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Numero do processo: 15868.001104/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2007
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DI R HIT() DE
DEFESA.
Não há nulidade do lançamento quando não ocorra prejuízo a defesa.
constatado pela correta compreensão da acusação fiscal pelo autuado e,
ainda, quando verificado que do próprio auto de infração. em especial da
descrição dos fatos e do enquadramento legal, constam todos os elementos
que subsidiaram o lançamento, permitindo a plena defesa do contribuinte.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COM DO
SERVIDOR.
Após a revogação do inciso II do § 5° do art. 2° do Decreto 3.724. de 2001,
pelo Decreto 6.104, de 2007, o nome do auditor fiscal que lavrar o auto dc
infração não está mais vinculado àquele que constar no M1'1', pois consoante
disciplina o caput do art. 2°, a exigência é que o M1'1' seja executado por
Auditores-Fiscais da Receita Federal.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Não se conhece das alegações que versam sobre a inexigibilidade do crédito
tributário discutido em Mandado de Segurança. Assim, as matérias atinentes
ao crédito prêmio de IPI não são conhecidas, tendo cm vista que a matéria
levada à cabo ao Poder Judiciário implica em sua não apreciação na seara
administrativa, nos termos da Súmula CARF n° I.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.159
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2007 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DI R HIT() DE DEFESA. Não há nulidade do lançamento quando não ocorra prejuízo a defesa. constatado pela correta compreensão da acusação fiscal pelo autuado e, ainda, quando verificado que do próprio auto de infração. em especial da descrição dos fatos e do enquadramento legal, constam todos os elementos que subsidiaram o lançamento, permitindo a plena defesa do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COM DO SERVIDOR. Após a revogação do inciso II do § 5° do art. 2° do Decreto 3.724. de 2001, pelo Decreto 6.104, de 2007, o nome do auditor fiscal que lavrar o auto dc infração não está mais vinculado àquele que constar no M1'1', pois consoante disciplina o caput do art. 2°, a exigência é que o M1'1' seja executado por Auditores-Fiscais da Receita Federal. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Não se conhece das alegações que versam sobre a inexigibilidade do crédito tributário discutido em Mandado de Segurança. Assim, as matérias atinentes ao crédito prêmio de IPI não são conhecidas, tendo cm vista que a matéria levada à cabo ao Poder Judiciário implica em sua não apreciação na seara administrativa, nos termos da Súmula CARF n° I. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DI R HIT() DE DEFESA. Não há nulidade do lançamento quando não ocorra prejuízo a defesa. constatado pela correta compreensão da acusação fiscal pelo autuado e, ainda, quando verificado que do próprio auto de infração. em especial da descrição dos fatos e do enquadramento legal, constam todos os elementos que subsidiaram o lançamento, permitindo a plena defesa do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COM DO SERVIDOR. Após a revogação do inciso II do § 5° do art. 2° do Decreto 3.724. de 2001, pelo Decreto 6.104, de 2007, o nome do auditor fiscal que lavrar o auto dc infração não está mais vinculado àquele que constar no M1'1', pois consoante disciplina o caput do art. 2°, a exigência é que o M1'1' seja executado por Auditores-Fiscais da Receita Federal. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Não se conhece das alegações que versam sobre a inexigibilidade do crédito tributário discutido em Mandado de Segurança. Assim, as matérias atinentes ao crédito prêmio de IPI não são conhecidas, tendo cm vista que a matéria levada à cabo ao Poder Judiciário implica em sua não apreciação na seara administrativa, nos termos da Súmula CARF n° I. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator EDITADO EM: 18/03/2015 LO ROSA - Presidente RIC Acordaii os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso 'voluntário, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Participaram do julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti (Suplente). Alvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Trata-se de recurso voluntário visando a reforma do acórdão 14-27.340 da 2" Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a impugnação ao lançamento. De acordo com o relato da decisão recorrida é possível identificar que: "Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 226/236, constituindo o crédito tributário de RS 11.361.967,22, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional, ein virtude de no período de novembro de 2006 a novembro de 2007, a empresa ter se aproveitado de créditos indevidos do IPI. Sintetizando a descrição dos fatos do auto e o Termo de Encerramento de Fiscalização de fls. 220/225, o estabelecimento industrial apropriou-se, indevidamente, no período novembro de 2006 a novembro de 2007, em sua escrita fiscal (livro Registro de Apuração do 1P1), de créditos do Imposto sobre Proclutos Inclustrializados (IPI) não permitidos pela legislação aplicável, relativos ao crédito prêmio de IPI O entendimento da Receita Federal é no sentido de que o mencionado benefício fiscal não mais existe, sendo que a contribuinte está questionando judicialmente a matéria (Mandado de Segurança n° 2001.61.00.008427-4), mas não possui ordem judicial em seu favor. Regularmente cientificada em 30/07/2009, a contribuinte apresentou impugnação cie fls. 242/255, instruída com os documentos de fls. 256/271, alegando, em síntese, que: a) O auto de infração é nulo por estar viciado coin inúmeras irregularidades: por causa da precariedade do levantamento 2 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 15868.001104/2009-55 Acórdão n° 3102-002.159 I I. 2 fiscal, pois o crédito tributário J.ii constintido considerando unia recomposição do saldo do imposto somente considerando o período de janeiro de 2005 a ele=embro de 2007: por cerceamento do direito de ddesa, por não demonstrar como pode ser possível a constituição de crédito tributário considerando possuir a impugnante saldo credor do imposto mesmo se não tivesse aproveitado os créditos indicados no lançamento; por não ter sido provado a existência de saldo devedor do IN: por acusação sem relação com a infração real, pois considerando a inexistência de solder devedor, a infração seria somente o creditamento indevido de créditos de IPI sem qualquer relação com falta de pagamento; por estar o auto relacionado a falta de pagamento do IPI, que somente ocorreria se estivesse presente 11111 saldo devedor do imposto, deveria a impugnante ter sido intimada previamente para promoverem o eventual estorno dos créditos nos seus livros fiscais: por ter sido lavrado por AFRF sem competência para constituir o crédito tributário, pois não existe MPF indicando o supracitado servidor para realizar qualquer trahalho . fiscctl envolvendo imposto; b) No mérito, argumenta que mesmo não airroveitando os créditos impugnados pela fiscalização persistiria na escrita fiscal c/a impugnante um saldo credor do imposto, inexistin(lo débito de IPI; c) Houve ()tenser ao princípio da não-cumulatividade ao desconsiderar o saldo credor da nu/nip/ante e a existência de créditos MI sua escrita fiscal que deveriam ter sido admitidos na recomposição dos setts saldos; cl) Considerando a existência de saldo credor do IPI, não seria possível a constituição de crédito tributário de multa e juros de mora por dependerem tais acréschnos da existência de impost() devido (saldo devedor); e) Restou demonstrado no lançamento que o direito ao crédito- pr'è.mio de IPI foi desconsiderado por causer das decisões proferidas pela .Justiça Federal em São Paulo nos autos do Mando de Segurança n° 2001.61.00.008427-4, algo que não merece ser considerado porque considerando as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal acerca da matériti certamente a tese defendida pela impugnante nos autos elo processo judicial sera acatada garantindo a legitimidade dos créditos aproveitados. Por . fim, solicitou a realização de diligência e perícia, nomeando peril() e elaborando quesitos que devem ser respondidos. Requerem anklet, a intimação da ciência dos autos ao advogado Signalário da inipugnação considerando o endereço mencionado". Após analisar a defesa ao auto de infração, decidiu a 2" Turma da DIZ.1/1Z1)0. pela procedência do lançamento, nos termos da ementa do voto abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2007 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observáncia dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto esta competência é instituida por CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez que a autuação se embasou ern livros e documentos contábeis e 110 fiscais fornecidos pelo próprio sujeito passivo e os argumentos da defesa evidenciam ter havido compreensão da motivação para a formalização dos autos de infração, não se acolhe a preliminar suscitada. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente corn aquela objeto do lançamento de oficio, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na remincia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem as administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação 1111pugnacao Improcedente. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário reiterando as matérias de defesa, nas quais alega em síntese que: a) Houve cerceamento do direito de defesa, pois não teria a autoridade autuante demonstrado as razões de fato e de direito que fundamentam a possibilidade da constituição do crédito tributário; c) Não há prova do saldo devedor do IPI, assim seria nulo o lançamento. como também a recorrente deveria ter sido intimada para promover eventual estorno dos créditos nos seus livros fiscais; d) Outra nulidade seria incompetência do auditor para lavrar o auto de infração. já que não há mandado de procedimento fiscal que indicava o auditor que lavrou o auto; e) No mérito a recorrente também sustenta os mesmos argumentos apresentados em sua impugnação, não apresentando nenhum fundamento visando afastar as razões que levaram a DRJ a votar pela concomitância. 4 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n'' 15868.001104/2009-55 53-C 1 - r2 Acórdilo n." 3102-002.159 I I. 3 E o relatório. Voto Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Preliminar — Nulidade do Lançamento Inicialmente resta analisar as preliminares arguidas pela recorrente, que visam anular o lançamento, Defende a recorrente que houve cerceamento do direito de defesa, ao explicitar que a autoridade autuante não teria apresentado as razões de fato e de direito que fundamentam a possibilidade da constituição do crédito tributário. Ora, é oportuno esclarece que o art. 59 do Decreto n° 70.235. de 1972 estabelece que hipóteses acarretam a nulidade do procedimento, são elas: 1) cerceamento do direito de defesa e 2) incompetência do agente, as quais destaque-se não são taxativas. Sobre o tema, a jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e do próprio CARF vem entendo que em casos análogos, que não há nulidade do lançamento quando não ocorra prejuízo a defesa, o que resta configurado, pois 6. possível identificar que houve a correta compreensão da acusação fiscal pelo autuado. Compulsando os autos, identifica-se no próprio auto de infração lis. 226/236, todos os elementos que subsidiaram o lançamento, em especial a descrição dos Caws e o enquadramento legal, permitindo assim a plena defesa do contribuinte. Percebe-se que não resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa, razão pela qual 6. rejeitada a preliminar arguida. Argui ainda a recorrente a ausência de prova do saldo devedor do 11'1. Entretanto, as supostas irregularidades apontadas foram observadas de acordo com elementos constantes do livro registro de apuração do IPI apresentado pelo próprio contribuinte , portanto, infrutíferos os questionamentos da recorrente. Por fim, argui preliminarmente a recorrente a nulidade do lançamento por entender que o auditor seria incompetente para lavrar o auto de infração, já que o mandado de procedimento fiscal indicava outro auditor. Em 1999 foi disciplinada a utilização dos mandados de procedimento fiscais. para fiscalização dos tributos administrados pela SRF, com o objetivo de estabelecer o controle da programação dos trabalhos fiscais pela contribuinte, cienti fi cando-o dos atos da fiscalização. Quando do presente lançamento o MPF era disciplinado pelo decreto n0 3.724/2001, com sua redação modificada pelo decreto n° 6.104/2007, a qual em seu art. 2 0 disciplina que a "procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela 5 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Secret aria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores- Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente lerão inicio por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)". 0 inciso II, § 5° do art. 2°, antes de ser revogado pelo Decreto n° 6.104/2007, apresentava como requisitos mínimos do MPF : - conterá, no mínimo, as seguintes informações: a) a denominação do tributo ou da contribuição objeto do procedimento de fiscalização a ser executado, bem assim o período de apuração correspondente: 1)) prazo para a realização do procedimento de fiscalização, prorrogável ajuízo da autoridade que expediu o MPF: nome e matricula dos Auditores-Fiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; cl) nome, número do telefone e endereço funcional do chefe imediato clos Auditores-Fiscais da Receita Federal, a que se refere a alínea anterior; nome, matrícula e assinatura da autoridade que expediu o MPF; f) código de acesso a Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento de fiscalização, identificar o MPF. Percebe-se que a Receita, ao emitir o MPF, deveria atender aos procedimentos acima descritos, pois qualquer vicio poderá invalidar o lançamento. Entretanto, com a revogação da norma acima, o nome do auditor que lavrar o auto não está mais vinculado aquele que constar no MPF, pois consoante disciplina o capitt do art. 2°, a exigência é que o MIT seja executado por Auditores-Fiscais da Receita. Pelas razões acima, rejeita-se a preliminar arguida. MÉRITO Quanto ao mérito, no tocante ao crédito prêmio de IPI cabe destacar a concomitância, para o qual urge dizer que a mesma matéria foi suscitada perante o Poder Judiciário através do Mandado de Segurança n°2001.61.00.008427-4, consoante se depreende da decisão de fls. 58/65, a qual sintetiza a sentença nos seguintes termos: "Trata-se de pedido de liminar em mandado de segurança impetrado por BERTLV LTDA objetivando não sofrer 'qualquer coação por parte da autoridade coatora, que venha a exigir-lhe o estorno e, via de conseqüência, cobrar da impetrante, através de auto de infração, o valor de IPI acrescido de multa e correção fazendo prevalecer o exercício ao direito conferido nos arts. I' e 5' do Decreto 491/69 reconhecendo o crédito de JP1 apurado nos termos da legislação de regência e sua utilização de acordo com as hipóteses de autorizadas nas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de números 21/97 (..), bem ainda pelo parágrafo I° do art. 39 da Lei 9532/97 cujo tributo (IPI) seja decorrente de aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, insUMOS empregados na industrialização de produtos destinados ao mercado externo, sobre os quais incide a tributação." Evidencia-se a identidade de objeto ao ser observado item 001 do auto de infração, o qual contempla a descrição do lançamento, vejamos: 6 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA • Processo n" 15868.001104/2009-55 S3-C1T2 Acórao IV' 3102-002.159 H. -1 "O estabelecimento industrial 100 recolheu o imposto, por se utilizar de créditos indevidos (credito prêmio de IPI - Decreto-lei n° 491 de 1.969). Assim, o crédito tributário relativo ao IPI lançado na escrituração fiscal pelo próprio contribuinte, e não recolhido em razão da compensação com os menc:ionctdav créditos indevidos, deve ser constituído de °lido através .de Auto de Infração. O DEMONSTRATIVO DE DADOS DA ESCRITA FISCAL DO IN e o DEMONSTRATIVO DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DO IPI, fazem parte integrante do presente Auto de Infração. Tcunbein é parte integrante do presente Auto de Infração o TERMO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO DATADO DE 27/07/2009." Neste passo, é importante atentar ao que a Lei 6.830/80 disciplina a respeito do instituto em tela: Art. 38 - A discussão judicial cict Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desk' Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou açc7o anulatória cio (no declarativo da &Oda, esta precedida cio deposito preparatório cio valor do debito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e nntha de mora e denials encargos. Parágrafo (Ink° - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência cio recurso acaso inlet posto. Corno também a Súmula 1 do CARP, que assim disciplina: Szinittla CARF 11 0 I: Importa re111 .111Chl as instáncias administrativas a propositura pelo sul/eito passivo de ação Judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo achninistrcnivo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, em face da norma referida e da súmula acima, não resta outra conclusão sendo de que, ante a conduta do Recorrente em propor Mandado de Segurança. tem-se, por conseguinte, que as alegações que versam a respeito da inexigibilidade do credito tributário não devem ser conhecidas no presente julgado. Afinal, analisando-se o teor do mandado correlacionado, infere-se que as alegações ali suscitadas coincidem com as constantes do Recurso interposto. Logo, em face dos ditames constitucionais, não conheço das matérias atinentes ao crédito prêmio de IPI, tendo em vista que a matéria ter sido levada à cabo ao Poder Judiciário implica em sua não apreciação na seara administrativa, com base na soberania das decisões judiciais. Ressalte-se, ainda, que a recorrente não apresentou nenhum questionamento quanto a concomitância decidida pela DRJ. 7 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Diante do exposto, conheço do recurso para negar provimento, mantendo a decisdo recorrida. Sala de sessões, 26 de fevereiro de 2014. Á ./tAki Alvaro ArthurArthur Lopes de Almeida Filho - Relator 8 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901925/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Configura-se a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento.
Numero da decisão: 3803-006.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Configurase a intempestividade do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, impedindo o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 25 /2 00 8- 19 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 O Contribuinte transmitiu a DComp nº 42297.81177.090304.1.3.042604, por meio da qual compensou a importância de R$ 1.105,67, correspondente a pagamento a maior de referente ao período de apuração janeiro de 2003. Despacho Decisório eletrônico da DRF/OsascoSPe não homologou a compensação, sob o fundamento de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP'. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese, que: a) seria titular de um crédito, relativo ao recolhimento de PIS, em razão de ter calculado o tributo com alíquota maior que a realmente devida; b) utilizou esse crédito para compensar a CSLL relativa ao quarto trimestre de 2003; c) o Demonstrativo de Cálculo do PIS do período em referência por si só atesta a legitimidade do PER/DCOMP. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo observado que: a) a DCTF transmitida pela Contribuinte estava vigente b) a DComp indicou um DARF integralmente aproveitado no pagamento de tributo confessado em DCTF, sendo, portanto, inteiramente válidos os fundamentos e a conclusão do Despacho Decisório. c) o procedimento instituído pelo programa PER/DCOMP é um mecanismo eletrônico, a verificação dos dados informados pelo Contribuinte também é realizada eletronicamente, resultando o Despacho Decisório em discussão, que concluiu pela não homologação da compensação, sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que constituiria o crédito declarado, este não foi reconhecido pela Administração porque o respectivo valor havia sido utilizado para a extinção de outros débitos tributários incluídos pelo próprio Contribuinte em DCTF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. INSTRUMENTO E EFEITOS DO PER/DCOMP. A compensação de tributos federais é materializada, desde a edição da Lei n° 10.637/02, que introduziu o parágrafo primeiro ao artigo 74 da Lei 9.430/96, pela entrega do competente PER/DCOMP, ou seja: a compensação se realiza nos termos e nos limites do que foi declarado pelo contribuinte. A própria DCTF que constituiu fundamento do Despacho Decisório Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10882.901925/200819 Acórdão n.º 3803006.965 S3TE03 Fl. 157 3 informava a existência de crédito tributário vinculado ao recolhimento declarado indevido ou a maior no PER/DCOMP. OBRIGAÇÃO DE PROVAR ALEGAÇÕES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A simples apresentação de declarações, formuladas pelo Contribuinte, mesmo acompanhadas de simples demonstrativos de cálculo, não constituem prova hábil e suficiente para demonstrar a existência do crédito, formalmente declarado pelo próprio Contribuinte. Cientificada da decisão em 29 de outubro de 2012, segundafeira, conforme AR de fl. 31, irresignada, apresentou recurso voluntário em 14 de dezembro de 2012, conforme Solicitação de Juntada de Documentos, segundo documentos de fls. 32/33. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme registro destacado ao final do Relatório neste acórdão, o recurso mostrase intempestivo. A data final para apresentação do recurso foi 28 de novembro de 2012, quartafeira. Em seu recurso voluntário, datado de 3 de dezembro de 2012, a Recorrente não estampa preliminar de tempestividade, a justificar o extravasamento do seu prazo de defesa. Pelo exporto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13807.007761/2003-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998
PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Antonio Carlos Atulim- Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida ,Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Antonio Carlos Atulim- Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida ,Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida ,Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 77 61 /2 00 3- 18 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de lançamento por meio de Auto de Infração parametrizado decorrente de auditoria em DCTF exigindo COFINS decorrentes dos fatos geradores dos períodos 01/01/1998 a 31/10/1998 e 01/12/1998 a 31/12/1998. Alegou a Recorrente ter efetivamente compensado os débitos com créditos oriundo de FINSOCIAL, mediante sentença transitada em julgado nos autos das ações ordinária e cautelar números 92.213960 e 92.135234, respectivamente, juntou peças processuais e Certidão de Objeto e Pé datado de 20 de agosto de 1999. Diz que a compensação deuse em consonância com IN nº 32, de 09.04.1997 da SRFB. A impugnação teria sido analisada pela Derat/DICAT/EQAAR, que efetuou revisão de lançamento e concluiu pela improcedência parcial do débito, fl.84, reconhece que o crédito decorre da medida judicial proposta em sede ação ordinária de repetição de indébito e houve o reconhecimento incidental da inconstitucionalidade das majorações de alíquotas acima de 0,5%. Afirma ter ocorrido o transito em julgado em 15/10/1996 e de que não houve execução para o recebimento via precatório. Ciente da decisão da procedência parcial em 22.02.2012, apresentou o voluntário em 22.03.2012, alegando: “As razões que levaram o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal a negar o direito pleiteado pela Recorrente se basearam em dois pontos: (i) que a decisão definitiva obtida no processo judicial apenas reconheceu o direito da Recorrente à restituição do Finsocial. Assim, pelo fato de a Recorrente ter compensado o crédito tributário, a recuperação dos valores ocorreu sob forma incorreta e, por esta razão, deve ser desconsiderada; (ii) a impossibilidade de compensação de créditos de Finsocial com débitos relativos a COFINS, vez que, no entendimento da ilustre autoridade julgadora, tratamse de tributos de espécies diferentes.” o contribuinte faz jus à recuperação do indébito tributário por meio da compensação (via utilizada) ou a repetição do indébito.” É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13807.007761/200318 Acórdão n.º 3403003.603 S3C4T3 Fl. 5 3 Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de crédito tributário oriundo de auto de infração procedido por meio de auditoria interna realizada em DCTF, cuja motivação é de que o processo judicial indicado na DCTF não teria sido localizado, assim sendo, o crédito tributário foi constituído por meio de processo eletrônico. Considerando que o contribuinte informou o número da ação ordinária corretamente, no caso concreto o processo de número 92.213960. A documentação trazida à colação afasta toda e qualquer dúvida em relação ao pleito submetido ao Poder Judiciário, bem como, a Autoridade Julgadora confirma a existência da ação judicial. Compulsando os autos constatase cópias de algumas peças essenciais do procedimento judicial, inclusive a sentença. Portanto, depreendese da leitura deste caderno processual que o auto de infração teria sido lavrado em decorrência de irregularidades nos créditos vinculados informados nas DCTF, por ausência da comprovação da existência do processo judicial. O auto de infração tem como causa motivadora a não localização do processo judicial, e, há prova nos autos que existe e Administração Fiscal não lograram êxito em localizálo no sistema judicial. No entanto, como se vê dos autos o lançamento decorre da inexistência do processo. É de conhecimento geral, especificamente, desta E. Turma, que o sistema parametrizado não averigua a existência de processo, pois foi desenvolvido para bloquear compensação com base em procedimento judicial. Entretanto, a Administração, ao decidir, ignorou a motivação pela qual teria sido lavrado o auto de infração, justificando sua decisão no fato de que, a sentença judicial não autorizou compensação de créditos de FINSOCIAL com débitos relativos à COFINS e de que ocorreu sob forma incorreta e por esta razão deveria ser desconsiderado. O lançamento por meio parametrizado decorrente de auditoria interna em DCTF, cuja análise não teve êxito em localizar o processo judicial, cujo provimento liminar e a decisão final, transitada em julgado, autorizavam o contribuinte efetivar compensação dos pagamentos superior ao devido em razão da majoração de alíquota com débitos do mesmo contribuinte. O motivo justificador do ato de lançar é o processo judicial não comprovado. E compulsando os autos verifica a existência de peças dos mandados de seguranças importante ao deslinde da questão, como sentença acolhendo o pleito autora. Dúvida não há de que o processo indicado existia, cabia a Administração Tributária localizálo, e, verificar as condições estipuladas na decisão judicial que autorizava apuração e a compensação dos possíveis créditos. Como se vê, o lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos. Portanto, não há dúvida de que houve erro na motivação do lançamento, posto que, o processo informado na DCTF existe, inclusive, é objeto de análise na decisão. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 A instância inferior ao decidir, justificou a improcedência da Impugnação ao argumento de que havia concomitância, deixando de examinar o mérito da questão posta. Assim, manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram cogitados pela autoridade Autuante, corresponde sim, inovação no que pertine à valoração jurídica. De modo que, a descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofende o art. 10, inciso III, do Decreto número 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: Em sendo assim, o motivo jusficador do Julgador de Piso não pode prosperar, pois se revela completamente distinto daquele que serviu para o lançamento, o que é vedado a Administração Pública modificar o fato motivador. Assim, ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento. Do exposto e diante da manifesta omissão quanto às formalidades legais ou pela mudança de critério jurídico, voto no sentido de declarar a NULIDADE do auto de infração ab initio. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10980.723760/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL.
Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10865/2004.
Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Dmorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL. Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10865/2004. Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 60 /2 00 9- 01 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’morim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 639), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte WOODGRAIN DO BRASIL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0633.994, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada por insuficiência de direito creditório, negandoo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: "Trata o presente processo do pedido de ressarcimento de crédito do PIS/Pasep não cumulativo vinculado às receitas de exportação do 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 112.692,27 (cento e doze mil e seiscentos e noventa e dois reais e vinte e sete centavos), formalizado através do PER/DCOMP nº 12255.26445.020908.1.1.089007. A análise do referido pedido foi realizada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que, em conclusão aos trabalhos realizados, emitiu o Despacho Decisório DRF/CTA, de 30 de junho de 2010, o qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 70.749,18 (setenta mil e setecentos e quarenta e nove reais e dezoito centavos). Ressaltese que a análise do pedido foi efetuada em atendimento a liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2009.70.00.0210978/PR. Conforme consta da decisão mencionada, a autoridade fiscal realizou, primeiramente, um ajuste nos valores das receitas informadas no DACON. Foram considerados como receitas de exportação e do mercado interno os valores constantes dos Livros de Registro de Saídas, excluindose os valores das receitas financeiras; e do valor da receita bruta foram excluídos os descontos concedidos pela empresa de forma incondicional, pelo fato de os mesmos não integrarem a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins). Em conseqüência dessas correções, a autoridade procedeu a um novo cálculo do rateio proporcional a ser aplicado sobre os valores dos créditos da nãocumulatividade. No tocante aos créditos da nãocumulatividade a autoridade administrativa realizou glosas nas seguintes rubricas: Fl. 641DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723760/200901 Acórdão n.º 3802004.195 S3TE02 Fl. 641 3 a) Bens Utilizados como Insumos: relativamente às Notas Fiscais de Entrada das empresas Seven Madeiras Ltda., CNPJ nº 06.136.813/000190, e Cyklop do Brasil Embalagens S/A, CNPJ nº 56.993.512/000150, para as quais constam CFOP (5.501 e 6.501) que indicam aquisições com o fim específico de exportação; e relativamente às Notas Fiscais da empresa Vidia Comércio e Serviços Técnicos Ltda., CNPJ nº 00.737.615/000103, cujas aquisições foram realizadas com “Suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e a COFINS”, em razão do Ato Declaratório Executivo nº 22/2005, que habilitou a interessada como empresa preponderante exportadora nos termos da IN/SRF nº 595, de 2005. Nas duas situações descritas, as aquisições teriam ocorrido sem a incidência das contribuições (PIS/PASEP e a COFINS), ficando impedido o aproveitamento dos créditos, conforme estabelece o artigo 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. b) Despesas de Energia Elétrica: relativamente às despesas constantes das faturas que não correspondam ao consumo de energia elétrica, tais como encargos moratórios (juros, multa e correção monetária) e taxa de iluminação pública; c) Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos: glosa de uma Nota Fiscal, no mês de setembro, que já havia sido contabilizada na rubrica “Bens utilizados como Insumo”; d) Despesas de Fretes pagos na operação de venda: nesta rubrica foram considerados somente os fretes internacionais pagos pela empresa exportadora a transportador domiciliado no Brasil (empresa nacional); foram glosados, portanto, os valores de fretes internacionais cujos pagamentos foram realizados a agentes nacionais, que representam transportador não domiciliado no Brasil, em atendimento ao disposto no inciso II, § 3º, art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado: relativamente aos encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004, em atendimento ao artigo 31 da Lei nº 10.865/2004. Por fim, a autoridade fiscal realizou a apuração dos créditos do mercado interno e do mercado externo do trimestre, levandose em consideração os ajustes anteriormente mencionados (nas receitas, no rateio proporcional e nos créditos) e o Saldo de Crédito do Mês Anterior (relativo ao mercado interno), e descontandose dos créditos apurados os valores da contribuição devida do próprio trimestre, gerada em decorrência das saídas tributadas. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 02/07/2010 e apresentou, em 03/08/2010, a manifestação de inconformidade, cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende no primeiro tópico (“Do Princípio da NãoCumulatividade”) a aplicação plena da não cumulatividade. Argumenta que o legislador ordinário não pode restringir a nãocumulatividade da contribuição, uma vez que a mesma tem status constitucional, implementado através da Emenda Constitucional nº 42/2003, Fl. 642DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 que deu nova redação ao § 12, artigo 195, da Constituição Federal. Sustenta que a nãocumulatividade aplicada ao PIS e a Cofins “se opera de forma diversa daquela aplicada ao IPI e ao ICMS, isso porque para as contribuições, referida sistemática consiste em uma redução da base de cálculo com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas anteriores.” Em resumo, argumenta a interessada “que o regime nãocumulativo das referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes tem o direito ao crédito da contribuição exigidos anteriormente, como forma de minorar a carga tributária sobre o faturamento, objetivo primordial dessa sistemática.” Nos dois tópicos seguintes (“Das Despesas com Fretes Internacionais” e “Do Princípio da Estrita Legalidade”) a contribuinte dirige sua inconformidade contra as glosas relativas às despesas com fretes internacionais. Relata que no despacho decisório a autoridade fiscal proferiu o entendimento “de que o crédito de PIS/COFINS decorrente de despesas com fretes internacionais é passível de aproveitamento, desde que o seu pagamento seja feito ao transportador domiciliado no Brasil, não bastando para tal que o seu agente o seja.”. Sustenta que o entendimento da autoridade fiscal é equivocado e não merece manutenção em face dos princípios da legalidade e da estrita legalidade tributária (art. 5º, inciso II e art. 150, inciso I da Constituição Federal). Argumenta que “não se vislumbra nos regramentos aplicáveis ao caso (Lei 10.637/02 e 10.833/03) qualquer dispositivo que obstaculize ou mesmo limite o aproveitamento do crédito oriundo de despesas com frete internacional, mesmo que praticada por agente transportador”, e que para se realizar o aproveitamento do crédito as referidas leis exigem somente: que o ônus do pagamento do frete seja suportado pelo vendedor, e; que o frete seja pago ou creditado à pessoa jurídica domiciliada no país. Sustenta que estas exigências foram atendidas pela empresa, “uma vez que, na qualidade de vendedora, arcou com os custos relativos ao frete para a remessa de sua mercadoria ao exterior e referida despesa foi paga à empresa estabelecida no território brasileiro, pouco importando se tais empresas correspondem a agentes transportadores.” Para sustentação de sua tese colaciona cópia das ementas das Soluções de Consulta nº 169/2006 da 10º RF e nº 175/07 da 9º RF. Na seqüência, no tópico “Dos Encargos de Depreciação – Bens Adquiridos antes de 01/05/2004”, a interessada defende a inconstitucionalidade do art. 31, da Lei 10.865/2004, que trata da vedação de desconto de créditos relativos à depreciação de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos antes de 01/05/2004. Argumenta que referido artigo atingiu fatos pretéritos e afrontou os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária e da segurança jurídica. Em corroboração a sua tese colaciona cópia de parte do Acórdão do processo judicial nº 2005.71.010.0044698. Por fim, nos últimos dois tópicos (“Das Demais Glosas” e “Das Provas”) , a contribuinte aduz que: discorda das demais glosas realizadas, dizendo que a improcedência das mesmas “será comprovada oportunamente através da juntada de documentos hábeis e idôneos, os quais certamente ensejarão no Fl. 643DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723760/200901 Acórdão n.º 3802004.195 S3TE02 Fl. 642 5 reconhecimento integral do crédito reclamado”; e que em face do direito à ampla defesa e ao contraditório “pretende provar o alegado por meio de todos as prova em direito admitidas, principalmente através da juntada de novos documentos, a fim de evidenciar melhor a idoneidade do crédito ora guerreado.” Diante dos argumentos apresentados, a contribuinte requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade e que o despacho decisório seja reformado, de modo que seja reconhecido integralmente o crédito pleiteado. É o relatório." Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a rejeição ao direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE INTERNACIONAL. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de PIS/PASEP, na sistemática de não cumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS DO ATIVO IMOBILIZADO. Com a edição da Lei nº 10.865, de 2004, somente poderão ser aproveitados os créditos dos encargos de depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio de 2004. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 644DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, e requer o reconhecimento da homologação de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 639), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. O Recurso Voluntário, assim como a manifestação de inconformidade, combate as glosas realizadas em basicamente dois itens: Despesas com fretes internacionais (objeto de dois tópicos do recurso); Encargos de depreciação. Relativamente à digressão sobre o princípio da nãocumulatividade que inaugura a argumentação de mérito do Recurso Voluntário, como se trata de argumentação ampla e, a rigor, principiológica (que não pode ser apreciada pelo CARF, conforme verbete Sumular nº 02), não adentrarei em sua análise pormenorizadamente. O Recurso Voluntário não ataca frontalmente as glosas referentes a insumos adquiridos (i) com fim específico de exportação; (ii) junto a empresa preponderantemente exportadora; além de (iii) encargos financeiros decorrentes de pagamento em atraso de faturas de energia elétrica (despesas com multas, juros e correção monetária) e contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. Isso pois, diferentemente da manifestação de inconformidade, não há o questionamento quanto às “demais glosas”, pelo que reputo como não mais contestadas tais vedações, nos termos do art. 17 do RPAF, aplicável mutatis mutandi ao Recurso Voluntário. De toda forma, no que tange às duas glosas combatidas pelo Recorrente, passase às considerações de mérito. 1. Despesas com fretes internacionais Foram glosadas despesas incorridas com fretes nas operações de venda, pagos a agentes nacionais que representam transportador estrangeiro. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723760/200901 Acórdão n.º 3802004.195 S3TE02 Fl. 643 7 A glosa dessas despesas embasouse no art. 3o, § 3o, II, das leis 10.637/2002 (para o PIS) e 10.833/2003 (para a COFINS), o qual assim dispõe: § 3oO direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; A decisão recorrida entendeu correta a glosa procedida pela autoridade administrativa, ante a presunção de que Conforme a legislação citada, para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não ocorre no caso em tela. Na verdade a interessada contrata pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicam à atividade de agenciamento de fretes internacionais (agente marítimo) e faz o pagamento do serviço de transporte para elas, sendo de ser ressaltado que o agente marítimo não presta o serviço de transporte e não é ele que recebe o pagamento por tal serviço; o valor entregue para o agente, na verdade corresponde ao pagamento do armador. Ocorre que o agente marítimo (agente do armador) é mero preposto do armador, para gerir ou administrar seus negócios, inclusive cobrando os respectivos fretes, que são o pagamento do proponente pela prestação do serviço de transporte. Portanto, para que a exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País) fosse atendida, seria preciso que o transportador (o prestador do serviço de transporte marítimo internacional) fosse domiciliado no País, donde, nos casos em que o transportador não tenha domicilio no País, não há o direito a crédito, mesmo que o agente do transportador tenha domicílio no País. O Recorrente, ao seu turno, defende a legitimidade do aproveitamento das referidas despesas como desconto ante a premissa de que há “apenas dois requisitos que merecem observância para que se faça jus aos créditos, quais sejam: 1) o ônus dos valores despendidos com o frete deve ser suportado pelo vendedor, no caso a Recorrente; e 2) os custos relativos ao frete devem ser pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. A celeuma se restringe, portanto, à definição se a utilização de agente marítimo brasileiro se enquadra no inciso II do § 3o do art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendo, diferentemente do que supõe o Recorrente, que as despesas incorridas no caso não devem ser aproveitadas como desconto. Explico. No caso em tela, consta dos autos que o frete foi prestado por transportador estrangeiro (pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, portanto). Tal é a essência da despesa incorrida pelo Recorrente. Apesar de todas as ressalvas cabíveis ao caso do ponto de vista principiológico, inclusive de ordem isonômica em acordos internacionais comerciais Fl. 646DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 celebrados pelo Brasil, fato é que ao CARF é vedado apreciar a inconstitucionalidade das normas tributárias. Todavia, do ponto de vista puramente legal, o comando vigente permite o aproveitamento de despesas como desconto apenas se estas forem incorridas com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Fato é que a norma se refere a despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, e concretamente o crédito se deu a um agente marítimo domiciliado no País. Ocorre, contudo, que esse crédito se refere a uma prestação de serviços efetivada por estrangeiro, e a utilização de um intermediário por este não reflete a materialidade da despesa incorrida. Notese que a Recorrente em momento algum afirma que o agente marítimo lhe prestou qualquer serviço de transporte, mas apenas se pauta na expressão legal e do fato de ter havido crédito em favor de pessoa jurídica domiciliada no País. Ora, o agente marítimo em termos concretos nada mais é do que um mero mandatário do transportador domiciliado fora do País. A respeito de sua caracterização, trago digressão da Em. Min. Eliana Calmon no RESP 731226 (DJ de 20/09/2007): (...)pessoas encarregadas pelos armadores, ou por quem as suas vezes faça em cada caso particular, temporária ou permanentemente, do mandato de realizar as operações comerciais que originalmente corresponderiam ao capitão ou armador,nos portos de carga ou descarga,de ajudar o capitão emqualqueroperaçãoedecuidardosinteressesdonavioedacarga,nãosóperantea sautoridades,mastambémnasrelações privadas(SOARES, Luiz Dantas de Souza Soares. Agente de navegação responsabilidade civil. In: Revista de direito mercantil,n.º34,abril/junho1979,p.54).O agente marítimo comprometese a representar o navio em terra, praticando em nome do armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Valese, para isso, de contrato consensual, bilateral e oneroso que corresponde perfeitamente à idéia do mandato profissional, figura jurídica tratada no art. 658 do CC de 2002.” Assim, havendo mera relação de mandato (ou seja, simples intermediação) entre o agente marítimo e o Recorrente, não se pode caracterizar que o frete tenha sido pago a pessoa jurídica domiciliada no País. Concretamente o frete foi pago a pessoa jurídica domiciliada no estrangeiro, todavia por intermédio de um representante legal seu. Noutras palavras, a natureza do creditamento feito em favor do agente marítimo se deu em razão de atividade de intermediação, dado que este fornecedor efetivamente não prestou serviço de transporte para o Recorrente. O transportador está domiciliado fora do País, de modo que a opção de pagar a um intermediário domiciliado no Brasil é ato de mera escolha, ação volitiva da Recorrente, sem essência econômica suficiente e apta a alterar o critério de tributação (que se percebe no discrímen legal entre a contratação de uma empresa transportadora domiciliada no País ou no exterior). O CARF já se posicionou no mesmo sentido, conforme se verifica do Acórdão 3403002.718, de relatoria do Em. Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (sessão de 29 de janeiro de 2014), cuja ementa segue abaixo: Fl. 647DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723760/200901 Acórdão n.º 3802004.195 S3TE02 Fl. 644 9 PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIROREPRESENTADOPORAGENTEMARÍTIMOSEDIADONO PAÍS.DIREITODECRÉDITO. Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente. Diante do exposto, não merece acolhida o pleito da Recorrente quanto a tais despesas. 2. Dos encargos de depreciação O item remanescente discute a glosa de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos anteriormente a 01/05/2004, nos termos do art. 31 da lei nº 10.865/2004. Dispõe a referida norma: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma doinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1oPoderão ser aproveitados os créditos referidos noinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1ode maio. § 2oO direito ao desconto de créditos de que trata o § 1odeste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3oÉ também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. A decisão recorrida foi bastante objetiva nesse aspecto, apenas indicando que necessita obedecer as regras vigentes, e que quaisquer formas de contestação do texto legal devem ser obtidas pela via própria, que não a administrativa. O Recorrente, ao seu turno, constrói argumento de cronologia das normas, indicando que desde o início da vigência das Medidas Provisórias que restaram convertidas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, foi permitido aos contribuintes aproveitar como descontos créditos relativos a encargos de depreciação. Prossegue afirmando que, já que as normas existem desde o nascedouro do regime não cumulativo, o contribuinte teria direito adquirido aos créditos (fl. 629 dos autos), de modo que houve ato jurídico perfeito prócontribuinte em relação aos plurimencionados créditos (fl. 630). Fl. 648DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Entendo que o contribuinte teria razão em seus fundamentos, caso estivéssemos diante de glosa retroativa de créditos aproveitados antes da vigência da lei 10.865/2004. Porém, esse não é o caso: nos autos tratase de encargos de depreciação em período posterior ao início da vigência da lei 10.865/2004. Dessa forma, não me parece ser o caso de se considerar que o contribuinte teria direito imutável e irrevogável aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação, sendo certo que eventual aumento na carga tributária (oriundo da vedação ao aproveitamento dos encargos a partir de maio de 2004, nos termos do art. 31 da lei 10.865/2004) é, em última análise, resultado da auto tributação imposta pela própria sociedade, por intermédio de seus mandatários no Congresso Nacional. Não há, nesse sentido, nenhuma vedação legal (como é o caso do art. 178 do CTN, que veda a revogação de isenções concedidas por prazo certo e em caráter oneroso) à alteração no aproveitamento de créditos. A título ilustrativo valhome, a propósito, da fundamentação adotada no Mandado de Segurança 2005.71.000044698, cujas razões de decidir foram trazidas à lume pelo Recorrente quando da concessão de liminar: Quanto à análise da sucessão de regimes estabelecidos para a não cumulatividade do PIS e da COFINS, tenho que o princípio da irretroatividade e da segurança jurídica não alcançam a dimensão preconizada na inicial. O legislador não fica eternamente vinculado à extensão e ao alcance do benefício fiscal concedido em determinado momento, podendo, da mesma forma com que é permitida a revogação da isenção, reduzilo ou suprimilo, na presença de motivação suficiente e adequada para tanto. Existem diversos graus de retroatividade, e a que aqui se trata é a retroatividade mínima referindose ao efeito futuro dos atos passados. Em se tratando de depreciação e amortização, o tratamento contábil e financeiro que lhes é dispensada pode assumir uma feição semelhante a uma relação continuativa. Existem financiamentos que são amortizados no longuíssimo prazo, e certos bens mais refratários ao processo de obsolescência podem gerar encargos de depreciação que venham a superar dez anos. Ora, os princípios constitucionais trazidos à lume pela impetrante não tutelam planejamentos tributários desta amplitude, visam a proteger direitos de bruscas alterações de curto e médio prazo, não se podendo engessar a atividade legislativa de tal forma que se impeça a adequação dos benefícios concedidos aos imperativos de uma política industrial, ou à situação estrutural (não conjuntural) da política econômicofiscal. Em suma, entendo ser lícito ao legislador que implanta regime tributário totalmente novo (como o PIS/Cofins não cumulativo) algumas alterações e correções de rota, quando não evidenciado lesão aos princípios da retroatividade média (contraprestações estatais descumpridas quando da alteração legislativa) e máxima (situações consumadas no passado). Somese a isso a noção de que a depreciação que visa a compensar o desgaste de máquinas e equipamentos em face do decurso do tempo e a amortização tocante ao prazo em que é imputado determinado custo financeiro são apropriadas em quotas mensais, ou seja, apenas incorporamse ao patrimônio do beneficiado á medida em que passam a integrar a sua contabilidade. Inexistindo a possibilidade da amortização ou da depreciação imediata, não há violação ao princípio da irretroatividade ou da Segurança Jurídica, pois há uma expectativa de benefício fiscal que só se transmuda em direito adquirido à medida em que cada período contabilmente relevante para a amortização/depreciação é atingido. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723760/200901 Acórdão n.º 3802004.195 S3TE02 Fl. 645 11 Destarte, não entendo haver guarida aos argumentos do contribuinte, quanto a este item de seu Recurso. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 36624.000806/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005
ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, estes considerados como os pagamentos de valores de contribuições parte dos segurados, bem como indicação da apropriação de guias de pagamento no TEAF, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN.
ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento.
MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) Por maioria de votos, excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que rejeitavam a preliminar de decadência. III) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. Em havendo recolhimentos parciais, estes considerados como os pagamentos de valores de contribuições parte dos segurados, bem como indicação da apropriação de guias de pagamento no TEAF, há que ser aplicado, in casu, o disposto no art. 150, §4o do CTN. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 55, II, DA LEI 8.212/91. ENTIDADE QUE NÃO POSSUÍA O CEAS. ADESÃO AO PROUNI. LEI 11.096/05. RENOVAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INSUBSISTÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente comprovou ser possuidora do Certificado de Entidade de Assistência Social, uma vez que o documento que antes não possuía veio a ser renovado pelo CNAS em decorrência de sua adesão ao PROUNI (Lei 11.096/05) para o período objeto da autuação, outra não pode ser a conclusão, senão pela improcedência do lançamento. MEDIDA PROVISÓRIA 446/08. DEFERIMENTO DOS PEDIDOS DE RENOVAÇÃO DO CEAS PENDENTES DE JULGAMENTO. VALIDADE DO ATO. ART. 62 DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL N. 32. O art. 39 da MP 446/08 determinou a renovação automática de todos os pedidos de renovação de certificados de entidade de assistência social, que à época, estavam pendentes de julgamento junto ao CNAS. Tendo em vista o disposto no art. 62 da Constituição Federal, os atos realizados sob a égide de referido diploma legal devem ser considerados como válidos. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 06 /2 00 7- 92 Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 2 ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) Por maioria de votos, excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que rejeitavam a preliminar de decadência. III) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000806/200792 Acórdão n.º 2401003.868 S2C4T1 Fl. 3.590 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício, interpostos, respectivamente, por ISCP – SOCIEDADE EDUCACIONAL SA e FAZENDA NACIONAL, em face do v. acórdão de fls., que manteve parcialmente a NFLD N°.37.065.6261, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, destinadas ao financiamento do GILRAT e a terceiros incidentes sobre valores pagos a segurados empregados. Consta do relatório fiscal de fls. 77 que o lançamento fora realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n°. 01/2005, emitido em desfavor da recorrente em 23/03/2005, nos autos do processo n. 35462.002444/200469. Referido Ato Cancelatório cassou a isenção que usufruía a contribuinte desde 01/1998, por descumprimento do requisito constante no inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91. Além disso, também informou o ilustre fiscal autuante que o crédito tributário lançados encontrase com a exigibilidade suspensa em virtude de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n°. 10.510DF, pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, suspendendo o ato do Sr. Ministro de Estado do Previdência Social, que cancelava o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, para o período. Foram considerados como fatos geradores da presente apuração a diferença da remuneração de segurados empregados constante nas folhas de pagamento e a declarada nas Guias do GFTS e Informação Previdência Social – GFIP. O lançamento compreende as competências de 09/1999 a 09/2000 e 09/2003 a 12/2005, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 28/12/2006 (fls. 01). Às fls. fora determinada a realização de diligência para que a fiscalização pormenorizasse, em ordem cronológica de acontecimento, os fatos que deram ensejo ao lançamento. Em cumprimento assim apontou a fiscalização a ordem cronológica dos fatos que ensejaram o presente lançamento: 3.1 O primeiro Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (antiga denominação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS), obtido pelo Instituto Superior de Comunicação Publicitária ISCP, atual ISCP Sociedade Educacional S.A., manteve sua validade de 07/07/81 a 31/12/94. 3.2 A Resolução CNAS n 0 . 086/97 deferiu a renovação do primeiro certificado assegurandolhe a validade para o período de 01/01/95 a 31/12/97. 3.3 Em 05/01/1998, nos autos do Processo n°. 35462.000002/98 51, aentidade requereu o direito de isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, assim como das exigidas pela Lei Complementar n°. 84, de 18/01/1996. Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 4 3.4 Em 08/10/1998 a entidade teve seu pedido deferido, estando dispensada das referidas contribuições a partir de 01/01/1998, resguardado o direito do INSS de periodicamente verificar se a entidade continuava atendendo aos requisitos legais da Lei n°. 8.212/91, 3.5 A instituição não era portadora do CEAS no período de 01/01/98 a 16/09/2000 uma vez que o novo certificado só lhe foi concedido pelaResolução CNAS n0 . 181/2002. publicado no DOU de 16/12/2002, comvalidade de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.6 O Parecer MPS/CJ n 3.347/2004, publicado no DOU de 24/11/2004, deu provimento ao recurso interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no sentido de cancelar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pela Resolução CNAS n 0 .181/2002, de 10/12/2002, DOU de 16/12/2002, o que significa que a instituição deixou de ser portadora do CEAS também no período de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.7 Com base no § 2 0 do art. 11 da Medida Provisória n. 213 de 10/09/2004, em novembro/2004 a instituição protocolou pedido de adesão ao PROUNI. 3.8 A Resolução CNAS n 49/2005 de 17/03/2005, DOU de 30/03/2005, restabeleceu o CEAS da entidade para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003, com base no artigo 11, § 2 0 da Lei n. 11.096 de 13/01/2005. 3.9 A partir de 18/09/2003 não foi expedido nenhum CEAS para a entidade. 3.10 Em 23/03/2005 foi emitido o Ato Cancelatório n 01/2005 declarando cancelada a isenção das contribuições sociais, a partir de 01/01/98, por infração ao inciso II do art. 55 da Lei no. 8.212/91, combinado com o art. 206, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). 3.11 Posteriormente à emissão do Ato Cancelatório a entidade impetrou Mandado de Segurança no Superior Tribunal de Justiça, contra o ato doSenhor Ministro de Estado da Previdência Social que havia cancelado o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (MS n 10.510/DF 2005/00429090). Na referida ação judicial, em 28/03/2005, foi concedida liminar à Impetrante; suspendendo os efeitos do ato ministerial, razão pela qual a instituição teve a validade de seu certificado restabelecida, compreendendo o período de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.12 Em 06/10/2005 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n°. 0926776700, para a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, das contribuições por lei devidas a terceiros e dos requisitos de regularidade quanto à manutenção da isenção, período de janeiro/2000 a Agosto/2005. 3.13 Durante a ação fiscal, foi detectado pelo contencioso que o período de 01/1998 a 16/09/2000 não está contido na liminar Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000806/200792 Acórdão n.º 2401003.868 S2C4T1 Fl. 3.591 5 (MS n 10.510/DF, 2005/00429090). Assim, foi determinado o levantamento da cota patronal e a glosa da restituição efetuada no PT n°. 36624.005141/200192, com base no Ato Cancelatório n°. 01/2005, de23/03/2005, respeitando a suspensão de exigibilidade por força da medida judicial acima citada. 3.14 Em 26/1012006 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n°. 09267767C07, estendendo o período de apuração, de 01/2000 a 0812005, para janeiro/1998 a dezembro/2005. 3.15 Durante o procedimento fiscal foi constatado que a instituição não cumpriaos requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Foi emitida uma Informação Fiscal sugerindo o cancelamento da isenção das contribuições previdenciárias, o que deu origem ao Processo 44023.0001411200714 (cópia anexa). Intimada, a recorrente não se manifestou quanto resultado da diligência, mas apenas reiterou os argumentos de impugnação e requereu a aplicação da Súmula 08 e o art. 150, 4o do CTN ao caso. Sobreveio, então o julgamento de primeira instância, quando foram excluídos do lançamento as contribuições relativas às competências de 09/1999 a 09/2000, em razão do reconhecimento da decadência com base no art. 173, I, do CTN, bem como os valores apontados em planilha pelo fiscal que elaborou o relatório complementar em razão das consideração dos valores de divergências com GFIPs retificadas apresentadas pela recorrente. Em seu recurso, a contribuinte sustenta ser indevida a expedição do Ato Cancelatório 01/2005, pois o suposto descumprimento do inciso II, do artigo 55, da Lei n. ° 8.212/91, teria ocorrido no período de 1998 a 2000 e a fazenda visa a cobrança de débitos tributários com fatos geradores de 2000 a 2003. Acresce que o Ato Cancelatório é genérico, pois não aponta o período do descumprimento da exigência legal tida por inobservada. Diante do ato ilegal praticado pelo Ministro de Estado da Previdência Social, qual seja o cancelamento do CEAS que resultou na expedição do Ato Cancelatório 01/2005, o recorrente impetrou mandado de segurança com pedido de medida liminar, MS n.° 10.510DF, em 22 de março de 2005, tendo em vista que o ISCP não necessitaria renovar trienalmente seu certificado, ao fazer jus ao direito adquirido, sendo que tal procedimento era efetivado apenas por cautela. Que teve o restabelecimento do CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095), não havendo que se falar em ausência do descumprimento do requisito legal constante no relatório fiscal da infração. Aduz que entendimento do v. acórdão de primeira instância, no sentido de que o restabelecimento do CEAS para o período do lançamento fiscal em comento: 18/09/2000 até 17/09/2003 somente teria eficácia a partir da legislação que instituiu o referido Programa é absurdo e merece ser reformado, pois, se assim fosse, não haveria qualquer benesse para as empresas que aderissem ao programa, na medida em que não se poderequerer renovações de Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 6 certificados que foram ANTERIORMENTE indeferidos, se os mesmos somente teriam eficácia após vigência da Lei do PROUNI. Que além do deferimento do CEAS pela adesão ao PROUNI, teve também deferido a seu favor o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) para o período em razão da Medida Provisória n.° 446, de 2008. Que a Lei n.° 12.101 de 2009 editou lei tributária mais benéfica, que impõe expressamente que o direito a isenção/imunidade a contribuições sociais (artigo 195, §7º, da Constituição da República) , quando suspenso ou cancelado em razão de descumprimento da legislação, deve ter como data inicial o da infração, além de demonstrar o período (competências) em que tal infração ocorreu, não podendo ser descrito de forma genérica, conforme ocorreu no presente caso. Consoante exaustivamente demonstrado em sua impugnação, em estrito cumprimento às legislações pertinentes, o recorrente cumpriu com todos os requisitos exigidos para fazer jus à imunidade às contribuições sociais, possuindo direito adquirido à fruição da isenção. Que foi expedido em seu favor Ato Declaratório de Isenção, quando foi devidamente reconhecida como entidade imune às contribuições sociais, pelo próprio INSS, em 8 de outubro de 1998, declarando que o ISCP cumpriu integralmente com as condições do artigo 55, da Lei n.° 8.212, de 1991, estando dispensada das referidas contribuições, a partir de 01/98. Equivocouse, portanto, a Douta Delegacia de Julgamento ao afirmar nos lançamentos fiscais que no período de 01/01/98 a 16/09/2000 não possuía o recorrente o certificado, vez que o próprio então INSS, nesse período, emitiu ato declaratório de isenção em seu favor. Que o Ato Cancelatório n.° 01/2007 trata de matéria diversa daquela objeto do presente processo, não podendo ser considerado como fundamento apto a determinar a cassação de sua isenção. Que os efeitos dos Atos Cancelatórios não podem retroagir a fatos geradores passados, mas apenas a partir da data em que são emitidos. Que o MS impetrado junto ao STJ ainda não transitou em julgado, de modo que ante a inexistência de decisão definitiva, não há que se falar na possibilidade de adoção dos fundamentos ali tomados como razões de decidir para manter o lançamento. Por fim, pretende o reconhecimento da decadência do lançamento com base no art. 150, 4o do CTN. É o relatório. Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000806/200792 Acórdão n.º 2401003.868 S2C4T1 Fl. 3.592 7 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tendo em vista que o julgamento de primeira instância exonerou a recorrente do pagamento de crédito tributário contra si lançado em valores superiores a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), tenho como preenchidos os requisitos da Portaria MF 03/08, motivo pelo qual conheço do recurso de ofício. E, tempestivo o voluntário, dele também conheço. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício, neste caso, possui duas vertentes objeto de análise. A primeira com relação à decadência e a segunda, com relação às correções das bases de cálculo do lançamento, levadas a efeito pelo fiscal. Decadência Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 8 direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. E, no caso dos autos, o acórdão de primeira instância vislumbrou que não foram considerados pagamentos, a partir da análise do DAD – Discriminativo Analítico do Débito, de modo que, em seu entendimento, em não havendo pagamentos, fora determinada a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN. Por fim, verifico que o v. acórdão de primeira instância levou a efeito as necessárias correções no que se refere às bases de cálculo em conformidade com os apontamentos nas planilhas trazidas aos autos juntamente com o relatório complementar. Logo, por tais motivos, tenho que o recurso de ofício não merece provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Decadência Por outro lado, a parte interessada aponta a existência de pagamentos, o que confirmo a partir da verificação do TEAF, onde foram apropriadas guias de pagamento. A propósito, cito jurisprudência deste conselho que ampara tal entendimento: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000806/200792 Acórdão n.º 2401003.868 S2C4T1 Fl. 3.593 9 publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, verificados no relatório termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF. Embargos Rejeitados. (Acórdão 2403001.890, Rel. Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Sessão de 20/02/2013) Não obstante, já tenho trazido a esta Turma o meu entendimento no sentido de que o recolhimento das contribuições previdenciárias devem ser considerados como um todo, pois entendo que em havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, como é também o caso dos autos, tal fato deve ser considerado também como parte do pagamento das contribuições parte da empresa, motivo pelo qual, entendo pela aplicação do art. 150, 4o do CTN ao presente caso, diferentemente daquilo o que apontado pelo v. acórdão de primeira instância. Logo, por ambos os motivos, verifico a presença de pagamentos parciais no presente caso, aptos a serem considerados como antecipação de pagamento, na forma da fundamentação supra, de sorte que devem ser consideradas extintas do presente lançamento em razão da decadência, pela regra do artigo 150 §4o do CTN, as competências lançadas até 11/2001. Nulidade do Lançamento Na oportunidade da sustentação oral, o patrono da recorrente argüiu a nulidade do lançamento em razão de que, diante das determinações da DRJ quanto aos motivos que ensejaram o lançamento, em verdade houve a formalização de novo lançamento e não a mera complementação do relatório fiscal original. E trouxe tal matéria, sob o argumento de tratarse de matéria de ordem pública, que poderia ser enfrentada por este colegiado, mesmo sem ter sido argüida no recurso. Todavia, sem qualquer manifestação acerca do pedido formulado, seja mesmo quanto a se tratar de matéria de ordem pública, valhome nesta oportunidade do disposto no art. 59, §3o do Decreto 70.235/72, a seguir, por entender que o mérito do recurso voluntário deve ser julgado em favor da recorrente. Confirase: Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 10 Dessa forma, passo ao mérito. MÉRITO Inicialmente, da análise detida dos autos do presente processo, a meu ver, fazse necessário esclarecer que o motivo único ensejador o presente lançamento foi o fato da recorrente não ser portadora do CEBAS. E faço tal afirmação em razão das alegações de recurso, bem como das informações constantes no relatório fiscal complementar no sentido de que durante a presente fiscalização, fora emitida nova informação fiscal, através da qual verificouse o descumprimento de outros dois incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, agora, o III e IV. Referida informação (descumprimento dos incisos III e IV) sequer constou no relatório fiscal original, de sorte que somente veio aos autos, quando da elaboração do novo relatório. E no relatório fiscal complementar, assim se manifestou a fiscalização ao apontar a motivação que justificou o lançamento: 2. O levantamento foi realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais no. 01/2005, emitido em 23/03/2005, nos autos do Processo n°. 35462.02444/200469, em virtude do não cumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei n°. 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). 3. Para esclarecer a razão da constituição do crédito e do Ato Cancelatório, um breve histórico da instituição. Somente quando do breve histórico é que houve o apontamento da lavratura da nova informação fiscal para cassação da isenção da recorrente. Contudo, mesmo que no relatório conste referida informação, resta claro que os apontados descumprimentos dos incisos III e IV do art. 55 da Lei 8.212/91 não foram adotados, em nenhum momento, como a razão da constituição do crédito tributário objeto do presente processo. Dessa forma, passo a analisar os demais fundamentos de recurso. Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. Vejamos o que constava em referido Ato Declaratório: DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 811, artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 011 0111998, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212, de, 24 de Julho de 1991 concedida à entidade Instituto Superior de Comunicação Publicitária, acima identificada, por infração ao inciso II do Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000806/200792 Acórdão n.º 2401003.868 S2C4T1 Fl. 3.594 11 artigo 55 da Lei n.° 8.212, de 1991, combinado com o artigo 206, inciso III do RPS, consoante o § 3 0 do artigo 313 da Instrução Normativa INSS/DC n.° 100/2003. São Paulo, 23 de Março de 2005 E assim preceitua o dispositivo legal cujo requisito não fora observado pela recorrente: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). [...] II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). Defende, sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). E assim dispõe referido artigo de Lei: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3oe no inciso II do caput e §§ 1oe 2odo art. 7odesta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: III gozar do benefício previsto no § 3odo art. 7odesta Lei. [...] § 2oAs entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 12 isenção das contribuições de que trata oart. 55 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991. § 3oO Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória no 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: 3.7 Com base no § 2o do art. 11 da Medida Provisória n. 213 de 10/09/2004, em novembro/2004 a instituição protocolou pedido de adesão ao PROUNI. 3.8 A Resolução CNAS n 49/2005 de 17/03/2005, DOU de 30/03/2005, restabeleceu o CEAS da entidade para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003, com base no artigo 11, § 2o da Lei n. 11.096 de 13/01/2005. Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: CERTIFICAMOS que a entidade protocolou pedido de renovação do CEAS peio processo 71010.0009351200376, formalizado ern 15/09/2003, o qual aguarda análise. CERTIFICAMOS finalmente que a entidade requereu novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, pelo processo 71010.0004371200595, com adesão a Lei do PROUNI, a qual foi Deferido, pela Resolução n° 49/2005 de .17/03/05, DOU 30/03/2005 . ficando a validade assegurada de 18/09/2000 a 17/09/2003.///////////////////////////////////////ESTA CERTIDÃO E VALIDA POR SEIS MESES A PARTIR DA DATA DE SUA EXPEDIÇÃO Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000806/200792 Acórdão n.º 2401003.868 S2C4T1 Fl. 3.595 13 da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. Da renovação do certificado no período de 2003 a 2006. Outro ponto que necessariamente deve ser analisado por esta Turma referese aos argumentos da recorrente no sentido de que também era possuidora do CEAS válido para o triênio posterior ao período de 09/2003. E justifica sua afirmação em razão de que o certificado antes concedido fora renovado, em tal caso, pela Medida Provisória n.° 446 de 07 de novembro de 2008. Mister elucidar que sobre o assunto o art. 39 da Medida Provisória 446 de 2008 assim preceituava: Art.39. Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos pelo CNAS, que sejam objeto de pedido de reconsideração ou de recurso pendentes de julgamento até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. Assim, todos os pedidos de renovação do CEAS protocolados e que ainda estavam pendentes de análise foram considerados como automaticamente deferidos quando da publicação de referida medida provisória. E diante de tal preceito legal, aponta a recorrente que em fevereiro de 2009 fora publicada a Resolução CNAS n. 11/09, deferindolhe a renovação do CEAS para o período de 09/2003 a 09/2006, cujo teor segue transcrito: RESOLUÇÃO N.° 11, DE 9 DE FEVEREIRO DE 2009 Publica os DEFERIMENTOS dos pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social das entidades abaixo relacionadas, na forma do art. 39 da Medida Provisória n' 446, de 7 de novembro de 2008. 0 CONSELHO NACIONAL DE ASSISTENCIA SOCIAL, no uso da competência que lhe confere o artigo 18 da Lei n.'8.742, de 07 de dezembro de 1993 Lei Orgânica de Assistência Social LOAS e, CONSIDERANDO a Medida Provisória n.' 446, de 7 de novembro de 2008 que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, publicada no Diário Oficial da União em 10 de novembro de 2008; CONSIDERANDO o Parecer da C71MDS n.° 1.76512008 e relato do Grupo de Trabalho de Transição Gerencial instituído pela Resolução CNAS n.° 7912008, que trataram de procedimentos a serem adotados em relação às disposições transitórias dos artigos 36, 37, 38 e 39 da Medida Provisória n.' 44612008, aprovados em Reunião Plenária realizada nos dias 10 e 11 de dezembro de 2008; Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 14 CONSIDERANDO a orientação da Comissão de Normas aprovada pela Plenária do CNAS em Reunião dias 30 e 11 de dezembro de 2008, adota as providências observando a ordem dos processos. RESOLVE: Art.1` Publicar os DEFERIMENTOS , na forma do disposto no artigo 39 da MP n. 2 44612008, dos pedidos de RENOVAÇÃO de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, com respectivas validades, que são objeto de pedido de reconsideração ainda não Julgados pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, até a data da publicação da Medida Provisória n.' 446, de 7 de novembro de 2008, relativos às (321 ) entidades abaixo relacionadas , considerando a ordem dos processos: [...] 230) INSTITUTO SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA CNPJ: 62.596.408/000125 SÃO PAULO SP processo de reconsideração n.2 71010.0022101200746 processo de referência n.2 71010.0004351200376 Período de validade desta renovação: 18/09/2003 a 17/09/2006 — Area de Atuação: EDUCAÇÃO. Em face de tais constatações, vejo, mais uma vez, que o fundamento adotado pela fiscalização para levar a efeito o lançamento das contribuições previdenciárias não se sustenta, na medida em que a condição de não possuidora do CEAS não mais se verifica, pois sua renovação fora deferida em decorrência de autorização legal expressa. Não obstante a MP 446/2008, tenha perdido a eficácia, a Constituição Federal prevê tal ocorrência e sua conseqüência, no artigo 62, na redação dada pela Emenda Constitucional nº32/2001, no seguinte sentido: Art. 62 Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional. (...) §3ºAs medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, senão forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período,devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo,as relações jurídicas delas decorrentes. (...) §11Não editado o decreto legislativo a que se refere o §3ºaté sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. Também valhome de entendimento já emanado sobre o assunto pela própria AGU, através da Nota DECOR/CGU/AGU N. 180/2009JGAS, abaixo transcrita: Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000806/200792 Acórdão n.º 2401003.868 S2C4T1 Fl. 3.596 15 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446/2008. REJEIÇÃO. EFEITOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACESSO A BENEFÍCIO FISCAL. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE EDIÇÃO DE DECRETO LEGISLATIVO. PREVALÊNCIA DAS RELAÇÕES JURIDICAS. 1. A referida Medida Provisória rejeitada intentou modificar os procedimentos a serem seguidos pelas entidades interessadas no acesso ao benefício fiscal de que trata o art. 195, par. 5º, da Constituição Federal, estabelecendo novos procedimentos para a concessão de isenção de contribuições previdenciárias e para a outorga do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas). 2. O Congresso Nacional, ao rejeitar a Medida Provisória nº 446/08, não editou o decreto legislativo disciplinando as relações jurídicas dela decorrentes, conforme preconiza do art. 62, par. 3º, da Constituição Federal. 3. Como consequência, é forçoso reconhecer a incidência do art. 62, par. 11, da Constituição Federal, que estabelece que não editado o decreto legislativo a que se refere o par. 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. 4. As relações jurídicas que se formaram sob a égide das regras previstas nos arts. 37, 38, 39, 40 e 41 da Medida Provisória nº 446/08, bem como aquelas decorrentes de atos praticados pela Administração Pública Federal durante o seu período de vigência, continuarão sendo regidas pela citada Medida Provisória. 5. As normas que instituem órgãos e pessoas jurídicas ou alteram suas atribuições não estabelecem relações jurídicas entre sujeitos de direito e por isso não têm sua atividade preservada pelo art. 62, par. 11, da CF/88. Ainda sobre o assunto, também entendendo pela necessidade de improcedência do lançamento pela falta do CEAS, quando referido documento veio a ser renovado pela MP 446/08, cito os seguintes acórdãos deste Eg. Conselho: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/11/2007a31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS tem caráter declaratório vide Parecer PGFN/CRJ/2132/2011, retroagindo seus efeitos desde o protocolo de requerimento. Demonstrado que o período autuado encontrase albergado por CEBAS posteriormente emitido, deve ser afastado o lançamento efetuado por este único fundamento. Recurso Voluntário Provido (Acórdão 2803004.021, Rel. Conselheiro Oseas Coimbra, Sessão de 22/01/2015) Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 16 Assim, do mesmo modo que para o período de 09/2000 a 09/2003, entendo que a recorrente possui certificado válido para o período de 09/2003 a 09/2006, motivo pelo qual, a meu ver, resta insustentável o lançamento efetuado. Em face do entendimento supra abarcar a totalidade do período objeto do presente lançamento, tenho por prejudicados os demais argumentos trazidos no recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para reconhecer a decadência das competências lançadas até 11/2001, bem como para julgar improcedente o lançamento das demais competências. É como voto Igor Araújo Soares. Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA
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Numero do processo: 13804.001647/00-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1994
DECADÊNCIA
Todos os pagamentos realizados pelo contribuinte já foram considerados no cálculo do indébito
PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. DISTINÇÃO
O instituto do pagamento não se confunde com o da compensação, regendo-se por normas distintas.
IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL DE PAGAMENTOS
As normas que disciplinam a imputação proporcional de pagamentos prevêem a atualização monetária dos saldos.
CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ.
Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, encontrando-se firmada a orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1994 DECADÊNCIA Todos os pagamentos realizados pelo contribuinte já foram considerados no cálculo do indébito PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. DISTINÇÃO O instituto do pagamento não se confunde com o da compensação, regendo-se por normas distintas. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL DE PAGAMENTOS As normas que disciplinam a imputação proporcional de pagamentos prevêem a atualização monetária dos saldos. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, encontrando-se firmada a orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007 Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPENSAÇÃO. DISTINÇÃO O instituto do pagamento não se confunde com o da compensação, regendo se por normas distintas. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL DE PAGAMENTOS As normas que disciplinam a imputação proporcional de pagamentos prevêem a atualização monetária dos saldos. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, encontrandose firmada a orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 16 47 /0 0- 64 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.403 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.404 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP: O processo em exame originouse de pedido de restituição de PIS formulado na fl. 1 em 13/07/2000, relativo a valores recolhidos a maior no período de 20/02/1990 a 07/01/1994 em virtude da aplicação dos decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88 (fls. 2/3). Posteriormente a empresa apresentou, em datas distintas, 10 pedidos de compensação (fls. 59, 66, 71, 93, 97, 102, 106, 110, 124, 126) e várias declarações de compensação eletrônicas (fls. 165/180). Indeferido o pleito pela Divisão de Tributação da antiga DRF/SPO (fl. 57) e confirmada a decisão pela DRJ/Curitiba (fls. 111/115), recorreu a interessada ao Conselho de Contribuintes, que, em acórdão de 29/01/2003 (fls. 146/151), afastando a preliminar de nulidade argüida por aqueles órgãos, anulou as decisões já proferidas e determinou o retorno dos autos à origem para a apreciação do mérito. Em despacho decisório de 07/04/2008 (fls. 265/277), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO deferiu parcialmente o pedido de restituição, homologando as compensações até o limite do direito creditório reconhecido, o que levou a recorrente a apresentar a manifestação de inconformidade anexa às fls. 299/309, encaminhada a esta DRJ devido à supressão da competência da DRJ/Curitiba pela Portaria MF nº 259, de 24 de Agosto de 2001. A contribuinte alega em síntese que: Resumo: O pedido de restituição se refere à diferença entre os valores recolhidos sob a égide dos decretoslei n° 2.445/88 e n° “2.449/85” e aqueles que de fato seriam devidos na forma da lei complementar n° 7/70; Ao apurar a referida diferença no demonstrativo de vinculação anexo às fls. 253 e seguintes, a autoridade a quo não procedeu à devida atualização de parte dos valores recolhidos pela empresa, relativos ao período de 20/02/1990 a 31/12/1991; Em outras palavras, ao realizar as imputações, a autoridade administrativa empregou o valor histórico ou nominal dos recolhimentos citados, “desconsiderando a atualização existente entre as datas de recolhimento e as datas de vencimento dos débitos devidos nos termos do PIS/REPIQUE (fl. 302); Tal fato comprometeu os cálculos realizados, levando ao não reconhecimento de parte considerável do valor que a empresa pretende repetir e à conseqüente não homologação de parte dos débitos a compensar; No mês de setembro de 1990, por exemplo, ao atualizar o débito pelo valor da BTNF do dia do vencimento, sem atualizar o recolhimento a ele imputado, a autoridade fiscal apurou um saldo de Cr$ 637.157,87 em favor da empresa, quando o saldo correto, se feita a atualização monetária do pagamento, seria de R$ 2.806.762,10, como demonstram os cálculos realizados nas fls. 303/306; Fl. 720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.405 4 Ao atualizar a dívida da empresa sem atualizarlhe o crédito, a autoridade administrativa infringiu o princípio da isonomia e o princípio que veda o enriquecimento ilícito, entendimento corroborado pelos acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas vão reproduzidas nas fls. 307/308; Como a Receita Federal não realizou as atualizações de forma correta, nos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 8, de 27/06/1997, todas as imputações ficaram prejudicadas, fato que reduziu consideravelmente o montante a restituir. Em remate às considerações acima, requer o reconhecimento do montante integral a restituir e a conseqüente homologação de todas as compensações formalizadas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP indeferiu a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/ PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. DISTINÇÃO Embora constituam ambos formas de extinção do crédito tributário, o instituto do pagamento não se confunde com o da compensação, regendose por normas distintas. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL DE PAGAMENTOS As normas que disciplinam a imputação proporcional de pagamentos não prevêem a atualização monetária destes últimos, mas apenas dos débitos. INDÉBITO TRIBUTÁRIO A atualização monetária de que trata a Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar no 08, de 27/06/97, aplicase apenas aos valores remanescentes após o desconto da contribuição devida com base na Lei Complementar no 7/70. No Recurso Voluntário, a recorrente requer que seja dado total provimento ao Recurso Voluntário com a repetição dos argumentos anteriormente dispostos. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.406 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. No Recurso Voluntário a recorrente requer que seja dado total provimento ao recurso, para que seja determinado: 1) O reconhecimento do indébito tributário de fevereiro de 1990 e de agosto de 1990, para fins de restituição. 2) A adequação do critério de imputação adotado pela Autoridade Administrativa, de sorte que o encontro de contas ocorra entre créditos e débitos relativos ao mesmo período de competência. 3) A correção monetária dos saldos a restituir e ou compensar, com o reconhecimento dos expurgos inflacionários de Março, Abril e Maio de 1990 além de Fevereiro de 1991. Em relação ao primeiro item do recurso voluntário, apesar do pedido de restituição ter sido formulado em 13/07/2000, os pagamentos realizados nos períodos de fevereiro de 1990 a agosto de 1990 já foram considerados pela Delegacia da Receita Federal de origem, nos cálculos da imputação proporcional de pagamentos. Posteriormente, impugna a interessada os cálculos realizados pelo autor do despacho decisório, alegando que, ao atualizar monetariamente apenas os débitos, sem corrigir o valor dos recolhimentos, ele teria reduzido de forma considerável o montante a restituir. Tal assertiva carece de fundamento, já que, ao formulála, a defendente confundiu os conceitos de pagamento e compensação e também os critérios de imputação proporcional de pagamentos com os critérios que norteiam a compensação de indébitos tributários. O instituto do pagamento não se confunde com o da compensação, regendo se por normas distintas. Já a imputação proporcional de pagamentos encontra amparo no art. 163 do CTN, achandose disciplinada, no âmbito infralegal, pelo manual de aplicação de acréscimos legais de tributos federais, aprovado pela IN SRF n° 19/1984. Esse método de imputação consiste, resumidamente, em confrontar cada recolhimento com o respectivo débito ou, havendo mais de um débito vencido, como é o caso, com o débito mais antigo. Esta última hipótese vem prevista de forma expressa no referido art. 163: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: Fl. 722DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.407 6 I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes.” Os débitos deverão estar atualizados de acordo com a legislação específica em vigor à época e que, feita a imputação, os eventuais saldos de pagamentos não utilizados deverão ser aproveitados na amortização dos débitos subseqüentes. Entretanto, diferentemente do que alega a recorrente, não há nem jamais houve previsão legal para a atualização monetária apenas dos pagamentos. O que a legislação tributária prevê é a atualização monetária dos indébitos a restituir ou compensar. Em outras palavras, a atualização monetária incide apenas no momento da compensação ou restituição. No caso em tela, os cálculos realizados pelo autoridade a quo consistem na imputação proporcional entre os pagamentos de PIS feitos pela empresa no período de 20/02/1990 a 07/01/1994 na forma dos decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88 e os valores que seriam de fato devidos segundo a sistemática do Pis/Repique, prevista na lei complementar n° 7/70. Esta maneira de calcular o indébito é reconhecida pelo CARF. O excerto do acórdão 20218.251 do 2º Conselho de Contribuintes ilustra com clareza esse fato: “Os valores dos indébitos remanescentes, após o desconto da contribuição devida com base na Lei Complementar nº 7/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base na tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 08, de 27/06/97. A partir de 1º/01/96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação, acrescida de 1% relativamente ao mês da ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95.” (Acórdão 20218.251 da 2a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, datado de 16/08/2007). Assim, não há dúvida de que a autoridade administrativa cumpriu a legislação tributária ao confrontar o valor histórico dos pagamentos com os débitos atualizados monetariamente. Quanto aos créditos apurados por meio da imputação, cujos valores figuram na coluna “saldo” do demonstrativo de pagamentos cadastrados, estes, foram atualizados Fl. 723DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.408 7 monetariamente nos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 8, de 27/06/1997. Portanto, de um lado, há a imputação proporcional entre pagamentos de PIS realizados no período de 20/02/1990 a 07/01/1994 na forma dos decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88 e débitos de PIS/Repique vencidos no período de 28/09/1990 a 31/08/1992 . Após a apuração do valor restante, há a compensação dos créditos de PIS resultantes desse cálculo, com débitos de PIS e Cofins do período de 06/2000 a 03/2001. O contribuinte requer também que a correção monetária seja realizada com o reconhecimento dos expurgos inflacionários nas competências de Março, Abril e Maio de 1990 além de Fevereiro de 1991. Quanto a esse aspecto da correção dos indébitos, importa salientar que a própria Administração Tributária, por meio de sua Procuradoria da Fazenda Nacional, já se manifestou sobre a matéria, por meio do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, DOU, de 8/12/2008, cujo teor parcialmente se transcreve: Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. (...) 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: a) jan/89, IPC/IBGE, de 42,72% (em substituição ao BTN); b) fev/89, IPC/IBGE, de 10,14% (em substituição ao BTN); c) de mar/89 a fev/90, BTN; d) de mar/90 a fev/91, IPC/IBGE (em substituição ao BTN e ao INPC de fev/91); e) de mar/91 a nov/91, INPC; f) em dez/91, IPCA série especial (art. 2º, § 2º, da Lei nª 8.383/91); g) de jan/92 até jan/96, utilizar a UFIR (Lei nº 8.383/91). h) a partir de jan/96, taxa SELIC e 1% na data do pagamento art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250, de 26.12.95.” Fl. 724DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.409 8 Despacho do Ministro da Fazenda Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601 /2008, de 20 de novembro de 2008, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos, bem como pela autorização de desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução Nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. Brasília, 01 de dezembro de 2008. GUIDO MANTEGA Ministro da Fazenda Nesses termos, não há dúvida de que futuros recursos que versem sobre o mesmo tema, apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário, sem nenhuma perspectiva de sucesso para a Fazenda Nacional. Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os recursos colocados à disposição da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito. A posição da Administração é suportada pela mais sólida jurisprudência do STJ, no sentido da necessária inclusão dos índices expurgados, considerada matéria de ordem pública, merecedora de pronunciamento exofficio. Exemplificase, no julgado unânime abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.112.524 DF (2009/00421318) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX DATA DO JULGAMENTO: 1º DE SETEMBRO DE 2010. EMENTA : RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇAO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA . INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇAO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇAO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇAO DE APLICAÇAO RETROATIVA. DECLARAÇAO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE Fl. 725DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.410 9 ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio , pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita , hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP , Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ , Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ , Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC , Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA , Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ , Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS , Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciar se de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC, 1º), da função social da empresa (CF170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, 3º; 301, X; 30, 4º); incompetência absoluta (CPC 113, 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4ª 53) ; juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). Fl. 726DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.411 10 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito , quais sejam: (i) ORTN , de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986 ; (iii) OTN , de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN , de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE , de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC , de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial , em dezembro de 1991; (x) UFIR , de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" ( REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ) ( Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC : RESP 1.002.932/SP , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). Fl. 727DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.412 11 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Entendimento este consolidado no âmbito deste Colegiado, a exemplo dos acórdãos da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais: CSRF ACÓRDÃO: 9303002.117 RELATOR: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Data de decisão: 08/04/2013 Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tendo sido protocolizado antes da Lei Complementar nº 118/95. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. POSSIBILIDADE. A correção monetária tem o efeito de recompor a desvalorização da moeda, portanto, cabível que seja contabilizada levandose em consideração os expurgos inflacionários. REP Negado e REC Provido. ACÓRDÃO: 9303002.130 RELATORA: Maria Teresa Martínez López Data de decisão: 30/01/2013 Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62A DO RICARF). PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/ PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E Fl. 728DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001647/0064 Acórdão n.º 3301002.623 S3C3T1 Fl. 1.413 12 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA MORALIDADE. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 37. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. STJ 1990. IPC. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Erário. Recursos Especiais do Procurador Provido em Parte e do Contribuinte Provido. Conclusão: 1) Em relação ao reconhecimento do indébito tributário de Fevereiro de 1990 a Agosto de 1990, para fins de restituição, mesmo considerando que a data do pedido de restituição é 13/07/2000, tais pagamentos foram considerados no cálculo do valor a restituir ou compensar. Portanto, não assiste razão à recorrente. 2) Em relação ao pedido de adequação do critério de imputação adotado pela Autoridade Administrativa, de sorte que o encontro de contas ocorra entre créditos e débitos relativos ao mesmo período de competência, também não assiste razão à recorrente. 3) Finalmente, em relação à correção monetária dos saldos a restituir e ou compensar, com o reconhecimento dos expurgos inflacionários em relação aos meses de Março, Abril e Maio de 1990, além de Fevereiro de 1991, dou razão à recorrente. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 729DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10820.000773/2001-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 13/06/2001, aplica-se o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011)
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo para reconhecer a inocorrência da prescrição do direito de pleitear compensação de eventual saldo negativo do IRPJ no ano-calendário de 1995, e determinar o retorno dos autos à 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF para apreciação do mérito do pedido quanto ao período em questão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente - Substituto). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 13/06/2001, aplicase o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011) Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo para reconhecer a inocorrência da prescrição do direito de pleitear compensação de eventual saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 1995, e determinar o retorno dos autos à 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF para apreciação do mérito do pedido quanto ao período em questão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Redator Ad Hoc Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 07 73 /2 00 1- 85 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10820.000773/200185 Acórdão n.º 9101001.812 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão de primeira instância que abaixo transcrevo: O contribuinte acima identificado requer, por meio da petição de fl. 01, a restituição de alegados saldos negativos apurados nas declarações relativas aos exercícios de 1997, 1998, 1999 e 2000. Os recolhimentos indevidos têm origem em valores de IRRF incidente sobre receitas que compõem a base de cálculo do IRPJ e que não foram compensados. O contribuinte apresentou, ademais, os pedidos de compensação de fls. 519 e 646, bem como a declaração de compensação de fls. 626641. 2. A DRF/ARAÇATUBA, por meio do Despacho Decisório de fl. 781, acompanhado do Parecer de fls. 774780, reconheceu o direito creditório originário do saldo negativo de IRPJ apurado nas declarações de IRPJ de 1997, 1998, 1999 e 2000, nos valores respectivamente de R$ 88.474,51, R$ 22.057,64, R$ 19.586,45 e R$ 30.555,36. Ademais, foram homologadas as compensações dos débitos constantes da tabela do item "16" do Parecer e não homologadas as compensações dos débitos constantes da tabela do item "17" do referido Parecer. A parcela do pedido indeferida teve a seguinte fundamentação: 1 a despeito de o contribuinte informar que, para o anocalendário 1995, o valor do IRRF sobre aplicações financeiras ser de R$ 106.916,79, os valores informados à SRF por meio de DIRFs perfazem o total de R$ 52.966,38, razão pela qual não foi demonstrada a existência de equívoco na declaração de IRPJ (exercício 1996), na qual consta o valor de R$ 73.569,92 sob a rubrica "Imposto de Renda Retido na Fonte"; 2 A restituição/compensação do saldo negativo de IRPJ apurado para o anocalendário 1995 já foi atingida pela decadência, pois entre a data da extinção do crédito tributário (30/04/96) e a data de protocolização do presente pedido (13/06/2001) transcorreu o prazo de cinco anos previsto no art. 168, I, do CTN; 3 relativamente à Dcomp apresentada em 07/10/2004, aplicase o disposto no art. 28 da Instrução Normativa SRF 460/2004, de modo que, para a realização da compensação, deve ser apurada multa de mora entre a data de vencimento do tributo e a data da entrega da Dcomp; 4 deve ser excluído do saldo negativo de R$ 88.474,61, apurado para o exercício financeira de 1997, o montante de R$ 67.255,44, por ter sido aproveitado como pagamento do IRPJ do exercício financeiro de 2001. 3. Inconformado com o Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificado em 06/12/2005, o contribuinte Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10820.000773/200185 Acórdão n.º 9101001.812 CSRFT1 Fl. 4 3 protocolizou, em 03/01/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 801825, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. Durante o anocalendário 1995 foi apurado o montante de R$ 106.916,79 a título de IRRF sobre receitas que compõem a base de cálculo do IRPJ, razão pela qual houve saldo negativo de imposto sobre a renda para este anocalendário no valor de R$ 31.502,90. Este valor foi posteriormente incluído na declaração de IRPJ do anocalendário 1996, compondo o saldo negativo nela apurado. A afirmação contida no Despacho Decisório no sentido de que consoante os documentos apresentados pelas instituições financeiras o IRRF do anocalendário 1995 totaliza apenas R$ 52.966,38 não confere com a realidade, pois o valor apontado pela impugnante corresponde ao imposto sobre a renda efetivamente retido na fonte. 3.2. A contagem do prazo decadencial previsto no art. 168, I, do CTN só tem início com a extinção do crédito tributário. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso do IRPJ), nas hipóteses em que esta ocorre de maneira tácita, a extinção ocorre somente após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento nos termos dos arts. 150, § 4°, e 156, VII, do CTN. Só então começa a correr o prazo de cinco anos previsto no art. 168, I, do CTN. Este entendimento foi confirmado pela jurisprudência do STJ, inclusive após a publicação da Lei Complementar 118/2005. Assim, é legítima a pretensão de restituir/compensar os valores de IRRF relativos ao anocalendário 1995, que ensejaram saldo negativo de IRPJ na declaração do exercício de 1996, saldo este incorporado à formação do saldo negativo na declaração do exercício de 1997. Não há que se falar em decadência nesta hipótese, pois o pedido foi formulado em 13/06/2001, antes, portanto, do transcurso do prazo decadencial. 3.3. Também é descabida a afirmação de que, do saldo negativo apurado para o anocalendário de 1996, o montante de R$ 67.255,44 foi utilizado para o pagamento do IRPJ do exercício de 2001. Com efeito, esta afirmação foi lançada no Despacho Decisório sem qualquer embasamento fático, de maneira que deve ser desconsiderada. Assim, deve ser reconhecido como saldo negativo do anocalendário de 1996 apto a ser restituído/compensado o montante de R$ 119.977,51. 3.4. Na hipótese de denúncia espontânea, realizada nos termos do art. 138 do CTN, todo e qualquer tipo de multa é afastada, tanto a penal como a moratória. A multa moratória, oriunda da ausência de adimplemento tempestivo da obrigação tributária, integra o rol das infrações sujeitas aos efeitos da denúncia espontânea. O CTN não excepcionou a multa moratória dos efeitos da denúncia espontânea, conforme entendimento já firmado pela jurisprudência. No caso de que trata o presente processo administrativo o pagamento do tributo, acrescido de juros e correção monetária, foi efetuado por meio de compensação, de modo que restou caracterizada denúncia Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10820.000773/200185 Acórdão n.º 9101001.812 CSRFT1 Fl. 5 4 espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Assim, não há que se falar em multa moratória. 3.5. Por fim, pede o contribuinte que seja acolhida sua manifestação de inconformidade, para, ao final, reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação declarada. Protesta, ainda, pela prova do alegado por todos os meios de prova em direito admissíveis, tais como documentais, testemunhais e, inclusive, periciais, requerida para a demonstração da existência do crédito pleiteado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou Acórdão manifestandose pela inexistência da saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 1995 ( a ser aproveitado no anocalendário seguinte) e ressaltou a prescrição do direito de pleitear a restituição/ compensação desse crédito. O sujeito passivo apresentou recurso voluntário na mesma linha da manifestação de inconformidade. O recurso foi apreciado pela então 5ª Câmara do 1º CC que, por unanimidade de votos, manifestouse pela prescrição. Foi interposto recurso especial ao qual foi dado seguimento através do competente despacho de admissibilidade, no entendimento de que estaria demonstrada a divergência com outros julgados dessa Corte nos termos suscitados pela peticionante. É o breve relatório. Voto Leonardo de Andrade Couto Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). O cerne da questão cingese à definição da contagem do prazo prescricional para solicitar a restituição de saldo negativo do IRPJ de anos anteriores. Com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, a questão teria ficado decidida pelo texto do art. 3º da referida norma ao estabelecer que, para efeito de interpretação do inciso I, do art. 168, do CTN, a extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria no momento do pagamento antecipado. Assim, nos termos dos dispositivos legais mencionados, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado a partir do pagamento indevido. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10820.000773/200185 Acórdão n.º 9101001.812 CSRFT1 Fl. 6 5 Dirimido o tema quanto à contagem do prazo, restou a discussão quanto à aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, tendo em vista o caráter interpretativo que lhe foi dado pelo art. 4º, o que implicaria a retroatividade da norma. Essa aplicação da norma a fatos anteriores foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Após o STF manifestar entendimento de que a decisão do STJ violaria cláusula de reserva de Plenário, caberia então o aguardo da decisão do Pretório Excelso quanto ao tema, o que ocorreu recentemente (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (Destaques acrescidos): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10820.000773/200185 Acórdão n.º 9101001.812 CSRFT1 Fl. 7 6 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Considerando que ao Acórdão em comento aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC; o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Sob esse prisma, a decisão deixa claro que a regra a ser utilizada é definida pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo. Se o pleito foi formalizado após 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, nos termos definidos pelo STJ. Na presente situação o pedido foi formalizado em 13/06/2001, data anterior a 09/06/2005. Aplicarseá, portanto, o prazo decenal definido pelo STJ. Sob esse prisma, considerando que o crédito sob discussão referese a saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 1995, o termo inicial a ser considerado é 31/12/1995 (data do fato gerador) e o termo final seria 31/12/2005. Como o pedido for formalizado em data anterior (13/06/2001), não se caracterizou a prescrição. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência de prescrição do direito de pleitear compensação de eventual saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 1995. Tendo em vista que a decisão recorrida, pela alegada prescrição, não apreciou o mérito da existência de saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 1995 a ser aproveitado no anocalendário de 1996 os autos devem retornar à 3ª Câmara da 1ª Seção (sucessora da antiga 5ª Câmara do 1º CC) para apreciação do mérito do pedido, exclusivamente quanto a esse período. É como voto. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900006/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora Originária.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Redator ad hoc designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente Original da Turma), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Silvana Rescigno Guerra Barreto (Relatora Original), Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado) e João Otavio Oppermann Thomé.
Relatório e Voto
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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Recorrente AUTO ÔNIBUS NARDELLI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora Originária. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Redator ad hoc designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente Original da Turma), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Silvana Rescigno Guerra Barreto (Relatora Original), Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado) e João Otavio Oppermann Thomé. Relatório e Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Redator ad hoc designado Inicialmente, esclareço que fui designado redator ad hoc nos termos do Despacho de Designação anexado em 23/03/2015 (fls. 181) e que o conteúdo a seguir exarado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 00 00 6/ 20 08 -4 7 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900006/200847 Resolução nº 1102000.054 S1C1T2 Fl. 183 2 corresponde a uma adaptação dos documentos "Proposta de Voto" que encontravamse anexados aos processo nº 10855.900025/200873 e 10855.900029/200851 na presente data. Tratase de PER/DCOMP transmitida em 31 de outubro de 2003 e indeferida, com base na inexistência de crédito de CSLL, no montante original de R$ 1.507,35, recolhido em 30 de junho de 2003, sob o código 2484, para compensação com estimativa do mesmo tributo, com vencimento em 31 de outubro de 2003, no valor de R$ 1.605,78. Cientificada do indeferimento, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, preliminarmente, que se trata de PER/DCOMP indevidamente preenchida, haja vista que, por recolher o imposto por suspensão ou redução, deveria ter considerado o montante pago durante o exercício em curso como dedução e não como crédito contra a Receita Federal, como feito. No mérito, a Recorrente repetiu que não haveria crédito para ser restituído, ressarcido ou compensado, tratandose de pedido vazio, e informou ter recolhido em cada período de apuração o imposto devido, o que teria sido comprovado através da apresentação da DIPJ e de guias. A DRJ de Ribeirão Preto indeferiu a Manifestação de Inconformidade, mantendo incólume o despacho decisório, por entender que a ausência de indébito tributário e a confissão de dívida formalizada no PER/DCOMP exigiria a prova inequívoca de que o débito quitado por recolhimento através de DARF seria o mesmo confessado, ônus do qual não teria se desincumbido a Recorrente. Acrescentou, ainda, que os registros contábeis da Recorrente deveriam comprovar o alegado pagamento, consoante art. 923, do RIR/99. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, repetindo as razões postas na Manifestação de Inconformidade, anexando aos autos cópia dos balancetes mensais de verificação, transcritos no Livro Diário nº. 45, e do LALUR com Demonstrativo de Cálculo correspondente à apuração do imposto e contribuições devidos. Considerando que a Recorrente reconhece, em suas razões, a inexistência de crédito passível de compensação, resta definir se deve ser ou não cancelada a cobrança do débito declarado. A identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, assim como a guia DARF colacionada, constituem forte indício de que é inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. É o que se conclui sobre o relatório e o voto da Relatora Original. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10880.735320/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS.
Constatado pela fiscalização que a contratação de segurados empregados ocorre de forma simulada, correto o enquadramento destes como segurados empregados da verdadeira empresa contratante.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fato se o enquadramento legal encontram-se suficientemente claros e foi assegurado o conhecimento dos atos processuais ao contribuinte que exerceu o seu direito de resposta.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO.
A aplicação da multa de ofício tem regulação prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44. O inciso II deste dispositivo, com a redação alterada pela Lei 11.488 de 15/06/2007, transcrito a seguir, assim determina sobre a aplicação da multa de ofício:
Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:
I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).
...
§ 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).
Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem:
Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária:
I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;
II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.
Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72. (grifos nosso).
Da análise do extenso Relatório Fiscal e documentos juntados pelas Auditores verifica-se que houve plena demonstração que os fatos acima narrados encaixam em uma das definições de evidente intuito de fraude.
SIMULAÇÃO.
A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato
Numero da decisão: 2301-004.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS. Constatado pela fiscalização que a contratação de segurados empregados ocorre de forma simulada, correto o enquadramento destes como segurados empregados da verdadeira empresa contratante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fato se o enquadramento legal encontram-se suficientemente claros e foi assegurado o conhecimento dos atos processuais ao contribuinte que exerceu o seu direito de resposta. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO. A aplicação da multa de ofício tem regulação prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44. O inciso II deste dispositivo, com a redação alterada pela Lei 11.488 de 15/06/2007, transcrito a seguir, assim determina sobre a aplicação da multa de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). ... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72. (grifos nosso). Da análise do extenso Relatório Fiscal e documentos juntados pelas Auditores verifica-se que houve plena demonstração que os fatos acima narrados encaixam em uma das definições de evidente intuito de fraude. SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-04-13T13:27:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-04-13T13:27:41Z; Last-Modified: 2015-04-13T13:27:41Z; dcterms:modified: 2015-04-13T13:27:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-04-13T13:27:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-04-13T13:27:41Z; meta:save-date: 2015-04-13T13:27:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-04-13T13:27:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-04-13T13:27:41Z; created: 2015-04-13T13:27:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2015-04-13T13:27:41Z; pdf:charsPerPage: 2191; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-04-13T13:27:41Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 3.424 1 3.423 S2-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.735320/2011-31 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 2301-004.276 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria SIMPLES Recorrente MTR TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS. Constatado pela fiscalização que a contratação de segurados empregados ocorre de forma simulada, correto o enquadramento destes como segurados empregados da verdadeira empresa contratante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fato se o enquadramento legal encontram-se suficientemente claros e foi assegurado o conhecimento dos atos processuais ao contribuinte que exerceu o seu direito de resposta. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO. A aplicação da multa de ofício tem regulação prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44. O inciso II deste dispositivo, com a redação alterada pela Lei 11.488 de 15/06/2007, transcrito a seguir, assim determina sobre a aplicação da multa de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). ... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72. (grifos nosso). Da análise do extenso Relatório Fiscal e documentos juntados pelas Auditores verifica-se que houve plena demonstração que os fatos acima narrados encaixam em uma das definições de evidente intuito de fraude. SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 13/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.735320/2011-31 Acórdão n.º 2301-004.276 S2-C3T1 Fl. 3.425 3 Relatório Trata-se de crédito previdenciário, processo administrativo COMPROT 10880.735320/201131, lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, o qual inclui os seguintes autos de infração, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário, fl. 2041: 1) Auto de Infração DEBCAD 37.331.8219, no valor consolidado em 30/11/2011, de R$ 5.850.013,54, já acrescido de juros, multa de mora e multa de ofício de 150%, referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social a cargo da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho – GILRAT. 2) Auto de Infração DEBCAD 37.331.8227, no valor consolidado em 30/11/2011, de R$ 1.571.254,22, já acrescido de juros, multa de mora e multa de ofício de 150%, , referente às contribuições destinadas a Terceiras Entidades (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST E SENAT). 3) Auto de Infração DEBCAD 37.331.8200, relativo a multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 731.726,40. O motivo da autuação decorre do fato que a empresa elaborou e encaminhou GFIP, no período 01/2007 a 11/2008, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/91 – Redação da pela Lei 9.528/1997. Em relatório, a Fiscalização cita que em auditoria realizada na MTR Transportes Ltda. e em outras empresas envolvidas na ação fiscal, indicadas a seguir, constatou- se que a autuada alocou intencionalmente seus empregados e contribuintes individuais, em empresas fictícias de forma a burlar a legislação fiscal no intuito de esconder a ocorrência de fato gerador da cota patronal da contribuição previdenciária e RAT, bem como a contribuição destinada a Outras Entidades. Em síntese, cita que a MTR alocou a sua mão de obra nas empresas fictícias, de forma a se beneficiar indevidamente da legislação do SIMPLES. Informa que toda a administração do pessoal e dos recursos eram integralmente realizados pela autuada, sendo que os segurados formalmente registrados nessas empresas, de fato, estão subordinados juridicamente ao comando único emanado da administração da MTR, que assumiu os riscos da atividade econômica, que detém o poder de mando, de decisão, financeiro e econômico. Que o empregado das citadas empresas na prática coloca-se à disposição do real empregador, dele recebendo ordens. Que o ônus do pagamento da remuneração dos segurados empregados e empresários das empresas fictícias, inclusive os encargos decorrentes, recaí sobre a autuada, em que pese a aparente formalidade da documentação emitida por aquelas empresas. Informa que procedeu a lavratura dos citados autos de infrações DEBCAD 37.331.8219 e 37.331.8227, período 01/2007 a 12/2008, contra o impugnante, tendo como base das contribuições previdenciárias a remuneração contida nas folhas de pagamento das empresas consideradas fictícias, bem como procedeu a lavratura de auto de infração DEBCAD Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 37.331.8200, por descumprimento de obrigação acessória, por ter o impugnante deixado de informar fatos geradores de contribuição na GFIP. Da Impugnação O contribuinte apresentou defesa administrativa fls. 2266/2401, sobre a qual, inicialmente cabe esclarecer que trouxe aos autos a mesma impugnação para todos os autos de infrações lavrados na ação fiscal, que foram divididos em dois períodos. Para o período 01/01/2007 a 31/12/2008, os créditos tributários lançados constam dos DEBCADS37.331.8200,37.331.8219e 37.331.8227de 07/12/2011, e estão inclusos no presente processo administrativo, COMPROT 10880.735320/201131. Para o período 01/2009 a 12/2010, foram lavrados os autos de infrações DEBCAD 51.009.0230e 51.009.0249,de 07/12/2011, inclusos no processo administrativo COMPROT 10880.735322/201120. Para este procedimento, apresentou a seguinte justificativa: “Cita que a autuação epigrafada forma parte de um conjunto de 5 (cinco),no total, autuações, lavradas na mesma data, tendo todo o mesmo embasamento fático e legal,distinguindo- se,apenas, no que concerne os períodos fiscalizados. De fato, a fiscalização, por economia processual, tendo vista, como vimos tratar-sedo mesmo embasamento fático e legal produziu, para todas, apenas um Relatório Fiscal. Assim, considerando estar elaborada uma impugnação que abrange, todos os fatos, respeitosamente requer a juntada desta a este feito para, que aqui conste como se escrita estivesse. Frente ao exposto, tendo em vista, como demonstrado na anexa impugnação a total nulidade do Auto de Infração e, ainda, a total improcedência do lançamento requer que seja esta, em conjunto com as demais julgada, para destarte, como é delei e se impõe ser tornado insubsistente o lançamento pretendido.” O contribuinte, em sede de impugnação, apresentou os seguintes argumentos: Que a autuação em debate afronta o princípio da legalidade. Alega que o fisco não poderia ter considerado “pessoas jurídicas fictícias”, para destarte transformar os sócios, bem como seus empregados em trabalhadores com vínculo empregatício com a ora requerente. Sustenta que este ato constitui flagrante, descumprimento do balizamento constitucional pétreo, e a inobservância da estrita legalidade e também a infringência do princípio da proporcionalidade vez que cristalinamente houve arbítrio na autuação proferida pela arrecadação. Considera odiosa arbitrariedade a afirmação de configurarem as pessoas jurídicas em empresas "fictícias", e que o ato se constitui em fraude a arrecadação previdenciária, o que, a toda evidencia se materializa, em razão dos desdobramentos havidos,em calúnia. Alega que estes fatos maculam o auto de infração em vício insanável que obriga a sua extinção. No mérito, cita que a arrecadação fazendária na tentativa de amparar fatidicamente a desconsideração de documentação pública das pessoas jurídicas, que pretende fictícias, apresentou acusação baseada em peculiar combinação de relatos com outro Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.735320/2011-31 Acórdão n.º 2301-004.276 S2-C3T1 Fl. 3.426 5 amontoado de indícios e suposições2 que não pode ser ratificada por essa Delegacia de Julgamento. Alega que o “amontoado de indícios e suposições", não se sustenta, e ainda, viola de forma inequívoca, o princípio da dignidade da pessoa humana, no caso,materializado na pessoa dos sócios a quem é atribuído o dolo por serem, como pretende a arrecadação, empregados da requerente, travestidos de sócios. Argumenta que a empresas ditas fictícias possuem plena capacidade operacional, tem sede administrativa e fiscal conhecida, efetuam expressivo faturamento,recolhem impostos e possuem patrimônio, como atestam e certificam os documentos anexos. Assevera que, como se constata da documentação anexa, a fiscalização,além de não estar amparada em provas, nega veracidade a documentos públicos. Cita que, mais a frente, no longuíssimo Relatório Fiscal encontra-se,outra suposição, qual seja, de que empregados da requerente, "pessoas de confiança", teriam sido"alçadas a condição de sócios". Salienta que os itens do Relatório Fiscal retro transcritos demonstram, deforma inequívoca, que a descrição dos fatos da pretendida fraude, no dizer do Min. Gilmar Mendes, são na realidade: "peculiar combinação de relatos com outro amontoado de indícios e suposições". Alega que a arrecadação por seus agentes, afirmou, vide itens 27 a 35, que as pessoas jurídicas que chamam de "fictícias" não poderiam existir porque os familiares da requerente MTR compunham seus quadros societários, Agora, no relato retro transcrito afirma que esses mesmos familiares desde de fins de 2007 não constam do quadro societário dessaspessoas jurídicas. Assim, a toda evidência, face a incongruência e contradição que permeia todo relatório fiscal e ao fato de que as afirmações da arrecadação se baseiam em desrespeito a documentos públicos, ou, ainda, em opinativos não submetidos ao contraditório é inafastável que a acusação de fraude é caluniosa e não se sustenta. Sustenta que é equivocada e distorcida a interpretação dos fatos, uma vez que por desconsideração de documentos públicos a autoridade fiscal denominou a empresas como sendo de “fachada”, sendo que o legislador chama esta situação de grupo econômico de fato. Que este entendimento também é dado pelos magistrados nas Reclamações Trabalhistas que define as diversas empresas e a requerente com grupo econômico. Nesta esteira, salienta que, seja na definição da legislação trabalhista ou da societária, mesmo que tivesse havido por interesse econômico, ou em razão da interdependência dos mercados nacionais, formação de grupo econômico de fato, não houve o desaparecimento das pessoas jurídicas todas, vez não ter havido manipulação de patrimônio de uma em favor de outra, sendo mantida a absoluta independência de ações e políticas empresariais; que é de se afastar as afirmações efetuadas pela fiscalização como denuncia de fatos configurados em lei como crime, CP art. 178, posto que se configuram como calúnia perpetrada contra o impugnante. Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Apresenta contrariedade contra ato ilegal, com relação ao processo1397.722600/201158, no qual cita que a arrecadação fazendária acatou a representação administrativa emitida pelos agentes fiscalizadores e declarou a baixa da inscrição do CNPJ da empresa NVT Transportes Ltda, CNPJ 04.683.573/000118sem sequer ter sido respeitado o devido processo legal; que este fato se constitui em ato lesivo gravíssimo, que tendo em vista o total atropelo todo arcabouço jurídico do País é objeto do imperativo e necessário Mandado de Segurança como atesta o documento anexo. Por último, requer que seja declarada em preliminar a nulidade do auto de infração em referência ou no mérito julgado improcedente, por estar deduzida com absoluta falta de provas, contrário aos dispositivos de regência do processo administrativo tributário, e que consequentemente, seja cancelando-se seus efeitos. Após análise da impugnação e dos autos de infração, os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgaram improcedente a impugnação, mantendo o credito tributário, conforme ementa, acórdão 07-31.786, que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Autos de Infrações 37.331.8200,37.331.8219e 37.331.8227de07/12/2011. CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS. Constatado pela fiscalização que a contratação de segurados empregados ocorre de forma simulada, correto o enquadramento destes como segurados empregados da verdadeira empresa contratante. SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação defato. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fato se o enquadramento legal encontram-se suficientemente claros e foi assegurado o conhecimento dos atos processuais ao contribuinte que exerceu o seu direito de resposta. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de decretos ou atos normativos em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instancia, 05/07/2013, a recorrente, inconformada, interpôs Recurso Voluntário em 06/08/2013. Inicialmente, após narração dos fatos, aborda a possibilidade de suspensão da exigibilidade do credito tributário, tendo em vista que existe discussão quanto a legalidade da cobrança do suposto débito fiscal. Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.735320/2011-31 Acórdão n.º 2301-004.276 S2-C3T1 Fl. 3.427 7 Em sede de preliminar, diz ter o processo vício insanável, por considerar que a ação em debate desconstituiu pessoas jurídicas. Insiste ainda afirmando que houve afronta ao princípio da legalidade, pois o fisco não pode, simplesmente declarar que uma empresa não existe, sem submeter a um exame de provas, contraditório e ampla defesa. Requer, também, a aplicação e reconhecimento da prejudicial de decadência aos lançamentos realizados nos autos, sobre as competências anteriores a 12/2008, com base no artigo 150, §4º, do CTN. Afirma, ser o ato praticado pela fiscalização, inconstitucional e ilegal, pois ao fazer acusações combinadas de indícios e suposições feriu a dignidade da pessoa humana. Julga a recorrente que a autoridade fiscal não pode desclassificar a escrita contábil da recorrente, e arbitrar valores que entende serem devidos. Alega que somente com base no declarado pela recorrente, a autoridade fiscal não pode desclassificar sua escrita contábil. A autoridade fiscal alegou que a contabilidade da recorrente é deficiente, a recorrente contrapõe-se a essa afirmação, dizendo ser mais uma suposição da autoridade. A recorrente alega não ter vínculo trabalhista com os empregados das empresas ditas fictícias, e que estão não são fictícias pois responderam as ações, a contribuinte diz ser apenas uma empresa que contratou prestadoras de serviços. A contribuinte, alega existir redundâncias das exações, pois afirma que a autoridade fiscal autuou os mesmos valores que já haviam sido recolhidos pelas empresas do Simples Nacional. Acrescenta que a multa isolada não pode ser aplicada, tendo em vista, não ter restado provado em nenhum momento que a recorrente agiu com doto, intenção de fraudar de sonegar as contribuições sócias em questão. Por fim, requer o recebimento do presente recurso, e o consequente cancelamento do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator O presente Recurso Voluntário atende todos os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo análise das questões trazidas à baila. I OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO Trata-se de crédito previdenciário, processo administrativo COMPROT 10880.735320/201131, lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, o qual inclui os seguintes autos de infração, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário, fl. 2041: Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 1) Auto de Infração DEBCAD 37.331.8219, no valor consolidado em 30/11/2011, de R$ 5.850.013,54, já acrescido de juros, multa de mora e multa de ofício de 150%, referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social a cargo da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho – GILRAT. 2) ) Auto de Infração DEBCAD 37.331.8227, no valor consolidado em 30/11/2011, de R$ 1.571.254,22, já acrescido de juros, multa de mora e multa de ofício de 150%, , referente às contribuições destinadas a Terceiras Entidades (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST E SENAT). 3) Auto de Infração DEBCAD 37.331.8200, relativo a multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 731.726,40. O motivo da autuação decorre do fato que a empresa elaborou e encaminhou GFIP, no período 01/2007 a 11/2008, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/91 – Redação da pela Lei 9.528/1997.A fiscalização apresenta ampla e minuciosa descrição a respeito dos fatos geradores que ensejaram a lavratura dos citados autos de infração, conforme consta do relatório fiscal fls. 2130 a 2227. Cita que em auditoria realizada na MTR Transportes Ltda. e em outras empresas envolvidas na ação fiscal, indicadas a seguir, constatou-se que a autuada alocou intencionalmente seus empregados e contribuintes individuais em empresas fictícias, de forma a burlar a legislação fiscal, no intuito de esconder a ocorrência de fato gerador da cota patronal da contribuição previdenciária e RAT, bem como a contribuição destinada a Outras Entidades. Segue quadro indicativo das empresas consideradas fictícias: Empresa AGZ Transportes Ltda. FP Transportes Ltda. NZ Serviços de Entrega Ltda. NVT Transportes Ltda. ONZ Transportes Ltda. RZ do Rio Transportes Ltda. SZ Transportes Ltda. Transportes Joinville Ltda. ZZ Transportes Ltda. Em síntese, cita que a MTR alocou a sua mão de obra nas empresas elencadas, de forma a se beneficiar indevidamente das legislação do SIMPLES. Informa que toda a administração do pessoal e dos recursos eram integralmente realizados pela autuada, sendo que os segurados formalmente registrados nessas empresas, de fato, estão subordinados juridicamente ao comando único emanado da administração da MTR, que assumiu os riscos da atividade econômica, que detém o poder de mando, de decisão, financeiro e econômico. Que o empregado das citadas empresas na prática coloca-se à disposição do real empregador, dele recebendo ordens. Informa que a fiscalização constatou que a autuada era, em última análise, a responsável pela prática dos atos relacionados à administração de pessoal, desde a seleção do funcionário a ser contratado, demissão, promoção, pagamento de verbas salariais e benefícios. Foram juntadas provas documentais destes atos, conforme documentos acostados, de forma que sua ocorrência pode ser facilmente constatada. Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.735320/2011-31 Acórdão n.º 2301-004.276 S2-C3T1 Fl. 3.428 9 Afirma que a autuada define quem vai trabalhar, em qual empresa (AGZ, FP, NVT, ONZ, RZ, SZ, Tr Joinville ou ZZ), qual o salário, qual a função, quem vai ser demitido, etc. Aduz que configura-se, desta forma, a pessoalidade na prestação dos serviços desempenhados por esses segurados. Além disso, o ônus do pagamento da remuneração dos segurados empregados e empresários das empresas fictícias, inclusive os encargos decorrentes, recaí sobre a autuada, em que pese a aparente formalidade da documentação emitida por aquelas empresas. Restou, ainda, configurada a onerosidade, presente entre os pressupostos do vínculo empregatício. Que no procedimento fiscal efetuado restou comprovado, ainda, que a prestação de serviços dos referidos segurados era não eventual, tendo em vista que estes desempenhavam suas atividades de forma contínua, sob o comando da autuada, estando presente a continuidade. Relata que a jornada de trabalho é diária, definida pela autuada, sendo por ela controlada. É definida por turnos, com horários certos de entrada e saída, caracterizando a “não-eventualidade”. Diante de todos os elementos examinados, da análise dos documentos disponibilizados pela empresa, anexado aos autos, corroborado por constatações in loco efetuadas pela fiscalização e outros procedimentos exaustivamente relatados no corpo de relatório fiscal, a fiscalização apresenta conclusão que a MTR é a real empregadora dos segurados formalmente registrados nas empresas de fachada e, portanto, a responsável tributária pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e as destinadas a Outras Entidades, incidentes sobre as remunerações dos referidos funcionários, bem como as obrigações acessórias decorrentes. No lançamento efetuado, houve a perfeita adequação da hipótese de incidência do fato gerador, prevista legalmente no art. 22, da Lei n.º 8.212/91, ao caso concreto verificado, nos termos da legislação que fundamenta a exigência das contribuições previdenciárias, as quais incidem sobre a remuneração pelo serviço prestado pelos segurados conforme descrito no art. 12 da citada lei. No âmbito previdenciário, a competência da auditoria fiscal para caracterizar a existência do segurado empregado está configurada nos dispositivos que remetem à competência de arrecadação, fiscalização, lançamento e normatização, previstos no art. 33 da Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009. Assim, embasada em todos os fatos relatados e evidências apontadas, a fiscalização, considerou os segurados das empresas fictícias como empregados diretamente da notificada, para fins previdenciários. Portanto, observada a lei e em respeito ao princípio da verdade material, a administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Nenhum artifício poderá afastar o nascimento da obrigação tributária, quando o fato ocorrido reveste-se de todas as características previstas na hipótese da lei. II MULTA QUALIFICADA Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 A aplicação da multa de ofício tem regulação prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44. O inciso II deste dispositivo, com a redação alterada pela Lei 11.488 de 15/06/2007, transcrito a seguir, assim determina sobre a aplicação da multa de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). ... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72. (grifos nosso). Da análise do extenso Relatório Fiscal e documentos juntados pelas Auditores verifica-se que houve plena demonstração que os fatos acima narrados encaixam em uma das definições de evidente intuito de fraude, estampadas acima, conforme destacado as folhas 2.218 e ss: [...] Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a conduta acima descrita nas definições contidas na Lei 4.502/64, já transcrita. A sonegação, conforme citado artigo, apresenta as seguintes exigências Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.735320/2011-31 Acórdão n.º 2301-004.276 S2-C3T1 Fl. 3.429 11 Uma ação ou omissão; e Que esta ação ou omissão seja dolosa; e Que ela impeça ou retarde o conhecimento pelo Fisco: o da ocorrência do fato gerador; ou o da natureza do fato gerador; ou o das circunstâncias materiais do fato gerador. Já a fraude caracteriza-se por: Uma ações ou omissão; e Que esta ação ou omissão seja dolosa; e Que ela impeça ou retarde a ocorrência do fato gerador, de forma a reduzir o montante do tributo devido; ou Que ela exclua ou modifique as características essenciais do fato gerador, de forma a reduzir o montante do tributo devido. 194. Incorrendo o contribuinte em uma das duas situações acima, de se aplicar a multa qualificada. 195. Assim, o contribuinte, ao registrar seus empregados em empresas fictícias com o propósito de se beneficiar indevidamente da tributação reduzida oferecida pelo SIMPLES, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente, a qual claramente retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco, além das reais circunstâncias materiais do fato gerador. Ademais, houve a modificação de característica essencial do fato gerador, uma vez que os montantes da Contribuição Previdenciária devidos foram reduzidos, uma vez que tiveram a tributação na forma do SIMPLES. 196. A MTR não praticou estes atos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta. Restou caracterizada a atitude dolosa. Desta forma, a conduta sob análise amolda-se às hipóteses previstas nos artigos da Lei 4.502/64 acima citados. Da natureza do dolo 197. Considerando ser elemento essencial para a aplicação da multa qualificada, passemos à discussão jurídica acerca da natureza do dolo exigido pela norma. 198. Existem vários debates jurídicos travados em relação aos artigos da Lei 4.502/64, e um deles diz respeito ao tipo de dolo exigido por estes dispositivos. Tendo em vista que as condutas previstas nas definições de sonegação, de fraude e de conluio, são todas dolosas, conforme redação dos artigos 71 a 73, é de se questionar se este dolo contido na norma é o civil ou o penal.[...] Assim, no âmbito da aplicação da multa qualificada, não resta dúvida de que o dolo exigido nos artigos 71 a 73 da lei 4.502/64 não requer a consciência do agente de que sua conduta esteja tipificada como criminosa. A expressão “conduta dolosa” inserida nos citados artigos exige tão-somente a prova de que o contribuinte teria agido Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 voluntariamente, de forma consciente de seus atos, independentemente de saber se é ilícita ou não sua conduta. Da conduta da autuada 210. Trazendo a linha argumentativa acima descrita para o caso em tela, temos a situação, já anteriormente exposta, que atesta a clara intenção do contribuinte em reduzir o valor de tributo, através do uso de empresas fictícias e a opção ao SIMPLES. A MTR, objetivando elidir o pagamento de da Contribuição Previdenciária, decidiu, de forma consciente, registrar formalmente a sua mão de obra em empresas de fachada beneficiadas com a opção ao mencionado regime simplificado de tributação. Não que a empresa não possa terceirizar parte de suas atividades a prestadoras de serviços beneficiadas pelo SIMPLES. Não é esta a nossa argumentação, mas para aproveitar esta “brecha” na legislação, deveria observar alguns mínimos requisitos, como a contratação de empresas regularmente constituídas (de forma autônoma e sem utilização de interpostas pessoas), independentes nos aspectos patrimoniais e operacionais em relação a contratante, que o objeto do contrato não esteja inserido dentro dos seus próprios objetivos sociais e, principalmente, que não haja subordinação dos empregados da contratada perante a contratante. 211. Para definirmos se uma conduta enquadra-se ou não nas hipóteses de qualificação da multa de ofício, devemos perguntar: todas estas condutas foram praticadas de forma consciente pelos agentes envolvidos? Claro que sim! Ninguém os forçou ou coagiu a agir desta forma! As condutas foram todas praticadas conscientemente. A alocação da própria mão de obra em empresas de fachadas favorecidas pelo SIMPLES, criadas com único intuito de se elidir da cobrança da Contribuição Previdenciária, foi um ato consciente e voluntário. E mais uma vez, o fato dos agentes saberem ou não se estas condutas eram ilícitas, proibidas pelo ordenamento, é irrelevante para a caracterização do dolo exigido pela norma para a aplicação da multa qualificada. 212. Apenas para clarificar a questão e por um fim a esta questão do dolo, imaginemos, por exemplo, um homem, maior de idade, que pratica sexo com uma menor, de 13 anos, ignorando o fato de ser presumido o crime de estupro, conforme Código Penal (art. 217-A). Assim, mesmo que o agente demonstre, de forma cabal, que desconhecia o fato de ser criminoso o seu ato, isto não retira a tipicidade de sua conduta. Este desconhecimento poderá ser utilizado na culpabilidade, que afeta a aplicação da pena, mas nunca para afastar a caracterização de crime. Da mesma forma, na aplicação da multa de ofício qualificada, o desconhecimento da ilicitude da conduta não pode jamais afastar o enquadramento no percentual de 150%. 213. Assim, por tudo o acima exposto, aplica-se a multa de ofício em seu percentual duplicado, 150%, pela simples adequação da conduta praticada ao disposto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007. Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.735320/2011-31 Acórdão n.º 2301-004.276 S2-C3T1 Fl. 3.430 13 III DISPOSITIVO Portanto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Voto
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Numero do processo: 11131.001313/2007-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/12/2007
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há que se falar em retroatividade benigna quando não há a substituição de uma penalidade mais grave por uma menos grave na prática de uma mesma infração.
Numero da decisão: 9303-003.257
Decisão: Recurso Especial do Procurador Provido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/12/2007 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar em retroatividade benigna quando não há a substituição de uma penalidade mais grave por uma menos grave na prática de uma mesma infração. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 13 13 /2 00 7- 91 Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, aprovado pela Portaria MF n2 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 310200.582, de 03/02/2010, cuja ementa se transcreve a seguir, na parte que interessa ao presente exame: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/12/2007 (.) INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE CESSÃO DO NOME. INFRAÇÃO SANCIONADA COM MULTA. LEI NOVA MAIS BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. MINORAÇÃO. A multa aplicada, equivalente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria, resultado da conversão da pena de perdimento, deve ser objeto de minoração, adaptandose ao novel comando normativo veiculado no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, em conformidade a norma da retroatividade benigna insculpida na a línea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, na medida cm que se impõe a quem comete a infração caracterizada por interposição fraudulenta no comércio exterior mediante cessão do nome uma penalidade pecuniária de valor menor, ou seja, de 10% (dez por cento) do valor da operação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Tratase de lançamento no valor de R$ 1.187.463,86, inerente a cominação da multa regulamentar tipificada no art. 23, § 30, do DecretoLei n° 1.455, de 07/04/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n9 10.637/2002, c/c o art. 81, III, da Lei n9 10.833/2003, correspondente a conversão da pena de perdimento, prevista no parágrafo primeiro do mesmo dispositivo legal, em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias transacionadas no mercado internacional, sem comprovação da origem dos recursos necessários à efetivação das transações em tela, ou com ocultação das partes que efetivamente teriam participado nas negociações correspondentes, conforme consta do Relatório Final de Procedimento Especial de Fiscalizagio de fls. 08/51. As fls. 1169 (vol. VI) consta lavratura de Termo de Sujeiçãoo Passiva Solidária, em desfavor de Hermes Oderban Monteiro, o qual fora motivado em razão da constatação de que o sujeito passivo solidário em tela era o efetivo proprietário da autuada, conforme consubstanciado no já mencionado Relatório Final de Procedimento Especial de Fiscalização. A sujeição passiva solidária se deu com base no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN. A ciência do referido termo de sujeição passiva se deu em 20/12/2007, conforme AR de fls. 1181 (vol. VI). Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11131.001313/200791 Acórdão n.º 9303003.257 CSRFT3 Fl. 726 3 Cientificada do lançamento em 11/12/2007 (fls. 04 e 07), a empresa autuada insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 10/01/2008, a impugnação de fls. 1184/1222 (vol. VI). Em 21/01/2008 foi protocolizada a impugnação de Hermes Oberdan Monteiro ao Termo de Sujeição Passiva Solidaria de fls. 1169 (vol. VI), do qual o sujeito passivo fora cientificado em 20/12/2007, conforme AR de fls. 1181. O lançamento foi julgado procedente pela decisão de primeira instância, consoante decisão de fls. 1.299/1.332. Hermes Oberdan Monteiro foi intimado em 05/11/2008 e apresentou recurso voluntário de fls. 1.391 e seguintes em 11/12/2008. A empresa autuada, por sua vez, foi intimada por edital afixado em 03/11/2008, considerandose a mesma intimada em 18/11/2008 e interpôs recurso em 11/12/2008 (fls. 1.343 a 1.390). A Segunda Turma Ordinária da Primeira Turma Ordinária da Terceira Sessão de Julgamento do CARF proferiu, em 03/02/2010, o acórdão de fls. 1.426/1.444v, no qual, julgou perempto o recurso apresentado por Hermes Oberdan Monteiro, e, julgando o recurso voluntário apresentado pela empresa autuada, decidiu, por maioria de votos, a ele dar provimento para reduzir a multa de oficio a 10% do valor aduaneiro. A divergência suscitada pela Recorrente foi, tãosomente, quanto à substituição da multa no percentual de 100%, prevista no § 3° do art. 23 do DL 1.455, de 1976, pela multa prevista no art. 33 da Lei 11.488, de 2007 (10%). É o relatório. Voto O recurso atende todas as formalidades regimentais, devendo, pois, ser conhecido. Somente será apreciado por esse colegiado a aplicação da retroatividade benigna quanto à substituição da multa no percentual de 100%, prevista no § 3° do art. 23 do DL 1.455, de 1976, pela multa prevista no art. 33 da Lei 11.488, de 2007 (10%). Para fundamentar esse voto, usarei as razões de decidir do conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, no acórdão 320100.177, proferido em sessão realizada no dia 17 de junho de 2009, que trata de um caso idêntico. "Da aplicação do artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007 Outra questão a ser decidida por este Colegiado é se, nos casos semelhantes ao do presente processo, a penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 deve ser aplicada ao importador ostensivo (MTRADING, no presente caso), em substituição àquela Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 prevista nos §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, em atendimento ao art. 106, II, "c", do CTN que prevê aplicação da lei a atos pretéritos, não definitivamente julgados, quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A conduta prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei n º 1.455, de 1976, e a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, no caso de importação de mercadorias estrangeiras ou exportação de mercadorias nacionais, sendo equiparada interposição fraudulenta, pelo §2° do mesmo artigo, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comercio exterior. Esta conduta é apenada (art. 23, §§ 1º e 3°) com o perdimento das mercadorias ou multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que não sejas localizadas ou que tenhas sido consumidas. Por outro lado, a conduta prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 e "ceder, a pessoa jurídica, seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comercio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários" e será punida com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). O parágrafo único do citado artigo 33 prevê, ainda, que, nestes casos, não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou seja, não declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ. Há quem defenda que, a infração tipificada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, que tem como agente o importador ou exportador ostensivo, corresponderia materialmente àquela capitulada no art. 23, V e § 2º do Decretolei n° 1.455, de 1976, de forma que não mais seria possível aplicar a pena de perdimento, ou a sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, àquele importador ou exportador que cedesse seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Entendo, no entanto, que a pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei nº Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão, que era prevista para as hipóteses em que se verificasse a conduta de "ceder o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários". O parágrafo único do art. 33 da Lei nº 11.488 prevê que, a quem realiza a conduta prevista no caput deste artigo, não mais se aplica o disposto no artigo 81 da Lei nº 9.430, de 1996. Este último artigo trata exatamente declaração de inaptidão da pessoa jurídica no CNPJ: "Lei n°9.430/96 Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato." Fazendo uso da delegação contida no caput deste último artigo transcrito, a Receita, no art. 37, III da Instrução Normativa SRF n°200, de 13 de setembro de 2002 Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11131.001313/200791 Acórdão n.º 9303003.257 CSRFT3 Fl. 727 5 equiparou à inexistência de fato a cessão do nome da pessoa jurídica, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários: "IN SRF nº 200/2002 Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: (...) III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários;' Interpretandose este dispositivo literalmente, seria suficiente que a pessoa jurídica cedesse seu nome uma única vez para que fosse declarada inapta. Tratavase de uma punição desproporcional à falta cometida e, além disso era uma pena decorrente de uma "ampliação" de alcance da lei, dada por urna Instrução Normativa, quando estabeleceu a presunção de inexistência de fato da pessoa jurídica a partir da constatação de que ela havia cedido seu nome para operações de comércio exterior. Tal presunção somente poderia ser estabelecida em uma lei, em sentido estrito e não em uma norma infra legal, pois pelo artigo 97, V, do CTN, somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas e a Instrução Normativa, através da presunção estabelecida, estaria cominando penalidade a uma conduta não apenada por lei. O art. 33 da Lei nº 11.488/2007 veio, justamente, corrigir tal distorção. Não é por outra razão que a hipótese ali descrita é a mesma do inciso III do art. 37 da IN SRF n°200, de 2002. E o parágrafo único vem reforçar que não se pode mais, nestes casos, declarar a inaptidão da pessoa jurídica e sim aplicarlhe uma penalidade pecuniária. Estou convicto, portanto, que a pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei nº Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. Tal convicção foi reforçada pelo art. 727 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro, quando, ao regulamentar o art. 33 da Lei nº Lei nº 11.488, trouxe norma expressamente interpretativa no seu parágrafo 3º quando afirma que a aplicação da multa de 10% não prejudica a aplicação da pena de perdimento: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) § 3º A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 De se concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e nessa condição podem ser aplicadas, concomitantemente as penas a ela correspondentes. De fato, uma conduta é ceder o nome para urna operação de comércio exterior, outra conduta é participar de um esquema que vise, sistematicamente, a ocultar o verdadeiro adquirente de mercadorias estrangeiras, caracterizando a interposição fraudulenta." Como ficou cabalmente demonstrado no voto do conselheiro relator as infrações são distintas. Não houve a substituição de uma penalidade mais gravosa por outra menos gravosa oriunda de uma única conduta típica. As duas infrações continuam a existir, podendo inclusive ser aplicadas ambas as multas concomitantemente, desde que o agente pratique as duas condutas típicas, obviamente. Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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