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Numero do processo: 10650.721605/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO E COM MESMA ADMINISTRAÇÃO. INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO.
Está caracterizada, para fins de apuração de diferenças tributáveis do imposto por meio do Valor Tributável Mínimo, a interdependência de empresas comprovadamente integrantes de grupo econômico de fato, administrado pelas mesmas pessoas físicas.
IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. APURAÇÃO DE VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO.
Demonstrada a relação de interdependência de que trata o artigo 42 da Lei 4.502/64, autoriza-se o emprego do Valor Tributário Mínimo - VTM.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONSIDERAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE VENDA DE PRODUTOS DE IDENTIDADES DISTINTAS. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O Valor Tributário Mínimo não pode ser adotado para balizar operações de venda relativas a produtos de identidades distintas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA
É improcedente a preliminar de nulidade de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante contesta a autuação por meio de Impugnação na qual demonstra plena consciência dos fundamentos do lançamento.
NÃO HÁ NULIDADE SEM COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO. No processo administrativo fiscal as alegações de nulidade de atos administrativos devem necessariamente vir acompanhadas da descrição do prejuízo processual sofrido pela parte com a prática do ato, pois se não houver comprovado prejuízo, devem ser aproveitados, em homenagem à busca da verdade material.
IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO.
Após a interposição da Impugnação, ocorre a preclusão do direito de o sujeito passivo discutir matéria não contestada quando da apresentação do recurso.
ANÁLISE E PESO DA PROVA INDIRETA OU PROVA POR INDÍCIOS, CUJO CONJUNTO COERENTE, COERENTE E LÓGICO CONSTITUI PROVA ADEQUADA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O Processo Administrativo Fiscal admite as provas indiretas, também chamadas provas por indícios, especialmente no que diz respeito à análise de mecanismos criados para, de forma ilícita, reduzir, retardar ou omitir fatos tributáveis, bem como caracterizar a responsabilidade solidária.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRECIAÇÃO DAS PROVAS.
A análise das provas das matérias fáticas em processo administrativo fiscal é regida pela combinação dos artigos 29 do Decreto Lei 70.235/72, combinado com o artigo 375 do Código de Processo Civil, que autorizam a autoridade julgadora a buscar, convencer-se e enunciar a verdade livremente a partir do conjunto de fatos provados nos autos, provas diretas e indiretas, que são estudadas e ponderadas por meio das regras de experiência comuns, ou seja, a partir da observação do que ordinariamente acontece.
INEXISTE DEVER DA AUTORIDADE JULGADORA DE TRATAR, PONTUALMENTE, TODAS AS MATÉRIAS MENCIONADAS NO RECURSO.
No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não é obrigada a tratar sobre todos os pontos mencionados no recurso administrativo, desde que a decisão esteja suficientemente motivada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS FRAUDULENTOS. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS EFETIVOS ADMINISTRADORES. CABIMENTO.
Independentemente de figurarem nesta condição nos contratos sociais, [ é cabível a responsabilização solidária dos efetivos administradores de pessoa jurídica de direito privado, bem como outros interessados, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos fraudulentos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas naturais e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN
SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA.
Admite-se a multa qualificada quando há comprovação de fraude com o propósito de se esquivar de obrigações tributárias, inclusive quando realizada em conluio entre as partes envolvidas.
Numero da decisão: 3302-005.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO E COM MESMA ADMINISTRAÇÃO. INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Está caracterizada, para fins de apuração de diferenças tributáveis do imposto por meio do Valor Tributável Mínimo, a interdependência de empresas comprovadamente integrantes de grupo econômico de fato, administrado pelas mesmas pessoas físicas. IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. APURAÇÃO DE VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Demonstrada a relação de interdependência de que trata o artigo 42 da Lei 4.502/64, autoriza-se o emprego do Valor Tributário Mínimo - VTM. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONSIDERAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE VENDA DE PRODUTOS DE IDENTIDADES DISTINTAS. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O Valor Tributário Mínimo não pode ser adotado para balizar operações de venda relativas a produtos de identidades distintas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA É improcedente a preliminar de nulidade de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante contesta a autuação por meio de Impugnação na qual demonstra plena consciência dos fundamentos do lançamento. NÃO HÁ NULIDADE SEM COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO. No processo administrativo fiscal as alegações de nulidade de atos administrativos devem necessariamente vir acompanhadas da descrição do prejuízo processual sofrido pela parte com a prática do ato, pois se não houver comprovado prejuízo, devem ser aproveitados, em homenagem à busca da verdade material. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Após a interposição da Impugnação, ocorre a preclusão do direito de o sujeito passivo discutir matéria não contestada quando da apresentação do recurso. ANÁLISE E PESO DA PROVA INDIRETA OU PROVA POR INDÍCIOS, CUJO CONJUNTO COERENTE, COERENTE E LÓGICO CONSTITUI PROVA ADEQUADA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Processo Administrativo Fiscal admite as provas indiretas, também chamadas provas por indícios, especialmente no que diz respeito à análise de mecanismos criados para, de forma ilícita, reduzir, retardar ou omitir fatos tributáveis, bem como caracterizar a responsabilidade solidária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRECIAÇÃO DAS PROVAS. A análise das provas das matérias fáticas em processo administrativo fiscal é regida pela combinação dos artigos 29 do Decreto Lei 70.235/72, combinado com o artigo 375 do Código de Processo Civil, que autorizam a autoridade julgadora a buscar, convencer-se e enunciar a verdade livremente a partir do conjunto de fatos provados nos autos, provas diretas e indiretas, que são estudadas e ponderadas por meio das regras de experiência comuns, ou seja, a partir da observação do que ordinariamente acontece. INEXISTE DEVER DA AUTORIDADE JULGADORA DE TRATAR, PONTUALMENTE, TODAS AS MATÉRIAS MENCIONADAS NO RECURSO. No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não é obrigada a tratar sobre todos os pontos mencionados no recurso administrativo, desde que a decisão esteja suficientemente motivada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS FRAUDULENTOS. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS EFETIVOS ADMINISTRADORES. CABIMENTO. Independentemente de figurarem nesta condição nos contratos sociais, [ é cabível a responsabilização solidária dos efetivos administradores de pessoa jurídica de direito privado, bem como outros interessados, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos fraudulentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas naturais e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Admite-se a multa qualificada quando há comprovação de fraude com o propósito de se esquivar de obrigações tributárias, inclusive quando realizada em conluio entre as partes envolvidas.
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INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Está caracterizada, para fins de apuração de diferenças tributáveis do imposto por meio do Valor Tributável Mínimo, a interdependência de empresas comprovadamente integrantes de grupo econômico de fato, administrado pelas mesmas pessoas físicas. IPI. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. APURAÇÃO DE VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Demonstrada a relação de interdependência de que trata o artigo 42 da Lei 4.502/64, autorizase o emprego do Valor Tributário Mínimo VTM. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONSIDERAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE VENDA DE PRODUTOS DE IDENTIDADES DISTINTAS. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O Valor Tributário Mínimo não pode ser adotado para balizar operações de venda relativas a produtos de identidades distintas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA É improcedente a preliminar de nulidade de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante contesta a autuação por meio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 16 05 /2 01 3- 60 Fl. 52738DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 3 2 de Impugnação na qual demonstra plena consciência dos fundamentos do lançamento. NÃO HÁ NULIDADE SEM COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO. No processo administrativo fiscal as alegações de nulidade de atos administrativos devem necessariamente vir acompanhadas da descrição do prejuízo processual sofrido pela parte com a prática do ato, pois se não houver comprovado prejuízo, devem ser aproveitados, em homenagem à busca da verdade material. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Após a interposição da Impugnação, ocorre a preclusão do direito de o sujeito passivo discutir matéria não contestada quando da apresentação do recurso. ANÁLISE E PESO DA PROVA INDIRETA OU PROVA POR INDÍCIOS, CUJO CONJUNTO COERENTE, COERENTE E LÓGICO CONSTITUI PROVA ADEQUADA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Processo Administrativo Fiscal admite as provas indiretas, também chamadas provas por indícios, especialmente no que diz respeito à análise de mecanismos criados para, de forma ilícita, reduzir, retardar ou omitir fatos tributáveis, bem como caracterizar a responsabilidade solidária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRECIAÇÃO DAS PROVAS. A análise das provas das matérias fáticas em processo administrativo fiscal é regida pela combinação dos artigos 29 do Decreto Lei 70.235/72, combinado com o artigo 375 do Código de Processo Civil, que autorizam a autoridade julgadora a buscar, convencerse e enunciar a verdade livremente a partir do conjunto de fatos provados nos autos, provas diretas e indiretas, que são estudadas e ponderadas por meio das regras de experiência comuns, ou seja, a partir da observação do que ordinariamente acontece. INEXISTE DEVER DA AUTORIDADE JULGADORA DE TRATAR, PONTUALMENTE, TODAS AS MATÉRIAS MENCIONADAS NO RECURSO. No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não é obrigada a tratar sobre todos os pontos mencionados no recurso administrativo, desde que a decisão esteja suficientemente motivada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS FRAUDULENTOS. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS EFETIVOS ADMINISTRADORES. CABIMENTO. Independentemente de figurarem nesta condição nos contratos sociais, [ é cabível a responsabilização solidária dos efetivos administradores de pessoa jurídica de direito privado, bem como outros interessados, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos fraudulentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Fl. 52739DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 4 3 São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas naturais e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Admitese a multa qualificada quando há comprovação de fraude com o propósito de se esquivar de obrigações tributárias, inclusive quando realizada em conluio entre as partes envolvidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Auto de Infração fls. 18.437/18.466 por meio do qual são exigidos os valores de IPI e acessórios atinentes aos períodos de apuração de janeiro/2009 a dezembro/2012, como bem descreveu a DRJ em seu relatório, que adoto e transcrevo. "I. Do Termo de Verificação Fiscal: 2. Expõe o Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 18.467/18.648 que, a partir de documentos1, apreendidos na “Operação Quadrado das Bermudas” em cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão e que foram fornecidos pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, foi identificado um esquema montado por um grupo de pessoas. 3. Por meio do estratagema, que teria a autuada como vértice, dizem as autoridades fiscais que foram reduzidas as bases tributárias de impostos e contribuições devidas de modo concentrado na indústria mediante criação de empresas distribuidoras – quais sejam: Fl. 52740DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 5 4 (i) Distribuidora Nebraska Ltda; (ii) Distribuidora Noviça Ltda; (iii) Distribuidora Wanchovia Ltda; (iv) Doca Distribuidora de Cosméticos Ltda; (v) JS Comércio e Distribuição de Perfumaria Ltda; (vi) Master Line do Brasil Ltda; (vii) Platina Cosméticos Ltda; e (viii) Saga Distribuição de Cosméticos Ltda por meio das quais ocorria venda de produtos com preços favorecidos, redução indevida de lucro, confusão patrimonial, gerenciamento verticalizado, utilização de “caixa 2” único para as empresas envolvidas e subfaturamento de vendas. 4. Menciona que o Sr. Oscar José de Castro Lacerda seria a figura principal do esquema, no qual também estariam envolvidos os Srs. Sérgio Moraes Sampaio, Nadir de Castro Neves e Antônio Fernando Bonisatto (todos eles responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário com fundamento nos arts. 124, I, e 135, ambos do CTN), formando os quatroo que o TVF chamou de “Núcleo Diretoria”. 5. Ademais, com a mesma fundamentação legal, foi responsabilizada a Sra. Keila Alves Martins Duarte – que na armação exerceria gerência financeira e liberaria recursos via empresa fictícia designada “Comercial Treze” para pagamento de despesas não contabilizadas em operações irregulares do Grupo – e a Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, técnica de contabilidade da empresa Total Contabilidade e participante do arranjo analisado. E, de modo semelhante, a Fiscalização responsabilizou as empresas aludidas no item 2 acima. 6. Fala o TVF que as empresas acima formam um Grupo Econômico “anônimo” e apresentam, se individualmente analisadas, aparente regularidade, mas que, na realidade, valemse de contratos, procurações, gerenciamento disfarçado e de pessoas interpostas para encobrir as reais operações do Grupo. 7. A autuação afirma que o esquema aqui tratado consiste na criação de empresas visando a “quebra” do IPI e que para ele concorreu não apenas as empresas do próprio "Grupo Skala", mas também outros clientes da Anfíbia, que recebiam produtos por valores subfaturados em 40%, o que dava aparência de regularidade em virtude da equivalência entre os preços dos produtos praticados com empresas do Grupo e os com terceiros. 8. O TVF cita que o Sr. Oscar, de 16/11/1999 a 04/11/2002, integrou o quadro societário da empresa Layff Kosmetic Ltda, que detinha o direito de uso da marca Skala e que, quando ele saiu de sobredita empresa, foilhe dada a garantia, quase Fl. 52741DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 6 5 explícita, de que a marca Skala lhe seria repassada, pois estabelecidas cláusulas contratuais de impossível adimplemento e cujo descumprimento ensejou a transferência da marca Skala ao Sr. Oscar, nos termos de acordo firmado em ação judicial por ele interposta que lhe reservou o domínio da marca até o pagamento da dívida (como a dívida nunca foi adimplida, aos 28/10/2004 o Sr. Oscar passou a ser o proprietário da marca, repassada para a empresa Platina Comércio Ltda, da qual ele era sócio e hoje figura como único proprietário). 9. Registra que os Srs. Sérgio, Nadir e Antônio Fernando compunham os quadros societários das empresas Platina, Master Line, Anfíbia e Sogram, relativamente às quais o Sr. Oscar detinha poderes de gerência e administração conferidos mediante procurações. 10. Ainda sobre os integrantes do “Núcleo Diretoria”, o TVF faz as seguintes observações: (i) Oscar José de Castro Lacerda, considerado chefe do esquema de sonegação, é atualmente, o único sócio das empresas Platina Comércio, Saga e JS Distribuidora e antes foi sócio da empresa Layff Kosmetic; (ii) Nadir de Castro Neves: atual e único sócio da empresa Anfíbia; (iii) Sérgio Moraes Sampaio: atual sócio das empresas Master Line e Doca e exsócio da Anfíbia; e (iv) Antônio Fernando Bonisatto: atual sócio da Master Line e da Distribuidora Wanchovia e exsócio da Anfíbia e da Platina. 11. Diz que, conforme arquivo “Doc. 4 – Gráfico Societário”, aparecem, além de outras pessoas físicas interpostas, como sócios das empresas do "Grupo Skala" os Srs. Oscar (figura central), Sérgio, Nadir e Antônio Fernando (estes três, ex empregados da LayffKosmetics). Além disto, frisa que os integrantes do “Grupo Diretoria” têm relações, diretas ou indiretas, com as principais empresas do esquema, muitas das vezes administradas através de procurações e cujos supostos sócios são tratados como empregados. I.1. Dos Documentos Apreendidos na Operação Quadrado das Bermudas: 12. Destaca o TVF que foram apreendidos os seguintes documentos que evidenciariam o controle, pela Anfíbia, de direitos e deveres de outras empresas do "Grupo Skala", tais como faturamento, montantes de tributos devidos e importâncias a receber e a pagar: 12.1. “Doc. 07 – Distribuição de Vendas 2010_2011”, apreendido no arquivo digital de Nadir, que demonstraria o planejamento e a estruturação do Grupo e, inclusive, indicaria a distribuição do faturamento das empresas de forma mais Fl. 52742DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 7 6 proporcional, referindose o TVF ao “caso da Distribuidora Wanchovia que no ano de 2010 representou 46,79% do faturamento das vendas da Anfíbia e a determinação para que cedesse parte de seu faturamento para outras distribuidoras em 2011, como por exemplo, 8,15% para a JS Distribuidora, 6,08% para a Distribuidora Noviça e 8% para a Saga Distribuição”; 12.2. “Doc 10 – Faturamento Filiais”, apreendido na Anfíbia (AAD 6254), consistente numa série de controles que vão desde o faturamento, às DCTF e aos Dacons do ano de 2011 de todo o Grupo. Frisa o TVF que a planilha intitulada “FATURAMENTO DE TODAS AS FILIAIS” tratam as empresas do grupo como filiais e evidencia o controle gerencial do grupo no período de janeiro a agosto de 20112; 12.3. Planilhas de faturamento do ano de 2009 – componente do Conjunto Documental Doc. 14 apreendidas nas dependências da Anfíbia, dentre as quais uma intitulada “Planilha de Prestação de Contas – Conta da Wanchovia”, que controla o fluxo de caixa da Distribuidora Wanchovia e as várias saídas de caixa como, por exemplo, pagamento de “Sedex”, fretes, eletricistas, ICMS de fretes além de outros, todos relativos às movimentações da Distribuidora Wanchovia. Adita que compõe o conjunto documental “14” razão analítico das duplicatas a receber da empresa Platina Cosméticos Ltda e uma planilha denominada “DUPLICATAS A RECEBER – FILIAL – 1.1.2.01.01.003 – Posição: 01/01/2010 a 30/09/2010 – 21 – DISTRIBUIDORA NEBRASKA LTDA”; 12.4. “Doc. 11 – Encontro de Contas”, localizado na Anfíbia (AAD 6254), em que se verificaria o controle da Anfíbia sobre as duplicatas (a pagar e a receber) das distribuidoras e patentearia o controle de dados financeiros e contábeis que deveriam ser de acesso exclusivo às empresas interessadas; 12.5. “Doc. 19 – Controle Anfíbia x Saga”, apreendido na Anfíbia e que revelaria gerenciamento das vendas realizadas pelas distribuidoras. Reportase o TVF a uma tabela em Excel em que a Anfíbia possui todas as informações necessárias para seu controle, desde sua venda para sua filial, a venda de sua filial para seu cliente e, inclusive, a forma como é transportada a mercadoria, ocorrências até a entrega final e a data de recepção pelo varejista. Salienta que este controle apenas é possível em virtude do que se chama “Num.Trans.Origem”, a respeito do qual se comentará mais adiante; 12.6. “Doc. 8 – Extratos Bancários”, apreendido na Anfíbia e composto por extratos de movimentações financeiras, inclusive com informações de dados bancários e de cobrança de empresas do "Grupo Skala", a partir dos quais a Fiscalização concluiu que o Grupo detinha comando centralizado a fim de controlar também as movimentações de contascorrentes e de cobrança de títulos das empresas envolvidas; 12.7. “Doc. 15 – Faturamento 2008”, documento que atestaria minucioso controle de faturamento das empresas do "Grupo Fl. 52743DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 8 7 Skala" pela Anfíbia e anexado pela Fiscalização no intuito de expor que a prática adotada é anterior ao período fiscalizado; 13. O TVF também se remete à documentação integrante do “Doc. 18 – Grupo Econômico”, extraídos dos computadores da Anfíbia. 13.1. Inicialmente, alude a um documento, de 16/06/2006, firmado pelo consultor Sr. Márcio Carneiro e enviado ao Sr. Nadir, no qual há uma série de considerações, em bloco, da situação tributária das empresas Master, Anfíbia, Sogram, Platina, Nebraska e Noviça. 13.1.1. Dentre as considerações, uma expõe que as distribuidoras Platina, Nebraska e Noviça não se enquadrariam nas situações previstas na legislação relativa à equiparação a industrial, mas que “seria prudente, na atual situação, tomar as seguintes providências, tendo como objetivo a redução do risco existente”: (i) “Criar mais uma distribuidora” (ii) “Transformar a Matriz da Platina em Filial (Uberaba) criando a Matriz em outro Estado”; e (iii) “A utilização das marcas Skala e Bellsoft deve ser onerosa e não gratuita, conforme contratos em vigor”. 13.1.1.1 Registra o TVF que a menção à necessidade da “tomada das seguintes providências” revela a forma planejada do esquema de sonegação e a tentativa de disfarce mediante a criação de novas empresas, a mudança da matriz de um Estado para outro e a cobrança pelo uso da marca com o propósito de mostrar que seriam empresas distintas. 13.1.2. Também comenta: (i) a menção, pelo consultor, da fragilidade das empresas Master e Anfíbia em razão de suas proximidades territoriais, espaço físico, processo de estocagem, relacionamento operacional; e (ii) a apresentação de um roteiro para prevenir que fosse desconsiderada a pessoa jurídica na forma do parágrafo único, do art. 116, do CTN. 13.1.3. Fala, ainda, sobre o item “8 – Procedimentos Atuais”, do enfocado documento: “8 – Procedimentos Atuais: Relacionamos, abaixo, alguns bons procedimentos que já vêm sendo adotados pelo Grupo e que devem ser mantidos, visando minimizar o risco tributário: Manutenção de controle e movimentação financeira separada por empresa; Os documentos (internos e externos) de relacionamento operacional/ administrativo/financeiro estão sendo assinados e rubricados pelos “sócios contratuais”; Todos os pagamentos e recebimentos passam pela conta bancária normal das empresas (contábil); Os valores pagos a título de CPMF estão compatíveis com o faturamento do negócio; Cada empresa possui seu próprio contador; Projeto de informática (muito interessante) em andamento”. 13.1.3.1. Afirma o TVF que, ao qualificar como ponto positivo o controle e a movimentação separada por empresa, quis o Fl. 52744DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 9 8 consultor indicar que esse é o caminho certo para confundir a fiscalização tributária e qualquer outra investigação de Estado, pois, na lógica do consultor, este procedimento daria a aparência de inexistência de vínculos entre as empresas e lhe atribuiria aspecto de total independência. 13.1.3.2. Também consigna que a menção à assinatura dos atos internos e externos apenas pelos “sócios contratuais” evidencia a existência de pessoas interpostas. 13.1.3.3. Ademais, ressalta que a assertiva de que “Todos os pagamentos e recebimentos passam pela conta bancária normal das empresas (contábil)” confirmaria as fraudes cometidas pelo "Grupo Skala" não permitiria outra conclusão senão a de que haveria contas anormais das empresas e que não são contabilizadas (Caixa dois). 13.1.3.4. Outrossim, comenta que, segundo o consultor, as empresas têm equivalência entre “CPMF e faturamento, ou seja, há um controle de movimentação das contascorrentes bancárias, de acordo com o nível de faturamento e as declarações de Imposto de Renda, para que não sejam alcançadas por fiscalizações que tenham como foco as discrepâncias entre essas informações”. 13.1.3.5. Quanto ao registro de que “Cada uma das empresas possui seu próprio contador”, diz o TVF que “contadores diferentes para cada empresa vem dar um ar de regularidade e independência entre as mesmas. É o que se pretende como premissa básica: manter a identidade própria de cada empresa sem levantar suspeitas de que se trata de um conglomerado que atua conjuntamente”. 13.1.3.6. Relativamente ao registro, no comentado documento, da existência de interessante projeto de informática em andamento, a Fiscalização aduz que apenas a informática teria condições de controlar as milhares de operações anuais entre as empresas do Grupo e que, sem isto “a possibilidade de operações irregulares dentro das próprias operações irregulares poderia ser uma realidade, pois como relatado em vários pontos deste termo, apesar de serem várias empresas, há uma concentração das decisões no núcleo diretoria do Grupo Skala”. 13.2. Outro documento do Conjunto Documental 18, sobre o qual o TVF arrazoa, é um memorando do diretor comercial, Sr. Antônio Carlos de Souza (que assina como diretor comercial, mas é sócio da Distribuidora Noviça) que noticia alterações para melhoria dosserviços ao cliente no triênio 2010/2012 em cujo texto, de acordo com a Fiscalização, são abordadas “questões relacionadas à industrialização, estocagem, distribuição e transporte, ou seja, abrangeu não somente uma área de atuação, mas serviços que obviamente não estariam sendo prestados pela Anfíbia, como distribuição se essa não pertencesse a um Grupo de empresas”. Fl. 52745DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 10 9 13.3. Ainda relativamente ao Conjunto Documental 18, reporta se o TVF a uma resposta, apreendida nas dependências da Anfíbia, a um Termo de Intimação dirigido à Platina. 14. O TVF se referencia, ainda, aos seguintes documentos apreendidos: 14.1. “Doc. 5 – Cessão de Créditos Trabalhistas”, apreendidos na Master Line do Brasil LTDA (AAD 6181), que tem por objeto a transferência de créditos trabalhistas de empregados da extinta Layff Kosmetics para a Platina Comércio Ltda, apreendido nos escritórios da Master Line do Brasil Ltda, sendo que, de acordo com os autuantes, a finalidade da compra destes créditos trabalhistas foi a liberação da marca Skala, o que seria crucial para o prosseguimento das atividades das novas empresas constituídas, eis que já havia infraestrutura necessária à continuidade da produção dos itens vinculados à marca, que já detinha um mercado consumidor; 14.2. “Doc. 06 – Seguros Grupo”, do mesmo modo apreendidos na Master Line do Brasil (AAD 6181), consistentes em emails que tratam de cotação de seguros para mais de uma empresa do grupo Skala, o que, consoante a autuação, denotaria a centralização das demandas e seu tratamento por um único núcleo financeiro, cuja gerente era a Sra. Keila que autorizava os desembolsos de despesas, muitas das vezes por meio de “caixa dois”; 14.3. “Doc. 09 – Distribuição de Lucros 2011”, encontrado na Anfíbia (AAD 6254), consubstanciado em demonstrativo no qual há duas seqüências de tabelas que exibem os sócios e os supostos sócios e os valores a distribuir a cada um deles, distribuição esta que, de acordo com o TVF, era implementada por meio de “caixa 2”; 14.4. “Doc. 12 – Venda Entre Filiais”, apreendido na Anfíbia (AAD 00417) e que demonstra o controle das vendas da Anfíbia para suas “filiais” no ano de 2009; 14.5. “Doc. 13 – Roteiro de Contabilizações”, também apreendido na Anfíbia (AAD 00417), que unifica os procedimentos concernentes aos movimentos financeiros das operações irregulares, e evidencia “o interesse da empresa líder do "Grupo Skala" em camuflar movimentações bancárias ocorridas nos Bancos Itaú e Real para todas as empresas e no Banco Safra especialmente para a Platina e Nebraska”; 14.6. “Doc. 16 – Impostos Factoring”, apreendido na Anfíbia (AAD 0406) e intitulado “IMPOSTO FACTORING (base de cálculo com módulo arbitrário, correto para evitar fiscalização)”. 14.7. “Doc. 17 – Senhas”, formulário apreendido na Anfíbia com senhas para transmissão dos DAPIS e SAPI, com identificação de senha da própria empresa e as da Master Line, da Sogram e da Platina; Fl. 52746DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 11 10 14.8. “Doc. 20 – Nadir x Arena – Emails Trocados”, apreendido na Anfíbia (“qber402” e AAD 006228) consistentes em mensagens eletrônicas datadas de 31/07/2008 entre o Sr. Nadir e o Sr. Idelson Valentin Sanches Rezende, da Arena Informática e Consultoria Ltda, que indicam como obter o Razão analítico das empresas Master, Platina, Anfíbia, Sogram, Nebraska, Noviça, Saga e Wanchovia; 14.9. “Doc. 21 – Telefones do Grupo”, apreendidos na Anfíbia (“qber402” e AAD 006255), que é uma lista com os telefones de pessoas vinculadas às empresas Arena Informática, Platina, Máster Line, Anfíbia, Wanchovia, Doca, JS Comércio, Saga e Noviça, bem como seus respectivos números de celular, planos da operadora de telefonia TIM contratados, os valores das faturas e os consumos em minuto; a partir deste documento, o TVF conclui que a Anfíbia gerencia o uso de planos telefônicos das empresas do Grupo; 14.10. “Doc. 22 – Sistema Força Web”, documento apreendido na Platina (“qber301” e AAD 006228) e que comenta mudanças nos sistemas de vendas a partir de 31/01/2008, desde quando “cada empresas/distribuidora deverá ser acessada unicamente através do seu site individual. Ou seja, cada cliente estará disponível apenas para a empresa em que está cadastrada” (destaca o TVF que esta notícia foi dirigida às empresas Anfíbia, Distribuidora Nebrasca e Noviça e que do comunicado se depreenderia que, anteriormente, as informações de clientes eram globalmente acessadas por todas as empresas do Grupo”; 14.11. ”Doc. 23 – Lista de Ramais Grupo”: listagem de ramais, que, a princípio, relacionamse a pessoas de empresas distintas e que usam o mesmo PABX; 14.12. “Doc. 24 – Paulo Tamayossi”: email, intitulado “CONTAS DE FILIAIS”, enviado pelo Sr. Paulo Eduardo Castro Tamayossi aos destinatários makita@bellsoft.com.br, marcelo@bellsoft.com.br e jalves@bellsoft.com.br com informações sobre as contascorrentes das empresas Nebraska, Noviça, Wanchovia e Platina; 14.13. “Doc. 25 – Livros Fiscais”: Livros de Registro de Apuração do ICMS e de Entradas e de Saídas das Distribuidoras Wanchovia, Nebraska, Platina Cosméticos e Saga Distribuição apreendidos nas instalações da Anfíbia, o que mais uma vez demonstraria a centralização e o controle das operações do "Grupo Skala"; 14.14. “Doc. 26 – Planejamento Estratégico”, apreendido na Anfíbia: planejamento, relativo a empresas do "Grupo Skala" e alusivo aos anos de 2009 a 2011, de amortização de empréstimos e juros [aponta o TVF que, na coluna “Empresa”, figuram os tomadores dos créditos (Anfíbia, Distribuidora Nebraska, Platina Cosméticos, Máster Line e a “Comercial”) e realça que as empresas são tratadas como um Grupo, cujo planejamento estratégico depende do grau de endividamento de cada participante]; Fl. 52747DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 12 11 14.15. “Doc. 27 – Contadores”, documento, apreendido nas instalações da Anfíbia, em que listadas, com exceção da JS Distribuidora, as empresas do "Grupo Skala"; 14.16. “Doc. 28 – Colaboradores do Grupo – Planilha Original”: planilha encontrada nos computadores da Anfíbia que possui diversas informações com colaboradores de todas as empresas do "Grupo Skala" e da Total Contabilidade (nome, data de nascimento, conta bancária, número da empresa a que se vincula, data de admissão, seção onde trabalha, função, número de contacorrente, CPF, número do PIS, valor do salário) e que deveria estar sob cuidados das respectivas empresas. I.2. Procurações aos Integrantes do “Núcleo Diretoria”: 15. Alude o TVF que, por procurações recebidas do 2º Ofício de Notas de Uberaba, constatouse que o "Grupo Skala" era gerido pelas mesmas pessoas, as quais, quando não eram sócias das empresas, possuíam poderes de administração ilimitados (muitas das vezes sem prazo de validade) que eram conferidos por meio de procuração. 16. Como exemplos, menciona: (i) a procuração de 23/03/2007, em que a Anfíbia, por meio de seu sócio Nadir e da então sócia Flávia Maria Freire outorgaram aos Srs. Oscar, Antônio e Sérgio poderes irrestritos de administração; e (ii) a procuração, conferida aos 08/08/2007 pela Master Line a estes três senhores, de amplos poderes de representação. I.3. Procurações à Sra. Keila Alves Martins Duarte: 17. Cita que as empresas Platina, Master Line e Anfíbia lavraram aos 20/08/2003, perante o Cartório do 2º Ofício de Notas Uberaba, procurações conferindo amplos poderes de representação à Sra. Keila Alves Martins Duarte, que, naquela época era, formalmente de acordo com o CNIS e com as Declarações de Imposto de Renda entregues até 2012, empregada das Master Line e da Anfíbia, o que demonstraria o gerenciamento coletivo das empresas que, pela lógica mercadológica, contraporseiam numa relação comercial normal. 18. Externa, ainda, que a Sra. Keila “tornouse sócia majoritária da empresa Distribuidora Noviça Ltda, uma das empresas do grupo, no período de 09 de março de 2005 a 21 de setembro de 2006, sendo, então, sóciaadministradora” e comenta que, apesar de ter rompido o vínculo trabalhista com a Master Line aos 01/02/2005, a Sra. Keila foi nomeada aos 09/08/2007 procuradora desta empresa nas relações comerciais com o Grupo Irmãos Bretãs. 19. Realça que as procurações outorgadas pela Anfíbia e por seus sócios confere especiais poderes de representação à Sra. Keila, poderes estes que ultrapassaria a barreira das questões Fl. 52748DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 13 12 trabalhistas e comerciais e alcançavam, inclusive, movimentações bancárias. I.4. Da Operacionalização do Esquema: 20. Expõe que os clientes que se interessavam pela aquisição dos produtos Skala tinham as seguintes opções: (i) comprar diretamente da indústria, entrando no esquema; (ii) comprar das distribuidoras a preço de mercado; ou (iii) escolher outro fornecedor e produto. 21. Afirma que, na documentação apreendida, verificarseia que a Anfíbia vendeu produtos a clientes regulares com subfaturamento correspondente a 40% do real valor negociado e que a adesão destes clientes ao esquema dava margem ao não questionamento dos preços negociados pela Anfíbia com o "Grupo Skala", pois inexistentes diferenças relevantes entre os preços praticados com empresas do Grupo e com terceiros. 22. Reporta que o recebimento dos valores subfaturados das empresas do "Grupo Skala" era fácil, pois independia de gerenciamento externo e já havia uma política interna para tanto, e que o recebimento dos demais clientes ocorria desta forma: em regra, os valores das Notas Fiscais eram faturados para pagamento em três parcelas, para as quais eram emitidas três duplicatas com uma seqüência numérica após o número do documento (por exemplo, para uma Nota Fiscal de nº 1717, no valor de R$ 60,00, eram emitidas as Duplicatas 17171, 17172 e 17173, cada uma na importância de R$ 20,00) e que, para o valor correspondente aos 40% omitidos, eram expedidas outras três duplicatas controladas por sequência alfabética (no caso do exemplo, as Duplicatas nº 1717A, 1717B e 1717C, com valores individuais de R$ 13,33). 23. Diz que, com a codificação acima, era possível a identificação se o valor recebido representava, ou não, a parte sonegada da operação de venda. 24. Expõe que os pagamentos correspondentes à parcela subfaturada não eram feitos diretamente à Anfíbia, pois os correspondentes títulos eram negociados com factorings (cita a Caixaforte Factoring), que pagavam despesas da Anfíbia (contas de consumo e outras despesas) com a parte dos valores dos títulos que deveriam repassar à Anfíbia, sendo que, ao final, não sobravam saldos a pagar à Anfíbia, eis que a factoring recebia contas a liquidar em montantes quase equivalentes à totalidade dos valores descontados. 25. Frisa que, com o procedimento acima – que inclusive consta de manuaisinternos da Anfíbia, consoante anotações da Sra. Daniela Saad (“Doc. 33 – Daniela Saad”) – não eram tributados 40% dos valores das vendas da empresa e era abastecido o seu caixa dois. I.5. Clientes Externos Participantes do Esquema: Fl. 52749DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 14 13 26. Pontua que dois dos clientes que participaram do esquema da Anfíbia foram as empresas Global Distribuidora de Cosméticos e Cristiane Gaion da Rosa – ME. 27. Declara o TVF que a Global Distribuidora estava situada, no período fiscalizado, no mesmo Município da Anfíbia e com esta manteve relações comerciais diretas, tendo sido constatado, por comparação dos boletos identificados nos Autos de Apreensões e nas Notas Fiscais Eletrônicas, que a Global Distribuidora adquiriu produtos em cujas Notas Fiscais apenas constou 60% do efetivo custo de aquisição, pelo que a empresa foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 01/20133, a: 27.1. apresentar declaração a respeito da forma usual de liquidação das compras de produtos adquiridos da Anfíbia e esclarecer se os títulos são liquidados diretamente em favor do fornecedor ou por intermédio de terceiros; 27.2. informar se os boletos 19.043B; 19.043C; 19.044B; 19.044C; 41.709A; 41.709B; 41.709C; 39.806C; 42.865 A ; 12.905C; 19.041A e 81.434A4 são relativos a compras efetuadas perante a Anfibia e, em caso positivo, apresentar cópia da Nota Fiscal de origem da compra e de comprovante de liquidação e, em caso negativo, apresentar os documentos que possam identificar a origem da operação e comprovar sua liquidação; 27.3. apresentar relação de todas as liquidações de duplicatas realizadas nos anos de 2009 a 2011, cujo cedente seja a empresa Caixaforte Factoring; 27.4. apresentar relação de todas as liquidações de duplicatas realizadas nos anos de 2009 a 2011, cujo cedente seja a empresa ANFÍBIA; 28. Pronuncia que, em resposta inicial datada de 31/05/2013, a Global comunicou que: (i) liquidava seus títulos diretamente ao fornecedor por meio de cheques de sua emissão ou mediante pagamento em espécie; (ii) especificamente em relação aos títulos descontados na Caixaforte, não localizou, até aquela data, qualquer pagamento; e (iii) que os boletos bancários citados na intimação têm números equivalentes aos de Notas Fiscais de compras feitas e pagas pela empresa diretamente ao fornecedor. 29. Registra que, aos 10/06/2013, a Global assim complementou suas informações iniciais: (i) os pagamentos das duplicatas emitidas pela Anfíbia ocorrem por meio de cheques de emissão da própria empresa e também em espécie; (ii) os boletos listados no item 27.2 se referem a compras efetuadas da Anfíbia. 30. Fazendo remissão às operações objeto das Notas Fiscal nº 19043 (emitida aos 09/06/2010) e 41709 (emitida aos 11/04/2011), o TFV mostra como procedia a Anfíbia. 31. Comenta que, em resposta ao TIF nº 17/2013, fls. 2.239/2.240, a Global, aos 21/06/2013 comunica que os boletos Fl. 52750DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 15 14 mencionados no item 27.2 acima se referem a compras efetuadas da Anfíbia e informa as correlatas Notas Fiscais destas compras e indica os respectivos comprovantes de liquidação. 32. Fala que, analisandose a Escrituração Contábil Digital – ECD da Anfíbia, verificouse que, na conta “1120101001000250 GLOBAL DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA” 5, só foram lançados como duplicatas a receber 60% das vendas efetivas. 33. Avante, externa que Cristiane Gaion da Rosa ME foi intimada, fls. 2.535/2.537, a informar se os boletos de pagamentos realizados à Caixaforte Factoring que têm numerações idênticas às das Notas Fiscais emitidas pela Anfíbia, acrescidas de dígito final alfabético , estavam relacionadas a compras perante a Anfíbia e, em caso positivo, apresentar cópia das correspondentes Notas Fiscais e, caso negativo, entregar os documentos que pudessem identificar a origem da operação e suas correlatas liquidações, sendo que, em resposta, fls. 2.551/2.552, a intimada disse que encontrou alguns boletos bancários em nome da empresa Caixaforte Factoring liquidados em instituições financeiras, mas não localizou as respectivas Notas Fiscais, mas que “verificando as informações entre as demais Notas Fiscais emitidas pela Fornecedora e os Boletos, cremos que se tratam de pagamentos realizados a Anfíbia”. 34. Garante o TVF que o esquema de Cristiane Gaion da Rosa ME seria igual ao da Global e apresenta exemplos concretos de operações envolvendo aquela adquirente (Notas Fiscais 34.782 e 34.780). I.6. Da Empresa Caixa Forte Factoring: 35. Assegura a Fiscalização que por meio da empresa Caixaforte Factoring eram recebidas, no esquema analisado, as parcelas subfaturadas das vendas a clientes externos. 36. Registra que foi realizada diligência fiscal na mencionada empresa, ocasião em que lhe foi solicitado, dentre outros documentos: (i) cópia de seu contrato social e alterações; e (ii) relação com nome do CNPJ dos clientes e comprovantes de compras dos títulos atinentes aos boletos de cobranças cujos números têm caracteres alfabéticos como dígitos verificadores (fls. 2.585/2.588). 37. Consigna que a empresa foi constituída aos 13/05/2002 e que o Sr. Oscar Lacerda compunha seu quadro societário, do qual se retirou aos 15/06/2007, quando foi admitido na sociedade o Sr. Antônio Fernando Bonisatto (atual sócio da Master Lei e Wanchovia e exsócio da Anfíbia e da Platina), que atualmente ainda figura com outras três pessoas a sociedade, cada um deles com 25% do capital da empresa. 38. Após repisar a questão aludida no item 14.6 acima (recomendação de utilização de base arbitrada dos tributos devidos pela factoring para evitar fiscalização), o TVF anota Fl. 52751DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 16 15 que, em consulta às bases de dados da RFB, foi identificado que a comentada empresa entregou Declaração de Informações da Pessoa Jurídica – DIPJ pelo lucro arbitrado, o que esta justificou à Fiscalização em razão da dificuldade operacional de processamento exato de inúmeras transações diariamente efetuadas (realça a Fiscalização que tal opção dificulta a identificação individualizada das transações, que tem por duvidosas, entre a Anfíbia e seus clientes). 39. Também cita que a Caixaforte, em resposta ao item 36.ii acima, fls. 2.589/2.591, relacionou as importâncias dos títulos, os seus correspondentes valores de face, os montantes pagos e as datas em que adquiriu tais títulos e, assim, a partir de afirmações de clientes da Anfíbia, da Factoring que comprava e pagava os títulos, dos boletos apreendidos e das Notas Fiscais Eletrônicas, concluiu que a Anfíbia realmente subfaturava suas vendas a terceiros em um percentual padrão de 40%. 40. Assinala que, para evitar dúvidas, foi enviada à Caixaforte nova intimação (TIF nº 15/2013, fls. 2.680/2.681) e, em resposta, a intimada: (i) apresentou cópia dos contratos firmados com a Anfíbia e com o Sr. Oscar Lacerda; (ii) confirmou a quitação dos títulos descritos no item 4 do TIF nº 15/2013; e (iii) expressou que os valores devidos à Anfíbia pela cessão dos títulos eram adimplidos por meio de pagamento, pela Caixaforte, de contas de titularidade da cedente (como boletos de fornecedores, contas de consumo, transferências a prestadores de serviços) em valor equivalente ao devido em razão da aquisição dos títulos, sendo que eventual saldo remanescente era pago em espécie; (iv) comunicou que os comprovantes de pagamento de citadas despesas eram devolvidos à cedente (fls. 2.686/2.688). 41. Menciona o TVF que, no período de 2009 a 2011 foram negociados, de acordo com a relação de títulos cujo demonstrativo é parte do “Doc. 40 – Caixaforte Factoring”, R$ 1.154.968,12, equivalente aos 40% omitidos nas receitas da empresa. 42. Aponta que nova intimação foi expedida à Caixaforte solicitandolhe manifestação sobre as liquidações dos títulos e que, em resposta, ela elucidou que: (i) a Anfíbia cedeu títulos em valores muito próximos aos dos boletos apresentados para pagamento, de modo que restava saldo em valores sempre insignificantes; (ii) não possui cópia dos comprovantes de pagamento dos boletos de despesas titularizadas pela Anfíbia, pois a liquidação ocorria com o mero endosso no verso do título, sendo que os boletos quitados eram entregues à cedente para arquivamento. 43. Ademais, a intimada justificou que a prática acima “foi adotada pelo mercado para reduzir o grande volume de documentos que deveriam ser arquivados pelas factorings” pois “as factorings realizam diversas transações ao longo do dia e são pagos vários boletos para a liquidação de um mesmo título de crédito, de modo que, caso os boletos quitados não fossem Fl. 52752DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 17 16 devolvidos ao cedente, haveria um grande volume de documentos a ser arquivado pela factoring” e que, em razão disto, “é comum que as factorings, sendo conhecida sua receita bruta, apurem o lucro arbitrado”. 44. Apresenta o TVF situações concretas por meio das quais exemplifica o procedimento adotado pela Anfíbia (reconhecimento de 60% dos valores reais das operações de venda e subfaturamento do percentual de 40%), fls. 18.548/18.549. I.7. Do controle das Vendas por Empresas do "Grupo Skala" – NUM.TRANS.ORIGEM: 45. Afirma o TVF que, para controlar as etapas seguintes de suas vendas para as empresas do "Grupo Skala" e poder reaver a parcela do preço não adicionada ao valor da operação informada nas Notas Fiscais, a Anfíbia criou um mecanismo de rastreamento de suas vendas chamado “NUM.TRANS.ORIGEM”, que somente pôde ser identificado a partir do exame dos documentos e arquivos existentes nos discos rígidos e máquinas apreendidas. 46. Detalha que era criada uma codificação individualizada quando da venda às empresas do "Grupo Skala" pela qual a Anfíbia controlava e gerenciava os produtos vendidos mesmo após as suas saídas de seu parque industrial, pois este código é utilizado na revenda pelo distribuidor ao comerciante varejista. Ademais, diz por esta codificação a Anfíbia tinha condições de: (i) saber o estoque do distribuidor, o valor da operação, a data da saída e a de entrega da mercadoria; e (ii) evitar desvios dentro do próprio Grupo. 47. Explica que a comentada codificação é um dos principais elementos em função do qual a Fiscalização se convenceu que a Anfíbia é a principal unidade do "Grupo Skala", pois, além de realizar vendas com preços diferenciados, ainda controla as etapas posteriores. 48. Faz alusão aos Demonstrativos do Rastreamento das Operações Via Num.Trans.Origem6, os quais relacionam as Notas Fiscais emitidas pela Anfíbia para as suas distribuidoras e as destas para os seus respectivos clientes e exibe situação concreta de utilização da comentada codificação (fls. 18.551/18.552). 49. Esclarece que, para ilustrar com maior precisão ainda a questão, foram juntados dois anexos intitulados “Doc. 42 – Confronto Num.Trans.Origem – Platina7” e “Doc. 43 – Confronto Num.Trans.Origem – Wanchovia8” e, em seguida, passa a explicar mais dois exemplos (um, relativo à Platina e outro, concernente à Wanchovia) do uso desta codificação. 50. Assevera que as receitas omitidas e os lucros da prática adotada são gerenciados pelo chamado “Núcleo Diretoria” e Fl. 52753DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 18 17 pela Sra. Keila Alves Martins, que é quem possuía a “chave do caixa dois” do "Grupo Skala". I.8. Do ‘Caixa Dois” – Comercial Treze: 51. Garante a Fiscalização que a Comercial Treze (ou Comercial 13) não é uma empresa formal, pois não possui registro nos sistemas da RFB ou da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais, nem foi localizado o seu contrato social nem o seu endereço, sendo, na realidade, a designação do “caixa dois” da Anfíbia, que beneficiava todas as empresas do "Grupo Skala". Ademais, menciona que a “existência” da Comercial Treze foi descoberta a partir das informações colhidas no material apreendido. 52. Apresenta vários emails (Conjunto Documental “Doc. 44 – Comercial Treze – Diversos”) que tratam de acertos de empregados do Grupo Skala direcionados à Comercial Treze. Abaixo, alguns dos emails transcritos pelo TVF: “Pagamento Comercial 13 sextafeira, 26 de junho de 2009 08:56:59 De: larissa@masterline.ind.br Para: renata@belsoft.com.br Bom Dia Renata, Favor programar pagamento 06/2009 pelo Comercial 13 para os colaboradores abaixo: (...)” “Pagamento pelo Comercial 13 quintafeira, 18 de junho de 2009 11:35:29 De: Humberto@anfibiacostmeticos,com.br Para: renata@belsoft.com.br Boa tarde Segue relação do colaborador que deverá receber 20 dias de salário pelo Comercial treze de acordo com o período de suas férias ref a com. 06/2009. São eles: (...)” “O pagamento deverá ser feito pelo comercial 13, este procedimento será na folha de julho” 9 “faça a aquisição de 10 dias no recibo de férias, e os demais 20 dias informalmente (13)” 10 53. Também se reporta o TVF a um email de 03/07/2009 em que o Sr. Maurinho (embalagem@anfibiacosmeticos.com.br), solicita à Sra. Pherla o pagamento, já autorizado pelo Fl. 52754DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 19 18 Sr. Sérgio Moraes Sampaio (sócio da Anfíbia até 12/2004 e atualmente sócio da Master Line e Doca), de valores ao Sr. Renato Batista Andrade, sendo que, após algumas trocas de e mails, a Sra. Pherla, da Master Line, consigna que: “Se no email eu fiz uma solicitação, determinada peloDiretor, e levantei a possibilidade de isso não ser possível pelo sistema, você mesmo já pode programar o pagamento pela 13 com a Renata e apenas me informar como procedeu ok??? Afinal terá que ser feitode alguma forma. Se não pelo sistema, pelas vias da Comercial 13...” 11 54. Narra, ainda, que, em material apreendido nas instalações da Platina Cosméticos, há extensa documentação atinente a pagamentos “extracaixa” 12, dentre os quais os abaixo identificados, a sócios e a supostos sócios de empresas do "Grupo Skala": 54.1. “ExtraCaixa Oscar 2011”, correspondente a pagamentos feitos ao Sr. Oscar Donizete, sócio da Nebraska de 19/12/2007 a 11/08/2009 (fls. 01 a 10 do arquivo); 54.2. Valores pagos a título de suposta distribuição de lucros ao Sr. Antônio Carlos de Souza, único sócio da Distribuidora Noviça (fls. 11 a 56 do arquivo). Observa o TVF que nas planilhas há montantes a título de salários e de prólabores que este senhor teria direito e, apesar de sócio, o Sr. Antônio Carlos recebe férias como se empregado fosse, o que testificaria que, na realidade, ele não passava de pessoa interposta; 54.3. Pagamentos de salários e planos de saúde e recolhimentos de FGTS em favor dos Srs. Cláudio Oliveira Ferreira e João Roberto Locatelli (fls. 57/103, 104/171). Anota o TVF que, como inexiste previsão legal para pagamento de FGTS a sócios de empresa, o Sr. Cláudio, formalmente sócio da Doca Distribuidora, também é pessoa interposta, o mesmo ocorrendo em relação ao Sr. João Roberto, suposto sócio da Saga Distribuidora de Cosméticos Ltda e realça que, assim como nos demais casos, os pagamentos foram efetuados pela Comercial Treze. 55. Prossegue expondo que no “Doc. 46 – Holerites Comercial 13”, composto por 456 páginas de imagens de holerites, folhas de pontos de funcionários e emails em que são tratadas remunerações de empregados da Anfíbia, da Master Line e da Platina, podese estabelecer uma relação direta entre a Anfíbia e a Comercial Treze. 56. Afirma que os holerites ou recibos de pagamento de salários apresentam o numeral “13”, a identificação da empresa, do cargo do beneficiário e o valor do salário sonegado à tributação previdenciária e enfatiza que nos documentos inexiste qualquer referência a contribuições previdenciárias, FGTS ou IRRF. 57. Externa que folhas de ponto de empregados da Anfíbia, Platina e Master Line foram encontradas num só local, dentro das pastas intituladas “Holerites Comercial 13”. Fl. 52755DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 20 19 58. Diz que a confusão de identidade de empresas é tamanha que empregados são constantemente trocados de uma empresa para outra. Cita três exemplos concretos, extraídos do conjunto documental 46: 58.1. o do Sr. John Clei Roberto Silva, que era funcionário da Anfíbia e cuja contratação pela Master Line foi autorizada, desde que as empresas não fossem oneradas com a “suposta demissão”; 58.2. o da Sra. Graziela Apda Santos, trocada da Master Line para a Anfíbia, consoante email de 03/03/2011; e 58.3. o do Sr. Fabiano Rodrigues de Oliveira, exempregado da Anfíbia que passou a trabalhar na Master Line, referido em e mail dirigido à auxiliar de departamento de pessoal da Platina (Sra. Renata): “Observação: Renata, gentileza providenciar o pagamento da diferença salarial do funcionário do antigo salário para o novo, pela comercial 13, tendo em vista que o novo salário deveria ser relativo a junho”. I.9. Das Intimações Enviadas à Autuada: 59. Registra o TVF que por meio do TIF nº 56/2013, fls. 4.828/4.841: (i) a fiscalizada tomou conhecimento dos documentos apreendidos e da conclusão inicial da Fiscalização de que estaria caracterizada a formação do "Grupo Skala"; e (ii) foram feitas várias perguntas sobre a situação. 60. Nas respostas, a contribuinte nega a existência de grupo econômico e a prática de preços diferenciados e expressa que deixa de se pronunciar sobre documentos anteriores aos períodos fiscalizados e sobre aqueles que teriam sido apreendidos fora da Anfíbia. 61. O sujeito passivo disse que desconhece o arquivo “COMERCIAL TREZE” e que ele poderia ser arquivo pessoal de alguém. E, de modo parecido, responde que: (i) não sabe do que se tratam os arquivos “Wanchovia Boleto Aluguel” e “Wanchovia ND Condomínio”, encontrados nos assentamentos da empresa e que “É possível que, por engano, tenham sido deixados nas dependências da empresa por contador externo”; (ii) não conhece os arquivos “faturamento 2008” e “faturamento 2009”, que possuem informações de outras empresas dogrupo e que seria “possível que sejam informações compiladas pela contabilidade externa”. 62. Nesta mesma diretriz, ponderou, sobre cobranças de títulos e extratos bancários de outras empresas encontrados na Anfíbia, que apenas parte da contabilidade da intimada é feita internamente e que seria possível que os arquivos pertencessem à contabilidade externa. 63. Assemelha resposta deu em relação a livros fiscais das empresas Distribuidoras Saga, Wanchovia, Noviça e Platina, encontrados em suas dependências. Fl. 52756DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 21 20 64. Atribuiu à contabilidade a responsabilidade pela elaboração do documento “Faturamento de Todas as Filiais”, de planilhas que controlam valores a receber (não só pela Anfíbia, mas pelas distribuidoras, e importâncias de adiantamento a clientes e fornecedores) e da planilha “Distribuição de Lucros – Abril 2011”. 65. Em torno do documento “Funcionários – Cestas – Uniformes”, em que são listadas pessoas empregadas nas diversas empresas do grupo, conjecturou que “Esse arquivo provavelmente foi apreendido na contabilidade externa. Talvez para algum estudo de redução de custo”. 66. Explicou que cedeu, a algumas empresas com as quais mantém constantes tratativas comerciais, ramais telefônicos para contato direto e exclusivo. E também em função desta parceria fundamenta suposta negociação em grupo de planos de saúde para diversos colaboradores de empresas que a fiscalização entendeu integrante do "Grupo Skala", mas destaca que os correlatos custos são arcados por cada uma das empresas. Além disto, externou, sobre a listagem de contadores das Distribuidoras Platina, Nebraska, Noviça, Wanchovia, Docaencontrada em suas dependências, que “As empresas relacionadas são clientes da Anfíbia. Portanto, sempre há necessidade de troca de informações, daí a existência do cadastro”. 67. Sobre o email datado de 22/10/2009 intitulado “Contas Correntes Grupo no BIC” no qual o gerente de negócios do BIC informa as contas correntes das empresas Anfíbia,Platina, Nebraska, Doca, Wanchovia, Noviça e Saga, contestou que “Não sabemos dizer porque o banco trata empresas distintas como grupo. Ademais, não temos como responder pelo banco”. 68. Quanto às procurações da empresa Distribuidora Noviça e da Platina que foram encontradas nas dependências da Anfíbia, asseverou que “Os documentos são apenas ‘modelos’ obtidos com terceiros para elaboração de outras procurações”. 69. A respeito de informações de faturamento de diversas empresas para obtenção de crédito consignado, aludiu que “Tratase de uma proposta de empréstimo consignado, cuja taxa depende do número de empregados. Com o objetivo de se obter taxas mais competitivas, foi contatado um grupo de amigos (empresas parceiras), que se mostrou interessado. Dadas as exigências e a dificuldade no levantamento das informações, o projeto foi abortado”. 70. A intimada disse, ainda, desconhecer os documentos vinculados a suposto subfaturamento e cogita que tenha havido equívoco em documentos/arquivos digitais. 71. Por fim, sobre planilha de boletos pagos pela Global Distribuidora à Caixaforte Factoring originados de operações de vendas feitas pela Anfíbia, respondeu não ter controle. Fl. 52757DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 22 21 72. Explicita o TVF que foram enviados à contribuinte todos os arquivos, pelo que lhe seria descabido alegar desconhecer as provas, e frisa que as respostas da intimada foram lacônicas e ardilosas, não tendo ela apresentado argumentos ou provas contrárias ao entendimento da Fiscalização. Objeta, ademais, que da fala da contribuinte se extrairia um suposto desconhecimento de seu negócio, uma ingerência externa sem seu consentimento e o uso de informações e dados sigilosos da empresa por terceiros sem sua anuência. 73. Ressalva que com as informações de períodos anteriores ao período fiscalizado se buscava identificar um procedimento padrão anterior, mas que, como a intimada não se manifestou a respeito, concluiuse, pelas apreensões, que o esquema é anterior ao período fiscalizado. 74. Na seqüência, narra que foi expedido à Anfíbia o TIF nº 59/2013, fls. 6.116/6.119, que solicita explicações sobre o “Num.Trans.Origem” e da razão por que a empresa mantém controle das operações de vendas de seus distribuidores, tendo a contribuinte apenas noticiado que tal código “permite controlar o carregamento de caminhões e a logística das mercadorias em geral, servindo também para atender a uma recente exigência do mercado: originação e rastreabilidade dos produtos”, mas que “não controla as operações de vendas das distribuidoras”. 75. Também menciona o TVF o TIF nº 80/2013, fls. 6.127/6.129, igualmente enviado à Anfíbia, que trata de diversos documentos vinculados à Comercial Treze, sobre os quais a contribuinte afiançou que não sabia do que se tratavam e que os pagamentos espelhados na documentação não foram por ela realizados. I.10. Das Intimações Remetidas às Demais Empresas do "Grupo Skala": 76. Narra o TVF que foram enviados, às empresas Master Line, Platina, Wanchovia, Nebrasca, Saga, Doca, JS e Noviça, TIF de semelhantes teores e por intermédio dos quais foram solicitadas: (i) cópias dos respectivos contratos sociais e alterações; (ii) informações relativas às relações comerciais existentes entre as empresas do Grupo; e (iii) explicações sobre a razão por que determinados documentos de suas empresas estariam em posse de terceiros. 77. Elucida que o TIF enviado à Distribuidora Nebraska não foi respondido, apesar de recebido no endereço da filial nº 05.694.370/000270 (registra que a intimação também foi postada ao endereço da matriz e ao dos sócios da empresa, mas não foi recebida). E, quanto ao segundo item objeto da intimação, reproduz as seguintes respostas das demais empresas: Fl. 52758DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 23 22 77.1. Master Line "A Master Line do Brasil Ltda. é uma empresa terceirista que vende serviços técnicos de manipulação, envase e controle de qualidade. Possui contrato comercial com a empresa Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. Produzindo para esta, por conta e ordem, cosméticos”; 77.2. Platina "A Platina é cliente da Anfíbia (compra cosméticos dela) A Platina não mantém relação comercial com a Master Line."; 77.3. Wanchovia "Atualmente, temos relação comercial apenas com a empresa Anfíbia Ind. e Com. de Cosméticos Ltda, da qual adquirimos produtos cosméticos; No passado, mantivemos relação comercial com a Platina Ltda., porém não compramos mais dela; Não temos (nem tivemos) nenhuma relação com as outras empresas citadas;" 77.4. Noviça "A Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. é nossa fornecedora e a Saga Distribuição de Cosméticos Ltda. é uma de nossas clientes. Não mantemos relação comercial com nenhuma das outras empresas citadas."; 77.5. Saga "Mantemos relação comercial com Anfíbia Ind. e Com. de Cosméticos Ltda., Distribuidora Noviça Ltda. e Distribuidora Wanchovia Ltda. Nos anos de 2011 e 2012, também efetuamos compras da Platina Cosméticos Ltda. Não mantivemos relação comercial com as demais empresas citadas."; 77.6. Doca "Nossa relação comercial se resume à empresa Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda., da qual adquirimos cosméticos."; 77.7. JS "Somos clientes da Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda, de quem compramos produtos para revendê los. Quanto às demais empresas, não temos nenhuma relação com elas." 78. Salienta a Fiscalização que “Os documentos seguiram um padrão de formatação, tendo inclusive os erros de pontuação repetidos, como pode ser visto nas respostas da Master Line, Wanchovia, Noviça, Saga e Doca, onde é colocado ‘ponto final’ após citar a empresa mesmo estando a frase inacabada” e que “verificase que a resposta dada pela Platina e Máster foram postadas sequencialmente na mesma agência de correios e obtiveram os números de rastreamento: Master: SX 19972898 2 BR e Platina: SX 19972899 6 BR”. 79. Também transcreveu as respostas das empresas ao item 3 da Intimação: 79.1. Master Line "Tais documentos são estranhos à nossa empresa e, com certeza, não foram apreendidos nas dependências da Master Line do Brasil Ltda. O mais provável é que eles tenham sido encontrados na Total Contabilidade." Fl. 52759DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 24 23 79.2. Platina "Esses documentos não foram encontrados nas dependências da Platina. Provavelmente, foram retidos no escritório de contabilidade, que presta serviços para ‘n’ empresas." 79.3. Wanchovia "Não faz sentido esses documentos terem sido encontrados nas sedes da Anfíbia e da Platina. Eles devem ter sido apreendidos na Total Contabilidade, a qual presta assessoria contábil para nós e para diversas outras empresas (entre elas, a Anfíbia e a Platina)." 79.4. Noviça "Desconhecemos essa situação. Provavelmente, os documentos referidos foram encontrados no escritório de contabilidade que nos dá apoio." 79.5. Saga "Estranhamos e desconhecemos isso. Não existe Grupo Skala, nem controle centralizado." 79.6. Doca "Tal alegação nos causa estranheza, pois desconhecemos tais fatos. Desconhecemos grupo SKALA, controle centralizado ou unidades dominantes." 79.7. JS "Não existe nenhum Grupo Skala. Pensamos que tal pergunta deve ser feita para a Anfíbia Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda., pois desconhecemos o motivo." I.11. Das Intimações Encaminhadas à Total Contabilidade: 80. Alinhava o TVF que a Anfíbia e suas Distribuidoras tentaram atribuir responsabilidade à Total Contabilidade por diversos documentos e demonstrativos (tais como os que tratam de faturamento e de distribuição de lucros e as informações de bancos) e que, por sua vez, a empresa de contabilidade, em breves respostas, não lastreadas em documentos comprobatórios, aos TIF nº 67 e 78 traz para si a responsabilidade pela autoria destes documentos. 81. Desfia que, questionada sobre a autoria a ela imputada pelas empresas Anfíbia, Master Line e Platina sobre um demonstrativo de distribuição de lucros, a empresa, por meio de sua técnica, Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, afirmou que o documento seria para consumo próprio, um “check list” de dados e que ele pode ter sido encontrado na Anfíbia porque os trabalhos são realizados nas dependências do cliente. 82. Conclui o TVF que haveria uma conivência da Total Contabilidade com os atos irregulares do "Grupo Skala" e que esta empresa não teria apresentado resposta substancial às indagações da Fiscalização e, orquestradamente com o "Grupo Skala", responsabilizouse por atos praticados a bem do Grupo em desfavor da sociedade. I.12. Das Intimações Enviada ao Sr. Oscar Lacerda: 83. Comenta o TVF as indagações ao Sr. Oscar Lacerda através do TIF nº 58/2013 e as correspondentes respostas. Fl. 52760DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 25 24 84. Dentre os questionamentos, a razão por que documentos da Anfíbia foram encontrados nas dependências da Master Line, o que o intimado justificou sob a alegação de que os referidos documentos não teriam sido apreendidos nos arquivos da Master Line do Brasil, mas no pessoal do Sr. Antônio Fernando Bonisatto (sócio daquela empresa e que nela possui sala de trabalho), procurador do Sr. Oscar desde 1986, consoante procuração que anexa. 84.1. Comenta a Fiscalização que, dentre supraditos documentos, há os relativos a operações da Comercial Treze, aos quais o Sr. Antônio Bonisatto não poderia ter acesso. 85. A Fiscalização indagou, ainda, o motivo por que na Anfíbia foram encontrados dados confidenciais de Platina, Nebraska, Noviça, Saga, Wanchovia, Doca, JS, Anfíbia e Master, e, em resposta, o Sr. Oscar Lacerda disse que não sabia informar, mas que “a contabilidade andou nos pedindo dados financeiros para elaboração de estudo relativo à marca SKALA, inclusive em relação à rentabilidade”. 86. Ademais, questionado porque divulgou o faturamento da Platina a quinze empresas, o Sr. Oscar disse que as distribuidoras concordaram abrir seus faturamentos e outros dados para subsidiar avaliação da marca Skala, a respeito do que o intimado não visualizou problema até mesmo diante do interesse na penetração e aceitação da marca Skala. 86.1. Registra o TVF que não foi apresentado qualquer documento de instituição financeira ou outra qualquer que solicitasse o estudo de valor da marca. 87. Sobre o documento “ExtraCaixa Oscar 2011”, retrucou que tal documentação se refere ao Sr. Oscar Donizeth, com o que concordou a Fiscalização, e que desconhece que ela tenha sido apreendida na Platina e ventila que a apreensão teria ocorrido na Total Contabilidade. Ademais, negou conhecer a denominada Comercial Treze S/A e a participação da Platina em grupo econômico. 87.1. Repisa o TVF que, apesar de alegar desconhecer a Comercial Treze, dentro da Anfíbia foram encontrados diversos documentos vinculados a esta suposta empresa. 88. Adiante, foi expedido o TIF nº 58/2013, que, reportandose a comprovantes de pagamentos ao Sr. Oscar Lacerda apreendidos nas instalações da Platina Cosméticos e indagou por que o intimado recebia valores da empresa Anfíbia por meio de um borderô cujo pagador é o Banco Caixa 33 e cujos controles de pagamento é feito pela Platina, tendo sido respondido que, na realidade, a apreensão teria ocorrido na Total Contabilidade e que os pagamentos feitos pela Anfíbia relevam “possivelmente, crédito que eu tinha para com ela” e que imaginava que “o tal controle não foi feito pela Platina Cosméticos e sim pela Total Contabilidade”. Fl. 52761DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 26 25 89. Elucida o TVF que, como a resposta acima não foi conclusiva, foi expedido ao Sr. Oscar Lacerda o TIF nº 72/2013, em que: (i) é ressaltado que os documentos aludidos no TIF nº 58/2013 eram uma amostra e que nos documentos apreendidos na Platina figuram desembolsos em favor do intimado e de outras pessoas físicas; (ii) é requerida a apresentação de documentos comprobatórios da real existência das operações de crédito alegadas. 89.1. Menciona que, refutando sobredita intimação, o Sr. Oscar Lacerda aduziu que: (i) desconheceria o universo de documentos, pelo que nada se pronuncia sobre ele; (ii) disse que, diante dos transtornos advindos da fiscalização, não tinha condições de apresentar os documentos originais comprobatórios das operações de crédito e sugere que a Fiscalização teria condições de checar o documento nos documentos de que ela dispunha. 89.2. Objeta o TVF que, se intimou o Sr Oscar Lacerda para apresentar a documentação acima, é porque não a encontrou. 90. Comenta a Fiscalização que, em atendimento a TIF nº 79/2013 pelo qual foi requerida manifestação sobre pagamentos, não citados em sua DIRPF do anocalendário de 2011 e que seguiam o padrão das omissões da Comercial Treze, feitos para ele pela Anfíbia – o Sr. Oscar Lacerda passou a sustentar que, apesar de constar seu nome nos recibos/borderôs, não foi identificada sua assinatura em nenhum deles e, como não se recordava de qualquer operação de crédito com a Anfíbia no ano de 2011, retratouse para dizer que não recebeu as apontadas importâncias. 90.1. Critica o TVF que os valores que, de início, possivelmente seriam empréstimos passam a não mais existir e que o Sr. Oscar Lacerda, sob o argumento de que os créditos não têm sua assinatura, não apresentou mais qualquer documentação que respaldasse suas alegações. 90.2. Reflete, ainda, que, apesar de não ter sua assinatura, em todos os recibos o Sr. Oscar figura como credor e que ele se utilizaria de prepostos para receber as importâncias. 90.3. Afirma, outrossim, que há um recibo, da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) cujo pagador é o Sr. Oscar Lacerda, no valor de R$ 226,00 cujo histórico é “Vr. Ref. Sr. Oscar – Passar p/Lúcia – Despesas Correios” e logo abaixo a comprovação do desembolso, pela Comercial Treze, em favor do Sr. Oscar Lacerda. Frisa que tal recibo foi quitado no mesmo dia em que a importância foi recebida pelo preposto do Sr. Oscar. I.13. Da Interdependência Entre as Empresas e do Valor Tributável Mínimo: 91. Reputa o TVF que, pelo exposto, estaria caracterizada interdependência entre as empresas e realça que as direções Fl. 52762DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 27 26 concentradas no “Núcleo Diretoria”, o gerenciamento financeiro a cargo da Sra Keila Alves e a administração das empresas por procuradores são provas da sincronia do grupo. O TVF apresenta quadro semelhante ao abaixo reproduzido, no qual o preenchimento mais escuro significa “procurador” e o mais claro “sócio”: TABELA DE INTERDEPENDÊNCIA (...) 92. Comenta que, conquanto nem sempre os envolvidos sejam sócios formais das empresas, eles possuem poderes de administração conferidos por procurações e que o grupo é dirigido por administradores com interesses comuns e que as empresas, mesmo quando concorrentes em seu objeto contratual principal, são representadas pelas mesmas pessoas. 93. Aduz que estaria patente o uso de meios fraudulentos para fugir das disposições dos arts. 520, do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, e 612, do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010, que tratam de hipóteses em que caracterizada a interdependência e que o inciso II, destes artigos, preceitua que são interdependentes as empresas quando “uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação”, hipótese em que se enquadrariam todos os sócios e procuradores acima listados. 94. Acrescenta que, na realidade, as distribuidoras e a prestadora de serviços de industrialização (Master Line) são filiais da Anfíbia, tal como, inclusive, designadas em grande parte dos documentos apreendidos. 95. Depois de reproduzir o inciso I, do art. 136, do Decreto nº 4.544/2002, e o inciso I, do art. 195, do Decreto nº 7.212/2010, que têm a mesma dicção13, prossegue o TVF afirmando que a Anfíbia vendeu produtos com preços diferenciados às empresas do "Grupo Skala" em desacordo com o art. 15, I, da Lei nº 4.502/64 e com o art. 2º, 5ª alteração, do Decretolei nº 34/1966 e que, para tanto, subfaturou vendas para as empresas do Grupo e para terceiros. 96. Fala que os dispositivos normativos acima referenciados claramente determinam que na especificação do Valor Tributável Mínimo VTM o preço deverá ser o corrente no mercado atacadista da praça do remetente e, assim, in casu, ele seria equivalente ao preço corrente, reajustado pelo subfaturamento, praticado nas vendas para a Global Distribuidora, situada no mesmo Município da Anfíbia (a apenas 2,4Km ou cinco minutos de automóvel, de conformidade com cálculo do aplicativo “Google Mapas” cuja imagem anexa) e elucida que, em atendimento aos critérios legais, elegeu a Global Distribuidora como parâmetro para definição do VTM em função de sua proximidade da Anfíbia. Fl. 52763DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 28 27 97. Ressalta que os preços de venda para a Global Distribuidora e para as empresas do "Grupo Skala" não têm substanciais diferenças e que embora os Regulamentos do IPI vincularam territorialmente o VTM à praça do remetente, a simulação não ocorreu somente com a Global Distribuidora, mas com dezenas de outros clientes da Anfíbia. 98. Externa que foram recompostos todos os preços de vendas praticados com a Global Distribuidora, que estavam reduzidos em 40%, para o valor efetivo da operação e explica que a fiscalizada fora intimada para se manifestar sobre os valores das vendas à Global Distribuidora levantados nas correspondentes Notas Fiscais, tendo, em resposta, apenas apontado inconsistência no tangente à Nota Fiscal nº 12.901, produtos 6241, 6242 e 6243. 99. Diz que, a partir do valor unitário de cada produto vendido apenas à Global Distribuidora, inclusive com data precisa das vendas, foram recalculados os valores reais unitários dos produtos por data de venda e foi elaborado o "Demonstrativo do Preço Unitário dos Produtos Idênticos no Mercado Atacadista da Praça do Remetente" (que pode ser consultado no “Doc 88 Pço Unit Prod Idênticos – VTM”) que serviram como parâmetro para os mesmos produtos vendidos pela Anfíbia às empresas do "Grupo Skala", tendo os cálculos realizados levado em consideração as datas das vendas. 100. Explica, por meio de dois produtos, como procedeu em relação aos preços em função das datas de venda e destaca que com a metodologia empregada foi resguardada, de forma individualizada por produto, a paridade dos produtos de acordo com os correspondentes tipos, marcas, modelos, espécies e qualidades e, assim, foram calculados os VTM nas transações realizadas entre a Anfíbia e suas “filiais” e afirma que não foram adotadas no cálculo médias ponderadas de preços. 101. Para deixar ainda mais evidente a prática de subfaturamento nas vendas à Global Distribuidora, narra o TVF que, no dia 02/09/2009, a Anfíbia, inadvertidamente, teria se esquecido de implementar o esquema no tocante às operações objeto da Notas Fiscal nº 68128 e 68129, cujos valores ali registrados são idênticos aos valores unitários recalculados pela Fiscalização em relação às demais transações desta natureza e frisa que, como era de se esperar, os montantes destas operações, em que inexistia subfaturamento, não foram negociadas com a Caixaforte Factoring14. I.14. Das Infrações Praticadas em Relação ao IPI: I.14.1. IPI Destacado a Menor nas Vendas ao "Grupo Skala" – Produtos Idênticos na Praça do Remetente: 102. Registra a Fiscalização que, a partir dos arquivos digitais das Notas Fiscais de saída da Anfíbia, foram segregadas as de produtos tributados pelo IPI Relativas à Platina, Wanchovia, Master Line, Nebraska, Noviça, Doca, Js e Saga, cujos montantes foram cotejados com os preços unitários recalculados Fl. 52764DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 29 28 constantes do “Doc 88 Pço Unit Prod Idênticos – VTM” e foram apresentados os cálculos relativos às diferenças das bases de cálculo, que podem ser consultados no “DOC 90 – Preço Praça Remetente Produtos Idênticos”. I.14.2. IPI Destacado a Menor nas Vendas ao "Grupo Skala" – Produtos Congêneres na Praça do Remetente: 103. Esclarece que, como os preços dos produtos comercializados pela Anfíbia foram definidos pelos preços dos produtos vendidos no mercado atacadista da praça do remetente, e, ainda, como a Global Distribuidora não comercializou 100% dos tipos de produtos da Anfíbia, enquanto as distribuidoras do "Grupo Skala" o fizeram, os produtos vendidos ao "Grupo Skala" foram definidos a partir da semelhança de tipo, espécie, embalagem e volume dos produtos vendidos à Global Distribuidora, segundo “Demonstrativo do Preço Unitário dos Produtos Congêneres no Mercado Atacadista da Praça do Remetente” presente no “Doc 91 Pço Pça Rem Produtos Congêneres” e “Doc 92 Congêneres Por Descrição”. 104. Exemplifica que “o código de produto 3117 cuja descrição é CR. ABACATE SK 300G CX12x1 não foi encontrado nas vendas da Anfíbia à Global Distribuidora. Por sua vez,identificamos o produto 3520 CRE. PENTEAR ABACATE SK 300GRS CX12X1que foi vendido à Global Distribuidora” e que assim foi atribuído o “o VTM encontrado nas operações com a Global Distribuidora do produto 3520 ao produto 3117” e que “Procedimento análogo, em novo exemplo, realizamos em relação ao código 4038 CR. KERATINA SK 300G CX12X1, quando lhe atribuímos o VTM relativo ao código 4040 CRE. PENTEAR SK KERATINA 300G CX12X1”. 105. Diz que, atribuído o VTM aos demais produtos a partir de suas características individualizadas, foi elaborado o "Demonstrativo do IPI Devido – Preço Corrente No Mercado Atacadista Para Produtos Congêneres Na Praça do Remetente”, constante do "Doc 93 IPI Devido Pça Remet Prod Congêneres” (no Doc. 92, fls. 11.235/11.239, consta a relação de produtos não comercializados com a Global Distribuidora e os produtos em relação aos quais foi atribuída equivalência). I.14.3. IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros: 106. Noticia o TVF que os valores subfaturados nas vendas de produtos a não integrantes do "Grupo Skala" foram tributados pelo IPI, consoante “Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros”, disponível no “Doc. 94 IPI Destacado Menor Terceiros”. Destaca que no Doc. 94 figuram as Notas Fiscais de venda a terceiros com o cálculo do IPI devido sobre as diferenças omitidas do produto. I.14.4. Diferença de Alíquota de IPI nas Notas Fiscais: Fl. 52765DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 30 29 107. Comunica o Termo de Verificação Fiscal que a contribuinte teria se utilizado de alíquotas menores do IPI devido em suas saídas tributáveis, na forma do “Demonstrativo de Classificação de Alíquotas do IPI nas NF x TIPI”, disponível no “Doc 95 Diferença Alíquota” e que no “Demonstrativo Do IPI Devido Diferença de Alíquota Sobre as Saídas Tributáveis”, parte integrante do “Doc 96 IPI Devido Dif Alíquota” há a relação e a apuração do IPI dos itens cujas alíquotas foram informadas erroneamente nos documentos fiscais, tendo sido ressaltado pela Fiscalização que referidos demonstrativos tratam apenas dos preços praticados nas Notas Fiscais, sem a atribuição do VTM ou recálculo do preço subfaturado. 108. No tocante aos produtos que tiveram equívoco na alíquota aplicada, a parcela subfaturada compõem os seguintes demonstrativos: 108.1. em relação às vendas realizadas a empresas do "Grupo Skala" de produtos idênticos aos comercializados com a Global Distribuidora, no “Demonstrativo do IPI Devido Diferença de Alíquota Sobre a Diferença Entre o VTM e o Valor em Notas Fiscais do "Grupo Skala" – Produtos Idênticos, que pode ser consultado no “Doc 97 Alíquota VTM x NF Skala Idênticos”; 108.2. em relação às vendas efetuadas a empresas do "Grupo Skala" de produtos congêneres aos comercializados com a Global Distribuidora, no Demonstrativo do IPI Devido Diferença de Alíquota Sobre a Diferença Entre o VTM e o Valor em Notas Fiscais do Grupo Skala Produtos Congêneres disponível para consulta no “‘Doc 98 – Alíquota VTM x NF Skala Congêneres”; 108.3. em relação às vendas de produtos a terceiros, no Demonstrativo do IPI Devido Diferença de Alíquota Sobre Vendas Subfaturadas a Terceiros (“Doc 99 IPI Devido Dif Aliq Sub Terceiros”). I.15. Devolução de Vendas: 109. Consigna o TVF que foi detectado que a contribuinte recebeu em devolução parte dos produtos por ela vendidos, que está identificada nos arquivos magnéticos entregues e nas Notas Fiscais Eletrônicas e explica que os créditos do imposto “foram calculados a partir dos mesmos valores dos produtos recalculados, quando das apurações das infrações na data da emissão da Nota Fiscal de devolução” e que nos Demonstrativos da 165ª lauda do TVF estão identificadas “as notas fiscais cujas devoluções foram subtraídas das bases de cálculo das infrações, lembrando que as notas fiscais canceladas não fazem parte de qualquer cálculo de infração deste Termo”. I.16. Multa Qualificada: 110. Para justificar a aplicação da multa qualificada de 150%, o TVF discorre sobre a transferência da marca Skala da Layff Kosmetic para o Sr. Oscar Lacerda e sobre a decretação da Fl. 52766DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 31 30 falência daquela empresa e se reporta à formação do denominado “Grupo Skala”, liderado pelo Sr. Oscar Lacerda e pelos demais integrantes do já comentado “Núcleo Diretoria”. 111. Repisa que a idéia central do esquema do "Grupo Skala" era pagar menos tributo, para o que simulou operações para se manter à margem das fiscalizações, criou distribuidoras e entrou em conluio com clientes externos, com a intermediação de factorings. 112. Rememora que a autuada vendia produtos às distribuidoras com preços artificiais e abaixo do mercado (o que ensejava a tributação do IPI sobre uma base subfaturada e a transferência de lucro para as distribuidoras, que nada mais eram que empresas dos próprios sócios ou de diretores do grupo e econômico) e que estas distribuidoras eram tratadas como filiais pela fiscalizada e por instituições financeiras. 113. Menciona, ainda, que terceiros uniramse ao esquema e adquiriam produtos com valores de Notas Fiscais menores que os efetivamente pagos e, com isto, davase aparência de similaridade dos preços praticados com empresas terceiras e as integrantes do "Grupo Skala". 114. Discorre sobre ensinamentos de Galvão Teles e de Alberto Xavier em relação à simulação e à sonegação e, em seguida, afiança distante “a intenção e a realidade dos acontecimentos, tendo o contribuinte lançado mão de todos os recursos disponíveis, omitindo informações, prestando declarações inexatas à autoridade fiscal na emissão de seus documentos fiscais, aliciando empresas a participarem de seu esquema”. 115. Comenta os três requisitos da fraude: o primeiro, subjetivo, consistente na conduta omissão ou comissiva de reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o segundo, também subjetivo, o caráter doloso da ação ou omissão; e o terceiro requisito, de caráter objetivo, o impedimento ou o retardamento, total ou parcialmente, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou excluir ou modificar as suas características essenciais. 116. Pondera que “A expressão ‘impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador’ não pode ser interpretada literalmente, pois se a obrigação tributária principal só surge com a ocorrência do fato gerador (art. 113, § 1º do CTN), não pode haver infração por ato ilícito nos casos em que o fato gerador não ocorreu ou teve a sua realização retardada” e, em seguida, para respaldar esta afirmação, colaciona posição de Alberto Xavier sobre o art. 72, da Lei nº 4.502/64. 117. Diz que, diante do acima exposto, foi aplicada a multa qualificada de 150%, segundo arts. 488, caput e inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 e, ainda, os arts. 559, 561 a 563 e 569, do Decreto nº 7.212/2010, que foram reproduzidos juntamente com os arts. 71 (caput e incisos I e II), 72, 73 e 80, da Lei nº 4.502/1964. Fl. 52767DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 32 31 I.17. Termos de Sujeição Passiva Solidária: 118. Foram expedidos os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 18.649/18.676, e, destes Termos e da Autuação, os responsabilizados tomaram conhecimento, segundo segue: Responsáveis solidários Data ciência Fl. Impugnação Data OSCAR JOSÉ DE CASTRO LACERDA 18/12/2013 18890 18.975/18.984 17/01/2014 NADIR DE CASTRO NEVES 13/12/2013 18695 18.942/18.950 14/01/2014 ANTONIO FERNANDO BONISATTO 20/01/2014 19047 18.966/18.969 17/01/2014 SÉRGIO MORAES SAMPAIO 18/12/2013 18891 18.966/18.969 17/01/2014 KEILA ALVES MARTINS DUARTE 13/12/2013 18709 Não havia notícias MARIA DAS GRAÇAS FERNANDES OLIVEIRA 18/12/2013 18892 18.910/18.914 15/01/2014 PLATINA COSMÉTICOS LTDA 18/12/2013 18893 18.989/18.999 17/01/2014 DISTRIBUIDORA NEBRASKA LTDA 29/12/2013 18902 18.989/18.999 17/01/2014 DISTRIBUIDORA NOVIÇA LTDA 07/02/2014 19.992/19.993 19.050/19.053 07/02/2014 DISTRIBUIDORA WANCHOVIA LTDA 19/12/2013 18894 18.989/18.999 17/01/2014 DOCA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA 20/12/2013 18895 18.989/18.999 17/01/2014 MASTER LINE DO BRASIL LTDA 18/12/2013 18896 18.958/18.961 17/01/2014 SAGA DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA 23/12/2013 18897 18.989/18.999 17/01/2014 JS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PERFUMARIA 19/12/2013 18898 18.989/18.999 17/01/2014 119. Por sua vez, a autuada tomou conhecimento da autuação aos 13/12/2013, fls. 18.680/18.681, e aos 14/01/2014 interpôs a Impugnação de fls. 19.216/19.262. II. Impugnação de Anfíbia Indústria e Cosméticos Ltda: 120. Na Impugnação, a autuada alega que a saída do Sr. Oscar Lacerda dos quadros societário da Layff Kosmetic Ltda foi regular e decorreu de discordâncias com a forma de trabalho de sócios que ingressaram na empresa em 2001 e que, após ter saído da Layff Kosmetic, o Sr. Oscar adquiriu as empresas Platina e Master Line, que já atuavam no ramo de cosméticos, negociando a marca “Bell Soft”, desde os anos de 1991 e 1997, respectivamente. 121. Expõe que, na mesma época, os Srs. Fernando, Nadir e Sérgio foram demitidos da Layff Kosmetics e que, dada a amizade estabelecida ao longo de anos, procuraram o Sr. Oscar Lacerda, o qual, por não ter como pagar os salários por eles pretendidos, propôslhes que se tornassem empresários, tendo ficado acertado que: (i) o Sr. Sérgio, engenheiro químico, produziria cosméticos; (ii) o Sr. Nadir ficaria responsável pela área financeira; (iii) o Sr. Fernando, pelos suprimentos (compras) e; (iv) o Sr. Oscar, pela distribuição dos produtos. 122. Consigna que, deste modo, o Sr. Oscar ficou com a Platina e, ainda em 2002, transferiu as quotas que detinha na Master Line para os Srs. Sérgio e Nadir e os Srs. Fernando, Nadir e Fl. 52768DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 33 32 Sérgio compraram a Anfíbia e, em seguida, constituíram a Sogram. 123. Menciona que, no início, o Sr. Oscar, por deter mais recursos e ser o único com experiência enquanto “dono de empresa”, acabou exercendo papel de liderança, mas que, com o tempo, cada um passou a explorar a atividade empresarial com a qual tinha maior afinidade. 124. Fala que, em 2004, o Sr. Nadir saiu da Master Line e passou a ser o único sócio proprietário da Anfíbia, responsável pela produção de embalagens e logística. 125. Diz que o Sr. Fernando saiu da Anfíbia e passou a distribuir cosméticos por intermédio da Sogram, mas como este segmento não lhe agradou muito na ocasião, suspendeu as atividades da Sogram e, em dezembro de 2007, ingressou como sócio minoritário na Master Line, em que Sérgio, sócio majoritário, cuida da produção de cosméticos. 126. Para demonstrar que as empresas não formam Grupo Econômico, faz alusão ao “Parecer Técnico de Engenharia Econômico” que anexa ao recurso. 127. Em seguida, aduz que teria sido regular a transferência da marca Skala para o Sr. Oscar Lacerda, consoante inclusive decidido por decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo de falência da Layff, em que o tema foi debatido. 128. Alude que a questão acima fora examinada pela DRF/Uberaba, que, segundo Termo que reproduziu, não encontrou irregularidades em relação aos mesmos fatos aqui discutidos. II.1. Dos documentos e dos dados apreendidos e coletados: 129. Quanto às apreensões, ressalva a impugnante que ainda está analisando a correlação entre documentos e/ou dados apreendidos e o local da suposta retenção e se reserva o direito de retornar ao assunto, mas a respeito já apresenta os comentários abaixo: 130. Reclama inexistir identificação do computador em que estariam gravados os arquivos eletrônicos, contendo dados de terceiros ou informações globais, que teriam sido encontrados no estabelecimento da Anfíbia e supõe que “pode ser que um computador de terceiro, momentaneamente na empresa, tenha sido copiado como se da Anfíbia fosse” e realça que a própria Total Contabilidade se reconheceu autora de algumas das planilhas de compilação de dados. 131. Complementa que, de acordo com a Fiscalização, os documentos apreendidos por meio da AAD 6227 teriam sido encontrados em filial da Platina na Rua Onofre da Cunha, mas que tal endereço é da matriz da Platina, confusão esta que prejudicaria a fidedignidade da apreensão. E também ressalva Fl. 52769DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 34 33 que na Rua Onofre da Cunha Rezende, nº 23, 2º andar, funciona não uma filial da Platina, mas o escritório da Total Contabilidade. 132. Qualifica como truculenta a operação de apreensão, consoante declarações prestadas pelas Sra. Rosa Maria Caldeira dos Santos e Maria das Graças Fernandes Oliveira. 133. Exterioriza que “os documentos de uma empresa não foram apreendidos na sede da outra” e que “A mistura se deu em virtude da ‘violação’ de escritório de contabilidade autônomo”. 134. Ademais, censura a defendente que a autuação teria se valido de dados e documentos atinentes a outros exercícios para sustentar supostas infrações pertinentes aos anos de 2009 a 2012 e elucida que, no tocante a referidos documentos, sequer a autuada se pronunciou no curso do procedimento fiscal, tampouco o fará na Impugnação, pois desnecessário, e solicita a total desconsideração da enfocada documentação. 135. Sustenta que, diferentemente do que disse a Fiscalização, os documentos de cessão de crédito aludidos no item 14.1 acima não foram encontrados nos arquivos da Master Line, mas no arquivo pessoal do Sr. Fernando, sócio daquela empresa e procurador do Sr. Oscar desde o ano de 1986. 136. Argúi, no que se refere ao “Doc. 06 – Seguros”, que os e mails não foram enviados à Sra. Keila Alves Martins Duarte, mas a uma “colaboradora” da Master Line chamada Keila Bisinotto, e que o documento apenas retrataria uma tentativa de negociação conjunta, feita por um grupo de amigos, para obtenção de um preço melhor na contratação de seguros e que a palavra “gerentes” é ali usada apenas para efeito de orçamento, mas destaca que, se o negócio houvesse sido concretizado, cada empresa arcaria com os respectivos custos. 137. Censura, relativamente ao “Doc. 067 Distribuição de Vendas 2010_2011”, que, conquanto a Fiscalização assevere que ela foi apreendida nos arquivos digitais do Sr. Nadir, inexistiria, nos AAD correlatos, identificação de qual computador o arquivo fora copiado, peloque não se poderia afiançar que ele seria do Sr. Nadir, o qual não foi intimado para se explicar a respeito. Além disto, reprova que não há notícias nos autos se a suposta determinação de comportamento de vendas fora, ou não, implementada. 138. Na seqüência, afirma que os “Docs” nº 8, 9, 10, 11, 14, 25 e 28 não são de responsabilidade da Anfíbia, sendo “provável que alguns tenham sido apreendidos na sede da Total Contabilidade (AAD 6227) e outros podem ter sido deixados na Anfíbia por algum funcionário daquela contabilidade que prestou serviços intramuros”, hipótese esta inclusive confirmada pela Total Contabilidade, consoante pág. 128, do TVF. 139. Desfia que o descrédito da Fiscalização às respostas da Anfíbia e da Total Contabilidade seria genérico e não indicaria Fl. 52770DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 35 34 em que ponto tais respostas seriam imprecisas e conjectura que a autoridade fiscal teria extraído dos documentos apenas o conteúdo que lhe interessava, tomado como absoluta verdade. 140. Aduz que, como desconhecia os Docs. 12, 13, 21 e 26, eles foram submetidos à Total Contabilidade, que afirmou terem sido produzidos por empregados daquela empresa e ressalta que, tão logo a Total Contabilidade declare isto formalmente, juntará a declaração aos presentes autos e desde logo requer a posterior juntada do documento. 141. Sustenta que o “Doc. 16 – Imposto Factoring”, apreendido nos arquivos pessoais do Sr. Nadir, seria apenas um estudo da carga tributárias das factorings, elaborado a pedido da Sra. Cristina Maria dos Santos Neves, esposa do Sr. Nadir, que à época era sócia de uma empresa de factoring e solicitou ao marido que se informasse a respeito do assunto. 142. Diz que não sabe explicar o uso da expressão “filiais” pelo Sr. Paulo Tamayossi no conjunto documental Doc. 24 e indaga por que não foi ele intimado a se justificar. 143. Legitima a existência de lista de contadores que prestam serviços a alguns clientes da impugnante em virtude da necessidade de obtenção de alguma informação ou esclarecimento a respeito de tais clientes, para os quais realiza muitas vendas. II.2. Das Procurações: 144. Quanto ao que denominou a autuação de “Procurações do Grupo Skala”, frisa que, indubitavelmente, o expediente seria lícito e pondera que quem é dono não necessita de procuração e, ainda, que se os mandatos foram outorgados, é porque “deve ter havido alguma necessidade momentânea”, eis que “lá atrás, quando as empresas começaram as suas relações comerciais, havia o interesse de cada um acompanhar o que o outro estava fazendo”, mas que depois “à medida em que a confiança entre os parceiros foi aumentando, elas se tornaram desnecessárias e foram revogadas”. 145. Contradiz que “a Anfíbia revogou as operações sem prazo de vigência em 2011 (revogações anexas). A Platina também. A Distribuidora Noviça revogou uma delas em 2007 e a outra também em 2011.A Master revogou duas em 2011 e uma em 2007”. 146. Adita que a Fiscalização não apontou sequer um ato de gerência efetivamente praticado e que a simples existência de procurações não traduzem a real prática de atos de gestão pelos mandatários e condena a utilização, pela Fiscalização, de procurações já vencidas (como a da Distribuidora Nebraska, expirada aos 17/08/2008 fl. 1.904) para concluir pela prática de atos de gerência no decorrer dos anos de 2009 a 2012. II.3. Das Circularizações Feitas Pela Fiscalização: Fl. 52771DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 36 35 147. Enuncia a impugnante que a tese de subfaturamento teria sido erguida pela Fiscalização a partir de respostas de intimações feitas pela autoridade fiscal às empresas Global Distribuidora de Cosméticos, Cristiane Gaion da Rosa ME e Caixaforte Factoring. 148. Descreve ter percebido, nas intimações feitas pela fiscalização, a existência de uma seqüência numérica nos TIF, mas que há uma descontinuidade na numeração destes Termos de Intimação Fiscal, não se sabendo se existiram os TIF nº 4, 5, 6, 9, 11, 16, 18, 20 a 50, 54, 55, 60, 62, 64, 65 a 74 a 77, diante do que a autuada entrou em contato com diversos clientes, fornecedores, colaboradores, etc, mas apenas obteve respostas de dois clientes e de uma “excolaboradora”, a Sra. Daniela Aparecida Saad Silva. 149. Relata que as duas clientes enviaram à impugnante as intimações por elas recebidas e disseram que não arquivaram as respectivas respostas e que a Sra. Daniela Saad entregou duas intimações e as respostas que ela teria dado à Fiscalização, o que confirmou a suspeita da existência de outros TIF não juntados aos autos, não se sabendo por que não acostada ao presente processo administrativo a totalidade dos TIF expedidos, não se podendo ter certeza se as respostas aos TIF não entranhadas aos autos contrariam a tese da Fiscalização. 150. Registra que a Sra. Daniela Saad, ao responder a indagação embutida no TIF nº 06/2013 sobre o controle do percentual de 40% do faturamento não acobertado por Notas Fiscais, assegurou que desconhecia tal situação e que, não satisfeita, a Fiscalização enviou nova intimação à Sra. Daniela, na qual ficou consignado que a resposta ao TIF nº 06/2013 “não corroboram as constatações tomadas a partir da análise do caderno de anotações pertencente a V. Sª à época do desempenho de suas funções na referida empresa, sendo assim, solicitamos a V. Sª ratificar as informações ou retificálas” e que “a omissão de informação fiscal ou a prestação de declaração inexata (...) poderá caracterizar crime contra a ordem tributária”, mas que, mesmo pressionada, a Sra. Daniele manteve a declaração anterior. 151. Acusa que a Fiscalização omitiu a intimação da Sra. Daniela e indaga como não qualificar a atitude como desvio de finalidade e assevera que as “confirmações” feitas por Global Distribuidora, Cristiane Gaion e Caixaforte deveriam ser relativizadas, “pois, diante do que ocorreu com a Sra. Daniela, sabese lá que tipo de pressão sofreram”. 152. Aponta que, apesar de concluir que as empresas acima fariam parte do “esquema”, a Fiscalização conferiu credibilidade ao que elas disseram e indaga se quem disse o que a Fiscalização não queria ouvir também não mereceria confiabilidade. Fl. 52772DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 37 36 153. Menciona que, apesar de as empresas Global Distribuidora e Cristiane Gaion terem afirmado que pagaram boletos à Caixaforte e que esta empresa tenha alegado que teria repassado montantes atinentes a tais boletos à Anfíbia, nenhuma prova há destes repasses nem nada a respeito foi encontrado nos documentos apreendidos. 154. Alerta que a Fiscalização admite a necessidade de comprovação de supraditos repasses, eis que, pelo TIF nº 63/2013, requereu a apresentação de documentos comprobatórios de tais operações e destaca que, estivesse a Caixaforte sob fiscalização, esta falta de comprovação ensejaria a tributação desta empresa, que efetivamente ficou com os recursos. 155. Conclui o tema garantindo que os valores concernentes às Notas Fiscais emitidas teriam sido contabilizados e os valores correspondentes a estas Notas (recebidas via boletos com dígitos numéricos 1, 2 ou 3) também foram registrados e regularmente tributados, e, ainda, que ninguém teria dito que pagou à Anfíbia boletos com letras ao final (A, B ou C) e que inexistiria provas de qualquer repasse feito pela Caixaforte à Anfíbia. II. 4. Da Comercial Treze: 156. Sustenta que desconhece a Comercial Treze e que seriam insustentáveis as ilações da Fiscalização, eis que sequer provas há de que os supostos beneficiários de pagamentos feitos pela Comercial Treze realmente receberam os valores aludidos pela Fiscalização ou de que eles tenham sido intimados e que os e mails reproduzem apenas conversas particulares dos envolvidos alheias à Anfíbia e indaga se eles foram (e, na hipótese negativa, por que não) intimados a explicarem contexto e a razão dos diálogos. 157. Repisa que a documentação reunida nos “Docs.” 45 e 46 foi encontrada no escritório da Total Contabilidade e que nenhum dos documentos que integram o Doc. 45 está assinado e também diz que sequer há provas de que os valores nos documentos dos Doc. 45 e 46 hajam sido efetivamente recebidos nem de que eles foram pagos pela Anfíbia (novamente, indaga por que os beneficiários dos pagamentos não foram intimados e questiona se houve o recolhimento de FGTS que teria sido pago pela Comercial Treze). 158. Critica que, apesar de a Fiscalização afirmar que “a Comercial Treze não passa de uma entidade abstrata ou de um local onde, na prática, são armazenados recursos de suas operações regulares” não estaria esclarecido por que a busca e apreensão não achou dinheiro em espécie. 159. Interpela quais recursos teriam abastecido a Comercial Treze se não estaria comprovado o recebimento de recursos de boletos pagos à Caixaforte. Fl. 52773DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 38 37 160. Pondera, também, que “como as distribuidoras possuem contabilidade regular e nada foi apurado contra elas15, é óbvio que as receitas e lucros auferidos por estas empresas têm a destinação declinada em suas respectivas demonstrações financeiras, de modo que não se podem presumir desvios, ‘caixa dois’, etc”. II. 5. Das Respostas da Autuada, dos Demais Obrigados e da Total Contabilidade: 161. Perfilha que nas respostas da autuada e dos coobrigados inexistiria ardil e que a concatenação das manifestações é decorrência do fato de que todos falaram a verdade, pelo que não há contradições, e realça não ter havido erro de português idêntico nos pronunciamentos dos coobrigados, mas apenas a abreviatura da palavra “Limitada” por “Ltda.”. 162. Cita que, apesar de as empresas possuírem o seu contador, a Total Contabilidade presta serviços a todas elas e exerce papel importante de compilação de dados financeiros e faz estudos sobre o mercado e a penetração da marca Skala, tendo sentido a contratação da Total Contabilidade pois todas empresas dependem do sucesso da marca, sendo razoável a junção de dados para uma visão global, o que não acarreta “que é tudo uma coisa só”. 163. Acrescenta que a própria Fiscalização reconhece que a Total Contabilidade traz para si a responsabilidade pela autoria de documentos questionados e reproduz excerto de decisão do CARF (Acórdão nº 10613232) na linha de que a desconstituição de confissão exige documentação robusta que a invalide e em semelhante diretriz reproduz o art. 845, §1º, do RIR/99, segundo o qual “Os esclarecimentos prestados só podem ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão”. Ademais, defendeque, in casu, nenhum indício haveria de inexatidão ou falsidade nas declarações da Total Contabilidade, pelo que não poderiam ser desacreditadas. II.6. Da Relação Entre as Empresas Autuadas, do Mercado de Cosméticos e do Num.Trans.Origem: 164. Afirma que, mesmo que tivesse ocorrido o “embolamento” visualizado pela Fiscalização, não há impedimento de que uma empresa releve seus dados e segredos à sua fornecedora, dada a autonomia da vontade assegurada pela Magna Carta (art. 5º, II, da CF/88). 165. Consigna, outrossim, que a disputa das empresas Anfíbia, Master Line, Platina, Wanchovia, Noviça, Saga, Doca, JS e Nebraska não é entre elas e que se “elas resolvessem pensar só em si mesmas, a marca Skala não venderia mais nem um mísero vidro de xampu”, sendo“claro que as empresas se ajudam (e não há nenhum problema nisto)” e que “O Fisco confunde interesse comum, complementariedade de funções, encadeamento de atividades e compartilhamento de informações com controle Fl. 52774DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 39 38 concentrado, administração única e artificialidade das relações” (25ª lauda, último parágrafo, da Impugnação, fl. 19.240). 166. Não nega a existência de vínculos de amizade entre as pessoas físicas, a articulação para racionalizar processos, reduzir custos, evitar retrabalho, mas que disto não resulta em falta de independência das empresas, que têm autonomias administrativa, econômica e financeira. 167. Sentencia não ter havido “reestruturação objetivando ‘pagar menos imposto’ e que “O negócio já foi gestado desta forma” e relembra que “quando o Sr. Oscar adquiriu as empresas Master Line e Platina (em 2002), ambas já atuavam de forma segmentada (com industrialização e distribuição separadas em duas pessoas jurídicas distintas)” e que “Com a inserção da Anfíbia neste contexto, aumentouse a eficiência (os rótulos e embalagens passaram a ser produzidos por alguém que também depende do sucesso da marca, frisese)”. 168. Discorre que com o aumento das vendas, foram agregados outros profissionais e distribuidoras e repisa existir entre todos uma “grande vigilância e concatenação”, pois “ se um andar mal, prejudicará a todos” e exemplifica: “se a Master Line não envasar, ninguém terá o que vender. Se o produto envasado não tiver qualidade, ninguém vende. Se a Anfíbia não ocupar grande parte da capacidade produtiva da Master Line, não conseguirá os preços e as condições que consegue. Se o distribuidor do CentroOeste não cumprir prazos, prejudicará as vendas no Sul”. 169. Comenta que a segmentação permitiu uma maior especialização e expressivos ganhos de desempenho, sinergia e potencialização das ações e que o compartilhamento de informações, a criação de dados comuns e proximidade física das sobreditas empresas ocasionou ganho logístico. 170. Referencia que, no contexto exposto, o “Num.Trans.Origem” seria mero balizador para fins de carregamento de caminhões e logística e também exerceria a recente necessidade mercadológica de originação e rastreamento de produtos, eis que na “Era da Informação” o consumidor não se contenta apenas com o produto bem embalado, mas quer saber quem produziu, como produziu, se as boas práticas foram observadas, etc. 171. Arrazoa que o “Num.Trans.Origem” revelaria uma administração moderna e concatenada com o mundo digital e com os anseios do consumidor moderno e que aquilo que a Fiscalização chamou de “venda casada” não representaria triangulação, mas o conhecido “just in time”, segundo o qual as distribuidoras apenas compram após a firme formalização de pedidos por seus correspondentes clientes. 172. Faz remissão a “Parecer de Engenharia Econômica”, do qual reproduz excertos, relativo a uma ferramenta informatizada empregada pela Protect & Gamble, que diz ser assemelhada ao Fl. 52775DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 40 39 “Num.Trans.Origem”, e realça que não apenas a autuada tem sistema de acompanhamento do que seus distribuidores estão fazendo. 173. Reportase à validação, pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, da separação entre a unidade industrial e a de distribuição da empresa Bio Extratus. 174. Comenta que várias outras empresas (a exemplo da Unilever, Embelleze, etc) adotam o enfocado modelo de segmentação e conclui que “um dos modelos de negócio possíveis é separar indústria e distribuição” e que “Grande multinacionais atuam desta forma”. 175. Advoga haver racionalidade econômica (propósito negocial) justificadora do modelo adotado pelas empresas autuadas, tendo apresentado conclusão pericial neste sentido. 176. Diz inexistir qualquer negócio jurídico encobertado, sendo verídicas as operações questionadas, e, além disto, argumenta que haveria autonomia das distribuidoras e normalidade das relações e dos preços praticado, o que pretende comprovar por meio de dois laudos técnicos, já contratados, cujas juntadas aos autos serão oportunamente providenciadas. II.7. Dos Erros na Apuração do IPI Lançado: 177. A impugnante aponta que haveria três erros na apuração feita pela Fiscalização. 178. O primeiro, a inserção dos valores das Notas Ficais nº 68.128 e 68.129 (em relação às quais a Anfíbia teria esquecido de por em prática o esquema de sonegação) nos cálculos das diferenças de alíquota sobre vendas subfaturadas a terceiros (doc. 94, fl. 17.939). 179. O segundo equívoco consistiria no fato de que, conquanto a Fiscalização esteja exigindo, relativamente ao período de 01/01/2009 a 31/12/2012, valores a título de IPI que teriam sido destacados a menor em vendas subfaturadas (item 001 do Auto de Infração, fls. 18.439/18.440), no “Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros, disponível no Doc. 94 (no qual, segundo pág. 161, do TVF, ‘são apresentadas as Notas de Vendas a terceiros com cálculo do IPI devido sobre as diferenças”) apenas figura apuração de diferenças concernentes aos períodos de 01/01/2009 a 27/08/2010 (fls. 12.508/14.780). Destarte, na visão da recorrente, levandose em conta a inexistência da demonstração da matéria tributável em relação ao período de 28/08/2010 a 31/12/2012, teria sido descumprido o art. 142, do CTN, pelo que seria nula esta parte da autuação por cerceamento do direito de defesa. 180. O terceiro engano seria o arbitramento dos preços de produtos que a Global Distribuidora não comercializa, para o Fl. 52776DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 41 40 que o TVF afirma que teria levado em consideração os códigos de produtos semelhantes em espécie, tamanho, quantidade, tipo e finalidade, pois, de acordo com a impugnante, ao atribuir um preço de um produto a outro, a Fiscalização teria deixado de levar em consideração o fundamental fator de qualidade da mercadoria. 181. Depois de transcrever o trecho em que o TVF exemplifica que adotou, para o produto “CR. ABACATE SK 300G CX 12x1”, código 3117, o mesmo valor do produto “CRE. PENTEAR ABACATE SK 300GRS CS12X1”, código 3520, critica a impugnante que “apesar (i) de o peso/volume dos produtos ser o mesmo (300g), (ii) de os dois serem vendidos em caixas com1 2 unidades e (iii) de o ‘abacate’ fazer parte da composição de ambos, a qualidade do ‘Creme de Pentear Abacate 300g’ (código 3520) é bem superior ao do ‘Creme Abacate 300g’. Na nota fiscal nº 065351 (anexa), emitida em 21/1/2009, o creme para pentear foi vendido a R$ 12,48 e o outro a R$ 7,68 (ou seja, o primeiro é 38,46% mais caro do que o segundo)”. 182. Conclui este item afiançando que “o preço de um produto não pode ser tomado como parâmetro para a apuração do preço de outro”. II.8. Da Ausência de Capacidade Contributiva em Relação ao Suposto Subfaturamento: 183. Alega a recorrente que não deteria capacidade contributiva em relação ao suposto subfaturamento, eis que incomprovado, segundo alega, o repasse à Anfíbia dos valores confessadamente recebidos pela Caixaforte. II.9. Da NãoCaracterização de Interdependência e da Existência de Erro na Base de Cálculo: 184. Inicialmente neste tópico, a recorrente aponta uma conjecturada contradição na autuação, materializada no fato de que o TVF, ao mesmo tempo em que conclui que as distribuidoras e a Master Line seriam filiais da Anfíbia, diz que estas empresas seriam interdependentes (critica a recorrente sem sentido alguém ser interdependente de si mesmo). 185. Expõe que, conquanto a autuação haja se reportado ao art. 612, do RIPI, ela caracterizou a interdependência com fundamento no inciso II, desde artigo, segundo o qual são interdependentes duas empresas “quando de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação” e que a autoridade fiscal teria concluído pela interdependência a partir da tese de que as empresas seriam geridas pelas mesmas pessoas, ainda que por intermédio de procurações, que conferiam amplos poderes gerenciais (págs. 145, 148 e 149, do TVF). Fl. 52777DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 42 41 186. Refuta a recorrente a conclusão acima pelas seguintes circunstâncias: 186.1. no período de 2009 a 2012, os sócios da Anfíbia foram o Sr. Nadir e a esposa dele e “nenhum dos dois foi, formalmente, diretor ou sócio gerente de nenhuma das sete empresas supostamente pertencentes ao grupo. Do ponto de vista formal, portanto, não há interdependência”; 186.2. eventual procuração não torna ninguém diretor ou sócio gerente, além do que a simples existência de procuração não prova efetiva gestão; 186.3. indaga: se é o mandato que configura dupla administração, isto significaria que em relação à Nebraska não haveria interdependência? (relembra que a última procuração da empresa fora “cassada” em 17/08/2008, segundo documento anexado); 186.4. no ano de 2012, já não mais havia qualquer procuração vigente e, como a apreensão se deu aos 04/10/2011, não existiria, na documentação apreendida, nenhum documento concernente ao ano de 2012, pelo que a interdependência em relação ao período não estaria calcada em nada; 186.5. as alegações da autoridade fiscal seriam genéricas e as provas colhidas “até poderiam representar um começo de uma investigação mais profunda”, o que não foi feito; assim não se poderia dizer que a Anfíbia e as distribuidoras são interdependentes. 187. Encerra ponderando que, não configurada a interdependência, a base de cálculo da Fiscalização estaria equivocada e que o ponto de partida para apuração da base de cálculo, caso caracterizado subfaturamento, deveria ser o preço de venda praticado pelas distribuidoras, razão por que esta parcela da exigência deveria ser cancelada. 188. Na seqüência, sustenta, para argumentar, que, ainda que estivesse a prosperar, pois a autuação padeceria de dois equívocos: (i) o primeiro, que não foi levado em conta os preços praticados com terceiros pela Global Distribuidora, mas o preço de vendas a esta empresa; (ii) o segundo, que foi coletado o preço no atacado de uma única distribuidora, quando a própria COSIT, por intermédio da Solução de Consulta Interna nº 8, de 13/06/2012, já pacificou o entendimento de que a pesquisa de preços deve ocorrer no mercado atacadista (e não em qualquer outro) e que a amostra única apenas seria viável quando existisse um único distribuidor atacadista na praça do estabelecimento industrial – e, no caso vertente, haveria pelo menos dois: a Global e a Platina. 189. Acrescenta, sobre os produtos congêneres não vendidos pela Global, que a base de cálculo do IPI não seria a eleita pela Fiscalização, também balizada nos preços reajustados Fl. 52778DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 43 42 praticados pela Anfíbia, mas os preços praticados pela própria Platina com clientes dela. 190. Censura, ainda, a margem de sonegação presumida ao percentual de 40% seria equivocada, eis que, nos exemplos que a recorrente passa a discorrer, “em que se compara a NFe da Anfíbia com a da distribuidora e nos quais se anexa inclusive a página do doc. 41 com o num.trans.origem respectivo, vêse não só que a margem varia muito, mas também que, em nenhum dos casos selecionados, ela passou de 30%, ou seja, os 40% pressupostos pela auditoria, além de exagerados, trazem inequívoco prejuízo à autuada”. 191. Dadas as razões acima, requereu a nulidade da parte da autuação ora comentada. II. 10. Da Alegação de que a Fiscalização não Teria Levado em Conta o “Ex” Tarifário Aplicável aos Condicionadores: 192. Critica a defendente que, embora a Fiscalização trate como erro de aplicação de alíquota dos produtos listados no “Doc. 95 – Diferença Alíquota”, na realidade teria, sem dar explicações, feito a reclassificação de produtos fabricados pela Anfíbia, o que seria causa suficiente para a nulidade do Auto de Infração. 193. Defende que, de todo modo, os produtos descritos no Doc. 95 seriam condicionadores, sendolhe aplicável a alíquota de 7% prevista no Extarifário “01”, da NCM 3305.90.00. 194. Pontua que os comentados produtos foram registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária –ANVISA (a quem, na forma do art. 8º, da Lei nº 9.782/99, compete para regulamentar, controlar e fiscalizar produtos de higiene pessoal) como condicionadores, devendo o registro em referida Agência ser levado em conta para efeito de classificação fiscal. 195. Salienta que nos rótulos de todos os produtos reclassificados figura a indicação de que eles são condicionadores e menciona que na composição destas mercadorias há princípios ativos que objetivam hidratar, amaciar, desembaraçar, proteger e reestruturar os cabelos, pelo que seria indubitável que, realmente, tratamse de condicionadores, aos moldes de diversas Soluções de Consulta, cujas ementas vazou. II.11. Da Vinculação à Busca e Apreensão: 196. Sustenta que a autuação está diretamente relacionada à busca e apreensão realizada aos 04/10/2011, razão por que, se a ordem judicial que deferiu a medida cautelar for revogada, o combatido Auto de Infração, baseado nas provas obtidas por meio dela, ficará automaticamente cancelado. Para respaldar sua assertiva, faz remissão a suposta decisão do STF no HC nº 92.050/RJ. II.12. Da Multa Qualificada: Fl. 52779DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 44 43 197. Defende que o argumento de que os Srs. Oscar, Nadir, Fernando e Sérgio teriam agido de forma simulada ao criar e manter operações irregulares com o propósito de afastar do conhecimento da autoridade fiscal as operações reais do "Grupo Skala" seria dirigido apenas a estas pessoas físicas e não poderia legitimar o aumento da multa em relação à pessoa jurídica. 198. Alude, ainda, que: (i) não houve venda de cosméticos a preços artificiais e que as margens praticadas são inferiores aos 40% indicados pela Fiscalização, o que repisa será comprovado com laudo pericial já contratado; (ii) nenhum dos intimados confirmou que teria combinado com a Anfíbia o subfaturamento de 40% e que não haveria provas de que os valores recebidos pela Caixaforte foram repassados à Anfíbia, não tendo naquela factoring sido encontrada nenhuma evidência de que ela teria feito pagamento de contas da Anfíbia. 199. Repete desconhecer a Comercial Treze e que os documentos a ela relativos não foram apreendidos na Anfíbia, mas no escritório da Total Contabilidade, e, ainda, repisa que não fez qualquer reestruturação para pagar menos tributos e novamente se reporta ao resultado da diligência feita pela DRF/Uberaba no ano de 2007, que não detectou irregularidades. 200. Também retoma a alegação de inexistência de esquema para diminuir a carga tributária, mas de uma especialização das atividades de distintas empresas e que, mesmo que tivesse sido implementado planejamento tributário, ainda assim a multa qualificada seria impertinente, consoante precedentes administrativos cujas ementas exibe. 201. Tem como incomprovado o evidente intuito de fraude necessário à aplicação da multa dobrada, eis que, mesmo que existisse algum ato desabonador, ele não teria sido deliberado e questiona onde estaria a prova do dolo, que afirma não poderia ser comprovado por meio de indícios. 202. Reproduz a Súmula nº 14, do CARF (“A simples apuração de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”) e fala do princípio do in dúbio contra fiscum. 203. Encerrando este ponto, diz que o STF já firmou entendimento no sentido de que multa fixada em percentual superior a 100% seria confiscatória (AgRg no RE 748.257/SE). II.13. Do Pedido: 204. Por todas as razões acima, requereu a impugnante a nulidade, o cancelamento ou a improcedência total do Auto de Infração e, com fundamento no art. 16, §4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 38, da Lei nº 9.784/99, no princípio da verdade material e na jurisprudência que menciona, pugnou a posterior juntada dos laudos técnicos anteriormente mencionados, já em fase de elaboração, bem como de outros dados e informações que ainda serão colhidos e pugna, apesar Fl. 52780DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 45 44 da aludida documentação ainda não ter sido acostada aos autos, que ela seja expressamente levada em conta no momento do julgamento. III. Da Impugnação do Sr. Nadir de Castro Neves: 205. No recurso por ele protocolizado, o Sr. Nadir de Castro Neves reitera os termos da Impugnação da Anfíbia e acrescenta os aspectos específicos abaixo: 206. Menciona inexistir, no ordenamento jurídico brasileiro, norma relativa aos Termos de Responsabilidade Solidária, o que, por si só, já nulificaria a imputação, eis que à Administração Pública apenas pode praticar atos que a lei lhe autoriza. 207. Ressalva que sobredito Termo não contém todos os requisitos do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, especialmente a obrigatoriedade de intimação para pagar ou impugnar e, assim, mesmo se entendesse possível a sua emissão, o citado Termo seria nulo, o que corrobora com fragmento de voto proferido no Acórdão nº 110100.625. 208. Também indica haver erro no enquadramento legal do Termo de Sujeição Solidária, pois o inciso I, do art. 124, do CTN, pressupõe, consoante doutrina e jurisprudência que reproduz, participação pessoal e direta no ato ou fato que caracteriza a obrigação tributária, o que não teria ocorrido em relação ao recorrente na situação em testilha. 209. Afirma o impugnante que ele não tem vinculação pessoal e direta com o fato gerador dos tributos exigidos da Anfíbia, não industrializou nem vendeu cosméticos, não auferiu receita de venda destes produtos nem lucro desta atividade e que seria impossível que ele tivesse praticado fatos geradores dos tributos exigidos16 e, ainda, que ao qualificar como solidariedade algo que no máximo seria responsabilidade de terceiro, a Fiscalização cometeu erro de enquadramento legal que, por si só, bastava para “afastar o impugnante da autuação”. 210. Também vitupera que o impugnante não foi intimado a prestar esclarecimentos no curso do procedimento fiscal e que as assertivas da Fiscalização não apontariam um único ato específico que ele teria praticado, o que prejudica sua defesa. 211. Ao final, requereu o cancelamento ou a revogação de sua responsabilização e, com esteio no art. 16, §4º, “a”, do Decreto 70.235/72, no art. 38, da Lei nº 9.784/99, no princípio da verdade material e na jurisprudência que menciona, solicitou a posterior juntada de documentos. IV. Da Impugnação do Sr. Oscar Lacerda: Fl. 52781DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 46 45 212. No recurso que apresentou, o Sr. Oscar Lacerda reitera os termos da Impugnação da Anfíbia e pelo Sr. Nadir e adita as questões abaixo: 213. Reforça que a transferência da marca Skala da Layff Kosmetic para ele foi legal, o que inclusive foi judicialmente reconhecido. 214. Diz não ser chefe de nenhum esquema e que, como a marca Skala lhe pertence, tudo a ela referente é tratado com o impugnante, donde presume a impressão de “ascendência” do defendente em relação aos demais implicados na ação fiscal e que “a bem da verdade, digase que existe mesmo uma certa deferência de todos em relação ao Sr. Oscar (e da qual o impugnante muito se orgulha), pois, muitos dos amigos, hoje empresários, são ‘cria’ do defendente (aprenderam a administrar empresas com ele). E só isso, no entanto. Um não interfere na vida/empresa do outro” eafirma que apenas administra as empresas da qual é atualmente sócio (Platina, JS e Saga). 215. Afiança nunca ter ocorrido administração indireta, pois, apesar de todas as procurações, que informa hoje “cassadas”, nunca ninguém se intrometeu na empresa do outro eque tais procurações “foram outorgadas mais para que as pessoas envolvidas pudessem acompanhar e se inteirar do que o outro estava fazendo (sem ter que ficar pedindo abertura de dados a toda hora; daí os poderes amplos). Depois que cada um encontrou sua vocação, esta ‘vigilância’ acabou e os assuntos comuns (lançamento de um novo produto, p. ex.) passaram a ser tratados em reuniões periódicas”. 216. Menciona que, no início, realmente houve grande alteração societária das empresas fiscalizadas (o que explica em função de problemas de capital, sócios com distintas visões, etc), mas que houve uma acomodação nos anos de 2009 a 2012, período fiscalizado. 217. Na seqüência, o recorrente assim discorre as questões tratadas por meio das perguntas 2 a 8 do TIF nº 58/2013, que lhe foi enviado durante o curso do procedimento fiscal: 218. Relativamente à indagação nº 2 (a razão por que contas pessoais do impugnante foram encontradas na Master Line), ao avaliar a resposta dada pelo peticionante de que os documentos estavam guardados não na referida empresa, mas nos arquivos pessoais do Sr. Fernando, procurador do Sr. Oscar desde o ano de 1986, a Fiscalização, apesar de confirmar a existência da procuração, refuta que “nos documentos encaminhados, há operações sobre as quais não poderia o Sr. Antônio Bonisatto ter acesso, pois eram documentos tratados pela Comercial Treze”,tendo o recorrente redargüido que: 218.1. constatarseia, no Doc. 86, que foram pagas com seus recursos as contas pessoais do impugnante (o que ratifica) e alega desconhecer a documentação integrantedeste conjunto Fl. 52782DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 47 46 documental a partir do borderô de fl. 6648 até o de fl. 6653, que diz ter sido encontrado na Total Contabilidade, consoante inclusive inscrito no alto da fl. 6648 e na parte inferior da fl. 6650, em que figura a referência ao ‘AAD 6227’, que indica a apreensão que ocorreu na Total; 218.2. censura que a Fiscalização teria misturado documentos apreendidos nos arquivos pessoais do Sr. Fernando (dentro da Master Line) com documentos encontrados na Total Contabilidade, que não informou isto ao intimado e que ainda ela critica a resposta do recorrente. 219. No tocante à compilação de dados aludida na pergunta nº 3, disse que desconhecia a planilha e acenou a possibilidade de o documento tivesse sido elaborado pela Total Contabilidade, que inclusive confirmou tal ocorrência. 220. Sobre o questionamento de nº 4 (divulgação de dados de faturamento e ao lucro da Platina a outras empresas), justificou que, como proprietária da marca Skala, a Platina é a maior interessada em repassar tais informações para saber o andamento do intangível. 220.1. Rebate o apontamento da Fiscalização de que não fora apresentado documento de instituição financeira (ou outra) solicitando a avaliação da marca Skala, pois, como dito pela Platina durante o procedimento fiscal, o demonstrativo de faturamento de todas as empresas foi elaborado para subsidiar estudo de avaliação de marca requerido pela empresa Pátria Investimento (fl. 6305, Doc. 85, 2ª parte), tendo inclusive sido entregue tal solicitação à Fiscalização, tanto que, por intermédio do TIF nº 69/2013, os autuantes requereram que fosse apresentada “a solicitação original efetuada pela Pátria Investimentos”(fl. 6320) e afirma que a autoridade fiscal não teria acostado o documento apresentado pela peticionante, tal como fez em relação a uma resposta dada pela Sra. Daniela Saad (vide itens 150 e 151 acima). 221. Quanto às indagações de nº 6 e 7, relativas a supostos pagamentos efetuados pela Comercial Treze, aduz que os documentos a ele referentes foram apreendidos na sede da Total Contabilidade – e não da Platina , pelo que desconhece tal documentação. 222. Acerca da pergunta nº 8 (sobre recibos de pagamento em de valores pela Comercial Treze ao impugnante), o recorrente, equivocadamente, falou de início de que poderia se tratar de algum crédito, mas, em atendimento a reintimação da Fiscalização que lhe instava ser mais específico sobre o assunto, debruçouse sobre o material e retificou a tal informação e disse que não recebeu os valores descritos nestes documentos. 223. Por fim, no tangente ao recibo da EBCT citado no item 90, contrapõe que no impresso do Correio figura como vencimento a data de 12/09/2011 e há indicação de que o pagamento fora realizado em cheque, enquanto o recibo assinado por um senhor Fl. 52783DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 48 47 chamado João Pedro está datado de 20/09/2011. Ademais, questiona: se a Comercial Treze não tem existência, como ela poderia ter emitido um cheque? 224. Enfatiza que, apesar de toda a documentação apreendida, não fora encontrado um único ato indicativo de que o Sr. Oscar administrasse a Anfíbia e aduz que a atribuição da condição de administrador de fato deve estar perfeitamente demonstrada, sendo que ele apenas responde pessoalmente por atos praticados com dolo, máfé, imprudência ou imperícia, e que, como no caso vertente, não foi patenteado qualquer ato de gestão da Anfíbia praticado pelo Sr. Oscar, sua corresponsabilização deveria ser afastada. V. Da Defesa dos Srs. Antônio Fernando Bonisatto e Sr. Sérgio Moraes Sampaio: 225. Igualmente, os Srs. Antônio Fernando Bonisatto e Sr. Sérgio Moraes Sampaio reiteraram os termos das defesas da Anfíbia e do Sr. Nadir de Castro Neves e afirmam eles que nada têm com a transferência da marca Skala para o Sr. Oscar. 226. Dizem que o fato de serem sócios da Master Line e, concomitantemente, o Sr. Sérgio ser proprietário da empresa Doca e o Sr. Fernando da Wanchovia, não traduz conluio. 227. Grifam que inexistem relações comerciais entre as distribuidoras e que a Master Line apenas mantém relação comercial com a Anfíbia, diante do que não se poderia cogitar de grupo econômico (Acórdão 2401002.952). 228. Advogam que a simples circunstância de os requerentes serem administradores não é bastante para lhes atribuir responsabilidade pelos débitos das empresas por ele geridas, havendo necessidade de comprovação de culpa no desempenho da função, consoante precedente do STJ que colaciona. 229. Sustentam inexistir qualquer ato específico dos recorrentes que os possam responsabilizar, nem há evidências de que eles sejam sócios de fato da Anfíbia e que integravam o chamado “Núcleo Diretoria”, não tendo sido apresentado qualquer cheque ou contrato por eles assinados nem foram apontadas decisões que acaso tivessem tomado. 230. No que pertine à troca de emails aludido no item 53 acima, argumentam que, como se tratam de comunicações entre o Sr. Maurinho e a Sra. Pherla, eles deveriam ter sido intimados a esclarecer exatamente a que se refere o diálogo e acrescentam que o Sr. Sérgio sequer é ali mencionado, pelo que não teria como nada explicar a respeito. 231. Por todas as razões acima, requereram o cancelamento dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária”. VI. Da Impugnação da Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira: 232. A Sra. Maria das Graças se reporta à declaração, por ela prestada perante o Primeiro Ofício de Notas de Uberaba, em que faz diversas críticas a suposta violência da busca e Fl. 52784DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 49 48 apreensão tratada nos presentes autos e expressa que jamais teve conhecimento do "Grupo Skala" ou da sonegação alegada pelos autuantes. 233. Reitera que jamais fora empregada das empresas autuadas, o que pretende testificar com cópia de sua Carteira de Trabalho que anexa, e assevera nem ela nem a empresa de que é sócia jamais se beneficiaram de qualquer esquema e pondera que, se empresas que gravitam em torno da marca Skala quiseram contratar seus trabalhos, não poderiam se recusar. 234. Qualifica a busca e apreensão como um erro e se declara mais chateada não com a sua responsabilização (já que não tem condições de pagar a dívida), mas com a insinuação de que teria participado e acobertado crimes. 235. Afirma que, após mistura de papéis e atribuição de documentos de sua autoria a terceiros, não poderia, mesmo sabendo das conseqüências, faltar com a verdade e deixar que um arquivo que foi elaborado dentro do escritório da Total Contabilidade (o que sabe ter ocorrido “porque nós é que o fizemos”) seja atribuído a um cliente. 236. Reputa como pessoal e maldosa retaliação a sua inclusão como responsável pelo débito lançado e indaga por que ela foi pessoalmente responsabilizada – e não a Total Contabilidade e argumenta que foi a empresa (que com a pessoa física é inconfundível, conforme decisões que transcreve) quem assinou as respostas dadas à Fiscalização. 237. Conclui que “como nada fiz em nome próprio e não há nos processos absolutamente nada contra a minha pessoa física (...), peço o cancelamento da coobrigação que me foi imputada”. VII. – Da Impugnação de Platina Cosméticos Ltda, Distribuidora Nebraska Ltda, Distribuidora Wanchovia Ltda, Doca Distribuidora de Cosméticos Ltda, Saga Distribuição de Cosméticos Ltda e JS Comércio e Distribuição de Perfumaria Ltda: 238. Na Impugnação por elas protocolizadas aos 17/01/2014, as recorrentes dizem que aproveitam os mesmos termos da defesa da Anfíbia e, em complementação, sustentam haver erro no enquadramento legal do Termo de Sujeição Solidária, pois o inciso I, do art. 124, do CTN, pressupõe, consoante doutrina e jurisprudência que reproduz, participação pessoal e direta no ato ou fato que caracteriza a obrigação tributária, o que não teria ocorrido em relação ao recorrente na situação em testilha. 239. Afirmam que não têm vinculação pessoal e direta ao fato gerador dos tributos exigidos da Anfíbia, não industrializaram nem venderam cosméticos, não auferiram receitas de venda destes produtos nem lucros decorrentes desta atividade tampouco se beneficiaram dos fatos geradores dos tributos exigidos, pelo que não poderiam ser responsabilizadas solidariamente com esteio no art. 124, I, do CTN (reproduzem Fl. 52785DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 50 49 excertos de votos dos Acórdãos nº 1402001.237, 10421662 e 10402001481 para respalda suas alegações). 240. Mencionam que a Fiscalização não teria correlacionado os fatos por ela narrados com os dispositivos legais pertinente, não tendo procedido à subsunção do fato à norma, constatação que, por si só, excluiria a responsabilidade dos recorrentes (reproduz trecho do voto no Acórdão nº 1101000817 neste sentido). 241. Criticam, também, que, apesar de afirmar que as distribuidoras seriam filiais da Anfíbia – o que conduziria à tributação de todos como uma única entidade – a auditoria atua apenas a indústria e corresponsabiliza as atacadistas, o que também justificaria o cancelamento da coobrigação (apóiam a conclusão no Acórdão nº 3202.000.675). 242. Afiançam que, ainda que formassem grupo econômico, ainda assim não haveria razão para responsabilizálas, consoante precedente do STJ no AgRg no AI nº 1.392.703/RS. Outrossim, defendem que, mesmo que existisse controle centralizado, não se poderia atribuir às distribuidoras eventuais falhas da Anfíbia (citam os Acórdãos nº 101.96.145 e 107.08692 para lhes dar sustentação). 243. Dizem que art. 135, do CTN, não serve para responsabilizar as distribuidoras, pois versa sobre responsabilidade pessoal e exclusiva (Acórdão nº 10422977). 244. Realçam que as impugnantes não foram fiscalizadas e possuem contabilidade regular, não podendo ser aqui responsabilizadas (Acórdão nº 10808981). 245. Alertam que nos documentos que comprovariam que os sócios das recorrentes seriam meros funcionários do grupo não há sequer uma assinatura e não serviriam como prova apta a desconstituir empresas regularmente registradas nas Juntas Comerciais. 246. Aduzem, ainda, não ter sido evidenciado um único ato por elas praticados que pudesse respaldar a corresponsabilização, pelo que não têm como se defender (remetemse aos Acórdãos nº 10708003 e 2402001937). 247. Acentuam, ainda, que ao concluir que haveria sócios de fato distinto dos formais e que as impugnantes não seriam empresas autônomas a Fiscalização teriam desconsiderado as suas correspondentes estruturas societárias com fundamento no art. 116, do CTN, que ainda depende de regulamentação (Acórdão nº 20216959). 248. Queixamse que foram responsabilizadas, de modo desproporcional, por toda a autuação e requereram que, se não aceitos os argumentos acima deduzidos, que suas respectivas responsabilidades sejam limitadas às operações de cada distribuidora com a Anfíbia, com exclusão dos valores atinentes ao subfaturamento. Fl. 52786DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 51 50 249. Por todo o exposto, requereram o cancelamento, ou a revogação, de suas correlatas responsabilidades passivas. VIII. Da Impugnação da Distribuidora Noviça Ltda: 250. Inicialmente, a Distribuidora Noviça reitera a impugnação da Anfíbia e das demais distribuidoras. 251. Depois, pondera que, como a “Anfíbia obteve novos documentos, identificou outros erros e pediu para que a ora impugnante os apresente à apreciação desta DRJ (afinal das contas, os quinze autuados estão ‘no mesmo barco’), a Noviça traz à discussão apenas essas ‘questões inéditas’”. 252. Aduz que inexistiria qualquer documento ou boleto de cobrança concernente às vendas realizadas pela Anfíbia à distribuidora Jota Forte Comércio de Alimentos Ltda, sediada em Contagem/MG e que não faz parte do suposto "Grupo Skala" e que teria sido subfaturada, mas, apesar disto, a Fiscalização considerou que as notas fiscais destas vendas também representavam apenas 60% dos valores reais das operações, não havendo respaldo para tanto e censura que esta tributação teria sido feita por presunção e seria despropositada e absurda. 253. Giza que os preços praticados pela Anfíbia com a Jota Forte seriam compatíveis com os praticados com as distribuidoras coobrigadas não porque haveria um estratagema para validação de preços dentro do "Grupo Skala", mas porque seriam os preços reais de venda. 254. Assegura que “nas vendas da Anfíbia para a Jota Forte e desta para o varejista, jamais se atingiu a margem de 40% estipulada pela fiscalização (planilha e notas fiscais anexas). Com isso, vêse não só que não era perfeitamente possível calcular a margem exata (o que revela a inviabilidade do arbitramento), mas também que o percentual estipulado está exagerado”. 255. Sobre o VTM, aduz que, na realidade, haveria, além da Global e da Platina, mais dois distribuidores dos produtos Skala e Bellsoft na praça de Uberaba: a LS Guarato Ltda e a Henrique Distribuidora de Perfumaria Ltda e, reportandose à Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2012, diz que a autuação deveria ser imediatamente cancelada. 256. Narra que, apesar de o TVF ter afirmado, em sua pág. 164, que as devoluções de mercadorias teriam sido subtraídas das bases de cálculo das infrações, não haveria, diferentemente do que ocorreu nos processos administrativos nº 10650.721602/201326 e 10650.721604/201315, demonstração da efetividade desta subtração, que solicita a recorrente seja procedida e complementa que “a Anfíbia identificou diversas operações de devoluções que não constam dos Docs. 100106. Assim, a impugnante pede a juntada da relação dessas NFs, de algumas amostras e pede que elas sejam excluídas do valor tributável”. Fl. 52787DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 52 51 257. Especificamente quanto às devoluções de alguns produtos vendidos pela Anfíbia à Distribuidora Nebraska, consigna que a Fiscalização não teria apurado crédito “relativo aos seguintes cremes: ‘Cr. Pentear Hyperlumi SK 300g’, ‘Cr. Genetiqs SK 300g.’ e ‘Creme Chocolate SK 1000g’”. 258. Ao final, requereu a anulação, o cancelamento ou a improcedência do Auto de Infração. IX. Do Pedido de Juntada de Declaração da Empresa Total Contabilidade LTDA – ME e de Laudo de Constatação: 259. Por meio da petição de fls. 20.007/20.008, protocolizada aos 04/04/2014, a autuada requer a juntada de: (i) Declaração, prestada aos 28/03/2014, pela empresa Total Contabilidade perante o 2º Ofício Notarial de Uberaba (fls. 20.010/20.012); e (ii) Laudo de Constatação (fls. 20.014/20.158). 260. Em resumo, de acordo com a Declaração de fls. 20.010/20.012, prestada pelo Sr. José Geraldo Alves Júnior (sócio da empresa), na data da apreensão noticiada nos correntes autos estaria nas instalações da Anfíbia um “hard disk”, de propriedade da Total Contabilidade, que fora apreendido, no qual estavam copiados dados de diversos clientes e relaciona diversos documentos (intitulados, no presente processo administrativo, como Doc. 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14, 21, 25, 26 e 28) que foram elaborados e/ou estavam na posse da empresa declarante. 261. Já no Laudo de Constatação de fls. 20.014/20.158, depois de diversas verificações, conclui o perito que: 261.1. “as pessoas indicadas nos Quadros Sociais das empresas são seus efetivos sócios/gestores. Tal constatação foi confirmada junto a vários colaboradores com os quais conversei quando das visitas aos estabelecimentos das empresas”; 261.2 “Anfíbia, Master Line, Platina, JS, Wanchovia, Saga, Noviça, Doca e Nebraska estão devidamente inscritas nos órgãos públicos pertinentes; todas elas apresentaram as Declarações e Demonstrativos exigidos pela legislação vigente, como, por exemplo, DIPJs, DACONS, DCTFs, DIRFs, RAIS, SPEDS, etc”; 261.3. “Os sócios/gestores das empresas apresentaram as Declarações de Ajuste do Imposto de Renda da Pessoa Física, as quais, tive oportunidade de analisar e que, pelo que pude observar, foram aceitas e processadas pela Receita Federal do Brasil”; 261.4. “Pelo que pude constatar no exame, por amostragem, da documentação apresentada pelas empresas à Receita Federal do Brasil, não vi nenhuma sonegação de impostos. As empresas recolhem os tributos apurados dentro dos prazos estipulados em Lei. Ainda via exame por amostragem, verifiquei que os valores dos Impostos Federais apurados e informados nas Declarações e Fl. 52788DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 53 52 Demonstrativos são aqueles descritos nos respectivos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARFs, devidamente quitados junto às Instituições Financeiras credenciadas”; 261.5. “Analisando a documentação que me foi fornecida, constatei que as empresas possuem CNDs relativas a impostos e contribuições federais e relativas à Previdência Social, possuem Certificados de Regularidade do FGTS, Alvarás de Localização e Funcionamento expedidos pelas Prefeituras Municipais onde elas estão estabelecidas. Constatei também que as empresas transacionam com Instituições Financeiras, uma vez que analisei diversos extratos bancários que me foram disponibilizados. Constatei, por outro lado, que a contabilidade de cada empresa é separada, organizada e, pelo que pude perceber, tudo está rigorosamente em dia”; 261.6. “Não constatei confusão patrimonial. Cada empresa é gerida pelos seus sócios/administradores com total independência. Cada uma delas possui a sua respectiva equipe de vendas e cada qual tem colaboradores que cuidam de suas respectivas áreas administrativas”; 261.7. “Não constatei gestão única. Se existe algum encadeamento, ele é apenas para otimizar custos, melhorar a logística e agilizar as entregas”; 261.8. “Perguntei a várias pessoas se havia alguma articulação central e controle único ou compartilhado e todos foram unânimes em afirmar que não. Também não notei nada diferente disso. Algumas grandes decisões da Anfíbia são comunicadas e, às vezes, as Distribuidoras até participam das análises, principalmente quando se trata de explorar um novo seguimento, linha ou produto. Mas é só. Percebi que são feitas muitas análises e monitoramento da Marca Skala”; 261.9. “Percebi que cada um dos sócios/gestores conhece bem apenas a sua própria empresa (e as potencialidades dela somente). Perguntei se um sabia da empresa do outro e me foi dito que cada um sabe apenas do que é seu. Cada um cumpre o seu papel da melhor maneira possível, todos buscam o engrandecimento da marca, cujo reflexo positivo será benéfico a todos. Percebi que existe um interesse comum entre as empresas, pois, se a Marca Skala crescer e ficar mais conhecida, provavelmente os preços aumentarão, as vendas se expandirão e as margens serão mais satisfatórias. Isso, no entanto, revela um interesse puramente comercial. Não vi nada diferente disso”; 261.10. “Constatei também que as Distribuidoras não têm apenas a Anfíbia como fornecedora de cosméticos, ou seja, não há dependência. A linha de desodorantes, por exemplo, é totalmente independente (o fabricante é a Baston). A Anfíbia também não terceiriza a sua produção apenas com a Master Line. A industrialização por encomenda de alisantes capilares, por exemplo, é feita pela Alona Laboratórios Ltda”; Fl. 52789DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 54 53 261.11. “Não percebi nenhum vínculo entre as empresas nas áreas administrativa, econômica e financeira. Observei, no entanto, uma vigilância entre todas, porque, se a Mater Line não envasar, não haverá produto a ser vendido; se a Anfíbia não municiala de matérias primas e embalagens, a Master Line deixará de produzir e não terá condições de oferecer preços satisfatórios. Se as distribuidoras não cumprirem os prazos acordados, irão prejudicar a todos”; 261.12. “Não percebi nada que indicasse a utilização de laranjas e/ou testas de ferro”; 261.13. “Pude constatar, ainda, que as operações efetuadas pelas empresas de fato ocorreram. Transportes de mercadorias foram efetuados, as empresas compram e pagam, vendem e recebem, relacionamse com os Fiscos, com clientes e fornecedores, com Instituições Financeiras, tudo em prol do crescimento de cada uma delas”; 261.14. “Na minha ótica, as empresas são realmente autônomas”. X. Do Pedido de Juntada de Relatório Fiscal e Dois Autos de Infração: 262. Através da petição de fls. 22.641/22.642, os responsáveis solidários Antônio Fernando Bonissato, Keila Alves Martins Duarte, Maria das Graças Fernandes de Oliveira, Nadir de Castro Neves e Sérgio Moraes Sampaio requereram a juntada de dois Autos de Infração e dos respectivos Relatórios Fiscais lavrados contra a Anfíbia aos 29/10/2014 por meio dos quais a Delegacia da receita Federal do Brasil responsável, dando continuidade à Fiscalização que gerou a autuação em altercação, deixou de corresponsabilizálos e, diante disto, requereram o cancelamento dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária” expedidos em seus nomes. XI. Do Pedido de Anexação de Parecer Técnico: 263. Por fim, por intermédio da petição de fls. 22.679/22.680, datada de 20/02/2015, a autuada encaminha o Parecer Técnico de fls, 22.685/22.735. 264. Referido Parecer critica a conclusão da autuação quanto à existência de um “manual” de subfaturamento porque ela teria se pautado apenas em anotações pessoais da Sra. Daniela Saad, ao qual outros empregados da Anfíbia não tiveram acesso e não constituiria documento emitido pela empresa. 265. Assegura inexistir “subsídios técnicos e documentais (registros contábeis, movimentos bancários, caixa ou qualquer outro meio) que forneçam base para a realização de testes da suposta movimentação financeira subfaturada de 40% entre a Caixaforte e a Anfíbia” e menciona que a possibilidade de tributação da Caixaforte pelo lucro arbitrado é legalmente prevista e que “Tendo em vista que o procedimento fiscal adotado pela Caixaforte cumpriu os ritos contábeis e legais demandados pela legislação, não encontramos elementos para confirmar as alegações subjetivas da fiscalização”. Fl. 52790DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 55 54 266. Aponta que a autoridade fiscal, nos cálculos que fez com o objetivo de comprovar o subfaturamento no percentual de 40%, não teria incluído o ICMS devido por substituição tributária informado na Nota Fiscal e critica que “ao não inserir na composição do valor da nota fiscal o valor do ICMS ST, a fiscalização distorceu os cálculos, de modo a atingir a margem de subfaturamento de 40% que ela pretendia comprovar”. Dá exemplos de sua afirmação (Notas Fiscais nº 19.043 e 41.709). 267. Censura que, se a fiscalização mantiver o entendimento de que a Caixaforte e as distribuidoras fazem parte da Anfíbia, “deveria levar em consideração os tributos recolhidos por essas outras empresas citadas e abater esses valores dos tributos lançados, pois, de outra forma, ela estaria tributando duas vezes a mesma materialidade”. 268. Reportase à eleição da Distribuidora Global como empresa modelo do suposto esquema de subfaturamento e expõe que “O confronto entre os preços médios praticados pela Anfíbia com as diversas distribuidoras e entre ela e a Global demonstrou que não há diferenças significativas. Dessa forma, foi possível demonstrar, por documentos, que não existem grandes diferenças de preços entre as vendas para Global e as feitas para outras distribuidoras” e que, segundo se observaria na planilha apresentada no laudo e no Anexo 5, “ao utilizar, englobadamente, o preço médio praticado pela Anfíbia nos 118 produtos analisados, não foram identificadas diferenças de preços substanciais, comprovando, assim, a afirmativa da própria fiscalização. De fato, praticamente não há diferenças nos preços médios globais praticados com as distribuidoras, de um lado, e com a Global, de outro”. 269. Comenta que, no entanto, o exame individualizado dos produtos comercializados, indicaria distorções (apresenta tabela com diferenças positivas para alguns produtos e negativas para outros), “é possível afirmar que existem relevantes diferenças de preços entre as médias, por produto, praticadas com as distribuidoras analisadas e com a Global”, diante do que o perito tem por “equivocado considerar que os preços praticados pela Anfíbia com a Global poderiam ser um ‘modelo’ para a comprovação de um suposto esquema de subfaturamento. Utilizar esse parâmetro faz com que os cálculos da autuação sejam questionáveis do ponto de vista técnico. É que, as quantidades vendidas podem influenciar de forma significativa os valores apurados pela fiscalização”. 270. Diz que a maior venda de determinado produto “é muito comum no mercado. Toda empresa possui um produto que é carrochefe (campeão de vendas) e, por outro lado, aqueles que existem apenas para compor um determinado ‘mix’. A falta de análise dos volumes vendidos compromete, como visto, a qualidade técnica do trabalho fiscal. Essa importante variável (extremamente relevante) sequer foi noticiada no relatório fiscal”. Fl. 52791DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 56 55 271. Fala que “Devido à Global não ter adquirido todas as linhas de produtos fabricadas pela Anfíbia, a fiscalização criou um complexo e confuso critério de nivelamento de produtos similares. Os produtos considerados ‘idênticos’ pela fiscalização tiveram seus preços balizados pelos preços praticados com a Global. Outro ponto questionável foi a sistemática criada para a atualização dos valores dos produtos que a fiscalização balizou com os vendidos à Global para utilização em períodos diferentes”. 272. Afirma que “Conforme demonstrado no Anexo 5, dos 195 produtos vendidos pela Anfíbia para as empresas selecionadas no ano de 2012, cerca de 118 produtos também foram alienados para a Global. Em proporção, não foram vendidos para a Global cerca de 39,49% do total dos produtos analisados” e que “Com essa desproporção, partir de parâmetros criados a partir da empresa Global torna a autuação ‘forçada’, sem fundamento técnico”. 273. Indaga: “Se a afirmação fiscal de que há subfaturamento de 40% em todas as vendas feitas pela Anfíbia fosse correta, por que criar uma sistemática de preços baseados somente nas vendas à Global Distribuidora?”. 274. Aduz que, com base nos documentos apresentados pela Caixaforte à Fiscalização, teria sido possível constatar que 89 empresas teriam feito descontos perante a Caixaforte, mas que a Fiscalização teria concluído pela existência de subfaturamento em relação a 472 empresas. 275. Destaca que o percentual de clientes com títulos negociados na Caixaforte equivaleria a apenas 18,86% do universo de clientes que compõem a autuação e externa que “Em critérios técnicos, entendemos que a porcentagem de 18,86% dos clientes da Anfíbia negociados junto à Caixaforte não pode ser utilizado como base para afirmar que 100% dos clientes da Anfíbia participavam de um suposto esquema de subfaturamento. Se considerarmos as outras 8 empresas participantes do suposto “Grupo Skala” no total de clientes que compõem a base da autuação, o percentual passaria para 18,54%, o que também não daria subsídios à afirmação”. E conclui neste aspecto que “como não foram apresentadas outras provas demonstrando o envolvimento de cerca de 80% dos clientes da Anfíbia, não é sustentável dizer e generalizar o suposto esquema de subfaturamento, ainda mais por meio de arbitramentos”. 276. O Parecer Técnico registra, ainda, que a autuação, segundo expressamente dito no TVF, não levou em consideração as operações das distribuidoras com os seus correspondentes clientes e que a alegação de subfaturamento somente não tem condições de prosperar se os preços dos produtos praticados entre as distribuidoras e seus clientes forem inferiores aos respectivos preços, levando em consideração o suposto subfaturamento, praticados pela Anfíbia às distribuidoras. Fl. 52792DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 57 56 277. Diante do que consta acima, narra o perito que solicitou à Anfíbia “que solicitasse aos clientes dela cópias das notas fiscais de venda para que pudéssemos verificar se os preços praticados pelos distribuidores confirmariam (ou não) o alegado subfaturamento” ao que a empresa respondeu que “em geral, as distribuidoras não abrem essa informação para a fabricante (por questões gerenciais e estratégicas). Apesar disso, ela conseguiu 3 NFs emitidas pela empresa Jota Forte em maio de 2012”. 278. Expõe que selecionou aleatoriamente nestas Notas para análise os produtos classificados sob os códigos 839 e 840 e disse que, comparandose os preços praticados nas operações de vendas destas mercadorias da Anfíbia para a Jota Forte (levantados nas correlatas Notas Fiscais de venda fornecidas pela Anfíbia) e os adotados pela Jota Forte com seus correspondentes clientes, apurou diferenças de 36% e 35%, respectivamente (ressalta que os preços praticados pela Jota Forte com seus clientes foram definidos a partir da seguinte equação: Valor unitário final = valor do produto unitário conforme descrito na nota fiscal da Anfíbia + valor do ICMS ST + o valor do IPI). 279. Além disto, cita que, no mês de agosto de 2011, a Anfíbia vendeu para a Platina 1.500 unidades do produto “Cond. BS Abacate 350ml – CX12X1 Novo” ao preço unitário de R$ 1,42 e que, por seu turno, a Platina revendo o produto por R$ 1,54 cada e que, aplicandose a margem de 40% adotada pela Fiscalização, o preço final de venda da mercadoria pela Anfíbia teria sido de R$ 2,37, superior em R$ 0,83 ao praticado pela Platina com seu cliente, e, por consequencia, neste exemplo a base de cálculo apurada pelo procedimento fiscal estaria majorada em R$ 1.245,00 (=R$ 0,83*1.500,00). 280. Apresenta, em relação a produtos fabricados pela Anfíbia, quadros com levantamento da margem de lucro auferido pela Distribuidora Platina Cosméticos Ltda – MG (mês de agosto de 2011), Platina Cosméticos Ltda – GO (janeiro de 2012), Distribuidora Noviça Ltda (fevereiro de 2012), Distribuidora Nebraska Ltda (mês de junho de 2012), Js Com Distribuição de Perfumaria Ltda (mês de maio de 2012), Distribuidora Wanchovia – SP (mês de maio de 2012) e Distribuidora Wanchovia – GO (mês de maio de 2012) e, diante destes quadros, assevera que “Com os quadros acima, fica evidente que a alegação de um esquema de subfaturamento nas vendas da Anfíbia para as distribuidoras não se sustenta” e que “qualquer argumentação nessa linha deveria, necessariamente, checar os preços de venda praticados pelas distribuidoras. Caso contrário, a realidade desmente a conclusão fiscal”. 281. O perito pondera, ainda, que, levandose em conta que “a fiscalização possui em sua base de dados todas as notas fiscais emitidas pela Anfíbia, bem como todas as notas fiscais emitidas por todos os clientes da Anfíbia, não seria sustentável, a nosso ver, generalizar e arbitrar”. Fl. 52793DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 58 57 282. Menciona que o produto “6146”, comercializado para a Distribuidora Wanchovia pelo preço unitário de R$ 1,20, teve “o preço arbitrado (PMUA)” em R$ 1,86 e que a diferença entre os valores atingiu R$ 0,66, que, multiplicado pela quantidade vendida (120 produtos), gerou uma omissão, de acordo com a Fiscalização, de R$ 79,20. No entanto, as notas fiscais de saída da Wanchovia para os seus clientes demonstram um preço médio de comercialização de R$ 1,60, o que evidenciaria que os cálculos da autuação seriam distorcidos e que os preços considerados pela Fiscalização são muito superiores aos reais de mercado (apresenta espelhos das Notas Fiscais emitidas pela Anfíbia e pela Distribuidora Wanchovia). 283. Avante, comentando sobre a Comercial Treze, acentua que “Como a própria fiscalização descreveu, não foram encontrados registros societários e fiscais, concluindose, assim, que a empresa Comercial 13 não existe legalmente. Além disso, como não constam dos autos movimentações financeiras da referida entidade, não há elementos que possam subsidiar testes de auditoria. Assim, sem lastros materiais, não temos como comprovar a movimentação financeira via Comercial 13 afirmada pela fiscalização”. 284. Ademais, assegura que os critérios, que diz sem fundamentação legal, aplicados às distribuidoras também foram utilizados ao chamado "Grupo Skala", ao qual também podem ser aplicadas as conclusões do trabalho pericial realizado. 285. Na seqüência, indaga: “Se as alegações da fiscalização fossem corretas e todos os clientes da Anfíbia participassem de um enorme esquema de subfaturamento e sonegação fiscal, não deveria a fiscalização considerar que todos os pagamentos por fora deveriam ser abatidos para recompor as bases de cálculos dos tributos? E os próprios tributos recolhidos não deveriam ser deduzidos?”. Destaca que “Nos cálculos apresentados pela fiscalização não vimos o abatimento dos tributos recolhidos pelas distribuidoras envolvidas no suposto esquema. Sem essa dedução a fiscalização está cobrando tributos duas vezes sobre o mesmo valor, sendo um com base na real venda da distribuidora e o outro pelo arbitramento do valor dessa mesma venda (atribuída à Anfíbia)”. 286. Aponta que seriam distintas as bases de atuação do IPI, do IRPJ e da CSLL (R$ 95.851,333,97) e da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (R$ 105.624.393,66). 287. Por fim, consigna não terem sido apresentadas provas contundentes da movimentação financeira do suposto esquema de subfaturamento, que nos anos de 2009 a 2012 superariam os R$ 130 milhões, montante que, segundo o perito, não é movimentado sem deixar vestígios. 288. Depois de resumir as conclusões atingidas nos trabalhos realizados, encerra dizendo que os trabalhos fiscais analisados são bastantes questionáveis e têm a sua composição e a sua Fl. 52794DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 59 58 confiabilidade comprometidas. XII. Da Diligência: XII. 1. Da Resolução: 289. Em sessão realizada aos 17/06/2015, esta 2ª Turma determinou a realização de diligência, consoante Resolução de fls. 39.045/39.091. 290. Após o Relatório, a Resolução expõe não ter sido detectada, nos presentes autos, a juntada de Impugnação pela responsável solidária Keila Alves Martins Duarte, mas que, em consulta aos processos administrativos nº 10650.721602/201326 e 10650.721604/2013 15, que versam sobre autuações do IRPJ e da CSLL e da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS expedidas ao final da mesma ação fiscal aqui tratada. 291. Consigna, ainda, a Resolução que no “Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros”, disponível no Doc. 94 (no qual, segundo pág. 161, do TVF, “são apresentadas as Notas de Vendas a terceiros com o cálculo do IPI devido sobre as diferenças omitidas por produto”), apenas figura a apuração de diferenças concernentes aos períodos de 01/01/2009 a 27/08/2010 (fls. 12.508/14.780) e que o “DEMONSTRATIVO DO IPI DEVIDO PREÇO CORRENTE NO MERCADO ATACADISTA DA PRAÇA DO REMETENTE – VTM”, constante do Doc. 90 (fls. 8.225/10.605) engloba o período de 02/01/2009 a 05/10/2009. 291.1. quanto ao primeiro Demonstrativo, expõe que, compulsandose o processo administrativo nº 10650.721602/201326, verificouse a existência de documento intitulado “DEMONSTRATIVO DE OMISSÕES DE RECEITAS CLIENTES ANFÍBIA COSMÉTICOS”, cuja cópia foi traslada aos presentes autos às fls. 24.784/24.850 e no qual figuram, para todo o período autuado, os valores das Notas Fiscais emitidas em nome de terceiros (entendase, empresas não integrantes do “Grupo Skala”), as datas de emissão de tais notas, o CNPJ do adquirente, o Valor Tributável em cada Nota Fiscal e o Valor Tributável Recalculado e no qual inexiste detalhamento do valor resultante da aplicação da alíquota de IPI sobre o valor tributável recalculado. 291.2. sobre o segundo Demonstrativo, externo que, às fls. 6.807/21.000 de sobredito processo, está anexado “DEMONSTRATIVO DO PREÇO UNITÁRIO DE MERCADO ARBITRADO DOS PRODUTOS IDÊNTICOS – ANFÍBIA”, cuja cópia foi trasladada às fls. 24.851/39.004 deste processo administrativo, no qual há detalhamento de todas as omissões, mas inexistem os valores resultantes da aplicação da alíquota de IPI sobre o valor da omissão. 292. Ademais, ressalta a necessidade de confirmar se, dentre os produtos listados no DOC. 95 – “Diferenças de Alíquotas”, algum que poderia ser considerado condicionador, sobre cujas saídas deve incidir a alíquota de 7%, no lugar da alíquota de 22%, aplicada pelo autuante. Fl. 52795DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 60 59 293. Outrossim, a Resolução aponta que deveria ser verificada a consistência da alegação da impugnante Distribuidora Noviça no sentido de que não estaria evidenciado, nos presentes autos, que as devoluções de vendas referenciadas nas 164ª e 165ª lauda do TVF, detalhadas às fls. 18.283/18.430, fora, ou não, levadas em conta na autuação examinada. 294. Finalmente, aponta a Resolução a necessidade de que a Fiscalização expusesse e comprovasse, de forma individualizada e detalhada para cada produto constante do documento de fls. 111.235/11.239, a razão por que foi estabelecida a equivalência de preços entre os produtos ali descritos e, na hipótese de as autoridades fiscais concluíssem pela eventual impropriedade de um ou mais produtos, que informassem, se possível, o respectivo valor do produto a ser considerado, refazendose os cálculos do IPI devido. 295. Em face de todo o exposto, decidiu a Turma converter o julgamento em diligência no sentido de que a Unidade de Origem: 295.1. confirmasse a ausência de interposição de impugnação pela Sra. Keila Alves Martins Duarte em relação ao lançamento discutido no presente processo administrativo e se procedesse às demais medidas decorrentes; 295.2. expusesse e comprovasse, de forma individualizada e detalhada para cada produto constante do documento de fls. 11.235/11.239, a razão por que foi estabelecida equivalência de preços entre os produtos ali descritos e, na hipótese de as autoridades fiscais concluíssem pela eventual impropriedade de um ou mais produtos, que informassem, se possível, o respectivo valor do produto a ser considerado, refazendose os cálculos do IPI devido; 295.3. confirmasse e demonstrasse se as devoluções de vendas detalhadas às fls. 18.283/18.430 foram, ou não, efetivamente consideradas na definição das diferenças autuadas e, ainda, verificar se há, ou não, devoluções não consideradas pela autuação (vide alegação de fl. 19.052) e, na hipótese positiva, refazer os demonstrativos de apuração nos quais a circunstância impacta; 295.4. expusesse e comprovasse, de forma individualizada e detalhada para cada produto constante do documento de fls. 111.235/11.239, a razão por que foi estabelecida a equivalência de preços entre os produtos ali descritos e, na hipótese de as autoridades fiscais concluíssem pela eventual impropriedade de um ou mais produtos, que informassem, se possível, o respectivo valor do produto a ser considerado, refazendose os cálculos do IPI devido. XII.2. Do Termo de Encerramento de Diligência: 296. Realizada a diligência, foi elaborado o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 52.112/52.125, que, inicialmente, noticia que a Sra. Keila Alves Martins havia Fl. 52796DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 61 60 apresentado, aos 14/01/2014, Impugnação cuja cópia foi anexada às fls. 39.106/39.139. 297. Em seguida, comenta o Termo de Encerramento de Diligência que o “Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros”, integrante do Doc. 94, foi complementado, consoante “Anexo I. – 8 – Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros”, tendo elucidado que o “Demonstrativo de Omissões de Receitas – Clientes Anfíbia Cosméticos”, trasladado aos presentes autos por este Relator, espelha o resultado do arbitramento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e foi exclusivamente elaborado para fundamentar as omissões de receitas no Auto de Infração destes dois tributos, não tendo sido este último Demonstrativo projetado para atender as questões referentes à autuação do IPI, cuja base de valoração se deu a partir da identificação do Valor Tributável Mínimo por item de produto vendido. 298. Acrescenta que “No Doc. 94 – ‘Demonstrativo do IPI Destacado a Menor nas Vendas Subfaturadas a Terceiros’ e já complementado pelo Anexo I Resolução, conforme Item 291, há toda informação necessária à certificação dos cálculos apresentados, os quais esse DD julgador tem acesso. Neste demonstrativo, além das informações de identificação da operação, há a quantidade de produtos, o valor subfaturado na operação do item, as alíquotas do IPI e a diferença do IPI devido, elementos que garantem a transparência da apuração efetuada item a item”. 299. Em semelhante diretriz, menciona que o “Demonstrativo do IPI Devido – Preço Corrente no Mercado Atacadista da Praça do Remetente – VTM”, constante do DOC. 90, foi complementado, segundo “Anexo II – Resolução 3 – Demonstrativo do IPI Devido – preço Corrente no Mercado Atacadista da Praça do Remetente – VTM”, tendo esclarecido que o “Demonstrativo do Preço Unitário de Mercado Arbitrado dos Produtos Idênticos – Anfíbia”, trasladado aos presentes autos por este Relator, espelha o resultado do arbitramento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e foi exclusivamente elaborado para fundamentar as omissões de receitas no Auto de Infração destes dois tributos, não tendo sido este último Demonstrativo projetado para atender as questões referentes à autuação do IPI, cuja base de valoração se deu a partir da identificação do Valor Tributável Mínimo por item de produto vendido. 300. Acerca dos produtos descritos no DOC. 95 – Diferenças de Alíquotas, o Termo de Encerramento de Diligência ratifica que eles não podem ser considerados condicionadores. 301. Quanto a este aspecto, inicialmente consigna que “os produtos de códigos 6240 – Defrisante Supplements Gloss 120grscx6x1; 6241 – Pomada de Brilho Supplements 120g cx6x1; 6242 – Pomada Supplments mod. Curtos 120gcx6x1 e 6243, não foram objeto de contestação pelo Fl. 52797DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 62 61 contribuinte, conforme resposta ao nosso Termo de Diligência – 01/2015, datado de 28/07/2015. Portanto, sendo parte incontroversa esses produtos devem ter sua tributação mantida conforme Auto de Infração”. 302. Sobre os demais produtos, explica que a contribuinte fora intimada a apresentar as diversas informações e, após análise detalhada e individualizada, contida no Anexo II – “Demonstrativo Item 292 Resolução nº 00.001.931 – Condicionadores – Classificação Fiscal”, concluíram as autoridades fiscais que a autuação deveria ser mantida no peculiar. 303. O Termo de Encerramento de Diligência explica que as conclusões concernentes ao aspecto enfocado se baseiam nas distintas características de cada um dos itens em contraponto com o produto condicionador e, para tanto, foram solicitadas imagens dos rótulos de cada um dos produtos questionados, bem como informações básicas de suas funções, componentes, princípios e descrições resumidas do funcionamento dos produtos. 304. Diz que condicionador se diferencia de máscara hidratante e creme para pentear. 305. Baseado em estudo da engenheira química Jennifer Rocha Vargas Fogaça disponível em http://www.brasilescola.com/quimica/condicionadores.htm, conclui que “o condicionador age para neutralizar as cargas negativas deixadas pelo shampoo complementando o processo de lavagem dos cabelos, sua ação se dá na parte externa dos fios ao selar ou fechar as cutículas capilares. Ele vem complementar o processo de lavagem, pois as cargas elétricas negativas que passam a impregnar os fios capilares após a aplicação do shampoo fazem com que estes se tornem embaraçados, menos macios e difíceis de pentear. O condicionador anula as cargas negativas deixadas pela lavagem com shampoo e com isso proporciona uma neutralização dos efeitos indesejados, aumentando a maciez, o brilho e a facilitação do processo de pentear”. 306. Menciona que enquanto os condicionadores complementam o processo de lavagem capilar, os cremes de pentear “vêm com a finalidade de proteger os cabelos e ajudar no processo de penteálos. Devem permanecer no cabelo e não devem ser enxaguados como os condicionadores. Essa permanência nos fios proporciona maciez e hidratação. As máscaras e cremes de hidratação atuam internamente nos fios dos cabelos, pois tem mais concentração de ativos e podem ser aplicados após o shampoo, mecha a mecha, utilizados com touca térmica, dependendo do alcance que se pretende e de duas a três vezes por semana, ou em alguns casos específicos quantas vezes for a recomendação do fabricante”. 307. Complementa que os cremes para pentear e as máscaras hidratantes são produtos “que se diferenciam do condicionador Fl. 52798DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 63 62 por terem como finalidades principais a hidratação e restauração dos cabelos, o transporte de elementos químicos necessários aos fios capilares para manteremse saudáveis e com boa aparência, além de facilitar a ação de pentear, ou seja, são produtos de tratamento específico, enquanto que o condicionador tem suas funções voltadas basicamente para a complementação da lavagem capilar, restauração do ph do fio (por ser mais ácido do que o shampoo) e o fechamento de cutículas”. 308. Logo, dada a empregabilidade dos produtos questionados pela contribuinte, concluem as autoridades fiscais inexistir, no particular, alteração a ser realizada na autuação. 309. Adiante, quanto às devoluções de mercadorias que a contribuinte alega não teriam sido deduzidas quando da autuação, consigna que o sujeito passivo foi intimado a apresentar os correspondentes arquivos digitais das Notas Fiscais de devolução, a partir do que foi elaborado o “Anexo VI – Devoluções já computadas no Auto de Infração”, que contém todos os itens cujos créditos a estornar já haviam sido computados na apuração original do Auto de Infração e, assim, nem todas as devoluções pretendidas foram aceitas pelas autoridades fiscais. 310. Ademais, adita que “as análises das demais devoluções não contempladas anteriormente nos cálculos do Auto de Infração, obedeceram algumas singularidades dessa auditoria fiscal. Notese que no cômputo final da auditoria não foram lançados débitos apurados pelo contribuinte em seus assentamentos contábeis e fiscais, pelo contrário, foram lançados somente aqueles valores que essa auditoria entendeu as bases de cálculos estarem subfaturadas ou cujos produtos foram vendidos por valor abaixo de mercado para seu próprio grupo. Sendo assim, no auto original, nos ocupamos em lançar somente as diferenças daquilo que o contribuinte camuflou em suas operações”. 311. As autoridades fiscais apresentaram demonstrativos das devoluções de mercadorias que, aos moldes acima, foram consideradas na diligência e apresentou suas repercussões no lançamento. 312. Passando aos chamados produtos congêneres, o Termo de Encerramento de Diligência expõe que, para dirimir dúvidas suscitadas pela contribuinte em sua Impugnação, “revisou as classificações adotadas na apuração original e através do Termo de Diligência 01/2015 em seu item 6, solicitou ao contribuinte sua manifestação a respeito do novo entendimento adotado. Solicitamos em relação aos produtos considerados “congêneres”, informações sobre seus rótulos, formulações, apresentações e finalidades. Em sua resposta apresentou dados sobre tais produtos controversos, ou seja, aqueles cujos códigos foram atribuídos e aqueles que foram a base da atribuição”. 313. Explica que a nova análise comparou a identidade dos produtos questionados com a dos que serviram para a valoração Fl. 52799DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 64 63 da base tributável, sendo que, de acordo com as autoridades fiscais, foi possível verificar “nas imagens apresentadas e nas observações listadas, que a atribuição dos códigos pela auditoria aos produtos sem o valor tributável mínimo não guardou todas as condições previstas no Ato Declaratório (Normativo) CST1 nº 05, de 29 de abril de 1982, que determina que ‘o termo produto, constante do subitem 6.1 do Parecer Normativo CST nº44, de 23 de novembro de 1981, indica uma mercadoria perfeitamente caracterizada e individualizada por marca, tipo, modelo espécie, qualidade e número, se houver, na forma indicada no inciso VIII do artigo 205 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI)’, anotação também grafada nos Decretos nºs 4.544/2002 e 7.212/2010 – RIPI/2002 e 2010 respectivamente”. 314. Aponta, como exemplo, que “o produto 3117 cuja descrição é CR. ABACATE SK 300G XC12x1 foi atribuído o código 3520 do produto CRE.PENTEAR ABACATE SK 300GRS CX12X1. No primeiro momento a impressão é que se trata de um mesmo produto, apenas codificados de formas diferentes, porém, ao analisar as imagens verificamos diferenças entre um e outro. No caso do produto 3117 tratase de um creme de tratamento condicionador, enquanto que o de código 3520 tratase de um creme para pentear condicionador sem enxágue. Portanto, produtos diferentes, não só na função como também em sua própria apresentação, conforme rotulagens e embalagens”. 315. Diz que a mesma conclusão se aplica “aos produtos de código 4038 CR. KERATINA SK 300G CX12X1 e o 4040 CRE.PENTEAR SK KERATINA 300G CX12X1. O primeiro é um creme de tratamento condicionador, enquanto o segundo é um creme para pentear condicionador, com finalidades diferentes, rotulados e embalados de forma diferentes”. 316. Ressalta que “em muitos casos as próprias formulações destacadas dos rótulos pelo contribuinte divergem entre si, o que por si só já os tornam diferentes”. 317. Especificamente em torno dos produtos referenciados no item 294.4, da Resolução, elucidou que “apesar de terem uma nomenclatura muito próxima: “Código 3230 – CREME SK ABACATE 1000G CX6X1 EXP” x “Código 3108 – CREME ABACATE SK 1000G CX6X1”, não são produtos equivalentes, além das diferenças visuais de rotulagem e embalagem, nas formulações há componentes diferentes entre um e outro, citamos como exemplo a presença dos substratos Methylchloroisolthiazolinone e Methylisothiazolinone no produto 3108, vendido no mercado nacional, e não encontrado no produto 3230 fabricado para exportação”. 318. Expõe, também, que “os produtos 6234,8559 e 6224 que são listados nessa infração já se apresentam com lançamentos na infração 0002Produto Saído do Estabelecimento Industrial ou Equiparado a Industrial Com Emissão de Nota Fiscal – Saída Fl. 52800DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 65 64 de Produtos Sem Lançamento do IPI – Inobservância do Valor Tributável Mínimo”. 319. Diante dos fundamentos expostos, concluem as autoridades fiscais que houve impropriedade no alinhamento dos “produtos congêneres”, devendo ser excluídas todas as infrações a eles relativas, consoante demonstrativo constante do Anexo XI, do Termo de Encerramento de Diligência. XII.3. Do pronunciamento da autuada sobre as conclusões do Termo de Encerramento de Diligência: 320. Ao se pronunciar sobre o resultado da diligência, a autuada, por meio da petição de fls. 52.141/52.147, sustenta que, na impugnação “a autuada arguiu a nulidade de parte do lançamento, uma vez que ‘não há nos autos demonstração da matéria tributável e cálculo do tributo devido’ (fls. 19247). Esta DRJ constatou a falha (itens 291 e 291.1 à fl. 39087), tentou corrigila através do traslado de planilhas inseridas em outro processo e, por fim, acabou sendo ‘desautorizada’ pela autoridade lançadora, para quem os ‘referidos demonstrativos não devem compor os autos do processo do IPI, uma vez que já foi anexado o demonstrativo apropriado do IPI nos autos’ (fl. 52114)”. 321. Assevera que, conforme jurisprudência que colaciona, descabe à DRJ trasladar peças para tentar emendar erro cometido pela Fiscalização, nem lhe compete mandar complementar parte dos cálculos, elemento intrínseco, essencial e inerente à própria autuação. Para corroborar esta assertiva, reproduz excerto de ementa do Acórdão nº 210100488, proferido pelo CARF, segundo a qual “Nos termos do artigo 142 do CTN, c/c o artigo 59, II, do Decreto 70235/72, o lançamento deve determinar a matéria tributável, sob pena de nulidade absoluta”. 322. Ressalta que, de todo modo, o lançamento não poderia ser saneado, porque, ao tomar como referência “o preço corrente praticado nas VENDAS À GLOBAL DISTRIBUIDORA, REAJUSTADO DO SUBFATURAMENTO” a autuação “levou em conta não os preços da Global praticados com terceiros (preços de atacado), mas o próprio preço de indústria recomposto”, no que desatendeu o comando embutido no art. 195 e 196, do RIPI 2010. 323. Outrossim, aponta que não foram apurados os preços de mercado praticados no mercado de Uberaba, pois, consoante Solução de Consulta Interna COSIT nº 8, de 13/06/2012, “existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado”. 324. Critica, ainda, que, apesar de a norma determinar que a aferição seja balizada pela média ponderada de preços no mês anterior ao da saída, a Fiscalização confessa, à fl. Fl. 52801DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 66 65 18.623, que “esses preços (...) não foram calculados através de médias ponderadas de preços” (fl. 18623). Além disso, há bases que levam em conta preços praticados no próprio mês (e não no anterior, como determina o RIPI) e até em meses posteriores, o que, convenhase, é completamente despropositado”. 325. Para evidenciar sua alegação, reproduziu o seguinte excerto do TVF: "Para aqueles produtos que a primeira venda identificada para a Global Distribuidora tenha sido num período intermediário, não abrangendo o primeiro dia da fiscalização, retroagimos esse valor até o primeiro dia do período da fiscalização...” (fls. 1862118622). 326. Avante, quanto à conclusão da diligência de que nenhum dos produtosrelacionados no DOC. 95 seria condicionador, censura que este entendimento contrariaria manifestação da própria RFB na Solução de Consulta SRRF 6ª RF nº 25/2007. 327. Sobre as pomadas e defrizante, ressalva que, diversamente do que disseram as autoridades diligenciantes, sobre tais produtos continua a discussão, pois “O fato de a autuada não ter defendido que esses produtos seriam condicionadores não significa que ela concorda com o IPI adicional que está sendo cobrado”. 328. Continuando, consigna que “não é o enxágue (ou não) que define um condicionador.Nem a doutrina citada pela autoridade lançadora defende esse ponto de vista. Aliás, a própria RFB classifica cremes capilares não enxaguáveis como condicionadores”. Em seguida, transcreveu as ementas de três Soluções de Consulta para respaldar seu posicionamento: "Código TIPI Mercadoria 3305.90.00 'Ex' 01 Condicionador capilar sem enxágue para crianças, contendo extrato orgânico de frutas, destinado a hidratar e condicionar os cabelos cacheados, úmidos ou secos, acondicionado em frasco plástico, denominadocomercialmente Infantil Finalizador Cabelos Cacheados, marca Bio Extratus Kids."(Solução de Consulta n° 87/10, da SRRF da 6ª RF Aduaneira, de 21/09/2010)."3305.90.00 'Ex' 01 Condicionador capilar sem enxágue composto de Queratina, Macadâmia, PróVitamina B5, Filtro Solar e Tensoativo Catiônico, dentre outros componentes, destinado a proteger os cabelos dos raios solares e restaurar os fiosdanificados, acondicionado para venda a retalho, em frasco plástico de 150 g, denominado comercialmente 'Oueravit Restaurador Antiestático Finalizador ProteçãoSolar', marca Bio Extratus.''' (Solução de Consulta nº 9/08, da SRRF da 6a RF Aduaneira, de 07/02/2008) "Código TIPI Mercadoria 3305.90.00 'Ex' 01 Gel capilar composto, dentre outros, de tensoativos canónicos, destinado a condicionar e hidratar os cabelos, agindo como condicionador sem enxágue, denominado comercialmente de 'Tanogel', acondicionado em bisnaga de 150 gr." (Solução de Consulta n° 17/03, da SRRF da 6a RF Aduaneira, de 13/3/2003) Fl. 52802DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 67 66 329. Acrescenta que “(i) que cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária regulamentar, controlar e fiscalizar os cosméticos e produtos de higiene pessoal , (ii) que, nos anos de2009 a 2012, nenhum dos produtos submetidos ao regime de inspeção sanitária poderia ser industrializado, exposto à venda ou entregue a consumo antes de registrado4, (iii) que os cremes e as máscaras em análise aqui estão devidamente registrados na Anvisa como condicionadores (docs. anexos) e (iv) que o registro na Anvisa deve ser observado para efeito de classificação fiscal5, não resta a menor dúvida de que os 42 produtos listados às fls. 3953939540 se enquadram no extarifário 01 do código n° 3305.90.00 da TIPI”. 330. Encerrando este tópico, ressalta que, como a Fiscalização se valeu de textotécnico divulgado na internet – o qual, segundo a defendente, confirmaria o que ela defende da Impugnação – submeteu os produtos ora discutidos a uma farmacêutica industrial especializada em cosmetologia, que chegou às seguintes conclusões (vide "Laudo Técnico" de fls. 52.148/52.156): "Considerando que: para que um Condicionador cumpra o fim a que se destina, ele precisa ter em sua composição um tensoativo catiônico que possa neutralizar as cargas negativas geradas pelo uso do shampoo, escovação, uso de secadores, etc, permitindo assim que as cutículas do cabelo se fechem, se alinhem, deixandoo liso, fácil de pentear, com brilho e sedoso ao toque; Que cabelos que passaram por vários e severos processos químicos, como alisamentos, tinturações, descolorações, exposição à água do mar e ao cloro de piscina, demandam uma carga condicionador a extra, ou seja, uma carga catiônica maior, mais eficaz, por mais tempo e que maximize o efeito Condicionador, criouse no mercado produtos "enxaguáveis" e "não enxaguáveis " (leavein e leaveon); Que os produtos aqui discutidos Condicionadores, Creme para Pentear Condicionador, Máscaras Condicionadoras e Cremes de Tratamento Condicionador, pela sua estrutura química, têm a mesma função, ou seja, neutralizar as cargas negativas fechando as cutículas do cabelo; Que o composto principal utilizado nos Condicionadores Tradicionais (Cloreto de Cetil Trimetil Amôneo vide anexo 1) é o mesmo utilizado no Creme para Pentear Condicionador, Máscara Condicionador a e Cremes de Tratamento Condicionador do contribuinte, sendo os demais componentes totalmente secundários e dependentes do efeito do componente primário ; Que todos os produtos aqui discutidos são legalizados na Anvisa como Condicionadores; Podese afirmar que, quimicamente, os produtos do Contribuinte descritos no anexo III, itens 1 ao 42 (fls. 51996 a 52017), por cumprirem o objetivo principal e primordial de neutralizar Fl. 52803DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 68 67 cargas negativas e condicionar os cabelos, são, em sua essência, natureza e quimicamente falando, Condicionadores”. 331. Então, pelos motivos delineados, entende a impugnante que “todos os 42 produtos listados às fls. 3953939540 são espécies do gênero condicionador, razão pela qual a eles se aplica alíquota de IPI de 7%”. 332. Adiante, quanto às devoluções de vendas, reputa que “tudo foi devidamente computado. A exceção diz respeito aos meses de outubro e novembro de 2012, cujas devoluções não foram subtraídas do total mantido”. 333. Passando aos “produtos congêneres”, avalia que “andou bem a autoridade lançadora de excluílos da tributação. De fato, não havia nenhuma consistência na equiparação de mercadorias que não se confundem”. XII.4. Do pronunciamento dos responsáveis solidários (com exceção do espólio do Sr. Oscar Lacerda) sobre o Termo de Encerramento de Diligência: 334. Por meio da petição de fls. 52.289/52.290, os responsáveis solidários (com exceção do espólio do Sr. Oscar Lacerda) aderiram aos termos da manifestação da autuada sobre o resultado da diligência e requereram “que este colegiado: (i) exclua da tributação os valores cujos cálculos só foram apresentados após a diligência (fls. 3987251995); (ii) reconheça que o VTM aferido pela autoridade lançadora destoa daquele previsto em lei, sendo, por isso mesmo, imprestável; (iii) reconheça que os cremes para pentear, os cremes de tratamento e as máscaras fabricadas pela contribuinte são condicionadores; (iv) acate as devoluções de vendas apuradas pela diligência e determine a subtração das devoluções ocorridas em outubro e novembro de 2012, as quais, apesar de calculadas, deixaram de ser deduzidas (por um mero erro material); e (v) acate a exclusão dos produtos congêneres proposta pela autoridade diligenciada”. XII.5. Do pronunciamento do espólio do Sr. Oscar Lacerda sobre o Termo de Encerramento de Diligência: 335. Já o espólio do Sr. Oscar Lacerda se pronunciou sobre o resultado da diligência por intermédio da petição de fls. 52.293/52.294, por meio da qual se filia à fala da autuada e dos demais responsáveis solidários, acrescentando, quanto à caracterização dos produtos relacionados no Doc. 95 como condicionadores, ementas, abaixo reproduzidas, de Soluções de Consulta publicadas no DOU de 06/06/2016. "Código NCM 3305.90.00 "Ex" 01 da TIPI Mercadoria: Condicionador para cabelos, contendo proteína hidrolisada de colágeno e queratina, próprio para recuperar o brilho e maciez dos cabelos após tratamentos químicos, acondicionado em Fl. 52804DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 69 68 frasco plástico de 140 ml" (Solução de Consulta n° 96, de 20/5/2016) "Código NCM 3305.90.00 "Ex" 01 da TIPI Mercadoria: Condicionador para cabelos,contendo óleo de gérmen de trigo, lanolina e ácido cítrico, próprio para ser utilizado após processos químicos de alisamento, relaxamento e coloração, acondicionado emfrasco plástico de 280 ml." (Solução de Consulta n° 97, de 20/5/2016) "Código NCM 3305.90.00 "Ex" 01 da TIPI Mercadoria: Condicionador para cabelos, contendo óleo Semi di Lino e glicerina, próprio para recuperar o brilho e maciez dos cabelos após tratamentos químicos de coloração, acondicionado em ampola plástica de 15 ml." (Solução de Consulta n° 99, de 20/5/2016) 336. Afirma que “a Receita Federal do Brasil entende que os produtos próprios para recuperar os cabelos após tratamento químico são condicionadores, aplicandose a eles, portanto, o Extarifário “01” da NCM 3305.90.00 e, consequentemente, alíquota de IPI de 7%” e, assim, solicitou que “este colegiado reconheça que os cremes para pentear, os cremes para tratamento e as máscaras fabricadas pela Anfíbia são condicionadores”. XIII. Da Impugnação da responsável solidária Keila Alves Martins Duarte: 337. Consoante relatado no item “XII.2. Do Termo de Encerramento de Diligência”,a Unidade de Origem identificou a existência de Impugnação, interposta aos 14/01/2014 pela Sra. Keila Alves Martins Duarte, que, por lapso, não fora antes juntada aos presentes autos, mas que durante a diligência foi anexada às fls. 39.106/39.139. 338. Em sobredita Impugnação, a recorrente adota como razões de defesa os mesmos fundamentos constantes das defesas da autuada e dos demais responsáveis solidários. 339. Além disto, complementa que, de acordo com sua Carteira de Trabalho e com a Ficha de Registro de Empregado que anexa, é gerente financeira da autuada desde o ano de 2003, sendo que, de 2009 a 2012, seu salário variou entre R$ 5.805,00 a R$ 7.500,00, sendo que, no anocalendário de 2012, recebei aproximadamente uma média mensal de R$ 8.000,00. 340. Qualificase como empregada com vida modesta, que não se beneficiou das operações realizadas pela autuada, e reputa despropositado supor que ela detivesse poder de decisão no “esquema” citado pela Fiscalização. 341. Reportase a declaração firmada pelo Sr. Nadir no sentido de que a impugnante é funcionária da Anfíbia e de que “no período de toda vigência de seu contrato de trabalho (...) todaatuação da Sra. Keila foi feita sob inteira responsabilidade Fl. 52805DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 70 69 de seu sócio, Sr Nadir de Castro Neves, não tendo a Sra. Keila, no desempenho de suas funções, tomado nenhuma decisão ou ato por sua conta própria e sem anuência do Sr. Nadir”. 342. Sustenta que não tem autonomia para decidir sem a anuência do Sr. Nadir,circunstância que tem por atestada pelo e mail anexado pela Fiscalização à fl. 4327 (no Doc. 46 – Holetites Comercial 13), que revela a necessidade de autorização deste senhor. Também no intuito de evidenciar que não possuía autonomia, acostou à impugnação dois emails de instituições bancárias. 343. Pondera que a autuação não incluiu no pólo passivo pessoas que são (ou já foram) sócias das distribuidoras, sob alegação de que elas são, na verdade, empregados, e diz inexistir qualquer diferença entre a situação destas pessoas e a da ora impugnante. Ademais, questiona porque somente a recorrente fora responsabilização já que, de acordo com a fl. 120, do TVF, outras duas funcionárias, que não foram responsabilizadas, também interviriam no chamado “Caixa Dois”. 344. Em torno dos emails constantes do “doc. 06 – Seguros Grupos”, realça que eles não foram enviados pela impugnante, mas pela Sra. Keila Cristina Bisinotto. 345. Relativamente às doze procurações que lhe foram outorgadas, às quais se referem o TVF em sua fl. 53, consigna que: (i) sete foram outorgadas pela ANFÍBIA e duaspelo Sr. Nadir, sendo que a maior parte destes instrumentos de mandato tiveram curta vigência; (ii) duas procurações, expedidas em 2003, referemse à representação da Master Line e da Planita perante repartições públicas e uma procuração diz respeito à representação, em nome da Master Line, de assuntos comerciais da marca SKALA perante os Supermercados Bretãs. 346. Sobreleva que as três últimas procurações acima foram expedidas a pedido das empresas Master Line e da Platina ao Sr. Nadir, que as autorizou, pois estas empresas pretendiam evitar novos custos, já que a impugnante já realizava este trabalho para a ANFÍBIA, mas, posteriormente, as requerentes contrataram outras pessoas para a realização da atividade, mas se esqueceram, na ocasião, de revogar as procurações antes conferidas. 347. Enfatiza, outrossim, que todas as doze procurações foram revogadas, consoante documentos que anexa (fls. 39.132/39.137). 348. Avante, sustenta que desconhece a chamada “Comercial 13”, inexistindo provas nos autos de que a impugnante gerenciasse caixa dois, ponderando, quanto a um email em que a Fl. 52806DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 71 70 recorrente utilizou s expressões “extracaixa” e “autorizado” o pagamento de férias a um colaborador, pondera que, se o fez, foi cumprindo ordens. Complementa que um simples email não pode ser considerado prova a ensejar a sua responsabilização. 349. Argumenta, ainda, que o fato de não ter sido intimada durante o procedimento fiscal para prestar esclarecimentos evidenciaria que a impugnante não tem poder decisório. 350. Por todas as razões expostas, requereu o cancelamento de sua responsabilização. A DRJ, quando da análise das impugnações, entendeu pela parcial procedência da Impugnação apresentada, para manter em parte os créditos tributários autuados e para excluir a responsabilização solidária da Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, gerando as seguintes ementas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO E COM MESMA ADMINISTRAÇÃO. INTERDEPENDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Está caracterizada, para fins de apuração de diferenças tributáveis do imposto por meio do Valor Tributável Mínimo, a interdependência de empresas comprovadamente integrantes de grupo econômico de fato, administrado pelas mesmas pessoas físicas. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONSIDERAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE VENDA DE PRODUTOS DE IDENTIDADES DISTINTAS. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. É improcedente a autuação na parte em que adota o Valor Tributável Mínimo de determinado produto para fins de tributação do imposto incidente sobre as operações de venda de outros produtos de identidades distintas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. PRESENÇA DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS. GARANTIA DO DIREITO DE DEFESA. PRELIMINAR DE NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. É improcedente a preliminar de nulidade de Auto de Infração em que presentes os seus elementos essenciais de modo a garantir a defesa do contribuinte, ainda mais quando a impugnante contesta a autuação por meio de Impugnação na qual demonstra plena consciência dos fundamentos do lançamento. IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Fl. 52807DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 72 71 Após a interposição da Impugnação, ocorre a preclusão do direito de o sujeito passivo discutir matéria não contestada quando da apresentação do recurso. INDÍCIOS. CONJUNTO LÓGICO, COERENTE E CONVERGENTE. PROVA DO LANÇAMENTO E DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA. O conjunto lógico, coerente e convergente de indícios é, especialmente nos eventos simulados e/ou fraudulentos, prova legítima para respaldar o lançamento tributário e da responsabilização solidária. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EQUÍVOCO DO SUJEITO PASSIVO. ÔNUS PROBANTE DA AUTUAÇÃO. Recai sobre a autuação o ônus probante de atestar eventual equívoco na classificação fiscal de produto adotada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 FATO GERADOR. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, devendo ser excluída do pólo passivo apenas a pessoa física cujo interesse comum não restou configurado. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS FRAUDULENTOS. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DOS EFETIVOS ADMINISTRADORES. CABIMENTO. Independentemente de figurarem nesta condição nos contratos sociais, cabível a responsabilização solidária dos efetivos administradores de pessoa jurídica de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos fraudulentos. SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a fraude, com o propósito de se esquivar de obrigações tributárias, realizada em conluio entre as partes envolvidas, deve ser qualificada a multa de ofício exigida. Os Recorrentes apresentaram seus Recursos ao CARF onde, sinteticamente alegaram: ANFIBIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS EIRELI, doravante denominada apenas ANFÍBIA, apresentou seu recurso às fls. 52512 e seguintes onde sustentou sinteticamente: Fl. 52808DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 73 72 Preliminarmente, que o lançamento é nulo por haver sido "aperfeiçoado" pela DRJ, causando cerceamento de defesa, sem contudo evidenciar qual teria sido o prejuízo causado à defesa. No mérito, que a alienação da marca SKALA ao Sr. Oscar decorreu da quitação de débitos trabalhistas que a empresa possuia com ele, e que isto não foi gratuito. Que não existe o dito "Grupo Skala". Que o fato de documentos das empresas haverem sido encontrados no mesmo escritório de contabilidade não prova o grupo. Que o fato de existirem contratos de cessões de créditos entre as empresas não prova o grupo. Que o fato das empresas entabularem, ou tentarem entabular um seguro em grupo é apenas em razão de serem "um grupo de amigos" não prova a existência de um grupo. Que o fato da Total Contabilidade haver assumido, em documento por ela assinado, a propriedade de documentos encontrados no computador do Sr. Nadir é verdade em razão da presunção de veracidade dos documentos assinados. Que há nulidade em razão do Sr. Nadir não haver sido intimado sobre o teor dos documentos durante a fiscalização sem, contudo, especificar o prejuízo advindo de tal omissão. Que a documentação que menciona o Grupo Skala, encontrado na sede da ANFÍBIA não passa de uma das propostas que ela, a exemplo de outras empresas, frequentemente recebe de profissionais liberais que buscam a prospecção de clientela. Que o documento 18 que trata do Grupo Econômico não passa de uma ação motivacional da empresa. Que a documentação relacionada à empresa de factoring que alegadamente atende todo o grupo não passa de um estudo sobre a carga tributária das empresas de factoring. Que o fato das empresas do suposto Grupo Skala usarem o mesmo PABX decorre de uma praticidade para que as empresas parceiras, mas não integrantes do mesmo grupo, pudessem realizar tratativas entre si. Que desconhece a razão pela qual o Sr. Paulo Tamayossi tratou as empresas como um GRUPO ECONÔMICO em comunicações, questionando: "Com a devida vênia, uma palavra ma colocada por um terceiro e um email indica grupo econômico?" Que o fato de o fato de haver uma lista denominada "Contadores do Grupo" não é suficiente para caracterizar o grupo econômico, e tal documento existe em razão da ANFIBIA necessitar estabelecer contato com os contadores de empresas parceiras comerciais. Afirma que "... do documento também não se extrai absolutamente nada de extraordinário." Que o fato de existirem várias procurações outorgadas aos Srs. Oscar, Nadir, Fernando e Sérgio não implicaria o reconhecimento de que seriam os reais administradores das empresas, com controle único e centralizado. Esclareceu que as procurações já foram revogadas e que muitas sequer eram válidas à época dos fatos geradores. Que "... a relação comercial entre elas (as empresas do suposto grupo) sempre foi escancarada". Fl. 52809DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 74 73 Que é inverídica a alegação de que os sócios das empresas eram interpostas pessoas de Oscar, Fernando, Sérgio e Nadir. Que o fisco não juntou aos autos as respostas de todos os TIF, lamentando a falta de transparência. Que o termo [ANFIBIA 60% c/NF e 40% s/NF], encontrado no caderno de anotação de uma funcionária da ANFIBIA, apreendido não passa da proposta formulada por algum comprador. Que apesar da CASAFORTE afirmar que repassou parte dos boletos à ANFIBIA, não há provas de que tenham sido repassados. Que não há nos autos qualquer boleto liquidado pela CASAFORTE. Que não há nos autos nenhuma prova de que o dinheiro da CASAFORTE tenha alimentado o suposto caixa dois da empresa, que a fiscalização denomina de COMERCIAL 13. Que todas as Notas Fiscais emitidas pela ANFIBIA foram submetidas à tributação. Que não há nos autos qualquer afirmação de alguém que tenha pago os boletos com letras A, B ou C. Que o ônus de provar é de quem acusa e que o fisco dele não se desincumbiu. Que a empresa COMERCIAL 13, suposto caixa dois da empresa não existe. A RECORRENTE questiona a razão pela qual nem todas as TIF foram juntadas aos autos. No que tange aos holerites, a recorrente questiona a razão pela qual as pessoas mencionadas não foram instadas a responder se realmente receberam as quantias e a que título. Que a COMERCIAL 13, enquanto empresa informal, não pode ter pago nada a ninguém. Que não há provas de que funcionários da ANFÍBIA tenham recebido dinheiro da Comercial 13. Que os documentos "Extra Caixa" não foram assinados e que recibos sem assinatura não fazem prova de pagamento. Que cabe ao Auditor aprofundar a investigação e obter mais provas que levem a evidenciar a inconsistência e, havendo indícios de que a operação era diversa da declarada, cabe à fiscalização aprofundar a investigação. Que a acusação de subfaturamento e omissão de receitas dirigida à Anfíbia não pode ser transposta diretamente às distribuidoras. Que não há provas da entrega dos recursos decorrentes do suposto subfaturamento à ANFÍBIA, nem de que os valores teriam sido desviados das distribuidoras, sendo caso de ausência de provas. Que as respostas homogêneas das empresas do suposto grupo não foram fruto de maliciosa combinação prévia, mas sim por refletirem a realidade. Fl. 52810DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 75 74 Que a TOTAL CONTABILIDADE reconhece a responsabilidade por todos os documentos questionados. Que o fato de uma empresa contar para a sua fornecedora as suas informações não é prova de que ela é um departamento da outra e se tal conduta não é proibida ela é permitida. Que o que ocorre entre as empresas do suposto GRUPO SKALA não passa de busca por um interesse comum, complementariedade de funções, encadeamento de atividade e compartilhamento de informações. Que o vínculo de amizade existente entre as pessoas físicas não significa inexistir independência entre elas. Que não houve reestruturação com o objetivo de pagar menos imposto. Que o compartilhamento de informações, a criação de uma base de dados comum e a proximidade física trouxe ganho logístico, havendo razões econômicas para tanto. Que o fato de existir um mecanimo que permite à SKALA rastrear os produtos até a entrega ao cliente final não passa de estratégia logística e da exigência do mercado consumidor e que neste sentido a fiscalização confunde a eficiência das empresas com fantasiosa malícia e arranjo. Que a Procter & Gamble e outras empresas também possueum ferramenta de rastreamento. Que não existe artificialidade na relação da ANFIBIA com as distribuidoras. Que não ocorreu o subfaturamento de 40% para as empresas não integrantes do "GRUPO SKALA". Que não há provas do subfaturamento. Que há ausência de elementos probantes suficientes para sustentar a acusação de fraude documental e subfaturamento, cujo ônus incumbia à administração. Que a DRJ resposicionou a acusação vez que a fiscalização afirmou que as empresas acusadas eram filiais da ANFÍBIA e a DRJ as trata como Grupo Econômico, fato suficiente para o cancelamento do Auto de Infração, segundo a Recorrente. Que não há provas de que havia interdependência entre a ANFÍBIA e as demais empresas. Que há irregularidade na eleição da GLOBAL DISTRIBUIDORA como balizadora do VTM Valor Tributário Mínimo. Que o Auto de Infração é nulo por inovar na questão de que a GLOBAL atuava como comerciante atacadista nas vendas realizadas a revendedores. Que o Auto de Infração é nulo por levar em consideração apenas os preços da GLOBAL para apuração do Valor Tributário Médio VTM, nas suas palavras erro na aferição da base de cálculo. Que a eventual revogação da busca e apreensão da qual resultou a obtenção de provas terá o condão, no seu entendimento, de macular todo o procedimento, segundo ela. Fl. 52811DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 76 75 Que a multa qualificada não pode atingir as pessoas jurídicas pois a acusação é tecida apenas contra as pessoas físicas. Que a ANFÍBIA não vendeu produtos com preços artificiais. Que a ANFÍBIA não combinou preços com terceiros. Que não há provas de que a CASAFORTE pagou contas da ANFIBIA. Que a ANFIBIA desconhece a empresa COMERCIAL 13 e que não há provas de que ela tenha pago contas da ANFÍBIA. Que cada empresa possui individualidade e total autonomia administrativa. Que todos os documentos foram emitidos, escriturados e informados ao fisco. Que o fato da fiscalização em 2017 não haver encontrado irregularidades seria suficiente para demonstrar que não houve ilícito penal, razão pela qual não podem prosperar as multas qualificadas. Que, no máximo, houve planejamento tributário, fato que não pode ser considerado criminoso. Que não restou demonstrado o evidente intuito de fraude. Que quer a aplicação da decisão proferida no pelo Supremo Tribunal Federal, especificamente o AgRg no RE 748.257/SE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 06.08.2013, DJE de 20.08.2013, no sentido de que "... são confiscatórias as multas fixadas em 100% ou mais do valor do tributo devido.". Finalmente, requereu a cassação do Acórdão DRJ/REC n. 11.55.476, determinando que a DRJ se manifeste explicitamente sobre todos os argumentos e lados anexados aos autos, com apreciação de todos os argumentos da recorrente. NADIR DE CASTRO NEVES, apresentou Recurso Administrativo às fls. 52611 e seguintes aduzindo, em síntese, os seguintes fatos: Que o "termo de sujeição passiva tributária" é nulo eis que entende não haver previsão jurídica para tal expediente, eis que na Administração Pública só é permitido fazer o que alei autoriza, sem contudo demonstrar em que medida e por qual razão o alegado vício prejudicoulhe o seu direito de defesa. Que no "termo de sujeição passiva tributária" não foi expressa a intimação para pagar ou impugnar, sem contudo demonstrar em que medida e por qual razão o alegado vício prejudicoulhe o seu direito de defesa. Que a ausência da menção ao artigo 135 III do CTN maculou o seu direito a defesa, sem contudo demonstrar em que medida e por qual razão o alegado vício prejudicoulhe o seu direito de defesa. Que houve erro na utilização do artigo 124 I do CTN que, segundo ele, só pode ser aplicado a quem já compõe o polo passivo da obrigação tributária, o que segundo ele não seria o caso e não seria a correta fundamentação legal, um erro de enquadramento legal, pois não seria apto a inserir terceiro no processo. Fl. 52812DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 77 76 Que houve responsabilização genérica e sem provas do Sr. NADIR, acusado de participar da diretoria que concentraria as decisões do grupo, sem citar atos específicos do Sr. NADIR. O Sr. Nadir afirma que as informações contidas no computador apreendido em sua casa não eram dele, mas sim da TOTAL CONTABILIDADE que, inclusive, teria confessado expressamente ser a proprietária do arquivo de fls. 20009 a 20013. Que as " considerações do consultor Marcio Carneiro", de 2006, referese a período distinto do autuado, qual seja 2009 a 2012. Que não há prova de que houve subfaturamento, muito menos que o Sr. Nadir tenha sido o perpetrador do referido subfaturamento, razão pela qual não há coobrigação imputável ao Sr. Nadir. Que o fato do Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais haver mantido a responsabilidade solidária do Sr. Nadir na Operação "Quadrado das Bermudas" não pode ser aplicado ao presente processo, pois deve ser analisado "caso a caso". Que o Sr. Nadir não praticou qualquer ato que justificasse a sua responsabilização. Que o fato da ANFIBIA haver sido mantida no polo passivo do processo torna a responsabilização do Sr. Nadir descabida. MASTER LINE DO BRASIL, doravante denominada apenas MASTER, apresentou seu recurso às fls. 52503 e seguintes onde sustentou que a atuação da empresa teria se dado em etapa anterior da cadeia produtiva, eis que teria industrializado por encomenda da ANFIBIA antes ela vender a terceiros, sob os seguintes argumentos: Que o fato de possuir como sócios as mesmas pessoas que constituem o "Núcleo Diretoria do Esquema" não é capaz de justificar a responsabilidade. Que a documentação de outras empresas do alegado grupo apreendida na sede da MASTER não são suficientes a ensejar a responsabilidade. Que o uso do mesmo número telefônico entre a MASTER e as outras empresas do grupo de deu apenas para que elas pudessem falar "de graça" umas com as outras e que o fato de usarem o mesmo PABX não é suficiente para ensejar a responsabilidade. Por estes motivos, requerer o provimento do recurso para que seja cancelada a responsabilidade atribuída à MASTER. ANTONIO FERNANDO BONISATTO e SERGIO MORAES SAMPAIO apresentaram Recurso Administrativo às fls. 52631 e seguintes, alegando, em síntese. Que as alegações tecidas por ANFIBIA e pelo Sr. NADIR aproveitamse a eles. Que eles não poderiam ter influenciado o Sr. JOÃO e a RAPPIDA HOLDING a solicitar a substituição da garantia e depois a inadimplência do Sr. JOÃO. Que o fato de uma pessoa ser sócia de mais de uma empresa é lícito. Que não há comprovação da vinculação comercial entre uma das empresas, unidade de comando e confusão societária, patrimonial e contábil, ensejadores da caracterização do grupo econômico. Fl. 52813DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 78 77 Que o simples fato dos administradores de suas respectivas empresas não é suficiente para responsabilizálos por débito delas, muito menos por débitos de terceiros. A fiscalização não apontou ato específico do Sr. ANTÔNIO e do Sr. SÉRGIO que pudesse responsabilizálos. Que o dito GRUPO SKALA não existe. Que desconhecem o "ESTUDO" onde consta uma tabela com a situação das empresas, seus sócios, a forma de tributação dos seus lucros, a lista de ramais do grupo, onde há os seus nomes. Que a utilização do mesmo PABX foi para facilitar a comunicação entre empresas parceiras. Que enquanto pessoas físicas não podem responder pelo fato dos ramais haverem sido cedidos a pessoas jurídicas. Que apesar de terem procurações para representar os demais, não há prova de que tais procurações foram utilizadas, e que já foram revogadas. Que não há indicação que o Sr. SÉRGIO e o Sr. FERNANDO tenham praticado algum ilícito, e não há nenhum documento que ligue os recorrentes a qualquer ato específico capaz de gerar a corresponsabilização. PLATINA COSMÉTICOS LTDA apresentou Recurso Voluntário alegando em síntese. Que as alegações tecidas por ANFÍBIA se aproveitam a ela. Que houve erro no enquadramento responsabilidade solidária, eis que foi embasada no artigo 124, I do CTN por não restar demonstrada vinculação pessoal e direta dela com o fato gerador dos tributos exigidos da anfíbia, e que o artigo 124 não pode se prestar a incluir um terceiro no polo passivo da relação tributária, mas sim graduar a responsabilidade dos sujeitos que já a compõem. Que não houve correlação entre os fatos alegados e a norma jurídica. Que ainda que houvesse um grupo econômico, ainda assim não haveria razão para corresponsabilizar a PLATINA. Que não há provas de que as distribuidoras teriam praticados atos em conjunto com a ANFIBIA. Que não há provas de que as distribuidoras se aproveitaram dos resultados obtidos pela ANFIBIA. Que não foram indicados os atos que levaram à responsabilização da PLATINA, que sequer foi auditada pela fiscalização. Que não há provas de que a PLATINA deixou de contabilizar alguma operação. Que a afirmação de que as distribuidoras " nada mais eram do que empresas do Sr. Oscar Lacerda e de seus parceiros do núcleo Diretoria", com "sócios de fato" distintos daqueles indicados nos respectivos atos constitutivos é falsa. Fl. 52814DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 79 78 Que o artigo 116 do CTN não poderia ter sido utilizado no caso concreto, desconsiderando ato ou negócio jurídico. Que o fato da fiscalização atribuir TODOS os débitos apurados a todos os coobrigados é desproporcional. Que, ao contrário do que afirma a DRJ, não há uma "enorme confusão de interesses entre todas as empresas" que impeça o fracionamento dos débitos. A DISTRIBUIDORA WANCHOVIA LTDA, JS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PERFUMARIA LTDA, DISTRIBUIDORA NEBRASKA LTDA e DISTRIBUIDORA NOVIÇA LTDA, apresentaram Recurso Voluntário às fls. 52665 e seguintes onde alegaram: Que as alegações tecidas por ANFÍBIA se aproveitam a elas. Que houve erro no enquadramento legal da exigência quando do uso do artigo 124, I do CTN. Que não há subsunção de qualquer fato a norma jurídica. Que há erro quando da autuação específica da ANFÍBIA e CORRESPONSABILIZAÇÃO das atacadistas, o que seria equivocado partindose da premissa de que todas eram tratadas como apêndices ou filiais. Que não há do aproveitamento comum do fruto do suposto ilícito. Que não foram indicados atos específicos que liguem à responsabilização das Recorrentes. Que todas as operações foram contabilizadas. Que todas as empresas possuem contabilidade própria Que não há prova de que foi apontado um único ato específico que as distribuidoras teriam praticado, e que pudessem atrair a responsabilidade para si. Que o artigo 116 do CTN não poderia ter sido utilizado no caso concreto, desconsiderando ato ou negócio jurídico. Que o fato da fiscalização atribuir TODOS os débitos apurados a todos os coobrigados é desproporcional. Que, ao contrário do que afirma a DRJ, não há uma "enorme confusão de interesses entre todas as empresas" que impeça o fracionamento dos débitos. KEILA ALVES MARTINS DUARTE apresentou Recurso Voluntário, fls. 52760 e seguintes, alegando as razões abaixo sintetizadas. Que as alegações tecidas pelo Sr. NADIR e pela ANFIBIA se aproveitam a ela. Que é funcionária da ANFIBIA, especificamente gerente financeira, com recebimentos e patrimônios incompatíveis com pessoa acusada de poder de decisão em suposto esquema de sonegação de dezena de milhões de reais. Fl. 52815DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 80 79 Que é dependente em relação ao representante legal da pessoa jurídica, qual seja o Sr. NADIR, que se responsabilizou expressa e integralmente pelos atos dela. Que a KEILA de que tratam as fls. 18486 18487 é, na verdade a KEILA BISINOTTO. Que a existência de procurações conferindo poderes à Sra. Keila não significa que ela praticou qualquer ato de gestão e que não há qualquer cheque, contrato ou decisão tomada pela Sra. Keila. Que somente o Sr. NADIR e a ANFIBIA outorgaram poderes para a Sra. Keila perante instituições financeiras. Que como a Sra. KEILA geria assuntos comercias da ANFIBIA perante fornecedores envolvendo a marca SKALA, outras empresas MASTER LINE e PLATINA, também pediram que fizesse para elas, com o objetivo de evitar novos custos, o que foi autorizado pelo Sr. Nadir, mas que tais procurações, por esquecimento, não foram revogadas. Que o fato da Sra Keila já ter sido sócia da DISTRIBUIDORA NOVIÇA em período anterior não é relevante. Que o fato da Sra Keila ter usado, no email de fls. 3913 a expressão EXTRACAIXA e autorizado o pagamento de férias de um funcionários, se ocorreu, foi por ordem do Sr. NADIR, e este fato isolado não pode ensejar a responsabilidade solidária dela. A Sra. KEILA é apenas uma gerente financeira. Que a condição patrimonial e financeira da Sra. KEILA, os emails e a declaração de inocência firmada pelo Sr. NADIR são provas CONCRETAS E IRREFUTÁVEIS da sua inoncência. Que outro serviço de fiscalização da RFB deixou de responsabilizar a Sra. KEILA, este motivo seria suficiente para ensejar a nulidade do Auto de Infração. SAGA DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA apresenta RECURSO VOLUNTÁRIO às fls. 52684 por meio do qual alega: Que as alegações tecidas por ANFÍBIA se aproveitam a elas. Que houve erro no enquadramento legal da exigência quando do uso do artigo 124, I do CTN. Que não há subsunção de qualquer fato a norma jurídica. Que não há o aproveitamento comum do fruto do suposto ilícito. Que não foram indicados atos específicos que liguem à responsabilização das Recorrentes. Que todas as operações foram contabilizadas. Que todas as empresas possuem contabilidade própria Que não há prova de que foi apontado um único ato específico que as distribuidoras teriam praticado, e que pudessem atrair a responsabilidade para si. Fl. 52816DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 81 80 Que o artigo 116 do CTN não poderia ter sido utilizado no caso concreto, desconsiderando ato ou negócio jurídico. Que o fato da fiscalização atribuir TODOS os débitos apurados a todos os coobrigados é desproporcional. Que, ao contrário do que afirma a DRJ, não há uma "enorme confusão de interesses entre todas as empresas" que impeça o fracionamento dos débitos. O ESPÓLIO DE OSCAR JOSÉ DE CASTRO LACERDA apresentou Recurso Voluntário de fls. 52705 onde sinteticamente aduz: Que as alegações tecidas pelos demais devedores solidários se aproveitam a ele. Que a impressão da ascendência do Sr. OSCAR em relação aos Srs. NADIR, FERNANDO SÉRGIO, ANTÔNIO CARLOS, LOCATELLI, CLÁUDIO e LUIZ CARLOS (e outros) talvez decorra do fato de que a marca SKALA pertence à PLATINA, empresa que já foi dele, e que muitos empresários admiravam e até "APRENDERAM A ADMINISTRAR EMPRESAS COM ELE" (fls. 52707) Que não restou provado que o Sr. OSCAR administrava empresas das quais não era sócio. Que não há provas de que os Srs. OSCAR, SÉRGIO, FERNANDO E NADIR comandassem um sofisticado esquema de fraude, muito bem arquitetado, implementado por meio da ANFIBIA e demais empresas daquilo que se passou a denominar por GRUPO SKALA, supostamente administrado de fato pelos empresários que integravam o denominado NÚCLEO DIRETORIA (fls. 52426) que seria liderada pelo Sr. OSCAR (52429) Que apesar das procurações, ninguém jamais influenciou na empresa do outro, foram outorgadas para que um pudesse saber o que o outro estava fazendo. Que a simples existência de procurações não demonstra que as empresas eram administradas pela diretoria do grupo, e a fiscalização deveria demonstrar que houve efetivo exercício do mandato. Que o "entra e sai muito grande de pessoas" na empresa decorreu de problemas de capital e pessoas com visões diferentes. Que o fato de contas pessoais do Sr. OSCAR haverem sido localizadas na empresa MASTER LINE devese ao fato de que não estavam nos guardados da empresa, mas do Sr. Fernando, procurador dele desde 1986. Que a fiscalização misturou documentos apreendidos nos arquivos pessoais do Sr. FERNANDO, dentro da MASTER LINE com os encontrados na TOTAL CONTABILIDADE. Que a compilação de dados encontrados na ANFÍBIA na verdade foi um documento reparado pela TOTAL CONTABILIDADE, que mais uma vez confirmou tudo, e que a compilação serve para extrair dados do setor. Que não é estranho que a PLATINA não se importe em abrir seus dados para outras 14 empresas. Que não há provas de que o Sr. OSCAR tenha administrado a ANFIBIA. Fl. 52817DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 82 81 DOCA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA apresentou Recurso Voluntário às fls. 52718 se seguintes aduzindo, em síntese, o seguinte. Que as alegações tecidas por ANFÍBIA se aproveitam a elas. Que houve erro no enquadramento legal da exigência quando do uso do artigo 124, I do CTN. Que não há subsunção de qualquer fato a norma jurídica. Que não há o aproveitamento comum do fruto do suposto ilícito. Que não foram indicados atos específicos que liguem à responsabilização das Recorrentes. Que todas as operações foram contabilizadas. Que todas as empresas possuem contabilidade própria Que não há prova de que foi apontado um único ato específico que as distribuidoras teriam praticado, e que pudessem atrair a responsabilidade para si. Que o artigo 116 do CTN não poderia ter sido utilizado no caso concreto, desconsiderando ato ou negócio jurídico. Que o fato da fiscalização atribuir TODOS os débitos apurados a todos os coobrigados é desproporcional. Que, ao contrário do que afirma a DRJ, não há uma "enorme confusão de interesses entre todas as empresas" que impeça o fracionamento dos débitos. RECURSO DE SAGA DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA apresentou Recurso Voluntário às fls. 52684 e seguintes aduzindo, em síntese, o seguinte. Que houve erro no enquadramento legal da exigência, eis que fundado no artigo 124, I do CTN, o que não seria juridicamente possível. Que não foram indicados os atos que levaram à sua responsabilização Que a decisão da DRJ desconsiderou ato e/ou negócio jurídico aplicando indevidamente o artigo 116 do CTN. Que houve desproporcionalidade na imputação dos tributos e das sanções, eis que os débitos não foram individualizados. A Sra. MARIA DAS GRAÇAS FERNANDES OLIVEIRA interpõe Contrarrazões ao Recurso de Ofício (fls. 52681) reiterando tudo o que foi dito na defesa de fls. 18910 18914, afirmando qeu não há nos processos nada contra a pessoa física dela e requerendo a manutenção da decisão de primeira instância que cancelou a coobrigação que lhe foi imputada. Foi interposto Recurso de Ofício em razão da exoneração da Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, da exoneração dos valores de que tratam as tabelas de fls. 52.437, que tratam da exoneração dos produtos nos quais houve impropriedade no alinhamento de cogêneres, exoneração dos casos de devolução de mercadorias, e exoneração dos produtos que não podem ser classificados como "condicionadores". Fl. 52818DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 83 82 É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. ADMISSIBILIDADE Os Recursos Voluntários foram apresentados de modo tempestivo, se revestem dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação e a matéria é de competência deste colegiado, que serão apreciados individualmente. 2. RECURSO DA ANFÍBIA 2.1. Preliminar de nulidade de lançamento por ter sido alegadamente "aperfeiçoado" pela DRJ. A Recorrente alega nulidade do lançamento por ter sido supostamente "aperfeiçoado" pela DRJ, uma vez que a fiscalização não teria trazido aos autos toda a matéria tributável, sem contudo apontar exatamente qual matéria foi omitida e de que maneira a suposta ausência maculou o seu direito de defesa. Neste sentido admitese que não há nulidade sem prejuízo, razão pela qual é de se negar provimento ao RECURSO neste sentido. 2.2. O mérito do Recurso. Em relação da transferência da marca SKALA ao Sr. OSCAR, a documentação trazida aos autos, especialmente os termos do contrato, indicam que se tratou de uma manobra para a transferência da marca, aliás, uma fraude extremamente contumaz onde se utiliza o Poder Judiciário como meio de se tentar dar uma roupagem de legalidade a um fato que não ocorreu, fato que se deduz a partir dos elementos trazidos aos autos e apreciados na forma dos artigos 29 do Decreto Lei 70.235/72 combinado com o artigo 375 do Código de Processo Civil, razão pela qual é de se negar provimento ao recurso, mantendo a decisão atacada. Quanto à alegação de que "não existe Grupo Skala", entendo que as provas carreadas aos autos são mais que suficientes para demonstrar não apenas a existência do grupo, mas também que ele era capitaneado pela ANFIBIA, levandose em consideração, especialmente, os seguintes elementos. 1 Arquivo digital " “Distribuição de Vendas 2010_2011”, apreendido no arquivo digital de Nadir, que demonstraria o planejamento e a estruturação do Grupo. 2 Arquivo denominado “Faturamento Filiais”, Doc 10, apreendido na Anfíbia e que contém controles de faturamentos, DCTF e Dacons de todo o grupo, tratando todas as empresas como um grupo e as distribuidoras como filiais. Fl. 52819DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 84 83 3 Na ANFIBIA foram apreendidas Planilhas de Faturamento do ano de 2009, onde há o controle de prestação de contas da empresa WANCHOVIA. 4 Na ANFÍBIA foram apreendidas documentos relativos à DISTRIBUIDORA NEBRASKA 5 Na ANFÍBIA foi apreendido o "Encontro de Contas”, onde se verifica que a ANFÍBIA estabelece o controle sobre as duplicatas (a pagar e a receber) das distribuidoras e patentearia o controle de dados financeiros e contábeis que deveriam ser de acesso exclusivo às empresas interessadas. 6 NA ANFÍBIA Foi apreendido um documento DOC. 19 denominado "Controle Anfíbia x Saga” que revelaria gerenciamento das vendas realizadas pelas distribuidoras, inclusive uma tabela em Excel em que a Anfíbia possui todas as informações necessárias para seu controle, desde sua venda para sua filial, a venda de sua filial para seu cliente e, inclusive, a forma como é transportada a mercadoria, ocorrências até a entrega final e a data de recepção pelo varejista. 7 NA ANFÍBIA foram apreendidos Extratos Bancários de todas as Recorrentes, onde há menção ao GRUPO SKALA, o que demonstra que a ANFÍBIA possuía o controle das movimentações financeiras de todas as empresas, bem como controle sobre a cobrança de títulos. 8 Documento denominado “Faturamento 2008” onde a ANFÍBIA demonstra exercer controle do faturamento das empresas do "Grupo Skala" 9 Há um documento firmado em 16.06.2006 onde o Sr. Marcio Carneiro envia ao Sr. NADIR uma série de considerações sobre o a situação tributária das empresas Master, Anfíbia, Sogram, Platina, Nebraska e Noviça, recomendando que o grupo crie mais uma distribuidora, recomendando a forma de utilização de marcas, em típico planejamento tributário ilícito, onde são adotadas medidas para reduzir o risco de identificação de esquema fraudulento e confundir a fiscalização. 10 Dentre o que o Consultor Marcio Carneiro recomenda ao Sr. NADIR se encontra a advertência de que os documentos devem ser assinados pelos sócios contratuais, levando a crer que existem sócios não contratuais, ou seja, interpostas pessoas. 11 Dentre as advertências o que o Consultor Marcio Carneiro recomenda ao Sr. NADIR também se encontra a necessidade de que os pagamentos e recebimentos passem pela conta bancária normal das empresas, denotando que existem contas anormais, também chamadas de caixa dois. 12 Dentre o que o Consultor Marcio Carneiro recomenda ao Sr. NADIR se encontra a advertência de que os faturamentos sejam proporcionais ao CPMF e as declarações de Imposto de Renda, sendo que empresas que operam regularmente não necessitam tomar cuidado com esta equivalência. 13 O Sr. Marcio Carneiro também atesta que o fato de cada empresa ter um contador dá ar de regularidade e independência entre as empresas " ... sem levantar suspeitas de que se trata de um conglomerado que atua conjuntamente." Fl. 52820DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 85 84 14 Foi identificado, nas dependências da ANFÍBIA, documentação destinada à PLATINA. 15 Na MASTER LINE foram apreendidos documentos relativos à LAYFF KOSMETICS, atinentes à transferência de créditos trabalhistas relativos ao acordo para liberação da marca SKALA. (doc. 05) 16 Foram apreendidos emais que tratam da contratação de seguro para todas as empresas do "Grupo Skala". (Doc. 06) 17 Foi encontrado um documento denominado relativo a distribuição de lucros 2011 (doc. 09) que contém tabelas onde há os sócios os valores a serem distribuidos entre cada um deles. 18 Foi encontrado um documento que demonstra a "venda entre filiais" no ano de 2009 (doc. 12) onde as demais empresas do "grupo" são tratadas como filiais da ANFIBIA. 19 Foram encontrados documentos pelos quais é estabelecido um verdadeiro "Roteiro de Contabilizações" (Doc. 13), onde está registrado o movimento financeiro das operações irregulares do grupo e fica evidenciado o interesse de ocultar movimentações financeiras. 20 Foi encontrado o documento "Impostos Factoring" onde se pode verificar o mecanismo para evitar a fiscalização. Doc 16. 21 Foram encontradas senhas (Doc. 17) de outras empresas do grupo, para transmissão de DAPIS e SAPI. 22 Foram juntados aos autos diversos emails onde o Sr. NADIR e o Sr. IDELSON, de empresa de informática conversam sobre como obter o livro razão analítico das demais empresas do grupo. 23 O Doc. 21 demonstra que a ANFIBIA gerenciava os minutos das ligações de pessoas vinculadas às empresas do "grupo". 24 O Doc. 22 demonstra que a partir de 31.01.2008 surgiu uma determinação de que “cada empresas/distribuidora deverá ser acessada unicamente através do seu site individual. Ou seja, cada cliente estará disponível apenas para a empresa em que está cadastrada” (destaca o TVF que esta notícia foi dirigida às empresas Anfíbia, Distribuidora Nebrasca e Noviça e que do comunicado se depreenderia que, anteriormente, as informações de clientes eram globalmente acessadas por todas as empresas do Grupo”; 25 O Doc. 23 – "Lista de Ramais Grupo”: denota que pessoas de diversas das empresas do "grupo" possuíam ramais do mesmo PABX. 26 Há um email intitulado “CONTAS DE FILIAIS”, enviado pelo Sr. Paulo Eduardo Castro Tamayossi aos destinatários makita@bellsoft.com.br, marcelo@bellsoft.com.br e jalves@bellsoft.com.br com informações sobre as contascorrentes das empresas Nebraska, Noviça, Wanchovia e Platina, que são tratadas como filiais. Fl. 52821DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 86 85 27 O Doc. 25 – Livros Fiscais”: é composto de Livros de Registro de Apuração do ICMS e de Entradas e de Saídas das Distribuidoras Wanchovia, Nebraska, Platina Cosméticos e Saga Distribuição apreendidos nas instalações da Anfíbia, o que mais uma vez demonstraria a centralização e o controle das operações do "Grupo Skala"; 28 Também foi apreendido na ANFIBIA um documento que trata do Planejamento Estratégico das empresas do "Grupo Skala" ”, alusivo aos anos de 2009 a 2011, de amortização de empréstimos e juros aponta o TVF que, na coluna “Empresa”, figuram os tomadores dos créditos (Anfíbia, Distribuidora Nebraska, Platina Cosméticos, Máster Line e a “Comercial”) e realça que as empresas são tratadas como um Grupo, cujo planejamento estratégico depende do grau de endividamento de cada participante. 29 Também foi apreendido na ANFIBIA o documento 27, onde são listadas as empresas do "Grupo Skala", com exceção da JS Distribuidora. 30 Nos computadores da ANFÍBIA foram encontradas informações pessoais de colaboradores de todas as empresas do "Grupo Skala" e da Total Contabilidade, inclusive data de nascimento, conta bancária, data de admissão, seção onde trabalha, função, CPF, número do PIS, valor do salário e outras informações que são típicas de estar sob guarda do empregador e que normalmente não são divulgadas entre outras empresas, ainda que parceiras. 31 Finalmente, nos cadernos da Sra. Daniela Saad, apreendido na Operação Quadrado das Bermudas, há a seguinte anotação: "FORMA DE FATURAMENTO: ANFIBIA : 60% c/NF e 40%s/NF". As razões recursais, muito bem construídas por patronos de escol tentam explicar de forma mirabolante algo que os fatos, observados por um intérprete minimamente cauteloso não ocultam. A verdade é simples e não pode ser ilidida sequer por confissões de escritórios de contabilidade ou por alegações de que o computador que estava na casa de alguém não era dele, ou mesmo que um grupo de amigos quis orçar um seguro em conjunto e que estes amigos se chamavam entre si pelo termo "gerente", que usavam o mesmo PABX para economizar com as ligações, que sócios de empresas distintas outorgam procurações para sócios de outras empresas, ou que um verdadeiro estudo tributário tendente a administrar um grupo e ocultar fatos imponíveis foi apenas uma proposta comercial, ou que planilhas de faturamento do grupo não passam de um estudo, para citar alguns exemplos. Efetivamente, de tantas provas, diretas ou indiretas, pois admitese não haver distinção entre elas, algumas delas podem apenas indicar que os fatos alegados pela fiscalização efetivamente ocorreram, contudo o conjunto delas, já tratado acima, combinado com inverossimilhança das razões recursais, também já tratadas acima, indicam com grande grau de certeza que os fatos ocorreram conforme narrados pela fiscalização em sua tese, e confirmados pela DRJ, e não conforme as alegações que a Recorrente expôs em sua antítese. De fato, os grupos de empresas, quando se organizam para criar alguma maneira ilícita para evitar, retardar ou reduzir a tributação, principalmente quando o fazem de forma meticulosa, organizada e bem assessorada, ordinariamente não tornam tal fato ostensivo, como por exemplos placas, crachás, nem pastas entituladas "caixa dois", por exemplo, pois isto seria absolutamente contrário ao referido propósito e incompativel com o grau de requinte utilizado na arquitetura do grupo e da fraude, muito embora algum funcionário do grupo, menos zeloso com o seu dever de ocultar o verdadeiro propósito, ou mais seguro da Fl. 52822DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 87 86 impunidade, descuidese e crie, ou deixe de destruir, uma prova mais contundente, como ocorreu. Por esta razão a fiscalização deve lançar mão das técnicas exegéticas que colimam a busca pela verdade material a partir das provas indiretas, e dos indícios, largamente aceitas em todo o mundo, especialmente no Brasil, onde recentemente a partir delas foram desvendadas incomensuráveis ilegalidades. No que diz respeito à alegação de que o fisco não se desincumbiu do dever de provar as suas alegações, admitese que diante dos elementos trazidos aos autos, resta mais que provada a existência do apontado grupo, sua liderança, seu modo de operar, bem como o tributo evadido. Em relação à juntada das TIF, efetivamente não se pode exigir que o fisco junte aos autos todos os elementos de prova colhidos, não havendo qualquer mácula ao contraditório o fato do fisco deixar de juntar aos autos as provas que entende impertinentes. Quando afirma que a Comercial 13, por ser informal, não poderia ter pago quantias a qualquer pessoa, confundese a Recorrente acerca da função das empresas informais, que inexistem de direito mas existem de fato pois, repitase, não se imagina que os empresários, ao orquestraremse para praticar a evasão fiscal, usem apenas entidades oficiais, pois não é o que ordinariamente acontece, no Brasil ou em todo o mundo. Da mesma forma, não se imagina que um sofisticado sistema de evasão fiscal exija a assinatura de quem recebeu importâncias não contabilizadas de um "extra caixa", daí a razão de se fazer uso da prova indiciária que, por meio de induções lógicas, permite ao intérprete buscar a tão proclamada verdade material, que no processo administrativo deve sobreporse à verdade formal. No que diz respeito à homogeneidade das respostas fornecidas por todas as empresas, bem como o fato de respostas haverem sido remetidas no mesmo momento, no mesmo local, admitese que seja fruto de prévio ajustamento, mais um fato indiciário de que as empresas orquestravam suas operações sob a mesma cadeia de comando. O fato da empresa de contabilidade assumir ou confessar a titularidade de documentos comprometedores apreendidos em diversas empresas não possui presunção de veracidade, pois cotejandose esta tese com aquela adotada pelo fisco, diante de todo o acervo probatório e das regras de experiência de como as coisas usualmente acontecem, que deve ser levado em conta em homenagem à verdade material, a tese adotada pelo fisco é muito mais verossímil. Também não é verossímil que empresas, embora parceiras comerciais, dividam tamanhas intimidades como as que foram demonstradas nos autos, que extrapolam o que geralmente ocorre entre empresas, inclusive quando parceiras, levando a crer que realmente tratavase de um grupo. Efetivamente é de se admitir que empresas parceiras possuam um grau de sigilo menor do que as concorrentes, contudo, a ausência de qualquer limitação de troca de informações, bem como o já mencionado controle concentrado das operações subsumese ao conceito de grupo econômico. Em relação ao subfaturamento, as respostas fornecidas pela Recorrente não são revestidas da verosimilhança necessária a ilidir os já mencionados argumentos e as robustas provas trazidas aos Autos. Fl. 52823DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 88 87 Ao contrário do que afirma a Recorrente, há sim nos autos elementos probantes, todos já mencionados, mais que suficientes a sustentar a acusação. Em relação ao alegado reposicionamento realizado pela DRJ, admitese que não houve mudança e critério jurídico, pois independente do termo filiais ou grupo econômico, durante todo o processo foi apontado que se trata de uma organização estruturada com o objetivo de, mediante o emprego de mecanismos ilícitos, reduzir, retardar ou suprimir a incidência dos tributos. No que diz respeito à relação de interdependência entre as empresas, esta hipótese foi prevista abstratamente no artigo 42 da lei 4502/64, abaixo transcrito: Art . 42. Para os efeitos desta lei, considerase existir relação de interdependência entre duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem assim por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor ou de sócio que exerçam funções de gerência, ainda que essas funções sejam exercidas sob outra denominação; III Quando uma delas tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de 20% (vinte por cento) no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, e mais de 50% (cinqüenta por cento), nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados de sua fabricação, importação ou arrematação. Parágrafo único. Considerase ainda haver interdependência entre duas firmas, com relação a determinado produto: I quando uma delas fôr a única adquirente, por qualquer forma ou título inclusive por padronagem, marca ou tipo de um ou de mais de um dos produtos, industrializados, importados ou arrematados pela outra; II quando uma delas vender à outra produto tributado de sua fabricação, importação, ou arrematação, mediante contrato de comissão, participação e ajustes semelhantes. Os fartos elementos de prova encontrados nos autos, já mencionados neste voto, possuem o condão de demonstrar de forma contundente, portanto provar, a ocorrência do Grupo Econômico, bem como da relação de interdependência existente entre as empresas, o que por sua vez autoriza a aplicação das regras previstas no artigo 136 e seguintes do RIPI/2002, vigente à época dos fatos. Efetivamente, a decisão sob exame não merece reparos no que diz respeito à utilização dos valores das vendas realizadas pela Anfíbia à Global Distribuidora como parâmetro para a definição do Valor Tributário Mínimo VTM, que foi empregado para balizar Fl. 52824DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 89 88 as operações de vendas para empresas pertencentes ao Grupo, portanto interdependentes, corretamente aplicados na forma dos artigos 520 do Decreto 4.544/2002 e 612 do Decreto 7.212/10. De fato, a adoção do VTM encontrase autorizada a partir da constatação da existência de um grupo econômico, com empresas interdependentes, na forma da lei. Assim, quanto ao cálculo do Valor Tributário Mínimo, reputado irregular pela Recorrente, admitese que foi calculado corretamente conforme exposto pela fiscalização e confirmado pela DRJ. Neste sentido, não deve proceder o argumento de que havia discrepância entre as vendas realizadas pela Anfíbia à Global e outras empresas do Grupo. Merece destaque a conclusão chegada pela DRJ, verbis: 490. Então, desde que os requisitos para utilização do VTM tenham sido observados – e se ele tiver sido corretamente apurado – restará atendido o dispositivo da legislação e, consequentemente, a autuação, neste peculiar, deve ser mantida. Então, em princípio, pouco importa se há discrepância entre as vendas realizadas pela Anfíbia à Global Distribuidora LTDA e as efetuadas para as distribuidoras do “Grupo Skala”. Aliás, é o pressuposto de que exista favorecimento de preços nas operações realizadas com empresas interdependentes – o que a autuação disse ter ocorrido nas operações da ANFÍBIA com as empresas do “Grupo Skala” que justifica a adoção do VTM. 491. Por isto é que são inócuos os levantamentos realizados pelo “Parecer Técnico” no sentido de evidenciar que a margem de preços praticada pelas distribuidoras do "Grupo Skala" não teria atingido o percentual de 40% em relação ao suposto preço de aquisição, pois, nas vendas às empresas deste Grupo, consideradas interdependentes, houve indevido favorecimento de preços em prejuízo do Erário e não subfaturamento – e, em função desta interdependência, foi adotado o critério legal da tributação com observância do VTM, para o qual a margem da revenda pelos distribuidores é irrelevante, pois, na hipótese, a tributação é, segundo o figurino legal, realizada pelo preço no mercado atacadista na praça do remetente, independentemente do preço no varejo ou mesmo do preço no atacado em outras praças. 492. Quanto aos terceiros (empresas não integrantes do “Grupo Skala”), o lançamento observou os valores de vendas praticados pela ANFÍBIA, constantes das Notas Fiscais por esta emitidas, que foram corrigidos pelo subfaturamento de 40%, não havendo aqui qualquer interferência do VTM apurado. Consequentemente, são impertinentes as alegações encerradas no item “ 8. Nivelamento, pela fiscalização, dos preços médios praticados pela Anfíbia com seus clientes, sem levar em conta as diferenças de preços dos produtos industrializados”, do Parecer Técnico sob análise, pois, ao levar em conta os valores das Notas Fiscais de vendas da Anfíbia aos terceiros, é de meridiana Fl. 52825DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 90 89 clareza que a diferença de preços nestas operações (decorrentes, por exemplo, do volume de vendas) foi, sim, considerada pela Fiscalização. A Anfíbia sustenta que apenas 18.86% de 472 clientes, ou seja, 89 empresas, teriam negociado títulos com a Casaforte Factoring, com o intuito de demonstrar que apenas nestes casos poderia ter havido subfaturamento. Acerca deste argumento, inicialmente vale destacar que tal cálculo diz respeito ao número de empresas, e não ao volume de negócios realizado com cada uma delas, o que faria muito mais sentido em termos estatísticos e argumentativo. Este fato também foi identificado pela DRJ, quando da prolação da decisão ora sob análise, que está precisa, verbis. Oportuno elucidar que, apesar do percentual de 18,86%, mencionado no item 497 acima despertar, de início pelo menos, a atenção, a esmagadora maioria das operações de venda da autuada com terceiros foi feita com empresas que estão relacionadas na planilha de fls. 2.720/2.728. Para ilustrar: nos anos de 2009 a 2012, foram realizadas apenas 05 operações de venda para o Minimercado Talismã e para a empresa Adriana Bombarda, enquanto, neste mesmo período, foram efetuadas cerca de 134 operações de venda para a Global Distribuidora (vide tabelas de fls 12.508/14.780 e de fls. 39.871/40.179). A DRJ com propriedade identifica três raras situações, envolvendo apenas uma empresa, seja ela a Jota Forte, onde os preços praticados foram diferentes, e o mais importante, ocorreram após a busca e apreensão de documentos na Operação Quadrado das Bermudas, o que efetivamente pode ter sido realizado de forma proposital para gerar a exceção, verbis. 501. Outrossim, observo que o “Parecer Técnico” foi apresentado mais de um ano após a protocolização da Impugnação da Anfíbia, mas, apesar disto, apenas conseguiu apontar três situações, todas envolvendo a empresa Jota Forte, nas quais a diferença entre o preço de venda praticado pela ANFÍBIA, considerado o subfaturamento, e o de revenda pela Jota Forte ensejaria prejuízo. Esta amostra, além de insignificante, pode muito bem ter sido intencionalmente “plantada” com o propósito de respaldar a defesa das implicadas na fraude, pois diz respeito a ocorrências do mês de maio de 2012, ou seja, posterior à apreensão de documentos pela “Operação Quadrado das Bermudas” O mencionado argumento de que existem outras transações com valor semelhante possui conteúdo notoriamente excludente, e encerra a lógica de que, se a mercadoria não foi vendida para empresa do grupo, então não foi subfaturada. Contudo, diante da robustez das provas que levaram a fiscalização e a DRJ a entender pelo subfaturamento das operações, estes argumentos são deveras frágeis para contrapôlos. No que diz respeito ao fato de que foram apreendidos documentos até o ano de 2011, contudo, foi presumida a continuidade da prática do subfaturamento no ano de 2012, é Fl. 52826DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 91 90 importante destacar que as planilhas de fls. 39.871 a 40.179 demonstram que não houve, em 2012, alteração significativa do "modus operandi" da recorrente. Também não foi apresentado, pela Recorrente, qualquer fato ou argumento que pudesse ilidir a presunção da continuidade das atividades como vinham sendo realizadas, razão pela qual é de se entender perfeita e irreparável a decisão proferida pela DRJ, merecendo destaque: Diante de todos os fundamentos expostos, concluo comprovada a ocorrência de subfaturamento do percentual de 40% nas vendas realizadas pela autuada a terceiros no período de 2009 a 2012. 505. Elucido que, apesar de apenas terem sido apreendidos documentos até o ano de 2011, a conduta das implicadas ao longo de vários anos que antecederam ao período autuado permite que se conclua que a fraude teve continuidade no ano de 2012. Por sinal, a continuidade da fraude no ano de 2012 pode ser atestada na planilha de fls. 39.871/40.179, na qual se identifica que, no geral, não houve em 2012 significativas alterações dos preços de vendas constantes das Notas Fiscais em relação àqueles embutidos nas Notas Fiscais de 2011, no qual a fraude patentemente ocorreu (as pequenas alterações para mais, ocorridas em alguns casos, são compatíveis com a inflação do período). Para exemplificar: 505.1. por meio da Nota Fiscal nº 49.825 foi vendido, no dia 24/08/2011, o produto de código 7267 para a Global Distribuidora LTDA (CNPJ nº: 04.754.317/000174) pelo preço unitário de R$ 28,03 (já acrescido o subfaturamento), enquanto, por meio da Nota Fiscal nº 60.215, foi vendido no dia 25/04/2012 este mesmo produto para a empresa RAMAVI PERFUMARIA LTDA (CNPJ nº: 04.741.235/000438) pelo preço unitário de R$ 29,02 (já computada a margem subfaturada); 505.2. por intermédio da Nota Fiscal nº 49764 foi vendido aos 23/08/2011 para a Global Distribuidora o produto de código 3092 pelo preço unitário de R$ 25,80 (já acrescido o subfaturamento), ao passo que, no dia 18/10/2012 este mesmo produto, por meio da Nota Fiscal nº 67.026, foi vendido para esta empresa pelo preço unitário de R$ 27,10 (já acrescido o subfaturamento). Assim, também por estes motivos deve ser mantida a decisão ora atacada. Ao contrário do que alega a Recorrente, que eventual revogação, pelo Judiciário, da busca e apreensão por meio da qual foram obtidas muitas provas dos autos não terá o condão de anular o presente processo, e este colegiado não é foro para discussão de tal questão. Ao contrário do que alega a Recorrente, a fiscalização agiu corretamente ao aplicar a multa qualificada pois restou demonstrada a participação das pessoas físicas e jurídicas em operação especialmente orquestrada para, com infração à legislação, reduzir, ou suprimir a incidência do tributo. Fl. 52827DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 92 91 Ao contrário do que alega a Recorrente, restou demonstrado nos autos que mercadorias foram vendidas com preços artificiais, combinados com terceiros, que a CASAFORTE pagou contas da ANFÍBIA, que a empresa COMERCIAL 13 existe de fato embora não exista de direito, que as empresas não possuem total e real autonomia, bem como o intuito de fraude que extrapola o planejamento tributário, devendo por estes motivos ser mantida a decisão atacada. Ao contrário do alegado em Recurso, as provas trazidas aos autos demonstram manifesto intuito de fraude, bem como de ocultar os atos fraudulentos, até sob o aspecto penal, o que justifica a aplicação das multas qualificadas, devendo também por estes motivos ser mantida a decisão atacada. Ao contrário do alegado em Recurso, o STF não proferiu decisão no sentido de declarar, erga omnes, as multas superiores a 100%, razão pela qual entendese correto o entendimento do fisco, devendo também por estes motivos ser mantida a decisão atacada. 2.3. Conclusões. Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo, de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir ou até suprimir a tributação incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Lastreado nos já expostos fundamentos, especialmente no fato da Recorrente não haver logrado êxito em demonstrar a existência de fatos que pudessem se contrapor às robustas provas trazidas aos autos, entendo que deve ser mantida decisão proferida pela DRJ. 3. RECURSO DO SR. NADIR DE CASTRO NEVES 3.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso apresentado pelo Sr. Nadir de Castro Neves. A Recorrente alega nulidade do presente processo administrativo por nele haver sido utilizado o "termo de sujeição passiva tributária" bem como sob a alegação de que nele não há expressa intimação para pagar ou impugnar e, sem entrar no mérito da previsão ou não do expediente. A alegação de nulidade foi tecida sem que houvesse sido demonstrado qualquer prejuízo processual advindo de sua utilização, requisito indispensável para que exista a declaração de nulidade de ato administrativo à luz do artigo 60 do Decreto 70.235/72. Também alega que não foi mencionado o artigo 135, III do CTN, o que lhe teria maculado o direito de defesa, sem contudo especificar qual foi o prejuízo processual, imprescindível para que seja declarada a nulidade do ato, razão pela qual deve ser mantido. Neste sentido admitese que não há nulidade sem prejuízo, razão pela qual é de se negar provimento ao RECURSO neste sentido. Fl. 52828DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 93 92 Alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o polo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, com a manutenção da decisão proferida pela DRJ. Acerca do argumento de que houve responsabilização genérica, há nos autos diversos elementos de prova que indicam o Sr. NADIR como figura relevante no esquema em comento, tratado como quem, por sua experiência, liderava o Grupo Econômico, e que por esta razão deve negado provimento ao presente Recurso Voluntário, com a manutenção da decisão proferida pela DRJ. Em relação à alegação de que as informações contidas no computador apreendido em sua residência não eram suas, mas sim da empresa de contabilidade que, inclusive, teria confessado tal fato, o contundente acervo probatório produzido nos autos leva a crer que esta "confissão" praticada pela contabilidade não condiz com a realidade, até porque o sistema jurídico brasileiro não aceita a confissão como presunção absoluta, mormente quando há outras provas que apontam em sentido distinto. Também por esta razão deve negado provimento ao presente Recurso Voluntário, com a manutenção da decisão proferida pela DRJ. Sobre as " considerações do consultor Marcio Carneiro", de 2006, referirem se a período anterior à prática dos atos dos quais é acusado, que segundo o Recurso teria o condão de desqualificar a prova, entendese que tal fato demonstra com ainda mais veemência a tese do fisco e a importância do documento, eis que o planejamento é algo classicamente realizado antes da execução, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso. O Recorrente alega que não há provas de que ele praticou o subfaturamento declarado na decisão sob foco, contudo, há nos autos há farto material probatório no sentido inverso, havendo sim coobrigação, e a sua manutenção na operação "Quadrado das Bermudas" é mais uma prova disso. A respeito da alegada impossibilidade da manutenção simultânea da ANFIBIA e do Sr. NADIR no polo passivo da demanda, também não merece abrigo a tese da Recorrente pois a responsabilidade de ambos é distinta, o que justifica a inclusão de ambos no polo passivo da relação tributária. 3.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário, para que seja mantida integralmente a decisão atacada. 4. RECURSO DE MASTER LINE DO BRASIL 4.1. Mérito do Recurso. Fl. 52829DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 94 93 Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso apresentado pela Master Line do Brasil. A Recorrente afirma que o simples fato dela possuir como sócios as mesmas pessoas que constituem o "Núcleo Diretoria" do alegado esquema não seria suficiente para ensejar a sua responsabilidade, o que está parcialmente correto, se não fossem as outras dezenas de provas, já tratadas neste processo. Todo o acervo probatório trazido aos autos conduz o à interpretação de que a Recorrente é mais uma empresa do Grupo Econômico, comandada pelos mesmos que dirigem o referido Grupo, com documentos importantes e internos localizados uns nas outras, que usam o mesmo telefone, que se tratam e são tratados como sócios, que conhecem e compartilham intimidades empresariais, dentre tantas outras evidências, já mencionadas, que induzem a Autoridade Julgadora a crer tratarse de um Grupo Econômico. 4.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela Master Line do Brasil, para que a decisão atacada seja mantida incólume. 5. RECURSO DE ANTONIO FERNANDO BONISATTO e SERGIO MORAES SAMPAIO 5.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. Os Recorrentes alegam que as alegações tecidas por ANFIBIA e pelo Sr. NADIR a eles se aproveitam, razão pela qual aplicamse a eles as mesmas conclusões recursais. Em relação ao argumento de que é lícito a eles serem sócios de mais de uma empresa, e que este fato não conduz à automaticamente à presunção de que se trata de um grupo, é de se destacar que este raciocínio é perfeito. Contudo, foram juntados aos autos dezenas de provas no sentido de que os recorrentes não eram apenas sócios comuns da mesma empresa, mas sim dirigentes do Grupo Econômico, ainda que procurações, ainda que informalmente, de fato, pois a referida liderança, assim como a direção são situações fáticas que independem de documentos escritos, bem como pelo fato de haver sido juntadas aos autos diversas provas no sentido de que o referido "Grupo Econômico" existia de fato, embora pudesse não existir de direito, grupo este que utilizava o mesmo telefone, compartilhava informações que geralmente não são repartidas entre empresas, ainda que parcerias, onde os referidos sócios se tratam como tais em suas comunicações, dentre tantas evidências já devidamente relacionadas. 5.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico do qual os Recorrentes participam, se tratam e são tratados como sócios, com bem evidenciado pela decisão da DRJ sob exame, é de Fl. 52830DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 95 94 se negar provimento aos Recursos Voluntários apresentados por Antônio Bonisatto e Sergio Sampaio. 6. RECURSO DE PLATINA COSMÉTICOS LTDA 6.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso apresentado por Platina Cosméticos Ltda. A Recorrente alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que se prestaria apenas a quem já integra o pólo passivo da demanda e não a terceiros, como seria o seu caso, requerendo, por este motivo, a nulidade do procedimento. Acerca deste argumento, a Recorrente limitouse a tratar do formalismo consistente na aplicação do referido artigo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa, o que por si só Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação apresentada, que que constitui o fato gerador da obrigação principal. A Recorrente não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador, razão que, também por este motivo, o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção da decisão de piso. Diante desses fatos narrados e das robustas provas trazidas aos autos, parece me inequívoco que os responsáveis solidários mencionados realmente possuem "interesse comum", sujeitandose à responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou cotejo suficiente entre os fatos e as normas, não havendo qualquer omissão em relação a isto na decisão atacada, muito menos qualquer alegação de prejuízo processual advindo da hipotética ocorrência da citada violação. Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Quanto à proporcionalidade da aplicação da punição, admitese que o fisco agiu corretamente em considerar que se trata de um grupo, responsável por todos os créditos identificados, havendo de se manter a decisão atacada, negando provimento ao recurso em relação a isto. 6.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado Fl. 52831DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 96 95 provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 7. RECURSO DE DISTRIBUIDORA WANCHOVIA LTDA, JS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PERFUMARIA LTDA, DISTRIBUIDORA NEBRASKA LTDA e DISTRIBUIDORA NOVIÇA LTDA 7.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. Os Recorrentes alegam que as alegações tecidas por ANFIBIA a elas aproveitam, razão pela qual aplicamse a eles as mesmas conclusões recursais. Alegam que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o polo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção do Auto de Infração. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou corretamente cotejo entre os fatos e as normas, não havendo qualquer reparo a se realizar na decisão sob exame, razão pela qual entendese que deve ser mantida. Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Em relação à alegação de que não há prova do aproveitamento comum do ilícito, bem como quanto à falta de indicação da prática de atos específicos por parte das Recorrentes, partindose da premissa de que se trata de um grupo de empresas unidas e comandadas pela mesma diretoria, na qual as empresas e os seus integrantes, ostensivos ou ocultos, de fato, ou de direito se aproveitam dos frutos de atos ilícitos, a responsabilidade de todos decorre da existência e da participação no grupo, fato que já restou deveras demonstrado por todos os já mencionados elementos de provas constantes nos autos e mencionados nesta decisão, razão mais que suficiente para ensejar a responsabilidade solidária de todos que participaram do esquema, sejam eles pessoas naturais ou jurídicas, pois à medida de que todos integram o grupo e com ele auferem vantagens ilícitas cabe a todos responder pelos tributos e pelas sanções. Aliás, se os integrantes do grupo possuíam entre si um acordo acerca da divisão Fl. 52832DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 97 96 do produto do ato ilícito, este pacto sequer pode ser oponível ao fisco por força do artigo 123 do CTN, cabendo aos integrantes resolver a controvérsia conforme o que foi entre eles combinado. Ao contrário do que foi afirmado na tese recursal, a fiscalização não utilizou o artigo 116 do CTN para desconfigurar os negócios jurídicos e assim buscar a verdade material, eis que no caso concreto ele é absolutamente inútil, diante do fato de que cabe à administração 7.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 8. RECURSO DE KEILA ALVES MARTINS DUARTE 8.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. A Recorrente afirma que as alegações apresentadas pelo Sr. NADIR e pela ANFIBIA lhe aproveitam, razão pelas quais admitese que os argumentos relativos às suas alegações também. Alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o polo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção do Auto de Infração. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou cotejo entre os fatos e as normas Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Fl. 52833DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 98 97 Em relação à alegação de que não há prova do aproveitamento comum do ilícito, bem como quanto à falta de indicação da prática de atos específicos por parte das Recorrentes, partindose da premissa de que se trata de um grupo de empresas unidas e comandadas pela mesma diretoria, na qual as empresas e os seus integrantes, ostensivos ou ocultos, de fato, ou de direito se aproveitam dos frutos de atos ilícitos, a responsabilidade de todos decorre da existência e da participação no grupo, fato que já restou deveras demonstrado por todos os já mencionados elementos de provas constantes nos autos e mencionados nesta decisão, razão mais que suficiente para ensejar a responsabilidade solidária de todos que participaram do esquema, sejam eles pessoas naturais ou jurídicas, pois à medida de que todos integram o grupo e com ele auferem vantagens ilícitas cabe a todos responder pelos tributos e pelas sanções. Aliás, se os integrantes do grupo possuíam entre si um acordo acerca da divisão do produto do ato ilícito, este pacto sequer pode ser oponível ao fisco por força do artigo 123 do CTN, cabendo aos integrantes resolver a controvérsia conforme o que foi entre eles combinado. Ao contrário do que foi afirmado na tese recursal, a fiscalização não utilizou o artigo 116 do CTN para desconfigurar os negócios jurídicos e assim buscar a verdade material, eis que no caso concreto ele é absolutamente inútil, diante do fato de que cabe à administração. 8.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 9. RECURSO DO ESPÓLIO DE OSCAR JOSÉ DE CARLOS LACERDA 9.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. Inicialmente, por economia processual, requer que as alegações tecidas pelos demais devedores solidários lhe aproveitem, o que por razão lógica faz com que também lhe aproveitem as decisões proferidas nos Recursos deles. Em relação à alegação de que ele não teria a ascendência sobre os demais integrantes do "quadrado das bermudas", a antítese apresentada pelo Recorrente não merece prosperar pois a documentação carreada aos autos, sobre a qual já se discorreu à exaustão, demonstra que o Sr. OSCAR era pessoa de muita influência no grupo, até porque, como a própria Recorrente alega, tinha larga experiência no ramo e muitos empresários "APRENDERAM A ADMINISTRAR EMPRESAS COM ELE" (fls. 52707) No que diz respeito à alegação de que ele não administrava empresas das quais não era sócio, este argumento colide com uma questão fática relevante ,qual seja a de que a documentação trazida aos autos demonstra o inverso, qual seja que ele centralizava atividades, possuía procurações, detinha o controle e o conhecimento do fluxo de produtos de todo o grupo, usava o mesmo telefone que os demais integrantes do grupo, apenas para citar alguns exemplos. Fl. 52834DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 99 98 9.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 10. RECURSO DE DOCA DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS 10.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase ao mérito do Recurso. A Recorrente alega que as alegações tecidas por ANFIBIA a ela aproveitam, razão pela qual aplicamse a eles as mesmas conclusões recursais. Alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o pólo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção do Auto de Infração. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou cotejo entre os fatos e as normas, tendo, de forma exaustiva, correlacionado os atos praticados pelo grupo de empresas com o objetivo de reduzir, ilegalmente, a carga tributária incidente sobre as operações. Ademais, não foi trazido aos autos qualquer argumento que venha a demonstrar a ocorrência de prejuízo pela suposta ausência de correlação alegada Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Em relação à alegação de que não há prova do aproveitamento comum do ilícito, bem como quanto à falta de indicação da prática de atos específicos por parte das Recorrentes, partindose da premissa de que se trata de um grupo de empresas unidas e comandadas pela mesma diretoria, na qual as empresas e os seus integrantes, ostensivos ou ocultos, de fato, ou de direito se aproveitam dos frutos de atos ilícitos, a responsabilidade de todos decorre da existência e da participação no grupo, fato que já restou deveras demonstrado por todos os já mencionados elementos de provas constantes nos autos e mencionados nesta Fl. 52835DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 100 99 decisão, razão mais que suficiente para ensejar a responsabilidade solidária de todos que participaram do esquema, sejam eles pessoas naturais ou jurídicas, pois à medida de que todos integram o grupo e com ele auferem vantagens ilícitas cabe a todos responder pelos tributos e pelas sanções. Aliás, se os integrantes do grupo possuíam entre si um acordo acerca da divisão do produto do ato ilícito, este pacto sequer pode ser oponível ao fisco por força do artigo 123 do CTN, cabendo aos integrantes resolver a controvérsia conforme o que foi entre eles combinado. Ao contrário do que foi afirmado na tese recursal, a fiscalização não utilizou o artigo 116 do CTN para desconfigurar os negócios jurídicos e assim buscar a verdade material, eis que no caso concreto ele é absolutamente inútil, diante do fato de que cabe à administração 10.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 11. RECURSO DE SAGA DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA 11.1. Mérito do Recurso. Não havendo preliminares, passase à análise do mérito do Recurso. A Recorrente alega que houve erro no enquadramento legal da exigência, eis que fundado no artigo 124, I do CTN, o que não seria juridicamente possível. Alega que o artigo 124 I do CTN não poderia ter sido utilizado neste caso, eis que prestase apenas a quem já integra o polo passivo da demanda e não a terceiros, como é o seu caso. Acerca disso, a Recorrente também limitouse a tratar do formalismo, sem mencionar em qual medida a utilização do artigo 124 I do CTN teria prejudicado o seu direito de defesa. Como se não bastasse, admitese que o referido artigo 124, I pode ser perfeitamente utilizado no caso concreto, eis que a recorrente nitidamente possui interesse comum na situação que constitui interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ele não é um terceiro, mas sim pessoa interessada no sucesso do propósito também por ele engendrado para reduzir o aspecto material do fato gerador., razão que, também por este motivo o recurso deve ser julgado improcedente, com a consequente manutenção do Auto de Infração. Alega ainda que não foram indicados os atos que levaram à sua responsabilização. Em relação à alegada ausência de correlação entre os fatos geradores e a norma jurídica, admitese que a fiscalização realizou cotejo entre os fatos e as normas, tendo, de forma exaustiva, correlacionado os atos praticados pelo grupo de empresas com o objetivo de reduzir, ilegalmente, a carga tributária incidente sobre as operações. Toda a documentação, analisada em conjunto à luz do já mencionado dever da autoridade julgadora de apreciar e interpretar o conjunto probatório como um todo de maneira a formar livremente a sua convicção, à luz das máximas de experiência, ou seja, daquilo que geralmente ocorre, faz prova de que efetivamente existia um GRUPO composto Fl. 52836DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 101 100 por diversas empresas, e que este grupo utilizava meios ilícitos para reduzir o tributo incidente sobre a sua atividade, bem como para evitar ou reduzir o risco de que este estrategema fosse identificado pelas autoridades fiscais, , razão pela qual neste ponto é de se negar provimento ao presente recurso, mantendo a decisão atacada. Insurgese contra a decisão da DRJ em razão de haver desconsiderado ato e/ou negócio jurídico aplicando indevidamente o artigo 116 do CTN. Ao contrário do que foi afirmado na tese recursal, a fiscalização não utilizou o artigo 116 do CTN para desconfigurar os negócios jurídicos e assim buscar a verdade material, eis que no caso concreto ele é absolutamente inútil, diante do fato de que cabe à administração, diante do fato concreto, aplicar a norma pertinente. Finalmente, questiona a desproporcionalidade na imputação dos tributos e das sanções, eis que os débitos não foram individualizados. Em relação à alegação de que não há prova do aproveitamento comum do ilícito, bem como quanto à falta de indicação da prática de atos específicos por parte das Recorrentes, partindose da premissa de que se trata de um grupo de empresas unidas e comandadas pela mesma diretoria, na qual as empresas e os seus integrantes, ostensivos ou ocultos, de fato, ou de direito se aproveitam dos frutos de atos ilícitos, a responsabilidade de todos decorre da existência e da participação no grupo, fato que já restou deveras demonstrado por todos os já mencionados elementos de provas constantes nos autos e mencionados nesta decisão, razão mais que suficiente para ensejar a responsabilidade solidária de todos que participaram do esquema, sejam eles pessoas naturais ou jurídicas, pois à medida de que todos integram o grupo e com ele auferem vantagens ilícitas cabe a todos responder pelos tributos e pelas sanções. Aliás, se os integrantes do grupo possuíam entre si um acordo acerca da divisão do produto do ato ilícito, este pacto sequer pode ser oponível ao fisco por força do artigo 123 do CTN, cabendo aos integrantes resolver a controvérsia conforme o que foi entre eles combinado. 11.2. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, especialmente as provas trazidas aos autos que demonstram tratarse de um Grupo Econômico, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 12. DO RECURSO DE OFÍCIO (Fls. 52.335) Pela análise da decisão proferida pela DRJ resultou na exoneração da responsabilidade da Sra. Maria das Graças Fernandes Oliveira, bem como dos valores contidos nas tabelas de fls. 52437 e seguintes, que passo a analisar. 12.1. EXONERAÇÃO DA SRA MARIA DAS GRAÇAS FERNANDES OLIVEIRA A Recorrente vem aos autos requerer a manutenção da decisão proferida pela DRJ que afastou a sua responsabilidade solidária no que lhe assiste razão, eis que não foram evidenciados, nos autos, elementos que pudessem ensejala. Fl. 52837DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 102 101 Efetivamente, pela análise dos autos foi possível aferir que a Sr. Maria das Graças Fernandes Oliveira não integrou formalmente qualquer das empresas autuadas, nem há provas de que ela haveria participado informalmente da administração, razão pela qual não é possível aplicar a ela o artigo 135, nem o artigo 124 I do CTN, eis que não foi possível demonstrar que possui interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Conclusivamente, por todas as razões acima elencadas, é se negar provimento ao Recurso de Ofício, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 12.2. EXONERAÇÃO DOS VALORES DE QUE TRATAM AS TABELAS DE FLS. 52.437. As exonerações realizadas pela DRJ podem se resumir aos seguintes tópicos: 12.2.1. Exoneração dos produtos nos quais houve impropriedade no alinhamento dos produtos cogêneres. Inicialmente, no que diz respeito aos produtos semelhantes, fls. 52411, entendo que assiste razão à DRJ quando conclui que "houve impropriedade no alinhamento dos “produtos congêneres”, pelo que deveriam ser excluídas todas as infrações a eles relativas, consoante demonstrativo constante do Anexo XI, do Termo de Encerramento de Diligência." Neste sentido, reproduzo e acolho como razões de decidir as conclusões da decisão de piso que bem motivou os fatos e argumentos: "Especificamente em torno dos produtos referenciados no item 294.4, da Resolução, elucidou que “ apesar de terem uma nomenclatura muito próxima: “Código 3230 – CREME SK ABACATE 1000G CX6X1 EXP” x “Código 3108 – CREME ABACATE SK 1000G CX6X1”, não são produtos equivalentes, além das diferenças visuais de rotulagem e embalagem, nas formulações há componentes diferentes entre um e outro, citamos como exemplo a presença dos substratos Methylchloroisolthiazolinone e Methylisothiazolinone no produto 3108, vendido no mercado exportação”. nacional, e não encontrado no produto 3230 fabricado para exportação. Expõe, também, que “os produtos 6234,8559 e 6224 que são listados nessa infração já se apresentam com lançamentos na infração 0002Produto Saído do Estabelecimento Industrial ou Equiparado a Industrial Com Emissão de Nota Fiscal – Saída de Produtos Sem Lançamento do IPI – Inobservância do Valor Tributável Mínimo”. Diante dos fundamentos expostos, concluem as autoridades fiscais que houve impropriedade no alinhamento dos “produtos congêneres”, pelo que deveriam ser excluídas todas as infrações a eles relativas, consoante demonstrativo constante do Anexo XI, do Termo de Encerramento de Diligência. Ora, detectada a situação acima, realmente é inviável a manutenção do lançamento sobre as operações de vendas dos chamados produtos congêneres às empresas do “Grupo Skala”, pois isto apenas poderia ser implementado por meio de Fl. 52838DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 103 102 significativa alteração dos fundamentos do Auto de Infração, o que é inviável ocorrer por meio de diligência; por isto, acato a exoneração dos créditos tributários apurados sobre as operações de vendas destes produtos, aos moldes indicados pelas autoridades diligenciantes. Assim, exonero, integralmente, os valores correspondentes à segunda parte da infração 002, fls. 18.444/18.445, bem como à segunda parte da infração 004, fls. 18.451/18.453, conforme tabela a seguir:" 12.2.2. Exoneração das devoluções de mercadorias A DRJ também exonerou do cálculo dos tributos devidos os valores correspondentes à devolução de mercadorias, no que lhe assiste razão diante da impossibilidade jurídica de se tributar tais fatos, motivo pelo qual é de se manter a referida exoneração, negando provimento ao presente Recurso de Ofício. 12.2.3. Exoneração dos produtos que não podem ser classificados como CONDICIONADORES. A DRJ em sua decisão ora sob exame excluiu da autuação os produtos que se classificam como CONDICIONADORES, no que lhe assiste razão com fundamento nas suas propriedades particulares que os tornam distintos dos demais produtos utilizados como paradigma, independente do fato de serem lavados ou não. Forte nos fundamentos acima, consoante detalhado nas planilhas de fls. 52.307/52.316, 52.317/52.327 e 52.328/52.332 elaboradas por este Relator e consolidado na conclusão deste Voto, afasto a exigência decorrente da diferença de alíquota de 22% para 7% sobre os cremes para pentear e máscaras para pentear que estão relacionados no DOC. 95, mantendo a incidência apenas em relação aos seguintes produtos: DEFRIZANTE (código de produto SUPPLEMENTS GLOSS 120GRSCX6X1 6240), POMADA DE BRILHO (código de produto 6241), SUPLEMMENTS 120G CX6X1 POMADA SUPPLEMENTS MOD. (código de produto 6242) CURTOS 120GCX6X1 e POMADA SUPPLEMENTS MOD. MÉDIOS (código de produto 6243) pois não há a menor condição, diante de suas 120GCX6X1 correspondentes funções, de reputar que estes quatro produtos sejam condicionadores. 12.3. Conclusões. Por todas as razões acima elencadas, admitese que deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício, para que a decisão atacada seja mantida em sua integralidade. 13. CONCLUSÕES FINAIS Fl. 52839DF CARF MF Processo nº 10650.721605/201360 Acórdão n.º 3302005.598 S3C3T2 Fl. 104 103 Por todo o arrazoado, é de se afastar as preliminares arguidas para negar provimento aos Recurso Voluntários apresentados pelas pessoas naturais e jurídicas, bem como também negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendose integralmente a decisão sob exame. Raphael Madeira Abad Fl. 52840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720502/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Ainda que bem descritos os fatos, faz-se necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235/1970
Numero da decisão: 3401-005.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, vencido o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, que votava por analisar o mérito do lançamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos,.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.456 1 1.455 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.720502/201197 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.221 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente REHAU INDUSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, fazse necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235/1970 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, vencido o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, que votava por analisar o mérito do lançamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 05 02 /2 01 1- 97 Fl. 1456DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos,. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. e seguintes) contra decisão da 12ª Turma, DRJ/RPO , que considerou improcedente as razões da Recorrente contra o Auto de Infração, referente a insuficiência de lançamento e recolhimento do IPI, em virtude de erro de classificação fiscal e de alíquota, no período de 01/01/2007 a 31/12/2007. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 272 e seguintes) de R$1.008.353,07 (um milhão, oito mil, trezentos e cinquenta e três reais e sete centavos) mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$2.128.632,10 (dois milhões, cento e vinte e oito mil, seiscentos e trinta e dois reais e dez centavos). As razões que levaram ao lançamento de ofício foram: Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 30.03.2011 (fl. 273), e interpôs impugnação, em 27.04. 2011(fls.1270 ), alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10882.720502/201197 Acórdão n.º 3401005.221 S3C4T1 Fl. 1.457 3 a) segundo o relatório fiscal: “os produtos comercializados pela Impugnante não correspondem aos perfis descritos na Nota 8 do Capítulo 39, na medida em que não se constituem tubos com seção transversal interna diferente da redonda, oval ou retangular ou em forma poligonal retangular, não podendo, portanto serem enquadrados como perfis”; e “em conclusão, os produtos comercializados pela Impugnante devem ser enquadrados na posição ‘3920’ (outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, nem associadas de forma semelhante a outras matérias, sem suporte)”; b) segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, conforme inclusive jurisprudência do STJ e do TRF da 4ª Região; contudo, a fiscalização resolveu enquadrar os produtos em classificação mais genérica, sendo que o enquadramento mais específico dos produtos é na posição 3916 ; c) a empresa industrializa, mediante o processo produtivo chamado de extrusão, perfis denominados “fitas de borda” (denominação meramente comercial) para a indústria moveleira; o processo de extrusão tem como finalidade a transformação da matéria prima em peça alongada, filamentosa e contínua, conforme “Parecer Técnico para Enquadramento de Produto” anexado; d) os diversos perfis em “I”, são de PVC (policloreto de vinila), com espessuras entre 0,45mm e 3mm e larguras entre 19 e 64 mm; ABS (acrilomitrila butadienoestireno), com espessuras entre 1 mm e 3 mm e larguras entre 19 e 62 mm; e PP (polímeros de propileno), com espessura de 1,5 mm e larguras entre 19 e 62 mm; e o enquadramento mais adequado é na posição 3916 em razão da extrusão, conforme a NESH; a posição 3920, em contrapartida, se refere a tiras oriundas de um processo descontínuo de fabricação (corte ou laminagem); há laudo técnico, elaborado pela empresa Theragon, que corrobora o exposto pela impugnante, além de relatório técnico do Instituto Nacional de Tecnologia sobre as características técnicas do produto “fita de borda” e que aponta a classificação fiscal a ser adotada: 3916.20.00; (...) Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 1447.029, exarado pela 12ª Turma, da DRJ/RPO, em 27.11.2013 (fls 1397 e seguites), do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 18.12.2013 (fl. 1449) , através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 FITAS DE BORDA As tiras de plástico para revestimento de bordas de chapas de madeira para móveis, comercialmente denominadas “fitas de borda”, têm classificação fiscal NCM 3926.49.00, com alíquota de 15%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO Fl. 1458DF CARF MF 4 É devido o imposto não lançado nas notas fiscais de saída por erros de classificação fiscal e de alíquota. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente a indicação do perito e que, de qualquer modo, seja prescindível à vista dos elementos do processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dessa decisão, importante destacar os seguintes excertos: 2. O interessado pretende a classificação dos produtos na posição 39.16, como perfis. A Nota 8 do Capítulo 39 estabelece que "os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo a 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis''. Não existe, no entanto, no âmbito do Capítulo 39, uma definição para perfis. 3. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, versão luso brasileira, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, e atualizações posteriores, referentes à posição 39.16, citam "os perfis para vedar as juntas de janelas" como incluídos nessa posição. Daí se concluir que não só os perfis referidos na Nota 8 estão incluídos na posição 39.16. 4. A fim de esclarecer o que seja perfil, buscamos os subsídios da Nota l.e) do Capítulo 74 que diz: "e) Perfis: "os produtos laminados, extrudados. estirados, forjados, modelados ou dobrados, mesmo em rolos, de seção transversal constante em todo o comprimento e gue não correspondam a qualquer das definições de barras, fios, chapas, tiras, folhas ou tubos. Também se consideram perfis os produtos com as mesmas formas, obtidos por moldação, vazamento ou sinterização, que tenham sofrido posteriormente à sua obtenção um trabalho mais adiantado do que a simples eliminação de rebarbas, desde que tal trabalho não lhes confira as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições. " (os grifos não são do original) 5. Os artigos em questão não correspondem aos perfis descritos pela Nota 8 do Capítulo 39, pois não são tubos com seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo a 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular. Correspondem, outrossim, a tiras e folhas de poli (cloreto de vinila). Dessa forma, de acordo com as Nesh retrocitadas, não podem ser entendidos como perfis. 6. As tiras, bem como as folhas de plástico (PVC) ainda não cortadas (apresentadas em bobinas), são classificadas na posição 39.20 "Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, nem associadas de forma semelhante a outras matérias, sem suporte", pois são de plástico não alveolar (PVC), não reforçado, não estratificado e não associado a outras matérias. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10882.720502/201197 Acórdão n.º 3401005.221 S3C4T1 Fl. 1.458 5 7. Como se tratam de artigos de polímero do cloreto de vinila [poli(cloreto de vinila)], estão abrangidos pela subposição de 1° nível 3920.4 e, como não contêm plastificantes, pela subposição de 2° nível 3920.49, que não tem desdobramentos regionais. CONCLUSÃO 8. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI/SH 1 (texto da posição 39.20) e 6 (textos das subposições 3920.4 e 3920.49), da Tarifa Externa Comum/TEC, aprovada pelo Decreto n.° 2.376, de 1997, com a redação dada pelas Resoluções Camex n° 42, de 2001, e n° 35, de 2002, e com subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, versão lusobrasileira, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 1992, e alteradas pela IN SRF n° 157, de 2.002, CONCLUO que as mercadorias consultadas são classificadas no código 3920.49.00. Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Da Nulidade Reconhecida de Ofício – Cerceamento de Defesa Como se aduz do relatório, as razões de o auto de infração haver reclassificado não restaram claras em nenhum momento do lançamento ou no respectivo termo de verificação fiscal; na verdade, somente a decisão proferida pela DRJ é que faz análise da classificação fiscal à luz da TIPI, das Notas Explicativas e das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado. Isso, por si só, já macularia o lançamento, já que, ausentes as motivações para sustentar a posição da Fazenda Pública no momento da lavratura do auto de infração, já caracterizaria cerceamento de defesa – confrontante ao artigo 59, do PAF – e, em razão disso, nulidade do lançamento. Em caso análogo, essa mesma Turma já reconheceu essa nulidade. Vejamos Fl. 1460DF CARF MF 6 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, fazse necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), art. 10 do Decreto nº 70.235/1970 e art. 50 da Lei nº 9.784/1999, do inciso II do art. 489 da Lei nº 13.105/2015 (CPC). (Acórdão 3401003.751 – Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco – Julgado em 26.04.2017) Portanto, reconheço a nulidade de ofício, por entender esta ser matéria de ordem pública. Pelo exposto, conheço do Recurso e doulhe provimento (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 1461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015963/91-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1985, 1986
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial quando não demonstrada a divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e os acórdãos ofertados como paradigmas.
Numero da decisão: 9101-003.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial quando não demonstrada a divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e os acórdãos ofertados como paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 59 63 /9 1- 87 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.015963/9187 Acórdão n.º 9101003.756 CSRFT1 Fl. 125 2 Tratase de Recurso Especial Divergência interposto por CESAR BERTAZZONI & CIA LTDA, em face do acórdão no 1201001.663, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1986, 1987 PIS. AUTO REFLEXO. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. PIS. REFLEXO IRPJ. 1991. DECADÊNCIA. Antes do advento da Lei n° 8.381, de 30/12/91, o imposto de renda estava sujeito ao lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipada para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN, art. 173 e seu par. único). MUDANÇAS NO PADRÃO MONETÁRIO. FALTA DE OBSERVÂNCIA PELO FISCO. NÃO OCORRÊNCIA. Não procede o argumento de que a fiscalização teria deixado de observar as mudanças ocorridas nos índices monetários, quando existem tabelas e demonstrativos de apuração da contribuição, atualização monetária e juros, que detalham os valores envolvidos e que nunca foram objeto de contestação específica." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, devese aplicar ao caso concreto a regra decadencial do artigo 173 do CTN, pois se está diante de lançamento reflexo de PIS/Faturamento relativo ao fato gerador do anocalendário de 1985, quando tal tributo não se sujeitava à disciplina do lançamento por homologação. Ciência da recorrente quanto à decisão recorrida no dia 17/07/2017, à efl. 92. Recurso Especial interposto no dia 31/07/2014, à efl. 94. Nessa oportunidade, alega divergência em relação aos acórdãos nº 19500038 e 10246045. No mérito, sustenta o que segue: 1) entre a data da constituição definitiva e a data de ocorrência do fato gerador, correspondente ao anocalendário de 1985, decorreu lapso superior a 5 (cinco) anos, havendo homologação tácita dos valores declarados e fulminação de eventuais diferenças apuradas pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, CTN; 2) no presente caso, não há que se falar em aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, para contagem do lapso decadencial, eis que, relativamente aos tributos lançados por homologação, a apuração do “quantum debeatur” dáse com a declaração prestada pelo contribuinte, podendo o fisco imediatamente constituir o crédito, sendo irrelevante a existência, ou não, de pagamento parcial; 3) todos os acréscimos feitos no presente lançamento mostramse incabíveis em virtude da diferença do padrão monetário, de modo que os mesmos, de forma alguma, merecem prosperar, ou seja, devem ser excluídos três zeros referente ao “plano cruzado”, e mais três zeros referentes ao “plano cruzado novo”, para que, a partir de então, seja possível vislumbrar os supostos valores devidos; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.015963/9187 Acórdão n.º 9101003.756 CSRFT1 Fl. 126 3 4) dessa forma, resta clara a necessidade de diligencias de fiscal para aferir o corte dos zeros e adequar o padrão monetário, a fim de sanar qualquer eventual dúvida sobre o procedimento irregular que se adotou nos cálculos. Ao fim, requer seja o presente recurso conhecido e provido. Despacho de Encaminhamento à PGFN no dia 14/09/2017, à efl. 114. Contrarrazões apresentadas nesta data, à efl. 122. Nessa oportunidade, alega o seguinte: 1) antes do advento da Lei n° 8.381/1991, o imposto de renda estava sujeito ao lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no artigo 173 do CTN; 2) o decidido no mérito do IRPJ repercute na tributação reflexa do presente feito, justificandose a rejeição da tese de aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN. Por derradeiro, requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo. No entanto, convém averiguar se cumpre o requisito de demonstração de divergência, para fins de admissibilidade. De acordo com Fiscalização, a recorrente foi autuada, em 27/05/1991, pela prática de omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício e por suprimento de numerários não comprovado, relativamente ao períodobase de 1985, e por suprimento de numerário não comprovado, relativamente ao períodobase de 1986. Como decorrência, lavrouse o auto de infração de Pis/Faturamento. Segundo a recorrente, a aludida contribuição estaria sujeita à sistemática do lançamento por homologação, devendose aplicar, na espécie, o artigo 150, § 4°, do CTN, que estabelece que a contagem do prazo decadencial se inicia a partir da ocorrência do fato gerador. Adotada esta premissa e considerando que a recorrente tomou ciência do lançamento em 27/05/1991, a decadência teria atingido o fato gerador ocorrido em 31/12/1985. Por sua vez, o voto condutor do acórdão recorrido afirmou que, até o advento da Lei nº 8.383/1991, o IRPJ estava sujeito à sistemática de apuração do lançamento por declaração. Nesse cenário, o crédito tributário de IRPJ a ser constituído por lançamento efetuado de ofício submetiase ao rigor do artigo 173 do CTN. A decisão recorrida ainda manifesta que os lançamentos reflexos do IRPJ também eram regidos pelas normas aplicáveis ao lançamento por declaração, ao tempo anterior à vigência da Lei nº 8.383/1991. Assim, na linha de raciocínio adotada pelo voto condutor do acórdão recorrido, o lançamento de Pis/Faturamento ora em foco, sendo reflexo do lançamento Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.015963/9187 Acórdão n.º 9101003.756 CSRFT1 Fl. 127 4 de IRPJ e decorrente de infração ocorrida antes da entrada em vigor da Lei nº 8.383/1991, deve submeterse à disciplina do artigo 173 do CTN, Em face do exposto, calha considerar relevante, para fins de demonstração de dissídio interpretativo, se os acórdãos ofertados como paradigmas retratam situações fáticas anteriores à entrada em vigor da Lei nº 8.383/1991. Esse corte é essencial, pois é preciso ter em conta se os acórdãos em cotejo estão retratando interpretações divergentes em âmbitos normativos idênticos. Quanto ao acórdão ofertado como paradigma nº 1950038, destacase que se refere a fatos acontecidos no anocalendário de 1996, posteriormente, portanto, à entrada em vigor da Lei nº 8.383/1991. Já o acórdão nº 10246045, também ofertado como paradigma, foi reformado pelo acórdão nº CSRF nº 04/887. Além disso, apreciouse situação relacionada à pessoa física, e não à pessoa jurídica. Por conseguinte, não é possível estabelecer o cotejo entre o acórdão recorrido e os acórdãos selecionados pela recorrente. Nesses termos, por falta de demonstração da divergência interpretativa, não se deve conhecer do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003902/2010-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. NULIDADE.
Entendendo o Colegiado pela imprestabilidade da base de cálculo apurada em razão da aplicação do art. 148 do CTN, não se deve admitir a eleição de nova base que tenha como critério elemento expressamente rechaçado pela autoridade competente sob fundamento de ser ilegal.
Numero da decisão: 9202-007.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. NULIDADE. Entendendo o Colegiado pela imprestabilidade da base de cálculo apurada em razão da aplicação do art. 148 do CTN, não se deve admitir a eleição de nova base que tenha como critério elemento expressamente rechaçado pela autoridade competente sob fundamento de ser ilegal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. NULIDADE. Entendendo o Colegiado pela imprestabilidade da base de cálculo apurada em razão da aplicação do art. 148 do CTN, não se deve admitir a eleição de nova base que tenha como critério elemento expressamente rechaçado pela autoridade competente sob fundamento de ser ilegal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 39 02 /2 01 0- 94 Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 9202007.180 CSRFT2 Fl. 1.542 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006, 2007 e 2008. Foram apuradas duas infrações: i) omissão de rendimentos de valores recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis/arrendamento rural, haja vista descaracterização de contrato de parceria agrícola e ii) ganho de capital decorrente das variações positivas entre o preço de alienação de grãos recebidos em função do arrendamento. Na parte que nos interessa, após o trâmite processual, a 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário determinando a substituição da base de cálculo apurada pelo fisco por meio de arbitramento pela tributação com base nos valores das notas fiscais emitidas pelo contribuinte nas 'fictas' operações de venda de produção rural. O acórdão 2202002.267 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PARCERIA RURAL x ARRENDAMENTO RURAL. DISTINÇÃO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO A diferença intrínseca entre os contratos de parceira rural e de arrendamento rural é que os primeiros caracterizamse pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto que nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe um retribuição fixa pela arrendamento das terras. O pagamento em quantidade fixa de produto, por si só, não descaracteriza o arrendamento e, muito menos, permite enquadrar o contrato como parceria rural, visto que a essência da parceria rural está no compartilhamento do risco, que deve ser comprovado documental. No caso de contrato de arrendamento, o rendimento recebido pelo proprietário dos bens rurais cedidos é tributado como se fosse um aluguel comum, enquanto que no contrato de parceria, as duas partes são tributadas como atividade rural na proporção que couber a cada uma delas. ARRENDAMENTO. PAGAMENTO EM PRODUTOS AGRÍCOLAS. ARBITRAMENTO DO RENDIMENTO. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 9202007.180 CSRFT2 Fl. 1.543 3 Para que os valores dos produtos agrícolas recebidos em pagamento pelo contribuinte consignados nas Notas Fiscais do Produtor (venda) emitidas pela arrendatária coincidentes com as Notas Fiscais de Produtor (compra) emitidas pelo arrendador sejam desconsiderados para fins de tributação dos aluguéis recebidos deve a fiscalização demonstrar a imprestabilidade dos documentos fiscais. A diferença entre o preço informado pelo contribuinte e as tabelas consultadas pela fiscalização, por si só, não justifica o arbitramento, mormente quanto o valor consignado nos documentos fiscais é maior do que os preços mínimos estabelecidos pelo CONAB e a fiscalização utilizou dados de município diverso ao da propriedade rural. ALIENAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de produtos agrícolas, integram o custo de aquisição o valor do produto na data do seu recebimento acrescido das despesas relacionadas a conservação e reparo, assim como a comissão ou a corretagem, quando o ônus não for transferido ao adquirente do bem. ALIENAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO MÉDIO PONDERADO. O custo de aquisição dos produtos agrícolas deve ser apurado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie. Ressaltese, contudo, que a utilização do custo médio ponderado não altera o resultado quando para toda entrada de produto existirem saídas subseqüentes até que o estoque seja zero, antes de um novo ingresso de produtos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Cientificada do acórdão a Fazenda Nacional nos termos da petição de fls. 1.401 se manifesta pela não interposição de recurso. Intimado o Contribuinte apresentou embargos de declaração os quais foram rejeitados por meio do Acórdão 2202003.466. Ato contínuo, é interposto recurso especial de divergência visando a rediscussão da tese da "impossibilidade de o órgão julgador, após arbitramento pela Fiscalização, manter o lançamento com a adoção de nova base de cálculo". O exame de Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 9202007.180 CSRFT2 Fl. 1.544 4 admissibilidade deu seguimento ao recurso admitindo como paradigma válido o acórdão de nº CSRF/0103.186. A divergência foi assim delimitada pelo Contribuinte: 9 O acórdão recorrido afastou o arbitramento nos seguintes termos (fls. 1393 e seguintes): "Ora, o fato de os valores consignados nas Notas Fiscais do Produtor serem inferiores às tabelas consultadas pelo fisco, por si só, não justifica o arbitramento, mormente quando os preços informados pelo contribuinte são superiores aos preços mínimos estabelecidos pelo CONAB (vide consulta ao site do órgão juntada à fl. 1361 a 1363). Salientese que os valores consignados nas Notas Fiscais de Produtor (venda) emitidas pela arrendatária coincidem com as Notas Fiscais de Produtor (compra) emitidas pelo contribuinte quando do recebimento dos produtos agrícolas em pagamento do arrendamento. (...) Caberia à fiscalização demonstrar imprestabilidade das Notas Fiscais do Produtor apresentadas pela contribuinte, o que não ocorreu. Entendo assim, que devem ser restabelecidos os valores informados pelo contribuinte nas Notas Fiscais do Produtor para fins de apuração da omissão de rendimentos recebidos a título de arrendamento." 10 Após o reconhecimento da ilegalidade do arbitramento nos termos realizados pela fiscalização, o acórdão indica nova forma de apuração da base de cálculo, determinando a exclusão da diferença entre os rendimentos demonstrados nas Notas Fiscais de Produtor Rural e os rendimentos arbitrados de ofício, nestes termos: ... 14 O agente notificante desprezou os rendimentos declarados pelo Contribuinte como resultantes de atividade rural e reclassificouos como decorrentes de aluguel. Além desta alteração da natureza das receitas, houve o total abandono de ofício dos rendimentos informados nas NFPs e o arbitramento da base de cálculo com base em pesquisa de preços de entidade privada, que nada guardou de relação com o fato gerador, nos termos do artigo 148 do CTN. Ou seja, existe apenas a base de cálculo arbitrada sob a qual foram tributados os recebimentos em grãos de soja. Uma vez afastada, não há outra remanescente, apurada de forma válida e que possa "substituir" aquela eleita indevidamente no lançamento fiscal. 15. Ao determinar nova forma de apuração da base de cálculo o Acórdão Recorrido invade claramente a competência fiscal exclusiva estabelecida pelo artigo 142 do CTN e diverge de entendimento já consolidado por esta Câmara Superior de Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 9202007.180 CSRFT2 Fl. 1.545 5 Recursos Fiscais (CSRF), segundo o qual, afastado o arbitramento realizado nos termos do artigo 148 do CTN o auto de infração deverá ser cancelado e não refeito pelo órgão julgador na forma de apuração direta, conforme se verifica no Acórdão CSRF/0103.186 (Doe 01), adotado como paradigma no presente Recurso Especial. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora O recurso preenche os requisitos formais, razão pela qual, ratificando o despacho de admissibilidade, dele conheço. Conforme expresso, o recurso devolve a este Colegiado a discussão acerca da possibilidade da autoridade julgadora desconsiderar o critério de arbitramento utilizado pelo fiscal e adotar nova base de cálculo para o imposto lançado. No presente caso, embora as notas fiscais emitidas pelo Contribuinte tenham sido expressamente desconsideradas pela fiscalização, a Turma a quo entendeu que não havia razão para aplicação do art. 148 do CTN e manteve em parte o lançamento para reduzir o valor do imposto apurado. Foi adotada como base de calculo exatamente as citadas notas. Sabese que o art. 148 do CTN é norma geral que permite a utilização do arbitramento, entretanto tal dispositivo é expresso ao condicionar sua aplicação à comprovação da ocorrência dos requisitos autorizativos, quais sejam: deixar o contribuinte de apresentar declarações ou esclarecimentos, deixar de expedir documentos obrigatórios ou, uma vez apresentados os documentos, declarações e esclarecimentos, esses não mereçam fé. Vejamos o teor do dispositivo citado: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Não se discute que revelase plenamente possível o arbitramento da base de cálculo do imposto pelo agente fazendário competente sempre que sejam omissos ou não mereçam fé os esclarecimentos, as declarações, os documentos ou os recolhimentos prestados, expedidos ou efetuados pelo sujeito passivo ou por terceiro legalmente obrigado, mediante Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 9202007.180 CSRFT2 Fl. 1.546 6 procedimento regular, por meio do qual arbitrará o valor na forma e nas condições regulamentares, entretanto, tais condições demonstram que tratase de metodologia cuja aplicação é excepcional. O próprio princípio da verdade material inerente às demandas administrativas nos impõe concluir que o procedimento de arbitramento é realmente a última solução para o cálculo de um tributo, devendo ser adotado apenas depois de esgotados todos os outros meios de prova, quando não é possível, de nenhuma maneira, conhecer, ao menos aproximadamente, a efetiva realidade arbitrada. Maria Rita Ferragut, em sua obra intitula Presunções no Direito Tributário, ao definir o arbitramento nos traz exatamente esses esclarecimentos: Já a segunda hipótese de significado diz respeito à base de cálculo originalmente substitutiva. A substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regramatriz de incidência construído a partir do texto constitucional por outra subsidiária, dáse em virtude da inexistência de documentos fiscais, ou da impossibilidade dos mesmo fornecerem critérios seguros para mensuração do fato, casos em que a base de cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. ... Diante dessas características, verificase, primeiramente, que o arbitramento é dotado de caráter excepcional, e só deve ser exercido em casos extremos, já que a base de cálculo originária é a que deve ser utilizada por ser a prevista na regramatriz de incidência tributária e por guardar, a princípio, relação direta com as riquezas constitucionalmente previstas. Sendo o arbitramento um procedimento de aplicação condicionada, entendo ser imprescindível para validade do lançamento que a autoridade fiscal aponte e descreva os fundamentos legais, comprovando ainda os elementos ensejadores da sua aplicação sob pena de nulidade. No presente caso, embora isso não esteja mais em discussão, entendo que a autoridade fiscal até foi diligente ao justificar o arbitramento da base de incidência do imposto. Segundo o fiscal, por vedação expressa do parágrafo único do art. 18 do Decreto nº 59.566/66 as notas fiscais deveriam ser desconsideradas, explicando, considerando que contratos de arrendamento de imóvel rural não podem ter como base valores fixados em produtos ou seu equivalente em dinheiro, os valores das notas fiscais deveriam ser desconsiderados fundamentando a aplicação do art. 148 do CTN. Vejamos trechos do termo de verificação fiscal (fls. 274/276): A. quantidade discriminada no quadro acima, devese acrescentar a soja vendida em 05/08/08 (108.460 kg), cujo recebimento não foi acusado pelo contribuinte nos recibos de quitação. Além disso, devese também alterar o preço atribuído à saca de soja, nas datas de recebimento. Tal alteração se fundamenta na existência de vedação legal expressa ao ajuste do Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 9202007.180 CSRFT2 Fl. 1.547 7 preço de arrendamento em quantidade fixa de frutos ou produtos, conforme será mencionado no tópico seguinte. ... Caracterizada, assim, existência do arrendamento rural, resta definir o preço, cuja forma de fixação (em sacas de soja por hectare cultivado), contraria o disposto na legislação. O artigo 18 do Decreto n° 59.566/66, que regulamenta as Seções I, II e III do Capitulo IV do Titulo III da Lei n° 4.504/64, veda expressamente "ajustar como preço de arrendamento quantidade fixa de frutos ou produtos, ou seu equivalente em dinheiro". Em consonância com o teor desse artigo, o Superior Tribunal de Justiça vem se manifestando reiteradamente contra a fixação do preço do arrendamento, em produtos. E ao determinar o afastamento de tal cláusula de preço, por nula, determina sua substituição pelo que for apurado em liquidação de sentença, mediante arbitramento. O arbitramento é autorizado pelo artigo 148 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN), quando a fixação do preço não obedece à legislação. A aplicação do artigo citado é cabível se, tendo sido prestadas declarações pelo sujeito passivo, e apresentados os documentos, estes não mereçam fé. A Fiscalização Fazendária pode, pois, concluir pela veracidade dos documentos fiscais do contribuinte e aceitálos, para o efeito de se determinar a base de cálculo do Imposto de Renda. Na hipótese de arbitramento, o artigo 994 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199) assim determina: "Para os fins do imposto, os rendimentos em espécie serão avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção". Devese entender por preço na data de percepção o prego de mercado local (Decreto n° 59.566/66, artigo 18, parágrafo único). E é exatamente pela justificativa dada pelo fiscal que entendo pela impossibilidade de que, uma vez afastado o arbitramento, a Turma a quo eleja como nova base critério expressamente rechaçado pela própria autoridade competente pelo lançamento, até porque tratase de critério definido como ilegal e o qual motivou inclusive a reclassificação dos valores declarados pelo Contribuinte. Neste cenário, uma vez tendo havido a conclusão pela impropriedade da utilização do critério do arbitramento e inexistindo outra base conhecida, dou provimento ao recurso especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 9202007.180 CSRFT2 Fl. 1.548 8 Fl. 1548DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720205/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
DA DECADÊNCIA - ITR - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO
Na modalidade do lançamento por homologação, o prazo quinquenal legalmente previsto para revisão do valor do ITR apurado e recolhido, integralmente ou de forma parcelada, pelo contribuinte, dentro do próprio exercício de referência do imposto, inicia-se na data da ocorrência do respectivo fato gerador. Cabe ser declarada a Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2401-005.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Miriam Denise Xavier que davam provimento ao recurso de ofício. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 DA DECADÊNCIA - ITR - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Na modalidade do lançamento por homologação, o prazo quinquenal legalmente previsto para revisão do valor do ITR apurado e recolhido, integralmente ou de forma parcelada, pelo contribuinte, dentro do próprio exercício de referência do imposto, inicia-se na data da ocorrência do respectivo fato gerador. Cabe ser declarada a Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Miriam Denise Xavier que davam provimento ao recurso de ofício. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Cabe ser declarada a Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Miriam Denise Xavier que davam provimento ao recurso de ofício. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 02 05 /2 01 0- 51 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 367 2 Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento n° 05102/00123/2010 (fls. 02/08), contra o contribuinte acima qualificado, decorrente de procedimento de revisão de Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao exercício de 2005, referente ao imóvel denominado “Fazenda Água Boa”, localizado no município de Barreiras (BA), com cadastro fiscal sob o n° 0.524.1618 (fls. 02). Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o contribuinte, após regularmente intimado, não teria comprovado: (i) a isenção da área declarada de preservação permanente; (b) a isenção da área declarada de reserva legal; (c) o valor da terra nua declarado, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT; o que motivou a alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR. A revisão de ofício imposta pela fiscalização ocasionou saldo suplementar a pagar no valor histórico de R$ 2.730.628,68, com fundamento no art. 10, § 1°, inciso II, alíneas “a” e inciso I c/c art. 14, todos da Lei n° 9.393/96, além da multa de 75% (setenta e cinco por cento), no montante histórico de R$ 2.047.971,51, capitulada no art. 44, inciso I, § 1° e 3° da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, além dos juros de mora, previstos no art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Após efetivada ciência da Notificação do Lançamento de ITR (fls. 179), no dia 28/01/2010, o contribuinte, tempestivamente, compareceu aos autos apresentando sua Impugnação (fls. 185/191), julgada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), por meio do Acórdão nº 0351.184, de 13/03/2013, cujo dispositivo considerou procedente a Impugnação, com a exoneração do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 DA DECADÊNCIA – ITR – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Na modalidade do lançamento por homologação, o prazo quinquenal legalmente previsto para revisão do valor do ITR apurado e recolhido, integralmente ou de forma parcelada, pelo contribuinte, dentro do próprio exercício de referência do imposto, iniciase na data da ocorrência do respectivo fato gerador. Cabe ser declarada a Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 368 3 Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) No que diz respeito a decadência, temse que, a partir do exercício de 1997, atribuiuse ao ITR a natureza de tributo lançado por homologação, hipótese em que cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do artigo 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, que aprovou o Código Tributário Nacional (CTN), ressaltandose que, neste caso, o prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, conforme o § 4° do referido artigo. (b) É de se esclarecer que a homologação efetuada pela autoridade administrativa, seja expressa ou tácita, apenas recai sobre o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, até porque não há que se falar em homologação de não pagamento. (b) No presente caso, o imposto apurado pelo contribuinte na sua DITR/2005, de R$ 696,00, foi pago em parcela única acrescida de multa e juros, mas, dentro do seu respectivo exercício, 30.11.2005, conforme tela digitalizada do sistema “Sinal 08” de fls. 354. (c) Considerando que até mesmo em caso de pagamento em atraso ou em parcelas, desde que realizado antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a contagem do prazo decadencial, para fins de lançamento ex officio do ITR, iniciase na data da ocorrência do fato gerador, conforme o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna n° 16, de 05/06/2003, editada pela CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), inexistindo, desta forma, razão para descaracterizar o lançamento por homologação. (d) Assim sendo, comprovado o pagamento e sabendose que o termo inicial da contagem do prazo da decadência, em se tratando do ITR do exercício de 2005, ocorreu em 1° de janeiro de 2005, deveria a autoridade administrativa manifestarse, no sentido de expressamente homologar o pagamento feito ou constituir crédito tributário suplementar, até 31 de dezembro de 2009 – 05 anos a partir da ocorrência do fato gerador , sob pena de homologação tácita. (e) Em sendo caso de lançamento, é sabido que mesmo apenas se torna perfeito e acabado com a ciência, ao sujeito passivo, do seu instrumento materializador, qual seja, a Notificação de Lançamento. (e) Tendo em vista que no presente caso, o lançamento somente foi definitivamente concretizado, com a ciência postal do interessado, em 28 de janeiro de 2010, às fls. 170, ou seja, após o término do prazo referido anteriormente (31/12/2009), não restam dúvidas de que o direito de efetuar o lançamento já havia decaído. No caso, salientase que a própria lavratura da Notificação de Lançamento ocorreu, em 18/01/2010, após o término do prazo legalmente previsto, como visto. (f) Dessa forma, há que se reconhecer que o crédito tributário em questão foi constituído após o prazo decadencial legalmente previsto, de acordo com o § 4° do art. 150 do CTN, tornandose desnecessária a apreciação de qualquer questão de mérito. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 369 4 Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso de Ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 34 do Decreto n° 70.235/72, de modo que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), limite estipulado pela Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da decadência. Conforme relatado, o caso em questão discute lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2005, e que, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.393/96, tratase de tributo de apuração anual, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. A teor do disposto nos arts. 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) e 10 e 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tem se que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei n° 9.393/96). É ver a redação do referido dispositivo legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) Consoante predica o § 4º, do art. 150, do CTN, a Fazenda dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, para realizar o controle da atividade praticada pelo sujeito passivo, verificando se o pagamento antecipado foi ou não suficiente para o cumprimento da obrigação tributária. A ausência de manifestação do Fisco no decurso do prazo implica na homologação tácita das atividades do contribuinte relativamente à antecipação do imposto, hipótese em que se considera definitivamente extinto o crédito tributário, ressalvados os casos em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação (§ 4°, do art. 150, do CTN). Apenas nessas hipóteses, ou seja, em que o lançamento de ofício decorrente da não homologação dos procedimentos adotados pelo contribuinte constatar dolo, fraude ou simulação, é que o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4°, se desloca para o artigo 173, I, não havendo que se dizer que o referido prazo pode ser aplicado aos lançamentos por Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 370 5 homologação em que não tenha ocorrido pagamento. O simples inadimplemento do tributo não constitui prova de dolo, fraude ou simulação para fins de atrair a incidência do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Decerto, não é o pagamento antecipado do tributo que configura o lançamento por homologação, mas sim o dever legal de o contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante devido. Entendimento em sentido contrário não se compatibiliza com o ordenamento vigente, pois retira a força normativa da regra especial do art. 150, § 4º, do CTN, condicionando sua aplicação à existência de pagamento stricto sensu (e do valor que o Fisco entende devido), exigência essa, sem respaldo legal. Nesse mesmo sentido, o entendimento de José Souto Maior Borges1: Poderseia pretender que, se o sujeito passivo descumpre a obrigação, deixando de efetuar qualquer antecipação do pagamento, não caberia falarse em homologação, e, portanto, nessa hipótese não caberia a invocação do art. 150, parágrafo 4º, mesmo após o transcurso do prazo nele referido. Dessa omissão só decorreria para o Fisco a abertura da via do lançamento ex officio. Mas ainda nessa hipótese possível, até em consequência de desconhecimento do concreto estado das coisas pelo Fisco, venha a ser a atividade prévia homologada, precisamente porque a homologação não é somente referível ao pagamento. Por outro lado, em impostos como o IPI e o ICMS, sujeitos a conta corrente fiscal, pode o crédito, em certo período, superar o débito, e, nada obstante, deverá o obrigado apresentar ao Fisco uma guia ‘negativa’ para fim de controle. E essa atividade deverá ser objeto de homologação. Logo, o pagamento não é necessariamente levado em linha de conta para os efeitos do art. 150, § 4º. Também não discrepa o entendimento de Paulo de Barros Carvalho2: [...] o prazo decadencial prescrito pelo art. 150, § 4°, aplicase aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, isto é, àqueles em que a legislação “atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa”. Em tal caso, ainda que o contribuinte deixe de antecipar o pagamento, o lapso temporal tem início na data da ocorrência do fato gerador. O lançamento por homologação não tem por pressuposto a realização do pagamento, mas o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. [...]. Na mesma toada, segue o entendimento de Renata Elaine Silva3: 1 BORGES, José Souto Maior. Lançamento Tributário. 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 397. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Decadência no Direito Tributário. In: CARVALHO, Aurora Tomazini de (Coord.) Decadência e prescrição em Direito Tributário. 2ª ed. São Paulo: MP Editora, 2010, p. 84. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 371 6 7.7.3.1.1 Por que não aplicação do art. 173, I do CTN? Estamos afirmando diante da não constituição do crédito e do não pagamento realizado pelo contribuinte a autoridade administrativa tem que constituir o crédito de ofício. A dúvida seria: por que não aplicar então a regra do art. 173, I do CTN, uma vez que estamos diante de um lançamento de ofício? A hipótese em análise de não constituição do crédito, sem pagamento (total ou parcial), não se equipara àquela hipótese que analisamos na regra do direito n. 04, em que a contagem será deslocada para o art. 173, I do CTN, também não havia constituição do crédito e nem pagamento por parte do obrigado (contribuinte), mas necessariamente houve dolo, fraude ou simulação devidamente comprovado. A simples conduta de não constituição do crédito e de não pagamento, não pode, por si só, denotar um caso praticado mediante dolo, fraude ou simulação. Mesmo porque as figuras exigem vontade (livre e consciente) de praticar uma conduta ilícita, que só pode receber esta atribuição se for devidamente provada. Portanto, apenas nesses casos (dolo, fraude e simulação) que o prazo é deslocado ao art. 173, I, do CTN. Apenas com a prova em processo administrativo regularmente constituído que se pode atribuir a esse tipo de conduta ao contribuinte (não constituição e não pagamento) a modalidade de exceção aludida pela última parte do art. 150, § 4° do CTN (pelos motivos que mencionamos no item 7.6.1). Caso contrário, se entendêssemos que a simples não constituição do crédito permite o deslocamento da contagem do prazo de decadência para o art. 173, I do CTN, estaríamos equiparando a conduta da não constituição e do não pagamento à conduta dolosa, fraudulenta e simulada. Pode ocorrer, v.g, que o contribuinte não tenha constituído o crédito por meio de sua Declaração Mensal dos Débitos/Créditos de ICMS, mas mantém todo o controle por meio de seus livros de apuração, livro de notas fiscais etc., não há conduta dolosa apenas falta de entrega de dever instrumental de constituição de crédito (vide item 7.7.4.4). O artigo apenas excepciona a regra nos casos de conduta dolosa, fraudulenta e simulada, e uma simples falta de entrega de dever instrumental não pode assim ser interpretada. [...]. A despeito do posicionamento acima vesgartado, reconheço que o Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática dos recursos especiais repetitivos representativos de controvérsia (art. 543C, do CPC/73), fixou o entendimento no sentido de que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase: a) Do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando a lei 3 SILVA, Renata Elaine. Curso de decadência e de prescrição no direito tributário: regras do direito e segurança jurídica. São Paulo: Noeses, 2013, p. 228239. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 372 7 prevê o pagamento antecipado, mas ele inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; b) A partir da ocorrência do fato gerador, nos casos em que ocorre o pagamento antecipado previsto em lei. É conferir a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 373 8 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No mesmo sentido, em acórdão mais recente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. PRAZO DECADENCIAL DE TRIBUTO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO PARCIAL. DECLARAÇÃO SEM O RESPECTIVO PAGAMENTO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. (...) III Nos casos em que ocorre o pagamento parcial, o prazo decadencial para o lançamento suplementar do tributo sujeito a homologação é de cinco anos contados do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. (...) (STJ AgRg no REsp: 1355722 PR 2012/02497227, Relator: Ministra REGINA HELENA COSTA, Data de Julgamento: 26/04/2016, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 11/05/2016) Podese sumariar as três condições postas pela Corte para aplicação do art. 150, § 4º, do CTN: i. O tributo deve ser sujeito a lançamento por homologação; ii. Deve ocorrer pagamento antecipado do crédito tributário (ainda que inferior ao efetivamente devido); iii. O contribuinte não pode ter incorrido em fraude, dolo ou simulação. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 374 9 Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a interpretação adotada pelo Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, aplicando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça ao caso em questão, que trata da exigência de ITR, referente ao exercício de 2005, verifico que as três condições legais aclaradas pela jurisprudência do STJ para a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, na contagem do lustro decadencial, foram clara e plenamente atendidas no caso concreto. ü O caso trata de ITR, tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação (art. 150, do CTN); ü O contribuinte recolheu o ITR que entendia devido, conforme fls. 354; ü A ocorrência de dolo, fraude ou simulação não foi sequer alegada pelo Fisco, não havendo nos autos qualquer prova ou indício de condutas dessa natureza. Não se pode confundir recolhimento a menor do imposto com falta de recolhimento. O pagamento antecipado de saldo devedor no exercício de referência – condição para aplicação do art. 150, § 4º, foi realizado, não se podendo alegar que não haveria o que o Fisco homologar. Dessa forma, o fato gerador do ITR, exercício 2005, ocorreu em 01/01/2005, sendo este o termo inicial para a contagem do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4° do CTN. Dessa forma, a autoridade administrativa teria até o dia 31/12/2009 para expressamente homologar o pagamento feito ou constituir crédito tributário suplementar (05 anos a partir da ocorrência do fato gerador), sob pena de homologação tácita. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 375 10 Assim, tendo em vista que o contribuinte autuado teve ciência da Notificação de Lançamento apenas em 28/01/2010 (fls. 179), não restam dúvidas de que o direito de efetuar o lançamento já havia decaído. Decerto, o lançamento considerase realizado e só se perfectibiliza com a intimação do sujeito passivo acerca do ato de lançamento, sendo indiferente eventuais intimações anteriores em sede de procedimento de apuração de regularidade fiscal, tais como as intimações para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, por serem são atos meramente preparatórios. Assim, compreendo que agiu com acerto a decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), pois há que se reconhecer que o crédito tributário em questão foi constituído após o prazo decadencial legalmente previsto, de acordo com o art. 150, § 4°, do CTN, tornandose desnecessária a apreciação de qualquer questão de mérito, inclusive nesta instância recursal. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, tendo em vista a ocorrência do lustro do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Declaração de Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Nos tributos sujeitos ao denominado lançamento por homologação, tal como o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), o prazo que dispõe o Fisco para efetivar a constituição de crédito suplementar de diferenças apuradas, via de regra, regese pelo § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, o prazo de cinco anos é contado da data do fato gerador: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 376 11 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Como bem destacou o I. Relator, no lançamento por homologação o contribuinte tem o dever legal de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante devido, efetivando, ao final, o pagamento correspondente. Não menos verdade que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando da apreciação do REsp nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos, fixou o entendimento de que o prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, desde que tenha ocorrido o pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Acontece que pagamento antecipado, na interpretação possível na lógica do CTN, pressupõe a realização de algum pagamento pelo sujeito passivo até a data de vencimento da obrigação tributária. Em outras dizeres, a regra do § 4º do art. 150 do CTN é inaplicável nos casos em que o contribuinte não faz, até a data do vencimento, pagamento algum, passando a contagem do prazo decadencial à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do CTN, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 4 Na falta de qualquer pagamento até a data de vencimento, não haverá objeto para homologação. A partir do dia seguinte, a Administração Tributária está autorizada a realizar o lançamento de ofício da diferença do tributo devido e não constituído pelo contribuinte mediante confissão em declaração fiscal. Em tal circunstância de inexistência de antecipação de pagamento, começará a fluir o prazo para o lançamento de ofício, cuja contagem, necessariamente, deverá respeitar o inciso I do art. 173 do CTN. Por óbvio, eventual pagamento efetuado pelo sujeito passivo em data posterior àquela do vencimento do tributo não poderá produzir efeito para alterar o termo inicial da contagem do prazo decadencial, em evidente prejuízo ao credor. Ainda que pagamento em atraso realizado no mesmo ano do fato gerador, antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não poderá modificar a regra de contagem do prazo decadencial, uma vez que o termo inicial já se encontra perfeitamente delimitado tendo em conta a ausência de antecipação de qualquer valor até o dia do vencimento. Aparentemente, a única exceção prevista consta do parágrafo único do art. 173 do CTN, em que há uma regra de antecipação da contagem do prazo decadencial. Porém, 4 ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário (2018). 12 ed. Editora Jus Podivm, p.550/551. PAULSEN, Leandro. Direito Tributário (2007). 9 ed. Livraria do Advogado, p. 964/965. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10530.720205/201051 Acórdão n.º 2401005.658 S2C4T1 Fl. 377 12 nesta hipótese, decorre de um ato da própria Administração Tributária, que deflagra um procedimento de fiscalização antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício pode ser efetuado. No caso em apreço, o lançamento diz respeito ao exercício de 2005, cujo fato gerador se deu no dia 01/01/2005. O recolhimento em atraso do imposto efetivouse no dia 30/11/2005, portanto após a data de vencimento fixada na legislação tributária em 30/09/2005 (fls. 354). Tendo em vista que o contribuinte autuado teve ciência da Notificação de Lançamento em 28/01/2010, não restam dúvidas de que o direito de efetuar o lançamento permanecia incólume segundo a contagem do prazo decadencial pelo inciso I do art. 173 do CTN (fls. 179). Desse modo, é cabível dar provimento ao recurso de ofício para afastar a decadência, com retorno dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão mediante a apreciação do mérito do lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 377DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.001124/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DESVIO DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
É improcedente o lançamento que não fundamenta, devidamente, em dispositivo normativo sancionatório pertinente ao caso, a conduta identificada.
Numero da decisão: 3401-005.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam pelas conclusões. O Conselheiro Rosaldo Trevisan indicou a intenção de apresentar declaração de voto, com as conclusões que nortearam o voto dos demais conselheiros, exceto o relator, que deve, na forma regimental, agregar a seu voto as conclusões do colegiado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marco Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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DESVIO DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o lançamento que não fundamenta, devidamente, em dispositivo normativo sancionatório pertinente ao caso, a conduta identificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam pelas conclusões. O Conselheiro Rosaldo Trevisan indicou a intenção de apresentar declaração de voto, com as conclusões que nortearam o voto dos demais conselheiros, exceto o relator, que deve, na forma regimental, agregar a seu voto as conclusões do colegiado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 11 24 /2 01 0- 90 Fl. 3114DF CARF MF 2 André Henrique Lemos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marco Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Adoto o Relatório do r. acórdão unânime, proferido à efl. 2.945 e ss., da lavra do e. conselheiro Rosaldo Trevisan, à época compondo a 3ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção, por bem retratar o que aconteceu no presente contencioso administrativo: Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2 a 441), lavrado em 05/08/2010, para exigência de multa resultante de “conversão” da pena de perdimento, no valor original de R$ 15.524.715,68, tendo em vista não haver sido localizada a mercadoria, fundamentandose nos arts. 105, VI e VII do DecretoLei no 37/1966 (mercadoria nacional, na exportação, se qualquer documento necessário ao seu desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado, e/ou possuída a qualquer título ou para qualquer fim em tais condições) e no art. 23, IV e §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976, este com a redação dada pela Lei no 10.637/2002 (“conversão” em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada). Narrase que em procedimentos de investigação conjunto com a Polícia Federal, com escutas telefônicas autorizadas e monitoramento de pessoas e veículos, foram revelados fortes indícios da existência de um esquema fraudulento que consistia no desvio para o mercado interno de pneus e câmaras de ar destinados à exportação. Os produtos eram declarados em despachos de exportação da Pirelli, com destino a duas empresas paraguaias: Mater Pneus SRL e Nacional Cubiertas SRL. Com a participação de intervenientes aduaneiros nomeados pelo exportador e, possivelmente, de servidores públicos, a carga permanecia no Brasil, apesar de constar como exportada nos documentos oficiais. As fraudes eram levadas a cabo com participação ativa incontestável do transportador (Transnardo Transportes LTDA) eleito pela Pirelli para o percurso nacional, até a fronteira terrestre, ou seja, sob a responsabilidade da Pirelli. Cabendo a aplicação da pena de perdimento às mercadorias das faturas relacionadas no Relatório Fiscal, e não tendo sido localizada a mercadoria, impõese a aplicação da multa de “conversão” do perdimento. No Relatório Fiscal anexo à autuação fls. 46 a 115 (que serviu de base também às autuações levadas a cabo mediante os processos no 11444.001129/201012 exigência de tributos incidentes na importação, no 11444.001126/201089 exigência Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.115 3 das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, e processos no 11444.001113/201018 e no 11444.001123/201045 de exigência de IPI), apontase que: (a) o procedimento fiscal foi iniciado em virtude de investigações da Polícia Federal em conjunto com Escritório de Pesquisa e Investigação da RFB Operação “Vulcano”, remontando a denúncia de que a Transportadora TRANSNARDO LTDA estaria desviando pneus destinados a exportação para o mercado interno; (b) após a obtenção de autorizações judiciais para escutas telefônicas (nos autos no 2006.61.25.0011030), expandiuse a investigação aos receptadores de pneus desviados, tendo sido cumpridos, na deflagração da Operação (em 07/11/2008), mandados de busca em 59 pessoas (entre as quais a autuada); (c) a separação entre pneus a serem exportados ou desviados ao mercado interno era feita pelo Sr. ADALBERTO Tavares de Almeida, sócio das empresas MATER PNEUS S/A e NACIONAL CUBIERTAS SRL, destinatárias das exportações da Pirelli; (d) o Sr. ADALBERTO recebia os valores repassados pelos clientes, via doleiros (com dólarcabo, cf. detalhado às fls. 47/48 e 59/60), e repassava à Pirelli por meio de suas empresas paraguaias, mediante fechamento de câmbio; (e) as carretas que saíam da Pirelli, conforme documentos apreendidos, não eram as mesmas que cruzavam a fronteira, na maioria dos casos, cf. planilha de fls. 51/52, havendo descarga no armazém da TRANSNARDO para possibilitar as manipulações e desvios; (f) confirmam as exportações fictícias os depoimentos da funcionária EDNA Maria Ferrari Rosa, da TRANSNARDO, além dos documentos apreendidos em sua residência, e que indicam as ordens de ADALBERTO quanto ao destino das cargas (v.g. documentos de fls. 53/56); (g) em vigilância realizada pela Polícia Federal na TRANSNARDO entre março e abril de 2008, foram constatadas diversas retiradas de pneus por caminhões de empresas que adquiriam os produtos de ADALBERTO no mercado interno, como documentado às fls. 57/59; (h) cotejando as exportações efetuadas da Pirelli para a MATER registradas no Brasil com as importações da MATER tendo como exportadora a Pirelli registradas no Paraguai, percebese (fls. 60/61) que apenas cerca de 25% do exportado nos anos de 2006 a 2008 chegava ao Paraguai, sendo que a Pirelli tinha conhecimento disso, cf. email apreendido na Pirelli de Santo André (fl. 62); (i) foram identificadas por meio de conversas no Skype e documentos esparsos detalhados às fls. 63 a 112, 191 faturas de exportação emitidas pela Pirelli (188 para a MATER e 3 para a NACIONAL CUBIERTAS) referentes a produtos desviados, totalizando US$ 7.967.371,27; (j) a exportação fictícia dá ensejo à exigência de IPI na saída dos estabelecimentos (filiais 0043 Barueri e 0044 Santo André), das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS) sobre o faturamento da matriz, e dos tributos devidos na importação de matériasprimas por drawback, além de ocasionar a aplicação de multa de 100% (em substituição ao perdimento); e (k) o presente processo trata do Auto de Infração para exigência da multa de 100% em substituição ao perdimento, contendo em anexo os documentos relacionados às fls. 113 a 115. Fl. 3116DF CARF MF 4 Cientificado da autuação em 16/08/2010 (fl. 4), a empresa apresenta impugnação em 15/09/2010 (fls. 2616 a 2677). Na peça impugnatória, narrase que: (a) a Polícia Federal, em seu inquérito, que analisou todas as escutas e mensagens, concluiu que a impugnante não concorreu para o crime; (b) a empresa não obteria qualquer vantagem com as exportações fictícias; (c) os registros do SISCOMEX comprovam que as exportações foram realizadas (desembaraçadas cerca de um terço em canais laranja ou vermelho e averbadas pela Receita Federal, havendo comprovante de exportação em todas as operações mencionadas pela fiscalização, registros esses que permanecem intactos no sistema informatizado), sendo insuficientes os indícios em contrário apresentados; (d) não se pode exigir tributo a partir de presunções hominis, tendo em vista a legalidade e a tipicidade cerrada que norteiam o direito tributário, como atestam a doutrina e a jurisprudência administrativa (e a fiscalização não faz prova cabal de que as mercadorias não cruzaram as fronteiras brasileiras); (e) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento à empresa porque ela não concorreu para a prática de nenhuma conduta tipificada na norma sancionatória; (f) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento porque se prevalecer a alegação do fisco, as mercadorias não foram exportadas mediante a utilização de documento falso, tendo em vista que sequer teriam sido exportadas; (g) a existência de autuação para exigência dos tributos internos devidos em decorrência da exportação inibe a aplicação do perdimento; (h) não houve conduta fraudulenta ou dolosa por parte da empresa que motivasse o perdimento (sendo que a própria fiscalização reconhece que a Pirelli agiu com culpa “in eligendo”/”in vigilando”); e (i) se houve infração, devem ser punidos os efetivos responsáveis (os representantes do importador e do transportador, os receptadores das mercadorias e os agentes do fisco), pois a Pirelli contratou a transportadora para entregar a mercadoria no exterior, e se essa agiu em descumprimento do contrato, deve responder pessoalmente. O julgamento de primeira instância ocorre em 13/01/2011 (fls. 829 a 2834), acordandose pela procedência da autuação, sob o argumento de que “caracteriza dano ao Erário punida com Pena de Perdimento a falsa declaração de exportação indicando mercadoria em quantidade superior à realmente exportada”, em refutação aos argumentos expostos na impugnação. Ciente da decisão de piso em 17/02/2011 (cf. AR de fl. 2844), a Pirelli apresenta Recurso Voluntário em 18/03/2011. Na peça (fls. 2845 a 2913), alegase que: (a) a decisão da DRJ é nula, por falta de análise do conjunto probatório e dos argumentos apresentados na impugnação, limitandose o julgador a reproduzir dados do Relatório Fiscal, não se manifestando sobre todas as razões apresentadas pelo impugnante; (b) a Polícia Federal, em seu inquérito, que analisou todas as escutas e mensagens, concluiu que a impugnante não concorreu para o crime, não tendo qualquer benefício econômico com a situação narrada na autuação; (c) os registros do SISCOMEX (ainda existentes e não retificados, inclusive para os canais laranja e vermelho, o que poderia ser verificado em sede de diligência) comprovam que as exportações foram realizadas, e não foram refutados a contento pelos indícios levantados na autuação (nem Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.116 5 pelas alegações genéricas do julgador a quo); (d) a presunção simples não pode ensejar a exigência de tributos, sob pena de ofensa à legalidade e à tipicidade cerrada (e não há norma que permita à fiscalização presumir, a partir de conversas Skype, planilhas ou interrogatórios, que mercadorias não cruzaram as fronteiras brasileiras); (e) não há provas de que as mercadorias tenham permanecido em território brasileiro (pelo contrário, há registros oficiais de que saíram), e ainda que houvesse ocorrido o desvio, não há provas de que as mercadorias tenham sido desviadas dentro do território brasileiro (e se as mercadorias saíram do território brasileiro, o que seria igualmente presumível, houve exportação); e (f) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, seja pela inexistência de declarações falsas ou adulteradas, seja pela ausência de intuito fraudulento nas operações, ou pelo fato de a responsabilidade ser exclusiva de terceiros; ou ainda porque tal penalidade não se aplica nos casos de desvio de mercadorias (como já decidido pelo CARF). O Recurso Voluntário é então encaminhado ao CARF em 14/04/2011, pelo documento de fl. 2936, tendo sido a mim distribuído, por sorteio, em 07/03/2013 (fl. 2944). A ementa do julgamento possui a seguinte redação: DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. PERDIMENTO. “CONVERSÃO”. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO. A multa resultante da “conversão” do perdimento, referida no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa pela não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento passa a ser devida na exportação somente a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3o. Houve interposição de recurso especial por parte da Procuradoria, vindo à CSRF deste CARF, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento com retorno dos autos à turma de origem para análise das demais questões trazidas pelo recurso voluntário, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008 Fl. 3118DF CARF MF 6 MULTA DE CONVERSÃO DO PERDIMENTO. IRREGULARIDADE ASSOCIADA À EXPORTAÇÃO. APLICABILIDADE. Valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito. Assim, não havia, à época da vigência da primeira redação do § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1455, de 1976, acrescido pela Lei nº 10.637/2002, qualquer obstáculo para a imposição de multa relativa à conversão do perdimento em pecúnia quando se identificasse irregularidade na exportação. Deveras, a mercadoria exportada, se considerada a origem, é a mesma importada, se considerado o destino. Da mesma forma, o contrato de compra e venda é uno, com dois pólos diversos. Consequentemente, é perfeitamente possível identificar o valor pelo qual a mercadoria foi comercializada (valor de transação) e definir o quantum da multa relativa à conversão da pena de perdimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE A matéria que não tenha sido alvo de análise pela instância recorrida não será enfrentada pela instância especial, salvo se apresentados embargos para efeito de prequestionamento. Recurso Especial do Procurador Provido Cumpre a este Colegiado, portanto, enfrentar as demais questões elencadas no recurso voluntário, assim dispostas pela recorrente: (a) a decisão da DRJ é nula, por falta de análise do conjunto probatório e dos argumentos apresentados na impugnação, limitandose o julgador a reproduzir dados do Relatório Fiscal, não se manifestando sobre todas as razões apresentadas pelo impugnante; (b) a Polícia Federal, em seu inquérito, que analisou todas as escutas e mensagens, concluiu que a impugnante não concorreu para o crime, não tendo qualquer benefício econômico com a situação narrada na autuação; (c) os registros do SISCOMEX (ainda existentes e não retificados, inclusive para os canais laranja e vermelho, o que poderia ser verificado em sede de diligência) comprovam que as exportações foram realizadas, e não foram refutadas a contento pelos indícios levantados na autuação (nem pelas alegações genéricas do julgador a quo); (d) a presunção simples não pode ensejar a exigência de tributos, sob pena de ofensa à legalidade e à tipicidade cerrada (e não há norma que permita à fiscalização presumir, a partir de conversas Skype, planilhas ou interrogatórios, que mercadorias não cruzaram as fronteiras brasileiras); (e) não há provas de que as mercadorias tenham permanecido em território brasileiro (pelo contrário, há registros oficiais de que saíram), e ainda que houvesse ocorrido o desvio, não há provas de que as mercadorias tenham sido desviadas dentro do território brasileiro (e se as mercadorias saíram do território brasileiro, o que seria igualmente presumível, houve exportação); e (f) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, seja pela inexistência de declarações falsas ou adulteradas, seja pela ausência de intuito fraudulento nas Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.117 7 operações, ou pelo fato de a responsabilidade ser exclusiva de terceiros; ou ainda porque tal penalidade não se aplica nos casos de desvio de mercadorias (como já decidido pelo CARF). É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 17/02/2011 (fl. 2844), interpondo seu voluntário em 18/03/2011 (fl. 2845), logo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, quanto à alegada nulidade da decisão de primeira instância, temse que não procede. Verificase que a decisão recorrida se encontra devidamente motivada, e que adotou suas conclusões justamente com base no conjunto probatório dos autos. Se avaliou adequadamente ou não as provas existentes, isto pode ser objeto de debate, mas não autoriza a anulação da decisão. À autoridade julgadora é facultado formar livremente a sua convicção com base nas provas dos autos (art. 29 do Decreto nº 70.235/72), o que de fato ocorreu, sendolhe igualmente facultada a avaliação da força probante das provas apresentadas. Ademais, constam na decisão todos os elementos exigidos pelo art. 31 do Decreto nº 70.235/72, havendo relatório, os fundamentos legais e sua conclusão. Para formar a sua convicção, a autoridade julgadora não precisa se manifestar expressamente a respeito de todas as alegações suscitadas pela parte e que são, implicitamente, rejeitadas a partir do momento em que a convicção formase em sentido contrário a estas. A propósito, ao contrário do que se defende em grau recursal, a autoridade julgadora concluiu que a recorrente tem responsabilidade tributária pela infração apontada. Em conclusão, a discordância ou inconformidade com a decisão de primeira instância não autoriza concluirse que a mesma padece de nulidade, sendo o caso, outrossim, da sua reforma – se for o caso –, e não da sua anulação. Adentrando no mérito da decisão recorrida propriamente dito, a recorrente repisa os argumentos lançados em sua impugnação, no sentido de que não há comprovação de que os produtos destinados à exportação teriam sido revendidos no mercado interno, não havendo prova da infração apontada no auto de infração. Fl. 3120DF CARF MF 8 A comprovação de que parte dos produtos constantes das declarações de exportação emitidas pela recorrente teria sido desviada e revendida no mercado nacional é farta e diversificada nos autos. Neste sentido, a Representação Criminal constante das fls. 1494 1686 faz referência a depoimentos, interceptações telefônicas, documentos, filmagens, apreensão de mercadorias, dentre outras provas. A evidenciar o desvio de parte dos produtos que seriam documentalmente destinados à exportação, citamos trechos do Relatório Fiscal anexo ao auto de infração: “26. No computador da Transnardo, matriz em Santa Cruz do Rio Pardo/SP, onde trabalhava a Edna, foram encontradas comunicações escritas pela internet (conversas impressas as fls. 1886/2040), no programa Skype, notadamente referente ao período de junho/2007 a fevereiro/2008, onde Adalberto ou Márcio (Antonio Marcio de França, funcionário de Adalberto na Mater Pneus) informavam o real destino das faturas de exportação da Pirelli.” (fl. 56) “27. Em tais conversas foram mencionadas 117 faturas de exportação, conforme demonstrativo de fls. 1253/1257, resumindose na seguinte destinação: 59 faturas efetivamente exportadas; 50 faturas desviadas para o mercado interno; e 8 faturas com destino não comentado. Em tal período, somente 13 faturas de exportação da Pirelli para a Mater no foram mencionadas nas conversas (115871, 115872, 115927, 115933, 115994, 116006, 116090, 116091, 116361, 116367, 116368, 116409e 116598).” (fl. 57) “41. No material apreendido na operação não foi encontrado documentos que indicasse o verdadeiro destino de todas as faturas de exportação da Pirelli para a Mater/Nacional Cubiertas no período fiscalizado, qual seja, nos anos de 2005 a 2008. Apenas no período de junho/2007 a fevereiro/2008, graças As conversas no Skype acima resumida (parágrafos 27 e 28), é que foi possível conhecer a real destinação das faturas de exportação da Pirelli para a Mater/Nacional Cubiertas.” (fl. 60) “42. Além das conversas no Skype, foram encontrados documentos esparsos ern diferentes alvos, bem como ligações telefônicas, além de relatórios de vigilância da Policia Federal, revelando desvios de exportação para o mercado interno.” (fl. 60) “50. Assim, identificamos as exportações fictícias através das conversas do Skype (parágrafo 26) e documentos esparsos, todos a seguir detalhados, envolvendo as 191 Faturas de Exportação (188 faturas para a Mater Pneus S.RL. e 3 faturas — 116116, 116436 e 166576 — para a Nacional Cubiertas S.R.L.), totalizando US$ 7.967.371,27 de desvios, abaixo especificadas:” (fl. 63) Em que pese no entender deste relator o efetivo desvio dos produtos destinados à exportação para revenda no mercado nacional, não é possível concluirse, contudo, que a autuada tenha participação no esquema criminoso engendrado, e que tenha, ao fim e ao cabo, responsabilidade tributária pela infração constatada. Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.118 9 Com efeito, do conjunto probatório constante dos autos, não há elementos que permitam aferir que a recorrente tenha tido participação no esquema criminoso. As provas carreadas aos autos levam à conclusão de que ADALBERTO, sócio das importadoras Mater Pneus S.R.L. e Nacional Cubiertas S.R.L., e a transportadora dos produtos Transnardo Transportes Ltda. tinham participação ativa no esquema criminoso, que ainda contava com a participação de várias outras empresas e pessoas, como receptadores e facilitadores. Aliás, a própria descrição do esquema fraudulento no Relatório Fiscal informa como esquema funcionava e descreve quem seriam os partícipes do mesmo, como se vê a seguir: “DO ESQUEMA CONSTATADO. 5. A Transnardo retirava os pneus destinados a exportação nos armazéns da Pirelli (filial 0043 em Barueri e filial 0044 em Santo André) e os levava para seu armazém em São Paulo/SP (até março/2008) e Itapevi (a partir de março/2008), onde os pneus, via de regra, eram descarregados. Ali faziase a separação e arrumação da carga. 6. A separação (pneus que seriam efetivamente exportados dos pneus que seriam desviados para o mercado interno) era determinada por ADALBERTO TAVARES DE ALMEIDA, sócio das importadoras MATER PNEUS S/A e NACIONAL CUBIERTAS S.R.L., destinatárias das exportações da Pirelli. Os pneus que seriam desviados para o mercado interno eram retirados na Transnardo pelos próprios adquirentes que negociavam as compras com Adalberto, sendo que os adquirentes, as vezes, utilizavam notas fiscais frias para o transporte dos pneus. 7. Já a arrumação da carga, quando efetuada, consistia em colocar os pneus que seriam exportados próximos à tampa de abertura do banco, objetivandose dar aparéncia, numa eventual abertura da tampa pela fiscalização, de que o baú inteiro estaria carregado com pneus. Assim, a fração da carga era submetida a despacho de exportação na fronteira, com a documentação indicando a carga total, e, com a conivência ou não da fiscalização no desembaraço de exportação (a ser apurada em processos disciplinares), eram declaradas como totalmente exportadas. 8. Os adquirentes dos pneus desviados pagavam adiantado a Adalberto através de depósitos em contas de terceiros, contas estas indicadas por doleiros que operavam com dólarcabo(*). Ou seja, os doleiros dos quais Adalberto era cliente, recebiam os valores dos adquirentes por meio de contas bancárias por eles (doleiros) indicadas e disponibilizava o valor correspondente para Adalberto no Paraguai, sendo que este, através da Mater Pneus S/A e Nacional Cubiertas, pagava, também adiantadamente, oficialmente a Pirelli, com o conseqüente fechamento de cambio. Fl. 3122DF CARF MF 10 9. A Transnardo, além do frete que recebia regularmente da Pirelli, era remunerada também por Adalberto, no valor que variou de 1 a 3,5% do valor da carga, por sua participação no esquema, ou seja, a manipulação e armazenagem para o desvio das cargas.” O funcionamento do esquema criminoso foi assim descrito na Representação Criminal encaminhada ao juízo criminal da 1ª Vara Federal de Ourinhos/SP pela Delegacia de Polícia Federal em Marília (fl. 1514): “Dentro do contexto investigatório, tal esquema é sumariamente demonstrado abaixo, e pode ser resumido da seguinte forma: os pneus deixam as fábricas localizadas no Estado de Sao Paulo com destino importadora Paraguaia MATER PNEUS. O desembaraço aduaneiro é realizado na cidade de Guaira/PR ou Mundo Novo/MS, de modo previamente acertado com fiscais da Receita Federal lotados nessas localidades, uma vez que, segundo estimamos, aproximadamente metade das cargas permaneceriam no território nacional. Desse modo, é perfeitamente possível à TRANSNARDO TRANSPORTES LTDA manusear a carga dentro de 'seus galpões em São Paulo/SP e Santa Cruz do Rio Pardo/SP, sem que, com isso, infrinja qualquer disposição legal, uma vez que a carga sendo considerada "em trânsito" somente após receber o lacre da fiscalização, era Guaira/PR ou Mundo Novo/MS, com o desembaraço aduaneiro. Ocorre que tal transportadora não só manuseia a carga para efeitos logísticos, mas também possibilita aos interessados, os receptadores, a retirarem de seus depósitos, para venda no território nacional, os pneus que deveriam seguir com destino ao exterior. Todavia, o que a TRANSNARDO faz nada mais é do que a logística ilícita da situação, uma vez que não são eles que determinam quais as cargas que serão retiradas de seus depósitos, mas sim o próprio importador paraguaio diretamente com seus receptadores, através de números de faturas (provavelmente numeração das fábricas) previamente Comunicadas.” Enquanto a autoria e materialidade dos crimes estejam suficientemente claros com relação à importadora e à transportadora das mercadorias, bem como com relação aos receptadores e até mesmo fiscais da própria Receita Federal do Brasil, o mesmo não se observa com relação à autuada (exportadora). A participação da autuada no esquema criminoso não é clara e sequer é afirmada no curso da investigação criminal. Em determinado momento a Polícia Federal chega a afirmar justamente o contrário (efl. 1.506): “(...). Apesar do aparente envolvimento da empresa PIRELLI S.A. com os delitos sob apuração, não podemos afirmar que tal empresa esteja cometendo delito dessa espécie, nos parecendo mais lógico, ao Menos por enquanto, considerar que a mesma motivase apenas pela sonegação fiscal obtida com a isenção ilegal obtida nas importações de insumos para posterior exportação de produtos manufaturados (drawback). 0 mesmo não se pode afirmar em relação ao receptador e aos grandes intermediários investigados, porém, tal matéria somente poderá ser esclarecida quando da segunda fase das investigações, isto é, quando da análise das provas obtidas através dos futuros Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.119 11 mandados de busca e apreensão a serem deferidos pela Justiça Federal, caso entendam cabíveis as razões expostas.’ Além de não haver nos autos nenhuma prova contra a AutuadaRecorrente, uma das degravações de escuta telefônica feitas demonstra que a Recorrente não tinha conhecimento de que as mercadorias saídas de seus estabelecimentos para o exterior acabavam sendo desviadas para o mercado interno. A interceptação telefônica consta do relatório fiscal (fls. 6970) e tem como interlocutores EDNA (funcionária da transportadora Transnardo) e ADALBERTO (sócio da Mater Pneus, uma das importadoras), que conversam a respeito de um roubo de uma carreta da Transnardo que transportava pneus da Pirelli: “Adalberto: "e aí como é que ficou o negócio da ocorrência". Edna: "foi fazer ontem ... o Zé Carlos o motorista e o cara que estava junto foram fazer ontem de manhã'' (Boletim de Ocorrência). Adalberto: "é duas notas que tinha?". Edna: "isso". Adalberto: "mas é duas notas e uma carga? Edna: "não, são cinco notas em duas cargas". Adalberto: "nossa senhora!! Como é que vai fazer a alegação disso ai?" Edna: "no boletim?". Adalberto: "é". Edna: "no boletim deixou como se fosse nacional... diz que não citou em momento nenhum que era exportação ... pelo menos foi o que eu ouvi ela dizendo". Adalberto: "e os números das notas como é que ela vai falar isso pra Pirelli?". Edna: "então eu achei que ela tivesse acertado com você". Adalberto: "não ela não falou nada aqui.. como que você sabe que que eu vou falar aqui ... ela é que sabe o procedimento nessas horas entendeu? ". Edna: "bom se a Pirelli puxar as notas fiscais ela vai ver que não é nacional né ... só por aí já dá para ver que não é mercado nacional ... agora se essas notas estiverem dentro do caminhão?. Adalberto: "fala que estava vindo em comboio e o outro ficou pra trás .. sei lá.. ". Edna: "não ... estou falando pra você que o cara falou que o cavalo ele ia deixar ali por perto então pode ser que essas notas estejam dentro do cavalo ... entendeu .... aí eu vou ter que falar com ela ... ver o que foi colocado lá ... pra poder ver o resto né!? Fl. 3124DF CARF MF 12 Adalberto: "é tem que ver o que vai colocar lá .... isso aí a Pirelli vai ter que emitir outra... cancelar essa e emitir outra." Em que pese tais constatações, a fiscalização optou por concluir que a autuada teria praticado exportação fraudulenta, presumindo que esta teria participado do esquema criminoso. A fiscalização entendeu que a autuada teria tomado parte no esquema fraudulento e assim o fez porque a mesma promoveu as operações de exportação, e, especificamente, porque concluiu que funcionários da exportadora tinham conhecimento da divergência entre os dados constantes do SISCOMEX e do sistema URUNET. Neste sentido, transcreve trecho do Relatório Fiscal anexo ao auto de infração (efl. 1.208): É de notar que o email em questão não permite afirmar que a Autuada Recorrente participava de esquema fraudulento de exportação. Permite aferir apenas que as pessoas que trocaram a mensagem tiveram ciência da discrepância quanto ao volume de produtos faturados para exportação e o volume de produtos que ingressara no Paraguai. Importante ressaltar que o referido email faz referência aos “dados da URUNET”. A URUNET seria um software desenvolvido por uma empresa do Uruguai, que disponibiliza aos seus assinantes informações sobre comercio exterior de alguns países, entre Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.120 13 os quais, os países do Mercosul. O software disponibiliza dados obtidos a partir de informações da aduana, de institutos de estatísticas e de outras fontes não oficiais, conforme documento constante da efl. 2.746. Consta nos autos que, após o envio do email citado pela fiscalização, o Sr. Luiz Fernando Costa, funcionário da exportadora, questionou, por email, o fornecedor do Sistema URUNET sobre a veracidade de tais informações e recebeu a confirmação de que tais dados não eram oficiais, não podendo ser considerados como informações concretas da aduana do Paraguai sobre as mercadorias importadas (efl. 2.806): Logo, não sendo o software URUNET alimentado com informações fiscais, sequer a conclusão de que a autuada tinha ciência do esquema fraudulento não é válida, acrescentandose ainda que o SISCOMEX mostrava que as exportações foram 100% efetivadas. Ademais, a menção contida no relatório fiscal anexo ao auto de infração (efl. 60) quanto ao cotejo realizado entre o sistema SISCOMEX e ao sistema INDIRA Intercambio de Información de los Registros Aduaneros (Sistema de informações do comércio exterior entre os países integrantes do Mercosul a partir de 2006), o qual apontava a discrepância entre o volume de produtos registrados para exportação e o volume ingressado no Paraguai, não era acessível à contribuinte, mas apenas à Receita Federal do Brasil, conforme documento das efls. 28072811. Acrescentese que a fiscalização reconhece a existência falhas na alimentação do sistema INDIRA ou ate mesmo sonegação dos tributos incidentes na importação. Fl. 3126DF CARF MF 14 Cabe aqui uma consideração. Mesmo que se admitisse que a autuada recorrente teve ciência de tal discrepância, e que eventualmente até mesmo soubesse que os produtos que deveriam ter sido exportados foram desviados para o mercado interno, tal hipótese não autorizaria concluir que a mesma teve participação no esquema fraudulento. Sem prejuízo disto, não parece razoável fosse a autuada a “cabeça” do esquema fraudulento desvendado e em funcionamento durante anos, uma vez investigada a quadrilha em questão, não se tenha evidência de a autuada efetivamente ter laborado com o intuito de realizar operações de exportação fraudulentas com o objetivo de despejar as mercadorias no mercado nacional. Ao contrário, o que a Polícia Federal evidenciou na investigação que conduziu foi que os acertos davamse justamente entre a importadora, a transportadora, e inúmeros receptadores das mercadorias no mercado nacional. A propósito, consta no Relatório Fiscal anexo ao auto de infração (efl. 51): “15 Se todas as exportações da Pirelli para a Mater Pneus transportadas pela Transnardo fossem regulares, tais documentos (acerto de contas) não existiriam na forma elaborada porque não haveria razão para a cobrança da comissão sobre os valores das faturas da Pirelli, já que a Pirelli era quem pagava o frete da operação para a Transnardo, uma vez que integravam destacadamente o valor total das faturas de exportação.” O mencionado “acerto de contas” ocorria justamente entre a transportadora e o importador, como deixa claro o próprio Relatório Fiscal, quando afirma (fl. 50): “12. Tratase de correspondência encaminhada por facsímile da Edna (funcionária da Transnardo) para Adalberto (Mater Pneus), demonstrando o acerto de contas entre a Transnardo e Adalberto, referente ao mês de janeiro/2005. 13. Os créditos da Transnardo referemse à comissão (armazenagem e manipulação das cargas) gerada a partir dos valores das faturas de exportação da Pirelli (As fls. 2226/2233, juntamos demonstrativo das faturas emitidas pela Pirelli, cuja somatória dos itens são absolutamente coincidentes com os valores mencionados no acerto de contas). Verificase que a Transnardo auferiu 2% sobre o total das faturas de exportação, que convertidos em reais pelo câmbio de R$ 2,92, gerou o crédito de R$ 36.490,92.” Não há aqui, também, qualquer prova ou evidência de que a autuada participasse do mencionado “acerto de contas”, mas uma vez evidenciando a falta de participação da autuada no esquema fraudulento. Aliás, consta no Relatório Fiscal anexo ao auto de infração que, em ao menos uma situação de desvio de pneus para o mercado interno, ADALBERTO teria cobrado um sobrepreço de um possível receptador, onde teria acrescido aos produtos 50% do valor que ele próprio pagou à Pirelli, indicando que a fraude davase segundo os interesses de ADALBERTO, conforme trecho a seguir (efl. 63): “Fatura n° 112.553 DDEDeclaração de Despacho Aduaneiro n° 2050202505/0 — Notas Fiscais: 164886 e 164887— B (filial 0043 de Barueri); 91412 — S (filial 0044 de Santo André). Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.121 15 Documento do Excel, denominado "PMA 112553.xls" impresso às fls. 1834, encontrado no computador de Paolo (caminho no HD: CIRCULO NEGRO Orig\BRAVO\B04 PAOLO\HDOI \DOCUMENTOS EXCEL), em Marilia. Tal documento foi elaborado por Adalberto que o transmitiu via email para seu cliente Paolo (PMA significa Paolo de Marília — Charanga Pneus). Os pneus discriminados em tal documento coincidem com os pneus discriminados na fatura de exportação da Pirelli n° 112.553 (fls. 134/135). Tratase de desvio parcial de 494 pneus, vez que a fatura totaliza 972 pneus e a planilha do Excel apenas 494 pneus. Os preços indicados na planilha (em dólares) indica o acréscimo de cerca de 50% do valor que Adalberto pagava para a Pirelli.” Finalmente, a Representação Criminal constante dos autos informa que, dentre os pneus identificados como ilicitamente desviados para o mercado nacional, encontravam da marca Pirelli, Goodyear e Continental. Neste sentido (efl. 1516): “1.1. ADALBERTO TAVARES DE ALMEIDA Tratase do cabeça da organização no referido esquema, amparado, ao que parece, por CELSO EDUARDO BORDI, funcionário de alto escalão do setor de exportações da PIRELLI S.A. em Santo André/SP. ADALBERTO TAVARES DE ALMEIDA é proprietário das empresas MATER PNEUS e MEGA AUTO CENTER, situadas, respectivamente, nas cidades paraguaias de Salto Del Guairá e Pedro Juan Caballero, além de outras naquele pais, e, segundo constatamos nas interceptações, seria a pessoa que detêm o "poder" de determinar a "quantidade" e "espécie" de produtos que permaneceriam no território nacional, apesar de se destinarem a exportação. Tratase de um importador de imensa quantidade cié pneus de diversas marcas, entre as quais se destaca PIRELLI, GOODYEAR e CONTINENTAL, cujo montante é difícil ,de ser consumido no mercado local fronteiriço paraguaio, ainda que notório que parte das mercadorias retorne ao território nacional em pequenas quantidades contrabandeadas, sem anuência "direta" do importador.” Assim, de acordo com o entendimento adotado no auto de infração de que a Pirelli fraudou documentos no intuito de efetuar exportações fictícias , seria coerente afirmar que também a Goodyear e a Continental teriam praticado o mesmo ilícito. Não parece factível que 3 (três) das maiores fabricantes de pneus praticassem exportações fictícias, nas mesmas circunstâncias de lugar, tempo, modus operandi e que ainda se utilizassem dos mesmos partícipes para tanto. Desvinculados os atos praticados pela autuada e, em momento posterior, pelos partícipes do esquema criminoso, só se pode chegar a uma conclusão: a exportadora agiu no sentido de efetivamente exportar as mercadorias, as quais posteriormente foram desviadas do seu destino para o mercado interno por terceiros. Convém destacar que a conclusão a que se chega neste voto é a mesma já encampada em outros 2 (dois) julgamentos proferidos por este Conselho Administrativo de Fl. 3128DF CARF MF 16 Recursos Fiscais a respeito dos mesmos fatos envolvendo a autuada, já que a mesma fiscalização resultou na lavratura de vários autos de infração contra a mesma. No julgamento do recurso voluntário no 11444.001113/201018, a 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sessão realizada em 24/04/2012, restou proferido o acórdão 380200.923, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESVIO DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Realidade em que, embora tendo sido demonstrada a existência de esquema fraudulento destinado a desviar, para o mercado interno, mercadorias destinadas para o exterior, nada ficou demonstrado concernente à participação da autuada, a exportadora dos produtos. Demonstrado o erro na identificação do sujeito passivo, deverá ser declarado nulo, por vício material, o lançamento objeto da lide. Recuso a que se dá provimento para declarar nulo o lançamento, por vício material. No mesmo sentido caminhou o julgamento do recurso voluntário no 11444.001129/201012 (acórdão 3401002.081), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2008 FRAUDE EM OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA AUTUADA. A Contribuinte não pode ser responsabilizada por fraudes cometidas por terceiros, quando seguidos os procedimento legais nas operações de exportação. Nos 2 (dois) precedentes concluiuse não estar comprovada a participação da autuada no esquema criminoso. É bem verdade que durante o inquérito policial, a Polícia Federal suspeitou da participação de CELSO EDUARDO BORDI, empregado do setor de comércio exterior da Pirelli em Santo André/SP, no esquema criminoso. Narra a Representação Criminal assinada pelo Delegado de Polícia Federal (fl. 1525): “1.2. CELSO EDUARDO BORDI tratase, provavelmente, de membro de alto escalão da empresa PIRELLI S/A, exercendo sues atividades no setor de exportação da companhia, em Santo André/SP. 0 nome de tal pessoa somente surgiu nas investigações nos últimos 15 dias, apesar de, há tempos, mencionarmos nos autos a existência de alguém de dentro da fábrica com o poder de determinar o montante das mercadorias destinadas à exportação para a MATER PNEUS. O relevo de Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.122 17 sua atuação e posição na organização criminosa ainda é dúbia, porém, suspeitamos que, ao lado de ADALBERTO TAVARES DE ALMEIDA, possa ser o cabeça do esquema criminoso, haja vista o poder de "maleabilidade" que possui na determinação da quantidade de carga que deve permanecer e que deve deixar o território nacional. Além disso, em ligação telefônica mantida com ADALBERTO, este critica aquele por causa de preço de mercado mantido por concorrente, como se estivesse colocando o a par de uma situação que pudesse resolver. Aliás, CELSO deixou aberta justamente essa possibilidade, quando disse a ADALBERTO "que vai ficar ligado agora para cuidar do mercado". Vejase que a própria Polícia Federal manifesta dúvidas quanto à efetiva participação de CELSO EDUARDO BORDI no esquema criminoso quando afirma: “O relevo de sua atuação e posição na organização criminosa ainda é dúbia...”. Destacase que, na mesma Representação Criminal a Polícia Federal informa que, embora tivesse suspeitas acerca da possível ligação de ADALBERTO (sócio das importadoras das mercadorias) com membros da diretoria/presidência da Pirelli, ao final dos levantamentos teria identificado apenas um suspeito membro da empresa, justamente CELSO EDUARDO BORDI, dando a entender que ao fim das investigações, a possível participação no esquema criminoso limitavase ao referido suspeito. Neste sentido, colhese (fl. 1519): “As seguintes ligações demonstram a possível ligação de ADALBERTO com membros da Diretoria/Presidência da Pirelli, além de funcionários operacionais da empresa, o que, durante toda a investigação, fomentou nossas suspeitas acerca do envolvimento e conhecimento de pessoas de dentro das fabricas no esquema criminoso. Agora, já no final dos levantamentos, conseguimos .identificar um dos membros da empresa, responsável pela área de comércio exterior, que se mostrou suspeito de ser o verdadeiros "líder" do esquema criminoso. Segundo apuramos tratase de CELSO EDUARDO BORDI, cujo envolvimento com ADALBERTO será demonstrado abaixo:” O Delegado de Polícia Federal inclusive representou ao juízo criminal requerendo busca e apreensão de documentos na empresa Pirelli em Santo André/SP, no que restou atendido, tendo sido deferido mandado de busca e apreensão pelo juízo criminal, com a subsequente busca e apreensão de documentos, conforme mandado constante dos autos (fl. 1804): “MANDA a Autoridade Policial ou Agentes de Policia Federal que, em cumprimento deste, proceda à BUSCA E APREENSÃO de todos os meios de prova que se relacionam aos ilícitos sob apuração, tais corno documentos (papel e mídias informatizadas de armazenamento), computadores, cartas, pneus, numerário, etc, além de eventuais produtos adquiridos com os proventos da atividade criminosa, a ser realizada na Av. Capuava, 603, V. Homero Thon, Santo AndréSP, empresa PIRELLI PNEUS S.A, em poder de quem os detiver, conforme consta na decisão proferida nos autos do lnquérito Policial em epígrafe, cuja cópia segue anexa, observandose as cautelas dos artigos 245 a 249 do Código de Processo Penal. 0 Mandado deverá ser cumprido nos Fl. 3130DF CARF MF 18 setores de importação, exportação e financeiro/contábil, bem como demais locais que contenham documentos que demonstrem as exportações realizadas. As empresas de ADALBERTO TAVARES DE ALMEIDA, bem como nas instalações e objetos de uso de CELSO EDUARDO BORDI. Cumpra e, na forma e sob as penas da lei. Ourinhos, 3 de novembro de 2008. Eu, (Maria Roseli Mandolini), Analista Judiciário, digitei e conferi. E eu, (Sabrina Assanti), Diretora de Secretaria, reconferi.” Por este conjunto de provas, temse que não restou comprovado nestes autos a efetiva participação de Celso Bordi no esquema criminoso, embora haja suspeitas neste sentido. Porém, ainda que restasse incontestável a sua participação na fraude, tal fato não implicaria a responsabilização tributária da autuada pelas infrações apuradas pela Receita Federal do Brasil, pois se veja o que dispõe o artigo 137 do CTN: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; Como se vê, o CTN atribui a responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas como crimes, que é justamente o caso aqui tratado. Não há dúvida que as infrações em comento não foram praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ao passo que nada consta nos autos que indique que a infração teria sido praticada no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Inexistente qualquer fraude ou ilícito na conduta da autuadarecorrente, devidamente comprovada, não é possível atribuir à mesma a pena imposta no auto de infração. É um princípio do ordenamento jurídico que só pode haver aplicação de pena quando há conduta infracional. Não é o caso. Ademais, em caso semelhante já decidiu esta C. Turma, por meio do acórdão 3401003.960, em votação unânime: CONDUTA INFRACIONAL. PRÁTICA OU PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DEMONSTRAÇÃO. NECESSIDADE. A responsabilidade tributária solidária pelo crédito tributário decorrente de multa por infração à legislação exige a prática ou, pelo menos, a participação do sujeito passivo na conduta reprovada, não bastando a simples referência a fatos dos quais não participou ou para os quais não concorreu, como no caso de importações por encomenda, onde o encomendante cumpre regularmente suas obrigações, não podendo ser responsabilizado por atos realizados pelo importador contratado em conluio com terceiros, sem prova de seu envolvimento, descabendo, nessas hipóteses, a responsabilidade objetiva. Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.123 19 Assim, temse que o lançamento tributário falhou na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, em infração ao art. 142 do Código Tributário Nacional, que prescreve: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O ato administrativo do lançamento é ato plenamente vinculado, competindo à fiscalização não somente a identificação do sujeito passivo, mas a demonstração desta sujeição. Encontrase eivado de ilegalidade o lançamento tributário direcionado à contribuinte que não ostenta sujeição passiva em relação à obrigação tributária. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento tributário. Conforme decidido pela maioria do colegiado, que acompanhou o detalhamento da declaração de voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan, a seguir, e na forma do art. 63, parágrafo oitavo do RICARF, registrese, aqui com reflexo na ementa, que o provimento ao recurso voluntário se deu por carência de fundamentação da autuação em dispositivo normativo sancionatório pertinente ao caso. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 3132DF CARF MF 20 Declaração de Voto Rosaldo Trevisan, Conselheiro Por ter relatado originalmente o presente processo, no CARF, por ter relatado processo distinto gerado a partir do mesmo relatório fiscal (no XX), e por ter divergido do relator em relação à abordagem do tema (no que fui acompanhado por todo o restante do colegiado), embora tenha acordado com a conclusão externada pelo relator, pelo provimento do recurso, indiquei a intenção de apresentar declaração de voto, o que concretizo a seguir. O relatório fiscal (fls. 46 a 115) que ampara a autuação lavrada no presente processo, como relatado, serviu de base também às autuações levadas a cabo mediante os processos no 11444.001129/201012 (exigência de tributos incidentes na importação), no 11444.001126/201089 (exigência das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS), e no 11444.001113/201018 e no 11444.001123/201045 (ambos versando sobre exigência de IPI). O processo de no 11444.001129/201012 foi decidido, no CARF, por meio do Acórdão no 3401002.081, de 28/11/2012, que afastou, majoritariamente, a responsabilidade da “PIRELLI”, vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, não tendo participado de tal julgamento nenhum dos conselheiros que atualmente compõem a turma. O processo de no 11444.001126/201089, por seu turno, resultou no Acórdão no 3403002.210, de 22/05/2013, no qual se verificou ter ocorrido decadência, confirmandose a decisão de piso em sede de recurso de ofício. Ou seja, a matéria de mérito sequer chegou a ser analisada. O processo de no 11444.001113/201018, referente a lançamento de IPI (parte) foi julgado em Turma Especial, e resultou no Acórdão no 380200.923, de 24/04/2012, havendo também exclusão da empresa “PIRELLI” do polo passivo, o que resultou em nulidade do lançamento por vício material, tendo em conta que a empresa era a única autuada. Em relação a tal processo, o recurso da Fazenda, majoritariamente, não foi conhecido, por ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os indicados como paradigma, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas. Por fim, o processo no 11444.001123/201045, também referente a IPI, mas de valor e amplitude mais significativos, foi por mim relatado na extinta Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, resultando no Acórdão no 3403 002.517, de 22/10/2013, no qual o colegiado, por maioria, deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas em relação a quatro faturas comerciais (116.695, 116.696, 116.711, e 116.781), vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Tal processo está pautado para julgamento de recurso especial do contribuinte, na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quando relatei, originalmente, o presente processo, verifiquei impossibilidade de aplicação da penalidade imputada, no caso, por tratarse de exportação, no que fui unanimemente acompanhado pelo colegiado, tendo a decisão sido revertida por maioria, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão no 9303004.220, de 10/08/2016, o que ensejou o retorno do processo ao colegiado para análise das demais alegações recursais. Daí a presente análise. Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.124 21 Pelo fato de todos os processos terem um relatório comum, passo aqui a endossar as conclusões que externei quando do exame do processo no 11444.001123/201045, no qual empreendi análise de mérito. Na ocasião, após discorrer sobre responsabilidade tributária, asseverei: Há que se aclarar inicialmente que, na autuação, não se nega o fato de que a recorrente teve todas as suas exportações desembaraçadas e averbadas (inclusive cerca um terço delas com participação ativa do fisco, nos canais de conferência laranja e vermelho para os quais se exige exame documental e verificação da mercadoria), e que foram emitidos os correspondentes comprovantes de exportação. E a análise a seguir empreendida partirá do pressuposto (facilmente verificável documentalmente) que efetivamente as exportações foram objeto de desembaraço (liberação, automática no canal verde, ou por AuditorFiscal da RFB nos canais vermelho e laranja) e averbação (confirmação, no sistema informatizado SISCOMEX, da transposição de fronteira). O comprovante de exportação (apesar do nome) é um documento dispensável, pois a averbação é que efetivamente comprova a operação (cf. arts. 50 e 51 da Instrução Normativa SRF no 28/1994). Há que se fazer apenas uma complementação, no sentido de que a averbação, na via terrestre (utilizada pela recorrente nas operações a que se refere este processo, sem trânsito aduaneiro), ocorre na data do próprio desembaraço, conforme arts. 39 e 46 da Instrução Normativa SRF no 28/1994: (...) Assim, é preciso destacar que não houve efetivamente um funcionário verificando se a mercadoria fisicamente cruzou a fronteira, como às vezes poderia imaginar o exegeta desavisado. E no tratamento de averbação automática, é possível a apuração posterior de eventuais erros ou fraudes, conforme se depreende do art. 48 da mesma Instrução Normativa: (...) Ou seja, o desembaraço e a averbação no SISCOMEX não impedem a apuração posterior, no caso de erros ou fraudes (inclusive nos canais vermelho e amarelo). Quando o artigo se refere à apuração e a aplicação, aos responsáveis, das sanções administrativas, fiscais, cambiais e penais, não está criando penalidade alguma, mas apenas dispondo que o desembaraço e a averbação não obstam a revisão do despacho (revisão essa que, digase, já era assegurada no art. 570 do Regulamento Aduaneiro de 2002, e mantida no art. 632 do atual Regulamento Aduaneiro). Fl. 3134DF CARF MF 22 No que se refere às sanções administrativas, o fato de eventualmente ter havido participação de funcionários da Receita Federal na fraude não é ignorado na autuação, conforme se depreende do seguinte excerto do Relatório Fiscal (fl. 19): (...) O que se está a analisar, no presente processo, contudo, é a matéria fiscal. Esta análise inicial da questão probatória se presta exclusivamente à evidenciação de que a existência de documentos que comprovam o desembaraço e a transposição da fronteira (registrados no sistema automaticamente ou, em um terço dos casos, por agentes do fisco), não constitui uma contraposição de argumentos à autuação, mas elemento que nela já estava implícito. Repitase, caso não houvesse tal registro de desembaraço ou averbação, sequer haveria necessidade de discutir se a mercadoria foi ou não desviada, e de que forma. E isso parece não ter sido bem compreendido no recurso voluntário, conforme excerto de fls. 2580 e: (...) Quando o fisco apurou que eventualmente teria havido desvio de mercadoria ainda antes da exportação, o fez obviamente já sabendo que tais documentos de exportação existiam. As provas constantes do Relatório Fiscal são justamente destinadas a refutar não formalmente, mas materialmente tais documentos. Tais documentos (e registros em sistema) existiram, existem e continuarão existindo (mesmo que não revelem a realidade da transação). Um dos escopos do presente contencioso é exatamente identificar se tais documentos revelam ou não a realidade da operação realizada. A recorrente, em sua argumentação, à fl. 2584, proporciona cristalina distinção entre os aspectos formais e materiais da operação: (...) Do excerto, resta concluir que formalmente as mercadorias foram exportadas. Mas a autuação, como exaustivamente exposto, questiona a realidade dos fatos, e não o aspecto formal dos registros no sistema. Contudo, o fato de o autuante questionar os próprios registros da RFB, negando materialmente seu conteúdo, lhe impõe um ônus, o de provar que tais registros não condizem com a realidade. E, provando, incumbiria à recorrente refutar a prova. É isso que se passa a analisar a seguir. O Relatório Fiscal anexo à autuação apresenta um tópico denominado “das provas do esquema” (fls. 20 a 32), no qual se encontram os itens 10 a 40, informando (em apertada síntese por nós elaborada), que: Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.125 23 item 10: a funcionária Edna Maria Ferrari Rosa, funcionária da transportadora TRANSNARDO, em interrogatório, confirmou o esquema de exportação fictícia de pneus praticada pela TRANSNARDO, e que as cargas eram desviadas na própria transportadora, em São Paulo, citando nomes das pessoas responsáveis e que retiravam os pneus na TRANSNARDO; item 11: na residência de Edna, foram apreendidas centenas de documentos que demonstram o controle das operações, por fatura (os documentos originais encontramse na Polícia Federal, que providenciou a digitalização, permitindo que figurem em anexo no presente processo); itens 12 a 16: em facsimile da funcionária Edna, da TRANSNARDO, para o representante (Sr. Adalberto) do importador paraguaio (MATER Pneus), demonstrando o acerto de contas entre a TRANSNARDO e Adalberto no mês de janeiro de 2005 (como a Pirelli é quem pagava o frete das mercadorias, se as exportações fossem regulares, não haveria necessidade de remessa de valores entre a TRANSNARDO e representante do importador paraguaio; e como a TRANSNARDO era somente transportadora, devendo levar as cargas diretamente do estabelecimento da Pirelli para a fronteira, não haveria a necessidade de armazém intermediário na operação, nem descarga dos pneus adquiridos na TRANSNARDO); itens 17 e 18: as carretas que saiam da Pirelli com os pneus recorrentemente não eram as mesmas que chegavam à fronteira (conforme documentos de controle de carregamento de cargas elaborado pela Pirelli, e apreendidos pelo fisco): em amostra de 26 faturas, apenas 6 indicam a mesma carreta saindo da Pirelli e chegando à fronteira (verificandose a planilha de fls. 23/24, percebese ainda que entre a saída da Pirelli, em São Paulo, e a chegada à fronteira paranaense/matogrossense passavamse freqüentemente 10 dias ou mais); itens 19 a 23: na residência de Edna (funcionária da TRANSNARDO) foram ainda apreendidas centenas de documentos que indicam as ordens de Adalberto (MATER Pneus/paraguaia) no tocante ao destino das cargas (juntados ao processo), citandose como exemplo (a) uma ordem por facsimile (fl. 25) tratando do destino de algumas faturas de Adalberto: o mercado interno, mais precisamente PV Paulo Vizaco, comerciante de pneus em Pindamonhangaba/SP, e um dos maiores clientes de Adalberto, (b) uma ordem por email para desvio das mercadorias constantes das faturas 109411 a 19414 para o mercado interno; (c) uma ordem por email para desvio das mercadorias constantes das faturas 109817 a 109820 para o mercado interno (revelando que as cargas da fatura 109821 deveria ser exportada), e (d) planilha especificando quais os pneus a serem exportados e quais deveriam ser destinadas ao mercado interno, referente à fatura 114488; itens 26 e 27: foram identificadas nos computadores da TRANSNARDO, onde trabalhava Edna, diversas conversas no “Skype”, nas quais o Sr. Adalberto (e seu funcionário Márcio), no período de junho/2007 a fevereiro/2008, informavam o real destino das faturas de exportação da Pirelli (nas conversas, anexadas nos autos, são mencionadas 117 faturas de exportação da Pirelli, detalhandose que em 59 as mercadorias foram Fl. 3136DF CARF MF 24 exportadas e em 50 foram desviadas, não se comentando o destino das outras 8 cabendo destacar que apenas 13 faturas de exportação da Pirelli para a MATER Pneus, no período, ficaram de fora das mensagens trocadas); item 28: a Polícia Federal efetuou vigilância velada na TRANSNARDO, de março a abril de 2008, constatando a retirada de pneus por caminhões de empresas clientes de Adalberto, como a do grupo PV Paulo Vizaco (elaborando relatórios anexos aos autos); itens 29 a 34: nos computadores do grupo PV, em Pindamonhangaba/SP, foram encontrados: (a) arquivos denominados “acertos” (v.g. o de fl. 29), nos quais aparece, detalhado por fatura, o controle das negociações entre PV e Adalberto, envolvendo os pneus exportados pela Pirelli, e os pagamentos feitos pelas aquisições, (b) arquivos denominados “comprovantes”, referentes a recibos de depósitos bancários digitalizados (cabendo destacar que o total dos depósitos coincide com o da planilha “acerto”), e (c) conversas “Skype” entre funcionários de PV e Adalberto (na conversa transcrita à fl. 31, há uma tratativa de remessa, indicandose as taxas de câmbio, em valores que confirmam o conteúdo dos arquivos de “acertos”; itens 35 a 37: Adalberto buscava contas bancárias com doleiros de confiança, que operassem dólarcabo (espécie de “compensação entre valores a receber e a pagar em dólar”, cujo mecanismo é explicado na autuação e em documento juntado aos autos, originário da Polícia Federal): como exemplo, citase que o Sr. Silas Sanches, que vendeu imóvel a sua prima no exterior, em vez de receber o valor em um único lançamento em sua conta (de R$ 48.960,00), recebeu seis lançamentos totalizando tal valor, e na agência bancária verificou que um deles era referente a depósito de cheque de emissão de Charanga Pneus de Marília; e itens 38 a 40: a Charanga Pneus (PMA) era um dos clientes de Adalberto no desvio ao mercado interno de pneus exportados pela Pirelli, e nos computadores de tal empresa foram também encontradas conversas “Skype” de funcionários da Charanga Pneus com Adalberto, tratando de remessa de valores em dólar, via conta a ser obtida com operador de dólarcabo indicado pelo Sr. Adalberto (“RAFA”). No Recurso Voluntário, não é feita uma refutação individualizada aos elementos indicados como probatórios na autuação, alegandose, de início (fl. 2589), que: (...) Assim, à exceção de raríssimos casos em que a recorrente refuta pontualmente a autuação (e que serão aqui tratados), a argumentação do Recurso Voluntário é genérica, no sentido de que a documentação oficial não poderia ser afrontada por meros indícios, escutas, conversas Skype, presunções simples, etc. Há que se recordar que as mercadorias saídas do estabelecimento da Pirelli ainda não estavam exportadas, mas submetidas a regime suspensivo de IPI, no qual deveriam seguir para recintos alfandegados (e não para depósitos de transportadoras). A transportadora contratada pela Pirelli para levar as mercadorias até o recinto alfandegado fronteiriço de exportação (TRANSNARDO), comumente demorava mais de Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.126 25 uma semana para seguir do estabelecimento da Pirelli até a fronteira com o Estado vizinho (Paraná ou Mato Grosso do Sul), e chegava ao destino, em regra, em carretas diferentes das que saíam do estabelecimento da Pirelli. E tal informação está nos autos, no Relatório Fiscal (itens 17 e 18 fls. 23/24) e não só era de conhecimento da recorrente, como reflete controle de cargas a partir de documentos apreendidos na própria Pirelli. E isso não é objeto de refutação específica. O fato gerador do IPI é a saída do estabelecimento produtor (Lei no 4.502, art. 2o, II), o que efetivamente ocorreu (e não se está aqui tratando de presunção). No caso, como os bens destinavam se a exportação, a saída se deu com suspensão do IPI, devendo as mercadorias serem transportadas pela empresa (Transnardo) contratada pela exportadora (Pirelli) até a fronteira, para exportação. Ocorre que a documentação carreada aos autos atesta que parte das mercadorias que consta nos documentos oficiais da RFB como exportada era vendida no mercado interno. Os elementos que a fiscalização apresenta no Relatório Fiscal dão conta de que parte das mercadorias não chegava sequer à fronteira (em que pese ter sido desembaraçada, seja com conivência de agentes aduaneiros, seja ludibriandose a Aduana), indicando inclusive para onde seguiam, por fatura e por cliente. Não há presunção de ocorrência do fato gerador. Há, sim, refutação dos documentos oficiais de exportação, que não atestam a realidade das operações. E tal refutação é amparada em interrogatórios (com reconhecimento do desvio pela própria partícipe do esquema), conversas Skype (nas quais são combinados os desvios e as remessas, vinculadas a faturas comerciais de exportação emitidas pela Pirelli), e documentos retidos na transportadora e no próprio estabelecimento da recorrente (cuja autenticidade e legal obtenção sequer são questionadas no Recurso Voluntário). Requer esforço incomum entender que tudo isso é fantasioso, e que as mercadorias efetivamente foram exportadas, e todas as vendas internas vinculadas a faturas de exportação da Pirelli, remessas, comunicações e confissões dos envolvidos são mera especulação. Mas requer um esforço ainda maior entender que esse desvio tenha sido feito após as exportações (tese alternativa da recorrente). Equivaleria a dizer que a Pirelli, em São Paulo, tenha enviado mercadorias à fronteira, para exportação, com uma transportadora que tinha forte contato com o importador paraguaio (o que está comprovado nos autos), e que trocava as mercadorias de carreta para levar à fronteira, tomando vários dias para o transporte (fatos também devidamente comprovados), e que tais mercadorias tenham sido efetivamente exportadas (como comprovam formalmente os documentos oficiais da RFB, posteriormente refutados pelo próprio fisco), Fl. 3138DF CARF MF 26 mas que tenham retornado clandestinamente ao Brasil, e que tenham sido remetidas pela mesma transportadora a clientes do Estado de São Paulo. Absolutamente desprovida de fundamento, assim, a afirmação da recorrente de que (fl. 2602), “enquanto a autoridade fiscal pretende valerse de elementos precários e frágeis para respaldar suas acusações, há documentos oficiais que apontam em sentido totalmente contrário, documentos estes cuja idoneidade jamais foi atacada pela autoridade fiscal”. É exatamente o oposto. A autoridade apresenta elementos que refutam o contido nos documentos oficiais. Não há que se falar, assim, que a exigência de tributos tem por base frágeis indícios. É ainda discutível que estejamos tratando de presunções simples (tese adotada pelo julgador a quo). A presunção (que admite prova em contrário) é a de validade material dos documentos oficiais da RFB, e que a nosso entender foi elidida a contento na autuação. Resta, contudo, um último tópico a analisar: a materialidade da autuação. Não basta que se esteja convicto de que houve desvio (convicção esta que formamos a partir do já exposto neste tópico). É preciso que se forme convicção de que cada uma das imputações da autuação se refere a uma mercadoria (fatura ou parte de fatura) que não foi exportada. Se a suspensão do IPI é vinculada à exportação, para que o tributo seja exigível é preciso concluir que não houve exportação em cada uma das operações lançadas. (...) A surrealidade da tese de que os produtos teriam sido desviados após a ida ao exterior já foi objeto de abordagem anterior neste voto, pelo que se segue tratando somente da questão referente ao detalhamento das operações que foram objeto de autuação (materialidade da autuação). No Relatório Fiscal, em tópico intitulado “da apuração das cargas desviadas” (itens 41 a 50 fls. 32 a 84), dedicamse os itens iniciais (41 a 49) à explicação sobre a coleta de documentos e a cotejamentos efetuados em sistemas informatizados brasileiros e paraguaios. O confronto das exportações brasileiras registradas no SISCOMEX com as importações paraguaias (viabilizado pela interface oficial MERCOSUL, o sistema INDIRA) demonstrou (tabela às fl. 33) que no período de 2006 a 2008, somente cerca de 25% em valor do que foi registrado como exportado no SISCOMEX pela Pirelli à Mater Pneus foi por esta importado no Paraguai. Apesar de assustadoramente romperse com o que chamamos de “terceira Lei de Newton aplicada ao comércio exterior”1, e de a Pirelli ter conhecimento da discrepância (no documento de fl. 34, 1 "A cada importação corresponde uma exportação de mesma intensidade, porém de sentido contrário" (TREVISAN, Rosaldo. Newton's third law and foreign trade: from computerization to development of service in Customs Law. XXVI World Congress of Phuilosophy of Law and Social Philosophy. Belo Horizonte: Forum, 2013, p. 390/391). Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.127 27 apreendido na Pirelli, um funcionário escreve a outro informando que a “Mater pneus está internando muito pouco do faturado pela Pirelli e representa uma grande parcela do nosso faturamento”, e que a “Nacional Cubiertas, igualmente a Mater”), a autoridade fiscal opta por não utilizar como critério tais registros do INDIRA, assim justificando (fls. 34/35): (...) No entanto, não é necessária análise muito detida para perceber o conteúdo da frase. A fiscalização foi efetuada para todas as operações do período, mas só em algumas (exatamente as correspondentes às 191 faturas que foram lançadas na autuação) reuniuse elementos que indicariam os reais destinos das mercadorias pretensamente exportadas (e desviadas ao mercado interno). A leitura integral dos parágrafos seguintes de tal tópico impossibilita conclusão diversa. E, reiterese, nas operações referidas nas 191 faturas objeto de lançamento, a autoridade fiscal identifica individualizadamente a motivação (que, por óbvio, deve ser analisada à luz dos demais tópicos do Relatório Fiscal), no item 50 (fls. 35 a 84). No Recurso Voluntário, novamente não se refuta individualizadamente a argumentação do fisco. A recorrente defendese tomando somente 4 das 191 faturas, a título exemplificativo: a de no 116.695 (afirmando que em relação ao alegado pelo fisco em relação a tal caso “fica totalmente evidente a ausência de causalidade entre os indícios apresentados e o suposto desvio dos pneus antes que cruzassem as fronteiras do Brasil com o Paraguai” fl. 2603), a de no 112.553 (afirmando que “a partir de uma planilha apócrifa encontrada no computador de um terceiro, pretendese concluir que 494 pneus que a recorrente fabricou deixaram de ser exportados” fl. 2605), e as de no 116.569 (a recorrente digitou 116.669, fatura que sequer existe na autuação, pelo que estamos tomando como correto o número 116.569) e 116.583 (afirmando que “a partir de uma conversa no Skype em que se citam apenas números de faturas, sem fazer qualquer alusão ao suposto desvio de mercadorias para o mercado interno, a Fiscalização presume que as faturas 116.669 e 116.583 foram integralmente desviadas para o mercado interno” fl. 2605). A fatura de no 116.695 (cf. fls. 77/78) se refere à declaração de exportação (DDE) no 2080394812/3, que engloba as Notas Fiscais 569694 e 569695B, e deriva de vigilância efetuada pela Polícia Federal, na Transnardo, que constatou, em 25/03/2008, a entrada e a saída do cavalo mecânico de placas CPJ1753, com a carreta de placas BUS0833, de propriedade de PV. Os agentes seguiram o veículo até Pindamonhangaba/SP, sede das empresas PV. Cotejando com as três faturas emitidas pela Pirelli (e transportadas pela Transnardo) no período, e sabendose o destino das outras duas, chegouse à conclusão de que a carga se referia à fatura 116695. Fl. 3140DF CARF MF 28 Em relação a tal fatura, há duas inconsistências na autuação. A primeira é a de que mesmo lendo todo o relatório da vigilância (fls. 1622 a 1628), não se consegue alcançar as conclusões a que chegou o fisco: a polícia viu a carga saindo (estranhou que estava com escolta) e acompanhou até a PV, mas não detectou exatamente qual era a mercadoria. A segunda, que o fisco identifica a carga por exclusão (se a Pirelli emitiu 3 faturas no período, transportadas pela Transnardo, e, entre as outras duas, uma teria sido desviada e outra consta como importada na Aduana paraguaia, a carga que estava sendo transportada é a da fatura 116.695). Além de dar relevância ao registro da Aduana Paraguaia, em contradição com o que havia alegado no Relatório Fiscal, o fisco não apresenta nenhum elemento na autuação que leve a crer que a transportadora somente transportava cargas da Pirelli, ou somente cargas destinadas a exportação. Pode até ser que a carga que tenha saído para a PV seja irregular (e, por tudo o que foi exposto, há grande chance que o seja), mas daí a dizer que era exatamente a da fatura 116.695 há uma distância enorme. Improcedente, assim, a autuação no que se refere a tal fatura. A fatura de no 112.553 (cf. fl. 35) se refere à declaração de exportação (DDE) no 2050202505/0, que engloba as Notas Fiscais 164886, 164887B e 91412S, e deriva de planilha apreendida no computador de um dos grandes clientes de Adalberto, Paolo de Marília (PMA, da Charanga Pneus. Os pneus constantes da planilha coincidem com os da fatura de exportação da Pirelli (fls. ). A fiscalização indica que o desvio é parcial, de 494 pneus, pois a fatura totaliza 972 pneus e a planilha 494 pneus, e que os preços das planilhas indicam o acréscimos de cerca de 50% do valor que Adalberto pagava para a Pirelli. Neste caso, entendese que o documento regularmente apreendido, constante em computador de um dos principais clientes do representante do exportador paraguaio (reproduzido à fl. 1816), e que contém referência expressa a uma fatura comercial específica (de venda da Pirelli para a Mater, com transporte pela Transnardo), não pode ser descartado sob a rubrica de apócrifo. Deve, sim, ser lido à luz do contexto em que inserido. Por certo, é de se esperar que as transações de desvio de mercadorias não sejam registradas em documentos assinados, ou registrados em cartório. Procedente, assim, o lançamento efetuado com base em tal fatura. As faturas de no 116.569 e de no 116.583 (cf. fl. 75), referemse às declarações de exportação (DDE) no 2080162500/9 e no 2080162287/5, que englobam as Notas Fiscais 559935, 559936 B, 255101S, 560234B e 255325S, e derivam de conversa no Skype entre a funcionária Edna (da Transnardo, que explicou em interrogatório como funcionava o esquema de desvio) e o funcionário de Adalberto (Márcio). Edna pergunta a Adalberto, apontando 4 faturas da Pirelli para a Mater, quais seriam os “processos diretos”. O funcionário Márcio responde: 115683 Humberto GM; 116582Salto; 116584Salto. Edna pede então a confirmação se são duas HGM (575 e 583), obtendo um OK de Adalberto. Comunica então a Márcio o resultado: “nacional 115562; mater 116585, caronas 116569 e 116583”. Não é Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3401005.359 S3C4T1 Fl. 3.128 29 preciso muito esforço, no contexto, e sabendose como agia o grupo, para compreender o que significa “caronas”. Novamente registrese que seria utópico (ou ingênuo) imaginar que a comunicação entre os partícipes do desvio fosse do tipo “as cargas a serem desviadas para o mercado interno na segunda feira são as seguintes”. Também nesse tópico, procedente a autuação. Assim, a não ser na operação referente à fatura de no 116.695, na qual realmente não se identifica motivação para o lançamento, nos demais casos especificamente impugnados a autuação é procedente. Entretanto, a ausência de motivação em tal fatura nos leva a, em nome da verdade material, analisar as outras 187 (não especificamente questionadas), para verificar se a mesma mácula as afetaria. Empreendida a verificação, é de se destacar que também os lançamentos referentes às faturas de no 116.696, no 116.711, no 116.780, e no 116.781 (decorrentes de vigilância inconclusiva, e que resultaram em processo dedutivo por exclusão para identificação da carga alegadamente desviada) apresentam motivação insuficiente. E, diante da existência de documentos que formalmente atestam as exportações, é dever do fisco, para exigir tributos em função da não exportação, comprovar materialmente e detalhar quais as operações de exportação que na realidade não chegaram a se concretizar. E em relação às 5 faturas citadas (no 116.695, no 116.696, no 116.711, no 116.780, e no 116.781), tal tarefa não foi exitosamente cumprida. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando o lançamento efetuado em relação às faturas de no 116.695, no 116.696, no 116.711, no 116.780, e no 116.781. Por um lado, endosso a integralidade das conclusões ali externadas, mas, por outro, reconheço que no presente processo não se está a tratar de responsabilidade tributária, ou por falta de recolhimento de IPI, mas de penalidade aduaneira (multa substitutiva da pena de perdimento), o que me faz retornar à imputação efetuada na autuação (fls. 9 e 10): Fl. 3142DF CARF MF 30 Entendeu a fiscalização, assim, que algum documento necessário ao embarque ou desembaraço, na exportação, foi falsificado ou adulterado. A fiscalização, a nosso ver, é bastante convincente na comprovação da ocorrência de uma fraude na exportação (desvio de mercadoria, que não chegava ao destino, no estrangeiro), mas o enquadramento utilizado na imputação fiscal demandaria, adicionalmente, a prova de que ao menos um documento necessário ao embarque ou desembaraço, na exportação, tenha sido falsificado ou adulterado. Ou ao menos a indicação expressa e enfática, justificada, de qual foi o documento adulterado ou falsificado e por quê/como. As normas infralegais que regem a documentação a apresentar em uma exportação (Regulamento Aduaneiro – no caso, o de 2002, veiculado pelo Decreto no 4.543/2002, art. 527, e a Instrução Normativa SRF no 28/1994, art. 16), fazem referência, basicamente, à nota fiscal (fatura) e aos documentos de transporte internacional (conhecimento e manifesto de carga). Os documentos de transporte sequer são emitidos pela autuada, pelo que se entende que deve ter a fiscalização (que autuou apenas a empresa emitente da fatura, e não a transportadora ao menos neste processo) se referido às faturas comerciais. Contudo, pelo modus operandi descrito no relatório fiscal, as faturas comerciais refletem, efetivamente, as saídas de mercadorias do estabelecimento da recorrente, e que teriam, posteriormente, sido desviadas na transportadora. Pelo visto, não foi o documento falsificado ou adulterado. A mercadoria descrita no documento é que foi deliberada e posteriormente desviada, tornando o enquadramento utilizado pela fiscalização, no caso, precário. Parece buscar a fiscalização punir o emitente da fatura, considerandoa falsa ou adulterada, pelo fato de a mercadoria ter sido desviada posteriormente à emissão da fatura, na transportadora, conforme descrito no relatório fiscal. O enquadramento seria tão equivocado quanto punir, na importação, por uso de documento falso, uma operação em que o contêiner chegue ao país com mercadoria a menos, que se verificou ter sido desviada no processo de importação. Isso não destoa, ao fim e ao cabo, da conclusão externada pelo relator, por culminar, igualmente, na improcedência do lançamento, e até endossa algumas de suas considerações, ainda que sem adentrar na análise individualizada da responsabilidade da empresa. Entendo, então, que a autuação é improcedente antes mesmo da análise da responsabilização da empresa, porque, diversamente da autuação tributária, não fundamenta a fiscalização, devidamente, em dispositivo normativo sancionatório pertinente ao caso, na legislação aduaneira, a conduta identificada. Essas as razões pelas quais acompanhei o relator apenas pelas conclusões, tendo recebido adesão do restante do colegiado, no sentido da improcedência do lançamento por carência de fundamentação em dispositivo normativo sancionatório pertinente ao caso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001312/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
1. A PLR exercício 2005 estava calcada numa Convenção Coletiva de 2004 e a fiscalização poderia examiná-la, o que poderia fazer prova a favor do sujeito passivo.
2. O § 3º do art. 7º da Portaria vigente à época, a Portaria RFB 11.371/2007, esclarecia a possibilidade de verificação de documentos de outros períodos, com vista a verificar os fatos relacionados ao período de apuração correspondente.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
O lançamento foi realizado em 14/12/2009, quando ainda não havia transcorrido prazo superior a cinco anos nem do fato gerador da competência mais pretérita (01/2005), tampouco do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nem mesmo havendo necessidade de cogitar-se de qual seria o prazo decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou o art. 173, I, do CTN).
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ABUSO DE FORMA OU SIMULAÇÃO. DESNECESSIDADE DE VERIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10101/2000.
1. Verificado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições, tendo em vista o pagamento de remuneração, e não de PLR, pode sim o agente autuante fazer o lançamento, o que prescinde de demonstração de abuso de forma, de simulação, etc.
2. A desvinculação da PLR da remuneração dos trabalhadores está incondicionalmente atrelada ao cumprimento dos requisitos legais, conforme determina o inc. XI do art. 7º da CF e a Lei 10101/00.
PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL.INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título.
PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS.
Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão, minimamente, vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CCT. OBSERVÂNCIA. ACORDO PRÓPRIO 2004. INOBSERVÂNCIA.
1. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas.
2. As cláusulas das CCTs, as quais se repetiram no transcorrer dos anos, eram claras o suficiente para serem interpretadas e aplicadas pela empresa, sendo igualmente claras para serem interpretadas pela administração fiscal.
3. O plano próprio 2004 não contém regras claras e objetivas, o que infringe o disposto no § 1º do art. 2º da Lei, de forma a viabilizar a incidência das contribuições lançadas a seu respeito, negando-se provimento ao recurso neste particular.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FIXA MÍNIMA. POSSIBILIDADE.
O pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa, sendo que a pré-determinação de um valor, sobretudo em valor irrisório (como o foi), não invalida o efetivo pagamento da participação.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. MONTANTE DOS VALORES PAGOS E FORMA DE PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
1. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. Nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital.
2. Quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. A desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO INTEGRAL ANTES NO PRÓPRIO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O § 2º do art. 3º da Lei 10101/2000 permite, por via transversa, o pagamento de antecipação ou distribuição de valores, mas não a antecipação ou distribuição de todo o valor, mormente porque o lucro ou o resultado somente é calculado e apurado ao final do ano-base.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO.
1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09.
2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35-A da Lei 8212/91.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2402-006.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados em relação às convenções coletivas de trabalho dos anos 2004 a 2008. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimentos parcial em maior extensão, e os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima que negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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O lançamento foi realizado em 14/12/2009, quando ainda não havia transcorrido prazo superior a cinco anos nem do fato gerador da competência mais pretérita (01/2005), tampouco do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nem mesmo havendo necessidade de cogitar-se de qual seria o prazo decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou o art. 173, I, do CTN). CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ABUSO DE FORMA OU SIMULAÇÃO. DESNECESSIDADE DE VERIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10101/2000. 1. Verificado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições, tendo em vista o pagamento de remuneração, e não de PLR, pode sim o agente autuante fazer o lançamento, o que prescinde de demonstração de abuso de forma, de simulação, etc. 2. A desvinculação da PLR da remuneração dos trabalhadores está incondicionalmente atrelada ao cumprimento dos requisitos legais, conforme determina o inc. XI do art. 7º da CF e a Lei 10101/00. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL.INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título. PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão, minimamente, vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CCT. OBSERVÂNCIA. ACORDO PRÓPRIO 2004. INOBSERVÂNCIA. 1. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas. 2. As cláusulas das CCTs, as quais se repetiram no transcorrer dos anos, eram claras o suficiente para serem interpretadas e aplicadas pela empresa, sendo igualmente claras para serem interpretadas pela administração fiscal. 3. O plano próprio 2004 não contém regras claras e objetivas, o que infringe o disposto no § 1º do art. 2º da Lei, de forma a viabilizar a incidência das contribuições lançadas a seu respeito, negando-se provimento ao recurso neste particular. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FIXA MÍNIMA. POSSIBILIDADE. O pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa, sendo que a pré-determinação de um valor, sobretudo em valor irrisório (como o foi), não invalida o efetivo pagamento da participação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. MONTANTE DOS VALORES PAGOS E FORMA DE PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. 1. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. Nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. 2. Quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. A desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO INTEGRAL ANTES NO PRÓPRIO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE. O § 2º do art. 3º da Lei 10101/2000 permite, por via transversa, o pagamento de antecipação ou distribuição de valores, mas não a antecipação ou distribuição de todo o valor, mormente porque o lucro ou o resultado somente é calculado e apurado ao final do ano-base. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO. 1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09. 2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35-A da Lei 8212/91. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A PLR exercício 2005 estava calcada numa Convenção Coletiva de 2004 e a fiscalização poderia examinála, o que poderia fazer prova a favor do sujeito passivo. 2. O § 3º do art. 7º da Portaria vigente à época, a Portaria RFB 11.371/2007, esclarecia a possibilidade de verificação de documentos de outros períodos, com vista a verificar os fatos relacionados ao período de apuração correspondente. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O lançamento foi realizado em 14/12/2009, quando ainda não havia transcorrido prazo superior a cinco anos nem do fato gerador da competência mais pretérita (01/2005), tampouco do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nem mesmo havendo necessidade de cogitarse de qual seria o prazo decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou o art. 173, I, do CTN). CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ABUSO DE FORMA OU SIMULAÇÃO. DESNECESSIDADE DE VERIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10101/2000. 1. Verificado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições, tendo em vista o pagamento de remuneração, e não de PLR, pode sim o agente autuante fazer o lançamento, o que prescinde de demonstração de abuso de forma, de simulação, etc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 12 /2 00 9- 34 Fl. 512DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 513 2 2. A desvinculação da PLR da remuneração dos trabalhadores está incondicionalmente atrelada ao cumprimento dos requisitos legais, conforme determina o inc. XI do art. 7º da CF e a Lei 10101/00. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL.INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título. PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão, minimamente, vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CCT. OBSERVÂNCIA. ACORDO PRÓPRIO 2004. INOBSERVÂNCIA. 1. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas. 2. As cláusulas das CCTs, as quais se repetiram no transcorrer dos anos, eram claras o suficiente para serem interpretadas e aplicadas pela empresa, sendo igualmente claras para serem interpretadas pela administração fiscal. 3. O plano próprio 2004 não contém regras claras e objetivas, o que infringe o disposto no § 1º do art. 2º da Lei, de forma a viabilizar a incidência das contribuições lançadas a seu respeito, negandose provimento ao recurso neste particular. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FIXA MÍNIMA. POSSIBILIDADE. O pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa, sendo que a prédeterminação de um valor, sobretudo em valor irrisório (como o foi), não invalida o efetivo pagamento da participação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. MONTANTE DOS VALORES PAGOS E FORMA DE PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. 1. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. Nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 514 3 2. Quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. A desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. PAGAMENTO INTEGRAL ANTES NO PRÓPRIO PERÍODO AQUISITIVO. IMPOSSIBILIDADE. O § 2º do art. 3º da Lei 10101/2000 permite, por via transversa, o pagamento de antecipação ou distribuição de valores, mas não a antecipação ou distribuição de todo o valor, mormente porque o lucro ou o resultado somente é calculado e apurado ao final do anobase. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO. 1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09. 2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35A da Lei 8212/91. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados em relação às convenções coletivas de trabalho dos anos 2004 a 2008. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimentos parcial em maior extensão, e os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima que negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente Fl. 514DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 515 4 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/SP1 fez um relato preciso do lançamento e da impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: DA AUTUAÇÃO Tratase de crédito debcad n° 37.235.8098, lançado pela fiscalização em 06.12.2009, contra o contribuinte acima identificado, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 39/78, referese a contribuições destinadas a outras entidades e fundos (TERCEIROS), decorrentes de pagamentos efetuados pela empresa a seus segurados a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O crédito lançado corresponde a R$ 8.470.622,11 (oito milhões, quatrocentos e setenta mil, seiscentos e vinte e dois reais e onze centavos), consolidado em 06.12.2009, abrangendo o periodo de janeiro, julho a novembro de 2005; janeiro a agosto e outubro de 2006; janeiro a fevereiro, maio a julho e outubro de 2007, janeiro a maio, julho, setembro a outubro e dezembro de 2008. O Relatório Fiscal informa ainda que: A empresa ajuizou em 21.12.2001, mandado de segurança (MS n° 2001.61.00.0292958) junto à 3”. Vara da Justiça Federal em São Paulo buscando afastar a cobrança do adicional de 2,5 (dois e meio por cento), instituído pelo disposto no parágrafo 1° art. 22, da Lei 8.212, de 24.07.1991 e, também a compensação dos valores indevidamente recolhidos. O pedido de liminar foi indeferido e em 24.05.2006 expedida sentença julgando improcedente o pedido e extinguindo o processo com julgamento do mérito. A impugnante interpôs recurso de apelação que também foi negado pelo Tribunal Regional Federal da 3” Região. Em 20.06.2008 foi interposto pela empresa recurso extraordinário, encontrandose este pendente de julgamento em 27 de outubro de 2009. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 516 5 Foram examinados durante a ação fiscal os seguintes documentos: Livros Diário e Razão, Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS, Convenções Coletivas, Regulamentos de Distribuição da Participação nos Lucros ou Resultados, Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, ocasião em que se constatou o não recolhimento das contribuições sociais sobre as rubricas relacionadas à “Participação nos Lucros ou Resultados” pagas aos empregados em desacordo com a legislação vigente. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados”, nos períodos acima discriminados, sobre as quais não foram recolhidas as devidas contribuições sociais, sendo que os valores apurados foram obtidos de dados constantes em planilha formato “excel” fornecida pela empresa notificada por meio de arquivo em meio magnético (CD), entregue em 13 de novembro de 2009 e que foram extraídos e confirmados a partir da contabilidade e das folhas de pagamento do sujeito passivo, entregues, na mesma data, no formato de arquivos magnéticos com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD. Conforme se depreende da legislação de regência: art. 7°, XI da Constituição Federal, art. 28 e parágrafo 9° da Lei 8.212/91, art. 214 do Decreto 3.048/99 e também do contido no art. 150, parágrafo 6° da Constituição Federal, verificase que a participação nos lucros, como prevista constitucionalmente, é desvinculada da remuneração, não possuindo natureza jurídica salarial e não integrando o salário de contribuição, desde que paga em conformidade com lei específica. A regulamentação da matéria deuse com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29.12.1994, e as que se lhe seguiram reeditando a matéria, as quais foram finalmente convertidas na Lei n° 10.101 de 19.12.2000, que disciplina a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa, estabelecendo os requisitos necessários para que a desvinculação da participação da remuneração ocorra. Assim, há necessidade de serem analisadas as condições em que esta verba é ajustada e paga, a fim de que se possa concluir se a mesma corresponde ou não à citada norma de regência. No presente caso, a Participação nos Lucros ou Resultados aos segurados da impugnante foi paga durante os exercícios de 2005 a 2008 e regida por diferentes instrumentos a saber: (i) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008; (ii) Acordo decorrente de negociação entre a impugnante e seus empregados, com vigência por prazo indeterminado a partir de 1° de janeiro de 2001; Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 517 6 (iii) Plano de Participação nos Lucros ou Resultados, celebrado entre a impugnante e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência entre 01.01.2005 e 31.12.2006; (iv) Plano de Participação nos Resultados, celebrado entre a impugnante e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência entre 01.01.2007 e 31.12.2007; (v) Plano de Participação nos Resultados, celebrado entre o Banco Merrill Lynch e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência entre 01.01.2008 e 31.12.2008. Foram encontrados na contabilidade da empresa nas contas patrimoniais 4.4.3.15.00.0023, 4.9.3.l5.00.0042, 4.9.3.l5.00.0043, 4.9.3.l5.00.0044 e nas contas de resultado 8.l.7.33.00.0028, 0052, 0060, 0080, 0081 e 0083, bem como em suas folhas de pagamento (rubricas 0007, 0030 e 0018), remunerações a título de PLR nas competências de janeiro, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2005; janeiro a agosto e outubro de 2006; janeiro, fevereiro, maio a julho e outubro de 2007; janeiro a maio, julho, setembro, outubro e dezembro de 2008. Das Convenções Coletivas de Trabalho Pactuação prévia Foram celebradas Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos bancos para os exercícios de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, das quais participaram a Federação Nacional dos Bancos e os diversos Sindicatos dos Empregados em estabelecimentos bancários. Tais convenções foram assinadas nas seguintes datas: Ano base 2004 (pagamento em 2005): 11 de novembro de 2004; Ano base 2005 (pagamento em 2006): 17 de outubro de 2005 Ano base 2006 (pagamento em 2007): 18 de outubro de 2006 Ano base 2007 (pagamento em 2008); 18 de outubro de 2007; e Ano base 2008 (pagamento em 2008): 03 de novembro de 2008 Observa o auditor fiscal notificante que os instrumentos utilizados para o adimplemento do beneficio em questão foram todos assinados retroativamente ao inicio de seus anos base. O dispositivo legal de regência determina que a participação será objeto de negociação prévia e que suas regras serão previstas no instrumento decorrente dessa negociação. O pagamento de PLR tem como essência uma retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou realização de um resultado previamente pactuado. Assim, deve Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 518 7 haver negociação entre as partes, concedendo a empresa o pagamento àqueles segurados que atingirem a meta pré' estabelecida. Obviamente, esses objetivos ou metas devem ser pactuados previamente, com um tempo razoável entre o acordo, o conhecimento das regras e o pagamento. Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. No caso presente, todas as convenções coletivas apresentadas foram celebradas no último trimestre de seus anos calendário. Devem constar também dos instrumentos decorrentes das negociações, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba desvinculada da remuneração. A assinatura do acordo e o consequente conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreram muito após o inicio de vigência dos mesmos e, desta forma, já haviam ocorrido diversos fatores que poderiam ou não contribuir para o atingimento das metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa. Conclui que os instrumentos de acordo em tela não objetivaram incentivar a produtividade, uma vez que o citado resultado já havia sido definido. Das regras claras e objetivas Da análise das convenções coletivas apresentadas, constatase que nenhuma se coaduna com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal beneficio, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. Somente foram estipulados o montante e o prazo de pagamento da PLR, não existindo nexo entre os valores ganhos pelo empregado e os resultados da empresa. O único critério existente é a admissão do empregado antes do inicio do ano base. Da parcela fixa Também não cumpre a finalidade da lei a previsão de pagamento em parcela fixa. Lucro ou resultado é um superávit verificado no final do exercício financeiro, em face do movimento empresarial do ano findo. É a partir deste que se apura aquele, que não se pode prever antes do fechamento contábil e, seguindose as regras do PLR, distribuise então uma Fl. 518DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 519 8 parcela sua para os empregados, sendo esta não tributável. No entanto, prever, já antes da apuração do lucro ou resultado, quanto será devido a título de participação neste lucro ou resultado é subverter a norma de benefício ao trabalhador. Os instrumentos de acordo apresentados não possuem qualquer objetivo a ser cumprido, nem critério de aferição. A participação nos lucros já aparece como um fato consumado, inclusive em termos de valores, o que afasta qualquer possibilidade de cumprimento e aferição de objetivos. Independentemente de qualquer atitude tomada pelo empregado após a assinatura do acordo, ele receberia a participação nos lucros. Os valores recebidos não dependiam da obtenção de quaisquer resultados, haja vista que as determinações citadas nas convenções determinam um valor fixo independentemente do alcance de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, sendo regras que afastam o objeto da Lei. O pagamento de um valor previamente fixado, sem qualquer condição, ainda que a título de participação nos lucros ou resultados, consiste, na verdade, no pagamento de uma espécie de prêmio ou gratificação, uma mera liberalidade da empresa. O pagamento em questão afastouse do objetivo da lei, de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a participação nos lucros não integre o salário de contribuição. Conclui que as convenções coletivas de trabalho sobre participação nos lucros ou resultados dos bancos não cumprem as disposições legais para afastarem a natureza salarial dessa parcela, tendo em vista que: (i) foram negociadas e assinadas somente ao final dos anos base, sendo retroativas aos períodos de participação; e (ii) não contam com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros e Resultados em 2004 Da comissão escolhida entre as partes e do representante sindical Em 07 de março de 2001 foi celebrado um “Acordo Decorrente da Negociação entre Banco e Empregados para a Participação nos Lucros e Resultados”, tendo como partes, de um lado o Banco Merrill Lynch e de outro seus empregados, com vigência retroativa a 1° de janeiro de 2001 por prazo indeterminado. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 520 9 Da análise da cláusula 2 do acordo acima citado, verificase que o Banco Merril Lynch deveria ser representado por uma comissão quando, no entanto, em nome deste temse a presença somente do Sr. Paulo César Pimental Raffaelli, que além disso na função de procurador, não possuía poderes para individualmente representar a empresa em atos que importassem em responsabilidade ou obrigações à impugnante. De outro modo, a mesma cláusula 2 determina que os empregados serão representados por uma comissão escolhida por eles e integrada por um representante indicado pelo Sindicato dos Bancários em São Paulo. Ocorre que não houve participação de um representante sindical nessas negociações, o que se constata da própria “Ata da Reunião para Exame e Aprovação do Instrumento (Acordo) para Participação dos Trabalhadores nos Lucros e/ou Resultados”, assinada em 07.03.2001. Foi apresentada, durante a ação fiscal, carta datada de 01 de março de 2001, dirigida ao Sindicato dos Bancários e Funcionários de São Paulo, Osasco e Região, na qual a empresa solicita a indicação de um representante do sindicato para integrar a comissão de empregados a fim de alterar o acordo de PLR de 26 de novembro de 1998, avisando a data, horário e local da futura reunião. O contribuinte apresentou também cópia do jornal Gazeta Mercantil, de 2, 3 e 4 de março de 2001, onde fez publicar uma convocação ao sindicato visando a indicação de um representante para integrar a comissão de empregados em reunião, que seria realizada em 07 de março de 2001, para acordo de PLR. Ressaltou que tal convocação estava sendo feita pela imprensa, tendo em vista a recusa do Sindicato em receber carta do mesmo teor. Em expediente de 31 de agosto de 2009 a empresa informa que o sindicato se recusou a receber tal correspondência. No entanto, ao ser solicitada uma prova de tal recusa, a empresa disse não possuir. Em outra carta de 16 de junho de 2009, o contribuinte admite que o plano em tela não teve a participação de um representante sindical e alega que o sindicato se recusou a participar. Nessa mesma ocasião assevera não possuir o registro e arquivamento do plano de PLR na entidade sindical por idêntico motivo. Ainda, numa terceira carta de esclarecimentos, de 07.08.2009, a empresa informa que quando tentou protocolar o plano no sindicato, este teria se recusado a aceitar o protocolo, não tendo fornecido um documento dessa recusa. Assim, temse que o Acordo de PLR para o período de 2004 foi negociado entre o Banco (por um procurador que não tinha plenos poderes para o fazer individualmente) e os empregados, sem a devida participação do sindicato e, ainda, esse acordo não se encontra registrado e arquivado na competente entidade sindical. Desta forma, verif1case que não foram cumpridos os requisitos da Lei l0.l0l/00. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 521 10 No presente caso a negociação foi realizada sem a participação de um representante sindical e o acordo não está devidamente registrado e arquivado no sindicato, o que retira a possibilidade de adequação à legislação específica. Lembra ainda, o Auditor autuante, que a empresa já havia sido autuada anteriormente pelo mesmo acordo próprio de PLR em diversos exercícios. Reproduz trecho do voto vencedor (Acórdão 206.00.853 da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de 09 de maio de 2008). Destaca ainda o contido no Acórdão 1616.249 da 12a Turma da DR]/SPOl, de 30.01.2008. Das regras claras e objetivas No acordo de PLR em vigência em 2004 não foram estipuladas regras claras e objetivas para avaliação do desempenho individual dos trabalhadores, assim como não é nem descrito o processo de avaliação. É apenas citado um Processo de Avaliação que não integra o acordo firmado. Ademais, não pode fazer parte do Acordo de PLR, o Sistema de Avaliação de Desempenho Profissional e Programa de Metas utilizado pela empresa, por este se caracteriza pela imposição e não pela negociação, como determinado no parágrafo 2° da Lei n° 10.101/00. Não foi possível identificar nos instrumentos decorrentes da negociação as regras claras e objetivas pertinentes à fixação e cumprimento do acordado. Não foi possível identificar, inclusive, qual o valor deveria ser pago aos empregados a título do PLR, caso as metas e objetivos fossem atingidos, desobedecendo, por consequência, o estabelecido na Lei 10.101/00. A escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o parágrafo 1°, do art. 2° da Lei n° 10.l0l/00, também descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. O quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, sem depender de critérios subjetivos de avaliação. Como pode haver clareza e objetividade no que se refere aos direitos substantivos estabelecidos num acordo que diz que os valores estabelecidos no anexo representam um mínimo, sendo facultado, possível e legal o pagamento superior, a título de P. L. R., nos casos em que o desempenho individual ultrapasse o esperado ou negociado? No que tange às avaliações de desempenho apresentadas pela empresa, temse que elas não demonstram como cada resultado obtido se converte em valor, cabendo observar, ainda, que não foi verificado qualquer documento que componha e explique os valores pagos a título de PLR com relação à fixação de direitos previstos nos instrumentos de negociação. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 522 11 Mais um fato a ressaltar é o mecanismo de compensações e substituições, constantes da cláusula 6 do instrumento, que traz a afirmação de tal acordo compensa e substitui eventuais programas existentes anteriormente, que tenham a mesma causa de concessão, inclusive bônus, e/ou produtividade. Uma estipulação nesse sentido demonstra que a empresa entende que os valores aqui analisados como tendo a mesma causa de concessão de bônus, ou seja, como uma substituição desses. Sabese, contudo, que os bônus possuem natureza salarial e devem integrar o salário de contribuição dos segurados. Ora, se a chamada “participação nos lucros” substitui e tem a mesma causa de concessão dos bônus, independentemente a que título seja paga, deve igualmente fazer parte do salário de contribuição de quem a recebe. Eventuais programas de bônus de incentivo vinculados a metas de desempenho individual não podem ser confundidos com a Participação nos Lucros ou Resultados paga de acordo com a lei. Observase ainda que quanto ao conhecimento das regras, estas não foram previamente informadas aos empregados, embora tenha se constatado que não eram claras, nem tampouco objetivas. A empresa apresentou expediente, datado de 31 de agosto de 2009, para explicar o plano de PLR, histórico das negociações, os “direitos substantivos” e as “regras adjetivas” utilizadas. Através de relatórios pretendia demonstrar, por amostragem de 14 empregados, a base de composição de cálculo dos valores pagos a título de PLR, bem como os demonstrativos gerenciais de avaliação da empresa e dos empregados. Através desta amostragem foi constatado que os “objetivos” a serem cumpridos individualmente não eram aprovados previamente. Exemplos: Marcos Honda (n° 4 do expediente) teve seus objetivos aprovados em 09 de dezembro de 2004; Oswaldo T. Lopes (n° 8) em 28 de dezembro de 2004; Robert Kozmann Júnior (n° 12) em 16 de dezembro de 2004 e Silvia Wulkan Halperin (n° 13) em 07 de dezembro de 2004. A estipulação de objetivos ao final do ano base retira desse pagamento qualquer possibilidade de adequação à legislação específica. Afinal, datas como as mencionadas no item precedente possibilitavam pouca ou nenhuma ação por parte dos destinatários para o cumprimento das metas. Ademais, sabese que a regulamentação dessa matéria dáse no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação seja justa. Um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema é aquele que determina que a participação nos lucros e resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, o que demonstra a preocupação do legislador em não permitir que o PLR fosse utilizado em substituição de parcela salarial. Nesse sentido, foram retirados do Demonstrativo Pagamento de PLR por Beneficiário alguns Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 523 12 exemplos apontados no Comparativo Salário Anual x PLR Anual, anexos ao AI principal. Dessa amostragem verificase a existência de duas “castas” de empregados no que tange ao recebimento da PLR. A primeira delas é constituída de funcionários que trabalham na área administrativa, cujas PLR representaram entre 10% e 45% de seus salários anuais (PLR/Salário Anual). Em contrapartida, a segunda “casta” é composta dos empregados da área de negócios, que receberam como PLR entre 100% e 775 %. Mesmo tomandose como base a empresa de forma global, constatase que no exercício de 2005 (pagamento do ano calendário de 2004), enquanto o total de PLR foi de R$ 19.296.986,12, o da remuneração sem PLR foi de R$ 18.414.988,75 (informação constante da GFIP), o que resulta numa PLR de 105% (cento e cinco por cento) do total dos salários pagos durante o exercício, ou seja, a empresa remunerou seus funcionários, sendo mais da metade na forma de PLR, apesar de se saber que tal participação não deve substituir ou complementar a remuneração dos empregados. Quando a participação nos lucros ou resultados paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante de que o próprio salário contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de parcela salarial. E, assim, percebese claramente que as verbas pagas pela empresa a título de participação nos lucros ou resultados, nada mais são do que instrumento de premiação, gratificação, ou bonificação, qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com o nítido caráter retributivo em substituição salarial. No presente caso, a maior parte do valor total distribuído foi destinada a um grupo seleto e reduzido de empregados. Não se evidencia aqui base legal que justifique o pagamento de valores tão altos de PLR, nem para uma distribuição de forma tão desigual entre os empregados, sendo que tais discrepâncias indicam que os valores referemse de fato a um tipo de premiação, bonificação ou gratificação ajustada por desempenho individual, descaracterizando completamente o instituto da Participação nos Lucros ou Resultados. Ressalta que a Participação nos Lucros ou Resultados não admite critérios subjetivos de distribuição, haja vista que não visa premiar determinados empregados em detrimento de outros, a não ser por critérios objetivos de aferição. Conclui acerca da legalidade do plano próprio de Participação nos Lucros em 2004: (i) a comissão do banco foi integrada somente por uma pessoa, a qual, como procurador, não detinha poderes para representar sozinho a empresa e atos dessa monta; Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 524 13 (ii) não houve a participação de um representante do sindicato nas negociações; (iii) o plano não foi registrado e arquivado na entidade sindical; (iv) o acordo não conta com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação; (v) os valores pagos substituem os bônus; (vi) não houve conhecimento prévio das metas (ainda que não claras e objetivas); e (vii) o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do beneficio da PLR. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados em 2005 Em 07 de março de 2001 foi celebrado um “Acordo Decorrente da Negociação entre Banco e Empregados para a Participação nos Lucros e Resultados”, tendo como partes, de um lado o Banco Merril Lynch e de outro seus empregados, com vigência retroativa a 1° de janeiro de 2001 por prazo indeterminado, estando ainda em vigor no ano base de 2005. Tal acordo apresenta diversas irregularidades, como pode sr visto na extensa análise conforme acima exposto. Mesmo na vigência do acordo tratado nos itens precedentes, em 19 de maio de 2006, o banco celebrou com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo um novo “Plano de Participação nos Lucros ou Resultados”, o qual, segundo sua cláusula sexta, possuía vigência de dois anos retroativa a 01 de janeiro de 2005. Da análise do citado plano conclui o Auditor Fiscal que: (i) o acordo assinado em 07 de março de 2001, ainda em vigor em 2005, apresenta diversas irregularidades descritas ao tratar do acordo de 2004; (ii) o novo plano, negociado com o sindicato somente em 19 de maio de 2006, e retroativo ao período base da participação; (iii) não houve conhecimento prévio das metas; (iv) o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do benefício do PLR. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados em 2006 O acordo para o ano base de 2006 foi firmando somente em l9 de maio desse ano. Portanto, somente nesse momento houve certeza de que regras seriam utilizadas para esse ano calendário. Tal data contraria frontalmente o próprio acordo que prevê em sua cláusula quarta, item 2, que as metas Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 525 14 individuais, locais e globais sejam divulgadas até o final do primeiro trimestre de cada ano, bem como a própria legislação específica que determina o conhecimento prévio por negociação. O acordo foi celebrado quase na metade do ano base a que se refere o que impossibilitou o pleno conhecimento prévio de todas as regras que deveriam ser cumpridas para que o empregado fizesse jus à participação. Conclui acerca do Plano Próprio de Participação nos Lucros em 2006: (i) o plano, negociado com o sindicato somente em 19 de maio de 2006, é retroativo ao período base da participação; e (ii) o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do beneficio da PLR. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados em 2007 Em 31 de agosto de 2007, o banco celebrou, com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, um “Plano de Participação nos Resultados”, o qual, segundo sua cláusula sexta, possua vigência de um ano, retroativo a 01 de janeiro de 2007. Tal plano possui a mesma redação do anteriormente assinado em 19 de maio de 2006 e que regia os anos calendário de 2005 e 2006. Para o ano base de 2007, o acordo foi firmado ainda mais tarde, ou seja, no segundo semestre de 2007, ao final do mês de agosto. Somente nesta época é que os empregados tomaram conhecimento da vigência de um plano de resultados e suas regras. Logo, somente a partir de então sabiam como seriam avaliados para o recebimento desse beneficio. Verificase do Demonstrativo dos Pagamentos de PLR realizados em 2007, anexo ao AI principal, que o contribuinte efetuou pagamentos em janeiro, fevereiro, julho e outubro de 2007, em desobediência à vedação de qualquer antecipação ou distribuição de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Conclui acerca do Plano Próprio de Participação nos Lucros de 2007: (i) o plano, negociado com o sindicato somente em 31 de agosto de 2007, é retroativo ao período base da participação; (ii) O montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do beneficio da PLR; e (iii) ocorreram mais de dois pagamentos durante o mesmo ano civil. Do Acordo Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados em 2008 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 526 15 Em 09 de dezembro de 2008, o banco celebrou com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo um “Plano de Participação nos Resultados”, o qual, segundo sua cláusula 6ª, possuía vigência de um ano, retroativa a 01 de janeiro de 2008. Tal plano possui a mesma redação do anteriormente assinado em 19 de maio de 2006 e que regia os anos calendário de 2005 a 2007. Para o ano base de 2008, o acordo foi firmado ainda mais tarde, pois somente em dezembro é que os empregados tomaram conhecimento da vigência de um plano de resultados e suas regras. Também nesse ano houve o aparecimento de valores extremamente vultosos, tendo a empresa contratado altos executivos e para eles desembolsou uma PLR em montante bastante expressivo. Tais valores foram tão expressivos que foram objeto de observação acurada da imprensa, por intermédio de uma notícia publicada no Wall Street Joumal. A empresa pagou valores a titulo de PLR nos meses de julho, outubro e dezembro, ou seja, antes do final do ano base, sem a prévia apuração dos resultados com relação ao cumprimento ou não das supostas metas fixadas. Se tais concessões foram feitas antes da apuração de resultados fica claro que esses valores em nada se relacionam com os pagamentos que deveriam ser efetuados em razão do acordo de PLR. Verificase do Demonstrativo dos Pagamentos de PLR realizados em 2008, anexo ao AI principal, que o contribuinte efetuou pagamentos em janeiro, julho, outubro e dezembro, em desobediência à vedação de qualquer antecipação ou distribuição de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Conclui quanto ao Plano de 2008: (i) o plano, negociado com o sindicato somente em 09 de dezembro de 2008, é retroativo ao período base da participação; (ii) o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição desnaturam a natureza e intenção do benefício da PLR; (iii) o pagamento ocorreu integralmente dentro do ano base e, portanto, antes da apuração dos resultados; e (iv) ocorreram três pagamentos durante o mesmo ano civil. Do Cálculo da Multa A partir da edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida em 27 de maio de 2009, na Lei n° 11.941, a multa em lançamento de ofício sobre a totalidade ou diferença das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos (terceiros), simultaneamente nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração e no de declaração Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 527 16 inexata, passou a ser regida pelo art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A multa prevista no inciso I do citado art. 44, é única, de 75% (setenta e cinco por cento) e visa apenar de forma conjunta, tanto o não pagamento seja ele parcial ou total do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou sua apresentação de forma inexata. Assim, citada multa, a partir da competência dezembro 2008, não pode conviver com outra penalidade da mesma natureza e sobre o mesmo fato, ou seja, para a conduta de não pagar e não declarar os valores relativos às contribuições previdenciárias e de terceiros, ou de declará los de forma inexata. Para os fatos geradores até novembro de 2008, devese obedecer ao disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, o qual prevê a aplicação de nova lei a um fato pretérito quanto lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Assim, a partir da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, no que se refere aos fatos geradores até novembro 2008, a lavratura em casos de falta de recolhimento e de declaração inexata, como no presente caso, deve ser realizada com a penalidade menos severa resultante da comparação entre a aplicação da multa de oficio estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e a soma da multa de mora prevista pela alínea “a”, do inciso II, do art. 35 da Lei n° 8.212/91 (24%) com a multa prevista no inciso IV, parágrafo 5° do art. 32 do mesmo diploma legal, aplicandose a que for mais benéfica ao sujeito passivo. Os valores autuados não foram declarados em GFIP (competências até 11/2008), originando a lavratura do Auto de Infração de Obrigações Acessórias n° 37.235.8101, por esta omissão. Para determinação da multa mais benigna a ser aplicada utilizouse a comparação apresentada no Demonstrativo da Multa Final Aplicada, anexo ao AI principal. Salienta que para as competências 01, 07 e 10/2005, 01, 07 e 10/2006, 01, 02, 07 e 10/2007; 01, 07 e 10/2008, a penalidade anterior à publicação da MP n° 449/2008 mostrouse menos severa que a utilização da multa de lançamento de oficio (75%), sendo assim, utilizada no AIOA acima citado nessas competências. Nas demais competências, quais sejam: 08, 09 e 11/2005; 02 a 06/2006, 08/2006, 05 a 06/2007, 02 a 05/2008 e 09/2008, nas quais ocorreu a mesma infração, a multa mais benéfica resultou ser a multa de oflcio (75%), cobrada neste AIOP. O presente lançamento constituise dos seguintes levantamentos: PL1 Valores pagos aos empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados multa anterior à Lei n° 11.941/2009 mais benéfica; Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 528 17 Z2 Valores pagos aos empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados multa de oficio da Lei n° 11.941/2009 mais benéfica; e Z1 Valores pagos aos empregados a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados após 11/2008 multa de ofício da Lei n° 11.941/2009. Foram lavrados Autos de Infração de obrigações principais distintos para cada gênero de contribuições sociais, relativos à Participação nos Lucros ou Resultados: AI n° 37.235.8080 AI relacionado à contribuição de 2,5%, objeto de ação judicial; AI n° 37.235.8071 relativo às contribuições da parte da empresa (20%) e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT; AI n° 37.235.8098 relativo às contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE (Salário Educação) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA. Como os valores autuados não foram declarados em GFIP, foi lavrado o Auto de Infração de Obrigações Acessórias n° 37.235.8101. Por se tratarem do mesmo fato gerador em relação ao mesmo sujeito passivo, os atos constitutivos e respectivas alterações, bem como os documentos comprobatórios do crédito, foram incluídos somente na 1ª via do AI n° 37.235.807. DA IMPUGNAÇÃO A empresa foi cientificada do lançamento fiscal em 14.12.2009, fls. 389 e apresentou defesa tempestiva em 13/01/2010, através do instrumento de fls. 524/615, alegando em síntese que: [...]. Do Mandado de Procedimento Fiscal e da Autuação Fiscal Empreendida. A auditoria fiscal foi embasada pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n° 08.1.66002009000139, cujo objeto era a fiscalização de contribuições previdenciárias do período de 01/2005 a 01/2007. Diversas alterações foram promovidas pela autoridade administrativa resultando na extensão do objeto e do período fiscalizado (contribuições previdenciárias, IRPJ, PIS e COFINS período de 01/2005 a 12/2008). No entanto, o procedimento adotado pela fiscalização que resultou na lavratura do auto de infração ora impugnado, Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 529 18 extrapolou seus limites quando exigiu o recolhimento de contribuições previdenciárias do ano de 2005. Embora tenha prestado todas as informações solicitadas, inclusive aquelas relativas aos planos de PLR negociados e celebrados em 2004 e que ensejaram os pagamentos realizados em 2005, entende que a auditoria empreendida não tinha autorização para fiscalizar documentos relativos ao ano de 2004 com o condão de exigir o recolhimento de tributos. Afirma que o fato gerador dos pagamentos realizados em 2005 foram os Planos de PLR negociados e celebrados no ano de 2004, período não albergado pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Logo, a fiscalização descuidou do limite temporal previsto no Mandado de Procedimento Fiscal, eivando de vício a presente autuação. Na verdade, o procedimento adotado pela fiscalização buscou salvar o pretenso crédito tributário já alcançado pela decadência, conforme determina a Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal. Reafirma tratarse de vicio insanável, que macula a atuação fiscal como um todo, não podendo esta subsistir, devendo ser declarada a nulidade do presente Auto de Infração, em obediência aos princípios fundamentais que regem o ato administrativo e a tributação em nosso ordenamento jurídico. Da injustificada descontextualizarão negocial dos Planos de Participação nos Lucros Fiscalizados Afastamento do Princípio da Legalidade e da Finalidade do Ato Administrativo Atendeu a todas as solicitações de entrega de documentos feitas durante procedimento de auditoria de fiscalização extrapolando, inclusive, aquilo que lhe foi solicitado; tudo no intuito de devidamente esclarecer os acordos de participação nos lucros e resultados firmados com seus empregados ou com o Sindicato representativo da categoria. Em se tratando de planos de participação de empregados nos lucros e resultados da empresa, tão ou mais importante do que esclarecer seu funcionamento, é dar a conhecer ao fiscal o contexto negocial no qual eles se inserem. Esclarece que é um banco de investimentos que atua no mercado de capitais, de acordo com as regras previstas na Resolução CMN n° 2.624/99, que não possui contas correntes. Assim, sua atividade primordial é realizada por aquilo que denomina área de negócios, que congrega aqueles empregados encarregados de identificar, trazer clientes e negócios ao banco. São eles os encarregados e responsáveis por desenvolver as atividades do banco. Ao lado dessa área, está aquela que lhe dá suporte, incumbida de providenciar com a segurança e eficiência necessária todo o aparato técnico de suporte para os negócios que serão trazidos e desenvolvidos pela área de negócios. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 530 19 Há, pois, uma diferença marcante entre essas duas áreas, um enorme degrau entre elas em matéria de responsabilidade e de riscos. Deste modo, os empregados e o sindicato da categoria, sabedores dessas características, negociaram acordos de participação nos lucros e resultados que possibilitem a repartição do eventual lucro que será produzido pelo esforço comum de todos. Sendo o lucro o objetivo comum do Impugnante e de seus empregados, que se fizeram representar por seu sindicato, a repartição do lucro que produzirem deve observar as regras que eles estabeleceram. Assim, não deve causar nenhuma estranheza o fato de que os acordos coletivos previram como se deve gerar o lucro a ser repartido, e as regras de distribuição, atribuindose pesos e respectivos valores de acordo com as respectivas áreas de atuação: negócios e apoio, havendo uma enorme diferença entre os valores percebidos pelos empregados. No entanto, a d. fiscalização, mesmo esclarecida sobre as características do ambiente de negócios de um banco de investimento, com os sucessivos esclarecimentos prestados, de dossiê cuidadosamente preparado pelo Impugnante para esclarecer e documentar o funcionamento e o contexto dos acordos de PLR por ela adotados, surpreendeuse com a lavratura do presente auto de infração, fundamentado em fatos e argumentos absolutamente fora do contexto negocial do Impugnante. Interpretar um negócio jurídico fora de seu contexto, tal como ocorreu no caso presente, equivale a afastarse da finalidade da lei e do ato administrativo, maculando o resultado por inteiro, como ocorreu no caso presente. Deveras, a autuação fiscal levada a efeito entendeu que não se configuraria divisão de participação nos lucros e resultados os valores distribuídos debaixo das Convenções Coletivas dos bancários, por serem fixos. E também entendeu que haveria vícios nos acordos coletivos firmados. A Sra. Agente Fiscal desconsiderou a natureza dos pagamentos realizados pelo Impugnante em virtude do seu valor, ou ainda em virtude da discrepância dos valores distribuídos entre os trabalhadores, sem fazer qualquer menção ao fato de que tais pagamentos observam as regras e os limites previamente estabelecidos para a sua realização. Ignorou, outrossim, que o impugnante é uma instituição financeira, e por isso, submetida às negociações coletivas que envolvem os empregadores e os empregados da categoria, assim como o sindicato representativo de classe, que decidiram que o pagamento de um percentual do lucro líquido do banco, dividido em valores fixos iguais para cada empregado, corresponderia ao anseio da categoria para cumprimento do direito social previsto pelo art. 7, XI, da CF. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 531 20 A extensa documentação apresentada à Sra. Agente Fiscal comprova as negociações realizadas no transcorrer do tempo, cuja finalidade era a de unir os interesses do Banco e de seus empregados. Teria, inclusive, esclarecido que as negociações com Sindicatos de categorias tão expressivas, como são os bancários e os metalúrgicos, podem até levar a greves por melhorias dos direitos. Devido à grande dificuldade das negociações, elas perduram por longos períodos durante o ano, podendo ser resolvidas ao final dos períodos, não havendo que se estranhar, pois, que convenções e acordos coletivos sejam datados de épocas finais do ano. Ora, se as Convenções Coletivas de Trabalho, que dependem de negociações ocorridas entre empregador e sindicato de classe dos seus empregados, possuem trâmites burocráticos que inviabilizam a sua assinatura nos primeiros meses do ano, porque um Acordo de PLR que conta com a participação do empregador, dos seus empregados e do respectivo sindicato de classe poderia/deveria ser assinado em prazo inferior? Esperar (ou pior, exigir) que Acordos de PLR sejam assinados nos primeiros meses do ano é fruto do pleno desconhecimento de como ocorrem as negociações, de como elas são importantes e complexas. Reafirma que independente do momento em que as Convenções Coletivas ou os Acordos de PLR foram assinados, os seus termos foram previamente negociados entre as partes, em conformidade com o que exige a Lei n° 10.101/2000. Ademais, em face da teoria hoje dominante no sentido de que os negócios jurídicos devem ser escrutinados para verificar se possuem propósito negocial, se possuem substância, requer do intérprete aqui incluída a fiscalização o esforço de compreender o contexto no qual os negócios foram e são realizados pelo contribuinte, para que se conclua de maneira fundamentada a respeito da sua essência. Tratase, pois, de uma maneira aprofundada de se buscar a aplicação daquilo que é o espírito da lei, que dela não se dissocia. E a expressão mais aprofundada do principio da legalidade. No caso presente, se está diante de um direito social constitucionalmente garantido aos trabalhadores, que se incorpora ao patrimônio desses, e que impõe aos empregadores a correspectiva responsabilidade por cumprimento, como uma das expressões de solidariedade social. A Constituição Federal, em manifesto incentivo do cumprimento do direito social instituído, dispõe que a lei apoiará e estimulará as empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado a participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho, repetindose aqui o alerta contido no art. 7, XI da CF: desvinculada do salário. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 532 21 Assim é que o Impugnante pratica a participação de seus empregados nos lucros desde 1998, observando tanto o que resulta das negociações coletivas, quanto os acordos firmados com seus empregados. Todos os seus empregados estão cientes de que participam de lucros gerados por uma instituição financeira que tem características próprias. E a ciência a respeito da dificuldade das negociações entre empregadores e empregados está no dia a dia dessas pessoas, que recebem em suas mesas a "folha bancária", que noticia o andamento das diversas negociações que se estabelecem ao longo do ano. Não existe, pois, espaço para nada "imposto" no que pertine a PLR. Não há espaço para a pura discricionariedade do empregador, como entendeu a fiscalização, em seu equivocado arrazoado em prol da desconsideração das distribuições feitas a título de PLR. Não se tratam de pagamentos de bônus, ou premiações sem a correspondente carga fiscal, NÃO! Tal interpretação decorre, certamente, de desavisada interpretação acerca do segmento no qual se encontra inserido o Impugnante, com afastamento do ato administrativo do espírito da lei, maculando, pois, a autuação, de manifesta ilegalidade e ausência de finalidade. A essência do negócio jurídico praticado pelo Impugnante com seus empregados foi desprezada, dado que interpretada em desprezo ao contexto negocial, o que não se pode admitir. O afastamento da finalidade do ato administrativo e da legalidade é facilmente depreendida da contraditória justificativa da autuação fiscal, em que se verifica a ausência de compreensão de conceitos de direito, do que se entende por PLR, de institutos próprios do direito do trabalho (exemplo: confusão entre PLR por comissão e PLR por acordo coletivo, que abaixo será descrita), bem como de toda a extensa fundamentação de fatos levada ao conhecimento da fiscalização pelo Impugnante. Diante desse quadro, o Impugnante requer o acolhimento das presentes razões, para desconstituir integralmente o auto de infração, o que ora se requer. Da insegurança jurídica inerente à imotivada modificação dos critérios utilizados na desconstituição dos planos de participação nos lucros fiscalizados Especificamente no que concerne à autuação dos valores distribuídos por meio de Convenções Coletivas, a d. fiscalização cometeu novamente o erro que foi objeto de reforma na autuação fiscal anteriormente lavrada, conforme se verifica da decisão notificação n° 21.003.0/0394/2006, proferida nos autos da NFLD n° 35.842.42l6 (transcreve o item 6.3.7). Questiona acerca de quantas vezes haverá de sofrer autuação fiscal por interpretação individual e equivocada sobre um mesmo fato. Ressalta que na autuação fiscal lavrada no ano de Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 533 22 2005 (NFLD 35.842.4216), por intermédio da qual se exige o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR no período de 1999 até 2004, o principal problema apontado pela fiscalização foi a ausência de participação de um representante do Sindicato dos Bancários nas negociações. Aduz que, questões como (i) a suposta ausência de negociação da PLR em razão da data de assinatura das Convenções Coletivas e dos Planos Próprios e (ii) a suposta natureza remuneratória dos pagamentos de PLR, decorrente da comparação entre o montante distribuído de PLR e a remuneração distribuída no mesmo período, JAMAIS foram apontadas como ensejadores da desconsideração da natureza dos pagamentos realizados pelo Impugnante. Afirma que tal fato sempre foi de conhecimento da Sra. Agente Fiscal, que inclusive citou no Relatório do Auto de Infração a decisão proferida pelo então Conselho de Contribuintes nos autos da NFLD n° 35.842.4216 (a qual, aliás, pende de julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, por isso, jamais poderia ser utilizada como fundamento ou paradigma para a autuação fiscal impugnada). Assim, ao inovar o entendimento recentemente exarado pela fiscalização previdenciária, em caso análogo ao presente, a Sra. Agente Fiscal afastou a segurança jurídica que deveria permear o ato administrativo, conforme previsto no artigo 20 da Lei n° 9.784/1999. Como pode o Impugnante saber qual é o tratamento legal que será dispensado ao seu negócio jurídico celebração de acordos de PLR se a Administração Pública o interpreta em cada momento de uma maneira? Se os novos critérios jurídicos de apuração apresentados pela Sra. Agente Fiscal decorressem de alteração legislativa (o que não ocorreu), nada poderia ser contestado pelo Impugnante. No entanto, tal expediente decorreu única e exclusivamente do fato de que os "problemas" evidenciados nos planos de PLR objeto da autuação não se repetiram nos planos celebrados entre 1999 e 2004. Os novos apontamentos da Sra. Agente Fiscal, na verdade, foram o único meio por ela encontrado para justificar mais uma cobrança de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de PLR realizados pelo Impugnante. E, não bastasse a plena insegurança jurídica do lançamento fiscal para justificar o julgamento de sua total improcedência, há que ressaltar que o entendimento exarado pela Administração em procedimento de fiscalização anterior (que resultou na lavratura de autuações fiscais, dentre elas a NFLD n° 35.842.4216) foi estritamente observado pelo Impugnante (mesmo que sem a sua concordância), razão pela qual, nos termos do artigo 100, incisos I e Il e parágrafo único do Código Tributário Nacional, impedem a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 534 23 Sem embargo do exposto, o Impugnante deduz abaixo, novamente, todas as razões que motivaram a adoção de acordos de participação nos lucros e resultados, conforme já havia feito à saciedade no curso da fiscalização, esperando que, desta feita, seja compreendido que não paga remuneração a seus empregados, não paga bônus, não comete fraude alguma para evitar a incidência de contribuições previdenciárias, mas pratica, isso sim, aquilo que a Constituição Federal e a legislação ordinária prevê. Da motivação do impugnante para implantação dos planos de Participação nos Lucros fiscalizados. A realidade em detrimento da presunção. Faz um breve relato acerca das relações de trabalho buscando determinar o papel da Participação nos Lucros ou Resultados, diante da constatação da separação entre o capital e o trabalho, na aproximação dos interesses dos empregadores e empregados com intuito de se obter os desejados resultados empresariais, que podem ser vinculados a lucratividade ou a outros critérios desejados pelas partes. Nesse sentido, conceitua a participação nos lucros ou resultados como um modalidade negocial na qual um empregador (quer diretamente, quer por meio de seu sindicato) negocia junto a seus empregados (representados por comissão ou por seu próprio sindicato) a distribuição de valores atrelados ao atingimento de metas empresariais, e não à execução dos contratos de trabalho propriamente ditos. Argumenta que essa é a diferença entre salário (ou remuneração) e participação nos lucros ou resultados: enquanto o salário (ou remuneração) é a contraprestação devida ao trabalhador pela execução do objeto de seu contrato de trabalho, a participação nos lucros ou resultados é uma parcela distribuída aos trabalhadores em razão do atingimento de metas empresariais, decorrente de um contrato "sui generis", celebrado entre empregador e comissão de trabalhadores ou sindicato. E, compreendendose essa diferença essencial entre remuneração e participação nos lucros ou resultados, resta natural e evidente a desvinculação estabelecida na legislação. A participação nos lucros ou resultados não integra a remuneração dos trabalhadores porque não trata de contraprestação pelo trabalho prestado, sua natureza é outra, é de fomento à integração entre capital e trabalho. Dentro deste cenário se ajustam os acordos de participação nos lucros ou resultados celebrados e observados pelo Impugnante, haja vista a sua finalidade ser o envolvimento dos trabalhadores com o sucesso de seus pares de área, com as demais áreas da empresa e, consequentemente, com o sucesso da empresa propriamente dita. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 535 24 Os planos de PLR não se assemelham, equiparam ou confundem com as obrigações decorrentes do contrato de trabalho. Enquanto o pagamento de PLR depende de prévias negociações e de fatores adicionais ao desempenho individual de cada trabalhador e da vigência do contrato de trabalho, o salário depende unicamente da vigência do contrato de trabalho. Sendo assim, não há espaço para se permitir a incidência de contribuições previdenciárias sobre um fato jurídico (PLR) não adequado ou mesmo adequável àqueles previstos na legislação (artigos 22 e 28 da Lei n° 8.212/91) como ensejadores de tal expediente, mesmo que, como no presente caso, tenha a sua natureza desconsiderada. Nesse diapasão, nunca é demais lembrar que a desconsideração dos planos de PLR do Impugnante, por si só, jamais denotaria a realização de pagamentos com natureza remuneratória. Reproduz jurisprudência. Ademais, a desconsideração de determinado ato jurídico (tal qual os planos de PLR do Impugnante) dependia da comprovação da sua prática com abuso de forma (ou finalidade evasiva) e mediante simulação, conforme descrito no parágrafo único, do artigo 116 do Código Tributário Nacional (com a redação dada pela Lei Complementar n° 104/2001). Contudo, a Sra. Agente Fiscal não se atentou para os fatos de que (i) não há lei regulamentando a previsão legal acima citada (o que basta para impedir a tributação dos valores pagos a título de PLR) e (ii) jamais comprovou que os pagamentos realizados se tratam de remuneração, apenas presumiu nesse sentido. Por tudo isso, as expressões utilizadas pela Sra. Agente Fiscal para descrever os planos de PLR do Impugnante, que também traduzem o seu convencimento sobre a questão, são, além de presunçosos e tendenciosos, desprovidos de finalidade e motivação jurídicas. Noutro passo, verificarseá que a desconsideração dos planos de PLR do Impugnante, levada a efeito pela Sra. Agente Fiscal, carece de validade. Impossibilidade de desconsideração do negócio jurídico de Participação nos Lucros ou Resultados Alega a Sra. Agente Fiscal que, no presente caso, a forma jurídica adotada (Participação nos Lucros ou Resultados PLR) não estaria em conformidade com o "objetivo da lei", motivo pelo qual as verbas pagas teriam natureza salarial, tais como a premiação, a gratificação ou a bonificação. Reproduz trechos do Relatório Fiscal. Afirma que as alegações transcritas demonstram a nítida tentativa da Sra. Agente Fiscal de desqualificar a forma jurídica adotada pelo Impugnante (PLR), em face de uma suposta substância econômica dos referidos pagamentos (verbas Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 536 25 salariais, tais como premiação, gratificação ou bonificação). Tratase, portanto, de uma tentativa de qualificação do negócio jurídico realizado no presente caso (PLR) como sendo um abuso de forma jurídica. Ou seja, a forma jurídica adotada para os pagamentos realizados no presente caso (PLR) não possui natureza salarial e não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias previstas no artigo 195 da CF/88. Contudo, desconsiderandose a forma jurídica adotada, chegase a uma suposta substância econômica (verba salarial), esta sim sendo fato gerador das referidas contribuições. Contudo, referido entendimento não poderá prosperar, motivo pelo qual essa E. Turma Julgadora deverá cancelar integralmente o presente auto de infração. lsto porque, o abuso de formas jurídicas só ocorre nos casos de (i) adoção de estruturas negociais que (ii) não são adequadas à substância econômica dos atos praticados. Portanto, no abuso de formas jurídicas, os agentes adotam e realizam determinada forma jurídica prevista em lei (como no presente caso), mas essa forma jurídica não é adequada aos pressupostos econômicos para os quais ela foi adotada (o que não se aplica ao Impugnante). Com efeito, nas hipóteses de abuso de formas, verificase que a forma jurídica adotada existiu efetivamente, não foi uma mera hipótese de simulação. O abuso de formas trata da adoção de formas jurídicas válidas, mas que não são as mais adequadas à substância econômica dos atos praticados. Inicialmente, é importante destacar que não haveria que se falar em abuso de formas no direito brasileiro. Conforme bem observa Luis Eduardo Schoueri, o abuso de formas seria de antemão vedado em nosso ordenamento jurídico, uma vez o seu controle se daria por meio da tributação por analogia. Ocorre que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 108 veda expressamente o uso da analogia gravosa para fins de tributação. Portanto, o abuso de formas logo de plano deveria ser afastado, por não ser passível de aplicação em nosso ordenamento jurídico. No presente caso, pretendese a tributação do PLR (que não é fato gerador das contribuições previdenciárias) à sua suposta substância econômica de verbas salariais, as quais são fato gerador das referidas contribuições. Contudo, mesmo que se admita a aplicabilidade do abuso de formas no direito brasileiro para fins de tributação, o que se admite apenas a título argumentativo, ressaltese que referido instituto não é aplicável ao presente caso concreto. Isto porque, conforme demonstrado nesta impugnação, todos os atos praticados pelo Impugnante (substância econômica) estão em total conformidade com a forma jurídica adotada (PLR). Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 537 26 Esclarece ainda que: (i) A PLR é um negócio jurídico típico, regulamentado pela Lei n° 10.101/00, que tem como objeto a participação nos lucros ou resultados da empresa, sem natureza salarial (desvinculada da remuneração, nos termos do inciso XI do artigo 7º da CF/88). Esta natureza jurídica distinta tem como consequência, por exemplo, a inaplicabilidade das rígidas regras decorrentes da legislação do trabalho (CLT); (ii) As verbas salariais, por outro lado, são a remuneração decorrente do negócio jurídico de contrato do trabalho, regido pela CLT. Essas verbas salariais são rigidamente regulamentadas pela legislação trabalhista e consubstanciam direitos ao trabalhador, na qualidade de hipossuficiente na relação de emprego. Tais regras de proteção não são aplicáveis a outras modalidades de pagamento feitas pela empresa. De fato, poderia haver casos de abuso na utilização do instituto do PLR, que poderia dar ensejo à desconsideração do negócio jurídico (como nos casos em que há simulação). Isto ocorreria, por exemplo, na hipótese em que uma determinada empresa contratasse seus funcionários com o salário oficial de um salário mínimo, e um PLR de R$ 130.000,00 ao ano, independentemente de sua lucratividade, e pagos em 12 prestações mensais de R$ 10.000,00 e urna prestação adicional de R$ 10.000,00 em dezembro. Neste caso, verificase que os pagamentos a título de PLR não decorrem efetivamente da participação nos lucros decorrente de um programa de incentivo à produtividade. Tratase, sim, de uma remuneração mensal fixa que não guarda qualquer relação com o negócio jurídico de PLR, conforme já demonstrado (pagamento de salário de forma simulada). Este, contudo, não é o caso dos autos. No presente caso, conforme já demonstrado, os pagamentos efetuados estão em total conformidade com a legislação de regência, com nítido caráter de um "instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade”. Portanto, ante o exposto, verificase que não há subsídios no presente caso para que a Sra. Agente Fiscal pudesse ter desconsiderado a forma adotada pelo Impugnante para os pagamentos feitos a seus empregados (PLR), para considerálos como uma suposta substância econômica de verba salarial, sujeita à incidência das contribuições previdenciárias previstas no artigo 195 da CF/88, motivo pelo qual deverá essa E. Turma Julgadora cancelar integralmente o presente auto de infração. Contudo, sem prejuízo do até aqui exposto (que deve ser considerado apto e suficiente para embasar o julgamento de total improcedência do auto de infração impugnado), o Impugnante refutará cada um dos aspectos apresentados pela Sra. Agente Fiscal para a invalidação dos seus planos de PLR. Da insubsistência dos argumentos apresentados pela sra. Agente Fiscal em relação aos Planos celebrados sob a forma de convenções coletivas de trabalho. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 538 27 A Lei 10.101/2000 veio dar seqüência às Medidas Provisórias que, desde 1994, regulamentavam o disposto no artigo 7°, XI da Constituição Federal. O artigo 1° da Lei 10.101/2000, em continuidade ao conceito aportado pela Constituição Federal, disciplina a participação nos lucros ou resultados um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, além de forma de incentivo à produtividade. Quanto a esse aspecto, importa esclarecer que o incentivo a produtividade mencionado na Lei 10.101/2000 deve ser compreendido dentro do conceito próprio de participação nos lucros ou resultados, isto é, de integração entre capital e trabalho: ao aproximar os interesses do empregador aos dos empregados, gerase um natural ganho de produtividade, ainda que a participação não contenha meta específica de produtividade. O artigo 2° da Lei 10.101/2000 estabelece as formalidades para implementação da participação nos lucros ou resultados, incluindo tanto os aspectos formais quanto os aspectos materiais dessa modalidade negocial. Do ponto de vista formal, a participação é sempre objeto de negociação entre empresa e seus empregados, a qual pode ocorrer de forma direta (entre empresa e comissão escolhida pelas partes e integrada também por um representante indicado pelo sindicato) ou de forma indireta (por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho). Do ponto de vista material, o instrumento decorrente da negociação (acordo de comissão, acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho) deve conter regras claras e objetivas que possibilitem às partes o conhecimento e o acompanhamento de seu conteúdo. De fato, a letra de lei demanda o seguinte conteúdo obrigatório nos instrumentos decorrentes da negociação para participação nos lucros ou resultados: a) regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação; b) regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Adicionalmente, e de modo meramente exemplificativo, o § l° do artigo 2° da Lei 10.101/2000 apresenta alguns critérios que podem ser considerados, dentre outros, para a elaboração dos instrumentos decorrentes da negociação: (a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 539 28 b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Vejase, a esse respeito, que a norma legal estabelece, quanto aos itens inseridos no texto do §1°, a obrigatoriedade de sua previsão no instrumento (conteúdo obrigatório), utilizando~se para tanto do verbo "dever" ('Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas). Diferentemente, ao tratar dos incisos ao § l°, a norma se utiliza do verbo "poder" ('podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições, deixando clara sua natureza eletiva, isto é, não obrigatória. Em uma análise mais detalhada do texto legal, portanto, conclui se que o incentivo à produtividade deve ser considerado de formal geral, Isto é, como reflexo natural da integração entre capital e trabalho, e não como um critério obrigatório a ser inserido em acordos de participação nos lucros ou resultados. E, uma vez celebrado o acordo, o instrumento dele decorrente será arquivado na entidade sindical representativa dos trabalhadores. Apresenta a seguir quadro com os elementos para formalização da participação nos lucros e resultados. Reafirma que negociação de participação nos lucros ou resultados pode se dar através dos seguintes procedimentos: negociação com comissão, convenção coletiva ou acordo coletivo. Negociação com comissão Na negociação com comissão, a norma exige apenas que exista uma "comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ". No tocante à formação da comissão de negociação, o texto legal apenas exige o adimplemento aos seguintes critérios: (a) escolha pelas partes, e (b) integração por representante indicado pelo sindicato. Na prática, a maior parte das empresas que elabora PLR por comissão de negociação opta pela formação de comissão paritária, com igual número de representantes indicados pela empresa e eleitos por seus empregados. No entanto, não há exigência legal nesse sentido. Não há, sequer, necessidade de representantes exclusivos dos empregadores, de forma que o requisito legal estaria integralmente cumprido caso a empresa simplesmente concordasse com a formação de comissão exclusivamente pelos eleitos por seus empregados. De novo, o texto legal apenas diz que a comissão deve ser "escolhida pelas partes", não exigindo representantes de um e outro lado, necessariamente, nem que o número desses representantes seja idêntico. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 540 29 Quanto a seu conteúdo, a participação nos lucros ou resultados estabelecida por meio de negociação com comissão de trabalhadores tem a peculiaridade de se adequar mais precisamente à realidade econômica do grupo específico. Ninguém melhor que os trabalhadores e o empregador para, conjuntamente, definirem quais os aspectos da vida empresarial e da realidade laboral podem acarretar a desejada integração entre capital e trabalho. Assim, em casos nos quais a negociação de participação nos lucros ou resultados é realizada por meio de comissão de trabalhadores, as regras e as metas a serem definidas poderão ser concretas, abrangendo a especificidade do trabalho realizado pelos diferentes segmentos de trabalhadores. Acordo coletivo de trabalho Já na negociação por acordo coletivo de trabalho exigese a presença do sindicato representativo dos trabalhadores em substituição à comissão. As formalidades para estabelecimento de acordo coletivo de trabalho são integralmente exigíveis, inclusive a existência de edital de convocação, a realização de assembléia e o arquivamento perante a Delegacia Regional do Trabalho. No tocante a seu conteúdo, em razão da participação do sindicato representativo dos trabalhadores, a participação nos lucros ou resultados formalizada por meio de acordo coletivo de trabalho tende a ser mais abrangente, e consequentemente mais genérica, que aquela resultante de negociação com comissão de trabalhadores. Isso porque o sindicato representativo dos trabalhadores representa toda uma categoria profissional, e a consistência nas relações coletivas de trabalho por vezes demanda a inserção ou exclusão de determinadas cláusulas negociais. Assim, muitos sindicatos adotam posicionamento no sentido de exigir a inserção de certas cláusulas ou de não aceitar a inserção de outras, limitando o conteúdo negocial. Ainda que naturalmente vinculada à especificidade de determinada empresa, a negociação realizada perante o sindicato representativo dos trabalhadores tende a resultar em conteúdo menos específico que aquele decorrente de negociação por comissão. Convenção Coletiva de Trabalho Por fim, a negociação por convenção coletiva de trabalho segue também as regras próprias referentes à modalidade negocial, sendo nesse aspecto similar ao acordo coletivo de trabalho. Diferentemente do que ocorre quando negociada por meio de acordo coletivo de trabalho, entretanto, a participação nos lucros ou resultados negociada em convenção coletiva de Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 541 30 trabalho tem como característica primordial a ausência de especificidade em seu conteúdo. A convenção coletiva de trabalho, tal como preconizado no artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho, é o "acordo de caráter normativo pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho". Na categoria bancária, a convenção coletiva de trabalho é firmada por nada menos que 111 sindicatos, 6 federações e 1 confederação, representativos de trabalhadores em todo o Brasil, além de 1 federação e 7 sindicatos representativos de empregadores espalhados também por todo o Brasil. Tais entidades representam empresas e trabalhadores do segmento financeiro, bancário de varejo e bancário de investimento, cada qual com suas peculiaridades. É simples constatar, da vastidão do documento mencionado acima, que a participação a ser formalizada por tal documento não poderá em termos práticos veicular metas individualizadas por trabalhador. A imensa gama de situações fáticas abrangidas pelo acordo impossibilita essa modalidade de métrica. Em razão de tal característica, verificase uma tendência, em situações de definição de participação por meio de convenção coletiva de trabalho, do estabelecimento de métricas meramente financeiras, como por exemplo lucratividade. Tais métricas, aplicáveis a qualquer empresa, são adequadas ao caráter genérico de que se revestem as convenções coletivas de trabalho. Ao mesmo tempo, a métrica de lucratividade reflete, ainda que indiretamente, o fruto do trabalho do empregado, a produtividade, visto que ela é um fator essencial para o lucro, o resultado financeiro. Ante o exposto, constatase que, se a prática mais comum em situações de negociação com comissão é de estabelecimento de participação nos resultados (isto é, participação distribuída em razão de metas individualizadas por trabalhador ou segmento de atividade), o oposto ocorre em situações de convenção coletiva de trabalho, na qual a praxe é pelo estabelecimento de participação nos lucros. Da autuação referente à Participação paga em razão de Convenções Coletivas de Trabalho. O Banco Merrill Lynch foi autuado em razão do pagamento de PLR a seus empregados na forma do disposto nas convenções coletivas de trabalho dos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. Os fundamentos apresentados para tanto são: Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 542 31 (a) assinatura ao final do anobase, de forma retroativa; (b) ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação. Especificamente, o Sr. AuditorFiscal entendeu que a assinatura de Convenção Coletiva de Trabalho no último trimestre do ano excluiria dos trabalhadores a possibilidade de conhecimento prévio das metas e seu comprometimento para atingimento, como incentivo à produtividade. E, ao entender dessa forma, o Sr. AuditorFiscal violou a Constituição Federal e a legislação ordinária, desde o reconhecimento aos acordos firmados com sindicatos até as regras específicas aplicáveis às convenções coletivas de trabalho e o conteúdo da Lei 10.101/2000. A Constituição Federal, em seu artigo 7º, XXVI, estabelece o princípio do reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho, pelo qual conferese validade tanto aos instrumentos firmados mediante negociação com o sindicato representativo dos trabalhadores quanto ao conteúdo veiculado nesses instrumentos. Transcreve decisão judicial. Por sua vez, a própria Lei 10.101/2000 estabelece a possibilidade de fixação de participação nos lucros ou resultados por meio de convenção coletiva de trabalho (art. 20, II), sendo, portanto, válida e eficaz essa modalidade negocial. Ocorre que a natureza da convenção coletiva de trabalho é significativamente diferente daquela dos acordos coletivos de trabalho: enquanto os acordos coletivos de trabalho têm abrangência restrita a uma empresa podendo, portanto, estabelecer regras e critérios específicos para a realidade daquela empresa ou setor negocial as convenções coletivas de trabalho têm abrangência ampla, incluindo uma pluralidade de empresas realidades negociais. Nesse sentido, vale especificar que a convenção coletiva de trabalho referente aos bancários é aplicável a uma vasta gama de empreendimentos, incluindo bancos de varejo, bancos de investimento e outros em todo o Brasil. Recordese aqui o impressionante número de envolvidos na convenção coletiva de trabalho para PLR bancária: 111 sindicatos, 6 federações e 1 confederação, representativos de trabalhadores em todo o Brasil, além de 1 federação e 7 sindicatos representativos de empregadores espalhados também por todo o Brasil. Não se duvida, por óbvio, que as realidades experimentadas por trabalhadores e empregadores em todas essas localidades e segmentos de negócios sejam extremamente díspares. Quaisquer metas e critérios adotados para um banco de varejo na região Norte do Brasil não poderão ser simplesmente reproduzidos por um banco de investimentos na região Sul: as realidades de trabalho são tão profundamente diferentes que um acordo assim estabelecido jamais poderia subsistir. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 543 32 É por esse motivo, decorrente da natureza específica das convenções coletivas de trabalho, que os acordos de participação em lucros ou resultados assim firmados têm como característica primordial o estabelecimento de metas ligadas ao único ponto de conexão entre as realidades negociais: a lucratividade setorial. Repisese esse ponto por relevante: as metas inseridas em um acordo de participação nos lucros ou resultados devem ser similares para todos os envolvidos, garantindose assim a consistência do acordo. E, ante a ampla abrangência das convenções coletivas de trabalho (tal como insculpido no artigo 611 da Consolidação das Leis do Trabalho), o único critério possível de utilização é a lucratividade. E esse, justamente, é o critério reconhecido nas convenções coletivas de trabalho referentes aos bancários: a lucratividade do setor econômico. O valor a ser distribuído depende exclusivamente do percentual de lucratividade do banco, com variações decorrentes das métricas de 0 e 15% do lucro liquido do banco em cada exercício financeiro, bem como do percentual de crescimento do lucro líquido em comparação com o exercício anterior. Transcreve diversas cláusulas das convenções coletivas de trabalho, relativas ao estabelecimento de participação nos lucros ou resultados dos anos de 2004 a 2008 e apresenta sumários de métrica, na forma constante das citadas convenções. Conclui que se trata de convenção para participação nos lucros, pautada exclusivamente em critérios de lucratividade. Em sendo assim, não há que se falar, como pretende a autoridade fiscal, em inserção de metas individualizadas. Também o argumento da autoridade fiscal no sentido de inexistência de metas, resultados e prazos, ou ainda de critérios passíveis de aferição cai por terra ao se analisar as planilhas apresentadas. As sucessivas convenções coletivas de trabalho trazem, pormenorizadamente, metas, métricas, critérios e regras absolutamente objetivos e que permitem aferição mediante simples consulta aos balanços do Banco Merrill Lynch, balanços esses auditados e publicados, na forma das sociedades por ações. Mais ainda, periodicamente o Banco Merrill Lynch informava a seus empregados sua situação financeira, os ganhos e o nível de lucratividade atingidos, de forma a permitir a todos o acompanhamento dos níveis de atingimento de metas (vide exemplificativamente os documentos juntados). Trimestralmente, inclusive, havia reunião de todos os empregados do Banco Merrill Lynch na qual as lideranças internacionais comunicavam os resultados alcançados em todos os âmbitos e linhas de negócios. Dessa reunião todos os empregados do Banco Merrill Lynch eram convidados a participar. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 544 33 Com base no exposto, concluise que os motivos apresentados pela autoridade fiscal para decidir pela invalidade das convenções coletivas e, consequentemente, fazer incidir natureza salarial sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados não coadunam com a lei e com a realidade fática. Motivo (i): segundo a autoridade fiscal, as convençoes coletivas de trabalho "foram negociadas e assinadas somente ao final dos anos base sendo retroativas aos periodos de participação". Primeiramente, devese considerar que as convenções coletivas de trabalho seguem as regras próprias contidas nos artigos 611 e seguintes da Consolidação das Leis do Trabalho, inclusive época de negociação e garantias ao período anterior à sua conclusão (garantia de database). O argumento de invalidação do conteúdo do acordo em razão de a database ser no segundo semestre simplesmente vai contra toda a regulamentação pertinente às convenções coletivas de trabalho, inclusive a Consolidação das Leis do Trabalho (artigos 611 e seguintes) e a Constituição Federal (artigo 7°, XXVI). Mais ainda, e ao contrário do aludido pela autoridade fiscal, as convenções coletivas de trabalho não são negociadas ao final do ano, quando de sua assinatura. A data de assinatura corresponde, apenas, ao momento de conveniência das várias entidades sindicais considerandose inclusive a dificuldade de viabilização de um documento com quase 200 assinaturas não correspondendo à finalização da negociação. Vejase, inclusive, que as metas e critérios para concessão da participação nos lucros estabelecida nas sucessivas convenções coletivas de trabalho são conhecidas previamente por todos os trabalhadores da categoria. Tal conclusão salta aos olhos ao se avaliar que, em todo o período fiscalizado, não houve a menor alteração em tais critérios (lucro liquido anual). Assim, não há que se falar em invalidação do conteúdo das convenções coletivas de trabalho em razão de sua assinatura por ocasião da finalização das negociações de database. Motivo (ii): segundo a autoridade fiscal. as convenções coletivas de trabalho “não contam com regras claras e objetivas quanto à fixacão dos direitos subjetivos e adjetivos de participação" Este motivo apresentado pela autoridade fiscal é simplesmente alheio àquilo que está inserido nas convenções coletivas de trabalho. As regras quanto aos direitos subjetivos e adjetivos de participação estão ali inseridas de forma clara e objetiva, ou melhor, de forma matemática, vinculando todos os trabalhadores e empresas. Evidentemente, por se tratar de convenção coletiva de trabalho com abrangência nacional, não existem metas individualizadas. Mas tratase de acordo de participação nos lucros e, consoante Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 545 34 autorizado pela Lei 10.101/2000, tal modalidade negocial demanda apenas métricas de lucratividade e não metas individualizadas. Dessa forma, também este motivo apresentado pela autoridade fiscal não se sustenta antes urna análise jurídica mais detida, devendo, portanto, ser reconhecida a validade do conteúdo das convenções coletivas de trabalho e a natureza não salarial das verbas pagas em seu cumprimento. Da autuação referente à Participação paga em razão de Plano Próprio (2004). O Banco Merrill Lynch foi autuado em razão do pagamento de PLR a seus empregados na forma do disposto no acordo de participação nos lucros ou resultados firmado com comissão de trabalhadores. Os fundamentos apresentados para tanto são os que seguem: (i) a comissão do Banco Merrill Lynch teria sido integrada somente por uma pessoa, a qual, como procurador, não detinha poderes para representar sozinho a empresa e atos dessa monta; (ii) não teria havido participação de representante do sindicato nas negociações; iii) o plano não teria sido registrado e arquivado na entidade sindical; (iv) o acordo não contaria com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação; (v) os valores pagos substituiriam os bônus; (vi) não teria havido conhecimento prévio das metas pelos trabalhadores; e (vii) montante dos valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção da PLR. Consoante abordado acima, os acordos de participação em lucros ou resultados são procedimentos formais, que demandam o atendimento ao conteúdo determinado em lei quanto à forma e conteúdo. E o acordo referente ao ano de 2004, com pagamento em 2005, atende a todos esses requisitos, senão vejamos. No tocante a seu conteúdo, o acordo mencionado atende integralmente à finalidade legal, na medida em que proporciona efetiva integração entre capital e trabalho. De fato, o plano está pautado em metas individuais de produtividade e performance, as quais são previamente estabelecidas, por escrito, para cada empregado e área, sendo ao final do exercício avaliadas também por escrito. Adicionalmente metas de negócios (lucratividade) Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 546 35 definem o total a ser distribuído, vinculando assim o plano a lucros e resultados do Banco Merrill Lynch. As regras referentes a direitos substantivos constantes do acordo de participação nos lucros ou resultados são claras e objetivas, com pisos e tetos claramente delineados, bem como métricas matemáticas para cálculo das participações individuais (cláusula 4 do plano). Também as regras adjetivas, relacionadas à aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, são estabelecidas de forma clara e objetiva no plano (cláusula 5), autorizando a todos os trabalhadores o acompanhamento de seu atingimento. Quanto ao acompanhamento, vale lembrar, o Banco Merrill Lynch divulga periodicamente a todos os seus trabalhadores os níveis de atingimento financeiro, tanto por emails quanto em reunião trimestral consoante anteriormente abordado, de modo que é a todos franqueada a aferição periódica do cumprimento ou não das metas inseridas no plano. Do ponto de vista formal, também o plano atende a todos os requisitos legais. A forma adotada é de negociação com comissão de empregados consoante abordado anteriormente, a Lei 10.101/2000 não exige a formação de comissão paritária, mas, unicamente, de comissão escolhida pelas partes. E é essa a forma adotada pelo plano: um representante indicado pelo Banco e outros eleitos por seus empregados. Quanto à participação sindical, este foi devidamente convidado a integrar a comissão de negociação, recusandose, entretanto, à solicitação de tal convocação, especificando que "durante a auditoria o sujeito passivo apresentou uma carta, datada de 01 de março de 2001, dirigida ao Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, na qual informa que pretende alterar o acordo de PLR aprovado e assinado pelas comissões (Banco e empregados) em 26 de novembro de 1998 e para tanto, solicita a indicação de um representante do sindicato para integrar a comissão de empregados. Avisa ainda a data, horário e local da futura reunião para discussão e aprovação do acordo. O contribuinte apresentou, ademais, cópia do jornal Gazeta Mercantil, de 2, 3 e 4 de março de 2001, onde fez publicar uma convocação ao sindicato visando a indicação de um representante para integrar a comissão de empregados em reunião, que seria realizada em 07 de março de 2001, para acordo de PLR. Ressalta nesta que a convocação estava sendo feita pela imprensa tendose em vista a recusa do Sindicato em receber carta do mesmo teor, encaminhada diretamente à entidade sindical ". De fato, conforme comprovam os documentos exemplificativamente juntados aos autos, o sindicato Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 547 36 representativo dos trabalhadores do Banco Merrill Lynch adotou, historicamente, entendimento no sentido da não realização de acordos de participação nos lucros ou resultados que não por meio de acordos coletivos de trabalho e convenções coletivas de trabalho. E, como conseqüência de sua postura ideológica, negouse repetidas vezes a integrar comissões de negociação. A negativa incluía também qualquer formalização, desde o recebimento da cartaconvite até o recebimento do plano negociado e seu arquivamento. Tratase de um impasse anterior a qualquer negociação. Ocorre que a Lei 10.101/2000 apenas aporta mecanismos de resolução para situações de impasse em negociação (artigo 4°), não tratando da situação de simples recusa sindical. E não o faz porque, de fato, as partes envolvidas no estabelecimento de participação nos lucros ou resultados são empresa e seus empregados. Estes são os legítimos titulares do direito aqui debatido. Nesse sentido é claro o artigo 2° da Lei 10.101/2000: participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Ocorre que, não apenas a Lei 10.101/2000 é silente quanto a meios para solução do impasse prénegociação por meio de comissão, mas também a Consolidação das Leis do Trabalho o é. O texto consolidado apenas aporta critérios para solução de impasse ou recusa à negociação coletiva (isto é, à participação em convenções ou acordos coletivos de trabalho). Para a situação específica de recusa sindical à integração de comissão de trabalhadores não há previsão legal. Mas, evidentemente, os trabalhadores não podem ter seu direito ao recebimento de participação nos lucros ou resultados eliminado pelo posicionamento sindical de não integrar comissão de negociação. Tal direito é constitucionalmente assegurado e deve ser respeitado. Ante o impasse formado, não reconhecido nem solucionado pela legislação vigente, optou o Banco Merrill Lynch por atender a finalidade do texto legal e, reconhecendo o direito constitucionalmente garantido a seus empregados, realizar diretamente a negociação com a comissão. Assim, devidamente comprovada a recusa sindical (carta enviada e publicação no jornal Gazeta Mercantil consoante reconhecimento da autoridade fiscal), bem como a legitimidade do procedimento adotado para garantia do direito constitucionalmente assegurado, e o cumprimento aos critérios de conteúdo do acordo firmado, têmse por integralmente cumpridas as exigências legais, devendo, portanto, ser reconhecida a validade do acordo e a natureza não salarial do pagamento efetuado. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 548 37 No tocante especificamente aos motivos apresentados pela autoridade fiscal para a autuação referente a este acordo, nenhum deles apresenta fundamento na norma ou na realidade aplicável. Motivo (i): a comissão do Banco Merrill Lynch teria sido integrada somente por uma pessoa, a qual, como procurador, não detinha poderes para representar sozinho a empresa e atos dessa monta. A Lei 10.101/2000 não demanda a existência de comissão paritária, muito menos de comissão formada por idêntico número de representantes de empresa e empregados. Apenas exigese que a comissão seja escolhida pelas partes, o que de fato ocorreu. Quanto à existência de procuração e à exigência societária de dupla assinatura, o artigo 653 do Código Civil prevê que o mandato pode ser inclusive verbal, consistente na determinação, por parte do outorgante, de que determinada pessoa o represente em certo negócio jurídico. Mas, ainda que o empregado mencionado pela autoridade fiscal não possuísse, originalmente, poderes em extensão suficiente para a assinatura do acordo o que consoante parágrafo acima não reflete a realidade , seus atos seriam regidos pelo teor do artigo 662 do Código Civil, o qual claramente especifica a possibilidade de ratificação por ato inequívoco, a qual retroage à data do ato. Ou seja, ao dar cumprimento ao acordo firmado mediante negociação com comissão de trabalhadores, o Banco Merrill Lynch ratificou os atos praticados pelo procurador, sendo que tal ratificação retroagiu para conferir validade a tais atos. Portanto, o motivo (i) apresentado pela autoridade fiscal não se sustenta juridicamente. Motivo (ii): entendeu a autoridade fiscal que não teria havido participação de representante do sindicato nas negociações e Motivo (iii): entendeu a autoridade fiscal que o plano não teria sido registrado e arquivado na entidade sindical. Tal como explicitado acima, a negativa sindical à indicação de representante em comissão de negociação não pode ser de forma a excluir aos trabalhadores o direito constitucionalmente assegurado de recebimento de participação nos lucros ou resultados. Mais ainda, em se considerando que os titulares da negociação, consoante o caput do artigo 2° da Lei 10.101/2000 são empresa e empregados, bem como que nenhuma norma aparta procedimentos para solução desse tipo de impasse, o procedimento adotado pelo Banco Merrill Lynch é juridicamente Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 549 38 embasado, não havendo que se falar em qualquer irregularidade. Motivo (iv): entendeu a autoridade fiscal que o acordo não contaria com regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação. Ao contrário do entendimento apresentado pela autoridade fiscal, o acordo de participação nos lucros e resultados referente ao ano 2004 possuía regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos subjetivos e adjetivos de participação. Tais regras foram estabelecidas no plano e em seu anexo de forma matemática, com pisos de pagamento e vinculação a resultados financeiros. A estrutura básica do plano foi delineada junto aos trabalhadores em negociação direta, resultando nos seguintes critérios: a) Montante para distribuição: no mínimo 5% do lucro liquido contábil. O valor efetivo a ser distribuído depende do desempenho global, do desempenho na América latina, do desempenho no Brasil e do desempenho das áreas específicas de atuação do Banco Merrill Lynch; b) Valores individuais: os valores a serem individualmente distribuídos variam em razão dos segmentos de negócios em que os trabalhadores atuam e em razão do atingimento de metas de desempenho individual em decorrência do processo de avaliação vigente. Os segmentos de negócios são divididos em três categorias, em razão das funções desempenhadas: (i) operacionais e administrativas; (ii) funções de média gerência; (iii) funções de direção. As categorias de desempenho individual observam a seguinte gradação: (i) metas parcialmente cumpridas; (ii) metas cumpridas; e (iii) metas excedidas e são formalizadas em avaliações periódicas. O montante para distribuição, definido consoante índices de desempenho acima, é estabelecido no plano como um mínimo de 5% do lucro líquido contábil. Consoante demonstração financeira juntada, o lucro líquido contábil no ano de 2004 foi de US$ 16.054.000,00. O valor distribuído pelo Banco Merrill Lynch no período foi de R$ 18.126.293,87, ou seja, dentro do patamar estabelecido no acordo. Junta planilhas. Com relação aos montantes mínimos anuais a serem recebidos individualmente por cada trabalhador, com relação a este plano, estes são calculados de acordo com a tabela anexa ao instrumento. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 550 39 Vale esclarecer que, na forma do plano de participação nos lucros e resultados vigente, não existe teto de valor a ser distribuído nos termos da cláusula 4 do plano. De forma a auxiliar na compreensão do funcionamento das metas e critérios acima indicados, apresentase abaixo uma listagem exemplificativa de trabalhadores ocupantes de funções das três categorias antes descritas com os cálculos das participações recebidas, comprovandose o exato cumprimento do teor do acordo vigente. Em razão de problemas de sistema, especialmente de arquivos de avaliação que foram corrompidos em determinado momento, apresenta amostragem que representa uma população de 14 pessoas que trabalham em áreas de apoio e de negócios, preferencialmente que tenham recebido participação durante o período fiscalizado. Verificase da análise das regras e valores acima especificados que, com relação ao ano de 2004, não apenas foram estabelecidos critérios objetivos para definição e acompanhamento de metas, mas ainda houve integral cumprimento do conteúdo do acordo: (a) o valor mínimo de distribuição geral foi observado; (b) os valores mínimos de distribuição individual foram observados, pelo que a motivação apresentada pela autoridade fiscal não se sustenta. Motivo (v): entendeu a autoridade fiscal que não teria havido conhecimento prévio das metas pelos trabalhadores. Ao contrário do que defende a autoridade fiscal, as metas eram de conhecimento prévio por todos os trabalhadores do Banco Merrill Lynch. Quanto às metas financeiras existentes no plano, estas foram negociadas e definidas já em 2001, muito antes do anobase aqui tratado. Recordese que o plano foi mantido integralmente desde essa data. Quanto às metas individuais, conforme comprovam os documentos juntados, estas fazem parte do programa de desenvolvimento humano do Banco Merrill Lynch sendo discutidas e definidas conjuntamente pelo empregado e seu gestor antes do início do anobase. Todas essas métricas, repisese, são objeto de acompanhamento e avaliação conjunta. As métricas financeiras são de acompanhamento periódico durante o ano e as métricas de desenvolvimento individual são objeto de reavaliação, conjuntamente realizada entre empregado e gestor. Dessa forma, não há que se falar em desconhecimento de metas por parte dos trabalhadores. Motivo (vi): entendeu a autoridade fiscal que os valores pagos substituiriam os bônus e Motivo (vii): o montante dos valores Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 551 40 pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção da PLR. Novamente incorre em erro a autoridade fiscal ao apresentar entendimento no sentido de que a participação distribuída substituiria um bônus anual, justificandoo em uma alegada desproporção entre saláriobase e PLR e no fato de que nem todos os empregados recebem o mesmo múltiplo de salários. Inicialmente devese considerar que nem a Constituição Federal nem a Lei 10.101/2000 estabelecem limite para a participação dos trabalhadores em lucros ou resultados das empresas. Referidas normas tampouco exigem que todos os trabalhadores recebam idênticos valores, ou, menos ainda, que a participação seja calculada como um número determinado de salários. E, ante o princípio da legalidade, onde a norma não estabelece limite, não cabe ao fiscal fazêlo. Um segundo elemento de evidente relevância é a diferença gritante existente entre os conceitos de participação nos lucros ou resultados e de remuneração. A remuneração tem por finalidade compensar o trabalhador pelo serviço prestado a seu empregador, a participação nos lucros ou resultados tem como finalidade diminuir a distância entre essas partes, integrando capital e trabalho. Analisando o plano referente ao ano 2004, constatase que nenhum empregado da impugnante possuía, como objeto de seu contrato de trabalho, a geração de determinado patamar de lucro. Também as metas individuais diziam respeito unicamente ao desenvolvimento humano e, em se tratando de metas meramente comportamentais, estas não poderiam ser consideradas objeto dos contratos de trabalho. Em suma, o próprio teor do plano e as metas nele inseridos demonstram que os valores distribuídos a título de participação nos lucros ou resultados não eram gerados com base em produção ou em qualquer item relacionado à execução dos contratos de trabalho. Ao contrário, eram metas pautadas em lucratividade geral e desenvolvimento pessoal, não correspondendo, sequer de longe, às obrigações nos contratos de trabalho. Quanto à alegada desproporção entre salários anuais e participação distribuída, devese considerar, primeiramente, que o banco paga e sempre pagou a seus empregados salários compatíveis com a média de mercado. Se o salário pago pela impugnante é compatível com aquele pago por seus pares, resta evidente a inocorrência da alegada substituição de salário por participação nos lucros e resultados. Ao contrário, em suas análises estatísticas, a autoridade fiscal esqueceuse de comparar os elementos justificadores dos valores distribuídos: os resultados financeiros do Banco no período. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 552 41 Em sendo a finalidade da participação nos lucros ou resultados a integração entre capital e trabalho, como justificar que, em um ano de excelente resultado financeiro, os empregados do banco não recebessem participação também significativa? Lembrando apenas que o lucro liquido contábil no ano de 2004 foi de US$ 16.054.000,00. Por fim, alega ainda a autoridade fiscal que haveria desproporção entre o número de múltiplos de salários recebidos pelos diferentes segmentos do banco, o que, em seu entendimento, descaracterizaria a natureza de participação nos lucros ou resultados. Mais uma vez sem razão a autoridade fiscal, pois o acordo de 2004 é permeado pela firme crença no sentido de que somente a integração do colaborador ao negócio é que pode trazer a satisfação indivíduo, mas não a via inversa. Dentro deste contexto, de política global de integração entre capital e trabalho, que a comissão de negociação definiu métricas específicas com a finalidade de tornar cada um dos empregados em um participante do negócio, promovendo sua contribuição individual e coletiva no empreendimento. O Banco Merrill Lynch é um banco de investimentos. Em razão disto, o exercício de sua atividade empresarial se dá por meio da atuação de suas áreas de negócios, as quais são: renda fixa, renda variável, investimentos diretos, banco de investimentos (IBK) e pesquisas econômicas (área híbrida). São essas as áreas que trarão os negócios para o banco, prospectarão novos clientes, e é nelas que estão concentradas as metas mais agressivas a serem atingidas por seus integrantes. É deles que se cobrará mais, pois eles é que poderão influenciar de maneira efetiva no sucesso do empreendimento. Entretanto, para a realização de suas atividades, as áreas de negócios não são suficientes. São as áreas de suporte que garantem a possibilidade de as áreas de negócios realizarem seus trabalhos. As áreas de suporte são, entre outras: processamento de operações, controladoria, tecnologia de sistemas, auditoria, crédito de mercado, risco de crédito, risco operacional, serviços corporativos, jurídico, gerenciamento de projetos e recursos humanos. Essas áreas estão obrigadas a fornecer o suporte para as áreas de negócios, permitindo o melhor e mais eficiente funcionamento do banco, para atingimento das metas das áreas de negócios. Aqui os colaboradores possuem as metas menos agressivas do negócio, posto que a potencialidade de sua contribuição para a formação do resultado desejado é infinitamente menor do que aquela dos integrantes das áreas de negócios. Assim, a comissão de negociação, ao definir os critérios para o acordo de PLR do ano 2004, optou por estabelecer diferentes múltiplos para as diversas áreas de atuação. E esses múltiplos, Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 553 42 negociados e definidos pela comissão de negociação, são os diretos geradores dos valores distribuídos aos empregados. Apresenta quadro comparativo. De todo o exposto, conclui que o PLR 2004, firmado por meio de negociação com comissão de trabalhadores, encontrase totalmente inserido nos critérios legais, de forma que a natureza não salarial das parcelas pagas há de prevalecer. Da autuação referente à Participação paga em 2005 e em 2006, sob a forma de Plano Próprio O Banco Merrill Lynch foi autuado em razão do pagamento de PLR a seus empregados na forma do disposto no acordo de participação nos lucros ou resultados firmado com comissão de trabalhadores. Os fundamentos apresentados para tanto são os que seguem: (i) com relação ao pagamento realizado em 2006 (referente ao acordo de 2005), entende a autoridade fiscal estar ele atrelado ao plano anterior, firmado por negociação com comissão de trabalhadores, motivo pelo qual apresentaria as mesmas irregularidades mencionadas no tópico acima; (ii) ainda com relação ao pagamento realizado em 2006 (referente ao acordo de 2005), entende a autoridade fiscal não ter havido conhecimento prévio das metas por parte dos trabalhadores; (iii) com relação aos pagamentos realizados em 2006 e 2007, a autoridade fiscal entende que como o plano foi negociado com o sindicato somente em 19 de maio de 2006, ele seria retroativo ao período base da participação; e (iv) com relação aos pagamentos realizados em 2006 e 2007, o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção do beneficio da PLR. Consoante abordado acima, os acordos de participação em lucros ou resultados são procedimentos formais, que demandam o atendimento ao conteúdo determinado em lei quanto à forma e conteúdo. E o acordo referente aos anos de 2005 e 2006, com pagamentos em 2007 e 2008, respectivamente, atende a todos esses requisitos. Primeiramente, há que se consignar a incorreção na análise da Sra. Agente Fiscal, o qual considerou que o teor do acordo firmado em 2001 fora aplicado para os fins da participação referente ao anobase 2005. Ao contrário, com o início das negociações com o sindicato, o que ocorrera já em 2005, referido plano não mais foi aplicado, não tendo sido base de qualquer participação a partir dessa data. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 554 43 De fato, o plano aplicado para o anobase 2005, com pagamento em 2006, foi aquele firmado juntamente com a entidade sindical, o qual abrange os anosbase 2005 e 2006. Esclarecido esse ponto, passase à analise dos requisitos de validade do plano firmado. No tocante aos aspectos formais, retomando o conteúdo da tabela inserida às fls. 21 desta defesa, entendemse como elementos obrigatórios: (a) a modalidade legal de negociação, seja por comissão, seja por acordo coletivo ou convenção coletiva de trabalho; e (b) o arquivamento do instrumento no sindicato representativo dos trabalhadores. Ambos os elementos foram cumpridos no plano de participação nos lucros ou resultados dos anosbase 2005 e 2006. Mais ainda, mesmo não se tratando de exigência da Lei 10.101/2000, o sindicato representativo dos empregados do Banco Merrill Lynch levou o acordo coletivo de trabalho a registro perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Assim, todas as formalidades legais para o estabelecimento de participação nos lucros ou resultados foram cumpridas pelo acordo aqui tratado. No tocante aos aspectos materiais, isto é, relacionados ao conteúdo do plano, as exigências legais são de: (a) objeto de integração entre capital e trabalho, não correspondente a uma contraprestação pelo serviço prestado; (b) existência de regras claras e objetivas quanto à fixação do objeto da participação (“direitos substantivos da participação"); (c) existência de regras claras e objetivas quanto à fixação das regras para distribuição do montante entre trabalhadores regras adjetivas da participação"), incluindo mecanismos para aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Todos esses requisitos também foram cumpridos pelo plano. Da mesma forma como ocorreu com relação ao acordo de 2004, mas de modo muito mais abrangente e significativo, as partes envolvidas na negociação, neste caso o Banco Merrill Lynch e o sindicato representativo de seus empregados, definiram métricas específicas com a finalidade de tornar cada um dos empregados um participante do negócio, promovendo sua contribuição individual e coletiva ao empreendimento. Especificamente com relação às regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e das regras adjetivas, estas estão discriminadas no plano e em seus anexos de forma matemática, inserindose ali todas as variáveis que permitem o cálculo exato do montante a ser distribuído, individualmente, a cada empregado mínimos e máximos. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 555 44 Nesse sentido, vale analisar o conteúdo do Anexo I ao Plano de Participação nos Resultados Metas e Critérios de Apuração. Referido anexo aparta todos os conceitos e metas, descritos individualizadamente, bem como a fórmula de cálculo da participação. O Anexo II ao Plano de Participação nos Resultados Critérios de Apuração Área de suporte e o Anexo III ao Plano de Participação nos Resultados Critérios de Apuração Área de Negócios trazem as regras adjetivas para avaliação individual e múltiplos a serem pagos a cada trabalhador. Também discriminam, esses anexos, as categorias de avaliação de desempenho e as metas de performance individual utilizadas para a realização dessa avaliação de desempenho. De fato, o plano de participação nos lucros ou resultados dos anos 2005 e 2006 aprimorou as regras anteriormente existentes relativas à participação dos empregados em lucros e resultados de forma a contemplar as diferenças entre duas grandes áreas do Banco Merrill Lynch, a saber, as áreas de suporte e de negócios, as quais possuem características bastante distintas, com potencialidade de influenciar o resultado final local proporcional às suas atribuições. Nesse sentido, o novo Acordo Coletivo de Trabalho prevê a necessidade de divulgação das metas locais, regionais e globais no primeiro trimestre de cada ano, prevê valores mínimos e máximos a serem recebidos, prevê a fórmula de cálculo das respectivas participações, bem como a maneira pela qual serão aferidas as colaborações de cada indivíduo, vide plano anexo. Os valores mínimos a serem recebidos são aqueles constantes da Convenção Coletiva de Trabalho acrescidos de R$ 200,00 (Anexo I, Cláusula 2). Os valores máximos a serem recebidos individualmente pelos trabalhadores do Banco Merrill Lynch são determinados pela aplicação da fórmula abaixo: Assim, 50% da participação devida aos trabalhadores ficam vinculados ao alcance de metas globais (uma vez atingidas as metas, abrese a possibilidade de recebimento dessa parcela de participação), sendo que os 50% restantes estão vinculados ao alcance de metas locais. Alcançadas as metas globais e locais, a participação de cada trabalhador é calculada com base na multiplicação do nível de Fl. 555DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 556 45 alcance de metas individuais com seu salário "anualizado", ou seja, 13 vezes o saláriobase bruto do empregado. Adicionalmente, situações excepcionais são tratadas diferenciadamente no acordo de participação nos resultados, podendo acarretar incremento na participação individual, são as chamadas "regras especiais". Essas regras foram inseridas no acordo para autorizar a correção de eventuais desvios e distorções que a aplicação da regra geral poderia acarretar. Exemplificativamente, como a participação individual é calculada com base no valor de salário em 31 de dezembro do ano de referência do acordo, juntamente com o nível hierárquico de cada trabalhador, eventuais promoções no correr no ano poderiam acarretar, não fossem as regras especiais, injustiças para trabalhadores envolvidos. Por esse motivo, e para permitir o ajuste desse tipo de situação e a acomodação do trabalhador à sua nova função, é que se prevê na "Regra Especial 1” na possibilidade de incremento excepcional da participação para empregados promovidos. Quanto à “Regra Especial 2”, esta contempla a população de empregados que possui atribuições não apenas locais, mas também regionais. Essas pessoas têm seu tempo dividido entre diferentes locais, de modo que a simples avaliação consoante a regra geral poderia levar a situação de injustiça, comparandose com os trabalhadores focados em uma única região. O mesmo ocorre com a "Regra Especial 3", a qual contempla população que divide suas atribuições regional e globalmente, também estando sujeitas a potenciais necessidades de acomodação. A título exemplificativo, apresenta alguns cálculos de participações distribuídas em relação aos anosbase 2005 e 2006. Conclui que da demonstração apresentada os valores pagos individualmente aos trabalhadores do Banco encontram se discriminados e justificados pelo conteúdo do Acordo Coletivo de Trabalho e, portanto, todas as regras legais atinentes a tais planos de participação nos lucros ou resultados foram devidamente cumpridas. Especificamente em relação aos motivos apresentados pela Sra. Agente Fiscal, estes não devem prosperar: Motivo (i) entendeu a autoridade fiscal, com relação aos pagamentos realizado em 2006 (referente ao acordo de 2005), que ele estaria atrelado ao plano anterior, firmado por negociação com comissão de trabalhadores. motivo pelo qual apresentaria as mesmas irregularidades mencionadas no tópico acima. Diferentemente do entendimento adotado pela autoridade fiscal, a PLR ano base 2005 foi estabelecida, calculada, apurada e paga consoante Acordo Coletivo de Trabalho firmado com a entidade sindical representativa dos trabalhadores envolvidos. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 557 46 Assim, não há que se falar em aplicação ou extensão das alegadas mas inexistentes, consoante já comprovado irregularidades do plano anterior. Motivo (ii) entendeu a autoridade fiscal, com relação ao pagamento realizado em 2006 (referente ao acordo de 2005) que não teria havido conhecimento prévio das metas por parte dos trabalhadores. A contrário do entendimento apresentado pela autoridade fiscal, as metas foram previamente comunicadas aos trabalhadores, os quais possuíam, ainda, métodos para aferição de seu atingimento. As metas individuais são aquelas utilizadas ordinariamente pelo banco para avaliação de seus trabalhadores. Essas metas são discutidas e definidas conjuntamente pelos empregados e seus gestores, antes do início de cada ano, sendo que os empregados tomam ciência de suas metas e as aprovam no sistema informatizado do banco. As metas de lucratividade são divulgadas por emails aos empregados, os quais recebem, ainda, relatórios periódicos da evolução da lucratividade do banco, de forma a poderem atuar no sentido de seu atingimento. Portanto, não há que se falar em ausência de conhecimento de metas. Motivo (iii): entendeu a autoridade fiscal, com relação aos pagamentos realizados em 2006 e 2007, que como o plano foi negociado com o sindicato somente em 19 de maio de 2006, ele seria retroativo ao período base da participação. Motivo (iv): entendeu a autoridade fiscal. com relacão aos pagamentos realizados em 2006 e 2007. que o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizam a natureza e intenção do benefício da PLR. Novamente arvorase em erro a autoridade fiscal ao apresentar entendimentos pautados em requisitos que a legislação não exige para fins de PLR. Com relação à data de assinatura do acordo, tratase apenas da ocorrência da formalização do documento, o qual já fora negociado e informado aos empregados anteriormente. A assinatura de acordo coletivo de trabalho com vigência retroativa, inclusive, é praxe decorrente do próprio conceito de database, em que as panes negociam cláusulas e condições e estabelecem sua vigência para a mesma data todos os anos, independentemente da demora na negociação. A demora na negociação e a vigência retroativa de cláusulas de cunho econômico são realidade inerente aos acordos e convenções coletivas de trabalho. Negar sua aplicação às situações em que esses acordos e convenções tratam de PLR Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 558 47 seria recusar validade aos dispositivos da própria Lei n° 10.l01/2000. Com relação ao argumento da autoridade fiscal no sentido de que a participação distribuída substituiria um bônus anual, o qual justificaria, em sua interpretação, numa alegada desproporção entre saláriobase e PLR, devese considerar que nem a Constituição Federal, nem a Lei 10.101/2000 estabelecem limite para a participação dos trabalhadores em lucros ou resultados da empresa. Também, citadas normas tampouco exigem que todos os trabalhadores recebam idênticos valores, ou, mesmo ainda, que a participação seja calculada com um número determinado de salários. E, ante o princípio da legalidade, onde a norma não estabelece limite, não cabe ao fiscal fazêlo. Portanto, a argumentação da autoridade não deve prosperar. Da autuação referente à Participação Paga em 2007 e em 2008, sob a forma de Plano Próprio O banco foi autuado em razão do pagamento de PLR a seus empregados na forma do disposto nos acordos de participação nos lucros ou resultados firmado com o sindicado representativo de seus trabalhadores, sob os seguintes argumentos: (i) os planos, firmados na segunda metade de cada ano base (31/08/2007 e 09/ 12/2008, respectivamente), seriam retroativos ao período base da participação. (ii) os valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção do beneficio da PLR. (iii) quanto ao acordo referente ao ano base 2008, os valores ali previstos teriam sido pagos integralmente dentro do ano base e, portanto, antes da apuração dos resultados; e (iv) quanto ao acordo referente ao ano base 2008, teria havido três pagamentos durante o ano civil. Assevera que os acordos referentes aos anos base 2007 e 2008 atendem integralmente os requisitos legais, apresentando a seguir os argumentos já trazidos em sua impugnação em relação aos aspectos formais, materiais e às regras claras e objetivas. Argumenta que os motivos apresentados pelo Sr. Auditor Fiscal para a autuação realizada não merecem prosperar. Motivo (i): entendeu a autoridade fiscal que os planos firmados na segunda metade de cada ano base (31/08/2007 e 09/12/2008, respectivamente), seriam retroativos ao período base de participação. Motivo (ii): entendeu a autoridade fiscal, com relação aos pagamentos realizados em 2008 e 2009, que o montante dos valores pagos e sua forma de distribuição descaracterizariam a natureza e intenção do benefício da PLR. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 559 48 [...]. Reportase às alegações acerca do assunto trazidas em sua impugnação, para a vigência retroativa e também quanto ao argumento da autoridade fiscal no sentido de que a participação distribuída substituiria um bônus anual. Motivo (iii): entendeu a autoridade fiscal, quanto ao acordo referente ao ano base 2008, que os valores ali previstos teriam sido pagos integralmente dentro do ano base e, portanto, antes da apuração dos resultados. Motivo (iv): entendeu a autoridade fiscal, quanto ao acordo referente ao ano base 2008, que teria havido três pagamentos durante o mesmo ano civil. Relativamente ao motivo (iii), o pagamento de valores dentro do ano base e antes da apuração de resultados, devese considerar que a Lei 10.101/2000 autoriza a antecipação do pagamento da PLR, desde que as partes constatem a realidade de que, ao final do plano, haverá o efetivo atingimento das metas e desde que realizada em periodicidade superior a um semestre civil, ou em até duas vezes no mesmo ano civil. Assim, não existe vedação legal à realização de antecipação, desde que entre a antecipação e o efetivo pagamento respeitese a regra da semestralidade. Quanto à constatação de efetivo atingimento das metas, essa é facilmente atingível mediante os instrumentos de aferição do cumprimento de metas, estes já exaustivamente tratados nesta defesa. O motivo (iv) também diz respeito à regra da semestralidade. Com relação a esta regra, temse que ela é estabelecida para garantir que o empregador não se utilize da figura da PLR para manter seus empregados. Em outras palavras, para que não haja substituição de remuneração por participação o que não é o caso presente impedese o pagamento mensal de participação, impossibilitando assim sua utilização para manutenção do “fluxo de caixa” dos trabalhadores. Logo, a regra da semestralidade diz respeito aos efetivos pagamentos de participação recebidos por trabalhadores, e não aos desembolsos realizados pelo empregador. Apenas considerase violadora de regra da semestralidade a hipótese de determinado empregado receber mais de um pagamento de PLR em um semestre civil ou mais de dois durante o ano civil. Aduz que nenhuma das situações mencionadas pelo agente fiscal diz respeito a essa hipótese. Com relação aos anos de 2007 e 2008, devese constatar que cada um os empregados do banco apenas recebeu um pagamento a título de PLR própria de cada um desses anos. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 560 49 As divergências alegadas pela autoridade fiscal dizem respeito ao pagamento da proporcionalidade a desligados (rescisão), o que está embasado nos respectivos planos e na melhor jurisprudência trabalhistas. Também ocorreram divergências de data de pagamento quanto a“ana1istas de negócios”. Esses profissionais recebem a PLR própria no mês de julho, mas ainda em um único pagamento anual. Em relação aos supostos três pagamentos durante o ano civil, afirma que não houve tal prática quanto a nenhum dos beneficiários: a PLR própria foi sempre paga em uma única parcela anual (quer janeiro, julho, dezembro, sendo este último apenas relativo ao ano de 2008). Quanto à PLR sindical, nos anos de 2007 e 2008 há obrigação de pagamento de parcela adicional até o mês de março (paga em fevereiro), justificandose assim todos os pagamentos encontrados pela autoridade fiscal. Subsidiariamente, entretanto, vale tratar que acaso tivesse ocorrido, quanto a algum beneficiário, o pagamento incorreto de mais de duas parcelas de PLR em determinado ano civil, esse erro não seria de forma a invalida: todo plano de PLR. Ao contrário, apenas a parcela violadora da norma, isto é, o terceiro pagamento efetuado para aquele beneficiário durante o ano civil é que estaria a descoberto do texto legal. Apresenta julgados relativos ao PLR para corroborar seus argumentos trazidos em sua defesa. Da necessidade de revisão do valor da multa aplicada Não há motivo legal que permita que a cobrança da multa de mora aplicada no lançamento ocorra nos moldes pretendidos pela sra. Agente fiscal. [...], a sra. Agente Fiscal levou em consideração, para apuração do valor da multa “mais benéfica” a ser aplicada, os valores vinculados às obrigações principais somandoos aos valores vinculados às obrigações acessórias. [...] Reforça o entendimento do impugnante o fato de que as multas vinculadas ao descumprimento de obrigações principais e acessórias são totalmente distintas e não se comunicam (em hipótese alguma). [...] Logo, o procedimento adotado pela Sra. Agente Fiscal é ilegal e, portanto, o valor da multa aplicada (acaso seja julgada procedente, o que se admite apenas a título de argumentação) deve ser calculado de acordo com as antigas disposições do Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 561 50 artigo 35 da Lei n° 8.212/91, desconsiderandose o valor das multas relacionadas a obrigações acessórias. Da ilegalidade da majoração da multa pelo decurso do tempo Não há motivo legal que permita que a cobrança de multa de mora seja majorada no tempo. Isso porque, ao determinar a progressão do percentual da multa de mora lastreada em fatores diversos da gravidade da ilicitude in casu , a mora e a prática de atos administrativos ao longo do tempo (tais quais a apresentação de defesa ou recurso administrativo, o pagamento parcial ou integral do tributo, a inscrição em dívida ativa, o ajuizamento de execução fiscal e etc.) o artigo 35 da Lei n. 8.212/91 acabou por fazer com que a multa de ofício assumisse a função compensatória que é própria exclusiva dos juros de mora, o que acaba por configurar o malfadado “bis in idem”. [...] E, nem se alegue que a aplicação do artigo 35 da Lei n. 8212/91 se justificaria pelo fato de se tratar de ato vinculado da Administração (oriundo do princípio da legalidade), pois a aplicação de um princípio (no caso, o da legalidade) deve ser ponderado em relação à aplicação de princípios como o da razoabilidade, e, principalmente, o da proporcionalidade. Apresenta doutrina. Aponta que a cobrança de multa de mora progressiva no tempo (tal como estava prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/91) restou revogada com a edição da MP 449/08. Reproduz o artigo 24 da citada medida provisória. No mesmo sentido, reproduz o artigo 61 da Lei n. 9430/96 argumentando que tais disposições, atreladas à norma contida no artigo 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, conduz à conclusão de que a multa de mora exigida no presente caso não pode ser superior ao 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade. Do descabimento da Taxa Selic Insurgese quanto a aplicação da Taxa Selic considerandose a sua natureza remuneratória, sua inconstitucionalidade, bem como a ilegalidade em sua aplicação, com a natureza de juros de mora. Reproduz doutrina e jurisprudência. Da ilegal imputação de responsabilidade tributária Refuta a imputação de responsabilidade solidária aos seus sócios e administrador, com fundamento nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, uma vez que não ocorreram as hipóteses previstas nesses dispositivos legais. Reproduz jurisprudência. Insurgese também quanto a possível alegação de que a falta de recolhimento de contribuições previdenciárias poderia Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 562 51 configurar infração à legislação para fins de imputação de responsabilidade tributária. Reproduz jurisprudência. Ressalta ainda que de acordo com o artigo 13, parágrafo único da Lei n. 8.620/93, a responsabilidade solidária dos sócios ou gerentes darseá somente quando provado pelo fisco o inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados. Reproduz jurisprudências. Conclui que jamais poderão ser exigidos quaisquer valores por parte de pessoas distintas da impugnante, sob pena de ilegalidade, motivo pelo qual deverão ser excluídos do presente processo administrativo. Pedidos (i) seja julgado integramente improcedente o Auto de Infração, com a consequente extinção do crédito tributário nele consubstanciado, para os devidos fins de direito, e; (ii) independentemente do acolhimento do pedido acima, sejam imediatamente excluídas as pessoas arroladas no “Relatório de Vínculos” do pólo passivo da autuação fiscal. A DRJ/SP1 julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: TERCEIROS. RECOLHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. As contribuições destinadas aos Terceiros devem ser recolhidas juntamente com as contribuições previdenciárias, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil efetuar sua cobrança. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica MULTA DE MORA. LEGALIDADE. Não há que se falar em ilegalidade da cobrança da multa de mora quando aplicada nos estritos termos da legislação vigente. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Não cabe em sede de processo administrativo a discussão sobre legalidade ou constitucionalidade de lei. TAXA SELIC. É lícita a aplicação da taxa SELIC para as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal, em atraso, incluidas em Auto de Infração. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. FINALIDADE. O relatório denominado “Vínculos” tem por finalidade tão somente listar as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas pelo pagamento do crédito lançado, nas hipóteses previstas em lei, por ocasião de sua execução judicial. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 563 52 Intimado da decisão em 30/08/2010, através de aviso de recebimento, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 27/09/2010, no qual basicamente reafirmou os mesmos fundamentos da sua impugnação, com exceção do ponto atinente aos coresponsáveis, que não foi objeto de recurso. Sem manifestação ou contrarrazões pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Como o MPF tinha como objeto a fiscalização das contribuições relativas ao período de apuração de 01/2005 a 01/2007, a recorrente entende que não poderiam ter sido analisados os documentos relativos ao ano de 2004. Ela ainda entende que houve decadência parcial. Sem razão o sujeito passivo. Das informações constantes dos autos, depreendese, exemplificativamente, que a PLR exercício 2005 estava calcada numa Convenção Coletiva de 2004 (CCT), de tal maneira que é óbvio que a fiscalização poderia examinála. Tal convenção, a propósito, poderia fazer prova a favor do sujeito passivo e não faria o menor sentido impedir a sua averiguação. A par disso, e como bem pontuado pela DRJ, o § 3º do art. 7º da Portaria vigente à época, a Portaria RFB 11.371/2007, contemplava expressamente a situação, para esclarecer a possibilidade de verificação de documentos de outros períodos, com vista a verificar os fatos relacionados ao período de apuração correspondente. A alegação de decadência deve ser igualmente rejeitada, pois o lançamento foi realizado em 14/12/2009, quando ainda não havia transcorrido prazo superior a cinco anos nem do fato gerador da competência mais pretérita (01/2005), tampouco do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nem mesmo havendo necessidade de cogitarse de qual seria o prazo decadencial aplicável (se a homologação tácita de que cuida o art. 150, § 4º, ou o prazo de lançamento de ofício de que trata o art. 173, I, do CTN). Passase, portanto, à análise de mérito. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 564 53 3 Dos esclarecimentos iniciais Com exceção do ponto relativo ao MPF, o qual tem natureza preliminar e está relacionado à nulidade da autuação, e abstraindose a questão da decadência, a qual já foi rejeitada, o mérito e o controvertido dos autos residem em saber se a recorrente descumpriu a legislação da PLR, para efeito de viabilizar ou não a incidência das contribuições lançadas pela autoridade fiscal. Verificado, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições, tendo em vista o pagamento de remuneração, e não de PLR, pode sim o agente autuante fazer o lançamento, o que prescinde de demonstração de abuso de forma, de simulação, etc. A verificação da ocorrência do fato gerador dispensa o exame da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente e o inc. I do art. 118 do Código Tributário Nacional preleciona que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo se da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Em comentário ao citado preceito legal, o prof. Hugo de Brito Machado afirma, com precisão, que "ao Direito Tributário importa a realidade. Não a forma jurídica"1, significando dizer que basta a existência do fato, e "não se há de indagar a respeito da validade do ato ou negócio jurídico"2. À autoridade administrativa compete verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, ex vi do art. 142 do Código, o qual, a propósito, não contém qualquer disposição atinente à licitude ou ilicitude do fato que consubstancia a hipótese de incidência. Ao tratar da jurisprudência administrativa deste Conselho, em tópico atinente à elisão e evasão tributárias, a prof. Maria Rita Ferragut menciona a existência de "negócios lícitos mas não oponíveis ao Fisco"3, corroborando a importância da substância do fato, em detrimento de sua forma de exteriorização. Logo, o que importa para o direito tributário é a realidade, e não a aparente verdade resultante dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente. É irrelevante a nomenclatura do instrumento negocial ou mesmo a eventual fatura, importando, sim, identificar a materialidade da hipótese de incidência e sua efetiva ocorrência no mundo real. O princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal4. De outro modo, a desvinculação da PLR da remuneração dos trabalhadores está incondicionalmente atrelada ao cumprimento dos requisitos legais, conforme determina o inc. XI do art. 7º da CF e a Lei 10101/00. 1 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao código tributário nacional, volume II. São Paulo: Atlas, 2004, p. 396. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Obra citada, p. 388. 3 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 115. 4 STF, RE 346084 / PR. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 565 54 Feitos esses esclarecimentos, passase à análise das matérias suscitadas em grau recursal, não necessariamente observando a ordem das matérias colocadas no recurso e nem mesmo na acusação fiscal. 4 Dos planos Diante da grande quantidade de planos, vale transcrever a tabela abaixo, para fins de facilitar o presente julgamento: Planos Período Aquisitivo Assinatura Pagamento Acusações CCT 2004 novembro de 2004 2005 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa CCT 2005 outubro de 2005 2006 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa CCT 2006 outubro de 2006 2006 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa CCT 2007 outubro de 2007 2008 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa CCT 2008 novembro de 2008 2008 (i) assinatura ao final do período; (ii) inexistência de regras claras e objetivas; (iii) pagamento de parcela fixa Acordo Próprio 2004 março de 2001 (i) inexistência de comissão da empresa; (ii) não participação no representante sindical; (iii) falta de registro de arquivamento do plano no sindicato; (iv) inexistência de regras claras e objetivas; (v) valores pagos substituem bônus; (vi) não houve conhecimento prévio das metas Acordo Próprio* 2005 março de 2001 ou maio de 2006** Idem ao item anterior , pois seria o mesmo plano Acordo Próprio* 2006 maio de 2006 (i) assinatura ao final do período; (ii) montante dos valores pagos e forma de distribuição desnaturam o benefício Acordo Próprio* 2007 agosto de 2007 (i) assinatura ao final do período; (ii) montante dos valores pagos e forma de distribuição desnaturam o benefício; (iii) mais de dois pagamentos durante o ano Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 566 55 Acordo Próprio* 2008 dezembro de 2008 2008 (i) assinatura ao final do período; (ii) montante dos valores pagos e forma de distribuição desnaturam o benefício; (iii) pagamento integral antes da apuração do lucro; (iv) três pagamentos durante o ano civil * Ao contrário do que afirma a acusação, tratase de acordos coletivos, e não de planos próprios. ** Segundo a recorrente, o pagamento teria sido feito com base no plano assinado em maio de 2006. 5 Da data de assinatura dos planos Com exceção dos acordos próprios relativos aos períodos de aquisição de 2004 e 2005, uma acusação comum a todos os demais é que eles foram assinados somente no término do período aquisitivo a que se refeririam. Pois bem. A não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; E diferentemente do que costumeiramente se afirma, a PLR não é apenas um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando a incrementar a produtividade, mas sobretudo um direito social do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no qual ele está inserido, não deixam margem para dúvidas. Essa circunstância tem passado despercebida, mormente porque a lei regulamentadora parece têla deixado em segundo plano, nem mesmo fazendo menção à expressão direitos sociais. Por outro lado, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois atribuiu à lei a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. No plano infraconstitucional, a regulamentação foi feita pela Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, assim, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 567 56 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Todavia, a lei realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização dessa negociação. É compreensível que não o tenha feito, pois as normas de experiência comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas, sendo por vezes acirradas e conflituosas e envolvendo diversos sindicatos de diversas categorias. É óbvio, contudo, que os trabalhadores têm conhecimento das diretrizes gerais dos planos, pois participam direta ou indiretamente das negociações via comissão paritária ou sindicatos. Como bem pontuado em sede de impugnação e recurso, no ponto atinente às CCTs, o que igualmente se aplica aos planos próprios e às convenções coletivas, "a data de assinatura corresponde, apenas, ao momento de conveniência das várias entidades sindicais considerandose inclusive a dificuldade de viabilização de um documento com quase 200 assinaturas não correspondendo à finalização da negociação". E mais (v. fl. 868): [...] as metas e critérios para concessão da participação nos lucros estabelecida nas sucessivas convenções coletivas de trabalho são conhecidas previamente por todos os trabalhadores da categoria. Tal conclusão salta aos olhos ao se avaliar que, em todo o período fiscalizado, não houve a menor alteração em tais critérios (lucro líquido anual). Não compete ao aplicador da lei criar prérequisito não previsto na norma, sobretudo para reduzir a eficácia de regra jurídica constitucional. A lei prevê que a participação será objeto de negociação, e não que a formalização tenha que ocorrer previamente ao período de aquisição. A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderesdeveres prevista no art. 2º da Lei Maior, que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República. Uma interpretação restritiva, com a criação de exigências não previstas legalmente, apenas tem o condão de dificultar a efetiva concretização do direito social do trabalhador à participação nos lucros ou resultados da empresa, inibindo a concessão dos planos, em conflito com as finalidades constitucionais. Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais" (Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277). Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não teria as condições materiais Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 568 57 necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal." (Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181 182) Deve ser abandonado, pois, o eventual rigor interpretativo, para compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a primeira e rápida compreensão da lei infraconstitucional pudesse sugerir que o plano devesse ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e o seu comprometimento. A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, cria, no entender deste relator, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação – “será objeto de negociação”) e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular a concessão da PLR e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Como se vê, não se está declarando qualquer inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, mas sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegendose aquela mais adequada ao texto constitucional. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), antes da atual composição, vinha adotando entendimento semelhante, conforme se infere do acórdão nº 9202003.370: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 569 58 Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, sessão de 17 de setembro de 2014) Esta 2ª Turma/4ª Câmara/2ª Seção do CARF também vinha trilhando esse mesmo caminho, conforme se vê no acórdão nº 2402005.262, de minha relatoria. Não pode passar despercebido, ainda, no tocante às CCTs, o fato incontroverso de que elas foram firmadas por 111 sindicatos, 6 federações e 1 confederação, representativos de trabalhadores em todo o Brasil, além de 1 federação e 7 sindicatos, representativos de empregadores, sendo obviamente precedidas de acirradas e acaloradas negociações, como demonstram (i) as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e (ii) os fatos públicos e notórios anualmente noticiados na imprensa nacional. Outro ponto relevante a ser destacado é que, enquanto a remuneração é devida pela mera execução do contrato de trabalho, aí pouco ou nada importando os lucros ou resultados da empresa, a PLR deve ser considerada como um pacto acessório, por meio do qual se negociam, a par daquele contrato, questões relativas à produtividade, qualidade, lucratividade, metas, resultados, etc. Ou seja, a remuneração é devida em função do contrato laboral, enquanto que a participação é devida em decorrência de um contrato acessório, que não se constitui, por expressa disposição legal, em pagamento de remuneração. Tal contrato acessório, ademais, viabiliza a partipação do trabalhador em rubricas a que ele não teria direito, por serem decorrentes do capital do qual ele não é dono. Diante do exposto, concluise que o fato isolado de a formalização ter ocorrido no próprio período aquisitivo da PLR não desnatura o plano, devendo serem sopesados e analisados os demais requisitos legais e as circunstâncias e peculiaridades de cada plano. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 570 59 6 Da inexistência de regras claras e objetivas Com exceção dos acordos relativos aos períodos de aquisição 2006, 2007 e 2008, uma acusação comum a todos os demais é que eles não teriam regras claras e objetivas. 6.1 DAS CCTS Iniciandose o julgamento pelas CCTs (e todos os instrumentos possuem os mesmos termos), observase que a partipação dos trabalhadores estava atrelada à lucratividade da empresa, possibilidade esta expressamente constante do inc. I do § 1º do art. 2º da Lei, segundo o qual podem ser considerados os critérios e condições de lucratividade. Vejase com destaques: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; A lei é expressa e textual ao afirmar que dos instrumentos decorrentes da negociação (CCTs, planos próprios ou acordos coletivos) podem constar critérios de lucros, o que, no entender deste relator, é bastante óbvio, pois a lei está regulamentando exatamente a participação dos trabalhadores nos lucros ou nos resultados, conforme o caso. Como constam das CCTs, e como bem pontuado pela recorrente, o valor distribuído aos seus trabalhadores dependia do seu percentual de lucratividade e havia variações em função do lucro líquido de cada exercício e também do percentual de seu crescimento em comparação com o exercício anterior. Havia, ainda, uma disposição bem importante e de inegável clareza: a eventual existência de prejuízo implicava o não pagamento da partipação, corroborandose, assim, a existência de um pacto acessório ao pacto de remuneração e afastandose a acusação de que a participação estaria substituindo o pagamento de salários. Quer dizer, se a participação fosse realmente substitutiva da remuneração, ela seria paga independentemente da obtenção de lucros ou resultados pela empresa, o que não ocorreu no caso concreto. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 571 60 Nesse contexto, entendese que as cláusulas das CCTs, as quais se repetiram no transcorrer dos anos, eram claras o suficiente para serem interpretadas e aplicadas pela empresa, sendo igualmente claras para serem interpretadas pela administração fiscal. 6.2 DO ACORDO PRÓPRIO PERÍODO DE AQUISIÇÃO 2004 Neste ponto, sem razão o sujeito passivo. O plano, em si, não contém nenhuma meta em suas doze cláusulas. Já o anexo de fls. 200/203, PAF 16327.001310/200945, embora preveja o percentual mínimo de lucro líquido a ser distribuído em função do desempenho do banco em diversas localidades e do desempenho individual dos seus profissionais em três categorias (v. quadro II REGRAS BÁSICAS), não estabelece quais seriam as metas a serem cumpridas. Diferentemente do que alegou o sujeito passivo em sua impugnação e em seu recurso, não há qualquer precisão matemática nas metas que sequer foram prédefinidas. Trazendose à colação a tabela abaixo, extraída do anexo ao citado plano vigente para o período de aquisição 2004, o que se visualiza é que não é possível determinar se, nem mesmo subjetivamente, o que se poderia compreender por metas parcialmente cumpridas, cumpridas e excedidas, tendo em vista a total inexistência de qualquer conceituação a esse respeito. Realmente, portanto, tal plano não contém regras claras e objetivas, o que infringe o disposto no § 1º do art. 2º da Lei, de forma a viabilizar a incidência das contribuições lançadas a seu respeito, negandose provimento ao recurso neste particular. Como esta infringência é suficiente para manter a autuação, e como esta matéria é exclusivamente de mérito, e não de natureza preliminar, deixase de analisar as demais acusações fiscais relativas à inexistência de comissão da empresa; à falta de participação do representante sindical; à falta de registro de arquivamento do plano no sindicato; a valores pagos que substituiriam bônus; e à falta de conhecimento prévio das metas por parte dos trabalhadores. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 572 61 7 Do pagamento de parcela fixa Acusação comum a todas as CCTs é que teria havido o pagamento de parcela fixa. O recurso voluntário não traz maiores digressões a esse respeito, mas a inexistência de controvérsia fática não dispensa este órgão recursal de analisar a matéria, mormente porque este ponto foi decidido pela DRJ e porque a recorrente defende a legalidade dos planos. Realmente, as CCTs previam o pagamento de um valor fixo. No entanto, e conforme já explicitado em tópico precedente, o pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa, sendo que a prédeterminação de um valor, sobretudo em valor irrisório (como o foi), não invalida o efetivo pagamento da participação. Exemplificativamente, vejase que em relação à CCT de 2004, a parcela fixa acrescida à participação era de apenas R$ 705,00, o que obviamente não descaracteriza a distribuição dos lucros. 8 Conclusão parcial 1 Do que foi exposto até o momento, já se conclui que os pagamentos realizados com base nas CCTs foi totalmente regular e conforme a lei e a Constituição, de tal maneira que o lançamento deve ser cancelado neste tocante. Também se conclui que os pagamentos realizados com base no plano próprio relativo ao período aquisitivo 2004 foram irregulares e em desacordo com a lei, o que conduz à manutenção do lançamento neste particular. Cabe analisar, assim, os "acordos próprios" (ou acordos coletivos) atinentes aos períodos de aquisição 2005, 2006, 2007 e 2008. 9 Do Acordo Coletivo Período de Aquisição 2005 Como visto nos tópicos anteriores, este relator organizou seu voto iniciando se pelas acusações (ex.: data de formalização dos acordos, existência ou não de regras claras e objetivas, etc) para então analisar os planos em si (ex.: CCTs, acordos próprios, etc). Este plano, todavia, será analisado em tópico próprio, diante das peculiaridades envolvendo a acusação fiscal e o recurso voluntário. A recorrente vem reiteradamente pontuando que o acordo próprio firmado em 2001 não serviu de base para o pagamento atinente ao período de 2005. Vejase (v. fl. 884 do PAF 16327.001310/200945): Primeiramente, há que se consignar a incorreção na análise da d. fiscalização, o qual considerou que o teor do acordo firmado em 2001 fora aplicado para os fins da participação referente ao anobase 2005. Ao contrário, com o início das negociações com o sindicato, o que ocorrera já em 2005, referido plano não mais foi aplicado, não tendo sido base de qualquer participação a partir dessa data. De fato, o plano aplicado para o anobase 2005, com pagamento em 2006, foi aquele firmado juntamente com a entidade sindical, o qual abrange os anosbase 2005 e 2006. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 573 62 De fato, o instrumento de fls. 218/221 do PAF 16327.001310/200945, firmado em 19 de maio de 2006, expressamente prevê sua vigência para 01/01/2005 a 31/12/2006, o que passou despercebido à autoridade autuante e à própria DRJ. Vejase: Ademais, os planos de 2005, 2006, 2007 e 2008 foram formalizados através de acordos coletivos, não se tratando, portanto, de planos próprios negociados através de comissão paritária. Com efeito, tais acordos foram celebrados entre o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo e o próprio banco, e não por comissão escolhida pelas partes, na qual a citada entidade sindical tenha figurado como mera representante. Ou seja, a fiscalização equivocouse quando desconstituiu a legalidade dos pagamentos relativos ao período de aquisição 2005 com base na análise do plano firmado em março de 2001, pois este plano não deu origem àqueles pagamentos. Devem ser sopesadas, portanto, as acusações pertinentes ao instrumento datado de maio de 2006, mais precisamente as seguintes: (i) assinatura ao final do período; e (ii) o montante dos valores pagos e a forma de distribuição desnaturariam o benefício. Quanto à data de assinatura do instrumento, o que se observa é que o pagamento relativo ao período de aquisição 2005 foi realizado com base num documento firmado apenas em maio do ano seguinte (maio de 2006). Quer dizer, no ano de 2005, sequer havia um documento que desse base à aferição dos valores da PLR, ainda que o adimplemento tenha ocorrido somente em 2006, como alega a recorrente. O que foi exposto no tópico 5 sobre a data da assinatura dos planos está de acordo com uma interpretação razoável, mas a inexistência total de um plano dentro do período de aquisição não tem qualquer razoabilidade e ademais afasta qualquer possibilidade de aferição e de previsibilidade por parte do trabalhador e da própria empresa. Tratase, enfim, de uma evidente ilegalidade que impede a caracterização dos pagamentos como distribuição efetiva de lucros ou resultados ao trabalhador. De outro vértice, e até porque a formalização somente ocorreu quase que no segundo semestre do ano seguinte ao período de aquisição, a recorrente não se dignou de demonstrar que tal participação realmente tenha sido objeto de negociação dentro do período a que se referiria, em evidente violação ao art. 2º da Lei. Para que se tivesse um pacto acessório ao contrato de trabalho, com validade e legalidade, seria necessário um mínimo de previsibilidade às partes envolvidas, até para se concretizar não apenas os direitos sociais, mas também para incentivar a produtividade do trabalhador e tornar justificável tal pacto adjunto. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 574 63 Nesse contexto, deve ser negado provimento ao recurso neste particular. Como tal infringência é suficiente para manter a autuação, e como esta matéria é exclusivamente de mérito, e não de natureza preliminar, deixase de analisar a acusação segundo a qual o montante dos valores pagos e a forma de distribuição desnaturariam o benefício (acusação última, de toda forma, que se repetiu no tocante aos anos seguintes, conforme adiante será julgado). 10 Do montante dos valores pagos e da forma de distribuição Acusação que se repetiu acerca dos acordos coletivos de 2006 a 2008 é que o montante dos valores pagos e a forma de distribuição desnaturariam o benefício. Neste particular, sem razão o agente autuante. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. A contrario sensu, nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. O que a legislação determina é que a participação não pode substituir ou complementar a remuneração (art. 3º), mas a autoridade autuante não demonstrou que a recorrente estivesse pagando salários inferiores à média de mercado e complementandoos ou substituindoos por intermédio de lucros ou resultados. Quer dizer, não há qualquer demonstração nos autos de efetiva substituição de remuneração por participação. Quanto à desproporção entre os valores pagos entre as diversas categorias de trabalhadores, parece intuitivo que, quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. Portanto, a desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros. A Constituição e a lei regulamentadora também não vedam o pagamento de valores diferentes entre as diversas categorias de empregados, o que exalta a aplicação do princípio da autonomia da vontade das partes, que consiste justamente "no poder de estipular livremente, como melhor lhes convier, mediante acordo de vontades, a disciplina dos seus interesses, suscitando efeitos tutelados pela ordem jurídica"5. Em sendo assim, são válidas as seguintes justificativas trazidas em sede de impugnação: O Banco Merrill Lynch é um banco de investimentos. Em razão disto, o exercício de sua atividade empresarial se dá por meio da atuação de suas áreas de negócios, as quais são: renda fixa, renda variável, investimentos diretos, banco de investimentos 5 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro Teoria das Obrigações Contratuais e Extracontratuais. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 32. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 575 64 (IBK) e pesquisas econômicas (área híbrida). São essas as áreas que trarão os negócios para o banco, prospectarão novos clientes, e é nelas que estão concentradas as metas mais agressivas a serem atingidas por seus integrantes. É deles que se cobrará mais, pois eles é que poderão influenciar de maneira efetiva no sucesso do empreendimento. Entretanto, para a realização de suas atividades, as áreas de negócios não são suficientes. São as áreas de suporte que garantem a possibilidade de as áreas de negócios realizarem seus trabalhos. As áreas de suporte são, entre outras: processamento de operações, controladoria, tecnologia de sistemas, auditoria, crédito de mercado, risco de crédito, risco operacional, serviços corporativos, jurídico, gerenciamento de projetos e recursos humanos. Essas áreas estão obrigadas a fornecer o suporte para as áreas de negócios, permitindo o melhor e mais eficiente funcionamento do banco, para atingimento das metas das áreas de negócios. Aqui os colaboradores possuem as metas menos agressivas do negócio, posto que a potencialidade de sua contribuição para a formação do resultado desejado é infinitamente menor do que aquela dos integrantes das áreas de negócios. Assim, a comissão de negociação, ao definir os critérios para o acordo de PLR do ano 2004, optou por estabelecer diferentes múltiplos para as diversas áreas de atuação. E esses múltiplos, negociados e definidos pela comissão de negociação, são os diretos geradores dos valores distribuídos aos empregados. Apresenta quadro comparativo. 11 Conclusão parcial 2 Do que foi exposto até o momento, observase que também os pagamentos efetuados com base no acordo coletivo do período aquisitivo de 2006 estão em conformidade com a lei, a par das participações distribuídas com base nas CCTs, conforme já retratado na conclusão parcial 1. 12 Da periodicidade dos pagamentos Sobre os acordos coletivos de 2007 e 2008, ainda resta analisar a acusação sobre a periodicidade dos pagamentos. Quanto ao acordo de 2007, afirmou a acusação que ocorreram de três a quatro pagamentos durante o ano, ao passo que em relação ao acordo de 2008, pontuou que houve três pagamentos e que o valor foi integralmente pago antes da apuração do lucro. Na impugnação e no recurso, a contribuinte afirmou que cada um de seus empregados recebeu apenas um pagamento a título de PLR em cada um desses anos e que as divergências apontadas diriam respeito ao pagamento da proporcionalidade devida a rescisões (v. fl. 917 do PAF 16327.001310/200945) e que os analistas de negócios teriam recebido a PLR própria no mês de julho, diferentemente dos demais, mas ainda assim em um único pagamento anual e em respeito à semestralidade. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 576 65 12.1 DO ACORDO COLETIVO PERÍODO DE AQUISIÇÃO 2007 Vejase que o relatório fiscal arvorase no Anexo IV do lançamento, o qual demonstraria que o contribuinte teria pago antecipações de PLR em janeiro, fevereiro, julho e outubro de 2007. Para ilustrar, vale trazer à colação uma parte do citado anexo: Pois bem. Nem a impugnação e nem o recurso estão instruídos com os documentos que comprovariam a veracidade das alegações do contribuinte acerca das rescisões e dos analistas de negócios, embora, quanto a estes últimos, realmente nem todos os seus empregados tenham sido contemplados com pagamentos em julho de 2007 (vejase acima). Mas mesmo aqueles contemplados com pagamentos em tal mês também receberam pagamentos em janeiro, julho e outubro, o que, de qualquer forma, implica o descumprimento da regra legal. Daí se depreende que a contribuinte infringiu o disposto no § 2º do art. 3º da Lei (§ 2º vigente à época), segundo o qual era vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A norma, entretanto, em nenhum momento dispôs que o descumprimento da periodicidade permitiria a descaracterização de todo o plano, nem mesmo por empregado. Ademais, o que se disse em tópico anterior, quanto à máxima eficácia da norma constitucional, é igualmente aplicável nesse contexto. Em sendo assim, apenas as parcelas tidas por irregulares, por empregado, devem sofrer a tributação, e não todas as parcelas. O STJ já enfrentou essa matéria, tendoo feito nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 577 66 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO. [...] 7. O Banco realizou pagamentos aos empregados de modo absolutamente contínuo durante nove meses, de outubro de 1995 a junho de 1996, o que implica submissão à contribuição previdenciária, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) c/c o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991. [...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). (REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Deste Colegiado, podem ser citados os seguintes precedente: [...] PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000. [...] (CARF, PAF 16327.721264/201208, Acórdão 2402005.011, sessão de 17 de fevereiro de 2016, Relator Kleber Ferreira de Araújo). ......................................................................................................... [...] PLR. COMISSÃO PARITÁRIA. AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. RECUSA SEM MOTIVOS PLAUSÍVEIS. 1. O Sindicato foi intransigente e, mesmo após cientificado e intimado, simplesmente se recusou a indicar um representante para participar da comissão paritária. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 578 67 2. A recusa jamais poderia obstaculizar os direitos dos trabalhadores ao recebimento da PLR e, por consequência, servir de fundamento para a tributação. PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei 10101/00. [...] JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. [...] (PAF16327.720237/201552, BANCO ABC BRASIL S.A., Sessão de 07/06/2017, Relator RONNIE SOARES ANDERSON, Acórdão 2402005.872) Expressandose de outra forma, neste caso concreto devem ser excluídos da autuação os primeiros pagamentos efetuados em cada semestre civil. 12.2 DO ACORDO COLETIVO PERÍODO DE AQUISIÇÃO 2008 O relatório fiscal assevera que ocorreram três antecipações de pagamentos (julho, outubro e dezembro v. fl. 509 do PAF 16327.001310/200945) e que o total da participação foi integralmente adimplido dentro do próprio período aquisitivo. Como foi feito no tópico anterior, vale colacionar a tabela demonstrativa dos pagamentos realizados em 2008 Anexo VI: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 579 68 Aí se observa que foi descumprida a regra da periodicidade, o que conduziria à aplicação do entendimento exposto no tópico anterior. Todavia, é fato expressamente admitido pela recorrente que a participação foi integralmente paga dentro do próprio período aquisitivo. No seu entender, não haveria óbice legal a essa prática e a lei teria previsão acerca da possibilidade de antecipação. Ocorre que o § 2º encimado permite, por via transversa (ao vedar o pagamento de antecipação dentro das condições que especifica, o dispositivo permite o pagamento em outras condições), o pagamento de antecipação ou distribuição de valores, mas não, obviamente, a antecipação ou distribuição de todo o valor, mormente porque o lucro ou o resultado somente é calculado e apurado ao final do anobase. Isto é, não se pode afirmar que tenha havido a distribuição de lucros ou resultados aos trabalhadores, porque a empresa sequer tinha como apurálos antes do término do período base, negandose, pois, provimento ao recurso neste ponto. 13 Da multa e da ilegalidade de sua majoração pelo decurso do tempo A recorrente questiona o comparativo da multa mais benéfica elaborado pela fiscalização, que somou as multas devidas pelo descumprimento das obrigações principais e Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 580 69 acessórias, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores, e comparou com a multa de ofício vigente à época do lançamento. Ela também questiona a majoração da multa de mora pelo decurso do tempo. Pois bem. Este relator vinha manifestando o entendimento segundo o qual a sanção pelo descumprimento da obrigação principal e a sanção pelo descumprimento da obrigação acessória têm naturezas totalmente diferentes e que a comparação, para efeito de aferição da legislação mais benéfica, deveria ser feita entre sanções de igual natureza; e que a metodologia utilizada pela fiscalização partiria do pressuposto equivocado de que o art. 35A da Lei 8.212/1991 sempre sanciona o descumprimento de obrigação acessória, o que não é verdade, pois o descumprimento isolado de tal obrigação é apenado pelo art. 32A. Expressandose de outra forma, adimplida a obrigação principal, mas não a acessória, é cabível a aplicação deste último dispositivo. Exemplificativamente, reportome ao acórdão 2402005.450, de 17 de agosto de 2016, ocasião em que meu voto, neste tocante, foi vencido pelo voto dos demais conselheiros. Desde então, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando à presente discussão as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09, segundo a qual: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Isto é, no entender da CSRF, deveria haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35 A da Lei 8212/91. Vejase: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza Fl. 580DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 581 70 material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (CSRF, Recurso Especial do Procurador, PAF 19647.019537/200831, acórdão 9202005.667, relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 26/07/2017, por unanimidade) Como as decisões da CSRF têm sido tomadas por unanimidade, não havendo, por outro lado, nenhuma decisão do STJ proferida em sede de recurso repetitivo, e como tem se notícia de que as próprias Turmas Ordinárias do CARF vêm igualmente aplicando a Portaria, este Conselheiro, para evitar insegurança jurídica e até mesmo a lavratura de votos vencedores numa questão que parece consolidada ao menos no âmbito administrativo, nega provimento ao recurso voluntário quanto à multa. 14 Da ilegalidade da Selic A insurgência do sujeito passivo acerca da ilegalidade da taxa Selic é rechaçada pela Súmula CARF nº 4. Desde 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 15 Conclusão final Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação (a) os valores pagos com base nas CCTs 2004 a 2008; (b) os valores pagos com base no acordo coletivo 2006; (c) os primeiros pagamentos efetuados em cada semestre civil com base no acordo coletivo 2007. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado. Não obstante as, como de praxe, muito bem articuladas razões do Relator, delas ouso a dissentir, como a diante abordado. No que toca à assinatura do acordo ao longo do período aquisitivo, penso, alinhandome, até então, as razões do voto condutor e voto divergente da lavra do I. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 582 71 Conselheiro Ronnie Soares Anderson nos acórdãos, respectivamente, 2402006.026 e 2402 006.068, de 04.10.2017 e 03.04.2018, em função de julgados desta turma, que para aqueles acordos onde não consta minimamente o estabelecimento/previsão de uma conduta individualizada, ou por departamento/setor, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Confirase do excerto a seguir, extraído dos votos acima citados. (...) Não acompanho esse entendimento, contudo, no tocante aos planos de PLR nos quais os pagamentos acordados estão desvinculados de um comportamento volitivo comprometido com o alcance de determinados objetivos. Por exemplo, quando se estabelece que os empregados de uma empresa perceberão dado PLR se aquela atingir determinados índices de lucratividade. Vejase que não há como estabelecer um liame minimamente concreto entre a prestação de serviço realizada pelo trabalhador e a lucratividade alcançada pela pessoa jurídica, tanto mais quando se trata de uma instituição financeira com milhares de funcionários. Vale dizer que nesses casos, em geral, são conduzidas negociações ao nível de convenção ou acordo coletiva, tem em vista a amplitude dos agentes envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Notase da fundamentação acima, que há, in casu, uma interpretação literal do dispositivo, já que o texto da Lei, ao dispor sobre a necessidade de que houvesse um "ajuste prévio", fez menção apenas aos programas de metas, seus resultados e prazos. Confirase, novamente. Não por acaso, a própria Lei 10.101/000, quando se refere objetivamente à necessidade de ajuste prévio, o faz com referência aos programas de meta, resultados e prazos especificados no inciso II do artigo, de maneira apartada, assim, da menção aos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, referidos no seu inciso I. Nesse rumo, abraçando e adotando, por ora, o entendimento exporto naqueles votos encimados e ao considerar que, à exceção das Convenções Coletivas de Trabalho, todos os demais instrumentos de acordos previam, ainda que en passant, a existência de metas/avaliação individual ou por setor/departamento, tenho que a assinatura desses acordos, quando já iniciado o período de aquisição, desnaturaria a PLR tal como prevista na Lei 10.101/00, fazendose necessária sua inclusão na base imponível da exação. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 583 72 Por sua vez, no que tange à existência de valor fixo, tenho que tal circunstância, por si só, não descaracterizaria a PLR paga, quando o instrumento de acordo traz uma meta a ser atingida, sem a qual o pagamento não seria realizado, consoante assentou o Relator no trecho a seguir colacionado: Realmente, as CCTs previam o pagamento de um valor fixo. No entanto, e conforme já explicitado em tópico precedente, o pagamento da participação estava atrelado ao auferimento de lucros pela empresa ...(destaquei). Isso porque, no caso das CCT, a fixação de valor a ser recebido, conforme denotado pelo Relator, estaria atrelado à aferição de lucro pela empresa, presente, portanto, o incentivo à produtividade preconizado pela Lei. A seu turno, no que diz respeito à periodicidade de pagamentos, tenho que, nos casos identificados e apontados pelo Fisco exemplificados pelo Relator em seu voto em que houve pagamentos em desacordo com o § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, com a redação da época dos fatos geradores, toda a PLR paga ao respectivo trabalhador deve ser levada à tributação, independentemente do motivo e/ou instrumento de acordo que teria amparado referidos pagamentos. É esse o entendimento posto no voto condutor daquele acórdão 2402 006.026, de 04.10.2017, com o qual me filio e adoto como razões de decidir neste voto. Vejase: Pois bem, de pronto, há que se ressaltar que, na aferição do cumprimentos das regras de periodicidade, devem ser examinados todos os pagamentos efetuados a título de PLR, como bem firmado no § 2º mais acima transcrito, ainda que se verifique não possuam efetivamente tal natureza, como dantes foi constatado com relação aos pagamentos vinculados aos programas próprios/específicos e similares do contribuinte. A partir dessa premissa, deve ser apurado se houve pagamentos com base nos instrumentos coletivos em descumprimento do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00. Diante de tais situações, e com a devida vênia dos entendimentos em sentido diverso, devese aplicar dito critério legal, claro e objetivo, segundo o qual, efetuados mais de dois pagamentos de PLR em dado ano civil, ou com espaçamento inferior a um trimestre, não há falar em aplicação da norma em tela, com relação ao empregado beneficiado. Como bem observado nos seguinte trecho de recente decisão da CSRF, Acórdão nº 9202004.342 (j. 24/8/2016): (...) não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida Fl. 583DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 584 73 em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE parcial provimento para excluir do lançamento, com relação a cada trabalhador, os valores pagos em observância à periodicidade que dispunha o § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000 e que tenham se dado ao amparo das Convenções Coletivas de Trabalhado. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Declaração de Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Com a maxima venia, divirjo quanto à possibilidade de pactuação do acordo de PLR após iniciada a sua execução e quanto ao seu pagamento em valor fixo. Da negociação prévia Antes de considerações outras, vejamos, primeiramente, o que dispõe a Lei 10.101, de 19/12/2000: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 585 74 Segundo se extrai dos dispositivos transcritos acima, a PLR se constitui não só em um instrumento de integração entre capital e trabalho, mas também um incentivo à produtividade. Dessa forma, seu pagamento deve estar sujeito a mecanismos de aferição da produtividade, da qualidade e da lucratividade da empresa, mediante programas de metas e resultados. Nesse contexto, temse por condição necessária a avaliação do desempenho da empresa e de seus empregados, e o comprometimento destes com o atingimento das metas. Ora, se o pagamento da PLR está sujeito ao atingimento de metas e a Lei 10.101/00 estabelece, expressamente, em seu art. 2º, § 1º, inciso II, que os “programas de metas, resultados e prazos” devem ser “pactuados previamente”, por decorrência lógica, o acordo tem que ser definido e assinado antes de começar a execução do programa, ou seja, antes de iniciar do período de avaliação, o que não ocorreu no presente caso. Ademais, não se trata de “interpretação criativa” ou de “rigor interpretativo”, segundo as palavras do Relator, mas sim de interpretação literal, que é a interpretação que deve ser empreendida no caso em análise, segundo dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, pois o que está em jogo é a outorga de isenção. Vejase: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Nesse particular, trazemos à baila a seguinte lição de Hugo de Brito Machado6: Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a ampliação do alcance, como sua restrição. Sendo assim, não cabe nem a interpretação teleológica e nem a interpretação axiológica, com “norte” nos “direitos sociais”, segundo pretende o Relator, mas apenas a aplicação pura do texto legal. Até por que, seguindo esse caminho hermenêutico, daremos mais segurança aos direitos sociais, pois, se aceitarmos, contra legem, que determinado acordo possa ser assinado após iniciado o período de avaliação, na expectativa de que os trabalhadores tenham tido ciência do acordo que seria assinado futuramente, poderemos, sim, estar colocando em risco os direitos sociais, uma vez que estaremos abrindo mão de uma regra clara e objetiva da lei para decidirmos com base nas subjetividades afetas ao quadro fático que envolve a PLR. Por outro lado, se o acordo for assinado previamente à execução do programa de PLR, ou seja, antes do início do período de avaliação, estará em perfeita consonância com o art. 2º, § 1º, inciso II, da Lei 10.101/00, no aspecto temporal, o que reduzirá, enormemente, a possibilidade de desconhecimento, por parte dos empregados, das regras referentes ao plano, quando da sua execução. 6 MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 32ª edição, Malheiros, São Paulo, 2011, p. 114. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 586 75 Nessa perspectiva, se conclui, portanto, que a pactuação prévia produz duplo efeito protetivo: (a) protege o crédito previdenciário contra o gozo de isenções indevidas e (b) protege o trabalhador quanto à possibilidade de ser surpreendido, durante a execução do programa, por uma regra decidida unilateralmente pelo empregador. Se a Administração Tributária não se curvar à flexibilização dessa regra tão importante, as empresas que adotam programas de PLR passarão a pactuar previamente à execução desses programas, o que dará maior garantia aos tão aclamados direitos sociais dos trabalhadores. No caso em tela, as convenções foram assinadas no final do período avaliativo, segundo se observa no seguinte excerto do relatório fiscal, fl. 48: Logo, como os acordos referentes às Convenções Coletivas de Trabalho de 2004 a 2008 não foram assinados previamente à execução dos programas de PLR, voto por manter o lançamento, na forma como operado pela fiscalização. Do pagamento em valor fixo Quanto ao pagamento da PLR em valor fixo, vejamos, de início, o que restou consignado no relatório fiscal, fl. 53: 7.22 Os instrumentos de acordo apresentados não possuem qualquer objetivo a ser cumprido, nem critério de aferição. Ao contrário, a participação nos lucros já aparece como um fato consumado, inclusive em termos de valores, o que afasta qualquer possibilidade de cumprimento e aferição de objetivos. Independentemente de qualquer atitude tomada pelo empregado após a assinatura do acordo, ele receberia a participação nos lucros. 7.23 Os valores recebidos não dependiam da obtenção de quaisquer resultados, haja vista que as determinações citadas nas convenções determinam um valor fixo independentemente do alcance de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, assim são regras que afastam o objeto da Lei. O pagamento de um valor previamente fixado, sem qualquer condição, ainda que a título de participação nos lucros ou resultados, consiste, na verdade, no pagamento de uma espécie de prêmio ou gratificação, uma mera liberalidade da empresa. A desnecessidade de se atingir índices de produtividade ou metas previamente estabelecidas afasta qualquer possibilidade de se vislumbrar na parcela paga a qualificação que lhe outorgou a autuada. 7.24 Em suma, o pagamento em estudo afastouse do objetivo da lei, qual seja, o de integrar capital e trabalho e incentivar a Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 587 76 produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a participação nos lucros não integre o saláriodecontribuição. Como se vê, o pagamento de valor fixo de PLR, mesmo que a empresa tenha tido lucro, desnatura a função precípua do programa que é integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Convém trazermos à baila, também, as considerações do julgado de primeiro grau, a esse respeito, fls. 302 e 303: Conforme estabelecido no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nos instrumentos de negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Porém, não foi o que se verificou na Auditoria Fiscal, não podendo a impugnante sob a alegação da natureza de abrangência ampla da Convenção Coletiva, usar como único critério para pagamento da PLR a lucratividade do setor econômico, deixando de observar todos os requisitos contidos na Lei 10.101/00. A própria impugnante em sua defesa afirma: “o valor a ser distribuído depende exclusivamente do percentual de lucratividade do banco, com variações decorrentes das métricas de 0 a 15% do lucro líquido do banco em cada exercício financeiro, bem como do percentual de crescimento do lucro líquido em comparação com o exercício anterior”. E, ainda, ao estabelecer o montante a que cada empregado teria direito sobre o lucro obtido pela instituição financeira, o fez fixando percentual sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial, acrescido de um valor fixo em reais, para cada um dos anos, ou seja, 2.004, 2005, 2006, 2007 e 2008, como se verifica das próprias cláusulas transcritas pela impugnante em sua defesa. Ora, o valor da PLR a ser pago foi estabelecido previamente, consubstanciandose num valor fixo, utilizandose como único critério para tanto a obtenção de lucro pelo banco, sem que nenhuma meta tenha sido estabelecida para que o empregado tivesse direito a seu recebimento, o pagamento a título de PLR feito desta forma, não se coaduna ao espirito da Lei 10.101/00 que a instituiu, consistindo em prêmio ou gratificação, sofrendo, pois, incidência de contribuições previdenciárias. Como se nota, a decisão recorrida demonstra, de forma acertada, que uma vez tendo sido estabelecido um valor fixo, o único critério adotado para a distribuição da PLR foi a obtenção de lucro pelo banco, sem o estabelecimento de nenhuma meta que devesse ser atingida para que o empregado tivesse direito ao recebimento, o que afasta a PLR, em análise, dos reais objetivo da Lei 10.101/00. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16327.001312/200934 Acórdão n.º 2402006.431 S2C4T2 Fl. 588 77 Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904897/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10840.902858/2010-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, tendo por base as constatações seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 04 89 7/ 20 09 -5 1 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 3 2 a) a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta, a empresa esclarece a redução de seu Faturamento/Receita Bruta como sendo decorrente da exclusão de receitas financeiras, as quais teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição; b) para o anocalendário a que se refere o presente processo não há previsão legal para exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas financeiras informadas na resposta à intimação, sendo certo, portanto, que elas devem compor a base de cálculo da COFINS. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade postulando, em suma, para julgála integralmente procedente, com vistas à reforma do despacho decisório exarado nos autos, reconhecendose a existência do aludido crédito da empresa ora manifestante e, ato contínuo, homologandose a compensação outrora requerida, tendo em vista que é inadmissível a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS, haja vista que, por força da Interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça á Lei Federal n° 9.718, de 1998, apenas o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação. excluídas, assim, as receitas financeiras, que não se encaixam nesse conceito: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adiciona os seguintes: a) deve ser aplicada o entendimento pacificado nos tribunais superiores de que é inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98; e b) as cópias autenticadas dos livros contábeis carreadas aos autos devem ser aceitas como prova, pois foram consideradas idôneas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária). É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.941, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.941): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reproduzo trecho do Despacho Decisório (fls. 37) que sumaria a demanda: "O presente processo trata do PerDcomp nº 13426.84222.120107.1.3.040093, de fls. 02/06, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins – código 2172, do período de apuração – PA de dezembro de 2001, recolhido em 15/01/2002, cujo valor do crédito original na data da transmissão é R$ 3.845,02, com o qual se pretende compensar débito do IRPJ – código 2362, vencido em 28/02/2005. É o relatório. Da análise das suas DIPJ – do exercício 2002 – anocalendário 2001, original (004369110) e retificadora (126303512), juntadas às fls. 11/16, verificamos que a contribuinte retificou os valores consignados a título de “Faturamento/Receita Bruta”, no mês de dezembro de 2001, que foram alterados de R$ 3.063.856,82, para R$ 2.935.689,13, reduzindo a Cofins a pagar de R$ 87.536,02, para R$ 83.690,99. Visando verificar a regularidade do crédito ora pleiteado, através da intimação fiscal nº 481/2011/DRF/RPO/Seort, de fls.22/23, a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que os valores dessas rubricas foram sistematicamente reduzidos nas suas DIPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta apresentada em 24/05/2011, juntada às fls. 28/32, a empresa informa que a redução de seu Faturamento/Receita Bruta, no PA de dezembro de 2001, é decorrente da exclusão das receitas abaixo discriminadas e valoradas, as quais, segundo ela, teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da Cofins. Rubrica R$ Comissões CDCI 11.370,29 Descontos obtidos 15.649,57 Juros recebidos 70.968,11 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 5 4 Receita Aplicação Financeira 5,62 Variação monetária ativa 1.169,35 Comissões de intermediação de financiamentos 29.004,44 Total 128.167,69 No entanto, para o anocalendário de 2001, não há previsão legal para exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas acima relacionadas, sendo certo, portanto, que elas devem compor sua base de cálculo. (. . .)" Nas peças de defesa, a recorrente sustenta que são receitas financeiras, não componentes da base de cálculo da COFINS, nos termos do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A tributação de tais receitas pela COFINS foi afastada pelos tribunais superiores, notadamente pelo STF, em sede do RE 390.840/MG. E carreou cópias autenticadas do livro razão, em que figuram as contas contábeis apresentadas no quadro acima. A DRJ ratificou o posicionamento da unidade de origem, sob o argumento de que, de acordo com o art. 21 da Lei nº 12.844/13, as decisões do STF, em sede de repercussão geral, e do STJ, de recursos repetitivos, somente vinculam aquele órgão, após pronunciamento formal da PGFN. Examino a contenda. Conforme entendimento assentado, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário nº 585.235), o conflagrado alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 foi considerado inconstitucional. À luz do entendimento manifesto pela Suprema Corte, apenas o faturamento decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica estão sujeitos à incidência da Cofins no sistema cumulativo de apuração da Contribuição. E o §2º do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas nos julgamentos dos recursos. Isto posto, resta apenas examinar a natureza das contas contábeis indicadas pelo contribuinte. O faturamento do mês foi declarado na DIPJ do anocalendário de 2002 entregue à RFB. Da leitura das cópias autenticadas dos razões contábeis, verifica se que os históricos dos lançamentos se coadunam com os títulos das contas. E alguns valores selecionados aleatoriamente para averiguação conferem com os indicados na tabela acima. Contudo, isto é não suficiente para reconhecermos o direito creditório. De acordo com o § 1° do art. 9° do Decretolei n° 1.598/77 "§ 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 6 5 Em sua defesa, a recorrente alegou que as cópias dos razões das contas seriam suficientes para comprovar a natureza das contas contábeis, pois o SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) teria "considerado idôneas as receitas financeiras alocadas ao livro razão". Entretanto, não há evidência alguma desta afirmação. Ademais, apesar de não ter negado provimento à manifestação de inconformidade por este motivo, a insuficiência das provas apresentadas também foi destacada pela DRJ. A meu ver, há indícios fortes de que a recorrente é detentora de créditos da COFINS paga a maior, mas ainda há carência de informação. Assim sendo, em respeito ao Princípio da Verdade Material, e com o objetivo de assegurar o possível direito do contribuinte à compensação de tributos pagos a maior, porém salvaguardando os interesses da Fazenda Pública, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10840.904897/200951 Resolução nº 3301000.950 S3C3T1 Fl. 7 6 iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 11762.720126/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 17/09/2011 a 31/12/2011
MULTA POR INFORMAÇÃO OMISSA, INEXATA OU INCOMPLETA. DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAR.
Não há obrigação para a fiscalização de demonstrar prejuízo ao Fisco, enquanto Erário. O § 1º do artigo 69 da Lei nº 10.833/03 não faz tal exigência. Basta que o beneficiário de regime aduaneiro omita ou preste, de forma inexata, informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado.
REPETRO. INDEFERIMENTO. RECOLHIMENTO PROPORCIONAL DE TRIBUTOS.
O sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País, após o indeferimento do regime do Repetro.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE DE DEMONSTRAR. Não há obrigação para a fiscalização de demonstrar prejuízo ao Fisco, enquanto Erário. O § 1º do artigo 69 da Lei nº 10.833/03 não faz tal exigência. Basta que o beneficiário de regime aduaneiro omita ou preste, de forma inexata, informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. REPETRO. INDEFERIMENTO. RECOLHIMENTO PROPORCIONAL DE TRIBUTOS. O sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País, após o indeferimento do regime do Repetro. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 01 26 /2 01 3- 21 Fl. 6649DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1675.179, proferido pela 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 14/10/2013, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS, acrescidos de multa e juros de mora, além de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor de [...] em virtude dos fatos a seguir descritos. Bens importados com suspensão de tributos ao amparo do regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (REPETRO). A fiscalização concluiu que são devidos os tributos pelo período em que os bens permaneceram no território aduaneiro ao desabrigo do Ato Declaratório Executivo (ADE) de habilitação (em razão de indeferimento definitivo de prorrogação da habilitação e do qual não cabia mais recurso), que garantiria a suspensão total dos tributos aduaneiros. O Relatório Fiscal deixa claro que o foco da discussão não é a medida administrativa, mas a medida tributária a ser adotada em relação ao período em que o bem permaneceu no País sem amparo do Repetro, uma vez que a suspensão total do Repetro para o período nunca retroagiu com o indeferimento definitivo da habilitação. Cientificado do auto de infração, por via eletrônica, em 09/11/2013 (fls. 6.179), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 02/12/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 6.180 à 6.200, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: Fl. 6650DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.650 3 PRELIMINAR LIMITES DO DIREITO À REVISÃO ADUANEIRA. A “COISA JULGADA” ADMINISTRATIVA, COROLÁRIO DO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. [...] NO MÉRITO QUANTO AO MÉRITO DAS ALEGADAS “DESCONFORMIDADES” EFEITOS [...] A "INFORMAÇÃO INEXATA” NÃO ERA NECESSÁRIA E NÃO AFETOUO “PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO” [...] AS DISCREPÂNCIAS APONTADAS PELA FISCALIZAÇÃO, [...] [...] Em 25 de junho de 2014, através do Acórdão n° 16058.886, a 23ª Turma da DRJ/SPO por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. A empresa autuada ingressou com Recurso Voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 19 de maio de 2016, no Acórdão n° 3302003.219, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, por unanimidade de votos, DECIDIU anular a decisão de primeira instância. Assim se pronunciou o Relator, às folhas 05 do referido Acórdão: Assim, entendo que as razões deduzidas pela recorrente em sua impugnação relativas à constituição de crédito tributário de tributos proporcionais ao tempo de permanência da embarcação MAJESTIC TIDE no país, conforme excerto da impugnação de efls. 6196 a 6197, é ponto relevante e autônomo para o deslinde do litígio e sua falta de enfrentamento ensejou a alegação feita no recurso voluntário acima transcrito. Destarte, com o objetivo de garantir o contraditório e a ampla defesa, e em consonância com os artigos 31 e 59, II do Decreto n° 70.235/19721, é necessário que a DRJ se pronuncie expressamente sobre as alegações deduzidas relativas à embarcação MAJESTIC TIDE. Por fim, assim decidiu, às folhas 05 do referido Acórdão: Fl. 6651DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto para anular o acórdão de primeira instância, para que a autoridade julgadora de primeira instância profira novo acórdão, enfrentando as razões esposadas na impugnação relativas à embarcação MAJESTIC TIDE. O citado novo acórdão da DRJ, nº 1675.179, mais uma vez, decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/11/2004 Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária. Em diversas Declarações de Importação foram omitidos ou informados elementos de forma inexata. Relação existente entre o exportador estrangeiro e o sujeito passivo, também não informada. O sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País. Por ser o lançamento um procedimento vinculado, o Fisco não pode abrir mão do pagamento dos tributos proporcionais enquanto os bens permaneceram no País ao desemparo de ADE de habilitação ao Repetro em razão do indeferimento. Não se trata de punição, porque não há nenhuma espécie de sanção ou multa. Tratase apenas do pagamento dos tributos devidos. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário (em substituição ao anteriormente apresentado, antes da primeira decisão da DRJ), no qual, em síntese, defende: preliminarmente; a improcedência da autuação em função da aplicação do princípio da coisa julgada administrativa e da vedação à alteração do critério jurídico; e, no mérito; aduz o não prejuízo ao Fisco pelas informações dadas como omissas ou inexatas e insurgese contra aspectos do lançamento proporcional de tributos. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 6652DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.651 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade 1. Preliminares Preliminarmente, a recorrente aduz a improcedência da autuação, ao defender os princípios: a) Limites do direito à revisão aduaneira. – A “coisa julgada administrativa, corolário do princípio da segurança jurídica” (itens 6 a 26 da Impugnação). b) Alteração do critério jurídico. (itens 27 a 32 da Impugnação). (Grifos do original). A recorrente se insurge contra a decisão recorrida, quando esta aduz que: “O procedimento da conferência física da mercadoria não se confunde, em absoluto, com o da revisão aduaneira. Possuem finalidade dispare e objetos de análise distintos.” (...) “(...) a Declaração de Importação é aquilo que o próprio nome diz: uma declaração do importador. E o desembaraço é o mero ato de liberar a mercadoria, sem homologar qualquer tipo de lançamento (...) “(...) A conferência física da mercadoria não fez coisa julgada administrativa.” A contribuinte traz julgados administrativos e doutrina que delineiam a coisa julgada administrativa: Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles, "é sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre as partes". 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 6653DF CARF MF 6 É, pois, postulado fundamental decorrente do princípio da segurança jurídica, para implicar que matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera. Diferencia o procedimento aduaneiro, no sentido de que neste: a “constatação do fato gerador” é realizada pelo importador/exportador no qual fornecerá por um “lançamento” no sistema da operação (ex: Siscomex, siscoserv, sisbacen, etc) os dados da operação a fim de cadastrar no sistema e ser liberado a operação, na conclusão com o desembaraço aduaneiro. E prossegue: 14 Conforme explicitado pelo Relator da DRJ: “(...)quem conhece as atividades aduaneiras, obviamente nem sonharia em cogitar que o desembaraço aduaneiro consiste em homologação de lançamento ou, muito menos, em reconhecimento de critérios jurídicos declarados em uma DI. Até porque não há nenhum despacho decisório, orientação normativa ou parecer jurídico dentro do despacho aduaneiro(...)”. 15 Contudo, o princípio da coisa julgada não deve ser rechaçado pelo fato do desembaraço aduaneiro não “consiste em homologação de lançamento”. 16 O sujeito passivo, importador ou exportador, não pode ficar à análise eterna da autoridade fazendária, diante da agilidade do comércio exterior, cria uma instabilidade jurídica, não só nacional, mas entre operações internacionais. 17 Desta maneira, conforme preconiza o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a coisa julgada administrativa (ou preclusão administrativa) está intimamente ligada à necessidade de estabilização da relação jurídica. 18 Devendo a coisa julgada ser reconhecida no presente caso, tendo em vista que o desembaraço aduaneiro representa o ato final no procedimento aduaneiro, salvo exceções. Em sua impugnação, a contribuinte aduz que O artigo 51, do Decretolei 37/1966, também transcrito no Relatório de Fiscalização, pg. 9, indica, sim, que o desembaraço aduaneiro faz coisa julgada administrativa (salvo o erro grosseiro ou a fraude, que quebram a coisa julgada, administrativa, em revisão aduaneira, à semelhança da Ação Rescisória em juizo), desde que tenha sido realizada a “conferência aduaneira”, o que ocorre na hipótese de despacho no “canal vermelho". Diz o tal dispositivo que: Art.51 Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do Fl. 6654DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.652 7 despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] Aduz também violação do artigo 141 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Depois, referese ao art. 146 do CTN, aquele que veda a alteração do critério jurídico. Nesse ponto, insurgese contra a decisão de piso alegando que esta se ampara incorretamente na “indisponibilidade do crédito tributário”. E aqui este trata, em verdade, da vinculação da atividade fiscalizatória, esculpida na parte final nos art. 141 do CTN: Funcionários do Estado, como os AFRF, não dispõem da necessária legitimidade para dispensar qualquer crédito tributário, pelo contrário, estão expressamente obrigados a exigilo, conforme se depreende dos arts. 141 e parágrafo único do art. 142 do CTN [...]. Em apertada síntese, o acórdão recorrido conclui que a conferência física da mercadoria no despacho aduaneiro não se confunde com a revisão aduaneira e que o desembaraço não homologa qualquer lançamento. Já a recorrente defende transgressão ao princípio da coisa julgada administrativa, pelo qual matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera. Aduz ainda haver lançamento com o desembaraço. Diz que o “importador ou exportador, não pode ficar à análise eterna da autoridade fazendária”, surgindo a coisa julgada com o desembaraço, como forma de protegê lo desta instabilidade jurídica. Alega ainda desrespeito aos artigos 141 e 146 do CTN. Não assiste razão à contribuinte. A homologação prevista art. 150 do CTN é do lançamento e não do despacho. E só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso deste. É o que se conclui em artigo da autoria deste relator2: O art. 150 do CTN (BRASIL, 1966) define que “O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Tal dispositivo divide o instituto do lançamento por homologação em duas partes: a antecipação do pagamento e o lançamento operado por ato expresso da autoridade administrativa. É pacífico na doutrina e na jurisprudência ser o lançamento por homologação a modalidade adequada aos tributos incidentes sobre as operações de 2 CAVALCANTI FILHO, A. C. C. Reclassificação Fiscal em Sede de Revisão Aduaneira. Revista da Receita Federal: Estudos Tributários e Aduaneiros, BrasíliaDF, v.01, n.01, p. 260276, ago./dez. 2014. Fl. 6655DF CARF MF 8 comércio exterior. No desembaraço, não há expressa homologação. Nem a norma a estabelece, nem a autoridade administrativa a declara. Ainda que se verifiquem a mercadoria e as respectivas informações, inclusive a classificação fiscal, não ocorre o requisito legal para que se opere esta modalidade de lançamento: a expressa homologação. Ao contrário, a lei prevê a possibilidade de revisão aduaneira, a fim de apurar as informações prestadas pelo importador, no prazo de cinco anos, mesmo as já verificadas. O parágrafo 4º do mesmo artigo afirma que a outra forma pela qual se opera o lançamento é pela via tácita: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação“. No caso dos tributos incidentes na importação, considerase ocorrido o fato gerador no momento do registro da Declaração de Importação (DI), como determina o art. 23, caput, do DecretoLei nº 37, de 1966, [...] e o prazo de cinco anos é evidentemente distante do desembaraço. Como não se opera o lançamento com o desembaraço, via de regra aquele se dá de forma tácita, no prazo quinquenal. [...] Em sentido estrito, só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso desse; o que ocorre, por exemplo, quando há exigência da autoridade administrativa, contra a qual se insurge o contribuinte, como previsto no art. 570, § 3º, do RA (BRASIL, 2009c). O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) endossa essa posição, conforme se percebe no excerto transcrito a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. O Auto de Infração não contém qualquer ilegalidade, não restando configurada ausência de fundamentação legal a ensejar a nulidade daquele. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO. A verificação da regularidade da importação, em sede de revisão aduaneira, pode ocorrer no prazo de cinco anos, contado da data de registro da declaração de importação. [...]. (BRASIL, 2006b, grifo nosso). Fl. 6656DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.653 9 E mais, o 51 do Decretolei 37/1966, não dá ao desembaraço o poder de fazer coisa julgada. Ao contrário, o trecho " Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal" só corrobora o raciocínio anteriormente exposto. Também não há que se falar em mudança de critério jurídico em função do despacho para ingresso no regime em foco, aplicável o instituto a situação diversa, como se depreende de trecho do mesmo artigo: E continua o doutrinador, esclarecendo que, se dá a mudança de critério jurídico quando a “autoridade administrativa [...] simplesmente substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”, ou ainda “quando em face da situação de fato sobre a qual incidiu a norma se atribua a esta um significado, quando outro podia ser atribuído” (MACHADO, 2005, p. 128 e 163)3. Sobre o assunto, cita Kelsen: “a interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que na medida em que apenas são aferidas pela lei a aplicar têm igual valor, se bem que apenas uma delas se torne Direito positivo no acto do órgão aplicador” (1998 apud MACHADO, 2005, p. 128). Finalmente traz a lume o seguinte exemplo: No DecretoLei nº 406, de 1968, determinado artigo traz a expressão “valor do produto ...”, inicialmente interpretado como custo de produção. Depois como preço de venda do produto. Ambas as interpretações constaram de atos normativos expedidos por autoridades competentes (MACHADO, 2005, p. 171). Citação do hoje Desembargador Federal Leandro Paulsen sobre dito art. 146, "abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos, que implique em prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade dos atos administrativos normativos, quando o contribuinte confiou nas normas anteriores", deixa claro não se tratar do caso em pauta: não havia qualquer investigação sobre a questão estar o regime vigente ou não, muito menos situação consolidada à respeito, tampouco aplicação de nova norma distinta da aplicada anteriormente. Nesse tem decidido este CARF: DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. "REVISÃO ADUANEIRA". POSSIBILIDADE. É possível a "revisão aduaneira", não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita). 3 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, volume III. São Paulo: Atlas, 2005. Fl. 6657DF CARF MF 10 (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401003.199, de 23/08/2016, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan). A revisão aduaneira, esta que se dá em cinco anos do registro da declaração, nos termos do art. 54 do DecretoLei 37/66, em momento pós despacho. Não tendo ocorrido o lançamento sob análise no despacho aduaneiro, não foi a matéria trazida pela presente autuação sido examinada nesse momento. E assim, não há que se falar em coisa julgada administrativa, esta que só advirá quando não houverem mais recursos na esfera administrativa a serem decididos no curso do presente contencioso administrativo. Assim, nessas questões preliminares, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mérito Segundo o Relatório de Fiscalização (fls 40 e seguintes), esta teve origem quando a Pesquisa e Seleção da Inspetoria autuante: [...] iniciou linha de pesquisa em sua jurisdição para apurar se houve: a) a correta informação de dados nas Declarações de Importação registradas sob os regimes aduaneiros especiais suspensivos de utilização econômica previstos na “Seção II – Da Admissão Temporária para Utilização Econômica”, [...]in casu, os regimes previstos no artigo 373 e na alínea “a” do inciso I do artigo 376 do Decreto nº 6.759/09; e b) recolhimento de tributos aduaneiros no período em que as embarcações do sujeito passivo permaneceram no País ao desamparo de ADE de habilitação ao Repetro, nos termos do artigo 5º da IN RFB nº 844, de 9 de maio de 2008, tendo em vista que o pedido de prorrogação ao Repetro foi indeferido. A solicitação da presente apuração foi oriunda das próprias unidades de despacho (que concedem o regime) para a SRRF07/Diana, a qual, por sua vez, centralizou, por questões de otimização de fluxo de trabalho, toda a apuração de possíveis não recolhimentos de tributos nesta Inspetoria. Nessa toada, a contribuinte, ora recorrente, foi então fiscalizada, resultando na autuação sob recurso, tendo em vista que: a) em diversas Declarações de Importação (DI) registradas pela fiscalizada, foram omitidos ou informados de forma inexata (DOC3A): 1. os dados do Fabricante/Produtor dos bens importados nessas operações (constantes da Ficha Adição), porque não condizem com os elementos apresentados pelo sujeito passivo; 2. a relação existente entre o exportador estrangeiro e o sujeito passivo, uma vez que ambos possuem um controlador estrangeiro comum, a empresa estrangeira TIDE WEATER INC.; Fl. 6658DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.654 11 3. o Método de Valoração: “Método 1 – Art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira (Decreto 92.930/86)”, porque as importações foram realizadas sob o regime de admissão temporária, portanto, não houve uma operação de compra e venda (1º método do AVA); e 4. o valor aduaneiro do bem, pois estes eram incompatíveis com os valores efetivamente segurados para as embarcações. b) o sujeito passivo não realizou o recolhimento proporcional de tributos, nos termos do artigo 373 do Regulamento Aduaneiro de 2009, referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no País nas hipóteses em que houve decisão definitiva de indeferimento de habilitação ao Repetro (DOC20A a 20D) pela Divisão de Administração Aduaneira da 7ª Região Fiscal (SRRF07/Diana). A conduta do item “a”, que será oportunamente detalhada em tópico posterior, enseja, em desfavor do sujeito passivo beneficiário do regime aduaneiro, a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro, pela infringência do disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 69 da Lei nº 10.833, 29 de dezembro de 2003, e do disposto no artigo 4o da IN SRF nº 680, de 2 de outubro de 2006, inclusive quando se tratar de mercadoria admitida em regime especial aduaneiro, consoante o disposto no inciso II do artigo 2º da IN SRF nº 680/06. De outra mão, em relação ao item “b” retro, o período em que o bem permaneceu no País ao desamparo do Repetro (em razão do indeferimento da habilitação ao regime em decisão definitiva administrativa) em ininterrupta utilização econômica enseja a cobrança de tributos proporcionais calculados “pela aplicação do percentual de um por cento, relativamente a cada mês compreendido no prazo de concessão do regime, sobre o montante dos tributos originalmente devidos” (§ 2º do artigo 373 do Regulamento Aduaneiro). Nos casos aqui apurados, o pedido de prorrogação de habilitação ao regime foi indeferido pela SRRF07/Diana e, em alguns casos, o sujeito passivo ingressou com recurso voluntário, o qual não foi provido ou não conhecido pelo Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil. As hipóteses em que os ADEs de habilitação foram concedidos (ou cujo recurso foi provido, no caso de indeferimento), foram excluídos do presente relatório e, portanto, não foram objeto de autuação. Frisese que não se trata de punição, posto que apenas se cobra apenas os tributos proporcionais devidos ao Erário. E tributo não é penalidade. Informações omissas ou inexatas A recorrente afirma que a autuação aborda, inicialmente, “a ausência de informações detalhadas dos dados do fabricante”, mas que tal ausência “não causa prejuízo ao ente público”, em termos de arrecadação. É bem a linha exposta nos itens abaixo de sua impugnação: Fl. 6659DF CARF MF 12 Não há obrigação para a fiscalização de demonstrar prejuízo ao Erário. O § 1º do artigo 69 da Lei nº 10.833/03 não faz tal exigência. Basta que o beneficiário de regime aduaneiro omita ou preste, de forma inexata ou incompleta, informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, o que ocorre no caso em pauta. Como bem coloca o acórdão recorrido, “não se trata apenas de prejuízo ao erário público e sim a importância das informações para o desempenho do controle aduaneiro”. E acrescenta: Por serem os Imposto de Importação e de Exportação tributos com caráter extrafiscal, o dano ao Erário não se relaciona apenas a questão de “quanto de tributo deixou de ser recolhido”. Querer restringir à atividade aduaneira a uma função de mera coletora de tributos é desconsiderar sua precípua função de proteção ao mercado interno e as implicações que permeiam o desempenho dos controles aduaneiros. Entende a recorrente que “a autoridade fiscalizadora possui para revisão aduaneira, prazo este de 5 anos, é suficiente para uma análise de qualquer ação ilícita ou que tenha potencial de ser”. Traz o princípio de cooperação entre o administrado e o administrador”, concluindo que “O erro a fim de ser ajustado deve ser corrigido e não coagido por aplicação de penalidade. Os dispositivos legais que determinaram a autuação não prevêm uma tal colaboração, mas sim a aplicação das penalidades objeto da autuação. A revisão aduaneira é instrumento de verificação de apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames e da exatidão das informações prestadas pelo importador e foi realizada em tempo. Aduz a recorrente que o STJ e o TRF4 têm trazido o entendimento de que “o preenchimento equivocado da guia de importação quando da descrição ou detalhamento da mercadoria ou integrantes na operação são insuficientes para caracterizar infração administrativa quando foi recolhido o tributo e não houve prejuízo para a Administração”. Não está este CARF adstrito a decisões judiciais de caso concreto. Ademais, há de prevalecer a proteção ao controle aduaneiro que objetiva a penalidade em foco. Sobre a ausência de informação da vinculação entre exportador e importador, diz que, de fato, “as empresas são pertencentes ao mesmo grupo econômico”, “o que segundo a lei tributária, não é suficiente para considerar a existência de vinculo para fins tributários”. Afirma que tendo juntado toda a documentação referente as empresas, demostra “que não visa nenhuma fraude ou impedimento ao controle aduaneiro”. Novamente, a proteção ao controle aduaneiro deve prevalecer. A norma penalizadora não exige prova de intenção, como aliás é a regra da responsabilidade na esfera aduaneira tributária, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Fl. 6660DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.655 13 Quanto à acusação sobre o método de valoração, diz a recorrente que a fiscalização não lhe oportunizou apresentar explicações da ausência de informação da vinculação entre exportador e importador, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto 2.498/98. Alega também que não houve prejuízo ao erário. Novamente, devese privilegiar a proteção ao controle aduaneiro. Ademais, tais dispositivos se referem ao procedimento de controle de valor, no contexto da revisão aduaneira, distinto da penalidade por informação omissa ou inexata. Falta de recolhimento proporcional de tributos Relativamente à “falta de recolhimento proporcional de tributos referente ao período em que o bem permaneceu em utilização econômica no país”, insurgese a recorrente. O acórdão recorrido descreve a "instrução processual da habilitação à concessão do regime" e suas prorrogações, para todas as embarcações (texto reproduzido no recurso voluntário, salvo pelos dois últimos parágrafos): ▪ O sujeito passivo foi contratado por uma Operadora para a prestação de serviços na área de petróleo e gás no território aduaneiro; ▪ Em seguida, solicitou sua habilitação ao Repetro e, por atender aos requisitos normativos estabelecidos na IN RFB n° 844/08, obteve um Ato Declaratório Executivo (ADE) de habilitação; ▪ De posse desse ADE, importou temporariamente o bem estrangeiro contratado (embarcação) e solicitou a concessão inicial da admissão temporária para utilização econômica (Repetro) em uma unidade de despacho local da RFB, a qual fixou o prazo de permanência do bem com base nos elementos apresentados; ▪ Antes de findo o vencimento do contrato de prestação de serviços, o sujeito passivo e a Operadora assinaram um aditivo ao contrato, dilatando assim o lapso temporal dos serviços a serem prestados (sem que houvesse qualquer tipo de interrupção); ▪ De posse do aditivo contratual e antes de expirado o prazo fixado no ADE, o sujeito passivo protocolizou pedido de prorrogação da habilitação ao Repetro na SRRF07/Diana; ▪ Em seguida, também antes de findo o prazo fixado para a admissão temporária, o sujeito passivo protocolizou pedido de prorrogação do Repetro, mas instruiu o procedimento com o protocolo do requerimento de habilitação que apresentou na SRRF07/Diana E NÃO COM O ADE VIGENTE, CONSOANTE DETERMINA O COMANDO DO INCISO II DO § 1° DO ARTIGO 21 DA IN RFB N° 844/08; Fl. 6661DF CARF MF 14 ▪ Algum tempo depois, o pedido de prorrogação da habilitação ao Repetro foi indeferido pela SRRF07/Diana, porque o sujeito passivo deixou de atender a determinados requisitos essenciais para obtenção da prorrogação da habilitação; e ▪ Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ou desistiu do recurso. Os recursos julgados findaram administrativamente. Ao longo de todo esse período (do protocolo do pedido até o indeferimento da prorrogação da habilitação e mais a fase recursal, quando foi o caso), não houve desvio de finalidade, pois os bens permaneceram no País em utilização econômica atendendo aos serviços constantes do objeto pelo qual o sujeito passivo foi contratado. É importante destacar que a nenhum dos recursos foi dado o efeito suspensivo a que se refere o artigo 61 da Lei n° 9.784/99. E que apenas os pedidos indeferidos de prorrogação da habilitação ao Repetro, cuja decisão final foi desfavorável ao sujeito passivo, são objeto da presente ação fiscal, ora em análise. A recorrente então afirma: 48 Em uma breve tradução, o autuado requereu todos os pedidos antes dos prazos de validades dos respectivos documentos expirarem. 49 Ressalta que o autuado no pedido de prorrogação do Repetro anexou a habilitação com ADE vigente na época, mas que se encontrava próximo de expirar, e ainda o protocolo do pedido de prorrogação de habilitação para emissão de novo ADE. 50 Logo, a autuada não pode ser penalizada pela morosidade administrativa, neste aspecto temos o entendimento do jurista Paulo Hoffman: [...] 50 Desta forma, como aduzido incialmente pelo Relator da DRJ, os tributos proporcionais são devidos pelo tempo de permanência em território nacional e não pelo tempo de permanência no regime. O autuado estava sob regime aduaneiro especial, não lhe enquadrando aos tributos proporcionais, logo não sendo devidos pelo tempo de permanência em território nacional e sim pelo tempo de permanência ao regime. 51 Sendo que após o tempo concedido do regime aduaneiro especial, a autuada permaneceu com as embarcações em reparo sem atividade econômica, restando em manutenção, aspecto este permitido pela legislação da época e a vigente. Não assiste razão à recorrente. Não foi penalizado por qualquer morosidade administrativa, ainda que conforme descrito na autuação, "Os julgamentos dos recursos voluntários levaram muitos meses em análise na Coana até que a decisão do Sr. Secretário fosse proferida". A Solução de Consulta Interna n° 1 SRRF07/Disit, de 17 de julho de 2013, ressalta que "apenas o deferimento do Fl. 6662DF CARF MF Processo nº 11762.720126/201321 Acórdão n.º 3301004.776 S3C3T1 Fl. 6.656 15 pedido de habilitação ao Repetro gera efeitos tributários" suspensivos "ex tunc", o que não ocorre, a contrario sensu, no caso presente de indeferimento. Vale dizer, se tivesse, ao final e ao cabo do processamento do pedido de prorrogação da habilitação obtido o deferimento de seu pedido, nada teria a recolher. Como o pedido lhe fora negado, o tributo é devido desde a vigência anterior do regime. Se, após o "tempo concedido do regime aduaneiro especial", as embarcações permaneceram "em reparo sem atividade econômica", nada significa para o regime de admissão temporária para utilização econômica, ao qual ficaram submetidas, ao saírem do abrigo do Repetro: pela regra do art. 373 do Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro então vigente) os tributos incidem sobre "Os bens admitidos temporariamente no País para utilização econômica" "proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território aduaneiro", independentemente da efetiva utilização econômica, como bem apontou o acórdão recorrido. A DRJ distingue, em seu voto, "tempo de permanência em território nacional" de "tempo de permanência no regime" e, em seu relatório, destaca que "A fiscalização concluiu que são devidos os tributos pelo período em que os bens permaneceram no território aduaneiro ao desabrigo do Ato Declaratório Executivo (ADE) de habilitação (em razão de indeferimento definitivo de prorrogação da habilitação e do qual não cabia mais recurso)" e que "a medida tributária a ser adotada em relação ao período em que o bem permaneceu no País sem amparo do Repetro, uma vez que a suspensão total do Repetro para o período nunca retroagiu com o indeferimento definitivo da habilitação". No restante, faço minhas as conclusões do acórdão ora recorrido. Portanto, nas questões de mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 6663DF CARF MF 16 Fl. 6664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908553/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2001
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2001 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 53 /2 01 1- 16 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.478. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.383, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Acórdão n.º 3301005.036 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 217DF CARF MF
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