não se sabe qual será o resultado do período anual"; c) Entende que a multa isolada prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, "decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário, independentemente de se apurar ou não resultado anual tributável". Nesse sentido, cita os artigos 14 a 16 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997; d) Conclui dizendo que "ao contrário do que sustenta a recorrente, a jurisprudência do CARF reconhece a validade da cobrança da multa isolada, independentemente da apuração de imposto devido ao final do período base". Colaciona trechos de decisões do CARF. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 235 5 Ao final, a Procuradoria pugna para que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e, por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta a impossibilidade de a multa isolada ser exigida após o encerramento do ano em que era devida a estimativa. Assim, a discussão cingese à possibilidade ou não de exigirse a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas após o encerramento do anocalendário. Pela lógica do argumento levantado pela recorrente, o dever de antecipar deixaria de existir quando o tributo passa a ser exigível ao final do anocalendário, condição em que seria devido o próprio tributo, acrescido da multa de ofício pelo não recolhimento do ajuste anual. Pela mesma lógica, a falta de recolhimento de estimativas não seria punível porque, se ao final do período nada foi apurado como devido, ou ainda, caso tenha sido experimentado prejuízo fiscal ou saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, não haveria mais que se falar em dever de antecipar algo que não existe e, assim, não haveria conduta a ser punida. Com a devida vênia, discordase desse entendimento. Em verdade, a lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observese: Lei nº 9.430/1996 (redação original) Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 236 6 incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Vêse, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazêlo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. No presente caso, a pessoa jurídica fez a opção por apurar o lucro real anualmente, sujeitandose, assim, e de forma obrigatória, aos recolhimentos mensais a título de estimativas. Nos autos de infração de CSLL e IRPJ (efls. 71 e 72; 85 e 86, do 2º Volume V1 digitalizado), foram exigidas, com fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, multas isoladas relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007. Parte da exigência teve fundamento no referido dispositivo legal, mais precisamente em seu inciso II, alínea "b", já com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007. A vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do anocalendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resultam falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Assim, a exigência de multa isolada pela falta ou insuficiência de recolhimentos estimados visa punir a conduta do contribuinte que abandona a regra geral de Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 237 7 tributação, que é o lucro real trimestral, sem cumprir o requisito para o ingresso na sistemática das estimativas mensais antecipatórias dever instrumental, e pode ser exigida, sim, mesmo que encerrado o anocalendário, porque punese a conduta de não recolhimento de uma obrigação tributária. Ora, a evidência suficiente de que a multa isolada pode ser aplicada depois do encerramento do anocalendário permanece constando na redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido do cabimento da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. Nestes termos, a lei, desde a sua redação original, afirma a aplicação da multa ainda que a apuração final revele a inexistência de tributo devido sobre o lucro apurado. Senão, vejamos: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Lei nº 9.430, de 1996 (redação atual): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 238 8 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse) Ademais, a utilização da expressão "ainda que" deixa patente o cabimento da multa isolada mesmo se houver tributo devido ao final do anocalendário, hipótese na qual seria devida, também, a multa proporcional estipulada na nova redação do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Mas não é só isso que o legislador quis dizer. Em verdade, quando menciona que a multa é devida ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente, estáse dizendo também que essa multa é aplicável após o encerramento do anocalendário. Ora, com a devida vênia à tese defendida aqui pela contribuinte, se a multa não pudesse ser cobrada após o encerramento do anocalendário, como ela poderia ser exigida ainda que tivesse sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa? Como dito, a obrigação de antecipar os recolhimentos é imposta ao sujeito passivo que opta pela apuração anual do lucro, e subsiste enquanto esta opção não for, por outros motivos, afastada1. A apuração dos tributos incidentes sobre o lucro tributável ao final do anocalendário e seu eventual recolhimento a partir do vencimento fixado para os tributos devidos no ajuste anual não anulam o descumprimento daquela obrigação. Neste sentido é o voto da exConselheira Edeli Pereira Bessa acerca da questão2: Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. 1 Lei nº 8.981, de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. [...] V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 Acórdão nº 110100.434, integrado por voto vencedor do exConselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho afastando a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício antes da alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 239 9 Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. (grifouse) Consoante antes observado, o tributo apurado ao final do anocalendário somente se sujeita a encargos a partir de seu vencimento3. Logo, para desconstituir a infração de falta de recolhimento de estimativas, o sujeito passivo deve recolher as antecipações em atraso com os encargos pertinentes desde seu vencimento mensal. O recolhimento do tributo devido no ajuste anual, mesmo acrescido dos correspondentes encargos, não repara o prejuízo causado ao fluxo de caixa da União que, na regra geral de tributação, receberia trimestralmente o ingresso dos tributos incidentes sobre o lucro. O mesmo prejuízo ocorre se o contribuinte deixa de recolher as antecipações e apura saldo negativo de IRPJ ou de CSLL ao final do período de apuração. Veja que o legislador não fez distinção alguma a esse respeito. 3 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 240 10 Em seu recurso, alega a contribuinte que a cobrança da multa isolada por falta do recolhimento mensal de estimativas seria improcedente, uma "vez que as antecipações pagas durante o ano foram superiores ao valor do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual (31/12/2006), gerando, inclusive, valores a serem restituídos e/ou compensados". Ocorre que o caput do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, ao reportarse ao disposto no art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995, permite que o sujeito passivo reduza ou até suprima os recolhimentos mensais caso demonstre, por meio de balancetes de suspensão ou redução, que as estimativas pagas ao longo do anocalendário superam o que seria devido em razão do lucro real acumulado até o mês de levantamento do balancete. Assim, dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Portanto, poderia o contribuinte ter demonstrado, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor do tributo acumulado já pago excedia o valor do tributo devido, podendo suspender ou reduzir o pagamento da estimativa mensal. No caso concreto, entretanto, o recorrente não fez essa opção. Assim, restam devidas as multas isoladas sobre as estimativas não recolhidas, calculadas com base no faturamento do respectivo mês. No que tange aos argumentos da recorrente nos itens 3.2.6 a 3.2.8 de sua peça recursal, no sentido de que as alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, impõem penalidade menos severa, cumpre esclarecer que concordase com tais argumentos. Aliás, também a Fiscalização Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10120.007382/200774 Acórdão n.º 9101003.353 CSRFT1 Fl. 241 11 assim o fez, havendo lançado a multa já com o percentual de 50%. De forma que, já houve a aplicação do art. 106 do CTN, requerida no recurso. Assinalese, ainda, que o argumento contrário à aplicação da multa isolada depois do encerramento do anocalendário resultaria em cenário no qual a falta de recolhimento de estimativas somente seria punida se a infração fosse constatada antes do encerramento do anocalendário, interpretação que praticamente nega eficácia ao dispositivo legal e confere significativa vantagem à opção pelo lucro real anual em detrimento à regra geral de apuração trimestral do lucro tributável. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, mantendo o lançamento das multas isoladas. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721453/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DESISTÊNCIA DO RECURSO. RENÚNCIA
em face da renúncia ao recurso voluntário por parte do sujeito passivo mediante a formalização do pedido de desistência acima referido, não há mais litígio a ser conhecido.
Numero da decisão: 2401-005.247
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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RENÚNCIA em face da renúncia ao recurso voluntário por parte do sujeito passivo mediante a formalização do pedido de desistência acima referido, não há mais litígio a ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 14 53 /2 01 1- 41 Fl. 1609DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 11516.721453/201141 Acórdão n.º 2401005.247 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 365.129,88, acrescido de multa de ofício de R$ 329.451,79 e juros de mora, e de multa exigida isoladamente no valor de R$ 143.792,95, nos termos do voto do relator, conforme ementa do Acórdão nº 0730.307 (fls. 969/1.016): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. SUJEIÇÃO AO AJUSTE ANUAL. Os rendimentos do trabalho assalariado devem ser informados pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual para fins de apuração do saldo do imposto a pagar ou do valor a ser restituído. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVRO CONTÁBIL, DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS, SOLICITADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. ARBITRAMENTO. ARTIGO 148 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. É legítima a aplicação de arbitramento quando o contribuinte deixar de apresentar os elementos necessários para a aferição direta dos rendimentos tributáveis recebidos. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Nada obsta que se aplique concomitantemente a multa de ofício prevista no inciso I e no §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 e a multa isolada prevista no inciso II do mesmo artigo, pois, além de terem bases legais distintas, se destinam a punir o descumprimento de obrigações diversas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PERDA DA ESPONTANEIDADE. DECLARAÇÃO RETIFICADORA ENTREGUE APÓS O INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Devido à perda da espontaneidade, a entrega de declaração de ajuste anual retificadora após o início do procedimento fiscal não tem o condão de afastar o lançamento de ofício do imposto devido e das multas cabíveis. Fl. 1611DF CARF MF 4 PEDIDO DE CONCESSÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. O pedido de concessão de prazo para apresentação de provas formulado na impugnação deve ser indeferido devido à ausência de previsão legal. JUNTADA DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. A decisão administrativa proferida em processo administrativo fiscal, em regra, se aplica somente ao sujeito passivo que participou do processo. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CRIMINAL. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A discussão sobre a ocorrência ou não de crime não é matéria de competência dos órgãos que atuam no processo administrativo fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 810/827), lavrado contra o Contribuinte em 22/08/2011, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, no valor de R$ 412.482,10, acrescido de Juros de Mora, calculados até 29/07/2011, no valor de R$ 134.493,93, Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 364.965,95 e Multa exigida isoladamente, passível de redução, no valor de R$ 165.449,20, perfazendo um total de Crédito Tributário Apurado de R$ 1.077.391,18. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 813/818) e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 764/809), verificase que a autuação decorre de: 1. Omissão de parte (R$ 13.599,99) dos rendimentos recebidos da pessoa jurídica RBS TV de Florianópolis S/A, no anocalendário 2006, em decorrência do trabalho prestado com vínculo empregatício; 2. Omissão de rendimentos decorrentes do trabalho prestado sem vínculo empregatício a diversas pessoas jurídicas, na função de DJ (Disc Jockey), nos anoscalendário 2006 (R$ 2.600,00), 2007 (R$ 4.000,00) e 2008 (R$ 6.600,00) ; 3. Omissão de rendimentos recebidos da empresa CA Viagens e Turismo Ltda. – EPP (Cultural Adventure) decorrentes de trabalho Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 11516.721453/201141 Acórdão n.º 2401005.247 S2C4T1 Fl. 4 5 prestado sem vínculo empregatício nos anoscalendário 2007 (R$ 3.020,57) e 2008 (R$ 1.873,05) ; 4. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício prestado pelo contribuinte na promoção e divulgação das empresas patrocinadoras da “Feijoada do Cacau” dos anos de 2006 (R$ 50.700,00), 2007 (R$ 97.400,00) e 2008 (R$ 121.500,00) ; 5. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas decorrentes da venda de ingressos ao público participante da “Feijoada do Cacau” dos anos de 2006 (R$ 400.000,00), 2007 (R$ 409.000,00) e 2008 (R$ 400.000,00) ; 6. Dedução indevida a título de despesas médicas declaradas nos anos de 2006 (R$ 565,13), 2007 (R$ 453,05) e 2008 (R$ 471,73) ; 7. Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão incidente sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas omitidos pelo contribuinte referidos na letra “e” acima. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, via correio, em 30/08/2011 (fl. 833) e, em 29/09/2011, apresentou sua impugnação de fls. 835 a 855, instruída com os documentos de fls. 856 a 961. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/FNS para julgamento, que, através do Acórdão nº 0730.307, considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte para o lançamento objeto deste processo. Foi dado ciência ao Contribuinte do Acórdão da DRJ/FNS, via correio, em 15/04/2014 (fl. 1.200) e, tempestivamente, em 14/05/2014, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1205 a 1230, instruída com os documentos de fls. 1231 a 1378. Encaminhado o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 12/04/2016 a 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, resolveram, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência fiscal, para que a autoridade fiscal proceda à análise das despesas diretamente relacionadas às receitas consideradas como auferidas pelo recorrente, constantes no documento denominado "Livro Caixa" ou "demonstrativo financeiro", bem como dos documentos relativos às supostas cortesias, permutas e patrocínios, em especial aqueles documentos trazidos aos autos por ocasião do Recurso Voluntário (art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72) e de eventuais complementos posteriores. Em 06/07/2016 o Contribuinte protocolou junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis o REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA do processo administrativo (fl. 1424). Fl. 1613DF CARF MF 6 Em 29/09/2017 reiterou seu pedido de desistência do processo administrativo, em virtude da adesão ao parcelamento, protocolando junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais novo REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA (fl. 1558). É o relatório Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 11516.721453/201141 Acórdão n.º 2401005.247 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/12), lavrado contra o Recorrente em 08/06/2011, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos exercícios 2009, 2010 e 2011, anoscalendário 2008, 2009 e 2010 (Demonstrativo Consolidado fl. 7/10). O processo teve seu julgamento iniciado por este egrégio Conselho, que decidiu converter o julgamento em diligência fiscal, conforme Resolução nº 2401000.501 (fls. 1.396/1408). Antes, porém, da conclusão dos trabalhos, o contribuinte protocolou pedido de desistência do recurso administrativo (fl. 1424) e ingressou com uma Ação Anulatória de Lançamento (processo judicial no 501915609.2016.4.04.7200 – fls. 1.534/1.555). De acordo com o que preceitua o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, o pedido de parcelamento importa em desistência do recurso e configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. [...] § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Assim, em face da renúncia ao recurso voluntário por parte do sujeito passivo mediante a formalização do pedido de desistência acima referido, não há mais litígio a ser conhecido. Fl. 1615DF CARF MF 8 Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO em razão da sua desistência. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720161/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a omissão existente no acórdão recorrido, o qual deixou de especificar a natureza do vício que maculou o lançamento fiscal, declarado nulo.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL.
É nulo, por vício material, o lançamento fiscal cuja mácula atinge a própria motivação do ato administrativo.
Numero da decisão: 2401-005.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, para sanar a omissão apontada e declarar a nulidade do lançamento por vício material.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a omissão existente no acórdão recorrido, o qual deixou de especificar a natureza do vício que maculou o lançamento fiscal, declarado nulo. NULIDADE DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. É nulo, por vício material, o lançamento fiscal cuja mácula atinge a própria motivação do ato administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, para sanar a omissão apontada e declarar a nulidade do lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PAULO ROBERTO SEELEND ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar a omissão existente no acórdão recorrido, o qual deixou de especificar a natureza do vício que maculou o lançamento fiscal, declarado nulo. NULIDADE DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. É nulo, por vício material, o lançamento fiscal cuja mácula atinge a própria motivação do ato administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 61 /2 00 7- 51 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10183.720161/200751 Acórdão n.º 2401005.310 S2C4T1 Fl. 258 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, para sanar a omissão apontada e declarar a nulidade do lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10183.720161/200751 Acórdão n.º 2401005.310 S2C4T1 Fl. 259 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 249/251, contra o Acórdão nº 2102001.821, de 08/02/2012, proferido pela 2º Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 234/246. 2. Alega a embargante a existência de omissão no acórdão recorrido, na medida em que não foi especificada a natureza do vício, se formal ou material, que levou a Turma a declarar a nulidade do lançamento. 3. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 05/08/2014, que interpôs os embargos de declaração em 25/08/2014 (fls. 248 e 252). 4. Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. Recebidos os aclaratórios, determinouse a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas à devida apreciação para saneamento do vício apontado pela Fazenda Nacional (fls. 254/255). É o relatório Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10183.720161/200751 Acórdão n.º 2401005.310 S2C4T1 Fl. 260 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 5. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 6. Pois bem. Quanto à nulidade do lançamento, a redação do voto vencedor coube ao conselheiro Rubens Maurício Carvalho (fls. 245/246). 6.1 Segundo o Redator, a autoridade fiscal tomou como base para o lançamento a falta de atendimento à intimação pelo sujeito passivo, que teria deixado de prestar os esclarecimentos e/ou de apresentar os documentos comprobatórios dos dados inseridos na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). 6.2 Contudo, não havendo nos autos comprovação da ciência do interessado ao Termo de Intimação Fiscal, a fiscalização não tinha elementos para desprezar as áreas não tributáveis declaradas pelo contribuinte, caracterizando, segundo avaliação do Redator, um lançamento feito a partir de meras presunções. 6.3 Para melhor compreensão do raciocínio empreendido pelo Redator, destaco trechos do voto vencedor: (...) Bem, diante destas alegações, da análise dos autos, não encontramos nenhuma prova da ciência do interessado do Termo de Intimação Fiscal N° 01301 10001212007, fls. 06/07. Da legislação invocada na no Termo supra, destacamos o seguinte: Seção III Do Lançamento de Ofício Subseção I Das Disposições Gerais Art. 51.O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 149; Lei nº 9.393, de 1996, art. 14): (...) II deixar de atender aos pedidos de esclarecimentos que lhe forem dirigidos, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente no tempo aprazado; 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10183.720161/200751 Acórdão n.º 2401005.310 S2C4T1 Fl. 261 5 (...) Considerando que o lançamento teve como base o disposto no inciso II e que o mesmo não se aperfeiçoou, uma vez que, não há provas da ciência do interessado do Termo de Intimação citado. Dessa forma, .diferentemente do que consta na autuação, a fiscalização não tinha os elementos de contraprova dos valores declarados., tendo sido o lançamento feito com base em meras presunções, afrontando o Princípio da Estrita Legalidade, disposto no art. 142 do CTN. (...) (Destaques do original) 7. De fato, conforme reproduzido no relatório do acórdão embargado, com base na descrição dos fatos contidos na Notificação de Lançamento nº 01301/00032/2007, a fiscalização justificou o lançamento de ofício pela falta de comprovação, após regular intimação do contribuinte, dos dados das áreas não tributáveis declaradas, assim como do Valor da Terra Nua (VTN) informado pela pessoa física (fls. 02/04): Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte lido comprovou a isenção da area declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10183.720161/200751 Acórdão n.º 2401005.310 S2C4T1 Fl. 262 6 (...) 8. Como se observa das linhas acima, a decisão recorrida considerou não confirmada a motivação do lançamento, tendo a conduta do agente fiscalizador resultado em prejuízo ao sujeito passivo, com afronta ao princípio da legalidade. 9. O defeito do lançamento referese ao conteúdo do ato e, desse modo, está calcado em vício material. A Notificação de Lançamento, na sua origem, revela vício intrínseco, que fulmina o próprio fundamento de falta de comprovação da área de preservação permanente, área de reserva legal e do valor da terra nua declarados. A validade do lançamento somente seria possível por meio da edição de um novo ato administrativo com conteúdo alterado (motivação). 10. Cuidase, no caso sob exame, de ato inconvalidável, ainda que possível a sua reedição, em princípio, a partir de nova descrição dos fatos com vistas à demonstração da plausibilidade da constituição do crédito tributário, desde que não escoado o prazo para o lançamento fiscal. 11. À vista disso, considerando as razões que prevaleceram no acórdão embargado, levando à declaração de nulidade do lançamento fiscal, o vício verificado é de natureza material. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO e ACOLHO os embargos declaratórios para sanar a omissão no Acórdão nº 2102001.821, esclarecendo que a decisão recorrida declarou a nulidade do lançamento por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.724064/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
Ementa:
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação do PIS e da COFINS não-cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. INCISO II DAS LEIS DE REGÊNCIA. CRÉDITOS INDEVIDOS.
As leis de regência das contribuições (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam , em seus artigos terceiros, de créditos a diversos setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3o, que versam restritivamente sobre produção/fabricação e prestação de serviços.
OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. DESPESAS COM PROPAGANDA COOPERADA.
As chamadas bonificações e as despesas com propaganda cooperada constituem receitas, e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS.
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINASA.
As receitas decorrente da prestação de serviços vinculadas a financiamentos (Finasa), integram o faturamento da empresa e, portanto, devem ser consideradas quando da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, calculados no regime da não cumulatividade.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
Ementa:
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação do PIS e da COFINS não-cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. INCISO II DAS LEIS DE REGÊNCIA. CRÉDITOS INDEVIDOS.
As leis de regência das contribuições (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam , em seus artigos terceiros, de créditos a diversos setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3o, que versam restritivamente sobre produção/fabricação e prestação de serviços.
OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. DESPESAS COM PROPAGANDA COOPERADA.
As chamadas bonificações e as despesas com propaganda cooperada constituem receitas, e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS.
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINASA.
As receitas decorrente da prestação de serviços vinculadas a financiamentos (Finasa), integram o faturamento da empresa e, portanto, devem ser consideradas quando da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, calculados no regime da não cumulatividade.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE.
É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada.
Numero da decisão: 3401-004.379
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento em relação (a1) à conta referente a manutenção e reparos, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Ávila, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan acompanhado pelas conclusões, por entenderem não aplicável o dispositivo legal referente a insumos a atividades comerciais, devendo o relator incluir tal observação em seu voto, conforme previsão regimental; (a2) à conta a "receita propaganda coop.", tendo os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan acompanhado pelas conclusões, por entenderem que a negativa de crédito não se restringe ao aspecto probatório, devendo a rubrica ser incluída na base de cálculo, por constituir receita, cabendo ao relator agregar tais considerações a seu voto, na forma regimental; (a3) "prestação de serviços FINASA"; (b) por maioria de votos para manter o lançamento em relação a (b1) comissão de cartões de crédito e de débito, e a propaganda e provisão de despesas de propaganda, vencido o relator e o Conselheiro Cássio Schappo; (b2) créditos extemporâneos de ICMS-ST, vencido o Conselheiro Cássio Schappo; e (b3) bonificações, vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que propunham conversão em diligência, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Rosaldo Trevisan acompanhado pelas conclusões, por entenderem que a negativa de crédito não se restringe ao aspecto probatório, devendo a rubrica ser incluída na base de cálculo, cabendo ao relator agregar tais considerações a seu voto, na forma regimental; e (c) por voto de qualidade, para manter a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Cassio Schappo, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Foi rejeitada, por maioria, em votação preliminar, a proposta de conversão em diligência, suscitada pelos Conselheiros Cássio Schappo, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco em relação a "receita propaganda coop.". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Redator Designado.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Renato Vieira de Ávila (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Ementa: PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS não-cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. INCISO II DAS LEIS DE REGÊNCIA. CRÉDITOS INDEVIDOS. As leis de regência das contribuições (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam , em seus artigos terceiros, de créditos a diversos setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3o, que versam restritivamente sobre produção/fabricação e prestação de serviços. OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. DESPESAS COM PROPAGANDA COOPERADA. As chamadas bonificações e as despesas com propaganda cooperada constituem receitas, e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINASA. As receitas decorrente da prestação de serviços vinculadas a financiamentos (Finasa), integram o faturamento da empresa e, portanto, devem ser consideradas quando da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, calculados no regime da não cumulatividade. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Ementa: COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS não-cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. INCISO II DAS LEIS DE REGÊNCIA. CRÉDITOS INDEVIDOS. As leis de regência das contribuições (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam , em seus artigos terceiros, de créditos a diversos setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3o, que versam restritivamente sobre produção/fabricação e prestação de serviços. OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. DESPESAS COM PROPAGANDA COOPERADA. As chamadas bonificações e as despesas com propaganda cooperada constituem receitas, e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINASA. As receitas decorrente da prestação de serviços vinculadas a financiamentos (Finasa), integram o faturamento da empresa e, portanto, devem ser consideradas quando da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, calculados no regime da não cumulatividade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-10T23:46:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-10T23:15:07Z; Last-Modified: 2018-03-10T23:46:19Z; dcterms:modified: 2018-03-10T23:46:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:cc81b452-2cdd-5742-87bb-f62b5c85d50b; Last-Save-Date: 2018-03-10T23:46:19Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-10T23:46:19Z; meta:save-date: 2018-03-10T23:46:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-10T23:46:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-10T23:15:07Z; created: 2018-03-10T23:15:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 52; Creation-Date: 2018-03-10T23:15:07Z; pdf:charsPerPage: 2169; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-10T23:15:07Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 7.707 1 77..770066 SS33CC44TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS TTEERRCCEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 10805.724064/201582 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3401004.379 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 26 de fevereiro de 2018 MMaattéérriiaa PIS e COFINS INSUMOS RReeccoorrrreennttee VIA VAREJO S/A RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Ementa: PIS NÃOCUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. PIS NÃOCUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. INCISO II DAS LEIS DE REGÊNCIA. CRÉDITOS INDEVIDOS. As leis de regência das contribuições (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam , em seus artigos terceiros, de créditos a diversos setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3o, que versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. DESPESAS COM PROPAGANDA COOPERADA. As chamadas bonificações e as despesas com propaganda cooperada constituem receitas, e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. PIS NÃOCUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINASA. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 40 64 /2 01 5- 82 Fl. 7707DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.708 2 As receitas decorrente da prestação de serviços vinculadas a financiamentos (Finasa), integram o faturamento da empresa e, portanto, devem ser consideradas quando da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, calculados no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Ementa: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. INCISO II DAS LEIS DE REGÊNCIA. CRÉDITOS INDEVIDOS. As leis de regência das contribuições (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam , em seus artigos terceiros, de créditos a diversos setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3o, que versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. DESPESAS COM PROPAGANDA COOPERADA. As chamadas bonificações e as despesas com propaganda cooperada constituem receitas, e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. PIS NÃOCUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINASA. As receitas decorrente da prestação de serviços vinculadas a financiamentos (Finasa), integram o faturamento da empresa e, portanto, devem ser consideradas quando da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, calculados no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 7708DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.709 3 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento em relação (a1) à conta referente a manutenção e reparos, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Ávila, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan acompanhado pelas conclusões, por entenderem não aplicável o dispositivo legal referente a insumos a atividades comerciais, devendo o relator incluir tal observação em seu voto, conforme previsão regimental; (a2) à conta a "receita propaganda coop.", tendo os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan acompanhado pelas conclusões, por entenderem que a negativa de crédito não se restringe ao aspecto probatório, devendo a rubrica ser incluída na base de cálculo, por constituir receita, cabendo ao relator agregar tais considerações a seu voto, na forma regimental; (a3) "prestação de serviços FINASA"; (b) por maioria de votos para manter o lançamento em relação a (b1) comissão de cartões de crédito e de débito, e a propaganda e provisão de despesas de propaganda, vencido o relator e o Conselheiro Cássio Schappo; (b2) créditos extemporâneos de ICMSST, vencido o Conselheiro Cássio Schappo; e (b3) bonificações, vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que propunham conversão em diligência, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Rosaldo Trevisan acompanhado pelas conclusões, por entenderem que a negativa de crédito não se restringe ao aspecto probatório, devendo a rubrica ser incluída na base de cálculo, cabendo ao relator agregar tais considerações a seu voto, na forma regimental; e (c) por voto de qualidade, para manter a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Cassio Schappo, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Foi rejeitada, por maioria, em votação preliminar, a proposta de conversão em diligência, suscitada pelos Conselheiros Cássio Schappo, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco em relação a "receita propaganda coop.". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Redator Designado. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. Fl. 7709DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.710 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Renato Vieira de Ávila (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Marcos Roberto da Silva (suplente). Relatório Versam os autos sobre lançamento de ofício (efls. 5.996/6.013), referente a créditos descontados indevidamente para o PIS e a COFINS, sob o regime da não cumulatividade, relativo aos fatos geradores de 31/01/2011 a 31/12/2011, sobre os quais foram acrescidos a multa de 75% e juros de mora. Importante consignar que os fatos geradores de 2011 são referentes a sociedade empresária Nova Casa Bahia S/A formalizada sob a forma de sociedades por ações e enquadrada no regime tributário do lucro real , a qual fora incorporada em 24/01/2013 pela Recorrente, conforme informado no TVF de efl. 5.958. Baseandose nos artigos 3o, II da Lei 10.637/02 e 10.833/03 c/c artigo 8o da IN/SRF 404/04, a fiscalização entendeu que o direito ao crédito de PIS/COFINS somente seria possível para os serviços utilizados como insumos (1) aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou (2) aplicados ou consumidos na prestação de serviço (efls. 5.961/5.962), sendo inadmissível no caso concreto, pois, de acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE da Recorrente, esta desenvolveu até 22/01/2011 o ramo de Lojas de Departamentos ou Magazines, e após, o Comércio Varejista especializado em eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo, e ainda, como atividade secundária, Lojas de Variedades. Concluiu que a atividade preponderante da contribuinte era o comércio, logo, não possuindo o direito de crédito dos chamados insumos. No item IV, do TVF (efls. 5.959 e seguintes), as autoridades fiscais informam os FATOS RELATIVOS À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO, informando: 1. DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS DECLARADOS EM DACON: (1.1) Manutenção e Reparo, conta contábil 3213001 (efl. 5.964); (1.2) Comissão Cartão de Crédito (taxa de administração cobradas pelas operações de cartão de crédito e débito, conta contábil 3511001 (efl. 5.965); (1.3) Propaganda (efl. 5.968), serviços de propaganda e publicidade tomados por prestadoras de serviços contratadas pela Recorrente, contas contábeis 3501001 e 2109002; (1.4) Crédito extemporâneo ICMSST, contas contábeis 1201011 e 3405002; 2. DO CONFRONTO DOS VALORES DAS RECEITAS DE BONIFICAÇÃO CONSTANTES NO DEMONSTRATIVO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE (DACON) E NA CONTABILIDADE (efl. 5.978 e seguintes), considerados como sendo omissões de receita (planilhas contidas à efl. 5.991 para o PIS e 5.993 para a COFINS). Fl. 7710DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.711 5 3. DA RECEITA DE PROPAGANDA COOP NÃO INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES (efl. 5.983 e seguintes), registrada na conta contábil 4303003 "RECEITA PROPAGANDA COOP", entendido como sendo omissão de receitas.. 4. DO CONFRONTO DAS RECEITA (SIC) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINASA CONSTANTES NO DEMONSTRATIVO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE (DACON) E NA CONTABILIDADE (efl. 5.987), conta contábil 4104008, também considerada como omissão de receitas. A interessada apresentou impugnação (efls. 6.023/6.068), defendendo em síntese que : houve constrição do conceito de “insumos” pelas autoridades fiscais, diante da utilização do conceito inerente ao Imposto sobre Produtos Industrializados. as glosas abrangem dispêndios “indiscutivelmente imprescindíveis ao desenvolvimento do seu objeto social”, e que sem estas “jamais seriam produzidas as receitas auferidas pela contribuinte.” ser injusto o tratamento desigual entre comércio e indústria, pois nestas o “espectro de dispêndios sobre os quais podem tomar créditos da não cumulatividade é significativamente maior do que aquele deferido às empresas meramente comerciais.” a própria legislação (arts. 518 e 519 do RIR/99) reconhece que tanto a atividade comercial quanto industrial têm margens de lucro análogas, inexistindo justificativas que determinem tratamento diferenciado para fins de aproveitamento de créditos para o PIS e a COFINS. no tocante a interpretação e aplicação do inc. II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os insumos devem ser conceituados como “quaisquer dispêndios necessários e imprescindíveis à geração das receitas, que são gravadas pelas contribuições.” Os insumos “representa (sic) cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como, por exemplo, matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica, marketing, serviçosmeio, etc.”, motivo pelo qual possui direito ao crédito do PIS e da COFINS sobre os valores pagos a esse título. Complementando, junta julgado do CARF, objetivando a alteração do conceito de insumos utilizado pelas autoridades fiscais. tem direito ao crédito relacionado aos dispêndios com manutenção e reparo, uma vez que possui diversas lojas espalhadas pelo País, resultando em muitos gastos com manutenção de espaços físicos e reparos estruturais, sendo estes dispêndios necessários para o desenvolvimento do objeto social (item 3.1). “da glosa dos créditos sobre Taxa de Administração de cartão de crédito, cartão de débito e congêneres”, sustenta que por serem seus clientes consumidores finais, parte das vendas se materializam por meio de cartão de crédito, fazendo com que a interessada pague taxas às administradoras dos cartões. Assim, “não há como se afastar a consideração no sentido Fl. 7711DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.712 6 de que a disponibilização do meio de pagamento controvertido é absolutamente imprescindível a atividade desenvolvida pela impugnante” (item 3.2). sobre a “glosa com despesas de propaganda”, argumenta a “indissociabilidade desses dispêndios com o desenvolvimento do objeto social”, uma vez que está inserida em mercado competitivo, sendo de extrema relevância a divulgação de suas lojas para obtenção de resultados. Deste modo, aduz que tal serviço deve ser considerado insumo (item 3.3). no que tange a glosa sobre os créditos extemporâneos de ICMS item 3.4, diz que é incontestável que o “ICMSST – que vem enxertado nas Notas Fiscais emitidas por certos fornecedores do contribuinte e que, por óbvio, é vertido aos vendedores pela Impugnante – integra, sim, o custo de aquisição das mercadorias adquiridas.” Acrescenta, que tal glosa foi realizada seguindo preceitos infralegais, produzidos pela própria Receita Federal, e que tais preceitos não impõem obrigações aos administrados. Para reforçar sua defesa, cita ementa da Solução de Consulta nº 60, de 2007 da SRRF 4ª Região Fiscal e conclui que “se, como reconhece a Receita Federal, o ICMSST integra o custo de aquisição da mercadoria adquirida para revenda, e se os créditos PIS/COFINS são calculados sobre o custo de aquisição da mercadoria (art. 3º, I, das Leis 10.637 e 10.833), é certo que devem ser admitidos os créditos de PIS e COFINS sobre o custo de aquisição, que também é composto pelo ICMS – ST.” Cita também ementa da Solução de Consulta nº 60, de 2012 , da SRRF da 4ª RF. os créditos extemporâneos devem ser aproveitados, pois está previsto no § 4º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03. Também, que a falta de retificação do DACON, DCTF e da DIPJ, conforme mencionado pela autoridade fiscal, não tem qualquer lastro legal para obstar o direito. Cita jurisprudência do CARF sobre o caso, bem como requer o cancelamento da glosa. quanto as “Receitas de Bonificações constantes da DACON e da Contabilidade” – item 3.5, advoga possuem natureza jurídica de desconto. Cita o item 11 do pronunciamento técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, aprovado pela CVM em 05/06/2009, o qual aduz que os “[...] descontos comerciais e abatimentos e outros itens semelhantes são deduzidos na determinação do custo de aquisição” dos estoques, deste modo, “as bonificações e os acordos comerciais, para os efeitos contábeis do adquirente, importam em redução do custo do estoque.” Defende que “as bonificações ou os descontos comerciais não devem ser considerados como receitas pela sociedade, mas antes, deverão ser deduzidas quando de seu registro contábil”, em conformidade com o item 10 do pronunciamento técnico nº 30 do CPC, também aprovado pela CVM em 15/09/2009. Informa ainda que a bonificação se dá mediante a entrega da mercadoria, se dá em moeda para redução do preço, ou por meio de desconto em duplicata à vencer, tratando se, na essência, “de redução de custos de aquisição de produtos, que não revelam ingresso de Fl. 7712DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.713 7 recursos novos no caixa da entidade, e, como tal, nos termos da lei comercial, não preenchem o conceito de receita, mas antes servem à reduzir o custo de aquisição de seus estoques.” “Das Receitas de Propaganda Coop”, argumenta que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não estabelecem em seu texto que os reembolsos não integram a base de cálculo do PIS e da Cofins, porém, tal fato,“ não significa que se possa incluir os reembolsos na base de cálculo destas contribuições, visto que não se constituem em receita da pessoa jurídica.” (item 3.6). sobre o lançamento referente a receita de prestação de serviços FINASA, entende que o entendimento dos fiscais não conduz com a realidade, uma vez que os valores lançados são receitas, estas tributadas à alíquota zero de PIS e COFINS (item 3.7). caso haja condenação, seja afastada a incidência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sob o argumento de que o legislador não previu a possibilidade de incidência destes sobre tal penalidade. também, ao menos, a taxa Selic não recaia sobre as multas de ofício lançadas. Juntou documentos, e dentre outros, parecer do Prof. Paulo de Barros Carvalho (efls. 6.149/6.211), e depois, mais um adendo ao parecer (efls. 6.212/6.219), o qual analisou e concluiu pela possibilidade do aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, referente a despesas de publicidade e propaganda; juntou também parecer do Prof. José Antonio Minatel sobre as bonificações, entendidas pelo parecerista como parcelas redutoras do custo de aquisição das respectivas compras (efls. 7.314/7.356). Ao apreciar os fatos trazidos à baila pela autoridade fiscal, bem como pela interessada, decidiu a DRJ de Curitiba pela procedência dos lançamentos de PIS e Cofins não cumulativos, bem como a incidência da multa de ofício e juros de mora (efls. 7.371/7.402), cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATIVIDADE COMERCIAL. INSUMOS. Na atividade de comércio não é possível a apuração de créditos da não cumulatividade do PIS ou da Cofins, com base no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, pois a hipótese prevista em tais dispositivos é destinada unicamente a pessoas jurídicas industriais ou prestadoras de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO, DÉBITO E CONGÊNERES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Fl. 7713DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.714 8 O pagamento de taxas de administração para pessoas jurídicas administradoras de cartões de crédito ou débito não gera direito à apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por ausência de previsão legal. CRÉDITO. DESPESAS COM PUBLICIDADE, PROPAGANDA, MARKETING E REPRESENTANTES COMERCIAIS. Despesas com representantes comerciais, publicidade, propaganda e marketing, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS e da Cofins, calculados no regime não cumulativo, por não se caracterizarem como insumo. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. O ICMS substituição tributária (ICMSST) não constitui custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria, assim, sobre a respectiva parcela não há previsão de apuração de créditos de PIS ou de Cofins para fins de desconto da contribuição devida calculada no regime da não cumulatividade. BONIFICAÇÃO. RECEITA INTEGRANTE DO FATURAMENTO. As bonificações recebidas não configuram descontos incondicionais e, portanto, devem ser consideradas como receitas integrantes do faturamento da empresa, constituindo, assim, base de cálculo do PIS e da Cofins, calculados no regime da não cumulatividade. PROPAGANDAS. REEMBOLSOS. RECEITAS. Os valores reembolsados por terceiros em razão de propagandas efetuadas pela empresa correspondem a receitas recebidas e, portanto, integram o seu faturamento, o qual, no regime da não cumulatividade, constitui base de cálculo do PIS e da Cofins. FINASA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RECEITAS. As receitas decorrente da prestação de serviços vinculadas a financiamentos (Finasa), que não correspondam a receitas financeiras, integram o faturamento da empresa e, portanto, devem ser consideradas quando da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, calculados no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 7714DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.715 9 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 JUNTADA DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a peça impugnatória, sob pena de preclusão, salvo exceções taxativamente previstas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão colegiada em 23/05/2016 (efl. 7.408), interpôs Recurso Voluntário em 20/06/2016 (efls. 7.409/7.458), basicamente repisando os argumentos expendidos em sua impugnação; ascendendo os autos a este Tribunal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos, relator Como se viu acima, o recurso voluntário é tempestivo, por conseguinte, preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O caso concreto, pelo que também se viu alhures, versa sobre (I) a glosa sobre o aproveitamento de créditos os chamados insumos de PIS e da COFINS não cumulativos, não permitidos pela legislação, assim resumidos: 1) Manutenção e reparos, conta contábil 3213001; 2) Comissão de cartões de crédito/débito, conta contábil 3511001; 3) Propaganda e provisão de despesas de propaganda, contas contábeis 3501001 e 2109002; 4) Créditos extemporâneos de ICMSST, contas contábeis 1201011 e 3405002; E (II) omissão de receitas: 1) Receita de bonificação; 2) Receita de cooperação de propaganda; 3) Receita de prestação de serviço referente ao FINASA. Antes de se adentrar nas rubricas lançadas pelas autoridades fiscais, importante fazer algumas considerações acerca das contribuições para o PIS e COFINS; o conceito de insumos e o direito ou não aos créditos para empresas comerciantes, in casu, a Recorrente. Fl. 7715DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.716 10 I. Do PIS e a da COFINS nãocumulativos e o conceito de insumos O PIS fora criado pela Lei Complementar LC 7/70, tendo como base de cálculo, o faturamento, assim entendido como sendo a receita de venda de bens e serviços. Já a COFINS fora instituída pela LC 70/91, tendo como base de cálculo, receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. A Constituição da República, por seu turno, até o dia 15 de dezembro de 1998 estabelecia: • 01) Hipótese de incidência, o ato de faturar; • 02) Base de cálculo, o valor faturado; • 03) Contribuinte, o empregador. A partir da Emenda Constitucional EC 20/98, o art. 195 da CF, ficou da seguinte forma: • 01) Hipótese de incidência, auferir receita ou faturamento; • 02) Base de cálculo, receita ou faturamento; • 03) Contribuinte, o empregador, a empresa e a entidade a ela equiparada. Já EC 42/2003, introduziu o § 12, no art. 195, da CF: A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (negrito nosso). Por meio deste dispositivo, visou o legislador a desoneração do faturamento dos contribuintes, pelo chamado método de "base contra base" ou "subtrativo indireto", na medida em que o crédito deve ser calculado sobre uma base determinada pela legislação (art. 3° das Leis 10.637/02 e 10.833/03), descontandose do tributo calculado sobre uma base de débito, também disposta pela lei (o faturamento). Neste ponto cabe um parêntese, fazendo um corte diferenciador quanto à não cumulatividade do IPI e do ICMS. No que tange ao IPI, diz o artigo 153, § 3º, II, CF: “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.” (negrito nosso). O texto constitucional visou a desoneração da industrialização e circulação de produtos, sob o método “imposto contra imposto”, ou seja, o contribuinte que receber insumos lança essa entrada no Livro de Registro de Entradas LRE, bem como o IPI destacado na nota fiscal de aquisição como um crédito escritural. Em seguida, havendo saída tributável, deverá ser registrada no Livro de Registro de Saídas LRS, debitandose o IPI devido na operação. Fl. 7716DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.717 11 Por meio do Livro de Apuração do IPI, confrontarseá créditos (LRE) com os débitos (LRS), e em havendo saldo credor, este será transportado para o mês seguinte; do contrário, existindo débito, deverá o contribuinte efetuar o pagamento do Imposto. Tocante ao ICMS, dispõe o artigo 155, § 2º, I, CF: “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal;” (negrito nosso) Neste particular, objetivouse a desoneração da circulação de mercadorias, pelo denominado método “imposto contra imposto”. Por seu turno, o direito ao crédito para os casos do IPI e do ICMS está relacionado ao bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou comercialização. Fechando este parêntese, percebese, já de início que há diferença entre os dois impostos em relação às duas contribuições. Como se viu, o crédito do IPI advém do valor do imposto destacado na nota fiscal de aquisição, ao passo que o direito ao crédito das contribuições será calculado pela soma de suas alíquotas (9,25%), não importando o montante do PIS e da COFINS incidente na etapa anterior. Vêse que a materialidade do IPI é a industrialização e circulação do produto e que a materialidade do PIS e da COFINS é a universalidade das receitas auferidas. Volvendo às duas contribuições, os traços principais da nãocumulatividade encontramse nos artigos 1° ao 4°, da Lei 10.637/02 (para o PIS), e os artigos 1° ao 5°, da Lei 10.833/03 (para a COFINS), da seguinte forma: • Fato Gerador FG, como sendo o faturamento mensal, entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. • Base de Cálculo BC, o valor do faturamento. • Alíquota do PIS = 1,65% • Alíquota da COFINS = 7,6% • Créditos autorizados: bens de revenda, insumos e despesas relacionados. • Créditos vedados: mãodeobra, bens e insumos não submetidos às contribuições, como regra geral. Já no que se refere à apuração de crédito de insumos no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, dispõem os artigos 3°, II e § 3°, III, das Leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 7717DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.718 12 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) III aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Regulamentando as aludidas Leis as quais, digase de passagem, não trouxeram o conceito de insumos , sobrevieram as Instruções Normativas 247/02 (art. 66, § 5°, para a apuração do PIS) e 404/04 (art. 8º, § 4°, para a apuração da COFINS), dispondo que somente dará direito ao crédito quando o insumo seja utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda; matérias primas, produtos intermediários, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas; os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, desde que aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Diante deste cenário, formouse praticamente 3 (três) correntes sobre o assunto, em longos e acalorados debates, como dito alhures, pedindo vênia para se repetir, a fim de se dar ordem às ideias. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem, serviço ou despesa para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens, serviços ou despesas sejam úteis e 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 7718DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.719 13 necessárias, enfim, que contribuam para a atividade empresarial e que participem da universalidade das receitas tributáveis (geração, realização de receitas). Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da Fl. 7719DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.720 14 recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 7720DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.721 15 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1.246.317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). Há ainda no E. STJ, Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sob o tema 779 (22/04/2104) à competência da 1a Seção, no qual se discute o conceito de insumo, disposto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Ao que se veiculou na mídia, dia 22/02/2018, houve julgamento do feito, sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 votos a 3 (http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI274961,61044 STJ+define+conceito+de+insumo+para+creditamento+de+PIS+e+Cofins e https://www.conjur.com.br/2018fev22/insumocreditopiscofinstudoforessencialstj ), prevalecendo, bom se diga, a corrente dita "intermediária", cabendo frisar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas contribuições2 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, "algo fisicamente apreensível"3 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou 2 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. Fl. 7721DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.722 16 se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"4), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. II. Dos créditos de insumos do PIS e COFINS para o segmento do comércio varejista no caso concreto Partindo do entendimento exposto acima, adotandose a terceira corrente "intermediária" , ou seja, da essencialidade, necessidade e relevância dos serviços contratados taxa de administração de cartões de crédito e débito; despesas com publicidade e propaganda; financiamento FINASA); ICMS/ST e bonificações , passase a analisar o caso dos autos. À época das autuações, a Recorrente tinha por objeto social (efls. 6.092/6.093), o comércio varejista: 4 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 7722DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.723 17 Diz a Recorrente que, para atingir estes desideratos e auferir receitas, incorreu em diversas despesas necessárias e essenciais, e por conseguinte, apurou créditos para fins de abatimento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade. Por outro lado, a autoridade fiscal entendeu que as atividades desempenhadas pelo sujeito passivo sociedade empresária do comércio varejistas, repitase , não tem direito aos créditos das referidas contribuições, por ausência de previsão nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, reafirmado pela DRJ. De início, percebese que, tanto a autoridade fiscal, quanto o Órgão julgador de 1o piso, adotaram a primeira corrente a mais restritiva , àquela afeita ao creditamento advindo do IPI, razão pela qual, de plano, a afasto, ao menos em tese, até que se analise as glosas, caso a caso. Fl. 7723DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.724 18 O artigo 3°, II, §§1° ao 3° e §§7° e 8°, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, os quais possuem a mesma redação, dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao Fl. 7724DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.725 19 regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Dos dispositivos acima elencados percebese que a finalidade é de conceder créditos à parcela referente aos custos, despesas e encargos vinculados à obtenção de receitas, não cabendo ao intérprete mormente pelo que dispõe o § 12, do artigo 195 da CF, ou seja, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, tendo sua matriz constitucional , impor limitações inexistentes nas Leis de regência. Noutro falar, sejam essenciais, necessários e guardem uma relação para que o contribuinte atinja seus objetivos sociais, enfim, sua atividadefim. II. 1. Dos insumos no caso concreto. Do lançamento fiscal sobre manutenção e reparos O TVF informa que tais receitas se referem a "intermediação na venda de garantia, seguros técnicos e habilitação de celulares" e que tais valores seriam despesas de manutenção da atividade do contribuinte, bens de pequeno valor ou até mesmo reformas que deveriam ser ativadas. Menciona ainda que a Recorrente contabilizou tais valores como despesas, e não como custos, caso considerasse insumos e também estornou tais valores da base de cálculo dos créditos das contribuições. A Recorrente, por seu turno, basicamente advoga que, em razão dos vários estabelecimentos que possui, necessita de manutenção e reparos; que se cuidam de valores despendidos pelo sujeito passivo, relacionandose com seu objeto social, logo, dandolhe o direito à tomada de créditos. Resta saber se tais valores estão diretamente ligados se são necessários e essenciais à atividade da Recorrente. A conta contábil 3213001 MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO, contida no TVF (efl. 5.964) está assim descrita: Fl. 7725DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.726 20 Também destacou a autoridadefiscal, lançamentos referente a 5 (cinco) notas fiscais: Ao que se denota, tais lançamentos contábeis não têm a ver com a geração (implementação) de receitas para fins de serem considerados insumos no mais das vezes, neste caso, um vínculo fugaz como leciona o Prof. Marco Aurélio Greco, citado alhures , e portanto, não lhe dando direito ao aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS não cumulativas. Neste particular, entendese que o lançamento não merece reparos. Em que pese o presente entendimento, acordou a maioria do colegiado (Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Ávila, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan), no julgamento, apenas com as conclusões aqui externadas, por entenderem não aplicável o dispositivo legal referente a insumos a atividades comerciais, o que se agrega aqui em função de previsão regimental (art. 63, § 8o do RICARF). Fl. 7726DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.727 21 “§ 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros.” II. 2. Dos insumos no caso concreto. Do lançamento fiscal sobre a comissão de cartões de crédito e de débito O referido lançamento fiscal verificou a conta contábil comissão de cartões de crédito 3511001 e concluiu que os valores nela contidos se referiam às taxas de administração cobradas pelas operações de cartão de crédito e débito (TVF, efls. 5.965/5.966), assim discriminados: Além disso, entendeu que tais taxas não se enquadram no conceito de insumos, posto que não são aplicadas ou consumidas na prestação desses serviços, de acordo com o artigo 8°, § 4°, I da INSRF 404/2004. A matéria é conhecida deste Tribunal, o qual, em suma, entende que tal rubrica é voltada para uma atividade meramente comercial, distinta da produção e da prestação de serviços acórdãos 3301003.874 e 3403003.306, este último de um sujeito passivo do ramo do comércio varejista, inclusive, sendo designado redator, o Conselheiro Rosaldo Trevisan. De se registrar que o relator deste último acórdão citado acima, Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, restou vencido, mas consignou em seu voto que tais taxas são despesas necessárias para a Recorrente, sem as quais ela certamente não aufereria as receitas que aufere, sobretudo nos dias atuais em que se utiliza cada vez menos o papel moeda e com todas as restrições comerciais dos cheques frente à possibilidade de recebimento eletrônico por meio de débito ou crédito. Por seu turno, o voto vencedor, entendeu que os artigos 3°, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que só bens e serviços podem ser insumos, e que tais "bens e serviços" para serem considerados insumos, devem ser utilizados: (a) na prestação de serviços; ou (b) na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Trabalha, assim, o texto legal, indubitavelmente, com duas categorias: "produção/fabricação" e "prestação de serviços". Fl. 7727DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.728 22 Ponderando estes respeitáveis entendimentos, somados aos ensinamentos construídos pela doutrina, dentre as quais, a do Prof. Marco Aurélio Greco, em especial, os critérios da essencialidade, inerência e pertinência, entendese que o uso de cartões de crédito e débito, atualmente, é essencial para a geração de receitas de quaisquer dos segmentos da economia. Sem eles, poderiam as empresas sobreviverem? Pensase que não. Conseguiriam faturar apenas por meio de dinheiro ou cheque, no ambiente virtual em que se vive? Temse que não. Os cartões têm relevância, ou seja, é importante para as empresas, e viceversa. Entendese que sim (critério da relevância). Um tem a ver com o outro empresas e cartões. A resposta é afirmativa (critério da inerência). Respeitando as opiniões contrárias, bem assim, a importância deste Tribunal para a discussão, mutação e construção de sua jurisprudência, e mais, pelo que também se discutiu a aceitação e aplicação dos critérios de essencialidade e relevância para fins de se tomar créditos de PIS e COFINS nos chamados insumos e decidiu o E. STJ, no REsp. 1.221.170/PR (julgamento do dia 22/02/2018), afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", entendese que tais rubricas hão de gerar o direito ao aproveitamento destes créditos, e por corolário, cancelandose a autuação neste particular. II. 3. Dos insumos no caso concreto. Do lançamento fiscal sobre propaganda e provisão de despesas de propaganda De acordo com o TVF (efl. 5.969), a Recorrente se apropriou de créditos de publicidade e propaganda, pois tais despesas, pagas antecipadamente, contribuem com a formação do resultado de períodos futuros, enquadrandose, no seu entender no conceito de insumos, sendolhes necessários e indispensáveis para o desenvolvimento de sua atividade. O mesmo TVF (efl. 5.971), esclarece: Fl. 7728DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.729 23 Assim, a autoridade fiscal lavrou o lançamento, entendendo que despesas com propaganda e publicidade não são insumos na prestação de serviços da Recorrente, vez que não são aplicadas ou consumidas na prestação de serviços, nos termos do artigo 8°, § 4°, I da IN/SRF 404/2004. Entendeu ainda a autoridade lançadora que os artigos 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram de modo exaustivo as hipóteses de crédito e citou Soluções de Consulta 181/2012 e 137/2013. Cabe informar que a DRJ ratificou o lançamento, entendendo que tais rubricas são receitas para fins de tributação do PIS e da COFINS. Pois bem, cabe saber se as despesas com propaganda e publicidade estão ou não inseridas no conceito de insumos. Como já se viu anteriormente, diz o artigo 3°, II que insumos são produtos destinados à venda. Abreviando ao que já se disse até então, o que se ratifica, insumos são todos os custos e despesas oriundos das aquisições de bens ou serviços utilizados na atividade empresarial. Demais disso, o art. 3°, § 3°, inciso III das multicitadas Leis do PIS e da COFINS, dispõem que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados, exclusivamente, em relação aos custos e despesas incorridos. Publicidade e propaganda para o caso da Recorrente são elementos que implementam/incrementam sua atividade empresarial? Contribuem para a geração de suas receitas? Entendese que sim. Tratamse de despesas necessárias. São essenciais para a sobrevivência do negócio da Recorrente, pois sem propagar seus produtos, certamente suas vendas seriam significantemente menores (critério da relevância), pois dependeriam apenas de suas lojas estarem abertas e vendedores em seus postos a convencerem o consumidor interessado. De certo que esta estratégia de venda, este marketing é insuficiente e precário para as dinâmicas dos dias atuais. Bem sabese que os negócios mudaram, a concorrência também. Anunciase em vários veículos e mídias; muitos dos compradores quando chegam nas lojas já sabem dos Fl. 7729DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.730 24 produtos que querem comprar, ou seja, as vendas são mais aceleradas, afuniladas. E assim o são por quê? Por conta da divulgação dos produtos. Isto sem contar das campanhas de promoções e todo o impacto que elas causam nos consumidores, não raras as vezes, fazerem verdadeiros plantões, horas antes de as lojas abrirem. Por certo, fomentam, e muito, a vendas, logo, o faturamento das pessoas jurídicas que assim procedem. Impende fazer referência ao parecer do Prof. Paulo de Barros Carvalho (efls. 6.205 e seguintes), em especial ao responder 3 (três) quesitos formulados pela Consulente/Recorrente: Fl. 7730DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.731 25 Fl. 7731DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.732 26 Fl. 7732DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.733 27 Devese registrar, por outro lado, este E. Tribunal, por maioria de votos, no acórdão 3403003.306 já citado, tendo como relator o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista (vencido) e o como redator designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan, entendeu que as despesas com propaganda/marketing não são exemplos de insumo para uma empresa comercial varejista. Há também Solução de Consulta DISIT/SRRF 07/2016, entendendo que as previsões previstas das Leis de regências são exaustivas e que por falta de previsão legal, tais despesas não podem ser tomadas como crédito para fins de PIS e da COFINS nãocumulativas. Com vênia as opiniões em contrário, comungase do entendimento da doutrina do Prof. Marco Aurélio Greco, a fim de se interpretar, de modo sistemático, tais dispositivos sob os critérios da essencialidade e relevância, por exemplo, o que aliás, já afasta Fl. 7733DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.734 28 rol taxativo e exaustivo de tomada de créditos, defendido por muitos, dentre outros, os já citados; reforçado pela jurisprudência também citada, em especial a da 1ª Seção do STJ, nos autos do Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", julgado dia 22/02/2018, obtendose 5 (cinco) votos a 3 (três), favoráveis a tese do contribuinte. Intensifica, agora de forma específica, o parecer do Prof. Paulo de Barros Carvalho. Por tais razões, voto no sentido de cancelar a autuação neste ponto. II. 4. Dos insumos no caso concreto. Do lançamento fiscal sobre créditos extemporâneos de ICMSST A autoridade fazendária, por meio do TVF (efl. 5.976), considerou que o ICMSST é um tributo, imposto, e não serviço, e segundo constatação e resposta do contribuinte, este é decorrente de aquisição de bens para revenda e não da aquisição de serviços, razão pela qual não poderia ter sido declarado nas linhas 3 das fichas 06a/16a dos DACON que tratam de base de cálculo de créditos de serviços utilizados como insumos. Além disso, também concluiu que o ICMSST não integra o custo de aquisição, nos termos do artigo 8°, da IN/RFB 404/2004 que, no seu entender somente seria possível nos casos do ICMS e não para o ICMSST, por falta de base legal e complementa (efl. 5.977): Ou seja, o ICMSST corresponde ao imposto que seria devido pelo fiscalizado quando da venda (circulação) das mercadorias adquiridas, mas que por opção legislativa, teve o pagamento antecipado. Pelo exposto, concluise que o ICMSST não constitui base de cálculo para apropriação de créditos das contribuições aqui fiscalizadas. Entendeu a Recorrente que poderia se creditar do ICMSST (Substituição Tributária) sobre aquisições de fogões, refrigeradores, freezers, depuradores, etc., vez que tal parcela integra o custo de aquisição das mercadorias para revenda, a teor do artigo 289 do RIR/99 e em razão da impossibilidade de recuperação do valor deste Imposto. Citou Soluções de Consulta nº 60/2007, SRRF 4ª Região Fiscal e 60/2012, SRRF da 4ª RF. Por outro viés, diz a Solução de Consulta DISIT/SRRF04, 4011/2016: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins O ICMS cobrado por substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas sim uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. Sobre a parcela do ICMSST, não poderá a Fl. 7734DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.735 29 pessoa jurídica descontar créditos de Cofins, no regime de apuração não cumulativa dessa contribuição. VINCULAÇÃO À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 106, DE 11 DE ABRIL DE 2014. Dispositivos Legais: Constituição Federal, art. 150; Lei Complementar nº 87, de 1996, arts. 9º, 10 e 13; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 66; Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, art. 8º; Instrução Normativa SRF nº 594, de 2005; Parecer Normativo CST nº 70, de 1972; Parecer Normativo CST nº 77, de 1986. Sobre este assunto, por unanimidade de votos, em 19/05/2016, decidiu a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção deste CARF: COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ICMSST. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMSST não dá direito a crédito para o adquirente por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo substituído na saída. No mesmo sentido, ac. 3401002855, de 27/01/2015. Embora entenda que o ICMSST de alguma forma integra o preço da mercadoria a ser vendida ao consumidor final e mais ainda, de modo notório quando a venda se dá de forma plena (física, jurídica e financeiramente) , por outro lado, quanto à questão específica do conceito de insumo para fins de aproveitamento do PIS e da COFINS, seu espectro no tocante à universalidade das receitas auferidas e geração de receitas, temse que esta forma de tributação não alcança a tomada de créditos referente a créditos no caso concreto. Assim, votase para ser negado o recurso voluntário neste aspecto. III. Das omissões de receitas III. 1. Bonificações A fiscalização confrontou os valores das receitas de bonificação constantes no demonstrativo apresentado pelo contribuinte (DACON) e na contabilidade (efl. 5.978 e seguintes) e os considerou como sendo omissões de receita (planilhas contidas à efl. 5.991 para o PIS e 5.993 para a COFINS), vez que tais receitas não se encontram nesse rol exaustivo dos artigos 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, compondo, portanto, a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS (efl. 5.982). A Recorrente entende que tais receitas de bonificações têm natureza jurídica de desconto, alicerçandose no item 11 do pronunciamento técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, aprovado pela CVM em 05/06/2009 que diz: [...] descontos comerciais e abatimentos e outros itens semelhantes são deduzidos na determinação do custo de aquisição” dos estoques, deste modo, “as bonificações e os Fl. 7735DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.736 30 acordos comerciais, para os efeitos contábeis do adquirente, importam em redução do custo do estoque.” Defende que “as bonificações ou os descontos comerciais não devem ser considerados como receitas pela sociedade, mas antes, deverão ser deduzidas quando de seu registro contábil”, em conformidade com o item 10 do pronunciamento técnico nº 30 do CPC, também aprovado pela CVM em 15/09/2009. Disse ainda que a bonificação se dá mediante a entrega da mercadoria, em moeda para redução do preço, ou por meio de desconto em duplicata à vencer, tratandose, na essência, “de redução de custos de aquisição de produtos, que não revelam ingresso de recursos novos no caixa da entidade, e, como tal, nos termos da lei comercial, não preenchem o conceito de receita, mas antes servem à reduzir o custo de aquisição de seus estoques.” Mencionou que o tratamento fiscal dado às bonificações em relação ao IRPJ, segue o Parecer CST/SIPR 1.386/82 é de que é a concessão que o faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada e que a diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda. Citou também o item 4.2, da IN 51/78, o qual dispõe: "4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos." Às efls. 7.314/7.356 juntou parecer do Prof. José Antonio Minatel sobre as bonificações de uma consulente do comércio varejista, entendidas pelo parecerista como parcelas redutoras do custo de aquisição das respectivas compras. Bonificações são rubricas já analisadas por este E. Tribunal, o qual possui os seguintes entendimentos: BONIFICAÇÔES. PAGAS PELOS FORNECEDORES. NÃO CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS. CONTRATADAS COMO DESCONTOS. NATUREZA DE RECEITA. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tais verbas têm natureza de receita, posto que: a) é valor que lhe é pago pelo fornecedor; portanto ingresso, recebimento; e não de desconto; b) a base de cálculo, tal como estabelecido pelo legislador é universal: "a totalidade das receitas auferidas pela empresa"; e c) é elemento novo e positivo que aumenta o patrimônio da empresa. (Ac. 3301.003.874, julgamento 28/06/2017, por maioria de votos). *** CONTAS CREDORAS. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO. Fl. 7736DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.737 31 As contas credoras que indicam � ingresso de valores relacionados a bonificações e descontos, que não figuram em notas fiscais, e revelam caráter contraprestacional, não encontram guarida legal para exclusão da base de cálculo da COFINS. (Ac. 3401.003.443, relator Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, julgamento 28/03/2017, por voto de qualidade, mantevese o lançamento, sendo redator designado, Rosaldo Trevisan; registrase que votaram com o relator, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e com o redator, Eloy Eros da Silva Nogueira e Orlando Rutigliani Berri). Neste último acórdão, o ilustre Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, faz uma pesquisa comparativa da jurisprudência deste CARF, informando o posicionamento da 3a Turma da CSRF, de relatorias dos Conselheiros Valcir Gassen (Ac. 9303003.486) e Rodrigo da Costa Pôssas, (Ac. 9303003.548), julgados em 25/02/2016 e 17/03/2016, respectivamente. Basicamente a discussão gira em torno do que vem a ser as ditas bonificações, de um lado, se são descontos incondicionais ou mera redução no preço pago aos fornecedores, ou se tais valores teriam natureza de receita, tributandose o PIS/COFINS. No caso do primeiro acórdão (9303003.486), o voto vencedor do conselheiro Walber José da Silva, entendeu os descontos incondicionais têm o efeito de anular o crédito indevidamente apurado. De se ver: “No caso específico do PIS e da Cofins não cumulativos, a base de cálculo é o valor da receita de venda da mercadoria, ou seja, aquele lançado na nota fiscal de venda, representativo da obrigação contraída pelo adquirente, que irá compor seu passivo. Sobre o valor da mercadoria constante da nota fiscal, o adquirente apura créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. Evidentemente, desse valor já foi excluído os descontos incondicionais, não ocorrendo nem a incidência e nem o direito ao crédito sobre os descontos incondicionais. Apenas para argumentar (não há que se falar em mudança de fundamentação do lançamento), se os descontos objeto da autuação fossem, como defende a recorrente, descontos incondicionais propriamente ditos, sobre eles não incidiria o PIS e a Cofins (art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “a”, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03) e, conseqüentemente, sobre eles a recorrente não apuraria crédito. Ora, se recorrente eventualmente creditouse do valor dos “descontos incondicionais”, que não sofrem a incidência do PIS e da Cofins, tal crédito é absolutamente ilegal. Nesta hipótese, a inclusão do valor desses “descontos incondicionais” na base de cálculo das exações só tem o efeito de anular o crédito indevidamente apropriado. Nada mais”. Fl. 7737DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.738 32 No segundo acórdão (9303003.548) , baseandose no acórdão 9303002.017, entendeu: “É que se trata aqui de valores que a empresa registrara em sua contabilidade como uma obrigação a saldar junto a fornecedores, mas que efetivamente saldou por um valor menor do que estava contabilmente registrado. Para essa hipótese, a ciência contábil também não diverge: dado que o valor desembolsado não corresponderá à obrigação – dívida foi mesmo integralmente quitada – determinam os princípios contábeis seja feito um lançamento a débito daquela conta de Passivo cuja contrapartida será a crédito de uma segunda conta, normalmente intitulada de “descontos obtidos”. Por representar um aumento do Patrimônio Líquido (redução do Passivo sem correspondente redução do Ativo) esse lançamento tem a natureza de uma receita (receita financeira), ainda que seja forçoso reconhecer que nenhum ingresso novo ocorreu. Exatamente este último aspecto – ausência de ingresso de direito novo – fez o dr. Jorge votar pela sua não inclusão na base de cálculo. Ocorre que diante do comando legal taxativo do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, repetido, ipsis literis, na Lei 10.637/2002 e na Lei 10.833/2003, não vejo como possa essa receita deixar de compor a base de cálculo da contribuição senão considerando ditos comandos inconstitucionais. Desnecessário dizer que, como regra, não o podemos fazer, além do que, no caso concreto, há decisão judicial afirmando que até mesmo o primeiro deles é constitucional, embora já haja inúmeras decisões que afirmam exatamente o contrário. Para finalizar, vale repetir aqui o que já disse alhures: em se tratando de desconto obtido, é totalmente irrelevante a investigação de se ele foi concedido incondicionalmente ou não. É que a Lei 9.718, ao tratar dos descontos incondicionais, estava a beneficiar o concedente do desconto, isto é, aquele que está vendendo o produto ou prestando o serviço. (...) No caso de que nos ocupamos, a tributação está sendo discutida no comprador. Não há que se aplicar ao caso, pois, a figura tratada no artigo acima. Notese que no caso de desconto incondicional, isto é, aquele que já é concedido no momento da celebração do contrato de venda ou prestação de serviço, nada obriga ou recomenda que o adquirente registre a sua obrigação por um valor maior do que, já sabe, irá desembolsar em seu vencimento. Tudo ao contrário, deve fazêlo pelo valor efetivo, o que leva a que não surja a figura aqui discutida. Fl. 7738DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.739 33 Ela, ao contrário, surge quando o vendedor somente concede o desconto em razão de o comprador quitar, antes do prazo, a dívida. Nesse caso, ela estará corretamente registrada em sua contabilidade pelo valor inicialmente pactuado. E por isso de incondicional nada tem: ele é um desconto condicionado à antecipação do pagamento. Esse é, aliás, o motivo para que sua contrapartida tenha a natureza de receita financeira”. (grifos nossos) Em suma, tais precedentes entenderam que os descontos incondicionais têm natureza de receita. Tratando de desconto condicional e incondicional, disse o conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, no aludido acórdão: O desconto condicional, que depende de evento futuro e incerto não pode ser excluído, pois a condição superveniente à realização da compra e venda ou prestação de serviços não é capaz de alterar o valor da operação ou preço do serviço já ajustado pelas partes para o negócio jurídico já ocorrido. Exemplo disso é a venda de determinada mercadoria por 100 (cem) unidades monetárias para pagamento em 90 (noventa) dias, com um desconto de 10%, caso o pagamento seja realizado em até 30 (trinta) dias. O valor da operação é 100 (cem). Se o pagamento ocorre antes, as 10 (unidades) de desconto representam um desconto financeiro, despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Já o desconto incondicional, aquele que é concedido e ajustado pelas partes antes da realização da compra e venda, por não depender de condição superveniente nenhuma, incorporase desde já ao preço da mercadoria. Como a base de cálculo é fixada no momento de ocorrência do fato gerador, o valor da operação é aquele que foi ajustado por último (preço inicial menos descontos concedidos) que corresponde ao valor da operação no momento da ocorrência do fato gerador. Assim, para a inclusão ou não na base de cálculo das contribuições, revelase importante a aferição do momento de concessão do desconto, pois não poderá ser excluído da base de cálculo um desconto denominado incondicional, sem qualquer condição superveniente, se já realizado o negócio jurídico de compra e venda, pois já incidiu a norma de tributação, estabelecendo a relação entre o sujeito passivo e o Estado credor. Diante disso, importante citar o que mencionou a Recorrente em sua impugnação (efls. 6.057/6.058): Fl. 7739DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.740 34 No DOC 5 (efls. 6.232/7.311), acima referido, vêse que se tratam de um elevado número de mercadorias (celulares, eletrodomésticos, por exemplo), para as quais há proteção de preço (ou price protection mencionada pela Recorrente); notas de débito emitidas pela Recorrente aos seus fornecedores. Fl. 7740DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.741 35 Já a DRJ/Curitiba, assim entendeu (efl. 7.394): Analisandose as bonificações mencionadas, resta claro que representam a entrada de recursos que não se sujeitam a reservas ou condições futuras e não são provenientes de aporte dos proprietários. Evidente, portanto, que devem ser consideradas receitas (apesar de não mencionado, é importante esclarecer que tais receitas não se confundem com receitas financeiras, sendo passíveis, portanto, de tributação), mas não receitas decorrentes da venda de produtos. Ao que se vê, tais descontos foram dados em momento posterior às vendas, por substituição de bens por outros (danificados, obsoletos), por exemplo. Resta saber se nesta hipótese há uma redução de preço, e por conseguinte, uma redução de custos, a qual não se transformaria em receita. Momentos futuros à venda que influenciem esta, devem ser retificados a título do valor do custo da operação (efls. 7.334/7.335, do parecer do Prof. José Antonio Minatel, citando os prof. Paulo Viceconti e Silvério das Neves). O referido parecer também elucida que tais retificações hão de ser feitas tanto nas hipóteses de ajuste positivo de custo em momento posterior à venda (tradição), ou seja, nos casos de sobrepreço, como também nas situações de ajuste negativo que corresponde à redução do custo inicial (efl. 7.333/7.334), ao que se denota lógica, digase, traduzindose em um lançamento contábil de "recuperação de custo/despesa", CPC 16/2009, item 34 (efl. 7.336). De ajuste negativo, ao que se viu é o caso dos autos. A este respeito, este E. Tribunal também já se manifestou: PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BONIFICAÇÕES E DESCONTOS COMERCIAIS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS. Por força dos arts. 109 e 110, do CTN e segundo a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado (Direito Societário), nos termos do art. 177, da Lei nº 6.404/76, e conforme as Deliberações CVM nº 575, de 05 de junho e nº 597, de 15 de Setembro de 2009, e CPC nºs. 16 e 30, de 2009, temse que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, devendo ser tratados como redutores de custos, e como tal devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se o desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. (AC. 3402002.092, maioria de votos, sessão de julgamento 23/07/2013). Por outro lado, não vieram aos autos documentos que entrelaçasse a relação entre as partes, como por exemplo, os contratos que possivelmente a Recorrente celebrou com seus fornecedores, a fim de saber se tais ocorrências (de perdas) já constavam no início da relação jurídica entre as partes repitase, Recorrente e seus fornecedores , o que, somados aos Fl. 7741DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.742 36 documentos juntados pela Recorrente, auxiliariam sobremaneira a atividade julgadora deste E. Tribunal. Tal prova é necessária para se estabelecer a natureza do desconto, e a partir de então, saber a sua repercussão tributária para o fim desejado pela Recorrente. as provas trazidas pela Recorrente, em especial, as contidos no DOC. 5 são insuficientes para comprovar o seu suposto direito, razão pela qual, mantémse o lançamento neste particular. Em que pese o presente entendimento, acordou a maioria do colegiado (Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva e Rosaldo Trevisan), no julgamento, apenas com as conclusões aqui externadas, por entenderem que a negativa de crédito não se restringe ao aspecto probatório, o que se agrega aqui em função de previsão regimental (art. 63, § 8o do RICARF). “§ 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros.” III. 2. Receita propaganda coop À efl. 5.982, o TVF informou que a Recorrente não ofereceu à tributação do PIS/COFINS receitas registradas na conta contábil 4303003 "RECEITA PROPAGANDA COOP". Concluiu que os parágrafos 1°, dos artigos 1° das Leis 10.637/02 e 10.833/03 estabelecem que todas as receitas são tributadas pelo PIS e COFINS, com exceção do rol exaustivo elencado nos artigos 1°, parágrafos 3°, das mencionadas Leis e que tais receitas não se encontram neste rol, logo, devem compor a base de cálculo das contribuições. Por outro lado, entendeu a Recorrente que tal conta não possui natureza jurídica de receitas tributáveis, e por tal motivo, não a computou nas bases de cálculo das referidas contribuições, posto que contrata serviços de propaganda e publicidade, com a finalidade de divulgar seus produtos, incrementando suas receitas e de seus fornecedores, fazendo com que estes reembolsem tais parcelas. No seu entender, tais movimentos consistem em meros reembolsos de despesas perante seus fornecedores, sem qualquer finalidade de lucro, logo, não representam ingressos de receitas novas. Já a DRJ/Curitiba decidiu que os valores reembolsados por terceiros em razão de propagandas corresponde a receitas recebidas, e assim, integram o seu faturamento, constituindo base de cálculo do PIS/COFINS (efls. 7.372). Em que pese opiniões e decisões em contrário, entendese que tais reembolsos não acrescem o patrimônio da Recorrente, não se enquadrando no conceito de receita para fins de tributação do PIS e COFINS, comungandose, a propósito, da doutrina do Fl. 7742DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.743 37 Prof. Solon Sehn5, exconselheiro desta Casa, todavia, no tocante ao reembolso ser ou não uma receita tributável de PIS/COFINS, mantémse alinhado com o que se disse no tópico anterior, no que se refere a prova que, no caso concreto, temse insuficiente. Haveria de se ter, dentre outros documentos, o contrato firmado entre as partes Recorrente e seus fornecedores , tratando da questão da propaganda cooperada, dandose seus contornos principais, dentre outros, partes, objeto, forma de rateio, cláusula penal em caso de inexecução, foro de eleição, etc, enfim, algum documento que evidenciasse o liame entre as partes, porém, como se viu, no caso dos autos, há notas de débito (DOC. 5), insuficientes para o fim almejado. A propósito, já decidiu este CARF: COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. (Ac. 3403002.520, de 24/10/2013, redator designado: Rosaldo Trevisan). No mesmo sentido: Ac. 9303004.608, de 26/01/2017, maioria de votos). Com base nestes fundamentos, mantémse o lançamento neste aspecto. Em que pese o presente entendimento, acordou a maioria do colegiado (Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan), no julgamento, apenas com as conclusões aqui externadas, por entenderem que a negativa de crédito não se restringe ao aspecto probatório, o que se agrega aqui em função de previsão regimental (art. 63, § 8o do RICARF). “§ 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros.” III. 3. Prestação de serviços FINASA À efl. 7.396, o TVF diz que a Recorrente relacionou, dentre as receitas tributáveis, a "Receita Prestação de Serviço FINASA", conta contábil 4104008 e abaixo dessa linha, uma parcela redutora da conta com a descrição "Receita Financeira FINASA". A Recorrente disse que pactuou com esta instituição financeira as operações de financiamentos de suas vendas a prazo financiamento direto ao consumidor , e que as diferenças positivas das taxas de juros (spread), eram registrados como receitas de natureza financeira. 5 SEHN, Solon. PISCOFINS não cumulatividade e regime de incidência. São Paulo : Quartier Latin, 2011, p. 170. Fl. 7743DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.744 38 Entendese que a operação de financiamento, feito por uma contratada da Recorrente, ou seja, uma terceira pessoa que empresta numerário aos consumidores das mercadorias da Recorrente, por óbvio tem natureza financeira, porém, esta é uma relação estabelecida diretamente com pessoas diferentes da Recorrente, a qual, recebe uma diferença (spread) da Instituição Financeira por ela contratada. Esta diferença positiva (spread), configuramse receitas e integram o faturamento da empresa, vez que afeita à atividadefim da Recorrente (vender mercadorias). Diante disso, mantémse o lançamento fiscal neste ponto. IV. Dos juros sobre a multa de ofício Sustenta a recorrente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre os valores referentes a multa, no lançamento de ofício. Sobre o assunto, já decidiu este Tribunal (3403002.367) e também diz Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Há discussão se a expressão “débitos tributários” abrange as penalidades, ou apenas os tributos. Pela leitura dos acórdãos que fundamentaram a edição da Súmula, não se tem resposta sobre a questão, vez que tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Já o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades e restaria ilógica a leitura de que a expressão "créditos" no início do caput contemplaria as penalidades. Tal interpretação equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, determina, em seu art. 61, que: Fl. 7744DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.745 39 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aqui, também ilógica interpretação de a expressão “débitos” ao início do caput abrangeria as multas de ofício. Se assim o fizesse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, Fl. 7745DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.746 40 até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Ao que parece o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Diante da carência de base legal, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Dispositivo Com essas considerações, voto em conhecer do recurso voluntário e lhe dar parcial provimento, mantendose o lançamento quanto às glosas: (1) manutenção e reparos; (2) ICMSST; (3) bonificações; (4) reembolso de propaganda coop.; (5) prestação de serviços FINASA; cancelandose o lançamento quanto às glosas: (1) comissão de cartão de crédito e débito (taxa de administração); (2) propaganda e publicidade; (3) juros de mora sobre a multa de ofício. André Henrique Lemos Fl. 7746DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.747 41 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Externo no presente voto minhas divergências em relação ao entendimento esposado pelo relator no que se refere aos seguintes temas: (a) conta referente a manutenção e reparos; (b) conta a "receita propaganda coop."; (c) comissão de cartões de crédito e de débito, e a propaganda e provisão de despesas de propaganda; (d) bonificações; e (e) incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Em relação aos itens “a” e “b” a divergência não impediu que eu acompanhasse o voto do relator pelas conclusões, mas restou consignado em ata que o relator deveria fazer constar do resultado do julgamento a opinião da maioria dos conselheiros do colegiado sobre o tema, externada durante o julgamento. Sobre o primeiro tema (“a” manutenção e reparos), entendemos (sete dos oito conselheiros: Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Ávila, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e eu) que a negativa de provimento ao recurso voluntário não se deve à adequação das rubricas ao conceito de insumos adotado, mas ao simples fato de não se aplicar o dispositivo legal referente a insumos (inciso II do art. 3o das leis de regência das contribuições) a atividades comerciais, endossando a posição por mim externada (e que prevaleceu) no julgamento do Acórdão no 3403003.306, de 14/10/2014: Em face da Súmula CARF no 26, não pode se distanciar o julgador dos comandos legais que disciplinam a matéria, os artigos 3o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que permitem créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo torna inequívoco que só bens e serviços podem ser insumos, e que tais “bens e serviços” para serem considerados insumos, devem ser utilizados: (a) na prestação de serviços; ou (b) na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Trabalha, assim, o texto legal, indubitavelmente, com duas categorias: “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. Assim, não se pode conceber o alargamento vislumbrado no (...) voto do relator, que acrescenta a estas outras categorias, carentes de previsão legal. 6 Súmula CARF n. 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Fl. 7747DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.748 42 E sustentar que a lei restringiu indevidamente a não cumulatividade constitucionalmente assegurada no § 12 do artigo 195 é atentar contra o próprio teor de tal dispositivo constitucional, que remete a disciplina à “lei”. Ademais, esbarrase novamente no teor da já citada Súmula CARF no 2, que impede seja um texto legal vigente considerado inconstitucional por este tribunal administrativo. Acrescentese que o fato de as mesmas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 contemplarem a revenda em inciso diverso (art. 3o, I) não permite concluir que também no inciso II se estaria a tratar da atividade de revenda, considerandoa ao lado ou até dentro da “produção/fabricação” ou “prestação de serviços”. Seria novamente um alargamento carente de fundamento legal. Não se pode generalizar a conclusão de que as Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 permitem créditos apenas ao setor industrial ou de prestação de serviços (créditos estes que deveriam ser estendidos aos demais setores por isonomia ou analogia, independente da existência de lei que o autorizasse). Ambas as leis (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam de créditos também a outros setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3o, que, como aqui já detalhado, versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. E esse fundamento, de que os incisos II das leis de regência não tratam de atividades de revenda, ou comerciais, prestase ainda a sustentar a negativa de provimento no que se refere a comissão de cartões de crédito e de débito, e a propaganda e provisão de despesas de propaganda (item “c”, destacado ao início deste voto). Em ambos os itens, calca se o relator em voto vencido, no julgamento do citado Acórdão no 3403003.306, de 14/10/2014, com entendimento superado justamente pelo voto aqui transcrito. Cabe ainda adicionar que a matéria não tem relação alguma com a abrangência do conceito de insumos já consagrado no CARF (que figura, como destacou o relator, entre os extremos das legislações do IRPJ e do IPI) ou o decidido pelo STJ recentemente, na sistemática dos recursos repetitivos. Nenhum desses entendimentos (do CARF ou do STJ) versa sobre empresas comerciais, limitandose ambos ao já expresso na redação das leis de regência: “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. No que tange ao item “d” citado ao início deste voto, que trata de bonificações, o relator também foi acompanhado apenas pelas conclusões, por entender majoritariamente o colegiado (Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva e eu) que a negativa de crédito não se restringe ao aspecto probatório, devendo a rubrica ser incluída na base de cálculo, cabendo ao relator agregar tais considerações a seu voto, na forma regimental. Vejase, que também em tal item, afiliase o relator a entendimento constante de voto vencido (no Acórdão no 3401003.443), superado pelo entendimento do colegiado no sentido de que de que as contas credoras que indicam ingresso de valores relacionados a bonificações devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições. Na ocasião, fui também encarregado de redigir o voto vencedor, externando posicionamento que mantenho, aqui, no caso em análise. Fl. 7748DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.749 43 Também no que se refere ao item “b” citado ao início deste voto, que trata da conta "receita propaganda coop.", o relator foi acompanhado apenas pelas conclusões, por entender majoritariamente o colegiado (Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Marcos Roberto da Silva, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e eu) que a negativa de crédito não se restringe ao aspecto probatório, devendo a rubrica ser incluída na base de cálculo, por constituir receita, cabendo ao relator agregar tais considerações a seu voto, na forma regimental. De qualquer modo, a menção ao Acórdão no 3403002.520, no qual atuei também como redator designado, prestase conceitualmente a externar uma posição comum, de inclusão das rubricas como receita, apesar de a rubrica específica em análise nestes autos ser distinta daquela que ensejou provimento da turma na ocasião (“reembolso de despesas com tabloides”). Por fim, cabe a este voto externar a posição atual da turma no que se refere a a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, e as razões de, recentemente, ter alterado meu posicionamento a respeito da matéria. Sobre esse tema, sustentei, reiteradamente, neste colegiado, que não havia incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, em diversos acórdãos, como o de no 3403 002.367, do qual se extraio a argumentação a seguir. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) Fl. 7749DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.750 44 As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3o Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. Fl. 7750DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.751 45 § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob o risco de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Tenho, no entanto, analisado com atenção tanto a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto do Poder Judiciário sobre o tema, não por simples subserviência ou acolhida cega a seus fundamentos, mas para verificar até que ponto é sustentável, jurídica e até logicamente cada um dos posicionamentos. Ciente de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais aprecia a matéria de forma diversa, fui buscar, inicialmente, os fundamentos que levaram à conclusão daquele colegiado, para examinar me demoviam do entendimento que vinha sustentando. Verifiquei, para tanto, de início, acórdão recente da CSRF, que usou como fundamentos os artigos 113, 139 e 161 do CTN, e os artigos 43, 44 e 61 da Lei no 9.430/1996: “Esta matéria não é nova no âmbito deste colegiado e reitero as razões que venho utilizando a tempos nos processos de minha relatoria. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão Fl. 7751DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.752 46 acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo soma se a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, em decisão de 04/12/2012, assim ementada: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Para confirmar este entendimento é relevante apresentar algumas recentes decisões da CSRF, abaixo transcritas: (...)” (sic) (grifos nossos) (Acórdão no 9303005.042, maioria, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, sessão de 12 abr. 2017) Fl. 7752DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.753 47 Os ingredientes anexados à discussão no referido acórdão apontam para algo importante, a nosso ver, ainda que o argumento seja usado apenas por analogia: o artigo 43 da Lei no 9.430/1996. Não consideramos em nossa análise inicial o referido artigo 43, por entender que não se aplicava à multa de ofício. Recordese como é desmembrada a Seção V (“Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições”) do Capítulo IV (“Procedimentos de Fiscalização”) da lei: em “Auto de Infração sem Tributos” (art. 43); “Multas de Lançamento de Ofício” (arts. 44 a 46); e “Aplicação de Acréscimos de Procedimento Espontâneo” (art. 47). No art. 43 (geograficamente fora das “Multas de Lançamento de Ofício”) dispõese que: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (grifo nosso) Desse artigo, concluo que a RFB não precisa mais realizar “imputações” de pagamento proporcionais para os pagamentos em atraso, desmembrandoos em principal, multa e juros de mora, pois cada uma dessas quantias pode ser objeto de exigência isolada. Vejase, por exemplo, um pagamento em atraso de R$ 1.000.000,00 (aos quais, v.g., o fisco “imputaria”, à revelia do pagador – que poderia estar a discordar dos acréscimos moratórios –, R$ 200.000,00 a título de multa e R$ 100.000,00, a título de juros de mora, restando R$ 700.000,00 a título de principal). A multa e os juros que deixaram de ser pagos em função do atraso poderiam, após o art. 43, ser exigidos com juros de mora, ainda que a integralidade dos R$ 1.000.000,00 fosse considerada como pagamento do principal. Isso simplificaria a autuação, que não se referiria mais ao principal, mas apenas ao que deixou de ser pago em função do atraso. Tal disposição é absolutamente incompatível com a multa de ofício de que trata o artigo seguinte da lei, e permite tãosomente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, e de juros de mora sobre os próprios juros de mora. No item 23 da Mensagem no 990/96, do Poder Executivo, que acompanha o Projeto de Lei (PL) no 2.448/1996, do qual se origina a da Lei no 9.430/1996, encontramse as razões para a redação do artigo: “23 . O art. 43 possibilita a constituição de crédito tributário relativo apenas aos encargos de multa ou de juros, permitindo sua cobrança administrativa ou judicial e dando materialidade às normas contidas nos artigos subseqüentes (arts. 44 a 46).” (disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegr a?codteor=1132081&filename=Dossie+PL+2448/1996) Fl. 7753DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.754 48 Claro está, aí, que trata o artigo de encargos. Aliás, isso foi bem percebido pelo relator do projeto, na Câmara dos Deputados, Deputado Roberto Brant: “8.7. O art. 43 cobre lacuna existente na legislação federal. Prevê a formalização da exigência de crédito tributário, através de auto de infração ou notificação de lançamento, exclusivamente para cobrança de multa e juros de mora, nos casos em que o tributo ou contribuição social sejam pagos após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. No caso será exigida multa de ofício, como consta do artigo seguinte do projeto. A proposta, além de incutir nos contribuintes maior respeito para com as normas tributárias, simplifica procedimentos operacionais da administração fiscal, já que a lacuna existente vem sendo contornada, administrativamente, por um complexo mecanismo de “imputação de pagamentos”. (sic) (idem) Assim, não se tem dúvidas de que está o artigo 43 a tratar de lançamento de ofício de multa de mora e de juros de mora. E isso nos afastava de seu teor, na análise de juros incidentes sobre multa de ofício. Entretanto, reconhecemos que ao se lançar valores correspondentes a multa de mora não paga e a juros de mora não pagos, estáse a exigir tais valores de ofício. E que sobre ditos encargos exigidos de ofício incidem indubitavelmente juros de mora. Não se presta o artigo 43 da Lei no 9.430/1996, assim, a afirmar que incidem juros de mora sobre qualquer exigência de multa de ofício, mas tãosomente daquela referida na lei, decorrente de recolhimento a destempo. Isso poupou um bom trabalho da RFB na complexa tarefa de imputação de pagamentos. Também desse artigo se afastou o recente entendimento da COSIT sobre a matéria (Solução de Consulta no 47, de 4/5/2016, que agregou ainda comando do DecretoLei no 1.736/1979). A análise sobre o que se abrangeria na expressão “crédito tributário”, no CTN (incluindo penalidades), encontra obstáculos lógicos de intelecção em diversos dispositivos do próprio Código (v.g., arts. 97, 161 e 164), como mencionamos em nosso recorrente entendimento: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 7754DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.755 49 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) “Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: (...) § 2o Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobrase o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Entretanto, devese ler sistematicamente o CTN, não se entendendo que ao usar a mesma expressão “crédito tributário”, esteja às vezes o legislador a tratar de uma coisa e às vezes de outra. Eis um pressuposto básico da hermenêutica, bem contemplado na lei brasileira que dispõe sobre o processo de elaboração das leis (art. 11 da Lei Complementar no 95/1998): “Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) II para a obtenção de precisão: (...) b) expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico; c) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto;” Cabe ao exegeta corrigir as imperfeições terminológicas da lei, na interpretação dos dispositivos, buscando sua inserção lógica e coerente no sistema normativo. E, com esse escopo, passo aqui a realizar trabalho diametralmente oposto, no mesmo Código Tributário Nacional, buscando artigos nos quais não faça qualquer sentido que a expressão crédito tributário exclua as penalidades, tarefa que é, lamentavelmente (para a precisão do texto), igualmente executada com sucesso. Vejamse, v.g., os artigos 113, 139, 142, 168, 173, 174 e 175: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Fl. 7755DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.756 50 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (...) Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. (...) (grifo nosso) O artigo 175 é a demonstração mais clara da utilização imperfeita da expressão “crédito tributário”, que deve ser sanada pelo exegeta. Por certo que se a exclusão do crédito tributário abrange a isenção (de tributos em sentido estrito, sem penalidades) e a anistia (abrangendo obviamente as penalidades), “crédito tributário” não se refere inequivocamente só a tributos. Admitir o contrário teria um efeito devastador sobre as restituições (art. 168), que não incluiriam as penalidades indevidamente pagas. Há que se aparar a imperfeição de redação com a adequação dos conteúdos ao sistema. Não tenho dúvidas de que a restituição do “crédito tributário” se aplica indistintamente a tributos e a penalidades, e que qualquer de tais rubricas, se indevidamente recolhidas, enseja restituição com atualização pela Taxa SELIC. Entender que o tributo indevidamente pago deve ser restituído a tal taxa é absolutamente coerente com exigir dita taxa dos tributos devidos a partir de seu vencimento. Fl. 7756DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.757 51 Da mesma forma, entender que a multa indevidamente paga deve ser restituída a tal taxa é absoluta e logicamente coerente com exigir dita taxa da multa devida a partir do lançamento. Não se afigura plausível, então, a manutenção do posicionamento que venho externando, no sentido de serem indevidos juros de mora sobre a multa de ofício (por não ser esta “crédito tributário”), ao mesmo passo em que reconheço a atualização nas restituições de multas pagas consideradas indevidas (que também são “crédito tributário”). Forçome, assim, a rever, em nome da lógica, e da própria leitura sistêmica dos dispositivos aqui mencionados, tal posicionamento, entendendo serem devidos juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Alinhome, assim, à jurisprudência majoritária da corte superior deste tribunal administrativo, e ao STJ. Na Primeira Seção do CARF, aliás, a matéria foi apreciada unanimemente, recentemente (v.g., Acórdão no 9101002.501, de 12 dez. 2016). São diversos os acórdãos, nas três Seções de Julgamento deste tribunal administrativo, que, no último ano, entenderam pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (v.g., no 9101002.180, no 9202003.821 e no 9303003.385). E no STJ, assentase que tal posicionamento reflete o entendimento de ambas as turmas que compõem a Primeira Seção da corte (que trata de matéria tributária): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifo nosso) Pelo exposto, passei a entender, em interpretação sistemática dos dispositivos que regem a matéria, que incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Por fim, noticio que já venho externando esse novo entendimento desde o Acórdão no 3401004.011, no qual atuei como redator designado em relação à matéria. Rosaldo Trevisan Fl. 7757DF CARF MF Processo nº 10805.724064/201582 Acórdão n.º 3401004.379 S3C4T1 Fl. 7.758 52 Fl. 7758DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.009683/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 03/02/2003
Ementa:
PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA.
A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de acobertar. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento, além da declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/02/2003
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. PREJUDICIALIDADE. POSSIBILIDADE DE PERDA DE OBJETO. PROSSEGUIMENTO. EVENTUALIDADE.
Sendo o objeto da demanda judicial exatamente o cancelamento da autuação lavrada no processo administrativo, afigura-se prejudicial a decisão do juízo ao deslinde do feito administrativo, pois a decisão judicial pode implicar perda de objeto da lide submetida à Administração, cabendo o prosseguimento do processo administrativo apenas em face da eventualidade.
Numero da decisão: 3401-004.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar o lançamento em relação a declarações de importação registradas de 03/02/2003 a 11/12/2003, em função da configuração de decadência, esclarecendo-se que a presente decisão administrativa deve ser implementada pela unidade preparadora da RFB jurisdicionante apenas na hipótese de a autuação não ser cancelada na ação judicial ainda em trâmite, a ser acompanhada pela referida unidade, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira (que manifestou intenção de apresentar declaração de voto), Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que afastavam as pessoas físicas da sujeição passiva da autuação. Na sessão de outubro de 2017, a proposta de diligência, levantada pelos Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Mara Cristina Sifuentes, foi rejeitada pelos demais conselheiros.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento, além da declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/02/2003 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 96 83 /2 00 8- 14 Fl. 1589DF CARF MF 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. PREJUDICIALIDADE. POSSIBILIDADE DE PERDA DE OBJETO. PROSSEGUIMENTO. EVENTUALIDADE. Sendo o objeto da demanda judicial exatamente o cancelamento da autuação lavrada no processo administrativo, afigurase prejudicial a decisão do juízo ao deslinde do feito administrativo, pois a decisão judicial pode implicar perda de objeto da lide submetida à Administração, cabendo o prosseguimento do processo administrativo apenas em face da eventualidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar o lançamento em relação a declarações de importação registradas de 03/02/2003 a 11/12/2003, em função da configuração de decadência, esclarecendose que a presente decisão administrativa deve ser implementada pela unidade preparadora da RFB jurisdicionante apenas na hipótese de a autuação não ser cancelada na ação judicial ainda em trâmite, a ser acompanhada pela referida unidade, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira (que manifestou intenção de apresentar declaração de voto), Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que afastavam as pessoas físicas da sujeição passiva da autuação. Na sessão de outubro de 2017, a proposta de diligência, levantada pelos Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Mara Cristina Sifuentes, foi rejeitada pelos demais conselheiros. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 3 a 741, datado de 08/12/2008, exigindo multa substitutiva do perdimento, no valor aduaneiro das mercadorias importadas no período de 03/02/2003 a 29/07/2004 (R$ 15.480.466,00), por interposição fraudulenta presumida (com fundamento no artigo 23, V e §§ 2o e 3o do DecretoLei no 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.590 3 1.455/1976), tendo em vista a declaração de inaptidão da empresa “AHCOR Importadora e Exportadora LTDAEPP” (doravante “AHCOR”), conforme detalhado em Relatório de Procedimento Fiscal (RPF), tendo ainda no polo passivo “SERGIO da Rocha Soares” (doravante “SERGIO”) e “Sergio da Rocha Soares FILHO” (doravante “FILHO”). No RPF, de fls. 75 a 111, narra a fiscalização que: (a) a empresa “AHCOR” foi selecionada, no contexto do projeto nacional de combate à interposição fraudulenta, da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira – COANA, para procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF no 228/2002 (procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas), com base na Lei no 10.637/2002, sendo, ao final do procedimento, em 30/03/2007, instaurado processo (no 11128.002094/200716 – cópias daqueles autos anexadas ao presente, com destaque às fls. 210 a 221, para as conclusões do procedimento especial, e às fls. 273 a 340, para a conclusão pela inaptidão) para declaração de inaptidão da empresa, com tal declaração veiculada, posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo ALF/STS no 07, de 25/06/2007, publicado no Diário Oficial da União de 02/07/2007, que tornou ineficazes, tributariamente, os documentos emitidos pela empresa a partir de 01/02/2003; (b) intimada a empresa a apresentar à fiscalização todas as mercadorias importadas e exportadas a partir de 2003, para fins de aplicação da pena de perdimento, a empresa entendeu a intimação como “brincadeira... que não pode ser levada a sério”, dando a ausência de atendimento azo à substituição do perdimento por multa no valor aduaneiro da mercadoria, com fundamento no artigo 23, V e §§ 2o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976; (c) não se aplica ao caso o artigo 33 da Lei no l1.488/2007, tendo em vista que a penalidade não decorre de comprovação de interposição fraudulenta, mas de “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior”; (d) documentos retidos no procedimento especial de fiscalização, referentes ao mês de agosto de 2004, ainda estão em análise, pelo que o período abrangido pela fiscalização terminou, no presente processo, em julho de 2004; (e) a “AHCOR” moveu a Ação Cautelar no 2008.61.00.0100820 (fls. 350 a 397, com informação fiscal às fls. 399 a 416), buscando suspender os efeitos da exigência constante do termo de intimação para apresentar as mercadorias importadas e exportadas pela empresa após 01/02/2003, ainda não havendo decisão judicial a respeito do pedido; (f) a responsabilidade dos sócios (“SERGIO” e “FILHO”) decorre da prática de atos de gerência (Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 412 a 420); e (g) a planilha com os detalhamentos das multas, por importação e por exportação, encontrase às fls. 96 a 111. Apesar da informação (à fl. 426) de que os sujeitos passivos foram cientificados da autuação por edital, consta, à fl. 427, Aviso de Recebimento correspondente a ciência postal à empresa “AHCOR”, datado de 11/12/2008, tendo tal sujeito passivo apresentado Impugnação em 09/01/2009 (fls. 440 a 472), alegando que: (a) houve nulidade da autuação, (a1) pela não entrega de elementos necessários à defesa (cópia do Relatório de Procedimento Fiscal); (a2) por falta de descrição do fato (que remete ao relatório fiscal), determinação da matéria tributável (pelo não detalhamento da tabela referente aos valores aduaneiros) e indicação do fato gerador (data de registro ou de desembaraço das declarações); e (a3) por falta de indicação do dispositivo legal infringido (qual o inciso do artigo 105 do DecretoLei no 37/1966, ou de seu correspondente, no Regulamento Aduaneiro, que ensejaria a aplicação da pena de perdimento); (b) há impossibilidade de declaração e inaptidão de CNPJ com efeito retroativo (como se extrai do artigo 106 do Código Tributário Nacional e de precedente judicial); (c) houve cerceamento de defesa em relação ao procedimento que culminou na inaptidão (pelo fato de ter a empresa sido intimada por edital, em afronta ao comando legal que rege a matéria – artigo 81, § 1o, da Lei no 9.430/1996); (d) a empresa estava Fl. 1591DF CARF MF 4 regular perante o cadastro da SRF até 27/07/2004 (como se verificou em fiscalização anterior); e (e) ocorreu decadência em relação aos fatos geradores de 03/02/2003 a 10/12/2003, tendo em vista a data de ciência da autuação (11/12/2008). As pessoas físicas foram também cientificadas sobre a autuação e sobre a sujeição passiva solidária pela via postal, em 11/12/2008, conforme comprovam os Avisos de Recebimento de fl. 428, não havendo registro, nos autos, de apresentação de impugnação. Às fls. 595 a 610, anexase decisão judicial na Ação Cautelar no 2008.61.00.0100820, que havia tido liminar indeferida, mas teve sentença deferindo medida cautelar para suspender os efeitos da declaração de inaptidão e do termo de intimação que determinou a devolução das mercadorias exportadas e importadas desde 01/02/2003, sob pena de perdimento ou sua substituição por multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias. Entendeu o magistrado, em 28/01/2009, que houve nulidade no procedimento administrativo, diante de ausência de tentativa de intimação pessoal da empresa após a declaração de inaptidão, contaminando os atos administrativos ulteriormente praticados. No Agravo de Instrumento no 2009.03.00.0110633/SP (fls. 615 a 615), em 03/08/2009, afastouse, no entanto, a suspensão dos efeitos da inaptidão e do referido termo de intimação. A decisão de primeira instância, proferida em 13/04/2011 (fls. 617 a 643) foi, unanimemente, pela improcedência da impugnação (na parte conhecida, e não sujeita a concomitância de objeto com o processo judicial), sob os fundamentos de que: (a) não houve nulidade da autuação, sendo todas as condutas imputadas de conhecimento da empresa, que, inclusive, interpôs ação judicial a respeito, e demonstrou na impugnação ciência integral da imputação fiscal, não tendo havido ausência de requisito ensejadora de nulidade, e sendo detalhada a tabela de apuração do valor aduaneiro; (b) o presente processo não discute a inaptidão da empresa, mas a aplicação de multa substitutiva do perdimento; (c) não houve decadência, em função de ser o prazo contado da data de intimação para entrega das mercadorias; (d) a regularidade da intimação sobre o processo de inaptidão foi levada a juízo, não cabendo discussão na esfera administrativa; (e) a primeira fiscalização não havia encontrado elementos, posteriormente apurados pela segunda, com fundamento no artigo 54 do DecretoLei no 37/1966, e que levaram à conclusão pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior; e (f) ocorreu revelia em relação às pessoas físicas relacionadas no polo passivo da autuação. Ciente da decisão da DRJ, em 09/05/2011 (AR de fl. 645), a empresa “AHCOR” apresenta o Recurso Voluntário de fls. 655 a 718, em 03/06/2011, reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade (sobre as três nulidades aqui já relatadas; sobre impossibilidade de declaração e inaptidão de CNPJ com efeito retroativo; sobre cerceamento de defesa em relação ao procedimento que culminou na inaptidão, por ausência de intimação válida; sobre regularidade da empresa perante a SRF até 27/02/2004; e sobre decadência), e agregando que: (a) a DRJ não enfrentou a contento os argumentos de defesa sobre as nulidades, pois, mesmo reconhecendo a negativa de acesso ao relatório fiscal, manteve a autuação, suprindo falha do autuante, e sequer se manifestou sobre a declaração de inaptidão, ou sobre a ausência de indicação precisa do inciso violado no comando legal, sendo, por isso, nula, por cerceamento do direito de defesa; (b) a discussão sobre a impossibilidade de declaração de inaptidão de CNPJ com efeito retroativo não foi submetida ao Poder Judiciário, havendo nulidade da decisão de piso por não enfrentar a matéria sob o equivocado pretexto de concomitância de objeto; (c) a multa aplicável ao caso, no máximo, ad argumentandum tantum, seria a prevista no artigo 33 da Lei no l1.488/2007; (d) a relatora da decisão recorrida desenvolve, “... num discurso absolutamente incoerente, num hercúleo esforço para descaracterizar a ocorrência da decadência”, com “... verdadeiros absurdos jurídicos”; e (e) foram disponibilizadas em diário oficial as sentenças proferidas na ação cautelar (processo Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.591 5 judicial no 001008214.2008.403.6104 / 2008.61.04.0100820 – fls. 727 a 734) e na ação principal (processo judicial no 000215475.2009.403.6104 / 2009.61.04.0021547 – fls. 735 a 753), com o cancelamento da multa de que trata o presente processo administrativo. No CARF, por meio do Acórdão no 310201.557, de 18/07/2012 (fls. 792 a 802), acordouse unanimemente em declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a entrega da Descrição dos Fatos do Auto de Infração ao contribuinte, sendolhe reaberto prazo para impugnação, sob o fundamento de que a descrição dos fatos constitui parte do auto de infração em si e deve ser com ele apresentada ao sujeito passivo, sob pena de trazer prejuízo ao procedimento, e, no caso, não se está tratando de auto de infração sem descrição dos fatos, mas de falta de ciência desta à contribuinte. Cientes da decisão do CARF em 24/12/2012 (AR às fls. 862 e 864), “SERGIO” e “FILHO” não se manifestaram (conforme termos de fls. 947 e 948). Ciente da decisão do CARF em 27/12/2012 (AR à fl. 860), a empresa “AHCOR” interpôs embargos de declaração (fls. 875 a 880), alegando que pleiteou nulidade da autuação, e não da decisão de piso, havendo obscuridade/contradição no acórdão, sendo os embargos definitivamente rejeitados no exame de admissibilidade de fls. 944/945, tendo a empresa ciência do despacho de rejeição em 18/03/2014 (AR à fl. 950). A empresa “AHCOR” interpôs, então, recurso especial, em 25/03/2014 (fls. 952 a 965), alegando ser o vício detectado pelo CARF de cunho material, e não formal, e colacionando jurisprudência (dois paradigmas) que defende ser antagônica à atacada. No entanto, foi negado seguimento ao recurso especial pelo despacho de fls. 998/999, confirmado pelo despacho de fl. 1000, do qual foi cientificada a empresa “AHCOR” em 08/10/2014 (fl. 1007). Em 29/10/2014, a empresa “AHCOR” apresenta nova Impugnação, (fls. 1008 a 1048), reiterando o anteriormente alegado e acrescentando que ainda não lhe havia sido entregue a descrição dos fatos (relatório de fiscalização), conforme determinou o CARF, e que a decisão do CARF não decretou a nulidade da decisão de piso, mas da própria autuação, sendo o vício detectado de ordem material. A DRJ, em 30/01/2015, confirmando que a unidade preparadora da RFB ainda não havia fornecido cópia do relatório fiscal aos sujeitos passivos, converte o julgamento em diligência para que esta o faça (fls. 1095 a 1110). Em atendimento, a unidade anexa comprovante de ciência da empresa “AHCOR”, em 26/02/2015 (AR à fl. 1117), e dos responsáveis solidários “SERGIO” (em 23/02/2015 – fl. 1119) e “FILHO” (em 23/02/2015 – fl. 1121). Há, ainda, à fl. 1123, registro de fornecimento de cópia integral digital do presente processo à “AHCOR” (em 10/03/2015). A empresa “AHCOR” apresenta nova Impugnação (fls. 1126 a 1161) em 23/03/2015, sustentado, basicamente, que: (a) o não fornecimento de cópia do relatório fiscal constitui vício insanável, ocasionando cerceamento do direito de defesa, sendo incabível a reabertura de prazo para impugnação, devendo ser decretada a nulidade da autuação; (b) houve nova nulidade, por ausência de entrega da Resolução da DRJ que determinou a reabertura do prazo para impugnação; (c) a não indicação do valor em moeda estrangeira e da taxa de câmbio utilizada inquinam de nulidade insanável a autuação; (d) sendo inválida a primeira notificação (efetuada em 11/12/2008), houve total decadência do direito de lançar, regularmente notificado Fl. 1593DF CARF MF 6 à empresa só em 23/02/2015; (e) ainda que inexistente a nulidade da intimação, e considerada a data de 11/12/2008, houve parcial decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos de 03/02/2003 a 10/12/2003, conforme artigo 139 do DecretoLei no 37/1966, conforme precedentes do CARF e do STJ que colaciona; (f) aplicase ao caso, por ser multa mais benéfica, a penalidade prevista no artigo 33 da Lei no l1.488/2007; (g) há impossibilidade de exigência da multa em período anterior a 27/07/2004, em face de decisão anterior, atestando a regularidade das operações realizadas; (h) há impossibilidade de efeito retroativo à declaração de inaptidão, e a empresa vinha despachando normalmente suas mercadorias até a edição do Ato Declaratório relativo a sua inaptidão; e (i) a empresa não foi regularmente intimada a respeito da conclusão do procedimento que levou a sua declaração de inaptidão. O espólio de “SERGIO” apresenta Impugnação em 25/03/2015 (fls. 1262 a 1275), defendendo que: (a) não houve a correta apuração da responsabilidade do sócio, tampouco a coleta de provas que efetivamente demonstram que ele teria efetivamente praticado as infrações; (b) o termo de sujeição passiva solidária sequer aponta que inciso do artigo 135 do Código Tributário Nacional (CTN) teria sido violado, ocasionando cerceamento do direito de defesa; e (c) o Sr. “SERGIO” faleceu em 28/09/2009, e o artigo 131 do CTN limita a responsabilidade por sucessão a tributos, e não a penalidades, conforme precedentes administrativos e judiciais que colaciona. O Sr. Sergio da Rocha Soares “FILHO”, por seu turno, apresenta Impugnação também em 25/03/2015 (fls. 1280 a 1289), compartilhando os dois primeiros argumentos de impugnação do espólio de “SERGIO” (itens “a” e “b”, acima referidos). A nova decisão de primeira instância, proferida em 28/04/2015 (fls. 1314 a 1405) foi, unanimemente, pela improcedência da impugnação, sob os fundamentos de que: (a) o procedimento fiscal evidencia passo a passo os fatos que propiciaram a lavratura do auto de infração, não havendo ausência de nenhum requisito obrigatório à autuação, e nem que se falar em fato tributável, visto que a multa decorre de ato ilícito; (b) não há dispositivo legal que determine a entrega de relatório fiscal à empresa, e os autuados tiveram ciência da autuação, e as impugnações transcrevem, inclusive, trechos do relatório fiscal, não havendo ainda nulidade na ausência de intimação da empresa “AHCOR” sobre a determinação de diligência, visto que a determinação atendia a seu próprio pedido; (c) sendo a pena de perdimento decorrente de um ilícito tipificado em lei, não há que se falar em decadência, sendo o instituto a ser considerado a prescrição da pretensão punitiva, estabelecido, em matéria aduaneira, nos artigos 138 a 141 do DecretoLei no 37/1966, e contado o prazo a partir da data da apreensão da mercadoria (retirada do mercado interno); (d) no caso em análise, verificouse, em procedimento especial, a prática de interposição presumida, pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior; (e) não se aplica ao caso o disposto no artigo 33 da Lei no l1.488/2007, que pressupões a prática efetiva (e não presumida) de interposição fraudulenta; (f) os sócios concorreram e se beneficiaram da prática presumida de interposição fraudulenta, cabendo a responsabilização com fundamento no artigo 95, I do DecretoLei no 37/1966, e não na solidariedade tributária; e (g) como, após o lançamento, a exigência assumiu a natureza de crédito tributário, os montantes podem ser exigidos dos sucessores, conforme artigo 134, IV do CTN. Da nova decisão de piso é dada ciência à empresa “AHCOR”, em 21/05/2015 (AR à fl. 1458), e aos responsáveis solidários “SERGIO” – espólio (em 20/05/2015 – fl. 1460) e “FILHO” (também em 20/05/2015 – fl. 1462). A empresa “AHCOR” apresenta o novo Recurso Voluntário de fls. 1486 a 1524, em 16/06/2015, afirmando que: (a) há nulidade da autuação por falta de determinação da matéria tributável (não indicação do valor em moeda estrangeira e da taxa de câmbio utilizada, Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.592 7 ainda que se trate de ilícito, como defendeu a DRJ) e por falta de indicação da efetiva data de ocorrência do fato gerador; (b) o não fornecimento de cópia do relatório fiscal constitui vício material insanável, ocasionando cerceamento do direito de defesa, sendo incabível a reabertura de prazo para impugnação, devendo ser decretada a nulidade da autuação; (c) houve nova nulidade, por ausência de entrega da Resolução da DRJ que determinou a reabertura do prazo para impugnação; (d) houve decadência parcial (repelida pela DRJ sob premissas equivocadas, e referente aos fatos geradores de 03/02/2003 a 10/12/2003, tendo em vista ter sido superado o prazo de cinco anos da primeira notificação do lançamento, em 11/12/2008) ou total (ignorada pela DRJ, e, fundada na irregularidade/invalidade da primeira notificação do lançamento, sendo válida/regular apenas a efetuada em 08/10/2014) do lançamento; (e) não pode ser exigida multa até 27/04/2004, em função de decisão anterior atestando a regularidade das operações efetuadas (também ignorada pela DRJ); (f) há impossibilidade de efeito retroativo à declaração de inaptidão (argumento também não enfrentado pela DRJ); e (g) a autuação é inválida por não ter a recorrente sido intimada do procedimento administrativo que levou à inaptidão (também tendo a DRJ se omitido a respeito do tema). O espólio de “SERGIO” apresenta o Recurso Voluntário de fls. 1526 a 1544, também em 16/06/2015, argumentando que: (a) a decisão da DRJ entende não aplicáveis ao caso os princípios relativos a matéria tributária, mas tais princípios, como o da individualização da pena, são comuns à matéria penal/infracional; (b) a decisão da DRJ é nula por alterar o fundamento da autuação (dos artigos 124 e 135 do CTN para o artigo 95, I do DecretoLei no 37/1966); (c) não houve a correta apuração da responsabilidade do sócio, tampouco a coleta de provas que efetivamente demonstram que ele teria efetivamente praticado as infrações; (d) a autuação é nula, porque não foi observada a jurisprudência dominante sobre a matéria, em função do artigo 50, VII da Lei no 9.784/1999; e (e) há contradição na decisão de piso ao sustentar a natureza de ilícito em determinadas partes do voto, mas a natureza tributária para manter o falecido no polo passivo da autuação. O Sr. Sergio da Rocha Soares “FILHO”, por sua vez, apresenta o Recurso Voluntário de fls. 1546 a 1560, ainda em 16/06/2015, apresentando os mesmos argumentos que figuram nas letras “a”, “b”, “c” e “d” da peça recursal de “SERGIO”. Atestada a tempestividade das peças recursais (fl. 1584), o processo é enviado ao CARF em 26/06/2015, e distribuído em 09/12/2015, a conselheiro que não mais faz parte do colegiado, tendo sido enviado a novo sorteio em 08/07/2016. Em julho de 2016, o processo foi a mim distribuído, no novo sorteio. O processo foi indicado para a pauta nos meses de janeiro a maio de 2017, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em junho, julho e setembro, o processo foi pautado, e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento, não tendo sido incluído em pauta em agosto por não estar presente o relator, justificadamente, na sessão de julgamento. Em outubro de 2017, o processo foi retirado de pauta, para complementação do voto em função dos debates ocorridos no julgamento. Na ocasião, proferi voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo acompanhado, por maioria, pelos demais conselheiros, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Mara Cristina Sifuentes, que votavam pela conversão em diligência, sendo que a Conselheira Mara defendia ainda a decadência integral em relação ao período lançado. No voto, propus ainda o reconhecimento de ofício da não aplicação da multa substitutiva do perdimento nas exportações até 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, Fl. 1595DF CARF MF 8 posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010. Durante a votação, após os debates, no entanto, alterei meu posicionamento, entendendo ser dever da recorrente suscitar tal matéria, o que não ocorreu no presente processo, havendo preclusão. Daí a necessidade e de retirada de pauta, para complementação do voto em relação a temas não analisados em função da alteração de posicionamento durante os debates. Em novembro e dezembro, não houve sessões de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos voluntários apresentados preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento, a priori. No entanto, cabe analisar, preliminarmente, se há concomitância de objeto com ação judicial interposta pela empresa, a fim de verificar eventual não conhecimento sobre determinadas matérias já submetidas ao crivo do Poder Judiciário (a suscitarem a aplicação da Súmula CARF no 1). É o que se faz a seguir. Do objeto da discussão judicial promovida pela “AHCOR” Como relatado, a empresa “AHCOR” moveu a Ação Cautelar no 2008.61.00.0100820 (fls. 350 a 397), buscando suspender os efeitos da exigência constante do termo de intimação para apresentar as mercadorias importadas e exportadas pela empresa após 01/02/2003. Na petição relativa a tal ação, a empresa discute, entre outros temas (fl. 356, e fls. 377 a 391): Na cautelar, pede a empresa (fls. 395/396): Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.593 9 Percebase que o pedido efetuado em juízo, em 07/10/2008 (antes, portanto, da ciência da autuação pela empresa, em 11/12/2008), busca sustar, entre outros, os efeitos da intimação para apresentar as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, comprovadamente recebida pela empresa, pela via postal, em 10/06/2008 (exatamente a intimação que culmina na substituição do perdimento por multa, no presente processo – como se percebe à fl. 354), e a aplicação da multa aqui exigida (de 100% do valor aduaneiro). Informa também a empresa (ainda à fl. 395) que, obtida a liminar pleiteada, proporia a competente “Ação Declaratória de Nulidade de Ato Administrativo”, cumulada com “Ação de Perdas e Danos”. De fato, após a prestação de informação pela Administração (fls. 399 a 416), e após, inclusive, a ciência da autuação aqui apreciada (em 11/12/2008), deferiuse, em juízo, a liminar (fls. 595 a 610), em 28/01/2009, para: Fl. 1597DF CARF MF 10 Tal liminar teve seus efeitos revertidos no TRF da 3ª Região, em 03/08/2009 (fls. 615/616). No entanto, a sentença monocrática do juízo original (fls. 727 a 734), proferida em 18/05/2011, foi no seguinte sentido: Foi interposta a ação principal, sob o no 2009.61.04.0021547. Percebase, no relatório da ação principal, que se noticia expressamente sobre o presente contencioso administrativo (fl. 737): Vejase como delimitou a lide o magistrado que a apreciou, no sentido de que buscava, protagonisticamente, a anulação do auto de infração que aqui se está a analisar (fl. 739 e 751): Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.594 11 E, após delimitar a lide, entende o juízo, ainda que não analise vários dos argumentos suscitados pela empresa, que seria suficiente para a anulação do auto de infração a ausência de oportunidade para a apresentação de defesa no que se refere à declaração de inaptidão (fls. 750 e 753), dispondo, em 18/05/2011: Não se noticia, nos autos, evento posterior ocorrido com o processo judicial, o que nos motiva, em nome da verdade material, a buscar informações no sítio eletrônico do TRF da 3ª Região (processo autuado sob o no CNJ 000215475.2009.4.03.6104), onde verificamos todas as fases do processo naquela corte, percebendo que ainda pende de decisão a respeito da apelação da União, com contrarrazões da empresa: Data Descrição 19/09/2017 CONCLUSOS AO RELATOR GUIA NR.: 2017183334 DESTINO: GAB.DES.FED. MÔNICA NOBRE 19/09/2017 EXPEDIDO CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ código p/internet 6443434v3Link http://web.trf3.jus.br/acordaos/VerificacaoAssinatura Fl. 1599DF CARF MF 12 13/09/2017 RECEBIDO DO GABINETE GUIA NR. : 2017178994 ORIGEM : GAB.DES.FED. MÔNICA NOBRE 20/09/2013 REDISTRIBUIÇÃO POR SUCESSÃO Redistribuição por atribuição MÔNICA NOBRE registro do dia 20.09.2013 00:00:00 22/10/2012 REDISTRIBUIÇÃO POR SUCESSÃO Redistribuição por atribuição DIVA MALERBI registro do dia 22.10.2012 00:00:00 23/07/2012 REDISTRIBUIÇÃO POR SUCESSÃO Redistribuição por atribuição DAVID DINIZ registro do dia 23.07.2012 00:00:00 09/05/2012 CONCLUSOS AO RELATOR GUIA NR.: 2012111278 DESTINO: GAB.DES.FED. SUZANA CAMARGO 03/05/2012 DISTR. POR DEPENDÊNCIA/PREVENÇÃO Distribuição por dependência por processo 2008.61.04.0100820 do dia 03.05.2012 18:27:22 Vejase, então, que três dos argumentos submetidos a este tribunal administrativo foram explicitamente submetidos a juízo: (a) a impossibilidade de declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ com efeito retroativo; (b) a fiscalização anterior, que teria atestado a origem e a disponibilidade dos recursos empregados em operações de comércio exterior; e (c) o cerceamento do direito de defesa pela não intimação a respeito do procedimento de inaptidão. Ademais, a depender do que restar decidido em juízo sobre o pedido principal (sobre ser ou não cancelado o auto de infração que se está aqui a apreciar), restará inócua a presente decisão administrativa, em função da unidade de jurisdição. Entendo, assim, submetidas ao crivo do Poder Judiciário as três matérias aqui explicitadas, sendo indevida a manifestação deste colegiado, diante da renúncia à instância administrativa, bem delineada, em conformidade com o que dispõe a súmula CARF no 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não conheço, assim, da alegação da defesa em relação às três matérias submetidas a juízo. Em adição, reconheço que a decisão a ser proferida nos autos do processo judicial deve se impor ao que aqui restar decidido em relação às demais matérias, caso se determine o cancelamento da autuação, só fazendo sentido em dar efetividade ao presente julgamento se o Poder Judiciário decidir pelo não cancelamento da autuação e pela manutenção da lide administrativa. Sendo o objeto da demanda judicial exatamente o cancelamento da autuação lavrada no processo administrativo, afigurase prejudicial a decisão do juízo ao deslinde do feito administrativo, pois a decisão judicial pode implicar perda de objeto da lide submetida à Administração cabendo o prosseguimento do processo administrativo apenas em face da eventualidade, após rejeitada pelo colegiado a proposta original de conversão em diligência para que a unidade preparadora acompanhasse o desfecho da ação judicial, enviando o processo a este CARF após o trânsito em julgado, caso a decisão seja pelo não cancelamento da autuação. Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.595 13 Assim, prosseguese na análise das demais razões de defesa da “AHCOR” (e das pessoas físicas indicadas no polo passivo), reconhecendoa aplicável unicamente na eventualidade de decisão judicial pelo não cancelamento, e pelo seguimento da análise administrativa da autuação presente neste processo. É preciso recordar, no entanto, que o presente processo já foi julgado neste CARF, por meio do Acórdão no 310201.557, de 18/07/2012 (fls. 792 a 802), no qual o colegiado acordou unanimemente em declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a entrega da Descrição dos Fatos do Auto de Infração ao contribuinte, sendolhe reaberto prazo para impugnação, sob o fundamento de que a descrição dos fatos constitui parte do auto de infração em si e deve ser com ele apresentada ao sujeito passivo, sob pena de trazer prejuízo ao procedimento. De tal decisão se trata a seguir. Da decisão já prolatada pelo CARF no presente processo Como relatado, no Acórdão no 310201.557, de 18/07/2012, detectou o julgador que o “relatório de procedimento fiscal”, referido na autuação, não foi entregue no momento da notificação ao então recorrente (“AHCOR”), decidindo (fl. 802): Admitiu, assim, o CARF, ter sido irregular a ciência à “AHCOR”, que deveria ser sanada, com a entrega do referido relatório e com reabertura do prazo para impugnação. Tal decisão do CARF, como relatado, sequer foi contestada por “SERGIO” e “FILHO”, mas foi objeto de embargos de declaração e de recurso especial por parte da “AHCOR” (ambos não admitidos, no tribunal). Definitiva, assim, a decisão pela nulidade da decisão de piso, e pela devolução do prazo de impugnação. Vejase, cristalinamente, que foi rejeitado o argumento da recorrente de nulidade de autuação, por cerceamento do direito de defesa, pela não entrega de elementos necessários à defesa (cópia do Relatório de Procedimento Fiscal), ou por falta de descrição do fato (que remete ao relatório fiscal). Como resta claro do excerto transcrito, entendeu o julgador do CARF, em definitivo, que a ausência de apresentação do relatório de procedimento fiscal (anexo) no momento da notificação da autuação não se confunde com a ausência de existência de dito documento, e que tal falha na ciência poderia ser sanada, pelo que demandou saneamento, anulando apenas o julgamento que se deu sem tal saneamento (na DRJ). Fl. 1601DF CARF MF 14 Resta, assim, decidida pelo CARF a questão referente à consequência jurídica, administrativamente, da ausência de apresentação do relatório de procedimento fiscal (anexo) no momento da notificação da autuação. Improcedente, assim, o argumento da “AHCOR” de que o não fornecimento de cópia do relatório fiscal constituiria vício material insanável, ocasionando cerceamento do direito de defesa, sendo incabível a reabertura de prazo para impugnação, devendo ser decretada a nulidade da autuação. Tal alegação, além de já ter sido analisada em definitivo, pelo CARF, confunde o tipo de vício identificado no caso em concreto, atrelado a simples providência que independe de fiscalização adicional, ou de qualquer acréscimo de elemento aos autos. Vejase que o documento que a empresa defende lhe ter sido irremediavelmente sonegado está e sempre esteve no processo. Bastaria à empresa a simples solicitação de cópia dos autos (como ela o fez, recentemente – fls. 1123/1124), para ter acesso aos documentos. O que promoveu a decisão do CARF foi, simplesmente, a viabilização do acesso, sem necessidade do pedido de cópia, provando remediável a providência/sanável o vício. Tendo em vista o exposto, passase a tratar, aqui, das demais preliminares de nulidade suscitadas pela defesa. Das nulidades suscitadas A empresa “AHCOR” defende, em sua peça recursal, ser nula a autuação: (a) por falta de determinação da matéria tributável (não indicação do valor em moeda estrangeira e da taxa de câmbio utilizada, ainda que se trate de ilícito, como defendeu a DRJ) e por falta de indicação da efetiva data de ocorrência do fato gerador; e; (b) por ausência de entrega da Resolução da DRJ que determinou a reabertura do prazo para impugnação (nulidade nova). Os responsáveis solidários suscitam ainda demanda adicional pela nulidade, pela não observância de jurisprudência dominante sobre a matéria, em função do artigo 50, VII da Lei no 9.784/1999. As alegações de falta de determinação da matéria tributável (não indicação do valor em moeda estrangeira e da taxa de câmbio utilizada, ainda que se trate de ilícito, como defendeu a DRJ) e de falta de indicação da efetiva data de ocorrência do fato gerador são absolutamente improcedentes, pois a planilha de apuração de fls. 96 a 111 apresenta, declaração por declaração, a data do registro, o valor da mercadoria no local de embarque (no caso de exportação) e o valor aduaneiro (no caso de importação), sendo pública a tabela de conversão de câmbio para importações/exportações (na Tabela do SISCOMEX, extraída do SISBACEN – aliás, utilizada pelo importador/exportador em todas as suas declarações). Discordando dos valores constantes em tal tabela, ou do cálculo, poderia a defesa, obviamente, discutilos, mas o que se vê, no presente processo, não é discordância sobre o cálculo, mas alegação genérica e infundada de cerceamento de defesa. E idêntica situação se visualiza no que se refere à alegação de nulidade por ausência de entrega da Resolução da DRJ que determinou a reabertura do prazo para impugnação (nulidade nova suscitada na peça recursal). Deseja a empresa “AHCOR”, sob pena de nulidade, paradoxalmente, ter acesso à resolução da DRJ que determinou sua ciência ao relatório de procedimento fiscal. Nada mais absurdo. A uma, porque da ciência da resolução não cabia recurso ou manifestação; a duas, porque nada impediu que tal manifestação ocorresse posteriormente, na impugnação da “AHCOR”, em argumento que foi rechaçado pela DRJ, da mesma forma que o seria se aberto prazo para a manifestação; e, derradeiramente, a três, porque a resolução apenas determinou providência exclusivamente a cargo da unidade, não Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.596 15 cumprida anteriormente, exatamente de dar ciência sobre o relatório fiscal, e que restou, finalmente, cumprida, trazendo o contencioso saneado para o julgamento de piso. Sobre a demanda de nulidade apresentada pelos responsáveis solidários, pela não observância de jurisprudência dominante sobre a matéria, em função do artigo 50, VII da Lei no 9.784/1999, cabe destacar que: (a) os parcos julgados apresentados (duas decisões administrativas que a defesa alega serem em seu favor), e que não se amoldam especificamente à situação analisada no presente processo, estão longe de levar à conclusão de que há "jurisprudência firmada sobre a questão” (expressão utilizada no artigo 50, VII da Lei no 9.784/1999); e (b) a Lei no 9.784/1999, como estabelece seu artigo 69, aplicase apenas subsidiariamente aos processos administrativos específicos, como o regido pelo Decreto no 70.235/1972. Improcedentes, assim, as alegações, desprovidas intrinsecamente de consistência. As alegações de nulidade referentes à ausência de manifestação da DRJ sobre (a) procedimento anterior que teria atestado a regularidade das operações efetuadas, (b) impossibilidade de efeito retroativo à declaração de inaptidão, e (c) ausência de intimação sobre o procedimento administrativo que levou à inaptidão, são improcedentes, porque sequer deveria a DRJ ter analisado tais temas, que também aqui não serão enfrentados, em função de estarem submetidos ao crivo soberano do Poder Judiciário. Da(s) alegação(ões) de decadência Defende a empresa “AHCOR” que houve decadência parcial (repelida pela DRJ sob premissas equivocadas, e referente aos fatos geradores de 03/02/2003 a 10/12/2003, tendo em vista ter sido superado o prazo de cinco anos da primeira notificação do lançamento, em 11/12/2008) ou total (ignorada pela DRJ, e, fundada na irregularidade/invalidade da primeira notificação do lançamento, sendo válida/regular apenas a efetuada em 08/10/2014) do lançamento. Sobre eventual reconfiguração da contagem inicial de prazo decadencial em função de irregularidade/invalidade da primeira notificação do lançamento, sequer poderia se manifestar a DRJ, por já ter o CARF decidido a matéria. Por óbvio, se o CARF remeteu o processo para saneamento, em 18/07/2012, é de se entender, racionalmente, que seja possível tal saneamento. Percebendose que as declarações que são objeto do procedimento fiscal datam de 03/02/2003 a 29/07/2004, seria absolutamente inócua e incoerente a decisão definitiva já proferida pelo CARF de remeter os autos para providência de saneamento sabidamente fadada ao infortúnio. Não se pode, assim, tomar a contagem de prazo decadencial a partir de 08/10/2014, como deseja a empresa “AHCOR”, na sua demanda por decadência total/integral, visto que atenta contra um dos únicos temas já decididos, em definitivo, no julgamento do processo efetuado pelo CARF, e parte do pressuposto de ser tal decisão do CARF (já confirmada após embargos e recurso especial não acolhidos) inócua e incoerente. Entendo que o julgamento já efetuado no CARF concluiu, em definitivo, que a ausência de ciência sobre documento que já constava no processo (e que, repitase, poderia ser acessado na repartição ou mediante solicitação de cópia) pode ser saneada, com o fornecimento de tal documento, e que esse fornecimento não afeta a contagem do prazo decadencial, já fixada em 11/12/2008. Fl. 1603DF CARF MF 16 Sobre a discussão travada na instância de piso, tenho que extrapola o necessário para o julgamento do processo. Basta, no presente caso, aplicar o expressamente disposto no artigo 139 do DecretoLei no 37/1966: “Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” (grifo nosso) (o prazo a que se refere o art. 138 é de cinco anos) Não vemos como ler algo diferente do que o próprio artigo cristalinamente estabelece. E assim temos decidido neste colegiado administrativo, com acolhida unânime, inclusive no que se refere à interposição fraudulenta: “PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.865, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26 mar. 2014) (grifo nosso) A própria decisão de piso, ainda que denomine o prazo de prescricional (o que, por si, não constitui absurdo conceitual, no caso) admite que a redação não deixa dúvidas (fl. 1354): Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.597 17 Mas, após entender clara a redação, o julgador de piso dela discorda, defendendo que constitui “absurdo conceitual” eleger a data do registro da declaração de importação como marco inicial, no artigo 139, e busca, em leitura do conceito de tributo (estabelecido na Lei no 5.172/1966, publicada antes do DecretoLei no 37/1966), afastar a aplicação do comando legal, remetendo o tratamento da matéria à Lei no 9.873/1999. Por entender vigente e mais específica a norma estabelecida no artigo 139 do DecretoLei no 37/1966, aplico tal mandamento ao caso concreto, concluindo que restam afetados pela decadência os montantes lançados referentes a declarações registradas de 03/02/2003 a 11/12/2003. E, pela tabela de fls. 96 a 111, percebo que restam mantidas, em decorrência da decadência, somente penalidades referentes a exportações, visto que a última importação autuada foi registrada em 24/10/2003 (DI no 03/09245405). Às fls. 106 a 111 podem ser visualizadas diversas exportações, registradas de 15/12/2003 a 29/06/2004 (itens 336 a 488 da tabela). Da imputação de penalidades em exportações Pelo que se percebe, pelo relatório fiscal, a autuação foi lavrada pelo fato de ter sido declarada inapta a empresa, em função do procedimento especial de fiscalização levado a cabo de 06/09/2006 a 29/03/2007 (processo no 11128.002094/200716). As conclusões de tal procedimento são transcritas às fls. 210 a 221 destes autos, sendo extraídas do citado processo no 11128.002094/200716, que culminou nas conclusões de fls. 273 a 340, pela inaptidão. Em síntese, as conclusões são: (a) de que a empresa não apresentou à fiscalização documentos suficientes à análise da regularidade das operações realizadas, notadamente no que se refere à origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior (ausência de livros fiscais, extratos bancários, notas fiscais ou contabilidade); (b) no local indicado à fiscalização como sede da empresa foi localizada uma comissária de despachos (que tem como sócios Marcio da Rocha Soares, despachante da empresa “AHCOR”, e “Sergio da Rocha Soares FILHO”), não havendo qualquer placa identificadora da “AHCOR”, nem menção a esta em contas de luz e telefone; (c) o procedimento fiscal inicialmente efetuado em relação à empresa (imposto de importação, no período de 07/2002 a 12/2003), além de menos abrangente, não inviabiliza o levado a cabo posteriormente (em relação a todos os impostos e contribuições federais incidentes na importação, de 02/2003 a 07/2006); (d) os sócios (entre eles, os administradores “SÉRGIO” e “FILHO”), não dispõem de capacidade econômica e financeira compatível com as operações de comércio exterior, sendo que o Sr. “SÉRGIO” sequer declarou recursos suficientes para a integralização de capital alegadamente efetuada, no valor de R$ 80.000,00, em 01/04/2003, que juntados aos R$ 20.000,00 anteriores, perfazem R$ 100.000,00, montante absolutamente incompatível com o volume importado (US$ 102.351,59) ou exportado (US$ 2.873.053,32) no período; e (e) resta, portanto, caracterizada a inaptidão por não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Tratase, assim, de caso enquadrado como “interposição presumida”, pela não comprovação de origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior, que é frequentemente enfrentado por este colegiado, inclusive Fl. 1605DF CARF MF 18 em sua composição atual, não havendo que se falar em aplicação especial, alternativa, ou retroativa do artigo 33 da Lei no 11.488/2007, que se presta aos casos de “interposição comprovada”: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) "INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, conjunta ou isoladamente, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. (Acórdão no 3403003.319, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 14.out.2014) (grifo nosso) "RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.598 19 penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. (Acórdão no 3401003.092, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 23.fev.2016) (grifo nosso) "RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação. (Acórdão no 3401003.172, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 17.mai.2016) (grifo nosso) “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento, além da declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. Fl. 1607DF CARF MF 20 IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação. (Acórdão no 3401003.892, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 26.jul.2017) (grifo nosso) De fato, no caso em análise, resta claro que a empresa não se desincumbiu de seu ônus de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Assim, resta mantida a presunção legalmente estabelecida. A fiscalização até tentou verificar a referida origem, disponibilidade e transferência, mas não contou com a colaboração da empresa, que deixou de fornecer elementos como livros, registros contábeis, extratos bancários e outros que permitissem a verificação de sua capacidade financeira e operacional para realizar as operações de comércio exterior em análise. Em suas peças de defesa, limitase a recorrente a suscitar nulidades (algumas aqui analisadas e outras submetidas ao crivo do Poder Judiciário, em função a unidade de jurisdição), decadência (aqui tratada), impossibilidade da exigência até 27/074/2004 em face de decisão anterior e invalidade da autuação pela impossibilidade de declaração e inaptidão com efeitos retroativos ou pela ausência de intimação sobre o procedimento de inaptidão (temas igualmente submetidos ao juízo, como se percebe no início deste voto). Não dedica a defesa, assim, nenhuma linha a comprovar efetivamente a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior, pelo que deve ser mantida a autuação neste aspecto. Quanto ao fator complicador, registrado no título deste tópico do voto, de serem de exportação as operações que restaram mantidas na autuação, após a detecção de decadência, também não move esforços a defesa para suscitar eventual incompatibilidade com as disposições que regem a matéria (argumentação de direito), ou mesmo alegar que eventuais saldos de exportações fundeariam as importações. Não movendo a defesa minimamente esforços para comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior, ou mesmo suscitar a impossibilidade de que a autuação fosse mantida no que se refere a exportações, deve restar hígido o lançamento, em tal tópico. Da responsabilidade solidária A argumentação expendida pelos responsáveis solidários é igualmente alheia à efetiva comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior das quais participaram, como administradores da empresa. Sustentam os responsáveis solidários “SERGIO” (espólio) e “FILHO” que: (a) a decisão da DRJ entende não aplicáveis ao caso os princípios relativos a matéria tributária, mas tais princípios, como o da individualização da pena, são comuns à matéria penal/infracional; (b) a decisão da DRJ é nula por alterar o fundamento da autuação (dos Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.599 21 artigos 124 e 135 do CTN para o artigo 95, I do DecretoLei no 37/1966); (c) não houve a correta apuração da responsabilidade do sócio, tampouco a coleta de provas que efetivamente demonstram que ele teria efetivamente praticado as infrações; e (d) a autuação é nula, porque não foi observada a jurisprudência dominante sobre a matéria, em função do artigo 50, VII da Lei no 9.784/1999. O espólio de “SERGIO” sustenta ainda que há contradição na decisão de piso ao sustentar a natureza de ilícito em determinadas partes do voto, mas a natureza tributária para manter o falecido no polo passivo da autuação. De início, cabe destacar que acerta a DRJ ao afirmar que se está a tratar de penalidade aduaneira, e de que o instituto adequado é o da responsabilidade conjunta, e não o da responsabilidade solidária tributária. Assim já decidiu esta turma em casos semelhantes, inclusive em sua formação atual: "RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). (Acórdão no 3401003.092, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 23.fev.2016) (grifo nosso) "RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). (Acórdão no 3401003.172, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 17.mai.2016) (grifo nosso) “RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. DL 37/1966, art. 95. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do Decreto Lei no 37/1966.” (Acórdão no 3401003.843, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 29.jun.2017; e Acórdão no 3401 003.892, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 26.jul.2017) (grifo nosso) A responsabilidade, apesar de denominada como “solidária”, remetendose ao artigo 124 do CTN, é, de fato, “conjunta ou isolada”, conforme os ditames do artigo 95 do DecretoLei no 37/1966, que trata de matéria aduaneira. Enquanto o dispositivo do DecretoLei no 37/1966 exige “concorrer para a prática” da infração “ou dela se beneficiar”, o que resta inequívoco em relação aos administradores da empresa, no caso em análise (aliás, nenhum deles, no mérito, refuta a contento as alegações fiscais), o texto do artigo 124 do CTN trata apenas de “interesse comum”. Fl. 1609DF CARF MF 22 No entanto, resta igualmente patente o “interesse comum” a que alude o artigo 124. Em que pese não se estar aqui tratando de matéria de natureza estritamente tributária, mas aduaneira, o descumprimento aduaneiro tem inegável consequência tributária, descrita pelo julgador de piso. Reconheço como aparente, assim, a contradição no julgamento de piso, que afasta a natureza tributária da infração, mas mantém a autuação, entendendo que os sujeitos passivos solidários (essa é a terminologia que o próprio software utilizado na autuação mantém) “concorreram para a prática” da infração “ou dela se beneficiaram”, o que inegavelmente excede o mero “interesse comum” a que alude o CTN. Ademais, princípios relativos a matéria penal, como o da individualização da pena, aplicáveis subsidiariamente ao caso, não excluem a aplicação da pena em discussão a mais de um sujeito que “concorre para a prática” da infração “ou dela se beneficia”. Não há, então, alteração de fundamento pela DRJ. O fundamento da autuação é a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Em relação aos sujeitos passivos arrolados como solidários, reiterese que os administradores “SÉRGIO” e “FILHO”, além de não fornecerem elementos como livros, registros contábeis e extratos, de modo a permitir a análise pelo fisco da capacidade financeira e operacional da empresa, administravam empresa “AHCOR”, que sequer tinha identificação no local da entrada (e se confundia fisicamente com comissária de despachos de “FILHO”), ou em contas de luz e telefone. Ademais, os administradores “SÉRGIO” e “FILHO”, é que não dispunham de capacidade econômica e financeira compatível com as operações de comércio exterior realizadas pela “AHCOR”, sendo que o Sr. “SÉRGIO” sequer declarou recursos suficientes para a integralização de capital alegadamente efetuada, no valor de R$ 80.000,00, em 01/04/2003, que juntados aos R$ 20.000,00 anteriores, perfazem R$ 100.000,00, montante absolutamente incompatível com o volume importado (US$ 102.351,59) ou exportado (US$ 2.873.053,32) no período. Tais atributos evidenciam a responsabilidade conjunta ou isolada prevista no artigo 95 do DecretoLei no 37/1966, relativas à penalidade aduaneira aplicada, por restar inegavelmente claro que os administradores da “AHCOR” “SÉRGIO” e “FILHO” não só concorreram para a prática da infração, como dela se beneficiaram, realizando importações e exportações sem comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. E tal configuração certamente excede a simples responsabilidade solidária tributária demandadora de mero “interesse comum”, prevista no CTN. Não se deve entender que houve, assim, mero afastamento do CTN, em disposição de enquadramento abstrato (artigo 124), mas aplicação a ele agregada de comando específico, pertinente à matéria que exige condutas adicionais, como “concorrer para a prática” da infração, perfeitamente tipificadas no caso concreto em análise. A ausência de elementos adicionais em relação aos administradores, condenada pela defesa, devese, digase, a sua própria negativa em fornecêlos, mas o fisco atuou de forma satisfatória na configuração da infração, com os dados disponíveis em seus controles, como aqui destacado. Sobre a demanda de nulidade apresentada pelos responsáveis solidários, pela não observância de jurisprudência dominante sobre a matéria, em função do artigo 50, VII da Lei no 9.784/1999, reiterese o já externado no tópico específico deste voto sobre nulidades. Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.600 23 E, por fim, em relação à alegação efetuada pelo espólio de “SERGIO” de que há contradição na decisão de piso ao sustentar a natureza de ilícito em determinadas partes do voto, mas a natureza tributária para manter o falecido no polo passivo da autuação, cabe destacar que já sinalizamos que tal contradição é aparente, visto que o julgamento de piso, lido em sua totalidade, não afasta a imputação de responsabilidade solidária. Ademais, o julgador da DRJ explicitamente esclarece que (fl. 1404): “Muito embora a gênese da multa equivalente ao valor aduaneiro e da multa regulamentar sejam um ato ilícito aduaneiro e não um fato gerador, após o lançamento a exigência assume natureza de crédito tributário.” A DRJ, assim, justifica aquilo que a defesa denomina de contradição. E não está o julgador de piso, denominando a multa aplicada de “tributo” (de modo a suscitar a aplicação do artigo 131, II do CTN), como alega a recorrente, mas apenas a defender que seja crédito tributário, expressão que abrange as multas. Defende ainda o espólio de “SERGIO” que nas obrigações objeto de sucessão não se incluem as multas por infração. Já tive a oportunidade de me pronunciar sobre o tema, e a discussão jurídica que recentemente a ele aludiu (eventual contradição entre Súmula do CARF – Súmula no 47 – e julgado na sistemática dos recursos repetitivos – REsp no 923.012/MG), no Acórdão no 3401003.096 (unânime em relação ao tema): SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. MULTAS. SÚMULA 554/STJ. SÚMULA 47/CARF. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (REsp no 923.012/MG, e Súmula no 554/STJ). Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula no 47/CARF). Como afirmamos naquele julgamento, para que se tenha claro o que restou decidido no REsp no 923.012/MG, é conveniente recordar que de tal julgamento se originou a Súmula no 554/STJ: "Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão". (grifo nosso) É preciso também recordar que o REsp no 923.012/MG foi objeto de embargos de declaração, tendo restado ainda mais claro o teor da decisão em abril de 2013: "EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Fl. 1611DF CARF MF 24 (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa." (STJ, EDclREsp no 923.012/MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, unânime, julg. 10.abr.2013) (grifo nosso) No voto do relator, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, percebese nitidamente a total irrelevância da data da lavratura da autuação, sendo o critério adotado unicamente a comparação entre data de sucessão e "fato gerador": "6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de que modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa." (grifo nosso) Assim, a presente autuação, lavrada para exigência multa em relação a fatos geradores que indiscutivelmente antecedem a sucessão, atende plenamente ao estabelecido no REsp no 923.012/MG. Adicionese ainda que o CARF, recentemente, revogou a Súmula no 47 (Portaria CARF no 72, de 17/10/2017), justamente em função de sua incompatibilidade com o decidido no REsp no 923.012/MG, que deve prevalecer. Devem, assim, ser mantidos no polo passivo os indicados como responsáveis solidários. Das conclusões Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.601 25 Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar o lançamento em relação a declarações registradas de 03/02/2003 a 11/12/2003, em função da configuração de decadência, esclarecendose que a presente decisão administrativa deve ser implementada pela unidade preparadora da RFB jurisdicionante apenas na hipótese de a autuação não ser cancelada na ação judicial ainda em trâmite, a ser acompanhada pela referida unidade. Rosaldo Trevisan Fl. 1613DF CARF MF 26 Declaração de Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Apresento nas linhas abaixo os motivos que me levaram a divergir do entendimento do i. ConselheiroRelator no que se refere à atribuição de responsabilidade e consequente sujeição passiva na autuação às pessoas físicas “SERGIO” (espólio) e “FILHO”. Como exposto pelo ConselheiroRelator, dentre os argumentos levantados por essas pessoas físicas para o afastamento do lançamento em relação a elas, há a alegação de que "a decisão da DRJ é nula por alterar o fundamento da autuação (dos artigos 124 e 135 do CTN para o artigo 95, I do DecretoLei no 37/1966)". Em seu voto, o ConselheiroRelator observa que é acertado o entendimento da DRJ, ao aplicar o instituto da responsabilidade conjunta previsto no artigo 95 do Decreto nº 37/1966 ao caso concreto que trata de penalidade aduaneira, inclusive, em linha com o que vem decidindo a Turma. Até aqui, não há qualquer divergência em relação ao entendimento do ilustre relator. Em seguida, expõe o Relator o seu entendimento no sentido de que não teria havido qualquer alteração do critério jurídico na decisão recorrida, pois "não se deve entender que houve, assim, mero afastamento do CTN, em disposição de enquadramento abstrato (artigo 124), mas aplicação a ele agregada de comando específico, pertinente à matéria que exige condutas adicionais, como “concorrer para a prática” da infração, perfeitamente tipificadas no caso concreto em análise". Nesse ponto, contudo, entendemos de forma diversa. Ao se examinar o Auto de Infração de fls. 0374 e o Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 7595, verificase que o lançamento impõe multa substitutiva do perdimento, no valor aduaneiro das mercadorias importadas, por interposição fraudulenta presumida, com fundamento no artigo 23, V e §§ 2o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976. Ou seja, tratase de lançamento de multa por infração aduaneira. A Fiscalização, contudo, atribuiu responsabilidade pelo lançamento às pessoas físicas mencionadas, por entender aplicável ao caso as hipóteses previstas nos artigos 124 e artigo 135 do CTN, apresentando a seguinte motivação (fls. 94 dos autos): Muito embora a Fiscalização tenha sido genérica na apresentação do fundamento legal que daria base à atribuição de responsabilidade, sem sequer ter se dado ao trabalho que indicar em quais incisos estariam previstas em abstrato as hipóteses de responsabilidade, e tenha sido econômica na descrição dos fatos praticados pelos responsáveis, ao afirmar apenas que "a responsabilidade dos sócios decorre de terem praticado atos de Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 11128.009683/200814 Acórdão n.º 3401004.351 S3C4T1 Fl. 1.602 27 gerência, com infração da lei", é possível se chegar à conclusão que a Fiscalização atribuiu responsabilidade às pessoas físicas, com base no artigo 135, inciso III, do CTN, que possui a seguinte redação: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". (grifos nossos) Mais adiante, às fls. 419 e 420, os Termos de Sujeição Passiva Solidária não deixam dúvidas de que o lançamento é de multa por infração aduaneira, da conduta que é atribuída às pessoas físicas e do fundamento legal que entendeu a Fiscalização aplicável para atribuir responsabilidade. É ler: Nesse cenário, entendo que o lançamento não pode prosperar contra as pessoas físicas arroladas, tendo em vista que o fundamento legal indicado pela Fiscalização para atribuição de responsabilidade é manifestamente improcedente e não se aplica aos fatos narrados. Isso porque, enquanto o artigo 135, inciso III, do CTN é aplicável para atribuição de responsabilidade, na hipótese em que especifica, de “créditos correspondentes a obrigações tributárias” que, como prevê o artigo o artigo 113, parágrafo 1º, do CTN, surge com a ocorrência do fato gerador do tributo, nos casos em que se verifica a ocorrência de infração aduaneira, a atribuição de responsabilidade é regida pelo artigo 95, caput e incisos, do DecretoLei nº 37/1966. Nesse sentido, vem decidindo o CARF, como se observa do julgado a seguir: “INFRAÇÃO ADUANEIRA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE DO OCULTADO. INDEVIDA IMPUTAÇÃO DE DISPOSITIVOS DO CTN. ERRO DE DIREITO. Em se tratando de sanção estritamente aduaneira (pena de perdimento convertida em multa), as normas que devem reger eventual responsabilização do ocultado são aquelas capituladas nos art. 95, inciso I do Decretolei n. 37/66 e art. 603, inciso I do Regulamento Aduaneiro, mas jamais dispositivo do CTN (art. 124, inciso I). Erro de direito configurado” (Acórdão nº 3402003.883; julgado em 28/03/2017; Relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA; Redator Designado: Diego Diniz Ribeiro). Logo, no presente caso, em que a Fiscalização imputou responsabilidade de um lançamento de multa por infração aduaneira, com base em fundamento legal que trata de atribuição de responsabilidade de crédito tributário, revelase totalmente improcedente a atribuição de sujeição passiva, não podendo prosperar o lançamento em relação às pessoas físicas arroladas nos Termos de Sujeição Passiva. Fl. 1615DF CARF MF 28 Além disso, penso que não seja possível o enquadramento da atribuição de responsabilidade por fundamento legal diverso do estampado na peça de lançamento, tal como fez a decisão recorrida, sem que se incorra em violação ao artigo 146, do CTN. De qualquer maneira, deixo de declarar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do artigo 59, caput, inciso II, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/1972, por entender que essa matéria pode ser decidida a seu favor, como exposto acima. Com essas considerações, voto por excluir as pessoas físicas “SERGIO” (espólio) e “FILHO” da sujeição passiva da autuação. Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Fl. 1616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900335/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2004
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 35 /2 01 2- 55 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900335/201255 Acórdão n.º 3301004.216 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.751. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900335/201255 Acórdão n.º 3301004.216 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900335/201255 Acórdão n.º 3301004.216 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
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