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Numero do processo: 15586.720307/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO. LIMITAÇÃO LEGAL DE 30%.
O ordenamento jurídico vigente limita em 30% a compensação dos prejuízos fiscais de anoscalendários anteriores com o lucro líquido ajustado.
RESERVA DE REAVALIÇÃO. LAUDO.
O laudo que fundamenta a contrapartida da Reserva de
Reavaliação deve ser no mínimo contemporâneo à sua constituição. A apresentação de laudo elaborado 7 anos antes da constituição da reserva, não a fundamenta.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ é aplicável ao Auto de Infração reflexo em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1101-000.975
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de sobrestamento do julgamento e NEGAR provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA
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COMPENSAÇÃO. LIMITAÇÃO LEGAL DE 30%. O ordenamento jurídico vigente limita em 30% a compensação dos prejuízos fiscais de anoscalendários anteriores com o lucro líquido ajustado. RESERVA DE REAVALIÇÃO. LAUDO. O laudo que fundamenta a contrapartida da Reserva de Reavaliação deve ser no mínimo contemporâneo à sua constituição. A apresentação de laudo elaborado 7 anos antes da constituição da reserva, não a fundamenta. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ é aplicável ao Auto de Infração reflexo em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de sobrestamento do julgamento e NEGAR provimento ao recurso voluntário MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente), EDELI PEREIRA BESSA, BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, JOSÉ RICARDO DA SILVA (Vicepresidente) Relatório Segundo o Termo de Verificação (proc. fls. 125 a 128), a partir da análise realizada pela Seção de Programação, Avaliação e controle da Atividade Fiscal (SAPAC) da Delegacia da Receita Federal em Vitória, verificouse que o contribuinte declarou em sua DIPJ suas receitas e apuração de resultados pelo Lucro Real, porém o mesmo não ofereceu tal receita à tributação, isto é, não declarou os tributos devidos em DCTF nem tampouco efetuou seus recolhimentos. Após análise da escrituração, foi verificado que os livros Razão e LALUR correspondem com a DIPJ entregue pelo contribuinte, portanto, os valores de IRPJ e CSLL a recolher foram objeto de lançamento. Além disso, o contribuinte utilizou Reservas de Reavaliação, aumentando seu Capital Social no ano de 2006 em R$ 2.450.000,00 sem lançar adições ao lucro real. O Auditor Fiscal relatou que, em consulta à DIRPF, anocalendário 2009, do sócio Ney Geraldo Magela Ferreira, CPF 751.238.94772, constatou que o mesmo declarou o aumento de Capital Social com utilização de Reservas de Reavaliação do Ativo Permanente Imobilizado, conforme alterações do contrato social, registrado na junta comercial em 30/01/2006 e 30/07/2007. Em diligência à Junta Comercial, a autoridade fazendária obteve cópias das alterações contratuais mencionadas em que foram verificadas as seguintes alterações: 1) Na 22ª alteração do Contrato Social, arquivada em 30/01/2006, em sua cláusula II, os sócios resolvem “elevar o capital social de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) para R$ 2.700.000,00 (dois milhões e setecentos mil reais), mediante a incorporação de reservas de Capital no valor de R$ 2.450.000,00 (dois milhões e quatrocentos e cinquenta mil reais)”. 2) Na 29ª alteração do Contrato Social, arquivada em 30/07/2007, em sua cláusula I, os sócios resolvem que “O item II da alteração contratual arquivada na Junta Comercial do Estado do Espirito Santo sob o nº Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720307/201125 Acórdão n.º 1101000.975 S1C1T1 Fl. 2 3 20060072873, em data de 30/01/2006, onde constou mediante a incorporação de Reserva de Capital no valor de R$ 2.450.000,00 (dois milhões e quatrocentos e cinquenta mil reais)”, sendo que o correto seria “mediante a incorporação de Reserva de Reavaliação do Ativo Permanente Imobilizado, no valor de R$ 2.450.000,00 (dois milhões e quatrocentos e cinquenta mil reais)”. A autoridade fiscalizadora ressaltou que, nos termos do art. 439, inciso II do RIR/99, a Reserva de Reavaliação de Bens do Ativo Permanente será tributada quando a reserva for utilizada para aumento do Capital Social, pela importância capitalizada. Portanto, o auditor fiscal adicionou o valor de R$ 2.450.000,00 ao Lucro Real e recalculou os tributos devidos. Em 06/12/2011, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ (proc. fls. 132 a 134) e CSLL (proc. fls. 136 a 139). A Contribuinte apresentou Impugnação em 29/12/2011 (proc. fls. 143 a 155). De início, a Impugnante discorreu sobre o aumento do capital social ocorrido em 2006, proveniente da utilização da Reserva de Reavaliação do Ativo Imobilizado oriunda da reavaliação de imóvel. A Postulante afirmou que em 21/08/2002, foi feita uma avaliação pelo Eng. Luiz Meirelles Barcellos – Perito do Juízo, no valor de R$ 14.955.447,97 a preço de mercado. Juntou laudo técnico (proc. fls. 194 a 248). Relatou que, em 30/01/2006, foi contabilizada a alteração contratual elevando o capital social em mais R$ 2.450.000,00, por meio da utilização da Reserva de Subvenção que na realidade era proveniente da Reserva de Reavaliação do imóvel, conforme Alteração Contratual realizada em 06/07/2007 e registrada na contabilidade nesta mesma data com a devida correção dos fatos. Esclareceu que esta reavaliação fora incorporada ao Capital Social com base no art. 434 do RIR/99, que determina que a incorporação ao Capital Social desta reserva não seria computada na determinação do Lucro Real. Entendeu que não haveria que se falar em computar a Reserva de Reavaliação de imóveis na determinação do Lucro Real, portanto, deveria ser afastada a tributação sobre a incorporação da Reserva de Reavaliação no capital social. Colacionou jurisprudência do CARF supostamente relativa ao tema. Concluiu que a tributação, se houvesse, somente ocorreria quando da efetiva realização do imóvel, o que ainda não havia ocorrido; deste modo não haveria ocorrido o fato gerador dos tributos ora questionados. No que tange ao Lucro Real apurado e não recolhido, a contribuinte afirmou que possuía prejuízos fiscais nos anos de 2004 e 2005, que não estavam transcritos no LALUR apresentados à fiscalização, visto que a escrituração do LALUR começou no ano de 2006, enquanto que o LALUR dos anos anteriores estava em outro livro não exigido pela fiscalização. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Portanto, como não haveria que se falar em lucro operacional no ano de 2006, a presente autuação deveria ser anulada. Por fim, no que concerne à aplicação da multa, o sujeito passivo consideroua confiscatória. O contribuinte afirmou que jurisprudência e doutrina são uníssonas na aplicação do art. 150, inciso IV da Constituição Federal às multas. Desta forma, entendeu que a multa aplicada no percentual de 75% é inconstitucional. Solicitou a aplicação de multa de mora no percentual de 20%. Em 28/08/2012, a DRJ no Rio de Janeiro exarou Acórdão julgando a Impugnação procedente em parte (proc. fls. 265 a 278). O Colegiado afastou a preliminar de nulidade sob o argumento de que o lançamento foi efetuado por auditor fiscal, competente para o mister e com observância dos requisitos do artigo 142 do CTN, bem como não se verificou qualquer violação arrolada nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. No que diz respeito à incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, o órgão julgador a quo ressaltou que, no curso da ação fiscal, a contribuinte foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos comprobatórios do aumento das reservas de reavaliação durante os anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. No entanto, não colacionou aos autos nenhum documento que comprovasse a observância dos procedimentos necessários para a reavaliação previsto no artigo 8º da Lei nº 6.404/76 e exigido para o diferimento da tributação por força dos artigos 35 do DecretoLei nº 1.598/77 e 1º, inciso VI, do DecretoLei nº 1.730/79, matrizes legais do artigo 434 do RIR/99. A contribuinte fundamentou sua argumentação no caput do artigo 436 do RIR/99 ao afirmar que a incorporação ao capital da reserva de reavaliação em se tratando de bens imóveis não deve ser adicionada ao lucro líquido para efeito de apuração do Lucro Real. A DRJ, entretanto, asseverou que este artigo é complementado por outros, dentre eles o art. 437 do mesmo texto normativo. Desta forma, para que a reserva de reavaliação pudesse ser incorporada ao capital social com diferimento da tributação, seria necessário a constituição como contrapartida do aumento do valor dos bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do artigo 434 do RIR/99, o qual exige que a avaliação seja baseada em laudo, segundo preceitua o artigo 8º da Lei nº 6.404/76, cuja observância implica na tributação imediata. Desta forma, o Colegiado entendeu que a autoridade lançou de forma correta, tendo em vista que a contribuinte, no curso da fiscalização, não comprovou a regularidade da constituição de suas reservas de reavaliação. Ocorre que, quando da Impugnação, a Postulante apresentou laudo técnico de vistoria e avaliação. A DRJ, com fundamento nos art. 8º da Lei nº 6.404/76 e artigo 434 do RIR/99, examinou o laudo e fez as seguintes observações: O laudo técnico apresentado é um laudo judicial elaborado no bojo de uma demanda específica, portanto, foram afastados os procedimentos formais preconizados no artigo 8º da Lei das SA referente à ata de reunião de quotistas para aprovação do procedimento, e elaboração do laudo por três peritos ou empresa especializada; O laudo não permite identificar os bens avaliados pela conta em que estão escriturados, pois não é feita correlação direta. Também não são indicadas as datas de aquisição e eventuais modificações do custo original. Assim, a formação da própria reserva de Fl. 351DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720307/201125 Acórdão n.º 1101000.975 S1C1T1 Fl. 3 5 reavaliação não foi demonstrada, pois esta é constituída pela diferença entre o custo contábil e o valor atribuído mediante o laudo. Restou ainda prejudicada a verificação da realização da reserva de reavaliação por depreciação, já que o ativo imobilizado é um imóvel composto por um terreno e benfeitorias, dentre estas, instalações e equipamentos, cujo tempo de vida útil remanescente deveria estar indicado. Concluiu o órgão julgador que, mesmo abstraindose que o laudo foi elaborado com escopo e procedimentos diversos do que teria se fosse fruto de deliberação dos sócios, também não há naquele documento dados que permitam aferir nas reservas de reavaliação constituídas qual a correspondência com os bens avaliados o que, por consequência, não fornece os elementos necessários para verificar se parte da reserva de reavaliação no valor de R$ 2.450.000,00 incorporada ao capital social em 30/01/2006 atendeu às condições exigidas para o diferimento de sua tributação. No que diz respeito ao argumento de que obteve prejuízo fiscal nos anos calendário de 2004 e 2005, o Colegiado entendeu que assiste razão a contribuinte. Destarte, o órgão julgador administrativo determinou que fosse efetuada compensação do lucro real (e por extensão da base negativa da CSLL) com a tributação da adição correspondente ao valor da Reserva de Reavaliação capitalizada e do Lucro Real declarado sem pagamento do IRPJ, bem como da base de cálculo da contribuição social apurada nas mesmas infrações com base negativa de anos anteriores. Concluiu que a compensação dos prejuízos fiscais e base negativa da CSLL de períodos de apuração anteriores ao do próprio período de apuração estavam limitados a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas para a base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme preceituam os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. Referente à multa de ofício de 75%, a DRJ ressaltou que o comando constitucional de vedação ao confisco é direcionado aos entes políticos. Cabe ao Fisco, por dever de ofício, seguir o determinado em lei. A solicitação de redução da penalidade para o patamar de 20% é incabível por completa ausência de previsão legal. Desta forma, entendeu correta a aplicação da multa no percentual de 75% com fundamento no art. 44, I da Lei nº 9.430/96. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/10/2012 (proc. fls. 289 a 299). A Recorrente afirmou que equivocadamente apresentou um Laudo de Avaliação Judicial quando da Impugnação. Alegou que o correto seria o Laudo de Avaliação realizado em 1999, elaborado pela empresa Campagnoli Consultoria Ltda. Desta feita, requereu a analise da reavaliação dos imóveis e a respectiva utilização da Reserva de Reavaliação dos Imóveis no aumento do Capital Social (proc. fls. 323 a 339). A Peticionária asseverou que o laudo de 1999 referese ao imóvel onde está localizada a sua unidade de armazenamento, cuja propriedade e a posse ainda está sob o Fl. 352DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 domínio da empresa, ou seja, o imóvel ainda não foi alienado. Portanto, não houve a realização da Reserva de Reavaliação, cujo montante desta conta foi utilizada para o aumento de capital. A Postulante ressaltou que a reavaliação ora discutida não gerou em momento algum aumento na participação dos resultados da empresa ou acréscimo patrimonial ou entrada de novos recursos financeiros ou expectativa de ganhos futuros, o que houve foi somente a atualização do valor do bem ao valor presente. No que concerne ao Lucro Real apurado e não recolhido, a contribuinte questionou a compensação limitada a 30% dos prejuízos acumulados. Requereu a compensação integral do prejuízo acumulado sobre o lucro apurado pelo Fisco em 2006. Neste diapasão, entende que não há que se falar em lucro operacional no ano de 2006 e, portanto, não se pode exigir IRPJ e CSLL. A contribuinte relatou que “a limitação de 30% da compensação imposta pelos artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, recebeu por parte do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade desta limitação, conforme Recurso Extraordinário 591.340 São Paulo”. Desta feita, o sujeito passivo requereu o sobrestamento do presente processo até a decisão do STF. Por fim, referente à multa do art. 44, I da Lei nº 9.430/96, mais uma vez o contribuinte a considerou inconstitucional por ofensa ao art. 150, IV da Constituição Federal. Requereu a redução da multa a patamares justos e de acordo com a carta magna. É o Relatório. Voto Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, de tomo conhecimento. Preliminarmente, a Recorrente requer o sobrestamento do feito tendo em vista que foi o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 591.340/SP, reconheceu a repercussão geral referente à limitação de 30% da compensação imposta pelos artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.720307/201125 Acórdão n.º 1101000.975 S1C1T1 Fl. 4 7 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No entanto, a referida matéria já fora julgada por voto monocrático do Ministro Marco Aurélio no sentido de sua constitucionalidade, sendo que os processos em trâmite neste Conselho que versem sobre temas cuja repercussão geral foi reconhecida podem seguir seu curso de julgamento. Ante o exposto, afasto o pedido de sobrestamento destes autos já que a questão já fora decidida pelo STF. Do mérito Após a lavratura dos Autos de Infração constatouse que de fato a Contribuinte obteve prejuízos nos períodos de apuração anteriores ao ano calendário de 2006. Destarte, entendo correta a decisão da DRJ que extinguiu parcialmente os créditos lançados, e, determinando a compensação dos prejuízos acumulados, ao limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições exclusões previstas para base de cálculo do IRPJ e CSLL, nos ternos dos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. No que concerne à realização da Reserva de Reavaliação não adicionada ao Lucro Líquido, a Recorrente acostou aos autos novo laudo afirmando que por engano juntou Laudo de Avaliação Judicial quando da Impugnação. A despeito do que determina o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, III, que versa sobre o momento de apresentação de provas, não me oponho à juntada do presente Laudo de Avaliação, em respeito aos Princípios da Verdade Material e do Informalismo,. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Ocorre que, como deixou bem claro a Peticionária, este “novo” laudo data de 1999 e a constituição da Reserva de Reavaliação deuse em 2006, 2007 e 2008. Diferentemente do anterior laudo acostado, este, aparentemente, cumpre os requisitos formais exigidos pela lei, no entanto, o seu conteúdo encontrase deveras desatualizado, tendo em vista que expressa valores de quase uma década anterior ao momento da criação da Reserva de Reavaliação. Ante o decurso do tempo, o laudo inevitavelmente se mostra defasado com o atual estado do objeto de sua análise; desta feita, não se presta a fundamentar a Reserva de Reavaliação em questão. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Portanto, mantenho o lançamento referente ao aumento de capital social pela incorporação da Reserva de Reavaliação de bens do ativo permanente, pois, até o presente momento, a contribuinte não apresentou documentação apta e idônea que fundamente a Reserva de Reavaliação criada. Por derradeiro, a Postulante opõese à multa no percentual de 75% prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, sob o argumento de que a mesma é inconstitucional. É importante mencionar, que este Colegiado não detém competência para análise de constitucionalidade de lei vigente em nosso ordenamento jurídico. Este entendimento encontrase sumulado, vide: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, a fim de manter integralmente o crédito tributário exigido. Nara Cristina Takeda Taga Relatora Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10950.904942/2012-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3803-005.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A atividade da autoridade administrativa é obrigatória e vinculada, devendo se observar os comandos normativos presentes em leis vigentes e válidas, não lhe sendo facultado o poder de afastar o cumprimento de lei sob alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 42 /2 01 2- 25 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904942/201225 Acórdão n.º 3803005.143 S3TE03 Fl. 104 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada por meio de Declaração de Compensação (DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação declarada, com a devida atualização do direito creditório com base na taxa Selic, bem como a suspensão da exigência dos valores compensados até o julgamento definitivo na esfera administrativa do processo de crédito nº 10950.904768/2012 11, por força do previsto no art. 48, § 3º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, art. 66, § 5º, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, e art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). Requereu, ainda, o julgamento em conjunto deste processo com o processo administrativo nº 10950.904840/201218, por conter este os documentos probantes do direito pleiteado. Aduziu o então Manifestante que o pagamento a maior decorreria da falta de exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores de vendas não recebidos que, segundo ele, por não se referirem a acréscimo patrimonial, não poderiam se submeter à tributação, sob pena de dupla lesão patrimonial e de ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade. No seu entendimento, as perdas advindas do inadimplemento das vendas se subsumiriam no conceito de “vendas canceladas”, em razão do cancelamento do contrato decorrente da falta de pagamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, da DCOMP, de partes do livro Razão e de relatórios relativos à movimentação de títulos vencidos há mais de 6 meses baixados como perda. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 26/01/2006 PIS/PASEP. VENDAS. INADIMPLÊNCIA. DEDUÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal de dedução da base de cálculo do PIS/PASEP de valores advindos do mero inadimplemento relativamente às vendas efetuadas. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904942/201225 Acórdão n.º 3803005.143 S3TE03 Fl. 105 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Nos termos do relatório supra, a controvérsia nos autos se restringe ao alegado direito à exclusão, no cômputo da base de cálculo da contribuição, dos valores relativos a perdas decorrentes do inadimplemento de vendas. O direito creditório que o Recorrente pretende compensar neste processo com débitos de sua titularidade encontrase em discussão no processo administrativo nº 10950.904768/201211, em julgamento nesta mesma sessão, encontrandose controvertidos em ambos os mesmos argumentos de fato e de direito. De início, devese ressaltar que alegações de afronta a princípios constitucionais fogem à competência da autoridade tributária administrativa, uma vez que os dispositivos legais vigentes presumemse revestidos do caráter de validade, não havendo a possibilidade de negarlhes execução, em conformidade com o contido no art. 26A do Decreto n° 70.235/1972 – salvo nas hipóteses ali excepcionadas –, bem como no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme preceitua a Súmula CARF nº 2, este órgão colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. No mérito, tratase de matéria disciplinada no art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “b”, da Lei nº 10.637, de 2002, nos seguintes termos: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904942/201225 Acórdão n.º 3803005.143 S3TE03 Fl. 106 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (grifei) Com base no excerto supra, é possível concluir que a exclusão da base de cálculo dos valores recuperados de créditos baixados como perda denota que, quando do inadimplemento do contrato de venda, o valor respectivo não é excluído da receita bruta para fins de cálculo da contribuição. Somente com base nesse entendimento se concebe a exclusão supra identificada, pois, do contrário, terseia uma dupla exclusão relativa a um mesmo fato: a primeira no momento da ocorrência do inadimplemento da venda e a segunda quando da recuperação da respectiva perda, esta expressamente autorizada por lei. Notese que essa mesma intelecção consta da decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a seguir reproduzida em parte (AC 2002.72.05.0063860, 2ª T., maio/2004): PIS/PASEP. COFINS. ANALOGIA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DEDUÇÃO. CRÉDITO NÃO RECEBIDO DE VENDA EFETUADA. VENDA CANCELADA. NÃO SE CONFUNDE. NÃOAPLICABILIDADE DO RIR ÀS CONTRIBUIÇÕES. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Não há previsão legal de exclusão da base de cálculo da COFINS (faturamento) dos valores relativos às vendas cujos pagamentos não foram adimplidos. Isso porque venda cancelada é venda inexistente não ocorreu o fato gerador; enquanto venda cujo pagamento não foi adimplido é venda existente ocorreu o fato gerador. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904942/201225 Acórdão n.º 3803005.143 S3TE03 Fl. 107 5 2. Para que ocorra a tributação, in casu, basta que haja faturamento/receita bruta, sendo indiferente à lei se os valores relativos ao negócio ingressam ou não 'em caixa'. Tanto é assim que, a fim de evitar o 'bis in idem' quando da recuperação desses créditos, a Lei nº 9.718/98, no artigo 3º, § 2º, II, exclui da receita bruta as 'recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas'. 3. Inaplicáveis ao caso dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, considerando que cada tributo é regido por legislação própria. 4. Não configura ofensa à isonomia o tratamento conferido pela lei, posto que não se apresentam entes de mesmas características. Ao contrário. Tratase de pessoas jurídicas sujeitas a regimes jurídicos diversos ente público e sociedade empresarial pelo que, em se tratando de situações desiguais, deve ser conferido tratamento desigual. 5. Não há violação ao princípio da capacidade contributiva porque, por determinação constitucional, a Seguridade Social é financiada por toda a sociedade (art. 195), sendo que a pretensão da autora só pode ser atendida de lege ferenda (lei a ser criada). 6. Mantida a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios tal como fixado em sentença, posto que em conformidade com o artigo 20 do CPC e em consonância com os parâmetros desta Turma. (grifei) Conforme já havia destacado o relator do acórdão recorrido, as perdas decorrentes de inadimplemento não se subsumem no conceito de “vendas canceladas”, pois estas representam “a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços”1, enquanto que eventuais perdas ou ganhos decorrentes da transação não devem afetar a referida receita. Os elementos probatórios trazidos aos autos pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade indicam que o fato controvertido se refere a valores baixados como perdas por falta de recebimento e não por desfazimento da operação de venda. O termo “vendas canceladas” se refere às devoluções das mercadorias ao fornecedor, cujo valor respectivo deve ser deduzido, em conta própria, do valor da receita bruta de vendas. O seguinte trecho de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) corrobora com essa intelecção. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. (...). EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. "VENDAS INADIMPLIDAS". ALEGADA EQUIPARAÇÃO COM "VENDAS CANCELADAS". ANALOGIA/EQÜIDADE. INAPLICABILIDADE. ARTIGOS 111 E 118, DO CTN. OBSERVÂNCIA. 1 IN SRF n.º 51, de 3 de novembro de 1978. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904942/201225 Acórdão n.º 3803005.143 S3TE03 Fl. 108 6 (...) 4. Entrementes, o inadimplemento do consumidor não equivale ao cancelamento da compra e venda, no qual ocorre o desfazimento do negócio jurídico, denotando a ausência de receita e, conseqüente, intributabilidade da operação. 5. Isto porque o cancelamento da venda caracterizase pela devolução da mercadoria vendida ante a rescisão ou resilição do negócio jurídico, em virtude da inadimplência do comprador ou sua desistência ou de ambos os contratantes, entre outros motivos, implicando na anulação dos valores registrados como receita de vendas e serviços. (...) 8. Ademais, o posterior inadimplemento de venda a prazo não constitui condição resolutiva da hipótese de incidência das exações em tela, uma vez que o Sistema Tributário Nacional estabeleceu o regime financeiro de competência como a regra geral para apuração dos resultados da gestão patrimonial das empresas. Mediante o aludido regime financeiro, o registro dos fatos contábeis é realizado a partir de seu comprometimento e não do efetivo desembolso ou ingresso da receita correspondente. 9. Os pactos privados não influem na relação tributária, pela sua finalidade plurissubjetiva de satisfação das necessidades coletivas, não sendo lícito ao contribuinte repassar o ônus da inadimplência de outrem ao Fisco. É nesse sentido que o artigo 118 dispõe: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 10. Outrossim, a exclusão das reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda da base de cálculo do PIS e da COFINS, ex vi do inciso II, do § 2º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, corrobora o entendimento de que as "vendas inadimplidas" não se encontram albergadas na expressão "vendas canceladas", não podendo, por analogia, implicar em exclusão do crédito tributário, tanto mais que a isso equivaleria afrontar o artigo 111, do CTN, verbis: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904942/201225 Acórdão n.º 3803005.143 S3TE03 Fl. 109 7 III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." 11. A analogia não pode implicar em exclusão do crédito tributário, porquanto criação ou extinção de tributo pertencem ao campo da legalidade. 12. No plano póspositivista da Justiça Tributária, muito embora receita inadimplida economicamente não devesse propiciar tributo, é cediço que o emprego da eqüidade não pode dispensar o pagamento do tributo devido (§ 2º, do artigo 108, do CTN). (...) 14. Destarte, a opção legislativa em não inserir as "vendas inadimplidas" entre as hipóteses de exclusão do crédito tributário atinente ao PIS e à COFINS não pode ser dirimida pelo intérprete, mesmo que a pretexto de aplicação do princípio da capacidade contributiva, notadamente em virtude da ausência de perfeita similaridade entre os eventos econômicos confrontados. 2 (grifei) Nesse sentido, repisese, as vendas inadimplidas não se encontram albergadas pelo termo “vendas canceladas”, inexistindo, na espécie, a necessária devolução da mercadoria que caracteriza o cancelamento da compra e venda. O fato de o comprador não honrar seu compromisso financeiro não afasta a tributação incidente sobre o faturamento ou receita bruta, este apurado com base no regime da competência, em que os fatos são contabilizados a partir de seu comprometimento e não do efetivo ingresso do valor correspondente. Registrese que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 586.482, ocorrido em 5 de junho de 2008, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral na matéria relativa à exclusão das vendas inadimplidas da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Contudo, de acordo com consulta ao sítio do STF na internet, realizada em 9 de dezembro de 2013, constatouse que o referido RE ainda não teve o mérito julgado, em razão do que não há que se invocar a regra contida no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Destaquese do relatório do referido RE a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que fora ementada nos seguintes termos: PIS. COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS A PRAZO INADIMPLIDAS. A legislação que disciplina o PIS e a COFINS não autoriza a exclusão da base de cálculo das vendas a prazo inadimplidas, bem como dos créditos incobráveis dos adquirentes dos produtos e/ou serviços por inadimplemento. Eventos que tais, 2 REsp 1029434 / CE, Relator(a) Ministro LUIZ FUX, 1ª Turma, julg. 20/05/2008, publicação 18/06/2008. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904942/201225 Acórdão n.º 3803005.143 S3TE03 Fl. 110 8 compreendidos pelo próprio risco da atividade, não maculam a obrigação tributária. Não há falar que as vendas inadimplidas são equiparáveis às vendas canceladas. Quando ocorre o cancelamento do negócio, na verdade, o fato gerador do tributo não chega a existir e por essa razão é prevista como caso de exclusão da base de cálculo das contribuições art. 3º da Lei ns 9.715/98 e art. 3º, § 2º, Lei nº 9.718/98, bem como na legislação posterior, Leis ns 10.637/2002 e 10.833/93; situação outra é o inadimplemento das vendas a prazo. Nesta o fato gerador subsiste perfeito e acabado, como no caso dos autos, em que não houve demonstração de cancelamento das vendas, mas mera narração de inadimplemento de alguns dos adquirentes, que não tem o condão de desconstituir o fato gerador dos tributos em tela. (grifei). O excerto supra caminha no mesmo sentido, qual seja, a obrigação tributária não é afastada nos casos de inadimplência, não se equiparando tal evento às vendas canceladas, estas, sim, previstas em lei como hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições. No presente caso, por se tratar de contribuição não cumulativa, que não alcança as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido (art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002), não há que se perquirir acerca do direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, direito este exclusivo das pessoas jurídicas que adotam o regime presumido de tributação (MP n º 2.15835, de 2001, art. 20; e IN nº 247, de 2002, art. 14 e art. 85). Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10830.014608/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 04/11/2005 a 23/07/2010
PAF - CONCOMITÂNCIA - NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO - SÚMULA Nº 1 DO CC.
A existência de ação declaratória judicial em liquidação para determinar a legitimidade do montante do crédito-prêmio do IPI, cujo computo gerou falta de recolhimento do importo acusada em processo administrativo, impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do processo administrativo, que não pode ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide (art. 471 do CPC), sendo defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas (art. 473 do CPC), seja porque a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF).
PIS/COFINS - FALTA DE RECOLHIMENTO - RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO - LANÇAMENTO PARCIALMENTE MANTIDO.
Escoimado o lançamento dos recolhimentos espontaneamente efetuados antes do inicio da ação fiscal, bem como das respectivas multas, deve ser mantida a r. decisão, se na fase recursal, a recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as exigências do lançamento mantidas.
Numero da decisão: 3402-002.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos não se conheceu de parte do Recurso Voluntário em face da concomitância. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Na parte conhecida, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. No mês de setembro, fizeram sustentação ora o Dr. Silvio Luiz de Toledo César OAB/SP nº 114703 pelo Recorrente, e Dra. Bruna Garcia Benevides pela PGFN.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 04/11/2005 a 23/07/2010 PAF CONCOMITÂNCIA NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO SÚMULA Nº 1 DO CC. A existência de ação declaratória judicial em liquidação para determinar a legitimidade do montante do créditoprêmio do IPI, cujo computo gerou falta de recolhimento do importo acusada em processo administrativo, impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do processo administrativo, que não pode ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), sendo “defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja porque a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF). PIS/COFINS FALTA DE RECOLHIMENTO RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO LANÇAMENTO PARCIALMENTE MANTIDO. Escoimado o lançamento dos recolhimentos espontaneamente efetuados antes do inicio da ação fiscal, bem como das respectivas multas, deve ser mantida a r. decisão, se na fase recursal, a recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as exigências do lançamento mantidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos não se conheceu de parte do Recurso Voluntário em face da concomitância. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 46 08 /2 01 0- 82 Fl. 56420DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Albuquerque Silva. Na parte conhecida, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. No mês de setembro, fizeram sustentação ora o Dr. Silvio Luiz de Toledo César OAB/SP nº 114703 pelo Recorrente, e Dra. Bruna Garcia Benevides pela PGFN. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão/DRJ/CPS nº 0537.651 exarado em 18/04/12 (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) pela 5ª Turma da DRJ de Campinas SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente em parte”, o lançamento de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE consubstanciado no Auto de Infração CIDE (MPF nº 0810400/00214/10 fls. 873/977), notificado em 29/10/10 (fls. 871), no valor total de R$ 337.984.740,89 (CIDE R$ 168.826.901,88; Multa R$ 42.537.663,17; e Juros 126.620.175,84), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento de CIDE no período de 04/11/05 a 23/07/10 com multa de 75% (art. 44, inciso I, da Lei nº 9430/96), e juros à taxa SELIC (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96); nos seguintes termos: “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Remessas ao Exterior Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 CIDE REMESSA DE VALORES PARA O EXTERIOR FALTA DE RECOLHIMENTO DA CIDE REMESSA DE VALORES PARA O EXTERIOR SERVIÇOS Fl. 56421DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 3 3 Conforme exposto no Relatório de Ação Fiscal No 00214/10/024 anexo, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração, o contribuinte deixou de recolher a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE/RE, incidente sobre as remessas de valores ao exterior demonstradas na planilha ANEXA ao relatório, relativamente aos fatos geradores apontados abaixo. Constituise de ofício o crédito tributário abaixo, decorrente do envio de remessas ao exterior destinadas ao pagamento de Serviços Técnicos e de Assistência Administrativa e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia. Fato Gerador Val. Tributável ou Contribuição Multa(%) 04/11/2005 R$ 90.048,14 75,00 (...) 23/07/2010 R$695.610,12 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 20 e 30 da Lei no 10.168/2000, alterada pela Lei no 10.332/2001. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo.” No Relatório Fiscal de fls. 883/931 a d. Fiscalização explicita a anturesa dos serviços objeto da autuação nos seguintes termos: “VI – DA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS 72Com relação aos períodos de apuração da CIDE remessas ao exterior, compreendidos entre os 11/2005 a 07/2010, a fiscalizada celebrou contratos de prestação continuada de serviços, a serem prestados por empresas coligadas no exterior. 73Esses contratos eram semelhantes uns aos outros, tinham por objetivo possibilitar que cada uma das Empresas do Grupo Motorola Internacional disponibilizasse às outras empresas do grupo, seu pessoal empregado no exterior, com substancial perícia nas diferentes áreas de finanças, compras, administração de pessoal, desenvolvimento de produtos, marketinq, distribuição, administração, vendas e outras habilidades em serviços profissionais. 74Esses contratos de serviços não envolveram quaisquer transferências de tecnologia ou qualquer forma de licenciamento, inclusive o uso de nomes ou marcas registradas, cessões estas que estão contemplados em contratos específicos de pagamento de royalties. Fl. 56422DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 75Por relevante, é importante ressaltar que não se trata de uma série de serviços sendo fornecidos isoladamente pelas unidades da Motorola no mundo para a Motorola Industrial Ltda., situada no Brasil. Mas, isto sim, de um pacote de serviços coesos, contínuos e indissociáveis que, pelo conjunto constituem parte da administração da própria fiscalizada, agindo em sinergia com esta e determinando seus rumos e estratégias. 76Conforme descrito nos contratos firmados com as demais empresas do Grupo Motorola, o fundamento para sua realização foi o de evitar a incursão de despesas significativas de estabelecer tais capacidades no Brasil. 77Sendo assim, os recursos remetidos pela fiscalizada em pagamento destes serviços às empresas prestadoras no exterior, possuíram beneficiários finais, domiciliados no exterior, que efetivamente concretizaram os serviços contratados, serviços estes que poderiam ter sido realizados no Brasil, porém, de maneira muito mais onerosa para a empresa. DOS SIGNATÁRIOS DOS CONTRATOS DE SERVIÇOS 78A fim de formalizar a compra de serviços do exterior das subsidiárias e controladas direta ou indiretamente por sua matriz no exterior, a fiscalizada celebrou uma série de contratos de prestação de serviços com as pessoas jurídicas pertencentes ao Grupo de Empresas Motorola relacionadas abaixo: •Motorola Inc. MINC (EUA); •Motorola Credit Corporation MCC (EUA); •Invisix, Inc. II (EUA); •Motorola Comercial S.A. de C.V. (México); •Motorola GmbH (Alemanha); •Motorola Argentina SA MASA (Argentina); •Motorola Limited ML (Reino Unido); •Motorola Electronics Ltd (China); •Hang Zhou Motorola Cellular Equipment Co., Ltd (China); •Motorola Electronics PTE Ltd. (Singapura); •Motorola Israel Ltd. (Israel); •Motorola Korea Inc. (Coréia do Sul); DOS SERVIÇOS ADQUIRIDOS DO EXTERIOR 79Para concretizar a realização desses contratos de serviços, cada uma das Empresas Motorola concordou em disponibilizar e fornecer à fiscalizada e às outras Empresas pertencentes ao grupo Motorola os serviços relacionados a seguir: 1. Gerenciamento/Administração Geral Fl. 56423DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 4 5 •Comunicações em Geral; •Objetivos e Planejamento de Longo Prazo Corporativos; •Avaliações, Estudos e Previsões Econômicos; •Proporcionado Instruções sobre Decisões de Negócios; •Plano de Assistência, Desenvolvimento e Remuneração de Executivos; •Análise de Fusões e Aquisições; •Estudos de Redução de Despesas; •Pesquisas Gerais e Planejamento Organizacional; •Aconselhando e Auxiliando na Implementação de Procedimentos de Gerenciamento Interno; •Apoio a Desenvolvimento de Hardware e Sistemas de Computador; •Aconselhamento e Apoio a Assuntos de Marcas Registradas e Patentes; •Análise e Aconselhamento sobre Assuntos Comerciais; •Leiaute de Escritório; •Serviços de Bar, Lanchonete e Alimentação; •Outros Serviços Administrativos; 2. Vendas/Marketing •Estudos de Localização de Filiais/Subsidiárias; •Estudos e Análise de Canais de Distribuição; •Pesquisa, Coordenação e Planejamento de Marketing; •Pesquisa Econômica e de Produtos; •Estudos e Análise de Estratégias de Preços; •Previsão de Vendas e Análise de Custos; •Operações de Vendas; •Programas de Promoções e Treinamento de Vendas; •Desenvolvimento de Programas de Mercadização e Propaganda;\ •Design e Produção de Material Promocional e de Propaganda; •Procedimentos de Manejo de Pedidos; •Coordenação e Apoio a Congressos e Exibições; Fl. 56424DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 •Conselhos sobre Técnicas de Vendas; •Negociação de Contratos; •Contatos com o Pessoal de Clientes; •Informações e Conselhos sobre Tendências de Vendas e Participação no Mercado; •Assistência de Relações Públicas; •Material e Programas Educacionais para Clientes; •Serviços PósVenda e de Garantia; •Outros Serviços ou Assistência de Vendas/Marketing. 3. Finanças/Contabilidade/Tesouraria/Jurídico e Tributos •Instruções sobre Método e Procedimentos Contábeis; •Planejamento e Análise Financeiras; •Análise, Desenvolvimento e Controle de Orçamento e Custos; •Apoio de Contabilidade de Custos e Sistema Financeiro; •Programas de Redução de Custos; •Avaliação e Análise de; •Análise, Design e Orientações sobre Relatórios Financeiros; •Gerenciamento de Estoques e Técnicas de Armazenagem; •Apoio à Entrada de Pedidos e Faturamento; •Assistência ao Planejamento Fiscal e Tributação Corporativa; •Estudos de Preços de Transferência; •Negociação e Elaboração de Documentos e Contratos Legais; •Obtenção de Licenças, Aprovações e Outras Formalidades Legais; •Assistência ao Relacionamento Bancário; •Assistência ao Gerenciamento de Moeda Estrangeira e Fundos de Tesouraria; •Assistência a Questões Alfandegárias e de Taxas Aduaneiras; •Outros Serviços ou Assistência Financeira, Contábil ou de Tesouraria; •Subscrição de Contratos Mundiais. 4. Fabricação/Operações •Controles de Custos; •Estudos de Instalações; Fl. 56425DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 5 7 •Controle de MãodeObra Indireta; •Estudos de Manutenção; •Manejo de Materiais; •Leiaute, Localização e Utilização de Fábricas; •Controle de Produção e Estoques; •Padrões de Produção e Práticas de Compras; •Controle e Assistência de Qualidade; •Pesquisa de Operações e Programas de Avaliação de Produtos Competitivos; •Simplificação do Trabalho; •Elaboração de Programas de Treinamento; •Programas de Relações Industriais; •Outros Serviços ou Assistência Técnicos sem Transferência de Tecnologia; 5. Pessoal/Recursos Humanos •Remuneração por Incentivos; •Descrições de Cargo; •Organização, Políticas, Procedimentos e Avaliação de Pessoal; •Testes Psicológicos; •Programas de Recrutamento e Treinamento de Pessoal; •Administração de Salários; •Incentivos de Salários e Outros Programas de Incentivos; •Organogramas; •Programas de Desenvolvimento de Executivos. 6. Compras e Planejamento de Produtos •Negociação de Contratos com Fornecedores Terceiros; •Serviços de Compras de Produtos de Terceiros; •Promoção de Relações com Fornecedores e Distribuidores; •Procura por Novos Produtos e Provedores de Serviços; •Planejamento de Compras de Produtos; •Conselhos sobre Negociações com Empresas de Frete e Transporte; Fl. 56426DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 •Informações e Análise de Produtos; •Proteção de Produtos; •Especificações de Produtos e Embalagens; •Aprovação Governamental de Produtos; •Assistência ao Controle de Qualidade. 7. Serviços de Integração e Instalação •Instalação e Otimização de Equipamentos; •Instalação e Otimização de Sistemas Celulares; •Manutenção e Reparos PósVendas; •Integração ao Sistema de Computador (inclusive projetos Oracle e Prime); •Estudo Topográfico e Pesquisa de Localização de Sites Celulares; •Serviços TELECOM; •Custos de Computador (MACC/WACC); •Serviços de ID Seguros; •Serviços de Design e integração de Sistemas Celulares; •ServiçosPadrão de Editoração Eletrônica; •Implementação de Sistema de Negócios; •Implementação de Sistemas de Planejamento de Armazéns e Fábricas. DA REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS ADQUIRIDOS DO EXTERIOR 80Os Contratos de prestação de serviços com as outras empresas do Grupo, Motorola ainda descreviam detalhadamente a forma pela qual os serviços prestados entre as empresas seriam faturados e remunerados pelas outras empresas do grupo, nos seguintes termos, padronizados para todos os Contrato de Prestação de Serviços celebrados: 2.1 Em contra prestação aos Serviços fornecidos conforme este instrumento, a Recebedora pagará à Fornecedora os valores constantes das faturas aplicáveis, a serem apresentadas pela Fornecedora em base mensal ou tal outro prazo no qual as partes concordem; 2.2 As faturas incluirão uma explicação detalhada dos Serviços efetivamente prestados em cada período, inclusive a especificação dos valores a pagar e a natureza dos serviços prestados; Fl. 56427DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 6 9 2.3 A remunerarão dos Serviços compreendidos neste Contrato abrangerão, entre outros, os seguintes itens 2.3.1 Salários e despesas relacionadas com salários do pessoal que desempenha os serviços, 2.3.2 Uma parcela adequada de despesas administrativas (amortização, depreciação, manutenção, aluguel, porte, comunicação, serviços de utilidade pública, suprimentos, despesas gerais indiretas, etc.) relacionadas com cada Departamento da Fornecedora que presta Serviços à Recebedora; 2.3.3 Despesas não incluídas em outro lugar no Contrato, que são incorridas pelo pessoal que desempenha os serviços em benefício exclusivo da Recebedora e que possam ser identificadas e vinculadas à fatura emitida pela Fornecedora para cobrar a Recebedora, 2.4 Os custos dos Serviços prestados pela Fornecedora em benefício da Recebedora serão representados, entre outros, pelas despesas de pessoal efetivas (inclusive remuneração e os impostos e benefícios legais pertinentes) e as despesas indiretas incorridas, as quais serão alocadas à Recebedora por meio de metodologia acordada. 2.5 O custo, a critério das Partes, poderá ou não incluir qualquer elemento de lucro, depois de levadas em consideração as regulamentações de preços de transferência pertinentes das jurisdições aplicáveis, pois é intenção de todas as partes que este contrato represente, em princípio, o reembolso dos custos incorridos pela entidade fornecedora pertinente com o fornecimento de serviços efetivos em benefício da entidade adquiridora pertinente. 81Conforme constatouse durante a Ação Fiscal levada a efeito na empresa fiscalizada, os custos que compõem os valores desses serviços vão sendo paulatinamente registrados na contabilidade da fiscalizada através de redes de sistemas identificadas pela sigla "GIS", pelas empresas que compõem o Grupo Motorola no exterior e são liquidados contra a emissão de faturas denominadas "INVOICE", apresentadas pelas empresas prestadoras. 82Foi apresentada durante a Ação Fiscal, em 12/08/2009, uma amostragem das contas contábeis da fiscalizada que registram as despesas/custos incorridos pelas prestadoras de serviços, que compõem os valores cobrados da fiscalizada para os meses de junho a outubro de 2008. Abaixo é apresentada uma relação das contas de controle da fiscalizada que contém os custos dos serviços tomados: •530000 Custos Amortização de Ferramentas •771001 Custos Diversos com Garantia Fl. 56428DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 •771002 Custos Diversos com Garantia •771004 Custos Diversos com Garantia •888001 Desp Salários e Ordenados •888012 Desp com Expatriado •888054 Desp Ajuda de Custos; •888070 Desp MãodeObra entre Áreas de Negócios; •888101 Desp com Viagens; •888135 Desp com Fretes/Correios/Malotes; •888141 Desp Traduções de Documentos; •888151 Desp com Terceirizações Estratégicas; •888161 Desp com Serviços e Intalações de Informática; •888193 Desp com Treinamentos de Funcionários; •888270 Desp Serviços de Comunicação; •888399 Desp Material de Engenharia; •888500 Transferência Despesas Cobrança Intercias; •888531 Alocações Motorola University; •888599 Transferência de Custo referente Serviços Corporativos; •888691 Despesa com Promoções; •888901 Desp com Taxas de Folha de Pagamento; •888918 Desp Auxilio Alimentação; •920000 Outras Receitas e Despesas; 83Novamente intimada em 17/08/2010, através do Termo de Intimação N° 00214/09/019 a apresentar, para o período de 11/2005 a 07/2010, extrato dos Livros Razão, de todas as contas contábeis que registram as despesas pagas ao exterior a título de Serviços técnicos, Serviços administrativos e quaisquer outras espécies de serviços, a fiscalizada, devido à inviabilidade técnica de promover a apresentação exaustiva de todas essas contas, promoveu um "corte" pelos valores mais significativos e apresentou extratos das seguintes contas principais: •511535 DESP SERV SISTEMAS & INFORMATICA (Ano Calendário 2005); •511703 TRANSFERENCIA DESPESAS HOUSE ORDER (AC 2005); •611099 OUTRAS DESPESA NAO OPERACIONAIS (AC 2005); Fl. 56429DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 7 11 •330001 PROVISAO GARANTIAS CONTRATUAIS (AC 2007, 2008, 2009 e 2010); •330002 PROVISAO GARANTIAS CONTRATUAIS – LAS (AC 2007, 2008); •771001 CUSTO GARANTIA ESPECIAL (AC 2007, 2008); •888161 DESP SERV SISTEMAS & INFORMATICA (AC 2006, 2007, 2008, 2009); •888500 TRANSFERENCIA DESPESAS HOUSE ORDER (AC 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010); •888599 TRANSFERENCIA DESPESAS ENTRE DEPTOS (AC 2008, 2009 e 2010); •920000 OUTRAS RECEITAS DESPESAS OPERACIONAIS (AC 2006, 2008, 2009 e 2010); DA CONCLUSÃO 84No decorrer da Ação Fiscal constatouse que a fiscalizada, para os períodos de apuração de 11/2005 a 07/2010, atuou como substancial tomadora de serviços de suas congêneres no exterior, aproveitandose largamente dos contratos de prestação de serviços celebrados com estas. 85Como podese constatar pelo teor dos contratos de prestação de serviços, estes serviços tomados envolvem a existência no exterior de pessoal dotado de conhecimento técnico e administrativo altamente especializado, cuja contratação no Brasil demandaria o dispêndio de recursos muito mais elevado do que o aproveitamento de pessoal do grupo já vinculado a empresas coligadas no exterior. 86Como decorrência da contratação desses serviços, enviou a quantidade bruta de recursos ao exterior disposta na tabela abaixo, incluído o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte devido nas operações de envio, valores estes detalhados diariamente no demonstrativo ANEXO ao presente RELATÓRIO DE AÇÃO FISCAL: Anos- calendário(ou meses) Valor importaçãode servicos 2005 (11 e 12) R$ 29.449.349,62 2006 R$ 271.704.883,12 2007 R$ 474.510.012,94 2008 R$ 659.225.146,62 2009 R$ 314.216.329,29 2010 (01 a 07) R$ 105.305.068,82 87Cabe observar que, para alguns países, o IRRF — Imposto de Renda Retido na Fonte foi suportado pela própria fiscalizada, que enviou os valores totais de face das faturas apresentadas em benefício das prestadoras de serviços, arcando, com isso, o ônus Fl. 56430DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 do IRRF da operação. Nesses casos, o IRRF foi calculado "por dentro", incluindose ao valor de face das faturas o próprio imposto que seria devido na operação como se líquida fosse. 88Ainda em relação ao enquadramento dos serviços contratados, inobstante a Instrução Normativa SRF n° 252, de 3 de dezembro de 2002, não haver definido o que se considera "assistência administrativa e semelhante", verificase que a Lei n° 4.769, de 09 de setembro de 1965, ao dispor sobre o exercício da profissão de técnico de administração, denominado administrador (Lei n° 7.321, de 13 de junho de 1985) no art. 2°, define que a atividade de administração consiste em: pesquisar, estudar, analisar, interpretar, planejar, implantar, coordenar e controlar os trabalhos, nos segmentos de seleção de pessoal, organização e métodos, orçamentos, de material, financeiros, de relações públicas, mercadológico, de produção, industrial, bem como em outros campos em que esses se desdobrem ou aos quais sejam conexos. 89 Analisando a descrição dos serviços a serem fornecidos, é de se concluir que todos configuram "assistência técnica, administrativa ou semelhante", uma vez que consistem basicamente no fornecimento destes serviços, visando otimizar a estrutura da fiscalizada dentro do grupo econômico do qual participa. 90Não foram apresentadas durante Ação Fiscal faturas que possibilitassem a identificação detalhada dos serviços prestados pelas empresas do grupo MOTOROLA à fiscalizada. Somente foram apresentados como documentos comprobatórios da prestação de serviços as ordens de pagamento emitidas pelas empresas do grupo MOTOROLA denominadas "INVOICE", contendo descrições sumárias em inglês dos valores cobrados, conforme descrição constante da resposta ao Termo de Intimação N° 00214/09/019, entregue em 28/09/2010. 91Estudo das contas dos Livros Razão em conjunto com as "INVOICE" que registram a cobrança por esses serviços demonstra que a natureza destes é de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, que foram prestados por residentes ou domiciliados no exterior. 92Os pagamentos desses serviços foram efetivamente concretizados, alternativamente através de envios de recursos ao exterior a partir do Brasil ou através de transferências diretas de contas correntes mantidas pela fiscalizada no exterior. 93Esses documentos de quitação de pagamento de serviços (INVOICE e transferências diretas) foram apresentados pela fiscalizada em 28/09/2010. Estudo detido desses documentos demonstra que os serviços pagos ao exterior referemse ao denominado pela empresa de "GIS" — "Global Intercompany Services" — Serviços fundamentados nos contratos já analisados nesse relatório. 94Os valores registrados em lançamentos nos Livros Razão e nas "INVOICE" a partir do sistema "GIS" dizem respeito em maioria a "share services", ou seja, serviços realizados no exterior a que o grupo mundial aproveita como um todo e que, Fl. 56431DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 8 13 portanto, são rateados entre todas as pólos da empresa ditos geradores de receitas. 95A fiscalizada no Brasil é considerada uma geradora de receitas para o grupo Motorola e supre com seus produtos diretamente toda a América Latina e, portanto, de acordo com o planejamento estratégico da empresa, deve arcar com um rateio de custos e despesas efetuadas globalmente pela empresa Motorola como um todo no mundo, de acordo com a sua participação percentual na geração de receitas para o grupo internacional e no proveito que essas despesas efetuadas no exterior contribuem para o proveito da empresa mundialmente. 96Esse rateio é cobrado da fiscalizada através de faturas fundamentadas em contratos de prestação de serviços multilaterais com as demais empresas componentes do grupo Motorola. 97A aquisição e o pagamento relativo a essas faturas de serviços estão abrangidos como fato imponível da CIDE — Remessas ao exterior, conforme ditames contidos no §2° do artigo 2° da Lei n° 10.168/2000, com redação alterada dada pelo artigo 6° da Lei 10.332/2001. 98A legislação de regência da CIDE – Remessas para o exterior está regularmente inserida no ordenamento jurídico brasileiro e é norma que deve ser seguida pela fiscalizada, estando esta sujeita ao pagamento da contribuição incidente sobre valores remetidos ao exterior entre 11/2005 a 0712010 para a aquisição de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes. VII – DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 99A responsabilidade pelo crédito tributário constituído ou a constituir, tendo como sujeito passivo a fiscalizada é definida pelos ditames legais compilados pelos artigos 207, 208 e 209 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000 de 26/03/99), conforme transcritos abaixo: "Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei n° 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 5°): I a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 5°, § /°): II a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; Art. 208. A pessoa física ou jurídica que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva Fl. 56432DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelo imposto, relativo ao fundo ou estabelecimento adquirido devido até a data do ato (Lei n° 5.172, de 1966, art. 133): integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses, a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Art. 209. O disposto neste Capítulo aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nele referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data (Lei n° 5.172, de 1966, art. 129). 100 Através da 35a Alteração do Contrato Social da MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA., que reflete a sua cisão parcial com versão de parcela de seu patrimônio para a MOTOROLA SOLUTIONS — INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE BANDA MÓVEL LTDA., celebrada em 31/07/2010, a fiscalizada procedeu à CISÃO PARCIAL de seu patrimônio. 101 Em decorrência dessa alteração contratual, a fiscalizada reduziu seu Capital Social de R$ 833.137.570,00 para R$ 739.238.401,00 e o verteu parcialmente no montante de R$ 93.899.169,00 para a empresa MOTOROLA SOLUTIONS — INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE BANDA MÓVEL LTDA., CNP 10.652.730/000 120. 102 Em 31/07/2010, os ATIVOS da fiscalizada foram reduzidos em função dessa CISÃO PARCIAL, de R$ 1.391.224.145,49 para R$ 1.266.114.345,58 e os ATIVOS da MOTOROLA SOLUTIONS — INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE BANDA MÓVEL LTDA., empresa préexistente, foram aumentados, em decorrência do recebimento desse patrimônio em R$ 125.109.800,91. 103 Assim, conforme previsão legal contida nos artigos 208 e 209 do RIR/99, em decorrência da CISÃO PARCIAL citada, constatase a SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA da empresa MOTOROLA SOLUTIONS — INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE BANDA MÓVEL LTDA., CNPJ 10.652.730/000120 pelos créditos tributários constituídos ou a constituir tendo como sujeito passivo a fiscalizada MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA., CNPJ 01.472.720/000112 e, por conseguinte devendo arcar com todas as suas responsabilidades e deveres tributários nos termos da lei. VIII – DA AUTUAÇÃO 104 Com base em Medida Liminar em Mandado de Segurança n° 2005.61.05.0095698, datada de 02/09/2005, a fiscalizada deixou de efetuar, no período de novembro de 2005 a julho de 2010, o recolhimento da CIDE Remessas para o Exterior incidente sobre os valores remetidos ao exterior para a Fl. 56433DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 9 15 aquisição de Serviços Técnicos, Administrativos e Semelhantes, sem a transferência de tecnologia. 105 Através da Decisão em Mandado de Segurança n° 2005.61.05.0095698, proferida em 28/06/2007, a fiscalizada ficou desguarnecida judicialmente quanto aos recolhimentos da CIDE incidente sobre as remessas destinadas ao pagamento destes serviços. 106 Para o período de 11/2005 a 07/2010, a fiscalizada não efetuou declaração destes valores devidos em DCTF ou efetuou a sua regularização mediante recolhimento da CIDE — Remessas para o exterior. Portanto, esses valores estão sendo constituídos de ofício mediante Auto de Infração. 107 Em 28/07/2010, a fiscalizada sofreu lançamento de ofício da CIDE/remessas ao exterior relativamente aos períodos de apuração 07/2005 a 12/2005 através do processo administrativo 10830.010035/201018, sendo que para os períodos de apuração 11/2005 e 12/2005 é confeccionado novo lançamento, tendo em vista que não haviam sido considerados anteriormente para esses períodos de apuração, como componentes da base de cálculo da CIDE/RE, o valor do IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os valores remetidos, retido ou suportado pela fiscalizada. 108 Com relação à CIDE — remessas ao exterior, os valores lançados através deste Auto de Infração (11/2005 a 07/2010) restringemse exclusivamente aos montantes questionados judicialmente através do processo n° 2005.61.05.0095698 e deverão sofrer as influências das decisões judiciais prolatadas no curso do processo. 109 Com base no disposto no artigo 64 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no artigo 7° da IN SRF n.° 264/2002, de 20 de dezembro de 2002 e tendo sido constatado que a soma dos créditos tributários de responsabilidade do sujeito passivo ultrapassa 30% (trinta por cento) do seu patrimônio e é superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), será formalizado processo de Arrolamento de Bens, protocolado sob número 10830.014473/201055.” Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) da 5ª Turma da DRJ de Campinas SP, houve por bem “julgar procedente em parte”, o lançamento consubstanciado no Auto de Infração CIDE (MPF nº 0810400/00214/10 fls. 873/977), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/11/2005 a 23/07/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 56434DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 Não se cogita de nulidade do lançamento quando formalizado por pessoa competente e com observância dos requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como no Decreto 70.235/72. INCORREÇÕES SANÁVEIS. A indevida inclusão, na base tributável, de parcelas não sujeitas à contribuição lançada ou que já haviam sido tributadas, em nada afeta a validade do lançamento, classificandose dentre as hipóteses previstas no art. 60 do Decreto 70.235/72 e exigindo somente o seu saneamento, que se processa, em sede de julgamento, mediante declaração da parcial procedência do lançamento. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 04/11/2005 a 23/07/2010 CIDE. REMESSA AO EXTERIOR. PREVISÃO LEGAL. Segundo a legislação vigente no período autuado, a CIDE é devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. CIDE. REMESSA AO EXTERIOR. BASE DE CÁLCULO. VALORES JÁ TRIBUTADOS OU NÃO RELACIONADOS CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONTRATADOS. Excluemse da base de cálculo da contribuição os valores relacionados descontos contratuais e outros ajustes comerciais que comprovadamente não tenham a natureza de pagamento por serviços prestados, bem valor já oferecido à tributação da CideRe, na modalidade royalties, reconhecido pela Fiscalização em sede de diligência. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Nos casos de lançamento de ofício, é cabível a multa proporcional, conforme determina o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:04/11/2005 a 23/07/2010 Fl. 56435DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 10 17 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros de mora sobre a multa de ofício que não for paga de seu vencimento. CISÃO PARCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Na cisão parcial a pessoa jurídica sucessora e a empresa respondem solidariamente pelas obrigações fiscais desta última. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Sob tais fundamentos a r. decisão ora recorrida exclui do lançamento dda CIDE o valor de R$ 40.341.683,82, e respectivas multas e juros, recorrendo de Ofício das importâncias excluídas, e mantem o valor lançado de R$ 128.485.218,06 e respectivas multas e juros sobre este último incidentes, para concluir no sentido de: a) DEIXAR DE APRECIAR o mérito da exigência na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário; b) REJEITAR as arguições de NULIDADE e DECADÊNCIA; c) considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para excluir da base tributável os valores que somam R$ 381.708.808,53 identificados como "Jag Discount" e "outros ajustes comerciais" discriminados no itens 172 do Relatório de Diligência, bem como o valor dc R$ 21.707.957,68 para o fato gerador 24/07/2007 identificado como royalties já tributado, e MANTER EM PARTE o crédito tributário conforme quadro resumo ao final deste voto, decisão que se submete a reexame necessário, e c) considerar PROCEDENTE a atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado à pessoa jurídica MOTOROLA SOLUTIONS — INDUSTRIA DE PRODUTOS DE BANDA LARGA MÓVEL LTDA. Em suas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância na parte em que a manteve tendo em vista: a) preliminarmente reitera a nulidade do Auto de Infração vestibular rejeitada, por cerceamento a seu direito de defesa e mudança de fundamento da autuação, eis que teria sido lavrado com base em meras presunções o que estaria comprovado pelo resultado das diligências, que deveria ser interpretado como novo lançamento, revisão esta que só poderia ser feita enquanto não extinto o direito de lançar pela decadência; b) quanto a concomitância da presente autuação com o Mandado de Segurança 2005.6105.0095698 seria apenas parcial relativamente às diversas inconstitucionalidades e ilegalidades cometidas pelo legislador ao editar a citada Lei n° 10.332/01 (que indevidamente ampliou a hipótese de incidência da CIDE para tentar fazêla incidir sobre serviços administrativos e semelhantes), mas não se estende aos erros de fato e de direito relacionados à natureza das remessas (caracterização da hipótese de incidência da CIDE Serviços) e à imposição de penalidades, que constituem o mérito deste processo administrativo; c) que o v. acórdão deixou de analisar a natureza jurídica das outras remessas realizadas pela Recorrente e incluídas na autuação, que ainda que envolvam serviços, não compreendem serviços sujeitos à CIDE instituída com base na Lei n° 10.168/00 e questionada judicialmente pela Recorrente, pois não possuem natureza de serviços técnicos e/ou administrativos, tais como serviços de marketing (propaganda) realizados no exterior com o objetivo de promover a venda naqueles países, serviços de garantia prestados no exterior, relacionados aos produtos brasileiros vendidos naquele mercado, e serviços de suporte de vendas prestados no exterior, relacionados às vendas dos produtos brasileiros no exterior etc. Fl. 56436DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 d) que o auto de infração é improcedente, por lançar CIDE sobre itens que não correspondem a serviços técnicos ou administrativos e semelhantes, eis que os serviços em tela não se inserem no conceito de serviços sujeitos à CIDE e, do exame das invoices podese identificar, como demonstrado, as seguintes expressões: Lalin America Support Cosis, composto por gastos e despesas a com promoção de vendas, com a propaganda e marketing dos produtos da Recorrente; Supply Chain, composto por gastos com pós vendas, para se assegurar a manutenção da fonte de receitas de exportação; Marketing, composto obviamente por gastos com impressão de materiais de orientação aos clientes dos produtos da Recorrente, assim como gastos com Call Center (que também constitui atividade essencial pós vendas); Garantias (warranty), composto por gastos com a garantia legal dos produtos vendidos (como ocorrido no Brasil, por conta das regras e direitos dos consumidores a Recorrente é obrigada por lei e cumpre com rigor suas obrigações de prestar garantia aos seus clientes, sendo importante frisar, neste aspecto, que não se trata de assistência técnica para os termos da legislação da CIDE, posto que a Recorrente é detentora do know how e até exportadora desse know how para as demais empresas do Grupo Motorola localizadas na América Latina — tratase de serviço prestado aos clientes da Recorrente por imposição legal e cujos encargos são suportados pela Recorrente, como fabricante destes produtos); e) a irrazoabilidade da multa que seria confiscatória; d) inexigibilidade da Taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Embora tempestivo o recurso voluntário não pode ser conhecido, em parte. Desde logo, verificase que a mera existência de ação judicial ainda não liquidada definitivamente para discutir a constitucionalidade e legalidade da CIDE objeto de processo administrativo, já impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do presente processo, que sequer poderia ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), sendo defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja porque a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF), pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição” (cf. Ac. nº 20177.493, Rec. nº 122.188, da 1ª Câm. do 2º CC em sessão de 17/02/04, Rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. tb Ac. Acórdão no 20177.519, Rec. no 122.642, em sessão de 16/03/04 Rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). Nesse sentido a jurisprudência dominante do 1º CC cristalizada na Súmula nº 1, que expressamente dispõe: “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (cf. DOU1 de 26/6/06, p. 26 e RDDT vol. 132/239). Notese que, nem mesmo a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, poderia obstar o lançamento tributário, pois como já assentou a jurisprudência uniforme do E. STJ “a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais Fl. 56437DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 11 19 como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar” (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ nos Emb. de Divergência no R. Esp. nº 572.603PR, Reg. nº 2004/01217933, em sessão de 08/06/05, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 05/09/05 p. 199 e in RDDT vol. 123 p. 239), eis que “o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no R. Esp. nº 119986SP, Reg. nº 1997/00110168, em sessão de 15/02/01, Rel. Min. ELIANA CALMON, publ. In DJU de 09/04/01 p. 337 e in RSTJ vol. 147 p. 154), sendo certo que a procedência, ou improcedência do débito principal objeto do lançamento, já se encontra adredemente vinculada à sorte da decisão final do processo judicial. Nessa ordem de idéias, com acerto a r. decisão recorrida depois de examinar os termos da lide judicial proposta pela Recorrente, fixou o limite da discussão na instância administrativa quando esclarece que: “No tocante ao mérito da exigência, importa ressaltar que, como consignado no relatório, a empresa autuada impetrou Mandado de Segurança ri' 2005.61.05.0095698, opondose à cobrança da C1DE Remessas para o Exterior. Às fls. 172/187 encontrase cópia cia petição inicial protocolada em 2410812005, da ação mandamental impetrada pelas empresas "Motorola industrial Ltda" – CNPJ nº 01.472.720/000112 e "Motorola Serviços Lida" CNPJ nº 00.027.674/000180, contendo alegações de "inconstitucionalidade e ilegalidade da CIDE sobre serviços prestados no exterior, sem transferência de tecnologia", estabelecida na Lei n° 10.168, de 29/12/2000, com as alterações inseridas no artigo 2º, §2º pela Lei n° 10.332, de 19/12/2001, e formulando pedido conforme reproduzido adiante: IV O PEDIDO 48. Diante de todo o exposto, pleiteiam as Impugnantes: (i) a concessão de medida liminar que, nos termos e para os efeitos do indigitado artigo 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional, declare a suspensão da exigibilidade da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE, instituída pela Lei nº 10.168/2000 e suas alterações, relativamente aos royalties decorrentes dos contratos de licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, bem como relativamente aos contratos de serviços técnicos, administrativos e semelhantes, sem a transferência de tecnologia e que não estão obrigados ao registro no INPI; (ii) o regular processamento do presente "writ", com a notificação da D. autoridade Impetrada para que preste as informações que entender pertinentes., no prazo legal; (iii)após o devido processo legal, uma vez emitido o competente parecer pelo ilustre Sr. Representante do Ministério Público, a concessão da segurança em definitivo, para ser reconhecido o direito liquido e certo das Impetrantes de não se sujeitarem ao Fl. 56438DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 20 recolhimento da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE, instituída pela Lei n° 10.168/2000 e suas alterações, com a declaração incidental da sua ilegalidade e inconstitucionalidade, relativamente aos royalties decorrentes dos contratos de licença de uso de software, sem transferência de tecnologia, bem como relativamente aos contratos de serviços técnicos, administrativos e semelhantes, sem transferência de tecnologia e que não estão obrigados ao registro no INPI. Acerca da questão, observese, de inicio, que o amparo judicial, ainda que confirmado à época do procedimento fiscal, não poderia tornar inválido o lançamento, mas, eventualmente, acarretaria a suspensão da exigibilidade ou extinção dos débitos lançados –circunstância a ser verificada quando da liquidação da decisão final, e no que se refere à matéria submetida à discussão judicial, impede a apreciação na esfera administrativa como adiante se verá. A consulta aos sistemas de acompanhamento processual da Justiça Federal de São Paulo e do TRF, juntada aos autos, confirma a última movimentação do mandado de segurança n 2005.61.05.0095698 conclusos ao relator em 01/02/2010, conforme já consignado nos autos pelo auditor fiscal, tendo ocorrido apenas a redistribuição por sucessão em 29/11/2011 e 02/03/2012. Nos itens 33 a 38 do RELATÓRIO DE AÇÃO FISCAL Nº 00214/10/012, foram reproduzidos os termos em que deferida a liminar. em 02/09/2005, e proferida a sentença, cm 28/0612007, no referido MS n° 2005.61.05.0095698, as quais são adiante cotejadas [destaques acrescidos]: Em 02/09/2005: Isto posto, deliro a liminar pleiteada determinando que a autoridade coatora se abstenha de cobrar das impetrantes a CIDE instituída pela Lei 10.168 de 2000 relativamente aos royalties decorrentes dos contratos de licença de uso de software, sem a transferência de tecnologia, bem como relativamente aos contratos de serviços técnicos, administrativos e semelhantes, sem a transferência de tecnologia (grifouse) Em 28106/2007: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANCA pleiteada, extinguindo o processo com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I do Código de Processo Civil, para o fim de determinar á autoridade impetrada que se abstenha da cobrança da CIDE instituída pela Lei 10.168/00 relativamente aos royalties decorrentes dos contratos de licença de uso de software. (grifouse) Da leitura das manifestações do Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança, impetrado pela fiscalizada, depreende se que a liminar obtida em 02/09/2005, impedindo a cobrança da CIDE sobre royalties de contratos de licença de uso de software. bem como de serviços técnicos administrativos e assemelhados, foi reformada em 28/0612007, restringindo o amparo judicial aos royalties de contratos de licença de uso de software. Fl. 56439DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 12 21 Consoante o art. 142 do CTN, o lançamento é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, mesmo nos casos em que confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário Por outro lado, embora não obstaculizado o lançamento, incabível apreciação das razões de mérito da exigência relativamente aos dispositivos legais que a respaldam, pois, como visto, foram igualmente objeto de discussão na esfera judicial (Mandado de Segurança nº 2005.61.05.0095698, atual n' 000956948.2005.4.03.6105). (...) Neste contexto, afastada a possibilidade de apreciação, no âmbito do contencioso administrativo instituído pelo Decreto 70.235. de 1972, do mérito da existência, regularmente apurada de conformidade com a Lei nº 10.168, de 29/12/2000, na redação dada pela Lei nº 10.332, de 19/12/2001, devidamente inseridas no sistema tributário nacional, e já afastadas as arguições de nulidade e decadência, passase à análise dos questionamentos acerca da quantificação do valor lançado.” Uma vez fixados os limites da lide judicial verificase que, não há concomitância ou óbice no exame de certas matérias objeto da impugnação ou recurso administrativo que, não tendo sido objeto do processo judicial e, prendendose a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa (ex vi dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN), como é o caso de eventuais erros de fato no crédito tributário constituído através do lançamento excogitado, e dos consectários lógicos do seu inadimplemento (multa e acréscimos), não foram objeto da ação judicial. Assim não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa, ou quando o objeto do processo administrativo for mais abrangentes que o judicial, tal como já reconheceu a Jurisprudência Administrativa e judicial e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas Fl. 56440DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 22 discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 840.556AM; Reg. nº 2006/00851969, em sessão de 26/09/06, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Rel p/Ac Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/11/06 p. 286) "IRF Aplicações financeiras de renda fixa Instituições de Previdência Privada Pessoas jurídicas imunes opção pela via judicial as questões postas ao conhecimento do judiciário implica a impossibilidade de discutir o mesmo mérito na instância administrativa, (...), posto que a decisão daquele Poder detém, no sistema jurídico pátrio, o poder jurisdicional, ou seja, somente ao Poder Judiciário é outorgado o poder de examinar as questões a ele submetido de forma definitiva, com efeito, de coisa julgada. Todavia, sendo a autuação posterior à demanda judicial, nada obsta que se conheça o recurso quanto à legalidade no lançamento em si, que não o mérito litigado no judiciário. (...)." (Ac un da 4ª C do 1° CC n° 10418.397 Rel. Cons. Nelson Mallmann j 17/10/01 DOU 1 07/01/02, p 61 ementa oficial, publ. in RJIOB1 Trib., Const. e Adm. nº 02/2001, E116839) Exatamente este é o caso dos autos onde se verifica que embora havendo decisão no Mandado de Segurança invocado pela d. Fiscalização, a mesma não versa sobre os Fl. 56441DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 13 23 eventuais erros de fato no crédito tributário constituído através do lançamento, bem como os consectários lógicos do seu inadimplemento (acréscimos moratórios), que não forem objeto da sentença, razão pela qual passo a examinalas. Inicialmente rejeito as preliminares de nulidade do Auto de Infração e decadência, bem afastadas pela r. decisão recorrida que neste ponto merece por seus próprios e jurídicos fundamentos que afastam as objeções da ora Recorrente e, por amor à brevidade adoto como razões de decidir. Da mesma forma merece subsistir a redução do lançamento procedida em face da impugnação oportunamente apresentada (art. 145, inc. I do CTN) e do resultado da diligência fiscal solicitada pela DRJ que à final conclui que: “Redução dos Valores Exigidos Em função do resultado da diligência, impõese deduzir, da base de cálculo autuada, os valores que a própria Fiscalização admitiu já terem sido tributados ou não se sujeitarem a incidência da CIDERE, como segue: R$ 21.707.957,68 para o fato gerador de 24/07/2007 e os valores detalhados na planilha do item 172 do Relatório de Diligência Fiscal. Assim, com base nos mesmos critérios adotados na apuração do crédito tributário lançado explicitados na planilha de fls. 932/943 (numeração manual), obtémse:” Portanto, o Recurso de Ofício não merece provimento. No mérito, a par de respeitar estritamente os limites da concomitância com a questão judicial, verificase que a r. decisão recorrida rebate com vantagem ponto por ponto as objeções levantadas pela ora Recorrente merecendo subsistir por seus próprios e jurídicos fundamentos que, por amor à brevidade, adoto como razões de decidir e transcrevo nos seguintes termos: “Quantificação do crédito tributário após a realização da diligência Em sua manifestação, questiona a interessada o fato de a Fiscalização admitir a redução apenas parcial da base de cálculo autuada, defendendo a não incidência da CIDE sobre Imposto de Renda Retido na Fonte. Acerca da questão. a Fiscalização assim expôs nos itens 189 a 195 do Relatório da Diligencia: 189 Ainda no tema da formação da base de cálculo, a defesa contesta a incidência da CIDE/RE sobre o IRRF discutido judicialmente. Retomese o que afirma a diligenciada (folha 1.888 e 1.889): No caso de remessas para a China e para a Argentina, a Impugnante suportou o ônus do imposta de renda, o que equivale Fl. 56442DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 24 a dizer que enviou remeteu ao exterior o valor bruto do preço do serviço contratado ou das despesas reembolsáveis. Em relação a estes casos, no entanto, a Impugnante discute em Juízo a validade da incidência do imposto de renda na fonte, por se tratar de países com os quais o Brasil mantêm tratados internacionais para se evitar a dupla incidência do imposto de renda. E a Impugnante optou por efetuar o depósito em Juízo dos valores relativos a esse suposto imposto de renda na fonte (imposto discutido judicialmente), nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.05.0113430, hoje aguardando julgamento de recurso de apelação perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Doc. 26 folhas 18.340 a 18.397). Ainda que prevalecesse o ilegal entendimento considerado no auto de infração (base de cálculo como sendo o preço do serviço e não o valor remetido, tal qual previsto na lei). ainda assim os Sr. Fiscais não poderiam cobrar a CIDE sobre estes valores depositados em Juízo, uma vez que eles estão com exigibilidade suspensa e sequer se sabe se eles, efetivamente. serão considerados imposto de renda devido ou apenas créditos da Impugnante. Para facilitar a identificação destes valores constantes do auto de infração e depositados em Juízo pela Impugnante, instruise esta defesa com a planilha anexa, que detalha todos os números que, quando muito, teriam ou poderiam gerar um auto de infração com exigibilidade suspensa (Doc. 28 folhas 18.411 a 18.414 Com efeito, Srs. Julgadores: (i) Se a Impugnante perder o questionamento da incidência do imposto de renda nas remessas à China e à Argentina (países com tratado para evitar a dupla tributação), os valores depositados em Juízo teriam natureza de imposto de renda e a prevalecer a inclusão do imposto de renda na base de cálculo da CIDE (o que só se admite por amor à argumentação) poderiam ser incluídos para efeito de lançamento tributário em lace da impugnante: (ii) Se, ao contrário, a Impugnante sair vencedora do questionamento da incidência do imposto de renda nas remessas à China e à Argentina (países com tratado para evitar a dupla tributação), os valores depositados em Juízo terão natureza de créditos financeiros da Impugnante (não terão a natureza de imposto de renda), não compondo o preço do serviço ou de bem Jurídico pago ao exterior. Disso resulta que em relação aos valores depositados em Juízo pela Impugnaste a título de imposto de renda na fonte, cuja exigibilidade se encontra suspensa. nunca poderiam os Srs. Fiscais têlos incluído neste auto de infração. Quando muito, poderiam os Srs. Fiscais ter lavrado um segundo auto de infração com exigibilidade suspensa, eis que vinculado ao resultado final daquele mandado de segurança. 190 Invocando a prevalência de Tratados Internacionais para evitar a bitributação, a diligenciada investiu judicialmente contra a incidência do 1RRF na remessa de recursos efetuadas principalmente para a China e para a Argentina. Fl. 56443DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 14 25 191 A questão está sendo tratada no Mandado de Segurança nº 2004.61.05.0113430, cuja inicial é reproduzida as folhas 18.340 a 18.358. Indeferida a liminar (folhas 18.367 a 18.379), em sede de agravo de instrumento a diligenciada teve assegurado o direito de depositar em juízo o IRRF contestado (folhas 18.359 a 18.362), o que teria feito conforme listagem de folhas 18.363 a 18.366. 192 No julgamento de mérito (folhas 18.367 a 18.379), o Juízo competente denegou o writ, não havendo mudança dessa orientação após o exame dos embargos opostos pela autora. O Recurso de Apelação apresentado contra a decisão de primeiro grau aguarda decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (consulta realizada em 16/12/2011 na página Imp:/,fwww.tri3.jus.brY). 193 Concluise: a diligenciada não tem qualquer proteção judicial que afaste a incidência do IRRF nas remessas em questão. A suspensão da exigibilidade que alega ocorreu apenas pela efetivação de depósitos, direito que lhe assiste independente de manifestação judicial nos termos do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN ). Por outro lado, não há qualquer comunicação entre o depósito que fez para suspender a exigibilidade do crédito referente ao IRRF e a exigibilidade da CIDE/RE sobre as remessas efetuadas. 194 A incidência do IRRF não foi afastada judicialmente e também não há demanda especifica relacionada à tributação da CIDE – REMESSAS AO EXTERIOR sobre essa matéria. 195 Nesse contexto, a base de cálculo não merece ajustes nesse tópico. Como visto, não restou comprovada a existência de discussão judicial acerca da incidência da CIDE sobre o IRRF incluído na base de cálculo da referida contribuição, o que afasta a pretensão de lavratura de Auto de Infração para exigência da CIDE com suspensão da exigibilidade. Do mesmo modo, não há provas da existência de amparo judicial, quando do presente lançamento, que afastasse a incidência de IRRF sobre as remessas para os países citados. E, tanto na impugnação como na manifestação posterior à diligência, não trouxe a interessada provas em sentido contrário. Por outro lado, independentemente da discussão judicial acerca da incidência de IRRF sobre remessa ao exterior, injustificável também se mostra o questionamento da Impugnante quanto à inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. A Solução de Consulta da DISIT da 7ª RF, de nº 90, de 2005, invocada pela defesa, restou superada por outras Soluções de Consulta, a exemplo da Solução de Consulta da COSIT (órgão central da Receita Federal), de nº 9, de 22/0612006, que conclui que: o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou Fl. 56444DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 26 remetidos a residentes ou domiciliados no exterior ~pise a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CideRemessas), instituída pelo art. 2º da Lei 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que essa seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. Em suma, é entendimento administrativo que o valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. De todo modo acrescentese que o caput do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, já determinava que o contribuinte da CIDE Remessas é a fonte pagadora do rendimento localizada no Brasil. Sua base de cálculo, prevista no § 3º do mesmo artigo, é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido. Constatase, ainda, que em conformidade com o disposto no § 3º do art. 344 do RIR/1999, a dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros, abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do tributo. Isso significa dizer que mesmo quando a fonte pagadora de rendimentos assume o ônus do imposto de renda, a legislação considera o tributo como pane integrante do rendimento pago ou creditado. Também em oposição ao lançamento, discorda a interessada da inclusão, na base de cálculo da CIDE, de valores a que atribuiu a natureza de royalties. Acerca da questão, assim expôs a Fiscalização nos itens 135 a 148 de seu Relatório de Diligência: 135 Analisandose a planilha de folhas 18.535 a 18.539 constamos que a primeira solicitação de exclusão de valores da base de cálculo da CIDE—Remessas ao Exterior referese a coluna ROYALTIES. 136 O contribuinte pleiteia sejam excluídas as cifras abaixo analisadas da base de cálculo da CIDE/RE por não se tratarem de serviços, mas de royalties, que, embora também inclusos par lei na base de cálculo da CIDE/RE, já teriam sido contemplados na ação fiscal e já teriam tido a referida contribuição regularmente quitada. Data da Remessa Fatura Beneficiária Base de Cálculo CIDE (R$) Royalties (R$) 28-set-06 12203 MOTORO LA INC (SCHAUMBURG 4776.119,04 4.776.119,04 28-set-C6 12203 MOTOROLA INC. (SCHAUMBURG 4,312.185,45 4.312.185,45 137 Quanto aos 2 (dois) valores remetidos em 28/09/2006, relacionados à fatura 12.203, em valores de RS 4.776.119,04 (US$ 2.172.246,80) e RS 4.312.185,45 (US$ 1.976.706,60), foram amparados no documento que consta à folha 18.417 do Fl. 56445DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 15 27 processo, o qual totaliza o pagamento de royalties relativos ao mus de agosto de 2006 em US$ 4.148.953.40. 138 Os valores R$ 4.776.119,04 (US$ 2.172.246,80) e R$ 4.312.185,45 (US$ 1.976.706,60), não constaram em planilhas de resposta do contribuinte relativas à conferencia do pagamento de CIDE/RE — royalties conforme comprovase pela folha 329 do processo. 139 Por outro lado, estes valores foram informados, como decorrentes do pagamento de serviços administrativos conforme consta na folha 451 do processo. 140 O documento apresentado e a identidade numérica com as exclusões pleiteadas comprovam serem os valores R$ 4.776.119,0:€ (US$ 2.172.246,80) e R$ 4.312.185.45. (US$ 1.976.706,60) relativos ao pagamento de royalties. 141 Embora não provenientes do pagamento de serviços, mas do pagamento de royalties, tal fito não resulta na exclusão de tais valores da base de calculo utilizada para a autuação da CIDE/RE, uma vez que: A lei expressamente prevê a incidência da CIDE/RE sobre essa base de cálculo (royalties), conforme previsto no artigo 2º da Lei 10.168, de 29/12/2000. Não foi demonstrado o recolhimento da CIDE/RE incidente sobre esses valores; 142 Assim sendo. não devem ser excluídos os valores R$ 4.776.119.04 e R$ 4.312.185 45 da base de cálculo da CIDE/RE pra o fato gerador 28109,2006, sendo o fundamento da autuação alterado nessa diligencia de SERVIÇOS para ROYALTIES. Data da Remessa Fatura Beneficiária Base de Cálculo CIDE (R$) Royalties (R$) 31-mai- 07 13425 SERVIÇOS MULTILATERAIS- MOTOROLA INC. (SCHAUMBURG) 4.460.202,82 1.596.462,56 27-jun.- C7 13425 SERVIÇOS MULTILATERAIS MOTOROLA INC. (SCHAUMBURG) 4.160.239,14 1.579.779,95 143 Quanto aos valores: R$ 1.596.462.58 remetido em 31/05/2007 e R$ 1.579.779,95, remetido em 27/06/2007, relacionados à fatura 13.425, foram amparados na documentação que consta à folha 18.418 e 18.419 do processo. 144 A documentação apresentada em impugnação foi considerada insuficiente por esse Serviço de Fiscalização para efetuar a análise das exclusões pleiteadas tendo sido lavrado, em 20/07/2011, o Termo de Diligencia N° 00104/11/002 solicitando se complementação nos seguintes termos: Fl. 56446DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 28 Quanto aos valores de exclusão solicitados a títulos de "royalties" (Mitos 18.418 e 18.419 do eprocesso), efetuar a composição de todos os envios a esse título contidos na INVOICE 13.415 de maneira a compor as valores nela refletidos, respectivamente de US$ 6.814.801.15 (Line 3 Royalties Brazil Apr¬07) e US$ L839.413.74 (Line 30 Royalties Complement Mar07 MD); 145 Em 19/08/2011. a diligenciada respondeu a essa solicitação nos seguintes termos: A Diligenciado esclarece que os "1ovantes" acima mencionados não foram incluídos na base de cálculo da GIDE quando da lavratura do Auto de Infração de maneira que a sua inclusão na "Manilha Geral de Recomposição do Auto de Infração" juntada como documento n° I à Impugnação, deuse por equívoco. 146 Assim sendo, não devem ser excluídos os valores RS 1.596 46',58 remetido em 31/05/2007, e RS 1.579.779,95, remetido em 27/06/2007 da base de cálculo da C1DERE utilizada nesse Auto de Infração. Data da Remessa Fatura Beneficiária Base de Cálculo CIDE (R$) Royalties (R$) 24-jul-07 13758 ROY SERVIÇOS MULTILATERAIS- MOTOROLA INC. (SCHAUMBURG) 21.707.957,68 21.707.957,68 147 Conforme verificase em resposta ao Termo de Intimação 00967/09/002 (folhas 253 e 254) e em planilha que seguiu anexa (folha 256) a importância de R$ 21.707.957.68 já foi oferecida à tributação da CIDE/RE na modalidade Royalties, tendo sido informada por engano pela diligenciada também em sua planilha de serviços. 148 Assim, sendo o valor de R$ 21.707.957,68 DEVE SER EXCLUÍDO da base de cálculo utilizada nesse auto de infração para o período de apuração 24/07/2007. Em sua manifestação, nada opõe a interessada especificamente quando aos valores das remessa de 31/05/2007 e 27/06/2007. Apegandose à alteração mencionada no item 142 de "serviços" para "royalties", alega tratarse de alteração do fundamento da autuação e, em consequência, argui a ocorrência de decadência em relação a fatos geradores de 7810912006. Todavia, o fato de a Fiscalização admitir que as remessas ocorridas em 28/09/2006, originalmente incluídas no Auto de Infração, corresponderiam a pagamento de royalties e não a pagamento de serviços, não constitui mudança hábil a afastar o lançamento, pois este sempre teve por escopo constituir o crédito tributário correspondente a CIDE incidente sobre remessas ao exterior. E tanto as remessas destinadas a pagamentos de serviços como as remessas destinadas a pagamento de royalties sujeitamse a tributação pela CIDE. Assim, estando os fatos geradores de 28/09/2006 já abrangidos pelo lançamento cientificado em 29/10/2010, não se cogita da ocorrência de decadência. Fl. 56447DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 16 29 Sob o titulo descontos e outros acordos comerciais, alega a interessada que as remessas que restaram mantidas. como as relativas à MDF Coop aqui impugnado., não têm natureza jurídica de serviços técnicos e/ou administrativos e assim não podem ficar sujeitas à CIDE Serviços. Neste aspecto, assim expôs a Fiscalização: 156 Parte da base de cálculo da CIDERE utilizada na autuação é questionada pela diligenciada pois, sob seu ponto de vista, não corresponderia a serviços. 157 As invoices questionadas, segundo a diligenciada, incluiriam os valores pagos devido a acordos comerciais ou reembolso de despesas sob as seguintes denominações: Credit Mento, Transfer JAG, Discount From MINC to MIL e MDF Coop. 158 Nas invoices estes itens também poderiam ser indicados por meio do uso das expressões Chame Back e Debt Chame, o que não descaracterizaria sua natureza de desconto comercial. CREDIT MEMOS 159 Iniciase o exame deste item pelas parcelas que estariam ligadas a descontos decorrentes de acordos comerciais, as quais a contribuinte nomeia genericamente de Credit Mento. 160 Na planilha de folhas l8.535 a 18.539. estas cifras correspondem às colunas intituladas JAG Discount, totalizando R$ 350.481.127,93; e Outros Ajustes Comerciais totalizando R$ 31.227.752,56. 161 Com relação aos assim denominados Credit Mento, a diligenciada apresentou milhares de folhas representativas de urna pequena amostragem ocorrida a esse título. 162 Um dos documentos apresentados na complementação da impugnação, folhas 18.564 a 18.638, é o Contrato de Distribuição de Serviço e adendos celebrado entre a empresa Motorola Inc. (contratada pela diligenciada) e o Grupo Akkar LLC, que desempenha a função de distribuidora de serviços. 163 Analisando o referido contrato, apresentado em língua inglesa, constatamos que cláusula 9 do acordo (folha 18.571), estabelece política de proteção de preços aos produtos comprados pela distribuidora: Durante a vigência do contrato, se a Motorola reduzir o preço no Território de um determinado modelo a Motorola deverá (ii) creditar à Distribuidora de Serviços um valor igual à diferença entre o preço líquido de compra antigo e o novo multiplicado pelo numero de unidades compradas da Motorola e remanescentes no estoque da Distribuído 164 Entre as folhas 18.669 e 18.726 a diligenciada juntou cópias não traduzidas de acordos firmados entre a Motorola Inc. Fl. 56448DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 30 e a empresa Brightstar Corp. Na folha 18.707 do processo, figura a cláusula I I do referido acordo, prevendo política de créditos e rebates entre as signatárias. 165 Nas folhas 18.727 a 18.735 a diligenciada anexou Declaração Original em inglês e tradução juramentada firmada pela empresa Akkar descrevendo as ações comerciais chamadas de Proteção de Preços do Estoque (Inventory Price Protection) e Abatimento (Rebates). Declara a distribuidora o seguinte com relação aos conceitos de Proteção de Preço de Estoque e Abatimento: Conceito de "Proteção de Preço de Estoque O conceito de "Proteção ao Preço de Estoque" é baseado no único tipo de mercado explorado pela Akkar e pela Motorola, que está relacionado à venda de mercadorias de alta tecnologia e de rápida absorção pelo mercado, Um dos aspectos chave desse mercado é o fato de que os produtos se tornam obsoletos em muito pouco tempo. Assim, dado o alto grau de obsolescência dos produtos junto à competição agressiva, o preço dos produtos é rapidamente depreciado. Contudo, com o fim de responder à demanda dos transportadores e varejistas na velocidade necessária, a Akkar precisa estocar em seus depósitos uma quantidade razoável de produtos periodicamente determinado de acordo com Uma previsão de vendas. Naturalmente, o volume de vendas que é de fato realizado nem sempre corresponde exatamente às previsões feitas. Por consequência, nesta situação, os preços dos produtos adquiridos serão menores do que o preço pelo qual o produto pode ser vendido a transportadores varejistas. A Proteção ao Preço de Estoque, portanto, objetiva proteger a Akkar de ter produtos em estoque a preços mais altos do que aqueles do mercado, de modo que estas vendas não representem uma perda à Akkar: De tal modo, a Proteção ao Preço de Estoque consiste na concessão de crédito pela MMI equivalente à redução dos preços em certo período. Ou seja, se dentro de um período de tempo anteriormente definido (estabelecido em contrato), o preço de um produto específico for reduzido, a Akkar terá o direito de solicitar à MMI um crédito, cujo valor é igual a diferença entre o valor original do produto e seu valor atual. O crédito em favor da Akkar é sempre concedido pela MMI, independente da Origem do produto ou da subsidiária da Motorola envolvida na transação. Tais créditos são usados posteriormente pela Akkar na compra de produtos da Motorola. Conceito de Abatimentos Os Abatimentos são incentivos estabelecidos pela Motorola e concedidos a seus clientes na forma de bônus pelo alcance de certos meios no volume de vendas que são anteriormente acordados pela Akkar e Motorola sob contratos assinados pelos partes. Fl. 56449DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 17 31 Assim, ao alcançar os objetivos préestabelecidos, a Akkar recebe o direito de receber tais subsídios, concedidos na forma de conditos. O crédito em favor da Akkar é sempre concedido pela independente da origem ou destino dos produtos ou da subsidiária da Motorola envolvida na transação. 166 A diligenciada também junta às folhas 18.737 a 18.745 declaração da Motorola Mobility Inc., sucessora de Motorola Inc., através da qual traz, na folha 18.744. explicações complementares acerca do reembolso dos valores dos descontos: Conforme já mencionado, os descontos concedidos aos clientes pela Declarante são paliados na forma de créditos em favor dos Clientes. Estes créditos devem ser pagos pelas sociedades do Grupo Motorola que realmente se beneficiaram dos mesmos. Assim, se as reivindicações forem causadas por ou relacionadas com "Descontos" e "Proteção do Preço de Inventário" para um produto em particular, a sociedade da Grupo Motorola que promoveu a venda deste produto deve assumir o desconto. Como o desconto é sempre dado aos clientes pela Declarante, ela cobra as despesas de Suas subsidiárias, COMO Crédito realmente emitido e contado. 167 A diligenciado apontou ainda através dos Livros Diário e Razão 2006 a 2010, cujos lançamentos foram encartados nas folhas 54.404 a 54.454, a contabilização dos Descontos (JAG, Credit Mento e outros ajustes), demonstrando trataremse de redutores da receita bruta da empresa registrados como DESCONTO NA VENDA DE MERCADORIAS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. 168 Nas folhas 54.450 a 54.454. a diligenciada toma como exemplo a invoice 18473 (folhas 53.726 a 53.793) no total de US$ 13.090.285,74 dos quais US$ 2.848.852,71 a titulo de JAG Discount. Explica a diligenciado que a cifra corresponde a descontos concedidos pela MMI à Telecom Personal SA, sediada na Argentina, a partir de venda realizada pela diligenciada àquele cliente. Detalha a diligenciada que no momento da emissão da fatura comercial, o próprio sistema determina automaticamente os valores dos descontos que poderão ser concedidos à cliente, caso esta atinja os níveis de compras pré estabelecidos. 169 O montante de US$ 2.848.852,71 (folha 54.452) constante da invoice tomada como exemplo equivale à soma de todas as Credit Mento cobradas da diligenciada. A diligenciada apresenta graficamente os lançamentos contábeis envolvidos na operação (folha 54.453). Os lançamentos foram regularmente registrados no sistema SPED. 170 Analisandose esses novos esclarecimentos embasados na farta a quantidade de material que não estava disponível para escrutínio durante a fase de Auditoria Fiscal, é de se reconhecer que a diligenciada produz um conjunto probatório consistente a Fl. 56450DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 32 respeito da natureza das Parcelas remetidas a titulo de Credit Memo. 171 Assim, buscando adaptar o Auto de Infração à verdade material dos fatos propomos que a base de cálculo da CIDE — remessas ao exterior seja reduzida dos valores correspondentes às colunas JAG DISCOUNT e OUTROS AJUSTES COMERCIAIS, por não possuírem natureza de pagamento pela importação de serviços administrativos. técnicos e semelhantes. 172 Conforme planilha constante às folhas 18.535 a 18.539 a base de cálculo da CIDE/RE deverá ser reduzida para todo período autuado em R$ 350.481.127,93 a título de JAG DISCOUNT e R$ 31.227.752.56 a título de OUTROS AJUSTES COMERCIAIS, sendo que os valores desta redução estão detalhados no quadro que segue abaixo: ..... MDF (Marketing Development Funds) Coop 173 Sob o mesmo rótulo de descontos e outros ajustes comerciais, a diligenciada busca ver excluídas da base do lançamento de ofício as parcelas das remessas relacionadas ao denominado MDF (Marketing Development Funds) — Coop. 174 Nas canas em espanhol inseridas entre as folhas 18.639 a 18.668, trocadas entre braço do grupo Motorola (Motorola Device Business) e a empresa Telecom Personal SA, estão explicitadas as condições da operação (folha 18.643): Fundo de Marketing.: A Motorola investirá, durante o prazo de vigência e os 9 Meses posteriores à finalização do dito prazo até um máximo de US$ 208.000 (duzentos e oito mil dólares americanos) para a realização de campanhas ou programas de marketing acordados em conjunto para a promoção dos produtos da Motorola no Território. A Motorola, a seu critério exclusivo, determinará se a utilização do Fundo de Marketing seara` realizada diretamente ou através do terceiro que a Motorola venha a designar para tal fim 175 Como se lê, tratase de cláusula contratual na qual a Motorola se compromete a despender determinada soma com campanhas visando promover os produtos da Motorola. 176 Na anteriormente citada declaração firmada pela empresa Akkar (folhas 18.727 a 18.735), a ação comercial de MDF Coop está assim descrita (folha 18.7321: Natureza do MDF Coop A Akkar é uma distribuidora autorizada não exclusiva dos produtos da Motorola no América Latina (...) Como conseqüência dessa relação comercial, a Akkar poderá, em algumas situações, ser responsável por desenvolver campanhas publicitárias dos produtos da Motorola ("Atividades de Marketing") que visem implementar e promover suas vendas. Essas atividades serão realizadas com a aprovação da Motorola. Fl. 56451DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 18 33 Para atingir os objetivos da Motorola nessas campanhas, a MMI assumirá a obrigação de reembolsar a Akkar pelos custos devidamente documentados das Atividades de Marketing. Os gastos de Marketing incorridos pela Akkar serão reembolsados pela MMI por meio de descontos ou melhores condições de pagamento futuras compras de produtos. 177 Ao contrário do que defende a diligenciada, as remessas efetuadas a titulo de MDF Coop estão sim, relacionadas a serviços técnicos, administrativos e semelhantes. Notese que o objetivo da cláusula contratual é a promoção de produtos fabricados pelo grupo e a fixação da marca a ser alcançada por meio de ações de marketing. O texto da declaração prestada pela Akkar e a redação da proposta comercial transcrita acima confirmam que os dispêndios com Fundo de Marketing ajudam a promover a venda dos produtos fabricados pela MIL. 178 Evidentemente ainda que, embora a diligenciada possa fazer a sua classificação como reembolso de despesas, as remessas correspondentes ao compartilhamento de custo nelas ações de marketing, constituem contrapartida por serviços prestados no exterior, contratados pelo próprio grupo Motorola ou por seus clientes, que trazem resultados no Brasil, pelo impulso de vendas. Tratase. portanto, de valores despendidos a título de serviços técnicos administrativos e semelhantes e devem compor a base de cálculo da CEDE/RE. Em sua manifestação, a interessada faz menção aos itens 173 a 178 do Relatório da Diligência reiterando que valores remetidos a titulo de MDF Coop corresponderiam a meros reembolsos de despesas. Contudo nada esclarece ou refuta acerca dos documentos mencionados pela Fiscalização (cláusula contratual e da declaração da empresa Akkar) que indicam que as remessas decorrem de custos por ações de marketing e da conseqüente conclusão de que integram os serviços técnicos administrativos e semelhantes, cujos valores compõem a base de cálculo da Cide RE. Limitase a reiterar argumentos da impugnação já analisados e refutados no Relatório de Diligência e invocar Solução de Consulta de 2003 e 2005 no sentido de que valores remetidos a titulo de publicidade e de reembolso de beneficio indireto não se sujeitariam a incidência da CIDE. Soluções de consulta mais recentes, já citadas pela Fiscalização, foram exaradas no sentido de que remessas para pagamento de serviço de propaganda e publicidade bem como desenriças compartilhados integram a base de cálculo da CEDE, como se reproduz a titulo de exemplo: Solução de Consulta da 8ª RE nº 86, de 28/04/2006 ... Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ementa: CIDE Contribuição de intervenção no Domínio Econômico. Fl. 56452DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 34 A partir de 1º de janeiro de 2002, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos ao exterior a título de remuneração pela prestação de serviços de propaganda e publicidade, estão sujeitos ao pagamento da Contribuição der Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), instituída pela Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, por se tratar de "serviços técnicos especializados”. Dispositivos Legais: Art. 2' da Lei n' 10.168, de 29.12.2000 (alterado pelo ali. 6o da Lei ir" 10.332, de 19.12.2001j, e ali. 10 do Decimo 4.195, de 11 de abril de 2002. Do mesmo modo, reportandose aos itens 179 a 188 opõese às conclusões acerca dos valores identificados conto Tooling e VAT e Turnover Tax, reiternado seus argumentos de que corresponderiam a serviços e mencionando Solução de Consulta que trata de valores remetidos a título de reembolso para compra dc veículo automotivo. Todavia, nos itens questionados, assim expôs a Fiscalização: TOOLING E VAT E TURNOVER TAX (REEMBOLSO DE DESPESAS DECORRENTES DE OUTROS AJUSTES COMERCIAIS) 179 A diligenciada alega que os valores remetidos sob os rótulos de Tooling, VAT e Turnover Tax têm naturezas jurídicas distintas de contrapartida por serviços prestados e também não podem integrar a base de cálculo da autuação. Retomese o que diz a diligenciado em sua impugnação às folhas 1.892 e 1.896: Os itens identificados nas Invoices como Tooling (Doc. 25), são relativos gastos com ferramental, ou seja, com moldes e ferramentas utilizados por fornecedores localizados na China, para a produção de partes e peças que serão posteriormente importados pela Impugnante, para a produção de determinado produto (celular, por exemplo). Os gastos com a produção do ferramental são objeto de rateio entre as empresas do Grupo, levandose em conta o volume de produção com a utilização do ferramental. Em outras palavras, tratase de típica hipótese de reembolso de despesa que, para o que interessa a esta defesa, não tem natureza jurídica de prestação de serviços. Neste caso, também em função de seus ajustes e compromissos comerciais, a Impugnante arca com estas despesas inerentes à produção e aquisição de Tooling (ferramental), não havendo nada nesta relação jurídica que constitua ou tenha natureza de prestação de serviços, para os fins e efeitos da incidência da CIDE. Já o VAT, assim como os itens apontados nas invoices como Turnover Tax, correspondem a tributos que a entidade do Grupo Motorola teve que suportar por cuidar dos pagamentos em nome e em benefício da Impugnante. Não se trata, assim, de verbas suportadas pela Impugnante como contrapartida de prestação de serviços, o que também descaracteriza Sua inclusão conto base de cálculo da CIDE. Não há, em relação a estes itens, o nascimento da obrigação tributária relativa à CIDE indevidamente lançada na autuação. A natureza de um valor simplesmente reembolsado, e que foi incorrido para propiciar o beneficio percebido pela Fl. 56453DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 19 35 Impugnante com seus bons resultados em vendas naqueles países, definitivamente não é de prestação de serviços. 180 Nas folhas 55.471 a 55.479 a diligenciada juntou declarações em inglês prestadas por representantes das empresas Motorola (China) Electronics Limited e Hangzhou Motorola Celular Equipment Co., Ltda Motorola Celular Equipment Co. Ltd. Nas quais, a pedido da Motorola Industriai Ltda, aquelas pessoas jurídicas esclarecem as operações denominadas Tooling. 181 O diagrama exposto rui figura da folha 55.473 resume bem a operação: a MIL importa peças e panes produzidas por fabricante que utiliza moldes e ferramentas fornecidas por empresa do grupo [Motorola sediada no exterior (Motorola China). Os encargos de depreciação desses moldes e ferramental, ativos da Motorola China, são transferidos para a M1L, via operação de reembolso. São esses os valores que a diligenciado deseja ver excluídos do lançamento, por não lhes vislumbrar natureza de contrapartida por prestação de serviços. 182 Os valores remetidos não podem ser desvinculados, no entanto, de uma operação de importação de serviços. Vejase: os produtos são fabricados pelo fornecedor estrangeiro a mando, no padrão, e a partir de moldes e ferramentas fornecidos por empresa do grupo Motorola sediada na China. Tratase de industrialização por encomenda da MIL no Brasil a seu fornecedor estrangeiro, com uso de ferramenta! fornecido pela Motorola China. Os encargos de depreciação incorridos pela Motorola China não podem ser segregados corno se fossem autónomos da prestação de serviços que lhes deu motivo: a viabilização da produção e fabricação, conforme objeto dos contratos multilaterais. Os valores reembolsados à Motorola China e à Hangzhou Motorola Cellular Equipment Co Ltd., portanto, integram o custo do prestador, não podendo ser excluídos da base de cálculo. 183 O mesmo se aplica às parcelas das remessas efetuadas a título VAT e Turnover Tax: elas correspondem a valores que integram o custo de serviços prestados no exterior por pessoa jurídica domiciliada no exterior. 184 Neste ponto, é importante retomar o foco sobre os contratos multilaterais de prestação de serviços que motivaram as remessas de recursos. É notório que, no conjunto de serviços disponibilizados pelas empresas do grupo umas às outras, incluemse serviços relacionados a produção e fabricação. 185 Como já aqui foi detalhado no Relatório de Ação Fiscal N 00214/10/024. os serviços colocados à disposição das empresas do grupo alcançam toda a estrutura administrativa da organizarão. Deste modo, se a autuada aciona suas subsidiárias no exterior para viabilizar a produção, a fabricação (item 4 do contrato multilateral) e venda de produtos fabricados no Brasil, é no âmbito dos contratos multilaterais que o faz e os respectivos Fl. 56454DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 36 despesas e custos incorridos por essas subsidiárias no interesse da contratante não podem ser consideradas autonomamente. l86 É esclarecedor, nesse sentido, o contendo da cláusula 2 dos contratos multilaterais sob foco (folhas 371, 379. 389 397, 405, 415, 426, 434 e 440): 2.1 Em contraprestação aos Serviços fornecidos conforme este instrumento, a Recebedora pagará à Fornecedora os valores constantes das faturas aplicáveis, a serem apresentadas pela Fornecedora em base mensal ou tal outro prazo no qual as partes concordem: 2.2 As finuras incluirão uma explicação detalhada dos Serviços efetivamente prestados em cada período, inclusive a especificação dos valores a pagar e a 1ndureza dos serviços prestados; 2.3 A remuneração dos Serviços compreendidos neste Contrato abrangerão, entre outros, os seguintes itens; 2.3.1 Salários e despesas relacionadas com salários do pessoal que desempenha os serviços, 2.3.2 Uma parcela adequada de despesas administrativas(amortização, depreciação manutenção, aluguel, porte, comunicação. serviços de utilidade pública, suprimentos, despesas gerais indiretas, etc.) relacionadas com cada Departamento da Fornecedora que presta Serviços á Recebedora: 2.3.3 Despesas não incluídas em outro lugar aso Contrato, que São incorridas pelo pessoal que desempenha os serviços em benefício exclusivo da Recebedora e que possam ser identificadas e vinculadas à fatura emitida pela Fornecedora para cobrara Recebedora, 2.4 Os custos dos Serviços prestados pela Fornecedora em benefício da Recebedora serão representados entre outros, pelas despesas de pessoal efetivas (inclusive remuneração e os impostos e benefícios legais pertinentes), e as despesas indiretas incorridas, as quais serão alocadas à Recebedora por meio de metodologia acordada. 2.5 O custo, a critério das Partes, poderá ou não incluir qualquer elemento de lucro, depois de levadas em consideração as regulamentações de preços de transferência pertinentes das jurisdições aplicáveis, pois é intenção de todas as partes que este contrato represente, em princípio, o reembolso dos custos incorridos pela entidade fornecedora pertinente com o fornecimento de serviços eletivos em benefício da entidade adquiridora pertinente. 187 O trecho grifado acima, estabelecendo o repasse dos custos com depreciação e dos tributos incorridos nela prestadora de serviços no exterior põe fim à discussão sobre a composição dessas rubricas no preso dos serviços contratados pela autuada frente às demais empresas do grupo. Fl. 56455DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 20 37 188 Assim, eventuais tributos que o Grupo Motorola teve que suportar em beneficio da Diligenciada compõem os custos dos serviços prestados no exterior que resultaram em proveito para a MIL no país e integram o montante tributável pela CIDE/RE. E, na manifestação apresentada, nada esclarece ou refuta a Interessada acerca das constatações fiscais decorrentes das previsões contratuais citadas nem comprova que os valores remetidos a titulo de Tooling e VAT e Turnover Tax seriam desvinculados de tais previsões ou que teriam natureza de aquisição de bens. Ou seja, não foram apresentadas provas documentais no sentido de permitir que referidas remessas sejam associadas a aquisição de bens ou reembolso de despesas e não à contraprestação pelos serviços previstos contratualmente na cláusulas citadas. Ao abordar a natureza jurídica dos serviços e contradições do Relatório de Diligência, busca a interessada desmerecer e fragilizar o trabalho fiscal, questionando que a planilha apresentada teria servido no que se apresenta conveniente para os interesses do Fisco e não sirva para a demonstração do real„ justo e correto título das remessas. Contudo, o que vê refletido nos Relatórios elaborados pela Fiscalização é a descrição detalhada das intimações para obtenção de informações e esclarecimentos junto à empresa a exposição minuciosa de todos os elementos obtidos bem como uma análise criteriosa de todos os documentos e dados obtidos, tanto no curso do procedimento como após a ciência da autuação, justificando expressamente os motivos pelos quais os valores das remessas detectadas foram ou não incluídas/mantidas na base de cálculo para tributação pela CIDE. De fato, em que pese a tentativa da interessada de interpretar como contradições algumas das afirmações e constatações fiscais, nos itens 134 a 195 analisou a Fiscalização individualizadamente todas as rubricas que a interessada entende que deveriam ser retiradas da base de cálculo da CIDE, admitindo a exclusão de apenas parte delas e explicitando os motivos pelos quais não acatada a pretensão de exclusão das demais. Especificamente acerca da objeção à menção ao recolhimento de IRRF sob código 0473, cumpre lembrar que, como já registrado na autuação, há intima relação de tributação entre o Imposto de Renda Retido na Fonte e a norma instituidora da CIDE/RE. Com efeito, os serviços importados originalmente tributados à alíquota de 25% pelo IRRF, com a instituição da CIDE permaneceram a ser tributado à alíquota de 25% mas composta de 15% de IRRF e 10% de CIDE. Lembrese, ainda, que referida contribuição, nos termos do § 2º do art. 2º da Lei 10.168, de 2911212000, com a redação dada Fl. 56456DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 38 pela Lei 10.332, de 19/1212001, a partir de 1º de janeiro de 2002, passou a ser devida também pelos pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior. Portanto, não se justifica a objeção da Impugnante quanto á investigação. pela Fiscalização, das remessas que sofreram incidência de IRRF, para fins de definir a base de cálculo sujeita à incidência da CIDE. Ademais, lembrese que, como consignado no item 25 do Relatório de Diligência, o pagamento de SERVIÇOS cujo valor foi tomado como base de cálculo para o Auto de Infração da CIDE'RE de que trata o presente processo foi corroborado pela diligenciada quando declarou nas fichas 45 "Pagtos ou Remessas a Título de Serviços. Juros e Divid. A Benef. Do Brasil e do Exterior" de suas DIPJ os valores anuais que enviou ao exterior durante os anoscalendário 2005 a 2010 (até o mês de 07) para o pagamento de "Serviços Técnicos e de Assistência sem Transferência de Tecnologia". Ainda, cabível registrar que as remessas investigadas e mantidas no Relatório da Diligência Fiscal sofreram incidência de IRRF e não se relacionavam a pagamento por royalties ou por cessão de uso de marcas ou patentes. Destinados a outras empresas do grupo sediadas no exterior, os pagamentos teriam fundamento em contratos de prestação serviços multilaterais. Registrese a exposição fiscal nos itens 43 a 51 do Relatório da Diligência Fiscal em que o autuante apresenta suas conclusões sobre a importância dos contratos multilaterais para as atividades corporativas da fiscalizada: 43 Podese dizer em virtude dos trabalhos de auditoria promovidos na empresa e do contato com seus funcionários encarregados e do exame profundo efetuado em sua contabilidade, nos contratos de serviços que celebrou com o exterior e na documentação que lhe dá suporte fornecida pela empresa (INVOICES) que esses serviços contratados agregamse à própria vida social da empresa, dandolhe forma, projeção e destaque em todos os mercados em que autua. 44 Tais serviços propiciam à diligenciada escoar sua produção tanto no Brasil Como nos diversos mercados da América Latina em que a empresa atua. 45 Os serviços administrativos contratados pela diligenciada no exterior agregamse e fundemse indissociavelmente à própria administração da empresa no Brasil de maneira que a empresa, embora brasileira, situada em Jaguariúna SP, possa ter a penetração globalizada em todos os mercados em que pretenda se colocar. 46 Assim, o retorno econômico, de tais serviços para a diligenciada concretizase em Jaguariúna SP, na sede da empresa, onde são apurados os lucros da empresa. Fl. 56457DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 21 39 47 Como foi visto no Relatório de Ação Fiscal Nº 00214/10/024, os serviços contratados do exterior são de tão vasta e ampla gama de especialidades que constituemse em verdadeiro complemento de suas áreas administrativa, gerencial, comercial, promocional, de assistência técnica, contábil, jurídica, de fabricação e, enfim, de todas as áreas que compõem a administração e condução dos negócios da empresa. 48 Ou seja, esses serviços contratados do exterior podem ser considerados verdadeiros braços administrativos e gerenciais que complementamse e ligamse diretamente à própria administração da diligenciada no Brasil, possibilitando a esta garantir sua reputação de excelência e qualidade na fabricação de seus produtos e manter o compromisso com seus clientes em todos os mercados em que atua diretamente a partir do Brasil. 49 Conforme descrito nos contratos firmados com as demais empresas do Grupo Motorola, o fundamento para sua realização foi o de evitar a incursão de despesas significativas de estabelecer tais capacidades no Brasil. 50 Sendo assim, os recursos remetidos pela diligenciada em pagamento destes serviços às empresas prestadoras no exterior, possuíram beneficiários finais, domiciliados no exterior, que efetivamente concretizaram os serviços contratados. 51 Os signatários de tais contratos, os serviços contratados e a forma de sua remuneração estão exaustivamente especificados através do Relatório de Ação Fiscal Nº 002141 0/024. O relato fiscal é claro: os serviços contratados tinham tal abrangência que repercutiam em toda a estrutura da organização. A conclusão fiscal é imediata a partir da leitura da relação dos serviços destacados no item 39 do Relatório da Diligência: 39 Como a própria diligenciada reconhece em resposta formal, são diversos os serviços que reunidos compõem o que se chama de Serviços Administrativos, Técnicos ou semelhantes. Dentre esses, destacamse os seguintes: Suporte e promoção de vendas; Propaganda e marketing; Garantia legal dos produtos exportados (conserto e manutenção); Controle de qualidade, pré e pósvendas; Publicidade; Elaboração de materiais de orientação aos clientes; Call Center o clientes; Fl. 56458DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 40 A petição inicial do Mandado de Segurança impetrado pela empresa nos autos de nº 2004.61.050113430, em que discute a retenção do Imposto de Renda na Fonte (fls. 3.994/4.010 da numeração manual) é esclarecedora a respeito do objetivo dos citados contratos multilaterais. Nos itens 2 e 3 da peça afirma a própria autora sobre a abrangência dos contratos multilaterais: 2. Com a intenção de obter eficiência e melhora nas suas atividades gerenciais, com a divisão mundial dos custos destes serviços, as empresas do Grupo MOROLA, se utilizam de serviços prestados por Companhias Motorola localizadas em todo o mundo, dispostas a oferecer e fornecer serviços nas áreas de finanças. compras, administração, vendas, entre outros serviços, que não são serviços com transferência de tecnologia, para o exercício de suas atividades dentro do padrão do Grupo. 3. Desta forma, na realização de seus objetivos sociais, as Impetrantes tem se utilizado de serviços técnicos e administrativos prestados por empresas do GRUPO MOTOROLA, por meio da formalização de contratos bilaterais ou multilaterais de prestação de serviços, sem transferência de tecnologia, conforme documentos anexos (...). Segundo os termos destes contratos; as Impetrantes são obrigadas a remeter regularmente aos países de sede de suas fornecedoras (empresas do GRUPO MOTOROLA), como por exemplo China, Alemanha, Argentina, etc. as participações financeiras que lhes cabem, a título de pagamento pela prestação destes serviços realizados sem transferência de tecnologia, conforme atestam as faturas existentes (...)(destaque incluído) Portanto, inegável a identificação, pela própria interessada, de que as remessas ao exterior decorrem de serviços técnicos e administrativos, sujeitandose, assim, nos termos do § 2º do art. 2º da Lei 10.168/2000 com a redação dada pela Lei 10.332/2001, a incidência da CIDE. Acrescentese que a previsão legal para incidência da contribuição lançada não se restringe a remessas ao exterior para pagamento de remuneração de serviços técnicos, mas abrange também, as remessas destinadas a pagamentos de serviços de assistência administrativa e semelhantes. Dessa forma, não se encontra fundamento na legislação a pretensão da interessada de associar a exigência da CIDE apenas aos casos em que a realização dos serviços depender de conhecimentos técnicos especializados. A conclusão pela tributação pela CIDE das remessas decorrentes dos serviços, em relação às quais mantida a autuação, foi reforçada pelo estudo das contas que registraram os correspondentes pagamentos. Foram examinados lançamentos realizados nas seguintes rubricas identificadas no item 55 do Relatório da Diligência: 511535 DESP SERV SISTEMAS & INFORMÁTICA(Ano calendário 2005); 511703 TRANSFERÊNCIA DESPESAS HOUSE ORDER (AC M35); 511099, OUTRAS DESPESAS 11&O OPERACIONAIS (AC Fl. 56459DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10830.014608/201082 Acórdão n.º 3402002.229 S3C4T2 Fl. 22 41 330001 PROVISÃO GARANTIAS CONTRATUAIS (AC 2007, 2008, 2009 E 2010); 330002 – PROVISÃO GARANTIAS CONTRATUAIS LAS (AC 2007, 2008) 771001 771001 CUSTO GARANTIA ESPECIAL (AC 2037, 2035); 888161 DESP SERV SISTEMAS & INFORMÁTICA (AC 2006, 2007, 2008 e 2009); 888500 TRANSFERÊNCIA DESPESAS HOUSE ORDER (AC 2005, 2007, 2008, 2009 E 2010); 888599 TRANSFERÊNCIA DESPESAS ENTRE DEPTOS (AC 2008, 2009 E 2010); 920000 OUTRAS RECEITAS DESPESAS OPERACIONAIS (AC 2006, 2008, 2009 E 20100 Os itens 61 a 127 do Relatório de Diligência trazem análise especifica dos valores registrados contra cada uma das citadas rubricas e permitiu a conclusão de que a base de cálculo utilizada para efetuarse a tributação da CIDE/RE guarda consonância com os elementos disponíveis para análise no momento cm que foi elaborado o Auto de Infração (27110/2010), ensejando, apenas a exclusão dos valores identificados no item 172 do Relatório da Diligência a titulo de JAG Discount e Outros Ajustes Comerciais, genericamente designados Credit Menio (itens 159 e 160), além de valores de royalties já tributados para o fato gerador 24/07/2007. Ressaltese, ainda, o entendimento administrativo externado nas Soluções de Consulta mencionadas na autuação, refletindo entendimentos administrativos que, além de vigentes à época dos fatos geradores mais remotos abrangidos na autuação, são mais recentes do que as consultas invocadas pela defesa. Diante do exposto, a base de cálculo não merece ajustes além daqueles já admitidos pela Fiscalização no Relatório da Diligência.” Em suma a r. decisão recorrida já escoimou os erros de fato e as imperfeições do lançamento deduzindo as importâncias indevidas da autuação, razão pela qual não vislumbro que as objeções levantadas pela Recorrente justificassem a reforma da r. decisão recorrida, que deve ser mantida considerando que na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a autuação. Finalmente anoto que o precedente desta Turma de minha relatoria invocado na sustentação oral (Acórdão nº 3402001.912, Rec. nº 940.095, Proc. nº 16327.721361/2011 10, em sessão de 27/09/12, publ. in RDDT vol. 209/191) não socorre à pretensão da ora Recorrente, eis que embora tratando de despesas compartilhadas, versa sobre a incidência do PIS, COFINS e ISS, cujos pressupostos de incidência são diversos e não se confundem com os pressupostos de incidência da CIDE. Fl. 56460DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 42 Isto posto, meu voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos Recursos s Voluntário e de Ofício para manter a r. decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 56461DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11080.005297/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO.
De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços.
Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino.
Precedentes.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte para excluir do lançamento a multa de ofício lançada, por aplicação da Súmula CARF n° 73.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. Precedentes. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do Recorrente justifica a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte para excluir do lançamento a multa de ofício lançada, por aplicação da Súmula CARF n° 73. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 52 97 /2 00 9- 10 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 453 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 425/446) interposto em 09 de junho de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) (fls. 405/419), do qual o Recorrente tomou ciência em 16 de maio de 2011 (fl. 423), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/18, lavrado em 06 de agosto de 2009, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, verificada nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS BOLSAS DE EXTENSÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação por serviços prestados pelo beneficiário do rendimento. Os valores recebidos por pessoa física a título de bolsa de extensão que importem contraprestação de serviços são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. DECISÕES JUDICIAIS – EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 405). Fl. 491DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 454 3 Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 425/446), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No tocante ao mérito, verificase que a questão cingese à discussão da natureza dos rendimentos percebidos pelo contribuinte e caracterizados como bolsa de extensão, na forma da Lei n.º 8.958/94, com o objetivo de determinar se estariam amoldados à espécie de rendimentos isentos ou não tributáveis, tal como pleiteado pelo contribuinte, ou, de outra sorte, se as bolsas deveriam ser entendidas como rendimentos tributáveis. Em brevíssima síntese, o contribuinte alega, em seu recurso, que as bolsas de extensão concedidas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul deveriam ser caracterizadas como doações com encargos em favor do contribuinte, concedidas em razão do trabalho de pesquisa por ele realizado em benefício da própria sociedade, razão pela qual tais rendimentos seriam isentos, em consonância com o estatuído pelo art. 7º do Decreto n.º 5.205/04. Pois bem. Antes de adentrar nas especificidades do caso concreto, cumpre tecer breves comentários acerca do tratamento às bolsas de estudos e extensão pela legislação tributária. Como se sabe e em consonância com o quanto destacado pelo decisum recorrido, as bolsas concedidas por instituições de ensino são, via de regra, consideradas como rendimentos tributáveis, tal como estabelecido pelo art. 43, I, do RIR/99, na medida em que, acrescendo ao patrimônio do contribuinte, devem ser consideradas riquezas novas, passíveis de tributação. Nada obstante o tratamento geral conferido pela legislação tributária, verificase que o legislador buscou, no tratamento e qualificação dos referidos rendimentos, estremar duas espécies de bolsas, eventualmente concedidas pelas instituições de ensino, a saber: (i) aquelas que constituem mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, e (ii) aquelas outras em que a sua concessão esteja vinculada ao cumprimento de contraprestação pelo beneficiário em favor da instituição de ensino e possa, desta forma, representar benefício econômico em favor desta última. Nesse sentido, aliás, é a dicção expressa do art. 39, VII (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), in verbis: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26).” Fl. 492DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 455 4 Esse mesmo entendimento se aplica, também, às bolsas de ensino e pesquisa previstas pelo art. 4º., §1º, da Lei n.º 8.958/94, consoante se infere de uma análise conjunta do referido dispositivo e do disposto pelo Decreto n.º 5.205/2004, responsável por regulamentar a legislação em espeque, conforme se infere dos seguintes dispositivos, ora colacionados: Lei n.º 8.958/94 “Art. 4º. As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º. A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento.” Decreto n.º 5.205/04 “Art. 6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7o As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.” Como se extrai da legislação em vigor, portanto, as bolsas de estudo apenas se caracterizam como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam ser consideradas como doações, na forma da legislação cível (art. 110 do CTN), por parte da instituição de ensino em favor do beneficiário, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e, também, deste CARF, consoante se extrai dos seguintes precedentes: “TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, Fl. 493DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 456 5 REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) *** “IRPF. BOLSA DE ESTUDOS. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudos, desde que caracterize doação, ou seja, quando recebidos exclusivamente para proceder a estudo ou pesquisa e o resultado dessas atividades não represente vantagem para o doador e não caracterize a contraprestação de serviços.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, j. em 16/03/2011) Feitos esses breves esclarecimentos, cumpre mover à análise específica do caso concreto, de modo a verificar se, de fato, os valores recebidos pelo contribuinte da Fundação Médica do Rio Grande do Sul poderiam ser qualificados juridicamente como doações, importando, destarte, mera liberalidade em favor do Recorrente, sem a exigência de qualquer contraprestação em favor da instituição de ensino. Quanto à qualificação das bolsas recebidas pelo contribuinte, entendo elucidativos os esclarecimentos constantes no relatório de fiscalização, acostado às fls. 05/12, os quais passo, doravante, a analisar. De fato, verificase, à luz dos documentos dos autos, que as bolsas de extensão pagas ao contribuinte pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos em conjunto pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nesse exato sentido, cumpre verificar os termos existentes no Termo de Compromisso para Concessão de Bolsa de Extensão, acostado às fls. 28/43 dos autos. Conforme se denota deste documento, assim como em outros juntados aos autos, verificase a existência de obrigações existentes entre o Recorrente e a Fundação Médica do Rio Grande do Sul. Segundo os projetos realizados, o professor desempenhará atividades complementares à docência, podendo tais atividades serem realizadas sob a forma de preceptoria, coordenadoria e consultoria. Em contrapartida, conforme estipulado pela Cláusula Segunda do Termo de Compromisso para Concessão de Bolsa de Estudo, a Fundação Médica deverá conceder ao professor uma bolsa de extensão, na forma do disposto no “Regulamento para Concessão de Bolsas de Extensão (BE)”, arquivado junto ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul. Demonstrase, portanto, a existência de contraprestação pela prestação de serviços realizada pelo Recorrente. Em outras palavras, as bolsas fruídas pelo contribuinte não decorrem de mera liberalidade por parte da instituição financeira, mas, de outra sorte, da relação existente entre a Fundação Médica do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul para a realização de projetos junto ao Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Tratase, em outras palavras, de rendimentos pagos para a participação do contribuinte na execução dos projetos de interesse das instituições, ou, em outras palavras, de autêntica contraprestação pelos serviços prestados pelo Recorrente. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 457 6 E nem se alegue que se trataria de doação com encargos, na forma como capitulada no art. 553 do Código Civil. Com efeito, muito embora não se possa dizer não ser passíveis de isenção as chamadas doações com encargos, previstas pela legislação cível, na medida em que referida interpretação consistiria em evidente alteração do regime jurídico próprio do referido contrato, em violação ao art. 110 do CTN, fato é que a hipótese vertente jamais poderia ser confundida com referida espécie de doação. Na realidade, os contratos de doação, conforme salienta em uníssono a doutrina, dependem da comprovação da existência do chamado animus donandi, que repousa sobre a essência de liberalidade inerente aos contratos de doação, Em outras palavras, o contrato de doação, ainda que sujeito a encargo, mantém a sua essência de contrato gracioso, no qual apenas uma das partes é onerada em benefício da outra. Nesse sentido, o encargo inerente à doação jamais poderia ser equiparável ao benefício econômico auferido por uma das partes, na medida em que, se tal ocorrer, estarseá diante de contrato oneroso e não gratuito, ou, no máximo, contrato misto, em que a doação estará atrelada, apenas e tãosomente, à parcela de liberalidade inerente ao contrato e não à contraprestação ou encargo concedidos. No caso vertente, entendo que não há o animus donandi inerente aos contratos de doação, razão pela qual as bolsas se caracterizariam como remuneração pelos serviços prestados pelo contribuinte e não pela liberalidade da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, razão pela qual o recurso voluntário não merece prosperar. Ressaltese, finalmente, que este relator já proferiu dois outros acórdãos no mesmo sentido, julgados na sessão de março de 2013 (Acórdãos 2101002.124 e 2101 002.128), tendo acompanhado o Conselheiro José Evande Carvalho Araújo em janeiro de 2013 em caso análogo (Acórdão 2101002.043). Todavia, em relação à multa de ofício, entendo que esta deve ser excluída do lançamento. Isso com base na boafé do Recorrente, caracterizada pelo fato de ter agido simplesmente de acordo com expressa informação prestada pela fonte pagadora. Justificando referido entendimento, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendido que o erro escusável do contribuinte, em situações como a dos autos, autoriza a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Nesse sentido, em sessão realizada em 17 de agosto de 2009, a 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 IRPF MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 458 7 Tendo a fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de Roraima) prestado informação equivocada aos deputados estaduais com relação à natureza dos valores pagos a título de ajuda de custo, o erro cometido pelo contribuinte no preenchimento das declarações de ajuste anual é escusável. Assim, o lançamento que reclassificou ditos rendimentos de isentos e não tributáveis para tributáveis não comporta a exigência da penalidade de ofício. Recurso negado” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Recurso Especial n° 10.414.5376, Acórdão n. 920200.007, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 17/08/2009). Em seu voto, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage justificou seu entendimento da seguinte forma: “O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. ... Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, excluiu da exigência a multa de ofício aplicada sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e considerou o valor de R$ 3.834,40 como dedução de previdência privada. A recorrente defendeu, basicamente, que inexiste fundamento legal autorizando o afastamento da multa de ofício. Eis a matéria que chega à apreciação deste Colegiado. O procedimento adotado pelo sujeito passivo, de informar em suas declarações de ajuste anual como isentos e não tributáveis os rendimentos recebidos a título de ajuda de custo da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, CNPJ n° 34.808.220/000168, inquestionavelmente decorreu de orientação emitida pela fonte pagadora, conforme evidenciam os comprovantes de rendimentos juntados aos autos às fls. 4346. Sob minha ótica, a omissão de rendimentos apurada pela autoridade lançadora ocorreu em razão de erro da fonte pagadora, a qual, cumpre destacar, faz parte da Administração Pública. Sendo assim, tenho como indiscutível que o contribuinte, utilizandose das informações fornecidas por sua fonte pagadora, que faz parte da Administração Pública, foi induzido a erro escusável no preenchimento de suas declarações de ajuste anual, motivo pelo qual a penalidade de ofício deve ser afastada com relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. O contribuinte não pode suportar a multa de ofício nesta situação. Segundo penso, tal raciocínio é corroborado pelo princípio constitucional da moralidade e pelo princípio da razoabilidade, previstos, respectivamente, no artigo 37 da Carta da República e no artigo 2° da Lei n° 9.784/99. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dá sustentação ao posicionamento ora defendido, conforme demonstram as ementas dos seguintes acórdãos: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 459 8 MULTA DE OFÍCIO – DADOS CADASTRAIS – O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Quarta Turma, Recurso Especial n° 102129.390, Acórdão CSRF/0400.409, Relator Conselheiro Remis Almeida Estol, julgado em 12/12/2006) Ementa: IRPF LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPETÊNCIA DA UNIÃO FEDERAL Somente entes políticos dotados de poder legislativo têm competência para instituir tributos, sendo tal poder indelegável. A competência constitucional para instituir o imposto de renda é da União Federal, cujo lançamento é atribuído por lei aos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. Assim, mesmo no caso de tributos sujeitos à repartição constitucional das receitas tributárias da União Federal para Estados e Municípios, a União é a entidade que detém competência sobre o imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUSÊNCIA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA DO IMPOSTO DE RENDA QUE INCIDIRIA SOBRE RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL NA DECLARAÇÃO DO BENEFICIÁRIO Transposto o limite temporal da entrega da declaração pelo beneficiário pessoa física, a sujeição passiva deslocase da fonte pagadora para o beneficiário. Inteligência da Súmula nº 12 do Primeiro Conselho de Contribuintes. RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO AJUDA DE GABINETE E AJUDA DE CUSTO PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL COMPROVAÇÃO DOS GASTOS TRIBUTAÇÃO ISENÇÃO Ajuda de gabinete e ajuda de custo pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tributária e, portanto, devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinamse a atender despesas de gabinete, despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. MULTA DE OFÍCIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº. 4). Recurso voluntário provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso Voluntário n° 160.638, Acórdão n° 10617.167, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 06/11/2008) Fl. 497DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 460 9 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção (Súmula 1 CC n 12). RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO AJUDA DE GABINETE E AJUDA DE CUSTO PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL COMPROVAÇÃO DOS GASTOS TRIBUTAÇÃO ISENÇÃO Ajuda de gabinete e ajuda de custo pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tributária e, portanto, devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinamse a atender despesas de gabinete, despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL O fato de o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte pelos Estados e Municípios, integrar sua receita orçamentária por força de disposições constitucionais, não implica na atribuição de competência às unidades da Federação para ditar normas a respeito de sua fiscalização e cobrança. MULTA DE OFÍCIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC nº. 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº. 4). Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso Voluntário n° 151.070, Acórdão n° 10422.716, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 17/10/2007) Com esses fundamentos, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada, pois a exigência referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (ajuda de custo percebida junto à Assembléia Legislativa do Estado de Roraima) não comporta a penalidade de ofício. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Recurso Especial n° 10.414.5376, Acórdão n. 920200.007, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 17/08/2009). Fl. 498DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.005297/200910 Acórdão n.º 2101002.370 S2C1T1 Fl. 461 10 Considerandose que os fatos que deram origem ao presente processo administrativo são praticamente idênticos àqueles discutidos nos autos do Recurso Especial n. 10.414.5376, adoto o voto do Conselheiro Gonçalo Bonet Allage como razões de decidir para afastar a multa de ofício. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir a multa de ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 499DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10940.903149/2009-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/08/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 49 /2 00 9- 22 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903149/200922 Acórdão n.º 3801002.579 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 14626.34353.300806.1.7.040966, devido à inexistência de crédito de R$ 1.141,39 para efetuar a compensação pretendida de R$ 1.702,38, uma vez que o pagamento PIS/PASEP (código 8109) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/062009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903149/200922 Acórdão n.º 3801002.579 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903149/200922 Acórdão n.º 3801002.579 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903149/200922 Acórdão n.º 3801002.579 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903149/200922 Acórdão n.º 3801002.579 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903149/200922 Acórdão n.º 3801002.579 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903149/200922 Acórdão n.º 3801002.579 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10850.906261/2011-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 06 26 1/ 20 11 -4 9 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906261/201149 Resolução nº 3803000.404 S3TE03 Fl. 302 2 O crédito que se pretende compensar na declaração de compensação destes autos encontrase em discussão no processo administrativo nº 10850.907645/201189, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão deste processo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) no despacho decisório, a autoridade administrativa não homologara a compensação declarada, informando que não havia sido constatado valor algum a ser restituído, sem que fossem tecidas quaisquer outras considerações para embasar o indeferimento do crédito pleiteado; b) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; c) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; d) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de DARFs, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906261/201149 Resolução nº 3803000.404 S3TE03 Fl. 303 3 Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 22 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de maio do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, bem como a homologação da compensação declarada, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906261/201149 Resolução nº 3803000.404 S3TE03 Fl. 304 4 argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; f) o fato de ter alegado na Manifestação de Inconformidade apenas a ocorrência de receitas financeiras não pode suplantar os fatos devidamente demonstrados de que o direito creditório se refere ao somatório das receitas financeiras e dos valores de créditos recuperados, não tendo havido no período receita tributável pela contribuição; g) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; h) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; i) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; j) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; l) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2000 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906261/201149 Resolução nº 3803000.404 S3TE03 Fl. 305 5 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a repartição de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Consta da Declaração de Compensação o nº do Pedido de Restituição (PER) em que o crédito fora pleiteado, pedido esse em discussão no processo administrativo nº 10850.907645/201189, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão. Como o encaminhamento dado ao processo nº 10850.907645/201189 foi de conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para se confirmar o direito creditório pleiteado, a este processo deve ser dada a mesma destinação, pois que dependente do resultado que se apurar naqueles autos. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a este processo sejam juntados os resultados da diligência determinada no processo nº 10850.907645/201189, devendo ambos os autos serem reunidos para julgamento em conjunto. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos, devidamente reunidos, retornarem a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10830.001988/2004-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO. APRESENTAÇÃO APÓS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE.
Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considera-se não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 21/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO. APRESENTAÇÃO APÓS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 19 88 /2 00 4- 47 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 EDITADO EM: 21/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido por bem resumir a contenda: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Ressarcimento em formulário a fl. 001, do Pedido de Ressarcimento eletrônico n° 26333.26632.150404.1.1.017109 (fls. 042/055) e das Declarações de Compensação eletrônicas n° 06944.06191.100504.1.3.014452 (fls. 040/041) e n° 21360.17923.201006.1.3.014688 (fls. 056/057), por meio dos quais a contribuinte pretende ter reconhecido o crédito no valor de R $ 28.553,17 e compensálo no todo em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, de que trata a Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997, com base na Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referentes ao 1º trimestre de 2004. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, que, em 11/06/2004, emitiu Despacho Decisório (fl. 033), cientificado à contribuinte em 27/08/2004 (fl. 035), no qual considerou não formulado o pedido de ressarcimento entregue em formulário (em meio papel) e, posteriormente, em 16/10/2008, decidiu o pleito, mediante Despacho Decisório de fls. 103/105, no qual a autoridade competente homologou parcialmente as compensações em virtude de um dos pedidos de ressarcimento ter sido considerado não formulado por ser em formulário e, em conseqüência, o crédito efetivamente pleiteado e reconhecido foi em valor inferior ao das compensações pretendidas. Cientificada do Despacho Decisório, em 27/10/2008 (fl. 107), a contribuinte ingressou, em 31/10/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 108 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Afirma que o valor da glosa, de RS 4.473,92 , é referente ao pedido de ressarcimento protocolado em 05/05/2004 na sistemática de formulários, em virtude de não se ter conseguido enviar pela Internet, devido à transição de manual para sistema Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.001988/200447 Acórdão n.º 3302001.624 S3C3T2 Fl. 188 3 eletrônico, o que teria sido inclusive registrado no pedido protocolado, conforme a IN 600/2005, §3°. 2. Esclarece que os ressarcimentos e compensações referentes ao 1º trimestre de 2004 e associados ao presente processo correspondem a dois conjuntos para os quais não ocorre duplicidade do crédito: o Pedido de Ressarcimento em formulário protocolado em 05/05/2004, no valor de R$ 4.473,92, e a Declaração de Compensação PER/DCOMP n° 06944.06191.100504.1.3.01 4452 no mesmo valor; e o Pedido de Ressarcimento eletrônico n° 26333.26632.150404.1.1.01 7109. no valor de R$ 24.079,25, e a Declaração de Compensação eletrônica n° 28012.77945.030504.1.3.018007, retificada pela n° 21360.17923.201006.1.7.014688, no mesmo valor. Conclui requerendo o cancelamento da glosa”. Em face do exposto a 8ª turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada em 13.06.201, irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13.07.2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. O contribuinte apresentou, em 05/05/2004, Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI sendo o valor postulado referente ao crédito presumido de IPI de que trata a Portaria MF nº 38/97, tendo sido glosado o valor de R$ 4.473,92, em face do pedido ter sido apresentado em formulário impresso. Pedido de Restituição. Formulário Impresso. A Instrução Normativa SRF 210, de 30 de setembro de 2002, disciplinou a restituição e a compensação de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, aprovando, em seu artigo 44, os formulários. In verbis o referido artigo: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 “Art. 44. Ficam aprovados os formulários "Pedido de Restituição", "Pedido de Pagamento de Restituição", "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", "Pedido de Ressarcimento de IPI", "Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito" e "Declaração de Compensação" constantes, respectivamente, dos Anexos I, II, III, IV, V e VI desta Instrução Normativa. Parágrafo único. A SRF disponibilizará, no endereço <www.receita.fazenda.gov.br>, os formulários a que se refere o caput.” Já a Instrução Normativa SRF n° 320, de 11 de abril de 2003, aprovou, posteriormente, o programa e as instruções para preenchimento do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Segue o artigo 1º da referida IN: “Art. 1o Aprovar o programa e as instruções para preenchimento do Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Parágrafo único. O programa, de livre reprodução, está disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>.” Em 30 de março de 2004 foi editado a Instrução Normativa SRF nº 414, o qual passou a regulamentar o Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação, versão 1.3 (PER/DCOMP 1.3), estabelecendo as hipóteses em que o sujeito passivo deveria utilizar do Programa PER/DCOMP 1.3 para declarar compensação ou formular o seu pedido de restituição ou de ressarcimento à Secretaria da Receita Federal. In verbis o referido artigo: “Art. 3º À exceção das hipóteses mencionadas no art. 2º, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições sob administração da SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF o correspondente formulário aprovado pelo art. 44 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, ou pelo art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 379, de 30 de dezembro de 2003, ao qual deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório.” Dessa forma, frente à alínea C, do inciso IV, do artigo 2º da IN supra, o contribuinte deveria ter utilizado o programa PER/DCOMP para fazer tal pedido. “Art. 2º O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF, respectivamente, Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.3, nas seguintes hipóteses: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.001988/200447 Acórdão n.º 3302001.624 S3C3T2 Fl. 189 5 (...) IV – tratandose de Pedido de Restituição formulado por pessoa jurídica, em todos os casos em que o crédito tenha sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, bem como naqueles em que o crédito do sujeito passivo se refira a: (...) c) pagamento indevido ou a maior de IRPJ, Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), IPI, Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), ITR, Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) ou Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) efetuado há menos de cinco anos mediante qualquer código de receita do respectivo imposto ou contribuição, inclusive multa moratória e juros moratórios do IRPJ, IRRF, IPI, IOF, ITR, Simples, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, CPMF ou Cide;” No mesmo sentido, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2004, que previa em seu art. 3° que “os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada a SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 320, de 11 de abril de 2003”. O parágrafo único do dispositivo supra determinava, ainda, que “na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerarseá não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação." Sendo assim, o contribuinte por ter se valido formulário impresso para apresentar o seu pedido de restituição, sem contudo ter apresentado provas de que tal sistema estaria indisponível, não obedeceu às condições legais expostas, razão pelo qual seu pedido de restituição deve ser considerado não formulado, em virtude da não utilização do Programa PER/DCOMP. Neste sentido, conheço do presente recurso, e negolhe provimento. É como voto. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Sala das Sessões, em 23 de maio de 2012 GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 12045.000400/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Renato Luiz Faustino de Paula. OAB: 95.103/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 00 /2 00 7- 62 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000400/200762 Acórdão n.º 2301003.671 S2C3T1 Fl. 843 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 1. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 2. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 3. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 4. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 5. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 6. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 7. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 8. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 9. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 10. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 11. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 848DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000400/200762 Acórdão n.º 2301003.671 S2C3T1 Fl. 844 5 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 12. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 13. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 14. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 15. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 16. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 17. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 18. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 19. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 20. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 21. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO 22. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. (assinado digitalmente) Fl. 850DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000400/200762 Acórdão n.º 2301003.671 S2C3T1 Fl. 845 7 Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 851DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10803.000045/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA
Afastada a multa qualificada no lançamento por homologação do IRPF sujeito a ajuste anual, com prova de pagamento, aplica-se a regra decadencial do art. 150, Par. 4°, do CTN, com inicio da contagem do prazo no exercício seguinte a ocorrência do fato gerador. Notificação do lançamento em 24.09.2010. Decadência reconhecida em relação ao ano - base de 2004.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO.
Preliminar de nulidade da autuação por falta de oportunidade para apresentar documentos que se confunde com o mérito da autuação e assim deve ser decidida. Na ação fiscal de lançamento vigora o princípio inquisitivo, da somente com a impugnação é que se instaura o contraditório e o direito a ampla defesa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
O acréscimo patrimonial a descoberto somente pode ser justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, mediante provas firmes e seguras da existência.
Para justificar os recursos no fluxo financeiro mensal com lucros distribuídos de empresas das quais o contribuinte seja sócio é necessário prova inequívoca da efetiva existência e da transferência do dinheiro, e ônus da prova cabe a quem alega possuir os recursos.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. ELEMENTO SUBJETIVO.
A multa de oficio de 75% é objetiva e decorre do tipo legal (lei), imposta com culpa ou dolo genérico, não se afere a conduta do agente. Na multa qualificada de 150% exige-se a comprovação do aspecto subjetivo do infrator, ou seja, dolo específico, a vontade livre, consciente, deliberada, ardilosa, premedita de, a com a ação ou omissão sonegar. A diferença entre o elementos objetivo do tipo e subjetivo da conduta consiste na intensidade dolosa do para permitir a qualificação da penalidade.
Numero da decisão: 2201-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano-calendário de 2004. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencida a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia, que deu provimento parcial em maior extensão. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF 35.220.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Notificação do lançamento em 24.09.2010. Decadência reconhecida em relação ao ano base de 2004. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. Preliminar de nulidade da autuação por falta de oportunidade para apresentar documentos que se confunde com o mérito da autuação e assim deve ser decidida. Na ação fiscal de lançamento vigora o princípio inquisitivo, da somente com a impugnação é que se instaura o contraditório e o direito a ampla defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. O acréscimo patrimonial a descoberto somente pode ser justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, mediante provas firmes e seguras da existência. Para justificar os recursos no fluxo financeiro mensal com lucros distribuídos de empresas das quais o contribuinte seja sócio é necessário prova inequívoca da efetiva existência e da transferência do dinheiro, e ônus da prova cabe a quem alega possuir os recursos. MULTA QUALIFICADA. DOLO. ELEMENTO SUBJETIVO. A multa de oficio de 75% é objetiva e decorre do tipo legal (lei), imposta com culpa ou dolo genérico, não se afere a conduta do agente. Na multa qualificada de 150% exigese a comprovação do aspecto subjetivo do infrator, ou seja, dolo específico, a vontade livre, consciente, deliberada, ardilosa, premedita de, a com a ação ou omissão sonegar. A diferença entre o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 45 /2 01 0- 72 Fl. 5372DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES 2 elementos objetivo do tipo e subjetivo da conduta consiste na intensidade dolosa do para permitir a qualificação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência, relativamente ao anocalendário de 2004. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencida a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia, que deu provimento parcial em maior extensão. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF 35.220. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP, que manteve parcialmente a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF, dos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, sobre a omissão de rendimentos apurados pelo APD – Acréscimo Patrimonial a Descoberto, com multa qualificada de 150%. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls. 1688 a 1697) cientificado em 24.09.2010 (AR fls. 1844) relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, dos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 518.018.62, sobre omissão de rendimentos apurado pelo acréscimo patrimonial a descoberto – APD. Termo de Conclusão Fiscal de Ação Fiscal (fls. 1698 a 1832). Impugnação (fls. 1848 a 1891) A decisão recorrida (fls. 5260 a 5277) com ciência em 24/02.2012 (AR fls. 5283) julgou parcialmente procedente o lançamento, manteve a exigência integral dos anos calendário de 2004, 2005 e 2007, com cancelamento parcial do anocalendário 2006, pela duplicidade de R$ 10.291,90. A decisão esta assim ementada: Fl. 5373DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000045/201072 Acórdão n.º 2201002.294 S2C2T1 Fl. 3 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Durante a ação fiscal vige o princípio inquisitório. Somente na fase litigiosa, iniciada por impugnação válida, há que se falar em contraditório e ampla defesa, assegurados no presente caso. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Para que sejam utilizados como recursos no fluxo financeiro mensal, os valores correspondentes à retirada de lucros em empresas das quais o contribuinte é sócio deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos para acobertar suas aplicações. Retificase o lançamento quando constatado que a mesma aplicação foi considerada duas vezes. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista na legislação de regência. A apreciação e decisão de questões que versam sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. Destinamse as diligências e perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de Fl. 5374DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES 4 investigações sobre o conteúdo de provas e/ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova, desde que já incluídos nos autos. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recurso Voluntário (fls. 5284 a 5326) protocolado em 26.03.2012, sustenta em síntese: a) Decadência em relação ao ano de 2004; b) Nulidade da autuação pela falta de intimação do contribuinte para apresentar documentos complementar para apurar os lucros e dividendos; c) Os valores que compõem as origens foram declarados na sua Declaração de Ajuste; d) Os documentos constantes dos autos são suficientes para comprovar os rendimentos auferidos, não sendo obrigado a manter contabilidade para controle de gastos e despesas; e) Os valores considerados como aplicação devem ser excluídos, pois foram comprovados os empréstimos efetuados à Marica House, por meio de contrato de mútuo; f) A movimentação bancária por si só não é fato gerador Imposto de Renda Pessoa Física e não gera acréscimo patrimonial; g) Houve pagamento de gastos e despesas das empresas pelo Recorrente e o procedimento não pode computar nas aplicações da pessoa física, pois foram reembolsadas ao Recorrente; h) Incabível a multa qualificada de 150% pois não há comprovação de ação ou omissão dolosa com evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio. Pede redução da multa para de 75%, caso mantido o lançamento. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 5375DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000045/201072 Acórdão n.º 2201002.294 S2C2T1 Fl. 4 5 Cuidase de autuação, parcialmente mantida pela decisão recorrida, com exigência do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre a omissão de rendimentos caracterizada pelo APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto, com a multa qualificada de 150%. Decadência. Sustenta inicialmente decadência em relação às exigências do anobase de 2004. É imposto de renda da pessoa física– IRPF, de fato gerador periódico e complexivo sujeito a ajuste anual e que se completa no último dia do ano civil, com a obrigação de o contribuinte apurar e pagar o tributo, sem o prévio exame da autoridade fiscal. Cuidase assim de tributo de lançamento por homologação, na forma do art. 150, Parg. 4°, do CTN, se houver prova de pagamento e ausência de dolo, fraude conluio, conforme posição fixada pelo C. Superior Tribunal de Justiça no Recurso Repetitivo REsp 973.733/SC, de observância obrigatória por Conselho, a teor do art. 62A, do Regimento Interno e do Agravo Regimental no REsp 1.203.986, Rel. Min. Luiz Fux j, 09.11.2010 e nos Embargos de Declaração, com a seguinte Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Extraise do voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Fl. 5376DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES 6 àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Não havendo prova de pagamento ou existindo acusação de dolo, fraude ou conluio, a contagem do prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação deve observar a regra do art. 173, do CTN, a posição fixada pelo C. STJ de observância obrigatória por este Conselho. Aqui temos acusação de dolo, fraude ou conluio, com isso o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, ou seja, do IRPF do anobase de 2004, o dia 01.01.2006. O termo final o dia 31.12.2010. O autuado foi notificado do lançamento em 24.09.2010 (AR fls. 1844). Entre 01.01.2006 e 24.09.2010 não se operou prazo decadencial. Caso excluída a qualificadora da multa é necessário voltar ao exame da decadência. Preliminar confundese com o mérito. Sustenta ainda nulidade do lançamento pela falta de intimação do contribuinte para apresentar os documentos complementares, destinados, segundo sustenta, a comprovar a apuração dos lucros e dividendos da empresa. Diz que os valores das origens foram declarados na Declaração de Ajuste e os documentos constantes dos autos são suficientes para comprovar os rendimentos auferidos. Diz ainda que os lucros distribuídos pelas empresas comprovam o acréscimo patrimonial e não é obrigado a manter contabilidade para controle de gastos e despesas. Os valores considerados na planilha de aplicação devem ser excluídos, pois correspondem a empréstimos efetuados à Marica House, por meio de contrato de mútuo. Referia preliminar confundese com o mérito da autuação e assim deve ser apreciada e decidida. Observo que o Relatório de Fiscalização nos dá conta, sem contrariedade, que o autuado não comprovou a existência e a distribuição dos lucros da empresa conforme alega. Por essa razão esses eventuais valores não foram considerados na planilha do APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto elaborada pela fiscalização. Fl. 5377DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000045/201072 Acórdão n.º 2201002.294 S2C2T1 Fl. 5 7 O Relatório de Fiscalização além de não ser contrariado, por provas firmes e seguras, é primoroso, muito bem elaborado e fundamentado, verdadeira pericia realizado por experts na matéria sobre a situação fiscal do IRPF do autuado. Para contrariar o trabalho técnico da fiscalização, elogiável sob os aspectos, não bastam apenas os bons argumentos do Recorrente, é necessário apontar e comprovar o defeito da autuação com clareza, de forma objetiva e com provas firmes do fato, de cada item do fluxo aplicações e dos recursos da planilha de apuração do APD. Os empréstimos de mútuo, ao contrário do que sustenta o Recorrente, foram sim considerados pela fiscalização na fase inquisitiva do lançamento, conforme destaca Relatório Fiscal. Mas como é comum, não basta apenas trazer o contrato, dizer que fez o negócio de mutuo, precisa comprovar a existência efetiva do empréstimo para justificar o aumento patrimonial, ainda que transitório, pela necessidade de restituição, do contrario não se cuida de mutuo. Enfim, são diversas alegações de irregularidade na apuração do APD, sem qualquer comprovação concreta dos fatos alegados. Sem comprovação dos fatos alegados a exigência deve ser mantida por total ausência de provas. Passo ao exame da multa qualificada. Qualificouse a penalidade sob o fundamento de o autuado administrar diversos negócios distantes do seu domicilio e da tentativa dele de comprovar receitas não sujeitas ao imposto e a inexistência de despesas. Sustentouse ainda na qualificadora a existência de declarações inexatas, indícios de condutas reiteradas e omissão de declaração ao fisco. Essas foram às razões para imposição da multa qualificada, pelo que lemos do bem elaborado Relatório de Fiscalização. Vemos que todas essas condutas do autuado, para fundamentar a qualificadora, tiveram por finalidade justificar o acréscimo patrimonial a descoberto. Não há acusação e prova de simulação, fraude ou conluio, qualificase a penalidade, repetimos, apenas pelo dolo, isto é bom que fique bem claro. Não vemos qualquer dolo ou fraude, se assim fosse, pelo fato de o autuado administrar diversos negócios distantes do seu domicilio, ou da tentativa de comprovar receitas não sujeitas ao imposto ou inexistência de despesas, para justificar o acréscimo patrimonial. Nessas condutas, o autuado esta apenas exercendo o seu direito de defesa, o jus sperniandi, e que não foi acolhido pela decisão recorrida. Nada mais. É mesmo do réu que faz uso da mentira para se livrar da condenação. Fl. 5378DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES 8 Não temos em nosso país nenhuma conseqüência prejudicial ao réu ou aos acusados em geral, e a acusação fiscal, no uso da mentira para se livrar da autuação, por isso jamais podemos qualificar este fato – a mentira dolo para imposição da multa qualificada. Também não se permite qualificar a penalidade pela existência de declarações inexatas, indícios de condutas reiteradas ou omissão de declaração ao fisco, se não houver comprovação de estas condutas configurem sonegação e intenção deliberada de sonegar. Não de a conduta omissiva ou comissiva não ser dolosa, pode ser, mas não na intensidade dolosa para permitir a qualificadora da penalidade. Em toda autuação temos a imposição da multa de oficio de 75%, que decorre da imposição da lei ou do elemento objetivo do tipo, ou seja, integra a sonegação com a multa de 75% a culpa ou dolo, consciente ou inconsciente, mas aqui cuidase do dolo genérico, conduta onde o infrator assume do risco do resultado, de cometer a infração. Agora, qual a razão e sentido da imposição da multa qualificada do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, na redação atual, c/c os arts. 71 a 73, da Lei n° 4.502, de 1964, que manda duplicar a penalidade para 150% na hipótese de sonegação com fraude, conluio ou dolo. Na fraude e nas suas variantes da simulação e dissimulação a prova é fácil, fácil porque existe o elemento objetivo da conduta do infrator de os documentos firmados pelo autuado, de modo geral, comprovam a qualificadora. Na imposição da multa qualificada pelo dolo não. Aqui a prova é difícil, difícil porque exige prova do elemento subjetivo do agente infrator, enquanto a multa de 75%, decorre apenas do elemento objetivo do tipo, da lei. Em outras palavras, é a intensidade dolosa do infrator que permite a imposição da multa qualificadora, pelo dolo. É necessário, aferir e comprovar, na imposição da multa qualificada pelo dolo, a intenção do infrator, o ardil, a vontade livre, consciente, deliberada e premeditada de sonegar. Aqui o autuado sequer foi ouvido, não se produziram provas para procurar aferir o elemento subjetivo, intencional do autuado a vontade consciente, deliberada e premeditada de sonegar. Portanto, sem prova firme e segura do dolo ou do evidente intuito de fraude ou conluio, incabível a imposição da multa qualificada. Voltemos à decadência Com a exclusão da qualificadora voltamos a reapreciar a decadência do ano base de 2004. Vejamos se houve pagamento do tributo no período da exigência. Consta na Declaração de Ajuste de 2004, juntada a fls. 31, imposto devido, pago por antecipação e saldo a pagar, de forma que houve pagamento, ainda que na antecipação. Assim, a contagem do prazo decadencial do anobase de 2004 deve observar o art. 150, Par. 4°, o CTN, na forma da jurisprudência do C.. STJ, com início da contagem do prazo, o dia 01.01.2005. Fl. 5379DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.000045/201072 Acórdão n.º 2201002.294 S2C2T1 Fl. 6 9 A notificação do lançamento ocorreu em 24.09.2010 (AR fls. 1844), com isso o período de 2004 está alcançado pela decadência que fica reconhecida. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento recurso para reconhecer a decadência do período de 2004 e excluir a multa qualificada, mantida a de oficio de 75%. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 5380DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES 10 Fl. 5381DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 15504.018469/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA.
Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.719
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, na questão de mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, na questão de mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 69 /2 00 9- 48 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 2301003.719 S2C3T1 Fl. 168 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.240.3271, lavrado em 27/11/2009, que constituiu crédito tributário relativo a penalidade por não apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 08/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 26.583,60, fls. 01. A fiscalização apurou, entre outras infrações, que foi pago um abono por força de acordo coletivo, porém a desvinculação do salário não estava prevista em lei, o que a deixava sem o preenchimento dos requisitos para desfrutar da isenção. Foram observadas diferenças quanto ao pagamento de contribuintes individuais, bem como diferenças no adicional de risco. No entanto, como veremos, o recurso voluntário tratou somente da discussão sobre os abonos. Em função disso, houve apresentação da GFIP com informações incorretas relacionadas a fatos geradores, o que resultava na autuação. Após tomar ciência pessoal da autuação em 30/11/2009, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 89/93, julgou a impugnação improcedente. A interessada foi cientificada em 05/04/2011 fls. 102. O recurso voluntário, apresentado em 28/04/2011, fls. 104/113, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aduz que não incidem contribuições sobre o abono salarial concedido em conformidade com Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Os abonos desfrutariam da isenção prevista no art. 28, §9º, alínea "e", item 7 da Lei 8.212/91. Discute a natureza não remuneratória dos abonos. Informa que impetrou Mandado de Segurança 5649074.2010.4.01.3800 no qual obteve sentença favorável que excluiu da base de cálculo os valores pagos a título de abono previsto no ACT. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Concomitância entre processo administrativo e processo judicial. Renúncia às instâncias administrativas em relação às matérias idênticas. Súmula CARF Nº 1. A recorrente impetrou o Mandado de Segurança 5649074.2010.4.01.3800 que trata das questões sobre a natureza do Abono suscitadas no Recurso Voluntário, como a própria recorrente admitiu. Assim deve ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 1, in verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.“ Assim, a discussão sobre a incidência de contribuições sobre o abono previsto em ACT não pode ser conhecida, restando apenas a definição do valor da multa que trataremos a seguir. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 2301003.719 S2C3T1 Fl. 169 5 Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 2301003.719 S2C3T1 Fl. 170 7 terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 2301003.719 S2C3T1 Fl. 171 9 instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER EM PARTE para, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a manter a multa mais benéfica quando comparada a penalidade aplicada com aquela prevista no art. 32 A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MAURO JOSE SILVA
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