Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.001332/2006-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.001332/2006-62
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869671
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.657
nome_arquivo_s : Decisao_16327001332200662.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 16327001332200662_5869671.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7324236
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311639171072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.550 1 1.549 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001332/200662 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.657 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2018 Assunto DCOMP Recorrente ITAU UNIBANCO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 33 2/ 20 06 -6 2 Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.551 2 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 1792 a 1800) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP (fls. 1754 a 1776) que julgou totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 1452 a 1464), mantendo integralmente r. Despacho Decisório (fls. 1312 a 1340), que apenas homologou parte da compensação pretendida nas seguintes DCOMPs transmitidas (vide fls. 15 a 172): Em breve resumo preliminar, o presente processo versa sobre Compensações referentes a crédito de IRPJ verificado pelo saldo negativo apurado pelo Contribuinte no ano calendário de 2004, formado através de retenções na fonte, em diversas modalidades, e antecipações do tributo devido. Em sede do r. Despacho Decisório, do total de R$ 137.055.800,64 pretendidos pelo ora Recorrente, foi homologado R$ 118.783.952,53: Considerando o crédito de IRPJ confirmado no item 4.5 desse Despacho Decisório, no valor de R$ 118.783.952,53, PROPONHO 1) A HOMOLOGAÇÃO TOTAL das compensações declaradas nos PER/DCOMP 31493.52911.280307.1.7.023182 e 22131.69132.150305.1.3.020967 As fls. 531/538 e 523/526; Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.552 3 2) A HOMOLOGAÇÃO PARCIAL da compensação declarada no PER/DCOMP 18583.42361.230305.1.3.029058 As fls. 527/530 e a NÃO HOMOLOGAÇÃO do saldo não compensado de R$ 14.036.988,46; 3) A NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas nos PER/DCOMP 40 02933.65068.131006.1.3.020635 e 32389.08004.200308.1.3.029091 As fls. 543/546 e 539/542. Ofertada e processada Manifestação de Inconformidade, a DRJ a quo, dando provimento parcial a tal defesa, homologou adicionalmente o valor de R$ 812.223,61, referentes ao IRRF incidente sobre pagamentos para órgãos públicos. A parcela remanescente de R$ 17.459.623,01, controversa a partir do Recurso Voluntário, em suma dividese nos temas de 1) estimativas de IRPJ, suspensas e afetadas por Ação judicial, 2) ausência de comprovação de oferta à tributação das receitas correspondentes e registro contábil do IRRF, supostamente omitido nas DIRFs apresentadas pelas Fontes Pagadoras e 3) ausência da prova de cômputo integral no cálculo do lucro real do lucro das filiais e coligadas do exterior, criando óbice para o aproveitamento do IRRF (cod. 0481), incidente sobre "juros e comissões" remetidos a tais estabelecimentos. Tendo em vista que tratase de retorno de diligência, anteriormente determinada através do v. Resolução nº 1202000.210 (fls. 1906 a 1913), exarada pela extinta C. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, adoto, a seguir, trechos do seu preciso relatório: Tratase de examinar pedidos de restituição e compensação PER/DCOMPs, de fls. 516 a 546, tendo como origem do crédito o saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2004, no valor de R$ 137.055.800,64. O valor do saldo negativo do IRPJ que foi informado na DIPJ/2005 é de R$ 127.755.490,95, fls. 560. O Despacho Decisório que examinou os pedidos foi emitido pela DEINF/São Paulo, que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 118.783.952,53, e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido, fls. 637 a 651. A diferença apontada decorreu pelos seguintes motivos: 1 desconsideração das estimativas do IRPJ com exigibilidade suspensa, face a impetração de ações judiciais no Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0569236 e nº 2000.03.00.0111970, que foram deduzidas do IRPJ informado na DIPJ, no valor de R$ 4.064.929,59; 2comprovação a menor do IRRF confrontado com os registros do SIEF DIRF, por código de recolhimento (1708, 8045, 5706, 6188), apurando Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.553 4 o IRRF confirmado no valor total de R$ 17.357.753,42, de um total de R$ 22.778.163,77 informado na DIPJ (fls.646); Em conseqüência, os valores de saldo negativo do IRPJ apurado pela autoridade administrativa ficou assim discriminado (fls.649): Contra essa decisão foi apresentada manifestação de inconformidade de fls. 707/712, acompanhada dos documentos de fls. 712/800 e 803/840, em que apresenta os argumentos sintetizados no Acórdão nº 1621674 da DRJ/São Paulo I, que transcrevo em parte e passo a adotar: “ a diferença apontada pela fiscalização entre o valor do crédito pleiteado pela contribuinte (R$ 137.055.800,62) e aquele apurado pela autoridade fiscal (R$ 127.755.490,95) é decorrente de equívocos no preenchimento da DIPJ/05, que após os ajustes necessários será retificada pela Manifestante e passará a contemplar um saldo passível de compensação no total de R$ 138.662.459,14 (doc. 3 — fls. 737 a 739); [...] a fiscalização ao proferir o despacho decisório em análise está impedindo o contribuinte de se beneficiar dos efeitos pleiteados em juízo. Portanto, ainda que as medidas judiciais se encontrem pendentes de decisão definitiva, os valores não poderiam ser retidos como garantia até a decisão final, haja vista que o crédito tributário ainda não foi analisado. Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.554 5 a que a fiscalização indeferiu parte dos valores relativos ao imposto de renda na fonte, sob a alegação de que não foram apresentadas cópias autenticadas dos informes de rendimentos, não tendo fundamentado na legislação a obrigatoriedade de autenticação das cópias. Não obstante, a contribuinte apresenta a cópia autenticada dos referidos informes (doc. 4 — fls. 741 a 763) ; a manifestante não pode ser responsabilizada pelo preenchimento equivocado das DIRFs pelas Fontes Pagadoras e também não pode apresentar qualquer documentação ou contestação que justifique a divergência de valores entre DIRFs e informes, cujos preenchimentos são de responsabilidade das empresas que retiveram o imposto; em relação ao questionamento acerca do valor de R$ 812.223,61, referente retenção na fonte sobre pagamentos a órgãos públicos, deve ser cancelada a exigência uma vez que foi devidamente efetuado, como se comprova mediante a cópia do informe de rendimentos e da declaração do INSS, informando que o valor constante do referido informe está em consonância com os registros do próprio INSS (doc. 5 fls. 764/765); no que concerne ao IRRF a compensar — código 0481 equivocouse a fiscalização ao argumentar que não foi possível a identificação da situação fática e da correspondente norma legal pela qual os recolhimentos seriam indevidos ou pagos a maior, pois apresentou cópia de todos os DARFs recolhidos sob o código 0481, cuja correspondente definição fornecida pela própria Receita Federal é "Juros e Comissões em Geral"; a contribuinte verificou a existência de novos DARFs que serão utilizados para a composição do SN IRPJ do anocalendário de 2004 (doc. 06 — fls. 766/800 e 803/832; [...] não há que se falar em pagamento efetuado indevidamente ou em montante superior ao devido, mas em pagamento efetuado a países que possuem tributação favorecida, portanto, pagamentos sujeitos a retenção de imposto na fonte, passível de compensação, nos termos do disposto no artigo 9° da Medida Provisória 2.15835/ 01; Está correto o entendimento da fiscalização em relação ao não reconhecimento do direito creditório do valor de R$ 32.113,59, sob a argumentação de que "a compensação do imposto de renda pago no exterior é limitada ao valor do imposto de renda, incidente no Brasil, sobre a referida receita de prestação de serviços".” Na seqüência foi emitido o Acórdão nº 1621674 da DRJ/São Paulo I, de fls. 856 a 867, reconhecendo o direito creditório complementar, no valor de R$ 812.223,61, com o seguinte ementário: SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. PARCELA DO DIREITO CREDITÓRIO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.555 6 É vedada a restituição/compensação mediante aproveitamento de tributo que não possua o atributo de liquidez e certeza a que alude o artigo 170 do Código Tributário Nacional. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. IRRF. RETENÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES POR AUTARQUIA FEDERAL. COMPROVAÇÃO. Estando devidamente comprovada a retenção de tributos e contribuições por autarquia federal, o valor correspondente ao IRRF retido deverá ser restabelecido para fins do cômputo do saldo negativo do IRPJ. IRRF. REMESSAS PARA 0 EXTERIOR. FILIAL TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. COMPENSAÇÃO. o imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em pais enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei n° 9.430, de 1996, só poderia ser compensado se comprovado que tais rendimentos tenham sido computados na apuração do lucro real e, ainda, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil. Solicitação Deferida em Parte Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: a compensação na declaração DIPJ das estimativas mensais do IRPJ somente podem ser efetuadas com créditos líquidos e certos (art. 170 do CTN). Enquanto não houver trânsito em julgado das ações judiciais em favor do contribuinte, não há possibilidade de aproveitamento dos valores das estimativas discutidas judicialmente (art. 170A do CTN); não haveria óbice quanto à compensação do imposto retido e constante de Informe de Rendimentos fornecido pela Fonte Pagadora, desde que não houvesse dúvida alguma de que o rendimento correspondente tivesse sido oferecido à tributação. Além dos Informes de Rendimentos apresentados o contribuinte deveria indicar em sua contabilidade o registro dos rendimentos correspondentes ao IRRF que deixaram de ser informados (em DIRF) pelas diversas Fontes Pagadoras, correlacionandoos às receitas/rendas da Ficha 06B (Demonstração do Resultado — Inst. Financeiras — fls. 552/553) da DIPJ/2005. Esta comprovação fazse necessária justamente porque o rendimento e correspondente imposto retido não foram devidamente informados pela Fonte Pagadora aos sistemas de controle do Fisco. O ônus da prova de ter oferecido a totalidade da renda tributação cabe ao contribuinte que alega ter sofrido a retenção que não foi objeto de declaração (ainda que em parte). Concluise que os documentos de fls. 741 a 763 são insuficientes para afastar a glosa procedida no valor de R$ 1.246.218,72, conforme reclamado no tópico 6 da impugnação (fls. 710 e 740). Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.556 7 Consulta ao sistema "SIEF/DIRF" apontando como declarante o CNPJ n° 29.979.036/090891 resultou nos extratos de fl. 855, os quais comprovam a retenção de tributos e contribuições federais da interessada pela fonte pagadora no valor total de R$ 2.385.906,84. Destes R$ 2.385.906,84 (que correspondem a 7,05% do Rendimento Tributável —conforme Anexo I A Instrução Normativa SRF no 306, de 12/03/2003), R$ 812.223,61 (que correspondem a aplicação da alíquota de 2,4% sobre o total do rendimento tributável) referemse ao IRRF e encontrase devidamente declarado em DIRF e, consequentemente, comprovado. 0 valor de R$ 812.223,61 deve, portanto, ser computado para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2004. os "Juros e Comissões" foram pagos às filiais, sucursais, controlada ou coligada e deram ensejo aos recolhimentos efetuados sob o código 0481 (anocalendário de 2004). Faltou contudo comprovar que tais "Juros e Comissões" tenham sido computados para fins de determinação do lucro real, conforme determinado pelo artigo 9° da MP n° 2.15835/ 2001 (MP 1.8586/ 1999). Irresignado com a decisão proferida, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, de fls. 875 a 879, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Adicionalmente, alega que retificou a DIPJ anteriormente apresentada para constar como saldo negativo o valor de R$ 138.613.059,72. Como o valor objeto de pedido de compensação foi de R$ 137.055.800,62, a diferença entre esse valor e o atualmente constante na DIPJ retificadora (=R$ 1.557.259,09) será objeto de outro pedido de compensação. Quanto às divergências do IRRF, argumenta que não pode ser responsabilizado pelo preenchimento equivocado das declarações apresentadas pelas fontes pagadoras. Por fim, para comprovar que na apuração do Lucro Real foram computados os "Juros e Comissões"que deram ensejo aos recolhimentos efetuados sob o código 0481, e que compuseram o saldo negativo do IRPJ, anexa a ficha 9B " Demonstração do Lucro Real" onde na linha 04 " Lucros disponibilizados no Exterior" se verifica a adição do valor de R$ 61.862.352,67, cuja composição está explicitada na ficha 43 " Participações no Exterior" (1) R$ 49.356.051,01 + (2) R$ 4.581.543,12 + (3) 7.924.758,54 (doc. 05). Assim, restaria comprovado que a Receita de R$ 49.356,051,01, relativa ao IRRF foi devidamente oferecida à tributação. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazzões ao recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 906 a 918, alegando em síntese: reforça o entendimento de que os valores das estimativas do IRPJ discutidos judicialmente carecem de certeza e liquidez e, portanto, não são passíveis de aproveitamento na composição do saldo negativo desse imposto; quanto aos valores do IRRF, as inconsistências indicadas pelo Fisco e que fundamentaram o não reconhecimento de Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.557 8 parte do IRRF foram devidamente justificadas, e, tratandose de fato constitutivo do direito da contribuinte, em atenção ao artigo 333, I do Código de Processo Civil, caberia a ela o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito pleiteado. no que se refere aos recolhimentos efetuados pelo código 0481, a empresa, mais uma vez, não trouxe aos autos as provas necessárias para que o direito seja reconhecido. Os esclarecimentos apresentados não se revelam suficientes. Os demonstrativos de fls. 331/334 e as cópias dos Darfs às fls. 335/488 apenas comprovam o valor do imposto retido e que supostamente justificariam o crédito ora pleiteado. Porém, não existe qualquer demonstração do valor do principal, ou seja, os rendimentos pagos ou creditados A filial, sucursal, controlada ou coligada, que geraram a retenção na fonte. A cópia da DIPJ anexa ao recurso traz informação do cômputo de R$ 49.356.051,01 na demonstração do lucro real, mas não é possível averiguar se tal montante decorre dos resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, e que este valor engloba os referidos rendimentos anteriormente pagos. Mais uma vez a pretensão da empresa esbarra na deficiência de provas, não podendo ser deferida. É o Relatório. E foram os seguintes os termos da v. Resolução determinada: A controvérsia principal do presente processo diz respeito à verificação da composição do saldo negativo do IRPJ informado na DIPJ do anocalendário de 2004, onde a autoridade administrativa de origem e o acórdão recorrido concluíram que: i) não poderia ocorrer a compensação das estimativas mensais do IRPJ discutido judicialmente; ii) não houve a comprovação integral do IRRF compensado; e iii) não ocorreu a comprovação do oferecimento à tributação dos lucros de filiais, sucursais, coligadas ou controladas e, portanto, não se poderia aproveitar integralmente o IRRF retido (código 0481). Em relação à primeira irregularidade é por demais sabido que os valores discutidos judicialmente não possuem o caráter de certeza e liquidez dos créditos pretendidos em compensação, condições que são exigidas pelo art. 170 do CTN. Além disso, o art. 170A do CTN veda expressamente a compensação dos créditos discutidos judicialmente quando não houver trânsito em julgado da ação judicial correspondente. (...) Dessa forma, inexistindo nos autos a comprovação do trânsito em julgado das ações judiciais relativo às estimativas mensais do IRPJ glosadas, as mesmas não podem compor o montante do saldo negativo do IRPJ, motivo pelo qual a decisão recorrida encontrase correta. Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.558 9 Quanto às divergências do IRRF, a recorrente argumenta que não pode ser responsabilizada pelo preenchimento equivocado das declarações apresentadas pelas fontes pagadoras. A esse respeito cabe dizer que a defesa não trouxe aos autos prova de inconsistências cometidas pelo órgão julgador de primeira instância. Os valores do IRRF reconhecido pela autoridade de origem, e complementado pelo acórdão recorrido, encontramse devidamente fundamentadas e o não reconhecimento de parte do IRRF foi devidamente justificado. Cabe ao contribuinte o ônus da prova de fato constitutivo do seu direito, nos termos do art. 333, I do Código de Processo Civil, fato que não ocorreu, devendo também ser mantida a decisão recorrida. Por fim, quanto ao não aproveitamento do IRRF código 0481 (R$ 4.142.078,03), o acórdão recorrido deixou de aproveitar o referido imposto sob o argumento de que não haveria comprovação do oferecimento à tributação dos resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Já a recorrente, menciona que ditos rendimentos constam da ficha 9B " Demonstração do Lucro Real", onde na linha 04 " Lucros disponibilizados no Exterior", se verifica a adição do valor de R$ 61.862.352,67, cuja composição está explicitada na ficha 43 "Participações no Exterior" (1) R$ 49.356.051,01 + (2) R$ 4.581.543,12 + (3) 7.924.758,54 (fls. 901 a 903). Assim, restaria comprovado que a receita de R$ 49.356,051,01, relativa ao IRRF, foi devidamente oferecida à tributação. De fato, o art. 9º e seu parágrafo único da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, prevê a hipótese de aproveitamento do IRRF nos limites estabelecidos, desde que haja a comprovação do oferecimento à tributação dos resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil: (...) Entretanto, a cópia das fichas 9B e 43 da declaração DIPJ (fls. 901 a 903), indicando a tributação dos “Lucros Disponibilizados no Exterior”, são apenas um indício de que esses lucros se referem aos resultados mencionados no art. 9º da MP nº 2.15835, de 2001 acima transcrito. Além disso, verificase que o valor de R$ 61.862.352,67 indicado na ficha 9BDeclaração DIPJ, fls. 901, é diferente daquele constante da mesma ficha 9B – Extrato Consulta Declaração DIPJ sob o mesmo título, mas no valor de R$ 60.412.887,07, fls. 553, bem assim o “Imposto pago no Exterior” IRRF código 0481 constante da DIPJ, no valor de R$ 4.035.685,88, fls. 560, é diferente daquele constante nas planilhas das fls. 331 a 334, no total de R$ 4.142.078,03. Dessa forma, por existirem no processo elementos que podem dar razão aos argumentos trazidos pelo recorrente quanto ao aproveitamento do IRRF código 0481 e, para que se tenha uma maior certeza quanto à procedência das alegações e da sua quantificação, Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.559 10 necessário que o processo retorne à origem, em diligência, para verificação dos seguintes pontos: a) informar qual o valor dos “Lucros disponibilizados no Exterior” encontrase correto: R$ 61.862.352,67 indicado na DIPJ ficha 9B, fls. 901, ou o valor de R$ 60.412.887,07, sob o mesmo título, indicado no extrato de fls. 553. b) informar qual o valor do Imposto pago no Exterior IRRF código 0481 encontrase correto: R$ 4.035.685,88 constante da DIPJ, fls. 560, ou o valor constante nas planilhas das fls. 331 a 334 (Darfs às fls. 335/488), no total de R$ 4.142.078,03; c) com base nas alegações trazidas pelo recorrente, e nos documentos mencionados nos itens a) e b) retro, verificar se o IRRF código 0481 “Imposto pago no Exterior” encontra correspondência com os valores informados na ficha 9B da DIPJ/2005 “Lucros disponibilizados no Exterior”; d) em caso afirmativo, informar o montante do IRRF que pode ser compensado na declaração DIPJ/2005, nos termos do o art. 9º e seu parágrafo único da MP nº 2.15835, de 2001 e) intimar o interessado a entregar outros documentos/esclarecimentos que julgar necessário; f) emitir despacho conclusivo a respeito dos itens acima, com ciência ao interessado para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; e) após, retorno a este CARF para julgamento; Devidamente encaminhado o processo à Unidade Local, o Contribuinte foi intimado para apresentar tal documentação e demonstrações, constantes da v. Resolução. Por meio de Resposta (fls. 1921 a 1922), o Recorrente informa que 1) foram disponibilizados, na DIPJ retificadora do período, R$ 61.862.352,66 referentes às sucursais Agência Grand Cayman, Agencia New York e ITB Holding, conforme atesta documentação já acostadas aos autos (fls. 901); 2) o valor do IRRF (cod. 0481) corresponde a R$ 5.318.422,20, já fora devidamente informado em relatório acostado às fls. 833 a 840 e 885, constante de DIPJ. Também afirma que a diferença de R$ 1.176.344,17 entre o IRRF no valor de R$ 5.318.422,20 (planilhas de fls. 833 a 840) e o valor de R$ 4.142.078,03 (inicialmente constantes das planilhas de fls. 331 a 334) devese a retificação da DIPJ; e 3) acosta extratos do SISBACEN (SWIFTs), que exprimem os valores remetidos ao exterior, objeto da retenção do IRRF cod. 0481, na monta de R$ 5.318.422,20. Requer prazo adicional para a juntada de documentação complementar. Posteriormente, às fls. 2656, por meio de Petição, o Contribuinte acosta 1) cópia das Demonstrações de Resultado do Exercício das filiais e controladas no exterior no ano calendário de 2004 e cópias das Partes A e B do LALUR do período. Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.560 11 Devidamente processados os documentos trazidos aos autos, posteriormente complementados por telas e registros dos sistemas da RFB, a Autoridade Fiscal elaborou Relatório de diligência (fls. 2864 a 2867), concluindo, em suma, que tal documentação apenas valida parte do IRRF incidente sobre as receitas correspondentes remetidas ao exterior, vez que haveria registros de transito de numerários a terceiros, que não Banco Itaú Grand Cayman Branch, como estaria lançado na DIPJ 2005. Ato contínuo, o Contribuinte foi instado a se pronunciar, apresentando Manifestação (fls. 2872 a 2879), insurgindose contra a conclusão da Autoridade Fiscal, pugnando que teria constatado a presença de equívoco no Relatório, posto que do total de R$ 989..673,71 dos valor do IRRF referente às remessas ao exterior, apenas R$ 241.525,97 corresponderiam a créditos efetuados a terceiros, afirmando que R$ 748.147,81 tratase de imposto próprio, referente a transferência feitas ao Itaú Unibanco New York Branch e o própria Itaú Unibanco Cayman Branch. Apresenta demonstrativos e acosta Ata de Reunião do Conselho de Administração e cópias do registros das Unidade Externas comprovando que os destinatários desse numerário não eram terceiros. Por fim, reitera suas alegações em relação aos demais pontos controversos da demanda. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2976DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.561 12 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente já apreciado, reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Assim como relatado, temos que a matéria agora sob análise resumese 1) à compensação das estimativas de IRPJ, objeto de ação judicial; 2) falta de comprovação integral do IRRF compensado, principalmente em relação a valores omissos nas DIRFs das Fontes Pagadoras; e 3) falta de comprovação do oferecimento à tributação dos lucros de filiais, coligadas ou controladas estrangeiras, que permitiria o cômputo do IRRF (cod. 0481), incidente sobre remessas para tais estabelecimentos no exterior, no saldo credor. Contudo, fora anteriormente determinada diligência, através da Resolução nº 1202.000.210, pela extinta C. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, especificamente para o aprofundamento da investigação documental em relação à disponibilização do lucro auferido pelas filiais e coligadas no exterior à tributação doméstica, analisando também as remessas efetuadas, objeto do IRRF formador do credito pleiteado. Devidamente fornecida vasta documentação e esclarecimentos, nos termos como determinado pelos I. Julgadores, a Autoridade Fiscal procedeu ao seu processamento e análise, elaborando Relatório. Confirase o trecho conclusivo de tal trabalho fiscal: Dessa forma, para o deslinde do quanto solicitado pela autoridade julgadora ad quem, efetuarseá a seguir a análise dos documentos juntados pelo interessado. O interessado afirma que os lucros disponibilizados no exterior correspondem a R$ 61.862.352,66 conforme declarado nas fichas 09B e 43 da DIPJ retificadora (fls. 2795/2798 e 2801/2811), que é maior do que o valor constante da DIPJ original de R$ 60.412.887,07 (fls. 1143), portanto, entendese que deve ser considerado como o correto, diante da afirmação do interessado e até por se tratar de uma adição ao lucro líquido antes do IRPJ. A partir dos extratos do SISBACEN (SWIFT), confirmase as operações de câmbio relativas aos rendimentos remetidos ao exterior, incluindo informações tais como a data do contrato e liquidação, valor dos rendimentos remetidos em moeda estrangeira e em moeda nacional, Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.562 13 país recebedor dos rendimentos, que correspondem aos informados na planilha às fls. 1923/1930 (rendimentos nas colunas Valor M/E e Valor M/N), sobre os quais consta a retenção de imposto na fonte que o interessado pleiteia a dedução no montante de R$ 5.318.422,20. Com base na planilha às fls. 1923/1930 e os extratos do SISBACEN (SWIFT) às fls. 1932/2655, elaborouse o demonstrativo às fls. 2842/2850 que apresenta o total de rendimentos remetidos ao exterior em moeda nacional de R$ 21.041.629,39, que é bem inferior ao lucro disponibilizado de R$ 49.356.051,01 correspondente ao IRRF que o interessado pleiteia deduzir conforme a ficha 43 da DIPJ/2005 (fls. 2802) e que foi oferecido à tributação na linha 04 da ficha 09B (fls. 2795) adicionado aos demais lucros informados na ficha 43 (fls. 2803/2811), totalizando R$ 61.862.352,67. Cumpre ressaltar que se entende que os extratos do SISBACEN (SWIFT) às fls. 1932/2655, planilha às fls. 1923/1930 e lucros disponibilizados conforme as fichas 43 e 09B da DIPJ/2005 são suficientes para comprovar que tais rendimentos remetidos ao exterior foram oferecidos à tributação. Contudo, observase na planilha às fls. 1923/1930 e nos próprios extratos do SISBACEN (SWIFT) que alguns rendimentos foram remetidos para terceiros que não o Banco Itaú Grand Cayman Branch (código do país recebedor 1376), conforme declarado na ficha 43 da DIPJ/2005 (fls. 2802), de modo que tais valores remetidos para terceiros deverão ser glosados, uma vez que os rendimentos não foram oferecidos à tributação e nem há informações de retenção na fonte desses terceiros na DIPJ. Vale dizer que consulta ao sistema SIEF às fls. 2812/2841 confirma os principais pagamentos do IRRF – cód. 0481 constantes da planilha às fls. 1923/1930. Desse modo, considerando apenas os rendimentos remetidos ao exterior ao Banco Itaú Grand Cayman Branch, o total de IRRF – cód. 0481 perfaz R$ 4.328.748,43, conforme demonstrativo às fls. 2851/2857. Cabe destacar que o supracitado IRRF está dentro dos limites compensáveis nos termos da IN SRF nº 213/2002, art. 14 § 11, quais sejam, o limite compensável de IRRF de R$ 12.339.012,75 calculado com base nos lucros disponibilizados de R$ 49.356.051,01 declarados na ficha 43 da DIPJ/2005 (fls. 2802), e o limite de R$ 15.465.588,42 correspondente a diferença positiva entre os valores de IRRF (R$ 151.039.702,74 e R$ 135.574.114,32 respectivamente) calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros (R$ 604.158.809,95 e R$ 542.296.457,28 respectivamente), rendimentos e ganhos de capital com base na ficha 09B da DIPJ (fls. 2795/2798). Sendo assim, a partir do extrato às fls. 1778/1782 que relaciona os débitos remanescentes das compensações declaradas nas DCOMPs em questão após o Acórdão nº 1621.674 da DRJ/SPOI (fls. 1754/1776), efetuouse o cálculo das compensações no sistema SAPO às fls. 2858/2860, que demonstrou que o crédito reconhecido de R$ Fl. 2978DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.563 14 4.328.748,43 mostrouse insuficiente para extinguir por completo os débitos constantes do presente processo. (destacamos) Claramente, extraise de tal Despacho que, apesar de comentário pontual sobre o descasamento de valores indicados em planilha e nos documentos, concluiuse pela veracidade e procedência da disponibilização à tributação nacional de R$ 61.862.352,66, referentes a lucros auferidos no exterior, assim como o IRRF incidente sobre remessas ao exterior, na monta de R$ 5.318.422,20, conforme alegado pela Recorrente. Contudo, a Unidade Local entendeu por não reconhecer a possibilidade do computo ao saldo negativo de R$ 989.673,71 desse IRRF recolhido sobre o código 0481, pois teria averiguado, tanto nas planilhas como nos extratos do SISBACEN, que alguns rendimentos foram remetidos para terceiros que não o Banco Itaú Grand Cayman Branch, como teria sido declarado na DIPJ 2005, restando como reconhecido apenas o valor de R$ 4.328.748,43. Ao seu turno, o Recorrente em Manifestação afirma existir equívoco da Fiscalização, posto que, de tais R$ 989.673,71, apenas R$ 241.525,97 corresponderiam a transferências para terceiros, afirmando que os R$ 748.147,81 restantes tratam de imposto retido próprio, referente às mencionas remessas ao Itaú Unibanco New York Branch e o própria Itaú Unibanco Cayman Branch. Para provar o alegado, traz demonstrativos dos valores remetidos às sucursais e coligadas, constando as filiais de Nova York e Grand Cayman (fls. 2892 a 2908), listagem dos códigos do BACEN referentes aos países de destino de numerário enviado (fls. 2909 a 2914), a Ata de Reunião do Conselho de Administração (fls.2915 a 2917), referente à decisões sobre o plano de expansão internacional do banco, deliberando sobre a abertura de filiais em Nova York e Grand Cayman e cópias dos registros das Unidade Externas (fls. 2918 a 2921) comprovando que os destinatários desse numerário controverso não eram terceiros. Pois bem, em primeiro lugar temos que, de fato, quando da Resposta do Termo de Intimação da própria diligência, a Recorrente já havia esclarecido que parte das remessas destinaramse à Agência Itaú Unibanco New York (Branch) e à ITB Holding, de modo que já havia se informado que existiam destinatários diversos do que a filial de Grand Cayman diferentemente daquilo considerado pela Autoridade Fiscal no Relatório. Mas por outro lado, quando a Unidade Local remete ao registro do IRRF registrado na DIPJ 2005 (fls. 2802), temos que na Ficha 44 de tal Declaração o Contribuinte lançou o valor total dos R$ 5.318.422,20 como referentes à transações com tal sucursal. E frisese que, ainda que não mencionado pela Autoridade Fiscal, na fl. 2803, não costa nenhum Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.564 15 IRRF (R$ 0,00) em operações com a Agência de Nova York. Frisese que a DIPJ tem conteúdo meramente informativo e pode ser integralmente retificada, dentro prazo do prazo regular, inclusive como fora informado nestes autos. Há de se comentar que não foi devidamente apontado pela Unidade Local onde nos registros SWIFT (extratos SISBACEN) estaria essa informação confirmada, não sendo encontrada de forma, clara e integral, na análise deste Conselheiro. Agravando a obscuridade da situação probante, o código do BACEN 1376 mencionado no seguinte trecho do Relatório fiscal: para terceiros que não o Banco Itaú Grand Cayman Branch (código do país recebedor 1376) é precisamente aquele utilizado para as Ilhas Cayman, sendo Grand Cayman uma de suas ilhas, sendo parte integrante de seu território, não possuindo codificação própria. Certamente, ainda que a Autoridade Fiscal tenha procedido a trabalho exemplar, não se apresenta, agora o esclarecimento necessário e esperado para a formação da devida convicção sobre essa matéria do feito. Além disso, e mais importante, é de se notar que a motivação para a denegação específica do valor de R$ 989.673,71 é matéria absolutamente nova nos autos, inaugurada no Relatório de diligência. Ainda que tratese de processo referente a Compensação, no qual cabe ao contribuinte a prova de seu crédito, uma vez trazido novo elemento, por parte do Fisco, para rejeição do seu direito pretendido, à luz das normas processuais administrativas, tem de serlhe conferido todo o direito de infirmálo, inclusive com os mesmo meios de provas e oportunidades disponíveis quando do início da contenda. Alinhado com tal corolário, o art. 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, permite a apresentação de novas provas quando destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Os fatos agora apresentando subsumemse perfeitamente a tal dispositivo. Desse modo, independentemente do debate de que se deveria, então, a Autoridade Fiscal ter apreciado as novas provas, trazidas às fls. 2883 a fls. 2921, antes de remeter a este E. CARF (entendimento já professado por esta . C. 2ª Turma Ordinária) ou, ao invés de ter registrado tal conclusão sob novo argumento, ter primeiro intimado o Contribuinte a esclarecer o ocorrido, fato é que merece apreciação tal elemento de resposta à posição do Fisco trazida ao diligência. Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.565 16 E como já mencionado, existem elementos contraditórios e imprecisos, tanto em relação ao conjunto probatório do Recorrente (que, apesar disso, carrega indicio de procedência de suas alegações incidentais), como presentes nas conclusões do Relatório como acima apontadas. Ainda, parte da nova documentação acostada pela Instituição Financeira, referente aos registros das Unidade Externas (fls. 2918 a 2921), estão parcialmente ilegíveis, ainda que seja claro se tratar de certificações de países estrangeiros sobre suas filiais. Diante desse cenário inconclusivo e de elementos que diretamente contrapõe a conclusão do Relatório (que inaugura novo argumento para a rejeição de parcela do crédito pretendido), os quais não foram devidamente processados ou analisados, mostrase razoável e prudente o envio dos autos à Unidade Local, para o processamento de tais novas informações e provas, antes da derradeira apreciação das razões recursais. Em assim se procedendo, o conteúdo técnico e probatório de tais registros seriam submetido o crivo analítico da mesma Unidade Fiscal que procedeu à não homologação dessa nova parcela litigiosa do crédito em questão. As demais matérias serão analisadas e julgadas quando do retorno dos autos, em conjunto com as conclusão obtidas e com a posterior Manifestação do Recorrente. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1.a) intime o Contribuinte para apresentar cópias plenamente legíveis dos documentos de fls. 2892 a 2921; 1.b) diante da presente oportunidade investigativa que se faz imperiosa, à luz do princípio da busca da verdade material e da racionalização do processo administrativo, no momento de cumprimento do item 1.a supra, poderão ser também apresentados novos documentos e esclarecimentos, em relação exclusiva ao valor do IRRF de R$ 989.673,71, cujo o crédito correspondente foi denegado sob a afirmação de que as remessas de valores correspondentes à sua incidência foram efetuadas a terceiros, e ao seu registro correspondente na DIPJ 2005. 2.a) Considerando o teor do Parecer COSIT nº 02/2018, deve a Autoridade Fiscal analisar os documentos de já acostados aos feito, bem como toda a nova documentação a ser fornecida pelo Contribuinte na oportunidade desta diligência, verificando se prevalece ou não a constatação de que o valor de IRRF na monta de R$ 989.673,71 é referente a remessa de Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 16327.001332/200662 Resolução nº 1402000.657 S1C4T2 Fl. 1.566 17 numerário a terceiros e, ao final, concluir sobre regularidade de sua utilização na formação do crédito pretendido. 2.b) Se considerada insuficiente a documentação fornecida para se alcançar uma conclusão, poderá se proceder a novas intimações e diligências, in loco. 3) Elaborar Relatório conclusivo, demonstrando e explicando de forma técnica e clara as conclusões obtidas, justificando a manutenção ou a modificação da conclusão alcançada anteriormente, quando do cumprimento da v. Resolução nº 1202000.210, e a procedência ou não dessa parcela controversa do crédito pretendido. 4) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2982DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909863/2006-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.909863/2006-33
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863824
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.424
nome_arquivo_s : Decisao_10880909863200633.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10880909863200633_5863824.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7288934
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311675871232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1616; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.909863/200633 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.424 – 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3801003.878, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 63 /2 00 6- 33 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10880.909863/200633 Acórdão n.º 9303006.424 CSRFT3 Fl. 3 2 Data do fato gerador: 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparamse a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o tratamento conferido, no acórdão recorrido, às bonificações auferidas pela contribuinte, às quais, ao contrário do entendimento nele adotado, representariam receita tributável pelo PIS/Cofins. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.119 e 3403002.367. O recurso foi admitido mediante Despacho de Exame de Admissibilidade do então Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.418, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.909826/200625, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.418): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN não deve ser conhecido. Com efeito, restou decidido, no acórdão recorrido, que as bonificações em mercadorias, ainda que não se qualifiquem como descontos incondicionais, não são receitas tributadas pelo PIS/Cofins em face da gratuidade da operação, equiparandose, assim, a doações. O regime de apuração da contribuinte era o cumulativo. Todavia, em ambos os casos apreciados nos acórdãos paradigmas, os contribuintes foram tributados na sistemática não cumulativa, regime de apuração substancialmente diverso. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10880.909863/200633 Acórdão n.º 9303006.424 CSRFT3 Fl. 4 3 Há, ademais, ainda duas outras divergências, que, a nosso juízo, impedem a admissibilidade dos recurso especial. É que, enquanto as bonificações aqui tratadas foram concedidas em mercadorias, as bonificações de que tratam os paradigmas foram recebidas em pecúnia. Tratase, neste último caso, de dois grandes supermercadistas, que receberam recursos financeiros de seus fornecedores. Vejam: Acórdão nº 3302002.119: De um lado a fiscalização entende que tais descontos não se enquadram na categoria de incondicionais, por não se tratarem de parcelas redutoras de custo e por não cumprirem os requisitos da IN/RFB nº 51/78, ou seja, não estarem destacadas nas notas fiscais de aquisição. Aduz que, na verdade, o que a Recorrente chama de descontos incondicionais na verdade seria uma remuneração cobrada de seus fornecedores pelos serviços de distribuição de mercadorias e propaganda, bem como valores cobrados referentes a aniversários, inauguração, reforma de lojas, fidelização, não devolução de mercadorias defeituosas, bonificações e fundo de desenvolvimento de negócios. Em síntese todos teriam característica condicional. A Recorrente, por sua vez, aduz que todos os descontos obtidos não representam receita ou acréscimo patrimonial uma vez que são de natureza incondicional. Alega não prestar serviços a terceiros de transporte ou publicidade, bem como afirma não poderem ser consideradas como receitas os descontos recebidos por conta de campanhas promocionais, promoções de aniversário e inauguração de lojas por se caracterizarem como reembolso de despesas. (g.n.) Acórdão nº 3403002.367: A glosa efetuada pelo fisco, ensejadora da autuação, deveuse ao fato de a recorrente ter tributado à alíquota zero determinadas receitas (contas: receitas de promoções,..., cf. relatório), e de não ter computado outras receitas (contas: recuperação ordenado repositores, ..., cf. relatório) na base de cálculo das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS). Na sua defesa (tanto na impugnação quanto no Recurso Voluntário) a empresa sustenta em relação a ambas as situações que se tratam de descontos incondicionais (e, ainda que não o fossem, ad argumentandum tantum, seriam meros reembolsos de despesas, e não receitas). (...) Contudo, além de não constarem nas notas fiscais, os descontos a que se refere o presente caso são contraprestacionais, e não incondicionais. E se há contraprestação, há a possibilidade de incumprimento desta (por mais que se afirme na defesa da recorrente que os fornecedores não fiscalizam efetivamente se o produto está em gôndolas de destaque, etc.). (g.n.) Ora, sabese que nos regimes de apuração cumulativo e não cumulativo as bases de cálculo das contribuições sociais são bem diversas, de modo que, enquanto a base de cálculo no primeiro é o faturamento (na acepção mais moderna, as receitas que decorrem da realização das atividades típicas da pessoa jurídica), no segundo regime é a totalidade das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, excetuadas algumas que as próprias leis que o instituíram expressamente excluiu. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10880.909863/200633 Acórdão n.º 9303006.424 CSRFT3 Fl. 5 4 A meu sentir, o recurso especial somente se viabilizaria se, em todos os casos confrontados, o regime de apuração fosse o mesmo e se os contribuintes ou fossem todos os recebedores das bonificações (donatários), ou fossem todos os que promoveram a sua entrega (os doadores), porquanto tais circunstâncias se afiguram, a nosso juízo, fundamentais para o deslinde do litígio. Não sendo o caso, não há como conhecer do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da PFN." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721090/2010-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA.
É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido.
Numero da decisão: 1002-000.240
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente/Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 05751001842 - CPF não encontrado.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.721090/2010-17
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873658
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.240
nome_arquivo_s : Decisao_13603721090201017.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : 05751001842 - CPF não encontrado.
nome_arquivo_pdf_s : 13603721090201017_5873658.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente/Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7346919
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311726202880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.721090/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.240 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 07 de junho de 2018 Matéria MULTA POR TRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente LEMA REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente/Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por economia processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE: Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a multa por atraso na entrega da declaração Dacon com exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.000,00 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 10 90 /2 01 0- 17 Fl. 56DF CARF MF 2 acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 02 a 04) contra o lançamento alegando que ficou impossibilitado de realizar a certificação digital,em tempo hábil, em vista da dificuldade dos órgãos certificadores para atender a demanda de certificação. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada improcedente pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0237.783, de 06 de março de 2012 (efl. 22), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA A apresentação do Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, do qual foram extraídos abaixo os principais pontos e argumentos apresentados que interessam ao deslinde da presente lide. Primeiramente, a Recorrente alega que "ficou impossibilitada de realizar a certificação digital, em tempo hábil,devido a dificuldade que se encontravam as autoridades certificadoras,no período da instrução normativa 995 de 22/01/2010, a qual ampliava a entrega das declarações com certificação para todas as empresas" e que "Devido a este fato foi lavrada a notificação de lançamento e respectiva multa pela não entrega da DACON,que consta do processo acima citado". Aduz que tem "conhecimento da obrigatoriedade,que consta no Código Tributário Nacional,e das instruções normativas da RFB n° 969 de 21/10/2009 e 995 de 22/01/2010, porém o envio em atraso, não foi uma falha desta empresa e sim uma dificuldade das autoridades certificadoras ". Finaliza afirmando que "Para comprovar o nosso direito, estamos anexando cópias dos avisos das seguintes autoridades Certificadoras: Correios e Serpro, cópias estas fornecidas por estes certificadores, após caminhada para certificação por vários órgãos,durante uma semana,até encerrar a data para entrega da DACON citada no processo." É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13603.721090/201017 Acórdão n.º 1002000.240 S1C0T2 Fl. 3 3 Inicialmente, registrese que o atraso na entrega do Dacon é fato ostensivo. O Recorrente apresenta como único argumento de defesa o fato de o atraso na entrega do DACON ter ocorrido em razão de dificuldades das autoridades certificadoras no período em que foi editada a IN RFB nº 995/2010, a qual ampliava a obrigatoriedade de entrega de declarações com certificado digital para todas as empresas. A referida IN RFB nº 995/2010 alterou o art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 969, de 21 de outubro de 2009, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 1º É obrigatória a assinatura digital efetivada mediante utilização de certificado digital válido, para a apresentação, por todas as pessoas jurídicas, exceto as optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), das declarações e dos demonstrativos a seguir relacionados: I (...) II Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) para fatos geradores ocorridos a partir de abril de 2010; (grifos nossos) III (...) Considerando que o Recorrente não contesta o atraso na entrega do DACON dos meses de 04 e 05 de 2010 (efls. 12/13) e, tampouco, o cálculo da multa, temse aí também um fato incontroverso. A questão a dirimir, portanto, é saber se a multa debatida nos autos pode ser elidida por ocorrência de fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do sujeito ativo à cobrança da referida exação, no caso, a União Federal. Nesse sentido, o Recorrente colaciona aos autos cópias de avisos de autoridades certificadoras, como Correios e Serpro, que, no seu entendimento, seriam suficientes para afastar a exigência da multa questionada. Reproduzse abaixo cópia dos referidos documentos: Fl. 58DF CARF MF 4 Entretanto, simples avisos emitidos por autoridades certificadoras não tem o condão de afastar a exigência da multa estabelecida pelo art. 7.º da Lei n.º 10.426/2002 e a responsabilidade objetiva do Recorrente pelo descumprimento da obrigação acessória, prevista no artigo 136 do CTN, que rezam, respectivamente (grifos nossos): art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002 Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) art. 136 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966(CTN) Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, uma vez descumprido o comando normativo de adimplir a obrigação de entregar o DACON no prazo estabelecido, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, cabendo ao agente público competente a Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13603.721090/201017 Acórdão n.º 1002000.240 S1C0T2 Fl. 4 5 responsabilidade de proceder ao lançamento fiscal, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) 1. De arremate, constato não haver nos autos qualquer Ato Normativo da Receita Federal do Brasil reconhecendo expressamente a ocorrência de problemas técnicos relacionados à certificação digital no períodobase da autuação, ou autorizando a prorrogação do prazo de apresentação do Dacon, como sói ocorrer em situações desse jaez. Por todo o exposto, considero legitimo o lançamento das multas pelo atraso na entrega do DACON relativas ao anocalendário de 2010, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000082/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2002
PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCARACTERIZAÇÃO.
Deve ser cancelada a exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando já há decisão administrativa definitiva exonerando o sujeito passivo da obrigação que lhe havia sido imputada.
Numero da decisão: 2201-004.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 24/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2002 PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Deve ser cancelada a exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando já há decisão administrativa definitiva exonerando o sujeito passivo da obrigação que lhe havia sido imputada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.000082/2008-54
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861603
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.387
nome_arquivo_s : Decisao_15504000082200854.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 15504000082200854_5861603.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7279993
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311735640064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 250 1 249 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.000082/200854 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADE Recorrente BANCO MERCANTIL DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2002 PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Deve ser cancelada a exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando já há decisão administrativa definitiva exonerando o sujeito passivo da obrigação que lhe havia sido imputada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 00 82 /2 00 8- 54 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 235/241) apresentado em face do Acórdão nº 0223.346, da 6ª Turma da DRJ/BHE (fls. 226/230), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo e das responsáveis solidárias ao auto de infração Debcad nº 37.027.1319, pelo qual se exige multa por descumprimento de obrigação acessória no valor de R$ 4.780,52. De acordo com o relatório fiscal (fls. 17/22), o auto de infração foi lavrado pelo fato de a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurado empregado a seu serviço, o que constituiria infração ao art. 30, I, 'a', da Lei nº 8.212, de 1991. As verbas sobre as quais a empresa não teria efetuado o desconto da contribuição previdenciária seriam Participação nos Lucros e Resultados PLR nas competências 02/2002 e 10/2002 e Abono Único nas competências 10/2002, 11/2002 e 12/2002. Impugnado o lançamento, foi prolatado o Acórdão nº 0223.346, da 6ª Turma da DRJ/BHE (fls. 226/230), que negou provimento às impugnações, mantendo integralmente o auto de infração. A contribuinte tomou ciência dessa decisão em 23/11/2009 (fl. 234) e apresentou tempestivamente recurso voluntário em 23/12/2009 (fls. 235/241). Em suas razões de recorrer, alega, em síntese, que: 1. O lançamento foi realizado em 18/12/2007, data em que já estavam decaídos os créditos relativos a competências anteriores a dezembro de 2002. 2. O presente feito deve ser sobrestado até que se encerre a discussão do processo 15504.000292/200842, que lhe seria prejudicial, uma vez que trata da obrigatoriedade de retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos seus empregados e diretores sobre as parcelas que não foram incluídas no salário de contribuição (Abono Único, PLR e Previdência Complementar). Neste Conselho, o processo compôs lote sorteado em sessão pública para esta Conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15504.000082/200854 Acórdão n.º 2201004.387 S2C2T1 Fl. 251 3 Inicialmente, alega a recorrente a decadência do crédito tributário lançado, uma vez que este teria se realizado após o transcurso do prazo de cinco anos a contar do seu fato gerador. Com isso, pretende aplicar à espécie a regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. Ocorre entretanto que o lançamento de penalidade por descumprimento de obrigação acessório é atividade privativa da autoridade fiscal, sendo realizado na modalidade "de ofício", para a qual o cálculo do prazo decadencial segue a regra inserta no art. 173, I, do CTN, ou seja, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, não merece acolhida a alegação de decadência. Por outro lado, segundo restou evidenciado no relatório, o alegado descumprimento de obrigação acessória que justificaria o presente lançamento consistiria na falta de retenção da contribuição previdenciária devida pelos empregados sobre as parcelas de PLR pagas nas competências 02/2002 e 10/2002 e Abono Único nas competências 10/2002, 11/2002 e 12/2002. Ocorre que a natureza dessas verbas, bem como a eventual incidência sobre elas da contribuição previdenciária devida pelos empregados, foi objeto de discussão administrativa no âmbito do processo nº 15504.000292/200842, que já conta com decisão definitiva em sede administrativa. Com efeito, através do Acórdão nº 2302002.527, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária desta Segunda Seção de Julgamento, foi dado parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte, excluindo da incidência da contribuição previdenciária os valores pagos a título de PLR e Abono Único no anocalendário de 2002. Este Acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço formam um grupo econômico, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. Fl. 252DF CARF MF 4 EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam “claras e objetivas”. ABONO Abono único quando pago de acordo com determinação de Convenção Coletiva de Trabalho não é base de incidência de contribuição previdenciária. Parecer PGFN/CRJ n.º 2.114 e Ato Declaratório n.º 16/2011. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Assim, não estando as parcelas de PLR pagas nas competências 02/2002 e 10/2002 e Abono Único nas competências 10/2002, 11/2002 e 12/2002 sujeitas à tributação pelas contribuições previdenciárias, não subsiste a obrigatoriedade da empresa em efetuar a retenção dessas contribuições. Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para lhe dar provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15504.000082/200854 Acórdão n.º 2201004.387 S2C2T1 Fl. 252 5 Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000484/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
MULTA DE OFÍCIO PARA A SUCESSORA. PRINCÍPIO DA NÃO SUCESSÃO DA PENALIDADE. NÃO APLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O CTN, em seus artigos 129 e 132, revela o entendimento de que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa.
PAGAMENTO NÃO COMPROVADO DE ESTIMATIVAS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. INAPLICABILIDADE.
Para que seja aplicado o Princípio da Verdade Material, deve o contribuinte produzir, ao mínimo, um início de prova de que os valores pagos, a título de IRPJ estimativa, deixaram de ser considerados pela fiscalização, por ocasião da constituição do crédito tributário de IRPJ.
AUTOS REFLEXOS. CSLL.
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se aos demais tributos, no que couber.
Numero da decisão: 1402-003.015
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos o presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação às infrações reapreciadas conforme determinado pela decisão exarada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO PARA A SUCESSORA. PRINCÍPIO DA NÃO SUCESSÃO DA PENALIDADE. NÃO APLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O CTN, em seus artigos 129 e 132, revela o entendimento de que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO DE ESTIMATIVAS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. INAPLICABILIDADE. Para que seja aplicado o Princípio da Verdade Material, deve o contribuinte produzir, ao mínimo, um início de prova de que os valores pagos, a título de IRPJ estimativa, deixaram de ser considerados pela fiscalização, por ocasião da constituição do crédito tributário de IRPJ. AUTOS REFLEXOS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se aos demais tributos, no que couber.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.000484/2008-18
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868719
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.015
nome_arquivo_s : Decisao_16327000484200818.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DEMETRIUS NICHELE MACEI
nome_arquivo_pdf_s : 16327000484200818_5868719.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos o presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação às infrações reapreciadas conforme determinado pela decisão exarada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7318622
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311739834368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 747 1 746 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000484/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.015 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Recorrente SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO PARA A SUCESSORA. PRINCÍPIO DA NÃO SUCESSÃO DA PENALIDADE. NÃO APLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O CTN, em seus artigos 129 e 132, revela o entendimento de que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registrese, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO DE ESTIMATIVAS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. INAPLICABILIDADE. Para que seja aplicado o Princípio da Verdade Material, deve o contribuinte produzir, ao mínimo, um início de prova de que os valores pagos, a título de IRPJ estimativa, deixaram de ser considerados pela fiscalização, por ocasião da constituição do crédito tributário de IRPJ. AUTOS REFLEXOS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase aos demais tributos, no que couber. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 84 /2 00 8- 18 Fl. 747DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos o presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação às infrações reapreciadas conforme determinado pela decisão exarada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias e Edgar Bragança Bazhuni. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 1402003.015 S1C4T2 Fl. 748 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão nº 140200.063, proferido em 10 de dezembro de 2009, pela 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, Primeira Seção de Julgamento, devido a sua completude, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Em razão da pertinência, transcrevo adiante o relatório da Decisão a quo consignado no Acórdão da Colenda 10ª Turma da DRJ/SPOI, verbis: "Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 2 a 4, 10 a 12), lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL referentes à empresa Santander Banespa Companhia de Arrendamento Mercantil, CNPJ 42.291.245/000165/000100, incorporada pela contribuinte em epígrafe em 30/11/2006, conforme DIPJ entregue em 27/12/2006 (fls. 143 a 169). No Termo de fls. 17 e 18, a fiscalização relata que a empresa incorporada compensou prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em montante superior ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, previsto na legislação. A fiscalização também ressalta a responsabilidade da sucessora pelos tributos devidos pela sucedida, bem como pela multa de ofício, visto que, na época da incorporação, sucessora e sucedida se encontravam sob a mesma administração. Em decorrência dos fatos acima descritos, foram constituídos créditos tributários nos valores a seguir discriminados (fls. 2 e 10): Fl. 749DF CARF MF 4 Cientificada da autuação em 15/04/2008 (fls. 40), a contribuinte apresentou, em 14/05/2008, a impugnação de fls. 72 a 91, acompanhada dos documentos de fls. 92 a 169. A impugnante sustenta que, na hipótese de incorporação, não devem ser aplicadas as normas contidas nos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95 e nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95, que estabelecem o limite de 30% do lucro líquido ajustado para a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL. Alega que esses dispositivos legais pressupõem que o contribuinte dará continuidade às suas atividades nos exercícios seguintes. Entretanto, na incorporação, ocorre a extinção da personalidade jurídica da empresa incorporada, não havendo como se falar em compensação do saldo remanescente em períodos posteriores. Assim, contrariamente ao que ocorre com as empresas que prosseguem com suas atividades, as sociedades incorporadas somente poderão deduzir os prejuízos fiscais e as bases negativas em um único momento, qual seja, na declaração de encerramento, como ocorreu no presente caso. A impugnante argumenta que, caso não seja aceita a compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL na data da incorporação, haverá tributação não sobre o lucro, mas sobre o patrimônio da sociedade incorporada, o que não se pode admitir. Acrescenta que, de acordo com o Texto Constitucional, o imposto de renda pode incidir somente sobre o acréscimo patrimonial do contribuinte. A impugnante também argumenta que, de acordo com o art. 189 da Lei n° 6.404/76, os prejuízos acumulados devem ser deduzidos do resultado do exercício, verificando se, somente a partir daí, a existência de lucro. Conclui, assim, que o procedimento adotado pela empresa incorporada é legítimo, estando de acordo com a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em relação à multa de oficio, alega a impugnante que sua exigência é indevida face ao disposto no art. 132 do CTN, que, no seu entendimento, estabelece que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Sustenta que, sendo sucessora por incorporação da empresa Santander Banespa Companhia de Arrendamento Mercantil, não pode ser responsabilizada pela multa de oficio exigida em razão de suposta infração cometida pela empresa sucedida, visto que o lançamento se deu após o evento da incorporação. Por fim, a impugnante se insurge contra a cobrança de juros moratórios calculados pela taxa SEL1C, sob o argumento de que ela possui natureza remuneratória, não podendo ser utilizada como parâmetro para a exigência de juros moratórios. Acrescenta que referido índice não foi criado por lei, mas por Resolução do BACEN, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no art. 161, §1°, do CTN. Ante o exposto, requer seja reconhecida a possibilidade de compensação integral dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa, sem a aplicação do limite de 30% do lucro líquido ajustado ou, ao menos, seja cancelada a multa de oficio, pois o evento infracional teria sido praticado pela empresa incorporada, não se podendo admitir a sucessão da multa. A DRJ manteve integralmente a exigência e cientificou o sujeito passivo que interpôs recurso voluntário no qual reeditou, basicamente, as mesmas razões da peça impugnativa. Passo, agora, a complementar o relatório acima transcrito. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 1402003.015 S1C4T2 Fl. 749 5 Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho (efolhas 228255), ao qual foi dado provimento, por maioria de votos, sob a seguinte fundamentação (efolha 322): Cumpre consignar que o artigo 33 da Lei n° 2.341, de 1987, veda a compensação de prejuízos fiscais, pela sucessora, da sucedida, em razão de incorporação, fusão ou cisão. A prevalecer o entendimento manifestado pelo ilustre relator do voto condutor do Acórdão atacado, o direito à compensação do saldo remanescente dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, estaria sendo cerceado, fulminado, sem possibilidade de ocorrer a hipótese de sua postergação, fim último da norma jurídica que impôs a limitação da compensação. A jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, como de resto da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, é majoritária no sentido de ser inaplicável, no caso de incorporação, da limitação da compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL. Em abono, citese a posição adotada nos acórdãos CSRF/0104258, de 2.12.2002, e CSRF/0105100, de 19.10.2004. Tal decisão, registrada sob o número 140200.063, restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste amparo para se proceder a limitação da compensação de prejuízos (trava), no percentual de 30% do lucro real, a que se reporta o artigo 15 da Lei n° 9.065, no encerramento das atividades da empresa. Ato contínuo, a PGFN interpôs Recurso Especial (efolhas 271287) alegando divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão paradigma nº 910100.401. Ao detalhar os fundamentos para a reforma do acórdão, a Fazenda destacou dois temas contra os quais se insurgiu: Limitação à Compensação de Prejuízos Fiscais e Responsabilidade da Sucessora em relação à Multa de Ofício. Por fim, pediu pela reforma do acórdão recorrido e que se restaure o inteiro teor da decisão de primeira instância. Na seqüência, o contribuinte apresentou Contrarrazões (efolhas 405430) onde, em apertada síntese, requer a manutenção do acórdão recorrido, aduzindo que o recurso especial não pode ser admitido haja vista que o acórdão ora guerreado tratou apenas da limitação à compensação de saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL na hipótese de incorporação, que a PGFN não apresentou embargos para sanear a omissão relativa Fl. 751DF CARF MF 6 à multa aplicada na sucessora e, por conseguinte, ficou impossibilitada de demonstrar a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma. No mérito, ressaltou que os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, limitam a compensação, mas permitem que ela ocorra nos anos seguintes e traz decisões do Antigo Conselhos de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça neste sentido, para concluir que, nos casos de incorporação e conseqüente extinção da personalidade jurídica, como não é possível essa compensação em períodos seguintes, tem que haver a compensação integral, sob pena de terem, as sociedades incorporadas, “tributado não o seu lucro mas, na verdade, o seu patrimônio”. A CSRF, pelo acórdão nº 9101002.153 (efolhas 506510), deu provimento parcial ao Recurso Especial, reconhecendo razão à recorrente, sob a justificativa de que a Lei nº 9.065/95 é muito clara no sentido de estabelecer a trava sem qualquer exceção. Afirmou ainda a relatora que: No que diz respeito à multa de ofício aplicada na sucessora, como foi dado o recurso voluntário da contribuinte no tocante à multa, esta não foi analisada pelo colegiado a quo, motivo pelo qual manifesto me pela devolução dos autos ao colegiado a quo, para manifestarse sobre o assunto, já que a autuação está sendo restabelecida. Em face do exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional no tocante à inobservância à trava de 30%, e doulhe provimento para manter o limite legal de 30% na compensação de prejuízo fiscal e bases negativas da CSLL, e devolver os autos à turma ordinária para julgamento da multa na sucessora. Contudo, como a multa de ofício aplicada na sucessora não foi analisada pelo colegiado a quo, os autos foram devolvidos para a turma ordinária para julgamento relativo a esta matéria. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. Por fim, registrese ainda que a autuada opôs embargos à efolha 537 contra o acórdão nº 9101002.153, e que estes foram rejeitados pelo Despacho de Admissibilidade presente à efolha 733. É o relatório. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 1402003.015 S1C4T2 Fl. 750 7 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Este processo já foi objeto de julgamento por esta Turma (Acórdão 1402 00.063, p. 318/322), ocasião em que foi dado provimento, por maioria, ao recurso voluntário tempestivamente interposto pela Recorrente (p. 228/255), reconhecendose que, no evento incorporação, não era necessária a observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado para fins de utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL para apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial dirigido à CSRF que, através do v. acórdão de p. 506/510, deu provimento ao recurso especial, restabelecendo o limite de 30% na compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, devolvendo os autos para este Turma analisar e julgar os demais argumentos trazidos pela Recorrente em seu recurso voluntário. Em síntese, além da questão principal, já decidida, a Recorrente, na condição de sucessora do contribuinte, SANTANDER BANESPA Companhia de Arrendamento Mercantil, CNPJ 42.291.245/000165, ingressou com recurso voluntário em face do v. acórdão recorrido quanto à impossibilidade do lançamento de multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão e a ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da Taxa Selic como juros de mora. Assim, passase à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente no Recurso Voluntário de p. 228/255 que não foram objeto de análise por ocasião do primeiro julgamento realizado por esta 2ª Turma. Lançamento de multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão Defende a Recorrente que, nos termos do art. 132 do CTN, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão e que, com relação às multas, devese averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então atribuirse ou não a responsabilidade ao incorporador. No caso concreto, entende a Recorrente que a multa foi lançada em 01.04.2008, enquanto a incorporação deuse em 30.11.2006 e, desta forma, não poderia alcançar a empresa sucessora. Devese observar, inicialmente, que se trata de autos de infração e de multa de ofício decorrente (75%) pela constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL devidos pela sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos antes do ato de sucessão. Destarte, se a lei excluísse as multas de responsabilidade dos sucessores, estaria instituído um permissivo legal para que empresas, por sucessivas transformações Fl. 753DF CARF MF 8 societárias, ficassem a salvo de imposições de multas por infrações à legislação tributária. Ademais, na forma do Código Tributário Nacional, como é cediço, não se restringe à regular a cobrança do "tributo", mas especialmente o "crédito tributário", que engloba não só o tributo, como os juros e a multa. A melhor interpretação do art. 132 do CTN leva à conclusão que os sucessores respondem pelos créditos tributários constituídos até a data da sucessão, assim como pelos créditos tributários em constituição, bem como por aqueles que tiveram sua constituição iniciada após a data de sucessão, desde que relativos a fatos geradores surgidos até a referida data. Assim, correto o entendimento que a Recorrente, na qualidade de sucessora, responda pelo principal (créditos tributários constituídos de IRPJ e CSLL), assim como pela multa decorrente por infração cometida pela sucedida (desrespeito ao limite de 30% para utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL na apuração do crédito tributário devido). Em verdade, como a multa é de natureza pecuniária e, portanto, vinculada ao patrimônio da sucedida, permanece integrando o patrimônio sucedido e, portanto, também por este motivo, alcança a sucessora. Utilização da Taxa SELIC Entende a Recorrente que não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios mediante a utilização da Taxa Selic, uma vez tratarse de taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal. Portanto, não poderia ser aplicada como sanção, por atraso no cumprimento de uma obrigação. Com a devida vênia, a aplicação da Taxa Selic no caso concreto decorre de lei e, desta forma, não pode ser desconsiderada por este Julgador. Veja o disposto no art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§ 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 1402003.015 S1C4T2 Fl. 751 9 federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. O afastamento da aplicação de um dispositivo legal em vigor é reservado exclusivamente ao Poder Judiciário, de tal forma que este Julgador não pode deixar de manter a aplicação da Taxa Selic no caso concreto. Equívocos na apuração do IRPJ e da CSLL Esse tema do recurso voluntário da Recorrente não foi objeto de impugnação e, portanto, também não foi objeto de análise e julgamento por parte da DRJ. Foi tratado em um tópico sucinto, à p. 251 do recurso voluntário, no sentido de que os recolhimentos por estimativa, realizados pelo contribuinte antes do evento incorporação, não teriam sido observados pela fiscalização por ocasião da lavratura dos autos de infração de IRPJ e CSLL, apontando a existência de saldo negativo de IRPJ e de CSLL nas fichas 12B e 17 da DIPJ da empresa incorporada. A Recorrente anexou, a partir da p. 182, a DIPJ/2006 vinculada ao evento “incorporação” – 30.11.2006. Na Ficha 09B, de p. 188, verificase a apuração de lucro real antes da compensação de prejuízos fiscais no importe de R$ 39.461.036,53 e a utilização de prejuízos no importe de R$ 34.218.305,55, o que evidenciou a não observância do limite legal de 30%. A fiscalização, através dos autos de infração de p. 11 e seguintes, considerando o limite legal de 30%, recalculou a base de cálculo do IRPJ, apontando como valor tributável o montante de R$ 22.379,994,59 e, consequentemente, apurou IRPJ devido no importe de R$ 5.594.998,64, sobre o qual incidiu multa de 75% R$ 4.196.248,97 e juros de mora, no importe de R$ 727.349,82 até março/2008, totalizando um crédito tributário constituído de R$ 10.518.597,43. Ou seja, considerou os valores já apurados pelo contribuinte mesmo não respeitando o limite legal. Vejase que o saldo negativo apontado pela Recorrente foi apurado pelo contribuinte em novembro/2006 e que só existiu em razão da redução indevida da base de cálculo do IRPJ. Contudo, com a glosa do uso indevido dos prejuízos fiscais, o que era saldo negativo passou a ser crédito tributário devido. Isso, contudo, não afastaria a necessidade da fiscalização considerar os valores pagos, pelo contribuinte, no anocalendário de 2006. Mas, com a devida vênia, entre os pagamentos das estimativas e a lavratura do auto de infração de IRPJ decorreram mais de 15 (quinze) meses, tempo no qual o próprio contribuinte ou a ora Recorrente poderiam ter utilizado tais créditos, fato que não restou minimamente demonstrado para permitir, já em sede de recurso voluntário, segundo julgamento, sem constar em impugnação, que se converta o julgamento em diligência. Fl. 755DF CARF MF 10 Desta forma, por não fazer ao mínimo um início de prova de que valores pagos, a título de IRPJ estimativa, no anocalendário 2006, teriam sido desconsiderados pela fiscalização por ocasião da constituição do crédito tributário de IRPJ, mantenho a autuação. O mesmo raciocínio é extensível para a apuração da base de cálculo da CSLL e a constituição dos créditos tributários de CSLL pela glosa da utilização de base negativa de CSLL acima do limite legal de 30%, justificandose a manutenção da respectiva autuação. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo íntegra a r. decisão recorrida nos tópicos objeto do presente julgamento, nos termos da fundamentação. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 756DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904621/2016-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.904621/2016-81
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859677
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.510
nome_arquivo_s : Decisao_10680904621201681.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680904621201681_5859677.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7264343
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311744028672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.904621/201681 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.510 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 21 /2 01 6- 81 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904621/201681 Acórdão n.º 3201003.510 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.487, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904621/201681 Acórdão n.º 3201003.510 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008889/2007-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICO. INADMISSIBILIDADE.
A admissão do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fático-jurídica entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer a divergência na interpretação da legislação tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE COM FROTA PRÓPRIA. IMPOSSIBILIDADE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados ao transporte de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende desses dispêndios.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
BASEDECÁLCULO.EXCLUSÕES.SUBVENÇÃO.
As receitas de subvenções integram a base imponível da Contribuição para o PIS/Pasep no sistema não cumulativo de apuração, uma vez que o legislador não tenha previsto nenhuma exclusão específica para ingressos dessa natureza.
Numero da decisão: 9303-006.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICO. INADMISSIBILIDADE. A admissão do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fático-jurídica entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer a divergência na interpretação da legislação tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE COM FROTA PRÓPRIA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados ao transporte de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende desses dispêndios. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. BASEDECÁLCULO.EXCLUSÕES.SUBVENÇÃO. As receitas de subvenções integram a base imponível da Contribuição para o PIS/Pasep no sistema não cumulativo de apuração, uma vez que o legislador não tenha previsto nenhuma exclusão específica para ingressos dessa natureza.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.008889/2007-21
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5867706
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.715
nome_arquivo_s : Decisao_11080008889200721.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 11080008889200721_5867706.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7311858
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311773388800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.008889/200721 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303006.715 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrentes FAZENDA NACIONAL FRIGORÍFICO MERCOSUL S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICOJURÍDICO. INADMISSIBILIDADE. A admissão do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fáticojurídica entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer a divergência na interpretação da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE COM FROTA PRÓPRIA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados ao transporte de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende desses dispêndios. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. BASEDECÁLCULO.EXCLUSÕES.SUBVENÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 88 89 /2 00 7- 21 Fl. 884DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 3 2 As receitas de subvenções integram a base imponível da Contribuição para o PIS/Pasep no sistema não cumulativo de apuração, uma vez que o legislador não tenha previsto nenhuma exclusão específica para ingressos dessa natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de recursos especiais de divergência interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 380200.475, de 01 de junho de 2011 (efolhas 643 e segs), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, o valor da receita de subvenção para Fl. 885DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 4 3 investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO APURADO. POSSIBILIDADE. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 886DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 5 4 Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte. A divergência suscitada no recurso especial da Fazenda Nacional (efolhas 677 e segs) diz respeito à possibilidade de apropriação de créditos calculados sobre as despesas com a locação de veículos de carga e máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de transporte da própria locatária. A divergência suscitada no recurso especial do contribuinte (efolhas 734 e segs) diz respeito à (i) ausência de concomitância ou de renúncia tácita à instância administrativa; (ii) exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas auferidas com o Fundopem/RS; (iii) direito de crédito sobre despesas de transporte com veículos de frota própria e encargos de depreciação de veículos; e (iv) litispendência administrativa. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de exame de admissibilidade às efolhas 719 e seguintes. O recurso especial do contribuinte foi parcialmente admitido, apenas em relação (i) à exclusão da base de cálculo do PIS das receitas auferidas com o Fundopem/RS e Fl. 887DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 6 5 (ii) direito de crédito sobre despesas de transporte com veículos de frota própria. Despacho de exame de admissibilidade às efolhas 842 e seguintes. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 860 e seguintes. Requer que o recurso especial seja inadmitido/improvido. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Recurso Especial da Fazenda Nacional Conhecimento do Recurso Especial Depreendese dos autos que o recurso interposto pela Fazenda Nacional está fundamentado no que defende ser a correta conceituação de insumos na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das contribuições. O acórdão recorrido, por seu turno, em relação à matéria ora controvertida, decidiu sobre o direito de crédito nas operações de locação de veículos de carga por considerá los espécie de máquinas e equipamentos contemplados no art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/2003 O despacho de admissibilidade do recurso especial reconheceu a divergência sob o seguinte fundamento. Segundo o enunciado da ementa do referido acórdão paradigma, o aproveitamento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade “há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003.” O voto condutor deste julgado, deixa claro a opção pela aplicação do conceito de insumo, previsto na Fl. 888DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 7 6 legislação do IPI, para fim de apuração dos créditos da citada Contribuição, conforme excerto a seguir transcrito: (...) Desta forma, em face do Acórdão nº 20312.448 trazido pela Recorrente, fica demonstrada a alegada divergência, conforme preconiza o art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, no que diz respeito ao ponto que trata do reconhecimento do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa calculado sobre as despesas, pagas a pessoa jurídica, referente à locação de veículos de carga utilizados nas atividades de transporte da locatária. Para demonstrar a leitura empregada pelo acórdão recorrido, a ementa correspondente foi transcrita no despacho. Reproduzo a seguir o fragmento que trata da matéria objeto do recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO APURADO. POSSIBILIDADE. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Como se vê, em relação à matéria recorrida, a ementa não faz menção ao conceito de insumos, apenas à possibilidade de que a empresa aproveite créditos vinculados às despesas com locação de veículos de carga utilizadas no transporte da própria locatária. De plano, anotese que não há divergência sobre qual foi a matéria destacada pela recorrente para demonstrar o dissenso jurisprudencial. Como fica claro no excerto que Fl. 889DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 8 7 segue, extraído do recurso especial, a divergência de interpretação do vernáculo "insumos", presente na legislação que regula a incumulatividade das Contribuições, foi a questão nuclear do recurso. Para satisfazer esta exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocamos o Acórdão 20312.448, o qual, diversamente do entendimento demonstrado nos autos onde se decidiu por alargar demasiadamente o conceito de insumos decidiu que apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito referente à PIS nãocumulativa aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003, como exatamente decidiu a decisão de 1ª instância modificada pela decisão ora recorrida, adotandose no contexto da nãocumulatividade do PIS a tese da definição de insumos prevista na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Assim, passamos a transcrever a ementa do seguinte acórdão paradigma nº. 20312.448: Também não há divergência sobre o a matéria objeto do recurso. Faço, a seguir, nova transcrição de excerto dele extraído, agora para demonstrar o conteúdo material da lide no momento atual. Em apertada síntese, recorre a Fazenda Nacional, em face do acórdão da 2ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF que julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário do contribuinte, reconhecendo que “quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da contribuição para o PIS/PASEP, nãocumulativa”. Da leitura do acórdão recorrido, é fácil identificar o momento no qual a matéria objeto do recurso é enfrentada. Da glosa dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação de veículos de transporte. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 9 8 De acordo com item 4 da Informação Fiscal que serviu de base para a decisão consignada no citado Despacho Decisório, a glosa dos referidos créditos foi realizada com base no entendimento de que somente as despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, enquadravase na hipótese prevista no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Segundo a Autoridade Fiscal, ainda que utilizados nas atividades da Recorrente, as despesas com a locação de veículos de carga não poderiam ser utilizadas como base de cálculo do crédito em questão, porque os referidos veículos não seriam prédios, nem tampouco máquinas e equipamentos. Discordo. No meu entendimento, a expressão genérica “máquinas e equipamentos” compreende também os veículos de transporte de carga que, no caso em tela, foram utilizados no transporte de animais e de carne fresca, complementando os serviços de transporte realizados em frota da própria Recorrente. Segundo o Dicionário Houaiss7, máquina “é qualquer equipamento que empregue força mecânica, composto de peças interligadas, cada qual com uma função específica, e em que o trabalho humano é substituído pela ação do mecanismo”. Logo, é indubitável que os veículos de transporte de carga são uma espécie de máquina, aliás, uma das máquinas mais complexas. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 10 9 Cabe enfatizar que a dedutibilidade do referido crédito não está condicionada a que as máquinas e os equipamentos locados sejam utilizados na “fabricação de produtos destinados à venda”, conforme exigido para os encargos de depreciação. Deveras, no caso em tela, a exigência é que as máquinas e os equipamentos sejam utilizados “nas atividades da empresa”. Aliás, sobre tal requisito inexiste controvérsia, pois a própria Autoridade Fiscal asseverou que os mencionados veículos foram utilizados na atividade de transporte de animais e bois realizada pela Recorrente. Com base nessas considerações, entendo que deve ser restabelecida a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação com os referidos veículos de transporte de carga. Inegavelmente, a razão pela qual o recorrido decidiu pela reversão da glosa no locação de veículos passa muito longe do que venha ser o conceito válido de insumos para efeito de apuração da contribuição no sistema não cumulativo. Com efeito, esse assunto foi abordado quando se decidia sobre outra matéria, especificamente sobre a glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. Mais uma vez, me socorro da transcrição do teor da decisão recorrida. Consta no voto. Da glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. De acordo com a citada Informação Fiscal, as despesas de transporte com frota própria não se enquadravam no conceito de insumo estabelecido no transcrito inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o estabelecido nas alíneas “a” e “b” do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, que seguem transcritos: (...) Fl. 892DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 11 10 Diante do exposto, fica esclarecido que, para a Fiscalização, o processo de produção ou industrialização da Recorrente inicia se com abate dos bovinos e termina com a embalagem dos produtos finais (carcaça, carne e couro). Logo, segundo esse entendimento, não seria insumo os demais dispêndios não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos produtos finais. (...) Da leitura do excerto transcrito, fica claro que, para a Recorrente, o seu processo de produção compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos finais industrializados (carcaça, carne e couro) no estabelecimento do cliente. Assim, segundo esse entendimento, seria insumo tanto as despesas com realizadas com o transporte dos animais vivos como dos produtos finais entregues nos estabelecimentos dos clientes. (...) Não procedem as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” ou seja, aplicados no processo produtivo. No presente caso, obviamente, as despesas realizadas com os referidos veículos estavam relacionadas com os serviços de transporte prestados nas fases anterior e posterior ao processo industrialização dos produtos vendidos. Observese. Há diversos problemas com a demonstração da dissensão jurisprudencial por meio da qual intentouse o apelo a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em primeiro plano, constatase que não há identidade fáticojurídia entre a matéria ora discutida e matéria decidida nos paradigma. Neste, discutese se veículos são máquinas na acepção do inciso IV do art. 3º da Lei 10.833/2003. Naquele, a extensão do conceito do vernáculo insumos encontrado no inciso II do mesmo art. 3º. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 12 11 É verdade que o recorrido decidiu sobre insumos, assunto tratado nos paradigma, mas não é dessa decisão que a Fazenda Nacional recorre em sede de recurso especial. E nem poderia, pois nesse ponto a decisão recorrida lhe foi favorável. De fato, como consta no excerto antes transcrito, ao adentrar a essa questão específica, a instância a quo entendeu que não procediam "as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados 'na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda' ou seja, aplicados no processo produtivo (...)". Significa dizer que não há causa de pedir em relação à matéria posta no recurso especial. Por mais que essa instância recursal restringisse o conceito válido para o termo insumos encontrado na legislação das Contribuições, o resultado da lide não se modificaria neste particular, pois o crédito correspondente já foi negado. E nem na essência da controvérsia identificase qualquer relação entre os assuntos. A decisão ora contraditada diz respeito ao emprego de veículos locados nas atividades da empresa. Tratase de um crédito com gastos de locação de máquinas, equipamentos ou imóveis empregados em qualquer setor/atividade da empresa; administrativo, produtivo, mercadológico, vendas ou qualquer outro. Observese. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Portanto, voto por não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Recurso Especial do Contribuinte Correto o exame de admissibilidade recurso especial interposto pelo contribuinte, analisase o mérito da matéria admitida. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 13 12 Mérito 1 Exclusão da base de cálculo do PIS das receitas auferidas com o Fundopem/RS Em sede de embargos de declaração, nos autos de processo nº 13971.005448/201064, acórdão nº 9303004.411, de 10/11/2016, lembrei que esta Turma decidiu que os incentivos concedidos por Estados da União como créditos de ICMS são caracterizados como subvenções e constituem receitas que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep. Reproduzo a seguir, tal como fiz na ocasião, os fundamentos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.878 (PAF 10380.009928/200418), da lavra do ex Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que, mutatis mutantis, são também adotadas como fundamento deste voto. Já me manifestei acerca do tema, no voto condutor do Acórdão nº 9303 002.355, de 13 de agosto de 2013, cujos fundamentos adotados naquele julgamento reproduzo abaixo, e adoto como minhas razões de decidir no presente processo: Inicialmente, temse que o correto enquadramento contábil dos incentivos fiscais (subvenções) concedidos pelo Estado do Amazonas, destinados às sociedades empresárias industriais ou agroindustriais que lá se instalaram, deve ser feito como receitas não operacionais da pessoa jurídica, pelas razões seguintes. As subvenções governamentais são programas delineados, administrados e concedidos pelos governos (União, Estados, DF e Municípios) com o objetivo de incrementar operações, atrair investimentos para determinadas regiões pouco desenvolvidas e financiar a promoção de atividades de interesse público. Às empresas que se fixam em áreas carentes de desenvolvimento são concedidas reduções e isenções tributárias (subvenções) sobre suas operações, cuja concessão segue procedimento criterioso de aprovação da empresa interessada. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 14 13 Há outras modalidades de subsídios, tais como as subvenções governamentais para investimento em que a empresa beneficiária fica obrigada a reinvestir, sob determinadas condições, parte dos tributos desonerados de suas transações e a subvenção para custeio, também denominada de subvenção corrente para custeio ou subvenção operacional, esta modalidade de subvenção governamental é caracterizada pelo incentivo, em sua maioria de natureza tributária, concedido pelo poder público com o objetivo de incrementar a atividade operacional das empresas em decorrência de interesses do próprio governo. Dos conceitos acima, a conclusão acaciana a que se chega é que o incentivo fiscal dado pela Lei 2.826/2003, do Estado do Amazonas, é espécie de subvenção governamental. A classificação desse incentivo como subvenção governamental é encontrada, dentre outros, nos itens 6 e 41 do CPC nº 7. Como é de sabença de todos, a sigla CPC designa o Comitê de Pronunciamento Contábil, criado pela Resolução nº 1055/05 do Conselho Federal de Contabilidade, composto pelas seguintes entidades: ABRASCA; APIMEC; NACIONAL; BOVESPA; Conselho Federal de Contabilidade; FIPECAFI; E IBRACON. 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. 41. Certos empreendimentos gozam de incentivos tributários de imposto sobre a renda na forma de isenção ou redução do referido tributo, consoante prazos e condições estabelecidos em legislação específica. Esses incentivos atendem ao conceito de subvenção governamental. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 15 14 O CPC tem como objetivo "o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais". Releva ainda salientar que o CPC nº 07 foi aprovado, dentre outros, pela (o): CVM, deliberação CVM nº 555/08; CFC, Resolução CFC nº 1.143/08; Susep, Circular Susep nº 379/08 (anexo I). As subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita, a teor do item 42, abaixo transcrito: 42. O reconhecimento contábil dessa redução ou isenção tributária como subvenção para investimento é efetuado registrandose o imposto total no resultado como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente, a serem demonstrados um deduzido do outro. A seu turno, o item 9 do CPC nº 07, dispõe ser irrelevante para o método de contabilização, a forma como a subvenção foi recebida, vejamos: 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. Nessa linha de raciocínio, vêse que os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS Fl. 897DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 16 15 concedidos pelo Estado do Amazonas à sociedade empresária autuada constitui receita da pessoa jurídica, mais precisamente, receita não operacional, posto não ser fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária. Resta então determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência da Cofins. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços oude bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o § 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas decorrentes da isenção ou concessão de créditos do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Acontece, porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos gerais às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução Fl. 898DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 17 16 senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 62. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 62 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 62 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Em outro giro, a PGFN por meio da Portaria nº 294/2010, autorizou seus procuradores a não mais recorrerem das Fl. 899DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 18 17 decisões definitivas de tribunais superiores, como a do STF que reconheceu a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais. A edição dessa portaria corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do STF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo da Cofins. O Carf apascentou a jurisprudência no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento, assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Por conseguinte, anteriormente à vigência dessa lei, as subvenções governamentais objeto destes autos não estavam incluídas na base de cálculo da Contribuição.' Dessa forma, o entendimento acima exposto refletiria na incidência de PIS pela sistemática cumulativa, no qual a tributação dependia do caráter operacional da receita. Entretanto, na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei 10.637/2002, a contribuição incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Do enunciado legal, inferese que se considera como receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, da qual podem ser excluídos os valores legalmente autorizados, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 19 18 Posto isto, tendo em vista que a matéria que ainda resta a ser decidida nos autos referese à Contribuição para o PIS/Pasep pelo regime não cumulativo, e que as receitas operacionais e não operacionais encontramse incluídas na hipótese de incidência destes tributos, e que o valor dos aportes oriundos dos incentivos fiscais do PROVIN e PROADI são enquadrados como receita, mostrase correto o lançamento tributário.' À luz dos arts. 1º da Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 1º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, as receitas de que aqui se trata incluemse nas bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pois, segundo estas normas, o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil, sujeitamse a estas contribuições, quando apuradas pelo regime nãocumulativo, admitidas apenas as exclusões dos valores das rubricas expressamente citadas. Uma vez que as receitas decorrentes de subvenções não estão entre aquelas passíveis de exclusão das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devem sofrer a incidência destas contribuições. Importante abordarmos a recente normatização sobre referidas subvenções pelo art. 9º da LC nº 160/2017, a qual acresceu os §§ 4º e 5º ao art. 30 da Lei nº 12973/2014, abaixo transcrito: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: (...) § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Fl. 901DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 20 19 Verificase que todas subvenções concedidas pelos Estados, a título de ICMS, passaram a ser "subvenções de investimento", entendimento esse a ser aplicado desde sempre. Tal fato, como bem esclarecido no voto acima transcrito do Conselheiro Henrique, não afasta a sua característica de receita, o que a própria Lei nº 10.833/2003 a considera como receita, senão vejamos: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Portanto, indubitavelmente a partir da vigência da Lei nº 12/973/2014, tratamse de receitas a serem excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins nãocumulativas. Porém para os fatos geradores constantes do presente processo, anocalendário de 2005, não havia previsão legal para exclusão destas receitas da base de cálculo do PIS e da Cofins. Razão pela qual, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte em relação a esta matéria. 2 Direito de crédito sobre despesas de transporte com veículos de frota própria O voto vencedor da decisão recorrida manteve as glosas com as despesas com transporte realizado com frota própria pelas razões expostas nos excertos que seguem. Da glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. (...) De outra parte, sob o argumento de que o seu processo produtivo compreende desde os cuidados com os animais vivos Fl. 902DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 21 20 até a entrega dos produtos acabados ao cliente, alegou a Recorrente que as despesas realizadas com o transporte dos animais vivos (da fazenda de criação até o abatedouro) e dos produtos finais vendidos (do abatedouro até o estabelecimento dos clientes) enquadravamse no conceito de insumo, logo tinha direito aos respectivos créditos. No entendimento da Recorrente, os denominados veículos boiadeiros e frigoríficos da sua frota de transporte seriam considerados bens de produção, por conseguinte as despesas de combustíveis e manutenção realizadas com tais veículos estariam compreendidas no conceito de insumo. Não procedem as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.637, de 2002, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” ou seja, aplicados no processo produtivo. No presente caso, obviamente, as despesas realizadas com os referidos veículos estavam relacionadas com os serviços de transporte prestados nas fases anterior e posterior ao processo industrialização dos produtos vendidos. Estou de acordo com o entendimento do Relator da decisão recorrida. Segundo entendimento que já manifestei reiteradas vezes, em situações como a de que aqui se trata, o que importa saber é se as despesas de transporte realizado com frota própria são gastos passíveis de serem considerados como aplicados no processo produtivo (ainda que por sua inclusão do custo do insumo) ou se estão relacionados em alguma das demais hipóteses contempladas nos art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nos autos, que tratam de pedido de ressarcimento protocolado pelo contribuinte, o dever de provar recai mais pesadamente sobre o administrado do que sobre a administração. Em decorrência disso, a comprovação do efetivo emprego das glosas revertidas pela decisão recorrida no processo produtivo da empresa ou de seu enquadramento nas demais hipóteses previstas em lei deve ser buscada nas manifestações e provas que o próprio contribuinte carreou aos autos. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 22 21 Em sede de recurso especial, a matéria de que ora nos ocupamos recebeu a seguinte abordagem. Já o Relator entendeu que não se configura como insumo os gastos da Recorrente com frota própria utilizados no transporte da matériaprima (gado vivo) e no transporte do produto em processo e pronto (carne fresca ou congelada em temperatura controlada) ao aplicar uma visão restrita de processo produtivo e da atividade da recorrente, restringindo os créditos às operações realizadas internamente na planta frigorífica, quando na verdade a operação produtiva da recorrente é verticalizada e ultrapassa os limites da porta de entrada e saída das plantas frigoríficas. O Conselheiro Solon Sehn, que restou vencido no julgamento do Acórdão ora recorrido, define insumo, muito propriamente, como "a matéria prima essencial da atividade industrial exercida pelo contribuinte." Entendeu o julgador, muito corretamente, que sendo a atividade industrial da Recorrente a industrialização da carne, não restaria dúvidas que o transporte de animais vivos para o abate se configuraria como insumo. Gastos com o transporte até o local da produção, como se sabe, devem ser incorporados ao custo dessa matériaprima, agregandoos ao valor do próprio insumo e, por conseguinte, gerando direito ao crédito. Por sua vez, gastos com transporte do produto acabado não integram o custo do insumo, não fazem parte do processo produtivo e tampouco estão contemplados em quaisquer das hipóteses legais que autorizam a apropriação de créditos no sistema não cumulativo de apuração das contribuições. Na etapa posterior ao processo de produção, o único dispêndio para o qual o legislador previu direito de crédito foi para o frete na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor. Não há esforço de hermenêutica que autorize, por analogia, a apropriação de créditos com gastos genéricos com o transporte do produto acabado. Significa dizer que, em relação aos dispêndios de aqui se trata, apenas os gastos com veículos próprios empregados no transporte da matériaprima e contabilizados de forma segregada, integrando o custo da matériaprima em estoque, geram direito ao crédito. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 23 22 Não há, contudo, qualquer evidência de que o contribuinte tenha feito tal segregação em sua contabilidade. E, de fato, é muito improvável que esses gastos tenham sido apropriados separadamente: parte deles para o transporte do boi vivo e parte para o produto acabado. Em tais circunstâncias, inexistem elementos de prova ou mesmo evidências que permitem determinar o enquadramentos dos gastos com a frota própria em uma das hipóteses contempladas em lei para geração de créditos para desconto da contribuição devida ou mesmo que ensejem direito de ressarcimento/compensação. Por todas as razões expostas em relação (i) à ausência de demonstração do dissenso jurisprudencial por parte da Fazenda Nacional; (ii) à inclusão das receitas oriundas do Fudopem na base de cálculo da Contribuição; e (iii) à glosa dos créditos com gastos com o transporte em frota própria; voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 905DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 24 23 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama A priori, peço vênia ao nobre conselheiro relator Andrada Márcio Canuto Natal, que tanto admiro por seu brilhantismo, para expor meu entendimento acerca da discussão envolvendo a incidência ou não do PIS e da Cofins sobre os incentivos concedidos por Estados como créditos de ICMS caracterizáveis como subvenções. Recordo, assim, que o acórdão recorrido de nº 3802000.475 consignou em sua ementa (transcrito somente a parte que interessa nessa declaração): “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. [...]” Trago que, após analisar melhor o tema, me posiciono pelo afastamento dessas subvenções da tributação pelas r. contribuições. Considerando que o sujeito passivo observa a sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, foi considerado à época pela turma a quo os dizeres do caput e dos §§1º e 2º do art. 1º da Lei 10.637/02 vigentes naquele período discutido (Grifos meus): “Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 25 24 § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput.” O que, de forma simples, foi consolidado naquela ocasião que a subvenção para investimento seria passível de tributação pelas contribuições, por se tratar de receita – que se subsume ao disposto no art. 1º, § 1º, da Lei 10.637/02. Não obstante a esse entendimento, refletindo melhor, vêse que tal subvenção não tem caráter/natureza de receita – o que deveríamos enquadrála no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei 10.637/02 (Grifos meus): “[...] § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I – isentas ou não alcançáveis pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero);” Ora, as subvenções para investimentos por terem destinação específica – qual seja, implementação, expansão e desenvolvimento econômico da região do Estado incentivador, não constituiriam lucro e nem estariam disponíveis para distribuição como dividendo. Tanto é assim que à época dos fatos, deveriam ser contabilizadas em reservas de capital, tal como pronunciou as normas vigentes. Por terem destinação específica, não há como a empresa ter gerência sobre tais recursos, devendo, inclusive, justificar a sua aplicação. O que reforça que sua natureza não poderia ser de “receita”. E, por não terem essência de “receita”, se assim fossem contabilizadas – deveriam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins. Para melhor elucidar, trago o art. 182, § 1º, alínea “d”, da Lei 6.404/76 vigente à época (Grifos meus): “Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 26 25 § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;” Continuando, o PN CST 112/78 traz que a subvenção para investimento corresponde efetivamente a uma transferência de recursos do Poder Público para uma pessoa jurídica com a finalidade de darlhe suporte para aplicação específica em bens e serviços para “expandir empreendimentos econômicos” – o que é o caso vertente. Eis o que traz o PN (Grifos meus): “[...] 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1. do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementa o com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia de intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta Fl. 908DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 27 26 apenas o “animus‟ de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. [...]” E tal subvenção deve ser registrada, considerando o momento discutido, em contas de reserva de capital, conforme Nota Explicativa da ICVM 59/86: “As reservas de capital representam acréscimos efetivos aos ativos da companhia que não foram originados dos lucros auferidos em suas operações, por não representarem efeitos de seus próprios esforços, mas assim de contribuições de acionistas ou de terceiros para o patrimônio líquido da companhia com o fim de propiciar recursos para o capital (em sentido amplo), inclusive contribuições governamentais sob a forma de subvenções por incentivos fiscais. (...) Quanto às doações e subvenções, fazemse necessários alguns comentários adicionais. As doações recebidas pela companhia poderão ser em bens (imóveis, móveis) ou direitos. A contabilização de bens doados, tendo como contrapartida uma conta de reserva de capital, deve ser feita a valor de mercado pelo valor que custaria adquirir o bem recebido em doação. Em relação às subvenções recebidas pela companhia, elas podem ser classificadas em dois tipos diferentes: subvenções para investimento e subvenções para custeio. As subvenções para investimento são registradas contabilmente como reserva de capital. Normalmente, referemse a valores de que a companhia se beneficia a título de devolução, isenção ou redução de impostos devidos, ou de valores recebidos destinados à expansão de suas atividades, sob a forma de investimentos para capital fixo ou capital de giro. É o caso, por exemplo, de devolução de IPI ou ICMS e de isenção temporária de imposto de renda como incentivo regional ou setorial. As subvenções para custeio são constituídas por auxílio financeiro comumente recebido de forma periódica pela companhia para fazer face às suas despesas, insuficientemente cobertas Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 28 27 pelas receitas de suas operações (tarifas). São, contabilmente, classificadas como receita extraordinária. É exemplo típico o caso das ferrovias brasileiras.” Vêse que tais normas estavam em conformidade com o art. 38 do Decreto Lei 1.598/77 vigente à época: “Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: [...] § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) a) registradas como reserva de capital. [...]” Tal dispositivo esclarece que devem ser registradas como “reserva de capital” as subvenções para investimento relativas a redução de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Frisese tal entendimento o Parecer Normativo CST 2/1978 que contempla que as subvenções que integram a receita bruta operacional da pessoa jurídica beneficiária são aquelas destinadas ao custeio, não alcançando as que se destinem a investimentos. O que, em breve síntese, não haveria como considerarmos a subvenção para investimento na base de cálculo do PIS e da Cofins, eis que devem ser consideradas em reserva de capital. Tais normas deveriam ser aplicadas ao caso em questão, considerando à época dos fatos. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 29 28 Recordase as lições de José Bulhões Pedreira ao trazer que as subvenções de investimentos, quando contabilizadas em reserva de capital não transitam em contas de resultado (in Imposto de renda: pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: AdcoasJustec, 1979): “Dois requisitos são necessários para que se caracterize a transferência de capital: (a) que o doador tenha a intenção de fazer contribuição para o estoque de capital da pessoa jurídica, e (b) que esta não modifique a natureza da transferência, transformando o capital em renda. [...] A transferência de capital pressupõe a intenção do doador de contribuir para o estoque de capital da pessoa jurídica, e não para o custeio das suas atividades ou operações. Mas a pessoa jurídica que a recebe pode mudar essa destinação, transformando o capital em renda. Por isso, a caracterização de transferência de capital, para efeitos fiscais, pressupõe tanto a intenção de quem transfere quanto o tratamento que a pessoa jurídica dá, na sua contabilidade, à transferência recebida: somente há transferência de capital se a pessoa jurídica credita os valores recebidos a conta de reserva de capital. Se o crédito é feito a conta de resultados, a lei tributária considera que a pessoa jurídica transformou a transferência de capital em transferência de renda e a submete ao imposto. A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimento ou doações para aumentar o capital de giro.” Vêse que as normas vigentes à época, traduziam que as subvenções para investimento deveriam ser registradas em reserva de capital, e não em contas de resultado. O que, a meu entender, se fossem registradas em contas de resultado como receita, deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições, por não terem natureza essencial de receita. Tanto é assim que a Lei 11.941/09 deixou esse entendimento mais claro ao trazer no art. 38 do DecretoLei 1.598/77 (Grifos meus): Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 30 29 "Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3o deste artigo. § 1o As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2º O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1o do art. 15 desta Lei. § 3º Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 31 30 [...]" Art. 21. ..................... Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e II – o valor do prêmio na emissão de debêntures, de que trata o art. 19 desta Lei. " Vêse, então, que a Lei 11.941/09 trouxe que as subvenções para investimento passariam a ser registradas em reserva de lucros – reserva de incentivo fiscal e, quando registradas em conta de resultado como receita, poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins. Ora, trouxe literalmente que se tais subvenções fossem registradas como receita, deveriam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins. Isso para fins de aplicação do RTT – Regime Transitório de Tributação que, por sua vez, veio para aplicar ao ordenamento jurídico as Normas Internacionais de Contabilidade. As Normas Internacionais de Contabilidade transpareceram a importância da prevalência da Essência sobre a Forma no mundo jurídico e contábil. Refletindo a importância da veracidade fenomênica dos eventos frente às formalidades envolvendo meros registros contábeis. Nesse ínterim, o Regime Transitório de Tributação veio ao ordenamento jurídico para somente neutralizar dos efeitos contábeis internacionais a tributação em determinados eventos. Sendo assim, deixou mais claro que não há tributação pelo PIS e Cofins sobre a subvenção de investimento – até mesmo quando contabilizada como receita, pois em sua essência tal subvenção não se revestia como tal. A Lei 11.941/09, ao trazer que se tais subvenções fossem registradas em contas de resultado dispôs que não deveriam ser tributadas pelo PIS e pela Cofins. O que, por conseguinte, acabou por respeitar, de per si, a Primazia da Essência sobre a forma no mundo fenomênico contábil e tributário e a segurança jurídica ao sujeito passivo, pois pela essência, como dito anteriormente, tal subvenção não teria natureza de receita, não podendo ser tributada pelo PIS e pela Cofins, independentemente da forma que foi registrada. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 32 31 Os efeitos, independentemente da forma jurídica ou forma de registro, devem observar essencialmente a natureza do evento pela sua essência jurídica e contábil. Proveitoso trazer também que a MP 627 (Lei 12.973/14, objeto de conversão da MP), publicada posteriormente, quando revogou, entre outros os arts. 14 a 24 da Lei 11.941/09, trouxe disposições alterando as Leis 10.637/02 e Lei 10.833/03 (Grifos meus): “[...] Art. 1º................................. [...] § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; [...]” Manteve, assim, a não tributação da subvenção para investimento pelo PIS e pela Cofins, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma, eis que independentemente da "forma" de se registrar tal subvenção (registro como receita ou reserva de incentivos fiscais), trouxe explicitamente que, para fins tributários, tal subvenção não seria tributada pelas contribuições, tal como fez a Lei 11.941/09, eis que consideraram que tal subvenção não possui "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como receita, ainda que registrados como tal. Vêse que a legislação trouxe que tais subvenções poderiam ser registradas como receita ou como reserva de incentivo. E, caso fossem registradas como reserva de incentivo, nos termos do art. 30 da Lei 12.973/14, não seriam computadas na determinação do lucro real; porém, somente poderiam ter destinação determinada – qual seja: · Absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou · Aumento de capital social. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 33 32 E caso a destinação fosse diversa das mencionadas pelos dispositivos, deveriam ser tributados pelo lucro real. No que tange ao PIS e Cofins, vêse que há regramento específico. Tanto é assim que traz que se as subvenções forem registradas como receita – tais receitas seriam excluídas da base de cálculo dessas contribuições, tal como a Lei 11.941/09 fez ao deixar claro esse procedimento. Nem comentou sobre a contabilização como reserva de incentivo, tal como fez quando tratou do procedimento para a desconsideração desses recursos para fins de computo no lucro real. Sendo assim, apenas ratificou o que já ocorria muito antes da Lei 11.941/09. Ou seja, que tal subvenção para investimento deveria antes da Lei 11.941/09 ser registrada em conta de reserva de capital e, se fosse registrada como receita, não deveria sofrer tributação, vez que não possuía natureza de receita. Sendo assim, em respeito à segurança jurídica, é de se esclarecer que tais subvenções para investimento nunca foram objeto de tributação pelo PIS e pela Cofins, ainda que as normas posteriores "mandassem de forma explicita" registrar como receita ou como reserva de incentivo, pois sempre se considerou para fins de tributação a essência do evento – que, por sua vez, não refletiria em “receita”. A Lei 12.973/14, o DecretoLei 1.598/77, o PN e a Nota Explicativa CVM 59/86 – que trazem que tais incentivos não devem ser tributados pelo PIS e Cofins enaltecem a segurança jurídica a ser dada aos sujeitos passivos e não conflitam com o art. 58 da Lei 12.973/14 que, por sua vez, traz que para fins de tributação devem ser observadas as normas contábeis publicadas anteriormente àquela Lei. E, pelo CPC 30, vigente até 2018, recordo que tais subvenções não possuem natureza de receita em sua essência, devendose afastar a tributação pelas contribuições. Sendo assim, para que não haja confusão normativa – normas tributárias e normas contábeis, é de se entender que o que fez as Lei 11.941/09 e 12.973/14 ao trazerem “a exclusão da "receita" de subvenção de investimento para fins de tributação pelo PIS e Cofins não cumulativo”, quando registrada como receita, e não reserva de incentivo, foi esclarecer Fl. 915DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 34 33 que, independentemente de seu registro, ainda que como receita, a subvenção para investimento não seria passível de tributação pelo PIS e Cofins – pois o que prevalece, para fins de tributação – em respeito à teoria da prevalência da essência sobre a forma, é a essência desse evento. Independentemente desse entendimento, proveitoso trazer que a LC 160/17, a qual dispôs sobre a remissão de créditos tributários, constituídos ou não, decorrentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, bem como sobre as correspondentes reinstituições, trouxe em seu art. 9º alteração ao art. 30 da Lei 12.973/14, conforme segue: “Art. 30. .............................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." O que, em breve síntese, com tal dispositivo, não haveria como considerarmos tal subvenção para investimento como integrante da base de cálculo do PIS e da Cofins, ainda que houvesse a discussão da natureza dessa subvenção – se subvenção para custeio ou subvenção para investimento. Recordo que essa discussão envolvendo a natureza da subvenção poderia influenciar no direcionamento da natureza do evento – o que, por consequência, abriria, a princípio, a discussão acerca da tributação pelo PIS e Cofins se considerássemos a natureza da subvenção em discussão como de custeio. Digo “a princípio”, pois com o advento do Convênio ICMS 190/17 e a publicação até 29.3.2018 dos atos instituidores de benefícios fiscais de ICMS pelos Estados Fl. 916DF CARF MF Processo nº 11080.008889/200721 Acórdão n.º 9303006.715 CSRFT3 Fl. 35 34 nos Diários Oficiais– não há mais a discussão da natureza das subvenções – sendo todas consideradas como subvenção para investimento. Reforço que todos os Estados publicaram os atos instituidores de benefício fiscal de ICMS no prazo fixado pelo Convênio ICMS, com exceção do Estado do Amazonas. Ademais, a rigor, o Estado do Amazonas nem precisaria publicar os atos instituidores, vez que, por observar Regime Constitucional Especial, não estaria obrigado a assistir o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Carta Magna, sendo a LC 160/17 aplicável automaticamente aos incentivos dados por aquele Estado. Concluindo, reforço que a subvenção tratada nesse caso deve ser considerada como subvenção para investimento, conforme preceitua a LC 160/17 e, nessa linha, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devem sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. O que a Lei 11.941/09 fez foi ratificar que tai subvenções nunca tiveram caráter de receita, eis que explicitou que se assim fossem registradas não poderiam ser consideradas integrantes da base de cálculo das r. contribuições. Em vista de todo o exposto, com a devida vênia, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901077/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.901077/2014-16
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873724
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.076
nome_arquivo_s : Decisao_13888901077201416.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 13888901077201416_5873724.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7347951
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311803797504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901077/201416 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.076 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 77 /2 01 4- 16 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901077/201416 Acórdão n.º 1402003.076 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901077/201416 Acórdão n.º 1402003.076 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901077/201416 Acórdão n.º 1402003.076 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901077/201416 Acórdão n.º 1402003.076 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901077/201416 Acórdão n.º 1402003.076 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901077/201416 Acórdão n.º 1402003.076 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.720008/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2007 a 30/09/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO.
A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.
O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999.
INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 2301-005.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 15/05/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2007 a 30/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16370.720008/2012-60
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5863329
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.213
nome_arquivo_s : Decisao_16370720008201260.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16370720008201260_5863329.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7287155
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311838400512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16370.720008/201260 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.213 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE LONDRINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 30/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, “f”, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 72 00 08 /2 01 2- 60 Fl. 216DF CARF MF 2 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1669.579, exarado pela 12ª Turma da DRJ em São Paulo (efls. 179 a 191). O processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração Debcad n° 51.023.8904, que formaliza multa no montante de R$3.234,24, por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 226, §§ 1° e 2° do Decreto 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), por ter o sujeito passivo deixado de encaminhar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), até o dia 10 do mês seguinte, a relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de “habitese” concedidos mensalmente, ou encaminhar fora do prazo ou apresentar com incorreções ou omissões. O relatório fiscal (efls. 06 a 12) informa que: (a) não constando nos sistemas informatizados da RFB o Relatório Mensal de Alvarás de Construção e Cartas de Habitese, previsto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991 e art. 226 do Decreto 3.048, de 1999, o contribuinte foi intimado, em 14/06/2012 (efl. 24), a comprovar o cumprimento dessa obrigação acessória referente aos meses de 08/2007 e 09/2007; (b) a Portaria Interministerial MPS/MF N° 2, de 2012, art. 8°, IV, prevê a multa de R$1.617,12 pelas infrações ao art. 283 do RPS, o qual, na alínea "f" define como infração "deixar o dirigente dos órgãos municipais competentes de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social as informações concernentes aos alvarás, "habitese" ou documento equivalente, relativos a construção civil, na forma do art. 226"; (c) a Relação de Alvarás e Habitese concedidos no mês de 08/2007, cujo vencimento do prazo de entrega deuse em 10/09/2007, foi transmitida em 12/06/2012; devido à entrega em atraso, lavrouse o auto de infração, lançandose multa de R$1.617,12, referente a esta entrega com atraso; (d) expirado o prazo concedido na intimação, o contribuinte não se manifestou quanto à entrega da Relação de Alvarás e Habitese concedidos no mês 09/2007; portanto, lavrouse o auto de infração lançando multa de R$ 1.617,12 por deixar o contribuinte de apresentar a relação de todos os alvarás e habitese concedidos no mês 09/2007, cujo vencimento do prazo para entrega deuse em 10/10/2007; (d) o auto de infração, portanto, perfaz o total de R$ 3.234,24, alcançando as duas infrações. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16370.720008/201260 Acórdão n.º 2301005.213 S2C3T1 Fl. 3 3 Na impugnação (efls. 147 a 156) foi alegado, em síntese: (a) a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa; (b) a inexistência de irregularidade e a necessidade do cancelamento da multa, em face de ser caso de não aplicação da penalidade; (c) a inexistência de irregularidade pela entrega, fora do prazo, da documentação, tendo sido cumprida a obrigação e atingida a finalidade; (d) caso se entenda devida a multa, ela deve ser minorada por aplicação analógica do § 2°, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Os pedidos consistem no cancelamento do debcad, e, em consequência, da multa impugnada. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/07/2012 Ementa: MUNICÍPIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. São representados em juízo, ativa e passivamente, o Município, por seu Prefeito ou procurador, nos termos do Código de Processo Civil. Nos termos da Lei Orgânica do Município, à Procuradoria Geral do Município, órgão diretamente subordinado ao Prefeito, compete representar judicial e extrajudicialmente o Município. AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no Auto de Infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo Relatório Fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos, será encaminhada mensalmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. Fl. 218DF CARF MF 4 O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos é considerado descumprimento de obrigação tributária acessória, que sujeita o infrator à penalidade prevista na alínea "f", do inciso I do art. 283, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A ciência dessa decisão ocorreu em 11/09/2015 (efl. 195). Em 06/10/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 197 a 202), sendo repetidos os argumentos e os pedidos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator. O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE É alegada a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa, ocasionando cerceamento do direito de defesa, já que foi aplicada multa mínima, no valor de R$19.405,44, sendo de R$636,17 o valor mínimo indicado no RPS. Entendo não ter restado configurada qualquer nulidade. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16370.720008/201260 Acórdão n.º 2301005.213 S2C3T1 Fl. 4 5 A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, diferentemente do que alega o contribuinte, não foi aplicada multa de R$19.405,44, mas, como relatado, de R$3.234,24, cuja forma de cálculo, já relatada, está descrita no auto de infração. De qualquer sorte, no auto de infração, do qual o “relatório fiscal do auto de infração” é parte integrante, contém a descrição dos fatos e a base legal para a aplicação da multa, não ocorrendo o alegado cerceamento do direito de defesa. Vejamos a base legal citada. Lei 8.212, de 1991: Art. 50. Para fins de fiscalização do INSS, o Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. (Redação dada pela Lei n° 9.476, de 1997) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999: Art. 226. O Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá ao Instituto Nacional do Seguro Social, para fins de fiscalização, mensalmente, relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos, de acordo com critérios estabelecidos pelo referido Instituto. § 1° A relação a que se refere o caput será encaminhada ao INSS até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.(Redação dada pelo Decreto n°4.032, de 2001) Fl. 220DF CARF MF 6 § 2° O encaminhamento da relação fora do prazo ou a sua falta e a apresentação com incorreções ou omissões sujeitará o dirigente do órgão municipal à penalidade prevista na alínea "f do inciso I do art. 283. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...); f deixar o dirigente dos órgãos municipais competentes de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social as informações concernentes aos alvarás, "habitese " ou documento equivalente, relativos a construção civil, na forma do art. 226; e Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...); V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria Interministerial MPS/MF n° 02 de 06/01/2012: Art. 8° A partir de 1° de janeiro de 2012: (...); IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16370.720008/201260 Acórdão n.º 2301005.213 S2C3T1 Fl. 5 7 no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos) a R$ 161.710,08 (cento e sessenta e um mil, setecentos e dez reais e oito centavos); Ou seja, não há qualquer omissão na indicação da forma de cálculo do valor da multa, que possa levar ao cerceamento do direito de defesa. DE SER INDEVIDA A MULTA PELA FALTA DE ENTREGA DA RELAÇÃO DE TODOS OS ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE "HABITESE" CONCEDIDOS PELO MUNICÍPIO DE LONDRINA O recorrente alega que a infração não deve subsistir, uma vez que “a multa se refere à falta de entrega da relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos pelo Município de Londrina”, sendo inaplicáveis os fundamentos legais indicados, os arts. 50 e 102, da Lei 8.212, de 1991 (arts. 283, I, "f" e 373 do Decreto Federal 3.048/99). Aduz que, quanto aos entes públicos, não existe a possibilidade de estipulação de "obrigação acessória tributaria", pois tanto a Constituição quanto o CTN tratam apenas de "cooperação mútua", sendo este o espírito que o legislador deu ao art. 50 da Lei 8.212, de 1991, conforme previsto nos artigos 198, § 2° e 199 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à impossibilidade serem instituídas obrigações acessórias dirigidas a entes públicos, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa para fins da aplicação da Lei 8.212, de 1991 (art. 15, I, parte final, da Lei 8.212, de 1991), estando sujeitos às obrigações acessórias previstas na legislação tributária. O art. 50 da Lei 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 9.476, de 1997, dispõe que, para fins de fiscalização da RFB, o município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Regulamentando esse dispositivo, o art. 226 do RPS, determina que a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos será encaminhada à RFB até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. Assim, tratase de obrigação tributária destinada especificamente ao ente municipal, com previsão expressa de multa pelo seu descumprimento no § 2º do art. 226, já transcrito. A autoridade fiscal é vinculada à aplicação da legislação citada, face ao disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, pelo qual “a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A seu turno, o disposto nos arts. 198 e 199 do CTN não possuem o condão de elidir o lançamento, uma vez que o intercâmbio de informações ou a prestação de mútua assistência “para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações” não desobriga ao cumprimento das obrigações acessórias pelo entes públicos. Por outro lado, não existe qualquer ilegitimidade na previsão da multa. Ora, não havendo previsão expressa de multa pelo descumprimento do disposto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991, o art. 92 do mesmo diploma legal determina que seja aplicada multa variável, Fl. 222DF CARF MF 8 conforme dispor o regulamento. O art. 226 do RPS, com base nesse permissivo legal, indica que a multa a ser aplicada é a prevista na alínea “f” do inciso I do art. 283. DA ENTREGA, FORA DO PRAZO, DO RELATÓRIO Argumenta o recorrente que, conforme informação da Diretoria de Aprovação de Projetos, da Secretaria Municipal de Obras de Pavimentação do Município de Londrina, ter havido a entrega dos relatórios requeridos após o recebimento da intimação, ainda que não no prazo de vinte dias, não sendo cabível a aplicação de penalidade uma vez cumprida a obrigação, devendo ser anulado o auto de infração. Como visto, o art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991 estabelece ao município a obrigação de fornecer a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Por sua vez, o art. 226 do RPS estabelece o prazo para o cumprimento da obrigação (§ 1º) e regulamenta a sanção no caso de descumprimento (§ 2º). A recorrente não nega a entrega fora do prazo das relações de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Tendo havido a incidência da norma sancionadora, não há como afastála face aos argumentos expostos, ainda que tenham sido entregues, a destempo, os documentos solicitados. DA MINORAÇÃO DO VALOR DA MULTA A recorrente solicita a minoração do valor da multa, por aplicação analógica do § 2º, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Não há como atender o requerido, uma vez que a legislação apontada aplica se exclusivamente à infração relacionada à entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gfip), documento que não se confunde com o que estamos tratando. No caso, o valor da multa para a infração constatada encontrase expressamente previsto no art. 283, I, "f" e 373 do Decreto 3.048, de 1999. Havendo disposição expressa, não e aplicável o art. 108 do CTN, que dispõe sobre a analogia. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. (Grifouse.) Conclusão Fl. 223DF CARF MF Processo nº 16370.720008/201260 Acórdão n.º 2301005.213 S2C3T1 Fl. 6 9 Voto, portanto, por REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903669/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15374.903669/2008-40
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861579
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.424
nome_arquivo_s : Decisao_15374903669200840.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 15374903669200840_5861579.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7279807
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050311858323456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 96 1 95 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.903669/200840 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.424 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2018 Matéria PER/DCOMP. ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 36 69 /2 00 8- 40 Fl. 109DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 64/69, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 53/57, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 27853.97228.090904.1.3.04 2013, fls. 02/06, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 31.719,30 oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 1º semana de setembro de 2004, no valor de R$ 38.326,43. Conforme Despacho Decisório de fl. 07, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ em São Paulo/SP das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: " 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 18/06/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 14, informando, em suma, o seguinte: • Que recebeu o despacho decisório consignando a não homologação da compensação. • Que a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o seu direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram a não homologação da compensação. • Que no caso em tela o fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que, por si, desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. • Que o ato administrativo deve ser sempre motivado. • Que a falta de demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa, sendo o despacho decisório em tela nulo de pleno direito. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 15374.903669/200840 Acórdão n.º 2201004.424 S2C2T1 Fl. 97 3 • Que o peticionante, por erro, declarou na DCTF do 2º trim/03 1ª semana de junho/03, o valor de R$ 31.719,30, como DARF vinculado ao débito do período, sendo que este valor corresponde a pagamento efetuado a maior. • Que no PER/DCOMP o valor do débito compensado corresponderia a este crédito devidamente atualizado. Podendo o alegado ser comprovado pelo PER/DCOMP, pelas DCTF’s (2º trim/03 e 3º trim/04) e pelo DARF anexados ao processo. • Que o valor do débito da DCTF (fls. 34 a 41), contém um erro que deve ser observado, especificamente, o campo “pagamento com DARF”, pois o valor de R$ 31.719,30 (fls. 39) foi totalmente recolhido indevidamente. Anexa também a DCTF onde consta o débito declarado no PER/DCOMP corretamente vinculado à compensação. 4.1 Ao final o manifestante solicita que sejam alteradas de ofício as informações das DCTF, de acordo com os dados informados e ainda que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade a fim de que seja julgado improcedente o despacho decisório, reconhecendose o direito de compensação.” Da Decisão da DRJ A DRJ em São Paulo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 53/57): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 09/06/2003 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 07 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 34/46). Fl. 111DF CARF MF 4 Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 23/05/2012, conforme faz prova o AR de fl. 62, apresentou o recurso voluntário de fls. 64/69 em 22/06/2012. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 1063/99, que tramitou na 06ª Vara do Trabalho de São Paulo, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 86/91). Sobre esse tema, afirmou que foi réu em reclamação trabalhista nº 1063/1999 proposta por exfuncionário (Sr. Sergio Luiz Branco Fonseca), na qual foi realizado depósito judicial no montante de R$ 154.266,65 em 02/06/2003 (fls. 83/90). Posteriormente, foi expedido alvará para que o reclamante efetuasse o levantamento do depósito no montante líquido de R$ 122.546,86. Em razão do exposto, em 24/09/2004, o RECORRENTE efetuou o recolhimento do IRRF no valor de R$ 41.970,94 (fl. 91), sendo R$ 31.719,30 do principal e o restante de multa e juros, conforme cálculos que apresenta (fl. 66). No entanto, em 09/06/2003, o RECORRENTE já havia efetuado o recolhimento do IRRF sobre o valor depositado, no montante de R$ 31.719,30 (fl. 93). Assim, por considerar que este primeiro recolhimento foi equivocado, pois ocorreu antes do levantamento do depósito, o RECORRENTE realizou o mencionado recolhimento em 24/09/2004, acrescido de multa e juros, quando do levantamento dos valores. Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15374.903669/200840 Acórdão n.º 2201004.424 S2C2T1 Fl. 98 5 Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 07, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 07/06/2003. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 07 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Fl. 113DF CARF MF 6 Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.903669/200840 Acórdão n.º 2201004.424 S2C2T1 Fl. 99 7 Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 1063/99, que tramitou na 6ª Vara de São Paulo, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Fl. 115DF CARF MF 8 Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
