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Numero do processo: 10314.728930/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
LEVANTAMENTO INCORRETO DE BASE DE CÁLCULO.
Não serve para levantamento de base de cálculo do IRPJ a comparação entre a escrituração contábil da Empresa com o SPED Contábil de outra empresa, ainda que a fiscalizada tenha dado causa ao equívoco ao enviar ao SPED contabilidade errada.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. SUPORTE FÁTICO COMUM.
Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS acompanharem o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica-IRPJ, por terem suporte fático comum.
Numero da decisão: 1302-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator
(assinado digitalmente)
Luis Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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Não serve para levantamento de base de cálculo do IRPJ a comparação entre a escrituração contábil da Empresa com o SPED Contábil de outra empresa, ainda que a fiscalizada tenha dado causa ao equívoco ao enviar ao SPED contabilidade errada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009 LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. SUPORTE FÁTICO COMUM. Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS acompanharem o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) Luis Tadeu Matosinho Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 89 30 /2 01 4- 55 Fl. 1441DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Antes de reproduzir o relatório apresentado no acórdão recorrido, que bem retrata os fatos, destaco apenas a situação enfrentada no procedimento fiscal: a contabilidade da Empresa fiscalizada (Resicontrol Soluções Ambientais S/A), devidamente auditada e publicada, apresentava números bem mais elevados do que o SPED Contábil, diferença que se dava por erro no envio do SPED Contábil, conforme justificava a Fiscalizada, pois teria sido enviada para o sistema digital, equivocadamente, a contabilidade da empresa Resicontrol Gestão Ambiental ltda. Sobre isso assim se manifestou a autoridade fiscal: Como se pode verificar pelas respostas às intimações nos apresentadas, os seus questionamentos sempre foram somente com relação a origem dos valores, e não, como seria de se esperar, relação aos valores (nominais) apresentados pela fiscalização, originários do SPED Contábil. Em geral, nas respostas às intimações, o contribuinte confirmou os valores apresentados no SPED Contábil. Esta fiscalização somente tomou conhecimento das divergências entre a contabilidade e o SPED Contábil, março de 2014, quando efetuamos a comparação entre os Balancetes emitidos pelo SPED Contábil e os apresentados pelo contribuinte, em 06/09/2013. Encontramos então uma escrituração contábil paralela à escrituração digital – SPED Contábil. Essa situação demonstrou que o contribuinte, sem sombra de dúvidas, omitiu esses fatos, na tentativa de embaraçar os nossos trabalhos e se eximir de apresentar os devidos comprovantes de suas operações. Passo então ao relatório do acórdão atacado: Do lançamento: O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela Delex/São Paulo e cientificados à interessada acima qualificada em 08/12/2014, conforme Aviso de RecebimentoAR de fl. 171: De Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 57.666.072,24 (fls. 139/146); Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 3.924.247,55 (fls. 155/160); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 20.760.199,16 (fls. 147/154), e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10314.728930/201455 Acórdão n.º 1302002.554 S1C3T2 Fl. 1.442 3 18.075.322,07 (fls. 161/166); acrescidos da multa de ofício, no percentual majorado de 112,50%, e demais acréscimos moratórios conforme legislação vigente. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Termo de Constatação nº 02 de fls 80/112 (TVF), decorre das seguintes infrações apuradas no ano calendário de 2009: 001 – OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL – FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. Valor da diferença sem justificativa entre os saldos das contas de ativo e patrimônio líquido constantes do balanço patrimonial apresentado e do SPED Contábil, que caracterizaria entradas em caixa ou pagamentos não contabilizadas, no valor total de R$ 165.677.193,78, conforme quadro de fl. 105. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso II, e 288 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. 002 – OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL – PASSIVO FICTÍCIO. 002.a Omissão de receitas por presunção legal, a partir da manutenção no passivo de obrigações cuja a exigibilidade não foi comprovada, uma vez que a interessada, diversas vezes intimada e reintimada, não comprovou a exigibilidade dos valores constantes na conta 22311002 – “Mútuos Interco – Principal LP”, no valor de R$ 39.823.713,40. O TVF destaca que a interessada, em resposta às intimações, alegava que a Fiscalização não poderia examinar as operações que lhe deram origem, em vista da decadência, o que conflitaria com o art. 195 do CTN. 002.b – Diferença sem justificativa entre os saldos de conta do passivo apresentados no balanço patrimonial escriturado pela interessada (quadro de fl. 106) e o apresentado no SPED Contábil, zerado, no montante total de R$ 32.332.277,96, cuja interessada não prestou qualquer informação. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249/1995, e arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso II, e 288 do RIR/1999. 003 – DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS. Fl. 1443DF CARF MF 4 Valor referente a juros sobre empréstimos durante o ano, no montante total de R$ 2.040.744,70, cuja interessada não apresentou comprovação legal. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249/1995, e arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR/1999. 004 – VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS NÃO COMPROVADAS. Valor de R$ 649.014,46 lançado na contabilidade, conta 3211005, como despesas de variações monetárias passivas, cujos comprovantes legais não foram apresentados. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249/1995, e arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR/1999. 005 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL. Valor de R$ 8.131.732,44 não adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real, de despesas indedutíveis, conforme quadro de fl. 101. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249/1995, e arts. 247 e 249, inciso I, do RIR/1999. A multa de ofício foi agravada para o percentual de 112,50% em razão da reiterada falta e atraso no atendimento das intimações, tendo sido a interessada alertada da possibilidade de tal agravamento nas últimas intimações. Da Impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 07/01/2015, sua impugnação de fls. 179/250, onde argui a tempestividade, descreve a autuação e argui a nulidade do auto de infração por vício insanável em virtude de cerceamento do direito de defesa, uma vez que: a. não teriam sido corretamente capitulados os dispositivos legais que teriam sido infringidos, especificamente no caso de alegação de omissão de receitas por diferença de ativo; b. Não subsunção dos fatos aduzidos no TVF ao circunstancial de lançamento resumido no corpo dos Autos de Infração, especificamente quanto ao caso de omissão de receitas por diferença de ativo; c. Incorreta capitulação dos dispositivos legais infringidos no tocante à CSLL, em todas as hipóteses de lançamento; Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10314.728930/201455 Acórdão n.º 1302002.554 S1C3T2 Fl. 1.443 5 d. Falta de Mandado de Procedimento Fiscal MPF para exigência de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL; e, e. Extinção do MPF que precedeu ao lançamento efetuado, em 19/06/2014 ou 12/08/2014, por decurso de prazo. No mérito, alega quanto à autuação de omissão de receitas por diferença de ativo e passivo que: A autuação se deu por presunção simples, sem a devida fundamentação, uma vez que a presunção contida no art. 281 do RIR/1999 não se aplicaria à suposta diferença encontrada pela fiscalização, e, no caso dos valores de passivo supostamente fictício, caberia à Fiscalização comprovar que houve efetivo pagamento de obrigações dentro do ano de 2009, obrigações estas que teriam se mantido em seu passivo, não guardando tal presunção legal qualquer relação com o reconhecimento a menor de obrigação. Destaca que não faria sentido a existência de uma contabilidade “paralela” que fosse devidamente apresentada à Fiscalização em atendimento à intimação, que teria embasado a DIPJ e sido auditada por renomado escritório de auditoria independente em obediência à legislação societária com sua publicação em Diário Oficial do Estado de São Paulo em 07 de maio de 2011. Afirma que teria ocorrido, na realidade, erro de fato na autenticação eletrônica dos livros contábeis (envio de arquivos ao SPED Contabil), pelo oferecimento a registro de comércio da contabilidade referente a outra pessoa jurídica (quase homônima) Resicontrol Gestão Ambiental Ltda, CNPJ nº 04.193.572/000195 (RGA), e não sua contabilidade, citando exemplos que corroborariam tal afirmativa, como o valor de aumento de capital social ocorrido somente na RGA. Argui a nulidade da autuação, uma vez que, por força do art. 530, II , “a” e “b” do RIR/1999, e diante da completa desqualificação da contabilidade oficial (SPED) pela Fiscalização, sendo tal contabilidade imprestável para identificar sua movimentação financeira e determinar o lucro real, sendo a omissão de receitas excedente em demasia às receitas reconhecidas no SPED, deveria a Fiscalização ter arbitrado seu lucro, e não lançado os valores como omissão de receitas tributadas pelo Lucro Real. Não podendo ser o lançamento agora ajustado para Lucro Arbitrado, uma vez que já decaído o anocalendário autuado. Com relação à omissão de receita por passivo não comprovado, reitera que o SPED Contábil em que se baseou a Fiscalização para a autuação pertence à outra empresa, logo o passivo não poderia ser comprovado pela interessada, que se confundiu com a intimação, apresentando justificativas para os valores a receber que teria em seu Ativo com denominação “Créditos com partes relacionadas”, com saldo aproximado ao Fl. 1445DF CARF MF 6 da conta 22311002Exigível a Longo Prazo – Mútuo Interco – Principal – LP constante no SPED Contábil cuja comprovação de exigibilidade foi exigida pela Fiscalização. Afirma que tal conta inexiste em sua contabilidade e reitera as argumentações de mero erro de fato quando da apresentação do SPED Contábil, de utilização de presunção simples sem fundamentação e da nulidade da autuação por falta de obrigatório arbitramento dos lucros. Argui a decadência, uma vez que os valores autuados, no montante de R$ 39.823.713,40, da conta 22311002 se formaram antes de 31/12/2008, quando a autuação se deu em dezembro de 2014. Quanto à glosa de despesas financeiras e variações monetárias passivas e de lançamento de adição ao lucro líquido, reitera as argumentações de mero erro de fato quando da apresentação do SPED Contábil e da nulidade da autuação por falta de obrigatório arbitramento dos lucros. Destaca que não foi declinado pela Fiscalização a desconsideração da retificação da DIPJ após início de ação fiscal, feita em atendimento à intimação e respeitando exatamente o constante da contabilidade oficial. Descabendo nova revisão de seus valores. Protesta contra agravamento da multa de ofício para o percentual de 112,5%, uma vez que não deixou de atender às intimações naquilo que fora possível, sendo revel apenas na apresentação de documentos e justificativas referentes à outra pessoa jurídica. Encerra pedindo a anulação do lançamento, lavratura de nova autuação fiscal livre de vícios ou a conversão do julgamento em diligência para fins de comprovação do erro de fato indicado. Em seu julgamento, a 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, assim decidiu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. IRREGULARIDADES NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade de tais procedimentos eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10314.728930/201455 Acórdão n.º 1302002.554 S1C3T2 Fl. 1.444 7 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ERRO DE FATO. CONSEQUÊNCIAS. Improcedente a autuação baseada em diferenças e falta de comprovação de exigibilidade de valores constantes da contabilidade de outra pessoa jurídica, mesmo que tal equivoco tenha sido motivado por erro de fato da autuada na apresentação de seu SPED Contábil. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO, AGRAVAMENTO POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. REQUISITOS PARA SUA EXIGIBILIDADE. Para a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original é preciso que a “falta de atendimento” tenha caráter de omissão total, ou seja, a intimada não forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a dificultar o procedimento doFisco; ou, ainda, forneça as informações e respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de obstaculizar a ação fiscal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009 LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. SUPORTE FÁTICO COMUM. Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS acompanharem o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Ao analisar o procedimento fiscal a Turma concluiu que a contabilidade apresentada no SPED pertenceria a outra empresa (Resicontrol Gestão Ambiental Ltda.) como alegado pela Recorrente e que os lançamentos decorrentes da comparação da suposta contabilidade paralela, que era efetivamente a contabilidade da Fiscalizada, e a do SPED Contábil não teriam suporte legal. Assim, exoneraram todo o crédito tributário do processo. É o relatório. Fl. 1447DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Conheço do Recurso de Ofício. Dos dados constantes das duas declarações e considerando a identidade de valores do aumento de capital social constante da 17ª Alteração Contratual da SARP Industries Brasil Ltda., antigo nome da Resicontrol Gestão Ambiental Ltda., pela conversão de créditos em investimento externo direto na empresa SICO, francesa, no total de R$31.545751,38, há que se concluir que o SPED Contábil é de Empresa distinta da Fiscalizada, embora com ela relacionada e por ela incorporada em 2010, como consta nos documentos de folhas 587 a 602. Discorrer sobre o possível caminho que deveria ter sido adotado pela fiscalização, sobre a existência de má fé por parte da Contribuinte, se houve ou não intenção de embaraçar ou mesmo fraude ou sonegação nas condutas, é excurso inprofícuo, pois antes de qualquer consideração há que avaliar se o lançamento, da forma como foi feito, tem sustentação jurídica. Correto o posicionamento da 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro. Analisando a descrição das infrações cometidas, uma a uma, concluise que todas foram fundamentadas na comparação de uma contabilidade real, publicada e auditada, da Empresa e uma decorrente de equívoco (SPED Contábil) que, em verdade, pertencia a outra empresa. Senão vejamos: 0001 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS Omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, conforme Termo de Constatação n° 03, de 05/12/2014, que fica fazendo parte do presente, como se neste estivesse contido. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 165.677.193,78 112,50 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso II, e 288 do RIR/99 O Termo de Constatação nº 3 não foi localizado no processo, todavia a infração está descrita no Termo de Constatação nº 2 (fls. 104/105), nos seguintes termos: c) OMISSÃO DE RECEITA — R$ 165.677.193,78: Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10314.728930/201455 Acórdão n.º 1302002.554 S1C3T2 Fl. 1.445 9 Referente a diferença sem justificativa entre os saldos de contas do Ativo e do Patrimônio Líquido, apresentados no Balanço Patrimonial escriturado pelo contribuinte, e o apresentado no SPED Contábil, o que caracteriza entradas em caixa não contabilizadas: (grifei) 0002 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL PASSIVO FICTÍCIO Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada, conforme Termo de Constatação n° 02, de 05/12/2014, que fica fazendo parte do presente, como se neste estivesse contido. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 39.823.713,40 112,50 31/12/2009 32.332.277,96 112,50 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99 Consta do Termo de Constatação nº 2: b) PASSIVO FICTÍCIO — R$ 39.823.713,40: Referente ao saldo em 31/12/2008, em 31/12/2009, aberto até 31/12/2009, da conta 22311002 — MUTUOS INTERCO — PRINCIPAL LP, sobre o qual não foi comprovado a origem sob alegação, indevida e inapropriada, de que a fiscalização não poderia examinar as operações que lhe deram origem, em vista do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN — Código Tributário Nacional. (...) Diante do exposto, considerando que o contribuinte manteve em seu Passivo, obrigação cuia exigibilidade não foi comprovada, configurouse a existência de PASSIVO FICTÍCIO em 31/12/2009, da ordem de R$ 39.823.713,40, sujeitando o contribuinte à constituição dos créditos tributários devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em face a ocorrência de RECEITAS, OMISSÕES DE com base nos seguintes dispositivos legais: Fl. 1449DF CARF MF 10 Este registro encontrase no SPED Contábil (fl. 85), que, como já destacado, pertence a empresa distinta da Recorrente, havendo erro, portanto, na identificação do sujeito passivo. d ) PASSIVO FICTÍCIO — R$ 32.332.277,96 Referente a diferença sem justificativa entre os saldos de contas do Passivo, apresentados no Balanço Patrimonial escriturado pelo contribuinte, e o apresentado no SPED Contábil, o que caracteriza entradas em caixa não contabilizadas; (grifei) Novamente comparação entre contabilidade e SPED Contábil. 0003 DESPESAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS Despesas financeiras indedutíveis, conforme Termo de Constatação na 02, de 05/12/2014, que fica fazendo parte do presente, como se neste estivesse contido. Fato Gerador Valor Apurado (R$) 31/12/2009 2.040.744,70 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR/99Conclusão No Termo de Constatação nº 2 temos: f) GLOSA DE DESPESAS — JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS — R$2 040 744 70: Referese aos Juros sobre Empréstimos contabilizados na conta 33211003, a respeito dos quais o contribuinte também não apresentou quaisquer comprovantes legais: Tratase de conta contábil constante do SPED (fl. 25), portanto pertencente à Resicontrol Gestão Ambiental Ltda. e não à Fiscalizada. 0004 DESPESAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS VARIAÇÕES MONETÁRIAS Multa (%) Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10314.728930/201455 Acórdão n.º 1302002.554 S1C3T2 Fl. 1.446 11 112,50 Despesas de variação monetária passiva não dedutíveis ou não comprovadas, conforme Termo de Constatação n° 02, de 05/12/2014, que fica fazendo parte do presente, como se neste estivesse contido. Fato Gerador Valor Apurado (R$) 31/12/2009 649 014,46 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299, 300 e 377 do RIR/99 No Termo de Constatação nº 2: d) GLOSA DE DESPESAS — VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS — R$ 649.014,46: Referese às Despesas de Variações Monetárias Passivas, contabilizadas na conta 33211005, cujos respectivos comprovantes legais não foram apresentados até a presente: Também conta do SPED Contábil, como já comentado. 0005 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTíVEL Multa (%) 112,50 Valor não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme item 8 do Termo de Constatação na 02, de 05/12/2014, que fica fazendo parte do presente, como se neste estivesse contido. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 8.131.732,44 112,50 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Fl. 1451DF CARF MF 12 Arts. 247 e 249, inciso I, do RIR/99 Quanto a esta infração, os dados constantes da DIPJ retificadora apresentada em 19/11/2013 pela Fiscalizada, juntada pela autoridade autuante (fls 28 a 78), não conferem com o quadro apresentado à folha 101 pela autoridade fiscal, do que se conclui que a comparação não foi realizada com esta declaração. Não há outra DIPJ nos autos, se não cópia desta mesma retificadora juntada pelo Contribuinte quando de sua impugnação. Assim, também não se sustenta esta infração. Os demais questionamentos perdem o objeto a partir do decidido em relação ao lançamento do IRPJ. Os lançamentos efetuados com base nos mesmos fundamentos e elementos de prova (CSLL, Cofins e PIS) seguem o decidido em relação ao IRPJ. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso ofício, mantendo o decidido no acórdão recorrido, nos termos do voto proferido. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filhos Relator Fl. 1452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.939479/2013-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja proferido acórdão no CARF para os processos 16349.720143/2012-82 e 16306.000170/2009-36.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja proferido acórdão no CARF para os processos 16349.720143/201282 e 16306.000170/200936. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto– Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 39 47 9/ 20 13 -9 4 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10880.939479/201394 Resolução nº 1402000.509 S1C4T2 Fl. 989 2 Relatório A Interessada transmitiu Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em que aponta crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao anocalendário (AC) de 2008, no montante de R$ 31.817.099,85. O PER/DCOMP com demonstrativo do crédito é o de nº 10870.58911.031210.1.7.025343. Foram transmitidos outros PER/DCOMP referentes ao mesmo crédito. A DERAT/SP exarou Despacho Decisório, em 04/09/2013, em que foi reconhecido direito creditório, relativo ao SNIRPJ apurado no AC 2008, e homologadas parcialmente as compensações que constam do PER/DCOMP 14515.15795.200809.1.3.02 8620 e não homologadas as demais compensações pleiteadas, visto que foi reconhecido saldo negativo disponível de R$17.724.327,85. No Detalhamento do crédito foram listados e informados os valores de IRRF integralmente confirmados (R$ 7.710.794,57), os parcialmente confirmados (total de R$ 813.302,53) e os não confirmados (R$ 4.830.988,09), além das estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores integralmente confirmadas (R$ 20.096.504,04), confirmadas parcialmente (total de R$ 7.197.720,32) e não confirmadas (R$ 9.166.970,22). A interessada apresentou manifestação de inconformidade informando que contabilizou corretamente as receitas decorrentes de operações de swap que geraram o IRRF não acatado pelo suposto não oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes. Em relação ao IRRF desconsiderado pela ausência de comprovantes, apresenta os respectivos informes de rendimentos, com exceção dos valores correspondentes à Petrobras que serão juntados aos autos oportunamente. Traz o que seria a documentação comprobatória do imposto pago no exterior (Argentina) e sustenta não haver qualquer óbice legal à compensação desse valor. Quanto às estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores admite, em relação aos meses de janeiro e parte de março, que ainda não teria conseguido a documentação comprobatória. No que se refere ao restante do mês de março e ao mês de setembro, afirma que os respectivos processos de compensação ainda estão tramitando e não seria cabível antes do trânsito em julgado desconsiderar os valores em questão. Apresenta questionamento contra a incidência da taxa Selic sobre a parcela da multa moratória incidente sobre os débitos não compensados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo prolatou o Acórdão 1662.569 pelo qual deu provimento parcial à manifestação de inconformidade Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10880.939479/201394 Resolução nº 1402000.509 S1C4T2 Fl. 990 3 apenas para acolher como demonstrado o valor de IRRF no montante de R$ 67.279,14 retido pela fonte pagadora Basf (48.539.407/000108). Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10880.939479/201394 Resolução nº 1402000.509 S1C4T2 Fl. 991 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto – Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Dentre as grandezas que compuseram o saldo negativo pleiteado referente ao anocalendário de 2008 estão as estimativas dos meses de março parte e setembro que teriam sido quitadas mediante compensação nos autos dos processos 16349.720143/201282 e 16306.000170/200936; respectivamente. Tendo em vista que o resultado do julgamento proferido naqueles processos terá influência direta numa das matérias objeto do presente, conduzo meu voto no sentido de sobrestar o julgamento até que seja proferida decisão de mérito no âmbito do CARF nos processos 16349.720143/201282 e 16306.000170/200936. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 991DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13411.720066/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas.
ÔNUS PROBATÓRIO.
Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção.
NULIDADE. FUNDAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que a autuação está devidamente fundamentada, em conformidade com os dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores autuados, inexiste a nulidade apontada.
ART. 112, CTN. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável o art. 112 do CTN quando inexistente dúvida quanto à lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire, - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas. ÔNUS PROBATÓRIO. Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção. NULIDADE. FUNDAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Uma vez que a autuação está devidamente fundamentada, em conformidade com os dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores autuados, inexiste a nulidade apontada. ART. 112, CTN. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o art. 112 do CTN quando inexistente dúvida quanto à lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire, - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A DIPJ possui caráter meramente informativo, enquanto a DCTF possui caráter de confissão de dívida. Não tendo os débitos informados em DIPJ sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, procedente o lançamento de ofício destas parcelas não confessadas. ÔNUS PROBATÓRIO. Oportunizada a apresentação de documentos pela empresa autuada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a legitimidade do lançamento, necessária sua manutenção. NULIDADE. FUNDAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Uma vez que a autuação está devidamente fundamentada, em conformidade com os dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores autuados, inexiste a nulidade apontada. ART. 112, CTN. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o art. 112 do CTN quando inexistente dúvida quanto à lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 72 00 66 /2 00 8- 95 Fl. 190DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire, Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança do PIS declarado a menor em DCTF, em desconformidade com as DIPJs originais apresentadas ao longo do ano de 2004. Nos termos do Auto de Infração lavrado: "Os valores do presente auto refletem os valores informados na DCTF original, considerando que a empresa não estava mais abrangida pela espontaneidade para retificação da DIPJ, e, ainda, que mesmo depois de intimação e reintimação, não apresentou elementos probatórios que justificassem a retificação. A DIPJ/2005 original, com os valores referentes aos débitos de PIS e Cofins lançados, encontrase de fls. 93 a 104. Planilha com resumo dos valores As fls. 105. O contribuinte foi orientado a declarar os débitos dos impostos/contribuições, os quais se encontrava espontâneo (CSLL e IRPJ). Com relação aos valores referentes ao PIS e COFINS, elaboramos Representação Fiscal ao Setor de Arrecadação para que os débitos declarados nas DCTF's não alimentassem o sistema da Receita Federal do Brasil (Processo n ° 13411 720.038/200878), uma vez que os mesmos estão sendo cobrados no presente procedimento fiscal. Diante do acima exposto, foram lançados os valores que se seguem. 001 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO PIS INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração do PIS devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e os declarados em DCTF." (efls. 114115) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo Acórdão n.º 1129.833 da 2ª Turma da DRJ/REC, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01 /01/2004 a 30/11/2004 Ementa: DESCRIÇÃO DOS FATOS. CAPITULAÇÃO LEGAL. ALEGAÇÃO DE IMPRECISÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. 0 argumento sobre irregularidades relativas A. imprecisão do enquadramento legal Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13411.720066/200895 Acórdão n.º 3402005.024 S3C4T2 Fl. 191 3 constantes no auto de infração apenas pode acarretar a nulidade do lançamento se causarem prejuízos ao impugnante quanto ao cerceamento do seu direito de defesa. A clara identificação dos dispositivos legais citados no auto de infração e a pertinência destes com a matéria objeto da ação fiscal afasta a preliminar argijida. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA A exclusão da espontaneidade do sujeito passivo, em razão do inicio de ação fiscal contra este instaurada, alcança todos os atos anteriores, o que significa que as retificações efetivadas pelo contribuinte de atos anteriores à instauração da fiscalização que irão influenciar na apuração das infrações no caso a retificação da DIPJ (Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica) não serão mais considerados como espontâneos, e, portanto, não poderão ser aceitos pela fiscalização e nem pela autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efls. 144) Intimada desta decisão em 12/07/2010 (efl. 156), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 10/08/2010, alegando, em síntese: (i) a nulidade do Auto de Infração em razão da ausência de documentos para respaldar a autuação, sendo que cabível à Recorrente demonstrar os equívocos na autuação; (ii) a ausência de fundamento legal para a autuação.; (iii) a necessidade de aplicação da interpretação mais favorável na forma do art. 112, do CTN. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Pela análise da peça recursal, observase que a Recorrente se funda em alegações genéricas, não trazendo aos autos quaisquer documentos suscetíveis a afastar a legitimidade do lançamento. Como relatado, o presente Auto de Infração foi lavrado para a cobrança do PIS declarado a menor em DCTF, em desconformidade com as DIPJs originais, apresentadas ao longo do ano de 2004. Fl. 192DF CARF MF 4 Como narrado pela fiscalização na Descrição dos Fatos e enquadramentos legais, inicialmente a Recorrente não tinha transmitido a DCTF do período, o que ocorreu apenas no curso da fiscalização. Quando da apresentação da DCTF, a empresa igualmente apresentou uma DIPJ retificadora sendo que, para confirmar a validade da retificação realizada no curso da fiscalização, a empresa foi intimada a apresentar a correspondente escrituração fiscal e contábil. Contudo, esta documentação não foi apresentada seja na oportunidade da fiscalização, seja nas defesas administrativas apresentadas nesses autos. Vejamos o histórico da fiscalização detalhado pela fiscalização: "Em 08/04/08, o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos acerca dos valores informados em DIPJ e não declarados em DCTF, sendo lhe concedido 05 (cinco) dias úteis para resposta. Tendo em vista que se encontrava omissa na entrega das DCTF's de 2004, a empresa foi intimada a apresentálas no mesmo termo (fls. 03/04). Não tendo atendido a intimação, o sujeito passivo foi reintimado em 21/05/08, conforme Termo e Aviso de Recebimento (AR) As fls. 05 e 06. Após isso, a empresa apresenta cópias das DCTF's do 1º ao 4 ° trimestre de 2004, transmitidas, via internet, em 16/04/08 (fls. 07 a 51 e 91). Em 16/04/08, a empresa também retifica sua DIPJ/2005 (AC 2004), conforme se verifica As fls. 52 a 86 e 92. A empresa foi intimada, em 26/07/08, a apresentar escrituração contábil/fiscal comprobatória, tendo em vista que a mesma retificou os valores informados anteriormente de PIS e COFINS, objeto do presente procedimento (fls. 87/88). Em 20/08/2008, a empresa é reintimada, conforme termo e AR As fls. 89 e 90. Até o presente momento, a empresa não apresentou esclarecimentos." (efl. 114 grifei) Uma vez que não foram apresentados os documentos ou os esclarecimentos necessários para a consideração dos dados constantes da DIPJ retificadora apresentada, a fiscalização considerou os dados da DIPJ original e procedeu com a lavratura do Auto de Infração quanto a diferença não declarada na DCTF apresentada. Portanto, a fiscalização se respaldou nos próprios dados originariamente apresentados pela Recorrente em sua DIPJ quanto ao valores de PIS devidos. Para que fosse alterada a conclusão alcançada pela fiscalização, seria necessário que a Recorrente demonstrasse, por meio de sua escrituração contábil e fiscal, que os valores indicados na DIPJ Retificadora são os valores efetivamente devidos de PIS no período. Entretanto, não constam dos autos quaisquer elementos probatórios nesse sentido. Ora, uma vez que a DIPJ Retificadora foi apresentada no curso da fiscalização e que não foram apresentados elementos probatórios para respaldar os dados nela indicados, o que seria cabível à luz do princípio da verdade material, inexiste qualquer razão para o cancelamento ou retificação do Auto de Infração lavrado. Assim, a fiscalização se pautou na informação prestada pela própria empresa na DIPJ original, sendo certo que, para afastar qualquer elemento da autuação, caberia à ela comprovar o alegado, na forma do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, trazendo os elementos comprobatórios do seu direito. Mas não foi o que ocorreu na hipótese. Como é assente, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ é um instrumento de prestação de informações para o fisco quanto à diversos tributos federais, dentre os quais o PIS e a COFINS. Diferentemente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, a DIPJ não possui o condão de confissão de dívida. À época dos fatos geradores autuados (2004), estas duas declarações eram disciplinadas pelas Instruções Normativas n.º 255/2002 (DCTF) e n.º 127/98 (DIPJ). Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13411.720066/200895 Acórdão n.º 3402005.024 S3C4T2 Fl. 192 5 Contudo, por se tratar de uma informação validamente prestada pelo sujeito passivo, as informações prestadas na DIPJ original relativas aos débitos, não regularmente quitados considerando as informações constantes da DCTF pode ser considerada pela fiscalização como base para um lançamento de ofício, como ocorrido no presente caso. Essencial frisar que deve ser devidamente oportunizado ao sujeito passivo a prestação de esclarecimentos quanto às divergências identificadas entre as diversas declarações prestadas pelo sujeito passivo ao fisco federal, tais como a DIPJ e a DCTF. De fato, quando comprovada a existência de meros equívocos materiais no preenchimento das declarações ou mesmo quando justificáveis as diferenças, o lançamento fiscal não pode ser realizado à luz do princípio da verdade material amplamente aplicado por este CARF1. No caso, contudo, vislumbrase que foi emitido termo de intimação ao sujeito passivo para apresentação da documentação fiscal e contábil necessária para verificar o efetivo valor de débito devido, aquele informado na DIPJ original ou aquele informado na DIPJ retificadora. Contudo, regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou qualquer esclarecimento. Mesmo no curso desse processo administrativo o sujeito passivo não trouxe qualquer esclarecimento quanto às razões efetivas das diferenças. Ora, ainda que a DIPJ retificadora substitua integralmente a DIPJ original, na forma do art. 1º da Instrução Normativa n.º 166/19992, é fato que o contribuinte no presente caso não demonstrou para a fiscalização a razão para a redução do valor do tributo apontado como devido originariamente, sendo cabível o lançamento da diferença identificada em razão da ausência de comprovação. É entendimento reiterado neste Conselho quanto à validade do lançamento de ofício realizado como no presente caso, em razão da informação de débitos à menor na DCTF em relação à DIPJ, inclusive quando houve posterior alteração na DIPJ retificadora sem a correspondente comprovação. Abaixo, trazemos alguns julgados nesse sentido: 1 Aqui entendido em conformidade com as lições do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro em seus votos, como o abaixo transcrito do Acórdão n.º 3402003.306, de 23/08/2016: "12. Primeiramente, não é demais lembrar que em matéria de processo administrativo vige o princípio da verdade material, valor normativo esse que não é aqui empregado como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. 13. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico extraído do fato que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos." (grifei) 2 "Art. 1º A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. § 1º Aplicase o disposto neste artigo às Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIRPJ relativas a anoscalendário anteriores a 1998. § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF No 094, de 24 de dezembro de 1999; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega." Fl. 194DF CARF MF 6 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. DIFERENÇAS ENTRE DIPJ E DCTF. RETIFICAÇÃO NÃO ESPONTÂNEA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO SEM COMPROVAÇÃO. Correto o lançamento de IRPJ baseado em diferenças entre os valores da DIPJ e DCTF, descabendo alegar nova apuração do imposto feita e declaração retificada após a ciência do auto de infração, sobretudo quando há redução da base de cálculo desacompanhada de qualquer esclarecimento. IRPJ. DIFERENÇAS ENTRE DIPJ E DCTF. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. PER/DCOMPS APRESENTADAS APÓS A CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. Correto o lançamento de IRPJ baseado em diferenças entre os valores da DIPJ e DCTF, descabendo alegar compensação de débitos quando os Per/Dcomps são apresentados posteriormente ao recebimento do auto de infração, sem prejuízo de postular (o) abatimento das exigências junto à DRF de origem. (...)" (Número do Processo 19515.720415/201354 Data da Sessão 24/07/2017 Relator Rogério Aparecido Gil Nº Acórdão 1302002.301) "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do ano calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. IRPJ. CSLL. LUCRO REAL. DESPESAS OPERACIONAIS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL A COMPROVAÇÃO. O contribuinte que realiza apuração do IRPJ e CSLL pelo regime do Lucro Real deve manter sua contabilidade detalhada a fim de realizar as inclusões e exclusões, ou seja, as despesas lançadas em contabilidade pelo contribuinte devem e ou deveriam estar vinculadas a documentos hábeis à comprovação de tais despesas. (...) Pois bem. É cediço que o crédito tributário é constituído pelo lançamento [notificação do lançamento] ou pela confissão de dívida mediante o cumprimento do dever instrumental de entrega da DCTF reproduzindo o resultado e a verdade da escrita fiscal, quanto à apuração dos tributos devidos. Se não há reprodução fidedigna dos valores devidos na DCTF, informálos na DIPJ não supre a inexatidão, esta constitui mero instrumento de prestação de informações, não se constituindo em instrumento apto para confissão de dívida, mas, no quanto se mostrar insuficiente a declaração (DCTF) do contribuinte, legal é o procedimento do lançamento de ofício. (...) Como visto a autoridade exigiu o demonstrativo e a documentação de suporte dos lançamentos escriturados em algumas contas selecionadas, não tendo sido atendida glosou a dedução destes valores na apuração do lucro tributável porque a contribuinte não apresentou a documentação que suporta os lançamentos." (Processo n.º 10580.727077/200947. Sessão 20/01/2016 Relator Paulo Jakson da Silva Lucas. Acórdão n.º 1301001.903 grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 01/01/2007 DIPJ. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13411.720066/200895 Acórdão n.º 3402005.024 S3C4T2 Fl. 193 7 A teor do DecretoLei nº 2.124/84 e das IN SRF 126/98 e 127/98, é legítimo o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ. (...) COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. À luz do art. 12 do Decreto Lei nº 1.598/77 e do art. 4º da IN SRF nº 51/78, o ICMS deve ser incluído na base de cálculo da COFINS, por integrar a receita bruta do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao CARF negar vigência a acordo internacional, lei ou decreto em razão de arguição de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Estando a penalidade e os encargos da mora expressamente previstos em lei, só cabe à autoridade administrativa e aos órgãos administrativos de julgamento verificarem a presença dos pressupostos de fato para sua inflição. JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso provido em parte." (Processo n.º 10930.000387/200731 Relator Antonio Carlos Atulim Acórdão n.º 3403003.003 grifei) Essencial novamente salientar que foi oportunizado ao sujeito passivo demonstrar qual a correta informação do débito no presente processo o que não foi feito em nenhuma oportunidade. Assim, descabida a pretensão da Recorrente de se anular o Auto de Infração com base na suposta desconsideração de provas da fragilidade do lançamento fiscal, que não foram apresentadas, ou do cerceamento ao direito de defesa. Afirma ainda a Recorrente que não haveria previsão legal para o Auto de Infração lavrado. Contudo, todo o fundamento legal da autuação foi devidamente trazido no Auto de Infração, como bem elucidado pela r. decisão recorrida, que não merece reparo: "8. No lançamento tributário em questão não houve a incompetência de que tratam os incisos I e II do art. 59 do Decreto n 70.235, de 1972, pois o ato praticado foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, pessoa legalmente habilitada para a prática do mesmo. Por outro lado, é digno de nota considerar que a nulidade dos despachos e decisões proferidas com preterição do direito de defesa prevista no artigo 59, inciso II, do Decreto n 70.235, de 1972, abaixo transcrito, pressupõe que o dano causado ao impugnante seja concreto e que este dano reste inequivocamente demonstrado. E somente em face de prejuízos causados parte que irregularidades processuais podem acarretar a nulidade de determinado ato, do contrário seria sobrepor as formalidades processuais ao seu real objetivo. (...) 11. Além disso, percebese que o auto de infração contém todos os demais requisitos previstos no art. 10 do Decreto n 70.235, de 1972, ou seja, a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias e a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. 12. No que se refere à capitulação legal do fato, objeto de especificas considerações por parte da recorrente, convém transcrever os dispositivos do Decreto n 2 4.524, de 2002 (Regulamento do PIS e da Cofins tributadas sob o regime da cumulatividade) e que serviram de fundamentação legal no auto de infração fiscal examinado: (...) 13. Cabe tecer considerações sobre a norma acima. 0 art. 2 2 traz a previsão normativa do fato gerador das contribuições em foco, ao passo que o art. 3 2 define Fl. 196DF CARF MF 8 os contribuintes do PIS e da Cofins. O art. 10 traz os contornos jurídicos sobre a composição da base de cálculo, enquanto que o art. 22 traz a previsão normativa das deduções e exclusões permitidas. Por fim, a fixação das alíquotas da incidência não cumulativa do PIS e da Cofins está fixada no art. 51. 14. Os artigos transcritos acima têm como matriz as legislações correspondentes (Lei Complementar n9 70, de 1991, Lei n2 9.430, Lei n9 9.715, de 1998, Medida Provisória 2.15835, de 2001, e Lei n2 9.718, de 1998) e encontram pertinência com a matéria objeto da autuação fiscal, sendo instrumento hábil a enquadrar a exigência fiscal em tela. Dessa forma, não há como aceitar o argumento de que prejudicaram o exercício da defesa, pois ao contrário do que justificou a impugnante, propiciaram esclarecimentos de como deveria ter sido apurada a contribuição da Cofins (sic. PIS)." (efls. 147/150) Por fim, alega genericamente a Recorrente que a suposta existência de dúvida atrairia a aplicação do art. 112, do CTN quanto à penalidade aplicável. Primeiramente, essencial frisar que esse dispositivo se aplica quanto à lei tributária que define infrações e comina penalidades, não sendo aplicável para o caso como o presente, que supostamente haveria dúvida quanto a ocorrência do próprio fato gerador do tributo. Ademais, observase que não há dúvida no presente caso quanto a ocorrência do fato gerador: o contribuinte declarou na DIPJ original um valor de PIS devido que foi considerado como válido pela fiscalização em razão da ausência de respaldo documentação para a posterior retificação dos valores. A ocorrência do fato gerador do PIS e os valores autuados foram informados pelo próprio contribuinte, sendo que, não demonstrado qualquer equívoco nessa apuração, não há que se falar na existência de dúvida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.001459/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
SIMPLES FEDERAL - OMISSÃO DE RECEITAS - LEI 9.716/98 -VEÍCULOS USADO - PROVA DA AQUISIÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA
Para que seja cogitada a aplicação da Lei 9.716/98 à empresas optantes pelo SIMPLES Federal, cumpre a contribuinte comprovar o valor de aquisição e o valor de venda mediante exibição de notas fiscais de entrada e de venda, conforme preceitua o art. 5º, parágrafo único, do diploma legal retro mencionado.
Numero da decisão: 1302-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Lizandro Rodrigues de Sousa, votaram pelas conclusões do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins (suplente convocado).
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 SIMPLES FEDERAL - OMISSÃO DE RECEITAS - LEI 9.716/98 -VEÍCULOS USADO - PROVA DA AQUISIÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Para que seja cogitada a aplicação da Lei 9.716/98 à empresas optantes pelo SIMPLES Federal, cumpre a contribuinte comprovar o valor de aquisição e o valor de venda mediante exibição de notas fiscais de entrada e de venda, conforme preceitua o art. 5º, parágrafo único, do diploma legal retro mencionado.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Lizandro Rodrigues de Sousa, votaram pelas conclusões do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 14 59 /2 01 0- 86 Fl. 798DF CARF MF 2 Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que foi substituído no colegiado pelo Conselheiro Julio Lima Souza Martins (suplente convocado). Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em face do recorrente a fim de lhe exigir diferenças concernentes aos tributos que compõe o SIMPLES Federal, aprovado pela Lei 9713/96, decorrente da apuração de omissão de receitas verificada a partir da comparação entre as informações consignadas em Livro Caixa e aquelas lançadas em sua Declaração Anual Simplificada e, ainda, a partir da constatação de movimentação bancária do sócio, pessoa física. Objetivamente, a fiscalização identificou três problemas que encerraram, ao fim, as autuações ora polemizadas, tal qual se extrai descrição aposta no relatório do acórdão recorrido: 1 Omissão de receita não escriturada relativa às comissões recebidas em face de financiamentos intermediados pela fiscalizada; 2 Omissão de receita ou como foi denominado “Diferença de base de cálculo” caracterizada pela diferença entre os valores das receitas escrituradas no livro Caixa (vendas de veículos + revenda de mercadorias) e a receita declarada; 3 Insuficiência de recolhimento em razão da mudança de faixas de receita bruta acumulada provocadas pela inclusão das receitas omitidas.. O contribuinte apresentou, inicialmente, impugnação (em 18 de junho de 2010) por meio da qual, genericamente, afirmou que nem todas as movimentações bancárias realizadas na conta corrente de titularidade do sócio da empresa recorrente adviriam de operações praticadas pelo autuado, sustentando, neste particular que "o faturamento apurado pela Sra. Auditora Fiscal, mediante depósito e movimentação da conta poupança do Banco Bradesco em nome da pessoa física do Sr. Edgar Yudi Shimizu, não representavam em sua totalidade depósitos decorrentes de vendas de veículos, pertencentes à pessoa jurídica que ele representa. Existe movimentação de cunho particular, conforme consta mensalmente de sua DIPF 2005". Noutro ponto, alegou que: "é comum neste tipo de comércio, a entrada de veículos em consignação que, quando não vendidos, não resultam em nenhum lucro. E mais, da mesma forma, lá estão inclusos valores referentes à regularização da documentação e consertos destes mesmos veículos. Porém, em virtude de todos estes valores terem sido registrados apenas no Livro Caixa, estas diferenças de operações não foram levadas em conta. Então, TODA a contabilidade será refeita detalhadamente e apurados os valores reais, para posterior apresentação ao Fisco. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10882.001459/201086 Acórdão n.º 1302002.678 S1C3T2 Fl. 799 3 Posteriormente, em 12 de agosto de 2010, o contribuinte apresentou o que a DRJ chama de aditamento à impugnação para deduzir um novo argumento, consistente na alegação de que, a teor da Lei 9.716/98, regulamentada pela IN 152/98, as operações de vendas de veículos usados se equipararia à hipótese de "venda em consignação", autorizando, neste particular, o cômputo, pelos contribuinte, da diferença entre o custo de aquisição e o preço de venda dos veículos, para fins de determinação da base de cálculo. Apresenta, neste ponto, o Razão e um Balancete em que, especialmente, à fls. 182, destaca o custo de aquisição das mercadorias para revenda e o valor desta mesma revenda, premendo, pois, pelo recálculo das exigências considerando as disposições da Lei 9.716, acima destacada. A DRJ/RPO (Ribeirão Preto), num primeiro momento considerou não impugnada a matéria destacada no item 1, acima, e, num segundo momento, e curiosamente, analisou a matéria trazida no citado aditamento à impugnação (a despeito de, no meu entender, ter ocorrido preclusão lógica e temporal). E, em relação a tal argumento, afastou a pretensão do recorrente exclusivamente à luz das disposições da IN 159, cujo art. 1º preceitua que as disposições da Lei 9.716 se aplicariam, exclusivamente, às empresas optantes pelo lucro real, presumido ou arbitrado, mantendo a autuação fiscal. Cientificado do resultado do julgamento em 28/10/2014 (AR de fl. 751), o contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 24 de novembro daquele mesmo ano (carimbo de postagem de fl. 754), reiterando o argumento constante de seu "aditamento" e, acrescendo, mais, a alegação da inconstitucionalidade da multa de ofício por violação ao princípio do não confisco. Após saneamento do processo (o contribuinte teria sido intimado para apresentar o documento de identificação do profissional signatário do recurso voluntário), os autos foram encaminhados à este Colegiado para apreciação. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e dele conheço em parte. Isto porque, no que tange ao argumento afeito à validade/constitucionalidade da multa de ofício, a recorrente não o aventou em sua impugnação, não podendo, agora, trazê lo em seu recurso, mormente a luz dos preceitos do art. 17 do Decreto 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Como, a teor da previsão contida no art. 33 do citado diploma normativo processual, o recurso devolve apenas a matéria impugnada, não há como, neste momento, pretender inovar a questão originariamente sustentada. Deixo de conhecer a parte do recurso que trata, portanto, da multa de ofício. Fl. 800DF CARF MF 4 I. Da matéria efetivamente impugnada. Tal qual exposto no relatório, acima, o recurso voluntário limita a matéria a ser apreciada por este colegiado à aplicação ou não dos preceitos da Lei 9.716 de sorte que, caso acolhida a pretensão, os valores exigidos por meio dos autos de infração em testilha teriam que ser recalculados a fim de se considerar como receita tributável apenas a diferença entre o preço de aquisição dos veículos usados revendidos pelo contribuinte e o valor por ele efetivamente praticado quando de sua venda. A meu ver, concessa venia, antes de se verificar se os preceitos da Lei 9.716 seriam ou não aplicáveis à espécie, era preciso atestar se existiam, nos autos, os pressupostos fáticos necessários à, quando menos, tipificar a hipótese contemplada no art. 5º da citada Lei. No caso, vale o destaque, o citado preceptivo dispõe o que se segue: Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Vejam bem. O artigo acima reproduzido faz referência à "efeitos tributários", não limitando a sua eficácia à um regime tributário específico de sorte que, em princípio, e, ao menos em tese, seria possível estender os seus dizeres também aos contribuintes optantes pelo simples federal. E, nesta senda, o argumento, em tese, do contribuinte não me parece desarrazoado, mormente quando se verifica que a IN 157, de fato, ultrapassa os limites da lei 9.716 que, como dito, não limita a regra encartada no art. 5º às empresas optantes pelo lucro real, presumido ou arbitrado. Todavia, não destaquei as disposições do parágrafo único levianamente... como se extrai da transcrita norma, o pressuposto fático de sua aplicação é a emissão de notas fiscais de entrada e de saída sendo estes os documentos hábeis e idôneos a comprovar, tanto o valor de aquisição, como o preço final praticado. E, para tanto, observem, o recorrente limitouse a trazer ao feito uma cópia não assinada de um balancete e o razão (fls. 179 e ss); a prova do direito ao gozo da regra citada linhas se faria, exclusivamente, por meio das notas fiscais tratadas no parágrafo único do art. 5º anteriormente transcrito, as quais, frisese, não foram apresentadas neste processo. E nem se diga, aqui, que estaríamos inovando a matéria versada neste PA, já que foi o próprio contribuinte quem promoveu tal inovação ao "aditar" a sua impugnação; isto é, tal argumento e provas não foram suscitados em qualquer momento da instrução, mesmo após a sucessivas intimações expedidas pela D. Auditoria Fiscal. Mais que isso, frisese, o próprio recorrente afirma, textualmente, em suas razões "adicionais" que a contabilização da diferença foi realizada apenas posteriormente, através do citado balancete: Como a empresa tinha registrado esta movimentação apenas no Livro Caixa, foi feita a contabilidade para apuração dos valores Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10882.001459/201086 Acórdão n.º 1302002.678 S1C3T2 Fl. 800 5 de custo e de venda dos veículos. Conforme a Lei, só é tributável a diferença entre o valor de custo e o valor de venda dos veículos. Em anexo, apresentamos agora o custo dos veículos vendidos, o valor das vendas efetuadas e o balancete entre ambos. Estes depósitos são creditados pelo preço total de cada veiculo de tal forma que é necessário apurarse o custo de cada um, pois existe lucro apenas nestas diferenças e nas comissões recebidas das financeiras. Os cálculos feitos na época dos recolhimentos do imposto foram feitos pelo "Lucro Presumido", declarado erroneamente pelo "Simples" e não consta na respectiva pesquisa esta opção pelo "Simples" O apontado balancete, destacase, somente foi gerado em outubro de 2010 e, portanto, após a lavratura dos autos de infração e, por conseguinte, da própria oposição da impugnação (original). Ou seja, tais informações nunca foram disponibilizadas à fiscalização não tendo sido, nem mesmo, aventadas pelo contribuinte após as intimações fiscais. Lembrando, no caso, que estamos diante de presunção de omissão de receitas, presunção cujo afastamento se faz por prova a ser produzida pelo contribuinte. Assim, mesmo que admitida a aplicação irrestrita da Lei 9.716 ao recorrente (optante pelo Simples), o fato é que a premissa fática de sua tese não foi demonstrada o que somente poderia ser feito mediante exibição das notas fiscais de compra e venda dos aludidos veículos. Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães das Fonseca Fl. 802DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.905332/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrente LABORATORIOS GRIFFITH DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao 2º trimestre de 2004 declarado no PER/DCOMP 10048.97425.230704.1.3.016604. A este crédito foram vinculados pedidos de compensação como o objeto do PER/DCOMP 26305.70643.290704.1.3.010690. O RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .9 05 33 2/ 20 09 -7 2 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13884.905332/200972 Resolução nº 3402001.309 S3C4T2 Fl. 153 2 crédito não foi parcialmente reconhecido pelos motivos identificados nos seguintes termos no Despacho Decisório: " Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado." (efl. 10) Em razão da homologação apenas parcial das compensações vinculadas, foram vinculados ao presente processo os processos de cobrança n.º 13884905.943/200911 e 13884 906.145/200914 (efl. 51). Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão n.º 1461.872 da 8ª Turma da DRJ/RPO, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 GLOSAS. CNPJ CANCELADO. INCORPORAÇÃO. Correta a glosa relativa a notas fiscais emitidas posteriormente ao registro no CNPJ da nova inscrição do estabelecimento incorporado quando emitidas com a inscrição já baixada pela incorporação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DCOMP. CANCELAMENTO. O Pedido de Cancelamento de Declaração de Compensação (DCOMP) obedece a rito específico, e seu exame cabe às unidades de jurisdição e somente é admitido enquanto pendente de decisão administrativa à data do envio do pedido de cancelamento. A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constitui meio adequado para veicular o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação (DCOMP). REVISÃO DE OFÍCIO. ERRO DE FATO. A revisão de ofício de débito oriundo de declaração fundada em erro de fato é de competência do titular da unidade da RFB que jurisdiciona o contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" (efl. 104) Intimada desta decisão em 09/01/2017 (efl. 131), a empresa incorporadora apresentou Recurso Voluntário em 07/02/2017, anexado como arquivo não paginável (efl. 142), alegando em síntese: (i) a validade do crédito nas aquisições da empresa USINA DA BARRA S/A AÇUCAR E ÁLCOOL, vez que seu CNPJ foi baixado por incorporação e não pelo encerramento de suas atividades; e (ii) a falta de motivo para a não homologação da compensação objeto do PER/DCOMP n.º 26305.70643.290704.1.3.010690. Em 14/02/2017 foram anexados aos presentes autos, em arquivo não paginável (efl. 151) requerimentos para inclusão manual de débitos no parcelamento da Lei n.º 12.996/2014, trazendo em seu bojo os números dos processos de cobrança vinculados ao presente processo de crédito (processos de cobrança n.º 13884905.943/200911 e 13884 906.145/200914). É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13884.905332/200972 Resolução nº 3402001.309 S3C4T2 Fl. 154 3 Resolução Ainda que tempestivo o Recurso Voluntário, entendo que esse processo não está em condições para julgamento. Com efeito, ainda que a Recorrente tenha apresentado nos autos requerimentos para a inclusão dos débitos objeto desse processo no parcelamento da Lei n.º 12.996/2014, estes documentos são datados do ano de 2015, momento em que ainda não havia sido proferida a decisão de primeira instância. E, em 2017, após ser intimada dessa decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário, denotando que não teria desistido da discussão administrativa. Ora, em 2015 a empresa ainda aguardava decisão de sua Manifestação de Inconformidade, sendo que a inclusão dos débitos objeto desse processo, que estavam com a exigibilidade suspensa, implicaria na desistência tácita da discussão administrativa em conformidade com o art. 7º da Portaria Conjunta RFB/PGFN n.º 1.064/2015: "Art. 7ºO sujeito passivo que tenha débitos com exigibilidade suspensa a parcelar ou pagos à vista com utilização de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da CSLL deverá selecionálos no momento em que prestar as informações necessárias à consolidação de que tratam os arts. 2ºe 3º. (Vide Portaria Conjunta PGFN RFB nº 550, de 11 de abril de 2016) § 1ºA inclusão nos parcelamentos de débitos que se encontram com exigibilidade suspensa em razão de impugnação ou de recurso administrativos implica desistência tácita destes. § 2ºCaso o débito incluído na consolidação esteja aguardando ciência de decisão em âmbito administrativo, considerase ciente o sujeito passivo na data da conclusão da prestação das informações necessárias à consolidação. § 3ºAs desistências de ações judiciais devem ser efetuadas até o último dia útil do mês subsequente ao que ocorreu a ciência da consolidação da respectiva modalidade de parcelamento ou pagamento à vista. § 4ºNa hipótese de o débito a ser indicado na consolidação estar vinculado a depósito administrativo ou judicial, a sua inclusão na consolidação de modalidade de parcelamento ou de pagamento à vista com utilização de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da CSLL somente poderá ocorrer após apuração do respectivo saldo remanescente, não liquidado pelo depósito, mediante prévia conversão em renda ou transformação em pagamento definitivo dos valores depositados. § 5ºO disposto no § 4ºnão impede que o sujeito passivo solicite posteriormente a revisão da consolidação dos débitos na respectiva modalidade para inclusão do saldo do débito apurado após apropriação do depósito. § 6ºO disposto nos §§ 1ºe 3ºdeste artigo não prejudica a revisão da consolidação pela PGFN ou pela RFB caso se constate a inclusão de débito sem a observância das condições exigidas, inclusive na hipótese de não ser acatada a desistência e a renúncia formalizadas." (grifei) Foi anexado aos presentes autos um requerimento de revisão de débito especificamente dos processos de cobrança vinculados ao presente processo (13884.905.943/200911 e 13884.906.145.200914), mas, além desse documento não estar datado, tratase de requerimento direcionado à Delegacia da Receita Federal, denotando que ainda haveria dúvida quanto à inclusão dos débitos no parcelamento: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13884.905332/200972 Resolução nº 3402001.309 S3C4T2 Fl. 155 4 "Em razão de tudo o que foi exposto, é a presente para requerer seja revisado o procedimento administrativo, de modo que os débitos relacionados aos processos administrativos números 13884.905.943/200911 e 13884.906.145.200914 possam ser incluídos, por esta d. DRF, para o parcelamento concedido pela Lei nº 12.996/14, com utilização de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, em atendimento aos princípios que devem reger a atividade estatal, todos dispostos no artigo 37 da Constituição Federal." Assim, pelos documentos que constam dos presentes autos, não está claro se a Recorrente efetivamente incluiu os débitos sob discussão no Parcelamento da Lei n.º 12.996/2014 e teria cumprido todos os requisitos legais exigidos. Diante destas circunstâncias, voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem informe o status dos débitos objeto do presente processo, relativos aos processos de cobrança 13884.905.943/200911 e 13884.906.145.200914, trazendo todas as informações e documentos pertinentes à inclusão desses débitos no parcelamento da Lei n.º 12.996/2014, a regularidade e validade desta inclusão e o seu status atualizado. Concluída a diligência, intimar a empresa para se manifestar quanto ao resultado da diligência em 30 (trinta) dias, se assim o desejar. Em seguida, direcionar os autos a este Conselho para julgamento. É como voto a presente Resolução. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721075/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser providos para saneamento.
Numero da decisão: 3201-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios .
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser providos para saneamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios . (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos devem ser providos para saneamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios . (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 10 75 /2 01 2- 63 Fl. 4936DF CARF MF 2 Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela União em fls. 4922 em face do Acórdão deste Conselho de fls. 4901, em razão de omissão. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos de Declaração conforme Despacho de admissibilidade fls. 4924, transcrito a seguir: "Tratase de Embargos de Declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 3201002.237, de 22/06/2016, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2008, 2009 CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins. CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, ujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativa, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização, bem como que os insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201003.268 S3C2T1 Fl. 4.937 3 restringem apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos do PIS e da Cofins. Recurso voluntário provido em parte. Alega a embargante ter havido omissão no acórdão recorrido. É que a parte dispositiva do voto contém decisão em seu item “a” que não consta do resultado do julgamento do acórdão. Razão está com a embargante. A parte dispositiva do voto assim estabelece: “Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: a) reconhecer a inclusão das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos do PIS não cumulativo; b) reconhecer o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições de bens, de pessoas físicas ou cooperativas, empregados na produção (beneficiamento) de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 e 12 da NCM;” Por sua vez, o decidido no item “a” da parte dispositiva não consta do resultado do julgamento do acórdão, que assim se mostra transcrito: “Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos : a) por voto de qualidade, afastouse a alegação de retroatividade do art. 56A da Lei nº 12.350, de 2010. Vencidos, no ponto, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; b) por maioria de votos, mantiveramse as glosas sobre as exportações realizadas por terceiros e sobre o transporte entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Fl. 4938DF CARF MF 4 Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schlinewein” Pelo exposto, ADMITO os embargos de declaração, com fundamento no § 1º do art. 65 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF. Encaminhese o presente processo à unidade preparadora para cientificar a contribuinte. Após, promovase, mediante sorteio, a distribuição do processo, uma vez que o relator originário está temporariamente relatando na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF." Após, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Relatada a omissão na decisão a quo, é possível verificar pelo confronto do Recurso voluntário de fls. 4818 com a decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SP de fls. 4793 que a inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional, é um dos pedidos do contribuinte. A matéria ficou clara no corpo do texto do voto do relator da decisão a quo, que inclusive citou precedente desta turma de julgamento (Acórdão 3202000.597), oportunidade em que foi reconhecido, por unanimidade, a inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional. Assim, considerando o precedente desta Turma, o voto do relator e Presidente desta Turma na decisão a aquo, é importante considerar como reconhecida a inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional. Feita esta análise, com o objetivo de sanar a omissão, o dispositivo da decisão a quo de fls. 4901 passará a constar com o seguinte texto: “Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos : a) por voto de qualidade, afastouse a alegação de retroatividade do art. 56A Fl. 4939DF CARF MF Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201003.268 S3C2T1 Fl. 4.938 5 da Lei nº 12.350, de 2010. Vencidos, no ponto, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; b) por maioria de votos, mantiveramse as glosas sobre as exportações realizadas por terceiros e sobre o transporte entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; c) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em relação à inclusão das receitas financeiras, sujeitas à incidência à alíquota zero, no somatório da receita bruta total, para fins de rateio proporcional. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schlinewein” Diante de todo o exposto, votase para DAR PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, para que seja corrigido o texto do dispositivo do Acórdão a quo. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 4940DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.720766/2014-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO
A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida.
Numero da decisão: 1001-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que também manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida.
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ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que também manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 07 66 /2 01 4- 14 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10805.720766/201414 Acórdão n.º 1001000.364 S1C0T1 Fl. 114 2 Relatório Tratase de solicitação de reinclusão no Simples Nacional, interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1270.695, de 27/11/2014 (efls. 61/68), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: I) Da exclusão do Simples Nacional O presente processo versa sobre exclusão automática da interessada do regime do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/01/2013, por comunicação, em 05/12/2012, de alteração de atividades econômicas (CNAE nº 5250803 Agenciamento de Cargas, exceto para o Transporte Marítimo; CNAE nº 5250804 Organização Logística de Transporte de Carga), consideradas vedadas para sua permanência no regime simplificado, conforme consta do “Histórico dos Eventos pelo Simples Nacional” (fls. 24), extraído do Portal do Simples Nacional. II) Da contestação à exclusão 2. Inconformada, apresentou a interessada, em 11/03/2014, a contestação de fls. 02/03, instruída com os documentos de fls. 04/22, por meio da qual requereu o seu reenquadramento no SIMPLES NACIONAL, a partir de 31/12/2012, pelos seguintes motivos: 2.1. a sua exclusão deveuse a ato arbitrário, alheio à sua vontade, pois não incorreu em nenhuma vedação expressa no art. 3º e art. 17, §§ I a XIV, da Lei Complementar nº 123/2006, art. 15, incisos I a XV, da Resolução CGSN nº 94/2011, e Lei nº 5.172/1972; 2.2. efetuou mudança de natureza jurídica em 05/12/2012, passando de empresário para sociedade empresária limitada, tendo o CNAE nº 49302/02 como atividade principal, conforme documentos anexos, não infringindo, pois, o disposto na Lei Complementar nº 127/2007, art. 18, § 5º, incisos II e VI; 2.3. sua situação está regular perante todas as autarquias e não possui débitos que o impeçam de optar pelo Simples Nacional. III) Do Despacho Decisório 3. Apreciando a reclamação apresentada, a DRF/SANTO ANDRÉSP proferiu o Despacho Decisório nº 118, de 02/05/2014 (fls. 27/28), por meio do qual manteve a exclusão da interessada do Simples Nacional, a partir de 01/01/2013, pelos seguintes motivos: 3.1. a empresa foi excluída do Simples Nacional a partir de 01/01/2013 após informar à Receita Federal a alteração contratual registrada na JUCESP em 05/12/2012, que contém, em sua redação, a inclusão das atividades 05250 8/03 – Agenciamento de Cargas, exceto para o Transporte Marítimo, e 052508/04 – Organização Logística de Transporte de Carga, ambas impeditivas ao Simples Nacional; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10805.720766/201414 Acórdão n.º 1001000.364 S1C0T1 Fl. 115 3 3.2. após a análise dos fatos e dos dados dos sistemas da Receita Federal, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e do Portal do Simples Nacional, constatouse, conforme consulta ao cadastro CNPJ efetuada em 29/04/2014, que as duas atividades vedadas ao Simples Nacional mencionadas ainda são desenvolvidas pela empresa (fls. 25/26). IV) Da manifestação de inconformidade 4. Irresignada com os termos do Despacho Decisório, do qual tomou ciência em 12/05/2014 (AR, fls. 30), interpôs a interessada, em 04/06/2014, a manifestação de inconformidade de fls. 33/37, instruída com os documentos de fls. 38/54, para requerer a sua reintegração ao regime, a partir de 01/01/2013, alegando, em síntese, que: 4.1. inscrita no CNPJ desde 19/10/2010, passou a constituir o tipo jurídico Sociedade Limitada em 04/10/2012, com a atividade principal de Transporte Rodoviário de Carga; 4.2. na consolidação do Contrato Social em 20/06/2013 manteve a atividade econômica principal; 4.3. a Instrução Normativa nº 811 e a Resolução CGSN nº 94/2011, que fundamentam sua exclusão do regime, determinam a suspensão dos efeitos com a discussão da matéria; 4.4. embora as atividades econômicas secundárias – CNAE nº 52.50 803 e nº 52.50804 – se enquadrem nas atividades vedadas do art. 3º e do art. 17, §§ I a XIV, da Lei Complementar nº 123/2006, e art. 15, incisos I a XIV, da Resolução CGSN nº 94/2011, a atividade principal e única desenvolvida pela recorrente, código CNAE nº 49.30202, efetivamente não é vedada ao Simples Nacional; 4.5. o simples fato de constar no cadastro o código de atividades vedadas ao Simples Nacional não pode equivaler ao exercício da atividade, pois, se fosse assim, por analogia, o simples fato de possibilitar a prestação do serviço seria considerado fato gerador, gerando, consequentemente, imposto devido; 4.6. nunca exerceu as atividades secundárias acima mencionadas, não obstante constar equivocadamente do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, devendo ser ressaltado, que providências já foram tomadas através de requerimento de adequação do objeto social e exclusão das atividades secundárias do referido cadastro; 4.7. deveria o Fisco aguardar o encerramento da discussão para, somente após aplicar o Ato Declaratório com base na suposta infringência ocorrida, uma vez que a decisão do Sr. Delegado não é absoluta, visto que lhe foi oferecido o prazo de 30 dias para apresentar defesa; 4.8. oferecido esse prazo, o efeito da exclusão é suspenso, não sendo observado o estatuído no inciso IX do art. 170 e art. 179, ambos da Constituição Federal; 4.9. mesmo apresentando sua impugnação, não logrou conseguir suspender os efeitos do ato do Sr. Delegado da Receita Federal de Santo André, contrariando dispositivos legais a que está vinculado e violando normas constitucionais; 4.10. em suma: a) antes de ser suspensa, a empresa não foi notificada para comprovação da atividade efetivamente exercida; b) a suspensão de ofício equivale ao cerceamento do direito de defesa; e c) a única atividade Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10805.720766/201414 Acórdão n.º 1001000.364 S1C0T1 Fl. 116 4 realmente exercida é aquela descrita no CNAE 49.30202, que não é vedada ao Simples Nacional, conforme DACTE, DANFE e DAMDF anexos (fls. 52/54); 4.11. protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos. A DRJ indeferiu o pedido de reinclusão da interessada no Simples Nacional, a partir de 01/01/2013 e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 05/12/2012 ALTERAÇÃO DO CNPJ. INCLUSÃO DE ATIVIDADE VEDADA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA POR COMUNICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. EQUIPARAÇÃO. A inclusão no Contrato Social da ME da atividade “Organização Logística do Transporte de Carga”, considerada vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente pessoalmente da decisão de primeira instância em 23/06/2015, conforme documento à efl. 73, a interessada apresentou recurso voluntário em 26/06/2015 (e fls. 77/109), conforme Termo de Solicitação de Juntada à efl. 76. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente inicialmente alega que adequou o seu objeto social com a exclusão das atividades vedadas e alterou sua razão social com a exclusão da nomenclatura "logística". Reitera as alegações trazidas em sede de primeira instância, ou seja, que "o simples fato de constar no cadastro o código de atividades vedadas ao Simples Nacional não pode equivaler ao exercício da atividade", e que nunca exerceu as atividades secundárias, que constavam, equivocadamente, no CNPJ. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10805.720766/201414 Acórdão n.º 1001000.364 S1C0T1 Fl. 117 5 Alega, ainda, que as regras do Simples foram alteradas em 2014 pela Lei Complementar 147, onde "o critério para adesão deixa de ser a atividade exercida e passa a ser o faturamento da empresa". A recorrente cita decisões do CARF com julgados favoráveis à sua tese, de que a fiscalização deve comprovar que a atividade proibida foi efetivamente exercida e dela obteve faturamento, "não bastando a mera descrição no contrato" e que apresentou as notas fiscais para comprovar que não exerceu a atividade. Por fim, alega que a exclusão de ofício, sem efeito suspensivo, contrariou dispositivos constitucionais e causou o cerceamento do direito de defesa. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa Quanto a alegação de que a exclusão de ofício, sem efeito suspensivo, contrariou dispositivos constitucionais e causou o cerceamento do direito de defesa, o art. 30, da Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece a forma de exclusão do Simples Nacional, não havendo previsão legal para o envio de notificação aos contribuintes para lhes dar ciência sobre uma exclusão causada por inclusão de atividade vedada em seu objeto social. Conforme se visualiza nas peças do presente processo, não há dúvida de que foi concedido à recorrente o amplo direito de se defender em relação à sua exclusão do regime, com a apresentação da manifestação de inconformidade e, posteriormente, mediante o presente recurso voluntário. Outrossim, a apresentação da manifestação de inconformidade suspendeu os efeitos da exclusão do Simples Nacional até o julgamento definitivo da matéria na instância administrativa. Rejeito, portanto, a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Do mérito da exclusão do Simples Nacional O centro da discussão diz respeito ao que deve preponderar, se a informação prestada pelo contribuinte, quando de sua alteração cadastral, ou a realidade por ele alegada, no sentido de nunca haver exercido a atividade, equivocadamente informada por ocasião da referida modificação que efetivou em seu cadastro. A legislação invocada pela autoridade fiscal mostrase plenamente compatível com a medida adotada pelo contribuinte, senão vejamos: (grifos não constam do original) LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2006 Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10805.720766/201414 Acórdão n.º 1001000.364 S1C0T1 Fl. 118 6 II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] § 1o A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: [...] II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; [...] § 3º A alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à Secretaria da Receita Federal do Brasil, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional nas seguintes hipóteses: [...] II inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional; [...] RESOLUÇÃO COMITÊ GESTOR DO SIMPLES NACIONAL Nº 94, DE 2011 Art. 8º Serão utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, para verificar se a ME ou EPP atende aos requisitos pertinentes. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1º O Anexo VI relaciona os códigos da CNAE impeditivos ao Simples Nacional. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) À luz das normas apresentadas, a alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à Secretaria da Receita Federal do Brasil, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional, na hipótese de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional, sendo utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, para verificar se a ME ou EPP atende aos requisitos pertinentes, sendo de se ressaltar, ainda, que o Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2006, relaciona os códigos da CNAE impeditivos na sistemática do Simples Nacional. Outrossim, está bem claro no Perguntas e Respostas do Simples Nacional, coletânea de diversas orientações do Comitê Gestor do Simples Nacional, que se houver no contrato social da empresa alguma atividade impeditiva, constante do Anexo VI da Resolução nº 94, de 2011, mesmo que não a exerça, estará impedida de optar por esse sistema diferenciado de tributação: (grifos não constam do original) 2.4. AS MICROEMPRESAS (ME) E AS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (EPP) QUE EXERÇAM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, SENDO APENAS UMA DELAS VEDADA E DE POUCA REPRESENTATIVIDADE NO TOTAL DAS RECEITAS, PODEM OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não poderão optar pelo Simples Nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada (ver Pergunta 2.2), Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10805.720766/201414 Acórdão n.º 1001000.364 S1C0T1 Fl. 119 7 independentemente da relevância da atividade impeditiva e de eventual omissão do contrato social. 2.5. SE CONSTAR DO CONTRATO SOCIAL ALGUMA ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, AINDA QUE NÃO VENHA A EXERCÊLA, TAL FATO É MOTIVO DE IMPEDIMENTO À OPÇÃO? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VII da Resolução CGSN nº 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que declare, no momento da opção, que exerce apenas atividades permitidas. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (ver Pergunta 2.2). 2.6. A ME OU A EPP INSCRITA NO CNPJ COM CÓDIGO CNAE CORRESPONDENTE A UMA ATIVIDADE ECONÔMICA SECUNDÁRIA VEDADA PODE OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não. A Lei Complementar nº 123, de 2006, prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo Simples Nacional. Elas correspondem a códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) estabelecidas por uma Comissão do IBGE. Os códigos CNAE impeditivos ao Simples Nacional estão listados no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, e os códigos CNAE que abrangem concomitantemente atividades impeditivas e permitidas (CNAE ambíguas) constam do Anexo VII da mesma Resolução ver Pergunta 2.5. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo Simples Nacional, bem como a sua permanência no Regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. A despeito da alegação de erro de fato, dado que nunca exerceu a atividade, a recorrente não logrou êxito em comprovar tal equivoco. Quanto ao ônus da prova, vejamos a legislação pertinente: DECRETO Nº 70.235, DE 1972 PAF Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10805.720766/201414 Acórdão n.º 1001000.364 S1C0T1 Fl. 120 8 [...]LEI Nº 9.784, DE 1998 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. LEI Nº 5.869, DE 1973 CPF Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Portanto, correta foi a exclusão do Simples Nacional. Quanto à alegação de que as regras do Simples foram alteradas pela Lei Complementar 147 de 2014, a recorrente não indica objetivamente o dispositivo da lei. Não obstante a vaga citação, cabe comentar que foi aplicado ao caso a lei vigente à época dos fatos (artigo 144 do CTN). Quanto à jurisprudência citada, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. O mesmo ocorre em relação à doutrina citada, a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Por todo o exposto, voto por REJEITAR A PRELIMINAR de cerceamento do direito de defesa e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Declaração de Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator de declaração de voto Acompanho o relator pelas conclusões. Infiro que os efeitos do recurso devem ser analisados diversamente. Para os casos de exclusão espontânea, e já que não se trata de exclusão de ofício, os efeitos da exclusão darseão a partir da situação impeditiva (na forma do art. 30, II c/c art. 31, II da LC 123/2006) sem já considerar que poderia haver recurso, com um consequente efeito suspensivo. Isto porque o § 3º, II do art. 30 citado prescreve que a alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à Secretaria da Receita Federal do Brasil, equivale à Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10805.720766/201414 Acórdão n.º 1001000.364 S1C0T1 Fl. 121 9 comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional na hipótese (entre outras) de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. Entendo que os dois atos, "alteração" e "comunicação", são atos do contribuinte, e não atos de ofício. Desta forma, o art. 39 da mesma LC 123/06 não permitiria suspensão dos efeitos da exclusão, já que a exclusão por ato da pessoa jurídica não estaria abarcada em seu caput. Observo que quando não se trata de ato com previsão de "equivalência" (§ 3º, II do art. 30), como por exemplo a exclusão por ultrapassagem, no anocalendário, do limite de receita bruta (art. 30, III e IV), há a previsão do processo administrativo fiscal, com seus efeitos suspensivos (art. 39 da mesma LC 123/06). (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.001216/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1994 a 31/07/1995
DEVEDOR SOLIDÁRIO. IMPUGNAÇÃO NÃO APRECIADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. JULGAMENTO NA SEGUNDA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE.
Constatada impugnação apresentada tempestivamente pelo devedor solidário e não apreciada pela instância julgadora de primeira instância, impõe-se a decretação de nulidade da decisão a quo, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, para que outra seja proferida com a devida apreciação, também, da impugnação do devedor solidário.
Numero da decisão: 2402-006.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância administrativa, retornando-se os autos à instância julgadora a quo para que seja também analisada a impugnação da empresa ECMAN ENGENHARIA COMÉRCIO MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÕES DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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IMPUGNAÇÃO NÃO APRECIADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. JULGAMENTO NA SEGUNDA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. Constatada impugnação apresentada tempestivamente pelo devedor solidário e não apreciada pela instância julgadora de primeira instância, impõese a decretação de nulidade da decisão a quo, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, para que outra seja proferida com a devida apreciação, também, da impugnação do devedor solidário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 16 /2 00 7- 68 Fl. 969DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância administrativa, retornandose os autos à instância julgadora a quo para que seja também analisada a impugnação da empresa ECMAN ENGENHARIA COMÉRCIO MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÕES DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13502.001216/200768 Acórdão n.º 2402006.053 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 481/527) em face do Acórdão n. 15 16.390 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR efls. 455/468 que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 37.054.6580 consolidado e constituído em 30/01/2007 no valor total de R$ 27.437,30 Competências: 05/1994 a 07/1995 (efls. 05/75), com fulcro nas contribuições sociais devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 20 e 22, I, da Lei n. 8.212/91, e naquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), nos termos do art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, todas decorrentes de responsabilidade tributária, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 135/167. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 135/167), a NFLD DEBCAD n. 37.054.6580, em litígio, substituiu a NFLD DEBCAD n. 32.615.9975, de 18/12/1998, declarada nula por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 2421, de 15/10/2003. O crédito tributário em apreço foi lançado, conforme informado no Relatório Fiscal (efls. 135/167), em virtude da utilização de prestação de serviços remunerados de construção civil realizados por pessoas físicas vinculadas à empresa ECMAN ENGENHARIA S/A (ex ECMAN ENGENHARIA COMÉRCIO MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÕES DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA.) CNPJ 13.286.323/000135 entre 05/1994 e 07/1995, havendo por fato gerador da contribuição previdenciária a remuneração aferida através das notas fiscais referentes às atividades de construção civil emitidas pela retrocitada empresa. O lançamento em lide foi efetuado em face da CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 (contribuinte fiscalizado), havendo a empresa ECMAN ENGENHARIA S/A (ex ECMAN ENGENHARIA COMÉRCIO MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÕES DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA.) CNPJ 13.286.323/000135 sido qualificada devedor solidário. Irresignado com o lançamento, o contribuinte fiscalizado CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 apresentou a impugnação de efls. 393/431, julgada improcedente pela DRJ/SDR, nos termos do Acórdão n. 1516.390 (efls. 455/468), sumarizado na ementa abaixo transcrita: Fl. 971DF CARF MF 4 Por sua vez, a ECMAN ENGENHARIA S/A (ex ECMAN ENGENHARIA COMÉRCIO MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÕES DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA.) CNPJ 13.286.323/000135 também apresentou, em 21/12/2007, impugnação efls. 02/09 do processo administrativo fiscal n. 10580.014271/200705 (em apenso) parcialmente reproduzida às efls. 559/565, deste processo , que, todavia, não foi apreciada pela DRJ/SDR, que afirma no Acórdão n. 1516.390 (efls. 455/468) que "a empresa prestadora de serviços não apresentou impugnação, consequentemente não trouxe nenhum documento que demonstrasse o montante real das contribuições devidas". É relevante destacar que a impugnação do devedor solidário ECMAN ENGENHARIA S/A (ex ECMAN ENGENHARIA COMÉRCIO MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÕES DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA.) CNPJ 13.286.323/000135 (efls. 02/09 do processo administrativo fiscal n. 10580.014271/200705, em apenso) é tempestiva, vez que foi protocolizada em 21/12/2007 e a ciência do impugnante ocorreu em 23/11/2007 (efls. 445/447 deste processo). Entretanto, consoante despacho de encaminhamento de efl. 172 (processo administrativo fiscal n. 10580.014271/200705 em apenso), a razão da não apreciação da Fl. 972DF CARF MF Processo nº 13502.001216/200768 Acórdão n.º 2402006.053 S2C4T2 Fl. 103 5 impugnação do devedor solidário ECMAN ENGENHARIA S/A CNPJ 13.286.323/000135 reside no seu envio tardio à DRJ/SDR, que só ocorreu após o julgamento consubstanciado no Acórdão n. 1516.390 (efls. 455/468). A Recorrente (contribuinte fiscalizado CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108) foi cientificada do teor do Acórdão n. 1516.390 (efls. 455/468) em 21/08/2008 (efl. 473), e, inconformada, apresentou, em 19/09/2008, o Recurso Voluntário de efls. 481/527, tempestivo, portanto, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos que nortearam a impugnação de efls. 393/431. A empresa ECMAN ENGENHARIA S/A (ex ECMAN ENGENHARIA COMÉRCIO MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÕES DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA.) CNPJ 13.286.323/000135 (devedor solidário), foi igualmente notificada em 22/08/2008 (efl. 475), mas não apresentou recurso voluntário, pelas razões já informadas. A seu turno, a pessoa jurídica PARANAPANEMA S/A, sucessora por incorporação universal de CARAÍBA METAIS S/A, atravessou petição às efls. 934/938 requerendo o julgamento de todos os recursos voluntários da empresa sucedida em uma só assentada, e, às efls. 959/964, reitera o recurso voluntário de efls. 481/527, inclusive julgamento com urgência. É relevante destacar que não constam dos autos a NFLD DEBCAD n. 32.615.9975 (com o respectivo relatório fiscal) que foi substituída pela NFLD DEBCAD n. 37.054.6580, objeto deste litígio , bem assim o Acórdão n. 2421, de 15/10/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) com a respectiva ciência do recorrente (contribuinte fiscalizado) , que decretou a sua nulidade. É o relatório. Fl. 973DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 481/527) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, o Acórdão n. 1516.390 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR efls. 455/468 apreciou apenas a impugnação do contribuinte fiscalizado (CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108), deixando de julgar a impugnação do devedor solidário (ECMAN ENGENHARIA S/A ex ECMAN ENGENHARIA COMÉRCIO MANUTENÇÃO E REPRESENTAÇÕES DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. CNPJ 13.286.323/000135), apresentada tempestivamente (ciência da NFLD DEBCAD n. 37.054.6580 em 23/11/2007 efls. 445/447 deste processo), na data de 21/12/2007, no âmbito do processo administrativo fiscal n. 10580.014271/200705 efls. 02/09 (em apenso), e parcialmente reproduzida às efls. 559/565, deste processo. Destarte, verificase, de plano, que, no caso concreto, a decisão consubstanciada no Acórdão n. 1516.390 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR efls. 455/468 não abrange a impugnação apresentada tempestivamente pelo devedor solidário (ECMAN ENGENHARIA S/A) no âmbito do processo administrativo fiscal n. 10580.014271/200705 efls. 02/09 (em apenso), caracterizandose cerceamento de defesa, com espeque no art. 59, II, in fine, do Decreto n. 70.235/72. Ante o exposto, voto por decretar a nulidade da decisão a quo, abrigada no Acórdão n. 1516.390 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR efls. 455/468, com espeque no art. 59, II, in fine, do Decreto n. 70.235/72, devendo outra decisão ser proferida com a devida apreciação, também, da impugnação apresentada tempestivamente pelo devedor solidário (ECMAN ENGENHARIA S/A) no âmbito do processo administrativo fiscal n. 10580.014271/200705 efls. 02/09 (em apenso). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 974DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720010/2011-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
AUTO DE INFRAÇÃO DE MULTA. REQUISITOS DE FUNDAMENTAÇÃO. CANCELAMENTO.
Cancela-se lançamento cuja fundamentação revela-se frágil diante das provas dos autos. A acusação fiscal deve vir amparada de provas e relatório compatível com as provas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: Marcelo Giovani Vieira
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REQUISITOS DE FUNDAMENTAÇÃO. CANCELAMENTO. Cancelase lançamento cuja fundamentação revelase frágil diante das provas dos autos. A acusação fiscal deve vir amparada de provas e relatório compatível com as provas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 00 10 /2 01 1- 26 Fl. 423DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração de multa por falta de fornecimento, no prazo estabelecido, de arquivos digitais, no valor de R$ 4.036.386,51, lavrado pelo AuditorFiscal Eduardo Araújo Cardoso, conforme relato e enquadramento legal à fl. 215. A empresa impugnou a exigência, sustentando: que não haveria suporte fático para a imputação da penalidade; que cumpriu as solicitações do AuditorFiscal; que os arquivos entregues em 11/05/2009 continham saldos de lançamentos contábeis, saldos mensais, tabelas de planos de contas e centros de custos e serviços; que os arquivos não foram validados por incompatibilidades técnicas, e que após dilação de prazo a empresa apresentara arquivos na forma solicitada ainda no curso do procedimento administrativo; requer diligência para aferição da autenticidade e do conteúdo dos documentos entregues; que haveria incertezas quanto ao enquadramento legal da penalidade aplicada, por haver mais de um dispositivo legal punitivo na descrição no Auto de Infração (art. 72, III da MP 2.15835/2001 e art. 57, I da mesma MP), e da base de cálculo aplicada, prejudicandolhe a defesa e ensejando a nulidade do lançamento; que o autuante não indicou qual o inciso do art. 12 da Lei 8.218/91 estaria aplicando; que o formato dos arquivos seria maleável, cf. IN SRF 86/2001; que a penalidade para o caso seria aquela prevista no art. 57, I da MP 2.15835/2001; que a punição seria desarrazoada nesse montante, padecendo de inconstitucionalidade a atribuição de base de cálculo no valor da receita bruta, por falta de vínculo com a infração. A DRJ/Rio de Janeiro I/RJ – 5ª Turma, por meio do acórdão 1253.174, de 25/02/2013, decidiu pela improcedência da Impugnação. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA ISOLADA. AUDITORIA DIGITAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS OU INOBSERVÂNCIA AO PRAZO PARAAPRESENTAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A não apresentação de arquivos digitais, ou a inobservância ao prazo em que devem ser apresentados, acarreta a imposição de multa de dois centésimos por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica do anocalendário a que se referem os arquivos exigidos, por dia de atraso, limitados ao percentual de um por cento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10073.720010/201126 Acórdão n.º 3201003.256 S3C2T1 Fl. 423 3 No Recurso Voluntário a empresa reitera os argumentos da Impugnação. Em 12/03/2014 a 2º Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção converteu o julgamento em diligência, para intimar a parte a regularizar a representação processual. Em 10/08/2016 a mesma Turma, por meio do acórdão 1302001.957, declinou de sua competência em favor da 3ª Seção. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA. AUDITORIA DIGITAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS. LIVROS DE APURAÇÃO DO IPI. É da competência da Terceira Seção do CARF o julgamento de recurso em face de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa ao IPI. O processo então foi a mim sorteado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo. Os arquivos que geraram a penalidade se referem a arquivos contábeis, e, portanto, não se relacionam exclusivamente com IPI, conforme as intimações de fls. 55 e 131. Além disso, tais intimações foram feitas em âmbito de diligência para coleta de dados, antes – em 2009 do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIF do presente processo, fl. 3, que é de 2010. Não obstante, considerando que o TIF é relativo a fiscalização de IPI, e que a multa foi lançada nesse âmbito, conforme número de MPF à fl. 214, reconheço a competência desta Turma para julgamento e tomo conhecimento do recurso. Mérito A empresa foi intimada a apresentar arquivos digitais contábeis em formato oficial, tendo recebido a intimação em 17/04/2009 (Intimação à fl. 55, AR à fl. 58). Em 11/05/2009 a empresa entrega parte dos arquivos, informando que o período faltante – 01/2007 a 09/2007 – teve problemas de validação e não foi apresentado. Apresenta, não obstante, um arquivo digital não validado (fl. 64). Fl. 425DF CARF MF 4 Em 14/08/2009 a empresa foi reintimada (fl. 131) a apresentar os mesmos arquivos, com ciência em 17/08/2009 (fl. 136). Em 03/09/2009 apresenta arquivos de 10/2007 a 12/2008 (fl. 145 e 147). À fls. 205/206 consta recibo de entrega de arquivos digitais do período de 01/2007 a 09/2007, com data de entrega em 14/09/2009. O recibo utilizado é aquele emitido pelo próprio sistema de validação, o que permite inferir que tais arquivos foram validados. Constam também, nesses recibos, os arquivos denominados “Item 3 Relac impostos”. Em 25/11/2009 o AuditorFiscal encerra a diligência para a coleta dos arquivos, com ciência em 27/11/2009 (fl. 211). Às fls. 209/210 consta um relatório de teste dos arquivos, onde se constata mensagem de erros nos arquivos, indicando falta de arquivo de contabilidade 01/01/2007 30/09/2007 , e falta de arquivos de mapeamento de tributos e contas. Todavia, tais mensagens são contraditórias com os recibos ! O contribuinte informa, tanto em Impugnação quanto em Recurso Voluntário, que efetivamente teria entregado os arquivos faltantes na data de 14/09/2009, conforme consta nos recibos. O TIF da fiscalização de IPI é de 31/03/2010 (fl. 3), e a ciência do lançamento da multa de que trata o presente processo foi dada em 28/12/2010 (fl. 218). O relato da motivação do lançamento consta somente à fl. 215, neste termos: 001 – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS FALTA/ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS O sujeito passivo não forneceu no prazo estabelecido as informações solicitadas no decorrer do procedimento fiscal do RPF 07.1.05.002009003154, referente a Arquivos Digitais, através dos termos de intimação fiscais de 14/04/2009 e 14/08/2009, ficando sujeito à multa de 1% sobre a receita bruta do período, anocalendário 2007 (R$ 4.036.386,51), conforme preconiza o artigo 12 da Lei 8.218, de 29/08/1991, com redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória 2.15835, de 24/08/2001.” Em vista de todo esse contexto fático, não houve fundamentação válida para o lançamento. O relatório que indica a ausência de arquivos, de 22/09/2009, não tem comprovação de ciência ao contribuinte, e é contraditado pelos recibos e pelas afirmações do contribuinte. Eventuais erros dos arquivos não foram objeto de tratamento e dialética entre o Fisco e o contribuinte. Caso os erros fossem vultosos e insanáveis, a recorrente deveria ter sido novamente cientificada dessa constatação. Portanto, a acusação fiscal, em si – falta de entrega de arquivos – é desamparada pelo conjunto probatório. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a multa aplicada, por falta de fundamentação válida. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10073.720010/201126 Acórdão n.º 3201003.256 S3C2T1 Fl. 424 5 Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005712/2008-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO.
Requerimento de desistência do recurso apresentada por contribuinte em cumprimento ás formalidades do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09.
Hipótese em que deve-se declarar a definitividade do crédito tributário face a desistência do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. Requerimento de desistência do recurso apresentada por contribuinte em cumprimento ás formalidades do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Hipótese em que deve-se declarar a definitividade do crédito tributário face a desistência do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. Requerimento de desistência do recurso apresentada por contribuinte em cumprimento ás formalidades do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Hipótese em que devese declarar a definitividade do crédito tributário face a desistência do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 57 12 /2 00 8- 17 Fl. 507DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração, AI 37.185.1548, referente a contribuições sociais dos segurados empregados devidas a outras entidades terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, atinentes ao período abrangido pelas competências 01/2003 a 12/2003. O presente lançamento foi efetuado por aferição indireta, tendo em vista que a empresa não disponibilizou os documentos solicitados, tendo sido considerados como salário de contribuição as verbas de despesas operacionais com prestação de serviços por pessoa física sem vínculo empregatício, despesas diversas, assistência médica, auxílio alimentação sem comprovação de adesão ao Programa de Alimentação Trabalhador, viagens e estadias, e pró labore. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária manteve em parte o lançamento. O Colegiado a quo, por meio do acórdão 2403002.537, entendeu pela decadência do lançamento até a competência 08/2003, inclusive, com base na art.150, § 4º, CTN, e no mérito afastou a tributação sobre o auxílio alimentação e determinou o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61 da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Em sede de Recurso Especial, a Fazenda Nacional, juntado os paradigmas necessários, traz para debate a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas. Requer seja dado total provimento ao recurso, para que seja esposada a tese de que a multa mais benéfica deve ser verificada a partir da comparação entre: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Intimado o Contribuinte apresenta petição de efls. 494/495 por meio da qual comunica a inclusão de débitos no programa de parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.005712/200817 Acórdão n.º 9202006.598 CSRFT2 Fl. 508 3 O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em que pese o objetivo do recurso seja a discussão dos critérios utilizados pelo acórdão para aplicação da retroatividade benigna de norma, haja vista as alterações promovidas pela MP 449/08 em dispositivos da Lei nº 8.212/91, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. O contribuinte, em resposta à ciência do acórdão recorrido e respectivo Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apresentou petição por meio da qual comunica o parcelamento dos débitos relativos aos processos 19515.005710/200810, 19515.005711/200864 e 19515.005712/200817, segundo as regras instituídas pela Lei nº 11.941/2009. Eis o conteúdo do citado documento: Vale destacar que após a apresentação da petição citada, o Contribuinte foi intimado para ratificar as informações prestadas sobre o parcelamento tendo permanecido silente. Tal fato, a meu ver, não invalida a declaração inicialmente juntada e por meio da qual houve a confissão de adesão ao pedido de parcelamento. O artigo 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao fixar como critério formal para adesão ao parcelamento instituído a renúncia por parte do contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o teor do citado artigo: Fl. 509DF CARF MF 4 Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. Diante disto não há mais o qualquer litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que fixado pelo auto de infração. Importante mencionar que ao desistir da ação e solicitar o parcelamento do débito esse foi realizado com base exatamente nos valores apurados por meio do lançamento realizado pelo Fisco ou seja, o contribuinte já pagou ou está pagamento o principal e as multas ainda que com benefícios segundo os critérios do fiscal, e no caso das multas, o critério do fiscal é exatamente o critério apontado pela Fazenda Nacional no presente recurso como correto. Por todo o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
