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Numero do processo: 10840.722002/2012-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 20 02 /2 01 2- 67 Fl. 63DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 28.776,55, por falta de previsão legal (despesas de não dependentes), gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$ 7.913,56, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação e juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que as despesas glosadas se referem a despesas próprias e de sua esposa. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação.. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não há previsão legal para dedução de despesas médicas que não sejam próprias ou de seus dependentes. Em sede de Recurso Voluntário, repisa os mesmos argumentos e repisa a suposta possibilidade de deduzir despesas de sua esposa, já que não foi utilizada na declaração própria. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10840.722002/201267 Acórdão n.º 2001000.523 S2C0T1 Fl. 3 3 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ele, no entanto não logrou êxito em comprovar a dependência de sua esposa para fins de dedução do imposto de renda. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou a situação de dependência da esposa , nos seguintes termos: “[...] A regra estabelecida na legislação acima exposta deixa claro que as deduções de despesas médicas se limitam às despesas do próprio contribuinte e de seus dependentes, cabendo ao outro cônjuge informar as despesas próprias quando apresentar declaração em separado. Excepcionalmente, no exercício de 2008, anocalendário de 2007, foi aberta a possibilidade de que um dos cônjuges declarasse a totalidade das despesas com plano de saúde quando o outro cônjuge apresentasse declaração no modelo completo e não aproveitasse a despesa. Possibilidade que não foi aceita para os exercícios subsequentes. O livro de perguntas e respostas do exercício de 2009, que orienta o preenchimento da declaração de ajuste do exercício não deixa margem a dúvidas: PLANO DE SAÚDE —DECLARAÇÃO EM SEPARADO 358 — O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? O contribuinte, titular de plano de saúde, não pode deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na Fl. 65DF CARF MF 4 declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Apesar dos argumentos da defesa no sentido de que o fato de o contribuinte informar o total das despesas não causaria prejuízos ao erário, tendo em vista os motivos já expostos nesta Decisão, não é possível aceitar as despesas de sua esposa como dedutíveis em sua declaração de ajuste, no exercício 2009. Em resumo, VOTO por julgar improcedente a impugnação, para manter, integralmente, o lançamento. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não ha permissão legal para tal a legislação apenas acata como dedutíveis as despesas médicas relativas ao interessado e a seus dependentes. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10840.722002/201267 Acórdão n.º 2001000.523 S2C0T1 Fl. 4 5 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação da DRJ de que a contribuinte não atendeu ao quanto exigido por lei, voto pelo não acolhimento do recurso voluntário e manutenção do lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa das despesas médicas acima mencionadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 67DF CARF MF 6 No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902324/2008-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
DCTF RETIFICADORA. VALIDADE DE APRESENTAÇÃO COMO FORMA DE LEGITIMAR A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO.
A apresentação de DCTF retificadora, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
Numero da decisão: 3001-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 140 1 139 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.902324/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.489 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 16 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente CLEANIC AMBIENTAL COMERCIO E SERVICOS DE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DCTF RETIFICADORA. VALIDADE DE APRESENTAÇÃO COMO FORMA DE LEGITIMAR A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO. A apresentação de DCTF retificadora, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 23 24 /2 00 8- 21 Fl. 141DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de Dcomp, em razão de, analisadas as informações prestadas, não foi possível confirmar a existência do crédito informado, tendo em vista que o DARF indicado como elemento material do pagamento indevido, não ter sido localizado nos sistemas de controle da autoridade fazendária. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega ter apresentado regular declaração de compensação, na qual solicitou a liquidação de débitos apontados e devidos. Pagamento a maior Para a quitação destes débitos, a contribuinte socorreuse de seu direito a compensação em razão da existência de pagamento a maior, por meio de DARF, a título de PIS (cód. 6912), efetuado em abril de 2003 no valor de R$ 19.364,94. Das informações constantes em DCTF Informa a recorrente, que em análise da DCTF relativa ao 2.º trimestre de 2003, posteriormente retificada, consta a informação, que a seu ver é suficiente, para a constatação da existência do crédito. A partir daí, colaciona planilha resumo de ficha da DCTF, na qual se arrebatam os valores de débito apurado e o respectivo crédito vinculado, mediante o pagamento constante em DARF, que, no caso portanto, é superior ao informado em DCTF. Ao subtrair o saldo do débito apurado com o valor efetivamente recolhido em DARF, constata a existência de saldo a seu favor, invocando, para si, as prerrogativas constantes no artigo 74 da Lei 9.430/96. DCTF Retificadora A recorrente retificou sua DCTF, conforme documento acostado em e fls. 31, em 28 / 06 / 2005, antes, portanto, da emissão do Despacho de Decisório, emitido em 12 / 08 / 2008. Do erro no preenchimento da Dcomp Além da ocorrência do pagamento indevido, que, conforme acima, denotase que a contribuinte busca comprovar sua ocorrência com o exame das fichas da DCTF, informa, ainda, outro equívoco, agora, no preenchimento da própria Dcomp. Referese a recorrente, ao fato de ter preenchido, na Dcomp em comento, informações equivocadas a respeito da DARF, cuja referência no despacho decisório, foi pela sua não localização. Segundo consta do exposto em fls. 07 destes eautos, as linhas "Valor do Principal" e "Valor Total do DARF" da citada página 03 da Per/Dcomp, constou, consoante seu Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.902324/200821 Acórdão n.º 3001000.489 S3C0T1 Fl. 141 3 relato, o valor equivocado de R$ 13.964,94, enquanto que o valor correto, presente no DARF que materializou o pagamento a maior, é R$ 19.364,94. Da possibilidade de Revisão de Ofício Em se tratando de erro de fato, segundo seu entendimento, de fácil verificação, pugna a recorrente pela revisão de ofício do ato administrativo, com fundamento no artigo 149 do CTN. Da suspensão da exigibilidade do crédito Requer, ainda, a declaração de suspensão da exigibilidade do crédito tributário levado à compensação. Desistência da Compensação Cumpre ressaltar que a recorrente apresenta petição requerendo a desistência, exclusivamente no tocante à compensação pleiteada, tendo em vista que procedeu à liquidação dos débitos indicados na Dcomp. No entanto, ratifica que não renuncia ao direito creditório pleiteado, requerendo sua apreciação pela DRJ. DRJ/CPS A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0533.781 3 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Fl. 143DF CARF MF 4 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) houve erro de preenchimento na DCOMP no tocante às informações relativas ao DARF que teria originado o pagamento indevido; no caso, teria ocorrido erro de digitação no campo DATA DE ARRECADAÇÃO; b) a compensação deve ser prontamente homologada tendo em vista que erro de fato não constitui fato gerador de obrigação tributária; a verdade material deve ser buscada pela esfera administrativa; c) o despacho decisório deve ser declarado nulo; d) os débitos devem ter sua exigibilidade suspensa até o término da discussão na esfera administrativa. A contribuinte, posteriormente, fez juntar aos autos a desistência das compensações declaradas, apresentando DARFs de recolhimento dos débitos, pagos com as condições estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009. Informa que a desistência em tela restringese à compensação efetuada e não ao direito de crédito pleiteado no Pedido de Restituição. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente aduz seu argumento principal para contestar a ausência de documento DARF, conforme alegado pelo voto condutor do mencionado acórdão de primeira instância administrativa. Manifestação de Inconformidade como meio adequado à oposição ao DD Sob a alegação esposada a respeito do meio processual apto à discussão do tema trazido em destaque, combate o argumento utilizado, no qual o meio adequado para o fim intentado seria a retificadora da Dcomp. Invocou o artigo 77 da IN 900/08, concluindo que, uma vez analisada a Dcomp pela RFB e expedido o competente despacho decisório, descabida seria a entrega de Dcomp retificadora. Da existência do DARF A recorrente argumenta que, em que pese a desqualificação da manifestação de inconformidade como meio processual apto a discutir o erro ocorrido em Dcomp, a DRJ enfrenta a questão de mérito, sendo rebatida neste tópico do recurso voluntário ora relatado. Neste ponto, a recorrente repisa os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, no sentido de ter havido, mero erro de digitação, pois, onde se deveria ter constado R$ 19.364,94, constou R$ 13.964,94, nas linhas "Valor do Principal" e "Valor Total do DARF", fazendo com que o sistema informatizado da RFB não localizasse o referido DARF. Concluiu, ao final, por rebater o argumento no qual não existe o documento DARF, com o pagamento a maior, mas, tão somente, que, ao preencher a ficha competente da Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.902324/200821 Acórdão n.º 3001000.489 S3C0T1 Fl. 142 5 Dcomp, referiuse ao mencionado documento DARF de forma equivocada, invertendo os algarismos acima mencionados, inclusive, ressalta a existência do DARF, que foi acostado nos autos juntamente com a peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso Cabimento da Manifestação de Inconformidade O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Considero, neste caso, que a manifestação de inconformidade é o meio adequado para a discussão do tema posto em líde. Conforme se constata, tratase aqui, da negativa de restituição, vez que a compensação fora liquidada e devidamente extintos os débitos indicados à extinção mediante a compensação, o que leva à aplicação do artigo 74 da Lei 9430/96. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. DOS FATOS A recorrente recolheu, por meio de DARF, referente ao mês de abril de 2003, o valor de R$ 19.364,94 a titulo de PIS. O documento de arrecadação encontrase nestes autos, tendo sido acostado tempestivamente em sede de manifestação de inconformidade e indicado sob o código de DOCUMENTO 02. No entanto, alega que ao analisar a DCTF relativa ao 2.º trimestre de 2003, identificou a existência de um pagamento a maior no valor de R$ 1.036,81, ou seja, o montante efetivamente devido a título de PIS pela recorrente seria o valor de R$ 18.328,13, o que foi posteriormente retificado, mediante a entrega de DCTF retificadora, em 28 de junho de .2005. Com isso, a contribuinte apresentou DCOMP em 01.11.2006, pleiteando a liquidação de débitos, utilizandose do crédito proveniente do pagamento a maior já citado. No entanto, foi proferido Despacho Decisório pela DRF – Campinas – SP, que não homologou a compensação pleiteada por não ter localizado nos sistemas da RFB o DARF discriminado. Fl. 145DF CARF MF 6 A recorrente, então, alegou que o sistema informatizado da RFB não localizou o crédito da contribuinte por mero erro de fato na informação prestada no PER/DCOMP. Deveras, ao analisar a DCOMP apresentada pela recorrente, podese inferir que a mesma preencheu o DARF com o valor equivocado de R$ 13.964,94, sendo o correto R$ 19.364,94. MÉRITO O tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. O voto condutor do acórdão recorrido enfrentou o mérito trazido em sede da manifestação de inconformidade, concluindo pela não existência do crédito requisitado haja vista a falta de documento DARF comprovando a efetividade do pagamento. Seguese a excertos da mencionada decisão de piso que revelam os fundamentos do raciocínio jurídico empreendido para concluir pela negativa do crédito: O ato combatido aponta como causa da não homologação a não localização do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito. Inexistente o pagamento dado por indevido e fonte do direito creditório, impossível a extinção do débito declarado por meio de compensação. Assim, o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária, informações estas oriundas de documentos e declarações cuja origem é a própria contribuinte. A correção do despacho é admitido pela própria interessada quando reconhece a inexistência de um documento de arrecadação com as características indicadas na Declaração de Compensação. Ocorre, como já se esclareceu que, inexistente o documento DARF, não há que se falar em direito creditório dele originado. Débito Informado Corretamente na DCTF Retificadora No caso presente, a contribuinte, após ter constatado, na competência em questão, os pagamentos ocorridos de forma indevida, retificou, em junho de 2005, a sua DCTF original, informando o valor corretamente apurado. Compulsando os autos, mais especificamente a DCTF retificadora acostada na manifestação de inconformidade sob código de DOCUMENTO 01., verificase que os argumentos expostos no Recurso Voluntário correspondem à veracidade dos fatos, vez que, no mencionado documento consta, na página 26, Grupo do Tributo: PIS, Código da Receita 6912 1, não cumulativo, o débito apurado e informado no montante de R$ 18.328,13. A DCTF retificadora, ainda mais quando enviada anteriormente ao Despacho Decisório, como no caso destes autos, como se sabe, assume, em termos de veracidade e legitimidade, as informações anteriormente enviadas e transmitidas. Acórdão nº 9303005.396 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.902324/200821 Acórdão n.º 3001000.489 S3C0T1 Fl. 143 7 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Nesta Turma Extraordinária também tem sido este o entendimento: Acórdão nº 3001000.099 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Mero Erro Material no Preenchimento da DCOMP Neste ponto, o despacho decisório, por basearse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabou por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pago, no DARF competente, terem sido alocados equivocadamente no campo relativos às informações necessárias ao seu reconhecimento. Destacase, então, que em DOCUMENTO 03, acostado em se de manifestação de inconformidade, consistente na DComp enviada, reparase, na página 03, que efetivamente equivocouse a contribuinte em preencher o valor correto do DARF efetivamente pago e acostados a estes autos, qual seja, o valor de R$ $ 19.364,94, e, não , o equivocado valor de R$ 13.964,94. Ante ao evidente erro material de preenchimento, e, estando nos autos presentes os elementos necessários ao entendimento e reconhecimento da legitimidade do crédito, por haver sido retificada, em tempo, sua DCTF, e, considerando insuficiente o erro material cometido no preenchimento da DCOMP, relativamente às informações contidas no DARF, para retirar a legitimidade do crédito alegado pela recorrente, aponto que este tem sido o entendimento conforme se denota do acórdão cuja ementa segue transcrita: Acórdão: 1803001.646 Fl. 147DF CARF MF 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A COMPROVAÇÃO DE EFETIVO ERRO DE FATO, NO PREENCHIMENTO DA PER/DCOMP EXIGE EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E ADEQUADA VALORAÇÃO DAS PROVAS, QUE SE APRECIE O PEDIDO, AFASTANDO ÓBICES FORMAIS QUE SUPOSTAMENTE PRECONIZAM A INTANGIBILIDADE DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. Dos Documentos efetivamente acostados O contribuinte se limitou a juntar nos Autos, em sede de Manifestação de Inconformidade, somente a DCTF retificada, o DARF pago e a DCOMP. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, declarando a existência de pagamento a maior conforme apontado na DCTF retificadora, sendo, portanto, assegurado ao contribuinte, a restituição de seu crédito. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722537/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA.
É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo.
Numero da decisão: 3301-004.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a responsabilidade dos sujeitos passivos solidários.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo.
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AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a responsabilidade dos sujeitos passivos solidários. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 37 /2 01 3- 27 Fl. 11296DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.297 2 (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1057.038 2ª Turma da DRJ/POA (fls 11.080 e seguintes): Contra a cooperativa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.069.776,25, referente a fatos geradores entre 30/04/2008 e 31/12/2009. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 26/04/2013; b) o segundo formalizou a exigência de PIS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 448.451,51, referente a fatos geradores entre 30/04/2008 e 31/12/2009. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 150% e juros moratórios. Constou base legal. Houve ciência em 26/04/2013. Foi produzido longo Termo de Verificação Fiscal, onde ficou registrado (excertos): II DA SOLIDARIEDADE PASSIVA 4. Os fatos e infrações relatados neste Termo foram praticados com infração à legislação cooperativista e tributária, com a interveniência dos sócios e membros do conselho de administração e conselho fiscal citados abaixo, e que por isso sãosolidariamente responsabilizados, nos termos do inciso I do art. 124, e do incisoIII do art. 135, ambos do Código Tributário Nacional (...) 5. A ação fiscal abrangeu o período de jan/2008 a dez/2009. 7. Os representantes legais declararam, por escrito, não possuir a COOPERSAÚDE processos judiciais ou administrativos concernentes a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; nem processos de consulta formulados. 8. O período de janeiro a março de 2008 foi objeto de lançamento através de auto de infração de 28/12/2012 (processo n° 10580720.011/201311), tomando ciência a contribuinte Fl. 11297DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.298 3 nesse mesmo dia. Esse lançamento teve como fundamento a falta de recolhimento das contribuições para o Pis e Cofins. 9. Novos fatos que chegaram a conhecimento desta fiscalização, posteriormente à lavratura do auto de infração referido no parágrafo anterior, e levaram à qualificação da multa e à responsabilização dos membros do Conselho de Administração e membros do Conselho Fiscal. 10. Depoimentos colhidos em diversos processos trabalhistas (vide parágrafos 60 e seguintes deste Termo) e na Ação Civil Pública tombada sob n° 5290076.2009.5.05.0196, em 19/05/2009, na 6ª Vara do Trabalho de Feira de Santana, impetrada pelo Ministério Público do Trabalho, configuraram desvirtuamento da atuação da COOPERSAÚDE, com repercussão no tratamento tributário da cooperativa. IV DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL 15. Em 13/07/2012, a COOPERSAÚDE foi intimada, e reintimada em 10/09/2012, a apresentar, dentre outros documentos, memória de cálculo da apuração do PIS e COFINS, com a indicação da rubricas contábeis de registro orrespondentes, e que esclarecesse por escrito por que não havia apurado e declarado as referidas contribuições. 16. Em resposta, elaborou as planilhas reproduzidas abaixo que explicitam a segregação das receitas em decorrentes de atos cooperados (que eram repassados a estes na proporção dos serviços prestados a terceiros) e as correspondentes taxas administrativas cobradas dos membros. Só sobre as últimas a contribuinte entende que havia incidência do PIS e da COFINS, que eram contabilizados nas contas 21104 e 21105, respectivamente. 29. Importa que, nem sobre as receitas de taxas administrativas, nem sobre as receitas dos serviços médicos prestados, a fiscalizada recolheu as devidas contribuições de COFINS e PIS, contribuições essas, repisese, provisionadas e baixadas contabilmente, como se tivessem sido pagas, mas efetivamente não recolhida. V A ATUAÇÃO DA CONTRIBUINTE 40. Figuram como associados da COOPERSAÚDE, segundo relação fornecida por ela: médicos; enfermeiros, bioquímicos, farmacêuticos, odontologistas, cirurgiões dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas, auxiliares de enfermagem, técnicos de laboratório, agentes de serviços hospitalares, técnicos de enfermagem, técnicos de radiologia, agentes de serviços gerais, técnicos de laboratório, técnicos de administração hospitalar, assistentes sociais, coordenadores administrativos, técnicos auxiliares odontológicos (vide "Relação Cooperados Coopersaúde"). Então, possui nos seus quadros elenco de profissionais capaz de assumir qualquer serviço de saúde, da atividade meio à atividade fim. Fl. 11298DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.299 4 45. Constatase então que a totalidade do faturamento da COOPERSAÚDE foi oriundo de contratos com órgãos públicos com o objeto de fornecimento de profissionais da área de saúde, para cumprir jornadas de trabalho em estabelecimentos dos contratantes, segundo as determinações administrativas destes, e com a determinação de observação da legislação trabalhista e previdenciária pela contratada. 57. A primeira conclusão, conforme o teorizado, é que não se pode considerar como atos cooperativos típicos as relações estabelecidas entre a pessoa jurídica COOPERSAÚDE e as contratantes de sua mão de obra especializada. No mínimo, à primeira vista, seriam atos nãocooperativos intrínsecos se cumprissem os requisitos legais. Com a prática de atos externos (contratos de prestação de serviços com terceiros) há faturamento. Os profissionais alocados na prestação dos trabalhos receberam a contraprestação da cooperativa (e não do contratante) na proporção do labor realizado. 62. A segunda conclusão que se assenta, tomadas em conta as constatações que defluem dos fatos documentados nos processos trabalhistas, é que a COQPERSÁUDE não atendeu aos princípios cooperativos, descumprindo frontalmente a Lei n° 5.178/17: não propiciou que os associados obtivessem retribuição superior à que obteriam caso não estivesses associados; não houve prestação de serviços pela cooperativa aos reclamantes; houve de fato, prestação de serviços pela cooperativa aos terceiros contratantes; a cooperativa se prestou a fraudar relação de emprego e o próprio instituto do cooperativismo. 63. A terceira conclusão: a de que os administradores da autuada ao descumprirem dispositivos da Lei n° 5.764/1971, dispositivos do próprio Estatuto Social (a exemplo do art. 15o que proíbe vantagens e privilégios a associado em detrimento dos demais associados) e perpetrarem infrações a dispositivos da legislação tributária, devem ser responsabilizados solidariamente. Os fatos correspondentes a essa conclusão estão narrados no tópico, "VIII. Da Responsabilidade dos Membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal". 64. Contudo, repisese o já dito que será explicitado no próximo tópico: a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos não é relevante para incidência das contribuições para o Pis e para a Cofins. Independentemente de se tratar de ato cooperado ou não cooperado, as receitas apuradas pela COOPERSAÚDE são tributadas pelo Pis e pela Cofins. Mas restou comprovado que as receitas recebidas pela COOPERSAÚDE não foram decorrentes de atos cooperativos típicos. As irregularidades, documentadas indicaram fraude do próprio instituto do cooperativismo. VII – DA RESPONSABILIDADE DOS MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E DO CONSELHO FISCAL Fl. 11299DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.300 5 88. De outro lado, a multicitada Lei n° 5.764/71, no art. 49, determina que os administradores eleitos ou contratados respondem solidariamente pelos prejuízos resultantes de seus atos, se procederem com culpa ou dolo. Mas a sociedade também responderá por esses atos se os houver ratificado ou deles logradoproveito (parágrafo único do art 49). 89. As contas. da COOPERSAÚDE foram aprovadas pela Assembléia Geral.Mas relembrese que só participavam das reuniões os mesmos 11 associados,contando dentre estes os diretores do Conselho de Administração e membros doConselho Fiscal, segundo os registros em Ata. 93. Estabelecida a cadeia de responsabilidades estatutárias, as condutas dos administradores elencados no parágrafo 4 (quatro) deste termo, além de constituírem infrações à Lei n° 5.764/1971 e ao Estatuto da cooperativa, estãoenquadradas na hipótese de responsabilidade tributária prevista no CódigoTributário Nacional (CTN), no art. 135, inciso III, por infração à lei tributária e ao estatuto social: pela baixa, sem causa ou destinatário identificado, das provisões das contribuições sociais para o Pis e para Cofins, objeto deste,lançamento; pelo não recolhimento das contribuições; pela não declaração, em DCTF, nem das obrigações incontroversas, que reconhecem serem decorrentes de atos cooperados, pelas infrações à legislação, cooperativista, e fraude à legislação trabalhista, que repercutem na descaracterização do ato cooperativo, conforme narrado em tópicos precedentes. VIII DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA 94. No § 1º do art. 44 da Lei 9.430/1996, há determinação de que a multa de oficio de 75% deve ser duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, ou seja, nos casos de sonegação, fraude ou conluio. 95. Restou claro que os atos e negócios foram praticados com o fim de modificar as características essências do fato gerador de modo a reduzir o montante das contribuições devidas, constituindo a fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. 96. A multa de ofício referente a esta infração foi aplicada nos termos da Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, e § 1º, com nova redação dada pela Lei 11.488/2007. Em 28/05/2013 a contribuinte transmitiu (email eletrônico), através de procuradores, arrazoado impugnatório referente aos lançamentos (PIS/COFINS) onde alegou (em síntese): Dos fatos • o Fisco pretende impor curioso e particular entendimento segundo o qual a sociedade não pratica qualquer tipo de ato cooperativo. Conclui que por ter seus ingressos derivados da prestação de serviços para terceiros não associados/cooperados, a Fl. 11300DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.301 6 cooperativa pratica unicamente atos não cooperativos. Em sua concepção, os atos cooperativos seriam tão somente, apenas, única e exclusivamente aqueles praticados interna corporis, ou seja, entre os próprios cooperados, pelos próprios cooperados e para os próprios cooperados. Afirma, também, ser irrelevante tratar de segregação contábil entre atos cooperativos e não cooperativos, eis que todos os atos praticados são não cooperativos, constituindose, integralmente, hipótese de incidência do PIS e da COFINS; • em seu Relatório o Fisco concluiu: I) que não podem ser considerados como atos cooperativos típicos aqueles estabelecidos entre a cooperativa e terceiros não associados/cooperados; II) que as constatações do quanto documentado no processo trabalhista são de que a sociedade não atendeu aos princípios cooperativos (dentre os quais a ausência de participação associativa; ausência de adesão espontânea; e da dupla qualidade e retribuição pessoal diferenciada); III) que os administradores da cooperativa seriam responsáveis solidários pelos créditos tributários, uma vez que teriam infringido dispositivos do próprio Estatuto Social. Da impugnação. Natureza jurídica. Preenchimento de todas as condições para ser sociedade cooperativa • desde sua constituição, a cooperativa sempre atuou no intuito de atingir o bem comum dos cooperados. Dos valores recebidos pelos serviços prestados pessoalmente pelos seus cooperados, uma parte (Taxa Administrativa) é destinada ao custeio da estrutura administrativa, melhorias na estrutura física da sede e também na comunicação social da entidade, de forma a cumprir o seu objetivo social; • considerando que os valores recebidos dos tomadores de serviço, depois de descontado um percentual para o pagamento das despesas da cooperativa, são repassados diretamente aos cooperados em razão do trabalho desenvolvido por cada um deles e, considerando que eventual sobra dos valores destinados à administração da cooperativa e à realização do seu objeto social é devolvida aos cooperados também na proporção do seu trabalho, resta indubitável que a cooperativa, cumpre um dos requisitos básicos da sociedade cooperativa, qual seja a não realização de lucro; • não restam dúvidas de que a negociação da prestação dos serviços de seus cooperados, incumbida à cooperativa, caracterizase como ato cooperativo típico, integralmente alinhado ao quanto preceituado na lei das cooperativas (Lei nº 5.764/1971), inclusive sem qualquer objetivo de lucro, vez que seu objeto social concerne, justamente, à aproximação de seus cooperados do mercado consumidor; Fl. 11301DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.302 7 • o Fisco desconsiderou as demandas trabalhistas ajuizadas e que foram julgadas improcedentes por considerarem a ora autuada como sendo uma sociedade cooperativa típica. Frisese que os juízos trabalhistas reconhecem a existência de relação de cooperativismo e o atendimento aos princípios da dupla condição e da retribuição pessoal diferenciada; • no campo da prestação de serviços a terceiros, frisese que todos os cooperados têm a liberdade de trabalhar quando e onde escolherem. Não há hierarquia ou ordem da cooperativa para que tal ou qual cooperado necessariamente vá trabalhar em tal ou qual hospital; • conclui que; a) pelos documentos carreados, a intenção cooperativista é claríssima, agindo sempre a cooperativa em benefício dos cooperados; b) os cooperados sabem e concordam com os termos das ações tomadas pela cooperativa. Supostas ações trabalhistas são insignificantes ante o número de cooperados. Natureza do ato cooperativo típico. Não incidência de PIS/COFINS sobre ingressos decorrentes de atos cooperativos • ato não cooperativo é aquele que nada diz respeito ao objeto de uma sociedade cooperativa, caracterizando uma atividade mercantil praticada pela pessoa jurídica. O resultado positivo auferido em razão da prática de tal ato, mesmo que praticado pela cooperativa, configura auferimento de receita, sendo, portanto, passível de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Já ato cooperativo, ou ato cooperado, é aquele pelo qual a cooperativa realiza a sua finalidade social, qual seja a prestação de serviços aos seus associados. Conforme a Lei nº 5.764/1971 (parágrafo único do art. 79), os atos cooperados não implicam em operações mercantis, tampouco em contrato de compra e venda; • todos os ingressos contábeis verificados pelo Fisco são decorrentes e pertencem aos cooperados, em razão da prestação de serviços realizados de forma pessoal por estes, à exceção da taxa administrativa retida para o custeio da estrutura da sociedade. Tratase de ato cooperativo típico, concernente ao objetivo social da cooperativa, envolvendo esta e o cooperado; • não se pode dizer que, por ser um terceiro o tomador do serviço prestado pessoalmente pelos cooperados, restaria descaracterizado o ato cooperativo, já que se trata de um negócio feito pela cooperativa em nome dos cooperados e com o intento de que estes alcancem o mercado consumidor e aufiram renda. Não seria razoável pensar que os cooperados poderiam prestar serviços apenas a outros cooperados, o que inviabilizaria economicamente a atividade; Fl. 11302DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.303 8 • a intermediação da contratação dos serviços de seus cooperados, efetuada pela cooperativa, configura ato cooperativo típico. Tendo em vista que a cooperativa repassa os honorários auferidos aos cooperados, em razão direta dos serviços prestados por cada um, tais ingressos jamais poderiam ser considerados como receita/faturamento da cooperativa; • o Fisco considerou como sendo faturamento todos os ingressos havidos pela cooperativa, inclusive as receitas decorrentes da prática de ato cooperativo típico. A autuação é, portanto, improcedente; • ao contrário do pretendido pelo órgão fiscalizatório, o conceito de faturamento não se amolda aos atos cooperados, havendo por isso a não incidência do PIS ou da COFINS sobre os referidos atos; • a análise do Relatório Fiscal leva à conclusão de que o Fisco considerou como receita e, por decorrência, como base de cálculo para a tributação pela COFINS e pelo PIS, o somatório do valor das notas fiscais emitidas no período fiscalizado. Ocorre que os ingressos no caixa dos honorários dos associados, pela prática de atos cooperados, não se confundem com receitas da cooperativa. No caso concreto, o ingresso no caixa de valores decorrente de atos cooperados não se enquadra no conceito de faturamento/receita por não ser uma riqueza própria da Sociedade. Assim, no mérito, deve ser declarada a total improcedência do auto de infração. Divergências contábeis. Erros de preenchimento • o Fisco apontou a existência de divergências contábeis. Cumpre esclarecer que os erros em questão são atribuíveis apenas e tão somente à equipe de contabilidade da cooperativa. Tais erros por si só não são capazes de criar fatos geradores, nem implicam em confissão de dívida. No Direito Tributário deve prevalecer, sempre, a verdade real, sendo que a verdade real é que tratase de uma cooperativa de trabalho e como tal, no exercício do seu mister, os ingressos decorrentes da prática de atos tipicamente cooperativos não podem ser considerados como sendo faturamento, daí porque não se submetem à incidência nem do PIS nem da COFINS. Regularidade nas contratações com o Poder Público • o relatório fiscal busca demonstrar que a relação entre a cooperativa e os contratados (órgãos do Poder Público) teria caráter empresarial, não podendo se confundir com a relação de intermediação sem fins lucrativos próprios das sociedades cooperativas. Diz que os contratos firmados trazem terminologias próprias de quem contrata com sociedades empresárias; • de fato, as terminologias aplicadas aos contratos são terminologias próprias da contratação de sociedades empresárias. Tanto que nela há termos como salários, recolhimento de FGTS, responsabilização pelo transporte, etc. Contudo, a mera avaliação Fl. 11303DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.304 9 literal/textual dos contratos não é capaz de levar à compreensão da relação jurídica travada entre as partes contratantes. Quanto ao negócio jurídico, o primeiro ponto a se levar em consideração é o fato de que os contratos firmados são elaborados juntamente com o edital de licitação. Ou seja, os contratos não são personalizados, são genéricos, e são elaborados exclusivamente pelo Poder Público, sem a participação dos contratados. E como a maioria das licitantes são sociedades empresárias, não faria sentido a elaboração de um contrato somente para cooperativas; • as atecnias contidas nos contratos firmados com o Poder Público não têm o condão de desvirtuar a realidade fática e o enquadramento jurídico que deve ser dado aos negócios firmados pela cooperativa, sendo improcedente a autuação; • caso a autuação seja julgada procedente, descaracterizando a prestação do serviço como ato cooperativo, deveria o Fisco devolver aos órgãos contratantes toda a contribuição previdenciária devida pelo tomador de serviço de cooperativa que foi paga no período. Tal contribuição de 15% sobre o valor pago a cooperativas e devido pelas contratantes está prevista no art. 22, IV , da Lei nº 8.212/1991. Conclusão e pedidos • a cooperativa requer que seja reconhecida a total improcedência da autuação. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, indicando, de logo, e em especial, a juntada posterior de documentos, pareceres, decisões dos Tribunais Administrativos e Judiciais, inclusive em contra prova, diligências, exames, vistorias, perícias e revisão do lançamento. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação. Encaminhado o processo a esta DRJ, foi ele julgado em 26/11/2013, tendo sido proferido o Acórdão nº 1047.673, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. Impugnação Improcedente Fl. 11304DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.305 10 Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão a contribuinte ingressou com recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (03/04/2014 – fl. 5.081). Em 24/02/2015 o CARF proferiu o Acórdão nº 3201001.871 (2ª Câmara/1ª Turma Ordinária), cuja ementa está a seguir transcrita (fl. 10.224): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado a falta de ciência do auto de infração quanto a solidários da exigência fiscal, devese anular o julgamento para que a Unidade de Origem providência a ciência de todos os arrolados no processo como solidários, abrindo o prazo legal para apresentação de impugnação e a partir daí seja dado prosseguimento ao processo nos termos previstos no Decreto nº 70.235/72; Recurso Voluntário Provido em Parte Acordou, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e determinar que a unidade de origem desse ciência do auto de infração a todos os responsáveis solidários. Devolvido o processo ao Órgão de origem, foi dada ciência do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal aos responsáveis solidários, conforme segue: Cientificados, os responsáveis solidários apresentaram, através de procurador, duas impugnações. Na primeira (fls. 10.950 a 10.985), os responsáveis solidários Ubirajara Jorge Muniz da Silva, Rômulo José Cunha Araújo, Marlea Fl. 11305DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.306 11 Paladino Ferreira da Silva Machado, Marcelo César Almeida de Oliveira Pinto, Edmo de Castro Dourado Jr., Carlos Costa Neto, Ana Maria Guimarães Dortas Matos e Victória Villarpando dos Santos argumentaram (em síntese): Fatos • o Fisco promoveu cobrança de crédito tributário de PIS/COFINS, pretendendo também imputar responsabilização solidária aos integrantes dos Conselhos Administrativo e Fiscal da Cooperativa, lastreando sua intenção no art. 135, III do CTN; • disse que a Cooperativa, por ter seus ingressos derivados da prestação de serviços para terceiros não associados/cooperados, pratica unicamente atos não cooperativos. Entendeu que atos cooperativos seriam apenas, única e exclusivamente, aqueles praticados interna corporis, ou seja, entre os próprios cooperados; • em seu Relatório, concluiu o Fisco que: 1. não podem ser considerados como atos cooperativos típicos aqueles estabelecidos entre a Cooperativa e terceiros não associados/cooperados (item 57); 2. as constatações do quanto documentado no processo trabalhista são de que a Coopersaúde não atendeu aos princípios cooperativos (dentre os quais a ausência de participação associativa; ausência de adesão espontânea; dupla qualidade e retribuição pessoal diferenciada); 3. os conselheiros da Coopersaúde seriam responsáveis solidários pelos créditos tributários, vez que teriam infringido dispositivos do próprio Estatuto Social. Decadência do crédito tributário • o lançamento trata de supostos fatos geradores ocorridos entre 04/2008 e 12/2009. Mas os impugnantes somente foram notificados do Auto de Infração em 11 de junho de 2015. Dessa forma, o prazo de cinco anos para lançamento do crédito, que deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, foi completamente esgotado (ainda que considerado o suposto fato gerador mais recente – dez/2009). Quer se conte o prazo decadencial pelo art. 150, § 4°, quer se conte pelo art. 173, I, do CTN, estará o crédito tributário extinto, sendo por isso a autuação inteiramente improcedente. Fl. 11306DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.307 12 Ilegitimidade dos impugnantes para figurar como responsáveis tributários • o Fisco aduziu que os impugnantes foram beneficiados financeiramente, dando a entender que se valeram da Cooperativa para satisfazer ambições próprias. Esclarece se, no entanto, que estes nunca auferiram qualquer ganho ou remuneração em razão da participação na diretoria ou nos conselhos administrativos ou fiscais da Cooperativa. Toda e qualquer remuneração que eventualmente receberam decorreu do seu labor como cooperados, qual seja a prestação de serviços médicos; • o Fisco responsabilizou genericamente todos os membros do conselho administrativo e do conselho fiscal por imaginada mas não apontada ação culposa ou dolosa, quando, no máximo, poderia têlos acusado de terem feito uma gestão ruim. Há de se diferenciar, contudo, gestão ruim de gestão fraudulenta. A gestão ruim não implica em responsabilização tributária. E a gestão fraudulenta não tem qualquer comprovação da sua existência nos autos (até porque não existiu); • o não pagamento de um tributo que a Cooperativa considerava (e ainda considera) indevido não é ato capaz de implicar corresponsabilização dos seus conselheiros. No máximo, acaso se conclua pela existência de tributo a pagar, podese exigir o pagamento pela Cooperativa; • o Conselho Fiscal é órgão consultivo e sua função consultiva foi desempenhada e aprovada pela Assembléia Geral, órgão máximo da administração. Não houve qualquer erro procedimental por parte dos Impugnantes, não se podendo impor a pecha de violadores do art. 134 ou 135 do CTN; • o CTN prevê duas espécies de responsabilidades. A pessoal (art. 135) e a solidária (art. 134). Com relação à responsabilidade pessoal, à míngua de qualquer comprovação de auferimento de vantagem por parte dos Impugnantes, e especialmente considerando que não foram apontados quais teriam sido os atos omissivos e/ou comissivos praticados que deram azo a imputação de responsabilização solidária, não sabem os impugnantes a razão pela qual foram alçados à condição de corresponsáveis pelo débito; • no caso da solidariedade, o art. 134 do CTN traz previsão que autoriza a responsabilização. Mas dos sete incisos do mencionado dispositivo, nenhum permite a responsabilização solidária dos sócios. Frisese que o inciso Fl. 11307DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.308 13 VII somente autoriza este tipo de responsabilização nos casos de liquidação de sociedade de pessoas. Mas não se está a trata da liquidação da Cooperativa, então esse inciso não se aplica à hipótese dos autos. Dessa forma, a imputação da responsabilidade dos Impugnantes não pode prosperar, pois não existe previsão legal nem no art. 135 nem no art. 134 do CTN para que os Impugnantes sejam responsáveis pelo crédito tributário lançado. Quanto ao Conselho Fiscal • o Fisco atribuiu a todos os integrantes dos Conselhos Administrativo e Fiscal, ora Impugnantes, o mesmo grau de responsabilidade por todo o crédito tributário apurado. Mas essa técnica de responsabilização não pode prosperar, pois conforme se lê da autuação, o período fiscalizado engloba as competências de 04/2008 a 12/2009, sendo que os Impugnantes não compuseram a titularidade do Conselho Fiscal durante todo o período da autuação. Eles foram eleitos para o Conselho Fiscal somente no período de abril/2009 a abril/2010. Ainda que alguma responsabilidade pudesse ser atribuída, essa somente poderia se limitar aos meses de abril/2009 a dezembro/2009, pois este é o único período autuado que coincide com a época em que os Impugnantes compuseram o Conselho Fiscal (nesse caso se deveria apurar o grau de responsabilidade que seria atribuível a cada um dos Impugnantes) Acusação específica. Victória Villarpando • quanto à corresponsabilização, houve imputação à Victoria Villarpando de violação ao art. 29, § 4°, da Lei nº 5.764/1971, que proíbe a filiação à cooperativa de agentes de comércio e empresários que atuem no mesmo setor econômico. Mas houve erro na conceituação de agente de comércio e empresário. Ambos os termos têm conceituação legal. Agente de Comércio é uma denominação que foi substituída pelo Representante Comercial, e tem previsão e regulamento na Lei nº 4.886/1965. Empresário, por sua vez, na forma dos arts. 966 e 9675 do CC, é aquele inscrito no registro Público de Empresas Mercantis e que exerce diretamente atividade econômica de natureza não intelectual/científica; • nenhum dos dois conceitos se confunde com o fato de Victoria Villarpando ser sócia de uma atividade empresária. Ser sócia de uma atividade empresária não faz dela (cooperada) uma empresária. O Fisco valeuse do termo empresária em seu conceito popular/não jurídico. Para fins Fl. 11308DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.309 14 legais, empresária não é quem tem empresa ou quem é sócia de uma empresa. Quanto aos pagamentos ao Presidente da Cooperativa • quanto ao pagamento de prolabores ao presidente da Cooperativa, disse o Fisco que foi ele beneficiado pelo pagamento de vultuosas quantias em dinheiro, entendendo que tais pagamentos seriam escusos, atribuindo responsabilidade ao Conselho Fiscal. Mas os cooperados não se insurgiram contra os honorários pagos ao presidente, jamais questionaram o montante que foi pago à presidência da cooperativa; • a decisão de pagar bem ou mal ao seu dirigente cabe exclusivamente à Cooperativa e seus cooperados, sendo a remuneração ao Presidente plenamente compatível com as funções que exercia, estando no mesmo patamar dos dirigentes de qualquer empresa privada do mesmo porte do ramo de saúde. Além disso, os valores de honorários pagos ao Presidente foram mencionados em ata das Assembléias Ordinárias e devidamente arquivadas na Junta Comercial. E o arquivamento de tais atas na JUCEB dá plena publicidade ao ato. Ausência de responsabilidade dos impugnantes • o Fisco afirma que a Cooperativa arrebanhava profissionais de nível superior, notadamente médicos, como se empregados fossem, para lucrar com as atividades desempenhadas pelos mesmos. Falou sobre sentenças e de ação civil pública contra a Cooperativa. Mas as ações trabalhistas individuais não representam fatores capazes de desqualificar a sua atividade. Os juízos trabalhistas reconheceram a existência de relação de cooperativismo e o atendimento aos princípios da dupla condição e da retribuição pessoal diferenciada; • na Justiça Trabalhista os casos em que os cooperados foram considerados empregados têm proporção irrelevante; • podese concluir da seguinte forma: 1) pelos documentos carreados, a intenção cooperativista é claríssima, agindo sempre a Cooperativa em benefício dos cooperados; 2) os cooperados sabem e concordam com os termos das ações tomadas pela cooperativa. Supostas ações trabalhistas são insignificantes ante o número de cooperados. Fl. 11309DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.310 15 • a baixa adesão às Assembléias realizadas não são determinantes para a descaracterização da cooperativa, visto que os editais de convocação são devidamente publicados. O fato dos cooperados não comparecerem em grande número não desnatura o caráter cooperativa; • a afirmação de que os associados da Cooperativa estariam tomando o lugar de empregados públicos e concursados é desimportante na seara tributária. Se há irregularidade, quem deve ser investigado é o Município, Estado ou órgão contratante, nunca a Cooperativa. Tal investigação caberia exclusivamente ao Ministério Público, denotandose que a autuação extrapola o dever de fiscalização do ente tributante. Ação Civil Pública nº 005290076.2009.5.05.0196 • conforme o relatório fiscal, a base angular de sua fundamentação está no quanto decidido na Ação Civil Pública 005290076.2009.5.05.0196. Mas o que decidido naqueles autos em nada vincularam a Cooperativa, pois tratouse de ação movida pelo Ministério Público do Trabalho em face, apenas e unicamente, do município de Feira de SantanaBA. A Cooperativa não participou do processo e nunca nele teve a oportunidade de se defender. Assim, nenhum efeito tem aquele julgado sobre a Cooperativa; • a Cooperativa não presta serviço apenas ao Município de Feira de Santana, ou seja, não haveria como desvirtuar toda sua atividade com base em conclusões relativas a apenas um município; • não é nem nunca foi objeto da ACP a desconstituição do caráter cooperativo da Cooperativa. A insurgência do MPT foi a não realização de concurso público para o preenchimento de vagas, eis que o Município de Feira de Santana preferiu efetuar estas contratações através de outras pessoas jurídicas. E não foram contratadas apenas cooperativas, mas também sociedades empresárias; • o resultado das ações trabalhistas das quais a Cooperativa fazia parte e que tinham por objeto a descaracterização de seu caráter cooperativo, foram desconsiderados pelo Fisco. A Cooperativa tem sua condição de cooperativa vigente, estando em situação regular perante todos os órgãos reguladores, inclusive o Ministério do Trabalho e Emprego, além de não ter contra si nenhuma medida administrativa ou judicial tendente a cassar ou modificar essa condição. Assim, os Impugnantes entendem que não cabe discussão Fl. 11310DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.311 16 acerca da qualidade de cooperativa da entidade da qual são associados. Ato cooperativo não é apenas aquele praticado entre associados de uma cooperativa de trabalho • tratase de uma cooperativa de trabalho médico, cujo objeto é a intermediação do trabalho de seus associados. Não há contratação de hospitais, clínicas, laboratórios, não há fornecimento de medicamentos, não há despesas com diárias hospitalares nem prestação de serviços através de terceiros. Também não há contratação de bens ou serviços de terceiros. A missão da Cooperativa consiste em arrecadar os honorários dos contratantes, descontar a taxa de administração para cobrir suas despesas e repassar o saldo para o seus cooperados; • entendeu o Fisco que as atividades da Cooperativa, ao intermediar a prestação de serviços de seus cooperados a terceiros, não poderiam ser consideradas como ato cooperado. Atos cooperados seriam aqueles praticados entre os cooperados e aqueles praticados entre cooperativas. Não haveria, portanto, ato cooperado entre cooperados e terceiros. Mas esse entendimento está ultrapassado segundo o Poder Judiciário. Ao limitar o ato cooperativo apenas àquele praticado entre cooperados e entre cooperativas, faz esvaziarse a própria razão de ser da existência destas espécies societárias; • a intermediação realizada pela Cooperativa não desnatura os serviços prestados pelos seus associados como ato cooperado. Não cobrança de PIS/COFINS de atos cooperativos • disse o Fisco ser desimportante se a pessoa jurídica autuada enquadravase ou não no conceito de cooperativa, visto que os ingressos havidos eram considerados como faturamento, devendo ser tributados pelo PIS/COFINS independentemente de serem atos cooperativos ou não. Mas segundo a legislação, as receitas oriundas de atos cooperativos não são atos de mercado. Não se tratando de atos de mercado, não há de se falar em faturamento. Ausente o faturamento, não ocorre a hipótese de incidência do PIS/COFINS; • não poderia o Fisco considerar os honorários repassados as cooperados como faturamento ou receita da Cooperativa. O ingresso de valores no caixa das cooperativas, quando da prática de atos cooperados, não se confunde com faturamento, nem com receitas próprias. As receitas Fl. 11311DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.312 17 decorrentes de atos praticados pela Cooperativa não podem ser consideradas como faturamento, sendo improcedente a autuação. Meros ingressos temporários de remunerações repassadas aos cooperados não podem ser faturamento • em razão dos serviços prestados pelos cooperados serem específicos e determinados, variando conforme duração do atendimento, especialidade e local do serviço, pode a Cooperativa determinar quanto cada um dos terceiros paga a cada um dos cooperados. A Cooperativa, obedecendo a seu fim societário, temporariamente recebe recursos de terceiros, repassandoo ao cooperado. Antes retém a taxa administrativa; • o serviço é prestado diretamente pelo cooperado ao terceiro (clínica, hospital, laboratório, etc). Da mesma forma, o preço é pago pelo terceiro ao cooperado, servindo a Cooperativa de mera facilitadora dessa transação, em obediência ao seu estatuto social. O serviço é prestado pelo cooperado e não pela cooperativa. Daí porque a receita (contraprestação) pelo serviço é paga ao cooperado e não à cooperativa. O mero ingresso temporário desse pagamento nas contas da Cooperativa não torna tal numerário receita dessa. Não há que se falar, portanto, em faturamento da Cooperativa, não se falando, por conseguinte, em incidência de PIS/COFINS. Erros contábeis criando fatos geradores fictícios • as divergências contábeis (erros de preenchimento de DIPJ, DACON e DCTF) apontadas pelo Fisco são atribuíveis apenas e tão somente à equipe de contabilidade da cooperativa. Mas em momento algum a Cooperativa quer se esquivar da responsabilidade. A intenção é apenas demonstrar que houve erros contábeis. Não é porque houve erro de preenchimento de DIPJ, DACON e DCTF que os fatos geradores ali apontados ocorreram. Considerando que ao que parece a autuação originária levou em consideração estes erros como fator relevante para assumir que a Cooperativa sabia ser devedora, e, mais do que isso, para considerar devidos ou confessados os créditos, pugna pelo reconhecimento da existência de mero equívoco contábil, sem que isso prejudique a boafé dos Impugnantes. Fl. 11312DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.313 18 Ausência de prova de irregularidade na contratação com Órgãos Públicos • a ACP ajuizada pelo MPT teve seu mérito julgado em segunda instância (TRT), tendo o Tribunal determinado ao Município de Feira de Santana a substituição da contratação de empresas e cooperativas para prestação de serviços de saúde por profissionais contratados através de concurso público. Pela leitura do julgado trabalhista, o vício foi atribuível somente à Prefeitura, que para não engessar os recursos advindos do Governo Federal prefere contratar sociedades prestadoras de serviço a imobilizar recursos com a contratação de profissionais através de concurso público; • a denúncia de que funcionários públicos indicavam àqueles que lhes pediam empregos para que se filiassem às sociedades e cooperativas contratadas pela Prefeitura em nada prejudica a Cooperativa, pois esta em momento algum entrou em conluio com esta atitude. Tudo que a Cooperativa fez foi participar de uma licitação, vencendoa. Não se pode considerar que toda a atividade da Cooperativa advém de fraude. Motivos autorizadores da multa qualificada (sonegação, fraude ou conluio) • inexistente no processo qualquer prova do cometimento de fraude, sonegação ou conluio, não havendo razão para aplicação de multa qualificada de 150%. Deve ela ser extinta, de modo que os Impugnantes não sejam corresponsabilizados pelo crédito excutido. A Cooperativa pugna, também, pela redução da multa de ofício, de 150% para 75% porquanto inexistiu fraude, conluio ou simulação. Caráter confiscatório da multa • a multa merece ser reduzida, porquanto a imposição de multa moratória de 150% denota clara intenção confiscatória. Em recente julgado o STF entendeu que a multa de 30% já tem caráter confiscatório, reduzindoa para 20%. Se a multa de 30% já é considerada abusiva, a de 150% aplicada ao caso concreto é ainda mais. Ultrapassado o pedido de improcedência da autuação, pede a Cooperativa a redução da multa aplicada para 20% do crédito tributário exigido. Necessidade de aplicação do princípio da legalidade e da moralidade administrativas • pelo princípio da legalidade e da moralidade, deveria o Fisco, apurando o recolhimento a maior de tributo, providenciar a restituição do indébito tributário. Tratase de Fl. 11313DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.314 19 ato de ofício. Seu não cumprimento implica em tese no crime de prevaricação, na modalidade deixar de praticar ato de ofício. Assim, deveria o Fisco devolver aos órgãos contratantes toda a contribuição previdenciária devida pelo tomador de serviço da Cooperativa que foi paga no período. Tal contribuição de 15% sobre o valor pago a cooperativas e devido pelas contratantes está prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991. A Cooperativa pugna por esta providência. Pedidos • os Impugnantes pugnam pelo conhecimento e provimento de sua impugnação para que: a) se julgue improcedente a autuação; b) se extinga a solidariedade determinada na autuação; c) se reduza o valor da multa de ofício de 150% para 20%; e d) se reduza a multa de ofício de 150% para 75% • pugna, ainda, para que, acaso seja julgada procedente a autuação, determinese a devolução dos valores pagos indevidamente pelos contratantes da Cooperativa da contribuição de 15% prevista no art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991. Na segunda (fls. 11.006 a 11.037) o responsável solidário Paulo César Queiroz Rocha repetiu, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação apresentada pelos outros responsáveis solidários. Além disso assentou excerto onde esclarece que toda a sua remuneração consta da escrituração contábil da cooperativa, foi registrada em atas de Assembleias Gerais arquivadas na Junta Comercial do Estado da Bahia, o que dá plena publicidade ao ato e foi oferecida à tributação pelo IR. Disse que todo o prólabore recebido estava e ainda é compatível com as funções que desempenha. Referiu que o autuante não possui competência para julgar ser o valor do prolabore percebido alto ou não. Entendeu que não se pode considerar que a Cooperativa pratica atos fraudulentos. Na fl. 11.048 a Cooperativa, por prudência, reiterou os termos da impugnação que apresentou inicialmente (fls. 3.460 a 3.481). A DRF de origem remeteu o processo a DRJ para julgamento (fl. 11.075). Fl. 11314DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.315 20 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento exarou novo acordão, considerando julgando a impugnação parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fls. 11.080/11.081): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CARF. FALTA DE CIÊNCIA DE DEVEDORES SOLIDÁRIOS. DECISÃO ANULADA. NOVO JULGAMENTO. Anulada a decisão de primeira instância pelo CARF porquanto as principais peças fiscais não foram cientificadas aos devedores solidários, devese proceder a novo julgamento com o enfrentamento das questões propostas nas impugnações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. PRAZO DE DECADÊNCIA. INCLUSÃO DE RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS NO PÓLO PASSIVO. CIENTIFICAÇÃO. O instituto da decadência se refere ao direito de constituição do crédito tributário pelo lançamento, sendo que a atribuição de responsabilização solidária diz respeito à garantia de cobrança daquele crédito. Os responsáveis solidários podem ser chamados a responder pelo crédito tributário em qualquer fase processual, administrativa ou judicial, não havendo possibilidade de acatamento de arguição de decadência pela sua cientificação em momento posterior. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, constitui infração apenável com multa qualificada, nos termos da legislação de regência. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo do PIS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. Impugnação Improcedente Fl. 11315DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.316 21 Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recursos Voluntários pela COOPERATIVA DE SAÚDE E SERVIÇOS CORRELATOS COOPERSAUDE (fl. 11.176/11.206) e também pelos devedores solidários (fls. 11.209/11.224 e 11254/11273) Tendo em conta que a Cooperativa apresentou REQUERIMENTO DE IMPUGNAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO OU RECURSO ADMNISTRATIVO (fl. 11.294), seu Recurso Voluntário não será analisado, sendo tratados no voto os demais Recursos Voluntários. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar Defendem os recorrentes devedores solidários que houve decadência, segundo eles houve extinção do crédito tributário porque o prazo decadencial apenas se interromperia após a notificação ou intimação de todos os autuados. Informam que se trata de lançamento fiscal contra a Coopersaúde (considerada devedora principal) e nove outros cooperados, pessoas físicas, elencados no autor de infração como "responsáveis solidários". Defendem que no casos de lançamento multitudinário, exigindo obrigação única de responsáveis solidários, segundo a lei e também a jurisprudência do CARF, a interrupção da decadência se dá apenas no momento da intimação de todos os responsáveis, ou seja, apenas quando o último devedor solidário é intimado da lavratura do auto de infração. Citam os seguintes precedentes deste CARF: Número do Processo nº 15586.000258/200813 Data da sessão11/04/2016 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, 1) em relação ao recurso voluntário: por maioria de votos, declarar a decadência do crédito tributário. Vencidos a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior. Em primeira votação, foram identificadas três teses: (a) nulidade da decisão da primeira instância e intimação dos responsáveis pessoa física (b) decadência do crédito tributário e (c) exclusão do polo passivo das pessoas físicas não intimadas no momento oportuno. Em primeira Fl. 11316DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.317 22 votação, manifestaramse pela tese "b" os Conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior; pela tese "a" a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior; e pela tese "c" os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Fabio Piovesan Bozza; submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foi excluída a tese "c". Em nova votação, restou vencedora a tese "b", vencida a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2001 a 30/06/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Recurso Voluntário Provido Número do Processo nº 19563.000083/200774 Data da sessão: 08/12/2015 Acórdão nº 2301004.372 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento as recurso voluntário para reconhecer nulidade do lançamento. Vencidos a relatora e os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Junior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Ementa(s): Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis Fl. 11317DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.318 23 tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Recurso Voluntário Provido. Asseveram os recorrentes que se tratam de créditos tributários de PIS e Cofins referentes ao período de 04/2008 a 12/2009, e a intimação do último responsável solidário se deu em 18 de junho de 2015 (conforme se verifica na fl. 10.947). Na decisão recorrida entendeuse que a constituição do crédito tributário é contra o devedor originário, enquanto que a responsabilidade do terceiro é de cunho meramente declaratório (e não constitutivo); por isso, não haveria preclusão ou a nulidade em se deixar de apurar a responsabilidade tributária solidária no momento da lavratura do auto de infração, não correndo, por consequência, o instituto da decadência desfavoravelmente à responsabilização dos devedores solidários no caso de lançamento constituído no tempo oportuno, não cabendo razão aos responsáveis tributários neste aspecto. Contudo, no presente caso, houve lançamento originalmente contra os devedores solidários, aplicandose a eles as mesmas regras de lançamento aplicáveis ao devedor principal. Desse modo, seguimos na esteira das decisões citadas, no sentido de que o lançamento somente se perfez integralmente com a citação do último sujeito passivo indicado no Auto de Infração. Dessarte, assiste razão às recorrentes. Tendo em conta o exposto, voto por dar parcial provimento aos Recursos Voluntários dos devedores solidários. Cumpre registrar que a apresente decisão não se aplica à devedora principal (COOPERATIVA DE SAÚDE E SERVIÇOS CORRELATOS COOPERSAUDE), em razão desta ter desistido do Recurso Voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 11318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.906459/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE.
A primeira via da nota fiscal conforma-se no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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TINTAS GRÁFICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE. A primeira via da nota fiscal conformase no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 64 59 /2 00 8- 11 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 166 2 Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 116 a 123) interposto pelo Contribuinte, em 25 de abril de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0942.080 (fls. 100 a 108), de 21 de dezembro de 2012, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 42 a 48). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Em análise no presente processo a DCOMP nº 01452.57054.120105.1.3.017085, juntada às fls. 02/32 dos autos, por meio da qual pretendeu a extinção de débitos de valor original total igual a R$191.648,64, tendo por lastro crédito originário de saldo credor do IPI apurado ao final do 4º trimestre calendário de 2004. A verificação da legitimidade do direito creditório pretendido foi consolidada no termo de constatação fiscal de fls. 92/99 1 , que assim se pronunciou: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal acima identificado, intimou se, em 14/07/2009, o sujeito passivo em tela a apresentar os elementos contábeis e fiscais relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. A intimação buscava examinar o direito do contribuinte a créditos originados na compra de insumos utilizados na industrialização de seus produtos, os quais foram objeto do pedido de ressarcimento/compensação PER/DCOMP no 01452.57054.120105.1.3.017085, no 07427.80520.180405.1.3.019730, no 00165.14506.200705.1.3.014608 e no 22620.11013.111005.1.3.010498, referente ao 4o trimestre de 2004, 1o, 2o e 3o trimestres de 2005, respectivamente. O procedimento fiscal iniciouse com a adoção dos procedimentospadrão aplicáveis à espécie, quais sejam: a) verificar se as Notas Fiscais de Aquisição registradas na Per/Dcomp possuem como destinatário o estabelecimento detentor do crédito; b) verificar se as Notas Fiscais de Aquisição registradas na Per/Dcomp foram efetivamente registradas no Livro Registro de Entradas; c) verificar se os valores do IPI consignados na Per/Dcomp correspondem aos valores registrados nas Notas Fiscais de Aquisição; d) apor nos originais das Notas Fiscais de Aquisição a informação de que as mesmas foram utilizadas na Per/Dcomp sob exame; Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 167 3 e) testar, por amostragem, se os valores totais do Livro Registro de Entradas estão corretos; f) verificar se os totais dos Livros de Registro de Entradas e do Livro de Registro de Saídas foram corretamente transportados para o Livro Registro de Apuração do IPI; g) verificar por amostragem se as classificações fiscais dos insumos adquiridos pela empresa, bem como dos produtos por ela fabricados, estão classificados corretamente; h) verificar se os valores dos créditos utilizados pela empresa foram estornados no Livro de Apuração do IPI. Após a análise dos elementos apresentados constatamos a ausência de documentos, os quais foram objeto de nova intimação, realizada em 10/09/2009, requerendo os elementos remanescentes, sendo que a própria intimação alertava o contribuinte sobre os riscos inerentes a não apresentação dos elementos intimados. À vista dos elementos apresentados e das faltas observadas passamos as seguintes considerações: II DO PERÍODO O pedido de ressarcimento e compensação abrange os créditos de IPI relativos às compras de insumos aplicados em produtos tributados efetuadas conforme tabela a seguir: Trimestre Per/Dcomp 4º/2004 01452.57054.120105.1.3.01‐7085 (...) III DA LEGALIDADE DO PEDIDO No tocante a todos os pedidos, o pleito do contribuinte encontra amparo na legislação de regência, a saber: artigo 11 da Lei 9.779, de 19/01/99, artigos 1o e 4o da IN 33/99 e Ato Declaratório Interpretativo SRF no 5, de 17 de abril de 2006 D.O.U. de 18.4.2006, art. 208 do RIPI /2002 e Lei 9.430/96. IV DA LEGITIMIDADE PARCIAL DOS CRÉDITOS Ref: PER/DCOMP no 01452.57054.120105.1.3.017085 a. Os produtos vendidos, relacionados com o pedido de ressarcimento e compensação, constam na Tabela de incidência do IPI – TIPI – como tributados, inclusive à alíquota zero; b. O estabelecimento é industrial, de forma a permitirlhe o direito ao crédito; c. As notas fiscais (primeiras vias) de aquisição de insumos, que originaram o presente pedido, obedecem às prescrições regulamentares, e encontramse Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 168 4 corretamente escrituradas no Livro Registro de Entradas do estabelecimento, à exceção daquelas listadas na PER/DCOMP da referência, conforme quadro a seguir, as quais não foram apresentadas a esta fiscalização, ou seja, o contribuinte creditouse a maior em R$139.115,47. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 169 5 V – CONCLUSÃO a. Resta cristalino que, ao sujeito passivo, foram dadas todas as oportunidades e prazo razoável para apresentação de documentos e esclarecimentos acerca das informações constantes das PERD/COMP citadas, não restando ao FISCO senão desconsiderar os valores dos créditos para os quais não houve apresentação de documentação de suporte. b. Conforme o descrito, para cada PERD/COMP, no item IV, opino pelo reconhecimento dos créditos do IPI a serem ressarcidos/compensados, nos seguintes valores: Trimestre Per/Dcomp Valor Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 170 6 4º/2004 01452.57054.120105.1.3.017085 R$52.533,1 (...) c. Fica o contribuinte intimado a retificar o Livro Registro de Apuração do IPI, de acordo com os valores apurados no presente termo. d. A seguir, encontramse planilhas com demonstrativos de análise de crédito do IPI, extraídos da PERD/COMP, bem como Demonstrativo das Glosas e do Crédito Remanescente, referente à PERD/COMP do 4o trimestre de 2004. (...)” A resposta à interessada foi dada por intermédio do despacho decisório no 851562775 (fl. 33), emitido eletronicamente, que reconheceu parcialmente o lastro creditório e homologou, também parcialmente (até o limite do lastro creditório reconhecido), as compensações declaradas, conforme os detalhamentos de fls. 34/35. Eis o teor do despacho decisório: “ Valor do crédito solicitado/utilizado: R$191.648,64 Valor do crédito reconhecido: R$52.533,17 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/11/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 139.155,47 27.823,09 86.933,24 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto ‘Restituição...Compensação’, item PER/DCOMP, Despacho Decisório. Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei no 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto no 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” A interessada, por sua vez, apresentou em 30/12/2009, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 87/88), sua manifestação de inconformidade de fls. 42/48, abaixo transcrita. “(...) irresignada diante da r. decisão espelhada no r. Despacho Decisório exarado no processo de crédito em epígrafe, cientificado em 03 de dezembro de corrente, vem (...) propor manifestação de inconformidade. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 171 7 (...) O fundamento da negativa homologatória foi a suposta insuficiência de crédito para compensar integralmente os débitos informados do PER/DCOMP, gerando uma homologação parcial, face a glosa de créditos considerados indevidos. A bem de toda a verdade e justiça, sob nenhuma hipótese pode ser negada a restituição pleiteada, não podendo prosperar a negativa de homologação, visto que os créditos originados na compra de insumos utilizados na industrialização de seus produtos são legítimos, não havendo qualquer irregularidade ou posicionamento divergente na doutrina jurídica quanto à legitimidade dos créditos cujo ressarcimento é requerido. O pedido de ressarcimento e compensação em tela, abrande créditos de IPI relativos às compras de insumos aplicados em produtos tributados, apurados no 04o trimestre de 2004. Segundo Termo de Constatação Fiscal (Número do Mandado de Procedimento Fiscal no 0719000.2009.032473), encerrada em 22 de outubro de 2009. o Contribuinte teria deixado de exibir as notas fiscais de aquisição de insumos, originadoras do pedido de compensação, glosando assim o valor de R$139.115,47. De fato, o Requerente não localizou as originais das Notas Fiscais de entradas de insumos, que ofertam supedâneo ao crédito suso mencionado. Contudo, CONSEGUIU COM SEUS FORNECEDORES CÓPIAS AUTENTICADAS DE SUAS VIAS FIXAS. Contudo, ao mostrálas ao I. Agente da Fiscalização, o mesmo afirmou que por ordens superiores não poderia aceitálas. Gizese que tais cópias ficaram sob a guarda do Auditor Fiscal. Assim, exsurge que o processo encontrase instruído com acerto, espelhando a documentação trazida à colação, onde subjaz que o crédito solicitado está materializado legalmente, não sendo possível a negativa do pedido do mesmo. (...) Diante da legalidade do pedido de compensação, o não reconhecimento do mesmo fere o Princípio da Legalidade, conquista do Estado de Direito, dispositivo contemplado em nossa Carta Magna. O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, desdobramento necessário do Estado de Direito e que identificase como uma das colunas mestras do Direito em geral, restou manietado na imposição em foco. (...) Na seara do direito público, o agente do Estado, em consonância ao princípio da restritividade, possui a faculdade de fazer apenas o que a norma jurídica o autoriza de modo expresso, ao passo que agindo na sociedade, como simples particular, o cidadão comum pode fazer tudo o que não seja proibido e deixar de fazer aquilo que a lei não obriga. (...) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 172 8 Outro Princípio Constitucional aplicável no caso concreto em pauta, é o da Impessoalidade, previsto no artigo 37, caput, o qual impõe ao administrador público que só pratique o ato para o seu fim legal, ou seja, é unicamente aquele que a norma de direito indique. Enfim o agente público deve se pautar em um outro princípio norteador de sua atividade que é o Principio da Moralidade Pública sendo óbvio afirmar que a negativa de homologação do crédito pleiteado, se constituiu em verdadeira arbitrariedade. Portanto, não há como sustentarse a negativa ora atacada, sob pena de violação dos direitos e garantias da Recorrente, vez que a mesma repousa plena de vícios, devendo ser anulada in totum. Ex positis, requer a reforma da decisão que não outorgou azo pleno à compensação requerida, a fim de que reste concedida a mesma, em sua totalidade, como ato da mais cristalina J U S T I Ç A ! ” Tendo em vista a negativa do acórdão ao pleito do Contribuinte este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0942.080 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE. A primeira via da nota fiscal conformase no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte aduz pela legalidade do pedido de compensação objeto deste processo, uma vez que, segundo ele, o fundamento utilizado pela DRJ de que há insuficiência de crédito para compensar integralmente os débitos e que a homologação só pode ser parcial, é equivocado. Conforme se verifica no seguinte trecho extraído do Recurso, que cito como forma de elucidar os argumentos trazidos pelo Contribuinte (fls. 119): Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 173 9 Encerra o Contribuinte alegando que, em vista do princípio da legalidade e da impessoalidade, inerentes a administração pública, a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido deve ser anulada totalmente, e deve ser concedida a compensação requerida em sua totalidade. Ao verificar os motivos trazidos pela DRJ em seu julgamento, observo que houve sim o respeito aos princípios levantados pelo Contribuinte e que se há uma ausência de comprovação do alegado pelo Contribuinte isso acarreta em uma ausência de requisito obrigatório para que seja concedida a compensação, conforme se verifica nesse seguinte trecho do voto do referido acórdão, que utilizo como razões para decidir (fls. 106 a 107): Da análise dos elementos constantes dos autos, verificase que o cerne da controvérsia gira em torno de o Fisco na ter reconhecido o direito creditório do IPI relacionado a notas fiscais que não foram apresentadas pela interessada quando intimada e reintimada para tanto. Tais notas fiscais, e os respectivos créditos glosados do IPI (que perfazem o valor total de R$139.115,47), constam de tabela aposta no termo de constatação fiscal que instrui o despacho decisório eletrônico, com transcrição no relatório desta peça decisória. Na sua defesa, a interessada confirmou que não havia localizado “as originais das Notas Fiscais de entradas de insumos, que ofertam supedâneo ao crédito suso mencionado”, tendo alegado que, “Contudo, CONSEGUIU COM SEUS FORNECEDORES CÓPIAS AUTENTICADAS DE SUAS VIAS FIXAS. Contudo, ao mostrálas ao I. Agente da Fiscalização, o mesmo afirmou que por ordens superiores não poderia aceitálas. Gizese que tais cópias ficaram sob a guarda do Auditor Fiscal”. No entendimento deste relator, as alegações da reclamante não encontram guarida. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 174 10 De plano, tais alegações estão totalmente destituídas de algum elemento material a lhes conferir veracidade, como, por exemplo, algumas cópias daquelas notas fiscais ou o certificado emitido pela autoridade fiscal, formalizando o recebimento e a guarda da documentação alegada. Mas ainda que alguma das exemplificações acima tivesse sido efetivada pela reclamante, o direito creditório adstrito às referidas notas fiscais continuaria, perante os ditames da legislação tributária e a submissão das autoridades fiscais administrativas (o que inclui este julgador) ao princípio da estrita legalidade, não sendo passível de reconhecimento. Isso porque, a teor da legislação tributária, a apresentação pela contribuinte da primeira via da nota fiscal com o destaque do IPI conformase em requisito imprescindível para conferir certeza e liquidez – ou seja, legitimidade – ao direito creditório do IPI a estabelecimento industrial. Nesse diapasão, os arts. 344 e 345 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), dispõem que a primeira via da nota fiscal é a que acompanha os produtos e a que deve permanecer em poder do destinatário, configurandose, portanto, no documento fiscal que lastreia de veracidade os registros constantes dos livros fiscais, sendo, assim, essencial para conferir legitimidade aos créditos e débitos do IPI escriturados e, consequentemente, a saldo credor do imposto ao final de determinado período de apuração. Deveras, não se pode prescindir da primeira via da nota fiscal como o elemento comprobatório material efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos créditos do imposto aproveitados na escrita da interessada. Com isso, na ausência da primeira via na nota fiscal, revelamse destituídas da força comprobatória acima as outras vias da nota fiscal, sejam terceiras, quartas ou demais. Atentese que as demais vias das notas fiscais têm cada qual, à luz dos arts. 344/352 do RIPI/2002, finalidades específicas e distintas da primeira via, sendo vedada expressamente (art. 349) a substituição de uma(s) pela(s) outra(s): “Art. 349. As diversas vias das notas fiscais não se substituirão em suas respectivas funções e a sua disposição obedecerá ordem seqüencial que as diferencia, vedada a intercalação de vias adicionais.” (grifo acrescido) E a título informativo, vale salientar que a legislação do IPI prevê hipótese específica até para a utilização de cópias reprográficas da primeira via da nota fiscal, conforme o parágrafo único do art. 350 do RIPI/2002: “Art. 350. As Unidades da Federação poderão autorizar a confeccã̧o da nota fiscal em treŝ vias. Parágrafo único. O contribuinte poderá utilizar cópia reprográfica da primeira via da nota fiscal, para: I substituir a quarta via, quando realizar operacã̧o interestadual ou de exportacã̧o a que se refere o art. 348; II utilizála como via adicional, quando a legislação a exigir, exceto quando ela deva acobertar o trânsito do produto.” Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 175 11 No caso em tela, como já assinalado, nenhuma das primeiras vias das notas fiscais em questão foi apresentada pela reclamante como elemento comprobatório do direito creditório por ela pugnado. A propósito, é na manifestação de inconformidade que a interessada deve apresentar as razões e as provas concretas que fundamentem de modo veemente a divergência ao trabalho e às conclusões do Fisco. Assim sendo, não há como ser reconhecido o direito creditório do IPI no valor total de R$139.115,47 atinente àquelas notas fiscais. Isso implica a não homologação das compensações lastreadas nesse crédito denegado. De fato, observase que o Contribuinte falhou em comprovar, por meios hábeis, quais sejam, as primeiras vias das notas fiscais, o direito creditório de IPI objeto do presente processo, fazendo com que não se admita a homologação das compensações realizadas. Portanto, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo o entendimento consubstanciado no Acórdão ora recorrido. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.904314/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 14 /2 01 0- 15 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13884.904314/201015 Acórdão n.º 3302005.761 S3C3T2 Fl. 93 2 Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao terceiro trimestre de 2003. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13884.904314/201015 Acórdão n.º 3302005.761 S3C3T2 Fl. 94 3 que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 90 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 81 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 82 a 88) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 16024.000116/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/04/2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE DA EMPRESA, TERCEIROS, GILLRAT. Discriminativo Analítico de Débito - DAD. Discriminativo Sintético de Débito - DSD. Aproveitamento de valores recolhidos.
Os documentos DAD e DSD, parte integrante da notificação, são hábeis a demonstrar o aproveitamento/dedução de valores recolhidos do montante do débito apurado e a correção dos montantes lançados em matéria de contribuição previdenciária e de contribuição devida a terceiros.
Numero da decisão: 2301-005.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-02.235, de 29/07/2011, retificar o acórdão embargado, conhecendo do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE DA EMPRESA, TERCEIROS, GILLRAT. Discriminativo Analítico de Débito DAD. Discriminativo Sintético de Débito DSD. Aproveitamento de valores recolhidos. Os documentos DAD e DSD, parte integrante da notificação, são hábeis a demonstrar o aproveitamento/dedução de valores recolhidos do montante do débito apurado e a correção dos montantes lançados em matéria de contribuição previdenciária e de contribuição devida a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 230102.235, de 29/07/2011, retificar o acórdão embargado, conhecendo do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 16 /2 00 7- 95 Fl. 621DF CARF MF 2 Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório 1. Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 230102.235 (efls 345/354) exarado pela da Primeira Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, do CARF em sessão de julgamento realizada em 29 de julho de 2011. 1.1. Por bem delimitar a inconformidade apontada, transcrevese parte do despacho de admissibilidade dos embargos (efls 618/620): Em 29 de julho de 2011, foi julgado o Acórdão nº 230102.235 (efls 345 a 354), que recebeu as seguintes ementas : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração : 01/11/2001 a 30/04/2003 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Constou no dispositivo do Acórdão : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Fl. 622DF CARF MF Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 2301005.512 S2C3T1 Fl. 622 3 Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Cientificado do Acórdão n.º 230102.235 em 14/08/2012 (AR de efl. 369), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 20/08/2012 (protocolo de efl. 370), os Embargos de Declaração de efls. 370 a 386. Posteriormente em 11/10/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efl. 608) apresentou complementação dos Embargos de efls. 609 a 616. Segundo o embargante, a decisão exarada no acórdão 230102.235 deixou de apreciar fatos relevantes e determinantes à anulação do Lançamento de Débito, tendo como suporte tão somente a afirmação da ocorrência da preclusão consumativa e deixando de examinar erros materiais em relação à base de incidência das contribuições devidas à seguridade social bem como o aproveitamento dos recolhimentos vertidos aos cofres públicos. Cita a DECISÃO DE NOTIFICAÇÃO de 1ª instância que admitiu como regular a eleição pela autoridade fiscal do faturamento como base de incidência de apenas alguns estabelecimentos da empresa, e da mesma forma homologou a eleição de alguns estabelecimentos para aproveitamento dos valores recolhidos. Assevera que a Lei n° 10.256/2001, ao incluir o artigo 22A na Lei n° 8.212/91, define como base de incidência a totalidade do faturamento sem exclusão de quaisquer estabelecimento. Alega que há vício insanável no lançamento quanto a eleição da base de incidência do fato gerador, pois estabeleceu como base para o lançamento tão somente o faturamento de alguns estabelecimentos, com exclusão ilegal de outros. Ressalta que, a dicção da lei 10.256/2001 determina que sua aplicação abrange o contribuinte em sua totalidade, ou seja, matriz e todos os seus estabelecimentos filiais, não comportando portanto a opção delineada pela Autoridade Lançadora de recolhimentos na condição de agroindústria para determinados estabelecimentos de uma mesma empresa e de recolhimentos normais na atividade industrial para outros estabelecimentos. Por fim, discorre sobre o Princípio da Verdade Material no curso do Processo Administrativo Fiscal, anexando aos autos Laudo Técnico elaborado por Perito Contábil. Posteriormente, juntou aos autos petição onde, além de reafirmar pontos contidos nos Embargos, requer a juntada da Solução de Consulta COSIT n.º 34/2016 emanada pela Receita Federal. É o breve relato. 1.2. Complementase, também, por pertinente, excerto que perfaz a análise conclusiva quanto à admissibilidade dos presentes embargos: Antes de proceder à análise do pedido em tela, importa salientar que se trata de Embargos de Declaração, previsto no art. 65 do RICARF, pelo qual o embargante pode obter o esclarecimento dos pontos obscuros do acórdão embargado, o Fl. 623DF CARF MF 4 enfrentamento de questão não enfrentada, quando houver omissão ou a reparação ou eliminação de eventuais contradições que porventura contenha. (grifos nosso) Com relação ao enfrentamento da questão quanto a possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos a todos os estabelecimentos do contribuinte, constato que assiste razão à embargante. No seu Recurso Voluntário, especificamente à efl. 280 (pag. 15 do Recurso), o recorrente incluiu um tópico específico quanto "a possibilidade de cotejamento entre filiais". Já no acórdão embargado, apesar de constar no Relatório, o conselheiro relator não enfrentou esse tema. Destaco trecho do relatório : d) Que a criação de filiais ocorre para possibilitar a maior abrangência da empresa em determinado território, não havendo que se falar em impropriedade do cotejamento, vez que este apenas se trata de um encontro de contas; Observase que na Decisão Notificação de 1ª instância, a autoridade administrativa no item 15 (efls. 259 a 260) tratou do assunto. Portanto, é necessário que o colegiado se pronuncie com relação ao cotejamento entre os valores lançados considerando o faturamento total da empresa e os pagamentos realizados pela empresa de forma global, mediante a prolação de novo acórdão. Conclusão Diante do exposto, devese acolher os embargos de declaração e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vista a sanar os vícios apontados pelo sujeito passivo. 2. Constam dos autos os documentos que se relaciona a seguir: 2.1. Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.580.3488, datada de 28/11/2003, (efls 91/94); 2.2. DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.038/0305/2004 (efls 256/261), de 6/12/2004, que julgou procedente a autuação fiscal. 3. Para concluir, transcrevese o inteiro teor das alegações deduzidas sob o título "A possibilidade de cotejamento entre filiais" no bojo da peça recursal (efls 280): Em sua decisão, a autoridade julgadora questionou o cotejamento realizado entre as filiais da empresa numa forma englobada, afirmando que os débitos subtraidos dos créditos deveriam ser feitos separadamente para cada filial. Ora, não pode prevalecer, também neste sentido, a presente decisão, uma vez que esse entendimento iria contra o próprio conceito de empresa, como pessoa jurídica, considerando sua personalidade jurídica. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 2301005.512 S2C3T1 Fl. 623 5 A personalidade jurídica da sociedade é como um todo, não há que se falar em segmentação, considerando, ainda, o disposto no artigo 985 do Código Civil: "Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 1.150)." Assim, a personalidade jurídica caracterizase pelo registro do contrato social da empresa. Esse registro não é feito em nome de cada filial e sim da empresa como um todo. A criação de filiais apenas ocorre para possibilitar a maior abrangência da empresa em determinado território, mas não caracteriza segmentação do negócio, da responsabilidade, do contribuinte. Desta forma, não há que se falar em impropriedade do cotejamento demonstrado pela recorrente, uma vez que este apenas tratase de um encontro de contas. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. Adoto os fundamentos expostos no despacho de admissibilidade (efls 618/620) para conhecer dos embargos, e passo à análise. 5. De acordo com o art. 65, Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343/2015, são cabíveis embargos de declaração, nos seguintes casos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 6. Pela leitura do relatório contido no Acórdão embargado, no trecho dedicado à síntese das alegações (efls 347), podese extrair o tópico relacionado no item "d)": d) Que a criação de filiais ocorre para possibilitar a maior abrangência da empresa em determinado território, não havendo que se falar em impropriedade do cotejamento, vez que este apenas se trata de um encontro de contas; 7. E ao examinar o inteiro teor do voto produzido em tal acórdão, não resta dúvida quando à inconformidade verificada na decisão embargada, por deixar de enfrentar parte das questões suscitadas no recurso voluntário, especificamente, as alegações deduzidas sob o título " A possibilidade de cotejamento entre filiais " (efls 280). Fl. 625DF CARF MF 6 8. Por este modo, assiste razão à embargante, devendo ser acolhidos os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. Passase à análise dos pontos omissos no acórdão atacado. DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS ÀÀ PPOOSSSSIIBBIILLIIDDAADDEE DDEE CCOOTTEEJJAAMMEENNTTOO EENNTTRREE FFIILLIIAAIISS NNAA FFOORRMMAA PPRREETTEENNDDIIDDAA PPEELLOO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEE 9. Para fins de integração do acórdão embargado, cumpre salientar que, em sede de embargos, de cognição limitada, a matéria devolvida para apreciação do Colegiado está adstrita às circunstâncias e elementos de prova presentes nos autos, para fins de proceder o saneamento da omissão verificada que, no caso sob exame, se concentram nas alegações deduzidas sob o título "A possibilidade de cotejamento entre filiais " (efls 280). [item 3 supra] 10. Detendonos na exigência fiscal formalizada pela NFLD DEBCAD nº 35.580.348 8, de 28/11/2003, nos termos do Relatório fiscal, abrange as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros. 10.1. Transcrevese o trecho do relatório fiscal (efls 92): O crédito lançado na notificação em destaque é decorrente do cotejamento efetuado com base nos valores das contribuições devidas, com os valores das contribuições recolhidas pela empresa. Por se dedicar à produção agroindustrial, a empresa, durante o período abrangido pela notificação, efetuou recolhimentos conforme o artigo 22 da Lei n° 8.212191, sem observar as alterações decorrentes da legislação vigente, quais sejam, Lei n°10.256/2001, Instrução Normativa INSS/DC n°060/2001 e Instrução Normativa INSS/DC n°068/2002. Conforme exposto, a empresa notificada efetuou os recolhimentos em desacordo com a legislação vigente, considerando como base de cálculo das contribuições previdenciárias, as remunerações pagas aos segurados empregados, quando deveria ter utilizado o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. Além das contribuições devidas com base na comercialização da produção, a agroindústria, exceto a de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, deve recolher as contribuições descontadas dos segurados empregados e dos trabalhadores avulsos, e as incidentes sobre o total das remunerações ou das retribuições pagas ou creditadas, a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais. Também deixou de recolher em sua totalidade as contribuições destinadas as outras entidades e fundos, conforme previsto no artigo 94 da Lei n° 8.212191. Apensados a este relatório, seguem os anexos I e II com os quadros demonstrativos das diferenças apuradas e lançadas nesta auditoria, sendo que os valores da comercialização da produção foram extraídos com base em planilhas elaboradas e Fl. 626DF CARF MF Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 2301005.512 S2C3T1 Fl. 624 7 fornecidas pela empresa, cujas cópias seguem anexas à 1° via desta notificação. 10.1.1. Documentos citados no relatório fiscal, Anexo I e Anexo II, estão juntados, respectivamente às efls 96/101 e às efls 102/111. 10.1.2. Já os documentos apresentados pelo contribuinte e aproveitados ao longo do procedimento fiscal estão anexados às efls 112/140. 10.2. Constam dos autos o Discriminativo Analítico de Débito DAD (efls 06/53) e o Discriminativo Sintético de Débito DSD (efls 54/75). 11. A DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.038/0305/2004 (efls 256/261), exarada em 6/12/2004 julgou procedente a autuação fiscal, com a seguinte ementa: PRODUÇÃO RURAL. AGROINDÚSTRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O contribuinte é Agroindústria, conforme dispõe o art. 72 da IN INSS/DC nº 68, de 10/05/02. Não cabe pronunciamento de inconstitucionalidade pelo órgão administrativo. Os atos administrativos são vinculados. A planilha apresentada na defesa não traduz os créditos da empresa dentro deste levantamento. LANÇAMENTO PROCEDENTE 12. Verificase que a decisão de primeira instância, a partir das efls 260, perfaz análise concludente acerca da mesma questão suscitada ao tempo da impugnação, e com precisa e minuciosa fundamentação assevera a inconsistência e falta de plausibilidade das alegações fundadas nas duas planilhas (efls 223/224) contidas no bojo da impugnação (tais planilhas guardam correspondência com documentos do processo em papel com numeração 194/195 adotada ao tempo da emissão da decisãonotificação). 12.1. Digase de passagem, que tais planilhas parecem ter sido elaboradas e fornecidas ao contribuinte pelo próprio auditor fiscal autuante, fato que mereceu por parte da autoridade julgadora de primeira instância, uma detida análise da questão e elaboração de capitulo decisório minucioso para procurar dirimir as dúvidas suscitadas a respeito do cotejamento pretendido. 12.2. Por sua relevância, transcrevo e adoto como fundamento de decidir o trecho compreendido entre as efls 259/260: Em relação as planilhas apresentadas, verificamos a impropriedade da defesa, ao alegar que os débitos subtraídos dos créditos resultariam o valor máximo de R$ 300.000. As tabelas apresentadas pelo contribuinte dizem respeito aos valores devidos a Previdência Social, isto é, contribuição da parte de empregado, patronal e Seguro de Acidente do Trabalho. Nestas planilhas, fls. 194/195, foram excluídas as contribuições de terceiros. Para fazer o cotejamento de créditos e débitos, devese analisar cada filial separadamente, e não de forma englobada como fez a defesa. Isso porque, existe filial onde só houve lançamento de créditos de terceiros. É o que acontece nas filiais 56.643.018/005800, 56.643.018/007179, 55.643.018/002452, 55.643.018/000913, 55.643.018/000590, 55.643.018/000409 que são referentes a créditos de terceiros e não a valores devidos a Previdência Social. Ocorre também, Fl. 627DF CARF MF 8 que ha muitas competências da planilha de fls. 194 sem lançamentos, sendo incabível dizer que existem créditos em competências sem lançamentos. É o que acontece na filial 55.643.018/005559, onde só houve lançamento em Dez/01, Nov/02, Abr/03, e em sua planilha aparecem créditos em vários meses sem lançamentos. Neste lançamento não estão sendo cobrados valores sobre 13º Salário, portanto, inexistem a favor do contribuinte tais créditos da planilha de fls.194 incidentes sobre tal rubrica. As colunas da planilha de fls. 194 referente a filial 55.643.018/010552 e 55.643.018/010390 não possuem créditos a favor da empresa, tendo em vista que nestas colunas só há competências referentes ao 13º Salário, e estas não estão sendo cobradas. Apesar de o contribuinte apresentar R$ 0,00 de créditos na planilha de fls. 194 em relação a filial 55.643.018/010390 (filial de Botucatu) e a filial 56.643.018/010552 (filial Barueri) , já foram abatidos os valores referentes aos créditos do contribuinte conforme observado na tabela de fls. 98/99, onde existe a redução pelo valor já pago pela empresa. Na coluna referente à matriz 55.643.018/000166 de fls. 194, não foi efetuado lançamento nas competências de janeiro/2002, maio/2002, julho/2002, agosto/2002 e nem novembro/2002 à abril/2003. Portanto, não há crédito para a empresa nas demais competências, pois todas as competências onde houve lançamento, o valor de crédito é nulo. Na planilha de fls. 195, coluna referente à filial 55.643.018/000247, somente houve lançamento de valores devidos a Previdência Social nas competências em Dezembro/2001 e Setembro/2002 e Outubro/2002. Na planilha de crédito de fls. 194 referentes a tais competências, constam como zero nos valores referente à Previdência Social. Somente há lançamento de créditos de terceiros (dez/01, out/02 e jan/03 a abr/03) conforme fls.100. Portanto, não existem créditos que tenham deixado de ser considerados a favor do contribuinte. 13. No caso dos autos, parte integrante da notificação, o Discriminativo Analítico de Débito DAD (efls 06/53) e Discriminativo Sintético de Débito (efls 54/75) são os documentos hábeis a demonstrar o aproveitamento/dedução de valores recolhidos do montante do débito apurado. Tais documentos discriminam os fatos geradores, as contribuições devidas, os períodos a que se referem, bem como os créditos considerados por período e por rubrica, e por isso, aptos a demonstrar a higidez da apuração dos montantes lançados em matéria de contribuição devida à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros. 14. Em vista do exposto, e considerando a análise minuciosa e conclusiva da decisão de primeirainstância ao tratar da matéria devolvida ao Colegiado em sede de embargos, entendo possível integrar a decisão do Acórdão embargado, nº 230102.235, negandose provimento ao Recurso Voluntário nessa questão. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 15. Pelo exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para, suprindo a omissão, retificar o acórdão embargado, conhecendo do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Fl. 628DF CARF MF Processo nº 16024.000116/200795 Acórdão n.º 2301005.512 S2C3T1 Fl. 625 9 Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18183.720044/2018-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS SOLICITADOS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir à fiscalização documentos solicitados, necessários à verificação de sua situação perante a Seguridade Social.
Numero da decisão: 2301-005.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS SOLICITADOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir à fiscalização documentos solicitados, necessários à verificação de sua situação perante a Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório O presente processo inicialmente foi autuado com o nº 10630.001633/2010 52, sendo, conjuntamente outros processos da mesma recorrente, juntado por anexação ao processo principal 10630.001638/201085 (efls. 1400 a 3009 do processo 10630.001638/201085); com isso, tal processo perdeu sua identidade processual, do que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 3. 72 00 44 /2 01 8- 51 Fl. 212DF CARF MF 2 decorreu a impossibilidade de indicálo para a pauta; tal fato motivou o despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, do que decorreu a nova numeração, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. Passo à sua análise. Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0230.190, exarado pela 8ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 191 a 193), do qual utilizo o relatório fiscal: Tratase de infração ao artigo 33, §§2° e 3o, da Lei 8.212, de 24/07/91, c/c os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. Segundo Relatório Fiscal de fl.05, a Prefeitura Municipal de Carangola, intimada, por meio do Termos de Intimação Fiscal datados de 18/06/2010 e 21/06/2010, a exibir documentos solicitados pela fiscalização, deixou de apresentar as memórias de cálculo das compensações efetuadas nas competências 05/07, 10/07, 04/08 e de 09/08 a 12/08, cópia das Apólices de Seguros relativo aos estagiários contratados e Acordo de cooperação firmado entre a Prefeitura e as Instituições de Ensino intervenientes. i De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl.08), a penalidade no valor de R$14.317,78 foi aplicada com base nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 c/c artigo 283, inciso II, alínea 'j' do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 e atualizada pela Portaria MPS/MF 333 de 29/06/2010. A interessada foi cientificada do presente Auto de Infração AI em 27/07/2010, conforme cópia de Aviso de Recebimento AR de fl.31, e apresentou impugnação, em 27/08/2010 (fls.34/40). Em suma: aduz que a aplicação da multa deuse, especificamente, por ter a Prefeitura solicitado (dentro do prazo hábil) dilação do prazo superior aos 02 dias concedidos, para atender às solicitações; alega que, quando requisitada, apresentou prontamente os documentos solicitados, tanto que, em nenhum momento o fiscal responsável mencionou conduta diversa da contribuinte. E que, em relação aos documentos que não possuía, fez declaração expressa nesse sentido, como no caso do AI 37.285.4680 e 37.285.4699; afirma que a autuação ocorreu com base nas informações prestadas e documentos entregues; assevera que a aplicação da multa não se deu por descumprimento da legislação tributária, mas sob interpretação do que o Fisco considera ou não correto; argumenta que uma das incorreções apontadas pela fiscalização referese às compensações nas GFIP de 07/09 a 05/09, mas que tais compensações estavam devidamente amparadas por decisão judicial. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18183.720044/201851 Acórdão n.º 2301005.570 S2C3T1 Fl. 3 3 A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. A ciência dessa decisão ocorreu em 25/03/2011 (efl. 196). Em 15/04/2011 (efl. 209), foi apresentado recurso voluntário (efls. 197 a 204), sendo repetidas as razões da impugnação. O pedido consiste em se julgar improcedente o auto de infração. Em 30/04/2015, despacho da Secretaria da 3ª Câmara desta 2ª Seção do Carf, informou que (efl. 3010 do processo principal 10630.001638/201085): O processo indicado acima teve Recurso Voluntário julgado em 14/05/2013, conforme Acórdão 2803002.328 (fls. 1.369/1.380). Encaminhado para ciência do representante da Fazenda Nacional, retornou ao Carf e foi à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para ciência do Recorrente. Em 07/04/2015 o processo retornou ao Carf com o seguinte despacho (fl. 1.399): "Após entendimento telefônico, devolvemos o presente processo ao CARF/DF/MF para prosseguimento. Ressaltamos que após análise dos processos anexados a este, todos os processos deverão retornar juntos a esta ARF/MAN tendo em vista o sistema só permite movimentar o processo principal." De fato, há um termo de juntada por anexação (fl. 1.367) dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/201005, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. No entanto, no momento do julgamento, em 14/05/2014, não estavam juntados aos autos do 10630.001631/201063. Assim, como a juntada por anexação já existia de direito, conforme o termo (fl. 1.367), mas não estava consolidada de fato, fizemos nesta data a juntada dos demais autos de infração referentes aos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020 e devolvo ao Relator para prosseguimento. (Grifouse.) O despacho de admissibilidade de embargos do conselheiro das efls. 3015 a 3017 (processo 10630.001631/201063) determinou o julgamento dos processos Fl. 214DF CARF MF 4 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/2010 96, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. Como já referido, como decorrência do despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, tal processo foi numerado, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA MULTA APLICADA Por espelhar meu entendimento, assumo, mutatis mutandis, as razões do acórdão recorrido, que transcrevo: A Prefeitura Municipal de Carangola foi autuada por ter infringido o disposto no artigo 33, §§2° e 3º, da Lei 8.212/91 c/c artigos 232 e 233, parágrafo único do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme relatado, a autuada, apesar de intimada, por meio dos Termos de Intimação Fiscal, deixou de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, dentre os quais: as memórias de cálculo das compensações efetuadas nas competências 05/07, 10/07, 04/08 e de 09/08 a 12/08. Ou seja, a Prefeitura foi autuada por ter deixado de apresentar os documentos solicitados e não por apresentar GFIP com informações incorretas no tocante à compensação, como alega a autuada em sua defesa. Apesar de alegar que apresentou tal documentação e que em nenhum momento o fiscal responsável mencionou conduta diversa, as informações constantes nos autos demonstram exatamente o contrário. A documentação que deixou de ser apresentada à fiscalização gerou, inclusive, a glosa da compensação, conforme lançamento fiscal efetuado (Processo 10630.001631/201063, DEBCAD 37.294.6828). Quanto a dilação do prazo para apresentação da documentação solicitada, constatase que a Prefeitura foi intimada a apresentar a documentação em 06/2010 e que a autuação somente ocorreu em 20/07/2010, ou seja, até aquela data a Prefeitura poderia apresentar a documentação, que não seria autuada, mas não o fez. A documentação solicitada era necessária para verificar e situação da Prefeitura perante a Seguridade Social, bem como Fl. 215DF CARF MF Processo nº 18183.720044/201851 Acórdão n.º 2301005.570 S2C3T1 Fl. 4 5 para comprovar que estava correta a realização da compensação. Assim, sendo inconteste o cometimento da infração, o órgão público sujeitouse à multa punitiva, aplicada conforme disposto nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso II, alínea 'j' e atualizada, nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333 de 29/06/2010, como corretamente aplicada pela fiscalização. Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário apurado.no presente Auto de Infração. Transcrevo os arts. Citados da lei 8.212, de 1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Fl. 216DF CARF MF 6 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Conclusão Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011343/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados.
Numero da decisão: 2301-005.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403-00.971, de 19/01/2012, alterar a decisão original para "não conhecer do recurso voluntário".
(Assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403-00.971, de 19/01/2012, alterar a decisão original para "não conhecer do recurso voluntário". (Assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
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CABIMENTO. Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 240300.971, de 19/01/2012, alterar a decisão original para "não conhecer do recurso voluntário". (Assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 13 43 /2 00 7- 26 Fl. 178DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de embargos opostos pela Fazenda em face do Acórdão 240300971 prolatado pela exarado pela 7ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de julgamento de 24 de julho de 2007 (efls 142/146). 2. Transcrevese, por pertinente, o inteiro teor do despacho de admissibilidade de embargos (efls 175/176): Trata o presente processo do lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores de aquisição de produto rural (carvão vegetal) de pessoas físicas, constantes nas notas fiscais de entrada e destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras entidades (SENAR). A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG manteve o lançamento nos termos do Acórdão nº 02.15.594, de 24/07/2007. Em 19/01/2012 foi proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o Acórdão nº 240300.971 (efls. 142/146), que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, sob o fundamento de inconstitucionalidade do artigo 25, I, da Lei nº 8.212/1991. Em 19/06/2012 a Delegacia da RFB em Sete Lagoas/MG apresentou Embargos à Declaração (efls. 153/154) alegando a existência de obscuridade no Acórdão, uma vez que, em 29/01/2009, o crédito sob exame havia sido baixado por liquidação. Foram juntadas as telas do sistema da Dataprev que comprovam o pagamento (efls. 151/152). Em 26/01/2015 os Embargos foram rejeitados, conforme Despacho nº 2403 004 (efls. 156/158), pela sua intempestividade. Inconformada a DRF/Sete LagoasMG apresentou, em 30/04/2015, novo Despacho (efl. 165) onde alega que houve manifesto equívoco na decisão prolatada pela 3ª TO/4ª Câmara/2ª Seção CARF, "dado haver a contribuinte desistido tacitamente do recurso interposto com a extinção sem ressalva do débito em discussão (§2º, art. 78 Portaria MF Nº 256/2009)". Destaca ser competência dos presidentes de turmas de julgamento do CARF a correção de inexatidões materiais dos acórdãos, a teor artigo 17, VII, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (atualmente Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Mediante análise dos autos, verifico a ocorrência dos seguintes erros materiais: a) o pagamento é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, I, CTN). Uma vez extinto o crédito tributário, não há mais que se falar em julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, havendo desistência tácita do seguimento da lide; b) o acórdão nº 240300.971, de 19/01/2012, deu provimento ao recurso voluntário, com fundamento na inconstitucionalidade do artigo 25, I da Lei nº 8.212/1991, conforme seguinte excerto do voto do relator: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 2301005.497 S2C3T1 Fl. 179 3 Relevante destacar que o artigo 25 da Lei n° 8.212/91 que respaldou a autuação, foi alterado pelo art.1° da Lei n° 8.540/92. Mais relevante e crucial é conhecer que recente Recurso Extraordinário, n° 596.177/RS, julgado no Pretório Excelso, sob a relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, decidiu pela inconstitucionalidade do art.1° da Lei n 8.540/92. Nestes termos, estando a empresa desobrigada de descontar , não há que se falar em repassar. ... Assim, em razão de a exação prevista no artigo art. 25, I da Lei n 8.212/91, motivo da autuação em comento, ter sido julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, cumpre me declarar de ofício a nulidade do lançamento. c) entretanto, conforme documento Fundamentos Legais do Débito FLD (e fls. 33/35), a fundamentação legal para o lançamento foi o art. 25, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 09/07/2001, cuja constitucionalidade não foi atacada no julgamento do RE nº 596.177/RS. Pelo exposto, entendo que foi omitida questão sobre a qual deveria pronunciarse a turma no Acórdão nº 240300.971, de 19/01/2012, devendo o mesmo ser revisto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Isso posto, admito os embargos e determino o retorno dos autos ao relator, para prosseguimento do julgamento. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles EEMMBBAARRGGOOSS DDEE DDEECCLLAARRAAÇÇÃÃOO 3. Os embargos são tempestivos e foram regularmente admitidos pelo Presidente desta Turma. Portanto, dele conheço. 4. Os embargos de declaração são cabíveis para: a) esclarecer obscuridade, suprir omissão ou eliminar contradição entre a decisão do acórdão e seus fundamentos; e b) suprir omissão de ponto sobre o qual devia se pronunciar a turma julgadora. Em hipóteses excepcionais, podem serlhes dados efeitos infringentes. A apreciação dos embargos está consignada a partir do item 9 do presente voto. Fl. 180DF CARF MF 4 EEMMBBAARRGGOOSS IINNOOMMIINNAADDOOSS 5. Além da omissão apontada pelos embargos de declaração admitidos, foram verificados lapsos manifestos por não ter sido reconhecida a circunstância alertada pela Delegacia de Sete Lagoas, concernente à informação constante nos autos de que "em 29/01/2009 o crédito tributário foi baixado por liquidação, conforme documentos às fls. 151 e 152. " 6. Propõese a admissão e acolhimento dos embargos inominados, com base no artigo 66 do RICARF, para o saneamento do equívoco, visto que já estaria evidenciada a extinção sem ressalva do débito, tal como previsto no artigo 156, I do Código Tributário Nacional; e em vista do disposto no § 3º do artigo 78, Anexo II, do RICARF, restaria configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, destacadamente a corporificada pelo acórdão embargado (Acórdão 240300971). 7. Dessa forma, à luz do disposto nos §§ 4º e 5º, art. 78, Anexo II do RICARF, o processo deve retornar à unidade da administração tributária da origem para prosseguir na exigência do crédito tributário objeto de desistência, tornandose insubsistentes todas as decisões que forem favoráveis ao sujeito passivo; e, se for o caso, apartar os autos com retorno do processo ao CARF, para apreciação da matéria eventualmente não contemplada pela desistência. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 8. Voto, portanto, por acolher os embargos para, sanando o vício apontado no Acórdão 240300.971, de 19/01/2012, alterar a decisão original para "não conhecer do recurso voluntário". DDAA AAPPRREECCIIAAÇÇÃÃOO DDOOSS EEMMBBAARRGGOOSS DDEE DDEECCLLAARRAAÇÇÃÃOO CCAARRÁÁTTEERR SSUUBBSSIIDDIIÁÁRRIIOO 9. Na eventualidade de não prosperar a solução proposta no item precedente, passase à apreciação dos embargos de declaração opostos em face do acórdão Acórdão 2403 00.971, de 19/01/2012. DDAA FFUUNNDDAAMMEENNTTAAÇÇÃÃOO CCOOMM BBAASSEE EEMM IINNCCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAALLIIDDAADDEE DDEE LLEEII 10. Do voto do relator do acórdão embargado é possível verificar que foi determinante o entendimento sobre suposta inconstitucionalidade na exação, como se evidencia na conclusão: Assim, em razão de a exação prevista no artigo art. 25, I da Lei n 8.212/91, motivo da autuação em comento, ter sido julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, cumpre me declarar de ofício a nulidade do lançamento. 11. Detendonos em excerto do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito da NFLD 37.022.47441 (efls 43/47) para ter noção dos contornos da exigência fiscal. Este relatório é parte integrante dat,Notificação Firale Lançamento de Débito NFLD, referente às contribuições previdenciárias descontadas sobre os valores de aquisição de produto rural(carvão vegetal) de pessoas físicas, constantes nas notas fiscais de entrada e, devidas pelos mesmos: à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho até 06/97; ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 2301005.497 S2C3T1 Fl. 180 5 de incidência de• incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho a partir de 07/97 e;as destinadas a terceiros (SENAR). Na condição de sub rogada, a empresa deixou de recolher tais valores, no prazo legal estabelecido, como é de sua responsabilidade.2 Período do lançamento do débito: 01/2002 a 12/2002. 11.1. Conforme se vê às efls 44, a exigência é composta por dois levantamentos: Levantamento RPF — Referente aos valores relativos à aquisição de produto rural de pessoa fisica, declarado na GFIP, no período de 12/2002 a10/2005. Levantamento PRD: Referese aos valores relativos à aquisição de produto rural de pessoa física, não declarado na GFIP, no período de 01/2002 a 12/2002. Nas competências 11 e 12/2002, referese apenas às diferenças entre os valores declarados e os não declarados. 11.2. Transcrevese, por pertinente, trecho retirado do Relatório de Fundamentos Legais do Débito : CONTRIBUIÇÃO DA PESSOA FÍSICA EQUIPARADA A TRABALHADOR AUTÔNOMO (SOBRE A PRODUÇÃO RURAL) Competências :01/2002 a 12/2002, 0112003, 12/2004, 08/2005 a 10/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25, (com as alterações posteriores da Lei n. 10.256, de 0907.2001), I (com as alterações da Lei n. 9.528, de 10.12.97) e parágrafos 3. e 4. (com as alterações da Lei n. 8540, de 22.12.92, e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.072001); Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., I e V, "a, art. 200, I, paragrafos 1.(revogado, posteriormente pelo Decreto 4.032, de 26.1.01), 4., 5., 7. e art. 216, III e IV e paragrafo 5., com as alteracoes dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99. CONTRIBUICAO (PESSOA FISICA EQUIPARADA AO AUTONOMO) PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFICIOS EM RAZAO DA INCAPACIDADE LABORATIVA, NA COMERCIALIZACAO DO PRODUTO Competências :11/2002 a 12/2002, 01/2003, 06/2003 a 07/2003, 01/2004 a 02/2004, 12/2004, 08/2005 a 10/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com a redação posterior dada pela Lei n. 10.256, de 10.07.01, II (com a redação dada peia Lei n. 9.528, de 10.12.97), e parágrafos 3. e 4. (acrescentados pela Lei n. 8.540, de 22.12.92); Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 9., V, '"a , art. 200, /I, paragrafos 1. (revogado, posteriormente, pelo Decreto 4.032, de 26.11.01), 4., 5. e 7. e art. 216, III, IV e paragrafo 5.. TERCEIROS SENAR CONTRIBUICAO SOBRE A COMERCIALIZACAO DA PRODUCAO RURAL PRODUTOR RURAL PESSOA Física EQUIPARADO A AUTONOMO/EMPREGADOR RURAL PESSOA FISICA Competências; 11/2002 a 12/2002, 01/2003, 03/2003 a 06/2003 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25A (acrescentado pelo art. 1. da Lei n. 10.256, de 09.07.01), art. 30,1V, X e art. 94, com as alterações introduzidas pela Lei 9.528, de 10.12.97; Lei n. 8.315, de 23.1191; Lei n. 8.870, de 15.04.94, art 25A (acrescentado pela Lei n. 10.256, de 09.07.01) Lei n. 9.528, de 10.12.97, art. 6.(com Fl. 182DF CARF MF 6 a nova redacao dada pelo art. 3. da Lei n. 10.256, de 09.07.01) e 13; Lei n. 10.256, de 09.072001, artigos 1. e 3.; Decreto n. 566, de 10.06.92, com as alteracoes introduzidas pelo Decreto n. 790, de 31.0193, art. 11, II, paragrafos 2., 3., 4., 5. e6 e art.14; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 200, paragrafoa 4., E. e 7., artigos 200A, 2008 e 201C, "ceou( e paragrafo 3. (artigos acrescentados pelo Decreto n. 41032;de 26.11.01,), ãrt. 216, III, IV. VI , paragrafo 5. e art. 274, paragrafo 1. (com a redacao dada pelo Decreto 4.032, de 26.11.2001). A PARTIR DE 28.10.2004 Lei n. 8.212, de 2417.91, art. 25 A (acrescentado pelo art. 1. da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), art. 30,1V, X, com as alteracoes introduzidas pela Lei n. 9.528, de 10.12.97; Lei n. 8.315, de 23.12.91; Lei n. 8.870, de 15.04.94, art. 25A (acrescentado pela Lei n. 10.256, de 09.072001); Lei n. 9.528, de 10.12.97, art. 6. (com a nova redacao dada pelo art 3 da Lei n. 10.256, de 09.07.2001) e 13; Lei n. 10256, de 09.07.2001, artigos 1. e 3.; Decreto n. 566, de 1106.92, com as alteracoes introduzidas pelo Decreto n. 790, de 31.03.92 art. 11, II, paragrafos 2., 3., 5. e 6. e art. 14; Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 200, paragrafos 4., 5. e 7., artigos 200A, 200B e 201C, caput e paragrafo 3. (artigos acrescentados pelo Decreto n. 4.032, de 26.11.2001), art. 216, III, IV, VI, paragrafo 5.; MP n. 222 de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1. TERCEIROS SENAR CONTRIBUICAO SOBRE A COMERCIALIZACAO DA PRODUCAO RURAL PRODUTOR RURAL PESSOA FISICA EQUIPARADO A AUTONOMO/EMPREGADOR RURAL PESSOA FISICA Competências : 12/2004, 08/2005 a 10/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25A (acrescentado pelo art. 1. da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), art. 30,1V, X, com as alteracoes introduzidas pela Lei n 9 528 de 10.12.97; Lei n. 8.315, de 23.12.91; Lei n. 8.870, de 15.04.94, art. 25A (acrescentado pela Lei n. 10.256, de 09.07.2001); Lei n. 9.528, de 1112.97, art. 6. (com a nova redação dada pelo art. 3. da Lei n. 10.256, de 09.07.01) e 13; Lei n. 10.256, de 09.07.2001, artigos 1. e 3.; Decreto n. 566, de 10.06.92, com as alteracoes introduzidas pelo Decreto n. 790, de 31.03.93, art. 11, II, paragrafos 2., 3., 5. e 6. e art. 14; Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 200, paragrafos 4., 5. e 7., artigos 200A, 200B e 201C, caput e paragrafo 3. (artigos acrescentados pelo Decreto n. 4132, de 26.11.2001), art. 216, III, IV, VI, paragrafo 5.; MP n 222 de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5256, de 27.10.2004, art. 18, I. 12. O acórdão embargado incorre em omissão, pois não faz enfrentamento com a necessária acuidade da questão relacionada à fundamentação legal da exigência fiscal. Isso porque, com relação aos dispositivos legais retrocitados destacadamente, os acrescentados ou com redação determinada pela Lei nº 10.256/2001, não há, em matéria tributária, nenhuma decisão vinculante proferida pelo STF, sob o rito do art. 543B do CPC (antigo CPC). 13. Para ilustrar, entendimento da jurisprudência administrativa tributária federal sobre a matéria pode ser sintetizado com a transcrição da ementa contida no Acórdão CSRF nº 9202005.128 (sessão de julgamento: 24/01/2017) da lavra do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 2301005.497 S2C3T1 Fl. 181 7 TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei nº. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário nº. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança 14. Reconhecida a omissão no acórdão embargado e considerando que o Recorrente não deduziu alegações distintas daquelas que já tinham sido apreciadas pela decisão de primeira instância, com base no artigo 57, § 3º do RICARF, propõese, para fins de integrar o acórdão embargado, adotar os fundamentos da decisão contida no Acórdão 0215.594 exarado pela 7ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de julgamento de 24 de julho de 2007. 14.1. Inicialmente, transcrevese o teor da ementa e do dispositivo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/10/2005 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. NÃO REPASSE AO INSS DE IMPORTÂNCIA ARRECADADA DO PRODUTOR PESSOA FÍSICA NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS. A empresa adquirente, na condição de subrogada, é a responsável pelo recolhimento das contribuições sociais devidas pelo produtor rural pessoa física, nas obrigações pela comercialização da produção rural que com esse realizar, no prazo estabelecido pela legislação previdenciária. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento • de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Fl. 184DF CARF MF 8 Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e considerar procedente o lançamento, mantendo o credito exigido na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.022.4744. 14.2. Transcrição do voto contido no acórdão 0215.594 (efls 126/128): A impugnação apresentada é tempestiva, portanto, deve ser conhecida. O contribuinte discorda da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, sob a alegação de que ê irreal, fere seus direitos, cumpre suas obrigações e suspeita da conduta da fiscalização. Entretanto, nada apresenta que comprove suas alegações ou demonstra incorreções no trabalho fiscal. Acrescentese que as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social que anexa, fls. 73/118, não correspondem ao lançamento em questão, que diz respeito à falta de recolhimento de contribuições previdenciárias devida na comercialização da produção rural adquirida de pessoa física e não á falta de informação de fatos geradores nos documentos tratados no artigo 32, inciso IV, da Lei 8212, de 1991. Logo nenhuma revisão merece ser feita no presente lançamento. As contribuições previdenciárias exigidas, conforme relatório fiscal, foram apuradas com base nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, das Guias de Recolhimento — GPS e Notas Fiscais de Entrada documentos emitidos e de guarda da própria impugnante, e ainda, que a constituição do crédito previdenciário está fundamentada, nos dispositivos elencados no relatório "Fundamentos Legais do Débito", fls. 30/32, onde destacamos: Lei N°8.212, de 24 de Julho de 1991: Art, 30. IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/1997) DecretoLei 2.848 — Código Penal, de 07 de dezembro de 1940: "Apropriação indébita previdenciária" "Art. 168A Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:" (Acrescido pela Lei n° 9.983, de 14 de julho de 2000) Determina o artigo 37 da Lei 8.212, de 1991, que: constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 2301005.497 S2C3T1 Fl. 182 9 de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. A falta de recolhimento, no prazo legal, das importâncias retidas dos segurados configura, em tese, crime contra a Previdência Social previsto no art. I68 A do Código Penal, introduzido pela Lei n.° 9.983, de 2000, o que ensejou a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais — RFFP. Referida representação será examinada pelo Ministério Público, na forma do art. 616 da Instrução Normativa SRP 03, de 14/07/2005 (DOU de 15/07/2005), não competindo ao Órgão Julgador Administrativo averiguar provimento da denúncia oferecida pela fiscalização. Relativamente ao pedido de perícia, a recorrente não demonstra em que a elucidação do caso dependeria de conhecimentos técnicos especializados para justificar a perícia; não apresenta quesitos, nem indica perito, considerando, assim, não formulado o pedido, nos termos do § 1ª do art. 11 c/c inciso IV do artigo 9° da Portaria Ministro de Estado da Previdência Social MPS n° 520 de 19.05.2004, DOU.: 20.05.2004 , que rege o contencioso administrativo fiscal de primeira instância: Art. 11. A autoridade julgadora determinará de oficio ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva Decisão Notificação, aquelas que considerar prescindireis, protelatórias ou impraticáveis. § 1° Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou pericia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9° Art. 9°A impugnação mencionará: IV as diligências ou puirias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostas os motivos que as justifiquem com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. A presente Notificação de Lançamento de Débito NFLD encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais c normativos que disciplinam o assunto, consoante discriminado nos Fundamentos Legais do Débito, às fls. 30/32, e ao disposto nos artigos 33 e 37 da Lei 8.212, de 1991, (fim da transcrição do voto contido no acórdão 0215.594) 15. Em vista do exposto, na eventualidade de não prosperar a solução indicada no item 8 supra, propõese, para fins de integrar o acórdão embargado, adotar os fundamentos da decisão contida no Acórdão 0215.594 exarado pela 7ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de julgamento de 24 de julho de 2007. (Assinado digitalmente) Fl. 186DF CARF MF 10 Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000788/2003-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA DA DRJ. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM.
A Turma da DRJ ao julgar desfavoravelmente a questão preliminar de a irregularidade de habilitação do seu representante legal, deixou de analisar questões de mérito, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Turma do CARF, deve o processo retornar a Turma da DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 1003-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a irregularidade de habilitação do seu representante legal e o retorno do processo a Turma DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA DA DRJ. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM. A Turma da DRJ ao julgar desfavoravelmente a questão preliminar de a irregularidade de habilitação do seu representante legal, deixou de analisar questões de mérito, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Turma do CARF, deve o processo retornar a Turma da DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 QUESTÕES NÃO ANALISADAS PELA TURMA DA DRJ. PREJUDICIAIS DE MÉRITO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. NECESSÁRIO RETORNO DOS AUTOS À TURMA DE ORIGEM. A Turma da DRJ ao julgar desfavoravelmente a questão preliminar de a irregularidade de habilitação do seu representante legal, deixou de analisar questões de mérito, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Turma do CARF, deve o processo retornar a Turma da DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a irregularidade de habilitação do seu representante legal e o retorno do processo a Turma DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 07 88 /2 00 3- 20 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 191 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 0002191 às fls. 1120, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$19.192,50. Em relação ao 1º e 3º trimestres de 1998 constam nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 0000100199800449620 e 0000100199800584810 os débitos a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional, código de receita 2973, apurado com base no lucro real. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR", em anexo. ARTS 1 e 4 L 7689/88; ART 25 COMB C/ ART 57 L 8981/95; ARTS 1 e 19 L 9249/95; ARTS 2 E 6 (COMBS c/ ART 28) E ARTS 30, 55 E 60 L 9430/96; ART 69 L 9532/97. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/CTA/PR nº 0617.025, de 06.03.2008, efls. 118122: PROCURAÇÃO IRREGULAR. Não se conhece de impugnação subscrita por advogado constituído por pessoa não detentora do poder de administração da pessoa jurídica autuada. Impugnação não Conhecida [...] No caso dos autos, existe uma assinatura, mas nada identifica o signatário; e a rubrica não confere com aquelas espelhadas no contrato social. Logo, nenhum indício autoriza sequer a inferir que se trata da assinatura de algum dos legítimos representantes da autuada. Por conseqüência, o advogado que subscreve a impugnação de fls. 0107 carece de legitimidade para representála, o que inviabiliza o conhecimento da peça defensória. Consta na Informação Fiscal DRF/Joinvile/SC, de 27 de abril de 2009, fls. 123124: Por sugestão do senhor relator, procedemos à análise do auto de infração, objetivando possível revisão de oficio do lançamento. [...] Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 192 3 AÇÃO JUDICIAL 9801041625 PIS SEMESTRALIDADE O auto de Infração n° 2191, de 16/06/2003 lançou débitos de CSLL dos períodos de apuração de janeiro e julho de 1998, tendo em vista a não validação das vinculações declaradas pelo contribuinte, com supostos créditos decorrentes das ações judiciais 9801020458 e 9801041625. [...] AÇÃO JUDICIAL 9801020458 FINSOCIAL A Ação Judicial n° 9801020458, foi ajuizada em 24 de Abril de 1998 visando: a) A declaração de inconstitucionalidade das alterações das alíquotas do FINSOCIAL promovidas pelas leis n° 7689/88, 7894/89, 8147/90; b) A Existência de crédito em favor dos autores e autorizar a compensação deste crédito com débitos de COFINS, IRPJ, CSLL e PIS. [...] Verificamos não haver amparo para qualquer revisão de ofício do lançamento lavrado pelo auto de infração n° 2191 de 16/06/2003, visto que as compensações pretendidas pelo contribuinte contrariam o teor das decisões judiciais transitadas em julgado. Notificada em 12.05.2009, efl. 128, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.06.2009, efls. 129141, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que tange à homologação tácita defende que: A Lei 9.784/99 é o norte do processo administrativo. Aqui estão insculpidos direitos do cidadãoadministrado face à administração. [...] Destarte, por determinação legal, tem a autoridade impetrada o prazo de 30 dias para decidir sobre os requerimentos a ela apresentados, podendo este prazo ser prorrogado por uma única vez, por mais 30 dias. [...] Em suma, evidenciado que após a apresentação do recurso, o prazo previsto em lei decorreu muito .acima do determinado, deve ser deferida a homologação tácita da defesa apresentada pelo contribuinte. [...] Como se não bastasse os prazos estabelecidos nas normas especificas que regem o procedimento administrativo, destacamos o prazo homologatório previsto no Código Tributário Nacional [...]. Assim, efetivada a impugnação, fica obrigada a Secretaria da Receita Federal a fazer a análise no prazo legal e extinguir ou não o crédito tributário. Porém, há que se considerar o prazo homologatório, quer seja, ele expresso, quer seja ele tácito, lembrandose que se em cinco anos da apresentação do requerimento não houver qualquer manifestação da administração, reputarseá homologado tacitamente o pedido do contribuinte. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Respeitante à legitimidade do procurador enfatiza que: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 193 4 Como podese observar pela documentação anexa, o representante da empresa apenas mudou sua assinatura, comprovada pelos documentos em anexo, que demonstram tratarse da mesma pessoa, documentos estes cuja idoneidade podem ser facilmente atestadas. No que concerne ao pedido conclui que: PELO EXPOSTO, requerse a este Egrégio Conselho de Contribuintes o encerramento do processo administrativo e extinção do crédito por falta de julgamento em tempo hábil; e, se assim não entender, o julgamento das razões alegadas na primeira instância, pois o processo foi corretamente instruído, retornando o mesmo a primeira instância de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente argui que a procuração geral para o foro, foi outorgada por instrumento particular regularmente assinado e que habilita o advogado a praticar todos os atos do processo. O Decreto nº 9.094, de 17 de julho de 2017, que trata da simplificação do atendimento prestado aos usuários dos serviços públicos, ratifica a dispensa do reconhecimento de firma e da autenticação em documentos produzidos no País, já que a diretriz entre a Administração Pública e os usuários dos serviços públicos é a presunção de boafé. Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/CTA/PR nº 0617.025, de 06.03.2008, efls. 118122: Por óbvio, ninguém pode delegar a terceiro poderes e competências que ele próprio não detenha. O instrumento de mandato de fls. 08 registra que os poderes são outorgados pela empresa autuante Mani Bebidas Ltda , mas omite o nome da pessoa física que, detentora do poder institucional de administrar a impugnante, o estaria outorgando aos mandatários, como se vê na seguinte reprodução do instrumento de mandato: [...] A irregularidade poderia ser relevada, caso existissem semelhanças entre as assinaturas conhecidas de algum dos sócios da impugnante e aquela estampada na procuração. Entretanto, em face da visível discrepância entre a assinatura aposta na procuração de fls. 08 e as assinaturas, espelhadas às fls. 10, pertencentes aos dois Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 194 5 sócios que subscrevem o contrato social da impugnante, esta foi intimada a apresentar (fls. 112) cópia do contrato social e/ou alteração contratual apta a comprovar que a pessoa que assinou a procuração se encontra legalmente investida na condição de seu administrador. Em resposta, a autuada apresentou nova cópia do contrato social (fls. 115 116). Ocorre, contudo, que as assinaturas dos sócios da impugnante, Sr. Silvio Valandro e Sra. Mariane Nossol Valandro, estampadas às fls. 10 e 116, não guardam qualquer semelhança com a assinatura aposta na procuração de fls. 08, que omite quem a subscreveu. [...] Ora, considerando a flagrante discrepância entre a assinatura estampada na procuração e as assinaturas dos sócios únicos administradores, nos termos da cláusula 13 do contrato social (fls. 10) , impõese a conclusão de que, até prova em contrário, a pessoa que teria outorgado aos causídicos o poder de representação, não é administrador da impugnante. A regra peremptória do art. 37 do Código de Processo Civil, Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, é que, sem instrumento de mandato, o advogado não será admitido a procurar. Acrescentese que o art. 38, do mesmo Código, condiciona a validade da procuração conferida por instrumento particular à circunstância de estar assinada pela parte. No caso dos autos, existe uma assinatura, mas nada identifica o signatário; e a rubrica não confere com aquelas espelhadas no contrato social. Logo, nenhum indício autoriza sequer a inferir que se trata da assinatura de algum dos legítimos representantes da autuada. Por conseqüência, 0 advogado que subscreve a impugnação de fls. 0107 carece de legitimidade para representála, o que inviabiliza o conhecimento da peça defensória. Estando assim convencido, voto pelo não conhecimento da impugnação. Na procuração por instrumento particular que acompanha a impugnação a Recorrente outorgou poderes para, entre outros, ao Sr. Agnaldo Chaise, OAB/SC nº 9.541, o fim específico de promover a defesa na esfera administrativa e judicial" aos outorgantes, fl. 08 (art. 105 do Código de Processo Civil) com a seguinte assinatura: Por seu turno na procuração por instrumento particular juntada ao recurso voluntário a Recorrente outorgou poderes para, entre outros, ao Sr. Arão dos Santos, OAB/SC nº 9.760, "defender seus direitos e interesses em todas e quaisquer ações em que o (a,s) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 195 6 outorgante (s) figure (m), seja (m) como autor (a,s), réu (ré,s) assistente (s), oponente (S), podendo ditos procuradores, para tal fim,usar dos poderes das cláusulas "ad judicia" e "ad negotia"" aos outorgantes, fl. 178 (art. 105 do Código de Processo Civil) com a seguinte assinatura: A Recorrente ratifica a legitimidade do procurador que "como podese observar pela documentação anexa, o representante [...] apenas mudou sua assinatura, comprovada pelos documentos em anexo, que demonstram tratarse da mesma pessoa, documentos estes cuja idoneidade podem ser facilmente atestadas." O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A Turma da DRJ ao julgar desfavoravelmente a questão preliminar de irregularidade de habilitação do seu representante legal, deixou de analisar questões de mérito, por restarem prejudicadas. Com a reforma dessa decisão pela Turma do CARF, deve o processo retornar a Turma da DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância (inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13976.000788/200320 Acórdão n.º 1003000.171 S1C0T3 Fl. 196 7 Em assim sucedendo, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a irregularidade de habilitação do seu representante legal e o retorno do processo a Turma DRJ para a análise das questões outrora prejudicadas constantes na impugnação, sob pena de supressão de instância. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001390/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a argüição de cerceamento do direito de defesa e vicio na origem do procedimento fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS.
E devido o lançamento de oficio sobre rendimentos de aluguéis percebidos pelo sujeito passivo. Não havendo comprovação inequívoca das alegações apresentadas na impugnação que ataca o lançamento fundamentado em relatório detalhado da autoridade lançadora, a infração apurada há de ser mantida.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS.
Constatada a omissão, é devido o lançamento de oficio para tributar, na forma da legislação de regência, o ganho de capital verificado na alienação de imóveis. Para apuração do imposto, considera-se o valor da alienação deduzido do custo de aquisição, sendo permitido excluir da base de cálculo a corretagem suportada pelo alienante.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00.
MULTA ISOLADA DE 50%.
Verificada a impossibilidade de identificar a fonte pagadora dos rendimentos de aluguéis recebidos pelo sujeito passivo, a multa isolada deve ser cancelada.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA DE 150%.
Constatada a ocorrência de prática dolosa tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, é devida a aplicação da multa de oficio qualificada, entretanto, não restando evidenciada, de modo inequivoco, tal prática a qualificação da multa deve ser excluía.
Numero da decisão: 2402-006.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade e dar-lhe provimento parcial para reduzir o percentual da multa de ofício ao patamar de 75%, onde essa foi aplicada no percentual de 150%
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido a ação fiscal regularmente instaurada mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, acompanhado da lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, dos quais o contribuinte teve regular ciência, descabe a argüição de cerceamento do direito de defesa e vicio na origem do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. E devido o lançamento de oficio sobre rendimentos de aluguéis percebidos pelo sujeito passivo. Não havendo comprovação inequívoca das alegações apresentadas na impugnação que ataca o lançamento fundamentado em relatório detalhado da autoridade lançadora, a infração apurada há de ser mantida. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS. Constatada a omissão, é devido o lançamento de oficio para tributar, na forma da legislação de regência, o ganho de capital verificado na alienação de imóveis. Para apuração do imposto, considerase o valor da alienação deduzido do custo de aquisição, sendo permitido excluir da base de cálculo a corretagem suportada pelo alienante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os créditos serão analisados individualizadamente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 90 /2 00 8- 29 Fl. 912DF CARF MF 2 observado que não serão considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. MULTA ISOLADA DE 50%. Verificada a impossibilidade de identificar a fonte pagadora dos rendimentos de aluguéis recebidos pelo sujeito passivo, a multa isolada deve ser cancelada. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA DE 150%. Constatada a ocorrência de prática dolosa tendente a reduzir expressivamente o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, é devida a aplicação da multa de oficio qualificada, entretanto, não restando evidenciada, de modo inequivoco, tal prática a qualificação da multa deve ser excluía. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento parcial para reduzir o percentual da multa de ofício ao patamar de 75%, onde essa foi aplicada no percentual de 150% (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Fl. 913DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 913 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 540 usque 558, voltado contra Acórdão emanado da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB, às fls. 511/532, que, por unanimidade de votos, julgaram parcialmente procedente a Impugnação apresentada. Transcrevo, por bem delinear a causa até a interposição do apelo, o relatório da decisão guerreada. Confirase: Para o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrado por Auditor Fiscal da DRF Brasília (DF), o Auto de Infração de fls. 426/454, referente ao imposto de renda pessoa física do ano calendário 2003. 0 crédito tributário apurado está assim constituído: A presente ação fiscal foi levada a efeito junto ao contribuinte por determinação do Ministério Público Federal e teve como objetivo verificar a efetividade da concessão de um empréstimo de R$ 200.000,00 pelo autuado a Carlos Augusto Lourenço Bahouth, sendo também objeto de apreciação no procedimento de oficio a movimentação financeira e a falta de apuração de ganhos de capital nas alienações de imóveis. 0 Termo de Verificação Fiscal elaborado pela autoridade lançadora registra que, no período de 16/05/2007 a 02/06/2008, o sujeito passivo foi intimado várias vezes no sentido de apresentar justificativas e documentos acerca das matérias alcançadas no procedimento fiscal em causa, conforme fls. 441/447. Para justificar o empréstimo de R$ 200.000,00 ao Sr. Carlos Augusto Lourenço Bahouth, bem como a origem dos respectivos recursos, o contribuinte apresentou cópia de um contrato particular, no qual informa que o empréstimo foi realizado em 27/02/2003, declarando que o lastro do empréstimo é proveniente de venda de imóvel em 2002. Fl. 914DF CARF MF 4 A autoridade lançadora destaca que o contrato em causa não possui requisitos fundamentais de validade e, em 31/12/2003, a declaração de bens e direitos apresentada pelo sujeito passivo não registra dinheiro em espécie nem saldos bancários, não sendo confirmado nos extratos do período em apreço saques que justificassem a origem da importância emprestada, fls. 172, 424 e 442. Depois do inicio da ação fiscal, o contribuinte apresentou proposta para retificar a declaração de bens e direitos, fazendo consignar a existência de créditos de empréstimos, dinheiro em espécie, créditos a receber da venda de um imóvel e dividas junto a familiares, nos valores de R$ 200.000,00, R$ 160.000,00, R$ 75.000,00 e R$ 226.666,66, respectivamente, fl. 44. A autoridade lançadora informa que não acatou a proposta de retificação, tendo em vista que não foi comprovada a disponibilidade financeira, sendo o efeito tributário repercutido na pessoa do tomador do suposto empréstimo de R$ 200.000,00. Da análise da documentação apresentada, juntamente com as demais informações obtidas perante terceiros, a autoridade fiscal apurou as infrações a seguir enumeradas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal As fls. 428/453: 001 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS DE PESSOA FÍSICA Os valores dos alugueis foram informados pelo sujeito passivo nas justificativas dos depósitos bancários e considerados nos meses em que foram recebidos, fls.428/429 e 443. 002 — OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS Os impostos devidos foram apurados levando em consideração os meses da ocorrência dos fatos geradores. 0 ganho de capital corresponde A alienação dos seguintes imóveis: • Unidade A, SMPW Quadra 05, CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB; • Unidade G, SMPW Quadra 05 CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB; • Prédio Comercial no lote 06, C12, Bloco J, Taguatinga (DF); • Apartamento 503, Quadra 10B, Lote 05, Caldas Novas (GO); • Casa Residencial, lotes 17/19, QSA 14, Taguatinga (DF); Fl. 915DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 914 5 • Casa QSB 16, terreno 08, Taguatinga (DF). Para o imposto decorrente da omissão de ganho de capital na alienação dos imóveis denominados Unidade G, Apartamento 503, Casa Residencial nos lotes 17/19 e Casa QSB 16, diante da ocultação dos bens e por ausência de declaração das alienações, a autorida e lançadora qualificou a multa de oficio em 150%, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 e dos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137/1990. 003 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA A autoridade lançadora anotou na descrição dos fatos e no Termo de Verificação fiscal que o contribuinte, intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados mensalmente em conta corrente bancária. 004 — MULTAS ISOLADAS Tais multas foram lançadas mensalmente em razão do recebimento de aluguéis de pessoa fisica sem o recolhimento antecipado de imposto de renda a titulo de carn6 leão. DA IMPUGNAÇÃO Depois da ciência do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação As fls. 457/468. Inicialmente faz referência aos termos do lançamento para, em seguida, expor suas razões de defesa. Cerceamento do Direito de Defesa Menciona que o lançamento foi efetuado sem considerar as provas , e esclarecimentos juntados pelo contribuinte, bem como as justificativas dos demais intimados pela fiscalização, sendo a ação fiscal direcionada para depósitos bancários, não disponibilizando informações ao contribuinte que auxiliassem na sua defesa, culminando com um Auto de Infração repleto de informações truncadas e sem nexo. Alega cerceamento do direito de defesa também pelo fato de a fiscalização não ter requerido ao fiscalizado a apresentação dos Fl. 916DF CARF MF 6 contratos de locação, os nomes dos locatários, a quantia a ser recolhida, data de pagamentos ou informações afins, limitando se a autoridade lançadora a solicitar justificativas sobre depósitos bancários. Alegando situações excludentes, aduz que o relatório fiscal da autoridade lançadora reflete iniciativa de compor valores apenas para lançar, mas que não são considerados para justificar a origem do empréstimo de R$ 200.000,00 concedido ao Sr. Carlos Augusto Lourenço Bahouth, em 27/02/2003, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa diante de informações no Auto de Infração que permitem a defesa integral das acusações. Do Empréstimo Para justificar a origem do empréstimo de R$ 200.000,00, concedido ao Sr. Carlos Augusto Lourenço Bahouth, o contribuinte esclareceu que alienou imóvel e se socorreu de parentes, todavia, a fiscalização não aceitou a explicação, mesmo o sujeito passivo tendo se disponibilizado a acertar a declaração de bens. Argumenta que recebeu no anocalendário 2002 valores que pertenciam ao espólio de seu pai e, como inventariante, também lhe coube a administração da parte dos imóveis que cabia a sua mãe e aos seus seis irmãos, recursos que formaram a origem para o empréstimo. Afirma que o contrato de empréstimo foi firmado sob a égide da confiança que as partes mantinham entre si, com prazo máximo para quitação em 365 dias, sem, contudo, fugir ao disciplinado no Código Civil, ainda mais quando realizado entre particulares podem ser pactuados de forma oral e tácita. Sobre o empréstimo concedido ao Sr. Carlos Augusto, acrescenta que credor e devedor gozam de amizade reciproca e muitas vezes esta relação é alternada, dispensando contratos e cobrança juros. Assevera que alguns valores que compõem o montante do empréstimo foram adquiridos no ano de 2002, estando, portanto, decadente a sua exigibilidade. Menciona que a fiscalização não levou em consideração o ganho de capital e a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem para justificar o valor do empréstimo. Entende que comprovou ter disponibilidade financeira para arcar co Q_ empréstimo ao Sr. Carlos Augusto, não sendo plausível e legal a cobrança desses valores por meio do presente Auto de Infração. Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas sujeito ao Carr& Ledo Manifesta que a locação de imóveis se perfaz dentro das normas do direito, tendo como locadores empresas que, além de reterem os valores a titulo de imposto de renda, repassa para conta do contribuinte os valores dos aluguéis por meio de depósitos bancários. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 915 7 Entende que parte dos valores de aluguéis pertence à esposa do contribuinte que administrava uma clinica médica e recebia rendimentos próprios de outras atividades e, por administrar as contas bancárias de forma adjacente, não pode o contribuinte arcar com a tributação da totalidade dos valores. Afirma ser completamente improcedente o auto de infração quanto omissão de rendimentos oriundos de aluguéis, estendida esta improcedência para as multas de oficio e isolada, bem como juros de mora e atualizações monetárias. Pugna pela exclusão da multa isolada, haja vista que o contribuinte não percebeu rendimentos de pessoas físicas. Ganho de Capital na Alienação de Bens 0 sujeito passivo salienta que apresenta novamente as justificativas para comprovar que não houve omissão de ganho de capital, quais sejam: 1. Unidade A, SMPW Quadra 05, CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB. Em 2003, outorgou uma procuração ao Sr. Olair Francisco com poderes para a venda do imóvel, contudo, a alienação nunca foi concretizada, sendo o imóvel relacionado em todas as declarações de bens do contribuinte nos anos subseqüentes, o que se prova por meio da certidão de ônus reais emitida pelo cartório competente e anexada aos autos. 2. Unidade G, SMPW Quadra 05 CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB. Imóvel loteado e vendido por partes sem o recolhimento de imposto sobre o ganho de capital, haja vista o entendimento de que somente seria devido ao final do loteamento e da venda completa de todos os lotes, pois não teria como apurar o custo individual de cada lote. 3. Prédio Comercial no lote 06, C12, Bloco J, Taguatinga (DF). Imóvel alienado em 2002 e, por decurso do tempo, nada hi de ser cobrando por ter ocorrido a decadência. 4. Apartamento 503, Quadra 10B, Lote 05, Caldas Novas (GO). Houve um lapso do contribuinte no tocante ao recolhimento do imposto de renda sobre o presente ganho de capital, posto que no meio de muitas vendas de imóveis não se recorda de todas operações. 5. Casa Residencial, lotes 17/19, QSA 14, Taguatinga (DF). Adquiriu o imóvel em 2002 pelo valor de R$ 315.000,00 e alienou no ano de 2003 por R$ 371.250,00. Todavia, recebeu R$ 240.000,00 em 2003 e o restante em 2004, motivo pelo qual entende não haver omissão de ganho de capital em 2003. Fl. 918DF CARF MF 8 6. Casa QSB 16, terreno 08, Taguatinga (DF). Este imóvel não chegou a integrar o patrimônio do contribuinte, pois foi recebido como parte de pagamento da venda do imóvel Casa Residencial, lotes 17/19, QSA 14, Taguatinga (DF), sendo que o corretor responsável pela venda lhe repassou apenas R$ 190.000,00, o mesmo valor da aquisição, ficando com ele a diferença entre alienação e custo do imóvel. 0 sujeito passivo concorda com a omissão de Ganho de Capital descrita no item 4. De outra forma, discorda da aplicação da multa de oficio de 150% sobre os ganhos de capital omitidos na alienação dos imóveis denominados Unidade G, Apartamento 503, Casa Residencial nos lotes 17/19 e Casa QSB 16, por entender que a omissão descrita caracteriza mero erro e não dolo, simulação ou fraude, considerando ainda que apresentou as justificativas quando questionado. Depósitos Bancários O impugnante alega que em resposta a todas as intimações foi enfático em comprovar os depósitos, fazendo referencia que os créditos alegados como não justificados não corroboram o valor neles apresentados. Menciona que é praticamente impossível comprovar todos os depósitos realizados na conta do contribuinte, porque praticamente a totalidade dos depósitos listada é composta por vários cheques. Citou o depósito de R$ 1.304,21, realizado no dia 23/06/2003, o qual corresponde ao somatório de vários cheques. Esclarece que, no anocalendário 2003, as pessoas jurídicas Auto Posto Ribeiro Ltda, Torneadora e Mecânica Santos Ltda e Ribeiro e Januário Empreendimento Eletrônicos Ltda, nas quais detinha participação societária, utilizavam sua conta bancária para transações monetárias. Da mesma forma procedeu com a Carla Clinica Médica, que era administrada por sua esposa. O contribuinte, como inventariante no processo de inventário de seu falecido pai e em razão da administração dos imóveis e empresa da família, recebeu e efetuou pagamentos, repassou valores para seus irmãos e sua mãe, conforme procuração. As despesas dos cartões de crédito e prestações de financiamento ‘do automóvel da esposa, bem como os cartões de crédito de cada um dos filhos, são debitados em sua conta corrente, demonstrando que não é o único a lidar com a conta bancária — todos sacam e também depositam. Entende que os valores estão justificados, não restando ao contribuinte arcar com o pagamento de um Auto de Infração que não lhe diz respeito exclusivamente. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 916 9 Protesta pela aplicação da Lei n° 9.430/1996, a qual estabelece que somente os depósitos bancários de valores elevados devem ser justificados, sendo relevados os de pequena monta. Repisa o fato de que parte dos valores objeto da presente infração pertence a sua esposa, a qual possuía rendimentos próprios, motivo pelo qual o fiscalizado não pode arcar com o ônus total da autuação. Multa Isolada 0 contribuinte discorda da aplicação da multa isolada, argumentando que os rendimentos em apreço não estão sujeitos ao recolhimento na modalidade carnd leão, porquanto os recebimentos são oriundos de pessoas jurídicas, cujos valores compõem receita do contribuinte e de sua esposa, a qual apresenta declaração em separado. Menciona que o Conselho de Contribuintes veda a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio, por ferir o principio constitucional da dupla punibilidade. De igual modo, considera descabida a qualificação da multa de oficio de 150%, por não existir prova efetiva de dolo, fraude ou simulação, mas mera omissão de rendimentos ocasionada por lapso. Pedido Requer o cancelamento do Auto de Infração. Junta aos autos os documentos de fls. 521/590. Em seu Recurso, preliminarmente, aponta que teria havido cerceamento de defesa por parte da Fazenda, uma vez que o Contribuinte teria sido induzido a erro durante a fiscalização, não sabendo, realmente, quais documentos deveriam ser juntados ou quais depósitos seriam analisados individualizadamente e, por isso, a defesa do ora apelante estaria limitada aos termos determinados pelo i. Auditor Fiscal. Afia que não ficaram explícitos quais os depósitos deveriam ser esclarecidos por parte do Contribuinte e não teria sido levado em consideração de que os depósitos que teriam sido juntados à Impugnação. Anexa, quanto aos meses do ano de 2003, diversos extratos dos depósitos feitos (fita de caixa) na conta do contribuinte que não foram citados pela fiscalização e que, por tal motivo, teria dificultado a defesa na presente demanda. São eles: 1) Depósito considerado no extrato do mês de janeiro de 2003 de R$225,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 125,00 (n. cheque 850295) e R$ 100,00 (n. cheque 003444); 2) Depósito considerado no extrato do mês de janeiro de 2003 de R$5.322,00 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$ 3.132,00 (n. cheque 850072), R$ 70,00 (n. cheque 000143), R$ 70,00 (n. cheque 575638), R$150,00 (n. cheque 100204) e R$ 1.900,00 (n. cheque 000638); Fl. 920DF CARF MF 10 3) Depósito considerado no extrato do mês de março de 2003 de R$560,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 442,00 (n. cheque 000819) e R$ 118,00 (n. cheque 850480); 4) Depósito considerado no extrato do mês de março de 2003 de R$191,66 que corrésponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 75,14 (n. cheque 595098) e R$ 116,02 (n. cheque 850289); 5) Depósito considerado no extrato do mês de abril de 2003 de R$1.144,00 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: R$ 1.000,00 em dinheiro, R$ 124,00 (n. cheque 001411) e R$ 20,00 (n. cheque 000839); 6) Depósito considerado no extrato do mês de abril de 2003 de R$10.220,69 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$ 6.052,69 (n. cheque 002777), R$ 38,00 (n. cheque 850415), R$230,00 ( n. cheque 851108), R$3.800,00 (n. cheque 850113) e R$ 100,00 (n. cheque 000859); 7) Depósito considerado no extrato do mês de maio de 2003 de R$5.299,00 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$ 340,00 (n. cheque 013448), R$ 130,00 (n. cheque 009189), R$ 2.000,00 (n. cheque 100275), R$ 123,00 (n. cheque 000153) e R$ 2.706,00 (n. cheque 000084); 8) Depósito considerado no extrato do Ines de junho de 2003 de R$1980,70 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$ 1.564,00 (n. cheque 000579), R$ 28,90 (n. cheque 000692), R$ 57,80 (n. cheque 850669), R$ 250,00 (n. cheque 850005) e R$ 80,00 (n. cheque 001400); 9) Depósito considerado no extrato do Ines de junho de 2003 de R$9.448,27 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: R$ 3.000,00 (n. cheque 850163), R$ 6.391,27 (n. cheque 000199) e R$ 57,00 (n. cheque 850135); 10)Depósito considerado no extrato do mês de junho de 2003 de R$70,70 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 39,90 (n. cheque 079234) e R$ 30,80 (n. cheque 002664); 11)Depósito considerado no extrato do rites de junho de 2003 de R$8.654,89 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 154,89 (n. cheque 003130) e R$ 8.500,00 (n. cheque 000394); Fl. 921DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 917 11 12)Depósito considerado no extrato do mês de julho de 2003 de R$1.399,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 215,00 (n. cheque 655951) e R$ 1.184,00 (n. cheque 001673); 13)Depósito considerado no extrato do mês de julho de 2003 de R$1.593,12 que corresponde na verdade a dezessete depósitos nos valores: R$ 57,29 (n. cheque 850133), R$ 27,00 (n. cheque 006124), R$ 124,00 (n. cheque 001057), R$ 102,49 (n. cheque 300004), R$ 74,64 (n. cheque 001391), R$ 40,00 (n. cheque 700204), R$ 55,00 (n. cheque 850243), R$ 25,00 (n. cheque 001489), R$ 50,00 (n. cheque 001012), R$ 100,00 (n. cheque 850447), R$ 120,00 (n. cheque 850770), R$ 140,00 (n. cheque 850155), R$ 146,00 (n. cheque 850425), R$ 110,00 (n. cheque 049633), R$ 51,00 (n. cheque 814279), R$ 170,00 (n. cheque 300416) e R$ 200,00 (n. cheque 850409); 14)Depósito considerado no extrato do mês de agosto de 2003 de R$2.054,22 que corresponde na verdade a quatro depósitos nos valores: R$ 1.520,00 (n. cheque 470811), R$ 377,00 (n. cheque 000443), R$ 43,00 (n. cheque 850113) e R$ 113,77 (n. cheque 410683); 15)Depósito considerado no extrato do mês de setembro de 2003 de R$2.804,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 132,00 (n. cheque 000214) e R$ 2.672,00 (n. cheque 573206); 16)Depósito considerado no extrato do mês de setembro de 2003 de R$2.668,72 que corresponde na verdade a treze depósitos nos valores: R$ 107,00 (n. cheque 000597), R$ 2.000,00 (n. cheque 400066), R$ 43,20 (n. cheque 850043), R$ 65,00 (n. cheque 000015), R$ 43,00 (n. cheque 004197), R$ 66,87 (n. cheque 001747), R$ 20,00 (n. cheque 662109), R$ 64,00 (n. cheque 900202), R$ 77,65 (n. cheque 000069), R$ 30,00 (n. cheque 00085), R$ 65,00 (n. cheque 851171), R$ 53,00 9n. cheque 850239) e R$ 34,00 (n. cheque 900211); 17)Depósito considerado no extrato do mês de outubro de 2003 de R$6.531,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 5.651,00 (n. cheque 000221) e R$ 880,00 (n. cheque 001722); Fl. 922DF CARF MF 12 18)Depósito considerado no extrato do mês de outubro de 2003 de R$2.320,00 que corresponde na verdade a cinco depósitos nos valores: R$2.000,00 (n. cheque 100489), R$ 70,00 (n. cheque 000245), R$ 70,00 (n. cheque 900023), R$ 60,00 (n. cheque 850639) e R$ 120,00 (n. cheque 000230); 19)Depósito considerado no extrato do mês de novembro 2003 de R$4.000,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 3.000,00 (n. cheque 100548) e R$ 1.000,00 (n. cheque 850450); 20)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$10.100,00 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: R$ 700,00 (n. cheque 001072), R$ 9.000,00 (n. cheque 850653) e R$ 400,00 (n. cheque 850063); 21)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$6.070,00 que corresponde na verdade a quatro depósitos nos valores: R$ 10,00 (n. cheque 850669), R$ 2.520,00 (n. cheque 000919), R$ 3.190,00 (n. cheque 851969) e R$ 350,00 (n. cheque 001737); 22)Dep6sito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$1.032,00 que corresponde na verdade a doze depósitos nos valores: R$ 210,00 (n. cheque 850669), R$ 70,00 (n. cheque 850935), R$ 70,00 (n. cheque 850547), R$ 200,00 (n. cheque 003780), R$ 40,00 (n. cheque 093417), R$ 25,00 (n. cheque 670024), R$ 110,00 (n. cheque 900232), R$ 47,00 (n. cheque 850572), R$ 50,00 (n. cheque 850122), R$70,00 (n. cheque 900182), R$ 70,00 (n. cheque 900214) e R$ 70,00 (n. cheque 000946); 23)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$2.590,77 que corresponde na verdade a seis depósitos nos valores: R$ 1.165,00 (n. cheque 000683), R$ 170,00 (n. cheque 850145), R$ 622,00 (n. cheque 850147), R$ 151,77 (n. cheque 850502), R$ 232,00 (n. cheque 001259) e R$ 250,00 (n. cheque 000310); 24)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$217,00 que corresponde na verdade a dois depósitos nos valores: R$ 47,00 (n. cheque 850572) e R$ 170,00 (n. cheque 850667); 25)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$35.000,00 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: Fl. 923DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 918 13 R$ 2.000,00 (n. cheque 400147), R$ 30.000,00 (n. cheque 013195) e R$ 3.000,00 (n. cheque 100547); 26)Depósito considerado no extrato do mês de novembro de 2003 de R$3.200,00 que corresponde na verdade a três depósitos nos valores: R$ 2.700,00 (n. cheque 000179), R$ 400,00 (n. cheque 003623) e R$ 100,00 (n. cheque 850396). Advoga no sentido de que a fiscalização estaria eivada de equívocos materiais, não podendo a autoridade administrativa, ainda que se esteja diante da inversão do ônus da prova, utilizarse de "mecanismos que distorçam o entendimento" do contribuinte. E continua, às fls. 548: "Era dever da autoridade requerer, através de intimações, a prova que necessitava para demonstrar o alegado pelo contribuinte, caso entendesse pertinente e não valerse de que o mesmo deixou de apresentálas, quando sequer sabia que era isso que devia ser feito. Ora, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários e alguns parcos documentos, veio aos autos e indicou que se tratavam de aluguéis, de vários depósitos, etc e mesmo depois de anunciar por diversas vezes do que se tratava a autoridade remeteu outras intimações sem ao mesmo questionar quanto aos documentos que fundamentavam as alegações do contribuinte, antes voltou a questionar apenas quanto aos depósitos bancários." Por considerar indevida a fiscalização por falta de fundamentação, requer a nulidade do auto por cerceamento de defesa. No mais, reprisa os mesmíssimos argumentos expostos na sua Peça de Defesa, acrescentando somente capítulo quanto a qualificação da multa, alegando que não caberia a aplicação de multa de 150% ao caso, por não tratarse de fraude mas, sim, mero equívoco que já teria sido, inclusive, justificado nas razões de defesa. Requer, portanto, o cancelamento do auto de infração. Junta, às fls. 559/565, extratos de Depósito em conta corrente. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 924DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Como se depreende do AR de fls. 539, o sujeito passivo tomou ciência da r. Decisão de piso em 17/08/2010, protocolando seu recurso em 03/09/2010, sendo, portanto, tempestivo. Verificando o que de mais consta dos autos, podese verificar que o apelo preenche também os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, à exceção do item II do Recurso Voluntário [Fl. 548] titularizado como "DO EMPRÉSTIMO" Como já esposado na decisão a quo, não foi imputada nenhuma infração ou lançamento referente ao empréstimo de R$ 200.000,00 que teria sido feito pelo Contribuinte a Carlos Augusto Lourenço Bahouth. Confirase o que salientado pelo i. Fiscal, às fls. 482: Intimado a comprovar a efetividade da concessão do empréstimo e a origem dos recursos emprestados, o fiscalizado apresentou cópia de um contrato particular de empréstimo, • que foi anexado As fls. 172, no qual Carlos Augusto Lourenço Bahouth declara que recebeu a quantia de R$200.000,00 em 27.02.2003, referente a um empréstimo pessoal. Sobre a origem dos recursos informou que o dinheiro emprestado é proveniente de venda de imóvel em 2002. Destacamos que em sua declaração de bens e direito relativamente A situação em 31.12.2003 não consta disponibilidade fjjianceira não são registrados dinheiro em espécie e nem em saldo bancários. h. kjQkit , Também da análise dos exatos bancários não foram confirmados saques em conta do contribuinte que justificassem este empréstimo. Verificamos que o contrato apresentado não dispõe sobre itens fundamentais como juros, data de vencimento da obrigação, embora o valor emprestado fosse significativo. [...] Uma vez que não foi comprovada a disponibilidade financeira, o fisco não acatou as justificativas do fiscalizado. O efeito tributário incidiu sobre o tomador do suposto empréstimo, também sob fiscalização. Portanto, haver decisão quanto a tal matéria seria entrar em demanda que não integra o presente processo, operando efeitos em lide que segue apartada. Outrossim, para além de ser matéria estranha aos autos, vislumbramos falta de interesse processual eis que não sendo autuado em razão de tal rubrica, sua batalha em tal tema somente se justificaria em defesa do direito alheio. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 919 15 Por não encontrar substância ou atender aos requisitos de admissibilidade, voto por não conhecer o Recurso Voluntário apenas neste ponto, mantendo assim o que já fora decido pela DRJ. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE. Aponto, desde logo, que preliminar de nulidade por cerceamento de defesa não merece guarida. Isso porque, por diversas ocasiões, o contribuinte foi chamado aos autos para entrega de documentos. À guisa de exemplo, as intimações de fls. 4 (com pedido de prorrogação às fls. 7, e respondida às fls. 8/257), fls. 259 (com pedido de prorrogação às fls. 272), fls. 274 (respondida às fls. 285/372) e fls. 373 (com pedido de prorrogação de prazo às fls. 378 e respondida às fls. 379/465) . Após as intimações, foi lavrado o Auto de infração de fls. 481/493, em que o i. Auditor explicita todas as razões para a lavratura do auto, conforme determinado pela Lei1. Daí houve intimação do Recorrente, às fls. 495, para resposta, tempo em que foi apresentada sua Impugnação. Denotase, portanto, que não houve, em momento algum, cerceamento do direito de defesa do recorrente, posto que ele sempre esteve presente nos autos e teve conhecimento de todo o caminho percorrido pelo Fisco para a constituição do Auto. Não logra êxito em demonstrar qualquer bruma que dificultasse o entendimento no cumprimento de qualquer das exigências requisitadas ou, ainda, sobre a necessidade/impossibilidade de entrega de quaisquer documentos que julgasse necessários para a instrução do procedimento. Como reza o inc. II do art. 373 da Carta Processual Civil, aplicável no processo administrativo tributário, o ônus da prova recai sobre aquele que busca modificar, impedir ou extinguir um direito, neste ponto tal posição é ocupada pelo Recorrente. Por conseguinte, alegar que não estava "claro" como deveria ser apresentada sua Impugnação ou mesmo o Recurso Voluntário não convém, até porque tratase de norma legal. Vêse, pois, que o recorrente apenas reagita a matéria de cerceamento sem, no entanto, ter qualquer fundamento. Com isso posto, resta inconteste que, ao contrário do que alegado no recurso, não existem quaisquer equívocos ou prejuízos a ampla defesa e contraditório que importem em nulidade por cerceamento de defesa. Não há que se falar, de igual modo, em falta de fundamentação ou de "elasticidade" demasiada no trabalho fiscal, posto que os autos se encontram processualmente saneados e materialmente bem respaldados. Logo, a preliminar não prospera devendo ser afastada. 1 Art. 10 do Decreto n° 70.235/72: Fl. 926DF CARF MF 16 3. MÉRITO. 3.1. DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS. Diz o relatório fiscal (fls. 482): Verificamos nos documentos encaminhados pelos Cartórios de Registro de Imóveis que o fiscalizado alienou vários imóveis sem a devida apuração do ganho de capital, sendo que alguns imóveis não eram declarados pelo contribuinte. Algumas alienações de imóveis somente vieram ao conhecimento do fisco porque o fiscalizado teve que justificar a origem de depósitos bancários em conta de sua titularidade, e apresentou contrato particular de compra e venda. Argumenta o Recorrente, nos mesmíssimos moldes de sua Impugnação, que haveria cerceamento de defesa, inicialmente que, "porquanto que a autoridade fiscal ou faz prova de que o contribuinte dispunha de valores suficientes para resguardar o empréstimo ou de que o mesmo não infringiu as normas pertinentes ao ganho de capital. NÃO pode a fiscalização argüir em seu favor duas alternativas excludentes, brincando com a seriedade do feito, na ânsia de lançar algo e livrarse da incumbência, vedando ao contribuinte saber ao certo o que compõe de fato e de direito a sua imposição tributária." (fls. 550) Já tendo sido analisada a premissa de cerceamento de defesa (e conseqüentemente afastada), serão analisadas, de forma pormenorizada, as compras e vendas realizadas. 3.1.1 UNIDADE A, SMPW QUADRA 05, CJ 13, LOTE 07, PARK WAY, BSB. Salienta o Relatório Fiscal, às fls. 51: Conforme Instrumento Público de Procuração, as fls. 76 do Anexo I, em 06.02.2003, o fiscalizado outorgou poderes, em miter irretratável, a Olair Francisco, CPF 380.956.10100, para, em relação ao imóvel acima identificado, vender, transferir, transmitir posse, domínio, direito e ação, dentre outros pelo preço de R$40.000,00. Intimado a esclarecer a operação o contribuinte apresentou a certidão de ônus real, no qual sob protocolo 170.486, o Cartório de 40 Oficio de Registro de Imóveis informa que o imóvel é de propriedade do fiscalizado e sobre ela não ele não existe ações reais e pessoais. Considerando que a procuração tem caráter publico e que no modo os poderes foram outorgados, em caráter irrevogável, caracteriza a venda do imóvel, por meio do chamado "contrato de gaveta". Não foi apresentado o instrumento público de revogação da procuração. O Contribuinte, por sua vez, tanto na Impugnação, quanto no Apelo: (...) o contribuinte, no ano de 2003, outorgou uma procuração para o Sr. Olair Francisco dandolhe poderes para a venda do imóvel em comento. Contudo, a venda nunca foi perfectibilizada* por esse mero procurador, constando o Fl. 927DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 920 17 imóvel em todas as declarações dos anos subseqüentes do contribuinte. Ainda, verificase a propriedade através da Certidão de ônus Real anexada em seara de investigação a esse feito. (grifo do original fls. 552) A DRJ, ao analisar a questão, firmou que: Não obstante os argumentos de que o imóvel não foi alienado, cumpre esclarecer que, para apuração do ganho de capital, são considerados as operações que importem em alienação a qualquer titulo, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos, nos termos do disposto no § 3 0, do art. 3 0, da Lei n° 7.713/1988: (...) Dessa forma, diante da fundamentação cravada pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal e no Auto de Infração, bem como a procuração em causa própria outorgada pelo sujeito passivo ao Sr. Olair Francisco, acostada à fl. 76, considerase efetuada a alienação em 06/02/2003. Analisandos os argumentos e documentos acostados aos autos, não é possível acolher o pleito recursal. Embora, mesmo após devassar as contas do Recorrente, o fisco não tenha identificado qualquer ingresso compatível com a operação imobiliária em foco e a despeito do imóvel tido por alienado continuar registrado sob propriedade do Recorrente, conforme Certidão juntada aos autos às fls. 291 outras questões favorecem a tese fiscal. Percebam que a fl. 663 consta procuração em causa própria conferida ao Sr. Olair para que promova a venda do imóvel em questão a quem quiser, não tendo tal documento validade estipulada, sendo irretratável e irrevogável. Notem ainda que o Recorrente utiliza tal forma de alienação em diversas outras oportunidades, como comprador ou vendedor, sempre negociando imóveis por meio de procuração. Embora não reste claro que tratase de procuração em causa própria, tal como previsto no Código de 1916 Art. 1317, I e, atualmente, regrado no Art. 685 do Código Civil promulgado pela Lei 10.406/022, eis que faltam informações quanto a quitação do preço e a possibilidade de transferência para sí, o fato de não haver prazo para execução do mandato, permite que tal imóvel seja negociado com terceiros a qualquer tempo. Assim, pode manter o imóvel em sua posse e dele usufruir como se proprietário fosse e, desejando, alienálo décadas depois. Com isso, o vendedor deixaria de registra ganho de capital e o comprador deixaria de pagar ITBI, por exemplo. Portanto, o fato de manter a propriedade, não é suficiente para descaracterizar a compra e venda, ainda que por meio do chamado contrato de gaveta. 2 “Conferido o mandato com a cláusula “em causa própria”, a sua revogação não terá eficácia, nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatário dispensado de prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais”. Fl. 928DF CARF MF 18 Desse modo, voto por manter o lançamento quanto ao ganho de capital referente a Unidade A, SMPW Quadra 05, CJ 13, Lote 07, Park Way, BSB. 3.2.2 UNIDADE G, SMPW QUADRA 05 CJ 13, LOTE 07, PARK WAY, BSB. Quanto a tal Unidade, a fiscalização impôs que: "Conforme escritura As fls. 177, em 07.05.2003 a unidade G foi alienada pelo preço de R$160.000,00 a Nelson Guimarães da Fonseca, CPF 358.869.00187. Embora tenha declarado a alienação deste imóvel o fiscalizado não apurou o ganho de capital nesta operação." A DRJ decidiu que: "A escritura pública de compra e venda apresentada à fl. 177 demonstra que o imóvel foi vendido por R$ 160.000,00, em 07/05/2003. A fiscalização apurou custo de aquisição proporcional de R$ 18.750,00 e, em conseqüência, ganho de capital de R$ 141.250,00. No entanto, o sujeito passivo comprova que suportou despesas de corretagem na alienação do presente bem, no valor de R$ 10.000,00, conforme recibo trazido fl. 250. Assim, nos termos do § 5° do art. 123 do Decreto n° 3.000/1999, a infração decorrente de ganho de capital será reduzida de R$ 141.250,00 para R$ 131.250,00." O Recorrente se manifesta: "(...) conforme já exposto anteriormente em razões de defesa, o contribuinte loteou o imóvel em comento, tendo vendido por partes e deixado de recolher os valores de ganho de capital por entender que somente seria devido ao final do loteamento e da venda completa de todos os lotes. Isso porque não teria como apurar de forma individual, sem que compusesse o ganho total, tomando em conta a apuração do custo total do imóvel e não de cada lote." Sem reparos na decisão de piso. Isso porque, o loteamento não exime o contribuinte da apuração de ganho de capital, uma vez que a alienação dos imóveis não integrantes da incorporação ou loteamento é tributada como ganho de capital da pessoa física de seu titular, ou não se sujeita à tributação, se atendidas as condições dos arts. 22 (bens de pequeno valor) e 23 (único imóvel) da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Mantida, assim, a infração. 3.2.3 PRÉDIO COMERCIAL NO LOTE 06, C12, BLOCO J, TAGUATINGA (DF). O Relatório Fiscal dá conta de que: O imóvel acima identificado foi alienado em 24/09/2002, para Hélio Alves de Andrade, CPF 455.283.90630, nas seguintes condições: R$50.000,00 de entrada e o restante em 06 parcelas Fl. 929DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 921 19 de R$25.000,00 vencendo a primeira em 24.10.2002 e as demais em igual dia dos meses subseqüentes, conforme escritura As fls. Assim, em 2002 foi recebido o valor de R$125.000,00 e em 2003 o valor de R$ 75.000,00, não foi apurado o ganho de capital. 0 custo de aquisição deste imóvel foi de R$13.000,00 e a parte a que faz jus o fiscalizado é de 1/6 do imóvel (...) Tendo em vista o regime de caixa a que estão sujeitas As pessoas fisicas, foi apurado o ganho de capital proporcional As parcelas recebidas no ano de 2003, conforme abaixo demonstrado: A DRJ, por sua vez: Realmente o imóvel foi alienado em 2002, contudo, parte do valor da venda foi paga ao sujeito passivo em 2003, como mostra a descrição dos fatos assentada à fl. 444. Dessa forma, conforme estabelece o art. 140 e §§ do Decreto n° 3.000/1999, o ganho de capital foi apurado na proporção dos valores recebidos em 2003. O Contribuinte, em sua Impugnação e Apelo: Conforme expõe a autoridade fiscal, o imóvel foi alienado no ano de 2002, data essa em que foi apurado o ganho de capital, por essa razão, não há nada a ser cobrado pelo fisco, por decurso de prazo. Por ter ocorrido a decadência, conforme decidiu o STF. Conforme esculpido no art. 21 da Lei nº 7.713/88, adicionada ao Decreto nº 3000/99, em seu art. 140, concluise: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Além disso, o §1º do art. 140, incluído apenas no Decreto: §1ºPara efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Portanto, não há que se falar, no caso, em decadência do direito de lançar, uma vez que dentro do prazo de 5 (cinco) anos determinado pela Súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal.8 Mantenho, portanto, o lançamento. 3.2.4 CASA RESIDENCIAL, LOTES 17/19, QSA 14, TAGUATINGA (DF). O RF, às fls. 485: Fl. 930DF CARF MF 20 Conforme escritura As fls. , em 08/09/2003 o imóvel acima identificado, foi alienado 41/ para REINALDO WAGNER TAVEIRA, CPF 182.944.561/97 por R$ 371.250,00. Este imóvel foi adquirido em 01.04.2002 pelo valor de R$ 315.000,00. Essa operação não foi declarada pelo contribuinte e somente veio ao conhecimento do fisco quando foram apresentadas justificativas para comprovar a origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. Conforme consta do contrato de compra e venda em 2003 foi recebido o valor de R$240.000,00 o restante em 2004 Este lançamento é relativo ao ganho de capital auferido no ano de 2003, o ganho de capital sobre os valores recebidos em 2004 será objeto de lançamento posterior. 0 ganho de capital proporcional A parcela recebida em 2003 é de R$36.363,64 conforme demonstrado a seguir: A d. DRJ, ao analisar o caso diz que: Está correta a apuração de ganho de capital registrada A. fl. 445. Do valor da alienação — R$ 371.250,00 —, o sujeito passivo recebeu R$ 240.000,00 em 2003 e o restante em 2004. Assim, no anocalendário autuado, conforme estabelece o art. 140 e §§ do Decreto n° 3.000/1999, o ganho de capital foi apurado proporcionalmente ao valor de R$ 240.000,00. O Contribuinte, em seu Recurso, reprisando as razões de sua Impugnação alega que: (...) conforme dispõe a própria autoridade fiscal o presente imóvel foi adquirido no ano de 2002 pelo valor de R$ 315.000,00 e vendido no ano seguinte (2003) pelo valor de R$ 371.250,00. Ocorre que no ano de 2003 não foi apurado ganho de capital com a venda, pelo simples motivo de não ter incidido ganho de capital nessa alienação. No ano de 2003 o valor recebido pelo contribuinte decorrente da alienação foi apenas de R$ 240.000,00, ou seja, parte do investimento inicial, não tendo havido ganho algum. Contudo, novamente é descabida a cobrança da multa qualificada a 150% apenas por erro do contribuinte no ano seguinte, quando se configurou o ganho de capital, ainda mais quando não há prova de que houve dolo, simulação ou fraude para o não recolhimento do ganho de capital. Além disso, repisa a situação quando a própria autoridade fiscalizadora refere, em seu relatório (pg. 20), que o fiscalizado apresentou documentos de aquisição e venda quando intimado a justificar deposito bancários em conta de sua titularidade. Vislumbrase que a iniciativa do contribuinte nunca foi de simular, fraudar e muito menos agiu com dolo, do contrário não teria apresentado as justificativas quando questionado. Atentamos para o fato de que nunca lhe foi perguntado sobre esse recolhimento, muito menos exigido, por essa razão tratarse apenas de mera omissão que não se agrava com multa de 150%. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 922 21 Neste ponto a insurgência do Recorrente se limita a qualificação da multa. Nesta operação, diferente do que ocorra em outra realizada por meio de procuração, ou contrato de gaveta, o contribuinte, como a própria fiscalização registra, efetivou o negócio as claras, promovendo o registro público do contrato de compra e venda. Sendo sua única infração neste caso o não pagamento e ausência de declaração, não restando demonstrado nenhum ardil, simulacro ou fraude dolosamente comentida com o intuito de ilidir obrigação tributária. O artigo 44, da Lei 9.430/96, determina que: "Art. 44 Nos casos de lançamentos de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição": I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, Pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 7 1, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." O entendimento quanto a tal matéria já está há muito assentado no âmbito desta Corte, pondose à luz a Súmula CARF nº 14, que reza: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, em análise do caso, e muito embora a omissão de tais pagamentos não tenham sido únicos, posto que tal omissão também ocorreu quanto a outras unidades (que serão a seguir tratadas), não entendo como devida a multa no patamar de 150%, uma vez que não fora devidamente comprovada a intenção deliberada de omitir os valores devidos a título de ganho de capital. Assim entendese porque a Fiscalização não foi capaz de comprovar nenhum comportamento arredio por parte do Contribuinte ou mesmo que houvesse, em qualquer momento, falsidade material ou ideológica, ou ainda que teria o fiscalizado deixado de atender às intimações. Com efeito, à míngua de comprovação do dolo por parte do contribuinte, tendo ele mesmo reconhecido o erro quanto ao ganho de capital de tal empreendimento, deve ser a multa agravada de 150%, reduzida ao patamar de 75%, mantendose no entanto, a necessidade do recolhimento do valor de R$ 36.363,64 referente ao ganho de capital na alienação do imóvel. Fl. 932DF CARF MF 22 3.2.5 APARTAMENTO 503 CONDOMÍNIO RESIDENCIAL ECOLOGIC PARK DAS TERMAS, RUA JUSCELINO KUBISTHECK QUADRA 1° B, LOTE 05, CALDAS NOVAS E CASA — QSB 16, TERRENO 08, TAGUATINGA — DF. Quanto a tais imóveis, diz o RF, às fls. 485, respectivamente, que: "Conforme escritura As fls. , em 21/08/2003 o imóvel acima identificado, foi alienado para MIRTES GERALDA MARTINS, CPF 062.925.69187 por R$ 70.000. Este imóvel foi adquirido em 01/03/2000 pelo valor de R$ 48.000,00, todavia não constou das declarações de bens do fiscalizado, que apresentou os documentos de aquisição e venda quando foi intimado a justificar depósitos bancários em conta de sua titularidade. O ganho de capital= R$22.000,00 (R$70.000,00 – R$48.000,00)." "Conforme documentos As fls. , em 17/11/2003 o imóvel acima identificado, foi alienado para HIZA MARIA S CARPINA, CPF 782.228.00159, em 17/11/2003 pelo valor de R$210.000,00. O custo de aquisição em 08/09/2003 foi de R$190.000,00, (fls. ) Na aquisição e a alienação do imóvel foram utilizados instrumentos particular de compra e venda, não foram declarados e somente vieram ao conhecimento do fisco quando da apresentação de justificativas dos créditos em conta bancária. Ganho de Capital = R$ 20.000,00 (R$210.000,00 – RS190000,00)" A DRJ. tratou apenas da Casa QSB 16, terreno 08, Taguatinga (DF), nos termos que (fls. 526): Diz o impugnante que adquiriu o imóvel por R$ 190.000,00 e o alienou por R$ 210.000,00, tudo no anocalendário 2003, no entanto, suportou despesas de corretagem de R$ 20.000,00, motivo pelo qual não houve omissão de ganho de capital. Compulsando os autos, extraise da fl. 390 que o imóvel foi mesmo alienado por R$ 210.000,00, no entanto, documentação alguma foi apresentada para comprovar o efetivo pagamento da alegada despesa de corretagem, o que resulta na manutenção da infração aplicada pela autoridade lançadora. O apelante, na mesma linha do tópico anterior, aduz, que: Apartamento 503 Condomínio Residencial Ecologic Park das Termas, Rua Juscelino Kubistheck Quadra 1° B, lote 05, Caldas Novas: no presente caso houve um lapso por parte do contribuinte, no tocante ao ganho de capital, pois no meio de muitas vendas de imóveis não pode recordarse de todos. Contudo, novamente é descabida a cobrança da multa qualificada a 150% apenas por erro, quando não há prova de que houve dolo, simulação ou fraude para o não recolhimento do ganho de capital. (...) (...) Fl. 933DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 923 23 Casa — QSB 16, Terreno 08, Taguatinga — DF:o imóvel em comento não constou também na apuração por ter o contribuinte recebido o mesmo como parte do pagamento da venda do imóvel referido no item 05 acima (Casa residencial Lote 17/19 na QSA 14 Taguatinga). Importa salientar que essa casa sequer chegou a ficar no patrimônio do contribuinte, considerandose que o corretor que vendeu a casa, quando da realização do negócio, ficou com o saldo da diferença entre o valor de entrada do imóvel no negócio e a venda que o corretor mesmo realizou, tendo repassado apenas o valor de R$ 190.000,00. Assiste parcial razão ao Recorrente. Já como anteriormente antecipado, o fato de o contribuinte não ter logrado comprovar o recolhimento dos valores, só por si não caracteriza evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44, da Lei nº 9.430/96. A mera infração de dispositivo de Lei, mesmo em casos em que o resultado é a diminuição do pagamento do tributo, não é autorizado ao Fiscal presumir o intuito de fraude. Tal observação deve acompanhar prova que o sujeito efetivamente empenhouse em induzir a autoridade administrativa a erro, seja forjando documentos ou por juntarse a outros indivíduos para a conduta fraudulenta. Fiandose em tais premissas, voto por reduzir a multa aplicada para o patamar de 75%, uma vez que o próprio Contribuinte foi quem trouxe aos autos as informações quanto a tais alienações, conforme reconhecido pelo i. Auditor Fiscal: "(...) e somente vieram ao conhecimento do fisco quando da apresentação de justificativas dos créditos em conta bancária." No mais, forçoso reconhecer a necessidade do recolhimento do imposto, uma vez que o Contribuinte não logrou êxito na comprovação de que não houveram tais alienações ou que o valor teria ficado com o corretor. Por isso, voto por reduzir a multa ao patamar de 75% e mantenho a necessidade do recolhimento dos valores de R$ 22.000,00 e R$ 20.000,00, respectivamente, referentes à alienação dos imóveis Apartamento 503 Condomínio Residencial Ecologic Park das Termas, Rua Juscelino Kubistheck Quadra 1° B, lote 05, Caldas Novas e Casa — QSB 16, Terreno 08, Taguatinga — DF. 3.3. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O REFISC registra: "Omissão de Rendimentos no valor de R$251.659,00 caracterizada por valores creditados em conta corrente mantida junto ao Bradesco, durante o ano de 2003, cujas origens não foram comprovadas com documentação hábil e idônea conforme determina o art. 849 lido Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99." (...) Fl. 934DF CARF MF 24 "E o contribuinte foi então intimado a comprovar os valores depositados em conta corrente no ano calendário de 2003 no valor de R$757.336,72 (fls ). O montante excluído de R$505.677,64 compreende os valores de cheques devolvidos, e de créditos oriundos de alienações dos imóveis(...)" Quando do Julgamento, a DRJ decidiu que: (...) as alegações resumidas (...) não são insuficientes para afastar a ocorrência do fato gerador da infração em apreço. A simples citação de um depósito composto por vários cheques, a utilização da conta do sujeito passivo para débitos em nome de sua esposa e seus filhos, a menção de que sua conta era utilizada para movimentar transações de pessoas jurídicas e valores relacionados a inventário dos bens de seu falecido pai, em nenhum momento nos autos lograram comprovar, com documentação hábil e de forma individualizada, a origem dos depósitos e créditos relacionados pela fiscalização na omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários. Não prospera a menção feita na impugnação que as explicações foram solicitadas pela autoridade lançadora com imprecisão, tendo em vista que está evidente nos autos que a fiscalização solicitou justificativas ao contribuinte e requereu comprovação da origem dos depósitos como foram consignados nos extratos bancários." O recorrente, em seu Recurso, reprisa os mesmos termos da sua Impugnação quanto a tal matéria. Sem razão o apelo. Conforme balizado pela decisão a quo, haveria necessidade de comprovação individualizada dos depósitos bancários para que fosse afastada a determinação de que, sobre eles, incidiriam o imposto de renda. Nesse ponto, esclareceu a decisão objurgada: "Como se verifica dos termos do dispositivo legal acima, o depósito bancário cujo titular da movimentação, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, tornase sujeito à tributação, por presunção legal de omissão de rendimentos, enquadrandose perfeitamente na situação que configura ocorrência de fato gerador, conforme preconiza o art. 43 do CTN." De fato, ainda que o recorrente participasse de diversas empresas, conforme afirmado às fls. 555, deveria identificar todos os depósitos efetuados em sua conta. Muito embora tal tarefa compreenda trabalho faraônico, não pode este Tribunal afastar a tributação incidente sobre tais valores sem a mínima certeza de que não são, indiscutivelmente, fatos geradores de imposto de renda. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 924 25 Ademais, se além de ter participação societária em diversas empresas, o recorrente também geria recursos de familiares, haveria a necessidade de comprovação de repasse de tais valores, o que poderia (aqui facilmente) ser realizado. Não se olvida que o apelante tornouse inventariante no processo de falecimento de seu pai, conforme documento acostado às fls. 95, no entanto, conforme esposado, haveria a necessidade de fundamentação e idônea demonstração do repasse dos valores que fossem alusivos a tal objeto. Quanto a isso, o entendimento desta Corte é Sumular3: Súmula CARF nº 32 A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Por não ter logrado êxito em provar que sobre os depósitos não haveria incidência do imposto perseguido, nossa posição resta alinhada ao entendimento da DRJ no sentido de manter o lançamento. 3.4. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS SUJEITOS AO CARNÊLEÃO E MULTA ISOLADA. O Termo de Verificação Fiscal, aponta, às fls. 483: "O contribuinte informou de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas durante o ano calendário de 2003, no valor de R$15.120,00, valor inferior ao efetivamente recebido, conforme informado por ele mesmo em suas justificativas de depósitos bancários, as fls. Embora alegasse que somente uma parte lhe pertencia não logrou comprovar esta informação. Destacamos que nem mesmo o nome do inquilino foi declarado, tampouco a qual dos seus imóveis se referia a locação. Considerando que o valor do aluguel foi depositado mensalmente em sua conta corrente e que não foi comprovado o seu repasse a terceiros o valor da diferença apurada foi lançado a titulo de rendimentos omitidos." A Delegacia julgou no sentido da manutenção do lançamento, sob o argumento de que: "O contribuinte declarou sua esposa como dependente na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004, anocalendário 2003, fl. 424. Com efeito, nos termos da legislação tributária, não merece guarida a alegação exposta no parágrafo anterior, haja vista a obrigatoriedade de informar na declaração todos os rendimentos percebidos pelo declarante e seus dependentes. Neste caso, como os 'cônjuges não apresentaram declaração em separado, fica excluída a hipótese de se tributar os aluguéis produzidos pelos bens comuns do casal na proporção de 50% para cada cônjuge, devendo a totalidade dos referidos 3 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018 Fl. 936DF CARF MF 26 rendimentos ser informada na Declaração de Ajuste Anual do cônjuge que declarou o outro como seu dependente, nos termos do art. 6° do Decreto n° 3000/1999. Verificase, do conteúdo das fls. 353 e 443 que o próprio contribuinte afirma que os rendimentos objeto da omissão apurada são oriundos de alugueis, todavia, não é possível identificar a fonte pagadora de tais rendimentos, motivo pelo qual a Multa Isolada será cancelada. Portanto, os documentos constantes dos autos mostram que a infração deve ser mantida, pois o contribuinte confirmou o recebimento dos alugueis, contudo, sem a incidência da multa isolada, uma vez não ser possível a identificação da fonte pagadora dos respectivos rendimentos. As manifestações do Contribuinte repetemse em sua Impugnação e Recurso, dando conta de que: "(...) há que se atentar que em momento algum lhe foi requisitado tais informações, porquanto a autoridade fiscal direcionou toda a sua fiscalização para as justificativas de depósitos bancários, não tendo questionado ou exigido que lhe fossem informada a origem das locações, quais eram os inquilinos, de que imóveis se tratavam ou mesmo de quem era os valores." E continua, às fls. 551: "A locação de imóveis perfezse dentro das normas do direito, tendo como locadores empresas que além de reterem os valores a titulo de imposto de renda, por tratarse de um recolhimento exclusivo de fonte, também repassaram os valores dos aluguéis para as contas do contribuinte através de depósitos bancários (tudo conforme se verifica das declarações constantes neste presente feito)." (...) "Ainda, é de excluirse a multa isolada, quando comprovado que o contribuinte não percebeu seus rendimentos de pessoas fisicas, portanto, não estava sujeito ao carnêleão (Recurso Voluntário, Acórdão n. 150575, 6a Câmara, Rela. Ana Maria Ribeiro dos Reis)." Não assiste razão ao Recorrente. Confirase o texto do primeiro item do Termo de Intimação Fiscal 02, às fls. 259: 1 Informar e comprovar a origem dos depósitos bancários, listados em anexo, referentes à sua conta corrente no Banco Bradesco S/A efetuados nos anos de 2003, 2004 e 2005. Portanto, em havendo depósitos referentes a locação de imóveis, nada mais claro que demonstrar por quem foram depositados e a qual imóvel é referente. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 14041.001390/200829 Acórdão n.º 2402006.460 S2C4T2 Fl. 925 27 Muito embora tenha restado evidente, ainda pela decisão de piso, que os valores são realmente devidos a título de aluguel, não houve confirmação acerca de serem feitos por pessoa jurídica ou sequer mera indicação de quais imóveis se referem. Esbarra de novo o contribuinte no que já exposto no sentido de que bastaria, a tempo da interposição do recurso, juntar documentação hábil e idônea de tais alugueres para que fosse afastado o lançamento, o que, como visto, não foi feito. Embora o Recorrente questione a aplicação de multa isolada, este foi afastada pela DRJ, e devido ao valor o reexame não se faz necessário, razão pela qual não há que se julgar tal ponto. No que concerne ao crédito tributário voto por mantêlo conforme lançado. 3.5. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Em conformidade com as alegações recursais os pedidos de revisão da penalidade qualificada já fora analisado caso a caso de modo pormenorizado, sendo dispicienda nova analise neste ponto. CONCLUSÃO, Ante a tudo que fora exposto voto por conhecer parcialmente do Recurso, afastando a preliminar de nulidade e no mérito darlhe parcial provimento apenas para redução da multa de oficio nos caso mencionados no voto. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 938DF CARF MF
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